FFOBS - Trocando as Sapatilhas, por Mariana Aguiar

Última atualização: 21/04/2018

Capítulo 1


Quando pequenos, começamos a sonhar com nossas carreiras e escolhas futuras, imaginamos nossas vidas detalhadamente, sem nenhum erro, sem nenhum problema. Sonhamos com fama, dinheiro, facilidade, beleza, dentre outras coisas. Mas aí a gente cresce e percebe que absolutamente nada é conforme você planeja, talvez uma coisa aqui ou lá, todavia as dificuldades que enfrentamos nos assombram cada dia que passa.
Não, ela não era aquela garota que saiu da casa dos pais aos 17 para poder cursar uma faculdade de dança porque eles queriam que fizesse medicina; nem aquela garota que tem uma mãe neurótica que precisa da filha 100% perfeita no ballet.
mora em Londres, na Inglaterra, e estuda na Royal Academy of Dance, em vez de 17, tem 21 anos e, por incrível que pareça, os pais são as pessoas que mais a apoiam nessa área. Desde pequena sonhava em ser uma grande bailarina, fazia ballet desde os 3 anos de idade e, por mais que tivessem passado outras ideias pela cabeça, o balé sempre foi a predileta. E talvez não possa reclamar da dificuldade de ser uma bailarina, já se apresentou em 4 grandes peças e o pai conhece pessoas, que conhecem pessoas, que conseguem bons espetáculos para ela. Ele tem um escritório de advocacia, mas a quantidade de clientes que fazem de tudo o que se pode imaginar é incrível.

O dia tinha começado cedo hoje, as aulas de treinamento consumi-la-iam até as duas da tarde em plena sexta-feira.
- Bom dia, – a professora falou alto ao chegar no estúdio. – Como estamos hoje?
- Bom dia, senhorita Heidi. – saudou terminando de amarrar os laços da sapatilha. – Estamos bem, com um pouco de dor nos pés, mas bem. – sorriu, ajudando-a a ligar o som.
- Tem usado o creme que te dei? Ele alivia bastante as dores e os calos.
- É, eu usei sim, mas está tudo bem. Final de semana eu ponho eles para descansar. – garantiu, colocando-se no meio da sala e posicionando-se em frente ao espelho com Heidi ao seu lado.
A música começou suave, assim como os passos precisos. O ritmo dos pés seguiam as notas altas da melodia. Conforme a senhora Heidi se desfazia em passos, ela seguia prestando atenção em cada detalhe. Mostrou-se confiante quando precisou rodopiar algumas vezes enquanto a professora a observava. Os pés precisamente bem colocados frente ao joelho enquanto vez ou outra dava impulsos em volta do corpo, as mãos em arco em volta da cintura sorrindo alegre por conseguir calçar os pés no chão após cinco voltas e continuar com a dança.
Seguiram assim até o horário determinado. Ensaiando até o pés se cansarem e a respiração exigir uma pausa.
- Muito bem, . Você estará pronta rapidinho para O Lago dos Cisnes. – a professora elogiou enquanto desligava a música.
- A senhora não imagina como fico feliz com isso. – agradeceu enquanto retirava a sapatilha e colocava tênis brancos no lugar.
- Bom, nos vemos na segunda-feira?
- Sim, segunda-feira. – concordou e levantou vendo a professora sair da sala. Recolheu de dentro da bolsa um short mais soltinho para vestir em cima do collant e uma blusa mais despojada junto com um casaco par do short.
Jogou a bolsa pelos ombros e recolheu a garrafinha d’água seguindo para fora da sala. Passou pelos corredores em direção a saída observando o ensaio de outras garotas. Adorava admirar as garotas mais novas dançando, os passos ritmados e tão pequeninas. Enquanto descia as escadas do colégio, o celular começou a vibrar loucamente no bolso do casaco. Prontamente ergueu o aparelho frente ao rosto, vendo o rosto da melhor amiga sorrir numa foto que havia tirado há muito tempo e colocado como fundo toda vez que ela ligava.
- Diga-me o que queres. – saudou já retirando as chaves do carro de dentro da bolsa e ouvindo vozes pelo telefone.
- Olá, melhor amiga que acidentalmente me esqueceu durante uma semana. – falou do outro lado e foi obrigada a gargalhar em seguida, imaginando o tamanho do bico que ela fazia.
- Tamanho drama que você faz. – revirou os olhos seguindo para o estacionamento atrás do carro. – Essa semana, infelizmente - ou talvez felizmente -, estava lotada de ensaio e você sabe disso.
- É lógico que eu sei, bobinha, mas como hoje é sexta-feira, queria te fazer um convite. – solicitou e já pôde imaginar o que seria. – Você está me ouvindo?
- Estou, pode falar. – proferiu enquanto entrava no carro e jogava a bolsa para o banco do carona, colocando o celular no viva-voz apoiado no painel.
- Que tal sairmos hoje à noite? Sabe, meus amigos da faculdade estão combinando de ir no Cirque le Soir e achei que seria legal se você fosse conosco. – revirou os olhos já sabendo que seria isso. Ligou o carro enquanto isso e se dirigiu até as ruas.
- Seus amigos da faculdade? – perguntou e pôde se ouvir um murmúrio do outro lado confirmando. – Ah, não sei... Eu estou tão cansada.
- Por favorzinho, . Vai ser legal, eu prometo.
- Eu não confio muito nas suas promessas. – falou rindo sabendo que ela revirava os olhos do outro lado. – Tudo bem, podemos ir, mas se for chato você vai me pagar um McDonald’s.
- Como você pode manter esse corpinho de bailarina comendo besteira? – ela reclamou rude arrancando uma gargalhada da amiga.
- Genética, meu bem. Você vai lá pra casa?
- Yep, só vou arrumar minhas coisas e já estou indo.
- Tudo bem, tchau.

Chegou em casa e os pais provavelmente estavam no trabalho, afinal a casa estava um silêncio só. Subiu para o quarto a fim de tomar um banho antes de chegar.
Após se despir, seguiu para o banheiro da suíte e tomou um banho quentinho, acolhedor e muito relaxante. Enrolou os cabelos numa toalha e o corpo apenas com um roupão, já ouvindo a buzina do lado de fora, avisando que Lauren havia chego.
Desceu as escadas daquele jeito mesmo e abriu a porta para uma toda desajeitada segurando suas coisas.
- Deixa que eu te ajudo. – riu enquanto pegava uma mala e fechava a porta. – Você vai passar o final de semana inteiro aqui ou é só impressão minha? – perguntou enquanto retornava ao quarto com ela em seu encalço.
- É só impressão sua, bobinha. Vim preparada para qualquer mudança de planos.
- Então se eu quiser ficar em casa, assistindo filmes e comendo besteiras, tudo bem? – sorriu mostrando os dentes pra ela, que revirou os olhos.
- Óbvio que não. Você não tem chance. – ela se jogou na cama depois de ter largado as coisas no chão do closet. – Não sei porque implica tanto em sair comigo, você vai gostar do pessoal da faculdade, sabe...
O restante da frase ela não pôde ouvir, pois naquele momento ligou o secador para deixar os cabelos secos e poder descansar muito antes de qualquer festa.
- Escuta aqui, você não me ignora não. – a melhor amiga apareceu no banheiro, gritando por cima do barulho do secador.
As duas ficaram a maior parte do tempo rindo, conversando e planejando a roupa que iriam usar até chegar o momento em que teriam que se arrumar.

Estavam na Cirque le Soir já fazia mais ou menos uma hora e os amigos de Lauren só sabiam conversar sobre o curso de Direito e mais umas baboseiras que realmente não estava interessada. Um deles até tentou puxar papo com a garota, mas não obteve muito sucesso.
- Amiga, eu vou ao banheiro, ok? – se ergueu do sofá indo falar ligeiramente com .
- Você quer que eu te acompanhe? – ela perguntou prontamente.
- Não, capaz. Pode ficar. Não demoro. – piscou e saiu de lá ajeitando o vestido cinza colado ao corpo.
Enquanto andava tranquilamente pelo meio daquelas pessoas que estavam ali para se divertir, se pegou sorrindo, imaginando como seria tudo isso com os amigos do colegial que estavam se tornando famosos nos EUA. Eles tinham formado uma banda e, por incrível que pareça, ela tinha dado super certo. Não se viam tinha uns bons anos.
Caminhou até o bar apoiando as costas no balcão. Ela realmente não queria ir ao banheiro, só queria achar algo que agradasse mais do que os amigos de . Não que eles fossem chatos, só não faziam o seu tipo.
- Com licença, a senhorita gostaria de algo para tomar? – um barman perguntou e ela se virou rapidamente para ele, observando seu sorriso galante.
- Eu não costumo beber em bares, mas eu aceito uma dose de tequila e depois quem sabe um Dry Martini.
- Você não costuma beber em bares, mas hoje vai passar dos limites? – uma voz rouca e pesada soou ao seu lado bem próximo ao ouvido. O corpo inteiro de se arrepiou, fazendo com que o calor que sentia antes se dissipasse completamente.
- Desculpe - tentou proferir voltando a atenção ao rapaz ao lado. O sorriso sacana que ele carregava no rosto tirava toda e qualquer concentração. ‘Cacete, da onde ele tinha surgido?’ –, eu te conheço?
- Acredito que não, mas se isso for um problema, prazer, . – ele estendeu a mão em frente ao corpo e prontamente segurou. – Na verdade, é , mas eles só me chamam assim quando estão muito bravos.
- Certo. Eu sou . – sorriu enquanto aqueles olhos penetravam sua alma a deixando completamente sem graça. Sem exageros, o cara era um Deus grego que estava lhe dando vontade de cometer pecados.
- . - ele proferiu o nome dela calmamente e a garota nunca tinha achado esse nome tão lindo quanto agora.
- Seus drinks, senhorita. – o barman falou atrapalhando qualquer coisa que ele falaria a seguir.
- Muito obrigada. – se virou para o balcão e segurou a dose de tequila em mãos pronta para virar de uma vez só, porém mãos fortes pararam seu braço na metade do caminho. Olhou confusa para .
- Seria uma total falta de cavalheirismo eu não te acompanhar nesta dose. – ele falou e depois pediu mais uma dose ao barman.
A garota não falou nada, apenas assentiu aguardando sua dose chegar, para então poderem virar de uma vez só aquele líquido que ardia a garganta. nunca fora muito fã de bebida alcoólica, ainda mais com todas as apresentações e toda a rotina. A bebida só a deixava cansada e fazia com que os treinos fossem um desgaste total.
Se equilibrou melhor nos saltos e virou de frente para enquanto bebericava o Dry Martini e via ele fazer o mesmo com uma garrafinha de cerveja.
- O que você faz, ? Nunca a vi por aqui. – disse dando mais um longo gole na cerveja.
- É minha primeira vez neste lugar para ser sincera. Minha amiga me arrastou até aqui com uns amigos da faculdade. – comentou apontando para e seu grupo de amigos. Com certeza a melhor amiga estava achando estranho toda a demora no banheiro.
- Ah, certo. Você cursa o quê? – parecia bem interessado em saber sobre ela, mas na cabeça de aquilo só poderia significar uma única coisa: um bom papo, um bom beijo, uma carona e então sexo. Depois daquilo ele falaria que ia ligar e sumiria.
- Não faço faculdade com eles. Eles cursam direito aqui próximo. Mas eu... Bom, eu estudo na Royal. – sorriu sem graça, se acomodando numa banqueta ao lado, já que depois de um dia inteiro treinando com uma sapatilha de pontas os pés não aguentavam mais nem um minuto em pé.
- Você dança? Sabia que sua postura só poderia ser de uma dançarina. Balé?
- Isso mesmo. E você, ? – perguntou usando seu nome, lhe arrancando um sorriso charmoso.
- Bom, eu terminei a faculdade faz 2 anos. Agora ajudo meu pai a administrar a empresa.
- Um homem de negócios? – ela riu da careta que ele fez ao ouvir a pergunta. – Você tem pinta de homem importante, usando terno em plena balada de sexta-feira.
- Eu nunca nego uma boa cerveja e uma boa conversa após o trabalho. – ele se aproximou mais da garota, deixando suas pernas quase coladas. – Devo dizer que estava extremamente cansado, mas meu colega ali - apontou para um homem conversando com uma mulher morena mais ao canto – me convenceu a dar uma saidinha e devo dizer que não me arrependi nem um pouco. – nessa hora com certeza o rosto de estaria escarlate.
- Você é um cara galanteador, . – frisou o apelido e levou o copo a boca deliciando-se rapidamente com o líquido.
- Serei mais ainda quando te ver dançar. – ele segurou na mão dela, impulsionando a mesma a levantar do banco. – Me acompanha?
- Seria uma honra. – sorriu, seguindo com o mesmo até a pista de dança.
A música que tocava não tinha nada a ver com as que ela dançava, mas o ritmo era contagiante e logo o corpo começou a se movimentar quase que sozinho, enquanto o homem atrás segurava a cintura dela e a acompanhava nos movimentos. A corrente elétrica que passava pelo corpo de era surreal, cada vez que ele apertava a cintura com precisão, querendo demonstrar que estava interessado, o corpo reagia.
Ela se virou de frente pra ele, passando os braços pelos ombros largos coberto pelo terno preto enquanto o mesmo deixava suas mãos passearem de cima a baixo ao lado do corpo dela.
- Seria um pecado se eu não fizesse isso agora. – falou enquanto segurava o queixo da garota com uma das mãos, levantando seu rosto suavemente até ficar em frente ao dele. Os dois já sabiam o que estava por vir, só não esperavam que a corrente elétrica que passou pelos corpos fosse tão forte que um simples encostar não fora o suficiente.
A boca de abriu lentamente e sua língua invadiu com precisão a boca de , sem desespero nenhum, como se ele tivesse todo o tempo do mundo para beijar naquele instante. encaixou a mão na nuca do homem, arranhando o local com as unhas enquanto a língua acompanhava a dele. As mãos fortes dele a puxavam para mais perto, como se quisesse unir os corpos.
Oh, ela estava ficando realmente excitada apenas com aquele beijo. Céus, esse homem só podia ser fruto da imaginação. Além de gato, beijava maravilhosamente bem, como se fosse formado em beijo de língua.
Ao colar mais os corpos, pôde sentir sua pélvis encostar na dele e sentiu o quão excitado ele também estava. Os corpos se desejavam cada vez mais que aquele beijo seguia profundamente.
- Céus, eu queria poder te levar pra minha casa agora mesmo. – ele murmurou contra os lábios da garota e ela fechou fortemente os olhos deixando um sorriso escapar. – Seria muito errado, certo?
- Se eu pensasse como o meu corpo, seria mais do que certo, mas como eu, infelizmente, não penso desta forma, seria erradíssimo. – riu, afastando seus corpos antes que eles fizessem os dois acabar numa cama naquele momento.
- , cara, nós estamos indo. – o homem que antes tinha apontado dizendo como seu amigo, surgiu na frente deles segurando a mão da moça morena que antes conversava com ele ao canto da balada. – Tudo bem?
- Vai lá, Jack. – bateu nas costas do amigo e sorriu em seguida querendo sumir dali o mais rápido possível. – Nos falamos amanhã.
- Certo. Tchau, moça. – o tal do Jack falou sorrindo e a moça que o acompanhava deu um tchauzinho para que em seguida retribuiu.
- Se você quiser ir embora também, não tem problema não. – ela falou rapidamente olhando em direção a que olhava para todo o canto do lugar, provavelmente atrás da mesma.
- Você realmente acha que vou perder a oportunidade de te beijar mais algumas vezes? Está muito enganada. – ok, naquele momento a calcinha dela molhou de verdade.
- Então eu só preciso alertar minha amiga que estou com alguém, já faz meia hora que sai para ir ao banheiro e não voltei. – sorriu amarelo apontando para que tinha uma ruga de interrogação na testa.
- Oh, ela parece bem preocupada. – falou sorrindo enquanto segurava na mão da garota e a acompanhava até .
- Céus, ! Onde você se meteu? Quer me matar do coração, mulher? Eu ainda sou muito nova para morrer, por favor. – falou vindo em seu encontro se jogando nos braços da amiga num abraço desajeitado.
- Ok, você está bêbada? – perguntou enquanto tentava equilibrá-la nos próprios pés. – Que pergunta idiota, é claro que você está bêbada! Eu só dei uma sumidinha rápida. – apontou para que observava tudo com uma cara divertida, deveria estar achando graça da situação.
- Ah... Entendi. – ela falou enquanto jogava os cabelos para o lado e soluçava ao mesmo tempo. – Você vai embora com esse cara? Pelo amor do santo Deus, use camisinha. – ela falou baixinho no ouvido de a arrancando uma gargalhada.
- Não! Não vou embora com ele e não vou transar com ele, pare de ser maluca. – revirou os olhos para a amiga enquanto essa entornava mais um copo de bebida. – E você vai embora como nesse estado?
- A noite é uma criança, . Eu não sei como vou embora, talvez eu vá de carona, não se preocupe. Curta sua noite, ok? Estou de olho. – ela fez o movimento dos dedos em direção à amiga e depois nos próprios olhos.
- Tudo bem, me ligue se precisar de algo. – deu um beijo em sua bochecha e foi até que estava encostado no bar deliciando-se com outra cerveja.
- Sua amiga está legal? Ela parece um pouco bêbada. – o homem em sua frente riu enquanto observava com seus amigos.
- Ela passou um pouco dos limites hoje - ela suspirou enquanto também observava. –, mas ela sabe se cuidar e tem com quem ir embora, então eu acho que já vou indo. – sorriu enquanto pegava o celular dentro da bolsinha pequena que carregava consigo.
- Eu te levo em casa. – se prontificou quando viu que a intenção dela era chamar um táxi.
- Você não precisa ir para casa só porque eu quero ir embora. – respondeu enquanto voltava a atenção ao aplicativo aberto em seu celular.
- Eu faço questão, . Venha. – o homem segurou sua mão e os guiou até o caixa tomando a comanda da mão dela.
- Ah, não. Você já vai me levar pra casa, não vai pagar minha consumação também. – reclamou, tomando a comanda da mão dele novamente e pagando o que devia ao caixa.
- Já vi que você é bem teimosa! – ele exclamou ao pé do ouvido de fazendo com que a mesma risse.
- Não se meta comigo, . – fingiu indignação enquanto ele pagava a comanda dele e depois os guiava até o estacionamento.
Seguiram até o carro do rapaz em silêncio e, quando chegaram, ele fez questão de abrir a porta para e depois se dirigiu até o motorista para poderem sair dali. Se esse homem não era de mentira, ela não sabia que tipo de homem ele era, afinal, quando começaram a conversar, ele disse que nunca tinha a visto no Cirque le Soir, então ele era um grande frequentador daquele lugar. Como ele poderia ser tão cavalheiro? Provavelmente era assim com todas as outras mulheres que o acompanhavam no final da noite, então não havia motivos para ele ser tão diferente assim, certo? Certo. Ele provavelmente só queria uma noite de sexo e nada mais.
- Você precisa me dizer o caminho. – falou tirando a garota de um devaneio rápido e ela concordou prontamente apontando em quais ruas ele deveria entrar.
- A segunda casa ali. – apontou para ele quando chegaram na rua certa.
estacionou o carro bem em frente à casa e desligou o mesmo deixando apenas a música do rádio como barulho ali.
- Muito obrigada pela carona, . – sorriu, já retirando o cinto.
- Eu que agradeço pela companhia, . – ele fez o mesmo com o cinto e se aproximou mais da garota já encaixando sua mão em sua nuca e deixando os lábios quase colados nos dela. Roçou os lábios antes de selar finalmente eles, fechou os olhos aproveitando aquele beijo delicioso mais uma vez, fazendo com que toda corrente elétrica de antes voltasse com força. Ainda mais agora que estavam só os dois, sem ninguém por perto observando.
- Anote seu número. – disse prontamente entregando o celular para a garota, depois do beijo. – Quero poder aproveitar esse beijo não só por essa noite.
mordeu o lábio inferior pensando se deveria mesmo fazer aquilo. Ele era provavelmente 5/6 anos mais velho, tinha um carrão, um puta de um emprego e fazia a calcinha dela encharcar com um beijo. Rapidamente anotou seu número nos contatos e lhe deu um último beijo antes de sair do carro e rumar para dentro de casa.
Ao trancar a porta soltou a respiração que nem sabia que estava prendendo. Ca-ce-te. Que homem! Além de lindo, era cavalheiro e beijava bem pra caramba, era um galanteador de primeira e seu corpo estava formigando só de lembrar dos toques pelo seu corpo, com más intenções, porém com todo cuidado.
Trancou a porta e subiu rapidamente para o quarto seguindo para o banheiro a fim de tomar um banho rápido antes de dormir. Precisava tirar toda a tensão que a percorria por conta daquele homem.
Se jogou na cama após o banho e escutou o celular vibrar na escrivaninha ao lado.
Tenha uma ótima noite de sono, . Saiba que, se eu não tivesse um compromisso importantíssimo amanhã, você sairia comigo. Xx
Sorriu sentindo a prepotência dele emanar por toda a mensagem, porém não ousou responder. Apenas deixou o aparelho de lado e se virou pronta para dormir.


Capítulo 2


- Querida, o almoço está pronto. – uma voz doce foi ouvida ao longe, mas a garota preferiu ignorar e virar de lado na cama. – Vamos, .
- Já vou, mãe. – murmurou com muita preguiça.
- Temos pouco tempo, querida. Combinamos de passar a tarde no salão para o jantar que temos com seu pai, se lembra? Vamos, acorde. – a Sra. Even puxou a coberta do corpo da garota, fazendo a mesma resmungar alto.
- Tudo bem, tudo bem. – ela se deu por vencida, sentando-se na beirada da cama com o rosto amassado e o cabelo todo desgrenhado.
- Ainda bem que vamos passar a tarde no salão, porque sua cara não está das melhores, filha.
- Ah, muito obrigada pelo elogio, Sra. Even! – a garota reclamou seguindo para o banheiro enquanto a mãe ria no quarto e abria as cortinas do mesmo.
- Vamos, seu pai já está na mesa. Não tem problema ir de pijama hoje.
concordou e seguiu a mãe até a sala de jantar. Na casa dos as regras eram rígidas ao envolver momentos em família, principalmente à mesa. Eram raros os dias em que poderia descer de pijama para tomar café, almoçar ou jantar, eles não gostavam nem um pouco disso. A postura sempre era uma coisa que deveria ser usada na mesa, mas isso não era nem um pouco difícil para ela, já que o ballet faz coisas incríveis com a postura.
Sentou-se à mesa junto com seu pai enquanto mamãe terminava de servi-los.
- Como foi a festa ontem, filha? – o pai perguntou enquanto bebericava uma taça de vinho.
- Foi boa, por incrível que pareça. – ela riu, já mordiscando um pedaço de vagem. Seus pais eram seus melhores amigos e sempre sabiam a maioria das coisas que aconteciam na vida dela. Eles se interessavam bastante a respeito da garota e ela adorava isso.
- Nossa, estou pasma. O que aconteceu de diferente nesta festa? – Dona Even perguntou já se sentando para poder almoçar. – Quem é o rapaz que lhe fez gostar de festas?
- Por que seria um rapaz? – perguntou rindo, sentindo as bochechas esquentarem. Eles começaram a gargalhar a fazendo revirar os olhos. – Ok, tinha um rapaz. O nome dele é , muito bonito por sinal. Diferente dos outros, me mandou até uma mensagem após ter me deixando aqui em frente de casa.
- E o que dizia a mensagem? – Sr. Robert se interessou demonstrando um pouco de ciúmes na voz.
- Que ele gostaria de sair comigo hoje novamente, mas ele tem um compromisso importantíssimo que o impede. – falou antes de apreciar o delicioso bife que a mãe havia preparado.
- Uau, que cavalheiro. – a mãe comentou.
O restante do almoço foi tranquilo. Perguntaram porque não dormira ali hoje e ela inventou uma desculpa qualquer para não falar que a melhor amiga havia bebido demais e seria impossível carregá-la até ali sozinha.
Logo após o almoço, ajudou a mãe com a louça e depois seguiu até seu quarto para trocar de roupa e poderem ir ao salão. Vestiu uma calça jeans clara rasgada nos joelhos, uma blusa preta simples junto com um nike azul, penteou o cabelo e pegou sua bolsa na cadeira da escrivaninha junto com o celular que ainda mostrava a mensagem de na tela.
Desceu as escadas enquanto ajeitava o relógio no pulso e observou o pai conversando com um homem de terno bem alinhado no meio da sala de estar. Era sábado o que tornava estranho aquele homem estar ali, mas provavelmente eram negócios importantes a serem tratados e como hoje eles participariam de um jantar mega importante, resolveu não dar muita atenção para isso.
- Querida, venha aqui. – o pai a chamou sorrindo ternamente enquanto a garota alcançava seus óculos escuro na mesinha do centro entre os sofás.
- Olá. – sorriu para o homem em frente, apertando sua mão quando o mesmo ofereceu a dele.
- Este é Richard, meu cliente antigo.
- Prazer, Richard.
- O prazer é todo meu, . – o homem falou sorrindo. – Desculpe interrompê-los em pleno sábado. Robert é salvador de todos os meus problemas.
- Não tem problema. – sorriu observando a mãe toda elegante descendo as escadas.
- Eu só não ficarei muito brava com você, Richard, porque hoje é dia de ficar com a minha filha. Uma tarde de garotas. – Dona Even falou para o homem engravatado na frente deles que riu diante da suposta ameaça de Dona Even.
- Ah, então não preciso me sentir tão culpado assim. – Richard falou enquanto Robert o acompanhava até o escritório. – Até mais tarde, garotas.
- Até mais. – e a mãe falaram ao mesmo tempo e foram em direção ao carro da mais nova, estacionado na garagem.
- Quando você vai perder o medo e começar a dirigir? – a filha perguntou já ligando o carro e seguindo para o cabelereiro.
- Talvez nunca. Eu tenho você e seu pai para me levarem aonde eu quiser, para que eu preciso dirigir? – a mais velha zombou fazendo a garota revirar os olhos enquanto sorria. – Você me leva para o trabalho, já que é caminho da Academia e seu pai me busca, já que a volta pra casa dele é a mesma que a minha!
- Tudo bem, você está certa. – riu ligando o rádio deixando em uma estação aleatória.
- Me conte mais sobre o rapaz de ontem, filha. Ele é bonito?
- Mãe, não é como se eu fosse namorar com ele! – riu vendo a cara de ofendida dela ao ver que a filha negava falar mais sobre ontem. – Tudo bem. Ele é bonito sim, usava um terno como se tivesse acabado de sair do trabalho, o que eu acho que era verdade, era muito elegante por sinal.
- E você respondeu a mensagem dele?
- Ainda não. Estou me fazendo um pouco de difícil.
Ela riu e continuaram conversando coisas aleatórias pelo caminho todo.
Quando chegaram ao salão, ele não estava tão cheio como de costume, o que era bom, afinal realmente não gostava muito de esperar e tinha alguma coisa dentro dela a deixando ansiosa para a noite de hoje.
Enquanto o cabelereiro lavava os cabelos dela e uma mulher fazia as unhas dos pés, buscou seu celular dentro da bolsa vendo que tinha mandado algumas mensagens.
“Você é convencido. Quem lhe garante que eu gostaria de sair com você hoje? Xx .”
Finalmente ela respondeu , sorrindo internamente e aguardando ansiosamente que ele respondesse logo. Enquanto isso, se dispôs a conversar com a melhor amiga, descobrindo coisas inéditas da noite anterior, assim como ela havia ficado com um colega de classe.

Ao cair da noite já estavam em casa terminando de se preparar para o grande evento que iriam acompanhar o Sr. Robert. O vestido de era longo em um tom azul petróleo com um decote em V até metade do peito, deixando os seios fartos e bem colocados. Ajeitou os cabelos para o lado, já que estavam soltos e terminou de colocar a sandália negra nos pés. A maquiagem era opaca, do jeito que gostava.
- Vamos, querida? – pode-se ouvir uma batida na porta e logo o pai da garota entrava por ali.
- Claro. Só um minuto. – ela pediu indo em direção as joias que o homem havia deixado em cima da escrivaninha mais cedo como uma surpresa. Colocou os anéis e o colar e se virou sorrindo para o pai.
- Você está linda. Uma verdadeira princesa. – o sorriso no rosto do mais velho se alargou e logo a garota correu para um abraço apertado.
Desceram juntos até a sala e pôde admirar a mãe com um vestido longo azul mais claro, as rendas ricas em detalhes. Ela era elegante demais! A garota admirava a postura da mãe. Sempre muito bem vestida, nunca descia do salto, a mulher mais bonita de todo o mundo, na opinião dela.
- Se não são as mulheres da minha vida. – Robert falou enquanto arrancava o celular do bolso e fotografava as duas.
- Que bobagem. – mamãe falou sorrindo com os olhos brilhando. – Você está muito melhor do que pela manhã. – Dona Even brincou puxando a mais nova para um abraço desajeitado.
- Muito engraçadinha. – mostrou a língua para a mãe, logo pegando o celular para também fotografar o momento. – Vem, pai. – se posicionaram em frente à câmera e logo uma foto linda da família estava preenchendo o fundo do celular de .
Depois de trancarem a casa, foram para o carro para então poderem ir para a festa/jantar importante para os negócios. A garota não poderia dizer que era o programa favorito dela naquele momento, mas não negava um evento importante para a família, além do mais quando isso incluía os negócios de seu pai.
Fora que sua mãe trabalhava para um dos maiores clientes do seu pai e jamais deixariam de agradecê-lo por isso. era muito grata pela família que tinha e por tudo que tinham conquistado até então e, assim como eles sempre participavam de eventos importantes para ela, ela também participaria de eventos importantes para eles.
O local do evento não ficava tão longe assim da casa deles, depois de deixar o carro com o manobrista seguiram até a entrada da enorme mansão que estava toda iluminada, com homens e mulheres bem vestidos entrando e saindo pela enorme porta que seguia de um tapete vermelho até o portão.
Uns homens mal-encarados estavam parados na porta com listagens em mãos para prevenir qualquer pessoa não convidada de entrar, afinal toda a economia da Inglaterra estava reunida em um só lugar naquela noite, sem exceção. Foram recebidos por um garçom com taças de champanhe e aceitaram de bom grado enquanto seguiam o Sr. Robert em direção as pessoas que ele cumprimentava.
Ao fundo, viu acompanhada de seus pais, aqueles que comandavam a maior empresa de engenharia da cidade, seu pai era um forte acionista, além de ter uma instituição de caridade muito forte. Ela ergueu a taça para a amiga que logo a olhou suplicante para tirá-la de lá. riu imaginando o desespero que a percorria tendo que ouvir como era importante investir em negócios fortes e como a faculdade de direito estava sendo maravilhosa para ela, mas que não entendiam como ela não seguiu os pais e fez engenharia.
- Mãe, tudo bem se eu for falar com a ? – a garota perguntou enquanto o pai conversava com um colega ao lado.
- Claro, filha. – ela sorriu lhe dando permissão e assim saiu de fininho em direção a melhor amiga.
- Até que enfim. – suspirou lhe dando um abraço.
- Boa noite. – cumprimentou as pessoas que estavam ali logo após soltar a amiga.
- , querida. – Martha, mãe de , a abraçou calorosamente. – Como você está bonita!
- Obrigada, tia. – falou um pouco mais baixo, com receio de ela não gostar dos outros ouvindo ela sendo chamada de tia.
- Boa noite, . Como está? – Tio Willian cumprimentou-a com beijos na bochecha enquanto os outros convidados apenas sorriam.
- Muito bem. – sorriu, logo sentindo puxar seu braço.
- Papai, nós vamos dar uma volta, tudo bem? – ela perguntou sorrindo graciosamente, claro que para ajudar no pedido.
- Sem problemas, querida, só não demore, logo será o jantar. – as garotas concordaram prontamente antes de saírem dali em passos tranquilos, para não aparentar desespero.
- Garota do céu - começou a falar enquanto caminhavam pelo salão. –, você ainda não me contou nadinha do que aconteceu com aquele cara de ontem.
- Não tive tempo! Você só ficou se lamentando por ter pego o Kayo, eu não tenho culpa. – reclamou revirando os olhos enquanto via ela entornar a taça de champanhe todinha. – Ei! Estamos com nossos pais, não precisa ficar bêbada de novo.
- Eu não quero lembrar que fiquei com o Kayo. Por favor! Foi terrível e ele não para de me mandar mensagens. – rapidamente pegou o celular no bolso improvisado que tinha na saia do vestido e mostrou a tela bloqueada com várias mensagens do garoto.
- Empresta. – pediu pegando o celular da mão dela. Foi lendo uma por uma, para ter certeza de que não estava exagerando em nada quando falou que ele era um pé no saco. “Quando vamos nos ver novamente? Fora da faculdade, claro”, “Seu beijo é incrível”, “Vai fazer alguma coisa hoje?”. – Caramba, eu estava com pena dele até então, mas agora...
- Tá’ vendo? Eu não sou ruim, ele que é chato.
- E você não respondeu nenhuma? – ela negou rapidamente com a cabeça. – Então responda, fale que não quer nada, mas não seja rude.
- Como não vou ser rude? Querido Kayo, nós nos beijamos, mas não rolou uma química forte, então sinto muito em lhe informar que não podemos mais nos beijar. – ela forçou a voz arrancando uma gargalhada da amiga. – Não existe possibilidade de não ser rude, claro que vou me sentir muito culpada, mas é a única forma.
- Tudo bem, responda como quiser, mas responda, desse jeito ele vai pensar que você não está recebendo e vai continuar mandando. – riu com sua cara de desespero ao começar a digitar a mensagem.
Enquanto escrevia e apagava a mensagem que queria mandar para o garoto, olhava para a porta de entrada observando as pessoas que ainda chegavam por ali, a maioria dos homens vestia smoking e eram acompanhados por mulheres de vestidos longos e caros. Inutilmente, quis virar para ver se a amiga já tinha enviado a mensagem quando um sorriso galante e aquele olhar sedutor que a acompanhou na noite passada resolveu entrar pela porta, acompanhado de uma mulher, que era linda, de vestido vermelho vivo e também o senhor que estava na casa da garota mais cedo e uma outra mulher que deduziu ser esposa de Richard.
O coração dela palpitou forte no momento em que seus olhos se encontraram e uma ruga se formou em sua testa, afinal quem era aquela mulher? Ela parecia modelo, o corpo escultural, os cabelos perfeitamente penteados e o sorriso tão branco que cegava. Se virou para tentando descontrair e tomou um longo gole do líquido borbulhante dentro da taça querendo não pensar que, provavelmente, ela era a mulher dele e que, mais provavelmente ainda, ela havia sido uma espécie de amante na noite passada.
- O que foi, amiga? Você tá legal? – perguntou enquanto guardava o celular de volta ao bolso.
- Eu acho que tive uma miragem. – balançou a cabeça, e aproveitando que um garçom passava por ali colocou a taça vazia em cima da bandeja dele e pegou outra. – Aquele cara de ontem, eu tive a impressão de que vi ele entrando agorinha.
- Onde? – olhou para os lados. – Droga, eu não me lembro do rosto dele.
- Ele está acompanhado de uma mulher de vestido vermelho e um casal mais velho, o homem que está com ele é cliente do meu pai, Richard. – falou não querendo procurá-lo e ter certeza do que a mente não cansava de repetir.
- Ah, achei. Caramba, que gato! – ela murmurou fazendo revirar os olhos. – Mas tem certeza? Aquela mulher provavelmente é mulher dele, ou namorada, já que ele não tira a mão das costas dela.
- É, é por isso que estou assim. – olhou assustada para ela.
- Você não sabia? – negou com a cabeça. – Às vezes pode ser irmã, sabe ele pode ser superprotetor.
- Não vai colar, . – a amiga soltou um muxoxo e a olhou.
- Não se sinta mal, você não sabia. E foi só beijo, você não é uma espécie de amante. – ela tentou lhe confortar passando a mão pelo seu braço.
- Você sabe o quanto eu sinto repulsa disso. – ela concordou com a cabeça.
- Ele não é igual ao Kurt, . Fora que, quando o Kurt te traiu, vocês eram adolescentes do colegial. E eu sei que hoje você o perdoou e sente orgulho por ver como ele cresceu e está se dando bem na banda. – olhou para sorrindo com os olhos. O pior é que era verdade, ela havia perdoado o ex-namorado, mesmo que inconscientemente.
- É, eu sinto bastante orgulho dele, mas não é a mesma coisa. Eu fui a outra dessa vez.
- , a gente não sabe! Pode ser uma prima, amiga, tanto faz. Não se culpe por algo que você não tem conhecimento. – ela concordou sorrindo para a amiga e ganhou um rápido abraço.
- Senhoras e senhores - uma voz soou no microfone e as garotas olharam em direção ao mini palco que tinha ali. –, o jantar será servido!
Cada um começou a seguir em direção as mesas que tinham dispostas ali, se despediu de , que tinha que se juntar aos seus pais, e fez o mesmo, indo em busca dos seus. Se arrependeu no segundo seguinte, não parecia óbvio demais? Seu pai conversava animadamente com Richard e enquanto sua mãe ria com as duas mulheres que os acompanhavam.
Respirou fundo ao ver que seus pais lhe chamavam com as mãos e novamente os olhos de se encontraram com os dela. Que maldição! Seu coração adorava acelerar ao olhá-lo, mas seu sangue fervia de raiva. Vestiu seu melhor sorriso e se aproximou deles com passos lentos. Pelo visto teria que aguentá-los pelo jantar inteiro já que estavam se aproximando de uma mesa vazia.
- Elisabeth, está é minha filha, . – Dona Even a apresentou para a mulher mais velha assim que a garota chegou até eles.
- Muito prazer, querida. – Elisabeth saudou dando beijinhos na bochecha de .
- Prazer. – ela sorriu, voltando o olhar para a mãe.
- Está é Georgia, querida, a nora de Elisabeth. – cumprimentou a moça da mesma forma.
- Seus pais se enchem de orgulho para falar de você. – Georgia comentou sorrindo e não conseguiu sentir nenhum pingo de raiva dela. Ela era linda, simpática e só deixava a vontade de ser sua amiga. – E realmente, você é muito bonita, . Deve ser uma bailarina extraordinária.
- Muito obrigada. – sorriu envergonhada e se virei para o pai, prendendo a respiração ao ver que aqueles olhos não saiam de cima dela.
- O Richard você já conheceu hoje, não é mesmo? – ele comentou enquanto o homem também lhe beijava. – E este moço é seu filho, , o futuro empreendedor. – a garota engoliu em seco ao cumprimentá-lo, percebendo como seu pai enchia a boca para falar dele.

Os olhares não cansavam de se cruzar durante todo o jantar, tentou a todo momento não deixar transparecer a enorme vontade de socá-lo. Queria urgentemente sair dali o mais rápido possível. Seu celular não parava de tremer dentro do bolso e ela sabia que era querendo saber alguma “novidade”.
- E então, , qual será o próximo espetáculo? Seus pais falaram tão bem que estamos ansiosos para ir assistir. – Elisabeth falou enquanto esperavam a sobremesa. sorriu amigavelmente.
- Estou ensaiando para O Lago dos Cisnes, mas vai demorar para estrear, talvez daqui uns 3 meses. – comentou despreocupada, sentindo seu corpo todo arrepiado. – Mas terá uma apresentação da Academia daqui três semanas, se vocês quiserem peço para o papai enviar convites.
- Claro! Ficaríamos lisonjeados. – Richard comentou animado.
- Faz muito tempo que você dança? – Georgia perguntou curiosa.
- Desde os 3 anos.
- Puxa. Eu sempre quis aprender a dançar ballet, mas nunca tive muito jeito para isso. – ela comentou fazendo com que todos na mesa rissem. – Me dou melhor na área da fotografia.
- Você é modelo? – perguntou interessada.
- Nas horas vagas, sim. Mas normalmente estou atrás das câmeras.
- Ah, você é fotógrafa. – comentou baixinho e ela assentiu.
- Uma grande fotógrafa. – Elisabeth comentou sorrindo.
sorriu para eles e deixou com que voltassem para a conversa de antes, fingindo que prestava atenção, para não se tornar tão mal-educada. Queria sair dali, queria tomar um ar, beber champanhe e socar a cara de . Ele não lhe devia nada, nadinha, mas por que diabos ele se fez de tão romântico ou galanteador se era casado? Aquilo não entrava de forma alguma na cabeça da garota.
Logo após comer a sobremesa, pediu licença e saiu o mais rápido possível dali, indo até o jardim podendo, enfim, soltar o ar que a agoniava dentro do peito. Tomou um gole de champanhe da taça que segurava e pegou o celular vendo as mensagens de . A melhor amiga era mais curiosa que um bando de paparazzi junto.
- Você deve estar achando estranha essa situação. – aquela voz forte soou atrás da garota e seu corpo arrepiou inteiramente. Ela fechou fortemente os olhos, não queria conversar com naquele momento. Continuou em silêncio e sentiu ele se aproximar mais. – Mas existe uma explicação muito boa para isso, antes que você pense que sou um canalha.
- Bom - ela virou em sua direção, o encarando nos olhos. –, primeiro que você não me deve explicação nenhuma e, segundo, eu já te acho um canalha. – sorriu falsamente.
- Não é bem assim, . – falou se aproximando mais enquanto ela se afastava.
- Ah, não? – perguntou irônica. Ele não devia explicações! Por que simplesmente não ia embora? – Eu não quero saber como é. – fechou a cara pronta para sair dali.
- Me escuta, ok? – ele pediu segurando delicadamente em seu braço. mordeu o lábio inferior tentando não olhar para seus olhos. – Georgia e eu não vamos nos casar. Nossos pais acreditam que sim, mas ela é apaixonada por outro homem e eu respeito isso!
- Conta outra. – a garota revirou os olhos e ele respirou fundo.
- Estou te dizendo a verdade, nós namoramos por muito tempo, mas terminamos tem um ano, porque ela arranjou outra pessoa, só que não sabe como contar aos pais ainda. E, acredite, somos bem grandinhos para enfrentar nossos pais, mas são negócios importantes para ambas as empresas, então estamos esperando as coisas se acalmarem. Não existe mais uma relação entre nós, somos amigos e nos respeitamos.
- Tudo Bem, . Eu já havia dito, você não me deve nada, nós apenas ficamos ontem e fico feliz por não precisar mais me sentir mal por ter sido a outra. Todo o resto não faz diferença. – concluiu vendo-o largar seu braço gentilmente, concordando com a cabeça. Claro que ela não estava totalmente certa de que todo o resto não fazia diferença, mas preferia acreditar que sim.
- Certo. – ele engoliu em seco, respirando fundo antes de a olhar nos olhos. – Ainda podemos sair um outro dia?
- Eu acho melhor não. – ela pronunciou calmamente, querendo que ele não pudesse ouvir as batidas aceleradas do seu coração, porque com certeza seria descoberta.
Viu que ele ficou sem reação e aproveitou do momento para sair dali e voltar para o evento. Não queria se arrepender e dizer que sairia com ele, seria uma grande idiotice, afinal, quem a garante que ele estava dizendo a verdade?


Capítulo 3

O domingo amanheceu gelado e, se já não fosse perto do meio dia, com certeza continuaria na cama. Levantou preguiçosamente, se arrastando até o banheiro para uma higiene matinal rápida. Escovou os cabelos e foi em direção ao closet, a fim de trocar de roupa. Uma calça jeans clara rasgada, uma regata branca simples e um cardigã cinza despojado completaram o look de ficar em casa, calçou suas pantufas e conferiu o celular, colocando-o no bolso antes de descer.
Uma música clássica tocava baixinho na sala enquanto seu pai lia um jornal sentado no sofá. lhe deu um beijo rápido de bom dia e foi até a cozinha, onde a mãe preparava o almoço.
- Bom dia. – saudou lhe dando um beijo.
- Bom dia, querida. Tem um pouco de café ainda, quer?
- Não, mãe. Obrigada. – sorriu se sentando na banqueta em frente a ilha, observando-a a cozinhar.
ainda não sabia o que pensar a respeito de ontem, na verdade, estava tentando não se preocupar tanto com isso. Foi só um beijo, numa noite qualquer e não iriam se casar e viver felizes para sempre. Batucou as unhas no mármore gelado e respirou fundo sentindo seu celular vibrar loucamente no bolso.
- Alô? – falou ao atender.
- ? – uma voz feminina soou do outro lado. achou estranho. Quem ligaria perto do meio-dia sem que fosse ?
- Isso, quem é? – perguntou e logo a mãe virou para a encarar com o cenho franzido. A preocupação dessa mulher um dia a mataria.
- Oi, é a Georgia. Lembra de mim? Jantamos ontem no evento dos Patel. – o cenho de se franziu junto com o da mãe. O que, diabos...?
- Claro, lembro sim. Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupada, afinal, da onde ela tinha conseguido seu número?
- Sim. – ela respondeu rapidamente e o coração da garota acelerou descompassado. – Na verdade, não é nada muito grave, só precisava muito de uma ajuda sua. Podemos tomar um café mais tarde?
- Podemos, sim. Tem certeza que está tudo bem? – ainda não estava entendendo nada do que acontecia.
- Não se preocupe, eu só tive um lapso de criatividade e preciso da sua ajuda. Espero você às quatro da tarde no E Pellicci, ok? – murmurou concordando e Georgia logo desligou a chamada.
Ok, uma fotografa, mulher do homem que beijou na sexta-feira, teve um lapso de criatividade e precisava da sua ajuda. Dona Even ainda a olhava intrigada, querendo saber o que acontecia.
- Era a Georgia.
- Georgia? O que ela queria? – a mãe perguntou enquanto desligava o fogão.
- Eu não entendi direito. Ela disse que teve um lapso de criatividade e precisava da minha ajuda. Me convidou para tomar um café mais tarde.
- Que bom, filha. Ela é uma ótima pessoa, seria legal se fossem amigas. – a vontade da garota foi de rir do comentário da Dona Even, mas preferiu concordar e ir colocar a mesa antes que qualquer bobeira saísse da sua boca.
Almoçaram tranquilamente enquanto Sr. Robert contava como Richard o ajudara a conseguir mais clientes na noite anterior e como o negócio dele iria alavancar rapidamente com a ajuda dos Ward. Isso deixava as duas mulheres muito felizes, saber que alguém apreciava o trabalho dele era gratificante, afinal, tudo o que conseguiram até hoje foi a partir do trabalho dele, claro que e Even ajudavam em grande parte, mas a maioria fora Robert.
Robert fazia questão que, enquanto morasse com eles, deveria guardar o salário que ganhava pela Royal, afinal ele dizia que o futuro dela deveria estar garantido. nunca concordou muito com aquilo, sempre tentava ajudar de alguma forma dentro de casa, então Robert falava que levar sua mãe para o trabalho já era o suficiente.
No início, as pessoas a perguntavam se, além do ballet, ela trabalhava, fazia alguma coisa para ganhar dinheiro, mas ninguém nunca entendia que o ballet lhe dava dinheiro, além de exigir tudo dela, consumia todo o tempo que tinha. tinha muito tempo de casa na Royal o que a proporcionava bons espetáculos e ótimos caches, e fora de lá tinha os clientes do seu pai, que sempre lhe davam um empurrãozinho. Já dançou ‘Romeu e Julieta’ na Broadway, não como a principal, mas lhe rendeu bons contatos.
Sua mãe era sua micro empresária, todo e qualquer espetáculo ou programação que queriam lhe convidar para participar era com ela que conversavam, se tornava mais fácil assim, já que ela sabia toda a rotina da garota e sempre gostou de a acompanhar pelo ballet, desde que ela começou. Desde pequena ela lhe regrava na alimentação, cuidava do seu corpo e principalmente dos seus pés. A maioria das pessoas pensam que, como bailarina, os pés são estourados, cheios de bolhas, todavia isso requer cuidado, muito descanso nas horas livres e massagens quando possível, afinal a sapatilha de ponta machuca e, se não cuidar, o pé sangra horrores.
E antes do horário de ir tomar café com Georgia, aproveitou para descansar bastante, já que no dia seguinte o treino seria intenso e ela não descansaria enquanto não terminasse de aprender a coreografia para depois poder ensaiar com as outras garotas.


E quando o relógio marcou 4:00 pm, já estava adentrando o café que havia combinado com Georgia, como uma boa inglesa. Avistou a mesma sentada mais a frente, com duas xícaras de café postas a mesa. Georgia não se cansava de ser elegante, o sorriso brilhando e os cabelos presos em um coque alinhado perfeitamente. calçou seu melhor sorriso e caminhou até ela.
- Georgia? – chamou vendo que a mesma mexia animadamente no celular.
- Oi! – sua voz saiu animada e ela logo se levantou para lhe cumprimentar. – Como vai?
- Muito bem, e você? – perguntou indo se sentar na cadeira em frente.
- Estou ótima.
- Me parece bem animada. – a garota sorriu, pendurando a bolsa no gancho embaixo da mesa.
- Na verdade, estou ansiosa em te contar minha ideia. – ela apoiou os braços na mesa e a fitou sorrindo. – Eu pedi um café expresso pra você, tudo bem?
- Claro, sem problemas. – bebericou um pouco do líquido preto e então olhou para ela esperando que ela pudesse lhe contar logo o que estava planejando, antes que seu cérebro entrasse em erupção.
- Bom, eu não sei direito por onde começar, são tantas coisas a falar! – ela falava tudo tão rapidamente que não pôde se conter em rir. – Você sabe que sou fotógrafa, né? Comentamos isso ontem. – ela concordou com a cabeça. – Então, de dois em dois meses eu preciso apresentar projetos inovadores ao meu chefe. O último projeto foi com a família real, foi um trabalho incrível que Richard conseguiu pra mim.
- Puxa, que magnífico. – comentou prestando atenção em cada palavra que ela dizia.
- Sim, foi surreal trabalhar com eles, mas não vem muito ao caso. Ontem, assim que cheguei em casa, meu chefe havia me mandado uma mensagem e ele me disse que dessa vez queria ver sentimentos nas minhas fotos, que queria ver algo a mais, uma coisa da qual ele pudesse sentir um misto de emoções apenas apreciando as fotos. – Georgia contava enquanto apenas observava e tomava seu café tamborilando as unhas sobre a mesa. – E foi aí que surgiu a minha ideia. Conversei com um colega hoje pela manhã e ele me deu algumas dicas e ideias novas e é ai que você surge.
- Eu? – a garota riu fraco não entendendo onde ela queria chegar.
- Você, . Eu fiz pesquisas e descobri que o ballet mostra sentimentos incríveis conforme a dança e que fotografar momentos de uma bailarina mostraria exatamente aquilo que meu chefe procura. Emoções. Você me entende?
- Mais ou menos. – proferiu franzindo o cenho. – Quer dizer, eu entendi a situação e também entendi a sua ideia, mas você não tá querendo que eu seja sua modelo, não é? – perguntou aflita vendo o sorriso surgir no canto de seus lábios. Pelo visto era aquilo mesmo.
- É claro que eu quero! Você é uma bailarina renomada pela Royal e sua mãe me mostrou uma foto sua num espetáculo ontem, você é linda. E eu consegui sentir a emoção que você estava sentindo naquela apresentação.
- Georgia, eu sou bailarina, não modelo. – falou tentando não parecer grossa. – Não é por nada, sabe? Mas...
- Não, não, não. – Georgia mexia rapidamente as mãos. – Você vai ver como vai ser incrível, minha equipe vai deixar tudo muito aconchegante e você não terá que ser uma modelo, terá que ser uma bailarina, como você é. Eu apenas estarei fotografando os passos e os saltos, essas coisas.
Céus, como dizer não para aquela mulher? Ela estava tão animada com o projeto e parecia tão certa daquilo. E nunca fizera uma coisa assim antes, claro que era fotografada ensaiando e apresentando, mas não especificamente para um projeto de fotos e sim para o ballet.
- Tudo bem. – concordou. Ela estava insegura, mas era por uma boa causa.
- Yep! – Georgia comemorou arrancando um riso de . – Você não vai se arrepender, prometo.
- Espero que não. – ameaçou brincando.
O restante do café foi tranquilo. Conversaram das mais variadas coisas e depois de se sentir mal ao dizer para que não deveriam mais sair, agora se sentia tranquila por poder conversar com Georgia sem se culpar pelos acontecidos. Ela transmitia uma paz surreal e tinha sempre um assunto novo para falar, pelo visto ela se dariam muito bem durante o projeto.


A segunda-feira não demorou a chegar, e junto com ela, os ensaios. já estava na Academia, acompanhada da Srta. Heidi e juntas elas dançavam o primeiro solo do lago dos cines, com cada passo coreografado e ritmado. Enquanto a professora fazia, repetia com mais precisão e dedicação. O coração de palpitava forte a cada passo, a emoção de estar conseguindo realizar o primeiro solo sem muita ajuda da professora era inexplicável, teria alcançado mais uma conquista em menos de três semanas e aquilo a deixava extasiada e com vontade de aprender todo o resto hoje!
Os pés alinhados e o corpo ereto, realizando cada passo com maestria. Srta. Heidi não poderia estar mais orgulhosa de sua aluna. sempre fora muito dedicada, desde que virara sua aluna pôde contar nos dedos quantas vezes teve que corrigi-la ou dar uma bronca. Não era perfeita, mas realizava tudo com gosto e sempre tinha disposição para os ensaios, se deixasse elas passavam do horário para dançarem.
- Isso, garota! – a professora falou animada ao ver que terminou com formosura.
- Foi bom? – a garota perguntou ofegante.
- Foi ótimo. O primeiro solo foi concluído. – Srta. Heidi bateu palminhas enquanto ia desligar a música.
- Caramba, que bom ouvir isso. – sorriu e se sentou no chão já pegando sua garrafinha de água entornando todo o líquido que tinha ali.
- Levamos um bom tempo, são 2:00 pm, que tal almoçar e depois voltamos para repassar o solo?
- Pode ser. – a garota confirmou e começou a desfazer o laço da sapatilha, seus pés palpitavam e ela resolveu massageá-los antes de qualquer coisa. A professora se despediu e saiu da sala a deixando só.
Se ergueu do chão para colocar um short em cima do collant e calçar chinelos o que, por sorte, sua meia fina proporcionava, já que ela não era fechada nos dedos. Vestiu um cardigã por cima e soltou os cabelos do rabo que os prendiam. Pegou sua bolsa e a garrafinha e saiu da sala, apagando a luz e fechando a porta. A garota desceu as escadas com tranquilidade, ao mesmo tempo que respondia as mensagens da melhor amiga.
- ! – ela ouviu uma voz masculina atrás de si e se virou sorrindo ao reconhecer o amigo acenando loucamente.
- Emery. – ela repetiu da mesma forma. – Nem mandou notícias de Boston. – reclamou enquanto ganhava um abraço caloroso.
- Eu não tive tempo, gata. – ele sorriu enviesado e a amiga lhe deu um tapa no braço. – Barney não quis me largar pra nada.
- Olha só - riu. –, quando ele vem pra cá? Quero conhece-lo.
Os dois entraram em um papo animado sobre como tinham sido as duas semanas de folga de Emery, que resolveu aproveitar com o namorado em Boston. Eles eram amigos há uns dois, três anos, desde quando Emery entrou para a Academia e resolveu acompanhar a maioria dos ensaios de , já que ele dizia que a garota dançava como ninguém. No começo, pensou que ele estava afim dela, afinal não parava de falar com ela ou acompanhá-la nos almoços, mas nunca percebeu que ele jogava para outro time, gostava da mesma fruta que ela.
- Eu estava indo almoçar, quer ir comigo? – a garota perguntou depois de perceber que os dois permaneciam parados na escada conversando.
- Eu tenho que voltar para o ensaio, isso são horas de almoçar? – Emery perguntou brincalhão.
- Pra quem já sabe o primeiro solo de o lago dos cisnes, são sim. – sorriu convencida, gargalhando pela cara de espanto do amigo.
- Cara, quando eu digo que você é foda, é porque, realmente, você é foda. – o garoto comemorou antes de se despedir e voltar para sua sala de ensaio.
continuou a descer as escadas, comeria qualquer coisa no restaurante em frente, estava ansiosa demais para voltar e repassar todo o solo novamente. Entregou a chave da sala para a recepcionista e se virou para a porta, a fim de sair dali, porém vozes conhecidas lhe chamaram a atenção e ela buscou de onde vinham. Se assustou ao ver Georgia e saindo do escritório do reitor da Academia, então rapidamente desviou o olhar e andou em passos rápidos até a porta, empurrando-a e se pondo a andar até o fim da calçada para atravessar a rua, mas aqueles benditos carros não davam espaço nem para uma formiga passar depressa.
Não queria ser vista de forma alguma. Poderia ser besteira da sua cabeça, mas era isso que queria fazer.
- ? – ouviu Georgia chamar próximo demais.
- Oi. – ela murmurou sorrindo fraco ao se virar para a mulher.
- Que surpresa, achei que estaria ensaiando. – ela falou ao abraçar a garota.
- Eu estava, demos uma pausa para o almoço. – comentou vendo que se aproximava aos poucos. – O que vocês fazem aqui? – perguntou tentando não mostrar nenhum interesse naquilo.
- Viemos pedir autorização para te fotografar ensaiando. precisou me dar uma ajudinha, sabe? – Georgia piscou e em seguida riu, passando a mão pelo braço do homem. – Nós também não almoçamos ainda, seria um incômodo se fossemos com você? – ela perguntou despreocupada e tornou seu olhar para que tinha um sorriso travesso brincando nos lábios.
- Não, incômodo nenhum. – respondeu sem emoção se virando para a rua novamente.
Georgia sorriu para e o mesmo disfarçou a vontade de gargalhar que sentia. A mulher era excepcional, e depois que lhe contara sobre , ela estava tentando fazer de tudo para aproximá-los. Georgia gostava de e queria o melhor para ele, assim como ela havia conseguido com Tony, que seria seu futuro marido assim que as coisas se ajeitassem com a empresa do pai. Era uma situação ridícula e entendia ao não acreditar em , mas infelizmente isso acontecia e não tinha como mudar, não por enquanto.
Os três atravessaram a rua assim que o trânsito deu uma segurada e adentraram o restaurante em frente. Era um local simples, mas que adorava, já que a comida era deliciosa e eles serviam praticamente tudo que pudesse imaginar. Eles se sentaram em uma mesa próxima à vitrine, de um lado e Georgia e de outro. O garçom não demorou muito para aparecer e os pedidos foram feitos sem delongas.
- E então - cortou o silêncio incômodo que os assolava. –, quando você pretende começar as fotos?
- Na próxima semana, sua professora falou conosco no final da reunião e disse que essa semana estaria complicado. – Georgia respondeu.
- Sim, o espetáculo está próximo e também tem o festival da Academia, essa semana vai ser correria. – comentou despreocupada, tamborilando as unhas em cima da mesa.
- Você treina todos os dias? – a voz forte de soou pela mesa e engoliu em seco antes de concordar com a cabeça. – Deve ser cansativo.
- É mais gratificante do que cansativo. É a mesma coisa que você trabalhar todos os dias com a mesma coisa ou a Georgia trabalhar com fotografia. No final do dia cansa, mas no outro você já está disposto novamente. – sentiu como se estivesse dando uma lição de moral no homem, mas era somente a realidade, era aquilo que ela sentia.
- Puxa, não é à toa que você se tornou uma das melhores bailarinas da Royal da sua idade. – Georgia comentou sorrindo, sentia o amor pelo ballet transbordar por . Aquele projeto seria incrível.
preferiu ficar quieto, sentiu que estava chateada com ele ainda, por mais que ela dissesse que não se importava e que nada daquilo era da conta dela, sabia que no fundo ela queria socá-lo, não era pra menos mesmo.
O almoço não tardou a chegar e eles comeram com tranquilidade, conversando hora ou outra sobre qualquer coisa. O clima entre eles não era um dos melhores, se sentia desconfortável por estar ali, não sabia se o que lhe falara na noite de sábado era verdade, afinal eles estavam ali juntos. Não conseguia se sentir mal com Georgia, afinal ela era adorável e ainda, mesmo que no fundo a culpa ainda a consumisse, queria poder beijar mais algumas vezes. Não sabia que força do destino a deixava daquele jeito, mas o cérebro ia contra e toda vez que ele tentava puxar um assunto com ela, ela o afastava, dava respostas curtas e secas, afinal não iria mudar de ideia tão cedo. Ele não merecia, por mais que parecesse ser um cara bacana e que a tratou bem demais numa noite. Fora que tinha sido só uma noite, não é mesmo? Por que ela se preocupava tanto?
- Bom, eu preciso voltar para o ensaio agora. Muito obrigada pela companhia. – falou ao ir se levantando da mesa.
- Claro, bom ensaio. Te ligo ainda essa semana para combinarmos as coisas certinho. – Georgia respondeu enquanto apenas balançava a cabeça em forma de despedida. - Tudo bem, até mais.
A garota foi até o caixa pagar sua conta e depois disso se retirou do local, voltando para as ruas movimentadas de Londres. Teria mais algumas horas de ensaio ainda hoje e não via a hora de terminar o solo com toda perfeição.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, somente na página de controle


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