V plus V

Última atualização: 12/05/2018

Capítulo 1 - No-not today!

Infeeeerno!
Outra nota baixa em outra prova. Os adultos não sabem como os adolescentes são ocupados para estudar para tanta prova?
"Fazendo o quê, vocês são tão ocupados?", perguntam. " A única preocupação de vocês é estudar para não se ferrar que nem muita gente por aí".
A resposta varia muuuuito. Mas a minha é sempre a mesma:
"Vendo anime, jogando jogos, vendo MV's". Mas a resposta principal é:
"Ouvindo k-pop".
Claro, né, gente? K-pop é vida para mim. Aliás, para qualquer kpopper que você perguntar, ele vai dizer isso: "estou ocupado ouvindo Got7" ou "Eu adooooro Twice" ou então "Não fale mal dos meus BangTan Boys". E no caso, eu sou essa última.
Não aguento ficar ouvindo todo mundo me encher por se army, ou porque acham que eles são gays e tal... mas eles são lindos! Querido, se você acha que eles são gays, sabe o que eu digo?
- Legal, cara. FODA-SE. Eu gosto deles, você não. Agora volta pro seu Mc Kevinho, que eu também odeio e não falo nada, ok? Beijo.
Aí a pessoa fica sem resposta. Hehe, melhor coisa pra dizer pros haters. Isso se encaixa em qualquer situaç...
- VICTORIA CARVALHO! Responda à minha pergunta!
Estava tão ocupada devaneando que nem ouvi a professora me chamando.
- Eu! Que pergunta? Poderia por favor, repetir?
- Qual a segunda lei de Newton?
Não ferra comigo, não, dona Lúcia...
- É... a lei de Newton... que... diz que... hmm...
- Zero pra senhorita que precisa prestar atenção na vida.
Você vai ver a senhorita, dona Lúcia... ah, se agressão não fosse crime... pior foi quando a Anna, a cdf, deu pitaco ali do lado:
- Certeza que é porque ela ficou gastando o tempo que ela teria usado para estudar para ficar olhando aqueles japas na internet... é só checar o histórico dela.
Anna, querida... enfia os japas no seu nariz, tá?
Só fingi que não ouvi aquele monte de merda, porque, além de ter tomado zero, não estava a fim de ter que ver a minha mãe na sala da diretora.
Tudo bem que curto os japas também, adoro animes, vocaloid e j-rock, mas, querida... NÃO SE CONFUNDE, BELEZA?
Quando os sinos do paraíso tocaram, saímos para o ntervalo. Enfim!
Saí da sala correndo e sentei na grama, esperando a Thereza. Eu só não queria olhar na cara de mais ninguém, depois daquele mico. Só a da minha amiga...
Mexendo no celular, comecei a fuçar no Pinterest para achar fotos do meu utt.
- Hmm, só olhando o bias, né, Vicky?
Ela me provocou. Sabe muito bem a diferença entre utt e bias e sabe MUITO BEM que o Taehyung é meu utt.
- Toda, amiga. Só que agora não vou puxar fotos do G-Dragon pra você só por causa dessa sacanagem...
- Ah, Vicky! Por favor! Você sabe que meus pais me botaram de castigo depois de descobrirem minha pasta de Namjin...
- Você é uma das poucas pessoas que eu conheço que shippam Namjim... juro, não consigo shippar nenhum deles...
- Por que não?
- Porque torço para eles solteiros e héteros.
- Por quê?
- Pra eu poder ficar com eles se eles vierem pro Brasil, hehehe.
- Ah, mereço... tá ligada que a chance de namorarmos um k-idol é muito remota, né? É mais difícil a gente pegar um Bangtan do que... sei lá... estourar uma bomba norte-coreana aqui em Florianópolis... mesmo que agora eu tenha viajado legal, e você deva esquecer imediatamente o que eu disse...
Preciso saber disso, e claro que sei. Mas eu tenho mania de sonhar DEMAIS com isso.
Poxa, coreanas, guardem pelo menos o V pra mim!
E o G-Dragon pra Thereza, huehue.
Dali a pouco, eu vi uma notícia bombástica e quase quebrei o celular. Esfreguei na cara da Thereza.
- OS MENINOS ESTÃO VINDO PRO BRASIL!
- Quê?! Não brinca! Sério!
A gente se viu dançando Save Me no meio do campo da escola, quando ela perguntou:
- Espera aí, que meninos? Tem um monte! Big Bang, Got7, Monsta X, Exo, seja específica!
- BTS, sua lerda!
A dancinha continuou, até com o meu celular tocando Blood, Sweat and Tears, e aí eu vi a Anna encarando a gente tipo: querida, você quer ajuda? Quer que eu te leve pra um hospício?
Os sinos do inferno tocaram e a gente teve que voltar para a sala.
A única pessoa na escola (pelo menos que eu sabia) que era kpopper era a Thereza. Espero que tenha mais, mas, se depois daquela cena ridícula ninguém foi dançar, nem cantar com a gente, certeza que ninguém é kpopper.
Depois da aula, a Thereza foi comigo pra casa, e fomos conversando sobre o show.
- Mas quando vai ser?
- Faltam seis meses. Ah, tô muito ansiosa...
- Espera ai, mas você sabe que fandom brasileiro é demais. Você viu como o BTS ganharam o BillBoard Music Awards. 400 milhões de votos na frente do Justin Bieber. Sabe-se lá há quanto tempo todos estão sabendo disso. E se os ingressos já tiverem esgotado?
- Putz, verdade, T... - fizemos um apelidinho bem merda pra nós. A Thereza gosta que eu a chame de T ou de T-Dragon, por causa do utt dela... e eu, claro, coincidência incrível do destino, gosto de ser chamada de V, todo mundo sabe porque... - Apesar que, mesmo que não tenham esgotado, nem sei se minha mãe me deixa ir...
- Nem eu, que merda...
Fiquei pensando em como convencer minha mãe a me deixar ir. Eu não podia comprar pela internet sem ela saber, precisa de RG, cartão, essas coisas. E falta dois anos pra eu completar 18, ainda sou menor...
Podia pedir para a Vovó Fran comprar pra mim e eu inventava alguma coisa pra minha mãe... minha avó tá velha, tadinha, nem ia entender direito...
Não! Não vou me aproveitar de uma velha com Alzheimer! Não sou assim! Posso ter um monte de ABS no meu celular escondida da minha família, mas não tiro proveito de idosos!
Haha, como se eu já não fosse uma pessoa ruim o suficiente.
Quando cheguei em casa, disse "oi" para todo mundo e corri para o meu quarto para pesquisar ingressos.
Eu precisava tentar. Mesmo que ela dissesse não. Eu tinha que dar umas cartadas.
- Mamãe - disse, meiga (ok, falsa).
- Que foi, Vicky? - respondeu ela, enxaguando os pratos do jantar.
Decidi cortar o tom falso.
- Tá, olha, vou ser direta. Vai ter um show do BTS em seis meses e eu e a Thereza queremos muito ir. Pleease, deixa a gente ir!
Ela pôs o prato no escorredor e pegou um guardanapo para enxugar as mãos. Foi até a sala, onde estava meu padrasto. Sete anos depois que meu pai fugiu com uma puta, minha mãe se casou de novo. Sinceramente, meu padrasto, Felipe, é muito melhor que aquele ser abominável que me chama de filha.
- Felipe, amor, desliga a TV um pouquinho.
- O que foi, Rita?
Ele se virou para nós.
- A Vicky quer ir ao show de um desses japas que vai ter.
Revirei os olhos com muita força. *cof cof* Coreanos *cof*.
- Hm... não sei, não... que grupo? Quanto custa?
- Cem reais, pai.
- Ahh... não sei... ainda estão disponíveis?
- Tem só vinte e cinco ainda. Com certeza vão ser vendidos bem rápido.
Ele se levantou e foi com minha mãe para outro cômodo. Fiquei ouvindo só um zum-zum-zum no ar.
- Pode ir, Vicky. Desde que não hajam envolvidos: meninos, drogas, bebidas, caronas, baladas e...
O mesmo discurso sempre que eu pedia pra sair. Sempre tinha alguma daquelas coisas, mas não daquela vez.
Not today!



Capítulo 2 - Quando você vê o utt na rua...

Seis meses depois

PARA NOSSA ALEGRIA!

Até que enfim, estou TÃO feliz que nenhuma pessoa no mundo faz ideia.
O show do BTS será em duas semanas e meia. Ai, eu estou vibrando.
Esperar o dia do show chegar foi dureza. Até porque Felipe e minha mãe não bancaram o ingresso. Então, fiz uns bicos pra conseguir. Cem reais não é tanta coisa assim, mas foi interessante pra eu juntar uma grana pra comprar outras coisas também.
Uma máscara do BTS, um agasalho do V, uma camiseta do antigo logo (um colete), um bastão de luz, uma capinha de celular. A preparação toda para ir a um show. Claro que eu ia usar MUITO aquelas roupas.
- Vickyyyy, você acredita que vamos ver o BTS ao vivo? Falta tão pouco!
- É, né? Estou tão animada!
- Ei, eu vi você trabalhando de atendente do Burger King no shopping! Por que não comentou comigo?
- Ah... - estava com vergonha de dizer a ela que eu tinha trabalhado pra comprar tudo aquilo. Os pais da Thereza são meio riquinhos, então compram tudo pra ela. Foi mole ela conseguir um boné escrito "↓ Army here ↓", mas no geral é caro pra caramba - Eu trabalhei por um tempo pra conseguir comprar os negócios do show.
- Sério?
Os meus pais me disseram, com essas exatas palavras: "Você pode ir, Vicky. Mas você vai pagar, tá?", depois deram um sorrisinho que me deu certa raiva. Não ia reclamar. Já era uma coisa e tanto eles permitirem eu ir, então, acho que valia a pena sacrificar alguns fins de semana para poder ir ver os meninos.
- Não é tão ruim assim. Eu juntei uma graninha que posso gastar com outras coisas também.
- Legal... admiro muito isso...
A Thereza é uma ótima amiga, mas é meio playboyzinha. Os pais querem que ela faça Direito na USP, mas ela quer fazer aulas na escola de desenho Pandora e ser animadora ou mangaká.
Aposto que os pais dela não sabem disso.
- Preciso ir pra casa, minha tia vai estar lá, Thereza.
- Ah, ok, a gente se fala depois no whats. Faltam duas semanas e meia, amiga!
- Falta pouco! Vamos aguentar com as fotos do Pinterest!
Ela riu e acenou para mim. Fui andando para casa. Faltavam umas duas quadras.
De repente, vejo uma figura marcante andando na rua, meio... perdida.
O cabelo daquele ser destacava muito. Se você olhasse para qualquer lugar, algo como um imã te forçava a olhar para ele de novo. Um vermelho picante, mais vermelho que o cabelo do V em Save Me.
Cheguei a pensar que era o Felipe Neto com aquela cor gritante no meio da rua. "Não, o Felipe Neto mora no Engenho Novo. Não faz sentido ele estar aqui, a não ser que ele tenha vindo gravar com algum youtuber".
Sem notar, parei e observei aquele cidadão olhar em volta, meio confuso. Quando consegui ver seu rosto, não pude acreditar no que vi.
Juro que eu vi o Kim Taehyung olhando em volta, nas ruas de Florianópolis, a cinco metros de mim.
Minha surpresa foi imediata e gritante. Eu tinha que chegar perto pra ver. Podia se só um coreano qualquer, com o cabelo vermelho.
Aproximei-me, sem me preocupar com quem me visse. E tive certeza: Kim Taehyung, do BTS, estava (aparentemente) perdido nas ruas de Florianópolis!



Capítulo 3 - Annyeong, dangsin-i naleul dowa deulilkkayo? (Oi, você pode me ajudar?)

Ok, será que eu bebi?
Sério, algo estava errado. Eu vi o V zanzando pela rua da minha cidade que nem bobo, meio... sei lá.
FOFO.
E ele estava parando de pessoa em pessoa, dizendo alguma coisa em coreano. Eu entendi alguma parte daquilo. Eu estava fazendo aulas de coreano (obrigada, Felipe. Melhor padrasto). Nível? De 0 a 10, 4.
- Com licença, você pode me ajudar?
Não creio que ele estava pedindo ajuda e ninguém nem tentava ouvi-lo! Sério, vou matar os brasileiros!
E daí que você não entende a língua dele? É um ser lindo, então tente ajudar!
Sem nem pensar direito, corri até ele e comecei a tentar falar um pouco:
- Ah, oi... Você precisa de ajuda?
Ele pareceu aliviado ao me ouvir.
- Que alívio... qual seu nome?
- Victoria.
- Ah, eu sou Kim Taehyung. Quantos anos você tem?
Devo ter ficado um pouco embasbacada, porque ele me cutucou.
- Oi?
- Desculpe, fiquei meio distraída... sei exatamente quem você é hehe.
- pareço uma fã ridícula. - Esquece, estou pagando de army idiota...
- Não, relaxa. Qualquer contato é melhor que ser ignorado.
- Ele soltou um risinho que me deu uma sensação de conforto.
- Povo estúpido. Nem tenta te entender?
- É... bom, não são muito educados. Qual sua idade?
- Eu? 17.
- Tenho vinte e... você deve saber, esquece
- ele deu outra risada fofa que me fez ter vontade de mordê-lo. COISA LINDA.
Dei uma de boba pra ele não achar que sou uma dessas stalkers.
- Na verdade, não sei não, Tae-oppa.
- Ah, bom. Nesse caso, **.
Maldita a hora que não nasci na Coréia. Eu sei quantos anos ele tem, mas não lembro como fala em coreano!
- Desculpa, não entendi.
- **.
O que eu digo? O que eu digo?
- Desculpa, Tae-oppa, vou ser sincera. Eu sei, mas não sei como dizer isso.
- Ah, ok então... pode me ajudar?
- Claro! O que houve? Você se perdeu?
- Mais ou menos isso, então, eu estava...
Notei que estávamos em frente à minha cafeteria preferida.
- Ah, você não quer comer alguma coisa? - apontei a placa da cafeteria.
- Ah, pode ser. Chegamos tem algumas horas e eu quero experimentar a culinária daqui.
É errado se eu o levar até a minha casa secretamente e sequestrá-lo para mim?
- Vocês chegaram há algumas horas? O show é em uma semana.
- Sim, mas temos de nos preparar, dar mais uma ensaiada, entende?
Entendo perfeitamente. Pra ficar divo assim e com esse corpo tem que preparar.
O que estou pensando? Eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa.
Não quero afagar o cabelo dele, não quero beijar ele, não quero dançar com ele, não quero sequestrar ele.
Ele pega o cardápio e abre. Fico olhando enquanto ele olha as opções e começa a rir.
- Como fui esquecer que não falo português?
Começamos a rir juntos.
- Você fala outros idiomas, Tae-oppa? - Um pouco de inglês, e algumas poucas palavras de português que aprendemos no show.
- Tipo o quê?

- “Obrigado, Brasil", "Gostamos de vocês". Uma língua meio complicadinha.
- Ora, quem é você pra falar, oppa?
Começamos a rir.
- O Namjoon-hyung fala inglês fluente. Seria melhor se ele tivesse se perdido.
Não seria não, oppa, fica calmo que eu gosto mais de você.
- Hum, você fala um pouco de inglês?
- Só um pouco.
- E se você fizesse um curso de português? Tem escolas aqui no Brasil.
- Mas como vamos achar uma professora que fale coreano?
- A gente acha, relaxa. Além disso, eu posso te ajudar.
- Sério? Obrigado!
Ele fez a cara mais fofa do mundo.
SEJA UM URSINHO DE PELÚCIA PRA EU PODER TE ABRAÇAR!
- De nada, hihi. O que você quer pedir?
- Não tem imagens aqui, então... sei lá... tem Japchae?
Comprimi os lábios, e soltei um risinho.
- Isso é tipicamente coreano, Tae. Você deixa eu te dar um uma sugestão? Prometo que você vai gostar.
- Hm... tudo bem.

Não queria pegar nada típico do restaurante. Eu queria fazer pra ele.
Ok, eu queria levá-lo pra casa e mostrá-lo pra Thereza. Mas queria o fazer provar também. Romeu e Julieta, doce de leite, brigadeiro. Não nego que eu amo comida daqui. O resto não. Prefiro Coréia e Japão.
- Pode vir comigo?
- Eh? Mas eu tenho que voltar... os men...
O celular dele tocou. O celular estava em hangul (os caracteres coreanos). Espiei por cima do ombro dele. Ele estava falando com Min Yoongi. Ahhhh, meu bias!
Yoongi: cadê você, Tae?
Tae: não sei, eu me perdi, Yoongi-hyung.
Yoongi: notei, mesmo...
Yoongi: na verdade, TODO MUNDO NOTOU! Onde você tá?
Tae: já disse que não sei!
Tae: mas calma, eu não estou completamente só. Achei uma garota aqui.
Yoongi: ué, mas como? Tipo, uma em cada 100 pessoas no mundo fala coreano. E você não fala inglês...
Tae: isso, esfrega na minha cara!
Soltei um risinho, e Tae-oppa olhou pra mim.
- Hey! Você está bisbilhotando?
- Desculpa, oppa!! Curiosidade...
Continuei olhando e ele voltou à conversa.
Yoongi: e a garota sabe voltar pra cá?
Tae: ainda não perguntei...
Yoongi: mas todo mundo precisa de você! Nós vamos ensaiar a coreografia de Boy in Luv. Não dá pra fazer sem você, V!
Tae: desculpa, eu me distraí.
Yoongi: com o quê?
Tae: com as pombas...
Yoongi: SÉRIO, TAE? AS POMBAS? NA CORÉIA TEM POMBAS TAMBÉM!
Tae: mas aqui tem muito mais... elas são muitas e muito bonitinhas... o jeito que elas saem voando juntas é muito legal...
Dessa vez não segurei o riso. Kim Taehyung, de BangTan Boys, se distraiu com as pombas do Brasil o suficiente para se separar do grupo!
Mas também, me diz uma coisa: não ter armys por aqui não? Ninguém notou esse cabelo picante na rua? Ninguém notou esse ser perfeito? Nem pra oferecer ajuda?
Isso prova que até uma idiota como eu tem sorte às vezes.
Ele me olhou fixamente enquanto eu ria. Não dá pra levar esse fofo a sério!
-Desculpa, oppa - falei, entre risinhos - Não deu pra segurar, é uma coisa muito incomum...
- Mas as pombas são bonitas! Elas...
Ser insensível, eu, né? Tava quase rolando no chão de rir. Taehyung, casa comigo? Pra me fazer rir a vida toda?
Quando meu ataque de risos passou, voltei a falar com ele (que por sinal, ignorou meu ataque e voltou a conversar com o Yoongi).
- Hey, Tae.
- Diga.
- Eu vou te ajudar a voltar seja-lá-pra-onde-está-o-BTS.
- Sério? -
ele abriu um sorriso visivelmente natural.
- Sim, mas tem uma pequena condição.
- ...
- Eu gostaria de visitar o estúdio, ou filial, o seja lá onde vocês estão e pegar um autógrafo.
- Claro! Claro! Se der tudo certo e não atrapalhar, o tempo que você quiser.
Não creio que consegui uma visita confirmada ao estúdio do BTS!



Capítulo 4 - Dando doces brasileiros para um coreano

Consegui trazer o V para minha casa. Isso é fato.
Mas como é que eu vou entrar com um sul-coreano que nem fala nossa língua na minha casa? Minha mãe arranca meu couro, cola de volta e arranca de novo!
Vou ter que inventar alguma coisa, mas fica a dúvida: primeiro falo com a Thereza ou com minha mãe?
Aí me perguntam: por que a dúvida? Com sua mãe é claro!
Simples.
Minha mãe não deixou ir lá em casa nem o Vinícius, menino que não dava pra criar o menor clima e mais novo que eu, pra fazer um trabalho. Por que ela deixaria um k-idol de vinte e poucos anos que, segundo o que eu sei que ela vai dizer, "fala nosso idioma sim, mas finge que não fala pra eu deixar pegar a minha filha, pensa que eu sou tonta?".
Bom, pelo menos é o que ela me diz quando eu digo que vou casar com um sul-coreano.
Tentei pensar nisso no caminho. Expliquei pra ele o que eu queria mostrar a ele e ele aceitou numa boa. Tipo, achei legal, mas e se uma pessoa má tentasse matá-lo?
Não tem como, as únicas pessoas que conseguiriam falar com ele seriam armys ou coreanas.
Quando dei por mim, estava na frente da minha casa, parada, pensando.
- Victoria? Você tá bem? Faz uns cinco minutos que você tá olhando pro nada.
- Ah, desculpe, Tae. É que agora estou sem saber se aviso à minha mãe ou à minha amiga, pra me darem uma ajuda...
- Avise à sua mãe. É em quem você mais devia confiar, não é?
Não acredito que estou tomando lição de moral do V!
Mas é verdade, o que posso dizer?
- É que ela não vai deixar você entrar, vai dizer que você só quer me pegar.
- QUÊ? Como assim?
- Ela não me deixa entrar com nenhum menino no meu quarto. Ela tem medo de acontecer alguma coisa.
- Tipo o quê? Ele te agredir?
- Não só, mas acho que ela tem medo de...
- Fala.
- Não sei, não...
- Fala logo!
- QUE A GENTE TRANSE! -
Falei isso alto pra caramba. É só torcer pra que ninguém do bairro fale coreano.
- Nossa... tá bom, né? Faça o que você achar melhor...
Assenti e segui para a casa da Thereza.
Respirei fundo e toquei a campainha.
Ouvi um grito do outro lado da porta. Thereza, com certeza.
Ela abre a porta com uma cara... indescritível.
- Você está com seu utt, Victoria? Nem pra trazer o G-Dragon pra mim...
- Ah, eu posso entrar, é meio que urgente...
- LÓGICO! Entra! Entra, V!
- Ah, ele não fala português, T.
- Mas então como voc... ah, você tá conseguindo falar coreano com ele?
Eu sorri.
- Hm, então esse curso realmente foi útil pra alguma coisa...
- Hey! Eu já queria ir pra Coréia antes!
- Só falando, amiga.
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥
Quando V estava prestes a entrar, ele se curvou para Thereza e começou a tirar os sapatos na entrada.
Não sabia que na Coréia eles também tinham esses hábitos.
- Tae-oppa, o que está fazendo?
- Hm? Tirando os sapatos para não sujar o chão.
- Como assim? O chão já é sujo.
- Vicky, as pessoas costumam dormir e comer no chão. Não é assim no Brasil, também?
Segurei um riso sútil.
- Vamos apresentar a cultura brasileira para você. A propósito, esta é minha amiga Thereza. Tente dizer isto a ela: pra-zer.
- Pla-zer, Thereza.
O sotaque dele é a coisa mais fofa que existe no universo. PASTEL DE FLANGO É SEU NARIZ, BRASIL! É FOFO! AGORA É PLAZER THEREZA!
Começamos a dar uma volta na casa dela e ele pareceu entusiasmado ao ver os cômodos da casa.
Eu tinha esquecido. No Oriente, em geral, para poupar espaço, as mesas são baixinhas e as pessoas sentam no chão. O mesmo ocorre com as camas. Ele pareceu apenas surpreso porque isso, com certeza, é mais comum em locais comerciais.
- O que você queria me mostrar? - perguntou ele, após terminarmos de mostrar a casa e mostrar tudo a ele.
- Eu queria te mostrar uns doces típicos, mas a maioria é caseiro.
- Entendo...
- Thereza, tem leite condensado e achocolatado?
- Tem duas latas no armário. Tem goiabada na geladeira, e ah, tem nutell...
- Caramba! Como você consegue não comer tudo isso?
- Auto-controle, querida.
- ...
- Tá, só comemos quando minha mãe libera.
Comecei a gargalhar.
- Dá pra fazer doce de leite agora pra comer amanhã, e o brigadeiro eu faço... - começou Thereza.
- Ahh, legal, eu vou dar goiabada pra ele experimentar.
- Vicky-chan, o que tá pegando?
- O quê? Chan?
- Vicky-chan. Ah, você não assiste animes, né? Chan é...
- Não, eu sei o que é... só estranhei porque na Coréia acho que não tem nenhum equivalente, né? Hehe...
- Não, mas se você não se importar de eu usar o chan...
- Claro! -
onde eu estou com a cabeça? Quando o oppa quer te chamar de qualquer coisa, até de paçoca, você não nega!
Taí, vou dar paçoca pra ele...
Fui até o armário e peguei a goiabada.
- O que é isso? - perguntou ele.
¬- Isso - comecei - se chama goiabada. É um doce feito à base de açúcar e goiaba.
- Nunca comi goiaba...
goaba-da? – AI, QUE COISA MARAVILHOSA DE SE OUVIR!
- Ah, acho que você vai gostar...
Cortei um cubo e dei pra ele. Ele pôs na boca e mastigou.
PARA DE ME SEDUZIR PORRA!
- Nossa, que diferente... é bem doce...
- Gostou?
- Gostei.
- THEREZAAAAAAAA! O BRIGADEIRO VAI DEMORAR?
- Não enche! Eu tô mexendo...
Pedi para o V esperar e fui até a cozinha.
- Ele adorou, ele é muito fofo! Eu duvido que ele não vá gostar de brigadeiro!
- Vicky, você tá bem? TÁ QUERENDO ENGORDAR AQUELA MASSA DE COISA LINDA?
- Um dia comendo porcaria não faz mal a ninguém. Quem diria 17 anos, que no caso sou eu...
- Ai, tá bom, pega logo a merda da nutella...
Fui lá, peguei uma colher, corri até Tae e enfiei a colher na goela dele.
Ah, que grande erro fui cometer...



Capítulo 5 - Fazendo compras com o oppa

O que uma garota normal faz quando leva um estrangeiro à sua casa? Tenta ser educada e explicar tudo a ele.
O que eu faço quando levo Kim Taehyung à casa da minha amiga? Enfio uma colher cheia de nutella goela abaixo desse cidadão e faço-o engasgar.
- AI, MEU DEUS, VICTORIA! - Thereza brotou da porta da cozinha e começa a abanar Tae - O QUE VOCÊ FEZ, SUA DEMENTE?
"É a alegria de estar com o utt", eu diria. Não. Simplesmente sou uma idiota ansiosa, mesmo.
O pai de Thereza aparece e aquele ser, que eu esqueci que conhecia a manobra de Hemlinch (escrevi errado) porque já usou comigo, vai lá e desengasga Tae. Ahh, eu sou um desastre.
- Obrigado, sen... Vicky, me ajuda a agradecer!
- Ah, "
obrigado".
-
Obuurigado.
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH.
- Thereza, a senhorita pode me dizer quem é este rapaz? - Ahh, então, papai... ele é...
Ele não vai acreditar se ela contar, e ia dizer que "oriente é tudo igual" se eu mostrasse fotos pra ele, então eu disse:
- Ele é meu namorado, senhor.
- Você está namorando?
- S-sim.
- Então, rapaz, qual seu nome?
Entrei em pânico.
- Tá bom, vou falar a verdade. Ele é um integrante de um grupo de kpop que Thereza e eu amamos. Ele não fala nosso idioma e se perdeu do resto do grupo - tive uma ideia: - O senhor pode nos ajudar a encontrar o estúdio?
Ele começou a dar risada.
- Juízo, Thereza. - e então foi para a sala.
Adultos são inacreditáveis. Qual foi a graça?
- Desculpe, Tae-oppa. Sou uma pessoa muito ansiosa...
- Tudo bem...
- É? Sério?
- Tirando a parte que eu engasguei, gostei muito desse negócio... como chama?
- Nutella.
- Gostei muito de... nútelra.
Já estou tentando parar de achar fofo quando ele fala uma palavra brasileira. Foi então que tive uma ideia.
- Thereza, falta uns dias pra acabar as aulas. Onde o Tae vai ficar até a gente entrar de férias?
- Nossa... é mesmo... - ela passou um tempo raciocinando - E se ele fizer um curso intensivo de português na escola de idiomas aqui da esquina? Enquanto vamos à escola, ele passa algumas horas ali...
- Hm...
Eu tive a ideia mais maléfica do universo.
Eu já li na internet que V já participou de concurso de Drag Queen. E se a gente o disfarçasse de menina pra ir com a gente pra escola? Além disso, estudar com ele deve ser tudo de bom...
PARA, VICKY! Você está agindo como uma fã lunática...
Não estou... parece que parte de mim realmente está gostando do tempo que estamos passando...
Devo ter sorrido esquisito pensando em Tae Drag Queen, porque ele e Thereza tiveram que me cutucar.
- Oi! Desculpa, estava pensando. Thereza, você liga se eu levar Tae pra minha casa por um tempo?
- Claro que não, boba. Você que achou ele. Ele deve confiar em você.
-Vicky-chan, do que vocês estão falando?
"Chan", no meu nome, pronunciado por Tae, me dá arrepios.
- Já falo com você, oppa. Preciso resolver isso com a Thereza rapidinho.
Então saímos da casa da Thereza e caminhamos até a minha.
Essa caminhada decidiu - na verdade, Thereza e eu. A gente ia pedir a opinião do Tae depois - o que a gente faria. Matricular Taehyung numa escola que tinha ali na esquina (e que eu conhecia uma professora que trabalhava lá e era poliglota) para ele aprender português. Seis horas por dia, o tempo que eu ficava na escola. Mas o curso ia começar em dois dias. O que significava que Tae ia para a escola conosco. Vestido como uma garota.
Só faltava perguntar se ele topava.
Quando entrei na minha casa, já tinha preparado todo o discurso pra minha mãe deixar o Tae ficar lá em casa. Estava muito convincente. Mas quando entro em casa, a primeira pessoa que vejo não é minha mãe nem meu padrasto.
- Vovó Fran?
- Olá, querida. Seus pais foram viajar por um tempo para fora do país, acho que por conta do trabalho. - a velha, meio cega, vem e beija o meu olho. Depois ela beija o ombro de Tae e sem querer, beija A BOCA de Thereza.
- POR QUE SEMPRE NOS LÁBIOS, DONA FRAN?
- Ah, desculpa, querida, eu estou meio míope...
Meio, vovó Fran?, penso eu SEMPRE.
- Quem é este rapaz? - pergunta ela, afagando o rosto dele.
- O que está acontecendo, Vicky-chan? Por que esta senhora está fazendo carinho na minha cara?
- Desculpa, Tae. A minha vó tem Alzheimer e é meio cega...
- Ah, o que as crianças estão cochichando aí?
- Então, vovó, este é meu amigo, Tae... ele não fala nosso idioma e vai ficar uns dias aqui em casa...
- Thereza? O que você faz aqui? De onde saiu?
- Ah, Sra. Fran, eu já estava aqui, cheguei com a Vick...
- Vicky! Querida! Enfim você chegou! Quem é o rapaz ao seu lado?
- Vicky, do que vocês estão falando?
-Vicky, quem está falando essas coisas estranhas pra mim? Porque este rapaz está me xingando?
- D-dona Fran, a Vicky, Tae e eu vamos...
- Ah, Thereza, como é bom ver você!
- COM LICENÇA, VOVÓ, PRECISAMOS SUBIR! - Agarrei o braço de Tae e de Thereza e subi as escadas correndo, fechando a porta do meu quarto.
Hoje, a minha avó estava ruim.
- Desculpe de novo, Tae. A minha avó é meio lelé...
- Tudo bem -
ele sorriu fofamente - Tive um parente assim também...
Ficamos sentados no chão por uns minutos, até Thereza pigarrear e pedir para eu explicar o plano para Tae.
- Ah, sim. Tae, temos uma ideia de como você pode ficar até a gente entrar de férias.
Expliquei todo o plano para ele. Ele riu muito quando contei a parte do Drag Queen.
- Vai ser divertido encarnar uma garota outra vez... mas desta vez as pessoas não vão saber quem eu sou... hahaha!
Fiquei aliviada por ele ter topado. Ia ser não só divertido, mas interessante... o problema é que eu ia ter que ser a intérprete na coisa toda.
Ah, mas tinha um bônus. Se levássemos o Tae pra escola, mesmo vestido de menina, a gente ia descobrir se tinha mais armys na minha escola... só uma kpopper verdadeira ia reconhecer um k-idol vestido de menina!!

♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

A primeira coisa a fazer seria comprar alguma roupa para ele usar até encontrar os outros membros. Claro que isso incluía roupas para a parte do Drag Queen.
Contamos que tínhamos catorze dias para levar o Tae de volta antes do show. Tinha que dar tudo certo.

DIA 1 - Contando com hoje

Fomos ao shopping que tinha ali perto. Sabia que não éramos as únicas armys na cidade.
- AH, KIM TAEHYUNG! OPPA! TIRA FOTO COMIGO!
Três garotas lunáticas praticamente pularam em cima do V. Na verdade, não era intencional, mas elas o derrubaram no chão.
- Vicky-chan!! Me ajuda!
Seria exagero?
Thereza e eu corremos até as garotas e as puxamos de cima dele.
- Você tá doida? Está com o oppa do Brasil inteiro? - me disse uma delas.
- Espera ai! Você também está com o J-hope? Cadê ele?!
- Jimiiiin!! Cadê você? Aparece, utt!
- Calma, garotas. Eu estou só com o V. Não sabemos cadê o resto. A gente quer ajudá-lo a se encontrar com o grupo.
- Ah, V, tira foto comigo?
- Ele não fala nosso idioma - começou Thereza.
- Então como vocês estão com ele?
- Falo coreano - disse eu. É a primeira vez que estou me achando. E estou me sentindo incrivelmente bem com isso!
CHUPA SUAS ARMYS TROUXAS EU POSSO ESTABELECER CONTATO COM O TAEHYUNG E VOCÊS NÃO!!!
- Ah, jura? - disse uma, que parecia ser mais educadinha - Pode pedir a ele pra tirar só uma foto com a gente?
- Claro. Mas rapidinho, porque precisamos fazer uma coisa.
Então eu pedi. E eles tiraram.
Só aí me dei conta que nem eu, nem Thereza tínhamos tirado uma foto sequer com ele. E estávamos juntos há umas três horas.
- Nossa, até que foram educadinhas... tiraram a foto e saíram... - opinou Thereza.
- Só torcer pra não ter mais armys por aqui... nunca achei que fosse torcer pra não ter armys...
Entramos numa loja de roupas masculinas e fomos com Tae até a seção masculina. Enquanto ele provava, eu estava conversando com Thereza sobre onde podiam estar.
- Podemos perguntar ao V o nome do estúdio. Será que é uma filial da Big Hit?
- Não tenho a menor ideia...
-Ei, Vicky-chan, Thereza-chan, que tal?
Thereza só virou a cabeça porque ouviu palavras que não entendeu. Quando olhei, me derreti.
Taehyung tinha escolhido um suéter largo e laranja claro, para o seu cabelo ficar destacado. Embora não conseguisse ter ideia do formato de seu corpo, a roupa caiu muito bem nele.
Junto com a calça jeans, que era larga e combinava. Já era pedir pra se matar se não puder ter essa pessoa ao seu lado.
Mais uma vez, chacoalhei a cabeça. É só amor de fã, é só amor de fã, é só amor de fã, é só amor de fã, é só amor de fã.
-O que vocês acham?
-Você ficou muito bonito... - Thereza pediu para eu dizer isso a ele. Disse isso e muito mais.
-Ficou muito bom... ficou muito lindo... ficou maravilhoso... ficou...
-Vicky, você ainda está falando de mim?
Só então notei que estava dizendo tudo o que estava pensando em voz alta.
-Desculpe... ficou muito bom. Ainda bem que não é uma blusa de cor muito forte, senão, com esse cabelo, você seria um semáforo ambulante...
Ele riu com gosto. Por que a sensação de fazer Tae rir me deixa tão feliz? O telefone de Thereza toca e o de Tae toca, chamando para uma mensagem de texto.
Por que ao mesmo tempo? Vou até Tae e espio de novo. Desta vez, ele deixa. Era o Yoongi de novo.

Yoongi: Tae, você conseguiu alguma pista de como voltar?
Tae: não, na verdade, estou comprando roupas com uma amiga...
Yoongi: pra quê, Tae? Você trouxe...
Tae: acredito que vai demorar um pouco até eu achar o estúdio. Você não quer que eu fique com aquela camiseta pra sempre, né?
Yoongi: tanto faz, tanto faz... só sei que faz três horas que os rapazes saíram pra te procurar. Só o Jungkook ficou.
Tae: ué, por quê?
Yoongi: ele ia se distrair fácil.
Tae: com o quê?
Yoongi: sei lá, com o vento...
Tae: hahahahahaha
Yoongi: tá rindo do quê? Você se distraiu com pombos.
Tae: ...
Yoongi: a gente vai te achar. Aguenta aí.
Tae: tá tudo bem, eu comi coisas gostosas também.
Yoongi: tá, tchau.
Tae: Espera ai!
Yoongi: o quê?
Tae: por que vocês não pediram pra equipe fazer uma busca ou falar na polícia que estou desaparecido?
Yoongi: não seja dramático, V. A gente sabe que você está bem...
Tae: posso estar sento torturado...
Tae: ah, socorro estão me enforcando!
Yoongi: você sabe muito bem que não poderia digitar se estivesse sendo enforcado...
Tae: desculpe. Tchau.
Yoongi: até mais.

Quando Tae guardou o celular e voltou para o provador, Thereza também desligou o celular.
- Quem era? - perguntei.
- Era meu pai... avisando que vou para Disneyland nas férias...
- Sério? Que legal!
- Nem tanto... - eu não tinha entendido. Então ela olhou para onde Tae tinha entrado.
- Ah, você vai perder o show? Quando você vai?
- Em alguns dias... sem contar que vou perder o tempo que seria legal estarmos com o oppa...
Ficamos chateadas. Thereza sugeriu que a mãe dela fizesse a matrícula de Taehyung na escola de idiomas. Foi uma boa, pois a) minha mãe nunca faria isso, e b) a mãe de Thereza é meio ingênua às vezes, o que facilita.
Quando Tae saiu, fomos à seção feminina. Ia ser engraçado, mas ia ser divertido.
- Que tipo de roupa você quer, Tae-oppa? - Uma que deixe saliente a minha feminilidade! - disse ele, brincando, colocando os dedos nas bochechas como uma loli. Eu ri.
- Thereza, que tipo de roupa você acha que combina com o V?
Ao olhar para ela, ela estava passando os cabides, numa seção onde só havia blusas rosa. Fui até ela, e peguei uma bata rosa-choque. Posicionei o cabide em frente à Taehyung, analisando.
- Você acha que isso combina? - perguntei.
- Com o quê? Com esta legging maaaravilhosa? - respondeu Tae, posicionando uma legging preta bem apertada na cintura.
- Não sei se devemos levar você vestido de garota para a escola...
- Por quê? -
ele fez uma cara chorosa que me deu vontade de abraçá-lo.
- Sei lá... porque... ah! Para de ser fofo!! Tá bom, tá bom, você pode se vestir de garota, V! - peguei a cabeça dele e agarrei, afagando o cabelo dele, que é mais liso que cabelo de japonês.
Não, pera.
- O que foi, sua doida? - perguntou a Thereza, visivelmente chateada por não entender o Tae.
Traduzi toda a nossa conversa.
- Ah, o Tae é muito fofo, Vicky! Não quero ir pra Flórida...
- Não vá.
- Meu pai vai estranhar se eu quiser ficar... mas é até melhor, assim eu não atrapalho vocês dois...
- Quê? Como assim?
- Você sabe exatamente do que eu tô falando... - ela deu um sorriso malicioso que me fez corar na hora. Taehyung estava boiando.
- O que foi, Vicky-chan?
Você não precisa saber, Tae.
- Ah, não é importante. Já podemos ir pro provador de novo?
- Sim.
- Bom. Aí a gente pode comprar uma peruca, ou prender o seu cabelo fofamente. Só não saia pra eu ver como ficou, porque vão achar que você tem problema mental!



Capítulo 6 - Primeiro dia

DIA 2

Na manhã seguinte, percebi que não tinha dormido nada.
Kim Taehyung é um anjo quando está acordado, mas notavelmente, um demônio enquanto dorme.
Fomos dormir às 10. Até 11 horas, eu já estava dormindo pesado, quando acordei com um som que eu desacreditava que vinha do meu oppa.
Inicialmente, foi um ronco meio alto. O que não tinha problema, visto que meu padrasto também roncava. O problema foi que o ronco foi aumentando gradualmente, até parecer que tinha um elefante roncando do meu lado.
E não foi só o ronco. Depois das duas, ele começou a gritar alguma coisa em coreano que estava de difícil compreensão, mas o que entendi foi:
-Sasuke, suma de Konoha, você nunca deveria ter existido, tome uma rabada das minhas nove caudas! Quando entendi, comecei a gargalhar tanto que acordei ele. Esqueci que ele curtia animes. Mas quando ele acordou, senti dó. Ele ficou bravo. Um bravo engraçado.
Quando ele dormiu, ele ainda gritou até as cinco da manhã, quando finalmente peguei no sono. Mas uma hora depois, o despertador tocou. Decidi não dizer nada no dia seguinte.
Faltam dois dias para as aulas acabarem, a partir de amanhã. E Tae começa o curso depois de amanhã...
Depois de me vestir, Tae bateu na minha porta perguntando se podia entrar. Assenti, e ele entrou normalmente. O negócio foi quando eu me virei e dei de cara com ele praticamente nu, com uma toalha, apenas, saindo do banho.
O quão sexy um idol pode ser?, você se pergunta, e acha que tem essas respostas procurando fotos do abs dele no Pinterest. Mas você só descobre a resposta verdadeira quando o vê sem camisa na sua frente.
Com certeza, a cara que eu fiz na hora não foi das mais bonitas, porque V tinha dito alguma coisa e eu não prestei atenção.
- Hm? Vicky-chan?
- Ahh!! O-oi! Fala, Taehyung-oppa!
- Onde ficaram as roupas novas que compramos ontem?
- Ah, aqui... e Tae, nos últimos dias de aula eu esqueci que não precisa ir de uniforme, então não se importe, vista uma roupa que disfarce você...
- Eu estava pensando melhor nisso... não sei se vou me vestir de garota.
- Ahn??
- Eu tenho estrutura de menino, não ia enganar ninguém... mas posso fazer isso aqui em casa -
disse ele, sorrindo fofamente de novo.
- Ok... então põe aquele suéter de ontem que eu gostei dele. Vou te esperar na sala.

Saio do quarto e sento na sala. Enquanto espero, resolvo fazer algumas anotações pra caso a professora fique perguntando: "qual seu nome?", "de onde vem?", "quem é você?".
Quando ele apareceu de novo, estava tipo... maravilhoso.
- Podemos ir?
- Ah, sim. Toma, eu fiz umas anotações aqui porque com certeza a professora vai ficar perguntando de você. Tenta ler, porque eu escrevi os hanguls formando palavras em português.
-Ah... hum... meo... nomy éu... Kim Taehyung...?
Fiquei apaixonada naquele sotaque. Mas dava pra entender, então fomos pra escola a pé naquele dia.
No caminho, por alguma razão, eu não conseguia parar de pensar nele. Ao invés de pensar em como mandá-lo de volta para o estúdio, eu ficava pensando em como ele tinha ficado lindo, e como eu estava gostando de passar aquele tempo com ele.
Por que eu estava pensando naquilo? Eu não devia, eu sei que é só amor de fã...
Será que é?
Quando cheguei na escola, Thereza estava me esperando na entrada.
- Oi! ... Annyeong, Taehyung! - cumprimentou Thereza, quando olhei para ela com uma cara surpresa.
Tinha um ponto de interrogação desenhado na minha cara.
- Acho que estou assistindo muito Pyong Lee, hehe...
- Thereza...
- Tá bom, eu pesquisei vocabulário coreano, tá feliz?
Sorri.
- Annyeong, Thereza-chan!
Thereza corou. Não sei por que, mas senti um pouco de raiva, certa angústia quando isso aconteceu. Não vou descartar essa hipótese, mas torço pra não ser ciúme.
- Então, oppa, o sinal já vai bater, preciso te mostrar o banheiro masculino! - disse eu. Só então percebi que eu não queria nem precisava mostrar nada a ele, apenas queria afastá-lo de Thereza. Por quê??

♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥


Quando o sinal tocou, arrastei Taehyung até a nossa sala e coloquei ele numa carteira atrás da minha. Torci para a professora não chamá-lo, mas era impossível não notar um coreano com cabelo cor de rubi refletindo na sua cara.
- Ah, notei que temos um novo aluno...? Mas tão perto do fim das aulas?
Tae notou que Lúcia estava olhando para ele, logo, estava falando com ele, então olhou para mim pedindo socorro.
- N-na verdade, professora, ele é um amigo meu que veio de outro país... então, ele não fala muito o nosso idioma... - inventei na hora.
Lúcia pareceu estar desconfiada só porque fui EU quem disse aquilo.
- Levante-se, por favor. Qual seu nome?
- Levanta e diz seu nome - sussurrei para ele.
Ele fez isso e disse, lendo o papel que dei a ele de uma maneira que me derreteu:
- Meo... nomi... Kim Taehyung...
- Dona Carvalho, embora não esteja nas regras da escola e seja meio óbvio, sabia que é proibido trazer desconhecidos para escola e obrigá-los a mentir?
Não podia acreditar no que eu estava ouvindo.
- Mas, dona Lúcia...
- Sem mas! Este jovem obviamente está tentando enganar a alguém, e você com certeza é a responsável.
Vou esfregar o responsável na sua cara.
- A senhora não entende! Ele... - fiquei sem o que dizer. O pior é que todo mundo achou que era uma farsa, porque a) não tinha como dizer que ele era meu parente porque não sou descendente de asiático, e b) todo mundo sabe que eu sou vidrada nos coreanos, e acham que sou idiota, então, aquilo era apenas outra demonstração de que sou idiota e estou tentando fazer parecer que aquele cara não fala nosso idioma.
O zum-zum-zum começou.
Tive que me segurar para não mandar todo mundo tomar no cu. Então, peguei Tae pela manga, o puxei para fora da sala, pedi para ele ir ao banheiro feminino e me esperar lá, em uma cabine, por algumas horas, e então fingi dizer para ele, na frente da sala toda:
- Puta merda, Geraldo! Eu disse que não ia dar certo... volta pra casa, vai, eu avisei!!
Não me pergunte porque eu decidi usar Geraldo.
Mas pareceu funcionar, Tae-oppa sabia o caminho que eu tinha mostrado mais cedo e todos pareceram acreditar.
A aula continuou, e antes do intervalo, pedi desculpas para a professora, embora eu soubesse que não devia.
O grande problema foi no intervalo, quando saí com Thereza para ir ao banheiro, e grande foi a minha surpresa ao ver que Tae não estava em nenhuma das cabines!!



Capítulo 7 - Manda aegyo, Jimin! ♥

Merda, eu sabia que ia dar merda.
Por que é que eu tive a ideia estúpida de largar um coreano insubstituível na minha escola de merda, cheia de pessoas idiotas que não têm a mínima consideração por qualquer pessoa?
Quando descobrimos que Tae sumiu, inicialmente entrei em pânico, até Thereza me acalmar. O problema foi que, quando eu me acalmei, ELA entrou em pânico. Os papéis se inverteram.
- Certo. Calma. Vamos pensar. Onde ele pode estar?
- Tá de brincadeira, Thereza? Não faço a menor ideia. Alguém pode ter o visto entrando no banheiro, ele pode estar na diretoria, ou pior, pode ter saído da escola! Maldita a hora em que eu não peguei o número de celular dele!
Thereza e eu decidimos nos separar para procurá-lo durante o intervalo, e ligaríamos uma para a outra caso o encontrássemos.
Comecei olhando nos arredores da sala de coordenação. Vi vários preparativos para a formatura do terceiro ano, a minha sala. Lembrei que seria em dez dias. Puta merda, meus pais não iriam aparecer? Ninguém ia à minha formatura?
Se o Tae fosse, compensava todo o resto...
No que estou pensando? Ele precisa voltar para o estúdio e se preparar para o show...
Andando sem rumo e procurando aquele cabelo picante, eu o vi depois de dez minutos, faltando pouco para o sinal bater. Com a diretora falando com ele!
Comecei a suar. E fui até lá. O que eu ia dizer? Ela estava caminhando com ele (praticamente empurrando ele!) até a saída!
- Ah, com licença, diretora!!
- O que foi? - mulher seca. Custa você perguntar: ah, olá, querida, em que posso ajudá-la?, Ou então ah, entendi, certo!
A tia da cantina fala isso.
- Ele está comigo. Por favor, não expulse ele!
- Ele não responde uma palavra do que eu digo, menina. Ele está me desrespeitando!
- É porque ele não fala nosso idioma! Quantas vezes eu preciso dizer para alguém entender??
Ela pareceu ter ficado brava e franziu a testa.
Desde que eu me lembro, ela é a mulher mais chata na escola. Ela tinha sobrancelhas bem grossas, tipo, e muito juntas, parecia uma só. Podia tirar com cera e pinça, mas parece que ela QUER que os alunos tirem sarro dela. Porque fazemos todo tipo de piadinha (sim, eu faço também!).
A sobrancelha (sobrancelha, não sobrancelhas!) fez uma curva junto com a testa, e quase tive vontade de rir.
- Aham, sei...
- Oppa, o que eu faço? Ela não acredita em mim!
Ele não me respondeu. Será que continuar insistindo ia adiantar?
- Diretora, por favor, se ele fosse um estranho, porque eu ia mentir dizendo que eu o conheço? - Isso não é problema meu. Se a senhorita quisesse trazer um amigo aqui, pedisse para um responsável matriculá-lo!
Senti raiva.
Sabe nos animes, todos aqueles símbolos de animes, tipo a gotinha, que indica quando você está se sentindo meio impaciente, ou aquela veia gigante na sua cabeça, quando você está bravo?
Senti a veia pulsando na minha testa. Então a lâmpada se acendeu sobre minha cabeça e tive uma ideia, e fingi ter desistido. Falei para ele esperar.
A diretora seguiu até a porta de saída, puxando o oppa com ela. No momento em que a porta se abriu, saí correndo e puxei Tae comigo.
- Corre, Tae!! A hora é agora!!
Eu o soltei, e ele continuou correndo, me seguindo. Olhei para trás, e a diretora gritava o meu nome, muito brava. V olhou para trás, mas não parou. Pelo contrário, ele parecia estar se divertindo, pois riu de um jeito que me deixou aliviada e feliz. Então ri junto.
Quando chegamos em casa, corremos para meu quarto e ficamos rindo até não podermos mais.
- Nossa, Vicky-chan, não acredito que você fez aquilo... no meio da rua, hahaha...
- Nem eu, mas era o único jeito de conseguir escapar...
Quando a canseira passou, o telefone fixo tocou lá embaixo, e minha avó atendeu. Tive um calafrio quando imaginei quem poderia ser, então me esgueirei na escada para ouvir. Tae me observou e pareceu achar graça.
- Alô? É de onde? Escola? Vicky? Quem tá falando? Fugiu? De onde? Asiático? Quem é?
Minha avó atendendo ao telefone é muito engraçado. É cruel dizer isso, mas é. Me lembra aquele vídeo que estourou na internet de um drogado, nem lembro o nome dele, mas ele ficava dizendo coisas sem sentido, tipo: "Romero Brito? Meu cu? Katrina?".
Provavelmente quem ligou perdeu a paciência, então desligou. Com certeza era da minha escola, e como meus pais estavam viajando não iam saber.
Oh, oh, espera. Eles podiam ligar no celular deles... merda... Precisava dar um jeito na situação...
Meu padrasto era um ótimo pai, em todos os sentidos, mas se eu me encrencasse na escola, sentiria que tinha sete anos de novo, porque eu me ferrava feio.
Voltei para o quarto e espiei Taehyung falando com Jimin no Whatsapp. (De novo), fui espiar.
Jimin: nem pista de o quão longe você pode estar do estúdio?
Tae: nope.
Jimin: mas assim fica difícil... a gente tem que ir dar uma entrevista pra um canal que não lembro o nome, em alguns dias, e o que vamos dizer quando perguntarem de você, V??
Tae: diz que eu sumi, ué. Não é isso o que aconteceu?
Jimin: ...
Tae: Além disso, embora eu realmente queira encontrar vocês, a garota que está me ajudando é muito divertida, estou gostando de passar um tempo com ela...
Corei na hora.
Jimin: hmm, vai vendo, porque pode ser só mais uma fã... Por falar nisso, manda um beijo pra ela e que a gente agradece por ela estar com você.
Antes de eu poder olhar para Tae, ele tascou um beijo na minha bochecha e foi responder. Corei. Aposto que eu teria tido uma hemorragia nasal exagerada.
- Tae...
- O Jimin pediu, hihi. Além disso, eu estava querendo fazer isso. Eu gosto de fazer isso com as pessoas que eu gosto.
Fiquei muda. Para com isso, parece uma babaca!
- Oppa, pede pra ele mandar uma foto fazendo aegyo?
Tae: ela pediu pra você mandar uma foto fazendo aegyo.
Então a foto mais fofa do mundo inteiro do meu bias chega.
PORQUE EU PEDI!
Jimin: ^^ espero que goste
- Tô quase desmaiando aqui, acha que eu não gostei?
Ele começou a digitar o que eu disse.
- Espera ai, tá doido?? Manda isso não! - ele riu.
Tae: preciso ir, Jimin, depois nos falamos, tá? Até mais, hyungs.
Só então notei que eu recebi Whatsapp da Thereza. Que estava desesperada, por sinal.
Thereza: DIABA, CADÊ VOCÊ? A GENTE ENTROU FAZ UM TEMPÃO. ACHOU O TAE?
Vicky: oi... esqueci de te avisar...
Thereza: avisar o quê?
Vicky: fugi da escola com o V...
Quase ri na mesma hora... é meio estranho dizer isso a alguém...
Thereza: QUÊ? VOCÊ O QUÊ?
Vicky: eu vi a diretora expulsando o Tae, então, quando ela abriu a porta, o agarrei e saímos correndo...
Vicky: foi até engraçado...

Thereza: meu Deus... imagino a cena, hahaha... a dona Sobrancelha gritando que nem uma velha de desenho "voltem aqui, crianças!!"... falta só falar como se estivesse meio banguela, hahaha...
Thereza: bom, pelo menos vocês estão bem, né?
Vicky: sim... o problema foi que ela ligou aqui e minha avó atendeu. Não deu em nada, você conhece minha avó, mas vai ser problema se eles ligarem no celular dos meus pais...
Thereza: torcer pra não dar em nada...
Vicky: ok, vou fazer alguma coisa pra gente comer aqui, tchau T.
Thereza: depois da aula eu passo aí, ok? Ah, e esqueci de dizer, a escola de idiomas me ligou, anteciparam a aula do Tae pra amanhã, e o material chega hoje por correio, tá? Beijo.
Por mais encrencada que eu pudesse estar, aquele dia foi muito divertido.

♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥


À noite, recebemos o material de português de Taehyung. Ele começou a folheá-lo, todo animado. Estava visível.
- Isso é tão legal, Vicky-chan! Eu quero me comunicar com outras pessoas além de você. Vai ser tão legal!
Senti uma pontinha de ciúmes no meu peito.
Para com isso, baka!
-Então... vai ser bem legal... será que você já vai conseguir falar alguma coisa amanhã?
- Espero que sim, o alfabeto ocidental eu já sei grande parte...
- Sério? Que legal...
Obviamente, eu não ia dar as caras na escola amanhã, e espero que eu consiga passar. Se tudo der certo, vou conseguir uma visita aos bastidores antes do show!



Capítulo 8 - Casal de drag queens

DIA 5

Já havia passado algum tempo desde o incidente da escola, e oficialmente, eu estava de férias, e Tae, no curso.
- Vicky-chan, você pensou em alguma coisa que poderíamos fazer hoje?
Que merda, pensei em nada... Ah claro, eu estava ocupada demais pensando no que minha mãe diria se descobrisse que eu estou perto de tomar uma suspensão na escola e um coreano está morando comigo. Nos últimos cinco dias, 50% dos meus pensamentos se baseavam nisso.
"E a outra metade?"
Ninguém precisa saber.
- Não, desculpe... hmm, que tal você usar as roupas que compramos? - sugeri, quase rindo só de imaginar a cena.
- Ahhh, isso vai ser interessante... Mas faço com uma condição.
- Qual?
- Você tem que se vestir de garoto.
Oi??
- Eu empresto as minhas roupas - disse, rindo - Bom, pelo menos as que servirem, né?
Estou com ele já tem uns dias, então, o calorzinho do "estou com um k-idol" já passou. Pelo menos o excesso, porque ainda sinto um friozinho na barriga quando acontece algo desse tipo. Principalmente desde o beijo.

♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

Roupa de garoto é tão confortável!
Não, sério! Vesti o suéter laranja claro do V, que ficou meio grande em mim, mas duvido que se ele usasse ia ficar apertado. Parece um pijama.
As calças foram um probleminha. Coloquei a jeans do menor número que ele tinha, mas não importa, porque sempre caíam. Pior foi quando tentei colocar o cinto dele. Nenhum buraco fechava porque eu sou muito magrela... ou muito pequena.
Hahaha.
Se eu tivesse comprado roupa masculina escolhendo o tamanho, será que serviria?
Duvido.
Coloquei o cinto no último buraquinho, deixando um pedação de tecido pra cima e pra fora da calça, mas o suéter cobria. Pra não deixar as calças caírem (nunca achei que diria isso!), eu peguei o que tinha ficado do largo do cinto e amarrei. Ficou um calombo na minha frente. Parecia que eu estava...
...excitada...
SE EU FOSSE UM HOMEM!! Menina não aparenta quando está, hehe.
Nossa, só sai merda da minha boca, melhor eu parar...
Quando voltei pro meu quarto, Tae estava vestido. Juro, parecia muito uma garota.
Eu nem tinha visto as roupas que ele comprou. Mas ficaram legais.
Legais ou engraçadas?
O que ele estava usando era uma blusa tomara que caia (faltava pouco pra cair!) rosa, que só não caiu por causa de um prendedor atrás. Quando eu vi, dei muita risada.
A calça que ele estava usando era uma jeans, não muito agarrada, meio rasgada e com partes roxas.
O sapato foi o ápice. Um peep toe super de menininha, rosa-bebê e meio brilhante.
Quando nos encaramos, começamos a rir ao mesmo tempo.
- Meu Deus, oppa, você pegou um peep toe? - eu disse, entre risos.
- Hahaha, como você fez o cinto parar? Você é muito fininha pra ele... - disse, enxugando uma lágrima ¬- Hmm, vamos deixar isto mais interessante?
Fiquei meio assustada, e meio hesitante.
- Como?
- Vamos desfilar, querida! Cadê as luzes pra mostrar a diva escondida em mim?
Ele começou a andar forçadamente (e de maneira muito engraçada!) como uma modelo no meio do meu quarto. Ok, ele começou a desfilar no curto espaço de chão que tinha no meu quarto e tinha um metro e meio.
- Narra! - ele sussurrou.
- A divosa... TaeTae está exibindo uma blusa da marca Bijosa, a melhor da coleção primavera-verão. A calça... - comecei a rir no meio do discursinho. Nossa, quanta criatividade pra criar o nome da marca - E a calça é cortesia da Mrs. Sipi Queen e... hahaha não dá, Tae - derrubei meu microfone imaginário e tive um ataque de riso. Sentei no chão e ele insistiu para que eu levantasse e tentasse desfilar. Quando ele começou a falar, senti um arrepio. O curso estava dando ótimo resultado.
- Seniôr Vicu Tori estás usando o suéter raranja -camaro em conjunto a galza da marca Dez Espero, e a cinto do tipo "grande demais pra ele". Olhem só, parece que nosso modelo é bem magro, não é?
Comecei a ter um ataque de novo. Não foi por causa do sotaque dele, que era fofo e engraçado, mas do discursinho que ele bolou, e conseguiu traduzir facilmente. Com pequenos erros, mas conseguiu. Quando parei, Tae estava sentado do meu lado. Corei.
- Você falou muito bem.
Sorriu.
- Obrigado, Vicky-chan.
Sorri também e ficamos nos encarando. A distância entre nossos rostos era diminuta. Ele parecia não perceber, mas eu sim. E se ele percebeu, fingiu indiferença.
Nos afastamos rapidamente quando ouvi um estrondo lá embaixo. Preocupada, desci as escadas rápido e vi a vovó Fran caída no chão, se retraindo, e segundos depois, inconsciente.
- Ai, meu Deus! - gritei, correndo e tentando ver se ela ainda estava viva. A circulação parecia ok, mas ela não respondia aos meus chamados. Fiquei desesperada.
- Calma, Vicky-chan, a gente pode...
- ESTOU CALMA! NUNCA MANDE UMA MULHER NERVOSA FICAR CALMA, TAEHYUNG!
Ele pareceu se assustar e recuou um pouco. Sem dizer nada, pegou o celular e discou o número da ambulância.

♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

Esperando, sem saber o que acontecera, eu estava sentada na sala de espera com Tae, pensando no pior. Minha avó nunca tivera nada sério, mas fiquei pensando que podia ser.
Quando o médico saiu do quarto, vinha com uma prancheta na mão e uma cara séria.
Qual é a dos médicos? São imprevisíveis e são todos iguais. Não importa se a notícia é boa ou ruim, eles assumem sempre a mesma postura. Chega ser irritante não conseguir prever o que eles vão dizer.
-A sua avó sofreu uma lesão na cabeça recentemente, teve meningite, neurocisticercose ou algo do gênero?
Está falando grego, doutor. Não sei de merda nenhuma, quem cuidava da minha avó era minha mãe.
- Não que eu saiba, mas ela tem alzheimer.
Ele ficou quieto e anotou na prancheta. Médicos me irritam.
- Ela está desenvolvendo epilepsia. É uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro.
Entendi nada.
- Pode ser tratada com medicamentos por um bom tempo. Tem algum responsável por ela, além de vocês dois?
- Na verdade, meus pais estão viajando para fora do país e só voltam em uma semana.
- Receio que não possamos fazer muita coisa por agora a não ser mantê-la aqui, o que já iria ocorrer. Ela vai ficar hospitalizada por alguns dias.
Depois de terminarmos de acertar tudo, voltamos para casa, sozinhos e a pé. Senti um forte remorso. Eu estava, de certo modo, animada por ficar sozinha em casa com Tae. Mas à custa de quê? Da minha avó epiléptica.
Tae deve ter me notado cabisbaixa.
- Que foi?
- Nada, não, vamos comer nutella - disfarcei, indo pegar o pote na geladeira, mas ele não desistiu. Quando notei, ele estava na minha frente.
- Me conta, por favor.
NEM A PAU.
Por que eu iria contar pra ele que eu desconfiava que estava desenvolvendo sentimentos por ele?
Porque eu estava começando a ter certeza de que eu realmente gostava dele. Não como idol, mas como pessoa.



Capítulo 9 - Garotas normais e seus crushes X V & V

DIA 7

Outro dia se passou. Faz uma semana que Tae está morando comigo (sim, comigo, sozinha, pois minha avó só sairia do hospital depois de vários dias). O tempo que passamos juntos está sendo valioso e muito divertido para mim.
Hoje, Thereza embarcaria para ir a Disneyland, então Tae e eu a acompanhamos no aeroporto.
Foi muito legal ver o avião decolando, já que eu nunca tinha ido a um aeroporto como aquele antes. Ficamos olhando pela janela, depois que o avião de Thereza partiu.
- Nunca andei de avião - puxei assunto.
- Sério? - respondeu Tae.
- Tenho muita vontade de sair do país.
- Pra onde você queria ir, Vicky-chan?
Nem pensei duas vezes.
- Pro Japão, a visita. E depois, moraria na Coreia do Sul, em Seul. Tem sido meu sonho há muitos anos.
- Acho que você ia gostar da Coreia. Mas lá faz muito frio, aqui é gostoso e quente.
- Detesto calor.
- Acho que eu moraria aqui fácil, no verão, lá não passa de 20º, hehe.
- Isso não é uma coisa boa?
- Seria, mas nunca dá pra passear usando roupas confortáveis, sempre muita roupa. Além disso, nunca é o tempo ideal para ir à praia. A última vez que eu fui foi há muitos anos.
Fiquei pensando. Tem uma costa que vive lotada no verão, aqui em Florianópolis. A vista é uma linda, e, por mais que eu odeie calor, curto muito ir lá. Será que não consigo dar um jeito de levar o V pra lá?
- Annyeooong, Vicky-chan?? Tá acordada?
Desperto dos pensamentos.
- D-desculpe.
- Você disse que queria ir para o Japão, mas você fala japonês? - Hai! - respondi, numa cara séria e brincalhona - Todo o vocabulário que eu conheço provém dos animes!
Ele começou a rir, o que me fez me sentir bem.
- Hahaha, então, em suma, a mesma coisa que eu sei, certo?
- O que você sabe de japonês?
- Itadakimasu, sugoi, ohayou, arigatou.
Ver Tae pronunciando aquelas palavras com sotaque era a coisa mais fofa do mundo. Me deu arrepios.
- Haha, não está muito longe do que eu sei também...
- De que animes você gosta, Vicky-chan?
- Naruto, Owari no Seraph, Shingeki no Kyojin.
- Oi?? Qual o nome do último que você disse??
- Shingeki no Kyojin. Ataque dos Titans, se você preferir.
- O nome parece interessante, do que se trata? - Nem sei se conto... você gosta de animes com... hmm... violência?
- Depende.
- Tá, quero que você assista essa noite! Em troca, assisto um que você me indicar.
- Challenge... accepted.
- Você fala inglês fofamente. Mas não foi um desafio.
- Haha...

♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

Decidimos dar uma volta na cidade antes de voltarmos para casa. Tae pediu para eu mostrar algumas coisas interessantes da cidade, mas eu não sabia absolutamente nada de legal ali, tipo turismo, até porque eu cresci lá. Mas então tive uma ideia.
Tinha uma praça que existia desde antes de eu nascer. Ela sempre fora rodeada de flores e árvores, nas quais eu adorava subir e ficar pendurada. Foi lá que quebrei o braço pela primeira vez, depois de cair de um galho alto. Ainda rio muito lembrando disso. Tinha até um laguinho, onde eu gostava de sentar para molhar os pés.
Porém, quando eu cheguei lá, não acreditei no que meus olhos me mostravam.
Aquilo podia ser chamado de pracinha? Estava com... tipo, 70% do lugar todo cimentado. O laguinho não conseguia mais ser visto. Tinha umas três, quatro árvores, ainda. E um canteiro minúsculo de flores que permaneceram intactas.
- O que tá acontecendo aqui?
Fiquei desesperada. Sei que aquele lugar não me pertence, mas pertence às minhas memórias! Eu não quero perdê-lo!
Não tinha ninguém trabalhando lá. Era sábado, de tarde. Então perguntei pra uma senhora que estava passando o que tinha acontecido.
-Você não soube, querida? Eles vão tirar mais um pouco ainda dessa praça pra poder construir uma lojinha.
- Não acredito!
- Nem eu, eu sempre adorei essa praça. Foi aí que passei grande parte da minha juventude...
Fiquei muito chateada e olhei para o nada, lembrando de como ela era. Tae, como sempre, percebeu e me perguntou o que houve.
- Estou triste, oppa. Essa praça era o lugar mais lindo do mundo, tinha tantas flores, árvores, bancos, um lago... eles tiraram tudo pra fazer uma merda de uma loja!
Pode ser exagero, mas senti uma lágrima querendo sair. Não, não é exagero. São as minhas lembranças machucadas, e eu queria formar novas com o V ali, mas agora não dava mais.
Acho que Taehyung não gostava de ver pessoas tristes, porque tentou enxugar minhas lágrimas, pegou meu queixo e ergueu em sua direção. De novo, corei e fiquei muda.
- Você não deveria ficar tão chateada pela destruição de um lugar. Isso é uma coisa muito material. Você pode ter toda a razão em ficar triste em função de suas memórias criadas aqui, mas pelo menos você as tem. Ficar triste pelo material é estupidez. Da próxima vez, magoe-se por ter perdido uma coisa emocional, como uma pessoa. É a pior coisa que existe. Porque, mesmo tendo as lembranças, você não consegue refazer os momentos dessa pessoa, que viveu e gastou parte de sua vida com você.
Fiquei muito mais muda depois daquele discurso do utt. O pior é que ele estava certo. O material a gente supera. Parece discursinho de igreja vindo diretamente da pessoa que eu, aparentemente, amo.
Espera ai, quê?
Afastando esses pensamentos da cabeça, andei até o canteirinho de flores. Embora fossem poucas, eram lindas, e fiquei observando o vento balançando-as. Tae me imitou.
- São lindas, não são?
Assenti.
- Pelo menos não tiraram esse canteirinho...
Tae arrancou uma das flores.
- Ei, o que você está fazendo?
E a colocou na minha orelha. Sorri, me sentindo feliz.
Garotas normais ficam coradas e se cagando de vergonha pro crush. Eu não. Principalmente pelo fato de que meu crush é Kim Taehyung. Então peguei uma flor e tentei colocar no finíssimo cabelo dele. Só encaixou porque eu pus na orelha.
Ele riu, e eu também. Fomos até uma venda de açaí ali e compramos.
- Você já comeu açaí, oppa?
- Não... Por que ele está cheio de doces no meio? - Para dar um saborzinho a mais para ele.
- Posso provar, sem nada por cima?
Cavouquei com a colher por baixo do leite ninho, os amendoins, bananas e paçocas (sim, eu encho meu açaí de comida!) e coloquei a colher na boca dele.
Desta vez, ele não engasgou.



Capítulo 10 - Assistindo animes com o oppa

DIA 8

A reação de Tae ao assistir Shingeki no Kyojin foi muito engraçada. Decidi mostrar a ele o anime pra ver o que ele achava, e em troca, ele tinha que me mostrar outro.
Ri mais com a reação dele do que eu ria assistindo Chaves.
Quando o titan devorou a mãe do Eren, acho que eu fiquei meio horrorizada e com muita pena do Eren. O Tae riu e comentou que o titan era engraçado.
- Estou com pena da mãe dele, mas hahaha, aquele titan é muito esquisito! Hahahaha, ela morreu de forma TÃO patética.
Nossa... caçoou da maneira que a velha morreu... não faz isso não...
Ri junto, mas tentei contrariar.
- Hahaha, mas coitada... O bicho partiu ela no meio, oppa.
- Desculpa, hahaha, mas eu achei os titans muito engraçados...
- Bom, é meio esquisitinho o jeito que eles correm, eu só ri mais do que você riu agora assistindo o Rock Lee lutando depois de beber saquê...
-Nossa, é mesmo... cara... como alguém faz isso?? Huehuehuehuehue, mas agora quero ver outro episódio! Já estamos em qual, no quinze?
- Hm, okay, hehe, mas eu quero que você me indique outro anime depois...
- Combinado.
Eram quatro horas da manhã do dia seguinte. A gente virou a madrugada assistindo anime. A última vez que eu fiz isso foi há um tempão, e a Thereza estava junto. Quando meus pais acordaram, surtaram e mandaram a gente ir dormir. Dessa vez não tinha ninguém pra desligar a TV ou mandar Tae embora.
Levantei-me pra ir pegar mais pipoca na cozinha e o Tae esperou deitado no colchão no chão, onde ele andou dormindo.
Enquanto eu reabastecia o balde, não conseguia tirar V da cabeça. Por que eu estava me alterando tanto? Eu sentia que realmente estava brotando algo novo por ele dentro de mim, mas estava tudo muito bagunçado... Eu precisava pôr as peças em ordem.
Quando voltei pro quarto, não vi Tae.
Olhei em volta, mas não quis acender a luz, porque sabia que ele estava fazendo alguma brincadeira.
Quando estava prestes a virar para a TV, Tae pulou em mim e me deu um susto. Bom trabalho, assustou uma trouxa. Gritei e dei risada. O problema foi que ele montou em cima de mim, e eu não aguentei. Então caí em cima do colchão, com ele por cima de mim. Rimos ainda mais.
Eu só ri com vontade porque não ia ser uma situação clichê, onde duas pessoas estão uma por cima da outra e chega alguém, já que estávamos sozinhos em casa.
A minha avó continuava no hospital, e ainda não sei se minha mãe soube que eu fugi da escola.
Minha formatura seria em dois dias, e nada dos meus pais, nem notícia de que eu não poderia me formar por fugir da escola no último dia. Mas dane-se, eu ia me formar.
Taehyung parecia confortável em cima de mim, então nem levantou.
- Você tá brincando? - disse, tentando parecer séria, mas estava rindo - Sou travesseiro, agora?
- Não, é uma cama. Senão, eu estava só com a cabeça em você - disse, sorrindo para mim.
Ri.
- Sai, oppa (haha).
Ele finalmente se levantou e consegui respirar. Quando recuperei o fôlego, tivemos um ataque de risos. Parecia que isso era tudo o que a gente fazia.
E daí? Segundo o ditado, quem ri, os males espanta.
* Tae: é quem CANTA, os males espanta. Acho que rir é o melhor remédio.
Vicky: nossa, acabou de aprender o verbo ser e já sabe mais que eu...
Tae: haha *
- Vira o rosto que vou pôr um anime agora, Vicky-chan.
Obedeci. Quando me virei, fiquei com medo.
BOKU NO PICO. NO, PLEASE, NO.
- KIM TAEHYUNG, EM NOME DE BIGBANG EU TE IMPLORO QUE TIRE ISSO AGORA! - tentei tirar, mas ele estava monopolizando o mouse do meu computador, e não tirou a mão por nada.
O desespero me fez tirar o computador da tomada no ato.
- Desculpa, não aguento assistir isso duas vezes.
Ele riu.
- Nem eu, haha.
Olhei no relógio. Quatro e meia.
- Acho melhor dormirmos, estou ficando com os olhos fechados...
- Também acho - ele se deitou - Boa noite, Vicky-chan.
Deitei na minha cama e dormi na hora.
O negócio foi quando eu acordei, duas horas depois, senti alguma coisa me agarrando pela cintura e me assustei. Tentei me virar, mas estava me segurando. Virei só a cabeça e consegui ver o que era. Era Tae.


Capítulo 11 - Saranghae

DIA 8

Naquele mesmo dia, terminamos a primeira temporada de Shingeki no Kyojin. Então, Tae recebeu a mensagem que eu não queria que ele recebesse.
Namjoon: Tae, você está nessa casa, não tá?
Tae: Eita, estou sim, como vocês me acharam?
Namjoon: Rastreamos seu celular.
Tae: Nossa! Que coisa de stalker.
Namjoon: Mas te achamos, estamos aqui na frente.
Namjoon: Bom, eu e o Jimin.
Tae: Ah, não creio! E a minha amiga tem loucura pra conhecer vocês! Ela pode fazer umas visitas no estúdio, né? Pode, né?
- Não, Tae, ele vai achar que sou uma fã maluca...
Namjoon: ...Acho que não faz mal.
Tae: Que bom!
Espiando as mensagens como sempre, corri lá fora e vi o Jimin e o Namjoon parados na calçada da minha casa. Achei que ia ter um treco, mas apenas sorri e fui cumprimentá-los, animadinha e tímida.
Eu sou fã coreana ou brasileira? Porque brasileira é tudo atirada, tipo "UHUUUUU GOSTOSO VEM NIMIM!"
- Namjoon-oppa! Jimin-oppa! Oie!
- Oi, tudo bem? - disse Namjoon, se curvando levemente. Fiz o mesmo, já que a mão que estendi foi deixada de lado. Fiz o mesmo com Jimin, e Tae apareceu logo atrás de mim.
- Obrigado por ter encontrado ele!
- Ah, que isso...
- Hyungs, ainda dá tempo do show se eu voltar agora, né? - V perguntou aos amigos.
- Dá, sim. - respondeu Jimin. - O táxi tá esperando a gente. - Namjoon já havia entrado.
- Ah, já vou. Espera aí! - Tae se virou para mim. - Vicky-chan, você não quer vir hoje?
- É? Sério? Fiquei pasma e arregalei os olhos.
- Quê? Claro!
- Obrigada! - no fundo ainda sou uma fã doida. Mas naquela hora, a Thereza fez muita falta.
Entrei no táxi, toda sorridente, sentada com os oppas no banco de trás. Nos esprememos naquele carro pequeno, e eu estava BEM colada no V, o que me fez sentir meu rosto queimando.
- Você tá bem, Vicky-chan? - me perguntaram.
- S-sim, só estou animada. - respondi. De certo modo, era verdade.
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

Prestei atenção em cada detalhe do caminho que passamos. Lógico que eu ia querer voltar ao estúdio.
Quando entramos, me arrepiei ao ver os outros membros se aquecendo antes de praticar alguma coisa. Onde eu fui? Para a sala de dança onde eles praticavam. Naquela filial, era uma sala relativamente grande, com piso de madeira e um espelho ocupando uma parede inteira.
Jungkook. J-Hope. Jin. Suga. Rap Monster. Jimin. V. Todos juntos. E prestes a dançar, o que me animou como eu achei que nunca ficaria animada.
- Oi gente, voltamos e achamos o V. - disse Jimin, animado - E trouxemos a amiga dele pra observar nosso treino hoje. - ele me empurrou de leve, como um amigo faz quando você está na frente do seu crush. Bom, eu estava perto de todos os oppas extremos.
- Hum, oi, eu sou a Vicky...
- Oie! - juro que Jungkook veio correndo e quase pulou em cima de mim. ¬- Tudo bem? Você é muito fofa, devia ser uma boneca. E o V? Deu trabalho? Vocês dormiram juntos? Vocês se beijaram?
Ri nas primeiras perguntas. Nas duas últimas, corei e neguei com desespero. Idiota. Não se nega esse tipo de coisa com desespero!
- Claro que n-não! - disse, suando. PARA COM ISSO, VAI ENTREGAR QUE VOCÊ GOSTA DELE DE BANDEJA PRO GRUPO INTEIRO?
O sentimento de ânimo extremo por estar perto dos bias passou, e agora eu me sentia apenas animada por observá-los.
Sentei e observei durante um bom tempo, perdendo a noção dele. Quando olhei no relógio, eram sete da noite. MEU DEUS!
- Ah, então, foi muito legal hoje, obrigada por me deixarem vir. - disse, durante uma pausa.
- Já vai, Vicky? - perguntou Hoseok.
- Preciso, tenho algumas coisas para fazer em casa. Foi muito divertido, obrigado por me aturarem hoje. - respondi, brincando.
- Você é tão fofa, fica mais um pouco! - disse Jungkook.
- Você é fofo também, Jungkook-oppa. Preciso ir, mas antes vocês podem... Hum... - apenas mostrei meu celular.
- Claro! - respondeu Seokjin. Os meninos vieram em minha direção e tirei a foto rapidamente, antes de dizer tchau e sumir.
Foi realmente legal a semana que passei com Taehyung, mas eu senti que faltava algo, que eu queria algo mais. Ainda sem saber o que era, caminhei em direção a um táxi. Porém, V me parou antes.
-Hm? O que foi, oppa?
-Ah, V-Vicky-chan, eu queria te agradecer antes de você ir embora... Foi muito divertido, e... bom obrigado...
- Não foi nada, V. - nada mesmo, acredite. - Relaxe.
- B-bom, eu queria te dar isso antes de você ir.
- O quê?
- Ele estendeu uma camiseta linda com o coletinho do BTS.
- Bom, eu sei que você com certeza tem um milhão dessas, mas queria te dar. - ele a virou. - A gente assinou nossos nomes aqui. - e depois sorriu fofamente.
CAMISETA AUTOGRAFADA DO BTS, AH!
Eu realmente não tinha camisetas. Tinha tudo, menos camiseta. Agora tenho e autografada! É, no fundo, eu ainda era uma fã doidona.
- O-obrigada, Tae-oppa. - sorri para ele.
Depois de alguns segundos de silêncio, Tae me abraçou de uma maneira reconfortante.
- Você pode vir ver a gente sempre que quiser. - sussurrou ele em meu ouvido, o que me causou arrepios.
- Você pode vir me visitar quando quiser - respondi, abraçando-o também. Então me virei para o táxi e entrei. - Até mais, oppa.
Acenei do vidro do carro, até ele se tornar um ponto. Ele disse alguma coisa depois de distante, mas não consegui entender o quê.
- Saranghae. - murmurei para mim mesma, dentro do táxi, mesmo sabendo que ninguém me ouviria.



Capítulo 12 - Lábios de um asiático

Vários dias se passaram desde que Tae voltou para o estúdio com o grupo e estou sozinha desde então. Relativamente sozinha, porque minha avó voltou do hospital tem uns dias e eu estou cuidando dela. Minha mãe deu permissão por telefone pra ela sair do hospital, mas as perguntas que ela me fez me deram um frio na espinha.
Rita: Sua avó vai sair do hospital e vai ficar de cama. Ela vai precisar muito de sua ajuda, viu amor?
Vicky: Tá, vai dar tudo certo.
Rita: E como você ficou enquanto ela estava fora? Ficou bem sozinha? A casa não caiu?
Vicky: Fiquei bem! Fiquei chateada por você não virem na minha formatura.
Rita: Ah, amor, relaxa, desculpa a gente, mas podemos fazer uma video-chamada e tal.
Vicky: Boa ideia...
Rita: E como foi ter a casa só pra você por uns dias?
Maravilhoso, principalmente porque um coreano incrível estava comigo.
Vicky: Foi bem legal, fiz maratona de animes e comi porcaria.
Isso era uma meia verdade.
Rita: Que bom, meu amor. Agora preciso ir, volto em uma semana! Te amo.
Vicky: Tchau mãe.
Uma semana.
Minha formatura é amanhã. E o show do BTS no dia seguinte.
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

Tae me visitava vez ou outra e eu ia ao estúdio com certa frequência observá-los. Uma coisa legal é que desenvolvi um relacionamento com os outros membros, pois a) era uma delícia conversar com eles, e b) eu estava ajudando nos paranauês do estúdio, ajudando o empresários, Sejin para dar uma mão. O que seria um relacionamento fã-ídolo, se tornou amizade.
Estava pensando em como seria minha formatura sem ninguém pra ir. Nem a Thereza. Faltavam algumas horas, então me vesti, guardei a beca e desci, chamando um táxi para a escola.
No banheiro, me vesti e me observei no espelho. Passei por muita coisa durante anos, e agora estava ali, pronta para abandonar o colégio e começar a faculdade.
Eu nem sabia o que queria fazer direito ainda. Pus qualquer coisa na inscrição do Enem e fiz a prova. Nem lembro o que coloquei.
Fui até o auditório, onde iam entregar os diplomas e me sentei numa fileira mais à frente, esperando chamar meu nome. Fiquei com a mente voando enquanto isso. O cara, que não sei se era diretor, faxineiro, professor, ou aluno me chamou três vezes até eu prestar atenção.
Me levantei e me arrastei pro palquinho que tinha ali, peguei meu diploma, olhei pra plateia, sabendo que não tinha nenhum conhecido ali e... Vi todo o BTS sentado na última fileira, gritando coisas pra mim em coreano.
Aquilo seria passar vergonha?
Definitivamente não.
- VICKY-CHAN! PARABÉNS!
- VICKY-CHAN! UHU!
Definitivamente, era um sonho realizado. Não precisava de mais ninguém ali, só eles me faziam felizes. De novo, não porque eram idols, porque eram meus amigos.
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

- Vocês vieram? Como vocês sabiam que eu estaria aqui? - eu estava surpresa demais, e feliz demais, então, estava engolindo as palavras.
- Você tinha me contado, lembra? - respondeu Tae.
¬- Não, não lembro!
- Tá, eu fucei na sua agenda. E talvez tenha lido uma parte do seu diário.
Parecia um pimentão ambulante.
- VOCÊ O QUÊ?
Ai meu Deus, ferrou, será que ele leu a parte que eu gostava dele?
- Calma, li um dia só, e foi no comecinho.
Ufa.
- Não pegasse as minhas coisas! Nossa, por essa eu não esperava...
- O que estava escrito, Tae? - Jungkook, sua curiosidade às vezes é irritante...
- Ah, 75 por cento era sobre ela ouvindo kpop, e...
- JÁ SABEM DEMAIS! - cobri a boca de Tae forçadamente.
- Nossa, relaxa, Vicky, ele fuça as nossas coisas também - Yoongi, sua tentativa de ajudar foi falha, desculpe...
¬¬- Depois do Jungkook, o V é a maior criança aqui. - comentou o manager deles, Sejin.
- Então, Vicky-chan, parabéns! - disse Namjoon, comendo do mini-bufê que tinha naquele auditório. Eles não iam bancar baile, então teve a cerimônia de entrega e comida. Já que teve comida grátis, não reclamei.
- Hum, Namjoon-oppa, isso é quibe, pode estar bastante apimentado...
- Tudo bem, eu não ligo. - disse pegando uma garfada.
Ele pensa que eu não vi e não ri quando ele disfarçadamente cuspiu e jogou fora na lixeira ao lado. Conversamos por mais um bom tempo, depois fomos embora e J-Hope me perguntou se eu não queria ir ao estúdio com eles.
- Hum, mas eu fui lá esses dias atrás.
- O V quer ensinar uma dança pra você. - aparentemente, Yoongi dedurou Tae, porque ganhou um soquinho no ombro do amigo. Além disso, ele estava corado. Ri de uma maneira amigável.
- Claro! Só vou me trocar.
Ao chegarmos no estúdio, apenas coloquei algo mais confortável e voltei à sala de dança.
¬- Que música você quer, oppa? - só então notei que os outros membros também estavam por perto. - ...Oppas.
- Você escolhe, e eu... A gente ensina pra você.
Hum, aquilo ia demorar.
- Fire! Adoro Fire! Adoro a dança, quero Fire!
Ah, foi muito divertido e, resumindo, aprendi a coreografia toda, estava querendo aquilo há muito tempo, mas nenhum tutorial era o suficiente pra mim.
- Nunca dancei direito, mas hoje já estou me sentindo uma idol!
Tae riu, e os membros foram fazer outra coisa no estúdio, nos deixando sozinhos.
- Não é difícil, Vicky-chan, acho que aquele ditado se encaixa perfeitamente aqui.
- Que ditado?
- "Dance conforme a música".
- Você adora citar ditados, né?
- Haha.
Tomei outro gole da minha água.
- Tae, tem um passo que eu não aprendi direito, vem cá. - fui para o meio da sala, puxando V.
- Qual?
- A parte do final.
Ele repetiu a parte pra confirmar e tentou me instruir. Pateticamente, errei repetidas vezes.
- Não, essa mão fica aqui. - sem notar, ele veio por trás de mim e pegou minha mão, tentando mostrar a posição certa. - As pernas tem que fazer um movimento tipo assim... E a cintura tem que fic...
Antes de percebermos, estávamos nos olhando de uma maneira estranha. Estranha, não. Eu só não sabia definir essa maneira.
Intensa.
Eu sentia que havia alguma coisa. Algum calor, alguma química. Eu sempre soube, mas só me dei conta agora.
Sem dizer nada, ele me puxou levemente e levou seus lábios aos meus. Não sentia nada. Não pensava em nada, apenas no que estava fazendo, e em como eu estava gostando e curtindo. Retribuí o beijo.
O momento era prazeroso e me deixava confortável, mas nós dois tivemos a sensação de sermos observados.
Não era só sensação. Rapidamente nos afastamos e olhamos para a porta de entrada da sala.
Jungkook.



Capítulo 13 - Por favor, não vá!

Fodeu.
No momento em que olhamos nos olhos de Kookie, ele saiu correndo feito um doido. Lógico que corremos atrás.
É errado eu achar certa criancice da parte dele ele ver algo que não deveria ter visto e sair correndo pra contar pra alguém? Pra mim, é!
- Jungkok!
Corri e parei na frente dele, mas isso não o impediu de se desviar. Fiquei olhando. O que eu ia fazer?
Tae sabia o que fazer.
No momento em que ele estava numa velocidade rápida o suficiente para alcançar Jungkook, ele agarrou os pés dele e fez ele cair junto com ele. Segurei o riso.
Ainda assim, Jungkook tentou se arrastar pra onde estavam o resto dos meninos. Me senti forçada a pedir que não contasse nada.
- Oppa, por favor, não conte nada para eles! Por favor!
- M-mas eu preciso dizer! - disse, tentando se desvencilhar de V. Olhei pra ele, em busca de ajuda. O que a gente faz?
- Pelo menos por enquanto, Jungkook. Por favor! - tentou V.
- É. A gente vai contar, mas a gente precisa só... Saber direito como... A gente vai fazer... E... Isso...
Ele pareceu desistir.
¬- Tá, eu não conto pra eles por agora. Mas, por favor, contem logo, eles precisam saber!
Antes que Taehyung pudesse soltar Jungkook, Jimin enfiou a cabeça pela porta que estava ligada a outro lugar. Meu Deus, que lugar enorme, nem lembro pra que lugar dava aquela porta!
- O que tá acontecendo?
Nos calamos e nos entreolhamos.
- O V-hyung quer fazer eu comer tomate com açúcar, mas é ruim pra caramba! Jimin-hyung, me ajuda!
-Mas e você, Vicky? Você só está olhando?
Merda.
- Eu cheguei agora! Estava na sala de dança. Taehyung-oppa, por que você está fazendo isso? - tentei inventar.
Estava na cara que Jimin não tinha caído.
- Certo, crianças, quando vocês forem me contar o que realmente aconteceu, me chamem, ok? E chamem os outros hyungs também.
Quando ele voltou pra outra sala, eu estava suando frio. Certeza que o V e o Jungkook também.
Tae soltou Jungkook e ele se levantou.
- Qual o problema de tomate com açúcar?
- É ruim pra caramba, hyung!
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

Naquela noite, eu estava voltando pra casa quando V me parou.
- O que foi?
- Vou falar isso em português porque eu não quero que os hyungs entendam.
- Hum, tá...
- Vicky, os dias que a gente passou foram muito divertidos, eu queria que a gente tivesse mais algum tempo...
- Eu também...
Aonde ele queria chegar?
- Não sei, eu só queria, mas foi legal ter feito uma amiga aqui...
Sabe quando você está assistindo um shoujo, e o personagem principal percebe que está na friendzone e é atingido por como se fosse uma flecha imaginária escrito "friendzone"? Foi exatamente assim que me senti, mas não disse absolutamente nenhuma palavra.
- E-eu também gostei, oppa...
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
- Mas eu não entendi o beijo... - comecei.
- Eu também não...
- Quê? Como assim? Você que veio pra cima de mim...
- Eu não entendi porque foi algo impulsivo, não sei porque eu fiz aquilo. Desculpe.
Ele estava se desculpando? Por quê? Eu gostei, eu gosto dele, eu queria aquilo de novo...
- Por que você está pedindo desculpas?
- Porque nem mesmo eu tenho certeza do que sinto, e não tenho nem ideia do que você sente, fazer aquilo foi um erro...
Não foi mesmo.
- Não acho que tenha sido um erro... Não sei, mas acho que não foi...
- Por quê?
- Não sei, oppa...
Já reparou quantos "não sei" a gente já disse?
- Não quero ficar emendando isso e tornar isso mais demorado, porque eu tenho que voltar pra Coreia amanhã, algumas horas depois do show...
Ai, a flecha de novo...
- Você o quê?
- Preciso voltar pra Seul.
Senti que ia desmoronar. Sem pensar, abracei ele fortemente.
- Não quero me separar de você...
- Eu também não...
Senti uma lágrima e tentei limpá-la rápido para ele não notar.
- Não fica assim. Eu não te disse que íamos ter nossas memórias?
- Você também disse que não dava pra reviver os momentos com a pessoa que viveu com você, gastou tempo com você. Não é a pior coisa que existe? - eu já comecei a me irritar um pouco.
- Eu também estou triste, Vicky-chan...
- Mas eu não quero que você vá pra Seul!
- Eu também não quero voltar! - ele se exaltou. Deu pra ver que ele estava tentando manter o controle, mas não deu certo.
Depois do leve susto, ele voltou ao normal.
- Desculpa, Vicky-chan. Você é muito importante pra mim também, mas... Eu não tenho muita escolha...
- Mas devia ter...
Ele pegou minhas mãos e as beijou ternamente.
- Mas não tenho, Vicky.
Depois abaixou as minhas mãos, pôs algo nelas. Ao invés de beijá-las, ele beijou os meus lábios.
- Desculpe.
E então, ele entrou.
Quando olhei para baixo, vi a flor que coloquei nos cabelos dele naquele dia, na pracinha semi-destruída. Murcha, triste, cinza. Senti as lágrimas de novo.
Caminhei até a porta do estúdio, passei a flor por baixo da porta, peguei um táxi e voltei para casa.
Ainda em prantos, pulei na minha cama e desmoronei no meu travesseiro. Ninguém me ouvia. Ninguém se importava. Ninguém podia mudar o destino, nem os fatos. O fato de que eu amava Kim Taehyung e ele tinha que voltar para a Coreia amanhã.



Capítulo 14 - Como é no show, quando você conhece o k-idol?

No dia seguinte seria o show. Eu tinha perdido completamente a vontade de ir. Se virmos a animação que eu tinha uns dias antes, a diferença seria discrepante.
Acordei às dez horas da manhã no dia seguinte à despedida dramática pra fazer alguma merda. Era domingo, e eu não tinha absolutamente nada para fazer, então nem tirei o pijama, abri um Doritos e sentei pra assistir um anime.
A surpresa foi grande quando a campainha tocou. E a pessoa que eu vejo, atravessando a porta logo que ela foi aberta e me abraçando era ninguém menos que Thereza, com o seu boné de army, camiseta do BTS e bastãozinho de luz em mãos!
- Thereza? O que aconteceu, você não ia voltar só semana que vem?
- Meus pais encurtaram a viagem! Eu voltei ontem, mas queria fazer uma surpresa pra você! Gostou?
Fiquei muda. Ela queria ir ao show, mas eu não estava com cabeça para aquilo...
- Então eu vou no show querida! Peraí, cadê o Tae, por falar nisso?
- Ah, conseguimos achar o estúdio e ele voltou...
- Não creio! Você conheceu o grupo inteiro?? Ah meu Deus, você tem que me apresentá-los depois do show!
Eu estava bem cabisbaixa, então dei um sorriso murcho e voltei para a poltrona. Obviamente, Thereza veio atrás.
- O que foi? Você está estranha... E tá de pijama, por quê? E esse Doritos aí?
Continuei muda.
- Eu tenho bastante coisa pra te contar, Thereza...
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

Depois de eu explicar tudo o que tinha rolado até ontem, ela estava pasma.
- Então, recapitulando, você fez estágio como empresária, conheceu todos os membros do grupo, ficou amiga deles e ainda pegou o V?
- E-eu não peguei ninguém, babaca! Como eu disse, só foi um beijo...
- Na minha terra um beijo pode evoluir para uma pegação muito b...
- CALA A BOCA! - ok, talvez eu tenha me exaltado um pouco. Me sentei de novo e peguei outro Doritos.
- Mas... Hum... Então, você nem chegou a contar pra ele que você gostava dele?
- Não com essas palavras... Eu senti que tomei uma friendzone das grandes, então nem quis falar nada...
Dessa vez Thereza ficou muda e pegou um Doritos. Peguei o saco e afastei dela.
- Estou deprimida, preciso comer porcaria pra melhorar. E não encoste na minha Nutella que tem na geladeira.
- Nossa, uau! Tá bom...
Sentei de novo e dei o play.
- Mas eu acho que você devia dizer a ele o que você sente... Dificilmente ele vai ficar, mas você pelo menos tem que saber o que ele pensa.
Continuei vendo anime e fingi não ouvir, mas nem estava mais prestando atenção. Tudo que rodeava a minha cabeça eram meus sentimentos por Taehyung.
Só então decidi pegar meu celular, que ficou no silencioso a noite toda e estava cheio de mensagens. Abri e era tudo inútil. Exceto por uma, de um número desconhecido. Mas a foto não era desconhecida. Estava em português.
Oi, Vicky. Fiquei mal pelo que eu disse ontem, me desculpe... Não quero ir embora assim nem te magoar, mas eu preciso ir. Se pudesse, eu ficava, adorei o tempo e as coisas que fizemos juntos, mas estar com você foi o que mais valeu a pena. Passa aqui no estúdio depois do show, preciso me despedir direito de você. Se preferir, a gente se despede no aeroporto. Te passo o endereço, só me avisa. Beijo, Tae.
De novo, fiquei muda. Thereza leu enquanto eu me recompunha.
- Eu não acho que você esteja na friendzone.
Olhei para Thereza.
- Quê?
- Se ele fosse só seu amigo, não ia se importar tanto assim com o que você está sentindo. Que horas ele te mandou essa mensagem?
Olhei.
- Quatro e meia da manhã.
- Viu? Ele ama você, Vicky! Diz pra ele o que você sente antes que ele volte, se não, duvido que ele vá te dizer antes de ir.
Pois é. Eu queria muito fazer isso, mas o maldito medo me impedia, porque eu não sabia as consequências disso.
Thereza com certeza notou minha hesitação.
- Tá bom, olha, não vou insistir, mas pelo menos pensa. E se não vai fazer isso, pelo menos vai ao show comigo.
Olhei para ela.
- Claro que eu vou no show. E você vai conhecer o BTS, sim, senhora.
Peguei o celular.
Vicky: Ainda está de pé a proposta de eu passar aí pra nos despedirmos?
Vicky: Vou levar a Thereza.
Tae: Ah, que bom... Estou mais tranquilo...
Tae: A Thereza não viajou?
Vicky: Voltou mais cedo e vai pro show, haha. Te vejo depois. Ah, consegue um lugarzinho nos bastidores depois do show?
Tae: Vou ver, mas acho que sim.
Thereza acompanhou tudo. Então, pelo menos a minha amiga ia ficar muito feliz hoje.
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

O show é às seis e meia da tarde. Acaba às nove da noite. Às cinco horas e já estou completamente vestida e pronta pra sair.
O que uma army não faz nessa situação?
Faltando algum tempo pro show, saí com Thereza.
- Ei, ei, o que você tá fazendo? - Thereza me parou enquanto eu discava um táxi no celular.
- Uh, chamando táxi, você não quer ir pro show a pé, né?
- Também não de táxi.
- Então de quê? Não vou pegar ônibus coisa nenhuma.
Ela chacoalhou um molho de chaves.
- Eu tirei minha carta ontem, querida, e meus pais emprestaram o carro pra eu ir pro show!
- Ah, sério? Que legal! Agora estou brava por ser mais nova, só vou poder tirar minha carta ano que vem, que merda! Me sinto uma criança. - ela me pegou pela mão de sacanagem e me guiou até o carro.
- Vamos querida, dá a mão pra atravessar a rua...
Fiz bico e entrei no carro.
- Então, v-vai com calma que eu quero ir no show, não quero morrer ainda...
Então quem fez bico foi ela.
- Não me subestime.
E não é que chegamos a tempo e sem nenhum dano?
Depois de tudo que tinha que fazer pra entrar, nos misturamos na multidão que crescia cada vez mais e conseguimos ir bem na frente. Vista perfeita.
- Não acredito! - gritei para Thereza, porque o barulho crescia.
- Nem eu!
De repente, as luzes se apagaram subitamente e agarrei o braço de Thereza para não nos perdermos.
Mesmo no escuro, nos olhamos, sorrimos, acendemos os bastões ao mesmo tempo e os chacoalhamos no alto.
Milhares de pontinhos brancos de outros bastões chacoalhavam sem ritmo, pois não havia música ainda, mas a animação das armies estava evidente.
Então um holofote se acendeu no palco. Em Jungkook. Que começou a cantar Boy in Luv. Logo em seguida, a luz focou em V e iluminou os outros meninos, que dançavam atrás.
Senti V procurando com os olhos na multidão, e parou quando me achou, cantando o trecho olhando para mim.

Por que você está agitando meu coração?
Por que você está agitando meu coração?
Por que você está agitando meu coração?
Agitando, agitando...

Fiquei sem saber o que estava acontecendo, mas notei que ele ficou olhando para mim em todas as músicas. ESPECIALMENTE EM BOY IN LUV E I NEED U, que me esforcei para entender direito a letra e o que peguei foi:

Mas você é meu tudo (Você é meu)
Tudo (você é meu)
Tudo (você é meu)
Vá embora, hein

Me desculpe (eu odeio você)
Eu te amo (eu odeio você)
Me perdoe

Senti a graça do grupo todo cantando ir embora, e parei de pular e agitar o army bomb. Senti seus olhos fixados em mim, mexendo a boca no refrão, que teoricamente seria apenas a parte de Jungkook.

Preciso de você, garota
Por que estou apaixonado sozinho, por que estou doendo sozinho?
Preciso de você, garota
Por que eu continuo precisando de você quando sei que me machucarei?

Fiquei sem graça no resto do show, até no final, que foi a melhor parte porque eles cantaram Blood, Sweat and Tears, usando as roupas do mv.
Depois do show, corri para os bastidores puxando Thereza pra ir logo.
Quando entrei, estava ofegante e joguei Thereza pra dentro, tentando respirar.
- Vicky-chan, o que houve? - perguntou Jimin.
- Ah, a... The... There... Thereza... É mi... Minha amiga... E queria...conhecer vocês. - falei entre respiradas. ¬- Eu já traduzo pra vocês, mas... Ah. - roubei uma garrafinha de água. - Ah, pronto.
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥

Depois de Thereza conversar um pouco com eles, tivemos que voltar, pois eles iriam para o estúdio organizar tudo para retornar à Seul. Não consegui falar com V, mas voltaríamos ao estúdio após um tempinho. Thereza nos levaria.
Embora ela estivesse falando pelos cotovelos, eu não lhe dava a mínima atenção, porque estava ocupada demais pensando no que diria a Tae e tomando o Toddynho pra enganar a fome que eu sentia mas não podia parar agora pra comer.
- VICTORIA, PORRA, RESPONDE!
Acordei dos devaneios com a gralha ao meu lado gritando no meu ouvido.
- Que foi, caramba?
- Quem é o mais legal do grupo todo? Ignorei a pergunta, olhando para frente e guiando Thereza. O problema foi nos próximos segundos.
Um carro muito filho da mãe (pra não dizer outra coisa) veio na contramão, e Thereza, que estava falando comigo, só se deu conta quando eu gritei. Mas nem deu tempo.
Thereza e o outro babaca da frente acionaram os freios. Os pneus rasparam no chão e gritaram. Os carros colidiram com força. Os vidros quebraram. Os cintos não adiantaram. O sangue foi derramado. Dor foi causada.
Taehyung estava na calçada esperando nosso carro e viu tudo. Gritou alguma coisa para os hyungs dentro do estúdio e correu até o carro onde eu estava presa e imóvel, sangrando.
Senti ele me retirando do carro pela janela quebrada suavemente e me levando para a calçada. Jimin tentou tirar Thereza. Jungkook apenas observava. Rap Monster chamou uma ambulância. Yoongi tentou me ajudar, vendo se eu estava bem. Jin foi ajudar Jimin. J-Hope tentou ajudar o idiota do outro carro.
E eu fiquei imóvel, sem conseguir me mexer, nos braços do Tae-oppa, esperando a ambulância. Depois disso, não lembro de mais nada.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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