Última atualização: 30/01/2023

Capítulo 1 - Forks

A garota deu um longo suspiro assim que sentiu o carro parar. Abriu os olhos lentamente e se deparou com uma casa branca muito bonita. Deu um meio sorriso e ouviu o taxista murmurar algo sobre o pagamento. , com um mau olhado, lhe lançou algumas notas por entre os dedos e abriu a porta do automóvel, saindo com suas três malas e mais uma bolsinha.
O taxista mal esperou ela sair e já arrancou com o carro, totalmente arrogante. A garota bufou, mas voltou à serenidade quando voltou o olhar para a casa. Antes que pudesse se virar e tentar carregar todas malas sozinha, viu a porta se abrindo e, de lá, saíram três pessoas ofegantes.
Eram Angela, Joshua e Isaac. A família Weber era bem carismática e ela os adorava. Eram primos; era filha da irmã da mãe de Angela, embora ninguém percebesse. Porque a garota tinha cabelos e , junto aos olhos , e a família de Angela tinha a característica de cabelos e olhos castanhos claros. Sua mãe, Helen, era a mesma coisa; suas características diferentes haviam vindo de seu pai, John.
E era por causa deles que ela estava ali, na casa dos tios.
Seus pais teriam que se mudar para a Califórnia por longa data por causa do trabalho. Mas gostava daquele lugar, não queria deixá-lo por um problema que não era dela. Então, seus tios resolveram acolhê-la em sua casa.
Os gêmeos Joshua e Isaac vinham correndo em sua direção, e, quando chegaram para abraçá-la, pegaram suas malas e a pequena bolsa.

— Obrigada, meninos.

Eles voltaram correndo para dentro de casa. Angela veio sorrindo em sua direção, ajeitando os óculos no rosto. As primas se abraçaram fortemente. Eram tão chegadas que se consideravam irmãs.

— Senti saudades — disse Angela.
— Agora vou te perturbar por muito tempo.

As duas riram e entraram em casa, encontrando os pais de Angela, sorrindo.

! — sua tia apertou suas bochechas, lhe arrancando um sorriso.

Depois de saudações um tanto calorosas, Angela levou a prima até o segundo andar daquela casa bonita – e aconchegante –, dando ao corredor dos quartos. Havia quatro portas: o quarto dos seus tios, o quarto dos gêmeos, o de Angela, e o último era o de hóspedes, onde ela provavelmente dormiria.
E Angela a levou até aquela porta mesmo, mas parou na entrada.

— Bem, você agora vai morar aqui e não é uma mera visita... Decidimos fazer com que o quarto ficasse ao seu gosto.

A morena sorriu e abriu a porta, revelando um verdadeiro quarto dos sonhos. A parede era revestida de um vermelho vivo, a linda cama de casal era revestida de preto. O resto dos móveis eram uma mescla das duas cores: vermelho e preto. Preto era sua cor favorita, e ela agradeceu que tivessem colocado o vermelho, pois um quarto totalmente preto seria sórdido.
No canto, havia uma escrivaninha e, ao lado dela, uma enorme janela coberta com uma cortina vermelha. No quarto inteiro havia luminárias personalizadas, e até fios de pisca-pisca decorando-o. No outro canto, havia uma outra porta, que, provavelmente, seria o banheiro.
sorriu. Eles haviam transformado um simples quarto de hóspede numa suíte perfeita.

— Eu... não sei o que dizer. Obrigada.

As duas se abraçaram e não demorou para Joshua e Isaac entrarem com suas malas, colocando-as no chão.
se jogou prontamente sobre a cama, se deliciando com a fofura do colchão novo.

— Bom... Vamos deixá-la a sós.

Os três saíram e fecharam a porta, deixando uma garota sorridente para trás. Ela se levantou afobada, foi até a janela e a abriu, contemplando o céu nublado de Forks e a cidade chuvosa. Suspirou lentamente e a fechou, indo em direção à sua cama novamente.


→...←


Na manhã seguinte, ela acordou cedo e estava mais que sonolenta, pois havia ficado até tarde arrumando todas as suas coisas no quarto.
Ela e Angela foram andando para a escola junto a Joshua e Isaac. Demoraram mais de dez minutos e já estavam em frente à escola, que era cheia de pessoas com cara de antipáticas e a pele bem clara.
deu um longo suspiro.

— Não se preocupe, você vai gostar daqui — Angela colocou a mão em seu ombro, a empurrando.

Adentraram a escola e já percebia os olhares curiosos sobre ela, a “caloura”. Andaram sorrateiramente pelos corredores até as salas, e Angela arrancou uma folha das mãos de .

— O seu primeiro horário é comigo, de Literatura. Vamos.

Andaram rapidamente até a sala de aula, onde as duas encontraram um bando de alunos fazendo algazarra.

— Angela!
— Angela — Jessica lhe lançou um abraço. — ? É você? Eu não te vejo há... uns dois anos?
— Mais ou menos — caíram na gargalhada, se abraçando.

cumprimentou todos: Mike, Eric e Ben (namorado de Angela), pois já os conhecia de longa data. Sempre que vinha passar fins de semana na casa dos Weber, saía com deles. Era até estranho chamá-los de Weber, já que seus sobrenomes eram “ Weber”. Ela respondia pelos dois, porém mais por Weber.
sentou-se ao lado de Mike, que percebeu estar com uma aparência bem melhor do que da última vez que o viu. Deu-lhe um longo sorriso, que foi interrompido quando um professor adentrou a sala. Ele era alto, tinha cabelos negros assim como os olhos e parecia estranho a todos, não só à .

— Olá, pessoal — ele deu um sorriso cheio de dentes brancos. — Meu nome é Bernard. Bem, serei seu novo professor de Literatura, e acreditem — levantou um dos dedos —, não pouparei realmente a paciência de vocês para leitura.

Ele foi até sua bolsa e puxou um exemplar de um livro que parecia ser um pouco grosso. Mas não era nada como Shakespeare nem nada disso, parecia mais uma ficção.

— Neste semestre, estudaremos algo diferente. Mitos, essa é nossa matéria. E, primeiro, vamos estudar Vampiros, que são mitos bem populares hoje em dia.

achou uma matéria totalmente desnecessária, porém prestou atenção no que o professor dizia sobre as várias origens do vampiro.
Depois dessa aula, houve mais duas: Matemática e História. Eles teriam a hora do almoço e já estariam liberados para ir embora.
saiu da última aula junto de Eric, e foram andando em direção ao refeitório, onde encontraram todos numa mesa rindo alto.

— Hey, vocês dois! — Mike gritou. — Vamos à praia?
— Praia? — olhou-os como se fossem alienígenas. — Não veem o frio?
— Você vai aprender a lidar com o frio.


→...←


Quando chegaram à praia, que alegavam ser La Push, uma reserva ao lado de Forks, não acreditou de modo algum que estavam ali naquele frio. As meninas pegaram uma bola e se juntaram na areia, começando uma brincadeira simples de jogar. Os meninos foram surfar, mesmo naquele frio, o que achou um absurdo.
Ficaram jogando por um bom tempo, até que Angela deu um solavanco na bola, que foi parar do outro lado da areia. deu um sorriso e foi correndo até lá. Mas, quando abaixou-se para pegá-la, outra mão fez o mesmo, e suas peles se tocaram. Era uma mão duas vezes maior que a sua, quente, macia, aconchegante. E ela sorriu ao ver a contradição de suas peles: ela era branquinha, e ele, moreno.
Mas, para Jacob, aquele momento estava sendo como de outro mundo. Quando seus dedos se encontraram, ele sentiu uma formigação passar por todo seu corpo, o deixando meio tonto. Parecia que seu coração era uma bomba prestes a explodir. Imagens da garota, que acabara de conhecer ali e agora, vieram em sua cabeça como flashes de memória. Ele olhou nos olhos verdes dela e, como um susto, acordou de um sonho. Ofegante, separou suas mãos e se levantou. Ele não podia ter tido um imprinting por ela... Não mesmo. Amava Bella, não?
pegou a bola e ficou ereta, olhando assustada para ele, que usava uma regata. Ela abriu a boca, mas ele se apressou.

— Er... Sou Jacob — ele pensou em estender a mão, mas estava nervoso demais para isso.
... Você é...?
— Eu sou da reserva — ele a observou. — Imagino que seja de Forks.
— Er, sim... Estou passando um tempo na casa de meus tios... — olhou para trás e apontou para onde seus amigos estavam. Jacob avistou Angela.
— Angela é sua prima?
— Sim.
— Ah, deve conhecer Bella, então... — ele raspou a garganta, falando para si mesmo em voz alta. Ela franziu o cenho.
— Hum, na verdade, não — ela sorriu, rolando a bola na mão. Ele se perdeu em seu sorriso por longos segundos.
— Eu... — engoliu um seco. — Nos vemos por aí, então? Foi bom te conhecer.

Jacob lhe lançou uma piscadela e saiu correndo. Ele não acreditava no que acabara de acontecer. Não imaginava que sofreria um imprinting dessa maneira, com tal pessoa. Mas... ele não aceitava isso, pensava todo esse tempo que o amor de sua vida era Bella.
observou seu corpo enquanto corria, até que ouviu seu nome ser chamado. Suspirou e deu meia volta, sorrindo.


Capítulo 2 - Rejected

abaixou-se na grama e puxou uma rosa branca do canteiro, olhando sorridente para ela. Levou-a até perto de seu nariz e inspirou aquele aroma que julgava ser maravilhoso e ouviu um barulho vindo de suas costas. Deu um sorriso de lado e virou-se, levantando os olhos pelo corpo do moreno em sua frente. Como de costume, ele usava uma bermuda surrada e uma regata de cor clara. Ele mostrou seu lindo sorriso, se aproximando dela em passos lentos.

— Como foi seu dia? — ele colocou uma mecha atrás de sua orelha, e a garota sentiu suas bochechas queimarem.
— Você sabe… Normal. Mas… sem você.

Jacob sorriu e a segurou pelo rosto. Seus narizes se tocaram de leve, e já podia sentir sua respiração descompassada.
E, de repente, tudo ficou escuro. sentia suas mãos dormentes e olhou em volta, com medo. Havia várias pessoas jogadas ao chão, pálidas e bonitas. E Jacob também estava lá, só que de pé. E, ao longe, vinham mais pálidos… E eles vinham correndo.
soltou um grito e começou a correr em direção a Jacob, mas sentiu um puxão e…”


! — Joshua a sacudia, frenético.

A garota acordou em um susto e sentou-se na cama, ofegante. Suspirou e colocou a mão sobre o peito, olhando para o primo.

— Quer me matar do coração?
— Quer se atrasar para a escola?

olhou o relógio e percebeu que estava realmente quase atrasada. Levantou-se e foi até seu banheiro, fez suas higienes, colocou sua calça preta e uma blusa simples. Olhou a janela e viu que, hoje em especial, estava mais nublado que nunca e caía uma chuva fina. Colocou um casaco grande com capuz, puxou a mochila do chão e desceu para encontrar Angela.
Depois de andarem pelas ruas quase correndo, na chuva fina, chegaram à escola e correram até a sala. Quando chegaram, sentaram-se com seu grupo de amigos, mas havia uma pessoa nova para . E ela se assustou quando a olhou, pois seu rosto era muito familiar de seu sonho da noite passada.

— Ah, … — Angela apontou para a morena. — Essa é a Bella. Ela veio tem uns dois anos… Estava viajando com o namorado essa semana. Ainda não teve tempo de conhecê-la.

Assim que Angela falou aquilo, lembrou-se de Jacob, que conhecia Angela e havia mencionado alguma Bella. Ela sorriu e se aproximou, lhe estendendo a mão, que foi gentilmente retribuída.

— Sou , prima da Angela… — colocou as mãos nos bolsos da calça. — Você é amiga do Jacob, não é?
— Como sabe? — Bella franziu o cenho.
— Ah, eu… esbarrei nele… — suspirou e lembrou-se de seu rosto e seus traços encantadores… Balançou a cabeça.

Bella olhou-a com certa dúvida, mas acabou deixando de lado. Depois de uma aula de História bem interessante, tiveram aula de Matemática, o que deixou a desanimada. Mas o que a animava era que, depois do almoço, não iria embora. Iria para a aula de teatro, que era também constituída por alunos que não eram da escola.
Quando o almoço acabou, se despediu de seus amigos e de Angela, que alegou que a esperaria. Mas, após dizer que voltaria sozinha, deu um beijo na prima e andou até o enorme salão de teatro que havia naquela escola.
As cadeiras não estavam cheias, apenas alguns alunos ocupavam a primeira fileira e a professora estava sobre o palco. sorriu de leve e andou até a segunda fileira, se sentando ali. A professora deu-lhe um longo sorriso.

— Bem, já que já estamos todos aqui… Vamos começar. Neste ano, teremos um projeto de uma peça sobre um musical. Nós inventamos a história, será numa época de reis e rainhas, haverá dança e tudo mais…

Ela continuou falando por um bom tempo, depois passou o roteiro para todos e colou na parede um cronograma em que estava quem ficaria com qual papel. havia pegado o papel da amiga da principal, que era interpretada por Jessica, e que não estava presente. Depois que havia terminado, pegou a mochila e foi em direção à saída da escola, percebendo que chovia mais do que imaginava. Chovia forte e com pingos grossos, e ela chegaria encharcada em casa.
Bufou e colocou o capuz, enfiou as mãos nos bolsos do casaco e começou a andar na chuva, sentindo-se já o suficiente molhada. Olhou para o lado e viu Bella junto de um garoto alto, magro e pálido, e, mais uma vez, ela teve um déjà vu relacionado ao seu sonho.
Estava tão distraída olhando para eles que acabou tropeçando e caindo, sentindo sua coxa doer e suas roupas totalmente molhadas. Respirou fundo e fechou os olhos, não querendo saber se alguém havia a visto. Mas, quando reabriu os olhos, viu alguém mais ali perto de Bella.
Era ele. Ele estava lá, não como de costume. Estava de calças e uma blusa preta que estava colada em seu corpo pela chuva, mostrando que ali havia um abdômen bem definido. não conseguia esboçar nenhuma reação. Continuou ali no chão, observando os três.
Jacob parecia estar furioso, pois batia de frente com o garoto junto de Bella, olhando-o nos olhos. O olhar de Bella caiu sobre , e a garota falou algo para os dois.
Quando Jacob virou-se para ela, vendo-a ali, olhando para ele, seu mundo parecia outro. Engoliu em seco, e, mesmo que tentasse se segurar, suas pernas o levaram até ela involuntariamente.

— O que está fazendo aí? — falou, lhe estendendo a mão. A garota se levantou, encharcada e totalmente sem jeito.
— Eu caí — a chuva já afetava sua visão. — E você, o que faz aqui?
— Nada — ele a observou. — Você vai à pé para casa?
— É o jeito. Aliás, preciso ir… Não quero pegar um resfriado.
— Eu… te levo. Se quiser, é claro — observou ele passar a mão no cabelo.
— É, eu… — pensou por um momento. Seria bom uma carona. — Eu aceito, claro.

Jacob deu um meio sorriso e assentiu, correndo de volta para onde Bella e o garoto estavam. Falou algo para eles e acenou para dois garotos que estavam mais à frente. Estes eram parecidos com ele e estavam sem camisa. Um deles chamou sua atenção, tanto que lhe lançou um longo olhar. Jacob parou com a moto em sua frente, segundos depois.

— Sobe aí.

deu um meio sorriso e subiu na moto, e, antes que pudesse se aconchegar, Jacob arrancou com a moto e ela rapidamente se segurou em seu corpo. Uma onda elétrica passou por seu corpo quando a barriga do garoto se contraiu com seu toque. Ela falou o endereço em seu ouvido e ele sorriu, indo mais rápido.
Não demorou muito e parou, pois não era muito longe. desceu de sua garupa e o olhou.

— Muito obrigada. Me ajudou muito.
— Não seja por isso. Acho melhor entrar, você… já está bem encharcada.
— É… — sorriu. — Você não quer, sei lá… sair, qualquer dia desses?
— Sair? — Jacob sorriu e olhou para baixo. Mesmo naquela chuva, os dois estavam ali.

Bella passou rapidamente por seu pensamento e isso foi o suficiente para que ele sentisse peso por ter um imprinting pela .

— Eu… não sei. A semana está cheia, você sabe…
— Ah, então… — suspirou e segurou forte a mochila. Se sentia uma idiota. — Entendo. Então, até mais…

Sem esperar mais, ela lhe deu as costas e saiu andando rapidamente até a casa. Entrou e fechou a porta ligeiramente, bufando. Não acreditava que havia sido tão estúpida. Olhou o celular e viu que havia uma mensagem de sua mãe, que dizia: “Nova Iorque é ótimo, você iria gostar. Queria estar aí para seu aniversário, mas não se preocupe, eu mando um presente.”
Após ler a mensagem, lembrou que seu aniversário era daqui a uma semana. Bufou e jogou o celular dentro da mochila, correndo para seu quarto.


Capítulo 3 - Friends

e Angela acabavam de adentrar uma loja de vestidos, umas das mais chamativas em Portland. Angela insistiu em comprar um vestido para a prima, já que faltavam somente quatro dias para seu aniversário. Os Webers diziam que Angela iria levá-la para sair com os amigos, e, para isso, precisava de uma roupa nova.
Angela demorou em várias paredes de cabide, procurando por algum vestido que a agradasse. O seu já estava em seus ombros; o que ela procurava era um para , que estava parada, de braços cruzados, observando a morena.

— Achei! — ela sorriu abertamente, virando-se para a . — Esse vai ficar perfeito.

Angela jogou-o sobre as mãos da garota e a empurrou freneticamente até o provador. Então, sentou-se em uma das poltronas que estava de frente para ele e batucou as unhas sobre a coxa.
Depois de um tempo, ouviu a cortina ser aberta e levantou o rosto, dando um sorriso. estava olhando para ela, insegura, mordendo o lábio inferior. O vestido ia até a metade da coxa, era preto e rodado a partir da cintura. A parte de cima e as mangas longas eram feitas de renda, e, na parte de seu colo e costas, havia um decote.

— E aí? Ficou feio?
— Feio?! Você está linda! Você… Por que você não tem um namorado mesmo? — Angela riu, a empurrando de volta para o provador.

riu e respondeu algo, mas Angela não ouviu. Ela voltou com seu casaco, tênis e calça rotineiros e com o vestido na mão. Angela o puxou, fazendo lhe lançar um olhar feio.

— É um presente.

passou os próximos segundos reclamando, mas a morena apenas pagou o vestido e lhe entregou em uma sacola de presentes.
Assim que saíram pela porta da loja, o celular de Angela apitou. Ela olhou para a tela e sorriu.

— Se importa de voltar sozinha? Ben está aqui e quer se encontrar comigo.
— Hã… — uniu as sobrancelhas. — É claro que não. Nos vemos mais tarde.
— Com certeza — a prima lhe deu um sorriso e beijou sua bochecha antes de sair correndo pela calçada.

enfiou as mãos nos bolsos do casaco e suspirou, olhando em volta. Olhou para o outro lado e viu uma pequena loja com livros e CDs na vitrine. Deu de ombros e andou até lá, vendo que era uma loja simples. De um lado, prateleiras com alguns livros usados, e do outro, prateleiras de CDs.
Olhou em volta e andou até a parte de livros, se demorando ao olhar o título de cada um daquela parede. Virou-se levemente, mas seu braço acabou esbarrando na prateleira, fazendo alguns livros se espatifarem no chão. Bufou e se abaixou, começando a pegá-los.
Ouviu passos e levantou levemente o olhar, vendo um par de tênis surrados logo à frente.

— Precisa de ajuda?

Olhou totalmente para cima e percebeu que seu corpo congelou por algum momento. Era o garoto do estacionamento da escola, no dia em que Jacob havia lhe dado carona. Balançou a cabeça, preferindo não se lembrar do dia. Concentrou-se na beleza daquele garoto, que sorria de canto em sua direção.

— Eu… Quer dizer, não precisa — ela se levantou com os livros nas mãos, mas um deles acabou caindo novamente. O garoto soltou uma risada gostosa, agachando-se para pegá-lo.
— Estou vendo — ele sorriu e puxou os livros de sua mão, arrumando-o na prateleira novamente.
— Você trabalha aqui? — ela o olhou de relance.
— Não. Estava vendo alguns CDs quando ouvi o barulho — ele terminou e virou-se para ela, sorrindo novamente. Ela sentiu as bochechas queimarem.
— Eu sou uma desastrada, me desculpe — riu baixo, olhando-o.
— Não se preocupe — ele piscou e olhou para trás. — Bem… Tem uma cafeteria legal aqui perto. Quer ir até lá?
— Er… — ela sorriu, colocando as mãos nos bolsos novamente. — É claro.
— Ótimo. Meu nome é Paul — ele sorriu, já dando passos para trás.
.
— Nome bonito.

Ele riu e os dois saíram da loja. Assim que começaram a caminhar pela calçada, alguns garotos assobiaram para Paul. Ele gritou algo para eles que não ouviu, pois estava prestando atenção nos garotos. Eram todos parecidos, era incrível.
Andaram mais um pouco e logo estavam na cafeteria. Sentaram-se na mesa ao lado da vidraça e pediram, os dois, chocolates quentes e rosquinhas.

— Então… Você e Jacob têm alguma coisa? — ele apoiou o braço e a olhou, atento.
— O quê? — ela balançou a cabeça, rindo. — Não…
— Eu vi vocês saindo de moto naquele dia. E pareciam íntimos.
— Não, quer dizer… Nós nos conhecemos, mas acho que somos apenas isso. Conhecidos — ela deu um sorriso meio decepcionado, mas não deixou o garoto perceber.
— E eu sei. Eu lembro de ter te visto. Vocês são amigos?
— Sim. Nós crescemos juntos, moramos próximos e tudo mais… Em La Push, sabe?
— Sei — ela assentiu levemente. — É um lugar legal.

Os pedidos chegaram e a garçonete direcionou cada caneca e prato até eles, que começaram a beber, ainda conversando.

— Eu não me lembro de ter visto você por aqui antes. É nova?
— Bem… Não, na verdade. Eu venho sempre aqui, só que dessa vez estou morando na casa dos meus tios. Meus pais estão em Nova Iorque… — deu de ombros. — A Angela Weber.
— Ah… — ele sorriu, mordendo a rosquinha com vontade. — Então você conhece a Bella.
— Sim — ela bebeu um pouco de seu chocolate e, em seguida, riu do jeito afobado que ele comia. Ele olhou para ela, com os olhos cúmplices.
— Estou fazendo feio, não é? É ruim dar má impressão logo no primeiro encontro.
— Não se preocupe — ela riu de seu comentário. — É chato quando a pessoa fica com vergonha.
— Não terá… — ele começou a falar, mas seu celular tocou alto.

Ele pediu um momento com o dedo, pegando-o. Ele falava com a pessoa, adquirindo um semblante preocupado a cada palavra. prestava atenção, mas não via sentido em suas palavras. Paul desligou, suspirando.

— Terei que ir, infelizmente — ele a olhou por um momento e passou a língua pelo lábio. — Mas você poderia me passar seu número, certo?

riu e, em seguida, fez o que ele sugeriu. Se levantaram e Paul insistiu em pagar a conta. Se sentia mal em ter a segunda pessoa no dia pagando algo para ela. Saíram da cafeteria e ele a olhou com um sorriso de canto.

— Então… Nos vemos depois?
— Claro — ela sorriu em sua direção.

Ele mordeu o canto do lábio e deixou um beijo estalado em sua bochecha, saindo dali. sorriu sozinha e olhou para o chão. Passou a mão pelo cabelo e começou a descer pela calçada Já era hora de ir para casa.


→...←


Angela, Bella, Jessica e estavam jogadas no sofá. Na televisão da casa dos Weber passava um filme de comédia qualquer, que estava fazendo as quatro darem boas gargalhadas. Todas estavam de pijamas, e o de era uma calça de moletom preta, blusa de manga rosa e pantufas de urso.

— Olha lá! — Jessica cutucou a amiga enquanto se contorcia de rir.

ria baixo, mas seu pensamento estava bem longe dali naquele momento. Estava pensando em Paul, e sempre que pensava nele, acabava pensando em Jacob. “Aquele ridículo…” era o que ela pensava. E se sentia mal pelos dois serem interligados.
O filme acabou instantes depois, e o chão estava coberto de copos e potes vazios de pipoca. Depois de limparem tudo, subiram para os quartos, que ficaram divididos: Angela e Bella, Jessica e .
Jessica iria dormir com a , já que a cama era grande. As outras duas se despediram e foram em direção ao seu quarto.
e Jessica se jogaram na cama e ainda passaram muitos minutos conversando. Mas, quando estava cambaleando de sono…

… — Jessica cutucou seu braço. — Dá pra atender esse telefone? Ele está me irritando.

levantou levemente a cabeça e olhou para a mesinha ao lado. Seu celular tocava baixo, ou era ela que estava sonolenta demais. Pegou-o e olhou para a tela: era o contato de Paul. E ainda tinha sua foto, que ele havia tirado instantes antes de ir embora da cafeteria.
Seu coração parou e ela atendeu, afobada. Mas não o deixaria saber.

— Alô?
— Ah, oi. É o Paul… Sabe, da…
— Oi, Paul — ela dá um meio sorriso.
… — ele raspou a garganta. — Me perdoe por ligar tão tarde. Tive uns contratempos e tudo mais… Mas eu queria saber se você não queria sair comigo amanhã, depois da escola?
— Hã… — ela olha para Jessica, que a encarava com um sorriso malicioso. — É claro… Claro.
— Ah, ótimo — ele riu baixo. — Posso te buscar lá mesmo depois da aula?
— Pode. Estarei esperando — ela mordeu o lábio de leve e Jessica riu, colocando a mão na boca.
— Tudo bem, então. Er… Até amanhã. Boa noite, gatinha.
— Boa noite.

Ela apertou os lábios e desligou o aparelho, com pura vergonha. Olhou para amiga ao lado, que, agora, ria alto.

— É sério? Que fofo! Qual o nome dele?
— Paul. E cala a boca que tá na hora de dormir — ela bateu na cabeça de Jessica com o travesseiro.
— Não vai se livrar dessa.

Jessica virou-se de costas, ainda rindo, e logo caiu no sono. fez o mesmo, com um sorriso bobo no rosto. E antes que pudesse dormir, as imagens de Paul e Jacob apareceram em sua mente.


Capítulo 4 - Jealous

Após o sinal ser tocado, andou até o refeitório junto de Angela e Jessica, onde esperariam até o horário de todos irem embora. Todos os amigos reunidos, sentados, conversando e até comendo.

— Acho que alguém importante chegou… — Jessica disse, animada, enquanto se recostava na vidraça e olhava para o lado de fora.

O dia estava nublado, como de costume, e parecia estar prestes a chover. uniu as sobrancelhas e, junto dela, todos da mesa se levantaram para ver quem estava no estacionamento. Seu coração palpitou levemente e sentiu as bochechas quentes no mesmo momento em que viu Paul parado, com uma jaqueta de couro preto, recostado em sua picape.

— Quem é esse? — Angela parecia mais confusa que nunca, olhando para os amigos.
— Esse é o… — Jessica começou, mas resolveu interrompê-la.
— É um amigo meu… que eu conheci por aí. Agora, pessoal… Vejo vocês depois — ela disse rapidamente. Depois, pegou sua mochila sobre a mesa do refeitório, acenou para todos e correu em direção à saída central da escola.

Quando abriu a porta e saiu por ela, Paul, incrivelmente no mesmo momento, levantou o rosto para olhá-la e deu um largo sorriso. sorriu em resposta com uma leve careta, sem entender muito bem o que havia acontecido, e andou até ele. Paul continuava com o mesmo olhar sobre ela, e se ergueu quando a garota já estava perto o suficiente para lhe dar um abraço e um beijo demorado na bochecha.

— Você está linda — falou, com um sorriso de lado em sua direção, fazendo-a mexer levemente no cabelo.
— Obrigada… Você… Você também está.

Ele deu a volta e abriu a porta do carro para que ela entrasse.

— Vou ter que passar em casa antes para pegar alguns documentos… Tem problema? — Paul dizia enquanto manobrava o carro para sair do estacionamento da escola.
— Não, claro que não… Nós vamos para onde?
— Vou te levar para almoçar, e depois… para um lugar bem legal. Você vai gostar — ele piscou para ela.

Passaram todo o caminho até a reserva conversando, rindo e conhecendo mais sobre o outro. Quando chegaram, Paul estacionou o veículo perto de uma árvore, logo ao lado de sua casa, a qual observou atentamente.

— Já volto, tudo bem? — ele saiu do carro, bateu a porta e andou em passos largos para dentro da casa de madeira.

recostou-se no vidro, olhando para o lado de fora, e observou o terreno cercado pela floresta vasta. Levantou o olhar até o céu, mais escuro que antes, e até pôde ouvir os trovões distantes dali. Mas algo chamou sua atenção para a floresta novamente. Ela ouviu vozes.
Foi como da primeira vez que vira Paul. Alguns garotos apenas de bermuda, extremamente parecidos e com tatuagens nos braços, saíam da floresta em direção à casa. Um deles era Jacob. Seu olhar caiu sobre , e o fato de o vidro não ser escuro deixou-a nervosa.
Jacob, por sua vez, sentiu os efeitos do imprinting sobre ele. Havia evitado estar em Forks todos esses dias, afinal, o que ele mais queria era evitar aquele imprinting. Em sua cabeça, deveria ser Bella. Mas toda vez que via aquela
Ele passou uma das mãos sobre as têmporas enquanto se aproximava em passos rápidos do carro. arregalou os olhos. Deixou seu corpo ereto no banco e sentiu um frio percorrer seu corpo dos pés a cabeça ao vê-lo se aproximar.
Ainda com o olhar cravado em seu rosto, Jacob parou bem ao lado dela e deu leves batidas no vidro com o dedo, querendo de verdade arrancar aquela porta e tirá-la de dentro do veículo de Paul.

— Abaixa o vidro — ao ver que a garota não havia esboçado nenhuma reação, Jacob pediu em um tom baixo e calmo, se apoiando na porta com uma mão.

A engoliu em seco e levou alguns segundos até seu dedo ir ao botão, descendo o vidro lentamente, sem quebrar o contato visual dos dois.

— O que… O que foi? — perguntou, em um fio de voz.
— O que faz aqui? Você não mora por aqui, que eu sei… — ele se apoiou com a segunda mão, inclinando o corpo para dentro da janela.
— Eu… Eu… Mas que coisa — a expressão receosa foi substituída por uma irônica. — O que você tem a ver com isso, afinal?

Com os lábios comprimidos, Jacob olhou para ela, sentindo sua pele esquentar ao ouvi-la falar aquilo. Afinal, por que estava assim? Ele quem havia a dispensado.

— Aqui não é lugar para você. E desde quando você anda com ele? — apontou o queixo para onde Paul deveria estar sentado.

entreabriu os lábios, pronta para dar outra resposta, quando o outro moreno saiu da casa e correu de volta ao carro.

— Algum problema? — Paul levantou a sobrancelha em direção a Jacob, assim que entrou no veículo.
— Não… Nenhum problema — ele se afastou do carro, sem parar de olhá-la. — Falo com você depois.

Jacob passou a mão pelo cabelo curto e fechou os punhos, voltando a andar em direção à floresta dessa vez. ficou sem reação e apenas o observou caminhar.

— O que ele queria?
— Ah, nada… Não se preocupe — ela lhe deu um meio sorriso, e logo estavam saindo do terreno.

Após um almoço – muito bom, pela vista de –, Paul a levou de volta à reserva. Porém, haviam passado das fronteiras que ela conhecia.

— Para onde estamos indo? — perguntou, curiosa, já totalmente confortável com sua presença.
— Você vai ver. E eu já respondi sobre isso o dia todo — o carro foi tomado por leves risadas.

Após andarem mais alguns minutos, Paul parou o carro ao lado de uma pequena trilha. Eles desceram, e ficou olhando para o caminho.

— Vamos… entrar aí?
— Está com medo? — Paul sorriu para ela, pegando levemente em sua mão. — Eu não mordo. Só se você quiser.

A garota riu pelo nariz, balançando levemente a cabeça e agradecendo por ele não estar olhando naquele momento. Andaram pela trilha, até ver que pisava em pedrinhas em vez de terra. Então, chegaram em uma linda cachoeira.

— Nossa… Aqui é lindo — ela soltou-se da mão do moreno, olhando em volta.
— É, eu sei. Vamos entrar na água, hum? — ele disse, já começando a tirar sua jaqueta.
— O quê? Não, não, obrigada. Eu estou com frio — e era verdade. Não entendia o porquê de ele querer entrar naquela água, com aquele tempo.
— Eu te esquento. Vem cá.

Assim que havia tirado a blusa, antes mesmo que a garota pudesse observar seu corpo, ele a pegou pela cintura e a colocou em seu ombro, pulando rapidamente na água em seguida.

— Paul! — ela gritou quando voltou à superfície, sentindo os lábios trêmulos e o corpo congelar rapidamente. Abraçou seu próprio corpo, mas as roupas úmidas não ajudavam em nada.
— Calma, vem aqui.

Ele pousou suas mãos novamente na cintura da garota, prensando-a contra seu corpo. Como Paul conseguia estar quente daquele jeito, em um momento desses? Era o que ela queria saber.
Por ele ser mais alto, deitou a cabeça em seu peito, tentando espantar o frio, mas sentiu a mão dele levantar seu rosto pelo queixo. Ela piscou algumas vezes, olhando atentamente para seu rosto, enquanto um sorriso de lado brotava nos lábios do moreno. Ele foi abaixando o rosto lentamente, enquanto continuou do mesmo jeito, apenas o olhando, decidida a se afastar. Até que sentiu algo pingar em seus lábios, e não era a água do cabelo de Paul.
O moreno levantou o olhar, e logo pingos grossos de chuva começaram a cair sobre os dois.

— É melhor… sairmos — disse, suspirando de leve em alívio. Ela se afastou dele e saiu, sentindo ainda mais frio do que antes.

Os dois correram de volta ao carro, que acabou se molhando todo, mas Paul não via nenhuma importância nisso.
No caminho de casa, já começava a escurecer, indicando que a noite chegava. o guiou até a casa dos Weber, e logo pararam em frente a ela.

— Obrigada por me trazer, e… obrigada pelo dia, mesmo. Foi muito bom — sorriu para ele, pegando sua mochila no banco de trás. Estava para sair, quando ele segurou levemente em seu braço.
— Nós… vamos nos ver de novo, não é?
— Oh, claro… Quando quiser — ela olhou para a mão dele.

Paul sorriu abertamente e, sem parar de segurar seu braço, tornou a aproximar seu rosto do dela. suspirou, fechando brevemente os olhos para aquele momento. Mas, de repente, algo bateu contra o carro e fez um alto barulho. Era como o barulho de uma pedra, ou até um galho de árvore.
Paul soltou um baixo palavrão, e quase riu daquela cena. A de distanciou e, em seguida, saiu do carro para olhar, quando viu um enorme arranhão na lateral. Olhou em volta, procurando algo que pudesse ter feito aquilo. Ou alguém, talvez. Mas isso não seria provável.

— Ahn… Acho que… algum galho deve ter caído daquela árvore — falou, se referindo à árvore perto da janela de seu quarto.
— Está… tudo bem, depois eu vejo isso — Paul pousou a mão sobre o volante, com a voz em um tom frustrado. — Bem…
— Acho que é melhor você ir… Nos vemos depois, certo? — ela sorriu mais uma vez e se inclinou para dentro do carro. Deu um rápido beijo na bochecha dele e logo saiu novamente. — Até mais.

fechou a porta e esperou que Paul fosse embora. Então, virou-se e começou a andar em direção à porta da casa. Quando chegou nas escadas da varanda, ouviu um barulho que a fez se virar e arregalar levemente os olhos.

— Jacob?


Capítulo 5 - Afraid

O coração de nunca esteve tão indeciso, sobre disparar, ou quase parar. Estava olhando fixamente para Jacob, com as mãos trêmulas e as pernas bambas. Não sabia como reagir àquilo. O que ele fazia ali?

— Jacob… O que faz aqui?

Jacob permaneceu parado, apenas olhando para seu rosto. Não estava como mais cedo, quando havia o visto na casa de Paul. Usava uma calça jeans, tênis surrados e uma blusa de manga simples.

— Eu… — ele olhou brevemente para os lados, suspirando baixo. — Eu não sei, tudo bem? Eu… simplesmente não consegui, e vim parar aqui. Você ia mesmo beijar o Paul?

deixou que seus olhos se arregalassem mais uma vez em direção a Jacob. Não acreditava que…

— Você arranhou o carro dele? — ela levantou a sobrancelha, ainda desacreditada. Jacob apenas deu um sorriso de lado, olhando para seus pés. — Jacob… Não há motivos para você estar aqui. Então, boa noite… Passar bem — disse, no conjunto de coragem e firmeza que havia adquirido no momento.

Ela segurou a alça de sua mochila, virou-se de costas para o moreno e andou de volta até as escadas da varanda. Mas foi impedida por uma mão firme, grande e quente que segurou a sua. paralisou na mesma hora, sentindo as borboletas dançarem em seu estômago.

— Me desculpe… por aquele dia. Me desculpe mesmo. Eu não queria te dispensar, não era aquela a minha intenção. Eu só… — ele parou de falar, vendo a garota se soltar de seu toque, mesmo sendo por uma luta interna. — Você gostaria de… sair comigo, para nos conhecermos melhor?

Jacob a olhava fixamente, esperando qualquer sinal corporal ou resposta vinda da . Seu coração palpitava em seu peito, observando aquele corpo à sua frente. Um sorriso brotou nos lábios de , mas não era doce.

— Desculpe, Jacob, mas é que… eu estou muito ocupada esses dias, sabe?

Foi como se tivesse enfiado uma faca no coração do moreno, receber uma rejeição da garota por quem ele nutria seu imprinting. Entendia que ele havia feito aquilo da primeira vez, mas não aceitava. Afinal, tentou se desculpar.
Antes que pudesse falar algo, a garota já havia entrado pela porta da casa, o esnobando totalmente. Jacob ficou por mais alguns segundos ali, apenas olhando para a porta, até que colocou as mãos nos bolsos da calça e caminhou de volta para sua casa.
Do lado de dentro, estava encostada na porta, se sentindo totalmente confusa com a situação. Primeiro, ele a dispensa. Depois, arranha o carro de Paul por ele querer beijá-la? Qualquer um não entenderia essa situação. Ela suspirou e saiu do lugar onde estava, preparada para ouvir Angela falar a noite toda sobre o moreno do estacionamento.


→...←


No dia seguinte, acordou serenamente, abrindo os olhos com calma enquanto se espreguiçava na cama. Não houve despertador para desnortá-la naquela manhã. Era uma maravilhosa manhã de sábado.
Permaneceu deitada, apenas sentindo a brisa do clima frio já dentro do quarto. Provavelmente, o lado de fora deveria estar com neblinas baixas, mas ela não conseguia ver por entre as cortinas. Sentou-se na cama, passando as mãos pelos cachos e os prendendo com leveza. Então, ouviu o toque de seu celular ecoar pelo quarto, fazendo-a virar o corpo para pegá-lo. Ao menos havia olhado a tela.

— Alô?
? Que bom que está acordada. Pensei que teria que ir acordar você e essa sua prima chata — a voz de Jessica soou do outro lado, fazendo-a soltar uma risada.
— Bom dia, Jessica. Está tudo bem comigo, sim, e com você? — sorriu ao ouvir um resmungo do outro lado. — A que devo sua ligação?
Você deveria me agradecer por estar sempre te incluindo nas coisas. Nós vamos fazer uma trilha na floresta hoje… e queríamos que vocês viessem. Apenas você e a Angela, não aqueles pestinhas dos…
— Não fale assim deles — rolou os olhos, mas logo sorriu novamente. — Tudo bem, vou falar com ela.
Até mais.

Após a ligação ser desligada, se levantou, fez sua higiene matinal e logo saiu do quarto para acordar Angela. Depois de muito custo, conseguiu finalmente falar com a garota. Então, rumou para o quarto novamente, se trocou e arrumou uma mochila com as coisas necessárias para a ocasião.
Tempo depois, quando já haviam tomado café e se arrumado, elas ouviram a buzina do carro de Jessica soar na frente da grande casa. Se despediram dos outros e logo adentraram o carro da amiga.

— Soube que seu aniversário é amanhã, — comentou Jessica enquanto dirigia.
— Por que tem que ficar falando sobre isso para todos? — mirou Angela com um olhar nada amigável. A prima apenas mexeu em seus óculos.
— Isso é um evento importante, não é, Jessica?
— Claro, e…
— Onde estão os outros? — as cortou do banco de trás, mudando de assunto.
— Mike e Eric já devem estar nos esperando lá.
— E Ben não poderá vir — Angela completou, olhando pela janela.

Passaram o caminho conversando sobre coisas aleatórias. Até que chegaram no começo da trilha da floresta, onde já estavam Eric e Mike, parados.

— Ora, já chegaram? Creio que aguentava ficar mais tempo aqui — Mike disse, vendo as garotas saírem do carro.
— Engraçadinho — Jessica falou.

Logo os cinco estavam entrando pela trilha. O caminho foi coberto de risadas e gritos de Jessica causados por Mike, que fingia jogar algum inseto em sua direção. Quando chegaram ao seu destino, no alto das rochas de La Push, parou para observar o local. Era praticamente um precipício. As rochas eram altas, e, bem lá embaixo, havia o mar. Dava para ver a estrada um pouco mais acima.
Jessica e Angela se sentaram assim como Mike e Eric. , naquele momento, sentiu algo estranho passar por seu corpo. Uma onda de energia diferente. Nunca havia sentido algo igual. Colocou a mão sobre a barriga, ainda não entendendo o que acontecia com ela.

— Eu… Eu já volto — disse aos amigos, e logo seus pés a guiaram para dentro da floresta novamente.

Ela passava pelas árvores se apoiando nos troncos e sentindo algumas folhas caírem em seu rosto, fazendo pinicar. Não sabia mais para onde havia ido, e, provavelmente, estaria perdida a essa hora.
Então, ouviu um barulho. Um barulho cortante – as folhas se mexiam rapidamente ao seu redor. parou. Parou e permaneceu estática, olhando atenta à sua volta. Então, um vulto passou na sua frente. Foi tão rápido, mas pôde ver as madeixas castanhas que passaram. Era uma mulher, mas aquela não era uma velocidade normal. Em menos de um segundo, lobos vieram atrás dela. Não eram lobos normais. Eles eram enormes, tinham pelos brilhosos e cada um tinha sua cor marcante. perguntava a si mesma se poderia estar dormindo em pé ou sonhando, pois não acreditava no que estava vendo. E nem acreditou quando um deles parou de correr, virando seu olhar na direção dela.
A garota arregalou os olhos, e a única coisa que conseguiu fazer foi dar um passo para trás, o que a fez cair ao chão – mas sem quebrar o contato visual. Sentia um frio percorrer seu corpo, era mais que assustador. O lobo tinha um pelo alaranjado e se aproximava lentamente. Chegou até a ficar colado em seu corpo, com o focinho curvado, perto de seu rosto. O peito da subia e descia freneticamente, mas, naquela onda de energia, não havia mais medo. Ela não sabia dizer, mas, quando olhou bem no fundo dos olhos do lobo, a imagem de Jacob veio em sua mente.
Porém, o momento foi interrompido quando outro lobo apareceu, dando um longo uivo para chamar a atenção do que estava sobre . Este tinha um tom cinza claro e também olhava para a garota. A onda de medo voltou quando o lobo se afastou de seu corpo, correndo para o lado do outro.
queria se defender. Desejou conseguir isso, desejou algo para se defender dos animais. E, como algo voluntário, dois pedaços de madeira, que estavam ao seu lado, simplesmente levitaram e foram jogados fortemente em direção aos lobos. O cinza desviou, porém, o alaranjado foi atingido em uma das patas frontais. Ele soltou um alto uivo, e os dois saíram rapidamente de lá.
Mas continuou parada, atônita. Não por causa dos lobos, e sim por ter desejado e simplesmente ter feito a madeira levitar. Isso era mesmo possível? Em que mundo estava? Em sua mente, estava mesmo dormindo.
Então, encostou sua cabeça no chão, vendo tudo girar. Logo ela havia desmaiado.


Capítulo 6 - Birthday, Part 1

Com um zumbido em seu ouvido, o corpo totalmente mole e indefeso, abriu os olhos. Encarou o teto branco, com uma enorme luz que causava dor em seus olhos. Colocou a mão sobre eles, deixando um suspiro fraco sair por entre seus lábios.
Como um flash, tudo veio à sua mente.
“Foi um sonho…”, pensou, realmente aliviada por tudo que havia acontecido ter sido um sonho.

? Ela acordou, Angela! — ouviu a voz fina de Jessica e tirou a mão do rosto imediatamente, olhando assustada para a amiga, sentada na ponta de sua cama. Mas não era a cama de seu quarto. Só então olhou em volta, percebendo estar em um quarto de hospital.
— O que… O que aconteceu? — sua voz saiu falha e rouca.
— Meu Deus, que susto que você nos deu! — disse Angela, se aproximando com uma xícara de café nas mãos.
— Nós te encontramos desmaiada na floresta. Não se lembra? — Jessica a olhava com atenção, comprimindo os lábios.

Então… não havia sido um sonho. Ou um pesadelo, quem sabe. Os lobos gigantes, a madeira se levitando…
ficou parada por longos segundos, olhando o nada a sua frente enquanto sua mente processava o surreal.

?
— Eu… Bem, eu me lembro. Senti uma tontura e tudo mais… Deve ter sido o tempo que passei sem comer — ela finalmente olhou para as duas, lhes dando um sorriso sem mostrar os dentes.
— Bem, deve ser… O médico disse que você estava bem. E já podemos ir para casa, hum?

Após conversarem mais algum tempo, saiu do quarto, já vestida devidamente. Jessica deixou as duas em casa, logo seguindo de volta para a sua. passou praticamente horas na sala, recebendo lições dos Weber sobre como não dar mais aquele susto neles.
Quando subiu para seu quarto, já à noite, sentou-se em sua cama e juntou as mãos, olhando para o chão. Ouviu o toque baixo de seu celular, indicando que uma mensagem havia chegado. Esticou-se, pegou-o na cabeceira e o desbloqueou, logo vendo que era de sua mãe.

“É uma pena que não poderemos estar com você amanhã, meu amor. Mas nós te amamos, sabe disso. Seu presente chegará logo, presumo que irá gostar.
Estou com muita saudade,
Mãe.”


riu pelo nariz e balançou levemente a cabeça, deixando o celular cair na cama em sua frente. Em seu pleno aniversário, seus pais não estariam juntos dela, e sabia que eles não se importavam com isso, de verdade.
Ouviu o som de seu celular novamente, e apenas abaixou o olhar até ele.

P: Podemos conversar? x

Sorriu ao ver que era de Paul e tornou a pegar o celular, mordendo o canto da bochecha enquanto o respondia.

: É claro. Já consertou o arranhão do carro?
P: Ainda não. Eu quero falar de algo mais sério, apesar de você ainda estar me devendo um beijo…
: O que é tão sério?
P: Podemos nos ver amanhã?
: Por mim, tudo bem…
P: Te mando mensagem quando acordar. Boa noite, anjo.
: Boa noite, Paul.

Ela deixou o celular novamente sobre a cabeceira e deitou-se no travesseiro, olhando para a janela. Por um momento, lembrou-se do olhar do lobo alaranjado sobre si, tão intenso como o fogo.


→...←


No dia seguinte, não foi o despertador que a acordou, mas sim os Weber em seu quarto cantando parabéns com um pequeno bolo em mãos, junto ao número “17” em forma de vela.
Com um enorme sorriso no rosto, se levantou para abraçar cada um deles. Se eles não falassem nada, iria passar o dia sem lembrar que data era.
Os Weber lhe proporcionaram um maravilhoso café da manhã, logo depois o corte do bolo.

— Sua mãe já te ligou?

levantou o olhar assim que a tia lhe dirigiu a palavra, logo depois voltando-se ao bolo. Não, nem seu pai, muito menos sua mãe havia ligado para lhe desejar feliz aniversário. Mas as pessoas não precisavam saber de seu drama familiar.

— Claro… Ela me ligou ontem a noite, na verdade. De madrugada… — deu um pequeno sorriso, voltando a comer seu bolo.
— Eu e Jessica vamos levar você ao parque — Angela sorriu, pegando o prato vazio de sua mão.
— Nós vamos também! — Joshua e Isaac pronunciaram em uníssono, fazendo a rir.
— Ben irá junto com Mike e Eric. Nos encontrarão lá — Angela segurou-a pelos braços, a puxando escada acima. — Agora vá logo se arrumar!

rumou ao seu quarto, logo depois ao banheiro, tomando um longo banho matinal. Assim que saiu, se vestiu com shorts, um par de All Stars e uma regata vermelha. Deixou seus cachos caírem por seus ombros e deu um sorriso ao espelho.

— Está pronta? — Angela adentrou o quarto enquanto prendia seu cabelo e arrumava os óculos.

Logo as duas saíram e encontraram os gêmeos animados na sala. Então, se despediram dos Weber e saíram da casa.
fechou os olhos ao pisar no gramado, abrindo levemente os braços e sentindo o vento passar por seu corpo. Aquele era um dos raros dias de sol, e eles deviam ser aproveitados.
Um som de uma buzina estridente a despertou de seus devaneios, fazendo-a abrir os olhos e ver todos dentro do carro de Jessica, que gesticulava. soltou uma leve risada e se recompôs, andando até o veículo.
— Estava pensando no moreno, hum? — Jessica sorriu, dando partida em direção ao parque na outra cidade.
— Oi, Jessica. Muito obrigada pelos parabéns — a levantou as sobrancelhas, puxando os óculos escuros e os colocando de volta.

Depois da fala de Jessica, o assunto mudou para o namoro de Angela e Ben. Os gêmeos questionavam do banco de trás, e as duas rebatiam na frente. nada falava, apenas estava com a cabeça encostada no banco, sentindo o vento bater em seu rosto pela janela aberta. Seus pensamentos correram novamente ao acontecimento da floresta, se questionando mentalmente sobre o que ela havia feito.
Passou tanto tempo desse modo que só despertou quando sentiu Isaac cutucá-la fortemente no braço.

— Chegamos!

Todos saíram do veículo, vendo o carro de Mike estacionado logo à frente com os três garotos encostados nele.

— Deixa eu fazer direito — Jessica puxou-a para um abraço apertado, fazendo elas rirem. — Mas ele já falou com você?
— Por que não esquece isso?

sorriu e se afastou da garota, indo até os amigos e sendo recebida calorosamente por abraços, beijos e cantorias, fazendo-a ficar com as bochechas rosadas.

— Nós trouxemos o almoço.

Mike tirou de dentro da mala uma enorme cesta que devia contar algo como um piquenique. Assim, eles andaram até a entrada principal do parque, por onde adentraram o gramado.

— Eu quero ir no pedalinho. Me leva no pedalinho, ! — Joshua a puxava pela mão, e logo Isaac fazia o mesmo.
— Vamos todos no pedalinho, então — a garota sorriu docemente e passou os braços pelos ombros dos pequenos, e os outros os seguiram em direção ao lago.

Ao chegarem, os soltou para que entrassem na fila. Virou-se para os amigos, vendo-os já divididos em duplas, e Eric a olhando com as mãos unidas. A riu de seu gesto e o puxou pela mão, passando o braço por sua cintura.
Enquanto esperavam na fila, observava as pessoas no parque, andando de bicicleta, caminhando, sentadas com seus acompanhantes. Aquela visão era algo que a agradava; ela gostava de estar em ambientes assim. Quando passou o olhar por uma das árvores no canto, seu corpo estremeceu levemente. Jurava que havia visto a silhueta de Jacob. Parado, a olhando.

— O que foi? — Eric perguntou, percebendo a tensão de seu corpo.

Ela passou os olhos novamente pelo local, dessa vez sem ver nada. Talvez estivesse apenas pensando demais no garoto. Apenas acenou negativamente com a cabeça ao amigo, e logo chegava a vez deles subirem nos pedalinhos, decorados de gansos. e Eric subiram, com a deixando que o garoto ficasse com o lado mais pesado.

— Sabe o que eu acho? Acho que você precisa mesmo é de um banho de bebida. Isso é cara para você estar em um aniversário?
— Não sou animada para essas coisas… Eu não ligo, sabe? — ela virou o rosto na direção do amigo, que lhe deu um sorriso.
— Então, está tendo que aguentar as duas — rindo, Eric se referia a Angela e Jessica.
— Ah… Na verdade, eu não ligo para isso também. Até gosto, às vezes. Demonstra que gostam de mim.

sorriu e sentiu o braço de Eric passar por seu ombro, e automaticamente encostou a cabeça no do garoto. Pararam de pedalar e permaneceram assim por alguns segundos. Eric tinha um olhar curioso sobre a amiga, e ela tinha o olhar fixo na água. Observava como pequenas ondas passavam pelo lago, graças ao movimento dos pedalinhos, e como estava estranhamente escuro naquele momento.
De repente, viu um fio de luz. Parecia estar bem fundo, mas era como se um raio de sol estivesse preso à água. levantou o olhar, vendo que o sol já se escondia atrás das nuvens escuras, então, não havia iluminação. Voltou a olhar para a água e se abaixou, colocando a ponta dos dedos na superfície. Sentiu algo estranho no mesmo momento, um arrepio passou por seu corpo. A mesma sensação de quando estava na floresta.

? — Eric se pronunciou e tocou o ombro da , tentando chamar sua atenção. Mas nem o toque a deixou sair de seu transe.

Ela continuava a mover os dedos na água, até deixar toda sua mão submersa, ainda olhando para o ponto de luz. Então, fixou toda sua concentração na água, começando a vê-la se ampliar, e desejava cada vez mais poder tocá-la. Até que houve uma movimentação debaixo d’água, e algo batia fortemente contra a palma de sua mão, vindo do fundo do lago.
No mesmo momento, ergueu o corpo, olhando o que ela havia atraído desta vez. Era um colar dourado com um pingente redondo e alguns símbolos no meio.

? — Eric repetiu, e a garota piscou várias vezes, levando o olhar até o garoto. — Está tudo bem?
— Er… Está. Claro que está… — ela colocou rapidamente o colar no bolso e voltou a pedalar, sem dizer mais nada.

Estava intrigada. O fato de não saber o que estava acontecendo com ela e como havia tirado aquilo do fundo do lago a deixava desse modo.
Após todos descerem, foram almoçar. Se sentaram debaixo de uma das árvores e degustaram de um ótimo almoço, coberto de sanduíches e doces a mais. E assim passaram praticamente todo o dia, comendo os restos do almoço, rolando no gramado, e os meninos jogando bola.
Quando começou a, de fato, escurecer, recolheram as coisas e rumaram ao estacionamento.
Quando chegaram perto dos carros, se despediu dos meninos, que apenas lhe deram um sorriso, o que a estranhou.


→...←


— Nós vamos para minha casa, e depois iremos ao pub de Portland — Jessica disse, já próxima de casa.
— Mas já não saímos hoje? Pensei que…
— Você acha que fomos comprar aquele vestido naquele dia para nada? — Angela virou-se para trás, a olhando.
lembrou-se na mesma hora do episódio, no mesmo dia em que conheceu Paul. Apenas cruzou os braços e permaneceu em silêncio.
Quando chegaram na casa de Jessica, todos desceram do carro e entraram no lugar. Seus pais não estavam em casa, então deixaram Joshua e Isaac no sofá enquanto se arrumaram. Segundo Jessica, as coisas de já estavam lá. E era mesmo verdade.
Tomou um longo banho, logo depois vestiu o vestido preto. Assim que saiu do banheiro, foi atacada pelas duas, que insistiam em maquiá-la. Por fim, não ficou algo exagerado, então, não reclamou.
Quando todas acabaram, voltaram ao carro, rumando à casa dos Weber para deixar os gêmeos. Não demorou muito e pararam em frente a casa.

— Droga… Esqueci meus documentos. Vamos lá buscar comigo, ? — Angela perguntou, assim que os gêmeos desceram do carro.

estranhou. Afinal, por que precisaria dela? Mas nada disse, apenas desceu do carro e andou com a prima até a porta. Assim que a morena girou a chave, deu um passo à frente, percebendo todas as luzes apagadas. Mas logo pulou de susto quando tudo se acendeu e houve um grito em uníssono, dizendo: “SURPRESA!”


Capítulo 7 - Birthday, Part 2

continuou estática por longos segundos, não digerindo imediatamente aquela situação. Seu subconsciente não queria acreditar naquilo. Entreabriu os lábios, como num sinal de que diria algo, mas nenhum som saiu. Em vez disso, abriu um largo e enorme sorriso em seu rosto, com sua mão pousando sobre seu próprio peito e as batidas de seu coração já acalmadas.

— Eu sabia que conseguiríamos. Eu sabia! — dizia Angela, animada, batendo palmas enquanto todos riam da situação.
— Antes que você queira me incriminar, já digo que soube disso na última hora — ouviu Eric, e logo o garoto estava ao seu lado, deixando um beijo sobre sua bochecha.
— Pessoal… Vocês são demais mesmo. Não precisava disso tudo… mas obrigada. Vocês são os melhores.

Sentiu-os abraçá-la, juntamente de Joshua e Isaac na altura de suas pernas – não que ela fosse alta, claro. Percebeu que o namorado de Angela não estava ali, assim como mais cedo, e estranhou isso. Mike estava ao lado de uma das mesas onde havia pequenos doces, os “atacando”. Às vezes, até tentava disfarçar.
Viu que Jessica passara ao seu lado, e tinha em suas mãos a bolsa onde estavam as roupas que usara mais cedo. A amiga subia em direção ao seu quarto para guardá-las, provavelmente. De modo instantâneo, a imagem do colar que veio até a palma de sua mão surgiu em sua mente. Soltou um leve suspiro por entre os lábios e permaneceu inerte em seus pensamentos.

— De novo… Você está fazendo de novo hoje — Eric estalou os dedos em frente ao seu rosto, e piscou várias vezes, logo sorrindo.
— Me desculpe. Vou cumprimentar as pessoas…

A garota se esticou para dar um beijo na bochecha do amigo e, então, se prontificou a começar a andar pela festa surpresa, cumprimentando e agradecendo às pessoas com quem falava. Parou em frente aos Weber, abraçou-os com força e disse que os amava como pais, e isso de fato não era mentira. Julgando por seu histórico familiar, não seria difícil ela se apegar aos seus tios, pessoas que a tratavam com amor e carinho, diferente de seus verdadeiros pais, que nem ao menos haviam ligado para ela naquele dia.
passou por Mike, bagunçando seu cabelo, ao mesmo tempo que Isaac correu e esbarrou em sua perna, fazendo-a cambalear para o outro lado.

— Isaac! — ela advertiu, mas o garoto já estava longe.

Riu baixo consigo mesma, então se desencostou da mesa onde havia de apoiado, passando as mãos sobre seu vestido. Levantou o olhar e acabou encontrando Bella, mas ela não estava sozinha. sentiu um arrepio correr por toda sua espinha enquanto seu olhar subia pelo corpo do garoto – ou seria um homem? – alto, pálido, o rosto com a expressão neutra e os olhos focados em Bella, ao seu lado. detectou… amor naquele gesto? Não soube dizer.
Sem mesmo que percebesse, seus pés haviam a levado até lá, e parou quando estava em frente à Bella, que lhe deu um sorriso aberto.

… — a morena soltou-o, capturando o corpo da em um abraço. — Meus parabéns! Me desculpe não entrar em contato mais cedo. Eu tive alguns problemas, e… Ah! Este aqui é Edward. Ele é… meu namorado.

levantou as sobrancelhas e sorriu para ele, que retribuiu gentilmente o gesto. Mas o arrepio ainda continuava, e não era o tipo de sensação que poderia ser dita como boa. A garota lhe estendeu a mão.

— Ora, que bom conhecê-lo, então. Me chamo … Mas você já deve saber — a garota soltou uma leve risada divertida. Então, sentiu a mão extremamente gélida de Edward contra a sua. chegou a ficar preocupada com isso.
— É muito bom conhecê-la também. Bella me falou de você… — ele continuava com o sorriso, mas este sumiu de repente. juntou as sobrancelhas, e suas mãos foram soltas. Edward levantou o queixo e inflou quase discretamente as narinas, logo soltando o ar por entre os lábios. — Você tem mais visitas, hum?

A ruína continuou com a expressão confusa, mas seguiu seu olhar, que levava à porta da casa. Desta vez, temeu ter que se segurar em algum lugar para não cair, devido às pernas bambas. Na porta, estavam parados Jacob, Paul e mais alguns garotos que havia visto naquele dia, quando Paul levou-a até a reserva. Os olhares de Jacob e se cruzaram, e a garota sentiu seu coração palpitar tão forte que, a qualquer momento, poderia sair do peito, pensava ela.
Jacob lhe deu um leve sorriso de lado, mas estava se contendo. Sua vontade era de correr até a garota e levantá-la em seus braços, beijar seus lábios carnudos e rosados, e fazê-la dele – apesar de ainda não ter se acostumado com todas essas reações do imprinting.
Jacob estava vestido de tênis simples, jeans num tom escuro e uma blusa de manga da cor azul-marinho. Ao seu lado, Paul estava com um buquê de rosas, seu olhar fixo no rosto da , sem nem mesmo perceber que o olhar dela estava sobre Jacob. Ele usava jeans num tom mais claro, e sua blusa era uma social em um tom preto.

— Ah… Eu convidei eles — a voz de Bella despertou , que levou seu olhar até a garota. — Angela disse que os conhecia, então… não vi problemas.
— Oh, não. Não… Não tem nada, Bella. Está tudo bem, eu… apenas não esperava — deu um sorriso que saiu meio sem graça e levantou a mão até seu cabelo, pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Quando virou o rosto novamente, seu corpo deu um leve pulo para trás, e Jacob rapidamente segurou seu antebraço com sua grande mão. Ele abaixou o olhar em direção ao rosto da garota e finalmente deu um enorme sorriso, sendo devolvido por um brilho no olhar esverdeado da mais baixa.

— Soube que é seu aniversário — Jacob a trouxe para perto novamente, seu corpo quase colado no dela, e desceu a mão até apoiá-la com cuidado sobre a cintura da garota. — Meus parabéns, eu… tenho algo para você.

mantinha o olhar sobre seus lábios enquanto ele falava; o coração ainda palpitando forte. Ainda não podia acreditar que ele estava ali.

— Eu… Obrigada, quer dizer… Por ter vindo. E… hum… Quê isso, não precisa se incomodar com nada disso — disse ela, com certa dificuldade de achar palavras, e isso fez Jacob sorrir novamente.
, eu…
! — o moreno foi interrompido pela voz de Paul, assim como o corpo do amigo, que o empurrou levemente para o lado. Sentiu seu sangue ferver, vendo a expressão dele em direção à . — Feliz aniversário! Eu trouxe isso para você. Não é um presente, mas… — Paul sorriu, estendendo o buquê de rosas brancas a ela e se abaixando para beijar demoradamente bem ao lado de seus lábios.

piscou algumas vezes e segurou o buquê, afastando levemente o rosto de Paul com aquele ato impulsivo. Só o fato de Jacob estar ali ao lado, com o punhos fechados, fez a garota sentir vontade de sair correndo para longe dele.

— Obrigada, Paul. Elas são… São lindas. Minhas preferidas — passou os dedos sobre as rosas brancas e levantou o rosto, lhe sorrindo de forma gentil. — E estou feliz que tenha vindo.
— Eu não poderia deixar de vir. E… eu ainda quero conversar com você. A sós — disse o moreno, que discretamente levou seu olhar até Jacob e os outros em volta. A levou o olhar na mesma direção e balançou a cabeça em negativo.
— Agora não vai dar. Tenho que terminar de falar com as pessoas, e ainda tem o bolo e tudo mais… Vamos deixar para outra hora, certo?

Ela deu mais um sorriso gentil a ele e se ergueu, beijando sua bochecha. Girou nos calcanhares e começou a andar em direção à cozinha, com as flores em mãos. Assim que adentrou o local, saiu à procura de um recipiente onde poderia deixar as rosas. Assim que achou, pôs água e, em seguida, o buquê.

— Vocês estão tendo algo sério?

Seus ombros se levantaram de susto novamente naquele dia, e virou o corpo, se apoiando na mesa. Jacob estava na porta da cozinha, encostado no batente. soltou um suspiro e logo seus olhos foram revirados. Jacob riu baixo com aquele ato e lembrou-se de como a garota estava quando ele a viu na floresta, em forma de lobo. Ainda não entendera o que acontecera naquela tarde, mas isso estava longe de sua cabeça no momento.

— Por que você quer mesmo saber, Jacob? Olha, eu não te entendo! Te chamei para sair e você não quis! E agora… fica cheio de ciúmes do Paul. Você é mesmo um idiota. E não que seja da sua conta… Nós não temos nada. É bem semelhante à minha relação com você — a terminou e se virou novamente em direção às flores, levando os dedos até elas.

Jacob se desencostou do batente da porta, sorrindo de lado. Aquelas palavras o deixaram com um pouco de raiva, e até mesmo triste, mas havia sido bom vê-la daquele jeito. Parou atrás dela e, antes que pudesse chegar ainda mais perto, percebeu os pelos de seu braço eriçados. Seu sorriso se alargou, e logo seus dedos subiram lentamente por seu braço, chegando até seu ombro, logo depois em seu pescoço, de onde tirou seus cabelos. O corpo de Jacob estava encostado no dela, as costas da mais baixa estavam em seu peito, e o outro braço do moreno havia a prendido entre seu corpo e a mesa.

— Eu disse que tinha algo para você — ele sussurrou bem próximo ao seu ouvido, e instintivamente fechou os olhos, sentindo o arrepio percorrer por todo seu corpo. O moreno levou a mão até o bolso de sua calça e tirou de lá uma corrente, que percorreu seus dedos enquanto a erguia. — Eu mesmo que fiz — disse ele, antes de abrir o fecho e pôr o objeto com cuidado e certa rapidez em seu pescoço.

Era um colar pequeno e delicado. Seu pingente era madeira, moldada em forma de um pequeno lobo, que tinha a aparência de estar uivando. E no objeto havia entalhada, bem pequena, a letra J.
perdeu o ar por alguns segundos enquanto segurava o pingente entre os dedos e o observava. Queria ter coragem de virar e dizer que não iria usar tal coisa, mas nunca conseguiria fazer algo assim. Afinal, era um presente dele.
Foi virando seu corpo lentamente, até estar de frente para ele e levantar o rosto para encarar o seu. Seu maxilar estava levemente travado, seus músculos do peito se contraíam toda vez que ele inspirava e expirava. Ela desejou poder dedilhar aquela área sem que ele estivesse usando aquela camisa – um grande empecilho. Sentiu o braço forte de Jacob rodear toda sua cintura, e, quando seus corpos se colaram totalmente, uma voz aguda os despertou.

? ! Onde está você? Vamos cortar o bolo! — era a voz de Jessica, vindo de fora da cozinha.

Separou-se de Jacob, o empurrando pelo abdômen com rapidez e juntando suas forças, claro. Suspirou quase inaudivelmente e passou a língua sobre os lábios, com a cabeça levemente inclinada para baixo.

— Vamos…

Olhou-o rapidamente antes de sair em disparada da cozinha, encontrando Jessica logo que o fez. A amiga parecia desesperada. Ela a agarrou pelo pulso e foi puxando-a até que estivesse em frente à mesa do bolo, decorada com cupcakes e algumas fotos de com todos eles, antes e depois que ela chegara para morar em Forks.
sorriu abertamente, observando todos os detalhes e as pessoas em volta. Sentiu um conforto em seu coração e extremamente bem ali, no meio de todos os que estavam presentes. Desejou que isso não acabasse.
Logo viu a vela, de onde saíam faíscas douradas do número 17, ser acesa e as palmas de todo mundo.

— Assopra!

Ouviu a senhora Weber, e, em seguida, sentiu a mão dela em suas costas, instigando-a para se abaixar e assoprar a vela. sorriu abertamente em direção à tia e se inclinou em direção ao lindo bolo, fechando os olhos ao mesmo tempo em que seus lábios se formavam em um biquinho, e ela assoprou a vela.


Capítulo 8 - Secret

“A abriu os olhos, mas logo teve de fechá-los de maneira involuntária, por ter encontrado de imediato o sol sobre seu olhar. Virou o rosto e tornou a abrir os olhos, se encontrando num campo cheio de gramíneas e pequenas flores em tom azul claro. Apoiou as mãos no chão e se sentou, levando o olhar em volta. O campo onde estava era envolto pela floresta. A sensação era que já havia estado ali antes.
Um suspiro saiu por entre seus lábios, e ouviu o barulho nítido de quando folhas são pisadas. Ela levou o olhar até um dos arbustos mais próximos, e logo as silhuetas de dois homens com estatura alta começaram a se formar ali.
Jacob e Paul.
A garota entreabriu os lábios enquanto os dois se aproximavam. Usavam apenas bermudas jeans, sem camisas ou calçados. Deixavam à mostra seus abdomens definidos, e Jacob olhava fixamente para ela com um sorriso de lado no rosto.
Logo quando chegaram perto da garota, cada um se sentou de um lado, olhando-a do mesmo jeito.

— O que… O que fazem aqui? — perguntou, sem saber para qual dos dois olhar.
— Nós podemos te ajudar, . O seu segredo… será guardado conosco — Paul disse com calma, capturando sua mão entre as suas. olhou para ele totalmente confusa, e, então, sua atenção se voltou à Jacob.
— Nós também temos um, babe. Vamos ajudar um ao outro… Confie em mim — o moreno disse, olhando em seus olhos. Então, seus rostos se aproximaram, até seus lábios quase se tocarem…”



— Não!

ouviu um grito e, de imediato, sentou-se na cama com a respiração ofegante, o peito subindo e descendo com velocidade. Olhou para o relógio, tendo consciência de que estava na hora de se levantar. Soltou uma bufada e levou a mão até o rosto, coçando os olhos.
Desta vez, ouviu o barulho de algo se quebrando no quarto ao lado. Então, juntou as sobrancelhas e resolveu se levantar para ver o que era. Visivelmente, havia acontecido algo com Angela.
Saiu apressadamente de seu quarto e andou até o cômodo ao lado, onde a porta estava aberta. Viu a prima sentada no chão, com as costas apoiadas em sua cama, e, à sua frente, estava um vaso quebrado, no qual tinha um buquê de rosas vermelhas que Ben havia lhe dado. juntou as sobrancelhas, subindo o olhar ao rosto da morena que chorava.

— Angela… O que aconteceu? Por que isso? — perguntou enquanto se aproximava, abaixando-se à sua frente.
— Ele… Ele terminou comigo, . Ele tem outra!

A demorou alguns segundos para processar a informação, mas logo entendeu que ela estava falando de Ben. Soltou um suspiro baixo por entre os lábios e se encostou ao lado da prima na cama, passando seu braço pelo corpo dela e a acolhendo em seu abraço.

— Calma… Vai ficar tudo bem — depositou um beijo sobre seus cabelos e sentiu a garota soluçar em seus braços.
— Eu sei que vai… Por isso hoje eu vou sair de casa, distrair a cabeça. Mas não quero você nem Jessica atrás de mim. Quero ficar sozinha… — a morena disse. Então, se soltou da , levantou-se e andou até seu armário; abriu suas portas, começou a tirar peças de roupas dali e a jogá-las sobre a cama, como se as eliminasse.

quase riu da cena, mas preferiu apenas se controlar, levantando-se do chão e retornando ao seu quarto. Ela respeitaria o tempo de Angela. Talvez a prima precisasse mesmo de um tempo sozinha, e ela entendia isso.
Quando chegou em seu quarto, seu olhar caiu sobre a janela. Percebeu que o dia estava nublado, e alguns chuviscos já caíam do céu. A garota se encaminhou ao banheiro e inclinou seu corpo sobre a pia, começando suas higienes matinais.
Quando terminou, estava secando o rosto com a toalha quando ouviu o som estridente do toque de seu celular, então se alarmou. Deixou a toalha em seu devido lugar e correu até sua cama, deixando o corpo cair sobre ela e pegando seu celular ao lado.
Franziu o cenho ao ver que era um número desconhecido, então deslizou o botão verde na tela e levou o aparelho à orelha.

— Alô?
? É o Jacob… Me desculpe ligar a esta hora, mas… eu simplesmente não consegui me conter. Como você está?

sentiu um arrepio correr por todo seu corpo, e logo seus dedos foram de imediato ao pingente que estava em seu pescoço. Ela demorou alguns segundos para voltar a si.

— Han... Não, tudo bem, Jacob. Eu já estava acordada. Estou ótima, e você?
Estou legal. Bem… Vou ficar por aqui hoje, em casa… Queria saber se você não quer vir aqui. Vou te apresentar à reserva, aos meus amigos também e…
— Eu vou adorar — nem esperou que ele terminasse, as palavras saíram de seus lábios e ela não conseguiu conter o sorriso estampado em seu rosto.
Mesmo? Isso… é ótimo. Quer dizer… Eu te pego daqui a uma hora, tudo bem para você?
— Sim. Então… Até daqui a pouco.
Até.

Ouviu a ligação ser encerrada e distanciou o aparelho de seu rosto, encarando a tela por longos segundos. Riu baixo de si mesma e, então, gravou o número do garoto, se levantando novamente para poder se aprontar. Abriu seu guarda-roupa e encarou todas as possíveis roupas que poderia usar para ir até a casa de Jacob. Casa…
Céus!
Agora ela havia caído em si. Iria na casa dele, o que isso poderia significar? soltou o ar por entre os lábios, sentindo o frio correr por sua espinha. E agora?
Pegou uma calça jeans escura, normalmente apertada, junto de seus tênis All Star e, na parte de cima, apenas uma blusa simples e branca, junto de uma jaqueta também jeans. Se encaminhou para o banho e não demorou tanto lá, apenas o tempo de lavar seu cabelo e fazer suas higienes. Quando saiu, vestiu-se, penteou seu cabelo e, por fim, perfumou-se, decidindo deixar seus cabelos secarem naturalmente. Pôs-se em frente ao grande espelho na parede do quarto e sorriu para o seu reflexo, arrumando a roupa. Estava tão nervosa, o coração batendo forte de ansiedade, parecendo que iria atravessar seu peito a qualquer momento.
Então, em meio a se admirar, ouviu um zumbido. Bem baixinho, mas ela sabia que vinha de algo ali dentro. Começou a procurar por todo canto, com aquele zumbido já começando a incomodá-la. Até que achou, no meio de sua pequena bagunça, a calça que usara na tarde de seu aniversário, e, no bolso, saía um tipo de iluminação. Automaticamente, lembrou-se do colar que viera para sua mão enquanto andava de pedalinho com Eric.
Enfiou os dedos no bolso e de lá tirou o que já esperava, deixando-o na palma de sua mão. Então, o zumbido cessou como se nunca tivesse existido. A garota levantou seu olhar e olhou pela janela, observando as pequenas gotas da garoa que caía e pensando sobre as coisas estranhas que tinham acontecido a ela nos últimos dias.

! !

despertou de seus pensamentos ao ouvir seu apelido ser chamado, então piscou algumas vezes e ergueu seu corpo. Sem nem pensar, passou os dedos pelo colar e o colocou em seu pescoço.

— Tem um menino lá em baixo, ! — ouviu um dos gêmeos, o que a fez dar um sorriso e ir até ele, depois de pegar seu celular e dar um beijo sobre sua cabeça.
— Obrigada.

Ela desceu as escadas em passadas rápidas e se despediu dos tios com um aceno de mão. Em seguida, saiu da casa, já tendo plena visão de Jacob encostado em sua moto, com os braços cruzados. Usava calça jeans, tênis grandes, e sua blusa preta estava mais colada em seu corpo naquele dia do que ela já havia visto.
Céus… Parecia que esse dia seria o melhor de todos.


Capítulo 9 - Gentleman

Assim que soltou o primeiro suspiro por entre os lábios, Jacob virou seu olhar na direção da e deu o melhor sorriso que daria naquele dia ao vê-la pela primeira vez. Se arrumou em frente ao carro, ajeitou sua postura e colocou as mãos nos bolsos da calça.

— Você… está esperando que eu te busque aí em cima? Porque, se for isso, eu… — disse, já se movendo em direção à varanda, e a garota se despertou de seus devaneios.
— Han? Não, não! Me desculpe, eu… Eu me distraí. Desculpe… — sorriu de forma aberta e desceu as escadinhas da varanda, indo em direção ao garoto. Parou em frente a ele e levantou a cabeça, para que seu olhar se encontrasse com o seu, pela diferença de altura. Sentiu seus dedos se entrelaçarem, e os deles, quentes, aconchegarem os seus de forma incrivelmente boa.
— Vamos? — ouviu seu murmúrio, enquanto os dois continuavam se encarando intensamente nos olhos.

Ela afirmou com a cabeça, então ficou na ponta dos pés e beijou sua bochecha rapidamente. Soltou sua mão e deu a volta, adentrando a caminhonete de Jacob. Respirou fundo, inalando fortemente seu cheiro ali, e cruzou suas pernas, virando seu rosto quando viu o movimento dele, também entrando.

— Então… Seus pais não vão se importar se, eu não sei… Eu for lá assim? — viu Jacob dar um sorriso de lado enquanto dava partida no carro, e então apoiar uma mão no volante, a olhando.
— Não tem problema. Meu pai não vai se importar, bem provável que ele goste muito de você. Eu diria ser impossível se isso não acontecesse, mas… Enfim — ela deu uma leve risada nasalada, então esticou a mão para apertar o botão que ligava o rádio.

olhou para Jacob por alguns segundos e sorriu de lado por falar aquilo. Preferiu não fazer perguntas sobre sua mãe, então passou as mãos sobre suas coxas cobertas pela calça, e um frio correu pelos seus braços.

— Está com frio? — ouviu a voz de Jacob, e logo sua mão grande pousava em sua coxa esquerda.

Um calor extremo tomou conta da garota. Não só pelo fato de ele ter tocado seu corpo naquele lugar, mas porque a mão dele realmente estava muito quente, porém aconchegante. Não se contendo, deu um sorriso e pôs sua mão sobre o braço dele, o acariciando levemente com as pontas dos dedos.

— Um pouco, mas tudo bem — virou o olhar para o caminho que faziam em direção à reserva e passou a língua sobre os lábios. — Sabe, estou mesmo é com fome. Saí de casa sem comer nada…
— Eu estava contando com isso. Vou fazer algo para comermos, pode relaxar — ele virou o rosto rapidamente na direção dela e piscou, rindo divertido com a .
— Ah, é mesmo? Então eu fiz uma escolha horrível! Será que vou passar mal pelo resto do ano, hein?

Jacob adquiriu uma expressão meio carrancuda, junto de uma careta, e a garota se perguntou se ele havia levado aquilo a sério mesmo. Até que ouviu a risada gostosa dele invadir o carro, e soltou um suspiro de alívio. Mas prendeu o ar novamente ao sentir que a mão do moreno havia apertado sua coxa com certa firmeza.

— Não. Eu sou muito bom na cozinha. E… vai descobrir que sou bom em outras coisas também

foi obrigada a sorrir de lado, encostou sua cabeça no banco e não disse mais nada; apenas continuou encarando a imagem do garoto dirigindo, vezes prestando total atenção na estrada, outras lhe dando sorrisos maravilhosos que faziam seu coração palpitar. O ventinho passava por sua barriga junto das borboletas insistentes.
Não demorando tanto mais tempo, Jacob parou o carro e tirou a mão da pele coberta pela calça da garota para sair do carro. Enquanto ele dava a volta, na intenção de abrir a porta para ela, a passava os olhos pelo local, fazendo-a recordar do dia em que passara na reserva com Paul. Mas a lembrança foi interrompida por Jacob, que agora segurava em sua mão.

— Venha, .

Ela desceu com sua ajuda, e o moreno entrelaçou seus dedos de maneira firme e até decidida. se sentia confusa, mesmo com toda felicidade dentro de si, quanto às intenções de Jacob para aquele dia.
Jacob sentia seu coração palpitar de maneira cada vez mais intensa a cada momento que seus dedos se apertavam aos da pequena ao seu lado. Ele podia sentir o calor de sua pele apenas naquele toque, bem como a energia que passava do corpo dela para o dele… E na sua mente não havia coisa melhor. E esperava que hoje fosse o momento – o tão esperado – em que pudesse finalmente sentir seus lábios macios sobre os dele, passar os dedos na pele lisa, tão desejada… apesar de o encontro não ter sido planejado apenas com esta intenção.
Os dois subiram a rampa de madeira até a porta simples, com uma tela no centro. Jacob a abriu e empurrou-a, fazendo um sinal com o queixo.

— Seja bem-vinda.

sorriu de forma aberta, dando o primeiro passo com seu pé direito, observando a sala da casa e sua simplicidade. Mas, em sua mente, só frisava como algo bom. Era simples, aconchegante… Quentinho.
Sua atenção foi tirada das observações quando ouviu um barulho de porta. Do corredor, saía um homem com um sorriso simpático e divertido nos lábios, usando as mãos para fazer sua cadeira de rodas ir para frente. Sua roupa era casual, e ele usava um chapéu de caubói.

— Oh… Então, essa é a de quem tanto já ouvi falar nesta casa? — o homem se aproximou da garota, enquanto Jacob, por trás dela, lhe lançava um olhar totalmente reprovador. — Ah, não era para dizer isso. Me desculpe. Me chamo Billy — ele estendeu sua mão e a garota atendeu ao cumprimento de bom grado, sorrindo de forma tímida, com as maçãs de suas bochechas avermelhadas. — Você é muito mais bela do que havia imaginado. Não repare a bagunça da casa, por favor. É difícil manter as coisas em bom estado quando se tem dois homens em casa.
— Está tudo perfeito, senhor Black… — foi advertida pelo olhar semicerrado do homem, então logo se corrigiu. — ... Billy. Eu não me importo com isso. É um prazer conhecer o senhor.
— Igualmente, querida. Jacob, você…
— Ahn, pai, você não ia… Sei lá. Fazer aquelas coisas? — Jacob saiu de trás da garota e deu um passo à frente, coçando sua nuca levemente, sem jeito. Seu pai não havia entendido nenhum dos sinais faciais que ele tinha tentado enviar.
— Eu ia? Ah, claro! Ia, sim… Bem, crianças, se divirtam. Mas não tanto — com um último sorriso divertido, o homem saiu da casa pela porta, e os dois jovens puderam vê-lo descer pela rampa.

riu da atitude do moreno, tocando seu braço com as pontas dos dedos.

— Não precisava ter expulsado ele assim. Não iria almoçar com a gente?
— Não. Hoje somos só eu e você. Somente.

Jacob abaixou o olhar para a mão da garota, e depois para seu rosto, sorrindo ao encontrar seus olhos. Pegou em sua mão novamente, a guiando até a cozinha. Quando chegaram, havia uma mesa com pratos, copos e talheres, todos colocados de um jeito que ela sabia que tinha sido ele. Além de tudo, um cheiro muito gostoso pairava ali.

— Eu disse que faria o almoço. Mas… eu já havia feito. E espero realmente que passe pelos testes — ele a olhou de lado, logo sorrindo da mesma forma e pegando um pano para poder abrir o forno. De lá tirou a travessa transparente que mostrava as repartições da lasanha que parecia extremamente suculenta.
— Nossa… Isso está com uma cara ótima, Jacob — disse quando o garoto colocou sobre a mesa a travessa, com a superfície coberta de queijo gratinado. Ela passou a língua sobre os lábios, salivando com a visão. Estava realmente faminta.
— Me chame de Jake — ouviu sua voz grossa perto de seu ouvido, só assim percebendo que o garoto estava atrás de si. Sentiu os pelos de sua nuca eriçarem.

Logo ele puxou a cadeira para ela se sentar, fazendo o mesmo ao seu lado. Serviu-se, assim como colocou para ela, sendo um verdadeiro cavalheiro, e ela assistia a tudo com um sorriso bobo.

— Ah! Quase me esqueci! — Jacob se levantou para pegar a garrafa de refrigerante e colocou a bebida nos copos. Agora, estava tudo pronto.

pegou uma quantidade significativa com seu garfo, levando-o até a boca e fechando os olhos enquanto saboreava a lasanha. Nem se importava de parecer comilona, nem de estar soltando grunhidos de prazer com a comida. Estes eram momentos que ela não dispensava de ser ela mesma.

— Hum… Jake. Agora estou pensando na possibilidade de você cozinhar para mim todos os dias. Está muito bom! — falou, erguendo as sobrancelhas de modo sugestivo e tornando a comer. Jacob sorriu, todo feliz com a sua fala.
— Eu disse que era bom — ele murmurou, logo começando a comer também.

E não soube dizer quanto tempo ficaram ali na mesa, uma ou duas horas… Enquanto comiam, se olhavam e soltavam sorrisos e, depois que terminaram, conversaram sobre assuntos totalmente aleatórios, soltando risos altos, até. Os dois se levantaram, mas Jacob fez questão de ele mesmo guardar as coisas e lavar a louça.

— Eu vou levar o resto da lasanha para casa.
— Você vai poder fazer o que quiser, . Agora… — ele mordeu o canto dos lábios, adquirindo uma expressão corporal inquieta. Jacob levantou o olhar até os olhos de e fez um sinal com o queixo, indicando para que saíssem dali. — Vamos para o meu quarto. Nós precisamos… ter uma conversa séria. E acho que ela vai ser meio demorada, então… — soltou o ar de maneira pesada, segurando a lateral da cintura da garota. Ele a guiou pelo corredor até a última porta.

nada disse. Estava ansiosa para saber o que seria essa conversa. Quando adentrou o cômodo, seus olhos fecharam brevemente ao sentir o cheiro dele totalmente instalado no local, e, nossa… Ela poderia ficar ali o tempo todo, apenas sentindo seu perfume.

— Bem, hum… Não tem muito espaço aqui. Mas você pode se sentar onde quiser — a voz de Jacob a tirou de seus devaneios profundos, fazendo-a balançar a cabeça e parando para observar o local.

Havia sua cama de solteiro encostada na parede, uma estante e prateleiras com algumas coisas que não conseguiu identificar. Uma escrivaninha com poucas coisas sobre a superfície e, ao lado, no chão, um bolo de roupas, provavelmente sujas. Ou não.
riu, divertida. Até iria se sentar na cadeira, porém também estava coberta de roupas. Andou até a cama e se sentou no colchão confortável, apoiando as mãos ao lado do corpo e levantando lentamente o olhar para o do moreno.

— Então… O que é que você tem para me falar de tão importante?
— Bem… É um assunto delicado. Não sei se você se lembra, ou, enfim… Se lembra, tenha entendido algo do que aconteceu… — Jacob andou até a cama e se sentou ao lado dela, a olhando de forma fixa.

Era a hora. A hora perfeita para ele falar sobre o acontecimento na floresta e dizer que era ele. Ele quem havia a encarado no fundo dos olhos. E também tirar a dúvida. Perguntar o que foi aquilo que ela fez, o que ela escondia. Ele sabia que tinha algo de especial assim como ele e sua alcatéia, e isso o confortava de todas as formas.
Porém, o assunto fugiu de sua mente ao olhar o rosto dela ali, tão perto do seu… O corpo da mesma forma, e os dedos se tocando levemente sobre o colchão. Abaixou seu olhar pelos seus cabelos, os apreciando. Parou os olhos em seu colo, que subia e descia junto de seus seios, com a respiração. Ele demorou-se observando aquele local, que parecia o mais desejado de todos, retornando ao seu rosto de maneira lenta.

— Sobre o que você está falando? — perguntou, com a voz baixa. Seu olhar vagava pelo garoto, assim como ele fazia com ela.

Estavam ali. Os dois, sozinhos. Pela primeira vez, sem o risco de alguém chegar e interrompê-los como sempre faziam. Aquele era o momento perfeito, único. E Jacob não poderia desperdiçá-lo de maneira alguma.
Ele subiu sua mão pelo braço da garota, com calma, dedilhando e passando por seus fios. Chegou-os para o lado e passou as pontas dos dedos por seu ombro do mesmo jeito, até chegar em sua nuca, que foi onde segurou os cabelos dela de forma firme, fazendo a garota inclinar o rosto.

— Podemos falar disto mais tarde — ele sussurrou, a voz grossa e rouca, e então, num único movimento, seus lábios estavam colados.

sentiu o choque. Os dele, quentes, com os seus frios. Nem acreditava que aquilo de fato estava acontecendo. No quarto dele, ele a segurando, e a beijando. Sem mais pensar em qualquer coisa, ela entreabriu os lábios, permitindo que ele começasse um beijo... indeciso, por assim dizer. Ele queria ser calmo, ah, queria, mas… a afobação do momento, de estar finalmente tocando seus lábios, a beijando, fez com que Jacob tornasse logo o beijo em um gesto necessitado. Suas línguas se acariciando de maneira intensa, os suspiros e grunhidos saindo, sendo abafados um pelos lábios do outro. Estava perfeito.
Ele subiu sua outra mão até a cintura da garota, a segurando com força e puxando-a, fazendo-a colar em seu corpo, ao mesmo tempo que ela se sentava em seu colo com as pernas ao lado de seu corpo. Aquilo permitiu que ele vagasse a mão livre por sua coxa, a pressionando com os dedos assim como quando chegou em seu quadril, o acariciando e apertando como queria fazer há tempos... Ate chegar em sua bunda. Redondinha, pedindo para ser tocada.
passava as mãos por seus ombros largos, realizando o sonho de finalmente tocar aqueles músculos rígidos daquela forma. Estava perdida em tudo. No seu beijo sem comparação e, sem dúvidas, o melhor de todos, do mundo. No seu corpo maravilhosamente quente, duro, rígido. E na consciência de que aquele não era apenas um momento carnal, em que os dois precisavam do toque um do outro. Ela podia sentir que era muito além disso. Muito além.
Desceu os dedos por seus braços, apertando-os com os dedos e subindo no mesmo trajeto; porém, agora passeando as pontas dos dedos por seu peitoral e abdômen ainda cobertos. Ela ansiava pela hora em que poderia tocá-los sem aquele pedaço de pano impedindo.
Quando as duas mãos do garoto estavam sobre sua bunda, eles separaram os lábios por necessitarem de ar. Demoraram alguns segundos de olhos fechados, apenas sentindo os lábios roçando levemente e as respirações ofegantes se batendo.
Jacob foi o primeiro a abrir os olhos, logo em seguida tendo a visão dos dela se abrindo lentamente. Seus olhares estavam mais próximos que nunca, tão conectados, transmitindo o que sentiam no momento. O moreno sorriu contra os lábios dela, mordendo o inferior e o puxando entre os dentes, ainda com o olhar em seus olhos.
Ele sabia que aquilo tinha mudado tudo daqui para frente.


Capítulo 10 - Monster

Jacob e estavam há um longo tempo colados um no outro. Vezes parando de se beijar e ficando com as testas coladas, outras retornando aos beijos, quentes e também carinhosos, quando ele passava seus dedos pelo rosto da garota, acariciando-a com carinho.

— Eu realmente queria continuar isso por todo o dia… Sério, . Você não sabe o quanto eu queria. Mas preciso falar com você sobre aquela coisa.

afastou levemente o rosto, encarando Jacob com um leve sorriso nos lábios sem mostrar os dentes. Seu olhar percorreu lentamente por sua boca, subindo ao seu nariz e, então, seus olhos. Olhos perfeitos… Droga, como ela era apaixonada por ele, mas seu subconsciente ainda insistia em tentar resistir a admitir isso.

— Que coisa é essa que vai atrapalhar o nosso primeiro momento importante?

Jacob sorriu de forma aberta, tocando levemente seus narizes e selando seus lábios de forma demorada.

— Eu sei, babe. Mas escute, eu… — sua fala foi interrompida por um grito, o que fez com que os dois virassem os rostos em direção à janela.

Não era um grito de socorro ou coisa do tipo. Era um grito como uma chamada ou um… uivo? Ou um grito? não saberia dizer. Ela se levantou do colo de Jacob antes que ele pudesse se mexer e parou em frente ao vidro da janela, tendo a visão do começo da floresta mais à frente e do campo. Neste, estava um grupo de garotos que a garota pensava serem bem semelhantes, e também não lhe pareciam estranhos. Mas logo na frente de todos eles estava Paul, apenas com uma bermuda jeans como a que Jacob costumava andar por aí.
A juntou suas sobrancelhas, meio confusa. Ainda mais quando o garoto focou na sua imagem na janela, parando de andar. Ela o viu fechando os punhos e ficou preocupada com a cena.

— Jacob…
— Fique aqui, . Eu já volto.

O moreno saiu do quarto de forma rápida, e teve a visão dele saindo da casa e indo até o grupo de garotos, ficando à frente de Paul. Sua expressão estava bem longe de ser amigável. Ela saiu do mesmo jeito que o garoto e logo estava na varanda, descendo os degraus, para que pudesse ouvir o que eles falavam.

— O que ela faz aqui, Jacob?! — Paul chegou mais perto, encarando o moreno nos olhos, e este adquiriu uma expressão raivosa, mas sem se mover. Não queria arrumar uma briga ali. estava olhando, ele sabia, e a última coisa que desejava era que ela ficasse sabendo desta forma.
— E isso por acaso tem alguma coisa a ver com você? Ela não é nada sua, Paul! Você não vai ficar entre nós, que isso fique bem claro.

Paul soltou o ar de forma pesada, antes de fechar com ainda mais força seus punhos. Seu corpo se curvou para frente, tremendo, e ele levantou o rosto enquanto acontecia, encarando Jacob com toda a raiva possível no momento. Os outros foram logo se afastando, assim como Jacob, dando passos para trás.

— Paul, se controla! — gritou, o desaprovando, na tentativa falha de que o garoto fosse escutá-lo. — Embry, tire daqui!

olhou para Jacob quando ouviu seu nome, assustada com os movimentos agressivos do corpo de Paul. Estava com medo que o pior acontecesse. Aquela dor no peito causava uma sensação horrível de que algo muito ruim viria.
Ela focou o olhar no moreno que vinha em sua direção. Era quase do mesmo tamanho de Jacob; seu cabelo batia no queixo e sua expressão era amigável, assim como seus olhos escuros. Ele chegou perto da garota e a segurou com cuidado em seu ombro.

, né? Vamos sair daqui…
— Mas… Os meninos… — não conseguiu terminar a fala, já sendo puxada por ele e deixando ser guiada.

Porém, uma coisa a impediu: quando ouviu um alto uivo. Ela se virou rápido para trás, a ponto de ver o corpo de Paul se transformar num enorme lobo.
Espera… Não poderia ser…
O lobo fincou as duas patas na grama, deixando à mostra seus grandes dentes na direção de Jacob. Quando avançou, fechou os olhos com força, sentindo os pelos de seus braços arrepiarem, mas não houve nenhum grito. Nada.
Abriu os olhos de uma vez, vendo os dois lobos rolando no campo, atracados, e então ela se lembrou… Se lembrou do lobo que olhou bem em seus olhos naquele dia, na floresta. O lobo que transmitiu tanta coisa naquele olhar…
Era Jacob. Jacob! Como isso era possível?
Por um momento, ela não soube mais o que era ar. Havia prendido sem nem perceber, e seu peito ainda doía, mas o sentimento era outro. Agora, era pânico. Pânico.
Piscou algumas vezes e, num ato desesperado, se soltou de Embry, que logo gritou por ela quando a correu para dentro da casa. Com as mãos tremendo, buscou pelas chaves da caminhonete de Jacob e saiu da mesma forma, entrando no veículo e demorando alguns segundos até conseguir enfiar a chave na ignição e virá-la. Logo deu ré enquanto ouvia um barulho. Quando olhou para trás, viu que Embry pulava na caçamba do carro.
A garota soltou o ar pelos lábios, os entreabrindo, então virou o rosto para frente, apertando forte o volante enquanto retornava à estrada. Ela pisou fundo no acelerador, seu coração parecendo que sairia pela boca a qualquer momento. Se Paul e Jacob eram as feras da floresta, o restante dos meninos só poderiam ser os que os acompanhavam. Isso tinha todo sentido!
Virou o rosto novamente, mas Embry não estava mais na caçamba logo atrás. Abaixou os ombros em alívio e tornou para frente, apenas focada em chegar logo em casa, deitar em sua cama e ter a ilusão de que tudo aquilo tinha sido apenas um sonho. Apenas um sonho. Ela não havia nem levantado de sua cama hoje. Isso era improvável, impossível. Não era real.
Real…? Na verdade, ela nem sabia mais o que significava essa palavra. Depois do que havia feito na floresta, do colar que havia sido atraído para ela em seu aniversário… Se fosse realmente parar para pensar nas coisas que estavam acontecendo recentemente, enlouqueceria.
Uma rua antes da casa dos Weber, parou a caminhonete de Jacob e deixou-a lá, com as chaves. Sabia que ele iria procurá-la, afinal, era seu carro, não era? Mas que ele estivesse bem longe dela ou de qualquer coisa relacionada.
Bateu a porta do veículo e, quando se afastou para começar a andar, deu um pequeno grito de susto ao ver Embry de pé no teto do carro.

— Por que você está desse jeito? Vai dizer que vocês estão saindo e você não sabe sobre nós?

ignorou completamente o que ele dizia e foi dando passos rápidos para trás, vendo-o descer com pulos fáceis do local alto.

— Fique longe de mim, Embry. Eu… Eu não vou falar nada, nada! Para ninguém… Só fica longe de mim… Por favor.
… Posso te chamar assim, né? Olha, eu não vou fazer nada com você. Eu jamais te faria mal. O Jacob vai conversar com você e resolver…
— Não! Eu não quero que ele fale nada comigo, tá entendendo? Nenhum de vocês… Fiquem todos longe de mim! — ela gritou de maneira firme, então se virou, começando a correr o mais rápido que podia.

Quando virou a esquina, sabia que ele não estava mais atrás. Ela podia sentir. Quase derrapou quando chegou em frente à casa dos Weber. Correu até a entrada, pegou a chave debaixo do tapete na varanda, abriu a porta e a bateu, trancando com rapidez e se virando, encostando-se nela.
Soltou o ar depois de um longo tempo, percebendo que a casa estava silenciosa. Respirou fundo, passou a mão sobre a testa e se moveu para subir as escadas. Chegando em seu quarto, abaixou o vidro da janela, também passando a tranca e fechando as cortinas.
Sentou-se na ponta da cama e encarou a parede do seu quarto, com algumas fotos decorando. Sua cabeça começava a doer; aquela sensação que incomodava, como sempre. Ouviu um zumbido, e ela sabia de onde vinha: do objeto que estava na primeira gaveta da sua cômoda.
Decidiu ignorar e tirou seus tênis, se virando na cama. Encolheu o corpo e, já deitada, colocou o travesseiro sobre sua cabeça.



→ Uma semana depois ←


estava sentada na cadeira de sua penteadeira, encarando seu reflexo no espelho à sua frente. Soltou um leve suspiro, mexendo os ombros enquanto comprimia os lábios levemente. Usava calça de moletom branca e meias com estampa de pequenos desenhos de fatias de bolo. Suas pernas estavam dobradas sobre a cadeira, com seus braços ao redor delas. Na parte de cima, vestia uma blusa de manga comprida num tom cinza escuro. Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo desajeitado, com apenas alguns cachinhos escorrendo por seu rosto. Este tinha uma expressão cansada, os olhos meio sonolentos.
Era uma sexta-feira, porém, ela só havia ido à escola uma vez na semana que passara. Seu tempo era gasto, na maioria, sentada ali, se encarando, deitada na cama, pensando e também ignorando todos os meios que Jacob e Paul arranjavam de tentar falar com ela. Sua cabeça estava mais que confusa. Confusão era apenas um apelido.
Levantou o olhar lentamente até o relógio na parede, que marcava oito e meia da noite. Seu corpo vibrou de susto quando Angela abriu a porta do quarto, a olhando com a mesma expressão de toda a semana: desaprovação.

… Nossa, você ainda está aí, sentada? Eu avisei que iríamos sair umas nove horas, e você ainda nem começou a se arrumar.

A deu um leve sorriso de lado, levantando sua mão, mas apenas para cutucar o gatinho de enfeite na sua penteadeira.

— Eu não vou, Angela. Não estou a fim de ver… jovens bebendo, rindo e dançando. Não estou no clima, também já disse.
— Você está com essa mesma cara de morte todos esses dias. Para com isso, sério, eu não aguento mais! Não só eu, mas a Jessica, o Eric… Todo mundo, . Escute… — Angela se aproximou, se apoiando perto da mão da prima e se inclinando na altura do seu corpo. — Nós queremos o melhor para você. Eu quero o melhor para você. Não que fique aqui, sentada, que nem uma louca… por uma coisa que você nem sequer quis me contar. Eu sei que aconteceu algo, não estaria assim à toa. O fato é: já deu o tempo. Tá na hora de levantar e olhar para frente…

deixou seu olhar vagar por Angela, parou em seus dedos e soltou um longo e profundo suspiro. Mesmo ela odiando a ideia de ter que sair de casa, sabia que Angela estava coberta de razão. Já havia passado tempo o suficiente para Jacob entender que ela queria distância dele. Deles, todos aqueles. Havia aparecido notícias de alguns corpos na floresta, e ela receava que eles tivessem alguma relação com isso.
Concordou com a prima, que saiu alegre e saltitando do quarto. Fez suas higienes, tomou seu banho e saiu do banheiro penteando seu cabelo, que logo estaria seco e cheio de cachinhos. Colocou uma calça jeans, mas, ao se olhar no espelho, decidiu que vestiria algo diferente hoje. Trocou a calça por um vestido num tom azul, de um ombro só, que marcava sua cintura e era mais soltinho na saia. Colocou sapatilhas que combinavam e passou um gloss num tom avermelhado.
Parou, se olhou no espelho mais uma vez e, então, sorriu de lado. Nada mal…
Se apressou em pegar seu celular e uma pequena bolsa para o resto de suas coisas. Então saiu, se encontrando com Angela lá em baixo, que já estava pronta.

— Adivinha só? Papai me deixou usar o carro dele… Estamos podendo hoje! — falou, juntando as mãos e sorrindo de forma aberta. A riu.
— Com certeza. Só não sei se vamos sobreviver a isso…


→...←


— Ah, para. Não! Olha isso!

Jessica ria e falava alto enquanto mostrava algo no celular para Angela e , mas só Angela acompanhava a garota. A estava dispersa. Seu olhar vagava pelo local e sua cabeça latejava com tamanha força. Passou a língua pelos lábios, assim como a mão por seu cabelo, e se levantou. Não aguentava mais o que sentia.

, onde está indo?
— No banheiro… Não se preocupem, eu já volto.
— Não quer que a gente vá com você?
— O quê? Não… Tá tudo bem — disse e, mesmo que não fosse sua intenção, sua fala soou um pouco rude.

A garota se afastou da mesa, passando as mãos por seus braços. Estava os sentindo arrepiados e nem sabia por quê. Acabou esbarrando em alguém, mas não deu muita atenção, apesar de a pessoa segurar o seu braço. Sua mão era fria, parecia gelo. Ali era apertado – Borboun, um pequeno bar/restaurante em Portland.
tentou tornar a andar, mas o estranho ainda a segurava. Foi forçada a virar o seu rosto, dando de cara com dois olhos verdes e um rosto pálido. Admitia que eram lindos, assim como seu maxilar travado, os lábios desenhados em um sorriso de lado. Seus braços eram firmes, e ele usava uma jaqueta de couro com uma camisa preta.

— Com licença. Estou tentando sair daqui, se não percebeu.
— Claro, claro. Me perdoe. Mas é que… você é tão linda que eu não pude me segurar. Me chamo Thomas. E a dona desses lindos olhos, hum?

riu baixo, não acreditando na petulância. Mas que coisa! Mesmo ele sendo muito atraente e tudo mais… Nem mesmo ele conseguiria passar por cima daquele sorriso, aqueles olhos que transmitiam carinho e o corpo que Jacob tinha. Além de tudo, o sentimento que nutria por ele.

— Com licença — dessa vez, soltou seu braço da mão dele e tornou a andar.

Adentrou ao banheiro feminino e agradeceu por não ter ninguém. Parou em frente ao espelho, apoiando as duas mãos na bancada, e então sua cabeça latejou com mais força, fazendo-a fechar os olhos e inclinar levemente se corpo. Ficou de olhos fechados por um bom tempo, até sentir algo quente batendo contra seu braço. Era a mesma sensação de estar no sol. Espera… Sol?
Abriu seus olhos lentamente, então prendeu o ar, assustada. Se encontrava, agora, no meio da floresta. Os raios de sol passavam por entre as folhas, batendo em sua pele, lhe causando uma sensação reconfortante. Deu uma volta, olhando tudo, assim como ela mesma. Usava a mesma roupa, estava do mesmo jeito.

— Mas que droga é essa… — murmurou, não sabendo se acreditava que aquilo era mesmo real, ou se estava alucinando.

Sem perder tempo, começou a caminhar, pisando nas folhas e pedaços de madeira, tirando alguns galhos da frente para que pudesse passar. Não sabia se estava no caminho certo, não se lembrava daquela parte da floresta. Até que parou quando chegou a uma parte que conhecia bem. Foi ali que teve seu encontro com os lobos.
Engoliu um seco, já tentando focalizar o caminho para sair dali. Foi quando ela sentiu o chão tremer. Abaixou o olhar e viu que, perto de suas sapatilhas, um pedaço de madeira se remexia. Lentamente, ela o acompanhou com o olhar, vendo-o se erguer e começar a levitar, até estar na altura de seu rosto. Quando se deu conta, todos os troncos quebrados à sua volta levitavam, assim como qualquer outra coisa que estivesse solta.
Ficou parada, sem saber o que fazer. Ela não entendia. Não entendia o porquê daquilo estar acontecendo com ela.
Ergueu sua mão, movendo-a para frente, e tudo acompanhava o movimento que sua mão fazia. Um sorriso se desenhou em seu rosto, mas um sorriso de total nervosismo.

! — a voz de Angela veio num grito.

Como um susto, todo aquele local sumiu e ela estava de volta a Portland, à noite. Porém, não estava dentro do bar, e sim no meio da rua. Ouviu o barulho de buzinas começarem a se aproximar, e se virou, mas não a tempo.
O carro já havia a atingido.


Capítulo 11 - Bedroom

sentia seu corpo começar a despertar. Porém, ele todo doía de maneira forte, e seus olhos ainda estavam pesados demais para a garota forçá-los a se abrirem. Permaneceu imóvel, apenas roçando as pontas dos dedos no lençol áspero. Prestou atenção no cheiro, nos sons à sua volta. Aquele beep… ela reconhecia bem. Estava num quarto de hospital.
Num flash, tudo voltou à sua cabeça de uma só vez: sua visão, a floresta, o que ela conseguia fazer com as mãos e, logo em seguida, a última imagem que teve antes de apagar – os faróis altos do carro vindo em sua direção, colidindo com seu corpo.
Pôde sentir algo quente descendo por seu rosto, fazendo-o arder. Deviam ser os ferimentos. Mas era uma lágrima solitária que havia caído por sua bochecha, e a garota a sentiu descer por seu pescoço e sumir em sua pele.

— Ela acordou! — ouviu vozes, não conseguindo identificar muito bem de quem eram.

Com mais esforço, conseguiu abrir seus olhos, tendo a visão de três pessoas: duas nas laterais da cama, uma de cada lado, e uma em seus pés. Esta era a mãe de Angela, a senhora Weber. Já nas laterais, estavam seus pais: Annabeth e Joseph. Seu pai, como de costume, usava seu terno mais escuro; um sorriso de lado desenhava seus lábios, os cabelos estavam penteados para trás, e o corpo, apoiado na beira da cama. Sua mãe, também nos trajes sociais, tinha o cabelo preso num rabo de cavalo.

— Meu amor… — a mulher se aproximou enquanto sorria suavemente, e, com carinho, tocou o rosto da garota com as pontas dos dedos. — Como se sente? Ah. Mas que pergunta boba a minha, eu sei… Nós viemos assim que sua tia nos ligou. O que houve, minha filha?

ainda estava em processo de acreditar que seus pais estavam ali, de fato. Mas ela sabia que isso não iria durar muito, então nem se animou tanto. Deu um sorriso fraco, afirmando com sua cabeça. Foi aí que ela parou para perceber que a dor maior estava concentrada na parte inferior de seu corpo, mais especificamente em sua perna direita. Franziu o cenho, percebendo que o membro estava engessado e fora do lençol que cobria seu corpo. Seus lábios se entreabriram, soltando um longo e profundo suspiro.

— Não sei, mãe. Tudo aconteceu muito rápido… Eu nem me lembro de como foi — mentiu, olhando de sua mãe para seu pai, lentamente. Claro que não poderia falar o que realmente ocorreu para ela parar no meio da rua e ser atingida por um carro. — Estou aqui há quanto tempo?
— Apenas uma noite, querida — a senhora Weber respondeu, sorrindo. A garota retribuiu ao gesto. Sabia que ela tinha sido a única a ficar ali todo o tempo, tinha certeza. — Seus pais chegaram hoje pela manhã.
— Lamentamos não poder ficar com você, minha bonequinha — Joseph falou pela primeira vez, se aproximando e beijando sua testa. — Mas já temos um voo de volta daqui a duas horas.
— Isso mesmo. Mas ainda bem que acordou… Assim tivemos uma oportunidade de te ver. Escute, eu prometi um presente no seu aniversário, não é? Nós compramos. Sua tia já deixou lá no seu quarto, tenho certeza de que vai adorar.

sorriu de forma fraca. Ela já esperava esse tipo de coisa. Sofrer um acidente, quebrar a perna e sua mãe se preocupar com o fato de que não havia enviado o presente de seu aniversário.
Poucos minutos depois, eles se despediram e já estavam saindo da sala para o aeroporto e de volta a conturbada Nova Iorque. A senhora Weber, no entanto, continuou no quarto com a sobrinha durante o resto do dia. O hospital havia dito que não tinha necessidade de a garota ser mantida internada, então, quando já era noite, estavam voltando para casa.

— Deixa que eu te ajudo, — Angela dizia, quando chegava na escada já usando muletas para conseguir se sustentar e andar. Já nem sentia mais tanta dor, o que era de se estranhar.
— Obrigada, Angela. Mas eu consigo… Não precisa se preocupar, vocês já estão fazendo demais por mim.
— Que bobeira, , mas que coisa! Vou te ajudar mesmo assim.

Angela subiu ao lado da prima, mesmo a jovem alegando que não havia necessidade. Mas ela apenas parou quando a prima estava devidamente instalada em sua cama, com o corpo recostado na cabeceira acolchoada e junto de um travesseiro fofinho, assim como o que a sua perna engessada estava apoiada. Com um beijo em sua testa, Angela deixou o quarto.
se viu sozinha pela primeira vez naquele dia. Estava um silêncio absoluto, até ouvir o sopro do vento. Ela levantou o olhar e percebeu a janela de seu quarto entreaberta. Com um suspiro, balançou sua cabeça de um lado para o outro; porém, optou por não levantar e fechá-la, deixando assim mesmo.
Passou os dedos pelo tecido de algodão do vestido leve que usava, num tom azul-claro. Era bem confortável. Passou também o olhar por seu quarto até parar na caixa branca ao seu lado na cama, a qual já havia percebido quando entrou com Angela. Certamente aquele deveria ser o tão falado presente de seus pais.
Inclinando seu corpo, trouxe a caixa para perto. Ela tinha um tamanho médio e cabia perfeitamente em seu colo. Abriu-a com cuidado, encontrando uma peça de roupa. Antes mesmo de olhar, percebeu outra caixinha no meio do tecido com o nome Pandora. Balançou levemente a cabeça em negativo, a abrindo e vendo um pingente com seu nome.
Comprimiu os lábios e ergueu a mão livre até seu colo, onde encontrava o colar que ele havia lhe dado. Apesar de ter passado aquela semana tentando passar uma borracha em tudo que lhe dizia respeito, não teve coragem nem de pensar em tirar aquele objeto que lhe significava tanto.
Com um pesar, tornou as mãos à caixa, com a atenção agora na peça de roupa que ali continha. Alcançou duas finas alças e as puxou, revelando o belo e bem desenhado vestido vermelho-sangue à sua frente. Forçou-se a rir baixo, somente pensando em qual ocasião ela teria oportunidade de usá-lo. Acreditava que em nenhuma. Sem olhar muito os detalhes, fechou a caixa do presente e virou-se para o outro lado da cama de casal. Movendo seu corpo com cuidado, conseguiu deitar-se de lado, com a perna machucada para cima ainda apoiada no travesseiro.
Agora, agarrada em sua pelúcia em forma de girafa, encarava a parede de seu quarto, os olhos começando a pesar de maneira incontrolável. Até que se fecharam, e caiu em um sono não tão profundo quanto gostaria.


→...←


Seus olhos se abriram de imediato com o susto. Ouviu um barulho que parecia vir do lado de fora. Com o corpo ainda imóvel, seu olhar foi diretamente ao relógio, vendo que a hora marcava mais de meia-noite, quase uma hora da manhã. Seu sono havia durado apenas quatro horas.
Respirou fundo, virou o rosto e olhou o quarto iluminado por abajures: um do lado da cama e outro sua escrivaninha. Não havia os apagado antes de dormir. Como não houve mais ruído, pensou ser coisa de sua mente peculiar, mas quando ergueu o tronco, se arrumando para levantar e apagar a iluminação que a incomodava, ouviu um barulho de novo e, dessa vez, mais perto. Eram sons de galhos. Galhos… Só havia uma árvore, e ela ficava próxima de sua janela.
Seus lábios entreabriram quando focalizou numa sombra do lado de fora da sua janela entreaberta. Um frio correu por todo seu corpo, o arrepiando dos pés a cabeça, não imaginando o que poderia acontecer com ela a seguir. Até que viu mãos segurando a borda da janela e a erguendo. Ela reconheceria aquelas mãos em qualquer lugar.

— Jacob — o nome do moreno saiu de seus lábios em um tom desacreditado.

Ele vestia apenas uma bermuda jeans, e o viu adentrar seu quarto com facilidade. A se viu imóvel novamente, o encarando de sua cama. Não podia negar: seu coração palpitava de felicidade por ver o garoto novamente, depois dos dias que mais pareceram anos.

… Céus! Você… Eu nem sei o que dizer. Fico feliz que esteja bem, apesar da sua perna — Jacob começou, dando um passo à frente e vendo a garota se movimentar na cama. Seus braços que a sustentavam no colchão fraquejando. — Não tenha medo, babe. Não irei lhe fazer mal. Juro. Eu não sou mau, .
— Eu não ligo, Jacob, vai embora! Eu vou gritar!

Jacob continuou se movendo em sua direção até estar ao lado de sua cama. Num movimento cuidadoso, se sentou na beira do colchão, bem próximo de seu corpo. soltou o ar de maneira pesada, encarando agora o rosto tão perto. Tão lindo, aquele garoto… Ela não poderia resistir. Tudo que acontecera naquela tarde havia sumido de sua mente, e apenas conseguiu pensar em como ele a fazia se sentir.
Jacob não poderia estar mais feliz do que naquele momento. Feliz em saber que ela estava bem, que estava ali e que não tinha o mandado afastar; pelo menos, não ainda. Só ele – e Sam – sabiam como ele havia se sentido naquele tempo em que decidira deixá-lo de lado de sua vida, mas foi o alfa quem o aconselhou a deixá-la em seu tempo. Porém, não pôde se conter ao ficar sabendo de seu acidente.
Quando fez menção de gritar, Jacob rapidamente avançou sobre ela com o mesmo cuidado, cobrindo seus lábios com sua mão e a olhando. A garota levou as mãos até seu braço, tentando afastá-lo.

— Me desculpe por isso. Eu viria mais cedo, mas… você sabe. Acho que prefiro que ninguém saiba que estou aqui — ele suspirou baixo, se arrumando na cama. Passou a língua sobre seus lábios, sem tirar os olhos do rosto da garota. — Por favor, , não grita. E eu não quero ficar te segurando — Jacob foi abaixando sua mão, se mantendo próximo dela.
— Senti sua falta — a voz de saiu calma, apesar de se sentir tão nervosa por dentro. Ela relaxou os ombros, como se tirasse um peso de suas costas. — Eu acho que temos muito para conversar… E acho também que lhe devo desculpas pelo meu comportamento.
— Não precisa, babe — ele sorriu de forma aberta. Sua mão subiu lentamente por seu braço, dedilhando sua pele macia até parar em seu rosto, por onde passou o polegar. — Eu te entendo. Entendo perfeitamente, o que você viu… não deveria ter sido daquele jeito. Eu te chamei naquele dia justamente para falarmos sobre tudo isso. Mas tudo saiu dos conformes… Eu também senti a sua falta. Tanto que você nem pode imaginar — inclinou-se, na intenção de tocar seus lábios nos dela e ter aquela sensação novamente. A sensação que lhe dera saudade e angústia por estar distante todos esses dias. Porém, a garota virou o rosto, recuando o corpo.
— Jacob… Eu preciso saber. Esses corpos que vêm aparecendo no noticiário… são vocês? Vocês estão matando essas pessoas?
— O quê? Não, claro que não! Eu já disse, não sou mau. Não somos, nenhum de nós. Muito pelo contrário, fazemos de tudo para que esses não atinjam a cidade de alguma forma. Mas tem as complicações… Enfim, você irá entender. Agora a única coisa que precisa saber é que não fazemos mal algum a nenhum inocente.

ficou alguns segundos apenas o encarando bem nos olhos, tentando detectar alguma mentira neles, mas nada lhe veio. Agradeceu mentalmente por sua perna engessada naquele momento; caso contrário, em qualquer outra situação, teria mandado Jacob ir embora. Mas agora era diferente. Ele havia lhe dito o que precisava saber e, mesmo que ainda houvesse muitas perguntas e respostas, isso era o que importava no momento.
Ergueu sua mão e tocou o braço de Jacob. Foi subindo os dedos, acompanhando-os com o olhar, passando pelo ombro, apertando-o levemente e chegando na lateral de seu pescoço. Não demorando ali, seus dedos pararam em sua nuca, segurando em seus cabelos. Foi quando ela o puxou e passou seu outro braço por ele, o envolvendo em um abraço que foi prontamente correspondido. A garota sentiu os braços fortes e enormes a rodeando, o calor de seu corpo transmitindo toda a segurança que ela precisava.

— Jake… Eu gosto tanto… tanto de você — sussurrou ao pé de seu ouvido. Seus olhos estavam fechados, e ela sentiu os braços de Jacob se apertarem ainda mais ao redor dela, fazendo-a suspirar baixo.
— Eu também, . Eu gosto de você de uma maneira… surreal. É. Essa é a palavra.

Ele afastou o rosto da lateral do da garota, a encarando por alguns segundos. Um sorriso de lado se desenhou nos lábios de Jacob, então tornou a se inclinar sobre ela. Mas, desta vez, a garota não se ousou a recuar. Não mesmo.
Logo sentiu os lábios do moreno sobre os seus, aniquilando qualquer tipo de espaço que poderia existir entre eles. Suas línguas se tocaram com calma, acariciando uma a outra, procurando por espaço dentro da boca um do outro. E assim subiu seus dedos por entre o cabelo macio de Jacob, acariciando seus fios e logo o sentindo sorrir contra seus lábios.

— Promete… que não vai tentar me afastar de novo — a voz do moreno saiu séria e rouca, os olhos se encarando novamente. — Prometa, .

A garota prendeu o ar por alguns segundos, apertando seus dedos por entre os fios do cabelo de Jacob. Apesar de ser total loucura e insanidade, aceitar era fazer parte do que ela agora sabia que era verdadeiramente a vida de Jacob. Nem passou por sua cabeça dizer que não iria prometer. Porque… ela não iria mesmo conseguir mais seguir sem que soubesse que ele estaria ao seu lado, de alguma forma.

— Eu prometo. Dorme comigo hoje? — deu-lhe um sorriso aberto, que foi prontamente retribuído.
— É claro que sim. Deixe só eu… — não terminou sua frase e ergueu o corpo, saindo de cima da .

Andou até a janela, fechou-a e trancou-a como deveria. Em seguida, passou a cortina em frente ao vidro e tornou a olhá-la. Sorriu, agora se abaixando para desamarrar e tirar seus tênis. Enquanto o fazia, tratou de pegar a caixa do presente e colocá-la no chão ao lado da cama. Então, logo se deslocou para o lado vazio do colchão para que Jacob deitasse do lado de sua perna boa. Puxou a coberta e a arrumou, assim que viu o garoto erguido novamente.

— Posso apagar? — perguntou, sinalizando o abajur ao lado da cama. Recebendo um aceno positivo da garota, ele o desligou, então se pôs a deitar ao seu lado.

Jacob se acomodou na cama fofinha, sentindo seus músculos relaxarem. Sem perder tempo e com todo o cuidado, passou seu braço por baixo do corpo da garota, a virando e tocando suas costas. Depois de achar a posição confortável para ela, se arrumou ainda mais até que estivessem, de alguma forma, deitados juntinhos.
sorriu, sentindo seu rosto encostado no peitoral de Jacob e a mão apoiada sobre seu abdômen. Algum tempo atrás, ela havia imaginado como seria a sensação de tocá-lo. Agora estava ali, sentindo seu cheiro mais de perto que nunca, sabendo que ficaria nela e em seu pijama depois. Assim como também o tocava, passando as pontas dos dedos por sua pele quente lentamente, como um carinho.

… Você e o Paul… Vocês… Sabe, tiveram algo mais íntimo?
— O quê? — ainda com os olhos fechados, ela franziu o cenho. — Não. Não… Não aconteceu nada de mais. Nós nem falamos mais sobre isso… E agora, bem… Estamos aqui. Quer dizer… Você está aqui.
— Estou. E não gostaria nada que ele estivesse em meu lugar.
— Não se preocupe, Jacob. E eu espero mesmo que aquela… briga daquele dia não tenha rendido nada. Porque eu ouvi muito bem o meu nome lá!
— Nós já conversamos, . Eu disse para ele sobre o… Quer dizer, disse que eu gosto de você. E nós somos amigos.
— Fico feliz por isso — a fala dele a deixou aliviada. Não iria se perdoar se fosse a causa do término de uma amizade. — Eu converso com ele depois sobre isso.
— É. Nós ainda vamos ter muitas conversas sobre aquele dia… Mas só quando você ficar boa da sua perna. Agora tente dormir, babe.

sentiu o beijo de Jacob no topo de sua cabeça, então relaxou ainda mais os ombros, sentindo seu corpo pesado. Ter a sensação do corpo dele junto ao seu estava sendo mais que maravilhoso, e ela adoraria aproveitar mais; porém, estava cansada demais. Não demorou para pegar no sono profundamente, com o calor do corpo do garoto a aquecendo mais que suficientemente e se sentindo mais segura que nunca.


→...←


A sentiu a iluminação esquentar seu rosto, mas demorou mais algum tempo até que seus olhos se abrissem. Focou na visão de uma brecha da cortina da janela aberta e suspirou baixo, soltando o ar por entre os lábios. Ela se moveu na cama de um jeito que a pequena brecha de iluminação não a atingisse.
Então, aquele aroma encheu suas narinas, a fazendo apertar o lençol dentre os dedos. Jacob.
Abriu os olhos de maneira definitiva, piscando algumas vezes, procurando por alguma coisa em torno do seu quarto. Nem sinal dele. Será que havia sido um sonho? Tão real que poderia estar fantasiando seu cheiro?
se apoiou com uma mão no colchão e ergueu o corpo com cuidado, fazendo seu cabelo cair sobre seus ombros com o movimento. Soltou mais um suspiro, pronta para começar a se levantar, quando avistou um pequeno papel rosa abaixo de seu abajur. Um daqueles que ela tinha por toda sua escrivaninha. Um sorriso se formou em seu rosto logo que ela se esticou e o pegou.

Tive que ir embora antes que alguém chegasse e acabasse me vendo deitado em sua cama. Prometo que não vamos ficar sem nos ver. Vou aparecer sempre que puder. Te ligo mais tarde, tenha um bom dia.
J.

Como se ainda houvesse espaço, seu sorriso se alargou ainda mais, comprimindo o papel contra seu peito e fechando os olhos. Sabia que ele estava falando a verdade e que sim, ele viria sempre que pudesse. Ela ficava animada apenas com a ideia de dormir agarrada com ele em sua cama novamente, abraçada ao seu corpo. E como ele havia dito que a tal conversa importante seria apenas depois que pudesse se locomover normalmente com sua perna, ansiava por tal momento.
Saiu de seus devaneios quando ouviu batidas em sua porta, então colocou o papel no lugar onde estava antes, a tempo de ver Angela abrindo a porta, empurrando-a com o ombro, pois suas mãos estavam ocupadas por uma bandeja regada com um café da manhã bem completo.

— Bom dia, flor do dia! — a prima sorriu abertamente, dando a volta e esperando que a se arrumasse na cama e pudesse deixar a bandeja sobre seu colo.
— Angie… Nossa, nem sei como agradecer por isso!
— Não precisa, sua bobinha. Farei o que for preciso para que se sinta bem. Agora coma, porque ainda nem chegou a parte em que irei te ajudar a tomar banho — disse, fazendo uma cara de leve espanto. Então, as duas caíram na risada.


Capítulo 12 - Past

→ Semanas depois ←

O relógio marcava sete horas da noite quando retornou à casa dos Weber. Havia tirado seu gesso mais cedo; os médicos disseram que sua recuperação havia sido rápida e bem eficiente, o que a deixou sem entender, porque seu acidente indicou tudo ao contrário.
Subiu para o quarto e deixou sua bolsa sobre a cama, mas, antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, começou a ouvir o toque de seu celular: a música de rock que havia colocado dias atrás, sua favorita. Ao olhar o nome na tela, deu um enorme sorriso. Não poderia ser alguém melhor.

— Oi, Jake — atendeu a chamada, levando a mão livre até seu pescoço, no pingente que o garoto havia lhe dado. Foi até a janela e ficou olhando para a árvore logo em frente.
— Meu amor… Ainda bem que atendeu logo! Que horas vou poder te pegar? Escuta, não tem hora pra voltar!
— Hum… Não tem? Hoje finalmente vai ser o dia da finalmente conversa? — disse num tom até irônico, pois Jacob não havia mencionado mais nada sobre aquilo, durante todo o tempo em que esteve na cama com o gesso.
— Pare com isso, . Eu te pego aí antes das nove, tá bem? Ainda preciso resolver umas coisas, com os meninos… Mas eu chego aí. Combinado? Esteja pronta.
— Estarei… Até mais — ouvindo a despedida de Jacob, ela desligou a chamada e jogou o celular sobre a cama.

Andou até seu guarda-roupa, abriu-o e averiguou suas vestes ali guardadas, pensando qual poderia usar para se encontrar com Jacob hoje.
Após tomar seu banho, optou por um vestido desta vez. Nunca usava vestidos; quase nunca, na verdade. Colocou um azul-claro, com algumas flores rosas espalhadas pelo tecido que marcava sua cintura – e ela gostava disso, particularmente. Junto a isso, uma sapatilha que combinava e uma jaqueta jeans. Arrumou seu cabelo sobre os ombros e passou um simples gloss. Estava pronta.
Virou-se em direção ao relógio, vendo que já passava das oito e meia. Pegou seu celular e, quando estava preparada para sair do quarto, seu olhar caiu sobre a cômoda.
suspirou, andou até o móvel e abriu a primeira gaveta, vendo o amuleto que viera até sua mão naquele dia do seu aniversário. Comprimiu os lábios, pegando o objeto e o colocando no bolso da jaqueta jeans, por motivos que ela desconhecia.
Então, desceu as escadas e encontrou os Weber preparando a mesa para seu jantar. Se aproximou, sorrindo fraco.

— Vai sair, querida?
— Na verdade, sim… Jake virá me buscar. Talvez eu demore, ou… Não sei. Vocês se incomodam com isso?
— Oh, não, querida, imagina. Você pode ir ficar com ele, aposto que está com saudades de você. Se precisar de alguma coisa, já sabe — a senhora Weber fez um sinal de telefone com os dedos, ao lado de sua orelha. sorriu abertamente.
— Certo. Obrigada. Boa noite.

Em seguida, com um aceno de cabeça, deixou a sala de jantar, assim como a casa. Ao fechar a porta, desceu as escadinhas da varanda e parou no gramado, encarando a rua deserta. Abraçou seu próprio corpo, deu passos à frente e parou no meio-fio, olhando para a esquina. Jacob já devia estar virando a rua com sua caminhonete.
Soltou o ar por entre os lábios, meio entediada com aquilo, até que ouviu o barulho de folhas sendo pisadas. Imediatamente, a garota virou seu rosto para o matagal em frente à casa, do outro lado da rua, e percebeu alguns galhos se mexerem. Então, seu corpo gelou. Havia alguém ali, provavelmente a observando. Logo sentiu os pelos de seus braços eriçarem, um frio na barriga. Céus… O que era aquilo?
Os galhos se moveram novamente; porém, a caminhonete parou bem em sua frente, para onde olhava.

? Está tudo bem? — Jacob desceu do carro, a olhando preocupado. Chegou perto da garota, segurou com as duas mãos em sua cintura e só assim tomou sua atenção.
— Hum? Ah… Está sim. Só parecia que havia alguém ali do outro lado.

Jacob franziu o cenho, virou seu rosto e soltou o corpo dela para que pudesse atravessar a rua. Parou em frente a um arbusto, demorando alguns segundos ali para olhar. Então, passou os braços por dentro dele, o afastando e observando melhor. Balançou a cabeça em negativo, voltando seu olhar para a .

— Não tem nada. Tem certeza de que está bem, uh?

apenas levantou as sobrancelhas em sua direção, dando a volta e adentrando a caminhonete. Arrumou seu corpo no banco e ficou olhando seus próprios dedos entrelaçados, até Jacob também entrar no carro. Ela ergueu o olhar ao rosto do garoto, que sorria em sua direção. Ele levou uma mão até a sua, em seu colo, e apertou-a levemente, para então acariciá-la com o polegar.

— Você está linda com esse vestido — ele trouxe a mão dela para perto de seus lábios e deixou ali um demorado beijo. Depois, soltou um suspiro ao abaixar novamente, usando a mão livre para tornar a engatar o carro, saindo pela rua. — Hoje muitas coisas serão esclarecidas.
— Coisas, como…? — perguntou num tom baixo, sorrindo de lado. — E obrigada. Eu não costumo usar muito… vestidos. Apenas em ocasiões especiais — ela viu Jacob sorrir novamente.
— Não que hoje não seja uma, não é? Pois você devia usar mais… Apesar de que fica perfeita em qualquer coisa, para mim. E também é sempre bom não ficar expondo essas suas belas pernas por aí, não, não — os dois caíram na risada.

Mais alguns minutos de ambos falando sobre assuntos aleatórios, chegaram na reserva, assim como na casa de Jacob. Ele estacionou a caminhonete em frente à entrada da casa; porém, conseguiu perceber que a movimentação estava na parte dos fundos, no campo. Como estava distraída, mal percebeu o garoto saindo e indo abrir a porta para ela.

— Vem, babe.

A garota lhe deu um sorriso, pulou para fora do carro e segurou sua mão, sentindo Jacob entrelaçar seus dedos.
Começaram a andar pelo gramado, passando pelo local onde ele havia se atracado com Paul. Logo estavam nos fundos, onde teve de olhar com mais atenção. Havia várias pessoas ali, mas ela soube reconhecer os amigos de Jacob, tão parecidos uns com os outros; porém, desta vez, eles estavam todos de calça e blusa. Havia também seu pai e mais três pessoas de quem não tinha conhecimento. Um homem, também no estilo dos garotos, estava abraçado a uma mulher, e uma garota ria no meio deles.
levantou levemente as sobrancelhas, percebendo que gostara do ambiente, ainda mais por todos estarem sentados em volta de uma fogueira. Avistou Paul no canto, com um copo na mão e o olhar meio vazio, distante. Antes que pudesse continuar a andar com Jacob, o garoto ergueu o olhar, encontrando com o de . Ela viu seus músculos ficarem rígidos, mesmo de tão longe.
comprimiu os lábios desta vez, sentindo Jacob puxá-la pela mão, se aproximando mais daquelas pessoas. Se sentia mal sabendo que Paul estava chateado com ela. Mas não era algo que poderia controlar; desde o início, ela sabia que Jacob tinha sua atenção especial. E não seria agora que ela abriria mão disso, mesmo gostando de Paul, mas agora percebia que gostava dele como um amigo. Um irmão, talvez isso. Um irmão distante.

!

Ouviu seu nome ser chamado, então virou o rosto e viu que era Embry, o garoto daquele dia. Ele estava com uma expressão relaxada, como se estivesse alegre. Era outro que parecia querer captar a simpatia da garota, mas não para o mau sentido, o que a deixava feliz

— Oi! Embry… Né? — perguntou meio incerta, sorrindo quando ele parou em sua frente.
— Isso, isso mesmo! Uau, ela lembrou meu nome, viu? — pôs a mão sobre o peitoral coberto e olhou para Jacob, que apenas riu. — Pelo menos isso, certo? Porque eu pensei que tínhamos virado amigos depois daquela nossa conversa, mas pelo jeito você é meio difícil.
— Meio não, ela… — o moreno foi interrompido na sua fala, quando a beliscou seu braço. Ele fez uma careta, mesmo que aquilo não tivesse feito nem mínimas cócegas.
— Não sou nada! Aquele dia foi confuso, você sabe. Vamos começar novamente, okay? — ela sorriu novamente, lhe estendendo a mão. — . Mas como vamos ser amigos, pode me chamar de .
— Embry. O sonho da sua vida — os dois riram, porém Jacob não achou graça daquela vez. Pegou novamente na mão dela, já a puxando.
— Tá, chega de alugar a minha garota. Ela tem que conhecer os outros.

Continuaram andando, então pararam no meio do pessoal perto da fogueira, que encerraram a conversa apenas para olhá-los. sentiu suas bochechas ruborizadas com tanta atenção sobre ela; Jacob a puxou para frente de seu corpo, apoiando as mãos em seus ombros.

— Gente… Essa aqui é a . , esses são os meus amigos. Mais conhecidos como... a matilha — eles riram, e a ficou sem saber se ria também. — Quil, Leah, a nossa única garota, e o seu irmão, Seth, o mais novo. E, também… Sam, o nosso alfa.

Sua atenção foi tomada pelo homem, que agora não era mais um desconhecido. Então, cumprimentou-o com um sorriso gentil, lhe estendendo a mão. A mulher ainda ao seu lado, agora com um sorriso também meigo, tinha um prato na mão cheio de bolinhos.

— É um prazer finalmente conhecer você. Ouvimos muito falar sobre… você, sabe — Sam ergueu o olhar para Jacob, e os dois trocaram olhares que percebeu ser de uma coisa que só eles sabiam do que se tratava. — Seja bem-vinda.
— Obrigada, Sam — ela afirmou com a cabeça, agora olhando para a mulher ao seu lado, rindo baixo. — E você… é a mulher dele, não é?
— Isso mesmo! Me chamo Emily. Pega um bolinho, querida.
— Obrigada — agradeceu, pegando um dos que pareciam ser bolinhos deliciosos e tentando manter o olhar longe da cicatriz no rosto da mulher.

Mordeu o doce e se deliciou com o sabor, tendo certeza ser de amoras. Logo Sam saiu de sua frente, dando espaço para mais dois garotos: Quil e Seth. O mais novo sorriu abertamente, passando o braço pelo ombro da .

— Isso aí, Jake! Finalmente arranjou uma garota, e legal! Pelo menos parece, né?
— Sai, Seth! Eu vou ser amigo dela também — Quil chegou do outro lado da garota, sorrindo também. — Sabe, o Jake é meu melhor amigo. Você vai ser também.
— Parece que estou arrumando muitos amigos hoje, não é? — riu, se manifestando novamente, logo depois de terminar seu bolo.

Olhou na direção da única pessoa que não havia falado com ela, a tal Leah. A garota continuava sentada na madeira ao redor da fogueira. franziu o cenho e aproveitou que os meninos já estavam falando entre si, para andar até lá, se sentando ao seu lado. Sorriu fraco para a garota, passando os braços sobre seus joelhos, a olhando.
— Sou . Leah, não é?
— É. Eu sei quem você é — ela soou meio rude, mas balançou sua cabeça em negativo, passando a mão em seu cabelo. — Quer dizer, me desculpe. Sim, sou Leah. Olha, não é nada pessoal, tá bem? Fico feliz que… tenha vindo aqui, finalmente.
— Eu também. E está tudo bem… Só quero que saiba que… quero ser amiga de todos aqui. Os meninos parecem bem animados — olhou para eles, que mexiam no cabelo de Jacob.
— Você não viu nada — Leah riu baixo pelo nariz, como se controlasse algo maior. Antes que respondesse, ouviu passos até pararem atrás de seu corpo:
.

Ela virou o rosto, olhou sobre seus ombros e teve a visão de Paul, com as mãos nos bolsos. A garota se levantou, juntando as mãos e o olhando com atenção.

— Paul. Hum… Você… está bem?
— Sim. E você? Você está tão bonita… — ele passou o olhar pelo corpo da garota, que o repreendeu da mesma forma. — Tá bem, desculpe. Eu não fui te visitar quando estava engessada porque você não atendeu minhas ligações. Deduzi que não queria me ver.
— Bem, é complicado. Sabe? Eu passei bastante tempo confusa… Mas agora estou bem. E queria te pedir desculpas. Por tudo — falou com total sinceridade em suas palavras, o olhando com os lábios comprimidos. Paul apenas balançou sua cabeça, em um ato que pareceu de conformação.
— Está tudo bem. Vocês dois… têm que ficar juntos. É o destino.

não entendeu exatamente o que o garoto queria dizer e franziu o cenho; porém, Paul ignorou, erguendo a mão.

— Amigos? — ele sorriu de lado, esperando que ela segurasse sua mão.
— Amigos — sorriu da mesma forma, o cumprimentando. Ele logo se inclinou, lhe dando um abraço apertado.

Demorando no seu abraço, Jacob se incomodou com a visão. Sabia que Paul tinha conhecimento sobre o imprinting; Sam havia lhe contado após o incidente naquele dia. A partir daí, todos ficaram sabendo, e não somente Sam. Este ficou sabendo apenas pela linha de pensamento ligada diretamente à de Jacob.
O moreno caminhou até eles, quando separou o abraço. Ele segurou em sua mão novamente, sorrindo para Paul sem mostrar os dentes.
— Agora vamos falar com meu pai, babe — disse, quando já haviam dado as costas ao pessoal todo ali, caminhando até a entrada dos fundos de sua casa.

Mesmo sem entender e com dúvidas, continuou andando ao lado do garoto até entrarem na casa e passarem por ela. Enfim chegaram na sala que ela já conhecia, onde o Sr. Black estava. Ou melhor, Billy.

— Billy sorriu, fazendo sinal para que ela se sentasse no sofá, e logo os dois o fizeram. — É um prazer tê-la aqui novamente. Eu sinto muito que esse nosso… mundo tenha sido apresentado a você de forma rude.
— Está tudo bem, Billy — a gesticulou com suas mãos, sorrindo e repousando-as em seus joelhos. — Mas, então… Você quer conversar comigo?
— Na verdade, sim — raspou sua garganta, afirmando com a cabeça e movendo sua cadeira de rodas para mais perto da mesinha de centro, onde haviam alguns papéis. — Não sei se Jacob já mencionou sobre qual é o nosso carma.

levou o olhar para Jacob e o observou de lado, logo balançando sua cabeça em negativo, também raspando também sua garganta.

— Não. Não, senhor.
— Vampiros — Billy falou num tom claro. A garota ergueu suas sobrancelhas, meio desacreditada, o que o instigou a repetir: — Isso mesmo, vampiros. Mas não são como você imagina. Eles vivem entre nós. Assim como a gente… são normais aos olhos nus.

De imediato, lhe veio à cabeça a noite em que foi atropelada, aquele homem com a pele pálida e a mão fria que havia lhe parado antes de conseguir chegar ao banheiro. Vampiros…

— Bem… — começou, rindo baixo de si mesma. — Eu acho que não me surpreendo tanto com isso. Quer dizer, tem vocês, né? E tanta coisa vem acontecendo…
— É. Sobre isso mesmo que eu queria falar com você. Escute, a nossa relação com os vampiros é de pura rivalidade, como deve imaginar. Mas não com todos eles. Aqui, em Forks, tem os Cullen.
— Os Cullen? Tipo… o namorado da Bella? — a garota quase se engasgou. De repente, foi jogada no meio de uma tigela de informações novas, se sentindo a última a saber da ascensão disso tudo.
— Isso. Eles… de certa forma, estão familiarizados conosco. Mas somente isso. É algo antigo. Nós sentimos quando eles estão por perto, e ficamos mais poderosos para podermos detê-los. Mas… uma vez, tivemos uma ajuda.

Ele terminou a frase, pegou um dos papéis sobre a mesa e o entregou na mão da garota, que percebeu ser uma foto. Era antiga, porém não estava destruída – parecia ter sido tirada de um livro. Ela franziu o cenho, se incomodando com a imagem, pois era familiar demais.

— Esta é a pintura de Kalhezi. Ela foi uma grande amiga dos lobos, por muitos anos. Era um tipo de feiticeira, bruxa… Era como gostavam de chamá-la. Porém, todo o seu poder era usado em prol dos lobos, os ajudando cada vez que apareciam os vampiros, tentando matá-los. Mas o fim dela não foi muito bom… Morreu na mão de um líder deles — Billy balançou de leve sua cabeça, logo continuando. — Mas, antes que morresse, ela ditou algumas palavras — deu outra pausa, olhando para a garota com atenção. — Jacob me contou o que você fez, no dia em que os viu na floresta.

A prendeu o ar, olhando para o mais velho. Seu olhar desceu para a imagem entre seus dedos, observando com ainda mais atenção os traços do rosto da mulher. Por mais que em sua cabeça aquilo fosse loucura, ela teria de admitir: parecia que estava vendo uma foto de uma parente bem distante.

— Não… Eu… Eu não fiz nada — deixou o papel sobre a mesa, olhando para Jacob e, depois, para seu pai. — O que aconteceu naquele dia foi algo totalmente anormal e… e… extraordinário. Porém, aquela não sou eu. Eu não faço essas coisas! — riu fraco, erguendo os ombros. — Muito menos sou uma bruxa, ou sei lá o quê. Está falando isso com a pessoa errada, Billy. É sério. Espero que achem essa nova salvadora cheia de poderes logo, de verdade.

Após terminar a frase, ergueu seu corpo, se levantou do sofá e saiu da sala, caminhando em direção à saída da casa.
Jacob respirou fundo, subindo as mãos ao seu cabelo e passando os dedos por entre os fios.

— E agora, pai? Olha essa foto, eu vejo a aqui! E eu… Nnm tive a oportunidade de mencionar sobre o imprinting. O que nós vamos fazer?
— Vamos com calma, filho. Não espere que ela aceite algo assim, como se fosse normal. Espere… Quando for para a história ser revelada, ela será. descobrirá sobre seus poderes. E você deve esperá-la esfriar a cabeça, para falar sobre vocês dois.

Jacob assentiu e se demorou mais alguns segundos ali na sala, antes de se levantar e ir atrás da garota, encontrando-a ao lado de Embry e Quil quando saiu, o que o fez sorrir fraco.
Pelo menos, ela já havia se enturmado com todos eles.


Capítulo 13 - Blood

fechou os olhos, aproveitando o sol batendo em seu rosto, então um sorriso se abriu em seus lábios. Um sorriso aberto e feliz, como se sentia no momento.
Não demorou para sentir o corpo grande e musculoso se sentando atrás do seu, servindo um encosto quentinho. Porque, apesar do sol, ainda era um pouco frio ali, como estavam no alto.

— Sabe… Eu fico muito feliz de saber que sou o motivo desse sorriso tão lindo — o garoto sussurrou perto de sua orelha, depois de ajeitar suas pernas nas laterais do corpo pequeno dela. Também passou os braços ao seu redor, a apertando levemente. Ele ouviu sua risada baixa, o fazendo sorrir também.
— E quem te disse que o motivo é você, hein, Black? — abriu os olhos e virou seu rosto na direção do de Jacob, pousando suas mãos em suas coxas e erguendo o rosto para roçar seus narizes, lentamente.
— Hum… Eu não sei. Minha intuição de lobo me diz isso — ele a imitou e deu uma fraca risada em seguida, colando seus lábios num beijo calmo.

Era quase impossível ficar assim com ela e não desejar beijá-la, abraçá-la, apertá-la. Saber que era sua era a melhor sensação que Jacob poderia provar.
Ainda não havia falado nada em relação ao imprinting para ela. E nem tinha urgência em fazê-lo, apesar de o assunto ficar sempre martelando e martelando em sua cabeça. Tinha medo de a garota se achar na obrigação de ficar ao seu lado por causa da ligação forte. Não tinha dúvidas de que ela sentia a mesma coisa por ele; porém, essa informação poderia mudar tudo. Pelo menos era o que se passava na cabeça de Jacob.
Depois de terem os lábios separados, a permaneceu de olhos fechados, com a respiração do moreno batendo contra seu rosto. Este, por sua vez, estava a observando e captando cada detalhe daquele rosto esculpido pelos anjos. Então, se inclinou e passou o nariz por sua bochecha, descendo lentamente até seu pescoço, onde fez o mesmo. Inspirou forte seu cheiro, para depois depositar um beijo demorado em sua pele, apertando-a mais em seus braços.
só se deliciou com o carinho, se acomodando mais ao corpo do garoto e o acariciando com seus pequenos dedos. Ficaram assim, aproveitando um o corpo do outro. Não precisavam de mais nada naquele momento.
Até ouvirem um alto uivo, o que fez com que erguesse o rosto logo depois que Jacob fizera o mesmo, alarmado.

— Sam — ele murmurou, soltando o ar por entre os lábios. — Eu tenho que ir.
O moreno se levantou e foi acompanhado pela garota, que já pegava a mochila e jogava-a sobre suas costas, olhando para ele com atenção. Estavam no campo no alto da floresta, cenário de um dos sonhos que já tivera com Jacob e Paul. O gramado verde-claro, algumas flores decorando e o sol batendo até onde poderia alcançar.

— Eu vou descer com você. Não pode ficar andando por aí sozinha — Jacob começou a tirar sua roupa e a entregar para ela, que apenas o olhava. — Tenho que ser rápido — sussurrou a última parte para si mesmo, quando vestia apenas sua cueca.

deu um passo para trás quando o corpo dele começou a se transformar no enorme lobo, e logo tratou de guardar sua roupa na mochila também. Focou o olhar no focinho de Jacob, que fez um sinal para cima, para que subisse nele.
A garota rolou levemente os olhos. Sabia que essa não seria uma viagem lá muito agradável. Mesmo assim, segurou-se nele e, com sua ajuda, tomou impulso para subir em sua “garupa”.

— Olha só, Jacob, você…

Nem terminou de falar e o lobo saiu em disparada pelo meio das árvores, fazendo seu corpo cair para frente e a garota se agarrar com força nele. Ela teve que fechar os olhos para não ter a sensação de que cairia a qualquer minuto.
Quando abriu-os novamente, o movimento parou e ela percebeu que estavam perto da saída da floresta. Desceu de cima do lobo, arrumou a mochila e passou a mão em seus cabelos, vendo-o virar o focinho em sua direção, logo passan-o por sua bochecha.
deu um largo sorriso e segurou-o com as duas mãos, passando os dedos por entre seus pelos e encostando sua testa nele.
— Cuidado, tá bem? Por favor — disse calmamente, afastando o rosto apenas para focar em seus olhos, sorrindo novamente.

Ela recebeu uma lambida no rosto, o que a fez rir. Em seguida, viu o lobo desaparecer por entre as árvores, na mesma velocidade que haviam vindo. Comprimiu os lábios, logo segurando nas alças da mochila e se virando. Então, terminou de descer até chegar na estrada.
Quando subiu o asfalto, acabou tropeçando no pequeno altinho que havia ali, fazendo com que seu corpo se inclinasse para frente. Foi quando sentiu um clarão perto de seu rosto, além de ouvir uma buzina alta. Seu corpo gelou e ela se ergueu. Agora, a visão do carro vindo em sua direção parecia lenta. Seu peito subia e descia, ofegante com sua respiração. deu um passo para trás, vendo o carro passar rente ao seu corpo; então, tudo voltou ao normal. Viu o veículo em alta velocidade parar de súbito, as rodas deixando marcas no chão.
A garota levou a mão até seu peito, o afagando por estar nervosa e sem entender o que havia acontecido. Seu olhar continuou vagando pelo carro. Pouco tempo depois de se recuperar, seria atropelada de novo?
O carro era luxuoso, preto, e parecia tão belo por dentro quanto por fora. Dele saiu um homem alto e pálido, com o semblante preocupado. Demorou alguns segundos até que o reconhecesse, mas então lhe veio à cabeça.

— Ah, meu Deus! — exclamou, soltando o ar e balançando a cabeça. — Me desculpe, mesmo. É Edward, não é? Eu já te vi algumas vezes… na escola, com a Bella — se explicou, gesticulando com as mãos.
— É, eu sei. Me lembro de você, — Edward se aproximou. Parou em frente à garota e a olhou por inteiro, procurando por algum machucado. — Eu te machuquei? Espero que não. O que você tem na cabeça, garota?

Ela percebeu quando Edward torceu o nariz, como se sentisse algo nela; em seguida, subindo o olhar para a floresta e rindo baixo pelo nariz. deu um leve sorriso e balançou a cabeça em negativo, subindo a mão até o seu ombro e dando leves batidas.

— Não se preocupe, ele já foi. Você não me machucou, e mesmo que tivesse, a culpa foi minha — comprimiu os lábios, já se afastando dele. — Enfim, obrigada pela preocupação. Diga a Bella para parar de faltar às aulas — acenou com dois dedos, virando seu corpo e tornando ao seu caminho. Mas sentiu que Edward estava atrás dela, então virou o rosto com o cenho franzido, o vendo rir.
— Me desculpe, mas não posso ir embora sem oferecer uma carona. Eu quase te atropelei, por favor — fez sinal com a mão em direção ao carro.

parou de andar, incerta. Sabia que ele era um vampiro e que não lhe faria mal. Naquele mesmo dia, o pai de Jacob havia contado sobre os Cullen e o seu acordo. Sem contar que o garoto era de extrema classe e educação.

— Eu não sei, Edward. É mesmo muito gentil da sua parte, mas creio que Jacob não vai simpatizar muito com essa ideia.
— Bem… Ele deveria ficar feliz porque você não está andando sozinha por aí. É muito perigoso — ele novamente fez o sinal com a mão.

Demorou alguns segundos, mas, por fim, a garota deu de ombros e se encaminhou ao carro preto, entrando no banco do carona. Assim que Edward também o adentrou, logo tratou de dar partida e manobrar o carro, indo pelo caminho contrário.
Ele sabia por quê Jacob havia passado por ali e por quê estava perigoso para andar sozinha. O aparecimento de vampiros recém-nascidos pela cidade estava preocupando todos eles; Edward temia que isso fizesse parte de algo maior.

— Bella comentou comigo… sobre o seu relacionamento com… Jacob — Edward falou, com o olhar focado na estrada.
— É… Ele também comentou sobre o relacionamento de vocês — soltou uma leve risada divertida, com o olhar focado no caminho que passava rápido pela janela.
— Ele fala sobre o quê, eu e minha família? — ergueu as sobrancelhas, olhando rapidamente para a garota, também dando uma risada. — Aposto que não ouviu coisas boas.
— Bem… Não importa. Eu não tenho nada contra você — ela deu de ombros. Edward passou alguns segundos quieto, logo sorrindo fraco, e a garota ficou sem entender.
— Eu sei que não.

Por não estarem longe, não demorou para que chegassem perto da casa dos Weber, então começou a guiá-lo, terminando com ele parando em frente à sua residência. A pegou sua mochila, abraçou-a contra o corpo e deu um sorriso em agradecimento.

— Obrigada, Edward. Mesmo! — acenou para ele, antes de sair do carro.
— Não tem de quê — ele repetiu o gesto antes que ela batesse a porta do carro, em seguida saindo em disparada.

Não esperando para olhar o carro dele sumir, virou o corpo em direção à casa e subiu as escadas da varanda, assobiando, até chegar na porta e perceber que estava entreaberta. Franziu o cenho e a empurrou, olhando o interior da casa. Tudo parecia normal…
Largou a mochila sobre o chão da sala, deu uma olhada na cozinha e ergueu o olhar para conferir o relógio. Angela havia saído com Jessica, então não teria chegado. Nem os meninos e seus tios. Então… quem havia deixado a porta aberta?
Logo começou a sentir algo estranho: aquela queimação que subia pelo seu corpo, seus dedos pinicando. Sem pensar muito, seus pés foram a levando até as escadas, subindo-as com leveza e cuidado, até chegar no corredor do segundo andar, onde parou em frente à porta de seu quarto. Estava arreganhada, e teve a imagem de um homem alto e loiro em frente à sua cômoda. Então, não demorou muito para se lembrar.
Thomas. O homem com a pele gélida que a abordara no dia de seu acidente. Pele gélida… Isso só podia significar uma coisa.
Antes que entrasse no cômodo, ele se virou com um sorriso nos lábios e seu medalhão entre os dedos, agora a olhando.

— Ah… Você chegou mais cedo do que o esperado.
— Quem você pensa que é?! Solte isso, não é seu!
— E imagino que pense que também não é seu — ele ergueu as sobrancelhas, pondo o colar no bolso da calça e começando a se aproximar, enquanto a garota entrava no quarto. — Você é especial e sabe disso. Agora… só resta escolher o lado certo para se estar.
— E você é a pessoa certa a me dizer, hum? — riu de forma irônica, fechando os punhos ao parar de andar, o encarando. — Vai embora, antes que você se arrependa.
— Me arrepender? Ah… Fala do seu namorado? Se ele estivesse aqui, eu teria o maior prazer em arrancar o pescoço dele com meus dentes.

Aquelas palavras fizeram crescer uma raiva instantânea e enorme no interior de . Ela sentiu suas unhas machucando a palma de sua mão, de tanto que apertava seus punhos. Thomas avançou sobre ela; porém, um de seus braços foi erguido, a mão dele se abriu e seu corpo se elevou no ar, se debatendo, como se sentisse sufocado, enforcado.
A piscou os olhos várias vezes, se dando conta do que estava fazendo. Estava mesmo acontecendo, estava fazendo aquilo! Quase não podia acreditar.
Nesse meio momento de reflexão, fraquejou na concentração, então viu o loiro retornando ao chão. Ela não teve tempo de pensar. Logo sentiu suas mãos grandes em volta de seu pescoço, a sufocando, e pôde ver bem de perto e com clareza os olhos verdes a encarando, como se quisessem mesmo tirar a sua vida naquele momento.
Thomas entreabriu os lábios e mostrou suas enormes presas, os olhos mais abertos a cada apertada em volta de seu pescoço. Porém, de súbito, ele soltou o pescoço da garota quando, horrorizado, olhou para suas próprias mãos, que começavam a ficar vermelhas e a criar feridas. Então, tomou esse tempo como vantagem: ergueu as duas mãos, trêmulas, e fez um movimento bruto, erguendo novamente o vampiro e o prendendo contra a parede, prensando seu pescoço. Agora sua expressão era de raiva.

— O que… — ele tentava falar, mas agonizava de dor com as feridas que subiam e se espalhavam por seu corpo, ao mesmo tempo que era sufocado contra a parede.
— Acredite… Você nunca mais vai incomodar ninguém — as palavras saíram como um sussurro dos lábios da .

No segundo seguinte, houve mais um movimento de sua mão e o barulho de seu pescoço sendo torcido, seguido do corpo do vampiro caindo no chão.
soltou o ar pesadamente e deu um passo para trás, com as pernas e as mãos ainda trêmulas. Então, seus joelhos se dobraram e ela caiu desse modo no chão, encarando o corpo agora totalmente sem beleza, desfigurado. Ergueu suas mãos e olhou para elas com toda a atenção. As palavras do pai de Jacob começaram a martelar em sua cabeça, chegando a incomodá-la. Agora ela achava que começava a entender. Mas não era possível! Como ela, até ontem uma adolescente totalmente normal e monótona, poderia fazer parte disso, dessa maneira?!
Fechou os olhos, deixando seus ombros abaixados, então tornou a abri-los quando ouviu um barulho de um corpo pulando pela sua janela. Era Paul, com o semblante totalmente preocupado. E ficou ainda mais ao ver o corpo no chão.

— Nossa… Você fez isso? — perguntou, abaixando-se ao lado da garota e passando um braço por cima de seu ombro, sentindo-a encostar-se em seu peitoral nu. — Certo. Jacob ainda está com Sam, pediu que eu viesse, mas não pôde vir. Eu vou te levar até o Billy. Fique calma — ele se inclinou, deixando um beijo em na testa dela.

ficou em silêncio e sentiu Paul pegá-la no colo; em seguida, os dois foram à janela. Paul fez sinal para Embry, que estava os esperando lá embaixo. Depois disso, saiu do quarto com a garota e pegou sua mochila no caminho. Fechou a porta e ficou esperando, esperto em olhar ao redor.
Poucos minutos depois, Embry devolveu o medalhão que estava no bolso da jaqueta de Thomas, antes de queimar seu corpo. Esperaram até o vampiro não passar de cinzas, então os três seguiram pelo meio da floresta.


→...←


— Aqui, querida — Billy disse, entregando a xícara de porcelana nas mãos de , que lhe deu um sorriso.
— Obrigada, Billy.
Ela segurou a xícara em uma das mãos, usando a outra para ajustar o cobertor em seus ombros. Olhou para o chocolate quente, se agradando com o delicioso cheiro. Sorriu fraco de lado, bebendo um pouco do líquido depois de assoprá-lo. Aquilo a fazia se lembrar dos dias que passava com sua avó.

— Então… Você quer conversar? — Billy perguntou, parando sua cadeira de rodas ao lado do sofá da sala de sua casa, olhando para a garota com cautela. Esta comprimiu os lábios, bebendo mais um longo gole antes de deixar a xícara sobre a mesa da sala.
— Me fale… sobre isso. O que é isso? Quer dizer… Por que está comigo? Eu não vejo sentido nisso — a passou uma das mãos na testa, confusa em seus pensamentos.
— Kalhezi era uma mulher forte… assim como os lobos. Quando havia vampiros por perto, seus poderes ficavam mais fortes. Ela ficava revigorada para poder enfrentá-los, mas eles arranjaram uma forma de matá-la, como eu já lhe disse… Kalhezi foi morta por um traidor, um dos nossos. Ele ainda não havia desenvolvido seu lado lobo, e estava bravo. Os vampiros usaram isso a seu favor… Mas, antes de morrer, ela rogou algo. A descendente mulher da sétima geração de sua linhagem teria seus poderes. E que finalmente poderíamos voltar a ter nossa paz... Juntar nossas forças! — Billy fechou o punho, com um leve sorriso em seus lábios. — Escute, . Eu sei que é difícil para você… imaginar algo assim em sua vida. Mas isso é parte de você. É o seu destino!

passou a língua sobre os lábios, inquieta. Bateu os pés no chão e pegou a xícara novamente, bebendo quase todo o líquido.

— Eu… não sei o que dizer. Hoje eu matei um vampiro… Eu usei meus instintos, eu… Sei lá! Não me sinto culpada, entende? Isso me chateia um pouco — terminou de beber, agora deixando de lado o objeto vazio. — Mas eu quero entender o que está acontecendo comigo… Eu faço as coisas levitarem. Eu quebrei o pescoço dele só com um movimento da minha mão — ergueu o olhar para o rosto do homem, comprimindo os lábios. — Sabe, ele se machucou quando me tocou. Isso é normal?
— Aconteceu mesmo? — o olhar dele era de entusiasmo. — É, é sim. Sabe, quando seus poderes estão sendo usados… eles não podem te tocar. Se tocarem, morrem apenas por isso. Você nem precisaria quebrar o pescoço dele — pegou na mão da garota, lhe dando um sorriso reconfortante. — Não precisa sentir de jeito nenhum. Ele iria lhe fazer mal, você se defendeu. E creio que… depois de pensar bastante sobre o assunto, você fará mais vezes.

A garota ficou em silêncio por alguns segundos, os lábios comprimidos novamente e sua cabeça latejando, de tanta coisa que passava por ela. Mesmo não querendo acreditar, estava acontecendo. Estava acontecendo com .
Ela usou a outra mão para pegar o medalhão em seu bolso, o mostrando. Billy assentiu, puxou o livro que havia deixado sobre a mesa e o abriu em outra pintura de Kalhezi, diferente da que ele havia mostrado no outro dia. Nesta ela usava o colar, portando uma espada.

— Ele é seu — disse, deixando o livro na mão da garota.

Um sorriso de lado começou a aparecer no rosto da , que passou os dedos suavemente sobre a imagem, distraída. Passou longos segundos assim, até deixar o livro de lado; então, pegou o colar e passou-o por sua cabeça, ajustando-o em seu pescoço. Ergueu seu tronco e viu Billy sorrir para ele.
De repente, a porta foi aberta de forma bruta e os dois olharam em sua direção, dando a visão de um Jacob totalmente alterado e com as narinas infladas. Porém, ao ver a garota sentada ali no sofá, ele soltou o ar em um enorme alívio.

— Jake! — se levantou com rapidez do sofá, deixando o cobertor, que antes estava em seus ombros, cair sobre ele.

Ela correu até Jacob, pulou em seu colo e passou os braços ao redor de seu pescoço, o apertando. Sentiu o moreno segurá-la fortemente contra seu corpo quente. Ele vestia somente uma bermuda, que claramente não parecia ser do estilo das que ele normalmente usava.
A garota sentiu uma das mãos grandes cobrindo a parte de trás de sua cabeça, afagando seus cabelos. Logo em seguida, também sentiu um beijo em uma de suas bochechas, com seus pés tocando o chão.

— Está tudo bem, babe? Nossa… Eu quase morri de preocupação com você! — passou agora as mãos pelas laterais do rosto da , que fechou os olhos, sentindo seus selinhos demorados.
— Agora eu estou. Quer dizer… Estou confusa, mas bem — tornou a abrir os olhos, pondo as mãos sobre as de Jacob, o olhando. — Posso ficar aqui com você?

Ela viu o moreno sorrir abertamente, tornando a puxá-la contra seu corpo. Então, abraçou seu tronco, fechando os olhos e apoiou o rosto em seu peitoral.

— Acho que eu nem preciso responder.

Os dois permaneceram abraçados perto da porta, e Billy, depois de um tempo admirando o casal, saiu dali e seguiu pelo corredor da casa.
Ao perceber que o pai havia saído, Jacob pegou a garota no colo e se sentou no sofá, ainda com ela em seus braços. Passou o cobertor sobre suas pernas cobertas pela calça, ajustando sua cabeça em seu ombro. Não demorou muito mais do que alguns minutos, e estava adormecida em um sono profundo, aquecida pelo corpo de Jacob. Este se deu a admirar seu lindo rosto daquela forma, com a expressão de total serenidade e de olhos fechados, se perguntando: como ele pôde viver tanto tempo de sua vida sem esse sentimento? Sem ela?
Deu mais um sorriso aberto e beijou a ponta de seu nariz, encostando a cabeça na dela e fechando seus olhos.


Capítulo 14 - Family

O tempo estava chuvoso e mais frio naqueles três dias em que esteve alojada na casa de Jacob. Ela sabia que precisava desse tempo, sem contar que veio à sua cabeça que poderia estar colocando a vida dos Weber em perigo, depois do incidente com o vampiro em seu quarto. Agradeceu por seus tios não terem aversão à ideia dela passar uns dias na casa de Jacob.
A se encontrava enrolada numa das cobertas da cama do garoto, olhando para o lado de fora, a chuva molhando a janela fechada e cobrindo todo o campo que lhe dava visão. Usava meias, calças jeans e uma blusa de Jacob na cor branca, mas ela gostava, porque era quentinha e confortável, sem contar que tinha seu cheiro.
— Desculpe a demora — Jacob disse ao adentrar o cômodo, com uma pequena bandeja na mão que continha um copo de suco e um sanduíche de atum, cortado em quatro triângulos. Deixou-a na mesinha ao lado da cama, bem perto da garota, e se sentou ao seu lado. — Está tudo bem, babe?

virou o rosto na direção do moreno e sorriu de lado para ele, chegando mais perto de seu corpo. Ela se pôs abaixo de seu braço, passando o dela por seu tronco e recebendo em resposta um abraço mais quente que todos os cobertores naquela casa.
— Está sim, Jake. E obrigada por ter trazido lanche… mesmo eu dizendo que não estava com fome — ela ergueu as sobrancelhas em sua direção, sentindo ele lhe dar um beijo no nariz.
— Eu sei, mas você precisa comer. Imagina só, se seus tios falarem que você passou fome aqui? Nem pensar! — ele falava em tom sério, mas logo estava rindo junto da garota, pois sua risada era contagiante.
— Você é mesmo um bobo!

A virou o rosto, deixando um beijo sobre seu peito. Então, se desvencilhou de seus braços para pegar o prato com o sanduíche. Levou o primeiro triângulo bem cortado aos lábios e começou a mastigar o alimento apetitoso, sentindo vontade de continuar a comer. Quando estava terminando o último e quarto triângulo cortado, pegou seu copo e bebeu a metade do suco.
Até que ouviu uma movimentação de carro, sentindo os pelos de seu braço se eriçarem. Olhou para Jacob, sabendo do que se tratava ao ver o moreno torcer o nariz e fazer sua careta desgostosa. foi obrigada a rir dele. Sendo ali, ela poderia imaginar que não era ninguém ameaçador. Na verdade, tinha quase certeza de quem era.
Ela deixou o copo e o prato sobre a bandeja na mesa e se levantou, com Jacob andando em seu encalço. Passou pela porta do quarto dele e pelo corredor, parando apenas quando chegou na sala, onde Billy estava no centro. Perto da porta, reconheceu Bella e a figura pálida ao seu lado.

— Posso saber o que você está fazendo aqui? — perguntou Jacob, se pondo na frente da garota e olhando diretamente para Edward. Este apenas continuou com a mesma expressão, logo dando um fraco sorriso de lado.
— Na verdade… Nós viemos falar com a — Bella se pronunciou, tentando olhar para a garota atrás do corpo de Jacob.

Esta franziu o cenho e deu um passo para o lado, em seguida para frente. Cruzava os braços abaixo dos seios, olhando para o casal com uma expressão certamente confusa. Mas afastou seus pensamentos por alguns segundos, dando um sorriso sincero.

— Comigo? Mas o que foi?
— Bem, … — Edward começou, percebendo Jacob fuzilá-lo com o olhar neste momento, assim como seus pensamentos, explodindo em relação a ele. — . Na verdade, naquele dia em que lhe ofereci carona, houve aquela… complicação com o vampiro, certo? O meu pai está te convidando para vir à nossa casa. Você precisa saber de algumas coisas.

Ela ficou ainda mais confusa no meio do assunto. O que o senhor Cullen teria para falar com ele? Sabia que, certamente, era algo relacionado aos vampiros, mas… Um convite assim, sem mais nem menos?
Antes que pudesse dar uma resposta para aquilo, ouviu Jacob se pronunciar novamente:

— Espera aí, que carona? — abaixou o rosto e olhou para a , que apenas riu baixo.
— Ele foi gentil naquele dia. De qualquer maneira, mesmo sendo muito estranho, tudo bem. Eu vou trocar de roupa.

Viu o casal assentir para o que ela disse, se virando e retornando ao quarto. Ao chegar, pegou seu tênis e sentou-se na cama para caçá-los, vendo Jacob com uma expressão nada feliz em sua direção. Riu novamente, se levantando para colocar uma blusa sua e uma jaqueta grossa, para sair no frio que fazia lá do lado de fora.

— Eu não vejo graça. Por que não me contou?
— Porque você ia ficar fazendo isso. Não foi nada de mais, ele apenas me deixou em frente à casa dos meus tios… — arrumou os cabelos sobre seus ombros, parando em frente ao corpo dele e subindo suas mãos até seus braços. Ergueu-se em seus pés e selou os lábios nos dele demoradamente. — Não fica bravinho, vai…
— Não tem como, mesmo — ele rolou os olhos depois de alguns segundos. Segurou forte em sua cintura e ergueu a garota, lhe dando um rápido beijo nos lábios e sussurrando contra eles: — Não consigo ficar bravo com você por mais de um minuto.
— Eu sei — ela riu, piscou para ele e se separou do moreno, à procura de seu celular. O garoto riu também, indo trocar sua roupa para acompanhá-la e pensando que ela nem sabia que era mesmo difícil para ele passar mais de um minuto bravo com ela.


→...←


Quando Edward parou o carro logo em frente à casa dos Cullen, em meio a todas aquelas árvores, Jacob parou a caminhonete logo atrás. Este desceu do veículo, pegou a mão de e os dois se apressaram a subir na varanda por causa da chuva. Junto de Edward e Bella, adentraram a casa e tiveram a visão do luxuoso local, novo apenas para os olhos da , claro.

— Eles estão na sala! — ouviu alguém anunciar, percebendo uma loira logo no começo da escada. Viu ela virar o olhar para eles, dando um leve sorriso. — Se eu soubesse que viriam cachorros, teria comprado a ração de cortesia.
— Eu poderia ter trazido um gatinho para você sugar a vida dele — Jacob logo retrucou, e os dois passaram a ignorar a presença um do outro.

Edward faz sinal com o queixo, indicando o sofá. Com um sorriso de agradecimento, se sentou na ponta de um deles, sentindo os pêlos de seus braços eriçarem com intensidade quando a sala foi tomada por todos os membros da família Cullen. Se levantou para cumprimentar o senhor e senhora Cullen, assim como os outros.

— Esses são Alice, Emmett, Jasper, Rosalie…
— É um prazer conhecer todos vocês. E o senhor…
— Carlisle, por favor — apontou o sofá novamente e, desta vez, acompanhou a jovem e se sentou próximo a ela, a observando. — Eu receio que… o assunto seja um pouco delicado, .
— Acredite… Esses dias todos têm sido de informações totalmente novas sobre mim. Você pode falar — respondeu num tom de sinceridade, o olhando e esperando que falasse logo o que era.

Carlisle deu um leve sorriso e juntou as mãos sobre os joelhos, o que fez se dar conta de que era algo mesmo de muita importância; do contrário, não haveria tanta tensão no meio daquela sala. Ela entreabriu os lábios, então a tal Alice se aproximou, sentando-se de frente para , com uma expressão serena em sua direção.

— Escute, Jacob deve ter mencionado sobre a… aparição de vampiros recém-nascidos pelas redondezas. Nós tivemos informações de que eles estão se juntando em Seattle. E tememos… Tememos, não — o loiro olhou rapidamente para Alice. — Temos certeza de que eles estão formando um exército. Ainda não sabemos quem está à frente disso, Alice não viu nada. Mas ficamos sabendo que eles têm conhecimento sobre você.
— Sobre mim? — perguntou, atônita, agora com a respiração levemente ofegante. Passou a língua sobre os lábios, se levantando e se afastando do sofá. — O que você quer dizer com isso?
— Eles sabem sobre quem você é — Edward respondeu antes do mais velho, se aproximando da . — Mas está tudo bem. Nós queríamos que você soubesse disso, e que também nós estamos junto com você — ele levou a sua mão ao ombro da garota, o acariciando.

apenas aceitou o movimento de bom grado, ficando parada por alguns segundos só olhando para Jacob, e suas narinas inflaram. Por que Jacob havia contado para todos eles sobre a descoberta, dela mesma, de apenas dias atrás? Com que facilidade esse tipo de notícia corria?

— Não, não, — ele balançou a cabeça, se pronunciando novamente. Então, a garota se lembrou que ele tinha acesso aos seus pensamentos. — Escute, a Alice tem visões. E ela soube sobre você… Na verdade, desde sempre. Estávamos esperando que você descobrisse logo sobre sua verdadeira identidade.

Jacob soltou um suspiro fraco, passando uma das mãos sobre sua testa e fechando os olhos. Tinha desligado a atenção para o que acontecia na sala desde que ouviu mencionarem que os recém-nascidos sabiam sobre . Isso fez com que várias imagens passassem por sua cabeça, todas elas com a possibilidade de acabar perdendo sua pequena.
Alice se levantou, andou até a e sorriu em sua direção. Livremente, inclinou seu corpo e a abraçou forte, gesto que demorou segundos para ser retribuído.

— Vai ficar tudo bem — Alice lhe sorriu novamente ao se afastar. — Você é forte.
— Obrigada — sorriu de lado, agradecida pelo modo que ela lhe tratava. Seu olhar caiu sobre Jacob por breves segundos, preocupada com sua expressão. — Mas, eu… — parou de falar, ao ver que a mulher à sua frente parecia aérea.

Logo Jasper veio de encontro a ela, que olhava para um ponto qualquer, parecendo perdida. O homem segurou seu antebraço como se esperasse alguma resposta. Quando ergueu seu rosto, olhou diretamente para Edward, que cerrou os punhos.

— Nós temos que ir — anunciou, olhando para os outros membros da família, então todos se movimentaram na sala.
— Foi um enorme prazer, . Nós teremos oportunidade de conversar novamente — depois de terminar de falar, Carlisle saiu com a mesma serenidade com a qual havia entrado.

andou até Jacob, tocou em seu cabelo e o acariciou entre os dedos, chamando sua atenção para seu rosto. Quando a obteve, sorriu sem mostrar os dentes. Não que tivesse um motivo, claro. Acabou de ter conhecimento que inúmeros vampiros poderiam estar querendo sua morte. Mas o moreno parecia bem mais perturbado.

— Vamos embora — ela viu-o assentir e, em seguida, se levantou, pegando em sua mão.

Até ofereceram carona a Bella, mas ela insistiu em dizer que esperaria ali mesmo na casa dos Cullen. Estava apreensiva, qualquer um poderia ver. desejou ter o dom de Edward e saber o que estava acontecendo com clareza.
Não demorando muito mais do que no caminho que vieram, chegaram em frente à casa de Jacob novamente, e ele parou o carro. Ainda chovia muito, mas, mesmo assim, conseguiram ver uma figura se aproximando pelo campo, parecendo extremamente furiosa.

— Paul? — a cerrou os olhos, se inclinando para frente. — É, é o Paul.
— Ótimo — ouviu Jacob murmurar, tirando a chave da ignição e entregando-a em sua mão, antes de sair do veículo.

Ela permaneceu lá dentro, apenas observando, de início, o outro se aproximar do carro, onde Jacob estava na lateral. Mas não iria conseguir ficar sem ouvir o que falariam, o que tinha certeza que teria ligação com ela. Então, abriu a porta, sentindo os pingos fortes imediatamente começarem a encharcar seu corpo. A garota deu a volta e parou ao lado de Jacob; porém, Paul simplesmente pareceu ignorar sua presença ali e empurrou o moreno pelo peito, um passo para trás.

— Você levou ela lá? Por quê?! Viramos amigos dos frios agora, estamos dando festinhas?! — ele dizia em um tom alto, e Jacob perceptivelmente já se controlava para não ficar da mesma forma.
— E o que você tem a ver com isso, Lahote? Ela é minha garota, e estava comigo! Ninguém precisa lhe dar satisfação!
— Não! Não! Você acha que sabe o que é melhor para ela só por causa dessa merda de imprinting!

Na mesma hora, Jacob travou o maxilar, sentindo o olhar totalmente confuso de sobre eles. A garota se aproximou, ficou entre os dois e pôs a mão sobre o peito de Paul, o empurrando para trás. Ele aceitou o movimento, mas sem deixar o olhar de Jacob. Este agora olhava a , sustentando o olhar quando ela se virou em sua direção.

— Eu não entendi. Sobre o que vocês estão falando?
— Ah, ele não te contou?! — Paul deu uma risada quase vitoriosa, os olhando. — Talvez porque não seja verdade.
— Venha, — Jacob segurou sua mão livre da garota e a puxou, ignorando agora a presença de Paul.

Eles adentraram a casa e passaram pela sala; Jacob percebeu que seu pai não estava ali ao passar pelo quarto dele com a porta aberta. Quando chegaram em seu próprio quarto, ele parou de andar e deixou livre a mão de . Tirou sua camisa, totalmente encharcada, e jogou-a no canto. continuava a olhar para ele, esperando uma resposta.

— O que foi? — ele perguntou baixo, até de maneira rude, sentindo o olhar dela em suas costas.
— Você não vai me explicar? Vai me tratar como se eu fosse uma imbecil, Jacob?! — ela balançou a cabeça em indignação. Em seguida, tirou o celular do bolso da jaqueta, verificou se estava tudo certo e o deixou sobre a mesinha; depois, a peça pesada e grossa de roupa. — Tudo bem. Eu vou pegar as minhas coisas e ir embora.
— Não… Não, babe, não vá — o moreno se virou, dando a visão de seu abdômen para a garota, agora com os vestígios da camisa molhada sobre seus bolinhos.

Ela entreabriu os lábios e se demorou alguns segundos naquela visão, mas logo balançou a cabeça em negativo, desviando o olhar. Percebeu Jacob se aproximando e logo foi puxada para uma das cadeiras, com ele segurando em sua cintura e a fazendo se sentar. tornou a olhá-lo; ele estava agachado, entre suas pernas, com as mãos apoiadas em suas coxas. Levou uma delas à sua, acariciando sua pequena mão em meio à dele, e beijou cada um de seus dedos.

— É uma coisa que… eu deveria ter te contado antes. Eu sei que deveria, mas eu…
— Para, Jacob. Fala logo! O que é isso de imprinting? Por que eu estou sendo a última a saber? — ela continuou o olhando com a mesma expressão.

Jacob respirou fundo, levou a mão da garota de encontro ao seu rosto e fechou os olhos, roçando os dedos dela em sua bochecha. Ela tentava não se comover com aquela cena, mas estava quase impossível. Quase.

Imprinting é uma ligação. Acontece apenas com lobos. É… quando nós achamos a nossa alma gêmea. É amor à primeira vista. Nós olhamos aquela pessoa e… tudo muda. O mundo todo, de repente, passa a girar em torno daquela pessoa. Daquele olhar, daquele sorriso — ele levou a outra mão ao rosto dela, o dedilhando, e seu polegar parou sobre seus dedos, o desenhando. — E não conseguimos mais ficar longe dela, por nada. É para a vida toda.

soltou o ar entre os lábios, um pouco desacreditada com o que ele dizia, mas os olhos dele lhe transmitiam tanta sinceridade e sentimento naquele momento... Então, a imagem de quando o viu na praia veio à sua cabeça. O frio que sentiu correndo por seu corpo, aquele frio que acontece até hoje, quando o vê.

— E, se eu não fui muito claro, isso aconteceu entre nós.
— Por que você não me contou antes? — ela perguntou num fio de voz, sentindo seu coração quase saindo pela boca de tanta ansiedade.
— Porque, no começo, eu fiquei confuso. E depois… eu não queria te prender a mim, apesar de eu estar preso a você. Não queria que estivesse aqui, pressionada pela ligação do imprinting. Você me entende? Isso… Isso me mataria.
— Jake… — os olhos de lacrimejavam, mas não por tristeza. Ela passou as duas mãos pelo rosto do moreno, acariciando suas bochechas e se inclinando. Selou seus lábios nos dele demoradamente, depois se afastando o suficiente para que conseguisse falar em alto e bom som: — Eu te amo. Estou aqui porque eu quero, e saber disso agora… só comprova o que eu já sabia. Eu não imagino mais a minha vida sem você.

Jacob soltou o ar pesadamente pelos lábios, logo dando uma leve e nervosa risada. Em seu rosto, logo em seguida, apareceu o maior e mais sincero sorriso. Não havia experimentado felicidade maior do que quando ouviu um “eu te amo” saindo dos lábios daquela garota.

— Eu te amo. Céus, como eu te amo! — ele se levantou, erguendo da cadeira também e tocando suas testas, segurando forte a cintura dela contra seu corpo. — Eu sei que isso é mais que óbvio. Você é minha já faz tempo, mas quero que as coisas fiquem claras entre nós — ao ouvir aquilo, abriu os olhos para, de forma divertida, erguer as sobrancelhas em sua direção. — Quer ser minha namorada?

Mais uma vez a sentiu os olhos lacrimejarem com tamanha felicidade. Beijou o garoto com certa afobação, passando as mãos por seus ombros da mesma forma. Jacob sorriu contra seus lábios, subindo as mãos pelas costas dela com firmeza, até senti-la parar o beijo.

— Sim! — respondeu, ofegante, e os dois riram em seguida.

Jacob permaneceu com as mãos em suas costas, olhando fixamente para o rosto da garota à sua frente – os cabelos molhados, alguns fios caindo sobre sua testa. Se viu respirando fundo involuntariamente, observando tamanha beleza, e o pior era que ela nem tinha noção.
Abaixou o olhar, encontrando seu sutiã marcado na camisa também molhada, o que o fez engolir em seco. Nunca havia avançado para nada além daquilo com , e tinha medo de que ela levasse a mal ou algo assim; porém, ele não estava pensando muito naquele momento, naquela cena, e nela colada nele.
Foi descendo os dedos até chegar na barra de sua camisa. Então, num movimento cuidado, puxou-a até estar fora de seu corpo, e peça tomou o mesmo rumo da sua em momentos atrás. Agora, Jacob teve uma visão bem clara da blusa em seu corpo – era um tom azul-claro, que combinava com sua pele e caía perfeitamente nela. Ele mal esperava por tirá-la, sentiu-se salivar.
Subiu o olhar lentamente ao rosto dela, vendo-a com os lábios entreabertos, o olhando com atenção e as maçãs do rosto levemente coradas. Então, o garoto levou os lábios aos dela novamente, retornando ao seu beijo, desta vez um pouco mais acelerado. Dedilhou suas costas com avidez e foi descendo até chegar em seu quadril, onde levou os dedos para a frente de seu corpo. Abriu o botão de sua calça, não separando os lábios dos dela para abaixá-la – somente quando se afastou para tirar sua própria peça, olhando fixamente para ela.
foi dando passos para trás até sentir a cama de Jacob, onde se sentou. Ela ergueu a mão e tirou as dele do cós de sua calça; então, ela mesma abriu o botão e fez a peça descer pelas pernas dele. Foi quando viu cueca preta, com um volume que fez com que um arrepio subisse por sua espinha.
Quando terminou, subiu o olhar até seu rosto, deixando um beijo na barra da sua última peça. O moreno inclinou o corpo e a impulsionou para se deitar na cama, ficando sobre ela e logo se acomodando entre suas pernas.
Os dois voltaram a se beijar de maneira necessitada; agora subindo suas pernas até entrelaçá-las no quadris de Jacob, sentindo eles colidirem com os seus. Ela soltou um baixo gemido entre o beijo, o que deixou o moreno ansiando por mais.
Ele passou uma das mãos pela barriga dela, dedilhando-a com cuidado; a outra abria com facilidade o feixe de seu sutiã em suas costas. Puxou-o por seus braços, jogou-o para o lado e encarou seus belos seios. Jacob deu um largo sorriso, sem tirar os olhos deles.

— Você é tão linda… — ele sussurrou, levando os lábios ao seu pescoço.

Beijou, chupou e mordeu sua pele do jeito que pôde, aproveitando cada pedaço daquela parte de seu corpo. Com a ponta da língua, o moreno desceu por seu colo até parar no vão de seus seios. Então subiu, agora com as pontas dos dentes, até seu seio esquerdo. Ele abocanhou seu mamilo, chupando-o para entre seus lábios, ouvindo a garota gemer baixo novamente. Jacob manteve seu olhar sobre suas expressões, se deliciando com elas.
Ele desceu os dedos por sua barriga novamente, desta vez parando ao chegar em sua calcinha, porém adentrando-a. Encontrou sua intimidade, lubrificada por sua excitação, e foi a vez dele de soltar um gemido de ansiedade contra seu mamilo, sentindo também seu membro pulsar, apertado pela cueca.
Chegou com o indicador sobre seu clitóris e o pressionou, sentindo o corpo pequeno abaixo do seu estremecer. Ele sorriu, levando os lábios até o outro seio dela, começando movimentos circulares com agora dois dedos em sua intimidade.

— Céus… — ouviu-a sussurrar, sentindo a garota segurar seu cabelo com uma das mãos, puxando-o levemente.

Ela apertou as pernas em volta dele novamente e respirou fundo. Ele queria prolongar aquele momento o máximo possível, fazer tudo direito. Era a sua primeira vez, mas ela não estava facilitando.
puxou Jacob pelos fios negros para rente ao seu rosto e o beijou, subindo as mãos por seus braços, apertando seus músculos.

— Eu preciso de você dentro de mim, agora — sussurrou contra os lábios dele, mordendo-os e chupando seu inferior, vendo o moreno fechar os olhos.

Num movimento rápido, Jacob ergueu o corpo e tirou sua cueca. Com tamanha facilidade, ele rasgou a calcinha de renda, em conjunto com o sutiã jogado ao chão, e puxou pelas coxas. Observou o corpo da daquele jeito na cama, totalmente entregue, totalmente perfeita. Dele.
Se inclinou e beijou-a com calma, enquanto levava seu membro rijo e duro até a entrada da garota, o posicionando e a penetrando com lentidão. Ele soltou um gemido rouco, sonoro como o dela, assim que havia penetrado todo seu membro. Seu interior era quente e apertado, perfeito.
Começou a mover seu quadril contra o dela, se perdendo com os lábios, dentes e língua pelas partes onde alcançava em seu corpo. Ela passava as mãos pelas costas dele, pelos ombros, arranhando, apertando, fazendo tudo o que ela poderia no momento. Quando a garota ergueu o tronco, levou os dedos à frente do corpo dele; ele tendo a imagem dos seios dela em movimento e ela arranhando seu abdômen sarado. Espalmou as mãos nele e não conseguiu conter os gemidos de prazer que saíam de seus lábios, misturados com os dele e o som de seus corpos se chocando.
Quando percebeu estar próximo de seu ápice, Jacob inclinou o corpo e apoiou as mãos ao lado da cabeça dela, estocando com força e lentamente, olhando-a nos olhos e se controlando ao máximo. Não deixaria vir nunca antes dela.

— Ah… Jake! — o nome dele saiu em forma de um alto gemido, antes que chegasse em seu ápice.

Ela fincou as unhas em suas costas fortemente, enquanto ele deixava que seu corpo relaxasse. O garoto fechou os olhos e deu mais algumas estocadas lentas, sentindo os espasmos em seu corpo até sair de dentro dela.
Assim que seu corpo caiu para o lado, Jacob virou-se, assim como ela. Abraçou-a por trás e deixou um beijo delicado em seu ombro. Abaixou a mão até sua barriga e a acariciou com os dedos, enquanto enroscava sua perna no meio das dela.

— Você é perfeita, babe — disse perto de seu ouvido, beijando abaixo dele e a apertando em seus braços. Ela sorriu com o gesto, com o corpo mole ainda e os olhos fechados.
— Você nem faz ideia do quanto você é, grandão.

Antes que pudessem cair no sono, tomaram banho juntos, pois ainda tinham pegado chuva. Quando retornaram ao quarto, vestiram apenas roupas íntimas secas e se deitaram novamente, naquela mesma posição, e assim adormeceram juntos, mergulhados no amor que haviam transmitido um para o outro. Até se esqueceram dos problemas envolvendo os vampiros, pelo menos por uma noite.


Capítulo 15 - Feel

Era um dia incomum. Naquela manhã, o sol tinha resolvido dar o ar de sua graça sobre os que residiam em Forks. Como dias assim não eram muito aproveitados por ali, todos resolveram sair, ir à praia, curtir tudo o que o sol os fariam desfrutar naquele dia. Porém, estaria em outro lugar.
Alguns dias haviam se passado, e, naquela mesma noite, os Cullen tinham descoberto quem é que estava por trás de todo o alvoroço relacionado aos vampiros recém-criados. De acordo com o que Jacob havia contado, a vampira planejava uma vingança contra Edward e Bella, por conta de seu namorado. sabia que o problema não era diretamente com ela, mas eles também queriam eliminá-la, tendo conhecimento de seus poderes e o que ela representava.

— Tem certeza que não quer ir com a gente? — Angela arrumou o chapéu de cor clara sobre sua cabeça e olhou para a prima, que se mantinha de pé na entrada principal da casa.
— Tenho sim. Jacob precisa de mim — sorriu de lado e deu-lhe um beijo na bochecha.

Ele, de fato, não precisava dela. Mas a queria estar ali por ele o tempo inteiro. Ainda mais hoje, quando haveria o maior choque de convivência, pensava ela.
Viu os Weber adentrando o carro e, em seguida, saindo com ele. Iriam à praia e, depois disso, seguiriam para a casa de uma de suas tias. Um suspiro saiu pelos lábios de enquanto ela se virava e fechava a porta, subindo com rapidez as escadas até seu quarto.

— O que eu preciso, o que eu preciso… — murmurava consigo mesma, puxando uma bolsa simples e preta, de couro, de dentro de seu armário.

Abriu-a e pôs ali dentro as coisas essenciais para passar o dia: seu celular, algo para prender seu cabelo, óculos escuros, entre outros. Assim que terminou, verificou como estava em seu espelho vertical. Passou as mãos pelos quadris, marcados por uma bermuda jeans curta, depois por sua barriga, coberta com uma regata verde-clara. Seu olhar também caiu sobre os tênis brancos. Estava tudo certo, até o momento.
Arrumou o cabelo sobre os ombros e foi então que ouviu o barulho da buzina vinda de lá de baixo. Pegou sua bolsa e desceu rápido, do mesmo jeito que havia subido; saiu da casa e trancou-a, antes de andar até a caminhonete que a esperava, mas quem a dirigia não era Jacob.

— Embry! Tempo que não te vejo — abriu um sorriso aberto em direção ao garoto.

Ele retribuía à altura, apenas esperando que a garota entrasse e fechasse a porta devidamente, para que então tornasse a dirigir. Deixou os vidros abertos, e a apoiou um braço inclinado ao lado de fora enquanto mexia os dedos.

— Eu sei que sentiu saudades. Mas não se preocupe, eu senti também. Não sou um amigo tão ruim — continuou sorrindo, levando sua mão à bochecha dela e a apertando.
— Onde ele está?
— Hum… Ele já está lá desde cedo. Não está muito feliz, entende? Por isso pediu para que eu viesse.

assentiu lentamente e encostou a cabeça no banco, pensativa. Talvez acabaria sendo bem mais difícil para Jacob do que ela pensava. Ainda mais para os outros meninos, que eram piores que ele. Menos Embry, é claro.
Assim que adentraram a trilha, pararam apenas quando chegaram mais ao centro da floresta, onde viram Edward e seus irmãos logo à frente.

! — Alice sorriu abertamente quando a viu, lhe dando um dos costumeiros abraços, que foi logo retribuído desta vez. — Fico feliz que tenha vindo.
— É claro. Eu também tenho que aprender — a garota deu uma risada divertida e cumprimentou todos os outros, até sentir algo cutucando-a bem no meio de suas costas.

Antes mesmo de se virar, ela sabia que era um focinho. E claro, sabia de quem era.
Um sorriso se abriu em seus lábios antes de se virar completamente, olhando para o mais belo dos pelos de qualquer lobo. Jacob ergueu-se e ficou à altura de seu rosto, logo lambendo uma de suas bochechas.

— Jake — ela tentou repreender, mas riu baixo. Em seguida, levou suas mãos por entre seus pelos e o focinho, que roçava em seu rosto, como se estivessem se acariciando. De certa forma, estavam. — Eu te amo. Tá bem? Vou ficar ali no canto, olhando tudo — falou num tom baixo, dando um beijo entre suas duas orelhas fofas e se afastando em seguida.

parou apenas quando achou uma pedra em que pudesse se alojar. Subiu nela e sentou-se, prendendo seu cabelo e pondo os óculos. Colocou as mãos ao lado do corpo e ficou balançando as pernas, observando todos começarem a se movimentar. Jasper ensinava, devido à sua experiência, a como serem certeiros em matar recém-criados. não concordava muito com aquilo, mas não havia outra escolha a se fazer.
E assim se passou o restante do dia, com eles apenas treinando, se atacando, e algumas vezes querendo machucar um ao outro, com a desculpa de que não era de verdade. Carlisle se mostrava sério, também aprendendo com o “filho” a todo momento.
Mas alguém não havia aparecido naquela tarde e não passou despercebido por . Na verdade, desde o encontro dos três há dias, Paul estava sumido. Não comparecia a reuniões, encontros, nada que estivesse relacionado a Jacob e afins. A achou que ele até tivesse aparecido em sua janela no dia seguinte àquele, porém não teve coragem de dar as caras. De certa forma, ela conseguia entendê-lo. As coisas entre eles aconteceram de forma espontânea, e entre ela e Jacob, repentina. Mas, afinal, esse seria o destino agindo. Estava prescrito. Jacob tivera o imprinting e agora os dois se amavam mais que tudo. Nada ficaria entre eles.
Quando todos se dispersaram para começar a se aprontar para ir embora, a sentiu que o amuleto – que não havia saído de seu pescoço desde o momento em que o aceitara – começou a esquentar. Nada que fosse alarmante, mas ela chegou a sentir em sua pele.
Pegou-o entre os dedos e o analisou, à procura de alguma coisa que pudesse concretizar aquele momento como, no mínimo, estranho. Mas ele voltou ao normal, repentinamente. Ela deu de ombros e o soltou, olhando para baixo, quando viu Jacob ainda em sua forma de lobo, logo abaixo da pedra, olhando-a.
Um sorriso cresceu em seus lábios, então puxou sua bolsa e colocou-a em seu ombro, a tempo de descer da pedra e cair já sentada sobre o lobo enorme. Ela já não achava mais esse tipo de atitude estranha, havia se acostumado com a ideia.

— Meus tios saíram hoje — comentou enquanto inclinava o corpo para frente e se deitava no pelo fofinho, chegando a fechar seus olhos.

Ainda raiava um sol, bem lá em cima, porém o vento mais frio já começava a se fazer presente, dado o fato que a noite chegaria em pouco tempo. Provavelmente, os Weber deveriam estar saindo da praia naquele momento para ir visitar os familiares e iriam dormir por lá mesmo.
Então, sentiu que Jacob começou a se mover, o que fez com que ela se segurasse mais forte. Abriu os olhos apenas quando ele parou, e logo estavam de frente para a casa do garoto. Desceu dele e o olhou mais uma vez, antes de se virar e deixá-lo ali para ficar à vontade e caminhar para dentro da casa pequena, porém aconchegante.

— Com licença, Billy… — bateu na porta de madeira, entrando e olhando em volta. Não obteve resposta alguma, o que denunciou que eles também estavam sozinhos.

caminhou vagarosamente até o quarto do moreno, deixou sua bolsa em cima da cama e, em seguida, caminhou até a janela, olhando o campo do lado de fora.
Então, como algo totalmente repentino, uma ideia lhe veio à cabeça.
Ela virou o rosto sobre o ombro quando ouviu a porta da casa – provavelmente Jacob entrando – e saiu ao seu encontro, sorrindo quando achou o garoto apenas de cueca já na cozinha.

— Hum… Isso é alguma técnica de sedução? Vai acabar funcionando.

O moreno chegou a rir baixo, porém logo se apoiou na bancada simples à sua frente, soltando o ar de maneira pesada. , então, percebeu que aquele era um dos momentos críticos. Aproximou-se com calma, o abraçou por trás e encostou a cabeça no meio de suas costas, sentindo os músculos tensos do maior relaxarem minimamente ao seu toque.
Depois de alguns minutos na mesma posição, Jacob virou o corpo de maneira lenta. Poderia ficar ali durante o dia inteiro que nem sentiria o tempo passar. Seus dedos tocaram os ombros da , apertando-os suavemente, e ele viu o rosto da amada se erguer em sua direção. Seus olhinhos brilhantes piscavam, e mais um suspiro saiu por seus lábios.

— O que aconteceu, hum? — ela perguntou.
— Nada aconteceu. Quer dizer… Não aconteceu ainda. Mas eles estão arquitetando um plano para conseguir despistar os recém-nascidos. Eu não sei você, … mas eu não consigo tirar a imagem de você em extremo perigo da minha mente.

comprimiu os lábios e virou o rosto, encostando a bochecha no peitoral quente e totalmente confortável de Jacob. Os dois passaram mais alguns minutos em silêncio, até a garota levantar a voz mais uma vez:

— Eu vou ficar bem, Jake. E sei do que você precisa. Do que nós precisamos — tornou a erguer o olhar para ele. — Um dia normal. Sem pensar em nada disso. Um dia apenas, sem ter de nos preocupar com vampiros que estão sedentos por arrancar a minha vida.
— E o que vamos fazer, hum? — a mão do moreno tocou parte de seu rosto e ela fechou os olhos, aproveitando do que era, para ela, a melhor sensação de todo o mundo.
— Você, eu não sei… mas eu tenho ideia do que vou fazer — tornou a abrir os olhos e encontrou o namorado totalmente confuso. — Não me entenda mal. Acho que se tivermos pelo menos essa noite separados, sem pensar em tudo o que está acontecendo, vai ser bom. Principalmente para você, que não para de pensar coisas ruins. Deve sair com os meninos, comer pizza, rir de coisas bobas… Eu juro que ficarei bem — ela se pôs na ponta dos pés e selou seus lábios demoradamente.

Depois, lhe deu as costas e foi em direção ao quarto de Jacob, para acomodar suas coisas e sair em seguida. Não quis dar tempo para ele pensar demais, nem mesmo contestar aquilo, até porque também se tratava dela. Não dos dois e seu relacionamento, mas o que ela sentia naquele momento. O que sentia sabendo o que estava por vir.
Com apenas algumas notas nos bolsos e sem o celular, saiu dali e se permitiu ir em direção à floresta enquanto Jacob tomava seu banho. Andou e andou, até achar um lugar confortável e longe o suficiente.
Então, ela gritou. Gritou tão alto e forte que os pássaros se alvoroçaram, as árvores balançaram e o céu pareceu mais triste. As lágrimas começaram a escorrer por seu rosto enquanto seus joelhos iam de encontro ao chão. Aquele momento era ela desmoronando.
Até agora, havia aceitado tudo sem se dar ao luxo de explodir: ser descendente de uma bruxa, descobrir vampiros e lobos, amar um deles e ter um imprinting. Sem contar, claro, com a legião de recém-nascidos se aproximando. E eles a queriam.
O céu já estava mais escuro e ela continuava na mesma posição. Seu rosto ainda estava molhado, não havia parado de chorar um minuto sequer. Ouviu passos sobre as folhas, mas não ousou erguer o rosto. Sabia quem era. Apenas sabia. E nada disse, enquanto braços fortes e grandes a pegavam no colo, sustentando suas costas e por baixo de seus joelhos.

— Não precisa…
— Vai ficar tudo bem, babe. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem.

manteve os olhos fechados. Estava odiando que ele a visse daquele jeito, era o motivo de tê-lo mandado fazer qualquer outra coisa. Em sua cabeça, não haveria nada pior do que Jacob a vendo daquela forma.
Quando retornaram para a casa, Jacob esperou que ela tomasse banho e fosse para o quarto. Vendo que estava deitada em sua cama, já com seu short de dormir, aproximou-se com uma caneca cheia de chocolate quente. Sentou-se na beira do colchão, ao lado do corpo feminino que parecia mais frágil do que nunca, e a olhou com total ternura; seus olhos ainda inchados e a pele ainda mais rosada. Ele teve que sorrir.

— Por favor, não faça isso — ela pediu baixo, enquanto aceitava a caneca de sua mão.
— Fazer o quê, hum?
— Está sentindo pena. Eu não queria que me visse desse jeito. Não era para ser assim.

Jacob soltou um suspiro pesado. Então, inclinou o corpo na direção da e passou um braço por cima dela, ficando ainda mais próximo.

— Eu sei. Entendi logo que saiu. E esperei o momento certo para ir até você — ele ergueu a mão e tocou a pele de seu rosto com as pontas dos dedos. — Eu sei o que tá passando pela sua cabeça. Eu sei e entendo, acredite. Isso é bobagem da sua parte, visto que vamos ficar juntos para sempre e eu irei te ver de muitas formas. Todos fraquejamos, . Eu faço isso sempre… e vamos passar por isso juntos. No final, vamos ficar bem. E vou fazer questão de colocar um sorriso diferente nesse seu rosto lindo, todos os dias.
bebeu um grande gole da bebida quente e doce, sorrindo abertamente e nem mesmo percebendo que o líquido havia deixado um leve resquício acima de seus lábios. Jacob riu divertido e se inclinou ainda mais, tirando marca de chocolate com os próprios lábios enquanto desferia vários beijos na amada.

— Beba e depois vamos descansar. Amanhã é um novo dia.

E quando ela terminou, ele pegou a caneca de sua mão e colocou sobre a mesa perto da janela. Fechou devidamente a cortina e a porta e deitou-se ao lado da garota, colando totalmente seus corpos ao abraçá-la. Ela foi a primeira a dormir, deixando que ele a encarasse em meio à escuridão do quarto, pensando no futuro difícil que os aguardava.


Capítulo 16 - Kalhezi

A lata se mexeu minimamente. Estava na beirada da mesa de madeira, chegou a bambear, mas não caiu. soltou um suspiro pesado, apoiou as mãos nos quadris e encarou a lata, que estava cheia de refrigerante poucos minutos antes.

— Vai ficar aí me olhando, hum? Jogando na minha cara que eu não consigo te mover. A garota que tem poderes e não consegue usá-los. Eu sou uma piada mesmo — ela caminhou até a cadeira branca e se sentou, enquanto encarava a fila de cinco latas, uma ao lado da outra.

Jacob estava com os Cullen, numa rotina que não estava sendo nada contribuinte para seu bom humor, mas ele aprendia cada vez mais como lutar à altura com os recém-criados. Em contrapartida, a tentava usar seus poderes. Das vezes que haviam aflorado, ela teve ataques de fúria ou medo. Agora, não sabia como fazer para usá-los
quando quisesse. Na verdade, não sabia nem a totalidade do que ela poderia fazer. Pegou a bolsa que estava no chão, olhou o relógio no pulso e pensou que já era hora de Jacob ter passado ali, visto que ele havia lhe prometido que a buscaria em casa para levá-la até a confraternização com os amigos e sua prima – já que eles não se viam fazia dois dias –, Angela. Pessoas estas que não faziam ideia de como a vida da garota estava virada de cabeça para baixo.
caminhou até a mesa de madeira do jardim dos fundos da casa dos Weber e as derrubou com um movimento forte de sua mão batendo na primeira e derrubando as seguintes.

— Idiota.

Um ronco alto de moto fez com que ela olhasse em direção ao corredor que dava para a varanda da frente. Andou com calma, arrumou a bolsa em seu ombro e, quando chegou, seus olhos ficaram presos numa moto alta e preta. De certo não era uma moto de todo nova, mas estava de pé. Seus olhos voltaram para o moreno que a olhava com um sorriso enorme no rosto, os braços abertos.

— E aí, o que achou?
— A cara de um bom bad boy. Onde você conseguiu?
— Nos últimos dias, eu trabalhei consertando ela. Sabe, foi a única coisa que conseguiu me manter focado.

sorriu de lado, abrindo os braços bem a tempo de Jacob se aproximar e eles se abraçarem. Com a cabeça recostada em seu peito, sentindo seu cheiro e o coração batendo forte contra a pele quente, ela esqueceu momentaneamente de suas frustrações. Aqueles dias haviam sido uma tortura para os dois, visto que, enquanto Jacob treinava com os Cullen, se preocupava com as últimas provas da escola. Agora que já tinham acabado e todos estavam excitados com o baile de formatura, ela podia olhar e pensar sobre o quão estranho era ser uma adolescente prestes a se formar e, ao mesmo tempo, o foco dos vampiros recém-criados e descendente de uma poderosa feiticeira.

— Temos mesmo que ir? — Jacob murmurou, com os dedos em sua nuca.
— Temos sim. Falta pouco para o baile, e mesmo que eu tenha que me preocupar com vampiros assustadores e uma guerra iminente, ainda sou uma estudante e preciso fazer presença. Mas não tenho do que reclamar, você vai estar lá comigo. E logo tudo isso de escola vai acabar… e poderemos pensar realmente no nosso futuro.

Jacob soltou uma risada divertida, deveras uma frase engraçada saindo dos lábios de sua namorada. Não tinha do que reclamar? Com certeza preferia levá-la para casa e sanar toda a sede de seu corpo pelo dela, sede esta alimentada pelos últimos dias.
Não perguntou nem falou mais nada, apenas pegou o capacete preto repousado sobre o banco da moto e colocou na cabeça com a cabeleira com cuidado. A garota lhe sorriu, recebendo um beijo na ponta do nariz antes de ele fechar a viseira. Sobre a moto, depois que ele já tinha se apossado também do banco, passou seus braços por seu tronco e sentiu o vento gelado contra a pele enquanto ele lhe guiava até a livraria/café da cidade.

— Tudo bem. Vamos lá… — ouviu Jacob murmurar quando estavam passando pela entrada, sua mão no fim da coluna da .

Os olhos de alcançaram os jovens já conhecidos, sentados em uma mesa redonda grande o suficiente para comportar todos eles, que riam alto e já haviam feito pedidos. Jessica, Mike, Eric, Angela e o novo garoto com quem estava saindo, Robert – formando como todos eles, e também o motivo da prima não estar em casa mais cedo para ir junto com a – e é claro, Bella e Edward, lado a lado como sempre. chegava pensar em como eles eram simplesmente inseparáveis, mas não poderia julgá-los; ela e Jacob não ficavam muito atrás nesse quesito.

— Ah, vejam só quem chegou! — Jessica se animou, erguendo o corpo da cadeira e chamando a atenção de todos para o casal. Incrivelmente, Jacob não havia estado tão próximo assim de seus amigos antes, com ela de sua família e os meninos, já tinha mais que passado da hora. — O casal maravilha, o segundo grude, sem ser aqueles dois ali.

Edward lançou um olhar cúmplice a , que lhe sorriu instantaneamente.

— Venham, sentem-se. Mais dois chocolates com marshmallows! — em direção ao balcão, a menina disse num tom de voz alto.

Os dois riram baixo e caminharam em direção à mesa. Não tinha como não achar graça de Jessica. Assim que se sentaram, a virou o rosto e viu Bella na cadeira ao seu lado. A morena tocou seu joelho, e o sorriso – mesmo que pequeno, sem mostrar os dentes – denunciou-lhe muitas coisas. Bella queria lhe confortar, e aquilo não tinha nada a ver com o encontro de amigos que estavam tendo. retribuiu o sorriso, logo vendo que as canecas foram servidas à sua frente. Pegou uma delas e levou o líquido quente até seus lábios, enquanto Jacob já respondia de forma animada aos questionamentos totalmente indecentes vindos de Mike.
Os minutos seguintes passaram de forma rápida, a conversa entre todos fluía com facilidade e nenhum deles nem mesmo percebeu o tempo passar. Até a sentir o amuleto começar a queimar contra sua pele, de uma maneira que nunca havia acontecido antes. Ele já tinha ficado quente, mas nada tão alarmante; porém, dessa vez, foi impossível ignorar – a ponto de ela pedir licença a todos, levantar-se e se apressar em direção ao banheiro. Estava vazio, com três cabines estreitas e suas portas abertas. Em frente ao espelho, a garota apoiou as mãos na pia e contemplou seu reflexo.
O amuleto, logo abaixo do colar que Jacob havia lhe dado em seu aniversário de dezessete anos, fazia sua pele exposta de seu peitoral ficar vermelha. E quando ergueu a mão direita, pronta para tirar o amuleto de seu pescoço, simplesmente parou. Sua boca ficou seca, e, no silêncio absoluto do banheiro vazio, ela escutou uma gota solitária cair da bica até dentro da pia, batendo contra a superfície de mármore.

…”

Aquela voz, doce e arrastada. O ambiente pareceu ficar cada vez menor, o ar ficou mais difícil de ser capturado por suas narinas. De repente, algo no espelho à sua frente mudou. Parecia água. Havia ondas em sua superfície, apesar de ainda estar mostrando seu reflexo, agora distorcido. Seu instinto e vontade de tocar eram maiores que qualquer coisa, além do fato de sentir que era isso o que deveria fazer. Apesar do nó na garganta, não sentia medo, e quando tocou no meio, na origem das pequenas ondas no espelho, sentiu seu corpo sendo puxado com força. Foi até mesmo árduo encontrar palavras que descrevessem a sensação que teve. Poderia assimilar estar sendo mastigada por um gigante, seu corpo inteiro à mercê. O espelho puxou-a para dentro, e quando aquela sensação de agonia passou, ela sentiu estar sobre um gramado.
Suas mãos sentiram as pequenas gramíneas quando tocaram o chão, seus olhos atentos ao redor. Parecia estar em frente a um tipo de cabana, certamente não em Forks; porém, uma La Push antiga lhe pareceu a resposta certa. Se fosse para dizer alguma coisa, diria que estava em outro tempo – há muitos, muitos anos atrás.
Quando a porta se abriu, uma mulher saiu da cabana. O coração de errou nas batidas. Era inconfundível a imagem que retratava a semelhança entre ela e a outra mulher. Kalhezi estava de pé e estendeu-lhe a mão para ajudá-la a se levantar. A relutou por alguns segundos até aceitar a mão de sua ancestral, e agora se olhavam diretamente, frente a frente. Uma a imagem da outra.

— É um prazer finalmente conhecê-la — Kalhezi se pronunciou, um sorriso grande e alegre cortando seus lábios. não soube o que fazer, senão lhe retribuir o gesto.
— Isso é no mínimo estranho. Não é real, certo? É algum tipo de sonho… Estou desmaiada ou coisa do tipo.
— Só porque está acontecendo no plano em que não está acostumada, não quer dizer que não é real. Eu te chamei e você atendeu o chamado. Esse amuleto que você carrega… era meu, antes de ser seu por direito. Ele nos mantém conectadas. Uma parte de mim vive nele, assim como vive em você, querida .
— Então por que somente resolveu me chamar agora? — a deu um passo à frente. Tinha muitos questionamentos passando em sua mente.
— Você tinha de estar pronta, claro. Venha comigo…

Kalhezi fez um sinal com o queixo para que a acompanhasse, juntando as mãos à frente de seu corpo, e ela obedeceu, andando ao seu lado. Começaram a caminhar pela aldeia, mas não havia ninguém ali além delas. Pelos símbolos e todos os aspectos que conseguiu reunir do pouco tempo que teve para observar, chegou a uma conclusão óbvia:

— Estamos na antiga aldeia dos Quileutes, certo?
— Exatamente. Bom… deve saber que não te chamei por acaso. Queria muito lhe conhecer, isso é um fato. Mas receio que há coisas mais importantes para falarmos.
— Os recém-criados, eu presumo — a soltou um suspiro pesado, aquele peso sobre seus ombros voltando, o nó subindo até a sua garganta mais uma vez.
— Mais uma vez, exato. Você enfrentará batalhas diferentes das minhas, . Não que a minha seja menos significante, mas… os tempos mudam, assim como as feiticeiras, os lobos e, sobretudo, os vampiros. Eles nascem cada vez mais fortes, e o objetivo deles é te eliminar, desde que saibam sobre sua existência. Você tem que se manter forte — a mulher parou, virando-se e aproveitando da proximidade para tocar no ombro da moça com as mesmas feições que as suas. — Sei que é um fardo muito grande para uma garota tão jovem, mas seria inevitável, querida. Seu encontro com Jacob ocasionou isso. Seus poderes se afloraram. Todos ficariam sabendo rápido demais, eles sentem seu cheiro, a sua vida. Mas não foi somente por eles que te chamei. Você precisa tomar cuidado com os que estão à sua volta.
— Certo… Há coisa pior do que todos aqueles vampiros vindo por mim? — soltou uma risada seca e baixa.
— Você já sabe como eu morri. A história tende a se repetir. O líder dos Quileutes estava cego por poder e ódio, além de outros sentimentos pela minha pessoa. Não estou lhe dizendo que Sam irá se voltar contra você, mas há a verdade absoluta. Alguém tentará impedir que você continue vivendo, e a nossa linhagem também.

A garota ficou sem palavras.
Algum deles tentaria matá-la, como fizeram com Kalhezi? Céus, como poderia lidar com isso também? Sobretudo, como chegaria à conclusão de quem poderia fazer isso? Ninguém tinha motivos, todos eles estariam protegidos caso ela alcançasse a potência de seu poder e mandasse todos os recém-nascidos de volta para o lugar de onde vieram.
Kalhezi lhe sorriu, pareceu achar graça das expressões da . O toque em seu ombro foi embora, a mulher começou a se distanciar. andou em sua direção, mas por mais que tentasse alcançá-la, nunca conseguia.

— Não se preocupe, querida. Quando chegar a hora, você saberá como usar seus poderes. Está tudo bem, você conseguirá fazer isso.
— Espera! Kalhezi, eu tenho muitas perguntas… Kalhezi!

Seu corpo foi sugado mais uma vez para fora daquele ambiente. Ela abriu os olhos e ouviu alguém chamar por seu nome. Percebeu estar no chão, nos braços de Bella, que tinha as expressões mais desesperadas que ela já tinha visto. segurou o braço da garota e quis acalmá-la, então Bella soltou o ar em alívio enquanto a ajudava a se sentar no chão do banheiro pequeno.

— Céus, , eu estava a ponto de desmaiar também. Vim atrás de você depois que começou a demorar demais e te encontrei assim.
— Eu também ficaria preocupada, mas estou bem, juro. Apenas… senti-me indisposta e acabei caindo. Dê-me alguns segundos. E se puder não falar disso para Jacob, ele surtaria mais que qualquer um.

Alguns instantes depois, elas voltaram à mesa. Jacob lhe perguntou o porquê da demora, ao que a apenas lhe respondeu, por hora, que eram assuntos de mulheres. Contaria para ele depois de seu encontro com Kalhezi, claramente, mas não queria estragar a ocasião.
olhou para todos ali reunidos e sentiu-se em casa. Pensar que poderia estar se aproximando do fim era como uma faca em seu coração. Seus olhos pararam em Edward, e soube que ele já estava tendo acesso a tudo em sua mente naquele momento. Então, como mais cedo, sorriram cúmplices um para o outro.


→...←


— Jacob! Para com isso! — ria enquanto o namorado a tirava de cima da moto em seus braços. Passou os seus próprios pelo pescoço rodeado de músculos do moreno, sentindo-o se locomover enquanto a segurava com tamanha facilidade. Tinha consciência que, para ele, ela era como uma pena em relação ao peso, e não parou até que a colocasse de pé, já dentro da casa de seu pai.

A subiu o olhar para seu rosto e dedilhou seus braços até seus ombros, agora cobertos pela blusa xadrez azul. Um sorriso apareceu em seus lábios, inevitável. Ele, por sua vez, inclinava o corpo em sua direção; logo seus lábios se tocaram e o beijo iniciou. A princípio, apenas o toque de seus lábios, até o beijo se tornar intenso, animalesco. O corpo da foi contra a parede, e Jacob subiu as mãos por sua barriga, por baixo do tecido de sua blusa. Suas mãos chegaram aos seios livres do sutiã, ao mesmo tempo que seu quadril ia de encontro com o dela, e o gemido que saiu de ambos foi sonoro, como uma melodia.
Porém, alguém esmurrava a porta não muito longe deles. Jacob resolveu ignorar nos primeiros instantes – sequer prestou atenção no barulho –, mas a pessoa não desistiu. Ele soltou um suspiro pesado e a contragosto se separou dela, a cueca e a calça parecendo menores por sua ereção.
Ao abrir a porta, deparou-se com a imagem de Paul. Os dois se encararam furtivamente até aparecer ao lado do corpo de Jacob, também olhando em direção ao garoto.
— Paul. Que surpresa vê-lo… já faz tempo.
— É, faz mesmo. E você está linda, se me permite dizer. Desculpe se interrompi algo, não era minha intenção.
— Claro que não — Jacob retrucou dessa vez, segurando a porta com uma mão e o maxilar trincado. Sabia muito bem que Paul poderia farejar o que acontecia ali dentro antes de decidir bater na porta.

Paul deu-lhes um sorriso, apesar de não haver verdade no gesto. cruzou os braços abaixo de seus seios, preocupada.

— E o que foi?
— Venham comigo. Tem algo que preciso mostrar.

Jacob e se entreolharam quando o terceiro deu-lhes as costas e começou a andar. Depois de alguns segundos, moveram-se e foram atrás dele, realmente interessados em saber o que ele poderia querer mostrar àquela hora da noite, ainda mais depois de ignorá-los por tanto tempo.


Capítulo 17 - Blue

» Muito tempo atrás «

A passou os dedos por seus fios de cabelos úmidos. Atrás de seu corpo, o homem se remexeu no que parecia uma cama improvisada. Por trás da mulher, ele ergueu o tronco e passou a mão por suas costas; a pele lisa sendo tocada pela mão calejada. Mesmo assim, ela sorriu, virando o rosto por cima do ombro e recebendo um beijo de seu amado.

— Temos que voltar para a aldeia. Logo vão sentir nossa falta.
— Não sentiriam se fôssemos embora — ele resmungou, deferindo beijos por seu ombro.

Durante alguns segundos, houve um silêncio, até que a mulher suspirou de forma sonora e voltou a falar:

— Já falamos sobre isso, Quentin. Vamos conseguir resolver a nossa situação. E não será fugindo. Temos um dever aqui, principalmente eu. Eu preciso proteger a aldeia dos vampiros — ela se levantou e reuniu suas roupas, começando a se vestir.

Estavam em uma cabana que haviam preparado exclusivamente para seus encontros noturnos. Ficava próxima ao lago, protegida da visão de terceiros por um feitiço poderoso que Kalhezi havia conjurado.
Assim que estavam devidamente vestidos, a saiu da cabana, sendo seguida por Quentin, que tinha uma expressão tranquila no rosto – apesar de suas intenções serem colocar a mulher em uma situação complicada.

— O seu dever já durou muitos anos, Kalhezi. Você não tem que morrer aqui. Morrer fingindo que pode amar um homem que…
— Não diga o nome dele! — ela gritou, virando seu corpo e o apontando com seu indicador. Seu grito reverberou pelas árvores, e Quentin poderia jurar que havia sentido o chão tremer. Parou onde estava, com as mãos ao lado do corpo e a expressão neutra continuava em seu rosto. — Ele é nosso líder e um homem poderoso. Sabe que se ele souber de nós dois… você estará morto. Não podemos ir contra sua vontade, e eu jamais machucaria um Quileute.
— Um dia seus valores não serão sua salvação, Kalhezi. E sim a sua ruína.

Eles se encararam durante longos segundos, antes do homem passar à frente de seu caminho, seu corpo se transformar na enorme fera logo no início da trilha, e ele voltar para a aldeia.



» Momento atual «

Enquanto Jacob e seguiam Paul para dentro da floresta, ela sentia um aperto enorme no peito. Mas tinha certeza que nada de ruim aconteceria – além do fato de estarem juntos –, era um tipo de aperto que indicava ansiedade. Mas o que poderia ser?
De repente, o cheiro e o som de água corrente se fez presente. Os olhos de correram pelo lago, a cachoeira não muito longe dali. Aquela sensação estranha continuava, e ela virou o rosto quando percebeu que os outros dois estavam tirando algumas peças de roupa. A garota logo ergueu as sobrancelhas e esperou por uma explicação.

— Tem uma entrada atrás da cachoeira. Espere-nos aqui — Jacob olhou em sua direção, passando confiança com seu olhar, antes de pular na água com seu antigo confidente.

A se viu ali de pé, não entendendo por que os dois nem mesmo consideraram deixá-la ir junto. O vento soprou, passando por seus fios de cabelo, e seguiu o fluxo com o olhar, que parou perto das árvores a poucos metros de distância de onde ela estava.
Uma coisa que já havia aprendido sobre seus poderes era que não deveria questionar sua intuição quando havia uma voz em sua cabeça indicando algo. E sua intuição indicava que havia algo ali, que se intensificou ainda mais ao sentir o amuleto esquentar em seu peito.
Então ela caminhou calmamente, até sentir que algo estava impedindo sua caminhada. Como se houvesse um escudo a protegendo, o que quer que estivesse ali por trás. Instintivamente, a garota ergueu as duas mãos. Podia sentir, com toda certeza, que tinha magia muito forte ali.

— Mostre-me sua verdadeira forma — as palavras saíram de seus lábios como um sussurro. Parecia muito mais o vento falando.

E se revelou. O escudo que protegia a cabana se dissipou e ela encerrou aquele local simples. Não entendeu a princípio, porém seu olhar ficou distante enquanto sua mente era bombardeada por imagens e revelações: Kalhezi e o que parecia ser o homem com quem se relacionava, em momentos de muita felicidade ali dentro.
As imagens pareciam mais demoradas e vívidas, como se fossem lembranças dela mesma. Mas não. Eram de Kalhezi e seu amado, pouco antes de morrerem no embate na aldeia.
recuperou o ar quando seus olhos voltaram ao normal. Em seguida, tocou o próprio peito, agora os olhos tendo à sua frente a cabana que havia sido protegida por tantos anos pelo feitiço. Agora ela estava aos pedaços, claro.

— De onde isso saiu? — Jacob apareceu de repente, e a tomou um susto antes de se virar na direção dos dois, que se encontravam encharcados no momento.
— É só uma cabana. O que tem do outro lado? — ela olhou de um para outro, sabendo que coisa boa não era. Jacob comprimiu os lábios e desviou o olhar, o que apenas a fez constatar esse fato. — Falem logo!
— Tudo bem, acalme-se. Vamos até lá, é melhor que veja por si mesma.

não disse nada, apenas despiu-se do tênis e da camiseta que portava, então podendo entrar na água. Sentia Jacob e Paul a seguindo, e aquela sensação era para lá de estranha. Apesar de não sentir nada por Paul além de um enorme carinho, entendia bem seus sentimentos para com ela. Gostaria de poder mudar aqueles fatos, mas estava longe de seu alcance. Por hora, o que poderia fazer era não tocar no assunto. Até porque uma guerra estava os esperando, e isso era bem mais importante do que qualquer coisa que envolvesse os três.

— Ah, não… — o ar faltou quando ela atravessou a cachoeira, tendo a visão de uma caverna iluminada por algumas velas.

A pessoa que frequentava o local não havia saído dali há muito tempo, estava óbvio. O nó se formou na garganta da garota, aquilo era muito preocupante. Havia fotos dela por toda parte, assim como pinturas de Kalhezi, e em algumas imagens seu rosto estava cortado com um “X” feito a faca, ou era como parecia. aproximou-se, agachou e pegou uma das fotos, uma foto tirada dela saindo da escola. Sabia que aquela imagem deveria ser da semana passada, pois coincidiam com as roupas.

— Está acontecendo — sua voz saiu trêmula e ela virou o rosto sobre o ombro, olhando os dois antes de se levantar e amassar a foto entre os dedos. — Alguém vai tentar me matar. E vai ser um dos Quileutes. Ele já deve estar planejando isso há muito tempo… e claramente esteve aqui antes de nos encontrarmos.
— Isso é mais que óbvio. Eu vim até aqui porque senti o seu cheiro. Ando muito por essa parte da floresta, mas achava que o cheiro acentuado era por conta de sua proximidade. Mas… descobri que não. Ele pegou algumas roupas suas — Paul caminhou até um canto menos iluminado e abriu um baú que revelava algumas peças de roupas suas, inclusive roupas íntimas. A garota expressou em seu rosto o choque que Jacob havia expressado ao entrar ali pela primeira vez, somente com Paul. — Temos que agir rápido, ou ele poderá usar do embate com os recém-nascidos para agir.
— Tem razão — Jacob se pronunciou, e apenas ao olhar para ele, conseguiu saber tudo o que ele sentia naquele momento e evitava colocar para fora por conta do momento inapropriado. — Vamos embora. É melhor que ele não nos veja aqui.

Os três saíram e, na mesma velocidade que chegaram ali, voltaram para a casa de Jacob. Na porta, ele percebeu que Paul estava olhando para como quem queria dizer alguma coisa. Então se retirou, indo ao banheiro, mesmo que sua vontade fosse de ficar e ouvir. Não confiava cegamente mais em ninguém.
A encarou Paul, que demorou alguns segundos para poder falar; seus olhos analisando os detalhes poucos iluminados do rosto da garota por quem era apaixonado. Um suspiro pesado saiu por seus lábios e ele enfim abriu a boca.

— Eu queria dizer que você pode contar comigo pra qualquer coisa. Não podemos negar que são tempos difíceis… e ainda vamos enfrentar muitas coisas pela frente. Mas você tem a mim. E ao Jacob, claro — ele fez um gesto com a mão, indicando o interior da casa e, com esse movimento, segurou a mão dela. — Você tem a mim, . Sempre terá. Estou feliz que esteja feliz e velando pela sua vida e felicidade sempre, saiba disso — ele se inclinou, beijando o dorso da mão da garota sem tirar os olhos de seu rosto.

Ela, por sua vez, não soube o que dizer além de um “obrigada”, antes de Paul se virar e ir embora. O que deveria dizer, afinal? Não havia palavras para aquele pequeno momento, e também não era preciso.
Demorou alguns momentos, mas a garota logo fechou a porta e se sentou com Jacob na sala, onde contou o que havia visto perto da cachoeira.



» Dias depois; noite da formatura «

— E então, o que acha?

Jacob estava parado, encarando sua namorada a alguns metros de distância. Ela ainda estava postada na varanda da casa dos Weber, mas o garoto não conseguiu ter uma reação melhor do que apenas paralisar e admirá-la por longos segundos, deixando-a confusa durante esse tempo por seu olhar fixo e sem expressão sobre ela. Seu vestido azul de alças finas caía perfeitamente em suas curvas; sua cintura marcada pelo tecido e o decote dos seios evidenciava ainda mais que não havia sutiã por baixo.
Jacob passou a língua por seus lábios, tendo que controlar os inúmeros cenários que criou em sua cabeça e que lhe indicavam que não deveria levá-la ao baile da escola, e sim rasgar aquele vestido de tecido fino e fazer amor ali mesmo na varanda, para que todos soubessem que a mulher mais linda do mundo era dele. Porém, todos os detalhes importavam: o modo como seu cabelo estava preso em um penteado simples de coque, com alguns fios que caíam por seu ombro. O vestido não permitia que ele visse o que tinha nos pés dela, mas, enquanto a garota se aproximava, pôde perceber que estava mais alta – usava saltos e mesmo assim não conseguia ficar na mesma altura que ele. Em seu pescoço estava o amuleto de Kalhezi, e o moreno saiu do transe quando o cheiro dela ficou ainda mais forte por estar bem em sua frente.

— Jacob?
— Desculpe — balançou a cabeça, colocando os pensamentos em ordem. — Você está… magnífica. Na verdade, acho que não existe palavra para definir como você está linda essa noite. Eu gostaria de ser o seu par do baile — passou as costas da mão por parte do maxilar dela, percebendo que parte de seu rosto tinha pequenas partículas brilhosas por conta da maquiagem. Seus lábios estavam cobertos pelo batom vermelho que ele sabia que ela não gostaria que ele estragasse justo agora, mas era tentador. — Eu te trouxe uma coisa. Você não me disse qual era a cor do seu vestido, então eu comprei uma preta. Mas acho que vai combinar, de qualquer forma — ele esticou a mão para dentro da janela aberta da caminhonete emprestada para levá-la até a escola, pegando a pulseira com a flor no topo, um clássico. Colocou-a no pulso de e ela sorriu ainda mais abertamente do que antes fazia, dando-lhe em seguida um beijo demorado no canto de seus lábios.
— Obrigada, Jake. Sei que está chateado por não poder ir ao baile, mas não vai demorar muito. Eu prometo — sorriu, e ele a ajudou a entrar no carro sem danificar alguma parte do vestido, logo fechando a porta.
— É, eu espero — murmurou, dando a volta para entrar do lado do motorista.

E Jacob realmente não poderia, afinal, não fazia parte dos que estudavam em Forks. Mas ele tinha em mente que deveria ficar do lado de fora, esperando por ela o tempo que fosse, não por ciúmes ou qualquer coisa supérflua. Desde que encontraram aquele pequeno pedestal de quem quer que estivesse planejando matar a , Jacob não conseguia pregar os olhos ou descansar a mente de modo algum. Como poderia, sabendo que a vida de sua amada estava sendo diretamente ameaçada? Antes fosse somente isso. A qualquer momento, os recém-criados poderiam chegar. Eram muitas possibilidades em que a vida – dos dois – poderia ser tirada.
Na porta da escola, eles se despediram com um abraço e um selinho. Jacob ficou de longe observando se encontrar com as meninas e sua prima já acompanhada. Não disse que ficaria ali, ela não aprovaria – por isso manteve uma distância segura até a garota não estar mais em seu campo de visão.
Depois de minutos recostado na caminhonete, ele se sentou no banco do motorista, bateu a porta e apoiou a testa no volante. Aquele cheiro… Mesmo com os milhares cheiros de perfumes misturados na escola naquela noite, não poderia disfarçar. E foi ficando mais forte, até outra pessoa entrar na caminhonete, mas Jacob sabia bem quem era. Ergueu seu tronco, arrumou a postura no banco e demorou alguns segundos até virar o rosto sobre o ombro e encarar Edward acomodado no banco do carona.

— Seus pensamentos estão ensurdecedores. Tão altos que sinto uma parte de você no meu subconsciente nesse momento.
— O que você quer? — Jacob murmurou; não com o tom rude que sempre lhe direcionava, e sim um cansado. Mentalmente cansado.
— Não precisamos discutir. Eu vim aqui porque… eu te entendo. Vivemos situações diferentes, mas parecidas ao mesmo tempo. Coloco a vida da Bella em risco todo dia estando ao seu lado, e penso sobre isso a todo instante.
— E isso deveria, por acaso, me confortar? Porque me faz me sentir pior ainda.
— Bem… Não há conforto em meio a isso que sentimos, essa é a triste realidade. Mas, sabe, você não pode deixar que isso te consuma. Eu e você sabemos que vamos lutar até a morte se for preciso, quando a hora chegar. Mas antes que chegue… se deixar ser consumido por esse estado de espírito, você vai deixar que o momento presente vá embora por entre os dedos. E um fato que também sabemos é que o momento de agora é tudo o que temos — Edward sorriu sem mostrar os dentes, e os dois se encararam, antes de tocarem as mãos em um cumprimento que durou muito mais segundos do que qualquer outro que já tiveram. Na verdade, aquela conversa foi o mais próximo que conseguiram chegar de ter algum tipo de relação, e quem sabe isso já não estivesse sendo construído entre os dois. — Bom, eu tenho que voltar para a Bella. Não se preocupe, estou de olho nas duas.

Jacob riu fraco pelas narinas e o vampiro piscou antes de sair do veículo.
No baile, se divertia de maneira genuína. Tudo estava leve, até aquele preciso minuto. Dançava, estava rodeada pelos amigos – não estava perfeito, porque Jacob não estava ali – e eles eram o foco dela naquele momento. Não haviam vampiros, lobos ou uma bruxa centenária para sugar seus anos de adolescência. Eram apenas sorrisos, pulos altos e danças desconexas de acordo com a banda que tocava em cima do palco.
Tudo estava bem, até seu olhar focar mais do que deveria no vocalista da banda. Seu rosto começava a virar pó, a matéria se desfazendo. Ela parou de se movimentar de maneira brusca e, quando girou, parada onde estava, tudo ao seu redor começou a mudar de forma.
estava na aldeia quileute mais uma vez. O ar saiu por seus lábios de forma cansada, sabendo que estava em uma visão. Mas essa parecia diferente das outras, mórbida. Ouviu o choro de Kalhezi – não saberia responder caso perguntassem como ela sabia quem era que estava chorando, simplesmente sabia –, e ela acompanhou o som até assistir sua ancestral parada em frente a uma cabana que havia sido carbonizada, debruçada sobre o corpo de um homem morto. Graças à visão perto da cachoeira dias atrás, sabia muito bem que aquele homem era Quentin, quem a mulher havia amado perdidamente. Sentiu seu coração quebrado com a cena; o tronco do lobo estava dilacerado, provavelmente morto a mordidas violentas. Uma lágrima escorreu por sua bochecha, e ela nem mesmo se preocupou em enxugá-la. Kalhezi continuava chorando sem perceber sua presença. Pelo menos era o que achava, até os olhos vermelhos da mulher se erguerem em sua direção e ela lhe apontar o seu indicador.

— Chegou a hora! — o grito foi estridente e alto, reverberando por seus tímpanos como se fosse estourar sua cabeça. Suas mãos foram em direção às orelhas, pressionaram o local e sua cabeça girou.

começou a ouvir vozes, depois sentiu um toque em seu braço. Tudo parecia muito confuso, mas quando abriu os olhos mais uma vez, percebeu que estava fora da visão. Estava de volta ao baile, mas já não era tão mágico como antes. Edward a segurava pelo braço, puxando-a em direção à saída juntamente de Bella.

— O que está acontecendo? — perguntou, soltando-se do aperto e retomando sua voz firme. Apenas pelas expressões no rosto dos dois, soube a resposta. — Onde está Jacob?
— Lá fora. Temos que correr, agora. Chegaram bem antes do esperado, temos que levar você para um lugar seguro.

Ela mesma pôs-se a correr ao lado dos dois para o lado de fora. Estando perto da caminhonete, assistiu o namorado com os olhos atentos em direção a eles. Pela conexão que tinham, podia sentir o quão aflito ele estava, e mesmo assim continuava não colocando nada disso para fora, para não assustá-la. Às vezes sentia que não merecia o tanto que Jacob pensava nela em toda circunstância.
Edward e Bella seguiram para o carro do vampiro e a adentrou a caminhonete o mais rápido que conseguiu. Chutou os saltos para fora dos pés quando já estava acomodada e sentiu o amuleto queimar sua pele. Um rápido olhar foi trocado entre os dois antes de Jacob arrancar com o carro em direção à floresta, estacionando já perto da entrada e eles descendo mais uma vez. Não havia maneira mais rápida de chegar ali a não ser levados por ele mesmo.

— Vamos — Jacob disse quando já estava nu, e em segundos seu corpo já triplicava de tamanho para o grande lobo.

baixou o olhar para o vestido, lamentando por um milésimo de segundo antes de segurar em uma parte do tecido e rasgá-lo na altura das coxas. Em seguida, jogou o excesso dele no chão e subiu no lobo de Jacob, agarrando entre seus pelos com os dois braços a tempo de sentir o vento bater contra sua pele com ele correndo em toda sua velocidade.
Não havia tempo para lamentações ou tomadas de decisões. Os recém-criados haviam chegado.


Capítulo 18 – War, Part 1

— Você não vai me deixar aqui — a voz de cortou o vento frio que fazia naquele fim de tarde. Jacob estava de pé, já vestido com uma das bermudas escuras que ele acabaria rasgando mais uma vez em breve.
No topo da colina, fazia um frio que não poderia ser descrito por palavra alguma. Jacob subiu toda a colina com montada nele, até que chegassem no topo coberto de neve e encontrassem a pequena barraca de acampamento já preparada para aquele tipo de situação. Ele havia pensado em tudo, sem avisá-la que a levaria lá para cima. Claro que ele sabia que a garota iria discordar, quase que prontamente, e foi o que ela fez.
— Eu preciso ir lá embaixo! Jacob, você não entende! Essa é a minha guerra. Eu posso proteger todos vocês. Eu posso… eu juro que eu posso. Eles querem me matar, eu sei disso, mas sou eu quem pode derrotá-los. Eu preciso que você entenda isso! — a se aproximou do namorado, segurando em seu rosto e o forçando a encará-la nos olhos. O amuleto estava queimando contra seu peito, a adrenalina do momento fazendo-a se esquecer do frio que estava fazendo ali em cima, a nevasca atingindo com tudo. — Por favor… leve-me até lá embaixo com você. Por livre e espontânea vontade. Eu não quero ter que passar por cima de você para fazer isso.
— Você por acaso está se ouvindo?! — Jacob alterou a voz. As veias de seu pescoço saltaram e ele deu um passo para trás, com os punhos fechados e a cabeça explodindo em pensamentos mórbidos quanto ao que aconteceria em seguida. Teve de respirar fundo pelo menos três vezes antes de voltar a falar. — Tudo isso… é para manter você viva. Nós estávamos nos preparando para te proteger. E chegou a hora. O que você tem que fazer é se esconder. Eles estão vindo daquela direção — ele ergueu o braço e indicou o norte de onde estavam, aportando na direção do início de floresta lá embaixo. — Estão sentindo seu cheiro, a sua energia. E quando se aproximarem o suficiente, vamos estar esperando. Acredite, não precisamos de você lá embaixo para arrancar a cabeça daqueles filhos da puta. Escute bem, — suavizou suas expressões, aproximando-se mais uma vez. Agora ele mesmo segurava o rosto da garota com firmeza, encostando suas testas e fechando os olhos. A pele dela estava gelada, por isso, ele passou seus braços ao redor de , afagando-os e também suas costas. — Eu tenho feito muito nesses dias. Só vou te pedir isso. Fique aqui. Até acabar. Prometa que vai ficar.
Durante alguns segundos, ela não soube o que responder ao homem que tentava mantê-la mais aconchegada em seus braços. Ele tinha razão. Tinha feito muito, e ela se sentiu culpada mais uma vez. Não só por ele, mas como todos que estavam saindo às pressas de seus compromissos naquele preciso momento para poder se preparar para um embate. Todos eles estavam arriscando suas vidas; e os recém-nascidos só estavam ali por causa dela. Se ela não tivesse sido transferida, se não tivesse passado a morar com os Weber – seus tios, que naquele momento estavam em casa, despreocupados, achando que a sobrinha se encontrava no baile de formatura da escola –, nada disso estaria acontecendo. Por isso, o mais sensato e sensível a fazer era acatar com o que Jacob estava falando, por mais que também doesse em seu interior imaginar não estar fazendo sua obrigação, que era estar na frente de todos aqueles vampiros e Quileutes.
— Tudo bem — disse, simples e direta, afundando o rosto no peito nu e extremamente quentinho de Jacob. fechou os olhos, aproveitando para inalar seu cheiro. — Quem sabe que eu estou aqui?
— Paul, Sam e Embry. Você sabe que a minha relação com Sam é mais complicada pela questão de ser o líder da nossa matilha. E Paul já sabia de tudo antes, Embry é de nossa inteira confiança. Vai dar tudo certo. Paul e Embry ficarão aqui em cima com você. Prometeram tomar as rédeas de início caso tudo dê errado aqui em cima.
— Por quê? Por que eles e não você?
— Não é justo, . Apenas não é. Eu tenho que estar lá embaixo lutando para te proteger, e não aqui em cima esperando tudo acabar. Como alguém que te ama como eu o faço, lá embaixo é onde eu devo estar.
O barulho de passos nos galhos misturados com a neve chamou a atenção do casal, que virou os olhares imediatamente para onde vinha o som – então viram Paul e Embry. O segundo mencionado segurava uma bolsa preta e grande, que logo revelou ser de roupas de frio para que a garota pudesse se aquecer. Era até mesmo uma afronta para ela o fato de eles usarem bermudas em meio a uma nevasca. Porém, agradeceu e se colocou para dentro da barraca, para mudar o resto do seu vestido do baile para uma calça de tecido grosso e pelo menos três camadas de roupa em tronco, assim como uma bota de neve nos pés. Quando terminou, desfez o coque que milagrosamente não havia sido desfeito durante o trajeto até ali em cima e abriu levemente a entrada da barraca para ver os três conversando. Permaneceu sentada ali dentro, até Jacob sair de perto dos dois e caminhar até ela. Em seguida, afastou o tecido que os separava e abaixou-se à sua frente.
— Não vou me despedir porque nos veremos em breve. Okay? — pegou nas mãos da , que se encontrava tremendo, e não era somente pelo frio. Suas expressões eram neutras; porém, seu interior gritava tão alto quanto nunca havia feito antes. — Eu te amo. E… — ele foi calado por um beijo de . Tão demorado, molhado e cheio de sentimentos como poderia ser naquele momento. Quando separaram os lábios, as respirações se misturaram e eles sorriram um para o outro.
— Vai dar tudo certo — ela disse para ele, que afirmou com a cabeça e saiu da frente da barraca e, logo depois, do seu campo de visão.
Era real. Jacob estava indo em direção ao embate. se encolheu para dentro da barraca e cobriu seu corpo com o cobertor que os meninos também haviam trazido; em seguida, abraçou as próprias pernas. Em sua mente, pedia perdão de maneira incessante para Kalhezi. Sabia que a mulher jamais ficaria em uma barraca, escondida, em uma situação como essa.
— Posso entrar? — Paul perguntou, mas já colocava seu corpo para dentro. apenas o olhou de lado, apertando mais os braços ao redor de suas pernas. — Não quero que me entenda mal, por favor. Mas se estiver com muito frio ainda, eu posso te esquentar. Você sabe… acho que dispensa explicações — ele fez um sinal com a mão e ela quase riu. Quase.
— Obrigada, mas dá pra aguentar.
Um silêncio se instalou entre os dois, mas Paul continuou ali dentro, fazendo-lhe companhia. Enquanto no interior do rapaz ele tentava achar palavras para expressar tudo o que queria lhe dizer, apenas pensava em quando aquele momento constrangedor iria acabar. Não era hora para drama sobre amores não-correspondidos ou colocar o assunto em dia. Sua mente trabalhava a cada segundo, imaginando o que estaria acontecendo lá embaixo. Até o momento, tratava-se daquela sensação de ansiedade, mas nada concreto sobre a situação de fato.
— Vou tentar uma coisa — ela quebrou o silêncio, levantou-se e saiu da barraca, encontrando Embry sentado do lado de fora. O garoto virou o rosto sobre o ombro e sorriu para ela. — Eu vou tentar um feitiço de proteção. Fica aqui perto da barraca.
Assim que o garoto se levantou, ela ergueu as mãos e mentalizou o campo de proteção que havia encontrado na antiga barraca de Kalhezi, perto da cachoeira. Aos poucos, assistiu aquela barreira quase totalmente transparente – apenas aos seus olhos; os outros realmente não conseguiam enxergar nada – se erguer desde o chão e se fechar ao redor de onde eles estavam. Deu um passo para o lado, saiu da barreira e percebeu que, daquele lado, era como se ninguém estivesse ali no topo da colina. Outro passo para o lado e ela pôde ver a barraca, Embry e Paul mais uma vez.
— Ótimo. Estamos protegidos… Eu acho, pelo menos — sua voz saiu em um tom baixo e ela afagou os próprios braços. — Eu sei que vocês não sentem frio, mas seria bom se acendêssemos uma fogueira. Posso tentar colocar fogo, mas precisamos do mais importante. Os troncos.
— Eu resolvo isso — Embry se adiantou. Passou pela barreira e foi em direção à floresta.
Então, mais uma vez, aquela sensação constrangedora de estar sozinha com Paul. quis voltar para dentro da barraca, porém, ele a impediu de fazê-lo quando segurou em seu braço. Não forte o suficiente para machucá-la, mas sim apenas para criar um pequeno impedimento para que não continuasse andando. A garota ergueu o rosto, olhando-o com dúvida. Recebendo aquele olhar, ele a soltou imediatamente. Sabia o que poderia estar passando na cabeça dela naquele momento: a grande possibilidade de ele ser o traidor que tentaria matá-la ali em cima, com eles dois sozinhos. Apesar de não ter uma confirmação, ele estava certo. Ela estava pensando exatamente naquilo.
— Não coloca a mão em mim — a voz de saiu baixa, porém ameaçadora. Nem mesmo estava se reconhecendo. — Sei que pode não ser a sua intenção me chatear, mas não é o momento.
— É o momento perfeito para perguntar se você tem certeza do que está fazendo — Paul se pronunciou, e ela o olhou com ainda mais dúvida. — Sobre nós. Sobre… o que poderíamos ter sido. Você sabe que o que tivemos foi especial. Não acha que tem muita pressão em cima de você, relacionada ao Jacob? … — ele segurou em suas mãos, e a garota inflou as narinas. — Meus sentimentos ainda não mudaram. E eu sou paciente, acredite…
— Para se falar. Apenas… para! — sua voz subiu levemente de tom na última palavra. A garota soltou suas mãos das palmas maiores da dele, sentindo sua pele quente de irritação. E também medo, por mais que não quisesse admitir. Medo de suas especulações sobre Paul serem verdade. Tinha carinho por ele, como um grande amigo. Pensar que ele poderia estar arquitetando um plano para assassiná-la criaria uma ferida em seu peito. — Não tem o que conversar. Eu e você… isso não existe. Não desse jeito. Eu amo o Jacob. Mais do que posso amar qualquer pessoa. E se for possível, ele me retribui com um sentimento ainda maior. Um amor incondicional… Você, acima de qualquer outro, deveria entender como funciona.
Ele apenas a encarou. Não respondeu à , sobretudo porque Embry voltava com pequenos pedaços de madeira. Sentaram-se os três em frente à fogueira depois que a acendeu, e ali ficaram. Os garotos jogavam conversa fora enquanto ela apenas encarava o fogo, sentindo como se ele se comunicasse com ela… chamando-a de fraude, fracassada. Por que ter todo aquele poder se não iria usá-lo para salvar quem amava?
Depois de comer os bolinhos que eles haviam trazido na bolsa junto das roupas, se recolheu para dentro da cabana, abraçou o próprio corpo de novo e foi deixada sozinha dessa vez, agradecendo mentalmente por isso. Sentia, em seu interior, que ainda não havia começado nada lá embaixo. Estava tudo calmo… Sabia que os pensamentos e sentimentos de todos ficariam descontrolados quando os vampiros chegassem.
De repente, era noite e ela sentiu o sono pesado vir, e não foi forte o suficiente para lutar contra ele. Seus olhos se fecharam com certa força e ela caiu em um sono profundo, achando que seus braços e pernas dormentes era pelo frio, que havia sido levemente amenizado pela fogueira.
Infelizmente, não se tratava disso.
Quando acordou mais uma vez, sentiu seu corpo em movimento, apesar de não saber exatamente o que estava acontecendo. Ainda não sentia seus braços e pernas, e fez força para abrir os olhos. Seus braços estavam pendurados e uma leve pressão na barriga a fez piscar diversas vezes, percebendo que alguém a carregava no ombro. O pânico começou a tomar conta quando viu o corpo de Paul desacordado no chão, como se estivesse em um sono extremamente profundo. Tentou mexer a mão e, então, emitiu um pequeno som por entre os lábios ao fazer força, o que chamou a atenção da pessoa que a carregava.
— O que… me… solta…
Conseguiu ver, quando virou o rosto, que o sol começava a nascer no horizonte, mas estava se afastando de onde a barraca estava. Agora fora da área do feitiço, não conseguia nem mesmo vê-la ou Paul jogado no chão; estava adentrando a floresta em passadas rápidas. Com o desespero do momento, sua mente não raciocinou sobre a pessoa que estava com os dois e que poderia estar carregando a garota. A única pessoa possível. Só se deu conta quando seu corpo foi jogado sobre a neve, no meio da floresta, onde estava mais escuro do que fora daquelas árvores, onde o sol fraco por entre as nuvens começava a iluminar. Então, seus olhos viram Embry acima dela, com a respiração ofegante e as narinas infladas.
— Você acordou antes do que eu esperava, .


Capítulo 19 – War, Part 2

Os movimentos de Embry ficaram em câmera lenta aos olhos da enquanto ela o olhava daquele ângulo, de baixo para cima. Aquele sorriso…
Havia um meio-sorriso em seus lábios, um canto da boca mais alto que o outro. Mas o olhar; nenhuma palavra poderia verdadeiramente fazer sentido para descrever o que os olhos de Embry transmitiam naquele momento. Se tivesse que escolher uma palavra, seria cruel. Sim. Havia crueldade além de limites nos olhos do garoto, e um arrepio de uma ansiedade angustiante passou por sua espinha, parando nos fios curtos da nuca. Todo esse tempo, estava focado nos pensamentos errôneos sobre Paul. Todo esse tempo, Embry havia agido como um verdadeiro lobo, apenas escoltando a sua presa, até o momento em que estivesse pronto para verdadeiramente agir. Por essa ela jamais poderia esperar.
— Por quê? — ela não queria realmente perguntar aquilo, mas não conseguiu evitar antes que as duas palavras pulassem para fora da boca. Embry balançou suavemente a cabeça em negativo, agachando-se em sua frente, de modo tão casual e natural em seus movimentos que aquilo era uma verdadeira coisa assustadora.
— Esse é o tipo de pergunta que não necessita de uma resposta. Por que nos apaixonamos? Eu também gostaria de entender. O porquê… esse sentimento avassalador toma conta da gente. Eu tenho vários questionamentos. Por exemplo: por que de repente todos querem a mesma mulher que eu? Por que… por que logo ele? Tinha que ser ele, não é? Sempre é. Todas as melhores coisas vão em direção ao Jacob, não tem como evitar, por mais que todo mundo tente. E acredite… eu tentei. Eu tento e sempre bato com a minha cara na parede. Aposto que tudo isso passou pela cabeça do Paul, várias e várias vezes, mas ele é covarde. Já eu… não, . Nem um pouco. Eu vou pegar o que eu quero — ele ergueu sua mão, tocando no maxilar dela e logo a segurando com força pelo local. — Eu me lembro da primeira vez que te vi. No dia em que o Jacob teve o imprinting… Você estava tão linda. Desde então, você se tornou a minha obsessão, por mais que estivesse bem longe de saber disso.
Um flash das lembranças com Embry passaram na mente da , como um vulto assombroso. A primeira vez que ela teve consciência dele – no dia em que Jacob e Paul brigaram na sua frente e se transformaram; quando ela descobriu sobre o segredo dos Quileutes –, a sua primeira fogueira com a alcateia, quando ele se mostrou tão amigável e solícito para ela. Depois disso, acreditou ter entrado em um tipo de amizade com ele. Como ela poderia imaginar? Ele havia sido tão silencioso, astuto. Ela chegou a pensar que Paul havia exagerado em suas atitudes naquela época, mas havia alguém muito pior agindo na surdina.
— Eu serei misericordiosa com você, Embry — a voz de saiu arrastada enquanto ela apenas o encarava de volta. — Se me deixar ir embora agora, irei ponderar o modo como usarei meus poderes em você depois, quando toda a situação lá embaixo estiver resolvida.
— Poderes? — ele soltou a risada forte, assim como soltou seu maxilar de forma brusca, erguendo seu corpo e a analisando daquele ângulo mais uma vez. — Eu pensei nisso, claro. Acha que por acaso sou algum burro? Não. Eu sou um grande amante da lenda de Kalhezi. E eu sei que havia uma coisa que enfraquecia seus poderes, foi descoberta pelo alfa que a matou por ciúmes. Sim… Você não sabia disso, aposto — ele passou a língua sobre os lábios, deleitando-se com as expressões no rosto da garota. — É uma erva que é rara por essas bandas. Chamamos por aqui de Erva do Norte. Você não tem conhecimento algum sobre isso, você não é como a Kalhezi. E nem mesmo ela tinha domínio sobre essa erva. Ele usou contra ela diversas vezes sem que ela soubesse. Mas… o conhecimento foi passado de geração em geração. Estava na sua comida, minha amada . Você não pode fazer nada contra mim.
Naquele momento, ela desejou que sua cabeça explodisse. Por mais que tivesse em mente que poderia se arrepender de uma coisa como aquela, usou sua mente para mentalizar e concretizar aquele pensamento.
Nada aconteceu.
Ergueu sua mão, tentando puxar para si um tronco menor que estava logo ao lado, mas ele nem mesmo se moveu. Embry ria quase aos berros, no fundo, enquanto ela sentia seu coração despedaçado. Pensava em todos lá embaixo, pensava em Jacob… e no que aconteceria, pelo que todo mundo estava lutando naquele momento, enquanto Embry estava ali em cima, aterrorizando-a por sentimentos que não passavam de mentiras em sua cabeça.
Seus olhos voltou para o garoto, e na posição em que se encontrava, ergueu a perna com força e conseguiu atingir a virilha dele. usou do breve momento em que ele se curvou em dor – não tanta, ela sabia que não havia tido forças o suficiente – para levantar-se e sair correndo, conseguindo ainda de desvencilhar, por um centímetro de distância, da tentativa dele agarrar seus fios de cabelo que se encontravam bagunçados.
— Não vai se livrar de mim! — o grito do lobo saiu estridente, e ela foi tomada pelo terror com o barulho das folhas se movimentando violentamente. sabia que aquilo significava que ele havia se transformado, e agora suas chances eram mínimas.
Enquanto corria, sua cabeça ainda continuava questionando a veracidade daquilo tudo. O limite de onde uma pessoa poderia chegar com a loucura. A corrida do lobo atrás dela, aproximando-se a cada milésimo de segundo. Nem mesmo em seus melhores dias ela conseguiria correr o suficiente para se livrar dele naquele momento.
Para baixo.
A voz conhecida de sua antepassada soou em sua cabeça e ela derrapou por entre as folhas, sentindo suas pernas cederem. A garota, então, caiu bem na hora de seus olhos localizarem uma abertura no chão, como se fosse uma gruta, larga o suficiente para que ela entrasse. Não teve tempo nem mesmo de pensar uma vez e jogou seu corpo para dentro do buraco escuro, descendo por um espiral estreito de terra até cair no chão, também de terra. Ela tossiu, colocando para fora o que poderia ter entrado em sua boca no trajeto e rapidamente se ergueu, olhando pelo local de onde havia descido e ouvindo a voz de Embry ao fundo. Pelo tamanho do lugar, julgava que fosse impossível que ele descesse como ela, pelo seu porte corporal.
Pelo menos, ela esperava muito que isso acontecesse.
Virou-se, olhou ao redor e percebeu que havia um caminho à sua frente que dava para seguir de pé. Era um corredor de terra, iluminado pelo que pareciam… velas? Quando se aproximou, não sentiu a quentura do fogo; ao invés disso, arriscou passar seu dedo pela chama e, ao não ter reação alguma em sua pele, soube que eram chamas mágicas. Então, seu coração de certa forma se acalmou.
Alguma parte de Kalhezi vivia ali, e de alguma forma a sua tentativa de fuga havia levado-a até aquele local. A garota seguiu pelo corredor extenso, parou num tipo de caverna subterrânea – maior do que poderia ser esperado – e seus olhos analisaram o que tinha ao seu redor: cristais, ervas, livros. Tantas coisas que ela não tinha acesso e nem havia pensado, até o momento, em procurar. Não precisou observar muito tempo para entender que se tratava de algum esconderijo mágico de canalização de poder de Kalhezi; talvez ali estivesse a sua resposta. Havia um círculo desenhado bem no meio, e se sentou com as pernas cruzadas em borboleta e respirou fundo, em contraste com seu coração acelerado e temeroso.
— Kalhezi… Eu preciso de você. Ele tirou meus poderes — ela apertou seus punhos com força, assim como as pálpebras fechadas. — Por favor, Kalhezi, me ajuda.
! — a voz grave e estridente de Embry soou pelo corredor, indicando que ele já estava ali embaixo.
A garota se ergueu do círculo, pensou rápido e foi em direção às ervas empilhadas no canto. Não quis saber quais eram, apenas passou a mão na maior quantidade que pôde e as amassou, preparando-se enquanto Embry se aproximava, quando o corpo dele apareceu em seu campo de visão.
— Você vai se arrepen…
soprou o pó do meio da sua palma na direção do rosto dele, que acabou indo direto aos olhos. Embry se debatia com força, indo para trás e batendo contra a parede de terra. No mesmo momento em que isso acontecia, galhos saíram daquela terra antiga e passaram pelo braços, pernas, tronco e pescoço do garoto. Ele sufocou, olhando para ela de olhos arregalados. também estava atônita, pois nada daquilo havia saído dela. Ela pediu ajuda… e foi atendida.
— Você vai ter o que merece, Embry — a murmurou, sentindo algo encostar em seu ombro. Virou-se e viu que era um tipo de corda que vinha do teto. Ela sorriu. Uma luz de esperança. — Mas eu não tenho tempo pra você agora. Há coisas mais importantes acontecendo lá fora. Mas tenha certeza de uma coisa… — segurou na corda, olhando-o por cima do ombro. — Ela não terá piedade de você.
Enquanto subia e recebia a luz do dia novamente, pôde ouvir os gritos de desespero de Embry, mas isso não lhe deu remorso algum. Em outro tempo, talvez acontecesse, mas agora, depois de tudo o que passou nos últimos meses e tudo o que sabia, sentia-se apenas aliviada por ouvir aqueles gritos.
Quando seu corpo caiu na terra, o buraco logo ao lado se fechou, e não havia mais ruído algum. Como se nunca tivesse acontecido.
Paul.
O nome veio em sua mente e se ergueu, correndo de volta pelo mesmo caminho que havia feito. Por sorte, encontrou-o sentado, ainda desnorteado, porém começando a recobrar sua sanidade. Pelo visto, além de tudo, Embry era burro, porque errou nas doses do sonífero.
— Eu não me sinto assim há muito tempo. O que aconteceu? — sua expressão era da pior ressaca da sua vida. quis rir, mas o riso rapidamente se esvaiu.
— Não temos tempo agora. Tudo que te direi é que irei descer e ajudar lá embaixo, você querendo ou não. Não tem como me impedir. E se você quiser… pode vir junto comigo.
Houve um momento de silêncio. Paul apenas a encarou, logo em seguida procurando claramente o amigo com os olhos.
— Como eu disse, o tempo é curto — a garota continuou. — Pessoas estão morrendo lá embaixo. Você vem ou não?
— Vamos — a resposta veio mais rápida dessa vez, e ela agradeceu, porque não havia como descer até o campo coberto de gelo se não fosse por ele em sua forma de lobo. ainda estava sem poderes, mas tinha a sua fé. Ela sabia que Kalhezi tinha planos para ajudá-la em quaisquer circunstâncias.
Além de tudo, o cenário estava pior do que se poderia imaginar. Havia corpos de vampiros decepados para todo canto e pelo menos dois lobos agonizando no frio, nus e feridos. Ela desceu da garupa de Paul, ouvindo seus tênis baterem contra o gelo, e o arrepio correu por toda sua espinha. precisava acabar com aquilo, de uma vez por todas.
Paul parecia compreender. Ela apenas virou o rosto em sua direção, não demorando dois segundos em apenas olhá-lo até que ele se movesse e corresse em direção à briga.
Jacob ficaria furioso caso a visse ali agora. Com tanta coisa acontecendo, ninguém havia notado ali naquele momento, o que era a sua vantagem. Mas ela viu seu amado estirado no chão com a vampira em cima dele. Ela sentiu seu sofrimento só de olhá-lo, e as lágrimas vieram imediatamente em seu rosto.
Ela precisava salvá-lo, era a sua vez de demonstrar que poderia.
Dedos tocaram os seus e a garota se virou, tendo se assustado por um segundo antes de perceber Kalhezi logo ao seu lado.
— Você não conseguiria sozinha. E nem eu. Mas juntas… nós podemos — a mulher lhe sorriu, e retribuiu. Nenhuma palavra mais era necessária. Sua ancestral estava lhe dando um adeus, mas não para sempre.
Sua imagem se dissipou, e sentiu em suas veias a carne do seu corpo inteiro tremendo. Algo muito grande havia mudado. Kalhezi estava ali, dentro dela. E era muito poder para suportar; ela sentia como se pudesse simplesmente explodir. Sua ancestral estava cumprindo com o dever que não conseguiu em sua época: derrotar os inimigos da tribo. Derrotar o traidor. Tudo estava sendo reparado. E ela voltava para onde sempre deveria ter estado: em algum lugar dentro de . Mas, agora, ainda era diferente. Ela havia dividido seu poder com a e a garota se sentia invencível.
Com um movimento de sua mão, a vampira em cima do corpo de Jacob, já humano e nu, fora estirada para longe, e os olhos escuros do amado a miraram com tristeza e cansaço.
— Você não… — a voz rouca dele foi interrompida por ela, que cobriu seus lábios.
— Vai ficar tudo bem, meu amor. Confia em mim. Okay? — segurou sua mão, e ele assentiu lentamente. Como se tivesse algum tipo de escolha, afinal de contas.
o manteve aquecido, tocando seu peito e ajudando com suas feridas de imediato. Sabia que o trabalho seria mais árduo por conta das mordidas espalhadas pelo seu corpo, mas uma ajuda maior chegou quando Emmett derrapou logo ao lado deles, cedendo pelo menos um casaco de suas peças de roupa para que Jacob pudesse se sentir melhor.
se levantou no exato momento em que Edward também chegou para ajudar o lobo. Os vampiros ainda se encontravam incandescidos; era como se ela estivesse vendo várias e várias cabeças de pessoas apenas famintas. A garota estava sendo movida por seus instintos. Seu corpo agachou e ela sentiu novamente aquela carga forte tomar todo o seu corpo antes de espalmar a mão contra o gelo, com o olhar erguido para alguns deles que vinham em sua direção.
— Morram — a voz saiu suave por seus lábios.
Houve uma explosão.
Foi um barulho estrondoso, e não saiu do lugar; seus fios de cabelo se ergueram com a pressão que veio contra ela, mas isso não era nada comparado ao que acontecia a alguns metros. Todos os recém-criados começaram a sucumbir, de maneiras diferentes. Outros simplesmente começaram a pegar fogo, os corpos ainda se movendo enquanto estavam em chamas. Outros tinham as cabeças explodidas enquanto a outra parte deles simplesmente caíam, sem nenhum dano físico aparente. Apenas mortos.
ainda ficou um tempo naquela posição, com os pés no chão, agachada, com a mão na superfície gelada. Preparada para caso alguma outra coisa desse errado, mas… Não. Eles estavam rapidamente no chão, mais uma legião de corpos mortos jogada naquela superfície.
Quando finalmente se ergueu, olhou para a própria mão antes de se virar, tendo o olhar de todos agora sobre ela. Teria se divertido com aquilo se Jacob não estivesse ainda desacordado e emanando péssimas energias.
— Estou impressionado — foi Edward que falou enquanto ela assistia Emmett colocar o corpo de Jacob em cima de Paul para irem embora. A apenas sorriu sem mostrar os dentes. — Meu pai vai ajudar. O resto de nós vai cuidar dos corpos que ficaram.
— Obrigada, Edward — ela se virou em sua direção, pegando em uma de suas mãos e acariciando seu dorso. — Você tem um ótimo coração. Quer dizer… — soltou uma pequena risadinha. — Se não estivesse morto, teria. Vocês todos. Vou arrumar uma forma de agradecer melhor depois.
E com aquilo, tão rápido quanto haviam chegado, estavam se afastando. As próximas horas foram horrendas, ouvindo do lado de fora os gritos de dor de Jacob por horas. Não havia nada que pudesse fazer com a sua magia que fosse além de algo superficial, então se contentou apenas com a xícara de chocolate quente que lhe foi oferecida pelo sogro do lado de fora da cabana.
E quando acabou, pela madrugada do dia seguinte, Jacob dormia tranquilo, com a maior parte do corpo enfaixado. Mas ele ficaria bem, Carlisle assegurou. Assim que o vampiro se retirou para verificar sua própria família, julgou ser o momento perfeito para contar a todos sobre o ocorrido na floresta.
Obviamente, foi um choque para cada um ali o que Embry havia feito. Eles procuraram pelas próximas horas, mas seu corpo não foi encontrado. E nem nunca mais seria. Kalhezi se assegurou de que todo aquele ódio dentro dele fosse embora para sempre. E não havia volta para isso.
A fez uma caminhada matinal em direção à cachoeira, onde ficava o encontro de sua ancestral com seu amante. Tocou seus joelhos no chão e fez aparecer uma rosa branca, a qual depositou no local onde ela julgava que Kalhezi apreciaria.
— Obrigada por tudo. Eu sei que… você não vai me responder agora, mas sinto você em mim. Sinto que você nunca vai me deixar. Nada disso teria sido possível sem que me ajudasse. Eu espero que você esteja em paz. Espero, de coração, que tenha encontrado algum conforto que não aconteceu no seu passado — olhou ao redor, apenas ouvindo o som dos primeiros pássaros do dia. — Creio que agora esteja inteiramente em minhas mãos.
ainda permaneceu ali por um bom tempo, e quando retornou à casa de Jacob, recebeu a feliz notícia de que ele havia acordado. Talvez fosse a adrenalina de tudo ainda correndo por seu corpo, mas a se recordou, ao adentrar no quarto, de que não dormia há muito tempo. E nem mesmo se sentia cansada.
O sorriso tomou seu rosto quando se aproximou e se sentou na ponta da cama, encarando Jacob, que a olhava com toda a devoção e amor de sempre. Nesse momento em específico, provavelmente estava em seu ápice.
— Casa comigo — ele soltou enquanto ela ainda arrumava as cobertas sobre o corpo dele para iniciar quaisquer conversas. A lhe mirou com os olhos arregalados. — Eu não estou delirando, se é isso que passou pela sua cabeça.
— Você é mesmo louco. Não somos muito novos para nos casar? — apesar de suas palavras, ela já estava sorrindo, capturando uma de suas mãos e acariciando sua pele extremamente quente. — Isso é medo de eu ir embora? Eu estou aqui.
— Não… Que bobagem — ele tentou se mover para se sentar e ela rapidamente o repreendeu. — Eu só… Você viu como em questão de segundos tudo pode mudar. Eu poderia ter morrido. Não podemos perder tempo.
A tocou seu rosto e ele soltou o ar, fechando os olhos por alguns momentos.
— Me disseram que você fez uma chacina e tanto. Gostaria de ter visto.
— Você está mesmo consciente. Já está até falando merda — ela ergueu uma de suas sobrancelhas e se inclinou, beijando seus lábios suavemente. — Muitas coisas aconteceram. E eu te contarei tudo depois, quando estiver se sentindo melhor. Por hora… apenas descanse. Por favor. Não vai ter casamento se você não se recuperar.
Os dois sorriram juntos dessa vez.
Com , houve uma renovação no acordo entre Cullen e Quileutes. Ela era o novo e melhor selo de paz entre eles. Claro que nada era perfeito, e não era como se todos magicamente começassem a ser amigos. Mas havia paz, plena paz, pela primeira vez. Ela havia criado um vínculo de afeto por todos aqueles vampiros que insistiam em seguir de forma diferente dos outros de sua espécie.
Os dias foram passando rápido depois que as coisas voltaram ao normal. Ainda fazia frio, como sempre, nas cidades vizinhas. Mas no dia em especial em que e Jacob estavam na praia de La Push, fazia um sol incomum por entre as nuvens carregadas.
Como de costume, os meninos estavam se divertindo entre a água e jogos com bola pela areia. A se encontrava entre as pernas de Jacob; seu corpo recostado no peitoral forte e nu enquanto as pernas sentiam o pinicar leve da areia correndo pela pele.
Ele acariciava seus braços com os dedos de forma distraída, os olhos atentos aos movimentos ao redor, e pequenas risadas saíam de seus lábios hora ou outra com o que via. As férias estavam acabando. Alguns deles ali ainda tinham que ir para a escola, o que não era o caso de nenhum dos dois, claro.
— Eu tenho uma novidade — a se moveu, afastando o corpo de seu peito apenas para se virar em sua direção. Arrastou os óculos escuros para seus fios de cabelo, encarando-o diretamente. — Eu queria esperar para o jantar mais tarde, mas… simplesmente não consigo — ela tinha um sorriso enorme no rosto. — Os Weber concordaram de eu me mudar permanentemente para a casa deles. Aparentemente me amam. Disseram que eu posso fazer faculdade em Portland e…
Não conseguiu terminar o que falava, porque logo em seguida seus corpos rolavam pela areia, entre tapas e risos. Ela estava abaixo dele, recebendo um daqueles beijos que poderiam ser providos apenas por Jacob Black. Como ela poderia ficar sem isso, afinal? Seria a sua ruína. A ruína para os dois, que se encontravam tão imersos naquele amor que iria além de qualquer barreira, que talvez nem mesmo conseguissem retornar para a realidade algum dia de suas vidas. Afinal, era para sempre.
— Nossa. Não estava esperando tanta animação — ela riu, com os braços por trás de sua nuca. — Meus pais ainda estão na Califórnia. Eu teria que ir para lá se meus tios não tivessem me apoiado a continuar aqui. Eles sabem o quanto você é importante para mim. Bom… não sabem o quanto de verdade. Só um pouquinho — roubou outro beijo do lobo, que soltou o ar contra seus lábios.
Na mente dele, qualquer e todo momento com ela poderia ser confundido facilmente com qualquer sonho que tivesse em sua vida inteira. Sabia que as suas vidas seriam complicadas, mas tudo isso era apenas detalhe de frente para todos os planos que tinha com ela para os próximos anos de sua vida juntos. Incluindo casamento, uma família… Ela chamaria a sua atenção se ele voltasse ao assunto, mas era uma realidade. Apesar de qualquer coisa, não havia pressa. Eles tinham a vida inteira para viver tudo o que queriam.
— Eu te amo, Weber — seus dedos se ergueram para acariciar a bochecha pálida da sua garota; o dedão correndo por seu lábio inferior antes de avançar sobre ela mais uma vez, tornando a beijá-la sem se importar com a algazarra dos amigos que acontecia ao redor deles.


Continua...



Nota da autora: Ai, gente… chegou ao fim. Dá pra acreditar? Estou com meu coração quentinho tendo chegado ao fim dessa fanfic. Passamos muito tempo por aqui e tudo foi muito especial para mim. A história, as personagens, o desenvolvimento de tudo. Os comentários de vocês, o apoio. Muito obrigada mesmo a vocês que ficaram por aqui e para os que gostaram da minha história também. A fanfic chegou a ficar em primeiro lugar em uma semana… eu surtei muito. E um agradecimento especial a Margo, claro, minha beta maravilhosa que ficou comigo por aqui esse tempo! E eu estava pensando… quem sabe fazer uma continuação, um spin off, com foco no Paul? Creio que ele merece essa atenção. Quem sabe. Né? Me digam nos comentários a opinião de vocês!
Um beijo no coração de todos!
Big xoxo


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