Contador:

Finalizada em: 23/05/2019

Capítulo Único

Naquela manhã de sábado, tudo que ela queria e precisava era relaxar. Como sua melhor amiga estava enfurnada na Santa Casa trabalhando feliz da vida, foi à praia sozinha daquela vez. Pegou sua barraca velha, uma canga e seu biquíni favorito. Escolheu tudo perfeitamente, fez sanduíches naturais para levar e ainda tinha organizado tudo para depois apenas despejar seu lixo no local adequado.
Em pouco tempo, estava numa praia mais reservada da Barra da Tijuca e aproveitou para pegar um sol. Seu biquíni salmão realçava em sua pele morena, haja vista que quando podia, sempre pegava sol na piscina do condomínio ou na piscina da cobertura da casa de Carolina, sua melhor amiga.
Via de tudo naquele lugar: idosos pegando o sol saudável, crianças pulando e jogando areia para cima, adolescentes jogando altinha... Tudo normal para uma praia do Rio de Janeiro. Entretanto, seu pensamento foi descartado quando, por conta do vento, um saco de lixo voou diretamente em seu rosto.
– Meu Deus! Me desculpa. – o jovem correu atrás do saco e rapidamente deu atenção para mulher.
– Tudo bem... – ela riu e acabou dando de cara com um moreno bonito com um sorriso lindo.
– Sou o Matheus, prazer. – ele estendeu sua mão a ela.
. – a virginiana sorriu e a apertou.
– Você tá sozinha? Se quiser, pode ficar comigo e com a Maia.
– Maia? – a química deu uma olhada e não encontrou mulher nenhuma.
– Sim, minha labradora. – ele sorriu. – Ela tá ali.
– Que gracinha! – rapidamente se levantou e foi se juntar a eles.
O que ela não sabia era que estaria conhecendo, pela primeira vez, seu futuro namorado.
e Matheus eram como Bonnie e Clyde. Parceiros, namorados e amigos para qualquer hora. Chegaram até a adotar um vira-lata para , mas, o menino que fazia Direito, não queria saber de nada além de curtir a vida. E essa era a desavença entre os dois. queria ficar em casa, Matheus fugia de lá. Matheus adorava destilados, mas preferia um jogo de futebol e uma cerveja bem gelada. Ele curtia mais NFL, enquanto para ela, seu Brasileirão era sagrado. E foi no domingo chuvoso no Rio de Janeiro que e Matheus não existiam mais. Logo naquele dia, seu dia 26 de agosto. Seu aniversário de 20 anos. A comemoração ficou para semana que vem, para próxima, para próxima da próxima e depois já era Natal, não dava mais. Tudo que fez foi viajar para o Espírito Santo e ficar um mês com Capitu, sua vira-lata, e seus pais. Quando chegou, pensou em ficar por lá, desistir de viver naquele lugar e ainda mais, queria desistir daquela . Talvez até esquecer do futebol. Esquecer de seus ideais e adquirir novos. Esquecer suas raízes cariocas e apenas lembrar de Carolina. Mas não era o certo. Todos os dias ela acordava e se sentia incompleta. Ela foi em festas, conheceu caras novos, foi para cama com eles e nada pareceu certo. Um ano depois ela quase namorou de novo, mas ele não era o certo para ela também e ela sentia. Talvez fosse aquilo, ficar sozinha com Capitu fosse seu futuro. Ela até fez uma tatuagem nova, uma frase que ela leu de Cora Coralina numa revista motivacional que sua mãe lhe deu:
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
E foi isso que fez. Recomeçou.
⚽️

As feições de eram claras: ela estava exausta. Sua rotina era célere e cansativa, mas desde que se tornara química industrial nunca trabalhou infeliz. Seu salário era bom o bastante para mantê-la morando em um bairro renomado do Rio de Janeiro, Tijuca, e, além disso, sobrava bastante para mandar para seus pais que moravam fora do estado e ainda viajar no fim do ano para um país diferente. Desde pequena, Aires fora contestada: ? Não tem um Clara? Fernanda? Júlia? Não. Ela era só , na maneira mais pura de ser. Ela só era. Ela era. Química. Flamenguista doente. Amava animais. Participava de mutirão para catar lixo na praia. Amava cuidar do meio ambiente e sempre se manteve conectada com a natureza.

⚽️

Eles perderam. Não foi uma derrota consumada, mas empatar com o Resende foi de dar raiva a qualquer um. Naquele clima tórrido que só Volta Redonda pode proporcionar, o Flamengo fez 1x1. Com gols de Henrique Dourado e Joseph, o empate foi consumado.
Desde pequena, seu pai lhe ensinara que ela sempre saía muito depois do jogo acabar. Na saída do estádio, a menina encontrou uma gatinha acidentada que miava desesperadamente por ajuda. Devagar, a química se aproximou da bichana e acariciou sua cabeça. A filhote rapidamente abanou seu rabinho e quis ajudá-la. Não deveria ter dois meses de vida. Branca com manchas amarelas por todo o corpo, a bicha clamava por ajuda.
– Os torcedores machucaram você? Ou você foi atropelada, meu amor? – sentou-se no chão para confortá-la enquanto pensava no que fazer. Minutos depois ouviu um carro estacionar ao seu lado.
– Tudo bem por aqui? – o homem perguntou. Quando o encarou, percebeu que quem lhe dirigia a palavra era a nova atração rubro-negra: .
– Ahn, acho que essa gatinha foi machucada. Não consegue andar. E também acho que ela está com fome e sede.
– Ah, vou comprar uma água para ela beber. Você conhece algum local para levá-la? Eu posso pagar.
– Eu também posso, mas estou com medo de pegá-la e a machucar. – confessou.
Enquanto o jogador comprava a água da bichana, tirou sua camisa favorita e calmamente enrolou a gatinha. trazia uma garrafa e um pote raso.
– Pronto, bebê. – ele colocou a tigela e a gatinha se deliciou com a água fresca. – Você quer carona para procurar por um veterinário?
– Sim, eu estou sem meu carro. Alguém precisa segurá-la. – sorriu e o paulista sorriu de volta.
– Então vem. – ele a ajudou a levantar e admirou o corpo da torcedora. apenas usava um top de renda preto, seu short e uma havaianas branca. – Você quer uma camisa? Eu tenho uma limpa.
– Acho que não vou poder entrar no veterinário assim. – ela sorriu e a entregou uma camiseta toda branca. pôs a gata no banco e colocou rapidamente a camisa, apenas a dando um nó na cintura.
– Vamos. – o jogador sorriu.
Durante o caminho, se divertia com Lua, nome que ela e decidiram dar à bichana, que estava entretida com o nó na blusa da torcedora. soube mais da vida de e a menina admitiu que o avô era torcedor fanático do Peixe. , como era conhecido, sorriu e disse que o alvinegro praiano também era seu time de coração.
Preferiram ir ao veterinário que conhecia e levava sua vira-lata, Capitu. O desfecho era previsível para os dois: Lua havia quebrado uma pata e teve que imobilizar e engessar.
– Eu nem te perguntei, mas, qual seu nome? – quis saber na sala de espera.
Aires. – ela sorriu. – Você é . Fica fácil assim.
– Seu nome é simples e bonito. – ele disse.
– Você é a primeira pessoa que não questionou se meu nome é só .
– Isso me torna especial. – ele riu. A mulher achou engraçado o sotaque do jogador e repetiu.
Essssssspecial. – ela riu.
– Você tem quantos anos? 10? – ele brincou.
– Na verdade, o dobro. – ela deu uma piscadela.
– Então sou mais velho que você. – disse e ela confirmou.
– É sim. Mas não é muito. – ela sorriu sem mostrar os dentes.
– Quando você faz aniversário?
– 26 de agosto. E você?
– 30 de agosto. Quatro dias depois. – respondeu.
– Podíamos fazer uma festa de aniversário juntos já que esse ano o meu cai numa segunda-feira. – a química brincou.
– Eu gosto da ideia, . – ele riu. – Você faz o quê?
– Sou formada em química industrial e trabalho na Petrobras. – a menina respondeu e isso surpreendeu o atacante.
– Você tem vinte anos mesmo? – perguntou surpreso.
– Comecei a faculdade com 16, que foi quando eu passei em 1º lugar para UFRJ. Eu era adiantada dois anos, meus pais e minha escola me achavam a menina prodígio. – ela comentou. – Mas eu não era. Só gostava de estudar.
– Isso te faz uma menina prodígio. E eu nem sei o que uma química industrial faz, perdão.
– Eu estudo os processos químicos e suas evoluções. Previno os danos das industriais no meio ambiente. Coisas do gênero.
– Ah, isso é muito legal. – ele sorriu. – Gostei de você. Você pode me passar seu tel...
O atacante do Flamengo foi interrompido pelo veterinário que trazia a gata banhada, vacinada e engessada.
– Aqui está a gatinha de vocês. Prontinha para sua próxima artimanha. – o homem brincou e pegou Lua.
– Muito obrigada, doutor.
– Não precisa agradecer. – os dois levantaram e fez questão de pagar a conta. Isso só fez com que enchesse sua paciência para que fossem ao petshop para ele comprar coisas para ela.
– Você vai ficar com ela? – ele perguntou enquanto caminhavam até o local mais próximo.
– Mas é claro. Lua é meu sinal de que minha filha Capitu precisa de uma companhia. – ela riu.
– Você tem uma filha chamada Capitu? – ele perguntou risonho.
– Sim. Ela é uma vira-lata de 2 anos.
comprou tudo, caminha, brinquedo e coleira. Para Capitu também comprou uma coleira nova e uma bolinha de futebol. Os dois terminaram aquele dia cheio de pelos e unidos pelo amor de uma felina.

⚽️

: Hoje eu não tenho treino, quer levar Capitu para dar um passeio?
Aires enviou uma foto.
: O que houve com o seu pé?
Aires: Escorreguei no xixi da Capitu.
: Não vou mentir que estou rindo, mas você tá bem?
Aires: Talvez eu esteja. Viver de comida de rua têm sido minha realidade. Minha casa está uma bagunça. Lua espalhou todos seus brinquedos pela casa e, para piorar, eu tenho que arrumar as coisas para os meus pais virem para cá até amanhã.
: Estou indo ‘praí.
Aires: Fazer o que, maluco?
: Chego aí em 15min.

⚽️

Em dez minutos, tocou a campainha e usou a chave escondida no jarro da planta para entrar. Seis meses se passaram desde que tinham se conhecido e tinham virado bons amigos. Saíam juntos e sabiam tudo da vida do outro.
– Cheguei, . – ele sorriu.
– Oi! – ela sorriu deitada no sofá. – Estou aqui o dia inteirinho sem fazer nada.
– Como minha mãe me ensinou a fazer uma lasanha deliciosa, eu trouxe um pedaço para você e vim fazer o papel de diarista. – ele sorriu.
– Sério, eu queria dizer que você é meu jogador favorito da história. – fechou os olhos só de imaginar o gosto de uma lasanha feita em casa.
– Interesseira! – abriu a sacola e entregou o pote e um garfo para menina. A gata dos dois se dirigiu ao atacante e ficou andando entre seus pés exigindo carinho. Enquanto isso, Capitu apenas o encarava.
– Jamais! Você só tem que dobrar minhas roupas limpas e guardá-las, depois colocar tudo que é da Lua no lugar. – sorriu.
– Essa é a bagunça da sua casa? Eu esperava poeira, vim até preparado com meu remédio de rinite. – brincou. – Come para gente ir para o quarto dobrar roupa, doidinha.
– Acho que essa é a lasanha de calabresa mais gostosa que já comi na vida. – sorriu com a boca cheia. – Você já pode conquistar alguém pelo estômago, porque se for pelo futebol, tá fraquinho que só.
Quando o atacante ouviu a provocação da amiga, sua reação foi imediata: começou a fazer cócegas na mulher. Capitu veio defender sua dona e todos se juntaram na brincadeira, inclusive Lua.
Ficaram mais vinte minutos na sala de estar conversando coisas diárias, quando logo foram para o quarto arrumar as roupas da química. colocou música na caixa de som que estava no quarto e ajudava o jogador a arrumar suas roupas em seu armário enorme.
– Na moral, por que você tem uma camisa do Santos? – perguntou curioso.
– Meu avô me deu antes de morrer. – ela sorriu. – E eu guardo porque nunca usaria um manto senão o do Flamengo.
– Você poderia ser santista, . – ele fez beicinho.
– Jamais. Eu amo o meu time mais que tudo na vida. – ela sorriu satisfeita.
– Não. Você me ama mais que tudo na vida. – ele sorriu.
– Você é chato grande parte do tempo, mas eu gosto de você, acredite.
– Ninguém estaria aqui dobrando suas trezentas camisas do Flamengo sem reclamar. – ele riu. – Eu estou.
– Isso é uma reclamação. – ela riu e jogou um short jeans no companheiro.
Ouch! – ele riu. teve sua atenção desviada para um pedaço pequeno de renda vermelha. – Ah, não.
– O quê? – ela perguntou confusa.
– Calcinha de renda vermelha? – ele sacaneou e estendeu o pano para mulher.
– Você nunca viu uma? Está há tanto tempo sem sexo assim? – resmungou e fez força para ir para frente, mas rapidamente foi segurada pelo atacante. – Me larga, !
– Eu não. – ele riu e afrouxou as mãos. – Com quem você usou essa calcinha, senhorita?
– Ninguém. Tirei umas fotos só. – voltou ao seu lugar na cama de casal e riu.
NUUUUUUDES! – gritou. – A menina trabalha nas fotos.
– Quer ver? – ela debochou, mas não esperava que ele fosse aceitar.
– Claro que sim. – ele se jogou ao seu lado e a menina, envergonhada, abriu o álbum secreto do telefone.
A primeira foto era do teto espelhado. estava deitada com seus cabelos castanhos bagunçados pela cama, a cor da lingerie caiu perfeitamente com o bronzeado da sua pele.
– Caralho. – deixou escapar. – Próxima!
A segunda mostrava como a renda não tampava nada de seu corpo. Tudo estava visível. foi preenchido pela sensação de que era um pecado em pessoa. A luxúria, talvez. Seu corpo exalava confiança e beleza.
Na terceira ela estava apenas de calcinha, mas, estava de costas. Como queria que ela estivesse de frente.
– Eu nem tenho palavras. – estava estarrecido com a quantidade de informação que havia recebido com apenas três fotos. – Você é um pecado, mulher. Chega ser contraditório você se chamar .
– Para de besteira, . – ela riu. – Vamos, meu 9. Temos muita roupa para dobrar e guardar.
E os dois continuaram dobrando roupas e guardando-as. Quando deu meia noite e vinte, do dia 26 de agosto, os dois terminaram de arrumar o quarto e se jogaram na cama. sorriu. Era o aniversário de .
– Feliz aniversário, . – ele sorriu e virou para melhor amiga. tinha sido o maior presente de seu ano e, com certeza, o que sentia por ela era amor. E dos mais puros. Ela o deixava desnorteado. não sabia o que fazer direito quando ela estava por perto. Atiçava todos seus sentidos, mas, ao mesmo tempo, os deixava inertes.
– Obrigada, . – ela sorriu. Nunca o chamara assim antes. Nesses seis meses de convivência (muita, por acaso), ela sempre o chamou de . – Vinte e um anos.
O atacante a puxou para perto e sorriu. Ela fazia com que ele se sentisse em casa. Talvez ela fosse sua casa.
? – ele a chamou enquanto os dois saboreavam o silêncio. Sem emitir um som, a mulher que ali estava o olhou serena e o incentivou. – Eu amo você.
E tê-la dito aquilo soou certo. Foi muito certo. Ele estava perdido, mas depois que aquelas torturantes três palavras fugiram de sua boca, havia se encontrado. E na turbulência mais pecaminosa de sua vida. Era isso que era. Desordem, inconstância, fluidez, beleza, amor.
– Eu também amo você. – ela sorriu. sentia o mesmo por , mas ela era intensa e momentos daqueles não saíam sempre. Não gostava de demonstrar que sentia, mesmo quando sentia muito por ele. Se ele fosse escolher uma cor para defini-la, com certeza seria o arco-íris. A inconstância da mulher não poderia ser definida senão um misto de cores. Explosões de sentimentos. E era isso que acontecia. Eles explodiam. Só não esperavam colidir.

⚽️

Os pais de chegaram na manhã de segunda-feira. Nas segundas ela não trabalhava e não treinava. Se encarregaram de fazer um almoço delicioso para seus pais e o atacante estava nervoso para conhecê-los. Havia falado com os dois por telefone, mas não imaginava que fosse se sentir uma pilha de nervos quando os fosse conhecer. Ficariam só aquela tarde na cidade maravilhosa porque o pai da menina trabalharia no dia seguinte.
, está esperançoso com o campeonato? – Fellipe, o pai de perguntou.
– Sim, senhor. – ele sorriu. – Estamos lutando para manter a diferença de pontos para garantir a liderança. O time está se esforçando a beça.
– Isso é bom. – Beatriz, esposa de Fellipe, respondeu. – O elenco não é limitado, isso garante que ninguém seja usado em excesso. Evita até lesões.
– Eu também acho. – sorriu. – O tem jogado muito, mas o bom rendimento dele tem deixado o condicionamento físico fortalecido.
– Eu sempre tento dar o meu melhor.
– E você consegue. – Bia sorriu. se sentiu envergonhado, mas logo sorriu para . Fellipe o analisava calmamente. Sabia que aquele olhar tenro era conhecido, pois olhava assim para sua esposa.
Os pais de trouxeram fotos dela pequena e estava apaixonado por todas. Sua favorita era a que estava com o uniforme do Flamengo.
– Eu tenho uma foto igual, só que o uniforme é do Peixão. – comentou sorridente. – Você tá muito bonita nessa!
– Que nada. – Bia riu. – Eu gosto a que ela está vestida de sereia no aniversário de seis anos. É a mais legal.
– Mãe! – sabia qual foto a mãe se referia.
– Temos que mostrar essa. – Fellipe riu e procurou no bolo de fotos. Na bendita foto que a menina repudiava, ela estava com o rosto sujo de chocolate por tê-lo comido.
– Que gracinha! – riu e tirou mais uma foto da foto. – Só tem foto do Flamengo. Incrível.
– Maior amor da vida. – ela sorriu. – Eu gosto dessa. Foi no carioca de 2004. A gente ganhou em cima do Vasco.
– Caraca, não me surpreende todo seu fanatismo. – sorriu.
Os quatro resenharam até o horário do voo dos pais da mulher, que estava radiante pelo dia que teve.
levou os pais de ao aeroporto e na volta, passou em casa para buscar o presente de aniversário da amiga.
– Eu ainda acho que a sua casa é enorme para uma só pessoa. – ela comentou assim que acendeu as luzes do apartamento na Barra da Tijuca. – Não precisa ter cinco quartos. Se tivessem três eu até entendia, para os seus pais e para sua irmã. Mas cinco é demais.
– Quando você vem dormir aqui o que você faz? – ele perguntou.
– Durmo com você. – ela respondeu e deu um risinho. – Lembra? Sempre durmo antes e você me leva para o quarto.
– Droga, é verdade. – deu risada. – Agora, vamos ao seu presente de aniversário.
– Eu disse que não precisava. – se apoiou na poltrona da sala de estar.
– Vem, sobe nas costas. – se abaixou para que se colocasse corretamente em suas costas. O atacante a puxou para cima e agarrou forte suas pernas para que ela não caísse. a levou para seu quarto e acendeu a luz.
– Feliz aniversário, . – ele sorriu.
se deparou com a cama cheia de fotos dos dois, um girassol amarelo e uma caixa no meio.
– Sério, você é o melhor ser humano do mundo, . – ela sorriu incrédula. A química dobrou a perna e foi pulando até a cama. se esticou até conseguir pegar a caixa e abriu. Era um colar prata cravejado de quartzos rosas, brincos iguais e um anel semelhante.
– Eu achei a sua cara. – o jogador confessou. – E não poderia não comprar se quando eu vejo isso eu automaticamente lembro de você.
... Isso é muito lindo. Muito. – ela sorriu encantada. – Eu amei. Sério, vem cá.
O jogador se aproximou calmamente e ela o abraçou com força. fez impulso para que ela ficasse de joelhos na cama e a encarou.
– Amo você, doida. – ele a olhou nos olhos. A sensação era estranha. Ele nunca havia se sentido daquele jeito antes. Estava leve, tranquilo.
– Eu também te amo, . – ela sorriu. – Você me fez ter o melhor aniversário de vinte e um anos do mundo.
– E você me fez ter o melhor ano da vida, quer mais? – ele riu e ela ficou envergonhada.
– Me ajuda a colocar esse presente lindo! – ela sorriu. – Vai!
colocou o colar enquanto ela colocava os brincos e o anel. deitou no meio das fotos e colocou o melhor sorriso no rosto e o jogador não hesitou em tirar uma foto daquela cena. Tão linda e única.
– Vem para cá. Para de tirar foto minha e tira uma nossa. – ela sorriu e puxou o jogador.
retirou algumas fotos e se pôs ao seu lado. pegou o telefone dele e tirou diversas fotos dos dois. – Eu amei, sério. Eu não aguento com você.
– Aguenta sim, oxe! – ele riu. – O que você acha de eu adotar uma gatinha ou uma cadela?
– Eu acho o máximo! E quando você tiver que viajar você pode deixar ela lá em casa. – sorriu.
postou em sua conta do Instagram sua foto com e ele postou sua foto sozinha com a legenda em italiano.
@: Buon compleanno. Ti amo.
E o ritual era o mesmo: tirar a roupa de sem que ela acordasse, colocar uma blusa sua e colocá-la para dormir calmamente em sua cama. Enquanto a observava dormir, o grupo do time falava dos dois.
Bruno Henrique: Qual foi, irmão... Tá apaixonado?
Diego enviou uma foto.
Diego: Legenda em italiano? Que brega!
Arão: Qual foi? Deixem o apaixonado.
Giorgian De Arrascaeta: Deixem o chico.
: Vocês são muito otários. Ela é maravilhosa.
: E sim, eu tô muito apaixonado.
Arão: Só não vale amolecer no futebol.
Diego: Se tudo der certo o menino vai até as estrelas... 😈
Bruno Henrique: Mas ele sabe o que é isso?
Bruno Henrique: No Santos não sabia... Sabe agora, ? Tava fraquin...
: Vão se foder! Eu vou continuar olhando para ela dormir que eu ganho mais. Boa noite.
Giorgian De Arrascaeta:Maricaaaaa!

⚽️

Meia-noite do dia 30 de agosto, não recebeu a tão esperada ligação dos pais, da irmã ou de . O jogador se deitou para dormir sem ser lembrado, bem, pelo menos pelas pessoas que mais se importava.
Na manhã seguinte, recebeu uma mensagem de avisando que não poderiam passar o dia juntos, mas que gostaria de jantar com ele em sua casa.
Seus pais e sua irmã não ligaram e não fizeram questão de incomodá-lo. se chateou e até tentou ligar para os três, mas todas as ligações iam para a caixa postal. Estava desanimado para completar 23 anos. Era desanimador não receber parabéns de quem mais amava no mundo. Até sua ex lhe dera parabéns, menos sua família.
Enquanto isso, e dona Lindalva trabalhavam duro no jantar. Valdemir e Dhiovanna estavam encarregados da decoração e da torta do parabéns, a crocante do Vila Amore.
, você tem jeito para cozinha! – Lindalva sorriu.
– Que nada! Eu só faço o que dá para sobreviver. Mas, pelo menos, eu ‘tô aprendendo fazer algo que gosto com a senhora. Vou comer nhoque para sempre. – brincou.
– É a comida favorita do , fica a dica. E me chame de Linda!
– Claro, Linda. Desculpe. Isso é bom de saber, ele vive comprando comida pronta. – ela comentou. – Come de verdade quando vem aqui em casa. A não ser quando ele come a lasanha que você o ensinou.
– Ele fez lasanha para você? – Lindalva perguntou surpresa e deu um riso discreto.
– Sim. Por quê? – ela perguntou curiosa.
– Por nada, querida... – sorriu.
Cortar o aipim todo e depois pô-lo para cozinhar foi fácil. O molho também, mas Linda disse que o diferencial era fazer a própria massa com o aipim. Dhiovanna e Valdemir voltaram uma hora depois com a torta e umas bexigas que eram como bolas de futebol junto de um 23 que precisava ser enchido.
– Dhio, já disse! É bola. – riu.
– Bola é de futebol, isso é bexiga. – a adolescente defendeu seu dialeto.
– Bexiga é o órgão. – defendeu arduamente o carioquês.
– Vocês parecem duas crianças, sabiam? – Valdemir brincou com as duas e as abraçou.
– Eu ‘tô brincando com a minha cunhadinha, pai. – Dhiovanna riu e se envergonhou. – Não precisa se sentir envergonhada! Você já é de casa, .
– Eu não namoro o seu irmão, criatura de Jesus! – a mulher a respondeu afobada.
– Ainda... – Lindalva cantarolou da cozinha. – Agora, norinha querida... Vá tomar seu banho e se arrumar. Dhiovanna também!
– Tá bem, mãe... – brincou. – Estamos indo!
tomou uma ducha rápida, pois sabia que chegaria a qualquer momento. Os três banheiros do apartamento estavam sendo utilizados e Lindalva era a última a se arrumar. Dhiovanna colocou um short e cropped, enquanto pôs um vestido branco solto que realçou o bronzeado da sua pele.
, posso trançar seu cabelo? – Dhio perguntou.
– Pode. Faz o que você quiser, sempre quis ter uma irmã mais nova para fazer isso em mim. – ela sorriu.
– Acho que vou fazer só nas laterais. – ela sorriu. – Vai ficar lindo!
e Dhiovanna se divertiram como duas irmãs no quarto, enquanto os pais de se aprontavam.
– Já tá na hora de ligar para o seu irmão, né? – perguntou.
– Aham. – a menina estava concentrada nas tranças.
? Que voz triste é essa? fingiu demência.
Ninguém de Santos me deu parabéns hoje, . – reclamou triste.
Sério? Que merda, ... Sinto muito. Nosso jantar ainda tá de pé, né? Aliás, você já tá vindo, não tá?
– Sim... Eu já ‘tô quase chegando. Em cinco minutos ‘tô aí.
– Tá bem. Amo você.
– Também te amo.
estava entusiasmada com a surpresa para o melhor amigo e assim que a irmã mais nova do artilheiro do Brasileirão de 2019 terminou suas tranças, ela foi checar se todos estavam prontos. Se puseram em seus lugares na varanda e aguardavam sua cena.
A menina se pôs sentada no sofá e ligou num canal de esportes qualquer para fingir que tudo estava normal quando ouviu o barulho das chaves de em sua porta.
– Feliz aniversário! – ela pulou em seu colo assim que ele entrou no apartamento.
– Obrigado, . Amo você. Obrigado por fazer esse ano um dos melhores da minha vida. – ele sorriu e ela o beijou na bochecha.
– Agora vamos para os seus presentes! Um eu tenho certeza que você vai gostar, o outro eu já não sei... – ela riu.
– Eu não preciso de presentes, mulher... – ele riu. – Você já é o suficiente.
– Bem... Como eu não sei o que presentear alguém que tem tudo, eu pensei... O que o ia querer? Pensei muitas vezes e não cheguei a lugar nenhum. Então eu apenas revelei uma foto nossa. Não é o melhor presente do mundo, você sabe. – ela riu chocha.
– Essa é minha foto favorita nossa. – ele sorriu verdadeiramente. – Então, é um presente maravilhoso. E eu vou colocar no meu quarto.
– Agora o presente que eu não sei se você vai gostar. – ela sorriu e o arrastou para porta da varanda. – Fecha os olhos. Só abre quando eu mandar!
– Você é uma criança! – ele riu.
puxou para dentro da varanda e se juntou à família do jogador. Dhiovanna segurava a torta e seu pai acendia as duas velas.
– No três! – falou. – Um... Dois... Três!
– SURPRESA! – todos gritaram juntos e a reação do artilheiro foi impagável. A surpresa e emoção que ele sentia eram enormes e tudo que ele queria naquele momento era sua família.
– Parabéns, meu filho! Espero que saiba que você é um dos nossos maiores orgulhos. – Lindalva sorriu e agarrou o primogênito. Valdemir o abraçou depois e desejou felicitações. Todos sabiam ali que quem mais sentia saudade era a irmã mais nova e assim que a torta foi posta na mesa, a pegou no colo.
– Obrigada por tudo! Eu te amo. Feliz aniversário. – Dhiovanna se agarrou no irmão e as lágrimas escorrendo no rosto do jogador eram visíveis.
observava a cena com encanto, ela amava família e a sua estava longe dela, mas ela amava o gosto da independência que tinha. Visitava seus pais sempre que queria e, ainda mais, passava um bom tempo com os seus velhos favoritos.
virou sorridente para a melhor amiga e ela devolveu o sorriso. Estava tímida de interagir com ele na frente de sua família. O jogador, mais conhecido por pela mulher, a abraçou pela cintura e a apertou forte. A conversa que tiveram através dos olhares foi clara: gratidão de ambos lados.
– Beija, beija, beija! – Dhiovanna começou e foi seguida pelos seus pais. riu e deu um beijo na bochecha do melhor amigo, quase no canto da boca.
– Vamos jantar? – Valdemir sugeriu. – Estou faminto!
– Somos dois! – o acompanhou.
O jantar foi agradável e não podia estar mais radiante. Estava completo naquele dia. No seu dia.
– Seus pais vão ficar aqui até domingo. Sua mãe disse que a sua irmã tem aula. – sorriu. – Eles estão hospedados aqui, se você quiser ficar aqui, a casa é sua.
– Você é a melhor amiga do mundo, sabia? – ele comentou sorridente.
– Sabia. – ela riu. – Aliás, você vai ficar aqui com eles, né? Suas filhas sentem sua falta.
– Que filhas? – riu.
– Capitu e Luna. – ela respondeu como se fosse óbvio.
– Sua irmã já ama as sobrinhas. – ela comentou risonha, se levantando para ir lavar a louça.
Lindalva e Valdemir estavam lavando tudo enquanto Dhiovanna postava as fotos do dia. fez questão de organizar os dois quartos de visita. Um era só para Dhiovanna e, caso quisesse, a cama tinha um colchão embaixo. No outro, uma cama de casal que seria o quarto reservado de , mas, naquele momento, era de seus pais.
– Meus amores, vamos nos deitar. – Lindalva sorriu. – Foi um prazer estar com vocês esta noite e só queríamos agradecer a por nos receber.
- Que nada, mãe! Ela tá fazendo isso para agradar a nova família. – Dhio brincou e deixou as bochechas de rosadas.
- Boa noite, gente. – ela sorriu. – É um prazer receber vocês aqui.
- Vocêix. – Valdemir imitou.
- Eu vou deitar também. ‘Tô cansada. – Dhiovanna levantou e se foi junto dos pais.
– Amo vocês! – sorriu. encarava quando ela deu um sorriso de alívio.
- Você é linda, . – ele disse. havia bebido umas cervejas junto de e talvez o momento de bebedeira o deixara mais frágil.
- Você também é lindoaté com esse cabelo platinado horroroso. – ela riu.
- Ei! Não fala assim. – ele se ofendeu. – Tem um monte de mulher querendo.
- Massss, mesmo elas te querendo, é comigo que você está. – riu.
- Posso pedir um presente de aniversário? – perguntou com olhinhos pedintes de cachorro.
- Pode, vida. – ela disse risonha.
- Me dá um beijo? – ele pediu sincero. – Eu sou doido para provar do teu beijo.
- ... – ela riu. – Acho que você não está sóbrio o suficiente para lembrar do meu beijo.
- Eu ‘tô sim, muito! – ele riu. – Mas se for para fazer isso, quero fazer no quarto. Vai que minha família sai.
- Vem deitar, você vai é dormir! – riu e puxou o jogador para o quarto. A química levou o centroavante para o banheiro da suíte para escovarem os dentes e colocarem as roupas de dormir. tirou a blusa e estendeu para melhor amiga, que entendeu o recado. virou-se de costas para o artilheiro do Flamengo e tirou seu vestido, pondo rapidamente a blusa de .
Rapidamente, dirigiu-se ao quarto e se sentou na cama enquanto tirava a maquiagem.
- Ei, o que foi? – perguntou ao vê-lo sentado na beirada da cama. Logo depois, sentou-se ao seu lado.
- Queria um beijo seu. Vou morrer na vontade. – lamentou e arrancou uma risada da melhor amiga.
- Se eu te der um beijo, você deixa a gente dormir em paz?
- Deixo. – ele disse esperançoso. se aproximou do homem com um sorrisinho no rosto e juntou sua boca na do jogador. puxou para seu colo e ela foi com facilidade. Os choques elétricos que percorriam nos dois só dava vontade de continuar ali daquele jeito.
Eles não queriam se soltar, mas foram obrigados pela falta de ar. Enquanto isso, se perdeu nos olhos castanhos da morena e sorriu.
– É... Eu ‘tô fudido. – ele comentou.
– Por quê? – perguntou preocupada. Tinha sido ruim?
– Eu nunca mais vou ter um beijo bom desse. E eu sou doido por você. Todo mundo percebe, menos quem mais deveria perceber. – confessou. – Amo teu jeito, amo teu cheiro, tua boca, teu corpo. Amo você toda.
- Eu também amo você. – ela respondeu. – E seu sorriso. Sua boca. Amo tudo em você, .
- Então fica comigo, morena. – ele pediu.
- Eu ‘tô aqui. E eu sempre vou estar. – ela respondeu, contornando os lábios dele com seus dedos.
O nervosismo dos dois era tanto que e apenas se encaravam. Ele ria, bobo. Ela ria, apaixonada. Durante muito tempo, o namoro disfarçado de amizade conseguiu enganar os dois, mas, no dia 1 de setembro os dois acordaram para viver.
- Morena? – a chamou com a voz rouca.
- Fala, vida... – ela sorriu.
- Obrigado por ser meu maior presente de aniversário. – ele a abraçou e arrancou lágrimas da garota.
- Para de ser bobo, eu nem sou tão incrível como você diz. – sorriu.
- É sim. Só você que não vê.
- Vamos dormir, vida. Tô exausta! – a mulher puxou o jogador para cama e os dois pegaram no sono abraçados. conseguiu dormir facilmente, mas não pregou o olho por um minuto naquela noite. Ela estava mesmo sentindo aquilo? De novo? Por um jogador?
: Eu poderia sentar na sua frente e te observar o dia inteiro. Se eu soubesse desenhar, minha maior inspiração seria você. Eu tive medo por muito tempo de me envolver, de conhecer outras pessoas e muito mais pessoas famosas. Quem sou eu, vida? Eu não sou ninguém. Mas também não faço questão de ser alguém. Desde meu último relacionamento, eu nunca vivi tanto para mim. Você me faz querer ser o melhor de mim, a parte que mais me ilumina e irradia amor. Você me liga todo dia só para perguntar se eu tomei meu remédio, porque sabe que sou esquecida. Você é um ótimo pai solteiro, sempre muito presente para suas duas lindas filhas, Capitu e Luna. Você também faz uma lasanha deliciosa. Você sorri lindo. Respira bonito. Ri bonito. Você é lindo. Tanto por fora, quanto por dentro. Talvez eu não esteja sendo clara e você acorde pensando “ótimo, é agora que ela expulsa eu e minha família daqui”, mas é que te observando todo lindo e sereno desse jeito, você me faz querer ficar. Ficar e dizer que é meu. Ficar e compartilhar os melhores momentos. Ficar e ganhar lasanha sempre. Ficar e montar nossa família (que, obrigatoriamente, vai ser flamenguista). Ficar e viver com você para sempre. Não importa onde a vida do futebol te leve, nem a minha vida de pesquisas me leve. Eu sempre vou voltar para você. E é por isso que eu só gostaria de dizer que você é o presente da minha vida. Não do meu ano. Mas, sim, da vida. Você me faz querer viver. Você me incentiva a melhorar a cada dia e eu te amo na mesma medida que tu me motiva. Eu te amo, vida. E eu te quero para sempre. Obs: na caixinha do armário tem remédio para ressaca!

⚽️

foi a última a acordar e foi recebida com um almoço delicioso. Sua sogra fez questão de assegurar que sua nora comesse sua comida favorita ao acordar. O nhoque acabara, e, por coincidência, eles tinham um motivo para comemorar. Lindalva sabia que desde que entrou na vida de , ele era mais feliz. E ela era muito grata por isso.
Como de costume, escovou os dentes e lavou o rosto. Depois, deitara em sua cama para sentir o cheiro do cara que ela amava. Silenciosamente, Luna entrou no quarto e deitou-se ao lado da mulher que não queria se levantar.
- Bom dia, filha. – ela acariciou a gata. – A casa está silenciosa, né? Cadê seu pai?
A felina ignorou todo carinho que recebeu e dirigiu-se diretamente para o segundo quarto de hóspedes, cuja dona era Dhiovanna.
trocou de roupa e foi para sala.
- Bom dia, Bela Adormecida. – Dhiovanna brincou. – A mãe tá terminando o almoço. Fez seu favorito.
- Linda! Eu disse que não era para você se dar trabalho. Hoje a gente podia almoçar fora ou pedir alguma coisa para comer. – reclamou com a mais velha. – Você não veio aqui para trabalhar.
- Querida! Bom dia. – ela sorriu. – Macarrão ao molho branco com frango e brócolis não dá trabalho. É mega simples.
- te contou, né? – ela sorriu. – Aliás, cadê ele?
- Passeando com a filha. – ela riu. Valdemir estava atenciosamente lendo o jornal na varanda do apartamento. Dhiovanna estava louca para que pegasse seu telefone e acompanhasse o que tinha que acontecer.
- , você está com internet no seu telefone? – perguntou, fingindo-se de desentendida.
- Não sei. Deixa eu ver. – rapidamente se levantou e buscou o telefone no quarto. – Não, Dhio. Nossa, quanta coisa. O seu irmão deve ter postado alguma foto comigo.
- Hm, será? – ela deu um sorriso sapeca.
entendeu o recado da adolescente e abriu o aplicativo de fotos. Deparou-se com diversas mensagens, diversos novos seguidores e uma marcação no post de . A foto era ela, deitada em sua cama, naquela manhã, na companhia de Capitu e Luna.
@: É assim que quero acordar para o resto da vida. Te amo para sempre, morena.
- Ele é um besta! – ela riu e abriu o WhatsApp. Tinham milhares de mensagens dos pais e a notificação de um grupo novo.
Família ⚽️
Integrantes:
Mãe, Pai, Linda, Valdemir, , Dhio e Carolina.
Carolina: Bom dia, família! Como não estou presente em diversos momentos devido ao trabalho, entrei em contato com a aborrecente mais linda de São Paulo para formarmos o grupo da família. Já é claro que os dois namoram e que nós somos uma família há muito tempo. Espero que me atualizem com notícias de todos vocês. Agora preciso ir, eu tenho um plantão de 24 horas.
Mãe: Filha, bom trabalho. Não esquece de se alimentar. Vê se aparece, estamos com saudades. , se alimente também!
Linda: Já estou cuidando disso! 😋
Linda enviou uma foto.
:
Carolina, você é maluca quase sempre, mas amei a ideia.
Dhiovanna: Vamos passar o Natal juntos? Como vai ser?
Pai: Que tal... Ano Novo no Rio e Natal em Santos?
Dhiovanna: Amei!
Valdemir: Gosto da ideia. Vocês sempre terão um lugar para ficar em São Paulo.
Pai: Aqui no Espírito Santo também. Apareçam quando puderem.
Mãe: Linda, adoraria te mostrar minha horta.
: Gente? Eu só dormi por algumas horas.
Carolina: Finalmente essa família tá crescendo! Eu gosto disso.
Carolina: O Natal eu posso passar em Santos, o Ano Novo tem plantão. 🙄
Carolina: Antes quando éramos nós quatro era chato. Agora eu tenho uma irmã mais nova!
Mãe: Quanto mais gente, melhor... Agora quero os meus netos.
: Se satisfaça com a cachorra e com a gata por um bom tempo!
responderia sua mãe novamente, mas a chegada de e Capitu no local chamou mais atenção.
- Cheguei. – ele entrou colocando água e comida para cachorra. – Come, filha.
- Bom dia. – levantou-se e abraçou o namorado.
- Bom dia, morena – ele sorriu. – Acabei de ver que tua mãe já quer a próxima geração.
- Ela que espere sentada, a gente tem muito o que fazer ainda. – a química sussurrou no ouvido do namorado, fazendo com que ele se arrepiasse e a agarrasse pela cintura.
- Muuuuito tempo. – sorriu e a beijou. – Você dorme muito.
- Pensei que estivesse acostumado. – ela riu.
- Eu também, mas hoje você se superou.
- Dhio, você já estudou para prova de segunda? – Linda perguntou.
- Já sim, mãe. Só ‘tô com dificuldade em química, mas consegui aprender, eu acho.
- Ah, pronto. Perdi a namorada. – sussurrou.
- Não acredito que eu sou química e a minha cunhada não me chamou para ajudá-la. – se pronunciou.
- Ah! Verdade. – Dhio riu. – Podemos estudar mais tarde, ?
- Mas é claro. – ela sorriu.
- Venham comer! – Linda chamou a família.
sentia-se extasiado. Gostava tanto de ter as pessoas que tanto amava num cômodo só.
- Hoje tem festa do Arrasca, quer ir? – perguntou para .
- Eu topo, ‘tô com saudade dos meus meninos. – ela sorriu.
- Já tinha confirmado sua presença mesmo. – ele disse risonho e nem se importou. Ela jamais perderia a chance de ir à festa com o namorado.
A noite chegou, tinha estudado com a cunhada e os pais de tinham que ir ao aeroporto. Às oito, a família estava no aeroporto do Galeão para voltar à cidade da garoa.
- Vou sentir falta de vocês. – os abraçou e riu.
- Venham nos visitar, ok? – Linda pediu.
- Mas é claro, sogrinha. – sorriu e abraçou a mãe.
- Avisem quando chegar. Eu amo vocês. – ele disse e agarrou a irmã. – Boa prova amanhã. Depois me conta o resultado.
- Bom jogo semana que vem, meu filho. – Valdemir abraçou .
- Obrigado, pai. – ele agradeceu com um sorrisinho.
- Come salada, . Deem um beijo nas minhas netas! – Linda disse ao entrar para sala de embarque.
- ‘Tô muito feliz. – soltou. – Obrigada por isso.
- Eu preciso te mostrar uma coisa! – a puxou para saída em direção ao carro dele.
- O que foi? – ela perguntou. – Fala!
- Temos que entrar no carro antes. – ele correu até o Audi A8 grafite e entrou. – Vem, !
- Eu ‘tô de salto, porreta! – ela riu.
Quando entrou no automóvel, deparou-se com o namorado sem camisa.
- Mas o que é isso? – ela perguntou confusa.
- Desde que eu cheguei no Rio você me fez mais feliz. – ele confessou. – Fez tudo parecer como casa, sabe? Fez tudo ficar confortável desde o nosso encontro. E incrivelmente não me deu brecha nenhuma nesse tempo. Eu só queria que você soubesse que me faz feliz. Então eu fiz isso.
levantou o braço e pôde ver a tatuagem que ele tinha na costela.
- Você tatuou a serotonina que eu te dei... – ela lembrou.

“- Desde que eu comecei a fazer faculdade eu deixei de acreditar que felicidade existe. – comentou. É só um hormônio.
- É o hormônio mais legal de todos, não concorda? – perguntou.
- Existem tantos importantes, mas quem vê nem pensa que a serotonina faz tudo isso.
- Como ela é? – ele perguntou e pegou um guardanapo e a caneta de sua bolsa, desenhando o hormônio no papel.
- Assim... Existem moléculas muito mais complexas que essa. – ela sorriu. – Mas ela representa a felicidade, simplicidade.
- Você consegue fazer química parecer legal. – ele sorriu. – Posso ficar com isso?
- Claro que pode, vida. – ela sorriu.”

- Sim... Foi ali que eu percebi que gostava de você. – ele riu. – Clichê, né? Eu sei que é.
- Mas é lindo! Eu amei. – ela sorriu e o beijou. – Obrigada por me fazer a mulher e mãe mais completa desse país.
- Te amo para sempre, morena. – ele sorriu. – Até que a serotonina nos separe.
- Até que a serotonina nos separe. disparou sorrindo que nem criança. Como amava aquele homem. Como queria tê-lo para sempre. E ela teria.





Fim!




Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Awwwn, que fofinha, que amor esses dois, muito adorável a relação deles, Tris! Amei muito! Parabéns!!<3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




comments powered by Disqus