Contador:

Última atualização: 07/07/2020

Capítulo 1 - Amor à Primeira Vista

Não sei em que ponto essa história deixou de ser um sonho em um diário pra se tornar realidade, agora os fatos se confundem um pouco na minha cabeça. Só sei que tudo se tornou uma realidade muito boa.
2003… Diário, aqui estou eu sozinha em minha casa escrevendo para o nada e olhando para as paredes, pensando que há um ano eu estava em uma casa cheia de gente com risos e alegria…
- Quer saber? Eu cansei de escrever, vou assistir televisão. - Liguei a TV e comecei a passar os canais sem prestar a menor atenção em nada; já que a imagem da minha televisão estava uma droga. De repente paro na MTV e resolvo deixar, já que estava passando um clipe do Justin Timberlake e eu gosto bastante do clipe. E claro, gosto do Justin, porque ele é um gato. Fiquei ouvindo a música e fui fazer minhas tarefas diárias mecanicamente e sem a menor vontade. Quando finalmente terminei, resolvi parar para realmente assistir televisão.
De repente começou a passar um clipe que eu nunca tinha visto antes: cinco caras que faziam de tudo por garotas, e se quebravam inteiros no decorrer da história, eu achei aquilo hilário e comecei a rir sozinha em casa… Aquilo me fez bem, já que fazia tempos que eu não sabia o que era sorrir.
I’m Just a Kid…
De tanto rir não consegui ver de quem era a música e fiquei irritada comigo mesma, então resolvi sair pra esquecer a raiva e fui visitar um amigo. Chegando à casa do meu amigo, deparei-me com a porta fechada.
- Que legal, viagem perdida. - Pensei mais irritada ainda.
No caminho de volta pra minha casa eu acabei passando na frente de uma lan house, então tive uma ideia: acho que vou pesquisar na internet pra saber quem era aquela banda da TV.
“Mas que droga, já estou na internet faz uma hora e não consegui descobrir nada sobre a banda que eu vi e meu tempo já vai acabar.” Dito e feito, meu tempo na internet acabou e eu tive de voltar para casa; à noite fiquei tentando lembrar da música. Até conseguia cantarolar umas frases, mas nada que me ajudasse a lembrar o nome da tal banda.
Amanheceu e eu acordei apressada para me aprontar para o trabalho. Minha sorte era que meu trabalho ficava perto de casa. Liguei o rádio na minha estação favorita, a Mix FM e fiquei escutando enquanto tomava café e me aprontava. De repente, começara a tocar a bendita música da tal banda. Ouvi a música com atenção tentando decorar algo que me dê alguma pista. Ouvi até o final, mas o cara da rádio não falou o nome da banda, e como eu já estava atrasada, desliguei o rádio e saí para o trabalho irritada mais uma vez por não descobrir o nome da banda que já estava me tirando o sono de tanta curiosidade. Cheguei no trabalho bufando de raiva. Meu amigo percebeu e veio me perguntar:
- O que foi, ? Por que você está tão brava logo cedo?
- Nada não, . É besteira minha, eu estava ouvindo rádio em casa e não consegui descobrir o nome de uma banda é só isso.
- Ah, é só isso? Deixa isso pra lá! Vamos começar a trabalhar. Vou deixar o rádio daqui ligado, se passar a tal música você me fala, que se eu souber quem canta eu te digo. Aonde foi que você ouviu?
- Eu ouvi a música na rádio Mix FM, só que não sei o nome da música e muito menos o nome da banda. Isso está me dando nos nervos. – Respondi em um tom de raiva.
O dia passou sem muitas novidades e com o rádio ligado durante todo o dia, quando faltava meia hora para o meu turno acabar a bendita música começara a tocar. Dei um grito.
- A música é essa, escuta aí. Você vai gostar. Agora me diz que você sabe quem canta?
escutou com atenção durante cinco minutos. Virou na minha direção rindo e disse:
- Ah, é essa a música que você tanto quer saber, ?
- É criatura! Fala logo!!! Quem é que canta?
ainda rindo me respondeu:
- Essa banda aí é o Simple Plan.
Eu não sabia se ficava feliz por ter descoberto o nome da banda ou confusa por nunca ter ouvido falar neles, então eu repeti sem entender.
- Simple Plan… Quem são eles?
- Eles são uma banda nova do Canadá, eles fazem um som legal. Nossa, , como você tá desinformada, eu até tenho esse CD deles. Se você quiser eu te empresto.
- Ah, valeu senhor cultura, eu estou sim desinformada. Mas quero me atualizar… Me empresta o CD pra eu ouvir e depois eu te devolvo. Agora, tchau , deu a minha hora. Até amanhã e valeu por me ajudar com o mistério. - Soprei um beijo no ar para o e fui pra casa com o CD do Simple Plan nas mãos, louca para ouvir e saber se iria gostar.


Capítulo 2 - Vencida

Eu mal cheguei em casa e já coloquei o CD no rádio para ouvir. Primeiro ouvi o cd inteiro uma vez, prestando toda atenção a cada música tentando pegar o inglês que para minha surpresa era fácil, simples e limpo, e assim, era melhor decorar, já que eu sou apaixonada por inglês.
Depois programei o “repetir” do rádio e ouvi cada música… Uma, duas e até três vezes seguidas até estar cantando pelo menos o refrão de cada uma das músicas sem muita dificuldade. Logo de cara eu já escolhi minhas favoritas como: My Alien, One Day, I’m Just a Kid e Perfect, e eu nem sabia a tradução de nenhuma música ainda. Mas eu não entendia o porquê da música Perfect me fazer chorar.
Com o CD tocando fui fazendo minhas tarefas e me preparando para dormir. Desliguei o rádio e guardei o CD já que no outro dia teria de devolvê-lo ao . Liguei a televisão enquanto o sono não vinha, e como de costume, deixei na MTV. Mas, para minha surpresa, em um horário da noite a programação era com clipes legendados… De repente, quando eu já me preparava para dormir, começou a passar na televisão o clipe de Perfect com legenda. Eu levantei da cama num salto só e comecei a ler a letra com toda a atenção, só que nem consegui ler até o final, porque comecei a chorar antes disso.
Principalmente na frase: I”m Sorry I cant” be Perfect…
Me desculpe eu não posso ser perfeito…
Agora eu sabia porque aquela música tinha me feito chorar logo de início. Eu sabia que não era perfeita, sabia porque ninguém me queria por perto, por que o pai do tentou me estuprar e por que eu estava sozinha. Porque eu não era nada!! Aquilo era realidade pra mim, tudo o que eu sofri, já não me afetava tanto, só se eu pensasse a respeito, coisa que eu evitava. Fui dormir feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz, porque finalmente tinha resolvido o mistério e descoberto o nome da banda. Tomei o cuidado de anotar o nome do CD que seria minha próxima compra sem dúvida: No Pads, No Helmets, Just Balls… E estava triste, porque de alguma forma aquela música me fazia lembrar todo o meu sofrimento e agora que eu sabia o que ela dizia fazia mais sentido pra mim. Um pai que não aceitava as escolhas de seu filho e que sempre o criticava e o desaprovava em tudo. E aquilo escrito na letra de certa forma me deixava triste. Por quê? Porque eu queria ter um pai que me desaprovasse e que me falasse que eu não era perfeita, mas eu não tinha. Eu não tinha nada, nem ninguém, estava absolutamente sozinha no mundo e na vida. Esse pensamento me fez querer chorar de novo, então desliguei a TV e liguei o rádio de novo, coloquei o CD num volume baixo e deitei na cama ouvindo cada música de forma calma e tranquila. Quando chegou em I’m Just a Kid eu me lembrei da cena do clipe que eu tinha visto na TV e aquilo me fez rir de novo. Estava rindo da lembrança do clipe, aquilo era estranho, mas eu me senti melhor, ri sem ter um motivo aparente, ri sem ser um sorriso forçado ou rir por obrigação. Era bom rir sem ter um motivo. Fiquei ouvindo o CD até de madrugada e nem sei bem a que horas peguei no sono, só sei que dormi ouvindo o CD do grupo canadense Simple Plan e por incrível que pareça, dormi muito bem; apesar do cansaço que estava sentindo e da enorme tristeza no meu coração solitário. Dormi bem mais vencida pelo cansaço. Cansaço de estar sempre sozinha, sempre de lado e sempre abandonada pelos outros. Daquele dia em diante eu teria uma companhia em minha casa, ou, pelo menos, em meu CD player e seria o CD do Simple Plan que sem motivo nem razão, sem eu nem saber quem eles eram, vendo um clipe na televisão, me fizeram voltar a sorrir, mesmo que por um motivo tão bobo. Por causa da música deles eu voltei a sorrir, e a ter um breve momento de diversão e alegria na minha complicada esfera de solidão. Peguei no sono com uma ideia fixa na cabeça. No dia seguinte eu iria à loja comprar o CD do Simple Plan, tendo o dinheiro ou não, não me importava, eu queria e teria aquele CD, custasse o que ele custasse e com essa ideia fixa na cabeça e no coração eu adormeci. Acordei mais cedo que o normal e coloquei o CD no rádio. Fiquei ouvindo até dar a hora de eu sair pro trabalho. Fiquei feliz com as músicas que estava ouvindo. Peguei o CD e saí para o trabalho. Chegando lá, mal me vê e pergunta:
- Bom dia, !! Que cara de felicidade é essa? E meu CD, você trouxe?
- Bom dia pra você também, , eu estou feliz porque dormi bem e sim, eu trouxe seu CD. E por que você nunca me falou dessa banda antes?
- Ah, você sabe né, , o pessoal não gosta muito do meu estilo de música e de roupas, eles me acham emo e dizem que tudo que eu escuto é coisa de emo… Acham também que eu sou gay, por isso eu achei que você não ia gostar.
- Poxa, que isso, , eu gosto de você porque você é meu melhor amigo, independente das suas roupas, gosto musical ou opção sexual… E você sabe que eu sei qual é sua opção, né?
Quando disse isso comecei a rir muito e percebeu que eu sabia bem qual era a preferência dele.
- Shhhhhh, , pelo amor de Deus, vai… Eu sei que você sabe que eu sou gay, mas os outros não precisam saber. Agora para de rir de mim.
Controlei o riso e falei a sério com .
- Ah vai, , você acha mesmo que ninguém aqui já sacou que você é gay? Acorda, meu amigo, você não precisa ter vergonha de ser quem você é. Você é lindo, único e especial da sua maneira e eu, , te aceito do jeito que você é.
Para minha surpresa, diante das minhas palavras, veio correndo em minha direção e me deu um abraço, dizendo.
- Ah, , valeu. É por isso que eu gosto tanto de você e faço de tudo pra te ajudar e para agradecer por você não ter denunciado o traste do meu pai para a polícia pelo que ele tentou fazer com você.
- Você sabe que só não denunciei a tentativa do estupro por causa de você, né? – olho para séria e, não querendo falar sobre isso digo: - Ok, , chega de choradeira. Vamos a um lugar comigo?
- Aonde vamos, ?
- Eu quero ir a uma loja de CDs comprar meu próprio CD do Simple Plan, já que com o seu eu não vou poder ficar, né, amigo?
- Com certeza não. Eu amo esses meninos e morro de ciúmes do meu CD, só emprestei porque era pra você e sei que você é cuidadosa. Então vamos…
Fomos até a loja de CDs, chegando lá procurei nas prateleiras, mas não encontrei e então chamei o vendedor.
- Ei, moço, eu queria saber se vocês têm um CD?
- Bom, moça, aqui é uma loja de CDs. Que CD você quer?
Diante da grosseria do vendedor, eu respondi numa rajada só.
- O cd do Simple Plan vocês têm?
O vendedor me olhou assustado por minha resposta, percebeu que foi mal educado e tentou ser gentil.
- Ah, eu tenho sim, tá aqui.
Eu percebi que ele só queria se corrigir, e que na verdade ele nem sabia direito quem era a banda. percebeu minha raiva e perguntou para o vendedor.
- Ei, moço, essa banda tem mais algum CD lançado?
Eu olhei para o que piscou pra mim enquanto esperava a resposta do vendedor. Ele gaguejou um pouco antes de respondê-lo.
- Huumm… É… Er…. Eu acho que esse é o primeiro CD dessa banda. O pessoal normal não procura muito o CD deles por aqui.
Ao dizer isso o vendedor olhou direto para . Eu percebi que o infeliz do vendedor estava insultando , e para terminar a discussão perguntei:
- Tá certo, então este é o primeiro CD da banda… E quanto custa?
- Trinta reais, vai levar?
Eu vacilei porque só tinha metade do dinheiro. percebeu minha tristeza, olhou para mim e voltou a fitar o vendedor abusado em seguida, dizendo.
- Sim, ela vai levar, pode embrulhar!
Saí da loja superfeliz com meu CD novinho em folha nas mãos, e agradecendo muito ao meu amigo , porque se não fosse ele completar o valor do CD, eu nunca o teria em mãos.


Capítulo 3 - Determinada

Minha rotina diária seguiu normalmente, só que agora com uma motivação diferente; não só de casa trabalho, trabalho pra casa, agora no meu tempo livre e nos dias de folga eu passo a maior parte do tempo possível na lan house ou na casa do pesquisando, procurando saber a tradução das músicas e ver os clipes do Simple Plan. Eu tinha sorte por ter , já que ele me deixava usar seu computador o tempo que eu quisesse e a gente aproveitava pra conversar muito sobre tudo.
Em um dia qualquer eu perguntei pra ele o porquê dele gostar tanto da banda Simple Plan e a resposta dele me surpreendeu:
- , eu gosto do som dos caras porque eles são como eu! Cada música que está nesse CD parece que foi escrita pra mim e principalmente a música Perfect.
Eu que até então só estava ouvindo o que dizia parei de prestar atenção no computador e olhei pra ele.
Quando olhei pra meu amigo, vi que ele estava com lágrimas nos olhos e entendi o que ele quis dizer, sem ele precisar de fato falar.
- Ah, meu DEUS!!! , seu pai não te aceita, não é mesmo?
me respondeu com um aceno de cabeça e me abraçou forte buscando apoio.
, assim como eu, não tinha mãe. Ele vivia com o pai que era um alcoólatra e não aceitava as escolhas do filho. Eu e ainda estávamos abraçados quando eu coloquei o clipe de Perfect pra rodar.
Nós ficamos abraçados até o clipe terminar, e quando a música acabou me olhou fundo nos olhos e disse:
- Tá vendo por que eu gosto tanto de você, ? Porque você é minha melhor amiga, me faz companhia, me ouve e me entende… E o mais importante, você não me julga por eu ser quem sou.
- Ei, , para com isso, vai. Nós dois somos iguais, duas pessoas loucas julgadas pela sociedade.
Ao dizer isso nós dois rimos e isso era bom, poder fazer meu amigo sorrir quando ele queria chorar. Fiquei na casa de mais algumas horas, daí fui pra casa sob os protestos de que eu ficasse pra jantar com ele. Quando cheguei em casa tomei um banho ouvindo meu CD e fiz um lanche rápido. Já sabia bastante informação sobre a banda, sobre cada integrante, tipo data de nascimento, signo, manias e descobri que antes de serem o Simple Plan eram a banda RESET. Se passaram dias, semanas e minha determinação só aumentava. Eu queria saber mais e mais sobre a banda. Comecei a comprar revistas e pôsteres com fotos da banda e forrei as paredes de minha casa por completo. Comprava várias revistas com letras traduzidas para aprender melhor a cantar as músicas e ouvia muito as rádios, e sempre que dava pedia as músicas nas rádios por telefone ou internet. Até que um dia eu estava na casa do e ele falou:
- Nossa, , quem diria que você ia gostar tanto assim da banda, né? Se eu soubesse tinha te falado deles antes.
- Pois é né, , e a culpa é sua! Foi você quem me viciou. Quem diria que lá em 2oo3 eu seria tão fã assim do Simple Plan e hoje dois anos depois, se tudo der certo, eu talvez até conheça eles. - Ao dizer isso, olhei pra ele rindo. Ele sorriu de volta e disse:
- Ah, tá bom. Nós vamos conhecer a banda que amamos, tenha fé, gata..
me fala com aquela voz toda afetada.. Tá chega de baixo-astral me fala.. , qual dos meninos você gosta mais?
Diante dessa pergunta difícil eu parei e pensei uns minutos…
- Caramba! Agora ferrou! Bom… O Chuck é um gatinho, o Seb é uma coisa de louco, o Jeff é uma delícia e o David… Ai, meu Deus! Todos são demais, mas sei lá, eu acho que o meu favorito é o Pierre. Ele tem alguma coisa que me encanta, me fascina e um sorriso lindo de morrer. – Suspirei ao dizer.
- É, amiga, concordo com você nesse ponto, todos são uns gatos e o Pierre é um pecado de tão lindo. Mas o meu favorito é o David.
- Por que o David?
- Ah, sei lá, ele tem um jeitinho meio: ai, meu Deus se eu pudesse eu te pegava, eu adoro o cabelo dele, ele é tão branquinho… Tem um sorriso que me tira o ar, e ele é uma delícia.
Olhei pra meu amigo rindo, feliz por termos os mesmos gostos e fiquei feliz porque juntos nós podemos ser quem somos, sem precisar fingir um pro outro ou se esconder.
ligou o rádio e estava passando que música? I’m Just a Kid. Nós dois vibramos de alegria e quando a música acabou o locutor deu o seguinte aviso: “Atenção fãs da banda Simple Plan. DEPOIS DE DOIS ANOS DE FÉRIAS… Já que a última vez em que os caras estiveram no Brasil foi em um show da Mix. Vocês que querem conhecer a banda vão ter uma oportunidade única. Escrevam uma carta de próprio punho dizendo o porquê merecem conhecer a banda, não importa o tamanho da carta, mas tem que ter um motivo; a melhor carta vai ganhar o direito de conhecer os caras e de assistir ao show em área privada e ainda tem mais uma surpresa que os caras do Simple Plan reservaram, mas essa surpresa vai ser só para o ganhador do sorteio. Serão dez ganhadores pra assistir ao show e conhecer os caras e um dentre esses dez vai ganhar a surpresa extra! Então corram, pois o tempo é curto.
e eu nos olhamos e demos um berro de tão animados que ficamos, e fomos os dois escrever suas respectivas cartas, sempre ajudando um ao outro.
Só tinha um problema: o cara da Mix FM não disse quando seria o show, nem quando seria o sorteio, e nenhum de nós tinha visto nada na internet em tantas semanas de pesquisa. Será que seria um show fechado e exclusivo? Quando seria o show? Quanto tempo tínhamos? Quando seria o sorteio? Será que estaríamos entre os dez sorteados? Eles teriam intérprete nesse show pra quem não falasse inglês? Sem saber as respostas às nossas perguntas, e eu começamos a escrever nossas cartas o quanto antes para irmos até a rádio entregar.



Capítulo 4 - Esperança e Expectativa

Já que ninguém sabia se teríamos intérprete no show, e como o cara da rádio disse: - Seria o primeiro show deles no Brasil em dois anos, então seria uma chance única e por isso tratamos de aprender alguma coisa pra não ficarmos só no ‘’My name is’’…. Só que nenhum de nós tinha como fazer um curso de inglês; eu sei, tivemos dois anos pra aprender algo mas, infelizmente, nem , nem eu tínhamos grana sobrando pra fazer o curso de inglês desde que eu tinha conhecido a banda, eu por pagar aluguel e ter que viver e por ter que sustentar o bêbado do pai, então teve uma ideia:
- Já sei! Vamos traduzir todas as músicas do cd e sem a ajuda da internet, só com o dicionário mesmo, e vamos assistir muitos filmes e seriados. Quanto mais melhor.
Diante da empolgação de , eu achei que aquela ideia maluca pudesse dar certo. E nós prestamos atenção nas falas, porque escrever já sabíamos um pouco, o difícil era falar. Enquanto não saía o resultado da promoção, nós dois nos dedicamos unicamente a aprender mesmo que fosse só o básico, e de tanto estudarmos juntos, acabamos decorando frases prontas e até já conseguíamos conversar em inglês entre nós dois, nesse tempo de estudo com eu tinha tido uma ideia legal pra minha carta: mandei imprimir cinco fotos diferentes dos meninos em folha sulfite e escrevi a carta atrás; a ideia do foi parecida com a minha só que ele fotografou os próprios pôsteres, imprimiu as fotos e fez a carta. A carta dele era bem maior que a minha, dava aproximadamente dez folhas, enquanto a minha tinha apenas sete, mas eu não desanimei… Acreditava cegamente que eu iria ganhar o sorteio. Antes de fazer a carta, fiz um rascunho pra não ter erro resolvi usar a carta que escrevi quando me apaixonei pela banda e por Ele.
Diário 2003… Vou escrever essa carta aqui primeiro para que se ela não chegar até eles, eu saber que pelo menos eu tentei, lutei, fiz tudo o que pude para vencer.

“Sabe quando você ama uma pessoa sem nunca tê-la visto antes, quando só o fato de você ouvir a voz de alguém já torna o seu dia melhor? Pois é isso que acontece comigo sempre que escuto a voz de vocês, seus sorrisos bobos às vezes alegram o meu dia, suas brincadeiras às vezes sem motivos nos vídeos me fazem sorrir quando eu nem quero estar alegre, quando na verdade tenho é motivos para chorar. Querem saber por que eu amo tanto vocês? É porque por causa de vocês minha vida triste e cinza tem um sentido, um propósito. Por causa das suas músicas eu voltei a sorrir e pude dizer à felicidade: bem vinda à minha vida! Pode passar o tempo que for, eu vou esperar para sempre por uma oportunidade de encontrar vocês. Pode levar o tempo que for, por amor a vocês eu vou continuar aguentando firme. Agradeço a vocês: Pierre, Sebástien, Chuck, David, Jeff e ao Patrick também por fazerem parte da minha vida ,e por fazerem minha vida ser um pouquinho menos difícil e triste. Amo todos os seis com todas as forças do meu coração e de toda a minha alma. Digo seis porque o Patrick pra mim faz parte da banda também. Vocês são únicos pra mim, e quando um de vocês não está presente nas apresentações ou em algum programa ou vídeo, me dói na alma, porque parece que falta um pedaço, não está completo e isso faz eu sentir que falta um pedaço de mim também. Dói na alma e no coração. Todas as palavras conhecidas que eu usar, seja no inglês ou no português, não vai expressar o tamanho e a dimensão do meu amor por vocês. Só posso dizer que os amo demais; mais que tudo. É um amor além da distância e da razão. Tão grande que chega a doer. Pierre, Chuck, Seb, Jeff e David AMO VOCÊS!!!!!!!

Att: Ferrari"

Depois de minha carta pronta fiz o mesmo com as outra cinco cartas. Eu fiz uma carta para cada um deles e na última disse o quanto eu os amava de fato. Coloquei minha carta gigante no envelope gigante. também tinha terminado sua carta, então nós dois decidimos ir até a rádio entregar, já que a regra era entregar na portaria. Saímos cedo e chegamos à rádio que estava quase vazia. Depois de entregarmos nossas cartas decidimos passear. Fomos à galeria do rock, eu comprei pra mim uma camiseta nova do Simple Plan e o comprou para ele um All Star Converse.
Voltamos para casa e nosso dia de folga passou voando, cada um foi para sua casa, e como era de tarde fui fazer um lanche. Coloquei o cd pra tocar e fui comer… De repente, meu celular toca, e eu fui correndo atender.
- , é o . Liga a TV agora na MTV!
Ele disse em um tom de empolgação, e eu liguei a TV correndo. Eram os meus meninos na TV. Estava passando um programa de entrevistas e o grupo entrevistado era Simple Plan. Simplesmente dei um berro no telefone, o que deixou do outro lado da linha quase surdo. Desliguei o telefone e fui assistir ao programa.
Pierre estava falando sobre o cd: No Pads, no Helmets, Just Balls e nas inspirações para as músicas. Também dizia que Chuck o ajudou a escrever a música Perfect, que foi escrita por causa dos pais de Chuck, que sempre o criticavam em tudo… Assisti ao programa prestando atenção em todas as informações que eles passavam.



Capítulo 5 - Ainda parece um sonho

Nossa rotina seguiu sem muita novidade. Era casa, trabalho e internet sempre para sabermos algo sobre o show, mas nada acontecia! Nenhuma informação. Foram dias, se passou um mês, mas no dia 01 de novembro saiu a primeira notícia: a banda canadense Simple Plan vem ao Brasil para quatro shows:
17 de novembro no Rio Grande do Sul.
19 de novembro em Brasília.
21 de novembro Rio de janeiro.
E 23 de novembro em São Paulo, fechando a turnê.
Ficamos prestando atenção pra ver se o cara da rádio falava alguma coisa da promoção, mas nada. E no site da banda só dizia que eles fariam os shows no Brasil. Na primeira semana de novembro, logo de manhã o telefone do tocou e ele atendeu meio sonolento:
- Alô? – Disse ele tentando acordar.
- Sr. Havy?
- Sim, sou eu. Quem fala?
- Aqui é da Rádio Mix FM e você foi sorteado para conhecer a banda Simple Plan.
não acreditou no que ouviu.
- Como é, moço?! – acordou rapidinho, e disse em um tom de voz alto e empolgado.
- Você foi sorteado para conhecer a banda Simple Plan. Confirme seus dados. - tremendo e chorando confirmou os dados e aguardou o retorno da ligação para marcar dia e horário para a programação do show.
desligou o telefone e me ligou em seguida.
- , acorda! O cara da rádio me ligou! Eu fui escolhido para conhecer o Simple Plan!!!
Acordei num susto e tentei não parecer triste:
- Como é? Você ganhou? Que bom! Ai, estou feliz por você, amor.
Acordei ansiosa e angustiada esperando meu telefone tocar; deu dez da manhã, meio dia, uma da tarde e nada! Por volta das 16:00 chegou em casa todo feliz, notando que estava a beira de um desespero.
- Calma, , eles vão te ligar, é só ter fé.
Eu olhei pra ele com lágrimas nos olhos, mas não disse nada. Às seis horas da tarde meu telefone tocou, número restrito… Meu coração começara a disparar. Peguei o telefone às pressas e atendi, engolindo o choro.
- Alô?
- É a senhorita Ferrari?
- Sim, sou eu! Quem é?
- Eu sou da rádio Mix FM e você foi a décima pessoa sorteada para conhecer a banda Simple Plan! Parabéns!
Comecei a chorar, perder a voz… O cara teve que me chamar à realidade três vezes. Confirmei meus dados aos soluços, sem acreditar no que estava acontecendo. Ficou combinado que as dez pessoas sorteadas para conhecer a banda iriam se encontrar um dia antes do show para ser dito o que era ou não permitido.
No dia marcado e eu estávamos na rádio, era permitido tirar fotos a vontade e autógrafos também, só não era permitido gravar vídeos. Eu nem me importava de não poder gravar nada, as fotos já me deixariam muito feliz. Só tinha um problema… Eu não tinha máquina fotográfica, e agora? Comecei a entrar em desespero…
- , aonde eu vou conseguir arrumar uma máquina fotográfica? Eu não tenho ninguém que me arrume uma.
me olhou rindo...
- Como você pode rir com essa tragédia? Pare, por favor.
- , sua boba, já pensei em tudo. Você fica com a minha máquina e eu fico com a do meu boy emprestada pra mim; para de drama, eu vou te ajudar, relaxa.
- Ai, meu Deus, é sério isso? O que eu faria sem você, amigo? eu te adoro!
me abraçou e nós dois saímos da rádio e fomos pra minha casa, já que iria dormir lá pra facilitar no dia seguinte. Mal dormimos de tão ansiosos que estávamos.
Amanheceu e a gente acordou, se arrumou, mal comemos por causa do nervoso, e como combinado com o pessoal da produção, às 11:00 da manhã a van da rádio Mix FM buzinaria na minha porta chegando pra buscar a gente. Nós saímos no portão e vemos a menina da rádio esperando por nós. Aproximei-me dela, juntamente com , e ela nos cumprimentou.
- Bom dia! Eu sou a Sandra da rádio Mix, e nós viemos buscar vocês. Vamos?
e eu dissemos ao mesmo tempo:
- Bom dia, Sandra. E sim, vamos, porque estamos muito ansiosos. Quase nem dormimos direito. - Ela sorriu e nos mandou entrar no carro.
- Eu entendo vocês, isso é perfeitamente normal. Tem gente que até desmaia quando encontra os ídolos.
olhou sério pra mim e disse sorrindo para Sandra:
- Ah, pois esse não vai ser o nosso caso. Temos muitas fotos pra tirar e muitos autógrafos pra pedir, por isso vamos estar bem dispostos e acordados.
A van da rádio passou em outros lugares para pegar os outros fãs, e quando os dez entraram no carro, cinco meninos e cinco meninas, a van foi direto para o salão de festas da rádio. Chegamos lá por volta de meio dia e tinha todo um Buffet preparado, Sandra disse para almoçarmos primeiro para relaxar e descontrair um pouco. Fizemos o que ela mandou, embora ninguém de fato estivesse conseguindo comer direito por causa do nervoso e da ansiedade. Comemos e conversamos um pouco. Estávamos todos brincando e rindo. 13h00min em ponto ELES surgem no salão...”



Capítulo 6 - Não consigo acreditar em meus olhos

Todos os assuntos ficaram congelados. Paramos de falar e congelamos no lugar com a entrada deles. Eles perceberam o clima de espanto de todos. Os meninos da banda sorriram juntos - e que sorrisos -, falaram para fazermos uma fileira e um por um vieram falar com a gente.
- Oi, pessoal, tudo bem? Como estão vocês?
Perguntaram nossos nomes e se estávamos sendo bem tratados pela equipe. Muitos de nós nem tínhamos voz para falar com eles e mal conseguíamos dizer um oi.
Eu estava tão boba que comecei a sonhar acordada, imaginando o Pierre vindo falar conosco. Seb ficou com a gente por um bom tempo. Peguei-me sem querer olhando na direção de Pierre e pensando: “Será que ele não vai vir aqui falar com a gente? Eu queria falar com ele, mas não tenho coragem. Meu amor, tão lindo… Chuck interrompeu meus pensamentos.
- Você quer falar com ele, não é? Vai até lá, porque se você não for até lá, ele não vai conseguir chegar aqui nunca.
Eu me assustei por meus pensamentos serem tão claros em meu rosto.
- Quero muito falar com ele sim, só que eu tenho medo de ter um treco ou pagar algum mico, eu estou muito nervosa e não quero falar nenhuma besteira, nem fazer nada errado. – Eu disse ainda olhando para Pierre, aflita.
- Ei, Pierre, você pode vir até aqui, por favor? Tenho dois amigos para te apresentar. – Chuck disse me olhando nos olhos, dando uma piscadinha, o que fez meu coração acelerar. Tanto , quanto eu ficamos felizes por ele nos chamar de amigos, mas eu entrei em pânico com a aproximação de Pierre. Ele se aproxima de nós sorrindo e eu, já sem ar, deixei escorrer algumas lágrimas.
- Pronto, me apresente seus amigos. Estou ansioso para conhecê-los. – Ele disse com aquele sorriso lindo estampado no rosto.
- Bom Pierre, estes são e . – Chuck apontou em nossa direção; eu fiquei com mais vergonha ainda, e logo abaixei o rosto. por outro lado não cumprimentou Pierre com um aperto de mãos e um abraço, conversou com ele, pediu autógrafo e tirou várias fotos, enquanto eu fiquei congelada no lugar sem ação e muda feito uma idiota de tão nervosa.
Passados dez minutos, quando terminou com suas fotos, Pierre veio de novo em minha direção. Nesse momento eu olhei, mas não acreditei, me esqueci de como respirar e a voz ficou presa na garganta. Ele é o meu grande amor, o cara mais lindo de todos. Ele chegou bem perto de mim, e eu tremia. Como pode alguém ser tão perfeito?
- Oi, você não vai tirar foto comigo? De todos só falta você.
Meu Deus, o amor da minha vida perguntando para mim se eu quero tirar foto com ele? É claro que sim!
- Você é a , certo? Onde quer que eu autografe? – Ele sorriu para mim.
Ele também sabia o meu nome! Nada importava agora! Ele quer me dar seu autógrafo... Ai, onde mesmo? Ah, claro, na agenda.
Pierre ainda esperava minha resposta à sua pergunta sorrindo.
- Sim, eu quero tirar foto com você, meu nome é e você pode autografar na minha agenda. – Disse tudo meio rápido e atropelei as palavras. Ele deu uma risada mais debochada.
- , acalme-se, você está nervosa. Relaxa! Eu não vou morder.
Pensem comigo: relaxar? Como, hein? Se eu estou com a perfeição em pessoa na minha frente? E morder ,bom… Eu ia adorar se você me mordesse, Bouvier lindo!
Dei um sorriso sem graça ainda olhando para ele, já que não conseguia tirar os olhos do rosto dele, e quem consegue? Sem querer, deixei uma lágrima teimosa escorrer pelo meu rosto. Pierre me vendo chorar teve uma atitude que eu, ingênua como sou, jamais esperaria. Ele se aproximou mais de mim e bem delicadamente colocou a mão no meu rosto, enxugando a lágrima. Mais uma vez congelei no lugar sem reação; duas coisas diferentes acontecem ao mesmo tempo quando Pierre me tocou, foi um toque rápido e gentil, que fez todo meu corpo estremecer da ponta dos pés até o último fio de cabelo, e em seguida um calor me dominou. Começou no rosto e se arrastou por cada célula do meu corpo, indo morar direto no meu coração… Tão rápido e breve, mas tão importante para mim. Pierre Bouvier tocou meu rosto, isso eu jamais iria esquecer!
- Desculpe por isso, Pierre. Mas eu estou muito feliz de te conhecer, não queria chorar mas estou meio nervosa.
- Sem problemas, , eu entendo.
Ele tirou fotos comigo o dobro de que com os outros e ficou mais tempo comigo, o que me deixou muito feliz. Ele me perguntou sobre meus pais e eu disse que sou sozinha, que poucos sentiriam minha falta. A essa altura todos já estavam prestando atenção em nossa conversa, até Patrick que chegou depois tirando foto com os fãs, com e comigo, enquanto Pierre dava uma pausa nas perguntas para tomar um refrigerante. Mas por que Pierre estava me fazendo tantas perguntas? Não devia ser ao contrário? Isso era muito estranho…
O tempo passou rápido, já faziam duas horas que estávamos com eles.
- Pessoal, acabou o tempo de vocês, agora todos se organizem para sair, porque vocês vão ver um ensaio para o show de hoje à noite. – Disse a produção.
Todos ficaram superanimados ao saber que veríamos o ensaio e saberíamos a playlist do show. Na hora de sair, Chuck se juntou comigo e com e conversou animado querendo saber mais sobre o Brasil, o que me fez sorrir feito boba tendo a certeza que ele é a pessoa mais meiga, gentil e humilde… Apesar de todo o dinheiro e fama.
Todos foram a outro salão onde já estavam todos os instrumentos prontos. Chuck nos disse para ficarmos a vontade para fotografar e até filmar se quiséssemos, e os meninos pegaram seus instrumentos e começaram a afinar. saiu correndo do meu lado e ficou bem perto de David para vê-lo tocar.
- Você toca? – Disse David percebendo a admiração de .
- Ainda estou aprendendo, na verdade. Comecei a aprender por sua causa. – respondeu sem jeito.
- Então se dedique e estude muito, tente sempre ser o melhor músico que puder ser, nunca pare de estudar porque a música nunca para, ela sempre evolui e melhora a cada nota nova, a cada acorde diferente que a gente aprende. Aprendi isso com esse cara aqui. – David olhou para Jeff. - O melhor guitarrista que já vi e por isso sempre tento melhorar para seguir o exemplo dele. Jeff ficou sem graça e abraçou David.
- Pode deixar, eu vou sempre dar o meu melhor em respeito a vocês. – Disse quase chorando.
- Bom, pessoal, vamos começar a ensaiar. Se divirtam pra valer, ok? – Falou Pierre chamando a atenção do público.
Gritamos um “sim” em coro e eles começaram a tocar. Primeiro tocaram Everytime para aquecer os instrumentos, e depois tocaram Promise. A galera toda tirando fotos andando pelo salão para filmar melhor. O não saía de perto do David nem por tortura. Eu fiquei perto do pequeno palco que para minha sorte não era alto, e filmava tudo ali mesmo, cantando junto todas as músicas. Tocaram Jump e até umas músicas que não faziam parte do CD como Surrender (tema de O Quarteto Fantástico), Vacation (tema de No Pique de NY), e até Let me Go (do grupo Reset). Essa quase ninguém sabia, mas e eu cantamos e pulamos muito ao som de Let me Go, o que deixou Chuck e Pierre com um sorriso enorme, e para terminar o pequeno ensaio, eles tocaram Welcome to my life. Eu não aguentei e parei na hora abraçada com , e enquanto todos cantavam e pulavam, eu só conseguia cantar e tentar não chorar. Do nada Chuck saiu da bateria, deixou os caras tocando só voz, violão e guitarra e veio para o meu lado, me abraçando até a música acabar. Ao ver isso a galera gritou e começou a aplaudir. Desabei a chorar morrendo de vergonha. Quando a música terminou, eles desceram para se despedir.
- Bom, pessoal, vamos agora para o show, mas antes eu preciso dizer: não sei se vocês se lembram, mas ainda tem mais um prêmio…
Paramos curiosos e prestamos atenção.
- Bom, o prêmio vai ser ótimo e só vamos dizer depois do show. Curtam e se divirtam muito que depois do show vamos dizer qual será o grande prêmio.
Todos ficaram curiosos e meio decepcionados, então os meninos saíram do salão e foram descansar um pouco, já que ainda faltava uma hora para o show começar.
- E aí , está viva? Sobreviveu ao seu amado furacão Bouvier? – Disse que havia se lembrado que eu existia.
- E você sobreviveu ao tsunami Desrosiers? – Falei de forma debochada. Nós nos olhamos por um tempo e caímos na gargalhada, sem acreditar que nosso sonho estava se realizando.



Capítulo 7 - É HORA DO SHOW

e eu ficamos um tempo vendo as fotos um do outro e conversando com outros fãs, mas alguém se aproximou e fez a pergunta que ninguém queria pensar no momento:
- Ei, quem será que eles vão escolher para dar esse prêmio extra? O que será esse prêmio extra?
Eram tantas coisas acontecendo e eu ainda me perguntava por que o Pierre havia me feito tantas perguntas… Aquilo me perturbou.
- Quer saber? Quem ganhar vai ter muita sorte, mas por enquanto, vamos aproveitar o show como o Pih disse para gente. Depois a gente se preocupa com isso, que tal? - Todos riram de mim, mas pararam de falar porque sabiam que eu tinha razão, e se ficássemos pensando muito naquilo, não aproveitaríamos o show.
Faltando dez minutos para o show começar, o pessoal da produção chamou a gente e nos fez passar pelo palco onde os meninos já estavam prontos e posicionados. Quando passei por Pierre e ele me viu sorrindo e dando tchauzinho, eu quase morri e parei no lugar fazendo todos pararem também, batendo uns nos outros, o que fez Pierre rir mais abertamente e meu coração vacilar diante daquele sorriso lindo…
- , acorda. – percebeu que eu estava toda boba.
Fiquei assustada e saí andando. A produção nos colocou com os primeiros da grade, só que na frente deles, bem no meio com uma visão perfeita do palco… Nem era tão alto, para meu alívio.
Pontualmente o show começou às 20h00min.
- Boa noite, São Paulo! – Pierre gritou com aquele sotaque arranhado que eu tanto amo. Não me aguentei e comecei a gritar junto com todos. Eles começaram tocando Shut Up, que era uma música que ainda seria lançada no CD novo, e depois tocaram I’d do Anything, God Must Hate me, My Alien, I’m Just a kid e toda a galera cantava pulava e gritava muito. Eu já estava quase sem voz. Tocaram Addicted, Jump (mais uma do novo CD, o que fez todos surtarem) e finalmente Welcome to my life, outra do CD que eu já sabia inteira. Eu não aguentei desabei a chorar de novo, cantando com toda força e com o que me restava de voz. do meu lado também cantou, chorou e gritou, e na hora da música Perfect foi a minha vez de consolar que chorou e gritou para valer, e como já imaginávamos, Perfect foi a última música. Eles se despediram de todos fazendo promessas de que voltariam ao Brasil em breve e saíram do palco. O show acabou às 23h00min, quase três horas de show que passaram voando… O pessoal da produção nos mandou esperar para recebermos todos juntos a notícia de quem seria o ganhador do prêmio misterioso e para nos despedirmos dos meninos. E assim fizemos.
Por volta das 23h30min eles foram até a sala em que nós todos estávamos e se despediram de todos nós sem exceção.
- Ok, vocês todos estão ansiosos para saber qual é o tão misterioso prêmio, certo? Vou dizer…. – Disse Chuck.
- O ganhador ou ganhadora vai com a gente em turnê, mas não é a passeio não. A pessoa vai trabalhar com a gente na turnê como estagiária… – Seb interrompeu Chuck, mas nós o interrompemos, pulando eufóricos e desesperados.
- Ok pessoal, calma… Termine, Seb. – Disse Jeff chamando a nossa a atenção.
- Então… O ganhador ou ganhadora vai trabalhar com a gente por um ano, e se a dedicação e o progresso forem bons, o contrato pode ser estendido por mais um ou dois anos, quem sabe. – Seb terminou de falar, e a euforia e gritaria nos invadiram.
- Certo, certo… Agora acalmem-se. Podemos falar quem venceu? Ou melhor, a carta vencedora? – Pierre tentou chamar a nossa atenção, e nós paramos para ouvir de mãos dadas.
- Só quero dizer antes que todos vocês foram ótimos, e que foi uma escolha bem difícil, todos estão de parabéns e agradecemos de coração o carinho de todos vocês. Bem, sem mais demora, a carta vencedora nos agradou por vários motivos, mas foi todo o sentimento escrito com tanta intensidade e de forma tão simples e pura que chamou nossa atenção, de fato, e a minha mais ainda, porque me impressionou demais... - No meio da frase, Pierre parou de falar e olhou para todos. Eu já estava chorando abraçada com .
- A carta que venceu foi… – Pierre olhou para todos no círculo.
Minutos de suspense e tensão… Olhei nos olhos dele e esperei com o coração acelerado…
- A carta vencedora foi… A sua, Ferrari…. – Ele completou. - , você venceu! Meus parabéns!
Ele terminou de falar e veio para me dar um abraço. Eu mal compreendi o que ele disse direito, e todos os outros vieram me cumprimentar. Eu estava em estado de choque vendo todos me cumprimentando, sem acreditar e nem entender… “A carta vencedora foi a sua, Ferrari… A voz de Pierre ecoava na minha cabeça confusa… Eu ganhei o prêmio? Eu era a vencedora? Eu iria viajar com eles? Eu iria realizar meu sonho de estudar e aprender mais e com os meninos do Simple Plan? Só podia ser um sonho…
- Amiga, você ganhou! – me alcançou e foi me abraçando.
- Hã? O quê? Eu…
percebeu meu choque e me sacudiu com força, mas sem resultado, ele deu um tapa em meu rosto. Com isso, eu acordei do choque.
- Quê, ? Eu ganhei? Sério? Ai ,meu Deus, nem acredito…
- Ei, cara, cuidado, vai machucar nossa estagiária… – Pierre viu a cena do tapa e sorriu para nós.
- Que nada, tapa de irmão não dói. - Todos riram e eu ainda estava sem acreditar.
- , vá até sua casa com o motorista. Você tem um dia para resolver tudo, desculpe. Sei que é pouco tempo, mas só podemos ficar no Brasil mais um dia, na segunda feira de manhã temos que estar de volta ao Canadá e você já tem trabalho a fazer por lá.
- Não se preocupe, eu vou resolver tudo com o e estarei aqui o horário que você quiser. – Falei quase sem voz.
- Por hoje vá descansar, porque você vai precisar da voz. O motorista vai levar você e para o hotel em que estamos hospedados, e aí vocês descansam um pouco. Amanhã bem cedo você vai com o motorista resolver tudo, ok? E se der algum problema de última hora você me liga.
Pierre tirou o celular do bolso, prestes a me entregar quando percebeu que estava sem bateria…
Meu Deus! Pierre vai me entregar o próprio celular.
- Ah, que droga, está sem bateria… Resolverei isso já…Chuck, me faz um favor?
- Claro, fala aí, mano? – Chuck se aproximou de nós todo sorridente.
- Deixa o seu celular com a até amanhã, eu ia dar o meu para ela, mas o meu descarregou e eu vou precisar falar com ela para saber se está tudo bem…
Sem nem questionar, Chuck tirou o celular do bolso e me entregou.
- Cuidado com minha belezinha.
- Tá, você sobrevive. – Pierre notou minha cara de espanto e riu. - Pode usar o meu, Chuck. É só carregar.
Pierre jogou o celular e Chuck pegou no ar.
- Então, , vamos todos descansar agora. E se tiver problemas, me ligue.
Balancei a cabeça de forma positiva, indicando que sim. Incapaz de falar, eu já estava indo com o motorista que veio nos pegar assim que todos os outros fãs tinham ido embora, só esperava Pierre acabar de falar para então irmos até o hotel, quando de repente, Pierre parou no meio do caminho.
- ? – Disse ele.
Levei um susto e me virei para olhar em sua direção
- Sim?
- O meu número é o primeiro da agenda do celular do Chuck, ok? E mais uma vez parabéns, e boa noite. – Ele completou me dando mais um abraço, um forte abraço.
Olhei para o telefone em minhas mãos e para Pierre que saiu rindo da minha expressão confusa. Chegamos ao hotel por volta das duas da manhã. e eu desmaiamos exaustos, sem saber se tudo o que tinha acontecido naquele dia incrível era sonho ou realidade.”


Capítulo 8 - Mudança de Vida

Não conseguimos dormir bem no hotel, porque a noite passou voando. Às sete horas da manhã, o segurança dos meninos bateu à porta do quarto dizendo que deveríamos tomar café. Descemos e fomos até a mesa do hotel. Só estávamos e eu. Estávamos tomando o nosso café bem reforçado: sucos de laranja, algumas torradas que eu tanto amo e umas frutas. Um café da manhã muito saudável. De repente, o nosso motorista se aproximou da mesa e sentou-se à minha frente. Aliás, motorista dos meninos, mas que nós havíamos “emprestado” por um tempo - nada mal.
─ Onde estão os meninos? - Perguntei olhando em volta, um pouco triste por não estar vendo-os.
─ Os caras acordam tarde, mas podem tomar o café de vocês. Precisamos sair no máximo às 07:30, porque hoje seu dia vai ser longo. - Respondeu o motorista, rindo ao observar a minha tristeza.
─ Está bem, vamos… - Disse um pouco sem jeito. Senti minha face corar em poucos segundos.
─ Calma, tomem café e depois que nós vamos. Se vocês não se alimentarem bem, os patrões me matam.
─ Duvido que eles sejam maus patrões, eles são o máximo… - falou impressionado.
─ Você teve muita sorte, . Eles são pessoas humildes e de bom coração, você vai se dar bem, pode acreditar. Espero vocês lá fora, ok? - O motorista riu, terminou de tomar o seu café e saiu.
e eu só balançamos a cabeça positivamente, concordando. Tomamos café o mais rápido possível, já que tinha tanta coisa para comer e era difícil escolher. Meu Deus, como eles podiam comer tanto. Vida de rico é mesmo complicada.
Em 15 minutos saímos e encontramos o motorista já no carro esperando por nós. Não era um carro muito grande, mas era um carro lindo e incrível: um Volvo c-30 prata. Fiquei impressionada com a beleza do carro e adentrei ao mesmo de boca aberta.
─ Caraca, que carro lindo… Nossa! - disse em alto e bom som. Sempre foi o mais descarado. Aliás, o mais cara de pau. Que vergonha! Precisava ter gritado daquele jeito e ter me feito pagar mico? Vou matar esse menino, cada vexame que eu passo… Mas tudo bem, , acalme-se… Hoje não é dia de ficar estressada.
─ Vocês ainda não viram nada. Esse é só um carro alugado para ser usado aqui no Brasil, vocês têm que ver os carros deles mesmos, são máquinas de babar. - O motorista respondeu após rir do incidente de .
─ Imagino, eu tiro como exemplo o celular que o Chuck deixou comigo. - Completei o que ele havia dito. Olhei para o celular em minhas mãos e pensei: “Meu Deus, um Apple 3G de última geração. Dá medo até de segurar, imagina usar isso…” Fui tirada de meus pensamentos com o motorista dizendo:
─… Aliás, meu nome é Robert, já que ninguém me perguntou. - Ele sorriu olhando em nossa direção.
─ Meu Deus, Robert. Desculpa, é que são tantas coisas juntas… Eu sou e esse é o … - Respondi percebendo a falta de atenção. Onde eu estava com a cabeça? Que péssima educação a minha, nem me apresentei e nem perguntei o nome dele.
Robert deu uma gargalhada e respondeu:
─ É, eu sei, e fiquem tranquilos. Eu vou ajudar a a resolver tudo o mais depressa possível, porque no máximo amanhã à tarde temos que pegar o voo para o Canadá. Portanto, para onde, moça?
Dei meu endereço para Robert e ele dirigiu sem dificuldades. No caminho fomos conversando um pouco, e durante o papo, acabei descobrindo - não foi bem uma descoberta, mas foi legal saber disso - que Robert morava no Canadá há dois anos e que era viúvo, por isso não se importava de viajar em turnê com a banda. Ele se casou jovem, mas infelizmente não teve sorte. Parei e olhei de lado para Robert… Aparentava ter seus 27 anos, aproximadamente.
Chegamos a minha casa. Robert e desceram para me ajudar com a bagagem e enquanto arrumava minhas coisas e tirava os pôsteres da parede - eu não podia deixar de levá-los -, parei e pensei: “Vou deixar minha casa e minhas coisas para o . Já que vou embora de vez, por que não fazer isso?”
, você quer ficar morando aqui? Assim… Com tudo. A casa fica sendo sua. O aluguel já está pago e os próximos você assume. O que acha? Eu sei que você sempre quis morar sozinho. Por favor, diz que aceita. - Disse quase implorando, olhando para sorrindo, aguardando a resposta.
─ Amiga, isso é sério? Você vai dar sua casa para mim? Claro que eu aceito, e vai estar tudo aqui se você um dia quiser voltar. - Ele respondeu chorando e sorrindo. Todas as emoções juntas invadindo uma só pessoa, mas as lágrimas eram de alegria.
Dei um forte abraço em , e juntos terminamos de arrumar minhas malas que nem eram tantas, foram duas malas e uma mochila. Nada mais do que isso, já que eu não tinha tanta roupa para vestir. Pensei em comprar tudo quando chegasse no Canadá.
Fui até o trabalho expliquei tudo. Eles me liberaram - ufa, que alívio - com a condição de resolver a papelada e me enviar para assinar. Despedi-me dos poucos colegas e na hora de ir quase me esqueci de devolver a câmera de . Eu disse que minha cabeça estava confusa.
, meu amor… A sua máquina.
─ Para, , você me deixou sua casa… Fica com a máquina, é uma lembrança minha. Mas, por favor, me manda notícias e fotos pelo menos uma vez por semana. - Ele disse já aos prantos.
Corri em direção ao e o abracei chorando.
─ Me promete uma coisa? - Ele disse com um pouco de dificuldade por estar chorando.
─ Prometo. - Respondi.
─ Me prometa que nunca, jamais, você vai se humilhar nem se curvar para ninguém. E sempre vai dar o seu melhor em tudo, e o mais importante de tudo, que você vai fazer de tudo para ser feliz. Promete?
─ Claro que sim, pela primeira vez na minha vida vou ser feliz de verdade. Sei que não vai ser fácil, mas eu vou lutar e vou conseguir. Eu te prometo que vou ser feliz sim, e você, meu irmão querido, quero que se cuide. Você sabe que é meu irmão de coração e eu te prometo que vou ser MUITO FELIZ, e eu cumpro minhas promessas. - Falei aos soluços.
─ Desculpe, mas temos que ir. - O motorista nos interrompeu com uma voz triste. Por que é sempre ruim despedir-se de quem você queria guardar num pote só para ti?
Dei um último abraço no , e tirei uma foto para levar comigo. Entrei no carro e dei adeus ao meu melhor amigo e a uma vida que tinha ali.
Robert nos levou a um restaurante, já que eram duas horas da tarde e ainda não tínhamos almoçado. Quando cheguei lá, percebi que o lugar nem era tão chique. O que era um alívio para mim, já que eu achava estar mal vestida de jeans, All Star e camiseta.
, acalme-se um pouco. Você está muito nervosa, eu te entendo, mas relaxa e curta o momento porque senão quando chegarmos ao Canadá, você vai surtar. As mudanças só estão começando para você, e tem mais, os caras são bem simples. Eles só se arrumam um pouco mais quando é um programa de TV mais formal ou algum evento beneficente, fora isso, eles são bem relaxados até. - Robert percebeu o meu nervosismo.
─ Eles não são relaxados nada, eles são perfeitos. - Olhei feio para ele.
─ Ok, já entendi. Vamos almoçar porque o pessoal está esperando a gente. Pode pedir o que quiser. - Ele riu percebendo a minha raiva.
Escolhemos uma mesa e pedimos o almoço. Não demoramos muito e já estávamos de saída, e de repente, o celular que Chuck tinha deixado comigo começou a tocar. Atrapalhei-me para atender e Robert, que já estava quase no carro, voltou para ver qual era o problema.
─ Atende, deve ser o Pierre querendo saber o porquê da nossa demora.
Olhei para o Robert assustada.
─ É justamente esse o problema… E se for ele? O que eu digo? - Disse com voz de choro.
Robert pegou o telefone que ainda tocava de minhas mãos trêmulas e atendeu.
─ Alô? - Disse Robert com o telefone nas mãos.
─ Oi, Robert, aqui é o Pierre. Tudo bem? Já resolveram tudo? E o passaporte da está tudo ok? Precisamos viajar amanhã…
─ Sim, patrão, está tudo certo. Resolvi tudo e já estou com o passaporte da moça aqui nas mãos. Estamos indo de volta para o hotel. Não se preocupe, sua mais nova estagiária está bem. - Robert me olhou sorrindo.
Ouvi toda a conversa e pensei: então foi por isso que fomos mais cedo até a imigração, para resolver essas burocracias todas…
Robert se despediu de Pierre e me devolveu o celular. Ele me viu um pouco triste, e então perguntou:
─ O que foi agora, ?
─ É que o Pierre não perguntou de mim.
─ Perguntou sim e eu disse que você estava bem e ansiosa para revê-los, agora vamos porque até o hotel é uma viagem meio longa.
Robert mal acabou de falar e eu já estava sorrindo de novo. Respondi depressa:
─ Ok, vamos logo, quero rever meus meninos.
─ Ok, vamos. É bem fácil te deixar feliz, né, ?
─ Quando se trata deles sim, mas você nem imagina como estou nervosa. Ainda tem momentos que acho que ainda estou sonhando e que tudo é mentira, mas aí olho para esse celular nas minhas mãos e vejo a foto do Chuck na tela… Acabo acreditando que tudo é verdadeiro e não mais um sonho maluco.
Robert me olhou fixo nos olhos e falou sério:
─ Olha, , em dois anos trabalhando com eles eu já vi de tudo que você possa imaginar. Fãs malucas, taradas e até psicopatas, a ponto de invadirem quarto de hotel e se esconder no porta-malas dos carros e doparem seguranças, mas você é diferente; seu amor por eles é puro, sincero e lindo… Sinceramente, você merecia mesmo ganhar esse prêmio. Agora um conselho de quem é mais velho que você e já passou poucas e boas longe de casa: se dedique, estude e trabalhe duro, mas sempre com honestidade e humildade no coração, porque aí sim você vai longe, mais longe do que você pode sonhar ou imaginar. Você tem tudo para se dar bem com os meninos, é só saber aproveitar as oportunidades e estudar muito, sempre com coragem, fé e força de vontade.
Quando Robert acabou de falar, eu já estava chorando, e o respondi com a voz rouca:
─ Obrigada por estar sendo tão legal comigo, e por esses conselhos… Vou usá-los bem, pode ter certeza.
─ É somente o conselho que me deram quando cheguei ao Canadá e graças a esses conselhos estou me dando bem… Agora vamos que o pessoal ‘tá esperando a gente para jantar.
Jantar? Que horas são? Olhei no relógio e eram quase sete da noite…
─ Já? Mas não são nem oito horas… Por que tão cedo? - Disse um pouco assustada.
─ Os caras gostam de comer cedo, e ainda mais um deles que vive com fome a toda hora…
Robert nem terminou a frase e eu comecei a rir alto. Ele percebeu que entendi a piada e nós dois falamos ao mesmo tempo:
─ Pierre! - Contive meu riso para prosseguir a minha fala. ─ Meu gordo vive mesmo com fome, até parece que tem uma comunidade de solitárias no estômago, ao invés de uma só. ─ Pois é, você conhece mesmo ele, né? Vamos então.
Robert dirigiu bem por São Paulo sem muitas dificuldades e eu já curiosa perguntei:
─ Você morava em São Paulo antes de se mudar para o Canadá?
─ Você é bem observadora, hein? Sim, eu morei aqui minha vida toda, até que resolvi tentar a sorte em outro lugar. - Ele sorriu pelo retrovisor.
Apenas concordei com a cabeça, já percebendo que estávamos perto do hotel dos meninos, o que me deixou tensa de novo.
─ Mais um conselho… Tente agir naturalmente e seja você sempre, não se preocupe se às vezes você tietar muito, eles até gostam disso e são bem brincalhões. Se você ficar à vontade, vai deixá-los à vontade, e eles vão se soltar e brincar com você. Mas você tem que dar espaço e liberdade para eles fazerem isso. - Disse Robert percebendo o quanto eu estava tensa.
Só concordei nervosa e Robert apertou as minhas mãos dando apoio, e depois disse no meu ouvido:
─ Relaxe e aproveite cada momento…
Como eu já tinha sido registrada no hotel no dia anterior, entrei sem problemas. Cheguei no saguão e Pierre esperava por nós com um sorriso. Congelei no lugar vendo aquele sorriso lindo. Robert percebeu e me puxou pela mão cumprimentando Pierre ao mesmo tempo.
─ Desculpe nossa demora, chefe, é que nossa amiga aqui morava bem longe.
Ele sorriu na minha direção, me deixando sem graça. Pierre sorriu timidamente para mim e disse:
─ Não ligue para as piadas do Robert, ele é indiscreto, ‘tá? Mas e aí, foi tudo bem? O Robert te tratou bem? Se não me fala agora que eu quebro a cara dele… - Pierre sorriu para Robert. Respirei fundo e disse com os olhos no chão:
─ Fui muito bem tratada, e deu tudo certo. Você não precisa se machucar batendo no Robert, eu mesma faço isso. - Dei um soco em Robert com toda minha força.
Robert sorriu vendo que estava tentando relaxar.
─ Uau! Essa aí é brava, nem mexa com ela, ok. - Pierre disse em um tom brincalhão.
Dei um sorriso tímido para Pierre e travei no lugar.
─ Vamos jantar, só estávamos esperando vocês. - Pierre alisou a barriga, dando a entender que estava com fome.
Disse que sim e segui Pierre e Robert em direção à sala de jantar do hotel, onde já estavam todos a nossa espera.
Quando Chuck me viu, abriu um sorriso enorme e me pediu para sentar do lado dele na mesa. Retribuí o sorriso de forma gentil e me sentei do lado dele.
Todos começaram a comer, e Chuck me perguntou de repente:
─ Tudo certo para você viajar com os caras mais malucos que você já viu?
Levei um susto e percebi todos me olhando, inclusive Robert, que me acenou com a cabeça, a fim de me dar coragem. Respirei fundo e respondi no tom mais natural que consegui:
─ Malucos vocês? Acho que não, vocês nem sabem o que eu faria de maluquices, então acho que eu sou bem mais louca que qualquer um de vocês, meninos. - Dei um sorriso.
Chuck fez cara de espanto e olhou em torno da mesa.
─ Então você está no lugar certo, maluca com malucos. Bem-vinda a Família Simple Plan. Ei, caras, um brinde a mais nova membro da família. - Ele levantou o copo fazendo todos brindarem à minha presença.
Fiquei sem jeito, mas aí Jeff que estava sentado do meu outro lado me abraçou e disse:
─ Coitada de você que vai ter que aguentar todas as nossas brincadeiras e maluquices, mas adoramos ter você com a gente e sabemos que escolhemos direito.
─ Muito obrigada por tudo e prometo trabalhar duro e não desapontar vocês. - A esse ponto eu já estava bastante emocionada.
─ Meninos? - Pierre repetiu rindo.
─ É sim, por quê? Eu sempre chamei vocês assim… Mas se você não gosta, tudo bem, eu posso parar…
Nem terminei de falar e Pierre me interrompeu rindo ainda mais.
─ Já nos chamaram de várias coisas, mas de meninos é a primeira vez. Gostei disso!
Todos riram da piada de Pierre e eu completei entrando na brincadeira.
─ É, eu sei bem do que chamam vocês… Mas deixa para lá.
Terminamos de jantar assim, em tom de brincadeiras e zoações, e eu bem mais calma e relaxada na presença dos caras e principalmente com Pierre, que era quem me deixava mais nervosa e sem graça… Principalmente quando ele me pegava olhando para ele às vezes sem querer.
Por volta das 21:30 todos foram se deitar, os meninos me deram boa noite e foram cada um para seus quartos. Meu quarto ficava de frente com o quarto de Pierre, que antes de entrar, me disse:
─ Amanhã vamos sair por volta das seis da manhã, tenta dormir bem porque a viagem é longa. Descanse bastante, e boa noite.
─ Sim, vou descansar, e boa noite para você também. - Respondi sorrindo.
Meu Deus, meu quarto é na frente do dele e ele ainda me pede para descansar e dormir bem? Como? E ainda me deseja boa noite? Ah, vou ter uma bela noite sonhando com você e ouvindo sua voz me dando boa noite.
Pierre sorriu uma última vez e entrou no quarto. Fiz o mesmo e me joguei na cama. Pela primeira vez no dia, eu estava chorando tudo o que eu havia segurado na frente de Robert, na frente de e na frente do próprio Pierre, e ainda sem acreditar muito em tudo, chorei muito, até faltarem lágrimas. Entrei no chuveiro e tomei um banho para me acalmar.
Deitei para dormir com medo de acordar no dia seguinte e tudo ser um sonho, e coloquei o celular de Chuck do meu lado vazio na cama que era de casal. Deixei para despertar e coloquei uma música para tocar… Welcome To My Life, claro, para assim, ter a certeza de que tudo é uma feliz realidade, e desse jeito ouvindo a voz doce do meu amado Pierre que estava tão perto de mim logo ali no quarto da frente, peguei no sono.



Capítulo 9 - Adaptações

Acordo às 05:30 da manhã, levanto e tomo um banho. Consegui dormir bem, levando em conta toda a ansiedade da viagem. Faltando quinze minutos para as seis da manhã alguém bate na porta do meu quarto dizendo:
- , sou eu, Pierre, posso entrar? - Meu corpo todo trava e demoro para responder. Ele volta a bater e eu respondo nervosa:
- Sim, amo… Quer dizer: Hã, Pierre, entre, por favor - ele entra e me dá um sorriso tímido e diz:
- Bom dia, você já esta pronta? Precisamos ir. A gente vai tomar café no avião, tudo bem?
- Bom dia, sim já estou pronta, podemos ir. E sem problemas de tomar café no avião normalmente de manhã assim tão cedo nem sinto tanta fome.
- Nossa! Não sei como você consegue, porque eu já estou morrendo de fome a essa hora já e imagine mais tarde. Ainda bem que eu sei que o Chuck tem uns biscoitos na mala dele que eu vou pegar já. - Começo a rir e Pierre para no meio do corredor para me olhar rindo e pergunta:
- Que foi? Falei algo engraçado? - Tento segurar o riso, mas não consigo.
- Não é isso, é que me lembrei de uma piada que o Robert me disse, e cai na risada de novo…
- Esse Robert… Aposto que foi sobre meu apetite ou meu peso?
- Não é nada que você imagina, Pih, é que…. - Paro no meio da frase com Pierre me olhando fixo e eu torcendo para que ele não tenha entendido do que eu o chamei.
- Desculpa, , do que você me chamou? - Droga, tarde demais ele ouviu e agora o que eu digo? Respiro fundo com o rosto vermelho de vergonha e decido falar a verdade:
- Te chamei de Pih. Olha, desculpa, mas é mania minha, se você não gostou eu enten… - Ele me interrompe dizendo:
- Eii, , calma, para com essa mania de se desculpar por tudo, tá? E como assim mania? - De tanta vergonha olho para o chão e digo:
- É um jeito carinhoso que nós os brasileiros te chamamos aqui, - melhor dizendo eu te chamo - Com os meninos também; Chuck é Chukito, Seb é ninja ou ok você vai rir dessa mas é er.. David é Double banana, Ritalin ou Dave por mais que a gente saiba que ele odeia ser chamado de Dave, Jeff é Jefinho, Jefito ou Stincorama.
Pierre me olha impressionado e sorrindo, o que me deixa confusa já que eu achei que ele ia ficar uma fera e fala:
- Wow, temos tantos nomes assim por aqui? Nem eu sabia que tinha apelidos tão fofos, bom o meu pelo menos é, porque Chukito, Jefito, Double banana e Dave não são nada sexy. - Olho para ele sem acreditar que ele estava fazendo piada com os apelidos dos outros. Não resisto e começo a rir. Ele ri junto comigo e diz: - Olha, se quiser me chamar de Pih não tem problema, tá? É até mais fácil para você. Ah, só uma dica: nunca, mas nunca mesmo chame o David de Dave, pelo menos não na frente dele a não ser que você queira ver aquele zebromaníaco, mas muito irritado, tá?
Ainda rindo concordo com Pierre e juntos descemos no elevador…
Ah não, ele me deixou chamar ele pelo meu apelido carinhoso, não ficou bravo comigo e ainda está nesse elevador, pequeno, fechado e apertado comigo… ai, como eu queria poder te dar um beijo meu amor…
Chegamos a recepção e todos já esperavam por nós, Patrick ainda com a cara inchada de sono faz a primeira piada do dia: - Ei, Piêr, por que a demora? Estava assaltando a cozinha do hotel, é?
Todos riem e Pierre faz cara de mal para Pat, então eu entro no jogo e digo:
- Tava nada, Pat, tadinho dele não fala assim, a gente demorou porque estávamos conversando, tá? - E mostro a língua para Pat. Pat ri da minha tentativa de defender Pierre e diz:
- Ah que nada, , não adianta tentar defender o Pierre a gente sabe que ele estava mesmo assaltando a geladeira. - Todos riem de novo, inclusive eu e digo:
- Tá certo desisto, ok? Nós dois estávamos assaltando a geladeira, tá bom?
Chuck me olha meio sem acreditar a diz:
- Você, ? Aposto que o Pierre te obrigou, né? Pierre, cara, para de maltratar nossa mascote… - Olho irritada para Chuck e digo:
- Do que você me chamou, Chuck?
- IIh ferrou, de mascote, , mas não do jeito que você tá pensando, é uma forma carinhosa, já que você é baixinha e é menina…
- Como é me chamou de baixinha? Ah não, vem cá, vou te falar quem é baixinha, agora você realmente me irritou!!! - E nisso saio correndo atrás de Chuck pelo saguão do hotel com os meninos gritando:
- OOLÉÉ! - o que me deixava mais irritada ainda. Depois de dez minutos correndo atrás de Chuck somos vencidos pelo cansaço e paramos a brincadeira. Deixo Chuck estar bem distraído e quando ele menos espera dou um tapa em seu braço com toda força e digo:
- Não sou baixinha tá, seu chato…
- Ai, ai tá bom, , foi mal - do outro lado Pierre diz pensando que eu não iria escutar:
- Baixinha não, desprovida de tamanho…. - e ri sozinho, mas como eu já estava nervosa com Chuck e jamais poderia, nem seria capaz de bater no Meu Pih… Como fiz com Chuck digo bem alto:
- Ah não, Pierre, até você me chamando de baixinha? Assim não dá!! Tá vendo só, Chuck? É tudo culpa sua!! - fecho a cara, fazendo bico e não falo mais com Chuck até a van que iria nos levar ao aeroporto chegar. Chuck fica perto de Pierre e diz:
- Tá vendo só, gordo? Por sua causa a tá nervosa comigo.
- Por minha causa, Chuck, ah essa não, foi você que chamou ela de mascote e de baixinha não eu… - Olho brava na direção dos dois e coloco meus fones de ouvido.
A van chega e como era de se esperar não cabemos todos em um carro só, nessa primeira van vão: Robert dirigindo, Jeff, David, Seb e Pat com toda sua bagagem, mais dez minutos e chega a outra van, daí vamos um motorista do hotel, Pierre, Eu e Chuck. Metade do caminho é calmo, sem nenhum fã assim a vista que pelo horário deviam estar dormido ainda. Então Chuck resolve me provocar, e começa a batucar no ar com as mãos fazendo graça, Pierre como sempre bagunceiro entra na palhaçada e começa a cantar (I’m sexy and i know it). Depois de cinco minutos tentando não rir, caio na gargalhada.
Chuck me diz rindo:
- Tá vendo só? Você não consegue ficar brava muito tempo vai, , me desculpa. Eu prometo nunca mais te chamar de baixin… - fecho a cara e ele para de falar rindo. - Ok!! - e Pierre completa:
- Pensa em uma pequena brava… - levanto a mão para bater nele mas paro no ar, sem graça e assustada.
- Você me chamou de pequena? Tá bom, é para por apelido? Então tá depois não reclamem, ok!!
Estou nas nuvens Meu amado Pih me chamou de pequena, e de um jeito tão doce e meigo… Chuck estala os dedos na minha frente o que me tira de meus pensamentos:
- Ei, estava pensando em quê, ? Acorda que a gente já tá quase chegando.
- Aaah, estava pensando em nada demais não, Chuck - é só que é a primeira vez que eu vou estar em um avião e estou meio nervosa. - minto.
Nunca jamais eu contaria meus pensamentos para nenhum deles nunca!!
- Que nada, , é supertranquilo e seguro. Se você quiser, eu sento com você para te acalmar - Chuck me olha com aqueles olhos verdes sorrindo… E como dizer não? Ah, meu Deus… Digo que sim rápido e Pierre que só ouvia diz:
- Nossa, você parece apavorada, fica calma que o voo é tranquilo e com o Chuck como protetor você vai estar bem e segura…
Chuck olha para Pierre como quem diz:
- Cala essa droga de boca gorda - e fala de fato: - Ah tá, gordo, você tá é com inveja de mim porque eu vou a viagem inteira com uma gatinha do meu lado.
Fico vermelha na hora e digo aos dois:
- Parem já vocês dois de falarem como se eu não estivesse aqui tá, que coisa…
Pierre ri para si mesmo e diz de repente :
- Ai, ‘tô com fome… Ei, Chuck, você tem alguma coisa para comer ai, nano?
- Caramba, Pierre, segura a boca, guloso, a gente já tá chegando e você come no avião.
- Ah mais eu ‘tô com fome já. - diz fazendo bico. Começo a dar risada da briga dos dois e tiro da minha mochila um saco de Doritos e jogo no colo de Pierre, que me olha surpreso: - Oba!! Doritos… esqueci disso, bolsa de mulher tem de tudo… - Pierre já estava abrindo o saquinho quando olha para mim sem graça e diz: - Você não vai mesmo querer? Não está com fome?
Chuck olha para Pierre como quem diz: Você não toma jeito mesmo, né esfomeado?
Começo a rir da expressão de cachorro pidão de Pierre e digo me concentrando ao máximo para não suspirar com aquela carinha tão linda e na frente dele.
- Claro que não, pode comer, eu te dei, não foi? É seu e eu tomo café mais tarde com Chuck e os meninos no avião. - Isso faz Chuck relaxar e dar um sorriso enorme. Pierre come todo o salgadinho em tempo recorde, e nesse meio tempo chegamos no aeroporto. Lá tinha alguns fãs já esperando pelos meninos, eles sempre atenciosos e educados atendem a todos, tiram fotos e dão autógrafos, até dar a hora de embarcar e eu aproveito para registrar tudo já como meu trabalho.
Todos vamos até o avião que nem demorou a chegar, na verdade era um jatinho particular da banda e usado em turnês rápidas, vendo o avião. Fico meio nervosa e travo, Chuck vem para meu lado e me segura no ombro e diz:
- Calma, eu estou, aqui vamos lá? - Aceno que sim com a cabeça nervosa demais para falar e entro no avião sendo guiada por Chuck.
Quando entro no avião fico impressionada é bem espaçoso e confortável, Chuck me pergunta se quero sentar na janela, e eu morrendo de medo da altura digo que não. Chuck ri da minha cara de medo e diz:
- Você tem medo de altura, não é? Mais fica tranquila que é tudo muito seguro e qualquer coisa é só fechar a cortina e a gente vai conversando para você se distrair.
Todos já estavam em seus lugares e com os cintos de segurança, o avião levanta voo e eu fico assustada e fecho os olhos em pânico o que faz todos rirem, Chuck como prometeu estava sentado comigo e me fazia companhia.
O voo segue com tranquilidade, então me lembro de uma coisa:
- Chuck, aqui está o celular que você me emprestou, obrigada. - Chuck me olha rindo e diz:
- Que nada, , esse celular é seu, o Pierre não te contou?olho para ele confusa e digo:
- Meu? Como assim? Ah não, eu não posso aceitar…
- Nada disso, é seu sim, é um presente de boas vindas, presente de todos nós, você vai recusar? - Diante disso eu aceito ainda sem jeito.
- Chuck, já que esse celular é meu, deixa eu tirar uma foto sua para quando eu te ligar aparecer nos contatos? - pergunto - Chuck faz pose. Tiro fotos de todos e até do meu amado Pih - que me deixa fotografar ele sem problemas - todos fazem poses e brincadeiras para eu fotografar com meu celular novo. De repente Pierre diz que está com fome e vai para o fundo do avião pegar algo para comer. Acho engraçado o fato de que ele realmente ainda tinha fome, mas deixo para lá, e pergunto para Chuck:
- Cadê os fones?
- Ah sim, estão aqui - Chuck pega na mochila e me entrega, transfiro minhas músicas de um telefone para outro e Chuck me pergunta o que eu gosto de ouvir no celular, deixo escapar um sorriso tímido e digo:
- Fora o som de vocês é, claro, bom eu escuto bastante Muse, Green Day, My Chemical Romance, Linkin Park e Bruno Mars e Justin Timberlake. Seb me olha admirado e diz:
- Você gosta de Muse, ? Eu também ouço as vezes e o som deles é bem legal.
Pierre chega no meio da conversa e pergunta:
- Quem ouve Bruno Mars?
- Eu gosto por quê? E de Justin também, tá - faço cara de brava para Pierre que sorri claramente se divertindo com a minha irritação desnecessária e diz:
- Não, por nada ele tem um som diferente, eu até gosto. Você tem um bom gosto musical.
- É claro, eu só escuto música de qualidade - digo sem entender o porquê de ter sido grosseira com Pierre… Devo estar surtando de vez, só pode. O voo é longo e de repente todos estão dormindo inclusive Chuck, então decido descansar também. Quando acordo percebo que Chuck estava me olhando, fico sem jeito, ele percebe, disfarça e diz:
- É melhor você acordar já estamos quase chegando, se arrume que a gente já vai descer. - Acordo me arrumo e percebo que está bem mais frio, procuro na mochila e coloco a blusa mais grossa que encontro, que para o frio do Canadá era bem fina. Chuck se preocupa e diz: Essa blusa é bem fina, você vai ficar com frio ainda; - tira a própria blusa do corpo e me entrega - Toma - ele diz estendendo a jaqueta na minha direção.
- Ah não, Chuck, eu estou bem… - nem acabo de falar e Chuck me interrompe…
- , para. Você vai congelar!
Pierre vendo a discussão diz:
- Parem com essa briga boba. Chuck, mano, veste sua jaqueta que eu vou dar uma minha para vestir já que eu tenho uma sobrando na mala.: - Pierre pega na mala uma jaqueta marrom e me entrega, eu sem discutir visto e para mim fica um sobretudo de tão grande. Todos me olham e caem na gargalhada por estar enorme.
- Ok, estou ridícula. - digo – Chuck, tira uma foto minha? Quero lembrar do meu primeiro mico chegando no Canadá - ele tira a foto no meu celular e me entrega. Pierre veste uma jaqueta preta e coloca óculos escuros e juntos todos descemos do avião.
Piso com o pé direito na pista de pouso ao descer - , já em terras canadenses - com o pensamento fixo em Deus. Torcendo e pedindo do fundo do meu coração que eu me adaptasse a nova vida, a nova rotina, ao idioma, ao clima, e até ao fuso horário diferente.
Seb leva Jeff de carona para casa e David leva Chuck e eu? Bem, entro no carro junto com Robert e Pierre, rumo a casa do meu amado Bouvier. Fico no banco do carona pensando em como minha vida iria mudar daquele momento em diante.



10 - Bem-vinda ao Canadá

Robert dirige por mais ou menos meia hora e eu aproveito para fotografar tudo, depois de um tempo chegamos a casa de Pierre e eu me assusto, a casa era enorme, ocupava o quarteirão inteiro de uma esquina a outra da rua, essa era minha impressão ainda de dentro do carro. Pierre aperta o controle que estava em sua chave e de repente o portão começa a se abrir e entramos, na garagem tinha dois carros e mais ao fundo uma casa menor perto da piscina. Fico admirada com o tamanho da casa que era enorme, porém simples.
Robert tira nossas malas do carro e leva para dentro, ao mesmo tempo que vem uma senhora com Delilah no colo nos receber, Pierre ao ver Delilah abre um sorriso enorme e lindo, o que me deixa de boca aberta, mas me controlo enquanto Pierre diz parecendo que ganhou um presente :
- Delilah, minha pequena, que saudade que eu estava de você…
- Saudades de você também, Pierre - diz a senhora que estava com Delilah no colo e que me observava com curiosidade, e eu sem jeito abaixei o rosto, Pierre dá um leve abraço na senhora e diz sorrindo:
- Para de ser ciumenta, Maria, eu senti sua falta, mas minha bebê é minha bebê… - então Pierre percebe Maria ainda me olhando e me puxa pela mão dizendo: - Essa aqui é a , ela vai morar com a gente e trabalhar como estagiária da banda, e ela é brasileira então eu acho que vocês vão se entender bem, não é Maria?
- Então a moça é brasileira? Seja bem-vinda ao Canadá - ao dizer isso, Maria me dá um leve abraço e diz em meu ouvido - Também sou brasileira, fique tranquila sei como deve estar se sentindo… - ao ouvir aquilo respiro mais aliviada. Dois brasileiros na mesma casa comigo, ao menos não me sentiria tão deslocada e sozinha eu acho…
Entramos na casa que, não era só grande por fora, por dentro era maior ainda; na sala de TV em um piso mais elevado tinha um lindo piano de calda do lado direito, no lado esquerdo perto da porta janela que dava para o jardim em outra elevação de piso tinha uma bateria completamente montada e pronta para ser tocada, olhei para a bateria e sorri lembrando de Chuck. Pierre me viu sorrindo, mas nada disse.
Bem no meio da sala havia um sofá enorme mais quatro poltronas, meia dúzia de puffs, um Home Teater e uma TV tão grande que desisti de tentar adivinhar o tamanho, nas paredes opostas a bateria e ao piano haviam vários suportes com várias guitarras penduradas, e três baixos, isso foi o que consegui contar dando uma rápida olhada pela grande sala. Maria me tira de meus pensamentos me pegando pela mão e me dizendo que iria me mostrar meu quarto, ao passarmos pelos outros cômodos, ela aponta e diz:
- Aqui é a sala de jantar… - uma sala quase tão grande quanto a da entrada, com uma mesa de doze lugares, Me passa na cabeça os meninos almoçando ali e fazendo a maior farra…
- Aqui é a cozinha… - era da metade da sala de jantar, com todos os utensílios domésticos possíveis, desde fogão CookTop a micro-ondas e uma pia de ponta a ponta na parede, além de armários altos e tudo bem limpo e organizado, nos fundos da cozinha uma porta que dava para a lavanderia e a área mais reservada para roupas e limpeza. Pierre nos percebe paradas e me leva mais adiante pela casa deixando Maria na cozinha. Depois da cozinha, havia uma pequena varanda com cadeiras e um frigobar, do lado esquerdo um corredor enorme com várias portas até onde contei eram dez ou mais. Ao passarmos por cada porta, Pierre apontava e me falava sempre sorrindo… Ah aquele sorriso! Eu ainda iria me entregar se ele continuasse sorrindo daquele jeito. A primeira porta é meu escritório e o restante são todos quartos de hóspedes, com exceção da última porta que divide o corredor que é o banheiro social que quase nunca é usado já que em todos os quartos têm banheiro, passamos pela porta do escritório e na terceira porta do lado esquerdo Pierre para e diz:
- Este aqui é o meu quarto. - e aponta para a porta branca como todas as outras, e me olha com curiosidade. - E este aqui na frente do meu é o seu quarto. - ele enfatiza bem o SEU, sorri, pega duas chaves no bolso e me entrega. - Vamos, abre! Quero saber se você vai gostar ou se temos que mudar algo.
Olho para ele ainda sem jeito tento sorrir e abro a porta do quarto, ao entrar fico encantada e meus olhos se enchem de lágrimas de felicidade. Meu quarto era incrível, cama de casal, guarda-roupas enorme, estante, TV de 32 polegadas, computador de mesa, notebook, aparelho de som e um banheiro só meu… Ai, meu Deus, eu estava no paraíso! Minhas malas estavam perto da cabeceira da cama e do telefone, me seguro para não chorar e ao me ver com cara de choro Pierre tenta me acalmar.
- Esse é o seu quarto e aqui você pode fazer o que quiser desde ouvir música alta, até ver TV ou estudar, qualquer coisa que desejar… - Pierre deixa a frase no ar e me olha de canto de olho, fico sem graça e ele percebe e tenta se corrigir mudando de assunto. - Todos os quartos da casa tem isolamento acústico e nada pode ser escutado com exceção do corredor, tudo que é falado do lado de fora dos quartos pode ser ouvido por qualquer um de dentro dos quartos, entende? - Fico meio confusa com essa explicação, mas deixo passar só acenando com a cabeça para ele ver que eu entendi. Então ele continua: - Eu gosto de tocar no meu quarto de madrugada as vezes quando eu estou compondo e isso ajuda a não incomodar aos hóspedes. As vezes eu ronco um pouco… - ao me dizer isso ele fica envergonhado pela primeira vez e suas bochechas ficam vermelhas. Ao ver aquilo preciso me controlar desesperadamente para não apertar aquelas bochechas fofas, o que me deixa ainda mais encantada com ele. Como uma pessoa podia ser tão perfeita? Ai, que tortura…
- Agora descanse um pouco da viagem, eu também vou dormir um pouco e por volta das 20:00 hrs da noite Maria vai nos chamar para o jantar, tá certo? E mais uma coisa, se você precisar de qualquer coisa ou de qualquer ajuda para arrumar suas coisas Maria já vem para te ajudar, agora trate de descansar e dormir um pouco porque eu vou fazer isso… Quer dizer, se essa mocinha aqui deixar - Pierre olha para Delilah que estava em seu colo e sorri abertamente.
Como sempre acontece quando vejo Pierre sorrio e perco a voz, acho melhor fazer carinho em Delilah para disfarçar meu nervosismo e falo quase sem voz:
- Tá, vou descansar - então me viro em direção a porta e quando estava para entrar Pierre me chama.
- ? Me viro devagar e espero…
- Parece que a Delilah gosta de você, ela ainda não latiu nenhuma vez, você percebeu?
Olho para Delilah para evitar olhar direto para Pierre e falo sorrindo:
- É, percebi sim, é que eu gosto de cachorros e pelo visto ela gostou de mim, os animais geralmente sentem quando alguém não gosta deles e isso se reflete em latidos e rosnados - Pierre me olha impressionado e diz:
- Nunca tinha pensado por esse lado, mas você deve ter razão. Se você gosta da Delilah então eu tenho mais um motivo para ter certeza e acreditar que fizemos bem em escolher você para ganhar o concurso. Em minha casa você vai ter tudo que quiser e precisar, só pelo fato de você gostar da minha pequena Delilah. Eu e os caras estamos felizes de você ter vencido e desejamos de coração que seja feliz e se adapte aqui com a gente.
Quando Pierre acaba de falar meus olhos estão cheios de lágrimas de novo, fico sem graça por estar quase chorando, apenas agradeço com a cabeça e entro para meu quarto, que daquele dia em diante seria meu esconderijo onde eu poderia dizer mesmo que para as paredes como eu amava e queria aquele homem, meu quarto seria meu refúgio feliz.
Olho para as malas e para a cama enorme e fico dividida, não queria desfazer as malas mesmo, então resolvo me trocar coloco uma camiseta e um moletom e deito na cama de casal enorme e só minha… E nossa!! Que confortável! Comecei a pensar que talvez me perderia sozinha naquela cama tão grande, sozinha sem ninguém ao meu lado, sem meu amado Bouvier aqui comigo tão perto no quarto da frente e tão longe fora do meu alcance…Com esse pensamento maluco acabei dormindo.
Não sei por quanto tempo eu dormi, só sei que acordei com Maria me chamando para ir jantar, ela entra e eu pergunto confusa:
- Nossa já são 20:00 hrs? Que roupa eu uso? Maria, me ajude estou sem saber o que fazer...
- Calma, menina, vou te ajudar, já é hora do jantar, vista um jeans e uma camiseta e vamos que o patrão te espera… - Maria me diz apressada e eu obedeço. Me visto rapidamente e Maria me leva a sala de jantar no qual Pierre me esperava e… Meu Deus, como ele estava maravilhoso, com uma camiseta vermelha da Role Model e uma bermuda preta e para minha surpresa descalço. Ao me ver ele se levanta puxa a cadeira ao lado da sua e diz para que eu me sente do seu lado a mesa, obedeço e penso comigo “além de gato, é gentil e cavalheiro” ele me pergunta se eu havia descansado e eu fico sem jeito apenas dizendo que sim abaixando o rosto. Pierre se senta na ponta da mesa e eu do seu lado direito bem preto dele, tão perto que eu podia sentir sua respiração bater no meu rosto. Ai, que tortura! Maria entra na sala para nos servir e eu acho estranho já que nunca fui acostumada a ninguém me servindo, mas não digo nada. Começamos a comer até que Pierre me pergunta para quebrar o silêncio e por perceber que eu não falava nada.
- E ai, preparada para ver a cidade amanhã ou você ainda tá com medo?
- Conhecer a cidade? - Repito com um sorriso - Medo do quê?
- Sim, amanhã lá pelas dez da manhã vamos sair para eu te mostrar Montreal, você quer ir? - ele desconversa fugindo da minha pergunta.
- Claro que sim, vai ser incri… - paro a frase no meio me lembrando do que ele tinha dito antes e falo olhando para ele diretamente pela primeira vez.
- Medo? Você disse medo? Mas medo do quê? - repito meio irritada.
- Sei lá… - Pierre sorri abertamente vendo que conseguiu me assustar - De encontrarmos algum paparazzi maluco ou talvez a gente se perca… - ele deixa a frase morrer de novo e eu falo sem pensar:
- Quanto ao repórter pode até ser, mas eu me perder aqui com você? Duvido, eu jamais me perderia, você não deixaria eu me perder, eu acho… - ao perceber que tinha falado demais abaixo o rosto sem jeito, o assunto do jantar acaba ai, porque tanto eu, como Pierre, ficamos sem jeito depois que nós dois falamos demais. Terminamos de jantar e ficamos assistindo um pouco a TV sem falar muito, até que Pierre acaba dormindo no sofá da sala e eu tenho que acordá-lo para ele ir para o quarto. Que pena eu tinha de ter que acordá-lo, dormia tão lindamente, parecia um anjo e que vontade eu tinha de acariciar seu rosto perfeito, mas não podia e nem devia. Toquei seu braço de leve e ele se assustou, disse que ele tinha dormido ali e que era melhor ele ir para o quarto. Ele se levantou, desligou a TV e nós dois fomos em direção a nossos quartos, mas antes que ele entrasse em seu quarto, parou em frente a porta e me disse:
- Dorme bem tá, e amanhã não se esquece, vamos sair para um passeio. Boa noite. - e ao dizer isso, me deu um beijo no rosto. Naquele momento, tudo a minha volta parou, eu travei no lugar meu corpo todo estremeceu e eu não conseguia respirar e me arrepiei toda. Pierre com certeza percebeu meu tremor e viu os pelos do meu braço arrepiados, porque ele me sorriu lindamente e completou… - Durma bem.
Respondi quase sem voz um boa noite fraco e entrei para meu quarto e antes mesmo de conseguir voltar a respirar pude ouvir Pierre rindo no corredor e fechando a porta de seu quarto. Será que ele sabia o que causava em mim? Fiquei pensando nisso um bom tempo, tomei um banho e resolvi esquecer meus pensamentos malucos. E pensando somente no doce e suave beijo de Pierre em meu rosto, sentindo seu cheiro forte e sedutor no meu nariz, pensando e suspirando no meu amado Pierre, acabei dormindo.



Capítulo 11 - Reações

Achei engraçado o jeito que entrou para o quarto com tanta pressa, até parecia que ela estava com medo de mim; esse pensamento me fez rir, entrei para meu quarto e coloquei Delilah em seu cantinho, tirei minha roupa e me joguei na cama só de boxer ~ graças aos céus por meu sistema de aquecimento em casa ~ deitado na minha cama comecei a pensar em tudo que tinha acontecido nos últimos dois dias…
- Quando a produção da rádio nos procurou pra mostrar as dez cartas escolhidas, li e reli a carta da , era de um amor tão forte, um sentimento tão devastador que a opinião minha e dos caras de escolher que ela ganhasse o prêmio foi instantânea,
- No momento em que a gente chegou naquela Soundcheck, no exato momento em que eu olhei aqueles dez jovens e quando meus olhos se encontraram com os dela, uma linda, com olhos tão que eu fiquei sem reação, mas ela era tão tímida ou estava tão assustada que mal se ouvia sua voz, enquanto todos falavam muito e riam e choravam ela estava lá parada com cara de assustada sem saber o que fazer ou dizer.
- Aah, o Chuck eu preciso me lembrar de agradecê-lo depois, sempre me ajudando até sem saber... Quando o Chuck me chamou dizendo que tinha dois amigos para eu conhecer, eu quase vacilei… Quase. Lá estava ela Ferrari a autora da carta mais emocionante que eu já li vinda de um fã de meu trabalho.
- Eu falava com ela, mas ela ainda parecia estar em estado de choque já que demorava um pouco para me responder e eu? Bom, eu não conseguia parar de sorrir para ela sem nem saber direito o porquê, para deixar mais à vontade comecei a perguntar sobre sua vida e se tinha família já que afinal eu precisava mesmo saber disso pra que ela pudesse viajar com a gente.
- Para minha surpresa ela me disse que era sozinha, que não tinha ninguém nem mesmo namorado ~ sorri com esse detalhe mas, ela pareceu não perceber. ~
- No momento em que ela estava chorando e eu em uma reação totalmente impensada sequei sua lágrima com a ponta dos dedos e senti algo que nunca jamais senti na minha vida antes, era como se eu estivesse sentindo um choque passar por todo o meu corpo, estremeci de leve e senti um tremor ainda maior vindo do corpo de , mas ela deveria estar apenas nervosa, e quanto a mim? Por que estava me sentindo daquele jeito? Por que minhas emoções e reações estavam tão descontroladas? O que essa menina tem que mexe tanto comigo?
- E agora mais essa antes de dormir tenho a brilhante ideia de cumprimentá-la com um beijo no rosto do mesmo jeito que eu faço com Maria, minha empregada que cuida de mim desde que saí do colégio, e mais uma vez me deixa sem reação, foi um beijo de leve no rosto mas, a sensação foi tão intensa, tão inesperada; senti tremer inteira em meus braços, vi seu corpo todo se arrepiar. Essa não é a reação que eu estou acostumado a receber das garotas, normalmente as garotas fazem de tudo para acabar no meu quarto e na minha cama, mas a ? Não… Ela estava tão sem jeito comigo e fugiu com tanta pressa que até achei divertido.
- Mas a não me parece ser uma garota qualquer que faz de tudo para conquistar um cara famoso, ela é linda, perfeita, muito tímida. tão brava quanto o Jeff e muito divertida.
Todos esses pensamentos dos últimos dois dias me fizeram sorrir feito um idiota, eu nem sabia do porquê estar pensando em tudo isso, só sabia de uma coisa ter Ferrari em minha casa dali para frente ia ser algo muito interessante.
Pensando nisso e com o coração inquieto acabei pegando no sono e sonhando algo realmente insano…



Capítulo 12 - Sensações

Abri a porta do quarto, quase não conseguia ver nada; estava muito escuro só podia ver uma sombra que vinha da direção da janela. Acostumei meus olhos ao escuro e então eu pude ver, lá estava ela parada em frente à janela, vestida com uma camisola de seda branca, de costas para mim, com certeza, ela tinha me escutado entrar no quarto, mas não se mexeu, nem disse nada, provavelmente esperando alguma atitude minha, então respirei fundo e me aproximei e passei minhas mãos por sua cintura muito suavemente, ela me vendo através do reflexo na janela apenas me sorriu timidamente. Encostei meu queixo em seu ombro e a olhava através de nosso reflexo na janela, ficamos assim por alguns minutos, até que ela se virou de frente para mim, entrelaçou os braços em meu pescoço e disse:
- Você veio mesmo, achei que iria me deixar esperando, - sorri de leve, levantei uma sobrancelha e disse:
- E eu lá sou homem de deixar alguém esperando? - ela apenas sorriu mais tímida ainda se é que era possível e me beijou… Ela me beijou… Era um beijo tão doce, tão calmo. Coloquei minhas duas mãos em sua cintura e apertei de leve, senti o corpo dela tremer em minhas mãos e não consegui me controlar, levei minha mão até sua nuca e enrosquei meus dedos em seus cabelos, ao mesmo tempo que apertava sua cintura, comecei a morder seu lábio e ela gemeu baixinho. A empurrei contra o acento na janela e comecei a distribuir beijos por seu pescoço e a morder o lóbulo da orelha, a respiração dela estava acelerada e eu sentia seu corpo tremer ainda mais. Para se acalmar ela começou a passar as mãos trêmulas em minha barriga e em meu peito, já que eu estava vestindo apenas uma calça de moletom, ao chegar na barra da minha calça ela pode ver como minha ereção estava e então ela para e me olha nos olhos, meio sem saber o que fazer.
- Que foi? - pergunto, parando o beijo e a olhando nos olhos.
- Não, nada. - ela me responde com vergonha - É que está tudo acontecendo tão rápido, só isso – completa, respirando fundo. Ela me beija novamente, mas, dessa vez com força, que eu até sinto meu membro latejar de tanto tesão. Ela então enlaça as pernas na minha cintura e eu nos levo às cegas até a cama e então eu olho em seus lindos olhos e com os dedos deslizo as alças da camisola por seu corpo, termino passando pelos pés e jogando em um canto. Agora ela estava apenas de lingerie na minha frente... E NOSSA, que visão maravilhosa era aquela. Ela me percebe a observando e vira o rosto. envergonhada por sua nudez.
- Por que você virou o rosto? Você é tão linda, não devia ficar assim tão assustada. - falo para tentar deixá- la um pouco mais confortável .
- É que ninguém nunca me olhou assim antes. - ela me fala. - E eu nunca estive com ninguém antes – completa, me confirmando oque eu já suspeitava: ela era virgem, e estava naquele quarto comigo… Eu era um filha da puta de muita sorte.
- Você confia em mim? Acredita que eu não vou te machucar? - perguntei para ela, tentando passar confiança, mas a verdade era que eu também estava nervoso, com medo de decepcionar ou até de machucá- la. Não que eu nunca estivesse estado com uma garota virgem antes, ao contrário, eu já tive várias, mas a Ela era diferente, ela merecia mais, ela era mais do que qualquer outra que eu já tive antes.
- Aham, ok. - ela murmura quase sem voz e tremendo sob meus braços na cama.
Enfim, depois dessa certeza da parte dela, me livro finalmente daquela peça que me impedia de ver parte do corpo Dela. Desci meus lábios muito de leve e abocanhei um dos seios, comecei a sugar e a mordiscar de leve o bico, a sentia se debatendo embaixo de mim. Com a outra mão ergui sua perna e a coloquei sob meu quadril, foi quando ela pode sentir minha ereção latejando exatamente em cima da sua própria intimidade, ela então solta um gemido mais alto e aperta meus ombros. Para provocá-la começo a movimentar meu quadril para que o atrito de nossos corpos seja exatamente na sua intimidade, ela geme mais alto e começa a arranhar minhas costas. Com isso perco a cabeça de vez, coloco os dois dedos no elástico da sua calcinha e a rasgo de uma só vez, ela se assusta e solta um gemido esganado meio de dor, meio de susto, mas nada além disso. Paro por um minuto e a admiro totalmente nua na cama e em meus braços, ela apenas respira com dificuldade e me olha nos olhos e diz:
- Me beija, Pierre - e prende o ar com força, como para controlar o próprio corpo e as próprias reações. Faço oque ela me pede.
Trilho um caminho de beijos de sua barriga até seu rosto, - ela ainda perdida nas sensações de meus beijos, - a olho com intensidade novamente e de repente algo se torna muito familiar para mim, - aqueles olhos eram Dela… ... E então eu a beijo com tanta voracidade que o ar chega a nos faltar. Quando nos separamos do beijo, ela me sorri e diz:
- Estava me perguntando quando você iria perceber que era eu, Pierre? - ela me olha com fogo no olhar, beija o canto de minha boca e sorri. A encaro sorrindo de volta e digo.
- Eu sabia que era você, desde o momento em que eu te olhei, .

XxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXx

Acordei desse sonho e dei um pulo da cama completamente molhado de suor, até Delilah que dormia em seu cantinho se assustou e saiu correndo para debaixo da cama, - coitadinha -, dessa vez era meu corpo que tremia completamente e meu coração batia tão forte no meu peito que chegava a doer, Levanto e vou até o banheiro para lavar meu rosto, e tentar tirar esse sonho e as imagens da minha cabeça. Que sonho insano, que maluquice, eu estava há tanto tempo sem sexo a ponto de ter sonhos eróticos assim do nada? Que loucura1 Só então já no banheiro me dou conta de uma coisa, estava me sentindo incomodado e sentia minha cueca boxer apertada em meu corpo… Puta merda, só o que me faltava agora, o sonho que tive foi tão intenso que me deixou excitado e com uma baita ereção mal resolvida. Que ótimo pensei voltando para o quarto, sentei na minha cama e passei as mãos pelos cabelos tentando clarear as ideias, mas meu amiguinho no meio das minhas pernas não deixava eu me acalmar, e eu não iria me resolver sozinho, não mesmo. Saio do quarto e vou até a cozinha para tomar um copo de água, talvez andar pela casa vazia me ajudasse a esquecer do sonho.Pego um copo e a garrafa e levo para o meu quarto, ao passar em frente ao quarto da vejo que a porta está só encostada e uma vontade de ir ver se ela está bem toma conta de mim, sei que não devo fazer isso, mas não resisto. Deixo as coisas em meu quarto e volto até o quarto de , ela estava toda coberta e enrolada parecendo uma bolinha de pano, sem conseguir evitar acabo sorrindo feito bobo. Me aproximo devagar e observo seu rosto na luz fraca que vem de fora da rua, ela me parece bem e tranquila. Me viro para sair cuidadosamente sem fazer barulho e fecho a porta, volto para meu quarto com o coração agitado e pensando mais uma vez naquele sonho tão intenso e tão confuso e com algumas perguntas sem respostas.
- Por que eu estava me sentindo tão inquieto?
- Por que aquele sonho erótico com a ?
- Será que foi por que eu dormi pensando nela?
- Por que eu estava realmente encantado com ela ? Por que eu fiquei tão excitado, sendo que ela não me deu bola, nem nada?
Eu tinha acabado de conhecer a , porque eu estava tão intrigado assim? Ela era tão tímida que me fazia querer protegê-la, ela era diferente…
Depois de muito pensar em todas essas perguntas e com flashs do sonho indo e voltando na minha cabeça, acabo dormindo de novo, dessa vez tão cansado por conta da viagem corrida, de tantos shows e da decisão maluca de trazer uma fã com a gente para o Canadá, confuso com tantas dúvidas em relação á essa decisão, será que fizemos a coisa certa ? Nem sonhar de novo eu consigo.



Capítulo 13 – Passeio

Acordei cedo coisa que se estivesse no Brasil em minha “casa” eu jamais faria, mas agora que finalmente eu estava no Canadá na casa Dele e com Eles eu teria que me acostumar e criar novos hábitos, mas mesmo assim não muda o fato que eu ODEIO acordar cedo. Olhei pela janela do meu novo quarto que dava para os fundos da casa de Pierre a visão que eu tinha era de um quintal bem grande e das janelas do estúdio de gravação que ele tinha em casa, afinal preguiça pouca é bobagem para quem tem grana. Vi que o clima estava ameno, bem diferente de quando cheguei que fazia um frio de congelar até a alma de -8 graus; mesmo assim vesti uma blusa de manga longa coloquei um jeans preto e uma botinha baixa, amarrei o cabelo em um rabo de cavalo alto e passei um lápis preto no olho bem forte para ressaltar meus olhos . Já que a roupa estava básica os olhos tinham que chamar a atenção… Eu era assim tímida e envergonhada com tudo e com todos, mas gostava de causar uma boa primeira impressão nas pessoas.
Depois de pronta, sai de meu quarto e fui para cozinha, vazia, fui para sala vazia também, na certa Maria, a empregada e Pierre estavam dormindo ainda, olhei no relógio na parede da sala 8:30 da manhã, é realmente estava bem cedo e eu ainda devia estar sofrendo de Jet Lag ainda sem me acostumar com o fuso horário diferente. Voltei para a cozinha preparei para mim um copo de café com leite, voltei para sala e liguei a televisão, saltei os canais até achar um de desenhos que eu entendesse já que quase todos só estavam em francês, parei em um canal que estava passando Bob Esponja, me sentei no chão da sala e fiquei assistindo. Na metade do desenho senti lambidas na minha perna, olho para o lado assustada, mas percebo que é apenas Delilah que veio me fazer companhia, a cachorrinha de Pierre deita no meu colo e ficamos nós duas vendo desenho. Depois de um tempo ouço barulho vindo do corredor e me levanto do chão para ver quem era, então eu tenho uma visão que não imaginava ter tão cedo: Pierre vem de seu quarto só de Boxer em direção a mim.
- Oi, , bom dia! Nossa, caiu da cama? - Eu totalmente perplexa pela visão deliciosa de Pierre Bouvier na minha frente apenas de cueca demoro um pouco a responder.
- Aah não… mas acho que ainda devo estar no horário do Brasil por isso acordei meio cedo - Pierre percebe meu olhar em sua direção e eu tento disfarçar meio tarde, mas tento… e diz:
- Você não se incomoda que eu ande assim pela casa, não é ? Eu ando assim sempre, a Maria nem liga mais.
- Eu me incomodar? Por quê? A casa é sua, Pierre, e o que eu menos quero estando aqui é atrapalhar sua vida, seus hábitos ou o jeito que você fica na sua própria casa, não se preocupe comigo - e em pensamento eu dizia: Meu Deus ver Pierre só de cueca passeando por aí vai ser uma tortura aos meus hormônios e ao meu coração... Socorro!!
- Que bom, , fico tranquilo em não te incomodar, e você sinta se em casa também, afinal essa também é sua casa agora … Bom vamos tomar café da manhã eu estou morrendo de fome e depois vamos sair vou te levar para conhecer meus pais tudo bem?
- Você morrendo de fome, me fala uma novidade, Pierre?? - ele me dá um sorriso lindo e eu vacilo ficando vermelha.
- Ficou vermelha porque, ? Vai, pode me zoar falando que eu sou morto de fome eu não ligo, escuto isso direto dos caras.
- Desculpa, Pih, não queria dizer isso a piada saiu sem querer. - ainda bem que ele não percebeu que foi seu sorriso enorme que me deixou sem graça.
- Relaxa, , tudo bem, sério…
Ah ... Ele me chamando assim me deixa toda boba, mas espera… - Você disse que vamos até a casa de seus pais?
- Sim, por quê? Você não quer conhecer meus pais e meus irmãos?
- Sim!! Claro que quero, mas e se eles não gostarem de mim? Se me acharem, sei lá, uma aproveitadora qualquer ou uma fã maluca?
- Deixa de ser histérica, , todos na casa de meus pais querem te conhecer. Ontem de noite minha mãe me ligou porque soube que tínhamos voltado da turnê e eu contei para ela da promoção e que você tinha vindo morar aqui em casa e ela ficou muito feliz e morrendo de vontade de te conhecer, até porque minha mãe nunca visitou o Brasil e nem nunca conheceu ninguém de lá, então eu já te aviso logo que ela vai te encher de perguntas absurdas, muitas curiosidades e vai com certeza te pedir para cozinhar algum prato tipicamente brasileiro para ela.
- Wow!! Nossa, você me tranquilizou bastante, valeu…
- Que nada, fica tranquila, , a única coisa que interessa para minha mãe é se gosta de mim e me trata bem. Com isso já tem metade da aprovação da minha mãe.
Pierre dizendo isso me deixa ainda mais nervosa mas tento não demonstrar. Tomamos nosso café da manhã, que é preparado por Pierre para nós dois - só então ele me fala que Maria só vem até a casa dele quatro vezes na semana, para limpar, lavar, passar e fazer o que é preciso - o café estava maravilhoso, afinal o que Pierre faz que não fica bom?
Como eu já estava arrumada desde bem cedo, espero Pierre se arrumar, fico na sala agora assistindo a um programa meio confuso em um canal francês, só para passar o tempo. Uns 20 minutos Pierre aparece vestindo uma bermuda preta, all star preto e uma camisa vermelha da Role Model - marca de roupa dele lógico - tão lindo que ai meu Deus… Delilah já estava comigo toda arrumada para ir com a gente de coleira e guia, afinal ela não ficaria em casa sozinha, Pierre jamais permitiria isso com a sua menina. As vezes eu achava que ele gostava mais da Delilah, do que da mãe dele.
Com tudo pronto entramos no carro e Pierre dirige rumo a casa de seus pais.



Capítulo 14 - Na estrada

Pierre dirige com calma pelas ruas de Montreal e as vezes me mostrando as ruas e explicando onde era cada lugar, o supermercado, o ponto de ônibus e a escola/ faculdade na qual ele iria me matricular na semana seguinte. Já estávamos no carro há algum tempo e eu pedi para ligar o rádio.
Fiquei procurando uma estação legal, mas não entendia muito, até que achei uma rádio em inglês e estava tocando Justin Timberlake My Love... Conveniente, não?
Parei ali, com a música tocando continuei olhando pela janela enquanto o carro ainda estava passando por várias ruas desconhecidas para mim, quando a música acaba Pierre me faz uma pergunta um pouco estranha:
- Essa música falava de amor e você, , não gosta de ninguém e nem deixou ninguém lá no Brasil?
Olho para ele sem entender e dou um sorriso tímido, até por que ele já sabia disso, eu não namorava.
- Bom deixar alguém no Brasil você já sabe que eu não deixei, a não ser meu amigo , eu não tenho namorado lá. - reafirmei o que ele já sabia e continuei. - Nunca tive ninguém e quanto a gostar de alguém acho que você está sendo muito curioso. - falei grossa.
Pierre arregala os olhos e parece sem jeito. Percebo que fui meio estúpida e me apresso em corrigir.
- Sim, eu gosto de alguém, mas você jamais saberá quem é, e é tudo que eu vou dizer. - falei tentando acabar com aquele assunto constrangedor.
Pierre respira por um segundo parecendo aliviado, mas não diz nada. Estamos na estrada há uns 40 minutos quando passamos por um parque que ficava perto de uma Starbucks e então Pierre para o carro.
- Por que paramos aqui Pierre? - falei confusa.
- Nada demais, vamos só dar uma volta, quero te mostrar esse lugar, é um dos meus favoritos e a Delilah precisa fazer xixi - ele diz se explicando.
Sorrio para ele e me apresso para alcançá-lo já que ele estava uns passos em minha frente. Caminhávamos tranquilamente pelo parque, tinham pessoas fazendo exercícios e crianças correndo. Apesar de estar frio demais para mim, percebi que as outras pessoas não se incomodavam com o resto da neve da noite anterior e andavam tranquilas mesmo com os pés congelando, ou seriam só meus pés? Andamos um tempo e percebo que as folhas das árvores ainda resistiam ao frio, paramos perto de uma árvore e eu olho no chão e vejo a folha da árvore Maple o símbolo do Canadá, o que me dá um nó na garganta e meus olhos se enchem de lágrimas, Pierre vendo minha reação se assusta.
- o que foi? Há algo errado? - fala apavorado.
- Não.. Não é nada, é só que eu esperei muito tempo para poder ver uma dessas e cheguei a acreditar que nunca veria uma, mas agora estou com uma na mão! - falei sem acreditar.
- Sei que é só uma simples folha de árvore, mas para mim é linda, posso levar uma para casa comigo? - Pergunto parecendo uma criança.
Pierre me olha, abre um sorriso lindo que quase me faz perder o controle e me diz:
- Claro, ! Pode levar quantas você quiser. mas vou te ser sincero, tem mais dessas a cada inverno por aqui. - ele fala me zoando.
Fico meio envergonhada, mas sem me importar em parecer boba respondo:
- Sim eu sei que tem muitas, mas essa é a primeira.
Pierre sorri e diz de repente:
- Vem, vamos tomar um café. - Sorrio meio tímida e concordo.
Já na cafeteria, peço um cappuccino e Pierre um café com leite, quando ele vai pagar a conta percebo que a atendente fica toda sorridente e encarando Pierre sem nem disfarçar, mas ele parece não notar ou não se importar, sentamos em uma mesa afastada e começamos a conversar:
- E então falta muito ainda para chegarmos na casa dos seus pais? - pergunto meio apreensiva, sem saber o que esperar.
- Não, mais uns 20 minutos - Pierre me olhava sério de repente. - , deixa eu te avisar uma coisa, meus irmãos Jay e Jonathan vão estar lá e eles são muito bagunceiros e adoram me zoar e zoam tudo e todos, então provavelmente eles vão te zoar falando ou achando que eu e você temos algo, então...
- Espera, Pih, seus irmãos vão achar o quê? - quase gritei e queimei a língua com minha bebida quente demais. - Que eu e você somos namorados? - repito quase em pânico. - Não, , calma! Eles vão fazer isso sim, mas é só para te irritar e me irritar por eu ser o mais novo. - ele dá de ombros como quem pede desculpas.
Me acalmo e paro para pensar:
- Então eles só vão fazer isso para te irritar? - falo tendo uma ideia bem maluca. Ele concorda com a cabeça sem entender, sorrio para ele e digo: - Olha, se seus irmãos ficarem fazendo isso tenho uma ideia. - Pierre me olha curioso, mas entrando na brincadeira.
- Você podia dar a entender que sim, sem falar nada - ergo as sobrancelhas sugestivamente para que ele entenda meu plano - Nem que sim, nem que não, entendeu? Deixa seus irmãos acharem o que quiserem por um tempinho. - falei e esperei a reação de Pierre que pareceu pensar, então seus olhos se arregalaram de leve e ele sorriu sapeca. Ai, Deus, esse sorriso ainda vai me matar... Pensei ficando levemente vermelha.
- Fazer suspense e depois dizer que somos amigos? - Falou ainda me sorrindo daquele jeito lindo.
- Isso. - concordo com ele e tento não suspirar diante de seu sorriso tão maravilhoso.
- Tá aí gostei da ideia - Pierre falou já se pondo de pé – Bom, vamos ?
Saímos da cafeteria e voltamos para o carro. Cerca de 20 minutos depois chegamos a uma casa enorme que ficava em uma rua sem saída, Pierre aperta um botão no controle remoto de sua chave e o portão se abre. Pierre desce do carro e passa para abrir a minha porta do lado do passageiro, como ele nunca tinha feito isso eu fico meio sem graça. Antes de entrarmos, Pierre segura minha mão e eu congelo, aquela sensação de novo: meu corpo tremendo, o coração acelerado e o rosto quente de vergonha, todos os pelos do meu corpo se arrepiam, Pierre olha nos meus olhos, o castanho dos seus olhos dilatados, as bochechas meio coradas, mas ele não fala nada por um minuto, então ele respira com força e diz:
- Bom… Pronta? - aceno que sim com a cabeça e Pierre abre a porta da casa de seus pais.



15 - Uma atitude pode mudar muita coisa

Chegamos na casa dos pais de Pierre e somos recebidos na porta de entrada por sua mãe Louise, e meu Deus, agora sei de onde Pierre herdou as bochechas e o sorriso, que mulher! Pierre me apresenta para sua mãe que me recebe muito bem aliás, em seguida conheço Real, o pai de Pierre, que é outra pessoa muito incrível e eu como sempre fico super sem graça perto deles.
Dona Louise me pergunta sobre o Brasil, exatamente como Pierre me disse que ela faria, e fico mais à vontade de falar de algo com o que estou acostumada. Senhor Real me pergunta sobre as comidas brasileiras e eu logo falo que sei cozinhar algumas coisinhas; ele sorri e diz que da próxima vez que for visitá-los terei que cozinhar algo brasileiro para eles provarem. Digo que sim e na metade da conversa somos interrompidos por um barulho vindo de fora, os irmãos de Pierre Jay e Jonathan tinham chegado.
E foi aquela bagunça, Jonathan perguntando sobre a turnê e quantas meninas o Pierre tinha “pegado” dessa vez, isso com Dona Louise o repreendendo a toda hora e ele nem ai, enquanto Jay conversava com o pai.
Em certo momento depois de mais algumas broncas de Louise, Jay e Jonathan finalmente percebem a minha presença na sala e Jonathan solta a seguinte frase:
- Hey! Você é a nova namoradinha do meu irmão?
Com um coral enorme de quatro vozes se ouviu na sala um indignado: JONATHAN!!! Então Pierre veio em meu socorro, dizendo ao irmão mais velho:
- Não é nada disso, seu tapado!! Deixa eu te explicar as coisas, alias, você nem deixa eu fazer as apresentações e já vai falando besteira.
- Bom, Jay e Jonathan, essa aqui é a , ela veio do Brasil e vai trabalhar comigo e com os caras como estagiária - eu já bem sem graça digo um oi e tento sorrir para os dois outros Bouvier que me olhavam como se eu fosse um animal raro.
Jay é o primeiro a vir falar comigo, me estende a mão e me dá um meio abraço dizendo:
- Seja bem-vinda, , e ignora as besteiras do meu irmão ele adora sacanear o Pierre.
- Sim, Jay, eu sei disso, o Pierre já tinha me avisado - respondo sorrindo para ele, que me sorri de volta, um sorriso tão lindo quanto o de Pierre.
Então Jonathan vem em minha direção sorrindo descaradamente como se fosse me zoar, e é exatamente o que ele faz. Me estende a mão diz oi e me puxa dando um beijo no rosto, depois me levanta e gira no ar e eu com uma cara de assustada sem entender nada, enquanto todos na sala, inclusive Pierre riem da minha cara. Então Jonathan diz depois de quase me matar:
- Seja bem-vinda, e desculpe a brincadeira, é que o Pierre a cada mês vem em casa com uma namorada diferente, então eu pensei que você fosse uma dessas… - antes que Jonathan acabasse a frase, Pierre joga uma almofada nele mandando ele calar a boca. Confesso que ouvir aquilo me apertou o coração, mas eu sabia que era a verdade e que eu jamais teria chance… Sou tirada dos meus pensamentos por Louise nos chamando para almoçar.
O almoço passa tranquilamente, eu sentada ao lado de Pierre na mesa, senhor Real na ponta, Dona Louise a sua direita, Jonathan a esquerda do pai, Jay ao lado de Jonathan e Pierre do lado da mãe, uma típica mesa de família tradicional, apenas eu não me encaixava ali, e estava me sentindo uma intrusa, já que era um almoço de família para comemorar a volta de Pierre da turnê e eu estava ali “sobrando”. Essa sensação estava me incomodando tanto que eu mal estava comendo nada apesar de estar morrendo de fome. E lendo meus pensamentos ou talvez vendo no meu rosto, Jay resolve conversar comigo talvez para me deixar mais à vontade:
- Então, , o que te fez deixar o calor do Brasil para se aventurar no frio do Canadá? - sorrio e olho para ele porque já sabia que ele perguntaria isso graças a Pierre.
- Bom, Jay, um dos motivos foi eu ter ganhado a promoção da rádio para conhecer o Simple Plan… - explico para todos da promoção e como ganhei e tudo mais, e quanto vir para o Canadá sempre foi um sonho - Como nada me prendia no Brasil então aqui estou eu. - quando termino a frase Louise me faz a pergunta que eu mais temia responder:
- Como assim você diz que não tem ninguém que te prenda no Brasil?
- Mãe!!! - Pierre diz e todos ficam sem entender - não precisa falar disso se não quiser - ele me diz.
- Não, Pierre, tudo bem - respondo o tranquilizando, afinal uma hora esse assunto ia aparecer então que fosse logo.
- Bom, Dona Louise, não...
- Nada de Dona, menina, me sinto uma velha - sou interrompida com uma bronca e todos na mesa riem.
- Ok, ok - levanto as mãos em rendição - Desculpe - digo rindo sem graça. - Então, respondendo sua pergunta, Louise, nada me prende no Brasil porque… - respiro fundo, olho em volta da mesa onde cinco pares de olhos me observavam atentos - Não tenho mais meus pais, minha mãe morreu quando eu tinha 7 anos e meu pai quando eu tinha 16, tirando uma irmã que não quer saber de mim… - paro de falar e respiro fundo … - Então é isso, sou orfã, por isso não tinha motivos para ficar e nem tenho motivos para voltar para o Brasil tão cedo. Bom, na verdade tenho só um motivo para sentir saudades do Brasil… Meu melhor amigo ficou lá e só por ele talvez eu volte um dia.
Quando acabo minha pequena história de vida, cinco pessoas na mesa estão sem reação e o clima fica estranho, fico envergonhada não devia ter falado nada e mais uma vez Jay salva o dia:
- Hey, , esse é seu namorado? - Jay solta e recebe um olhar irritado de Pierre. Dou risada e respondo:
- Não, Jay, ele não é e nem nunca será, apesar de as pessoas sempre pensarem que éramos namorados porque andávamos sempre juntos e ele sempre dormia lá em casa. Mas, na verdade o é gay e ele sempre ficava comigo para o pai dele pensar que ele era hétero, já que o pai dele não aceita ter um filho gay em casa.
Então Real me faz outra pergunta:
- , você vive sozinha desde os seus 16 anos, certo? Como você fazia para se manter?
- Eu sempre trabalhei desde muito nova, por isso sei fazer de tudo um pouco, morei com o e o pai dele um tempo, mas tive que sair quando o pai do tentou abusar de mim… - todos na mesa me olham chocados e irritados então paro. - Não, ele não conseguiu!! O chegou na hora e impediu o pai que estava bêbado, mas enfim, depois disso fui morar sozinha, trabalhava para pagar meu aluguel e para comer, essa era a minha vida até agora. E hoje aqui estou eu contando a minha pequena história para vocês.
Louise fala depois de um longo tempo calada, acredito eu que chocada com minha história:
- , que história de vida menina!! Sendo tão nova já passou por tanta coisa!! Mas agora uma nova fase vai começar para você, uma nova vida e tudo de ruim que você passou vai ficar lá no Brasil e na lembrança. Agora só tem coisas boas para você aqui e pode contar com a gente para tudo, ouviu bem? TUDO!! Você agora faz parte da família, não estará mais sozinha, nunca mais!!
Então não bastasse as palavras de Louise, Real pede a atenção de toda a família ergue o copo de vinho que bebia e diz:
- Um brinde a e ao novo começo - todos brindam a mim naquela mesa e eu luto desesperadamente contra as lágrimas que queriam cair ali na frente de todos.
< Pierre vendo meu estado de choque, segura minha mão com firmeza entrelaçando nossos dedos, e meu corpo inteiro treme, pelo choque, pela emoção e pelo turbilhão de sentimentos que passam em meu coração. O que eu tinha feito de tão bom na vida para ser tão bem aceita por aquela família tão distinta e importante? Sinceramente não sei, mas acho que alguém lá em cima queria mudar a minha vida, naquela mesa, naquela casa, só torcia que fosse para a melhor.



16 - O Primeiro

Depois do almoço todos saímos da sala de jantar e fomos para a sala, Jonathan me pediu desculpas e disse que precisava sair e voltar ao trabalho, mas que a noite estaria de volta para conversar mais comigo, Réal se recolheu ao escritório e Jay e Pierre estavam decidindo se jogavam videogame ou assistiam ao jogo de Hockey que passava na tv, enquanto isso Louise cuidava das coisas na cozinha, decidi então em ir ajudar.
Na cozinha Louise tirava a mesa e arrumava a louça na pia para ser lavada, decidi então que eu lavaria a louça, quando Louise chegou da sala de jantar com a última porcelana eu já estava ensaboando o terceiro prato, o que a deixou meio brava.
- Pode parar ai, ! Nada disso, você é convidada do meu filho não vai lavar a louça! - olhei para ela meio sem entender e respondi.
- De onde eu venho, Dona Louise - a chamei de dona só para provocar - Nós ajudamos a lavar a louça em sinal de agradecimento pela refeição, então sim, eu vou lavar a louça e sem discussão.
Louise me olha com aqueles olhos sorridentes iguais aos do filho e me diz balançando a cabeça meio que em desacordo:
- Ai, menina, só você mesmo, ok, ok vou deixar que me ajude, mas em troca quero que você faça para nós um típico café brasileiro, pode ser?
Fico sem acreditar no pedido e começo a rir. - É sério isso? - pergunto.
- Sim, é sim quero muito provar o café brasileiro dizem que é ótimo!! - ela me diz toda empolgada.
- Tudo bem, faço o café então. Só me dê as coisas necessárias.
Preparo o café e sirvo para todos e essa altura Jay e Pierre estava, vendo o 2º tempo do jogo do Toronto Maple Leafs que passava na tv, Louise estava no escritório levando café para Réal. E eu, estava na janela olhando para um parque que ficava de frente para a casa dos Bouvier, de repente começa a nevar e sem pensar acabo dando um grito.
Pierre e Jay que discutiam sobre um jogador ter feito falta ou não me olharam assustados, e vieram os dois em minha direção.
- Que foi, ? - perguntam os dois ao mesmo tempo, aponto para a janela e digo quase sem acreditar:
- Neve! Está nevando! - digo empolgada parecendo uma criança pequena. Eles se olham e caem na gargalhada então Jay fala:
- É neve, sabe essa coisa branca e gelada que cai do céu e congela a água até dentro das garrafas, se as esquecermos no carro - diz me zoando - olho para os dois caindo em mim e percebo que Pierre me olhava com uma cara estranha - que para mim parecia algo como encantamento e respondo meio sem jeito:
- Sim, Jay, eu sei, é que eu nunca vi neve antes e desde que eu cheguei aqui ainda não tinha nevado nenhuma vez. - então Pierre ainda me olhando diz meio sorrindo:
- Quer ir lá fora, ? - eu olho para ele sorrindo tanto e pulando no lugar que mais parecia uma criança na noite de natal e digo:
- Podemos? - abro meu melhor sorriso toda feliz.
Ele me dá aquele sorriso lindo coça a cabeça parecendo desconcertado e diz: - Claro que sim, só se agasalhe antes de sairmos ou você vai congelar. - avisa todo preocupado.
Devidamente agasalhados e aquecidos saímos em direção ao parque que ficava em frente. Ao atravessarmos a rua, Pierre me diz: - Eu vinha aqui nesse parque quando era moleque, foi aqui que aprendi a patinar no gelo, a esquiar, a jogar Hockey… - eu ouvia tudo com muita atenção e interesse.
Chegamos perto de uma árvore com as folhas quase mortas pelo frio e pesadas pela neve que ainda caia. Sentamos em um banco quase cheio de neve da noite anterior, Pierre o limpou com a luva de couro para que pudéssemos sentar ali.
Ficamos calados alguns minutos apenas olhando a neve cair, então eu resolvo perguntar o que tanto me incomodava desde que chegamos: - Pierre ?
- Huum - ele me responde sem olhar para mim, então continuo de uma vez:
- Você acha que seus pais gostaram de mim? Ou eles vão achar que sou uma golpista só por que contei a minha história para eles? - disparo. Ele então me olha sério e diz:
- , tá brincando? Meus pais adoraram você!! Por que você acha isso? Que eles te achariam oportunista ou golpista tá doida, menina? Todos gostaram muito de você, principalmente minha mãe e o Jay é claro - ao falar do irmão ele faz uma careta. Ignoro a cara feia e digo:
- Como você sabe? E seu pai por que ele se retirou da sala? Será que não foi por minha causa? - disparo de novo em desespero.
- Meu pai é muito na dele, mas sim ele gostou de você tanto quanto minha mãe, Jay e Jonathan, ele só tem um jeito diferente de demonstrar e com o passar do tempo você vai perceber que sim, ele gosta de você; e outra meu pai confia muito no julgamento da minha mãe e se ela te aprova então para ele tá tudo bem.
Balanço a cabeça incapaz de saber o que dizer, ser aprovada pela mãe de Pierre, isso devia ser algo bom, muito bom. A neve continuava a cair suave e gelada e já estava se acumulando no capuz da blusa grande demais que Pierre tinha me emprestado, então do nada ele diz: - Vem, chega de assunto chato vamos aproveitar essa neve fofa, só assim dá para fazer uma coisa… - então ele sai correndo para o meio do parque faz uma enorme bola de neve com as mãos e joga na minha direção gritando - Guerra de bola de neve - sem reação e sem conseguir desviar a tempo levo uma bola de neve em cheio no rosto.
- Ora seu!!! - digo irritada, juntando neve do banco ao meu lado grito:
- Você me paga, BOUVIER!!!! Volta aqui, seu trapaceiro, não foge de mim!!! Pierre por ter mais costume com o gelo sob os pés desvia de mim facilmente rindo, gargalhando e correndo com vários gritos de Olé - Já eu tento em vão alcançá-lo caindo no gelo fofo e cansando quase sempre rápido demais. - Até que em uma de suas bolas de neve certeiras e doloridas Pierre acerta meu rosto forte demais e eu caio de costas no chão batendo a cabeça em uma parte mais dura de gelo.
Pierre me vendo cair se assusta e corre em minha direção _ !! !! Ah droga!! , você tá legal? - ele pergunta com preocupação na voz.
Meio atordoada, com o rosto vermelho da pancada de gelo no rosto e esfregando a nuca me sento, a essa altura Pierre já estava ao meu lado no chão passando as mãos em meu rosto para tirar o excesso de neve que ainda estava ali ao mesmo tempo que falava todo preocupado :
- Aah, , desculpa! Me desculpa, eu sou um idiota, não devia ter jogado com tanta força em você, eu te machuquei? Tá tudo bem? - ele falava tudo com as duas mãos em concha no meu rosto, sentindo meu rosto queimar e sabendo que estaria vermelho, não sei se pela bolada de neve, o frio ou a vergonha respondi:
- Eu estou bem, Pierre, sério não foi nada e outra estávamos brincando, eu sei que você não iria me acertar para valer, eu é que sou descoordenada demais para tudo, me desequilibrei e cai - tento justificar minha falta de jeito.
Pierre me olha ainda preocupado e diz:
- Mas e sua cabeça, tá legal?
- Está sim, o máximo que vai acontecer será um galo, mas da próxima eu aprendo a desviar de suas bolas de neve assassinas mais depressa.
Pierre me sorri e me estende a mão para me ajudar a levantar do gelo, mas o puxão dele é forte e nós acabamos ficando muito próximos; tão próximos que eu podia sentir a respiração quente dele em meu rosto. Com o susto da nossa proximidade, meu corpo reage e treme como sempre faz quando ELE está perto demais.
Como antes, Pierre passa a mão em meu rosto apenas três dedos cobertos pela luva grossa de couro e meu corpo inteiro trava, percebendo minha reação, mas sem me soltar e ainda muito perto de mim ele diz:
- Seus olhos são . - e ele trava a respiração, talvez procurando algo a mais para dizer, mas, ainda assim, olhando fundo em meus olhos.
- Não tinha percebido antes a cor dos seus olhos, são lindos. - ele completa depois de alguns segundos me olhando com uma intensidade tão grande que eu até diria que ele estava decidindo se fazia algo ou não. Passados alguns minutos eu ameaço a querer me soltar do aperto de Pierre, é quando ele faz algo que eu jamais imaginei…
Antes que eu me soltasse por completo Pierre me puxa outra vez, ficamos ainda mais próximos se é que isso era possível, nossos lábios quase se tocando e então ele me beija; Tocando meus lábios bem de leve no começo, mordendo de leve meu lábio inferior o que me faz arfar e puxar o ar com força, minha cabeça estava um turbilhão de pensamentos, meu corpo sobrecarregado de sensações e tudo isso porque ELE estava ME BEIJANDO!!!! Apenas um selinho de leve, então Pierre passa a ponta do nariz por meu rosto, e no canto dos lábios de novo, morde meu lábio inferior de novo; e então ele volta ao beijo, dessa vez com mais vontade. Passa a ponta da língua por meus lábios entreabertos e toca a minha língua com a dele, nesse momento meu corpo quase entra em combustão, ele tem um gosto tão bom que eu não saberia definir em palavras, meio amadeirado. Ele suga de leve minha boca e morde meu lábio superior, o beijo é rápido dura poucos segundos e então ele me solta de repente e se vira de costas, com as mãos nos joelhos como se estivesse corrido uma maratona, ou como se estivesse acordado de um transe e se arrependido do que estava fazendo. Então ele me olha com as bochechas vermelhas, não sei se de vergonha ou de frio e fala de forma apressada:
- , desculpa, eu... Eu não sei o que deu em mim, eu não sou assim… - tenta articular uma desculpa e eu quero me livrar da humilhação de ser rejeitada por ele, então falo logo: - Pierre, calma - tentei regular a voz e a respiração e sentindo meu coração martelar em meus ouvidos, continuo: - Não aconteceu nada, tá certo? Somos amigos, não somos? As vezes amigos fazem coisas sem pensar é normal; o que aconteceu aqui minutos atrás fica aqui se você quiser, por mim tudo bem e a amizade será a mesma nada muda entre a gente se você não quiser. - falo para convencer a nós dois.
Pierre que estava de cabeça baixa responde:
- Tem certeza que para você está tudo bem? - diz com os olhos curiosos e até inseguros, tento sorrir o mais sincera possível:
- SIM, TUDO BEM - tento dizer as palavras para convencer a ele e a mim. Tento mudar o foco da conversa e falo a primeira coisa que me vem a mente:
- Agora vamos entrar, por favor? Estou congelando aqui, daria qualquer coisa por um chocolate quente.
Pierre apenas concorda com a cabeça e eu deixo o assunto do beijo morrer entre nós ali naquele parque coberto de gelo, mas eu sei que no fundo do meu coração, na minha alma aqueles poucos segundos daquele beijo tão intenso não vão ser esquecidos por mim, talvez o Pierre nem se importe tanto até porque como o Jonathan mesmo disse ele leva uma namorada por semana para casa dos pais, mas eu, ele mal sabe que esse beijo que ele fez tanta questão de se desculpar, e que talvez amanhã já tenha esquecido que existiu.
Este beijo que ELE me deu…. Foi MEU PRIMEIRO BEIJO.
Já beijei alguns caras antes, mas nada… Nada se compara ao beijo de Pierre Bouvier, então esse beijo que ELE me deu e que agora faz tanta questão de se desculpar, eu considero como meu primeiro beijo de verdade.

***



17 - O que foi que eu fiz?

Como a mesmo me pediu voltamos para dentro já que estava começando a nevar outra vez e realmente estava bem mais frio por conta do horário, já eram quase 7 pm. Quando passamos pela porta de entrada da casa dos meus pais como já era de costume minha mãe nos esperava.
- Vocês devem estar congelando. Andem, crianças, vão tomar um banho quente que eu vou preparar um delicioso chocolate quente para nós - ela falava sorrindo.
- Ah, mãe, como te amo!! Sempre adivinhando minhas vontades, mesmo me tratando como criança e eu já tendo 27 anos.
me dá um sorriso envergonhado e vai para o quarto de hóspedes, retribuo o sorriso ainda sem graça pela merda que eu havia feito minutos antes no parque; e entro para meu quarto com a cabeça cheia de mil pensamentos, mas nenhum que fizesse sentido para mim. Como eu perdi o controle daquele jeito? Eu repetia em minha cabeça sem parar.
Tiro toda a roupa de inverno molhada que estava usando, jogo no cesto e entro para debaixo do chuveiro absurdamente quente e então começo a pensar no tamanho da idiotice que fiz mais cedo: Onde eu estava com a cabeça? Beijar a daquele jeito? Ela deve estar pensando que eu só quero me divertir com ela, ou pior, que eu quero me aproveitar da situação. Como eu pude ser tão idiota? Mas por outro lado, ela não me afastou, não me esbofeteou, não me xingou, nem nada disso, ela teria todo o direito de ficar puta da vida comigo e ela não fez nada… Nada!! O que será que isso pode significar para ela? Será que a deu mais importância ao beijo do que realmente deixou parecer? Eu tinha tantas perguntas sem respostas e agora com certeza a me deixaria ainda mais no escuro, burro, burro, burro!! Como eu pude ser tão tapado? Me deixar levar assim não é meu estilo, normalmente as garotas são quem correm atrás de mim e não o contrário, decidi fazer o que a própria me disse: Vou esquecer essa história do beijo, mas esquecer como? Se eu ainda estava sentindo o gosto dela em minha língua - era um gosto tão doce, me lembrava a chocolate e café -, eu estava tão perdido em meus pensamentos que a água quente já estava ferindo minhas costas e eu mal sentia; sem contar que meu amiguinho no meio das minhas pernas estava começando a querer acordar.
Mas que merda!! Ficar de pau duro só pensando na ? Não!! Isso era demais para minha cabeça naquela hora e ainda mais na casa dos meus pais!! Estava decidido eu precisava sair para uma balada com os caras, eu estava sem transar desde que começamos a turnê, há um mês. Nada que uma boa transa não resolvesse, só assim para eu parar de pensar na gostosinha da minha estagiária. E eu precisava parar de pensar na e logo. Primeiro aquele sonho sem pé nem cabeça e agora o gênio aqui me inventa de beijar a menina, boa, Pierre, seu idiota.
Saio do chuveiro, visto uma calça de moletom folgada e uma regata velha, graças aos céus pelo aquecimento central. Quando chego a sala todos estão lá, minha Mãe, Jay e , vestindo uma legging preta colada, e meu moletom cinza, o mesmo que emprestei para ela no avião, parei no meio do caminho… caralho por que essa menina tem que ter pernas tão grossas e torneadas? Foco, Pierre, foco!! Fiz uma nota mental de pedir a minha mãe para ir com a a um Shopping no dia seguinte comprar roupas de inverno para ela, até porque eu queria meu moletom de volta, ou talvez não, o meu moletom ficava bem mais legal na do que em mim, talvez eu devesse dar logo o moletom de presente para a já que ela parecia gostar muito dele, já que não tirava ele do corpo.
Ninguém percebeu minha presença na sala, então sentei ao lado de Jay no sofá para ver tevê, nessa hora minha mãe chega da cozinha com uma bandeja de chocolate quente para nós, depois de cada um de nós pegar uma xícara e já estar tomando minha mãe vai até o escritório levar um pouco para meu pai, o que me deixa em alerta, meu pai se fechou no escritório desde que chegamos e das duas uma: ou eu estava bem encrencado com papai, ou ele estava com algum problema na empresa. Nesse meio tempo o telefone de casa toca: Era Jonathan, avisando que não iria jantar em casa porque estava indo encontrar um cliente para fechar um contrato importante. Jay desliga o telefone e passa o recado a mamãe que logo se preocupa, mas antes mesmo que mamãe começasse a reclamar dizendo que Jonathan se alimenta mal, papai aparece na entrada da sala e diz:
- Pierre pode vir até o escritório, por favor? Preciso falar com você um minuto. - Ferrado!! eu estava muito ferrado… Jay vendo minha cara de assustado, olha para mim faz o famoso sinal de “se fodeu” com as mãos e ri descaradamente da minha desgraça. Obedecendo meu pai, entro em direção ao escritório.
- Senta, filho, quero falar com você. - Meu pai fala assim que fecha a porta.
- Diga, pai, o que foi? Parece sério, é algum problema com a empresa? - pergunto tentando saber do que se tratava.
- Não, com a empresa está tudo bem, o Jonathan cuida de tudo para mim. - meu pai diz ainda pensativo. Levanto a sobrancelha em dúvida e meu pai me olha de frente, com aquele olhar que eu conhecia muito bem, sim, eu estava fodido.
- Pierre, o que você tem na cabeça? - meu pai pergunta na lata.
- O quê? Como assim, pai, não entendi, o que foi que eu fiz dessa vez? Olha, até ontem eu estava trabalhando, em turnê então seja lá o que for, não fui eu!! - tento dar uma de esperto com meu pai e falho miseravelmente.
- Cala a boca, moleque!! - meu pai manda e eu murcho na cadeira. - Sim você estava trabalhando até ontem e hoje me chega em casa com essa moça? Como assim essa menina vai morar na sua casa, Pierre? - meu pai solta de uma vez aos gritos e graças a Deus a casa toda ter isolamento acústico se não a essa hora a já estaria correndo para o Alasca pelos berros de meu pai. Olho para meu pai em choque.
- AAH é isso, pai? - pergunto quase descrente. - Eu já expliquei, pai, a ganhou a promoção da rádio brasileira para trabalhar com a gente, comigo e com os caras, ela vai trabalhar, estudar e fazer para a banda tudo o que o Patrick faz, já que ele logo vai precisar parar de trabalhar com a gente para se dedicar a outros projetos dele. - Expliquei tudo de novo para meu pai da forma mais fácil possível.
- Mas por que essa moça tem que ficar na sua casa, Pierre? - meu pai diz sem se deixar abalar e ainda nervoso. Então falo o óbvio.
- Bom ela vai ficar la em casa por dois motivos pai: Primeiro, logo a Maria, minha governanta vai precisar voltar ao Brasil para resolver coisas pessoais e não sabe quanto tempo demora a voltar, ou se ela volta então… Ai vem o segundo ponto: A vai ficar la em casa no lugar da Maria, não como empregada doméstica, ela trabalha para a banda, não para mim, mas enquanto a Maria estiver fora ela vai me dar uma ajuda e outra ela vai ficar la em casa porque EU QUERO que ela fique lá. - termino minha explicação e olho para meu pai, e então eu quero correr para o Alasca. Meu pai está mais vermelho que um tomate de tão nervoso.
- Como é, moleque? - meu pai grita de novo, e eu aposto que ate os vizinhos ouviram dessa vez. - Pierre, por que você não deixa a na casa do Chuck? Ou com o Jeff? - meu pai insiste em dizer. O encaro de cara amarrada e falo.
- E qual o problema de ela ficar lá em casa, pai? - pergunto já irritado.
- Pierre, Pierre, eu conheço você… está a cada semana com uma garota diferente em casa, isso quando não chega em casa bêbado das festinhas depois dos shows e tem mania de andar pelado pela casa, você acha que essa menina vai saber lidar com tudo isso? Te ver a cada hora com uma garota diferente? - meu pai me olha como se eu tivesse três cabeças.
Fico perdido com as palavras de meu pai e digo: - O que uma coisa tem a ver com a outra? - e continuo meu argumento. - Pai, eu e a não temos nada ela não tem que achar ou gostar de nada, ela está aqui apenas para trabalhar e estudar, nada além disso. - digo irritado para meu pai, ou estaria irritado por saber que papai tinha razão? Meu pai me olha nos olhos, balança a cabeça de um lado para o outro e diz:
- Você não consegue ver nada não é mesmo, filho?
- Ver o quê? pergunto sem entender onde meu pai queria chegar com aquele sermão todo.
- Nada, filho… Nada, com o tempo você irá descobrir. - meu pai fala cheio de mistérios e em um tom mais leve completa – Ok, filho você quer manter a debaixo das tuas asas, está certo só não se esqueça de que essa menina não é apenas sua responsabilidade, ok? Ela também é responsabilidade dos outros. - meu pai diz parecendo mais calmo, ainda bem.
- Sim, pai, eu sei, nós cinco concordamos em trazer a , então nós cinco cuidamos dela - falo para tentar acabar logo com aquele assunto confuso.
- E ELA sabe disso? - meu pai dá na lata mais uma vez me encarando sério de novo. Que saco!!
- Sim, pai, claro que ela sabe. - Meu pai me olha nos olhos, sério, como eu jamais vi e fala:
- Então, Pierre, não fique por ai beijando a moça. - meu pai diz erguendo as sobrancelhas para mim em tom de reprovação.
Fico mudo, sem ar e muito vermelho. Tento articular as palavras, mas parece que eu perdi a voz, totalmente sem jeito porque eu sabia o que tinha feito mais cedo e sabia que meu pai tinha um pouco de razão, só um pouco.
- Pai, eu… - começo a dizer, mas papai me interrompe.
- Eu sei, Pierre, eu sei, você é homem, ela é uma menina bonita, mas, filho, de verdade, não misture as coisas, está bem? Essa moça vai morar na sua casa, trabalhar para você, vai estar com vocês 48 horas por dia então, por favor, filho, pense… Pense muito bem antes de fazer qualquer coisa, mas, pense com a cabeça de cima porque se você fizer qualquer cachorrada a essa moça eu juro, Pierre, eu nunca te bati na vida, mas se você fizer qualquer sacanagem com a eu juro que eu me esqueço que você já é um homem adulto e te cubro na porrada. - meu pai fala tudo de uma vez sério de novo e muito bravo.
Fico pasmo com a bronca de papai e caio na gargalhada, ele fica muito bravo e grita comigo pela terceira vez naquele dia.
- Pierre, calado!! - paro de rir na hora. Papai respira fundo, segura as laterais de sua mesa me olha e fala: - Uma última coisa, Pierre, a é especial, e pura em muitos sentidos cuide dela, ok?- ainda sério apenas aceno com a cabeça para meu pai, e pergunto:
- Pai, como você sabe que eu beijei a ? - Meu pai levanta a sobrancelha exatamente como eu faço e responde rindo:
- Eu estava vendo vocês brincando no parque, e vi quando tudo aconteceu. Ah, Pierre, você é terrível; se parece muito comigo quando era mais jovem - meu pai sorri, abre os braços e diz:
- Venha cá, filho, dê um abraço no seu velho pai - vou em direção ao meu velho e o abraço forte. Cara, como eu estava sentindo falta daquele abraço. Ainda abraçado a mim, meu pai fala em meu ouvido - Sei que eu e sua mãe te criamos direito, Pierre, e que você vai fazer a coisa certa, apenas siga seu coração, filho, e pense antes de fazer alguma coisa de que vá se arrepender depois... - meu pai me beija no rosto e completa: -Tenho muito orgulho de você, meu filho. - com a garganta meio travada pela vontade de chorar digo:
- Ok, pai, por que tudo isso? - Meu pai me olha sorrindo e fala.
- Nada demais, filho, eu só posso ver coisas que você não vê, e sei que muita coisa boa ainda vai acontecer, mas, para isso, vai existir algumas pedras no caminho primeiro. - meu pai fala todo pensativo com o olhar para fora da janela no parque.
- IIIIH, pai, lá vem o senhor com essas conversas sem pé nem cabeça. - falo meio sorrindo.
- Que nada, filho, esquece é coisa de velho… - meu pai diz me encarando. mas eu sabia que alguma coisa estava incomodando papai, só não sabia o que era.
Saímos do escritório abraçados papai e eu, quando chegamos na sala Jay não tinha nem se mexido, ainda via esportes na tv – folgado- enquanto isso na cozinha, mamãe preparava o jantar e estava onde? Adivinhem… ajudando mamãe, essa garota é impossível. Mamãe preparava o macarrão com queijo e fazia brigadeiro de sobremesa (ahá, falei que mamãe ia fazer a cozinhar algo do Brasil?).
Com tudo pronto e mesa posta sentamos para jantar, papai pergunta uma porção de coisas para , que responde sempre sorrindo; cor favorita, comida, animal, etc., e ela responde a tudo sem reclamar, Jay como sempre continua perto demais da , aliás isso já estava me irritando. Depois que acabamos de jantar mamãe já estava tirando a mesa e pondo tudo na pia e Jay e eu estávamos a caminho da sala de tv para uma partida de videogame e então me solta a seguinte frase:
- Aonde os bonitinhos pensam que vão? - Jay e eu nos olhamos e falamos ao mesmo tempo:
- Nós? Vamos jogar…
- Pois é iam mesmo… Venham aqui, por favor - ela fala rindo e aponta para a pia cheia de louça. - As meninas cozinham, os meninos lavam a louça - então pega mamãe pela mão e as duas vão em direção a sala. Jay e eu nos entreolhamos e tentamos questionar. mas responde: - Sua vez de ajudar sua mãe, anda logo lavar uma louça não mata não. _ fala, sorri e sai com mamãe em direção a sala de tv.
Ouvimos papai rir da sala, mas, por fim, lavamos a louça, ou melhor eu lavei e Jay secou e guardou. Terminado nosso trabalho na cozinha nos juntamos a todos na sala, a essa altura até Jonathan já tinha chegado. Mamãe e papai se despedem de nós quatro e vão dormir, e nós então decidimos enfim jogar uma partida de videogame, mas estávamos com um problema, seriamos 2 contra 1 eu e Jay contra Jonathan até que solta a seguinte frase:
- Eu posso jogar? - pergunta sem jeito e com o rosto levemente vermelho.
Nós três a olhamos sem acreditar. - Você sabe jogar? Jay solta na lata com a voz incrédula.
_ Um Pouco ela responde sem graça e sorrindo de leve. _ ah puta merda que sorrisinho sapeca lindo.
Depois de brigarmos entre nós para ver quem faria dupla com a no jogo ficamos assim: Jay e Jonathan e e eu. Jogamos a melhor de 3, no Street Fighter e eu e ganhamos, até nisso essa garota é boa. Ela acaba dizendo que costumava jogar videogame com seu amigo , por isso sabia jogar tão bem.
Quando acabamos de jogar já era bem tarde, quase 2 horas da manhã então já bem cansada pede licença para ir dormir. Jonathan como o sacana que é e para me provocar puxa em um abraço de urso e a beija no rosto.
- Boa noite, princesa - Olho para ele muito puto de raiva. Ainda abraçado a , Jon me olha e sorri safado feito ele só. Filho da mãe...
Jay já é mais tranquilo, apenas beija no rosto de leve e diz: - Bons sonhos - e enquanto ele faz isso apenas ergo minhas sobrancelhas revoltadas para ele. Como assim meus dois irmãos estavam todos babões para cima da ? Sai cacete, eu vi primeiro.
Quando chega a minha vez de receber o boa noite de ambos ficamos sem jeito, não sei se pelo beijo de mais cedo ou por meus irmãos pentelhos estarem nos observando sem a menor vergonha. Ah, esses dois iam me pagar!!
Vendo que não tomaria a iniciativa então tomo eu: coloco minha mão de leve em sua cintura e a puxo para um beijo no rosto, tão leve que é quase um sopro mas, ainda assim sinto o corpo dela tremer em meus braços. Até assim, percebo sua reação mas, nada falo e com certeza Jay e Jonathan também perceberam, mas se fizeram de cegos, ainda bem se não eu matava eles. Bando de empatas do caramba.
E assim sem graça, vai em direção ao quarto, olho ela sair da sala para longe de meus olhos e da curiosidade de meus irmãos até quando a porta de seu quarto se fecha.
Me volto para a sala, onde meus irmãos estavam, apenas esperando para que nós três ficássemos sozinhos, sento no sofá de frente para eles apenas esperando as milhares de perguntas sobre , que viriam encher minha cabeça pelo resto da madrugada.



18 - Fora de Controle

Entro para o quarto o mais depressa que consigo sem dar muito na cara que o que eu mais queria era sair daquela sala, será que meu corpo ia reagir assim todas as vezes que o Pierre tocasse em mim? Eu precisava urgente achar uma maneira de me controlar melhor ou meu amor “quase” secreto por meu “patrão” seria descoberto se é que ele já não tinha percebido nada. Me preparei para deitar, mas estava inquieta e com o corpo pegando fogo, com muito calor, um calor que não sei de onde vinha, não sei se pelo aquecimento da casa ou por meus hormônios fora de controle. Fui ao banheiro do quarto que eu estava, lavei o rosto duas vezes, a nuca e os pulsos e nada do incômodo passar. Tirei o pijama e fiquei apenas de lingerie e nada!! Todas as vezes que eu fechava os olhos para tentar dormir, vinha na minha cabeça o gosto dos lábios dele, o cheiro dele, o gosto do beijo dele, o toque dele!! Aaaahhhh inferno!! E para piorar fiquei com sede. Me vesti apenas com o roupão grosso e comprido e sai do quarto rumo a cozinha da casa dos pais de Pierre. Quando abri a porta do quarto vi três pares de olhos na minha direção.   
- Algum problema, ?  - Pierre me pergunta me olhando sem entender nada, ele ainda estava na sala com os irmãos. 
- Não, nada - digo com vergonha de estar apenas de roupão com três homens me olhando. - Apenas estou com sede, vim pegar um copo d´água - sigo apressada para a cozinha, pego meu copo e volto para o quarto numa rajada só. Ir para a cozinha só de roupão não tinha sido uma ideia boa. Idiota!! Digo boa noite aos três homens que me olhavam e volto para o quarto. Bebo a água toda em três goles e deito dessa vez decidida a dormir, mas nada acalma meu corpo e nem meu coração Coloco o celular para tocar baixinho  Meet You There e com a voz de Pierre de fundo finalmente acabo dormindo. 

 ***** 

Jonathan estava me irritando com tantas perguntas se noção; queria saber se e eu tínhamos ficado, nos beijado e até se a gente já tinha transado em casa e eu queria socar aquela boca grande dele, e eu tentava de todo jeito explicar para os tapados dos meus irmãos mais velhos que eu e não tínhamos nada!! Bom, ao menos não ainda e não tão cedo, primeiro eu precisava saber qual era a dela se ela realmente só queria estudar e trabalhar e melhorar de vida ou se ela era outra dessas groupies interesseiras, mas pelo pouco que eu tinha visto da ela não era nada interesseira isso eu podia apostar. Então Jay que sempre me conheceu e me conhece melhor que Jonathan fala:  
- Mas, Pierre, conta ai, você tá querendo dar uns pegas na estagiária, não tá? - abro meu maior sorriso sacana e falo encarando os dois a minha frente: 
- Eu já peguei!! Foi totalmente sem pensar, mas hoje eu meio que ataquei a no parque - terminei minha confissão e abaixei a cabeça, os dois me olham e dizem juntos :  
- Eu sabia!! Seu filho da mãe safado!! - gritam e me dão tapas nas costas e nos braços.  
- Hey!! Olha a boca!! - brigo sem ter algo a mais para falar.
- Mas e ai? - Jay quer saber detalhes curioso como sempre e me conhecendo bem, ele sabe que tem alguma coisa acontecendo para eu ter decidido trazer a para minha casa ao invés de deixar ela na casa dos caras. 
- E ai nada, Jay, a não se jogou para cima de mim como qualquer outra garota faria, ela ficou sem jeito, tímida e envergonhada; tanto que eu quem tive que parar o beijo não sei, mas eu até acho que ela nem sabia que aquilo era um beijo até eu me afastar. - confesso minhas dúvidas para meus irmãos na esperança de entender a atitude da
- Quê? Ah não, Pierre, não inventa!! Você tá dizendo que acha que a nunca tinha beijado antes? - Jay completa meus pensamentos em voz alta e eu apenas aceno com a cabeça em concordância. 
- E por que você acha isso? - Jay fala tão perdido quanto eu. 
- Ela treme perto de mim, como se estivesse morrendo de medo; que garota faria isso? - pergunto para os dois a minha frente que agora estavam realmente sérios e interessados no enigma que era a garota no quarto de hóspedes. 
- Não faz sentido isso, cara, ela é linda os caras no Brasil deviam se jogar em cima dela - Jonathan que até então só estava ouvindo fala o óbvio. 
- Pois é, Jonathan, eu também pensei nisso, mas para saber algo assim só se ela quiser falar, ou se tiver uma garota que pergunte para ela sem ela perceber - então Jay tem uma ideia meio doida, mas que talvez funcione. 
- Olha, Pierre, fazemos assim, amanhã peço para Kate vir aqui e ficar com a para elas se conhecerem assim a Kate tenta saber algo da . O que acha? 
- A Kate sua namorada? - falo tentando entender a ideia de meu irmão. Então concordo e ainda decido aproveitar a Kate para me ajudar na compra das roupas da . - Ótima ideia, Jay, e ainda tem mais, amanhã logo cedo vou pedir para mãe sair com a  para comprar roupas para ela, roupas de inverno quero dizer, ela não tem quase nada de roupa para usar no frio daqui. - digo para meus irmãos, mas, já sabendo que receberia um monte de reclamações. 
- Espera você vai bancar até as roupas dela? - Jonathan pergunta sem entender nada. Sem saber que a era tão especial, que largou tudo para o melhor amigo no Brasil, que veio só com as roupas do corpo - literalmente. - sei dessas informações porque Robert tinha me contado por alto quando chegamos da tour. 
- Sim, vou, Jon. Entende uma coisa, mano, a saiu de uma situação que nós nunca vimos antes, ela não vivia, ela sobrevivia, então sim, vou dar para ela tudo o que eu puder para que ela seja feliz aqui no Canadá, e outra coisa, ela teve um gesto muito generoso com esse amigo dela, que ela tanto fala, o , ela deixou tudo o que tinha para ele, então me fala, mano, como não ajudar uma pessoa dessa? - Jay e Jonathan me encaram de boca aberta. Meus irmãos não entendem o que digo e ainda perguntam: 
- Mas a é responsabilidade da banda e não apenas sua, certo? - Jonathan me encarava sério e Jay me olhava com aquele olhar de “eu sei que você sabe o que faz”.  
- Sim!! E é por isso que nós cinco vamos bancar a , não apenas eu. - falo meio irritado, primeiro meu pai, agora meus irmãos pegando no meu pé por causa da . Que saco. 
- Meus irmãos mesmo assim não se dão por vencidos e continuam pegando no meu pé, fazendo piada e me provocando. 
- Mas fala, Pierre, confessa vai, a é uma gata, né não? - Jonathan fala todo empolgado, e eu quero bater nele por falar assim dela, mas o que faço é abaixar a cabeça e abrir um sorriso gigante. 
- Sim, ela é uma gata - concordo com meu sorriso mais safado. - Realmente ela é linda, mas..... friso bem o MAS.... Falo com o rosto sério, sem traços de malícia na voz. - Pelo menos por enquanto ela e eu vamos ficar apenas na amizade e no profissional então vocês dois se comportem perto dela, por favor!! Ela é muito tímida, e qualquer coisa ela parece querer sumir, então peguem leve. - praticamente imploro para que meus irmãos sejam legais com a . Jay e Jonathan fazem sinal de juramento com os dedos e dizem: 
- Ok, prometemos não sacanear a até por que ela é muito legal e joga videogame!! Cara, só você mesmo para arrumar uma amiguinha que gosta de jogar videogame. Ela não tem uma irmã, não? - Jonathan fala rindo para me provocar. 
- Se fecha, seu safado!! - falo irritado, mas sorrindo. Então complemento para que meus irmãos entendam que a era minha por opção dela não de ninguém - E outra, eu vi primeiro então eu tenho preferência na fila - Jay levanta as sobrancelhas exatamente como eu faço e fala:
- E como você sabe que tem preferência hein, moleque?  -  levanto do sofá olho para os meus irmãos mais velhos e sorrio descaradamente. 
- Eu apenas sei que... Digamos entre qualquer outro cara a vai preferir a mim. E agora chega estou morto de cansado e com sono, amanhã vocês me enchem mais o saco - dito isso vou para meu quarto com uma ideia maluca na cabeça. Eu suspeito que a sinta algo por mim, seja pelo artista, ou por me admirar como uma fã ou ela sinta algo mais, eu iria descobrir de algum jeito. 
- A partir daquele dia, dia após dia devagar eu ia dar um jeito de conquistar o coração de Ferrari, fosse por diversão, curiosidade, tesão ou qualquer outra baboseira que as garotas diziam ser amor eu teria aquela garota para mim. 



19 - Quem é essa garota?

Amanheceu e para minha surpresa apesar de a casa dos pais de Pierre ser bem em frente a um parque, dormi bem, era muito silencioso no quarto em que eu estava, pensei meio sonolenta que talvez as janelas tivessem isolamento acústico. Acordei com a claridade da neve entrando por minha janela, então levantei, me arrumei, coloquei uma calça jeans, meias grossas e uma bota baixa, blusa de frio e o moletom de Pierre por cima, de novo aquele moletom. Fico me perguntando se algum dia o Pierre vai querer a blusa de volta, amarrei o cabelo em uma trança para ficar bem protegida do frio, faço uma maquiagem leve; lápis de olho, sombra e batom, nada muito exagerado e saio do quarto. Chego na cozinha e Louise está preparando o café da manhã para todos, então vou ajudar, coloco a mesa e tudo o que faltava e logo todos estamos tomando café da manhã. De repente a campainha toca e Jay vai correndo para atender à porta e com ele volta uma moça muito bonita, morena, olhos castanhos e pouco mais alta do que eu. Fico sem entender muita coisa, mas então Pierre se levanta e diz:  
-  Kate!! Que bom te ver!! - e a abraça todo feliz. - Kate retribui o abraço e fala com o resto dos Bouvier na mesa. Quando chega a minha vez, sorri e olha de mim para Jay, depois para Pierre.  
- Jay, não me disse que vocês tinham visita - olha para ele e de volta para mim, fico imediatamente sem graça, Pierre sai em minha defesa. -  Calma Kate eu explico : 
 - Essa é a , ela veio comigo e com a banda da nossa última tour no Brasil, ela vai trabalhar com a gente por um tempo. - Pierre fala sorrindo para a garota e eu fico toda boba em ver aquele sorriso capaz de iluminar a sala toda.   
- Nossa, que legal - diz Kate e me sorri de novo simpática em seguida completa:  - Sou Katherine Kavanagh, mas, pode me chamar de Kate; sou a namorada do Jay.  - Olho para ela de novo dessa vez mais à vontade e digo, sorrindo tímida:  
- Bom, sou a , Ferrari na verdade , muito prazer Kate. Como o Pierre já disse, estou aqui para trabalhar, e no momento ainda estou me adaptando a tudo mas, muito feliz. Aaah, e por favor, me chame de  - não sei por que disse isso mas, algo me fez gostar da Kate logo de cara. Talvez fosse por seu jeito de tratar o Pierre ou só por que eu fui com a cara dela mesmo, não sei.  
Kate se senta a mesa com a gente e tomamos o café da manhã animadamente. Então Louise fala quando todos já estávamos terminando e saindo da mesa:  
- Kate, o que você acha de aproveitarmos que está aqui e levarmos a para passear no shopping aqui da cidade? - Louise diz animada e vejo que ela olha em direção a Pierre que sorri abertamente para a mãe. Aaai, esse sorriso, socorro.  
- Shopping? Ótima ideia, sogrinha!! Adoro compras - diz Kate toda animada e sorri para mim, enquanto os meninos apenas começam a gargalhar da animação toda da Kate, eu olhava para os meninos rindo e tive a impressão de ver Pierre fazendo um sinal de positivo para Jay, mas, poderia só ser minha imaginação, deixei para lá. Mesmo com os apelos de Kate, Jay se recusa a ir ao shopping com a gente dizendo que é um passeio de meninas e que vai ficar em casa fazendo nada com os irmãos e então saímos para o shopping, Kate, Louise e eu. Louise pega o carro de Pierre já que ele disse para a mãe que não pretendia sair. Louise dirige bem, tão bem quanto Pierre, andamos de carro por uns 40 minutos e no caminho Kate ia me mostrando onde ficavam as coisas, lojas de conveniência, supermercado, cafeteria essas coisas. Quando estávamos quase chegando ao shopping, Kate me mostra a McGill College Avenue e me diz que a universidade ficava na próxima quadra, olho encantada para a rua tentando ver o prédio da Universidade, Louise percebe meu olhar e fala me olhando do retrovisor :  
- Depois das compras se você quiser te levo até lá para ver o campus, quer ir,  ? - Percebo que é a primeira vez que a mãe de Pierre me chama de  desde que cheguei. Sorrio tímida e falo: 
- Claro quero sim, se não for atrapalhar. 
- Atrapalha em nada e outra hoje o dia é só nosso, então podemos fazer o que quiser - Louise fala sorrindo.  
Kate bate palmas e sorri e eu pergunto burra como sou :  
- Mas podemos entrar na Universidade?  
-  Claro que sim, , é aberto, a única coisa que não pode é entrar nas salas mas, o prédio é livre, é até um ponto turístico aqui de Montreal. - Kate fala, me olhando curiosa.  
Bato a mão na testa e digo:  
- Nossa! Sim! É verdade, que bela futura estudante eu sou - Kate me olha sem entender e eu respondo antes de ela perguntar: -  Vou estudar um curso relacionado a turismo, grandes eventos e administração de pessoal aqui, ainda não sei onde, o Pierre tá fazendo mistério mas, me falou que amanhã já vai me matricular no curso e que no começo das aulas já começo a estudar - falei me explicando e ainda olhando na direção do prédio da Universidade.  
 - Ah sim, entendi - diz Kate e completa: - Essa mania dos meninos Bouvier de fazer mistério - Kate olha para trás e pisca na minha direção.  
- Pois é - concordo com Kate e penso logo em Pierre, o que ele estaria fazendo...  Perdida em meus pensamentos, de repente percebo que estamos parando.
- Chegamos - diz Kate. Descemos do carro e ela me puxa pela mão e já vai falando: - , esse é o Place Montreal Trust um dos shoppings aqui de Montreal. - estende a mão como se estivesse apresentando uma pessoa, e não um lugar, Louise sorri e nós três entramos para o interior do enorme prédio. Assim de primeira vista era enorme, a fonte de água coberta era linda e eu de tão encantada não sabia para onde olhar primeiro, enquanto eu estava sem palavras para tudo o que via, Kate ia me explicando as coisas e eu só ouvia parte de cada informação. - Essa fonte tem a maior vazão de água na América do Norte… A 30 metros de altura… - dizia ela – O Place Montreal Trust está ligado à cidade subterrânea de Montreal… Por causa do inverno intenso... Por isso viemos aqui hoje... - Kate para de falar no meio da frase percebendo meu olhar perdido e encantado.  
- , calma, respira é só um shopping e não vimos nada ainda, são 5 andares para olhar,  e outra você pode vir aqui quando quiser e a hora que quiser. - Kate me fala o óbvio, lógico que eu podia ir lá outra vez.  
- Posso vir aqui a hora que eu quiser? - falo sem acreditar, parecendo uma criança.  
- Claro!! - Kate ri da minha cara de tacho - Você mora aqui, poder vir quando quiser. Agora anda, vamos!! - Ela me puxa pela mão e saímos rindo pelo shopping, Louise um pouco mais atrás falava ao telefone.

- Ah, oi, filho, acabamos de chegar aqui... 
- Que bom, mãe. Compre tudo o que a quiser, e precisar… Por favor, não importa o valor. 
- Tudo bem, filho, entendi. Vamos fazer as compras e logo voltamos para casa, não gosto de dirigir à noite e com neve nas estradas...  
- É, eu sei, tenha cuidado e, muito obrigado, mãe. Essa ida ao shopping está me ajudando muito com isso... Das roupas para
- Tá certo, tchau, depois nos falamos. 

- Era o Pierre - ela nos fala quando nos alcança. Com a menção do nome de Pierre fico em alerta, meu corpo fica tenso e um sorrisinho idiota surge no meu rosto, tento disfarçar mas,  Kate percebe e sorri para mim. Tento ignorar minha falta de controle quando se trata de Pierre, olho para Louise e pergunto : 
 - O que ele queria?
- Nada demais só saber se estávamos bem e que hora iriamos voltar - ao dizer isso percebo uma troca de olhares entre Louise e Kate mas, acabo deixando para lá, devo estar ficando paranoica. Kate me puxa de novo e vamos para as lojas.
Chegamos cedo eram umas 10 da manhã e Kate ia me levando de loja em loja, comprando sapatos de neve, casacos de neve, blusas e calças segunda pele, roupas térmicas, luvas e até um Tuque com a folha da maple bordada, eu não podia fazer menção de querer alguma coisa que a Kate já queria comprar, compramos não só roupas de inverno intenso, mas roupas de calor também; vestidos, sandálias, shorts, de tudo um pouco. Elas me fizeram provar e comprar e na hora que eu dizia que não precisava, Louise dava um jeito de ir pagar e dizia que era um presente,  isso já estava me deixando desconfiada e sem graça. Perto da hora do almoço, isso já quase as 1:00 pm, percebi que nem Kate, nem Louise estavam comprando nada para elas, apenas para mim; então quando sentamos na Tim Hortons para almoçar, finalmente criei coragem olhei de Louise para Kate e perguntei:  
- Tá legal, o que está acontecendo aqui? Estamos andando a horas, estou lotada de sacolas e vocês duas até agora não compraram nada, isso tudo não pode ser só para mim... - paro de falar engasgada segurando para não chorar. Kate percebendo meu constrangimento, segura minha mão através da mesa e fala:  
- Se eu te falar a verdade me promete duas coisas? - Afirmo com a cabeça incapaz de falar. - ela respira fundo e diz: - Isso tudo que compramos é tudo para você, é um presente meu, do Jay, Jonathan, Réal , Louise e é claro, do Pierre - olho para as duas a minha frente de boca aberta; um perfeito O, de incredulidade.  
- Mas por que isso? Vocês mal me conhecem, por que fariam isso por mim? - pergunto com a voz engasgada e sem querer olhar para as duas na minha frente. Estava com muita vergonha, eu devia saber que o Pierre aprontaria algo como isso, ou por que ele me levaria para a casa de seus pais sendo que só tinha três dias que tínhamos chegado da tour.  
- Porque... - é Louise quem responde: - Se você, Ferrari, gosta do meu filho, eu, Louise, tenho todos os motivos do mundo para gostar muito de você - Louise me olha com olhos bondosos e sorridentes iguais aos de Pierre. Perco a voz de vez, abaixo a cabeça e olho para o chão sem saber o que dizer, fico assim incontáveis minutos até ter coragem para encarar a mãe de Pierre de novo. 
 - Como descobriu? Quero dizer, como descobriu que eu gosto do Pierre? - pergunto ainda sem jeito, eu achava que estava escondendo bem, mas, pelo visto errei feio, a mãe de Pierre já tinha percebido, será que ele também? Eu precisava ser mais cuidadosa.  
Louise me olha com aqueles olhos acolhedores e diz:  
-  , eu sou mãe, conheço meus filhos melhor do que eles mesmos e, alguma coisa em você encantou o Pierre, se não ele não te traria para casa com ele. Entenda, não estou dizendo que ele esteja interessado em você, nem nada, mas, alguma coisa em você, seja seu jeito, seu caráter ou até sua beleza, alguma coisa fez o Pierre querer te trazer para casa com ele, fez com que ele quisesse te ajudar, e meu filho nunca foi de fazer isso, isso o fez melhorar então obrigada. - Estava absorvendo as palavras de Louise ainda, uma a uma. Pierre me querer por perto... Pierre encantado por mim... Meu caráter? Beleza? Pierre me achava bonita? O Pierre melhor por minha causa? Como? Era muito para entender. Kate então fala pela primeira vez em quase meia hora:  
-  Bom... chega de conversa séria, enxuga essas lágrimas, e me escuta: -  olho para Kate em choque, nem tinha percebido que estava chorando até ela falar, passo as mãos no rosto e realmente estavam molhadas pelas lágrimas - Duas promessas, lembra?
- Sim - concordo apressada .
- Primeiro continue sendo essa pessoa humilde que você demonstra ser e segundo, você tem que prometer aceitar tudo de bom que quisermos fazer por você e para você sem reclamar e, nunca, jamais mude esse seu jeito de ser, você merece muitas coisas boas, e acredite, muita coisa ainda está por vir, como você mesma disse, eu mal te conheço, mas, já gosto muito de você e espero que possamos ser amigas algum dia. - ao dizer isso Kate aperta minha mão, sorri e então completa. - E em troca agora é uma promessa minha e de Louise para você - ela olha em direção à mãe de Pierre e continua: - Prometemos nunca contar para o Pierre o que você sente por ele a não ser que você mesma decida fazer isso, combinado? - Kate me sorri com os olhos cheios de lágrimas. Sem conseguir falar, apenas confirmo:
- Ok - aceno com a cabeça - Kate.... - digo chorando de novo sem condições de falar mais nada. Louise que também estava emocionada diz:  
- Meninas chega disso, se não sou eu quem vou chorar. 
- Ok - falamos ao mesmo tempo, Kate se acalma e eu também e então finalmente pedimos o almoço. Kate e Louise pedem macarronada ao molho e eu decido por um Poutine, mas quando os pratos chegam quase caio de costas, o poutine era grande demais, para uma pessoa só. Kate ri da minha cara e diz:  
- Eu avisei que era muita comida, mas você não me ouviu. - ela aponta para meu prato gigante. Eu tenho uma ideia. 
- Posso pedir para levar o que eu não comer? - pergunto sem jeito, já sabendo o que fazer com tanta comida.   
- Claro que pode, , você tá pagando! - Kate fala em tom de zoação.  
- Então beleza - respondo aliviada. O que eu não comer, o Pierre come. Sorrio pensando nele. Olho para Louise que sorri de volta e diz:  
- Você já conhece bem o Pierre não é, ? - Termino de mastigar minhas batatas e falo:  
- Antes de eu trabalhar para ele, eu era e sou fã da banda e do trabalho dele então sim, pode se dizer que eu conheço ele um pouco sim. - Louise ri da minha resposta mas, concorda. E assim brincando e rindo comemos nosso almoço, com Kate e Louise a toda hora me perguntando coisas sobre o Brasil, ou me enchendo para saber sobre meus namorados, amigos e coisas aleatórias sobre minha vida, como meus gostos, se eu sabia dançar, nadar, eram tantas perguntas   que mais parecia um interrogatório, terminamos de comer e decidimos voltar para casa. Afinal, já estava meio tarde. 
Quando estávamos saindo do shopping já para ir para o carro somos paradas por uma garota que chamava Louise de longe.
- LOUISE… - gritou a tal garota na saída do shopping, recebendo alguns olhares estranhos das pessoas ao redor.
- Louise, há quanto tempo! - dizia a garota de voz estridente e meio rouca Louise olha em direção da garota e depois para mim e Kate e diz baixinho:
- Ai, não. Oi, Lachelle, há quanto tempo. Como vai? - A garota, a tal Lachelle era bonita não tinha como não perceber, era alta, loira, corpo magro, bem magro quase esquelética, ou seria malhada de academia? Não saberia dizer. Tinha olhos claros, puxados pro verde, estava bem maquiada e com roupas extremamente caras, unhas e cabelos impecáveis, abraçou Louise desajeitadamente, já que estava com as mãos cheias de sacolas de compras.
- Te vi na loja mais cedo -  diz ela olhando para nós três e me vendo pela primeira vez, percebi que ela se quer falou com a Kate, apenas a encarou e torceu o nariz.   
- Ah, oi - diz sem muita vontade e estende a mão em minha direção. - E você quem é? - me fala e me encara de baixo até em cima duas vezes.  
- Eu sou a , digo e mal pego na mão dela. Ela então resolve se voltar para Kate e com desprezo na voz diz:  
 - Oi, Kate, querida - e as duas trocam apenas sorrisos falsos. Percebo pelo olhar de Kate na direção da tal Lachelle que elas não se gostavam muito. Gravo esse fato na memória, se nem Louise, nem Kate gostavam muito da tal garota, eu não gostaria tão menos. Lachelle olha para mim de baixo para cima, - de novo - analisando minhas roupas até a ponta do meu cabelo e eu me sinto pequena, um nada, o olhar de desprezo que ela me deu torrou até meus ossos, apesar do frio. 
Louise percebe meu mal estar e se despede da tal Lachelle rapidamente, com a desculpa que precisava ir para casa preparar o jantar. Até chegarmos ao carro ninguém diz nada, então ainda me sentindo mal pergunto para Louise, mas com medo da resposta:  
- Aquela garota me olhou como se eu fosse um verme, quem é ela, afinal? - Kate que estava no banco do passageiro ao lado de Louise se vira no banco e  me olha com olhos de uma quase pena. Louise concentrada no trânsito intenso da saída do shopping respira fundo, me olha nos olhos pelo espelho e fala com tristeza na voz.  
- , aquela era Lachelle Farrar a ex/ atual namorada do Pierre, já não sei mais… - quando ela diz a palavra namorada, eu prendo a respiração e, olho para a janela para controlar o choro. Kate se vira no banco quase de joelhos me olha e fala:  
- Calma, , não é nada sério, ela e o Pierre só ficam as vezes, nada demais, apesar de ela achar que é namorada do Pierre, ele nunca levou ela a sério. - Kate tenta me tranquilizar mas eu estava um caos por dentro. - o coração apertado, a garganta sufocada pelo choro que queria vir com força, as mãos trêmulas pela tristeza. Eu ficava assim toda vez que estava tentando ser forte ou controlar meus sentimentos, ficava acabada até ter um jeito de descarregar toda a minha raiva, coisa que no momento era impossível.
- Ok - digo apenas para ser educada, mas por dentro eu estava gritando, chorando. Pierre com aquela garota? Claro, era bem o tipo dele, linda, loira e rica. O que ele iria querer com alguém como eu?  
Como pude me iludir tanto? Como pude se quer pensar que Pierre Bouvier se interessaria por mim? Não sou ninguém, não sou nada para ele. 
Nada... 
E alguma coisa dentro de mim estava me dizendo, pode até chamar de intuição, sexto sentido o que for mas, eu sabia que aquela garota, Lachelle, ainda ia me causar muita dor e muita tristeza. 



20 - Por que a felicidade dura tão pouco?

Depois que fiquei sabendo que aquela garota era a possível ex/atual namorada de Pierre tentei deixar para lá, esquecer, mas meu coração estava pequeno, dolorido, eu estava magoada apesar de disfarçar bem, ou tentar disfarçar bem, por isso Kate e eu nos aproximamos bastante e sempre que podia ela estava comigo ou me ligava. Como tinha prometido Pierre me levou ao prédio da McGill University, fez minha matricula nos cursos e comprou tudo o que eu iria precisar para o primeiro ano, além de fazer um tour pelo campus comigo, me explicando tudo e me mostrando como eu faria para chegar lá de ônibus. Desde o dia em que voltamos da casa dos pais dele tudo estava diferente entre nós, ele provavelmente achando que era por causa do beijo que aconteceu entre a gente, e eu magoada com ele por causa daquela tal garota, Lachelle.

******

A tal garota passou a ir para casa de Pierre todo final de semana, ela ou fazia questão de me ignorar totalmente ou então ficava fazendo piadinhas a meu respeito, fosse por minhas roupas, por meu cabelo ou por meu jeito de falar, isso quando eles não falavam em francês e riam e ai eu não entendia nada mesmo, passei a me isolar, me fechava no meu quarto sempre que a tal garota estava na casa; Maria havia me falado antes de ir viajar:
- , não importa o que a Lachelle faça, ignore, se ela perceber que se importa, que ela te afeta, ou pior se ela se quer sonhar o que você sente pelo Pierre, ela vai te perseguir até te destruir, cuidado, , tudo o que Lachelle Farrar quer é poder, riqueza, fama e um homem rico, e com o Pierre ela acha que vai conseguir tudo isso, e se alguém entrar no caminho dela ela é capaz de tudo para impedir.
******

Tudo realmente piorou, antes eram apenas agressões verbais, piadinhas e tudo mais ate que um dia desses tudo virou um caos...
Eu estava jantando sozinha na mesa da sala de jantar já que, desde que aquela garota chegou ou voltou para vida de Pierre, ele mal parava em casa, jantava fora, almoçava fora, ou com ela ou com os meninos, saia para bares, baladas e festas quase todo final de semana e sempre chegava bêbado e sozinho e quando ele chegava bêbado já entrava da garagem praticamente só de cueca, (quando ele bebia demais tinha essa mania de ficar pelado pela casa mas, acho que no fim ele se lembrava da minha presença na casa e não fazia isso -Thank GOD), em um desses dias Pierre estava tão bêbado que demorou a entrar na casa e então a tal da Lachelle entrou primeiro e me viu na sala jantando, para quê... a garota surtou e começou a gritar:
- Que absurdo é esse? Você é uma simples empregada!! Estagiária como o Pierre diz, os empregados não devem comer na mesa dos patrões!! - E dizendo isso ela simplesmente me agarrou pelos cabelos, dando uma volta na mão (já que para meu azar, meu cabelo estava molhado e solto e é comprido) e me levou arrastando até a bancada da cozinha indo até o fundo onde ninguém a veria me batendo se entrasse pela porta da frente da casa, lá ela esfregou meu rosto no mármore gelado da bancada da cozinha e disse entredentes para que Pierre não a ouvisse: - É aqui que você deve comer de hoje em diante, e não na mesa da sala de jantar, entendeu? - sem conseguir falar apenas balancei a cabeça, e quando eu achava que a agressão iria acabar, ela ainda completa: - E tem mais, o Pierre já faz muito em te dar casa de graça e um salário então... , é esse o seu nome, não? Então... a partir de hoje você está PROIBIDA, ouviu bem? PROIBIDA de comer qualquer coisa nesta casa... arrume outro lugar para comer ou pague pela sua comida, garota insuportável, quando eu for a dona dessa casa a primeira coisa que vou fazer vai ser me livar de você, pode apostar… - E dizendo isso Lachelle me deixa sozinha e vai até a porta da frente ajudar Pierre que estava caindo de tão bêbado.

 
******

A partir desse dia, parei de comer na casa de Pierre, mesmo quando a tal Lachelle não estava lá eu evitava, inventava desculpas das mais esfarrapadas… sem fome, dieta, provas, trabalho… qualquer coisa. Os meninos estavam desconfiando já que eu estava emagrecendo demais e muito depressa, quando no inverno intenso do Canadá o certo seria comer muito e engordar, eu tomava café na faculdade e as vezes almoçava também mas, como meu trabalho com a banda já tinha começado há algumas semanas, eu estava me alimentando mal e dormindo mal, já que chorava toda noite. Um dia em meio a uma sessão de fotos com Jeff e Sébastien minha pressão caiu (em um frio de 5 graus) e eu desmaiei, fui examinada pelo paramédico que nos acompanhava e ele disse aos meninos que eu estava sofrendo de anemia aguda, por má alimentação. Acordei depois de uns 10 minutos desmaiada e dois caras muito confusos e preocupados me encaravam.
- O que houve? - Perguntei sem entender.
- Você desmaiou no meio da sessão de fotos, - Séb me diz, com olhos azuis preocupados.
- , por que o paramédico disse que você está com anemia? – O que está havendo?
- O médico disse isso? – falei ainda meio tonta.
- , o Pierre está te negando comida? Por que se ele estiver fazendo isso, eu quebro a cara dele - disse Jeff irritado.
- Não. Jeff, o Pierre não, ele nem sabe de nada. - falei em pânico.
- Então o que está acontecendo, ? Fala com a gente, somos amigos e somos responsáveis por você tanto quanto o Pierre é. - Os dois me encaravam esperando minha explicação.
Demos uma pausa de 30 minutos nas fotos e decidimos ir até a cafeteria que ficava próxima, ao chegarmos fizemos nossos pedidos e sentamos em uma mesa bem afastada. Séb e Jeff ainda esperavam minha resposta, então respirei fundo e contei, disse tudo o que aquela garota estava fazendo, das piadinhas, as ofensas e até a mais recente agressão dela, quando ela me puxou os cabelos e me proibiu de comer na casa de Pierre. Jeff e Séb ouviram tudo chocados, e Séb até estava com olhos cheios de lágrimas, a ponto de chorar.
- Eu já não ia muito com a cara dessa namorada do Pierre, mas isso... - Jeff começou a dizer. Me levantei da mesa pronta para ir embora, era lógico que ninguém acreditaria em mim.
- , calma, senta aí, por favor - Séb tentou me tranquilizar. - O que o Jeff quer dizer é que sabíamos que a Lachelle não prestava, mas não achávamos que ela era capaz de tanto, como te bater, negar comida... isso é desumano até para ela. - sentei de novo e respirei fundo para controlar as lágrimas, relembrar tudo ainda me doía muito. Então de repente, Séb teve uma ideia.
- , faz o seguinte, a partir de hoje toda vez que a Lachelle te agredir, te ofender, te insultar; seja lá o que ela fizer você vai gravar com o celular, tudo bem? – Séb parecia animado com a ideia, mas eu nem tanto.
- Tá, Séb, pode até ser, mas nem sempre eu estou com o telefone perto - disse meio desanimada. - Grava o que der, seja imagem ou áudio e deixa que eu falo com o Patt, tive uma ideia que pode desmascarar a Lachelle pro Pierre e para muita gente. - Séb explica para Jeff e para mim o que queria fazer.
Iríamos aproveitar que a banda ia ficar por uma semana em uma mini tour no Festival Live in Rock am Ring e nesse tempo o Patrick iria até a casa de Pierre e instalar microcâmeras pela casa, nos mais variados locais com a intenção de flagrar as agressões que a Lachelle fazia comigo. Concordamos com o plano e acertamos tudo.

O resto do dia correu bem, tirando meu desmaio; as fotos ficaram ótimas e o contratante da revista adorou o resultado final. Terminado o trabalho, Séb foi para casa e Jeff ficou de me levar até a casa de Pierre (não conseguia dizer até em casa porque não sentia que a casa de Pierre fosse meu lar).
No caminho Jeff parou em seu restaurante para resolver umas coisas e eu fiquei esperando no salão, em uma mesa, ele demorou em seu escritório, até que veio uma moça me “atender”.
- Já sabe o que vai pedir? – ela me sorriu simpática e eu fiquei confusa.
- Hein? - falei sem entender - Não… eu só estou esperando o Jeff - falei me explicando.
- Exatamente - me disse a moça sorrindo de novo. - Ele me pediu para te atender - olhei e vi Jeff vindo em minha direção.
- , pode pedir, já chego para jantarmos – Jeff foi até o balcão e falou com o atendente do bar e em seguida entrou para a cozinha.
Fiquei sem reação, acabei pedindo o clássico arroz e feijão já que fazia semanas que não comia e já estava com saudades.
- Por que disso, Jeff? - Perguntei quando ele voltou da cozinha com nossos pratos; meu arroz,feijão e bife e para ele macarrão.
- , depois do que você me contou hoje, você jamais vai passar mal por sentir fome de novo, entendeu?
- Eu não vou permitir uma barbaridade dessas - colocou os pratos na mesa e disse nervoso:
- Come... - encarei Jeff meio assustada, ele nunca tinha sido grosseiro comigo. Saboreei a comida em silêncio por alguns minutos, estava delicioso - E tem mais, , todos os dias depois da aula você vai vir e almoçar aqui, e á noite vem jantar, entendeu?- Jeff completou já mais calmo. Arregalei os olhos.
- Mas Jeff é demais!! Não quero te dar gastos, não é justo... – tentei fazer Jeff desistir daquela ideia, mas então Jeff explode comigo.
- Justo, ? Nem vem com isso, como foi dito antes somos amigos e você também é nossa responsabilidade, então também temos que te ajudar e não só o Pierre, deixamos muita coisa por conta dele e foi preciso essa garota louca fazer tudo isso para percebermos como erramos com você. – Jeff falava ainda irritado, mas tentando manter a voz baixa.
- Ok, Jeff, entendo o seu ponto de vista, mas foi o Pierre quem se comprometeu comigo, não vocês...
- Não, , você está errada, todos nós assumimos um compromisso com você.- Jeff me interrompeu antes que eu tentasse justificar a falta de atenção de Pierre e sem ter mais o que argumentar, concordei.
- Tudo bem, Jeff, aceito sua ajuda de vir almoçar e jantar aqui todos os dias, mas só com uma condição...
- Ah, não, nada de condições - Jeff me rebateu.
- É assim ou nada feito - disse decidida.
- Ok, o que é? - Jeff diz irritado.
- Aceito sua ajuda, de vir aqui todos os dias para comer se você me deixar trabalhar aqui para pagar pela comida que vai me dar.
Jeff me olha sem acreditar - Tá me zoando, ? Você já trabalha para banda, quer fazer mais o quê?- Jeff estava com uma cara muito brava.
- Posso trabalhar aqui no Mangiafoco de vez em quando, atender mesas, operar no caixa, te ajudar no escritório ou até limpar o chão se você quiser… - ia falando as coisas que sabia fazer, na esperança de que Jeff me entendesse.
- E por que você faria isso? – Jeff me pergunta curioso e sem parecer acreditar em tudo que eu acabei de falar.
- E por que eu não faria, Jeff? Não sou nenhuma patricinha mimada, e outra era o que eu fazia no Brasil e tem mais, é melhor eu estar aqui te ajudando do que lá na casa do Pierre isolada e trancada no meu quarto toda vez que aquela garota está lá… - parei a frase no meio, me dando conta do que tinha acabado de falar, já que Jeff parecia não querer me deixar trabalhar no restaurante.
- Entendi, você quer ficar longe da casa do Pierre o máximo que der e ainda se ocupar?
- Isso, e na verdade quero é ocupar a cabeça. – confessei, encarando o guitarrista na minha frente que me olhava com olhos de preocupação e compaixão.
- Entendo - Jeff me olha, pensa por alguns minutos e diz: - Tá certo, , concordo com você trabalhando aqui para me ajudar mas, que isso não atrapalhe seus estudos, que não atrapalhe seus cursos e outras atividades e que isso não atrapalhe seu trabalho com a banda, está certo?- sorrio para Jeff muito feliz, afinal ele me deixaria passar algum tempo com ele e um tempo longe da casa de Pierre.
- Sim, com certeza sim, se você me deixar trabalhar aqui tudo bem… - disse animada, - E como faremos? – pergunto radiante de tanta felicidade. Jeff vendo minha alegria, sorri abertamente para mim e completa:
- Podemos organizar assim: Quando você trabalhar com a banda de manhã, você vem para cá a tarde, e vice versa e se programe para quando precisar estudar ou outras coisas e assim você trabalha aqui todo o seu tempo livre, ficando longe da casa do Pierre o máximo de tempo possível.

********

Jeff e eu terminamos de comer, ele me apresenta a alguns de seus funcionários que estavam trabalhando naquela hora; e diz que eu seria a estagiária do Mangiafoco e que iniciaria o trabalho na semana seguinte, então ele me leva de carro até a casa de Pierre. Dou a volta pelo estúdio e entro pela porta dos fundos da cozinha, vou direto para meu quarto e lá me tranco.
Agora com Jeff e Séb sabendo dos meus problemas, talvez eu conseguisse dormir melhor e ter um pouco de paz, paz que não tinha desde que Lachelle apareceu na vida de Pierre e na minha, e agora talvez eu pudesse ter forças para enfrentar as humilhações e ofensas daquela garota.



21 - Seu amor é uma mentira

O Simple Plan estava se apresentando no Festival Live in Rock am Ring e seria uma semana de shows todos os dias, dessa vez eu não fui com eles e dei a desculpa de estar nas provas finais do semestre e que precisava estudar, então nenhum deles questionou, já que eles davam prioridade aos meus estudos independente se eu tivesse trabalho com a banda ou não. Mas na verdade eu precisava ficar para poder dar ao Patrick acesso a casa de Pierre para a instalação das microcâmeras. Para meu alívio e paz aquela garota louca que Pierre chamava de namorada foi junto com eles, claro ela queria câmeras, atenção e holofotes tudo que ir a uma maratona de shows com os meninos daria a ela.
Meu pseudo estágio no Mangiafoco já tinha começado e eu estava aproveitando que não estava com os meninos para trabalhar a semana toda no restaurante, já sabia fazer um pouco de tudo; desde atender às mesas, a cobrar no caixa e na ausência do Jeff eu estava trabalhando dobrado, fazendo alguns pedidos e ajudando no salão. Numa quinta feira a tarde entra no restaurante um grupo de quatro meninas e eu vou atendê-las já que todos os outros atendentes estavam ocupados.
- Boa tarde, meninas, como posso ajudar? - digo sorrindo, mas quase desabo quando vejo quem são as meninas: Jacquelin Napal, Laurence Monet, Michelle Monroe e Tinah Messer todas elas tinham alguma aula em comum comigo e eu me lembrava de ter visto as quatro na sala de aula. Congelei com vergonha por um segundo, mas então pensei: Estou trabalhando, não tenho motivos para ter vergonha delas. - sorri de novo e esperei. Jacquelin me olhou mais atenta sorriu abertamente e disse: 
- Hey, eu conheço você... Quero dizer já vi você… Estuda na mesma sala que a gente não é? é esse seu nome, certo? - tento parecer indiferente e ser profissional.
Como ela sabia meu nome? Elas reparavam em mim? Pensei, mas apenas digo: 
- Sim, estudo na mesma sala que vocês e também já vi vocês algumas vezes na sala e pelos corredores no campus. Mas e então, já sabem o que vão querer? - tento focar no trabalho, detesto que me notem, que me percebam, não gosto de ser o foco da conversa. Percebendo meu desconforto, então Laurence diz: 
- Nós vamos querer quatro pizzas individuais e quatro cervejas - anoto os pedidos e me retiro em direção á cozinha, as meninas não fazem mais nenhum comentário até eu ter saído.
- Meu Deus, ela é muito tímida - Michelle diz as minhas costas 
- Sim - Tinah concorda. Retorno com os pedidos no *gueridom e sirvo à mesa das meninas. Quando já estava saindo Laurence me chama:  
-
- Sim? – respondo e me viro em direção as quatro garotas que me olhavam apreensivas.
- Não quer ficar aqui com a gente um pouco? - estranho o convite inesperado, mas dou um pequeno sorriso e respondo: 
- Ficar com vocês? Eu mal as conheço, por que o convite? - Tinah percebendo minha defesa diz para tentar amenizar o clima:
- Não é nada demais, é só que a gente sempre te viu na sala, e sempre queríamos falar com você, mas você está sempre tão quieta e reservada que a gente ficava meio na dúvida. Na verdade decidimos vir  aqui hoje porque descobrimos com o professor de francês que você trabalhava aqui as vezes e a gente queria muito conversar com você então, se não for atrapalhar seu trabalho poderia falar com a gente alguns minutos além do necessário? - as quatro meninas me encaravam na expectativa e sem saber o porque me sento a mesa com elas.
- Então… Do que querem falar? - pergunto meio sem jeito, já estudava naquela sala há muito tempo e nunca ninguém tinha falado comigo direito, até agora. Michelle toma a frente e fala olhando para as amigas: 
- Então, gostaríamos de saber se você aceita fazer parte do nosso grupo de trabalho de *AD1 desse semestre? O grupo deve ser de cinco e somos quatro,então gostaríamos que fosse você a quinta integrante do nosso grupo. - olho em volta da mesa para as quatro meninas sem acreditar.
Eu já estava conformada em não ter essa nota, já que não tinha grupo e o trabalho era obrigatoriamente em equipe. Acho que isso delas virem falar comigo sobre o trabalho era coisa do professor Allan de francês, eu ia matar ele!!! Elas ainda esperavam minha resposta. Eu estava em dúvida e com receio, por que daquelas meninas me quererem no grupo delas?
- Então, meninas, eu não sei... - digo sem jeito. - Eu ainda não tenho grupo nenhum e nem sei sobre o que falar no tema... – tentava justificar minha recusa. Jacquelin me interrompe:
- Nós também ainda não decidimos nada, e ainda temos algum tempo e por isso queremos que você faça parte do nosso grupo, você só tira nota boa, não falta as aulas e é muito inteligente... Por favor, , aceita... - fico meio assustada por ela saber tanto sobre mim, e meio sem graça. Penso um pouco, respiro fundo e digo: 
- Ok, ok, eu aceito – digo me dando por vencida. As quatro meninas batem palmas na mesa fazendo a maior farra, mas ninguém em volta se importa. Pizzaria/Bar/quinta a tarde = muitos jovens e muita bagunça. Converso com elas mais alguns minutos, mas me chamam no caixa e eu então volto ao trabalho.

**************

Termino meu turno de trabalho no Mangiafoco às 6 da tarde e eu tinha começado as 8 da manhã (pois é, disse que estava trabalhando dobrado na falta do Jeff), Patrick me esperava no carro para irmos até a casa instalar o equipamento de câmeras. Chegamos na casa, fiz um café para nós (ou para o Patt, é todo mundo queria meu café).
Conforme ia colocando as câmeras Patt ia me falando os lugares, porta de entrada, sala de tv, sala de estar, sala de jantar, cozinha, lavanderia até a sala, corredor que dá acesso aos quartos, uma câmera em cada batente de cada porta de cada quarto da casa, e foram muitas, nove só no corredor inclusive no meu quarto e no de Pierre, escritório e até dentro do quarto de Pierre, com essa fiquei na dúvida.
- Precisa mesmo dessa, Patt?
- Sim , para pegarmos as imagens que precisamos, temos que ter uma câmera dentro do quarto do Pierre também - disse ele.
- Mas que imagens? - perguntei sem entender.
- , os caras acham que a Lachelle trai o Pierre e eles querem provar - Olhei para Patrick em choque e com cara de choro. Como aquela garota teria coragem de fazer isso com o Pierre…. com o meu Pierre! Patrick percebe minha cara de espanto e diz: - , calma, é só uma suspeita, mas, para sabermos a verdade é preciso fazer isso, só que o Pierre tapado como é não faz ideia de que talvez seja traído então, por favor… Por favor, , não fala nada…. - Patrick me implorou.
- Claro, Patt!! Não vou falar nada… Eu nunca, jamais faria o Pierre sofrer desse jeito, eu sofro por ele, sei que ele aparentemente é feliz com aquela garota, então eu sufoco meus sentimentos porque sei que ele gosta daquela garota mas, eu jamais faria ele sofrer assim… - paro de falar e percebo que Patrick estava me olhando, só então percebo a merda que falei, tinha acabado de confessar para Patt que eu gostava de Pierre. Eu e minha boca grande. Mas acho que todos já sabiam, menos o tapado do Bouvier. Abaixo a cabeça sem coragem de encarar Patrick.
- , calma, olha para mim. Você não conta o nosso segredo que eu não conto o seu, combinado? - Patt sorri e me abraça. Olho para ele quase chorando e concordo com a cabeça. Patt finaliza a instalação e me fala que todas as imagens vão ser guardadas direto em um computador na casa dele exclusivo para aquelas imagens.

*****************

A semana passou voando, trabalhava no Mangiafoco 12 horas por dia, as vezes entrava as 6 da manhã para receber mercadorias e só saia as 7 da noite as vezes trabalhava mais de 16 horas, isso tudo sem tirar meu pagamento devido, isso o Jeff faria quando voltasse dos shows. As meninas passaram a ir até o restaurante todas as tardes e sempre que eu tinha uma folga sentava com elas e conversava um pouco, na sala de aula elas passaram a sentar perto de mim e conversavam comigo sempre que dava, e até fazíamos trabalhos juntas, entre as aulas, na hora do almoço começaram a sentar comigo no refeitório.
Na aula do professor Allan, certo dia ele acabou confessando que já fazia tempo que queria juntar nós cinco porque achava que seríamos um bom grupo, só alunas de boas notas e inteligentes e afinal nosso professor de francês tinha razão, trabalhávamos bem juntas, e por conta das muitas aulas juntas começamos a criar uma amizade que eu esperava que durasse muito.
Fechei o Mangiafoco no domingo a tarde e fui para casa de Pierre. Chegando lá a casa estava cheia, eles tinha chegado da tour e estavam descarregando alguns equipamentos do ônibus da banda, os meninos quando me viram vieram falar comigo e perguntar como tinha sido as coisas enquanto estavam fora. Dei um breve resumo e eles se deram por satisfeitos. Pierre não veio falar comigo óbvio, aquela garota Lachelle estava grudada nele feito cola, ele apenas me olhou de longe e acenou com a cabeça. Patrick que tinha acabado de chegar para levar o ônibus para a garagem fala com os caras, cumprimentando com abraços, murros de garotos e hi five.
Então depois de tudo descarregado e o ônibus vazio, Séb, Chuck, Jeff e David sobem de novo para Patrick levá-los para suas casas, mas antes disso ele me manda uma mensagem dizendo para eu olhar meu e-mail assim que estivesse sozinha. Os meninos vão embora e eu fico sozinha com Pierre e aquela garota… Então como já estava tarde, disse para Pierre que iria dormir e fui para meu quarto. Lá sozinha abro meu e-mail e nele um anexo de vídeo, nesse vídeo imagens de dentro de um carro; o carro de Pierre, e no carro duas pessoas transando no banco de trás. Paro o vídeo em choque. Por que Patrick me mandaria imagens de Pierre e aquela garota fazendo sexo no carro? Mas então recomeço a gravação e reconheço as pessoas nas imagens, não era o Pierre no vídeo, era sim a Lachelle, mas o cara com ela era ninguém menos que Robert o Motorista que eu achava ser de Pierre, mas que descobri mais tarde ser da família da tal Lachelle (fresca). No vídeo gravado pelas câmeras, que eu nem sabia que estavam no carro de Pierre, Robert e Lachelle estavam transando no banco de trás do carro, aparentemente em uma rua deserta, e nem se preocupavam em serem vistos. Pausei o vídeo enojada e chocada com o que tinha acabado de ver, aquela garota tinha a coragem de trair o Pierre com o motorista...
Eu sempre soube que ela não amava o Pierre, mas ter a confirmação de que o amor deles era uma mentira era algo realmente chocante e algo que com certeza eu usaria a meu favor algum dia, aquela garota iria me pagar por cada sofrimento, cada humilhação e por cada lágrima. 
                                               
*****************

* Gueridom: é uma espécie de mesa pequena e de forma arrendonda, usualmente coberta por um tampo de mármore e contendo um único pé central. Pode ser utilizada para apoiar o serviço de restaurante, na frente dos clientes, os pratos são colocados sobre esta mesa com rodas e são mantidos quentes.
* AD1= Avaliação de desempenho 1.



22 - Se ele pode por que eu não?

Depois de eu ter passado muito tempo chorando trancada no quarto por causa do que eu vi e vivi nos últimos três meses, só me esforçava em sair de casa para ir na aula e para todas as coisas extras que eu me decidi fazer: aula de luta, curso de francês, (mesmo eu já tendo aula na faculdade), curso de segurança particular, curso de autodefesa, academia com a Jacquelin, aulas de dança e lições de direção com o David e ainda ajudar o Jeff no Mangiafoco; e mesmo com o Séb e o Jeff sabendo de tudo o que aquela garota fazia comigo não era fácil. Eu lutava todos os dias para esquecer o que tinha visto no vídeo... E mesmo com essa bomba na cabeça em um belo dia frio de outono me vem mais uma…

Flashback

Chegar em casa a tarde depois de uma prova terrível de difícil... Eu quase nunca entrava pela porta da frente da casa de Pierre, naquele dia entrei porque estava com as mãos cheias de livros e cadernos, além de estar muito frio o chão começava a congelar e com isso estava muito escorregadio e eu, para ajudar, não estava com os sapatos certos; maldita hora. Coloquei as chaves na mesinha de entrada e apoiei os livros junto ao corpo, foi quando olhei para a sala e no sofá eu vi as costas de Pierre, ele estava no meio das pernas daquela garota Lachelle, fazendo movimentos de subir e descer e gemendo muito alto, dava para ver o brilho de suor nas costas dele já que o aquecedor estava no máximo, os movimentos eram fortes e eles gemiam demais. De primeiro momento eu não entendi nada até me tocar, de que eles estavam transando na sala, fiquei ali na porta de entrada paralisada uns cinco minutos vendo aquilo e sem acreditar, eles estavam tão concentrados no que faziam que nem perceberam a minha presença ali.  
Pierre continuava a investir com tanta força e gemia que mesmo de longe onde eu estava podia ver que ele fazia muita força, e estava muito concentrado, de repente eles mudam de posição no sofá Pierre se senta e coloca ela por cima dele e ele esconde o rosto nos cabelos dela, então ele olha na minha direção na porta de entrada, mas parece não me ver. Vendo isso eu acordo do choque, recupero a consciência, pego de volta as chaves na mesinha e sem fazer barulho saio da casa e dou a volta, entrando pela porta dos fundos que dava para a lavanderia. Entro para meu quarto tremendo e chorando então ligo para Chuck. 
- Chuck, você pode vir até a casa do Pierre, por favor? Preciso muito falar com você. 
Chuck assustado com meu choro, chega bem rápido me enviando uma mensagem para avisar, falei para ele entrar pelos fundos e, quando ele chega ao meu quarto tem um baita susto: 
- , o que aconteceu? - Chuck pergunta e vem me erguer do chão, já que eu estava chorando muito. Levanto o meu rosto para ele e quase sem voz digo: 
- Pierre... e - começo a chorar de novo. 
- Pierre o quê? - Chuck se desespera
- O Pierre está lá na sala transando com a namorada! - Digo meio alto em meio aos soluços.  
Chuck fica paralisado e me olha sem entender nada. 
- E é por isso que você está assim, ? - Pergunta com o olhar espantado, acho que por meu estado de lágrimas.  
- Sim, Chuck, é, você acha pouco?- Falo sendo ignorante, mas, sem conseguir parar de chorar.  
- Olha, , desculpa, mas quem namora faz isso… - Chuck me olha com olhos de pena e fala o óbvio.  
- É, Chuck, eu sei, mas… - paro respiro fundo e continuo aos soluços. - Eu nunca tinha visto e nem queria… Como o Pierre tem coragem de ficar com ela? Depois do que ela fez? - Disparei e me lembrei que Chuck não sabia de nada, ele me encarava sem entender, então em um resumo e chorando ainda mais pelas lembranças dolorosas falo para ele todos os acontecimentos, inclusive da gravação do vídeo que recebi de Patt, Chuck me ouve em silêncio. E sem ter mais nada para dizer solta a seguinte pérola: 
- É verdade, , ver o Pierre transando não é muito agradável, e ouvir então eca… - encaro Chuck indignada pela frase totalmente sem sentido e falo de novo com grosseria para meu amigo.  
- Ah, valeu, Chuck, está me deixando muito melhor… - digo magoada com ele segurando um soluço, Chuck me encara e me vê com os olhos inchados de tanto chorar. Então fala em tom de desculpa: 
- Ok, ok... Calma aí!! Primeiro temos que resolver isso da Lachelle estar traindo meu melhor amigo… - Chuck me olha e completa a frase vendo meu olhar magoado.   
- Mas, para quê exatamente você me chamou aqui, ? - E então ele senta ao meu lado no chão, já que eu havia voltado a me rastejar para lá. Então é minha vez de falar o óbvio.  
- Poxa, Charles, você é meu amigo precisava de alguém, e depois de tudo que te falei… - paro de falar chorando de novo, olho para ele com tanta dor no olhar e na voz que Chuck me abraça forte; e fala como se eu fosse uma criança pequena.  
- Calma, , calma… eu estou aqui, vou ficar aqui o tempo que você precisar. - Chuck me coloca em minha cama e eu deito minha cabeça em seu colo; ficamos assim por um tempo, eu chorando, acho que por horas até cansar e só parar. Quando de repente ouço o celular de Chuck tocar e ele atender: 
- Hey... Oi, Jacquelin...  
- E aí vamos sair hoje? 
- Desculpa, não vai dar para gente sair hoje… Talvez outro dia pode ser?  
- O que aconteceu? Algum compromisso com a banda?  
- Não, eu não estou em casa... estou aqui na casa do Pierre... 
- O que tem o Pierre? Te fez trabalhar além da conta? - riu.
- Não, nada disso, estou aqui na casa dele com a
- O que o Pierre fez com a dessa vez? Ela tá chorando?  
- Exatamente, Jac estou aqui por que o Bouvier fez merda de novo... 
- Aposto que a fez chorar de novo aprontando alguma palhaçada.   - É, ela tá aqui chorando muito, não sei mais o que fazer... 
- Ah, Chuck, eu não posso ir ver a agora, cuida dela, por favor… 
- Cuido sim, pode deixar… E assim que der combinamos de sair.  
- Tudo bem, Chuck, não esquenta, eu não vou a lugar algum.
- Eu espero que não mesmo.
- Bye, Jac…
- Bye.

                          
******** 


Só me lembro do fim da ligação e dos meses que se seguiram, todos passavam para me visitar Jacquelin na manhã seguinte ao acontecimento e todo dia depois de tudo, e com isso ela e Chuck acabaram ficando amigos, já que depois que o Chuck viu a gravação do vídeo na casa de Patrick ele passava bastante tempo comigo. Os meninos também me visitavam; David, Jeff, Seb e até o Pat quanto tinha folga no novo trabalho. Todos tentando me fazer reagir, me fazer entender que de nada iria adiantar eu me isolar e sofrer só por causa de ter visto o Pierre transando com a “namorada”, mas não adiantava nada. Eu estava tão deprimida, tão decepcionada com ele que nada mais me fazia melhorar até o dia em que decidi... Decidi ocupar a cabeça com algo novo. 

Um dia voltando da aula a pé em pleno frio do outono - eu passei a andar muito desde que não aceitei mais as caronas de Pierre, e ele de tão tapado, nem se quer percebeu - eu passei em frente a uma academia e resolvi entrar para ver como era, uma mocinha bem nova me atendeu e mostrou as salas de aula e os aparelhos e quando passávamos por uma das salas algo me chamou a atenção então perguntei curiosa. 
- Vocês têm aula de luta aqui? - Falo para a moça que disse se chamar Jenna. Ela me olha e sorri.  
- Sim, temos. - Ela me fala educada. - Essa turma é nova acabou de começar, gostaria de assistir a aula? - ela me diz apontando para o vidro que dividia a parede e o corredor.   
- Eu? Não... Não trouxe nada - respondo sem jeito. Não devia ter me metido a entrar na academia se não ia fazer aula.  
- Não tem problema hoje é só teoria. Você fica, assiste a aula e se gostar se matrícula, que tal?
Jenna me fala sorrindo e me encorajando, ela abre a porta da sala e diz: 
- Professor temos mais uma aluna interessada na aula - entro envergonhada e me sento no chão junto com o grupo. Todos me olhavam com curiosidade.  
- Seja bem-vinda - diz o professor. - Qual é o seu nome? - Ele me pergunta e todos no círculo me encaram.  
- Ferrari. - digo envergonhada, olhando para todo canto, menos para algum rosto ali.  
- Não precisa ter vergonha, , aqui somos todos iguais, somos uma família e trabalhar em equipe é nosso objetivo, lema e primeira lição. - Diz o professor de forma firme e decidida olhando em volta no círculo de alunos. 
- O que você faz? - Diz ele de novo olhando diretamente em meus olhos, e que homem lindo, mas, eu acho que já o vi em algum lugar, mas... Onde? Focando meus pensamentos respondo à pergunta do professor com a voz tímida.  
- Trabalho e estudo. - respondo evasiva o professor me olha firme e diz:  - Confiança segundo lema, para se aprender qualquer tipo de luta é preciso ter confiança, confiar em si mesmo e nos outros é muito importante, então… O que você faz, Ferrari? - Diz o professor firme, respiro fundo e respondo:
- Trabalho com a banda Simple Plan como estagiária e estudo turismo e áreas relacionadas à eventos;  mas recentemente fiquei três meses isolada por problemas pessoais e só hoje resolvi sair de casa - disparei falando com grosseria então completei com a voz mais baixa, - Algo mais, professor? - Quando acabo de falar todos estão me olhando assustados. Percebendo que fiz besteira, me levanto para sair correndo daquele lugar, mas sou impedida, meu rosto estava vermelho de vergonha.
- Sente- se, , a aula ainda não acabou. Respeito, terceiro lema; respeitar a si mesmo e aos outros. Então para terminar nossa filosofia é: Trabalho em equipe, Confiança e Respeito. Dispensados. - diz o professor. Me levanto rápido para sair, mas sou impedida de novo e o professor pede minha atenção. - Tem um minuto, ? - o professor me chama. 
- Olha, me desculpa por ter falado com você daquele jeito. - digo envergonhada. 
- Não precisa se preocupar com isso, aliás meu nome é Jason. – ele me olha de maneira curiosa e me sorri, um sorriso lindo.
Olho para ele de frente pela primeira vez e completo.
- Espera, Jason David Frank? - Digo finalmente me dando conta de onde eu já tinha visto aquele rosto.
- Sim, sabe quem eu sou? – ele ainda sorrindo, fala meio sem graça.
- Se sei? Claro que sei quem você é. - Digo sorrindo. - Acredite... Você fez minha adolescência muito feliz, e bem menos insuportável. Não acredito que estou cara a cara com o lendário ator da minha série preferida. - falo toda empolgada, agora sei de onde tinha visto o professor: da televisão.  
- Lendário eu? - Jason sorri ainda mais sem graça. - Ok, deixa isso de lendário para lá, já estou bem velho para isso sou só um ator que tem muitos negócios para cuidar. - ele fala sem jeito, mas se divertindo. - Você quer mesmo fazer as aulas? - Ele me encara com olhos curiosos e eu diria até esperançosos.  
- Não sei, nunca fiz nada assim antes. - respondo ainda envergonhada sem saber se realmente me daria bem fazendo um esporte que exigia tanto, mas se eu não tentasse eu não saberia e ter Jason como mentor seria algo muito legal. Vendo que eu ainda estava na dúvida Jason me fala sorrindo de um jeito fofo.  
- É bem tranquilo te garanto e prometo pegar leve com você nos primeiros dias, até você se acostumar.
Olho para ele, para aqueles olhos tão sinceros e receptivos e decido dizer a verdade. Não sei por que, mas estar perto de Jason me fez confiar nele logo de cara.  
- Como falei estou com alguns problemas pessoais e preciso ocupar a cabeça digo ainda na dúvida, querendo ser verdadeira com ele, mas, sem me expor demais para um estranho.  
- Acredite em mim, , o karatê ou qualquer estilo de luta que você queira fazer pode ajudar. - Jason me diz sorrindo e me encorajando. Decido tentar dar uma chance e digo:  
- Prometo que vou pensar, e volto assim que decidir, tudo bem? Digo a ele, mas, antes mesmo de sair da academia já tinha tomado minha decisão. Acabei me matriculando nas aulas de ginástica - que descobri depois a Jacquelin também fazia-, dança, karatê, e aula de defesa pessoal. Só sei que contando todas as aulas, mais curso e trabalho com a banda e meu trabalho no Mangiafoco eu ficava pouco tempo em casa, então eu mal convivia com Pierre e aquela garota. Só falava com Pierre no trabalho, em shows ou em casa apenas sobre trabalho e com isso passei a ocupar a mente, e a melhorar o corpo.
E aprendi a trancar meu coração.  
                                                
****************** 

Minha rotina estava uma maluquice, era tanto trabalho e tantas coisas extras que eu só entrava na casa de Pierre para dormir, eu já não comia nada lá, fazia todas as minhas refeições ou na faculdade ou no Mangiafoco, então na casa de Pierre eu só dormia (ou tentava) e tomava banho. Mas, por outro lado, eu tinha que fazer tudo na casa, lavar roupa, as minhas e as dele, limpar a casa, fazer as compras já que aquela garota não fazia nada disso, era cheia de se dizer “dona” da casa, mas não fazia nada. E eu acabava fazendo tudo porque achava que Pierre precisava que eu fizesse...
Jason estava certo, as aulas de luta me ajudaram a melhorar, me tiraram de uma quase depressão e me ensinaram disciplina, autocontrole (das minhas emoções em relação a Pierre, principalmente), e me deram paciência, eu estava amando aprender tanta coisa nova, já saia para ir dançar com as meninas, a maioria das vezes no apartamento da Jac, quando a gente saía mais cedo da aula (coisa que eu jamais fiz antes, porque morria de vergonha). Depois de um tempo, eu já até me arriscava em sair para dançar em alguma balada, e tinha até um bar novo que as meninas queriam me levar, mas eu sempre dava um jeito de fugir para não ir, mas se eu decidisse dançar, as meninas e qualquer pessoa que olhasse parava para me ver dançando (como é bom ser brasileira nessas horas, e saber dançar melhor do que qualquer garota).
Todos os dias tinha aula na academia e eu fazia ginástica com a Jacquelin e por conta dos exercícios pesados, eu estava ganhando corpo, não que eu fosse sem curvas, mas, a academia estava me dando definição de pernas, coxas, bunda e me deixando com a barriga quase lisa, eu não me privava de comer nada e por isso a barriga era sempre saliente, mas eu nem ligava, nunca quis ser uma perfeição toda escultural, ou o exemplo das modelos do TMZ, eu gostava do meu corpo e das minhas curvas como eram.
Trabalhava muito com a banda já que eles estavam em fase de gravação do CD Selfie Titled  Simple Plan (estavam em processo de escrita e gravando algumas demos) e tinham acabado de gravar um show especial a pedido da MTV, o show MTV Hard Rock Café que ainda estava trazendo bons lucros para eles, com entrevistas, fotos e programas de tv, mesmo com tanto trabalho, conseguia fazer tudo, até já estava dirigindo um pouco (mas sempre o carro dos meninos, nunca o carro de Pierre e aliás acho que ele nem imaginava que eu já sabia dirigir), eu quase nunca saia com as meninas não tinha vontade de nada mesmo a Laurence e a Jac quase me arrancando de casa a força dizendo que eu precisava me distrair. Até que um dia, um sábado a noite de tanto as meninas insistirem, aceitei sair com elas. Ir para uma balada nova que a Jacquelin disse que eu iria adorar.  
Me visto com um short jeans não muito curto, meia arrastão por baixo, uma blusinha de costas estilo nadador, finalizo meu cabelo com uma trança que batia quase no meio da bunda, por meu cabelo ser grande, amarro uma camisa xadrez na cintura para dar a impressão de saia, e nos pés um coturno preto baixo, no rosto uma maquiagem forte, sombra roxa, lápis de olho bem marcado, pó e blush leves e batom nude, já que a intenção era exatamente destacar meus olhos . Quando estava saindo pelos fundos, acabo encontrando com Pierre na cozinha, ele me olha de cima a baixo duas vezes sem nem se quer se preocupar em disfarçar e diz:  
- Hey… vai onde? - Mexendo no celular como eu estava respondendo a uma mensagem da Jac nem olho na direção dele e apenas digo:  
- Vou sair com as meninas, é minha folga hoje, lembra? - Só então olho para Pierre que me encarava de um jeito que eu nunca vi antes.  
- E você vai assim? - Ele pergunta apontando para meu corpo, me faço de inocente e arregalo os olhos:  
- Vou, por que está ruim? - Olho para ele que continua me encarando com cara de tonto.  
- Ruim? Não... - Pierre fala esfregando o queixo e me avaliando com os olhos levemente arregalados, então ele completa a frase de forma bem abusada. - Está o contrário de ruim… - ele me diz com algo no olhar que eu não sabia o que era, ok, até sabia, mas não iria me iludir tanto. 
- Então? - Falo fingindo não entender. Por que daquele interrogatório todo? Ele estava querendo saber demais já.  
- Vocês vão onde? - Pierre quer saber interessado demais de repente. 
- Não sei ainda, a Jac não me disse. - respondo a verdade. E antes que Pierre pudesse dizer mais alguma coisa, escuto a buzina do carro de Jacquelin e saio correndo pela porta dos fundos deixando um Pierre completamente sem reação para trás. 
                                    
************************************* 

Era sábado a noite e eu estava de folga depois de 25 dias trabalhando direto – aleluia - como sempre acontecia a Jac me pegava de carro em frente da casa de Pierre e de lá eu saia dirigindo para onde quer que a gente fosse, por eu não ser canadense e estar dirigindo mesmo que com a licença provisória é a lei no Canadá que um motorista não nativo esteja sempre acompanhado de um residente do lado no carro quando dirigir, Jac me deu as direções e então dirigi sem dificuldade até um bar chamado Dot Lounge. Chegando lá estacionei e entramos e para minha grande surpresa quem vem nos receber?
Jason, meu professor de luta e de defesa pessoal. Ele assim que vê nosso grupo nos leva a uma mesa de canto e já nos manda servir cervejas e uma porção de petiscos. Então ele me olha e diz:  
- Hey, , é sua primeira vez aqui no Dot Lounge e então o que acha?
Jason fala me encarando do mesmo jeito que Pierre estava fazendo ou, até pior.  
-  É muito legal o lugar, Jason. - respondo sorrindo. - Mas e você trabalha aqui também? - Tento saber o olhando de volta, Jason era um homem lindo, bem mais velho do que eu, do que Pierre ou os caras, na casa dos 35, 40 anos, talvez menos, todo tatuado, totalmente malhado, barriga trincada, coxas e braços definidos pelos muitos anos de lutas com um rosto lindo e um charme de fazer qualquer garota se jogar em cima dele só por ele existir.
Jason me responde perto do ouvido por conta do barulho alto da música que tinha começado a tocar.  
- Sim, trabalho, às vezes, sou o gerente, às vezes sou o chefe da segurança e às vezes sou o dono. - ele sorri e pisca na minha direção. E, meu Deus, que sorriso lindo, me recordo do que ele me falou certa vez meses atrás quando nos conhecemos. Que ele cuidava de muitos negócios… Então arregalo os olhos de leve e falo sorrindo:  
- Não brinca, Jason!! Esse lugar é seu? Que bacana. - digo espantada e então ele repete o que eu tinha acabado de lembrar...
- Sou um ator com muitos negócios para cuidar. - Jason verbaliza meus pensamentos, sorri de novo então me leva até a mesa onde todos já estavam.
Jason acaba sentado na nossa mesa e nos contando de seus diversos trabalhos; professor e dono da academia, dono do bar mais badalado de Montreal depois do Mangiafoco, e ainda viajava pelo mundo em convenções Geek divulgando seu trabalho como ator. Jason conversava com nós cinco, Jac, Tinah, Laurence, Michelle e comigo claro, mas, a atenção dele claramente era para mim, a conversa estava tão boa que eu levei um baita susto quando vi quem estava na entrada: Chuck, Sebástien, Jeff e David. Graças aos céus o Pierre não estava junto, Jason recebe os meninos com a mesma gentileza e educação que tinha nos recebido antes e por fim ficamos todos na mesma mesa e então começo a ficar sem graça já que estavam todos em casal Chuck e Jac , Séb e Laurence, Tinah e David e Jeff e Michelle (mesmo nenhum de meus amigos assumindo os respectivos namoros /amizade colorida, eu sabia que tinha algo rolando, eles estavam se pegando e não era de hoje) e eu era tecnicamente a única sobrando ali, Jason percebe meu desconforto por ser a única solteira na mesa e diz:
- Quer dançar, ? - Abro um largo sorriso de afirmação estendo a mão em sua direção e assim saímos para a pista de dança; dançamos desde Justin Timberlake - Sexy Back até Nelly Furtado – Promiscuous, dançamos rock e até funk eram todas músicas que eu amava, de artistas que eu amava e eu estava me divertindo como a muito tempo eu não fazia, eu estava me sentindo feliz, dançar me libertava, me deixava excitada, extasiada me fazia sentir leve, livre de toda a dor de amar um cara que amava outra, dançando eu podia ser eu mesma, sem vergonha e sem máscaras e talvez por isso toda vez que eu dançava, todo mundo parava para me ver.
                                             
************************* 

Dançamos por quase uma hora, até que Jason precisou ir até a portaria resolver uma briga, mas, me disse que logo voltaria para conversarmos mais. Volto para a mesa de meus amigos que estão impressionados. 
- Nossa, , você dança muito. - Diz Jeff todo alegre. 
- Sim. - Michelle completa. - A arrasa, qualquer dia me ensina…  
- Claro. - digo sem jeito. E ainda sem fôlego.  
- Nossa, , parou a balada, heimm. - David me zoa, já meio bêbado.
Então Tinah entra na pilha falando o que todos já tinham percebido, inclusive eu.
- Hey, , acho que esse Jason tá a fim de você... - todos na mesa me olham e eu fico sem graça.
Ele era um gato, devia ter a mulher que quisesse, por que ele olharia para mim?   
- O Jason tá a fim de mim? - desconversei bebendo da minha Skol Beats. - Que nada, gente, deixa de graça. - olho para meus amigos que ainda me encaravam tentando me fazer ver o óbvio. Era lógico que o Jason queria algo a mais e eu já tinha percebido, mas não queria me machucar e nem magoar o Jason, mas, se ele realmente queria alguma coisa não tinha falado nada, ainda. Então Chuck diz :  
- , fala sério!! Você não percebeu? O cara tá louco por você; ou você acha que ele dançou com você por uma hora inteira por nada? - Chuck me olha sério com as sobrancelhas erguidas igual ao Pierre... Por que caralho estou pensando nele? Então Jacquelin, que já me conhecia bem, até demais, diz:  
- O problema pessoal é que a  só tem olhos para um certo vocalista de uma banda aí... E não vê que existem outros caras legais que ela pode tentar dar uma chance... Afinal de contas se o Pierre pode por que você não? - Ela termina de falar e todos me encaram, esperando minha reação. Ok… a essa altura dos acontecimentos TODOS sabiam que eu AMAVA o Pierre, menos o próprio... (Tapado) e eu escondia sim meus sentimentos mais por hábito do que por me importar, já que provavelmente até a Lachelle já tinha percebido que eu gostava do Pierre, e talvez por isso me perseguisse tanto, e sim em outro tempo eu teria surtado e negado as palavras de Jacquelin até a morte, mas, não hoje... Olho para meus amigos, e desabo na cadeira em frente a eles respiro fundo e digo derrotada:  
- Certo, gente, certo... Já não é segredo para vocês - SIM, eu AMO o tapado do Bouvier, mas eu sei lá, não quero fazer com outra pessoa o que o Pierre fez e faz comigo, mesmo sem saber, é doloroso demais e o Jason é um cara legal, não merece isso... – tento justificar meu medo de me enfiar em um relacionamento que pode não dar em nada.
Séb me encara com aqueles lindos olhos azuis que eu amava tanto e me diz bem sério:   
- , é o seguinte... o Pierre está com a Lachelle porque até onde sabemos ele não sabe dos seus sentimentos por ele. Até ai ok, então por que você não tem o mesmo direito? Você faz tudo pelo Pierre e nós já vimos isso, menos ele, mas, beleza... Sabemos que ele é lerdo. Mas meu ponto é: Você é livre, é solteira e linda. - ao dizer isso olha para Laurence que apenas sorri, então ele continua. - Você merece sair, conhecer e se envolver com quem quiser, então como a Jac disse antes, se o Pierre pode por que você não? Talvez, , se o Pierre te ver com outro cara, seja ficando, beijando ou só na amizade colorida ele passe a te enxergar, e tenha até ciúme e então talvez ele tome uma atitude, seja para te dar esperança de vocês ficarem, seja para te falar que não quer nada com você.
Séb termina seu pequeno discurso e todos na mesa olhavam para ele espantados, aquele nerd demorava a falar, mas quando falava só dizia verdades. Diante do argumento de Séb parei e pensei: Verdade... eu sempre estava a disposição de Pierre, fosse para ele, para banda, para os pais dele ou os irmãos e até aguentava as humilhações e insultos daquela Lachelle por amor a ele (o que era bem ruim, prejudicial para mim e meio doentio da minha parte, mas até eu perceber isso vai demorar…).
Mas quer saber… Cansei de ser saco de pancada para todo mundo, agora eu iria pensar em mim. Estava na hora de Pierre Bouvier sentir um pouco do próprio veneno, mas primeiro eu iria deixar tudo em pratos limpos com Jason, iria explicar a situação, deixar claro para ele dos meus reais sentimentos por Pierre, meus problemas, meus medos; iria me abrir com Jason de um jeito que só fazia com . E se, ele aceitasse minhas condições talvez poderíamos até ser um pouco mais que apenas amigos. 
                                
*********************************************** 

Depois dos conselhos de Séb me soltei mais, me dei ao direito de me divertir de verdade e de me sentir desejada por um cara que não fosse Pierre Bouvier, o resto da noite correu bem, dancei mais com Jason, conversamos sobre tudo. Já sabia que ele estava separado da esposa há mais de um ano, que ele tinha uma filha, a mocinha da academia, Jenna que ela tem 14 anos e que mora com a mãe em Nova York, que ele gosta de lutar, de se divertir e de divulgar a série que o fez ser ator. Falou sobre a perda da mãe e do irmão enfim, ao final da noite Jason tinha me contado quase sua vida toda, e enquanto isso o pessoal foi embora já que cada casal deu sua melhor desculpa para irem embora cada um a seu tempo, já que queriam terminar a noite uns em quartos, e outros no banco de trás do carro mesmo… Então Jason acabou me levando até a casa de Pierre.
Ao me deixar na frente da casa, Jason me dá um abraço e um beijo na mandíbula, quase perto da boca, sorrio tímida pela confiança dele e nos separamos, com a promessa de que eu voltaria ao Dot Lounge assim que tivesse uma folga no trabalho, (até por que eu precisava conversar com ele de verdade já que dessa vez foi ele quem mais falou). 
Entro pelos fundos na esperança de não acordar Pierre, doce ilusão... assim que fecho a porta e estou indo na direção de meu quarto escuto um sonoro:  
- Boa noite, Ferrari...
Me viro e olho para Pierre que estava com um copo de cerveja na mão e estava visivelmente bêbado, de novo.  
- Isso são horas? - Ele me diz com ironia na voz.
O encaro com cara de tédio e respondo grossa:  
- Estou de folga, Bouvier, lembra? E nem eram duas da manhã ainda.
Pego um copo de água na pia, para evitar olhar para ele de tão irritada que eu estava.  
- Folga interessante essa sua, huh. – Pierre diz meio atropelando as palavras pela bebedeira e então me estende o celular.
No watssapp um vídeo meu, dançando com Jason, toda animada e bem provocante, e quem mandou? Adivinhem...
Jeff para sacanear o amigo e, realmente o Pierre estava bêbado e com muita raiva, mas, que direito ele tinha de ficar puto? Me irritei ainda mais e respondi:  
- Na minha folga eu faço o que bem quiser, onde eu bem quiser e com quem eu bem quiser e não é da sua conta e outra, boa noite... sai sem dizer mais nada e me tranquei no meu quarto deixando um Pierre bêbado e muito irritado falando sozinho. 
**************** 



23 - Eu não quero pensar em você

Tem alguma coisa errada, não sei por que, mas estou com essa impressão, do nada a parou de aceitar minha carona para ir até a aula, começou a andar de ônibus ou a pé, está trabalhando demais e nunca fica em casa, então eu mal a vejo, só fala comigo o necessário e sobre trabalho (eu sei que ela está brava comigo, só não sei o porquê… ) percebi que ela tem algumas amigas, mas nunca traz as garotas aqui em casa... Está sempre no telefone com alguma delas, ela sai todo dia de manhã e só volta de noite; descobri pelo Jeff (quando estávamos na tour do Rock am Ring) que agora além de trabalhar com a banda a também trabalha no Mangiafoco, até ai tudo bem, mas, por que ela não me disse nada?
A alguns dias eu e a Lach estávamos na sala e eu escutei o barulho de alguém na porta, nem me toquei que poderia ser a , ela nunca usava a porta da frente, coisa que aliás, eu precisava perguntar para ela o motivo... Enfim deixei para lá já que estava concentrado demais e determinado a fazer a Lachelle ter seu terceiro orgasmo seguido... Mas se a chegou em casa naquela hora e justo naquele dia resolveu entrar pela porta da frente de casa... me pegou no meio de uma bela transa. A Lachelle gostava de usar a casa toda quando se tratava de sexo, e quem era eu para negar?
Depois disso a se isolou, só trabalhava e frequentava a aula, mal falava comigo se estivéssemos sozinhos em casa e, se a Lach estivesse por perto ela nem saia do quarto; eu estava achando isso meio estranho mas, deixei para lá talvez a precisasse de espaço para se adaptar. E então, de repente, de uma hora para outra, todos vinham visitar a , Jacquelin, uma das amigas dela, os caras e até o Patrick, sem falar que o Chuck não saía mais daqui de casa, cheguei a pensar que ele e a estivessem tendo alguma coisa mas, não podia ser... o Chuck tinha acabado de sair de um relacionamento com traição e tinha até escrito a letra de Your Love Is a Lie para o novo CD e ele sabia que a não aceitaria namorar com ele, talvez eu tivesse chance, mas os caras não; nenhum deles teria chance com a além de mim, sim, eu sou muito convencido.
Então depois de uns três meses desse comportamento estranho da e de todas as visitas dos caras e das amigas dela, um belo dia a saiu do quarto e voltou a vida normal, ela fazia muitas coisas; trabalhava muito, as vezes até mais de três semanas sem folgar (coisa que eu achava muito errada) e mesmo os caras dizendo para ela parar, a insistia dizendo que precisava ocupar a cabeça. Qual era o problema dela? Eu não fazia ideia do que poderia ser, mas a não me contava nada e os caras desconversavam toda vez que eu tentava saber. Ela também estava fazendo várias aulas e eu percebi certo dia que ela estava mudando criando mais corpo (não que ela fosse magra demais, ela tinha um baita corpo bonito) só que a estava mais bonita ainda se é que era possível; e além desse detalhe que reparei a trabalhava em vários turnos, fosse com a gente como banda ou com o Jeff no restaurante, além de cuidar da minha casa e das minhas coisas (mesmo eu pedindo para que a Lach fizesse isso) ela nunca fazia nada dizia que, se eu pagava a , ela que fizesse então, mas fazer o quê, a Lach é gostosa então eu deixava para lá, afinal se a transa valia a pena, que se dane os cuidados com a casa, e a fazia tudo sem reclamar então para mim, beleza. (minha mãe iria me arrebentar na porrada se soubesse desse meu pensamento machista, mas fazer o quê era a realidade que eu vivia no momento, paciência.)

Um final de semana desses eu encontrei com a na cozinha de casa, ela estava combinando de sair com as amigas e não me viu; então eu pude olhar bem para ela e... Caralho!!!! Ela estava gostosa demais, ela estava vestindo um shortinho jeans, meia arrastão e coturno preto; com uma maquiagem chamativa, e os olhos... Puta que pariu! Aqueles olhos , grandes e com muita maquiagem. Não sou de me ligar nisso nas meninas, mas a estava um pecado de tão linda (desde quando ela tinha ficado tão gata daquele jeito? Como eu não vi aquela mudança acontecer? Ou será que ela sempre foi linda e eu que não percebi?)
Perguntei onde ela ia, ela me disse que está de folga e que vai sair com as amigas, não consegui tirar meus olhos do corpo dela, olhei várias vezes, encarando, devorando o corpo dela com os olhos me esquecendo que tenho namorada. Olho cada detalhe dela; as pernas grossas, o belo par de coxas, os seios e enfim a bunda... Puta merda, que bunda enorme! Brasileiras. Apontei para ela e me fiz de besta, ela se assustou e perguntou se estava ruim a roupa, (pensei comigo encarando o corpo dela na maior cara de pau, ruim? Não, , estava bom até demais... se eu pudesse arrancava essa roupa de você agora mesmo) nunca tinha reparado em como a era linda e gostosa, fiquei olhando para ela como se fosse o lobo mal olhando para a chapeuzinho, com a boca seca e muito desejo, mas ela nem percebeu. Para tentar focar meus pensamentos, perguntei onde ela ia, ela me disse não saber ainda. Estranho. Mas antes que eu pudesse soltar qualquer comentário sobre ela, ouvimos a buzina de um carro e a saiu de casa, me deixando sozinho e com um puta tesão.

*************************************************

Em pleno sábado depois de mais de um mês de shows, entrevistas e programas de tv, eu estava em casa finalmente, e graças a Deus a Lach disse que precisava ir para casa dela ajudar a mãe e a irmã na empresa da família (é a Lach trabalha, acreditem... ela é design de interiores, mas ela trabalha a hora que quer) e com isso tive um pouco de sossego; ter a Lach perto era bom, mas ela era grudenta demais e isso as vezes me irritava, por mais que ela e eu tivéssemos um relacionamento aberto, ela ficava com quem queria e eu também; ultimamente ela estava muito em cima de mim e se a estivesse com a gente, ficava ainda mais difícil. Eu estava começando a achar que a Lach tem é ciúme da , mas também pudera, todo mundo adora a menos a Lach e acho que o sentimento era recíproco das duas. A já tinha saído de casa a algum tempo e eu não conseguia parar de pensar nela, naquele corpo, e naqueles olhos e era eu pensar na , eu começava a ficar excitado... Merda!! Preciso parar com isso, para tentar esfriar a cabeça - as duas – resolvi pegar uma cerveja na geladeira a comecei a tomar, má ideia. Eu tinha adquirido o mal hábito de encher a cara por nada, ponto para Lachelle e todas as baladas e after parties depois dos shows.

Já estava acho que na minha sexta ou sétima cerveja, e estava bem bêbado quando vi uma mensagem do Jeff acender no meu celular – que porra o Jeff queria as onze da noite? Pensei irritado. Então meu celular começou a piscar feito luzes de natal pela quantidade de mensagens, primeiros fotos: Jeff, Michelle, Chuck e Jacquelin, David e Tinah, Séb e Laurence todos eles juntos na balada e nem me chamaram, bando de traíras e então outra mensagem de Jeff dessa vez um vídeo, e puta que pariu que porra era aquela? No vídeo, a estava dançando com um cara que parecia ser mais velho que eu e era todo tatuado esse cara dançava com o corpo colado ao da , e as vezes estavam até quase se beijando de tão próximos que estavam sem contar a mão dele que estava bem firme na cintura dela... Ao terminar de assistir a gravação, praticamente cuspi longe a cerveja que estava na minha boca. Mas que merda era aquela? Quem era aquele cara? E como assim a sabia dançar daquele jeito? Toda linda, livre e sensual? A música era Promiscuous da Nelly Furtado e a dançava solta, rebolando, indo até o chão e voltando, e todos estavam parados assistindo, todo homem daquela balada estava parado vendo a dançar... Caralho, ela não podia dançar daquele jeito! Tão gostosa, tão linda... Sentindo o sangue no rosto - minhas bochechas deviam estar vermelhas, fosse pela cerveja ou pela raiva que estava sentindo, respondi as mensagens de Jeff:

Fala mano, a balada tá boa, huh? Nem me chamaram, seus vagabundos, mal temos uma folga que já vão encher a cara.
Enviei essa, respirei fundo e continuei ainda irritado.
Onde é esse point? Não é no Mangiafoco, ou é?
Me fiz de desentendido, eu sabia que não era lá.
Alguns minutos depois, recebi uma resposta:
Ewww, Bouvier, não é no Mangiafoco, é uma balada nova, viemos encontrar as amigas da e ela estava aqui também... Viu o vídeo?
Senti a raiva me subir no corpo de novo.
Ah, o Chuck está falando aqui que a balada se chama Dot Lounge, você está perdendo, cara, a dança demais kkkkkkkkkkk.
Leio a mensagem de Jeff e fico com ainda mais raiva, sinto meu corpo tremer.
Claramente o Jeff tinha me mandado o vídeo para me sacanear. Parabéns, Jeff, conseguiu. Com o peito doendo, com um sentimento que eu não sabia o que era, tá, até sabia, mas não queria admitir vou afogar minha raiva no restante de cervejas da geladeira.

*****************************************************

Depois que eu não respondi nada, o Jeff não mandou nem mensagem, nem fotos e nem vídeos, e nem precisava eu estava bebendo todas e repetindo o vídeo da dançando na balada com o tal cara bombado e tatuado, o que aquele panaca tinha que eu não tivesse? Eu tinha tatuagens, era bonito e rico... Ok, estava meio fora do peso, por tantas baladas, cervejas e o cigarro; é, eu estava fumando, outro ponto para Lachelle. Mas a estava tão à vontade com aquele cara, parecia feliz, diferente de quando estava em casa, onde tinha ido parar aquela menina tímida, envergonhada e que mal olhava na minha direção? Eu via e revia o vídeo e aquilo estava me deixando com ainda mais raiva, com ainda mais ciúme; essa era a grande verdade, eu estava com ciúme da com o tal cara. Bebi todas e por horas até que dormi no sofá da sala, não tinha noção de que horas eram quando ouvi um barulho de carro na entrada de casa, acordei e fui até a janela ver quem era e, antes não tivesse ido olhar. Era a e o tal cara, eles estavam abraçados e o tal cara estava tentando dar um beijo nela, mas a desviou na hora e acertou só o queixo - quase na boca -, eles se despediram dizendo algo que não ouvi e voltou pelo estúdio para entrar pela porta da cozinha (um dia ainda iria perguntar para ela do por que ela nunca usar a porta da frente). Como sou mais rápido que ela, mesmo bêbado, cheguei primeiro até a cozinha e quando ela entrou em casa deu de cara comigo.
Estava muito puto, muito bravo mesmo então já soltei com o maior tom de raiva que consegui:
- Boa noite, Ferrari. – Dei um último gole na cerveja do meu copo e perguntei se aquilo eram horas, e para minha surpresa a me respondeu. Ela nunca, em todo esse tempo em que mora comigo, jamais tinha me respondido mal, enfrentado, levantado a voz ou sido grossa comigo.
- Estou de folga, Bouvier. - Ela me retrucou com ignorância. E cacete, como ela ficava linda toda brava, os olhos brilhando de irritação por causa do que eu havia falado; com certeza ela percebeu que eu estava nervoso, mas, não falou nada então para provocar ainda mais e não ficar por baixo respondi levantando uma sobrancelha:
- Folga interessante a sua, huh? - E estendendo o celular para ela com a intenção de ficar mais perto, mostrei o vídeo de Jeff. me olhou como quem não entendeu nada. Será que ela não percebia que eu estava com muita raiva dela? Que ela só podia dançar daquele jeito para mim? Ok, fantasiei agora, mas, a dançando só para mim iria ser um sonho recorrente e, pela segunda vez em menos de cinco minutos a fez minha cara cair; ela muito brava me encarou com aqueles olhos apertados de raiva e me disse:
- Na minha folga eu faço o que eu bem quiser, onde eu bem quiser e com quem eu quiser e não é da sua conta... e outra, boa noite. - Dizendo isso, ela saiu marchando na direção do quarto e me deixou falando sozinho.

********************************************

Demorei uns cinco minutos para entender e comecei a rir sozinho no meio da cozinha de casa, Ferrari tinha me enfrentado, sido grossa e ainda tinha me deixado falando sozinho e, ainda assim, mesmo irritada continuava linda, pensei bem e na minha cabeça só vinha a imagem dos olhos dela brilhando de raiva. Resolvi deixar para lá por enquanto. Amanhã me desculparia com ela pela cena e colocaria a culpa na bebedeira, e ela acreditaria; mas a verdade era que eu não estava tão bêbado assim, acho que eu estava me acostumando a tanta bebida e meu corpo estava mais tolerante ao álcool do que deveria. Fiquei na sala pensando por um tempo, precisava ir no tal bar Dot Lounge, precisava ficar mais perto dos caras (se é que era possível), precisava começar a ter amizade com as amigas da , precisava descobrir quem era o tal cara que dançava com a e precisava saber se eles tinham alguma coisa. Sei que nada disso pode fazer sentido, a é livre, solteira, é linda, e qualquer cara que tenha o mínimo de noção se jogaria aos pés dela; coisa que eu tive a chance de fazer e não fiz... Idiota.
Mas ver ela com outro cara me doeu, doeu meu ego, doeu meu orgulho; sei que não tenho esse direito porque quando eu beijei a na frente da casa dos meus pais e tive a chance de poder ter algo com ela, eu desperdicei. Sim, sou um tapado. E você deve se perguntar… doer por quê? Você tem namorada. Se toca.
É... eu sei, tenho namorada, mas, não queria ter. A coisa com a Lach é sexo, ela é bonita, e tal, mas eu queria mesmo era ter alguém legal, uma pessoa que todos gostem de estar perto; e uma coisa é verdade, meus pais não gostavam da Lachelle, meus irmãos a evitavam e os caras gostavam muito menos, toda vez que a Lach ia com a gente na turnê era uma guerra. Os caras dizendo que a Lach era a maior empata foda já que se ela estava perto de mim (e perto entenda por agarrada em mim feito um coala) nenhuma outra garota chegava perto e eu, sendo o vocalista era o chamariz de fãs, groupies e paqueras para o resto dos caras e por isso eles não pegavam menina nenhuma e colocavam a culpa na Lach. O que era verdade ela estava um saco de uns meses para cá, que nem eu estava aguentando mais ficar com ela, para falar a verdade, eu queria mesmo era estar com a ... como as duas podiam ser tão diferentes? Quando a estava na tour com a gente várias meninas chegavam junto, conversavam, abraçavam, tiravam foto e se a gente tivesse sorte até levava algumas para as after depois dos shows, a ficava sempre perto, ajudando aos fãs com dificuldades a falar com a gente e até arrumava as amigas dela para ficar com os caras, não fosse isso então por que todos estavam juntos na balada? Eu não queria pensar na , mas toda hora meus pensamentos voltavam para ela, fosse pela roupa sexy que ela estava usando quando saiu mais cedo ou pelo ataque de raiva que ela deu na cozinha ao me responder mal. Eu não conseguia parar de pensar no vídeo, nela dançando toda linda para outro cara. Eu tinha que fazer alguma coisa, e iria fazer, eu estava decidido.
Aos poucos iria tentar reconquistar a confiança da e com isso talvez conquistasse também seu coração.

**************************************



24 - É tudo uma droga

Depois que comecei a sair com as meninas para me divertir não parei mais, toda vez que eu tinha uma folga nos meus trabalhos eu comecei a ir até o Dot Lounge, já tinha conversado com Jason e explicado minha situação amorosa, minhas razões e meus medos. Falei que amava Pierre e que mesmo ele não me amando para mim era difícil talvez amar outra pessoa e, ele me entendeu e, para minha surpresa aceitou ser apenas meu “amigo colorido” e ficávamos ás vezes quando sentíamos vontade sem cobranças, sem compromisso e sem ciúmes. Quando eu estava no bar e o Jason não estava, eu ficava com outros caras e tudo bem para nós dois, mas quando ele chegava ou se ele tinha uma folga do trabalho da noite e podia me dar atenção eu deixava todos os outros caras e ficava só com ele pelo resto da noite. Nossos amigos até já estavam acostumados com isso e nem ligavam mais para o nosso estilo de se relacionar, porém o Pierre não sabia de nada disso. Entre Jason e eu estava tudo bem resolvido e sempre que eu estava no bar nós acabávamos em algum canto aos beijos e abraços. Na manhã seguinte ao surto de Pierre ele me pediu desculpas e eu deixei para lá, afinal ele estava bêbado.
Uma semana depois de eu ter enfrentado Pierre, ele falou com os caras e fez de tudo para poder ir para o bar com a gente no final de semana seguinte, então agora todos iam para o Dot Lounge e todos éramos amigos (ainda mais amigos, quero dizer). As meninas estavam ficando com os caras e todos estavam sempre juntos aonde quer que fôssemos. Só era meio irritante quando Pierre resolvia ir pro bar com a gente e levar aquela garota junto com ele (o que era um saco) ela era chata, ciumenta e ignorante com todos nós então nós simplesmente a ignorávamos e, logo ela dava um jeito de sumir provavelmente indo dar uns perdidos em Pierre (ficando com outros caras bem na cara dele, e ele sendo tão lerdo nem se dava conta - tapado). Já eu fazia questão de sempre que Pierre estava com a gente ficar com o Jason bem na frente dele, para que ele nos visse aos beijos e abraços, eu ia para pista de dança e ficava bem provocante, dançando com Jason; dançava as músicas mais eróticas e fazia o máximo para estar sempre abraçada a ele ou que ele estivesse com as mãos em mim e fazia tudo isso bem na frente de todos e principalmente na frente de Pierre e quando voltávamos para mesa me sentava no colo de Jason e olhava bem na direção de Pierre, ele estava com a maior cara amarrada e mal falava alguma coisa, só bebia, uma cerveja atrás da outra, provavelmente ficaria bêbado logo mas, os meninos que se virassem com ele e sua bebedeira, eu tinha mais era que aproveitar já que meu tempo no Canadá estava quase no fim, meu estágio estava acabando e logo eu voltaria para o Brasil. Jason e eu estávamos bem grudados e ele não queria que eu voltasse, mas não dependia só de mim, eu precisava que a banda renovasse meu contrato, o que até o momento não tinha acontecido e se dependesse de Pierre talvez ele nem quisesse renovar nada. Jason vendo que eu estava provocando Pierre na maior cara de pau, me abraçou apertado e falou em meu ouvido:
- O que você acha de a gente sair daqui e ir lá pro meu escritório? - Sorriu para a ideia dele e concordei com a cabeça. Levantamo-nos da mesa e saímos, deixando todos nossos amigos nos olhando, inclusive Pierre, com uma cara muito irritada. Então Jeff que já estava com algumas caipirinhas a mais na cabeça soltou em alto e bom som:
- Usem camisinha viu, crianças. - olhei na direção da mesa.
- Pode deixar, pai. - sorriu sapeca e olhei para todos na mesa, e virando as costas saí antes de poder ver a expressão no rosto de Pierre. Caminho no meio das pessoas na pista de dança em direção ao escritório de Jason, chegando lá ele nos colocou para dentro e fechou a porta, mas sem trancar; lá dentro ele me encarou e falou com um sorriso safado no rosto:
- Você é mesmo malvada, provocar o Pierre daquele jeito, coitado do cara… - encarei Jason indignada e ameacei sair de sua sala.
- Coitado? Qual é JD, você estava gostando de provocar o Bouvier tanto quanto eu. - falei irritada. Jason vendo que eu iria embora dali me agarrou com força pela cintura e me beijou, fazendo nossos corpos ficarem bem colados de um jeito que eu podia sentir sua ereção evidente encostando em mim. Ele me leva de encontro até sua mesa e com isso derrubando algumas coisas que estavam em cima, mas sem se importar.
Jason era o dono de uma balada de sucesso então muitas pessoas o procuravam a toda hora, sua sala tinha um sistema de sensor de presença em frente a porta, além de uma enorme parede de vidro fosco que dava de frente para a pista de dança, dando a ele uma perfeita visão de tudo que acontecia na balada durante o tempo em que estava em sua sala, estávamos nos beijando a algum tempo quando a luz do sensor da porta acendeu indicando que tinha alguém parado na frente da porta do lado de fora. Paramos o beijo e esperamos, Jason gritou de dentro da sala:
- Seja quem for, agora estou ocupado. Volte depois. - e a luz se apagou, então Jason e eu voltamos aos nossos beijos, as coisas estavam esquentando bem depressa entre a gente. Apesar de ele nunca ter exigido nada de mim em relação a sexo, eu sabia que ele queria, mas eu ainda não, então quando a gente ficava eu sempre dava um jeito de fazer o Jason ficar bem calmo e feliz.
Desci minhas mãos por cima da calça jeans e comecei a acariciar seu membro ereto, ele prendeu a respiração e me abraçou forte. Eu sabia do que ele gostava e precisava antes mesmo dele pedir e eu gostava de dar prazer a ele, então sorrindo sapeca e sem desgrudar meus olhos dos dele, desci o zíper da calça e coloquei a mão por dentro de sua cueca branca e sexy, ele mordeu o lábio e engoliu um gemido. Sorriu ainda mais.
Do jeito que eu estava sentada em sua mesa, apenas me curvei e comecei a massagear seu membro duro, com movimentos leves de subir e descer, ele me encarou, puxou meus cabelos para cima, me fazendo olhar para ele e disse sem ar:
- Você quer me punir por eu ter entrado na sua jogada de provocar o Pierre, não é? Sorriu, ele me conhecia bem.
- Sim, você está sendo muito mal, e me deixando agir assim. Se bem que provocar o Pierre é bem legal. - falei com sarcasmo na voz.
Parei de falar e coloquei Jason em minha boca até o fundo da garganta, ao menos até onde eu o conseguia e o ouvi soltar o ar com força. Eu adorava fazer aquilo, adorava fazer sexo oral nele, adorava dar prazer para ele, me fazia sentir bem, Jason era um homem bacana, não me cobrava nada, me fazia sentir bem, à vontade comigo mesma e me deixava livre para amar o Pierre sem exigir que eu o esquecesse, mesmo que ele não gostasse de me ver triste ou chorando pelos cantos. Quando a Lachelle me humilhava, ele dizia que eu devia me defender e que se as coisas ficassem ruins para mim ele me ajudaria na hora mas, eu não queria problemas com Pierre ou com aquela garota, deixava para lá, e seguia a vida amando Pierre quase em segredo.
Depois que Jason chegou ao seu orgasmo e estava relaxado ele me abraçou apertado, me beijou o pescoço de leve e falou em meu ouvido:
- Acho que eu posso retribuir o carinho, não é, ? Respirei fundo e gemi em seus braços. Ele entendeu isso como um sim; então desceu as mãos por minhas coxas, passando por debaixo do meu vestido, chegando até a renda da minha calcinha.
Colocou a mão em cima da minha calcinha e começou a me acariciar de leve me deixando excitada apenas com um leve toque de seus dedos habilidosos, então ele puxou minha calcinha para o lado e me penetrou de leve sem aprofundar os dedos, eu não era virgem e Jason sabia disso mas, respeitava o fato de eu não querer transar com ele, ainda. Enquanto me acariciava Jason beijava meu pescoço e mordia minha orelha de leve além de falar coisas indecentes em meu ouvido, coisa que ele sabia que me deixava maluca e bem excitada. De repente ele me vira de frente para seu peito musculoso e me coloca sentada em sua mesa outra vez, se ajoelha no meio de minhas pernas e começa a me acariciar com a língua, intercalando movimentos com os dedos e a língua e as vezes os dois ao mesmo tempo, desse jeito era fácil para mim perder o controle, ele era muito bom no que fazia e me chupava com vontade. Então não durei muito, cheguei ao orgasmo com um grito abafado por um beijo.
Jason e eu tínhamos um acordo, amizade e sexo andavam juntos para nós mas, sem cobranças ou ciúmes ou qualquer tipo de compromisso, ficamos na sala dele por cerca de meia hora depois nos arrumamos e eu passei pelo bar para pegar uma outra garrafa de Skol Beats já que estava com a boca seca. Quando chegamos na nossa mesa só estavam Sébastien, Laurence e Pierre por lá, os outros estavam dançando ou em algum canto escuro se pegando a “namorada” de Pierre não estava por perto, então ele estava sobrando e muito mais irritado do que antes. E não estava com uma cara muito boa e, se me via beijando Jason ficava ainda mais irritado, já que tanto Jason quanto eu estávamos bem excitados fosse pelo sexo oral de antes ou pela bebida e não parávamos de nos beijar na frente de todos com direito até á mão boba de Jason espalmada em cheio bem na minha bunda.
Depois de mais de uma hora sem ter que ver a cara da Lachelle na mesa, de repente ela resolve aparecer. Pierre estava muito bravo, com as bochechas vermelhas e os olhos pequenos por causa da bebida, ele não falava nada com a gente nem com Séb ou Laurence, mas, eu sentia que dele exalava raiva. Ele estava bebendo muito e então do nada ele surtou; arrastou a namorada para fora e os dois foram embora discutindo. Todos ficamos sem entender nada, mas, deixamos para lá essas crises de ciúme eram normais entre eles. Ignorei, ele que fosse se resolver bem longe de mim, ele não iria estragar a minha noite.
Passado esse acontecimento no Dot Lounge os compromissos da banda seguiram normalmente, shows, entrevistas, idas ao estúdio e a gravadora. Até que em uma dessas entrevistas ao programa TMZ Live descobri algo que me destruiu por dentro... O programa corria bem, eu trabalhando nos bastidores junto com o Chaddy, que agora fazia parte da equipe e eu ajudava tirando fotos, gravando vídeos entre outras coisas até que em uma volta do comercial o apresentador fez a seguinte revelação:
- Estamos aqui com a banda Simple Plan, que está em estúdio no momento preparando seu novo álbum, mas, não é disso que quero falar agora. - o apresentador fez uma pausa dramática em sua falou.
- Pierre gostaria de saber de você como andam os preparativos para seu casamento? - o apresentador disse e Pierre ficou sem reação na hora, abaixando a cabeça e olhando para todo canto menos para as câmeras que focavam em seu rosto vermelho pelo susto.
- WOW... Como vocês descobriram isso? Era para ser segredo. - Pierre disse visivelmente desconfortável e os meninos ficaram sem saber o que falar diante dessa revelação inesperada.
- Bom, temos nossas fontes. - o apresentador falou com um sorrisinho sínico claramente vendo o choque dos caras da banda, de Pierre e do público que parecia ter prendido o ar.
- Bom, já que vocês descobriram... Sim, é verdade. Fiquei noivo da minha atual namorada no último verão quando fomos fazer um show no Brasil. - espera? Show no Brasil? Deve ter sido na vez que não fui com eles por conta das provas finais. Eu não queria acreditar nos meus ouvidos... Aquilo só podia ser um pesadelo.
Pierre despejou a verdade em cima de todos. Chuck, Séb Jeff e David ficaram chocados com a novidade, mas, disfarçaram bem (e pela cara dos meninos nem eles sabiam de nada). E quanto a mim nos bastidores quase tive um ataque. Comecei a tremer e minha garganta ameaçou fechar por conta de eu estar segurando as lágrimas mas, não podia chorar ali, eu tinha um trabalho a fazer e iria terminar.
Depois dessa bomba o programa correu como um borrão para mim eu fazia tudo no automático e nem percebi quando já estávamos no carro voltando pro estúdio na casa de Chuck, depois da novidade do noivado de Pierre os caras começaram a encher ele de perguntas: Como foi? Onde foi? Por que disso? Por que agora? Por que ela? Pierre ouvia a enxurrada de perguntas e não dizia nada. Eu, por outro lado, escutava a tudo com uma atenção impressionante, queria saber principalmente o porquê… Depois de muitas perguntas Pierre apenas disse muito irritado e sem querer falar muito:
- Tá legal, gente... chega!! Resolvi me casar com a Lachelle porque a gente já se conhece há anos, ela sabe como eu sou e a gente se dá bem - mentira... eles viviam brigando - e, é isso... agora chega de encher meu saco. - Pierre explicou de má vontade e deu um ponto final nas conversas, nas perguntas e assim apunhalou meu coração.
Com a notícia do noivado de Pierre com aquela garota tudo mudou, ele estava mais grosso do que nunca bebendo bastante e fumando. Quando chegou o dia de fazer o comunicado oficial para a família dele foi organizado um jantar e tudo mais e, como era de se esperar a novidade caiu feito uma bomba para a família dele. Os pais de Pierre não sabiam o que dizer e Jonathan apenas encarava o irmão balançando a cabeça em tom de reprovação, Jay e Kate não tinham expressão no rosto e graças ao anjo, eu não fui obrigada a ir ao tal jantar de oficialização. Só soube do que tinha acontecido porque Kate tinha me ligado naquela mesma noite mais tarde. Fiquei em meu quarto, chorando sabia que não adiantava chorar, mas doía tanto! Depois de chorar por um tempo descobri o que tinha que fazer, então liguei para Jason e contei a novidade sobre o noivado de Pierre e avisei minha decisão:
- Jason… ele vai se casar com aquela garota… - solucei - eu não vou ficar aqui para ver isso... - falei chorando ainda mais. Respirei fundo e completei: - Eu vou embora, Jason, não tem mais espaço para mim aqui. - sequei meu rosto com as mãos tremendo, decidida.
- Ah, ... eu vou acabar com a raça daquele cara... -Jason disse furioso no telefone e eu podia sentir a raiva na voz dele e me preocupei que ele fizesse algo de ruim com Pierre. Então implorei em meio às lágrimas que insistiam em voltar.
- Não... Jason... não faz isso eu... vou embora. Só queria te avisar; em uma semana estou indo embora daqui... - sufoquei um soluço alto com a mão. Comuniquei a decisão mais dolorosa que já tive que tomar na vida. Eu não queria ter que ir embora feito uma covarde, mas, ver Pierre casar com a Lachelle doeria demais, e eu já tinha dor suficiente na vida para ter que lidar com mais essa.
- Aaaah, , por favor, não vai... fica. Fica comigo, eu cuido de você… Jason falava desesperado ao telefone. Mas vendo que não adiantava nada, apenas me ouviu chorar, me acalmou e, com a voz beirando o ódio e as lágrimas, desligou me deixando sozinha com minha dor e meu coração destruído.
Minha decisão estava tomada, iria sair da casa de Pierre, iria sair do Canadá; deixaria para trás minha vida, amigos e meu grande amor.
Jason passou o resto da semana tentando me convencer a ficar, queria que eu fosse morar com ele, mas recusei, se eu ficasse no Canadá o Pierre ou os meninos não me deixariam em paz. E paz era tudo o que eu mais precisava no momento então, Jason desistiu de tentar me convencer. Mas até o último minuto Jason tentou me fazer esquecer a ideia de ir embora. Por dias ele tentou me convencer a mudar de ideia, fazia e falava de tudo. Mas não... eu iria embora, estava decidido. Resolvi todos os compromissos que tinha com a banda, finalizei minhas tarefas no Mangiafoco e redistribui as coisas. Franchie, Danny, Fred e Chaddy assumiram minhas tarefas com o staff da equipe e por último falei com Jay e Kate, avisando que eu estava indo embora; contei a eles que eu iria de volta para o Brasil. Jay estava revoltado com o irmão por ele se casar com aquela garota e, Kate chorando, como Jason eles não queriam que eu fosse embora.
- , por favor, não vai... Meu irmão é um idiota, mas ele precisa de você... - interrompi Jay na metade da frase, irritada.
- Jay, fala sério! Precisa de mim? Não, Jay... ele precisa é daquela garota! Eles se merecem... - falei segurando as lágrimas. - E outra coisa... Por favor, Jay, só conte aos outros que eu fui embora quando eu já estiver longe; não quero me despedir e, não quero que tentem me impedir de ir e por favor... - falei chorando pela milésima vez naquela maldita semana. - E quando eu já estiver longe, entregue isso ao seu irmão.
Entreguei nas mãos de Jay um pen drive vermelho que ele pegou sem perguntar nada. Jay e Kate me olhavam com tristeza, mas, concordaram com meu pedido.
Voltei para casa de Pierre naquele meu último dia naquela casa e no Canadá, estava difícil dormir minha cabeça girava com tantas lembranças boas e ruins ao mesmo tempo, foram dias incríveis e eu voltava para o Brasil ferida mas, muito mais forte. Escrevi tudo o que havia acontecido comigo nos últimos meses em meu diário iria guardá-lo em minha mochila, mas estava cansada de relembrar tantas coisas de uma vez só, e aquela semana tinha sido a mais difícil de todas desde que eu chegara ali. Acabei largando o caderno embaixo da cama, decidi escrever uma carta para Pierre finalmente explicando tudo, afinal nossa história começou com uma carta quando ganhei a promoção da rádio e, nada mais justo do que acabar com uma carta.
Escrevi, li, reli e chorei e então acabei caindo no sono; dormi por algumas horas; acordei bem cedo, deixei a carta para Pierre em cima do travesseiro e sai de meu quarto. Jason me pegou de carro em frente à casa de Pierre, eram 6 da manhã quando sai. Deixando a casa de Pierre para trás, deixando meus sonhos, meus amigos e parte do meu coração.
O caminho até o aeroporto foi silencioso, Jason estava quieto, ressentido, chateado. Só quando ele estacionou no aeroporto foi que falou:
- ... sério, fica… vai lá para casa. Eu cuido de você... - ele implorava com os olhos marejados pelas lágrimas.
- Jason, não... se eu ficar no Canadá o Pierre vai me achar. - falei chorando. - E, eu preciso ficar longe. - repeti e segurei forte sua mão junto com a minha.
- Sério? - Jason me olhava com uma mistura de dor e raiva, afinal eu o estava abandonando também. - E você acha que, você indo embora pro Brasil ele não vai te encontrar lá também? - Jason falou irritado, virando o rosto para longe de meus olhos vermelhos de tanto chorar. Respirei fundo e falei baixo.
- Sim, ele pode até me achar, mas vai demorar muito e, eu preciso de tempo é só isso que eu quero. Preciso pensar, sofrer, chorar e então talvez, quem sabe, me curar desse sentimento que eu tive por Pierre Bouvier. - disse com a voz embargada.
- Shhh, calma, ... - Jason disse me abraçando e, deixando a raiva de lado. - A cada palavra sua, eu tive ainda mais raiva do seu amiguinho Bouvier. - Jason falou com ódio na voz.
Ficamos conversando até dar a hora do meu voo, Jason e eu comemos e ele me deu algum dinheiro, mesmo eu recusando. Ele disse que era a única coisa que ele poderia fazer por mim. Então mesmo envergonhada, aceitei.
A hora da despedida estava chegando, então Jason me acalmou de novo; me abraçou apertado e me beijou. Um beijo de leve, cheio de saudade e de carinho. Nos separamos, e ele se foi. Embarquei rumo ao Brasil, voltando para meu passado e para minha antiga vida; deixando para trás minha verdadeira casa e todos a quem eu amava.

**************************

Depois de mais de 15 horas de voo desembarquei no Brasil, tanto tempo tinha se passado eu já não sentia mais que o Brasil era meu lar, aliás nunca foi. Meu coração sempre foi canadense. me esperava no aeroporto e, poder ver meu amigo me deu um pouco de consolo; eu chorava e chorei muito durante toda a viagem; doía, eu estava sofrendo e magoada.
me abraçou e me levou para sua casa, que era um pouco minha. No caminho expliquei para ele o porquê da minha volta para o Brasil, (e ele logo se irritou com Pierre) mas me deu razão e me apoiou.
- Sério, , que o Pierre fez isso? Eu andei lendo algumas fofocas sobre esse tal noivado dele, mas não acreditei já que você estava com ele o tempo todo e não tinha me falado nada, então nem coloquei fé… Ele é um idiota, cego... Como ele não enxerga que você é apaixonada por ele?
falava indignado.
- É, , o Pierre é um idiota. - concordei sem querer estender o assunto, percebendo que eu estava mal logo mudou de rumo na conversa, mesmo eu não prestando atenção. Do aeroporto até a casa de foram 40 minutos de carro e, por mais que eu estivesse desacostumada ao trânsito da cidade de São Paulo achei até que rápido. Chegamos, e eu desabei, chorei muito; e apenas me deixou desabafar murmurando palavras de consolo, que eu não fazia questão de escutar. Dormi mal minha primeira noite no Brasil, com pesadelos, muita tristeza e muitas lágrimas. Desde que desci do avião, meu telefone não parava de receber mensagens dos grupos, mas eu não olharia, não leria, eu precisava de um tempo. Eu tinha que esquecer; eu precisava esquecer. Se eu iria conseguir... Não sei.

****************************

estava saindo muito mais agora, quase todo final de semana ela estava no bar do amiguinho, o Dot Lounge, e toda vez que ela estava no bar ela ficava com algum cara, beijava vários caras numa noite e quando aquele tal de Jason chegava eles ficavam se agarrando para todo mundo ver e, se sentavam na mesma mesa com a gente. Para mim era difícil ficar vendo aquilo, a tinha mudado muito... ela não era assim quando chegou, era tímida, retraída e envergonhada. Agora mais parecia uma… sei lá nem queria pensar... mas, a que eu conhecia não era aquela, depois da minha cena de ciúme na cozinha de casa falei com a e ela me desculpou mas, ainda não gostava de ver aquele cara com as mãos em cima dela e, muito menos beijando. É, eu estava louco, por causa da . Agora toda a galera ia sempre ao bar e eu já era amigo das meninas agora, além de Chuck estar namorado a Jacquelin, Seb estar ficando com a Laurence e Jeff e David estarem enrolando Michelle e Tinah e para eu não sobrar sozinho levava a Lachelle, mas era o mesmo que nada, ela sumia da mesa já que todo mundo a ignorava, provavelmente para ir me trair com um cara qualquer. É, eu estava começando a desconfiar disso, a por outro lado aproveitava bem a noite dela, dançando muito... toda sensual, provocante, rebolando até o chão, se esfregando naquele cara, toda segura de si, e gostosa pra caralho. Sim, eu queria poder estar com ela, mas jamais conseguiria enquanto estivesse com a Lachelle. E que idiota eu era, bêbado no Brasil cheio de caipirinha na cabeça, resolvi pedir a Lachelle em casamento; em uma churrascaria lotada. Boa, Pierre, você merece o título de perdedor do ano, e o pior eu ainda precisava contar para os caras, mas não sabia como e eu precisava renovar o contrato da , eram tantas coisas. Eu estava irritado, com ciúme da e muito puto com a Lachelle e, ver a sendo engolida por aquele cara não estava me ajudado muito.
Queria arrancar ela do colo dele, mas não podia, então no meio de uma música brasileira bem provocante acho que era funk, de onde eu estava vejo o tal Jason agarrando a pela cintura e falando algo para ela que sorriu, um sorriso muito diferente do que eu estava acostumado a ver... ela nunca tinha dado um sorriso daquele para mim, Nunca! A concordou com ele, e os dois saíram da mesa de novo de mãos dadas, eu estava para encher aquele cara de porrada e para piorar o mala sem alça do Jeff já estava para lá de bêbado, solta bem na minha cara:
- Usem camisinha viu, crianças. - sorriu toda provocante na nossa direção, mas, eu pude ver que ela olhava para mim.
- Pode deixar, pai. - ela falou e saiu rebolando. Eu estava tremendo todo, com as mãos fechadas prontas para esmurrar alguém de tanto ódio, todos na mesa viram aquela cena ridícula, mas ninguém fez ou falou nada, então deduzi que aquilo era algo comum e normal de acontecer entre e Jason. Eu estava muito irritado... olhei em volta da mesa e falei que ia atrás da Lachelle, ninguém pareceu duvidar de mim, então saí apressado e fui atrás de e do tal Jason. Os vi entrando em uma porta escondida por uma cortina, a tal porta dava para uma série de salas; cheguei a tempo de ver uma sendo fechada às pressas. Fiquei ali parado na frente da porta fechada, ouvindo. Escutei o tal Jason falar e rir:
- Você é mesmo malvada, provocar o Pierre daquele jeito coitado do cara. - ele estava debochando de mim? Eu queria arrebentar aquele cara. Então escuto responder de um jeito que eu conhecia bem. Ela estava irritada com ele.
- Coitado? Qual é JD, você estava gostando de provocar o Bouvier tanto quanto eu… - disse com a voz brava. E depois silêncio, cinco minutos… Dez… E então barulho de coisas caindo, me aproximei mais da porta para tentar ouvir melhor o que estava acontecendo lá dentro. E, é quando meu coração para pôr um momento de susto. Escuto um grito vindo de dentro da sala:
- Seja quem for, agora estou ocupado; volte depois. - prendi minha respiração e me afastei um pouco da porta, mas, continuei ali; ouvindo. Mas antes eu não tivesse ficado, podia ouvir claramente os gemidos daquele cara, seja lá o que a estivesse fazendo para ele... ele estava louco. Eu podia ter uma ideia, mas eu me recusava a se quer imaginar, quem dirá ouvir a fazendo sexo com aquele cara. Ela era minha! Fiquei ali escutando o que quer que eles estivessem fazendo por quase meia hora, até que escuto movimentação e resolvo sair logo dali antes que eu fosse descoberto, volto para a mesa e agora só estavam lá Séb e Laurence; legal fiquei de vela. Fechei a cara ainda mais eu estava com ódio, com ciúme e louco para que a fizesse tudo o que tinha feito com aquele babaca comigo. Eu estava com um baita tesão reprimido e, para ferrar ainda mais com a minha cabeça a ficava se agarrando com aquele cara e o filho da puta ficava passando a mão pelo corpo de para que qualquer um que olhasse visse que ela era dele, mas não era verdade. A era minha… só minha, e não daquele babaca metido a lutador; tive que aguentar a e o Jason se pegando por mais de uma hora, até que a Lachelle resolveu dar as caras. Enquanto eu enchia a cara, bebia cerveja, conhaque, de tudo... eu estava muito bêbado e a Lachelle também cheirava a bebida, nenhum de nós dois podia pegar o carro, mas eu estava com tanto ódio que nem pensei muito nisso, só pedi aos céus para que nenhum policial parasse a gente. Sem pensar muito olhei na direção de , mas ela não viu, ou fingiu que não viu, nem sei. Então agarrei a Lachelle pelo braço e saímos da balada aos tropeços brigando. De novo.
Eu já estava cansado de tantas brigas, que merda eu tinha feito? Era com ela que eu iria me casar? Sou um idiota. Meus amigos não se meteram, eles estavam cansados de tantas brigas e de tanto escândalo. O manobrista tirou o carro para mim e vendo meu estado perguntou se eu queria um carro de aplicativo, recusei; peguei as chaves do carro e sai indo para casa. Estava irritado e vermelho de nervoso, a Lachelle vinha do meu lado falando um monte de merda ,mas a ignorei o caminho todo, minha cabeça cheia de imagens de ... sorrindo safada e sensual para outro cara... dançando para outro cara... bebendo com outro cara... transando com outro cara. Eram tantos pensamentos que quase bati o carro duas vezes, mas graças aos céus consegui chegar em casa inteiro. Ao menos o corpo, já que meu ego estava em frangalhos.
Depois da minha crise de raiva no bar, o trabalho continuou uma correria como sempre; entrevistas, estúdio, gravadora. Até que um dia, o TMZ chamou a gente, eu não gostava muito deles, mas os caras aceitaram então tive que ir. Se arrependimento matasse, eu estava morto. O programa estava tranquilo até que... aquele apresentador babaca falou demais. Como eles tinham descoberto aquilo? Tá ok, fui burro o suficiente para pedir minha namorada em casamento. Mas e dai? Ninguém precisava saber... não ainda, e não a . Não daquele jeito... A estava com o auxiliar novo, o Chaddy nos bastidores, mas do cenário no estúdio podíamos ver os dois trabalhando por ali. E ver o rosto dela quando ouviu a palavra casamento... doeu até meus ossos, fiquei ali sentado na frente da câmera vermelho de nervoso, falei que era segredo e, expliquei de qualquer jeito. Mas a merda já estava feita.
Os caras e a me olhavam em choque. Ah, eu iria processar o TMZ! estava sem acreditar e pálida feito papel, mas, continuou a trabalhar. E finalizou tudo com profissionalismo, o programa terminou e fomos para a casa de Chuck e já no caminho os caras me olhando sem entender nada e me perguntando do porquê daquilo... fiquei quieto o caminho todo, só pensando na expressão que vi no rosto da . Já de saco cheio dou um basta no interrogatório dos caras falando o óbvio. Que não convencia nem a mim mesmo, quem dirá a meus amigos que me conheciam há anos:
- Tá gente, chega... resolvi me casar com a Lachelle porque já a conheço há anos, ela sabe como eu sou e a gente se dá bem - a quem eu queria enganar? - é isso. E agora chega de encher meu saco! - falei grosso, mas vi que a estava abalada. E muito quieta.

***********************

Como eu imaginei a notícia do meu noivado causou alvoroço na imprensa canadense, e mundial e o pessoal de mídias sociais estava tendo um baita trabalho respondendo mensagens de fãs chorosas, eu estava angustiado, irritado e muito estressado. E como sempre andava fazendo ultimamente descontava a raiva na bebida e no cigarro, estava ignorante com todos, nem eu me suportava e para piorar a Lachelle me inventou de fazer um jantar de oficialização. Mas que merda! Deixei-a fazer o que queria, eu era um mané mesmo... não ia ter casamento, para que anuncio? Meus pais iriam me matar... e Jay iria me dar uma surra. Era certo.
Feito o comunicado meus pais ficaram mudos e Jay só me olhava com aquela cara que eu sabia dizer:
- Que merda você fez, moleque? - Jonathan e minha cunhada Kate estavam perplexos, tinha se trancado em casa e não falava comigo há dias e pelo jeito minha mãe faria o mesmo. Mamãe estava triste e visivelmente decepcionada comigo.
Uma semana tinha se passado desde o trágico anuncio do casamento, trabalhava normalmente, mas mal falava comigo, me evitava a todo custo. Até que, na sexta feira a tarde Jay me liga dizendo que a tinha ido visitar ele e meus pais até aí não estranhei, mas ele me falou que precisava me ver o quanto antes. Ignorei seu chamado, ele queria era me xingar. Não iria ver meus pais e irmãos tão cedo. Quando voltei para casa do estúdio a já estava trancada no quarto de novo... deixei para lá, não iria forçar ela a falar comigo. A noite foi inquieta para mim, dormi mal e, muito cedo tive a impressão de ouvir um carro na porta de casa... ignorei. Devia estar sonhando.
Acordei por volta das 9 da manhã de domingo, o café estava morno na cafeteira; já devia estar acordada. Mas onde ela estava? Devia ter saído, ido para academia, tomei meu café e fiquei ensaiando algumas músicas novas no violão. Fiquei ali sentado na sala por horas e, nada da voltar; liguei para a Jacquelin perguntando sobre a e nada... anoiteceu, dormi e acordei na segunda-feira. Nada de café quente ou de , liguei pro Jeff para saber se a tinha ficado no Mangiafoco até tarde e, nada...
Terça feira de manhã e nada da aparecer, dessa vez eu estava angustiado; mandei um áudio no grupo com a equipe (lê- se os caras) e, ninguém sabia da . Então tomei uma atitude drástica, fui ao cofre peguei a chave do quarto da e entrei lá (invadi) nunca tinha entrado no quarto dela, lá dentro estava tudo arrumado... decorado do jeito dela mas, uma coisa me perturbou... o guarda roupa estava remexido como se alguém tivesse feito uma mala às pressas. Aquilo me gelou a espinha; dei um giro de 360 graus no quarto e, em cima da cama um pedaço de papel com meu nome na frente. Uma carta.

***************************

Pierre…
Pensei muito antes de decidir te escrever essa carta e quase desisti várias vezes, mas achei melhor ser correta com você mesmo que as vezes você não tenha sido comigo. Minha história com você começou há muitos anos; quando eu descobri a banda e comecei a acompanhar seu trabalho e, ali através dos vídeos, entrevistas e shows que eu via pela TV ou internet eu já te admirava e pedia aos céus a chance de um dia poder te ver, e foi ai que para a minha surpresa a sorte me sorriu e eu ganhei a promoção da rádio e pude te ver, te conhecer, e melhor ainda pude viajar com a banda, aprender coisas novas, conhecer outros lugares, morar na sua casa e tive a chance de te conhecer de um jeito que fã nenhum jamais sonhou...
Pude te ver sorrindo (coisa que eu amo), pude te ver irritado, te vi bêbado, te vi brincalhão, te vi sendo grosso, te vi todo amoroso com sua mãe, pude ver sua cumplicidade com o Jay, presenciei o imenso respeito que você tem por teu pai, vi e vivi as provocações com o Jonathan e toda a sua admiração por seus companheiros de banda e, a cada dia que eu convivi com você durante todos esses dois anos, eu percebi que… o Pierre que está na frente da câmera de tv ou da lente dos jornalistas é o Pierre rockstar, o artista, o vocalista da banda que eu amo; percebi que você é um homem incrível quando não é o artista, mas que também é terrivelmente teimoso e cabeça dura, e que também é muito desligado mas sabe o que é engraçado? Com todas as suas qualidades e defeitos eu nunca jamais deixei de te amar.
Sim... você leu certo, eu sempre fui apaixonada por você, antes era um amor platônico de fã, que pensa que nunca, jamais vai encontrar o ídolo. O grande amor.
Depois eu te conheci, pude ver como você realmente era fora dos palcos e te amei mais... e por todo esse tempo sufoquei meus sentimentos dizendo para mim mesma que era loucura que era impossível… impossível você sendo tão rico e famoso se interessar por mim… mas então você me beijou aquele dia no parque e, aquele foi meu primeiro beijo (meu primeiro beijo de verdade, com você), eu estava tão feliz, mas aí você me mostra que homem é tudo igual, fica estranho comigo no dia seguinte e, uma semana depois aparece com a tal Lachelle e eu percebo com muita tristeza que você jamais olharia para mim, eu sofri muito, chorei por meses até que um dia decidi tentar esquecer a ideia de um dia poder ficar com você.
Conheci o Jason e entendi que, se você podia ficar com quem quisesse eu também poderia, resolvi mudar, melhorar e tentar ser feliz; ficava com o Jason... saia para dançar, beijava outros caras, isso me fazia esquecer um pouco meus sentimentos por você que eram tão sufocados por tanto tempo, mas a noite quando eu ia dormir a lembrança daquele beijo no parque na frente da casa de seus pais sempre me assombrava e, por muitas noites eu dormia chorando, sem contar tudo o que eu já estava sofrendo… Mas isso é outra história o ponto é, saber de seu noivado com aquela garota doeu, me machucou de um jeito que eu não imaginava que machucaria sei que você deve estar muito apaixonado por ela, a ponto de casar e eu desejo do fundo do meu coração que você seja feliz com ela, e que ela te faça feliz, mas eu não quero estar aqui para ver. Eu te amo, mas, não vou aguentar ficar e ver a sua felicidade, não a esse ponto. Provavelmente quando você ler esta carta eu já estarei longe, sua história comigo começou a pouco tempo então a separação pode ser mais fácil para você, já para mim vai ser um pouco mais dolorida e vai levar tempo até eu conseguir esquecer tudo que vi e vivi do seu lado. Mas saiba que, para mim valeu muito... e, que eu não mudaria nada e se pudesse faria tudo de novo exatamente igual.
Então obrigada.
Por favor, avise aos meninos que eu não gosto de despedidas, mas, diga que eu vou sentir falta de todos eles. E assim que eu estiver bem emocionalmente eu falarei com cada um, fale para as meninas que eu vou tentar manter contato. Pode demorar um tempo, mas, vou tentar... Prometo.
Seja feliz Pierre, de verdade é o que eu mais quero. A sua felicidade. Vou ficar daqui torcendo por você como sempre fiz, estou voltando para meu antigo lar e daqui verei sua vida e seu sucesso e, espero de verdade te ver feliz.
Te amei antes de te conhecer, e amei com suas qualidades e defeitos enquanto morei em sua casa e, vou te amar enquanto eu viver...
Até algum dia. Quem sabe algum show por aí.

Ferrari

************************

Eu não conseguia acreditar naquelas palavras como assim a gostava de mim? Como eu não tinha percebido antes? Ela tinha ido embora? Li a carta uma… duas… três vezes, a não podia ter ido embora… olhei de novo pelo quarto estava tudo arrumado só as roupas não estavam no lugar. Embaixo da cama tinha um caderno esquecido, peguei e comecei a folhear tinha fotos... muitas, e várias anotações, recordações, memórias, lembranças, boas e ruins, aquilo era o diário da ? Ela o esqueceu... sai do quarto de , transtornado. E, para minha surpresa com o rosto molhado de lágrimas.

******************************************************



25 - Você vai sentir minha falta quando eu for embora

Fui para meu quarto ainda totalmente incrédulo, sem acreditar que tinha mesmo ido embora de casa, me joguei em minha cama e comecei a pensar, a carta que tinha me deixado esclarecia muitas coisas. O porquê de ela ter tanto medo de mim, toda a timidez, toda a insegurança; o porquê dela se dar bem com os outros e comigo ser mais reservada. Como eu não tinha percebido antes? Como eu pude ser tão burro? Agora era tarde, a tinha ido embora... tinha me deixado e, eu não fazia ideia de para onde ela teria ido. Reli a carta, mas, não conseguia pensar em nada.
Mandei um monte de mensagens para ela, mas, nada. Ela não visualizava e com certeza não iria me responder... Eu estava exausto de tanto pensar, liguei para todo mundo... Seb, Jeff, Chuck e David, contei para eles que a tinha ido embora e, eles não acreditaram em mim. Vieram até em casa e viram o quarto vazio; começaram a me encher de perguntas, mas, eu não tinha respostas. Chuck avisaria as meninas, eu não estava com cabeça para aguentar a choradeira delas. Depois que os caras foram embora, tomei um banho rápido e me joguei em minha cama, estava sem fome... Peguei o diário da e comecei a ler...
“...aquela garota vivia me ofendendo quando Pierre não estava perto. Dizia que eu não era nada, que eu era uma simples empregada. Ela ria de mim, reparava em minha roupa, em meu cabelo...
Me humilhava jogando coisas no tapete branco da sala e me fazendo limpar...
Um dia, eu estava jantando na mesa da sala de jantar e ela me viu e surtou... dizendo para mim que empregados não podem comer na mesa dos patrões. Me arrastou pelos cabelos me puxando até a cozinha e me falou que era para eu comer ali, na mesa da cozinha. E pior, me proíbe de comer qualquer coisa na casa, dizendo que Pierre já fazia muito por me dar casa para morar. E, que quando ela fosse a dona da casa se livraria de mim...”
Eu lia a tudo aquilo escrito naquelas páginas por e não conseguia acreditar. Como a Lachelle podia ser tão baixa? Como eu não tinha visto nada daquilo? Talvez eu estivesse bêbado demais, era por isso que a Lachelle sempre me dava bebida... e, eu caí feito um idiota. Meu coração doía de tristeza... a tinha sofrido muito e, eu não fazia ideia de nada! Era muita coisa escrita, falava da alegria de estar trabalhando com a banda, do dia em que conheceu minha família, do dia no parque e sobre a alegria de ter sido beijada por mim, que aquele tinha sido seu primeiro beijo (de verdade), que o sonho dela era ter uma noite comigo, mas que ela achava impossível. Falava da tristeza que sentiu, uma semana depois quando eu apareci em casa com a Lachelle, que homem era tudo igual, que eu jamais olharia para ela e que ela não era nada para mim...
Ler aquilo era demais, machucava, como eu pude ser tão cafajeste? A gostava de mim, queria se entregar para mim, ficar comigo e, eu estraguei tudo! Continuei a ler: falava da felicidade de aprender coisas novas no Mangiafoco, de ter feito novas amigas, de ter aprendido a dançar, a dirigir, falava da tristeza de ter descoberto que a Lachelle me traía com Robert...
Espera eu era traído? E com o motorista? Eu era um perfeito idiota! A narrava em suas palavras tudo de bom e de ruim que tinha vivido, falava do dia em que não foi com a gente na tour do Rock am Ring e, da instalação das câmeras em casa. Para provar a traição e as maldades da Lachelle com ela, falava de ter conhecido o tal do Jason... Espera... Se alguém sabia onde a tinha ido esse alguém era o tal do Jason. Eu iria atrás dele e, descobriria onde a estava e, no momento nem ligava de saber que era corno; ou de ter câmeras escondidas em casa. Depois falaria com o Patrick e pediria as imagens, li o diário da até bem tarde e acabei pegando no sono.
Pensei por vários dias, já fazia uma semana que a tinha sumido do mapa. Até que resolvi o que devia fazer.

************************

Acordei cedo, tomei café da manhã e sai. Peguei o carro e, só quando já estava na rua me dei conta que, eu não sabia onde era a academia do tal do Jason. Liguei para a Jacquelin e perguntei e, para a minha surpresa ela me pediu uma carona; a busquei em casa e, juntos fomos até a academia. No caminho Jac me perguntou, indignada do porquê a ter feito aquilo, ter ido embora, do nada e sem se despedir e, eu respondi o que suspeitava:
- Olha, Jac, não sei, mas, talvez por tudo que ela passou; o sofrimento, as humilhações e minha indiferença... ela deve ter se cansado de tudo. - falei olhando para ela com tristeza. Jacquelin me encarou, respirou fundo e disse com a voz embargada:
- Olha, Pierre, você deve estar certo, a te ama muito e, você nunca percebeu, nunca se quer olhou para ela e a sempre fez de tudo por você, sua família, pela banda. Ela apanhou, foi agredida, sofreu te vendo com a Lachelle mesmo gostando de você, ela queria te ver feliz. Mesmo que fosse com outra pessoa, mas, acho que saber que você iria se casar com a Lachelle foi demais para ela aguentar. - Jac completou com os olhos cheios de lágrimas.
Chegamos na academia e entramos, o Jason estava na recepção falando com uma mocinha, quando nos viu, fechou a cara, ou melhor quando me viu fechou a cara, já com a Jacquelin foi bem educado até.
- Hey, Jac. - disse. E quando olhou para mim...
- O que você quer aqui, Pierre?
- Eu... quero conversar um pouco pode ser? - falei sem saber se minha voz era ao menos audível.
- Eu não tenho nada para falar com você! - disse com raiva, então a mocinha intervém com um olhar assustado.
- Pai, por favor, vai com eles para alguma sala, logo os alunos vão começar a chegar. - disse olhando de mim para o pai. Espera, Jason tinha uma filha?
Ok, isso não importa agora, só queria saber da . Vamos os três, Jason, Jacquelin e eu para uma sala que parecia ser um escritório.
- Ok, o que você quer Pierre? - Jason me olhava com raiva. Então falei de uma vez:
- Eu quero saber da , sei que você deve saber onde ela está e, quero que você me fale. - exigi irritado como nunca tinha ficado na vida.
Jason me olhava com ódio, com as mãos fechadas em punho do lado do corpo.
- Ah, agora você quer saber da ? Quando ela estava aqui você nunca se importou, ela se foi... Foi embora para bem longe de você! E, se depender de mim; você nunca vai saber onde ela está. - Jason despejou todo seu ódio na minha cara.
- Como assim? Por que você não quer me falar? Gritei. Jacquelin olhava para nós dois assustada.
- Eu não vou te falar nada Pierre sabe por quê? A me pediu para não falar e, porque ela me deixou por sua causa! Ela foi embora, para bem longe, porque ela te ama e, ela não suporta a ideia de te ver feliz e casado com outra. Sim, eu e a tínhamos um relacionamento de amizade com benefícios e, eu sempre soube que ela amava você, eu só não te arrebento na porrada agora mesmo porque a me pediu para não fazer nada. - Jason termina de falar, tremendo de raiva e muito vermelho de nervoso.
Eu estava sem palavras para tudo o que o Jason tinha acabado de falar, a tinha ido embora por causa do casamento? Me bater... Ah, mas eu estava louco para bater nele...
- Quer me bater, Jason? Pode vir, anda, seu idiota! - gritei de novo.
Jason fechou a mão em punho e veio para cima de mim com tudo. Esmurrou meu peito e eu cambaleei para trás, quase um metro pela força da pancada. Ele era forte, claro, o cara era lutador profissional se, ele quisesse me quebraria no meio. Fácil. Jacquelin gritou por ajuda, e a filha do Jason apareceu segurando-o de um lado e Jac me segurando do outro. Nós dois estávamos espumando de ódio.
- Olha aqui, Bouvier... - Jason cuspiu meu nome. - É melhor você ir embora. Apesar de eu querer muito te bater, não vou quebrar a promessa que fiz para . Mas você merece viver sabendo que, a foi embora por sua causa. E que talvez você nunca mais a veja de novo.
- Agora sai! Some daqui! - Jason disse furioso e, completou olhando para Jacquelin:
-Te espero na aula, amanhã... ok? - Jac concordou ainda em choque pelo susto e saímos.

************************

Eu estava furioso, minha vontade era a de voltar lá e encher o Jason de pancada, mesmo que eu levasse a pior. Mas a Jacquelin não deixou... Droga. Não tinha cabeça para dirigir, então a Jac nos levou até minha casa e de lá ligou chamando os caras, contou tudo o que o Jason tinha acabado de falar e, todos ficaram com cara de paisagem. Puta que pariu! Todos eles sabiam o que estava acontecendo? Só eu que não sabia de nada? Sabiam que a gostava de mim? Sabiam que a Lachelle fazia maldades? Sabiam que eu era traído e, não me falaram nada! As perguntam surgiam em meus olhos e nenhum de meus amigos tinha coragem de me encarar.
- Espera... vocês sabiam de tudo e nunca me contaram? - falei olhando para eles irritado. Séb então falou por todos:
- Olha, Pierre, sinceramente, se alguém tivesse falado que sua “namorada” - fez aspas no ar. - Fazia essas coisas horríveis, você teria acreditado em nós? - perguntou.
Parei e pensei, e me calei. É, eu não teria acreditado. Desabei derrotado no sofá.
- Mas e agora o que eu faço para trazer a de volta? - falei para mim mesmo. David me olhou, sério, respirou fundo e falou:
- Pierre, eu acho que você não pode fazer nada por enquanto. Dá para um pouco de tempo, deixa ela pensar e decidir o que ela quer para vida dela. E, quando ela se decidir se, ela quiser, ela volta para cá. Ela volta para nós e, quem sabe volta para você. Mas, se ela voltar esteja ciente de que você vai ter que lutar muito para ter o amor dela. E, se eu... Se nós conhecemos bem a ela só vai querer ter algo com você quando você estiver livre da Lachelle e, livre entenda por solteiro.
David tinha razão, eu tinha que me livrar da Lachelle. Mas como? Eram tantas coisas... eu estava angustiado; precisava do colo da minha mãe. Me despedi de meus amigos e avisei a eles que passaria alguns dias com meus pais, os caras cumpririam a agenda de compromissos da banda sem mim (ainda bem que eram só entrevistas e fotos) nenhuma apresentação, eu não tinha cabeça para shows agora.
Arrumei uma mochila de roupas, peguei Delilah e partimos de carro para casa de meus pais.

***************************

Durante o caminho todo eu estava angustiado e pensando em tudo que tinha acontecido até aquele momento, a primeira vez que eu levei a comigo para ver meus pais, tudo o que os caras tinham me falado, todas as merdas que o idiota do Jason jogou na minha cara, tudo que eu tinha feito de errado com a , eu era um idiota, cafajeste e filho de uma puta e me odiava por tudo.
Cheguei na casa de meus pais e mamãe estava me esperando na porta, meu rosto devia estar horrível; porque mamãe correu e me abraçou apertado. Falando em meu ouvido sem saber direito o que dizer e do porquê de eu estar naquele estado:
- Pierre, filho... o que foi? - perguntou ainda assustada.
- Ah, mãe, eu sou um idiota... - falei e chorei. Eu quase nunca chorava, mas estar ali com minha mãe, me abalou, eu estava angustiado, irritado e destruído por dentro. Mamãe me levou para dentro de casa e, aos soluços expliquei tudo da minha burrice de noivado, de tudo que a tinha passado, das humilhações, do sofrimento, da traição de Lachelle e, que a me amava. E que ela tinha ido embora por causa do casamento, mamãe ouviu a tudo aquilo calada e, então falou respirando pausadamente:
- Ah, filho, finalmente a resolveu te falar, mas, tarde demais. Eu sempre soube que ela amava você, filho, desde o primeiro dia.
Mamãe estava triste e eu ainda chorava. Encarei minha mãe e falei estúpido:
- Poxa, dona Louise, por que não me falou nada? A senhora sabe como eu sou lerdo...
Nesse tempo Jay, Jonathan e papai chegaram e ouviam a gente conversando; papai e Jonathan tentavam me animar, dizendo para mim que a voltaria, mas eu não tinha certeza, Jay me olhava com raiva, e não tinha falado nada ainda. Então meu irmão mais chegado, meu parceiro, faz uma coisa que deixou meus pais e Jonathan em choque.
Jay estava sério, ele se aproximou de mim e me deu um tapa no rosto; me olhou nos olhos e falou tremendo de nervoso:
- Pierre, a última vez que te bati você tinha 15 anos, e eu achei que nunca mais faria isso. Esse tapa é para você entender que eu te amo. E, que você está sendo um idiota. Por que você não veio aqui para casa quando eu te liguei? Se você tivesse vindo antes talvez a não tivesse ido embora. Então, me ouve quando eu falar, moleque. Porque é isso que você é. Um moleque idiota, imaturo e irresponsável... - Jay brigava comigo e eu não fazia nada, ouvia a tudo calado. Meu irmão tinha razão, eu era um perfeito idiota e, merecia apanhar dele, de Jason e até da . Meus pais não interferiram na minha briga com Jay. Passado o estresse da discussão já estava tudo normal, éramos assim, eu e meus irmãos, brigávamos de nos matar e, cinco minutos depois éramos melhores amigos de novo.
Jay reuniu a gente na sala de tv e colocou um pen drive vermelho, e as imagens me deram nojo. Na televisão, fotos da Lachelle me traindo com o motorista. Robert. Vídeos deles juntos mais de uma vez, fotos da Lachelle agredindo a , a insultando, sabotando as coisas que a cozinhava em casa, jogando coisas no tapete para que a limpasse, a Lachelle proibindo a de comer qualquer coisa na casa... Era tanta coisa, cada absurdo que, eu não aguentava mais ver nada. Mamãe estava triste e chorando, Jonathan com o olhar cheio de raiva; papai estava angustiado e pensando enquanto Jay apenas me encarava com o olhar triste.
- Entende agora, Pierre? O porquê de a gente não gostar da sua namorada? E do porquê de a ter ido embora? Quem aguentaria isso? Só a mesmo, ela deve te amar muito. Porque olha, irmão, suportar tudo isso não é fácil. - Jay falava sério.
- É, Jay, eu sei disso, ela sofreu muito e, eu fui o culpado. Mas eu não sei onde ela está, e os caras acham que eu devo deixar a quieta por um tempo. - falei olhando para ele.
- Então toma, guarda esse pen drive e decide o que fazer da sua vida. - Jay me entregou as imagens e, eu apenas peguei. Precisava mesmo dar um jeito na minha vida. Então meu pai disse sério:
- Pierre, filho... lembra que eu falei que tinha coisas que você não enxergava? Pergunta meu pai com o olhar cansado e distante.
- Sim, pai.
- Era isso que eu estava falando, a te ama e não é por que ela foi embora que ela vai deixar de te amar. Dê tempo ao tempo, tenha fé, filho. Tudo vai se acertar. Papai me olhava com o olhar cheio de sabedoria, que podia ver muito além do que estava acontecendo.
Eu não disse nada. Cansado demais, triste demais. Mas de uma coisa eu estava certo, a Lachelle iria me pagar pela humilhação de ter me traído com o motorista. E iria pagar por ter feito toda aquela maldade com a .

****************************

Resolvi mergulhar de cabeça no trabalho, quando a foi embora estávamos em processo de produção, gravação e finalização do DVD MTV Hard Rock Live e, em processo de escrita e escolha das músicas para o CD Self Titled - Simple Plan, então estava trabalhando como um louco. Trabalhar me fazia esquecer um pouco de tudo, e a Lachelle tinha desgrudado de mim, a tinha saído do grupo da equipe. Ela não falava comigo, mas, eu sabia que ela falava com as meninas e com os caras normalmente, ela estava me ignorando. Ok. Eu merecia, eu sabia que a acompanhava todas as nossas redes sociais, e que as vezes ela perguntava de mim, ela via pela internet minhas fotos e vídeos. Ela comentava até, mas sempre como uma fã qualquer. Em um show que fizemos no Chile ela estava lá na grade. Ganhou soundcheck e tudo, na hora das fotos falou com todo mundo... Chaddy, Franchie, os caras e, quando estava perto de mim agiu como se fôssemos estranhos. Tipo fã e ídolo mesmo, não como se ela tivesse vivido comigo por um tempo, não como se tivesse declarado o que sentia por mim e tivesse ido embora, mas eu não podia culpar ela de nada, eu merecia tudo aquilo.
Já fazia muito tempo que eu não via a , quase dois anos ou seriam três? E ela estava ainda mais maravilhosa, linda, segura de si. Provavelmente com algum dinheiro, ela devia trabalhar... ela era tão inteligente, tão competente, já que ela estava no Chile devia estar trabalhando, ela estava com o amigo, . mal falou comigo, mal me abraçou e já saiu de perto, aquilo me machucou, mas, eu aceitaria qualquer tratamento vindo dela, era melhor do que todo o silêncio dos últimos tempos.
falou muito comigo, e então aproveitei a chance; disse que queria falar com ele e dei o endereço do hotel em que estávamos, era arriscado, mas eu tinha que tentar...
O show correu bem, com recorde de público. Atendemos alguns fãs na frente do hotel e eu subi para meu quarto ainda elétrico por ter visto a , na grade do show, curtindo, cantando e pulando. Ela ainda era fã, afinal. Já fazia uma hora que o show tinha acabado e nada do . Então quando eu já estava perdendo as esperanças, ele chegou.
- Pierre, oi, só queria te avisar que a está muito magoada com você, mas, ela ainda é uma fã fiel e te ama e, chora toda noite por sua causa. dia após dia, durante todo esse tempo. falava apressado e eu só escutava, até que perguntei:
- me fala, onde ela está morando? Preciso saber, preciso fazer ela me ouvir. - falava angustiado.
- Como assim, Pierre? Que pergunta besta, a está no Brasil. - me falou o óbvio, como eu era burro! Lógico que ela voltaria para a antiga vida. se despediu de mim e foi embora. Me deixando com a maior cara de tapado do mundo, como eu não me liguei nisso? Era claro que a voltaria para aquilo que conhecia, para o lugar onde teria o mínimo de instabilidade. O Brasil.
E eu precisava pensar no que fazer, não podia ficar no Chile por mais tempo, tinha uma agenda de compromissos da banda para cumprir. Saímos do Chile e fomos para o Brasil e, então embarcamos para a Indonésia em seguida; eu mal consegui ver a nos shows que se seguiram, então sai do Brasil sem conseguir ver ou falar com ela e, aquilo estava me matando por dentro.
Teríamos um dia de folga antes do show, mas, assim que chegamos em Jakarta eu recebi uma ligação de casa. Mamãe estava desesperada, Jay estava no hospital. Como assim? Meu irmão no hospital, avisei aos produtores, organização e aos caras. E a decisão foi tomada, cancelamos o show que faríamos na Indonésia e embarcamos no primeiro voo de volta para o Canadá.

************************




26. Eu contra o mundo

Passei a acompanhar a vida de Pierre pela internet, vi que a banda estava trabalhando muito; foram três anos entre processo de escrita, composição e entrarem em estúdio para a gravação do novo disco, eu recebia muitas mensagens e e-mails das meninas e até mesmo dos meninos. Demorei meses até resolver responder uma mensagem de Chuck, e ele me entendeu, depois aos poucos voltei a falar com todos eles; menos com Pierre, mantive minha promessa de me afastar dele, eu tinha que tentar esquecer ele e de meu amor por ele, soube pelo David que eles tinham finalizado o DVD do show da MTV e, que estavam envolvidos no processo de produção do outro cd. Eu evitava pensar em Pierre, mas, às vezes eu perguntava dele para Jac ou pro Chuck. Eles me falavam que ele estava mal e, aquilo doía, mas, era bem feito para ele. Ele merecia sofrer um pouco (tanto quanto eu) demorou muito tempo, coisa de anos até eu conseguir ver, curtir e comentar nas fotos de Pierre. Mas um dia voltei a agir como fã; afinal eu era fã dele e fã da banda.
Minha vida tinha mudado muito depois que eu voltei para casa. Assim que eu cheguei do Canadá arrumei um trabalho em uma academia, dava aulas de dança e, ganhava um bom dinheiro. Depois me formei no curso que tinha começado no Canadá, e não terminei por motivos óbvios e, então passei a auxiliar estudantes que queriam fazer intercâmbio ou imigrar para o Canadá. Com esses dois trabalhos juntei uma boa grana somada ao dinheiro que ganhei no Canadá e, (que não gastei) dava para eu viver bem, Jason veio me visitar quando esteve no Brasil por causa de um trabalho, ele passou uma semana comigo. E que semana maravilhosa...
Numa noite o tinha saído para uma balada com um amigo e eu fiquei com Jason em casa, estávamos vendo um filme e bebendo cerveja. Já fazia um ano que eu tinha voltado para o Brasil e eu não tinha me envolvido com nenhum cara, bom nada muito sério só alguns beijos e tchau... então Jason e eu estávamos bem animados não sei se pela cerveja ou pela saudade que tínhamos um do outro. Afinal tivemos um relacionamento, Jason estava animado com muitos carinhos cheios de segundas intenções; me beijava a cada minuto e estava sendo gentil, e as coisas esquentaram entre a gente. Ele acabou na minha cama e no meu quarto... ele me beijava com carinho, percorrendo cada canto do meu corpo, meu pescoço, minha barriga e minhas pernas. Deitamos e, acabamos atravessados em minha cama e, ele totalmente em cima de mim com a mão bem no meio de minhas pernas, me acariciando com movimentos leves e cuidadosos. Com o olhar ele me pedia permissão... fiz que sim com a cabeça e ele continuou; bem devagar colocou dois dedos em mim e começou a me massagear de leve na minha intimidade, atingiu meu ponto mais sensível e eu gemi sem controle e, que delicioso... então ele desceu com beijos até o meio de minhas pernas e começou a me acariciar com a língua passava a ponta bem no centro de minha intimidade, as vezes com força e, as vezes de leve; passava o polegar em meu clítoris fazendo pressão e eu estava na lua. Que sensação maravilhosa.
E, puta merda eu estava no paraíso; Jason estava respirando forte e eu sentia ele totalmente excitado a ereção dele batia em cima da minha intimidade, achei justo retribuir aos carinhos, já fazia um ano que eu não via o Jason e, já fazia um ano que eu mal tinha encontrado um cara capaz de me satisfazer minimamente, eu estava excitada, frustrada sexualmente e com um homem para lá de gostoso na minha cama e a minha disposição. Sorri com esse fato, olhei Jason nos olhos, me ajoelhei em sua frente e o coloquei na boca, todo o pênis dele; o engoli até o fundo da garganta. Ouvi Jason gemer desesperado, ele tinha gostado, acho que, assim como eu, ele também estava com saudade dos nossos encontros. Continuei chupando Jason até ele me implorar com o olhar para parar, mas, não parei eu o chupava com força da cabeça até a base o masturbando com a mão, engolindo e lambendo fazendo movimentos de vai e vem com força, da cabeça até as bolas. Jason estava maluco. Gemendo bastante, nos deitamos direito na cama e, com certa pressa ele me penetrou. Senti um pouco de dor e um certo incômodo, ardia também mas não falei nada, não queria quebrar o clima; ele estava estocando com força e, entre as estocadas me beijava e dizia coisas sem sentido ou, que eu não prestava atenção, eu estava com saudades dele, do corpo dele, do contato dele, eu estava sentindo falta de um homem que realmente se importasse comigo... Jason me dava beijos com muito carinho, com os olhos alegres então ele sorriu e me falou entre uma estocada e outra:
- Você não faz ideia de como eu esperei por isso, como eu desejei isso... - ele acariciava meu rosto com adoração, beijava meu corpo com leveza totalmente ao contrário de suas investidas em mim que eram rápidas e fortes, ele realmente demonstrava sua saudade através de seu corpo, ele me beijava com admiração, afinal demoramos muito até ter a nossa primeira transa. E mais algumas estocadas Jason chegou ao orgasmo gemendo alto em meu ouvido, com mais algumas estocadas fortes eu acabei chegando ao meu orgasmo em seguida, totalmente satisfeita, feliz e saciada de uma maneira que não me sentia a algum tempo. Então Jason desabou ao meu lado na cama, exausto, mas com um sorriso gigante no rosto.
Depois de nossa primeira vez nossas noites foram muito mais interessantes, a semana toda a gente saia para algum lugar e, eu até fui com ele para o evento onde ele estava trabalhando e de lá fui para o hotel onde ele estava hospedado e, todas as noites a gente ficava e, todas as noites a gente transava e, meu Deus! Que homem. Ele era gostoso demais, forte, abusado, mas, muito carinhoso.
Nossa primeira transa foi incrível, mas, as outras foram ainda melhores. Ele gostava de ser bruto (mas nada abusivo, se eu falasse não ele parava na hora), ele tinha uma pegada forte e, às vezes até meio agressivo, mas, sempre respeitando minhas vontades ou meus limites. Sempre que eu falava não, ele aceitava e conduzia tudo de uma forma que desse prazer para nós dois. Mas, eu confesso... achava que seria algo mais espetacular, sempre achei que sexo era algo surreal; que eu iria me sentir nas nuvens e tal ou, que eu iria sentir as tão faladas borboletas no estômago, mas, nada disso aconteceu... não aconteceu com o pirralho que eu transei na escola quando tinha quinze anos; três anos antes de ir para o Canadá (sim eu tive minha primeira vez com um babaca qualquer...) e, não com o babaca do cara da faculdade com quem eu transei depois de uma noite de porre na festa do trote... E, tanto que o Jason me pediu para gente ficar junto quando eu estava no Canadá e, a idiota aqui com raiva do Bouvier vai lá, enche a cara e transa com o primeiro que aparece... aff. Minhas experiências com o sexo até o momento tinham sido desastrosas e, horríveis. Quando fui para o Canadá, já não era virgem, mas, era extremamente tímida o que fazia as pessoas tirarem conclusões erradas sobre mim, mas eu nem ligava. O Jason sabia sobre mim, mas ele não exigia nada. E, eu achava que por ter tido transas ruins com o Jason seria diferente, foi bom lógico, mas, nada extraordinário; talvez porque não era com ele que eu imaginava estar tendo uma noite maravilhosa de sexo picante. E, sim com o certo vocalista babaca de uma banda de sucesso por aí... não, eu não iria pensar em Pierre... não com o Jason sendo tão legal comigo. A semana passou voando e o Jason teria de voltar para Montreal.
No aeroporto antes dele embarcar nos despedimos com um beijo longo e cheio de desejo então me lembrei de uma coisa... perguntei para ele de meu diário, que eu não achava. Mas ele não sabia.
Os dias passavam rápido no Brasil eu saia com e os amigos dele, ficava com uns caras na balada e, as vezes ia para casa com algum, mas, nada muito significativo. Jason e eu nos falávamos sempre e até fazíamos chamada de facetime, chegamos até a fazer umas chamadas mais picantes; eu o provocava durante a ligação; descrevendo minhas roupas, minha lingerie ou, a falta dela... levava o celular quando eu ia tomar banho para que ele me visse nua... tudo isso, ele em Vancouver e, eu no Brasil. Falta de sexo para os dois só podia dar merda e, eu sempre pensava em como foi bom ter o Jason comigo, de eu ter decidido transar com ele... por que eu demorei tanto aliás?
foram dias cheios de descobertas, primeiras vezes em muitas coisas e, de muita alegria; ele me fez um bem enorme. Me fez sentir viva, alegre e feliz além de me fazer mulher, porque todas aquelas transas ruins nem poderiam ser consideradas sexo... Ah, se arrependimento matasse... Eu não podia acreditar que tive a minha primeira transa de verdade com Jason David Frank e o pior eu adorei! Um cara bem mais velho, mais experiente que eu e, que me ensinou muitas coisas... me ensinou que sexo oral é bom para caramba, mas, isso eu já sabia; que é melhor fazer do que receber (apesar de eu adorar receber) o Jason é um homem de tirar o fôlego, ele já tem 38 anos e eu no auge dos meus 23, perto do JD eu era uma menina babona, mas ele nem se importou estava bem feliz em me ensinar as coisas... me ensinou do que ele gostava e me mostrou do que eu devia gostar. E que delícia de professor ele foi. Nossos quinze anos de diferença de idade não eram nada quando estávamos na cama, ele me tratava como uma princesa, e me dava muito prazer.
Algum tempo depois da visita de Jason, Seb me mandou mensagem falando que a banda faria um show no Chile; me avisando data, local e o hotel que ficariam, me ofereceu passe livre, mas, recusei. Queria conseguir os benefícios como qualquer fã normal (mas suspeitava de que eles fariam alguma coisa para me por para dentro - principalmente Chuck) no fim, fui para o Chile junto com ver a banda, peguei a grade e ganhei soundcheck. Era a hora da verdade, eu veria Pierre depois de anos e, seria difícil agir como uma fã qualquer. Eu amava demais aquele babaca, ter ele tão perto de mim de novo seria duro, iria doer de novo. Aproveitei a soundcheck, cantei, pulei e me diverti. Na hora das fotos, falei muito rápido com Pierre e sai de perto dele depressa; conversei muito com todos; matei a saudade de Chuck, Seb, David e Jeff falei com os amigos da equipe Chady, Franchie e Fred; aproveitei bastante. Já que, não parava de falar com Pierre, me mantive longe, tentando parecer indiferente. Mas a verdade é que doía ver Pierre tão lindo depois de tanto tempo.
O show não decepcionou, eles nunca decepcionavam; estava tudo lindo e incrível, show lotado. Uma hora e 40 minutos que passaram voando, o show acabou e eles foram embora, e que sensação horrível foi ver eles saindo do palco e indo para longe de mim...
se perdeu de mim e acabei indo para o nosso hotel sozinha se, quisesse ir no aeroporto se despedir deles teria que chegar logo, era bom dormir cedo já que, eles sairiam ainda de madrugada para o aeroporto. Pela agenda de compromissos da banda que Jeff tinha me passado eles iriam para a Indonésia logo, dali a algumas horas (sim eu sabia de tudo - mesmo sem querer) me falou que não quer ir no aeroporto e que achava melhor voltarmos para casa, concordei e, então decidimos descansar.
O show tinha sido lindo, mas, eu estava cansada física e emocionalmente; ver Pierre depois de tanto tempo me fez bem, mas, também me fez mal. Porque só me fez amá-lo ainda mais e, amar quem amava outra pessoa nunca era uma coisa boa. E com o coração doendo peguei no sono.

********************************

Amanheceu e, saímos do hotel no Chile; estávamos no aeroporto quando recebi uma mensagem de Chuck dizendo que, o show na Indonésia tinha sido cancelado e que a banda estava voltando para o Canadá. Era alguma coisa errada com o Jay, ele estava no hospital e, Pierre estava muito nervoso e preocupado. Quando li a mensagem gelei. Ah, meu Deus... Jay no hospital, o que será que tinha acontecido? Pedi para Chuck me manter informada sobre tudo e, então e eu embarcamos para o Brasil, mas, eu não conseguia parar de pensar em Pierre. Ele devia estar desesperado de preocupação com o irmão. Falei com das notícias sobre Jay e, do cancelamento dos shows. Então meu telefone tocou. Era Kate.
- Kate oi... quanto tempo. - disse feliz, tentando esconder a preocupação da minha voz.
- Oi, ... Ah, , o Jay tá no hospital e não se sabe o que ele tem... - Kate falava com a voz embargada, ela estava desesperada e, durante todo o tempo que eu estava longe ela nunca tinha me ligado, só falávamos por mensagem ou e-mail. Até aquele momento.
- Calma Kate, não vai ser nada... - eu tentava desesperadamente tranquilizar minha amiga.
- Logo os meninos estarão aí... - falei a primeira coisa que me veio na cabeça.
- Você os viu? - ela parecia desamparada e, eu desejei poder abraçá-la.
- Vi sim, Kate, eu estava no show. Eles cancelaram o último show e estão voltando para casa... fica tranquila. - Kate pareceu se acalmar e disse:
- Aah, , como eu queria que você estivesse aqui comigo... você faz tanta falta. - ela parecia segurar as lágrimas.
- É, Kate, eu queria estar aí com vocês, mas um dia eu volto. Por enquanto seja forte e, se precisar de mim a qualquer momento, é só ligar e, não se importe com o fuso horário, a hora que for eu vou estar aqui para você, ouviu?
- Tá bom, , muito obrigada de verdade, falar com você me ajudou demais. - Kate pareceu se tranquilizar e desligou.
Mas agora eu é que não estava tranquila. que me conhecia muito bem me encarou sério e disse:
- Conheço essa cara, Ferrari, o que você quer fazer?
- , vou esperar uma semana... se, eu não tiver notícias boas do Jay eu vou voltar para o Canadá e, ficar lá até que ele esteja bem. -contei minha decisão repentina.
- Ok, , concordo, até porque o Jay é seu amigo, mas, você sabe que ficando perto do Jay você vai ter que ficar perto do Pierre também? E perto do Jason? E eu sei que vocês andaram dormindo juntos por aí amiga... - falou e riu safado. Olhei para meu amigo e arregalei os olhos eu não imaginei que estivesse tão na cara.
- Ai, , sério que você viu isso? Gente! Que vergonha... - falei vermelha. sorriu.
- Ai, , deixa disso vai... aquela noite que cheguei da balada vi a porta do seu quarto trancada... vi cerveja na mesa e, vi o casaco do JD no sofá e vi o carro do Jason estacionado na frente de casa e, como já eram quase cinco da manhã. Imaginei que, vocês dois tivessem dormido juntos. Qual é, , o Pierre aprontou o cão com você, ele transa com quem quer e você ai acreditando em contos de fadas? Acorda amiga, se orienta... você fez muito bem em transar com o gostoso do Jason, ele é um baita sugar daddy. Aproveita, amiga, aproveita mesmo faz tudo que tiver vontade e, ainda esfrega isso na cara do Bouvier depois. Ele merece saber que perdeu você pro cara que ele tem mais raiva e, se ele saber que você transou com o JD antes de transar com ele aí é que ele vai ficar mordido de ciúme. - falava debochado. Sorri para meu amigo e falei:
- Coloca sugar daddy nisso, , o Jason é um baita homem, meu Pai e eu já fiz, eu já aprendi muitas coisas interessantes com o Jason; coisas interessantes e muito prazerosas... - falei e nós dois rimos. - Mas, voltando ao assunto mais urgente, sim, , eu sei que vou ter que ficar perto de dois homens que me tiram o juízo, mas, por meu amigo farei isso. O Jay precisa de mim. - respondi decidida e completei: - E tem mais, , se organize aqui... não sei quanto tempo vou ficar por lá dessa vez e, talvez eu não volte mais para o Brasil estou pensando em me mudar de vez para lá, então eu quero que você vá me encontrar no Canadá. No máximo, até o final desse ano entendeu? Vou arrumar uma casa para morar lá, e você vem morar comigo. Então, se vira, meu amigo. Porque aonde eu for, você vai, meu irmão de coração. - parecia em choque, mas, sorriu sem acreditar.
- Tudo bem, , é loucura, mas , as vezes é certo fazer coisas sem pensar, parar de ser tão racional. Mas, agora com essa sua ideia, eu sou capaz até de obrigar o Pierre a te amar. Você não existe, menina e, pela primeira vez está me dando ouvidos.
Durante o resto da viagem de volta para o Brasil combinamos tudo sobre a minha mudança de volta para o Canadá, sobre a ida do para lá em alguns meses; falamos sobre lugares que iríamos visitar juntos, sobre arrumar trabalho para ele, talvez o Jeff ajudasse, casa, trabalho, viagens e sonhos.
Era loucura, era precipitado, mas eu estava determinada a dar um jeito na minha vida.

**********************

Desembarcamos no Brasil e, eu falava com Kate, Seb, Jeff e até com Jonathan para saber sobre a saúde de Jay. Mas, infelizmente nenhuma mudança e, nada de melhoras, Chuck me falava que Pierre estava muito nervoso e preocupado que, estava se isolando no quarto que, mal se alimentava e, não falava com ninguém e, se saia do quarto era só para saber se Jay estava melhor. Sabendo disso tudo me desesperei; tomei minha decisão. Dez dias tinham se passado desde que eles tinham finalizado a turnê e voltado para o Canadá então, agora era eu quem voltaria. Pedi despensa das aulas da academia, vendi o carro, arrumei as malas e, me despedi de pela segunda vez em três anos. Embarquei rumo ao Canadá, de meus amigos da equipe da banda apenas Jacquelin sabia que eu estava voltando; assim que tomei a decisão de voltar para o Canadá mandei uma mensagem avisando e ela ficou bem feliz. No dia em que embarquei de volta para o Canadá avisei a Jacquelin que estava indo e ela ficou muito aliviada. Então falei com Jason e, ele disse que quando eu quisesse era só falar que ele viria me ver. Expliquei rapidamente o problema com a saúde de Jay e, Jason me entendeu, compreendeu o motivo da minha volta.
O voo foi demorado, não sei se pela minha preocupação com Pierre e Jay ou se, pelo medo de não ser bem recebida pelos meus amigos; era besteira minha, mas eu estava nervosa.
Eram oito da noite quando desembarquei no aeroporto de Montreal e a Jacquelin me esperava, como pedi ninguém sabia que eu estava de volta. Eu iria ficar hospedada na casa de Chuck e Jac (sim, eles estavam morando juntos agora - quase casados) Chuck tinha ficado na casa de Pierre, tentava tranquilizar o amigo e fazer ele comer qualquer coisa... sem sucesso. O caminho até a casa de Pierre foi tranquilo, Jac me contava como todos estavam. Louise, Réal e Jonathan tentavam ser otimistas. Pierre estava angustiado. Kate estava acabada de tristeza, 40 minutos de carro e chegamos à casa de Pierre.
Quando Jac estacionou eu vacilei, tanto tempo tinha se passado desde que eu tinha ido embora. Deixado tudo para trás... minha vida, meus amigos, um amor... e agora estava de volta. Caminhei até a porta da frente respirando pausadamente, a única vez que usei a porta da frente foi para ir embora, envergonhada, humilhada e triste.
Agora entraria pela porta da frente, quase três anos depois, mas, de cabeça erguida e outra pessoa. Totalmente confiante, segura de mim e tendo a certeza de que agora eu conseguiria tudo aquilo que eu sempre quis. Respirei fundo uma última vez e, entrei na casa de Pierre atrás de Jacquelin.

***************************

Estavam todos na sala, Louise, Réal, Jonathan, Kate e Chuck... Pierre não estava ali quando entramos, todos eles se viraram para a porta ao ouvirem nossa chegada. E, foi um alvoroço, quando me viram todos vieram me abraçar, me perguntar quando eu tinha voltado, todos estavam felizes em me ver. Louise e Kate estavam chorando, Jonathan com o olhar cheio de esperança, Chuck estava feliz e, aliviado, Réal parecia ter tirado um peso dos ombros.
Expliquei que eu tinha acabado de chegar e, que eu tinha voltado por causa do Jay; todos pareceram acreditar em mim, Louise me falava o que sabia até o momento, mas me olhava com o olhar cheio de esperança e sorria, dizia que Jay tinha passado mal durante um jogo de futebol da empresa do pai e, desde então, tinha sido internado para alguns exames, que até o momento estavam sem respostas. Louise me falava tudo quando de repente ouvimos barulho vindo do corredor. Pierre tinha saído do quarto, ele estava horrível, com olheiras, com o cabelo bem comprido e mais magro. Pode parecer loucura, mas, ele tinha mudado em dez dias... todos na sala ficaram em silêncio. Esperando alguma reação minha ou de Pierre.
Quando Pierre me olhou, demorou alguns minutos para ele assimilar que era eu quem estava ali. E, tudo aconteceu muito rápido. Pierre focou o olhar em mim, veio em minha direção, parou em minha frente, tremendo e me abraçou. Um abraço apertado, dava para sentir a dor dele naquele abraço, o sofrimento, a tristeza, a angústia... Eram tantos sentimentos juntos que eu precisei lutar contra mim mesma para não dar um grito de desespero.
Eu estava de frente para todos na sala, Louise olhava para nós encantada, Kate e Jac sorriam em meio as lágrimas, Réal e Jonathan não acreditavam no que viam e Chuck me olhava e balançava a cabeça de forma positiva. O abraço de Pierre dizia muita coisa, dizia que ele estava sofrendo, dizia que ele estava desesperado e sem rumo, que ele estava sozinho... ele me abraçava e respirava com força, como se dependesse de mim para se manter de pé e como eu poderia negar a ele aquele abraço? Como não estar com ele, quando ele mais precisava de mim? Eu sei, que ele não merecia nada de mim e, eu tinha todo o direito de afastá-lo de me negar a ajudar, mas, eu não tinha coragem de deixar ele sofrendo sozinho por causa do irmão, não tão sozinho, afinal ele tem a família. Mas, se minha amizade e meu abraço era o que eu podia dar para Pierre, era o que ele teria de mim. Eu ficaria por perto o tempo que eles precisassem de mim, cuidaria de tudo, faria isso por Jay. Faria isso por Pierre.

****************************

Afastei Pierre de meu abraço e o encarei, ele me olhava com o olhar cheio de dor, tristeza e muitas outras coisas que eu não tinha certeza do que eram. Para acalmar meu coração apertado disse tentando manter a voz normal:
- Pierre, há quanto tempo você não come nada direito? - perguntei e, ele pareceu sem acreditar, abaixando a cabeça. Louise que nos olhava tentava conter um sorriso em meio as lágrimas. - Pierre? - insisti já irritada esperando no mínimo uma resposta verdadeira da parte dele.
- Não me alimento bem desde que voltamos e eu soube do Jay... - ele finalmente falou com a voz extremamente baixa.
- Como assim? - explodi muito irritada, ele iria morrer de fome se continuasse daquele jeito...
- Você não come nada direito há dez dias? Ok, isso acaba agora... - quase gritei. - Ou, você começa a comer e a se cuidar ou eu vou embora agora e, dessa vez para sempre... entendeu?
Pierre arregalou os olhos, assustado, ele parecia em choque. Me virei de costas para não ver o sofrimento nos olhos dele e, dizendo isso muito irritada com Pierre puxei o celular do bolso. Discando o número de cor.
- Alô... Jeff?...
- ? É você? – Respirei fundo.
- Sim. Sou eu, estou de volta e aqui na casa do Pierre. Por favor, Jeff, mande para cá aquela sopa de legumes... - contei mentalmente. - Mande dez porções e, por favor, me traga um Poutine. - pedi sorrindo e, vi um leve sorriso no rosto de Pierre. Ah aquele sorriso mesmo tímido ainda me desarmava inteira. Respirei fundo focando na voz de Jeff no telefone.
- Ok, , você está de volta mesmo? Posso ir entregar? - Jeff falava todo alegre.
- Ok, Jeff, pode vir. - sorri estava com saudade da empolgação de Jeff.
- Sim, estou de volta... - eu tentava falar, mas, Jeff me interrompia.
- Quero muito te ver, menina. - Jeff falava e ria no telefone, eufórico.
- Quero te ver também. - eu já estava sorrindo para o telefone pela animação dele. Mas completei de forma séria: - E Jeff, por favor! Por favor... – implorei. - Sem alarde sobre a minha volta. A casa do Pierre já tá bem cheia e ele não está com cabeça para aguentar bagunça. - pedi.
- Ah, beleza, , pode deixar nada de bagunça. 0 Jeff falou e riu. Eu sabia que ele nem ia me ouvir, mas, não custava tentar. Desliguei.
Cinco minutos depois o celular do Chuck tocou indicando mensagem.
- Vish, , o Jeff falou no grupo da equipe que você está de volta. - ele me disse rindo.
- Porcaria, Jeff. - falei irritada, mas, rindo. Olhei na direção de Pierre e disse mais calma: - Enquanto o Jeff não chega com a comida, por que você não vai tomar um banho e se arrumar? - Pierre me olhava com dúvida; vendo seu rosto refletido em meus olhos, ele estava com medo, medo que eu fosse embora de novo e eu tinha medo por ele. Respirei fundo e falei tentando controlar a voz embargada pelas lágrimas que queriam vir com força total.
- Pode ir, Pierre, eu ainda vou estar aqui quando você voltar e, vou ficar aqui o tempo que você quiser que eu fique. O tempo que você precisar que eu fique... não importa o que isso me custe - respirei derrotada. Não adiantava mentir meus sentimentos todos sabiam de tudo.
Isso aconteceu com a família dele e os nossos amigos vendo tudo, mas, ninguém ligou; ouvindo minhas palavras e vendo que eu estava falando sério, Pierre saiu da sala indo para o quarto.

**********************

Passados alguns minutos depois que Pierre saiu Louise veio em minha direção:
- , muito obrigada, menina... - ela estava chorando. - Eu não sei como te agradecer, o Pierre estava isolado há dias e mal falava e, fazer ele comer então era impossível... Todos nós tentamos e nada. E então, você chega e com uma bronca faz ele voltar a comer. - ela falava chorando e rindo ao mesmo tempo, então Réal se aproximou de mim e falou com os olhos vermelhos... meu Deus, estavam todos chorando!
- , muito obrigado... o Pierre não merece nada de você mas, graças aos céus, você é uma menina de bom coração. - ele falava as frases e se interrompia tomando ar. E, então o pai de Pierre me surpreende: - Posso te dar um abraço?
- Claro. - respondi sem jeito. O pai de Pierre era muito reservado e isso era um gesto inesperado. Quando me soltou do abraço, vi que Real também estava chorando e, não só ele Kate, Chuck (disfarçadamente) e Jac. Respirando pausadamente falei: - Gente, calma, eu não fiz nada, só estou fazendo o que é certo.
- , você está fazendo muito, se for levar em conta tudo que você sofreu aqui. - Jonathan falou pela primeira vez, olhei para meu quase cunhado e falei:
- Ah, Jonathan, e não é o que a gente sempre faz quando ama? Coloca as necessidades do outro acima das suas próprias? – confessei. Ali estavam meus amigos, e a família do cara que eu ainda amava. Então para que mentir? Jonathan me olhava surpreso.
-Depois de todo esse tempo, ? - ele perguntou. Olhei no fundo dos olhos dele e falei:
- Sim, Jonathan, depois de todo esse tempo. E sempre, eu nunca deixei de amar seu irmão e acho que nunca vou deixar. Mesmo que isso me custe a sanidade.
Louise me olhava encantada, Réal sorria e, Chuck e Jac levantavam as mãos pro céu como quem diz: aleluia. Finalizei meu discurso e disse sendo bem sincera e realista diante da situação que eu sabia existir e se chamar Lachelle: - Mas, de nada adianta... enquanto o Pierre não estiver livre, de nada adianta, meu amor. Então, por favor, deixem tudo como está. Não quero nada de Pierre por pena ou obrigação se, ele tiver de ser meu será por vontade dele mesmo, ok? - todos ficaram quietos então, o assunto foi esquecido. Por enquanto.

*************************

Jeff chegou com a comida e todos sentamos na sala de jantar para comer, a essa altura chegaram Sebástien e David. Mas Pierre pareceu não se importar com a bagunça dos amigos, estávamos todos comendo e rindo, tentando deixar o clima mais leve e eu estava de olho em Pierre e por várias vezes ele parava de comer. Olhei séria para ele e falei:
- Pierre, se você comer eu vou comer fechado? Então, se você não comer eu também não vou. - apontei de mim para ele e entre nossos pratos de sopa para dar ênfase ao que eu falava e, com isso a zoação na mesa foi geral. Com todos fazendo piada, mas Pierre nem ligou e, por incrível que pareça. Ele sorriu.
E Louise pareceu conter um enorme sorriso, talvez porque Pierre não sorrisse à dias e assim continuou a comer.
E foi em um clima de quase alegria minha primeira noite de volta ao Canadá, com todas as pessoas que eu amava e sentia tanta falta.

*************************



27. Você me faz continuar aguentando firme

Eu queria tanto poder ficar, ir para o Brasil atrás da , mas, tinha que terminar a turnê. E, então tudo muda...
Recebi uma ligação de casa, mamãe estava desesperada... Jay estava no hospital. Como assim, meu irmão no hospital? Avisei aos produtores a organização e aos caras e a decisão foi tomada. Cancelamos o show e embarcamos no primeiro voo de volta para o Canadá. Eu sabia que o Chuck estava falando com a , ele tinha avisado para ela sobre o Jay, em todos esses anos tendo voado pelo mundo por horas, nenhum voo foi tão longo como esse da Indonésia para o Canadá, eu estava com o coração apertado e preocupado.
Chegamos em casa e o estado de Jay era instável. Há alguns dias, Jay tinha passado mal, logo que viajei e, isso já fazia uma semana, há uma semana meu irmão estava no hospital e, eu sem saber de nada! Mamãe demorou para me avisar, segundo ela não queria me preocupar ou atrapalhar meu trabalho mas, a saúde do Jay é tão importante quanto meu trabalho! Eu estava irritado, preocupado, sem chão...
Então, o estado de Jay estava sem mudança e nada de melhoras e, eu estava muito nervoso e desesperado eu estava me isolando no quarto; eu não comia direito a dias e não falava com ninguém. Eu só saia do quarto para saber se Jay estava melhor, eu não aguentava mais ficar na sala com todo mundo. Mamãe e papai estavam preocupados, Jonathan estava angustiado e Kate mal se aguentava de tão triste. Ver aquilo me fazia sentir um nada... eu me sentia incapaz, impotente e um inútil.
Dez dias tinham se passado, desde que a turnê acabou e voltamos para casa e, Jay estava na mesma. Os médicos faziam exames e, não descobriam nada. Estavam pensando em transferir o caso dele para um hospital a 40 minutos de casa. No centro de Toronto, Chuck estava o tempo todo comigo e, como eu sou grato a meu amigo, e a Jacquelin também. Ela estava ajudando mamãe e Kate, cuidando de algumas coisas.
- Ah, meu Deus, como eu queria que a estivesse aqui! Como eu sentia falta dela...
Jac disse que precisava sair um pouco, mas, que logo voltaria. Me tranquei no meu quarto e peguei no sono, já era noite quando acordei com um barulho vindo da sala, levantei e fui ver o que era. Alguém tinha chegado em casa, talvez a Jacquelin tivesse voltado da rua ou os caras tinham passado para me ver. Mamãe falava com alguém, contando a mesma história dos últimos dias e, eu não aguentava mais ouvir.
Quando eu já estava quase na sala, escutei uma voz que eu achei que nunca mais ouviria em minha casa e, sem acreditar entrei com tudo na sala. Todos na sala ficaram em silêncio quando me viram e, então eu a vi. Demorou alguns minutos para eu entender que ELA estava ali, a tinha voltado e tudo aconteceu muito rápido. Eu a olhei com intensidade e, sem pensar muito fui em sua direção; parei em sua frente, tremendo e a abracei.
Um abraço apertado, eu estava angustiado, desesperado, me sentindo muito sozinho, com medo por meu irmão, eu tinha medo do que poderia acontecer, medo por mim, medo por meus pais. Eu precisava da , eu pedia aos céus para que ela voltasse e, agora ela estava ali. De volta e, em meus braços. Eu não me importava que todos na sala estavam nos vendo, a única coisa que eu precisava era ficar com a , nem que fosse por alguns minutos.
Eu não acreditava que a estava mesmo aqui, eu tinha sido um idiota com ela e, mesmo assim ela estava aqui! Eu não merecia nada, merecia apenas desprezo, mas, a não era assim... ela era melhor. Eu sabia que a estava de volta por causa do Jay, mas, eu já era muito agradecido. Meu irmão tinha bons amigos e a era uma dessas amigas, eu estava me sentindo até um pouco mais esperançoso com a por perto.
As coisas iriam funcionar melhor, ela ajudaria minha mãe, cuidaria de meu pai e, me apoiaria. Porque eu sabia que, mesmo eu não prestando; sendo um idiota com ela, mesmo assim a nunca me negaria ajuda. Eu acho...

***************************

Eu não queria me afastar do abraço da , eu a olhava querendo falar tantas coisas, mas, minha voz não saia... com meu olhar triste me afastou, será que era agora que ela iria me xingar ou dizer que eu não valia nada? Ela me olhava assustada, talvez por meu estado. Mas então, ela me surpreendeu e perguntou o que eu não esperava:
- Pierre, há quanto tempo você não come nada direito? - falou irritada e eu fiquei confuso e, sem acreditar. Ela estava preocupada comigo? Fiquei sem graça, aquela menina era de outro mundo.
- Pierre? - ela insistiu brava, achei melhor não mentir para ela.
- Não me alimento bem desde que voltamos e eu soube do Jay. - falei, não ia adiantar inventar meias verdades, mamãe me entregaria. Então, ficou muito irritada e gritou comigo.
- Como assim? Você não come nada direito há dez dias? Ok, isso acaba agora... - ela falava me olhando sem acreditar e, me ameaçava, com essa eu me apavorei. Ela não podia ir embora de novo. - Ou você começa a comer e a se cuidar direito ou eu vou embora agora e dessa vez para sempre. - a bronca da girava em minha cabeça sonolenta e mal alimentada. E, depois de quase me fazer ter um treco a faz uma ligação.
Liga para o Jeff e pede comida para todos e, um poutine para ela. Tive que sorrir, era lindo ver como ela amava comer sem culpa ou preocupada com dieta, ela era espontânea e linda do jeito dela. Ela respirou fundo em uma briguinha boba com Jeff mas, eu sabia que em 30 minutos minha casa estaria cheia com meus amigos, tudo por causa da .
Cinco minutos depois o celular do Chuck toca.
- Vish, , o Jeff falou no grupo da equipe que você está de volta, ele disse para nós. - sorriu... Ah, como o sorriso dela estava me fazendo bem. Ela olhou para mim e me pegou de guarda baixa de novo. Ela chegou há algumas horas e já sabia exatamente como eu estava me sentindo e, do que eu precisava. Ela me encarou e disse séria:
- Enquanto o Jeff não chega com a comida por que você não vai tomar um banho e, se arrumar? - eu estava com medo, com dúvida, vendo meu rosto e meu medo, eu pude perceber que algo nela estava diferente, ela também sentia medo, mas, ela era forte... mais forte do que eu jamais seria. Ela respirou e disse o que eu mais queria ouvir: - Pode ir, Pierre, eu ainda vou estar aqui quando você voltar e, vou ficar aqui o tempo que você quiser que eu fique, o tempo que você precisar que eu fique, não importa o que isso me custe. - parecia exausta, meus pais estavam mudos, mas, eu podia sentir a alegria na sala mesmo eu estando de costas. Mamãe estava feliz por mim. Vi nos olhos dela que era verdade, ela não iria embora, ela não me deixaria.
Por mais que eu só merecesse o desprezo ou, o ódio de ela ficaria comigo, será que ela ainda sentia algo por mim? Saí da sala e fui para o quarto, com esse pensamento e com o coração cheio de esperança, muito mais feliz do que já estive em meses.

************************

Tomei um banho rápido e voltei para sala, não queria perder um minuto que fosse ao lado da , quando voltei Jeff já estava em casa, junto com Seb e David e estava aquela festa. Por mais que eu não estivesse com cabeça, foi bom ver todos rindo e brincando, meus pais e Jonathan estavam mais leves e até Kate estava mais animada, mas, percebi que a não tirava o olhar de mim. Eu estava enrolando com a comida, não queria comer, me sentia enjoado e a brigou comigo. Como se eu tivesse dez anos e não quase 34.
- Pierre, se você comer, eu vou comer fechado? Então, se você não comer eu também não vou. - ela disse me olhando séria. E, a mesa explodiu....
- Wow, Pierre, levando bronca da . - Jeff berrou.
- Iihh, Bouvier, vai ter que comer tudinho se não fica de castigo. - David zombava, mas, eu nem me importei.
Sentia vontade de sorrir, mesmo com medo eu sorri. A conseguia trazer alegria, esperança e um pouco de paz para meu coração tão angustiado. Mamãe ao me ver sorrindo de leve, sorriu junto. Ela, mais do que qualquer um ali na mesa, sabia como eu estava sofrendo por causa da , por causa do Jay e, por tudo que tinha acontecido.
Então, mamãe que me conhecia tão bem quanto Jay sabia como eu estava feliz e, aliviado. A volta da seria decisiva para muita coisa e, agora talvez minha vida fizesse algum sentido. Continuei a comer e, para minha surpresa eu estava com muita fome, as brincadeiras continuaram e eu tinha me decidido. Iria ver Jay no hospital.

************************

Estava tarde e, todos já tinham ido embora. Então, Chuck falou olhando para o relógio:
- , acho melhor irmos, você deve estar muito cansada da viagem, amanhã voltamos. - e olhou de para mim. estava se despedindo de papai e Jonathan e, eu estava entrando em pânico. Não queria que ela fosse embora... Mas espera, o quarto da estava intocado desde que ela foi embora, estava limpo e arrumado. Sim, eu mantive o quarto dela em casa. Graças a ajuda de mamãe e, a chave estava na minha carteira, então tive uma ideia maluca. Eu precisava que ela ficasse em casa comigo.
- , fica aqui, por favor... - falei em dúvida e, segurei em seu braço. Eu achei que ela fosse tremer sob meu toque ou se afastar de mim, mas não. Ela estava firme e não me afastou. Apenas olhou para mim e para minha mão em seu braço, a encarei implorando com o olhar e a soltei. respirou fundo pela milésima vez naquela noite, me olhou e disse:
- Eu não acho que seja uma boa ideia, Pierre, sua noiva pode não gostar de me ver aqui... - não disse "noiva" com raiva de mim, só disse, sem emoção, sem reação... parecia gelada. Me apressei em explicar:
- Não, , a Lachelle não está aqui, ela está viajando e, só volta em três semanas, você pode ficar aqui se quiser, o tempo que você quiser, seu quarto está arrumado e, a casa é minha. Eu decido quem fica ou não, então você é bem vinda se quiser. - falei com esperança de que a aceitasse ficar. olha para mamãe e papai que estavam quietos, mas, vejo pela visão periférica Jonathan fazer um sim com a cabeça.
estava em dúvida, mas então olhou de mim para Chuck e falou:
- Por favor, me ajuda com as minhas malas? - Chuck e Jonathan saíram e, trouxeram as coisas de e, eu estava muito feliz. A ficaria em casa afinal. Eu ajudei Jonathan a levar as malas dela para o quarto e quando voltávamos ela já se despedia de Chuck e Jac. Meus amigos foram embora e, eu estava absurdamente feliz. Entreguei nas mãos de a chave do quarto dela, ela respirou fundo e, me olhou com intensidade e tocou meu rosto com a ponta dos dedos e disse:
- Boa noite, Pierre - e entrou em seu quarto. Eu não dormia bem há dias, mas, com a em casa. Eu teria um pouco de paz.

**************************************************************



28. Se você cair, eu te levantarei do chão

Eu estava cansada física e emocionalmente, estava pesado demais ver o sofrimento de todos, eu queria poder descansar um pouco, mas, dependia de Chuck. Queria poder ir ver o Jay no hospital e, eu precisava estar bem e de olho em Pierre ao mesmo tempo, Chuck já estava quase indo para casa então, eu já estava me despedindo de todos.
Pierre estava angustiado, com o olhar inquieto... ele olhava de mim para o corredor e, então ele me pediu para ficar dizendo as palavras sem saber como eu reagiria.
- , fica aqui, por favor... - ele segurava meu braço e, graças ao anjo por esses quase três anos longe, eu conseguia me controlar melhor agora, eu não tinha mais crises de tremores ao ser tocada por ele. Apenas meu coração sofria. Me mantive séria e deixei que Pierre me tocasse, mas, olhei para ele e então ele se afastou.
Eu queria ficar, sabia que ele precisava de mim, mas, eu não queria ter que lidar com aquela garota se, ela me ofendesse eu não iria deixar passar. E, Pierre não precisava de mais problema agora, falei que não achava uma boa ideia, mas, Pierre estava angustiado. Ele me queria ali, mesmo que fosse só por estar perto; ele me disse que a tal da Lachelle estava fora... (É brincadeira! Quando ele mais precisava dela e, aquela garota viajando? Três semanas longe!).
Ah, aquela garota iria me pagar! Pierre me disse que eu poderia ficar se, eu quisesse e, que meu quarto estava arrumado e limpo... espera, Pierre tinha mantido meu quarto intocado por quase três anos? Isso era loucura. Olhei séria para todos. Pensando no que responder; com certeza Louise e Réal queriam que eu ficasse. E, eu tive a certeza quando Jonathan me pediu silenciosamente com o olhar. Eu estava em dúvida, mas, por mais que minha cabeça gritasse NÃO! Meu coração dizia SIM... Pierre precisava de mim e, era onde eu ficaria.
Chuck e Jonathan trouxeram minhas coisas e Pierre ajudou o irmão mais velho a levar as malas para o quarto. Me despedi de meus amigos e, então Chuck disse em meu ouvido:
- , você fez bem em voltar e em ficar aqui com o Pierre. Ele precisa de você e, só você pode fazê-lo ficar melhor. Então obrigado.
Jacquelin que ouvia a tudo me abraçou apertado e disse:
- Força, , você não está mais sozinha. Estaremos com você, todos nós. - queria perguntar do que eles estavam falando, mas, não pude. Pierre e Jonathan estavam voltando, Pierre estava com o olhar mais feliz, ou era impressão minha, não sei... Jac e Chuck vão para casa, Louise e Réal já tinham ido dormir; assim como Kate e Jonathan eles estavam ficando na casa de Pierre (por ser mais próxima do hospital) então ficamos Pierre e eu na sala. Fiquei sem reação não queria conversar assuntos inacabados agora. Estava cansada, Pierre talvez percebendo meu estado tirou uma chave da carteira e me entregou. A chave do meu quarto. A mesma que deixei na mesa da entrada quando fui embora, quase três anos atrás... espera ele andava com a chave do meu quarto na carteira durante todo esse tempo? Respirando com dificuldades, eu olhei no fundo dos olhos de Pierre e, vi tantas coisas ali. Dor, tristeza, esperança, fé e até uma pontada de alegria.
Busquei coragem do fundo da alma e, toquei no rosto de Pierre muito de leve desejei um boa noite e me tranquei em meu quarto.
Precisava pensar, lutar e, resistir à tentação de estar tão perto de Pierre outra vez.

***************************

Em meu quarto realmente estava tudo arrumado e, para minha surpresa meu diário estava em cima da cama. Meu diário ali? Do mesmo jeito que deixei? Não lembrava de ter deixado ele ali... peguei o diário e abracei, como sentia falta dele. Meu confidente de tantas coisas... larguei o diário e, comecei a andar pelo quarto. Meu mural de fotos com Pierre, com a banda, com as meninas... meu computador, notebook, máquina fotográfica, meu frigobar. Tudo estava intocado, tirei a roupa e me joguei em minha cama; como senti falta de tudo aquilo.
Acabei dormindo, sem tomar banho ou me vestir.


***************************

Acordei cedo, preparei café da manhã para todos. Eram oito da manhã e, Pierre foi o primeiro a acordar; ele chegou na cozinha e eu estava terminando de arrumar a mesa. Ele me olhou com os olhos brilhando. Era tão lindo ver um pouco de luz no rosto dele que, eu confesso que vacilei.
- Bom dia, Pierre. - disse o olhando. Como eu estava com saudade de ver ele acordar, mas, ele estava tão abatido.
- Café? - perguntei oferecendo uma xícara para ele.
- Aah, como eu estava com saudades do seu café, . - ele me disse e, sorriu, o meu sorriso favorito. Meu coração erra o compasso da batida, mas, me controlei. E, para me recuperar mudo de assunto:
- Então, Pierre, como está a situação do Jay?
- Ah, , os médicos não sabem ainda o que ele tem, mas hoje na visita acho que já saberemos de alguma coisa. - me explica o mesmo que Louise tinha me falado antes.
- Então, Pierre, se não tiver problema eu gostaria de visitar o Jay hoje. Posso? - perguntei já que não sabia se a visita era restrita só à família.
Pierre me olhou, espantado.
- Claro que você pode ver o Jay no hospital, ! Que pergunta... aliás, se ele estiver acordado ele vai ficar muito feliz por te ver. - Pierre falou animado.
- Ele está em coma? - perguntei assustada. Disso eu não sabia.
- Sim está, induzido, mas sim... - Pierre me disse apreensivo. De repente ouvimos barulho vindo do corredor. Todos estavam acordados agora: Louise, Réal, Jonathan e Kate.
Louise me abraçou, Real beijou Pierre, Kate me jogou um beijo no ar e, Jonathan me abraçou apertado e Real me implorou por café - com isso todos nós rimos - sentamos e comemos; pão, frutas, panquecas e queijos. Conversando assuntos aleatórios durante o café. Real e Jonathan tentavam saber se eu ficaria no Canadá de vez, não dei uma resposta exata apenas disse que ficaria o tempo necessário. Pierre me olhava com atenção; ouvimos a campainha e Kate foi atender a porta. Eram Jac e Chuck, chegaram cumprimentaram a gente e acabaram sentando e tomando café também. Quando estávamos saindo para o hospital nos dividimos em dois carros: Pierre, eu, Louise e Réal no carro de Pierre. E, Chuck, Jacquelin, Jonathan e Kate no carro de Chuck.

No carro de Chuck:

- Hey, Chuck, você acha que a vai ficar quanto tempo aqui no Canadá dessa vez? - Jonathan perguntou.
- Olha, cara, não sei. A sofreu muito, mas, eu sei que ela ama muito seu irmão. Só depende dele para tudo dar certo ou, dar muito errado. De novo. - Chuck falava sério. Então Jac respondeu, meio irritada:
- Olha, gente, eu conheço a , ela ainda ama o Pierre e, eu arrisco a dizer que nunca deixou de amar. Então, ela vai fazer de tudo por ele. Até enfrentar a louca da Lachelle.
- Nossa, verdade, as duas não se suportam e, quando a Lachelle souber que a voltou, não vai prestar. - Kate completou.

No carro de Pierre:

Louise e Réal já esperavam no banco de trás do carro: Que era uma picape corset land cruiser da Toyota, que eu sabia, Pierre tinha comprado há uns bons anos e, só agora tinha resolvido restaurar; a picape era linda e, estava perfeita como se tivesse acabado de sair da loja em pleno ano de 1989, era o brinquedinho dele, e, ele não deixava ninguém dirigir aquele carro com exceção talvez de seu pai. Quando já estávamos para sair Pierre me olhou e, me surpreendeu:
- Quer dirigir, ? - parei assustada pela pergunta repentina. Olhei para ele e disse segurando um sorriso, e sem acreditar que ele iria mesmo deixar eu dirigir o carro dele.
- Como você sabe que eu sei dirigir? - desconversei.
- Me diz você. - me encarou com o olhar desafiador e colocou a chave do carro em minha mão. Abri meu melhor sorriso e falei entrando do lado do motorista:
- Se eu estragar seu carro não reclame depois. - disse provocando. Eu jamais faria algo para se quer estragar minimamente aquela beleza de carro.
Pierre ergueu a sobrancelha e disse:
- Confio em você. - e, assim em tom de provocações, saímos rumo ao hospital.
Louise e Real apenas ouviam nossa briguinha boba e sorriram.

****************************

Pierre ia me dizendo o caminho, enquanto conversava com o pai. De repente Louise disse:
- Nossa, , você está dirigindo bem. Quase três anos longe e você não esqueceu. - sorri para ela pelo retrovisor e, sem tirar o olhar da estrada respondi:
- Eu não esqueci por dois motivos: Eu já estava dirigindo quando fui embora. - quando falei isso percebi Pierre tenso ao meu lado. - E segundo: Eu também aprendi a dirigir no Brasil então acho que ajudou. E mesmo as regras brasileiras sendo diferentes das do Canadá eu nunca esqueci porque meu coração sempre esteve no Canadá - falei sem pensar. - Então eu não esqueceria nem que eu quisesse. - completei. E Pierre sorriu, um sorriso largo, lindo e tão espontâneo. Percebi que falei demais e me calei.
O caminho para o hospital foi assim, meio silencioso e, meio estranho. Todos estavam tensos, mas, nada impossível de lidar. Quarenta e cinco minutos depois, chegamos ao hospital.
Jac e Chuck já estavam lá, chegaram pouco antes de nós. Réal e Louise foram falar com o médico responsável pelo caso de Jay, enquanto isso ficamos esperando na recepção. Eles demoraram lá dentro e, então Pierre e eu fomos autorizados a ver o Jay.
A enfermeira nos deixou entrar, mas, só por cinco minutos e, com roupas especiais. Pierre estava angustiado e tenso de novo, as mãos dele tremiam de leve. Jay estava deitado, cheio de tubos, muito magro e pálido. Quando cheguei perto Jay abriu os olhos, forçando a visão, ele me reconheceu:
- Hey, ... você de volta... – tossiu - É bom te ver, cunhada... – tossiu e brincou como fazia quando queria me ver tímida. Sorri segurando às lágrimas. Não podia chorar agora.
- É, Jay, voltei, para te derrotar no Mario Kart assim que você sair daqui. - provoquei.
- Que nada, . – tossiu. - Você voltou por causa do cabeça dura do meu irmão caçula. - Jay falava com dificuldade, mas, falava a verdade. É, ele me conhecia bem. Fiquei sem graça e falei fingindo estar brava com ele:
- Fica quieto, Jay. - briguei rindo. Pierre que estava quieto falou com preocupação na voz:
- Hey, Jay, não se esforça. Você pode zoar a quando sair daqui. - sorriu.
Jay ao ver o irmão sorrindo me olhou e disse respirando com muita dificuldade:
- ... por favor, cuida do meu irmão... - muita tosse e falta de ar, olhos revirando e silêncio...
E, ao dizer isso os aparelhos do quarto começaram a apitar loucamente e Jay ficou inconsciente.
De repente os médicos entraram correndo e nos tiraram do quarto.

***************************

Já tinha se passado uma hora desde que saímos do quarto de Jay e, nenhum médico tinha vindo falar com a gente. Kate e Louise choravam, Jonathan e Réal tentavam saber notícias, Jacquelin avisava a todos, Chuck cancelava os compromissos da banda daquele dia e Pierre estava angustiado. Andando de um lado para o outro, inquieto e nervoso e, eu do lado dele tentando fazer ele ficar calmo. Em meio ao meu desespero eu murmurava palavras de desculpas:
- Pierre, me desculpa, eu não devia ter entrado para ver o Jay. Ele se emocionou por me ver, é tudo minha culpa... - Pierre parou no meio da recepção do hospital, me encarou e disse:
- Sua culpa? De quê? Você só fez bem em visitar o Jay, não foi nada por sua causa. A saúde dele é que está frágil. - Pierre me encarou com o olhar beirando a insanidade. E que vontade eu tinha de abraçar ele e tirar toda aquela dor.
Depois de um bom tempo esperando, o médico vem acompanhado de Jonathan e Réal e, então o que o médico disse faz o mundo desabar sobre nós.
- As notícias que tenho não são boas. - começa o médico devagar. - O quadro de Jay é sério. Quando ele veio aqui há umas três semanas nós o examinamos e mandamos que ele voltasse para casa, mas, hoje os exames médicos ficaram prontos e, aconteceu que o caso dele evoluiu para um diagnóstico de linfoma. - o médico falou com cuidado. Mesmo em choque minha cabeça trabalhava a mil.
Louise e Réal se abraçavam chorando, Kate estava em choque, Jonathan e Chuck estavam próximos e sem acreditar no que o médico falou e, Jacquelin tentava ajudar Kate que parecia prestes a desmaiar. E, então meu olhar foi direto em Pierre, ele estava indo de encontro ao chão, caindo de joelhos em desespero. Meu corpo agiu antes mesmo da minha cabeça, em minutos eu estava do lado dele no chão, o impedindo de se machucar. Ele chorava muito, estava angustiado, desesperado, em choque e, tremendo.
- , meu irmão... não, ... o Jay não! - ele quase gritava.
- Por que? Por quê? - repetia entre soluços. Eu o abracei no chão onde estávamos e, deixei que ele chorasse. Mas meu coração estava destruído de ver o sofrimento dele, de ver o sofrimento de todos.
- Calma, Pierre, por favor... - falei com a voz embargada. - O Jay vai precisar de você, seja forte... - falava com ele, mas, eu mesma, estava assustada.
Nos arrastei do meio da recepção do hospital e, ficamos encostados na parede, Pierre colocou a cabeça em meu ombro e chorou. Ele chorava de soluçar, era desesperador de se ver; um homem adulto de praticamente 35 anos chorando feito uma criança pequena. E, era como eu me sentia naquele momento, pequena, eu me sentia incapaz, impotente por não poder fazer nada por ele. Então fiz o que eu podia no momento, eu só o abracei. Tentando com todas as minhas forças tirar aquela dor dele. Ele não merecia aquilo, Jay não merecia aquilo. Um diagnóstico daquele, como eu queria ser capaz de tirar o sofrimento de Pierre, de Jay, de todos.
Eu já tinha sofrido tanto. Eu aguentava sofrer mais, mas, eles não. Eles não mereciam isso e, ali no chão do hospital eu jurei para mim mesma, faria o que Jay tinha me pedido, cuidaria de Pierre, cuidaria de todos. Faria tudo que estivesse ao meu alcance para ajudar Pierre a passar por aquilo.
Os próximos dias seriam difíceis e, eu faria qualquer coisa para que Pierre passasse por isso sem maiores sofrimentos. Eu ficaria ao lado dele, estaria ali por ele. Enfrentaria qualquer coisa por Pierre.
Eu iria ajudar Pierre a se levantar, seria o apoio de que ele precisava.

****************************

Depois da notícia sobre Jay todos estavam assustados, apreensivos, um diagnóstico de linfoma nunca era fácil, passado o choque inicial e o desespero de todos, o médico tranquilizou Louise e Réal, mas, Pierre ainda estava angustiado. Já não chorava, mas, não saía de perto de mim. Segurava minha mão como se eu fosse um bote salva vidas e, eu não o afastei. Estaria com Pierre 25 horas do dia se ele precisasse de mim.
O celular de Pierre não parava de tocar, eram ligações de David, Jeff, Sebástien, Patrick e, dos caras da equipe. Produtores, imprensa. Pierre só falou com os amigos, me pediu para cuidar do resto então, eu atendia o celular dele. Falava com a imprensa. Reassumi meu lugar como assistente dele e da banda.
Não podíamos fazer nada por enquanto então, voltamos para casa de Pierre. Ele não tinha cabeça para dirigir então eu assumi o volante outra vez. O caminho de volta foi tenso, sombrio; Pierre segurava a cabeça entre as mãos e, puxava os cabelos. Larguei uma mão do volante e segurei a mão de Pierre para impedir que ele se machucasse. Ele me olhava com o olhar perdido... ele estava perdido, sem rumo, sem chão. E, ver ele daquele jeito me destruía por dentro.
Chegamos em casa e, Pierre se trancou no quarto. Louise e Réal o olharam desesperados, pedi com o olhar para que o deixassem. Por enquanto. Chuck e Jac tinham ido embora então, jantamos naquela noite, apenas eu, Réal e Louise.
Pierre não saiu do quarto, nem abriu a porta para ninguém. Um dia se passou e, nada... nem café da manhã, nem almoço, lanche ou jantar. Pierre não falou com a gente, nem com Jonathan. Dois dias...três dias e, nada.
Pierre não falou com Chuck, Jacquelin, Jeff ou David. Quatro dias tinham se passado desde que sabíamos da doença de Jay e, Pierre não se alimentava. Aquilo estava me angustiando, estávamos todos na sala. Então falei séria:
- Chegou! Louise, Réal, por favor, não se assustem com o que vão ver e ouvir agora. Mas vai ser preciso. - dizendo isso, saí em direção ao quarto de Pierre. Parei em frente à porta respirando fundo e, então gritei: - Pierre Bouvier! Abre essa porta agora! Se você não abrir eu vou derrubar com um chute e, você sabe que eu consigo fazer isso - praticava luta a alguns anos, era capaz de derrubar uma porta se precisasse. - Então ou, você me escuta e abre a porta por bem ou, você vai ter que comprar uma porta nova. Você tem cinco minutos para decidir. - comecei a contar. - Cinco... quatro... três... - então Pierre abriu a porta. Me olhava com tristeza, estava descabelado, com a barba comprida já que não era feita há dias e ainda mais magro. Quatro dias sem comer cobrava seu preço. Entrei no quarto de Pierre, deixando a porta meio aberta para que todos escutassem da sala.
- Olha, Pierre, chega disso, você precisa reagir. Você tem que estar bem, o Jay vai precisar de você... todo mundo está sofrendo e, lidando com isso. Você é forte, precisa se levantar e lutar. - falei irritada.
Pierre estava angustiado, mas, me ouviu calado. Então ele me disse com raiva na voz:
- Reagir, ? Como eu posso reagir vendo meu irmão naquele estado? Eu sou um nada! Não posso ajudar meu irmão, não posso ajudar meus pais! Estou falhando com meus amigos e com meu trabalho. - gritou.
- Você acha que é o único que está sofrendo aqui, Pierre? Vejo sua mãe chorar escondida nos cantos, seu pai mal dorme, Jonathan está correndo como um louco para cuidar de tudo, a Kate parou de trabalhar e não sai do hospital, os caras estão cumprindo todos os compromissos da banda sem você, e eu estou lidando hora após hora com milhares de fãs ao redor do mundo preocupados com você. Sem contar a imprensa! Eu já passei por isso, Pierre, ou você acha que é fácil perder pai e mãe e, ficar sozinha no mundo antes dos dezessete anos? - gritava para Pierre agora e, ele me olhava em choque. Ótimo ele precisava acordar, ele não era o único que já tinha passado por problemas na vida. Pierre precisava ter um choque de realidade mesmo que para isso eu tivesse que reabrir velhas feridas. Continuei: - Eu sofri depressão, Pierre, eu tentei suicídio... Sabe o que me ajudou? Você! Sua música, a banda! - berrei.
- Você é um formador de opinião, Pierre, você inspira jovens, crianças e adultos. Então, por favor, Pierre, por sua família, por seus amigos, por seus fãs. Reage! - acabei de falar e percebi que estava chorando. Minhas pernas estavam bambas então, me deixei desabar no chão.
Pierre estava calado, mas, veio em minha direção. Se jogou no chão ao meu lado e, me abraçou apertado. Beijou meus cabelos e ficamos assim por um tempo, Pierre me pediu alguns minutos e eu saí do quarto dele. O deixando sozinho.
No corredor, me deixei desabar de novo e chorei, chorei tudo o que estava segurando nos últimos dias. Jacquelin foi ao meu encontro e me levou para a sala, todos estavam com a cara de espanto. Tinham escutado toda a briga afinal, mas, ninguém falou nada. Apenas me ampararam, me abraçaram e, me deixaram chorar.
Como bons amigos e, como a família que eram.

***************************************************



29. Choque

Eram oito da manhã e, eu não conseguia mais dormir, ouvi barulho na cozinha e, levantei. A estava fazendo café e, que saudade eu estava daquilo, da em casa, do cheiro de café. Eu me sentia bem, era estranho mesmo com tudo acontecendo meu coração estava leve. A me deu um bom dia e me entregou uma xícara de café, não consegui resistir. Sorri. Feliz como não me sentia a dias. A ficou levemente vermelha e, então tocou no assunto que eu não queria falar. Perguntou de Jay, expliquei a situação e ela se assustou. Perguntou se podia ver o Jay e eu respondi que sim. Era lógico que ela poderia, que pergunta mais sem razão.
- Claro que você pode ver o Jay no hospital, , aliás, se ele estiver acordado ele vai ficar muito feliz por te ver. - falei animado. Falamos do coma e, então o resto da casa acordou. E juntos tomamos café da manhã. O clima estava mais leve; mamãe, Kate e Jonathan estavam mais otimistas e, até papai estava fazendo brincadeiras, pedindo por café e fazendo todos rirem.
preparou um café maravilhoso, então Jonathan perguntou se ficaria no Canadá, prestei bastante atenção nessa parte da conversa, mas, ela respondeu evasiva que, ficaria o tempo necessário apenas. Então chegaram Jac e Chuck que acabaram tomando café com a gente. Assim que estamos todos prontos e organizados logo saímos para o hospital. Fomos em dois carros, decidi provocar a . Não sei por que fiz isso, mas, queria irritá-la e, queria saber se ela me falaria a verdade.
Mamãe e papai apenas sorriram ao ver a gente naquela briga boba.
- Quer dirigir, ? - perguntei olhando para ela com as sobrancelhas erguidas.
- Como você sabe que eu sei dirigir? - me respondeu segurando um sorrisinho.
- Me diz você... – provoquei e entreguei as chaves. Tomara que ela não ferre meu carro, acabei de mandar restaurar a picape... Penso preocupado, mas, a não faria isso. Não de propósito ou faria? sorriu e, me encarou. Ah, cara, puta que pariu! Que sorriso lindo. Então me respondeu abusada como só ela sabia ser:
- Se eu estragar seu carro não reclame depois. - arregalei os olhos, assustado, mas, disse:
- Confio em você. - porque era a mais pura verdade, naquele momento eu confiaria a minha vida a Ferrari.

****************************

Falei o caminho para e ela dirigiu sem dificuldades. Então mamãe a elogiou dizendo:
- Nossa, , você está dirigindo bem, quase três anos longe e você não esqueceu. - sorriu tímida e, me surpreendeu em sua resposta:
- Eu não esqueci por dois motivos: Eu já estava dirigindo aqui quando fui embora... - fiquei tenso, meu coração apertado só com a lembrança, então escutei o fim da explicação de bem no fundo de minha cabeça: - E, segundo: Eu também aprendi a dirigir no Brasil então, acho que ajudou. E, meu coração sempre esteve no Canadá. - disparou a falar e então se calou. Tensa.
Ela estava mudada; tinha mais controle sob as emoções. Disfarçava melhor, sem conseguir me controlar. Sorriu, um sorriso largo e feliz. não disse nada o resto do caminho, mas, mamãe sorriu no banco de trás do carro. Ela com certeza estava vendo coisas que, eu sendo tão tapado, não via.
Chegamos ao hospital. Jac e Chuck já estavam lá, chegaram pouco antes de nós, meus pais foram logo falar com o médico. Então e eu vamos ver Jay, seria rápido, mas, seria bom ver meu irmão. Eu estava nervoso, fazia dias que Jay não acordava do coma. E, então quando se aproximou, Jay acordou.
Que encantamento a tinha que até um doente acordava? Meu irmão falava com esforço:
- Hey, ... você de volta... – tossiu - É bom te ver, cunhada... – tossiu, Jay zoou e, se esforçou muito para não chorar na frente dele. Disfarçava com brincadeiras:
- É, Jay, voltei, para te derrotar no Mario Kart assim que você sair daqui.
Mas Jay era terrível assim como eu.
Que, nada, . – tossiu. - Você voltou por causa do cabeça dura do meu irmão caçula. - Jay falou sério. ficou meio sem reação, resolvi mudar o assunto. Jay não podia se esforçar.
- Hey, Jay, não se esforça. Você pode zoar a quando sair daqui. - ver meu irmão tão disposto me deixou muito feliz e, apesar da situação dele, eu abri meu melhor sorriso. Jay mesmo debilitado me conhecia bem demais. Ele sabia que eu estava feliz.
Jay olhou de mim para e disse respirando com força:
... por favor... - crise de tosse. - Cuida do meu irmão... - muita tosse e, silêncio.
E, ao dizer isso, os aparelhos do quarto começaram a apitar loucamente e Jay ficou inconsciente.
De repente os médicos entraram correndo e nos tiraram do quarto.

**************************

Ver meu irmão tão vulnerável entrando em coma de novo me deixou transtornado; já fazia muito tempo que saímos do quarto e, nada de notícias. Eu estava angustiado, em pânico... estava sempre do meu lado, mesmo eu andando de um lado para o outro. Estava inquieto, e ela segurava minha mão me pedindo calma.
Todos a minha volta estavam fazendo alguma coisa, mas, eu não conseguia parar de pensar em Jay. A imagem dele desmaiando me assombraria. Finalmente o médico apareceu para falar com a gente e, eu não conseguia acreditar naquelas palavras. Meu coração parou, perdi o ar e, o chão pareceu se abrir debaixo dos meus pés.
- As notícias que tenho não são boas... - disse o médico. Aquilo me gelou a espinha.
- O quadro de Jay é sério. Quando ele veio aqui há umas três semanas, nós o examinamos e mandamos que ele voltasse para casa, mas, hoje os exames médicos ficaram prontos e aconteceu que o caso evoluiu para um diagnóstico de linfoma. - o médico falou sua sentença de forma calma e tranquila.
- O quê? Linfoma? - Jay tinha ido ao hospital sozinho? Não tinha avisado para nós? Papai e mamãe choravam e, eu estava sem palavras. Minhas pernas estavam tremendo e, eu me senti cair. Então senti me segurando, foi muito rápido e ela estava ali, me amparando. Eu chorava, queria gritar, queria esmurrar alguém. Mas só conseguia dizer, em pânico, em desespero, com dor...
- , meu irmão... Não... , o Jay não... Por quê? Por quê? - estava em choque.
Minha cabeça repetia as palavras do médico... caso sério... linfoma... eu estava no chão, chorando e a estava ao meu lado. Ela me pediu calma.
- Pierre, por favor... - falava segurando o próprio desespero. - O Jay vai precisar de você seja forte. - me pedia baixinho.
Ela me puxou para seus braços e me segurou ali, me deixando chorar. O coração de estava acelerado também, mas, ela não me deixou em momento nenhum.
Pelo contrário, assumiu meu celular, respondeu equipe, imprensa e, cuidava de tudo. Ajudou mamãe, papai e, ajudou Chuck a reorganizar as coisas com a banda.
Falou com os produtores do CD, remarcou compromissos, cancelou alguns outros.
Ela estava sendo incrível, mais do que eu merecia.

****************************

Depois da notícia sobre Jay todos estavam assustados, apreensivos. Um diagnóstico de linfoma... o médico tentou nos tranquilizar, mas, eu estava desesperado. Mesmo assim me acalmei e, já não chorava. Segurava a mão de o tempo todo; ela ficava comigo o tempo todo e, eu precisava dela mais do que qualquer coisa. Meu celular tocou de novo era David, falei com ele que, me passava força - porque ele já tinha passado por isso com a irmã dele: Julie - era bom ouvir meus amigos, papai estava exausto então voltamos para casa.
Eu estava angustiado e pensando em Jay, assumiu o controle de novo. E, eu queria poder arrancar minha cabeça do lugar, queria conseguir esquecer as palavras do médico. O clima no carro estava pesado, me olhava, ela sabia como eu estava me sentindo. Ela segurou minha mão, me dando conforto, me passando força; tentando me passar tantos sentimentos só com aquele olhar. Como a era forte, ela estava sofrendo, mas, era forte. Chegamos em casa e me tranquei em meu quarto.
Queria ficar sozinho, sofrer, chorar e gritar. Tentar entender do porquê daquilo tudo... Por que o Jay? Por que nossa família? Queria conseguir fazer algo por meu irmão. Não sai do quarto para nada; , mamãe, papai, Jonathan, todos batiam na porta do quarto me oferecendo comida, mas, eu não conseguia comer. Até Chuck e Jac, Jeff e David tentaram, mas... Não. Eu me sentia um inútil e, não queria ver ninguém. Não sei quanto tempo passou, talvez dias, meu estômago doía de fome, mas, essa dor não era nada, se, comparada ao sofrimento de Jay.
Ouvi batidas na minha porta, mas, ignorei seja quem fosse logo iria embora. Então ouvi um grito:
- Pierre Bouvier, abre essa porta agora! Se você não abrir eu vou derrubar com um chute. - falava furiosa. - Então, ou você me escuta e abre a porta por bem ou, você vai ter que comprar uma porta nova. Você tem cinco minutos para decidir. gritou de novo e, então ouvi ela contar através da porta. Ela não seria capaz disso? Seria?
- Cinco... quatro... três... - então achei melhor abrir a porta. Eu encarei , eu estava um lixo; com a aparência horrível. me olhava com o olhar cheio de tristeza, entrou em meu quarto e deixou a porta aberta. Então começou a falar sem parar: - Olha, Pierre, chega disso, você precisa reagir, você tem que estar bem! O Jay vai precisar de você, todo mundo está sofrendo e lidando com isso. Você é forte, precisa se levantar e lutar. - escutei tudo quieto. Mas ela estava errada, eu não era forte, eu era um merda que, nem merecia a ajuda daquela garota incrível. Sim, eu estava me punindo por todas as merdas que tinha feito. Então explodi.
- Reagir, ? Como eu posso reagir vendo meu irmão naquele estado? Eu sou um nada! Não posso ajudar meu irmão, não posso ajudar meus pais e estou falhando com meus amigos e com meu trabalho. - mais uma vez me mostrou o porquê de ela ser tão especial, forte e, surpreendente. Ela me olhou com lágrimas nos olhos e disse:
- Você acha que é o único que está sofrendo aqui, Pierre? Vejo sua mãe chorar escondida nos cantos, seu pai mal dorme, o Jonathan está correndo como um louco para cuidar de tudo, a Kate parou de trabalhar e não sai do hospital, os caras estão cumprindo todos os compromissos da banda sem você e eu estou lidando hora após hora com milhares de fãs ao redor do mundo preocupados com você, sem contar a imprensa! Eu já passei por isso Pierre, ou você acha que é fácil perder pai, mãe e ficar sozinha no mundo antes dos 17 anos? - despejou aquelas palavras em minha cara. Acho que ela nunca tinha contado aquilo a ninguém, respirou fundo e continuou mesmo com meu olhar assustado: - Eu sofri depressão, Pierre, eu tentei suicídio e, sabe o que me ajudou? Você! Sua música, a banda! - gritou. - Você é um formador de opinião, Pierre! Você inspira jovens, crianças e adultos. Então, por favor, Pierre, por sua família, por seus amigos e por seus fãs. Reage! - gritou de novo e, então me fez entender. Ela estava certa, eu tinha que me levantar. Meus pais precisavam de mim, meus companheiros de banda precisavam de mim, tantos fãs ao redor do mundo queriam me ver bem, meus irmãos precisavam de mim e a precisava de mim. Então eu reagiria por causa dela, eu me levantaria por causa da . Por todos, de agora em diante a seria meu ponto de apoio.
estava chorando no chão. Eu não podia mudar o que já tinha acontecido, mas, eu podia e estava disposto a mudar o que poderia ser dali para a frente, abracei devagar e beijei seus cabelos.
Ah, meu Deus, como o cheiro dela me acalmava, como eu sentia falta de ter ela por perto. Ficamos ali no chão do meu quarto por incontáveis minutos. Eu queria poder apagar tudo de ruim que a já tinha passado, a perda dos pais, a tentativa de estupro, a depressão, o quase suicídio e as coisas horríveis que a Lachelle tinha feito, a estava mais calma. Pedi alguns minutos e ela me deixou sozinho com muito em que pensar. E com um motivo a mais para lutar e tentar fazer com que ela me aceitasse e, me amasse de novo apesar das minhas mancadas.

****************************





Continua...



Nota da autora:: Dizem por aí que se a gente não aprende por bem, aprende por mal. Foi preciso acontecer algo tão pesado para que o nosso PP aprendesse a ver algumas coisas e, tomara que tudo fique bem logo. Será? Rsrsrsr.
Obrigada por estarem comigo e, até a próxima att.
~ Bia Ferrari ~






Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


comments powered by Disqus