Uma Noite no Grand

Finalizada em: 12/04/2025

Capítulo Único

Consegui escapar pelas escadas laterais enquanto o DJ anunciava que todos os convidados haviam sido convocados para a pista de dança. Assim que consegui sair, senti o vento gelado de junho e agradeci por isso. Estava me sentindo sufocada — eram tantas perguntas, tantos sorrisos falsos, tantas fotos, que eu já não conseguia mais mover um músculo do meu rosto.
Desci as escadas e segui em direção à saída do enorme salão de festas, finalmente chegando à calçada movimentada. Caminhei alguns metros até encontrar um lugar seguro para chamar um Uber. Me recusei a ficar parada na entrada do salão, enquanto os convidados me encaravam curiosos, prontos para me tornar mais uma pauta de fofoca.
Catharina que me perdoasse, mas eu não estava no clima de comemorar o amor. Nem hoje, nem naquele ano. Era ridículo pensar que eu tinha me produzido inteira, com o cabelo em coque chiquérrimo no alto, maquiagem escura e esfumada, e aquele vestido que, com certeza, deixaria qualquer homem de pau duro... mas eu tive que ir sozinha ao casamento da minha prima.
Enrico foi bem categórico ao dizer que não poderia me acompanhar. Tinha uma competição de videogame importante. Sim, meu namorado preferiu ficar jogando com os amigos ao invés de me acompanhar a um evento de família.
Aquilo era o auge da humilhação.
Se não bastasse a humilhação de ir sozinha, ainda tinha que aguentar a família toda perguntando sobre ele e inventando uma mentira que fosse ao menos um pouco plausível, sendo que a verdade era ridícula demais para ser contada.
Mas o fim para mim, foi o olhar do meu pai, sempre que alguém me perguntava sobre ele... O olhar que dizia: "Por Deus, minha filha, por que ainda se prende a esse homem?". Era por causa dos cinco anos, só isso. Eu ainda estava ali, com ele, por causa de cinco anos.
Havia dado toda a minha juventude a Enrico, e agora parecia impossível mandá-lo embora e começar de novo. Na verdade, a ideia de começar de novo parecia exaustiva. Nunca fui boa com relacionamentos, nunca soube flertar. Quando Enrico chegou, pensei que nunca mais precisaria lidar com isso.
Bem, não preciso enfrentar isso nunca mais... mas também não transo, não faço programas de casais, não rio... Não vivo.
Quando finalmente encontrei um lugar movimentado e bem iluminado, parei de andar. Meus pés, já doloridos por causa do salto finíssimo, me agradeceram. Antes que eu pudesse abrir o aplicativo para chamar o Uber, ouvi um leve coçar de garganta e então:
— Senhorita?
Antes que eu pudesse responder, um homem na faixa dos seus cinquenta anos estava segurando a porta de um grande hotel, que eu havia parado em frente sem perceber.
Provavelmente, ele me confundiu com uma das hóspedes do imponente The Aureum Grand. Sorri fracamente e aceitei o gesto, entrando no hotel. Primeiro, porque seria constrangedor dizer que eu não era hóspede. Segundo, porque meus pés estavam prestes a me matar se eu andasse mais alguns minutos na calçada de paralelepípedos. E terceiro... sempre quis conhecer o grande hotel de luxo que abrigava os magnatas da cidade.
E realmente... era luxo.
O saguão era imenso, diferente de todos os hotéis que eu já havia visto. A decoração era clean, mas com detalhes em dourado. O ponto alto era um piano enorme no canto esquerdo, tocando suavemente para entreter os hóspedes.
Enquanto admirava a decoração, um casal de meia-idade passou por mim. Ouvi o homem dizer que daria tempo para tomarem uma bebida no bar. Antes que eu pudesse seguir o olhar deles, um homem mais jovem, usando o uniforme, se aproximou de mim com um sorriso educado.
Pronto, agora seria a hora de eu ser expulsa?
— Senhorita, posso ajudar?
— Ah, oi... Eu... eu me perdi. Marquei de encontrar alguns amigos no bar, poderia me levar até lá?
Menti na cara dura. Nunca mais teria chance de voltar ao The Aureum, então aproveitaria cada segundo. Mesmo que tivesse que pagar dez vezes mais por um drink qualquer.
— Claro, por favor, me acompanhe. — Ele respondeu, me levando até um corredor afastado e chegando em uma porta de vidro. — Aproveite.
Com um sorriso, ele se afastou, enquanto outro homem abriu a porta para mim. Desde que cheguei ali, não precisei usar as mãos para absolutamente nada. Será que era assim que as pessoas ricas viviam? Sempre esperando que alguém abrisse as portas para elas?
— Senhorita? — O homem que estava na recepção do bar me chamou, esperando minha resposta.
— Perdão, o que disse?
— Perguntei se a senhorita tem reserva ou se vai ficar apenas no balcão.
— No balcão, por gentileza.
Ele sorriu educadamente e liberou minha passagem para que eu me acomodasse em um dos bancos acolchoados. E, sinceramente, esse banco parecia valer mais que meu sofá retrátil.
Quando o barman se aproximou, fui bem sincera, dizendo que não fazia ideia do que pedir. Ele recomendou o Old Fashioned. Aceitei. Por que não? Se iria acabar com as minhas economias, que seja com algo novo e diferente.
Com o drink em mãos, comecei a refletir. Em que momento minha vida saiu tanto dos trilhos? Quando deixei de realizar meus sonhos? Por que, quando a pessoa ao meu lado dizia que não podia fazer o que eu queria, eu simplesmente parava e não seguia sozinha?
Não sabia o que o futuro reservava para mim e Enrico, mas... Na verdade, sabia muito bem. Um término. Era isso que eu e Vivienne vínhamos trabalhando nas minhas sessões de terapia. Ela foi bem objetiva ao dizer que, ou eu terminava de vez com Enrico, ou estaria condenada à infelicidade para sempre.
Mas então... por que eu simplesmente não conseguia dar um fim nisso?
Entendia que Enrico tinha sido uma parte importante da minha vida. Não só de coisas ruins era feito o nosso relacionamento. Mas, nos últimos meses — quase um ano — eu tinha mais motivos para reclamar dele do que para agradecer.
E um desses motivos era que nossa última conversa tinha sido às 13h45, e agora, eram 22:56, e ele ainda não havia me mandado uma mensagem perguntando como foi a cerimônia, ou como estava o casamento, ou até mesmo se eu estava me divertindo.
Por que ainda sentia empatia por um homem que não movia um dedo para me ver feliz?
— Dia difícil? — Uma voz me tirou dos meus devaneios. Olhei para a figura de um homem que estava sentado a dois bancos de distância de mim.
Ele devia ter a mesma idade do meu pai, mas usava um terno muito bem ajustado, seus cabelos pretos, ligeiramente mais longos, estavam impecavelmente alinhados para trás. Ele era muito... bonito.
— Ano difícil. — Respondi, enquanto ele levantava o copo de cor âmbar, fazendo um brinde silencioso. Eu o imitei.
Ele não disse mais nada, e eu também não. Terminei minha bebida e abri o aplicativo do Uber, dessa vez pronta para ir para casa.
— Achei que você merecia algo mais... sofisticado. — O homem disse, me fazendo voltar a encará-lo e perceber uma taça de French 75 à minha frente. O olhei, confusa.
— Obrigada, mas... — Comecei a falar, tentando encontrar uma maneira educada de dizer que eu não tinha mais dinheiro para outro drink, e se pedisse mais algum, com certeza teria que voltar para casa a pé.
Mas ele simplesmente levantou a mão, me interrompendo.
— Por minha conta, como um desejo de que o seu ano seja melhor.
— Muito obrigada, então. — Respondi, sabendo que aceitar aquele drink também significava aceitar sua aproximação.
Mas, para minha surpresa, ele não forçou uma aproximação. Na verdade, não disse mais nada e nem sequer se sentou ao meu lado, puxando conversa.
Meu Deus... Será que eu parecia tão deprimida que um estranho começou a me pagar bebidas para impedir que eu chorasse, ou sei lá o que?
O encarei discretamente. Ele estava mexendo no celular de forma descontraída. Fiquei observando suas mãos, mas não vi sinal de aliança — o que não queria dizer muita coisa, já que eu mesma não usava mais. Suas mãos eram grandes, e sua postura exalava aquela energia de homem... daqueles que seriam capazes de te jogar contra a parede e fazer loucuras.
Merda.
Balancei a cabeça, tentando afastar os pensamentos impróprios que começavam a tomar conta, graças à bebida. Definitivamente, ela já estava fazendo efeito, principalmente porque a única coisa no meu estômago eram salgadinhos de festa.
Terminei de beber as últimas gotas do meu French 75 e abri o aplicativo novamente, pedindo ao barman para me trazer a conta.
— Já vai? — O homem perguntou, me fazendo sorrir de leve.
Ok, acho que era hora de ser honesta.
— Está ficando tarde, logo o Uber entra em preço dinâmico e eu não vou conseguir voltar para casa.
Sim, homem misterioso, eu não tenho poder aquisitivo nem para passar pela entrada do prédio onde você está hospedado.
— Isso não é problema. Meu motorista pode te levar. — Ele disse, simplesmente, erguendo a mão e chamando a atenção do garçom. — Ela vai querer experimentar o The Aureum Grand.
— Você sempre paga bebidas para mulheres desconhecidas no bar? — Perguntei, ainda ponderando se deveria sair correndo ou continuar usufruindo da companhia do homem rico que estava me oferecendo drinks deliciosos de graça.
— Sempre não, mas aprecio uma boa companhia.
Ele disse simplesmente, fazendo os pelos da minha nuca se arrepiarem com o tom rouco e grave de sua voz.
Será que era muita loucura ficar e continuar aceitando drinks de um desconhecido?
Sim, era! Meu bom senso me lembrou.
Suspirei, terminei de pagar a conta e me levantei.
— Infelizmente, eu realmente preciso ir.
Antes que eu pudesse dar mais do que dois passos, senti sua mão segurar meu braço. Não de forma agressiva, apenas para chamar minha atenção.
— Escuta, se você for embora agora, o pobre do barman vai precisar jogar esse drink fora. Você não quer que ele desperdice tantos ingredientes bons, quer?
Não, eu não queria. Mas, para ser sincera, nem consegui entender direito o que ele estava dizendo, porque o simples toque da pele dele na minha fez meu corpo inteiro se arrepiar.
— Vamos fazer o seguinte: você termina sua bebida com calma e, se o seu Uber entrar em preço dinâmico, eu pago.
Meu bom senso gritava para eu ir embora o mais rápido possível, mas meu corpo se recusava a obedecer. De alguma forma, eu queria muito ficar na companhia daquele homem misterioso.
— Fico… se me disser seu nome.
Ele sorriu de canto, fez um gesto para que eu me sentasse e finalmente soltou meu braço.
O barman, por sua vez, não colocou a bebida no lugar onde eu estava antes, e sim no banco ao lado do homem.
. — Ele disse simplesmente, enquanto eu me sentava ao seu lado. — Na verdade, meu nome é , mas todos os meus amigos me chamam de .
— Somos amigos agora? — Perguntei, levando o copo aos lábios.
— Espero que sim. — Ele piscou para mim, e eu senti minhas coxas se contraírem imediatamente.
não era um velho tarado, como eu imaginei no início. Na verdade, ele era incrivelmente fácil de conversar. Eu já sabia que ele era empresário e que adorava viajar. Tanto que, amanhã à tarde, estaria indo para a África fazer um safári com os amigos… simples assim.
Ele não me olhou com segundas intenções nenhuma vez, o que foi um pouco decepcionante. Sentimento que fiz questão de ignorar.
O drink que ele havia me oferecido acabou se tornando mais dois. E, depois de uma ida ao banheiro, onde conferi meu celular e percebi que ainda não havia nenhuma mensagem de Enrico, decidi que não me importava em voltar ao bar e continuar curtindo a companhia de .
E daí que já era quase meia-noite e meia? Eu não tinha hora para chegar em casa e, pela primeira vez em muito tempo, estava relaxando.
— Mas me conta, como veio parar aqui?
— Sempre quis conhecer o interior do The Aureum, então me permiti melhorar a experiência. — Levantei a taça, para ilustrar o que eu queria dizer.
— Então você se arrumou toda só para tomar uma bebida em um hotel? — Ele arqueou as sobrancelhas, e minhas bochechas pegaram fogo.
— Acha muito ridículo?
— Não, mas acho que tem mais história nisso tudo. Digo, não é novidade ver uma mulher bonita no bar esperando que um homem se aproxime para que ela possa “fisgá-lo”. Mas você não parece ser esse tipo.
Ótimo. Agora eu não sabia se devia ficar aliviada por não parecer interesseira ou ofendida por não ser gostosa o suficiente para ser do job.
— Estava no casamento da minha prima. — Soltei, achando melhor ser sincera. — A festa estava acontecendo a poucos metros daqui, mas eu me sentia sufocada. Não aguentava mais ouvir perguntas sobre minha carreira ou, pior, sobre quando seria o meu casamento.
— Então você fugiu.
— Fugi. E, quando percebi, já estava no saguão do hotel, sendo guiada até o bar.
riu de verdade, me fazendo encará-lo sem entender a piada. Até ele brindar seu copo no meu e dizer:
— Um brinde a fazer o que realmente queremos, e não o que as pessoas esperam da gente.
Sorri, achando graça da situação. Continuamos conversando sobre suas viagens e sobre minha vontade de conhecer o mundo — apesar de nunca ter saído do estado. Quando ele perguntou por quê, não tive coragem de mencionar Enrico. A noite estava boa demais para trazer esse assunto à tona.
Em determinado momento, pediu uma burrata para nós. No fundo, eu sabia que ele estava consciente de que estávamos prestes a ficar muito bêbados e que um pouco de comida ajudaria.
Na verdade, ele estava prestes a ficar bêbado. Eu já estava. O que me salvava era o fato de Jeff — o barman — sempre me servir um copo d’água depois do drink. Se não fosse por isso, eu já teria subido no balcão e começado a cantar Girls Just Wanna Have Fun, sendo expulsa logo em seguida.
Depois de muitas conversas e uma burrata bem aproveitada, olhei para a tela do celular e vi que já passava de uma hora da manhã.
Soltei um longo suspiro. Eu precisava ir embora, ou seria quase impossível encontrar um motorista disposto a me levar para casa. E, por mais que eu estivesse adorando a companhia de , aceitar a carona de seu motorista parecia um risco que eu não queria correr.
— Preciso ir. — Avisei, decepcionada.
— Você quer ir?
— Eu preciso ir.
Torci para que ele não insistisse na ideia do motorista, porque, sinceramente, eu não teria um bom argumento para recusar depois de ter aceitado bebidas de graça.
— Pensei que hoje era sobre fazer o que queremos fazer.
Ele disse simplesmente, dando de ombros, me desafiando de forma sutil.
— E o que você quer fazer? — O desafiei de volta.
se virou para mim. Eu já estava de pé ao seu lado, pronta para ir embora. Mas, então, ele abriu um sorriso sedutor, seus olhos brilhando em chamas, e disse simplesmente:
— Te levar para o meu quarto e te foder até o amanhecer.
Pisquei algumas vezes, tentando processar o que ele acabara de dizer. Quando finalmente entendi, arregalei os olhos em pânico e procurei Jeff, rezando para que ele não tivesse ouvido nada daquilo. Por sorte, ele estava ocupado atendendo um grupo de três rapazes do outro lado do bar.
Meu Deus, aquilo era loucura. Como ele podia falar algo assim e simplesmente continuar bebendo, como se tivesse comentado sobre a previsão do tempo? E pior, por que minhas pernas pareciam gelatina e minha parte íntima estava... comemorando?
Porra, eu tinha namorado. O que eu estava fazendo ali?
Abri a boca para agradecer o convite — se é que aquilo tinha sido um convite —, mas as palavras que saíram foram completamente diferentes do que minha mente havia planejado.
— Então por que ainda estamos aqui?
O sorriso convencido que ele deu foi a resposta. largou o copo com o restante da bebida, se levantou e pegou minha mão, lançando um olhar para Jeff antes de me guiar para fora do restaurante.
Ao passarmos pela recepção, as duas atendentes, impecavelmente vestidas, fizeram o mesmo gesto de cabeça que Jeff havia feito antes. Meu rosto queimou. Elas sabiam. Meu Deus, dava tempo de desistir? Mas por que eu não queria desistir?
O elevador chegou, e soltou minha mão apenas para pousá-la na base das minhas costas, me conduzindo para dentro. Entrou logo atrás e, sem pressa, puxou um cartão do bolso, inserindo-o no compartimento de acesso do elevador. O número 50 se acendeu.
— Você está hospedado na cobertura? — perguntei, horrorizada.
— Não. Eu moro na cobertura.
Puta que pariu. Ele morava na cobertura de um hotel de luxo? Quanto dinheiro esse homem tinha?
Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, já me pressionava contra o espelho do elevador. Sua mão deslizou para a minha nuca, puxando meu rosto para ele, e então me beijou.
Não era um beijo calmo, muito menos romântico. Era faminto, urgente, carregado de luxúria. Sua língua encontrou a minha quase imediatamente, arrancando dele um grunhido baixo que fez minha calcinha — se eu estivesse usando uma — ficar encharcada.
Suas mãos desceram para a minha bunda, apertando com força, os dedos afundando na malha fina do vestido. Quando pareceu se cansar de apertá-la, começou a subir lentamente o tecido, revelando minha pele centímetro por centímetro.
Eu já estava, literalmente, pagando buceta — porque aquele vestido não era feito para ser usado com calcinha — quando o apito agudo do elevador soou, nos obrigando a nos afastar.
A porta se abriu, revelando uma sala imensa e de tons escuros, mas não tive tempo de analisar. já estava me agarrando de novo, me empurrando contra a parede fria do cômodo.
Se eu tinha achado o beijo do elevador quente, aquele era dez vezes melhor. Agora, suas mãos não estavam na minha nuca — estavam fixas na minha bunda. Num piscar de olhos, eu já estava em seu colo, minhas pernas presas em sua cintura, e seu pau pressionado exatamente onde eu mais precisava sentir.
Com maestria, ele me levou até o sofá da sala e me jogou ali de um jeito bruto — mas logo em seguida, já cobria meu corpo com o dele. Sua boca voltou a se colar na minha, enquanto suas mãos passeavam por todas as partes possíveis, soltando grunhidos e murmurando o quanto eu era gostosa. E eu? Só sabia gemer de volta a cada investida.
— Acho que precisamos tirar isso aqui — disse, puxando as tiras finas do meu vestido.
— Acho que estou em desvantagem aqui — reclamei, sem nenhuma roupa íntima e prestes a ficar pelada, enquanto ele ainda estava impecável.
— Não seja por isso.
Com uma destreza invejável, ele já estava de pé. Tirou o terno, abriu os botões da camisa com uma calma provocante e, logo em seguida, desabotoou a calça, puxando tudo junto com a cueca. E então, ali estava ele, gloriosamente nu.
Três letras: uau.
Seu pau era grande e grosso, com algumas veias saltadas que me fizeram salivar e desejar sentir ele inteiro na boca.
E, porra, por que eu não fazia isso? Já estava ali, já tinha aceitado aquele convite indecente disfarçado de noite normal. Se era pra sair da rotina, que fosse com estilo.
Antes que ele pudesse voltar para cima de mim, me ajoelhei rápido no carpete macio que cobria o chão e, sem perder tempo, segurei o pau dele com firmeza, colocando o máximo que pude na boca. O gemido alto que escapou dele foi minha recompensa, e a forma como ele jogou a cabeça para trás me deu ainda mais vontade de impressionar.
Era grande demais pra caber tudo, mas o que não coube, ganhava carinho com as mãos. E, claro, não esqueci das bolas. Fiz questão de massageá-las enquanto aumentava o ritmo.
Seus gemidos ficaram mais intensos. Agora, uma de suas mãos segurava meu cabelo, fazendo um rabo de cavalo improvisado — e foi ele quem começou a ditar o ritmo, puxando com firmeza, mas sem brutalidade.
Confesso que temi, por um segundo, que ele fosse do tipo que força até a gente passar mal. Mas não. Ele apenas guiava, instigava, e me deixava no controle do quanto queria entregar.
Com ele no comando, aproveitei para explorar mais. Soltei as mãos das bolas e deixei meus dedos viajarem para um lugar mais… ousado.
Quando encontrei o ponto certo, comecei a massagear com calma. A reação foi imediata: um gemido longo e gutural que me fez arrepiar inteira.
E antes que eu pudesse perceber, senti o gosto metálico do pré-gozo. E aí, sem aviso, ele veio — quente, intenso, preenchendo minha boca. Engoli sem pensar duas vezes.
— Me desculpa… Eu não consegui avisar…
Mas antes que ele terminasse a frase, eu dei uma lambida lenta na cabecinha, limpando qualquer resquício. O olhar que ele me lançou? Quase me fez gozar ali mesmo.
Orgulhosa do meu serviço bem feito, me preparei para ouvir um elogio. Mas mal consegui me levantar, porque fui jogada de volta no sofá — só que, desta vez, se ajoelhou no carpete.
Colocou minhas duas pernas nos ombros e ficou ali, encarando minha buceta como se fosse a oitava maravilha do mundo.
— Você foi no casamento da sua prima sem calcinha? — perguntou, com um sorriso divertido no rosto.
— Esse vestido não foi feito para calcinhas — dei de ombros, fazendo nós dois rirmos.
Mas não tive tempo de dizer mais nada. Sua boca já estava na minha coxa, distribuindo beijos molhados que desciam perigosamente. Quando chegou ao meu centro, completamente exposto, eu vi estrelas. Juro. Estrelas, constelações, até Marte eu achei que vi.
O que ele fazia ali era arte. Uma mistura de beijos, lambidas, sugadas… até que chegou no meu clitóris, e meu corpo simplesmente pediu arrego.
O ritmo era acelerado, intenso, mas com uma precisão cirúrgica. E quando ele enfiou dois dedos dentro de mim, soltando um grunhido rouco ao sentir o quanto eu estava quente e molhada, eu perdi o controle. Gemia alto, sentindo o orgasmo chegar com força.
— Deveriam vender coquetéis com o seu gosto, meu bem. Porque é a coisa mais deliciosa que eu já provei — murmurou, enquanto se levantava e estendia a mão pra mim.
— Vem. Vamos para o quarto. Tô louco pra enfiar meu pau bem fundo nessa buceta molhada.
Sem dizer uma palavra, peguei sua mão e caminhei com ele até uma escadaria escondida num corredor lateral.
— Dois andares? — perguntei, boquiaberta.
— Três, se contar a área da piscina.
— Você tem uma piscina só para você?
Ele arqueou uma sobrancelha, como se fosse óbvio demais pra explicar. E eu calei minha boca. Meus amigos estavam certos: eu me impressionava demais.
Se eu queria ser fodida por um milionário, precisava agir como alguém que já esperava por isso.
No fim das escadas, ele — ainda segurando minhas mãos — me conduziu até uma suíte enorme, com uma cama que parecia saída de um sonho. Sem me dar tempo pra pensar, me pegou no colo novamente e me sentou sobre a cômoda perto da cama. Nos beijamos com ainda mais intensidade.
O beijo dele era viciante. E meu coração, coitado, já chorava por antecipação, sabendo que jamais encontraria outro beijo daquele nível.
Sem delongas, deslizou as mãos pela minha cintura, me inclinando levemente para trás. Então abriu uma das gavetas da cômoda e pegou um pacotinho laminado.
Ele ia me foder ali mesmo?
— Você vai me comer assim? Aqui? — questionei, meio chocada.
— Ora, meu bem… você não é mais virgem para esperar chocolates e flores, né? — ele zombou.
Antes que eu pudesse retrucar, ele afundou dentro de mim de uma vez só, me fazendo arquear o corpo.
Puta que pariu.
Ele não perguntou se eu estava bem, nem me deu tempo para me acostumar ao tamanho dele. Eu mal tinha recuperado o ar e ele já dava outra estocada — e, por um instante, minha visão ficou turva.
Na terceira investida, eu já não gemia de dor, mas sim de puro prazer. A cada movimento, segurava firme minha cintura, e quando conseguia enfiar ainda mais fundo, soltava um som entre rosnado e gemido que me deixava ainda mais molhada.
Em determinado momento, ele me pegou no colo de novo, para me colocar contra a parede. Uma nova posição. Dessa vez, eu sentia o pau dele por inteiro, e nossos corpos se friccionavam, fazendo meu clitóris roçar nos pelos pubianos dele.
Eu gemia cada vez mais alto. E então, gozei pela segunda vez naquela noite.
Porra.
Mas ainda não estava satisfeito. Com gentileza, me tirou do colo, me virou de frente para a parede e começou a beijar meu pescoço, enquanto suas mãos deslizavam até os meus ombros, fazendo uma leve massagem. Em seguida, começou a baixar as tiras do meu vestido pelos meus braços — e foi só aí que percebi que ainda estava vestida.
Assim que as alças escorregaram, o tecido deslizou por completo pelo meu corpo, formando um montinho de cetim vermelho aos meus pés.
não se importou com isso, porque, agora com meus seios à mostra, ele estava mais interessado em brincar com os mamilos. Ele massageava um enquanto apertava o outro, me arrancando suspiros longos. Inclinei ainda mais o pescoço, dando total acesso à sua língua quente.
Sem dizer nada, ele afastou meu corpo da parede, roçou o pau ainda ereto na minha bunda e então empurrou minhas costas suavemente até meu torso encostar na cômoda fria. Me apoiei ali, arfando, enquanto ele abria espaço entre minhas pernas com mãos firmes e sedentas.
— Agora, meu bem, é minha vez de brincar — sussurrou no meu ouvido, me arrepiando da cabeça aos pés.
E então, penetrou de novo, me fazendo soltar um arquejo de surpresa. Mesmo com o corpo ainda sensível do orgasmo anterior, eu vibrava de excitação.
Com uma mão, segurava minha cintura e enfiava cada vez mais fundo, e com a outra, improvisou um rabo de cavalo, puxando meu cabelo para que eu erguesse a cabeça — completamente submissa a ele.
Lembrei de quando peguei “Cinquenta Tons de Cinza” emprestado da Tina. Fiquei horrorizada, e ela riu dizendo que homens ricos gostavam de coisas bizarras na cama. Se o gostava, eu não sabia. Mas que ele gostava de mandar… ah, isso sim.
E eu estava amando ser mandada.
As estocadas ficaram mais fortes. Senti o pau dele estremecer dentro de mim, avisando que estava perto do fim. Nesse momento, ele soltou meu cabelo e deu um tapa forte na minha bunda.
Merda.
Nunca tinha levado um tapa transando. No máximo, Enrico apertava minha bunda com preguiça. Mas o tapa de , apesar de barulhento e intenso, me excitou mais do que qualquer outra coisa. E como se lesse meus pensamentos, ele deu mais dois — antes de soltar um gemido alto e, por fim, deslizar o torso pelas minhas costas, arfando, completamente entregue.
Ficamos ali por alguns minutos, mas parecia uma eternidade. Meu corpo começava a doer, e o pau dele ainda dentro de mim começava a incomodar.
— Por favor… me diz que você não dormiu em cima de mim.
Ele riu alto, se afastou lentamente e, finalmente, saiu de dentro de mim. Soltei um suspiro de alívio, conseguindo me apoiar melhor e alongar um pouco o corpo.
— Você é incrível, meu bem. — disse ele, enquanto tirava a camisinha, dava um nó e jogava no lixo ao lado da cômoda. Abriu a mesma gaveta de antes… e pegou outro pacotinho laminado.
— A gente ainda não acabou? — soltei, em choque.
— Seu corpo é gostoso demais pra eu não explorar cada pedacinho dele. — disse, dando um beijo na minha testa e puxando minha mão em direção à cama.
Dessa vez, não me jogou com urgência. Nem atacou meus lábios com pressa. Apenas esperou que eu me deitasse, se acomodou ao meu lado, apoiado num dos braços, e me deu um beijo calmo, porém não menos sedutor.
Aos poucos, ele foi se deitando por cima de mim, e seus beijos começaram a descer cada vez mais, até chegar novamente ao meu pescoço — mas não se demorou por ali.
Tinha outro foco.
Chegando aos meus seios, parecia que havia entrado num parque de diversões. Não sabia se chupava, apertava, mordia… então decidiu fazer tudo de uma vez, me fazendo soltar gemidos misturados com gritos.
Estava me achando uma escandalosa de primeira, mas toda vez que eu abria a boca, intensificava os movimentos, como se dissesse: “Isso mesmo.”
O barulho do papel laminado sendo rasgado desviou minha atenção, e quando olhei, pude assistir de camarote ele segurando o seu pau enorme enquanto colocava a camisinha.
— Você se comportou bem esta noite. Vou te dar o que você quer — ele disse, sorrindo.
Franzi a testa, confusa. Ele já estava me dando o que eu queria desde o beijo no elevador, o que ele estava falando?
— Não sou muito fã de papai e mamãe… mas você merece uma recompensa.
Meu Deus. Provavelmente aquele comentário que eu fiz durante a trepada na cômoda fez ele achar que eu era uma virjona dos sexos indecentes e só conhecia papai e mamãe.
Bom… eu estava acostumada só com papai e mamãe mesmo, mas também sabia variar, e tudo que a gente estava fazendo naquela noite já era incrível demais para acabar no básico.
Já pronto para começar, o encarei sorrindo, e coloquei uma mão em seu rosto, fazendo um breve carinho naquela barba por fazer.
— Se importa se eu for por cima? — sorri doce.
Ele me olhou primeiro com uma expressão confusa e depois abriu um sorriso.
— Claro, meu bem. Me mostra o que sabe fazer.
E com isso, caiu no colchão ao meu lado, esperando o show.
Como uma criança que acabou de ganhar um “sim” dos pais, montei em cima dele, segurando seu pau com uma mão e posicionando na minha entrada.
Quando finalmente encaixei, desci lentamente, fazendo nós dois soltarmos um suspiro de alívio e prazer.
Inclinei o tronco e comecei a fazer movimentos de vai e vem, fazendo ele gemer e dar um tapa na minha bunda — seguido de um apertão.
Hum… podia me acostumar com isso.
Abaixei a cabeça, encaixando no seu pescoço e começando a dar longos beijos molhados por ali, depois lambendo, enquanto escutava seus gemidos.
Fui acelerando aos poucos, saboreando a forma como meu corpo inclinado no dele causava uma fricção deliciosa no meu clitóris. Era como se ele me incentivasse a ir cada vez mais rápido.
Quando senti que nós dois estávamos no limite, me tirou de cima dele com uma rapidez absurda, me deitando no colchão e ficando por cima.
Sem aviso, meteu com força, enquanto eu segurava nos seus braços esticados ao lado da minha cabeça, tentando se manter firme.
Como já era esperado, não era gentil. Ele metia cada vez mais fundo, cada vez mais forte.
— Goza comigo? — ele pediu.
E a única coisa que consegui responder foi:
— Então vamos agora.
Com mais duas estocadas, o quarto se transformou numa sinfonia de gemidos e gritos. A temperatura poderia facilmente chegar aos 40 graus.
Sem dizer mais nada, ele saiu de dentro de mim, tirou a camisinha, deu aquele nozinho, mas dessa vez deixou no criado-mudo ao lado da cama.
— Você drenou toda a minha energia, meu bem. — ele sorriu, se jogando ao meu lado e dando um beijinho no meu nariz.
Como ele conseguia ser carinhoso e dominador em questão de segundos?
— E você drenou a minha — retruquei, retribuindo o beijo no nariz, enquanto ele me abraçava, encaixando nossos corpos.
Ele fechou os olhos. E eu segui pelo mesmo caminho.
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Acordei num sobressalto, sem saber onde estava. Pela frestinha das cortinas, percebi que já era dia.
No meio do sono, eu e havíamos se separado, mas suas mãos ainda seguravam minha cintura.
Com calma, levantei o braço dele, me desgrudando do toque. E, junto com isso, meu coração se quebrou um pouquinho por saber que nunca o veria de novo.
Confirmei que ele não tinha acordado, me levantei da cama devagar, peguei meu vestido do chão e saí do quarto.
Me virei antes de sair, querendo guardar aquela última imagem de dormindo tranquilo na cama.
Desci as escadas na ponta dos pés, vesti meu vestido, e peguei o celular e a bolsa largados no sofá.
Rapidamente abri o aplicativo do Uber e digitei o endereço de casa. Enquanto o aplicativo procurava um motorista, peguei meus saltos e chamei o elevador. Ele chegou no exato momento em que fui notificada que haviam encontrado um motorista.
Coloquei os saltos já dentro do elevador, tentando domar com os dedos o meu cabelo de pós-sexo.
Já no térreo, as mesmas recepcionistas da madrugada ainda estavam ali. Respirei fundo, enquanto tentava passar o mais rápido possível.
— Senhorita? — a voz de uma delas me chamou.
Droga.
— O… oi?
— Vocês irão tomar o café da manhã no salão principal?
— O quê?
— O senhor Grand costuma tomar café em seus aposentos, mas como a senhorita está aqui, ficamos em dúvida se irão querer o café no salão principal. — ela disse com um sorrisinho, mas eu sabia que por dentro ela estava me achando uma completa perdida.
— Senhor Grand?
Grand. Você estava com o senhor Grand, não estava?
Na hora, todo o sangue fugiu do seu rosto, com medo de ter cometido um erro.
Mas… espera aí. Grand? Grand?? O nome do hotel não era…
Grand é o dono do The Aureum Grand?
Ela assentiu com a cabeça como se eu estivesse saindo de uma caverna.
Antes que eu pudesse reagir, meu celular apitou avisando que o Uber havia chegado.
— Eu… eu preciso ir — murmurei, saindo às pressas e entrando no carro.
Puta que pariu, eu tinha feito sexo selvagem com simplesmente o dono de um dos hotéis mais luxuosos da cidade.
Meu celular apitou de novo e, por um instante, meu coração acelerou achando que poderia ser o .
Mas seria impossível. A gente nem sequer trocou número de telefone.
Meu Deus, ele nem sabia meu nome.
Olhei a tela: era uma mensagem do Enrico.
Na hora, a culpa bateu no peito com força. O que eu tinha feito?!
Abri a mensagem com os dedos trêmulos:
“Noite incrível. Ganhamos o campeonato, indo dormir agora 🙌🏻😴”
E de repente, toda a culpa que eu tinha sentido há dois segundos foi embora como mágica.
Que bom que sua noite foi incrível, Enrico. Porque a minha foi inesquecível.


Fim!



Nota da autora: Se você chegou até aqui… parabéns, você sobreviveu ao calor dessa noite no Grand 😂🔥
Essa shortfic foi escrita num surto de inspiração e desejo por um encontro intenso, sem amarras, mas com aquele gostinho de “quero mais”. Se você surtou junto comigo, comenta aí, me conta sua parte favorita.
Obrigada por ler, e se quiser mais histórias assim (ou continuações 👀), me chama no X.





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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