CAPÍTULOS: [01][02] [03][04]





V plus V






Última atualização: 01/10/2017

Capítulo 1 - No-not today!


Infeeeerno!
Outra nota baixa em outra prova. Os adultos não sabem como os adolescentes são ocupados para estudar para tanta prova?
"Fazendo o quê, vocês são tão ocupados?", perguntam. " A única preocupação de vocês é estudar para não se ferrar que nem muita gente por aí".
A resposta varia muuuuito. Mas a minha é sempre a mesma:
"Vendo anime, jogando jogos, vendo MV's". Mas a resposta principal é:
"Ouvindo k-pop".
Claro, né, gente? K-pop é vida para mim. Aliás, para qualquer kpopper que você perguntar, ele vai dizer isso: "estou ocupado ouvindo Got7" ou "Eu adooooro Twice" ou então "Não fale mal dos meus BangTan Boys". E no caso, eu sou essa última.
Não aguento ficar ouvindo todo mundo me encher por se army, ou porque acham que eles são gays e tal... mas eles são lindos! Querido, se você acha que eles são gays, sabe o que eu digo?
- Legal, cara. FODA-SE. Eu gosto deles, você não. Agora volta pro seu Mc Kevinho, que eu também odeio e não falo nada, ok? Beijo.
Aí a pessoa fica sem resposta. Hehe, melhor coisa pra dizer pros haters. Isso se encaixa em qualquer situaç...
- VICTORIA CARVALHO! Responda à minha pergunta!
Estava tão ocupada devaneando que nem ouvi a professora me chamando.
- Eu! Que pergunta? Poderia por favor, repetir?
- Qual a segunda lei de Newton?
Não ferra comigo, não, dona Lúcia...
- É... a lei de Newton... que... diz que... hmm...
- Zero pra senhorita que precisa prestar atenção na vida.
Você vai ver a senhorita, dona Lúcia... ah, se agressão não fosse crime... pior foi quando a Anna, a cdf, deu pitaco ali do lado:
- Certeza que é porque ela ficou gastando o tempo que ela teria usado para estudar para ficar olhando aqueles japas na internet... é só checar o histórico dela.
Anna, querida... enfia os japas no seu nariz, tá?
Só fingi que não ouvi aquele monte de merda, porque, além de ter tomado zero, não estava a fim de ter que ver a minha mãe na sala da diretora.
Tudo bem que curto os japas também, adoro animes, vocaloid e j-rock, mas, querida... NÃO SE CONFUNDE, BELEZA?
Quando os sinos do paraíso tocaram, saímos para o ntervalo. Enfim!
Saí da sala correndo e sentei na grama, esperando a Thereza. Eu só não queria olhar na cara de mais ninguém, depois daquele mico. Só a da minha amiga...
Mexendo no celular, comecei a fuçar no Pinterest para achar fotos do meu utt.
- Hmm, só olhando o bias, né, Vicky?
Ela me provocou. Sabe muito bem a diferença entre utt e bias e sabe MUITO BEM que o Taehyung é meu utt.
- Toda, amiga. Só que agora não vou puxar fotos do G-Dragon pra você só por causa dessa sacanagem...
- Ah, Vicky! Por favor! Você sabe que meus pais me botaram de castigo depois de descobrirem minha pasta de Namjin...
- Você é uma das poucas pessoas que eu conheço que shippam Namjim... juro, não consigo shippar nenhum deles...
- Por que não?
- Porque torço para eles solteiros e héteros.
- Por quê?
- Pra eu poder ficar com eles se eles vierem pro Brasil, hehehe.
- Ah, mereço... tá ligada que a chance de namorarmos um k-idol é muito remota, né? É mais difícil a gente pegar um Bangtan do que... sei lá... estourar uma bomba norte-coreana aqui em Florianópolis... mesmo que agora eu tenha viajado legal, e você deva esquecer imediatamente o que eu disse...
Preciso saber disso, e claro que sei. Mas eu tenho mania de sonhar DEMAIS com isso.
Poxa, coreanas, guardem pelo menos o V pra mim!
E o G-Dragon pra Thereza, huehue.
Dali a pouco, eu vi uma notícia bombástica e quase quebrei o celular. Esfreguei na cara da Thereza.
- OS MENINOS ESTÃO VINDO PRO BRASIL!
- Quê?! Não brinca! Sério!
A gente se viu dançando Save Me no meio do campo da escola, quando ela perguntou:
- Espera aí, que meninos? Tem um monte! Big Bang, Got7, Monsta X, Exo, seja específica!
- BTS, sua lerda!
A dancinha continuou, até com o meu celular tocando Blood, Sweat and Tears, e aí eu vi a Anna encarando a gente tipo: querida, você quer ajuda? Quer que eu te leve pra um hospício?
Os sinos do inferno tocaram e a gente teve que voltar para a sala.
A única pessoa na escola (pelo menos que eu sabia) que era kpopper era a Thereza. Espero que tenha mais, mas, se depois daquela cena ridícula ninguém foi dançar, nem cantar com a gente, certeza que ninguém é kpopper.
Depois da aula, a Thereza foi comigo pra casa, e fomos conversando sobre o show.
- Mas quando vai ser?
- Faltam seis meses. Ah, tô muito ansiosa...
- Espera ai, mas você sabe que fandom brasileiro é demais. Você viu como o BTS ganharam o BillBoard Music Awards. 400 milhões de votos na frente do Justin Bieber. Sabe-se lá há quanto tempo todos estão sabendo disso. E se os ingressos já tiverem esgotado?
- Putz, verdade, T... - fizemos um apelidinho bem merda pra nós. A Thereza gosta que eu a chame de T ou de T-Dragon, por causa do utt dela... e eu, claro, coincidência incrível do destino, gosto de ser chamada de V, todo mundo sabe porque... - Apesar que, mesmo que não tenham esgotado, nem sei se minha mãe me deixa ir...
- Nem eu, que merda...
Fiquei pensando em como convencer minha mãe a me deixar ir. Eu não podia comprar pela internet sem ela saber, precisa de RG, cartão, essas coisas. E falta dois anos pra eu completar 18, ainda sou menor...
Podia pedir para a Vovó Fran comprar pra mim e eu inventava alguma coisa pra minha mãe... minha avó tá velha, tadinha, nem ia entender direito...
Não! Não vou me aproveitar de uma velha com Alzheimer! Não sou assim! Posso ter um monte de ABS no meu celular escondida da minha família, mas não tiro proveito de idosos!
Haha, como se eu já não fosse uma pessoa ruim o suficiente.
Quando cheguei em casa, disse "oi" para todo mundo e corri para o meu quarto para pesquisar ingressos.
Eu precisava tentar. Mesmo que ela dissesse não. Eu tinha que dar umas cartadas.
- Mamãe - disse, meiga (ok, falsa).
- Que foi, Vicky? - respondeu ela, enxaguando os pratos do jantar.
Decidi cortar o tom falso.
- Tá, olha, vou ser direta. Vai ter um show do BTS em seis meses e eu e a Thereza queremos muito ir. Pleease, deixa a gente ir!
Ela pôs o prato no escorredor e pegou um guardanapo para enxugar as mãos. Foi até a sala, onde estava meu padrasto. Sete anos depois que meu pai fugiu com uma puta, minha mãe se casou de novo. Sinceramente, meu padrasto, Felipe, é muito melhor que aquele ser abominável que me chama de filha.
- Felipe, amor, desliga a TV um pouquinho.
- O que foi, Rita?
Ele se virou para nós.
- A Vicky quer ir ao show de um desses japas que vai ter.
Revirei os olhos com muita força. *cof cof* Coreanos *cof*.
- Hm... não sei, não... que grupo? Quanto custa?
- Cem reais, pai.
- Ahh... não sei... ainda estão disponíveis?
- Tem só vinte e cinco ainda. Com certeza vão ser vendidos bem rápido.
Ele se levantou e foi com minha mãe para outro cômodo. Fiquei ouvindo só um zum-zum-zum no ar.
- Pode ir, Vicky. Desde que não hajam envolvidos: meninos, drogas, bebidas, caronas, baladas e...
O mesmo discurso sempre que eu pedia pra sair. Sempre tinha alguma daquelas coisas, mas não daquela vez.
Not today!





Capítulo 2 - Quando você vê o utt na rua...


Seis meses depois
PARA NOSSA ALEGRIA!
Até que enfim, estou TÃO feliz que nenhuma pessoa no mundo faz ideia.
O show do BTS será em duas semanas e meia. Ai, eu estou vibrando.
Esperar o dia do show chegar foi dureza. Até porque Felipe e minha mãe não bancaram o ingresso. Então, fiz uns bicos pra conseguir. Cem reais não é tanta coisa assim, mas foi interessante pra eu juntar uma grana pra comprar outras coisas também.
Uma máscara do BTS, um agasalho do V, uma camiseta do antigo logo (um colete), um bastão de luz, uma capinha de celular. A preparação toda para ir a um show. Claro que eu ia usar MUITO aquelas roupas.
- Vickyyyy, você acredita que vamos ver o BTS ao vivo? Falta tão pouco!
- É, né? Estou tão animada!
- Ei, eu vi você trabalhando de atendente do Burger King no shopping! Por que não comentou comigo?
- Ah... - estava com vergonha de dizer a ela que eu tinha trabalhado pra comprar tudo aquilo. Os pais da Thereza são meio riquinhos, então compram tudo pra ela. Foi mole ela conseguir um boné escrito "↓ Army here ↓", mas no geral é caro pra caramba - Eu trabalhei por um tempo pra conseguir comprar os negócios do show.
- Sério?
Os meus pais me disseram, com essas exatas palavras: "Você pode ir, Vicky. Mas você vai pagar, tá?", depois deram um sorrisinho que me deu certa raiva. Não ia reclamar. Já era uma coisa e tanto eles permitirem eu ir, então, acho que valia a pena sacrificar alguns fins de semana para poder ir ver os meninos.
- Não é tão ruim assim. Eu juntei uma graninha que posso gastar com outras coisas também.
- Legal... admiro muito isso...
A Thereza é uma ótima amiga, mas é meio playboyzinha. Os pais querem que ela faça Direito na USP, mas ela quer fazer aulas na escola de desenho Pandora e ser animadora ou mangaká.
Aposto que os pais dela não sabem disso.
- Preciso ir pra casa, minha tia vai estar lá, Thereza.
- Ah, ok, a gente se fala depois no whats. Faltam duas semanas e meia, amiga!
- Falta pouco! Vamos aguentar com as fotos do Pinterest!
Ela riu e acenou para mim. Fui andando para casa. Faltavam umas duas quadras.
De repente, vejo uma figura marcante andando na rua, meio... perdida.
O cabelo daquele ser destacava muito. Se você olhasse para qualquer lugar, algo como um imã te forçava a olhar para ele de novo. Um vermelho picante, mais vermelho que o cabelo do V em Save Me.
Cheguei a pensar que era o Felipe Neto com aquela cor gritante no meio da rua. "Não, o Felipe Neto mora no Engenho Novo. Não faz sentido ele estar aqui, a não ser que ele tenha vindo gravar com algum youtuber".
Sem notar, parei e observei aquele cidadão olhar em volta, meio confuso. Quando consegui ver seu rosto, não pude acreditar no que vi.
Juro que eu vi o Kim Taehyung olhando em volta, nas ruas de Florianópolis, a cinco metros de mim.
Minha surpresa foi imediata e gritante. Eu tinha que chegar perto pra ver. Podia se só um coreano qualquer, com o cabelo vermelho.
Aproximei-me, sem me preocupar com quem me visse. E tive certeza: Kim Taehyung, do BTS, estava (aparentemente) perdido nas ruas de Florianópolis!





Capítulo 3 - Annyeong, dangsin-i naleul dowa deulilkkayo? (Oi, você pode me ajudar?)


Ok, será que eu bebi?
Sério, algo estava errado. Eu vi o V zanzando pela rua da minha cidade que nem bobo, meio... sei lá.
FOFO.
E ele estava parando de pessoa em pessoa, dizendo alguma coisa em coreano. Eu entendi alguma parte daquilo. Eu estava fazendo aulas de coreano (obrigada, Felipe. Melhor padrasto). Nível? De 0 a 10, 4.
- Com licença, você pode me ajudar?
Não creio que ele estava pedindo ajuda e ninguém nem tentava ouvi-lo! Sério, vou matar os brasileiros!
E daí que você não entende a língua dele? É um ser lindo, então tente ajudar!
Sem nem pensar direito, corri até ele e comecei a tentar falar um pouco:
- Ah, oi... Você precisa de ajuda?
Ele pareceu aliviado ao me ouvir.
- Que alívio... qual seu nome?
- Victoria.
- Ah, eu sou Kim Taehyung. Quantos anos você tem?
Devo ter ficado um pouco embasbacada, porque ele me cutucou.
- Oi?
- Desculpe, fiquei meio distraída... sei exatamente quem você é hehe.
- pareço uma fã ridícula. - Esquece, estou pagando de army idiota...
- Não, relaxa. Qualquer contato é melhor que ser ignorado.
- Ele soltou um risinho que me deu uma sensação de conforto.
- Povo estúpido. Nem tenta te entender?
- É... bom, não são muito educados. Qual sua idade?
- Eu? 17.
- Tenho vinte e... você deve saber, esquece
- ele deu outra risada fofa que me fez ter vontade de mordê-lo. COISA LINDA.
Dei uma de boba pra ele não achar que sou uma dessas stalkers.
- Na verdade, não sei não, Tae-oppa.
- Ah, bom. Nesse caso, **.
Maldita a hora que não nasci na Coréia. Eu sei quantos anos ele tem, mas não lembro como fala em coreano!
- Desculpa, não entendi.
- **.
O que eu digo? O que eu digo?
- Desculpa, Tae-oppa, vou ser sincera. Eu sei, mas não sei como dizer isso.
- Ah, ok então... pode me ajudar?
- Claro! O que houve? Você se perdeu?
- Mais ou menos isso, então, eu estava...
Notei que estávamos em frente à minha cafeteria preferida.
- Ah, você não quer comer alguma coisa? - apontei a placa da cafeteria.
- Ah, pode ser. Chegamos tem algumas horas e eu quero experimentar a culinária daqui.
É errado se eu o levar até a minha casa secretamente e sequestrá-lo para mim?
- Vocês chegaram há algumas horas? O show é em uma semana.
- Sim, mas temos de nos preparar, dar mais uma ensaiada, entende?
Entendo perfeitamente. Pra ficar divo assim e com esse corpo tem que preparar.
O que estou pensando? Eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa.
Não quero afagar o cabelo dele, não quero beijar ele, não quero dançar com ele, não quero sequestrar ele.
Ele pega o cardápio e abre. Fico olhando enquanto ele olha as opções e começa a rir.
- Como fui esquecer que não falo português?
Começamos a rir juntos.
- Você fala outros idiomas, Tae-oppa? - Um pouco de inglês, e algumas poucas palavras de português que aprendemos no show.
- Tipo o quê?

- “Obrigado, Brasil", "Gostamos de vocês". Uma língua meio complicadinha.
- Ora, quem é você pra falar, oppa?
Começamos a rir.
- O Namjoon-hyung fala inglês fluente. Seria melhor se ele tivesse se perdido.
Não seria não, oppa, fica calmo que eu gosto mais de você.
- Hum, você fala um pouco de inglês?
- Só um pouco.
- E se você fizesse um curso de português? Tem escolas aqui no Brasil.
- Mas como vamos achar uma professora que fale coreano?
- A gente acha, relaxa. Além disso, eu posso te ajudar.
- Sério? Obrigado!
Ele fez a cara mais fofa do mundo.
SEJA UM URSINHO DE PELÚCIA PRA EU PODER TE ABRAÇAR!
- De nada, hihi. O que você quer pedir?
- Não tem imagens aqui, então... sei lá... tem Japchae?
Comprimi os lábios, e soltei um risinho.
- Isso é tipicamente coreano, Tae. Você deixa eu te dar um uma sugestão? Prometo que você vai gostar.
- Hm... tudo bem.

Não queria pegar nada típico do restaurante. Eu queria fazer pra ele.
Ok, eu queria levá-lo pra casa e mostrá-lo pra Thereza. Mas queria o fazer provar também. Romeu e Julieta, doce de leite, brigadeiro. Não nego que eu amo comida daqui. O resto não. Prefiro Coréia e Japão.
- Pode vir comigo?
- Eh? Mas eu tenho que voltar... os men...
O celular dele tocou. O celular estava em hangul (os caracteres coreanos). Espiei por cima do ombro dele. Ele estava falando com Min Yoongi. Ahhhh, meu bias!
Yoongi: cadê você, Tae?
Tae: não sei, eu me perdi, Yoongi-hyung.
Yoongi: notei, mesmo...
Yoongi: na verdade, TODO MUNDO NOTOU! Onde você tá?
Tae: já disse que não sei!
Tae: mas calma, eu não estou completamente só. Achei uma garota aqui.
Yoongi: ué, mas como? Tipo, uma em cada 100 pessoas no mundo fala coreano. E você não fala inglês...
Tae: isso, esfrega na minha cara!
Soltei um risinho, e Tae-oppa olhou pra mim.
- Hey! Você está bisbilhotando?
- Desculpa, oppa!! Curiosidade...
Continuei olhando e ele voltou à conversa.
Yoongi: e a garota sabe voltar pra cá?
Tae: ainda não perguntei...
Yoongi: mas todo mundo precisa de você! Nós vamos ensaiar a coreografia de Boy in Luv. Não dá pra fazer sem você, V!
Tae: desculpa, eu me distraí.
Yoongi: com o quê?
Tae: com as pombas...
Yoongi: SÉRIO, TAE? AS POMBAS? NA CORÉIA TEM POMBAS TAMBÉM!
Tae: mas aqui tem muito mais... elas são muitas e muito bonitinhas... o jeito que elas saem voando juntas é muito legal...
Dessa vez não segurei o riso. Kim Taehyung, de BangTan Boys, se distraiu com as pombas do Brasil o suficiente para se separar do grupo!
Mas também, me diz uma coisa: não ter armys por aqui não? Ninguém notou esse cabelo picante na rua? Ninguém notou esse ser perfeito? Nem pra oferecer ajuda?
Isso prova que até uma idiota como eu tem sorte às vezes.
Ele me olhou fixamente enquanto eu ria. Não dá pra levar esse fofo a sério!
-Desculpa, oppa - falei, entre risinhos - Não deu pra segurar, é uma coisa muito incomum...
- Mas as pombas são bonitas! Elas...
Ser insensível, eu, né? Tava quase rolando no chão de rir. Taehyung, casa comigo? Pra me fazer rir a vida toda?
Quando meu ataque de risos passou, voltei a falar com ele (que por sinal, ignorou meu ataque e voltou a conversar com o Yoongi).
- Hey, Tae.
- Diga.
- Eu vou te ajudar a voltar seja-lá-pra-onde-está-o-BTS.
- Sério? -
ele abriu um sorriso visivelmente natural.
- Sim, mas tem uma pequena condição.
- ...
- Eu gostaria de visitar o estúdio, ou filial, o seja lá onde vocês estão e pegar um autógrafo.
- Claro! Claro! Se der tudo certo e não atrapalhar, o tempo que você quiser.
Não creio que consegui uma visita confirmada ao estúdio do BTS!





Capítulo 4 - Dando doces brasileiros para um coreano


Consegui trazer o V para minha casa. Isso é fato.
Mas como é que eu vou entrar com um sul-coreano que nem fala nossa língua na minha casa? Minha mãe arranca meu couro, cola de volta e arranca de novo!
Vou ter que inventar alguma coisa, mas fica a dúvida: primeiro falo com a Thereza ou com minha mãe?
Aí me perguntam: por que a dúvida? Com sua mãe é claro!
Simples.
Minha mãe não deixou ir lá em casa nem o Vinícius, menino que não dava pra criar o menor clima e mais novo que eu, pra fazer um trabalho. Por que ela deixaria um k-idol de vinte e poucos anos que, segundo o que eu sei que ela vai dizer, "fala nosso idioma sim, mas finge que não fala pra eu deixar pegar a minha filha, pensa que eu sou tonta?".
Bom, pelo menos é o que ela me diz quando eu digo que vou casar com um sul-coreano.
Tentei pensar nisso no caminho. Expliquei pra ele o que eu queria mostrar a ele e ele aceitou numa boa. Tipo, achei legal, mas e se uma pessoa má tentasse matá-lo?
Não tem como, as únicas pessoas que conseguiriam falar com ele seriam armys ou coreanas.
Quando dei por mim, estava na frente da minha casa, parada, pensando.
- Victoria? Você tá bem? Faz uns cinco minutos que você tá olhando pro nada.
- Ah, desculpe, Tae. É que agora estou sem saber se aviso à minha mãe ou à minha amiga, pra me darem uma ajuda...
- Avise à sua mãe. É em quem você mais devia confiar, não é?
Não acredito que estou tomando lição de moral do V!
Mas é verdade, o que posso dizer?
- É que ela não vai deixar você entrar, vai dizer que você só quer me pegar.
- QUÊ? Como assim?
- Ela não me deixa entrar com nenhum menino no meu quarto. Ela tem medo de acontecer alguma coisa.
- Tipo o quê? Ele te agredir?
- Não só, mas acho que ela tem medo de...
- Fala.
- Não sei, não...
- Fala logo!
- QUE A GENTE TRANSE! -
Falei isso alto pra caramba. É só torcer pra que ninguém do bairro fale coreano.
- Nossa... tá bom, né? Faça o que você achar melhor...
Assenti e segui para a casa da Thereza.
Respirei fundo e toquei a campainha.
Ouvi um grito do outro lado da porta. Thereza, com certeza.
Ela abre a porta com uma cara... indescritível.
- Você está com seu utt, Victoria? Nem pra trazer o G-Dragon pra mim...
- Ah, eu posso entrar, é meio que urgente...
- LÓGICO! Entra! Entra, V!
- Ah, ele não fala português, T.
- Mas então como voc... ah, você tá conseguindo falar coreano com ele?
Eu sorri.
- Hm, então esse curso realmente foi útil pra alguma coisa...
- Hey! Eu já queria ir pra Coréia antes!
- Só falando, amiga.
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥
Quando V estava prestes a entrar, ele se curvou para Thereza e começou a tirar os sapatos na entrada.
Não sabia que na Coréia eles também tinham esses hábitos.
- Tae-oppa, o que está fazendo?
- Hm? Tirando os sapatos para não sujar o chão.
- Como assim? O chão já é sujo.
- Vicky, as pessoas costumam dormir e comer no chão. Não é assim no Brasil, também?
Segurei um riso sútil.
¬- Vamos apresentar a cultura brasileira para você. A propósito, esta é minha amiga Thereza. Tente dizer isto a ela: pra-zer.
- Pla-zer, Thereza.
O sotaque dele é a coisa mais fofa que existe no universo. PASTEL DE FLANGO É SEU NARIZ, BRASIL! É FOFO! AGORA É PLAZER THEREZA!
Começamos a dar uma volta na casa dela e ele pareceu entusiasmado ao ver os cômodos da casa.
Eu tinha esquecido. No Oriente, em geral, para poupar espaço, as mesas são baixinhas e as pessoas sentam no chão. O mesmo ocorre com as camas. Ele pareceu apenas surpreso porque isso, com certeza, é mais comum em locais comerciais.
- O que você queria me mostrar? - perguntou ele, após terminarmos de mostrar a casa e mostrar tudo a ele.
- Eu queria te mostrar uns doces típicos, mas a maioria é caseiro.
- Entendo...
- Thereza, tem leite condensado e achocolatado?
- Tem duas latas no armário. Tem goiabada na geladeira, e ah, tem nutell...
- Caramba! Como você consegue não comer tudo isso?
- Auto-controle, querida.
- ...
- Tá, só comemos quando minha mãe libera.
Comecei a gargalhar.
- Dá pra fazer doce de leite agora pra comer amanhã, e o brigadeiro eu faço... - começou Thereza.
- Ahh, legal, eu vou dar goiabada pra ele experimentar.
- Vicky-chan, o que tá pegando?
- O quê? Chan?
- Vicky-chan. Ah, você não assiste animes, né? Chan é...
- Não, eu sei o que é... só estranhei porque na Coréia acho que não tem nenhum equivalente, né? Hehe...
- Não, mas se você não se importar de eu usar o chan...
- Claro! -
onde eu estou com a cabeça? Quando o oppa quer te chamar de qualquer coisa, até de paçoca, você não nega!
Taí, vou dar paçoca pra ele...
Fui até o armário e peguei a goiabada.
- O que é isso? - perguntou ele.
¬- Isso - comecei - se chama goiabada. É um doce feito à base de açúcar e goiaba.
- Nunca comi goiaba...
goaba-da? – AI, QUE COISA MARAVILHOSA DE SE OUVIR!
- Ah, acho que você vai gostar...
Cortei um cubo e dei pra ele. Ele pôs na boca e mastigou.
PARA DE ME SEDUZIR PORRA!
- Nossa, que diferente... é bem doce...
- Gostou?
- Gostei.
- THEREZAAAAAAAA! O BRIGADEIRO VAI DEMORAR?
- Não enche! Eu tô mexendo...
Pedi para o V esperar e fui até a cozinha.
- Ele adorou, ele é muito fofo! Eu duvido que ele não vá gostar de brigadeiro!
- Vicky, você tá bem? TÁ QUERENDO ENGORDAR AQUELA MASSA DE COISA LINDA?
- Um dia comendo porcaria não faz mal a ninguém. Quem diria 17 anos, que no caso sou eu...
- Ai, tá bom, pega logo a merda da nutella...
Fui lá, peguei uma colher, corri até Tae e enfiei a colher na goela dele.
Ah, que grande erro fui cometer...





Continua...



Nota da autora: Sem nota.




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Para saber quando essa fanfic maravilhosa vai atualizar, acompanhe aqui.



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