Três de Novembro

Postado em: 30/01/2019
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Capítulo Único

Banloo Club
Madrid, Espanha

Dois de novembro de 2017, 22h15

esperava naquela fila infernal há horas. Esperava no frio, cansada dos saltos altos que trazia nos pés e das besteiras que as amigas falavam em seu ouvido. Apesar de ser quase seu aniversário, não queria estar ali. Ela preferia mil vezes a maratona de filmes que havia proposto às amigas como forma de celebrar o novo ano de vida que se iniciava para ela. Dezenove primaveras, ou talvez outonos, quase invernos, pelo frio que fazia naquela região. Ela só queria suas pantufas, o pijama de flanela e as pipocas que tinha comprado e que fora obrigada a deixar dentro do armário. Qual era o problema das pessoas em respeitar os desejos da aniversariante para seu próprio aniversário? Ora pois, a festa era dela e, com isso, ela que deveria escolher como celebrar.
estava tão distraída em pensamentos que nem reparou quando seus ídolos do futebol passaram a uma distância mínima de seus olhos. Talvez, e só talvez, se ela tivesse esticado o braço, tocaria um fio de cabelo de Isco Alarcón, a bochecha de , o braço de Marco Llorente e de Nacho Fernández ou mesmo sentiria o perfume delicioso que Toni Kroos exalava. Mas ela estava distraída demais para isso. Estava distraída demais para perceber que era o único desacompanhado, e que ele quase se afastou do grupo por tê-la encarado por mais tempo do que o convencional para um olhar. Tudo o que ela queria era não estar ali, mas, sem saber, ela havia se tornado tudo o que queria para aquela noite.

(...)


Quando as amigas finalmente conseguiram acessar a parte interna da balada já passava da meia noite, o que significava que tinha completado aniversário na fila congelante do lado de fora, mas nem isso desanimava as amigas, que insistiam que precisava estar ali. Juliana, Clara e Giovana pareciam estar se esbaldando, cada uma com um copo diferente e colorido nas mãos, como se suas vidas dependessem daquilo, e demorou menos de dez minutos para que cada uma fosse para um lado, encontrasse uma companhia, e deixassem a amiga em questão sóbria, encostada ao balcão, tomando um copo de mojito, que ela sabia que duraria uma eternidade na sua frente, se dependesse de sua vontade de estar ali.
— Quero o mesmo que esta nena está tomando. — uma voz sensual disse em algum ponto ao lado de , mas ela nem lhe deu atenção, ainda encarando o bar à sua frente. — Nena?
— Fala comigo? — finalmente respondeu, a voz endurecida pelo abuso da pessoa, enquanto virava meio rosto para encarar quem falava com ela.
E ela desejava estar mais preparada para encarar a pessoa que estava ao seu lado. Ela desejava estar mais animada, como qualquer uma das jovens requebrando o quadril ao som do reggaeton que tocava na balada. Ainda bem que ela estava sentada, ao menos. Caso contrário, seria um belo tombo. a encarava com segundas, terceiras, vigésimas intenções, e ela podia decifrar cada uma, já que o jovem não fazia a mínima questão de disfarçar o olhar descarado que deixava nas pernas desnudas da jovem.
— Sim, nena. Falo contigo. — , agora identificado, respondeu, chegando ainda mais próximo dela, esticando o copo de mojito que já trazia nas mãos em direção a ela.
— E o que um homem como você quer comigo? Posso saber? — quis saber enquanto esticava seu copo até que fosse possível ouvir o tilintar dos vidros ao serem tocados, em um brinde.
— Quero dançar, vem comigo. E não, isso não é um convite. — disse enquanto piscava um dos olhos de uma forma tão sensual que nenhuma mulher poderia resistir, quem dirá , uma mera mortal.
— Só porque essa é uma das minhas músicas favoritas. — respondeu assim que ouviu o começo de Despacito tocar na balada.
Ela não queria enganar ninguém. Qualquer coisa que a convidasse para fazer, ela aceitaria com prazer. Não estava nem aí se ele era um jogador famoso e que, como ela, poderia ter mais duzentas naquela noite. Ela tinha que aproveitar a oportunidade que havia acabado de cair em seu colo. E, assim como as músicas foram passando, vários copos de mojitos foram sendo descartados e outros foram sendo consumidos, até que os jovens não tivessem mais nenhum controle de seus corpos, ou qualquer máscara que escondesse seus desejos.
A mí me gusta que me traten como dama, aunque a veces se me olvide cuando estamos en la cama. cantava com uma voz baixa no ouvido de a música Mayores, de Becky G, que era reproduzida na balada. — A mí me gusta que me digan poesía, al oído por la noche cuando hacemos groserías. Me gusta un caballero, que sea interesante, que sea un buen amigo, pero más un buen amante.
E, enquanto a música tocava, fazia questão de repetir cada verso que era tocado à exaustão, ao mesmo tempo em que rebolava o corpo, que estava completamente enroscado ao corpo de . A mão dele já repousava tranquila na cintura da jovem, o copo de mojito frio, trazendo uma sensação deliciosa ao corpo da jovem, que se aquecia cada segundo mais.
Yo no soy viejo, pero tengo la cuenta como uno. Si quieres a la cama, yo te llevo el desayuno. Como yo ninguno, un caballero con veintiuno... recitou a continuação da música no ouvido dela, fazendo com que se arrepiasse por completo com aquela declaração. — Y en la cama te duro lo que él no dura. Yo estoy activo 24/7, conmigo no hacen falta los juguetes, yo todavía nuevo de paquete…
E, como se houvesse um modo para tal, eles encostaram ainda mais os corpos, e quem visse de fora poderia jurar que eles se tornariam um só a qualquer instante. Era exatamente isso que eles queriam, o jogo pervertido de provocarem um ao outro e de se levarem aos limites, até que um perdesse a cabeça. E foi exatamente isso que aconteceu no exato instante em que Ginza preencheu o salão. rebolou o corpo com força no colo de e sentiu o exato momento em que ele perdeu total noção do que fazia. As mãos dele já passeavam pela barriga da jovem por baixo do tecido leve da camisa que ela vestia, e o blazer que ela tinha escolhido para tentar não congelar de frio do lado de fora estava desaparecido. Não que ela se importasse – o calor que fazia ali a obrigaria a se desfazer da peça de qualquer forma. Ela só se deu conta de que os movia quando teve o corpo pressionado contra o balcão, no qual sinalizou uma nova bebida para os dois.
— Não, eu prefiro uma água. — sinalizou enquanto pedia uma garrafinha do líquido gelado, que desceu como um agrado delicioso para a garganta seca.
Ela não fazia ideia do que estava fazendo no exato instante em que, com um certo esforço, ficou de frente para , que bebericava o copo de mojito e revezava o olhar entre os olhos, os lábios e o decote da jovem. Lábios que logo foram cobertos pela garrafa de água que a jovem havia pedido. Enquanto virava o líquido, ela aproveitou um segundo de distração de para derrubar a água fria sobre o próprio decote, deixando que o líquido escorresse desde os lábios, até que se perdesse no vale dos seios.
— Ops. — disse de forma arteira enquanto via percorrer o caminho das gotas d’água com olhos, devorando os pedaços de pele expostos da jovem.
— Não se preocupe. — a voz sensual de não dava a mínima dimensão do que ele faria a seguir.
colocou a boca sobre o início do colo da jovem, lambendo a água que havia escorrido. Só que ele fazia o caminho inverso, começando do ponto em que a água havia se perdido, até o local onde tudo aquilo havia iniciado. Tudo o que ele mais queria era se perder nos lábios pintados de carmim que a jovem usava, a cor do pecado. Tudo o que ele queria era deixar rastros de fogo por todo corpo sensual e provocante, que se roçava contra o dele a todo instante.
— Preciso de um lugar privado. Onde encontramos um?
— Você leu meus pensamentos, nena.
E foi naquele instante em que largou de qualquer jeito o copo de bebida pela metade em cima do móvel e uniu as mãos às de , arrastando-a para longe dali. Para onde se iniciaria a festa particular que ambos tinham em mente. Não que eles acreditassem que poderiam chegar a qualquer prédio àquela altura, mas eles gostariam de tentar. O fogo que eles sentiam precisava daquilo.

(...)


Tão logo eles chegaram a suíte do hotel e bateram a porta nas suas costas, fez o que tanto desejava desde que havia colocado os olhos na jovem distraída da fila. Arrancou-lhe um beijo de tirar o fôlego, pintando os próprios lábios de carmim.
Não apenas os lábios ficaram pintados de vermelho, como também todo pedaço de pele que era despido enquanto os beijos e as carícias apareciam. Tinha que ser ali, naquele instante. Tinha que ser pele na pele, respiração conjunta. precisava daquela sensação de pertencimento, ainda que sequer soubesse o nome da jovem que estava deitada embaixo de si. precisava da sensação de preenchimento, a sensação de que, ainda que por um momento, era querida, desejada e idolatrada, exatamente como reconhecia no olhar do jogador, que passeava por seu corpo a todo instante. E ele fez exatamente como havia prometido, 24/7, ainda que fosse por apenas um dia. Um dia que foi capaz de fazer estragos desconhecidos.
Estrago para , que tinha total ciência de que ninguém mais a preencheria como ele a preenchia.
Estrago para , que nunca tinha tido aquela sensação com nenhuma outra. E foi assim que celebrou os dezenove anos, uma festa privada, repleta de posições, gestos, toques e orgasmos maravilhosos. E a data que acabara de se iniciar nunca sairia de sua mente, exatamente como a sensação de que aquele era o melhor aniversário que ela poderia desejar ter no mundo.
— Como eu devo te chamar? Desculpe por não ter perguntado antes. — disse, depois de mais uma rodada de sexo, dessa vez sobre a pia do banheiro.
Nena. Eu gosto quando você diz isso, quando me chama assim. — respondeu, ainda que desejasse dizer o nome para ele.
— Então vamos, nena, que temos muito o que fazer essa noite.
E eles voltaram a enroscar os próprios corpos de qualquer jeito, agora embaixo do chuveiro, para que, assim que terminassem, repetissem todo o processo encostados na porta de entrada, no chão, no sofá, na parede, na mesa da varanda, na pia e só então na cama, onde um repousou abraçado ao outro, como se eles se conhecessem há anos. Ou, talvez, há vidas.

(...)


Quando os primeiros raios de sol da manhã invadiram o quarto, acordou apressada, sem acreditar realmente no que havia acontecido. Ela só teria certeza mesmo ao ver dormindo relaxado e tranquilo no colchão, o dorso totalmente desnudo, fazendo que ela imaginasse o que mais havia por ali.
apenas recolheu suas roupas em silêncio e planejava uma forma de sair do quarto sem acordá-lo, para que não houvessem conversas desnecessárias. Assim que sua mão tocou a fria maçaneta que a levaria para o corredor do hotel, algo lhe disse para que deixasse um bilhete na cômoda, e assim ela o fez. Pintou os lábios de carmim uma última vez, antes de deixar um beijo no fim do recado, que era repleto de mistérios.
Poucas horas depois, acordou confuso, sentando-se apressado na cama, já que tinha total certeza de que havia uma jovem ao seu lado quando apagou, cansado, depois das infinitas rodadas de sexo que fizeram. Já não havia mais nenhuma peça que o lembrasse da jovem em questão, mas um papel branco, que repousava ao lado de seu celular e chamou sua atenção.

“Quero te agradecer pelo melhor aniversário da minha vida. Obrigada por ser especial e por fazer com que a minha noite terminasse tão bem. Eu sei que não preciso me apresentar. Se você quiser, vai me encontrar, certo, jugador? Você chegará até mim quando quiser. Sei que não sou uma “one night stand” para você.
Com carinho, de tua nena,
.”


— Se eu quiser, e como quero, vou te encontrar, mi nena respondeu enquanto juntava os lábios ao beijo de batom vermelho, que ocupava a parte de baixo da folha.
Ele a encontraria de novo, tinha certeza disso. Só desejava não ter de esperar por trezentos e sessenta e cinco dias por isso. Faria antes, bem antes. Qualquer coisa para ter os lábios na cor carmim, e o corpo no paraíso.
Exatamente como ela também queria.


Fim



Nota da autora: Oi gente!!! Olha eu aqui com mais uma fic com jogador de futebol… Eu juro que tento mudar o estilo dos meus principais, mas é quase impossível com esse tanto de jogador maravilhoso que tem nesse mundão grandão… Eu não queria, mas né… 🤦🏻‍♀️🤷🏻‍♀️ Bom, essa fic foi escrita como um presente de aniversário pra uma amiga minha (Tai, te amo!), e eu não sabia se eu postava ou não, por ter sido algo que eu escrevi pra ela… Mas né, acho que dá pra perceber que eu resolvi postar e é isso…
Bom, caso queiram conversar, falar sobre a fic, ou, simplesmente, divulgar algo que vocês escrevam, é só me mandar nas redes sociais aí embaixo. Vou ficar muito honrada com o retorno!
Vejo vocês na próxima!
Um beijo, um queijo e um cheiro,
Ju ❤



Todas as minhas outras fics no site se encontram na página de autora.


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