Última atualização: 30/03/2018

Prólogo

- Mãe? – Ela gritou. – Sobe aqui!
A mulher, que estava na cozinha, largou tudo o que estava fazendo para subir no quarto da filha.
- O que aconteceu? – Ela entrou, assustando a garota.
- Senta aqui! – A garota se ajeitou na cama, abrindo espaço para sua mãe sentar, mantendo uma feição misteriosa.
- Filha, você está me assustando. O que aconteceu? – A mais velha falou.
- Fica tranquila! Você lembra que eu mencionei fazer um intercâmbio no último ano? – Sua mãe assentiu. – Eu falei com a Julie, e como faltam seis meses para poder fechar a viagem e combinar tudo, eu quis te mostrar a escola que ela estudou, a cidade, o país.
- Me mostra! – A mãe sentou ao lado da filha na cama de casal, a garota pegou o computador e colocou no colo.
- Olha, é um colégio interno, a única coisa que preciso é de uma carta da diretoria da minha escola, enviar para eles em menos de dois meses e posso me matricular por quanto tempo eu quiser. – Ela abriu o site da escola. – A escola parece ser bem tradicional, uniforme social e esportivo, igual aqui na minha escola, política de advertências, na terceira advertência uma suspensão de final de semana, na terceira suspensão de final de semana, suspensão por um mês sem poder sair do quarto ou da escola. Na terceira suspensão de um mês, é expulsão. O que não vai acontecer comigo!
- Onde fica essa escola?
- East Sussex, Inglaterra. Uma cidade na costa leste. – Ela olhou para a sua mãe. – Você me deixa ir?
- É o que você quer? – A garota assentiu empolgada. – Então vou entrar em contato com a sua diretora amanhã, e pedir a carta para enviar pra eles.
- Você é a melhor! – Ela deixou o computador de lado e pulou no colo da mãe. – Eu te amo!
- Eu também te amo, se isso vai te deixar feliz, vamos fazer! – Elas se abraçaram. – Agora vamos jantar!

Em seis meses tudo estava resolvido sem complicação alguma, e o sonho estava sendo realizado.
- Se comporta, não tome advertência nem suspensão, me liga pelo menos uma vez por semana. Eu te amo, filha. – Elas se abraçaram. – Agora vai, está tudo ai? Passaporte, passagem, mochila, celular, almofada, tudo certo?
- Mãe, não se preocupa, vai dar tudo certo. Vou te ligar sempre que der. Eu te amo! – Anunciaram o voo da garota. – Eu tenho que ir. Você vai ficar bem?
- Sim, eu sempre fico! Agora vai, tchau! Eu te amo! – Elas se abraçaram mais uma vez e se despediram.


Capítulo 1

’s POV
- Me solta, a garota já está chegando e eu preciso recebê-la. – Pedi para .
- Que horas ela chega? – Ele me puxou para mais perto.
- Em quinze minutos, tempo suficiente para...
- Pra curtir comigo! – Ele me beijou, um beijo suave como o de sempre.
- Hum, não, ! – Empurrei-o pelo ombro. – É tempo suficiente de eu chegar na porta da escola e receber a garota.
- Então eu vou com você até a porta da escola! – Neguei com a cabeça.
- Não, você não vai! Você vai encontrar seus amigos e ficar com eles, mais tarde eu te encontro lá!
- No lugar de sempre, horário de sempre? – Assenti. – Ok, me dá um último beijo?
Beijei-o novamente, dessa vez com menos pressa. A mão dele acariciava minha nuca, meu braço estava em volta do seu pescoço.
- Me deixa ir agora? – Falei, cortando o beijo.
- Vai lá!
Ele me abraçou mais uma vez, e eu esperei ele sair do quarto para poder sair também. Antes de sair me olhei no espelho, arrumei o cabelo e o uniforme. Sai do quarto, o corredor estava cheio de garotas.
- Bom dia, ! – Liza e Sarah falaram juntas quando passaram por mim.
- Bom dia, meninas! – Sorri para elas.
- Indo buscar a sua colega de quarto? – Liza perguntou.
- Sim, estou atrasada. – Levantei as sobrancelhas.
- ? – Sarah perguntou e eu assenti com um sorriso malicioso. – Ele dormiu ai?
- Não, ele veio me dar bom dia. Agora eu vou buscar a garota, se não já viu né! – Me despedi das duas com um beijo na bochecha.
Segui meu caminho, passei pelo pátio sem prestar muita atenção em quem estava ali, para não correr o risco de parar para conversar com ninguém.
Cheguei na porta da escola, e graças a Deus a garota não havia chegado ainda. Fiquei olhando a paisagem, o gramado bem verde, o sol batendo nas gotas de orvalho nas folhas dos arbustos, realmente a paisagem daquela cidade superava as expectativas.
Um carro preto parou na frente da escada onde eu estava. O motorista saiu e abriu a porta do banco traseiro, uma garota morena, pouco mais alta que eu, com o corpo curvilíneo, saiu do carro. Ela usava uma calça jeans escura, uma blusa azul marinho com um cardigã cinza, tênis cinza, óculos escuros, e o cabelo longo solto por cima dos ombros. O motorista tirou as malas de dentro do carro, e deixou ao meu lado na escada.
- Bom dia! – Falei.
- Bom dia! – Ela respondeu, pegando sua mochila no banco traseiro. – Eu sou a .
- Eu sou a , sua nova colega de quarto! – Estendi a mão para ela, que apertou levemente. – Deixa eu te ajudar com as suas malas, você me salvou hoje hein! – Puxei assunto.
- Salvei? Por quê? – Ela fez cara de confusão.
- Fiquei encarregada de te apresentar a escola o dia todo. Não vou precisar assistir nenhuma aula! – Ela sorriu.
- Que sorte a nossa.
Entramos na escola e ela tirou os óculos escuros, dando visão aos seus olhos castanhos bem escuros.
- De onde você é? – Perguntei, tentando puxar assunto novamente.
- Brasil!
- Intercambista, que legal, espero que você goste da escola. – Sorri para ela. – Aqui as regras são muito simples, não tem como esquecer. – Ela assentiu. – Vou te levar até o nosso quarto, não sei se você quer tomar banho, imagino que a viagem tenha sido longa, sei que o aeroporto é longe daqui.
- Eu preciso de um banho, a última vez que tomei banho foi ontem antes de embarcar no avião. Eu estou exausta.
Fomos andando até o nosso quarto, ela carregava sua mochila e uma mala, eu carregava outra. Ela parecia muito legal, com certeza nos daríamos bem.
Chegamos no quarto, deixei a mala dela perto do closet e me joguei na minha cama.
- O banheiro fica ali perto do closet, no closet tem toalha, pode tomar seu banho a vontade e tomar seu tempo, eu vou ficar aqui. – Ela assentiu, e foi para o closet. – Ah, o uniforme está no closet também, pode usar o sapato que quiser.
Ela fechou a porta do banheiro e eu continuei deitada, peguei meu celular e liguei a música.
- ? – Ouvi a voz de vinda da janela. – Ué, cadê a garota?
- O que você está fazendo o aqui, ? Não acredito que está mantando aula! – Fui até a janela e o cumprimentei com um selinho. – Ela está tomando banho!
- Posso entrar? – Assenti. – Se afasta pra eu pular.
Fui até minha cama novamente, me sentei na mesma, e ele pulou para dentro do quarto.
- A gente tinha combinado de se encontrar depois do almoço, !
- Eu sei, mas não aguentei esperar até lá. – Ele se sentou ao meu lado. – A garota é legal?
- Parece ser, não tive muito tempo de falar com ela ainda. Ela é brasileira, linda demais. – Ele deitou com uma perna pra cada lado, e me puxou para deitar com ele.
- O que foi? – Encostei a cabeça no peito dele. – Você falou que a garota é linda e ficou quieta.
- Não, ela é diferente das garotas daqui, chama atenção. Ela me faz lembrar da... – Ele começou a acariciar meu cabelo e eu fechei meus olhos. – Ela é legal, vou me dar bem com ela. – Falei mais pra mim do que pra ele.
- , você se dá bem com todo mundo! – Ele beijou o topo da minha cabeça. – E talvez lembrar-se dela seja só saudade.
- ? – me chamou. – Pega na minha mala uma calcinha qualquer? Eu me esqueci de pegar!
- Viu? Já vão ser melhores amigas, agora vai pegar a calcinha da menina, me mostra antes. – Dei um tapa no peito dele. – Ai , é brincadeira.
- , você pode...
- Estou pegando! – Me levantei da cama e abri a mala da menina, peguei a primeira calcinha que vi, bati na porta do banheiro e entreguei a calcinha para ela. – , vai embora que ela já vai sair do banheiro. – levantou da cama e foi em direção à janela.
- Tchau, gata! – Ele pulou a janela e sumiu da minha vista.
- Nossa, esse chuveiro é maravilhoso. – saiu de calcinha e sutiã, secando o cabelo na toalha.
- Você achou o uniforme? – Ela assentiu.
- Vou me vestir, e podemos ir conhecer a escola.
- Você não quer arrumar suas roupas no closet? – Perguntei, voltando para a cama. – Temos o dia todo pra conhecer o colégio!
- O que você indica?
- Arruma o closet, eu te ajudo, vem! – Me levantei e fui para o closet, sendo seguida por .
Começamos a desfazer as malas dela, e organizar o lado dela do closet, a música estava tocando no meu celular, conversamos mais e rimos juntas. A garota era divertida, criamos uma amizade que eu não esperava criar.

- ! – Liza entrou no quarto sem bater na porta. – , você não vai acreditar no que está acontecendo, os meninos tão... – Ela parou de falar quando me encontrou com a garota nova sentadas no chão do quarto, rindo.
- Oi, Lih! Essa é a , minha nova roomate! – Ela cumprimentou com a cabeça. – O que está acontecendo?
- Está rolando um boato de que os meninos vão fazer um flash mob no pátio. – Ela falou, ofegante por ter corrido.
- Um flash mob? – Eu me levantei. – Eles já começaram? Por que o não me contou nada? Vem, , vamos ver isso ai.
se levantou, peguei na mão de Liza, me seguiu. Corremos pelo corredor até a porta de saída da ala dos dormitórios.
Chegamos no pátio e todo mundo estava conversando normalmente.
- Ué, não está acontecendo nada. – Perguntei, soltando a mão de Liza. – Liza, o que está acontecendo?
- Vem, vamos sentar com a Sarah e com a Bia, elas estão ali, talvez vá começar daqui a pouco. – Ela falou, indo em direção à mesa em que Sarah e Beatriz estavam conversando.
- Vem, ! – Falei, pegando a mão da garota e segui Liza.
- Oi meninas, e ai? Será que vai rolar alguma coisa? – Liza, perguntou sentando-se à mesa.
- Não sei, estamos esperando! – Sarah falou, tapando o sol que bateu em seus olhos ao olhar para mim. – Olha, essa é a novata?
- Sim, essa é a , minha roomate. , essas são Sarah e Bia! – Apresentei a garota, que se sentou ao lado de Sarah. – Senta, , pode ficar à vontade, essas meninas têm cara de metidas, mas elas só são as mais loucas! – Nós quatro rimos do comentário.
Ficamos conversando e rindo mais um pouco até que começou uma música, a música que eu e as garotas dançamos na festa de início de aula.
A introdução começou. , , Erik, Leonardo e Nicholas ficaram de pé em cima de mesas distantes umas das outras. Quando a voz do Justin Timberlake começou na música Can’t Stop The Feeling, os cinco começaram a balançar os braços no ar como eu e as meninas fizemos no dia da festa.
- Mentira! Eles estão dançando a nossa música! – Bia gritou por cima da música. Nós quatro batemos palmas quando eles fizeram os passos certinhos como a gente.
Liza se levantou na mesa, Sarah, Bia, e eu corremos cada uma para uma mesa e começamos a dançar como eles.
As mesas faziam um círculo em volta do pátio. Os meninos que estavam no meio do pátio começaram a dançar como a gente, e todos abriram espaço para eles, algumas meninas tentaram imitar, era um verdadeiro flash mob.
Eu estava me divertindo muito, eu olhava para as meninas em cima das mesas e elas sorriam tanto quanto eu.
A música foi chegando no final, Leonardo, Erik, Nicholas e desceram das mesas, fizeram uma formação e os garotos do meio do pátio abriram espaço para eles passarem. Os quatro vieram em nossa direção, Erik foi em direção à Bia, Leonardo em direção à Sarah, em minha direção, e Nicholas em direção à Liza.
pegou minha mão, me pedindo para descer. Olhei em volta e as meninas estavam descendo das mesas, eu desci também. Continuei dançando enquanto a música tocava, chegamos no meio do pátio. Eles fizeram uma roda, nós meninas ficamos no meio, de costas umas para as outras, eles continuaram dançando até a música acabar totalmente.
Quando a música acabou, eles pararam ajoelhados na nossa frente.
- Lih! – Nicholas gritou.
- ! – gritou.
- Bia! – Erik gritou.
- Sah! – Leonardo gritou.
- Vocês foram... – Nicholas disse, dessa vez mais baixo.
- As melhores... – disse.
- Coisas... – Erik falou.
- Que aconteceram... – Leonardo disse.
- Com a gente! – Os quatro falaram juntos. Coloquei a mão em cima da boca, e olhei para Liza e para Beatriz.
O que está acontecendo?
- Lih, você quer namorar comigo? – Nicholas perguntou, pegando a mão dela.
Ela olhou para nós de novo e todos à nossa volta esperavam uma resposta. Todas nós olhamos para ela.
- Que tipo de pergunta é essa? Lógico que eu quero! – Ele se levantou e ficou parado na frente dela. Todos à nossa volta bateram palmas.
- , você quer namorar comigo? – Eu não hesitei, gritei um sim que fez todo mundo vibrar. se levantou e todos comemoraram.
- Bia, quer namorar comigo? – Erik perguntou. Bia olhou em volta, com um sorriso bobo no rosto e assentiu. Erik se levantou também e ficou de frente para Beatriz, enquanto todos comemoravam.
- Sah, você quer ser minha namorada? – Leonardo perguntou, e Sarah gritou, e depois disse sim. Eu ri com a reação dela. A galera toda comemorou e Leo se levantou.
se aproximou de mim, e segurou minha cintura, não conseguia olhar para mais nada que não fosse os olhos dele, mas imaginei que os outros estivessem fazendo a mesma coisa. Coloquei minhas mãos no pescoço de , e nós nos beijamos.
O beijo de Hill sempre foi calmo e tranquilo, ele acariciava minha cintura com calma.
- Eu posso saber o que está acontecendo aqui? – Uma voz de mulher nos fez parar o beijo. Olhei para o lugar de onde veio a voz e a diretora estava vindo em nossa direção. – De quem foi essa ideia? – , Erik, Nicholas, Leonardo e levantaram as mãos. Eu e as meninas resolvemos levantar as mãos também. Olhei em volta e vi com a mão levantada. – Quero os dez na minha sala agora.
me soltou, e segurou minha mão. Fomos os primeiros a sair do círculo e seguir a diretora.
Ouvi a voz de Liza atrás de mim. Olhei por cima do ombro e todos os casais estavam atrás de nós, até e , que na verdade não eram um casal, e que não teriam culpa de nada.
Por que a levantou a mão? Ela não tem culpa, acabou de chegar na escola. Se levássemos uma advertência ela levaria uma também, no seu primeiro dia na escola.
- , por que a está indo também? – Liza me perguntou.
- Quem é ? – Nicholas perguntou.
- A roomate da , ela chegou hoje na escola. – Ela respondeu ao novo namorado.
- Também não entendi. – Bia respondeu, se metendo entre e eu.
- ? – Chamei a garota que estava no final da fila.
- Eu... – Nós paramos de andar, e fizemos uma roda. Olhei para trás para ver se a diretora havia notado que não estávamos atrás dela.
- Por que você levantou a mão? – Perguntei quando ela e entraram na roda.
- Porque o menino levantou, não faria sentido quatro casais e um único garoto sozinho. Só quis ajudar. – Todos concordaram.
- O menino se chama . – se pronunciou.
- Gente, foi lindo o que vocês fizeram, de verdade! – Sarah se pronunciou pela primeira vez.
- Estava mais do que na hora né? Vocês ficam há quanto tempo, precisava oficializar esse negócio. – falou.
- Não estou acreditando que estamos namorando. – Eu falei para as meninas, todas fizeram comentários e deram beijos em seus namorados.
- A gente precisa ir, se não a bronca vai ser maior. – falou, cortando os beijos que nós começamos.
- Vamos! – Peguei a mão de novamente e fui em direção à diretoria.

’s POV
- Quem vai começar me explicando o que aconteceu? – A diretora falou assim que entramos na sala.
Resolvi ficar quieta afinal não sabia exatamente o que aconteceu.
Estávamos em uma linha, olhando para a mulher à nossa frente.
- Nós resolvemos fazer um flash mob, para nossas namoradas. – falou.
Nossas, ?
- No horário de aula? – Ela perguntou.
- Estávamos no intervalo de uma aula e outra. O de vinte minutos para a aula de Educação física. – falou.
- Nossa apresentação não teve nem cinco minutos, diretora! – Leonardo completou.
Continuei com a cabeça baixa, sem falar absolutamente nada.
- Vieira, você estava encarregada de fazer o tour com a novata? – A mais velha se levantou e se posicionou na frente da mesa.
- Sim, eu estava com ela agora, e enquanto passávamos pelo pátio lembrei que tinha combinado o flash mob com os meninos. – olhou para mim, e eu apenas concordei com a cabeça.
- E a aluna nova já está metida em confusão no primeiro dia de aula?
- Ela não tem culpa de nada, precisava de uma companhia para dançar e puxei ela por estar perto das garotas. – tomou a culpa para si. Todos olharam para ele com um olhar de confusão.
- , não... – Tentei falar, mas interrompeu.
- Sim, essa é a verdade.
- Então vou ter que dar advertência para os dez.
- Mas as meninas não têm nada a ver com isso, a ideia foi nossa. – Erik falou, interrompendo a diretora.
- Claro que temos, nós dançamos com vocês. – Sarah falou, finalmente se fazendo presente na sala.
- Claro que não, amor! A ideia foi só nossa. – Leonardo chamou atenção para ele.
- Leo não discute, a gente é tão culpada quanto vocês. – Sarah se virou de frente para nós.
- Gente, claro que não, a ideia foi nossa, nós começamos, vocês não têm culpa de absolutamente nada. – ficou de frente pra nós ao lado de Sarah.
- , não banca o herói agora! – Liza falou, rindo do garoto.
Quando notei eles estavam em uma roda discutindo quem era ou não culpados pelo ocorrido. Os garotos insistiam que não, as garotas insistiram que sim. e eu não estávamos na roda, ficamos encostados na parede no fundo da sala.
- Já decidiram se as garotas são culpadas ou não? – A diretora perguntou, cortando a discussão.
- Sim, elas não são culpadas! – Nicholas falou, colocando um ponto final à discussão.
- Amor! – Liza choramingou.
- Nick está certo, elas não são culpadas. – Leonardo falou, ficando ao lado do amigo.
- Leo, não! – Beatriz disse indo perto dele, que negou com a cabeça, então não se aproximou.
- Realmente, não são culpadas! – Erik disse e antes que Sarah pudesse falar alguma coisa ele já negou indo ao lado de Nicholas.
- , não! – falou antes que o garoto se pronunciasse.
- Não são culpadas, só nós. – Ele saiu do lado da namorada e ficou ao lado de Erik.
- Não são... – falou e foi ao lado de Leonardo.
- Muito bem, vocês provaram que são realmente cavalheiros, - Ela aplaudiu. – mas a advertência vai para os dez e não adianta pedir para não dar, e começar essa discussão de novo.
Ficamos em silêncio, ela se sentou novamente e começou a assinar em alguns papeis.
- Vocês vão assinar as advertências e podem sair, vou chamar um por um.

- Não acredito que tomamos advertência em grupo, até quem não tinha nada a ver com a história tomou advertência por nada. – reclamou enquanto entravamos no refeitório.
- Ai, , relaxa que foi só uma advertência. – falou, pulando nas costas do namorado. – O que vocês fizeram foi lindo, nunca esperaríamos isso de vocês!
Nós sentamos à mesa. Eu não prestei muita atenção na conversa, pois estava observando o refeitório lotado.
- Estamos melhores que o casal ali. – Ouvi a voz de Liza, e olhei para ela. – Vocês mesmo.
- Credo, parece que nunca ficaram! – Bia comentou. – Vocês ficam há quase três meses e tão com essa melação, me poupe.
Procurei com quem eles estavam falando, e vi que era com Leonardo e Sarah.
- Ai, Erik, dá um sossega na sua namorada, por favor. – Sarah falou, tentando parecer séria. Erik sentou no colo de Beatriz e beijou-a.
- , valeu pela força, vamos compensar essa advertência que você recebeu. – Leonardo soltou Sarah e se voltou para mim, que estava ao seu lado.
- Imagina, gente, foi divertido, e vocês parecem tão felizes. – Respondi, sorrido.
- Meninas, vão se servir, a gente vai guardar a mesa. – cortou todas as conversas.
Levantamos da mesa e fomos nos servir, todos das mesas em volta da que estávamos sentados já comiam, e o Buffet estava vazio.
O prato principal era macarrão com molho vermelho ou branco, peguei salada, e um pouco do macarrão com os dois molhos. Voltei para a mesa antes das outras garotas, sentei no mesmo lugar que estava antes.
- Realmente, mandamos ver! – Cheguei enquanto Erik falava. Todos riram do comentário.
Quando me sentei, os meninos se levantaram para se servir.
Os meninos andavam se empurrando e gritando. As meninas eram mais quietas, até onde vi, não chamavam muita atenção.
As meninas se sentaram em silêncio e começamos a comer sem falar absolutamente nada.
Parei de comer, soltei os talheres e olhei para os meninos no Buffet. Olhei para Leonardo sendo empurrado por Erik, e caindo em cima de , que ficou irritado e gritou com o garoto atrás dele, e uma guerra de empurrões começou, continuou fora da brincadeira. Soltei uma risada fraca.
Leonardo olhou para Sarah e sorriu para ela, que sorriu de volta e ficaram se encarando por um tempo, até Erik pular em cima do garoto e fazer parar de olhar para ela. Sarah soltou uma gargalhada enorme.
- Do que você está rindo, Sah? – Bia perguntou.
- Dos nossos ami... namorados! – Ela falou, vendo eles ainda brincando. – Eles são tão idiotas, olha! – Todas olharam para eles na hora que e Nicholas se jogaram em cima de Erik e Leonardo, todas riram.
- Idiotas! – e Liza falaram juntas.
empurrou os quatro e eles caíram no chão, o que nos fez rir mais. Eles levantaram tão rápido quanto caíram, e pararam com a brincadeira. Voltei a comer quando eles começaram a se servir.

- , eu vou conversar com o , e te encontro no nosso quarto assim que o sinal tocar ok? Preciso fazer minha obrigação de te apresentar o colégio. – saiu do sofá em que estávamos sentadas com todos os outros do grupo.
Eu estava feliz de ter me dado bem com as meninas logo de primeira, mas fiquei preocupada com a advertência que tomei mais cedo por uma coisa que nem fiz. A escola era muito legal, não queria correr o risco de ser expulsa de lá.
- Você vai ficar ai, sozinha? – Ouvi perguntar para mim quando todos os casais já não estavam na sala de estar.
- Pra onde foi todo mundo? – Perguntei me levantando.
- e foram para o nosso quarto. Erik e Bia foram para perto do lago. Leonardo e Sarah quarto da Sarah. Liza e Nicholas quarto da Lih. – Ele enúmerou os casais nos dedos. – Eles sempre vão para esses lugares depois do almoço.
- E você? – Perguntei no impulso.
- Eu fico na arquibancada do campo de futebol. – Ele se levantou, ficando na minha frente. – Quer ir...
- Pode ser. – Dei de ombros.
- Então vamos.
Saímos da sala de estar, e passamos pelo pátio. andava rápido e eu precisei algumas vezes correr um pouco para alcança-lo.
- Vai mais devagar, suas pernas são longas. – Falei quando consegui ficar ao seu lado por mais de três segundos.
- Desculpa, estou acostumado a andar sozinho. – Ele diminuiu o passo e consegui ficar ao seu lado.
Chegamos ao campo de futebol vazio, ele começou a subir as escadas da arquibancada. Quando chegamos no banco mais alto, ele se sentou no canto, encostando na lateral onde ficava o corrimão. Fiquei em pé olhando em volta, aquele lugar era maravilhoso, estava cada vez mais apaixonada pelo colégio.
- Seu primeiro dia já está sendo cheio de emoção! – me tirou dos meus pensamentos, chamando minha atenção para ele.
- Sim. – Sorri para ele. – Foi lindo o que vocês fizeram no pátio, é sempre assim? – Me sentei de frente para ele, com perna de índio.
- Não, normalmente é mais tedioso. – Ele se ajeitou e sentou como eu. – Só é legal assim quando eles brigam, e fazem as pazes.
- Hoje conta como o que?
- Hoje foi um dia a parte, dia esse que vai ficar para a história desse colégio. – Ele abriu os braços como se fosse abraçar o mundo, e isso me fez rir. – Não conta pra ninguém, mas quem deu a ideia fui eu! – Ele fez sinal de silêncio e eu o imitei.
- Morre comigo! – Falei, rindo um pouco. – Por que você tentou tirar a culpa de mim? Não tinha problema, é só uma advertência.
- Tentei tirar de você algo que não era seu, era meu. Na verdade, era só pra eu receber a advertência, os meninos não têm culpa de nada. – Assenti.
- Eles são tão palhaços, e você é tão quieto, não se mete nas discussões nem nas brincadeiras de mão, por quê? – Quis puxar assunto.
- Não sei, eles sempre acabam roxos e eu não gosto de hematomas, e sou mais observador mesmo. – Ele olhava por cima do meu ombro. – Não faço muito o tipo de conversar.
- Percebi, eu estou falando demais né? Vou ficar quieta. – Me virei de frente para o campo, continuei olhando para o horizonte.
- Acho que foi a primeira vez que ouvi você dizer algo mais do que “, não...” – Ele fez aspas no ar tentando imitar minha voz. – Sua voz é agradável, não é igual à da Bia, que ecoa na cabeça por horas. – Ri do comentário e da tentativa falha de me imitar.
Continuei olhando para frente em silêncio, e ele também não falou mais nada. Meu celular começou a tocar, e eu acabei lembrando que ia ligar para minha mãe assim que chegasse no colégio. Peguei o celular no bolso e vi que ela chamava pelo FaceTime. Atendi e a imagem da minha mãe apareceu na tela.
- Oi, mãe! – Sorri para a mulher do outro lado da tela.
- Oi minha filha, que saudade! Me conta como estão as coisas ai.
- Nossa mãe, esse lugar é maravilhoso. Cheguei na hora certa, e fui muito bem recebida pela minha colega de quarto. Meu primeiro dia está sendo cheio de emoção, acredita que os meninos organizaram um flash mob para pedir umas garotas em namoro, foi tão legal mãe. Eu já fiz amigos, muito legais. Não quero ir embora daqui nunca. – Sorri muito mais.
- Que bom que está gostando, filha. Mas não voltar nunca é um pouco complicado. – Ela pareceu olhar algo atrás de mim. – Filha, isso atrás de você é uma perna? – Olhei para trás e vi a perna de esticada na grade atrás de mim.
- Ah sim, é o .
- O que tem eu? – cortou meu comentário. – Não sei o que você falou, mas ouvi meu nome.
- Mãe, vou falar em inglês agora, para o me entender. – Troquei o idioma. – essa é a minha mãe, mãe esse é o .
- O menino é bonito! – Ela fez cara de impressionada. – Mas lembra que você está ai para estudar não namorar ok? – Assenti.
- O que ela disse? – perguntou quando tirei a câmera da frente dele.
- Mãe, eu preciso desligar agora, minha colega de quarto está me esperando, tentarei te ligar de noite! Te amo, mãe.
- Eu também te amo, filha! Se cuida hein! – Sorriu para mim e eu sorri de volta. – Tchau! – Desliguei a chamada.
- O que ela disse? – Ele perguntou novamente.
- Ela disse que você parece legal. – Menti, mas não queria dizer que minha mãe o achou bonito.
- Ela pareceu falar tanta coisa. – Sorri para ele.
- Traduzindo pro inglês fica menor mesmo. – Ele retribuiu o sorriso.
O sinal tocou e eu me levantei rápido e fez a mesma coisa.
- Você me leva até os dormitórios? – Perguntei, arrumando minha saia.
- Levo sim!
Descemos as escadas da arquibancada e fomos andando um pouco mais rápido, quando paramos na frente do prédio de dormitórios.
- Obrigado pela companhia. – Ele falou. – Eu estou tão acostumado a ficar sozinho depois do almoço que nem lembrava o que era conversar com alguém assim. – Ele sorriu, e me deu um beijo na bochecha.
- Te vejo no jantar! Foi demais conversar com você. – Sorri quando ele afastou o rosto do meu. – Tchau!
Entrei no prédio e corri para o meu quarto, na expectativa de já encontrar lá, mas ela não estava lá ainda, então resolvi escovar meus dentes e arrumar minha maquiagem, que por ter saído correndo do quarto não deu tempo de ver como eu estava.
- ? – Ouvi a voz de enquanto passava o rímel.
- Oi, . Estou no banheiro! – Ela apareceu na porta e sorriu pra mim.
- Eu preciso tomar um banho, e a gente já vai fazer nosso tour ok? – Ela me lançou um olhar cúmplice, e fiquei feliz em ver aquilo.
- Você se importa se eu ficar aqui terminando minha maquiagem? – Ela negou enquanto tirava a camisa branca, e a saia. – Foi bem legal o que os meninos fizeram pra vocês.
- Foi né? – Ela prendeu o cabelo em um coque no alto da cabeça e ligou o chuveiro de sutiã e calcinha. – Eles sabem ser fofos quando querem. O mais legal foi que eles escolheram nossa música favorita para dançar.
- Eu achei lindo de verdade. – Fiz uma pausa para limpar o rímel borrado. – Obrigada por me apresentar para seus amigos, eles são muito legais.
- São né? Somos amigos desde o sexto ano. Eu e somos amigos de infância, viemos estudar aqui juntos. – Ela entrou no chuveiro.
- Quando vocês começaram a ficar?
- Ah, a gente ficou a primeira vez numa viagem de natal pra nossa cidade, acho que foi no natal do ano passado. – Ela sorriu. – Mas começamos a ficar de verdade, sem ficar com outras pessoas mês retrasado. Não esperava que ele fosse me pedir em namoro. – Ela desligou o chuveiro, e pegou a toalha pendurada no boxe. – Na verdade acho que nenhuma de nós esperava o que rolou hoje.
- Vocês pareceram surpresas, mas sabiam a coreografia toda. Achei muito legal quando vocês começaram a dançar em cima das mesas.
- A gente ensinou aquela coreografia para eles. Foi muito divertido, só foi ruim quando tomamos uma advertência, você não precisava se colocar como culpada também.
- Ela não ia comprar que o dançou sozinho vendo vocês quatro como casal e ele sozinho, só quis ajudar, e não tem problema, foi só uma advertência. – Dei de ombros, arrumando minhas maquiagens. – O é bem quieto, bem na dele assim né?
- Sim, ele sempre foi assim, nunca fala, mas quando fala sempre sai as coisas certas para os momentos. Ele é gente boa, é o meu melhor amigo, depois do , claro. – Assenti.
Sai do banheiro, e guardei meu nécessaire no meu lado do closet, enquanto ela vestia o uniforme, amarrei meu cabelo num rabo de cavalo alto, mas frouxo. Saímos do quarto para o nosso tour.

Terminamos o tour bem na hora que o sinal de final de aulas tocou. Voltamos para o quarto antes de o pátio encher de alunos.
O passeio com a foi muito agradável, ela me contou sobre os amigos dela, e eu tentei disfarçar meu interesse pelo . era uma companhia muito agradável, e nós nos demos muito bem desde o começo, espero que continue assim até o final do meu intercambio.

’s POV
Sai do refeitório o mais rápido possível, sem me despedir de ninguém, e não fiz questão de dizer para onde ia, mas ia para o mesmo lugar de sempre.
Eu realmente precisava de um tempo sozinho, os últimos dias eu só fiquei me preocupando com os meninos e o pedido de namoro deles. Já estava farto.
Precisava pensar em mim, desde que Julie saiu da escola, do estado, do país eu não pensava em mais nada que não fosse ela, e a falta que ela fazia. Nunca gostei de nenhuma garota como gostava dela, como gostava não, como eu gosto dela.
Peguei o celular no bolso, e coloquei na discagem direta, o número dela ainda estava lá, cliquei no botão para chamar o número e levei o telefone no ouvido.
- O número que você ligou não recebe chamadas ou não existe. – Como assim não existe? Ela trocou de número e não me avisou?
Claro que não avisou, ! Ela tem mais com o que se preocupar.
Guardei o celular no bolso e continuei andando meio sem saber ao certo para onde estava indo, mas tinha quase certeza de que era para a arquibancada do campo de futebol.
De noite aquele lugar ficava ainda mais bonito, o céu ficava estrelado, e era apenas iluminado pela lua quando não havia jogo.
Eu sempre ia para lá, pois me fazia lembrar de Julie. Ela me levou lá pela primeira vez.
O lugar estava escuro, liguei a lanterna do celular para iluminar as escadas para não correr o risco de cair. Subi lentamente as escadas e cheguei no topo da arquibancada, olhei para o campo de lá de cima, e depois fui para o canto que sempre ia. Iluminei aquela área, e vi uma pessoa deitada ali.
Droga!
Fui andando sem fazer barulho, iluminei a pessoa e vi , que ao ver a luz colocou a mão no rosto e se sentou.
- Nossa! – Ela falou tirando a mão do rosto para tentar me enxergar, mas não conseguia, pois ainda estava com a luz em seu rosto. – Será que dá para tirar essa luz do meu rosto? – Ela continuou com a mão para cima tapando a luz que batia em seu rosto, e olhando para baixo.
- Você está no meu canto. – Falei com a voz um pouco mais grave do que o normal.
- Não li nome de ninguém aqui. – Ela não reconheceu minha voz, e eu sorri. – Dá para tirar essa luz da minha cara?
- Se eu tirar, você vai sair do meu canto? – Perguntei com a mesma voz de antes, me divertindo com a garota.
- Olha quantos cantos tem nesse lugar, dá muito bem para você se sentar do outro lado, ou na outra arquibancada. – Ela falou pouco mais irritada.
- Mas não quero sentar em outro lugar, quero sentar aqui! – Ela ficou ainda mais irritada e bateu a mão na arquibancada, com os olhos fechados por conta da luz.
- Então senta nessa bosta, e vou pra outro lugar. – Ela se levantou e pulou para o banco de baixo. – Credo, achei que os ingleses fossem mais cavalheiros.
- Hey, nós somos! – Ela olhou para mim. – Eu só queria meu canto, você não precisava sair!
- Agora não quero mais ficar aqui, vou embora! – Ela continuou descendo parecendo bem irritada.
- Ei, ! – Gritei e ela olhou para trás, assustada. – Fica aqui!
- Não, pode ficar com o seu canto, você precisa mais que eu. – Ela continuou descendo, e chegou no gramado.
Corri para alcança-la, quando estava quase saindo do campo consegui alcança-la, segurei seu braço e fiz com que ela me olhasse.
- Fica aqui, comigo! – Pedi novamente.
- ? – Ela pareceu confusa. – Era você? – Assenti e ri um pouco da confusão em que a menina estava.
- Você pode me fazer companhia? – Pedi, soltando seu braço.
- Posso, eu acho!
- Só não senta no meu canto! – Ela sorriu para mim.
- Eu achei que você só viesse para cá na hora do almoço. – Nós começamos a subir as escadas.
- Na verdade, eu venho sempre que preciso pensar. No horário do almoço eu venho, pois prefiro ficar sozinho, e de vez em quando venho de noite, para sei lá... pensar. – Olhei para ela. – Colocar a cabeça no lugar. As vezes apagar algumas coisas que não gosto de lembrar.
- Tipo? – Ela me lançou um olhar curioso.
- Tipo. – Demorei um pouco para responder, pensando em uma resposta boa o suficiente. – Tipo, as matérias, as confusões que os meninos me metem, os problemas da vida. – Nós sentamos e ela parecia acatar minha resposta, totalmente mentirosa.
- Você tem certeza que não quer ficar sozinho, talvez pensar sozinho seja melhor. – Ela deu se ombros.
- Se eu ficar aqui sozinho, meus pensamentos não vão me fazer bem. – Olhei para ela, que me olhava atentamente.
- Mas você veio para cá com o intuito de ficar sozinho.
- Sim, mas por sorte você estava aqui. – Sorri e ela sorriu de volta. – Se me permite dizer, eu acho lindo quando você sorri.
- Você podia sorrir mais também. Sempre que olho para você, você está de cara feia. – Ela deu uma risada fraca. – E depois do almoço você ficou mais quieto. – Assenti e fiquei em silêncio.
Ela era mais observadora do que imaginava.
- Qual o nome dela? – Ela quebrou o silêncio notando que não responderia.
- Dela quem? – Fiz cara de confuso.
- A garota que tirou seu sorriso, sua voz, e algumas outras coisas que não sei.
- Tem que ter uma garota? – Tentei fugir do assunto.
- Pode ser um garoto também, mas não faz muito seu estilo, então sim! – Ri fraco, e neguei com a cabeça.
- Não tem ninguém. – Menti.
- Então você é assim desde sempre? – Ela insistiu.
- Pode-se dizer que sim. – Ela abaixou a cabeça, e não falou mais nada. – Qual o nome dele?
- Renan. – Ela me olhou. – Ele tirou tudo, sorriso, voz, fôlego, chão, coração. – Assenti, esperando ela concluir. Me sentia da mesma forma. – Ele era a melhor pessoa que poderia conhecer, carinhoso, amável, respeitoso, até eu descobrir o que ele fazia quando não estava comigo.
- O que ele fazia? – Me interessei pela história.
- Ele ficava com a minha melhor amiga. – Ela me olhou esperando minha reação, mas não tive nenhuma.
- Nossa, isso acontece em todos os lugares do mundo mesmo. – Falei baixo.
- Sim, a gente sempre acha que nunca vai acontecer as coisas que acontecem nos filmes ou nas novelas, mas sempre acontece. – Ela fez uma pausa olhou para o céu. – Em todos os lugares do mundo. – Assenti.
Ficamos em silêncio, encostei na grade no fundo da arquibancada, e ela fez a mesma coisa. Coloquei a mão ao lado do meu corpo, e olhei para o céu estrelado, mas sem a lua.
Eu achava que a única pessoa que havia um dia passado por uma decepção amorosa fosse eu, mas não era. Por mais que fossem decepções diferentes, eram decepções, e machucavam da mesma forma.
Me assustei quando senti algo gelado tocar a ponta dos meus dedos. Olhei para minha mão e os dedos de estavam encostados nos meus, não fiz questão de tirar a mão dali. Continuei olhando nossas mãos encostadas por um tempo, e depois olhei para ela, que olhava para o gramado.
Meu celular tocou avisando que havia entrado uma mensagem. Peguei o celular, e vi que a mensagem era de Leonardo.
“Reunião no lugar de sempre, procura a e vem pra cá.”
Por que eles estavam marcando uma reunião e me mandaram levar a ?
- O pessoal está fazendo uma reunião e estão chamando a gente. – Falei, chamando a atenção da garota que parecia estar tão distante.
- Ah, ok!
Me levantei e ajudei-a a se levantar. Descemos as escadas lentamente para não cair, estava com preguiça de pegar meu celular e ligar a lanterna.
- Ai! – gritou no último degrau. Voltei até ela.
- O que foi?
- Acho que pisei em falso, mas estou bem.
- Certeza, dá para andar? – Ela assentiu. – Vem, me dá a mão. – Estendi a mão para ela, que olhou e hesitou. – Anda logo, não vou fazer nada, só te ajudar a chegar lá sem se machucar. – Ela me deu a mão e voltamos a andar devagar.
Chegamos na biblioteca, que sempre ficava vazia de noite, por isso nossas reuniões eram lá.
- Cheguei! – Avisei, colocando sentada no sofá ao lado de . – O que vocês querem? Tem que ser muito importante, pois eu estava tendo um momento muito proveitoso. – olhou para mim confusa, e eu pisquei para ela.
- Precisamos falar com vocês dois. – Leonardo falou, apontando para mim e para .
- Sobre o que? – Perguntei, sentando no chão.
- Bom, nós já falamos com a e ela topou. – Sarah começou.
- Nós queremos dormir juntos essa noite. – Liza continuou.
- E o que eu tenho a ver com isso? – Perguntei sem entender nada.
- Eu e Lih queremos dormir no quarto dela. – Nicholas completou a fala da namorada.
- Eu e Bia queremos dormir no meu quarto. – Erik falou.
- Gente, que saco, vocês tem que falar tudo divididinho assim? Por que um só não fala tudo? – comecei a ficar impaciente.
- Ok eu falo. – falou mais rápido do que qualquer outro que tenha pensando em responder. – Eles fizeram toda uma logística para cada casal ter um quarto livre para si. E eles querem saber se você tem problema em dormir essa noite no meu quarto e da , assim ela e têm o quarto de vocês livre para eles. Porque antes de eu chegar eles sempre dormiam lá no nosso quarto, mas agora não é mais tão simples assim.
- Nossa, era só isso? – Todos assentiram. – Vocês fazem tanta tempestade em copo d’agua! Por mim tudo bem, desde que eu tenha uma cama para dormir. – Dei de ombros.
- E a gente achando que ia ser difícil. – Bia comentou.
- Você acha que ele ia perder a chance de dormir com a brasileira gostosa? – bateu no peito de assim que ouviu seu comentário. Eu olhei para a tempo de vê-la corando.
- Seu pé está doendo? – Perguntei, ignorando o comentário de .
- Um pouco, logo passa. – Ela colocou a mão no tornozelo.
- Não quer ir na enfermaria colocar um gelo ai?
- Você acha mesmo necessário? Foi só uma torção, nada muito sério, amanhã vai estar bom. – Ela não deu muita importância, então dei de ombros.
- Se você acha.
- Dez e meia a gente se encontra no pátio para fazer a troca dos quartos e ajudar as garotas pularem as janelas. – Leonardo cortou as conversas paralelas que se iniciaram. Todos assentimos. Eu levantei e puxei comigo.
- Vem, vou te levar até seu quarto. – Falei, segurando sua mão, e a garota mancava.
- Boa noite, gente. – Ela se despediu de todos, que responderam em uníssono “boa noite”.
Saímos do prédio da biblioteca em silêncio e fomos em direção ao dormitório masculino.
- Meu dormitório fica do outro lado. – Ela parou no meio do caminho.
- Eu sei, vou só arrumar minhas coisas para dormir no seu quarto, pra não ter que carregar coisa mais tarde na hora de pular a janela. – Ela assentiu e continuamos andando.
Quando chegamos na frente do prédio, coloquei-a sentada no banco, e entrei no prédio.
Peguei uma mochila, coloquei minha escova de dentes, minha samba canção e meu uniforme para o dia seguinte, coloquei uma cueca também para se precisasse tomar banho por lá.
Sai do quarto com a mochila nas costas e os garotos que estavam no corredor me olhavam curiosos.
- Vai fugir, ? – Um garoto perguntou.
- Vai comer alguma garota, com certeza! – Outro respondeu.
- Só se for a sua mãe! – Murmurei.
Sai do prédio e estava lá no lugar onde a havia deixado. Também não teria como sair, seu pé parecia doer muito. Peguei sua mão novamente e fomos andando para o prédio feminino.
Chegamos na porta do prédio, e chamei uma garota qualquer que estivesse perto da porta.
- Ei, menina, pode me ajudar? – Chamei a primeira que passou na minha frente.
- Claro que posso! – Ela colocou o cabelo atrás da orelha e eu revirei os olhos.
- Minha amiga torceu o pé, você pode ajudá-la a chegar no quarto? – Ela pareceu desanimar da ideia de ajudar. – Prometo te recompensar depois. – O olhar malicioso voltou aos seus olhos, e ela assentiu.
- Eu vou cobrar! – Ela sorriu.
- Pode cobrar. Espera só um minuto. – Voltei para perto de . – Leva minha mochila com você, te encontro no seu quarto daqui a pouco, deixa a janela aberta. – Ela assentiu, pegou minha mochila e colocou nas costas, peguei a mão dela e levei-a até a garota que disse que ajudaria. – Aqui, leva ela para o quarto dela, por favor! – Dei um beijo na bochecha da garota, e pisquei para .
A garota pegou a mão de e entrou no prédio, esperei ela sair do meu campo de visão para voltar para o pátio.

- Vamos levar as meninas primeiro, e depois a gente pula as janelas. – Leonardo começou assim que o primeiro sinal para o toque de recolher tocou.
- Todos os outros já estão nos quartos, nós deixamos elas lá, e vamos para o quarto. – Nicholas falou.
- Vamos levar a Bia, você leva a ? – Leonardo me perguntou, e eu assenti. – Então vai. – Comecei a andar em direção ao quarto dos homens quando Leo me chamou. – ! – Olhei para ele. – Valeu! – Assenti e voltei a andar.
Fui andando em silêncio com , até ela quebrar o silêncio.
- Ok, para! – Ela parou de andar, e eu parei logo depois. – O que você tem? – Ela perguntou.
- Nada. – Respondi sem emoção.
- Vai mesmo mentir para mim? Desde que a chegou você está todo estranho, o que aconteceu? – Ela segurou meu braço e olhou fundo nos meus olhos. – Qual é, ? Sou sua melhor amiga, me conta o que está acontecendo?
- Ela lembra aquela outra garota. – Falei sem tirar os olhos dos olhos de .
- É, ela parece mesmo com a Julie, mas só fisicamente, a personalidade é totalmente diferente, eu garanto. – soltou meus braços e eu assenti. – É só isso? – Assenti novamente. – Se tivesse mais alguma coisa você me contaria né?
- Sim! – Afirmei. – Agora vamos, senão eu não consigo pular a janela e vou ter que atrapalhar a sua noite com o . – Voltei a andar.
- ! – Olhei para ela, e a garota estava com os braços abertos.
- O que? – Fez um gesto, querendo dizer que queria um abraço. – Nossa , você é muito gay! – Fui até ela e abracei-a.
- Obrigada pela ideia que você deu para os meninos. Sei que eles sozinhos não teriam essa ideia tão brilhante. – Ela continuou abraçada comigo.
era sem dúvidas minha melhor amiga, ela sabia de toda minha história e eu sabia de toda a dela. Quando estávamos sozinhos conversávamos mais do que os nove juntos.
- Agora vamos. – Falei, soltando ela do abraço. Voltamos a andar dessa vez com os braços entrelaçados. – Conseguiu falar com ela? – Ela puxou assunto.
- Antes caia na caixa postal, agora só fala que o número não existe.
- Então acho que está na hora de esquecer né? – Assenti. – Talvez, com a chegada da você consiga. – Ri da forma que ela falou. – Qual é, a menina é uma gata. Confesso que no começo fiquei com medo de ela fazer o se esquecer de mim.
- O é louco por você, . Nenhuma garota no mundo faria ele te esquecer. – Assegurei. – Ela é legal, mas não sei se ela foi muito com a minha cara.
- Ela só fala com você , e outra, quem nesse mundo não vai com a sua cara? – Chegamos na janela do meu quarto, e eu me preparei para fazer pézinho para ela. – Aproveita essa noite, e conversa com ela. Com certeza vocês vão se dar bem! – Ela se apoiou no batente da janela e colocou o pé na minha mão. Levantei a mão o suficiente para ela conseguir sentar na janela.
- Boa noite, ! – Ela falou e entrou no quarto.
Peguei o celular no bolso para ver o horário, tinha exatamente cinco minutos para chegar na janela da e pular antes de ser pego. Corri o mais rápido possível para chegar no quarto dela, me apoiei no batente da porta, e pulei para dentro assim que o sinal do toque de recolher tocou. A luz do quarto estava acesa, mas o quarto estava vazio, vi minha mochila em cima de uma das camas, e ouvi o barulho do chuveiro.
Droga, a garota está tomando banho.
Peguei minha samba canção dentro da mochila, e vesti a mesma, continuei de camiseta. O chuveiro desligou, e a porta abriu dando visão a uma de toalha. Virei de costas assim que vi a garota.
- Não te ouvi chegar. – Ela falou.
- É eu cheguei agora, o sinal acabou de tocar, eu ... se quiser que eu saia para se trocar. – Falei meio desconcertado.
- Não precisa, eu me troco no banheiro. Só vou pegar meu pijama. – A voz dela parecia tão tranquila. – O que foi, ? Nunca viu uma garota de toalha? – Ela ria.
- Não... quer dizer, já... mas é que sei la... eu... quero dizer, você... – Parei de falar quando ela começou a rir. – Quer saber, eu vou ficar quieto. – Ouvi o barulho da porta batendo, e me virei para a porta do banheiro. Me joguei na cama onde minha mochila estava.
Fiquei olhando para o teto, sem pensar em nada, só prestando atenção nos barulhos externos. Um grilo do lado de fora, a água saindo da pia. Fechei os olhos por alguns instantes, de repente alguém me chacoalhava.
- ! – E uma risada em seguida. – Hey, ! Acorda. – Abri os olhos com dificuldade, pois a luz parecia mais forte do que o normal. – Você dormiu na minha cama.
- Ai desculpa! – Me levantei num pulo e ela riu. – O que foi?
- Você parece tão nervoso. – Começou a prepara a cama para deitar. – Relaxa!
- Não estou nervoso, é só que não estou acostumado a dormir no quarto de uma garota. – Falei ajeitando a cama para mim.
- Entendi. – Ela deitou na cama. – O último a deitar apaga a luz. – Fuzilei-a com o olhar e ela riu mais.
- Você é engraçado. Boa noite! – Ela se virou de costas para mim, e eu apaguei a luz.
Deitei na cama e me cobri, me virei de costas para ela e de frente para a parede.
Tudo nela me fazia lembrar de Julie, a voz, a risada, o sorriso, o cabelo, os olhos intensos. Por que agora? Fiquei tanto tempo sem pensar nela, e uma garota qualquer, uma intercambista me faz perder a cabeça assim? A ponto de eu voltar a ligar para a garota que partiu meu coração.
- ?
- Que?
- Você está com sono? Acho que não me acostumei com o fuso horário ainda, então estou sem sono.
- Quer conversar? – Me virei para ela, e ela estava virada para mim.
- Sim... Não... Quer dizer, se você quiser!
- Então vamos conversar. – Acendi o abajur do lado da minha cama, e me sentei. Ela fez o mesmo.
- O que será que os outros estão fazendo? – Ela se levantou e sentou ao meu lado na cama.
- Olha, certeza, quase absoluta de que estão se divertindo bem mais do que a gente. – Deixei uma risada maliciosa escapar.
- Então quer dizer que comigo não está divertido? – Ela colocou as mãos na cintura, e me encarrou com um olhar brincalhão.
- A gente está só conversando... – Dei de ombros fugindo do olhar dela.
- Eu sei um jeito de te divertir. – Ela ficou de joelhos de frente para mim. – E ainda conseguir ver seu sorriso por mais de dois segundos.
- Ah é? Como? – Lancei um olhar desafiador.
- Você tem uma coisa que ninguém sabe que você tem, e eu descobri agora! – Levantei uma sobrancelha sem entender o que ela dizia. – Levanta os braços. – Eu levantei meus braços e continuei olhando para ela, não demorou muito para ela colocar a mão na minha cintura e começar uma sessão de cócegas. Comecei a rir loucamente, e ela ria junto.
- Para, por favor! – Eu implorei tentando segurar a risada. – Vão ouvir a gente, , não, ai não! – Ela apertou minha barriga com as unhas e um arrepio tomou conta do meu corpo. – Pelo amor de Deus, o que você fez? – Parei de rir no momento em que senti meu corpo arrepiar. Ela soltou minha cintura quando viu que eu não ria mais.
- Desculpa, eu achei que você gostasse de cócegas. – Ela sentou novamente. – Não quis invadir seu espaço. Desculpa. – Ela abaixou a cabeça e não falo mais absolutamente nada.
O que foi que aconteceu? Eu estava rindo, e de repente meu corpo todo arrepiou dos pés à cabeça e não sentia mais vontade de rir. O que ela fez? Isso nunca aconteceu antes.
se acalma!
- Está tudo bem! – Falei baixo.
- Eu acho que vou... – Ela se preparou para levantar da cama, mas eu segurei seu braço. Ela olhou para mim, fundo nos meus olhos.
- Não, está tudo bem, pode ficar! – Os olhos dela começaram a brilhar mais do que o normal. – Hey, você está bem? – Me aproximei dela.
- Sim, meu... pé voltou a doer! – Ela me fez soltar seu braço e foi para o banheiro, andando normalmente.
A porta do banheiro bateu forte, e ecoou por todo o quarto, eu continuei sentado, por menos de dois segundos. Logo me levantei e fui na direção do banheiro. Coloquei o ouvido na porta, e prendi a respiração. Ouvi a voz de , mas não entendia o que ela dizia, provavelmente porque ela estava falando em português. Dei duas batidas na porta, e ela ficou em silêncio total. - , você está bem? – Perguntei novamente. – Você quer que eu saia do quarto?
- Não! – Ela abriu a porta. – Está tudo bem! Vamos só dormir ok? – Passou por mim como um jato, e deitou na cama.
Fui até a cama onde estava, e me deitei. Desliguei o abajur e me virei para a parede.
- Boa noite! – Murmurei, mas não obtive resposta. Olhei para que estava totalmente imóvel.
O que aconteceu?

’s POV
- Que bom que você veio dormir aqui! – Falei, voltando do banheiro para o quarto, estava mexendo nos livros de . – Bem legal do e da toparem dormir no mesmo quarto. – Ela assentiu sem dar muita importância para o que eu dizia.
estava com uma calça jeans bem justa, que modelava seu corpo da cintura até os tornozelos, uma blusa cinza com a parte de trás mais comprida que a da frente, e uma camisa jeans. Seu cabelo estava em um rabo de cavalo desarrumado, e uma maquiagem leve, sutil, da forma que ela sempre usava.
- O já leu todos esses livros? – Ela se virou para me olhar, assenti. – Nossa, que legal!
- Vem, vamos deitar aqui! – Peguei a mão dela, e puxei-a para minha cama.
Nós deitamos na cama, ficamos de conchinha em silêncio, nossas respirações eram as únicas coisas que conseguia ouvir. estava mais quieta que o normal.
- O que foi, babe? – Passei minha mão no cabelo dela. – Você está tão quieta!
- Não, é que. – Ela virou de frente para mim, e deitou no meu peito com uma das mãos na minha barriga. – Hoje, quando a gente estava conversando, eu e as meninas, elas falaram que estavam prontas para aquilo...
- Aquilo? – Comecei a acariciar seu cabelo.
- É , aquilo! – Ela repetiu com uma voz engraçada e eu ri. – Só que eu não sei se eu estou pronta.
- Pronta pra fazer aquilo? – Perguntei com graça na voz.
- você vai ficar me zuando? – Ela se sentou impaciente, eu ri ainda mais. – Vou dormir na cama do . – Ela levantou e eu segurei seu braço.
- Para, é que é fofo você sem graça. – Ela sentou novamente. – E relaxa, que se você não estiver pronta hoje eu espero amanhã, semana que vem, mês que vem, ano que vem, a vida que vem! – Segurei o rosto dela entre as mãos. – Porque eu te amo, e se nesse tempo todo não te forcei a nada, não vai ser agora que vou te forçar, meu amor! – Beijei-a com calma, e pedi passagem com a língua.
Coloquei minha mão na nuca dela, e ajustei meus dedos nos cabelos dela. A mão dela continuou no meu rosto, e intensificou o beijo. Me encostei na cabeceira da cama, e ela subiu em cima de mim, coloquei minhas pernas em cima da cama, e ela ficou com uma perna em cada lado do meu corpo.
Desci minhas mãos para a cintura dela, e apertei sua cintura devagar, e o beijo foi ficando cada vez mais intenso. Ela colocou meu cabelo pra trás, e começou a me dar vários selinhos, parando o beijo.
- , acho melhor a gente dormir. – Ela saiu de cima de mim e se levantou. – Vou me trocar. – Ela pegou a mochila no chão do quarto e foi para o banheiro.
- Meu Deus. – Deitei totalmente e coloquei o braço em cima do rosto, e fechei os olhos.
me deixava absolutamente louco, todas as vezes que ficávamos juntos, só nós dois. Ela sabia exatamente como me tocar e me beijar, e isso me fazia quere-la cada vez mais e mais.
Esse sentimento já existia em mim há muito tempo, e eu demorei tanto para notar, e quase perdi a garota mais importante da minha vida, depois da minha mãe e irmã.
- Você viu que a Sah e o Leo estavam diferentes. – apareceu novamente no quarto, abri um olho para olha-la. – Não sei, a Sarah estava mais quieta, o Leonardo quase não abriu a boca. – Ela pegou um pote de creme e colocou no criado-mudo ao lado da cama do . – Ela está comendo tão pouco, tenho certeza de que aquela garota que era do quarto dela falou um monte de merda pra ela, e agora ela está querendo emagrecer. – Ela passou o creme no corpo todo, e depois guardou o mesmo na mochila. – , você está me ouvindo?
- Sim, amor, só não prestei atenção nessas coisas que você disse. – Respondi ainda com o braço sobre o rosto. – E acho que a gente não tem nada a ver com isso.
- , eles são nossos amigos. – Ela veio para minha cama.
- E dai, a vida deles como casal não tem nada a ver com a gente. Eles já brigaram tantas vezes e voltaram numa boa todas elas, não vai ser agora que vai acabar ainda mais depois do que a gente fez hoje. – Arrumei a cama para dormirmos.
- Eu sei, amor, mas você não acha que devíamos fazer alguma coisa em relação a má alimentação dela? – Ela deitou direito na cama, e virou para a parede.
- Acho que talvez sim, por serem muito amigas vocês podiam dar um toque nela e mostrar que se preocupam com ela. – Falei, envolvendo-a com um braço. – Conversa com ela, talvez ajude, ou talvez vocês estão só vendo coisa onde não tem.
- Verdade! Por isso que eu te amo, você sempre me coloca de volta na terra. – Ela virou o rosto para mim, e eu dei um selinho. – Te amo!
- Também te amo, e muito! – Ela sorriu.
- Boa noite, meu amor! – Beijei sua cabeça quando ela virou para a parede novamente.
- Boa noite!
Fechei meus olhos e dormi rapidamente.

’s POV
Acordei e olhei para o lado, vi dormindo serena. Me levantei e peguei meu uniforme na mochila, entrei no banheiro fazendo o mínimo de barulho possível, coloquei o uniforme e escovei os dentes.
Sai do banheiro e estava sentada mexendo no celular.
- Bom dia! – Falei, pegando-a de surpresa.
- Ah, bom dia! – Ela olhou para mim e sorriu.
- Eu vou tomar café da manhã, depois a gente se encontra? – Ela assentiu e eu coloquei a mochila nas costas. – Até mais tarde então.
- Até! – Pulei a janela e fui em direção ao pátio.
Alguns alunos estavam ali em rodinhas conversando, procurei pelos meus amigos, mas não encontrei ninguém. Me sentei em uma mesa qualquer e peguei meu celular.
- Grande , bom dia! – Leonardo apareceu depois de alguns minutos. Cumprimentei o garoto – Como foi a noite com a brasileira?
- Bom dia! Tinha alguma coisa pra acontecer, a gente dormiu só. – Leo levantou uma sobrancelha.
- Pra cima de mim, ? Você é o maior galanteador dessa escola, e por que dessa vez seria diferente? – Ele me deu um empurrão leve no ombro.
- Não rolou nada, e você sabe o motivo. – Continuei sério, e não dei nenhuma importância para a brincadeira que ele fez.
- Julie! – Eu levantei a cabeça ao ouvir o nome da garota. – Foi mal cara!
- Foi nada, fica de boa! – Respondi rápido.
- Bom dia! – chegou e nos cumprimentou.
- Como foi a noite? – Perguntei.
- Como todas as outras! – Leonardo levantou a sobrancelha novamente. – Te juro, não rolou nada. Mas e a sua Leo?
- Nossa verdade, nem perguntei, como foi a noite? – Virei para Hughes.
- Foi tipo a melhor noite que eu poderia ter, na moral, a Sah é foda! – riu. – Juro cara, mas nem vou dar detalhes, não faz meu tipo.
- Bom dia, gatos! – apareceu e beijou .
- Opa, alguém acordou feliz! – Provoquei. – mentiu pra gente?
- Mentiu o que? – perguntou sentando ao meu lado.
- Nada! – Leo respondeu.
- Gente, o Nicholas ainda não saiu do quarto da Lih? – mudou de assunto.
- Olha ele vindo lá! – apontou para o loiro sorridente.
- Bom dia! – Ele cumprimentou todos e deu um beijo na .
- E ai loirinho, como foi a noite? – Perguntei.
- Foda! – Todos comemoramos, menos que revirou os olhos.
- Vocês são ridículos. – Ela falou. – Finalmente outra garota! Bia! – Ela chamou a amiga que veio correndo até nos.
- Bom dia, gente. – Bia cumprimentou todos.
- Cadê o Harris? – Perguntei.
- Ele está vindo. – Ela respondeu e sentou ao lado de . – Cadê a Sarah?
- Tomando banho. – Leonardo deu de ombros e ela assentiu. – Olha o Erik ali! – Erik olhou para nós e veio em nossa direção.
- E ai gente! – Sentou-se ao lado de .
- Quem falta? – perguntou.
- , Lih, e a Sarah! – respondeu.
- A Lih está vindo pra cá. – Falei, apontando para a loira que vinha em nossa direção.
- Bom dia, sunshines! – Liza falou sorrindo.
- Bom dia! – Respondemos juntos.
- Olha a ali! – Leonardo falou.
- ! – gritou e sorriu ao nos ver.
- Bom dia, gente! – Ela falou e sentou entre e eu.
- Só falta a Sah agora! – Beatriz comentou.
- Então gente, eu quis esperar vocês todas para dizer. Eu estou um tanto quanto preocupado com a Sah, ela quase não dormiu e disse que está sem fome. Eu acho que vocês podiam ir lá falar com ela. – Leonardo falou meio sem jeito. – Não sei, tentar descobrir o que está rolando com ela. Vocês podem fazer isso?
- Claro, estávamos querendo falar com ela ontem, mas não deu tempo! – Beatriz falou e todas assentiram. – Relaxa, Leo, vamos descobrir o que está rolando com a nossa princesa!
- Agora podemos tomar café? – Nicholas disse, cortando o assunto.
Todos levantamos e fizemos nosso caminho para o refeitório, pela primeira vez comíamos em silêncio, o clima estava um tanto quanto tenso.
Quando terminamos de comer, Lih e fizeram um prato com algumas frutas e prepararam um café para levar para Sah no quarto.
Elas saíram acompanhadas de Bia, e foram para o quarto da garota.

’s POV
Sarah abriu seus olhos devagar para se acostumar com a luz, que entrava da janela do quarto. Sentou-se na cama e espreguiçou-se.
- Bom dia, princesa! – Eu, Lih, e Bia falamos juntas quando ela olhou para o lado.
- Bom dia, meninas!
- Trouxemos frutas! – Lih disse.
- E café! – Conclui.
- Não precisava, estou sem fome. – Respondeu.
- É sobre isso que queremos falar, Sah! – Beatriz sentou-se ao lado da garota.
- Isso o que? – Ela olhou para Bia, confusa. Lih e eu sentamos no chão na frente dela, e trocamos um olhar com Bia.
- Nós estamos preocupadas com você, Sarah! – Comecei. – Você tem comido muito pouco, sempre colocando pouquíssima comida no prato, e as vezes até deixa comida. – Respirei fundo. – E o Leonardo disse que você não está dormindo direito, que essa noite você mal dormiu. – Olhei para Liza e Beatriz, as duas me olhavam sérias. – Você sabe que somos suas melhores amigas, e sempre seremos.
- E sabe que fizemos um juramento quando nos tornamos amigas. – Liza interrompeu.
- Juntas nos momentos bons e ruins! – Falamos as quatro juntas.
- Você sabe que pode contar com a gente, Sah! Nós vamos te ajudar independentemente de qualquer coisa, porque é isso que amigos fazem. – Bia falou. – Tem alguma coisa que você quer contar pra gente?
O silêncio se instalou no quarto, Sarah manteve a cabeça abaixada.
Creio que ela não queria falar sobre aquilo, talvez não tivesse o que falar.
- É só uma fase. – Afirmou.
- Explica! – Liza disse.
- Não sei, é só uma fase. Muita coisa acontecendo rápido demais e eu não estou conseguindo acompanhar o ritmo que tudo está tendo. – Levantou a cabeça e olhou para nós.
- Sah, o que está sendo rápido demais? Seu namoro, o último ano da escola? – Beatriz pegou a mão de Sarah.
- Tudo, literalmente, falta menos de 10 meses para o ano acabar, e o namoro também, eu comecei a ficar com o Leo muito depois que vocês começaram a ficar com os meninos. Não sei se estou pronta para lidar com tudo isso sabe?! Não sei o que quero fazer quando sair da escola, não decidi meu futuro, e o tempo todo perguntam do futuro, e eu só quero viver o presente, entendem? – Nós assentimos. – Aproveitar com vocês, e com o Leo também, fazer memórias, criar ainda mais laços. – Vi uma lágrima escorrer pela bochecha dela. – Mas está tudo tão rápido, que eu queira dar uma pausa.
- Assim, eu entendo, mas isso não justifica você estar comendo menos, desde que a Jessie saiu da escola, e ela sempre dizia que você precisava emagrecer, que nunca estava magra o suficiente. – Falei. – Você não está dando ouvidos pra ela agora né?
- Sim, estou. – Ela respondeu, me olhando. – Engordei muito nessas férias, e preciso perder alguns quilos, mas não precisa se preocupar, assim que eu emagrecer o que preciso vou voltar a comer normalmente.
- Sah, não é assim que funciona! – Beatriz falou. – Você precisa comer direito, não comer pouco.
- Gente, vocês não entendem! – Negou com a cabeça.
- Claro que entendemos, somos mulheres também e nem sempre estamos bem com os nossos pesos. – Falei. – Vamos fazer um combinado? – Todas olharam para mim. – Nós vamos começar a malhar juntas, e comer direito juntas, o que acham?
- Não sei, não! – Liza disse, coçando a cabeça, e aquilo me fez rir.
- Ah qual é, nós temos uma academia enorme à nossa disposição, um campo gigante pra correr, o refeitório está sempre aberto, podemos comer de três em três horas tranquilamente. – Eu continuei. – Vocês acham que eu não preciso perder alguns quilos? Logico que preciso!
- Não, você precisa só manter a forma, ! – Sarah falou.
- Assim como você, Sah! Vai ser legal, vamos nos ajudar e nos divertir juntas. – Bia falou. – Eu topo!
- Eu também! – Falei o óbvio, já que eu dei a ideia.
- Ok, eu posso tentar! – Liza deu-se por vencida.
- Tudo bem, vamos fazer isso! – Conclui.
Seria legal malhar com as meninas!
- Gente, sabe o que eu quero? – Sarah falou e todas voltaram a atenção para ela.
- O que? – Liza perguntou.
- Um bolo de cenoura com cobertura de chocolate.
- Nossa, quero também! Vamos ligar hoje à noite para a loja de bolos e pedir um para a turma toda? – Bia deu a ideia.
- Vamos! – Todas concordamos juntas e caímos na gargalhada.
- Agora, come suas frutas, toma seu café se troca e vamos pra aula! – Eu me levantei e peguei o prato com frutas. – Nossa primeira aula é de física!
- Gente, só uma pergunta, e a ? – Sarah perguntou, pegando um melão e colocando na boca.
- Deve estar com o , em algum lugar! Esses dois não se desgrudam mais. – Liza disse, se olhando no espelho do closet.
- Certeza de que ele só está próximo dela porque ela parece com a Julie. – Beatriz falou, indo em direção ao espelho e todas olhamos para ela com espanto. – O que?
- Você é muito sem noção, Beatriz! – Falei e sai do quarto com raiva.


Capítulo 2

’s POV
- Gostei do seu vestido! – falou antes de entrarmos no bar.
- Obrigada! – Sorri para ele. – Estou com medo de sentir frio quando sair. – Falei mais para mim do que para ele.
- Se sentir frio, te empresto minha jaqueta.
- Ah, obrigada! – Dei de ombros.
Ele abriu a porta do bar para mim, e eu entrei, ele veio logo atrás tirando a jaqueta.
As coisas com o estavam meio estranhas durante essa semana, desde que dormimos juntos no meu primeiro dia na escola. Durante a semana toda ele ficou no meu quarto, o guarda roupa dele quase todo estava no meu closet. Era legal ter alguém para conversar de noite, ele aguentou minha falta de acompanhamento do fuso horário durante as duas últimas semanas. Mas acho que não estou acostumada com atenção que estava recebendo dele.
- Onde você quer sentar? – Ele interrompeu meus pensamentos.
- Pode ser ali. – Apontei para a mesa ao lado da dos amigos dele e de .
Fomos andando até a mesa, ele puxou a cadeira para que eu me sentasse, e sentou ao meu lado.
- , que horas a gente precisa voltar hoje? – perguntou.
- Hoje é sexta, podemos voltar às 4h! – respondeu.
- Eu amo o terceiro ano! – falou.
- Com certeza é o melhor, as matérias são bem tranquilas, eu achei que fosse ser bem mais difícil do que está sendo. – Leonardo comentou e assobiou para um garçom que passou ali perto. – Pode trazer três garrafas de cerveja, por favor?
- Claro senhor! Posso ver a identidade de todos? – Todos pegaram suas identidades e entregaram para o garçom. – O seu, senhorita? – Ele falou para mim.
- Eu deixei meu passaporte em casa, posso apresentar minha identidade mesmo? – Ele me olhou com olhar de confusão. – Eu estou fazendo intercâmbio, sou brasileira. – Ele assentiu. Peguei meu RG falsificado e entreguei para o garçom.
- Três cervejas, mais alguma coisa?
- Não, só isso mesmo. – Leonardo respondeu, dispensando o garçom.
- Você esqueceu o passaporte? Se alguma coisa acontecer com você? – falou baixo enquanto os outros entravam em outros assuntos.
- Logico que eu trouxe o passaporte, só que ele tem minha idade de verdade e eu tenho uma identidade falsa no Brasil, e não deu tempo para falsificar o passaporte. – Dei de ombros.
- Inteligente, mas tenho como resolver esse problema. – Ele piscou para mim. – Topa sair comigo?
- Pra onde? – Perguntei e nesse momento o garçom chegou com as garrafas de cerveja e copos para todos da mesa. – Moço. – Chamei quando ele perguntou se queríamos mais alguma coisa. – Eu quero um Martini, vocês têm? – Ele assentiu e anotou no bloquinho em sua mão. – Obrigada.
- Não toma cerveja, ? – perguntou do outro lado da mesa.
- Não sou muito fã! – Respondi dando de ombros.
- Ah, isso porque você nunca tomou essa aqui. – Erik serviu um copo devagar para não fazer espuma. – Aqui, experimenta!
Tomei um gole da cerveja, e senti o mesmo gosto de azeitona que eu sentia todas as vezes que tomava cerveja, para não mostrar para eles que não gostei tomei o copo todo sem respirar, para não sentir o gosto.
- Gostou? – perguntou, e eu fiz uma careta para ele colocando o copo em cima da mesa. – Não tem problema, também não gosto. – Ele fez um sinal positivo com a cabeça para o garçom que estava atrás de um balcão na frente da nossa mesa.
- E o que você bebe?
- O garçom vai trazer logo, é a minha bebida favorita, eles acham nojento, mas eu gosto. – Levantei uma sobrancelha esperando ele dizer o que era. – Eu vou te mostrar, calma.
- Seu Martini, senhorita! – O garçom colocou a taça com o liquido transparente e uma azeitona na mesa, e um copo grande com vários ursinhos de gelatina e um liquido parecido com vodka na frente de . – Espero que esteja do seu agrado hoje, Senhor .
- Obrigado! – dispensou o garçom e pegou um canudo.
- Nossa, , você não muda! – Sarah falou.
- Costumes são costumes, Lisboa! – Ele piscou para ela e deu um gole da sua bebida. – Quer um pouco? – Me ofereceu.
- Você acha que nunca tomei isso?
- Você já tomou? Achei que fosse o único! – Ele me deu o copo. – Bebe.
Tomei um gole da bebida, e fiz careta.
- Nossa, , ficou muito tempo no descanso, esses ursinhos devem estar com o máximo de álcool. – Tomei um gole do meu Martini, e comecei a brincar com a azeitona do copo.
- Você não aguenta? – Falou em tom de desafio.
- Isso é um desafio? – Ele assentiu. – Garçom! – Chamei o mesmo homem que estava nos servindo. – Quero um desse! – Apontei para o copo de .
Continuamos conversando e dando risada. Resolvemos explorar uma parte do cardápio de bebidas, dividimos cerca de cinco drinks entre nós. Vez ou outra tomava um gole das bebidas. Terminamos nossas bebidas e só sobraram os ursinhos nos dois copos.
- Ok, o desafio é assim, quem conseguir comer todas as gelatinas e ficar menos tonto, ganha! – Ele explicou.
- Qual é o prêmio? – Perguntei, me preparando para comer os ursinhos.
- O vencedor escolhe o que quiser! Lógico que tem que ser algo que esteja ao alcance do outro. – Assenti.
Com certeza eu perderia aquilo, já estava um tanto alta por conta de todas as coisas que bebemos.
- Valendo. – Cada um pegou um ursinho no seu copo e comeu.
O álcool na gelatina estava bem forte.
Comi dez ursinhos e no décimo primeiro não consegui esconder a careta.
- Está forte, ? – brincou, colocando um ursinho na boca.
- Um pouco! – Falei, colocando mais um ursinho na boca.
- Só não vale ficar bêbada! – Ele riu. – Já estou acabando!
Faltava pouco para os ursinhos acabarem, e eu já sentia o álcool subindo à cabeça.
- Eu vou perder. – Minha língua enrolou. já havia terminado e estava esperando eu terminar.
- Quer desistir? – Ele provocou.
- Não! – Comi os dois últimos ursinhos do meu copo e senti a cabeça pesar.
- Acho que ganhei! – Ele falou quando encostei minha cabeça em seu ombro. – Você está bem? – Assenti. – Certeza? – Confirmei novamente.
- Eu só preciso ir ao banheiro. – Falei, desencostando a cabeça de seu ombro. – , vamos ao banheiro comigo?
- Claro! – Ela respondeu, eu me levantei e segurei a mão de .
- Você está bem? – me perguntou, e eu assenti. – Não parece!
- Vou ficar em alguns instantes. – Entramos no banheiro, que tinha uma luz negra e as paredes rosa, quando me olhei no espelho percebi o quão bêbada eu estava. – Preciso vomitar!
- Vai ali! – apontou para a cabine aberta atrás de mim. – Vem, eu seguro seu cabelo.
Fui até o vaso e me ajoelhei na frente dele, segurou meu cabelo em um rabo de cavalo, eu coloquei dois dedos no fundo da minha garganta, e tudo que bebi saiu instantaneamente.
- Pronto? – Peguei um pedaço de papel higiênico e limpei minha boca. – Está melhor?
- Sim! – Me levantei e voltei para a pia.
Coloquei um pouco de água na minha boca, e joguei a fora.
- Nossa, estou muito melhor. – Me olhei no espelho novamente.
- Você bebeu muito. – falou quando terminou de retocar o batom. – Acompanhar o não é fácil, eu também já tentei. Parece que ele é imune ao álcool.
- Sim, ele bebeu bem mais que eu, e está bem tranquilo! – Respondi.
- Vocês se deram bem, não é? – Assenti.
- Ele é legal! – Dei de ombros e ela assentiu também.
- Vamos voltar? – Ela pegou minha mão novamente e saímos do banheiro.
Sentia-me menos tonta, quando chegamos à mesa todos estavam lá, menos .
- Você está legal? – Bia me perguntou, e eu assenti sorrindo.
- E o onde está? – perguntou sentando ao lado de .
- Ele não disse aonde ia só se levantou e foi para a área dos fumantes. – respondeu.
Eu me sentei no meu lugar novamente.
- Não acredito! – bateu na mesa e se levantou.
Ela sumiu no meio da multidão.
- Onde ela foi? – Perguntei para .
- Buscar o , eu acho! – Ele deu de ombros.
O pessoal voltou a conversar normalmente, e eu peguei meu celular na bolsa. Havia uma mensagem de Julie.
“Me liga, sinto sua falta!”
Disquei seu número e coloquei no ouvido, chamou três vezes e ela atendeu.
- Alô! – Falei.
- Que bom que ligou, estou com saudade! – Ela falou. – Onde você está?
- Estou em um bar, espera um pouco, vou sair daqui. – Me levantei e fui em direção à porta do bar.
- Você não vai conseguir sair, precisa pagar para sair. – Sarah chamou minha atenção. – Vai até a área dos fumantes. Fica ali no fundo. – Ela apontou para uma escadaria um pouco mais à frente de onde estávamos.
- Obrigada. – Sai de perto e fui para a escadaria. – Estou indo para a área dos fumantes, lá é mais silencioso.
- Em qual bar você está?
- Não lembro o nome, mas é bem legal, é perto da escola. – Cheguei à parte de cima do bar e fui para um canto menos movimentado.
- Você foi sozinha?
- Claro que não, vim com a minha roomate e os amigos dela. – Olhei para as pessoas que estavam ali. – Todo mundo aqui é bem legal.
- Sim, eu gostei bastante também quando fui. – Ela fez uma pausa. – Espera um minuto. – A chamada ficou muda.
Continuei com o telefone no ouvido, e olhei ao redor de onde estava novamente.
- Não vou falar de novo, você prometeu para mim que iria parar de fumar! – Ouvi uma voz um pouco conhecida. – Não existe isso, você prometeu para mim que ia parar de fumar, você se lembra disso? – Procurei de onde vinha aquela voz, mas não encontrei ninguém. – Você precisa pelo menos tentar! – Sai de onde estava e continuei procurando. – Qual é, você não está tentando. – Achei e . – Não, você não está tentando! – segurava um cigarro entre os dedos, e brigava com ele.
Eles ficaram em silêncio se olhando por um tempo, até que olhou por cima do ombro de e me encontrou olhando para eles. Ele murmurou alguma coisa para , que me olhou.
- O que? Você fuma também? – Neguei quando ela veio na minha direção.
- Só vim fazer uma ligação, disseram que era mais silencioso. – Apontei para o telefone no meu ouvido.
- Ainda bem, não aguentaria dois amigos fumantes.
- Não sabia que fumava! – Falei para .
- Mas eu não fumo! – Ouvi do outro lado da linha. – De onde você tirou isso?
- Ai você voltou, desculpa estava falando com dois amigos aqui. Só um minuto, Juls? – Tirei o celular do ouvido. – Com licença, eu preciso voltar para essa ligação. – Os dois assentiram, e eu voltei para onde estava. Coloquei o celular de volta no ouvido. – Desculpa, Juls, aconteceu uma coisa aqui com esses meus amigos, mas está tudo certo, e ai como você está?
- Eu estou bem, estudando muito. Terceiro ano não está tão fácil! – Ela fez uma pausa. – Eu estou atrapalhando seu role?
- Não, você nunca me atrapalha! – Olhei para frente, e vi que um garoto me encarava. – Juls, tem um cara lindo me encarando!
- Como ele é? – A voz de Juls criou uma excitação instantaneamente.
- Ele é alto, tem cabelo preto, os olhos dele parecem ser castanhos... Juls ele está vindo aqui. – O menino estava chegando perto de mim. – Juls, o que eu faço?
- Haja naturalmente, ! Não desliga a chamada se ele vier falar com você, quero ouvir tudo! – Ela parou de falar, e o garoto parou na minha frente.
- Oi! – Ele falou, tirei o celular do ouvido e continuei segurando o mesmo na mão perto do meu rosto.
- Oi! – Sorri timidamente.
- Eu não pude deixar de te notar. – Ele continuou. – Qual é seu nome?
- , e o seu?
- Felipe! Você não é daqui... – Neguei com a cabeça. – De onde você é?
- Brasil, e você?
- Também. – Ele falou em português. – Legal encontrar algum conterrâneo, você é de que estado?
- São Paulo, é realmente muito bom, falar sua língua materna. – Ele concordou e sorriu. – Está fazendo intercâmbio?
- Na verdade estudo aqui desde a sexta série, não considero intercâmbio. Você está aqui desde quando?
- Cheguei há duas semanas. Você está no terceiro ano? – Ele assentiu.
- Participo do programa especial da escola, então não fico na mesma sala que os outros.
- Ui! – Coloquei as mãos para cima em sinal de rendição. – Desculpa ai, Senhor Especial. – Ele riu.
- Claro que não, para com isso. É uma escolha, se você quiser pode tentar entrar na turma, precisa fazer uma prova. Se não me engano vai ser semana que vem essa prova. – Assenti.
- Quem sabe eu faço a prova! – Dei de ombros, não estava muito a fim de falar da escola, afinal estava naquele bar para esquecer um pouco as coisas do colégio. – Você fuma? – Mudei de assunto.
- Ahn? Não, só vim tomar um ar, e não dá para sair do bar sem pagar. Você fuma?
- Não, estava em uma ligação com a minha prima. – Levantei o celular e balancei-o levemente. – Tem dezessete anos?
- Dezoito hoje. – Ele sorriu.
- Nossa, parabéns! – Me aproximei para dar um abraço de feliz aniversário. Era o mínimo que podia fazer, contando que acabara de conhecê-lo.
- Obrigado! – Abracei-o e meu celular começou a tocar. Soltei-me do abraço dele, e vi que quem me ligava era Julie. – Não vai atender? – Neguei, bloqueando a tela do aparelho.
- Eu ligo para ela mais tarde. – Dei de ombros.
- Posso pagar uma bebida para você? – Ele perguntou.
- Pode sim. – Ele colocou a mão nas minhas costas e nós descemos de volta para o bar. – Você bebe cerveja? – Olhei para ele com uma careta. – Que brasileira é essa que não gosta de cerveja?
- É lei gostar de cerveja, igual o boato de que toda brasileira sabe sambar e tem bunda grande. – Paramos no balcão e ele fez um sinal chamando um garçom.
- Claro que não é lei, mas é incomum. – O garçom parou na nossa frente. – O que você vai querer beber?
- Um Martini. – Pedi para o garçom.
- Uma cerveja preta, por favor, os dois na minha conta. – O garçom anotou e assentiu. – Martini então, patricinha! – Felipe brincou e eu revirei o olho para ele. – Você leva as coisas muito a sério. Chill girl! – Ele bagunçou o topo do meu cabelo.
- Chill? Até agora você só pesou na minha! – Respondi voltando meu cabelo para o lugar.
- Posso te beijar? – Arregalei o olho para ele.
- Sério isso? – Ele assentiu.
Não estava esperando, mas estava tão afim quanto ele, então simplesmente assenti.
Felipe se aproximou de mim e colocou a mão na minha nuca, puxando meu rosto para perto do dele, e ele selou nossos lábios. Que beijo bom, sem pressa, sua mão esquerda acariciava minha cintura, e eu repousei minhas mãos em seus ombros.
Não era exatamente quem eu esperava estar beijando, na verdade não esperava beijar ninguém essa noite, mas é muito bom ficar com alguém.
- Olha nossas bebidas! – Ele falou, parando o beijo. – Seu Martini, senhorita! – Pegou a taça com o líquido transparente e me entregou.
- Obrigada! – Dei um gole na bebida e apoiei a taça no balcão.
- Não quis parar o beijo... Mas precisava respirar! – Felipe falou depois de dar um gole na cerveja. – Podemos voltar?
- Por que você pede para fazer as coisas?
- Pra você não dizer que eu sou abusado... – Não o deixei terminar de falar, e beijei-o novamente.
- Atitude! – Ele falou entre o beijo que iniciei.
Continuamos o beijo tranquilamente, ele tinha uma mão na minha cintura e o outro braço estava esticado por cima do meu ombro, eu estava com a mão no rosto dele. Ele parou o beijo com alguns selinhos, e quando afastou o rosto totalmente do meu deu um gole na garrafa que estava na sua mão.
- Você beija bem! – Falei, pegando a taça em cima do balcão.
- Obrigado, você não fica pra trás! – Dei um tapa leve no ombro dele.
- Idiota! – Nós rimos juntos. – Preciso pegar minha bolsa, ela ficou na mesa com o pessoal.
- Onde? – Ele perguntou. – Eu vou com você. – Peguei a taça em uma mão e ele colocou a mão no final das minhas costas.
Fomos andando até a mesa onde estavam os amigos de e .
- E ai? – me recebeu.
- Vim pegar minha bolsa. – Ele assentiu.
Estiquei meu braço e peguei minha bolsa.
- Você viu a lá em cima? – Liza perguntou.
- Vi, ela estava conversando com o , mas eu nem fiquei com eles. – Ela assentiu. – Bom a gente se esbarra na escola.
- Tchau! – Ela balançou os dedos e eu sai de perto deles.
- Eles não são seus amigos né? – Felipe perguntou.
- Não sei ao certo, eles são amigos da minha roomate. – Dei de ombros. – Não que isso faça diferença para mim.
- Se quiser pode andar com os meus amigos e eu, são garotos, bem babacas e idiotas como eu, mas eles são legais. – Sentamos nos bancos na frente do balcão.
- Não precisa disso, tenho a e agora estou mais próxima desse amigo dela, o . – Dei de ombros novamente e ele me acompanhou no movimento.
- Se você diz! – Dei o último gole na taça do Martini e coloquei-a sobre o balcão.
Ele virou o liquido da garrafa e colocou-a também sobre o balcão.
A música estava alta e estava cansada daquilo, estava lá há muito tempo.
- Eu quero ir embora! – Me levantei e Felipe veio atrás de mim.
- Espera ai, vou com você.
Fomos em direção do caixa, falei meu nome para o garoto que trabalhava ali e ele achou minha conta no sistema.
- Sua conta deu trinta libras. – Abri a carteira e peguei meu cartão de crédito. – Sua senha... – Digitei a senha, e esperei a máquina liberar meu pagamento. – Obrigado, volte sempre. – O garoto me entregou o cartão com a nota.
Esperei Felipe pagar sua conta e nós saímos juntos. O tempo todo Felipe mantinha a mão no final das minhas costas.
Chegamos ao ponto de táxi e estava vazio, não havia um carro sequer.
- E agora? - Perguntei.
- Vamos ter que esperar. – Felipe respondeu sentando-se no banco que tinha no ponto de taxi.
- Está frio! – Comentei, virando de frente para ele.
- Vem aqui que eu te esquento. – Ele esticou a mão e me puxou para sentar no seu colo. – Mais quente? – Assenti.
Felipe beijou meu pescoço e minha bochecha, depois encontrou meus lábios e começamos um beijo calmo.
O beijo de Felipe era bom, de verdade. Não fui com o intuito de ficar ninguém, mas acabou acontecendo, e estava sendo bom.
Ouvimos o barulho de um carro e paramos o beijo, um táxi havia parado ali, e um casal desceu do banco de trás.
- Boa noite! – Felipe cumprimentou o motorista e entramos no carro. – Para o Colégio St Klaus, por favor!
O motorista deu a partida no carro e começou a andar.
- Você deixou seus amigos no bar, para ficar com uma garota que você acabou de conhecer. – Mexi a cabeça positivamente. – No dia do seu aniversário!
- Sinta-se importante! – Ele riu fraco. – Não estava mais querendo ficar lá, e como eu estava com você nada mais correto do que te acompanhar. – Assenti.
O carro ficou em silêncio até chegarmos na porta da escola. Felipe deu vinte libras para o taxista, agradeceu e nós entramos na escola.
Fomos em silêncio até o pátio.
- A gente se despede aqui? – Felipe perguntou.
- Se você se despedir aqui tudo bem! – Falei, sorrindo maliciosamente.
- O que quer fazer, estou sem sono. – Ele fez uma pausa. – Podemos ficar no meu quarto.
- Ou podemos ir para o meu, tenho quase certeza que minha roomate vai dormir com o namorado no quarto dele. – Ela assentiu.
- Então vamos para o seu quarto.
Entramos no prédio feminino, caminhamos até meu quarto, e entramos.
- Bem-vindo ao meu quarto. – Me joguei na minha cama. – Fica à vontade, pode sentar. – Ele se sentou ao meu lado.
- Vem cá vai, não vamos ficar fazendo suspense. – Ele me abraçou e me beijou, dessa vez com um pouco de intensidade a mais.
Não demorou muito para ele tirar a blusa e abrir a parte de trás do meu vestido. Quando estava sem vestido e ele só de cueca, as coisas ficaram mais sérias.

- Wow! – Ele saiu de cima de mim e deitou ao meu lado na cama.
- Wow mesmo! – Me levantei da cama, e me direcionei ao banheiro.
Quando fui fechar a porta Felipe entrou no banheiro comigo.
- Sai, Felipe, quero tomar banho! – Felipe me encarou. – Sai! – Tentei empurrá-lo mas ele era mais forte que eu. Ele segurou o meu braço e pressionou meu corpo contra o dele. – Para!
- Para o que? – Ele roubou um selinho. – Não estou fazendo nada.
- Me solta! – Empurrei ele pelo ombro e ele me soltou.
- Você é demais! – Ele me abraçou por trás quando abri o chuveiro.
- Cala a boca e me solta! – Ele me beijou no pescoço. – Não, sai!

’s POV
Voltei para a mesa com , e Erik estavam dando risada de algo e os outros conversavam sobre qualquer coisa.
- Qual a graça, babe? – falou, sentando-se ao lado do namorado novamente.
- O Erik é um idiota. – Ele beijou a bochecha da garota.
- Onde está a ? – Perguntei para .
- Ela foi atender o telefone lá na área de fumantes, já faz algum tempo. – deu de ombros. – Depois ela pegou a bolsa e deu tchau pra gente.
Procurei por na parte de cima do bar antes de descer, mas ela não estava lá. Esperava encontrá-la na mesa com o resto do pessoal.
- Desencana se não rolou nada até agora, hoje não vai rolar. – interrompeu meus pensamentos.
- Vou embora. – Peguei minha carteira no bolso de trás da calça, e peguei uma quantia de dinheiro suficiente para pagar a conta de tudo que bebi.
- Você pode dormir no meu quarto? – me perguntou quando me levantei para sair do bar, olhei para ela sem emoção alguma no olhar. – Por favor, quero dormir com o de novo.
- Pô eu estou dormindo lá há duas semanas. – Reclamei.
- Por favor, juro que é a última vez. Depois disso você pode voltar para o seu quarto. – Ela juntou as mãos na frente do rosto. – Por favor, !
- Ok, mas essa vai ser a última vez! – Ela pulou da cadeira e me abraçou.
- Yay, te amo!
- Também te amo, ! – Me desvencilhei do abraço dela e me dirigi à porta.
Sai do bar e peguei o primeiro táxi que passou ali na frente.
- Para o Colégio St. Klaus. – Pedi para o motorista.
Peguei meu celular no bolso da calça e procurei número da garota que tomava conta dos meus pensamentos.
- Alô? – Ela atendeu.
- Oi! – Respondi.
- Quem é? – Não acredito que ela apagou meu número.
- O Alfie! – Respondi sem emoção alguma na voz.
- Meu Deus! – Ela riu. – Que bom que você me ligou. Perdi todos os meus contatos quando cheguei no Brasil. Como você está, babe?
- Por que você foi embora sem me dar tchau, Juls? – Não respondi sua pergunta, mas quis ter os meus questionamentos respondidos.
- Alf, me desculpa!
- Não, Julie, me responde, por que você não se despediu de mim e da ?
- Porque não queria chorar, nem ver vocês chorando! – Como assim, isso não existe.
- Não é uma desculpa, você saiu enquanto eu e ela estávamos dormindo.
- Você me ligou para discutir, ? Por que não estou nem um pouco a fim de brigar agora. – Assenti.
- Você está certa, estou com saudade de você, sinto sua falta todos os dias! – Respirei fundo. – E entrou uma garota nova que me faz lembrar de você, ela é bem diferente psicologicamente, mas fisicamente ela é idêntica a você.
- Sério? Qual o nome dela? – Não era para ela ficar animada com isso.
- !
- Que?
- Le...
- Eu entendi, ela é brasileira? – Que interesse é essa na garota?
- Sim.
- Você está fazendo amizade com a minha prima? Não acredito, Alfie.
- Sua prima? – Que?
- Sim, a é minha prima, eu que indiquei a escola para ela. – Ok, agora faz sentido a semelhança.
- Inusitado! Me pegou totalmente de surpresa. – De verdade.
- Me conta, como estão as coisas por ai? – Ela estava animada demais para isso.
- Está tudo bem, é difícil, afinal me acostumei com a sua presença diária, mas estou conseguindo esconder bem essa saudade. Eu acho! – Realmente espero que esteja conseguindo esconder.
- Já te disse que você não precisa esconder o que sente, Alf!
- Mas eu não quero sentir sua falta, Juls! – Hora de dizer a verdade. – Eu te amo pra caramba, e sinto sua falta cada segundo, cada minuto, e não é algo que eu queira sentir. Não quero acordar todos os dias e pensar, nossa a Julie podia estar me esperando para tomar café da manhã. – Ouvi uma fungada. – É difícil dizer boa noite e não ter seu beijo que eu recebia todas as noites antes de ir para o meu quarto. Eu me pergunto todos os dias por que você não veio me dar tchau, por que você não me ligou assim que chegou no Brasil, por que você não me chamou em nenhuma rede social? Qual é, será que só eu senti que foi real? Será que ela sentiu alguma coisa do que eu senti? – Outra fungada. – Porque não é possível ter sido inesquecível e mágico só para mim! Você entende o que eu quero dizer? – Ela não respondeu, apenas murmurou um “uhum”. – Não tem um dia que não penso em você e em tudo o que vivemos juntos durante todo o ano que você passou aqui!
- Chegamos! – O taxista falou assim que o carro parou. – Vinte libras. – Peguei minha carteira no bolso de trás e tirei o dinheiro, entreguei para o motorista e sai do carro.
- Você não precisa responder nenhuma das minhas perguntas, porque talvez se você responder seja ainda mais difícil de superar sua partida. – Respirei fundo, e ela fez o mesmo.
- Foi real, Alf! É real, eu te amo. Não consigo não pensar em você, tudo o que vivemos foi totalmente inesquecível. Me acostumei a ter você todos os dias perto de mim, a te beijar e falar com você quase vinte e quatro horas por dia. – Ela fez uma pausa. – Eu não dei tchau para não chorar, eu não me despedi porque não queria que tudo que eu vivi ao seu lado se tornasse algo triste, com um final triste, queria apenas te fazer me esquecer. Não te chamei por medo de travar sua vida amorosa. Alf, você merece a melhor pessoa do mundo, e infelizmente essa garota não sou eu.
- Você nem chegou a terminar comigo, você simplesmente foi embora. Como eu posso te esquecer? – O pátio da escola estava totalmente vazio, quem estava na escola já estava dormindo e quem estava acordado não estava na escola. Sentei em uma mesa qualquer do pátio. – Não tem como te esquecer, meu amor!
- ... – Ela resmungou. – Se dá a chance de me esquecer e ser feliz! Não me liga mais, me esquece, apaga o meu número! Eu nunca vou esquecer o que vivemos, mas precisamos viver nossas vidas, porque estamos bem longe, e isso vai continuar desse jeito!
- Juls, não fala desse jeito!
- , acabou! Eu estou realmente terminando com você, talvez seja uma das coisas mais difíceis que já fiz em toda a minha vida, mas é necessário. Me deleta da sua vida, Alfie! – Ela desligou, parece que agora acabou de verdade.
Olhei para tela do celular totalmente apagada, e vi uma lágrima escorrer pelo meu rosto, passei a mão naquela gota e engoli o choro que pretendia vir com força. Eu amo ela, e nunca vou esquecer ela.
Me levantei e me direcionei ao prédio feminino. Andei lentamente pelo corredor até chegar no quarto da . Abri a porta e a cama de estava desfeita a luz do abajur ao lado da cama da garota estava aceso, tirei minha jaqueta e me joguei na minha cama de . Tinham roupas masculinas jogadas no chão e o vestido que usava jogado ao lado delas. Ouvi o chuveiro ligar.
- Cala a boca e sai daqui! – Ouvi a voz de seguida de uma risada. – Sai! Não.
- Peguei. – Uma voz masculina.
Levantei da cama, tirei minha calça e coloquei minha samba-canção. Desfiz a cama e me deitei embaixo do edredom, fechei meus olhos e não demorei a pegar no sono.

Abri meus olhos e o quarto ainda estava escuro, olhei para a cama ao lado da minha, a mesma estava vazia e arrumada. Sai da cama e fui para o banheiro, lavei meu rosto e me olhei no espelho.
- Nada de ressaca, parabéns mais uma vez . – Disse para meu reflexo.
Tirei a roupa e entrei no chuveiro, lavei o cabelo e me permiti não pensar em absolutamente nada durante o banho. Terminei o banho e sai do box. Me sequei, e procurei uma cueca limpa no closet de , onde estava guardando algumas de minhas coisas, já que estava dormindo naquele quarto há duas semanas.
Vesti a cueca limpa e vesti a mesma calça da noite anterior, voltei para o quarto e peguei meu celular que estava no criado-mudo. A parte de trás dele tinha um post-it colado no aparelho.
“Quando acordar e estiver pronto para o nosso passeio me avisa! Ass: !”
Ok, ela não esqueceu que tínhamos marcado de sair juntos.
Desbloqueei o celular e a tela de ultimas ligações apareceu, e o nome de Julie estava na ultima chamada feita. Cliquei nas informações do contato, cliquei em apagar contato.
“Deletar?”
Duas opções “cancelar” e “Ok”. Fiquei um tempo olhando para as opções e decidindo se apagaria ou não o contato. A notificação de mensagem apareceu no alto da tela, e eu decidi tocar no “ok” logo. Tudo que tinha na página de contato de Julie desapareceu.
Talvez tenha sido uma escolha radical, mas era o melhor a se fazer depois da conversa que tivemos na noite anterior.
Vesti uma camiseta limpa, e me preparei para pular a janela.
Sai do quarto pela janela e procurei pelo contato de , uma foto da garota usando os óculos de grau e colocando a franja atrás da orelha apareceu na tela do celular quando coloquei para chamar, levei o aparelho até o ouvido. Chamou três vezes até ela atender.
- Alô?
- Oi, já sai do quarto, estou pronto, você já quer sair? – Perguntei de cara.
- Ah, sim! Para onde vamos?
- Vamos resolver o problema do seu passaporte, e dar uma volta na praia depois. – Respondi.
- Então preciso trocar de roupa e pegar coisas de praia. Onde nós nos encontramos?
- Me encontra no portão em trinta minutos?
- Claro, até já então.
- Até!
Desliguei o telefone e coloquei no bolso, fui em direção ao meu quarto.
Entrei no quarto e fui direto para o closet. Troquei a calça por uma bermuda e peguei meus óculos de sol. Me olhei no espelho e me achei apresentável, não dava para ficar melhor que aquilo. Dei de ombro e me direcionei para a porta do quarto.
Sai do quarto, e fui para o portão da escola. Parei ali, e encostei-me ao muro até chegar, o que não demorou muito.
- Oi, bom dia! – Ela veio até mim e me deu um beijo na bochecha.
- Bom dia! – Me preparei para sair do colégio. – Você vai gostar.
- Espero que sim.
Chamei um táxi que passou ali na frente e o carro parou. Abri a porta para entrar e entrei em seguida.
- Para o centro! – Pedi para o motorista.

’s POV
- Esse primeiro sábado livre está um saco! – Leonardo falou, se jogando na cama.
- É porque nós estamos namorando, tem mil festas para ir, mas as meninas não vão querer e mesmo se for, elas não vão querer fazer nada e a gente não vai se divertir, melhor ficar em casa. – Respondi me jogando na cama em seguida.
- Verdade, a Sarah é um porre em festas. Você viu o hoje? – Coloquei os braços atrás da cabeça.
- Não vi, não! – Nesse momento meu celular tocou, anunciando que chegou uma mensagem.
Peguei o celular no criado-mudo e a mensagem era de .
“Almoço liberado, você vem?”
- O almoço está liberado. – Sentei na cama e olhei para Leonardo. – Vamos?
- Vamos! – Ele levantou e saímos do quarto.
Andamos em silêncio até o pátio, e encontramos Nicholas e Erick sentado com as meninas.
- Chegamos! – Abracei por trás e beijei o topo da sua cabeça.
- Falta a e o ! – Erik falou.
- Eles não estão na escola. – respondeu. – Saíram para resolver o negócio do passaporte dela.
- Ele está fazendo de novo. – Leo murmurou, mas todos escutaram e olharam para ele. – O que?
- Sem noção igual à namorada! – disse, levantou e saiu andando em direção ao refeitório.
- De novo não! – Liza resmungou.
- Ela me chamou de sem noção? – Sarah perguntou, parecendo ter se tocado do que acontecera só naquele momento. – Não falei nada, meu Deus!
- Agora né? – Bia falou.
- O que eu posso fazer se a novata parece com a brasileira do ano passado. – Leonardo comentou.
- Eu falei de novo não. – Liza falou um pouco mais alto.
- Entendeu por que ela chamou vocês de sem noção? – Beatriz falou, saindo da mesa e indo para o refeitório.
- O que a gente fez? – Leo perguntou sem entender absolutamente nada.
- Tocou no nome proibido. – Nicholas, Erik, Liza e eu respondemos.
- De novo isso? – Sarah reclamou e saiu em direção ao refeitório.
- Aposta quanto que elas vão sentar em mesas distantes umas das outras. – Falei, sentando ao lado de Leo.
- E se a gente não sentar com elas, vamos ter brigas. – Erik concluiu.
- Ainda bem que a minha namorada não fica brava por qualquer coisa. – Nicholas falou, beijando Liza.
- Quer saber, vou sentar sozinha também. – Liza levantou e foi para o refeitório.
- Agora fudeu! – Nick disse e nós rimos.
- Vamos sentar os quatro juntos, na mesa de sempre, depois a gente se resolve com elas. – Leonardo disse, dando de ombros.
Será que ele sabia a gravidade o que tinha acabado de acontecer?
- Estou contigo nessa, eu não quero sentar na mesa de qualquer um. – Resolvi me juntar a eles, afinal prefiro manter minhas amizades.
- Então vamos. – Nicholas falou.
Levantamos e fomos para o refeitório. Quando atravessamos a porta senti o olhar de em mim. Olhei para ela e me virei para frente novamente.
Nós nos servimos e fomos para a mesa que sempre sentávamos, ficamos em silêncio, só se ouvia o barulho dos talheres nos pratos e as conversas que rolavam nas outras mesas.
- Você não venha falar comigo depois! – sussurrou no meu ouvido.
Olhei para ela saindo do refeitório.
- Fudeu! – Murmurei.
- O que ela disse? – Leo perguntou.
- Que não é para eu ir atrás dela, a briga vai ser feia. – Respondi.
- Mas por que tudo isso? – Erik perguntou de boca cheia.
- Duas coisas, primeira: não fala de boca cheia, é nojento. – Enumerei com o dedo. – Segunda: a Julie era uma das melhores amigas da , se não a melhor, e a garota simplesmente foi embora sem dar tchau. A não superou isso. – Conclui o pensamento e coloquei a comida na boca.
- Ai, consequentemente, a Lih pega as dores da , e a Sarah nunca foi com a cara da Julie, e a Bia toma as dores da Sarah. – Leonardo explicou. – Concluímos assim com a briga entre elas.
- Olha quem está vindo, eu vou me ferrar já estou vendo. – Nicholas falou, apontando com a cabeça sua namorada que vinha atrás de mim.
- Nicholas, eu vou pro meu quarto, não quero que venha atrás de mim! – Fiz cara de confusão.
- Por que você diz aonde vai estar se não quer que ele vá atrás de você? – Liza revirou os olhos para mim.
- Também não entendi. – Erik falou.
- Idiotas. – Ela virou as costas e saiu de perto da gente.
- Se a Sarah vier, eu perco a namorada! – Leonardo falou. – Mas se ela não vier, não vou nem conseguir falar com ela. Então prefiro que ela venha.
- Ela levantou! – Erik falou.
Sarah deixou o prato na cozinha, olhou na nossa direção e saiu do refeitório sem falar com Leo.
- Devo ir atrás? – Ele perguntou para mim.
- Eu fui atrás? – Ele negou com a cabeça. – Então não vai.
- Elas brigaram agora, mas daqui a pouco elas vão estar conversando e vão ter esquecido isso. – Neguei subitamente.
- A não vai esquecer, e é capaz de não falar mais com você, Leo! – Falei, colocando a última garfada na boca.
- Comigo? – Ele colocou a mão no peito, eu assenti. – Não posso fazer nada se a melhor amiga dela não é tão melhor amiga assim.
- Não fode, Leonardo! – Nicholas falou. – Você que começou tudo isso.
- Certeza que se o estivesse aqui, nada disso teria acontecido. – Erik falou, mexendo na comida.
- Tanto faz, vamos embora. – Falei, levantando da mesa.
Sai do refeitório seguido por Leonardo e Erik, Nicholas foi pelo outro lado do refeitório, ele iria atrás da Lih, não queria correr o risco de perder aquela loira.
- Vocês vão falar com as meninas? – Perguntei procurando o que deveria fazer.
- Mais tarde, não estou com pique para discutir a relação agora. – Erik respondeu, sentando na mesa, colocando o pé no banco.
- Não sei, estou sem saco para isso também! – Leo sentou-se no banco ao lado da perna de Erik.
- Vou falar com a , mas tenho certeza de que ela não vai querer papo. – Sentei ao lado de Erik em cima da mesa.
- A Bia e a Sarah nunca vão dar o braço a torcer, vão se manter firmes nessa briga até a vir atrás delas. – Leo falou dando de ombros.
- O que não vai acontecer, porque a é bem orgulhosa! – Erik assentiu. – Não quero me meter nessa briga, então...
- É isso! – Erik concordou comigo.
Me levantei, e fiz um toque com os garotos.
- Vou dormir! – Sai em direção ao meu quarto.
Assim que entrei no quarto, peguei meu celular no bolso e mandei uma mensagem para .
“Deu merda grande, fala com a sua melhor amiga, ela não está muito bem!”
Coloquei o celular no criado mudo, e me deitei na cama, não demorou muito pra meu celular vibrar com uma mensagem de .
“O que rolou?”
Respondi:
“Falaram o nome proibido, e ela ficou brava, brigou com todo mundo, e saiu andando!”
A resposta chegou logo:
“Não acredito! Ok, vou falar com ela assim que chegar.”
Bloqueei o celular e coloquei-o sobre o criado mudo novamente, me virei de frente para a parede, fechei meus olhos e dormi.


’s POV
- , não! – Gritei no corredor de salgadinhos do supermercado que estávamos. – , não faz isso! – Ele vinha na minha direção e eu fugia de costas.
- Nem encostei em você. – Ele parou de andar e colocou as mãos para cima.
- Vou escolher um salgadinho, e você fica parado ai, do jeito que você está! – Apontei para ele.
- Ok! – Ele abaixou os braços e colocou atrás de si.
- Você come qualquer salgadinho? – Me virei para a prateleira, e procurei algum salgadinho que eu gostasse. – Você como qualquer um? – Perguntei novamente e olhei para onde mandei o ficar, mas ele não estava lá. – ? – Procurei pelo corredor, mas ele não estava por ali.
Caminhei até o final do corredor e entrei no corredor ao lado, olhei para os dois lados, mas ele não estava em lugar nenhum.
- Droga, ! – Bati o pé no chão. – E eu nem sei onde eu estou! – Murmurei.
Olhei mais uma vez para os dois lados do corredor, voltei para o corredor de salgadinho e ele não estava lá.
Virei-me de frente para os caixas e decidi ir até o caixa, talvez anunciar no microfone que estava perdida. Peguei dois pacotes de batata Lays e comecei a andar devagar até o caixa, quando alguém me abraçou por trás, me impulsionando para frente.
- Ai! – Tentei me soltar do abraço. – Me larga, eu estou brava com você!
- Credo você não sabe brincar? – Ele me soltou e passou a andar do meu lado. – Vamos para o caixa.
Ué, eu não sei brincar? Aff!
Seguimos andando até o caixa, e coloquei os pacotes de salgadinho e o refrigerante no balcão.
- Boa tarde! – A moça sorriu para mim, e eu sorri de volta. Passou todas as coisas no leitor e eu coloquei na sacola. – Mais alguma coisa?
- Não, só isso! – respondeu pegando a carteira no bolso de trás.
- É minha vez de pagar o táxi, eu pago essa! – Peguei minha carteira na bolsa e peguei meu cartão de crédito.
- Para com isso, ! Deixa eu pagar. – Neguei e coloquei meu cartão na máquina.
- Deu quinze libras. – Assenti e digitei a senha.
- Droga, ! – Ele falou em português, e eu o encarei.
- O que você disse? – Perguntei com um sorriso no rosto.
- Você sempre fala isso quando está irritada comigo, “droga, ”! – Ele imitou minha voz. – Não sei o que significa, mas acho muito fofo. – Dei risada da imitação ridícula.
- Pode tirar o cartão da máquina, moça. – Tirei o cartão da máquina, guardei-o na carteira e guardei a mesma na bolsa. – Obrigada!
- Obrigada você, boa tarde, e bom trabalho. – Respondi para ela.
- Vocês formam um casal lindo. – Ela falou enquanto pegávamos as sacolas.
- Ah não... Nós não... – Olhei para enquanto ele respondia. – Não somos um casal! – A atendente se desculpou, nós sorrimos para ela e saímos do mercado.
Sai na frente dele, mas ele segurou meu braço.
- O que foi? – Ele perguntou.
- Nada! – Respondi e o fiz soltar meu braço.
- ! – Ele gritou quando já estava longe, olhei para ele e parei no meio do estacionamento. – O que aconteceu?
- Nada, ! – Respondi quando ele se aproximou de mim.
- Você está estranha, o que aconteceu? – Ele segurou minha cintura e eu olhei no fundo dos olhos dele.
- Não aconteceu absolutamente nada! – Respondi baixo.
- Certeza? – Eu assenti. – Se você diz! – Ele deu de ombros e me soltou.
Andamos até o ponto de táxi que tinha ali perto, e sentamos no banco esperando algum carro chegar.
- Você está sorrindo! – Encarei-o e sorri ao ver o sorriso dele. – O sorriso lindo que você nunca mostra.
- Só quando estou perto de você. – Ele sussurrou. – Está sendo um dia legal. – Eu sorri mais quando percebi que ele não notou que eu tinha escutado o que ele disse.
Não fora planejado por eu estar me dando tão bem com o ex-namorado da minha prima, e nunca imaginei que ele estava me ajudando com a falsificação do meu passaporte, me levando para conhecer a praia da cidade, inusitado não é?
- Ainda temos muitas coisas para fazer, então vamos comer isso logo e terminar tudo, assim temos tempo de ir para a escola, trocar de roupa e voltar para a balada. – Ele falou assim que o carro chegou.
- Ainda quer vir para a balada? Eu estou exausta. – Entramos no carro juntos.
- Se não quiser, não precisa vir.

Chegamos a uma praia, totalmente deserta. Desci do carro e veio atrás de mim. Tirei meu sapato antes de pisar na areia, fomos até uma parte mais próxima das pedras que tinham ali. Coloquei minha bolsa, sapatos e a sacola com os salgadinhos na rocha e peguei minha canga na bolsa e estendi-a na rocha.
Virei-me para e ele estava sem camisa, o corpo dele não era o mais definido, ele era magro, não tinha tanquinho nem nada, apenas o músculo oblíquo era evidente.
- Vai ficar com essa roupa nesse sol? – Ele perguntou quando viu que eu o observava.
O rosto dele estava radiante, o cabelo dele estava em um topete perfeito, cada detalhe não passava batido por mim. Os olhos cor de mel, quase verdes. Ele sorria, os dentes perfeitamente brancos. Ele ficava ainda mais lindo quando sorria.
- O que foi? – Ele perguntou sorrindo.
- Nada! – Balancei a cabeça, e peguei a barra da minha blusa.
Tirei a blusa e o short que usava. Dobrei os dois e guardei na bolsa.
- Me dá sua camiseta, vou guardar na bolsa. – Ele me entregou a blusa eu dobrei e guardei junto com a minha roupa. – Vou dar um mergulho, e ai a gente come ok?
- Ok!
Desci da pedra e soltei meu cabelo que estava em um coque no alto da minha cabeça. Olhei para na pedra e sorri para ele. Virei-me para o mar e parei quando senti a água bater no meu pé.
Uma brisa leve bateu no meu rosto, fechei meus olhos e senti a brisa bater em mim. Andei mais um pouco até a água bater na minha cintura. Quando a onda foi quebrar eu mergulhei a cabeça, e fiquei em baixo d’agua com os olhos fechados.

- , pelo amor de Deus abre os olhos, por favor, abre os olhos! – Senti lábios nos meus e uma vontade absurda de tossir. – , acorda! – Uma pressão no meu peito, e comecei a tossir, fazendo sair água da minha boca. – Graças a Deus! – Era , ele puxou meu corpo para um abraço, minha cabeça rodava.
- O que aconteceu? – Coloquei a mão na testa, na expectativa de fazer minha cabeça parar de rodar.
- Você se afogou, a onda que você mergulhou não veio sozinha, outra veio atrás e você não conseguiu subir para a superfície. – Ele me metralhou com explicações isso fez minha cabeça rodar mais ainda. Ele me apertou no abraço. – Você está bem? Que bom que você acordou! Vem, vou te tirar daqui. – Ele colocou meu braço atrás de seu pescoço e pegou minhas pernas, e colocou o outro braço nas minhas costas, me levantou do chão e eu apoiei minha cabeça no ombro dele. – Fica acordada, por favor! – Meus olhos estavam pesados, e eu não conseguia mantê-los abertos.
Ele me colocou no chão em cima da canga, e sentou ao meu lado, coloquei minha cabeça em seu ombro. Senti uma lágrima cair do meu olho e eu respirei fundo, e mais lágrimas caíram dos meus olhos.
- , o que foi?
- Não sei! – Minha voz saiu embargada.
- Calma, acho que é o estado de choque saindo. – Eu soluçava. Ele beijou o topo da minha cabeça. – Eu estou com você!

’s POV
Eu estava farta de sentir saudade de alguém que nem se importou em se despedir de mim, estava cansada de deixar isso afetar minha vida de uma forma tão louca e evidente. A falta que Julie me fazia estava afetando minhas amizade, meu namoro, e meu desempenho da escola.
- Se tiver alguém maior que eu ai em cima, você pode me ouvir? Me responde só uma coisa, por que ela não me deu tchau? – Respirei fundo. – Você sabe de todas as coisas não é? Então me responde o que se passava na cabeça dela? Por que você deixou ela fazer isso comigo e com o Alf? – Uma lagrima caiu do meu olho, molhando mina bochecha. – Por que até hoje ela não responde uma mensagem minha, ou não atende nenhuma ligação? – Lágrimas saiam sem parar, e eu não lutava para segura-las. – Me responde, me traz uma resposta! Por favor, eu não aguento mais viver assim! – Peguei meu travesseiro e coloquei no rosto.
Estava com o rosto coberto quando meu celular vibrou e fez um barulho avisando que tinha uma nova mensagem. Peguei o aparelho e abri a mensagem que era do .
“Ei lindona, precisamos conversar! Assim que eu chegar na escola te mando uma mensagem!”
Ele sabia sempre a hora certa de me mandar uma mensagem, parecia que ele sentia que eu precisava dele.
Me levantei da cama, e fui para o banheiro e me despi para tomar banho. Meu cabelo estava em um coque no alto da cabeça, eu soltei-o e entrei no chuveiro quente.
Não conseguia parar de chorar ou de pensar em tudo que estava acontecendo depois da ida de Julie para o Brasil.
Sai do chuveiro, enrolei meu cabelo em uma toalha e meu corpo em outra, sai do banheiro e peguei uma lingerie qualquer na gaveta e me vesti, voltei para o banheiro apenas de sutiã e calcinha, me olhei no espelho e as lágrimas começaram a cair novamente. Ouvi meu celular do lado de fora, peguei o mesmo. Era uma chamada de .
- Alô? – Atendi.
- Oi, como você está? – Ele parecia sorrir.
- Estou péssima, me diz que você já está chegando! – Minha voz estava ainda mais embargada.
- Não chora, estou chegando em pouco tempo! Assim que eu chegar vou direto para o seu quarto! – Suspirei.
- Eu não aguento mais, ! – Soltei o ar com violência.
- Eu entendo! Relaxa. – Ele fez uma pausa, e eu murmurei um “uhum” – Daqui a pouco estou ai, ok? Beijo, tchau!
- Tchau! – Desliguei a chamada e voltei para o closet.
Coloquei uma roupa qualquer e tirei a toalha do meu cabelo. Deitei na minha cama com a cabeça encostada no travesseiro, sabia que aquilo molharia todo meu travesseiro, mas não me importava.
Continuei chorando com a cabeça apoiada no travesseiro, até pegar no sono.

- ?! – Abri meus olhos e me deparei com sentado ao meu lado. – Tudo bem? – Neguei com a cabeça e escondi meu rosto no travesseiro. – Ei, olha para mim! – Ele tirou meu cabelo do meu rosto.
- Não quero, eu estou horrível! – Afirmei colocando o cabelo de volta no meu rosto.
- Ah que besteira! – Ele pegou minha mão. – Senta, vamos conversar!
Me sentei de perna de índio na cama e arrumei meu cabelo para trás, mostrando meu rosto inchado por conta do choro.
- Wow, você está péssima! – riu da minha cara.
- Ah obrigada, melhor amigo!
- Qual é, tenho que ser sincero com você! – Ele sorriu, me fazendo dar uma risada fraca. – E ai, como você está?
- Não estou só tem meu corpo aqui, meus pensamentos, sentimentos, e emoções estão bem longe de mim. Não sinto mais nada! – Respirei fundo. – Nem vontade de chorar eu sinto.
- Meu Deus que dramática! Vem aqui, me deixa aquecer esse coração gelado! – Ele me puxou e me abraçou forte.
- Não aguento! – Falei quando ele me soltou. – Não entendo nada, não sei porque isso mexe tanto comigo.
- Eu falei com ela ontem! – Olhei no fundo dos olhos dele. – Não foi uma conversa agradável.
- O que? Como conseguiu falar com ela?
- Eu não sei, eu liguei e ela atendeu. Ela não trocou o número, só não queria atender. – Ele deu de ombros.
- Então se eu ligar para ela, ela vai me atender? – Perguntei esperançosa, já com o celular na mão.
- Não custa tentar não é? – Assenti.
Ficamos em silêncio enquanto procurava o número da minha melhor amiga nos meus contatos, cliquei no nome dela e coloquei para chamar. Coloquei o telefone no viva voz, e na tela tinha uma foto minha e da minha amiga dando risada.
- Alô? – A voz dela saiu do pequeno aparelho na minha mão.
- Juls? – Perguntei retoricamente. – É a !
- Ai meu Deus, como você está? – Ela estava entusiasmada.
- Estou péssima, devastada, acabada, tudo que consigo fazer é chorar! – Respondi sem pensar duas vezes.
- Por que, baby? – O tom de voz de Juls estava mais tranquilo, e senti mais ainda falta dela.
- Porque sinto sua falta mais do que tudo! – Minha voz saiu embargada. Como ainda tinha lagrimas nos meus olhos? – Você simplesmente sumiu, Julie, desapareceu totalmente, sem dar nenhuma satisfação, ou sem fazer uma despedida! Como você consegue dormir à noite Juls? Eu não durmo!
- Não tenho uma explicação boa o suficiente para te dar! Só quis fazer vocês me esquecerem. Pode ser a coisa mais babaca que vou te dizer, mas ainda quero me esqueça. Então vou dizer a mesma coisa que disse para o Alf ontem. Acabou, não estou mais ai, não vou voltar, e não quero manter contato com vocês! Tchau, ! For real! – A chamada ficou muda, e eu só chorava.
- Ela não tem coração? – Falei, deitando no colo de . – Ela não tem coração, !
- É o que ela disse, ela falou a mesma coisa para mim ontem! – acariciava meu cabelo, e eu só chorava. – Pode chorar, eu chorei também! Mas talvez seja o melhor mesmo, esquecer ela.
Não respondi, ficamos em silêncio. Ele fazendo carinho no meu cabelo e eu chorando até não ter mais lágrimas para cair do meu olho.
- Eu quero odiar ela!


Capítulo 3

’s POV
- Qual é, , você está sem falar comigo há mais de uma semana, só porque não sentei com você no dia que você brigou com as suas amigas. – batia na janela que estava fechada.
Não falo com ele nem com as meninas desde o sábado anterior. Podia falar o que fosse, mas não dos meus melhores amigos.
Sentia falta de Julie, mas ela me mandou esquece-la, descobri que era prima dela durante essa semana, e ela foi muito babaca comigo na semana passada.

*FLASHBACK*
- O me contou que você se afogou sábado quando foram à praia. – Eu falei para ela quando sai do banheiro, antes do jantar.

- Sim, mas tudo ficou bem. Eu fiquei em estado de choque a princípio, mas fiquei bem depois e conseguimos aproveitar. Peguei até um bronzeado. – Era a primeira vez que conseguia conversar com naquela semana, quando não estávamos em sala de aula, ela estava estudando para a tal prova da turma especial.
Vesti minha calcinha e sutiã, peguei a minha nécessaire de maquiagem e voltei para o banheiro onde ela estava se maquiando.
- O disse que Julie era sua melhor amiga. – Ela falou como se conhecesse Julie e aquilo me fez travar.
Olhei para ela pelo espelho e ela sorriu para mim.
- O que ele falou sobre a Julie? – Perguntei voltando a me maquiar.
- Nada que eu já não soubesse: que ele a namorou, que ela parece comigo, e tudo aquilo que ela me contou quando chegou ao Brasil. – Me virei de frente para ela.
- Você conhece a Julie?
- Logico, ela é minha prima! – Engasguei com minha própria saliva, e comecei a tossir desesperadamente.
- Prima? – Repeti.
- Sim, minha prima! Somos quase gêmeas, e ela que me indicou essa escola. – Ela sorriu para mim.
- Ela falou de mim? – Ela negou com a cabeça. – Entendi.
- Ela só falou do , e na verdade ela nunca o chamou de , por isso não sabia quem era ele. Ela o chamava de...
- Alfie! – Interrompi-a.
- Você sente falta dela, não é? – Assenti, e senti uma lágrima descendo pela minha bochecha. – Ei, vem aqui! – Ela me puxou para um abraço. – Eu não sou ela, mas pode fingir que sou. O fala que sou parecida com ela, mas só fisicamente.
- Não quero fingir nada com você. – Ela me soltou do abraço. – Vamos ser amigas, por você ser quem você é não por ser prima da Julie. Eu e o combinamos de não falar sobre ela, nem tocar no nome dela. – Ela me olhou com curiosidade. – Não por alguma coisa, é só pra não sentir saudade. Pode não parecer, mas eu sou bem chorona. Quando ela foi embora, eu só chorava, todos os dias.
- Você pode ir visita-la, comigo, quando eu for para o Brasil, você pode ir comigo, e a gente pode conhecer toda minha cidade, e você pode ficar lá em casa, você pode ver minha prima sempre. E talvez o poderia... – Ela parou de falar e começou a pensar.
- Não quer que o fique perto dela não é? – Provoquei.
- Ué porque não ia querer? Não tenho nada com ele, se ele quiser ver a Julie não me importo.
*FIM DO FLASHBACK*

- , fala comigo. – chamava do lado de fora.
Fui até a janela e abri a mesma.
- Finalmente, se afasta, vou pular.
- Não, sai daqui, me deixa em paz.
- , qual é, conversa comigo, meu amor. – Ele colocou a mão sobre a minha.
- , sai daqui, por favor. – Tirei minha mão do batente da janela e fechei a mesma. Ele virou as costas e saiu andando.
- , você viu minha saia listrada preta e branca? – perguntou do closet. – Queria usar ela no jantar com o . Ele me chamou para jantar, eu não sei onde vamos jantar, até porque esse final de semana não é livre, mas mesmo assim quero estar apresentável.
- Ela está na minha segunda gaveta, porque eu usei-a essa semana. – Fui para o banheiro. – Espero que dê tudo certo, no primeiro encontro de vocês. Se bem que vocês passam tanto tempo juntos que nem precisam de encontro.
- É legal, ele acha que se passarmos um tempo só nós dois pode ser bom, e podemos nos conhecer melhor. – Ela entrou no banheiro, colocou a bolsa de maquiagem em cima da pia, e olhou para mim com uma cara séria.
- O que foi? – Perguntei antes de abrir o chuveiro.
- Não quero que ele entenda as coisas erradas. – Sua feição séria passou para uma feição preocupada.
- O que ele entenderia errado? – Liguei o chuveiro e comecei a me despir.
- De ele achar que pode ter comigo o que teve com a Juls. – Ela balançou a cabeça e eu entrei no box. – Não quero ser uma segunda Julie na vida dele.
- Não acho que ele esteja criando tanta expectativa assim. – Dei de ombros, mas não obtive uma resposta.
Ela começou a se maquiar de costas para mim. Conseguia ver pelo espelho que ela não estava confiante.
- ! – Ela olhou para mim. – Relaxa, é só um encontro, dentro da escola, de uma garota e um garoto que se conhecem há menos de dois meses. – Ela sorriu minimamente. – Ele não vai fazer nada que você não queira. – Ela negou com um sorriso um pouco maior. Sai do box e me enrolei na toalha. – O é respeitoso, se você disser não, é não. O que o e os amigos dele não entendem. – Ela riu.
- Se você diz quem sou eu para não acreditar. – Ela deu de ombros.
- A não ser que tenha certo formando da turma especial nessa história e você não está querendo me contar. – Ela olhou para mim e logo voltou a se maquiar.
- Ah, ele é uma pessoa maravilhosa, beija bem, é divertido. Mas desde a semana passada, quando sai com o , não o vejo mais. – Ela sorria para o espelho.
- Sério? – Ela assentiu. – Você o procurou pelo colégio? – Ela assentiu.
- Mas ele tinha me dito que estuda muito durante a semana.
- Talvez você consiga encontra-lo amanhã ou de madrugada.
- É, talvez. – Ela fez uma pausa. – Bom, eu vou terminar de me maquiar, marquei com o às sete e meia, e já são sete e vinte e cinco. Acho que estou atrasada. – Ela pegou o celular e colocou-o no ouvido. Fui para o closet escolher minha roupa. – Alô? Tudo! Não, está tudo certo. É só que eu me atrasei, e nem escolhi minha roupa ainda. É! Não, eu vou! OK! Ok te encontro lá. Beijo! Até já. – Voltei para o banheiro com a minha bolsa de maquiagem. – Ele super entendeu! – Ela sorriu para mim.
- Viu, o teria brigado comigo pelo atraso. – Comecei a me maquiar e ficamos em silêncio por um tempo.
Ela finalizou a maquiagem antes de mim, e foi para o closet colocar uma roupa. Alguns minutos depois ela voltou para o banheiro usando um tênis prata, uma saia lápis preta e branca listrada, e um body branco com as costas abertas.
- O que você acha? – Ela deu uma voltinha.
- Linda! – Bati palmas para ela.
- Então eu vou lá. – Ela sorriu. – Me deseja boa sorte.
- Você não precisa de sorte, ! Vai, ele está te esperando. – Ela veio até mim e me deu um beijo na bochecha.
- Obrigada, amiga! – Sorri para ela, e ela saiu correndo com o celular na mão.
Continuei me maquiando.
Preciso me acertar com o !

’s POV
Cheguei na arquibancada, e acendi as velas que estavam espalhadas pela escada, e que faziam um caminho até onde preparei uma espécie de piquenique.
Eu pedi uma pizza, que era a coisa mais fácil para conseguir montar na arquibancada, já que esse final de semana não era livre. Estava ansioso para aquele encontro. Queria fazer diferente.
Sentei em cima da toalha que coloquei ali, e peguei o celular para ver o horário. E quando levantei minha cabeça para ver o caminho iluminado pelas velas, eu a vi.
Ela subia degrau por degrau, lentamente. Não conseguia ver o rosto dela, fiquei de pé e não tirei os olhos dela, e ela me olhava também. Sorri quando ela chegou no topo da arquibancada, e começou a vir na minha direção. Ela sorria também, e estava linda, com uma roupa que desenhava o corpo dela perfeitamente. Quando ela chegou perto de mim, meu corpo se arrepiou, como na primeira noite que ficamos juntos no quarto dela. Ela chegou ainda mais perto, e o sorriso não sumia de seu rosto. Ela me cumprimentou com um beijo na bochecha.
- Oi! – Olhei nos olhos dela.
- Oi! – Ela respondeu, e o sorriso sumiu do rosto dela, assim como o meu.
- Você está linda! – Ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
- Obrigada! Você está lindo também! – Ela sorriu. – E isso tudo que você fez... Uau.
- Queria que fosse especial. – Acariciei o rosto dela, e aproximei meu rosto do dela. – Mesmo que fosse só para comer uma pizza. – Ela riu fraco!
Passei meu nariz no dela, e ela fechou os olhos. Observei-a uma última vez antes de fechar os olhos e tocar meus lábios nos lábios dela. Ela se afastou quando meu lábio tocou no dela.
- , não quero ser chata, mas não quero ficar com você! – Ela falou um pouco receosa.
- Não, tudo bem, eu entendo! Talvez eu tenha me precipitado! Vem vamos comer. – Respondi meio sem graça.
- Pizza do que?
- Sua pizza favorita, escarola com queijo, e de hot-dog!
- Você lembrou! – Ela sorriu.
- Come! – Peguei um prato e coloquei um pedaço da pizza de escarola, entreguei o prato para ela, e me servi com um pedaço da pizza de hot-dog.
- Hum, que delícia! – Ela falou depois de engolir o primeiro pedaço.
- Que bom que você gostou, queria fazer alguma coisa mais formal, mas não é final de semana livre, e o mais formal que consegui fazer foi isso! – Falei meio sem jeito.
- Está tudo perfeito! Você colocou até vela, onde conseguiu elas, falando nisso?
- Pedi para o meu amigo que ia na farmácia hoje, pedi para ele comprar algumas. – Ela sorriu.
- Está lindo, ! Obrigada! – Ela terminou de comer o pedaço que coloquei no prato para ela, colocou o prato sobre a toalha e continuou me encarando.
- O que foi? – Ela negou com a cabeça.
- Está tudo perfeito! – Ela olhou em volta e fez uma pausa. – Eu não quero te magoar, .
- Por que me magoaria? – Olhei para ela, enrolou o cabelo e colocou-o todo de um lado só e olhou pra mim.
- Porque eu não sei o que você imaginou que aconteceria essa noite, mas eu realmente vim sem nenhuma segunda intenção. – Assenti. – Não sei se você pensou em tentar alguma coisa... – Abri minha boca para responder.
- Tudo bem, !
Ela ficou de pé e começou a descer a arquibancada, e eu fui atrás.
Chegamos no final da arquibancada e ela pulou a grade que divide a arquibancada do campo, pulei atrás dela. Ela foi andando até a linha central do campo e olhou para cima. Acompanhei seu olhar e vi a lua cheia sobre nós, quando olhei para ela novamente, ela estava deitada no gramado olhando para o céu. Deitei-me ao seu lado, e olhei para o céu, era ainda mais bonito do que no alto da arquibancada.
- No dia que eu me afoguei, durante a noite, eu sai do quarto e vim pra cá, você já estava dormindo. Fiquei deitada aqui por um bom tempo olhando para o céu, a lua não estava cheia como hoje, mas o céu estava lindo e estrelado. – Ela olhou para mim, e depois voltou a olhar para o céu.
Continuei olhando para ela, e a luz da lua iluminava o rosto dela.
Mais linda impossível.

’s POV
- ? – Ouvi a voz de .
Estava sentado com Erik, Leonardo, Nicholas e suas namoradas.
- A gente pode conversar? – Ela perguntou quando olhei para ela. – É rápido, não quero atrapalhar.
- Você não atrapalha ! – Beatriz falou.
olhou para Beatriz, mas não esboçou nenhuma reação, nem um sorriso se quer nada.
- Se preferir, a gente pode conversar mais tarde.
- Não, vamos agora. – Me levantei e ela foi andando até sair do refeitório.
Segui-a até a biblioteca, ela se sentou no sofá e eu me sentei ao lado dela.
- Eu não quero brigar, só quero deixar as coisas melhores. Resolver as coisas com você. – Assenti. – Você sabe o quanto a Juls era importante para mim, mas semana passada eu conversei com ela, e ela foi tão babaca comigo. Eu quis ficar longe porque ainda doía em mim tudo que ela disse para mim no telefone sábado. – Ela olhava para o chão, e sua voz começou a ficar embargada. – Mas enfim, quando entram nesse assunto, você mais do que ninguém sabe o quanto isso dói em mim. – Ela ficou em silêncio, ainda olhando para o chão.
- Você viu como você tratou suas amigas hoje? A Bia tentou ser legal com você e você simplesmente cagou para ela, . Esse é seu problema, quando alguém vai contra você, você explode, você ignora todo mundo, se afasta e a gente é obrigado a aguentar isso. – Ela assentiu e passou o pé em cima da gota que caiu da ponta do seu nariz.
- Desculpa. – Ela sussurrou.
- Eu te desculpo, mas não pode ser assim sempre, meu amor! – Levantei a cabeça dela para ela me olhar. – Eu te amo, muito!
- Eu também te amo! – Segurei o rosto dela entre minhas mãos e dei um selinho nela.
- Pra sempre, ok?
- Pra sempre! – Ela me abraçou com força, e senti seu corpo tremendo.
nunca chorava, mas quando chorava era para valer, e eu preferia que ela chorasse nos meus braços do que longe de mim. Nos meus braços ela estaria totalmente protegida.
Ela me soltou e deitou a cabeça no meu colo, comecei a acariciar seu cabelo, e sorri para ela que me olhava de baixo.
- Eu odeio chorar na sua frente. – Ela falou ainda soluçando.
- Ué, já te vi chorando muitas outras vezes, !
- Eu sei, mas eu fico horrível chorando. Uma coisa é chorar quando sou só sua amiga, outra é chorar quando sou sua namorada. – Ela secou as lágrimas, e sorriu para mim. – Você vai me achar feia demais e ai vai querer me largar porque fico feia quando choro.
- Claro, porque estou namorando você só porque você é bonita! – Fiz sinal positivo com o dedo. – Você está certa! Você é só mais um rostinho bonito!
- Ai credo, ! – Ela sentou e me empurrou de leve, e deu um sorriso.
- Está ai o que eu queria ver, seu sorriso! – Ela sorriu mais e eu sorri com ela. – Mas uma hora você vai precisar se resolver com suas amigas!
- Ah não, ! Eu não quero agora, vou pensar direito sobre isso, e elas estão começando a falar mal da também! Se eu voltar possivelmente vai ficar um clima estranho com a Sarah e com a Bia, você sabe disso.
- Não é assim, elas só acham que você dá muita importância para alguém que não está aqui. – Ela me encarou com raiva no olhar.
- Estava dando muita importância para quem merecia importância. – Ela cruzou os braços na frente do corpo. – Dava importância para minha melhor amiga. Só que ela não quer mais ter essa importância.
- Meu amor, eu entendo que ela foi babaca com você, e te machucou. – Confortei-a. – E suas amigas se importam com você, se você for falar com elas tenho certeza de que elas não vão te tratar mal! Conversa com elas, amor! – Tentei faze-la mudar de ideia, mas ela parecia irredutível.
- Não vou falar com elas. – Ela levantou.
- Aonde você vai? – Olhei para ela.
- Embora, quero dormir. – Ela me deu um selinho e saiu da biblioteca.
- ! – Sai atrás dela e ela olhou para mim. – Você não está brava comigo não é?
- Claro que não, só estou cansada. – Ela sorriu.
- Vamos pro meu quarto?! – Perguntei, me aproximando mais dela. – Só pra constatar que realmente fizemos as pazes! – Coloquei uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
- Mas tem o , ele vai dormir lá, não vai ser estranho? – Ela falou colocando a mão no meu pescoço.
- Eu peço pra ele dormir no seu quarto, não seria sacrifício, já que a e ele já dormiram juntos várias vezes. – Ela franziu o cenho, e fez cara de confusão.
- Já? – Imitei sua cara de confusão.
- Ué, eles dormiram a semana passada toda juntos, ! – Falei o óbvio.
- Mas como se eles não ficaram? Talvez isso role hoje, mas eles não ficaram. – Fiz cara de confusão novamente.
- Mas eles dormiram no mesmo quarto. – Fiz uma pausa. – Por que talvez eles fiquem hoje?
- Você não sabia! – Ela tapou a boca com as duas mãos. – Droga, ! – Ela bateu a mão na coxa e virou de costas. – Você sempre estraga tudo! – Virou para mim novamente. – Finge que não sabe de nada, por favor, só eu sei disso porque ela me contou, mas só eu sei, e eu achei que você soubesse! Não fala nada, por favor!
- Não sei o que? Eu não estou entendendo!
- A e o estão em um encontro agora, mas você precisa me jurar que não vai contar pra ninguém, porque você está sempre com as meninas e se elas souberem vão cair matando em cima da , e vai ser um inferno, eles não vão poder ter nada, ela não vai poder terminar o intercâmbio e ir pra faculdade. – Ela andava de um lado para o outro, como sempre fazia quando ficava nervosa com alguma coisa. – E se isso acontecer eu não vou poder ir com ela para o Brasil para ver a Juls, e o nunca mais vai falar comigo porque eu fiz tudo dar errado entre eles, e ela vai me odiar, e eu vou querer me matar, porque vai ter sido minha culpa. Você não pode falar nada, . – Ela segurou minhas mãos e implorou. – Jura pra mim que não vai falar nada pra ninguém?
- Calma, ! Eu juro, fica tranquila, ninguém vai saber se eles não quiserem. – A abracei e senti seu coração acelerado, a apertei forte e esperei ela se acalmar e seu coração desacelerar. – Fica tranquila, ok?
- OK! – Soltei-a e peguei meu celular no bolso.
- Vou mandar mensagem para o . – Abri o app de mensagem.
, tudo bem? Queria dormir com a hoje, você pode dormir no quarto dela e da hoje?”
Coloquei o celular no bolso e segurei a mão de .
- Vamos pro meu quarto? – Ela entrelaçou nossos dedos.
Meu celular tocou no meu bolso e eu peguei o mesmo no bolso.
“Por mim tudo bem, só preciso ver se a topa.”
- Ele disse que tudo bem, só precisa ver com a , manda uma mensagem pra ela. – Falei, mostrando a mensagem para .
- Mas ele está com ela.
- Mas ele não sabe que eu sei que ele está com ela. – Saímos do prédio da biblioteca e fomos para o pátio.
Ela pegou o celular no bolso e digitou uma mensagem para . Alguns minutos depois, quando já estávamos na lateral do prédio masculino.
- Ela disse que lógico que está tudo bem, e disse que está muito feliz de eu ter feito as pazes com você. – Ela sorriu e guardou o celular no bolso. – Faz pezinho pra mim.
Abaixei-me e entrelacei meus dedos, ela pisou com o pé direito em minhas mãos e sentou no batente da janela e entrou no quarto.
- Vou dar a volta! – Sai de lá e fui para o pátio novamente.
- Ei, ! – Leonardo me chamou na mesa em que sempre sentávamos no pátio. – Vem aqui! – Fui até ele e os outros meninos.
- Fala! – Falei quando cheguei perto deles.
- Tudo bem com a ? Ela fingiu que a Bia nem falou com ela.
- Ela não está muito legal, mas fizemos as pazes, e neste momento é isso que me importa, quando ela quiser se resolver com as garotas...
- Pode ser tarde demais. – Nicholas falou olhando para a mesa.
- Que? Ai, eu não vou me meter na relação dela com as amigas, eu não tenho nada a ver com isso. Estou feliz porque minha relação com ela está resolvida, quando ela quiser, ela se resolve com as meninas, e se for tarde demais, garota loira, ela vai ter que lidar com isso! Agora eu vou pro meu quarto, que ela está me esperando. – Fiz um hifive com o Erik. – Boa noite, galera!
- Boa noite, Hill! – Todos responderam juntos.
Afastei-me deles e corri para o prédio do dormitório masculino, corri para o meu quarto e tentei abrir a porta, mas estava trancada, bati na porta duas vezes, e não teve resposta. Procurei a chave no meu bolso, e achei no bolso de trás da calça. Destranquei a porta e vi deitada na minha cama, com o celular desbloqueado ao seu lado, ela estava dormindo serenamente.
Entrei no banheiro e troquei de roupa, coloquei uma bermuda de moletom e uma camiseta qualquer. Voltei para o quarto escuro e bloqueei o celular da garota que dormia quietinha na minha cama.
- ? – Tirei o cabelo de seu rosto e ela soltou um gemido. – Amor, acorda! – Ela abriu os olhos lentamente e sorriu minimamente quando olhou para mim.
- Ai desculpa, eu dormi. – Ela sentou e coçou os olhos com o dorso das mãos. – Você demorou.
- É, o Leonardo me chamou no pátio, e por isso demorei um pouco. – Ela ficou de pé.
- Hum, o que ele disse? – Ela se espreguiçou.
- Ele disse que você estava esquisita, que tratou mal a Bia e que talvez quando você resolver fazer as pazes com as meninas pode ser tarde demais. – Dei de ombros, colocando nossos celulares no criado-mudo.
- E o que você disse?
- Disse que se for tarde demais é problema seu com elas. – Me levantei e fiquei de frente com ela. – Estou feliz que estou bem com você e nossa relação estar bem é o que importa para mim. – Peguei na cintura dela e puxei-a para perto. – Porque pra mim o que importa é você.
Beijei a testa dela, depois beijei a ponta do nariz, e depois seus lábios, iniciei um beijo lento e suave, ela acariciou meu cabelo e eu apertei mais ainda seu corpo contra o meu. O beijo foi se intensificando, e eu entrelacei os dedos de uma das mãos no cabelo dela e o beijo foi ficando cada vez mais intenso e quente.
Ela pegou na barra da minha blusa e levantou-a, levantei meus braços e ela tirou minha blusa, passou a mão no meu peito suavemente e desceu com a unha com um pouco mais de força. Coloquei a mão na barra da blusa dela e tirei a mesma, olhei para o corpo dela e voltei a beija-la.
Estar naquele momento com ela, onde ela estava mais livre comigo, mais segura era maravilhoso. Durante todo o tempo que estávamos juntos ela nunca teve coragem de tirar minha blusa. Sempre que o momento ficava mais quente, ela sempre parava no meio e dormia, mas hoje não, hoje ela estava se permitindo e se entregando de verdade.
Estava só de cueca e já tinha aberto a calça que ela usava, as mãos dela passeavam pelo meu peitoral e minhas costas, e eu apertava sua cintura com a ponta dos dedos, e grudava mais ainda nossos corpos.
- Espera ai. – Ela parou o beijo, e abaixou a calça. – Você não ia conseguir tirar.
Sentei-me na cama e ela sentou no meu colo com uma perna para cada lado do meu corpo. Voltamos a nos beijar, e ela se movimentava lentamente no meu colo.
- Te amo! – Ela sussurrou no meu ouvido, e eu me arrepiei.
Ela sentou na minha coxa e me encarou. Ela colocou a mão nas costas e abriu o sutiã. Ela tirou o sutiã e jogou no chão, e continuou me olhando.
- Caralho, você é linda demais. – Puxei-a pelo pescoço e ela caiu em cima de mim deitada.
- Você é muito romântico, Edwards! – Ela falou rindo, e logo voltou a me beijar.
Nossos corpos se movimentavam naturalmente, e parecia que já tínhamos feito isso mil vezes, era tão natural, era tão perfeito, nossos corpos se encaixavam perfeitamente.
Naquele momento me senti o homem mais feliz do mundo.

’s POV
- Não é perfeito? – Perguntei depois de quase dez minutos de silêncio.
Estávamos deitados no meio do campo de futebol, olhando para o céu que estava estrelado.
- Sim. – Olhei para ele e ele estava me olhando.
Eu estava curtindo meu encontro com , mas realmente não conseguia sentir a atração que claramente ele sentia por mim.
- Para de me olhar desse jeito, por favor. – Pedi constrangida com o olhar dele.
- De que jeito? – Ele sorriu, como se o que eu falasse fosse a coisa mais idiota do mundo.
- Desse jeito ai. – Fiz uma pausa e ele me olhou da mesma forma que me olhou quando tentou me beijar mais cedo na arquibancada. – Se você tentar me beijar de novo, eu vou sair daqui. – Ele estava sentado na minha frente com perna de índio, e sorriu. – Eu estou falando sério. – Ele assentiu.
Ele não parecia ouvir nada do que eu dizia, o sorriso continuava em seu rosto, e começou a se aproximar de mim lentamente.
- Vem aqui! – Ele falou quando eu me afastei um pouco.
Ele encostou os lábios nos meus de novo, e então me levantei em um pulo, e sai dali.
Continuei andando pelo caminho até o meu quarto, em um certo momento me esbarrei com uma pessoa.
- Desculpa. – Falei sem ver com quem eu falava.
- Não tem problema. – Reconheci a voz e parei para olhar quem falava comigo.
- Felipe?! – Voltei para perto do garoto. – Não te vi mais essa semana. – Me aproximei dele e cumprimentei-o com um beijo na bochecha.
- Estou tendo muita matéria esse semestre. Você conseguiu fazer a prova para a turma especial? – Assenti.
- Eu achei que fosse mais difícil. Acho que fui bem, vamos saber semana que vem. – Ele sorriu.
- Espero que passe! – Sorri. – E como foi sua semana?
- Foi boa, só esse final de semana que está meio bosta!
- Ué, por que? – Ele perguntou me puxando para sentar em um banco ali perto.
- Um menino me chamou para jantar com ele no campo de futebol, mas eu não fui com o intuito de ficar com ele, e mesmo eu falando isso pra ele, ele tentou me beijar duas vezes. – Falei com um pouco de incredulidade na voz.
- Não está a fim de beijar hoje? – Ele perguntou rindo um pouco.
- Ele não! – Respondi.
- Por que não?
- Porque um: ele é ex namorado da minha prima, dois: tenho interesse em outras pessoas. – Levantei uma sobrancelha.
- Ah sim, entendo! – Ele levantou uma sobrancelha também. – Você cola figurinha repetida? – Olhei para ele e pensei um pouco na resposta.
- Se ela for muito difícil de encontrar eu colo sim. – Ele riu.
- Um certo brasileiro, da turma especial, foi difícil encontrar? – Assenti. – Vale a pena colar de novo? – Assenti.
Claro que valia a pena ficar com o Felipe de novo, ele era bonito, legal, engraçado, inteligente e simpático. Não preciso pensar duas vezes, queria sim ficar com ele de novo, dessa vez sem álcool.
- E o que nós estamos esperando para repetir a figurinha? – Ele perguntou.
- Nada! – Puxei o rosto dele para perto do meu, e comecei a beija-lo lentamente.
Não tinha vivido pouca coisa com o Felipe, nós já éramos bem íntimos, nós tivemos uma noite muito boa na semana passada, e ele dormiu na minha cama. Sabia exatamente como beija-lo e ele sabia como me beijar também.
Não era nada com o , eu só não queria mesmo ficar com ele, porque queria ficar de novo com o menino que me beijava naquele momento.
- Você tem certeza de que você está bem? – Felipe parou o beijo. – Você parou de retribuir o beijo.
- Desculpa, eu comecei a pensar no garoto que me chamou para sair por um minuto, mas já passou. – Balancei a cabeça negativamente. – Eu juro!
- Não, precisa jurar nada, , se você diz que está tudo bem, então está tudo bem.
Ele acariciou meu cabelo com a ponta dos dedos, e me puxou para perto dele novamente, nossos lábios se encostaram suavemente, nos beijamos sem pressa alguma.
Apaguei tudo que estava na minha cabeça, e foquei nele. Não queria perder a oportunidade de poder ficar com Felipe novamente.
Depois de mais ou menos um minuto beijando-o, eu parei para respirar.
- Vamos para o meu quarto? – Ele ofereceu. – Eu não tenho colega de quarto, podemos ficar lá a vontade.
- Pode ser! – Falei sorrindo.
- Então vamos! – Ele segurou minha mão, com nossos dedos entrelaçados e fomos para o prédio de quartos masculinos.
- Você sabe pular a janela sozinha, ou precisa de ajuda? – Ele perguntou quando estávamos chegando perto da lateral do prédio.
– Olha, eu nunca pulei!
- Ok, eu te ajudo então! – Paramos em frente a uma janela. – Vou fazer pezinho e você sobe ok? Tem que ser rápido porque está quase na hora da ronda. – Assenti.
Ele se abaixou e juntou as mãos para que eu pudesse pisar e subir na janela. Pisei em sua mão e sentei no batente da janela, passei as pernas para dentro do quarto, e olhei para fora, ele já não estava mais lá.
Acendi a luz do quarto, e sentei na cama, peguei meu celular no bolso e tinham 20 mensagens da . Abri as mensagens e ela queria conversar comigo. Respondi a mensagem.
“Estou no quarto do Felipe, pode esperar um pouco e eu já te encontro?”
Felipe encontrou no quarto e eu bloqueei meu celular.
- Viu, quarto vazio, somos só nós dois, não vamos encontrar um cara dormindo na cama ao lado, do nada. – Sorri. – Tudo tranquilo?
- Sim, é que a minha roomate quer conversar comigo, coisa de vinte minutos, você pode esperar? – Ele assentiu.
Me levantei, dei um selinho em Felipe, e sai pela janela.
Peguei o celular e enviei uma mensagem para .
“Pode me encontrar no pátio? Estou chegando nele.”
Cheguei no pátio, totalmente deserta, coloquei o celular em cima da mesa, e esperei por .
- Desculpa te tirar do Felipe, é que aconteceu uma coisa! – Ela sorria muito, estava totalmente radiante, nem parecia a que deixei no quarto mais cedo.
- O que? – Levantei uma sobrancelha esperando ela me contar o que aconteceu.
- Eu e o , nós nos acertamos! – Sorri minimamente.
- Já sabia disso, você me mandou mensagem mais cedo. – Ela negou freneticamente com a cabeça.
- A gente fez aquilo! – Ela sorriu mais, e eu tapei a boca com as duas mãos.
- E ai? – Perguntei incrédula. – Como foi?
- Maravilhoso, ! Ele é maravilhoso, nunca me senti tão bem com ele, tão confortável, agora sinto que estamos ainda mais fortes, e ainda mais próximos, se é que isso é possível. – Eu estava feliz por ela.
- Que bom, , estou feliz por você! – Sorri mais ainda em ver minha amiga feliz depois de uma semana. – Eu dei um fora no , ele tentou me beijar duas vezes.
- Sério? – Assenti.
- Sim, eu disse que não queria ficar com ele, e ele não respeitou isso. – Ela assentiu.
- Que merda, ! Não esperava isso dele. – Eu sorri minimamente. – O que foi?
- Eu também não esperava isso dele. Mas ai eu encontrei com o Felipe, e ele me chamou para dormir no quarto dele.
- Nossa, verdade, como foi o encontro de vocês?
- Maravilhoso, nós nos esbarramos quando eu estava fugindo do , eu não tinha percebido que era ele até ele falar comigo, e ai a gente conversou e ficamos ali no banco. – Eu tinha certeza que estava com o sorriso mais idiota do mundo.
- Ah, preciso te contar que sem querer deixei escapar para o que você e o estavam em um encontro juntos! – Ela falou mais devagar do que o normal.
- Não tem problema, não estamos juntos mesmo. – Dei de ombros.
- Verdade né?! – Eu assenti.
- Você falou com as meninas? – Mudei de assunto.
- Não falei com elas, a Bia até tentou, mas não quero falar com elas! – Assenti.
- Mas e se quando você decidir que quer voltar a falar com elas, elas não quererem mais falar com você?
- Ai acabou! Eu vou voltar para o quarto do , se ele acordar e eu não estiver lá, ele vai surtar. – Ela se levantou e eu levantei também. – Nos vemos no café da manhã?
- Não tenho certeza, são quatro e meia da manhã. Eu não sei se vou chegar e ir dormir, ou o que vai rolar.
- Ah safada! – Ela me empurrou de leve e começamos a rir. – Boa noite, !
- Boa noite, !
Nós fomos juntas para o prédio masculino, quando chegamos na porta do quarto de ela entrou e eu segui até o quarto do Felipe. Ele estava dormindo sereno na cama dele, e eu fiquei meio perdida no cômodo.
- Ei, deita aqui! – A voz rouca de Felipe tomou conta do quarto.
- Ah, achei que estivesse dormindo!
- Eu estava, mas acordei com o barulho da porta! – Me levantei e fui até minha cama. Deitei na frente dele, virada de costas para a parede de frente para ele. – Hum, cheirosa! – Ele cheirou meu pescoço, e eu me arrepiei.
- Para! – Beijei a bochecha dele e depois dei um selinho seguido de um beijo, mais quente do que o normal.
Subi em cima dele e intensificamos o beijo, ele acariciava minha cintura e eu estava com a mão em seu peito. O clima começou a esquentar ainda mais, e eu não me sentia pronta para o que estava provavelmente prestes a acontecer.
Dei mais alguns beijos nele, já estava sem blusa e com o cabelo preso em um coque alto.
- Melhor parar? – Ele perguntou baixinho.
- Sim! – Sai de cima dele e vesti minha blusa.
Deitei de frente para a parede e consegui ouvi-lo inspirar fundo, ele me abraçou por trás e eu respirei fundo também.
- Boa noite, Felipe! – Eu falei baixinho, quase inaudível para mim.
- Boa noite, ! – Ele beijou minha nuca! Fechei meus olhos e senti minha respiração começar a ficar pesada.
Eu estava com ele!
Estava feliz!


Capítulo 4

’s POV

Abri os olhos lentamente, o quarto estava escuro e meu corpo estava envolvido pelo braço de Felipe. Precisava usar o banheiro, mas não queria acordá-lo. Sentia sua respiração pesada bater em minha nuca.
Droga!
- É só levantar, ! – Ouvi Feh sussurrar em meu ouvido.
- Achei que estivesse dormindo. – Ele tirou o braço de cima de mim.
- Com você se mexendo desse jeito não tem como dormir. – Me sentei e ele continuou na mesma posição, de olhos fechados e encolhido.
- Já volto! – Fiquei de pé na cama e corri para o banheiro.
Entrei no banheiro e sentei no vaso.
Sai do banheiro com uma blusa que encontrei no chão do banheiro. Felipe estava na mesma posição que o deixei quando sai. Peguei meu celular em cima do criado-mudo e vi as mensagens da minha mãe e respondi.
Não demorou muito para meu telefone tocar.
- Alô? – Sussurrei.
- Oi, minha linda! Que saudade, como você está, filha?
- Oi, mãe, eu estou bem! Estou com saudade também. – Sussurrei novamente.
- Por que você está sussurrando?
- Tem gente dormindo no quarto.
- Ah, a ?
- É mãe, a está dormindo.
- Você está comendo direitinho, filha? – Sentei no chão com as costas encostadas à beirada da cama e olhei para Felipe que dormia ali.
- Sim, está tudo perfeito. Estou amando cada segundo que estou vivendo aqui!
- Conversou com a sobre vir para o Brasil nas férias?
- Sim, e ela topou! Estou empolgada para isso.
- E aquele garoto que está sempre com você? O ...
- Ah, acho que ele está bem. Não tenho falado muito com ele.
- Ah sim, entendo! Mais alguma novidade?
- Sim, eu fiz uma prova para entrar na turma especial da escola! – Falei com mais ânimo na voz. – Eu estou muito feliz, mãe, acho que vou passar! Ai, mammy, obrigada por me deixar viver esse sonho! Eu te amo! – Feh se mexeu e eu parei de falar. – Mãe, eu vou desligar, vou almoçar!
- Ok! Amanhã te ligo nesse mesmo horário. Bom dia, meu amor!
- Bom dia, mãe! Beijos. – Desliguei a chamada e coloquei o celular de volta no criado-mudo.
- Sua mãe? – Felipe se virou para mim.
- Sim! – Sorri minimamente.
- Bom dia!
- Bom dia! – Ele esticou a mão e pegou o celular no criado-mudo.
- Dormiu bem? – Ele assentiu com a cabeça e mexeu um pouco no celular.
- Futebol? Às 13h. – Ele fez uma pausa. – Meu Deus, faltam cinco minutos pra uma hora. – Ele ficou de pé num pulo. Pegou a bermuda que estava ao lado da cama.
- Você vai? – Dei de ombros. – Te vejo mais tarde? – Assenti em silêncio. – Tudo bem? – Assenti novamente. – Aparece no campo pra ver o jogo. – Me deu um beijo na testa, foi até o closet pegou uma blusa, e abriu a porta. – Aparece, por favor!
- Vou tentar. – Sorri para ele e ele saiu correndo pela porta.
Fechei a janela depois de um tempo e entrei no banheiro. Liguei o chuveiro e deixei esquentando, tirei a blusa que estava usando, enrolei o cabelo em um coque e tirei a calcinha e o sutiã, entrei no chuveiro e molhei meu corpo.
Peguei a toalha no suporte e me enrolei na mesma, sequei o rosto com a toalha de rosto e sai do banheiro, abri o armário no closet de Felipe e procurei uma roupa qualquer. Como não encontrei nada que servisse em mim, coloquei a blusa que estava usando na noite anterior e a saia. Sai do closet e pulei a janela, corri para o meu quarto, e entrei pela porta. Fui direto para o closet, peguei uma calcinha e um sutiã qualquer, peguei um short jeans e uma regata azul marinho.
- ? – entrou no quarto.
- No closet! – Ela apareceu na porta do closet e olhou para mim pelo espelho.
- Está linda. – Ela sorriu. – Só um detalhe. – Ela soltou meu cabelo do coque e colocou para frente. – Agora sim, está linda de verdade.
- Obrigada!
- Os meninos estão jogando futebol, o pediu para eu vir te buscar. – Sai do closet e me joguei na minha cama.
- Não acredito que ele mandou você vir aqui me buscar! – me olhou séria. – Eu vou, mas deixando bem claro que não é por causa dele.
- Você vem? – Assenti. – Então vamos?
- Vamos! – Ela pegou minha mão e saímos do quarto.
Caminhamos em silêncio até sairmos do prédio. No gramado do pátio puxou assunto.
- Como foi o resto da noite com o Felipe?
- Ah, com ele a noite sempre é boa. – Olhei para minha mão entrelaçada com a dela. – E a sua noite?
- Nós transamos umas três vezes, e quando acordamos transamos de novo. – Ela riu.
- Meu Deus, você está muito apaixonada! – Ri com ela.
- Olha quem fala, seu olho brilha só de ouvir o nome dele! – Olhei para ela com um olhar brincalhão.
- Ele quem?
- Não sei, do que você está falando? – Ela sorriu e olhou para o horizonte.
- Não estou falando de nada, do que você está falando? – Olhei na mesma direção que ela, e pude ver os meninos correndo pelo campo de futebol.
- Eles estão no time sem camisa! Corre! – Ela me puxou e começamos a correr até chegarmos à arquibancada, que estava lotada de garotas de ambos os lados. – Vai, baby! – Ela gritou para que olhou rapidamente para nós e sorriu.
correu até e apontou para nós discretamente, sorriu para mim e eu dei um sorriso amarelo. Eles correram até a bola, pegou a bola do pé de outro garoto, e tocou para Nicholas que estava um pouco atrás, Erik pediu a bola e Nicholas tocou para ele, Erik brincou com a bola perto de um dos meninos do time adversário, que segundos depois ele roubou a mesma de Erik e chutou para seu colega de time, Leonardo pegou a bola no meio de seu percurso e chutou para que estava dentro da grande área, chamou e pediu a bola.
- Vai, amor! – gritou novamente.
tocou a bola para , que pegou a bola e chutou para o gol, marcando um ponto para seu time.
vibrou na arquibancada, apontou para ela e começou uma dancinha engraçada com , dançou com eles. Eles mexiam o braço de uma forma engraçada, dei risada dos três que dançavam.
- Como você sabe a dancinha de comemoração deles?
- São seis anos assistindo aos jogos desses dois, e há seis anos eles fazem a mesma dancinha de comemoração. – Sentamos novamente, e ficamos em silêncio.
Procurei por Felipe no campo, encontrei o olhar dele em mim no meio do campo, ele estava no time de camisa. Sorri para ele que sorriu de volta. Nessa mesma hora bateu de lado com ele, fazendo-o cair no chão.
Felipe olhou em volta e procurou algo a sua volta, mas nem a bola estava perto deles. Felipe se levantou num pulo, e ficou de frente com .
- Você está maluco? – Felipe gritou com o garoto.
- Não aguenta um jogo de corpo? – retrucou.
- Eu estava longe da bola, cara! – Feh respondeu ainda mais irritado.
- A vida faz isso com a gente de vez em quando, ela joga a gente no chão. – empurrou Felipe para trás. Nesse momento todos os jogadores chegaram perto deles.
- Não encosta em mim! – Felipe empurrou-o de volta. – Babaca! – Ele se virou de costas para , que o segurou pelo braço e o puxou de volta! – Me larga, caramba!
- Foge rápido de uma briga, não é? – provocou mais uma vez.
- Qual é a sua, cara?
- A minha? Você fica parado no meio do campo, e pergunta qual é a minha?
- O que você quer? Fala! – parou atrás de , saiu correndo do meu lado. – Se for briga eu estou fora! – Desci da arquibancada e parei ao lado de .
- Faz alguma coisa, eles vão brigar! – Falei no ouvido de .
- Vou falar com o . – sussurrou alguma coisa no ouvido do namorado, disse algo para que não pude ouvir.
- Ouve seu amigo, e vai embora! – Felipe falou alto.
- Vamos embora, ! – gritou para que olhou para ela, e depois para mim. – Vem, ! – Ela estendeu a mão para o melhor amigo. – Anda logo, ! – se manteve irredutível, estava realmente afim de brigar com o garoto.
- Alf! – Chamei e ele olhou para mim.
Tive que apelar, implorei com o olhar e ele assentiu.
- Vem, ! – chamou. – Não vale a pena!
, e saíram andando do campo, continuei ali parada olhando para Felipe.
- O jogo acabou! – Um garoto gritou, as arquibancadas começaram a esvaziar e o campo também.
- Era ele? – Felipe me perguntou, olhando para mim, assenti sem falar nada. – Não entendi porque ele tentou brigar comigo. – Ele deu de ombros. – Que bom que veio.
- Eu falei que viria. – Falei chegando mais perto.
- Você disse que iria tentar.
- E você não acreditou! – Ele abaixou a cabeça. – Eu estou com fome! – Ele levantou a cabeça e olhou para mim.
- Você também não almoçou? – Feh perguntou.
- Não, e acho que não dá mais para almoçar no refeitório. – Respondi. – Vamos pedir uma pizza?
- Eu topo! – Felipe falou tirando a blusa e colocando no ombro. Olhei o corpo dele, perfeitamente definido.
Minha alimentação naquele lugar estava um lixo, estava comendo só porcaria, bebendo no final de semana, e não estava fazendo nada de exercícios.
- Terra para ! – Felipe falou chamando minha atenção.
- Oi! – Respondi.
- Pizza do quê? – Ele perguntou.
- Queijo com escarola. – Respondi olhando para ele, que colocou o celular no ouvido.
- Está tudo bem, ? – Feh perguntou baixo.
- Sim!
- ! – Olhei para ele.
- O quê? Eu estou bem. – Ele levantou uma sobrancelha e seus olhos brilharam. – Só acho que preciso conversar com o , depois. – Ele assentiu e pediu a pizza no telefone.
- Pronto, vou tomar banho!
- Vai lá! – Feh me deu um beijo na testa e saiu de perto.
Sai de lá, e procurei por no pátio. Peguei o telefone e liguei para ela.
- Alô? – Ela atendeu no quarto toque.
- Oi, !
- Oi, , tudo bem? perguntou.
- Não, está tudo uma merda. – Respirei fundo controlando minha vontade de chorar. – Era pra ser legal isso, mas está gerando uma confusão e tanto. Está te afastando das suas amigas, está fazendo o brigar com qualquer um que olha pra mim, e agora o está entrando nisso também? – Uma lágrima caiu do meu olho.
- ! me chamou. – Calma! – Eu já soluçava. – Quem disse que é por sua causa que estou me afastando das meninas? O que aconteceu hoje no jogo foi besteira, já passou. – Ela fez uma pausa. – Respira, e se acalma!
- Onde você está? – Perguntei.
- No nosso quarto, os meninos foram tomar banho.
- Vou até ai. – Eu fui correndo até meu quarto, já não conseguia mais conter minhas lágrimas.
Quando entrei no quarto, estava sentada em sua cama com seu celular na mão. Parei na porta e não conseguia parar de chorar, soluçava muito. se levantou, veio até mim e me abraçou, com força.
- Está tudo certo ok? Acredita em mim! – Chorei por mais um tempo no ombro de .
Ela me soltou e eu sequei minhas lágrimas.
- Obrigada! Precisava desse abraço.
- Não por isso! Vem comigo? Preciso buscar a pizza que pedi para o e pro , já deve estar chegando. – Ela entrelaçou nossos dedos, e fomos andando em silêncio até o pátio.
Chegamos ao pátio e procuramos um lugar vazio para sentar, estava sol e todos estavam aproveitando o calor daquele dia.
O outono começava na semana seguinte e naquela época do ano começava o frio intenso da Inglaterra.
Sentamos em uma mesa próxima do prédio de dormitórios masculino. pegou seu celular no bolso e ficou mexendo no mesmo, até um segurança da escola se aproximar de nós.
- Vieira? – Ela levantou a cabeça e olhou para o moço. – Sua pizza chegou, pode me acompanhar até a portaria?
- Claro. – Ela se levantou e eu me levantei também, fomos andando até a portaria.
O motoqueiro falava com um garoto, que reconheci ser o Felipe.
- Hey, por que não me avisou que a pizza tinha chegado? – Perguntei chegando perto do garoto.
- Oi, eu ia te ligar assim que chegasse ao pátio. – Ele entregou algumas libras para o motoqueiro, e esperou o dinheiro de volta.
- , você pode ligar para o e pedir para ele descer. – chamou minha atenção.
- Claro, me empresta seu celular. – Ela pegou o aparelho telefônico no bolso e me entregou-o. Procurei o contato de e liguei.
-? – O telefone foi atendido.
- Oi! – Ele respondeu.
- Só liguei para avisar que pizza já chegou. pediu para que eu avisasse.
- Ah ok, obrigado! Já estou descendo. – Desliguei a chamada, e entreguei o telefone para .
- Ele está descendo. Vou comer com o Felipe, ok? – Anunciei para .
- Ah, ok! Obrigada, a gente se vê daqui a pouco? – Assenti, e dei um beijo na bochecha da garota.
- Vamos? – Felipe chamou minha atenção quando a garota já estava um pouco mais longe.
- Claro. – Fui andando com ele até o pátio, e sentamos em uma mesa qualquer.
- Você está bem mesmo? – Feh me perguntou abrindo a caixa da pizza.
- Sim, só um pouco chateada com o que aconteceu mais cedo. – Respondi dando de ombros.
- Você está com cara de quem estava chorando. – Ele pegou um pedaço de pizza e deu uma mordida.
- Eu estava... Estava conversando com a e acabei chorando, mas passou. – Dei de ombros, e peguei um pedaço da pizza.
- Entendi! – Ficamos em silêncio.
Terminamos de comer, e sobraram quatro pedaços.
- O que vamos fazer com o que sobrou? – Perguntei.
- Vou levar para o meu quarto. – Assenti.
Por mais que eu amasse ficar com o Felipe, não tínhamos muito assunto. Nosso assunto era mais físico do que sentimental. Por mim manteria dessa forma, sem envolvimento emocional, apenas físico.
- Por mim também! – Felipe falou alto.
- O quê? – Perguntei confusa.
- Você falou que quer manter tudo sem envolvimento emocional, só físico. Eu concordo, e acho que é a melhor coisa! – Sorri meio desconsertada por ter dito o que estava pensando em voz alta.
- Ok, vamos manter físico! – Estendi a mão para fazer um hi-five com ele.
- Só físico! – Ele bateu a palma da mão na minha, e sorriu.
- Vou procurar a , te vejo por ai, agora tenho seu telefone, e possivelmente vamos estar na mesma sala a partir de segunda. – Ele piscou para mim.
Despedi-me dele com um beijo na bochecha e segui para a mesa onde estava sentada.
Encontrei e sentei ao seu lado.
- Oi! – Falei para ela e .
- Tudo bem? – Assenti.
- Onde está o ? – Perguntei para eles.
- Ele saiu daqui sem comer! – deu de ombros, e continuou comendo seu pedaço de pizza.
- Eu vou atrás dele, preciso conversar com ele. Posso levar uma caixa de pizza para ele? – assentiu, e eu me levantei. – Depois a gente se vê! – Me despedi de , peguei a caixa de pizza que estava fechada e sai sentido campo de futebol.


’s POV
- Você sempre vai vir se esconder aqui não é? – A voz de chamou minha atenção, olhei para o campo de futebol e ela estava no pé da arquibancada com uma caixa de pizza na mão.
- Não devia ter te trazido aqui, não é? – Respondi fugindo de seu olhar. – Preciso encontrar um novo lugar para me esconder de todo mundo.
- Se não me quer aqui posso ir embora, é só pedir!
- Vai embora! – Cochichei para mim mesmo. – Você vai embora mesmo?
- Se você não quiser minha companhia, sim! – Droga, eu quero a companhia dela.
- Achei que não quisesse conversar. – Olhei para ela que estava subindo as escadas na minha direção.
- Não queria conversar àquela hora, estava irritada com a briga que você tentou causar. – Assenti. – Mas podemos só ficar sentados comendo em silêncio, se preferir. – Ela sentou ao meu lado e colocou a caixa sobre suas pernas.
- Perdi a fome! – Respondi ríspido.
- Bom, sobra mais pra mim! – Ela abriu a caixa e pegou um pedaço da pizza.
Olhei ela morder a pizza e neguei com a cabeça.
Ela estava realmente disposta a ficar sentada ao meu lado, em silêncio, apenas comendo? Quem colocou essa menina na minha vida? Por que você fez isso? Eu estava legal, já tinha me acostumado com a saudade, não queria me apaixonar de novo. Eu estava bem.
- Sabe, eu estava bem! – interrompeu meus pensamentos. – Já tinha me habituado a não ter alguém para pensar. – Ela riu fraco. – Então eu percebi que não estava bem antes, estava normal, apenas acostumada com a situação em que o Renan me colocou, mas agora eu quero ficar bem. – Ela respirou fundo. – Eu não esperava fazer amizade com a melhor amiga da minha prima, ou pensar em que o ex-namorado da minha prima pudesse tentar ficar comigo, ou que eu teria vontade de ficar com ele. Cheguei a pensar se estava fazendo isso para provar algo para mim mesma, mas foi involuntário, afinal, não sabia que vocês eram os amigos que a Julie falava. – Ela fez uma pausa e eu olhei para ela. – Não queria bagunçar as coisas, nunca foi minha intenção fazer você tentar brigar com alguém por minha causa, ou gerar uma briga entre a e as amigas dela, me sinto culpada por essas coisas. – Uma lágrima escorreu por sua bochecha, e ela secou-a imediatamente. – Eu nunca quis causar problemas para vocês. – A voz dela ficou embargada. – Eu não me obriguei a pensar em gostar de você naquele dia na praia. – Outra lágrima caiu de seus olhos, mas ela não se preocupou em secá-la. Logo ela estava chorando. – Me desculpa, nunca foi minha intenção bagunçar tudo. – Ela ficou em silêncio, só se ouvia seus soluços.
- Nunca foi nossa intenção! – Sussurrei olhando para o gramado. – Eu nunca estive bem, nunca! Nem antes da Julie, nem durante meu relacionamento com ela, nem quando ela foi embora. Eu fui notar isso agora, só fiquei bem depois que você chegou. – Seus soluços ficaram mais intensos. – Você não bagunçou nada, ! Muito pelo contrário, você colocou as coisas em ordem, e eu não esperava isso! – Ri fraco. – Ninguém esperava! – Droga , não chora! – Eu não me obriguei a gostar de você, ou a me apaixonar, mas me obriguei a prometer para mim mesmo e a você, que não importa o que aconteça, será sempre você! Mesmo você me dando dois foras em uma noite. – Uma lágrima escorreu pela minha bochecha, e não me importei em secá-la. – Porque você me faz bem, e você colocou meu mundo em ordem. – Olhei para ela, ela colocou a caixa de pizza ao seu lado e basicamente voou para o meu abraço. – Vai ser sempre você, !
- Obrigada por ser sincero! – Ficamos abraçados por um tempo.
Não me incomodava ficar abraçado com ela, em silêncio, era confortável. Não precisávamos conversar o tempo todo para saber o que estávamos pensando. É muito louco pensar isso, afinal só nos conhecemos há três semanas, mas já é o suficiente para saber que é com ela que quero passar o resto da vida.
Ela me soltou do braço e olhou nos meus olhos encostei a testa na dela, e sequei as lágrimas que ainda caiam de seus olhos, mas sem parar de olhar fundo nos olhos dela. Quando acariciei a bochecha dela novamente, ela fechou os olhos, encostei meu nariz no dela e dei um selinho demorado em seus lábios, o selinho não demorou muito para virar um beijo doce e tranquilo, como imaginei que o beijo dela fosse. O beijo durou por mais um tempo, até ela pará-lo com vários selinhos.
- O que foi? – Perguntei quando ela afastou o rosto do meu.
- Isso é real, está realmente acontecendo? – Ela perguntou, me apertando.
- Sim, eu acho! – Falei confuso. – Ai, ! – Gritei quando ela me beliscou no bíceps.
- Era só para ver se é real mesmo. – Ela virou para pegar a caixa de pizza atrás de si. – Ainda está sem fome? – Sorri para ela.
- Esse papo abriu meu apetite. – Peguei um pedaço da pizza. Mordi-a – Hum, está gelada! – Ela riu.
- Eu falei pra comer quando trouxe pra cá, mas você quis fazer ceninha, e fechar a cara como uma menininha! – Ela olhou para mim rápido e olhou para o gramado.
- Ah, ceninha, como menininha? – Ela assentiu com um sorriso sapeca no rosto. Coloquei a pizza na caixa novamente e tirei a caixa de cima de seu colo. – Repete!
- Você fez ceninha e fechou a cara como uma menininha! – Ela olhou para mim ainda com o sorriso sapeca, mas com um olhar mais cauteloso.
- Eu fiz ceninha? – Ela assentiu, lancei um olhar brincalhão para ela, e ela começou a rir. – Como uma menininha? – Ela riu mais alto e assentiu. – Vamos ver quem vai parecer uma menininha, agora? – Ela negou freneticamente, mas sem parar de rir. – Vamos sim! – Ela começou a se afastar.
- Não, ! – Ela falou no meio de uma risada. – Por favor, era brincadeira! – Me aproximei dela e comecei uma sessão de cócegas. – Não, para! – Ela gritou agudo.
- Quem é a menininha agora? – Eu ri com ela.
- Pa...ra! Não! – Ela tentou respirar, mas não conseguia parar de rir. – Estou... sem... ar! – Não parei de fazer cócegas nela. – Eu... vou... fazer... xixi... na... calça... ... Para! – Ela gritou e eu parei!
- Menininha! – Ela puxou o máximo de ar que cabia nos seus pulmões, e olhou para mim com raiva. – Nem vem, você que pediu! – Me afastei um pouco dela. – , não inventa! – Ela se jogou para cima de mim e mordeu minha bochecha com força. – Caralho, ! Ai! – Gritei!
- Você é lindo xingando, sabia? – Ela me olhou séria, com um fundo malicioso no olhar. – Xinga de novo?
- Xingar o quê? Não tem o que xingar. Sem motivo... – Ela abriu a boca. – Não me morde! , não me morde. – Ela aproximou a boca do meu pescoço – Ai, porra! – e mordeu. – Caralho, que dente afiado! – Coloquei a mão onde ela mordeu.
- É tão sexy! – Ela tirou minha mão de cima da mordida e deu um beijo em cima de onde ela havia mordido. – Sua voz, seu sotaque, é tudo tão sexy! – Ela fez uma trilha de beijos até chegar à minha boca. – Eu quero!
- O quê? – Sussurrei sentindo suas carícias.
- Você! – Ela colocou as pernas cada uma em um lado do meu corpo.
Ela segurou meu rosto entre suas mãos e me beijou intensamente, passei uma das mãos por sua cintura e apertei delicadamente, ela acariciava minha nuca com uma das mãos. Senti sua mão livre nas minhas costas, e ela mexeu o quadril lentamente, encaixando melhor nossos corpos, levantei um pouco a blusa dela e passei a mão por sua barriga e passei para as mãos nas costas dela. O beijo estava cada vez mais intenso, eu tentava controlar minha respiração, mas não conseguia.
- ! – Ela sussurrou.
- Eu posso saber o que está acontecendo aqui? – Uma voz gritou interrompendo nosso beijo. – Quero os dois aqui embaixo agora. – Olhei por cima do ombro de quem gritava, era a diretora. saiu do meu colo ainda de costas para a diretora. – Agora!
Fiquei de pé com as pernas meio bambas.
- Ferrou! – sussurrou e eu apenas assenti, pegando a caixa de pizza.
Descemos as escadas com a cabeça baixa não queria olhar para a cara da diretora.
- Posso saber o que os dois estavam fazendo lá em cima? – Ela perguntou quando chegamos ao gramado. murmurou alguma coisa em português. – Na minha língua, senhorita!
- Nada! – falou.
- Você chama aquilo de nada? – Ela perguntou, eu ainda não tinha olhado seu rosto para ver quão brava ela estava. – Senhor , o senhor sabe que é proibido esse tipo de demonstração de afeto na nossa escola. – Ela fez uma pausa. – Para minha sala, os dois!
A diretora saiu andando e eu olhei para , ela estava com a cabeça abaixada.
- Vai ficar tudo bem, prometo. – Falei segurando a mão dela.
- Joga essa pizza no lixo! – Ela apontou para a lata de lixo ali perto.
Joguei a pizza no lixo, e voltei para perto dela novamente. Segurei sua mão novamente e entrelacei nossos dedos.
- Vai andar comigo desse jeito? – Ela perguntou quebrando o silêncio entre nós.
- Sim!
- Na frente de todo mundo?
- Sim, por que não?
- Não sei, as meninas vão ficar falando. – Ela parou quando começamos a nos aproximar do pátio, que estava lotado.
- Tem por que esconder? – Perguntei segurando os braços dela. – Se você quiser esperar mais um tempo, tudo bem, mas estamos indo juntos para a diretoria, não vai demorar pra todo mundo saber o que aconteceu.
- Por quê?
- Porque tem uma garota que trabalha para a diretora e estuda com a gente, ela vai falar com certeza. – Ela assentiu.
- Então vamos! – Ela estendeu a mão para mim, e eu sorri para ela.
- Você é linda! – Ela assentiu, e eu segurei a mão dela entrelaçando nossos dedos.
Passamos pelo pátio e todos olhavam para nós e comentavam. Olhei ao longe e vi Erik, Nicholas e Leonardo com suas namoradas, e elas começaram a comentar quando viram e eu passando por ali. Entramos no prédio onde ficava a diretoria, entramos na sala da diretora e ela apontou para as duas cadeiras na frente de sua mesa.
- Bom, senhor e senhorita , não vou dar uma advertência, não terão punição, afinal, nunca peguei nenhum de vocês fazendo nada de errado. , você é novata, provavelmente não sabia que é proibido demonstração de afeto como a que vocês estavam fazendo no campo de futebol. – assentiu. – Escuta, eu entendo que vocês são jovens, estão com os nervos à flor da pele, os hormônios gritando, mas tentem se controlar um pouco mais, por favor? – Assentimos juntos. – Vocês estão liberados, espero não encontrar vocês novamente da forma que encontrei vocês hoje, ok?
- Ok! – Respondemos juntos.
- Se encontrar vocês aos beijos dessa forma novamente não vou hesitar em dar uma advertência. – Ela parou de falar. – Agora podem ir. – Nós levantamos e saímos da sala em silêncio.
Saímos do prédio de mãos dadas, e novamente todos comentaram e nos olharam.
- Você está bem? – Perguntei para ela.
- Só um pouco sem graça. – Assenti. – Ela pegou a gente ficando na arquibancada. Não queria que nosso primeiro beijo fosse interrompido dessa forma.
- Ia ser maravilhoso se ela não tivesse atrapalhado. Vamos ter chance de fazer melhor. – Falei procurando e pelo pátio.
- Isso com certeza! – Ela soltou uma risada fraca. – Onde estão e o ?
- Não estão aqui no pátio, devem estar em um dos quartos. – Olhei para . – No seu primeiro?
- Vamos. – Ela soltou minha mão e saiu correndo em direção à lateral do prédio do dormitório feminino. – Vem, , corre!
Corri atrás dela, e chegamos perto da janela do quarto dela.
- Faz pezinho! – Ela pediu, entrelacei meus dedos e abaixei para que ela pisasse na minha mão. – Um, dois, três! – Ela se apoiou no batente da janela e analisou o quarto. – Vazio!
- Então vamos ao meu! – Ela correu para o prédio do dormitório masculino, e eu corri atrás novamente.
Chegamos à frente da janela do meu quarto e paramos ali. Empurrei na parede, ela estava ofegante.
- Para de correr! – Acompanhei a respiração dela e analisei seu rosto com os olhos.
Segurei seu rosto entre minhas mãos, e beijei-a suavemente. Ela segurou na barra da minha camiseta, e me puxou para mais perto dela. O beijo ficou mais intenso, coloquei uma das mãos na nuca dela e enrolei meus dedos no cabelo dela, ela deu vários selinhos parando o beijo.
- Melhor parar, não quero tomar uma advertência. Acabei de sair da sala da diretora! – Ela falou encostando a testa na minha. – Vamos encontrar e ! Faz pezinho. – Entrelacei meus dedos novamente e me abaixei para que ela subisse, ela se apoiou no batente da janela e pisou na minha mão. – O chuveiro está ligado! Vou entrar! – Impulsionei-a para dentro do quarto.
Corri até a entrada do prédio, e entrei no mesmo, corri pelo corredor do prédio até chegar à porta do meu quarto. Abri a porta devagar e estava perto do closet.
- Vem! – Ela sussurrou.
Aproximei-me dela em silêncio, e ela foi até a porta do banheiro. Ouvimos um gemido feminino, olhou para mim com as duas mãos na boca, ouvimos outro gemido, seguido por mais um, e outro, até que um suspiro de alivio.
- Ela... – tentou falar, mas eu tapei a boca dela.
- Vem, vamos sentar ali! – Sussurrei no ouvido dela, ela negou com a cabeça. – , vem!
Puxei ela com a mão ainda sobre sua boca, e sentei na minha cama, colocando-a no meu colo.
- Droga! – Ela murmurou.
- Você sente prazer em ouvir as pessoas transando? – Perguntei chocado.
- Pelo menos eles estão fazendo alguma coisa! – Ela provocou.
- Ah, você quer fazer alguma coisa? – Ela assentiu. – Não vai se arrepender depois? – Ela negou.
Coloquei minha mão na nuca dela, e empurrei seu rosto para perto do meu, ela me beijou e eu deitei-a na cama sem separar nossas bocas, coloquei minhas pernas uma de cada lado de seu corpo.
- Vocês estão ai há quanto tempo? – Ouvimos a voz de e paramos nosso beijo. gritou em português, e imagino que ela tenha xingado.
- A gente não vai conseguir fazer isso! – Ela sussurrou para mim, e eu assenti saindo de cima dela.
- Não há muito tempo. – Respondi , que estava com os cabelos molhados, e usando uma camiseta do .
- Vocês não ouviram nada, né? – Assenti e olhei para , que estava deitada com o rosto enterrado no travesseiro. – O que ela tem?
- Cólica! – Respondi. – Cadê o ?
- Terminando de secar o cabelo, mais mulherzinha que eu! – Ela falou alto. – , você está bem? – Ela murmurou qualquer coisa e eu passei a mão nas suas costas. – Melhoras!
- Ah, olha quem esta aqui! – apareceu no quarto ajeitando o cabelo. – Pera...
- Eles não ouviram! – não deixou ele concluir, mas deu para perceber que ele estava aliviado por saber que supostamente não ouvimos nada.

’s POV

- , você falou com o Erik, o Nicholas e o Leonardo hoje? – Perguntei quebrando o silêncio do quarto.
- Não, passei por eles e pelas meninas no pátio, mas não falei com eles.
- Vamos ficar aqui? – perguntou se levantando da minha perna.
- Pelo visto sim. – Apontei para , que dormia na cama de . – Vamos jogar alguma coisa, cadê aquela garrafa de vodka que você comprou?
- Deve estar no cofre! – respondeu sem emoção.
- Sério que você quer beber? – me perguntou desanimada, e eu assenti. – Aff!
- O quê? Você não quer? – Ela me lançou um olhar revoltado.
- Você sabe que eu não gosto de bebida alcóolica. – Ela respondeu com os olhos semicerrados.
- Não tem problema, a gente bebe juntos! – entrou no meio da conversa. – Porque você não faz que nem a , tira uma soneca?
- Boa ideia! – Ela me empurrou para os pés da cama, e deitou. – Me acordem quando for jantar.
- Pode deixar, meu bem! – Me levantei e fui pegar a garrafa de vodka no cofre. – Uma palavra, uma música?
- Pode ser. – Voltei com a garrafa e dois copos de plástico. – Você começa.
- Love! – Me sentei e abri a garrafa, coloquei um pouco em um copo enquanto pensava.
- All you need is love, all you need is love! – Ele cantou a música dos Beatles. – Sua vez, hate!
- I hate you, I love you, I hate that I love you! – Aplaudi a mim mesmo. – Cada um toma um shot, só pra ficar mais emocionante?
- Melhor! – Coloquei um pouco no outro copo, e entreguei um deles para . – No três a gente vira, um, dois, três! – Virei o líquido do copo, e não pude evitar a careta.
- Fraco! – riu quando fiz a careta.
A porta do quarto se abriu, e eu escondi a garrafa atrás de mim, mas quando vi Erik já logo coloquei a garrafa entre e eu.
- Então é verdade? – Erik perguntou apontando para e .
- O que é verdade, Rik? – perguntou despreocupado.
- Vocês estão bebendo, e não chamaram ninguém? – Erik parou de fazer sentido. – Você ia contar quando que está ficando com a ? – Qual é, Harris? – Porque todo mundo viu vocês de mãos dadas entrando na diretoria.
- Diretoria? – Perguntei.
- É, os dois passaram pelo pátio, de mãos dadas seguindo a diretora. Você vai contar, ? – Erik perguntou novamente, mas parecia estar mais longe do que qualquer coisa.
- Não tem o que contar, William! – olhou para Erik e depois voltou o olhar para a garrafa. – Senta, bebe com a gente! – Erik continuou estático no mesmo lugar.
- Sua namorada te mandou vir perguntar, não é? – Perguntei para o garoto em pé no meio do quarto, que olhou para mim com ar de desistência.
- Eu não tenho nada a ver com isso! – Assenti e bati no tapete.
- Senta, e bebe, meu caro! – riu do garoto.
- Ela não tem limite! – Erik pegou um copo e colocou um pouco de vodka, virou o líquido todo. – Eu não sei dizer não para ela, e ela me pressiona! – Ele pegou o copo da mão de . – Você vai tomar isso? – negou. – Eu não quero saber da sua vida amorosa, não tenho nada a ver com isso. – Ele virou o copo novamente, e eu enchi mais um. olhou para mim com um olhar brincalhão e eu entendi o recado. – Mas você está com a ? – Entreguei outro copo para ele, e assentiu. – Legal! – Ele virou o líquido novamente. – Wow!
- Bateu? – Erik assentiu.
Rik sempre fora o mais fraco para o álcool, e sempre que tínhamos oportunidade e eu tirávamos onda com ele. Era engraçado ver Erik bêbado, ele dava com a língua nos dentes, e por mais incrível que possa parecer, ele sempre sabia todas as fofocas dessa escola, mas era ótimo guardando segredos. Quando estava sóbrio!
- Quer mais? – perguntou depois de um tempo, Erik estendeu o copo que estava na sua mão, e colocou mais vodka nele. – Então a Beatriz mandou você vir perguntar o que está rolando entre e eu? – Erik virou o copo.
- Na verdade, as três perguntaram, mas a Bia deu o veredito, né. – Ele respirou fundo. – Como sou mais próximo de vocês, por ser do quarto de vocês, ela me mandou perguntar. Mas convenhamos que não faço questão nenhuma de saber, sua vida amorosa não diz respeito a ninguém, e outra, acho a uma menina super legal, melhor que a Julie! – Boa, Erik, o nome proibido. – Eu sei que você não gosta de falar disso, mas quando uma coisa é real precisa ser dita. – assentiu, e olhou para , que estava na mesma posição desde que sai do banheiro.
- Fofoqueiras! – murmurou e virou o rosto para a parede.
- Ela está acordada? – Rik perguntou tenso.
- Parece que sim. – Respondi rindo um pouco da situação. – Mas então, como está o relacionamento? – Coloquei mais bebida no copo dele, e ele virou o mesmo.
- Ah, está um saco, ela acha que eu sou capacho dela, manda em mim o tempo todo, não posso mais nem zuar com os meninos. – Enchi um copo para mim, e tomei um gole pequeno. – Na verdade, Liza e Sarah também fazem isso com o Nicholas e o Leonardo, nós estávamos falando disso depois do futebol. – Ele tomou um gole do copo que enchi e passou para . – Falando no futebol, foi um jogo e tanto, teria sido melhor se o não tivesse arranjado briga. – tomou um gole e deu de ombros.
- Se não fosse nosso camisa 7 aqui! – Bati no ombro de . – Vamos esquecer essa briga! – concordou.
- Se não fosse por vocês! – Ele parou e olhou para . – Ela me motivou!
- Que lindo, cara! – Erik se pronunciou. – Queria que a Bia me motivasse de novo!
- Qual é a sua, Harris? Quer terminar com a garota, termina logo! – bateu na cama e se sentou. – Vai ficar enganando a garota fingindo que ainda gosta dela? Você não é obrigado a namorá-la! – Cutucou a onça com vara curta, meu caro! – Termina de uma vez se não está feliz.
- Eu...eu... não disse que não estava feliz. – Harris estava com os olhos arregalados.
- Mas não para de reclamar do seu relacionamento desde que entrou nesse quarto. Quando a gente não está feliz com algo o que a gente mais faz é reclamar. – Ela fez uma pausa. – O que mais tem nessa escola é menina querendo ficar com você, se não está satisfeito com a Beatriz vai atrás de outra. SIMPLES! – se levantou e coçou o olho.
- O que está acontecendo? – Ela bocejou.
- O Erik é um idiota! – respondeu.
Fazia muito tempo que não via desse jeito, revoltada com Erik. De certa forma ela estava certa no que estava dizendo, Erik nunca foi completamente apaixonado por Beatriz, ela sempre gostou mais dele do que ele gostava dela. Ele resolveu namorar com ela para ter alguma garantia na vida, já que ele não tinha certeza nem se passaria de ano.
Na verdade, nem eu tinha essa certeza, mas sem dúvidas que estava me esforçando mais do que ele.
- Quanto tempo eu dormi? – se espreguiçou e sentou de perna de índio.
- Uma hora, ou menos! – respondeu.
- Mentira que você não me acordou para beber com vocês!
- Estou cercada por cachaceiros. – comentou e nós rimos.
- Vem, senta aqui! – bateu no tapete ao seu lado. – Estávamos jogando uma palavra, uma música antes do Erik chegar.
- Oi! – Rik cumprimentou com um aceno.
- Oi! – sorriu, e sentou ao lado de .
sentou ao meu lado passou o meu braço por seu ombro e repousou a mão na minha coxa.
- Vão continuar jogando isso? – Ela perguntou.
- Acho que sim, se todo mundo topar. – respondeu passando o braço pelo ombro de .
- Espera, então vocês estão juntos? – Erik perguntou.
- Mais ou menos, Erik! – respondeu depois de olhar para .
- Você quando quer, é extremamente insuportável, Erik! – Falei tombando a cabeça para trás.
- Eu sabia! – A voz veio da janela, todos olhamos para a garota que entrava por lá.
- Era algum segredo? – Eu perguntei para e , enquanto Beatriz entrava no quarto.
- Ficou feio para você agora! – falou sem olhar para a garota.
- Isso aqui vai virar o inferno, eu vou ao banheiro! – Erik se levantou cambaleando um pouco
- Ih tem alguém bêbado! – brincou. Beatriz lançou um olhar homicida para ela.
- Eu não vou ficar aqui não. – se levantou, vou me arrumar para o jantar. – , você vai ficar ai?
- Posso só tomar um copo de vodka? – perguntou para a amiga que já estava em pé.
- Claro! – foi até o closet pegar seu shorts.
- Ela vai continuar fugindo de mim até quando? – Beatriz perguntou.
- Não tem ninguém fugindo de você, eu preciso me arrumar para o jantar! – apareceu no quarto novamente. – E não me irrita que hoje eu não estou boa.
- Quando você está boa é a pergunta, né?! – A loira provocou pulando na cama do namorado.
- Escuta, é melhor você ficar na sua, eu estou falando sério, se continuar provocando eu vou...
- Vai o quê? – Beatriz se levantou num pulo e colocou-se na frente de . – Vai me bater? Bate!
- Sai da minha frente, Beatriz! – Isso vai dar merda, me levantei e puxei comigo.
- A gente se vê no jantar, amor! Tira ela daqui, ! – terminou de tomar o líquido do seu copo, deu um selinho em e se levantou para pular a janela.
se sentou no batente da janela e desceu, fez o mesmo e não vi mais as duas.
- Você vai ficar aqui? – perguntou para Beatriz. – Já não fez o que queria?
- Está querendo dizer que eu fiz as duas irem embora? – Ela cruzou os braços e fuzilou com os olhos.
- Antes de você chegar estava tudo bem, e pelo o que me lembro você falou merda e a ficou brava! – Ele deu um sorriso sarcástico. – Você sabe que é verdade, não adianta me olhar com essa cara. A maioria das brigas são tua culpa, Daffara. Você sabe disso! – Alguém precisava dizer. – A não está falando com as meninas por sua causa, você tocou no assunto que a gente combinou nunca mais falar, você começou. Se tivesse sido uma única vez, a gente entenderia, mas foram duas, em menos de dois dias! – Erik saiu do banheiro, e parou quando continuou falando. – Cresce, Beatriz, ou você vai perder uma a uma as pessoas que você gosta!
- O que você está querendo dizer com isso? – Ela perguntou com a voz um pouco embargada.
- Não estou querendo dizer, estou dizendo... Você vai perder todo mundo que você ama, se não amadurecer e começar a cuidar da sua vida! – Erik estava com o olho arregalado, e uma lágrima rolou do rosto de Beatriz.
- Wow! – Erik falou segurando a risada.
Boa hora para ser um babaca, William! Sua namorada esta chorando e você está segurando a risada.
Desde que nos conhecemos Beatriz era quem causava problema, na maioria das vezes, ela não tinha filtro, nem noção. E quando falavam a verdade na cara dela, ela chorava, e nós saiamos como os malvados da história. Era irritante!
- Você vai ficar ai me olhando com essa cara? – Beatriz falou para Erik.
- Ah não, vai à merda, eu não quero mais briga, não! – Erik sentou ao meu lado e encheu mais um copo de vodka. – Vai embora, Beatriz! – Ele apontou para a janela.
- Você está me expulsando? – Caramba, essa menina é burra?
- Sim, vai embora! – Ela descruzou os braços e se sentou na janela.
- O que é isso? – Ouvimos uma voz do lado de fora do quarto.
- É a diretora? – Erik perguntou.
- Já para minha sala, mocinha! – A diretora falou. – Anda, desce dai!
- Nossa, ela se ferrou! – Eu falei e Beatriz sumiu da nossa visão. – Ainda bem que ela não olhou aqui dentro.
- Agora é torcer pra ela não abrir a boca pra falar da bebida e das outras que estavam aqui. – concluiu. – Bom, eu vou me arrumar para o jantar. – Ele se levantou e entrou no banheiro.
Fechei a garrafa de vodka e levei-a de volta para o cofre, procurei uma blusa e uma calça qualquer no closet, e troquei a roupa que estava usando, peguei um arquinho preto no meio da minha bagunça e coloquei no cabelo, colocando-o todo para trás.
Voltei para o quarto e Erik estava dormindo na cama dele, sentei na minha cama e peguei meu celular, tinha uma mensagem da .

“Desculpa, não quis estragar nosso dia!”

Sorri para a mensagem, e respondi.

“Você não estragou nada, espero que dessa vez ela tenha se tocado.”

A resposta não demorou muito a chegar.

“Ela ainda está ai?”

Abri a conversa novamente e respondi.
“Ela saiu um pouco depois de vocês. E a diretora a pegou pulando a janela.”

Bloqueei o celular e coloquei em cima da cama, olhei para Erik dormindo na cama ao lado, e cutuquei-o.
- Rik, acorda! – Ele gemeu qualquer coisa. – Precisamos ir jantar. Acorda, Erik!
- Me deixa! – Ele tentou bater em mim, mas eu desviei.
- Você vai ficar sem jantar! – Dei de ombros e voltei para minha cama.
tinha respondido.

“Hahaha, ela se ferrou bonito!”


Dei risada por ela ter falado a mesma coisa que eu disse.
- Cala a boca, Hill! – Erik grunhiu.
- Não posso mais rir? – Nesse momento saiu do banheiro enrolado numa toalha. – Pelado, ?
- Algum problema? É a primeira vez que não tem garota perto de mim. – Ele olhou para Erik. – Não tem graça brincar com ele! – Eu neguei rindo fraco. – O que foi, ?
- Estou preocupada com o que Beatriz pode ter falado para a diretora. – entrou no closet.
- Se ela tiver falado qualquer coisa à gente a faz pagar! – Erik murmurou.
- Agora ele acordou? – Eu falei. – Filho da puta! – Peguei uma almofada e joguei na cabeça de Erik.
- Vai à merda, Hill! – Ele jogou de volta.
Comecei a rir, ele se levantou e entrou no banheiro.
- Sabe, eu estou feliz com isso que a gente está vivendo! – voltou para o quarto usando apenas uma calça jeans. – A sempre gostou muito de você, e eu estou gostando de verdade da , estamos nos dando bem, parceiro! – Ele fez um toque comigo.
- Também estou feliz, é bom te ver sorrindo de novo, e falando mais, como falava antes! – voltou para o closet. – Fazendo piadas, e bebendo com a gente. – Ele voltou usando uma camiseta preta e com uma jaqueta de couro na mão.
- Vou calçar o tênis e vamos jantar? – sentou na cama, colocou o tênis que estava no chão.
Peguei meu celular e liguei para . Chamou duas vezes e foi atendido.

- Alô? atendeu.
- Oi, meu amor! Eu e o já estamos prontos.
- Ah, eu e a estamos só terminando a maquiagem. – Ela respondeu. – Vocês esperam a gente?
- Estaremos no pátio, então!
- Tudo bem! Até já!
- Até!
- Te amo!
- Eu também! – Ela desligou a chamada e eu bloqueei meu celular.
- Vamos? – se levantou e vestiu a jaqueta.
- Vamos! – Saímos do quarto em silêncio, o corredor estava vazio.
Saímos do prédio e procuramos um lugar qualquer para sentar no pátio.
Achamos uma mesa perto da entrada do refeitório, e sentamos em silêncio, cada um mergulhado no seu celular.

’s POV
- Oi, amor! – Eu abracei por trás.
- Nossa, ! Não estavam só terminando a maquiagem. – Ele olhou para cima. – Demoraram pra caramba.
- É que eu errei no olho, foi minha culpa. – falou parando ao lado de . – Vamos jantar?
- Vamos! – e falaram juntos e levantaram.
Entrelacei meus dedos com os de e fomos andando em direção ao refeitório.
- O pior vai ser não ter onde sentar. – falou assim que entramos no refeitório.
- Como não ter onde sentar? – Perguntei.
- Ué, você não quer falar com as meninas, não vai querer sentar com elas na mesa de sempre. – Ele deu de ombros.
- Mas a mesa está vazia! – Apontei para a mesa. – Podemos sentar lá.
- E o resto do pessoal? – Ele perguntou.
- Onde a gente vai sentar? – perguntou.
- Era o que estávamos falando agora, se sentarmo-nos à mesa de sempre o pessoal vai ficar sem ter onde sentar, mas se não sentarmo-nos à mesa de sempre não temos onde sentar. – falou.
- Eu acho que a gente deveria sentar-se à mesa de sempre, e se eles quiserem sentar com a gente bem, se não quiser senta no chão. – Eu falei.
- Vamos sentar-nos à mesa de sempre então! – falou indo para a mesa.
Todos chegamos à mesa, e sentamos.
- Bom, meninas vão se servir. – disse.
Eu e levantamos e fomos para o Buffet, eu coloquei salada e um pouco de arroz, coloquei um pedaço de frango e me sentei, se serviu apenas com salada. Muita salada, por sinal.
- Só vai comer isso, amor? – me perguntou.
- Sim, preciso começar a me alimentar melhor. – Respondi me sentando.
- Só salada? – perguntou para .
- Sim, estou comendo muito mal ultimamente. – respondeu dobrando um alface.
- Ok, nós vamos nos servir. – Eu e assentimos e e se levantaram.
Eu e começamos a comer em silêncio, só se ouvia o barulho dos talheres nos pratos e as conversas das mesas à nossa volta.
- Pegar a mesa só para vocês é um pouco demais, não acha? – Beatriz apareceu na nossa frente, atrás dela estavam Liza e Sarah. – Estava demorando!
- A mesa sempre foi nossa, se quiser sentar com a gente, não tem problema. Se não quiser pode sentar no chão. – Falei.
- Você é muito folgada, ! – Bia bateu na mesa, e chamou a atenção de todo mundo que estava ao redor. – Você acha que é a dona do mundo. Mas posso te falar a verdade, você não tem nada! Sua mãe te mandou pra cá, no intuito de se livrar de você, a Julie foi embora sem te dar tchau porque ela não te aguentava mais, ninguém te aguenta mais! Nem mesmo o te aguenta! – Ela gritou.
- Cala sua boca! – Eu me levantei e gritei. – Você não sabe o que está falando!
- Sei, você manipula todo mundo que está a sua volta, mas você vai perder tudo! – Ela veio pra minha frente.
- Beatriz, cala a boca, você está falando mais merda do que o de costume. Alias é só isso que você faz e fala, merda! Escuta que eu vou dizer só uma vez, não se mete comigo, quem vai perder tudo é você, a começar pelo seu namorado, que ele realmente não te aguenta mais! – Erik apareceu e arregalou o olho. – Não mexe comigo, porque eu sou mais forte do que você imagina!
- Isso é outra ameaça? – Ela estava tão próxima que podia sentir a respiração dela.
- Eu não sou de fazer ameaças, e você sabe bem disso. – Eu dei um passo para trás. – Eu não vou continuar com isso, se quiser pode sentar-se à mesa, eu como lá fora!
- Ai, coitada dela! Para de se fazer de vitima, ! – Meu sangue ferveu ao ouvir a voz de Beatriz.
Virei-me de frente para ela e dei um tapa no rosto dela.
- Sua louca! – Ela veio para cima de mim, mas segurou ela. – Me solta, eu vou acabar com a raça dessa garota!
- Não solta ela, ! – Liza gritou.
- Solta, pode soltar, quero ver se ela acaba mesmo com a minha raça! – continuou segurando Beatriz. – Solta ela, ! – Eu gritei e soltou Beatriz.
Ela voou para cima de mim, e pegou no meu cabelo. Eu a empurrei e ela caiu deitada no chão. Senti mil fios do meu cabelo sendo levados junto com ela.
- Nunca mais encosta em mim, entendeu? – Abaixei perto do rosto dela e coloquei o dedo indicador no nariz dela. – Nunca mais! – Me levantei e sai andando do refeitório.
- ! – Ouvi a voz de atrás de mim. – , espera! – Ela me segurou pela mão. – Ei, você está chorando?
- Não! – Sequei as lágrimas que escorreram pela minha bochecha.
- Vem, vamos para o quarto! – Ela me puxou com ela.
Minha visão ficou turva assim que entramos no quarto, quando soltou minha mão tudo ficou preto.

’s POV
- Alô? Onde você está? – Atendi ao telefone.
- Estou no meu quarto com a . , ela desmaiou, eu não sei o que fazer! Vem pra cá! – estava com a voz embargada.
- Eu já estou chegando, espera! – Eu coloquei o celular no bolso e levantei. – A está desmaiada no quarto.
- O quê? – se levantou e nós corremos para o dormitório feminino.
Entramos pela porta da frente, sem nos importarmos com quem estava lá.
- Ei, não pode menino aqui! – A inspetora tentou segurar nós dois, mas nós desviamos dela.
Entramos no quarto e estava caída no chão.
- Eu não consegui tirá-la do chão, nem consegui segurar a cabeça dela. – chorava. – Me ajuda! ! , acorda! Por favor!
- Me deixa pegar ela! – pediu, se afastou.
pegou no colo e saímos do quarto. grudou em mim, e soluçava muito.
- Calma, vai dar tudo certo! – Seguimos pelo corredor.
- O que aconteceu com ela? – A inspetora perguntou, mas ignorou.
- Ela desmaiou assim que entrou no quarto, estamos levando ela para a enfermaria. – Passamos pela inspetora e saímos do prédio. Entramos no prédio da diretoria e seguimos para enfermaria. Corri na frente para abrir a porta.
- Dona Sally, ela desmaiou! – colocou ela na maca, e Sally chegou perto dela. – Foi do nada, e ela caiu no chão do quarto.
- Calma, ela vai ficar bem, é estado de choque. Aconteceu alguma coisa antes de ela desmaiar? – , e eu nos entreolhamos. – Gente, preciso saber se aconteceu alguma coisa antes de ela desmaiar?
- Ela brigou com uma garota no refeitório. – respondeu. – Ela brigou com a garota e nós fomos para o quarto, quando chegamos ela desmaiou e não acordou mais.
- Bom, ela vai acordar daqui a pouco, pode levar ela para o quarto de novo, vou avisar a inspetora e pedir para que vocês possam ficar com ela até ela acordar. – Sally falou. – Pode levar!
- Obrigada, Sally! – Eu agradeci e pegou no colo novamente.
- Se cuida, ! – Ela chamou minha atenção.
- Pode deixar! – Assenti para ela.
Saímos da enfermaria e nos direcionamos ao dormitório feminino.
- Sally é como uma avó para mim! – Expliquei para quando chegamos no pátio. – Quando Julie foi embora eu tentava achar o foco da minha dor, porque cada dia doía em um lugar. Um dia era a cabeça, outro dia era a barriga, de vez em quando o olho! – Ri fraco. – Sally disse que ia buscar a doença que eu tinha na internet. Ela acha que eu não percebi, mas ela só fingiu que procurou qualquer coisa no computador. – olhava fixamente para mim, quando entramos no prédio feminino. – Ela disse que meu diagnóstico era de coração partido e saudade tipo 1, mas ela me assegurou que iria passar um dia. – Abracei de lado. – E passou! Preciso te apresentar para ela qualquer dia.
Entramos no quarto, colocou na cama, e deitou ao seu lado. e eu sentamos na cama dela.
- Vai amor, acorda! – repetia.
- Relaxa, ela vai acordar! – falou. – Eu acordei!
- É, , fica na boa, ela vai acordar logo! – abraçou mais ainda a garota desmaiada.
- Você vai sufocar a garota? – perguntou. – Desse jeito ela não vai acordar mesmo! Relaxa.
- Até agora você estava chorando! – provocou a garota ao meu lado.
- Mas a Sally disse que ela vai ficar bem, e que ela vai acordar! Então estou mais tranquila. – deitou nas minhas pernas. – Eu não esperava que isso fosse acontecer.
- Ninguém esperava! – falou.
- Eu esperava, não segurei a Bia atoa, se a continuasse batendo nela, ela ia ficar bem machucada! – Eu falei fazendo carinho no cabelo de .
- E por que você a soltou sabendo disso? – perguntou.
- Porque ela mandou! E eu pedi para ela não bater muito. – me olhou com cara de confusão e também. – Com os olhos, eu e ela conversamos assim todos os dias!
- E mesmo assim ela está desmaiada. – falou acariciando o cabelo da namorada.
- Mas ela ainda está melhor do que a Bia. A Liza sabe que a poupou ela, e com certeza não vai demorar para vir atrás da , e a Sarah sempre foi imparcial. – Expliquei. – A Beatriz só conseguiu segurar o cabelo dela por dois segundos, e caiu estatelada no chão. Fora o tapa que ela recebeu, né. – assentiu.
Olhei para e ela estava de olhos fechados. Continuei fazendo carinho no cabelo dela.
- A gente é sortudo, não é? – quebrou o silêncio no quarto. – Temos duas garotas lindas, e fortes! – Ele respirou fundo. – Só que isso não significa que você pode ficar se metendo em brigas, tá me ouvindo? Você precisa acordar, agora! – Ele já não falava mais comigo. – Você tá me ouvindo? Você tem que acordar!
- Hum! – soltou um gemido. – Ai! – Ela levou a mão até a parte de trás da cabeça. – O que aconteceu? – Ela falou baixo.
- Oh, meu amor, que bom que você acordou! – abraçou-a forte. – Que sustou você me deu!
- O que aconteceu? – Ela perguntou novamente.
- Você desmaiou, a Sally disse que foi estado de choque por conta da briga! – Eu expliquei.
- Nossa, minha cabeça está doendo muito. – Ela colocou a mão na cabeça novamente. – Aquela vaca, puxou muito cabelo meu! – Ela lembrou.
- , a acordou! – Chamei a garota que dormia no meu colo.
- Quê? – Ela demorou a abrir os olhos.
- A acordou! – Repeti, e tentei tampar a luz que batia em seus olhos com as minhas mãos.
- Ai, que bom! – Ela se levantou e foi até a amiga e abraçou-a. – Você nunca mais faz isso, ok?
- Ok! – Elas se abraçaram mais uma vez.
- Vamos dormir os quatro aqui? – perguntou.
- Acho que vai ter que ser! – respondeu. – Podemos fingir que a dormiu a noite toda.
- Verdade! – Eu concordei.
- Gente, eu estou morrendo de sono! – falou bocejando. – Posso dormir? – assentiu. – , vamos comigo colocar o pijama?
e se levantaram e foram para o banheiro, o quarto ficou silencioso, elas demoraram mais de cinco minutos no banheiro. estava deitado olhando para o teto.
- Mais calmo, Edwards? – Quebrei o silêncio do quarto.
- Ela me assustou! – Ele me olhou.
- Eu te entendo, a fez a mesma coisa comigo. – Ele fez cara de confusão. – Ela se afogou na praia, e desmaiou. Demorou a acordar, e quando acordou começou a chorar. – Ele negou com a cabeça.
- Qual é a delas? É só pra nos deixar assustados, né! – Ele fez uma pausa. – Ela me intimida, o jeito dela me deixa sem reação, eu nunca a vi fazer o que fez hoje, nunca a vi tão furiosa. Até eu fiquei assustado!
- Ela é uma caixinha de surpresas, eu esperava a briga, mas não esperava o desmaio! – e saíram do banheiro. – Opa!
- Falando mal da gente, ? – perguntou se sentando na cama ao lado de .
- Jamais, só comentando o susto que você nos deu. – Olhei para deitada atrás de mim. – Você estava chorando?
- Está tudo bem! – Ela sorriu e virou de costas. – Boa noite, gente.
- Boa noite! – Dei um beijo no topo da cabeça dela.
Olhei para e ela deu de ombros. Continuamos em silêncio, Harry se levantou e foi ao banheiro.
- Ela é muito especial! – chamou minha atenção. – Ela gosta de você! – Olhei para , e acariciei seu cabelo.
- E a reciproca é real! Gosto dela de verdade. – Voltei a olhar para . – Sinto com ela o que não sentia com...
- Não compara! – negou com a cabeça. – São pessoas diferentes, e não devemos compará-las.
- Não comparo! – Fiquei de pé e me sentei na cama de . – Você não acha coincidência ela ter vindo parar justamente no teu quarto? Ela poderia ter caído no quarto da Sarah, ou de qualquer outra garota da nossa turma, mas ela veio parar justamente no seu quarto. – Fiz uma pausa. – Coincidência de mais a gente ter se conhecido, termos ficado, e termos nos dado tão bem. – Respirei fundo. – Já vivi isso uma vez, não seria burrice de mais viver a segunda?
- Burrice é o que você esta dizendo agora, a garota já disse que vai fazer faculdade aqui, olha no que você está pensando! – Ela me empurrou da cama. – Quero dormir! Apaga a luz, por favor!
- Boa noite! – Falei indo até o interruptor da luz.
- Hey, Alfie! – Olhei para , que já estava coberta pelo edredom. – Duas coisas, primeira: amanhã começa o outono, segunda: eu te amo, ok?
- Nossa estação! Ok, eu também te amo, nanica! – Sorri para ela. – Dorme bem!
- Você também! – Apaguei a luz e fui para a cama de .
Me deitei ao lado dela, e fechei os olhos

*FLASHBACK*

- Bom dia! – Ela apareceu no pátio de mãos dadas com .
- Bom dia! – Respondi cumprimentando as duas com um beijo na bochecha.
Ela usava o uniforme completo, a saia ficava no meio de suas coxas, ela usava um sapato fechado com salto baixo. A camisa branca não era muito comprida, ficava no limite do inicio de sua saia.
- É outono, finalmente! – falou me abraçando. – Nossa estação!
- Nossa estação! – Respondi.
- Qual é a sua estação favorita? – perguntou para a garota ao seu lado.
- Outono! – Ela respondeu. Olhei diretamente para ela, e ela me encarava também. – Acho ela tão colorida, bem mais do que a primavera. Fora o friozinho maravilhoso que vem com ele!
Eu estava apaixonado sem duvidas, tudo nela era perfeito, seu sorriso, seus olhos, sua voz, sua risada até mesmo seu beijo.
- É literalmente nossa estação! – Conclui.
- Eu amo vocês! – falou sorrindo para nós dois. – Vocês são meus melhores amigos!
- Ah, também te amo, ! – Ela abraçou a garota ao seu lado.
- Café? – Perguntei interrompendo o momento ternura.
- Você não ama a gente, Alfie? – Julie perguntou se aproximando de mim.
Fiquei sem responder, ela aproximou o rosto do meu e me beijou. O beijo de Julie era sempre muito intenso, do começo ao fim. Às vezes parecia até que ela queria o tempo todo...
- Ai, casal, eu estou com fome! – chamou nossa atenção, fazendo-nos parar o beijo.
- Você precisa de um homem, ! – Julie se virou para o pátio, que estava lotado. – Eu conheço um que pode te ajudar! – Ela procurou por alguém no pátio. – Onde está? Onde está? Hum... Ali! – Ela apontou. – ! Ele é perfeito.
- O que você fumou? O é meu irmão, eu já vi ele pelado! – Ela respondeu indignada. – Nunca vou ficar com ele.
- Porque você é idiota, está mais do que na cara que vocês se gostam. – Julie rebateu. Nesse minuto meu estômago roncou.
- Por favor! – Elas olharam para mim. – Eu estou morrendo de fome, e o sinal pra primeira aula já vai tocar.
- Credo, grosso! – Julie falou se levantando.
- Não é grosseria, eu já tinha dito que estava com fome, e vocês ficam enrolando, desse jeito o sinal vai tocar e a gente não vai poder comer. – Respondi me levantando também.
- Ok, Alfie! – Julie cortou o assunto.
- Você vai ficar brava? – Perguntei puxando-a para me olhar.
- Eu não estou brava, só acho que você podia ser mais carinhoso quando for falar com a sua namorada! – Ela puxou o braço para que eu a soltasse.
- Ah, agora você é minha namorada? – Dei uma risada debochada. – Engraçado que você é minha namorada quando você quer, porque quando eu falo que você é minha namorada você não é!
- Claro, você não me pediu em namoro! – Ela resmungou.
- Caralho, a gente fica junto 24 horas por dia, e você não se considera minha namorada? – Me abaixei para ficar com o rosto na mesma altura que o dela. – Onde está escrito que é obrigatório ter pedido para namorar?
- Nas minhas regras de vida, eu só namoro se tiver um pedido de namoro, Alfie! – Ela segurou meu rosto entre suas mãos. – Olha o que você está fazendo, você está colocando um assunto em cima de outro, coisas que não tem nada a ver uma com a outra. Por que você faz isso?
- Eu? Você que sempre reclama da mesma coisa, e ai a culpa é minha? – Respirei fundo. – Eu sou sempre o grosso, o sem sentimentos, o que não sabe dar carinho. Tudo isso por quê?
- Porque você faz tudo, menos o que eu quero! – Ela soltou meu rosto.
- Agora eu tenho que fazer o que você quer? – Bati as mãos nas pernas. – Suas regras de relacionamento são ridículas! – Eu falei mais alto, chamando a atenção de quem estava mais perto de nós.
- Ridículo é o seu comportamento! – Ela falou no mesmo tom de voz que eu comecei a falar.
- O que você quer de mim, Julie? – Gritei dessa vez.
- Que você demonstre que realmente gosta de mim, faz alguma coisa diferente de me levar pra jantar, ou ir dormir no meu quarto! – Ela fez uma pausa. – Inventa alguma coisa, não sei, faz alguma coisa diferente, melhor, algo que não seja bom só pra você...
- Você quer namorar comigo? – Gritei a pergunta.
- A questão é que você não percebe que não quero só um... Espera, o que você disse? – Ela parou e me encarou.
- Você quer namorar comigo? – Falei dessa vez mais baixo.
- Você está falando sério? – Ela tampou a boca com as duas mãos e eu assenti. – Quero! – Ela pulou no meu colo e me abraçou. – Seu marrento, eu te amo! – Ela sussurrou no meu ouvido, e eu não respondi.

*Fim do Flashback*

- Boa noite, ! – Beijei a cabeça de , e abracei-a.
Ela se ajeitou nos meus braços e eu não demorei a pegar no sono.

’s POV

Acordei e abri meus olhos, o quarto estava escuro, senti um braço em volta de mim e me perguntei se eu tinha feito alguma coisa com . Olhei para a cama ao lado e vi e de olhos fechados.
Tentei esticar meu braço para pegar meu celular no criado mudo, mas não consegui.
- Merda... – Murmurei para mim mesma.
Eu era mestre em ficar nessas situações onde não podia me mexer para não acordar quem estava na cama comigo, tentei olhar para que estava com a respiração pesada no meu pescoço. O que me restava era tentar voltar dormir.
Fechei meus olhos novamente, e tentei não abri-los.
Meus pensamentos foram longe, não sabia ao certo se estava tendo alguma coisa com ou se era só mais uma ficada como era com Felipe. Sei que ele queria alguma coisa comigo, mas não sabia se eu queria alguma coisa com ele, não estava pronta para ter nada sério.
- ! – Ouvi uma voz feminina sussurrar meu nome. – Você está acordada? – Abri meus olhos e vi de olhos abertos na cama ao lado. – Bom dia!
- Bom dia! – Sussurrei.
- Você e o ? Quem diria? – Ela falou um pouco mais alto.
- Pois é, não entendi nada! Como ele veio parar na minha cama?
- Não tinha outro lugar para ele dormir, ou era ai ou era no chão. – falou.
- Ele não podia dormir na sua cama com o e você dormia aqui comigo? – Reclamei.
- Cala a boca caralho! – falou se virando de frente para a parede.
- Vamos para o banheiro! – falou alto.
Desvencilhei-me do braço de , peguei meu celular em cima do criado mudo e fui para o banheiro. fez a mesma coisa, e me seguiu.
Ela fechou a porta do banheiro, e se olhou no espelho.
- Meu Deus, eu estou horrível! – Ela soltou o cabelo, e arrumou-o em um rabo de cavalo frouxo.
Abaixei minha calça e me sentei no vaso sanitário, terminei de fazer xixi, e me levantei, subi minha calça, fechei a tampa do vaso e me sentei nela.
- Você ficou com ele? – me perguntou ainda se olhando no espelho.
- Sim, na arquibancada, ontem! – Respondi dando de ombros.
- Depois de ficar com o Felipe? – Ela me olhou pelo reflexo do espelho, pegou sua escova de dente e colocou pasta nela.
- Sim, nós conversamos, e ficamos. – Dei de ombros. – Não sei, ele falou que gosta de mim, e que eu faço ele se sentir bem, e eu também me sinto bem perto dele. Só que eu não sei se quero alguma coisa séria com alguém agora. Eu acabei de chegar, tenho tanta gente pra conhecer. – Ela assentiu, e colocou água na boca. – Não quero que ele confunda as coisas, por enquanto a gente pode só ficar esporadicamente, mas não quero nada sério por agora. – Ela passou a toalha na boca, e olhou para mim.
- Você precisa deixar isso claro para ele. – Assenti para ela. – Conversa com ele, e explica isso que você me explicou.
- Vou fazer isso! – Ela sorriu para mim.
– Vocês ficam tão lindos juntos!
- Cala a boca, ! – Ri da garota.
- Só falei a verdade. – Ela levantou as mãos em forma de rendição. – Vamos acordar aqueles dois?
- Vou só escovar os dentes. – Me levantei e fui até a pia, peguei minha escova e coloquei pasta.
Escovei os dentes, e soltei meu cabelo que estava em um coque no alto da minha cabeça, passei o dedo nele soltando os cachos que se formaram nas pontas. Joguei água gelada no rosto para tirar a cara de quem acabou de acordar.
- Vamos? – me chamou de novo.
Saímos do banheiro e eu fechei a porta do cômodo.
- Bom dia! – se jogou na cama em que estava dormindo.
- Vai à merda, quero dormir! – tentou empurrar .
- Nossa, amor! – se sentou nos pés da cama.
Fui até a janela e abri a janela do quarto, a luz do sol entrou iluminando todo o quarto.
se virou de costas para nós e colocou o travesseiro em cima da cabeça.
- E merda, não vou poder dormir, né?! – bateu no colchão.
- Credo, , você acordou de mal humor hoje? – se virou para na cama ao lado.
Nesse momento meu celular começou a tocar, olhei para a tela e uma foto minha e da minha mãe sorrindo, e o nome dela na parte de cima da tela. Deslizei a tela para atender, e coloquei o aparelho no ouvido.
- Alô? – Atendi.
- Oi, meu amor! Tudo bem?
- Oi, mãe! Tudo sim e você? – Me sentei na cama em que estava deitado, e ele envolveu minha cintura com seus braços.
- Tudo bem! Acordou agora? colocou a mão dentro da minha blusa e acariciou minha barriga.
- Tem mais ou menos meia hora! – Respondi tentando tirar as mãos do garoto da minha barriga.
- Sua prima me ligou, e disse que não está conseguindo falar com você, tenta ligar para ela mais tarde! levantou a parte de trás da minha blusa e beijou minhas costas, depois passou a língua nela.
- Ok, quando der eu ligo para a Julie! – Nessa hora olhou para mim. – Mãe, vou desligar agora, ok?
- Tudo bem, no próximo final de semana eu te ligo de novo! – Respondi um ok, e ela desligou a chamada.
- Tudo bem com a Juls? – me perguntou assim que coloquei o celular no colchão ao meu lado.
- Sim, ela pediu para eu ligar para ela. – Respondi, dando de ombros.
- Não sei por que você ainda se importa com essa garota. – falou, olhei para ele quando ele colocou as mãos atrás da cabeça, deitado de barriga para cima.
- Ela era minha melhor amiga! – falou com um pouco de tristeza na voz.
- Não fica mal, babe! – se sentou e puxou para seu colo. – Ela não merece.
- Gente, ela ainda é minha prima, ok? – Falei incrédula com a cena que se passava na minha frente. – Eu sei que ela foi babaca com vocês, e feriu seus sentimentos, só que ficar falando mal dela não vai mudar o que aconteceu e não vai fazer vocês se sentiram melhor. – Fiz uma pausa e olhei para os três. – Vamos fazer um acordo, não vamos falar mais da Julie. Não vamos falar bem, nem mal. Simplesmente não vamos falar. Pode ser? – Os três me encaravam, mas não esboçavam nenhuma reação. – Pode ser, gente? – assentiu, e a seguiu no movimento. – ? – Olhei para o garoto deitado atrás de mim.
- Por mim tudo bem! – Ele deu de ombros. – Desde que eu fique bem com você aceito qualquer coisa. – Senti minhas maçãs do rosto queimarem.
- Sobre isso, precisamos conversar! – Estalei o dedo me lembrando da conversa que tive com no banheiro. – Vou tomar banho! – Me levantei da cama e fui para o closet.
Peguei uma calcinha e um sutiã, entrei no banheiro e me despi, liguei o registro do chuveiro e esperei a água esquentar. Me olhei no espelho e sorri para mim mesma.
- Você está sendo bem mais forte do que o costume, ! – Assenti sorrindo orgulhosa de mim.
Entrei no chuveiro e deixei a água cair na minha cabeça.
Não sabia ao certo se o que estava fazendo era correto, manter o Felipe como alguém para ter meu físico satisfeito, e ficar com de vez em quando. De certo modo sentia que estava brincando com os sentimentos de , não queria que ele ficasse mal por minha causa, mas também não queria ficar presa a ninguém. Não ainda. Acabei de chegar à escola, não conhecia muita gente.
Sai do banho e peguei uma toalha, enrolei o cabelo nela e depois me sequei com a outra toalha, coloquei a minha calcinha e meu sutiã, sai do banheiro e fui para o closet. Peguei um short jeans, e uma regata. Vesti os dois e peguei um moletom grande dos Patriots, que eu tinha roubado do meu ex-namorado na ultima vez que dormi na casa dele.
O moletom ficava mais cumprido que o short e cobria minhas mãos. Tirei a toalha do cabelo e passei os dedos nele desembaraçando um pouco o cabelo encharcado. Sai do closet e estava deitado sozinho na minha cama, com o braço em cima do rosto.
Enrolei o cabelo em um cacho grande no ombro esquerdo.
- ? – Chamei o garoto, mas ele não se mexeu. – ! – Cutuquei-o. – Psiu, acorda! – Chamei novamente, dessa vez chacoalhando o garoto.
- Quê? – Ele tirou o braço de cima do rosto. – Ah, você saiu do banho.
- Sim! Onde estão e ? – Perguntei me sentando de frente para ele.
- Eles foram para a piscina, e falaram pra gente encontrá-los lá. – Ele respondeu se sentando de pernas esticadas, e com os braços atrás da cabeça. – E eu fiquei te esperando.
- Entendi! – Ficamos parados nos encarando em silêncio.
Ele tirou a mão direita e colocou na minha coxa, e eu olhei para sua mão e depois voltei a olhar para ele.
- Não quero mais ficar longe de você! – Ele falou apertando minha coxa.
- ! – Resmunguei o nome do garoto. – Vamos conversar! – Tirei a mão dele da minha coxa.
- Achei que já tínhamos conversado ontem. – Ele fez perna de índio e tirou o outro braço de trás da cabeça. – Tem mais o que falar?
- Sim, eu não quero te enganar, nem nada! – Respirei fundo. – Eu te acho um cara super legal, e você me faz bem. – Ele assentiu, confirmando o que já tinha dito para ele no dia anterior. – Mas quero que você entenda que não quero ter nada sério com ninguém agora. Eu acabei de chegar, possivelmente mais pra frente, mas agora não dá! – Ele assentiu. – Não sei se você criou alguma expectativa, mas por agora é melhor deixar a amizade do jeito que tá. Ok?
- Ok, se você quer desse jeito! – Ele deu de ombros, e se virou para sair da cama. – Agora vamos encontrar a e o ? – Assenti e me levantei.
Saímos do quarto pela porta, não se importou em sair pela porta, pois tinha autorização da enfermeira para dormir no meu quarto e de . Por conta do desmaio dela.
Hoje estava achando um pouco de exagero ele e terem que dormir no quarto, não era necessário, ela estava bem, só esperava que aquilo não acontecesse de novo. Esperava realmente que tivesse entendido que íamos manter nossa amizade, por mais que gostasse dele e ele gostasse de mim. Como minha mãe sempre me dizia, eu estava ali para estudar, e enquanto eu não tivesse certeza de que estava indo cem por cento bem em todas as matérias, eu não ia pensar em namorar ninguém.
- Que bom que vocês vieram! – gritou do meio da piscina. – Precisamos comemorar o primeiro dia do Outono! – Ela mergulhou e depois de alguns segundo apareceu na beirada da piscina, saiu dela, e chegou perto do melhor amigo. – Você viu que tem algumas folhas vermelhas e laranjas no chão?
- Vi algumas, mas não prestei muita atenção nisso. – sorriu para a garota, que carregava um sorriso enorme em seu rosto, como uma criança que acabara de ganhar um doce.
- Vocês não vão entrar? Acabaram de reaquecer a água, esta maravilhosa! – Ela falou se preparando para mergulhar novamente, olhei para o outro lado da piscina vazia e vi dormindo de olhos abertos. – Vem! – Ela mergulhou e só subiu para a superfície novamente quando chegou ao meio da piscina.
- Caraca, que fôlego! – Falei.
- Você precisa entrar, está maravilhosa de verdade! – Ela repetiu a frase de segundos atrás.
- Estou sem maiô, . – Falei indo para perto de uma das espreguiçadeiras.
- Seu maiô está no vestiário, dobrado junto com seu uniforme, lavam eles depois da sua última educação física da semana. – Ela olhou para que estava tirando sua camiseta e seu tênis para pular na piscina. – Vai se trocar, !
- Ok! – Me levantei e me direcionei à porta da piscina coberta.
Segui meu caminho para o vestiário, entrei no vestiário e estava em silêncio, procurei meu armário e não demorei a encontra-lo no meio dos vários armários que tinham ali.
Abri meu armário, e procurei pelo maiô. Estava exatamente onde tinha dito que estaria, em baixo do uniforme esportivo.
Peguei o maiô e coloquei em cima do banco atrás de mim, tirei o short jeans e a minha calcinha, vesti a roupa de piscina que era como um short no meio da minha coxa. Tirei a regata e o sutiã e coloquei a alça do maiô no ombro. Quando peguei minha roupa e coloquei no armário, ouvi o barulho de algo batendo em um armário.
- Tem que ser rápido! – A voz ofegante de uma garota me chamou a atenção. Fechei o armário devagar para não fazer barulho. – Vai logo, tira essa blusa, Leonardo! – Segui o som da voz, e dos beijos que eu estava ouvindo.
Não ouvia mais voz, mas ouvia suspiros fundos. Procurei em todos os corredores, e foi no ultimo que encontrei Leonardo e Beatriz se beijando. Dei um passo para trás e tropecei no meu próprio pé e bati o braço no armário. Leo e Bia se assustaram e olharam para mim, eu me virei de costas e sai correndo de lá. Passei pela porta, e corri ainda mais rápido para a piscina. Olhei para trás e senti meu corpo bater em alguém, cai para trás e olhei para cima.
Erik estava com a mão estendida para mim.
- Olha por onde anda, brasileira! – Segurei sua mão e ele me puxou para que eu ficasse de pé. – O que aconteceu, ? Você está pálida, parece que viu um fantasma.
- N-não! Está tu-tudo bem! – Gaguejei.
- Tem certeza? – Assenti.
- ! – Olhei para trás para ver quem me chamava. – Ah, oi meu amor! – Ela falou para Erik.
- Relaxa, Bia! – Falei para a garota. – Desculpa ter batido em você, Erik! Tchau!
- Você está bem mesmo? – Assenti novamente.
- Sim, só fiquei um pouco zonza com a batida, mas vou ficar bem. – Sai de perto do casal e continuei andando rápido em direção à piscina.
Abri a porta do local onde a piscina aquecida ficava, olhei para e que jogavam água um no outro e nem perceberam que havia entrado. Olhei para trás, e não havia ninguém perto da porta, olhei para os três jogando água para cima, e me preparei para mergulhar.
Puxei o ar, e coloquei as mãos acima de minha cabeça. Dobrei os joelhos e pulei na piscina de ponta. Senti a água quente entrando em contato com a minha pele. Nadei ondulando até o outro lado da piscina onde brincava com os garotos, me levantei até a superfície, e puxei o ar com força, quando soltei o ar um jato de água acertou meu rosto.
- Ei! – Falei.
- Quando você chegou? – perguntou.
- Agora. – Falei ofegante.
- Está tudo bem? – perguntou. Todos olhavam para mim, eu olhei para os três ainda ofegante. – , aconteceu alguma coisa? – Neguei com a cabeça.
- Está tudo bem! – Falei.
Não podia contar para eles o que eu tinha visto no vestiário.
O jeito é guardar o segredo para mim.


’s POV
- Vamos tomar banho para o almoço? – falou saindo da piscina.
- Deve estar muito frio lá fora! – falou seguindo minha namorada.
- Não vamos sentir frio, vamos pelo corredor aquecido. – apontou para a porta que ficava perto das espreguiçadeiras. – Ele vai levar a gente direto para os vestiários, e assim não sentimos frio!
- Não sabia disso! – falou sorrindo.
e eu saímos e pegamos nossas camisetas que estava em cima de uma mesa próxima à piscina. Peguei meu tênis no chão, e segurei-os em apenas uma mão. e já estavam na porta do corredor esperando por nós.
Seguimos pelo corredor, que estava mais quente que o normal, chegamos ao vestiário feminino e as garotas se despediram de nós.
- Nos encontramos no refeitório! – falou me dando um selinho rápido.
e se despediram apenas com um aceno de mão.
Segui com até o vestiário masculino.
- Só eu achei que a voltou um pouco esquisita do vestiário? – quebrou o silêncio que estava no vestiário.
- Ela estava mais quieta, mas ela brincou com a gente normalmente. – Dei de ombros pegando minha toalha no armário, e jogando no ombro. – Vocês estão bem? – Ele olhou para mim. – Você e a , está tudo bem?
- Sim, ela quis conversar, a gente conversou, ela quis ficar comigo, a gente ficou, e depois ela simplesmente decidiu que não quer nada sério com ninguém agora, deixa ela! – Ele deu de ombros, e eu o imitei. – Então sim, está tudo bem!
- Ela ficou com aquele garoto, da turma especial! – Comentei.
- Sim, o que brigou comigo no campo ontem. – Saímos da frente dos armários e fomos para os chuveiros no fundo do ambiente.
- Corrige essa frase, por favor!? – Falei pendurando minha toalha na porta do boxe, de vidro embaçado. – Você brigou com ele!
- O cara estava parado no meio do campo! – Ele ligou o chuveiro, e esperou o mesmo esquentar.
- Mas a bola estava longe dele! – Falei um pouco sem paciência para a autodefesa de . – Você o empurrou porque ele estava olhando para a , e você ficou com ciúmes. Assume que fica menos feio para você, .
- Ela me chamou de Alfie! – Ele falou baixo entrando no boxe, eu fiz o mesmo. – Ela olhou nos meus olhos como a... Julie fazia! – Ouvia a voz dele por cima do barulho do chuveiro.
- Vai ficar mal por isso? – Falei passando shampoo nos meus cabelos que estava na altura do ombro. – Você me disse que já tinha superado, e que estava tudo bem em relação a ela, afinal, ela foi uma babaca com você e com a sua melhor amiga. – Enxaguei meu cabelo, e fiquei em silêncio por um tempo. – Se não for superar por você, supere pela , que está totalmente quebrada com o que aconteceu. Se você se mostrar forte e mostrar que superou, ela supera também, ! – Coloquei o condicionador no cabelo e passei o dedo entre os fios para desembaraçar.
- Vou tentar. Não é tão fácil assim, a Juls não é daquele jeito, ela disse aquilo porque estava tão machucada quanto eu e . – Ele fez uma pausa, e eu mergulhei minha cabeça embaixo do chuveiro. – Se ela estivesse tão bem assim, ela não teria falado daquela forma, ela teria achado outra forma de falar que não poderia nos ver de novo, ou diria que sentia nossa falta tanto quanto nós sentíamos a dela. Porque ela é assim, ela não é aquela garota que conversou comigo no telefone.
- Qual é, Alf, você não sabe o que se passa na cabeça dela. Talvez ela realmente queria falar o que falou, e você está ai achando que ela ainda pensa em vocês, que ainda sente saudade de vocês! – Bufei, desligando o chuveiro. – Esquece isso, e segue a vida!
- Não pode ter sido tão insignificante assim, Edwards! Ela perdeu a virgindade comigo, ela passou os momentos mais difíceis do meu lado, ela passou o natal com a minha família. – Bufei novamente, mas de raiva e cansaço daquele assunto.
- Vai ver isso não era coisa tão importante assim para ela! – Passei a toalha no cabelo, e ouvi o chuveiro de desligar. – É de verdade a hora de seguir em frente, e esquecer o que passou. – Parei de falar e ele ficou quieto, e saiu enrolado na toalha, como eu estava. – Mas a estava esquisita na piscina, quer dizer, quieta de mais!
- Fiquei preocupado, será que aconteceu alguma coisa? – Voltamos para o armário, peguei minha cueca e a roupa que deixava ali dentro.
- A vai descobrir o que aconteceu, e depois ela conta pra gente.
também se vestiu, e nós saímos do vestiário com os cabelos molhados. Joguei o cabelo para trás com os dedos, e deixei-o secar como estava.
- mandou mensagem, disse que está no pátio, esperando a gente! – falou mexendo em seu celular.
Fomos andando em silêncio até o pátio, nos viu de longe e acenou para nós, andamos até ela e . Sentei-me ao lado de , e ela colocou as pernas por cima das minhas. sentou ao lado de , que assim como ele estava com os olhos fixos em seu celular.
- Finalmente vamos conseguir almoçar nessa escola! – falou quebrando o silêncio que se instalou. – Comer algo que não seja pizza.
- Realmente, minha alimentação está uma bosta. Tem três semanas que estou aqui e já devo ter engordado cerca de três quilos. – falou colocando o celular em cima da mesa.
- Como se isso fosse possível! – falou sem tirar os olhos do celular. Todos olharam para ele, e ele levantou a cabeça. – O quê? Vai falar que ela está gorda! – Ele deu de ombros. – Só falei a verdade!
- Achei que você nem estava prestando atenção na conversa! – falou rindo do melhor amigo.
- Vocês sempre desacreditam da minha capacidade de fazer duas coisas ao mesmo tempo, não é? – Ele falou ofendido. assentiu freneticamente, rindo do garoto. – Obrigada por acreditar no seu melhor amigo, Vieira!
- Quando é coisa importante você realmente não presta atenção, ! – Minha namorada se defendeu da acusação do garoto. – Então sim, eu desacredito da sua capacidade de fazer duas coisas ao mesmo tempo.
- Quando foi que eu deixei de prestar atenção em algo que você disse, ? – O garoto falou ainda mais ofendido. – Eu sempre te dou atenção.
- Quando te convém você realmente presta atenção! – A garota retrucou.
- Estou extremamente chateado com sua acusação! – e eu acompanhávamos a discussão dos dois.
Olhei para , e ela estava de cabeça baixa, chamei sua atenção sutilmente sem atrapalhar o resto da discussão de e .
- Tudo bem? – Sibilei para a garota, que respondeu apenas assentindo com a cabeça. – Certeza? – Ela assentiu novamente.
- Licença? – A voz de Beatriz veio por cima da minha cabeça, de frente para , que arregalou o olho quando olhou para a menina. – A gente pode conversar, ? – negou com a cabeça, sem falar absolutamente nada.
- O que você tem para falar com ela, Beatriz? – Perguntei me virando de frente para a garota.
- Não é da sua conta, Hill. – Ela olhou novamente para . – Por favor, prometo ser breve.
- Então fala aqui na frente de todo mundo, já que é rápido. – finalmente se pronunciou. – Não tenho nada para falar com você, não tenho nada que me faça ter um motivo para falar com você!
- Isso ai! – falou.
- Se quiser falar qualquer coisa pode falar na frente deles, não tenho nada para esconder deles! – A brasileira deu de ombros.
- Você sabe o que vou falar! – Bia estava intimidada claramente.
- Eu falei pra você ficar tranquila, não falei? – Beatriz assentiu. – Então fica tranquila!
Beatriz respirou fundo.
- Por favor! – Ela pediu novamente.
- Ai, garota, sai daqui, ela já disse que não tem nada pra falar com você! – bateu a mão na mesa. – Você já está começando a me irritar! Só sai daqui, e ela já falou, fica tranquila!
- Ok! – Beatriz colocou a mão para cima em forma de rendição, virou as costas e saiu andando.
- Por que ela queria falar com você? – Perguntei para .
- Não sei, não tenho nada para falar com ela! – deu de ombros. O sinal do almoço tocou e ela se levantou. – Vamos comer, estou morrendo de fome.
Todos levantamos e seguimos em direção ao refeitório. Segurei o braço de .
- Ai! – Ela falou olhando para mim. – Nossa, , que susto.
- Fala baixo, o que aconteceu? Você estava quieta na piscina, e quando a Beatriz veio falar com você, você arregalou o olho. – Ela negou com a cabeça.
- Nada aconteceu, eu não sei por que ela quis conversar comigo. – Ela respondeu olhando para o chão.
- , ela fez alguma coisa com você, se sim você precisa me contar! – Ela negou com a cabeça. – , por favor!
- Não posso contar, Hill! – Ela olhou no fundo dos meus olhos. – Eu... não posso!
- Ela fez alguma coisa, falou alguma coisa que te deixou assim. – Ela negou e sussurrou um “não”. – Então o que foi? Por que ela veio atrás de você?
- Não posso contar, desculpa, eu não posso! – se desvencilhou da minha mão que segurava seu braço.
- ! – Chamei e ela me olhou.
- Eu posso te contar mais tarde? – Perguntou com um olhar implorativo.
- Se você me prometer que vai me contar, pode! – Retribui o olhar.
- Prometo! – respondeu.
- Promete o quê? – apareceu ao lado de e perguntou.
- Nada! - respondeu rápido. – Coisa do !
- O que foi, babe? – chegou mais perto de mim, e me abraçou pela cintura.
- Surpresa! – Olhei para enquanto depositava um beijo na testa de .
- Amor, você sabe que odeio surpresas. – assentiu para mim, e virou de costas.
- Exatamente por isso tenho que fazer surpresa, pra você odiar antes, e amar depois! – Deixei outro beijo em sua testa, depois roubei um selinho rápido.
A testa de batia no meu queixo, e seus braços não conseguiam dar nenhuma volta completa em meu corpo, meus braços por outro lado envolviam a garota de uma forma que ela ficava totalmente escondida em meu corpo.
Nosso selinho se tornou um beijo suave depois um tempo, minha mão foi para sua cintura, e a outra estava em sua nuca. Ela estava com as duas mãos em meu rosto. Ela parou o beijo com vários selinhos estalados.
- Eu te amo, babe! – Ela falou entre um selinho e outro.
- Eu também te amo! – Falei quando ela parou de me beijar totalmente.
A mão que estava em sua cintura permaneceu lá quando ela se virou de frente para as portas do refeitório e começamos nosso trajeto para o refeitório.
Além de ter que ajudar a resolver seu problema, eu tinha criar uma surpresa para .

’s POV
- Você mandou bem com a Beatriz! – Falei quebrando o silêncio que estava na biblioteca. – Você realmente não tem noção nenhuma do que ela queria com você?
- Nop! – negou com a cabeça, ela estava bem mais leve depois do almoço. – Não faço a menor ideia! – Assenti e deixei a conversa morrer.
Faltavam alguns minutos para o jantar, estávamos na biblioteca a cerca de duas horas jogando verdade ou desafio, mas a brincadeira acabou quando e não conseguiam mais parar de se beijar.
- Gente, arranja um quarto! – falou para o casal na nossa frente.
- Quieta, ! – respondeu. – Você é o melhor namorado do mundo! – E voltou a beijar o garoto ao seu lado.
A biblioteca estava vazia, só nós quatro, e o silêncio reinava. Só se ouvia o barulho dos beijos de e , vez ou outra uma declaração clichê de amor seguida de risadas escandalosas.
O sinal tocou, avisando que o jantar estava liberado. Levantei-me num pulo, e olhei para os outros três.
- Vocês não vão jantar? – Chamei atenção deles.
- Já deu a hora? – perguntou.
- Sim, o sinal acabou de tocar! – Revirei o olho. – Qual é, galera, não é possível que vocês não ouviram!
- Eu não ouvi nada! – respondeu tirando seus olhos do celular por alguns instantes e depois voltando a mexer no mesmo. – Não é possível você estar com tanta fome assim, a ponto de estar ouvindo coisas.
- Realmente, ! – concordou. – Senta ai e relaxa!
- Jesus! O sinal acabou de tocar, vamos comer!
- Ok, vamos sair e ver se o jantar está liberado, se estiver nós vamos comer, se não estiver eu vou te bater! – falou se levantando, e o imitaram.
Seguimos nosso caminho para o refeitório, se mantinha à frente, vez ou outra respondendo alguém em seu telefone, e estavam atrás conversando sobre como o cabelo de havia crescido durante aquele mês. Os outros alunos estavam entrando no refeitório, certamente porque o jantar já havia sido liberado.
- Falei que o jantar estava servido! – Olhei para e atrás de mim interrompendo a conversa deles.
- Sorte a sua, ! – debochou.
- Vocês estão muito chatos hoje! – Resmunguei.
- Você que acordou com o pé do frango azedado! – respondeu. – Você quer conversar?
- Depois! – Respondi.
- Ok, vamos jantar, e depois do jantar a gente conversa, ok? – Assenti, e ela segurou meu braço. – Mas você precisa ficar tranquilo.
- Ok! – Ela beijou meu braço que estava coberto pela blusa, e eu beijei o alto de sua cabeça.
- Vou ficar com ciúmes desse jeito. – falou quando chegamos na mesa.
- Não precisa, você sabe que é único na minha vida! – falou. – Vem, , vamos nos servir. – Olhamos para e ela não respondeu. – ? – Nada! – !
- Oi? – Ela tirou os olhos do celular e olhou para a amiga.
- Você está em que mundo, garota? – perguntou.
- Desculpa, estava distraída com uma coisa aqui. – Ela apontou para o celular.
- Percebemos! – respondeu. – Vamos nos servir? – assentiu, colocou o celular desbloqueado em cima da mesa e se levantou. – Já voltamos! – pegou o braço de e as duas foram para o Buffet se servir.
- Quer me contar o que está acontecendo? – perguntou, e eu neguei com a cabeça. – Certeza?
- Sim, está tudo bem! – Olhei nos olhos de , e ele negou com a cabeça.
- Você é o pior mentiroso que eu conheço, ! – Ele deu uma risada fraca. – Ela mexe muito com você, não é?
- Sim! – Ele assentiu.
- É notável, você não tira os olhos dela. Tipo vinte e quatro por sete, você só olha pra ela. – Ele afirmou. – Na aula, nos intervalos, no almoço, no bar, na balada, em tudo! Quero ver como vai ser se ela sair da turma normal... – Ele completou.
- Você acha que ela vai para a turma especial? – Ele olhou fixamente para mim.
- Você acha que não? A garota é um gênio. – Assenti fraco. – Ela sabe as matérias que estamos aprendendo tipo de cor, a ponto de corrigir o professor, se ela não foi bem na prova, e eu tenho certeza de que vou reprovar. – riu fraco.
- Você está certo, e só vamos nos ver de noite depois do jantar. – Falei mais para mim, do que pra ele. – Fora o acampamento da turma especial, vai ser uma semana inteira sem ela aqui.
- Exato, meu amigo! – Olhei para o celular da garota, que estava com a tela apagada.
- Podem ir, meninos! – falou sentando na frente do namorado.
e eu nos levantamos, e nos dirigimos ao Buffet. Peguei uma bandeja, coloquei um prato e os talheres em cima da mesma, e arrastei pelo granito. Peguei uma folha de alface e duas rodelas de tomate, peguei macarrão e um pouco de molho vermelho com almondega, joguei um pouco de queijo ralado em cima do macarrão, peguei um sache de sal e outro de azeite e tirei minha bandeja do granito, e nessa hora Leonardo apareceu na minha frente.
- E ai, Leo! – Falei cumprimentando o garoto.
- Oi, ! – Ele sorriu. – Tudo bem?
- Sim, e você? – Respondi.
- Comigo? Ah, tudo bem. – Ele assentiu. – Posso jantar com vocês?
- Claro, estamos na mesa de sempre. Só tenha certeza de que dessa vez não vamos ter nenhuma briga, ok?
- Pode ficar tranquilo! – Sorri para Leonardo, e ele foi se servir.
Segui meu caminho até a mesa onde e estavam sentadas, vendo alguma coisa no celular de .
- Ah, ele é bonitinho! – Ouvi comentar.
- Sim, mas desgraçou minha vida, e agora parece estar namorando. – falou bloqueando o celular e colocando de volta na mesa, coloquei minha bandeja na frente da garota, que olhou para mim. – Ah, oi!
- Oi! – O silêncio se instalou no momento em que eu sentei.
se sentou logo depois de mim, e olhou para ele sorrindo. Leonardo chegou à mesa.
- Oi, gente! – olhou para ele e engasgou.
- ? – bateu nas costas da garota que estava com os olhos cheios de lágrimas por conta do engasgo. Ela esticou a mão para pegar o copo de água que estava na bandeja de . – Toma, bebe essa água! – deu um gole no líquido, e respirou fundo. – Tudo bem?
- Sim, só engasguei com um grão de arroz. – Ela bebeu mais um pouco da água, e olhou para . – Posso pegar?
- Já tomou metade mesmo! – deu de ombros, e se levantou.
- Senta, Leo! – Falei para o garoto, que estava de pé segurando sua bandeja.
Leo se sentou ao lado de .
- Tudo bem, Leo? – perguntou com um tom mais simpático do que o normal.
- Sim, eu estou bem. – Ela assentiu sorrindo.
- Que bom! Onde está sua namorada? – colocou um pouco de arroz e feijão na boca logo que terminou sua pergunta.
- Eu não... – Todos nós estávamos olhando para ele esperando uma resposta. – Eu não sei...
- Como assim, não sabe? – perguntou.
- Eu não sei, não a vejo desde o almoço. Ela disse que ia dormir um pouco, mas não a vi mais! – assentiu.
O silêncio se instalou novamente, e só ouvia o som das outras mesas ou dos talheres batendo nos pratos de vidro.
e foram as primeiras a terminar de comer, eu terminei logo em seguida.
- , vamos conversar agora? – chamou minha atenção que tinha ido para o celular em minhas mãos.
- Pode ser! – Respondi.
- Vocês nos dão licença? – pediu para os outros que estavam sentados a mesa.
- Fica a vontade, babe! – respondeu. – Cuidado, , estou de olho em você com a minha garota, hein!
- Awn, amor, pode ficar tranquilo, eu voltou sempre pra você! – parou atrás de , e deixou um beijo no topo de sua cabeça.
- Eu te amo! – falou.
- Eu também te amo! – falou para o namorado. – Tchau, gente, até mais tarde!
- Tchau! – Leo e responderam juntos.
e eu fomos deixar nossas bandejas na cozinha, para serem lavados. Agradeci as pessoas que estavam dentro da cozinha, e sai do refeitório seguido de .
- Sei que não está sendo fácil para você, ! – pegou no meu braço e o abraçou. – Ter que lidar com uma paixão que acabou do nada, e ainda ter que lidar com uma nova paixão surgindo, não é fácil! – Olhei para a garota que era muito menor que eu.
- Como você sabe de tudo isso? – O olhar dela encontrou o meu, e ela sorriu.
- Você não é muito difícil de desvendar, ! E outra, eu sou sua melhor amiga, te conheço mais do que você mesmo. – Continuamos andando, e tinha certeza de que estávamos indo para o lago que tinha na parte de trás do prédio da biblioteca.
- Ultimamente não está sendo tão difícil alguém me conhecer mais do que eu mesmo me conheço. – Ri fraco. – Não estou me reconhecendo.
- , você só está tirando sua capa de superman, e dando uma folga para o herói que tem dentro de você. – Chegamos ao lago e sentamos perto da árvore que tinha ali. – Simplesmente porque cansa salvar todo mundo o tempo todo, chega uma hora que precisamos cuidar de nós mesmos. Falando sério, quantas vezes você deixou de pensar em você mesmo e pensou mais em quem estava com você, como seus amigos, ou não sei, sua família?
- Não sou capaz de contar! – Respondi em um murmúrio.
- Viu, você se preocupa muito mais com os outros e deixa de se preocupar com você. Não estou dizendo que isso é um defeito, mas a gente precisa tomar conta da gente também, ou às vezes simplesmente pedir para que alguém cuide da gente. – Ela respirou fundo e eu fiz o mesmo. – A gente está em uma fase muito difícil na nossa vida, onde tudo é muito intenso, tudo se torna um problema muito grande. Mas a gente precisa buscar métodos de deixar as coisas mais simples, a gente precisa facilitar!
- Você tem ido ao seu analista? – Olhei para ela, e ela riu.
- Não, mas não é difícil de descobrir que nossa idade é uma fase complicada. Onde ninguém entende as coisas que acontecem com a gente, as coisas que tiram nosso sono, ou que nos fazem perder a cabeça muitas vezes! – Ela olhou para mim e sorriu. – E eu já te disse que nunca mais volto no analista! Aquele cara era mais louco que eu.
- É, mas foi depois de você conhecer aquele cara louco e começar suas sessões de análise, que você entendeu que nada se resolve na violência, as coisas não são do jeito que você quer sempre. Foi lá que você aceitou o fato de que você amava o e que era com ele que você queria ficar pra sempre.
- Tem razão, se eu não tivesse feito análise, eu talvez não estivesse com o hoje! – Ela sorriu mais ainda. – Eu amo aquele garoto! – Sorri com sua declaração e neguei com a cabeça.
- Não é segredo para ninguém, tenho certeza de que a reciproca é verdadeira, e também não é um segredo. – Nós dois rimos e ficamos em silêncio simplesmente olhando para o lago à nossa frente.
A lua estava crescente, brilhando bastante na escuridão do lugar, refletindo sua luz e sua imagem na água do lago. Batia um vento frio, mas não frio a ponto de termos que usar alguma blusa de frio mais pesada do que um suéter ou um cardigan. deitou sua cabeça no meu ombro, e eu encostei a cabeça no tronco da árvore que estávamos encostados. Só ouvíamos o barulho de um grilo distante onde estávamos.
- Ela faz falta, não é? – Olhei para a garota deitada em meu ombro, que estava com sua cabeça fixa para frente. – A Julie, faz falta!
- Sim! – Voltei minha cabeça para o tronco da árvore, e coloquei meu braço envolta do corpo de . – Mas a gente consegue superar, acredito no nosso potencial!
- Não sei se acredito tanto assim, vivemos momentos mágicos juntos. – Assenti levemente. – Como ela teve coragem de falar com a gente daquela forma?
- Não era ela que estava falando, era uma garota totalmente insegura, e com medo de demonstrar seus sentimentos verdadeiros, aquela não era a verdadeira Julie. – Fiz uma pausa. – Ou talvez a gente nunca a conhecesse de verdade, e aquela é sim a verdadeira Julie. – Dei de ombros. – Não sei qual é a verdade dessa situação, se era ela ou não, mas temos que seguir nossa vida, e infelizmente ou felizmente, ainda não decidi, vai ter que ser sem ela.
- É, vamos descobrir se vai ser felizmente ou infelizmente. – deu de ombros, e ficamos em silêncio novamente.
Ficar em silêncio com nunca era incômodo, era tranquilo, eu sentia uma paz diferente quando estava com ela, mesmo que fosse só em silêncio. Desde a sexta série ela era minha melhor amiga, e sempre estávamos lá um para o outro, depois começou a se aproximar mais de nós. Mesmo e se conhecendo desde pequenos, eles não eram os melhores amigos do mundo, nem gostavam muito de ficar na presença um do outro, mas tudo isso por conta do sentimento reprimido que eles tinham.
tinha medo de assumir que gostava de , e sentia vergonha de gostar da por ela ser muito violenta. Mas no final tudo deu certo, e hoje eles estão melhores do que imaginei que um dia eles estariam.
Fechei meus olhos, e a brisa que batia em mim me fazia sentir um pouco de sono. Inspirei fundo quando um vento um pouco mais forte bateu em meu rosto, senti fazer o mesmo. Quando estava quase pegando no sono, fui despertado por meu telefone, que estava tocando em meu bolso. Abri meus olhos, e peguei meu celular no bolso da minha calça, se endireitou e olhou para mim. No visor aparecia uma foto de sorrindo e o nome do garoto na parte de cima da tela. Deslizei para atender e coloquei o celular no ouvido.
- Oi! – Falei assim que coloquei o aparelho próximo ao ouvido.
- Oi, onde vocês estão? Já faz uma hora que vocês saíram! – Afastei o celular do ouvido e vi que horas marcavam no celular. 21h30
- Ah, estamos no lago, você vem pra cá ou quer que a gente vá até você? – Perguntei.
- A gente vai ai, fica parado onde você está! – Assenti mesmo sabendo que ele não estava vendo.
- Ok, ! Estamos te esperando aqui. – sorriu.
- Ah, estou levando a vodka que estava no nosso quarto. Já prepara a para ela não ficar brava, ok?
- Ok, fica tranquilo! – Respirei fundo. – Tchau!
- Tchau! – Ele desligou a chamada, e eu coloquei o telefone de volta no bolso.
- O que foi? – perguntou.
- Nada, o só pediu para te avisar que ele está trazendo a vodka que estava guardada no cofre do nosso quarto. – Ela fechou a cara. – Não fica brava, prometo que não vou deixá-lo ficar bêbado.
- Eu não gosto quando vocês bebem! – Ela choramingou.
- Pô, , você sabe que não fico bêbado com facilidade, se qualquer um deles ficar bêbado você não vai precisar cuidar, eu cuido pode deixar. – Ela abaixou a cabeça, e eu levantei-a pelo queixo. – Confia em mim?
- Ok! – Sorri de lado para ela, e ela me deu língua em troca.
- Infantil! – Mostrei a ponta da minha língua para ela também, que riu. – Minha mãe sempre dizia que se mostrasse a língua ela ia cortá-la fora. – gargalhou alto.
- Minha mãe dizia a mesma coisa, e sempre que ela falava isso eu mostrava a língua ainda mais! – Eu ri com ela, a risada de era contagiante. – Ela ficava ainda mais brava comigo, e corria atrás de mim pela casa, quando víamos estávamos brincando de pega-pega!
- As minhas irmãs faziam muito isso com a minha mãe, eu nunca tive uma relação tão de amigo com a minha mãe, era muito mais relação de mãe e filho. – Ela sorriu fraco. – Mas com meu pai sempre tive uma relação maravilhosa, sem sombra de dúvidas ele sempre foi e sempre vai ser meu maior herói.
- Não lembro muito do meu pai! – Nesse momento me lembrei de que o pai de havia falecido quando ela tinha apenas dois anos de idade. – Mas vejo as fotos que minha mãe tem guardada no armário dela, e posso imaginar que ele era o cara mais amoroso do mundo.
- Oi, queridos! – chegou gritando chamando nossa atenção para ele e , e fazendo sorrir largo.
- Oi! – olhou para o namorado, que sorriu de volta para a garota. – Senta. – bateu na grama ao seu lado.
se sentou e abriu a sua jaqueta, e tirou de dentro dela a garrafa de vidro pela metade do líquido transparente. se sentou também, e abriu a blusa de moletom tirando quatro copos de dentro, e um suco de cranberry também.
- Trouxemos suco para você, amor! – falou beijando a têmpora de .
- Ah, que lindo! – Falei. – Viu, , ele pensa muito em você! – Ela sorriu.
- É o melhor namorado do mundo! – começou a beijar o rosto de inteiro.
- Ai, casal, nem começa, vamos jogar vai! – falou interrompendo o casal.
- OK, vamos jogar eu nunca! – falou. – Vamos encher os copos.
entregou um copo para cada um, colocou um pouco de suco em cada copo, e só no de ela encheu de suco. colocou vodka no meu copo e no de , e colocou no seu copo, fechou a garrafa e deu um gole da sua bebida, fiz o mesmo e senti o gosto forte da vodka, mas adocicado do suco.
- Eu começo. – chamou a atenção de todos para si. – Eu nunca transei no primeiro encontro. – e eu tomamos um gole, e deram risadinhas.
- Minha vez. – falou. – Eu nunca beijei uma pessoa do mesmo sexo que eu. – Eu e nos entreolhamos, e depois olhei para e . levou o copo até a boca e deu um gole.
- O quê? – gritou. – Você já beijou uma garota? – assentiu e deu de ombros.
- Amiga, ué. Quem nunca! – levantou a mão sutilmente, e eu ri. – Ok, sou anormal! – levantou as mãos em forma de rendição. – Vai, , sua vez.
- Ok, eu nunca... tomei iniciativa de falar com quem eu gostava. – Todos tomaram um gole do líquido de seu copo.
- Ai, que sem graça, ! – falou.
- Não pensei em nada melhor, ué. – Ele deu de ombros.
- Percebemos! – falou. – Vai, , sua vez.
- Eu nunca comi brigadeiro. – me encarou e deu um gole.
- Ridículo, todo mundo sabe que eu já comi brigadeiro, eu sou brasileira, não faria sentido ser brasileira e não comer brigadeiro nunca na vida. – Eu ri. – Eu tô vendo que eu vou perder.
- Eu nunca disse eu te amo em menos de um mês! – , e eu bebemos. – Ah, finalmente não bebi! – comemorou.
- Logico, com esse coração de pedra! – brincou e eu não entendi essa proximidade repentina entre eles.
- Claro que não, para de falar isso, eu sou um amor. Só não tenho coragem de dizer que amo em menos de um mês de relacionamento no mínimo. – riu e foi acompanhado por .
- Vocês estavam bebendo antes de vir pra cá, não é? – Perguntei, e trocaram um olhar e começaram a rir.
- Sim! – respondeu. – Vai, , sua vez!
- Ok, eu nunca li um livro em um dia. – Ela falou olhando diretamente para mim.
- Bem sem graça você, né? Você sabe que eu já li mais de um livro em um dia! – Falei e dei um gole na bebida logo em seguida.
- Coisas da vida! – falou e deu um gole também.

’s POV

Estávamos a cerca de uma hora e meia jogando eu nunca, e já estavam rindo atoa de qualquer coisa que acontecia, era notável que cabeça de estava pesando, e mal conseguia ficar de olhos abertos por muito tempo, e eu estávamos rindo da situação dos dois.
- Acho melhor a gente ir pro quarto! – falou rindo na hora que resolveu fazer uma estrelinha e não conseguiu se levantar.
- Ah, não quero! – falou com a língua enrolada.
- , já está tarde, e vocês não estão em condições de escolher nada do que vão fazer! – riu quando terminei de falar. – Do que está rindo?
- Do , ele estava te imitando! – Ela gargalhou mais. – Para, ! – Olhei para e ele estava com a língua pra fora mexendo a cabeça como se estivesse debochando de mim.
- Então faz o que você quiser! – Falei e me levantei. – Eu vou pro meu quarto.
- Não, ! – me chamou e veio atrás de mim. – Fica, a gente está se divertindo, poxa!
- Você chama isso de diversão? Olha seu estado, você mal consegue ficar de pé! – Respondi, e ela sorriu. – Você nem está entendendo o que eu estou falando. Eu vou pro quarto, se quiser vir comigo...
- , por favor, fica aqui! – pediu com a língua um pouco enrolada. – Só mais meia hora!
- Ok, meia hora e nada mais! – sorriu, e colocou o braço em volta do meu pescoço e voltamos para perto dos garotos, que estavam conversando sério.
- Ela vai ficar mais meia hora! – olhou para e sorriu. – Vamos continuar o jogo?
- Vamos! – comemorou. – Minha vez, eu nunca vi um amigo ficando com a garota do melhor amigo! – olhou para , e engoliu seco.
deu um gole da bebida, e ficou quieta. Dessa vez não foi engraçado, ninguém reclamou do que aconteceu, ou do que foi dito. O silêncio pairou entre nós, um silêncio constrangedor e cheio de segredos.
- Explica! – pediu para .
- Não posso! – negou com a cabeça.
- Por que não? – Perguntei.
- Só não posso, por favor, não peçam de novo! – implorou. – Eu só não posso contar! – Ela repetiu, e deu risada. – Não tem graça, , e você sabe que não tem graça!
- Você está falando como se o problema fosse seu, não é problema seu. – riu ainda mais da garota.
- Ok, perdemos alguma coisa aqui! – falou e eu concordei.
- Não perderam nada! Vem, , vamos dormir! – se levantou, e eu fiz o mesmo.
cambaleou um pouco, se levantou segurando-se na árvore, e também se levantou.
- Boa noite, ! – Falei abraçando o garoto.
- Boa noite, ! Nos vemos amanhã no café! – Assenti assim que soltei o garoto.
Olhei para e , eles ainda estavam abraçados, e parecia falar algo para .
- Tudo bem, vai ficar tudo bem! – falou assim que soltou , e ela assentiu. – Boa noite, !
- Boa noite, ! Muito obrigada! – Ela sorriu e olhou para . – Boa noite, !
Me direcionei a , e recebi um beijo na testa seguido de um abraço. Me aconcheguei nos braços de , encostando meu ouvido em seu peito, podendo ouvir seu coração. Ele dava vários beijos no topo da minha cabeça, e nitidamente não queria sair daquele abraço.
- Eu te amo, babe! – Ouvi ele sussurrar, e eu apenas assenti suavemente. – Muito! – Assenti levemente.
Seu coração estava calmo, e ecoava na minha cabeça. Soltei-o e olhei em seus olhos, ele sorriu para mim, e dessa vez o abracei com os braços envoltos em1 seu pescoço, fiquei cerca de trinta segundos ali no seu abraço. Deixei um beijo em sua bochecha, e me soltei dele.
- Boa noite, babe! – Ele me deu um selinho rápido.
- Boa noite, ! – Sai de perto dele, e entrelacei meu braço no de .
e não vieram atrás da gente, seguimos até o prédio de dormitórios femininos. estava mergulhada em seu celular novamente.
Coloquei minha mão livre em meu peito, onde conseguia sentir meu coração, e notei que meu coração batia igual o de a minutos atrás, não pude conter um sorriso, de saber que meu coração estava batendo na mesma batida que o coração do meu namorado.
- Você gosta muito dele, não é? – quebrou o silêncio entre nós.
- Sim, muito! – Sorri para ela.
- É nítido o amor de vocês. – Paramos na frente da porta do nosso quarto, e peguei a chave no bolso de trás da minha calça jeans. – Vocês nem precisam ficar falando que amam um ao outro, só de ver o cuidado e o carinho que vocês têm um com o outro já é suficiente para saber que vocês são feitos um para o outro. – Abri a porta do quarto, e foi a primeira a entrar.
Segui a garota e fechei a porta atrás de mim, tranquei-a.
- Ele é tudo o que sempre sonhei, e analisando tudo, ele é tudo o que eu sempre precisei. – Sorri, e me joguei em minha cama. – Eu amo esse garoto!
- Espero um dia conhecer alguém que seja tudo o que eu preciso e sonho! – estava tirando a blusa de frio que usava. – Eu de verdade espero encontrar!
- Você vai, tenha certeza disso! – assentiu. – Mas enquanto isso, não tem problema passar tempo com quem você quer, mas não precisa! – Ela riu!
- Realmente, se tivesse algum problema fazer isso, eu já estava bem encrencada! – Ela falou parando de rir. O celular dela tocou avisando que havia entrado uma mensagem.
Ela olhou fixamente para o celular, e clicou apenas uma vez na tela. travou! Não falou nada, não esboçou nenhuma reação, não fez nada!
- ? – Chamei. – O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Ela negou com a cabeça.
- Está tudo bem! – Ela digitou alguma coisa, e bloqueou o celular colocando o na cama.
- Certeza? – Ela assentiu. – Você está pálida!
- Acho que minha pressão caiu, eu estou me sentindo um pouco fraca. – Ela abriu a gaveta do seu criado mudo, e pegou um saco de salgadinho que ela deixava ali dentro. Pegou uma batata e colocou na boca. – Preciso dormir!
Ela tirou a calça e a camiseta que estava usando, e ajeitou a cama para dormir. Ela se cobriu, e colocou o celular para carregar em cima do criado mudo.
- Boa noite! – Falei quando ela se virou de frente para a parede.
- Boa noite, ! – Ela respondeu baixo.
Me levantei da minha cama, e fui até o banheiro. Peguei meu demaquilante e meu algodão e aproveitei aquele silêncio para não pensar em absolutamente nada, apenas na maquiagem que estava sendo removida da minha face. Quando terminei de tirar a maquiagem, peguei o sabonete e esfreguei meu rosto, enxaguei e sequei-o. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo frouxo, e tirei a roupa que estava usando, peguei meu pijama pendurado na porta, e vesti-o. Fiz xixi, lavei as mãos e escovei os dentes. Sai do banheiro, e apaguei a luz do quarto.
Ajeitei minha cama e me deitei para dormir, me virei de frente para a parede, e fechei meus olhos. Não demorei a pegar no sono.

O barulho do despertador me fez abrir os olhos lentamente e fechei-os novamente, lutei com a obrigação de acordar, mas abri os olhos e fiquei de barriga para cima. Estiquei a mão e peguei o celular que tocava no criado mudo, desliguei o despertador, e vi que tinham duas notificações, mas não fiz questão de ver o que era.
Olhei para a cama ao lado da minha, e ela já estava vazia e arrumada. Me sentei na cama, e soltei o cabelo do rabo de cavalo. Me espreguicei, arrumei o cabelo solto, e me levantei.
- Onde a foi tão cedo? – Me perguntei entrando no banheiro, notei que o ar do banheiro estava úmido por conta do vapor do chuveiro, mostrando que não havia muito tempo que o chuveiro fora usado.
Escovei os dentes novamente, e lavei o rosto, passei um creme no rosto, em seguida passei base, passei a escova no meu cabelo. Sai do banheiro e fui para o closet, peguei meu uniforme, vesti a saia e coloquei a camisa que ficava com a barra na altura do cós da saia. Procurei a gravata na gaveta, mas não encontrei.
- Droga! – Deixei o primeiro botão da camisa aberto, e calcei o all star preto.
Me olhei no espelho e sorri para mim mesma. Voltei para o banheiro, e peguei o rímel dentro da bolsa de maquiagem, passei apenas uma camada nos cílios de cima e de baixo.
- Agora sim! – Sai do banheiro e peguei meu cardigan cinza em cima da cama, vesti o mesmo, peguei o celular em cima da cama e sai do quarto.
Procurei o contato de no meu celular e mandei uma mensagem para ela.

“Onde você está?”


A resposta não demorou a chegar.

“Estou no pátio, quis acordar cedo para ver o resultado da minha prova!”

Bloqueei o celular depois de ler a mensagem e responder um “ok”. Sai do dormitório, procurei por e encontrei-a sentada com dando risada.
Não estava entendendo essa proximidade de e , mas não era algo que me incomodava.
- Estou feliz por você! – estava falando quando cheguei perto da mesa.
- Eu sei, estou muito feliz também, eu achei que iria super mal, mas fui a melhor colocada! – Sentei ao lado de . – Ah, oi !
- Oi, bom dia! – deu um beijo na minha têmpora e eu sorri.
- Bom dia! Então quer dizer que você foi a melhor colocada na prova da turma especial? – Confirmei a informação recebida segundo atrás.
- Sim, estou muito feliz e orgulhosa de mim! – O sorriso de iluminava seu rosto, e me fazia sorrir com ela.
- Parabéns, fico feliz por você também!
- Vamos tomar café? – perguntou.
- Mas e o ? – Procurei pelo garoto no pátio, mas não encontrei.
- Ele já foi tomar café, não quis esperar! – respondeu se levantando. – Vamos ter que tomar o café da manhã só nos três.
- Mas por que ele não quis tomar café com a gente? – Me levantei e entrelacei meus dedos com os de .
- Não sei, ele só disse que estava indo tomar café! – estava atrás de nós.
Seguimos em silêncio até o refeitório, que estava a menos de cem metros de distância de nós. O lugar estava lotado, procuramos a mesa em que sempre sentávamos, e Liza, Sarah e Bia estavam sentadas lá. Procurei por , mas não o encontrei.
- Onde vamos sentar? – Perguntei para , que deu de ombros.
- ? – Ouvi alguém chamar, e procurei de onde vinha à voz. Encontrei um garoto magro de cabelo preto, chacoalhando o braço para a garota.
- Oi! – Ela sorriu e foi até o garoto. Eles conversaram cerca de um minuto, e logo voltou para perto de nós. – O Felipe disse que tem lugar na mesa dele, podemos sentar lá. – Olhei para e ele assentiu dando de ombros.
- Ok, vamos sentar com eles então. – Andamos até a mesa do garoto, que estava acompanhado de um menino loiro dos olhos verdes, e de uma garota com o cabelo castanho escuro e os olhos cor de avelã.
- Felipe, essa é a minha colega de quarto, e o seu namorado. – Cumprimentei o garoto, e fez um toque rápido com ele.
- Hey, você é o amigo do , que jogou contra a gente sábado, não é? – assentiu. – Que pena que não pudemos terminar o jogo, estava sentindo que íamos virar aquela parada!
- Vamos marcar, quem sabe numa próxima você tentam ganhar do nosso time! – riu e foi acompanhado pelo Felipe.
- Bom, esses são Benjamin e Charlotte, eles são da minha turma na classe especial. Vocês podem ficar a vontade, sentem onde quiser. – Ele olhou em volta. – Isso aqui está lotado hoje!
- Obrigada, Fe! – abraçou o garoto de lado. – Vem, vamos pegar nosso café.
puxou minha mão, e consequentemente puxei conosco.
- E ai, o que vocês acharam dele, bem legal, não é? – Ela perguntou assim que chegamos ao Buffet.
- Difícil dizer assim logo de cara, foi legal da parte dele deixar a gente sentar-se à mesa deles, mas ainda não sou capaz de opinar sobre o garoto. – Peguei dois pratos pequenos e um copo de vidro grande.
- E você, , o que achou dele? – perguntou para o garoto que andava ao meu lado arrastando sua bandeja ao lado da minha.
- Não sei, ele parece legal, e joga futebol muito bem. – pegou um pedaço do bolo de chocolate, que eu e tínhamos pegado também. – Mas por que perguntou isso?
- Ela fica com ele esporadicamente! – Respondi pegando um pão e passando requeijão no mesmo.
- Entendi! – Ele fez uma pausa, como se estivesse ligando uma história na outra. – Ah, ele é o garoto do bar que te fez querer entrar na turma especial! – estalou os dedos e assentiu com a cabeça. – Agora faz sentido você conhecer mais alguém além de nós.
- Idiota! – jogou um pão no garoto, que desviou e o mesmo caiu em seu prato.
- Bela mira, ! – Ele debochou da garota.
- Calado, Hill! – Ela riu e deu língua para ele, ele devolveu da mesma forma.
Terminamos de nos servir e fomos de volta para a mesa onde Felipe e seus amigos estavam sentados rindo de qualquer coisa que tinha sido dita ou feita.
- , fiquei feliz em saber que você vai entrar na nossa turma! – Felipe falou. – Qual foi sua pontuação?
- Cem! – Benjamin e Charlotte olharam para ela boquiabertos.
- Cem? – Ela assentiu para Charlotte. – Isso é tipo a prova toda!
- Eu sei, estou muito feliz! – E então decidi parar de prestar atenção, já que toda a atenção estava sendo voltada apenas para e sua nota na prova de aceitação para a turma especial da escola.
Estava totalmente em outro planeta, tranquilamente tomando meu café da manhã, sentia fazer carinho na minha coxa vez ou outra, e algumas vezes as risadas dos que estavam à mesa chamava minha atenção, mas logo me desligava do que estava acontecendo.
Foi à presença da diretora, que chamou minha atenção, e prendeu-a.
- Bom dia! – Ela cumprimentou a todos. – , posso falar com você na minha sala, por favor? – olhou para mim com os olhos arregalados.
- Po-pode claro! – respondeu se levantando, com sua bandeja em mãos.
- Eu guardo um lugar para você na sala! – Charlotte assegurou, e recebeu um sorriso de volta.
seguiu para a cozinha e depois saiu do refeitório.
- Será que devo me preocupar? – Perguntei para .
- Só vamos descobrir quando ela sair de lá.
Ok, vou ter que esperar!



Capítulo 5

’s POV

- Ei, vamos fazer alguma coisa hoje? – perguntou para mim, depois de fechar seu livro de física. – Quero dizer, hoje é sexta, temos o fim de semana livre, podíamos sair ir a alguma festa. – Ela deu de ombros, enquanto eu fechava meu estojo.
- Podemos ver, você tem alguma coisa em mente? – Questionei a garota que agora guardava seus livros na mochila.
- O pessoal da turma especial vai a uma festa na casa de um amigo da Charlotte, e eles me chamaram, mas não queria sair sem vocês! – sorriu para mim. – Então pensei em irmos naquele bar que fomos na minha primeira semana aqui.
- Nossa, isso faz dois meses e meio, mas podemos ver com o e com a , e podemos ir lá! – Me levantei da mesa em que estávamos sentados, e ela fez o mesmo.
Desde que entrou na turma especial, ela vem me ajudado a estudar física e matemática, que sempre foram muito complicados para mim. Já fazia quase três meses que ela estava na escola, e minha amizade com ela só crescia, graças a Leonardo e Beatriz, que resolveram trair seus respectivos companheiros.
O namoro de ambos seguia firme, mas era evidente que a traição também continuava.
- Eu não entendo, por que o Leo não termina com a Sarah, e a Bia não termina com o Erik? – quebrou o silêncio. – Quero dizer, eles estão sendo enganados achando que o relacionamento deles está maravilhoso. E o Erik é um menino legal, não merecia passar por isso.
- Penso da mesma forma, mas não posso contar. Não cabe a mim fazer uma coisa dessas. – Dei de ombros, chegando a uma mesa vazia no pátio.
- Mas tem que haver algo que a gente possa fazer, , eles estão sendo enganados, e a gente sabe o motivo! – Ela se se sentou à mesa com os pés no banco. – A gente precisa fazer alguma coisa!
- O que a gente pode fazer, ? – Sentei ao lado de seus pés e coloquei a mochila em cima da mesa.
- Não sei, colocar eles contra a parede, sei lá! – Ela gesticulava com as mãos. – Vamos procurar uma forma de eles perceberem o que estão fazendo, sem que eles saibam que a gente sabe. Podemos aproveitar que estamos mais próximos deles, e jogar algumas indiretas. – Encarei-a tentando entender onde ela queria chegar. – Ai, , não sei.
- A gente pensa em alguma coisa, nesse momento vamos pensar no que fazer hoje a noite? – Ela assentiu.
- Eu acho que seria muito legal a gente ir naquele bar de novo, faz tempo que não vamos lá! – Ela deu de ombros.
- Ok, então vamos pro Central City Bar! – Levantei minha mão para fazer um hi-five com ela, que bateu a palma da mão na minha. – Liga pra , e eu ligo para o .
Peguei meu celular no bolso da calça e procurei o número do telefone de , encontrei o contato do garoto, e cliquei para chamar. O telefone chamou cerca de seis vezes ou mais, até ele atender.
- Alô? – Ele atendeu, ofegante.
- Oi, ... Tudo bem? – Franzi o cenho sem entender seu cansaço, já que ele tinha se despedido de mim dizendo que ia para o quarto dormir.
- Estava tudo ótimo até você ligar. E é bom que seja muito importante, porque eu estava... – Agora fazia sentido, ele estava com uma garota.
- Quem é ela? – Perguntei com uma voz brincalhona.
- , depois eu te conto. Fala o que você queria falar logo. – Sua respiração já estava normalizada.
- Eu estava conversando com a , e ela falou pra gente ir ao Central City Bar. – Fiz uma pausa. – Você vai com a gente, certo?
- Certo, era só isso? – Murmurei um “uhum” – Ok, se puder demorar mais uns vinte minutos... Vinte e cinco minutos para voltar pro quarto, eu agradeço.
- Ok, tchau! – Desliguei o telefone e guardei-o de volta no bolso.
- E então? – perguntou assim que olhei para ela.
- Ele vai! – Respondi. – E a ?
- Também! – sorriu.
- Onde ela está? – Perguntei.
- Ela disse que termina a aula de dança em meia hora. – falou mexendo no celular. – O quê? – Ela gritou.
- O que foi? – Sentei ao seu lado em cima da mesa.
- Olha a foto que a Julie postou hoje de manhã. – Ela me mostrou uma foto de Julie e um garoto dando um selinho. – Olha essa legenda. Pensei que nunca encontraria o amor, mas encontrei-o em você! Você sabe quem é esse garoto? – Neguei com a cabeça. – É o Renan!
- O Renan? O seu ex-namorado? – Ela assentiu.
– Ela está beijando meu ex-namorado, e está dizendo que encontrou o amor nele! Ela está namorando meu ex-namorado. – olhou para mim incrédula.
- Ok, respira fundo! – Ela puxou o ar. – Isso, se acalma! Vocês terminaram, e não pode decidir com quem sua prima namora.
- Sim, eu sei, mas ela sabe o motivo pelo qual terminei com ele, ela devia odiá-lo! Mas ela está namorando ele, ela esta beijando ele, dizendo que ama ele. O cara que mais me magoou nessa vida! – Ela bateu com a palma da mão na coxa. – Ela não pode estar falando sério!
- Hey! – Puxei-a pelo ombro para meu abraço. – Se acalma, fica tranquila.
- Como eu vou ficar tranquila, ? – Sua voz saiu embargada. – Não tem como ficar tranquila, é meu ex-namorado. Eu o odeio, mas não superei o que tive com ele. – Ela estava chorando.
- , não chora! – secou as lágrimas que escorriam por sua bochecha.
- Droga, eu choro por tudo! – Ela respirou fundo. – Não consigo me acalmar, eu não consigo acreditar que minha prima está namorando o menino que eu mais amei na vida.
- Pensa comigo, ! Você está aqui em East Sussex, na Inglaterra, eles estão em São Paulo, no Brasil. São quilômetros e quilômetros de distância. Você vai ficar aqui por mais um ano, não vai encontrar com eles tão cedo. Então você pode ficar tranquila, porque você vai demorar a vê-los. – Ela confirmou com a cabeça. – Então para de seguir os dois nas redes sociais que você tem, e esquece por um tempo da existência deles.
- Vou tentar.
- Vou falar pra você a mesma coisa que falei para o e para a , só esquece ela. – Dei de ombros. – Só segue sua vida, mesmo que ela tenha sido importante pra você. Esquece!
me abraçou de novo, e respirou fundo.
- Obrigada, ! Você tem sido um amigo e tanto! – Soltei-a e ela sorria. – Talvez meu melhor amigo aqui!
- Você também tem sido uma amiga e tanto, obrigado por confiar em mim! – Sorri de volta para a garota. – Olha lá, o Leonardo indo para o vestiário.
- Vem, vamos ver se ele vai sozinho. – Ela pegou a mochila e jogou nas costas, e me puxou pela mão.
Leo estava um pouco distante de nós, e vez ou outra olhava pra trás. Eu e fingíamos estar apenas conversando enquanto andávamos pelo campus da escola. Leonardo entrou no vestiário masculino e desapareceu.
- Você vai atrás dele! – apontou para o vestiário, olhei para ela. – Vai, ! – Ela pediu.
- Ok, você fica aqui e vê se a Beatriz passa! – Ela assentiu.
Andei até o vestiário, abri a porta com cuidado para não fazer nenhum barulho, procurei por Leonardo em todos os corredores, e o encontrei entrando na porta que dava no túnel para a piscina. Esperei a porta se fechar, e fui atrás dele, mais uma vez tomei cuidado ao abrir a porta, e olhei dentro do túnel a tempo de ver Leo entrando no vestiário feminino. Andei devagar até a porta, e entrei no vestiário, tomei cuidado para fechar a porta. Olhei para os dois lados e não vi ninguém. Nesse momento meu celular vibrou em meu bolso e eu me assustei. Peguei o aparelho e vi a notificação de uma mensagem de .

“Ela acabou de entrar no vestiário, eu vou atrás dela!”

Respondi a mensagem rápido, e logo guardei o telefone de volta no bolso.
“Ele entrou no vestiário feminino pelo túnel, eu estou aqui dentro!”

Ouvi um barulho de porta de armário se fechando e me assustei, olhei para frente e para os lados, mas não vi ninguém. Andei lentamente pelo corredor onde estava, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho que pudesse chamar atenção pra mim.
Estava me sentindo o próprio Sherlok Holmes indo atrás de suspeitos para prender, mas era como tinha dito, não podíamos deixar essa situação continuar sabendo o quanto poderia machucar Sarah e Erik. Até porque Erik era um dos meus melhores amigos, ele dormia no mesmo quarto que eu, e olhar para ele falando que seu relacionamento havia melhorado, que as brigas estavam parando, ou até mesmo o quanto ele amava Beatriz, me deixava triste por saber que nada daquilo era real. Afinal, se fosse real ela não estaria o traindo com um de seus amigos.
Não que o problema fosse Leonardo ser amigo dele, mas normalmente quando Erik dizia o quanto estava apaixonado e o quanto amava sua namorada, Leo estava junto e ouvia tudo.

*FLASHBACK ON*

- Falando sério, faz tempo que não conversamos assim! Senti falta de vocês! – Nicholas falou assim que todos pararam de dar risada sobre uma piada que Erik tinha contado.
- Logico, a gente escolheu as meninas mais loucas pra namorar, não tinha outra coisa pra acontecer que não fosse briga com certeza! – Eu concordei com Nick, e todos assentiram com a cabeça. – Mas é bom, eu amo a , e estamos muito felizes juntos.
- Nossa, isso com certeza, é bem notável que você a ama, não desgruda! – falou se jogando na cama em que eu estava encostado.
- Sabe o que é isso? – Olhei para o garoto. – Inveja, porque você não tem uma namorada perfeita como a minha.
- Ah, se enxerga, ! Namorada perfeita é a minha, que não deixa o tempo ficar ruim! – Nick jogou o travesseiro na minha cara, e eu ri. – A Lih é maravilhosa, eu não poderia estar mais feliz com outra garota! – Ele sorria bobo.
- Ah, eu e a Bia estamos melhores, as brigas estão diminuindo, o amor aumentando, ela está até menos mandona! – Erik afirmou sorridente.
- Ah, conta outra, William! – se sentou na cama.
- Eu juro, ela está muito mais tranquila. – Ele olhou para mim e sorriu, dei um sorriso amarelo para ele. – Eu amo a muito, e não quero estar com outra! Nossas diferenças foram acertadas, e estou cada dia mais apaixonado por ela! – Olhei para Leonardo, e ele estava com a cabeça baixa.
- E seu namoro, Leo? – Perguntei chamando o garoto de volta para a Terra.
- O meu namoro? Eu acho que está bom, a Sarah é muito tranquila, a gente tem conversado bastante... Estamos bem! – Leo assentiu.
- E você, ? – Nicholas perguntou para o menino sentado atrás de mim.
- Eu estou bem, sempre tem uma na mira, eu atiro, acerto, mato, enterro, e miro na próxima. – Ele deu de ombros.
- Mas você não estava ficando com a brasileira? – Erik perguntou.
- Eu fiquei com ela, mas ela não quis nada sério, eu é que não vou me privar de ficar com outras só porque sou afim dela. A vida dela não parou, por que a minha tem que parar? – Erik assentiu e deu de ombros.
- É, você está certo!
- Vida que segue, meu querido! – sorriu.

*FLASHBACK OFF*

Olhei para o lado, e vi Leonardo e Beatriz sentados no banco entre as paredes de armários. Bia estava deitada no colo do garoto, que mexia em seu cabelo delicadamente. Olhei depois deles e vi com o celular apontado para eles.
- Você tinha que ver a cara dela! – Bia falou para Leo. – Foi muito engraçado!
- Posso imaginar! – Ele riu com a garota. Abaixou-se e deu um selinho nela.
olhou para mim, e sorriu, neguei com a cabeça, não discordando do que ela estava fazendo, mas como forma de decepção do meu amigo. Não podia deixar isso ficar daquele jeito.
- Vocês não tem vergonha? – Gritei para o casal que parou de se beijar assim que ouviram minha voz.
- ? – Beatriz levantou em um pulo. – O que você está fazendo... O que ela está fazendo aqui? – Bia olhou para que mantinha seu celular apontando a câmera para os dois.
- Vocês estão traindo os namorados de vocês na cara dura. Leo, o Erik é seu melhor amigo, cara! – Cheguei perto do garoto. – Beatriz, a Sarah está com você em todas! Como vocês podem fazer uma coisa dessas e não sentir um pingo de compaixão ou qualquer sentimento pelas pessoas que dormem com vocês?
- A gente vai contar, só que não agora. A Sah não aguentaria. – Bia respondeu.
- Olha o que você está falando, você não se importa nem um pouco com ela. Caralho, sua melhor amiga. Como você consegue? – Passei a mão no cabelo colocando-o todo para trás.
- , você não pode contar nada!
- Eu não vou contar nada, vocês vão. Espero que isso seja rápido, porque nós voltamos a andar todos juntos, e até onde eu sei só nos quatro sabemos disso, a tem fotos e vídeos de vocês, se vocês não falarem logo, nós vamos pressionar vocês, e se mesmo assim vocês não falarem, nós vamos mandar essas fotos e vídeos para eles. – Ameacei.
- Não, não faz isso, a gente vai contar. Só da um tempo pra gente.
- Uma semana! Se passar disso vamos mandar tudo o que temos. – Bia olhou para que mantinha seu celular filmando-os, ela levantou a sobrancelha e deu um tchauzinho para a garota.
- Você disse que eu podia ficar tranquila que você não ia falar nada pra ninguém. – Beatriz se voltou para .
- Eu não achei que fosse uma coisa contínua, achei que tivesse sido só aquele dia, mas se tem uma coisa nesse mundo que eu não suporto e não perdoo, é traição! – deu de ombros e abaixou o celular. – Vamos embora, , já demos nosso recado. Vocês têm uma semana! – Ela sorriu, e mandou um beijo de longe para eles.
Andei até e fiz um hi-five com ela. Saímos do vestiário e ela ria da situação.
- Você viu a cara dela, foi épico! Mas porque você entregou que a gente estava ali, achei que fosse pra gente mandar indiretas como quem não queria nada! – Ela falou.
- Eu não podia deixá-los machucarem um dos meus melhores amigos! – Dei de ombros. – E o Leo sabe o quanto o Erik ama a Bia!
- Entendi! – Ela assentiu e ficou quieta.
Andamos de volta para o pátio, à cena que acabara de acontecer ainda rodando minha cabeça. O fato de ter ameaçado um amigo, ou colocar a felicidade do meu melhor amigo em risco por conta de duas pessoas que não se importam de verdade me perturbava.
- ? – Ouvi chamar meu nome. – !
- Oi? – Olhei em volta estávamos sentados em um banco perto do pátio. – O que foi?
- Você ouviu alguma coisa do que eu disse? – Neguei com a cabeça.
- Desculpa, não prestei atenção! – Ela cobriu o rosto com as mãos. – Quer repetir?
- Não precisa, quando isso voltar no meu pensamento eu falo! – Ela deu de ombros e eu levantei uma sobrancelha. – Fica tranquilo, não é nada importante.
- Se você diz! – Olhei que horas eram em meu celular. – Já são cinco e quarenta, melhor a gente ir se arrumar.
- Que horas pretende sair?
- Depende da hora que você e a ficarem prontas. – Dei de ombros.
- Ok, eu vou para o quarto e te mando mensagem quando estivermos prontas. Ah, não passa gel no cabelo, a odeia quando você passa gel! – Ri do comentário dela, e assenti.
- Pode deixar! – Respondi.
- Ah, sem arquinho também, deixa ele totalmente solto! – Revirei o olho.
- Ela não gosta do arquinho também?
- Não, ela não falou nada sobre o arquinho, quem não gosta dele sou eu mesmo! – Ela sorriu e saiu andando.
Virei-me e fui para o prédio de dormitórios masculinos, torcendo para que já tivesse se livrado da garota que estava com ele, torcendo também para que não tivesse que encontrar com Erik no quarto, não queria mais correr o risco de contar tudo o que tinha visto durante aquele mês.
Não era minha obrigação contar para ele, a obrigação era da namorada dele e do amigo dele, que sempre encheu a boca para dizer que Erik era seu melhor amigo. Eu nunca faria isso com meu melhor amigo, não importa o que acontecesse, eu nunca faria isso.
- Você está com cara de peixe morto! – Ouvi dizer assim que entrei no quarto, vi que ele não falava comigo, mas sim com Erik que estava sentado em sua cama. – O que aconteceu?
- Nada, , me deixa! – Ele deitou e colocou o travesseiro sobre a cabeça. – Só estou cansado.
- Oi! – Falei fechando a porta. – Tudo bem aqui?
- Comigo sim, agora com ele já não tenho tanta certeza. – respondeu. – Entrou cabisbaixo, tomou banho, saiu em silêncio com esse olhar de peixe morto, e agora disse que está cansado. Quando em um planeta onde nada aconteceu, Erik William Harris estaria cansado às seis horas da tarde?
- Em um planeta onde Erik William Harris passou o dia inteiro estudando, ok? – Erik tirou o travesseiro da cabeça e bateu no colchão ao seu lado.
Olhei para e nós caímos na risada. Erik raramente estudava, costumava estudar próximo às provas e olhe lá.
- Você estudando? Conta outra, Harris. – falou rindo do garoto que continuou de cara fechada.
Percebi que ele não estava realmente bem, parei de rir e olhei para ele.
- Ei, cara, quer conversar? – Me sentei em sua cama, e ele fez perna de índio.
- Vocês vão me zuar mais se eu contar! – Neguei com a cabeça.
- Se a coisa for realmente séria não vamos te zuar, Erik! Você sabe que pode contar com a gente.
- A Beatriz me chamou para conversar alguns minutos atrás, ela me mandou uma mensagem falando que precisávamos conversar sério, e que era pra eu encontrar com ela no lago. – Ele respirou fundo, e eu fiz igual. – Eu fui para lá, afinal, é onde nós ficamos quando queremos ficar sozinhos, quando eu cheguei lá ela estava abraçada com o Leonardo, cheguei perto e perguntei se estava tudo bem, ela começou a chorar e o Leonardo secou as lágrimas que começaram a escorrer. – Merda, Erik começou a ficar com a voz embargada. – Eu falei pra ele parar que eu secava as lágrimas da minha namorada, e ela chorou mais quando eu a chamei de namorada. Eu não estava entendendo o que estava acontecendo, e eu até agora estou um pouco sem entender como tudo isso aconteceu embaixo do meu nariz e eu não percebi. Depois de um tempo que estávamos lá, a Sarah chegou e quando foi dar um beijo no Leonardo e ele virou a cara, e ela ficou sem entender, assim como eu. – Uma lágrima caiu do olho dele, ele parecia rever tudo o que ele falava. – Perguntei de novo o que estava acontecendo, porque eu estava agoniado, eles pediram mil desculpas, falaram que foi sem querer, que quando perceberam já tinha acontecido. Eu estava entendendo menos ainda, já tinha alguma coisa em mente, mas não queria que o que estava pensando fosse o que estava acontecendo. – Mais uma lágrima e outra, e outra. – A Sarah já estava chorando, e eu não sabia o que fazer quando eles falaram que estavam ficando a cerca de um mês. Quando eles falaram isso a Sarah deu um tapa na cara do Leonardo, e depois chamou a Beatriz de puta. Eu fiquei sem saber o que fazer, continuei ali parado, sem acreditar no que estava ouvindo. – Ele secou as bochechas. – Eu não sei por que estou chorando, ela me traiu e eu deveria estar a odiando, mas não consigo, porque eu amo ela demais. Quando eu consegui falar qualquer coisa, já era tarde, eles já estavam longe, e eu estava ali sozinho. – Ele olhou para mim, nunca tinha visto Erik chorar. – Eu não sei até agora o que fazer.
- Não tem o que fazer, Erik! – Falei entendendo um pouco o que ele estava passando. – Você tem que esquecer.
- Vocês não podem contar nada para ninguém. – Ele pediu.
- Pode deixar que vai morrer com a gente! – falou.
Bom, por um lado estava aliviado, por outro estava querendo matar alguém. Beatriz e Leonardo cumpriram o prometido, contaram tudo em menos de uma semana.
- Vamos fazer o seguinte, você vai sair com a gente hoje, vamos curtir a noite e você vai esquecer o que aconteceu! – Falei me levantando da cama e jogando a mochila em cima da dela. – Vamos nos arrumar, e vamos para o Central City Bar.
- Vamos! – falou. – Vou tomar banho primeiro.
Ele saltou da cama e correu para o banheiro e eu me joguei na minha cama.
- Você vai ficar bem, cara! – Olhei para Erik, e ele sorriu amarelo.
Meu coração despedaçou mais um pouco com a tristeza do garoto. O fato de terem contado para ele torna tudo muito mais fácil, se eu tivesse que mostrar as fotos e os vídeos seria péssimo.
Olhei para Erik e ele estava de olhos fechados, fechei meus olhos e minha respiração ficou mais pesada. Peguei no sono em pouco tempo.

’s POV

- Onde você estava? – perguntou assim que joguei minha mochila na cama.
- Estava no pátio com o , a gente terminou o reforço e ficamos conversando lá embaixo. – Respondi abrindo minha camisa do uniforme. – Essa semana foi puxada, as matérias da turma especial estão bem difíceis. Ainda ter que dar reforço depois do horário de aula me mata!
- Hoje vamos relaxar, vamos ao Central City e vamos curtir a noite. – Assenti.
- , pelo amor de Deus, me ajuda! – Sarah entrou chorando no quarto e abraçou .
- O que aconteceu? – perguntou.
- Ai, , aquela vaca da Beatriz, eu odeio aquela garota, eu sempre fui a melhor amiga dela, continuei do lado dela quando ela resolveu brigar com tudo e todos, eu fui a melhor pessoa pra ela, e ela me traiu, ela ficou com meu namorado. – Ela soluçava e chorou mais.
Então eles contaram que estavam traindo ela.
- Como assim? O Leo e a Bia estavam ficando, traindo você e o Erik? – Assenti, e Sarah olhou para mim.
- Você sabia? – Neguei com a cabeça. – Mesmo?
- Sim! – Confirmei mentindo.
- Eu odeio aqueles dois! – resmungou. – Sabia desde o começo que ele não era confiável.
- Foda-se ele, , eu odeio ela, ela era minha melhor amiga, e ficou com meu namorado. Namorado a gente encontra outro, agora melhor amiga é mais difícil. Eu não sei o que fazer! – Ela sentou na cama e apoiou os cotovelos nos joelhos, e escondeu o rosto. – O que eu faço?
- Você podia... Não sei, sair com a gente! – Falei quando ela olhou para mim com as bochechas molhadas pelas lágrimas que saiam de seus olhos.
- Não sei se estou no clima pra sair hoje! – Ela respirou fundo e secou as bochechas com o dorso das mãos.
- Vamos, Sah, pode ser bom pra você! – encorajou a garota. – A gente vai ao Central City Bar, você ama aquele lugar!
- Vocês vão ao Central? Desde quando vocês topam ir ao Central assim?
- Eu que escolhi! – Falei. – Gostei quando fomos lá no meu primeiro final de semana aqui, e então quis ir de novo, e todo mundo topou. Agora só falta você dizer que vai com a gente. – Sorri fraco para ela, com um pouco de pena da garota.
- Tudo bem, vou me arrumar e volto aqui. – Ela sorriu de volta, e com um olhar de agradecimento para mim e . – Até mais tarde.
- Fica bem, ok? – abraçou-a e ela assentiu quando foi liberada do abraço.
Odeio sentir pena de alguém, mas naquele momento era tudo que conseguia sentir por Sarah. Queria fazer de tudo para que ela se sentisse bem de novo, sabia como ela estava se sentia por ter passado por uma coisa idêntica com meu ex-namorado. Ela devia estar odiando ter os olhares de pena vindo de mim e de , assim como eu odiei os que eu recebi, mas agora percebia que não tinha outra coisa que pudesse sentir por ela do que pena.
- Meu Deus, o que está acontecendo com os meus amigos? – chamou minha atenção logo depois de fechar a porta.
- Estão mostrando quem são de verdade, talvez! – Dei de ombro. Na verdade, eu não sabia o que estava acontecendo, afinal, não conhecia muito os outros.
- Não imaginei que fosse essa a realidade deles. – Ela me olhou. – A Bia puxando briga com qualquer um na frente de todo mundo, o Leonardo traindo a namorada, o mais cachorro do que nunca, o Erik mais do que apaixonado por alguém. Não conhecia esse lado deles. – Concordei com a cabeça.
- Difícil! – Foi à única palavra que consegui falar.
- ? – Olhei para ela. – Você e o ... Vocês realmente são só amigos, não é? Você não faria isso comigo nunca, certo?
- ... – Sentei ao seu lado na cama. – Mesmo que eu quisesse qualquer coisa com ele, nunca conseguiria porque ele é muito apaixonado por você. E outra, você é minha melhor amiga, e a dor que uma pessoa traída sente, eu não desejo nem para minha pior inimiga, como poderia fazer minha melhor amiga sentir?! – Respirei fundo. – Eu sei o como a Sarah está se sentindo, eu me senti da mesma forma quando descobri que o Renan estava ficando com a minha melhor amiga, passei pela mesma coisa que ela. Por isso quero fazer o possível, tudo que estiver ao meu alcance, para que ela supere isso o mais rápido possível. – Ela assentiu. – E em relação ao , fica tranquila que não tem nada nesse mundo que me faça querer qualquer coisa com ele.
- Ufa! – Ela sorriu e me abraçou. – Você tem um coração enorme!
- Só faço o que um dia quis que fizessem por mim! – Sorri de volta. – Agora vamos nos arrumar, porque a noite vai ser longa.
Entrei no chuveiro já sem camisa apenas de saia, sutiã e calcinha. Soltei o cabelo, que estava em um rabo de cavalo mal feito, tirei a saia e esperei o chuveiro aquecer. Olhei-me no espelho e olhei minha barriga.
- Eu engordei! – Neguei com a cabeça. – Merda!
Tirei o sutiã e a calcinha, entrei no chuveiro e deixei a água molhar todo meu corpo. Joguei todo o cabelo pra trás e senti a água quente tocar meu rosto.
Lavei o cabelo tranquilamente, sem muita pressa. Passei o condicionador, me ensaboei, me enxaguei e deixei a água cair nas minhas costas para relaxar um pouco mais. Desliguei o chuveiro e sai do box, peguei a toalha e me enrolei na mesma.
Peguei outra toalha e enrolei o cabelo, sai do banheiro e fui para o closet.
- , que roupa você vai usar? – Gritei a pergunta no quarto.
- Queria ir de vestido, mas acho que vai estar frio, o que você acha? – Ela apareceu no closet.
- Vamos de vestido, se ficar frio a gente pega a blusa dos meninos. – Dei de ombros e ela riu.
- Ok, vestido vai ser então. – Assenti.
Vesti minha lingerie favorita, afinal, não sabia o que poderia acontecer naquela noite. Desenrolei o cabelo da toalha e entrei no banheiro para secá-los.
- Pesada essa história do Leo e da Bia, eu não consegui pensar em outra coisa desde que a Sah saiu do quarto. – falou entrando no box. – Não sei o que faria se fosse comigo.
- Você provavelmente faria a mesma coisa que a Sarah fez, e que eu fiz! Choraria, porque quando você ama a pessoa de verdade você não consegue fazer outra coisa que não seja chorar. – Falei olhando para ela.
- Você também passou por isso? – Ela questionou quando abriu os olhos.
- Sim, no ano passado, uma das razões para eu vir estudar aqui. – Assentiu, ligando o secador.
Ficamos em silêncio já que por causa do secador não seriamos capazes de ouvir uma a outra.
Quando terminei de secar o cabelo, saiu do box e sorriu para mim.
- Por favor, não me olha desse jeito, esse era o pior olhar que eu sempre recebia quando as pessoas perguntavam por que terminei meu relacionamento e eu dizia que era porque tinha sido traída. Esse olhar de pena e dó, compaixão. Não sei ao certo. – Arrumei o cabelo com os cachos nas pontas.
- Você não me contou essa história. – Ela secou o cabelo com a toalha.
O cabelo de não precisava de muito para ficar magnifico, ela só lavava e deixava secar naturalmente, e a garota ficava linda.
- Você quer mesmo saber? – Resmunguei e ela assentiu. – Ok! Eu namorava o Renan, ele estudava comigo, e estava comigo todos os dias, ele era demais, em tudo! – Respirei fundo sabendo que aquela história ainda mexia comigo. – Nas férias de inverno do ano passado eu fui viajar com a minha mãe para o interior de São Paulo, e ele ficou na cidade. Todos os dias ele me mandava foto dele em uma festa diferente, e eu não me importava, afinal, eu confiava muito nele, e ele precisava se divertir! – Ela assentiu. – Um dia antes de eu voltar para São Paulo, ele não tinha me mandado nenhuma mensagem, nem me respondia quando mandei. Eu mandei mensagem para minha melhor amiga e ela disse que não podia conversar porque estava indo para uma festa, eu não me importei, mas suspeitei que ele estivesse nessa festa também, afinal, eles estavam juntos em todas as festas que foram durante aquele mês. – Senti uma lágrima cair do meu olho ao lembrar toda a situação, sequei a lágrima e respirei fundo novamente. – Eu mandei outra mensagem pedindo para ele me dar um sinal de vida, e ele mandou uma foto na festa, então fiquei mais tranquila por saber que ele estava bem. As férias acabaram, e o meu relacionamento estava perfeito, nós estávamos mais felizes do que nunca, e então um dia eu entrei no meu Facebook, para fazer uma limpeza nas conversas, e eu vi que tinha uma solicitação de conversa, não conhecia a pessoa que me mandou aquela mensagem, mas agradeço a Deus pela vida dela todos os dias. Na mensagem tinha dez fotos diferentes, do Renan beijando uma garota, nas duas primeiras não consegui definir ao certo quem era, foi na terceira foto que eu consegui ver que a garota que ele beijava era minha melhor amiga. Nessa mesma hora eu corri para a casa dela, e pedi para ela me explicar aquilo, e perguntei quando ela pretendia me contar que estava ficando com ele, e ela tentou inventar mil desculpas, colocou a culpa na bebida, disse que tinha usado uma droga muito pesada por isso eles ficaram, mas que tinha sido só uma vez. Só que nas fotos eles estavam com roupas diferentes, e eu não conseguia mais ouvir aquelas desculpinhas esfarrapadas. Nunca mais falei com ela, e ele ainda tentou voltar comigo, ou pelo menos voltar à amizade que a gente tinha, mas realmente não dava. – estava chorando e quando eu terminei de falar, ela secou as lágrimas.
- Sinto muito! – Assenti.
- Por isso eu disse que nunca faria isso com você, sei o quanto pode doer. – Ela assentiu, e me abraçou. – Obrigada por não me olhar com pena.
- Não posso te olhar com pena, deve ser ruim receber esses olhares! – parou ao meu lado no espelho.
- É péssimo, eu sempre evitava olhar para as pessoas que falavam comigo sobre isso para não ver a forma que eles me olhavam! – estava sorrindo para mim. – Ai, vamos mudar de assunto, precisamos estar bem para ajudar a Sarah a ficar bem!
- Exatamente, vamos levantar esse astral porque temos que ter uma noite perfeita! – foi interrompida por um toque de celular. – Acho que é o seu!
- Vou lá ver! – Sai do banheiro e fui até minha cama, onde meu celular estava aceso. Era o . – Alô?
- Eles contaram! falou antes que eu pudesse terminar minha saudação.
- Sim, fiquei sabendo, a Sarah veio aqui chorando! – Sentei na cama. – A gente a chamou para no bar, espero que não tenha problema!
- Não, por mim tudo bem, a gente chamou o Erik também, ele está bem mal, chorando bastante! Eu nunca o vi desse jeito, ! – Eu respirei fundo e não respondi nada. – ?
- Oi! – Respondi.
- Tudo bem?
- Sim, eu só não sei o que dizer. De primeiro momento eu fiquei feliz por eles terem contado, mas agora estou mal por eles!
- Também estou mal, mas aliviado! Fiquei com medo de ter que contar para eles, mas melhor assim, na mesma hora que a gente falou, eles foram falar com os dois e resolveram isso!
- É, menos mal! Bom, mas agora vamos esquecer esse assunto, eu preciso terminar de me arrumar, fala para o levar uma jaqueta de couro preta, ele sabe qual é. – Pedi mudando totalmente de assunto.
- Tudo bem, vai lá se arrumar! Beijo!
- Beijo! – Desliguei a chamada e coloquei o celular em cima da cama novamente.
- Quem era? – apareceu na porta do closet.
- O ! – Ela sorriu.
- O que ele queria? – Me levantei e fui até ela.
- Dizer que eles chamaram o Erik para ir com a gente no bar, porque ele estava muito mal por conta do que aconteceu! – assentiu, sorrindo.
- Melhor mesmo, eles precisam distrair a cabeça. – Assenti. – Maquiagem?
- Sim! Não sei o que vou fazer ainda, mas pensei em alguma coisa da cor do vestido, vou de preto! – Nós entramos no banheiro juntas e abrimos nossa nécessaire de maquiagem.
- Eu pensei em ir de roxo, não sei! – comentou. – Pensei em não apelar pros olhos, mas sim pra boca!
- Pode ficar legal, um batom vinho! – Concordei começando a passar a base. – Vou forçar no olho preto!
colocou uma música para tocar em seu celular, enquanto nos maquiávamos.
Estava torcendo para não encontrar com o Felipe lá, e nem com nenhum menino que quisesse ficar comigo, estava disposta a não ficar com ninguém naquela noite. Por mais que ficar com alguém desde que cheguei nessa cidade fosse inevitável, considerando o fato de que os homens daquela cidade eram lindos, e com aquele sotaque maravilhoso. Os europeus tinham um ar galanteador maior do que os brasileiros, e eu estava percebendo isso de uma forma mais nítida, ficando mais próxima do e do , principalmente do , que cada semana estava com uma menina diferente.
- O que você achou? – chamou minha atenção com a maquiagem finalizada.
- Nossa, ficou muito bom! – Olhei pelo espelho. – Ainda preciso finalizar minha pele, mas o que você achou do olho?
- Ficou muito legal! – olhava pra mim pelo espelho.
era uma das meninas mais bonitas que eu já tinha conhecido, e quando ela se produzia, ela ficava ainda mais bonita. O cabelo dela estava ondulado, jogado em seus ombros, os olhos dela não estavam carregados, seus lábios estavam bem desenhados em um tom vinho. Ela sorria para si mesma no espelho, e seu sorriso desenhava seu rosto perfeitamente.
- Cara, você é muito linda! – Falei sorrindo para ela pelo espelho.
- Cala a boca, você é muito mais bonita que eu! – Ela me deu um empurrão de leve.
- Não mesmo, mas não vou entrar no mérito da questão, se não vamos brigar! – Eu ri junto com ela. – Pronto, terminei!
- Vamos nos vestir então? – fechou a nécessaire e eu fiz o mesmo.
Saímos do banheiro juntas, peguei um vestido preto rendado, e o vesti. Ele era curto, ficava mais ou menos no meio das minhas coxas, procurei pelo meu sapato de salto preto, e o coloquei.
- Uh, mulher de preto! Você está muito linda! – virou de frente para mim, ela usava um vestido meio rodado roxo, com um sapato de salto preto.
- Olha quem fala, você está muito linda! – Nós rimos juntas.
- ? – Ouvimos a voz de Sarah.
- No closet! – gritou.
Sarah apareceu usando uma saia lápis preta e uma cropped branca, ela usava um salto preto também.
- Uau! – comentou.
- Está bom? – Sarah perguntou, sua voz estava baixa, com um ar de tristeza.
- Sim, está ótimo! Bom, já que estamos todas prontas, podemos avisar os meninos! – respondeu, quase pulando de alegria.
Peguei meu celular em cima da cama e liguei para .
- Oi? atendeu.
- Estamos prontas, encontra a gente no pátio!
- Beleza, estamos descendo! – Ele desligou assim que ouviu meu “Ok!”.
- Vamos? – Chamei as duas garotas que conversavam sobre qualquer coisa.
- Sim!
Pegamos nossas bolsas que estavam em cima das camas, coloquei no ombro a alça da bolsa e abri a porta do quarto, as outras meninas que estavam no corredor me olharam e comentaram qualquer coisa entre si, dei de ombros e segui andando. colocou o braço entrelaçado com o meu, e nós seguimos para a porta de saída do prédio.
- Eles disseram que estariam aqui! – Falei assim que pisamos no gramado do pátio.
- Olha o topete do Erik ali! – apontou.
Caminhamos até eles em silêncio, abraçou por trás, o garoto estava sentado no banco de costas para nós. e Erik estavam sentados na mesa virados de frente.
- Hey, finalmente! – falou me dando um beijo na bochecha. – Demoraram uma eternidade!
- Cala a boca, , você sempre fala a mesma coisa quando a gente vai sair! – Falei empurrando o garoto, que agora estava de pé ao meu lado, de leve.
- Mas hoje vocês demoraram mais do que o normal! – concordou com o amigo.
- Calado, Hill! – bateu no ombro do namorado.
Olhei para Erik e Sarah, e os dois estavam cabisbaixos sem falar com ninguém, sem reagir às brincadeiras que e estavam fazendo.
- Então vamos encher a cara? – Chamei atenção de todos para mim.
- Vamos ficar travados! – gritou, e logo caiu na risada.
- Você nem bebe! – bagunçou o cabelo da menina.
- Ah, , bagunçou meu cabelo! – resmungou colocando o cabelo de volta no lugar. – Veado!
- Do que você me chamou?
- De veado, porque é isso que você é! – repetiu dessa vez mais alto.
- Vou te provar essa noite que não sou veado! – Ele pegou minha mão e me rodou.
- Ai! – Falei quando ele me segurou pela cintura, colando meu corpo no dele.
Encontrei os olhos dele, quando estava prestes a me desvencilhar dele, senti uma onda de arrepio no corpo todo, e perdi a força para empurrá-lo.
- Ih, galera, vamos esperar pelo menos chegar ao bar! – falou separando nós dois. Agradeci pela vida do meu melhor amigo mentalmente, e sai andando dali.
Segui em direção ao portão de saída da escola, sem olhar para trás. Se estivesse sendo seguida pelos outros ou não, naquele momento não me importava, estava com medo de não conseguir me controlar perto de .
- ! – Ouvi a voz de , olhei para trás e vi que todos estavam atrás de mim. – Corre menos!
- Ai, desculpa, nem percebi que estava correndo! – Menti, parei e esperei todos chegarem perto de mim.
- Tudo bem? – me perguntou baixo e eu assenti.
- Claro, por que não estaria?
- Você saiu correndo! – riu fraco.
- Ah, , a situação foi um pouco constrangedora, né... Ele quis dizer que vai provar que é homem ficando comigo, fiquei meio sem graça! – Me expliquei para ele, que agora andava ao meu lado.
- Ele só vai ficar com você se você quiser!
- Foi o que me disseram no primeiro encontro, e veja bem onde estamos e como estamos! – Dei de ombros, cansada daquele assunto. – Que bom que os dois contaram para Erik e Sarah o que estava acontecendo!
- De certa forma, sim foi bom, mas acho que desde que conheço o Erik, só tinha o visto chorar uma vez, quando ele quebrou a perna! – Ele fez uma pausa. – Preciso confessar que me sinto mais leve em não precisar mais manter esse segredo para mim!
- Eu também, por mais que eu não tenha um relacionamento muito próximo com a Sarah ou com o Erik, me sentia um pouco culpada por saber tudo e nunca falar nada. Fora o fato de que a Bia e o Leonardo sumiam o tempo todo, e ninguém nunca desconfiou de nada! – Estava completamente indignada com aquela situação, me irritava muito saber que as pessoas eram capazes de trair seus namorados e melhores amigos. – Isso não se faz, traição é a única coisa que eu não perdoo!
- Não sei se perdoaria. Não faço questão de passar por essa situação para saber se perdoaria ou não! – brincou e eu ri com ele.
- Do que vocês estão rindo? – apareceu ao meu lado, me dando um leve susto. – Desculpa se te assustei.
- Está tudo bem, eu achei que vocês estavam um pouco mais longe por isso me assustei! – Sorri para minha melhor amiga, que sorriu de volta. – Estava rindo da piada idiota que seu namorado fez!
- Qual foi? – olhou para , com o mesmo sorriso que dera para mim.
- Qual a diferença entre a vida da vaca e a vida do palhaço? – perguntou.
- Não sei, qual é? – respondeu.
- A vaca vive de palha seca, e o palhaço vive de palhaçada! – Eu e rimos e nos acompanhou. Olhei para e ele piscou para mim ainda sorrindo. – Precisamos de dois táxis! – Ele falou para um senhor que estava sentado no ponto de táxi que ficava próximo à escola.
- É o dia de sorte de vocês, temos dois táxis disponíveis aqui! – O senhor respondeu plenamente solícito.
- Bom, meninos em um, meninas no outro então! – se pronunciou abrindo a porta de um dos carros.
- Nossa, cavalheirismo é tudo mesmo! Obrigada! – Falei entrando no carro que segurava a porta.
- Não tinha aberto para você, mas tudo bem! – Pisquei para o garoto e mandei um beijo.
e Sarah entraram no carro longo depois, e fechou a porta do veículo.
- Para onde vamos? – O motorista perguntou olhando pelo retrovisor.
- Para o Central City Bar! – respondeu ao homem, que ligou o taxímetro e o motor do automóvel.
O caminho, por um tempo foi silencioso, não conversávamos, apenas escutávamos a música que tocava baixa do rádio do táxi . Eu estava na janela, e aproveitava para ver a vista do lado de fora do carro. mexia em seu celular, vendo qualquer coisa, e Sarah estava com seus olhos fixos na janela ao seu lado, desde a hora que saímos da porta da escola.
- Ei, Sah! – Chamei a garota.
- Oi? – Sarah me olhou com o mesmo olhar de tristeza que ela estava quando entrou no quarto avisando que estava pronta para sair.
- Eu sei o quanto você está sofrendo, já passei por isso! A mesma situação aconteceu comigo, e vou falar para você a mesma coisa que eu disse para mim mesma. – Sarah assentiu para mim. – Você pode sim ficar triste, mas não pode parar sua vida por conta da sua tristeza! Te chamamos para sair porque sabemos que vai ser bom pra você, não pensar por um tempo no que aconteceu, só que para te ajudar, a gente precisa da sua ajuda!
- Como assim? – entrou na conversa, confusa.
- Olha bem, você é linda, está com uma maquiagem e uma roupa que te valoriza bem, e você vai ficar com essa cara de triste a noite toda? Você precisa sorrir mais, ser mais aberta para as pessoas, beber um pouco, e curtir a noite com a gente! Vamos combinar assim, você vai abrir um sorriso lindo, que eu sei que você tem, e vai dançar com a gente, e fazer o que tiver vontade, ok?
- Ok, mas agora eu só estou com vontade de voltar pra escola, me trancar no meu quarto, e chorar! - Sarah sorriu pequeno para mim.
- Sah, a gente vai pro bar, ficamos lá um pouco, se você realmente não quiser ficar, não conseguir aproveitar nada, a gente volta para a escola! – segurou a mão de Sarah e sorriu para ela, eu assenti concordando com a ideia de .
- Tudo bem! – Sarah assentiu, e continuou segurando a mão de .
O táxi parou e eu olhei pela janela, vi o bar exatamente ao nosso lado, e abri minha bolsa para pagar o taxista.
- Foram vinte e cinco libras! – O motorista falou para mim.
Entreguei o dinheiro para o senhor que dirigia o carro, agradeci e desci do carro. Parei na porta do bar e arrumei meu vestido. parou ao meu lado ainda de mão dada com Sarah, o segurança abriu a porta para nós e eu fui a primeira a entrar, olhei em volta e procurei pelos meninos, mas não encontrei.
- Onde eles estão? – Me virei para atrás de mim. – Achei que eles chegariam antes de nós!
- Vamos procurar um lugar para sentar, e esperar! – deu de ombros e passou na minha frente.
Segui e Sarah até uma mesa mais ao fundo do bar, que estava lotada. Sentei próxima à parede, procurei por um garçom para pedir uma bebida.
- Não tem nenhum garçom por aqui, vou até o balcão pedir alguma coisa. – Avisei , que concordou e voltou a falar com a Sarah.
O fato de Sarah estar bem chateada fez com que desse total atenção para ela, não que eu me importasse, mas naquele momento ela estar simplesmente não me respondendo direito, me fez ficar incomodada. Não queria deixar aquilo acabar com a minha noite.
- Boa noite! – Chamei o barman loiro que estava mais próximo.
- Boa noite, linda! – Sorri para ele. – O que a senhorita vai querer?
- Eu ainda não sei, o que você indica? – Abri um cardápio que estava perto, mas sem realmente prestar atenção nele.
- Eu indico o drink a lá Mike. – Ele piscou para mim.
- Não estou encontrando esse drink aqui! – Procurei o drink na lista, mas realmente não encontrei.
- Ele não está no cardápio, ele só pode ser servido para garota muito bonitas.
- E o que vai nesse drink? – Fechei o cardápio e apoiei meu queixo em minha mão.
- Vodca, rum, energético e um beijo do Mike! – Ri da piada dele.
- Mike seria você? – Ele assentiu. – Possivelmente vou querer esse drink!
- A lá Mike saindo! – Mike começou a fazer o drink e me virei de costas para o bar.
O bar estava realmente lotado, mas a parte onde ficava a balada estava ainda mais cheia, a atmosfera daquele lugar estava maravilhosa, todos dançavam, conversavam, era possível ver casais flertando, mediante a isso não pude conter meu sorriso.
- Você está sozinha? – Alguém falou próximo ao meu ouvido, não era uma voz desconhecida.
- Que susto, ! – Sorri para o garoto ao meu lado.
- Acho que você está me confundindo com alguém! – Entendi a brincadeira de e entrei na mesma.
- Ah sim, me desculpa! – Me virei de frente novamente.
- Você não me respondeu, está sozinha?
- Sim!
- Senhorita, seu drink! – Mike me chamou. – Vai querer a segunda parte do seu drink agora ou mais tarde!
- Pode ser agora! – Me debrucei no balcão e Mike me deu um selinho rápido. – Obrigada! – Dei um gole do drink. – Gostoso, o drink inteiro! – Pisquei e me virei de costas para o balcão novamente.
- Já que está sozinha, posso te fazer companhia? – voltou a falar comigo, dessa vez segurando uma garrafa de cerveja.
- Claro! Qual é seu nome? – Perguntei.
- e o seu? – Dei risada por ele falar o próprio nome.
- !
- Tenho uma amiga chamada , mas ela é brasileira! – Concordei.
- Ah é, tenho um amigo chamado , como você pode ver, até te confundi com ele! A proposito peço desculpas por isso! – negou com a cabeça e deu um gole em sua cerveja.
- Não tem problema, eu tenho um rosto meio comum. Você mora por aqui? – Sorri, aquela brincadeira estava bem divertida.
- Sim, moro em uma escola próxima daqui.
- Sério que legal! Você gosta de dançar? – Demorei um pouco para responder.
- Gosto, por quê?
- Quer dançar comigo? – Olhei para ele. Não sabia se era uma boa ideia.
Por mais que fosse uma brincadeira não tinha certeza se dançar com não ia fazer com que talvez tivéssemos algum problema por causa do sentimento que claramente rolava entre a gente.
Continuei encarando e recebendo seu olhar de volta para mim, ele sorria largo me impedindo de conter o sorriso que insistia em tomar conta dos meus lábios. Ficamos nos encarando por mais ou menos dez segundos, tempo o suficiente para se aproximar, não fiz questão nenhuma de me afastar, se aproximou de meu ouvido e pude sentir sua respiração em meu rosto.
- É só uma dança! – Ele sussurrou com a voz mais rouca do que o normal, seu sotaque mais carregado.
- Tudo bem! – Coloquei o copo, que estava em minha mão, em cima do balcão, segurei a mão de que estava estendida para mim.
Caminhamos pelo bar até chegar à pista de dança, desviamos de algumas pessoas até chegar ao centro da pista, a música tinha acabado de ser trocada por uma música lenta, segurou minha cintura e me puxou para perto dele, apoiei meus braços nos ombros dele e deixei que ele me conduzisse.
- Você dança bem! – Ele falou baixo no meu ouvido. – Seria muito errado dizer que estou com muita vontade de te dar um beijo agora? – Não respondi nada, continuei dançando sem olhar para . – Mas pode ficar tranquila, só vou te beijar se você quiser, quando você me pedir.
- Acontece que eu não vou pedir! – Me desvencilhei dos braços de e voltei para onde meus amigos estavam sentados.
Cheguei à mesa que Sarah, , e Erik estavam sentados. Sentei-me ao lado de , que conversava com os outros.
- Aonde você foi? – me perguntou interrompendo a conversa.
- Fui pegar uma bebida. – Respondi, dando de ombros.
- Nossa, demorou. – Assenti.
- Encontrei um menino, ele me chamou para dançar com ele, e eu dancei. – Simplifiquei e omiti a história, não achei importante tocar no nome do garoto com quem dancei.
Eles voltaram a conversar, mas a conversa foi interrompida.
- Cheguei! – se sentou ao meu lado, pegou a garrafa de cerveja que estava no centro da mesa.
- Achei que você não gostasse de cerveja! – Falei para o garoto.
- Não gosto, mas é só o que tem para beber aqui, então... – serviu um copo com o líquido amarelo.
- Credo, precisa falar assim? – falou e eu o agradeci mentalmente.
Agradecia todos os dias por ter ao meu lado, ele era o melhor amigo para todos os momentos, e não conseguia mais imaginar minha vida sem meu melhor amigo ao meu lado.
Varri o ambiente com meu olhar, e encontrei olhando para mim com um sorriso.
- O que foi? – me perguntou com um sorriso no rosto.
- Depois eu te conto! – Sorri de volta para ele.
- Mas você está bem? – Ele perguntou com uma voz mais fraternal do que o normal.
- Sim, estou bem! – Sorri mais uma vez, ele ficou de pé.
- Vou pegar uma bebida, quer vir comigo? – Me levantei e fui junto com ele para o balcão. – Quer conversar agora?
- Não é nada de mais, o cara com quem eu dancei, era o , ele fez uma brincadeira fingindo que era outra pessoa, eu entrei na brincadeira, aceitei dançar. Enquanto a gente estava dançando ele disse que estava com vontade de me beijar, e disse que só me beijaria se eu pedisse... – Parei de falar quando chegamos ao balcão.
- E ai? – Ele apoiou os cotovelos no balcão e olhou para mim.
- E ai eu disse que não pediria para ele me beijar, empurrei ele e sai andando acho que foi por isso que ele foi um pouco grosseiro comigo. – fez o pedido para um garçom, e eu esperei que ele dissesse alguma coisa.
- Corajosa! – Ele sorriu para mim. – Você disse que não pediria para ele te beijar, e simplesmente saiu andando, você é mestre em fazer essas coisas.
- Não é isso, eu não sou mestre em fazer essas coisas, mas eu não vim pra cá hoje com o intuito de ficar com ninguém. – pegou a bebida e se sentou no banco ao seu lado. – Eu só espero que amanhã ele não brigue com ninguém por causa disso.
- Ele não seria louco de cometer o mesmo erro duas vezes! – me ofereceu um pouco da sua bebida, eu neguei com a cabeça. – Você precisa relaxar se mostrar pra ele que a grosseria dele te afetou ele vai continuar.
- Não me afetou, só achei desnecessário!
- Vendo por esse lado ele tem direito de estar bravo e te dar uma patada! – Ele me empurrou com o ombro. – Afinal, você deu outro fora nele!
- Mas você está do lado de quem, ?
- De ninguém, não posso escolher um lado, os dois são meus melhores amigos, não faz sentido escolher defender um ou outro. – Ele colocou o copo vazio em cima do balcão.
- Pois é, mas até agora você só defendeu o , você só deu razão para ele! – Cruzei os braços na frente do corpo.
- Porque ele pelo menos tentou o que ele queria, e você não pode culpar um cara por tentar! – deu de ombros e me puxou de volta para a mesa onde estávamos sentados. – Melhor voltar, a ficou um pouco neurótica depois do acontecimento da Sarah e do Erik, então não quero dar motivos para ela pensar que talvez...
- A gente esteja fazendo o mesmo, pode ficar tranquilo, conversei com ela e contei o que aconteceu comigo e com o Renan, e deixei bem claro de que nunca faria nada disso com ninguém. – Sorri para ele.
- Você contou pra ela? – Assenti naturalmente. – Isso é ótimo, significa que você está confiando mais nela!
- Não fala assim, parece que eu não confiava nela de jeito nenhum! – Chegamos perto da mesa e eu respirei fundo. – Vamos fingir que nada aconteceu, e que você não sabe de nada.
- Como sempre! – deu de ombros e sentou-se à mesa ao lado de , e eu me sentei ao lado de .
- Quero ir embora! – Sarah resmungou e deitou a cabeça no ombro de Erik. – Esse lugar é um saco sem o Leo!
- Não pensa nele, vai te fazer ficar mal! – Erik falou para a garota deitada em seu ombro.
- Você está conseguindo não pensar nela? – Sarah levantou a cabeça e encarou Erik.
- Claro que não! – Erik negou com a cabeça. – Mas preciso tentar!
- Ei, meninas, por que não vamos dar uma volta? – Dei a ideia, fazendo a conversa de Erik e Sarah ser interrompida.
Sei que estava recente, mas o melhor naquele momento e fazer o máximo para que eles parassem de pensar pelo menos um pouco no que aconteceu.

’s POV

A música estava alta, e o bar estava mais do que lotado. Erik e estavam sentados ao meu lado, de um modo que tínhamos visão para o bar inteiro. Erik não falava de outra coisa que não fosse à traição de Beatriz e Leonardo, estava certo que estava machucando ele e por ser amigo dele precisava fazer com que ele pensasse em qualquer outra coisa, mas não importava o quanto eu e tentássemos, ele não conseguia esquecer por pelo menos um minuto.
Nós conseguíamos trocar de assunto, falar sobre qualquer outra coisa que estava acontecendo no nosso dia a dia, e ele conseguia fazer uma ligação direta com qualquer coisa que a gente falasse ali.
- O que aconteceu entre você e a ? – perguntou cortando seja lá o que fosse que o Erik estava falando.
- Nada! – Respondi dando de ombros.
- Pra cima de mim? – me olhava com o olhar mais desacreditado possível. – Vocês estão esquisitos!
- Coisa da sua cabeça! – Dei de ombros novamente.
- Tudo bem, você não quer falar não me importo, só não venha chorar depois dizendo que ela não está falando direito com você! – Olhei para que estava de braços cruzados na frente de si.
- Ela me deu mais um fora, foi o que aconteceu! – Respondi sem falar muito alto, não me orgulhava daquilo.
- Da um espaço pra ela, quando for pra acontecer vai acontecer! – Respirei fundo, e voltei a olhar para as pessoas que passavam na frente da nossa mesa. – Escuta, não é que ela não esteja afim, é só que não é tão simples quanto parece ser na sua cabeça!
- Claro, por que eu pedi pra casar com ela, não é? – negou e estalou a língua. – Eu só falei que ia beijar ela quando ela pedisse, e ela fala que nunca vai pedir, então eu preciso ficar com um sorriso maravilhoso como se nada tivesse acontecido! Acho isso bem justo mesmo.
- Não é questão de justiça, é questão de respeitar o tempo dela, você mais do que ninguém sabe o tempo que eu esperei pra poder chegar na , e olha no que deu! Se você realmente quer um relacionamento com a , você vai ter que respeitar o tempo dela!
- Eu respeitei o tempo da Bia e nesse tempo ela arranjou outro, não ouve o não, parte pra cima insiste mesmo, porque ela pode achar coisa melhor! – deu um tapa em Erik. – Ai, nossa, não falo mais nada. Não devia nem ter vindo!
- Nossa, que drama! – Bufei. – Quer saber, não vou mais nem falar com ela, só se ela vier falar comigo, eu não sou cachorrinho dela pra ficar indo e voltando quando ela chama. – Me levantei da cadeira. – Vou dar uma volta, deve ter alguém por ai!
- Você que sabe, isso só vai fazer mal pra você! – falou dando de ombros.
- Ok, consciência, outro dia quando eu não estiver em um bar você faz seu trabalho! – Peguei a garrafa de cerveja que estava em cima da mesa e me afastei dos garotos.
O pior e o mais difícil de tudo é ter a certeza de que o estava mais do que certo, eu precisava realmente dar um espaço maior pra , todas as vezes que eu tinha a oportunidade de ficar sozinho com ela eu tentava ficar com ela, e aquilo só me fazia mal, e só fazia com que ela se afastasse de mim. Não queria perder a chance de tê-la para mim, e nem perder a amizade dela.
Não estava a fim de ficar com ninguém, só queria tomar mais uma cerveja e voltar para a escola.
Olhei para o lado quando me encostei ao balcão, e vi conversando com um garoto, ela parecia estar discutindo com o menino.
- Posso ajudar? – Um barman tentou chamar minha atenção. – Senhor, precisa de alguma coisa? – Olhei para ele, entreguei a garrafa vazia. – Outra? – Assenti e voltei a olhar para .
Ela levou a mão até a frente do rosto, ela deslizou a mão até seu queixo, e parou a ponta dos dedos ali, falou alguma coisa e o garoto retrucou. Era impossível ouvi-los por conta do barulho das conversas e da música alta. O garçom colocou a cerveja na minha mão.
- Mesa 19. – Avisei, e dei um gole do líquido e voltei minha atenção para a briga de com o garoto que tinha reconhecido ser o Felipe.
Felipe segurou os ombros de enquanto ela negava com a cabeça, ele tentava falar alguma coisa, mas ela não parecia querer escutar. Ela segurou as mãos dele e tirou de cima de seus ombros. Ela soltou as mãos do garoto e saiu de perto dele. Virei-me acompanhando-a, quando ela passou na minha frente segurei seu pulso, e recebi seu olhar em mim.
- Ah, não, você também não! O que você quer? – Continuei encarando-a, sem falar absolutamente nada. – Você está me machucando, você pode me soltar? – Soltei o pulso dela e levantei a mão. – O que você quer, ?
- Saber o que aconteceu? – Levantei as sobrancelhas e ela me imitou.
- Saber o que aconteceu aonde? – Ela estava com os braços cruzados na frente do peito.
- Ali com aquele garoto. – Apontei para Felipe que estava agora olhando para nós com uma cerveja na mão. Vi-me naquele garoto.
- Nada que te importe. – Ela deu de ombros. – Se não tem mais nada pra dizer eu vou embora. – soltou os braços e eu segurei seu pulso de novo. – Você está realmente disposto a me machucar, não é? Você é forte caramba, você não entende isso?
- Desculpa, não foi à intenção! Só quero te ajudar!
- Quer ajudar? – Assenti. – Então um me solta, porque esta realmente doendo. Dois me deixa sair daqui!
- Sozinha? Não mesmo! – Eu soltei o pulso dela, e ela levou a mão até onde minha mão estava segurando. – Desculpa!
- Deixa isso quieto, não precisa vir atrás, eu vou só tomar um ar lá fora. Eu estou meio... – Ela fez uma pausa, olhou para Felipe, e caiu mole no chão.
- ! – Gritei e me ajoelhei ao lado dela. – , acorda! Ei olha para mim, ! – Olhei em volta, e ninguém parecia ter notado o que aconteceu. – ! – Gritei.
Olhei em volta novamente, e ninguém estava olhando para nós, foi quando olhei para frente vi Felipe vindo em nossa direção, de súbito tudo ficou em câmera lenta, e eu não conseguia pensar em mais nada a não ser acabar com a raça daquele garoto.
- ! – Ele gritou quando chegou ao lado de .
- Sai daqui, você fez isso! – O empurrei e tentei pegar no colo.
- Solta ela! – Felipe me empurrou de volta, eu soltei , e empurrei-o com mais força e ele caiu no chão.
- Não vem atrás! – Peguei e corri para o lado de fora do bar com ela. – , por favor! – Chamei a garota mais uma vez. – , merda! Acorda.
Coloquei no chão, peguei meu celular e liguei para a ambulância.
- Oi, é uma emergência uma garota esta desmaiada aqui na frente do Central City Bar, corre, ela não acorda! – A moça do outro lado do telefone afirmou que estavam mandando uma ambulância naquele segundo. – Obrigado. – Coloquei o telefone ao meu lado na calçada e acariciei o cabelo de que estava no meu colo. – Acorda, por favor!
- O que aconteceu com ela? – Ouvi a voz de atrás de mim, e olhei para ela. – , o que você fez?
- Nada, eu juro, ela disse que precisava sair e desmaiou na minha frente, eu juro que não fiz nada. – Olhei para no meu colo. – Acorda, por favor!
- Você já chamou uma ambulância? – Assenti. – ? – estava sentado ao lado do corpo de de frente para mim. – Ei, garota, acorda! – Ele acariciou a bochecha dela, e ouvi o barulho de sirene chegando perto de nós. – Você vai ter que ir para o hospital com ela, você é o único maior de idade. – Ele falou para mim quando as luzes da ambulância iluminaram o rosto dele. – Vou pegar os documentos dela. – Assenti, e a ambulância estacionou ao meu lado.
- Garoto, se afasta! – Um enfermeiro gritou e eu coloquei a cabeça de devagar no chão e me levantei.
Eles trouxeram uma maca até o lado de , dois deles colocaram na maca e prenderam a cabeça dela com um suporte amarelo, colocaram uma bomba de ar na boca dela e apertaram algumas vezes.
- Vamos para o hospital? – Perguntei um pouco confuso com o que estava acontecendo ali.
- O que aconteceu com ela? – O enfermeiro que apertava a bomba de ar perguntou.
- Ela desmaiou do nada! – Respondi.
- Aqui a bolsa dela, os documentos dela estão ai! – me entregou a bolsa de . – Cuida dela!
- Pode deixar! – Assenti, olhei para o braço de e vi que estava arrepiado.
Tirei minha jaqueta de couro, que era a favorita dela e coloquei em cima dela, o enfermeiro continuou apertando a bombinha na boca dela, até que ele parou e empurrou a maca para a abertura na parte de trás da ambulância.
- Você vai nos acompanhar? – Ele me perguntou colocando a maca dentro do carro.
- Sim! – Entrei no carro logo depois dele, e o outro que provavelmente estava dirigindo a ambulância fechou a porta nos deixando lá dentro. – acorda! – Pedi dessa vez mais para mim do que para ela.
A ambulância acelerou, e a sirene gritava do lado de fora do carro. Meus olhos estavam fixos no rosto de . O enfermeiro colocou a bomba de ar na boca dela e apertou novamente. Os olhos dela se abriram lentamente, e a mão dela apertou a jaqueta que estava em cima dela.
- ? – Ela me chamou quando o enfermeiro tirou a bomba da boca dela.
- Oi, , eu estou aqui! – Segurei a mão de e sorri quando o olhar dela encontrou o meu.
- O que aconteceu? – A perca de memória pós-desmaio.
- Você desmaiou no bar depois de discutir com o Felipe, o que aconteceu entre vocês? – Perguntei novamente.
- Não sei, ele pediu pra ficar comigo e eu disse que não queria, então a gente começou a discutir e eu comecei a me sentir tonta, então eu me lembro de ter falado um pouco com você e ai apagão. – Sorri para ela.
- Teria sido mais fácil se você tivesse me contado isso antes, teria evitado essa sua ida para o hospital! – sorriu de volta para mim. – Você me deixou tão preocupado! – Eu acariciei o rosto dela, e dei um beijo em sua testa.
- Chegamos, ela parece estar bem, vamos levá-la para fazer alguns exames e ter certeza de que não aconteceu nada. Nesse momento vamos fazer isso só por uma questão de procedimento. – Assenti, e nós descemos da ambulância.
- Essa jaqueta é sua, não é? Foi assim que soube que você estava comigo, senti seu cheiro! – falava enquanto eu andava ao lado dela segurando sua mão.
- Você memorizou meu cheiro? – Sorri para ela.
- Sim, já dormi com você, e roubei um moletom seu, lembra? – Assenti sorrindo pra ela. – Seu cheiro é inconfundível.
- Você está se sentindo melhor?
- Estaria mil vezes melhor se estivesse fora dessa maca e com a cabeça livre desse negócio apertado! – Ela levou a mão até a proteção amarela em volta de sua cabeça. – Moço, não tem como tirar esse negócio, pode fazer todos os exames, mas não aguento mais esse negócio na minha cabeça.
- Podemos tirar assim que chegarmos à sala de emergência, percebo que você está cem por cento bem, mas é uma questão de procedimento! – O enfermeiro assegurou. – Senhor, terá que ficar aqui enquanto fazemos os exames com ela, você pode fazer a ficha dela ali na recepção e esperar ali naquela sala! – Ele apontou para uma porta que ficava embaixo de uma placa escrito “Sala de Espera”.
Eu não queria deixar sozinha, mas não tinha outra maneira!
Dei um beijo na testa de e fui para o lado contrário do que eles foram. Cheguei perto do balcão da recepção e fui atendido por uma moça loira, pouca coisa mais velha que eu, ela tinha um crachá preso em sua blusa com seu nome e seu cargo escrito em si. Ela me olhou e sorriu.
- Posso ajudá-lo? – Lindsay sorriu.
- Sim, eu preciso preencher a ficha da paciente que acabou de chegar de ambulância! – Ela assentiu e me entregou uma prancheta de madeira com três folhas com varias linhas e palavras escritas.
- Você pode se sentar ali para preencher, e quando terminar pode trazer direto para mim! – Lindsay sorria, não conseguia dizer se aquele sorriso era uma tentativa de conforto, ou se era apenas sua simpatia sendo lançada para todos os lados daquele hospital.
Agradeci e sai de perto do balcão. Sentei-me em uma cadeira vazia e apoiei a prancheta no colo. Preenchi vários itens daquela ficha, que parecia nunca ter fim. Terminei a primeira página depois de uns cinco minutos, mais ou menos. A segunda página não fazia ideia de como responder, altura, peso, alergias, doenças crônicas, e outras coisas. Nunca tinha conversado sobre nenhuma daquelas coisas. Passei para a próxima página e era uma autorização de responsável, assinei a autorização, me levantei e entreguei a prancheta para Lindsay.
- Eu deixei a segunda página em branco, não sei responder nenhuma daquelas perguntas. – Ela riu.
- Não tem problema, já me disseram que ela vai ter alta em no máximo cinco minutos, você é irmão dela? – Lindsay colocou o cabelo atrás da orelha, e não tive dúvidas de que ela estava flertando comigo.
- Amigo! – Dei de ombros.
- Ah sim, ela é brasileira, está fazendo intercâmbio? – Lindsay lia a ficha de , aproveitei que ela não estava olhando e me virei de costas. – ? – Olhei para ela e assenti. – Você não parece ter só dezoito anos! – Sério isso?
- Faço dezenove, mês que vem. – Dei de ombros e me virei de costas novamente.
- Eu tenho vinte e um! – Revirei os olhos. – Te daria uns vinte e dois facilmente!
- ! – Vi sair pela porta da sala de emergência. – Você está bem?
- Oi! – Ela me abraçou desajeitadamente por estar carregando minha jaqueta e seus sapatos. – Sim, estou melhor!
- Você tem certeza de que não quer ir para casa? – Ela assentiu colocando o cabelo para trás.
- Quero voltar para o bar, eu estou bem, foi só um pico de adrenalina, igual aconteceu com a ! – Ela sorriu despreocupada. – Obrigada por estar aqui comigo, . – Ela ficou na ponta dos pés e me deu um beijo na bochecha.
- Eu não poderia te deixar sozinha! – Abracei-a de lado e caminhamos para a saída do hospital. – Você vai me contar o que aconteceu?
- Eu tinha acabado de brigar com você, foi logo depois que você me deu aquela patada, eu fiquei brava e sai andando, o Felipe me parou, e eu não fui pra lá com o intuito de ficar com ninguém hoje, fui com o intuito de me divertir e só. Mas ele ficou insistindo e tentando me beijar, e me abraçar, e eu fiquei brava, sai andando então você me segurou eu já achei que você ia tentar me beijar, e eu desmaiei. – Ela deu de ombros.
- E você quer voltar pra lá por quê?
- Porque agora vocês dois entenderam que eu não quero ficar com ninguém, e vou poder me divertir. – Sorri para ela, ela explodiu em gargalhada. – Seu olhar de tristeza por ouvir isso foi o melhor agora!
Preferi não falar nada, dei risada com ela até ela parar de rir. Quando entramos no táxi fomos até o bar em silêncio. Minha mão estava na perna de durante toda a viagem, e sua mão estava sobre a minha, ela fazia pequenos círculos na tatuagem que eu tinha nas costas da mão. Eu percebia alguns olhares de canto de olho que ela me lançava, e não podia evitar olhá-la por completo, ela estava tão perfeita, com um rabo de cavalo bagunçado e com uma maquiagem que mesmo no escuro brilhava.
- ! – A voz de me pegou de surpresa quando estava virado para a janela.
- Oi? – Respondi no mesmo tom baixo que ela usava.
- Você realmente só me beijaria se eu pedisse? – Assenti confirmando as palavras que disse mais cedo. – Você gosta mesmo de mim?
- Sim, não inventaria isso por nada, ! – Ela assentiu e virou para a janela.
O silêncio se instalou no carro novamente. Até chegarmos ao bar.
foi a primeira a descer do veículo, eu entreguei o dinheiro para o motorista, sai do carro e estava parada esperando que eu saísse.
- , eu... – sorriu fraco e abaixou a cabeça. – Me beija?
Nossos corpos estavam próximos, ainda segurava minha jaqueta e seus sapatos já estavam em seus pés. Olhei no fundo dos olhos dela, e podia jurar que se não estivesse tão cego de paixão, que ela estava tendo por mim os mesmos sentimentos que eu sentia por ela.
Segurei a cintura de e puxei-a para perto de mim, nossos olhos estavam abertos e eu não desviavam um do outro. Encostei meu nariz no dela e sua respiração batia em meus lábios. Fechei meus olhos e encostei lentamente meus lábios nos dela. Dei inicio a um beijo tranquilo e leve, como nunca tínhamos dado antes. A mão dela foi para minha nuca, e ela passou a unha ali me deixando arrepiado.
Depois que paramos o beijo passamos a noite todas juntos, quando já passava das quatro e meia da manhã, quando todos estavam cansados e queriam ir embora, e eu fomos para a praia ver o sol nascer no mar, ficamos juntos a noite toda, até que adormecemos na pedra em que estávamos sentados.
Acordamos quando o sol começou a esquentar de mais. Levantamos e voltamos para a escola.

’s POV

- Nós acordamos e voltamos para a escola, foi isso! – finalizou a história depois de sair do banho. – Acho que tudo está bem, !
- Fico feliz por você! Vocês vão ficar juntos?
- Então, nós decidimos deixar uma relação aberta, a gente fica, mas podemos ficar com outras pessoas. Ele topou ser desse jeito. – se jogou em sua cama apenas enrolada na toalha.
- Você é corajosa. Sabe que ele não vai ficar com outras, não é? – olhou para mim e assentiu. – Você acha que vai ficar com alguém?
- Preciso deixar o tempo dizer, não posso dar certeza de nada agora. – Assenti. – O que eu sei agora, é que preciso descansar, estou extremamente cansada.
- Imagino! Eu vou encontrar os meninos, e depois te encontro.
- Tudo bem, quando eu acordar eu te mando mensagem e vou encontrar vocês! – Sorri para e me levantei da cama.
- Até mais tarde! – acenou com os dedos e deitou-se de barriga para baixo, abraçando seu travesseiro.
Fechei a porta do quarto atrás de mim e caminhei pelo corredor onde algumas poucas meninas estavam conversando. Quando sai do prédio senti o sol seguido de uma brisa gelada bater em meu rosto, agradeci ao meu moletom proteger o resto do meu corpo.
Meus pensamentos me levaram à e , cogitar a ideia de que não ficaria com ninguém além de correndo o risco de ficar com outros garotos além de . Pensei no quanto àquela situação poderia ferir os dois, por mais que ambos aceitassem se sujeitar a uma relação desse estilo, onde se pode ficar com qualquer um que quer, podia com facilidade ver cada um chorando para o seu lado, a começar por , que desde quando começou a conhecer de verdade passou a sentir algo diferente pela garota, em algum momento iria se apaixonar de verdade e não querer ficar com mais ninguém, no mesmo momento em que entenderia o que significa uma relação aberta e resolver ficar com todas as meninas. Não seria algo tão simples de lidar!
- ! – Leonardo esbarrou em meu braço, e eu só havia percebido que era ele quando segurou em meus braços.
- Sai da minha frente. – Tirei as mãos de Leonardo de mim e caminhei novamente até encontrar e Erik sentado debaixo da árvore próxima ao lago.
- Ei, amor! – estendeu a mão pra mim, segurei a mão dele e sentei-me ao seu lado. – Dormiu bem?
- Cogitando o horário que chegamos aqui ontem! – Sorri quando ele me deu um beijo na bochecha. – Tudo bem, Erik?
- Melhorando! – Erik deu de ombros.
- Ótimo! – Sorri para ele.
Erik estava tentando sorrir e se divertir, mas eu percebia que doía muito perder alguém que ele amava tanto. Por um lado era bom, Erik nunca quis realmente manter aquele relacionamento com Beatriz, foi uma questão de comodidade e seguir os amigos que estavam entrando em relações sérias. Beatriz só teve a infelicidade de fazer as coisas erradas, assim como Leonardo, que teve a coragem de fazer isso com o melhor amigo.
Percebi que estava em pé caminhando de mãos dadas com em direção ao refeitório, Erik caminhava lado a lado com , e não demoramos a chegar ao local que já estava relativamente cheio de adolescentes famintos.
- Você quer guardar a mesa e nós vamos nos servir? – perguntou chamando minha atenção de volta para o mundo.
- Hum... Pode ser! – Dei de ombros.
- Está tudo bem? Você está aérea! – Assenti franzindo o cenho.
- É só que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e eu não estou conseguindo acompanhar. Já notou que estamos no final de novembro? – assentiu.
- Está indo rápido de mais não é?
Sentei-me à mesa que sempre sentávamos sem responder , Erik e ele se levantaram para se servir, continuei a observar todas as pessoas à minha volta, algumas me cumprimentavam com um sorriso ou um aceno de mão, eu retribuía da mesma forma e voltava a observar o lugar. Até sentir duas mãos tocarem meus ombros.
- A gente precisa conversar! – Aquela voz era inconfundível, era . – Pra ontem! Eu estou confuso.
- Senta! – Puxei a cadeira ao meu lado e se sentou. – A me contou tudo, como você está?
- Confuso, de verdade! Não sei, , parece que eu tenho síndrome de Estocolmo, quanto mais ela bate em mim, mais eu me apaixono por ela. Essa relação aberta vai ser aberta só pra ela, com certeza, e eu não vou poder reclamar porque aceitei me sujeitar a essa situação. – me encarava. – Eu realmente gosto dela, e se para ficar com ela eu preciso fingir estar bem com essa relação, então é o que eu vou fazer, mas vai doer e muito. – Ele fez uma pausa. – Na real, eu não me importo com o quanto vai doer, quando ela estiver perto de mim à dor vai passar, e tudo vai estar bem! – Ele assentiu como se estivesse fazendo aquela afirmação para si mesmo. – É, não tenho com o que me preocupar, ela pode ficar com quarenta caras, no final ela sempre vai voltar pra mim, não é? – voltou seu olhar para mim. – Não é?
- Não sei, ! – Encolhi os ombros, sem saber o que dizer.
- Sim, porque ela é minha namorada, só que fica com outros meninos!
- Em que mundo isso faz sentido, ? – Questionei, finalmente, o que estava entalado.
- No nosso mundo, o meu e da , faz sentido ela ser minha namorada, esse título me interessa, namorada! – deu de ombros, olhou para frente, ficou quieto por um tempo, depois olhou para mim novamente com frustação no olhar. – Não faz sentido nenhum, quem eu estou querendo enganar, corro o risco de perder ela pra qualquer garoto que ficar com ela. Eu não devia ter aceitado isso! Eu sou um burro.
- Eu também acho, mas não posso me meter na vida de vocês. – Fiz uma pausa, colocando meus pensamentos de volta no lugar. – O que você vai fazer?
- Não sei, o que devo fazer?
- Você pergunta pra mim? Eu não tenho nada a ver com isso, você se colocou nessa situação e espera que eu te tire? Nada disso, está na hora de você pensar por você mesmo, ! – e Erik colocaram as bandejas sobre a mesa e eu me levantei.
Olhei para trás para ver se me seguia, mas, na verdade, ele ia na direção contraria da minha, em direção à saída. Dei de ombros e fui me servir, minha barriga roncava.

- Vou fazer um mega pedido de namoro, mas preciso de ajuda! – me informou quando nos encontramos no jardim próximo à piscina.
Depois de nossa conversa no refeitório, sumira o dia todo, ainda não ousara sair do quarto, possivelmente se recuperando da noite anterior.
Todos estávamos cansados e preferimos ficar na escola naquela noite, estava em algum lugar fazendo alguma coisa com Erik, possivelmente jogando videogame no quarto. estava no quarto, Sarah estava com suas colegas do grupo de estudos de física, e eu estávamos caminhando pelo jardim, onde poucos alunos estavam.
- Como você pretende fazer isso? – Perguntei quando nos sentamos em um banco.
- Ainda não tive ideias, mas vai ser três vezes maior do que o pedido que os meninos fizeram pra vocês. Estava pensando em fazer na noite de ano novo, mas para isso precisaríamos passar o ano novo juntos! – Assenti. – Você já sabe onde ela vai passar as festas?
- Não, não conversei com ela sobre isso! – Ele concordou com a cabeça. – Acho que a diretora ainda não falou para ela que ela pode escolher para onde e com quem quer ir. Vamos esperar ela falar sobre isso, não vamos mencionar.
- Perfeito, esperar é meu mais novo hobbie! – Não pude deixar de rir da afirmação de . – O que é fato, desde que essa menina entrou na escola o que eu mais faço é esperar, esperar ela querer ficar comigo, esperar ela decidir o que quer, esperar ela se arrumar para sair, esperar ela ficar com os caras que ela quer e depois vir para mim, é o que eu mais faço, eu só espero! – Parei de rir conforme ele foi falando, era realmente uma situação de merda.
- Vai acabar, Alfie! – me lançou um olhar amedrontador. – Ai, desculpa!
- Não tem problema, uma hora vou ter que me acostumar com meu segundo nome saindo da boca de pessoas que não sejam Julie! – Ele fez uma pausa. – Noticias da vadia?
- Nunca mais nem ouvi o nome até agora! Parece que até a está brava com ela, as coisas estão apertadas para o lado dessa garota, ela começou a namorar aquele ex-namorado safado da , sabendo do que ele fez para a própria prima. Essa garota não tem limites!
- Ela está namorando? – Assenti, e abaixou a cabeça.
- Parece que já tem uns dois meses ou mais! – murmurou um “entendi”. – Mas agora vamos pensar em uma boa forma e um bom lugar para pedir em namoro. Alguma coisa em mente?
- Estava pensando, ela poderia ir para Bradford comigo até o natal, no dia vinte e sete ela poderia ir para Holmes Chapel encontrar você e o , então no dia vinte e nove vocês me encontrariam em Londres, e eu faria o pedido no alto da London Eye! Em um tempo perfeito para quando ela disser sim os fogos estourarem logo depois. O que você acha? – Digeri a ideia.
- Não seria mais fácil ela ri para Holmes com a gente, encontramos você em Londres, e depois ela vai pra Bradford com você? – pensou no que disse. – Ficaria mais fácil e mais barato.
- Ah, qual é, uma viagem de Bradford para Holmes não passa de quarenta libras.
- Eu sei, mas não seria melhor levar ela para conhecer sua família quando ela já for sua namorada?
- Possivelmente sim! Bem pensado, melhor ela ir para Bradford depois do pedido! – Assenti.
Ficamos assim, não falamos mais nada, permanecemos sentados lado a lado sem falar mais nada. A ideia era ótima, e parecia empolgado com tudo, só faltava colocar em prática, e eu estava bem feliz e esperava que tudo fosse bem nessa ideia toda.
A parte de ela dizer sim ou não era o que me preocupava, esperava de verdade que a resposta fosse sim, mas infelizmente não cabia a mim escolher.
O que me restava era deixar a vida tomar o seu rumo!






Continua...



Nota da autora: Sem nota.




Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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