Prólogo

Joguei a coberta para o lado, me sentei na cama e passei a palma das mãos nos olhos, esfregando-os delicadamente. Levantei-me e segui diretamente para o banheiro, me encarando no espelho e soltando um longo suspiro ao ver meu rosto sem cicatrizes depois da última grande luta na Sibéria.
Enchi as mãos e joguei no rosto, sentindo o gelado bater contra minha pele. Fiz minhas necessidades fisiológicas, escovei os dentes antes de sair do banheiro e troquei minha calça e blusa branca do pijama por outra blusa branca, uma calça jeans, tênis e uma jaqueta azul por cima.
Arrumei minha cama, esticando a colcha em cima da mesma, dobrei meu pijama e coloquei em cima da mesma e ajustei o chinelo em cima da prateleira, no canto da porta. Olhei rapidamente para meu cubículo e respirei fundo, realmente satisfeito. Abri a pequena cortina e observei rapidamente lá fora.
Dei rapidamente outra olhada no pequeno quarto escolhido por mim e destranquei a porta, saindo do mesmo, dando uma olhada rápida nos corredores que estavam movimentados como sempre, mas silenciosos.
— Capitão! – Me assustei com T’Challa ao lado da porta e fiz um movimento brusco.
— Ah! O que está fazendo aqui? – Perguntei, revirando os olhos.
— Temos um problema para você resolver! – Ele falou e eu respirei fundo.
— Bom dia para você também. – Passei a mão no cabelo, respirando fundo.
— Vamos comigo? – Ele perguntou, andando pelo corredor e eu o segui.
— O que aconteceu? – Perguntei.
— Sei que isso não é mais da sua alçada, já que você é considerado um ‘fora da lei’ e está escondido aqui por motivos óbvios. – Ele falou, seguindo para uma sala ao fundo onde algumas pessoas de sua confiança estavam. – Mas você é o Capitão América, e acho que poderia sair das suas férias por isso.
— Isso inclui pessoas ou algum país? – Perguntei, seguindo em frente.
— Países, para falar a verdade. — Ele deu um longo suspiro, já imaginando onde isso daria. – Lembra que você achou interessante ficar vigiando os Estados Unidos e a Coreia do Norte com aqueles testes de mísseis e tudo mais?
— Sim, claro, pode estourar uma guerra. – Entramos na sala.
— É, acabou de estourar! – Acho que eu acabei arregalando meus olhos, pois eu não estava preparado para aquilo.
— Entre ambos?
— Sim! – T’Challa falou. – Não sei se foi acidente, mas a Coreia do Norte fez outro teste de míssil e caiu no Oceano Pacífico, há pouco mais de 200 quilômetros do Havaí, mas dentro de território americano. – Coloquei as mãos na têmpora, respirando fundo.
— E,deixa eu adivinhar, Donald Trump viu como uma ameaça e declarou guerra? – Puxei a respiração fortemente.
— Ele não pensou duas vezes. – Okoye, o braço direito de T’Challa falou, me esticando um tablet onde uma reportagem de TV passava. – O ataque ou acidente aconteceu às 01h57min horário dos Estados Unidos, às 02h08min saiu um release falando da declaração de guerra dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte devido ao ataque do ditador Kim Jong-Un. – Respirei fundo.
— Ele já está com as tropas montadas e a força aérea já está com os caças prontos.
— Pelo amor de Deus, isso é uma guerra de egos. – Respirei fundo. – Onde será esse ataque? – Perguntei.
— Não temos informações, mas pelo movimento da Coreia e dos Estados Unidos, será próximo à Rússia. – Respirei fundo, balançando a cabeça.
— Vamos acompanhar as próximas 24 horas para eu decidir o que faço. – Respirei fundo. – Mas se eu for intervir, eu preciso de uma equipe. – T’Challa Assentiu.
— Eu estou dentro! – Ele falou e eu confirmei com a cabeça.
— Agora me dá licença que eu preciso tomar um café da manhã. – Ele riu, assentindo com a cabeça.



Capítulo Único

— Bom dia! – Virei o rosto para T’Challa que apareceu ao meu lado, apoiando sua bandeja ao lado da minha na mesa do restaurante.
— Bom dia! – Falei, suspirando, mexendo com a colher no meu cereal.
— Parece que alguém não está muito bem. – Balancei a cabeça.
— Parece 1940 de novo. – Falei, abaixando a colher. – Os países estão montando bunkers, pegando armas de guerra, correndo pela neve. – Suspirei. – Isso está uma loucura.
— E você realmente acha uma boa ideia não fazer nada? – T’Challa falou e eu virei meu rosto para ele.
— E você? Não vai fazer nada? – Ele riu.
— Não é o meu país, Cap! – Ele falou. – Não posso decidir por lutas que não são minhas.
— Você lutou contra mim há dois anos.
— Eu achava que seu amigo tinha matado meu pai. – Ponderei com a cabeça.
— Justo! – Ri fraco.
— Oh, cara! – Ouvi uma voz conhecida e virei o rosto para a porta. – Wakanda é demais! – Vi Sam passar pelas portas, um tanto quanto abobado, e olhei para T’Challa que se segurava para não rir.
— Você ligou para ele? – Perguntei.
— Não! – Ele falou, se levantando.
— E aí, galera! – Sam falou e eu me levantei, abraçando-o.
— Como você está? – Perguntei e ele bateu em minhas costas.
— Tudo certo! – Ele falou.
— Como me encontrou? – Perguntei.
— Tem coisas que são óbvias, certo? – Ele falou rindo. – Como está? – Ele cumprimentou T’Challa.
— O que você veio fazer aqui? – Perguntei.
— Você deve estar sabendo da guerra, não? Aqui é tão tecnológico, deve ter algumas televisões. – Ele deu à volta no próprio corpo e eu ri fraco.
— Sim, eu vi! – Suspirei. – Mas eu não sei o que fazer.
— Como não? – Sam falou alto. – Você é o Capitão América! É óbvio o que você tem que fazer.
— Por que, Sam? – Perguntei. – Depois do que aconteceu em Berlin, por causa de Sokovia, eu fui traído pelo meu próprio país, por causa dos meus ideais. – Falei. – Eles não merecem.
— Uau! – Sam falou, colocando as mãos no bolso. – Acho que eu vim no lugar errado, então. – Ele cruzou os braços. – Achei que o Capitão América lutasse pelos seus ideais, pelo o que ele acredita ser certo, independente da opinião dos outros. – Suspirei, cruzando os braços também. – Agora ele está escondido em Wakanda, enquanto dois países estão se enfrentando por motivos ridículos e tendo perdas inúteis por causa de bombas nucleares que podem acabar com o mundo.
— O que você quer que eu faça, Sam? – Perguntei.
— Lute, é claro! – Ele falou. – Não pelos países, pelas pessoas. – Ele falou.
— Mas como eu vou fazer isso? Os Vingadores estão espalhados, Thor e Hulk ainda estão sumidos. Eu e você não somos o suficiente.
— T’Challa? – Sam perguntou.
— Ainda não somos o suficiente. – Pantera Negra falou.
— O Bucky está aqui também, não está? – Ele perguntou.
— Ele está em estado criogênico. Podemos tirar ele, mas pode demorar uma semana para não afetar o cérebro e também não sabemos como ele vai acordar disso, pode estar agitado. – T’Challa falou e Sam Assentiu, respirando fundo.
— Bem... – Sam assoprou, passando as mãos nos cabelos. – Eu ainda tenho contato com o Scott, já seríamos cinco. – Assenti com a cabeça.
— Isso não pode ser decidido em poucos minutos. Precisamos de um plano, pesquisas de campo, saber onde a concentração da guerra é maior. E principalmente, como vamos conter isso, não estamos falando de um lado inimigo dessa vez. – Falei. – Os vilões são os dois líderes que estão colocando suas populações em risco.
— Então, temos que depor os dois líderes? – Sam perguntou.
— Isso tornaria a guerra mil vezes maior. – Neguei com a cabeça. – Precisamos fazer com que o povo não lute. Que eles enxerguem que é uma luta sem motivo. Vão ter várias perdas, isso é óbvio, mas todas sem motivos. – Suspirei.
— Acho que devemos conversar em um lugar mais privado. – T’Challa falou, ao notar o restaurante encher.
— Claro! – Eu e Sam falamos juntos e eu peguei minha bandeja. – Vamos se encontrar no meu quarto mais tarde.
— Onde é seu quarto? – Sam perguntou e eu ri.
— Verdade! Você é novo aqui! – T’Challa falou. – Eu te levo em um tour para você conhecer o local e depois encontramos o Steve de novo.
— Beleza! Eu vou ao hospital ver com eles sobre a possibilidade de descongelar Bucky e nos encontramos em uma hora? – Falei em tom de pergunta.
— Claro! – Eles falaram e ambos seguiram em direção à saída do restaurante da sede governamental de Wakanda.

Passei a mão no rosto e abaixei as folhas, me levantando da mesa, seguindo diretamente para o banheiro. Passei uma água no rosto e suspirei, ouvindo dois toques na porta e fechei a porta do banheiro.
Dei meia dúzia de passos até a porta e abri a mesma, dando de cara novamente com Sam e T’Challa. Dei espaço na porta e ambos entraram em silêncio.
— Uou! – Sam falou, dando uma rápida olhada no espaço. – E eu achava que as cavernas que eu dormia na época do exército eram ruins. – Eu e T’Challa rimos juntos.
— Eu ofereci um quarto com um pouco mais de mordomia para ele, com uma vista da cidade, grandes espaços... – T’Challa passou a mão na cabeça. – Ele preferiu esse buraco.
— Eu não quero incomodar, você sabe. – Falei e ele ergueu as mãos, revirando os olhos.
— Enfim, você conseguiu algumas informações? – Sam perguntou, se sentando na minha cama.
— Eu falei com Tony. – Ambos olharam para mim. – Eu sei, eu sei! – Balancei a cabeça. – Mas ele ainda é um bom contato.
— Ele vai entrar nessa luta com a gente? – T’Challa perguntou.
— Eu não estou pronto para lutar com ele novamente, então nem entrei nesse lado, só queria saber se ele ou o Rhodes tinham algumas informações internas.
— Suspeito que sim. – Sam falou.
— Sim! – Falei. – Ele disse que os dois pelotões não são muito grandes, cerca de cinco mil homens cada. Estão localizados no deserto de Ryn, é entre o Cazaquistão e a Rússia.
— A luta em si já começou? – T’Challa perguntou.
— Não! Eles estão realmente construindo bunkers e trincheiras como se fosse a segunda guerra mundial novamente. – Balancei a cabeça.
— Alguma novidade com o Bucky? – Sam perguntou.
— O processo de descongelamento é até rápido, o que altera é a forma que ele vai acordar. É preciso fazer alguns testes neurológicos antes de liberar ele.
— Ou seja... – Sam perguntou.
— Eles começaram o processo de descongelamento, mas pode ser que ele não possa lutar. – Falei e eles assentiram com a cabeça.
— Bom, isso quer dizer que continuamos nós três. – T’Challa falou. – Contra dez mil pessoas lutando entre si.
— Nada do Scott? – Perguntei.
— Falei com ele e ele disse que está fazendo experimentos com Dr. Pym. Algo envolvendo a namoradinha dele. – Sam deu de ombros. – Não entendi direito.
— Então somos só nós três mesmo. – Passei a mão nas têmporas.
— Talvez eu tenha alguns contatos. – T’Challa falou, cruzando os braços.
— Por que você está tão relutante com isso? – Perguntei.
— Eu não estou... – Ele balançou a cabeça. – É complicado.
— É alguém que conhecemos?
— Em partes. – Ele ponderou a cabeça. – É outra equipe de super heróis que talvez tenha uma pessoa que esteja interessada nessa luta.
— Aquela outra equipe? – Sam perguntou.
— Sim! – Ele falou. – Eu tenho contato com um deles por causa de um projeto de tecnologia dentro de Wakanda. – Ele balançou a cabeça. – Toda tecnologia de Wakanda vem deles.
— Espera o Tony ouvir isso. – Sam falou e eu ri.
— Eu escolhi quem me fez a melhor oferta na época. – T’Challa falou.
— Eles são confiáveis? – Perguntei.
— Creio que sim. – Ele suspirou. – Um deles lutou na primeira guerra mundial. Pode ajudar. – Assenti, pensativo.
— Você acha que é uma boa idéia, Steve? – Sam perguntou e eu dei de ombros.
— É a única opção que temos, certo? – Falei, coçando a cabeça.
— Vou entrar em contato com eles. Marco um encontro para daqui uma semana. – Ele falou. – Assim sabemos se Bucky poderá se juntar a nós. – Eu e Sam concordamos com a cabeça.
— Tony devolveu suas asas? – Perguntei para Sam.
— Elas surgiram na porta de casa alguns dias depois que ele nos libertou daquela prisão. – Ele falou e eu concordei.
— Elas vieram?
— Não saio de casa sem elas. – Confirmei com a cabeça.
— Então entre em contato com eles, sua majestade. – Falei. – Vamos lutar.

As portas do hospital de Wakanda se abriram facilmente para mim quando eu passei por elas. Os trabalhadores me cumprimentaram com um aceno de cabeço e eu repeti o gesto, seguindo direto para onde eu seguia uma vez por semana a quase dois anos: o quarto de Bucky.
Mas dessa vez, diferente das outras, eu encontraria Bucky acordado. Os médicos tinham acordado ele aos poucos e agora faziam toda a bateria de exames neurológicos para ver se ele estaria apto a viver de onde parou. Depois pensaríamos sobre a luta.
Olhei pelo vidro da sala e vi meu amigo sentado, sem o braço de metal, conversando com uma médica. Ele agia normalmente, movimentava o rosto, a mão, acenava com a cabeça, sorria. Ele estava bem.
Aproximei-me da porta de vidro e ela se abriu. Bucky virou o rosto para mim e abriu um largo sorriso. Estava tudo ok. Esperei a médica terminar de fazer os testes básicos de movimento com ele e ela sorriu para mim, abrindo espaço.
— Deve estar acontecendo algo muito feio para precisarem de mim. – Ele falou e eu sorri, me aproximando e abraçando-o fortemente.
— Como você está? – Perguntei e olhei para a médica que Assentiu.
— Está tudo bem! – Ela falou. – Todos os exames motores estão bem, agora estamos esperando os exames de sangue e a ressonância chegarem. – Assenti.
— O que aconteceu? – Bucky perguntou.
— Estão chamando de terceira guerra mundial. – Suspirei. – Estados Unidos e Coreia do Norte. – Ele Assentiu.
— Demorou a acontecer, convenhamos. – Ele falou e eu Assenti.
— Sim! Ninguém esperava que eles realmente fossem dar o primeiro passo. – Cruzei os braços.
— E nós vamos acabar com isso? – Bucky perguntou. – Você lembra o que aconteceu na minha última guerra! – Rimos juntos e eu balancei a cabeça.
— É diferente dessa vez. – Cocei a cabeça. – Não tem lado certo dessa vez, é puro ego.
— Você vai me colocar a par rapidamente. – Assenti. – Seremos só eu e você ou terá mais gente ajudando?
— Eu, você, T’Challa, Sam. E T’Challa disse que conhece um pessoal que pode nos ajudar. – Ele Assentiu.
— Lang? Stark? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça.
— Não, nenhum deles. – Suspirei. – Uma mulher, na verdade, que lutou na primeira guerra mundial, é parecida com Thor, pelo que eu entendi. Imortal.
— Eu acho que eu sei de quem ele estava falando. – Bucky disse. – Ouvi boatos dela quando entrei no exército. – Ele falou. – Ela lutou com um pequeno grupo de homens que impediu com que algumas bombas fossem estouradas, causando mais destruição. Era uma turma igual nosso comando. – Assenti. – A história de vocês é parecida. – Ele deu de ombros.
— A diferença é que ela é uma deusa! – Falei e ele riu.
— Ela vai ajudar? – Ele perguntou e eu dei de ombros.
— T’Challa disse que vamos nos encontrar daqui alguns dias na Rússia. – Ele Assentiu.
— Bom, acho melhor eu me preparar, então. – Ele se levantou da maca.
— Vamos desacelerar, senhor Barnes. – A médica se apressou em nossa direção. – Vamos esperar seus exames chegarem antes de te colocar em frente às balas de novo. – Ri com ela.
— Ainda temos o problema das palavras de ativação... – Bucky falou com a feição desanimada.
— Não que eu ache que isso seja um problema. – Falei, puxando uma caixinha do meu bolso. – Mas, por precaução, talvez isso sirva. – Abri a mesma e mostrei a ele.
— Protetores auriculares? – Dei de ombros.
— Não sei como não pensamos nisso antes. – Rimos juntos.
— Se for fácil assim, eu vou ficar muito puto. – Balancei a cabeça.
— Uma coisa de cada vez. – Falei. – Vamos ver sua saúde antes. – Ele Assentiu. – Certo, doutora?
— Obrigada, senhor Rogers. – Ela falou. – Se não fosse o senhor, esse daqui já queria estar batendo nas coisas novamente.
— Falando nisso, eu vou ganhar outro braço? – Ele se virou para mim. – Sem aquilo eu não tenho nada, cara. Depois da segunda guerra mundial, não estou preparado para entrar numa briga grande só com armas. – Ri fraco.
— A equipe tecnológica de T’Challa tem algumas cartas na manga. – Falei e ele sorriu. – Bem, algumas mangas novas para ti. – Ele sorriu.
— Bom saber! – Ele falou.
— Bem, vamos nos preparar! – Falei, assentindo para ambos e deixei o quarto de Bucky.

— Já disse que eu não estou confortável com isso? – Falei olhando para o grande balcão próximo ao Deserto Ryn na Rússia.
— Já! – Sam e Bucky falaram juntos e eu revirei os olhos.
— Eles não vão nos matar, Steve. – T’Challa falou e eu empunhei o escudo firme em minha mão.
— Parei de confiar em qualquer um. – Falei e ele andou na nossa frente, empurrando a porta do galpão.
— Já disse que está muito frio? – Bucky comentou e eu segui T’Challa para dentro do galpão onde poucas luzes o iluminavam e uma mesa com algumas cadeiras estavam colocadas no meio da mesma.
— Você é o soldado invernal, caramba! – Sam cochichou e eu virei para trás, vendo ambos se calarem e eu segui T’Challa até o meio do galpão.
— Eles deveriam estar aqui. – Ele falou e eu virei o corpo quando uma sombra passou por nós e pulou ao nosso lado, fazendo Sam gritar.
— Ah! – Ele falou e eu revirei os olhos, vendo um homem de roupa preta com máscara de morcego aparecer em nossa frente.
— É um morcego? – Sam perguntou.
— Você realmente não sabe a hora de ficar quieto, não é?! – Bucky comentou e o homem em nossa frente tirou a máscara e T’Challa fez o mesmo.
— Bruce! – Ele esticou a mão.
— Sua majestade! – Ele falou. – Fiquei sabendo sobre seu pai, sinto muito. – T’Challa Assentiu.
— Eu recebi sua carta. – Ele falou e ambos assentiram com a cabeça.
— Capitão América! – Bruce esticou sua mão para mim e eu fiz o mesmo.
— Como eles te chamam? – Perguntei.
— Batman! – Ele falou e eu ponderei com a cabeça. Era óbvio.
— Então, você vai me ajudar a acabar com essa guerra? – Perguntei.
— Não! – Ele falou, virando para um lado. – Ela vai! – Ele apontou para o lado.
Uma mulher de cabelos pretos saiu para a luz. Ela usava um collant vermelho e dourado, com uma águia na altura do decote. Uma saia azul com um cinto dourado com duas letras W sobrepostas. Em sua cabeça tinha uma tiara igualmente dourada e ela tinha um laço dourado colocado no cinto, uma espada nas costas e... Um escudo.
— E você é...? – Perguntei.
— Eu sou de Themyscira, filha de Hipólita, rainha das Amazonas, e filha de Zeus. Aqui eles me chamam de Mulher Maravilha. – Arregalei os olhos. – Você pode me chamar só de .
— Zeus do tipo... Zeus? – Bucky perguntou.
— É! – Ela falou e eu Assenti.
— Eu sou Steve Rogers, conhecido popularmente como Capitão América. – Falei, cumprimentando-a com um aperto de mão. – Atualmente estou entre nomes. – Ela Assentiu.
— Eu conheci um Steve há alguns anos. – Ela falou e eu Assenti. – Ele me fez não desistir das pessoas por meio do amor. – Assenti.
— Eu ainda acredito, só não sei se devo. – Disse e ela Assentiu.
— Me disseram que você lutou na segunda guerra mundial, certo? – Ela perguntou.
— E você na primeira. – Falei. – T’Challa aqui acha que poderíamos juntar nossas forças para impedir essa terceira guerra.
— Creio que não podemos impedir nada, sendo que ela já começou. – falou. – Mas podemos impedir que ela aumente de proporções e cause mais baixas do que o necessário. – Ela falou.
— Você sabe o motivo da guerra? – Perguntei.
— Na teoria ou na prática? – Ela perguntou.
— Ambos! – Falei.
— Teoricamente é ego dos dois líderes que tem se bicado há alguns anos. Na prática, foi um míssil que caiu em uma ilha americana. – Ela deu de ombros.
— Então nós dois concordamos. – Falei.
— Eu não costumo usar essa expressão, mas isso é ridículo. – Ela balançou a cabeça. – Para chegar a um ponto de uma guerra... – Ela suspirou. – Eu não sei como era na segunda guerra, mas a primeira foi a coisa mais feia que eu já vi. – Ela suspirou. – Por isso que eu decidi não me juntar à segunda. – Assenti.
— Ódio por diferentes tipos de raça, nacionalidade e religião. – Dei de ombros. – Poderíamos falar que faz muito tempo, mas aparentemente estamos vivendo nos dias de hoje.
— Pelo menos eles tiveram você. – Ela falou e eu Assenti.
— E você! – Falei.
— Acho que devemos fazer um plano de contingência. – Bruce falou.
— Porque não deixamos que eles pensem nisso? – T’Challa perguntou. – Eles entendem de guerras mais do que a gente. – Assenti.
— Sim, vamos conversar. – falou, tirando a longa espada das suas costas e esticando sobre a mesa, me fazendo arregalar os olhos.

— Existe uma forma dessas coisas se resolverem de um jeito pacífico? – Perguntei, colocando meu escudo sobre a mesa também.
— Reunião entre os dois presidentes? – Ela perguntou e eu suspirei.
— Duas armas com uma bala cada, um campo aberto, cada um dá 15 passos para trás, quem atirar primeiro, ganha. – Falei e ela deu uma risada fraca.
— Seria fácil demais para ser verdade. – Ela falou e eu suspirei.
— Como seu Steve morreu? – Perguntei.
— Ele se sacrificou. – Ela falou. – Entrou em um avião cheio de bombas e o explodiu no céu. – Assenti.
— Eu fiz mais ou menos a mesma coisa. – Falei.
— E como você está vivo? – Ela perguntou.
— Eles injetaram um soro em mim que me tornaria um super soldado. – Balancei a cabeça. – Eles acharam que eu era uma pessoa boa. – Ela Assentiu. – Então tudo que era bom, ficaria melhor. E tudo que era ruim, pior. – Concordamos juntos. – Eu fiquei congelado. – Falei. – Por quase 70 anos. – Balancei a cabeça. – Não sei quimicamente falando, mas um dia eu simplesmente acordei. – Dei de ombros. — Como se eu tivesse dormido por muito tempo. – Dei um sorriso de lado.
— Isso foi durante a segunda guerra? – Ela perguntou.
— Foi. – Falei. – Tínhamos problemas maiores que Hitler na época. – Franzi os lábios. – Depois que ele foi derrotado, parece que ficou tudo bem. – Ela Assentiu. – E você?
— Eu não sei sua crença sobre deuses mitológicos. – Ela falou. – Deuses com letra minúscula. – Assenti.
— Você diz ser filha de Zeus, apesar das minhas crenças, eu não consigo ignorar isso. – Ela deu um pequeno sorriso.
— Acredite, é melhor do que crescer achando que você foi moldada do barro. – Franzi a testa, tentando segurar a risada. – Você pode rir. – Ela falou. – Mas fui criada em um lugar paradisíaco, só por mulheres guerreiras e minha mãe achou que falar que eu vim do barro era melhor do que falar que eu era filha do deus mais importante da mitologia. – Assenti. – Meus poderes poderiam ficar mais aguçados e trazer Ares, o deus da guerra, para perto de nós novamente.
— E isso aconteceu?
— Eu lutei contra ele na primeira guerra. Claro que eu não acredito que Ares tenha sido responsável por tudo na primeira guerra, mas por partes. – Ela deu um longo suspiro, cruzando os braços. – Tudo parece que ficou mais calmo e foi se resolvendo com mais normalidade. – Ela falou, dando de ombros.
— E porque você não lutou na segunda? – Perguntei, apoiando os cotovelos na mesa.
— Apesar de tudo que Ares fez, eu notei que as pessoas escolhem ser boas e más. – Ela soltou um longo suspiro, tirando a tiara de sua cabeça, apoiando na mesa e jogando os cabelos para trás. – Eu não precisava ter me esforçado tanto, ou tantas pessoas terem morrido por algo tão simples. – Assenti.
— É o que eu penso sobre essa guerra. – Falei. – Eu cansei de lutar por interesse dos outros.
— Mas e o seu interesse, Steve? – Ela falou, esticando a mão para tocar meu braço. – Eu estou cansada de lutar também, mas cansei das pessoas lutarem também. – Ela falou e eu soltei um longo suspiro, encarando-a. Puxei o capacete da minha cabeça e o apoiei na mesa à minha frente também.
— Nós temos que lutar. – Falei, coçando a cabeça.
— É o certo, não é?! – Ela falou e eu Assenti.
— Precisamos defender os civis. – Falei.
— Foi fácil! – Ela falou sorrindo e eu ponderei com a cabeça. – Eu nem precisei usar o laço da verdade. – Ela segurou a corda dourada em seu coldre que brilhou e colocou em cima da mesa.
— Antes de eu me sentar à mesa eu acreditava somente em um Deus. Aquele com letra maiúscula. – Ela Assentiu. – Estou mudando de opinião agora.
— Bom saber. – Ela falou. – Estou voltando a confiar nos homens. – Ela falou e eu Assenti.

— Galera! – Virei o rosto a ver T’Challa se aproximar com um tablet na mão. – Acho que não podemos ficar papeando muito. – Ele estendeu o aparelho na mesa, onde passava uma entrevista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na linha fina, no rodapé da tela, estava escrito: “Capitão América e Mulher Maravilha, além de outros Vingadores e Justiceiros, se unem para lutar com os EUA na Terceira Guerra Mundial”.
— Droga! – Falei, coçando a cabeça.
— Ele não sabe quando ficar quieto, não é mesmo? – falou e eu balancei a cabeça.
— Parei de me preocupar com política há algum tempo, mas esse cara consegue me tirar do sério. – Suspirei.
— Vocês deveriam fazer uma transmissão, algo assim. – Bucky se aproximou também, puxando uma cadeira.
— Você tem um braço de metal? – perguntou.
— Legal, não?! – Franzi a testa e balancei a cabeça. — Fazer uma declaração sobre isso. – Bucky continuou.
— Nós faremos nossa declaração. – se levantou, pegando sua espada da mesa, assustando meus três colegas. – Mas com ações. – Ela falou, escondendo a espada em suas costas. – Que horas são? – Ela perguntou.
— Quase três da tarde. – T’Challa falou. – Consigo ouvir alguns tiros vindos de longe. – Ele comentou sobre sua audição aguçada.
— Como está seu sono, Steve? – Ela perguntou para mim.
— Já dormi muito tempo. – Me levantei também, recolocando meu capacete.
— Vamos fazer uma declaração. – Ela disse e eu confirmei com a cabeça, tirando meu escudo de cima do dela e ouvi o tilintar alto que os dois metais fizeram ao se chocar.
— Agora? – Sam perguntou um tanto quanto assustado.
— O que acha, Steve? – me perguntou. – Pronto para lutar?
— Eu estou sempre pronto. – Falei. – Afinal, eu não tenho nada para fazer. – Ela deu um belo sorriso, colocando sua tiara novamente.
— Então, vamos. – Ela falou e levamos alguns minutos para nos preparamos.
Nós seis seguimos pelo galpão em que estávamos. Chegamos na porta e nenhum sinal de barulho ou confusão. Estávamos há alguns quilômetros das trincheiras ainda, mas aquele deserto nevado e vazio me dava arrepios, mesmo sendo três horas da tarde.
— Foi um prazer te conhecer, Steve. – falou, estendendo a mão e eu apertei a mesma.
— O prazer foi meu, princesa. – Falei e ela Assentiu.
— Deixei esse posto há bastante tempo, mas obrigada! – Ela falou e eu Assenti. –Vamos tomar um café quando tudo isso acabar. – Ela sorriu.
— Você diz como se isso fosse fácil. – Ela deu de ombros.
— Eu ainda não parei de acreditar no amor das pessoas, Capitão. – Ela falou, dando um pequeno sorriso e deu alguns passos para trás.
— Onde te encontro? – Perguntei.
— Paris, é claro! – Ela falou e eu Assenti, virando e vendo Bruce ao lado de .
— Foi um prazer, senhor Wayne! – Falei, apertando a mão dele também.
— Espero que não precisemos nos encontrar por um bom tempo. – Ri fraco.
— Tomara. – Falei.
— Te vejo nas trincheiras, Steve. – deu um sorriso e eu acenei com a cabeça.
— Você também. – Falei.
Ela deu um salto digno de deusa, trazendo consigo uma lufada forte de vento, fazendo com que eu erguesse a mão para cobrir meu rosto e sumiu. Olhei em volta, junto dos três homens que vieram comigo e todos estavam atordoados.
— Ela faz muito isso. – Bruce falou e eu ri.
— Me dá uma carona? – Virei para T’Challa que Assentiu, dando um sorriso debochado. — O soro não me deu super velocidade, ok?! – Falei e ele riu, seguindo para o jipe estacionado em frente ao galpão.
— Posso pegar essa carona? – Bruce perguntou. – Eu não trouxe o Batmóvel.
— Quais são seus poderes? – Sam virou para ele.
— Eu sou rico. – Ele falou e Sam ponderou com a cabeça.
— Está valendo. – Sam falou e seguimos os cinco para o carro estacionado.



Epílogo

Atravessei a praça com as quatro pirâmides na superfície e segui para a maior, a entrada do Museu do Louvre. Aproximei-me de um dos seguranças e mostrei o convite especial que eu havia recebido e ele Assentiu, falando baixo em seu walkietalkie.
— Esse homem te acompanhará até a curadoria, senhor. – Ele falou para mim quando um homem apareceu e eu assenti para ele, entregando o convite e descemos às escadas rolantes do museu mais famoso do mundo.
Me contive em observar as obras de arte mais famosas do mundo e segui o senhor de terno, tirando o boné quando entrei no mesmo. Nos afastamos das seções das obras de arte e seguimos para um dos andares subsolos.
Antes de passar pelas portas que se dizia ‘curadoria’, eu fui revistado. Só depois o senhor ao meu lado permitiu minha entrada. Fiz como uma criança de cinco anos e coloquei as mãos para trás e andei devagar por aquela parte do prédio. Lá tinha obras fascinantes que estavam para restauração, organização ou catalogação.
Passei por uma pequena porta, encontrando sentada em uma mesa ao fundo e dei dois toques no batente que separava as duas salas e ela ergueu o rosto, abrindo um largo sorriso.
— Te achei! – Falei e ela riu fraco, se levantando.
— Steve! Pensei que não o veria mais. – Ela seguiu em minha direção e me deu um forte abraço, segurando em meus ombros quando se separou.
— Levar uma bala no estômago não é fácil. – Falei e ela sorriu.
— Mas você está bem agora?
— Pronto para próxima! – Sorri e ela passou as mãos em meus ombros, se afastando.
— Que bom! – Ela sorriu, seguindo em direção até a mesa. – Antes de sairmos, eu gostaria de te mostrar algo. – Ela pegou a foto em cima da mesa e trouxe em minha direção.
— O que é? – Perguntei, quando ela mostrou uma foto antiga com ela no centro e alguns homens a sua volta.
— Esse é o pessoal que me ajudou na primeira grande guerra. – Ela falou, com um pequeno sorriso no rosto. – Você disse que tinha o seu pelotão, eu tive o meu.
— Esse é o Steve Trevor? – Perguntei, apontando para o homem ao seu lado.
— Sim, é! – Ela sorriu. – Podemos ser de épocas diferentes, Steve. Mas temos muitas coincidências em nossas vidas. – Ela sorriu.
— Nem fala! – Sorri. – Bem, vamos? – Perguntei.
— Claro! – Ela falou. – Vou te mostrar Paris de um ângulo que talvez você nunca tenha visto. – Ela falou, pegando sua bolsa na cadeira e seguindo em minha direção novamente.
Andei a sua frente, enquanto ela trancava algumas portas na sala da curadoria e seguimos juntos pelos corredores de mármore do museu.




Fim.



Nota da autora: Já que a Marvel e a DC não pegam esses dois personagens tão icônicos para fazer um crossover que seria sensacional. Eu fiz! Imagina só quando esses dois se encontrassem. Imagino que seria algo mais ou menos assim. Espero que vocês gostem e deixem seu comentário aqui embaixo, ele me inspira. Para novidades entre no meu grupo do Facebook (https://www.facebook.com/groups/fanficsdaflaviacoelho/)



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