Finalizado em: 24/04/2018

Capítulo Único

Os olhos de se abriram assustados. Ela repetiu a cena em sua mente inúmeras vezes, tentando entender o que de fato havia acontecido. Era uma guerra, uma guerra sem precedentes. Tanto vermelhos, quanto prateados. Todos sagravam, e ela ainda se lembrava de ver sangrar o centro de seu mundo. Procurou a mão de , pela qual devia segurar naquele instante, mas não havia nada. Não havia um dedo para tocar, uma sensação fria para abraçar, um vazio para se jogar. Ela encarou o mundo à sua volta, tentando se situar, e se assustou quando reparou que não estava mais dentro do Abutre, muito menos de Corros. Ela estava de volta ao Furo, como se nunca tivesse deixado-o. Ao seu lado, um corpo quente e vivo ressonava tranquilo, como há muito ela não via. parecia em paz, a mesma paz que ela tentava encontrar. Sentou-se no susto ao se dar conta de que ele não estava morto, não estava pálido, a camisa ensopada do sangue vermelho que ele carregava com orgulho. E isso a deixou ainda mais perturbada. Ela não havia presenciado a morte dele? A morte dele para salvar Mare do seu destino cruel?
— Aconteceu alguma coisa? — a voz sonolenta de a atingiu quente, faiscante, como um trovão.
— Não tínhamos de estar no Abutre? Em Corros? Salvando sangue novos? — disparou de uma vez, a angústia crescente dentro de si. Aquilo não poderia ser um presságio.
— Voltamos de Corros há três dias, . Do que você está falando? — ele a tocou com cuidado, temendo o que a batalha pode ter feito a ela.
— Eu não me lembro de voltar, eu só me lembro de te ver morrer. E morrer, e morrer, num eterno looping. Você morto diante dos meus olhos. — encarava as próprias mãos, como se isso demonstrasse ao mais novo a impotência dela em relação ao que acontecia em sua mente.
— Isso foi um pesadelo, é normal isso acontecer depois de uma batalha ensurdecedora como aquela. — respondeu, puxando-a para mais perto de si. — Mas as coisas já se acertaram. Ao menos ao que tudo indica.
— Mare trouxe o corpo da…
— Da Rainha? — o mais novo completou, e ela o encara com uma careta no rosto.
— Sim, o corpo dela. Mare conseguiu?
— Não só conseguiu, como planeja levá-lo até Tuck para mostrá-lo ao seu pai. Ela quer mostrar ao mundo o que fez com a rainha, que agora nada mais é do que um pedaço carbonizado do que fora um dia, uma vaga lembrança de quem era, uma rainha esquecida. — respondeu, e sua voz trazia uma pontada que raiva, que percebeu.
— Sente raiva dela? — a mais velha não pôde lutar contra as próprias palavras, que saíram sem que ela se desse conta.
— Depois de tudo o que ela fez com a minha irmã, não haveria outro sentimento que me ocupasse em relação a ela. Mare é o que é hoje graças a esse monstro desumano. E vê-la pagar seus pecados era o mínimo que eu desejava. — deixava o rancor e a raiva transparecerem na voz, fechando as mãos em punhos.
— Eu acho que ela deveria sofrer mais. Uma pessoa desumana como ela não merecia a morte, merecia castigo pior. Ela descansou sem sentir o peso da culpa pelas pessoas que feriu, que matou, que destruiu. Mas entendo a sua irmã, o trovão fora a forma que ela conseguiu de libertar toda a raiva que sentia, de expulsar todo o pavor que viveu nas mãos daquela... daquele… Daquilo. Porque ela não merece ser chamada de mulher e muito menos de ser humano. — também deixava a raiva aparecer pela cunhada, que ela mal sabia que realmente tinha.
Naquele ponto, se apaixonar estava fora de questão. Que dirá se apaixonar e se envolver o suficiente para viver aquela loucura, para dividi-la, e, por que não, se enfraquecer. Num campo de batalha, um sempre procuraria o outro, em uma forma de se proteger, de se misturar. Esse era o risco de amar, o risco de não saber priorizar qual vida é a mais importante, qual vida é a mais necessária. A sua, ou a dele.
? — chamou baixinho quando percebeu que a jovem havia se calado enquanto encarava um ponto distante à sua frente, sem realmente colocá-lo em foco. — Ei?
— Desculpa. — ela retrucou, sobressaltada. Onde estava com a cabeça?
— Minha irmã pediu para te dizer uma coisa que Jon disse a ela. Eu não entendi muito bem, porque ela também não sabia explicar. A única coisa que ela me disse foi que ele tinha a resposta para sua pergunta. Mas que pergunta?
— Qual era a resposta, ? Vamos, me diga a resposta. — parecia ligeiramente animada.
— Sim, ele mandou dizer sim. Mas qual é a sua pergunta? Você vai mesmo me deixar no escuro? — parecia incrédulo ao ver que a jovem não dava nenhum sinal de reação.
— Você tem certeza de que a resposta era sim? Absoluta? — estava duvidando de alguém que via o futuro. Aquilo estava errado, não?
— Exatamente isso que você ouvir, Mare não costuma se confundir. A resposta era sim.
— Então vamos voltar a dormir, por favor. Me leve para um sonho bom. — pediu, empurrando o mais novo de volta para a cama, antes de deitar a cabeça por sobre o corpo dele.
— Nada de respostas? — questionou uma última vez, ainda que já soubesse o que ouviria.
— Quem sabe, um dia, eu te conte.
E então os dois se silenciaram. se permitiu contar as batidas do coração de , que realmente batia, agora acelerado pela confusão com tudo o que acontecia. Ele não gostava de ser deixado no escuro, mas adorava aquela sensação de ter apenas para si o segredo mais valioso de todos. Enquanto tentava normalizar a própria respiração e ritmá-la à de , se permitiu sorrir, como a muito não sorria, e levou a mão livre na direção do próprio ventre, abraçando aquele ponto o mais apertado que conseguiu.
Sua resposta era sim, e ela se encaixava a duas perguntas que fazia naquele instante. E ela queria acreditar que ambas tivessem a mesma resposta.
Sim, estava grávida.
Sim, ela, e o bebê formariam uma família.
Assim que a tempestade passasse.


Fim



Nota da autora: Eu nem consigo acreditar que consegui, finalmente, postar essa história. Esse universo é tipo o amor da minha vida, e eu tô feliz pra caramba que eu consegui colocar em palavras o que eu realmente gostaria que tivesse acontecido com o Shade e a Farley. Ele não podia ter morrido naquela briga, acho que eu nunca fiquei tão brava com a morte de um personagem, como fiquei com a dele, de verdade. Um tempão dado como morto, ai quando ele finalmente tem a chance de voltar pra família e formar uma nova, acontece isso… Graças a Deus que na minha fic ele tem final feliz né?!
Bom, espero que tenham gostado!
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Com carinho,
Ju ♥



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