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Última atualização: 30/09/2017





Capítulo 1


Não sabia ao certo o que as pessoas faziam no dia dos namorados, eu sempre terminei os meus relacionamentos antes dessa data acontecer. Motivo? Eu me perguntava até hoje porque terminara com John, o último, ele era completamente fofinho e me mandava chocolate todos os dias depois da faculdade. Isso era porque eu estudava em frente à lojinha que ele trabalhava e ele sempre me via saindo, então mandava o entregador me levar um bombom diferente todos os dias. Eu recebia, o olhava sorrir pelo vidro e ia para casa pensando em qual ele me daria no dia seguinte. Até o dia em que ele parou de me mandar chocolate e pediu para termos uma conversa: “, vamos terminar, não sinto que você tem a mesma quantidade de carinho que tenho por você”. Fiquei com dó dele, realmente era verdade, depois de tantos namorados eu não conseguia me apaixonar do mesmo jeito.
Por que estava dizendo que não sabia o que as pessoas faziam no dia dos namorados? Porque a minha linda amiga me chamou para uma social de dia dos namorados com uns amigos de turma dela. Mas o que iria acontecer? Pessoas bebendo muito por que não tem namorado? Ou entrega de bombons secreto? Ta, era social, sem chance da segunda opção acontecer.
– peguei o rosto da minha amiga nas mãos. – Não tem chance disso acontecer, fofa!
– Credo, – ela fez bico e eu senti uma pontada de dó. – Você é um monstro!
– E você é doida – dei língua pra ela. – Eu não vou fazer isso.
– O que tem? – ela me perguntou dando um sorrisinho. – Carter vai ser o cara mais feliz por perder a virgindade com você e você vai estar fazendo uma boa ação.
, eu já disse não! – saí do quarto em direção ao banheiro com ela me seguindo. Carter era uma garoto extremamente legal, mas não era do meu feitio fazer tais coisas. – Não sei porque você e seus amigos doidões apostaram isso. Já pode dar sua grana pra eles, bebê.
– Só porque tava aguardando pra te comprar um presente legal – ela fez um charminho e eu a dei um pedala, eu realmente não iria fazer aquilo.
– Vamos logo, sua vaca – dei um tapa em seu bumbum e saí do banheiro após terminar de passar uma maquiagem leve.
Chamamos um táxi e fomos direto para a casa em que rolaria a festa. Pagamos o taxista, agradecendo-o e entramos na casa que estava com uma movimentação dentro e fora e o portão aberto. Fomos direto falar com o dono da festa e vi de canto comentar com seus amigos algo como “não vai rolar”. Devia estar se referindo ao Carter e aquela aposta que fizeram.
– Ei, ! – resolveu me chamar para a sua rodinha enquanto eu pegava uma latinha de cerveja. – Vem aqui e me traz uma cerveja também! – Caminhei até onde ela estava e a entreguei a cerveja cumprimentando o restante dos amigos dela. – Obrigada, amiga.
– Cara, eles estão brigando! – ouvi um garoto gritar ao lado da porta de saída da casa e todos correram para ver o que estava acontecendo. Eram dois garotos se atracando na grama, rolando de lado pro outro.
, ai meu Deus! – colocou a mão na cabeça. – É um dos meus amigos, , preciso ajudar!
– Calma, , temos que chamar alguém para tentar separar – os idiotas ao redor estavam apenas apostando quem ia ganhar a briga e gritando. Cutuquei um garoto ao meu lado e pedi para ele parar de brigar pois eles iam acabar se machucando. Então o garoto me olhou de cima a baixo e acabou consentindo após me dar um olhar “gostei do que vi”. O tal garoto era loiro e tinha cara de surfista. Ele foi mais próximo dos que brigavam e conseguiu os separar.
, pode ficar aqui um pouco? – segurou o meu braço e fez uma carinha pidona. – Desculpa por isso, é que preciso socorrer e conversar com ele.
– Ta tudo bem – sorri cordialmente. Mas na verdade não estava tudo bem, já estava um saco ficar ali por lembrar daquela bendita aposta, agora tinha que ficar ali sozinha. – Pode ir – me afastei do tumulto entrando na casa novamente agora quase vazia e observei ir com o garoto briguento para os fundos da casa. Sentei-me no sofá com a minha cerveja e dava alguns goles impacientes.
– Que porre – ouvi alguma voz próxima a mim e virei o pescoço com uma cara de dúvida vendo um garoto sentar no mesmo sofá que eu. Apenas reparei no cabelo incrivelmente lindo e amassado que ele tinha. Dei um riso abafado ao ver que suas calças estavam molhadas, então ele se virou. – Isso é cerveja – fez uma careta apontando para a calça.
– Desculpa – arregalei os olhos ao ouvir ele dizer isso, como ele sabia que eu tinha dado risada da calça dele? – Mas como você sabe que eu estava rindo disso?
– É porque todos daquele corredor em que eu passei também encararam minhas calças – ele apontou com a cabeça para o corredor ao nosso lado.
– Acho que tá um pouco perceptível, né? – dei outro riso olhando para sua calça molhada novamente.
– É – ele simplesmente respondeu tentando limpar a calça. – Só não é mais perceptível do que você aqui sozinha.
– Ah – bebi um gole da minha cerveja –, é porque minha amiga foi atrás de um amigo dela briguento e eu também não queria vir pra festa, ou seja, está mais saco que já estava. É, não da pra curtir dia dos namorados quando não se tem um – fiz careta e ele sorriu.
– Então somos dois solteirões fodidos – ele fez careta e ficou batendo os dedos no sofá.
– Ei, ! Art chegou, vem! – uma garota morena de cabelos curtos apareceu na porta com um capacete na mão chamando ao que parecia ser o garoto ao meu lado, pois ele olhou e se levantou logo em seguida.
– É, agora sou apenas uma solteirona fodida – fiz careta e ele sorriu como tinha feito antes
– Toma – o olhei arqueando as sombrancelhas após ele tirar o celular do bolso –, anota seu telefone – ele estendeu a mão e eu peguei o objeto das suas mãos anotando rapidamente meu número. – Te ligo caso quiser curtir outra festa porre.
– Então acho que não vou aceitar o convite – me assustei com o que ele tinha dito e me senti burra de ter dado essa resposta. Eu só poderia ser burra de dispensar um cara desse. Mas não acho que ligaria mesmo!
– Ta bom – torceu o pescoço em concordância e saiu andando para fora da casa após outro grito da garota morena de capacete. – Não sou insistente! – gritou rindo e saiu da casa. Fiquei indignada com a ironia dele, afinal só sabia uma coisa a respeito dele: seu nome.
– Finalmente te achei! – apareceu atrás de mim subitamente e deu um abraço apertado. – Desculpa por te largar, sei que você não queria vir e que eu te deixei aqui mas prometo que te dou uma recompensa.
– Bom mesmo, senhorita! – fiz cara de brava e ela sorriu me dando outro abraço. – Mas até que não foi tão ruim. Conheci um garoto meio aleatório que fez eu anotar meu número no celular dele.
– Sua cabeçuda, por que não agarrou logo? – ela deu um tapa em minha perna me soltando de seu abraço. – Melhor do que ficar esquentando o sofá com o seu bumbum.
– Talvez não seja bom arriscar. Vai que eu me apaixono e ele também – fiz careta e ela entendeu a referência. Eu não precisava de mais namorados. – Seria mais um namorado pra lista e agora estou curtindo a marotagem!
– Só fala abobrinha – deu um tapa na minha cabeça e se levantou. – Vem, vamos terminar nossa noite nos divertindo. – me puxou para fora da casa novamente onde todos estavam bebendo mais do que anteriormente e pulando na piscina. Ela me jogou dentro da mesma e pulou atrás de mim. Minha amiga não precisava nem estar bêbada para ser doidinha igual era.
Voltamos para casa quase 4 horas da manhã e estávamos completamente bêbadas e molhadas. Não lembro o caminho completo que fizemos até o apartamento em que morávamos juntas. Só me lembro de tomarmos banho e cairmos na cama.
Antes de dormir senti meu celular vibrar, peguei-o com um pouco de dificuldade para focar no objeto e vi que tinha uma mensagem:
“Salva meu número. Não sou insistente mas talvez você seja.

Ri comigo mesma ao olhar para o visor e bloqueei o celular. Quem ele achava que era para pensar que eu manteria contato? Idiota.

Capítulo 2


Bom dia, Londres. Segunda de manhã parecia ser um dia cheio para todos, afinal era o fim decisivo do final de semana e o começo de outra semana. Mas segunda de manhã para mim era amável pelo fato da minha primeira aula ser com o melhor professor do meu curso e também por eu poder pegar carona com a , já que nas segundas e quartas as aulas dela eram no mesmo horário que as minhas. Desde que começamos a morar juntas, senti um alívio em pegar carona com ela e economizar o dinheiro que eu gastava com transporte. E isso vinha acontecendo há um ano.
– Bom dia, querida. – me entregou uma xícara de leite com chocolate que eu bebia todos os dias de manhã. – Acordando no pique como sempre?
– Dãaaa. – Fiz um L na testa indicando “loser” para ela que em seguida me jogou uma almofada. – Ô idiota, não vou pegar isso aqui, não. – Apontei com o indicador para o chão e ela mandou língua. – Se você se comportar assim não te conto de quem recebi sms nessa madrugada.
– Ah, você conta sim. – Ela veio até mim, me puxando para o sofá e me fazendo sentar. – Deixa eu chutar: o gatinho da festa?
– Sim, aquele mesmo. – Sorri maliciosa e me levantei, pegando minha bolsa. – Mas sem chance de eu responder.
– Vai deixar o gatinho ir beber leite em outro lugar mesmo? – Mostrei o dedo do meio para ela, que gargalhou em seguida.
– Se ele quiser, ele que venha buscar. – Pisquei para ela que me devolveu um “uuuui”. – Agora vamos, não quero perder a melhor aula da história.
e eu descemos as escadarias do prédio tagarelando sobre o carinha da festa e permanecemos assim o caminho todo. Por sorte ele era curto e tive que ouvir por pouco tempo que eu era burra por ter ignorado o carinha, que agora eu já sabia o nome e ela, depois que contei, não parava de repetir. Chegamos dez minutos antes de começarem nossas aulas e nos separamos ao chegarmos no prédio pois nossos blocos eram separados.
– Ei, . – Ouvi a voz de Luke ecoar e logo ele já estava ao meu lado. – O que vai fazer sexta-feira?
– Ermm, acho que nada. – Sorri fraco para o garoto, que logo me olhou pretencioso. – Por quê?
– Vai ter uma festa de aniversário da minha prima e eu tava pensando se você não poderia me acompanhar. – Luke fez cara de cachorro que caiu da mudança e juntou as mãos em forma de pedido. Ele tinha terminado com Lucy há menos de um mês porque ela o tinha traído e desde então não saíra da fossa. – É aquelas festas de 15 anos e preciso de uma acompanhante... E você sabe que é minha melhor amiga, não sabe?
– Falando desse jeito eu vou. – Sorri para ele que me deu um super abraço e um beijo na bochecha. Desde o início do curso e por sermos da mesma sala, Luke era meu melhor amigo. E desde que terminara com Lucy, vinha tentando ajudá-lo a superar. Essa era apenas uma nova oportunidade.
– Então combinado. – Sorriu e eu assenti. Seguimos para a aula enquanto pensava na sorte que tinha de ter uma amiga que possuía uma variedade de vestidos em seu guarda roupa, para que eu pudesse emprestar todos.

Foram oito horas cansativas de estudo até irmos para casa. No caminho, passamos para pegar comida pronta, não estávamos nem um pouco a fim de cozinhar. Pegamos lasanha e salada e seguimos até o prédio.
– Amiga, preciso de um dos seus vestidos maravilhosos pra usar sexta-feira. – Sorri, abrindo a fechadura do nosso apartamento.
– Humm, pra onde a senhorita vai? – sorriu maliciosa e eu gargalhei.
– Idiota. – Dei um pedala em sua testa e fui colocar os talheres na mesa. – Só vou ser a mera acompanhante do Luke na festa de 15 anos de uma prima dele.
– Luke ainda tá tentando superar? – falou, sentando-se na cadeira e servindo sua comida.
– É, você sabe, Lucy foi importante pra ele. – Torci o pescoço e dei uma garfada na comida. Normalmente não comia muito na faculdade então chegava em casa bem esfomeada. – Até mesmo porque foi sua primeira namorada.
– Não sei como ela teve coragem de fazer aquilo com ele. Se eu namorasse aquele gostoso, nunca o largaria. – piscou engraçado para mim e eu ri, quase engasgando com a comida. – Vai com calma aí, tigresa.
– Você ainda vai me fazer morrer sufocada. – Ataquei um pano de prato nela que gargalhou e continuou sua refeição.
Lavei a louça do almoço e teve que ir para o trabalho. Ela trabalhava em um escritório e eu era a decepção dos meus pais porque nunca consegui arrumar algo que realmente gostasse, então eles tinham que me sustentar. Como eu era filha única eles só tinham gastos comigo, o que me ajudava a permanecer nessa vida de apenas ser estudante.
Eu passava os dias estudando e vendo netflix no tempo que me restava até chegar em casa e roubar o controle para colocar seus programas favoritos. Nunca assistia com ela porque tínhamos gostos muito diferentes, então sempre que ela chegava eu já me preparava para abrir meus livros e ler até cair no sono.

A semana havia passado rápido e já era sexta, dia da festa com Luke. Daqui algumas horas eu estaria cercada de adolescentes e de amigos velhos dos pais da prima de Luke.
– É hoje sua festa de gala? – perguntou. – Preciso montar o seu look.
– Por isso eu te amo. – Dei um beijo na bochecha dela e me sentei no sofá. Chegar em casa depois da faculdade era uma derrota, já que era sexta e eu tinha que vir de transporte coletivo para casa. – Mas vai ter pouco tempo para montar, Luke disse que passava às oito e você chega às sete.
– Nossa, , você vai precisar se arrumar num tempo recorde. – levou as mãos a boca e eu ri. – Mas não esquenta, acho que hoje chego mais cedo, meu chefinho está de viagem, posso dar uma escapada.
– Malandra. – Pisquei para ela que sorriu e deu uma última olhada no espelho. – , vai se atrasar se continuar olhando seu visual.
– Ahhh, odeio ter que ser pontual! – bufou e pegou sua bolsa seguindo para a porta. – Não quebra a casa enquanto eu estiver fora. – Ela riu e mandou beijinho no ar, fechando a porta.
Passei o resto do dia focada nos estudos até dar a hora de me arrumar. Estava um pouco ansiosa por acompanhar Luke, a família dele era muito rica e eu queria estar apresentável para acompanhá-lo, ainda mais que ele era um super cavalheiro. Até hoje nunca entendi como sua namorada foi traí-lo, ele não tinha defeito algum.
Esperei chegar do trabalho para decidir com qual vestido eu iria. Sim, ela decidia minhas roupas e eu concordava com tudo que ela dizia, eu não era muito vaidosa, mas ela era totalmente o oposto.
– Chegueeeeeeeeeei, honey. – abriu a porta do apartamento, jogando sua bolsa na mesinha que ficava ao lado da porta e veio em minha direção, me dando um beijo. – Vamos ver sua roupa, cinderela.
– Vamos, consultora pessoal. – Sorri e joguei o braço em volta dela, indo em direção ao seu quarto e abrindo seu guarda roupa enorme que ocupava uma das paredes toda.
– Fecha os olhinhos. – Obedeci seu comando e permaneci assim até ela dar outra ordem. – Agora pode abrir. – Abri os olhos e me deparei com um vestido preto cheio de brilho e coladinho.
– Esse eu nunca vi! – Peguei ele na mão e segui para o meu quarto. Troquei de roupa e, em seguida, me puxou para o banheiro, me enchendo de maquiagem e arrumando meu cabelo. – Já te disse que você é a melhor de todas?
– Eu sei. – piscou e sorriu e eu sorri em seguida. – Pronto, está uma tigresa! – Quando me olhei no espelho, me senti muito bem. Meu cabelo estava preso em um coque arrumadinho com dois fios soltos na frente e uma maquiagem impecável. Dei um beijo na bochecha da minha amiga e segui para o quarto, calçando uma sandália um pouco alta e colocando uma pulseira brilhosa que tinha ganhado da minha mãe no meu aniversário de quinze anos.
– Luke disse para eu esperar lá embaixo. – Dei uma olhada na hora do visor do meu celular e segui para a porta da sala. – Acho que já está na hora.
– Boa festa, amiga, arrasa! – deu um tapa na própria bunda e eu gargalhei, trancando a porta e descendo a escadaria.
Fiquei em pé na porta do prédio esperando Luke chegar para me pegar. Ele estava vinte minutos atrasado e o vento que soprava me fazia fechar os braços contra mim cada vez mais apertado. Era uma noite gelada.
Avistei um carro se aproximando e parando na calçada. Quando vi que era Luke, segui para o carro, abri a porta e entrei.
– Demorou, heim, atrasadinho. – Baguncei seu cabelo e fechei a porta do carro.
– Desculpa, , tive que buscar as bebidas da festa de última hora. – Sorriu, manobrando o carro e eu dei um beijo em sua bochecha, deixando um pouquinho de batom em seu rosto.
– Acho que te marquei. – Limpei sua bochecha e sorri. – Assim vão pensar que você é um garanhão.
– Mas eu sou! – Gargalhei e ele apertou minha bochecha. Seguimos fazendo piadinha até a casa dos tios de Luke, lugar onde a festa aconteceria. A casa era enorme e eu fiquei admirando como as coisas brilhavam tanto por lá. Luke sorriu com a minha expressão indignada e eu permaneci prestando atenção nos detalhes que encontrava pelo caminho que Luke fazia até o lugar de parar o carro. – Pronto, lady, pode descer.
– Acho que me sinto um nada perto disso aqui. – Desci do carro e olhei ao redor, era uma casa muito linda.
– Ta bom, admirada, vamos entrar. – Luke foi na frente e eu o segui e logo ele parou para falar com a sua mãe. – Mãe, cadê a Ellie?
– Está com uns amigos, eu acho. – A mãe de Luke sorriu para mim e deu um beijo na bochecha de seu filho.
– Tudo bem, acho que vou encontrá-la e dar parabéns. – Luke continuou andando e cumprimentando algumas pessoas que eu não conhecia até ver uma menina de vestido rosa com uma calda um pouco grande e uma coroa na cabeça. – Ei, baixinha! – A menina se virou e deu língua para Luke que sorriu e seguiu em sua direção. – Quinze anos, heim! Quase uma adulta. – Luke a abraçou e beijou seu rosto.
– Idiota. – A menina sorriu e retribuiu o abraço me olhando por trás de seus ombros com uma carinha fofa.
– Quero te apresentar minha melhor amiga. – Luke largou a garota, me puxando para perto. – Essa aqui é a . – Sorri para a garota e a abracei.
– Oi, Ellie, Luke me falou muito sobre você. – A garota sorriu atenciosa e logo em seguida foi chamada por uma voz distante. – Bom, pode ir lá. Parabéns pra você!
– É um prazer, , obrigada! – A menina sorriu para mim e Luke e saiu em direção a uma mulher magra que falou algo em seu ouvido e, em seguida, a arrumou numa posição e tirou uma foto sua.
– Bom, acho que agora temos que procurar uma mesa, meus pés estão me matando. – Eu disse para Luke e ele gargalhou, indo em direção à parte de fora da casa, onde estava montado um palco e várias mesas com convidados já acomodados. Procuramos e encontramos uma vazia perto do canto do palco. Tirei meus sapatos alguns minutos, massageei meus pés e os coloquei de volta. – Quem vai tocar hoje?
– Uma banda que a Ellie gosta, minha tia os contratou como um presente pra ela. – Luke sorriu e eu assenti. – Vamos comer?
– Vamos, tô morrendo de fome. – E eu realmente estava. Não comia desde o almoço e não conseguia ficar muito tempo sem comer, ficava de mau humor. Seguimos para uma mesa gigante de comidas e nos servimos. – Luke, me convide sempre para as festas da sua família! – Luke sorriu e balançou a cabeça em forma de negação, voltando para a mesa em que estávamos sentados. – Quando vão cantar o parabéns pra eu atacar aquele bolão? – Olhei para uma mesa central em que se encontrava um bolo de três andares, almejando comê-lo todo.
– Acho que não vai demorar muito. – Luke sorriu e começou a comer sua comida. – Não imaginava que você comia tanto!
– Só às vezes. – Dei de ombros e comecei a comer também.
Alguns minutos depois uma senhora chamou todos para cantar parabéns e partir o bolo porque a banda estava chegando e tinha hora marcada. Observei a felicidade no rosto de Ellie e me lembrei da minha quando fiz quinze anos e minha mãe me levou num parque aquático com todos os meus amigos. Naquele dia eu só me preocupei com o tempo que ficaria lá.
Cantamos os parabéns e todos ficaram na frente do palco esperando a banda começar a tocar, eu e Luke voltamos para a mesa no canto do palco, onde tinha menos tumulto. Quatro garotos entraram no palco e eu não acreditei no que vi, era o carinha da festa, ele estava lá em cima! Fiquei boquiaberta, observando eles se apresentarem:
– Boa noite, aqui é o McFly e queremos dedicar essa para a Ellie! – Eles começaram a tocar uma música animadinha que eu não conhecia e em seguida senti o olhar de em mim. Ele juntou as sombrancelhas fazendo uma cara de dúvida e surpresa e permaneceu me olhando até a música acabar.
– Luke, quem são eles? – Puxei o braço de Luke que agora já estava em pé se balançando e ele se virou para mim.
– Pelo que ouvi, o McFly. – Deu um pedala em mim que devolvi com um tapinha. – Ai! Não sei, a Ellie gosta deles e minha tia gastou uma grana, eles devem ser um pouco famosos. – Assenti e voltei o olhar para o palco ainda admirada com o que estava vendo. Eles continuaram tocando algumas músicas e até chamaram Ellie para subir no palco uma vez. O show acabou depois de uma hora e meia e eu tinha que falar com .
, vou comprar mais bebida que acabou e já volto. – Assenti com a cabeça e vi Luke sair pela porta, me deixando na mesa em que estávamos antes. Sentei-me e peguei meu celular na minha bolsinha para olhar a hora.
– Não sabia que frequentava festas infantis. – Ouvi uma voz e me virei. Era . Ele se sentou ao meu lado e eu não pude deixar de observar o quanto estava bonito. – E também não sabia que usava celular. – Apontou com a cabeça para o objeto na minha mão.
– Eu também não sou insistente. – Sorri sem mostrar os dentes e lembrei da mensagem que tinha me mandado. – E eu não sabia que você era um astro.
– Ah, a banda. – Ele sorriu arrumando a gravata. – Não é muita coisa, estamos sendo divulgados, mas ainda não somos a maior do mundo.
– Mas já é amado por adolescentes, você deveria ter me informado que eu tava lidando com um ídolo. – Ele gargalhou e eu revirei os olhos.
– Não um ídolo seu. – Ele juntou as sombrancelhas e que pontada no peito aqueles olhos. – E por que você tá sempre sozinha?
– Porque sempre me largam. – Revirei os olhos novamente e ele sorriu. – Vim com o primo da aniversariante e ele me deixou aqui para comprar a bebida da festa que acabou.
– Ei, ! – Observei um garoto vir em nossa direção e arregalei os olhos. – Essa é a gatinha de quem você falou? – Beijou minha mão subitamente e eu ri com a cena .
, esse é o . – sorriu e deu um pedala no outro garoto que devolveu um murro em seu braço e sorriu para mim.
– É, também vi ele no palco. – Sorri para ele. Estava me sentindo estranha de estar ao lado de dois ídolos teens. Mesmo não sendo os mais famosos do mundo, ainda assim eram famosos.
, cuidado com o papo desse meu amigo aqui. – bateu nas costas do amigo e sorriu. – Ele é conquistador barato!
– Obrigado pelo alerta, já tava com medo de cair nas garras dele. – gargalhou e eu sorri em seguida. A gargalhada dele era contagiante, eu não podia negar.
– Acho que só restou a gente aqui. – disse olhando ao redor e em seguida fiz o mesmo. A casa estava quase vazia, agora só tinha os amigos adolescentes de Ellie na parte de fora. – Vamos, , os caras já estão indo
– É, temos que ir, senão daqui a pouco não saímos mais daqui. – se levantou e olhou para mim em seguida. Seus olhos eram hipnotizantes. – Vai ficar aqui ao relento?
– Meu amigo disse que já voltava. – Sorri com uma expressão meio preocupada. – Mas até agora não chegou.
– Vem, te dou carona. – estendeu a mão e sorriu. MEU DEUS, COMO REJEITAR AGORA? – A gente tá de van, cabe você.
– Ah, não sei, não quero incomodar. – Sorri e ele puxou a minha mão. – Não te dei essa liberdade toda!
– Mas eu sim. – Sorriu e recebeu um tapa meu, que logo em seguida virou uma carícia em seu braço depois de receber um olhar de dó. – Ta vendo, aqui está sua liberdade! – Dei língua para ele que gargalhou e fomos em direção ao automóvel. Mandei uma mensagem para Luke explicando que tava indo embora e guardei o celular na minha bolsa. Acomodei-me entre ele e na van e dei oi para os outros dois integrantes da banda.
– O que você vai fazer amanhã, gatinha? – sorriu e piscou para mim, que sorri de volta. Ele estava um pouco bêbado.
– Ermm, acho que nada. – observava a nossa conversa calado.
– Que tal assistir a um ensaio nosso? não tem muita iniciativa. – olhou para o amigo e os que estavam na frente fizeram um “uuuuh” ao ouvir a conversa.
– Vamos ver quem tem iniciativa depois. – olhou bravo para o amigo e eu sorria ouvindo a discussão. – Desculpa, , ele não sabe se comportar em público. – Me desapontei ao ouvir dizer isso, tinha gostado da ideia de ouvir eles tocarem, eles tinham um som bom.
– Tudo bem, gostei dele. – Sorri e senti um braço ao redor do meu pescoço. – Ta vendo, isso é liberdade, mané! – Falei brincando e fazendo um sinal de mano com as mãos.
– Se eu fosse você, nem dava muita – falou. Eu gargalhei com a cena. – Tudo bem, , pode ficar com ele.
– Ta bom. – Mandei um beijinho no ar para aquele par de olhos perfeitos que me encarava. Logo em seguida expliquei o caminho para o motorista. Ele deixou um dos meninos em sua casa e em seguida parou na frente do meu prédio.
– Bom, meu ponto! – Sorri para os meninos e dei um abraço em cada um, descendo da van.
– Acho melhor eu te acompanhar caso um estuprador queira te pegar. – sorriu eu assenti. Descemos da van juntos e ele subiu as escadas comigo até o meu apartamento. – É aqui? – Assenti e ele colocou as mãos no bolso da calça. – Bom, está entregue.
– Obrigado, cavalheiro! – Sorri. Abri a porta do apartamento e ele ficou me observando. – Que foi?
– Seu obrigado é muito sem graça. – fez cara de malicioso e eu corei. – Te ligo amanhã pra vir te buscar.
– Me buscar? – Arqueei as sombrancelhas e ele ficou me encarando. – Ah, o ensaio?
– É, você disse que iria. – Ele arqueou as sombrancelhas e subiu um pouco as escadas.
– Achei que estivesse brincando e, bom, você até pediu desculpas pra ele, achei que não quisesse que eu fosse. – Sorri e ele balançou a cabeça em negação. Fiquei observando seus cabelos irem de um lado pro outro com o movimento.
– É que ele roubou a minha chance de te chamar para sair. – Piscou malicioso e eu corei novamente. Alguém diz pra ele que minhas pernas ficavam bambas com esse tipo de cantada. – Então combinado, até amanhã... ?
– É, eu deixo você me chamar assim. – Sorri ainda com a mão pegando no trinco da porta e observando ele descer as escadas um pouco mais. – Até amanhã, . – Ele sorriu e aos poucos fui deixando de vê-lo. Fechei a porta e entrei rezando para que não tivesse ouvido nada porque com certeza iria me encher o saco com isso e eu estava cansada demais para contar.
Tirei a roupa e toda a maquiagem e me joguei na cama. Senti meu celular vibrar e era Luke avisando que foi bom eu aceitar a carona porque ele tinha acabado de chegar. Sorri e bloqueei o aparelho. Naquela noite dormiria pensando em .

Capítulo 3


– Alô? – acordei sonolenta com dificuldade para abrir os olhos e reconheci a voz do outro lado da linha, era Jenn, uma amiga da faculdade. – Jenn?
– Sim, , liguei para avisar que já estamos aqui em frente a sua casa – droga, tinha me esquecido que tinha um projeto para apresentar e tinha que fazê-lo hoje com o grupo.
– Desculpa, Jenn, tinha me esquecido completamente e dormi até agora – sorri desconcertada mesmo que ela não pudesse ver. – Podem subir, só vou me trocar. – Então levantei da minha cama e me troquei rapidamente. Em seguida fui até a porta para atender o pessoal após ouvir barulho nas escadas.
– Ei, . – Diana, uma das três meninas me abraçou e foi entrando e se acomodando no sofá. Logo em seguida as outras duas meninas, Jenn e Claire, repetiram a ação.
– Oi, . – E esse era Andrew, as meninas falavam que ele tinha uma queda por mim e eu realmente podia sentir algo diferente entre nós. Ele sorriu e me abraçou. Pude sentir o cheiro do perfume que ele usava, o mesmo que sempre sentia quando o abraçava. Ele saiu do abraço e entrou para o apartamento. Fechei a porta rapidamente, acordando do transe em que estava após cheirá-lo e me dirigi até eles estavam. Sentei-me junto deles e começamos a elaborar como iria ser o trabalho. Algumas vezes pude sentir o olhar de Andrew em mim, mas não dei muita atenção e me foquei no trabalho que tínhamos que fazer.
Acabamos de montar o projeto era noite, ficamos de revisar no dia seguinte. Enquanto as meninas se despediam de mim, Andrew disse que iria ao banheiro e não saiu de lá até irem embora.
– Achei que iria morar lá dentro – o avistei saindo do banheiro e ele sorriu, vindo até mim e parando na minha frente. – Sua carona já foi.
– É, eu sei – ele sorriu novamente. – Foi proposital esperar no banheiro, eu só queria ficar a sós com você e te dizer que está linda hoje.
– Andrew, eu tô de blusa de dormir e short jeans, o que tem de tão lindo nesse look básico casa? – Ele gargalhou e eu lhe dei um soquinho no ombro.
– Só queria te dizer isso – ele se aproximou mais de mim, como se fosse possível e me deu um selinho demorado, no qual eu nem pude ao menos fechar os olhos tamanho o susto que levei. Assim que abriu os olhos, ele percebeu os meus um pouco arregalados. Desgrudou nossos lábios e disse desconcertado: – Acho que eu não devia ter feito isso, né?
– Na-não... – corei e me afastei vagarosamente. – Não é isso, eu só não esperava... – sorri desconcertada e em seguida ouvi a campainha do apartamento. – Bom, vou atender – segui do meu quarto até a porta de entrada do apartamento e abri a porta, me deparando com alguém parado em minha frente com as duas mãos no bolso. Era . – Ermmm, o ensaio... mil desculpas, sério, eu tive um trabalho e.... – no meio da minha fala, Andrew passou por mim, se despedindo e eu corei quando percebi o olhar de para Andrew e depois para mim. – Ele é do meu grupo.
– Só vim te deixar uma coisa. – me entregou um objeto preto meio pequeno e eu peguei, observando-o alguns segundos. – Bom, tenho que ir.
– Tudo bem – sorri e ele se virou para descer a escadaria. – Não vai me dizer um tchau?
– Tchau, . – sorriu sem mostrar um dente, dando um pequeno tchau no ar e desapareceu.
Entrei em casa um pouco chateada pelo tchau que ele tinha me dado. Mas por que eu estava chateada? Nunca tinha acontecido nada entre nós e eu quase não o conhecia. Talvez aquele beijo do Andrew tivesse me deixado confusa. Peguei o objeto que tinha me entregado e percebi que era um gravador. Dei play no objeto e pude começar a ouvir um som meio distante mas com o passar das músicas pude lembrar de algumas músicas que foram tocadas na festa da Ellie. Então esse era o ensaio que eu tinha perdido. E eles gravaram pra mim?
“Ei, , não vai ser perdoada por furar com a gente, mas quis que você escutasse isso...”
Essa era a voz do . Em seguida ouvi alguns barulhos estranhos, umas risadas e a gravação acabou. Sorri comigo mesma ao ouvir a gravação e segui para o meu quarto, abrindo a porta central do guarda roupa, onde eu tinha uma caixinha em que guardava coisas especiais que recebia. Guardei o objeto lá dentro e segui para a sala, ligando a TV. Como tinha ido dormir na casa de seus pais na noite anterior – ela costumava passar alguns finais de semana com eles – e provavelmente só voltaria no dia seguinte, estava sozinha para assistir o que quisesse. Continuei o resto do dia assistindo TV e preparando algumas besteiras para comer.
– Bom diaaaaaa, preguiçosa, é um lindo domingo! – fui acordada por dando um grito no meu ouvido. E sim, já era domingo, dia anterior ao meu dia favorito da semana. – O que faz dormindo no sofá?
– Bom dia – abri os olhos com dificuldade e me levantei, indo em direção ao meu quarto para deitar na minha cama.
– Ahhhh nãooooo, !!! – veio gritando atrás de mim e eu apenas coloquei um travesseiro na cara. – É domingo, você precisa acordar!!!
– Só mais algumas horinhas, por favor? – falei abafado pelo fato do travesseiro estar no meu rosto. – Juro que depois acordo e te dou toda a atenção possível.
– Ta bom – deu alguns passos e fechou a porta. –Mas só mais algumas horinhas!! – gritou de longe e eu pude dormir. Mas não dormi por muito tempo, só o suficiente para esquentar a cama. Já acordei indo diretamente para o lado de que estava fazendo comida – que cheirava maravilhosamente.
– Você é uma ótima amiga – a abracei por trás e ela virou o rosto sorrindo. – Só, por favor, não demora muito que to com muita fome!
– Você é uma draga – deu um grito ardido e eu gargalhei indo colocar as coisas na mesa. – Como foi seu dia ontem?
(n/a: draga é uma piada interna com a bf, beijo, xuxu)
– Ah, nada demais, Andrew me beijou e , o carinha da festa que você sabe, veio aqui e me deixou um gravador porque ele tem uma banda – sorri cínica e ela ficou boquiaberta, deixando a água que estava na panela borbulhar mais do que devia. – A água, !
– Quando foi que ficamos tão distantes? – eu sorri e me sentei na cadeira atrás dela. – Aquele Andrew, eu sabia que tinha alguma coisa... Mas esse , eu não sabia!!! – ela gritou novamente e eu gargalhei.
– E o que você ainda não sabe é que ele chegou quando Andrew saía – eu fiz um barulhinho com a boca e ela me olhou novamente.
– E o que tinha no gravador?
– O ensaio que a banda dele fez e eu furei com o convite.... – olhei para o chão, meio chateada após lembrar do áudio e que não fui ao ensaio.
– É, amiga, agora seus dois gatinhos vão beber leite em outro lugar – gargalhou e eu bati em sua perna.
– O problema é que pareceu diferente depois do Andrew – lembrei-me da cara que ele tinha feito e do tchau sem graça que tinha dado.
– Ele veio trazer o gravador pra você por algum motivo e um cara saiu do seu apartamento, é óbvio que ele ficou estranho – me olhou com uma cara de “é óbvio” e eu sorri fraco, me lembrando do gravador. Fui em direção ao meu quarto e peguei meu celular, enviando uma mensagem:

“Ei, as músicas são ótimas, principalmente aquela em que diz sobre o coração nunca mentir.”

Deixei o celular no quarto, não iria ficar vigiando para ver que horas ele me responderia. Algumas horas se passaram até chegar uma notificação dele:

“O nome dela é The Heart Never Lies, eu que compus.


Meu coração disparou ao ler aquela mensagem. O que estava acontecendo para eu estar tão eufórica com qualquer coisa que envolvesse algum contato entre nós? Agora eu não saberia responder.

Capítulo 4


Três semanas se passaram desde que vi pela última vez quando ele veio ao apartamento. Até hoje eu não tinha entendido o motivo pelo qual ele me trouxera aquele gravador. Quer dizer, eu já era tão especial assim pra ele gravar o ensaio todo pra mim só por que não fui?
– Ei, gatinha, o que tem para comermos hoje? – me perguntou enquanto eu fazia a comida. Combinamos de nos revezarmos na cozinha em alguns finais de semana e em outros termos a mordomia de comer fora – mas não era o caso hoje.
– Hoje temos macarronada no cardápio da acompanhada de muito refrigerante – sorriu e ajudou a colocar a mesa para que pudéssemos comer logo.
– Como estão as coisas com os dois homens da sua vida? – perguntou e eu me virei, colocando o macarrão no centro da mesa.
– Andrew tem tentado conversar comigo na faculdade e até me chamou pra sair uma vez mas acho que não quero nada com ele – sorri cordialmente e me sentei, colocando comida no meu prato e depois no de .
– Uma saída não é um pedido de casamento, ... – deu uma garfada na comida e depois nos serviu com refrigerante.
– Eu sei, , só não quero dar expectativas que eu não posso corresponder agora – inclinei a cabeça e ela balançou a cabeça em forma de compreensão.
Acabamos de comer e ficou com a louça toda pra ela. Fui até o meu quarto estudar matéria do dia anterior porque eu com certeza tinha chance de não ir bem naquela prova e tinha uma mensagem:
“Pub Pierce às 21 horas. Vamos tocar lá hoje.

Após quase um mês sem receber qualquer coisa dele, essa foi a primeira coisa que recebi, uma mensagem indicando o lugar que iriam tocar. Então eu deveria estar lá?
Chamei para ir comigo e expliquei a situação. Ela se animou muito e disse que me deixaria perfeita.
Ela foi atrás de nossas roupas no quarto enquanto eu pensava como ele poderia sumir e aparecer do nada. E o motivo dele ter sumido não era concreto. Mas tudo bem, ele não tinha que estar por perto o tempo todo, não é?
O tempo não parecia passar, estava nervosa pro evento e eu, bem, eu estava um pouco também. Quando finalmente deu a hora de nos arrumarmos, ela foi para o banho e eu fui a última a ficar pronta.
– Não importa o que aconteça entre você e seu macho, você precisa me tirar da seca hoje! – ordenou antes de sairmos de casa e quase deu uma portada na minha cara.
– Como se você estivesse... – ela me olhou com um olhar de “se continuar, você estará morta pra mim” e eu gargalhei. – Relaxa, gata, o macho não sendo meu, não há chance de acontecer nada.
– Bom meixxxxmo! – disse com um sotaque puxado e eu ri, descendo as escadas com ela.
Fomos ouvindo algumas músicas que John, meu último namorado, tinha gravado pra mim quando completamos um mês de namoro e as músicas eram as mais animadas possíveis. Ele era um namorado inusitado. Lembro de ter recebido um papagaio no primeiro dia dos namorados que passamos juntos. Segundo ele, eu falava muito, então ele me deu o bichinho porque assim eu tinha algo que falava o mesmo tanto para falar comigo e que, além disso, também me representava.
– Você não sente nostalgia? – me perguntou no meio da nossa cantoria e eu franzi a testa. – O cd, ...
– Um pouco – torci o pescoço e ela balançou a cabeça. – Ele era legal...
– Por que mesmo vocês terminaram? – sorriu e eu entendi os motivos dela ter dito isso. O primeiro era que ela não sabia mais contar nos dedos quantos namorados eu tive, então se embaralhava nos motivos. E o segundo era porque segundo ela eu nunca tinha um motivo válido pra terminar com todos os namorados que já tive.
– Só dirige... – balancei a cabeça e sorri, dando um tapa em sua testa e continuando nossa cantoria – e ela se junto a mim. O caminho acabou logo e procurava algum lugar próximo pra estacionar.
Descemos do carro e fomos em direção ao pub, que estava um pouco lotado. Depois de um tempo, conseguimos entrar e ficamos no fundo do pub, tomando uma bebida escolhera para nós.
Esperamos o show começar enquanto curtíamos o som que tocava nos alto falantes e depois de alguns minutos eles entraram no palco. Logo avistei e o olhei, ele estava com uma roupa azul e um jeans. Não pude deixar de olhá-lo bastante durante o tempo todo do show. Também cantei algumas músicas que aquele gravador tinha me salvado – apesar de ter aprendido só as que mais gostei. também arriscou algumas letras mas errava todas e me olhava gargalhando numa mistura de bêbada com idiotice.
Após o show acabar fui atrás de e dos garotos para abraçá-los e apresentar , que queria sair da seca.
– Ei... – cheguei perto de e seus olhos pareciam brilhar muito com a luz daquele lugar. Ele sorriu e sorri de volta, sentindo atrás de mim. – Essa é a .
– Ouvi falar de você.... – dei um tapa em sua perna e sorriu. – Desculpa, amiga, é apenas a verdade...
– E aí, !!!! – chegou por trás de , me abraçando e me dando um beijo na bochecha. Em seguida olhou pra e a abraçou também. Com certeza ele estava bêbado. – Essa gatinha mia?
– Se eu fosse você, arriscava.... – sorri e olhei pra , que me olhava com um olhar de agradecimento. – tá de carro...
– Só não sei se trago de volta, me deu outro beijo um pouco babado na bochecha e levou com ele. Ele era muito amistoso. Restamos só eu e , que até agora ria da situação.
– Seu gravador, bom, não sei se quer de volta, mas desculpa, não tá comigo – ele sorriu e eu corei.
– Não, ele é seu. Gravamos pra você porque sabíamos que não chegaria mais – ele sorriu fraco e eu também, lembrando onde o gravador estava.
– Que bom então, porque ele ta na minha caixinha de objetos meio especiais – sorri novamente e ele arqueou as sombrancelhas. – O quê? É um som especial.
– Não, , só to indignado com o meio especiais – ele arqueou as sombrancelhas novamente. – MEIO?!
– Muuuuuuuuuito especiais – exagerei no muito e sorriu cordialmente.
, vamos! – Pude ver uma garota morena de cabelos curtos se aproximando e dando um selinho em , puxando-o pela mão em seguida. Acho que pude reconhecê-la, era a mesma que o chamou naquela primeira festa em que o vi. – Sua van já tá indo embora! – me olhou com uma cara de “desculpa, tenho que ir” e eu fiquei chateada pelo selinho. Acho que ele estava bonito demais e eu não queria vê-lo com alguém naquela noite.
– Tudo bem, tenho que procurar a – fui me afastando dele, olhando para trás algumas vezes até estar longe o bastante para não vê-lo mais.
Sentei em qualquer banquinho que havia por perto e disquei o número de . Ela atendeu só na quinta vez que tentei e disse para eu ficar onde eu estava que ela me encontrava. Enquanto eu esperava uma música começou a tocar. Era uma música que eu escutava com Nathan, segundo namorado e vizinho. Crescemos juntos e Nathan ficava deitado na cama comigo só pra ouvir música quando eu estava triste. Um dia eu havia terminado o meu primeiro namorinho, essa música começou a tocar e Nathan me chamou pra dançar, porque nunca tinha me visto tão pra baixo e aproveitou a oportunidade da música ser mais alegre. Então, quando começamos a namorar, essa era a nossa música.

Flashback on
– Aumenta esse volume!!! – Eu disse gritando ao ouvir Bob Seger no rádio do carro. – Eu não acredito que tá tocando ela!
– É porque eu fiz de propósito. – Nathan me olhou, arqueando as sombrancelhas e aumentando o volume do rádio logo em seguida.
– Out in the back seat of Nathan’s '60 Chevy. – Berrei uma parte da música, batendo os pés no banco do carro e gargalhei em seguida. Nathan me fitou alguns segundos e balançou a cabeça em negação. – Curte essa vibe marota!
– In the summertime, in the sweet summertime we weren't in love? (No verão, no doce verão nós não estávamos apaixonados?) – Nathan disse após ouvir alguma das partes da música e a repetindo, sem olhar para mim.
– Oh no, far from it. We weren't searchin' for some pie in the sky summit. We were just young and restless and bored livin' by the sword (Oh não, longe disso. Não estávamos procurando pelo pote de ouro no final do arco-íris. Nós éramos apenas jovens e agitados e entediados vivendo perigosamente). – Respondi naturalmente com outra parte da música, tentando disfarçar que olhava os cabelos dele voando em seu rosto e um óculos na cabeça. – Abaixa esse óculos, brega.
– Você é chata assim? – Me olhou de relance e abaixou o óculos. – Vivendo perigosamente, me dando apelidos. O que estão fazendo com você, boneca?
– Boneca não, Nate. – Fiz algum barulho com a boca e lhe dei um pedala. Nate sorriu em seguida mostrando pela primeira vez, desde que pegamos estrada, aqueles dentes brancos. – Você é um brega mesmo!
– Ta, . – Tapou a minha boca com uma das mãos. Juro que teria mordido a mão dele se o cheiro não estivesse TÃO agradável. – Fica quietinha aí, já estamos chegando!
– Você é um saco mesmo, heim. – Bufei e cruzei os braços, ele deu uma gargalhada logo em seguida. Odiava ficar em silêncio, quando criança eu era hiperativa.
– Você é um bebezinho. – Apertou a minha bochecha e respondi dando língua. – Pode cantar a música, chata.
– Yaaaaaaay! – Esmurrei o ar e voltei a cantarolar a música. – Obrigado por isso, tio! – Nathan riu mais uma vez e voltou a atenção para a estrada. A essa altura eu já estava fitando ele novamente.
Flashback off

Depois disso me lembrei como foi bom namorá-lo, talvez porque já o conhecia antes mas ele foi o melhor namorado que já tive. Senti sua falta ao ouvir a música no pub, não exatamente do namoro mas da amizade que tínhamos antes. Pensei em ligar para ele, o momento com o me chateou e não tinha arrumado ninguém depois de John, mas preferi só esperar por . Nathan e eu não nos víamos há algum tempo, mais especificamente desde que mudei da cidade em que morávamos – inclusive, por isso que terminamos. Sua mãe havia me dito uma vez em que voltei para visitar meus pais que ele ficou muito triste durante muito tempo, então decidi não vê-lo mais. Mas isso não me impedia de sentir saudades.

Capítulo 5


– Então quer dizer que fisgou um peixão ontem, né? – falei para após ela chegar na sala com cara de ressaca e sono. – Falta meu obrigada.
– Brigada – falou meio sonolenta e caiu no sono novamente, ou pelo menos tentou. – Minha cabeça tá me matando!!!
– Ninguém mandou ficar bebendo e me fazendo passar vergonha – falei enquanto mexia no computador editando alguns trabalhos que tinha para entregar. Era fechamento de semestre na faculdade.
– Ahhhh, bem lembrado – se levantou do sofá e riu maliciosa. – Como foi ontem?
– Não foi... – curvei o pescoço. – Ele foi embora quando uma garota saiu puxando ele com selinho...
– Que filho de uma mãe, ele te chamou lá pra isso?? – falava cada vez mais indignada.
– Não sei – sorri. – Talvez ele quis dar o troco por causa do Andrew. Mas também nem rolou nada entre a gente, amiga, tenho que me conformar.
– E se ele te chamar nos lugares pra não te dar bola, bom que não role mesmo – se jogou no sofá novamente. – Acho que me lembrei que disse que veria o hoje.
– Mas já, ??? – eu gritei abismada com a rapidez da relação deles.
– Amiga, enquanto eu to podendo beijar tenho que garantir, né? – riu. – Ele é legal, , a gente até conversou um pouco – eu assenti e sorri e ela voltou para o quarto dizendo que sua cabeça a estava matando.
Continuei o trabalho que estava fazendo e consegui terminá-lo mais cedo do que planejei. Fui pegar alguma comida e colocar um filme já que ainda estava capotada, mas a campainha não deixou. Fui até a porta atender.
!!! – gritou e eu nem pude ver quem estava passando por mim. – É aqui a festa hoje?
– Que festa, doido? – ele franziu a testa. – Não vai me dizer que a combinou uma festa com você?
– É só a gente, , vamos fazer algumas coisas legais – coisas legais para eles com certeza não eram para mim. Então pude ver entrando atrás dele com algumas sacolas na mão que por sinal pareciam pesadas.
– Coloco isso em que lugar? – perguntou para mim e quando chamei ele com a cabeça para guiá-lo, pude ver o tanto de gente que tinha em casa naquele momento. Nunca tinha visto ninguém, só fui passando pelo meio das pessoas e vinha atrás de mim.
– Pode deixar aqui... – ele assentiu. – Ainda mato a , quem é esse pessoal?
– São uns amigos do – ele sorriu. – Eles não vão quebrar nada, vou ficar vigiando pra você
– Muito obrigada – sorri. – Vou acordar a – ele assentiu e fui até o quarto de . Acordei-a e dei uma bronca por nem ao menos ter avisado. Ela disse que sabia que eu não iria querer bagunça em casa e por isso não me avisou. Ela saiu do quarto logo depois de se arrumar e eu fiquei para me trocar.
– Então aqui é onde você dorme? – se encostou na porta e eu quase pulei de susto, mas dei um leve sorriso. – Decoração bonita.
– Não, esse é o quarto da , mas sou criativa pra decorar também, pode me pedir pra decorar o que quiser – sorri enquanto tentava fechar minha saia emperrada, ficando muito aliviada depois de conseguir. Segui para a porta onde estava encostado.
– Que cheiro é esse? – Franzi o cenho e, antes mesmo que eu pudesse falar alguma coisa, cheirou meu pescoço e depois meu cabelo.
– É só meu cheiro natural – sorri, tentando disfarçar o que senti quando ele encostou em mim.
– É que ele me lembra alguma coisa – ele sorriu sem mostrar os dentes e se afastou de mim. – Vamos? – saiu na frente e fiz um pouco de força nas pernas pra sair de onde estava. Fomos para a sala que tinha mais barulho de som e nos afastamos. Fiquei conversando com algumas pessoas que puxei algum papo e alguns minutos depois vi com a mesma garota que tinha dado um beijo nele aquele dia no pub. Tentei segurar a dorzinha no peito que senti ao vê-la perto dele e continuei conversando na rodinha em que estava.
– Então você é a ? – um garoto chegou ao meu lado e logo pude perceber que ele era da banda. – Não tive a honra de conversar com você ainda.
– Famoso é você – ele sorriu e eu pude ver o quanto seu sorriso era bonito.
, volta aquiiiiiiiii! – gritava já bêbada. – Não acredito que saiu do nosso papo!
, acho que tá te olhando bravo – eu observei a cara dele ao olhar para onde estávamos.
– Ele é bobão – disse gargalhando do nada. – NÉ, AMOR? VOCÊ É UM BOBÃO.
, se vomitar aqui em casa vai limpar tudo amanhã! – eu disse brava e pude perceber gargalhando.
– Tá bom, me deu um beijo babado na bochecha e saiu de perto de onde estávamos.
, aquela é a namorada do ? – eu queria descobrir algo sobre os dois então resolvi perguntar descaradamente, mas torcendo pra ele não desconfiar de nada.
– Se eu fosse você, caía fora.
– Eu nem to dentro... – sorri e ele mais ainda. – O quê?
– Mas queria estar bem dentro – ele tomou um gole de sua bebida. – Senão não estaria perguntando...
– Ok, você me sacou – sorri e dei um tapinha nele, que devolveu. – Ai, menino! Assim não dá pra ter uma amizade sincera... – gargalhou e eu, logo em seguida, também.
Conforme a festa foi passando, alguns foram indo embora, sobrando apenas os meninos, eu, e a suposta namorada de . já estava desmaiada no sofá, então era apenas eu, eles e a suposta namorada.
– Preciso colocá-la na cama – falei para ao garotos que estavam me ajudando limpar o apartamento todo. – Alguém me ajuda aqui? – se ofereceu primeiro e então fui com ele até o quarto de . Ele a deitou na cama e eu dei umas ajeitadas, cobrindo-a. – Bonita sua namorada – eu disse para ele que quase saía do quarto; ele se virou e sorriu.
– Lorelai é legal – disse e eu assenti. – Aquele dia em que te chamei… Bom… Não sabia que ela iria.
– Tudo bem, nada demais ela ir... – eu sorri. – Não é como se ela fosse tapar a visão do show ou os meus ouvidos.
– Mas você sabe – me deu uma olhada no fundo dos olhos –, eu chamei você porque queria que fosse nos ver tocar.
– Ela ta aqui, viu? – eu disse, lembrando-o de que ele ainda tinha uma suposta namorada.
– O que tem? – Ele franziu a testa. – Já disse que ela é legal.
– Que tipo de namorada é legal ao ponto de deixar você falar assim com alguma garota? – Agora eu que franzia o cenho.
– Você e sua insistência nessa palavra – ele conseguia sorrir mesmo com o clima pesando um pouco mais. – É pra me lembrar de alguma coisa?
– Não – eu não conseguia mais permitir que ele falasse comigo daquele jeito e não confirmasse que ela era namorada ou não. Então fiquei brava o suficiente para responder um simples não.
– Tá bom, – ele parecia ter ficado frustrado com o meu não. – Agora eu vou... voltar pra lá – apontou pro cômodo atrás dele e virou as costas para a porta, saindo de volta para a sala onde os outros estavam.
Caminhei logo após ele ir para a sala e já podia ver quase tudo no lugar. Agradeci os meninos pela arrumação e eles nos chamaram para ir ao estúdio ver um ensaio deles na semana que vem, já que eu furei no anterior. Logo depois de convidarem, eles disseram que tinham que ir embora, me deixando na porta apartamento. Dei tchau para todos menos para . Falei até mesmo com a garota que estava com eles, mas com ele não. Quem ele pensava que era pra querer me cantar estando com outra pessoa? Entrei para dentro do apartamento e me joguei no sofá, achando que dormiria ali mesmo. Então a campainha tocou novamente.
– Mas que merda você quer? – eu disse sem ao menos olhar direito quem era na porta.
– Só esqueci meu celular – me deparei com Lorelai na minha frente sorrindo envergonhada. – Desculpa se estava dormindo.
– Não, imagina – sorri quase corando. – Me desculpa pela grosseria, achei que fosse o... – pensei em dizer o nome, eu realmente achei que fosse ele – . Mas pode entrar e pegar – ela sorriu e entrou dentro do apartamento, pegando o celular.
– Nem acredito que não veio comigo até aqui, é amiga dele e ele me deixa sozinha – a garota fez um certo bico e eu sorri simpática vendo o quão bonita era ela. – Bom, obrigada.
– Imagina – sorri, vendo-a sair do apartamento.
– Aparece na casa do amanhã, acho que vamos fazer maratona de filmes – agora ela queria ser minha amiga? Como eu não conseguiria gostar dela? – Eu falo pro e ele te busca – tá, agora minha casa tinha caído.
– Ermm... Tudo bem – como assim tudo bem? Não estava nada bem. – Até amanhã então!
– Até, – a vi descer as escadas e observei o quão bonita era ela. E o quanto eu podia amá-la e não o contrário.
Entrei dentro do apartamento novamente e me direcionei até a sala, ligando a TV e dando de cara com um filme que eu assistia quando me sentia muito triste ou sozinha. Isso até os meus dezessete anos. Deixei ele passar, era a comédia mais incrível que eu já vira em toda a minha vida, me lembrava a adolescência e a cidade em que eu morava porque eu sempre assistia no meu quarto, que era decorado inteiramente pra mim.
Senti saudades de casa e resolvi ligar para minha mãe. Deu caixa postal. Tentei mais umas onze vezes e ninguém atendeu. Olhei o relógio e me esqueci do fuso, meus pais estavam trabalhando há algumas horas. Senti-me nostálgica e resolvi fazer alguma coisa pra comer e ficar ali mesmo.
Com algumas horas de filme, ouvi a campainha tocar e então olhei o relógio, já eram quase oito da manhã. Sim, eu tinha passado a noite inteira acordada, isso era surreal, eu sempre ia pra cama cedo. Direcionei-me até a porta e me deparei com Andrew parado com flores na mão.
– Oi – ele sorriu e eu não pude deixar de sorrir de volta. – Desculpa pela surpresa, eu estava à caminho do trabalho e imaginei que estivesse dormindo, na verdade, acho que por isso consegui chegar até a sua porta... – não sei bem o que senti no momento, só me veio à cabeça beijá-lo depois de tanta falação. Talvez fossem as flores ou o que ele vestia, mas algo nele me chamava atenção para beijá-lo e um segundo depois eu já tinha me arrependido. – Isso foi meio... Inesperado?
– Foi como eu me senti aquele dia – sorri corando e me lembrei do dia em que ele tinha me beijado inesperadamente, então aliviei um segundo. – Mas por que as flores?
– Eu ainda não tinha tomado coragem de voltar aqui pra tentar me aproximar de você e tentar sair com você – ele franziu o cenho em forma de pergunta e eu não sabia como olhá-lo no momento, mas me lembrei que meu suposto affair com o ia mal e que minhas lembranças do passado estavam sendo constantes.
– Sim – falei em um segundo enquanto ele ainda me olhava. – A gente sai.
– Então te pego hoje mais tarde? – Andrew me entregou as flores de uma vez por todas, que por sinal era algo que eu nunca tinha recebido, não era mais um gesto muito comum. – Oito horas tá bom?
– Tá sim – sorri novamente e então ele se direcionou até mim, me dando um beijo na bochecha e se despedindo.
Fechei a porta e fui para o meu quarto, jogando as flores na minha cama. Lembrei-me que tinha filme no mais tarde e então tentei dormir.
Acordei com no meu ouvido dizendo para eu me arrumar logo porque teria filme no . Claro, já tinha contado pra ela. Tive que trocar meu pijama confortável e lindo em um minuto e então descemos para esperar os meninos chegarem e guiarem eu e até a casa de . E eles não demoraram muito.
, por que não vem no meu carro? – os meninos mal tinham chegado e já gritava para .
– Mas aí eu vou sozinho? – estacionou lentamente parando em frente a nós e olhando para mim.
te acompanha – disse rapidamente e a olhei brava. Se ela soubesse o que tinha acontecido noite passada não teria feito isso. Mas eu aceitei ir para não ter que ficar dando explicações ou fazendo cena.
– Vai ficar fazendo isso até a gente chegar? – olhava meus dedos desenhando na minha calça e em seguida o trânsito.
– Vou – sorri sem mostrar os dentes e ele franziu o cenho. Reparei em seu rosto, era tão lindo a forma que ele dirigia ou o ângulo em que eu olhava que não pude evitar que ele me pegasse olhando pra ele.
– Vai ficar me olhando e não vai falar comigo? – ele sorriu e eu senti uma vontade de socá-lo por ser tão lindo. Ou era apenas eu me apaixonando por ele. De novo não!!!! – Ta bom.
Fomos o caminho todo em silêncio. Ah, qual é, não fui eu que fiquei cantando alguém tendo uma namorada e ainda por cima se fazendo de desentendido. Além disso, eu realmente não ia dar corda pra isso continuar e ele a trair.
Chegamos na casa de em minutos que pareceram horas e então fomos direto escolher os filmes que assistiríamos.
– Quem vai fazer as besteiras pra gente? – perguntou fazendo carinha de dó e eu sorri pra ele.
faz! – gritou vindo do banheiro e eu o olhei revirando os olhos. – Eu te ajudo, relaxa, você só parece a mais tranquila pra mexer em coisa de cozinha.
– Obrigada – eu sorri me levantando e indo atrás dele. – Eu realmente sou! – caminhamos até a cozinha e ele pegou todos os equipamentos que precisávamos pra fazer muffin. – Você sabe mesmo fazer essas coisas?
– Sei – ele sorriu. – Eu vivo sozinho, preciso aprender a me virar pra sempre que precisar – pegamos os ingredientes e começamos a misturar. – Você sabe?
– Com certeza! Eu que faço as comidas em casa porque a é um desastre! – ele gargalhou quase derrubando o que estava em sua mão. – Brincadeira, a gente reveza... MAS EU COZINHO MELHOR!
Continuamos a fazer a comida e, enquanto esperávamos ficar pronto, fomos para a sala e levamos alguns salgadinhos e refrigerante junto. Sentei-me ao lado de porque não tinha sobrado lugar perto dos outros e dividimos nosso salgadinho.
Alguns minutos depois que o terceiro filme acabou, recebi uma ligação de Andrew. Droga, tinha que sair com ele. Corri pra fora pra atender e pouco tempo depois que terminei a ligação voltei para dentro da casa, avisando os outros que teria que ir embora.
– Se quiser posso te dar uma carona – se ofereceu, mordendo um salgadinho em seguida e eu sorri com a cena.
– Não precisa, ele... erm... vai me buscar aqui mesmo – sorri para o garoto guloso com a boca cheia e em seguida não pude evitar olhar para que logo depois desviou o olhar. – Então eu vou indo lá pra fora pra esperar... hum... até depois, gente – dei um tchauzinho no ar e eles falaram um tchau em coro.
Saí da casa observando a falta de detalhes que havia nela e parei na calçada em frente ao portão enorme. Sentei-me na calçada e comecei a jogar algum jogo que tinha no celular. Não vi as horas passarem, mas Andrew demorou mais do que 20 minutos.
Avistei uma moto vindo em minha direção e me levantei ao perceber que o motoqueiro de roupa nada radicais era Andrew.
– Quer uma carona, babe? – ele tirou o capacete e fez uma cara seduzente para mim. – Vejo que você estava me esperando porque seu traje é ótimo pra andar de moto.
– Eu faço o que posso – forcei um sorriso. Na verdade eu até que estava feliz por sair com ele e não me sentia mais incomodada como me sentira antes. – Vai me dar um espaço? Minha bunda ocupa um puta espaço, sai pra lá – sentei na moto e colei meu corpo no dele, o empurrando pra frente propositalmente. Ele gargalhou alto e abaixou o capacete, me dando outro e seguindo pela rua larga, quando virou à direita.
Fomos por um caminho muito lindo até chegar no destino que ele tinha preparado. Era uma colina que havia uma casinha muito fofa e pequena como em Senhor dos Aneis, mas ela tinha uma área livre e coberta ao lado e estava movimentada. Nunca tinha visto aquele lugar antes.
Assustei-me quando Andrew pegou na minha mão repentinamente e sorri fraco quando ele me olhou. Seguimos para dentro do local e ele nos dirigiu até um freezer que tinha alguns tipos de sorvetes – que ele disse que não eram apenas sorvete e ele tinha razão). Ele pegou o primeiro que viu, provavelmente já conhecia o sabor.
O bonito foi para a mesa e me deixou para trás, escolhendo meu sorvete. Segui para a mesa logo depois.
– Você vai comer nesse momento o melhor sorvete da sua vida, ! – ele abriu o sorvete dele e se melecou quase todo e eu sorri ainda tentando abrir o meu. – Tá com dificuldade?
– Você quer me dar uma mão aqui? – tentava abrir o plástico e não conseguia. – Tá tirando com a cara da sua par?
– Me dá... – ele sorriu e pegou o negócio da minha mão, conseguindo abrir rapidamente. – Eu tenho prática porque como isso aqui sempre, mas realmente é duro.
– Legal o lugar – sorri para ele mais uma vez. – Nunca tinha visto.
– Até que tem uma certa fama – ele sorriu e olhou ao redor. – Mas é meio velho, então pessoas da nossa idade não conhecem muito. Eu vinha aqui com um tio que me pegava pra sair sempre que meus pais brigavam.
– Seus pais brigam? – arregalei os olhos. – Eles são tão cultos e amorosos!
– Hoje em dia não, né, – ele gargalhou com a minha expressão. – Bom, não que eu veja ou saiba... – deu algumas lambidas no sorvete e jogou o plastiquinho em um tipo de lixinho que tinha na mesa. – Bora?
– E aonde você vai me levar? – perguntei, tomando o resto do meu sorvete rapidamente.
– Ali... – ele me puxou para perto e me empurrou para o lugar que tinha se referido. Era como uma casinha branca e cheia de flores colocadas em cima e ao lado. Sentamos um ao lado do outro e descobri o motivo dele ter me levado ali: dava pra ver a cidade toda. Era a coisa mais linda que já vira! – Uma vista assim combina com mais um beijo nosso?
– Erm... – corei rapidamente. – Na verdade, não... – ele arregalou os olhos e eu gargalhei – Ok, fui ríspida, não era a intenção. É que eu não quero muita coisa além de um beijo.
– Mas eu nem pedi nada... – ele falou quase chorando.
– Só não quero te chatear por algo que deixei de fazer e você queria que eu fizesse – eu sorri cordialmente.
– Aceitou sair comigo só pra comer sorvete de graça? – eu gargalhei e dei um tapa em sua perna.
– Não, idiota – e de repente fui beijada. Foi um beijo lento porque assim que ele me beijou, eu correspondi e ficamos nos beijando por algum tempo.
– Só pra você saber que eu quero só um beijo seu – ele sorriu. – Agora posso te enxotar...
– Ahhhhh nãoooo!!!! – ele gargalhou e eu também. – Bom, na verdade, acho que realmente já pode me enxotar porque preciso estudar pra nossa prova de segunda e pretendo começar amanhã cedo...
– Não vou insistir pra você ficar porque preciso fazer a mesma coisa – por que Andrew nesse momento pareceu a pessoa perfeita? Eu simplesmente abri um sorrisão. – Aí amanhã você me passa algumas respostas...
– Eu não vou colaborar com isso, não é ético – ele fez bico e eu levantei. – Tô falando sério sobre a prova, vai ficar sentado aí? – Andrew se levantou e veio comigo em direção ao automóvel que tinha estacionado uns metros antes. Seguimos pelo mesmo caminho no qual viemos e ele me deixou exatamente na porta de casa.
– Vê se não foge, eu realmente não vou ser grotesco com você em qualquer atitude que você tomar a meu respeito... – eu sorri e concordei, não sabia o que falar, não queria manter uma conexão íntima, sabia que ele esperava mais do que isso. Mas também óbvio que não ia sumir repentinamente. Então só sorri e entrei pra dentro do apartamento.

Capítulo 6


(A última vez que vi Richard, estava em detroit, em 68
E ele me disse que todos os românticos se reunirão algum dia
Cínicos e amargos e irritando alguém em algum café escuro
Você ri, ele disse que você pensa que é imune
Vá olhar seus olhos
Eles são o tolo da lua
Você gosta de rosas e beijos e belos homens contando
Mentirinhas, mentirinhas
Quando você perceberá que são só de mentirinha
Só de mentirinha, só de mentirinha)


- Ahhhhhhh, você sabe que eu odeio essas músicas, abaixaaaaaa! - gritou do quarto dela e eu bufei, ela sabia que eu só conseguia ouvir música alta mas ela odiava a maioria das minhas músicas – Por favorrrrrr!!!!!!!!!
- Calma! Já to abaixando – bufei e abaixei o volume do som. Ter ela em casa em pleno final de semana era horrível. Antes ela tinha começado a sair com mas ele esperava outra coisa dela e então os dois decidiram parar as noitadas. Desde então, não tinha visto mais ou os meninos, só falava com eles por mensagem às vezes e ficava escutando algumas músicas deles que salvei no meu celular, mas não tinha mais o mesmo contato, afinal, o único elo de ligação até então era e . Eu e quase não conversávamos mais, e eu e os meninos não tínhamos uma amizade tão forte. Mas agora que nosso elo tinha sido cortado, nos afastamos de verdade. E com esse elo afastado, o mau humor da nos finais de semana era horrível. – Até quando você vai ficar de mau humor todo santo final de semana que ficar em casa? – fui até o quarto dela e encostei na porta, vendo-a arrumar o quarto todo, ela tinha quase um toc e piorava quando estava, digamos, no tédio – Você precisa dar uma respirada, pegar umas férias...
- Eu já tentei pedir umas férias, mas meu patrão tá enlouquecendo porque se divorciou e desconta as frustrações dele nos funcionários! Ahhhh! - bufou enquanto ainda arrumava seu quarto, separando as roupas por cor em seu armário – E, por favor, você sabe que tô tendo uma semana pesada de provas, só tenta compreender um pouco...
- Eu sempre compreendo, amiga – sorri e cruzei os braços – Mas é complicado, né.
- Desculpa, prometo que vou tentar controlar meu mau humor – ela sorriu e eu concordei.
- Escuta, Luke me chamou pra sair com ele e alguns amigos, quer vir? – sim, Luke finalmente tinha seguido em frente e um desses amigos que falei era sua nova namorada, então agora ele não vivia tão colado em mim como antes – Ele tá de namorada nova e quer dar uma apresentada geral e aproveitar pra comemorar o fim do semestre...
- Ah, não sei, ... Quando for, se eu estiver arrumada, só me chamar. Senão, você já sabe... – concordei e fui para o meu quarto dar uma arrumada nos livros que estavam abertos na cama pra me arrumar e esperar Luke, que logo me ligou dizendo que estava em frente ao apartamento e ainda nem estava arrumada. Desci rápido e dei um oi geral para os que estavam no carro. Então seguimos pela rua iluminada da cidade maravilhosa que admirava sempre que saía de casa e o destino era um barzinho que não ficava tão longe de casa.
- Sabe os garotos que tocaram na festa da Ellie? Vão tocar hoje – Luke comentou comigo e eu pasmei, fazia muito tempo que não via , e Luke não sabia de nada que havia acontecido com a gente.
- Sério?! – sorri e ele concordou. Em seguida fomos procurar uma mesinha mais ou menos perto do palco improvisado e sentamos. Estava eu, Luke, Nelly, Tyler e Natalie em sequência – Então, Nelly, como meu amigo aqui tá te tratando?
- Ah, ele é um doce – ela sorriu e eu concordei.
- Você sabe que eu sou um doce, , não estraga meu jogo – ele piscou e Nelly sorriu para mim e depois para ele. Mas nem deu tempo de conversarmos muito até começar o show e prestarmos atenção na apresentação deles. A não ser quando começamos a pedir bebida atrás de bebida e não sabíamos mais falar além de rir.
- Ei, , o garoto da banda não para de te olhar! – Nelly quase gritou e em seguida gargalhou, era a mais bêbada da turma – Acho que você devia ir pro camarim – ela gargalhou mais ainda e eu também.
- Acho que eu vou – girei meu copo no ar e comecei a gargalhar junto com ela. Até que eles começaram a fazer um cover que me estatizou.

(A última vez que vi richard, estava em detroit, em 68
E ele me disse que todos os românticos se reunirão algum dia
Cínicos e amargo e irritando alguém em algum café escuro
Você ri, ele disse que você pensa que é imune
Vá olhar seus olhos
Eles são o tolo da lua
Você gosta de rosas e beijos e belos homens contando
Mentirinhas, mentirinhas
Quando você perceberá que são só de mentirinha
Só de mentirinha, só de mentirinha)


- É a minha música, Nelly!!!! – eu levantei da cadeira e comecei dançar alguma coisa louca que nem eu mesma entendia o que era.

(Pôs um quarto de dólar no piano wurtitzer, e empurrou
Três teclas e a coisa começou a girar
E uma garçonete veio
com meias de renda e uma gravata borboleta
E disseram "bebam agora que está na hora de fechar"
"richard, nunca vai mudar" eu disse
É ela que agora você está romantizando
um pouco de dor na cabeça
Você tem túmulos nos olhos, mas as canções
Que você tirou são um sonho
Ouça, elas falam de amor tão docemente
Quando você mesmo volta a caminhar com seus pés?
Oh e o amor pode ser assim tão doce, amor tão doce)


-Vai, !!! – Nelly gritou, se levantou e começou a dançar junto comigo. Depois Natalie acompanhou e os meninos não conseguiam parar de rir.
(Richard se casou com uma patinadora artística
E ele comprou pra ela uma máquina de lavar e uma cafeteira
E agora ele bebe em casa quase todas as noites
com a tevê ligada
E todas as luzes da casa acesas
Vou soprar a porra dessa vela para fora
Eu não quero ninguém vindo na minha mesa
Eu não tenho nada a falar sobre qualquer coisa
Todo bom sonhador passa por isto algum dia
Amanhece caído num café escuro
Escuro café
Só a escuridão
Antes de ganhar minhas asas maravilhosas
E eu voarei por aí
Só uma fase, estes dias de cafeterias escuras)


- Ahhhhhhh, acabouuuuuu! – fiz bico e me sentei novamente, jogando minha cabeça na mesa.
- , o camarimmmm! – Nelly gritava e erguia minha cabeça, virando-a em direção ao palco – O show acabou! Ele tava te olhando! – eu estava quase desmaiada de tanto beber, mas me lembrei do assunto de me olhando e fui em direção aos bastidores do show, que não era bem um camarim.
- Minha amiga me desafiou a vir até aqui – cheguei no segurança, me apoiando nele e rindo com um copo na mão. Logo me avistou e veio em minha direção, acho que percebeu algo errado porque veio rápido, falou algo pro segurança que assentiu e me deixou entrar - Nelly disse que você tava me olhando – eu me apoiei nele cambaleando e dei um oi para os outros que me olhavam querendo rir – Você tava me olhando?
- É, , eu tava te olhando, agora senta aqui – ele me colocou numa cadeira que quase me fez cair pro lado e me pegou rapidamente ao ver a cena, juro que ele teria rido se não tivesse que fazer força pra me segurar – Fica aqui que eu volto rápido.
- Por que você sumiu? – fiz cara de dó quase caindo por cima dele – Você e os meninos acabaram com a nossa amizade – falei quase chorando e os garotos gargalharam ao olhar pra minha cara.
- Você nem tava falando comigo – ele explicou devagar e eu parei um segundo tentando me lembrar de que não tava mesmo falando com ele – Agora fica aqui que eu já volto.
- Ah nãooooo! – me joguei em cima dele que quase caiu – A sua namorada... deve achar que sou doida se me vir assim – me recordei de Lorelai e tentei me jogar pra cadeira de novo, saindo de cima dele.
- Que namorada, ? – ele franziu o cenho e em seguida sorriu comigo tentando me equilibrar na cadeira – Tá, fica aqui – então ele saiu o mais rápido que pôde e eu acho que adormeci porque só acordei em seu carro com ele me acordando – Acorda, não dá pra te carregar e subir escada ao mesmo tempo – apertei meus olhos com dificuldade em abri-los e vi um maximizado na minha cara. Mesmo assim o ângulo era agradável – Vai, acorda, tá na hora de ir pra casa...
- Te dei trabalho – ainda apertava os olhos com dificuldade e ele balançava a cabeça de um lado pro outro – Desculpa... eu nem costumo beber assim, a gente só tava comemorando o namoro do Luke – ele balançou a cabeça novamente – É, comemoramos errado – eu sorri e tentei abrir a porta, me segurando no carro pra não cair, e , ao perceber a cena, abriu a porta do lado dele e rodeou o carro rapidamente pra me ajudar – Preciso avisar eles que tô bem.
- Eu falei que ia te trazer... e eles não estavam num estado bom pra levar alguém pra casa.
- Obrigada então – sorri e ele pareceu não ver porque não correspondeu com nada, só me ajudou a subir as escadas – Acho que eu consigo daqui... – me soltei dele rapidamente e quase caí se não fosse pelo corrimão.
- Eu te ajudo - não hesitou em apoiar meu braço ao redor do pescoço dele e subir o resto da escada.
- Acho que não pega muito bem pra você ficar assim comigo – ele sorriu e fez um “puf”.
- Não tem fotógrafo aqui, posso te garantir!
- Não é por isso – eu franzi o cenho – Lorelai não ia curtir essa cena...
- Por qual motivo? – ele franziu o cenho e paramos no meio da escada.
- Porque ela é sua namorada...? – franzi o cenho novamente e ele também – É por isso que parei de falar com você, sempre que falo disso você finge que não sabe do que tô falando.
- Quê? – ele me soltou repentinamente me deixando quase cair, então me segurou num flash – Ela não é minha namorada – ele levou uma das mãos na cabeça esfregando-a – Eu e ela já tivemos alguma coisa, mas não somos namorados, não precisa se preocupar com isso... É por isso que tava me evitando?
- Então vocês não namoram? Mas por que... aquele dia lá no show ela te beijou e sempre tá com vocês... especialmente com você? – franzi o cenho e ele sorriu.
- Aquele dia ela tava bêbada e me deu um beijo surpresa, depois começou a chorar porque tinha feito isso – sorriu mais como se tivesse se lembrado da cena – E ela ficou muito nossa amiga quando começamos a sair, aí depois que, digamos, terminamos, ela não se afastou dos caras... e depois nem de mim – ele deu uma pausa – Meu Deus, você se afastou de mim por uma coisa que você supôs!
- Só achei que você tava dando em cima de mim e como pensei que ela fosse sua namorada tive que te cortar, seria uma falta de respeito com ela – sorri – Eu não sou de me envolver em problemas por macho, não – ele quis gargalhar – Desculpa... acho que me precipitei...
- É, se precipitou – corei num instante – Mas precisamos subir, senão vai acordar todo o prédio!
- Eu falo alto? – franzi o cenho e ele agora sim gargalhou, então num minuto levei a minha mão na boca dele e ele se calou – Tá, vamos subir, você sim que vai acordar o prédio todo – sussurrei – Nesse tom tá bom pra você? – continuei sussurrando e fomos subindo devagar a escada até chegar na minha porta e eu pegar minhas chaves, me apoiando no trinco da porta – Bom, me trazendo em casa de novo, obrigada, não precisava, podia me deixar ter a oportunidade de sofrer um acidente com os meus amigos bêbados - deu um sorriso gostoso e eu também logo em seguida.
- Senti falta dos seus gritos – lembrei dos tempos que saía com ele e os meninos, e mesmo quando não conversávamos eu costumava dar alguns pitis, então quando olhava pra ele, sempre tava querendo rir – É sério, você tem que parar de gritar...
- Vai embora da minha casa, cara! – apontei pra escada, mandando ele descer e ele sorriu de novo.
- Tá, já to indo – ele se virou pra ir embora – Não quer vir amanhã com a gente na nossa tarde de fotos? Chama a - sim, ele tinha ficado próximo da minha amiga, tanto que já chamava pelo apelido e até saíam juntos algumas vezes, ele, ela, e uma tal de Trisha, irmã do , que minha amiga adotou como mais uma super amiga, quase ocupando meu espaço.
- Amanhã? – o único problema é que Andrew tinha resolvido ficar no meu pé, então resolvi dar uma chance a ele e de uns tempos pra cá estávamos saindo juntos. “Amanhã” era um desses dias em que sairia com ele – É que eu não posso... mas vou falar pra ela!
- Então qualquer dia desses – ele sorriu – Em outras sessões de fotos... McFly vai decolar – ele sorriu de novo e eu mais ainda.
- Só não fica tão pomposo!
- Você sabe que eu não sou – ele sorriu e foi se afastando dando um tchauzinho no ar de adeus.
- Ei!!!! – gritei rapidamente antes dele sair totalmente da minha vista – Obrigada por cantar aquela última música hoje, é a minha música!
- Eu sei, por isso eu cantei, é tudo código – ele piscou e eu sorri alto, parando de sorrir quando lembrei que havia gente dormindo.
- Código pra demonstrar que mereço uma música de tão especial que eu sou? – franzi o cenho.
- É, não dá pra brincar com você, seu ego é enorme, cara – ele balançou a cabeça em negação – quis colocar a música no repertório.
- Ele tem um ótimo gosto musical, fala que mandei um beijo!
- Seria muito gay eu falar isso – eu mandei um joinha no ar – Falo que você mandou um abraço.
- Pode ser – eu sorri cordialmente – E obrigada... de novo... – apenas concordou e dessa vez foi realmente embora.

Capítulo 7


Flashback on
- Então você quase o beijou? - se aproximava, me abraçando – Quando vocês se aproximaram?
- Você tá brincando, né? – eu revirei os olhos – Você sabe que a gente SÓ vivia aos trancos e barrancos...
- Nem sei por que isso começou... ou como... o motivo eu sei – ela sorriu e eu revirei os olhos de novo – Vocês são diferentes, .
Flashback off

- ? – Andrew me alertou para dar o braço para ele – Pensando no começo do semestre de novo? – ele chegou mais perto do meu ouvido e passou a mão na minha cabeça – Você vai bem... – sorriu e se afastou novamente, voltando a posição de entrada no salão. Estávamos num casamento de sua prima. Como padrinhos – Vamos entrar agora, tudo bem? – apenas sorri fraco.

Flashback on
- Se eu acho que ele gosta de você? – ela fez um “puf” – Vocês tão enrolando há alguns meses, você sabe que desde que se conheceram rolou alguma coisa.
- Você sonha alto – eu gargalhei e tentei fugir dela, que me seguiu.
- E você é idiota – ela me deu língua – Odeio você não ter razão e fugir de mim.
- , eu vou surtar com você no meu pé.
- Eu vou ficar no seu pé até você fazer alguma coisa certa – sorriu cinicamente.
Flashback off

- Essa cor fica péssima em você – Andrew sussurrou, sorriu e eu acordei do transe. Nesse momento já estávamos parados esperando a noiva entrar e ele nem tinha desgrudado do meu braço ainda – Mas você fica linda até mesmo com esse detalhe.
- Eu adoro verde... – sorri cordialmente.
- Eu não – eu o olhei de canto de olho – Não em você...
- Obrigada por levantar meu astral – sorri fraco e ele quase gargalhou.
- Relaxa, ninguém mais precisa te achar bonita além de mim – então me deu um selinho inesperado.

Flashback on

- Você acha que vai dar certo? – eu indaguei no meio da nossa sessão pipoca.
- O quê? – ela se virou rapidamente, colocando uma pipoca na boca e em seguida entendeu – Acho, - ela sorriu cordialmente.
- Não sei se quero isso – eu fiz uma cara triste – Me apaixonar por ele, ele e seus compromissos, a banda e tudo mais.
- Mas não dá pra querer a primeira coisa – eu franzi o cenho – Você já tem – ela sorriu – E não sei se dá pra desquerer...
Flashback off

- Ela tá linda... – olhei Beth entrar na igreja e ela realmente estava exuberante naquele vestido branco sem nenhum volume e cabelos soltos – Quero estar linda assim no meu.
- Vai ser comigo? – ele me olhou rapidamente e eu abri a boca tentando responder algo, mas não consegui, então agradeci quando ele se virou de volta e a música da entrada da noiva tocava mais alto.

Flashback on

- Acho que os meninos chegaram, tá ouvindo as buzinas? - me alertou e eu fui em direção ao meu quarto para pegar o celular e descermos. Tínhamos combinado de fazer alguma coisa porque estava de bem com por alguns dias e cá estávamos nós. Então descemos e logo que desci, avistei chamando com a mão pra que eu fosse em seu carro.
- Oi – ele disse, sorriu e meu coração disparou.
Flashback off

- Meu terno vai estar todo molhado se eu continuar com ele no corpo – Andrew sussurrou e eu sorri.
- Minhas pernas estão pedindo uma cadeira – sussurrei de volta e ele sorriu mais do que eu, até que o cerimonialista pediu para todos se sentarem - Minhas pernas agradecem – sussurrei novamente e ele sorriu – Eu não gosto de casamentos exatamente por isso...
- Você estava pensando no seu agora... – ele franziu o cenho e eu corei.
- Acho que temos que calar a boca...
- Definitivamente não!
- Quantos anos você tem?
- Quase 30 – e já nem estávamos sussurrando mais.
Flashback on

- O que fez hoje? - tentei puxar assunto, parecia que nosso quase beijo do dia anterior tinha sido impactante demais a ponto dele não conseguir falar nada.
- Só algumas besteiras - ele sorriu sem mostrar os dentes - E algumas coisas novas...
- Que coisas novas? - perguntei interessada e ele balançou a cabeça.
Flashback off

- Me diz que já tá quase acabando porque preciso de uma bebida – disse baixinho e novamente estávamos em pé, então ele se virou e me deu um beijo na bochecha – O que isso quer dizer?
- Por que tem que significar algo? – ele sorriu – Eu só gosto de você...
- Ótima resposta! – sorri – Obrigada!
Flashback on

- Vamos entrar em turnê - ele disse, me olhando e olhando o trânsito logo em seguida.
- Sério? Que irado! - eu sorri e apertei o seu braço empolgada.
- É fora do país... - ele me olhou novamente - São cinco meses... - então acho que consegui entender o motivo dele estar quieto.
Flashback off

- Acho que já está acabando, só mais uns cinco minutos – Andrew sussurrou e eu concordei.
- É um alívio – quase gritei com a sensação de felicidade por finalmente acabar o casamento e eu poder ir pegar uma bebida pra gelar a alma.
- Eu também acho – ele sorriu cordialmente.
Flashback on

- Erm... o que você quer que eu diga? – eu franzi o cenho – Boa viagem...?
- Eu queria te dizer isso... – e encarou o trânsito novamente.
Flashback off

- Agora pode ir atrás da sua bebida – finalmente a cerimônia tinha terminado e procurávamos uma mesa para nos acomodarmos.
- Você sabe do que eu gosto! – eu disse, rindo, e ele riu junto, soltando um “maluca”, então o bati e ele soltou um grunhido – Cuidado, mané!
- Vai pegar essa bebida logo... Mané!
Flashback on

- , eu não entendo… – continuei, franzindo o cenho.
- É, não queria ter demorado tanto então tive que apelar pra te pedir em casamento assim, vem comigo pra turnê – ele gargalhou e eu o dei uns leves tapas – Para, , vai machucar...
- Acho que não tenho mais nada pra dizer além de boa viagem e cuidado com o assédio das estrangeiras – ele conseguiu gargalhar de novo e eu logo depois.
Flashback off

- Ter você aqui é ótimo – Andrew não calava a boca – Acho que isso é finalmente nosso começo.
- Shhhhh! – eu já devia estar na quinta taça – PEGA MAIS DISSO AQUI!
- Chega, … já bebeu demais.
- Você é um velhoooo! – eu dei língua pra ele que sorriu e me abraçou.
- Fica quietinha, criança – ele sorriu e eu o olhei ternamente.
Flashback on

- Nenhuma estrangeira chega perto de você – ele sorriu – Vai estar aqui quando eu chegar? Com um cartaz de bem-vindo de volta.
- Pode ter certeza que não vou estar, cinco meses é uma vida, não vou mais nem lembrar de você! – eu disse, fazendo cara de superior e ele riu.
- Então acho que não vou te trazer presente – arregalei os olhos e ele sorriu mais ainda.
- Eu não quero – então ele parou no sinal fechado e chegou perto de mim – Me pergunto o que você quer comigo, - então ele sorriu de novo balançando a cabeça, sem mostrar os dentes e eu fiquei o encarando até dizer algo pra quebrar aquilo – Acho que você precisa de um óculos pra ver se consegue me ver melhor de longe, mané...
- Você vai ficar longe de mim alguns meses, sua agonia vai acabar – ele disse, sorrindo, e eu o esmurrei.
- Seu idiota – ele ficou sério e eu também – Você tá muito perto, será que, por favor... – ele chegou mais perto do que antes e me abraçou na cintura.
- Você é confusa – ele franziu o cenho – Mas eu até que me acostumo... – ele sorriu, me apertando um pouco.
- O que você tem? – eu franzi o cenho e o sinal finalmente abriu – Achei que já soubesse há tempos...
(n/a: coloquem essa música pra tocar)
Flashback off

- ? – olhei Andrew pelo canto do olho – É uma boa noite pra pedir pra dançar comigo?
- Acho que sim – Andrew me conduziu até a pista de dança e eu o abracei, tocava uma música lenta.
Flashback on

- Acho que vou sentir sua falta – o olhei, fazendo um semblante triste e ele esfregou a mão na minha perna, apertando-a. E eis uma eu triste.
- Claro que você vai – ele sorriu e eu balancei a cabeça. O sinal havia fechado de novo e então essa foi a hora dele me dar um beijo. Senti um beijo repentino e ao mesmo tempo esperado, esperava isso há algum tempo, não sei o motivo pelo qual não nos beijamos antes, ou na verdade sei. E o beijo dele era gostoso, leve, devagar, como que pra matar uma saudade que nem veio ainda e não porque queria algo a mais. Devagar, demorado e com selinhos quando paramos, esse foi o primeiro beijo que me deu e eu realmente não sabia se teria outro – E por isso te chamei pra vir no meu carro, puro interesse – ele riu ao desgrudarmos nossos lábios – Não sei como não te beijei antes.
- Sabe que eu também não sei... – eu fiz um olhar de dúvida e vimos o sinal abrir – Eu sou irresistível, mané!
Flashback off

- Vai querer uma outra música?
- Só continua essa... Por favor... – pedi e senti Andrew assentindo.
Flashback on

- Não, esse sou eu – ele sorriu e eu o dei uns tapas – Se continuar... LARGO VOCÊ.
- Ah nãoooo! – fiz bico e nos olhamos alguns instantes – , o que vai acontecer agora?
- Como assim?
- Você vai ficar longe e acabou de me dar um beijo. São coisas que não dá pra ignorar.
- Acho que não vai mudar – ele franziu o cenho – Não é como se tivéssemos alguma coisa de verdade.
- Então não temos nada de verdade?
- Por quê? - ele franziu o cenho.
- Por nada, , você me deu um beijo de despedida, não foi? Então acho que não importa.
- O que você quer que eu faça, ? – ele me olhou agoniado – Você sabe que não dá pra esperar nada.
- Você queria que eu viesse com você pra dizer que vai ficar longe e pra me beijar? Qual é... Você sabe o que temos – eu o olhei – Ou o que não temos... Você precisa ser direto no que quer, não dá pra anunciar sua ida e me beijar no mesmo dia.
- Nós dois sabemos que é assim, você sabe que eu não posso... o que você quer comigo agora? Eu vou ficar cinco meses longe, - ficamos em silêncio algum tempo.
- Eu entendi, - suspirei fundo – Mas então acho que não dá pra estar aqui do mesmo jeito quando voltar.
Flashback off

- Andrew... – disse baixinho enquanto a música ainda tocava – O que você quer comigo?
- Agora, assim? – ele me olhou – Você sabe que gosto de você...
- Acho que você deve arriscar suas chances...
- Por quê? – ele sorriu.
- Só um palpite... – então voltei a colocar o rosto em seu ombro.
Flashback on

- Vou sentir sua falta – ele me olhou e permaneceu fazendo isso até ver que eu não olharia de volta e então parou.
- Espero que o McFly decole – o olhei depois de algum tempo e depois encarei o retrovisor – E que fique rico – ele sorriu, balançando a cabeça, e eu acabei sorrindo também.
Flashback off

- Estamos tendo algo? – Andrew disse no meio da dança.
- Erm... Acho que sim...
Flashback on

- Acho que chegamos – os carros dos outros haviam parado e nós apenas estávamos seguindo-os, o que significava que tínhamos que parar também.
- Boa viagem pra você – falei antes dele abrir a porta do carro – Não vou querer saber se tá vivo e se virou camarão se passar numa praia.
- Não vou, senão ninguém vai me querer – ele sorriu – Você fazendo isso já basta.
- Você é um idiota... – ele sorriu um pouco mais e eu abri a porta do carro em seguida, vendo ele abrir a dele também, indo em sua frente - Você não vem? - olhei novamente pra trás e ele estava parado encostado no carro.
- Não vou ver esse fenômeno por algum tempo, preciso ter meus últimos minutos – ele gritou e eu franzi o cenho.
- Que fenômeno? – parei na entrada do lugar.
- Sua bunda! – ele gritou e eu abri a boca o maior que pude.
- Nojento! – ele gargalhou.
- Você sabe que é só uma desculpa – parei novamente, olhando para trás – Na verdade é pra ver você por mais alguns minutos – ele sorriu terno e eu também, balançando a cabeça em negação e entrando no local.
- Finalmente chegou! - pegou no meu braço de lado e seguimos adentrando o lugar que eu nunca havia visto antes.
- é uma tartaruga – sorri cordialmente e peguei meu celular, ligando para Andrew.
- Ele é – atendi o celular, respondendo o convite de casamento que ele tinha me feito, desligando após confirmar presença – Era Andrew? – confirmei – Dizem que levar alguém no casamento da família é um namoro oficial - sorriu e eu encarei o celular novamente, bloqueando a tela.
Flashback off

Capítulo 8


Faltavam algumas semanas para completar os cincos meses e os meninos virem para casa. Muita coisa mudou desde que eles foram: Andrew e eu estávamos namorando há três meses,
tinha voltado definitivamente a falar com porque eles tinham combinado de tentar alguma coisa quando ele voltasse - acredito que a saudade dele a fez pensar diferente - e as conversas com os garotos tinham ficado frequentes. Algumas vezes eu aparecia e ficava algum tempo conversando com eles na webcam e outras vezes ocupava todo o seu tempo falando com o novo talvez namorado ou sei lá o que eles decidam ser.
E claro, eu e : algumas vezes ele me olhava falar do fundo do cômodo que ficava com os garotos - e eu sempre optava por desviar o olhar - algumas vezes eu fazia escândalo e podia perceber o pequeno sorriso que ele dava quando isso acontecia. Além disso, não estávamos tendo mais uma relação próxima, não nos falávamos desde que ele foi pra turnê.
- Eu sei que você sente falta da gente, mas para de demonstrar dessa forma - sorriu e eu fiz cara de brava – Não esquenta, , só tô brincando – eu sorri terna e mandei um beijinho no ar – Ei, vou tomar uma água, os ensaios hoje pioraram um pouco a minha garganta – assenti e então ele me deixou com a webcam e nada no cômodo dele, até que passa despercebido pelo cômodo e se vira de costas pegando alguma coisa em sua mochila; Deus, como ele estava lindo! Mas não disse nada, apenas fiquei olhando como seu cabelo estava maior e os movimentos enquanto pegava algo da mochila; não durou muito tempo até ele se virar e perceber que eu estava na webcam. Sorriu como quase rindo da situação por eu estar sozinha e se virou, então não pude evitar sorrir também. Ele olhou mais algumas vezes rindo sempre um pouco mais enquanto arrumava algo na mochila.
- Você é um pouco mal educado – disse repentinamente e então ele se virou e veio até a webcam sentando na cadeira que estava parada em frente ao computador.
- Quer desligar? – perguntou mexendo no computador como se já estivesse pronto pra fechar a aba.
- Tô esperando o - ele assentiu.
- Quer que eu fique falando enquanto ele não volta? – assenti – Tá bom... então... o que você fez hoje?
- Só comi e... – ia falar de Andrew mas preferi omitir - E briguei com a porque ela fica arrumando tudo que tem em casa e parece uma maníaca – ele sorriu e eu também ao olhar ele sorrir – E o que você fez?
- Só uns ensaios – ele fez algo com a boca e eu assenti, então ficamos nos olhando algum tempo – Acho que já tá chegando, ... – eu sorri ao ouvir ele me chamar pelo apelido e ele nem percebeu o que tinha feito – Vou sair. Se cuida.
- Obrigada – eu sorri – A primeira coisa que me encantou em você sempre foi a gentileza – então ele se virou novamente e deu uma risada um pouco mais demorada dizendo um “tá bom” e fazendo um sinal com a cabeça, me deixando sozinha mais alguns segundos até chegar e se acomodar novamente na cadeira – Você é demorado.
- Desculpa – ele sorriu – Acho que tenho que desligar, , o próximo show começa em algumas horas e você sabe como são artistas – eu gargalhei e assenti – Até depois – ele me deu um tchau e desligou a nossa chamada de vídeo. Eu fiz o mesmo e me toquei de que Andrew chegaria pra gente assistir um filme em cerca de alguns minutos; me troquei rapidamente e o esperei com a comida toda feita colocada em cima da mesinha de centro; ele não demorou muito tempo até tocar a campainha e eu o atender com um beijo e um abraço.
- Desculpa a demora, eu fiquei preso no trânsito... – Andrew tirou o casaco e se jogou no sofá comendo a comida que tinha colocado há pouco tempo na mesinha e eu dei um tapa em sua mão.
- Espera – fiz cara de brava – Não é pra comer de uma vez...
- Desculpa, amor – ele fez cara de desculpa e eu dei um beijinho em sua bochecha pegando seu rosto com as mãos. Então me sentei e ele ligou a TV colocando o DVD pra funcionar; me sentei jogando meu corpo nele e ficamos assim até acabar o filme, o qual demorou.
Quando terminou, minha querida amiga chegou e por sorte Andrew ia embora, ela não teria tempo pra ficar de vela.
Dei um beijinho nele e o vi descer a escadaria devagar.
- Que homão! - soltou atrás de mim e eu ri.
- É meu! – a empurrei indo para a sala e me jogando no sofá – Falei com o hoje...
- Ah, não acredito que vocês voltaram a se falar... – ela revirou os olhos – Vocês são problema.
- Não, a gente só trocou palavras enquanto eu tava sozinha na webcam – ela se jogou no sofá ao lado do meu e me encarou – O que?
- Você não falaria que falou com ele só porque falou – disse como se fosse óbvio – Se você falou é porque foi importante pra você.
- Falar com ele? Claro que não, só quis compartilhar...
- Eu aposto que só de ver ele você já se sentiu diferente.
- Eu namoro o Andrew agora, não sinto mais nada pelo - ela sorriu, balançando a cabeça.
- Espero que um dia isso aconteça de verdade.
- Por que você acha que não?
- Porque você gostou dele desde o primeiro dia! E ele só tava parecendo mijado – gargalhei muito depois disso e ela também – É SÉEEERIO!!!
- Você tira as coisas do nada! – eu disse, ainda me recuperando da risada.
- Não, eu tiro as coisas de uma base – ela deu uma pausa – Que são os acontecimentos!
- Tá bom, eu cedo, sempre fui apaixonadinha por !
- Eu sei!

Flashback on
- Cantarolando sozinha? – eu cantarolava enquanto o resto ia na frente pagar a conta dos lanches que tínhamos comido, até me assustar.
- Quê? Não! – virei o rosto pra janela ao meu lado, virando pra ele logo em seguida – Quê?
- , você tava cantarolando! – ele sorriu e eu revirei os olhos.
- Vai se ferrar!
- Vai ficar brava porque eu disse que você cantarola?
- Nãoooo! Ahhh! Para de falar essa palavra?
- Cantarola, cantarola, cantarola – ele gargalhou chamando a atenção de todos.
- Cala a boca!!! – tapei a boca dele que me olhou com os olhos sorrindo (n/a: espero que entendam isso, é quando você sorri e seus olhos ficam menores, quase fechando) e depois tirei minha mão do local – Se falar de novo, vai ser pior!
- Nunca mais venho em algum lugar com você, você cantarola demais – e foi nessa hora que quase mijou nas calças quando o olhei.
- Eu juro que não vai ficar assim!
- Claro que não, você me ama!
- Ahhhh, você é insuportável! – saí da mesa em que estávamos, indo atrás dos outros, e quando olhei pra trás ele ria sozinho. Ri sozinha sem ele ver e voltei o olhar aos meus amigos.
Flashback off

Capítulo 9


Lá estava se arrumando para ir até o aeroporto receber o namorado - ou suposto namorado.
- Tem certeza que não vai encontrar eles? – ela me perguntou, terminando de ajeitar o cabelo.
- Tenho que dar uma super estudada nessa matéria, depois eu encontro eles... – fiz um barulhinho com a boca e voltei minha atenção ao livro.
- Acho que eles esperam a sua presença – ela se virou, pegando a chave do carro e indo em direção à porta.
- Fala que mandei um beijo e que nos encontramos depois – sorri e ela concordou, saindo pela porta do meu quarto até eu não poder vê-la mais.
Não sei se era a aflição de encarar o pela primeira vez depois de meses ou se era a falta dessa aflição que não me deixava ir até ao aeroporto encontrar os meninos. Portanto, preferia ficar revendo matérias.
Não tive muito sucesso nisso porque dormi no meio dos meus estudos e só fui acordar com o barulho de coisas caindo em outro cômodo. Fiquei com medo nesse exato momento e fui sorrateiramente até os cômodos da frente, onde encontrei e num intenso amasso. A cena foi desagradável para os meus queridos olhos e voltei quase correndo para o meu quarto. De agora em diante seria a hora de usar meinha na porta pra avisar que tem garoto na casa – e olha que achei que nunca chegaríamos a esse ponto.
Chequei meu celular para ver a hora e marcava 4 horas da manhã exatamente. Decidi dormir para acordar bem tarde no dia seguinte.
Mas também não tive muito sucesso com meu plano de acordar tarde porque precisava sair cedo e me acordou para procurar alguma coisa pra ele, não me lembro bem o que era porque meu sono não me deixava raciocinar. Só sei que entreguei a tal coisa pra ele e ele foi embora. O motivo de ele não acordar minha amiga? Estava com dó de acordá-la porque ela dormia “bonitinho”, segundo ele.
Não consegui voltar a dormir e fiquei assistindo TV, bebendo leite e tentando ligar para Andrew, que tinha viajado há algumas horas para a casa dos pais que moravam em outra cidade. Tive falha em todas as vezes que tentei, então decidi deixar o celular pra lá e me concentrar na TV até dar a hora de acordar e fazer nossa comida, o que não demorou muito.
- Ei, os meninos ainda não chegaram? - apareceu sonolenta na sala e com dificuldade para enxergar – Eles vão trazer almoço pra gente hoje e almoçar aqui...
- Vão? – arregalei os olhos na hora – Por que você não me avisou?
- Não deu tempo, desculpa... – ela sorriu e adentrou o banheiro.
Algum tempo se passou até a campainha tocar e eu me preparar psicologicamente pra ver . Então fui até a porta, dei uma parada de cinco segundos até colocar a mão no trinco e dei um abraço apertado em cada um dos meninos, chegando até... Ninguém. O último foi . Ele não estava lá, não foi.
- Vai nos dar talher ou vamos comer com as mãos? - perguntou irônico e eu dei língua e dedo do meio, indo pegar as coisas pra comermos.
- EI, NÃO COMAM SEM MIM! - chegou correndo até o cômodo que estávamos e dá um beijo em seu suposto namorado – Cadê o ?
- Ele disse que tava se sentindo mal e não veio - falou simplesmente. Então me toquei que o motivo dele não ter vindo talvez não fosse esse.
Comemos entre gargalhadas e caras feias da para sempre que ele comentava de alguma garota que viu durante a turnê ou que cantou ele.
Depois disso, os meninos disseram que queriam descansar e que precisavam muito ir para casa porque não tinham tido descanso durante o tempo que ficaram fora; eles se despediram da gente e foram embora todos no mesmo carro.
Com o período de provas, precisava rever matéria e dar uma fixada maior no conteúdo. Fui para o meu quarto e sentei na minha mesinha, a qual estava cheia de livros empilhados, cadernos, marcadores em todo canto, e meu computador. Olhei para aquela bagunça e foi ali mesmo que fiquei o resto do dia, até me chamar.
- Ei, tá tarde, amanhã temos que ir fazer compra cedinho porque as coisas tão no fim – ela sorriu – Vai dormir pra não acordar de mau humor – era muito bom o jeito que ela cuidava de mim, sabia que mesmo que fossemos a diferentes lugares e ficássemos longe um bom tempo, teríamos sempre uma a outra.
- Tá bom, tô indo deitar – então ela fechou a porta e eu me arrumei pra ir dormir, o que durou pouco tempo porque cedinho tínhamos que ir ao mercado. E como sempre, teve que me acordar.
- Bom dia, dorminhoca, vamos? – ela puxou meu cobertor e eu murmurei alguma coisa que nem eu mesma entendi, mas levantei logo em seguida – Não queria que soubesse, mas não vou conseguir esconder isso de você – a olhei rapidamente - veio aqui hoje de madrugada, estava bêbado, me confundiu com você quando eu abri a porta e me abraçou falando que sentiu saudades e que me amava – fiquei em choque algum tempo.
- Mas por que não pode ter sido pra você?
- Porque ele falou seu nome...
- E o que você fez?
- Nada, eu o levei na casa dele depois que ele capotou – ela sorriu como se tivesse lembrado da cena – Ele tava muito mal, - ela olhou as paredes ao redor – Acho que vocês devem se manter afastados...
- É, , também acho… - então ela disse que me esperava lá fora e me arrumei pensando no que ela tinha me falado, eu com certeza não podia manter contato com ele agora.
E acho que ele pensou o mesmo porque não o vi durante um mês inteiro, ou seja, não o via desde o dia que falei com ele antes dele ir pra turnê. Mas isso durou até um show dos meninos que fui com . A gente ficou no camarim no começo e no final do show e não tinha como evitar , se não fosse pela nossa falta de esforço em falar um com o outro.
Fiquei um pouco nervosa por estar no mesmo ambiente que ele, mas me aliviei com a sua saída rápida do camarim e fiquei conversando com os meninos até Andrew ligar e eu ir para os fundos atender.
- Sim, amor, o show já acabou – falava enquanto andava para mais distante do camarim – Pode deixar, amanhã tô aí bem cedo pra gente assistir ao filme – fui andando sem parar até ver de costas e mãos em suas costas. Andei mais e pude ver ele se virando contra o carro e ela o prensando nele. Não sabia quem era a garota, mas fiquei estatizada ali até Andrew me chamar a atenção no telefone – Ei, tenho que desligar, tá um tumulto aqui e não consigo falar com você, até amanhã – não esperei ele responder e desliguei o celular ainda paralisada ali. Não sei o que se passou na minha cabeça, mas queria que me visse. E funcionou porque em algum momento ele abriu os olhos e me viu parada os olhando. Mas não ligou muito para o acontecido porque continuou o que estava fazendo.
Decidi entrar no camarim novamente e rapidamente me dirigi até ele rezando para que continuasse pegando a garota e não conseguisse me alcançar, mas falhei.
- Ei – então olhei pra trás e o vi andando tranquilamente – Sobre o que você acabou de ver, não fala nada, tá bom?
- Fica tranquilo – olhei pra trás novamente – Não vou falar... – então ele sorriu como se estivesse agradecendo – Quem é ela?
- Conheci há pouco tempo, estamos saindo escondido – ele disse, andando ao meu lado agora, então eu balancei a cabeça entendendo o que ele disse e ficamos assim até chegar na porta do camarim – Obrigado, ...
- Imagina, não precisa agradecer – eu sorri sem jeito – E parabéns pelo show, tava ótimo! – ele sorriu, mostrando os dentes e eu me lembrei como tinha sentido saudades dele durante esse tempo, mesmo estando com Andrew – Vou entrar... – apontei para a porta do camarim e ele assentiu, então eu sorri sem mostrar os dentes e entrei na frente, com ele um pouco atrás de mim.
- Ih, vocês dois voltando juntos lá de fora? - nos olhou, sorrindo maliciosamente.
- Ah, corta essa, cara! - deu um tapa na cabeça do amigo.
- Fala sério, o que você tava fazendo lá então? - se meteu na conversa e sorriu malicioso junto com o amigo.
- Tão estrategistas que saíram um atrás do outro - continuou. Apenas e permaneciam calados porque sabiam que aquilo era constrangedor.
- Ah, vocês sabem o que a gente tava fazendo – abracei de lado e o olhei firmemente para ele entrar no jogo. Se não confirmássemos as especulações deles, eles poderiam descobrir sobre a menina do . Então ele entendeu e continuou a disfarçar até os meninos pararem de zoar.
- Valeu! – ele disse, sussurrando no meu ouvido e eu sorri, saindo do abraço dele.


Continua...



Nota da autora: Hello from the other side! Consegui compensar esse tempo de demora com dois capítulos de uma vez;sou ou não uma autora amável?
Aproveitem, isso não acontecerá por muito tempo, vida de vestibulando não é fácil, ainda mais quando sua meta é a Unesp!
Mas deixando o vestibular pra novembro e voltando para Urgency, O QUE VOCÊS ESTÃO SENTINDO COM TANTA CONFUSÃO DESSES DOIS? ÓDIO, TALVEZ? ESPERO QUE A RESPOSTA SEJA NÃO! Eu disse pra terem paciência com esses dois...
Continuem comentando pra eu ter um feedback do que estou escrevendo, é muito importante!
Beijinhos da Lili e até a próxima - espero que não demore tanto - N/A.




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