FFOBS - Until My Last Breath, por Lí Schultz

Última atualização: 20/05/2018
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Chapter One

POV

- , 30 segundos pra essa câmera voltar a transmissão.
- Já terminei com esses aqui - disse quando quebrei o pescoço do último dos três seguranças daquele corredor - Tá, por onde vou agora?
- Segue em direção ao norte, no fim do corredor vire à direita, lá você vai encontrar as escadas para o quarto do Banccof.
- Entendido.
- , saiba que existem pessoas em todos esses quartos, seja silencioso.
- Ok, mamãe. - respondo ironicamente.
- Engraçado , muito engraçado. - respondeu, e dava até pra imaginar sua cara de descaso ao dizer.
- Sabe o que não é engraçado?
- O quê?
- Não tem porra de passagem pra escada nenhuma aqui!
- Hã? Como assim? A Dafne está mostrando uma passagem exatamente aí. - Bryant tinha um dom de colocar nome em coisas, como “Dafne” em seu computador.
- É, mas essa merda ta errada! Arruma isso logo Bryant.
- Droga, cinco seguranças vindo do corredor onde você estava.
- Merda, merda, merda! - Espiei pelo corredor e os cinco vinham em minha direção. Cada um deles com uma pistola em mãos. Eu poderia atingir os dois primeiros com rapidez, mas os outros iriam perceber, mesmo com o silenciador. O engraçado era que nenhum deles pareceu perceber a ausência dos...
- Onde estão Steve, Castiel e Mark? - É, agora eles perceberam. Assim como suspeitaram de minha presença. O mais mal encarado dos cinco deu ordens por meio de gestos para que dois deles fossem para os corredores laterais, enquanto o mais magricela voltava pelo corredor principal, aparentemente em direção à sala de controle. Os dois continuaram percorrendo o extenso corredor em minha direção. Bryant não tinha dado mais nenhum sinal de vida e qualquer tentativa de contato poderia chamar atenção pelo silêncio do lugar. Foi então que notei uma porta na direção oposta do corredor onde estava, uma tentativa de atravessá-lo correndo alertaria os seguranças, que estavam cada vez mais perto.
Então o que aconteceu foi bem rápido, atirei em um dos sprinklers* que estava um pouco atrás dos dois, a intenção era só chamar atenção pro local do tiro, mas toda a rede de combate a incêndio fora ativada, sirenes faziam um alarde e os sprinklers jorravam água em todos os cantos, como era de se esperar, todas as portas foram destravadas, pessoas e mais pessoas corriam desesperadas pelos corredores. Essa foi a minha deixa para correr até a porta daquele quarto, já esperando encontrar alguém lá dentro, já que não havia saído ninguém de lá desde o alarme. Adentrei a suíte, que era enorme por sinal e tinha pelo menos duas portas que davam acesso a outros cômodos, e me certifiquei de trancar a porta e manter minha arma em punho. A situação a seguir me deixou em um misto de confusão e indecisão, não sabia se deveria cair histericamente no riso ou se deveria avisar a garota dos fones de que ela não estava sozinha. A primeira opção venceu.

POV

- Mom's not home tonight, so we can roll around have a pillow fight like a major ranger OMFG, uh oh uh oh uh oh - cantava despreocupadamente e fazendo caras e bocas, vestindo apenas uma lingerie preta de renda, metade do meu salário ia para Victoria's Secrets. Era no mínimo confortável ficar assim pela minha suíte do hotel Du Cap em Paris. Aquelas férias eram merecidas e o hotel era ma-ra-vi-lho-so, o que me fazia passar a maior parte do tempo no naquele quarto. - Come come, Kitty Kitty, you're so silly silly Don't go Kitty Kitty, play with me! - aquela parte da coreografia desajeitada de minha autoria incluia girar pela sala, e assim fiz.
- AAAAAAAAAAAAH! - foi a primeira coisa que consegui gritar ao ver aquele cara estranhamente gostoso rindo escorado à porta, mas essa não era a pior parte. A arma que ele tinha em mãos era. Acho que meu grito o despertou porque agora ele tinha uma feição preocupada naquele rosto extremamente másculo e corria em minha direção. A essa altura o Ipod já tinha ativado o modo avião e voado para algum lugar ao chão e eu já tinha disparado a correr pela sala. Correr nunca foi meu forte, sempre fui a mais desajeitada pra tudo, deve ser por isso que o cara logo me alcançou me prensando entre aquele corpo esculpido por Deus e a porta do meu quarto, com uma daquelas mãos grandes com dedos longos ele tapava minha boca, e com a outra me pedia silêncio.

POV

- Não grita, por favor. - disse olhando pra garota e destapando sua boca.
- Fácil falar quando é você que está com a arma. - coloquei a arma novamente à parte de trás da calça e parei por um instante para analisar a situação. A garota não parecia mais tão assustada, muito menos infantil. Quem visse aquelas curvas, seios fartos e a pele morena logo imaginaria coisas que fariam suas calças ficarem mais apertadas, se é que me entendem. Ela parecia fazer o mesmo comigo, só que discretamente.
- Quer que eu tire pra você ver melhor? - me perguntou em um tom bravo e irônico, apontando o sutiã.
- É... Você não é daqui, certo?
- Não. Percebeu isso antes ou depois de quase me comer com os olhos? - eu até tentei abrir a boca para responder a pergunta, mas ela foi mais rápida - Quem é você? O que você está fazendo no meu quarto? Por que você tem uma arma? - depois de cuspir todas as perguntas cruzou os braços, o que só fez realçar mais aquele par de... - Seria bom se você me respondesse e parasse de olhar aí pra baixo.
- Depois. . E é só isso que você precisa saber, agora eu faço as perguntas. Você tem um celular ou um computador aqui?
- Não, espera. Você entra no meu quarto, com uma arma, e a única coisa que eu posso saber é que seu nome é ?
- Não, também te disse que descobri que você não é daqui depois que eu dei uma conferida.
- Calma, o quê? - revirei os olhos com indiferença - Pra que você quer o meu celular? Isso é algum tipo de assalto? Porque se for, você se deu mal nesse, tô aqui porque ganhei a viagem com as milhas aéreas, na verdade eu sou pobre.
- Meu Deus, como você fala! Preciso falar com Bryant, saber a localização dele.
- Bryant é o cara que você quer matar?
- O quê? Por que eu entraria em contato com o cara que eu supostamente quero matar?
- É, esquece, faz tempo que eu não assisto aquelas séries policiais... Eu bem que deveria voltar a assistir NCIS Los Angeles, é bacana, tem um cara que...
- Ei, foco! Celular? - disse, impedindo que ela continuasse seu raciocínio.
- No quarto. - acompanhei a garota até o quarto onde ela me entregou o aparelho.
Por SMS pedi a Bryant o que precisava, a essa altura a missão de encontrar Banccof já estava comprometida demais, certamente já sabiam da minha presença e ainda por cima a criatura falante agora estava envolvida. Enquanto aguardava a resposta a fitei, não foi preciso muito tempo para perceber que ela estava formulando inúmeras perguntas para redigir a mim. O celular vibrou me dando as informações necessárias.
- Pronto. - ela pegou o celular de volta, sem falar nada, ainda. - Como é o seu nome?
- . - respondeu e apenas nesse momento a ausência de palavras vindas dela começou a assustar. Seu olhar se transformou em um dos mais confusos, minha preocupação aumentou.
- Senhora? Por favor abra a porta. - era a voz de um dos brutamontes que estavam lá fora. Arregalei os olhos e parecia ter saído de seu transe.
- Meu Deus. Tem um estranho armado no meu quarto.e.eu.estou.sem.roupa.
- Tem alguém aí dentro? Abra a porta.
- ...- ela parecia estar em outro transe, envolvida em sua busca por algo nas malas - !
- O quê? - perguntou vestindo desajeitadamente um roupão branco. Como se eu já não tivesse visto aquele corpo - , o que foi?
- A porta, tem um segurança querendo entrar aqui, eu preciso que confie em mim, não diga que eu estou aqui, - digo em um apelo olhando em seus olhos - Por favor. - ela apenas assentiu e saiu em direção à porta. Enquanto ela saia eu procurava alguma forma de sair dali sem que fosse pela porta onde entrei, não encontrei nada. A suíte estava em um dos últimos andares, pular não chegava nem perto de ser uma alternativa. As varandas tinham aproximadamente dois metros de distância de quarto para quarto. Não havia outra saída que não fosse a porta principal. O jeito era partir para o plano que sempre acabava em muitas balas, o improviso.

Sprinklers: Dispositivo comumente utilizado no combate a incêndios.


Chapter Two

POV

- Calma, … Calma! Só tem um estranho armado no seu quarto e um outro quase arrombando a porta. - eu sussurrava.
- Nós sabemos que vocês estão aí! - mas que saco, eu sempre fui boa em tomar decisões num piscar de olhos, porque a dificuldade de abrir a porta e dizer, “olha amigo, eu te digo que ele está no quarto se você me deixar sair daqui sã e salva!” mas se bem que eu também não sei se eu posso confiar no cara lá fora...
- OLHA AQUI, SE VOCÊ NÃO ABRIR ESSA PORTA NÓS VAMOS... - atravessei a sala e interrompi o que ele dizia abrindo a porta.
- O senhor pode me fazer o favor de parar de gritar? - não imagino como consegui ser tão cara de pau.
- Escuta aqui minha senhora... - o interrompi novamente.
- Escuta aqui você meu querido, como você tem a audácia de interromper o meu banho pós meditação? - “banho pós meditação” nem eu sabia que merda era aquela.
- A senhora não ouviu o alarme de incêndio? Todos saíram de suas suítes, menos a senhora. - eita, eu realmente não tinha ouvido.
- Como eu lhe dizia, eu estava em meu banho, não me recordo de nenhum alarme. - aquela não tinha convencido nem a mim mesma.
- Estranho, a senhora teria ouvido mesmo em seu banho… A não ser que alguém tenha desviado sua atenção.
- Alguém? Como assim, alguém? - sempre dominei a arte de enrolar.
- Você tá achando que a gente é burro bonequinha? - disse empurrando a porta e me empurrando contra a parede.
- Eu… É... Não, eu não disse nada diss... - não consegui completar a frase, o brutamontes que me prensava na parede tinha acabado de apontar uma arma, na direção da minha cabeça.
- É o seguinte, se você se comportar não vai acontecer nada com você - dizia friamente com o rosto próximo ao meu enquanto eu tinha meus olhos fechados - Mas se você fizer um barulhinho ou tentar sair correndo enquanto damos um jeito no seu amiguinho, nós acabamos com você. Entendeu princesa? - eu não consegui abrir a boca para responder.

POV

Assisti a cena toda pela fresta da porta. O cara que tinha feito toda aquela palhaçada para amedrontá-la ia em direção ao banheiro enquanto o outro apontava uma pistola pra que parecia bem assustada, dava para perceber porque ela estava quase se camuflando na parede de tão branca. O grandalhão vinha em direção ao quarto, preparei o silenciador, ainda “escondido” atrás da porta e esperei que ele entrasse. Assim que ele entrou pude perceber que não tinham mandado os melhores pra me matarem, o cara sequer olhou atrás da porta quando entrou. Eu não ia perder aquela chance. Não mesmo.
- Ei! - disse e ele se virou. Disparei três tiros, um na cabeça e dois no peito. Aquele tinha sido fácil, mas estava lá fora, eu saberia como agir, mas ela podia se apavorar mais ainda e acabar se machucando. Quase no meio da sala tinha uma pilastra, dali eu poderia atingir o segundo com facilidade, mas qualquer movimento que eu fizesse para correr naquele pequeno espaço poderia chamar atenção. Encostei na parede ao lado da porta, conseguia me ver, eu não podia dizer nada, não tinha nenhuma forma de pedir pra que ela o distraísse pra que eu fosse até a pilastra. Mas de alguma forma ela parecia compreender meu plano.
- Ei, será que eu posso me sentar? - perguntou. Enquanto o cara olhava pra ela eu corri até a pilastra.
- Não. E cala a boca. - respondeu. Eu só precisava de uma distração pra ele, não estava nem a um metro de distância, e ele podia disparar contra ela. O quarto tinha várias luminárias no teto, atirei em duas. O cara deu dois passos se afastando de e eu disparei dois tiros, os dois o atingiram na cabeça.
- . - tinha os olhos arregalados, parecia estar em um estado choque pior ainda.
- vem, a gente precisa sair daqui, e rápido!
- , você v-você atirou nele. - disse tirando os olhos do corpo estirado no chão e olhando pra mim.
- Se eu não atirasse nele, ele iria atirar em você, e iria ser você estirada aqui no chão, não ele. Pode me agradecer. - disse indignado.
- ? Tá me ouvindo?
- Porra Bryant, até que enfim! Tira a gente daqui, da forma mais rápida e segura possível.
- A gente? Quem está aí com você?
- Caralho, fala logo, depois eu explico!
- Tá, tá, se você chegar ao elevador eu consigo invadir o sistema pra que ele só abra no andar da garagem.
- Tá bom, entendi. - disse puxando pelo braço. Corri pelos corredores vazios com ela ao meu encalço. - Bryant, tem três deles aqui.
- Vai no da esquerda, o de serviços. - entramos mais do que depressa. Quando as portas começaram a se fechar apareceram uns cinco daqueles caras, empurrei para uma das laterais do elevador por reflexo.

POV

Quando me empurrou contra a “parede” do elevador fechei meus olhos mais do que automaticamente. Escutei cerca de cinco tiros antes que as portas se fechassem por completo e o elevador começasse a descer. ainda me prensava e segurava minha cintura enquanto meu rosto se escondia em seu peito, o cheiro dele parecia me acalmar aos poucos, não faço ideia de como ou porque, mas me sentia segura ali.
- , você está bem? - ele perguntou levantando meu rosto.
- Eu… - permaneci de olhos fechados e respirando fundo enquanto ele acariciava meu rosto.
- Que ótima companhia em … - agora que estávamos em um silêncio total eu conseguia ouvir a voz que vinha do ponto de . Ele não respondeu, mas se afastou de mim e olhou pra câmera do elevador.
- Onde você está com a van?
- Tem uns caras suspeitos rondando por aqui, eu vou parar na frente do elevador e vocês pulam. - “vocês pulam” o quê? o elevador quase voou do terceiro andar para o subsolo. segurou minha mão e assim que a portas abriram, uma van preta se aproximou e abriu a porta. Ele me puxou e entramos.
- Cara que merda foi essa? - o cara que dirigia perguntava para .
- Eu não faço a mínima ideia, o Banccof me descobriu lá e mandou os piores homens dele.
- Ele facilitou pra gente, isso tá na cara, mas por quê?
- Não sei, vamos ver isso quando chegarmos na base. - Base? Que base?
- , quem é ela? - perguntou olhando pelo retrovisor.
- Meu nome é .
- Bryant, prazer.
- Eu entrei no quarto dela na hora da confusão, achei que não tivesse ninguém lá. - disse o olhando.
- Tá, e o que vamos fazer com ela agora? Ela vai pra base?
- Não! Você enlouqueceu? Você sabe que tudo que tem lá é confidencial!
- Tá bom, então a gente vai deixar ela em uma esquina qualquer nesse frio e só de roupão?!
- Claro que não, vamos comprar roupas pra ela e dar dinheiro pra ela fugir daqui.
- , eles viram ela com você no elevador, você sabe que o Banccof vai atrás dela.
- Ei, gente! Eu tô aqui sabe, não sei se vocês perceberam. - Bryant e se entreolharam pelo retrovisor. - Não tem como sair do país , todas as minhas coisas ficaram lá.
- Eu consegui pegar seu celular… - disse calmo - Mas só isso.
- Ótimo, todos os meus documentos ficaram lá meu passaporte e meu dinheiro!
- Não tem nenhuma chance de um de nós entrar naquele hotel novamente. - Bryant disse com uma feição nada boa.
- NOSSA, ISSO TA CADA VEZ MELHOR, E PRA PIORAR A PORRA TODA AINDA VÃO ME SEGUIR NESSA BOSTA! - não é possível que tinha que sempre dar tudo errado pra mim.
- . Primeiro. Não grita. E segundo. Eu te coloquei nessa roubada. Eu vou resolver. - Se eu achava que a feição de Bryant não era nada boa, a de conseguia ser pior. Bryant continuava dirigindo para algum lugar que eu não fazia ideia. estava sentado no banco de frente ao meu. Apoiei meus cotovelos em meus joelhos e afundei meu rosto em minhas mãos. Que merda de vida era aquela? Era de suspeitar que uma viagem com tudo pago teria algo fora dos trilhos, tava bom demais pra ser verdade.
- Eslava. Não Gibs, não finalizamos o Banccof. Não. Não. E tem mais um problema. É. Explicamos assim que chegarmos. - Bryant falava ao celular com alguém. - , era o Gibs.
- E aí?
- E aí que estamos ferrados. Você sabe que essa missão era confidencial de grau cinco.
- É, eu sei. - parecia cada vez mais sem paciência. Fechei meus olhos e me concentrei apenas em “não pensar em nada”. Já tinha vivido mais aventuras em um dia do que o planejado pra toda minha vida.

POV

adormeceu pouco tempo antes de chegarmos à nossa base em Paris.
- , a gente acorda ela?
- Não, vamos falar com o Gibs, explicar tudo e depois a acordamos… Ela parece ter o sono muito pesado, não vai acordar agora…
- Hmm… Tá observador em ? - Bryant provocou tomando o caminho à frente.
- Se fode, Eslava.
Gibs não ia gostar nada quando soubesse o que tinha acontecido naquela missão. Mas a merda já tava feita. Não tinha como piorar.

****


- Ok. Eu quero falar com ela. Eu tenho uma ideia. - disse Gibs depois que explicamos o que tinha acontecido. Ele com certeza xingou até a terceira geração da minha família, mas foi melhor do que eu imaginava. Essas ideias do Gibs nem sempre eram tão boas, apesar de gerenciar todas as operações em que eu e Bryant atuamos, ele via e pensava nas coisas de um jeito diferente.
- Ela tá na van. - Bryant respondeu.
- E o que suas bundas gordas estão fazendo aqui que ainda não foram chamar a moça?! - levantamos e saímos da sala. Aquele prédio não era dos maiores.
- Eslava? Onde pensa que vai? - perguntei quando Bryant seguia na direção oposta à do estacionamento.
- Eu? Vou tomar um café. Se vira lá meu chapa! - disse e saiu andando, simples assim. Quando cheguei até a van ainda dormia. Sentei ao seu lado, e por um momento apenas a observei dormindo. Ela era diferente de qualquer uma que já tinha parado na minha cama, a pele mais morena do que a das americanas, as curvas daquele corpo me fariam ter sonhos calorosos por um bom tempo.
- … - sussurrei próximo ao seu ouvido e vi toda extensão do pescoço dela se arrepiar. Ah, então eu causava nela a mesma sensação que ela causava em mim. - , acorda, nós chegamos. - Ela abriu os olhos e logo em seguida se espreguiçou.
- Onde nós estamos?
- Na base. O Gibs que falar com você.
- Quem é Gibs?
- Meu “chefe”, ele coordena minhas operações com o Bryant. - Ela apenas assentiu antes de descermos da van. Enquanto ela me seguia até o elevador percebi que ela tremia de frio. Quando entramos no elevador tirei minha jaqueta e estendi a ela.
- Toma, veste.
- Não, relaxa. Não precisa.
- Precisa sim, você está tremendo. - depois de ponderar ela aceitou, estava realmente frio e ela continuava de roupão. Ela não desatou o nó do roupão, abaixou as mangas, vestiu a jaqueta e tornou a se vestir com a parte superior do roupão. Eu juro que tentei não olhar enquanto ela vestia a jaqueta, mas meus olhos me traíram e foram direto ao seu colo. Deus, aquilo era demais pra mim. Quando todo o processo terminou as portas do elevador se abriram. Caminhamos até a sala de Gibs onde os deixei sozinhos.

POV

Vergonha. Nada descreveria melhor o que eu sentia naquela sala. Eu estava de roupão, na sala de um senhor de aproximadamente 50 anos. Seus cabelos eram grisalhos e tinham corte militar. Sua feição era bem, bem, beeem rígida.
- Então, senhorita… ?
- Isso.
- Bom, primeiramente eu quero lhe pedir desculpas pelo ocorrido. e Eslava fazem parte da melhor equipe desta instituição, essas falhas não costumam acontecer. - apenas concordei com a cabeça. - Você agora está envolvida em uma operação do governo.
- Operação do governo? O que? Não, eu não pedi nada disso, eu só quero voltar pra casa e esquecer que essa confusão toda aconteceu. - ele riu. Simples. Ele riu da minha cara.
- Você sabe quem é Banccof?
- Não e gostaria de continuar sem... - ele interrompeu antes que eu pudesse terminar.
- Ele é o nosso negócio mais caro. O governo vai nos pagar cerca de 5 bilhões de dólares assim que nós acabarmos com ele. - 5 bilhões é muito dinheiro. Não pude evitar em arregalar os olhos. - Mas apesar da cabeça dele valer muito, ele é o bandido mais perigoso de toda Los Angeles. Você não vai ter sossego, ele te viu com um dos nossos. Ele vai te matar na primeira oportunidade. Eu tenho uma proposta pra você, se você ainda quer viver…
- Não, espera um pouco, ele vai me matar por que, exatamente? Por eu ser vítima de um agente bosta de vocês? - eu estava exaltada. Mas era totalmente pelo medo.
- “Agente bosta”? - ele riu cinicamente - O é melhor agente dessa corporação. Mas até mesmo o melhor comete erros, minha querida. Ele vai atrás de você porque ele tem as imagens de você fugindo com um dos nossos, inclusive o momento ternurinha no elevador… - “momento ternurinha no elevador”. Porra, que vergonha.
- Tá bom. Qual a sua proposta?
- Eu quero que você seja uma das nossas.
- Como assim? Uma assassina? HAHAHAHA, eu não mato nem uma barata, quanto mais esses bandidos fodões.
- Seu trabalho não seria como assassina. Você não vai trabalhar em campo, não agora. Você será treinada pelos melhores. Mas tem um porém.
- Que seria?
- Sua identidade. Você mudaria seu nome nunca mais veria sua família e teria que morar em Los Angeles com o e o Eslava.
- Família? - balancei a cabeça negativamente - Eu não tenho família. Fui deixada na porta de um orfanato quando ainda era recém nascida. Não tenho ninguém por mim no mundo.
- Sinto muito. Mas isso é de certa forma, bom…
- Eu nunca me importei em ser órfã, sempre tive o que comer e onde dormir, pra mim já era o suficiente. O resto eu posso conseguir.
- Você pensa de forma sábia.
- Obrigada.
- Você tem o que nós precisamos, garra e coragem, e nós podemos te dar a proteção que você precisa. Então, ? Aceita entrar para a nossa equipe?

Chapter Three

POV

- Eu... E... Eu n-não levo jeito pra isso – Gaguejei e sorri nervosa. O quê? Eu? Esse cara deve ser louco! Como eu vou sair matando gente por aí? Não. Não nasci pra isso. Meu Deus, onde esse homem está com a cabeça?
- Você não leva jeito pra isso? – ele riu. Sim, riu! – Qualquer outra pessoa teria feito uma besteira irreversível ali e acabaria morto. Você se saiu muito bem . – Me saí bem? Eu só fiz o que o pediu, até porque eu não queria morrer. – Se você aceitar te daremos todo o treinamento, você terá a proteção contra o Banccof e uma ajuda de custo.
- E como eu vou viver? Onde eu vou morar? Meus documentos ficaram todos no hotel, eu não tenho roupas, não tenho casa, carro, nada.
- Você receberá todos os treinamentos que os outros agentes já receberam, cada equipe de agentes tem uma “base” onde moram, caso você aceite, sua equipe será a do , Eslava, Carpenter e Lucy. A agência lhe dará as roupas e as outras assistências necessárias.
- Quanto aos meus documentos?
- Bom essa parte é mais complicada, não temos como recuperar o que ficou naquele hotel.
- Minhas lingeries... – pensei alto com o olhar perdido.
- Desculpe? – Gibs me analisava com uma feição de interrogação no rosto. Eu realmente tinha dito aquilo em voz alta, droga.
- Ah, nada. – sorri em uma tentativa frustrada de corrigir o que tinha dito. – É... E como vamos fazer com os documentos?
- Você terá uma nova identidade, uma nova vida. Nada do que já aconteceu no seu passado pode te influenciar agora. Fiz uma breve busca e descobri que você não tinha amigos, apenas colegas de trabalho, o que não influenciará nas operações. O fato de não ter nenhum familiar também ajuda bastante, então faça sua escolha.
Nossa, me chamou de sem amigos, ele que fique sabendo que eu posso sim ter amigos. Ele descobriu isso bem rápido...
- ? Vai aceitar a proposta ou não?
- Eu...
- Gibs, novas informações no caso do Banccof, ele está partindo para a... – entrou pela sala como um furacão, e que furacão, meu Deus.
- , eu não terminei com a ainda, o caso do Banccof não é prioridade agora.
- Mas Gibs, você tem que ouvir isso!
- Se quiser esperar pode dizer, mas como lhe disse, isso não é prioridade agora. querida, você aceita ou não? Não é como se eu tivesse o tempo do mundo para lhe deixar escolher. – ele tinha ficado puto pela intromissão do , era visível.
- Eu aceito. – saiu! E dessa vez sem gaguejar. Então era isso, eu tinha aceitado. Gibs sorria como se já soubesse que eu aceitaria e como se isso fosse maravilhoso, já ao meu lado estava bem confuso.
- Aceitou? Aceitou o quê? – perguntou.
- é a mais nova integrante da agência e você será o mentor dela.
- Ela o quê? Você só pode estar brincando! Ela não leva jeito pra isso Gibs!
- Foi o que eu disse, mas ele não me ouviu também! – apenas ignorou o que eu disse e continuou falando.
- Gibs, isso é sério, ela não deve nem conseguir matar uma barata! Ela não pode sair matando pessoas por aí como fazemos.
- Não tente ensinar o padre a rezar a missa, ! O que você tem de idade eu tenho de experiência nesta agência. Espero que você não tenha esquecido quem é seu superior e dá as ordens aqui. – A essa altura Gibs estava de pé e estava vermelho.
- É sempre essa a desculpa que você usa quando está prestes a perder uma discussão por não ter razão, Gibs. – disse sorrindo cinicamente e saiu da sala.
- Bom, , acostume-se com isso. Bem vinda à agência. Já está tarde e hoje você passará a noite aqui na base central. Vou pedir para que Lucy traga algumas roupas e calçados, amanhã vocês podem sair e comprar coisas de seu gosto, todo custo será arcado pela empresa. – apenas concordei com um aceno. Uma moça loira muito simpática bateu a porta e entrou.
- Mandou me chamar Gibs?
- Sim Lucy, essa é , nossa mais nova agente. Preciso que você a ajude com o que precisar. – Lucy era loira e magra, parecia muito com uma daquelas garotas de propaganda de cerveja.
- Ah, seja bem-vinda . Tenho certeza que nos daremos bem! Até que enfim mais uma mulher, isso aqui estava ficando insuportável, nenhum deles gosta de falar sobre os novos batons da nova coleção da MAC ou da nova linha da Victoria Secrets! – ela dizia empolgada e não segurei o riso.
- Também acho que nos daremos bem Lucy!

Eu e Lucy conversamos bastante no caminho enquanto pegávamos algumas coisas para minha higiene e umas roupas provisórias, descobri quem nem todos ali matavam pessoas, pelo menos não diretamente. Lucy tinha chegado à agência quando tinha 15 anos de idade, aparentemente o tal Carpenter também e agora eu sabia seu nome, Aaron... Nome legal. Já era tarde e combinei que iria com Lucy ao shopping amanhã pela manhã, fiquei em uma suíte na agência com um quarto muito confortável, uma cama enorme e uma banheira maravilhosa... Aproveitei e passei um bom tempo no banho.
Depois, já descansada, coloquei um roupão que estava pendurado próximo à porta do banheiro e fui em direção ao quarto. Havia mais alguém ali, senti um cheiro masculino maravilhoso antes que conseguisse avistar a imagem de , encostado na parede de olhos fechados e braços cruzados. Deus, tenha piedade, aquele homem mexeu comigo e o ver naquela postura não contribuía muito com a minha sanidade.
- ? – chamei com a voz baixa fazendo com que ele abrisse os olhos e me olhasse dos pés à cabeça.
- Parece que nós temos o hábito de nos encontrar quando você está de roupão. – sorriu, aquilo quase acabou com o meu restinho de sanidade, quase.
- É. – respondi, também sorrindo.
- Eu... Eu vim aqui me desculpar – disse se aproximando.
- Se desculpar. Pelo quê? – perguntei olhando em seus olhos, realmente não me lembrava de nenhum motivo pra isso.
- Por três coisas...
- Quais?
- Por ter te envolvido nisso tudo quando entrei correndo no seu quarto, - não tinha o culpado por aquilo – por ter discutido com o Gibs na sala e ter dito muita besteira, e... – respirou fundo e me encarou com o corpo próximo demais ao meu. - E por isso. - Quando terminou de dizer já não havia espaço entre nós dois, uma de suas mãos segurava firme minha cintura e a outra acariciava minha bochecha. Fechei os olhos e o senti selar meus lábios e pedir passagem com a língua, cedi, intensifiquei o beijo e passei meus braços em volta de seu pescoço.
Poderia fazer aquilo pelo resto de minha vida, beijava maravilhosamente bem.

***


POV

- Já disse uma vez cara, não vou ficar repetindo. – disse quando Aaron me perguntou o que tinha feito no quarto com ontem à noite.
- Então você chegou lá, ela estava de roupão, vocês se beijaram e só? Qual é cara, você pode me contar o que aconteceu depois!
- Não aconteceu nada depois, para de viajar. – disse enquanto terminava de checar minha Glock – Eu a beijei e fui analisar uns casos antes de dormir.
- Hmmm, sei. Eu vou ficar sabendo da verdade depois, . – disse rindo e o acompanhei.
- Eu descobri a localização do Banccof.
- Cara, o Gibs disse que esse caso não é mais nosso, foi arquivado.
- Eu sei, mas é estranho demais ele abrir mão do caso mais valioso, tem algo muito errado nisso, e eu vou descobrir.
- Você devia deixar isso pra lá e pensar mais em melhorar suas técnicas de conquista. Qual é cara, uma mulher daquelas e ficou só nos beijinhos, eu confiava mais no seu taco , sinceramente.
- Vai se foder. – respondi e nós dois ríamos como duas hienas – Você deveria ter aulas comigo, nem falar com a Lucy você consegue, quem dirá beijá-la como eu fiz com a .
Aaron ficou sério, eu só consegui rir mais ainda. Ele era apaixonado por Lucy desde que chegaram aqui e nunca conseguia falar mais do que os assuntos de trabalho com ela.

POV

Estava a caminho do shopping com Lucy, ela dirigia e já tinha me contado várias coisas sobre o pessoal da agência, a parte que mais me interessou foi a de , obviamente. E por falar nele, parece que todos o chamam de “”. Ele chegou à agência depois que sua mãe foi assassinada, seu pai ainda estava vivo, mas pelo que ela disse, eles não eram próximos e não fazia questão de saber por onde o pai andava. Lucy falava sobre alguma coisa enquanto procurava uma vaga para estacionar. mas como outras vezes naquele dia, eu estava perdida em meus pensamentos, não tinha como esquecer aquele beijo, foi estranhamente bom.
- ... no banco traseiro. – Lucy havia dito algo e não tinha prestado muita atenção.
- O quê? – perguntei.
- Seus documentos com 6 opções de identidade que você vai usar nas operações, cartões de crédito sem limites, habilitações falsas e mais umas coisinhas. – estiquei o braço até o banco traseiro e peguei a tal pasta.
- Uau, parece real. – disse enquanto olhava algumas identidades.
- Parece, o serviço da agência deve ser sempre muito bem feito.
- Deve ser por isso que o ficou tão frustrado na missão em que nos conhecemos. – pensei alto e Lucy riu.
- Aaah, o nunca falha em nenhuma missão, ele não vai parar enquanto não finalizá-la.
- Mas o Gibs disse que a missão tinha sido arquivada.
- Como se o fosse acatar esse tipo de ordem. – descemos do carro e fomos em direção às lojas. – Aaaaah, compras, como eu amo.
- Finalmente alguém que me entenda!
Passamos a tarde toda comprando roupas, sapatos e acessórios, íamos ao carro, deixávamos as sacolas e voltávamos para comprar mais. Segundo Lucy a agência arcaria com todos os custos, isso era muito bom. Quase consegui comprar todas as lingeries da Victoria Secrets, Lucy também levou algumas. Quando estávamos cansadas de andar e de entrar em todas as lojas decidimos ir para a base, pela madrugada pegaríamos um voo com destino à Los Angeles.
- Eu estava precisando disso. – disse Lucy exausta arrancando com o carro. – Quase me esqueci, abre o porta luvas, tem um celular aí, vai ser seu, manteremos contato por ele e por mais uns equipamentos durante as missões.
- Okay. Quanto as missões, você costuma ir?
- Não, geralmente os que têm mais habilidades físicas vão, e Bryant vão, eu e Aaron comandamos da base, nossa área é mais tecnológica.
- Entendi... E no meu caso, que não tem nenhuma habilidade?
- Ah , ingênua! – ela ria – eu pesquisei tudo sobre você, - arregalei os olhos – suas melhores notas na escola foram na área de exatas, você começou um curso na faculdade e terminaria neste semestre se não tivesse entrado na agência... Ainda faremos alguns testes com você, raciocínio, ação e reação... Nada demais, mas tenho quase certeza de que você vai trabalhar em campo com e Bryant.
- Eu? Em campo? Eu nunca vou saber segurar uma arma, eu não tenho coragem de matar pessoas. – Lucy tinha uma feição estranha no rosto e olhava freneticamente para os espelhos retrovisores. – Lucy?
- Estão nos seguindo. Liga pra base. – o fiz mais que depressa.
- Alô? – era Bryant.
- Bryant, estão nos seguindo. – coloquei no viva voz e Lucy era quem falava.
- Calma, eu já tenho a localização de vocês, Aaron e estão a caminho. Tente desviar e não cair em nenhum caminho que as feche.
- Tá, mas manda eles se apressarem! – ela mal terminou de dizer e sentimos um forte impacto contra a traseira de nosso carro. – , se segura.
Lucy acelerou ainda mais o carro e desviava dos outros rapidamente, mas o carro ainda no seguia.
- , você sabe dirigir, não sabe?
- Sei. – ela ligou o comando do teto solar.
- Presta atenção, essa vai ser sua primeira missão, - putaquepariu não estou preparada – você vai dirigir enquanto eu tento resolver com esses caras, ok?
- Tá. – segurei o volante e enquanto ela passava para o banco de trás, sentei no banco do motorista. Confesso que dirigir eu sabia, talvez fosse uma das poucas coisas que eu sabia fazer direito, mas nunca tinha dirigido no modo Velozes e Furiosos.
Lucy pegou uma arma enorme e colocou metade do corpo pra fora enquanto eu acelerava mais e desviava dos carros, não fazia a mínima ideia de onde estava nos levando, aparentemente era para uma rodovia. O GPS do carro mostrava um caminho, o mesmo eu fazia.
- Lucy, o caminho do GPS leva vocês ao encontro de e Aaron.
- Bryant, sou eu quem está dirigindo, a Lucy está tentando parar o carro de trás. – Lucy disparava fervorosamente contra o carro de trás, a via era de mão única e agora na rodovia não tinham muitos carros.
- Droga! O carro deles é blindado. Mantém a velocidade .
- Entendido, Lucy.
O carro agora estava ao nosso lado, Lucy estava sentada no banco do passageiro enquanto recarregava a arma. À minha direita mantinham a mesma velocidade que eu, o motorista tomou distância e virou o volante chocando as laterais.
- Porra! – Lucy xingou – Bryant, cadê eles?
- Estão a dois minutos de vocês. , mantêm firme! – outra batida na lateral.
- Merda. – dessa vez quem se irritou fui eu. Esperei que o carro tomasse distância de novo. Quando vieram em nossa direção, pisei no freio com toda força, fazendo nosso carro parar e o deles perder o controle e ir em direção à vala de contenção central, o carro capotou três vezes e parou na pista do sentido contrário. Lucy tinha os olhos arregalados e eu tinha a respiração ofegante. Ela me entregou uma pistola preta.
- Vem, fica atrás de mim e se alguém levantar uma arma pra você, você puxa o gatilho. - Assenti e saímos do carro. Atravessamos o canteiro com armas em punho, não parecia ter sobrado nada do carro, quando chegamos mais perto Lucy checou os batimentos dos três, todos mortos e presos às ferragens, nenhum deles usava o cinto de segurança.
- Mandou bem garota! – Lucy disse orgulhosa.
- Tem certeza? – rimos.
- Ei, vocês estão bem? – e Aaron vinham correndo.
- Sim, tá tudo bem. – Lucy respondeu – Só não posso dizer o mesmo dos três ali. – apontou o carro com a cabeça, Aaron a acompanhou mas não parava de me analisar.
- Você se machucou? Tá tudo bem mesmo? – perguntou acariciando meu braço. Olhei em seus olhos e me perdi por um instante.
- Está, eu estou bem sim. – respondi piscando e me recompondo.
- Mandou bem pra sua primeira missão. – disse sorrindo, parecia orgulhoso.
- Matei três caras. Isso parece bom?
- Salvou sua vida e de outra agente, saíram ilesas e ainda acabou com três bandidos... Isso parece perfeito pra mim. – ri e dei um tapa em seu braço.
- Ei casal, o Gibs disse que tem uma missão nos esperando na base, e , você está dentro! - Eu e ignoramos o “casal” e só concordamos com um aceno. Lucy parecia bem confusa.
- Casal? Como assim, casal? Aaaaah, eu quero saber de tudo, como não me disse nada ? Meu Deus, vocês são tão perfeitos!
- Ei, calma. Vai com calma! Eu e somos só amigos.
- Ela chamou ele de , hmmmmm – Aaron disse enquanto trocava olhares sinuosos com Lucy.
- Ela está vermelha! – Lucy praticamente gritou antes de caírem na risada.
- Não estou não! – retruquei. – , diz alguma coisa! – ele riu e deu de ombros.
- vem no carro comigo, preciso instruí-la para missão de amanhã. Aaron, você vai com a Lucy.
- Mas , tem espaço no banco de trás cara! – ele estava com medo de ir sozinho com Lucy? Hm...
- Não quero você enchendo o saco. Lucy, ele é todo seu. – terminou de dizer e piscou pra ela, que dessa vez ficou vermelha, não evitei rir da cena. – Vamos?
- Vamos. – respondi e enquanto seguíamos em direção ao carro.


Chapter Four

POV

- Aaaah , por favor! – praticamente implorava.
- Não e não, de novo.
- Eu não vou conseguir participar da missão se estiver morta!
- Ué, ninguém aqui tá te matando. – deu um sorriso ladino, o mais canalha possível. – E nem adianta fazer essa cara de cão sem dono.
- Mas , eu não tenho preparação física para fazer as mesmas coisas que você faz!
- Não mesmo. E é exatamente por isso que estamos treinando à quatro horas.
Cara, quatro horas! QUATRO FUCKING HORAS correndo, pulando e atirando! Eu estava me desmanchando em suor assim como , a diferença era que ele continuava maravilhosamente lindo e eu parecia ter sido atropelada por uma carreata de jegues. Viajamos de Paris a Los Angeles pela madrugada, tivemos poucas horas de descanso e hoje teria minha primeira missão em campo. Cara, eu realmente não sei o que esperar de mim mesma. me treinou muito bem, ele é um ótimo “professor”, mas realmente não sei se tenho capacidade de atirar em alguém.
- , eu realmente preciso de um descanso. Sério, eu vou desmaiar aqui, minha pressão vai cair, eu estou morrendo de fome, sem falar que... – ele me interrompeu.
- Tá bom, tá bom! Meu Deus. Vamos dar uma pausa. Na verdade, você descansa até às 15h e 15:20h nos encontramos na sala de comando para estudarmos a operação, as rotas e etc, pode ser?
- SIM! – quase gritei e ele segurou o riso – Quer dizer, sim... Obrigada ! Nos vemos às 15:30! – comecei a andar tentando ganhar os 10 minutinhos a mais de sono.
- ! – falou em tom de reprovação, me fazendo para de caminhar e olhar em sua direção. – Não são às 15:30 e sim às 15:20. – sorriu sarcasticamente com as mãos na cintura, já ia me virar quando ele continuou – E mais uma coisa, eu adoro quando você me chama de . – piscou e saiu andando na direção oposta, e cara, que bom que ele foi pra sala do Aaron porque naquela hora eu corei bruscamente.

POV

havia se saído muito bem para um primeiro treino, apesar de reclamar do cansaço ela atirava bem e conseguia fazer boas manobras. A missão de hoje não podia dar errado de forma alguma por dois motivos, primeiro, eu havia falhado na missão anterior. Segundo, a vida de estava na jogada. Todo cuidado seria pouco e eu certamente teria que tomar conta dela o tempo todo.
- E ai cara, tudo certo? – perguntei a Carpenter assim que cheguei à sala de comando.
- Tudo encaminhado . – Aaron parecia procurar algo em uns arquivos.
- Como assim, encaminhado?
- Preciso das plantas atuais do prédio onde vocês vão procurar o Hiltton. – ele fazia uma série de caretas e abria várias pastas rapidamente.
- Só falta isso? – olhei em volta e tudo estava perfeitamente organizado, típico de Aaron.
- Sim. Na verdade, não falta mais, acabei de achar... Bom , sobre a missão de hoje, vocês tem um único alvo. Mas muito bem protegido, o que o faz valer por cinco.
- Qual o nível?
- 4. – a escala ia até cinco.
- Qual o objetivo da missão?
- Bom, nosso querido Hiltton carrega para onde quer que vá um microchip. Nele estão criptografadas todas as senhas de algumas contas, vários arquivos confidenciais e um possível segredo do Banccof.
- Certo, então não fui só eu que impliquei com o tal Banccof. O que seria esse possível segredo? E por que está com o Hiltton?
- Eu não sei ao certo o que é, e sua missão é exatamente trazer o microchip para que eu decifre. Hiltton e Banccof não são muito amigos, se é que me entende. Ele teria roubado o microchip do adversário e provavelmente sabe o que tem nele, por isso o carrega para onde quer que vá.
- Entendi. E a planta?
- Aqui, - disse se arrastando na cadeira até o computador – o prédio é antigo então não tem muitos segredos. Um único andar, similar ao térreo. O objetivo é que você consiga tirar o Hiltton do alcance dos seguranças, cinco por sinal.
- Eu sei de alguém que pode atraí-lo sem chamar muita atenção – , claro.
- Certo, suas armas estão separadas com silenciadores e coldres. Já sabe que roupa usar? É um “baile de gala”, .
- Que papo de mocinha. Claro que sei. Só preciso passar os detalhes da missão a e me arrumar.
- Vocês saem às 22h, o carro está reservado, sem apoios no local. Eu e Lucy vamos nos comunicar com vocês pelos pontos.
- Fechado Aaron, nos vemos mais tarde.

POV

Eu havia acabado de acordar. Eram exatamente 15h, eu tinha 20 minutos para vestir o que Lucy havia separado. Tomei um banho rápido e fiz uma maquiagem quase básica, não fosse o batom vermelho. Pelo que me disse mais cedo seria uma missão de nível 4 que aparentemente é difícil. O fato me preocupava já que o salto que compunha o look era extremamente alto, eu amava aquele tipo de sapato, mas para uma ocasião em que não fosse necessário correr ou algo do tipo. Olhei no espelho e gostei do resultado. O vestido azul escuro era colado ao corpo, o decote era em um V profundo e tinha uma fenda que ia do começo da minha coxa à barra, os Louboutins pretos finalizavam. Lucy tinha bom gosto. Faltavam cerca de três minutos do horário combinado quando entrei na sala onde Aaron passava a maior parte do tempo. Estava tudo arrumado para missão, em uma mesa central tinham alguns pontos, microfones, armas e coldres. Aaron analisava algo com Bryant no computador enquanto Lucy mexia em alguns papéis, nenhum sinal de .
- Ual! Eu realmente sou boa nessa coisa de escolher roupas. – Lucy disse chamando a atenção de todos no local.
- Ficou realmente bom... – Bryant disse e todos analisavam o que eu vestia.
- Obrigada. – eu tinha que corar, caso contrário não seria eu.
- O vai me agradecer, – o que ela quis dizer com isso? – enquanto ele não desce vamos adiantar as coisas, ok?
- Certo. - Lucy me entregou uma arma com um longo cano, aparentemente um silenciador. Apesar de ter treinado o dia inteiro com ainda tinha receio. Estava pronta, ponto na orelha para que recebesse as instruções da base, um microfone praticamente invisível em meio ao decote do vestido e a pistola na bolsa. Eu teria continuado a ouvir e prestar atenção nas instruções de Aaron se não tivesse chegado daquela forma. Ele não estava lindo, estava algo melhor do que isso. Usava um smoking preto “simples”. Estava incrível.

POV

- Está tudo pronto? – perguntei assim que adentrei à sala.
- Sim, só faltam seus equipamentos. – Lucy foi quem respondeu – Inclusive, você está lindo .
- Eu sou lindo, querida Lucy. – respondi com um sorriso brincalhão. estava em uma espécie de transe, me olhava fixamente – Está tudo bem?
- E-eu. Sim, tudo certo... – não querendo me gabar, mas ela parecia nervosa, e não era pela missão. A essa altura todos já tinham sorrisos insinuantes. Talvez ela tivesse gostado da roupa... enfim.
- Ok. Bryant, tudo certo com o carro?
- Sim. Está na saída 03.
- , vamos? – ela acenou e me acompanhou até a saída junto com os outros.
Estava tudo encaminhado para a missão, havia grandes chances de dar certo. Gibs nos passou algumas recomendações e nos desejou sorte quando nos encontramos no corredor a caminho do carro.
- Estaremos de olho em vocês pelas câmeras do local. Fiquem tranquilos. – Aaron disse enquanto dava partida, aquilo era mais para do que para mim, minha única preocupação era ela estar em campo. Ao longo do caminho lhe dava instruções.
- Nosso único objetivo hoje é trazer o microchip, - comecei, chamando a atenção de que estava distraída com a paisagem – não temos certeza ainda de como ou onde o Hiltton carrega o chip, isso teremos que descobrir lá. Você terá que distraí-lo e conseguir o chip. Estarei o tempo todo próximo a você para que possa te dar cobertura. Não trocaremos de nome porque ninguém lá faz a mínima ideia de quem somos.
- Então é só pegar e ir embora?
- Basicamente. O que dificulta é que Hiltton anda com cinco seguranças a guarda colo. – ela arregalou os olhos e eu intercalava os olhares entre a rodovia e – Não se preocupe, daremos um jeito. – disse e apoiei uma das mãos em sua perna, um gesto quase automático. olhou de sua coxa para o vidro, provavelmente envergonhada, céus, como aquilo era divertido.

POV

estava tentando de todas as formas me deixar mais calma, conversamos o caminho inteiro sobre como seria a missão e eu já estava mais relaxada. Ele havia acabado de estacionar o carro, e quando percebi já tinha aberto a porta para que eu pudesse descer.
- Esqueci de um detalhe. – disse em um tom mais baixo enquanto subíamos a escada que dava acesso ao salão principal. – Hoje você será a senhora . – Disse entregando discretamente um anel para que eu colocasse. Não havia reparado, mas ele também usava um.
- Boa noite. Nomes, por favor. – Um homem de estatura média conferia os nomes em uma lista.
- e , . – e eu estávamos de braços entrelaçados, quem visse nos confundiria com um casal facilmente.
- Sejam bem-vindos e tenham uma ótima noite.

O local não estava tão cheio, vários casais conversavam em alguns pequenos círculos.
- Todos aqui são investidores de ações de uma empresa do Hiltton, inclusive nós. – disse enquanto pegávamos taças de champanhe com um garçom que passava por ali. – Aqueles dois, - apontou para dois homens perto de uma das saídas – são seguranças. Os da ponta da escada, - sinalizou indicando com a cabeça – também.
- Entendi, e o tal Hiltton?
- À sua esquerda, acompanhado da loira.
- Ela é esposa dele ou algo do tipo?
- Talvez seja uma de suas acompanhantes, ele não é casado. – concordei com a cabeça. – Não consigo identificar nele nada em que possa esconder o chip. Espero muito que ele não o tenha implantado na pele.
- Ai meu Deus. , como vamos pegar se estiver... nele?
- Não pode estar. Vamos cumprimentá-lo, preste atenção em tudo, mas não deixe claro que você está procurando algo. – concordei silenciosamente enquanto nos aproximávamos do casal. – Senhor Hiltton, é um prazer revê-lo. – disse cumprimentando o mais velho.
- Olá! Quanto tempo em rapaz. Não nos vemos desde...? – Eles nunca tinham se visto. tentou jogar e Hiltton ficou na defensiva.
- O natal em Cannes, foi uma bela festa. – certamente houve alguma comemoração em Cannes com muitas pessoas, deveria ter verificado em algum arquivo.
- Ah, sim! Como passou esse tempo senhor...?
- .
- Sim, , como esteve?
- Muito bem, trabalhando muito. – respondeu e rimos.
- A senhora é extremamente bela. – disse enquanto pegava minha mão direita e depositava um beijo.
- Eu sei Hiltton, sou um cara de sorte! – disse e depositou um beijo rápido em meus lábios. Entendi no momento que era para entrar no personagem e sorri abertamente.
- Helena também é uma mulher de ouro.
- Você é que é uma pedra preciosa, meu amor. – respondeu Helena. Enquanto apoiava no peito do mais velho.
- Sabe , nós somos pessoas de sorte. – brincou Hiltton, se eu mesma não tivesse analisado toda sua ficha acreditaria que ele poderia ser uma boa pessoa, tirando os vários assassinatos e alguns roubos.
- Queridos, com licença. Vou ao toilette. – Helena disse e ia se retirar quando enxerguei a oportunidade de conseguir algo.
- Se importa se eu lhe acompanhar? Preciso ver se ainda está tudo bem com a minha maquiagem.
- De forma alguma, vamos! – ela parecia bem inocente. Enquanto caminhávamos para o banheiro Aaron se comunicou.
- Bom trabalho , o chip está no anel. Você não terá outra chance.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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