Two brothers, a choice

Última atualização: 07/06/2018

Prólogo

Minhas costas já não aguentavam mais carregar tanto peso. Subir escadas com caixas cheias de mobílias nos braços não era uma tarefa muito fácil, não pra mim, que de zero a dez, tenho menos um de força para carregar peso.
- Última caixa, amém. – Disse sozinha ao colocar uma caixa grande de papelão no balcão da cozinha. Continha copos e pratos dentro da mesma. Sai tirando a roupa pelo apartamento, até chegar ao banheiro mais próximo. Peguei minha toalha verde do Palmeiras, que tinha deixado jogada em cima do sofá da sala. Coloquei The Killers para tocar em meu celular e finalmente comecei um dos momentos mais relaxantes até aquele momento do dia: ducha quentinha.
Sai do banho cantarolando, impressionante como me sentia cantora embaixo do chuveiro. Vesti a roupa mais largada possível, uma camiseta do meu irmão que eu mesma cortei as mangas, nem preciso dizer o quanto era largada aquela camiseta, mas também nem preciso dizer o porquê adorava dormir com ela. Mentira. Preciso sim. O maior motivo pelo qual me sentia bem com aquela roupa é por não ter mais meu irmão por perto, agora moramos em países diferentes, Diego foi fazer intercambio na Inglaterra e nunca mais voltou. Ainda tenho esperanças que ele volte, mas, enquanto isso não acontece, é o mais próximo que posso ficar dele.
Hoje é minha primeira noite nesse apartamento. Confesso que nunca tinha morado em um lugar tão grande e luxuoso. Diferente das minhas amigas, nunca fui filhinha de papai. Tudo que consegui hoje, aos meus 26 anos, foi resultado de muito esforço, noites em claro estudando, dias e dias sem dormir trabalhando e ausência de vida social. Não estou reclamando, longe disso. Afinal, mamãe sempre dizia “Hoje é difícil para amanhã ficar mais fácil”. E ela tinha razão, hoje começava a colher os frutos de tudo que plantei desde os meus 16 anos.
Enquanto minha super, hiper, mega cama de casal não chegava, ia ter que me adaptar ao sofá da sala. Mas, isso não é problema, já passei muitos anos dormindo em um sofá por falta de condições financeiras para comprar uma cama decente. O que seriam mais alguns dias? Em breve minha super, hiper, mega cama chegaria e adeus sofá. Peguei meu celular, já que a linha telefônica ainda não tinha sido instalada também. Liguei na pizzaria que peguei o folheto mais cedo na portaria e fiz o pedido de uma enorme pizza de frango com catupiry.
Deitei no sofá, ou melhor, me joguei no sofá, liguei a TV e fiquei passando todos os canais até um em especial me chamar atenção: Maratona The Walking Dead. Não tinha como ser melhor, tudo bem que eu já sabia de cor e salteado os diálogos entre Rick e Shane, mas no momento era a melhor opção para relaxar. E olha só que sorte, ainda está no segundo episódio da primeira temporada. Era um bom seriado para me distrair enquanto a pizza não chegasse e para embalar meu sono após me empanturrar de catupiry.
Comi três pedaços enormes da minha pizza e finalmente apaguei a luz da sala. Deitei no sofá, me cobri com um dos edredons que tinha e comecei a assistir a série. Assistia 30 segundos e cochilava 2 minutos. Estava tão exausta que não tinha forças nem para desligar a TV. Quando estava finalmente relaxando cada músculo do meu corpo, entrando em sintonia com meu sono que estava se instalando, um barulho de tambores e pratos começou do outro lado da parede. Assustada, fiquei alguns segundos sem entender, pensei que fosse passageiro, por isso voltei a me concentrar no sono.


Capítulo 1

Estava tão nervosa que nem pensei em me trocar, vestir algo mais decente ou coisa assim. Eu só queria xingar o filho da puta responsável pelo barulho que me impedia de dormir. Toquei a campainha incansáveis vezes. Enquanto esperava, todos os palavrões passavam pela minha mente. O barulho era tanto que provavelmente o infeliz não escutou. Resolvi voltar para casa, já que nem interfonar resolveria. Quando virei as costas para o apartamento do vizinho, ouvi a porta do mesmo se abrir:
- Er... Oi - Uma voz masculina iniciou um diálogo.
- Finalmente alguém atendeu a porta. – Rolo os olhos – Será que tem como parar com esse barulho infernal? Já não aguento mais esses tambores e essa guitarra, baixo, ou sei lá o que. – Vendo minha irritação o rapaz ficou sem jeito e coçou o topo da cabeça, pensando em como responder. Um tanto tímido disse:
- Desculpa, não sabíamos que já tinha morador novo aqui nesse apê, já faz tempo que somos o único do andar e nunca ninguém reclamou dos nossos ensaios.
- Não me interessa. Agora você sabe! – Respondi ainda estúpida.
- Tudo bem, você está certa e... – Interrompo.
- Óbvio que eu estou certa.
- Err... Desculpa, vou pedir para o meu irmão parar com a bateria por hoje. – Ele parecia mesmo constrangido com o ocorrido.
- Ótimo! – Virei as costas, indo de volta para meu apartamento.
- Boa noite. – Ouvi o rapaz quase que sussurrar antes de fechar a porta. Maravilha. Agora posso descansar e hibernar.
Voltei para meu querido e companheiro sofá. Deitei, assisti alguns minutos de The Walking Dead e depois acabei adormecendo. O dia amanheceu como em um piscar de olhos, parece que mal tinha dormido e o despertador já tocava. Abri os olhos, que ardiam pelo sono e claridade. Lentamente procurava meu despertador, para desligar aquele barulho infernal. Despertador desativado. Agora posso voltar a dormir? Não, . Tem muito a fazer. Tem a casa inteira para organizar e hoje não tem desculpa, tem que usar a academia do prédio. Afinal, tem muito catupiry dentro de mim. Ele certamente precisa ser eliminado.
Graças a Deus minha cozinha estava com tudo no lugar. Amanhã penso no quarto, até teria um tempo para organizar tudo hoje, mas o relógio já marcava 18h00 e hoje eu precisava mesmo ir para a academia. Tomei um banho, vesti meus shorts saia preferido, com um top da mesma cor dos shorts, vesti minhas polainas, meu tênis, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto, peguei minha squeeze que já gelava a água na geladeira e desci.
Fui pelas escadas de emergência. Coloquei meus fones de ouvido e fui cantando com minha voz linda, maravilhosa e desafinada até a academia. Entrando, percebi que estava totalmente vazia, somente eu e os aparelhos. Isso merecia a dancinha da vitória. Ok, chega de estranhezas, vamos logo ao que interessa.
3,2,1... chega! Desci da esteira, 30 minutos nunca demoraram tanto pra passar. Ufa, acabei. Peguei um colchonete e fui fazer as abdominais. Realmente estava tudo muito lindo, até aquele vizinho estranho aparecer na minha frente e estragar tudo. Pera aí, vestido com roupas “fitness”, sério? Ele vai pagar de fortão agora? Fiquei o observando entrar na academia, até que vi seus lábios se mexerem. Ah, ele estava falando...
- Falou comigo? – Perguntei tirando os fones, uma pergunta quase que retórica, já que só tinha eu ali.
- Sim... Eu disse boa noite. – Ele respondeu meio tímido.
- Ah... – Dei um sorrisinho meio “foda-se” e coloquei os fones de novo. Porra, ele estava falando de novo? – Oi?
- Perguntei se no seu treino você só faz abdominais. – Ele perguntou.
- Ah, claro... Eu estou derretendo assim por fazer abdominais – respondi séria, mas irônica.
- Nossa, você deve ter feito umas mil né. – Ele disse sem perceber minha ironia.
- Er... Eu estava sendo irônica – rio de leve – Eu acabei de correr e estou fazendo umas abdominais, musculação não é meu forte. – Tento ser mais simpática.
- Entendi... treino de menininha mesmo – Ele ri. – Aqui é machão! – Estufou o peito e eu não me contenho na gargalhada.
- Você é um filé... De borboleta – Continuo rindo e ele fica sério e sem jeito. – Estou brincando... Mas, já que é o bonzão, quero ver esse seu treino de “monstro” – Levantei do meu colchonete e fiquei o encarando.
- Só ver né? Você não aguentaria nem a primeira série. – Falou se gabando, mas brincando.
- Anda logo, quem muito fala, pouco faz. – Arqueei a sobrancelha. Sentei em uma bancada que tinha perto do aparelho que ele se preparava para começar as séries de exercícios. Sem falar nada, começou as repetições sem muitas pausas. Ok, ele não fazia o tipo de cara “fortão de academia”, mas era visível como seus músculos do peitoral e braços saltavam conforme os movimentos.
Nunca achei na minha vida que diria isso, mas uau, como isso estava sexy. De repente, me vi rindo dos meus pensamentos idiotas e pervertidos, o que fez o rapaz parar e questionar:
- O que foi? – Agora foi ele quem arqueou a sobrancelha.
- Nada – Respondi meio sem jeito, por um instante era como se ele conseguisse ler o que eu pensava. – E aí, cansou de se mostrar pra mim? – rio.
- Não fiz nada, quem esta me secando é você – Respondeu enquanto ajustava o peso de outro aparelho. Fiquei boquiaberta por uns segundos e logo respondi:
- Oi? Eu. Secando. Você? Talvez eu tivesse realmente reparando em como você é estranho. – Desci do balcão, indo guardar meu colchonete e os pesinhos.
- Já vai? – Ele perguntou antes de começar os exercícios.
- Ué, vou deixar o “machão” treinar sozinho. – Rolei os olhos, peguei minha squeeze e virei as costas.
- Espera... Por que você esta brava? – Questionando novamente.
- Não estou brava, estou cansada. Preciso de um banho e da minha cama, vulgo sofá – Sorrio amarelo.
- Fica... O que 20 minutos a mais ou a menos vai fazer de diferença? Você acorda cedo amanhã?
- Ainda não sei, isso vai depender da hora em que eu for deitar... – Falei sem dar muita atenção.
- Tudo bem, vou te deixar quieta, mas... Só sei que é minha vizinha esquentadinha. – ele fez uma pausa e riu. – Qual seu nome?
- Esquentadinha? Você e seu irmão que são sem noção e eu que sou esquentadinha? – Falei me irritando.
- Viu... Esquentadinha – Riu de mim e eu acabei rindo junto.
- . – Respondi e fiquei em silêncio.
- Certo. – Esticou a mão. Estendi a minha também e ele me puxou, dando um beijo melado na minha bochecha.
- Nossa, pareceu uma criança de um ano agora, pra que tanta baba? – Falei séria, ao ver o constrangimento em seu rosto comecei a rir. – Estou brincando, não sou tão chata assim.
- Vai me deixar mesmo? – Perguntou dramatizando.
- Sim... Termine seu treino e depois nos falamos, ok? – Sorri e ele apenas assentiu com a cabeça.


Capítulo 2

Já era noite, tinha acabado de chegar em casa. Pela tarde decidi dar uma saída, vi que ao lado do condomínio tinha uma loja de decoração, estava precisando dar um “up” na decoração de casa, então acabei passando por lá para dar uma olhada das coisas. Tirava meu vestido que tanto incomodava naquele momento para tomar um banho relaxante, e o interfone começou a tocar.
- Mas que merda, não tinha um momento pior não? – Falei sozinha e atendi o interfone – Alô? – Ficou silêncio, mas logo uma voz masculina iniciou um diálogo.
- Oi, ?
- Quem é? – Perguntei realmente sem ter a menor noção de quem era.
- . – Ele respondeu e então caiu a ficha.
- Ah, oi... O que pega? – Perguntei por estranhar aquela atitude.
- Por enquanto nada. – Ele riu e eu continuei sem entender. – Está ocupada?
- No momento estava planejando um banho. – Dou uma pausa para rir. – Por quê?
- Queria saber se você quer ir comigo no bar que eu toco. – Ele parecia um tanto nervoso.
- Acho uma ideia legal, mas... Quando? – Perguntei.
- Hoje seria um bom dia... Se você quiser, claro.
- Não sei... Que horas?
- Vou tocar só daqui duas horas, acha que consegue se aprontar em 1h30?
- Acredito que sim, mas... Como é esse lugar? Pra eu ter uma ideia de roupa. – Talvez fosse uma pergunta fútil, mas precisava saber.
- Ah, é um bar de rock, acho que qualquer roupa que usar ta valendo. – Ele ri após terminar a frase.
- Certo, então em uma hora estarei pronta. – Respondi – Te encontro onde?
- No estacionamento, pode ser?
- Sem problemas, até já. – Encerrei a ligação.
Por um momento fiquei parada ao lado do balcão da cozinha onde ficava o interfone, pensando se teria feito uma boa escolha, não sabia nada sobre , só onde morava, que tinha um irmão e que pagava de gatinho na academia. Agora sabia também que tocava em um bar. Mas, dane-se, não posso voltar atrás, por mais que eu estivesse cansada e desejando minha cama, acho que sair não seria uma má ideia. Então fui tomar meu banho e decidir qual roupa usar.
Já estava pronta, fazia calor e por esse motivo escolhi vestir um short jeans desfiado de cintura alta com uma cropped branca de alcinha. No pé calcei um tênis vans preto, deixei meus cabelos longos soltos e fiz uma maquiagem que marcava bem os olhos e a boca. Estava (milagrosamente) pronta no horário combinado com . Quando cheguei ao estacionamento, ele já me esperava parado ao lado do carro. Sorriu ao me ver e eu fui em sua direção.
- Olá... Demorei? – Perguntei com um sorriso um tanto tímido.
- Um pouco, mas... Valeu a pena, você está linda. – Ele respondeu com um sorriso estampado no rosto, o que fez com que minhas bochechas corassem.
- Obrigada. – Respondi. Ele então foi em direção à entrada do passageiro e abriu a porta do carro pra mim. – Olha, um cavalheiro.
- O mínimo né, você se arrumou toda pra mim. – Ele disse um tanto convencido e fechou a porta. Entrando rapidamente ao lugar do motorista.
- Quem disse que me arrumei pra você? – Perguntei séria, fechou rapidamente o sorriso, o que me fez dar risada. – Estou brincando, talvez tenha sido um pouquinho pra você, vai. – E ele sorriu aliviado. – Mas, diz aí... Onde fica esse bar?
- Fica há uns 15 minutos daqui, trampo lá de vez em quando. – Respondeu dando partida no carro.
- O que você toca? – Perguntei enquanto colocava o cinto de segurança.
- Sou guitarrista e segunda voz.
- Uau, temos um cantor aqui? – Perguntei em tom de surpresa, mas brincando.
- Mais ou menos, não gosto muito de cantar... Me dou melhor com a guitarra. – então ligou o som, que por sinal estava extremamente alto com um som ensurdecedor e contagiante.
-AC/DC? – Perguntei quando abaixou o volume, então assentiu com a cabeça que sim. – Irado... Você esta subindo no meu conceito. – Rimos juntos.
- Vai dizer que curte também? – Perguntou arqueando a sobrancelha.
- Sou louca pra achar aqueles Box de colecionador, consegui contato até, mas estou em espera. – Falei um tanto desanimada.
- Cara, é sério? – Ele parecia empolgado com o assunto. – Não tem cara de quem curte musica boa.
- Ué, por que não? – Pergunto rindo.
- Sei lá, tem cara de menininha. – Respondeu e voltou a olhar para o trânsito.
- Em uma hora mudará esse conceito sobre mim. – Respondi e voltei a aumentar o som. me olhou, questionando o porque de ter aumentado o volume. – Não quer conversar com AC/DC tocando, quer? Isso seria quase um pecado... – Fiz uma pausa. – Teremos a noite toda pra isso... Agora sente a vibe.
O carro parou quando o semáforo a frente sinalizou em vermelho. Então ficou me observando enquanto eu cantava a música que tocava no som de seu carro. Vez ou outra ele sorria, mas não tirava os olhos de mim e obvio que eu tinha notado isso, mas não, não demonstraria que tinha notado, isso me deixaria envergonhada e agora não era hora disso.
Chegamos ao bar em que tocaria naquela noite. Já estava um pouco cheio, na verdade, poucas mesas estavam disponíveis no local, enquanto a banda dele não tocava, o palco servia para algumas pessoas bêbadas o suficiente se sentirem cantoras, sim, tinha um karaokê ali. segurava minha mão para me guiar até o local que ficaríamos, não que estivesse lotado a esse ponto, talvez só fosse cômodo para o momento. Sentamos em um banco de frente para o balcão principal do bar, onde pediu duas cervejas e depois perguntou:
- Você bebe? – Dei risada e balancei a cabeça com um sim. – Que bom, porque já pedi nossas cervejas.
- Notei – Apoiei meus braços no balcão, então virou bruscamente meu banco para que ficasse de frente pra ele, entre suas pernas. – Hey, mais fácil pedir pra eu virar, quase que eu caio. – Falei segurando em seus ombros, ele me virou de forma tão brusca que de fato quase cai.
- Não foi a intenção. – Sorriu sem jeito.
- Sem problemas. – Voltei a sorrir e então encarei aquele sorriso pela primeira vez. Não sei se todas as mulheres concordariam comigo, mas era o sorriso mais encantador que já sorriu pra mim. Se existe algo mais apaixonante, eu ainda não conheci. Ficamos um tempo nos encarando, desde que nos conhecemos não tínhamos tido essa troca de olhares, não tão descaradamente. Mas ainda era cedo para qualquer investida, de ambas as partes.


Capítulo 3

Já passava de 00h quando avisou que teria que subir ao palco. Estávamos no bar há pouco mais de uma hora, fraca como sou, nem preciso dizer que já estava ficando um pouco bêbada, ou preciso? Já nem sabia quantas cervejas eu tinha bebido, não estava muito longe de mim, porém, não estava bêbado como eu, ele parecia ter uma resistência ao álcool que eu ainda não tinha adquirido.
Antes de subir ao palco, me deu um selinho. Até entenderia, se nós já tivéssemos nos beijado, mas não, mesmo com meus olhares e indiretas, ele não me beijou, nem uma única vez. Talvez quisesse um lugar mais calmo, ou talvez não quisesse se “queimar” com alguma garota no bar que ele sempre tocava. Se bem que eu seria ingênua demais em pensar que era a primeira que ele levava para assistir ao seu show. Todo músico sabe o quanto se torna atraente ao subir em um palco com seus respectivos instrumentos. E minha nossa, estava me deixando ainda mais atraída por ele, ele tocava aquela guitarra como se tocasse uma mulher, era nítido o quanto se envolvia em cada nota. Suas expressões de prazer ao alcançar os solos eram realmente de surpreender.
Ao final do show, veio em minha direção, sorriu ao se aproximar e me deu outro selinho. O que me surpreendeu novamente, tirando um sorriso de mim. Novamente virou meu banco pra ele, sentou de frente pra mim e pediu um whisky para o barman.
- Alguém aqui vai intensificar os trabalhos? – Perguntei em tom de brincadeira ao escutar o pedido dele.
- Agora eu posso ficar bêbado, né?! – Deu risada, aquela risada que em tão pouco tempo já me fazia tão bem em ver e ouvir.
- Não pode não, eu quero voltar viva pra casa meu querido. A não ser que eu volte dirigindo. – voltou a rir quando terminei a frase – Que?
- Você? Dirigir o MEU carro? Tá louca? – Ele ainda sorria.
- Ué, porque não? – Arqueei a sobrancelha.
- Primeiro que ninguém dirige o meu carro. – Ele respondeu fazendo o número um com a mão. – Segundo, você está bêbada há algum tempo, então o perigo seria ainda maior.
- Que absurdo. – Falei fingindo estar ofendida. – Não estou bêbada coisa nenhuma.
- Tá gritando por que então? – Fiquei boquiaberta com a pergunta e em seguida comecei a gargalhar, ele tinha razão, eu estava muito longe de estar sã.
- Idiota. – Disse após gargalhar.
- Idiota que você tá bem gostando. – Agora foi a vez dele arquear a sobrancelha.
- Quem disse? – Perguntei irônica.
- Nem precisa, tá nítido. – respondeu e apertou uma de minhas coxas, obviamente na intenção de me provocar. Sorri como resposta e abaixei minha visão para o local onde sua mão estava. Ele levantou e se aproximou ainda mais de mim, agora eu encarava sua boca e o quanto se aproximava de mim.
- Puro ou com energético? – Exatamente, fomos interrompidos pelo barman. Respirei fundo e apenas fiquei em silêncio.
- Puro. E com gelo. – respondeu e em seguida pegou sua bebida. – Valeu.
- Mas aí, mandou muito bem no show, parabéns. – Iniciei outro assunto, não tinha clima agora, gente...
- Valeu... Hoje foi louco mesmo. – Ele respondeu voltando a sentar. Ficamos mais algum tempo conversando e bebendo. Ele whisky e eu cerveja. Até que o celular de começou a tocar. – Espera, é meu irmão. – Levantou e foi atender longe de mim.
Fiquei apenas observando e após uns dois minutos ele voltou. Bufando pegou a carteira para acertar a conta do bar. Era nítida sua expressão de estresse.
- O que houve? – Estranhei.
- aprontando, como sempre. – Fez uma pausa para digitar a senha do cartão na maquininha. – Bateu o carro. E pra melhorar apreenderam o carro, ele está em uma delegacia lá na puta que pariu por dirigir bêbado. – Fez outra pausa e antes de continuar, guardou a carteira e me encarou. – Tenho que ir, te deixo em casa e depois retomamos nosso encontro... Desculpa.
- Tudo bem, não quer que eu vá com você? – Levantei e segurei a mão que ele estendeu pra mim.
- Não, esses problemas do eu prefiro resolver sozinho. – Falou tentando não se alterar. Eu assenti com a cabeça e não disse mais nada.
Fomos de mãos dadas até o carro, pensei em pedir um taxi, mas ele fez questão de me deixar em casa. Ele não estava muito sóbrio, mas acho que o susto fez a “brisa” dele passar. Ficou silencio por todo o caminho, dessa vez não ligou o som. Outra coisa que também foi diferente, foi o local de descanso que a mão direita de estava... Sim, na minha coxa. Porém, diferente de antes, ele não apertava ou demonstrava nenhuma malicia, só parecia ser cômodo pra ele naquele momento. E confesso que me tranquilizou um pouco, estava um pouco tensa, sem saber a opinião de sobre aquele “encontro” e com aquela ação pude deduzir que não foi assim tão ruim.
- Pronto, está entregue. – Ele sorriu fraco ao estacionar na portaria de nosso prédio. – Queria muito subir com você, mas... – Ele ficou em silêncio.
- Terão outras oportunidades, . – O chamei assim pela primeira vez e ele sorriu. – Agora vá atrás de seu irmão. – Sorri fraco e me aproximei dele para nos despedirmos. Ele me encarou nos olhos e sem ter ideia de que isso fosse acontecer, foi surpreendido com um beijo iniciado por mim. Sei que não tínhamos clima pra isso, mas eu precisava matar a vontade de pelo menos um beijo, vontade essa que me consumia a noite inteira.
retribuiu o beijo entrelaçando uma de suas mãos em minha nuca, entre meus cabelos, puxando de leve. Aquele beijo estava calmo, um tanto intenso, mas nada que fosse passar daquilo. Mordi seu lábio de leve e terminei o beijo.
- Boa noite. – Eu disse e ele sorriu.
- Poderia ser melhor, mas tudo bem. – Ele disse e suspirou. Saí do carro e acenei antes de fechar a porta. Entrei no condomínio e ele deu partida no carro.


Capítulo 4

Alguns dias se passaram, todo meu apartamento estava organizado com as mobílias novas, só faltava a minha cama chegar, mas estava prevista para ainda hoje, então se tudo der certo, hoje mesmo já terei uma cama para chamar de minha.
O interfone tocou, eu ainda estava de pijama devido ao horário, 08h40 AM. Era o porteiro, dizendo que tinha uma encomenda na portaria para mim. Apesar do horário e de ser um pouco estressada antes do meio dia, respondi empolgada que o entregador poderia subir. Não via a hora do meu grande amor entrar por aquela porta e declarar amor eterno e fidelidade a mim. Tudo bem, para alguns pode se tratar só de uma cama, mas para mim era mais que isso. Só as pessoas completamente fissuradas em dormir como eu, são capazes de entender esse amor todo por uma cama confortável e espaçosa.
Recebi o entregador em alguns instantes, que me deu um papel com a nota fiscal e outro para confirmação de entrega. Assinei o segundo, colocando os dados necessários e devolvi a ele. Muito bem, agora somos só nós duas, cama... Você realmente parece muito agradável, mas como encaixo esses malditos “pezinhos” em você?
Fiquei algum tempo tentando decifrar aquele manual inútil de instruções, que sinceramente não sei porque os fazem, já que só confundem ainda mais a vida do pobre encarregado a seguir tais ordens sem sentido. Eu iria precisar de uma caixa de ferramentas pelo que eu entendi. Mas acontece que eu não tenho uma caixa de ferramentas e sem ela como seguirei os passos?
Sentei na cadeira do computador que tinha em meu quarto e fiquei encarando a cama, na esperança de uma solução surgir em minha cabeça. Talvez eu pudesse ir comprar essas porcarias em alguma lojinha de ferramentas, ou pudesse pedir para que o porteiro me salvasse. Boa ideia. Peguei o interfone, esperando ansiosamente que tivesse achado uma solução.
- Portaria, bom dia – Atendeu o porteiro ao outro lado da linha.
- Bom dia, aqui é a do 268, acabei de receber uma entrega. E eu precisava muito saber se o senhor tem uma caixa de ferramentas para me emprestar. Eu precisava de algumas para fazer a montagem da minha cama nova. – Disse torcendo para a resposta ser um sim.
- Eu tenho uma maletinha sim com algumas ferramentas, pode ser que alguma coisa te ajude. – Ele respondeu.
- Eba, e o senhor poderia me emprestar?
- Claro que sim, vou dar uma olhada em uma manutenção em seu prédio em alguns instantes, se a senhora não quiser descer para buscar, levo aí daqui a pouco.
- Nossa, o senhor é um anjo. Muito obrigada. Fico esperando então. – Disse comemorando e desliguei o interfone.
Voltei ao meu quarto, sentei na cadeira do computador e fiquei fazendo alguns snapchats com meu celular, precisava mostrar minha cama nova, ainda que não montada. Em menos de cinco minutos a campainha tocou, uau, que rapidez. Levantei e fui até a porta da lavanderia, que dava acesso ao apartamento da frente e ao elevador de serviço.
Era um rapaz alto que estava ao outro lado da porta. Alto e incrivelmente bonito, tatuado e com a barba por fazer. Ulalá, isso parecia até miragem. Fiquei meio sem jeito pelos meus trajes de dormir, mas abri a porta mesmo assim. Ele sem dizer nenhuma palavra, esticou a mão direita, me entregando uma maleta.
- O seu Zé pediu para te entregar isso. – Fiquei algum tempo em silêncio, tentando pensar quem era esse Zé. – Não vai pegar? São umas ferramentas pelo que ele disse.
- Ahhh sim, o porteiro é o seu Zé? – Disse rindo e pegando a maleta da mão do rapaz.
- Quem mais seria? – Ele respondeu sem sorrir. – “Falou”. – Terminou a frase com essa gíria ridícula e virou as costas, indo em direção ao apartamento vizinho.
- Tinha que ser. – Eu disse ao vê-lo abrir a porta do apê. Ele virou para mim novamente, me olhando com cara de interrogação. – Tinha que ser o idiota do vizinho da frente. – Rolei os olhos.
- De nada! – Ele entrou no apartamento e bateu a porta.
Voltei para o meu apartamento indignada pela grosseria do idiota do e feliz por ter as ferramentas em mãos. Algumas horas se passaram, eu já suava de tanto tentar encaixar aqueles malditos pés na cama. Já não sabia mais o que fazer. Sentei novamente na cadeira do computador e fiquei encarando a cama, pensando em uma solução.
- Se soubesse que era tão difícil, tinha ficado com meu sofá mesmo. – Disse sozinha e respirei fundo. Precisava pensar em algo, precisava solucionar esse problema, já era tarde e eu ainda não tinha conseguido nem parar pra comer.
Olhei o relógio, marcava 14h00... Cansei de me desafiar com essa montagem e decidi interfonar ao porteiro novamente. Seria capaz de pagar para que alguém me ajudasse. Fiquei longos minutos esperando alguém me atender, até que uma voz feminina abriu a linha. Era a auxiliar de limpeza, que me avisou que o porteiro estava em horário de almoço e que ela estaria o substituindo na recepção e ligação de moradores, já que ele voltaria apenas ao final da tarde por ter serviços fora do condomínio. Agradeci a simpática senhora, desliguei o interfone e me joguei no sofá da sala.
Eu estava exausta e tecnicamente não tinha ninguém que pudesse me ajudar. Desde aquele encontro, eu e não saímos mais. Vez ou outra nos falávamos por redes sociais, mas nada que saísse dali. Não sei se seria uma boa ideia pedir ajuda dele, mas quem poderia me ajudar? Liguei a televisão, fiquei trocando os canais na esperança de alguma ideia mirabolante vir na minha cabeça. Cansada de lutar contra meus pensamentos, decidi fazer o que deveria ter feito há tempos, mandei uma mensagem pro , nela dizia:
“Hey, está em casa? Precisava muito de um favor seu, me responde assim que ver essa mensagem.”

Esperei por alguns minutos e quase uma hora depois respondeu minha mensagem:
“Puts, não estou em casa agora... Cola no apê a noite, chamamos uma galera e vai rolar uma bagunça, dependendo do que for posso resolver seu problema mais tarde, rs”.

Deixei meu celular de lado e nem respondi a mensagem de , estava tão irritada que não tinha cabeça pra pensar em nada que não fosse minha cama, voltei a trocar os canais da TV e pensar na solução do meu problema. Até que um som infernal de bateria começou novamente na parede ao lado.
- Puta que pariu, era só o que faltava... Se bem que... – Falei alto comigo mesma. No mesmo momento sentei no sofá, enrolei meu cabelo em um coque, calcei meus crocs e fui atrás da minha ideia mirabolante, ou não.
Respirei fundo e toquei a campainha. Talvez fosse a atitude mais insensata no momento, mas não tinha muitas opções. Por mais que aquele cara fosse insuportável, ele era homem. Precisava da força de um para conseguir colocar os malditos “pés” da cama. Em alguns instantes ouvi a bateria parar. Respirei fundo mais uma vez, ouvi passos se aproximando da porta, até que o cara alto e estúpido de mais cedo me atendeu.
- Já sei, veio reclamar do barulho. Não vou parar, se não olhou no relógio, ainda falta muito tempo para as 22h – Ele começou o diálogo de forma ríspida e com a sobrancelha arqueada. Sua voz era tão grossa que chegava a ser um tanto intimidadora.
- Ok, vamos lá. – Respirei fundo e guardei meus xingamentos. – Não vim reclamar de nada, na verdade eu queria te pedir ajuda.
- Você queria o que? – Ele voltou a arquear a sobrancelha e se apoiou no batente da porta.
- Ajuda. – Rolei os olhos. – Eu não estou conseguindo montar minha cama que chegou hoje, desde a hora que nos vimos mais cedo estou tentando.
- E eu com isso? – Ele falou irônico, parecia se divertir com o meu incomodo em pedir ajuda.
- Você e seu irmão são as únicas pessoas daqui que eu conheço. – Fiz uma pausa. – E sei que o não está em casa, por isso estou pedindo sua ajuda.
- E por que eu te ajudaria? – Ele olhou sério em meus olhos.
- Porque pode mostrar que não é só um ogro sem educação e que também sabe ser gentil? – Respondi com um sorrisinho sarcástico.
- Boa tentativa. Geralmente as meninas querem me ter por perto mesmo, obviamente que não seria diferente com você. – Ele disse convencido. – Mas foi mal gata, não vai dar... Estou realmente muito ocupado.
- Não sei porque pensei que aí tinha sensatez. Certamente eu sou uma idiota. – Respondi me irritando por sua prepotência e voltando ao meu apartamento, ele não respondeu nada, só me observou. Vendo que ainda me olhava, bati a porta com força. Não era obrigada a passar por isso.
E agora? O que eu iria fazer? Teria que sair na rua a procura de alguém que soubesse montar uma cama? Por que eles já não enviam um cara preparado para isso? Seria muito mais fácil e nos pouparia de tanto stress. Eu estava tão nervosa que já tinha desistido daquela cama, aguentaria mais um dia dormindo no sofá. Ainda era relativamente cedo, talvez eu conseguisse ajuda de alguém, mas se eu voltasse para aquele quarto novamente e visse a cama sem estar montada, eu colocaria fogo nela antes mesmo de montar.
Bufei e comecei ajeitar minhas coisas para tomar um banho, estava cansada demais, precisava relaxar, essa mudança estava acabando comigo. Quando saí do banho, percebi que a campainha tocava. Pelo número de vezes, parecia que a pessoa esperava há algum tempo. Gritei do meu quarto que já estava a caminho. Vesti a primeira roupa que vi pela frente e corri para atender.
- Você? O que é agora? – Disse ao ver meu vizinho ao outro lado da porta.
- Vim dizer que tenho 15 minutos pra você, quando virou notei sua bunda, dá pra perder um tempinho passando a mão. – Ele disse de forma canalha e finalizou com um sorriso. Dei um tapa ardido em seu rosto, não acreditava estar ouvindo algo tão desrespeitador.
- Você é doente. – Disse fechando a porta, porém, ele a segurou.
- Eu estou brincando... Não vim por isso. – Voltou a me olhar sério. Vendo que eu não diria nada continuou: - Vim ver o problema da sua cama, aquela hora eu estava ensaiando, agora estou livre. Ainda precisa de ajuda?
- Por que acreditaria nisso?
- Não precisa acreditar, vim te fazer um favor, mas pelo jeito já resolveu – Ele soltou a porta e se movimentou de forma que parecia estar indo embora.
- Espera. – Eu disse abrindo mais a porta. Vendo que ele parou, continuei – Na verdade eu ainda preciso de ajuda, ficaria imensamente agradecida se você me ajudasse.
- Vai me bater se eu me aproximar de novo? – Ele riu.
- Se me desrespeitar novamente, sim. – Respondi um pouco rude.
- Tá certo, não comentarei sobre essas pernas, mas não posso garantir não olhar. – Ele riu novamente e veio se aproximando. Fingi não ouvir o que ele disse e só dei passagem para que entrasse.
- Vem, é por aqui. – Fui andando na frente até chegar em meu quarto.
Ele me seguiu em silêncio, entramos em meu quarto, me sentei na cadeira do computador e então ele ficou algum tempo observando como me ajudaria na montagem daquela cama. Colocou uma mão na cintura e com a outra segurava o manual de instruções. Ele parecia começar a se concentrar, não dizia uma palavra sequer, mas logo quebrou o silêncio me pedindo a maleta de ferramentas que estava na mesa ao meu lado. Entreguei a ele e continuei em silêncio. Algo que já estava me incomodando, não que eu quisesse grandes conversas com ele, mas eu tinha algumas perguntas em mente, depois de algum tempo o observando resolvi quebrar aquele silêncio constrangedor.
- Por que resolveu me ajudar? – Perguntei realmente curiosa.
- Não tinha nada melhor pra fazer, então decidi fazer uma boa ação. – Ele respondeu sem me dar muita atenção, parecia mesmo concentrado na montagem. Ficamos em silêncio por mais algum tempo, mas dessa vez ele quem falou – Tá meio quente aqui, você pode ligar o ar condicionado?
- Poderia, se não estivesse quebrado. – Disse rindo – Amanhã a manutenção vem ver qual foi o problema. Quando cheguei ao apartamento, já tinha esse instalado, então resolvi não comprar um novo. Se soubesse que quebraria no primeiro dia de uso, já teria comprado outro.
- É foda. – Foi só o que ele respondeu. Em seguida tirou a camisa que vestia. Ele não tinha o corpo mais sarado do mundo, estava longe disso, mas aquelas tatuagens e aqueles olhos claros realmente me deixavam fora de mim, talvez por isso eu não conseguisse falar nada. – Não tem problema eu ficar sem camisa, tem?
- Er... Não, claro que não... Tá calor mesmo – O que foi isso? Eu gaguejei pra falar? Quantos anos eu tinha afinal? 12?
- Tá tudo bem? – Ele arqueou a sobrancelha e olhou pra mim.
- Sim, está... Eu. Vou pegar algo pra beber, você quer? – Disse ainda meio que gaguejando.
- Pode ser. – Ele voltou a atenção para a cama.
Voltei em alguns instantes com duas garrafas de vidro bem geladas com cerveja. Entreguei uma delas para ele e a outra peguei pra mim. As garrafas já estavam abertas, então o rapaz deu um longo gole na cerveja, em seguida olhou pra mim e rindo falou:
- Era disso que eu precisava... A propósito, ainda não sei o seu nome.
- Ah, é verdade. – Eu ri – .
- Você já conheceu meu irmão né? Ele sempre chega nas moradoras novas primeiro. – Ao terminar de falar, deu risada e eu ri fraco antes de responder.
- Sim, eu conheço o . – Antes de continuar a falar, também dei um gole em minha cerveja – Ele disse algo?
- Sobre ter saído com você? Disse que eu atrapalhei o encontro de vocês. – Respondeu sem se importar muito. – Mas eu não atrapalhei, depois de me buscar ele colou na festinha das meninas do bloco C comigo.
- Foram pra uma festa naquele dia? – Arqueei a sobrancelha. Tentando disfarçar o desconforto em saber daquilo.
- Sim... reclama das festas, mas está sempre nelas. – responde dando um gole na cerveja em seguida. - Falando nisso, hoje vai rolar uma festinha lá em casa, começa às 23h, se quiser colar...
- Isso foi um convite? – perguntei e ele riu.
- Sei lá, só estou avisando... Talvez você estando na bagunça, faça com que você não queira estragar tudo às 22h – Ele rolou os olhos.
- Você não sabe mesmo ser gentil, né? – Disse em tom de brincadeira, mas incomodada.
- Ué, te chamei pra colar, você vai se quiser... Não quer que eu fique implorando né? – Ele deu de ombros e matou o resto da cerveja em um gole. Respirei fundo e o silêncio voltou a reinar. Após algum tempo a cama estava instalada, finalmente.
- Caralho, já é essa hora? – Disse o garoto olhando em meu relógio da parede.
- Sim, você perdeu mais que 15 minutos comigo. – Dei risada – E acabou com parte do meu estoque de cervejas também. – Peguei as garrafas de vidro que estavam em cima da minha mesa, levando para cozinha. Ele me acompanhou, me seguindo até lá.
- Ah, em casa tem mais, deixo você acabar com parte do meu estoque. – Uau, pela primeira vez ele sorriu pra mim sem nenhuma ironia. E eu senti minhas bochechas queimarem, droga, por que estou assim?
- Esse convite foi mais gentil. – Eu ri e fomos até a porta. – Muito obrigada, .
- Cola lá em casa mais tarde, já vou avisar o que você vai. – Ele respondeu tirando as chaves do bolso e abrindo a porta de seu apartamento.
- Não avise nada, ainda não sei se eu vou. – eu disse e ele logo me cortou.
- Se não vir, vou tocar sua campainha as 4:00 da manhã até você acordar. – Ele sorriu e eu acabei aceitando, porque sabia que ele realmente seria capaz de fazer algo assim.
- Está certo, eu vou. Até mais tarde. – Sorrio fraco e fecho a porta.


Capítulo 5

Já passava das 22h, eu fiquei algum tempo pensando se ia ou não até a suposta “festinha” que me convidou. Tudo bem que não tinha nada melhor pra fazer e se estivesse chato, estaria de volta em casa em menos de um minuto. Ai, foda-se, eu vou. Levantei da cama e fui para o banho. Em uma hora eu estava pronta, não tinha porque me arrumar muito, primeiro que eu não queria impressionar ninguém e segundo que nem era uma “festa” de fato.
Eu vestia uma calça jeans de cintura alta bem justa, rasgada nos joelhos e na coxa, uma cropped de manga comprida preta e uma jaqueta vermelha por cima. Meu cabelo, decidi deixar solto mesmo, hoje ele decidiu colaborar, estava incrivelmente hidratado e brilhante. Nos pés, coloquei o de sempre: meu coturno marrom um tanto detonado de tanto usar. Quanto à maquiagem, delineador nos olhos e batom vermelho? Ok, se não estiver bom, vai ficar assim mesmo porque eu não to mesmo com pique de me arrumar.
Peguei um trident na gaveta da escrivaninha do meu quarto, dei uma ultima olhada no espelho, joguei a franja para o lado, guardei o celular no bolso de trás da calça e sai. Toquei a campainha, alguns segundos e a porta foi aberta, só após uns instantes consegui identificar quem me recepcionava, já que a fumaça da maconha que fumava vinha direto na minha cara.
- E ai vizinha, você veio – Ele disse vindo me dar um abraço. Certamente ele não estava são.
- Er... Oi. – Me senti estranha, olhei para dentro do apartamento e a maioria dos convidados eram do sexo feminino, ok, isso não pareceu muito interessante. – Pode soltar a fumaça pro outro lado, por favor? – Disse abanando o ar quando soltou a fumaça pra minha cara de novo.
- Foi mal, gata... Você quer? – Ele esticou a mão com o baseado, na intenção de me entregar.
- Não, obrigada – Sorri e recusei. – Mas uma cerveja eu aceito. – Definitivamente não conseguiria ficar ali sóbrea.
- Vou pegar pra você, logo meu irmão ta por aí... – respondeu e foi até a geladeira buscar a cerveja que pedi. O segui até o balcão e sentei em um dos banquinhos que ficavam ali. Peguei a cerveja que já estava aberta e dei um longo gole.
- Obrigada – Sorri e fiquei em silêncio. Porra, o que eu estava fazendo ali?
- Se precisar, estou totalmente a sua disposição – Ele riu com cara de chapado e voltou para a rodinha de “amigas”. Fiquei observando todos enquanto tomava minha cerveja, diria que um bom tempo fiquei ali somente com a cerveja como minha companheira, quando acabava uma, eu mesma pegava outra na geladeira. Acho que já sabia o que fazer, me embebedaria as custas de e depois iria pra casa dormir, porque me enturmar não ia rolar mesmo.
Pegava minha quinta long neck de cerveja na geladeira, fiquei algum tempo escolhendo se tomaria aquela com suco de limão ou a tradicional. Meus pensamentos foram cortados por uma voz grossa vindo pro trás de mim.
- E não é que você ta levando a sério em acabar com meu estoque de cervejas? – Ele riu e eu virei assustada.
- Meu. Que. Susto. – Disse e dei risada. – Ué, você que insistiu. – Falei em tom de brincadeira, peguei qualquer cerveja e fechei a geladeira.
- Meu irmão ainda não apareceu? – Ele perguntou e sentou no banco em que eu estava.
- Não, já estou na quinta cerveja. – Respondi tentando tirar a tampa da garrafa, já estava um tanto difícil... Desculpe, mas ultimamente qualquer coisa me deixa bêbada.
- Caralho, tem mais coisa pra beber... Se continuar assim vai passar mal. – Ele riu e esticou a mão na intenção de pegar minha cerveja para abrir pra mim.
- Nunca. Você esta falando com , rapaz. Eu nunca caí de beber. – Eu respondi me gabando e arqueei a sobrancelha o que o fez rir.
- Por que essa cara de interrogação? – Ele me perguntou.
- Por que está aqui e não com suas “garotas”? – Continuei com cara de interrogação e dei um gole na cerveja.
- Sinceramente? Porque eu já comi todas essas. – Ele disse analisando e depois deu risada.
- Nossa. – Foi só o que saiu da minha boca, eu estava totalmente enojada com aquela resposta.
- O que foi? Senti um pinguinho de ciúmes aí.
- Ai, por favor... Se for começar com a prepotência de novo me avisa que já vou embora, porque na verdade eu nem sei o que estou fazendo aqui. – Disse ficando nervosa e levantando.
- Calma, eu estou brincando. – Ele segurou meu braço. – Queria ver sua reação ao me ouvir dizendo que já transei com todas.
- Então não fez sexo com todas elas? – Arqueei minha sobrancelha.
- Com todas não, falta você. – Ele riu novamente e aí sim eu fiquei nervosa.
- Ok, vou embora. – Ele levantou, me encostou sobre o balcão e veio se aproximando, até pressionar todo seu corpo no meu. – Se você não sair de perto de mim agora... – Quando pensei em completar a frase, ele segurou meu cabelo por baixo da nuca com uma mão e apertou minha cintura com a outra.
- Se eu não sair de perto de você agora....? – Ele disse em um tom sério, mas extremamente sexy, isso me arrepiou, merda, e ele percebeu. Respirei fundo antes de responder.
- Me solta, . – Falei com a voz fraca. – Eu estou saindo com o seu irmão.
- Sabe que quanto mais você se fizer de difícil, mais gostoso vai ser quando eu conseguir, né? – Ele disse bem próximo ao meu ouvido, fiquei por alguns segundos em silêncio, o que estava acontecendo comigo? O empurrei com força.
- Você é louco – Eu disse irritada e sai de perto, tinha que sair dali naquele momento. Senti-me completamente invadida, abri a primeira porta que me deparei, precisava ir ao banheiro me recompor, não podia sair dali naquele estado, eu tremia de nervoso.
Ao abrir a porta me deparei com o que não esperava. Aquele cômodo não era o banheiro, era um quarto, aquele quarto parecia ser do , já que era ele que estava ali dentro. Diferente do que esperava, ele não estava sozinho. Uma garota estava com ele. E essa garota não estava “só” com ele, ela estava SEMINUA com ele. Era bem nítido o que acontecia ali dentro. Sem reação fiquei alguns segundos parada na porta, quando me viu, tirou os braços da menina que envolviam seu pescoço e falou:
- ... Você, eu não sabia que... Espera, não é o que você esta pensando. – Ele estava nitidamente surpreso.
- Eu não quero ouvir nenhuma palavra. – Foi só o que consegui responder. Meu nervoso só aumentou e eu comecei a tremer ainda mais de raiva. Sentia o quanto minhas bochechas estavam queimando, se eu não saísse dali agora eu ia descontar todo meu ódio em cima de e daquela vagabunda.
Virei às costas e sai do quarto, indo furiosamente a saída do apartamento, nesse momento sequer veio atrás de mim, o que só confirmou o que ele estava fazendo, quem ele era e o quanto eu estava sendo a idiota da noite. Entrei em meu apartamento, batendo a porta e a trancando em seguida. Naquela hora as lágrimas de nervoso já escorriam pelo meu rosto e borravam toda minha maquiagem, mas nessas horas esse era o menor dos meus problemas. Tirei minha roupa e entrei embaixo do chuveiro, onde fiquei por um bom tempo até me acalmar.



Capítulo 6

Sábado de manhã, daria tudo pra não sair da minha cama quentinha, mas o dever me chamava, ou melhor, a academia me chamava. Levantei, tomei meu banho, coloquei minhas roupas de ginástica e desci para a respectiva. Já terminava meu treino do dia, limpava os aparelhos que usei e fui para casa. Cinco minutos esperando a droga do elevador, tinha alguém segurando no subsolo e eu já perdia minha paciência em esperar, ainda não tinha subido pelas escadas porque minhas pernas estavam doloridas demais para subir mais de 20 lances.
- Finalmente. – Eu disse pra mim mesma ao ver o elevador chegando ao térreo. Quando abri a porta, me deparei com o vizinho da frente, sim, era o retardado do , cheio de coisas dentro do elevador, o único espaço que eu teria era de frente pra ele e com poucos centímetros de distância. – Só pode ser piada né? – Disse ao ver tudo aquilo.
- Moramos no mesmo condomínio, no mesmo andar pra ser mais exato, vizinha, se eu te incomodo tanto, por que não vai pelo outro elevador? – Ele me perguntou, mas já sabia a resposta, o elevador social estava em manutenção.
- Tanto faz. – Disse tentando ignorar e entrei no elevador. A porta logo se fechou e o elevador começou a subir.
Sentia ele tão próximo de mim que conseguia ouvir sua respiração. Seu perfume predominava o ambiente, sua presença me incomodava por não saber o motivo. Talvez eu pudesse dizer que me incomoda por ser egocêntrico, prepotente, grosso, ríspido, idiota, ogro, imbecil, cheiroso, lindo, gostoso e...
- Sonhando acordada comigo? – disse irônico, fazendo eu lembrar o motivo pelo qual o odiava tanto.
- Por que você se acha tão sensacional assim? Sério? Eu juro que queria entender. – Disse o encarando.
- Porque eu sou! – Ele respondeu sorrindo e se escorou na parede do elevador.
- Otário. – Bufei e virei às costas pra ele, me recuso a ficar encarando aquele idiota. Não passaram nem cinco segundos e as luzes do elevador se apagaram, e senti o mesmo despencar pelo menos dois andares de uma vez. Puta que pariu, isso não podia estar acontecendo por inúmeros motivos:
01. Eu morro de medo de altura.
02. Consequentemente isso me faz ter medo de elevadores.
03. Sou claustrofóbica.
04. Ficar mais que um minuto no mesmo ambiente que não era muito “legal”, se podemos dizer assim.
05. Socorro.
- Olha só, seus sonhos se realizando. – Ele disse rindo e eu comecei a me desesperar, não conseguia sequer xingá-lo. Vendo minha reação, insistiu. – O que você quer? Que eu te abrace e diga que não vamos morrer? – Ele continuava rindo.
- Por favor, para. – Foi só o que disse.
- Olha, se demorarmos pra sair daqui, disponibilizo meu abraço pra você.
- Você não sabe ser menos idiota nunca? – Disse com voz de choro. O que fez mudar sua postura de imediato.
- Você... Esta chorando? – Ele perguntou pausadamente, parecendo estar surpreso.
- Eu sou claustrofóbica. – Me limitei só em responder. Ficou silêncio por algum tempo, até que senti os braços de me envolvendo. Aquilo parecia tão surreal que eu sequer consegui reagir.
- Fica calma, não vai acontecer nada. – Ele disse com uma voz calma, me virou pra ele e me abraçou apertado. Senti-me tão segura naquele momento que retribuí aquele abraço. – Sabe por quê? – Ele perguntou e com auxilio de sua mão levantou meu queixo, fazendo olhar pra ele – Porque eu to aqui, e estou cuidando de você. – Terminou com um beijo na minha testa.
Não sei explicar ao certo o que senti naquele momento, mas parecia estar conhecendo um que não se mostrava para qualquer um. Eu senti preocupação da parte dele, senti cuidado. Como se ele quisesse realmente me acalmar, cuidar de mim. Senti-me tão bem naquele abraço, com aquele perfume que insistia em invadir meus pulmões. Meu Deus, que sensação mais estranha e... Boa. Por um momento olhei para ele, seus olhos me hipnotizavam de tal forma que eu não conseguia dizer nada, somente observar cada traço de seu rosto. segurou meu rosto com as duas mãos e veio se aproximando de mim, uma aproximação rápida e totalmente perigosa.
Em segundos nos olhávamos bem de perto e quando dei por mim, senti nossos olhos se fecharem e nossas bocas se tocarem. Sentir seus lábios macios e quentes foi uma das melhores sensações já sentidas na minha vida. Após o beijo, senti acariciar meus cabelos e sem dizer nada voltei a encostar meu rosto sobre seu peito. O silêncio foi quebrado no momento em que ouvimos uma voz masculina sair do interfone do elevador.
- Está tudo bem com os senhores? – Perguntou a voz e antes mesmo de respondermos ele prosseguiu – Estamos encaminhando o técnico de manutenção, ficarão aí por mais 15 minutos no máximo, peço que mantenham a calma, estão sendo monitorados via câmera de segurança do elevador, mas não é preciso pânico, já estamos resolvendo. Desculpem o transtorno. – E então voltei a me sentir nervosa, por mais que aquele beijo tenha sido maravilhoso, ficar por mais 15 minutos trancada naquele elevador não era nada maravilhoso.
- Viu, esta tudo sob controle, linda – disse, ainda em tom de cuidado. Olhei pra ele e sorri como resposta. Não conseguia falar, não sei ao certo por que. Talvez pela claustrofobia, ou talvez pelo beijo. Quem sabe não seja pelos dois. Eu estava totalmente confusa e com medo. Medo de morrer e medo de me apegar. Seria cômico, se não fosse tão trágico.



Capítulo 7

O episódio do elevador terminou em pouco menos de cinco minutos depois de o porteiro ter falado com a gente, não entendi ao certo o que houve, mas era algo bobo, tão bobo que foi só o técnico de manutenção chegar ao local do problema que já resolveu. Agora vocês querem saber se nos beijamos fora do elevador, se fomos um para a casa do outro, ou se transamos? Negativo, ao sairmos do elevador eu somente o agradeci por ter me acalmado, ele sorriu e eu entrei no meu apartamento.
Um mês se passou. Não encontrei mais nem . Depois do acontecimento da festa, nunca mais nos reencontramos. Não sei se ele tentou me ligar, porque bloqueei todas as formas de contato via redes sociais, além de bloquear seu número para possíveis ligações. Hoje, sábado ensolarado, resolvi tomar um sol, nadar um pouquinho. Vesti um biquíni qualquer, coloquei um vestido por cima, e na minha bolsa levei uma toalha, um livro e fones de ouvido. Cheguei lá embaixo, estiquei minha toalha na espreguiçadeira, tirei meu vestido, deitei e abri meu livro. Algum tempo depois senti que alguém me chamava, tirei meu fone e percebi que tinha mesmo, era . Ele gritava meu nome de dentro da piscina.
- Finalmente me ouviu – Ele disse quando olhei pra ele. Ignorei e me sentei na espreguiçadeira, na intenção de guardar minhas coisas pra subir para o apartamento, se tinha algo que não queria para meu sábado de folga era alguém me atormentando. – Espera, onde você vai? – Questionou ao me ver levantando.
- Eu vou subir. – Me limitei a responder.
- Por que não atende minhas ligações? Por que me bloqueou em tudo? – Ele saiu da piscina e veio em minha direção.
- É sério isso? – Rolei os olhos. – Me diz você o que fez para que eu tomasse essa atitude. – Levantei da espreguiçadeira, colocando meu livro na bolsa.
- ... Se você está assim comigo por causa da festa eu posso explicar. Não era nada daquilo que estava pensando.
- Você estava com uma garota seminua na sua cama. E ela estava te agarrando, o que você quer que eu pense? – Fiz uma pausa e antes que ele dissesse algo, continuei – Quer saber? Não me interessa, nós nunca tivemos nada mesmo. Eu não posso te cobrar por algo que nunca tivemos.
- , me escuta. – Nessa hora alterou o tom de voz de uma forma que nunca tinha feito antes. Assustada o encarei e respondi:
- Mas o que você tem pra me dizer, afinal? – Falei alto o suficiente para a família que estava ao outro lado da piscina escutasse.
- Eu sei que o que viu foi comprometedor, mas eu não fiquei com aquela garota. Ela estava bêbada, pior, ela estava entrando em coma alcoólico, se eu não a tirasse da festa seria muito pior. – Ele fez uma pausa, vendo que eu não diria nada continuou. – E ela estava sim passando a mão em mim. – Nesse momento tive que rolar os olhos. – Mas, escuta... Mesmo se eu tivesse afim dela, não me aproveitaria de um momento daquele pra isso. Eu não preciso abusar de uma garota pra conseguir sexo. – finalizou, crente de que o discurso havia funcionado.
- Ok. – Foi o que respondi. ficou me encarando sem entender minha reação. Enquanto ele me observava, eu terminava de guardar meus pertences na bolsa. Por fim, coloquei meu vestido. – Aproveite seu dia pra descansar, porque bem provavelmente terá outra festa pra bancar o salva vidas. – Terminei o diálogo saindo de cena. Não satisfeito, foi atrás de mim e antes que eu notasse, segurou meu braço, me puxando para ele.
- ... Você tem que acreditar em mim! Não tenho porque mentir, você mesma disse que não temos compromisso, não estou entendendo essa tempestade toda em copo d’ água.
- Tempestade em copo d’ água, ? – Volto a me estressar. – Primeiro, eu não disse nada, deixei que apresentasse seu discurso péssimo. Segundo, se nós não temos nada por que mentiu pra mim?
- Mentir? Eu estou falando a verdade. – Ele respondeu perdendo a paciência.
- No dia em que nós saímos você falou que ia buscar seu irmão na delegacia...
- E eu fui.
- Mas me mandou mensagem quando supostamente chegou em casa... – Falei sem ter certeza que estava fazendo o certo.
- Sim, eu mandei... E onde esta meu erro nisso? – Ele perguntou com cara de interrogação.
- O erro esta que você foi pra “festinha das meninas do bloco C”. – Respondi irritada.
- O quê? Festa? , eu não fui em festa nenhuma.
- Tá vendo? Toda hora uma mentira nova... , faz dois meses que nos conhecemos... Em dois meses você já conseguiu fazer mais merdas que tudo. Você fala mal do seu irmão, que ele é um machista, prepotente, que não respeita as mulheres, mas você é exatamente igual a ele. – Ao terminar de falar puxei meu braço. – Agora pense em uma desculpa melhor, porque se for pra ter alguém na minha vida que só queira me trazer problemas, prefiro que não tenha ninguém. – Sai andando e ficou parado. Dessa vez parecia que tinha mesmo ficado sem argumento, obviamente porque não imaginava que eu sabia do quanto era um canalha.
Irritada subi para meu apartamento, não veio atrás de mim, sinal de que tinha alguma sensatez. Eu estava extremamente estressada, nada me irrita mais que mentiras. Chegando ao meu apartamento, fui tomar uma ducha, já que não foi possível aproveitar meu sábado, iria até a faculdade ver se já era possível tirar minha documentação, estava alguns meses sem trabalho e precisava quanto antes ocupar minha cabeça. Passei o restante do dia na rua, pelo menos consegui resolver todas as pendências na faculdade, em breve estaria com o diploma nas mãos e pronta para procurar emprego na minha área.
Já era noite quando cheguei em casa, já que após sair da faculdade resolvi ir ao shopping, precisava de umas roupas, então acabei jantando por lá mesmo. Não estava com cabeça para cozinhar e tão pouco comer pizza, já seria o terceiro dia seguido. Ao chegar em casa troquei de roupa, vestindo um short legging e uma camiseta do AC/DC que eu mesma cortei as mangas, precisava gastar todas minhas energias em uma corrida, caso contrário, não dormiria tão cedo. Já fazia um tempo que eu não ia a academia, evitava todas as formas de encontrar , mas sabia que neste horário não encontraria. Não encontraria? Estava errada!



Capítulo 8

Quando coloquei os pés dentro da academia, me deparei com , ele já parecia estar terminando seus exercícios, pois estava bem suado. Fingi que não o conhecia, dando “boa noite” aos outros moradores e o ignorando. Subi em uma das esteiras, e enquanto regulava a velocidade, notei se aproximando.
- Posso falar com você? – Ele perguntou e eu o encarei.
- Agora?
- Quando fosse propício pra você.
- Então esse momento não é agora... – Fiz uma pausa tentando ser racional. – Agora vou correr, depois conversamos.
- Tudo bem... – Ele se distanciou de mim, se aproximando de uns bancos que tinham próximos a porta da academia. – Vou te esperar!
- . – Disse em tom de repreensão.
- O quê?
- Eu disse que agora não. – Respirei fundo. – Quando eu terminar te aviso e você desce, ok?
- Vai me ligar?
- Não, eu não tenho seu número... Mas interfono em seu apartamento. Já aviso que não sei que horas vou terminar aqui. – Eu pegava meus fones para colocar novamente e ele então levantou-se.
- Ok, vou esperar. – Ele terminou o diálogo e saiu da academia. Graças a Deus, correr com alguém te vigiando não é uma tarefa muito agradável.
Uma hora se passou, muitos quilômetros corridos e muito suor também. Vesti meu moletom, já que ventava lá fora e fui para o meu apartamento. Tomei meu banho, tirando todo aquele suor nojento de mim, vesti uma camisola e me joguei no sofá. Estava com planos de assistir algo antes de cair na cama. O sono começava a chegar, eu já estava com o raciocínio lento, então acabei cochilando. Um tempo depois, o interfone disparou a tocar. Quase em um pulo levantei assustada, fiquei alguns segundos me situando da onde vinha tal barulho. Ao identificar, atendi o interfone:
- Alô?
- Fiquei esperando você me ligar. – se manifestou ao outro lado da linha.
- Eita. Eu esqueci. Desculpa. – Respondi um tanto sem graça. – Fui tomar banho e depois acabei cochilando.
- Ah. – Ele indagou, se mantendo em silêncio em seguida.
- Mas o que você quer? Pode falar.
- Está ocupada?
- Estava dormindo, já falei. – Respondi sem muita paciência.
- Então deixa.
- Ok. Boa noite. – Antes que eu encerrasse a ligação, ele se manifestou.
- Espera... Quer tomar café comigo amanhã?
- Amanhã tenho que sair cedo, problemas pra resolver. E não tenho hora para voltar. – Que mentira, eu só tinha que ir buscar meu diploma na faculdade, mas isso duraria no máximo 1h.
- Entendi. – respondeu em um tom desanimado.
- Qualquer dia a gente se tromba. Agora vou dormir, boa noite. – Dessa vez nem esperei que respondesse, encerrei de fato a ligação.
Poderia encontrá-lo amanhã? Sim, poderia. Acontece que eu não vejo motivos pra dar mais uma chance para ele. Ele mentiu pra mim. E se tem algo que me faz desencanar de alguém quase de imediato é quando esse alguém mente pra mim. E outra, se for tão importante assim, ele vai vir atrás. Como eu sei que não virá, não vou nem me preocupar em sofrer. Vou é dormir, já que ainda é uma das melhores coisas da vida e não gera boletos mensais!

Ao amanhecer segui toda a rotina de sempre: banho, café e preguiça no sofá. Fui buscar meu diploma somente depois do almoço, não estava com tanta pressa porque sabia que o processo seria rápido, só teria que ir até a central de atendimento, preencher uns papéis, assinar outros e retirar meu certificado. Quando voltei para casa fui fazer a faxina da semana, algumas coisas estavam fora do lugar e por esse motivo eu tinha que organizar tudo, essa é a desvantagem de morar sozinha.
Após organizar toda a bagunça do meu apartamento, separei o lixo para colocar na lixeira que ficava na área externa de serviço do prédio. Desci pelo elevador de serviço, e quando voltei, deparei-me com um embrulho de cor vermelha, branca e rosa. Não consegui identificar de imediato, mas conforme fui me aproximando consegui decifrar o que era: Um buquê de rosas vermelhas, uma caixinha de bombons e um cartão grudado na caixa por um durex. Um tanto surpresa, me aproximei rapidamente, pegando o buquê, a caixa de bombons e entrei para meu apartamento.
Coloquei os presentes em cima da mesa de vidro da cozinha e me sentei na cadeira que fazia conjunto. Ansiosa, abri o cartão, continham pouca palavras, mas que diziam:

“Não sei a veracidade daquela música da Ana Carolina, que diz “Toda mulher gosta de rosas”, mas espero que faça parte de uma dessas mulheres.
Um beijo – ”.


Ok, isso foi totalmente brega. Brega e fofinho. Eu nunca fiz o tipo de pessoa romântica e muito grudenta, mas confesso que flores me derretem, talvez eu nem seja tão Fiona assim, vai? Levantei da cadeira e fui pegar um recipiente para colocá-las. Em seguida abri a caixa de bombons e fui pra sala devorando todos eles. Queria agradecê-lo pelos presentes, mas não tinha mais seu número e não iria interfonar somente por isso. Uma hora iríamos nos encontrar novamente, e quando isso acontecesse, serei educada e agradecerei pelas rosas e por esses chocolates maravilhosos.



Capítulo 9

Ao contrário do esperado, não encontrei aos arredores da academia, mesmo indo no horário que o mesmo costumava ir, acabamos não nos encontrando. Fiquei mais ou menos uns quatro ou cinco dias sem ter notícias dele. Isso estava começando a me preocupar, então, resolvi passar por cima do meu orgulho e ir atrás de notícias dele. Interfonei para o seu apartamento algumas vezes, o que me fez concluir que não tinha ninguém em casa, porque todas as vezes que tentei me comunicar não consegui.
Estava me sentindo um pouco culpada por ainda não ter ido atrás dele e agradecer os presentes ou então escutar o que ele tinha a me dizer. Fui até a portaria, na intenção de obter alguma informação sobre . Chegando lá, comecei um breve diálogo com o “Seu Zé”, até finalmente perguntar se ele tinha alguma notícia do “morador da frente”. O porteiro não tinha uma resposta certeira, mas hesitou a dizer “provavelmente está com no hospital”.
Sem me explicar o motivo, fiquei ainda mais preocupada, o que teria acontecido de tão grave? Será que o irmão de tinha algum tipo de doença? Ou será que o mesmo só estava em coma alcoólico novamente? Preocupada perguntei ao porteiro se o mesmo poderia me passar algum contato de e ele me negou, afirmando que não estava autorizado a passar os dados pessoais dos moradores. Um tanto irritada, acabei subindo novamente ao meu apartamento. Liguei a TV e tentei me distrair, acabei adormecendo no sofá e quando dei por mim já estava à noite.
Vendo que já tinha passado um bom tempo da hora em que fui falar com o porteiro, interfonei novamente ao apartamento vizinho, desta vez a linha foi aberta, mas o silêncio tomou conta da ligação.
- Alô? – Eu falei.
- Oi, quem é? – A voz masculina facilmente reconhecível respondeu.
- Sou eu, . – Ele ficou um tempo em silêncio, mas prosseguiu.
- Oi, ... Você esta bem? – Ele parecia seco.
- Estou sim, tenho te procurado há alguns dias, você sumiu.
- Estava resolvendo uns problemas de família.
- Ah, sim. – E o silêncio constrangedor voltou a prevalecer.
- O que houve? – questionou. Certamente estranhando aquela ligação.
- Nada... Na verdade, eu queria te agradecer pelas flores e pelos bombons, estavam muito gostosos.
- Que bom que gostou, .
- Hum... Vou deixar você descansar, depois conversamos.
- Me desculpe, esses dias foram longos e eu estou morto de cansaço. – Fez uma pausa. – Almoça comigo amanhã? – Ok, confesso que sorri feito besta com esse convite.
- Adoraria.
- Então anota meu número aí, acho que fica mais fácil pra falarmos.
- Espera. – Fui pegar uma caneta no balcão ao lado. – Pode falar. – Ele ditou os números e eu anotei em meu braço mesmo.
- Vê se dessa vez você não me bloqueia em tudo, tá? – Ele disse em tom de brincadeira e envergonhada me desculpei. – Agora vou nessa, boa noite, linda. – Ele se despediu, eu respondi e desligamos.
Parece ironia, mas acordei com uma rinite desgraçada. É impressão minha ou parece que tudo conspirava contra mim e ? Como ia sair de casa desse jeito? Mas, também não poderia desmarcar com ele mais uma vez. Precisávamos conversar, e eu sentia que se cancelasse aquele encontro, não teria convite para um próximo. Porque eu no lugar dele não convidaria mais. Sentei na cama e fiquei encarando a tela do meu celular. Pensando em alguma desculpa convincente, mas quer saber? Melhor dizer a verdade, o que eu posso fazer, afinal? Sem jeito comecei a redigir uma mensagem para , nela dizia mais ou menos assim:
“Bom dia, ...Espero que tenha conseguido descansar, ontem sua voz estava realmente cansada rs. Não tenho boas notícias, rinite resolveu aparecer e eu estou péssima, vou tomar um antialérgico e hoje será impossível sairmos. Porque fico meio sonolenta quando o remédio faz efeito. Mas, se quiser pode vir pra cá mais tarde, compramos algo gostoso e jantamos juntos por aqui mesmo, o que acha?”.
Após enviar a mensagem fiquei olhando a conversa iniciada por mim, o contato estava sem foto, talvez por ele ainda não ter meu novo número. Larguei o celular em cima da cama e fui fazer minha higiene matinal. Quando voltei tinha uma breve mensagem de resposta que dizia:
“Beleza, às 20h estarei aí”.
Li a mensagem com um sorrisinho besta no rosto e fui tomar um banho, já que depois teria que organizar a minha cozinha que estava uma grande bagunça. Pouco antes do horário combinado, tocou a campainha. Eu já estava pronta o esperando e por isso não me desesperei por ele ter chegado mais cedo, eu estava mesmo com fome. Quando abri a porta, me deparei com , nossa, ele estava incrivelmente bonito. Com a barba feita, cabelos penteados, um perfume delicioso e um sorriso por me ver.
- Oi, ... – Fui cumprimentá-lo e acabei beijando seu rosto.
- Cheguei mais cedo, mas já trouxe nosso jantar. – Respondeu ainda sorrindo e esticando duas embalagens de papel do Outback. – Se a não vai até o Outback, o Outback vem até a . – Sorri surpresa por toda atenção do rapaz e o convidei para entrar.
- Coloca ali em cima. – Apontei para a mesa. - Vou separar os talheres, pode sentar se quiser. – Ele ficou um tempo em silêncio e ao colocar as embalagens na mesa pareceu lembrar-se de algo.
- Quase que eu esqueço. – Falou se dirigindo a porta.
- O quê? – Questionei.
- Já vai saber. – O mesmo foi em busca do que lembrara ter esquecido e em instantes volta com uma garrafa de vinho na mão.
- Uau. - Falei surpresa ao vê-lo entrar com a garrafa.
- Lado bom de ser vizinho é que se eu esqueço algo em casa é fácil de ir buscar. – Ele sorriu e colocou a garrafa na mesa. – Separe as taças, senhorita.
- É pra já. – Sorri e peguei as taças de vinho que estavam guardadas no armário.
Tivemos um jantar muito agradável, conversamos e rimos. E em nenhum momento tocamos no assunto “nós”, porque, na verdade, acho que nem existia mais algo entre a gente. Já tinha passado muito tempo e eu nem queria mais saber dessa história, sendo bem sincera. Após o jantar, ficamos na sala assistindo um seriado qualquer. Peguei um cobertor e o dividíamos.
fazia carinho em meu cabelo e vez ou outra fazíamos comentários sobre o que assistíamos. Tínhamos assunto de sobra, mas estava tão gostoso só ficar ali e curtir aquele momento que preferimos ficar em silêncio. Já caia à tarde quando resolvi iniciar um diálogo.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Já fez. – Respondeu rindo.
- É sério – Rolei os olhos e ele somente assentiu com a cabeça como resposta.
- Onde estava esses dias todos? – O encarei e senti arrependimento logo após terminar a pergunta.
- É uma longa historia, ... Te conto outro dia, pode ser?
- Hum... Ta bem. – Respondi desanimada. – Sabe o que deveríamos fazer agora? - Ele arqueou a sobrancelha como interrogação. – Beber mais daquele vinho incrivelmente maravilhoso que você trouxe. - deu risada e respondeu:
- Realmente me parece uma ótima ideia.
- Eu sei, sempre tenho boas ideias. – Respondi convencida e levantei para pegar a garrafa. Em instantes voltei com a mesma e duas taças. – Uma pra você e uma pra mim. – Servi as taças com o vinho, entregando uma para .
- Vamos brindar? – Ele sugeriu.
- Vamos. Ao quê?
- A nós. – Ele sorriu de canto.
- Nós? – Respondi surpresa.
- Sim, nós. – Ele insistiu, brindando em minha taça e dando um gole em seguida, surpresa apenas sorri e imitei seus gestos. Fiquei o encarando, então virou todo o conteúdo de sua taça em um só gole, a colocando vazia sobre a mesa de centro da sala. Continuei parada, surpresa e com a taça na mão. O rapaz se aproximou, tirou a taça de minha mão, a colocando na mesa junto com a outra. Aproximou-se de mim rapidamente e com vontade me puxou pra ele, iniciando o beijo que há tempos estava esperando.



Capítulo 10

Uau, esse beijo realmente me surpreendeu, de forma positiva, é claro. Quando seus lábios tocaram os meus, automaticamente meus olhos se fecharam. Era possível sentir a temperatura dele, que nessa hora entrelaçava seus dedos em meus cabelos por baixo da nuca, nem leve e nem forte, na medida certa para que obtivesse o controle da situação. Senti todo meu corpo se arrepiar, fechei os olhos com força como reação as mordiscadas que depositava em meu lábio inferior.
Seu corpo impulsionava o meu para que deitássemos e assim foi feito. Deitei-me e logo deitou-se por cima de mim, grudando nossos corpos. Era possível sentir seu abdômen e peitoral definido. Propositalmente algo se sobressaiu, senti sua ereção sendo pressionada contra mim. Ao sentir seu membro enrijecido, joguei meus quadris para frente, de forma que fizesse nossos corpos se encontrarem ainda mais. Ele desceu os beijos, depositando mordidas e chupões por toda a extensão do meu pescoço, nada que deixasse marcado, queria e sabia como instigar. Um gemido quase que inaudível saiu de minha boca, minha voz estava fraca, assim como meu corpo. Lentamente, abaixou a alcinha da minha blusa juntamente com a alça do sutiã. Enquanto brincava com os dedos no decote da minha blusa, voltou a beijar minha boca com intensidade e voracidade. Sua mão passeava por todo o meu corpo, depositando apertões com suas mãos grandes e quentes.
Minhas mãos entraram por dentro de sua camisa e minhas unhas arranharam suas costas, algo que despertou ainda mais a vontade de . Rapidamente, ele tirou a camisa que vestia e novamente deitou sobre mim. Diferente de antes, seus beijos e atos demonstravam urgência, urgência em sentir nossos corpos sedentos verdadeiramente se tocarem. Com meu auxilio, puxou minha blusa na intenção de tirá-la, me empurrando para que deitasse novamente. Deitou sobre mim e voltou a depositar beijos em meus lábios.
Com uma das mãos tentava abrir o feixe do meu sutiã e com a outra voltava a entrelaçar em meus cabelos por trás da nuca. Ao desabotoar meu sutiã, o tirou rapidamente, deixando meus seios totalmente expostos. Antes de qualquer ação, pude notar o sorriso malicioso que foi esboçado em seu rosto por ver que parte do que queria estava à mostra. Voltou a mordiscar meus lábios, enquanto estimulava meu mamilo com os dedos. Era possível sentir todo o meu corpo se contorcendo por tal estímulo, novamente um fraco gemido escapou, fazendo com que descesse seus beijos, passando a língua lentamente na ponta dos meus mamilos, os abocanhando em seguida.
A mão que tentava tirar meu sutiã agora estava livre, então foi diretamente ao botão da minha calça, desabotoando-a. Para tirar a calça que eu vestia utilizou as duas mãos, mas em momento nenhum tirou seus lábios de onde estavam. Vez ou outra podia sentir nossos olhares se encontrarem.
Momento de pausa. Ordenei que tirasse suas calças. Agora era ele quem terminava de se despir, afinal, eu estava em desvantagem. Pela primeira vez estava vendo naquela situação, vestido somente com uma boxer preta e que logo seria retirada por mim. Logo deitou-se novamente, mas agora ao meu lado. Sem entender muito o encarei com um olhar de questionamento. Então ele me puxou de forma brusca e falou:
- Vem, quero você em cima de mim. – Sorriu de uma forma extremamente safada ao terminar de falar. Extremamente excitante também. Sorri como resposta ao pedido e então obedeci, ficando por cima dele.
- Então eu quem te controlo agora?- Arqueei a sobrancelha.
- Se você conseguir. – Respondeu desafiador. Não respondi, apenas me curvei a ele e voltamos a nos beijar. Por estar com controle, movimentei meu quadril de forma que ele pudesse sentir minha intimidade, mesmo que com o tecido de nossas roupas íntimas presentes. posicionou suas duas mãos na minha bunda, apertando com força e pressionando ainda mais seu membro em mim. Não foi preciso muito tempo e o mesmo me empurrou no sofá, subindo por cima de mim.
- Não da, você é muito gostosa. – Ele disse e se posicionou entre minhas pernas.
- E o que isso quer dizer? – Sorri e mordi meu lábio, o provocando. Por ora, não respondeu, mas afastou minha calcinha para o lado e posicionou seu membro em minha intimidade. Por algum tempo pude sentir meu clitóris sendo estimulado pela sua glande, isso estava realmente me torturando, rolei os olhos como reação e satisfeito finalmente respondeu:
- Que eu preciso te foder agora. – Sussurrou em meu ouvido, me penetrando com força em seguida. Ao senti-lo dentro de mim um gemido alto veio como resposta. segurava minhas duas mãos acima da cabeça, de forma com que não conseguisse me mexer. Seus beijos alternavam entre meu pescoço e toda a extensão do meu colo. Seus movimentos eram alternados, ora rápido, ora devagar. Nossas respirações e ritmos estavam sintonizados.
Nosso corpo ardia em temperatura e prazer. Quando sentíamos que o ápice estava por vir, seus olhos me encararam de imediato e por mais que nada estava sendo dito naquele momento, nossos olhares conseguiam de fato se comunicar, o que fez o ápice finalmente chegar, inundando aquele momento tão inesperado e prazeroso.

Dias se passaram, não tenho muito a relatar em relação ao dia da nossa “primeira vez”, posso dizer que já faz um pouco mais de um mês e essa “primeira vez” se repetiu quase que todos os dias, às vezes mais de uma vez ao dia. É, parece que nos entendemos mesmo. era um cara incrível. Aquele tipo de homem que dificilmente se encontra por ai. Tudo estava acontecendo de uma forma tão natural que às vezes eu até desconfiava que logo algo daria errado. Nosso próximo encontro será em poucos minutos, confesso que estou com saudades. Saudades? Como isso?
Então, o precisou viajar esse fim de semana, parece ainda estar com problemas, então os dois foram para a casa dos pais. Não sei exatamente o porquê, fala pouco sobre o irmão, parece ser um assunto que realmente o incomoda. Enfim, estou ansiosa para que chegue, estamos pouco mais de uma semana sem nos ver e para quem estava dormindo aqui comigo quase todas as noites, uma semana é bastante tempo, vai?
Já estava prontíssima. Confesso que hoje arrasei na maquiagem, o cabelo estava impecável e a lingerie era novíssima, toda trabalhada na renda. Hoje íamos para um bar que eu estava louca para conhecer. Tínhamos falado no telefone pela manhã e agora pouco ele mandou mensagem dizendo que estava chegando em casa e que no máximo em trinta minutos estava pronto para sairmos. Liguei minha playlist e fiquei deitada esperando receber sua mensagem para encontrá-lo.
Ok, já tinha passado quase uma hora e nada de . Estranhando tal comportamento, enviei uma mensagem:

“Hey, você esta atrasado, mocinho... Ainda demora?”

Se tem uma coisa que eu D-E- T-E- S-T- O é esperar. Mas, como nunca se atrasava, me mantive calma. Quer dizer, depois de quinze minutos comecei a me estressar. Já está atrasado e sumido há uma hora, como isso é possível? Tentei ligar pra ele, que depois de vários toques atendeu irritado.
- O que é, ?
- Como? – Arqueei a sobrancelha surpresa.
- Se não te mandei mensagem é porque ainda não estou pronto. – Não acreditava naquele comportamento, juro. – Está me ouvindo?
- Sim. – Estava realmente sem reação.
- Desculpa. – Bufou – Estou com problemas aqui, melhor adiarmos para amanhã.
- Como assim? Eu estou pronta te esperando há uma hora, . – Se tinha algo que odiava mais ainda era que desmarcassem em cima da hora.
- Não posso conversar agora. Amanhã conversamos. Boa noite. – Sim, ele desligou.
Onde assino para o melhor papel de trouxa? Não estava acreditando que isso estava acontecendo. Eu nem sabia o que fazer, estava toda arrumada pra ouvir um “não posso falar agora”? Jura? Devo ser realmente a pessoa mais idiota do mundo, não é possível. Fiquei um tempo me encarando no espelho, estava totalmente sem reação. Após me observar e notar todo aquele trabalho de me arrumar e comprar roupas sendo jogado pela janela, prendi meu cabelo de qualquer jeito e fui a cozinha em busca de algo alcoólico. Desculpa, não conseguiria ficar sóbria diante tais circunstâncias. Vodca. Ótima escolha, cinco longos goles e pronto, nível alto de álcool no sangue alcançado com êxito. Quando o álcool subiu, minha roupa saiu, fiquei somente com as lingeries sexys e inúteis para o momento, me joguei na cama, puxei o edredom que estava mais próximo e me afundei no travesseiro. Boa noite!



Capítulo 11

O dia amanheceu com um toque ensurdecedor que vinha debaixo do meu travesseiro e outro fora do meu quarto. Mas que diabos eram isso? Sentei em minha cama rapidamente, algo que resultou em uma vertigem absurda. Ai, minha cabeça. Ressaca em modo ativado. Ok, onde desligo essa desgraça de barulho? Apalpei toda minha cama, até que achei o maldito celular que tocava desesperadamente. Alguém me ligava, não sei ao certo quem, que claridade desnecessária desse celular. Sem pensar muito apenas rejeitei a ligação e continuei sentada em minha cama com as mãos na cabeça.
Alguma coisa ainda me incomodava, o outro barulho irritante parecia ser um alarme. Interfone? Não, campainha. Meu Deus, só pode ter morrido alguém, não é possível. Levantei, calcei minhas pantufas do Garfield que estavam ao pé da cama e sem me tocar o que vestia fui até a porta atender a campainha.
- Espera ai, já estou indo. – Gritei para que parassem de tocar aquele botão. Esfregando os olhos abri a porta e então dei por mim quem me perturbava. – Ah, é você. – Sai andando pra dentro do apartamento, deixando a porta aberta.
- É assim que você vem atender a porta? De calcinha e sutiã? – Disse em tom de repreensão. Até que me toquei que realmente estava sem roupa e de pantufas, bem sexy. – Pelo jeito a noite foi interessante, né? Nem a maquiagem você tirou. – Concluiu ao ver meu rosto todo borrado.
- Ta falando sério? – Perguntei irônica. – Agora esta desocupado, ?
- Estou tentando falar com você desde cedo, mas não me atendia de jeito nenhum.
- Que horas são? 10h? – Perguntei sem realmente ter noção.
- Faltam exatamente 15 minutos para as 16h. – Ele respondeu e então arregalei os olhos.
- Oi? Nossa, acho que dormi mais do que deveria. – Disse abrindo a geladeira para pegar água gelada.
- Ressaca? – perguntou com tom de repreensão novamente.
- Ué, não posso mais beber? Você estava ocupado demais resolvendo seus problemas, então abri minha garrafa de vodca que comprei para nós e tomei uns goles, talvez esse tenha sido o motivo pelo qual dormi tanto. – Respondi sem ligar muito. Sai com a garrafa de água em direção ao meu quarto.
- Não vai me chamar?
- Ai, , por favor... Você vive aqui em casa, pra que essas cerimônias agora? Estou vindo pro meu quarto, se quiser venha comigo também... Quer que eu pegue na sua mãozinha e te puxe? Me poupe, acabei de acordar. – Eu estava realmente sem paciência nenhuma pra ele.
- Pelo que percebo você nem faz questão de saber por que não pude sair ontem, né? Nem um beijo você me deu. – Ao ouvir tal frase não me contive, os olhos rolaram quase que automaticamente.
- Não vou te perguntar nada, se você acha que deve explicações, estou toda ouvidos... – Sentei em minha cama, deixando a garrafa de água no criado mudo ao lado.
- Tive uns problemas...
- Você sempre tem problemas e nunca me deixa ajudar ou nunca me conta quais são esses problemas. – Fiz uma pausa. – Assim não posso te ajudar e nem opinar em nada, . Poxa, eu fiquei te esperando o dia inteiro, fora o seu descaso em nem me avisar que não poderia me ver. Não sou criança, eu sei que imprevistos acontecem. Mas o mínimo que você podia ter feito era ter me avisado, . Essa maquiagem e lingerie eu tinha comprado pra usar com você, fora o cabelo e a roupa... Mas não digo só por isso, eu realmente estava com saudades. – Levantei e fui pegar uma camiseta qualquer pra vestir.
- Eu sei disso... Mas, acho que precisamos ter uma conversa séria... – Ele disse de forma séria. O que realmente me intrigou. Quem deveria dar o chilique aqui era eu, ele me deve desculpas, não?
- Conversa séria? Você esta falando como se eu fosse a errada da história, . – Bufei.
- Espera. Não tem errado nessa história.
- Não? Jura?
- , dá pra parar de me interromper? – Ele me encarou e eu fiquei quieta. – Senta aqui, vai.
- Estou bem em pé. – Respondi e terminei de me vestir.
- Meu Deus, que teimosia. – Ele se levantou e ficou de frente pra mim me olhando em silêncio.
- Não vai falar? Estou esperando. – Questionei.
- ... Não dá mais. - Respirou fundo ao terminar a curta frase.
- Oi? Como assim? – Eu estava realmente surpresa. – O que esta acontecendo, ?
- Não esta acontecendo nada. Eu pensei muito e acho que nós dois não temos nada a ver. – Ele mal conseguia me encarar.
- Não estou entendendo isso do nada. Que eu saiba estava tudo bem, não?
- Estava, . Mas... Eu estou me envolvendo com outra pessoa, não acho certo te deixar como uma terceira pessoa. – Nesse momento ele abaixou a cabeça, não parava de encarar o chão. Até que seus olhos encontraram os meus que claramente transmitiam surpresa em tudo aquilo. Eu estava tão sem reação que não consegui dizer uma palavra sequer. – Você me ouviu?
- Sim.
- Não vai dizer nada?
- Não. – Me limitei em responder.
- Como não? Não tem nada a me dizer?
- Acho que se é isso que quer, vou respeitar sua opinião. Afinal, nós não tínhamos nada sério e se você não esta na mesma vibe que eu, melhor acabar aqui mesmo. – Fiz à sensata, mas por dentro estava morrendo de ódio, acredite.
- Sério?
- Já disse que não sou criança, ... Agora as coisas estão parecendo surtir efeito.
- Como assim?
- Deveria suspeitar que esses problemas estavam relacionados a outra pessoa. – Respirei fundo, nesse momento me sentia a pessoa mais idiota do planeta. – Mas tudo bem, já disse o que queria, acho que não tem mais nada a fazer aqui.
- Espera. – Indagou e finalmente nossos olhares se encontraram novamente. – Eu gosto muito de você, . Acha que podemos ser amigos? – Jura? Sério mesmo que ele ia vir com esse papo agora?
- Não sei, . Agora precisamos nos afastar. Preciso digerir tudo isso e depois conversamos.
- Ta. – Foi só o que ele disse.
- Agora me deixa sozinha. – Fiz uma pausa e antes que ele dissesse algo, prossegui. – Você sabe onde é a saída, faça o favor. – O encarei e sem dizer nada ele foi embora. Não sei ao certo o que estava sentindo. Aquilo não soou muito convincente, talvez fosse só aquela esperança de que era só uma brincadeira de mal gosto, ou um pesadelo que logo eu acordaria. Ainda não estava acreditando no que acontecia. Sinceramente? Vou achar um engov aqui, tomar um banho e cair na cama novamente, meu dia mal começou e eu já estava torcendo para que terminasse.



Capítulo 12

Mais um dia se iniciava... E pra ser bem sincera, não sei ao certo o que esperar dele. Ainda estava tudo muito recente, muito confuso. Fui fazer uma caminhada matinal. Precisava espairecer, nem o celular peguei. Precisava me desligar um pouco de tudo isso, precisava de um tempo só meu. Depois da caminhada, subi para meu apartamento, tomei um banho, troquei de roupa e saí novamente, que tal um cinema? Sempre bom passar um tempo com nós mesmos.
Cheguei em casa quando já escurecia. Meu Deus, quantas sacolas. Meu lado consumista sempre despertava em dias de crise existencial. Esses dias são os únicos que gasto sem nenhum peso na consciência. Sentia-me bem melhor, confesso. Joguei as compras em cima da cama e somente nesse momento peguei meu celular, que já se encontrava sem bateria. Cacei meu carregador que já estava perdido na bagunça do quarto e conectei na tomada. Um banho, um pijama, pantufas, chá e livro novo? Ótima ideia.
Impressionante como as horas voam quando começo a ler. Quando bati a vista no relógio, já passava da 01h00min AM. Melhor deixar um pouco desse livro pra amanhã. Levantei para guardar o novo livro na estante e somente nesse momento liguei meu celular, que já estava 100% carregado.
Enquanto o mesmo ligava, fui desligar as luzes pela casa que acesas estavam. Ao retornar, peguei meu celular e deitei em minha cama. Espantei-me com a quantidade de mensagens de textos que insistiam em chegar. Receosa, abri o aplicativo de mensagens, me deparando com exatas seis novas mensagens de . Respirei fundo, estava sem reação, mas logo a curiosidade tomou conta de qualquer outro sentimento. Então abri a janela de mensagens, posso afirmar que fiquei ainda mais surpresa com o conteúdo das mesmas.

Mensagem 01: , precisava muito falar com você”. – Ontem, 03:00 AM.
Mensagem 02: “Tentei te ligar, mas por algum motivo já cai automaticamente na caixa de mensagens... Por favor, me responde assim que ver aqui”. – Ontem, 10:00 AM.
Mensagem 03: ?? Toquei aí e ninguém atendeu, estou preocupado”. – Ontem, 03:00 PM.
Mensagem 04: , já esta passando dos limites. Me responde, por favor”. – Ontem, 05:00 PM.
Mensagem 05: “Sei que tem motivos para estar me ignorando, mas você precisa me ouvir, é um assunto sério”. – Ontem, 08:00 PM.
Mensagem 06: Tudo bem, vou te deixar em paz... Achei que poderia contar com você, boa noite”. – Ontem, 11:00 PM.

Não acreditava em tudo isso que meus olhos acabaram de ler. Agora ele que era a vítima da história? Sério? Rolei os olhos, foi inevitável. Mas, fiquei encarando a tela e confesso que fiquei preocupada. Idiota? Sim. Mas, ele não insistiria se fosse algo sem importância, não é? Não sei! Sem saber se fazia o certo, digitei uma resposta para . Nela dizia:

, ao contrário do que pensa, tenho vida pessoal. Não vivo para ficar 24h por dia a sua disposição. Sem dramas, você que escolheu assim. Vou estar em casa amanhã, se quiser, sabe onde me encontrar. Boa noite!”.

Um tanto estressada fui deitar. Depois de tal acontecimento, meu sono já tinha ido embora e agora meus pensamentos tomavam conta do momento. Poucos minutos e meu celular se pôs a tocar. A tela estava acesa e nela aparecia uma foto de , e embaixo notificava que o mesmo tentava iniciar uma chamada de voz. Bufei, encarei a tela e alguns segundos depois atendi:
- Fala. – Iniciei o diálogo.
- Está em casa?
- Sim.
- Posso ir aí?
- Agora? – Questionei.
- Sim.
- Não, . Eu já estou deitada.
- É importante, . – Ele insistiu, o que me deixou em silêncio. – ?
- Vem, . – Disse após bufar. – Mas não demore, preciso acordar cedo amanhã.
- Ok. Vou só vestir uma roupa e já toco aí. – Ele terminou o diálogo e eu desliguei. Ótimo, que merda eu insisto em fazer da minha vida, afinal?
Continuei deitada em minha cama, não estava com saco nenhum para me arrumar. Aliás, me arrumar pra quê? Não tinha sentido nenhum. Essa conversa não tinha sentido nenhum, pra ser mais clara. Em instantes a campainha tocou. Levantei, calcei minhas pantufas e fui atender a porta. Ao abrir a mesma, estava me esperando do outro lado.
- Entra. – Dei espaço para que ele entrasse e em seguida fechei a porta. – Seja breve. – Fui em direção à sala e ele me seguiu.
- Não sei como começar. – Ele disse e se sentou ao meu lado no sofá.
- Pelo começo, ué. – Cruzei a perna e peguei o controle da TV. O que fez me repreender.
- , não vai ligar a TV, vai? – Rolei os olhos e coloquei o controle no lugar que estava. – Não faz essa cara. Você pode achar que não, mas é muito difícil pra eu voltar aqui depois de tudo que aconteceu ontem. – Arqueei a sobrancelha, mas não disse nada. O que fez respirar fundo. – Então.
- Diz.
- Não tem outra pessoa na minha vida.
- , por favor... Se você veio aqui com discurso, pode me poupar... – Nesse momento fui interrompida por ele.
- , tem como me deixar falar? Meu Deus. – Ele alterou o tom de voz e então fiquei em silêncio. – Eu estou com problemas familiares. Melhor dizendo, tenho um parente que esta com uma doença terminal. Não esta sendo fácil lidar com isso. – fez uma pausa, era nítido que a mesma foi dada para disfarçar a voz que enfraquecia por conta das lágrimas que enchiam os olhos dele. Ele respirou fundo e continuou. – Não sabemos quanto tempo ele ainda tem. É uma doença silenciosa, que aparentemente não debilita quem sofre dela, mas algumas vezes as dores aparecem, e todos temos que correr para o hospital. – Ele abaixou a cabeça, e então vi as lágrimas que ele tentava esconder, insistindo em escorrer.
- Eu... Eu não sei o que te dizer. – Eu estava realmente surpresa. Nunca tinha visto tão vulnerável como naquele momento. Tinha ficado triste com tudo que aconteceu, mas meu coração não aguentava vê-lo daquela maneira.
- Não tem o que dizer. Eu só precisava te dizer a verdade. – Ele levantou a cabeça e voltou a me olhar. Limpando as lágrimas teimosas. – Eu jamais trocaria você por outra pessoa, .
- Acho que uma coisa não tem a ver com a outra. – Fiz uma pausa. – Não existe mais nada entre nós. Mas podemos ser amigos, você pode contar comigo quando precisar conversar. – Tentei ser sensata, e não sabia mesmo se estava fazendo o certo.
- Eu acho que não estou em um momento para me relacionar com outra pessoa mesmo. Estou instável e acho que te trazer pra essa confusão não é certo. – Sua voz se mantinha fraca.
- E como está o seu irmão?
- Ah, o é o que menos esta se importando com isso. Alias, quando se importa com algo? – Era possível notar o rancor ao tocar no nome do irmão. Preferi não comentar, só me aproximei dele e mexi em seu cabelo.
- Mas eu estou aqui, tá? Confesso que será um pouco difícil no começo, mas acho que começamos errado. Talvez nunca devêssemos ter sido mais que amigos. – Sorri fraco. Sentia-me desconfortável com aquela situação. Mas gostava muito de , não o deixaria sozinho.
- Sabia que poderia contar com você. – Finalmente ele encarou meus olhos e então se aproximou para me abraçar. Retribui o abraço. – Agora vou embora, amanhã precisa acordar cedo, né?
- Sim. – Fiz uma pausa. – Vai fazer o que no fim de semana?
- Tenho show a noite. Por quê?
- Que tal passar o dia com sua amiga? – Ele sorriu sincero após ouvir meu convite.
- Seria ótimo.
- Combinado. – Sorri como resposta. – Agora preciso mesmo dormir... Amanhã tenho uns problemas para resolver.
- Tudo bem. – Ele levantou do sofá e fomos em direção à porta. – Obrigado por tudo, ... Mesmo. – Veio novamente em minha direção e deu outro abraço apertado.
- Boa noite, . – Fiquei o observando ir embora. E quando entrou em seu apartamento fechei minha porta e fui para meu quarto.



Capítulo 13

Hoje era dia de piscina, estranho dizer, mas hoje seria a primeira tentativa de amizade com . Decidi que seria melhor assim, hoje tudo estava explicado pra mim, mas eu sou aquele tipo de pessoa que acredita em destino, sabe? E acredito que se sempre algo dá errado, é porque de fato não era pra dar certo. Talvez, eu e não devêssemos ser mais que amigos mesmo. Na teoria é tudo muito lindo, vamos ver se na prática as coisas irão fluir como o planejado.
Fiquei de encontrar lá embaixo, na área da piscina. Quando cheguei ele já estava dentro da mesma. Ao me ver, saiu da piscina e veio me cumprimentar. Sorrimos ao nos aproximarmos, ele deu um beijo em minha bochecha e então estiquei a toalha para deitar na espreguiçadeira.
- Finalmente chegou. – Ele disse sorridente.
- Está aqui faz tempo? – Perguntei. então chacoalhou os cabelos para tirar o excesso de água, e respondeu:
- Uns 20 minutos – Disse deitando na espreguiçadeira na intenção de se esquentar um pouco no sol.
- Ah, nem demorei tanto vai, é que sou uma garota ocupada, não tenho empregada enviada pela mamãe que nem você. – Respondi em tom de brincadeira.
- Nossa, como é que você sabe disso? – Disse e fez uma pausa, como se pensasse em algo.
- Não pensa muito não, ... Se não, afetarão os últimos neurônios que a maconha ainda não afetou. – Gargalhei.
- Há, há, há... Muito engraçado, . – Rolou os olhos – Sabe que o uso da erva é medicinal e que não afeta em nada no nosso corpo.
- Argumento típico de um maconheiro, “erva medicinal” – Falei em tom irônico e depois dei risada – Então é pior do que eu pensei. – Falei séria.
- O quê? – Ele questionou, sem entender.
- Se a maconha não afeta seu organismo, você é lesado por natureza mesmo? – Ao terminar de falar voltei a rir dele.
- Já chega, né? Nunca vi gostar tanto de tirar sarro da minha cara. – Ele fez um biquinho e eu achei aquilo muito fofinho. Devo concluir que tê-lo por perto como um amigo era muito melhor do que perder algumas horas de “pegação” e brigas no final. Com o tempo fui conhecendo cada característica de . Posso te dizer que assuntos intelectuais só poderiam ser abordados com ele após algumas doses alcoólicas, porque sóbrio ou sob efeito de suas “ervas medicinais” o diálogo se tornava ainda mais difícil...
- Planeta Terra chamando. – Disse , me fazendo parar de observá-lo e voltar a prestar atenção no que dizia.
- Olha quem fala. O que tá sempre em outro mundo. – Respondi levantando da espreguiçadeira. – Corta o papo furado, vamos ver quem chega à piscina primeiro. – Eu tirava meus óculos para guardar na bolsa, quando em um pulo levantou, me puxou pelo braço e me pegou no colo. – Hey, o que você está fazendo? Eu nem guardei meus óculos e... – Ele me interrompeu.
- E agora você morrerá com um choque térmico, porque te jogarei na piscina. – Ele andava em direção à piscina.
- Não, não, não – Eu gritava – Não foi esse o combinado, ...
- Seria um combinado se eu tivesse concordado, mas eu não concordei. – Ele ria e eu segurei firme em seu pescoço.
- Eu não vou te largar, se você me jogar, vai cair junto. – Disse pensando ser um bom argumento. Quando pensei que ele fosse desistir ou pelo menos argumentar, pulou na piscina comigo no colo. – Seu filho da puta. – Eu ri e comecei a jogar água nele.
- Ah, você pode ir parando com isso, porque agora eu vou te matar de tanta cócega. – Ele vinha se aproximando e quanto mais próximo estava, maiores eram meus gritos e gargalhadas. Fui fugindo, até chegar à parede da piscina, não tinha pra onde ir, mesmo porque ele estava muito próximo a mim. Então me segurou pela cintura e logo em seguida começou a me apertar e fazer cócegas na minha barriga.
- Para, para. Chega. Por favor. – Eu gritava e ria. O que era em vão, ele ria ainda mais ao me ver desesperada.
- Tá bom, vai... Vou ser bonzinho, antes que você faça xixi nessa piscina. – Ele ria de mim.
- Retardado. – Disse tomando fôlego. – Terá troco.
- Uhh... Estou morrendo de medo. Pode vir, duvido conseguir.
- Quem disse que será agora? Vingança é um prato que se come frio. – Eu ri e fui até a escadinha da piscina pra sair.
- Aonde vai? – Arqueou uma sobrancelha.
- Me esquentar, essa água ta impossível. – Fui até minha espreguiçadeira e me enrolei na toalha, na intenção de me secar.
- Mas é menininha mesmo. – Ele falava ainda da piscina. Dei de ombros e deitei na espreguiçadeira. Fiquei algum tempo observando como parecia uma criança brincando na água. Eu ria enquanto o observava. Ficamos conversando e rindo na área da piscina por um bom tempo, era por volta das 16h quando decidimos subir, o tempo começava a fechar. Chuva vinha por aí. Subimos pelo elevador de serviço, porque ele dava acesso aos dois apartamentos do andar.
- Tem show a noite? – Perguntei enquanto procurava minha chave.
- Tinha, mas desmarcaram... Hoje seu guitarrista está de folga, podemos ver um Netflix mais tarde. – Respondeu enquanto devolvia minha toalha que tinha usado para tirar a água do cabelo.
- Uau, que honra a minha. – Disse irônica. – Fechado. Minha casa ou sua?
- Vem na minha, que aí você aproveita e arruma meu quarto. – Ele riu.
- Não me fode, . – Disse e rolei os olhos.
- Infelizmente não foderei... – Me olhou sério e depois caiu na gargalhada – Se conjuga o verbo foder?
- Ai, , me poupe, se poupe, nos poupe. – Rolei os olhos de novo – Mais tarde eu apareço aí, a pipoca e a breja é por sua conta.
- Pensarei no seu caso. – Rimos e cada um entrou em seu apartamento.
- Até mais tarde, coisinha. – Disse e fechei a porta após ele sorrir e piscar pra mim.



Capítulo 14

Já era noite, quando terminei de me arrumar. Na verdade, só vesti uma calça jeans rasgada e uma regata cavada dos lados. Peguei um engradado de cerveja na minha geladeira e mandei uma mensagem de texto para , avisando que em poucos minutos chegaria ao apartamento dele, que já deixou a porta da cozinha sem passar a chave, para que quando eu chegasse entrasse direto.
Entrei e fui direto até o quarto dele com o engradado. Bati na porta e ninguém respondeu, então acabei entrando. Ele não estava no quarto, mas a porta da suíte estava entreaberta e podia-se ouvir o som do chuveiro ligado. Coloquei o engradado em cima da mesa do computador e sentei em sua cama. Peguei o controle da TV e a liguei, fiquei trocando os canais na intenção de encontrar algo que me distraísse até sair do banheiro.
Alguns minutos se passaram e fiquei totalmente sem palavras com o que via na minha frente: saia do banheiro apenas com uma cueca boxer branca. Seu corpo ainda estava um pouco molhado e seus cabelos também. Reparei então o quanto seu abdome era definido e o quanto suas entradinhas eram marcadas. Essas horas já dizia algo, mas eu estava tão aficionada naquele corpo que eu não conseguia prestar atenção em nada que não fosse sua definição e volume na boxer.
- ? – Foi o que ouvi ao acordar do meu transe.
- Er... Oi... – O que tava acontecendo? Não conseguia falar nada. – Você estava dizendo algo?
- Na verdade, estava... Pedi desculpas por te deixar esperando e por me ver nesses trajes, esqueci minha calça aqui. – Ele disse um pouco envergonhado com aquela situação.
- Não se preocupe, a visão tá boa. – Acabei rindo com o que disse. – Se vista logo e vamos ver o que assistir, trouxe as cervejas. – riu pra mim, pegou sua calça e foi ao banheiro terminar de se vestir.
- Pronto, agora estou apresentável. – Ele voltou para o quarto, pegou uma cerveja e sentou ao meu lado.
- A academia ta dando resultado viu... Ta gostosinho. – Eu tentava disfarçar a reação que tive anteriormente. deu risada e tentou imitar uma pose de fisiculturista:
- Sou muito gostoso. – Nós dois rimos e ele sentou ao meu lado na cama – E aí, o que vamos assistir?
- Tenho ótimas ideias. – Respondi empolgada e ele logo me cortou.
- Negativo, não assistirei filmes com seus “atores lindos e bombados”.
- Ciúmes? – Eu perguntei arqueando a sobrancelha.
- Bom senso, eu diria. É difícil assistir filme com você, ainda mais se o cara é bonito. Toda hora fico ouvindo comentários do tipo “uau, já pensou essa voz falando no meu ouvido” e blá blá blá. – Ele rolou os olhos e em seguida eu também.
- Claro que não, meus atores preferidos são super talentosos... – Fiz uma pausa, vi que meus argumentos não convenceriam – Beleza. Vamos escolher algo juntos, então. – Tirei meu tênis e me joguei na cama dele.
- Pode ir saindo daí, esse canto é meu. – Ele dizia me puxando pelo braço.
- Não cabe nós dois? Você não é tão gordo assim! – Disse em tom de brincadeira.
- Se você murchar um pouco sua barriga, talvez caiba nós dois. – Ele riu ao ver minha cara, pegou o controle para escolhermos o filme e deitou ao meu lado.

Ficamos longos minutos escolhendo algum filme e até o presente momento não tínhamos entrado em um consenso. Eu já perdia minha paciência, já tínhamos fuçado todo aquele Netflix e quando eu gostava de um, ele achava defeito. Mas quando ele achava outro, eu não queria assistir. Quando pensei em dizer algo, somos surpreendidos com um apagão. Sim, as luzes tinham acabado devido à chuva de mais cedo.
- Ótimo, agora que não terá filme mesmo. – Disse sem acreditar. riu, jogou o controle em qualquer canto e virou-se de frente pra mim na cama.
- E agora? A gente transa? – Ele perguntou em tom de brincadeira e apertou minha cintura.
- Ai, , vai se tratar. – Respondi tirando a mão dele da minha cintura. – Agora é aquele momento que eu levanto e vou para minha casa. – Eu dizia me sentando.
- Espera. Fica aí. Vai fazer o que em casa? O mesmo que eu aqui, nada. Ta tudo escuro, não dá nem pra você ler um dos seus livros entediantes. Façamos companhia um para o outro.
- Ok. Talvez você tenha razão. Eu fico. – Disse sem ter certeza que fiz certo. – Mas me de uma cerveja então. – Não sei ao certo porque pedi isso, eu já estava um tanto alta, talvez fosse uma desculpa para não ter tão perto de mim. O que estava acontecendo? Não somos só amigos? Sim, somos. Mas não sei por que, sentia que ficar bêbada na mesma cama que não era uma boa ideia, não hoje.
- O que foi, ? Você ta falando pouco! – Ele me questionou ao voltar com a cerveja.
- Nadinha. – Respondi e dei um longo gole na cerveja. – Só uma pergunta, o que vamos fazer agora?
- Humm... Você disse que não quer transar, então podemos conversar. – Disse rindo.
- Eu estou falando sério, coisinha. – Eu ri também. Ficou silêncio alguns segundos, também parecia estar diferente, decidi então cortar o silêncio. – Sabia que quando te conheci pensei que fosse um mala? – Coloquei minha garrafa de cerveja em uma estante próxima a cama e voltei a deitar de frente pra ele.
- Sério? E o que te fez mudar de ideia?
- Não sei, talvez só o fato de ser diferente do seu irmão já ganhou pontos comigo. – Fiz uma pausa. – Temos muito em comum também, acho que isso ajuda.
- Sim... Nunca pensei que ganharia uma vizinha assim que nem você. – Ele começou a mexer no meu cabelo.
- Assim como? – Arqueei a sobrancelha.
- Assim, que nem você. Além de ser linda, é divertida. Curte boas músicas. Sei lá, você é diferente.
- Diferente?
- Sim... Mas, infelizmente, somos só amigos, né? – Ele respondeu em tom de brincadeira, mas com um fundo de seriedade. Não consegui responder, porque o fato de senti-lo tão próximo a mim estava me torturando de tal forma que eu só pensava em beijá-lo. – O que foi? Não curtiu?
- Não... Quer dizer... Concordo com você, eu sou demais mesmo. – Disse tentando mudar o foco do assunto. – Gosto muito de você, ... – Senti sua mão descendo para a minha cintura, ele a segurava firmemente e vinha colando seu corpo no meu, até que eu cortei o clima dizendo – Às vezes você até me faz lembrar o meu irmão. – Nessa hora foi ele quem respirou fundo, soltou minha cintura de imediato e respondeu:
- Irmão? – Ele deitou de barriga pra cima, ficando o máximo possível longe de mim.
- Sim... Falei algo de errado? – Perguntei tensa com a resposta.
- Não. – Senti que ele não tinha gostado de ouvir o que eu disse, também né, dessa vez eu caprichei na hora de cortar um clima.
Depois do fora ridículo que eu dei, não voltou a falar. Vez ou outra concordava com os assuntos que eu tentava puxar, nada mais que isso. Acabamos com o engradado de cerveja, eu já estava bêbada e ele logo adormeceu. O álcool geralmente traz esse efeito extremista, nos desperta o sono ou a loucura. Nesse caso foi o sono, dormia feito um bebê. Olhei meu celular, já era bem tarde. Hora de ir pra casa e dormir. Levantei devagar para não acordar , calcei meus tênis e sai de seu quarto. Antes de ir embora resolvi roubar uma garrafinha de água na geladeira, depois de tanta cerveja, os efeitos começavam a chegar. Abri a geladeira e fiquei algum tempo procurando, quando fechei a porta senti alguém me puxar pela cintura. Estava muito escuro, mas seu perfume característico não me enganava. Tentei me virar, mas ele pressionava seu corpo em mim de uma forma que eu não conseguia me mexer, senti seus lábios quentes tocarem meu pescoço levemente, meus olhos reviraram e por um momento pensei em ceder.
- Me solta. – Pedi com a voz fraca.
- Te soltaria se fosse realmente isso que quisesse. – Ele respondeu e começou a explorar meu corpo com suas mãos grandes e frias. Tentei sair de seus braços novamente e então ele me apertou com ainda mais força, me empurrando para um balcão que ficava próximo a geladeira.
- Você esta me machucando. – Como resposta, ele puxou meus dois braços pra trás e com uma das mãos me segurou de uma forma em que eu não conseguia sair.
- Cala a boca. – Ele sussurrou em meu ouvido e com a outra mão entrelaçou seus dedos em meus cabelos, puxando forte para trás. Senti novamente sua boca, dessa vez ele mordia o lóbulo da minha orelha e por fim sussurrou. – Eu sei que você esta louca por isso. – Senti minha pele se arrepiar quando ele sussurrou isso no meu ouvido. Minhas pernas estavam bambas, mas me mantive forte.
- Eu. Não. Quero. – Disse em pausas, quase que sussurrando. Parece que toda vez que eu dizia algo, o instigava ainda mais.
- Tô vendo que só vai calar a boca de um jeito. – Ele me virou de frente pra ele, me colocou sentada no balcão e se encaixou entre minhas pernas, com a mão que entrelaçava meus cabelos, o puxou ainda mais forte. A claridade da janela fazia com que eu conseguisse enxergar algumas coisas. Ele me olhou fundo nos olhos e sem dizer nada me beijou. Um beijo intenso e com vontade, certa violência eu diria. Entrelacei minhas pernas em sua cintura, juntando ainda mais nossos corpos. Ele apertava minha cintura e de forma brutal rasgou minha regata. A jogando para longe. Estava tão extasiada que não consegui dizer nada. Envolvi meus braços em sua cintura e cravei minhas unhas em suas costas, com uma força que certamente deixaria sua pele marcada por alguns dias. Ao sentir suas costas sendo arranhadas, parou de me beijar e disse em meu ouvido:
- Então você gosta assim? – Ele arqueou a sobrancelha e eu mordi seu lábio como resposta. Voltou a beijar meu pescoço, sua boca alternava entre beijos, lambidas e mordidas. Suas mãos desceram para o botão da minha calça jeans, a desabotoando e a puxando para baixo com rapidez.
Em seguida, voltou a pressionar nossos corpos, eu sentia sua ereção em mim. Puxei sua camiseta, tirando-a rapidamente. Ele voltou a beijar meu pescoço e então joguei minha cabeça para trás, inclinando meu colo para ele que foi descendo seus beijos. Sua voracidade era tanta que nem tirou meu sutiã, somente o abaixou e com uma mão segurou firmemente meu seio, enquanto contornava meu mamilo com sua língua, alternando em pequenas sucções e mordidas. Não sei se era possível uma sensação melhor que essa, me sentia completamente entregue. E ele percebia isso. Então, com a mão que puxava meu cabelo, foi descendo pelo meu corpo. Afastou minha calcinha para o lado e em instantes senti dois de seus dedos me penetrando. Gemi como resposta. Ele demonstrava agressividade em seus movimentos. Com o polegar, estimulava meu clitóris. Com meu auxílio, conseguiu tirar meu sutiã, que já incomodava naquele momento.
Meus gemidos começaram a ficar mais altos, vendo que eu não iria parar de gemer, ele quem parou com os movimentos. Olhei pra ele o questionando, ele lambeu os dedos que me estimulavam, sorriu malicioso e disse:
- Vira. – Desci do balcão e ele me virou bruscamente de costas. – Agora empina pra mim. – Abaixou suas calças junto com sua boxer, segurou meu quadril com firmeza, afastou minhas pernas e então me penetrou com força. Seus movimentos eram brutos e fazia meu corpo estremecer por inteiro. Tirou uma das mãos do meu quadril e voltou a puxar meu cabelo com força. Eu ouvia sua respiração acelerada que alternava com gemidos baixos. Ele foi acelerando seus movimentos, senti minhas pernas tremerem e chegamos juntos ao ápice. Ofegante, ele ficou um tempo parado sobre mim e assim ficamos até nos recuperarmos fisicamente.



Capítulo 15

Acordei e senti meus olhos ardendo pela claridade. Meu Deus, que dor de cabeça, cadê a porra do celular pra eu desligar o despertador? Como sempre jogado no lugar mais improvável do mundo, acredito que meus celulares criam pernas enquanto durmo, porque eu juro que ainda não sei como eles somem assim. Estiquei meu braço e consegui alcançar o celular, quando fui desligar aquele som gritante, vi que a foto de estava na tela... Não era despertador, era ele ligando.
- Alô? – Eu disse com a voz meio enrolada, bocejando em seguida.
- Ainda dormindo, preguiça? – Respondeu a voz rouca do outro lado da linha.
- Estava né, mas alguém que não vou citar nomes resolveu me acordar. – Esfreguei os olhos e sentei na cama – O que você quer, criatura?
- Nossa, quanto amor. – Ouvi sua risada – Ia te chamar pra andar de bike no parque, o dia está lindo hoje.
- Bike? Sério? , eu tô de ressaca!
- Um motivo a mais, vamos eliminar esse álcool do corpo. Te encontro no estacionamento em 30 minutos, não precisa comer nada porque eu já fui ao mercado comprar coisas pro nosso piquenique. – Ele dizia empolgado.
- Você precisa de uma namorada, sério. – Eu falava um tanto rabugenta.
- Não demore. – Ouvi a ligação sendo encerrada em seguida, filho da mãe, nem deixou eu xingá-lo mais um pouco.
Joguei meu celular na cama, me espreguicei, levantei e fui para o banho. Já que eu só tinha 30 minutos, era bom me apressar. Maquiagem? Nem em sonho eu faria, peguei meus óculos de sol, prendi meu cabelo de qualquer jeito, vesti um shorts com uma regata qualquer e sai. Quando desci, encontrei sentado no banco do motorista com a porta de seu carro aberta, ele ouvia musica e procurava algo no porta-luvas.
- Chegueeei. – Disse gritando. – Morreu de saudades?
- Eu já ia te ligar, ta atrasada. – Ele riu. – Entra aí.
- Que atrasada o quê. – Dei risada e entrei no carro, sentando ao seu lado. – O que está procurando?
- Meus óculos... Acha pra mim? – Ele voltava ao seu banco, colocando o cinto de segurança e aumentando o volume do som do carro.
- Nossa, nessa bagunça não se acha nada. – Eu respondi revirando o porta-luvas. Ele riu e sem dizer nada deu partida no carro. Nossa, tinham muitos papéis, folhetos, CDs e um cartão rosa que na hora tive que pegar pra ver o que era. – Hmm... Cartinha de amor? – Disse pra chamar a atenção de , que na hora tentou pegar o papel da minha mão.
- Me dá isso. – E eu ri.
- Negativo, só te dou se você me contar o que é isso.
- Não é nada, ... – Ele parecia sem graça, então voltou sua atenção para frente.
- Se não é nada, você não vai ligar que eu veja. – Ri e abri o cartão, nele dizia “Obrigada pela noite, nunca pensei que você fosse tão incrível. Mal posso esperar para te ver de novo”. Quando terminei de ler senti algo estranho, não sei ao certo o quê. Mas eu me sentia extremamente incomodada com aquela situação. Fechei o cartão e guardei no porta-luvas novamente.
- O que foi? – Ele me olhou e abaixou o volume do som.
- Nada. – Fechei o porta-luvas e fiquei em silêncio.
- Não achou meus óculos?
- A não ser que sejam invisíveis, eu diria que não. – Respirei fundo.
- ... O que foi? – Ele insistiu na pergunta e eu fiquei em silêncio. – Sei que quando fica quieta é porque algo esta te incomodando.
- Que saco, eu não posso ficar quieta? – Disse alterando meu tom de voz.
- Pode, mas só depois que me explicar o que está acontecendo.
- Acho que o mínimo que você deveria fazer era me contar que esta de se envolvendo com alguém, né? – Eu disse rápido e com o tom de voz um tanto alto e irritado.
- Me envolvendo? – Ele perguntou e deu risada em seguida. – Ta doida?
- Faz o que quiser da sua vida, mas eu pensei que fôssemos amigos. – Disse sem ter certeza do que realmente me tirava do sério.
- Isso tudo por causa de um cartão? – Ele pouco olhava pra mim, pois dividia sua atenção na conversa e no trânsito.
- Não é só pelo cartão... Você não faz o cara “incrível” como esse cartão aí diz, a não ser que realmente esteja gostando da menina. Então não adianta dizer que é só uma pegada, ou que foi só uma noite. Porque eu sei bem que não foi. – Bufei. Ele segurou a risada e eu percebi. – Qual é a graça? Idiota!
- A graça é que você fica ainda mais linda quando está com ciúmes. – Ele ria e estacionava o carro.
- Por que esta estacionando o carro? E quem falou que estou com ciúmes?
- Porque eu vou te encher de cócegas, até você implorar pelo penico rosa. – Ele destravava o cinto de segurança.
- Para, , é sério. – Eu cruzei os braços. – Eu estou triste com você.
- Então pode ir abrindo um sorriso, porque eu tô chegando. – Ele ia aproximando suas mãos de mim devagar. Rolei os olhos e olhei para o outro lado.
Quando dei por mim eu gritava e gargalhava sem parar. estava literalmente em cima de mim e apertava minha barriga, fazendo muitas cócegas, e gargalhava tanto quanto eu. Não sei explicar ao certo o motivo, mas o banco do passageiro despencou e só parou quando encontrou o banco de trás. Dei um grito assustada e caiu por cima de mim pelo movimento brusco. No mesmo momento paramos de rir. Estávamos absurdamente perto um do outro, meus olhos encaravam os dele e eu sentia sua respiração próxima a minha boca. Seus olhos foram desviando, até fitarem minha boca. Mordi meu lábio ao perceber e como reação apertou minha cintura. Meu corpo amoleceu, estava ali um ponto fraco. Sem pensar muito senti nossos lábios se unindo.
Não sei ao certo como isso era possível, mas quando fechei meus olhos e senti nossos lábios se encontrando, perdi toda a razão. Por mais que me deixasse louca, despertava em mim um sentimento de paz. E nossas bocas se encaixavam como nenhuma nunca se encaixou. Por outro lado, sabia exatamente onde me tocar... Espera aí, eu estava com um cara gostoso em cima de mim, apertando minha cintura, beijando minha boca e pressionando aquele peitoral definido em mim, o que esse idiota do esta fazendo nos meus pensamentos? Em um impulso interrompi aquele beijo. continuou sobre mim e me encarou de perto.
- O que foi isso? – Ele perguntou. Estávamos ofegantes e de certa forma envergonhados.
- Um erro. – Eu respondi o empurrando e ele saiu de cima de mim. – Somos amigos. E você está namorando.
- Eu não estou namorando. – Eu olhei pra ele e ele continuou – Estamos nos conhecendo. – Arregalei meus olhos na mesma hora e me senti estranha com tal declaração.
- Viu... Foi um erro. – Respirei fundo. – Isso nunca deveria ter acontecido... E nunca mais vai acontecer. – Eu arrumava o banco novamente.
- Não? – Ele parecia decepcionado.
- Claro que não. Acho melhor irmos pra casa. – Cortei o assunto. Ele ficou quieto, ajeitou o cinto de segurança e deu partida no carro. Ficamos em silêncio o caminho todo, o som que predominava era “Red Hot Chili Peppers” que tocava no som do carro. Em instantes chegamos em casa, eu desci do carro em silêncio e antes de entramos cada um em seu apartamento, falou:
- Desculpe, era pra ter sido um dia bom pros dois, espero que consiga esquecer o que rolou. – Ele sorriu fraco.
- Não se preocupe, eu já nem sei do que você esta falando. – Dei um beijo em sua bochecha. – Tchau. – Entramos em nossos apartamentos e assim se encerrou o “piquenique no parque”.



Capítulo 16

Passou-se um mês. Estava longe de casa há exatos 20 dias. Depois do ultimo ocorrido com , minha cabeça estava precisando descansar, sabe aqueles momentos em que você precisa viajar para um lugar bem distante? Arrumar um número de celular provisório em que ninguém que te conhece tenha como te ligar? Aqueles dias em que você tem vontade de acordar em um lugar totalmente diferente, sem ninguém pra te cobrar ou te encher o saco? Pois é, vez ou outra eu tinha essas loucuras de precisar sumir. Não pretendia viajar tão cedo, mas depois dos últimos acontecimentos, eu precisava mesmo me afastar de tudo, pelo menos por um tempo.
Eu tinha uma grana guardada, uma grana que nunca pensei que seria tão útil. Minha previsão era voltar só no mês seguinte, mas esse sábado seria aniversário do . Por mais que não tenhamos nos falamos depois daquele dia, eu precisava voltar a tempo, ou jamais me perdoaria por isso. Já era fim de tarde quando cheguei em casa com minhas malas enormes, praticidade nunca foi uma característica minha. Sempre imaginava que as piores coisas iriam acontecer e eu precisava estar prevenida pra isso.
Viajar é o máximo, se desligar do mundo também. Mas não tem nada melhor que entrar em casa e sentir o aconchego da nossa bagunça. Ao entrar em meu apartamento, levei as malas ao meu quarto, liguei meu notebook, coloquei minha playlist de The Killers para tocar e fui tomar um banho. Senti a água quentinha escorrendo pelo meu corpo, que sensação mais maravilhosa. Eu estava muito cansada pela viagem e esse chuveiro quentinho certamente me ajudou a recuperar parte das energias.
Vesti uma das camisetas do meu irmão, aquelas que eu costumo recortar e roubar pra mim para servir como pijama. Pantufas, como não adorá-las? Meus cabelos estavam molhados e por isso parte da camiseta que eu vestia também ficou um tanto úmida. Fui à cozinha, precisava comer alguma coisa. Decidi pegar algum prato congelado mesmo, estava sem saco para cozinhar. Sentei no balcão da cozinha, enquanto esperava minha lasanha ficar pronta. O celular que costumava usar tinha ficado em casa, peguei o mesmo na intenção de ver quantas ligações ou mensagens tinham ali.
Uau, meu celular travou por alguns minutos, por tantas mensagens de texto que chegavam. Algo já esperado, mas o que mais me surpreendeu foram as 23 ligações perdidas do número do . Essas horas ele deve ter achado que eu morri. Dei risada sozinha e antes de ligar pra ele, fui até as mensagens, só do eram mais de 30. Tudo bem, acho que eu deveria ter avisado a ele pelo menos que estava viva. Disquei o número dele, logo a linha foi aberta:
- Alô? – Era uma voz feminina que atendia. Fiquei em silêncio sem saber se respondia, mas a voz insistiu. – Oi? Alô?
- Desculpa, foi engano. – Desliguei o celular e fiquei encarando a tela. Por que diabos eu tinha feito isso? Ou melhor, por que diabos uma mulher atendeu o celular dele? Antes que eu pudesse pensar, meu celular começou a vibrar, olhei a tela e nela estava escrito “ chamando”. Puta que pariu, e agora? E se for ela ligando de volta? Foda-se! – Alô? – Disse meio gaga.
- ? Onde você está? Tá tudo bem? Eu te liguei tanto! – Dessa vez era ele, sua voz parecia feliz e ao mesmo tempo preocupada.
- Oi, ... Eu... Eu estava viajando. – Disse ainda tensa. – Como você está?
- Eu estava preocupado, por que não me atendia? – Ele perguntava curioso.
- Porque eu não levei meu celular... Precisava sumir um pouco. – Dei uma risada sem graça.
- Você esta em casa agora?
- Estou sim, falando nisso eu queria te ver. - Respondi descendo do balcão e indo até o micro-ondas olhar o estado de cozimento de minha lasanha.
- Amanhã meu irmão vai fazer uma festa pra mim, você é minha convidada de honra. – Ele parecia empolgado.
- Olha, com certeza vou te ver, mas não sei se vou à festa. Sabe que eu e seu irmão não nos damos bem.
- Vocês tem que parar com isso. E amanhã seria um ótimo dia pra uma trégua, não acha?
- Vou pensar, mas não prometo... E a propósito, quem atendeu o celular da outra vez? – Não aguentei e perguntei. Antes da resposta, ouvi rir.
- É minha namorada, ... Ela esta louca pra te conhecer, falo muito de você pra ela. Mais um motivo pra você vir à minha festa.
- Ah... Então aquele dia no carro eu estava certa. – Disse sem pensar, já que tínhamos combinado esquecer aquele dia.
- Er... – Ele respondeu sem jeito, certamente por ter lembrado do nosso beijo. Fiquei sem graça mais uma vez e terminei a ligação:
- Enfim... Eu vou à festa, mas se seu irmão vier com gracinhas ele vai ver. – Ouvi dar risada – Agora preciso desligar, cheguei com muita fome e ainda não comi nada. – Rimos juntos. – Te mando mensagem mais tarde, beijo. – Desliguei antes que ele pudesse responder.

Sábado, 21h45min... Finalmente acabei de arrumar meu cabelo, estava extremamente hidratado e brilhoso. Passei o dia fazendo hidratações, já não aguentava mais passar cremes e máscaras de brilho. Olhei no espelho e fiquei satisfeita com o resultado. Hora de decidir minha roupa, em cima da cama tinham algumas peças que eu separei para decidir qual usar. Não sou muito fã de sapatos de salto, por isso descartei aquele vestido preto. Optei por um short jeans azul claro de cintura alta e extremamente curto, gostava dele, pois ficava soltinho em minhas coxas, justo na cintura e seu modelo desfiado combinava com tudo. Em cima coloquei um cropped preto de alcinha. Nos pés, uma bota de cano curto, era o mais próximo de um salto que eu me aproximava. Não que eu não usasse de forma alguma sapatos com salto, mas se eu puder optar, irei escolher por algo mais confortável e que não esmague meu pé.
A festa iria começar às 22h e eu ainda nem tinha começado a fazer minha maquiagem. Sentia a maior preguiça do mundo ao pensar em todo aquele processo de me maquiar. Sempre adorava o resultado, mas o processo é realmente muito chato. Após exatos 50 minutos eu estava completamente pronta. Roupa, maquiagem e perfume ok. Presente do aniversariante? Em mãos! Dei uma ultima olhada no espelho, passei um pouco mais do meu batom vermelho e sai. Seja lá o que tiver que acontecer, vamos nessa!



Capítulo 17

Toquei a campainha e em alguns instantes a porta foi aberta por uma garota sorridente. Muito linda por sinal, seus cabelos eram loiros, aqueles platinados e quase impossíveis de fazer, sabe? Sua pele era branquinha e seu corpo era realmente bonito. Não fazia o tipo violão, mas era uma daquelas garotas de corpo magro que ficam lindas com qualquer roupa, por mais simples que ela seja.
- Oi... Acredito que seja a famosa ... Acertei? – Ela se aproximava para me dar um beijo no rosto.
- Oi... Sim, sou eu. – Eu sorri e antes que eu dissesse algo, ela se apresentou.
- Sou Antonela, namorada do . – Ela dizia ainda com um sorriso no rosto. – Ele foi falar com o irmão dele quando a campainha tocou e pediu para que eu viesse atender.
- Ah sim... – Entrei no apartamento e ela fechou a porta logo em seguida. – Cheguei cedo demais?
- Claro que não, já tem uma galerinha... É que estão bem espalhados, uns estão fumando na varanda, outros estão no “quarto-estudio” dos meninos e alguns estão aqui na sala bebendo. – Ela apontava para os lugares em que falava. – Agora é só você escolher a qual turma vai se unir.
- Na verdade, eu nem sei, não conheço todos os amigos do ... Só os da banda mesmo, acho que vou sentar aqui na sala e esperar ele aparecer. – Eu sorri um pouco tímida.
- Certo, vou avisar que você chegou... Ele vai ficar muito feliz. – Ela parecia feliz em me ver. Ou era realmente uma garota incrível, ou era uma ótima atriz. Sentei em uma poltrona que ficava ao lado do sofá em que alguns convidados estavam. Cruzei as pernas e fiquei os observando, ria junto com as besteiras que falavam, até que eu já estava enturmada com eles também. Passaram alguns minutos e apareceu me chamando. Ao vê-lo, abri o melhor dos sorrisos e o abracei forte.
- Que saudades de você. – Ele dizia enquanto ainda estávamos abraçados. – Você está muito linda.
- Obrigada, eu também estava com saudades e você esta maravilhoso. – Disse e rimos. Nesse momento Antonela apenas nos observava do balcão da cozinha, não dizia nada e também não parecia com ciúmes de nós dois. – A propósito, sua namorada é muito bonita. – Sorri, me sentia um pouco estranha com aquela situação, mas hoje ia tentar levantar a bandeira branca para tudo e todos. Desde que decidi vir a este aniversário, estava ciente de tudo e todos que encontraria aqui.
- Ela é linda. – Ele sorriu bobo ao olhar pra ela. – Estou mesmo apaixonado. – Ele suspirou e eu engoli seco ao ouvir tais palavras. Sem ciúmes, . Controle-se.
- Que bonitinho, meu melhor amigo esta apaixonadinho. – Eu disse tirando sarro dele. – Agora abra meu presente. – Entreguei uma caixa azul com laço vermelho para , que sorridente como uma criança pegou a caixa e abriu.
- Caralho, não acredito que você achou a discografia completa de AC/DC. – Ele falava histérico.
- Sim, meu querido, todos os álbuns estão aí. – Eu sorri satisfeita. – Gostou?
- Irado! Foi o melhor presente de todos. – Ele me abraçou, me tirando do chão e depois dando um beijo melado em minha bochecha.
- e seus beijos babados. – Eu disse inocentemente, mas ele olhou pra mim sério e então eu parei de rir no mesmo momento. Certamente ele tinha se lembrado daquele maldito beijo. Respirei fundo e olhei para o lado, Antonela se aproximava e percebia o clima estranho que predominava no momento. Não sei se ela escutou o que eu disse, mas se ela dissesse algo, eu já tinha todas as respostas do mundo na ponta de língua.
- Nossa, você gosta desses caras mesmo. – Ela disse ao ver meu presente pro . Então o abraçou pela cintura e sorriu pra mim.
- Sim, foi o melhor presente de todos. – Ele dizia se empolgando de novo, o que fez eu rir.
- Mas e o relógio lindo e caríssimo que eu te dei, amor? – Ela fez bico ao terminar de falar e eu arregalei os olhos, nada que eles percebessem. Segurei a risada, afinal, odiava relógios de pulso, ele sempre dizia que no dia em que começasse a usar um, significaria que ele estava virando “tiozinho”. Olhei com cara irônica para ele, que percebeu, desviou o olhar e respondeu:
- Ah, amor, o relógio que você me deu foi o segundo melhor presente. Ninguém compete com AC/DC. – Ele dizia tentando agradar e a garota riu.
- Sem problemas, amor, mais tarde eu te darei o melhor presente. – Ela arqueou a sobrancelha e sorriu maliciosa. ficou sem graça por eu ter escutado algo assim. Então falei:
- Opa, acho que sobrei. – Dei uma risada forçada e fui me afastando. – Vou beber, mais tarde falamos, casal. – Terminei o assunto e rolei os olhos ao virar as costas pros dois. Tudo bem que ela era legal, bonita e blá blá blá, mas foi totalmente desnecessário dizer que ia dar pra ele mais tarde na minha frente. Não sou obrigada, não mesmo!
Eu já estava ficando nervosa e a única forma de me manter calma era bebendo algo. Tenha calma, . Faz vinte minutos que chegou nessa festa, a tortura nem começou. Bufei abri a geladeira, quando penso que não, apareceu à pessoa mais indesejada do mundo:
- Olha só quem ressurgiu. – Era . Ele sorria irônico e escorava no balcão. Peguei uma cerveja, fechei a geladeira e antes de virar pra ele respirei fundo e rolei os olhos.
- Oi pra você também, . – Eu tentava abrir a garrafa de cerveja.
- Já percebeu que nossos melhores encontros sempre são na cozinha? – Ele sorriu malicioso, me fazendo lembrar da primeira festa que ele me agarrou na cozinha e da ultima vez que estive lá e transamos no balcão da cozinha.
- Melhores? Eu diria que minhas piores lembranças são nessa cozinha. – Respondi irônica.
- Piores? – Ele vinha se aproximando e quando estava próximo o suficiente, continuou em tom baixo – Não era isso que seus gemidos diziam enquanto eu fodia você. – Ele terminou a frase e me olhou com a pior cara de cafajeste.
- Olha, eu não vou te xingar hoje... Pelo menos hoje tente ser agradável. É aniversário do seu irmão. – Eu tentava ser sensata.
- Falando no meu irmão, você viu a nova namorada dele? Gostosa! – Agora era ele quem abria a porta da geladeira. – Ela geme gostosinho também.
- Ah, ... Me poupe disso. – Eu disse com cara de nojo.
- Mas não sei se ela dá gostoso que nem você, porque quando a escutei gemendo, não era pra mim. – Ele ria ao ver minha cara de indignação.
- Impossível. Você é detestável. – Eu sai em direção a varanda, precisava mesmo fumar. me seguiu e no corredor me parou, puxando-me pelo braço. – Porra, o que é?
- Se eu sou tão detestável assim, por que você gemeu tanto enquanto a gente transava? – Ele me empurrou na parede do corredor. Eu fiquei em silêncio, juro que tentava controlar a minha raiva e vontade de enfiar a mão na cara desse cafajeste filho de uma puta, mas, eu não conseguia.
- Me. Solta. Agora. . – Eu falava pausadamente, controlando meu tom de voz, já que bem nesse momento a musica tinha parado.
- E se eu não te soltar, você vai fazer o quê? – Nesse momento ele pressionava seu corpo em mim. – Vai me bater? Sabe que eu gosto, né?
- Você não tem ideia do quanto eu odeio você, do quanto eu odeio esse seu jeito convencido, machista, prepotente e... – interrompeu meus xingamentos com um beijo estupidamente violento e... Delicioso. Puta que pariu, o que eu estava fazendo? Na intenção de interromper o beijo, mordi seu lábio com muita força, tanta força que pude sentir o corte.
- Porra... Você esta louca? – Ele me empurrou e colocou as mãos na boca com expressão de dor. Dei risada e arqueei a sobrancelha.
- Você tá mexendo com a pessoa errada. Não sou as vagabundas que você esta acostumado a comer. – Virei às costas e ele me deixou ir.
Já era madrugada, e por esse motivo a música estava quase inaudível, algumas pessoas já tinham ido embora, inclusive a namorada de . Ela viajaria no dia seguinte bem cedo. Eu já estava completamente chapada. Já nem sabia tudo que tinha bebido, ou o que tinha fumado. Na verdade, eu me lembrava de alguns cigarros normais e um de maconha que eu dividi com e outro amigo. Nunca tinha fumado maconha, mas insistiu tanto que eu disse que faria por ser seu aniversário. Não que isso seja justificativa, eu decidi fazer e ponto.
- Minha cabeça dói. – Eu disse para quando entramos em seu quarto.
- Deita aqui um pouco, daqui a pouco você melhora. – Ele me ajudava a chegar até a cama, eu me sentia completamente tonta e bêbada.
- Acho que eu bebi demais. – Eu falava pausadamente. me ajudou a deitar na cama e tirou meus sapatos.
- Vou buscar um remédio pra você e logo tudo volta ao normal, linda. – Ele beijou minha testa e foi até a porta, antes de sair sorriu pra mim, apagou a luz e fechou a porta.
Meu Deus, eu nunca tinha exagerado tanto assim. Pensei em ir para casa, mas disse que ficaria preocupado e que era pra eu ficar lá até que melhorasse. Então aqui estava eu, deitada na cama de , com a cabeça doendo e o quarto todo rodando. Que sensação mais esquisita essa mistura de álcool com maconha. Deus do céu, nunca mais na vida vou fazer isso.



Capítulo 18

A porta se abriu alguns minutos depois, não consegui ver quem era, mas já imaginava que era , afinal, ele disse que pegaria remédios para mim. Eu tentava me sentar, mas não tinha forças o suficiente. Após muito me esforçar, consegui sentar.
- ? – Eu dizia confusa.
- Não... O me pediu pra trazer isso pra você. – Eu conhecia bem essa voz, era . E ele estava com um copo em uma mão e um comprimido em outra.
- O que é isso? Acha que vou aceitar algo de você?
- ... Por que eu iria te drogar dentro do quarto do meu irmão? – Ele dizia um tanto sem paciência, mas sem aquele tom prepotente. Um pouco desconfiada aceitei o copo e o comprimido, estranhamente ele me ajudou a deitar de novo. – Você esta bem?
- O que você acha? – Eu respondi irônica. colocou o copo em cima da mesa e sentou-se na ponta da cama.
- Eu acho que você bebeu demais. – Ele riu.
- Sai daqui, . – Eu perdia a paciência novamente, como em todas as vezes que ele se aproximava de mim.
- Você não me pediu sensatez? Agora é você quem está dificultando. – Ele falava calmo e eu fiquei em silêncio, virando as costas pra ele na intenção de ignorar sua presença. Senti que ele deitava ao meu lado na cama, tentei me virar para empurrá-lo, mas ele me segurou, me abraçando. – Calma. Não vou fazer nada. – Ele sussurrou em meu ouvido, o que fez meu corpo ficar ainda mais amolecido do que já estava. Senti meu corpo arrepiar e no momento em que ele apertou minha cintura, fodeu, não sabia o que fazer.
- Para. Por favor. – Eu pedia sem ter certeza se era isso mesmo que eu queria. virou meu corpo, de forma que eu ficasse deitada de barriga para cima. Olhei para ele, que veio se aproximando, até ficar com seu corpo sobre o meu.
segurou meu cabelo e deu uma leve puxada, em seguida beijou minha boca de forma lenta e intensa. Não sabia explicar o que eu sentia naquele momento, meu corpo estava totalmente entregue a ele e eu não queria mais que ele parasse. Tentei tirar sua camiseta, mas o mesmo não deixou. Paramos o beijo nesse momento e eu o encarei com cara de interrogação.
- Você não vai esquecer essa noite, mas vai ser do meu jeito. – Ele sorriu com malicia e começou a desabotoar meu short. Eu apenas fiquei em silêncio e voltei minhas mãos para dentro de sua camiseta. desceu o beijo para meu pescoço, sentia sua língua quente e úmida lambendo meu pescoço. Enquanto me beijava, tirava meu short. Nada violento como costumava ser, ele tinha calma, tinha cuidado em cada toque, em cada beijo. Com meu auxílio tirou meu cropped e em seguida meu sutiã. Nesse momento eu estava somente de calcinha. Ele ajoelhou na cama e ficou me observando, sem jeito o questionei. voltou ao meu pescoço e antes de beijá-lo, sussurrou em meu ouvido – Você é linda!
Eu sorri boba por receber aquele elogio. Respirei fundo quando senti seus beijos descendo até meus seios, onde novamente alternou entre lambidas, mordidas e pequenas sucções. Eu tentava não gemer, mesmo porque não queria que ninguém escutasse o que acontecia aqui dentro. Respirei fundo, na intenção de controlar meus gemidos e então senti seus beijos descerem ainda mais. De uma forma que eu não sei explicar qual, ele se posicionou entre minhas pernas e tirou minha calcinha. Em seguida separou minhas pernas, aproximando sua boca de minha intimidade. Conseguia sentir sua respiração, ele se aproximava cada vez mais, até tocar em meu clitóris com sua língua. Ele fazia movimentos lentos, o que deixava minhas pernas bambas.
Com dois dedos me penetrou e continuou a mexer em meu clitóris com sua língua, ele sabia o que estava fazendo e sabia que aquilo estava tirando toda minha sanidade, se é que eu ainda tinha alguma. Meus gemidos estavam contidos, mas acelerou seus movimentos com a língua e com os dedos, tirando quase que um grito de mim, seguido de um orgasmo. Ao sentir meu corpo todo se tremer, parou com os movimentos e sorriu, se aproximando de mim. Me deu um beijo extremamente intenso e ainda calmo. Deitou ao meu lado e ficou fazendo carinho em minha barriga até que eu recuperasse minhas forças.



Capítulo 19

Domingo. Domingo de muita ressaca, eu diria. Estava em casa, já era fim de tarde. Depois daquele episódio com , ficamos um tempo ali, mas recuperei minha sanidade, me vesti e vim pra casa. Já pensou se nos flagrasse no quarto dele naquela situação? Porém, algo estranho aconteceu antes que eu fosse embora. me deu um beijo como aquele. Como o primeiro beijo. Como isso era possível? Como ele conseguia ser tão bipolar? Como ele conseguia ser um ogro e um príncipe ao mesmo tempo?
Chega de perguntas. Minha cabeça está explodindo e tudo que eu preciso é de água. Levantei um pouco rápido demais. Sentia tudo girar. Porra, nunca mais vou beber. Sequei a garrafa de água da geladeira em poucos segundos e fui me jogar no sofá da sala. Eu sentia tanto sono que não conseguia assistir nada na televisão. Já estava quase dormindo de novo, quando a porta da sala é aberta bruscamente. Abri os olhos assustada, afinal, ninguém além de mim tinha a chave do apartamento.
- Oi, irmãzinha. – Era Diego. Ele entrava em casa com uma mala enorme. Sem entender muito levantei e fui correndo abraçá-lo.
- Que saudades de você. – Eu falava enquanto o abraçava forte. – Mas, como não sabia que estava vindo para o Brasil?
- Na verdade, nem eu sabia. – Ele me respondeu fechando a porta e indo até o sofá se sentar. – Meu noivado acabou.
- Como assim, Diego? – Eu perguntei surpresa... Meu irmão estava de casamento marcado.
- Ela me traiu. – Fez uma pausa e eu arregalei os olhos. – A flagrei na cama com meu “amigo”. – Era nítido o quanto ele parecia constrangido em dizer aquilo. Percebi o quão desconfortável ele se sentia e tentei não aprofundar o assunto.
- Mas, como você está? – Eu comecei a mexer no cabelo dele, fazendo carinho.
- Estou indo... Desculpe não avisar que vinha, só precisava sair de lá. – Ele falava de cabeça baixa.
- Avisar? Essa casa é sua também, seu bobo. – Eu levantei e o puxei pra um abraço. – Sempre seremos eu e você.
- Eu te amo, irmãzinha. – Ele respondeu me apertando no abraço.
- Eu sei, sou demais. – Disse brincando. – Sabe o que eu queria? – Ele fez cara de interrogação e eu prossegui. – TE-MA-KI. – Falei pausadamente e ele logo se empolgou com a ideia.
- Ótima ideia. Estou morrendo de fome.
- Então vai ajeitar suas malas no quarto e eu vou comprar. – Falava enquanto ajudava ele a levar as malas para o quarto de hóspedes que provavelmente seria seu quarto por algum tempo.
- Estava com saudades desse mimo todo. – Ele sorria.
- Ninguém mandou me abandonar. – Respondi brincando e indo até a porta. – Agora estou indo, já volto. – Sai e fechei a porta.
Peguei a chave do carro, troquei as pantufas por crocs e sai. Tinha um restaurante japonês na avenida ao lado do condomínio, se o atendimento fosse rápido, logo eu estaria de volta. Estava com uma sensação estranha, mas dessa vez não me refiro à ressaca. Eu estava muito feliz de ter meu irmão por perto depois de quase um ano longe, ele fazia com que eu me lembrasse como é ter família.
Mas também me sentia triste pelo que Diego passava, eu sou aquele tipo de irmã que soma dez vezes o humor do irmão, ou seja, Diego feliz me deixa incrivelmente contente, assim como Diego triste me deixava pior que ele. Não sei o porquê desse instinto de proteção, afinal, Diego é mais velho do que eu. Mas, homens demoram mais para amadurecer e talvez por esse motivo eu me sentisse como mãe dele, já que todas às vezes em que ele se sentia triste ou doente, ele corria pro meu colo.
Eu esperava o elevador chegar em meu andar, algo que geralmente demorava um pouco por ser um dos últimos. Mexia no meu celular enquanto isso, faltavam dois andares para o elevador chegar, segundo o visor do mesmo.
- E aí, vizinha. – Ouvi logo após ver a porta do vizinho se abrir.
- Oi, . – Eu sorri aliviada ao ver que era .
- Onde a mocinha está indo? – Ele trancava a porta e vinha me cumprimentar com um beijo na bochecha.
- Estou indo comprar todos os tipos de temakis e sushis. – Respondi empolgada.
- E como ousa fazer a noite do japonês sem mim? – Ele perguntou em tom sério, mas brincando.
- Porque não vai ser a “noite do japonês”, só vou comprar algo para o Diego comer. – Respondi entrando no elevador que abrira a porta.
- Diego? – Ele arqueou a sobrancelha.
- Sim, meu irmão! – Eu ri. – Você é mesmo péssimo com nomes, hein.
- Agora sim estou ofendido. – Ele cruzou os braços e eu ri. – Você vai fazer a noite do japonês com seu irmão e não vai apresentar seu melhor amigo pra ele?
- Não! – Me limitei a dizer isso, que me olhou sério e eu ri novamente. – Hoje não é um bom dia, . Ele acabou de chegar de viagem, terminou o noivado e está super triste. Estou indo comprar o jantar porque sei que é o que ele mais gosta de comer, quero que ele se sinta a vontade pra desabafar, entende? – assentiu e aproveitando a brecha falou:
- Acho que eu nunca vou cansar de dizer o quanto você é incrível. – Ele sorriu bobo e eu sorri de volta.
- Que exagero! Eu estou longe de ser tudo isso, só que eu sou a única família que o Diego tem, não posso deixá-lo em uma hora dessas.
- Não estou me referindo só a isso. – Ele me encarou.
- Não? – Arqueei a sobrancelha.
- Não... Você é incrível em todos os sentidos, . – Ele sorriu e fez cara de bobo. Então ele se aproximou de mim e colocou uma das mãos em meu rosto. – Sua forma de lidar com o mundo e com as pessoas que ama é demais. Seu instinto de proteção, seu zelo, seus carinhos. – Eu sentia meu coração acelerar cada vez que ele se aproximava. Antes que ele fizesse qualquer coisa eu o cortei.
- Falando em proteção, como a Antonela está te tratando? – Ele se afastou ao ouvir o nome dela e senti que ficou sem jeito.
- Bem, mas algumas coisas me incomodam.
- Tipo? – Perguntei.
- Preciso de uma hora no seu divã, eu acho. – Ele riu. – Quando tiver livre me dá um toque.
- Ta bem, mas você está bem?
- Melhor que o seu irmão, não se preocupe. – Ele sorriu fraco e o elevador chegou onde iríamos descer.
- Depois te ligo então. – Dei um beijo em sua bochecha e fui para o meu carro.



Capítulo 20

Não demorei muito para voltar. O restaurante estava relativamente vazio. Quando cheguei em casa, Diego estava saindo do quarto de bermuda e sem camisa. Abriu um sorriso enorme ao me ver.
- Esse sorriso é pra mim ou para o jantar? – Eu perguntei colocando as sacolas em cima da mesa de jantar.
- Desculpa, irmãzinha, mas temakis são temakis! – Ele riu e eu também acabei rindo.
- Me ajude a colocar a mesa então. – Disse indo até a cozinha pegar os pratos e copos. Diego sentou na cadeira e somente ficou me observando arrumar a mesa do jantar. – Hey, seu folgado. – Exclamei.
- Cheguei agora de viagem, . Estou cansado. – Ele respondeu manhoso. Dei de ombros e após arrumar a mesa, sentei em uma das cadeiras e começamos o jantar.
Por algum tempo o silêncio predominou o ambiente, ambos estávamos com fome. Depois de alguns sushis e exatos dois temakis, Diego indagou:
- E aí, como estão os namorados? – Olhei pra ele e dei risada, sabia que ele queria desabafar e não sabia como começar.
- Você sabe que não tem, mas me diga... O que foi que aconteceu? – Perguntei após dar um gole no meu suco. Ele abaixou a cabeça, mas acabou dizendo tudo. Seus olhos encheram de lágrimas em muitos momentos. Até eu senti vontade de chorar, não consigo me imaginar passando por uma traição, deve ser uma das piores coisas. Ele mudou a vida só pra ficar ao lado dela, foi embora do Brasil porque era a condição que ela tinha colocado para que ficassem juntos. Ele a pediu em casamento, a data estava marcada para daqui três meses e quando ele menos espera, é traído. Não sabia ao certo o que fazer, o que falar. Limitei a dizer que aqui ele estaria acolhido. Que aqui ninguém faria mal para ele. Que agora estávamos em família.
- Olha esse sushi doce, é incrível. – Eu disse empolgada quando acabou o assunto.
- Sushi doce? Desde quando você gosta? – Ele arqueou a sobrancelha e eu ri.
- Eu odiava, né? Mas uma vez o me obrigou a comer, disse que me apaixonaria. – Eu falava rindo – E não é que é bom mesmo?
- ? – Ele perguntou.
- É. – Eu somente respondi, prevendo o interrogatório.
- Quem é? Onde o conheceu? Onde ele mora? – Quando Diego abriu a boca para continuar a me encher de perguntas eu o cortei.
- Stop! é meu vizinho, nos conhecemos porque moramos um de frente para o outro e com o tempo nos tornamos amigos. – Respondi tentando ser o mais natural possível.
- Se ele não for gay, não vou acreditar que são só amigos. – ele dizia sério, mas era algo tão absurdo que eu acabei rindo.
- Me poupe de seu machismo, Diego. Somos amigos sim. Só amigos, mesmo porque... Ele tem namorada. – Droga, senti incomodo ao terminar a frase e ÓBVIO que Diego percebeu. Rolei os olhos ao ver o sorriso malicioso de meu irmão.
- Quando se conheceram ele já namorava? – Ele perguntou e eu só balancei a cabeça, como sinal de não. – E por que você nunca assumiu gostar dele?
- Porque eu não gosto dele. – Respondi em um tom irritado, mas tentei consertar. – Mesmo porque o problema é o irmão dele. – Respirei fundo ao lembrar de .
- Calma aí... Triangulo amoroso? – Ele arqueou a sobrancelha.
- Não, claro que não! – Rolei os olhos. – é um babaca!
- E você gosta dele... – Ele disse me deixando ainda mais nervosa.
- Cala a boca, Diego. – Bufei.
- Qual o problema de assumir o que sente? Você é a garota dos discursos amorosos e nunca faz metade do que aconselha. – Que droga, Diego sabia exatamente como acabar com meus argumentos.
- Não vejo problema nenhum em assumir sentimento. Acontece que o meu sentimento por eles é totalmente diferente do que você pensa. – Respondi tentando enganar a ele e a mim.
- Jura? – Ele dizia debochado. – Quer enganar seu irmão? Por que não se da uma chance? Para de colocar obstáculos.
- Porque não é simples assim, Di. – Finalmente me desarmei. – Eu não sei o que sinto pelo , queria que fosse só raiva, ou só tesão. – Fiz uma pausa pra rir da cara de nojo do meu irmão. – Mas não, ele mexe comigo e me deixa ainda mais irritada por não saber exatamente o que sinto. – Abaixei a cabeça.
- E o entra onde nisso?
- Nos tornamos melhores amigos. Nós somos muito iguais, em tudo. Os mesmos gostos, os mesmos pensamentos... – Bufei – Não sei... Eu não sei o que fazer. – Diego sorriu e disse:
- Pra saber o que fazer, tem que se permitir. Tem que assumir o que sente. Se não, além de não saber qual é o certo, vai acabar perdendo os dois. – Ele parecia sensato.
- É... Talvez você tenha razão. – Disse ainda de cabeça baixa e assustamos ao ouvir o celular de Diego vibrar em cima da mesa. O garoto pegou o mesmo e logo estampou um sorriso no rosto.
- O que esta aprontando, Di?
- Ah, as gatas já estão sabendo que Diego voltou. – Ele riu e eu ri logo em seguida.
- Você não vale nada, Diego.
- Agora eu não valho mesmo. – Ele sorriu e levantou da mesa. – Vou trocar de roupa.
- Vai sair?
- Diego ta na pista, Diego ta soltinho. – Ele dizia cafajeste. E eu só dei risada. Ele estava certo, tinha mesmo que sair e se distrair.
- Não quero piranhas em meu apartamento, ok? – Adverti antes eu ele saísse da sala.
- Sim, senhora. – Ele respondeu maroto e saiu da sala. Fiquei mais algum tempo sentada pensando na conversa que tive com Diego e então resolvi pegar meu celular e mandar uma mensagem.



Capítulo 21

Enviei mensagem a , dizendo que precisava conversar com ele. Não disse qual seria o assunto, só pedi que ele viesse até meu apartamento assim que meu irmão saísse. Ele só pediu pra que eu avisasse a ele quando tivesse sozinha e assim fiz. Minhas mãos suavam frio e minha frequência cardíaca deveria estar muito acima do normal. Não sei até que ponto estava certa do que fazer, mas eu precisava colocar isso pra fora, eu tinha certeza do que sentia. Tinha certeza que era ele. Meu coração quase saiu pela boca no momento em que ouvi a campainha tocar.
Conferi meu reflexo no espelho e então atendi a porta. sorriu ao me ver e eu senti meu coração acelerando ainda mais. Sem dizer nada, ele entrou e eu fechei a porta. Não nos cumprimentamos, nunca fazíamos isso e nesse momento eu também não sabia como agir. Fomos até meu quarto, eu fechei a porta, ele sentou na cama e quebrou o silêncio.
- E então? – Ele perguntou sério. Respirei fundo e senti tudo travar. Não conseguia dizer nenhuma palavra. Comecei a andar de um lado pro outro, vendo meu nervoso, levantou e parou na minha frente. – O que esta acontecendo? – Ele perguntou preocupado e com uma das mãos levantou meu rosto, fazendo com que eu encarasse aqueles olhos hipnotizantes.
- Não sei, não sei por onde começar. – Eu gaguejava e ele riu.
- Do começo? - Respirei fundo de novo e comecei.
- Ok. Eu te odiava, . Nunca senti nada diferente de nojo. Você é prepotente, machista, estúpido, galinha, idiota... – Ele então me interrompeu.
- Nossa, me chamou aqui pra me xingar? – Sua expressão era séria.
- Não. – Eu sorri sem jeito. – Você pediu pra eu falar do começo, estou falando o que eu pensava de você.
- Então você não pensa mais isso de mim? – Ele esboçou um começo de sorriso que logo se fechou ao ouvir minha resposta.
- Mais ou menos. – Fiz uma pausa. – Para de me interromper, caramba! – E então ele voltou a rir, só que de mim. – Eu sempre te achei um babaca, principalmente quando tem outras pessoas ao nosso redor. Mas, você se mostrou outro aquele dia no elevador, ou no quarto do . Não sei explicar, talvez possa ser coisa da minha cabeça, ou eu tenha criado um na minha mente, um que nunca existiu.
Comecei a sentir minhas bochechas queimarem, eu estava morrendo de vergonha, mas já tinha começado, tinha que ir até o final. Abaixei a cabeça, tentando tomar coragem para continuar, mas segurou meu rosto com as duas mãos, levantando novamente minha cabeça. Quando olhei em seus olhos, ele sorria e se aproximava de mim lentamente e toda aquela sensação voltava. me deu um beijo apaixonado, nossas bocas se encaixaram como nunca. Estávamos tão próximos que eu conseguia sentir seus batimentos acelerados. Ele apertava minha cintura e puxava meu corpo pra mais perto dele. Se eu tinha algo pra dizer, certamente podia esperar. Eu perdia totalmente a noção toda vez que me beijava. Ainda de olhos fechados, senti me conduzir até minha cama, me empurrando para que deitasse na mesma. Após tal ato, o mesmo deitou-se por cima de mim e sem dizer nada voltou a me beijar de forma lenta e intensa. Com suas mãos abaixava as alças do meu vestido, as puxando pra baixo. E como sempre não consegui reagir, só deixei me levar por tal sensação.
Minhas mãos contornavam seus bíceps, de forma que sentisse exatamente a protuberância muscular de seus braços. Seus lábios tocavam meu pescoço, e lentamente, foi descendo seus beijos, os distribuindo até meu colo, os interrompendo para desabotoar meu sutiã. Com meu auxilio, o tirou rapidamente e então voltou sua atenção para o mesmo. Sentia seus lábios quentes tocarem meus mamilos e quase que instantaneamente, pude sentir meu corpo se arrepiar inteiro. Fechei meus olhos como resposta a tal estimulo e me entreguei inteiramente àquele momento e aquele homem. O puxei pra mim, de forma que retornou a meus lábios, me beijando.
Nossas respirações estavam ofegantes, por mais que ainda estivéssemos somente nos beijando, era algo tão intenso que se fazia impossível manter os parâmetros cardíacos e respiratórios normais. Minhas unhas passavam levemente por suas costas, distribuindo pequenos arranhões, e desta vez pude notar que seu corpo reagiu da mesma forma, com arrepios.
Sem muito pensar, abriu sua calça e a puxou pra baixo, tínhamos tanta urgência em nos sentir verdadeiramente que qualquer minuto utilizado para preliminares era quase sempre descartado. Ainda com pressa, afastou minha calcinha para o lado e sem pensar me penetrou com força. Eu estava tão excitada naquele momento que sequer senti algum incomodo ao me sentir invadida daquela forma. A única coisa que eu sentia era tesão, a única coisa que eu queria era senti-lo assim, dentro de mim. Era impossível conter meus gemidos, com era sempre assim, inusitado e maravilhoso. Ficamos por algum tempo naquela posição, com uma das mãos ele apertava de leve meu pescoço, enquanto alternava seus movimentos, ora rápido, ora devagar. E com nossos movimentos e respirações sintonizadas chegamos ao ápice. soltou seu peso sobre mim, e ali mesmo ficou se recuperando fisicamente. Nossos olhares se encontravam por todo o tempo e então ele sorriu, se aproximou e depositou um beijo lento em minha boca.
Em um suspiro eu cortei o beijo, nossas bocas ainda estavam coladas, ele me dava selinhos e eu me deixei levar:
- Eu sou apaixonada por você. – Fechei os olhos ao terminar de dizer isso. No mesmo instante senti soltar minha cintura e se afastar. Abri meus olhos novamente e fechei o sorriso ao ver a expressão de . Ele parecia surpreso com a declaração e por um instante perdido. – O que foi? – Eu me sentia confusa com aquela reação.
- Você... Não... – Agora era ele quem gaguejava.
- Por que não? – Meus olhos enchiam de lágrimas. Em um impulso levantei, buscando meu vestido para colocar.
- Porque eu não me relaciono com ninguém assim. – Ele disse quase que cuspindo as palavras.
- Não estou entendendo... – Não sei se não estava entendendo ou não queria aceitar a realidade.
- , não confunda sexo com amor. – sequer olhava meus olhos. Senti como se uma faca apunhalasse meu peito, certamente ouvir isso me machucou mais que se uma faca realmente tivesse me apunhalado. Vendo minha reação ele abriu um sorriso debochado – Jamais teria um sentimento por você. Abriu tão fácil essas pernas pra mim, isso quer dizer que é assim com todos. – Sentia minhas lágrimas caindo, eu não conseguia dizer nada, estava incrédula com tais palavras. – Você é aquele tipo de garota que a gente usa e depois joga fora. Acha que um dia eu levaria você a sério? Nem quando estava com meu irmão você o respeitou. Saiu do quarto dele e deu pra mim em seguida – Ele sorriu novamente – Agora vem com esse papo de apaixonada? – Balançou a cabeça como sinal de reprovação. Como resposta, minha mão acertou seu rosto em um tapa ardido.
- Eu tenho nojo de você. – Eu gritei, chorando histericamente.
- É uma pena, porque você de quatro fica bem gostosa. – Ele arqueou a sobrancelha e segurou meus braços quando me aproximei dele. – Ainda mais quando geme baixinho, pedindo pra eu meter mais forte. – Ele me empurrou e eu cai sentada na minha cama.
Levantei enfurecida e fui em sua direção, ele já estava de costas, certamente ia embora. Sem dizer nada, cravei minhas unhas em seu pescoço, ele virou rapidamente assustado. O arranhei com tanta força senti sua pele em minhas unhas e enormes vergões em seu pescoço.
- Você ficou louca? – Ele segurou meus dois braços e apertou com força, força o suficiente pra me deixar marcas.
- Você esta me machucando. – Eu gritei. Ele me empurrou, mas dessa vez com mais força, me fazendo cair no chão.
- Nunca mais chega perto de mim, vagabunda. – Ele gritou e saiu enfurecido, batendo a porta. Eu estava no chão, jogada e sem força alguma pra levantar. Eu chorava histericamente, a dor que eu sentia era enorme. Nunca pensei que seria capaz de fazer algo assim, nunca pensei que me apaixonaria por alguém assim. Eu estava sem rumo, não sabia o que fazer e nem pra onde ir. Eu só queria chorar até tirar toda essa dor de dentro de mim.



Capítulo 22

Já fazia um mês e alguns dias daquele dia. Dessa vez estava em casa também, mas por um motivo um pouco menos agradável. Eu estava doente, já fazia alguns dias em que eu vomitava por tudo e qualquer coisa. Estava sem disposição nenhuma, estava fraca também, provavelmente por não parar nenhum alimento no meu estômago. Consegui licença de alguns dias, benditas horas extras, se não tivesse as feito, hoje estaria fodida.
Levantei para tentar preparar algo para comer, já estava escurecendo, passei o dia inteiro na cama e sentia minha barriga roncar, precisava empurrar algo, nem que fosse uma daquelas sopinhas horríveis de caneca. Enquanto a água esquentava, fiquei olhando meu celular, que por sinal nunca esteve tão parado. Abri minha galeria e fiquei revendo minhas fotos com , já fazia tempo que ele nem respondia minhas mensagens, não me lembro de ter feito nada para que isso acontecesse, deve ter sido mais uma daquelas lavagens cerebrais que algumas garotas fazem nos namorados. O que me deixava triste, já que era meu melhor amigo.
Suspirei ao terminar de rolar as fotos, até que me assusto com uma batida na porta de entrada da cozinha, seguido de três toques longos na campainha. Soltei meu celular em cima do balcão e fui atender a porta. Ao abri-la, vi com os olhos inchados, se aproximando rapidamente de mim em um abraço. Sem entender muito, retribui o abraço, eu estava morrendo de saudades. Não disse nada, ao me abraçar, senti que ele começou a chorar, um choro preocupado, um choro desesperado. Ainda em seus braços eu sussurrei, perguntando o que estava acontecendo.
- Desculpa... Desculpa sumir assim. – Era só o que ele dizia quando paramos de nos abraçar. Fechei a porta e ainda sem entender nada me pronunciei:
- Calma, não sei o que aconteceu ou o que esta acontecendo, mas eu estou aqui. – Eu tentava acalmá-lo, o que era em vão. Segurei sua mão e o puxei até a sala, onde sentamos no sofá e de frente pra ele segurei suas duas mãos. – O que esta acontecendo, ? – Ele tentava parar de chorar, não parecia confortável em estar naquela situação na minha frente. Sabia o quanto era difícil em se emocionar ou coisas assim, então algo sério teria acontecido.
- ... O . – Ele fez uma pausa e então senti meu coração acelerar, arregalei meus olhos, mas tentei manter a calma e então ele prosseguiu. – Ele esta internado. – E voltou a chorar de cabeça baixa.
- O quê? O que aconteceu? – Eu disse me alterando.
- Ele esta doente, . É uma longa historia. E talvez consiga te explicar, mas preciso que vá comigo ao hospital. – Ele disse se acalmando.
- Ir com você? Como assim? Não estou entendendo nada, . – Eu começava a me desesperar.
- No carro eu te explico, mas ele precisa de você. E eu também. – Ele me olhou fundo nos olhos e eu assenti, não poderia deixar sozinho em um momento difícil e por mais que tivessem acontecido coisas horríveis entre mim e , eu tinha um sentimento dentro de mim, não conseguiria ficar em casa, não sabendo que ele esta doente e internado. Arrumei minhas coisas rapidamente e saímos.
No carro, ficou um tempo em silêncio até decidir se pronunciar. Mas, logo abaixou o volume do som e então começou:
- ... Eu sei de tudo. – Ele fez uma pausa para que eu dissesse algo, mas não disse, só fiquei o encarando, que prosseguiu – Eu sei da sua história com o , sei que você gosta dele e por isso me afastei e ele também.
- Oi? Agora eu estou ainda mais confusa... – Falei sem entender nada.
- Ok, vamos pelo começo. Faz pouco mais de um ano, o descobriu que estava doente. Talvez nunca soubesse, se não tivesse parado no hospital com começo de overdose. – Ele fez uma pausa por lembrar-se do dia. – Era aniversário dele e como sempre exageramos um pouco na festa... Tive que levá-lo ao hospital, pois ele perdeu a consciência e por ter misturado muitos tipos de drogas e álcool, pensei que seria melhor levá-lo ao médico. – fez mais uma pausa e respirou fundo. – Acontece que pedi ao doutor que fizesse um check-up completo nele, já que estava ali, gostaria de saber se estava com tudo em ordem, sempre foi muito negligente com sua saúde. – Ficou silêncio e o celular de vibrou, a tela do mesmo acendeu e nela tinha escrito “02 chamadas perdidas de Antonela”.
- Acho que sua namorada esta tentando falar com você. – Alertei sobre as chamadas.
- Antonela é assunto para depois. – Ele disse sem muita paciência. – Voltando ao assunto, fizeram os exames e em um deles constatou que ele tem um tumor no fígado. Fomos orientados que a solução mais eficaz seria a quimioterapia, que diminuiria em grande parte o problema. Não vou saber te explicar essa parte técnica, mesmo porque já faz um tempo que descobrimos e que me explicaram...
- E o não fez a quimioterapia?
- Não, disse que nunca planejou viver mais que 50 anos, que se fosse pra morrer, morreria assim. – parecia chateado pela escolha do irmão. – E depois disso ele virou outra pessoa, .
- Como o é egoísta, como ele pode fazer isso? Ele tem uma família, se ele não liga pra saúde, tinha que saber que muitos se importam. – Eu estava indignada com aquilo.
- E ele sabe, mas não adianta... Nossa mãe já fez de tudo para que ele mudasse de ideia, pra você ter ideia, eu me ofereci pra raspar o cabelo junto com ele. - abriu um sorriso inocente no rosto. - Mas ele nunca quis saber, desde que descobriu a doença tudo que ele faz é afastar dele quem se importa. Inclusive você, . – olhou rapidamente para mim ao terminar de falar, voltando novamente a atenção ao trânsito.
- Oi? O que eu tenho a ver com essa historia? – Arqueei a sobrancelha.
- O é pirado em você. – Ele disse com convicção e eu logo rebati.
- Você tem certeza que sabe mesmo de toda a história?
- Sim, eu sei. Você disse que era apaixonada por ele, ele me contou depois de muito eu insistir em querer saber o que eram aqueles arranhões em seu rosto e pescoço. – Ele riu ao se lembrar. – Ele não queria se envolver com ninguém e não queria que você se apegasse a ele, por isso disse coisas horríveis a você. acha que sendo daquele jeito, faz com que todos se mantenham longe. – Ele suspirou e eu então tentei associar tudo aquilo.
- Ok, então está me dizendo que me trata como uma vagabunda por que gosta de mim? Ele não poderia ser homem o bastante pra me contar a historia real? não pode decidir por quem eu me apaixono ou não. – Não sabia o que estava sentindo, eu amava , da mesma forma que o odiava.
- Tente entender o lado dele, . Ou pelo menos tente não xingá-lo agora quando chegarmos ao hospital. – me pediu.
- Se ele não me quer por perto, por que estou indo visitá-lo?
- Porque a doença dele é terminal, . Ele passou muito mal esses últimos dias por conta da imunidade baixa, isso agravou a situação e... – ficou em silêncio, tínhamos acabado de chegar ao estacionamento do hospital, ele posicionava o carro na vaga e ao estacionar eu questionei:
- E...?
- E nós não sabemos quanto tempo de vida ele tem. – Conseguia sentir o quanto foi dolorido para dizer tais palavras. Podia sentir o impacto que foi ouvir aquilo. Em pouco mais de uma hora minha vida tinha mudado completamente. Estava indo visitar aquele pelo qual me declarei, que segundo também me amava, mas que não queria se envolver por conta de sua doença terminal. Eu estava tão em choque com aquilo tudo que não conseguia reagir, não conseguia dizer nada. colocou a mão na minha perna, o que me fez acordar do transe e olhar para ele com o mesmo olhar que ele me olhava: tristeza e preocupação.



Capítulo 23

Subimos ao andar em que estava internado, ao chegar à sala de espera não tinha ninguém, além de mim e de . Questionei sobre os pais deles, me disse que estavam a caminho, chegariam o mais tardar ao amanhecer.
- Eu posso vê-lo? – Perguntei ao que assentiu, dizendo somente que eu deveria aguardar alguns minutos para a liberação de visitante.
Coloquei a roupa adequada, higienizei as mãos como orientado e entrei na ala em que se encontrava. Não poderia entrar de qualquer jeito, sua imunidade já estava muito baixa e qualquer bactéria trazida de fora poderia trazer um agravo ainda maior. Ele estava dormindo, mas logo acordaria para o jantar e medicação do horário. Sentei ao canto da cama e fiquei o observando, por um instante segurei sua mão e a acariciei. Não conseguia sentir raiva, só sentia dor, tentava engolir meu choro, não queria que ele acordasse e me visse chorando. Levantei para encostar a janela, estava entreaberta e o vento que batia estava um pouco gelado. Quando virei às costas ouvi uma voz grossa, porém fraca dizendo:
- O que você esta fazendo aqui? – Virei em sua direção assustada e abri um sorriso meio besta.
- Vim ver como você esta. – Fui me aproximando dele novamente e sentei onde estava.
- E quem te chamou? – Sua voz aos poucos já ia voltando ao normal. Estava rouco só por ter acabado de acordar.
- Seu irmão... – Rolei os olhos. – Não precisa fazer o machão, já me contou tudo. – Eu sorri fraco e em seguida ele me questionou:
- Mas eu não quero você aqui. – se mantinha sério e de certa forma constrangido por eu estar vendo ele naquela situação.
- Eu não estou fazendo isso só por você. – O encarei firmemente. – Estou fazendo isso por nós.
- Independente do que meu irmão tenha dito pra você, depois de tudo que eu te fiz, você deveria mais é querer minha morte. – Ele parecia sem jeito.
- Isso se eu não me importasse com você. – Segurei sua mão, que hesitou em mantê-la sob a minha. – Acho que você poderia deixar seu orgulho do lado de fora desse quarto, assim como eu deixei o meu. Não sabe o quanto esta sendo difícil estar aqui. – Respirei fundo e o encarei.
- Só não queria que você passasse por isso. – Ele olhou em volta. – Eu não quero trazer sentimentos ruins pra ninguém, . Essa doença é só minha e se tem que afetar a alguém, esse alguém sou eu, não você, meu irmão, meus pais...
- Mas isso é impossível... É impossível não ter a preocupação daqueles que te amam como nós te amamos. – Eu disse sem perceber que estava me “declarando” novamente, ao terminar a frase notei o que tinha dito, senti minhas bochechas queimarem e sorriu pra mim, talvez com o sorriso mais besta que eu já tenha visto se esboçar naquele rosto.
- Eu não tenho dormido sem auxílio de medicações, só penso no dia em que tudo isso vai acabar. Pra mim vai ser um alívio, mas e pra vocês? Eu não posso, eu não posso te fazer mal, . – Ele falava triste.
- Pensasse isso antes de ter entrado na minha vida. – Eu sorri meio sem jeito. – Nem você e nem eu temos culpa do que aconteceu. Talvez você tenha um pouquinho, por nunca ter permitido sentir esse sentimento. – Senti meus olhos se enchendo de lágrimas. – Não sei quanto tempo nos resta, não estou me referindo a sua doença. E sim ao fato de não sabermos o dia de amanhã, . Talvez eu possa sofrer um acidente e morrer, por que não? – Ele sorriu com meu discurso. – Não me interessa o que aconteceu, me interessa ficar com você, cuidar de você... Eu amo você. – As lágrimas já escorriam a essas horas e então aproximou sua mão de meu rosto, secando minhas lágrimas.
- Vem cá. – Abriu os braços e então fui imediatamente ao seu abraço. Ele acariciou meus cabelos enquanto nos abraçávamos e sussurrou em meu ouvido – Você sempre vai ser a minha garota preferida. – Ao dizer isso sorriu, com dificuldade, pois viu minha expressão ao sair do abraço. – Eu estou brincando, meu amor, eu amo você! – Ele sorriu, mas agora o melhor dos sorrisos, aquele primeiro sorriso que me hipnotizou. O enchi de selinhos. Eu esperei tanto por aquele momento, mas não posso dizer que estava inteiramente feliz, porque esperava que fossem em circunstâncias melhores.
Passei a noite no hospital com . Vez ou outra trocava com , já que ele estava internado em uma ala que só permitia um visitante por vez. Acabei ficando o restante da madrugada com , porém, sentada em uma poltrona ao lado da cama. O esperei adormecer, os remédios eram quase sempre sedativos, pois ele sentia muita dor e por esse motivo, as medicações quase sempre induziam ao sono. Já era quase de manhã, quando deixei um recado para e voltei para casa. Avisei que iria tomar um banho, trocar de roupas e voltaria ao hospital mais tardar após o almoço.
Cheguei em casa e ao entrar me deparei com meu irmão na cozinha, ele estava comendo pizza, sim, essa hora comendo pizza. Fechei a porta e fui até ele dar um beijo em seu rosto. De boca cheia ele me perguntou:
- Quer? – Ofereceu. Estava morrendo de fome. Olhei para o prato dele, era minha pizza preferida e eu estava sem comer desde ontem, já que de madrugada eu tomei somente um capuccino, acho que isso não pode ser considerado uma refeição.
- Obviamente que sim. – Sorri, dei um beijo nele e fui pegar um prato e um copo pra mim.
- Onde estava? Liguei para você algumas vezes de madrugada, achei que estava com alguém... Mas não esta com cara de quem estava em um encontro. – Ele arqueou a sobrancelha e eu sorri.
- Estava no hospital... Longa história. – Sentei ao lado dele com uma latinha de cerveja e peguei um pedaço de pizza.
- Hospital? Está tudo bem? – Ele perguntou preocupado.
- Comigo esta. – Respirei fundo e comecei a contar a história para Diego. Tentei segurar as lágrimas e logo perdi o apetite.
- Você não pode ficar sem comer, . – Diego falou ao perceber que tinha parado de comer. – Você vem se alimentando muito mal e não pode ficar assim, se não sua imunidade vai diminuir ainda mais e... – E eu deixei meu irmão falando, levantei e corri para o banheiro mais próximo. Puta que pariu, que enjoo. Vomitei o pouco que tinha acabado de comer. Diego veio atrás de mim preocupado e parou no batente da porta ao me ver ajoelhada em frente ao vaso vomitando. – ? – Levantei uns instantes depois, indo até a pia para escovar meus dentes e jogar uma água no rosto. Eu começava a me preocupar, se nem pizza eu conseguia comer, o que mais eu comeria? Nada parava no meu estômago. Olhei para meu irmão, que aos poucos foi ficando embaçado, virou dois e depois tudo escureceu.
Acordei em um lugar que eu não sabia ao certo onde era. Olhei para o lado, ainda estava com a visão um pouco embaçada, e era meu irmão quem estava ali. Junto com alguém com um uniforme que eu já vi antes, mas não conseguia identificar, eu estava com a cabeça explodindo e meu braço tinha um acesso, aquilo parecia soro, sei lá o que era aquilo.
- O que esta acontecendo? – Perguntei pra Diego, confusa.
- Estamos na emergência do hospital. Você desmaiou e eu te trouxe para o médico. – Ele respondeu se aproximando de mim.
- Que exagero, Diego... Eu preciso visitar o e...
- Nada disso... Você precisa estar bem para depois fazer qualquer coisa, . Esta há vários dias sem comer. Só acordou porque já colocaram soro em você, está em observação até segunda ordem.
- Mas eu não quero ficar aqui. – Falei tentando sentar, mas sentia minha cabeça pesada. Então a pessoa ao lado de Diego, que era um enfermeiro, interferiu.
- A senhora precisa manter a calma. Já foi medicada e precisa aguardar a visita do médico, ele irá te examinar e dizer qual o próximo procedimento. Mas, é bem provável que ele peça alguns exames.
- E que horas esse médico passa? – Foi eu terminar de perguntar que um senhor com um estetoscópio pendurado no pescoço entrou na sala. – Você é o médico?
- Sim, sou eu. Boa Tarde. – Ele se aproximou, não disse muitas coisas, me examinou, anotou algumas coisas e finalmente disse algo. – Tem alguns exames que vou pedir para fazer e se tudo se sair como o esperado, até o final do dia terá alta.
- Exames? Quais exames? Final do dia? Mas, doutor, falta muito tempo. – Enchi o médico de perguntas, olhei no relógio da parede, ainda marcava 14h10min. Não podia ficar ali, tinha que ir ficar com .
- Tenha calma, daqui a pouco os exames serão feitos. Tenham uma boa tarde. – O doutor concluiu e saiu da sala, deixando somente Diego em minha companhia.


Capítulo 24

Minha alta só foi liberada no dia seguinte, junto com o resultado de meus exames. Tinha feito um hemograma, glicemia e um tal de beta hcg, não sei ao certo pra quê, deve ser pra saber se eu estou bem. Tomei um banho no hospital mesmo e vesti a roupa que Diego trouxe pra mim. Ele prometeu que me deixaria onde estava assim que saíssemos daqui. Já estávamos no carro, eu ainda não tinha aberto meus exames, mesmo porque não tinha nada que eu tivesse que me preocupar.
- Não vai ver os exames? – Meu irmão perguntou, dando partida no carro.
- Acho que não tem porque, eu também não vou entender nada. – Respondi rindo, colocando o cinto de segurança.
- Abre. – Ele insistiu.
- Curioso. – Eu ri e então decidi abrir o envelope com meus exames dentro. Diferente do que imaginei, ao lado do resultado de cada exame tinha o valor de referência e o que cada um indicava. Hemograma e Glicemia ok, Beta HCG acima de 45 mIU/ml. Mas o que diabos isso significa? Google está aí pra isso, não é mesmo?
Oi? Não acredito nisso que eu estou lendo... Gravidez? Esse exame era para ver se eu estava... Grávida? Segundo o valor de referência, eu estava gravidíssima. Meu. Deus. Do. Céu... Engoli a seco naquele momento e fiquei encarando o exame, com medo de realmente ser verdade.
- E aí. O que tem ai dentro? – Diego perguntou e eu fiquei em silêncio. Ele olhou pra mim, que me mantinha paralisada. – ?
- Meu. Não. Sério. Não. – Fechei o envelope novamente.
- O que foi? – Ele começava a se preocupar, era nítido.
- Um exame de gravidez. – Foi só o que falei. Diego arregalou os olhos, mas ficou em silêncio por alguns instantes. – Eu não estou grávida, Diego... Eu não... Eu não posso estar grávida. – Terminei a frase e senti meus olhos enchendo de lágrimas.
- ... Calma. – Diego estacionou o carro em uma vaga da padaria mais próxima. – Está grávida ou não?
- Não, Diego. – Eu gritei. – Que porra, por que tudo tem que acontecer bem agora? – Me coloquei em prantos. Diego me abraçou, me consolando. Fiquei algum tempo em silêncio chorando, não tinha a menor ideia do que fazer da minha vida de agora em diante.
- Calma... Você não esta sozinha. – Era só o que Diego falava enquanto tentava me acalmar.
- Diego, acorda... Eu estou grávida, tem ideia disso? – Eu gritava – Sabe o que é pior? Saber que o meu filho não vai ter um pai. – Voltei a chorar desesperadamente.
- Não pensa assim, nós não sabemos o dia de amanhã e...
- Cala a boca, Diego... Você não viu como o esta pra falar isso. Ele esta definhando em uma cama. Cada dia que passa piora mais, vive a base de sedativos. Tem ideia disso? – Eu soluçava. – Ele pode viver por mais um ano, como pode morrer agora mesmo.
Diego não tentou mais me consolar, ele sabia que não tinha muito que dizer ou o que fazer. Era uma situação muito complicada e agora não era o momento certo para tomar decisões. Eu estava completamente arrasada e precisava me sentir bem de alguma forma. Meu irmão queria que eu fosse pra casa, dizia que eu precisava descansar, mas eu precisava voltar ao hospital, não podia mais ficar longe de . Estava quase 24 horas sem notícias, já que meu celular estava sem bateria. Depois de muito insistir, Di me deixou no hospital em que estava internado e foi embora.
- ... – Falei assim que entrei na sala de espera em que costumava ficar. Ele levantou e veio me cumprimentar. – Desculpe, acabaram acontecendo uns imprevistos. – Comecei a explicar tudo que houve, tirando a parte da gravidez e parecia aéreo demais pra dizer qualquer coisa. – O que foi? Esta tudo bem?
- Na medida do possível, . – Ele respirou fundo. – Ontem pela madrugada meu irmão teve uma piora muito grande, não entendi direito o que ele teve. Mas os intervalos de medicação estão ainda menores, ele quase não se mantém acordado, esta sentindo muitas dores... Não sei quanto tempo ele ainda tem. – Os olhos de estavam inchados, carregados, suas olheiras eram enormes. Era nítido o quanto já tinha chorado e o quanto estava sem dormir. Ao ouvir a atualização sobre o quadro de , senti um aperto enorme no peito. Eu estava tão em choque, com tanto medo, que minhas lágrimas não conseguiam sair, a única coisa que eu queria, era que me dissessem que aquilo era um pesadelo. E que logo eu iria acordar.
- , sei que não é hora... Mas, eu preciso te contar uma coisa. – Eu disse, por mais que não quisesse falar sobre o assunto, não podia mais esconder. Ele me olhou nos olhos e ficou esperando que eu dissesse algo. Antes de dar a notícia, respirei fundo. – Eu estou grávida!
- Você... Você o quê? – arregalou os olhos. – Tem certeza disso?
- Sim... – Abaixei a cabeça. – Não sei o que fazer. Já pensei até em abortar e não contar nada para ninguém, mas...
- Você esta louca? – Ele alterou o tom de voz. – Jamais deixaria você fazer isso. – Fez uma pausa. – Sei que vai ser difícil, . Mas, você tem a mim e a toda minha família. – Ele se aproximou e me abraçou. – Jamais vai se sentir sozinha. – E por fim beijou minha testa.
- E quanto ao ? Não sei qual seria sua reação. – Disse preocupada.
- Não pode esconder isso, . Acredito que será uma noticia difícil, mas conheço meu irmão, ele vai ficar feliz. – tentava me encorajar. Mas nossa conversa foi interrompida por uma enfermeira. Ela vinha até nós dizer que a visita já estava liberada.
Entrei no quarto em que estava internado. A principio, fiquei um pouco impressionada com o que via, ele utilizava sondas e um aparelho de oxigênio para ajudar em sua respiração. Sua pele estava muito pálida e seus olhos estavam marcados por olheiras enormes. Estava muito preocupada. tinha degradado muito nas ultimas horas e eu sabia que não lhe restava muito tempo. Segurei as lágrimas que agora insistiam em querer cair. Aquela cena estava realmente muito pesada pra mim. Ele estava acordado, mas parecia bem fraco. Ao me ver, consegui notar um esboço de sorriso em seu rosto. Fui me aproximando cautelosamente, sentei na pontinha da cama ao seu lado, segurei uma de suas mãos e então sorri de volta.
- Oi, meu amor. – Dei um beijo em sua mão.
- Senti sua falta. – Foi só o que ele disse, com uma voz fraca. Conseguia perceber a dificuldade em que tinha pra dizer qualquer coisa, lhe faltava ar a maioria das vezes.
- Aconteceram algumas coisinhas, mas agora não vou sair mais daqui, até irmos juntos pra casa. – Respondi e uma lágrima teimosa escorreu do meu rosto.
- Você ta bem? – Ele tossiu.
- Estamos. – Respondi e coloquei a mão na barriga sorrindo pra ele. ficou algum tempo me observando e tentando entender o que eu queria dizer com aquilo. – Não queria dizer nessas circunstâncias, ... Mas, eu estou grávida. – Outra lágrima escorreu. arregalou seus olhos e pude ver através da máscara que ele sorria. Ficou alguns instantes com seu lindo sorriso estampado, mas logo o fechou. – Não gostou? Vem vindo um mini . – Eu tentava tornar aquilo o menos triste possível.
- Vou ser pai... Mas, não vou conhecer meu filho. – Ele continuava de cabeça baixa.
- Não, meu amor. Não pense assim. – As lágrimas continuavam caindo. – Pense que foi um presente. Não se entregue assim, você vai melhorar. – Eu me aproximava dele, o abraçando.
- Tive uma noite difícil, pensei que nem acordaria hoje. Você não tinha que passar por isso, ... Não tinha...
- Nem sempre as coisas acontecem da forma com que planejamos, mas se estou grávida é porque tinha que estar, se vou ser mãe é porque você tinha que ser o pai. E vai dar certo, nós vamos juntos para casa, meu amor. – Ele ficou em silêncio, acredito que por exaustão e não falta de argumentos. Fiquei ao seu lado fazendo carinho em sua mão.
Instantes depois entrou a equipe de enfermagem do setor dizendo que estava no horário do banho de , que devido ao número de aparelhos acoplados, seria no leito. Então decidi esperar ao lado de fora do quarto, pois sei o quanto aquilo seria desconfortável para . Após seu banho, voltei para o seu lado. Fui informada de que em breve a visita terminaria. De qualquer forma eu já iria sair, era nítida a expressão de cansaço esboçada por .
- Não irei pra casa, vou ficar aqui até a visita ser liberada de novo. Prometo. – Falei enquanto me levantava, aprontando-me para sair do quarto.
- Não, ... Você precisa descansar. Eu não posso cuidar do meu filho, mas você sim. – Ele respondeu sério. – Volta amanhã, não vai te ajudar nada dormir em uma sala de espera de um hospital. – Fiz uma pausa antes de responder e contra minha vontade concordei.
- Tudo bem... Não quero ficar longe de você, mas você tem razão.
- É meu maior defeito. – Ele riu e eu fiz cara de interrogação. – Sempre ter razão. – Completou. Balancei a cabeça negativamente, rindo junto com ele.
- Eu te amo. Senhor da razão! – Me aproximei e roubei um selinho, algo bem trabalhoso, visto que ele usava uma mascara de oxigênio.
- Também te amo. – limitou-se em responder. Sorrimos fraco um pro outro e então sai do quarto.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.





Nota da beta: Tadinho, nossa doeu até a alma ler essa atualização Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


comments powered by Disqus