V plus V

Última atualização: 03/12/2017

Capítulo 1 - No-not today!

Infeeeerno!
Outra nota baixa em outra prova. Os adultos não sabem como os adolescentes são ocupados para estudar para tanta prova?
"Fazendo o quê, vocês são tão ocupados?", perguntam. " A única preocupação de vocês é estudar para não se ferrar que nem muita gente por aí".
A resposta varia muuuuito. Mas a minha é sempre a mesma:
"Vendo anime, jogando jogos, vendo MV's". Mas a resposta principal é:
"Ouvindo k-pop".
Claro, né, gente? K-pop é vida para mim. Aliás, para qualquer kpopper que você perguntar, ele vai dizer isso: "estou ocupado ouvindo Got7" ou "Eu adooooro Twice" ou então "Não fale mal dos meus BangTan Boys". E no caso, eu sou essa última.
Não aguento ficar ouvindo todo mundo me encher por se army, ou porque acham que eles são gays e tal... mas eles são lindos! Querido, se você acha que eles são gays, sabe o que eu digo?
- Legal, cara. FODA-SE. Eu gosto deles, você não. Agora volta pro seu Mc Kevinho, que eu também odeio e não falo nada, ok? Beijo.
Aí a pessoa fica sem resposta. Hehe, melhor coisa pra dizer pros haters. Isso se encaixa em qualquer situaç...
- VICTORIA CARVALHO! Responda à minha pergunta!
Estava tão ocupada devaneando que nem ouvi a professora me chamando.
- Eu! Que pergunta? Poderia por favor, repetir?
- Qual a segunda lei de Newton?
Não ferra comigo, não, dona Lúcia...
- É... a lei de Newton... que... diz que... hmm...
- Zero pra senhorita que precisa prestar atenção na vida.
Você vai ver a senhorita, dona Lúcia... ah, se agressão não fosse crime... pior foi quando a Anna, a cdf, deu pitaco ali do lado:
- Certeza que é porque ela ficou gastando o tempo que ela teria usado para estudar para ficar olhando aqueles japas na internet... é só checar o histórico dela.
Anna, querida... enfia os japas no seu nariz, tá?
Só fingi que não ouvi aquele monte de merda, porque, além de ter tomado zero, não estava a fim de ter que ver a minha mãe na sala da diretora.
Tudo bem que curto os japas também, adoro animes, vocaloid e j-rock, mas, querida... NÃO SE CONFUNDE, BELEZA?
Quando os sinos do paraíso tocaram, saímos para o ntervalo. Enfim!
Saí da sala correndo e sentei na grama, esperando a Thereza. Eu só não queria olhar na cara de mais ninguém, depois daquele mico. Só a da minha amiga...
Mexendo no celular, comecei a fuçar no Pinterest para achar fotos do meu utt.
- Hmm, só olhando o bias, né, Vicky?
Ela me provocou. Sabe muito bem a diferença entre utt e bias e sabe MUITO BEM que o Taehyung é meu utt.
- Toda, amiga. Só que agora não vou puxar fotos do G-Dragon pra você só por causa dessa sacanagem...
- Ah, Vicky! Por favor! Você sabe que meus pais me botaram de castigo depois de descobrirem minha pasta de Namjin...
- Você é uma das poucas pessoas que eu conheço que shippam Namjim... juro, não consigo shippar nenhum deles...
- Por que não?
- Porque torço para eles solteiros e héteros.
- Por quê?
- Pra eu poder ficar com eles se eles vierem pro Brasil, hehehe.
- Ah, mereço... tá ligada que a chance de namorarmos um k-idol é muito remota, né? É mais difícil a gente pegar um Bangtan do que... sei lá... estourar uma bomba norte-coreana aqui em Florianópolis... mesmo que agora eu tenha viajado legal, e você deva esquecer imediatamente o que eu disse...
Preciso saber disso, e claro que sei. Mas eu tenho mania de sonhar DEMAIS com isso.
Poxa, coreanas, guardem pelo menos o V pra mim!
E o G-Dragon pra Thereza, huehue.
Dali a pouco, eu vi uma notícia bombástica e quase quebrei o celular. Esfreguei na cara da Thereza.
- OS MENINOS ESTÃO VINDO PRO BRASIL!
- Quê?! Não brinca! Sério!
A gente se viu dançando Save Me no meio do campo da escola, quando ela perguntou:
- Espera aí, que meninos? Tem um monte! Big Bang, Got7, Monsta X, Exo, seja específica!
- BTS, sua lerda!
A dancinha continuou, até com o meu celular tocando Blood, Sweat and Tears, e aí eu vi a Anna encarando a gente tipo: querida, você quer ajuda? Quer que eu te leve pra um hospício?
Os sinos do inferno tocaram e a gente teve que voltar para a sala.
A única pessoa na escola (pelo menos que eu sabia) que era kpopper era a Thereza. Espero que tenha mais, mas, se depois daquela cena ridícula ninguém foi dançar, nem cantar com a gente, certeza que ninguém é kpopper.
Depois da aula, a Thereza foi comigo pra casa, e fomos conversando sobre o show.
- Mas quando vai ser?
- Faltam seis meses. Ah, tô muito ansiosa...
- Espera ai, mas você sabe que fandom brasileiro é demais. Você viu como o BTS ganharam o BillBoard Music Awards. 400 milhões de votos na frente do Justin Bieber. Sabe-se lá há quanto tempo todos estão sabendo disso. E se os ingressos já tiverem esgotado?
- Putz, verdade, T... - fizemos um apelidinho bem merda pra nós. A Thereza gosta que eu a chame de T ou de T-Dragon, por causa do utt dela... e eu, claro, coincidência incrível do destino, gosto de ser chamada de V, todo mundo sabe porque... - Apesar que, mesmo que não tenham esgotado, nem sei se minha mãe me deixa ir...
- Nem eu, que merda...
Fiquei pensando em como convencer minha mãe a me deixar ir. Eu não podia comprar pela internet sem ela saber, precisa de RG, cartão, essas coisas. E falta dois anos pra eu completar 18, ainda sou menor...
Podia pedir para a Vovó Fran comprar pra mim e eu inventava alguma coisa pra minha mãe... minha avó tá velha, tadinha, nem ia entender direito...
Não! Não vou me aproveitar de uma velha com Alzheimer! Não sou assim! Posso ter um monte de ABS no meu celular escondida da minha família, mas não tiro proveito de idosos!
Haha, como se eu já não fosse uma pessoa ruim o suficiente.
Quando cheguei em casa, disse "oi" para todo mundo e corri para o meu quarto para pesquisar ingressos.
Eu precisava tentar. Mesmo que ela dissesse não. Eu tinha que dar umas cartadas.
- Mamãe - disse, meiga (ok, falsa).
- Que foi, Vicky? - respondeu ela, enxaguando os pratos do jantar.
Decidi cortar o tom falso.
- Tá, olha, vou ser direta. Vai ter um show do BTS em seis meses e eu e a Thereza queremos muito ir. Pleease, deixa a gente ir!
Ela pôs o prato no escorredor e pegou um guardanapo para enxugar as mãos. Foi até a sala, onde estava meu padrasto. Sete anos depois que meu pai fugiu com uma puta, minha mãe se casou de novo. Sinceramente, meu padrasto, Felipe, é muito melhor que aquele ser abominável que me chama de filha.
- Felipe, amor, desliga a TV um pouquinho.
- O que foi, Rita?
Ele se virou para nós.
- A Vicky quer ir ao show de um desses japas que vai ter.
Revirei os olhos com muita força. *cof cof* Coreanos *cof*.
- Hm... não sei, não... que grupo? Quanto custa?
- Cem reais, pai.
- Ahh... não sei... ainda estão disponíveis?
- Tem só vinte e cinco ainda. Com certeza vão ser vendidos bem rápido.
Ele se levantou e foi com minha mãe para outro cômodo. Fiquei ouvindo só um zum-zum-zum no ar.
- Pode ir, Vicky. Desde que não hajam envolvidos: meninos, drogas, bebidas, caronas, baladas e...
O mesmo discurso sempre que eu pedia pra sair. Sempre tinha alguma daquelas coisas, mas não daquela vez.
Not today!



Capítulo 2 - Quando você vê o utt na rua...

Seis meses depois

PARA NOSSA ALEGRIA!

Até que enfim, estou TÃO feliz que nenhuma pessoa no mundo faz ideia.
O show do BTS será em duas semanas e meia. Ai, eu estou vibrando.
Esperar o dia do show chegar foi dureza. Até porque Felipe e minha mãe não bancaram o ingresso. Então, fiz uns bicos pra conseguir. Cem reais não é tanta coisa assim, mas foi interessante pra eu juntar uma grana pra comprar outras coisas também.
Uma máscara do BTS, um agasalho do V, uma camiseta do antigo logo (um colete), um bastão de luz, uma capinha de celular. A preparação toda para ir a um show. Claro que eu ia usar MUITO aquelas roupas.
- Vickyyyy, você acredita que vamos ver o BTS ao vivo? Falta tão pouco!
- É, né? Estou tão animada!
- Ei, eu vi você trabalhando de atendente do Burger King no shopping! Por que não comentou comigo?
- Ah... - estava com vergonha de dizer a ela que eu tinha trabalhado pra comprar tudo aquilo. Os pais da Thereza são meio riquinhos, então compram tudo pra ela. Foi mole ela conseguir um boné escrito "↓ Army here ↓", mas no geral é caro pra caramba - Eu trabalhei por um tempo pra conseguir comprar os negócios do show.
- Sério?
Os meus pais me disseram, com essas exatas palavras: "Você pode ir, Vicky. Mas você vai pagar, tá?", depois deram um sorrisinho que me deu certa raiva. Não ia reclamar. Já era uma coisa e tanto eles permitirem eu ir, então, acho que valia a pena sacrificar alguns fins de semana para poder ir ver os meninos.
- Não é tão ruim assim. Eu juntei uma graninha que posso gastar com outras coisas também.
- Legal... admiro muito isso...
A Thereza é uma ótima amiga, mas é meio playboyzinha. Os pais querem que ela faça Direito na USP, mas ela quer fazer aulas na escola de desenho Pandora e ser animadora ou mangaká.
Aposto que os pais dela não sabem disso.
- Preciso ir pra casa, minha tia vai estar lá, Thereza.
- Ah, ok, a gente se fala depois no whats. Faltam duas semanas e meia, amiga!
- Falta pouco! Vamos aguentar com as fotos do Pinterest!
Ela riu e acenou para mim. Fui andando para casa. Faltavam umas duas quadras.
De repente, vejo uma figura marcante andando na rua, meio... perdida.
O cabelo daquele ser destacava muito. Se você olhasse para qualquer lugar, algo como um imã te forçava a olhar para ele de novo. Um vermelho picante, mais vermelho que o cabelo do V em Save Me.
Cheguei a pensar que era o Felipe Neto com aquela cor gritante no meio da rua. "Não, o Felipe Neto mora no Engenho Novo. Não faz sentido ele estar aqui, a não ser que ele tenha vindo gravar com algum youtuber".
Sem notar, parei e observei aquele cidadão olhar em volta, meio confuso. Quando consegui ver seu rosto, não pude acreditar no que vi.
Juro que eu vi o Kim Taehyung olhando em volta, nas ruas de Florianópolis, a cinco metros de mim.
Minha surpresa foi imediata e gritante. Eu tinha que chegar perto pra ver. Podia se só um coreano qualquer, com o cabelo vermelho.
Aproximei-me, sem me preocupar com quem me visse. E tive certeza: Kim Taehyung, do BTS, estava (aparentemente) perdido nas ruas de Florianópolis!



Capítulo 3 - Annyeong, dangsin-i naleul dowa deulilkkayo? (Oi, você pode me ajudar?)

Ok, será que eu bebi?
Sério, algo estava errado. Eu vi o V zanzando pela rua da minha cidade que nem bobo, meio... sei lá.
FOFO.
E ele estava parando de pessoa em pessoa, dizendo alguma coisa em coreano. Eu entendi alguma parte daquilo. Eu estava fazendo aulas de coreano (obrigada, Felipe. Melhor padrasto). Nível? De 0 a 10, 4.
- Com licença, você pode me ajudar?
Não creio que ele estava pedindo ajuda e ninguém nem tentava ouvi-lo! Sério, vou matar os brasileiros!
E daí que você não entende a língua dele? É um ser lindo, então tente ajudar!
Sem nem pensar direito, corri até ele e comecei a tentar falar um pouco:
- Ah, oi... Você precisa de ajuda?
Ele pareceu aliviado ao me ouvir.
- Que alívio... qual seu nome?
- Victoria.
- Ah, eu sou Kim Taehyung. Quantos anos você tem?
Devo ter ficado um pouco embasbacada, porque ele me cutucou.
- Oi?
- Desculpe, fiquei meio distraída... sei exatamente quem você é hehe.
- pareço uma fã ridícula. - Esquece, estou pagando de army idiota...
- Não, relaxa. Qualquer contato é melhor que ser ignorado.
- Ele soltou um risinho que me deu uma sensação de conforto.
- Povo estúpido. Nem tenta te entender?
- É... bom, não são muito educados. Qual sua idade?
- Eu? 17.
- Tenho vinte e... você deve saber, esquece
- ele deu outra risada fofa que me fez ter vontade de mordê-lo. COISA LINDA.
Dei uma de boba pra ele não achar que sou uma dessas stalkers.
- Na verdade, não sei não, Tae-oppa.
- Ah, bom. Nesse caso, **.
Maldita a hora que não nasci na Coréia. Eu sei quantos anos ele tem, mas não lembro como fala em coreano!
- Desculpa, não entendi.
- **.
O que eu digo? O que eu digo?
- Desculpa, Tae-oppa, vou ser sincera. Eu sei, mas não sei como dizer isso.
- Ah, ok então... pode me ajudar?
- Claro! O que houve? Você se perdeu?
- Mais ou menos isso, então, eu estava...
Notei que estávamos em frente à minha cafeteria preferida.
- Ah, você não quer comer alguma coisa? - apontei a placa da cafeteria.
- Ah, pode ser. Chegamos tem algumas horas e eu quero experimentar a culinária daqui.
É errado se eu o levar até a minha casa secretamente e sequestrá-lo para mim?
- Vocês chegaram há algumas horas? O show é em uma semana.
- Sim, mas temos de nos preparar, dar mais uma ensaiada, entende?
Entendo perfeitamente. Pra ficar divo assim e com esse corpo tem que preparar.
O que estou pensando? Eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa, eu vou ajudar o oppa.
Não quero afagar o cabelo dele, não quero beijar ele, não quero dançar com ele, não quero sequestrar ele.
Ele pega o cardápio e abre. Fico olhando enquanto ele olha as opções e começa a rir.
- Como fui esquecer que não falo português?
Começamos a rir juntos.
- Você fala outros idiomas, Tae-oppa? - Um pouco de inglês, e algumas poucas palavras de português que aprendemos no show.
- Tipo o quê?

- “Obrigado, Brasil", "Gostamos de vocês". Uma língua meio complicadinha.
- Ora, quem é você pra falar, oppa?
Começamos a rir.
- O Namjoon-hyung fala inglês fluente. Seria melhor se ele tivesse se perdido.
Não seria não, oppa, fica calmo que eu gosto mais de você.
- Hum, você fala um pouco de inglês?
- Só um pouco.
- E se você fizesse um curso de português? Tem escolas aqui no Brasil.
- Mas como vamos achar uma professora que fale coreano?
- A gente acha, relaxa. Além disso, eu posso te ajudar.
- Sério? Obrigado!
Ele fez a cara mais fofa do mundo.
SEJA UM URSINHO DE PELÚCIA PRA EU PODER TE ABRAÇAR!
- De nada, hihi. O que você quer pedir?
- Não tem imagens aqui, então... sei lá... tem Japchae?
Comprimi os lábios, e soltei um risinho.
- Isso é tipicamente coreano, Tae. Você deixa eu te dar um uma sugestão? Prometo que você vai gostar.
- Hm... tudo bem.

Não queria pegar nada típico do restaurante. Eu queria fazer pra ele.
Ok, eu queria levá-lo pra casa e mostrá-lo pra Thereza. Mas queria o fazer provar também. Romeu e Julieta, doce de leite, brigadeiro. Não nego que eu amo comida daqui. O resto não. Prefiro Coréia e Japão.
- Pode vir comigo?
- Eh? Mas eu tenho que voltar... os men...
O celular dele tocou. O celular estava em hangul (os caracteres coreanos). Espiei por cima do ombro dele. Ele estava falando com Min Yoongi. Ahhhh, meu bias!
Yoongi: cadê você, Tae?
Tae: não sei, eu me perdi, Yoongi-hyung.
Yoongi: notei, mesmo...
Yoongi: na verdade, TODO MUNDO NOTOU! Onde você tá?
Tae: já disse que não sei!
Tae: mas calma, eu não estou completamente só. Achei uma garota aqui.
Yoongi: ué, mas como? Tipo, uma em cada 100 pessoas no mundo fala coreano. E você não fala inglês...
Tae: isso, esfrega na minha cara!
Soltei um risinho, e Tae-oppa olhou pra mim.
- Hey! Você está bisbilhotando?
- Desculpa, oppa!! Curiosidade...
Continuei olhando e ele voltou à conversa.
Yoongi: e a garota sabe voltar pra cá?
Tae: ainda não perguntei...
Yoongi: mas todo mundo precisa de você! Nós vamos ensaiar a coreografia de Boy in Luv. Não dá pra fazer sem você, V!
Tae: desculpa, eu me distraí.
Yoongi: com o quê?
Tae: com as pombas...
Yoongi: SÉRIO, TAE? AS POMBAS? NA CORÉIA TEM POMBAS TAMBÉM!
Tae: mas aqui tem muito mais... elas são muitas e muito bonitinhas... o jeito que elas saem voando juntas é muito legal...
Dessa vez não segurei o riso. Kim Taehyung, de BangTan Boys, se distraiu com as pombas do Brasil o suficiente para se separar do grupo!
Mas também, me diz uma coisa: não ter armys por aqui não? Ninguém notou esse cabelo picante na rua? Ninguém notou esse ser perfeito? Nem pra oferecer ajuda?
Isso prova que até uma idiota como eu tem sorte às vezes.
Ele me olhou fixamente enquanto eu ria. Não dá pra levar esse fofo a sério!
-Desculpa, oppa - falei, entre risinhos - Não deu pra segurar, é uma coisa muito incomum...
- Mas as pombas são bonitas! Elas...
Ser insensível, eu, né? Tava quase rolando no chão de rir. Taehyung, casa comigo? Pra me fazer rir a vida toda?
Quando meu ataque de risos passou, voltei a falar com ele (que por sinal, ignorou meu ataque e voltou a conversar com o Yoongi).
- Hey, Tae.
- Diga.
- Eu vou te ajudar a voltar seja-lá-pra-onde-está-o-BTS.
- Sério? -
ele abriu um sorriso visivelmente natural.
- Sim, mas tem uma pequena condição.
- ...
- Eu gostaria de visitar o estúdio, ou filial, o seja lá onde vocês estão e pegar um autógrafo.
- Claro! Claro! Se der tudo certo e não atrapalhar, o tempo que você quiser.
Não creio que consegui uma visita confirmada ao estúdio do BTS!



Capítulo 4 - Dando doces brasileiros para um coreano

Consegui trazer o V para minha casa. Isso é fato.
Mas como é que eu vou entrar com um sul-coreano que nem fala nossa língua na minha casa? Minha mãe arranca meu couro, cola de volta e arranca de novo!
Vou ter que inventar alguma coisa, mas fica a dúvida: primeiro falo com a Thereza ou com minha mãe?
Aí me perguntam: por que a dúvida? Com sua mãe é claro!
Simples.
Minha mãe não deixou ir lá em casa nem o Vinícius, menino que não dava pra criar o menor clima e mais novo que eu, pra fazer um trabalho. Por que ela deixaria um k-idol de vinte e poucos anos que, segundo o que eu sei que ela vai dizer, "fala nosso idioma sim, mas finge que não fala pra eu deixar pegar a minha filha, pensa que eu sou tonta?".
Bom, pelo menos é o que ela me diz quando eu digo que vou casar com um sul-coreano.
Tentei pensar nisso no caminho. Expliquei pra ele o que eu queria mostrar a ele e ele aceitou numa boa. Tipo, achei legal, mas e se uma pessoa má tentasse matá-lo?
Não tem como, as únicas pessoas que conseguiriam falar com ele seriam armys ou coreanas.
Quando dei por mim, estava na frente da minha casa, parada, pensando.
- Victoria? Você tá bem? Faz uns cinco minutos que você tá olhando pro nada.
- Ah, desculpe, Tae. É que agora estou sem saber se aviso à minha mãe ou à minha amiga, pra me darem uma ajuda...
- Avise à sua mãe. É em quem você mais devia confiar, não é?
Não acredito que estou tomando lição de moral do V!
Mas é verdade, o que posso dizer?
- É que ela não vai deixar você entrar, vai dizer que você só quer me pegar.
- QUÊ? Como assim?
- Ela não me deixa entrar com nenhum menino no meu quarto. Ela tem medo de acontecer alguma coisa.
- Tipo o quê? Ele te agredir?
- Não só, mas acho que ela tem medo de...
- Fala.
- Não sei, não...
- Fala logo!
- QUE A GENTE TRANSE! -
Falei isso alto pra caramba. É só torcer pra que ninguém do bairro fale coreano.
- Nossa... tá bom, né? Faça o que você achar melhor...
Assenti e segui para a casa da Thereza.
Respirei fundo e toquei a campainha.
Ouvi um grito do outro lado da porta. Thereza, com certeza.
Ela abre a porta com uma cara... indescritível.
- Você está com seu utt, Victoria? Nem pra trazer o G-Dragon pra mim...
- Ah, eu posso entrar, é meio que urgente...
- LÓGICO! Entra! Entra, V!
- Ah, ele não fala português, T.
- Mas então como voc... ah, você tá conseguindo falar coreano com ele?
Eu sorri.
- Hm, então esse curso realmente foi útil pra alguma coisa...
- Hey! Eu já queria ir pra Coréia antes!
- Só falando, amiga.
♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥
Quando V estava prestes a entrar, ele se curvou para Thereza e começou a tirar os sapatos na entrada.
Não sabia que na Coréia eles também tinham esses hábitos.
- Tae-oppa, o que está fazendo?
- Hm? Tirando os sapatos para não sujar o chão.
- Como assim? O chão já é sujo.
- Vicky, as pessoas costumam dormir e comer no chão. Não é assim no Brasil, também?
Segurei um riso sútil.
- Vamos apresentar a cultura brasileira para você. A propósito, esta é minha amiga Thereza. Tente dizer isto a ela: pra-zer.
- Pla-zer, Thereza.
O sotaque dele é a coisa mais fofa que existe no universo. PASTEL DE FLANGO É SEU NARIZ, BRASIL! É FOFO! AGORA É PLAZER THEREZA!
Começamos a dar uma volta na casa dela e ele pareceu entusiasmado ao ver os cômodos da casa.
Eu tinha esquecido. No Oriente, em geral, para poupar espaço, as mesas são baixinhas e as pessoas sentam no chão. O mesmo ocorre com as camas. Ele pareceu apenas surpreso porque isso, com certeza, é mais comum em locais comerciais.
- O que você queria me mostrar? - perguntou ele, após terminarmos de mostrar a casa e mostrar tudo a ele.
- Eu queria te mostrar uns doces típicos, mas a maioria é caseiro.
- Entendo...
- Thereza, tem leite condensado e achocolatado?
- Tem duas latas no armário. Tem goiabada na geladeira, e ah, tem nutell...
- Caramba! Como você consegue não comer tudo isso?
- Auto-controle, querida.
- ...
- Tá, só comemos quando minha mãe libera.
Comecei a gargalhar.
- Dá pra fazer doce de leite agora pra comer amanhã, e o brigadeiro eu faço... - começou Thereza.
- Ahh, legal, eu vou dar goiabada pra ele experimentar.
- Vicky-chan, o que tá pegando?
- O quê? Chan?
- Vicky-chan. Ah, você não assiste animes, né? Chan é...
- Não, eu sei o que é... só estranhei porque na Coréia acho que não tem nenhum equivalente, né? Hehe...
- Não, mas se você não se importar de eu usar o chan...
- Claro! -
onde eu estou com a cabeça? Quando o oppa quer te chamar de qualquer coisa, até de paçoca, você não nega!
Taí, vou dar paçoca pra ele...
Fui até o armário e peguei a goiabada.
- O que é isso? - perguntou ele.
¬- Isso - comecei - se chama goiabada. É um doce feito à base de açúcar e goiaba.
- Nunca comi goiaba...
goaba-da? – AI, QUE COISA MARAVILHOSA DE SE OUVIR!
- Ah, acho que você vai gostar...
Cortei um cubo e dei pra ele. Ele pôs na boca e mastigou.
PARA DE ME SEDUZIR PORRA!
- Nossa, que diferente... é bem doce...
- Gostou?
- Gostei.
- THEREZAAAAAAAA! O BRIGADEIRO VAI DEMORAR?
- Não enche! Eu tô mexendo...
Pedi para o V esperar e fui até a cozinha.
- Ele adorou, ele é muito fofo! Eu duvido que ele não vá gostar de brigadeiro!
- Vicky, você tá bem? TÁ QUERENDO ENGORDAR AQUELA MASSA DE COISA LINDA?
- Um dia comendo porcaria não faz mal a ninguém. Quem diria 17 anos, que no caso sou eu...
- Ai, tá bom, pega logo a merda da nutella...
Fui lá, peguei uma colher, corri até Tae e enfiei a colher na goela dele.
Ah, que grande erro fui cometer...



Capítulo 5 - Fazendo compras com o oppa

O que uma garota normal faz quando leva um estrangeiro à sua casa? Tenta ser educada e explicar tudo a ele.
O que eu faço quando levo Kim Taehyung à casa da minha amiga? Enfio uma colher cheia de nutella goela abaixo desse cidadão e faço-o engasgar.
- AI, MEU DEUS, VICTORIA! - Thereza brotou da porta da cozinha e começa a abanar Tae - O QUE VOCÊ FEZ, SUA DEMENTE?
"É a alegria de estar com o utt", eu diria. Não. Simplesmente sou uma idiota ansiosa, mesmo.
O pai de Thereza aparece e aquele ser, que eu esqueci que conhecia a manobra de Hemlinch (escrevi errado) porque já usou comigo, vai lá e desengasga Tae. Ahh, eu sou um desastre.
- Obrigado, sen... Vicky, me ajuda a agradecer!
- Ah, "
obrigado".
-
Obuurigado.
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH.
- Thereza, a senhorita pode me dizer quem é este rapaz? - Ahh, então, papai... ele é...
Ele não vai acreditar se ela contar, e ia dizer que "oriente é tudo igual" se eu mostrasse fotos pra ele, então eu disse:
- Ele é meu namorado, senhor.
- Você está namorando?
- S-sim.
- Então, rapaz, qual seu nome?
Entrei em pânico.
- Tá bom, vou falar a verdade. Ele é um integrante de um grupo de kpop que Thereza e eu amamos. Ele não fala nosso idioma e se perdeu do resto do grupo - tive uma ideia: - O senhor pode nos ajudar a encontrar o estúdio?
Ele começou a dar risada.
- Juízo, Thereza. - e então foi para a sala.
Adultos são inacreditáveis. Qual foi a graça?
- Desculpe, Tae-oppa. Sou uma pessoa muito ansiosa...
- Tudo bem...
- É? Sério?
- Tirando a parte que eu engasguei, gostei muito desse negócio... como chama?
- Nutella.
- Gostei muito de... nútelra.
Já estou tentando parar de achar fofo quando ele fala uma palavra brasileira. Foi então que tive uma ideia.
- Thereza, falta uns dias pra acabar as aulas. Onde o Tae vai ficar até a gente entrar de férias?
- Nossa... é mesmo... - ela passou um tempo raciocinando - E se ele fizer um curso intensivo de português na escola de idiomas aqui da esquina? Enquanto vamos à escola, ele passa algumas horas ali...
- Hm...
Eu tive a ideia mais maléfica do universo.
Eu já li na internet que V já participou de concurso de Drag Queen. E se a gente o disfarçasse de menina pra ir com a gente pra escola? Além disso, estudar com ele deve ser tudo de bom...
PARA, VICKY! Você está agindo como uma fã lunática...
Não estou... parece que parte de mim realmente está gostando do tempo que estamos passando...
Devo ter sorrido esquisito pensando em Tae Drag Queen, porque ele e Thereza tiveram que me cutucar.
- Oi! Desculpa, estava pensando. Thereza, você liga se eu levar Tae pra minha casa por um tempo?
- Claro que não, boba. Você que achou ele. Ele deve confiar em você.
-Vicky-chan, do que vocês estão falando?
"Chan", no meu nome, pronunciado por Tae, me dá arrepios.
- Já falo com você, oppa. Preciso resolver isso com a Thereza rapidinho.
Então saímos da casa da Thereza e caminhamos até a minha.
Essa caminhada decidiu - na verdade, Thereza e eu. A gente ia pedir a opinião do Tae depois - o que a gente faria. Matricular Taehyung numa escola que tinha ali na esquina (e que eu conhecia uma professora que trabalhava lá e era poliglota) para ele aprender português. Seis horas por dia, o tempo que eu ficava na escola. Mas o curso ia começar em dois dias. O que significava que Tae ia para a escola conosco. Vestido como uma garota.
Só faltava perguntar se ele topava.
Quando entrei na minha casa, já tinha preparado todo o discurso pra minha mãe deixar o Tae ficar lá em casa. Estava muito convincente. Mas quando entro em casa, a primeira pessoa que vejo não é minha mãe nem meu padrasto.
- Vovó Fran?
- Olá, querida. Seus pais foram viajar por um tempo para fora do país, acho que por conta do trabalho. - a velha, meio cega, vem e beija o meu olho. Depois ela beija o ombro de Tae e sem querer, beija A BOCA de Thereza.
- POR QUE SEMPRE NOS LÁBIOS, DONA FRAN?
- Ah, desculpa, querida, eu estou meio míope...
Meio, vovó Fran?, penso eu SEMPRE.
- Quem é este rapaz? - pergunta ela, afagando o rosto dele.
- O que está acontecendo, Vicky-chan? Por que esta senhora está fazendo carinho na minha cara?
- Desculpa, Tae. A minha vó tem Alzheimer e é meio cega...
- Ah, o que as crianças estão cochichando aí?
- Então, vovó, este é meu amigo, Tae... ele não fala nosso idioma e vai ficar uns dias aqui em casa...
- Thereza? O que você faz aqui? De onde saiu?
- Ah, Sra. Fran, eu já estava aqui, cheguei com a Vick...
- Vicky! Querida! Enfim você chegou! Quem é o rapaz ao seu lado?
- Vicky, do que vocês estão falando?
-Vicky, quem está falando essas coisas estranhas pra mim? Porque este rapaz está me xingando?
- D-dona Fran, a Vicky, Tae e eu vamos...
- Ah, Thereza, como é bom ver você!
- COM LICENÇA, VOVÓ, PRECISAMOS SUBIR! - Agarrei o braço de Tae e de Thereza e subi as escadas correndo, fechando a porta do meu quarto.
Hoje, a minha avó estava ruim.
- Desculpe de novo, Tae. A minha avó é meio lelé...
- Tudo bem -
ele sorriu fofamente - Tive um parente assim também...
Ficamos sentados no chão por uns minutos, até Thereza pigarrear e pedir para eu explicar o plano para Tae.
- Ah, sim. Tae, temos uma ideia de como você pode ficar até a gente entrar de férias.
Expliquei todo o plano para ele. Ele riu muito quando contei a parte do Drag Queen.
- Vai ser divertido encarnar uma garota outra vez... mas desta vez as pessoas não vão saber quem eu sou... hahaha!
Fiquei aliviada por ele ter topado. Ia ser não só divertido, mas interessante... o problema é que eu ia ter que ser a intérprete na coisa toda.
Ah, mas tinha um bônus. Se levássemos o Tae pra escola, mesmo vestido de menina, a gente ia descobrir se tinha mais armys na minha escola... só uma kpopper verdadeira ia reconhecer um k-idol vestido de menina!!

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A primeira coisa a fazer seria comprar alguma roupa para ele usar até encontrar os outros membros. Claro que isso incluía roupas para a parte do Drag Queen.
Contamos que tínhamos catorze dias para levar o Tae de volta antes do show. Tinha que dar tudo certo.

DIA 1 - Contando com hoje

Fomos ao shopping que tinha ali perto. Sabia que não éramos as únicas armys na cidade.
- AH, KIM TAEHYUNG! OPPA! TIRA FOTO COMIGO!
Três garotas lunáticas praticamente pularam em cima do V. Na verdade, não era intencional, mas elas o derrubaram no chão.
- Vicky-chan!! Me ajuda!
Seria exagero?
Thereza e eu corremos até as garotas e as puxamos de cima dele.
- Você tá doida? Está com o oppa do Brasil inteiro? - me disse uma delas.
- Espera ai! Você também está com o J-hope? Cadê ele?!
- Jimiiiin!! Cadê você? Aparece, utt!
- Calma, garotas. Eu estou só com o V. Não sabemos cadê o resto. A gente quer ajudá-lo a se encontrar com o grupo.
- Ah, V, tira foto comigo?
- Ele não fala nosso idioma - começou Thereza.
- Então como vocês estão com ele?
- Falo coreano - disse eu. É a primeira vez que estou me achando. E estou me sentindo incrivelmente bem com isso!
CHUPA SUAS ARMYS TROUXAS EU POSSO ESTABELECER CONTATO COM O TAEHYUNG E VOCÊS NÃO!!!
- Ah, jura? - disse uma, que parecia ser mais educadinha - Pode pedir a ele pra tirar só uma foto com a gente?
- Claro. Mas rapidinho, porque precisamos fazer uma coisa.
Então eu pedi. E eles tiraram.
Só aí me dei conta que nem eu, nem Thereza tínhamos tirado uma foto sequer com ele. E estávamos juntos há umas três horas.
- Nossa, até que foram educadinhas... tiraram a foto e saíram... - opinou Thereza.
- Só torcer pra não ter mais armys por aqui... nunca achei que fosse torcer pra não ter armys...
Entramos numa loja de roupas masculinas e fomos com Tae até a seção masculina. Enquanto ele provava, eu estava conversando com Thereza sobre onde podiam estar.
- Podemos perguntar ao V o nome do estúdio. Será que é uma filial da Big Hit?
- Não tenho a menor ideia...
-Ei, Vicky-chan, Thereza-chan, que tal?
Thereza só virou a cabeça porque ouviu palavras que não entendeu. Quando olhei, me derreti.
Taehyung tinha escolhido um suéter largo e laranja claro, para o seu cabelo ficar destacado. Embora não conseguisse ter ideia do formato de seu corpo, a roupa caiu muito bem nele.
Junto com a calça jeans, que era larga e combinava. Já era pedir pra se matar se não puder ter essa pessoa ao seu lado.
Mais uma vez, chacoalhei a cabeça. É só amor de fã, é só amor de fã, é só amor de fã, é só amor de fã, é só amor de fã.
-O que vocês acham?
-Você ficou muito bonito... - Thereza pediu para eu dizer isso a ele. Disse isso e muito mais.
-Ficou muito bom... ficou muito lindo... ficou maravilhoso... ficou...
-Vicky, você ainda está falando de mim?
Só então notei que estava dizendo tudo o que estava pensando em voz alta.
-Desculpe... ficou muito bom. Ainda bem que não é uma blusa de cor muito forte, senão, com esse cabelo, você seria um semáforo ambulante...
Ele riu com gosto. Por que a sensação de fazer Tae rir me deixa tão feliz? O telefone de Thereza toca e o de Tae toca, chamando para uma mensagem de texto.
Por que ao mesmo tempo? Vou até Tae e espio de novo. Desta vez, ele deixa. Era o Yoongi de novo.

Yoongi: Tae, você conseguiu alguma pista de como voltar?
Tae: não, na verdade, estou comprando roupas com uma amiga...
Yoongi: pra quê, Tae? Você trouxe...
Tae: acredito que vai demorar um pouco até eu achar o estúdio. Você não quer que eu fique com aquela camiseta pra sempre, né?
Yoongi: tanto faz, tanto faz... só sei que faz três horas que os rapazes saíram pra te procurar. Só o Jungkook ficou.
Tae: ué, por quê?
Yoongi: ele ia se distrair fácil.
Tae: com o quê?
Yoongi: sei lá, com o vento...
Tae: hahahahahaha
Yoongi: tá rindo do quê? Você se distraiu com pombos.
Tae: ...
Yoongi: a gente vai te achar. Aguenta aí.
Tae: tá tudo bem, eu comi coisas gostosas também.
Yoongi: tá, tchau.
Tae: Espera ai!
Yoongi: o quê?
Tae: por que vocês não pediram pra equipe fazer uma busca ou falar na polícia que estou desaparecido?
Yoongi: não seja dramático, V. A gente sabe que você está bem...
Tae: posso estar sento torturado...
Tae: ah, socorro estão me enforcando!
Yoongi: você sabe muito bem que não poderia digitar se estivesse sendo enforcado...
Tae: desculpe. Tchau.
Yoongi: até mais.

Quando Tae guardou o celular e voltou para o provador, Thereza também desligou o celular.
- Quem era? - perguntei.
- Era meu pai... avisando que vou para Disneyland nas férias...
- Sério? Que legal!
- Nem tanto... - eu não tinha entendido. Então ela olhou para onde Tae tinha entrado.
- Ah, você vai perder o show? Quando você vai?
- Em alguns dias... sem contar que vou perder o tempo que seria legal estarmos com o oppa...
Ficamos chateadas. Thereza sugeriu que a mãe dela fizesse a matrícula de Taehyung na escola de idiomas. Foi uma boa, pois a) minha mãe nunca faria isso, e b) a mãe de Thereza é meio ingênua às vezes, o que facilita.
Quando Tae saiu, fomos à seção feminina. Ia ser engraçado, mas ia ser divertido.
- Que tipo de roupa você quer, Tae-oppa? - Uma que deixe saliente a minha feminilidade! - disse ele, brincando, colocando os dedos nas bochechas como uma loli. Eu ri.
- Thereza, que tipo de roupa você acha que combina com o V?
Ao olhar para ela, ela estava passando os cabides, numa seção onde só havia blusas rosa. Fui até ela, e peguei uma bata rosa-choque. Posicionei o cabide em frente à Taehyung, analisando.
- Você acha que isso combina? - perguntei.
- Com o quê? Com esta legging maaaravilhosa? - respondeu Tae, posicionando uma legging preta bem apertada na cintura.
- Não sei se devemos levar você vestido de garota para a escola...
- Por quê? -
ele fez uma cara chorosa que me deu vontade de abraçá-lo.
- Sei lá... porque... ah! Para de ser fofo!! Tá bom, tá bom, você pode se vestir de garota, V! - peguei a cabeça dele e agarrei, afagando o cabelo dele, que é mais liso que cabelo de japonês.
Não, pera.
- O que foi, sua doida? - perguntou a Thereza, visivelmente chateada por não entender o Tae.
Traduzi toda a nossa conversa.
- Ah, o Tae é muito fofo, Vicky! Não quero ir pra Flórida...
- Não vá.
- Meu pai vai estranhar se eu quiser ficar... mas é até melhor, assim eu não atrapalho vocês dois...
- Quê? Como assim?
- Você sabe exatamente do que eu tô falando... - ela deu um sorriso malicioso que me fez corar na hora. Taehyung estava boiando.
- O que foi, Vicky-chan?
Você não precisa saber, Tae.
- Ah, não é importante. Já podemos ir pro provador de novo?
- Sim.
- Bom. Aí a gente pode comprar uma peruca, ou prender o seu cabelo fofamente. Só não saia pra eu ver como ficou, porque vão achar que você tem problema mental!



Capítulo 6 - Primeiro dia

DIA 2

Na manhã seguinte, percebi que não tinha dormido nada.
Kim Taehyung é um anjo quando está acordado, mas notavelmente, um demônio enquanto dorme.
Fomos dormir às 10. Até 11 horas, eu já estava dormindo pesado, quando acordei com um som que eu desacreditava que vinha do meu oppa.
Inicialmente, foi um ronco meio alto. O que não tinha problema, visto que meu padrasto também roncava. O problema foi que o ronco foi aumentando gradualmente, até parecer que tinha um elefante roncando do meu lado.
E não foi só o ronco. Depois das duas, ele começou a gritar alguma coisa em coreano que estava de difícil compreensão, mas o que entendi foi:
-Sasuke, suma de Konoha, você nunca deveria ter existido, tome uma rabada das minhas nove caudas! Quando entendi, comecei a gargalhar tanto que acordei ele. Esqueci que ele curtia animes. Mas quando ele acordou, senti dó. Ele ficou bravo. Um bravo engraçado.
Quando ele dormiu, ele ainda gritou até as cinco da manhã, quando finalmente peguei no sono. Mas uma hora depois, o despertador tocou. Decidi não dizer nada no dia seguinte.
Faltam dois dias para as aulas acabarem, a partir de amanhã. E Tae começa o curso depois de amanhã...
Depois de me vestir, Tae bateu na minha porta perguntando se podia entrar. Assenti, e ele entrou normalmente. O negócio foi quando eu me virei e dei de cara com ele praticamente nu, com uma toalha, apenas, saindo do banho.
O quão sexy um idol pode ser?, você se pergunta, e acha que tem essas respostas procurando fotos do abs dele no Pinterest. Mas você só descobre a resposta verdadeira quando o vê sem camisa na sua frente.
Com certeza, a cara que eu fiz na hora não foi das mais bonitas, porque V tinha dito alguma coisa e eu não prestei atenção.
- Hm? Vicky-chan?
- Ahh!! O-oi! Fala, Taehyung-oppa!
- Onde ficaram as roupas novas que compramos ontem?
- Ah, aqui... e Tae, nos últimos dias de aula eu esqueci que não precisa ir de uniforme, então não se importe, vista uma roupa que disfarce você...
- Eu estava pensando melhor nisso... não sei se vou me vestir de garota.
- Ahn??
- Eu tenho estrutura de menino, não ia enganar ninguém... mas posso fazer isso aqui em casa -
disse ele, sorrindo fofamente de novo.
- Ok... então põe aquele suéter de ontem que eu gostei dele. Vou te esperar na sala.

Saio do quarto e sento na sala. Enquanto espero, resolvo fazer algumas anotações pra caso a professora fique perguntando: "qual seu nome?", "de onde vem?", "quem é você?".
Quando ele apareceu de novo, estava tipo... maravilhoso.
- Podemos ir?
- Ah, sim. Toma, eu fiz umas anotações aqui porque com certeza a professora vai ficar perguntando de você. Tenta ler, porque eu escrevi os hanguls formando palavras em português.
-Ah... hum... meo... nomy éu... Kim Taehyung...?
Fiquei apaixonada naquele sotaque. Mas dava pra entender, então fomos pra escola a pé naquele dia.
No caminho, por alguma razão, eu não conseguia parar de pensar nele. Ao invés de pensar em como mandá-lo de volta para o estúdio, eu ficava pensando em como ele tinha ficado lindo, e como eu estava gostando de passar aquele tempo com ele.
Por que eu estava pensando naquilo? Eu não devia, eu sei que é só amor de fã...
Será que é?
Quando cheguei na escola, Thereza estava me esperando na entrada.
- Oi! ... Annyeong, Taehyung! - cumprimentou Thereza, quando olhei para ela com uma cara surpresa.
Tinha um ponto de interrogação desenhado na minha cara.
- Acho que estou assistindo muito Pyong Lee, hehe...
- Thereza...
- Tá bom, eu pesquisei vocabulário coreano, tá feliz?
Sorri.
- Annyeong, Thereza-chan!
Thereza corou. Não sei por que, mas senti um pouco de raiva, certa angústia quando isso aconteceu. Não vou descartar essa hipótese, mas torço pra não ser ciúme.
- Então, oppa, o sinal já vai bater, preciso te mostrar o banheiro masculino! - disse eu. Só então percebi que eu não queria nem precisava mostrar nada a ele, apenas queria afastá-lo de Thereza. Por quê??

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Quando o sinal tocou, arrastei Taehyung até a nossa sala e coloquei ele numa carteira atrás da minha. Torci para a professora não chamá-lo, mas era impossível não notar um coreano com cabelo cor de rubi refletindo na sua cara.
- Ah, notei que temos um novo aluno...? Mas tão perto do fim das aulas?
Tae notou que Lúcia estava olhando para ele, logo, estava falando com ele, então olhou para mim pedindo socorro.
- N-na verdade, professora, ele é um amigo meu que veio de outro país... então, ele não fala muito o nosso idioma... - inventei na hora.
Lúcia pareceu estar desconfiada só porque fui EU quem disse aquilo.
- Levante-se, por favor. Qual seu nome?
- Levanta e diz seu nome - sussurrei para ele.
Ele fez isso e disse, lendo o papel que dei a ele de uma maneira que me derreteu:
- Meo... nomi... Kim Taehyung...
- Dona Carvalho, embora não esteja nas regras da escola e seja meio óbvio, sabia que é proibido trazer desconhecidos para escola e obrigá-los a mentir?
Não podia acreditar no que eu estava ouvindo.
- Mas, dona Lúcia...
- Sem mas! Este jovem obviamente está tentando enganar a alguém, e você com certeza é a responsável.
Vou esfregar o responsável na sua cara.
- A senhora não entende! Ele... - fiquei sem o que dizer. O pior é que todo mundo achou que era uma farsa, porque a) não tinha como dizer que ele era meu parente porque não sou descendente de asiático, e b) todo mundo sabe que eu sou vidrada nos coreanos, e acham que sou idiota, então, aquilo era apenas outra demonstração de que sou idiota e estou tentando fazer parecer que aquele cara não fala nosso idioma.
O zum-zum-zum começou.
Tive que me segurar para não mandar todo mundo tomar no cu. Então, peguei Tae pela manga, o puxei para fora da sala, pedi para ele ir ao banheiro feminino e me esperar lá, em uma cabine, por algumas horas, e então fingi dizer para ele, na frente da sala toda:
- Puta merda, Geraldo! Eu disse que não ia dar certo... volta pra casa, vai, eu avisei!!
Não me pergunte porque eu decidi usar Geraldo.
Mas pareceu funcionar, Tae-oppa sabia o caminho que eu tinha mostrado mais cedo e todos pareceram acreditar.
A aula continuou, e antes do intervalo, pedi desculpas para a professora, embora eu soubesse que não devia.
O grande problema foi no intervalo, quando saí com Thereza para ir ao banheiro, e grande foi a minha surpresa ao ver que Tae não estava em nenhuma das cabines!!



Capítulo 7 - Manda aegyo, Jimin! ♥

Merda, eu sabia que ia dar merda.
Por que é que eu tive a ideia estúpida de largar um coreano insubstituível na minha escola de merda, cheia de pessoas idiotas que não têm a mínima consideração por qualquer pessoa?
Quando descobrimos que Tae sumiu, inicialmente entrei em pânico, até Thereza me acalmar. O problema foi que, quando eu me acalmei, ELA entrou em pânico. Os papéis se inverteram.
- Certo. Calma. Vamos pensar. Onde ele pode estar?
- Tá de brincadeira, Thereza? Não faço a menor ideia. Alguém pode ter o visto entrando no banheiro, ele pode estar na diretoria, ou pior, pode ter saído da escola! Maldita a hora em que eu não peguei o número de celular dele!
Thereza e eu decidimos nos separar para procurá-lo durante o intervalo, e ligaríamos uma para a outra caso o encontrássemos.
Comecei olhando nos arredores da sala de coordenação. Vi vários preparativos para a formatura do terceiro ano, a minha sala. Lembrei que seria em dez dias. Puta merda, meus pais não iriam aparecer? Ninguém ia à minha formatura?
Se o Tae fosse, compensava todo o resto...
No que estou pensando? Ele precisa voltar para o estúdio e se preparar para o show...
Andando sem rumo e procurando aquele cabelo picante, eu o vi depois de dez minutos, faltando pouco para o sinal bater. Com a diretora falando com ele!
Comecei a suar. E fui até lá. O que eu ia dizer? Ela estava caminhando com ele (praticamente empurrando ele!) até a saída!
- Ah, com licença, diretora!!
- O que foi? - mulher seca. Custa você perguntar: ah, olá, querida, em que posso ajudá-la?, Ou então ah, entendi, certo!
A tia da cantina fala isso.
- Ele está comigo. Por favor, não expulse ele!
- Ele não responde uma palavra do que eu digo, menina. Ele está me desrespeitando!
- É porque ele não fala nosso idioma! Quantas vezes eu preciso dizer para alguém entender??
Ela pareceu ter ficado brava e franziu a testa.
Desde que eu me lembro, ela é a mulher mais chata na escola. Ela tinha sobrancelhas bem grossas, tipo, e muito juntas, parecia uma só. Podia tirar com cera e pinça, mas parece que ela QUER que os alunos tirem sarro dela. Porque fazemos todo tipo de piadinha (sim, eu faço também!).
A sobrancelha (sobrancelha, não sobrancelhas!) fez uma curva junto com a testa, e quase tive vontade de rir.
- Aham, sei...
- Oppa, o que eu faço? Ela não acredita em mim!
Ele não me respondeu. Será que continuar insistindo ia adiantar?
- Diretora, por favor, se ele fosse um estranho, porque eu ia mentir dizendo que eu o conheço? - Isso não é problema meu. Se a senhorita quisesse trazer um amigo aqui, pedisse para um responsável matriculá-lo!
Senti raiva.
Sabe nos animes, todos aqueles símbolos de animes, tipo a gotinha, que indica quando você está se sentindo meio impaciente, ou aquela veia gigante na sua cabeça, quando você está bravo?
Senti a veia pulsando na minha testa. Então a lâmpada se acendeu sobre minha cabeça e tive uma ideia, e fingi ter desistido. Falei para ele esperar.
A diretora seguiu até a porta de saída, puxando o oppa com ela. No momento em que a porta se abriu, saí correndo e puxei Tae comigo.
- Corre, Tae!! A hora é agora!!
Eu o soltei, e ele continuou correndo, me seguindo. Olhei para trás, e a diretora gritava o meu nome, muito brava. V olhou para trás, mas não parou. Pelo contrário, ele parecia estar se divertindo, pois riu de um jeito que me deixou aliviada e feliz. Então ri junto.
Quando chegamos em casa, corremos para meu quarto e ficamos rindo até não podermos mais.
- Nossa, Vicky-chan, não acredito que você fez aquilo... no meio da rua, hahaha...
- Nem eu, mas era o único jeito de conseguir escapar...
Quando a canseira passou, o telefone fixo tocou lá embaixo, e minha avó atendeu. Tive um calafrio quando imaginei quem poderia ser, então me esgueirei na escada para ouvir. Tae me observou e pareceu achar graça.
- Alô? É de onde? Escola? Vicky? Quem tá falando? Fugiu? De onde? Asiático? Quem é?
Minha avó atendendo ao telefone é muito engraçado. É cruel dizer isso, mas é. Me lembra aquele vídeo que estourou na internet de um drogado, nem lembro o nome dele, mas ele ficava dizendo coisas sem sentido, tipo: "Romero Brito? Meu cu? Katrina?".
Provavelmente quem ligou perdeu a paciência, então desligou. Com certeza era da minha escola, e como meus pais estavam viajando não iam saber.
Oh, oh, espera. Eles podiam ligar no celular deles... merda... Precisava dar um jeito na situação...
Meu padrasto era um ótimo pai, em todos os sentidos, mas se eu me encrencasse na escola, sentiria que tinha sete anos de novo, porque eu me ferrava feio.
Voltei para o quarto e espiei Taehyung falando com Jimin no Whatsapp. (De novo), fui espiar.
Jimin: nem pista de o quão longe você pode estar do estúdio?
Tae: nope.
Jimin: mas assim fica difícil... a gente tem que ir dar uma entrevista pra um canal que não lembro o nome, em alguns dias, e o que vamos dizer quando perguntarem de você, V??
Tae: diz que eu sumi, ué. Não é isso o que aconteceu?
Jimin: ...
Tae: Além disso, embora eu realmente queira encontrar vocês, a garota que está me ajudando é muito divertida, estou gostando de passar um tempo com ela...
Corei na hora.
Jimin: hmm, vai vendo, porque pode ser só mais uma fã... Por falar nisso, manda um beijo pra ela e que a gente agradece por ela estar com você.
Antes de eu poder olhar para Tae, ele tascou um beijo na minha bochecha e foi responder. Corei. Aposto que eu teria tido uma hemorragia nasal exagerada.
- Tae...
- O Jimin pediu, hihi. Além disso, eu estava querendo fazer isso. Eu gosto de fazer isso com as pessoas que eu gosto.
Fiquei muda. Para com isso, parece uma babaca!
- Oppa, pede pra ele mandar uma foto fazendo aegyo?
Tae: ela pediu pra você mandar uma foto fazendo aegyo.
Então a foto mais fofa do mundo inteiro do meu bias chega.
PORQUE EU PEDI!
Jimin: ^^ espero que goste
- Tô quase desmaiando aqui, acha que eu não gostei?
Ele começou a digitar o que eu disse.
- Espera ai, tá doido?? Manda isso não! - ele riu.
Tae: preciso ir, Jimin, depois nos falamos, tá? Até mais, hyungs.
Só então notei que eu recebi Whatsapp da Thereza. Que estava desesperada, por sinal.
Thereza: DIABA, CADÊ VOCÊ? A GENTE ENTROU FAZ UM TEMPÃO. ACHOU O TAE?
Vicky: oi... esqueci de te avisar...
Thereza: avisar o quê?
Vicky: fugi da escola com o V...
Quase ri na mesma hora... é meio estranho dizer isso a alguém...
Thereza: QUÊ? VOCÊ O QUÊ?
Vicky: eu vi a diretora expulsando o Tae, então, quando ela abriu a porta, o agarrei e saímos correndo...
Vicky: foi até engraçado...

Thereza: meu Deus... imagino a cena, hahaha... a dona Sobrancelha gritando que nem uma velha de desenho "voltem aqui, crianças!!"... falta só falar como se estivesse meio banguela, hahaha...
Thereza: bom, pelo menos vocês estão bem, né?
Vicky: sim... o problema foi que ela ligou aqui e minha avó atendeu. Não deu em nada, você conhece minha avó, mas vai ser problema se eles ligarem no celular dos meus pais...
Thereza: torcer pra não dar em nada...
Vicky: ok, vou fazer alguma coisa pra gente comer aqui, tchau T.
Thereza: depois da aula eu passo aí, ok? Ah, e esqueci de dizer, a escola de idiomas me ligou, anteciparam a aula do Tae pra amanhã, e o material chega hoje por correio, tá? Beijo.
Por mais encrencada que eu pudesse estar, aquele dia foi muito divertido.

♥«´¨`•°..B--T--S..°•´¨`»♥


À noite, recebemos o material de português de Taehyung. Ele começou a folheá-lo, todo animado. Estava visível.
- Isso é tão legal, Vicky-chan! Eu quero me comunicar com outras pessoas além de você. Vai ser tão legal!
Senti uma pontinha de ciúmes no meu peito.
Para com isso, baka!
-Então... vai ser bem legal... será que você já vai conseguir falar alguma coisa amanhã?
- Espero que sim, o alfabeto ocidental eu já sei grande parte...
- Sério? Que legal...
Obviamente, eu não ia dar as caras na escola amanhã, e espero que eu consiga passar. Se tudo der certo, vou conseguir uma visita aos bastidores antes do show!





Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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