Última atualização: 13/05/2018

Capítulo 1

Não sabia ao certo o que as pessoas faziam no dia dos namorados, eu sempre terminei os meus relacionamentos antes dessa data acontecer. Motivo? Eu me perguntava até hoje porque terminara com John, o último, ele era completamente fofinho e me mandava chocolate todos os dias depois da faculdade. Isso era porque eu estudava em frente à lojinha que ele trabalhava e ele sempre me via saindo, então mandava o entregador me levar um bombom diferente todos os dias. Eu recebia, o olhava sorrir pelo vidro e ia para casa pensando em qual ele me daria no dia seguinte. Até o dia em que ele parou de me mandar chocolate e pediu para termos uma conversa: “, vamos terminar, não sinto que você tem a mesma quantidade de carinho que tenho por você”. Fiquei com dó dele, realmente era verdade, depois de tantos namorados eu não conseguia me apaixonar do mesmo jeito.
Por que estava dizendo que não sabia o que as pessoas faziam no dia dos namorados? Porque a minha linda amiga me chamou para uma social de dia dos namorados com uns amigos de turma dela. Mas o que iria acontecer? Pessoas bebendo muito por que não tem namorado? Ou entrega de bombons secreto? Ta, era social, sem chance da segunda opção acontecer.
– peguei o rosto da minha amiga nas mãos. – Não tem chance disso acontecer, fofa!
– Credo, – ela fez bico e eu senti uma pontada de dó. – Você é um monstro!
– E você é doida – dei língua pra ela. – Eu não vou fazer isso.
– O que tem? – ela me perguntou dando um sorrisinho. – Carter vai ser o cara mais feliz por perder a virgindade com você e você vai estar fazendo uma boa ação.
, eu já disse não! – saí do quarto em direção ao banheiro com ela me seguindo. Carter era uma garoto extremamente legal, mas não era do meu feitio fazer tais coisas. – Não sei porque você e seus amigos doidões apostaram isso. Já pode dar sua grana pra eles, bebê.
– Só porque tava aguardando pra te comprar um presente legal – ela fez um charminho e eu a dei um pedala, eu realmente não iria fazer aquilo.
– Vamos logo, sua vaca – dei um tapa em seu bumbum e saí do banheiro após terminar de passar uma maquiagem leve.
Chamamos um táxi e fomos direto para a casa em que rolaria a festa. Pagamos o taxista, agradecendo-o e entramos na casa que estava com uma movimentação dentro e fora e o portão aberto. Fomos direto falar com o dono da festa e vi de canto comentar com seus amigos algo como “não vai rolar”. Devia estar se referindo ao Carter e aquela aposta que fizeram.
– Ei, ! – resolveu me chamar para a sua rodinha enquanto eu pegava uma latinha de cerveja. – Vem aqui e me traz uma cerveja também! – Caminhei até onde ela estava e a entreguei a cerveja cumprimentando o restante dos amigos dela. – Obrigada, amiga.
– Cara, eles estão brigando! – ouvi um garoto gritar ao lado da porta de saída da casa e todos correram para ver o que estava acontecendo. Eram dois garotos se atracando na grama, rolando de lado pro outro.
, ai meu Deus! – colocou a mão na cabeça. – É um dos meus amigos, , preciso ajudar!
– Calma, , temos que chamar alguém para tentar separar – os idiotas ao redor estavam apenas apostando quem ia ganhar a briga e gritando. Cutuquei um garoto ao meu lado e pedi para ele parar de brigar pois eles iam acabar se machucando. Então o garoto me olhou de cima a baixo e acabou consentindo após me dar um olhar “gostei do que vi”. O tal garoto era loiro e tinha cara de surfista. Ele foi mais próximo dos que brigavam e conseguiu os separar.
, pode ficar aqui um pouco? – segurou o meu braço e fez uma carinha pidona. – Desculpa por isso, é que preciso socorrer e conversar com ele.
– Ta tudo bem – sorri cordialmente. Mas na verdade não estava tudo bem, já estava um saco ficar ali por lembrar daquela bendita aposta, agora tinha que ficar ali sozinha. – Pode ir – me afastei do tumulto entrando na casa novamente agora quase vazia e observei ir com o garoto briguento para os fundos da casa. Sentei-me no sofá com a minha cerveja e dava alguns goles impacientes.
– Que porre – ouvi alguma voz próxima a mim e virei o pescoço com uma cara de dúvida vendo um garoto sentar no mesmo sofá que eu. Apenas reparei no cabelo incrivelmente lindo e amassado que ele tinha. Dei um riso abafado ao ver que suas calças estavam molhadas, então ele se virou. – Isso é cerveja – fez uma careta apontando para a calça.
– Desculpa – arregalei os olhos ao ouvir ele dizer isso, como ele sabia que eu tinha dado risada da calça dele? – Mas como você sabe que eu estava rindo disso?
– É porque todos daquele corredor em que eu passei também encararam minhas calças – ele apontou com a cabeça para o corredor ao nosso lado.
– Acho que tá um pouco perceptível, né? – dei outro riso olhando para sua calça molhada novamente.
– É – ele simplesmente respondeu tentando limpar a calça. – Só não é mais perceptível do que você aqui sozinha.
– Ah – bebi um gole da minha cerveja –, é porque minha amiga foi atrás de um amigo dela briguento e eu também não queria vir pra festa, ou seja, está mais saco que já estava. É, não da pra curtir dia dos namorados quando não se tem um – fiz careta e ele sorriu.
– Então somos dois solteirões fodidos – ele fez careta e ficou batendo os dedos no sofá.
– Ei, ! Art chegou, vem! – uma garota morena de cabelos curtos apareceu na porta com um capacete na mão chamando ao que parecia ser o garoto ao meu lado, pois ele olhou e se levantou logo em seguida.
– É, agora sou apenas uma solteirona fodida – fiz careta e ele sorriu como tinha feito antes
– Toma – o olhei arqueando as sombrancelhas após ele tirar o celular do bolso –, anota seu telefone – ele estendeu a mão e eu peguei o objeto das suas mãos anotando rapidamente meu número. – Te ligo caso quiser curtir outra festa porre.
– Então acho que não vou aceitar o convite – me assustei com o que ele tinha dito e me senti burra de ter dado essa resposta. Eu só poderia ser burra de dispensar um cara desse. Mas não acho que ligaria mesmo!
– Ta bom – torceu o pescoço em concordância e saiu andando para fora da casa após outro grito da garota morena de capacete. – Não sou insistente! – gritou rindo e saiu da casa. Fiquei indignada com a ironia dele, afinal só sabia uma coisa a respeito dele: seu nome.
– Finalmente te achei! – apareceu atrás de mim subitamente e deu um abraço apertado. – Desculpa por te largar, sei que você não queria vir e que eu te deixei aqui mas prometo que te dou uma recompensa.
– Bom mesmo, senhorita! – fiz cara de brava e ela sorriu me dando outro abraço. – Mas até que não foi tão ruim. Conheci um garoto meio aleatório que fez eu anotar meu número no celular dele.
– Sua cabeçuda, por que não agarrou logo? – ela deu um tapa em minha perna me soltando de seu abraço. – Melhor do que ficar esquentando o sofá com o seu bumbum.
– Talvez não seja bom arriscar. Vai que eu me apaixono e ele também – fiz careta e ela entendeu a referência. Eu não precisava de mais namorados. – Seria mais um namorado pra lista e agora estou curtindo a marotagem!
– Só fala abobrinha – deu um tapa na minha cabeça e se levantou. – Vem, vamos terminar nossa noite nos divertindo. – me puxou para fora da casa novamente onde todos estavam bebendo mais do que anteriormente e pulando na piscina. Ela me jogou dentro da mesma e pulou atrás de mim. Minha amiga não precisava nem estar bêbada para ser doidinha igual era.
Voltamos para casa quase 4 horas da manhã e estávamos completamente bêbadas e molhadas. Não lembro o caminho completo que fizemos até o apartamento em que morávamos juntas. Só me lembro de tomarmos banho e cairmos na cama.
Antes de dormir senti meu celular vibrar, peguei-o com um pouco de dificuldade para focar no objeto e vi que tinha uma mensagem:
“Salva meu número. Não sou insistente mas talvez você seja.

Ri comigo mesma ao olhar para o visor e bloqueei o celular. Quem ele achava que era para pensar que eu manteria contato? Idiota.


Capítulo 2

Bom dia, Londres. Segunda de manhã parecia ser um dia cheio para todos, afinal era o fim decisivo do final de semana e o começo de outra semana. Mas segunda de manhã para mim era amável pelo fato da minha primeira aula ser com o melhor professor do meu curso e também por eu poder pegar carona com a , já que nas segundas e quartas as aulas dela eram no mesmo horário que as minhas. Desde que começamos a morar juntas, senti um alívio em pegar carona com ela e economizar o dinheiro que eu gastava com transporte. E isso vinha acontecendo há um ano.
– Bom dia, querida. – me entregou uma xícara de leite com chocolate que eu bebia todos os dias de manhã. – Acordando no pique como sempre?
– Dãaaa. – Fiz um L na testa indicando “loser” para ela que em seguida me jogou uma almofada. – Ô idiota, não vou pegar isso aqui, não. – Apontei com o indicador para o chão e ela mandou língua. – Se você se comportar assim não te conto de quem recebi sms nessa madrugada.
– Ah, você conta sim. – Ela veio até mim, me puxando para o sofá e me fazendo sentar. – Deixa eu chutar: o gatinho da festa?
– Sim, aquele mesmo. – Sorri maliciosa e me levantei, pegando minha bolsa. – Mas sem chance de eu responder.
– Vai deixar o gatinho ir beber leite em outro lugar mesmo? – Mostrei o dedo do meio para ela, que gargalhou em seguida.
– Se ele quiser, ele que venha buscar. – Pisquei para ela que me devolveu um “uuuui”. – Agora vamos, não quero perder a melhor aula da história.
e eu descemos as escadarias do prédio tagarelando sobre o carinha da festa e permanecemos assim o caminho todo. Por sorte ele era curto e tive que ouvir por pouco tempo que eu era burra por ter ignorado o carinha, que agora eu já sabia o nome e ela, depois que contei, não parava de repetir. Chegamos dez minutos antes de começarem nossas aulas e nos separamos ao chegarmos no prédio pois nossos blocos eram separados.
– Ei, . – Ouvi a voz de Luke ecoar e logo ele já estava ao meu lado. – O que vai fazer sexta-feira?
– Ermm, acho que nada. – Sorri fraco para o garoto, que logo me olhou pretencioso. – Por quê?
– Vai ter uma festa de aniversário da minha prima e eu tava pensando se você não poderia me acompanhar. – Luke fez cara de cachorro que caiu da mudança e juntou as mãos em forma de pedido. Ele tinha terminado com Lucy há menos de um mês porque ela o tinha traído e desde então não saíra da fossa. – É aquelas festas de 15 anos e preciso de uma acompanhante... E você sabe que é minha melhor amiga, não sabe?
– Falando desse jeito eu vou. – Sorri para ele que me deu um super abraço e um beijo na bochecha. Desde o início do curso e por sermos da mesma sala, Luke era meu melhor amigo. E desde que terminara com Lucy, vinha tentando ajudá-lo a superar. Essa era apenas uma nova oportunidade.
– Então combinado. – Sorriu e eu assenti. Seguimos para a aula enquanto pensava na sorte que tinha de ter uma amiga que possuía uma variedade de vestidos em seu guarda roupa, para que eu pudesse emprestar todos.

Foram oito horas cansativas de estudo até irmos para casa. No caminho, passamos para pegar comida pronta, não estávamos nem um pouco a fim de cozinhar. Pegamos lasanha e salada e seguimos até o prédio.
– Amiga, preciso de um dos seus vestidos maravilhosos pra usar sexta-feira. – Sorri, abrindo a fechadura do nosso apartamento.
– Humm, pra onde a senhorita vai? – sorriu maliciosa e eu gargalhei.
– Idiota. – Dei um pedala em sua testa e fui colocar os talheres na mesa. – Só vou ser a mera acompanhante do Luke na festa de 15 anos de uma prima dele.
– Luke ainda tá tentando superar? – falou, sentando-se na cadeira e servindo sua comida.
– É, você sabe, Lucy foi importante pra ele. – Torci o pescoço e dei uma garfada na comida. Normalmente não comia muito na faculdade então chegava em casa bem esfomeada. – Até mesmo porque foi sua primeira namorada.
– Não sei como ela teve coragem de fazer aquilo com ele. Se eu namorasse aquele gostoso, nunca o largaria. – piscou engraçado para mim e eu ri, quase engasgando com a comida. – Vai com calma aí, tigresa.
– Você ainda vai me fazer morrer sufocada. – Ataquei um pano de prato nela que gargalhou e continuou sua refeição.
Lavei a louça do almoço e teve que ir para o trabalho. Ela trabalhava em um escritório e eu era a decepção dos meus pais porque nunca consegui arrumar algo que realmente gostasse, então eles tinham que me sustentar. Como eu era filha única eles só tinham gastos comigo, o que me ajudava a permanecer nessa vida de apenas ser estudante.
Eu passava os dias estudando e vendo netflix no tempo que me restava até chegar em casa e roubar o controle para colocar seus programas favoritos. Nunca assistia com ela porque tínhamos gostos muito diferentes, então sempre que ela chegava eu já me preparava para abrir meus livros e ler até cair no sono.

A semana havia passado rápido e já era sexta, dia da festa com Luke. Daqui algumas horas eu estaria cercada de adolescentes e de amigos velhos dos pais da prima de Luke.
– É hoje sua festa de gala? – perguntou. – Preciso montar o seu look.
– Por isso eu te amo. – Dei um beijo na bochecha dela e me sentei no sofá. Chegar em casa depois da faculdade era uma derrota, já que era sexta e eu tinha que vir de transporte coletivo para casa. – Mas vai ter pouco tempo para montar, Luke disse que passava às oito e você chega às sete.
– Nossa, , você vai precisar se arrumar num tempo recorde. – levou as mãos a boca e eu ri. – Mas não esquenta, acho que hoje chego mais cedo, meu chefinho está de viagem, posso dar uma escapada.
– Malandra. – Pisquei para ela que sorriu e deu uma última olhada no espelho. – , vai se atrasar se continuar olhando seu visual.
– Ahhh, odeio ter que ser pontual! – bufou e pegou sua bolsa seguindo para a porta. – Não quebra a casa enquanto eu estiver fora. – Ela riu e mandou beijinho no ar, fechando a porta.
Passei o resto do dia focada nos estudos até dar a hora de me arrumar. Estava um pouco ansiosa por acompanhar Luke, a família dele era muito rica e eu queria estar apresentável para acompanhá-lo, ainda mais que ele era um super cavalheiro. Até hoje nunca entendi como sua namorada foi traí-lo, ele não tinha defeito algum.
Esperei chegar do trabalho para decidir com qual vestido eu iria. Sim, ela decidia minhas roupas e eu concordava com tudo que ela dizia, eu não era muito vaidosa, mas ela era totalmente o oposto.
– Chegueeeeeeeeeei, honey. – abriu a porta do apartamento, jogando sua bolsa na mesinha que ficava ao lado da porta e veio em minha direção, me dando um beijo. – Vamos ver sua roupa, cinderela.
– Vamos, consultora pessoal. – Sorri e joguei o braço em volta dela, indo em direção ao seu quarto e abrindo seu guarda roupa enorme que ocupava uma das paredes toda.
– Fecha os olhinhos. – Obedeci seu comando e permaneci assim até ela dar outra ordem. – Agora pode abrir. – Abri os olhos e me deparei com um vestido preto cheio de brilho e coladinho.
– Esse eu nunca vi! – Peguei ele na mão e segui para o meu quarto. Troquei de roupa e, em seguida, me puxou para o banheiro, me enchendo de maquiagem e arrumando meu cabelo. – Já te disse que você é a melhor de todas?
– Eu sei. – piscou e sorriu e eu sorri em seguida. – Pronto, está uma tigresa! – Quando me olhei no espelho, me senti muito bem. Meu cabelo estava preso em um coque arrumadinho com dois fios soltos na frente e uma maquiagem impecável. Dei um beijo na bochecha da minha amiga e segui para o quarto, calçando uma sandália um pouco alta e colocando uma pulseira brilhosa que tinha ganhado da minha mãe no meu aniversário de quinze anos.
– Luke disse para eu esperar lá embaixo. – Dei uma olhada na hora do visor do meu celular e segui para a porta da sala. – Acho que já está na hora.
– Boa festa, amiga, arrasa! – deu um tapa na própria bunda e eu gargalhei, trancando a porta e descendo a escadaria.
Fiquei em pé na porta do prédio esperando Luke chegar para me pegar. Ele estava vinte minutos atrasado e o vento que soprava me fazia fechar os braços contra mim cada vez mais apertado. Era uma noite gelada.
Avistei um carro se aproximando e parando na calçada. Quando vi que era Luke, segui para o carro, abri a porta e entrei.
– Demorou, heim, atrasadinho. – Baguncei seu cabelo e fechei a porta do carro.
– Desculpa, , tive que buscar as bebidas da festa de última hora. – Sorriu, manobrando o carro e eu dei um beijo em sua bochecha, deixando um pouquinho de batom em seu rosto.
– Acho que te marquei. – Limpei sua bochecha e sorri. – Assim vão pensar que você é um garanhão.
– Mas eu sou! – Gargalhei e ele apertou minha bochecha. Seguimos fazendo piadinha até a casa dos tios de Luke, lugar onde a festa aconteceria. A casa era enorme e eu fiquei admirando como as coisas brilhavam tanto por lá. Luke sorriu com a minha expressão indignada e eu permaneci prestando atenção nos detalhes que encontrava pelo caminho que Luke fazia até o lugar de parar o carro. – Pronto, lady, pode descer.
– Acho que me sinto um nada perto disso aqui. – Desci do carro e olhei ao redor, era uma casa muito linda.
– Ta bom, admirada, vamos entrar. – Luke foi na frente e eu o segui e logo ele parou para falar com a sua mãe. – Mãe, cadê a Ellie?
– Está com uns amigos, eu acho. – A mãe de Luke sorriu para mim e deu um beijo na bochecha de seu filho.
– Tudo bem, acho que vou encontrá-la e dar parabéns. – Luke continuou andando e cumprimentando algumas pessoas que eu não conhecia até ver uma menina de vestido rosa com uma calda um pouco grande e uma coroa na cabeça. – Ei, baixinha! – A menina se virou e deu língua para Luke que sorriu e seguiu em sua direção. – Quinze anos, heim! Quase uma adulta. – Luke a abraçou e beijou seu rosto.
– Idiota. – A menina sorriu e retribuiu o abraço me olhando por trás de seus ombros com uma carinha fofa.
– Quero te apresentar minha melhor amiga. – Luke largou a garota, me puxando para perto. – Essa aqui é a . – Sorri para a garota e a abracei.
– Oi, Ellie, Luke me falou muito sobre você. – A garota sorriu atenciosa e logo em seguida foi chamada por uma voz distante. – Bom, pode ir lá. Parabéns pra você!
– É um prazer, , obrigada! – A menina sorriu para mim e Luke e saiu em direção a uma mulher magra que falou algo em seu ouvido e, em seguida, a arrumou numa posição e tirou uma foto sua.
– Bom, acho que agora temos que procurar uma mesa, meus pés estão me matando. – Eu disse para Luke e ele gargalhou, indo em direção à parte de fora da casa, onde estava montado um palco e várias mesas com convidados já acomodados. Procuramos e encontramos uma vazia perto do canto do palco. Tirei meus sapatos alguns minutos, massageei meus pés e os coloquei de volta. – Quem vai tocar hoje?
– Uma banda que a Ellie gosta, minha tia os contratou como um presente pra ela. – Luke sorriu e eu assenti. – Vamos comer?
– Vamos, tô morrendo de fome. – E eu realmente estava. Não comia desde o almoço e não conseguia ficar muito tempo sem comer, ficava de mau humor. Seguimos para uma mesa gigante de comidas e nos servimos. – Luke, me convide sempre para as festas da sua família! – Luke sorriu e balançou a cabeça em forma de negação, voltando para a mesa em que estávamos sentados. – Quando vão cantar o parabéns pra eu atacar aquele bolão? – Olhei para uma mesa central em que se encontrava um bolo de três andares, almejando comê-lo todo.
– Acho que não vai demorar muito. – Luke sorriu e começou a comer sua comida. – Não imaginava que você comia tanto!
– Só às vezes. – Dei de ombros e comecei a comer também.
Alguns minutos depois uma senhora chamou todos para cantar parabéns e partir o bolo porque a banda estava chegando e tinha hora marcada. Observei a felicidade no rosto de Ellie e me lembrei da minha quando fiz quinze anos e minha mãe me levou num parque aquático com todos os meus amigos. Naquele dia eu só me preocupei com o tempo que ficaria lá.
Cantamos os parabéns e todos ficaram na frente do palco esperando a banda começar a tocar, eu e Luke voltamos para a mesa no canto do palco, onde tinha menos tumulto. Quatro garotos entraram no palco e eu não acreditei no que vi, era o carinha da festa, ele estava lá em cima! Fiquei boquiaberta, observando eles se apresentarem:
– Boa noite, aqui é o McFly e queremos dedicar essa para a Ellie! – Eles começaram a tocar uma música animadinha que eu não conhecia e em seguida senti o olhar de em mim. Ele juntou as sombrancelhas fazendo uma cara de dúvida e surpresa e permaneceu me olhando até a música acabar.
– Luke, quem são eles? – Puxei o braço de Luke que agora já estava em pé se balançando e ele se virou para mim.
– Pelo que ouvi, o McFly. – Deu um pedala em mim que devolvi com um tapinha. – Ai! Não sei, a Ellie gosta deles e minha tia gastou uma grana, eles devem ser um pouco famosos. – Assenti e voltei o olhar para o palco ainda admirada com o que estava vendo. Eles continuaram tocando algumas músicas e até chamaram Ellie para subir no palco uma vez. O show acabou depois de uma hora e meia e eu tinha que falar com .
, vou comprar mais bebida que acabou e já volto. – Assenti com a cabeça e vi Luke sair pela porta, me deixando na mesa em que estávamos antes. Sentei-me e peguei meu celular na minha bolsinha para olhar a hora.
– Não sabia que frequentava festas infantis. – Ouvi uma voz e me virei. Era . Ele se sentou ao meu lado e eu não pude deixar de observar o quanto estava bonito. – E também não sabia que usava celular. – Apontou com a cabeça para o objeto na minha mão.
– Eu também não sou insistente. – Sorri sem mostrar os dentes e lembrei da mensagem que tinha me mandado. – E eu não sabia que você era um astro.
– Ah, a banda. – Ele sorriu arrumando a gravata. – Não é muita coisa, estamos sendo divulgados, mas ainda não somos a maior do mundo.
– Mas já é amado por adolescentes, você deveria ter me informado que eu tava lidando com um ídolo. – Ele gargalhou e eu revirei os olhos.
– Não um ídolo seu. – Ele juntou as sombrancelhas e que pontada no peito aqueles olhos. – E por que você tá sempre sozinha?
– Porque sempre me largam. – Revirei os olhos novamente e ele sorriu. – Vim com o primo da aniversariante e ele me deixou aqui para comprar a bebida da festa que acabou.
– Ei, ! – Observei um garoto vir em nossa direção e arregalei os olhos. – Essa é a gatinha de quem você falou? – Beijou minha mão subitamente e eu ri com a cena .
, esse é o . – sorriu e deu um pedala no outro garoto que devolveu um murro em seu braço e sorriu para mim.
– É, também vi ele no palco. – Sorri para ele. Estava me sentindo estranha de estar ao lado de dois ídolos teens. Mesmo não sendo os mais famosos do mundo, ainda assim eram famosos.
, cuidado com o papo desse meu amigo aqui. – bateu nas costas do amigo e sorriu. – Ele é conquistador barato!
– Obrigado pelo alerta, já tava com medo de cair nas garras dele. – gargalhou e eu sorri em seguida. A gargalhada dele era contagiante, eu não podia negar.
– Acho que só restou a gente aqui. – disse olhando ao redor e em seguida fiz o mesmo. A casa estava quase vazia, agora só tinha os amigos adolescentes de Ellie na parte de fora. – Vamos, , os caras já estão indo
– É, temos que ir, senão daqui a pouco não saímos mais daqui. – se levantou e olhou para mim em seguida. Seus olhos eram hipnotizantes. – Vai ficar aqui ao relento?
– Meu amigo disse que já voltava. – Sorri com uma expressão meio preocupada. – Mas até agora não chegou.
– Vem, te dou carona. – estendeu a mão e sorriu. MEU DEUS, COMO REJEITAR AGORA? – A gente tá de van, cabe você.
– Ah, não sei, não quero incomodar. – Sorri e ele puxou a minha mão. – Não te dei essa liberdade toda!
– Mas eu sim. – Sorriu e recebeu um tapa meu, que logo em seguida virou uma carícia em seu braço depois de receber um olhar de dó. – Ta vendo, aqui está sua liberdade! – Dei língua para ele que gargalhou e fomos em direção ao automóvel. Mandei uma mensagem para Luke explicando que tava indo embora e guardei o celular na minha bolsa. Acomodei-me entre ele e na van e dei oi para os outros dois integrantes da banda.
– O que você vai fazer amanhã, gatinha? – sorriu e piscou para mim, que sorri de volta. Ele estava um pouco bêbado.
– Ermm, acho que nada. – observava a nossa conversa calado.
– Que tal assistir a um ensaio nosso? não tem muita iniciativa. – olhou para o amigo e os que estavam na frente fizeram um “uuuuh” ao ouvir a conversa.
– Vamos ver quem tem iniciativa depois. – olhou bravo para o amigo e eu sorria ouvindo a discussão. – Desculpa, , ele não sabe se comportar em público. – Me desapontei ao ouvir dizer isso, tinha gostado da ideia de ouvir eles tocarem, eles tinham um som bom.
– Tudo bem, gostei dele. – Sorri e senti um braço ao redor do meu pescoço. – Ta vendo, isso é liberdade, mané! – Falei brincando e fazendo um sinal de mano com as mãos.
– Se eu fosse você, nem dava muita – falou. Eu gargalhei com a cena. – Tudo bem, , pode ficar com ele.
– Ta bom. – Mandei um beijinho no ar para aquele par de olhos perfeitos que me encarava. Logo em seguida expliquei o caminho para o motorista. Ele deixou um dos meninos em sua casa e em seguida parou na frente do meu prédio.
– Bom, meu ponto! – Sorri para os meninos e dei um abraço em cada um, descendo da van.
– Acho melhor eu te acompanhar caso um estuprador queira te pegar. – sorriu eu assenti. Descemos da van juntos e ele subiu as escadas comigo até o meu apartamento. – É aqui? – Assenti e ele colocou as mãos no bolso da calça. – Bom, está entregue.
– Obrigado, cavalheiro! – Sorri. Abri a porta do apartamento e ele ficou me observando. – Que foi?
– Seu obrigado é muito sem graça. – fez cara de malicioso e eu corei. – Te ligo amanhã pra vir te buscar.
– Me buscar? – Arqueei as sombrancelhas e ele ficou me encarando. – Ah, o ensaio?
– É, você disse que iria. – Ele arqueou as sombrancelhas e subiu um pouco as escadas.
– Achei que estivesse brincando e, bom, você até pediu desculpas pra ele, achei que não quisesse que eu fosse. – Sorri e ele balançou a cabeça em negação. Fiquei observando seus cabelos irem de um lado pro outro com o movimento.
– É que ele roubou a minha chance de te chamar para sair. – Piscou malicioso e eu corei novamente. Alguém diz pra ele que minhas pernas ficavam bambas com esse tipo de cantada. – Então combinado, até amanhã... ?
– É, eu deixo você me chamar assim. – Sorri ainda com a mão pegando no trinco da porta e observando ele descer as escadas um pouco mais. – Até amanhã, . – Ele sorriu e aos poucos fui deixando de vê-lo. Fechei a porta e entrei rezando para que não tivesse ouvido nada porque com certeza iria me encher o saco com isso e eu estava cansada demais para contar.
Tirei a roupa e toda a maquiagem e me joguei na cama. Senti meu celular vibrar e era Luke avisando que foi bom eu aceitar a carona porque ele tinha acabado de chegar. Sorri e bloqueei o aparelho. Naquela noite dormiria pensando em .


Capítulo 3

– Alô? – acordei sonolenta com dificuldade para abrir os olhos e reconheci a voz do outro lado da linha, era Jenn, uma amiga da faculdade. – Jenn?
– Sim, , liguei para avisar que já estamos aqui em frente a sua casa – droga, tinha me esquecido que tinha um projeto para apresentar e tinha que fazê-lo hoje com o grupo.
– Desculpa, Jenn, tinha me esquecido completamente e dormi até agora – sorri desconcertada mesmo que ela não pudesse ver. – Podem subir, só vou me trocar. – Então levantei da minha cama e me troquei rapidamente. Em seguida fui até a porta para atender o pessoal após ouvir barulho nas escadas.
– Ei, . – Diana, uma das três meninas me abraçou e foi entrando e se acomodando no sofá. Logo em seguida as outras duas meninas, Jenn e Claire, repetiram a ação.
– Oi, . – E esse era Andrew, as meninas falavam que ele tinha uma queda por mim e eu realmente podia sentir algo diferente entre nós. Ele sorriu e me abraçou. Pude sentir o cheiro do perfume que ele usava, o mesmo que sempre sentia quando o abraçava. Ele saiu do abraço e entrou para o apartamento. Fechei a porta rapidamente, acordando do transe em que estava após cheirá-lo e me dirigi até eles estavam. Sentei-me junto deles e começamos a elaborar como iria ser o trabalho. Algumas vezes pude sentir o olhar de Andrew em mim, mas não dei muita atenção e me foquei no trabalho que tínhamos que fazer.
Acabamos de montar o projeto era noite, ficamos de revisar no dia seguinte. Enquanto as meninas se despediam de mim, Andrew disse que iria ao banheiro e não saiu de lá até irem embora.
– Achei que iria morar lá dentro – o avistei saindo do banheiro e ele sorriu, vindo até mim e parando na minha frente. – Sua carona já foi.
– É, eu sei – ele sorriu novamente. – Foi proposital esperar no banheiro, eu só queria ficar a sós com você e te dizer que está linda hoje.
– Andrew, eu tô de blusa de dormir e short jeans, o que tem de tão lindo nesse look básico casa? – Ele gargalhou e eu lhe dei um soquinho no ombro.
– Só queria te dizer isso – ele se aproximou mais de mim, como se fosse possível e me deu um selinho demorado, no qual eu nem pude ao menos fechar os olhos tamanho o susto que levei. Assim que abriu os olhos, ele percebeu os meus um pouco arregalados. Desgrudou nossos lábios e disse desconcertado: – Acho que eu não devia ter feito isso, né?
– Na-não... – corei e me afastei vagarosamente. – Não é isso, eu só não esperava... – sorri desconcertada e em seguida ouvi a campainha do apartamento. – Bom, vou atender – segui do meu quarto até a porta de entrada do apartamento e abri a porta, me deparando com alguém parado em minha frente com as duas mãos no bolso. Era . – Ermmm, o ensaio... mil desculpas, sério, eu tive um trabalho e.... – no meio da minha fala, Andrew passou por mim, se despedindo e eu corei quando percebi o olhar de para Andrew e depois para mim. – Ele é do meu grupo.
– Só vim te deixar uma coisa. – me entregou um objeto preto meio pequeno e eu peguei, observando-o alguns segundos. – Bom, tenho que ir.
– Tudo bem – sorri e ele se virou para descer a escadaria. – Não vai me dizer um tchau?
– Tchau, . – sorriu sem mostrar um dente, dando um pequeno tchau no ar e desapareceu.
Entrei em casa um pouco chateada pelo tchau que ele tinha me dado. Mas por que eu estava chateada? Nunca tinha acontecido nada entre nós e eu quase não o conhecia. Talvez aquele beijo do Andrew tivesse me deixado confusa. Peguei o objeto que tinha me entregado e percebi que era um gravador. Dei play no objeto e pude começar a ouvir um som meio distante mas com o passar das músicas pude lembrar de algumas músicas que foram tocadas na festa da Ellie. Então esse era o ensaio que eu tinha perdido. E eles gravaram pra mim?
“Ei, , não vai ser perdoada por furar com a gente, mas quis que você escutasse isso...”
Essa era a voz do . Em seguida ouvi alguns barulhos estranhos, umas risadas e a gravação acabou. Sorri comigo mesma ao ouvir a gravação e segui para o meu quarto, abrindo a porta central do guarda roupa, onde eu tinha uma caixinha em que guardava coisas especiais que recebia. Guardei o objeto lá dentro e segui para a sala, ligando a TV. Como tinha ido dormir na casa de seus pais na noite anterior – ela costumava passar alguns finais de semana com eles – e provavelmente só voltaria no dia seguinte, estava sozinha para assistir o que quisesse. Continuei o resto do dia assistindo TV e preparando algumas besteiras para comer.
– Bom diaaaaaa, preguiçosa, é um lindo domingo! – fui acordada por dando um grito no meu ouvido. E sim, já era domingo, dia anterior ao meu dia favorito da semana. – O que faz dormindo no sofá?
– Bom dia – abri os olhos com dificuldade e me levantei, indo em direção ao meu quarto para deitar na minha cama.
– Ahhhh nãooooo, !!! – veio gritando atrás de mim e eu apenas coloquei um travesseiro na cara. – É domingo, você precisa acordar!!!
– Só mais algumas horinhas, por favor? – falei abafado pelo fato do travesseiro estar no meu rosto. – Juro que depois acordo e te dou toda a atenção possível.
– Ta bom – deu alguns passos e fechou a porta. –Mas só mais algumas horinhas!! – gritou de longe e eu pude dormir. Mas não dormi por muito tempo, só o suficiente para esquentar a cama. Já acordei indo diretamente para o lado de que estava fazendo comida – que cheirava maravilhosamente.
– Você é uma ótima amiga – a abracei por trás e ela virou o rosto sorrindo. – Só, por favor, não demora muito que to com muita fome!
– Você é uma draga – deu um grito ardido e eu gargalhei indo colocar as coisas na mesa. – Como foi seu dia ontem?
(n/a: draga é uma piada interna com a bf, beijo, xuxu)
– Ah, nada demais, Andrew me beijou e , o carinha da festa que você sabe, veio aqui e me deixou um gravador porque ele tem uma banda – sorri cínica e ela ficou boquiaberta, deixando a água que estava na panela borbulhar mais do que devia. – A água, !
– Quando foi que ficamos tão distantes? – eu sorri e me sentei na cadeira atrás dela. – Aquele Andrew, eu sabia que tinha alguma coisa... Mas esse , eu não sabia!!! – ela gritou novamente e eu gargalhei.
– E o que você ainda não sabe é que ele chegou quando Andrew saía – eu fiz um barulhinho com a boca e ela me olhou novamente.
– E o que tinha no gravador?
– O ensaio que a banda dele fez e eu furei com o convite.... – olhei para o chão, meio chateada após lembrar do áudio e que não fui ao ensaio.
– É, amiga, agora seus dois gatinhos vão beber leite em outro lugar – gargalhou e eu bati em sua perna.
– O problema é que pareceu diferente depois do Andrew – lembrei-me da cara que ele tinha feito e do tchau sem graça que tinha dado.
– Ele veio trazer o gravador pra você por algum motivo e um cara saiu do seu apartamento, é óbvio que ele ficou estranho – me olhou com uma cara de “é óbvio” e eu sorri fraco, me lembrando do gravador. Fui em direção ao meu quarto e peguei meu celular, enviando uma mensagem:

“Ei, as músicas são ótimas, principalmente aquela em que diz sobre o coração nunca mentir.”

Deixei o celular no quarto, não iria ficar vigiando para ver que horas ele me responderia. Algumas horas se passaram até chegar uma notificação dele:

“O nome dela é The Heart Never Lies, eu que compus.


Meu coração disparou ao ler aquela mensagem. O que estava acontecendo para eu estar tão eufórica com qualquer coisa que envolvesse algum contato entre nós? Agora eu não saberia responder.


Capítulo 4

Três semanas se passaram desde que vi pela última vez quando ele veio ao apartamento. Até hoje eu não tinha entendido o motivo pelo qual ele me trouxera aquele gravador. Quer dizer, eu já era tão especial assim pra ele gravar o ensaio todo pra mim só por que não fui?
– Ei, gatinha, o que tem para comermos hoje? – me perguntou enquanto eu fazia a comida. Combinamos de nos revezarmos na cozinha em alguns finais de semana e em outros termos a mordomia de comer fora – mas não era o caso hoje.
– Hoje temos macarronada no cardápio da acompanhada de muito refrigerante – sorriu e ajudou a colocar a mesa para que pudéssemos comer logo.
– Como estão as coisas com os dois homens da sua vida? – perguntou e eu me virei, colocando o macarrão no centro da mesa.
– Andrew tem tentado conversar comigo na faculdade e até me chamou pra sair uma vez mas acho que não quero nada com ele – sorri cordialmente e me sentei, colocando comida no meu prato e depois no de .
– Uma saída não é um pedido de casamento, ... – deu uma garfada na comida e depois nos serviu com refrigerante.
– Eu sei, , só não quero dar expectativas que eu não posso corresponder agora – inclinei a cabeça e ela balançou a cabeça em forma de compreensão.
Acabamos de comer e ficou com a louça toda pra ela. Fui até o meu quarto estudar matéria do dia anterior porque eu com certeza tinha chance de não ir bem naquela prova e tinha uma mensagem:
“Pub Pierce às 21 horas. Vamos tocar lá hoje.

Após quase um mês sem receber qualquer coisa dele, essa foi a primeira coisa que recebi, uma mensagem indicando o lugar que iriam tocar. Então eu deveria estar lá?
Chamei para ir comigo e expliquei a situação. Ela se animou muito e disse que me deixaria perfeita.
Ela foi atrás de nossas roupas no quarto enquanto eu pensava como ele poderia sumir e aparecer do nada. E o motivo dele ter sumido não era concreto. Mas tudo bem, ele não tinha que estar por perto o tempo todo, não é?
O tempo não parecia passar, estava nervosa pro evento e eu, bem, eu estava um pouco também. Quando finalmente deu a hora de nos arrumarmos, ela foi para o banho e eu fui a última a ficar pronta.
– Não importa o que aconteça entre você e seu macho, você precisa me tirar da seca hoje! – ordenou antes de sairmos de casa e quase deu uma portada na minha cara.
– Como se você estivesse... – ela me olhou com um olhar de “se continuar, você estará morta pra mim” e eu gargalhei. – Relaxa, gata, o macho não sendo meu, não há chance de acontecer nada.
– Bom meixxxxmo! – disse com um sotaque puxado e eu ri, descendo as escadas com ela.
Fomos ouvindo algumas músicas que John, meu último namorado, tinha gravado pra mim quando completamos um mês de namoro e as músicas eram as mais animadas possíveis. Ele era um namorado inusitado. Lembro de ter recebido um papagaio no primeiro dia dos namorados que passamos juntos. Segundo ele, eu falava muito, então ele me deu o bichinho porque assim eu tinha algo que falava o mesmo tanto para falar comigo e que, além disso, também me representava.
– Você não sente nostalgia? – me perguntou no meio da nossa cantoria e eu franzi a testa. – O cd, ...
– Um pouco – torci o pescoço e ela balançou a cabeça. – Ele era legal...
– Por que mesmo vocês terminaram? – sorriu e eu entendi os motivos dela ter dito isso. O primeiro era que ela não sabia mais contar nos dedos quantos namorados eu tive, então se embaralhava nos motivos. E o segundo era porque segundo ela eu nunca tinha um motivo válido pra terminar com todos os namorados que já tive.
– Só dirige... – balancei a cabeça e sorri, dando um tapa em sua testa e continuando nossa cantoria – e ela se junto a mim. O caminho acabou logo e procurava algum lugar próximo pra estacionar.
Descemos do carro e fomos em direção ao pub, que estava um pouco lotado. Depois de um tempo, conseguimos entrar e ficamos no fundo do pub, tomando uma bebida escolhera para nós.
Esperamos o show começar enquanto curtíamos o som que tocava nos alto falantes e depois de alguns minutos eles entraram no palco. Logo avistei e o olhei, ele estava com uma roupa azul e um jeans. Não pude deixar de olhá-lo bastante durante o tempo todo do show. Também cantei algumas músicas que aquele gravador tinha me salvado – apesar de ter aprendido só as que mais gostei. também arriscou algumas letras mas errava todas e me olhava gargalhando numa mistura de bêbada com idiotice.
Após o show acabar fui atrás de e dos garotos para abraçá-los e apresentar , que queria sair da seca.
– Ei... – cheguei perto de e seus olhos pareciam brilhar muito com a luz daquele lugar. Ele sorriu e sorri de volta, sentindo atrás de mim. – Essa é a .
– Ouvi falar de você.... – dei um tapa em sua perna e sorriu. – Desculpa, amiga, é apenas a verdade...
– E aí, !!!! – chegou por trás de , me abraçando e me dando um beijo na bochecha. Em seguida olhou pra e a abraçou também. Com certeza ele estava bêbado. – Essa gatinha mia?
– Se eu fosse você, arriscava.... – sorri e olhei pra , que me olhava com um olhar de agradecimento. – tá de carro...
– Só não sei se trago de volta, me deu outro beijo um pouco babado na bochecha e levou com ele. Ele era muito amistoso. Restamos só eu e , que até agora ria da situação.
– Seu gravador, bom, não sei se quer de volta, mas desculpa, não tá comigo – ele sorriu e eu corei.
– Não, ele é seu. Gravamos pra você porque sabíamos que não chegaria mais – ele sorriu fraco e eu também, lembrando onde o gravador estava.
– Que bom então, porque ele ta na minha caixinha de objetos meio especiais – sorri novamente e ele arqueou as sombrancelhas. – O quê? É um som especial.
– Não, , só to indignado com o meio especiais – ele arqueou as sombrancelhas novamente. – MEIO?!
– Muuuuuuuuuito especiais – exagerei no muito e sorriu cordialmente.
, vamos! – Pude ver uma garota morena de cabelos curtos se aproximando e dando um selinho em , puxando-o pela mão em seguida. Acho que pude reconhecê-la, era a mesma que o chamou naquela primeira festa em que o vi. – Sua van já tá indo embora! – me olhou com uma cara de “desculpa, tenho que ir” e eu fiquei chateada pelo selinho. Acho que ele estava bonito demais e eu não queria vê-lo com alguém naquela noite.
– Tudo bem, tenho que procurar a – fui me afastando dele, olhando para trás algumas vezes até estar longe o bastante para não vê-lo mais.
Sentei em qualquer banquinho que havia por perto e disquei o número de . Ela atendeu só na quinta vez que tentei e disse para eu ficar onde eu estava que ela me encontrava. Enquanto eu esperava uma música começou a tocar. Era uma música que eu escutava com Nathan, segundo namorado e vizinho. Crescemos juntos e Nathan ficava deitado na cama comigo só pra ouvir música quando eu estava triste. Um dia eu havia terminado o meu primeiro namorinho, essa música começou a tocar e Nathan me chamou pra dançar, porque nunca tinha me visto tão pra baixo e aproveitou a oportunidade da música ser mais alegre. Então, quando começamos a namorar, essa era a nossa música.

Flashback on
– Aumenta esse volume!!! – Eu disse gritando ao ouvir Bob Seger no rádio do carro. – Eu não acredito que tá tocando ela!
– É porque eu fiz de propósito. – Nathan me olhou, arqueando as sombrancelhas e aumentando o volume do rádio logo em seguida.
– Out in the back seat of Nathan’s '60 Chevy. – Berrei uma parte da música, batendo os pés no banco do carro e gargalhei em seguida. Nathan me fitou alguns segundos e balançou a cabeça em negação. – Curte essa vibe marota!
– In the summertime, in the sweet summertime we weren't in love? (No verão, no doce verão nós não estávamos apaixonados?) – Nathan disse após ouvir alguma das partes da música e a repetindo, sem olhar para mim.
– Oh no, far from it. We weren't searchin' for some pie in the sky summit. We were just young and restless and bored livin' by the sword (Oh não, longe disso. Não estávamos procurando pelo pote de ouro no final do arco-íris. Nós éramos apenas jovens e agitados e entediados vivendo perigosamente). – Respondi naturalmente com outra parte da música, tentando disfarçar que olhava os cabelos dele voando em seu rosto e um óculos na cabeça. – Abaixa esse óculos, brega.
– Você é chata assim? – Me olhou de relance e abaixou o óculos. – Vivendo perigosamente, me dando apelidos. O que estão fazendo com você, boneca?
– Boneca não, Nate. – Fiz algum barulho com a boca e lhe dei um pedala. Nate sorriu em seguida mostrando pela primeira vez, desde que pegamos estrada, aqueles dentes brancos. – Você é um brega mesmo!
– Ta, . – Tapou a minha boca com uma das mãos. Juro que teria mordido a mão dele se o cheiro não estivesse TÃO agradável. – Fica quietinha aí, já estamos chegando!
– Você é um saco mesmo, heim. – Bufei e cruzei os braços, ele deu uma gargalhada logo em seguida. Odiava ficar em silêncio, quando criança eu era hiperativa.
– Você é um bebezinho. – Apertou a minha bochecha e respondi dando língua. – Pode cantar a música, chata.
– Yaaaaaaay! – Esmurrei o ar e voltei a cantarolar a música. – Obrigado por isso, tio! – Nathan riu mais uma vez e voltou a atenção para a estrada. A essa altura eu já estava fitando ele novamente.
Flashback off

Depois disso me lembrei como foi bom namorá-lo, talvez porque já o conhecia antes mas ele foi o melhor namorado que já tive. Senti sua falta ao ouvir a música no pub, não exatamente do namoro mas da amizade que tínhamos antes. Pensei em ligar para ele, o momento com o me chateou e não tinha arrumado ninguém depois de John, mas preferi só esperar por . Nathan e eu não nos víamos há algum tempo, mais especificamente desde que mudei da cidade em que morávamos – inclusive, por isso que terminamos. Sua mãe havia me dito uma vez em que voltei para visitar meus pais que ele ficou muito triste durante muito tempo, então decidi não vê-lo mais. Mas isso não me impedia de sentir saudades.


Capítulo 5

– Então quer dizer que fisgou um peixão ontem, né? – falei para após ela chegar na sala com cara de ressaca e sono. – Falta meu obrigada.
– Brigada – falou meio sonolenta e caiu no sono novamente, ou pelo menos tentou. – Minha cabeça tá me matando!!!
– Ninguém mandou ficar bebendo e me fazendo passar vergonha – falei enquanto mexia no computador editando alguns trabalhos que tinha para entregar. Era fechamento de semestre na faculdade.
– Ahhhh, bem lembrado – se levantou do sofá e riu maliciosa. – Como foi ontem?
– Não foi... – curvei o pescoço. – Ele foi embora quando uma garota saiu puxando ele com selinho...
– Que filho de uma mãe, ele te chamou lá pra isso?? – falava cada vez mais indignada.
– Não sei – sorri. – Talvez ele quis dar o troco por causa do Andrew. Mas também nem rolou nada entre a gente, amiga, tenho que me conformar.
– E se ele te chamar nos lugares pra não te dar bola, bom que não role mesmo – se jogou no sofá novamente. – Acho que me lembrei que disse que veria o hoje.
– Mas já, ??? – eu gritei abismada com a rapidez da relação deles.
– Amiga, enquanto eu to podendo beijar tenho que garantir, né? – riu. – Ele é legal, , a gente até conversou um pouco – eu assenti e sorri e ela voltou para o quarto dizendo que sua cabeça a estava matando.
Continuei o trabalho que estava fazendo e consegui terminá-lo mais cedo do que planejei. Fui pegar alguma comida e colocar um filme já que ainda estava capotada, mas a campainha não deixou. Fui até a porta atender.
!!! – gritou e eu nem pude ver quem estava passando por mim. – É aqui a festa hoje?
– Que festa, doido? – ele franziu a testa. – Não vai me dizer que a combinou uma festa com você?
– É só a gente, , vamos fazer algumas coisas legais – coisas legais para eles com certeza não eram para mim. Então pude ver entrando atrás dele com algumas sacolas na mão que por sinal pareciam pesadas.
– Coloco isso em que lugar? – perguntou para mim e quando chamei ele com a cabeça para guiá-lo, pude ver o tanto de gente que tinha em casa naquele momento. Nunca tinha visto ninguém, só fui passando pelo meio das pessoas e vinha atrás de mim.
– Pode deixar aqui... – ele assentiu. – Ainda mato a , quem é esse pessoal?
– São uns amigos do – ele sorriu. – Eles não vão quebrar nada, vou ficar vigiando pra você
– Muito obrigada – sorri. – Vou acordar a – ele assentiu e fui até o quarto de . Acordei-a e dei uma bronca por nem ao menos ter avisado. Ela disse que sabia que eu não iria querer bagunça em casa e por isso não me avisou. Ela saiu do quarto logo depois de se arrumar e eu fiquei para me trocar.
– Então aqui é onde você dorme? – se encostou na porta e eu quase pulei de susto, mas dei um leve sorriso. – Decoração bonita.
– Não, esse é o quarto da , mas sou criativa pra decorar também, pode me pedir pra decorar o que quiser – sorri enquanto tentava fechar minha saia emperrada, ficando muito aliviada depois de conseguir. Segui para a porta onde estava encostado.
– Que cheiro é esse? – Franzi o cenho e, antes mesmo que eu pudesse falar alguma coisa, cheirou meu pescoço e depois meu cabelo.
– É só meu cheiro natural – sorri, tentando disfarçar o que senti quando ele encostou em mim.
– É que ele me lembra alguma coisa – ele sorriu sem mostrar os dentes e se afastou de mim. – Vamos? – saiu na frente e fiz um pouco de força nas pernas pra sair de onde estava. Fomos para a sala que tinha mais barulho de som e nos afastamos. Fiquei conversando com algumas pessoas que puxei algum papo e alguns minutos depois vi com a mesma garota que tinha dado um beijo nele aquele dia no pub. Tentei segurar a dorzinha no peito que senti ao vê-la perto dele e continuei conversando na rodinha em que estava.
– Então você é a ? – um garoto chegou ao meu lado e logo pude perceber que ele era da banda. – Não tive a honra de conversar com você ainda.
– Famoso é você – ele sorriu e eu pude ver o quanto seu sorriso era bonito.
, volta aquiiiiiiiii! – gritava já bêbada. – Não acredito que saiu do nosso papo!
, acho que tá te olhando bravo – eu observei a cara dele ao olhar para onde estávamos.
– Ele é bobão – disse gargalhando do nada. – NÉ, AMOR? VOCÊ É UM BOBÃO.
, se vomitar aqui em casa vai limpar tudo amanhã! – eu disse brava e pude perceber gargalhando.
– Tá bom, me deu um beijo babado na bochecha e saiu de perto de onde estávamos.
, aquela é a namorada do ? – eu queria descobrir algo sobre os dois então resolvi perguntar descaradamente, mas torcendo pra ele não desconfiar de nada.
– Se eu fosse você, caía fora.
– Eu nem to dentro... – sorri e ele mais ainda. – O quê?
– Mas queria estar bem dentro – ele tomou um gole de sua bebida. – Senão não estaria perguntando...
– Ok, você me sacou – sorri e dei um tapinha nele, que devolveu. – Ai, menino! Assim não dá pra ter uma amizade sincera... – gargalhou e eu, logo em seguida, também.
Conforme a festa foi passando, alguns foram indo embora, sobrando apenas os meninos, eu, e a suposta namorada de . já estava desmaiada no sofá, então era apenas eu, eles e a suposta namorada.
– Preciso colocá-la na cama – falei para ao garotos que estavam me ajudando limpar o apartamento todo. – Alguém me ajuda aqui? – se ofereceu primeiro e então fui com ele até o quarto de . Ele a deitou na cama e eu dei umas ajeitadas, cobrindo-a. – Bonita sua namorada – eu disse para ele que quase saía do quarto; ele se virou e sorriu.
– Lorelai é legal – disse e eu assenti. – Aquele dia em que te chamei… Bom… Não sabia que ela iria.
– Tudo bem, nada demais ela ir... – eu sorri. – Não é como se ela fosse tapar a visão do show ou os meus ouvidos.
– Mas você sabe – me deu uma olhada no fundo dos olhos –, eu chamei você porque queria que fosse nos ver tocar.
– Ela ta aqui, viu? – eu disse, lembrando-o de que ele ainda tinha uma suposta namorada.
– O que tem? – Ele franziu a testa. – Já disse que ela é legal.
– Que tipo de namorada é legal ao ponto de deixar você falar assim com alguma garota? – Agora eu que franzia o cenho.
– Você e sua insistência nessa palavra – ele conseguia sorrir mesmo com o clima pesando um pouco mais. – É pra me lembrar de alguma coisa?
– Não – eu não conseguia mais permitir que ele falasse comigo daquele jeito e não confirmasse que ela era namorada ou não. Então fiquei brava o suficiente para responder um simples não.
– Tá bom, – ele parecia ter ficado frustrado com o meu não. – Agora eu vou... voltar pra lá – apontou pro cômodo atrás dele e virou as costas para a porta, saindo de volta para a sala onde os outros estavam.
Caminhei logo após ele ir para a sala e já podia ver quase tudo no lugar. Agradeci os meninos pela arrumação e eles nos chamaram para ir ao estúdio ver um ensaio deles na semana que vem, já que eu furei no anterior. Logo depois de convidarem, eles disseram que tinham que ir embora, me deixando na porta apartamento. Dei tchau para todos menos para . Falei até mesmo com a garota que estava com eles, mas com ele não. Quem ele pensava que era pra querer me cantar estando com outra pessoa? Entrei para dentro do apartamento e me joguei no sofá, achando que dormiria ali mesmo. Então a campainha tocou novamente.
– Mas que merda você quer? – eu disse sem ao menos olhar direito quem era na porta.
– Só esqueci meu celular – me deparei com Lorelai na minha frente sorrindo envergonhada. – Desculpa se estava dormindo.
– Não, imagina – sorri quase corando. – Me desculpa pela grosseria, achei que fosse o... – pensei em dizer o nome, eu realmente achei que fosse ele – . Mas pode entrar e pegar – ela sorriu e entrou dentro do apartamento, pegando o celular.
– Nem acredito que não veio comigo até aqui, é amiga dele e ele me deixa sozinha – a garota fez um certo bico e eu sorri simpática vendo o quão bonita era ela. – Bom, obrigada.
– Imagina – sorri, vendo-a sair do apartamento.
– Aparece na casa do amanhã, acho que vamos fazer maratona de filmes – agora ela queria ser minha amiga? Como eu não conseguiria gostar dela? – Eu falo pro e ele te busca – tá, agora minha casa tinha caído.
– Ermm... Tudo bem – como assim tudo bem? Não estava nada bem. – Até amanhã então!
– Até, – a vi descer as escadas e observei o quão bonita era ela. E o quanto eu podia amá-la e não o contrário.
Entrei dentro do apartamento novamente e me direcionei até a sala, ligando a TV e dando de cara com um filme que eu assistia quando me sentia muito triste ou sozinha. Isso até os meus dezessete anos. Deixei ele passar, era a comédia mais incrível que eu já vira em toda a minha vida, me lembrava a adolescência e a cidade em que eu morava porque eu sempre assistia no meu quarto, que era decorado inteiramente pra mim.
Senti saudades de casa e resolvi ligar para minha mãe. Deu caixa postal. Tentei mais umas onze vezes e ninguém atendeu. Olhei o relógio e me esqueci do fuso, meus pais estavam trabalhando há algumas horas. Senti-me nostálgica e resolvi fazer alguma coisa pra comer e ficar ali mesmo.
Com algumas horas de filme, ouvi a campainha tocar e então olhei o relógio, já eram quase oito da manhã. Sim, eu tinha passado a noite inteira acordada, isso era surreal, eu sempre ia pra cama cedo. Direcionei-me até a porta e me deparei com Andrew parado com flores na mão.
– Oi – ele sorriu e eu não pude deixar de sorrir de volta. – Desculpa pela surpresa, eu estava à caminho do trabalho e imaginei que estivesse dormindo, na verdade, acho que por isso consegui chegar até a sua porta... – não sei bem o que senti no momento, só me veio à cabeça beijá-lo depois de tanta falação. Talvez fossem as flores ou o que ele vestia, mas algo nele me chamava atenção para beijá-lo e um segundo depois eu já tinha me arrependido. – Isso foi meio... Inesperado?
– Foi como eu me senti aquele dia – sorri corando e me lembrei do dia em que ele tinha me beijado inesperadamente, então aliviei um segundo. – Mas por que as flores?
– Eu ainda não tinha tomado coragem de voltar aqui pra tentar me aproximar de você e tentar sair com você – ele franziu o cenho em forma de pergunta e eu não sabia como olhá-lo no momento, mas me lembrei que meu suposto affair com o ia mal e que minhas lembranças do passado estavam sendo constantes.
– Sim – falei em um segundo enquanto ele ainda me olhava. – A gente sai.
– Então te pego hoje mais tarde? – Andrew me entregou as flores de uma vez por todas, que por sinal era algo que eu nunca tinha recebido, não era mais um gesto muito comum. – Oito horas tá bom?
– Tá sim – sorri novamente e então ele se direcionou até mim, me dando um beijo na bochecha e se despedindo.
Fechei a porta e fui para o meu quarto, jogando as flores na minha cama. Lembrei-me que tinha filme no mais tarde e então tentei dormir.
Acordei com no meu ouvido dizendo para eu me arrumar logo porque teria filme no . Claro, já tinha contado pra ela. Tive que trocar meu pijama confortável e lindo em um minuto e então descemos para esperar os meninos chegarem e guiarem eu e até a casa de . E eles não demoraram muito.
, por que não vem no meu carro? – os meninos mal tinham chegado e já gritava para .
– Mas aí eu vou sozinho? – estacionou lentamente parando em frente a nós e olhando para mim.
te acompanha – disse rapidamente e a olhei brava. Se ela soubesse o que tinha acontecido noite passada não teria feito isso. Mas eu aceitei ir para não ter que ficar dando explicações ou fazendo cena.
– Vai ficar fazendo isso até a gente chegar? – olhava meus dedos desenhando na minha calça e em seguida o trânsito.
– Vou – sorri sem mostrar os dentes e ele franziu o cenho. Reparei em seu rosto, era tão lindo a forma que ele dirigia ou o ângulo em que eu olhava que não pude evitar que ele me pegasse olhando pra ele.
– Vai ficar me olhando e não vai falar comigo? – ele sorriu e eu senti uma vontade de socá-lo por ser tão lindo. Ou era apenas eu me apaixonando por ele. De novo não!!!! – Ta bom.
Fomos o caminho todo em silêncio. Ah, qual é, não fui eu que fiquei cantando alguém tendo uma namorada e ainda por cima se fazendo de desentendido. Além disso, eu realmente não ia dar corda pra isso continuar e ele a trair.
Chegamos na casa de em minutos que pareceram horas e então fomos direto escolher os filmes que assistiríamos.
– Quem vai fazer as besteiras pra gente? – perguntou fazendo carinha de dó e eu sorri pra ele.
faz! – gritou vindo do banheiro e eu o olhei revirando os olhos. – Eu te ajudo, relaxa, você só parece a mais tranquila pra mexer em coisa de cozinha.
– Obrigada – eu sorri me levantando e indo atrás dele. – Eu realmente sou! – caminhamos até a cozinha e ele pegou todos os equipamentos que precisávamos pra fazer muffin. – Você sabe mesmo fazer essas coisas?
– Sei – ele sorriu. – Eu vivo sozinho, preciso aprender a me virar pra sempre que precisar – pegamos os ingredientes e começamos a misturar. – Você sabe?
– Com certeza! Eu que faço as comidas em casa porque a é um desastre! – ele gargalhou quase derrubando o que estava em sua mão. – Brincadeira, a gente reveza... MAS EU COZINHO MELHOR!
Continuamos a fazer a comida e, enquanto esperávamos ficar pronto, fomos para a sala e levamos alguns salgadinhos e refrigerante junto. Sentei-me ao lado de porque não tinha sobrado lugar perto dos outros e dividimos nosso salgadinho.
Alguns minutos depois que o terceiro filme acabou, recebi uma ligação de Andrew. Droga, tinha que sair com ele. Corri pra fora pra atender e pouco tempo depois que terminei a ligação voltei para dentro da casa, avisando os outros que teria que ir embora.
– Se quiser posso te dar uma carona – se ofereceu, mordendo um salgadinho em seguida e eu sorri com a cena.
– Não precisa, ele... erm... vai me buscar aqui mesmo – sorri para o garoto guloso com a boca cheia e em seguida não pude evitar olhar para que logo depois desviou o olhar. – Então eu vou indo lá pra fora pra esperar... hum... até depois, gente – dei um tchauzinho no ar e eles falaram um tchau em coro.
Saí da casa observando a falta de detalhes que havia nela e parei na calçada em frente ao portão enorme. Sentei-me na calçada e comecei a jogar algum jogo que tinha no celular. Não vi as horas passarem, mas Andrew demorou mais do que 20 minutos.
Avistei uma moto vindo em minha direção e me levantei ao perceber que o motoqueiro de roupa nada radicais era Andrew.
– Quer uma carona, babe? – ele tirou o capacete e fez uma cara seduzente para mim. – Vejo que você estava me esperando porque seu traje é ótimo pra andar de moto.
– Eu faço o que posso – forcei um sorriso. Na verdade eu até que estava feliz por sair com ele e não me sentia mais incomodada como me sentira antes. – Vai me dar um espaço? Minha bunda ocupa um puta espaço, sai pra lá – sentei na moto e colei meu corpo no dele, o empurrando pra frente propositalmente. Ele gargalhou alto e abaixou o capacete, me dando outro e seguindo pela rua larga, quando virou à direita.


Capítulo 6

(A última vez que vi Richard, estava em detroit, em 68
E ele me disse que todos os românticos se reunirão algum dia
Cínicos e amargos e irritando alguém em algum café escuro
Você ri, ele disse que você pensa que é imune
Vá olhar seus olhos
Eles são o tolo da lua
Você gosta de rosas e beijos e belos homens contando
Mentirinhas, mentirinhas
Quando você perceberá que são só de mentirinha
Só de mentirinha, só de mentirinha)


- Ahhhhhhh, você sabe que eu odeio essas músicas, abaixaaaaaa! - gritou do quarto dela e eu bufei, ela sabia que eu só conseguia ouvir música alta mas ela odiava a maioria das minhas músicas – Por favorrrrrr!!!!!!!!!
- Calma! Já to abaixando – bufei e abaixei o volume do som. Ter ela em casa em pleno final de semana era horrível. Antes ela tinha começado a sair com mas ele esperava outra coisa dela e então os dois decidiram parar as noitadas. Desde então, não tinha visto mais ou os meninos, só falava com eles por mensagem às vezes e ficava escutando algumas músicas deles que salvei no meu celular, mas não tinha mais o mesmo contato, afinal, o único elo de ligação até então era e . Eu e quase não conversávamos mais, e eu e os meninos não tínhamos uma amizade tão forte. Mas agora que nosso elo tinha sido cortado, nos afastamos de verdade. E com esse elo afastado, o mau humor da nos finais de semana era horrível. – Até quando você vai ficar de mau humor todo santo final de semana que ficar em casa? – fui até o quarto dela e encostei na porta, vendo-a arrumar o quarto todo, ela tinha quase um toc e piorava quando estava, digamos, no tédio – Você precisa dar uma respirada, pegar umas férias...
- Eu já tentei pedir umas férias, mas meu patrão tá enlouquecendo porque se divorciou e desconta as frustrações dele nos funcionários! Ahhhh! - bufou enquanto ainda arrumava seu quarto, separando as roupas por cor em seu armário – E, por favor, você sabe que tô tendo uma semana pesada de provas, só tenta compreender um pouco...
- Eu sempre compreendo, amiga – sorri e cruzei os braços – Mas é complicado, né.
- Desculpa, prometo que vou tentar controlar meu mau humor – ela sorriu e eu concordei.
- Escuta, Luke me chamou pra sair com ele e alguns amigos, quer vir? – sim, Luke finalmente tinha seguido em frente e um desses amigos que falei era sua nova namorada, então agora ele não vivia tão colado em mim como antes – Ele tá de namorada nova e quer dar uma apresentada geral e aproveitar pra comemorar o fim do semestre...
- Ah, não sei, ... Quando for, se eu estiver arrumada, só me chamar. Senão, você já sabe... – concordei e fui para o meu quarto dar uma arrumada nos livros que estavam abertos na cama pra me arrumar e esperar Luke, que logo me ligou dizendo que estava em frente ao apartamento e ainda nem estava arrumada. Desci rápido e dei um oi geral para os que estavam no carro. Então seguimos pela rua iluminada da cidade maravilhosa que admirava sempre que saía de casa e o destino era um barzinho que não ficava tão longe de casa.
- Sabe os garotos que tocaram na festa da Ellie? Vão tocar hoje – Luke comentou comigo e eu pasmei, fazia muito tempo que não via , e Luke não sabia de nada que havia acontecido com a gente.
- Sério?! – sorri e ele concordou. Em seguida fomos procurar uma mesinha mais ou menos perto do palco improvisado e sentamos. Estava eu, Luke, Nelly, Tyler e Natalie em sequência – Então, Nelly, como meu amigo aqui tá te tratando?
- Ah, ele é um doce – ela sorriu e eu concordei.
- Você sabe que eu sou um doce, , não estraga meu jogo – ele piscou e Nelly sorriu para mim e depois para ele. Mas nem deu tempo de conversarmos muito até começar o show e prestarmos atenção na apresentação deles. A não ser quando começamos a pedir bebida atrás de bebida e não sabíamos mais falar além de rir.
- Ei, , o garoto da banda não para de te olhar! – Nelly quase gritou e em seguida gargalhou, era a mais bêbada da turma – Acho que você devia ir pro camarim – ela gargalhou mais ainda e eu também.
- Acho que eu vou – girei meu copo no ar e comecei a gargalhar junto com ela. Até que eles começaram a fazer um cover que me estatizou.

(A última vez que vi richard, estava em detroit, em 68
E ele me disse que todos os românticos se reunirão algum dia
Cínicos e amargo e irritando alguém em algum café escuro
Você ri, ele disse que você pensa que é imune
Vá olhar seus olhos
Eles são o tolo da lua
Você gosta de rosas e beijos e belos homens contando
Mentirinhas, mentirinhas
Quando você perceberá que são só de mentirinha
Só de mentirinha, só de mentirinha)


- É a minha música, Nelly!!!! – eu levantei da cadeira e comecei dançar alguma coisa louca que nem eu mesma entendia o que era.

(Pôs um quarto de dólar no piano wurtitzer, e empurrou
Três teclas e a coisa começou a girar
E uma garçonete veio
com meias de renda e uma gravata borboleta
E disseram "bebam agora que está na hora de fechar"
"richard, nunca vai mudar" eu disse
É ela que agora você está romantizando
um pouco de dor na cabeça
Você tem túmulos nos olhos, mas as canções
Que você tirou são um sonho
Ouça, elas falam de amor tão docemente
Quando você mesmo volta a caminhar com seus pés?
Oh e o amor pode ser assim tão doce, amor tão doce)


-Vai, !!! – Nelly gritou, se levantou e começou a dançar junto comigo. Depois Natalie acompanhou e os meninos não conseguiam parar de rir.
(Richard se casou com uma patinadora artística
E ele comprou pra ela uma máquina de lavar e uma cafeteira
E agora ele bebe em casa quase todas as noites
com a tevê ligada
E todas as luzes da casa acesas
Vou soprar a porra dessa vela para fora
Eu não quero ninguém vindo na minha mesa
Eu não tenho nada a falar sobre qualquer coisa
Todo bom sonhador passa por isto algum dia
Amanhece caído num café escuro
Escuro café
Só a escuridão
Antes de ganhar minhas asas maravilhosas
E eu voarei por aí
Só uma fase, estes dias de cafeterias escuras)


- Ahhhhhhh, acabouuuuuu! – fiz bico e me sentei novamente, jogando minha cabeça na mesa.
- , o camarimmmm! – Nelly gritava e erguia minha cabeça, virando-a em direção ao palco – O show acabou! Ele tava te olhando! – eu estava quase desmaiada de tanto beber, mas me lembrei do assunto de me olhando e fui em direção aos bastidores do show, que não era bem um camarim.
- Minha amiga me desafiou a vir até aqui – cheguei no segurança, me apoiando nele e rindo com um copo na mão. Logo me avistou e veio em minha direção, acho que percebeu algo errado porque veio rápido, falou algo pro segurança que assentiu e me deixou entrar - Nelly disse que você tava me olhando – eu me apoiei nele cambaleando e dei um oi para os outros que me olhavam querendo rir – Você tava me olhando?
- É, , eu tava te olhando, agora senta aqui – ele me colocou numa cadeira que quase me fez cair pro lado e me pegou rapidamente ao ver a cena, juro que ele teria rido se não tivesse que fazer força pra me segurar – Fica aqui que eu volto rápido.
- Por que você sumiu? – fiz cara de dó quase caindo por cima dele – Você e os meninos acabaram com a nossa amizade – falei quase chorando e os garotos gargalharam ao olhar pra minha cara.
- Você nem tava falando comigo – ele explicou devagar e eu parei um segundo tentando me lembrar de que não tava mesmo falando com ele – Agora fica aqui que eu já volto.
- Ah nãooooo! – me joguei em cima dele que quase caiu – A sua namorada... deve achar que sou doida se me vir assim – me recordei de Lorelai e tentei me jogar pra cadeira de novo, saindo de cima dele.
- Que namorada, ? – ele franziu o cenho e em seguida sorriu comigo tentando me equilibrar na cadeira – Tá, fica aqui – então ele saiu o mais rápido que pôde e eu acho que adormeci porque só acordei em seu carro com ele me acordando – Acorda, não dá pra te carregar e subir escada ao mesmo tempo – apertei meus olhos com dificuldade em abri-los e vi um maximizado na minha cara. Mesmo assim o ângulo era agradável – Vai, acorda, tá na hora de ir pra casa...
- Te dei trabalho – ainda apertava os olhos com dificuldade e ele balançava a cabeça de um lado pro outro – Desculpa... eu nem costumo beber assim, a gente só tava comemorando o namoro do Luke – ele balançou a cabeça novamente – É, comemoramos errado – eu sorri e tentei abrir a porta, me segurando no carro pra não cair, e , ao perceber a cena, abriu a porta do lado dele e rodeou o carro rapidamente pra me ajudar – Preciso avisar eles que tô bem.
- Eu falei que ia te trazer... e eles não estavam num estado bom pra levar alguém pra casa.
- Obrigada então – sorri e ele pareceu não ver porque não correspondeu com nada, só me ajudou a subir as escadas – Acho que eu consigo daqui... – me soltei dele rapidamente e quase caí se não fosse pelo corrimão.
- Eu te ajudo - não hesitou em apoiar meu braço ao redor do pescoço dele e subir o resto da escada.
- Acho que não pega muito bem pra você ficar assim comigo – ele sorriu e fez um “puf”.
- Não tem fotógrafo aqui, posso te garantir!
- Não é por isso – eu franzi o cenho – Lorelai não ia curtir essa cena...
- Por qual motivo? – ele franziu o cenho e paramos no meio da escada.
- Porque ela é sua namorada...? – franzi o cenho novamente e ele também – É por isso que parei de falar com você, sempre que falo disso você finge que não sabe do que tô falando.
- Quê? – ele me soltou repentinamente me deixando quase cair, então me segurou num flash – Ela não é minha namorada – ele levou uma das mãos na cabeça esfregando-a – Eu e ela já tivemos alguma coisa, mas não somos namorados, não precisa se preocupar com isso... É por isso que tava me evitando?
- Então vocês não namoram? Mas por que... aquele dia lá no show ela te beijou e sempre tá com vocês... especialmente com você? – franzi o cenho e ele sorriu.
- Aquele dia ela tava bêbada e me deu um beijo surpresa, depois começou a chorar porque tinha feito isso – sorriu mais como se tivesse se lembrado da cena – E ela ficou muito nossa amiga quando começamos a sair, aí depois que, digamos, terminamos, ela não se afastou dos caras... e depois nem de mim – ele deu uma pausa – Meu Deus, você se afastou de mim por uma coisa que você supôs!
- Só achei que você tava dando em cima de mim e como pensei que ela fosse sua namorada tive que te cortar, seria uma falta de respeito com ela – sorri – Eu não sou de me envolver em problemas por macho, não – ele quis gargalhar – Desculpa... acho que me precipitei...
- É, se precipitou – corei num instante – Mas precisamos subir, senão vai acordar todo o prédio!
- Eu falo alto? – franzi o cenho e ele agora sim gargalhou, então num minuto levei a minha mão na boca dele e ele se calou – Tá, vamos subir, você sim que vai acordar o prédio todo – sussurrei – Nesse tom tá bom pra você? – continuei sussurrando e fomos subindo devagar a escada até chegar na minha porta e eu pegar minhas chaves, me apoiando no trinco da porta – Bom, me trazendo em casa de novo, obrigada, não precisava, podia me deixar ter a oportunidade de sofrer um acidente com os meus amigos bêbados - deu um sorriso gostoso e eu também logo em seguida.
- Senti falta dos seus gritos – lembrei dos tempos que saía com ele e os meninos, e mesmo quando não conversávamos eu costumava dar alguns pitis, então quando olhava pra ele, sempre tava querendo rir – É sério, você tem que parar de gritar...
- Vai embora da minha casa, cara! – apontei pra escada, mandando ele descer e ele sorriu de novo.
- Tá, já to indo – ele se virou pra ir embora – Não quer vir amanhã com a gente na nossa tarde de fotos? Chama a - sim, ele tinha ficado próximo da minha amiga, tanto que já chamava pelo apelido e até saíam juntos algumas vezes, ele, ela, e uma tal de Trisha, irmã do , que minha amiga adotou como mais uma super amiga, quase ocupando meu espaço.
- Amanhã? – o único problema é que Andrew tinha resolvido ficar no meu pé, então resolvi dar uma chance a ele e de uns tempos pra cá estávamos saindo juntos. “Amanhã” era um desses dias em que sairia com ele – É que eu não posso... mas vou falar pra ela!
- Então qualquer dia desses – ele sorriu – Em outras sessões de fotos... McFly vai decolar – ele sorriu de novo e eu mais ainda.
- Só não fica tão pomposo!
- Você sabe que eu não sou – ele sorriu e foi se afastando dando um tchauzinho no ar de adeus.
- Ei!!!! – gritei rapidamente antes dele sair totalmente da minha vista – Obrigada por cantar aquela última música hoje, é a minha música!
- Eu sei, por isso eu cantei, é tudo código – ele piscou e eu sorri alto, parando de sorrir quando lembrei que havia gente dormindo.
- Código pra demonstrar que mereço uma música de tão especial que eu sou? – franzi o cenho.
- É, não dá pra brincar com você, seu ego é enorme, cara – ele balançou a cabeça em negação – quis colocar a música no repertório.
- Ele tem um ótimo gosto musical, fala que mandei um beijo!
- Seria muito gay eu falar isso – eu mandei um joinha no ar – Falo que você mandou um abraço.
- Pode ser – eu sorri cordialmente – E obrigada... de novo... – apenas concordou e dessa vez foi realmente embora.


Capítulo 7

Flashback on
- Então você quase o beijou? - se aproximava, me abraçando – Quando vocês se aproximaram?
- Você tá brincando, né? – eu revirei os olhos – Você sabe que a gente SÓ vivia aos trancos e barrancos...
- Nem sei por que isso começou... ou como... o motivo eu sei – ela sorriu e eu revirei os olhos de novo – Vocês são diferentes, .
Flashback off

- ? – Andrew me alertou para dar o braço para ele – Pensando no começo do semestre de novo? – ele chegou mais perto do meu ouvido e passou a mão na minha cabeça – Você vai bem... – sorriu e se afastou novamente, voltando a posição de entrada no salão. Estávamos num casamento de sua prima. Como padrinhos – Vamos entrar agora, tudo bem? – apenas sorri fraco.

Flashback on
- Se eu acho que ele gosta de você? – ela fez um “puf” – Vocês tão enrolando há alguns meses, você sabe que desde que se conheceram rolou alguma coisa.
- Você sonha alto – eu gargalhei e tentei fugir dela, que me seguiu.
- E você é idiota – ela me deu língua – Odeio você não ter razão e fugir de mim.
- , eu vou surtar com você no meu pé.
- Eu vou ficar no seu pé até você fazer alguma coisa certa – sorriu cinicamente.
Flashback off

- Essa cor fica péssima em você – Andrew sussurrou, sorriu e eu acordei do transe. Nesse momento já estávamos parados esperando a noiva entrar e ele nem tinha desgrudado do meu braço ainda – Mas você fica linda até mesmo com esse detalhe.
- Eu adoro verde... – sorri cordialmente.
- Eu não – eu o olhei de canto de olho – Não em você...
- Obrigada por levantar meu astral – sorri fraco e ele quase gargalhou.
- Relaxa, ninguém mais precisa te achar bonita além de mim – então me deu um selinho inesperado.

Flashback on

- Você acha que vai dar certo? – eu indaguei no meio da nossa sessão pipoca.
- O quê? – ela se virou rapidamente, colocando uma pipoca na boca e em seguida entendeu – Acho, - ela sorriu cordialmente.
- Não sei se quero isso – eu fiz uma cara triste – Me apaixonar por ele, ele e seus compromissos, a banda e tudo mais.
- Mas não dá pra querer a primeira coisa – eu franzi o cenho – Você já tem – ela sorriu – E não sei se dá pra desquerer...
Flashback off

- Ela tá linda... – olhei Beth entrar na igreja e ela realmente estava exuberante naquele vestido branco sem nenhum volume e cabelos soltos – Quero estar linda assim no meu.
- Vai ser comigo? – ele me olhou rapidamente e eu abri a boca tentando responder algo, mas não consegui, então agradeci quando ele se virou de volta e a música da entrada da noiva tocava mais alto.

Flashback on

- Acho que os meninos chegaram, tá ouvindo as buzinas? - me alertou e eu fui em direção ao meu quarto para pegar o celular e descermos. Tínhamos combinado de fazer alguma coisa porque estava de bem com por alguns dias e cá estávamos nós. Então descemos e logo que desci, avistei chamando com a mão pra que eu fosse em seu carro.
- Oi – ele disse, sorriu e meu coração disparou.
Flashback off

- Meu terno vai estar todo molhado se eu continuar com ele no corpo – Andrew sussurrou e eu sorri.
- Minhas pernas estão pedindo uma cadeira – sussurrei de volta e ele sorriu mais do que eu, até que o cerimonialista pediu para todos se sentarem - Minhas pernas agradecem – sussurrei novamente e ele sorriu – Eu não gosto de casamentos exatamente por isso...
- Você estava pensando no seu agora... – ele franziu o cenho e eu corei.
- Acho que temos que calar a boca...
- Definitivamente não!
- Quantos anos você tem?
- Quase 30 – e já nem estávamos sussurrando mais.
Flashback on

- O que fez hoje? - tentei puxar assunto, parecia que nosso quase beijo do dia anterior tinha sido impactante demais a ponto dele não conseguir falar nada.
- Só algumas besteiras - ele sorriu sem mostrar os dentes - E algumas coisas novas...
- Que coisas novas? - perguntei interessada e ele balançou a cabeça.
Flashback off

- Me diz que já tá quase acabando porque preciso de uma bebida – disse baixinho e novamente estávamos em pé, então ele se virou e me deu um beijo na bochecha – O que isso quer dizer?
- Por que tem que significar algo? – ele sorriu – Eu só gosto de você...
- Ótima resposta! – sorri – Obrigada!
Flashback on

- Vamos entrar em turnê - ele disse, me olhando e olhando o trânsito logo em seguida.
- Sério? Que irado! - eu sorri e apertei o seu braço empolgada.
- É fora do país... - ele me olhou novamente - São cinco meses... - então acho que consegui entender o motivo dele estar quieto.
Flashback off

- Acho que já está acabando, só mais uns cinco minutos – Andrew sussurrou e eu concordei.
- É um alívio – quase gritei com a sensação de felicidade por finalmente acabar o casamento e eu poder ir pegar uma bebida pra gelar a alma.
- Eu também acho – ele sorriu cordialmente.
Flashback on

- Erm... o que você quer que eu diga? – eu franzi o cenho – Boa viagem...?
- Eu queria te dizer isso... – e encarou o trânsito novamente.
Flashback off

- Agora pode ir atrás da sua bebida – finalmente a cerimônia tinha terminado e procurávamos uma mesa para nos acomodarmos.
- Você sabe do que eu gosto! – eu disse, rindo, e ele riu junto, soltando um “maluca”, então o bati e ele soltou um grunhido – Cuidado, mané!
- Vai pegar essa bebida logo... Mané!
Flashback on

- , eu não entendo… – continuei, franzindo o cenho.
- É, não queria ter demorado tanto então tive que apelar pra te pedir em casamento assim, vem comigo pra turnê – ele gargalhou e eu o dei uns leves tapas – Para, , vai machucar...
- Acho que não tenho mais nada pra dizer além de boa viagem e cuidado com o assédio das estrangeiras – ele conseguiu gargalhar de novo e eu logo depois.
Flashback off

- Ter você aqui é ótimo – Andrew não calava a boca – Acho que isso é finalmente nosso começo.
- Shhhhh! – eu já devia estar na quinta taça – PEGA MAIS DISSO AQUI!
- Chega, … já bebeu demais.
- Você é um velhoooo! – eu dei língua pra ele que sorriu e me abraçou.
- Fica quietinha, criança – ele sorriu e eu o olhei ternamente.
Flashback on

- Nenhuma estrangeira chega perto de você – ele sorriu – Vai estar aqui quando eu chegar? Com um cartaz de bem-vindo de volta.
- Pode ter certeza que não vou estar, cinco meses é uma vida, não vou mais nem lembrar de você! – eu disse, fazendo cara de superior e ele riu.
- Então acho que não vou te trazer presente – arregalei os olhos e ele sorriu mais ainda.
- Eu não quero – então ele parou no sinal fechado e chegou perto de mim – Me pergunto o que você quer comigo, - então ele sorriu de novo balançando a cabeça, sem mostrar os dentes e eu fiquei o encarando até dizer algo pra quebrar aquilo – Acho que você precisa de um óculos pra ver se consegue me ver melhor de longe, mané...
- Você vai ficar longe de mim alguns meses, sua agonia vai acabar – ele disse, sorrindo, e eu o esmurrei.
- Seu idiota – ele ficou sério e eu também – Você tá muito perto, será que, por favor... – ele chegou mais perto do que antes e me abraçou na cintura.
- Você é confusa – ele franziu o cenho – Mas eu até que me acostumo... – ele sorriu, me apertando um pouco.
- O que você tem? – eu franzi o cenho e o sinal finalmente abriu – Achei que já soubesse há tempos...
(n/a: coloquem essa música pra tocar)
Flashback off

- ? – olhei Andrew pelo canto do olho – É uma boa noite pra pedir pra dançar comigo?
- Acho que sim – Andrew me conduziu até a pista de dança e eu o abracei, tocava uma música lenta.
Flashback on

- Acho que vou sentir sua falta – o olhei, fazendo um semblante triste e ele esfregou a mão na minha perna, apertando-a. E eis uma eu triste.
- Claro que você vai – ele sorriu e eu balancei a cabeça. O sinal havia fechado de novo e então essa foi a hora dele me dar um beijo. Senti um beijo repentino e ao mesmo tempo esperado, esperava isso há algum tempo, não sei o motivo pelo qual não nos beijamos antes, ou na verdade sei. E o beijo dele era gostoso, leve, devagar, como que pra matar uma saudade que nem veio ainda e não porque queria algo a mais. Devagar, demorado e com selinhos quando paramos, esse foi o primeiro beijo que me deu e eu realmente não sabia se teria outro – E por isso te chamei pra vir no meu carro, puro interesse – ele riu ao desgrudarmos nossos lábios – Não sei como não te beijei antes.
- Sabe que eu também não sei... – eu fiz um olhar de dúvida e vimos o sinal abrir – Eu sou irresistível, mané!
Flashback off

- Vai querer uma outra música?
- Só continua essa... Por favor... – pedi e senti Andrew assentindo.
Flashback on

- Não, esse sou eu – ele sorriu e eu o dei uns tapas – Se continuar... LARGO VOCÊ.
- Ah nãoooo! – fiz bico e nos olhamos alguns instantes – , o que vai acontecer agora?
- Como assim?
- Você vai ficar longe e acabou de me dar um beijo. São coisas que não dá pra ignorar.
- Acho que não vai mudar – ele franziu o cenho – Não é como se tivéssemos alguma coisa de verdade.
- Então não temos nada de verdade?
- Por quê? - ele franziu o cenho.
- Por nada, , você me deu um beijo de despedida, não foi? Então acho que não importa.
- O que você quer que eu faça, ? – ele me olhou agoniado – Você sabe que não dá pra esperar nada.
- Você queria que eu viesse com você pra dizer que vai ficar longe e pra me beijar? Qual é... Você sabe o que temos – eu o olhei – Ou o que não temos... Você precisa ser direto no que quer, não dá pra anunciar sua ida e me beijar no mesmo dia.
- Nós dois sabemos que é assim, você sabe que eu não posso... o que você quer comigo agora? Eu vou ficar cinco meses longe, - ficamos em silêncio algum tempo.
- Eu entendi, - suspirei fundo – Mas então acho que não dá pra estar aqui do mesmo jeito quando voltar.
Flashback off

- Andrew... – disse baixinho enquanto a música ainda tocava – O que você quer comigo?
- Agora, assim? – ele me olhou – Você sabe que gosto de você...
- Acho que você deve arriscar suas chances...
- Por quê? – ele sorriu.
- Só um palpite... – então voltei a colocar o rosto em seu ombro.
Flashback on

- Vou sentir sua falta – ele me olhou e permaneceu fazendo isso até ver que eu não olharia de volta e então parou.
- Espero que o McFly decole – o olhei depois de algum tempo e depois encarei o retrovisor – E que fique rico – ele sorriu, balançando a cabeça, e eu acabei sorrindo também.
Flashback off

- Estamos tendo algo? – Andrew disse no meio da dança.
- Erm... Acho que sim...
Flashback on

- Acho que chegamos – os carros dos outros haviam parado e nós apenas estávamos seguindo-os, o que significava que tínhamos que parar também.
- Boa viagem pra você – falei antes dele abrir a porta do carro – Não vou querer saber se tá vivo e se virou camarão se passar numa praia.
- Não vou, senão ninguém vai me querer – ele sorriu – Você fazendo isso já basta.
- Você é um idiota... – ele sorriu um pouco mais e eu abri a porta do carro em seguida, vendo ele abrir a dele também, indo em sua frente - Você não vem? - olhei novamente pra trás e ele estava parado encostado no carro.
- Não vou ver esse fenômeno por algum tempo, preciso ter meus últimos minutos – ele gritou e eu franzi o cenho.
- Que fenômeno? – parei na entrada do lugar.
- Sua bunda! – ele gritou e eu abri a boca o maior que pude.
- Nojento! – ele gargalhou.
- Você sabe que é só uma desculpa – parei novamente, olhando para trás – Na verdade é pra ver você por mais alguns minutos – ele sorriu terno e eu também, balançando a cabeça em negação e entrando no local.
- Finalmente chegou! - pegou no meu braço de lado e seguimos adentrando o lugar que eu nunca havia visto antes.
- é uma tartaruga – sorri cordialmente e peguei meu celular, ligando para Andrew.
- Ele é – atendi o celular, respondendo o convite de casamento que ele tinha me feito, desligando após confirmar presença – Era Andrew? – confirmei – Dizem que levar alguém no casamento da família é um namoro oficial - sorriu e eu encarei o celular novamente, bloqueando a tela.
Flashback off


Capítulo 8

Faltavam algumas semanas para completar os cincos meses e os meninos virem para casa. Muita coisa mudou desde que eles foram: Andrew e eu estávamos namorando há três meses,
tinha voltado definitivamente a falar com porque eles tinham combinado de tentar alguma coisa quando ele voltasse - acredito que a saudade dele a fez pensar diferente - e as conversas com os garotos tinham ficado frequentes. Algumas vezes eu aparecia e ficava algum tempo conversando com eles na webcam e outras vezes ocupava todo o seu tempo falando com o novo talvez namorado ou sei lá o que eles decidam ser.
E claro, eu e : algumas vezes ele me olhava falar do fundo do cômodo que ficava com os garotos - e eu sempre optava por desviar o olhar - algumas vezes eu fazia escândalo e podia perceber o pequeno sorriso que ele dava quando isso acontecia. Além disso, não estávamos tendo mais uma relação próxima, não nos falávamos desde que ele foi pra turnê.
- Eu sei que você sente falta da gente, mas para de demonstrar dessa forma - sorriu e eu fiz cara de brava – Não esquenta, , só tô brincando – eu sorri terna e mandei um beijinho no ar – Ei, vou tomar uma água, os ensaios hoje pioraram um pouco a minha garganta – assenti e então ele me deixou com a webcam e nada no cômodo dele, até que passa despercebido pelo cômodo e se vira de costas pegando alguma coisa em sua mochila; Deus, como ele estava lindo! Mas não disse nada, apenas fiquei olhando como seu cabelo estava maior e os movimentos enquanto pegava algo da mochila; não durou muito tempo até ele se virar e perceber que eu estava na webcam. Sorriu como quase rindo da situação por eu estar sozinha e se virou, então não pude evitar sorrir também. Ele olhou mais algumas vezes rindo sempre um pouco mais enquanto arrumava algo na mochila.
- Você é um pouco mal educado – disse repentinamente e então ele se virou e veio até a webcam sentando na cadeira que estava parada em frente ao computador.
- Quer desligar? – perguntou mexendo no computador como se já estivesse pronto pra fechar a aba.
- Tô esperando o - ele assentiu.
- Quer que eu fique falando enquanto ele não volta? – assenti – Tá bom... então... o que você fez hoje?
- Só comi e... – ia falar de Andrew mas preferi omitir - E briguei com a porque ela fica arrumando tudo que tem em casa e parece uma maníaca – ele sorriu e eu também ao olhar ele sorrir – E o que você fez?
- Só uns ensaios – ele fez algo com a boca e eu assenti, então ficamos nos olhando algum tempo – Acho que já tá chegando, ... – eu sorri ao ouvir ele me chamar pelo apelido e ele nem percebeu o que tinha feito – Vou sair. Se cuida.
- Obrigada – eu sorri – A primeira coisa que me encantou em você sempre foi a gentileza – então ele se virou novamente e deu uma risada um pouco mais demorada dizendo um “tá bom” e fazendo um sinal com a cabeça, me deixando sozinha mais alguns segundos até chegar e se acomodar novamente na cadeira – Você é demorado.
- Desculpa – ele sorriu – Acho que tenho que desligar, , o próximo show começa em algumas horas e você sabe como são artistas – eu gargalhei e assenti – Até depois – ele me deu um tchau e desligou a nossa chamada de vídeo. Eu fiz o mesmo e me toquei de que Andrew chegaria pra gente assistir um filme em cerca de alguns minutos; me troquei rapidamente e o esperei com a comida toda feita colocada em cima da mesinha de centro; ele não demorou muito tempo até tocar a campainha e eu o atender com um beijo e um abraço.
- Desculpa a demora, eu fiquei preso no trânsito... – Andrew tirou o casaco e se jogou no sofá comendo a comida que tinha colocado há pouco tempo na mesinha e eu dei um tapa em sua mão.
- Espera – fiz cara de brava – Não é pra comer de uma vez...
- Desculpa, amor – ele fez cara de desculpa e eu dei um beijinho em sua bochecha pegando seu rosto com as mãos. Então me sentei e ele ligou a TV colocando o DVD pra funcionar; me sentei jogando meu corpo nele e ficamos assim até acabar o filme, o qual demorou.
Quando terminou, minha querida amiga chegou e por sorte Andrew ia embora, ela não teria tempo pra ficar de vela.
Dei um beijinho nele e o vi descer a escadaria devagar.
- Que homão! - soltou atrás de mim e eu ri.
- É meu! – a empurrei indo para a sala e me jogando no sofá – Falei com o hoje...
- Ah, não acredito que vocês voltaram a se falar... – ela revirou os olhos – Vocês são problema.
- Não, a gente só trocou palavras enquanto eu tava sozinha na webcam – ela se jogou no sofá ao lado do meu e me encarou – O que?
- Você não falaria que falou com ele só porque falou – disse como se fosse óbvio – Se você falou é porque foi importante pra você.
- Falar com ele? Claro que não, só quis compartilhar...
- Eu aposto que só de ver ele você já se sentiu diferente.
- Eu namoro o Andrew agora, não sinto mais nada pelo - ela sorriu, balançando a cabeça.
- Espero que um dia isso aconteça de verdade.
- Por que você acha que não?
- Porque você gostou dele desde o primeiro dia! E ele só tava parecendo mijado – gargalhei muito depois disso e ela também – É SÉEEERIO!!!
- Você tira as coisas do nada! – eu disse, ainda me recuperando da risada.
- Não, eu tiro as coisas de uma base – ela deu uma pausa – Que são os acontecimentos!
- Tá bom, eu cedo, sempre fui apaixonadinha por !
- Eu sei!

Flashback on
- Cantarolando sozinha? – eu cantarolava enquanto o resto ia na frente pagar a conta dos lanches que tínhamos comido, até me assustar.
- Quê? Não! – virei o rosto pra janela ao meu lado, virando pra ele logo em seguida – Quê?
- , você tava cantarolando! – ele sorriu e eu revirei os olhos.
- Vai se ferrar!
- Vai ficar brava porque eu disse que você cantarola?
- Nãoooo! Ahhh! Para de falar essa palavra?
- Cantarola, cantarola, cantarola – ele gargalhou chamando a atenção de todos.
- Cala a boca!!! – tapei a boca dele que me olhou com os olhos sorrindo (n/a: espero que entendam isso, é quando você sorri e seus olhos ficam menores, quase fechando) e depois tirei minha mão do local – Se falar de novo, vai ser pior!
- Nunca mais venho em algum lugar com você, você cantarola demais – e foi nessa hora que quase mijou nas calças quando o olhei.
- Eu juro que não vai ficar assim!
- Claro que não, você me ama!
- Ahhhh, você é insuportável! – saí da mesa em que estávamos, indo atrás dos outros, e quando olhei pra trás ele ria sozinho. Ri sozinha sem ele ver e voltei o olhar aos meus amigos.
Flashback off


Capítulo 9

Lá estava se arrumando para ir até o aeroporto receber o namorado - ou suposto namorado.
- Tem certeza que não vai encontrar eles? – ela me perguntou, terminando de ajeitar o cabelo.
- Tenho que dar uma super estudada nessa matéria, depois eu encontro eles... – fiz um barulhinho com a boca e voltei minha atenção ao livro.
- Acho que eles esperam a sua presença – ela se virou, pegando a chave do carro e indo em direção à porta.
- Fala que mandei um beijo e que nos encontramos depois – sorri e ela concordou, saindo pela porta do meu quarto até eu não poder vê-la mais.
Não sei se era a aflição de encarar o pela primeira vez depois de meses ou se era a falta dessa aflição que não me deixava ir até ao aeroporto encontrar os meninos. Portanto, preferia ficar revendo matérias.
Não tive muito sucesso nisso porque dormi no meio dos meus estudos e só fui acordar com o barulho de coisas caindo em outro cômodo. Fiquei com medo nesse exato momento e fui sorrateiramente até os cômodos da frente, onde encontrei e num intenso amasso. A cena foi desagradável para os meus queridos olhos e voltei quase correndo para o meu quarto. De agora em diante seria a hora de usar meinha na porta pra avisar que tem garoto na casa – e olha que achei que nunca chegaríamos a esse ponto.
Chequei meu celular para ver a hora e marcava 4 horas da manhã exatamente. Decidi dormir para acordar bem tarde no dia seguinte.
Mas também não tive muito sucesso com meu plano de acordar tarde porque precisava sair cedo e me acordou para procurar alguma coisa pra ele, não me lembro bem o que era porque meu sono não me deixava raciocinar. Só sei que entreguei a tal coisa pra ele e ele foi embora. O motivo de ele não acordar minha amiga? Estava com dó de acordá-la porque ela dormia “bonitinho”, segundo ele.
Não consegui voltar a dormir e fiquei assistindo TV, bebendo leite e tentando ligar para Andrew, que tinha viajado há algumas horas para a casa dos pais que moravam em outra cidade. Tive falha em todas as vezes que tentei, então decidi deixar o celular pra lá e me concentrar na TV até dar a hora de acordar e fazer nossa comida, o que não demorou muito.
- Ei, os meninos ainda não chegaram? - apareceu sonolenta na sala e com dificuldade para enxergar – Eles vão trazer almoço pra gente hoje e almoçar aqui...
- Vão? – arregalei os olhos na hora – Por que você não me avisou?
- Não deu tempo, desculpa... – ela sorriu e adentrou o banheiro.
Algum tempo se passou até a campainha tocar e eu me preparar psicologicamente pra ver . Então fui até a porta, dei uma parada de cinco segundos até colocar a mão no trinco e dei um abraço apertado em cada um dos meninos, chegando até... Ninguém. O último foi . Ele não estava lá, não foi.
- Vai nos dar talher ou vamos comer com as mãos? - perguntou irônico e eu dei língua e dedo do meio, indo pegar as coisas pra comermos.
- EI, NÃO COMAM SEM MIM! - chegou correndo até o cômodo que estávamos e dá um beijo em seu suposto namorado – Cadê o ?
- Ele disse que tava se sentindo mal e não veio - falou simplesmente. Então me toquei que o motivo dele não ter vindo talvez não fosse esse.
Comemos entre gargalhadas e caras feias da para sempre que ele comentava de alguma garota que viu durante a turnê ou que cantou ele.
Depois disso, os meninos disseram que queriam descansar e que precisavam muito ir para casa porque não tinham tido descanso durante o tempo que ficaram fora; eles se despediram da gente e foram embora todos no mesmo carro.
Com o período de provas, precisava rever matéria e dar uma fixada maior no conteúdo. Fui para o meu quarto e sentei na minha mesinha, a qual estava cheia de livros empilhados, cadernos, marcadores em todo canto, e meu computador. Olhei para aquela bagunça e foi ali mesmo que fiquei o resto do dia, até me chamar.
- Ei, tá tarde, amanhã temos que ir fazer compra cedinho porque as coisas tão no fim – ela sorriu – Vai dormir pra não acordar de mau humor – era muito bom o jeito que ela cuidava de mim, sabia que mesmo que fossemos a diferentes lugares e ficássemos longe um bom tempo, teríamos sempre uma a outra.
- Tá bom, tô indo deitar – então ela fechou a porta e eu me arrumei pra ir dormir, o que durou pouco tempo porque cedinho tínhamos que ir ao mercado. E como sempre, teve que me acordar.
- Bom dia, dorminhoca, vamos? – ela puxou meu cobertor e eu murmurei alguma coisa que nem eu mesma entendi, mas levantei logo em seguida – Não queria que soubesse, mas não vou conseguir esconder isso de você – a olhei rapidamente - veio aqui hoje de madrugada, estava bêbado, me confundiu com você quando eu abri a porta e me abraçou falando que sentiu saudades e que me amava – fiquei em choque algum tempo.
- Mas por que não pode ter sido pra você?
- Porque ele falou seu nome...
- E o que você fez?
- Nada, eu o levei na casa dele depois que ele capotou – ela sorriu como se tivesse lembrado da cena – Ele tava muito mal, - ela olhou as paredes ao redor – Acho que vocês devem se manter afastados...
- É, , também acho… - então ela disse que me esperava lá fora e me arrumei pensando no que ela tinha me falado, eu com certeza não podia manter contato com ele agora.
E acho que ele pensou o mesmo porque não o vi durante um mês inteiro, ou seja, não o via desde o dia que falei com ele antes dele ir pra turnê. Mas isso durou até um show dos meninos que fui com . A gente ficou no camarim no começo e no final do show e não tinha como evitar , se não fosse pela nossa falta de esforço em falar um com o outro.
Fiquei um pouco nervosa por estar no mesmo ambiente que ele, mas me aliviei com a sua saída rápida do camarim e fiquei conversando com os meninos até Andrew ligar e eu ir para os fundos atender.
- Sim, amor, o show já acabou – falava enquanto andava para mais distante do camarim – Pode deixar, amanhã tô aí bem cedo pra gente assistir ao filme – fui andando sem parar até ver de costas e mãos em suas costas. Andei mais e pude ver ele se virando contra o carro e ela o prensando nele. Não sabia quem era a garota, mas fiquei estatizada ali até Andrew me chamar a atenção no telefone – Ei, tenho que desligar, tá um tumulto aqui e não consigo falar com você, até amanhã – não esperei ele responder e desliguei o celular ainda paralisada ali. Não sei o que se passou na minha cabeça, mas queria que me visse. E funcionou porque em algum momento ele abriu os olhos e me viu parada os olhando. Mas não ligou muito para o acontecido porque continuou o que estava fazendo.
Decidi entrar no camarim novamente e rapidamente me dirigi até ele rezando para que continuasse pegando a garota e não conseguisse me alcançar, mas falhei.
- Ei – então olhei pra trás e o vi andando tranquilamente – Sobre o que você acabou de ver, não fala nada, tá bom?
- Fica tranquilo – olhei pra trás novamente – Não vou falar... – então ele sorriu como se estivesse agradecendo – Quem é ela?
- Conheci há pouco tempo, estamos saindo escondido – ele disse, andando ao meu lado agora, então eu balancei a cabeça entendendo o que ele disse e ficamos assim até chegar na porta do camarim – Obrigado, ...
- Imagina, não precisa agradecer – eu sorri sem jeito – E parabéns pelo show, tava ótimo! – ele sorriu, mostrando os dentes e eu me lembrei como tinha sentido saudades dele durante esse tempo, mesmo estando com Andrew – Vou entrar... – apontei para a porta do camarim e ele assentiu, então eu sorri sem mostrar os dentes e entrei na frente, com ele um pouco atrás de mim.
- Ih, vocês dois voltando juntos lá de fora? - nos olhou, sorrindo maliciosamente.
- Ah, corta essa, cara! - deu um tapa na cabeça do amigo.
- Fala sério, o que você tava fazendo lá então? - se meteu na conversa e sorriu malicioso junto com o amigo.
- Tão estrategistas que saíram um atrás do outro - continuou. Apenas e permaneciam calados porque sabiam que aquilo era constrangedor.
- Ah, vocês sabem o que a gente tava fazendo – abracei de lado e o olhei firmemente para ele entrar no jogo. Se não confirmássemos as especulações deles, eles poderiam descobrir sobre a menina do . Então ele entendeu e continuou a disfarçar até os meninos pararem de zoar.
- Valeu! – ele disse, sussurrando no meu ouvido e eu sorri, saindo do abraço dele.


Capítulo 10

, o trem é daqui alguns minutos, vamos logo! — Andrew me apressava enquanto eu comprava alguns petiscos para comer na viagem.
— Você sabe que eu odeio que me apressem! — gritei com ele enquanto esperava na fila para pagar os petiscos e ele se dirigiu até mim, pegando na minha mão e sussurrando um “desculpa, só quero fazer seu dia ser legal” — Eu sei que você quer, e vai ser! Só não precisa ficar agoniado, não vamos perder o trem, tá bom? — sorri e ele concordou.
— Mesmo que eu perca a paciência às vezes, queria ter esse seu jeito — ele sorriu e eu franzi o cenho — Um jeito controlado de lidar com tudo.
— Ah, você chega ao meu nível um dia — mandei beijinho no ar e paguei o que tinha comprado — Vamos? — ele concordou e fomos para a estação Waterloo pegar o trem. Andrew sabia que eu sempre quis visitar um castelo e então decidiu me presentear com essa visita no dia do meu aniversário, mas antecipadamente, já que não sabia se estaria comigo no dia.
Ficamos algum tempo esperando o trem chegar absolutamente quietos já que eu abrira o pacotinho de doces e já estava comendo alguns, me mantinha de boca fechada.
— É esse — Andrew me olhou e eu assenti, guardando o pacotinho que estava na minha mão e indo em direção ao enorme e incrível trem que havia parado ali. Entramos e nos acomodamos, indo a viagem toda calados, já que eu continuava me ocupando com meus petiscos e Andrew acabou comendo também.
Chegamos em Windsor na estação Windsor & Eton Riverside. Como já tínhamos procurado o percurso para chegar ao castelo, andamos em direção ao lado direito, que nos levaria até lá. Eram 5 minutos de caminhada até o castelo por uma rua íngreme.
— Podíamos ter vindo de carro — Andrew falou um pouco ofegante — Não aguento mais andar.
— O que? — eu gargalhei enquanto acabava de comer o resto do chocolate — Você é um sedentário, quase nem andamos!
— SHHH!!! — Andrew tapou minha boca e eu mordi sua mão — Isso dói!
— É a intenção — joguei um olhar superior, piscando em seguida.
— Se eu soubesse que você me trataria assim, tinha cancelado essa viagem — falou enquanto acariciava sua mão.
— Que bom que você nem tentou, Cooper! — o olhei fazendo cara de brava e ele sorriu.
Andamos mais um pouco até chegar ao castelo de Windsor. Já tinha algumas pessoas por lá e eu andei um pouco mais rápido para chegar logo.
— Vem, Andrew! — gritei para ele que andou mais depressa, conseguindo me acompanhar. E ao chegarmos no castelo, compramos o ticket que precisávamos para entrar — Nem acredito que finalmente estou aqui! — ele sorriu para mim e eu o abracei de lado. Entramos no local e nos juntamos ao tour que estava começando, já que era o primeiro horário de visitação. Seguimos o tour durante o tempo todo enquanto o guia nos apresentava as instalações do castelo.
— E essa é a capela St. George, considerada arquitetura rara do século XVI! Aqui se encontra sepultados Henrique VIII e sua terceira esposa, Jane Seymour — eu prestava atenção em cada palavra que o guia dizia e admirava cada uma delas também. Andrew apenas olhava ao redor e balançava a cabeça em concordância a cada término de frase do guia — E aqui temos a casa de bonecas em miniatura que foi presenteada à rainha Mary — continuamos o tour, que durou aproximadamente duas horas, e saímos do castelo.
— Ei, obrigada por isso, foi incrível! — eu o olhei com os olhos arregalados de felicidade e ele sorriu — Agora podemos aproveitar e ir dar um passeio na beira do Tâmisa, até o próximo trem chegar.
— É, acho que podemos — ele pegou na minha mão e me seguiu, já que eu já sabia o caminho porque tinha procurado tudo antes de irmos.
Fomos para o Tâmisa e ficamos admirando a paisagem incrível que havia ali, com casas ao redor do rio e com muitos cisnes. Além disso, haviam pessoas com barquinhos dentro do rio e em um deles um menininho, que parecia ter pouco mais de um ano, puxando a blusa da mulher que estava com ele para ela ver os cisnes que estavam ali. Eu ri com a cena e Andrew me olhou, franzinho o cenho, então apontei para o menininho e ele observou junto comigo, rindo um pouco também.
— Acho que precisamos ir, você lembra o horário do trem? — Andrew me alertou e eu em seguida olhei a hora no relógio, me lembrando que o próximo trem era em cerca de alguns minutos.
— Lembro — eu o olhei — Precisamos mesmo ir... — então seguimos para a estação de trem, que não demorou muito para chegar. Fomos comprar as passagens e a fila estava um pouco grande, o que fez com que eu tentasse olhar um pouco a frente, para ver se havia muita gente na nossa frente. E não havia tanta gente assim; depois olhei para trás,rapidamente, vendo até onde a fila ia, e no momento em que olhei pude jurar que vi Nathan. Mas quando olhei pra trás de novo, não estava mais lá; talvez meus olhos tivessem me enganado. E eu até poderia ir atrás dele mas decidi acreditar que meus olhos apenas me enganaram e ignorei o que achei que tinha visto.
— O que foi? — Andrew me cutucou — Você me parece assustada.
-Assustada com a quantidade de pessoas que pegam trem pra Londres — eu sorri — Achei que tivesse menos gente...
— Até que não tá lotado — ele disse e eu concordei, até que finalmente chegou a nossa vez de comprar as passagens; compramos e fomos esperar sentados em um banco, Andrew dizia estar cansado por andar tanto e eu o zoava por ser tão mole — Quando chegarmos a Londres, a gente vê quem tá mais cansado. — então eu gargalhei e ele me deu um soquinho no ombro.
Não demorou muito para o trem chegar e embarcarmos novamente para a linda Londres; o caminho é muito bonito, cheio de área verde e com a vista do castelo visível do lado que sentamos.
— Acho que vou ter que ir de maca pra casa, porque tô quebrado — eu gargalhei, sendo acordada dos meus pensamentos, a vista de Nathan realmente tinha me deixado pensativa — Que bom que te faço sorrir.
— Que bom que me faz sorrir — sorri ternamente pra ele e encostei minha cabeça em seu peito — Valeu.
Permaneci deitada no peito dele até chegarmos na cidade novamente, e ao chegarmos pegamos um táxi até meu apartamento. Desci primeiro e ele logo atrás de mim. Fomos até a porta do prédio, quando ele me parou repentinamente.
— O que foi? — eu franzi o cenho e ele me puxou pra perto dele, pegando na minha cintura.
— Eu amo você — Andrew soltou essa frase como se tivesse sido planejada e me apertou um pouco mais, sorrindo em seguida. Eu fiquei sem expressão por algum tempo e ele franziu o cenho, como se me desse a deixa pra eu falar de volta, mas continuei sem falar nada. Até que ele soltou minha cintura e se afastou um pouco, olhando cada pessoa que passava naquela calçada.
— Não podemos ficar parados numa calçada por muito tempo — eu sorri sem jeito, não sabia o que dizer ou o que fazer, qualquer coisa que eu fizesse poderia me levar a um rumo que eu não gostaria.
— Vou pra casa, o taxista ainda tá aqui, não preciso esperar um — ele colocou as mãos nos bolsos de sua jaqueta e se virou.
— Andrew, espera — eu dei um soco no ar e ele se virou para mim — Não vai entrar? A gente pode conversar... sobre... — esperei um pouco até completar a frase, nem eu mesma sabia sobre o que tínhamos que conversar.
— Sobre você não sentir o mesmo por mim? — ele franziu o cenho — Não é algo pra conversar porque já entendemos o que está acontecendo.
— Eu sinto o mesmo — ele quis gargalhar, debochando do que eu disse, mas se segurou — Desculpa...
— Tchau, — ele sorriu de boca fechada e eu continuei parada na calçada por alguns segundos, sentindo minhas lágrimas escorrerem, até decidir subir a escadaria que me levava ao meu apartamento; subi deixando as lágrimas escorrerem e me perguntava mentalmente o porquê de eu estar chorando. Não deveria estar triste se eu mesma não disse que o amava, não é? Não, não é, eu estava. Droga, por que eu estava?
? — disse assustado ao sair do meu apartamento. Péssima hora para vê-lo. Então limpei as lágrimas rapidamente e ele ficou me olhando, parecia não saber o que fazer.
— Vou entrar, tá tudo bem — eu sorri.
— Acho melhor não, tá todo mundo aí — então parei em sua frente e assenti — Não quer ir comprar salgadinho comigo? Acabou e eles me pediram pra ir.
— Tá — disse simplesmente e descemos até o carro dele; ligou o som para evitar que o silêncio invadisse o carro e começou a tocar uma música que nunca tinha ouvido antes.
(coloquem essa música pra tocar https://www.youtube.com/watch?v=_ElORM9O-0U)
Então começou a cantar.
— She's blood flesh and bone, no tucks or silicone (ela é de carne e osso, sem enfeites ou silicones) she's touch, smell, sight, taste, and sound but somehow I can't believe that anything should happen (ela é toque, cheiro, vista, gosto e som, mas de alguma maneira eu não consigo acreditar que algo possa acontecer) I know where I belong and nothin's going to happen (eu sei o meu lugar e nada vai acontecer) — dava algumas batidas com os dedos no volante enquanto cantava — Cause she's so high, high above me, she's so lovely (porque ela está tão acima, tão acima de mim, ela é tão amável) she's so high like Cleopatra, Joan of Arc, or Aphrodite (ela está tão acima como Cleopatra, Joana D´arc ou Afrodite) — aí ele já estava quase berrando a música e dando mais batidas no volante, então eu o olhei e sorri de boca fechada, era um sorriso meigo ao olhá-lo cantar, e já nem estava chorando mais. Mas ele não me olhou em momento algum ou perguntou alguma coisa, apenas olhou a estrada até chegar no mercadinho que tinha pouco próximo ao apartamento e desceu do carro comigo logo atrás dele, sem falar absolutamente nada; entramos no mercadinho e o ajudei a pegar os salgadinhos que levaríamos para o apartamento, pagamos o que tínhamos comprado e voltamos para o carro.
— Obrigada por não perguntar nada — eu o olhei e ele me olhou pelo retrovisor, sorrindo.
Fizemos o mesmo caminho de volta ao apartamento e ele estacionou no mesmo lugar de antes.
— Melhor você entrar depois de mim — disse ao descermos do carro e eu concordei, vendo-o subir na minha frente.
Esperei alguns minutos para subir e ao abrir a porta do apartamento encontrei os meninos da banda, Lorelai, Trisha e ,entre as pernas de , a garota que o tinha beijado no estacionamento há uns dois meses atrás. O olhei e ele me olhou rapidamente, voltando a conversar com a garota.
— OLHA QUEM CHEGOU! — esse era — Achei que você nunca mais participaria de um momento como esse!
— Desculpa ser sua estrela ausente — a estrela era em referência ao que ele havia me chamado uma vez que ficou bêbado em um dos shows que eles haviam feito depois de voltar — Prometo que não vou ser mais! — sorri e me sentei ao lado dele no sofá.
— Ai, script>document.write(Emm), ajuda, a gente não consegue escolher nada pra assistir porque esses idiotas não deixam! — e essa era Trisha, a que tentava roubar meu lugar no coração de e acabou roubando meu coração após termos uma noite das meninas num pub e eu cuidar dela bêbada (e na fossa).
— Eles sempre fazem isso... — balancei a cabeça em negação.
— A gente deixa vocês assistirem, como uma trégua — disse e as meninas o mataram com o olhar, escolhendo um filme de suspense para todos assistirem.
Eu não conseguia ficar ali por muito tempo, e a garota de alguma forma me deixavam desconfortáveis e eu realmente precisava pensar em Andrew.
Me levantei disfarçadamente e fui para o banheiro, com vindo logo atrás de mim.
— Ei, você tá bem com e Ellen aqui?
— Claro que sim, sem problemas, , afinal eu estou com Andrew, não estou? — não quis contar meus problemas pra ela e muito menos dizer meu incômodo pelo tal casal — Fica tranqüila... Só me diz, desde quando?
— Desde quando eles vêm aqui? — eu assenti — Ah, essa é a terceira vez, sempre que você sai com Andrew a gente organiza essas coisas com eles, achei que você não se sentisse a vontade e ia esperar um pouco mais pra falar com você.
— Obrigada por isso — eu sorri cordialmente — Mas eu to bem com isso...
— Se você diz, fico feliz por vocês... — ela sorriu — Vamos voltar pra lá? — eu assenti. Pelo visto, meu plano de não ficar com eles, não funcionaria.


Capítulo 11

“PARABÉNS PRA VOCÊ, NESSA DATA QUERIDA...” era o que eu ouvia de todos os presentes ali.
Meu dia tinha sido um completo caos, eu estava de TPM, o dia na faculdade foi péssimo porque meu professor resolveu não me passar e Andrew havia sumido totalmente, até mesmo da faculdade.
Para completar, uma festa de aniversário surpresa, o que eu não precisava no momento: FESTA.
Eu com certeza não conseguiria escapar dessa festa e, além disso, não faria desfeita com a , que certamente planejou tudo.
Fiquei estatizada na entrada do apartamento, sorrindo pra todos, quase chorando. Para eles o choro seria de emoção, isso era ótimo porque eu podia chorar e ninguém ia achar que era por outra coisa. Mas me contive o suficiente e não chorei.
— Parabéns, meu amor! — me abraçou assim que o parabéns acabou, recebendo um abraço forte meu — Espero que você ainda não odeie surpresas! — então eu balancei a cabeça de um lado pro outro e sorri; em seguida fui abraçada pelos meninos e por Lorelai, Trisha e alguns amigos da faculdade que estavam lá, inclusive Luke e a namorada.
— Feliz aniversário — chegou devagar perto de mim e abriu os braços, curvando o pescoço como se fosse um convite pra eu abraçá-lo. Não recusei e dei um abraço nele. Gostaria que tivesse durado mais.
— Obrigada por vir — eu sorri pra ele e me afastei — A Ellen também veio?
— Ela tinha um jantar em família — ele fez careta — Mas desejou felicidades...
— Fala que eu agradeci — sorri e ele concordou — Acho que vou pegar algo pra beber — ele concordou e eu me afastei, indo pegar algo pra beber.
Não soube controlar a bebida e acabei ficando bêbada, fato que estava acontecendo constantemente comigo. Mas o motivo dessa vez era válido, com tantas coisas acontecendo eu resolvi descontar na bebida e beber como se o mundo fosse acabar no dia seguinte; meu porre resultou em muitas coisas, inclusive no meu pega com um amigo da Trisha que nunca tinha visto na minha vida. E como se não bastasse, Andrew viu tudo acontecer. E eu o vi acontecer na minha frente, com um presente na mão, enquanto Mark tirava sua camisa e ficava sobre mim, na cama; o empurrei ligeiramente ao ver Andrew ali e ele balançou a cabeça negativamente, em reprovação; tentei ir até ele o mais rápido que pude mas a bebida não me ajudava porque eu mal conseguia ficar em pé, então comecei a gritar o nome dele, até chegar na sala, onde todos estavam, e chamar a atenção de , e que conversavam em uma rodinha composta apenas por eles; se dirigiram até mim rapidamente e me pararam ali mesmo.
— Meu Deus, , você não vai beber nunca mais! — ela tirou meu cabelo do rosto, o arrumando — O que aconteceu?
— Andrew.., Preciso encontrar ele... Eu juro que não queria, e-eu... — comecei a chorar e colocou minha cabeça em seu ombro — Achei que ele nem estaria aqui na cidade hoje. Como ele sabia da festa? — então disse que o ligou pedindo para ele fazer uma surpresa; ela não sabia do último acontecimento ainda.
— Vai ficar melhor se eu for atrás dele? — perguntou e eu assenti, então ele saiu correndo rápido.
— Você precisa se acalmar — tentava me fazer parar de chorar — Que tal se você comer um pouco? , pode deixar ela no quarto dela, eu vou pegar algumas coisas pra ela comer e já vou — segurou no meu braço e me levou até o quarto, me sentando na cama.
— Sou uma péssima pessoa — ele sorriu e balançou a cabeça, se levantando e olhando meu quadro de fotos de relance — Ele foi embora e a culpa é minha...
— Você quer que eu te deixe sozinha? — ele me olhou rapidamente e eu assenti. Eu só precisava pensar no que fiz e dormir — Quer que eu avise a que você quer ficar sozinha? — assenti novamente e ele concordou, vindo em minha direção com o celular que ele acabara de pegar na mesinha ao seu lado. Era o meu — Pra caso você quiser ligar pra ele ou se precisar de alguma coisa — então ele me entregou o objeto e eu assenti.
— o olhei e sorri ternamente, limpando um pouco as lágrimas que paravam de escorrer. Eu queria ter dito que ele estava incrivelmente lindo e queria beijá-lo, num impulso, mas simplesmente sorri e o agradeci mentalmente. Então ele me deu uma última olhada e saiu do quarto, me deixando sozinha.
Só me lembro de ter capotado e acordar muito tarde no outro dia, sozinha em casa com um recado da na minha mesinha:
“Fui trabalhar, mas caso precisar de mim, só me ligar. Se cuida, amo você. Xx”
Sorri ternamente ao ler o bilhete e preparei algo para comer, pegando juntamente com a comida, água.
Não estava em condições de falar com Andrew no momento e não adiantaria muita coisa fazer isso porque ele não voltaria atrás, assim como eu assumiria meu erro e não correria atrás tentando pedir pra voltarmos, era uma coisa indesculpável.
Mas tentaria falar com ele depois e pedir desculpas pelo que fiz. Eu gostava tanto dele que não seria capaz de o deixar magoado como se nada mais importasse além de mim.
Decidi tirar o dia inteiramente para os meus programas favoritos de TV e não fui para a faculdade.
chegou em casa um pouco mais tarde que o normal, o que foi ótimo porque assim pude assistir meus programas por mais tempo.
— Pode ficar assistindo hoje — ela se sentou ao meu lado tirando os sapatos — Até te faço companhia — ela sorriu e eu agradeci. Passamos o resto do dia ali, até adormecermos e acordarmos com meu despertador tocando 1979 do SmashingPumpkins.
— Droga, eu odeio meu despertador! — falei esmurrando o celular e me levantando.
— Por que seu despertador desperta em pleno sábado? — disse sonolenta me fazendo ficar triste na mesma hora.
— É meu aniversário de namoro com Andrew — eu disse tristonha, começando a preparar algo para comermos.
— Erm.., desculpa, veio em minha direção e me abraçou por trás — Você vai falar com ele depois?
— Vou — falei me lembrando que ainda tinha que falar com ele — Só vou esperar isso que eu to sentindo passar.
— E o que você tá sentindo?
— Culpa e tristeza — disse me afastando de — Droga, eu gostava tanto dele, ! Como eu sou idiota, sempre ferro com tudo que tenho.
— Tudo não, , você só tá falando isso porque tá nervosa — ela se sentou e eu também, em seguida.
— Ferro sim, , olha quantos términos e decepções amorosas já tive, ninguém é assim.
— Isso é ferrar com tudo? — ela fez um “puf” — , pessoas passam, acontece, e daí se não deu certo? É o curso natural da vida, vai valer a pena quando der certo, eu prometo.
— Agora euzinha que não quero tentar fazer nada — disse me levantando e me lembrando da comida no fogo.
— Você vai mudar de ideia — ela sorriu.


Capítulo 12

— Podemos conversar? — Andrew estavabebendo água quando o abordei; olhou para o lado e riu da minha cara.
— Não — em seguida, uma pausa –Não podemos conversar — se virou para o lado oposto e seguiu no corredor. Mas eu não desistiria tão fácil, tinha que pedir desculpas.
— Pode não querer falar nada, mas eu quero falar com você — continuei seguindo-o, sempre atrás dele.
— O que quer falar, ? Como você sente muito pelo que aconteceu e que não queria que isso tivesse acontecido e que não queria ter me magoado? — ele parou rapidamente de andar e se virou para mim, pegando firme nos meus braços — Você tem ideia de como eu te amo, ? E de como eu tentei ser aquilo que você procurava? — largou meu braço — Mas sabe por que não deu? Porque você nunca tentou, ! Você nunca gostou de mim como eu gosto de você e por isso nunca tentou fazer dar certo de verdade! — Andrew deu uma pausa, fazendo algo com a boca, como que para não chorar — Eu preferia que não se desculpasse por uma coisa que não é sua culpa, porque só me afunda você se desculpar por não me amar. Ou tem outro motivo pra se desculpar? — eu já estava com o choro entalado na garganta, o que resultou em apenas um balançar de cabeça em negação. Em seguida, ele foi embora e eu fiquei parada onde estava, até me sentar e começar a chorar encostada na parede. Por que eu tinha que perdê-lo de forma tão errada? Eu não sabia porquê deixei isso acontecer, não sabia como tinha perdido alguém tão idealizado por mim.
— Ei, parceira — Luke se sentou ao meu lado, dando um beijo em Nelly e a deixando ir — Não sei o que falar pra você — ele me olhou e sorriu sem graça. E eu sorri de volta ao encontrar ternura em seu olhar; então ele me abraçou de lado e deu um forte aperto no meu braço, me fazendo parar de chorar, até mesmo porque em alguns minutos aquele corredor estaria lotado com o horário de saída de algumas turmas.
— Não podemos ficar aqui, daqui a pouco o pessoal tá saindo... — limpei o que tinha restado de lágrimas no meu rosto e me levantei, fazendo Luke se levantar comigo.
— Quer almoçar comigo e uns amigos hoje? — eu assenti.
— Só me deixa avisar a e a gente vai...
— Você fala com ela no caminho — ele me puxou e eu o segui, indo até o seu carro e entrando nele — Ei, , quer me contar o que aconteceu? — ele me olhou, dando partida no carro, enquanto eu tentava ligar pra — Se não quiser, tudo bem, só to perguntando porque mulheres têm uma coisa chamada desabafar.
— Homens não têm? — franzi o cenho e ele riu — É sério! Homens não têm?
— Acho que pra mulheres esses desabafos são em situações tristes... E homens...
— Ah, não continua isso! — ele riu e eu também, em seguida — Vamos esquecer seu estúpido comentário sobre desabafos e eu posso fazer meu desabafo — ele concordou e sorriu — Você sabe o que aconteceu na festa, então vou pular essa parte — ele assentiu — Eu queria pedir desculpas, eu me sinto mal pelo que aconteceu, apesar de que nós estávamos terminados... — ele franziu o cenho — Longa história... Mas aí eu fui falar com ele e ele não me deixou falar nada e me encheu de uma porrada de palavras que me fizeram sentir um lixo! — dei uma pausa — Eu só me senti assim uma vez... — dei outra pausa, me lembrando de Nathan — Quando fui embora e deixei o Nathan... Acho que já te falei dele alguma vez — ele concordou — É, só me senti assim uma vez e nunca mais teve um flashback. Eu não me importava muito de terminar meus namoros,eu simplesmente colocava na minha cabeça que não poderia ficar me torturando por alguma coisa que eu não tinha culpa — suspirei fundo — Mas eu to sentindo isso pela segunda vez, e é uma merda! Eu não posso ficar me torturando porque um namoro não deu certo, e sejamos sinceros, eu nem acredito que tenho alguma culpa nisso... Eu nunca me entreguei à nossa relação como ele, mas eu sempre fui sincera com isso, sempre! Só que as palavras dele... elas fizeram eu me sentir um lixo! — dei uma longa pausa, esperando Luke falar alguma coisa.
— Então não se culpa por isso, ... Sua consciência vai te guiar melhor que qualquer outra coisa — ele sorriu, estacionando o carro em frente a uma lanchonete pouco conhecida na cidade — Chegamos, vamos entrar? — concordei e então seguimos em frente, atravessando a rua e empurrando a porta da lanchonete. Luke seguiu na minha frente e eu não acreditava no que tinha ali, ou quem tinha ali: e Ellen. Karma? Coincidência? A lanchonete era POUCO CONHECIDA na cidade, COMO SERIA POSSÍVEL ELES ESTAREM LÁ? Mas eu tinha dito que não me incomodava, teria que demonstrar isso e teria que infiltrar isso no meu cérebro pra ele absorver e me dar um feedback de que não se importa; tomei a sensata atitude de cumprimentá-los, afinal, eles estavam juntos há um tempinho e eu já estava acostumada. Não podia sentir incômodo repentinamente só porque estava frustrada com a minha vida amorosa; me dirigi até a mesa em que estavam, indo devagar, já que eu observava o jeito de . Ele estava absolutamente impecável, jogado na cadeira com o braços cruzados e conversando com Ellen. Mas eu não podia continuar me aproximando tão devagar e me apressei para chegar logo onde eles estavam, parando em frente à mesa.
— Ei — sorri pra , que se ajeitou devagar na cadeira.
— Oi, ! — Ellen sorriu e se levantou, me dando um abraço; por cima de seus ombros olhei pra , fazendo um sinal com os olhos, um sinal que dizia um “oi”, e rapidamente ele me deu um sorriso sem mostrar os dentes — O que faz aqui? QUASE NINGUÉM CONHECE ESSE LUGAR! — acabei falando a última frase junto com ela — Eu sempre vim aqui com a minha turma de faculdade, então resolvi trazer o porque eu disse que a comida desse lugar valia tão a pena quanto a vista da London Eye! E porque aqui as chances de fãs e paparazzis o seguirem, são menores...
— Eu amo comer aqui! — sorri — Agora ele vai saber como é existir de verdade — Ellen concordou e sorriu — Bom, vou voltar pra minha mesa — apontei pra Luke e um de seus amigos que tinham chegado e sentado junto com ele — Até... qualquer dia...
— Como assim? Amanhã tem show do McFly, vocês não vão? — por “vocês”, ela se referia a e eu.
— Não vou poder ir, mas acho que nos vemos logo, vocês tão sempre por aí... — sorri. Na verdade era justamente por eles que não ia, era uma tortura vê-los no camarim, minha queda por sempre falava mais alto.
— Tudo bem! Até depois, então — ela sorriu e eu assenti, olhando pra , em seguida, e dando um tchau de cabeça. Ele não fez nada além de me olhar e “compreender” o tchau; segui para a mesa em que Luke estava e falei com seu amigo.
Pedimos os pratos que comeríamos depois de todos os amigos de Luke chegarem, e comemos o mais devagar que pudemos, já que as piadas internas e gracinhas não deixaram ninguém comer direito.
Eu disse que pagaria a conta de todo mundo, então peguei o dinheiro dos presentes e me dirigi ao balcão; senti algo por trás de mim e me virei, era . E Ellen não estava presente, provalmente tinha ido ao banheiro.
— Oi — ele disse enquanto ficava atrás de mim, olhando para os lados — Por que não anda mais comigo?
— Andar com você? — eu sorri e me virei de costas novamente — Você tem uma namorada pra andar com você...
ainda anda comigo — ele deu uma pausa — E você não.
— Não seja carente, foi na minha festa surpresa esses dias... — eu o olhei, dando um pedala, e ele abriu um sorriso, balançando a cabeça — O que foi?
— Aquela festa em que você ficou chorando — ele sorriu mais, continuando a balançar a cabeça, e então me virei para frente, ao chegar minha vez de pagar a conta.
— Sua vez — fiz um sinal após pagar a conta, indicando que era sua vez.
— Vai no show amanhã — disse, me olhando e dando um breve sorriso.
— Tchau, … — eu sorri demoradamente, balançando a cabeça em negação e avistando Ellen se aproximar.
~~~

Luke conseguiu me deixar em casa cedo. Tão cedo que quando eu cheguei ainda nem tinha chegado.
Aproveitei para assistir algo que eu gostasse, como uma forma de distração. Depois fui fazer algo para comer, porque a TV tinha me dado tédio.
Ao pegar os ingredientes no armário, vi o convite do show do McFly no balcão, provavelmente tinha esquecido ali. O olhei alguns segundos e sorri, me lembrando da conversa com . Talvez até seria bom ir e por algum tempo não lembrar de que tinha terminado um namoro recentemente.
Estava decidido, eu iria. Não me importava Ellen lá, ou qualquer outra coisa, até me preocupar com Ellen me tiraria as preocupações com Andrew.
Algum tempo depois de eu ter decidido ir ao show, chega em casa, berrando.
— EU FINALMENTE CONSEGUI FÉRIAS! — ela tirou os sapatos e os jogou pro alto. Tirou também, anéis, colares, me puxou pra dançar com ela enquanto cantarolava alto e eu só consegui rir do que acontecia ali — Eu nem acredito que o meu patrão me deu férias, eu tenho certeza que aquela mulher que estava com ele semana passada é a nova namorada dele! Só ela pra fazer esse milagre acontecer! — eu sorri e ela me abraçou em seguida — Desculpa, meu neném, nem perguntei como você está... — a abracei de volta — Falou com Andrew?
— Não me deixa lembrar de que falei com ele, tá bom? — ela assentiu e pediu desculpas, entendia que se havia algo que eu não queria contar, era porque era realmente péssimo falar daquilo — Acho que vou no show com você amanhã.
— SÉRIO? — assenti — EU NEM ACREDITO QUE VAMOS TER A TURMA UNIDA DE NOVO!
— Faz tanto tempo assim?
— Sim... — ela fez uma expressão triste.
— Sou uma péssima amiga, não sou? — ela assentiu fazendo um bico e eu gargalhei.



Capítulo 13

Bubble wrap tocava acompanhada das vozes da multidão que cantavam a música junto com a banda. Cause this is the last time (Essa é a última vez) I give up this heart of mine (Eu desisto desse meu coração) I'm telling you that I'm (Estou te dizendo que eu sou) A broken man who's finally realized (Um homem quebrado que finalmente percebeu) You're standing in moonlight (Você está em pé sob o luar) But you're black on the inside (Mas você é escura por dentro) Who do you think you are to cry? (Você acha que deveria chorar?) This is goodbye (Isso é adeus) Estávamos eu e lado a lado assistindo ao show, ela agindo como uma fangirl e eu acompanhando com a voz as músicas que conseguia cantar inteiramente – mesmo depois de tanto tempo não consegui aprender direito as músicas, tinha uma certa dificuldade em decorar coisas -, quando de repente me deparei com algumas lágrimas correndo pelo meu rosto ao ouvir o refrão de Bubblewrap pela segunda vez. Rapidamente tentei limpá-las sem que percebesse, — mesmo que talvez ela realmente não percebesse. A tentativa de limpar as lágrimas falhou duas vezes quando percebi olhando pra mim com um ponto de interrogação no olhar; ele olhava a multidão, em seguida voltava o olhar pra mim e franzia o cenho. Turn on the radio, honey (Ligue o rádio, querida) 'Cause every single sad song you'll be able to relate (Porque cada música triste, você conseguirá se relacionar) This one I dedicate (Essa aqui eu dedico) Don't get all emotional, baby (Não fique toda emocionada, baby) You can never talk to me, you're unable to communicate (Você nunca pode conversar comigo, você é incapaz de se comunicar) E ele então ergueu as sobrancelhas. Como se essa parte da música viesse pra mim. Eu o olhei firmemente alguns segundos e depois olhei para o chão, nesse momento minhas lágrimas haviam secado totalmente. — Eu vi o que aconteceu, — falou alto no meu ouvido, então a olhei franzindo o cenho — te olhou a música toda – balancei a cabeça em negação e ela sorriu ironicamente — , eu tenho percepção do que acontece ao meu redor quando não estou com e pude ver claramente ele te olhando, assim como pude ver você chorando – a abracei de lado e sussurrei um desculpa – Não se desculpa por besteira, idiota... – ela sorriu ternamente – Você e ... Vocês parecem vínculo de cordão umbilical! – ela disse a última frase gritando e eu tapei sua boca em seguida, a olhando com vergonha. O show durou mais alguns minutos, e ao terminar, esperamos os meninos no camarim, como sempre fizemos. agarrou seu namorado assim que eles entraram e, ao sair do camarim, indicou com o polegar . Eu a olhei sem fazer nada e em seguida sentei na poltrona que havia ao meu lado, os meninos estavam arrumando alguns instrumentos e eu apenas os observava. Alguns segundos depois percebi alguns olhares de para mim e logo depois ele saiu do camarim com , deixando eu e a sós. É, aquilo tinha sido propositalmente — por que eles iriam querer empurrar o amigo compromissado pra mim? estava de costas arrumando algumas coisas e eu o observava, até que decidi me levantar e ir andando até ele, chegando em sua frente e sentando. Ele me olhou, apenas vendo quem é que estava ali e em seguida continuou a guardar as coisas. — Então... – eu enrolei as palavras porque não sabia muito bem como começar nosso papo — Por que sua namorada não está aqui? — Eu não sei. – ele simplesmente respondeu – Ela só me ligou de última hora e disse que não vinha mais – fez alguma coisa com a boca, me olhando rapidamente e voltando a arrumar as coisas. Então assenti e ficamos em silêncio alguns segundos, até eu resolver voltar pro meu antigo lugar e começar a olhar o celular de segundo em segundo pra ver as horas passarem mais rápido até voltar e irmos pra casa. parecia ter acabado de arrumar as coisas e se virou, me vendo olhando o celular duas vezes e dando um pequeno sorriso. — O quê? – eu arregalei os olhos – Por que você sempre ri da minha cara? – ele deu mais um sorrisinho, balançando a cabeça – Tá bom, mané, quem ri por último ri melhor! – ele gargalhou ao ouvir a última frase e quando percebi, eu estava rindo também. — Isso não funciona com você. – ele me disse após parar de gargalhar. — É porque você vive rindo de mim, aí nem dá tempo de eu tentar rir de você... – ele balançou a cabeça e eu também. Então ficamos alguns minutos em silêncio — Ele tinha dito que não me deixaria ali sozinha até chegar-, às vezes ele me perguntava as horas e eu respondia e às vezes dava um sorrisinho pra mim, que fazia careta, até ele rir mais. — Vamos embora? – disse depois de uns 15 minutos que estávamos ali sem falar nada, apenas rindo e perguntando a hora. — , pode ir embora se quiser, eu tô bem aqui. — , não vai voltar aqui tão cedo... – ele disse como se fosse óbvio. – Eu já te deixei na sua casa antes. — Não vai ser um desvio de caminho muito grande pra você? – ele riu do que eu disse como um “puf” e balançou a cabeça novamente – Mané! Vamos logos antes que eu pegue a chave do seu carro e vá sozinha! – então ele passou por mim e me deu um pequeno beliscão na cintura – IDIOTA! – o dei um chute no traseiro e quando ele se virou para olhar pra mim fiz cara de dó e sorri, o que funcionou porque ele só continuou andando até entrarmos no carro. Fomos boa parte do caminho apenas ouvindo a rádio do som do carro, estava bem atento no volante. Algumas vezes olhava pra mim e outras vezes eu o olhava, mas nossos olhares não se encontraram em momento algum. — Quer perguntar alguma coisa? – eu o olhei, perguntando repentinamente. Em seguida ele me olhou e olhou de volta pro trânsito. — O que aconteceu hoje no show? – perguntou alguns segundos depois de ter ficado em silêncio – Eu te olhei e você... tava chorando... – me olhou rapidamente ao falar e depois voltou o olhar ao caminho. Ficamos em silêncio até ele falar comigo novamente – Não é a primeira vez que eu vejo isso... É só que... Me incomoda... – não respondi sua pergunta e ele não fez outras, o que contribuiu pro resto do nosso caminho em silêncio e eu encolhida no banco do carro, olhando pra janela. Não queria me explicar pra ele, explicar tudo o que havia acontecido ou mesmo falar algo curto. Eu só não queria falar daquilo. Ele pareceu se fechar mais depois disso e alguns minutos depois eu me vi na porta de casa. Esperei um pouco pra descer, achando que ele fosse falar algo, mas ele não disse nada. — Obrigada... – eu o olhei rapidamente – Pela carona... – ele concordou e eu desci do carro, indo em direção à entrada do prédio. — Você foi! – ele gritou quando eu já estava quase sumindo da sua linha de visão e eu me virei, sorrindo, me lembrando do que ele estava se referindo, e fazendo uma reverência, vendo ele sorrir de volta, dessa vez era um longo e lindo sorriso. Entrei pra dentro do apartamento querendo ficar olhando aquele sorriso que por um breve momento me fez esquecer de tudo que estava acontecendo e que eu havia chorado até no show dos meninos. — Oi, linda. — estava no sofá da sala e me viu entrar com o meu largo sorriso. Era como se ela estivesse me esperando chegar. — Você tá aqui? – eu disse indignada. – Como você veio pra casa sem me avisar? — Vocês dois tinham que conversar e, cá entre nós, se a gente não tivesse provocado isso, não teria acontecido... — Não conversamos nada, não temos nada pra conversar, não... – estava com uma terrível cara de brava e fui direto para o meu quarto, querendo ficar sozinha. Mas a tentativa foi falha. — Amiga, vocês têm alguma coisa... – se sentou ao meu lado. – É uma coisinha que sempre esteve presente... E ele namora, você namorava há pouco tempo... Você acha mesmo que devem continuar assim? — Você está vendo coisa onde não tem, – me cobri inteiramente, até a cabeça. – para de criar problema em algo totalmente dentro da normalidade humana! — Eu concordo que flerte e paixão estejam dentro da normalidade humana... — , não é flerte, nem paixão! – gritei estressada, com a voz um pouco abafada, devido ao cobertor. — Não é não? – ela tirou meu cobertor vagarosamente do rosto e me olhou firmemente, me fazendo desviar o olhar e me cobrir de volta até a cabeça. Flashback on — Vai no show amanhã... — disse, me olhando e dando um breve sorriso. — Tchau, … — eu sorri demoradamente, balançando a cabeça em negação e avistando Ellen se aproximar. Flashback off


Capítulo 14

— NUNCA NAMORE UM FAMOSO! — abriu a porta, bufando, com algumas revistas na mão. — OLHA COMO EU SAÍ NESSAS FOTOS! — ela sentou-se ao meu lado, abrindo uma das revistas, apontando sua imagem ao lado de em uma das páginas, e pegou outra, em seguida. — Mas... — ela olhou apaixonada para a imagem que exibia os dois de mãos dadas e cheirando o cabelo dela. — Nada vai superar essa. — abraçou a revista em seguida, dando um sorrisinho, me fazendo sorrir junto. — Mas não vou perdoar a feiura nas outras fotos! — fez cara de brava novamente e jogou as revistas em cima da mesinha de centro. — Amanhã vou estar outra pessoa naquela sessão de fotos, , eles vão ver a verdadeira musa que capturou ! — eu sorri ao ver a felicidade que ela exibia em seu olhar e em suas palavras e em suas atitudes e em tudo que ela fazia. Eles eram um casal apaixonado.
— Achei que só os meninos fossem fotografar... — franzi o cenho.
— Eles vão. — ela deu uma pausa, observando o que passava na TV e se encostando-se ao sofá. — Mas a equipe da revista perguntou para o se eu não poderia posar pra algumas fotos e dar uma entrevista, junto com ele, contando nossa história de amor.
— Minha amiga agora é uma estrela! — dei um tapa em sua perna e ela sorriu.
~~~~

— Amiga, é só esperar um tempinho no carro e depois eu te levo. — se sentou ao meu lado e começou a falar como se estivesse explicando algo para uma criança. — É melhor do que você ir sozinha. — ia para a sessão de fotos e insistiu em me dar carona para a estação de trem, onde eu pegaria um trem para Brighton, minha cidade natal.
— Mas vai demorar lá, ...
— Seu trem sai mais tarde, o tempo que ficarmos lá vai ser o tempo que você ficaria dentro de transporte coletivo. — ela me olhou, erguendo uma sobrancelha. — Além do mais, mesmo que não queira descer, caso queira, vai ser divertido ficar lá com eles...
— Tá bom, eu vou. — ela sorriu e me abraçou. — Obrigada pela carona, antecipadamente!
e eu nos trocamos, terminei de arrumar minha mala, chequei mais de uma vez se estava tudo certo e saímos do apartamento, indo para o carro de .
O caminho até o local que teria a sessão se fotos foi muito admirado por mim. Estava voltando pra casa pra uma visita depois de muito tempo fazê-la e Londres em todo esse tempo foi tão aconchegante que admirá-la era um resultado inevitável causado por todo o amor que desenvolvi em morar nela.
Minha transição de adolescente para adulta, adquirir uma nova e tão melhor amiga, virar amiga de uma banda, fazer um curso que amo e que sempre foi o meu sonho, tudo isso aconteceu em Londres e foram as melhores coisas que me aconteceram.
Claro que deixar meus pais foi um acontecimento ruim, se possível eu traria eles comigo, mas o crescimento que tive ao me mudar é incomparável e até consegue suprir a falta que sinto deles.
— Não vai mesmo querer descer? — acordou-me dos meus pensamentos.
— Não, pode ir, vou ficar bem aqui... — eu sorri. — Ellen deve estar lá, está lá...
— Você vai ficar trancada num carro por causa deles? — ela ergueu uma sobrancelha. — Vamos comigo!
— Não sei por qual motivo, mas não me sinto confortável com eles...
— Eu sei por qual motivo... — ela revirou os olhos. — , você nunca foi assim, vai ficar assim por causa do ? Ou por causa do Andrew? Ou por causa de qualquer outro? Não vale a pena... — suspirei e ela me abraçou de lado. — Você é diferente do que se tornou quando terminou com Andrew, se não procurar caminhos para esquecer de vez o que aconteceu, não vai esquecer. Você sabe disso.
— O que eu faria sem você? — sorri e me devolveu um sorriso terno. — Eu vou! — abri a porta do carro e dei a volta até o outro lado, chegando na calçada e vendo sorrir pra mim.
Subimos os degraus até chegarmos na sala onde aconteceria as fotos e já encontramos os meninos tirando algumas fotos com Ellen os observando.
e eu nos juntamos com Ellen e sentamos onde ela estava, observando os meninos também.
— Oi, gente! — Ellen disse animada e abraçou nós duas. Em seguida olhou para e sorriu, recebendo uma piscada dele de volta. — , acho que daqui a pouco é sua vez, eles tiraram bastante fotos!
— Não vejo a hora! — sorriu e olhou , que fazia careta, apertando a gravata de . — Você também vai fotografar?
— Ah não. Tô só acompanhando eles mesmo. — ela deu uma pausa, observando-os. — Ou melhor, acompanhando . — ela sorriu e assentiu. — , vai fotografar?
— Não, só peguei carona com a mesmo... — eu sorri.
— Pra onde você tá indo?
— Pra estação de trem.
— Vai viajar?! — eu assenti. — Qual o destino?
— Brighton.
— Brighton?! Os meninos tão indo pra lá também. — eu franzi o cenho. — Eles vão tocar no Brighton Festival!
— Vão? — que não prestava atenção na conversa, agora pareceu prestar. — nem me falou nada...
— Eles souberam de última hora, vão substituir um dos artistas que não vai poder ir. — ela explicou e assentiu.
Continuamos olhar os meninos tirarem fotos e sorríamos cada vez mais com as brincadeiras que eles faziam ao posar para a câmera.
— Garotos, vamos dar uma pausa agora e colocar o segundo traje de roupa! — um dos fotógrafos deu o aviso e os meninos vieram em nossa direção.
! — sorriu, me abraçando forte. — Não sabia que você viria...
— Sinto te desapontar, não vim pra sessão de fotos, só peguei uma carona com . — falei enquanto ia abraçando , e dando apenas um sorriso pra , que estava abraçado de lado com Ellen.
— Ela vai pra Brighton também! — Ellen disse para os meninos que me olharam felizes.
— Minha família é de lá... — expliquei. — Não sabia que vocês iam tocar lá esse final de semana.
— Por que não pega uma carona com a gente? — disse -Assim não precisa gastar com trem.
— É uma ótima ideia. — disse, me olhando sorrindo. — Assim, eu posso ir também e nós ficamos juntas! — continuou sorrindo. — Ellen, vai também?
— Vou sim. — ela sorriu. — Podemos ficar nós três passeando lá enquanto eles curtem a fama.
— Gente, eu não sei, eu tinha avisado meus pais que ia chegar lá hoje antes de anoitecer. — disse, olhando pra , ela sabia que era verdade. Se não soubesse, ia ver como mais uma desculpa pra não ficar com Ellen e , o que talvez também fosse um dos motivos de eu não querer ir com eles.
— Ah, , é só avisar… — disse e o resto do pessoal assentiu. — Aproveita e guarda o dinheiro da passagem pra gastar lá. — eu realmente precisava de dinheiro pra gastar no festival e meus pais não ligariam tanto de eu chegar depois do combinado. A única coisa que me deixava aflita era Ellen e , mas me lembrei do que tinha dito e resolvi que isso não me afetaria.
— Tá, eu vou. — que estava do meu lado me abraçou, bagunçando meu cabelo e acompanhando o coro do auê da galera, até mesmo de .
— Saímos mais tarde, de ônibus. — avisou.
— Tudo bem, minha mala já está no carro de ...
— Droga, preciso fazer a minha. — disse desesperada. — Quando vamos ser liberados daqui?
— Fica tranquila, , ninguém arrumou nada. — falou calmamente e assentiu.
— Então acho que tenho tempo pra arrumar as coisas tranquilamente. — disse.
— Não tão tranquilamente, você sabe como demora pra arrumar coisas. — disse e deu língua pro garoto, que sorriu. — Precisamos ir trocar a roupa, vocês ficam aqui? — todas assentimos e os garotos se dirigiram pra fora da sala em que estávamos.
— Ah, esse festival vai ser demais! — exclamou extremamente animada e eu e Ellen sorrimos, nos olhando.
— Vai sim! – Ellen concordou e permanecemos ali.
Os meninos voltaram alguns poucos minutos depois e continuaram a sessão de fotos, até ser chamada pra ser arrumada e tirar umas fotos com seu namorado, dando uma entrevista como bônus.
Enquanto tiravam as fotos, todos os olhavam falando “own” ou zoando quando a pose era muito gay. Mas logo parávamos quando nos olhava brava, inclusive pra Ellen, que caiu na brincadeira também.
, não quer vir comigo dar uma ajuda pra arrumar mala? — disse quando a sessão acabou. — Por favor?
— Assim não vale, , a gente tinha que ter feito algo justo pra ganhar a ajuda da falou obstinado.
— Nem vem, , tem eu como preferência! — deu um breve beliscão em .
— Vocês não têm o direito de me usar como escrava, vejam bem. — dei tapas em cada um deles e sorriu.
— Acho que temos que ir logo. — alertou — Senão vamos nos atrasar.
, vai voltar com o ? — perguntou pro amigo enquanto saíamos do estúdio. — Posso te deixar em casa, é mais perto da minha que da de .
— Valeu, cara! — fez um toque com o amigo. — Só vim com o porque ele tinha que pegar Ellen...
— Não veio não, cara. — falou, caindo na conversa por acaso. — Você veio comigo porque prefere eu ao . — piscou pro rapaz e eu apenas observava a cena, quase gargalhando. — tá rindo porque sabe que é verdade. — me olhou e eu o olhei, segurando o riso.
me disse que faz melhor. — levantei as mãos pro alto em rendição e me olhou, sorrindo, me fazendo sorrir também. O resto apenas observava nossa conversa pateta e sorria.
Descemos juntos até cada um ir pro seu carro, se separando.
Ajudei a arrumar suas malas. — sim, SUAS malas, ela levava DUAS malas pra ficar apenas uma noite! Tudo bem que eram pequenas mas ainda assim eram DUAS MALAS. — liguei para os meus pais avisando e em seguida fomos de carro até a produtora, o ônibus sairia de lá e deixaria o veículo guardado no local.
Chegamos lá e adicionamos as nossas coisas junto com as dos meninos, que estavam guardando os instrumentos e ajeitando as coisas.
Entramos no ônibus, Ellen sentou com , com e eu com . preferia ter espaço de dois bancos.
— Posso dormir no seu ombro, né?. — perguntou, me olhando com uma carinha extremamente linda. — Ele é macio.
— Tá... Eu deixo, . — sorri terna e ele deitou no meu ombro.
Com alguns minutos de viagem, já estavam todos dormindo, menos eu que teimava em não conseguir dormir. A ansiedade e a alegria de ir pra Brighton me deixava extremamente elétrica e consequentemente, sem sono.
Olhei para a janela, mas não conseguia ver nada, tava tudo escuro. Então quando olhei pro outro lado, a pouca luz que havia no ônibus me deixou ver que também estava acordado.
Alguns segundos depois nossos olhares se encontraram.
— Também não consegue dormir?
— Não... — fiz careta e em seguida ajeitei no meu ombro. — Você também não consegue? — ele fez careta também e eu assenti. — Vocês tiveram um dia cansativo, melhor dormir. Eu posso chegar à casa dos meus pais e capotar. — ele concordou.
— Valeu. — ele sorriu e eu assenti, o vendo fechar os olhos, tentando dormir, então olhei novamente pro outro lado, encarando o escuro.
~~~~

Chegamos a Brighton depois de uma hora e meia de viagem e quando eu acordei. — sim, consegui dormir algum tempo. — já estávamos passando pelo Brighton Pier, meu Deus, eu realmente acordei, aquele lugar era símbolo da minha adolescência!
Olhei cada canto da cidade até me lembrar de falar pro motorista se ele podia virar em uma das ruazinhas que adentravam Brighton e ficavam em frente à orla, era a minha rua.
Ele concordou e virou na rua em que eu pedi. Meu coração acelerava por estar cada vez mais perto de casa.
, vai ficar aqui?. — perguntou assim que acordou do seu sono profundo e me viu me preparando pra descer.
— Sim, aquela casa azulzinha ali é onde eu moro. — sorri extremamente feliz pra ele e ele sorriu de volta ao ver minha felicidade. — Encontro vocês mais tarde.
— Você sabe onde é?
— Eu morei aqui a minha vida toda, conheço como a palma da minha mão! — disse claramente e ele assentiu, rindo.
— Amiga, vou ficar com você, tudo bem? — disse, assim que eu me preparava pra descer. — Os meninos vão ficar ocupados o tempo todo, é melhor eu ir pra lá só na hora do show, com você. — eu concordei. — Ellen, quer ficar também?
— Pode ser, , seria bem melhor… — concordou e descemos as três juntas, dando um tchau geral e parando em frente a minha casa.
— Sua casa parece de filme. — Ellen disse, me seguindo e eu a olhei, sorrindo.
— Parece, não é? — respondi. — Eu sempre gostei de morar aqui por esse motivo também.
Segui adentrando a casa e abri a porta que, por sorte, tava aberta. Encontrei a casa exatamente como tinha deixado quando tinha vindo da última vez e gritei pela minha mãe, que apareceu muito rapidamente, encontrando-me sorridente.
— A saudade é tanta! — minha mãe disse, me apertando (digo, esmagando) e eu sorri mais ainda. — Deixa eu ver como está você! — ela cortou o abraço e deu uma olhada completa em mim, que sorri. — Parece bem, você está bem?
— Estou bem, Molly... — é, eu tinha o costume de chamar minha mãe por Molly e não por mãe. — E eu trouxe a Ellen e a pra ficarem aqui até a hora do Festival, depois te explico . — minha mãe as olhou e sorriu.
— Não se preocupe, dormiremos em um hotel. — Ellen falou e sorriu.
— Imagina que vocês vão pagar hotel! tem espaço no quarto e temos colchões pra vocês duas! — Molly falou e as meninas sorriram. — Você que é a ?
— Ah, não... Eu sou a Ellen.
— Então você é a . — Molly olhou para que assentiu, sorrindo. — Como é conviver com a ?
— Ela é extremamente organizada e uma ótima pessoa, acho que não teria pessoa melhor pra dividir apartamento comigo. — me elogiou ironicamente. — Sou totalmente o contrário!
— Ah, sempre foi assim, eu às vezes costumava me irritar com esse jeito dela. — Molly com certeza não entendeu a ironia. — Mas vão guardar essa bagagem, guia vocês! Depois desçam pra comer, como sabia que ela viria, preparei uma mesa cheia pra ela comer, vocês vão adorar! — Molly nos viu subindo as escadas e sorrimos pra ela.
— Como senti saudades da sua comida! — eu falei, a olhando ternamente e levei as meninas para o meu antigo quarto comigo.
— Então era aqui seu antigo habitat? — perguntou. — Bem organizado. Obra da sua mãe, né?
— É, chata. — dei língua pra ela e Ellen sorriu com a cena. — Ellen, se quiser tomar um banho, pode ir, o banheiro é a segunda porta à esquerda.
— Por que pra mim você não oferece banho? Aqui eu sou visita, querida! — reclamou, arrumando suas malas em um cantinho e eu sorri pra ela.
— Ellen é visita mór. — eu disse e mandei um beijinho pra .
— Seu humor tá ótimo. Obrigada, Brighton! — respondeu e eu sorri mais, concordando.
— O humor dela sempre tá ótimo. — Ellen se envolveu na conversa, nos olhando. — Não tá?
— Erm... É que depois que ela terminou com Andrew... Você sabe... Fossa. — respondeu rapidamente e eu a agradeci mentalmente.
— Entendo. — Ellen respondeu. — Bom, vou tomar banho logo que quero provar a comida da sua mãe, onde encontro toalhas?
— Nessa segunda gaveta. — eu apontei a gaveta do móvel que havia perto dela e ela assentiu, pegando a toalha e seguindo para o banheiro.
— Ufa! — disse. — Ainda bem que fui rápida.
, esse é o motivo real!
— Mas tem os motivos do dia a dia que realmente te deixam de mau humor... — eu revirei os olhos.
Ellen demorou bastante no banho e quando ela saiu, eu e fomos uma após a outra tomar o nosso para podermos descer pra comer.
— Vocês vão se apaixonar pela comida de casa e nunca mais vão querer ir embora. — disse e Molly sorriu. — Não é?
— Filha, não me faça vergonha... — Molly sorria envergonhada e eu sorri também.
— Senhora Molly, não é uma vergonha, não! Eu adoro comer. — disse e Molly a olhou ternamente.
Servimos as várias comidas que havia na mesa, de doce até salgado, e comemos muito quietas, apreciando com cuidado o sabor que sentíamos.
— Molly, mais tarde vamos ao Brighton Festival. — eu disse e Molly franziu o cenho. — O festival que está tendo aqui, aquele que eu sempre ia quando era adolescente... — ela assentiu. — Lembra da banda que tinha falado pra você? Eles vão tocar lá...
— Ah, então você realmente conhece uma banda famosa! — ela abriu a boca. — É a do rapaz que você disse que estava apaixonada? — quase engasguei junto com ao ouvir Molly dizer a última frase. Nos entreolhamos poucos segundos até eu responder, pensando em uma desculpa.
— É, mãe, o . — o primeiro nome que veio na minha cabeça. — Tive que contar pra ela, . — olhei pra a fazendo concordar e quando me lembrei de que Ellen também estava na mesa e a olhei, ela estava assustada.
Continuamos a comer, chegou a hora da sobremesa e comemos até não agüentar mais. Depois que terminamos ajudamos Molly a limpar as coisas.
— Ei, Ellen. — falei baixinho. — Será que pode não comentar nada sobre ? Você sabe como são essas apaixonites... Além do mais, acho que até já passou.
— Fica tranqüila, , não vou contar nada. — ela sorriu e eu concordei.
Ajudamos minha mãe e depois as meninas subiram e deixaram só eu e ela na sala, conversando.
— Por que meu pai não tá aqui? — meu pai sempre estava em casa quando eu ia visitá-los mas dessa vez ainda não tinha aparecido.
— Seu pai chega daqui a pouco, ele teve que fazer uma viagem curta por causa do trabalho. — assenti. — Contei pra Ana que você viria. — Ana era a mãe de Nathan, a qual sempre manteve um forte carinho por mim. — Ela ficou feliz, disse pra você tentar vê-lo...
— Ah, eu e Nathan não nos falamos há muito tempo, ficamos mal resolvidos. — eu fiz careta. — Acho que não rola...
— Filha, não custa tentar fazer uma visita. — ela sorriu e eu a olhei terna, concordando. Não que fosse fazer a visita, mas preferi mudar o assunto rapidamente e não deixá-la insatisfeita.
Continuamos conversando por muito tempo até as meninas descerem e perguntarem se já não seria melhor irmos nos arrumando pra não nos atrasarmos. Concordei e fomos nos arrumar.
Coloquei uma música alta no celular e deixei a música preencher o ambiente. Não pude evitar acompanhá-la com a minha voz e comecei a cantar.
— My heart is full and my door's always open, you can come anytime you want. — cantei quase berrando e as meninas sorriram, começando a se arrumar antes de mim, pelo motivo de eu estar cantando.
Nos arrumamos em duas horas e quando descemos a escada de casa, meu pai estava chegando; corri para abraçá-lo como se eu fosse uma menininha e ele me levantou do chão.
— Filha, que bom que chegou! — ele falou tendo sua voz abafada, devido a estar com o rosto em mim. Meu pai era incrível, eu sempre o admirei e sua barba branca, que ele nunca cortava, além do bigode, que ele também não tirava desde que eu nasci. — Mas vejo que já vai sair...
— Vou para o Brighton Festival, pai. — nos largamos e o olhei terna. — Mas vou ficar aqui até domingo, ficaremos juntos até lá!. — sorri e ele sorriu terno.
— Você quer que eu leve vocês lá? — perguntou meu pai.
— Eu adoraria, senhor ! — disse e corou, em seguida.
— Eu adoraria, pai! — eu sorri e ele concordou.
— Então vamos! — ele seguiu para o carro com nós logo atrás dele.
Entramos no carro e ele nos deixou no local onde aconteceria o festival. Meu pai e eu conversamos muito no caminho e as meninas apenas admiravam a cidade.
— Chegamos! — eu disse quando o carro parou. — Obrigada pela carona, pai, não se preocupe que conseguimos voltar de carona!
— Se precisar, me ligue! — eu concordei e ele foi embora.
— Vou ligar pro pra gente ficar com os garotos. — disse e eu e Ellen assentimos. — Enquanto isso, vamos andando... — fomos para dentro do local, que estava lindo e colorido, cheio de luzes, e já compramos algo para beber e esquentar, já que estava um pouco frio na cidade.
— Conseguiu falar com ? — perguntei para , que concordou.
— Ele disse que podemos entrar por trás do palco, os seguranças já estão avisados. — fomos para trás do palco rapidamente, afinal lá estaria mais quente, e encontramos os garotos já se preparando pra entrar no palco.
— Faça um bom show. — Ellen disse pra e sorriu, depositando um beijo em sua bochecha, vendo-o sorrir terno.
Os meninos subiram ao palco e ficamos vendo-os tocar. como sempre vibrava e cantava todas as músicas com eles e Ellen e eu apenas ficávamos olhando e arriscando algumas letras. Ellen parecia olhar de um jeito diferente para os meninos e minha percepção se confirmou quando ela me puxou para longe de .
, eu vou embora hoje... — Ellen disse com um olhar um pouco triste.
— Eu sei, vocês vão, só eu vou ficar. — eu disse, estranhando o que ela falava.
— Não, , eu disse hoje. — ela balançou a cabeça. — Eu vou embora da Inglaterra…
— Quê?! Por quê? — perguntei franzinho o cenho.
— Eu terminei a faculdade e recebi uma proposta de emprego incrível na embaixada. — ela deu uma pausa. — nos Estados Unidos...
— QUE... bom... — me embaracei pelo fato de não saber se era bom ou não.
— Sim, é ótimo! — ela sorriu. — Só que eu e , eu nunca pretendi ir adiante com isso porque desde o começo sempre soube que ele sentia algo por alguém. — ela olhou para os lados, rindo. — Eu resolvi tentar pra ver se ele esquecia essa pessoa e se arriscava comigo mas isso não aconteceu, e de qualquer forma, eu sempre tive um objetivo, que vai ser alcançado agora. Infelizmente não podemos continuar namorando, não vale a pena, não compensa, entende?
— Poxa, Ellen, é complicado, não sei o que falar... — dei uma pausa. — Mas por que tá me contando? Você contou pra ele?
— Porque eu espero que esteja lá por ele. — ela sorriu. — Hoje eu descobri que é você a pessoa que ele sente algo. — ela colocou a mão na minha perna. — Quando eu contar, depois do show, tenho certeza que ele vai ficar triste e quero que vocês encontrem o caminho de vocês.
— O quê? — eu olhava as paredes, olhava ela, me levantei, sorri ironicamente, estava agoniada. — Ellen... Olha, eu não sei o que você tá falando... Eu adoro ele, claro que ele vai ficar triste e eu vou apoiar mas esse jeito que você diz... — então ela se levantou e me deu um abraço.
— Era só isso que eu precisava falar, . Se cuida, vou sentir saudades, você é uma ótima pessoa! E diz que deixei um beijo pra quando todos forem embora, caso eu não consiga me despedir... — ela me soltou e sorriu, voltando a ficar do lado de .
Quando o show acabou, eu sabia o que aconteceria e fui pra casa com , enquanto os meninos iriam ficar num hotel. Ellen e saíram sozinhos em um táxi e eu sabia que tinha que esperar ela em casa depois que tudo acontecesse para ela pegar sua mala.
Quando eu e chegamos em casa, contei tudo para ela sobre Ellen e ela ficou extremamente boquiaberta com o que ouviu, então ficamos acordadas até Ellen chegar, o que demorou algum tempo.
Quando eu e vimos luzes de carro pela janela da sala e um barulho de motor, já abrimos a porta e vimos Ellen saindo do táxi, com dentro dele. Ele parecia estar num misto de raiva e dor quando o olhei e ele mais do que rapidamente desviou o olhar, olhando para o lado oposto ao da minha casa.
— Só vim pegar minhas coisas... — Ellen parecia ter chorado e eu a olhei muito triste, sentindo uma culpa enorme por isso estar acontecendo.
— Já trouxemos suas coisas pra baixo, toma. — a entregou, abraçando-a. — Volta pra visitar...
— Eu venho algum dia. — ela sorriu, querendo chorar vendo emocionada.
— Ellen, me desculpa... — eu balancei a cabeça e a dei um abraço.
— Tchau, . — ela retribuiu o abraço e depois me soltou, virando as costas para nós, indo para o carro, quando olhou pra trás e fez um sinal com a mãos, sorrindo. — Vida longa e próspera! — a olhamos sorrindo e quase chorando, ao mesmo tempo, e a vimos partir no táxi junto com .
— Vou sentir falta dessa garota! — disse e eu concordei, subindo as escadas junto com ela.
~~~~

— Não quer mesmo que eu te acompanhe até lá fora? — disse ainda sonolenta.
— Não, amiga, pode ficar aí, amanhã você já está chegando em casa, pode dormir mais, disse que me pega aqui com o ônibus. — eu concordei e capotei, dormir tarde na noite passada não me deixou com muita disposição.
Não me lembro até que horas dormi, mas lembro de acordar e não ter ninguém em casa.
“Saímos para comprar comida, beijos de sua mãe” dizia o bilhetinho que minha mãe tinha deixado em cima da mesa. Aquilo era lar.
Liguei a TV procurando algo pra assistir e me sentei na velha poltrona do meu avô que habitava a sala de casa desde antes de eu nascer. Não me dei conta de quanto tempo fiquei assistindo, mas não se passaram meia hora até eu ouvir conversas vindo da porta.
— Não, Molly, estou bem, apenas diga que deixei um oi. — dizia uma voz que eu pude reconhecer muito bem, que eu estive acostumada a ouvir por muito tempo.
— Entra, rapaz! — dizia meu pai.
— Sim, querido, entre, ela vai gostar da visita... — todos me encararam quando cheguei à porta onde eles conversavam parados. — Ah, aqui está ela!
. — disse Nathan, me olhando, dando um sorriso envergonhado de boca fechada e recebendo um sorriso assustado meu. Ele era a última pessoa que eu esperava ver.
— Vamos deixá-los conversando, Peter. — minha mãe falou pro meu pai e eles se dirigiram pra dentro da casa. — Almoce conosco, Nathan.
— Não, Molly, tudo bem. — ele sorriu de boca fechada pra minha mãe e em seguida olhou para trás de mim.
— E aí... — tentei puxar conversa, mas ele era a única pessoa que eu não saberia conversar, não ainda. — Quer entrar?
— Sua mãe me encontrou no caminho e eu... — então ele começou a tossir, diríamos que por uns 10 segundos.
— Tudo bem? — cheguei perto e coloquei a mão em seu ombro, fazendo ele me olhar, e em seguida me afastando.
— Tudo. — disse ele rispidamente. — Sua mãe me encontrou no caminho e... eu acompanhei-a até aqui, como ela pediu. — ele deu uma pausa. — Mas não tinha pretensão de entrar. Preciso ir. Bom te rever. — deu um sorriso de boca fechada e foi embora.
— Bom te rever, Nate!
— Velhos hábitos nunca morrem? — ele gritou, sem nem mesmo olhar pra trás. Se referia ao fato de eu ter chamado-o de Nate.
— Acho que não morrem. — eu sorri o olhando com nostalgia. Velhos hábitos nunca morrem.


Capítulo 15

— Flagrados juntos – jogou o jornal na mesinha de centro – Flagrados juntos – jogou o seguinte por cima do anterior – Flagrados juntos, flagrados juntos, flagrados juntos – e por fim, não havia mais nenhum – Você sabe qual o motivo disso, não sabe?
, o que você vê de tão complexo em alguém solteiro e famoso saindo com pessoas diferentes? – disse assustada, dando uma colherada no meu sorvete.
— Mas, querida, isso não é a vida normal de alguém solteiro, isso é alguém procurando sair da fossa – disse como se fosse óbvio, quase berrando – E ele parece que não sofre, mostra que tá na fossa desse jeito, saindo em flagras, é um ótimo jeito, não é?
— Talvez ele não sofra? — queria encontrar algum jeito de me fazer ir atrás de porque supôs que eu poderia deixá-lo melhor porque também supôs que ele sofria em silêncio, transformando a minha vida em um complexo drama — , por que trouxe esse monte de jornal pra casa? O que você quer que eu veja? Que ele sai com muita gente e curte a vida dele, que ele sofre por outra pessoa e tenta fazer isso melhorar saindo com várias outras? — mudou a expressão no exato momento em que terminei de falar, agora ela parecia se sentir culpada.
… — balançou a cabeça inúmeras vezes – Desculpa… eu não imaginei que você... bem, eu não pensei... droga, eu não sei o que falar, eu não sei o que vocês têm – ela deu uma pausa – Eu gosto muito do e gosto muito de você, só esperava que você pudesse fazer ele superar e fazer meus dois amigos queridos ficarem juntos – ela se aproximou de mim – No começo... no começo eu achava vocês um problema, só se desencontravam e sempre estavam ligados, como se não pudessem seguir por outro caminho sem o peso morto do outro nos ombros...
— Continuamos nos desencontrando, o que mudou?
— Na verdade, agora vocês se desencontram porque querem. – eu a olhei e dei uma colherada no sorvete, bem grande, por sinal – Vocês estão da forma errada.
, não sou um consolo, mesmo que ele quisesse, não faria ele superar porque ele tem que fazer isso sozinho, se é que ele tenha algo tão grande pra superar – disse, simplesmente – Por favor, não vamos mais falar sobre o ? Nem falar, nem fazer – complementei – Eu sei que você estava com planos de tentar algo hoje no aniversário do mas sinto em lhe dizer, você não vai, promessas são promessas. E quero que me prometa isso. Não precisa tentar unir duas pessoas quando elas querem se unir, elas fazem isso sozinhas. Se não fizemos isso, não queremos.
— Ou não fizeram direito...
… — a olhei com os olhos semicerrados – Promete?
— Prometo.
~~~~

— É a primeira vez em um evento em família do ,será que pode conter o seu belo humor? — sussurrava pra , que anteriormente fazia piadinhas de seu nervosismo pela festa do namorado ser uma grande festa idealizada pela família do mesmo – Ou eu juro que suas bolas sentirão minha mão em alguns segundos! – íamos entrando pela enorme casa de um dos tios de , passando por um jardim iluminado e com arranjos.
— Será um prazer para elas sentirem suas mãos macias, sussurrou no ouvido de , sorrindo. Não contei três segundos pra ouvir seu grito e sua expressão de dor, tendo que se sentar em um dos bancos que, por sorte, havia ao nosso lado.
— Ah, me desculpa — abaixou, ficando de cara com — Algum problema com os seus países baixos? – deu um sorriso cínico – Vai, levanta daí.
?! – eu, que ria até o momento, me contive e a dei bronca quando vi a cena – Você parece uma histérica infantil.
— Me desculpa, deve ser porque vou conhecer a família inteira do meu namorado famoso de uma só vez – ela sorriu cinicamente – Tô um pouco histérica sim, .
— Não é porque tá nervosa que precisa agir dessa forma – esperávamos parar de se contorcer para entrarmos no local, já que estávamos ainda na entrada – , não seja um bebê, nem tem mãos pesadas... — cessou as caretas de dor e se levantou, deixando todos prosseguirem o caminho. fez e nos buscarem porque disse que não conseguiria dirigir e não queria chegar na festa só comigo.
! – uma senhora muito elegante de vestido longo e cabelo solto aproximou-se de nós, abraçando e , em seguida – Que prazer tê-los aqui, se acomodem em alguma mesa! Essas são amigas de ? – assenti e também, então a dei uma cotovelada nada discreta, fazendo-a me olhar com os olhos arregalados e envergonhados – Algum problema?
— Sou a namorada do , senhora — respondeu como se estivesse se dirigindo a um general.
havia me falado que estava namorando mas não nos falamos muito, não sabia que ainda permanecia com o namoro – a senhora respondeu, com uma cara superior – Meu filho só teve uma namorada, não é um menino de muitas mulheres. Inclusive, Joanna está aí, vai gostar dela, depois que terminaram, e ela viraram melhores amigos! – no momento em que concluiu a fala, olhei para , lendo os seus pensamentos, agora ela estava pensando em como assassinar alguém de forma que ninguém descubra. E esse alguém com certeza era a senhora que se dirigia à ela – Só não mais do que e ! – a senhora sorriu – Me desculpe, não me apresentei, sou Meg, a tia de . Praticamente o criei, ele me considera como segunda mãe. Agora vamos, vou acomodá-los – a senhora sorriu cinicamente pra mim e e pegou nas costas de e ,caminhando junto a eles, fazendo olhar pra trás, sorrir cinicamente e dizer um “ganhei, querida” pra .
, um homem morto não pode morrer, lembre-se disso – eu quase gargalhei, balançando a cabeça – Ainda bem que era só a tia... Eu quase criei uma richa com o que eu pensei que era minha sogra. Imagina que grave?
— Você não a ouviu dizendo que é como segunda mãe? – provoquei-a deixando-a nervosa e gargalhei, em seguida – Tô brincando, amiga. te ama, só isso importa – caminhamos juntas, passando pelo enorme números de mesas com muitas pessoas sentadas e conversando, até chegarmos em uma mesa vazia e sentarmos – Não devíamos falar com o ? — olhava de um lado pro outro, tentando achar , enquanto e mostravam-se a vontades na rodinha de pessoas um pouco mais velhas que eles.
— Devíamos, só que só podemos falar com ele se ele estiver aqui — continuava olhando pro lado – E ele não está – continuamos sentadas, até servirem comida na nossa mesa e e se sentarem com nós – Cadê o ? – no exato momento que perguntou, avistei saindo de dentro da casa com e uma garota loira, — a qual não conhecíamos, exceto e — eles estavam rindo mais do que já tinham rido em outras vidas.
— Quem é a garota loira junto com eles? – perguntei, já que estava ocupada em odiá-la antes mesmo de saber quem é.
— Ah, aquela é Jo! — disse animado, fazendo cara de safado, em seguida.
— Jo... vem de Joanna?! — perguntou, se lembrando do que a tia de tinha dito.
— É, , certamente JO vem de JOANNA — respondeu ironicamente – Impressionante como tem a capacidade de só conquistar gatas, e ele nem é tudo isso — observou , que fervia de ciúmes – Por que tá tão pilhada, ? Não confia no seu taco?
— Se não quiser gemer de dor de novo, melhor calar a boca – ela sorriu cinicamente pra , que riu, fazendo sorrir também.
— Fica tranquila, , só tem olhos pra você — tentou amenizar a situação.
, calma, é só uma garota, você está com agora. Não vai odiar alguém por que a tia dele quer que você faça isso, tá bom? – disse calmamente, tentando acalmá-la também. Então eles nos avistaram e vieram diretamente para onde estávamos, quer dizer, veio, e Jo seguiram em direção às bebidas.
— Oi, amor — aproximou-se da namorada, dando um selinho na mesma.
— Conheci sua tia – ela falou arrumando a gola de sua camisa – Ela me contou sobre Jo – apertou firme a gola de sua camisa, puxando-o para perto – Se em algum momento você me trair, perde as bolas – semicerrou os olhos – Pergunte para , como é quase perder as bolas – então ela o largou e ele se recompôs, arrumando a camisa.
, minha tia é extremamente cuidadosa comigo, ela não teve filhos e se apegou a mim, desculpas por isso, prometo que vou compensar com a minha mãe — arregalou os olhos – Não, você vai gostar dela, vem, você precisa conhecer sua futura família — puxou-a, fazendo-a levantar – Depois trago ela de volta pra você, .
— Toda sua, parceiro – pisquei e ele sorriu.
— Acho que vou conhecer algumas primas de deu um gole em sua bebida e se levantou, indo em direção à uma rodinha de pessoas com idades variadas, conversando.
— Por que não fala com ele? — perguntou, me fazendo desviar o olhar de pra ele – Eu vi que você tava olhando pra ele... – sorri balançando a cabeça – Ah, , não é a primeira vez, não precisa mentir, assim eu acho que não confia em mim.
— Eu não tava... olhando pra ele – ele semicerrou os olhos – Não agora – chegou mais perto de mim com os olhos semicerrados – Antes... talvez – chegou ainda mais perto, me fazendo dar goles desesperados na bebida de que estava na mesa – Eu tava olhando, tá bom? – ele se afastou, dando um sorriso convencido – Por que eu o olhei, preciso falar com ele? – o olhei novamente, observando os detalhes que haviam mudado. Ele tinha deixado a barba crescer e o cabelo também, como se agora não tivesse mais nenhum cuidado com nenhum dos dois e mesmo assim continuava extremamente lindo.
— Porque você tem alguma coisa com ele, todos sabem — sorriu convencido novamente e eu desviei o olhar dele pra de novo, vendo Jo pegando em seu braço e mantendo a mão lá por alguns segundos , me fazendo desviar o olhar pra de novo – Fala com ele.
— Por que eu deveria? A gente não tem nada pra falar – o olhei de novo, dessa vez ele sorria.
— Tá bom — deu um gole em sua bebida, tomando de mim – Você sabe o que faz, posso dizer isso? – o encarei, desviando o olhar pra de novo.
Eu e ficamos sentados juntos falando com todos que chegavam pra falar com , que parecia conhecer todos, e conversamos sobre como ele estava cansado de tanto trabalhar em coisas da banda, nunca tinha tido essa rotina corrida antes. “É o preço que se paga pela fama”, eu disse, ele sorriu e embarcamos em outra conversa sobre séries em comum que gostávamos, como supernatural. Embarcamos tão bem na conversa que nem percebi quando sumiu e fiquei me perguntando onde ele estava. também sumiu, depois de ter dito que ia ao banheiro, e e apareciam algumas vezes onde estava concentrada a festa e depois iam pra dentro da casa de novo, parecia estar gostando de conhecer sua talvez futura família nova.
Depois de alguns minutos sozinha na mesa, decidi achar alguém e me levantei, adentrando a casa, já procurando banheiro pra usar. Dei oi pra muita gente que entrava e saía, família, empregados e o que fossem. Passei pela cozinha, salas e em um dos quartos havia e conversando. Ia entrar mas decidi subir a escada quando percebi que discutiam.
Passei por dois quartos até ouvir a voz de
— Wishin' I could be in California, I wanna tell ya when I call ya, I could've fallen in love,
I wish I'd fallen in love – parei na porta, ouvindo-o cantar.
— Sua voz é incrível – Jo parecia dizer – Sua boca cantando também é incrível, será que é incrível fazendo outras coisas? — ele não disse nada, só ouvi estalos após a pergunta de Joanna.
— Espiando atrás da porta? – senti sussurrar no meu ouvido, vendo o que eu olhava, em seguida, nada discreto, resultando em perceber nós dois parados ali – Ah, desculpa, mano, eu e estamos procurando um quarto — disse me abraçando de lado – Mas... esse está ocupado – ele fez um sinal de paz no ar com os dedos e seguiu o corredor, ainda me abraçando – Vai espiar ele pegando outra garota mas me diz que não tem nada pra falar com ele? – sorriu ironicamente – Salvei sua pele, garota, agradeça por isso – balancei a cabeça, procurando não encará-lo – Se quiser que ele não note, vamos entrar nesse quarto logo — abriu a porta ao nosso lado e entramos. Eu me joguei na cama e ele se sentou de frente pra cama, numa poltrona.
— Até quando vamos ficar presos aqui? – falei algum tempo depois de esperarmos, me levantando da cama.
— Vou ver se eles já saíram — abriu a porta e saiu, não voltando mais. Então algum tempo depois eu vi o corredor, que estava vazio. Aproveitei pra sair do quarto, passando pelo quarto em que estava Jo e , mas agora só estava , cantando jogado na cama, mexendo em algum objeto
— Everyday feels like a Monday, there is no escaping from the heartache, now I, gotta put it back together, 'coz it's always better late then never – ele cantava, com a voz embargada mexendo com o objeto em sua mão. Então se levantou e cambaleou até a porta, me encontrando nela, e me olhando sem dizer nada, até quase cair e eu ter que ajudá-lo.
— Melhor ficar aqui até melhorar – o coloquei de volta na cama – Quando cantarem os parabéns é bom estar lá embaixo.
— Eu tô bem, só um pouco tonto – disse com a voz ainda embargada – Devo ter bebido uns três ou quatro copos de algo que a Jo me deu.
— Tá, eu conheço o que bêbados falam porque falo a mesma coisa, todos falam isso – ele me olhou, rindo igual bobo alegre, vagarosamente.
— Você sabe muito bem o que todos falam – ele se levantou, sentando-se na cama.
— Acho que eu sei – sorri ironicamente – Agora preciso ir lá pra baixo porque não tenho pretensão de passar a festa com você bêbado.
— Agora que já passou com o ... – ele sorriu, se jogando na cama de novo. Não sei o que ele insinuou ou se por algum acaso bem acaso senti uma pontada de ciúmes no que ele falou, mas ia ceder às provocações.
— Justamente – prossegui – Agora que já passei com o ... – sorri maliciosamente e tenho certeza de que ele viu, porque desviou o olhar rapidamente e não respondeu nada, ficando sozinho quando saí do quarto.
Ao descer a escada, veio diretamente a mim, quase chorando.
— Little Joanna, foi pra ela, amiga! – ela me disse com o semblante triste – Como eu queria ir embora daqui nesse exato momento!
— O que é Little Joanna?
— Uma música do McFly! – disse estressada – Droga, , você precisa aprender essas músicas, sempre tem alguma mensagem subliminar! – então me lembrei que cantava na cama uma música que tinha ouvido no show e agora por alguma razão, eu tinha que lembrar – E Little Joanna foi pra Jo, !
, você vai parar com essa histeria, limpar os olhinhos marejados, esquecer por mais algumas horas desse assunto e ficar com o seu namorado no dia do aniversário dele em família porque você o ama e ele também te ama – ajudava a limpar os olhos dela – E essa Little Joanna vai ser uma parte do passado de vocês porque agora ele compõe músicas pra você, entendeu? – ela assentiu – Você tem o direito de desabafar e questioná-lo, mas agora não é o momento, querida – quando terminei, me surpreendi tamanha maturidade e velhice como eu falava mas me senti orgulhosa quando vi que melhorara e iria escutar o que disse, o que às vezes era difícil.
— Obrigada... – ela sorriu terna – Vamos lá pra fora, tem uma festa acontecendo! – sorri ao vê-la feliz de novo e fomos pra fora, já estavam se preparando pra cantar os parabéns e ficou ao lado de , me fazendo sorrir terna para os dois.
Ao olhar pra trás, vendo as pessoas se levantarem, vi atrás de mim. Ele me olhou sério e eu também, virando pra frente novamente.
Cantamos os parabéns em um enorme coro e o com quem será foi com , que vibrou por ver toda a família dele apoiando a união.
— Eu disse que só tava um pouco tonto — ouvi dizer atrás de mim, ao terminar os parabéns – É, você com certeza estava absolutamente certa, todos os bêbados falam a mesma coisa, porque você é cheia de razão.
— O quê?! – me virei extremamente brava pela petulância da última fala – Seu pega com a Jo não rendeu? Não tô entendendo essa TPM – ele sorriu, balançando a cabeça.
— Não é algo que tenha que se preocupar – sorriu convencido – Por que não se preocupa com os seus? – sorriu com a boca fechada, convencido e irônico, e saiu de perto, sem ao menos dar tempo para eu responder sua provocação.
— Prometi que não ia falar ou fazer alguma coisa mas... — aproximou-se com dois pedaços de bolo, me entregando um e comendo um pedaço do seu – O que ele queria?
— Só algo sem importância – sorri e ela assentiu – Espero um dia ter um namoro igual o seu e o do , vocês são casal tampa de panela.
— O quê? – ela gargalhou – Que expressão de vó!
— É um elogio, seja educada e agradeça! – a repreendi.
— Desculpa, amiga... – ela conteve o riso – Mas sua expressão é de vó! – estapeei o braço de e ela sorriu – Você me perdoa se eu te deixar mais um tempo? Hoje eu preciso fazer uma moral com essa família... – sorri e concordei, a fazendo sorrir de volta e sair da minha frente.
Eu andei até o local de pegar bebidas tentando me lembrar o que cantava: wanna tell ya when I call ya... gotta put it back together...late then never. Era o que eu lembrava.
Pedi um copo de Gin & Tonic e assim que peguei, fiquei andando no local, procurando algum lugar para sentar já que nossa mesa havia sido ocupada. Não tive sucesso em achar algum lugar e entrei dentro da casa à procura de , já que não estava nem no parabéns. I could've fallen in love, I wish I'd fallen in love… there is no escaping for the heartache, é era isso que cantava.
Será que era por isso que insistia pra eu falar com ele?
Agora eu tinha que, por algum motivo, por esse motivo, pela letra da música que ele cantava ter a possibilidade de ser “mensagem subliminar” , falar com ele.
Procurei-o na casa toda e não achei-o, até ouvir alguns barulhos vindo do banheiro de um dos quartos que entrei. Abri a porta, vendo-o apoiado na pia, lavando o rosto.
— Você é um carente, sabia? – ele me olhou pelo espelho, ignorando o que falei e voltando a lavar o rosto, a cara dele estava pior que antes, certamente havia bebido demais – A namorada largou e agora você bebe e sai com garotas diferentes cada semana por que precisa curtir estar solteiro? Ó, como você é solteiro, , você certamente sabe como ser solteiro. Três meses depois e o solteirão não consegue esquecer e precisa mostrar pra si mesmo o quanto é solteiro – ele continuava lavando o rosto – Por que não continua mostrando que é solteiro? Sai em mais jornais, revistas, usa mais garotas, bebe mais. Quem sabe assim Ellen não volta?
— Que pena pra você – desligou a torneira, se apoiando na pia e, em seguida, virando-se para me olhar – Que pena você achar que sabe tudo sobre todos – então passou por mim, deitando-se na cama.
— Deitou aí por que não consegue nem se mover direito de tão bêbado? Qual foi a última vez que vi isso? Ah é, nunca – falei, rindo cinicamente, parando em frente a ele – Anda, levanta daí, vai ficar aí a festa inteira? Amigão que você é – ele suspirou e sentou-se na cama.
— O que foi, ? – suspirou novamente .
— Só quero que levante, cure essa ressaca e vá lá pra baixo ficar com as pessoas – sentei-me ao lado dele, olhando-o – Eu ouvi o que você cantava “I wish I'd fallen in love... there is no escaping for the heartache”, é uma mensagem subliminar, não é? – ele franziu o cenho, estava mais bêbado do que nunca. Mas aqueles olhos continuavam ser os melhores pra olhar – Você está mal, , depois que Ellen foi embora...
— Shhh – ele me puxou pra deitar-se com ele.
— Você pode... – ele tapou minha boca.
— Shhh – continuou tapando minha boca, me abraçando pela cabeça. Não demorou dois segundos até ele virar pro lado e cair no sono. Então sorri comigo mesma ao ver aquilo e tentei me desvencilhar do seu braço, até ele acordar e virar pro lado, me encarando ainda bêbado e sonolento.
— Eu sei que quer ficar aqui deitado... – falei baixinho – Mas tem que descer e curar a ressaca.
— Por que?
— Porque tem que melhorar. Ellen não vai voltar – ele sorriu ironicamente sem mostrar os dentes e virou pro outro lado. Ficou deitado virado pro outro lado alguns segundos, até tirar o braço que me abraçava debaixo de mim e levantar da cama, me deixando sozinha no quarto.





Continua...



Nota da autora: Uma autora without words apenas diria que esse é o capítulo que escrevi com mais carinho e dó pra vocês, apreciem.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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