Finalizada em: 11/02/2019
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(Save me, I'm trapped in a vile world. Save me, where the ending's all the same as every other, we're only here to die. Save me, I'm losing my only dream. Save me, I can use some guiding light, some place to go, if you hear me, let me know. – Salve-me, estou presa nesse mundo vil. Salve-me, onde o fim é sempre o mesmo de todos, só estamos aqui para morrer. Salve-me, estou perdendo meu único sonho. Salve-me, posso usar alguma luz para me guiar, algum lugar para ir, se me ouvir, me avise. – Avenged Sevenfold, Save Me)


Prólogo

Eu aprendi a amar desde cedo, a sorrir e a viver. Não é como se isso significasse muita coisa para agora. O homem que me ensinou a fazer todas essas coisas ficaria para sempre dentro de um caixão, enterrado a sete palmos embaixo da terra. O dono das Indústrias Bells, o melhor homem que já existiu. Meu pai.
Olhei de canto de olho para a viúva. Ela não tinha nem o direito de que eu a chamasse de mãe após tudo o que acontecera. Ela não sabia, mas eu sei que a mesma não valia nada, mas seu comportamento com aquele terninho preto, com o véu cobrindo metade do rosto e um lenço próximo aos olhos, me irritava. Principalmente enquanto era consolada por toda bancada acionista da empresa. Bando de idiotas.
Mas tinha um em especial que a comia com o olhar, bem, não só com o olhar. Ele era o motivo dela ficar fora todos os dias. E quando estava em casa, não tinha nem mesmo a decência de fingir, seus gritos ecoavam pela casa inteira enquanto eu estava lá.
Joguei a rosa dentro do túmulo e virei meu corpo, me desviando dos seguranças que me guardavam nos dois lados e parei de supetão, olhando para os jornalistas que cobriam o evento mais importante da cidade de Bells, a morte de um líder. Bem, acho que posso dizer assim, já que essa indústria é a principal produtora de leite dos Estados Unidos e, por mais que a cidade tenha poucos habitantes, a imprensa nacional se interessava com tudo que acontecia nela, e com a família. Afinal, ter o sobrenome que também dá o nome da cidade e da indústria que controla toda a economia leiteira do país, traz alguma atenção.
Tal atenção para a economia do país que seria desestabilizada, pois ninguém sabia controlar aquilo como ele, afinal, ele começou, investiu, cresceu e conseguiu. Depois ele morreu.


Capítulo 1

Me olhei pelo espelho e suspirei, pegando minha mochila em cima da cama e coloquei nas costas, puxando a barra da minha saia xadrez para baixo e respirei fortemente. Passei os dedos nos olhos, limpando o rastro molhado que a lágrima solitária fez ao rolar pela minha bochecha. Olhei novamente o horário em meu relógio e desviei o olhar do meu reflexo do espelho e andei pelo meu imenso quarto e girei a chave, abrindo as portas duplas do mesmo, dando de cara com o largo gramado que rondava a piscina do lado de fora, e logo fechei as mesmas, ajeitando a camiseta polo por dentro do uniforme.
Desci pela escadaria, lutando para pegar meu iPod dentro da bolsa e coloquei os fones no ouvido, colocando no máximo a primeira música que aparecesse na tela, e joguei de volta na bolsa, acenando para alguns dos empregados que subiam e desciam pela aquela mansão todo dia, coitados. Balancei a cabeça e segui meu caminho. Passei pela sala, quase vomitando ao encarar minha mãe se atracando com meu tio, ou melhor, padrasto, no sofá de casa e escondi o rosto, seguindo em frente.
- Ei, aonde a senhorita vai? – Ouvi sua voz nojenta antes mesmo de chegar à porta e bufei, virando o corpo.
- Para a escola, é claro. – Ergui os braços, mostrando o óbvio. – Bem, isso se eu conseguir chegar.
- Ok, boa aula, criança. – Ele falou e eu revirei os olhos, voltando meu corpo para frente, abrindo a porta de casa e batendo com força.
- Bom dia, gente! – Falei, para meu segurança e meu motorista, ambos de terno, que me esperavam do lado de fora de casa.
- Bom dia, senhorita. Está melhor? – Billy me perguntou, segurando minha mão e eu afirmei com a cabeça.
- Sim, já faz três meses, está na hora de voltar. – Falei e suspirei, passando a mão em meu rosto e imediatamente abraçando fortemente um dos meus melhores amigos naquela cidade.
- Calma, vai passar! – Ele falou, passando a mão em meus cabelos e eu respirei fundo. – O que não te mata, te fortalece. – Ele sussurrou para mim e eu afirmei com a cabeça, limpando meus olhos, relaxando os ombros.
- Aqui madame. – Steve estendeu uma pequena gérbera para mim e eu ri fraco. – Veja isso como um recado do seu pai.
- Ele ia gostar disso. – Falei e o abracei também, sentindo-o dar um beijo em minha testa.
- Vamos, ou vai se atrasar. – Billy falou, abrindo a porta do passageiro e eu entrei no carro, vendo a porta se fechar atrás de mim e logo Billy entrou ao lado de Steve, no banco do carona, e o carro começou a se movimentar.
Peguei a gérbera que Steve havia me dado e suspirei. Todas as manhãs meu pai me dava uma daquelas antes que eu fosse para a escola, ele sabia que eu não tinha muitos amigos e, com isso, eu me refiro a nenhum, e aquilo me dava algo para pensar ao longo do dia. Como de costume, eu coloquei-a na parte de fora da minha bolsa, deixando com que ela se prendesse na redinha da bolsa e coloquei a mesma em meu colo.
Eu não estava muito a fim de papo naquele dia, meu pai havia falecido no fim de junho, pouco antes das férias, mas como eu não precisava das provas finais, eu fui liberada, mas já havia passado um mês do começo das aulas e eu ainda não tinha voltado. Fazia os trabalhos e provas em casa, somente isso, era minha única diversão ao longo dos dias, mas se eu quisesse me formar no final do ano, eu teria que comparecer. Nem eu poderia pular algumas burocracias, o que fazia que eu me sentisse um pouco mais normal.
Andar por Bells era igual qualquer cidade pequena, a única diferença era que existiam prédios empresarias e fazendas aos montes, além do gado leiteiro, ainda tinha algumas plantações ao redor, de dois grandes amigos do meu pai, mas que mantinham a sede fora da cidade.
- Chegamos, senhorita . – Steve falou e eu suspirei, afirmando com a cabeça. – Estarei por aqui, ok? – Afirmei com a cabeça.
- Obrigada, Steve. – Agradeci e a porta se abriu ao meu lado me fazendo engolir em seco.
O lado ruim de Bells era que só tinha uma escola na cidade, a que eu estudava e ela era boa em excesso, então fazia com que algumas pessoas das cidades vizinhas fossem estudar lá, ou seja, era o momento em que a cidade estava mais cheia. Observei os alunos entrarem aos montes, usando o mesmo uniforme de calça ou saia em xadrez de vermelho e blusa branca, e alguns observavam o carro preto e blindado que parara na entrada, e fechei a cara por alguns segundos.
- O sinal vai tocar, senhorita. – Billy falou e eu o olhei, revirando os olhos. – Vamos, vamos! – Ele me estendeu a mão e eu a segurei, soltando uma risada, eles eram bons demais para eu ser rabugenta com eles.
Assim que eu saí do carro, parece que o tempo parou, eu odiava aquela sensação, todos já olhavam para mim com aquele jeito surpreso e cochichavam às minhas costas quando eu era somente a herdeira riquinha da maior indústria de leite dos Estados Unidos. Mas agora eles me olhavam dessa forma e ainda com pena, o que não me deixava mais feliz do que eu já não estava antes.
- Respire fundo e vamos lá! – Billy sussurrou para mim e eu afirmei com a cabeça, ajeitando a barra da minha saia, colocando a blusa para dentro na parte de trás e coloquei a mochila nas costas.
Assim que eu comecei a andar, Steve retirou o carro do embarque e desembarque da escola e Billy começou a me seguir como sempre, há dois metros de mim, sempre atento ao que estava acontecendo a minha volta. Eu achava meio desnecessário eles atrás de mim, mas eu cresci com eles por perto e não saberia viver sem eles, eu acho. Bem, muito menos agora, que meu pai havia sido morto. É! O médico pode falar o que quiser para mim e minha mãe, mas ele tinha só 42 anos, não tinha motivos para morrer, sempre foi saudável, fazia check-up e exercícios regularmente e morreu do nada, até parece que eu vou acreditar nisso.
Quase mostrei o dedo do meio para aquelas pessoas que me acompanhavam com o olhar, mas preferi agir como sempre, abaixar a cabeça e fingir que nada estava acontecendo. Assim que eu passei pelos portões da escola, as coisas ficaram melhores, a correria de um lado para outro era costumeira, então, com sorte, ninguém olharia para mim. Procurei a sala do último ano, vendo que não havia tido alterações depois das férias e torci para que não tivessem criado mapa de sala. Billy parou ao lado da porta e eu agradeci com a cabeça, mesmo já sabendo que todos estavam acostumados com isso, pelo menos quem estudava comigo desde os meus três anos, mas sempre surgia um novato aqui e ali.
Entrei na sala, vendo que algumas pessoas estavam lá dentro e a maioria tinha o rosto colado na mesa, provavelmente pela noite mal dormida. Observei que todo mundo estava jogado, aquela sala tinha um padrão, não necessariamente um mapa de sala, mas todo mundo sentava meio que no mesmo lugar todo dia, então fiz o mesmo, sentei na última carteira, da fileira contrária à porta, lugar estratégico para eu me esconder e para que Billy conseguisse me ver. Ao meu lado tinha um garoto dormindo e suspirei, abaixando a cabeça igual aos outros alunos.
Eu sempre chegava cedo na escola, antes era por preocupação mesmo, meu pai sempre foi pontual, mas agora era porque eu queria sair mais cedo de casa, ficar o mais longe possível. O sinal tocou quando eu realmente tiraria meu cochilo, mas logo me recompus, estendendo o corpo na cadeira e puxando meu caderno e meu estojo da mochila e o coloquei em cima da mesa, sentindo aqueles olhares em cima de mim novamente.
- Good morning, students! - Ouvi a professora de inglês falar ao entrar na sala, com diversas pastas nas mãos e colocou tudo na mesa. – Hoje vamos continuar com o assunto da semana passada, conjunção de verbos imperfeitos. – Ela falou sorrindo, com as mãos apoiadas em sua cintura e o pessoal logo reclamou. – Não, não! A maioria foi muito mal nessa prova, vamos dar uma repassada sim. – Seu olhar se encontrou com o meu e ela sorriu. – Bem-vinda novamente, senhorita ! – Ela sorriu para mim e todos os alunos que estavam acordados viraram o rosto para mim. – É bom tê-la de volta. – Afirmei com a cabeça. – Espero que esteja bem.
- Sim, está tudo certo. – Falei, mal conseguindo ouvir minha voz e ela sorriu.
- Vamos continuar.
Ok, aquilo havia começado do pior jeito possível. Não pretendia ter essa atenção toda, era quase como o primeiro dia de aula da vida, era horrível, mas a professora de inglês gostava de mim, ela foi amiga do meu pai desde sempre.
Ao longo da primeira aula, eu tentei focar na matéria, por mais que conseguisse me virar sozinha um pouco em casa, era bom dar uma revisada, apesar de que eu ficaria naquela cidade pelo resto da minha vida. Se dependesse da minha atual situação, não faria faculdade, nem conheceria o mundo, não estava muito empolgada para nada disso, meu futuro não tinha muita direção.

Quando o intervalo começou, fiz um sinal para Billy que ficaria ali dentro da sala e ele confirmou com a cabeça, permanecendo com os olhos focados em mim, eu não ligava mais, era o trabalho dele. Abri minha mochila e peguei minha maçã e a coloquei na boca, dando a primeira mordida na mesma.
- Ah! – Me assustei com uma voz ao meu lado e vi o garoto que dormiu na primeira aula inteira passar a mão no rosto e suspirar, abaixando a cabeça de novo, franzi a testa e virei meu rosto para frente novamente, voltando minha atenção a maçã e para alguns desenhos estranhos que eu fazia no espaço livre do meu caderno. - Não é muito fã de sair para o intervalo? – Olhei para o lado, notando que o assunto era comigo.
Definitivamente ele era velho demais para estar no último ano do ensino médio. Ele tinha barba e bigode meio ralo, o cabelo cor de mel meio cacheado e totalmente bagunçado, e incríveis olhos azuis. Dava para notar que ele era alto, só pelo jeito desajeitado que ele estava sentado na cadeira, suas pernas batiam na parte de baixo e seu corpo estava encostado mais na parede, do que no encosto em si.
- Desculpe? – Franzi a testa.
- Não gosta de sair para o intervalo?
- Não, prefiro ficar aqui. – Falei, dando um sorriso de lado e ele afirmou com a cabeça.
- Eu dormi o primeiro tempo inteiro? – Ele coçou os olhos novamente.
- Sim, dormiu. – Ele riu fraco, fazendo uma careta.
- Afinal, eu sou , pode me chamar . – Ele estendeu a mão e eu mudei a maçã de mão e segurei a dele, em um aperto firme de mão.
- Eu sou...
- Eu sei quem você é. – Ele sorriu e eu soltei sua mão, afirmando com a cabeça.
- É claro. – Abaixei a cabeça, suspirando.
- Mas eu, honestamente, não ligo. – Ele continuou e eu afirmei com a cabeça. – Só é um jeito mais rápido de saber o nome de uma menina bonita. – Ri fraco.
- Obrigada. – Sorri. – Você se importa se eu te perguntar algo? – Fiz uma careta, mordendo meu lábio inferior em seguida.
- Sim, eu sou um pouco velho para estar no terceiro ano. – Ele falou, lendo meus pensamentos e eu ri fraco.
- Desculpe. – Ele sorriu.
- Quando precisar. – Ele falou, dando uma piscadela para mim, quando o sinal tocou novamente, me fazendo engolir minha maçã rapidamente, ouvindo risadas ao meu lado.

- Parece que a aula não foi tão ruim. – Steve falou quando eu entrei no carro novamente após a aula.
- Não, foi tudo certo! – Afirmei com a cabeça, puxando o cinto de segurança.
- Eu vejo um sorriso? – Steve perguntou, olhando pelo retrovisor e eu ri fraco.
- Eu conheci alguém hoje. – Falei, dando um sorriso de leve.
- É, ela conheceu alguém hoje. – Billy brincou e eu revirei os olhos, suspirando.
- Pode contar, somos as únicas pessoas que você vai dividir isso mesmo. – Steve brincou e eu ri fraco.
- Bem, isso você tem razão. – Aproximei meu corpo por entre os bancos, apoiando os braços nos bancos da frente.
- Conte-me, então. – Steve falou, olhando para a rua.
- Parece que ele é aluno novo, eu nunca o vi, com certeza repetiu algumas vezes, mas, ao contrário de todo mundo, ele falou comigo, mesmo sabendo quem eu era. – Suspirei. – E ele realmente não se importou com isso.
- Foque nisso então, garota. Você precisa de um amigo. – Billy falou, olhando para mim e eu afirmei com a cabeça.
- É, quem sabe. – Encostei o corpo no encosto novamente e me aconcheguei para um dos lados, abrindo o vidro eletrônico e suspirei.
- Oi, te vejo amanhã? – Ouvi uma voz e olhei para a fora, notando o menino de quem eu estava falando, pedalando rapidamente de bicicleta, para que ele ficasse emparelhado com o carro.
- Claro! – Falei, sorrindo e ele acenou com a mão, perdendo a velocidade, e eu coloquei a cabeça para fora, olhando-o virar uma rua para a direita.
- É! Um amigo. – Billy falou irônico e eu o ouvi rir, junto com Steve e eu revirei os olhos.

- Vamos, eu preciso ir ao banheiro! – falou, se levantando ao meu lado.
- E você quer que eu faça o quê? Segure para você? – Perguntei e ele revirou os olhos.
- Vem logo! – Ele reclamou. – Vamos sair um pouco, você fica trancafiada dessa sala todos os dias.
- É assim que você age se todas as pessoas ficam te encarando. – Suspirei.
- E você se importa com isso? – Ele perguntou e eu mordi meu lábio inferior, suspirando.
- Não muito, mas ficar sozinha lá também é chato. – Falei e ele afirmou com a cabeça.
- Bem, agora você tem a mim para conversar, lanchar junto, quem sabe dividir um chocolate, porque até eu já enjoei dessa maçã que você come todo dia. – Ele falou me puxando pelo braço e eu quase caí da cadeira.
- Primeiro de tudo, eu não divido chocolate! – Falei, me levantando, e ajeitando a blusa novamente por dentro da saia xadrez do uniforme e ele revirou os olhos. – Segundo, isso pode causar dependência. – Falei e ele fingiu estar pensativo por um segundo, até que ele abriu um sorriso.
- Isso parece ser muito bom. – Ele passou o braço pelos meus ombros, andando em direção a porta da sala.
- Oi, Billy! – Ele cumprimentou meu segurança e eu revirei os olhos.
- Tirando ela da sala, ? – Ele afirmou com a cabeça, feliz.
- Coração é de gelo, mas ele derrete. – Ele piscou para Billy e eu tirei seu braço de meu ombro, andando pelos corredores da escola, com Billy nos escoltando.
Algo que eu notei logo de cara era o porquê de ele demorar bastante para fazer as coisas quando saía da sala. Todos o conheciam, ele cumprimentava todo mundo, acenava para metade dos alunos e a outra metade, que eram as meninas, ficavam babando por ele, era quase como um universitário, idade para isso ele tinha.
Pelo pouco tempo que eu e nos conhecíamos eu já sabia muito sobre ele, eu era do tipo que perguntava as coisas, já sabia do porque eu nunca ter trombado com ele antes, era porque ele tinha parado de estudar para ajudar em casa, havia voltado no meio do ano para conseguir um diploma, já que como ele era filho único, tentava ajudar ao máximo em casa. Mas eu ainda permanecia fechada, acho que falar sobre minha família era muito mais difícil do que todos eles já saberem pelas revistas e meios de comunicação, aquilo me envergonhava, o sobrenome Bells, sobrenome que deu nome à essa cidade, parecia não valer mais nada.
E o pior era ter a fama de riquinha mimada, que atualmente morava em uma mansão, mas que não conseguia viver lá e fazia questão de sair de casa, nem que fosse para ficar vagando pelas ruas da cidade, só vendo o tempo passar. No meu dito lar, tudo me lembrava meu pai e, ao olhar para minha mãe, a situação piorava milhares de vezes, ela diz que não, mas com certeza traiu meu pai até a morte, e agora age como se nada tivesse acontecido.
Me sentei em uma das mesas do pátio da escola e abri minha barra de chocolate, vendo chegar logo atrás e se sentar na mesa, apoiando os pés em um dos assentos livres, ainda acenando para algumas pessoas e cantando algumas meninas que passavam por ele, aquelas que cortavam quatro dedos de saia, só para chamar atenção.
- Como todo mundo te conhece? – Perguntei e coloquei um pedaço de chocolate na boca, talvez arrependida por ter feito essa pergunta.
- Eu saio de casa, sabia? Isso ajuda bastante. – Ele tirou minha barra de chocolate da mão e mordeu um pedaço.
- Ei! – Puxei de volta. – Não é só isso, que eu sei.
- Você não sabe de nada, nem vem! – Ele falou de novo antes de tentar pegar meu chocolate de novo e eu colocar meu braço como um escudo.
- Ai! – Ele reclamou, chacoalhando a mão.
- Eu tive aula de defesa pessoal por muitos anos, sabia? – Falei, tentando dar o sorriso mais fofo possível e ele revirou os olhos, descendo e se sentando ao meu lado, apoiando os cotovelos na mesa.
- Não, não sabia, porque você não me conta nada. – Ele falou, passando a mão nos cabelos, bagunçando o pouco dos cachos.
- Não é como se eu tivesse muito para contar. – Falei, dando de ombros e girei meu corpo na cadeira, ficando de costas e encostei minhas costas na mesa.
- Desculpe, mas eu acho que você está errada. – Ele falou, virando o corpo para mim e eu suspirei.
- Quem sabe outra hora. – Falei me levantando do banco e ele vindo em minha direção rapidamente, mas em seguida o sinal tocou.
- , por favor. – Ele falou, segurando minha mão. – Eu quero saber o que te machuca.
- A vida machuca, na maioria das vezes. – Falei, puxando minha mão e vendo Billy balançar com a cabeça em minha direção e eu o ignorei, voltando novamente para a sala.

- Senhorita ? – Ouvi alguém bater na porta do quarto e, só pelo chamado, não era minha mãe ou meu padrasto, deslizei para fora da minha cama de casal e girei a chave, abrindo a porta, vendo Billy parado na mesma.
- Ei, Billy, está tudo certo? – Perguntei, estendendo a mão, convidando-o a entrar, e ele o fez, fazendo que eu fechasse e trancasse a porta novamente.
- Sim, claro! – Ele falou, mantendo a postura. – Podemos conversar rapidamente?
- Claro! O que foi? – Perguntei, sentando novamente na beirada da cama.
- Aquele menino da sua escola. – Ele falou e eu fechei os olhos, suspirando.
- Eu não quero falar disso agora, Billy.
- Eu sei, mas como você está sem uma presença materna ultimamente, eu vou falar mesmo assim. – Soltei uma risada fraca e ele se sentou ao meu lado.
- Me deixa adivinhar, você investigou a vida dele? – Ele riu.
- Também, mas não é isso. – Ele riu fraco. – Você precisa deixá-lo entrar, . Não só ele, como as outras pessoas. É a primeira pessoa que se importa contigo, faz mais de um mês que vocês conversam todos os dias, ele tenta entrar, mas você forma essa bolha a sua volta. – Suspirei e ele me abraçou pelos ombros. – Eu sei que é uma dor horrível você perder a pessoa que mais te amava no mundo e ainda viver o que você vive dentro de casa e ver as ações da empresa que seu pai construiu desmoronar, mas talvez, só talvez, se você deixar alguém entrar, essa dor comece a sarar. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- Eu tenho vocês. – Falei, suspirando.
- Eu sei, mas você não pode viver como a Cinderela pelo resto da sua vida, conversando com a criadagem, fazendo dos ratinhos os seus amigos. – Ele riu fraco. – Nós te amamos, . Nós faremos tudo o que for possível para fazer com que você se cure disso, mas você precisa de um príncipe encantado. – Ri fraco.
- Você realmente acha? – Ele deu de ombros, se levantando da minha cama.
- Eu sou a pessoa que pode contar sua história inteira em terceira pessoa, . Eu só digo o que vi. – Entortei a boca e ele sorriu.
- Obrigada, Bill! – Falei e ele afirmou com a cabeça, destrancando a porta e abrindo a mesma.
- Quando precisar. – Ele sorriu. – Ah, afinal, tirando diversas namoradas e milhares de bicos aqui e ali, ele é mais limpo que água mineral. – Ele falou e eu suspirei, deixando um sorriso involuntário escapar de meus lábios.

- Você não quer comer, querida? – Abaixei o livro e olhei para minha mãe parada na porta que dava para o quintal.
- Eu estou bem. – Falei e olhei novamente para meu livro de história, tentando decorar um pouco sobre a revolução americana.
- Maria fez o bolo que você gosta. – Ela falou, se aproximando o banco que eu estava.
- Eu tenho que estudar. – Suspirei, tentando ignora-la.
- Eu posso trazer para você. – Ela falou.
- Não, obrigada! – Fechei os olhos, sentindo a cabeça começar a doer.
- Por favor, não me trate assim. – Virei o rosto, vendo minha mãe, sem nem ter chegado aos quarenta ainda, com os olhos levemente pressionados devido à luz.
- Eu estou te tratando do jeito que você gosta de ser tratada. – Falei, dando um largo sorriso e ela suspirou, dando meia volta e voltando para dentro da casa.
- Parece que as coisas não estão fáceis. – Ouvi a voz do piscineiro que limpava a mesma e afirmei com a cabeça.
- Pois é, Bernie! – Falei, bufando em seguida. – Desculpe, mas eu não consigo mais olhar para ela sem sentir nojo.
- Eu entendo, senhorita. Mas quem sabe se você der uma chance. – Afirmei com a cabeça e suspirei.
- É a segunda pessoa que me diz isso, sobre pessoas diferentes. – Ele riu fraco.
- Duvido que seja coincidência. – Afirmei com a cabeça e ele riu.
- E o jardim? – Perguntei. – Está muito alto, largado.
- No fim da semana virá uma pessoa para cuidar disso, refazer o jardim do seu pai. – Afirmei com a cabeça e me levantei.
- Eu vou lá para dentro, Bernie, parece que é o único lugar o qual eu realmente posso me esconder.
- Vai lá, senhorita, bons estudos.
- Obrigada! Tenha um bom dia! – Falei, fechando meu livro e acenando para ele.

- Qual é mana, você precisa relaxar um pouco! – Meu irmão falou, após colocar o copo de cerveja vazio na mesa.
- Você diz isso porque não mora mais naquela casa. – Cocei a cabeça e ele sorriu.
- Me quer de volta? – Ele perguntou sorrindo.
- Talvez minha vida fosse menos chata. – Dei de ombros e ele pegou o copo de suco que o garçom lhe entregou. – Mas você precisa terminar essa faculdade, alguém precisa aproveitar enquanto dá para pagar uma faculdade.
- A coisa está feia? – Afirmei com a cabeça.
- Está indo por água abaixo. – Suspirei. – Aquele cara é um idiota, você precisa controlar isso, logo.
- Isso eu concordo! – Ele falou. – Sobre ele ser um idiota, ele sempre fazia escândalo nas reuniões do conselho, mas eu não sei se eu daria certo naquela empresa, isso não é para mim.
- Mas, por favor, não suma! – Segurei sua mão em cima da mesa e ele sorriu. – Suas vindas aos feriados são a melhor coisa na minha vida.
- Eu nunca vou te abandonar irmãzinha! – Ele sorriu. – Afinal, as férias estão chegando, eu ficarei aqui contigo.
- Obrigada! – Sorri. – Vai ser bom te ter aqui para me fazer companhia!
- Agora, me diga sobre a mamãe. – Balancei a cabeça.
- Se quiser saber como ela está, é só ir em casa, provavelmente estará pegando aquele idiota no sofá.
- Ela só está aproveitando enquanto ela é jovem, teve dois filhos muito jovens, precisa aproveitar. – Revirei os olhos.
- Só não vou brigar por isso porque é a gente. Mas se não, até nisso ela não está merecendo.
- Ok, a coisa está realmente feia. – Ele suspirou, passando a mão nos cabelos claros, iguais os meus e de papai.
- Vai lá para casa, vamos ver quanto você consegue aguentar, se eu já me acho pavio curto, imagina você.
- Ah, que isso, mana, você está me subestimando. Vou adorar bater um papinho com nosso padrasto, ou melhor, tio. – Ri fraco.
- E eu vou adorar ver. – Ergui o copo de suco e ele o de cerveja vazio e brindamos.

Franzi a testa, virando meu corpo na cama e tentei manter os olhos fechados, eu não queria acordar, dava para sentir que era cedo ainda, nem Keith deveria ter acordado ainda. Bem, era capaz de ele nem ter ido dormir ainda e deveria estar bebendo no quarto, enquanto jogava videogame, mas ainda assim, estava tão bom embaixo daquelas cobertas.
Puxei a coberta até a cabeça e mesmo assim o barulho não foi embora. Que saco! Quem estaria fazendo barulho tão cedo em uma sexta-feira de feriado? Eu precisava dormir, havia ficado conversando com Keith até tarde no dia anterior, naquele bar que ele gosta. Aquela música explodia em meus ouvidos e minha cabeça doía até agora. Virei o corpo novamente e suspirei, aquilo estava muito alto, capaz de estar dentro de casa.
Estava dentro de casa, deveria ser o jardineiro que veio dar um jeito no jardim, mas estava cedo e ainda o jardim dava para a janela gigante do corredor em frente ao meu quarto. Poderiam só ter me informado, assim eu não ficaria no bar e dormiria mais cedo, que droga!
- Ah! – Joguei o cobertor para o lado e me levantei da cama, firmando os pés no chão antes de me levantar.
Senti minha cabeça pesar um pouco, eu estava realmente cansada. Dei a volta na cama, me aproximando da porta e eu destranquei a mesma, desvirando a chave duas vezes. Puxei a porta com força e me ceguei por alguns segundos com o sol que entrava pela mesma, me arrependendo de fazer aquilo.
Passei a mão nos olhos por um tempo, fazendo com que a minha visão parasse de ficar escura e olhei para a grande janela de vidro e saí do quarto, puxando a porta em seguida e me aproximei da mesma, olhando duas pessoas trabalharem no jardim, Uma cortava a grama, o motivo do barulho e outro mexia no jardim.
Dei algumas batidas nas janelas, tentando chamar a atenção deles e quando quem cortava a grama se virou para a janela novamente, eu tive que sorrir. usava uma bermuda e uma blusa regata branca e ergueu a mão para mim, deixando aparecer um largo sorriso em seu rosto, eu só não conseguia ver seus olhos, pois estavam cobertos pelos óculos escuros.
Com as mãos, eu tentei perguntar o que ele fazia ali e ele só sorriu, apontando para o cortador de grama e eu afirmei com a cabeça, finalmente me tocando que estava de pijama e ele era curto, arregalei os olhos e em um sinal rápido, fiz para que ele esperasse, e saí correndo desesperada novamente para dentro do meu quarto, encostando na porta e soltando uma risada sozinha.

Puxei meu pijama para cima e corri para meu closet, atrás de alguma roupa melhor. Acabei optando por um short jeans e uma camiseta regata, o quarto estava gelado, mas lá fora estava abafado, afinal, estávamos no Texas, o tempo sempre estava quente, e não chovia há um bom tempo. Fui em direção ao banheiro, quase tropeçando no meu sapato da noite anterior e apoiei na pia do banheiro, pegando minha escova de dente e a pasta e escovando-o rapidamente, enquanto eu deslizava os pés pelo chão do banheiro.
Passei a toalha na boca e calcei meus tênis que estavam na beirada da cama. Desliguei o ar condicionado e me aproximei da janela do quarto, abrindo as grandes cortinas, deixando a claridade entrar, olhei para a rua por um momento e suspirei, acenando para Billy que fazia guarda do lado de fora naquela manhã, ele sorriu e acenou também. Virei o corpo para trás e corri em direção a porta, abrindo a mesma e fechando, trancando-a em seguida. O porquê, você pergunta, é que eu não gostava de ninguém fuçando em meu quarto.
- Bom dia, ! – Ouvi a voz do meu padrasto, com seu terno convencional, saindo do quarto e eu acenei de volta.
- Bom dia, tio! – Dei um sorriso de lado e desci as escadas correndo, quase tropeçando em alguns degraus e abri as portas que davam para o quintal, sentindo o sol bater em meu rosto.
Olhei para frente e vi , que ainda passava o cortador de grama por toda a extensão do quintal, estando embaixo de alguns árvores que ficavam atrás da piscina. Desviei dos montes de grama cortados que estavam dispostos em volta da piscina e pulei algumas, pisando na parte concretada da piscina e andei em direção a que agora havia desligado o cortador de grama e estava apoiado no mesmo, me acompanhando com o olhar.
- O que você está fazendo aqui? – Foi a primeira coisa que eu perguntei e ele riu fraco.
- Bom dia, para você também! – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- Bom dia! – Ri fraco, cruzando os braços em cima do peito. – O que faz aqui?
- Cortando grama, o que parece? – Ele perguntou e eu revirei os olhos, rindo fraco.
- Mas por quê? Você deveria estar aproveitando o seu feriado.
- Lembra que eu disse que era um faz-tudo? – Franzi a testa. – Ok, eu não me lembro de ter disso isso.
- É, mas eu descobri isso! – Ele riu fraco, coçando a cabeça.
- Como? – Ele franziu a testa e eu sorri. - Enfim, eu faço isso, porque eu preciso do dinheiro. – Ele deu de ombros e eu afirmei com a cabeça.
- E depois você diz que eu não conto as coisas da minha vida. – Dei de ombros e ele sorriu.
- Quem sabe a gente não coloca as cartas na mesa algum dia.
- Talvez, acho que eu conheço um pouco de tarô. – Falei, dando de ombros e ele riu.
- Bem, você sabe um pouco de tudo.
- Dessa fez foi brincadeira, não acredito nessas coisas! – Ele gargalhou, abrindo um sorriso em seguida.
- Topa um sorvete, quando eu terminar aqui? – Afirmei com a cabeça, dando um sorriso de lado.
- Claro! - Sorri. - Podemos ir de bicicleta.
- Seus seguranças andam de bicicleta? – RI fraco.
- Eles andam até de paraquedas se for necessário. – Dei de ombros e virei o corpo para o jardim.
- Quem é aquele? – Perguntei, apontando para o outro garoto jovem que estava cuidando das flores.
- Meu primo, moramos juntos. – Afirmei com a cabeça.
- Isso seria um papo para outra hora também? – Perguntei, dando alguns passos para trás.
- Acho que é melhor. – Ele afirmou com a cabeça e eu sorri.
- Me chame quando terminar, então. – Ele afirmou com a cabeça e eu virei o corpo, voltando para a porta do quintal.

- Eu não sabia que você andava de bicicleta! – Ele falou, cortando a minha frente, enquanto eu pedalava.
- Por quê? – Franzi a testa, olhando para ele.
- Bem, eu conheci sua casa, e dá para imaginar que...
- Eu sou uma menininha mimada e blá, blá, blá. – Revirei os olhos e ele riu fraco.
- Talvez. – Ele emparelhou ao meu lado.
- Acredite, nada é o que parece naquela casa. – Falei, suspirando, desacelerando a velocidade na ladeira.
- Vai vir com aquele papo que nada é feliz ali dentro? – Ele virou para mim.
- Vamos dizer que desde que meu pai morreu, os momentos mais felizes dentro daquela casa são quando eu estou sozinha em meu quarto ou conversando com qualquer um dos empregados. É como se eu não tivesse pais mais. – Ele olhou para mim por um tempo e virou forte a bicicleta quase caindo. – Não precisa ficar com pena de mim, até o presidente dos Estados Unidos tem pena de mim, então já tem gente o suficiente fazendo isso.
- Eu não tenho pena de você. – Ele deu um sorriso de lado. – A vida é uma merda e temos que lidar com isso. – Afirmei com a cabeça e joguei uma perna para fora da bicicleta, esperando ela desacelerar, antes de parar e prender ela no ferro que tinha na frente da sorveteria.
- Bem, você acabou de ganhar mais um ponto comigo! – Falei, ajeitando minha mochila nas costas.
- Estamos contando pontos? Porque ninguém me disse? – Ri fraco e ele abriu a porta da sorveteria para mim, deixando Billy para fora. – Vamos lá, menos um por comer maçã. Bem, se contar que estamos no fim do semestre, isso dá menos muitos pontos.
- Ai! – Falei brincando e eu olhei para um canto, onde cumprimentava algumas pessoas e eu me sentei no banco da lateral, vendo-o voltar.
- Você precisa ser mais sociável. – Ele falou, quando sentou em minha frente.
- Enquanto as pessoas ficarem me olhando com essa cara, eu estou bem.
- Por que você acha isso?
- Bem, esse povo que você foi cumprimentar me olha assim há muitos anos, bem antes de eu te conhecer também. – Suspirei, pegando o cardápio em cima da mesa. – Eu não sou do tipo que vai lá e cumprimenta e quando a primeira chamada foi feita, tudo mudou. – Dei de ombros.
- Tirando eu, você não conversou com ninguém pelos últimos 14 anos de escola?
- Conversei, mas quando notava que as pessoas queriam mais o que eu tinha do que a minha companhia, eu comecei a selecionar. – Dei um sorriso. – Um milk-shake de morango, por favor. – Falei.
- O mesmo. – Ele falou. – E você selecionou que ninguém era interessante para ser amiga da grande Bells?
- Engraçadinho! – Revirei os olhos. – Eu só parei de me importar. – Ele afirmou com a cabeça.
- Você vai me contar agora sobre você?
- Um passo de cada vez, eu já disse sobre minha solidão, agora me conte porque mora na sua tia.
- Oi, , . – Um garoto da escola surgiu ao lado. – Podemos sentar com você? – Ele apontou para mais um garoto e uma garota chegando ao longe.
- Claro, senta aí. – Ele falou, se arrastando para o lado. – Se deixe entrar. – Ele sussurrou quando eu fiz o mesmo.
- Você está me devendo algumas respostas. – Rosnei para ele.
- Tudo bem, você também! – Ele deu de ombros. – Bem, vamos começar aqui, Riley, John e Brandon! – apresentou.
- Oi. – Eu e as outras pessoas falamos junto.

- Alunos, sentem-se, por favor! – A professora de química falou entrando no laboratório e eu desci da bancada, como algumas pessoas e sentei entre Riley e .
- Tá, depois a gente combina! – Falei para Riley e ela afirmou com a cabeça.
- Bem, antes de começarmos a botar fogo no laboratório, eu tenho um recado da coordenação. – Ela falou, colocando seu material na mesa.
- Eu não fiz nada dessa vez. – falou e eu ri, lembrando-me da vez que realmente quase botou fogo na aula de química.
- Não, não, dessa vez é outra coisa. – Ela abanou a mão rindo. – Como está chegando a formatura de vocês, não vamos nos esquecer do baile de formatura que acontecerá uma semana antes da colação. – Assim que ela falou, várias pessoas começaram a falar junto com ela e eu franzi a testa, não gostando de onde isso daria. – E é de praxe que vocês levem um par, da sala, da escola, de fora, não importa, tem que vir alguém junto, pode ser amigo, namorado, só tragam pessoas que vocês querem bem. – Bom, até que não foi tão ruim, dei de ombros rindo. – Os ingressos começarão a ser vendidos amanhã, pelo comitê de formatura, no pátio. - Dei um sorriso de lado e balancei a cabeça. – Voltando para a aula, peguem seus kits e juntem com seus parceiros.
As pessoas saíram correndo para o armário pegar o kit que tinha lá e eu fiz o mesmo e me sentei na ponta da bancada, como eu havia chego um mês atrasado, eu fazia par comigo mesma, então toda aula de química era a mesma coisa, eu fazia o que tinha que fazer, deixava o elemento azul, rosa, amarelo, ou o que precisasse, e terminava, esperando as outras duplas fazerem suas gracinhas.
- Ei! – Me assustei com atrás de mim e quase derrubei um dos ácidos em minha mão.
- Jesus! – Franzi a testa, olhando para ele. – Não faça isso!
- Desculpe! – Ele foi à frente da bancada, apoiando os braços.
- O que você quer? – Perguntei. – John não está precisando de ajuda?
- Acho melhor eu não tocar em nada, até o fim do semestre. – Ele ergueu as mãos e eu afirmei.
- Abaixa esses óculos. – Falei e ele afirmou com a cabeça, quando eu coloquei o ácido no vidro e o líquido borbulhou bastante, mas não subiu no frasco. – O que você quer?
- Vamos ao baile? – Franzi a testa e olhei para ele.
- Oh não, eu realmente prefiro ficar em casa fazendo maratona de Friends. – Falei e ele revirou os olhos.
- Não, qual é! Eu e você, vai ser legal! – Entortei a boca.
- Não, , por favor.
- Ah, qual é, alguém que sabe falar até latim, deve ter tido aulas de danças. – Ele se mexeu de maneira engraçada na minha frente e eu ri.
- Não sei falar latim, mas sim, tive aulas de danças. – Olhei para ele, o vendo abrir um sorriso e arquear as sobrancelhas, sugestivamente.
- Te pego, então? – Ele abriu um sorriso. – Você vai gostar, eu venho bem vestido.
- As outras garotas não querem que você as convide? Acredite, talvez seja mais interessante.
- É, até querem, mas eu quero a minha garota nessa noite, quem sabe role uma maratona de Friends depois? – Ele sorriu e eu afirmei com a cabeça.
- Ok, mas eu te pego. – Falei e ele arqueou as sobrancelhas. – Não vou colocar um vestido e ir de bicicleta no baile. – Ele soltou uma risada, movimentando os ombros.
- Okay, mas aposto que seria mais engraçado chegar de bicicleta. – Revirei os olhos.
- Cai fora daqui antes que você exploda meu experimento. – Falei e ele mostrou a língua.

Olhei meu reflexo no espelho e fiquei incrivelmente feliz com o que vi. A saia vermelha com alguns detalhes de pedras e o top da mesma forma estavam maravilhosos. Eu estava me sentindo poderosa, bonita, especial! Para não chamar muita atenção, eu pedi para uma das cozinheiras fazer meu cabelo e maquiagem. Ela era muito boa nisso, e eu havia realmente gostado do resultado. Fazia muito tempo que eu não me vestia assim, afinal, desde o que houve em junho desse ano, eu havia parado de frequentar lugares que demandasse me vestir bem e não era do tipo que me maquiava para ir à escola ou para tomar um simples sorvete, mas quando eu o fazia, eu realmente gostava do que eu via.
Puxei o top para baixo, ajeitando-o novamente e dei alguns pulinhos, ouvindo os saltos baterem no chão, realmente feliz por algumas coisas estarem melhorando. Ouvi algumas batidas na porta e dei uma volta na frente do espelho e segui para a porta do quarto, destravando a mesma e olhei para minha mãe parada na porta do quarto.
- O que você quer? – Perguntei, inconscientemente bufando para ela.
- Você pode, por favor, me dar dez minutos como a sua mãe? – Ela perguntou e eu dei espaço para ela entrar no meu quarto, trancando a porta e virando o corpo para ela.
- Fala!
- Eu sei que você sente raiva, dor, tristeza, um turbilhão de sentimentos sobre mim, mas eu quero que você saiba que nem tudo é o que parece. – Ela falou, cruzando os braços por cima do peito.
- Você não sabe de nada. – Falei.
- Sim, eu sei. – Ela falou, soltando os braços. – Eu sei o que é perder alguém que você ama, eu sei o que é se sentir inútil, se sentir impotente. Sei como é se sentir tudo isso, mas por favor, me trate bem, eu posso explicar.
- Então explique, porque está transando com meu tio? Por que você está deixando todo o legado do papai morrer? Por que você está abandonando seus filhos? – Gritei todas as palavras para ela, mas ela correu colocar a mão na minha boca.
- Aqui não é seguro, . – Ela sussurrou, me fazendo franzir a testa. – Eu sou observada 24 horas por dia, eu sei que você tem muitas perguntas, mas, por favor, seja compreensiva, eu prometo que um dia você entenderá tudo.
- Lana! – Ouvi a voz do meu tio e minha mãe arregalou os olhos.
- Aja normalmente! – Ela sussurrou e ouvi algumas porradas na minha porta.
- Lana, você está aqui?
- Um minuto! – Minha mãe gritou de volta, correndo até a porta e abrindo a mesma. – O que você quer? – Ela falou para meu tio.
- O que você está fazendo aqui?
- Eu estou ajudando minha filha a se arrumar para seu baile de formatura. – Ela falou.
- Contra minha vontade! – Falei, empurrando os dois para fora, ficando parada na porta.
- Você está bonita! – Ele falou e eu assenti com a cabeça.
- Eu sei! – Respondi e minha mãe se colocou atrás dele.
- Senhorita, ? – Billy apareceu. – O carro está pronto.
- Divirta-se! – Minha mãe falou e eu assenti com a cabeça, querendo dar um sorriso de lado.
Ignorando as três pessoas presentes no corredor em frente ao meu quarto, eu passei a mão na chave e virei de volta para fora, puxando a mesma e trancando a porta, girando a chave duas vezes e conferi se a mesma havia sido fechada.
- Até mais! – Falei para os responsáveis adultos e vi Billy acenar com a cabeça.
- Não chegue tarde! – Meu tio falou e eu franzi a testa, seguindo atrás de Billy.
- Tire muitas fotos, querida! – Minha mãe gritou e eu só conseguia pensar no que ela havia dito e na dor de cabeça que aquilo me daria.
- Deveria perguntar o que houve? – Billy falou, se colocando ao meu lado, enquanto descíamos as escadas.
- Vamos dizer que quando eu entender, eu te falo. – Cocei a cabeça e ele acenou com a cabeça.

- Você está linda! – falou assim que abriu a porta da construção de dois andares do outro lado da cidade, enquanto eu saía do carro.
- Você também. – Ele colocou as mãos no paletó preto, mostrando o conjunto preto, a camisa branca sem gravata, e dei uma volta, sorrindo. – Metido!
- Como você está? – Ele perguntou, dando alguns passos em minha direção, colocando as mãos no bolso.
- Bem, muito bem! – Senti um arrepio quando seus lábios tocaram minha bochecha e eu sorri. – Você?
- Tudo certo! – Ele deu um sorriso, fazendo com que suas covinhas ficassem a mostra.
- Ah, meu Deus! Venha, venha, precisamos de algumas fotos! – Ouvi um grito vindo da porta e em seguida uma mulher loira e baixinha, com uma câmera fotográfica na mão veio correndo até nós.
- Não, tia para com isso! – respondeu para a mulher que o ignorou totalmente, nos colocando lado a lado e eu ri fraco.
- Para de ser chato, , vamos, só uma foto! – Ela puxou meu braço, me colocando ao lado de , de frente para a rua e eu sorri, sentindo colocar a mão em minha cintura.
- Desculpe por isso. – Ri fraco.
- Não se preocupe! – Respondi e dei mais um sorriso para o flash.
- Está maravilhoso. – A tia dele falou, abaixando a câmera e sorrindo para nós. – É um prazer conhecê-la, senhorita Bells!
- Ah, por favor, não me chame assim, está bom!
- será, então! – Ela sorriu. – Você sempre será bem-vinda. Qualquer coisa que precisar, pode falar comigo.
- Obrigada! – Agradeci, ainda sentindo a mão de em minha cintura.
- Vão logo, vão se divertir! – Soltei uma risada fraca e afirmei com a cabeça, seguindo em frente, vendo um sorriso estranho nos lábios de Billy.
- Não se atreva! – Cochichei para ele, antes de entrar no carro, ajeitando minha saia.
- E aí, Billy! – cumprimentou meu segurança e entrou ao meu lado.
- Vamos, então! – Billy falou, fechando a porta e eu passei a mão na testa suspirando.
- Desculpa por aquilo. – falou.
- Oi? – Virei o rosto para ele, abaixando minha mão.
- Minha tia... Ela pode ser um pouco animada demais. – Ri fraco. – Em que mundo você está?
- Desculpa, eu e minha mãe tivemos uma conversa um tanto quanto confusa antes de eu sair de casa.
- Está tudo bem?
- Por favor, você me trouxe ao baile para me divertir e esquecer meus problemas!
- Você está certa! – Ele afirmou a cabeça e sorriu.

- Isso é incrível, Riley, meus parabéns! – Coloquei meu copo de ponche na mesa e abracei a menina de roxo. – Meu pai fez UCLA, sempre dizia que era uma ótima faculdade.
- Eu estou empolgada! Minha mãe comprou uma passagem para o próximo fim de semana já. – Riley falou sorrindo.
- Você vai se dar bem! – falou, sorrindo.
- E você, Brandon, vai junto? – Virei para ele que abraçou a namorada.
- Vou! Só não vou para UCLA, meu lugar não é nesses lugares educacionais não. – O grupo riu.
- Eu decidi ir para Washington mesmo, acho que é o melhor lugar para mim agora. – John falou, afirmando com a cabeça,
- Você pode ir para o espaço, se quiser. Passou em umas duzentas faculdades. – falou rindo.
- Ele está certo. – Concordei com ele. - Eu vou sentir falta de vocês. – Suspirei, abrindo um sorriso de lado. – Foi bom ter alguma coisa diferente nesses últimos meses.
- Não é porque estaremos longe que estaremos distante, qualquer coisa que vocês precisarem, nós corremos para aqui. – John falou sorrindo.
- paga! – Brandon falou e eu soltei uma risada fraca, afirmando com a cabeça.
- Ok, eu concordo. Acho justo, na verdade. – Ri fraco.
- E vocês dois, o que farão? – Riley perguntou e eu dei de ombros.
- Eu preciso juntar algum dinheiro, não sei, abrir uma oficina em algum lugar, sei lá. Não sou da faculdade também.
- E você, ?
- Em uma parte eu tenho que proteger o legado da minha família, mas do outro, eu tenho um padrasto possessivo para lidar. – Dei de ombros. – Quando eu conseguir lidar com isso, eu te dou uma resposta.
- Combinado! – Riley afirmou com a cabeça, me abraçando de lado.
- Ei, John. – Uma menina baixinha de óculos chamou nossa atenção.
- Oi, Mary.
- Você quer dançar?
- Claro! – Ele falou e todos nós soltamos uma risada, fazendo positivo para ele.
- Acho que devemos também! – Brandon puxou a mão de Riley e foram para o meio da pista.
- Você não vai fugir dessa! – falou, colocando o copo na mesa e segurando minhas mãos.
- , não, por favor.
- Você disse que sabe dançar. Prove! – Soltei uma risada.
- Você está me desafiando? – Perguntei e ele afirmou com a cabeça.

- Sabe, , você é uma garota intrigante! – começou, movimentando as mãos em meu quadril e eu revirei os olhos.
- Psicólogos diriam que eu sou problemática mesmo.
- Já falaram isso para mim! – falou e eu franzi a testa.
- Por quê?
- Viemos aqui para se divertir, certo? Problemas depois! – Ele falou e eu ri fraco, afirmando com a cabeça.
- Me promete que vai contar sobre isso algum dia?
- Eu te conto, no mesmo momento que você me contar. – Afirmei com a cabeça.
- Sim, eu acho que preciso conversar com alguém.
- Assim que possível, façamos isso! – Ele falou.
Passei meus braços pelos seus ombros, encostando minha cabeça em meus braços e suspirei, sentindo-o movimentar meu corpo devagar, ao som de alguma música atual, que eu não havia me dado ao trabalho de adicionar à minha playlist.
- Eu gosto de você, sabia?! – Por um momento pensei que estava ouvindo alguma coisa distante, mas não, aquilo vinha bem próximo a minha orelha, o que fez que eu erguesse a cabeça. – Eu gosto de você, posso repetir se for necessário.
- Eu gostaria disso! – Foi o que eu consegui responder e ele riu fraco, abaixando a cabeça.
- Eu gosto de você, problemática Bells. – Abri um sorriso largo, sentindo uma risada fraca sair de meus lábios.
- Eu gosto de você também, igualmente problemático .
- Não igualmente, mas pode ser! – Ele falou e eu abri um largo sorriso.
- Posso te beijar? – Ele perguntou e por um momento eu fiquei reação, só me toquei que havia movimentado a cabeça assentindo, quando ele tirou as mãos da minha cintura e as subiu para meu pescoço.
Fechei os olhos, sentindo minhas mãos caírem na lateral do seu corpo e suspirei quando senti seu nariz encostar-se ao meu e sua respiração bater em meu rosto. Encostei minhas mãos na lateral do meu corpo e senti seus lábios tocarem os meus gentilmente, fazendo com que eu apertasse minhas mãos ao redor de seu corpo e suspirei novamente, com um sorriso guardado internamente. Enquanto seus lábios eram passados delicadamente nos meus e sua língua pedia permissão aos poucos para entrar em minha boca, suas mãos seguravam minha nuca de forma delicada, mantendo meu corpo ereto em frente ao seu.
- Aê! – Ouvi um grito próximo ao meu ouvido e me afastei de , vendo três pessoas mexerem com a gente e darem voltas ao nosso redor.
- Finalmente! – Uma voz feminina veio atrás de mim e eu ri fraco, olhando para por alguns segundos que tinha um largo sorriso no rosto e abaixei o rosto, encostando a cabeça em seu ombro.
- Caiam fora! – Ouvi a voz de e soltei uma risada abafada.


Capítulo 2

- Anna, você pode, por favor, xerocar dez cópias de cada um desses arquivos para mim? – Dei dois toques na pilha de documentos na minha frente e coloquei o telefone na orelha, ouvindo-o tocar e vi Anna bufar, revirando os olhos em seguida.
- Sabia que eu sou estagiária do seu padrasto e não sua? – A ruiva de óculos respondeu e eu olhei para meu irmão na outra mesa que mantinha a atenção em nós duas, com um sorriso no rosto.
- Você é estagiária da administração, isso quer dizer...
- Eu não vou fazer isso. – Ela respondeu e eu abaixei o telefone, já que ninguém do outro lado da linha atendeu.
- Ok. – Dei de ombros, me levantando e pegando a pilha de arquivos na mesa e caminhando pela sala, até me aproximar dela. – Mas sabia que eu posso te demitir, só por ter o sobrenome da empresa? – Falei com um sorriso foto no rosto, dando de ombros.
- Até parece. – Ela rosnou e eu ri.
- Bem, isso é o que está escrito no manual de comportamento da Empresa Leiteira Bells, não sou eu quem estou dizendo. – Movimentei os ombros. – Enfim, foi bom te conhecer! – Falei, voltando a andar.
- Eu faço! – Ela falou, se levantando rapidamente.
- Ah, mesmo? – Olhei para ela que apareceu ao meu lado em dois segundos. – Você é tão prestativa, obrigada! – Ela tirou os arquivos da minha mão com força e saiu da sala quase correndo.
- Como você é má! – Ouvi a voz do meu irmão atrás de mim e eu virei meu rosto, dando uma risada. – Se ela procurar, você está ferrada. – Ele falou passando a mão nos cabelos loiros.
- Como se nosso querido padrasto fosse se importar com intrigas que causamos, ele causa várias. – Keith afirmou com a cabeça, rindo fraco. – E outra, o manual de comportamento tem quase 300 páginas, ela não vai procurar. – Virei meu corpo para a mesa novamente e me debrucei sobre a mesa para desligar a tela do meu monitor. – Almoço?
- Eu tenho outros planos. – Ele respondeu, se levantando da mesa, colocando os óculos escuros.
- Planos? A gente tem uma hora de almoço. – Respondi, caminhando com ele ao meu lado pelos corredores da empresa.
- Não é porque eu fui obrigado a trabalhar nas minhas férias, que eu farei só isso. – Balancei minha cabeça e ele riu. – Vai encontrar o ?
- Talvez, apesar de que essa é a hora em que ele mais trabalha.
- Claro! Todo mundo aproveita que está almoçando! – Ele riu fraco e entramos no elevador, vendo mais algumas pessoas entrarem conosco e Keith apertou o botão do térreo.
- Quando você volta para as aulas? – Perguntei, virando o rosto para ele.
- Em duas longas semanas! – Ele falou, fazendo uma cara de sofrimento.
- Ei, nem vem, enquanto isso você me faz companhia! – Falei e ele sorriu, me abraçando de lado.
- Ah , qual é, as coisas estão melhorando. – Franzi a testa e suspirei.
- Bem... – Parei de falar, vendo a porta do elevador se abrir e as pessoas saírem para os diversos lados e eu e Keith também. – Agora que Daniel viaja cinco dias da semana, está bem sim, mas daqui a pouco ele volta.
- É, isso é! – Ele suspirou e atravessamos a rua, onde o carro dele estava estacionado.
- Pelo menos eu e a mamãe estamos conversando mais. – Falei, dando a volta no carro e entrando no banco do carona.
- Qual é a dela, hein?! – Keith perguntou e eu suspirei.
- Eu não sei! – Bufei. – Ela continua com aquele papo que está sendo vigiada e vai explicar em breve.
- Bem, faz dois meses que ela está nessa. - Afirmei com a cabeça. - Espero que o ‘em breve’ chegue um dia. – Ele comentou baixo, ligando o carro.

- Isso está muito bom, sabia? – Falei, com comida ainda na boca.
- Coisa do Louis! – falou, girando a chave de fenda que estava colada na roda do carro.
- Louis! – Gritei para o gerente da oficina e sua cabeça apareceu no vidro de sua sala. – Delicioso! – Respondi, me mexendo no capô do carro que eu estava sentada e ele sorriu, mostrando o polegar.
- O que vamos fazer hoje à noite? – perguntou, se levantando do chão da oficina e passou as mãos sujas no uniforme. – Suspirei, pulando do capô do carro e coloquei o prato ao lado da panela de frango com requeijão.
- Eu estou matando por sorvete.
- Jantar sorvete? – Soltei uma risada, passando meus braços pelo seu pescoço.
- Não é uma péssima ideia! – Comentei e ele sorriu.
- Você precisa voltar para a empresa e, eu vou te sujar. – Ele respondeu e eu revirei os olhos, dando um beijo em seus lábios.
- Eu não quero estar lá mesmo! Daria sorte se me expulsassem por graxa na vestimenta. – Ele riu fraco e eu encostei meu corpo no carro atrás de mim. – Podemos ir ao Gianluigi’s e aproveitar e comer o sorvete deles.
- Eu...
- Eu pago hoje! – Fui mais rápida e ele revirou os olhos.
- Eu posso pagar, na verdade! – Ele falou e eu ri fraco. – Ia falar que minha tia vai estar fora, se quiser dormir lá hoje.
- Qual é a diferença dela lá ou não? Já dormi muito lá. – Respondi e ele riu.
- Pelo menos ninguém vai entrar no quarto de repente, só para mostrar minhas fotos de criança. – Soltei uma gargalhada.
- Mas você era tão fofo! – Falei, apertando suas bochechas, vendo-o fazer careta. - Ok, pode ser! – Respondi e ele sorriu.

- Para de me olhar assim! – Falei, me cobrindo com o lençol.
- Você é bonita demais! – Soltei uma risada fraca e senti sua mão passar na curva da minha cintura.
- Para, eu já estou envergonhada, ! – Briguei com ele, escondendo meu corpo nu embaixo do lençol.
- Porque envergonhada? Não fizemos nada de errado! – Ele riu, me abraçando por trás.
- É minha primeira vez! Não estou acostumada com isso. – Suspirei, entrelaçando meus dedos nos seus.
- É minha primeira vez também e eu me acostumei rapidinho! – Ele falou e eu franzi a testa, virando meu rosto para trás. – O quê?
- É a sua primeira vez? – Ele ajeitou seu corpo na cama, sentando na mesma.
- É tão difícil de acreditar assim?
- Um pouco! – Respondi, virando meu corpo para ele. – Billy pesquisou sobre você, ele disse que você teve muitas namoradas.
- Bem, beijar eu beijei bastante mesmo. – Dei um soco em seu braço. – Ai! – Ele colocou a mão no local. – Mas, não levei ninguém para cama.
- Só eu.
- Só você! – Ele respondeu, acariciando meu rosto. – Eu fiz isso por que eu te amo, Henrietta Alexander Bells. – Revirei os olhos e senti seus lábios tocarem os meus.
- Eu te amo também, ! – Respondi e ele sorriu, aprofundando o beijo.
- , está em casa? – Ouvimos uma voz abafada e arregalamos os olhos.
- Eu vou me trocar! – Falei sussurrando, me desvencilhando de seus braços e pegando meu vestido que estava jogado no chão e puxei a porta do armário, me escondendo.
- Ei, querido, está aqui? – Ouvi a voz da sua tia. – está aqui?
- No armário. – Ouvi a voz do meu namorado e sorri, imaginando a cara que sua tia faria.
- Seu primo deu algum sinal de vida?
- Andrew foi para a balada. Só Deus sabe que horas ele volta. – Suspirei, tentando me espremer entre as roupas de .
- Está tudo bem?
- Tia, pode, por favor, me dar licença? – Ouvi a voz de . – Não sei se notou, mas eu estou pelado aqui embaixo.
- Oh meu Deus, querido! Me desculpe! – Ela falou e eu ouvi uma gargalhada vinda do corredor, ou era do primo mais novo de , ou de seu pai.
- A barra tá limpa, ! – Ele gritou de volta e eu saí do armário, colocando minha roupa, e procurei pela minha calcinha.
- Eu quero perguntar um negócio, . – Falei para ele, o vendo colocar uma bermuda.
- Pergunta, acho que quatro meses de namoro, fazer declarações e tal, te permite! – Ri fraca e o vi se sentar ao meu lado, passando o braço pelos meus ombros.
- Qual sua história?
- Como assim?
- Cadê sua mãe? Cadê seu tio? Porque vocês moram juntos?
- Certeza que quer saber? – Afirmei com a cabeça. – Só não vai chorar, hein?!
- Vou dar meu melhor. – Respondi.
- Bem, a história que me contam é que quando eu tinha dez anos, minha mãe fugiu de casa. – Ele falou calmo, prestando atenção no desenho de seus shorts. – Eles dizem que ela bebia muito e usada muitas drogas, depois de eu ter ficado trancado no carro por que ela me esqueceu lá, meu pai brigou com ela e depois ela fugiu. Seu nome era Andrea. – suspirou. – É o que eu sei.
- Porque você diz isso? – Virei meu rosto para ele. – ‘Me dizem’, ‘me contam’, não acredita no seu pai?
- Meu pai é um homem duro demais, ele conheceu a palavra carinho quando veio morar com sua irmã, mas eu tenho alguns flashes de amor vindo dele, há muito tempo atrás. Hoje em dia ele é diferente.
- Dá para notar que ele é um tanto duro, como se ele não gostasse de mim. – Suspirei.
- Eu não sei, quando começamos a ficar juntos ele disse que eu não deveria ver você, que era perigoso...
- Por que todo mundo fala que é perigoso ficar perto de mim? Ou me falar coisas? Você é a segunda pessoa que me diz isso. O que ele sabe?
- Ele trabalhou na sua indústria até seu pai morrer, quando seu padrasto assumiu, meu pai foi mandado embora. Não sei o que aconteceu, mas ele ia se aposentar lá.
- Por que ninguém me conta isso? – Passei a mão na cabeça, suspirando.
- Se eu soubesse, te falava. Vou tentar descobrir algo. – Ele me abraçou, me trazendo para perto de si e eu suspirei.
- E sua tia? – Ele suspirou.
- Bem, a história dela é mais simples. – Ele virou o corpo. - Meu tio era caminhoneiro, viajava muito, mas sempre voltava, só que um dia, não voltou. – Ele suspirou. – Foi um acidente de caminhão, dizem que dormiu ao volante e caiu em uma ribanceira. Foi logo depois que Matthew nasceu. E o Andrew tem minha idade. – Afirmei minha cabeça. – Papai, achou que ela precisava de apoio e decidimos morar todos juntos. O que veio a calhar por que não conseguíamos pagar a hipoteca da casa. – Ele riu fraco. – Mas, Claire sempre foi alegre assim, não é exclusividade sua. – Ri fraco. – Então, parece que quem precisa de mais apoio é meu pai, e não minha tia.
- Tudo vai ficar bem. – Respondi, fazendo carinho em seu braço e ele sorriu.
- Bem e você? Agora que eu me abri para você, você vai se abrir para mim? – Soltei uma risada fraca.
- Bem, a história pré-morte você sabe, e a pós-morte tem muitas dúvidas envolvidas.
- Por que dúvidas? – Ele me perguntou.
- Bem, com o que minha mãe falou de ser vigiada, de não poder falar e tal, enfim... – Ele olhou em meus olhos. – Eu não acho que meu pai morreu de ataque cardíaco. – Falei a última frase em um sussurro. – Aquele que eu chamo de tio não pareceu triste em nenhum momento durante o luto. Creio que ele está escondendo algo.
- Por que você não vai atrás disso?
- Eu não sei, todos falam que é perigoso, algo não está certo aí. – Suspirei e ele afirmou com a cabeça. – E eu não saberia por onde começar.
- É uma cidade pequena, com 75% da população trabalhando naquela indústria, alguém tem que gostar de você para te dar uma resposta. – Mordi meu lábio inferior, enquanto pensava. – Talvez o médico do seu pai?
- Não, não o médico, mas eu sou muito amiga do contador da família! – abriu um largo sorriso e eu soltei uma risada.
- Você sabe por onde começar. – Afirmei com a cabeça.
- Hoje não, eu quero ficar aqui, com você. – O abracei pela cintura e ele sorriu.
- Podemos comer aquele sorvete agora, que você tanto quer. Agora que eles voltaram, eu posso pegar o carro. – Afirmei com a cabeça.
- Ok! – Afirmei com a cabeça. – Só vou enviar uma mensagem para Billy, informando minha mudança de localização! – Ele soltou uma gargalhada e levantou da cama, indo atrás de uma blusa.

- Boa noite, senhorita! – Ouvi a voz de Steve atrás de mim e acenei com a cabeça, vendo-o se dirigir para a porta dos fundos e eu tirei meus sapatos altos, colocando minha chave na tranca tetra e abri as três fechaduras, tentando fazer o mínimo de barulho possível e fechei a porta, quase em um sopro, voltando a fechar as travas.
Abracei os sapatos e passei pela sala escura e segui para a cozinha, eu precisava de água. Empurrei a porta aos poucos e soltei um suspiro, vendo que uma pessoa estava caminhando a noite pela mansão. Soltei o sapato no chão, chamando sua atenção e meu padrasto virou o rosto, com aquele sorriso cínico, que eu ainda não sabia se era de propósito, ou se a cara dele era assim mesmo.
- , onde estava a essa hora? – Suspirei e me aproximei do filtro, pegando um copo no escorredor e o coloquei embaixo do filtro, vendo o sensor ligá-lo sozinho. – Eu te fiz uma pergunta.
- E eu não sou obrigada a responder! – Respondi feliz e tirei o copo, bebendo aos poucos a água.
- Você estava com aquele indigente, não é?!
- Não sei sua definição de indigente, mas trabalha, se sustenta ao máximo que pode e ajuda em casa... Se isso é ser indigente para você, então ele é. – Coloquei o copo dentro da pia e voltei em direção para a porta.
- Quem você pensa que é para falar comigo assim? Você vive na minha casa.
- Licença? – Virei o rosto para ele. – Você disse “sua casa”? – Perguntei e soltei uma risada irônica. – Não temos um testamento, mas até onde eu sei, essa casa é da minha mãe até ela morrer e depois vem para mim e Keith! – Dei de ombros, pegando meus saltos no chão. – Boa noite, Daniel.
Respondi e não dei tempo de ele responder alguma coisa, assim que eu saí da cozinha, eu coloquei minhas pernas para trabalhar e saí correndo escada acima, me arrependendo daquela escadaria ser tão alta algumas vezes. Abri minha bolsa correndo e assim que achei a chave do quarto, coloquei-a na fechadura e a abri, batendo a porta em seguida e trancando até a chave não permitir mais.
Encostada na porta peguei o celular e enviei uma mensagem para , avisando que estava em casa. Em dois segundos ele respondeu me desejando boa noite e que me amava. Respondi o mesmo, com um sorriso no rosto. Era só ele que me acalmava.

- Oh minha querida, como você cresceu! – Vi Adelaide abrir a porta e abri um largo sorriso, correndo para seus braços que estavam abertos! – Oh, meu amor, você está tão linda! – Ela falou, passando a mão em meus cabelos e eu sorri.
- Obrigada, Ad, você está ótima também! – Ela soltou uma risada fraca e me abraçou pelos ombros.
- Venha, vamos conversar lá dentro. – Ela me trouxe para dentro e após os primeiros passos, seu grande labrador marrom apareceu correndo de dentro do corredor!
- Keeper! – Gritei para o cachorro, me ajoelhando no chão, quando ele começou a pular em minhas pernas. – Como você tá, garoto? Faz tempo, não é?! – O senti lamber meu rosto, e eu ria com isso. – Você ainda se lembra de mim. – Sorri.
- Você vinha muito aqui quando criança, agora já é uma moça formada. – Ouvi uma voz mais grossa e ergui o rosto, tentando parar Keeper.
- Edmond! – Abri um sorriso para o contador da família e ele abriu os braços para mim, me fazendo correr abraçá-lo.
- Tio Ed, por favor! – Ele falou e beijou minha testa. – Eu te vi no funeral, mas você parecia muito abalada.
- Eu não me importaria! – Sorri e ele afirmou com a cabeça. – Eu gosto demais de vocês.
- Nós também gostamos de você, querida! – Adelaide falou e eu sorri, me caminhando para a cozinha.
- Então, veio dar uma olhada nas finanças a empresa? Ou só veio visitar mesmo? – Soltei uma risada fraca e passei pela cozinha larga de Ad.
- Eu vim conversar, na verdade! Eu estou com a cabeça cheia de dúvidas e complicações. – Ele afirmou com a cabeça.
- Mamãe, mamãe, abre para mim? – Vi um garoto correndo para dentro da cozinha com um pote na mão e entregar na mão de Ad.
- Aqui amor! – Ad abriu com facilidade e o garoto me olhou e saiu correndo de volta.
- Esse é o Teddy? – Perguntei e ambos afirmaram com a cabeça. – Da última vez que eu vi aqui a barriga de aluguel estava de três meses, nem sabíamos se daria certo...
- Ele tem quatro anos, ! – Abri a boca, surpresa e olhei para ambos, os vendo rirem da minha cara.
- Vem, senta! Um pedaço de bolo de morango?
- Ah sim, seus bolos são os melhores. – Me sentei na cadeira e ela se encaminhou para a geladeira.
- Então, o que você quer falar? – Ed perguntou e eu suspirei, vendo-o se sentar na minha frente.
- Para começar, quero pedir, encarecidamente, que isso não saia daqui. – Comecei assim, vendo Ed mudar sua feição para algo mais sério imediatamente. – Eu sei que vocês são contadores da empresa e do meu padrasto, mas eu preciso saber se posso confiar em vocês.
- Querida, depois de você, Keith e Lana, nós fomos quem ficou mais arrasado com a morte do seu pai. – Edmond falou. – Eu estava lá quando sua mãe teve o Keith e cinco anos depois, quando ela te teve. Isso são 23 anos. Se necessário, eu respondo primeiro a verdadeira família Bells e depois aos metidos que entraram por sorte dele, e azar de alguns. – Afirmei com a cabeça e sorri, segurando sua mão em cima da mesa. – Aqui é um lugar livre de julgamentos.
- Ok, espero que vocês me deem algumas respostas. – Suspirei. – O que você acha do Daniel? Profissionalmente falando.
- Honestamente? – Edmond perguntou e Ad colocou o prato do seu bolo rosa com cobertura branca em minha frente.
- Honestamente. – Falei e ele afirmou com a cabeça, suspirando.
- Ele é um babaca! – Assustei e soltei uma risada em seguida.
- Acho que começamos bem!
- Daniel não tem qualificação, muito menos amigos, para cuidar de uma empresa desse porte. – Ed falou, suspirando. – Pelo amor de Deus, ele tem medo de vacas. – Ouvi a risada de Adelaide à minha esquerda e ri com ela. – Essa é uma empresa leiteira e ele tem medo de vacas, você e seu irmão cresceram montado em bois. – Ri fraco.
- Isso é verdade!
- E após a morte do seu pai, Keith fez questão de não querer assumir, por mais que ele ainda não tenha qualificação, a empresa estaria em casa e vocês com orientações, poderiam cuidar dela juntos.
- E com Daniel no controle, parece que dá cada vez mais raiva em simplesmente viver lá, entrar lá. – Suspirei. – Outra coisa, minha mãe traía meu pai? Eu achava que sim, mas após ela me falar uma coisa, agir diferente quando ele está fora, estou começando a pensar que não. – Suspirei.
- O que ela disse? – Ad perguntou.
- Que nada é o que parece, que não podia contar agora, mas ela era vigiada a todo tempo, como se tivesse pessoal do Daniel infiltrado em casa, mas não entrou nenhum empregado novo na casa.
- Bem, eu posso dizer que sua mãe e seu pai se amavam profundamente. É o que ela disse, talvez tenha algo a mais, algo que ela não possa dizer ainda. – Suspirei, colocando um pedaço de bolo na boca. – Mas Daniel sempre gostou da sua mãe, mas, como toda história trágica, o irmão ficou com a mocinha.
- “Trágica”... Você não acha que Daniel mandou matar meu pai?
- ! – Adelaide reclamou, se levantando da mesa. – Seu padrasto é complicado, mas não é louco.
- Eu não sei. – Edmond respondeu.
- Ed! – Adelaide brigou.
- Ad, se alguma coisa está acontecendo com a minha mãe e a empresa que meu pai demorou anos para construir, eu preciso saber. Não posso deixar isso acontecer.
- Querida! – Edmond fez com que minha atenção voltasse a ele. – Eu não tenho como te confirmar, eu não tenho essas informações, eu sei que as ações da empresa estão caindo, mas o país precisa dessa empresa, só que ela tem que se estabilizar de novo. – Ele suspirou. – Mas eu creio que, se realmente você acha que Daniel matou seu pai, mesmo que indiretamente... – Ele balançou a cabeça. – É um caminho turbulento e não acho que você deva entrar sem proteção.
- Eu tenho Billy, Steve, tem pessoas que eu confio naquela casa. – Suspirei e ele afirmou com a cabeça.
- Não confie tanto. Se sua mãe se diz vigiada, isso veio de dentro. Se seu tio matou seu pai, pode ter vindo também.
- Ele morreu no seu escritório... – Lembrei e ele suspirou, afirmando com a cabeça. – Mas eu tenho agora, ele pode me ajudar.
- ? – Adelaide se interessou, voltando para a mesa. – Finalmente fez amigos.
- Namorado, na verdade! – Ela abriu um sorriso.
- Ah, querida! – Ela sorriu. – Isso é ótimo.
- Eu fiz amigos também, graças a ele. – Sorri. – Tenho tentado ser mais forte, por causa dele. E Keith também é um grande apoio. Pena que voltou às aulas, mas, se fosse eu, fugiria daqui também. – Ambos sorriram.
- Isso é bom, continue com o que te faz bem. – Ad falou e eu afirmei com a cabeça.
- Mas eu sinto que Daniel vai implicar até com isso, ele começou há algumas semanas já.
- Por quê? - Ed perguntou. – Esse garoto é ruim? – Ele perguntou.
- é maravilhoso, ele é fofo, carinhoso, protetor, é tudo que eu poderia pedir. – Falei e suspirei. – Mas ele é de classe baixa. – Ed revirou os olhos. – É o único motivo que meu tio possa ter para não gostar do .
- Eu falo que ele é um babaca! – Ed suspirou.
- trabalha, desde cedo, para ajudar a seu pai e sua tia, ele tem aquela vibe amorosa, que eu sinto falta, é muito bom estar com a família dele, e ele também tem os problemas dele, mas... Não é importante! – Respondi e ri fraco. – Apesar de que eu acho que o pai dele não vai muito com a minha cara.
- ? – Ad perguntou. – Por acaso ele é ? – Afirmei com a cabeça.
- Como você sabe? – Perguntei.
- Anthony ? – Ed ligou os pontos com ela e afirmou com a cabeça.
- Sim, o que tem? – Perguntei.
- Talvez você queira falar com seu sogro também, querida. – Ed afirmou com a cabeça.
- Como assim?
- Anthony trabalhou por muitos anos na empresa. – Ed falou.
- É, me contou.
- Ele era motorista, levava o carregamento de leite para as outras cidades. Não era o melhor emprego do mundo, mas com os benefícios que seu pai dava, era perfeito. – Ele deu de ombros.
- Até...?
- Até que seu tio cortou esses benefícios da noite para o dia, plano médico, dentário, faculdade para filhos, isso era essencial para eles...
- A empresa está entrando em colapso. – Suspirei.
- Espero que possamos sair dessa.
- Só mais uma pergunta, Ed. O que aconteceu com o testamento do meu pai? Duvido que Daniel poderia comandar as coisas do jeito que ele faz assim, sem um documento que prove isso.
- Seu pai não deixou um testamento! Daniel mesmo disse e as normas da empresa se sobressaem, em caso de não interesse da família ou menor idade dos filhos, vai para o irmão, tipo família real. – Ele falou.
- Não, não Ed, eu me lembro de ter 12 anos e ele entrar no escritório dele e ele falar que não podia agora que estava escrevendo o testamento dele. – Ele franziu a testa. – Eu não sabia o que era e ele me disse que se algo acontecesse com ele, que aquele reino inteiro seria nosso, do príncipe e da princesa dele.
- Mas Daniel não sabe disso. – Edmond falou.
- Talvez ele esteja escondendo. – Respondi e ele negou com a cabeça.
- Não , ele realmente não sabe disso, ele está virando a empresa abaixo e a casa atrás desse testamento, ele já falou com todos os advogados da cidade e ninguém tem.
- Mas é possível? – Suspirei.
- Talvez seu pai soubesse o que o esperava. – Ed falou e suspirou.
- Por favor, vamos deixar claro que tudo não passa de suposições. – Adelaide se meteu no assunto e eu suspirei. – Ficaria muito claro se ele fizesse algo contigo ou com a sua mãe.
- Minha mãe está segura, enquanto ela não falar nada e se manter presente toda noite, ela está bem. E eu tenho feito questão de ficar fora de casa o máximo possível. – Respondi e ela afirmou com a cabeça.
- Mantenha assim, vou fazer algumas pesquisas em alguns documentos e e-mails antigos.
- Obrigada! – Agradeci, movimentando a cabeça.
- Por favor, querida, agora coma o bolo, vamos desacelerar os ânimos.

- Oh, é um prazer te conhecer! – Minha mãe falou animada e abraçou . – Seja bem-vindo!
- Obrigada senhora! – Ele sorriu para ela quando ele a soltou.
- Venha, vamos jantar! – Minha mãe acenou para a cozinha e eu encostei minha mão nas costas de e caminhei ao seu lado até a sala de jantar. – Pedi para Annie preparar algo especial quando minha filha disse que você vinha.
- Obrigada, não precisava! – Ele falou e eu sorri, vendo a mesa posta e eu saltitei em sua frente em um momento e puxei uma das cadeiras para que ele sentasse e ele sorriu, fazendo o mesmo.
- disse que você trabalha em uma oficina, certo? – Minha mãe falou e eu sentei na cadeira ao seu lado.
- Sim, eu trabalho. – Ele sorriu nervoso.
- Você gosta bastante disso? Carros, consertos? – Olhei para minha mãe, ela parecia bem confortável com a situação, apesar de ter dois seguranças e Billy a postos nas portas que davam para cozinha.
- Sim, gosto sim! – Ele sorriu.
- Já pensou em fazer alguma faculdade sobre? Engenharia mecânica? – Ele riu fraco.
- Na verdade sim, acho que é um dos motivos de eu trabalhar, mas não é algo muito barato. – Ele falou e minha mãe afirmou.
- Vou torcer por você. Parece ser uma boa pessoa. – Minha mãe sorriu. – Afinal, você conquistou minha filha em um dos seus piores momentos, aposto que não foi fácil. – Soltei uma risada fraca ao beber um gole da minha água.
- Eu tenho que dizer que não foi muito fácil mesmo! – Ele sorriu para mim.
- Posso servir o jantar, senhorita? – Annie apareceu na porta da cozinha.
- Por favor, Annie, estamos com fome! – Acenei para Annie que sorriu e entrou na sala de jantar, logo reaparecendo com um refratário de cada vez e colocando na mesa.
- Por favor, querido! – Minha mãe falou, enquanto Annie tirava a tampa das panelas, mostrando o refogado de carne com legumes dela que eu gostava tanto.
se serviu, colocando um pouco de arroz e carne no seu prato e começou a comer devagar, tentando se mostrar educado, ele nunca ficou tão travado para comer quando eu ia a sua casa. Em seguida minha mãe se serviu e depois eu.
- E você, querida? Já pensou se quer fazer alguma faculdade? – Ergui meus olhos para ela que deu de ombros. – Você deve querer.
- Quem sabe daqui alguns anos. – Falei e ela afirmou com a cabeça, sorrindo de lado e voltando a comer.
- Nossa, a família comendo unida, e nem me esperaram! – Daniel apareceu na porta e colocou sua maleta no balcão ao lado da porta e se sentou no lugar que havia sobrado para ele. – Ah, e temos companhia. – Ele olhou para .
- , senhor. – limpou a mão no guardanapo e esticou a meu padrasto.
- Hum... – Meu padrasto falou, não o cumprimentando de volta e eu abaixei a mão de , olhando para ele de volta e soltando um suspiro, negando com a cabeça. – Então, você é o novo namoradinho da minha filha.
- Oi? – Falei. – “Novo”? “Filha”? – Olhei para ele, movimentando as mãos sem entender. – Desde quando você é meu pai? Desde quando você me trata como uma filha?
- Deixa disso! – Ele respondeu, prendendo o guardanapo no pescoço, ao invés do colo e se serviu.
- Por favor, estamos à mesa. – Minha mãe falou. – Faz tempo que não temos uma refeição em família.
- Então ... – Ele falou com a boca cheia e eu bufei baixo. – Você faz o que da vida?
- Eu me formei recentemente no ensino médio e agora trabalho em uma oficina mecânica, no centro da cidade! – Ele respondeu, colocando as mãos na lateral de seu prato, sob a mesa.
- Oficina? Então, você conserta carros? – afirmou com a cabeça. – E paga bem?
- Daniel! – O repreendi. – Não responda isso. – Falei para .
- Eu quero saber, qual o problema?
- Você nunca quer só saber. – Falei séria para ele.
- O suficiente para eu cuidar de mim e da minha família, senhor. – respondeu e eu olhei para ele, parecia que gostava de provocar também.
- Você acha que pode sustentar minha filha com um trabalho de mecânico?
- Para! – Gritei me levantando da cadeira. – Você não tem o direito de me chamar de filha, muito menos de se preocupar comigo, você nunca se importou comigo e desde que veio morar nessa casa as coisas só pioraram...
- ... – Minha mãe falou.
- Não, ele tem que ouvir, que não adianta se pagar de bom samaritano uma vez, quando deixa a desejar o restante dos dias. – Falei. – Você não tem esse direito, nem comigo, ou com Keith, ou , muito menos com minha mãe. – Gritei e Daniel tirou o guardanapo do pescoço, se levantando da cadeira e se colocando em pé, ficando mais alto que eu.
- Eu não vou permitir que algum bostinha destrua essa família e perca tudo o que lutamos tanto para ter. Não foi um trabalho fácil.
- O quê? Você nunca lutou por nada e quem tem destruído essa família é você, no momento que apareceu aqui! – Respondi, fazendo com que a raiva subisse e me fizesse dizer coisas erradas, apesar de serem verdades.
- Eu não te quero com ele, não é boa companhia.
- Tenho certeza que se meu pai estivesse aqui, diria o mesmo sobre você. – Respondi e ele ergueu a mão. – Vai, bate! – Falei, o encarando no fundo de seus olhos. – Vamos provar que você é um covarde, só para eu ter certeza, por que dúvidas eu já tenho. – Demonstrei um sorriso presunçoso no rosto.
- ... – segurou minha mão. – É melhor eu ir.
- Eu vou com você. – Respondi, suspirando. – Desculpe mãe. Queria que tivesse acabado de outro jeito. – Ela assentiu com a cabeça, como se entendesse e eu dei de costas para a mesa, ouvindo os passos de atrás de mim e provavelmente de Billy.
- Por que você faz isso? – Ouvi a voz abafada da minha mãe gritar com Daniel.
- Não me desafie, Lana. – Ele respondeu e eu parei, sentindo bater em mim.
- Ou o quê? Eu já vivo em uma prisão, nada podia ser pior. – Senti uma dor no peito e suspirei.
- Vamos, querida! – Billy falou, me puxando pelos ombros para fora de casa.
- Me desculpe, eu não queria causar isso. – falou, mas minha cabeça estava em outro lugar, quando as lágrimas começaram a escorrer pela minha bochecha.
- Senhorita! – Billy falou assustado.
- , por favor, para de chorar! – falou e eu passei a mão em meus olhos.
- Vocês não veem? Você não fez nada, ! – Abaixei a mão com força. – Ele que é um idiota. E minha mãe... – Coloquei as mãos na boca, respirando forte. – Minha mãe! – Olhei para Billy. – Eu acho que ele está machucando ela, Billy. – Respondi, movimentando os lábios involuntariamente.
- Calma senhorita. Você precisa sair daqui um pouco. leve-a para a sua casa, acalme-a. Eu peço para Conrad ficar de olho nela. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça. – Você precisa se acalmar, querida.
- Vamos para minha casa. – falou, me puxando pelo ombro.
- Leve o carro. – Billy tirou a chave do bolso e entregou a . – Eu e Steve iremos em alguns minutos, não mudem de curso. – Afirmei com a cabeça.
- Como vocês vão? – Perguntei.
- A gente se vira, vão! – Billy nos empurrou e me abraçou pelos ombros, me puxando até o carro que estava estacionado na rua, em frente a casa.

- Tudo vai ficar bem! – A tia de falou, me fazendo um afago e eu afirmei com a cabeça, bebendo mais um gole de água. – , querido, me ajude com a louça! – Ele afirmou, dando um beijo em minha bochecha e se levantou da mesa, me deixando sozinha com seu pai.
- Ele sempre foi assim, sabia? – Ouvi a voz do pai de ao meu lado e ergui o rosto, olhando para o senhor de meia idade, com alguns fios de cabelo faltantes em sua cabeça grisalha.
- O que você sabe, senhor? – Passei a mão nos olhos, vendo o rímel sujar a ponta dos meus dedos.
- Eu trabalhei por muito tempo com seu pai, não diretamente, mas na sua empresa. – Ele falou, dando um pequeno sorriso. – Era um bom trabalho, ganhava bem, tinha descansos regulares... Seu pai era muito correto, sabia? – Ele falou e eu sorri, afirmando com a cabeça. – Cumpria todas as leis e às vezes nos dava um bônus. – Anthony suspirou. – Mas seu tio... Ele nunca foi muito certo.
- Ele está destruindo o legado do meu pai. – Anthony afirmou com a cabeça, soltando um suspiro alto.
- Não sei se é verdade, mas me contam, que quando seu pai comprou meia dúzia de vacas e começou a vender leite, seu tio não quis ajudar e eles são quase da mesma idade. – Ele deu de ombros. – E quando a empresa começou a crescer e ter visibilidade, seu tio veio correndo querer a parte dele na empresa.
- Mas ele não tinha nenhum direito. – Respondi e ele afirmou com a cabeça.
- Exatamente! Falam que é o motivo principal deles brigarem tanto. – Anthony suspirou. – Eu sei que aparento não gostar de você algumas vezes. – Ri fraco. – Mas meu medo era que Daniel tivesse te transformado, você e seu irmão. Eu via vocês na fábrica diversas vezes, acariciando as vacas, quando íamos buscar os produtos. – Ri fraco, me lembrando de quando eu era mais nova. – Você com um vestidinho, rabinho nos cabelos, seu cabelo era mais claro ainda, quase branco. – Afirmei com a cabeça, passando as mãos em meus cabelos loiros.
- Eu já vi muita coisa nessa vida, já conheci três presidentes americanos, daqui a pouco conhecerei o quarto, e algo que muitos me disseram foi para eu não mudar quem eu era. – Ele riu fraco. – Na época, eu pensei que pudesse ser presa se eu mudasse, mas foi uma dica importante. – Sorri. – É assim que eu sou, senhor , e essa pessoa ama seu filho. – Ele sorriu, segurando minha mão por cima da mesa.
- Eu sei e qualquer coisa que precisar, pode vir falar comigo. – Afirmei com a cabeça. – E pode ficar aqui sempre que precisar. – Sorri, bebendo minha água com açúcar devagar.
- Eu tenho um palpite, que eu não sei se deveria contar ao senhor, mas creio que posso confiar em você. – Ele ergueu o olho para mim novamente. – Eu acho que ele pode ter matado meu pai.
- Você tem alguma prova disso? – Neguei com a cabeça.
- Não, mas todo mundo que eu converso tem me dito que ele não é uma pessoa boa, e eu comecei a ficar preocupada, meu pai era saudável, senhor , e ele era novo.
- Eu não sei querida, saí de lá pouco depois de seu pai falecer, e ele era um homem de poucas palavras, somente conversava com a gente nas reuniões em grupo, eventos da empresa, eu não o via muito, mas foi um choque quando vieram com a notícia... – Ele suspirou e logo vi voltar para a sala, se sentando ao meu lado.
Passei a mão na cabeça e suspirei, fechando os olhos e passando as mãos no rosto, fazendo que meus cabelos caíssem nos olhos um pouco e suspirei, erguendo a cabeça novamente.
- Eu não sei o que fazer. – Fui honesta.
- Acho que vocês tem que cuidar para ele não destruir o namoro de vocês. – Anthony falou. – Para começar, você tem que cuidar da sua mãe. – Ele sorriu. – Eu aconselho que fiquem aqui um tempo, não apareça na casa dela, espere que ele saia, só evitem, se afastem, ninguém sabe do que ele é capaz, e nem eu para aconselhar, então, por favor. – Anthony falou e eu virei para , encostando minha cabeça em seu ombro.
- Eu estou aqui contigo, amor! – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- Mãe, tem dois homens grandes na porta! – Ouvi Matthew, o primo mais novo de gritar e vi a cabeça de Billy e me levantei.
- Entrem, por favor. – Anthony falou e Billy entrou, seguindo de Steve.
- Esses são meus maiores confidentes, Billy e Steve.
- É um prazer! – Anthony os cumprimentou, sorrindo.
- Olá senhores, gostariam de um pedaço de torta? – Claire, a tia de apareceu secando a mão em um pano da cozinha e eles me olharam e eu dei de ombros, rindo fraco.
- Eles querem. – Billy passou a mão em meus cabelos e beijou minha bochecha.
- Venham aqui na sala, por favor. – Ela falou e eu dei espaço para os ‘homens grandes’ passar e passei a mão nos cabelos de Matthew, rindo com o que ele falara antes.

- Oi mãe! – Falei, descendo as escadas da casa de , com a toalha amarrada no cabelo. – Que bom que conseguiu vir! – Ela tirou o lenço da cabeça e os óculos escuros e sorriu para mim.
- Que saudades, querida, quanto tempo! – Ela me abraçou e eu sorri, soltando um suspiro quando ela me apertou contra seu corpo. - Eu não tenho muito tempo, os seguranças do seu tio estão me esperando lá fora, eles acham que eu vim comprar torta. – Ela deu de ombros, e eu sorri. – Foi o que eu consegui inventar.
- Que bom que eu tenho uma torta pronta na geladeira, você leva para fingir. – Claire falou e eu ri. – Claire, senhorita!
- Obrigada por cuidar da minha filha! – Minha mãe falou e ambas se abraçaram, sorrindo.
- Não é nenhuma dificuldade, ela é ótima. – Sorri e afirmei com a cabeça.
- Vocês podem conversar aqui na sala de jantar que é mais quieta. – Afirmei com a cabeça, sorrindo e puxei minha mãe pela mão até o local e sentei, vendo-a se sentar em outra cadeira.
- Como você está? - Perguntei.
- Bem, querida, está tudo bem. – Ela sorriu.
- Tem certeza? Você parece um pouco pálida.
- Faz tempo que eu não pego sol. – Ela falou e eu ri fraco.
- Ele bateu em você, não foi?
- Querida...
- Não precisa mentir para mim. – Falei, segurando suas mãos por cima da mesa.
- Ele faz isso algumas vezes.
- Por que a gente não faz alguma coisa, sei lá, sair de lá...
- Eu não vou abandonar tudo que eu seu pai construiu querida, a empresa vai fazer 25 anos, é muito tempo para simplesmente abandonar. – Ela sorriu. – Eu e seu pai lutamos bastante por isso.
- Mas porque ele está fazendo isso, mãe?! Porque você não está cuidando dessa empresa?
- É isso que eu vim dizer. – Ela suspirou. – Sem um testamento, a lei diz que a empresa vem para mim, ou para vocês, mas ele criou alguma prova falsa que ele é o sócio da empresa.
- O quê? – Falei indignada.
- É, não sei como, mas com certeza isso foi forjado.
- Mas e o testamento, mãe?! Papai tem um, eu sei disso, ele era uma pessoa poderosa, não ia simplesmente deixar tudo se perder.
- Aí que está, ele tem um, mas está perdido. – Franzi a testa.
- Isso é o que? O diadema da Corvinal, por acaso?
- Eu já contatei o advogado que seu pai fez o testamento, só sabe que seu pai pegou esse documento e guardou com ele, poucas semanas antes de morrer, e ninguém sabe onde.
- Alguém já procurou?
- Daniel faz isso todas as noites, por isso que ele anda pela casa. – Ela suspirou.
- Mas você não sabe o que está escrito nele, não pode ir as autoridades falar algo?
- Não sei e mesmo se eu soubesse, falar alguma coisa sem provas, não adiantaria de nada. Ele ainda tem aquele documento forjado, dizendo que é sócio da empresa e que tem metade dos bens, e eu tenho certeza que tem pessoas do conselho compradas. – Ela suspirou e eu fiz o mesmo.
- Então estamos sem saída?
- Enquanto esse testamento não aparecer, ou algo que certifique que esse documento seja falso, estamos. – Fechei os olhos, suspirando. – É melhor eu ir. – Ela falou, se levantando e Claire se levantou junto.
- Me deixa pegar a torta.
- Não precisa, eu falo que comi aqui. – Minha mãe sorriu.
- Eu faço questão. – Claire sumiu rapidamente pela porta da cozinha.
- E, mais uma coisa, querida. – Me levantei. – Eu nunca traí seu pai. – Ela sorriu. – Eu fico com Daniel, para o pior não acontecer, eu amo você, o Keith, seu pai, todos. – Afirmei com a cabeça, sentindo-a beijar minha testa rapidamente e me abraçar. – Fique bem, ok?
- Ok! – Respondi, suspirando.
- Venha para casa quando ele viajar. – Afirmei com a cabeça. – Vou te esperar.
- Obrigada, mãe! E desculpa também. – Ela afirmou com a cabeça.
- Não se preocupe! – Ela falou e eu sorri.
- Aqui, senhorita! – Claire entregou uma caixa de torta salgada para minha mãe. – Pena que está fria.
- Não se preocupe. – Minha mãe sorriu. – Agradeça a todos por mim e mande um beijo para . – Ela falou a última parte baixo e eu afirmei com a cabeça.
- Vai querida, suba! – Claire falou e eu assenti com a cabeça, subindo os degraus da escada, observando-a lá de cima sair pela porta.

- Eu quero sair. – choramingou no sofá ao lado. – Porque seu padrasto não vai para China? – Ele suspirou. – Quero ver gente, comer algo, qualquer coisa. – Fechei os olhos por um tempo e suspirei, franzindo a testa.
- Venha, quero te levar a um lugar, acho que ele não nos encontrará lá. – Falei, me levantando do sofá de sua casa, no sábado à tarde e o puxei pela mão. – Coloque botas! – Falei e ele franziu a testa. – Vamos, e pegue as chaves da caminhonete. – Ele se levantou meio confuso e subimos para seu quarto, que agora dividíamos. Eu mantive minha blusa regata e meus shorts e só coloquei um par de botas que eu havia pego em casa, junto com algumas outras peças de roupa.
Eu peguei a chave da sua mãe e entrei no carro, afivelando bem os cintos e foi ao meu lado, pelo seu olhar, ele estava visivelmente preocupado se eu sabia dirigir, eu não tinha carteira de motorista, mas sabia conduzir uma daquelas, ainda mais com câmbio manual. Eu saí da cidade em poucos minutos, a cada virada de rua que eu dava, franzia a testa, não sabendo o que eu estava fazendo, mas ele também não perguntava, talvez estivesse achando isso interessante. Em menos de dez minutos chegamos a pista de terra, fazendo com que um rastro de fumaça vermelha ficasse para trás.
- Bem-vinda ao meu lar! – Falei, parando a caminhonete no portão, onde os escritos “Fazenda Leiteira Bells” estava escrito em letras bonitas.
- Sério? Você acha que ele não nos encontrará dentro da fábrica que ele comanda?
- Ele tem medo de vacas, só vem quando é realmente necessário. – soltou uma risada fraca e porteiro me reconheceu rapidamente e abriu o portão para nós. – E hoje é sábado!
Dirigi pela terra seca e segui em direção aos galpões baixos que tinham na fábrica e parei o carro próximo a um deles, desligando-o e saindo do mesmo, sentindo um frescor diferente de quando ele estava lá e soltei um suspiro feliz. O vento, o sol, tudo era diferente ali.
- Aqui é seu lugar feliz? – Ele me perguntou e eu ri fraco, dando de ombros.
- Bem, eu dei meus primeiros passos nessa terra. – Abri um largo sorriso e passou a mão pelos meus ombros, dando um beijo em minha cabeça. – Vem, vem conhecer alguma das minhas amigas. – Falei e ele riu fraco, quando eu me dirigi a um dos galpões fechados e passei pelo mesmo, sentindo o cheiro forte de feno.
- Essas são suas amigas? – Ele perguntou, olhando as diversas vacas nos cercados.
Por mais que o galpão fosse fechado por fora, ele tinha diversos círculos abertos no teto que faziam que o sol passasse por eles, iluminando o local, então ele era quase um curral fechado, para proteger os bichos do sol quente que fazia em algumas épocas do ano. elas saíam algumas vezes por dia para andar e se exercitar, mas em dias quentes demais, não era possível.
- Aqui são as vacas de produção! – Falei, passando pelos cercados. – Elas produzem leite todo dia, sendo o pessoal mais importante dessa fábrica! – Falei e ele riu. – Oi gente! – Acenei para o pessoal que retirava leite da vaca.
- Senhorita Bells, quanto tempo. – Um deles falou.
- Por favor, não quero atrapalhar. – Eles riram e eu sorri.
- É bom vê-la. – Eles falaram e eu acenei para diversos deles.
- Vocês não fazem a retirada do leite por máquinas? – Olhei para .
- Não, aqui é tudo no manual, a gente tenta tratar elas com maior amor possível. Eu disse, são minhas amigas. – Respondi, acariciando a cabeça de uma das vacas que uma moça retirava leite. – Oi Joana! – Falei para a moça e ela acenou.
- Tudo manual? Meu Deus! – pareceu surpreso, passando a mão na testa.
- Aí, saindo daqui, cada leite vai para o seu lugar de produção contínuo, queijo, leite, manteiga, creme de leite, leite condensado, iogurte e um doce sul-americano que minha mãe aprendeu quando eles foram para o Brasil, doce de leite, é uma delícia! E claro, suas derivações do sem lactose. – Ele riu, me seguindo. – Em alguns lugares dos Estados Unidos é proibido a venda de laticínio cru, mas temos uma safra especial de leite cru, por assim dizer.
- Qual a diferença?
- É o leite gordo, que sai direto dessas lindas! Sai delas e é imediatamente engarrafado. – Respondi, sorrindo. – Meu favorito, na verdade! – Soltei uma risada fraca. - E aqui, temos a creche! – O levei para outra parte do galpão.
- Creche? – Ele chegou depois.
- São os filhotes. – Vi os diversos bezerros andando pelo local, alguns ainda com dificuldade para andar, de tão novinhos ainda tremiam as pernas.
- Oh meu Deus! – respondeu feliz. – Que lindos!
- E claro, as mães deles ficam por perto, para dar leite só para eles, até eles crescerem! – Ri fraco.
- Gente, isso é incrível, vocês cuidam, de verdade, dos bichos.
- Sim, eles ficam aqui na creche até terem idade para produzir leite, e caso, por algum problema, eles não consigam produzir, eles vão para o que chamamos de asilo. – Empurrei outra porta, indo para outro galpão. – Que são as vacas que já nos deram o trabalho duro e agora descansam aqui. – Respondi feliz, me aproximando da grade e passando a mão no pelo branco e preto da vaca que estava mais próximo de mim.
- Por quanto tempo uma vaca dá leite? – Ele perguntou.
- Isso depende, quando a vaca tem o bebê ela pode produzir leite por mais dois anos, estimulado pela ordenha, aí ela para, então ela precisa ficar prenha e por aí vai. – Respondi. – Mas, entre ficar prenha, dar à luz, produzir leite para o bebê, para a nossa empresa e tudo mais, a gente fica com elas por no máximo seis anos, as que se reproduzem duas vezes, mas que se reproduzem somente um, quatro anos. – Suspirei. – Uma vaca vive só por uns vinte anos, é pouco, elas têm que aproveitar sua vida também.
- Gente, vocês cuidam de tudo. – Ele falou, sorrindo e eu abaixei meu corpo, passando a mão na testa da vaca.
- É um trabalho mútuo, elas nos ajudam, nós ajudamos elas. Era assim que meu pai gostava, pelo menos nisso Daniel não mexeu. – Respondi, suspirando.
- Eu nunca te vi tão feliz assim. – O ouvi falar e virei meu corpo para ele novamente. – Você deveria estar comandando essa empresa, você gosta disso.
- Eu gosto, me sinto em casa. – Suspirei.
- Faz engenharia agrônoma, cuida dessa empresa. – Ele falou.
- Não é tão fácil assim, . Eu te contei o que minha mãe falou.
- Então vou mudar minha frase: quando você ter essa empresa nas mãos novamente, me prometa que vai cuidar dela, com a mesma animação que está falando comigo agora. – Ele falou, segurando minhas mãos e eu respirei fundo, afirmando com a cabeça.
- Eu prometo. – Falei sorrindo e ele passou as mãos pela minha cintura, me abraçando e tocando os lábios nos meus, aprofundando o beijo rapidamente, me fazendo passar meus braços pelo seu pescoço.
- Obrigado por me mostrar seu mundo.

- Desculpe, eu fiquei terminando um relatório, era para hoje. – Falei, saindo toda descabelada da empresa, quando o sol já tinha se posto.
- Sem problemas, eu atrasei um pouco também! – Ele me abraçou, dando um beijo em meus lábios. – Aonde você quer ir?
- Não sei, é sexta, queria sair contigo.
- A gente arranja um lugar.
- Filha da puta! – Ouvi uma voz atrás de mim e imediatamente me virei, me fazendo de escudo para , quando Daniel atravessava a rua com o rosto vermelho. – Como você se atreve a ir a minha empresa, a ficar conspirando com sua mãe, hein?! Você não vale nada. – Dois seguranças vieram atrás dele, incluindo Billy.
- É melhor a gente ir. – cochichou em meu ouvido.
- Você também não vale nada. – Ele gritou para . – Está namorando a menina mais rica da cidade por interesse que eu sei. – Senti minha mão se fechar em um punho e suspirei, sentindo a respiração acelerar. – Eu não quero vocês dois juntos, isso não ficou claro ainda?! – Ele gritou e Billy olhou para mim com cara de súplica, era nítido que ele fazia uma força descomunal para segurar meu tio, ele devia ter bebido, ou pior. – Você é uma vagabunda que não merece nada que eu tenho deixado para vocês, casa, comida, emprego. Não merece nada! – Ele gritou.
- Senhor! – Um dos seguranças falou, o segurando.
- Vamos! – me puxou, fazendo com que eu andasse de costas, ainda um pouco atordoada com tudo que eu havia ouvido, não era possível que ele diria aquilo lúcido, ele era louco, mas não era possível que era estúpido também.
subiu em sua bicicleta e eu fiquei de pé no apoio para os pés que tinha atrás e rapidamente ele pegou velocidade e saímos de lá, virando diversas ruas para que nos despistasse deles o mais rápido possível. O vento frio batia em meu rosto, me fazendo arrepiar. O tempo à noite estava ficando gelado e eu só estava com o vestido que eu havia ido para o trabalho.
- Acho que podemos parar um pouco. – falou, parando a bicicleta e eu desci, vendo-o respirar diversas vezes e eu respirei fundo, passando a mão no rosto. - Ele não estava normal, , não liga para o que ele disse.
- Eu não ligo, só acho injusto demais! – Falei e suspirei, movimentando as mãos diversas vezes, e soltando a respiração forte.
- Isso vai mudar, confia que vai dar certo. – falou e eu afirmei com a cabeça. – Vem, isso foi um trovão! – Ele falou, puxando a bicicleta para dentro da igreja que tinha atrás de nós e entramos na mesma, fiz questão de fazer um sinal da cruz ao entrar. Eu não fui criada em nenhuma religião, mas era questão de respeito.
Assim que entramos na igreja, a chuva caiu do lado de fora, eu fiquei olhando por um tempo ela cair na rua iluminada pelos postes e logo entrei, me sentando em um dos bancos que havia lá.
- Avisei Steve e Billy que você está aqui. – falou e eu afirmei com a cabeça e ele se sentou ao meu lado.
- Daqui a pouco eles aparecem aqui. – Falei e ele afirmou com a cabeça.
- Você tem gente que te ama. – Ele falou e eu sorri.
- Eu sei. – Suspirei.
Não deu tempo nem de eu observar o lugar iluminado por velas que ouvi um carro chegar correndo pela rua e dois dos meus conhecidos homens descessem do mesmo e viessem correndo para dentro da igreja.
- Ele não estava bem, . – Billy respondeu.
- Eu não ligo gente, tá tudo certo! – Respondi, suspirando.
- Mas ele está fora de si, os outros seguranças o levaram para casa, estão tentando acalmá-lo, mas ele não está no ‘seu normal’, digamos assim. – Steve falou e eu afirmei com a cabeça.
- Acho melhor vocês irem também, antes que ele invente de vir atrás de mim, brigar com vocês, e também, esse carro chama bastante atenção. – Falei e eles afirmaram com a cabeça.
- Você vai ficar bem? – Afirmei com a cabeça.
- Vamos ficar aqui um pouco até parar a chuva e vamos para casa. – falou e ambos confirmaram com a cabeça.
- Qualquer coisa vocês nos liguem, chegamos rapidinho. – Falei a última parte junto deles e eles riram.
- Eu sei, gente, obrigada! – Falei e dei um abraço rápido nos dois, ficando levemente molhada e eles saíram correndo novamente pela chuva, e logo saindo com o carro.
- Parece que alguém tem problemas! – Dessa vez eu não me importei com o respeito, eu gritei muito alto de susto, e fez o mesmo. – Me desculpe, não quis assustá-los.
Virei o rosto para o lado, com medo de encontrar meu padrasto, mas ao invés disso eu encontrei um senhor velhinho, deveria passar dos 80 anos, ele tinha um castiçal nas mãos e uma roupa que parecia pijama, e não era nada parecido com meu padrasto.
- Desculpe, já vamos embora! – falou, e eu tentei normalizar minha respiração.
- Deus está aqui para acolher todos que necessitam. – Ele falou, sorrindo para nós. – Senhorita Bells. – Arregalei os olhos e ele sorriu. – Eu fiz o casamento de seus pais, eu batizei você e seu irmão, eu me lembro de você.
- Você lembra? – Ele afirmou com a cabeça.
- Sou padre José, a cidade é pequena, eu ouvi alguns boatos de um padrasto abusivo?
- Quase! – Falei e ri fraco.
- Isso não é comum, mas a igreja está aberta. Sempre que precisar, pode nos procurar, que atenderemos. – Assenti com a cabeça, segurando uma das mãos do senhor.
- É um prazer conhecê-lo, padre. – Falei honesta e ele sorriu.
- Qualquer coisa, eu durmo em um quarto na casinha ao lado, ouvi barulhos e vim ver o que é. Se precisarem de algo, pode me chamar. – Afirmei com a cabeça.
- Obrigado! – respondeu ao meu lado e eu sorri.
- Boa noite! – Ele disse e se virou.
- Boa noite! – Assim que ele desapareceu eu comecei a rir, vendo me olhar sem entender por alguns segundos e começar a gargalhar comigo.
- Não sei você, mas acho que aqui pode ser um bom lugar para se esconder. – falou, me abraçando novamente e eu afirmei com a cabeça.
- Acho que sim. – Respondi baixo.


Capítulo 3

- Oi, tem alguém em casa? – Falei, entrando na casa de e acenando para Billy e Steve do lado de fora, próximo ao carro.
- Estou na cozinha! – Ouvi a voz de Claire e com uma última olhada, fechei a porta, trancando-a.
Coloquei minha bolsa em cima do sofá de dois lugares e larguei os saltos no chão e segui para a cozinha, puxando a barra do meu vestido para baixo. Antes mesmo de entrar na cozinha, um delicioso cheiro de chocolate chegou ao meu nariz, me fazendo suspirar. E quando eu entrei, dei de cara com Claire, acrescentando leite Bells em uma mistura de chocolate na panela.
- Ei! – Ela falou e eu sorri, dando um beijo em sua bochecha e ela sorriu. – Chegou cedo hoje. – Suspirei.
- Eu pedi demissão. – Falei, puxando uma cadeira e sentando em frente a porta da cozinha.
- Conseguiu? – Ela perguntou, desligando o fogo e virando o corpo para mim.
- Não exatamente. – Suspirei. – Fui direto ao RH e disseram que eu não posso me demitir, deve ser besteira do Daniel, liguei para o escritório em Washington, que cuida do recrutamento e eles disseram a mesma coisa, como eu não tenho nenhuma comprovação de contratação, eu dei tchau e vim embora. – Suspirei.
- Isso não vai dar problema para você?
- Mais um problema na minha vida não vai me matar! – Respondi e ela riu fraco, pegando uma tigela funda e começando a colocar o creme espesso de chocolate na mesma, me fazendo ver a fumaça sair. – Mas não, só se eles virem em casa me obrigar, lá eu não apareço mais, mas se eles quiserem mandar o meu salário todo mês, eu não ligo. – Ela riu fraco.
- É a sua empresa, querida, tem certeza? – Ri fraco.
- Eu não posso mais, Claire. – Suspirei. – Eu estou lá obrigada, trabalhando muito e ganhando pouco comparado a pessoas do meu cargo, e ainda sou humilhada pelo meu tio todos os dias, se é uma briga que ele quer, ele ganhou. Eu ficarei o mais longe da empresa o possível.
- me disse que você gosta da empresa, dos animais, do que ela produz. – Abri um sorriso.
- Eu gosto, afinal, eu cresci lá. – Suspirei.
- Eu uso, sabia? Todos os produtos, eu adoro, a qualidade e o carinho que vocês têm, não sei, é incrível. – Ri fraco.
- Algo que Daniel não conseguiu mudar isso. – Falei e ela abriu o freezer, pegando uma lata de sorvete. – Acho que só por isso a empresa não foi para o buraco ainda, em ano de eleição, nem o presidente está conseguindo dar muita atenção para cá, tentando se reeleger.
- Pois é, não está fácil. Mas você vai ver isso vai mudar. – Ela sorriu e colocou uma bola de sorvete na tigela. – Aqui, aposto que está com fome. – Peguei a tigela quente e fria ao mesmo tempo e olhei o sorvete começar a derreter no chocolate.
- Obrigada, Claire. – Ela sorriu.
- , está aqui? – Ouvi a voz de e me levantei, com a tigela em mãos e andei rápido até a sala.
- Oi! – Falei para ele que sorriu, ainda no uniforme da oficina, com a mão e o rosto cheios de graxa.
- Tive um tempo, vim ver se você estava aqui.
- Estou sim!
- E aí?
- Eu consegui. Bem, não oficialmente, porque eu ‘não posso me demitir’, mas para lá eu não volto mais. – Falei e ele afirmou com a cabeça, suspirando e estalou um beijo em minha bochecha.
- Seu irmão está atrás de você. – Ele falou.
- Keith? – Ele acenou com a cabeça.
- Ele parecia bem mal no telefone! – Ele falou e eu franzi a testa, entregando a tigela em sua mão e pegando meu celular na minha bolsa.
- Nossa! Nove ligações só dele. – Falei, com os olhos arregalados.

Entrei no bar favorito de Keith, na parte oeste de Bells, um pouco receosa. estava atrás de mim, segurando uma de minhas mãos e eu olhei em volta, era terça-feira, então a maioria das mesas estavam vazias, somente duas ou três tinha um grupo de pessoas conversando e rindo.
- Oi Ben! – Acenei para o barman atrás da bancada e ele fez o mesmo.
- E aí, ?! – Sorri e acenei para ele, erguendo os ombros, perguntando sobre Keith. – Ali. – Ele me apontou na mesma direção, atrás de uma das pilastras e vi Keith sozinho em uma das mesas, com um copo de cerveja na mão e agradeci com um gesto da cabeça para Ben e segui em direção a Keith, puxando meu namorado comigo.
- Ei! – Falei, sentando no banco na frente de Keith e sentou ao meu lado.
- Ei! – Ele falou, com o boné cobrindo seu rosto e o olhar abaixado no copo.
- Qual a emergência? – Perguntei.
- Está tudo pior do que eu pensei. – Ele falou e eu suspirei.
- Sei bem, pedi minha demissão hoje. – Respondi e encostei o corpo no encosto da cadeira. – Pelo amor de Deus, Keith, olha para mim! – Falei e ele soltou um bufo e ergueu o rosto, fazendo com que eu olhasse bem para seu rosto, onde algumas marcas roxas podiam ser vistas perto dos olhos e no queixo.
- O que aconteceu, Keith?! – perguntou e eu puxei o boné da cabeça de Keith com força, vendo que sua testa tinha outro roxo.
- “Está pior do que eu pensei”. – Ele repetiu e eu coloquei a mão na boca.
- Foi ele? – Keith somente acenou com a cabeça.
- Você não pode ir lá, , por favor. Prometa que você não vai lá, ele está descontrolado. – Ele suspirou.
- Não posso prometer isso, a mãe...
- Ele trata a mamãe como um prêmio, como se ele finalmente tivesse ganho uma batalha e ela fosse o prêmio. – Ele suspirou. – Ele não deixa ela sair de casa, força ela a fazer... Coisas com ele toda noite e toda manhã ela está com aquele olhar inchado... Ela não está feliz.
- Eu sei! – Suspirei. – Quando você não estava aqui, ela veio atrás de mim, a gente conversou...
- Um dos seguranças são homens do Daniel, eles controlam-na mesmo quando o tio está viajando... Só prometa que você não vai lá, eu tentei encarar ele e você viu o que houve...
- Eu não posso prometer isso, Keith!
- Por favor, , por favor! – Engoli em seco quando meu irmão começou a chorar em minha frente e suspirei, passando as mãos nos olhos, apertando-os com força.
- Precisamos te levar para o hospital! – Falei e afirmou com a cabeça.
- Não, por favor, não quero que isso piore.
- Vamos para minha casa, então. – falou ao meu lado.
- Eu não quero incomodar.
- Não vai, aquela casa já é um bunker para os refugiados da família Bells. – falou se levantando e Keith soltou uma risada.
- Vai ficar tudo bem! – Falei, passando as mãos no rosto do meu irmão. – A tia do faz umas tortas deliciosas. – Ele riu fraco e passou a mão em meu rosto, sorrindo.
- Eu te amo, irmã! – Sorri.
- Também te amo, irmão!

Ouvi o despertador tocar e bati a mão nele imediatamente e suspirei, sentindo se mexer ao meu lado e eu sorri, virando meu corpo para ele em cima da cama de solteiro e ele sorriu, dando um beijo em minha testa e se levantou, ajeitando a blusa que estava torta em seu corpo e saiu pelo corredor, eu fechei os olhos por um tempo, sentindo a claridade machucar meus olhos.
Me sentei na cama, cruzando as pernas em cima da mesma e olhei para Keith deitado no chão ao meu lado, os machucados em seu rosto estavam cada vez mais suave. Seu rosto estava virado para cima, mas ele dormia ainda, e era bom que continuasse assim. Me levantei no pequeno quarto de e andei até o armário dele e abri uma das gavetas, encontrando minhas roupas e peguei uma calça jeans, uma camiseta preta e meus tênis que estavam ao lado da porta e saí do quarto, andando pelo corredor.
- Bom dia, ! – Ouvi a voz do primo de e sorri.
- Bom dia, Andrew! – Acenei com a mão e ele entrou no quarto que dividia com seu irmão mais novo e eu parei na frente da porta do banheiro, encostando minhas costas na mesma, esperando sair da mesma. Era preciso ter paciência, já que atualmente, era um banheiro para cinco, enquanto Keith estava lá.
Ouvi a porta do banheiro destravar e abrir a mesma, com o rosto mais apresentável, já usando o uniforme da oficina, que Claire havia lavado no fim de semana. Ele deu um beijo em minha testa, e eu senti seu perfume, me fazendo sorrir. Entrei no banheiro e fechei a porta, travando-a. Coloquei minhas roupas em cima do vaso sanitário fechado e olhei meu rosto no espelho, estava meio amassado ainda.
Coloquei o rosto próximo a pia e joguei um pouco de água no rosto, escovando o dente em seguida, e puxei a toalha de rosto, secando a mesma e ri fraco, eram muitas toalhas naquele banheiro. Coloquei a mesma no lugar e soltei meus cabelos loiros, peguei minha escova na segunda gaveta e passei pelos fios, tirando alguns nós que podia ter sido feito no coque no meio da noite. Limpei a escova, jogando os fios de cabelo no lixo e peguei o mesmo laço que estava em meu braço e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto.
Tirei meu pijama, dobrando-o em cima da pia e coloquei a calça jeans, a camiseta e sentei em cima do meu pijama para calçar e amarrar meu tênis sujo. Dei uma olhada no banheiro, vendo se ele estava organizado para a próxima pessoa que entrasse e saí do mesmo, com meu pijama em mãos.
- Oi ! – Matthew de nove anos falou sorrindo para mim.
- Bom dia, querido! – Abaixei o rosto rapidamente e dei um beijo em sua testa e ele sorriu, entrando no banheiro.
Voltei para o quarto e não estava mais lá, deixei minhas coisas na gaveta novamente, peguei minha bolsa em cima da escrivaninha e saí do quarto, puxando a porta, não sabia se Keith ia para a empresa hoje, mas se fosse, ele tinha algumas horas a mais de sono ainda. Andei até o fim do corredor, virei à direita e desci as escadas, sentindo meus pés baterem na madeira escura da mesma e me encontrei na sala de estar.
- Oi Anthony! – Acenei para o pai de que estava no sofá, assistindo as notícias matinais.
- Oi ! – Ele respondeu rindo e virei o corpo, indo até a sala de jantar, encontrando , Matt e Claire em seus lugares, comendo as panquecas de Claire.
- Bom dia! – Sentei à mesa, pegando uma caneca e enchendo de café e comendo minhas panquecas rapidamente e bebendo o café quente.
Logo Matthew se juntou a nós, pegando uma xícara de leite quente e enchendo de chocolate. Pouco tempo depois, eu, , Matt e Andrew saímos da mesa ao mesmo tempo, pegando nossas bolsas e mochilas e saímos de casa, com Anthony conosco. Anthony e Andrew entraram na camionete e logo saíram em direção ao centro da cidade, onde ambos trabalhavam, Anthony como vendedor de uma loja de material de construção e Andrew assistente de um dentista local.
Eu, e Matt subimos nas bicicletas e primeiro seguimos o pequeno até a escola, vendo-o correr alegre para dentro da mesma, com sua pequena mochila nas costas, e depois seguimos para a oficina de Louis, guardando as bicicletas assim que entramos na mesma.
Abri um sorriso quando Billy e Steve estavam lá dentro, tomando café com Louis e eles piscaram para mim, me abraçando, soltei uma risada fraca e abracei Louis também, para que ele não ficasse com ciúmes.
me entregou sua mochila e foi cumprimentar o outro garoto que ajudava na oficina, e eu entrei em uma das salas, colocando sua mochila e a minha em um canto do local e sentei na cadeira, ligando o computador. Peguei alguns papéis que estavam empilhados lá e comecei a conferir as coisas mais urgentes para o dia, era dia de entrega de material, então era melhor eu conferir o financeiro antes, já que precisaríamos pagar.
Olhei para Billy e Steve do lado de fora, conversando com Louis e suspirei, desde o que aconteceu a Keith, as coisas em casa haviam ficado um pouco mais complicadas, Daniel suspendeu a segurança minha e de Keith indefinidamente, incluindo o pagamento da faculdade de Keith, ao menos não havia impedido ele de trabalhar na empresa. Além disso, minha mãe não era vista há um bom tempo, ninguém sabia o que estava acontecendo. Era como se Daniel literalmente tivesse nos jogado fora da família e o pior era que ele mandava esporadicamente algumas pessoas andar pela casa de Claire, para saber o que estava rolando.
Resumindo, se eu achava que minha vida era complicada, agora que ela havia piorado.

Ajeitei o capuz na minha cabeça e olhei em volta na rua, e pulei o portão trancado que dava em direção ao quintal e senti meu corpo cair forte na grama, fazendo um som abafado e suspirei, ainda bem que não tinha cachorros. Ergui o corpo, passando a mão na roupa e andei abaixada em direção à porta e encostei a mão na maçaneta, vendo que Annie realmente tinha deixado-a aberta e eu sorri, sabendo que tinha pessoas que eu poderia confiar ainda.
Abri a mesma sem nenhum ruído e a puxei de volta, olhando em volta na sala de estar, era tarde da noite, os empregados que não estavam de plantão já deveriam estar dormindo, e hoje era a noite de Billy e Jason ficarem de plantão, o que me ajudou bastante. Billy distraiu o outro, para que eu pudesse entrar. Andei a passos de tartaruga escada acima, me assustando ao ver a janela do corredor aberta e olhei para a porta do meu quarto, conferindo se ela ainda estava trancada, o que me deixou feliz e segui, passando a porta do quarto de Keith e segui para a última no fim do corredor.
Abri a porta do mesmo devagar, me arrastando no chão, para fugir da luz que vinha de fora e olhei o quarto claro, com somente uma pessoa sentada perto da penteadeira. Fechei a porta, com um leve barulho e ela virou o rosto imediatamente, abrindo um grande sorriso quando me viu.
- Você conseguiu! – Minha mãe falou em um alívio e eu sorri, soltando minha mochila no chão e senti ela me abraçar fortemente, me fazendo derrubar algumas lágrimas inconscientemente. – Mas você não deveria ter vindo, filha. – Ela falou baixo, suspirando contra meu ouvido.
- Eu precisava te ver, faz tanto tempo! – Ela afirmou com a cabeça.
- Você não deveria ter vindo, mas fico feliz que veio. – Ela me soltou por um momento e andou rapidamente até seu armário, pegando algo no mesmo. – Afinal, feliz aniversário! – Ela falou, me entregando uma caixinha e eu sorri, abraçando-a. – Eu tentei sair ontem de qualquer maneira, mas eu virei uma prisioneira nessa casa. – Afirmei com a cabeça.
- Fé que as coisas vão melhorar. – Olhei a pequena caixa e abri o mesmo, encontrando dois colares, ambos com o mesmo pingente, duas argolas pequenas presas entre si.
- Eu cortei as alianças minha e de seu pai e fiz esses dois colares, um para você e outro para Keith.
- Mãe, suas alianças...
- Eu tenho diversas lembranças com o seu pai, querida. – Sorri e fechei a caixa novamente, guardando-a no bolso.
- Obrigada! – Falei e ela sorriu, colocando as duas mãos em meu rosto e acariciou de leve.
- Eu amo vocês demais.
- Senhora Bells! – Ouvi uma voz e antes que eu conseguisse me virar em direção à porta, Jason entrou no quarto, com Billy logo atrás tentando segurá-lo. – O que você está fazendo aqui? – Ele falou, com o rosto levemente surpreso, não sabendo exatamente como deveria agir. Eu, por instinto, virei meu corpo, me fazendo de escudo para minha mãe. – Vá embora, agora!
- Olhe como fala com a minha convidada, Jason! – Minha mãe falou, se colocando em minha frente.
- Só estou obedecendo ordens, senhora. – Ele falou para minha mãe, andando em minha direção.
- Então trate de obedecer as minhas ordens agora! – Minha mãe o empurrou um pouco, fazendo-o dar dois passos para trás.
- Eu obedeço às ordens de Daniel, Lana. – Jason falou firme dessa vez e puxou meu braço forte.
- Cuidado, Jason! – Billy gritou, enquanto o outro me puxava com força para fora do quarto.
- Não se esqueça que você está na minha casa, Jason! – Minha mãe gritou e ele nem deu bola e eu parei na porta, me segurando na mesma. – Eu posso e vou te demitir! – Ela gritou mais uma vez e eu fui puxada novamente.
- Jason, solte-a, é uma ordem do seu superior! – Billy gritou, vindo correndo atrás, enquanto eu era puxada escada abaixo.
- Eu não obedeço a você, Billy. – Ele abriu a porta da frente e me empurrou para a mesma. – Desculpa, senhorita , eu só estou obedecendo ordens. – Ele falou, e em respirei fundo, olhando com raiva para ele, mas parei e abri um largo sorriso.
- Tudo bem, Jason, eu entendo. – Falei. – Trabalhar para um filho da puta é ter o rabo preso o tempo inteiro.
- Como se atre...
- Ah e outra coisa, espere um processo de agressão contra você, ok? Afinal, você me agrediu dentro da minha própria casa. – Ele deu dois passos para frente, aproximando o rosto do meu e eu o encarei, ele era mais alto que eu, mas não me dava medo.
- Como você se atreve em dizer isso?
- Desculpe Jason, mas eu faço tudo para destruir pessoas assim, afinal, são essas que destruíram meu pai. – Falei e virei de costas, andando em direção aos portões da casa e em um rápido barulho atrás de mim, ouvi a porta bater forte.
- Ah senhorita ! – Billy apareceu logo ao meu lado e eu virei meu rosto, encostando a mão no portão. – Não chore! – Ele falou e eu passei a mão no rosto, notando que estava molhado. – Desculpa, não consegui segurá-lo, ele recebeu uma mensagem de Daniel e subiu rápido, afinal, ele é mais novo que eu, então, não foi fácil que eu o acompanhasse.
Afirmei com a cabeça e o abracei, encostando minha cabeça em seu peito e senti seus braços passarem pelas minhas costas e suspirei, erguendo o rosto novamente e abrindo um pequeno sorriso e ele passou a mão em meu rosto.
- Você tem que parar de dizer aos outros que tudo vai ficar bem e começar a dizer isso para você. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- Eu vou! – Sorri fraco, não exatamente dizendo a verdade e ele esticou minha mochila em sua mão e eu sorri, colocando-a em minhas costas.
- Obrigada, Billy! – Ele sorriu e eu dei as costas, passando pelo portão de ferro e segui em frente, caminhando pela calçada.

- Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém! – Repeti as falas do padre José, fazendo o sinal da cruz e me sentei novamente, enquanto as poucas pessoas saíam da igreja e eu suspirei.
Vi o padre e a coroinha ajeitarem o altar e logo a menina saiu correndo em direção à sua mãe que esperava na porta da igreja, ajudando-a a tirar a bata branca, usada durante a missa. O padre José, um pouco mais devagar, devido a sua gripe, se aproximou de mim, fazendo com que eu me levantasse de um dos últimos bancos e andasse em sua direção.
- É bom vê-la novamente, . – Afirmei com a cabeça, com um sorriso no rosto. – Vi que tem frequentado bastante.
- E estou precisando de uma ajuda externa, acho que Ele é o único que pode me ajudar nesse momento. – Falei, indicando para o céu em algum momento e ele afirmou com a cabeça.
- Eu estou aqui também, sabia? – O padre falou e eu afirmei com a cabeça. – E diversas pessoas dessa cidade também. Afinal, você é famosa, pessoas gostam de você. – Ri fraco e ri fraco.
- Talvez, se eu não fosse, talvez tudo seria mais fácil.
- Se você não fosse famosa, você não seria você. Ou seja, você não teria esses problemas, mas teria outros, talvez mais calmo, com menos repercussão, mas não seria você. – Afirmei com a cabeça.
- Você tem razão nisso. – Falei e suspirei.
- Esperando pelo ? – Afirmei com a cabeça.
- Sim, ele teve que trabalhar até tarde, então vim aqui hoje.
- Vou encontrar minha irmã para jantar, mas fique à vontade. – Afirmei com a cabeça e ele segurou minha mão.
- Obrigada padre José. – Falei e ele sorriu.
- Que Deus te proteja.
- Ao senhor também. – Sorri.
Enquanto o padre saía pela porta da frente eu segui em direção ao altar, suspirando quando me aproximei do crucifixo colocado na parede, em cima do pequeno altar e me ajoelhei na escadaria, olhando para cima.
Eu não sabia fazer aquilo, eu não sabia rezar, meus pais cresceram na igreja católica, em uma pequena cidade chamada Johnson, há poucos quilômetros de Bells, e lá eles se conheceram, namoraram e tiveram a ideia da fábrica leiteira, já que meu avô paterno tinha três vacas e distribuía leite para a cidade, com isso, eles decidiram comprar mais algumas e começar a empresa. Não foi fácil, afinal, o dinheiro era pouco, as condições também, mas cresceram, tanto que foi preciso outra cidade para construir a fábrica e o pasto, e foi com isso que Bells foi criada. Em Bells, meus pais casaram e logo depois tiveram o primeiro filho, e nesse espírito familiar, eles cresceram e, como a fábrica precisava de trabalhadores, a cidade foi crescendo, sendo quase inteira constituída por trabalhadores, no começo. Mas como tudo, até a cidade que consideramos pequena hoje, cresceu, fazendo com que algumas vezes, o foco viesse para essa pequena cidade no interior do Texas, local de fabricação dos produtos Bells.
Olhei para a cruz novamente e suspirei, eu não sabia as rezas mais importantes, mas eu pedi por ajuda, talvez eu devesse agradar para depois pedir, mas eu não saberia, fazia pouco tempo que eu frequentava ali, mas eu pedi como uma súplica, quem sabia adiantasse de algo.
- Ei! – Ouvi a voz de atrás de mim e fiz um sinal da cruz, me levantando. – Estou atrapalhando?
- Não, não. – Neguei com a cabeça e ele me abraçou, dando um beijo em minha testa. – Só rezando... Ou tentando. – Suspirei.
- Você não sabe? – Neguei com a cabeça.
- Não. – Falei e ele gargalhou na igreja.
- Eba! – Franzi a testa para ele. – Finalmente posso te ensinar algo. – Ele falou e eu ri fraco.
- Bobo! – Falei e ele sorriu.
- Você que sempre me ensina coisas novas, como me portar, me sentar, andar, falar, comer, dançar, conhecimentos diversos, atualidades, eu sou um pé-rapado perto de você. – Neguei com a cabeça e beijei sua bochecha.
- Eu te amo do jeito que você é. – Respondi e ele sorriu.
- E finalmente, eu posso te ensinar algo. – Ele falou e eu sorri, rindo fraco. – Venha, você repete o que eu digo. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça. – Vamos começar pelo Pai Nosso.
- Ok. – Sorri.
- Pai Nosso que estais nos céus...

- Cheguei! – Falei, entrando em casa e vendo Anthony atrás da porta, segurando-a para mim. – Obrigada! – Ele sorriu e eu levei as sacolas em direção à cozinha, onde, provavelmente, Claire estaria. – Voltei! – Vi Claire dentro da cozinha e coloquei as sacolas de compras em cima da bancada e ela olhou surpresa.
- Quanta coisa, querida! O que são essas coisas? – Ela falou, olhando os alimentos dentro das sacolas.
- Eu recebi meu pagamento do Louis hoje, comprei algumas coisas para gente comer.
- Não precisava querida! – Ela respondeu olhando para mim.
- Já que você não deixa que eu pague minha estadia ou qualquer coisa, eu pago com comida. – Respondi, começando a tirar as coisas da sacola.
- Ah , pelo amor. – Ela falou. – Guarda esse dinheiro para você.
- Não adianta reclamar, Claire, para! – Falei e ela bufou. – É meu jeito de ajudar.
- Você pode me ajudar a fazer as tortas para amanhã, que tal? – Ela falou e eu suspirei. – Ah, palmito! Nossa! Quanto tempo não como isso.
- Eu gosto também! – Respondi rindo e ela sorriu, ficando na ponta dos pés e dando um beijo em minha bochecha. – Sim, eu ajudo! – Falei feliz e ela riu.
- Vem, então, me ajude a cortar o presunto. – Ela falou e eu coloquei minha bolsa na cadeira da sala de jantar e voltei. – Anthony, você também!
- Chamou? – Anthony apareceu depois de um tempo e eu ri fraco.
- Seu pé pode estar doendo, mas suas mãos podem amassar certo?
- Sim, irmã. Podem! – Ele falou rindo e olhou para mim, movimentando a cabeça para os lados.
- Não olhe para mim, sou tão leiga na cozinha quanto você, sogro. – Ele riu fraco e Claire voltou com um papel nas mãos.
- Essa é a receita para a massa, cada receita dá para duas tortas, eu preciso de umas trinta, então você vai fazer quinze dessa, ok? – Ele afirmou com a cabeça, como se fosse um soldado recebendo ordens.
- Sim senhora! – Ele respondeu.
- E você, , tem três pedaços de presunto na geladeira, preciso tudo cortado em quadradinhos, ok?!
- Ok! – Respondi, abrindo uma das gavetas e pegando a faca, e depois a tábua atrás do escorredor de pratos. – Eu não sou muito boa com isso.
- Tudo bem, só tente fazer com que eles tenham o mesmo tamanho, depois a gente pesa para colocar na torta. – Ela falou e eu ri fraco, apoiando a tábua na beirada da pia e a faca e seguindo para a geladeira, pegando os presuntos.
- Vou tentar. – Ri fraco.
- Anthony, não! Quebra o ovo em outro lugar, se um tiver podre, você perde todos os materiais. – Claire falou, brigando com o pai do meu namorado, me fazendo rir.
- Você quer me ajudar a vender as tortas na feira amanhã, ? – Claire apareceu ao meu lado e eu olhei para ela.
- Mesmo? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça.
- Anthony está machucado e os meninos provavelmente vão ficar no basquete até tarde. – Ri fraco.
- Eu quero sim! – Falei, suspirando e ela sorriu.
- Amanhã as sete, então! Para assarmos e levar quentinha.
- Combinado! – Sorri e voltei minha atenção a não cortar nenhum dedo fora.

Parei em frente ao portão de ferro e olhei para a casa dentro das grades de ferro e suspirei. Era uma mansão clara, com as paredes brancas e as janelas largas, com as cortinas fechadas. Olhei em volta, vendo algumas pessoas andarem para todos os lados e empurrei o portão de ferro, entrando no território de casa, como se fosse antigamente.
Andei pelo caminho de pedras e cheguei à porta da frente, pegando minhas chaves e abrindo-a. Eu provavelmente não deveria estar fazendo isso. Abri a porta e a fechei novamente, sentindo o cheiro de limpeza recém-feita e ri fraco, sentindo uma saudade imensa daquele lugar.
Dei uma olhada por ali e tudo parecia incrivelmente quieto, estranhei. Eu sabia que Daniel estava na cidade, e ele causava em qualquer lugar que ele passava, ouvi que ele tinha agredido dois dos seus assistentes pessoais, pobre Anna, espero que não tenha sido ela. Pelo menos Keith estava trabalhando na fábrica agora, junto com as vacas, fazendo a alimentação dos animais. Ele era igual a mim, cresceu cuidando delas.
Andei até a cozinha e vi que estava vazia, peguei uma maçã em cima da mesa, e andei até a cozinha na parte de trás, vendo Annie e sua ajudante trabalhando. Dei dois toques na porta e ambas viraram juntas e eu sorri, acenando para elas. Annie soltou o que estivesse em sua mão e correu em minha direção.
- Oh meu Deus, você está de volta? – Ela falou um tanto alto e eu coloquei a mão em sua boca.
- Na verdade não. – Falei baixo e ela fez uma careta. – Eu vim ver minha mãe.
- Ele está em casa, . – A outra assistente falou para mim e eu assenti com a cabeça.
- Eu sei. – Suspirei. – Mas eu precisava vir.
- Por favor, querida, cuidado, ele... Ele está diferente. – Annie falou, procurando palavras para descrever a sensação. – Depois da última vez que você veio aqui, Jason já era.
- O que você quer dizer com “já era”? – Franzi a testa. – Eu ameacei colocar um processo nele, mas nem dinheiro para pagar advogado eu tenho. – Elas riram.
- Ele apanhou do seu padrasto. – A outra mais nova falou e eu franzi a testa.
- Por favor, não vamos ligá-lo a mim. – Respirei fundo. – E eu não consigo acreditar!
- Ele está violento, , por favor, cuidado. Ele não está só violento, ele está mal. – Annie falou e eu a abracei forte, sentindo a força em seu abraço, me fazendo sorrir.
- Eu te amo, Annie, obrigada por tudo! – Falei e ela afirmou com a cabeça, me soltando. – Até mais.
Saí da área de trabalho das cozinheiras e saí pela cozinha, dando uma mordida na maçã e devolvendo-a na fruteira, soltando a respiração fortemente. Eu parecia um touro, eu já tinha raiva, mas parece que com o que a Annie tinha falado, eu tinha ficado muito mais puta. Ok, eu queria matar Jason há algumas semanas, mas ele não tinha culpa de nada, se fosse para culpar alguém seria eu e Billy, mas aparentemente Daniel sabia que Billy era uma pessoa para se ter por perto, desde que essa casa foi construída, há vinte anos, Billy estava aqui e sabia milhares de coisas sobre meu pai, que até poderia ajudar Daniel, mas Billy não falava nada, mal para mim ele falava.
Subi as escadas, com a maior calma do mundo, algumas das empregadas me olhavam com os olhos arregalados, enquanto limpavam o chão branco do segundo andar, mas eu as acalmava e pedia para elas relaxarem, afinal, eu não entrei escondida dessa vez. Continuei caminhando em direção à suíte máster. Eu sentia como se eu tivesse jogado gasolina pelos lugares que eu havia passado e fosse jogar o fósforo, mas, além disso, eu sentia medo.
Bati duas vezes na porta do quarto, e girei a maçaneta, empurrando a porta com força, fazendo com que ela batesse contra a parede do outro lado. A primeira coisa que eu vi, foram os olhos verdes de minha mãe se arregalar, a segunda coisa foi a mão do meu padrasto dentro da calcinha dela, e a terceira, foi seus olhos avermelhados vindo em minha direção.
- O que você está fazendo aqui? – Ouvi sua voz bagunçada e franzi a testa, dando uma olhada geral no quarto, pude ver, ao menos, três garrafas de uísque vazias no local e outra coisa que notei também, foram as carreirinhas de alguma droga branca na mesa de centro do quarto.
- Mãe, você está bem? – Ignorei as falas do meu padrasto e com um movimento do meu braço, eu o afastei alguns centímetros.
- , por favor, vai embora. – Ela se embolou um pouco para falar meu nome e fechou os olhos, me fazendo colocar a mão em sua testa, ela estava fria.
- O que você fez com minha mãe? - Virei meu corpo para Daniel que se aproximou de mim devagar. – Porque você destrói a vida de todos a sua volta?
- Sua vadiazinha. – Ele falou e eu tentei segurar minha raiva. – Você vive as minhas custas e do nada vai embora com aquele namorado pobre e inútil e aí volta, querendo mandar nas coisas? – Ele falou, passando a mão em sua boca. – Você não manda em nada aqui, isso tudo é meu. – Puxei a respiração forte e fechei minha mão em um punho.
- O que você fez com a minha mãe? – Perguntei novamente, dando uma rápida olhada em Lana que tinha dificuldades em abrir os olhos. – Ela não é um dos seus brinquedos.
- Ela me ama! E o que a gente faz aqui é problema meu e não de filha enxerida, que vem se achar a dona da verdade. – Me lembrei do que minha mãe disse sobre fazer aquilo ser perigoso e suspirei.
- Você tem razão, Daniel. – Respondi. – Você tem razão sobre diversas coisas, mas uma coisa você não tem razão, eu sou dona da verdade. – Falei suspirando e eu vi as veias em sua garganta tencionarem, me fazendo engolir em seco.
- Não é uma menina de dezoito anos que está cuidando dessa empresa, é?! Não é uma menina ridícula que está se fazendo de rebelde, briga com a mãe e depois vem correndo ver se ela está bem, é?! Papai não escolheu uma pirralha ou o irmão bêbado para cuidar da empresa, não é?! Afinal, a pirralha nem estudos têm e o irmão bêbado só gastou o dinheiro do papai pelos últimos quatro anos. – Ele falava com ódio na voz, soltando gargalhadas esporádicas.
- Aí que está você não sabe. – Falei, arregalando as sobrancelhas, como se eu soubesse de alguma coisa. – Quem sabe? Você pode não ser dono de nada disso. – Respondi, passando a mão na lateral da minha boca, suspirando. – Afinal, uma coisa você está certo, meu pai não deixaria seu império na mão de alguém completamente incompetente. – Dei de ombros. – Pena que ele não teve escolha e veio alguém que ultrapassa a definição de ‘incompetente’. – Falei, soltando uma risada irônica. – Qual a sensação de pegar uma empresa incrível e colocá-la no chão? Destruí-la? – Falei, com um sorriso sarcástico no rosto. – Eu vejo como as ações estão caindo.
Eu não me lembro de onde veio, mas em um segundo eu achei que estava tudo bem, e no segundo seguinte, não estava. Eu senti uma coisa forte bater contra minha têmpora, fazendo com que meu corpo fosse jogado para o lado contrário, fazendo com que minha cabeça ecoasse o barulho da batida em meu cérebro e tudo ficasse mais lento. Minha visão estava embaçada. Quando eu tentei levantar, apoiando minhas mãos na cama, eu levei outro, dessa vez no queixo, fazendo com que minha respiração falhasse um pouco, o bom é que eu não sentia nada, mas o ruim era que eu sangrava.
Eu não tentei levantar da segunda vez, afinal, no momento em que pensei em fazer isso, ele pisou em mim, no meio da minha barriga, fazendo com que a respiração ficasse nula e minhas entranhas doessem como se algo quente descesse pela minha garganta. Eu fiquei jogada no chão por alguns segundos, minutos, não sei dizer, mas quando eu ia me levantar, antes de eu receber outra, eu ergui minha perna, colocando toda a força, muito mais do que quando eu fazia aulas de defesa pessoal, e ouvi Daniel bater com tudo na parede atrás de si.
Isso deu tempo para que eu levantasse, passei a mão em meu rosto e vi que tinha sangue em todas as partes dele, e um pouco dele estava no carpete claro do quarto da minha mãe e eu suspirei, ignorando os modos e cuspi o sangue no chão, me fazendo puxar o ar fortemente, sentindo meu peito doer. Olhei em direção ao meu padrasto que cambaleava um pouco para se levantar e meu movimento seguinte foi tomado pela raiva. Eu me joguei em cima dele, com as pernas em volta do seu tórax e fechei os punhos, dando quatro socos seguidos em sua cara, dois com cada mão, sentindo-as doer de verdade, mas valeu a pena.
- Isso é pelo meu pai, pela minha mãe, por Keith e por ! – Falei, com raiva em minha voz, mas Daniel estava desacordado, o que me fez puxar a respiração forte.
- ! – Ouvi a voz da minha mãe e saí de cima de Daniel, conferindo se ele estava realmente impossibilitado de algo. – O que você fez? Você não deveria ter feito isso.
- Desculpe! – Falei para ela, vendo que ela estava apoiada na parede, ainda meio tonta. – Eu não posso fazer mais isso, mãe.
- Você nem devia ter feito isso. – Ela respondeu.
- Não, mãe! – Suspirei. – Eu não posso fingir que nada aconteceu. Que não estamos em uma crise, que não estamos brigando sempre, que tem uma luta judicial, uma corrida por um testamento, eu não consigo. – Engoli em seco. – Eu não consigo fingir que nada disso aconteceu. – Repeti e fechei os olhos, literalmente cansada. – Eu tento ajudar, mas parece que você é a única que não consegue ajudar. – Falei, sentindo as lágrimas chegar em meu rosto. – Por favor...
- Eu não posso . Você não sabe da missa a metade. – Ela falou e eu olhei novamente para Daniel caído no chão.
- Então me conta! – Falei.
- Não dá, ele vai acordar logo, é melhor você ir. – Ela começou me empurrar e eu segurei firme em seu braço.
- Não, se tem algo, você vai me contar. – Falei, sentindo meu braço tremer ao apertar o dela, e foi quando que eu notei a força que eu estava fazendo e soltei seu braço.
- Ele jurou vocês de morte. – Aquela informação me baqueou, fazendo com que eu fechasse os olhos e me apoiasse em algum lugar. – Pode ser literal ou não, mas eu já perdi seu pai, não quero perder meus filhos.
- É por isso que...
- Sim, que eu faço tudo isso. – Ela respondeu o mais sóbria possível.
- Me desculpa mãe! – Falei e ela negou com a cabeça. – Eu não sabia.
- E vai continuar fingindo que não sabe de nada. – Ela falou. – Agora vai! Eu vou fingir que não sei e não vi nada. – Ela me abraçou forte, fazendo com que meu corpo inteiro doesse e senti um beijo em sua bochecha. – Vocês dois são mais fortes do que eu pensava. – Ela falou sorrindo. – Agora vai! – Senti como se aquelas seriam as últimas palavras que eu ouviria dela por muito tempo.
Dei uma última olhada em Daniel e virei meu corpo, saindo pela porta, o mais rápido que minhas dores permitiam, andei a passos rápidos pelo corredor e senti as dores em meu tórax enquanto eu descia cada degrau da escada devagar.
- Senhorita Bells! – Ouvi a voz de alguém e ergui meu corpo, vendo Annie e Billy surpresos a me ver.
- Protejam minha mãe, fale que ela não viu nada, a culpa foi toda minha, por favor, protejam-na. – Falei, apoiando as mãos no ombro de Billy e ele só afirmava com a cabeça. – Eu não posso voltar, por muito tempo. – Falei, sentindo minha respiração ficar cada vez mais forte e suspirei. – Por favor, avisem a todos, esqueçam Keith e a mim. – Falei, sentindo uma dor no coração e virei meu corpo, correndo em direção à porta de casa, batendo-a com força.
Corri para fora da cerca, levemente manca de uma das pernas, devido à força de Daniel que eu havia sentido e assim que eu puxei o portão da casa, eu fechei os olhos, sentindo as lágrimas caírem de meu rosto fortemente, e meu choro ficar alto igual de uma criança.


Capítulo 4

Fiquei sentada na escada lateral da igreja, enquanto a missa acontecia, eu não podia aparecer daquele jeito, minha blusa azul estava com manchas de sangue, meu rosto também e com cortes fundos, eu podia sentir isso, já que o sangue demorara a estancar. Alguém poderia começar a fazer perguntas e isso poderia encrencar minha mãe cada vez mais. Sobre mim, eu já não ligava tanto.
Assim que a missa acabou, as pessoas começaram a sair da igreja aos poucos, e quando eu vi que a turma já havia saído, eu me levantei, dando uma rápida olhada em volta e me encaminhei para dentro da igreja, um de meus olhos estavam levemente fechados, provavelmente começara a inchar, e isso comprometia parte da minha visão. Olhei em volta da igreja vazia e nem o padre José estava lá, pelo menos não no altar.
Andei para o lado direito da igreja e me ajoelhei em frente ao confessionário fechado, tentando lembrar alguma reza que havia me ensinado, mas a única coisa que vinha em minha cabeça foi o que minha mãe falou e claro, minha cabeça latejava, então eu podia estar confundindo as coisas um pouco.
- Padre, desculpe se eu pequei. – Comecei, fazendo caretas, eu não estava certa se era isso que eu deveria dizer.
- Fale minha jovem. – Tive resposta e afirmei com a cabeça, respirando fundo.
- Eu gostaria de saber se amar é pecado. – Respirei fundo, engolindo a saliva. – Quando eu era pequena, eu sabia que não, mas agora, parece que as coisas mudaram. – Respirei fundo. – Minha mãe está sofrendo nas mãos de um homem muito mal, por causa de mim e do meu irmão. – Engoli a saliva novamente. - Por favor, me dê uma luz. Não é possível que quando as coisas começaram a melhorar, após a morte de meu pai, elas fiquem piores do que estavam. – Apertei minhas mãos uma na outra, sentindo o sangue seco nos nódulos de uma delas. – Isso não pode ser verdade. – Respirei fundo, abaixando o rosto e erguendo o corpo novamente, sentindo minhas pernas fraquejarem por um momento e ouvi algo bater, me fazendo virar o rosto assustada.
- O que foi isso que você disse? – Ouvi a voz de e escondi o rosto em minhas mãos, respirando fundo.
- Você estava dentro do confessionário? – Falei baixo e senti sua mão em meu ombro.
- Estava e eu fico feliz em estar, do contrário, você não falaria o que está acontecendo para mim. – Ele falou e eu me levantei, os joelhos ajudaram dessa vez. – O que houve dessa vez? Me amar é pecado agora? – Peguei uma força de algo maior, provavelmente de Deus mesmo e eu virei meu corpo em direção a . A reação de susto dele foi imediata.
- Isso te responde? – Falei, talvez sendo um pouco grossa e ele imediatamente se aproximou de mim, me abraçando contra seu corpo, fazendo que eu gemesse de dor em um momento.
- Isso não pode ficar assim. – Ele falava com o rosto encostado em minha cabeça. – Alguém precisa fazer alguma coisa.
- Não fui só eu que apanhei. – Falei, sentindo um gosto especial em minha boca e dessa vez não era sangue, era orgulho.
- Você bateu nele?! – falou meio surpreso, meio indagando e colocou as mãos em meus ombros e eu afirmei com a cabeça, com um sorriso orgulhoso no rosto. - Você não tem noção do perigo? – Ele perguntou me chacoalhando de leve.
- Por favor, você poderia parar de me chacoalhar como se eu fosse um boneco? – Falei, sentindo dor a cada palavra que saía da minha boca e ele me soltou e eu fui me sentar em um dos bancos da igreja.
- Desculpe! – Ele falou, sentando ao meu lado e observando com atenção os machucados em meu rosto. – Você tem noção do perigo que você se colocou?
- Eu não podia deixar de graça, não depois de tudo. – Suspirei, passando a mão novamente em meu queixo, sentindo-o arder.
- Então trata de você me contar tudo o que aconteceu, antes que eu vá pessoalmente arrebentar a cara dele mais do que você fez.
- Não, você não vai. – Segurei sua mão forte e inspirei fundo. – Eu te conto.

- A gente precisa ir embora daqui! – falou, assim que eu terminei de falar, puxando o ar com força para falar, meu tórax doía demais e a cada fala, era uma respirada e a cada respirada era uma dor na lateral do corpo, que provavelmente estaria roxo agora. – Você consegue enxergar isso, ?! – Não respondi. – Sua mãe tem razão, ele pode estar blefando, mas depois de hoje, não sei se ele estará.
- E o que você tem em mente, ?! – Falei, abaixando a cabeça, eu realmente não estava com cabeça para conversar agora, eu queria minha cama.
- Ir embora, começar a vida em algum lugar, pelo menos até essa poeira baixar. – Ele falou, seu tom de voz era sério.
- E para onde a gente vai? Você vai sortear algum estado dos Estados Unidos e ir?! – Perguntei irônica e ele se levantou do meu lado, passando a mão em meus machucados.
- Você também não está colaborando, . – Ele falou bravo comigo e eu suspirei, fechando os olhos. – Não sei se você entendeu, mas eu não quero que minha namorada morra. – Ele falou bravo e eu suspirei.
- Por favor, , fique quieto por dois minutos. – Falei, respirando fundo.
Ele bufou ao meu lado e foi para fora da igreja, provavelmente tentando pensar em algo e eu coloquei minha cabeça para pensar também. Era uma decisão difícil de fazer, mas eu precisava pensar. Aparentemente, tirando algumas drogas eventuais, minha mãe sabia o que estava fazendo, nos protegendo, como qualquer mãe que queria proteger o ninho, e isso me deixou bastante feliz. O problema era eu e Keith, talvez o medo de Daniel fosse que a gente tomasse a empresa de repente, sem se importar com muita coisa, um golpe talvez, mas eu e Keith não conseguiríamos cuidar de uma empresa... Mas afinal, a maioria das pessoas daquela empresa gostava da gente, então talvez nos apoiassem. Mas após isso e aí? A decisão perfeita para nós era a morte.
Mas como não tinha testamento, ele estava com o burro dele na sombra, nenhuma decisão oficial havia sido feita e já que os dois filhos são vistos como incompetentes aos olhos do conselho, e provavelmente estavam todos comprados por Daniel, eles não permitiriam que tomássemos a empresa de volta simplesmente assim. É, minha vida em Bells não permitia muita coisa mais, o que me fez prender a respiração por um tempo, eu só não xingava, porque eu estava na igreja, mas minha vontade era de fazer isso. Outra coisa era que, apesar do meu padrasto ter apanhado enquanto estava um pouco drogado, ele com certeza iria atrás de nós, e eu poderia ficar pior do que estava e viva eu era mais útil. Pense, pense, pense!
- Mas é óbvio! – Me levantei rápido demais, gemendo em seguida.
- O quê? – Ele perguntou e eu segurei seu rosto com as mãos.
- Keith! Ele pode nos ajudar. – Falei. – Ele conhece gente no mundo inteiro!
- Então, você realmente cogitou ir embora? – Suspirei.
- Atualmente é a decisão mais sensata a se fazer, e eu tenho um alvo nas minhas costas. – Suspirei e ele afirmou com a cabeça. – Onde Keith está? – Perguntei.
- Em casa ele não está, porque eu estava lá antes de vir para cá. – Ele falou.
- Ele está no bar, então. – Falei e afirmou com a cabeça.
- Vamos então, não podemos perder tempo, precisamos ir embora o mais rápido possível, porque depois de hoje, ele vai querer te matar.
- Tá, eu já entendi! – Falei um pouco alto demais e suspirei. – Eu já entendi ! Eu posso morrer. – Ele franziu os lábios e afirmou com a cabeça. – Saquei, obrigada por me lembrar... De novo.

Eu fui o caminho inteiro até o bar, em pé na bicicleta de , meus braços estavam firmes em seus ombros, e em diversas vezes eu achei que fosse desmaiar, a dor em meu rosto estava anestesiada já, mas eu tinha uma leve impressão que alguma coisa dentro de mim não estava, então a cada lombada que passava com velocidade, eu sentia meu estômago revirar.
Além disso, eu vivia olhando para trás. O dia estava passando e a sensação de perseguição era cada vez maior, eu não ouvia nada, eu não via nada, mas sempre olhava para trás, para ter certeza de que não tinha ninguém atrás de mim, o que fazia com que eu soltasse o ar aliviada.
parou a bicicleta em frente ao bar favorito de Keith e eu desci, respirando forte, colocando a mão na lateral do corpo, e meu namorado virou o rosto, apoiando a mão em meus ombros, silenciosamente perguntando se eu estava bem e com uma afirmação da minha parte, eu ajeitei meu corpo, entrando no bar pouco cheio.
- ? ? – Ouvi a voz de Ben e me apoiei no balcão, puxando a respiração forte. – O que aconteceu?
- É uma longa história, você pode trazer gelo para gente? – Ben balançou a cabeça por um tempo e respirou fundo.
- Venham aqui dentro. – Ben falou e passou meu braço pelos seus ombros e eu abaixei a cabeça, deixando meus cabelos claros caírem em meu rosto para que eu tentasse me esconder, não queria ser notícia aquele dia, muito menos fofoca da cidade, isso só pioraria minha vida. Ben abriu uma sala que parecia a sala dos funcionários, o lugar tinha algumas cadeiras espalhadas pelo local e alguns armários.
- Coloque-a aqui, ! – O barman falou, e eu senti os braços de me levantar, me fazendo sentir algumas pontadas de leve e no segundo seguinte eu estava deitada em cima de uma mesa no fundo do local. – Aqui para você. – Uma blusa enrolada foi improvisada para ser meu travesseiro e eu relaxei, fechando os olhos por um momento.
- Keith está por aqui? – perguntou e Ben afirmou com a cabeça.
- Eu vou chamar ele, pegar gelo para e ver se tem algum médico aqui hoje.
- Não! – Levantei o corpo com força, segurando o braço de Ben. – Ninguém pode me ver assim, por favor. – Ben olhou de mim para , de para mim e afirmou com a cabeça, se retirando.
- Calma, , deita. Keith já vem. – Afirmei com a cabeça e senti a mão dele passar de leve em minha testa e eu suspirei, sentindo vontade de chorar, mas eu me segurei, eu não podia chorar por algo que eu não pudesse ajudar.
- ! – Ouvi a voz do meu irmão mais velho e senti um alívio no peito, ele estava bem. – O que aconteceu, o que ele fez contigo? Eu vou matar aquele cara. – Keith falou com uma velocidade incrível que até eu demorei para processar, mas eu só suspirei, sentindo o ar entrar direito pelo meu nariz.
- Calma, Keith, por favor! – Ele apareceu em meu campo de visão e eu sorri, erguendo a mão para passar em seu rosto e ele sorriu visivelmente nervoso.
- O que aconteceu? – Neguei com a cabeça.
- Daniel aconteceu, mas por favor depois eu falo sobre isso. – Ele franziu a testa, passando a mão em meus cabelos.
- Aqui o gelo! – Ben falou, com alguns sacos de gelo na mão e o primeiro eu coloquei na lateral do meu rosto, sentindo o gelo entrar em contato com o machucado, me fazendo gemer com a dor, mas logo eu o soltei. Subi minha blusa um pouco e pelo espanto dos três homens na sala, eu podia notar que estava feio também.
- Você precisa ir para um hospital. – Keith falou e eu coloquei a bolsa de gelo em cima dali, sentindo minha barriga contrair imediatamente.
- Eu preciso sair de Bells. – Falei simplesmente, segurando a terceira bolsa de gelo em meu queixo.
- O que você está dizendo, ?! – Keith perguntou, não entendendo.
- E você também. – Falei, puxando o ar pelo nariz e soltando pela boca.
- Do que é que você tá falando? – Ele perguntou.
- A gente tá com alvos nas nossas costas, Keith, ele quer matar a gente. – Falei, tentando não citar nomes. – A situação é séria. – Falei e ele passou a mão no rosto, provavelmente chorando. – Mamãe me contou depois que eu deixei algumas marcas nele também.
- Fala direito, , eu não estou entendendo nada.
- A coisa é séria, Keith! – entrou na conversa. – Vocês precisam ir embora, e eu já disse que vou com a . Por isso viemos atrás de você.
- Você conhece muita gente, Keith. – Falei, sentindo meu corpo anestesiado já e tirei o gelo do rosto, abaixando a blusa e me sentando, sentindo o gelo escorregar um pouco no meu tórax. – Precisamos ir embora. – Falei com raiva na voz e puxei o ar forte, balançando a cabeça. – Eu estou com medo, Keith. – Fui sincera. – Eu não quero terminar como o papai. – Falei, sentindo o choro chegar à garganta e eu fiz questão de engoli-lo.
- Eu conheço alguns lugares. – Ele falou, afirmando com a cabeça. – Que tipo de lugar você quer?
- Discreto, simples, sem muitas extravagâncias. – Suspirei. – Um lugar que a gente possa ficar bem escondido, sem chamar atenção. – Falei e ele suspirou.
- Um lugar que as pessoas queiram ir embora, ao invés de se mudar para lá? – Ele perguntou irônico e eu ri fraco.
- Tipo isso. – Falei e ele afirmou com a cabeça.
- Tenho alguns colegas da faculdade que vieram de alguns fins do mundo. – Sorri para ele. – Você tem um computador aí, Ben? – Keith gritou para o barman.
- Tenho sim, pega aí no meu armário. – Keith foi em direção ao armário.
- Mas eu quero saber uma coisa, como vocês vão? Como vocês vão se sustentar? – Keith falou, batendo na porta de um dos armários.
- Estamos no fim do mês, eu estou com a grana curta. – falou e eu suspirei.
- Eu também. – Fechei os olhos, não acredito que eu não pensei no principal.
- Eu posso pedir o carro do meu pai, ele vai entender. – Ouvi a voz de um pouco ao longe e suspirei.
- Ir é fácil, o problema é só como vocês viverão lá, essa é a parte complicada, eu recebo o salário da empresa na segunda, para mim tá fácil.
- Edmond! – Falei, estalando os dedos. – Ele pode nos ajudar. – Desci da mesa e segurei o gelo na lateral do meu corpo, andando devagar em direção aos dois que estavam em duas cadeiras, Keith com o computador no colo.
- Como? – Keith perguntou como se fosse a coisa mais impossível do mundo.
- Não sei se você lembra, mas a gente tem uma poupança desde que nascemos, se Daniel não descobriu isso, ainda há uma chance. – Virei para . – Uma pequena parte da porcentagem do lucro da empresa era guardada para gente. – Virei para Keith novamente. – Talvez dê para resgatar isso. – Keith abriu um sorriso, soltando uma risada em seguida.
- Vamos, antes que fique tarde! – Keith falou, fechando o computador com força. – Valeu Ben! – Ele gritou.

- Que susto, ! – Edmond falou, abrindo a porta para que eu visse seu corpo de roupão e não só seus olhos. – O que houve contigo?
- Também quero saber. – Keith falou e eu suspirei.
- Podemos conversar? – Perguntei e ele afirmou com a cabeça, dando espaço para que eu, e Keith entrássemos. - Daniel está fora de controle, ele me bateu, eu bati nele, minha mãe falou que está fazendo tudo o que ele quer porque fomos ameaçados de morte e... – Fui falando enquanto entrava na casa de Edmond com ele ao meu lado. – Ah, não, por hoje foi só. – Ele revirou os olhos e puxou uma cadeira da mesa de jantar para que eu sentasse, enquanto ele sentava do meu lado.
- Mas você provocou também, não?! – Keith perguntou, virando para mim.
- Um pouco! – Falei, com um sorriso no rosto e ele riu fraco.
- Em que eu posso te ajudar? – Ed falou e eu suspirei.
- Eu preciso saber das minhas contas, Ed. – Falei, apoiando os braços na mesa.
- Eu não posso apresentar as contas da empresa, . – Ele falou. – Não estão comigo.
- Não, não! – Falei. – Eu quero saber quanto tem na minha poupança, aquela que meu pai criou assim que a gente nasceu. – Falei e ele afirmou com a cabeça, se levantando.
- Amor, o que houve? Quem é?! – Adelaide apareceu no pé da escada e eu sorri para ela. – ? Porque você está assim, o que houve? – Ri fraco e suspirei.
- Eu estou bem, Ad. – Respondi.
- Está nada, vou pegar as coisas e fazer um curativo em você. – Ela falou, enquanto descia as escadas e começava a mexer nas gavetas da cozinha.
- Eu estou com essas contas, , mas não sei o que você pode fazer com isso. – Ed voltou, com uma pasta em suas mãos e sentou no lugar que estava.
- Eu vou viver Ed! – Falei, colocando minha mão por cima da dele na mesa. – Eu vou viver de verdade. – Falei, sorrindo. – Eu vou embora daqui. – Foi como se essas palavras o aliviassem.
- Você nem imagina o quão feliz eu estou por isso. – Ele falou sorrindo e dando um beijo em minha testa. – Você merece. – Ele virou para Keith. – Vocês merecem. O último ano não tem sido nada fácil.
- Erga o rosto, . – Ad falou, ficando o meu lado e eu fiz o que ela pediu, ouvindo diversas caixas caírem na mesa. – Ah meu Deus!
- Ad! – Falei, olhando para ela e ela riu fraco.
- Desculpe! – Ela disse. – Mas algumas coisas aqui precisariam de pontos, ok?
- Depois eu resolvo isso. – Falei. – O que me diz Ed?
- Bem, cada um de vocês tem pouco mais de 350 mil dólares na conta de vocês. – Minha boca foi para o chão.
- O quê?! – Keith levantou, quase subindo em cima da mesa.
- Calma! – Ed falou. – Cerca de 40% desse dinheiro está congelado, aparentemente por causa do testamento sumido do seu pai, não sei os motivos legais para isso. – Ele falou, fechando a pasta novamente e tirando os óculos.
- Ai! – Reclamei, quando Ad colocou alguma coisa em meu queixo.
- Relaxa! – Ela falou.
- Ok, mesmo com 40% disso congelado, isso ainda nos deixa com cerca de... – Fiz umas contas rápidas na cabeça. – 70 vezes três dá quanto? – Fechei os olhos. – 210 mil dólares, dá para ir embora e começar a viver bem! – Falei e olhei para o rosto de , ele estava visivelmente incomodado com isso.
- Mas você não pode simplesmente ir, . – Edmond falou. – Como vocês vão fazer? Para onde vocês vão? Você só tem 18 anos.
- Eu tenho 20. – falou.
- Grande diferença! – Edmond foi irônico.
- Não sei Ed, mas eu não vou ficar aqui. – Respirei fundo. – Pode ser uma piada muito da sem graça que Daniel fez com minha mãe num momento de raiva, mas eu não quero ficar para descobrir, não depois do que houve hoje. – Falei séria, apontando um dedo para ele.
Ele fechou os olhos por um momento, passando a mão em seus cabelos grisalhos e respirou fundo, escondendo o rosto nas mãos por um tempo. Eu sabia o que ele estava fazendo, ele estava pensando, tentando achar algum meio de converter aquela situação, ou talvez de ajudar. Era isso que eu fazia.
Relaxei o queixo quando senti Ad colocar um curativo grande em meu queixo, colando-o em meu rosto e outro em minha têmpora, deixando meu rosto levemente repuxado, incomodando um pouco, mas pelo menos aquilo estava limpo, com pomada e fechado, livre de infecção.
- Depois você tem que ver minha barriga. – Falei baixo para ela, que suspirou, provavelmente pensando que era só isso.
- Eu vejo. – Ela sorriu, sentando ao lado de na mesa.
- Eu tive uma ideia. – Ele falou, coçando a cabeça ainda. – Não é uma ótima ideia, mas talvez ajude. – Ele falou. – Você vai junto, Keith?!
- Sim. – Falei.
- Não! – Keith respondeu e eu virei o rosto para ele, surpresa.
- Você precisa ir embora daqui, Keith. – Falei séria com ele, como se eu fosse à irmã mais velha.
- Eu vou, mas eu vou para Washington. – Ele falou para mim. – Eu tenho gente de confiança lá, alguns políticos, eu vou ficar bem.
- E você vai para onde? – Ed virou para mim.
- Sullivan's Island. – Keith falou. – Na Carolina do Sul. – Franzi a testa. – Você disse simples, discreto, calmo e mais algumas coisas, lá que você vai encontrar isso. – Ele suspirou. – Vocês vão poder viver bem. – Ele sorriu. – Eu tenho um amigo lá, Ethan, ele é um pouco mais velho que eu, mas vai ajudá-los.
- Você vai ficar bem longe? – Ele riu fraco com minha pergunta e colocou a mão em cima da minha.
- Sim, eu vou! – Ele falou. – E eu que deveria estar preocupado, maninha! – Ri fraco.
- Bem... – Ele suspirou. – Eu acho até melhor, na verdade. – Ed falou. – Vocês separados é melhor. Se ele inventar de ir atrás de vocês, ele terá que achar em lugares diferentes. – Afirmei com a cabeça. – Quanto a você Keith, eu sei exatamente das pessoas que você está falando, por favor, não deixe isso chegar à boca do presidente, ok? A desculpa de vocês vai ser férias, veraneio, qualquer coisa, mas nada da verdade. – Keith afirmou com a cabeça. – E vocês dois e ... – Ele se virou para mim. – Se vocês serão um casal de verdade, chegando a uma pequena cidade do interior, acho que vocês deveriam oficializar isso, para não ter dúvidas.
- O que você quer dizer com isso? – perguntou.
- O que vocês acham de casar? – Eu gelei na hora, virando o rosto para Edmond na hora, não sendo capaz de olhar para .
- Isso é sério? As pessoas não vão suspeitar, não?! – Franzi a testa.
- Duvido. Vocês são novos, mas aparentam um pouco mais velhos. Achem um emprego, fiquem na de vocês e dancem conforme a música. – Ele falou. – Usa a desculpa que o pai de vocês não aprovava o namoro de vocês e vocês fugiram por amor, ou qualquer coisa assim.
- Não vai deixar de ser verdade. – falou, seguindo de uma risada e eu virei o rosto para ele.
- Você está falando sério? – Ri fraco, olhando para e ele afirmou com a cabeça.
- Eu vou contigo para onde for preciso, . – Mordi meu lábio inferior. – Eu vou cuidar de você.
- Que lindo! – Ouvi a voz de Ad.
- Perfeito! – Edmond suspirou. – Agora só precisamos oficializar isso para vocês irem embora com essa documentação pronta.
- Ah, legal, o cartório abre só na segunda feira e eu não estou a fim de ficar bobeando aqui. – Abri um sorriso de lado para Ed e ele revirou os olhos.
- Documentação especial de casamento. – Ed falou e eu olhei sem entender. – Tem algumas cláusulas, mas tenho certeza que pena de morte entra nesse quesito.
- O que isso quer dizer? – Perguntei.
- É possível que um casamento seja viável com a assinatura dos noivos, de duas testemunhas ou mais e de um juiz de paz. – Franzi a testa.
- Aí que complica Ed.
- Um juiz de paz, . – Ele repetiu como se fosse óbvio. – Alguém que represente a paz. – Ele repetiu. – Um padre! – Abri a boca, surpresa.
- Padre José! – Falei, empurrando a cadeira com força e me levantando.
- Pode parar aí! – Ad falou, segurando meu ombro. – Eu vou ver sua barriga que você disse.
- Enquanto isso eu vou preparar a documentação. – Edmond falou, se levantando.
- A gente realmente vai fazer isso? – Perguntei para e ele estendeu a mão por cima da mesa segurando a minha e dando um beijo nela. – Tem certeza?
- Eu tenho. – Ele abriu um sorriso, sem mostrar os dentes e eu ri fraco. – Eu te amo.
- Acho que isso basta. – Respondi e ele riu. – Eu te amo.

Assim que o Crown Victoria parou na frente da pequena igreja perdida no meio da cidade, desci do carro com e Keith as minhas costas, enquanto Edmond e Adelaide vinham atrás, com Teddy dormindo no colo de Ad. Keith subiu as escadas correndo da igreja e empurrou a porta dupla da igreja, fazendo com que ela abrisse. Me surpreendi por ela abrir com facilidade e ele sumiu lá dentro.
Edmond e Adelaide subiram logo em seguida e ficou para trás, me ajudando a andar, agora que Ad tinha enfaixado minha barriga, era mais difícil de andar, pelo menos eu tinha trocado aquela blusa cheia de sangue, por uma de Ad, ela ficava um pouco larga em mim, mas teria que servir.
- O que está acontecendo? – Ouvi a voz do padre José, assim que eu entrei na igreja.
- Precisamos de um casamento, padre. – Edmond falou e ele olhou para mim, apoiada em .
- Deveria perguntar? – Ele falou e eu ri fraco.
- Deveria, mas eu não queria explicar de novo. – Falei e ele riu, afirmando com a cabeça. – Belo pijama. – Falei, apontando para o camisolão dele que ia até os pés.
- Me acordaram! – Ele falou e eu sorri, afirmando com a cabeça. – Bem, eu já suponho o que aconteceu pelos machucados de e o senhor contador aqui. – Ele falou e eu suspirei. – Normalmente eu gosto de conhecer a história de quem eu caso, mas desde que vocês caíram aqui por acidade, eu já conheço vocês. – Padre José falou e eu sorri. – Tem certeza que vocês querem fazer isso? – O padre perguntou e eu ri fraco, virando para .
- Você tem? – Perguntei a ele e o vi ri fraco, com a pouca luz.
- Eu tenho.
- Eu também. – Falei, dando mais alguns passos para frente.
- Vamos então. – Ele falou, seguindo em direção ao altar e acendeu uma luz do mesmo, fazendo com que o local fosse iluminado e pela luz do poste que vinha lá de fora.
- Padre, com licença, Keith Bells aqui. – Keith levantou a mão, como se pedisse permissão e eu franzi a testa. – Podemos fazer a versão curta de um casamento? Estamos com pressa. – O padre riu e eu ri junto dele.
- Eu conheço você, Keith! – O padre falou e Keith ficou com um grande ponto de interrogação no rosto. – Vamos então, por favor, vocês fiquem aqui na frente.
estendeu a mão para mim e deu um sorriso lindo. Eu segurei sua mão e segui em frente, dando três passos em direção ao altar. Erguendo os olhos levemente para o padre, mas também para o crucifixo que estava acima de sua cabeça e eu suspirei, talvez fosse falta de presença espiritual.
- Vamos juntos, então. – Padre José falou. – Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
- Amém! – Falamos juntos.
- Boa noite, Deus, estamos reunidos aqui para uma celebração especial e um tanto quanto curta. – Ele olhou para nós. – Então, gostaria de pedir desculpa antecipadamente por esse casal em minha frente, tão jovem e com diversos problemas, mas que o Senhor os proteja e os ajude, para que eles consigam seguir por essa vida juntos, na paz e no amor, que foi o que o Senhor nos ensinou. – Senti a mão de apertar a minha e suspirei, fechando os olhos por um momento. – , repita comigo.
- Eu, , algum segundo nome?
- Henrietta. – Respondi e ele sorriu.
- Eu, Henrietta Bells, recebo este homem, ...
- Marcus.
- Marcus Owen, em nome do meu amor e da minha fidelidade.
- Eu, Henrietta Bells, recebo este homem, Marcus Owen, em nome do meu amor e da minha fidelidade. – Repeti.
- Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe.
- Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a sorte nos separe.
- Amém! – Falei junto com o padre. – Agora você, .
- Eu, Marcus Owen, recebo esta mulher, Henrietta Bells, em nome do meu amor e da minha fidelidade, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe. – falou, sem que o padre precisasse ir devagar com ele e eu sorri.
- Alguma aliança?
- Não teve tempo, seu padre. – Keith falou e soltou minha mão por um momento.
- Pode ser um objeto? – Ele perguntou e o padre afirmou com a cabeça. colocou a mão dentro da camiseta e puxou sua corrente de santo, que eu não reconhecia e esticou na palma da sua mão.
- São Judas Tadeu. – Padre falou imediatamente e afirmou com a cabeça.
- Que conveniente. – Ad falou e eu virei para ela.
- O santo das causas desesperadas e impossíveis. – O padre falou e eu sorri.
- Senhor, peço que nos perdoe novamente. Mas abençoe esse amuleto como aliança, para esse casal. – Ele colocou minha mão em cima da de , fechando em uma concha a corrente e fez o sinal da cruz em cima das mãos de . – Deus os abençoe. – Ele sorriu. – Pelo poder investido em mim e com a presença das testemunhas presentes, eu vos declaro marido e mulher. – O padre falou e nesse momento eu desabei, sentindo as lágrimas caírem dos meus olhos.
Senti os braços de passar pelo meu corpo e forcei os braços ao redor do seu corpo, com a respiração difícil e ergui meu rosto, olhando nos olhos de e ele sorriu, encostando seus lábios nos meus e havia me tocado que fazia um tempo que eu não sentia aquilo e suspirei, sentindo uma força diferente dentro de mim.
- Padre, por favor, você pode assinar isso para mim? – Ouvi a voz de Edmond e me separei de , vendo Keith se aproximar.
- Vai dar tudo certo, maninha! – Ele falou, beijando minha bochecha e eu afirmei com a cabeça.
- Vai sim! – Ouvi a voz de Ad ao meu lado e ela me deu um beijo na bochecha, seguindo para .
- Vocês precisam ir. – Ouvi a voz de Ed mais perto e virei o rosto para o padre.
- Muito obrigada! – Acenei para ele que apoiou uma mão contra a outra.
- Protejam-se. – Ele falou e viramos o corpo para trás, saindo da igreja correndo.

pulou do carro antes mesmo que ele parasse e saiu correndo para dentro de sua casa e eu fui logo atrás, dando uma olhada no carro preto difícil de não reconhecer do lado de fora e eu senti meu corpo gelar, Keith foi o segundo a notar, imediatamente fazendo com que seu corpo protegesse o meu, mantendo meu corpo atrás do seu.
Edmond e Adelaide notaram o que estava acontecendo e se aproximaram de nós, também reconhecendo o carro e eu engoli em seco, prendendo a respiração por alguns segundos. Ouvi o barulho da maçaneta do carro abrir e o mesmo foi aberto. Foi como se eu visse aquilo em câmera lenta e eu mordi meu lábio inferior, sentindo o ar me faltar, me obrigando a puxar mais.
Aliviei o corpo quando vi Billy e Steve saírem do carro e suspirei, correndo para abraça-los e eles fizeram o mesmo, nesse momento eu me desmontei em lágrimas, abraçando meus dois guardiões, sentindo meu corpo desmoronar no momento em que meu corpo encostou-se nos deles.
Não sei quanto tempo eu fiquei assim, mas foi o suficiente para eu me desmanchar em lágrimas e eu sabia que meu olho inchado ficaria mais inchado ainda, e eu me afastei deles por um momento, sentindo ambos com as mãos em meu rosto e cabelo.
- O que vocês estão fazendo aqui?
- A gente quer saber o que você vai fazer. – Steve falou e eu segurei sua mão que estava em meu rosto, beijando-a.
- Vamos embora. – Falei e eles afirmaram com a cabeça. – Eu, e Keith. – Eles não perguntaram nada, somente afirmaram com a cabeça.
- Promete que vai ficar protegida? – Billy perguntou e eu ri fraco.
- Mais que aqui. – Respondi e eles sorriram.
- Mantenha contato. – Billy falou.
- Não. – Respondi. – É melhor que vocês não saibam para onde vamos.
- Ela está certa! – Steve falou e eu abracei um de cada vez, sentindo-os me abraçarem fortemente, fazendo com que eu lembrasse minha infância, como quando eles cuidavam de mim quando eu era mais nova e meus pais saíam e eu tinha medo da sombra que o abajur fazia.
- Eu aprendi a cuidar de mim mesma. – Falei.
- Estou vendo! – Steve comentou.
- Como ele está? – Perguntei.
- No hospital. – Billy respondeu e eu ri fraca. – Isso te dá algumas horas para ir embora, ele está muito puto, só foi porque sua mãe chamou a ambulância.
- Por favor, pelo menos se despeça de nós. – Virei o rosto, vendo saindo de casa com três mochilas lotadas e algumas coisas em suas mãos, e seu pai e sua tia atrás.
- Eu vou, tia! – colocou as coisas no chão e abraçou primeiro a tia.
Eu afastei meu corpo de Steve e Billy por um momento e corri em direção a Anthony, sentindo seus braços passarem pelo meu corpo e senti um beijo em minha testa, me confortando em seus braços e ele sorriu, quando eu voltei a olhá-lo.
- Eu ainda estou um pouco perdido, mas, por favor, se cuida. – Ele cochichou para mim e eu afirmei com a cabeça.
- Pode deixar! – Respondi e troquei de lugar com , abraçando Claire, que ainda tinha o protetor de olhos preso em sua testa e a senti me abraçar forte, fazendo com que eu gemesse de leve.
- Desculpa! – Ela cochichou e eu ri fraco, sentindo um beijo em minha bochecha e retribuindo. – Não quer acordar seus primos?
- Não dá tia, só avisei vocês para vocês não ficarem preocupados.
- E para onde vocês vão? – Anthony perguntou.
- Para um lugar seguro. – respondeu e me abraçou de lado, me fazendo sorrir.
- Por favor, pelo menos mande uma carta falando que está tudo certo, qualquer coisa. – Claire falou e eu afirmei com a cabeça.
- Faremos o possível. – Respondi.
- É melhor vocês irem! – Edmond falou e eu virei meu rosto para eles.
- Vocês levam a gente na rodoviária? – Perguntei.
- Não, vocês vão com meu carro.
- Mas Ed...
- Não começa! Vocês vão levar.
- Como você...
- , me obedeça. – Ele falou, tirando a chave do bolso e entregando nas mãos de . – Estão com os documentos de vocês? – Ele perguntou.
- Sim, coloquei tudo na mochila, com nossas roupas. – falou. – Pelo menos vocês tem pouca coisa aqui. – Ele comentou, olhando para Keith que riu fraco.
- Ok, a certidão de casamento está no carro, vocês vão conseguir fazer novos documentos com ela... Troque seu sobrenome por Owen, . – Afirmei com a cabeça.
- Tempo! – Claire se intrometeu. – Vocês se casaram?
- O quê? – Anthony perguntou.
- É uma longa história. – Falei, franzindo a testa.
- A gente conta enquanto vocês vão. – Ad falou.
- Por favor, com uma xícara bem grande de café. – Claire falou, parecendo surpresa.
- Vamos! – falou, pegando as mochilas, com a ajuda de Keith e eles colocaram as coisas no porta-malas do Crown Victoria de Edmond e começaram a se ajeitar no carro.
- Posso só dizer uma coisa? – Perguntei, no meio de algumas das pessoas que eu mais amava naquele mundo. – Obrigada! – Senti o choro subir pela garganta novamente. – Obrigada por tudo. Vocês estão falando para eu me proteger, mas vocês também, eu não sei do que Daniel é capaz, mas eu quero todos vocês bem. – Respondi. – Steve, Billy, rondem aqui algumas vezes, por favor, na cada de Edmond também. – Respirei fundo. – E vocês também, são seguranças, mas cuidem de vocês também. – Mordi meu lábio inferior e ambos acenaram com cabeça.
- Vai querida, te amamos também. – Ad falou e eu sorri, virando meu corpo para o carro, em direção ao banco do lado do motorista, já que Keith foi atrás. – E quando estiver segura, vá a um hospital. – Ad falou e eu afirmei com a cabeça, entrando no carro.
Puxei o cinto de segurança e travei no meu corpo, sentindo-o apertar bem na lateral do meu corpo, mas relaxei. e Keith fizeram o mesmo. O barulho do motor fez um ronco alto na noite silenciosa quando deu a partida e a mudança de marchas também. Ele saiu com o carro dando ré na garagem e eu olhei para todas as pessoas que estavam com roupas de dormir ou só com sono, na frente da casa de e respirei fundo, sentindo as lágrimas escorrerem pela minha bochecha e suspirei, acenando para eles, com a cabeça encostada no banco e os vi acenando de volta. Fiz o mesmo movimento até que virasse na próxima rua, me fazendo perder a visão deles.
Seguimos pela cidade, fez um caminho diferente, um que não passasse perto de casa, nem do hospital, cortando o meio da cidade, mas o que foi bom, quando eu notei, ele estava passando na frente do cemitério, me fazendo engolir em seco, olhando os portões fechados e o muro alto, protegendo pessoas importantes lá dentro e suspirei.
- Eu vou voltar pai! – Falei baixo, com a cabeça encostada no vidro do carro. – Eu vou lutar. – Senti a mão de encostar-se a minha e virei o rosto para ele, que sorria.
Não demoramos muito para sair da cidade, caminhando pelas estradas desertas do estado do Texas e eu sorri novamente, quando passamos em frente à fábrica, a minha fábrica. Algumas luzes estavam acesas, mas o local estava deserto, estava tudo parado, tudo mesmo, até as vacas estavam descansando naquele momento. E eu suspirei, sabendo que aquilo faria falta em minha vida.
Quando estávamos oficialmente fora do território de Bells, eu peguei meu celular, que estava com pouca bateria e liguei no 3G rapidamente, digitando a cidade que Keith havia dito e vendo a distância de Bells, até Sullivan’s Island, minha nova moradia e suspirei.
- 17 horas de viagem. – Falei para que afirmou com a cabeça.
- Só vamos parar para ir ao banheiro. – falou e eu afirmei.
- Eu dirijo uma parte também. – Falei.
- Eu também! – Keith completou do banco de trás.
- Onde você vai ficar Keith? – perguntou.
- Podem me deixar em Austin? Ou o mais perto possível? – Ele perguntou.
- Sim. – Falei, digitando no celular novamente. – 4 horas de viagem.
- É mais folgado. – falou. – Podem dormir um pouco. – Ele falou.
- Não é como se eu fosse conseguir. – Falei e sorriu para mim.
- Você está segura agora. – Ele falou e eu sorri.


Capítulo 5

- Tem certeza que você vai ficar bem? – Perguntei, sentindo-o apertar meu corpo fortemente contra o seu.
- Eu vou. – Meu irmão falou e eu sorri, soltando um suspiro próximo a meu ouvido.
- Eu não sei o que você vai fazer, com quem você vai falar, mas, por favor, tome cuidado. – Falei, olhando para os olhos verdes do meu irmão.
- Eu não vou fazer nada, irmã! – Ele falou, passando as mãos em meus braços. – Eu vou achar proteção, pessoas que conhecem Daniel, que o conhecem, que sabem como ele é... – Ele suspirou após falar rápido. – Qualquer coisa. Alguém precisa acreditar em mim.
- Fique quieto por um tempo, Edmond vai ficar de olho, mas ele pode vir atrás de vocês. – falou ao meu lado e eu suspirei, fechando os olhos devido à claridade.
- E vocês não deem muita bobeira. Em Washington eu vou ficar seguro, é uma cidade política, para eu pedir uma audiência com o presidente, não me custa.
- Não faça nada disso, Keith! – Falei nervosa, segurando seu ombro. – Não temos como provar um ameaça de morte, então não faça nada. – Ele bufou. – Keith, isso é sério! – O chacoalhei.
- Eu vou sentir sua falta, irmã. – Afirmei com a cabeça, com um sorriso no rosto.
- Provavelmente não conversaremos por um tempo, e é melhor assim. – Ele afirmou com a cabeça e eu sorri. – Eu te amo, ok?! Não esqueça isso.
- Nunca! – Ele falou, estalando um beijo em minha bochecha.
- Vai, pegue o próximo voo. Quando conseguir, saque todo o dinheiro que Edmond colocou para nós, nossa conta ainda está ligada à empresa.
- Eu sei irmãzinha. Sobre dinheiro eu sei. – Soltei uma risada fraca e ele me abraçou novamente.
- Precisamos ir. – Ouvi a voz de . – Temos uma longa viagem. – Keith me soltou, passando as mãos no rosto.
- E você, tome conta da minha irmã. – Keith falou para , abraçando-o. – Nos veremos novamente.
- Eu vou! – respondeu, abraçando Keith forte.
- Vamos tentar fazer isso o menos depressivo, possível. – Falei. – Por favor. – Eles riram e se soltaram.
- Fale com Ethan, ele é grande, brincalhão, mas vocês podem confiar. – Afirmei com a cabeça e ele ajeitou a mochila nas costas. – É melhor vocês irem. – Ele deu alguns passos para trás, acenando com a mão e um sorriso bonito no rosto. - Eu te amo. – Vi seus lábios se movimentarem e afirmei com a cabeça.
- Eu também. – Respondi, encostando-me na porta do carro, acompanhando Keith com o olhar, até ele entrar no aeroporto da capital do Texas.
Dei um sorriso de lado e abri a porta do Crown Victoria, fechando-a novamente, enquanto eu afivelava o cinto. ligou o carro novamente e logo saiu do embarque e desembarque do aeroporto, seguindo lentamente pela multidão que ocupava as ruas de Austin em meio ao sábado, pouco depois do sol aparecer.
- Eu vou odiar fazer isso. – falou, suspirando. – Mas precisamos abastecer. – Franzi a testa.
- E você vai odiar isso, por quê? – Perguntei, virando o rosto para ele.
- Te pedir dinheiro. – Ele falou, apertando as mãos no volante.
- Nosso dinheiro, . – Falei, encostando o rosto no banco do carro, ficando de lado. – Você me prometeu uma vida juntos, não era planejado, mas agora eu vou cobrar. – Falei baixo, soltando o ar pelo nariz. – Estamos juntos nessa. – Ele afirmou com a cabeça, tirando uma mão do volante e colocando sobre minha perna.
- Estamos. – Ele falou, sorrindo.

- Acho que aqui está bom. – falou, desligando o carro e eu encarei o lado de fora.
O lugar era bem parecido com qualquer hotel de estrada que a gente via em filmes, dois andares, quartos em cima e embaixo, uma piscina na frente, só que em uma das laterais era possível ver um restaurante, com algumas pessoas entrando e saindo e um forte cheiro de carne. Fazia pouco tempo que entramos em Louisiana, e ainda faltavam quatro estados para passarmos, mas a fome nos pegou antes.
- Não é como se estivéssemos escolha. – Falei, saindo do carro e ele riu fraco, me seguindo.
Fui para o porta-malas e cada um pegou sua mochila, antes de trancar o carro. Encarei o local com a pintura desgastada e não pude deixar de franzir a testa, eu estava acostumada com lugares... Melhores. Mas eu respirei fundo e soltei o ar, olhando para ao meu lado, ele parecia bem. Os cabelos claros se iluminavam devido ao sol do meio dia e seus ombros estavam avermelhados já. Ele virou o rosto para mim e eu sorri.
- Vem patricinha, vem! – Ele falou, esticando a mão para mim e eu a segurei, apertando meu corpo no dele e seguimos lado a lado até a porta do restaurante.
abriu a porta na minha frente e olhei para dentro, o cheiro de carne era forte e senti meu estômago roncar. O lugar não estava tão cheio, mas dava para notar alguns caminhoneiros, algumas famílias e pessoas sozinhas. Afinal, era sábado, meio de julho, ou seja, férias.
andou comigo até uma mesa de dois lugares da lateral, longe das janelas e sentamos na mesma nos livrando das mochilas e colocando no chão, ao nosso lado. Respirei fundo e olhei ao nosso redor, conferindo se a barra estava limpa e senti uma mão tocar na minha, me assustando.
- Ei! – falou. – Tá tudo certo?
- Tá sim! – Virei meu rosto para ele, suspirando. – Desculpe.
-Tá tudo certo. – Ele sorriu, acariciando minha mão. – Não é fácil largar tudo.
- Na verdade, eu acho que é. – Mordi o lábio inferior. – Foi a coisa mais fácil que eu fiz no último ano. – Cocei a cabeça. – E você tem sido o mais cuidadoso possível, obrigada. – Falei e ele sorriu.
- Estou contigo até a morte. – Ele piscou com um olho e eu soltei uma risada fraca.
- Não acredito que casamos. – Falei, passando a mão no rosto.
- Foi por uma causa maior, mas eu te prometo que farei isso dar certo.
- Se você não fizer, eu o farei. – Ele sorriu. – Eu ainda acredito em promessas, até as feitas na pressa. – Ele riu fraco.
- Boa tarde, tudo bem? – O garçom apareceu ao nosso lado com um bloco nas mãos. – Vocês conhecem nosso restaurante?
- Não, não conhecemos! – Falei, olhando para o moço jovem.
- Nós temos o buffet, que custa 20 e cinco dólares o quilo, podem repetir quantas vezes quiser e temos alguns pratos prontos que variam de 15 à 75 dólares, que podem servir até quatro pessoas. – Eu e nos olhamos.
- Gostaríamos de ver o cardápio, por favor. – Falei e o moço sorriu, tirando um cardápio do bolso de seu avental.
- Fiquem à vontade. – Ele falou e se retirou.
- Ah, e fazer check-in? Aonde vamos? – perguntou.
- Só ir à recepção, do outro lado. – Afirmei com a cabeça e ele se retirou.
- Acho que devemos tirar uma soneca. – Ele falou.
- Não seria melhor ir direto para Sullivan’s Island? – Perguntei.
- Precisamos descansar.
- Eu dirijo. – Falei.
- Eu sei, mas não é por isso. Você teve um dia complicado ontem, Adelaide limpou seus machucados, mas você ainda precisa de um hospital. – Ele falou. – É sério. Chegando nessa nova cidade, você vai para o hospital.
- Ok. – Respondi.
- Mas enquanto isso não acontece, você vai descansar.

- Ok, pelo GPS, vamos chegar lá daqui umas 6 horas. – falou, mexendo no meu celular.
- Nossa, vai ser de madrugada! – Reclamei, franzindo a testa, apertando as mãos no volante.
- A gente pode parar mais uma vez, se você preferir. – Ele falou, virando o rosto para mim.
- Não. – Falei, voltando a atenção para estrada, vendo o sol começar a se pôr pelo espelho traseiro. – Vamos seguir em frente.
- Ok, mas pararemos para dividir esse volante mais uma vez.
- Combinado! – Falei, apertando o pé com mais força no acelerador, vendo que a velocidade aumentara.
- Mensagem! – falou, pegando meu celular novamente, desbloqueando-o.
- De quem é? – Perguntei.
- E. Warner. – Ele falou, virando o celular para mim.
- É o Ed! – Falei. – Pode abrir.
- Ok, um segundo! – Ele falou, mexendo no celular. – Nossa, que textão! – Ele falou.
- Leia! – Mandei.
- “Acabei de fazer a transferência do dinheiro para vocês, aconselho que quando chegarem nessa cidade vocês façam documentos novos, nomes novos, usem o sobrenome do e um nome diferente. D está atrás de você, então qualquer coisa para dificultar ele de ir atrás de vocês é melhor e ajuda. Com documentos novos, peguem todo o dinheiro transferido na sua conta e coloquem em uma conta nova. Esqueçam tudo o que viveram aqui em Bells, comecem de novo. Quebrem o chip do celular, eu dou um jeito de entrar em contato com vocês, se preciso for. Não tentem falar conosco. Estamos cuidando da sua família e da de , eles ficarão bem. Amamos vocês, E e A.” – finalizou, após gaguejar em algumas partes e ambos ficamos quietos. Eu apertei minhas mãos mais forte no volante e puxei a respiração, soltando-a em seguida.
- Eu tenho tantas perguntas. – Falei, soltando um suspiro.
- Nós vamos superar isso. – falou e eu virei o rosto para ele por alguns segundos. – Mas primeiro as prioridades. – Ele falou e eu ouvi um estalar da capa de trás do meu celular sair e ele tirou tanto a bateria, quanto o chip do celular. – À vida nova? – Ele perguntou e eu mordi meu lábio inferior, suspirando e engoli em seco.
- À vida nova! – Repeti receosa e quebrou o chip em dois, forçando-os até que ele se dividisse.
- Tenho fé que vai dar tudo certo. – Ele falou e eu suspirei, voltando a olhar para a estrada. – A um novo começo! – Ele falou e abriu a janela do carro, jogando o chip pela janela.
- Vai, dorme um pouco, quando eu cansar, eu te aviso. – Falei e ele virou o rosto para mim.
- Tem certeza?
- Tenho sim, vai ficar tudo bem. – Falei. – Qualquer coisa eu te chamo.
- Ok. – Ele falou, dando um beijo em minha bochecha e voltando a sua posição de antes.

Sullivan’s Island era realmente uma cidade pequena, ou melhor, uma ilha pequena. Muito pequena, devo dizer. A cidade ficava há alguns quilômetros de Charleston, a maior metrópole por perto. E ficava também perto de diversas outras ilhas, como James Island, Morris Island, Folly Island, Dewees Island e Isle of Palms, mas tenho certeza que a Sullivan’s Island ainda era a menor de todas.
Com uma população de pouco mais de duas mil pessoas, ela tinha o lugar bem rústico, com casas tradicionais brancas e azuis de dois andares. As ruas podiam ser contadas nos dedos, meia dúzia de ruas na vertical e algumas vielas na horizontal. Por um momento, achei que aquela cidade fosse puramente turística, até que vi algumas mercearias e farmácias.
A melhor parte, que também podia ser a pior, era o fato dessa cidade ser uma ilha, então qualquer lado que você olhasse era areia e água azulada, o que fazia com que o cheiro de sal fosse percebido rapidamente, mas isso não seria problema. Podia não ser fã de praia, eu preferia o campo, mas aquilo podia se tornar aconchegante.
seguiu as placas com sinal de cruz, cortando praticamente toda a primeira massa de terra e quando chegou a segunda, eu nem sabia que tinha. Mas logo ele estacionou atrás de alguns carros parados. Quando olhei o lugar, notei que não se passava de um postinho de saúde. Uma casa grande.
- Qual vai ser a desculpa? – Perguntei, vendo desligar o carro e suspirar.
- Acidente de carro? – sugeriu e eu franzi a testa por um tempo, virando o rosto para ele.
- Aí tem polícia lá dentro, quer dar uma investigada no carro e não tem nenhum arranhão. – Ele falou.
- A gente pode dar uma amassada na frente do carro e...
- ! – O parei e ele olhou para mim. – Não! A gente pode precisar desse carro. – Ele fez uma careta e eu revirei os olhos.
- Ok, senhorita esperta, o que a gente fala, então?! Porque vão perguntar.
- A gente pode falar só de uma freada brusca, algo assim, nada muito trágico.
- Ok, afinal, de trágico já basta a verdadeira história. – falou sarcasticamente e eu revirei os olhos.
- Vamos. – Ele falou, abrindo a porta do carro e eu saí ao seu lado, puxando minha mochila e trancou o carro.
Caminhamos até a frente do hospital ou posto de saúde, e as luzes brancas do local me cegaram, comparado com as amarelas do lado de fora. Olhei em volta rapidamente. Logo na entrada tinha um balcão à esquerda, com uma mulher alta, com seios fartos e cabelos pretos atrás dele, e do lado contrário tinha uma porta com a placa “Pronto Socorro”, também era possível ouvir alguns barulhos baixos dos outros cômodos.
- Boa noite! – A mulher falou, olhando para nós, com a testa franzida.
- Boa noite! – Falei me aproximando do balcão. – Eu gostaria de ser atendida.
- Vocês são novos por aqui? Acho que nunca os vi. - Ela falou.
- Sim, somos. – falou, se colocando ao meu lado. – Somos recém-casados, e um amigo nos indicou essa cidade para morar e estamos pensando em ficar.
- Ah, que ótimo! – Ela falou animada. – É um prazer, eu sou Amara, médica de Sullivan’s Island. – Ela estendeu a mão para mim.
- Eu sou... – Demorei por um tempo e pensei, franzindo a testa um pouco, até que eu fingi uma tosse, para não ficar sem graça. – Henrietta Owen. – Falei, sorrindo.
- É um prazer! – Ela falou sorrindo.
- Eu sou Marcus Owen. – falou ao meu lado e eu sorri por ele ter entendido.
- É um prazer. – Ela sorriu. – Não se sintam mal, mas vocês não são muito jovens para casar? – Ri fraco.
- Na verdade sim, mas estávamos prontos. – falou ao meu lado e eu sorri, olhando para ele.
- Então, senhora Owen. – Ela brincou. – Vamos para a sala. O que aconteceu? Pelo seu rosto, já vejo alguns inchados.
- Foi uma freada brusca no nosso caminho para cá, eu estava dormindo sem cinto e bem, foi feia a coisa. – Falei, caminhando ao seu lado até o Pronto Socorro. – Paramos em um hotel na estrada para limpar e fazer um curativo em minha barriga, mas está bem roxo e eu fiquei preocupada.
- Primeiro, espero que depois dessa, você aprenda que não pode andar sem cinto de segurança. – Ela falou, fechando a porta e seguindo para uma mesa. – Segundo, por favor, tire a blusa e deite na maca, vamos ver como está a barriga, antes de fazer algum curativo.
Entreguei minha mochila para que se sentou em uma cadeira ao lado e eu tirei minha blusa, puxando-a para cima, sentindo meus braços duros ainda, e entreguei a blusa a e subi na maca, deitando-a na mesma, olhando para o teto branco.
- Te enfaixaram aqui. – Amara brincou e se afastou um pouco. – Vou cortar para ver melhor. – Senti a tesoura gelada tocar em minha pele e ouvi o barulho da mesma cortando a gaze colocada à minha volta e a médica soltou uma reação de susto quando viu o machucado. – Ok, ainda bem que vocês vieram aqui. – Ela suspirou.
- Está feio demais? – Perguntei, franzindo a testa.
- Razoavelmente. – Ela falou. – Me avise se doer. – Ela falou, e senti as mãos cobertas pelas luvas de borracha começar a tocar a lateral da minha barriga e eu franzi a testa quase que imediatamente, puxando a respiração forte.
- Ah! – Reclamei, apertando os olhos.
- Bem, pelo visto dói bastante. – Ela falou e se afastou. – Pode se sentar. – Ela falou e eu a obedeci, deixando o resto da gaze na maca e a tempo de vê-la tirar as luvas de borracha. – Aparentemente não temos sinal de nenhum órgão perfurado, se houvesse você não estaria aguentando a dor. – Afirmei com a cabeça. – Mas, você vai tomar um anti-inflamatório e também um analgésico e vamos ficar de olho nesse roxo, caso não reduza em dois dias, a gente pede para ir ao continente fazer um raio-X e uma tomografia. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça.
- Ok. – Falei e ela pegou um bloco, escrevendo algumas coisas.
- Anotei meu celular também, qualquer coisa, me liguem. – Ela falou.
- Obrigada! – falou me entregando minha blusa.
- E para o rosto, uma pomada para cicatrizar. – Ela falou. – Vamos fazer os curativos? – Ela perguntou e eu afirmei com a cabeça.

- Pronto! Agora você está segura para ir. – Amara falou e me entregou a blusa, a qual eu vesti.
- Obrigada Amara. – Falei e a morena sorriu.
- Eu que agradeço por ocupar um pouco minha madrugada. – Ela brincou. – Espero vê-los por aí.
- Com certeza! – falou, afirmando com a cabeça.
- Ah, que besteira a minha! – Ela balançou a cabeça. – Vocês são novos, provavelmente não tem onde morar, certo?
- Certo! – Falamos juntos e rimos em seguida.
- Bem, estamos no meio da noite, então vocês podem ficar na pensão da dona Lilite por hoje, é pequeno, mas é confortável e ela realmente adora receber gente nova. – Amara correu atrás do balcão, procurando algo em uma das caixas. – Achei! – Ela ergueu o papel e me entregou. – Dona Lilite é um amor, e também não é uma velha chata. – Rimos juntas.
- Obrigada Amara, se todo mundo for um por cento do que você foi, tenho certeza que a mudança será ótima. – Falei, com um sorriso no rosto.
- Somos um povo bastante caloroso e amoroso. – Ela riu fraco e se colocou atrás do balcão.
- Isso é muito bom! – falou e eu sorri. – Amara, só uma última pergunta. Você tem um ponto de referência para nós?
- Ah, claro! – Ela virou o rosto para a parede. – É aqui perto. Vocês chegarão ao fim do quarteirão e virarão à direita, subam três quadras, virem à direita e cinco quadras. É uma casa branca, três andares, poste e um jardim lindo na frente. – Amara riu. – Difícil não ver.
- Obrigada Amara, por tudo! – Falei. – Te devemos algo?
- Claro que não, isso é um posto de saúde público, por favor. – Ela falou. – Agora vão, já está tarde, vocês precisam descansar. E não se esqueçam de comprar os remédios pela manhã. – Acenei com a cabeça.
- Obrigada novamente! – Falei, começando a descer os degraus do posto de saúde, com atrás de mim.
Finalizei as escadas e acenei novamente para Amara, enquanto seguia para o carro, olhando para os lados antes de atravessar a rua e vi abrir o carro e eu entrei no mesmo, com um pouco de dificuldade devido ao curativo que cobria a extensão da minha barriga.
- O que achou? – Ele me perguntou, enquanto saía com o carro. – Qual foi sua primeira impressão? – Ponderei com a cabeça.
- Se todo mundo for legal como ela foi, o mínimo possível, já vai ser menos pior. – Repeti o que falei lá dentro e ele sorriu. – E a cidade até que é boa.
- Até que é boa? A cidade é maravilhosa. Olha isso, tem água em volta dela inteira. – Franzi a testa.
- É... – Falei, suspirando.
- Não gosta de praia? – Ele perguntou.
- Eu sou mais do campo, espaços abertos para cavalgar, descansar... – Suspirei. – Por isso que eu gosto tanto de Bells.
- Vamos tentar fazer dessa cidade nossa própria Bells. – falou, segurando minha mão. – Podemos senhora Henrietta Owen? – Soltei uma gargalhada, fazendo com que minha barriga doesse.
- Peguei a ideia do Ed, e foi o mais rápido que eu pensei, poucas pessoas sabem que meu segundo nome é Henrietta.
- Eu que o diga. – brincou.
- Nem vem, Marcus! – Falei e ele riu fraco.

Passei o pente no cabelo e o coloquei na pia, dando uma olhada em meu rosto, com algumas manchas roxas por ele inteiro, mas suspirei, precisava deixar sem curativo por um tempo. Puxei a porta do banheiro, ajeitando a barra da minha blusa e olhei para que dormia na cama de casal, ele não se mexia muito para dormir, então estava exatamente do jeito que eu o havia deixado quando levantei.
Calcei minhas sapatilhas e abri a porta do quarto da pensão, tentando fazer o mínimo de barulho possível e saí do mesmo, puxando a porta novamente. Andei pelo corredor, encontrando a moça da limpeza e acenei para ela, fazendo-a sorrir. Desci os degraus com dificuldade e agradeci muito por nosso quarto ser no primeiro andar.
- Bom dia! – Falei quando entrei na sala de jantar, vendo alguns dos outros visitantes ali.
- Bom dia! – Eles responderam em coro.
- Henrietta! – Lilite acenou para mim, correndo em minha direção. Ela era uma senhora pequena, eu não era tão alta, mas ela batia em meus seios, mais ou menos, tinha os cabelos platinados e com permanente. – Eu achei aquele amigo que você mencionou. – Ela falou animada.
- Sério? – Perguntei feliz.
- Se você soubesse o sobrenome seria muito mais fácil, é o Ethan DaRuge, sua família praticamente fundou Sullivan’s Island. – Mordi o lábio inferior, o amigo de Keith era poderoso, então.
- Mesmo? Nossa! – Me fiz de desentendida e sorri para a senhora. – Ele mora em uma das mansões do litoral direito da ilha. – Ela falou animada. – Sua família é dona de imobiliária atualmente, trabalham na prefeitura, mas não me lembro se é um DaRuge que está na prefeitura atualmente... – Ela ficou pensativa.
- Muito obrigada. – Falei sincera. – Irei lá agora mesmo.
- Por favor, tome um café da manhã antes. – Ela me puxou uma cadeira e eu sorri para a senhora, não poderia fazer essa desfeita.
- Na minha saída, eu vou aproveitar e sacar dinheiro para lhe pagar.
- Não se preocupe com isso, querida, vamos ajeitar vocês antes nessa cidade. – Assenti com a cabeça. – Ai, vocês vão adorar! – Ela falou animada, colocando um prato com bolos variados em minha frente.

Olhei para a casa branca e azul de três andares na areia da praia e suspirei. Onde eu fui me meter? Keith não deve ter feito por mal, mas a ideia era eu ficar longe de pessoas poderosas, eu precisava começar de novo e assim eu não conseguiria. Suspirei e dei três batidas na porta pesada de madeira e juntei as mãos, suspirando.
Ouvi um barulho vindo da casa, parecia alguém correndo dentro da mesma, dei dois passos para trás, franzindo a testa e em seguida um barulho de algo quebrando, ouvi alguns gritos vindo de dentro da residência e ri fraco. Um barulho veio da porta e a maçaneta se mexeu e eu ouvi o ranger da porta.
- Bom dia! – Uma senhora muito bem arrumada abriu a porta, ela deveria ser um pouco mais velha que minha mãe, usava um conjunto de executiva muito bonito e tinha longos cabelos escuros.
- Bom dia. – Respondi. – Eu estou procurando Ethan. – Olhei o papel em minha mão. – Ethan DaRuge, é aqui?
- Ah, você deve ser amiga do Ethan, um segundo. – Ela falou animada e deu alguns passos para trás. – Ethan, para você! – Ela gritou. – Ele já vem. – Ela sorriu, se afastando.
O tal Ethan apareceu logo em seguida. O cabelo dele era castanho e bagunçado, barba e bigode cheios e incríveis olhos azuis. Ele era um pouco mais alto que eu, e usava uma roupa um tanto quando desgrenhada, uma camiseta de banda amassada e calças largas que deveriam combinar com seus pés descalços. Ele ficaria muito lindo se ele se vestisse melhor, mas o achei meio velho para ser amigo do Keith.
- Olá, tudo bem? – Ele falou de forma descontraída. – Me procurando?
- É, eu acho que sim. – Olhei o papel novamente. – Ethan DaRuge? – Perguntei.
- Sim, presente! – Ele respondeu, erguendo a mão.
- Eu sou a irmã do Keith! – Falei baixo e ele arregalou os olhos e puxou a porta atrás de si.
- Oh meu Deus, claro, eu estava esperando vocês... Cadê seu namorado? Ou melhor, marido?
- Ele está na pensão da Lilite. – Respondi. – A gente chegou de madrugada, fomos no hospital e aí indicaram a gente lá.
- Dona Lilite é gente fina! – Ele respondeu. – Mas e você? Keith me contou o que houve, você está bem?
- Você falou com Keith? Ele está bem?
- Calma! – Ethan me cortou. – Ele estava em Washington já quando conversei com ele, mas vamos focar em você. Como você está? – Afirmei com a cabeça.
- Eu estou o equivalente a bem, na situação que eu me encontro. – Falei e ele suspirou.
- Isso é bom, o pessoal tá sendo legal com vocês?
- Sim, está! – Respondi. – Você está me tratando como se eu fosse uma criança, Ethan.
- Você é uma criança o qual coisas ruins estão acontecendo, então sim, eu vou te tratar assim. – Ele respondeu. – Vamos à pensão, então, precisamos conversar e resolver as coisas. – Ele falou. – Vou ajudá-los no que for necessário. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça. – Vocês precisam de casa, documentos novos, móveis novos, empregos e por aí vai.
- Sim, por favor. Se vamos viver aqui, precisamos nos misturar.
- E claro, conhecer bastante gente nova! – Ele riu fraco. – Bastante. – Ri fraco, afirmando com a cabeça.

- Isso é estranho. – Ouvi a voz de e virei o rosto, vendo-o sorrir diversas vezes para a foto.
- É necessário! – Sussurrei para ele e pensei um pouco antes de criar uma assinatura um tanto quanto estranha para o meu novo nome... Bem, parcialmente, eu só estava escondendo outros dois.
- Pronto, senhora Owen. – A mulher do outro lado da mesa falou. – Senhora, é até engraçado, né?!
- Só Henrietta, por favor. – Falei. – Eu só tenho 18 anos. – Ri fraco.
- Difícil mudar, não?! – Ela perguntou e eu acenei com a cabeça.
- Sim, um pouco. – Respondi e surgiu ao meu lado.
- Onde eu assino? – Ele perguntou para a mulher e ela o entregou um papel e uma caneta e ele assinou, igual a mim.
- Bem, os documentos demoram a chegar, pois são pedidos no continente, mas assim que chegar, a gente avisa vocês. – Ela falou sorridente.
- Obrigada! – Agradeci e me levantei da cadeira, sentindo segurar minha mão e o abracei de lado.
- Confesso, é estranho. – Falei para ele, quando saímos do cartório. – Parece tão fácil mentir.
- De certa forma não é mentir. – falou ao meu lado.
- É, não é, ?! – Falei para ele e ele ponderou com a cabeça.
- Você precisa deixar isso para lá, , faz quase um mês. – Balancei a cabeça, respirando fundo.
- Eu sei. – Reclamei, andando em direção ao carro, sentindo o sol bater em meu rosto. – Eu estou tentando. – Respondi.
- Você precisa tentar com mais força.
- Eu sei! – Reclamei mais alto, suspirando em seguida. – Desculpe! – Suspirei.
- Tá tudo certo! – falou, passando a mão em meu rosto e eu mordi meu lábio inferior. – Eu sei como é difícil deixar quem a gente ama. – Afirmei com a cabeça.
Ele fez um carinho delicado em meu rosto e eu fechei os olhos, já que o sol me cegou quando tentei olhar para seu rosto. Ele reduziu o espaço entre nós e beijou meus lábios de forma delicada, me fazendo suspirar. Ele passou as mãos em volta do meu pescoço e eu encostei minha cabeça em seus ombros, fechando os olhos.

- Essa é uma das menores que temos, a localização é perfeita, pois está em frente à praia, a janela da cozinha dá para a praia, e o aluguel não é tão caro para a localização. – A mulher da imobiliária falava enquanto eu olhava para a casa.
A casa era aconchegante e simples, logo que você entrava nela, tinha uma pequena sala à direita e uma cozinha à esquerda, separada por um balcão. Em outra porta, tinha somente um quarto, mas ele era bem largo e tinha uma suíte. A parte de fora era simples, tinha um pequeno deque na frente e alguns passos já estava na praia, tanto que a frente da casa era para a praia, não para a rua. E na parte de trás, tinha uma pequena lavanderia.
- O que você acha? – Virei para que estava apoiado no balcão.
- Eu gosto. – Ele falou visivelmente contente com o lugar. – Acho que podemos viver bem aqui. – Ele deu de ombros. – E poderemos pagar com nossos salários, quando conseguirmos um emprego. – Afirmei com a cabeça, havíamos concordado que meu dinheiro seria usado somente até conseguirmos um emprego e sem exageros.
- Vamos ficar com o lugar, então. – Falei para a mulher e ela quase deu um pulo animada e eu ri fraco.
- Vou pegar os documentos no carro. – Ela falou, saindo pela porta da cozinha que dava para trás da casa e eu ri fraco.
- Lar doce lar? – falou brincando e eu ri fraco, revirando os olhos.
- Sim! – Respondi séria. – Vai ser nosso lar. – olhou para mim com a testa franzida. – Você mesmo que disse que precisamos esquecer e seguir em frente, certo? – Perguntei e ele assentiu com a cabeça. – Pois então. – Respondi. – Vamos seguir em frente. – Falei firme, o qual ele nem zoou.
- Aqui está! – A mulher da imobiliária voltou com os documentos nas mãos. – Preciso da assinatura de um dos dois como locatário.
- Eu assino, sou mais velho, dá mais credibilidade. – brincou e eu ri, mexendo a cabeça negativamente e eu saí para o deque do lado de fora, olhando para o horizonte.
Por mais que eu não fosse tão fã de praia, eu tinha que admitir que ela dava uma força especial, um poder especial, e ainda em uma ilha, era como se a água fosse me proteger de qualquer coisa e que fosse me dar força para eu fazer e conseguir completar o que eu quisesse.
- Olá, vocês são os novos moradores? – Um senhor falou comigo e eu me assustei, em primeira estância ele parecia muito com Edmond.
- Sim, somos. – Apontei para que saía da casa.
- Eu sou Antoine, eu e minha esposa moramos aqui do lado. – Ele falou e eu sorri, descendo as escadas e pisando na areia da praia, para falar cara a cara com ele.
- É um prazer, eu sou Henrietta. – Estendi minha mão para ele. – E ele é Marcus.
- Vocês são irmãos? – Franzi a testa e olhei para o senhor em minha frente, tendo que rir um pouco.
- Não, na verdade somos marido e mulher. – Falei, já achando normal isso e o senhor arregalou os olhos. – Sim, somos novos, mas somos legalmente casados. – Falei e ele riu.
- Desculpe, é que vocês realmente são bem novos, aparentemente.
- Somos mesmo. – apareceu ao meu lado. – Mas somos responsáveis, prometo.
- Que isso, é ótimo ver um amor jovem louco para ficar juntos, acho que o último que vi fui eu e minha esposa. – Ele riu fraco. – Bem, qualquer coisa, podem nos chamar, ajuda, móveis, dicas amorosas, qualquer coisa. – Eu e rimos fraco.
- Muito obrigado, senhor Antoine! – falou, cumprimentando-o.
- Senhor não, por favor. – Ele riu, se afastando.
- É minha impressão, ou todo mundo dessa cidade é incrivelmente legal? – comentou.
- Em compensação em outras partes dos Estados Unidos... – Falei, voltando a subir as escadas do deque. – Precisamos prometer sempre lavar o pé antes de entrar em casa. – Falei, ligando a ducha do deque.

- Ah meu Deus! – apareceu ao meu lado, com a cara amassada e me empurrou um pouco no banheiro, pegando a escova de dente nas pressas. – Desculpa, ! – Ele falou e eu dei espaço para ele, esticando as mãos e me escorando na parede, com a escova de dente na minha boca e ele fez a higiene bucal rápida demais. – Eu estou atrasado para o trabalho. – Franzi a testa e cuspi a pasta da minha boca, correndo de volta para o quarto.
- Seu trabalho é atravessando a rua. – Falei alto e ele sumiu pela porta, me fazendo franzir a testa e terminei de escovar os dentes, voltando para o quarto e me trocando, antes de abrir a janela do quarto, olhando para a rua, onde poucas pessoas passavam por ela, mas tinha vários carros estacionados.
Enrolei o colchonete no chão e o coloquei no canto do quarto, empurrando uma das banquetas para a parede, tentando deixar nossa bagunça no mínimo organizada. Saí do quarto e andei até a cozinha, passando a pequena mesa de plástico que tinha no meio dela e abri o armário, pegando o cereal e o leite na geladeira. Misturei os dois e me sentei no banco de plástico, comendo a mistura devagar.
Assim que eu vi o fundo do pote eu me levantei, escondendo o banco embaixo da mesa, abrindo a janela da cozinha, deixando o sol entrar pela mesma e passei por entre a sala e a cozinha, dando de cara com a pequena televisão colocada no meio da sala e dois pufes grandes jogados no chão. Passei pela porta que havia deixado aberta e me debrucei sobre o alambrado do deque, olhando para se alongando junto de várias crianças na areia da praia.
- Vamos, quero todo mundo correndo! – Ouvi sua voz de longe e ele começou a correr devagar, fazendo com que as crianças o acompanhassem. – Se não correr não pode surfar, hein?! – Ele brincou com as crianças e elas logo saíram correndo, querendo subir logo na prancha de surfe.
Voltei para dentro de casa, arrumei minha bolsa e saí novamente, trancando a porta e mostrando a chave para e a apoiei na janela que dava para cozinha e andei pelo deque, voltando à minha caça a um emprego. Passei pelo carro estacionado e suspirei, ele estava parado faz tempo, atualmente fazíamos tudo a pé.

- Amor, eu tenho uma surpresa! – Ouvi a voz de e franzi a testa, pendurando a toalha no varal que tinha atrás da cozinha. – Aqui na parte de trás. – Coloquei a cesta de roupa limpa e molhada no chão e segui para a parte de fora de casa, tomando um susto. – Surpresa! – Ele falou, mostrando o colchão gigante ao seu lado.
- Oh, meu Deus, ! – Abri a boca, rindo fraco e eu o abracei.
- Eles fizeram um desconto bom para gente e eu não aguento mais dormir no colchonete. – Ele reclamou e eu ri fraco, estalando um beijo em sua bochecha.
- , isso é demais! – Falei rindo, passando a mão no colchão macio. – Ai que delícia. – Suspirei.
- A noite vai ser boa? – Ethan perguntou, aparecendo com os outros pedaços da cama.
- Vai ser ótima de dormir. – Respondi, batendo nele e riu.
- Vamos montar isso! – Ethan falou e eu dei espaço para ele entrar em casa com os pedaços da cama.
- Não acredito que você fez isso. – Falei, empurrando e ele riu. – O dinheiro deu mesmo?
- Vamos ter que comer macarrão com azeite até o fim do mês, mas deu. – Ele brincou e eu sorri, segurando seu rosto com as mãos e beijando seus lábios fortemente.
- É por isso que eu te amo. – Falei rindo.
- Viu?! Eu falei que o salário de instrutor de surfe era bom. – Ele brincou.
- E vai melhorar nas férias. – Falei e ele riu. – Será que faz calor aqui no fim do ano?
- Vamos esperar e ver. – Ele respondeu.
- Ei, , aceitaria mais um par de mãos. – Ethan gritou do quarto e eu ri, andando em direção ao quarto, com atrás de mim. – A cama é de vocês, ok?! – Ele brincou e eu ri fraco.
- O que precisa? – perguntou e eu encostei-me no batente da porta.
- Alguém que segure essas duas partes enquanto eu parafuso. – Ethan falou, com a chave de fenda nas mãos.
- Ok! – falou. – Ei, só cuidado com a minha mão. – Ele reclamou e eu franzi a testa.
- Aceitam macarrão de almoço? – Perguntei.
- Sim! – Ethan falou rapidamente e abriu um sorriso para mim, movimentando a cabeça negativamente e eu pisquei.

Estava escuro... Mais escuro que o normal, eu não podia ver nada à minha volta, nenhuma fresta, nenhuma porta, mas eu também sabia que não estava presa. Suspirei, esticando minhas mãos ao meu redor e comecei a sentir minha respiração falhar, ficando cada vez mais pesada e virei o rosto diversas vezes para os lados, tentando encontrar alguma coisa.
Virei meu corpo, notando o vislumbre de algo brilhante e imediatamente parei, parando de respirar. O cano da arma estava virando em minha direção, e atrás da arma, eu podia ver o vulto de um rosto, como se alguém tivesse ligado uma lanterna direto nele. Os olhos estavam vermelhos, a boca larga em um sorriso medonho e o dedo firme sobre o gatilho.
Engoli em seco e senti que meus olhos não quiseram se fechar, me fazendo encarar aquele cano prateado tão próximo a meu rosto. Quando o dedo se mexeu, eu fechei os olhos na pressa, ouvindo o estouro logo em seguida e a bala me forçar para trás, bem na testa, com uma incrível dor de cabeça.
- Ah! – Gritei, acordando na cama, com a respiração forte. – Ah, meu Deus! – Falei, sentindo a mão de segurar em minhas costas. – Ah, meu Deus! – Repeti, sentindo o choro finalmente chegar a minha garganta e as lágrimas rolarem pela minha bochecha.
- Calma, , foi só um pesadelo! – falou, me abraçando na cama, enquanto eu respirava fundo, tentando respirar mais frequentemente.
- Foi horrível! – Falei, passando a mão nos cabelos, soltando o ar pela boca. – Ele estava lá. – Falei, repetidamente. – Daniel estava lá, ! – Falei, suspirando e virou o corpo para mim, segurando minhas mãos. – Ele ia me matar. – Puxei o ar.
- Calma, ! – falou, apertando minhas mãos.
- Ele me matou. – Suspirei, jogando o corpo para trás novamente, passando a mão na testa. – Ele me matou.
- Não, , você está segura. – falou, passando a mão em meu rosto, secando minhas lágrimas. – Você está comigo, segura! – Ele repetiu e eu senti meus pulmões acalmarem, me fazendo respirar com menos força. – Quer água? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Não, só fica comigo! – Falei e ele se deitou ao meu lado, passando os braços pelo meu corpo e eu encostei a cabeça em seu peito, suspirando.

- Olá, senhora Marta. – Falei, aparecendo na janela da senhora. – Tenho cartas para você! – Falei e ela sorriu.
- Henrietta! – Ela falou animada e logo apareceu do lado de fora. – O que tem para mim hoje?
- Só cartas. – Falei, pegando o embrulho de três cartas para ela.
- Espero que seja dos netos. – Ela falou animada e eu a entreguei.
- Espero que sim! – Ela respondeu animada.
- Até amanhã, Marta! – Falei e ela acenou, voltando a entrar na casa.
Conferi na prancheta a próxima casa e a guardei na bolsa novamente, atravessando a rua e voltando a caminhar pelas casas, observando bem o número delas, me fazendo sorrir com cada jardim que eu via, tinha quase uma competição do melhor jardim. Era tudo simplesmente maravilhoso. Virei a próxima casa e peguei as cartas da pessoa, batendo na porta dela e a vendo abrir com um sorriso maravilhoso.
- Henrietta! – A pessoa falou. – Nenhuma entrega hoje? – A criança no colo da mãe fez uma careta.
- Ainda não, Brad, quem sabe mais sorte na quinta? – Entreguei a carta solitária na mão dele e ele sorriu.
- Até quinta então. – Ele falou e eu acenei.
- Tenham um bom dia! – Respondi, caminhando para fora do terreno da pessoa e continuando minha caminhada.
Acho que a melhor coisa que eu havia feito era conseguir o emprego de carteira na cidade. Eu acabava unindo o útil ao agradável. Eu andava pela cidade, conhecia pessoas novas e ainda tinha minha dose diária de sol. Cansava, mas era um trabalho incrível e eu trabalhava três dias na rua, dois no escritório e tinha os fins de semana livres.
- Bom dia! – Falei animada para a balconista.
- Henrietta! – Amara respondeu feliz e me abraçou forte. – Esse uniforme combina contigo, sabia? – Ela falou e eu ri fraco.
- Chegou um pacote grande de remédios no correio, passa lá para retirar? – Perguntei.
- Claro, pode ser amanhã? – Ela perguntou.
- Claro, sem problemas! – Respondi e ela sorriu. – Te espero lá amanhã. – Acenei e ela sorriu.
- Quem é o próximo? – A ouvi falar com seus pacientes e eu ri fraco.
Olhei para o céu, vendo-o escurecer rápido e olhei para trás, notando que o hospital já tinha ficado há umas seis casas abaixo e eu olhei para a prancheta rapidamente, correndo para a próxima casa, vendo a chuva cair atrás de mim e suspirei, tocando na porta.
- Bom dia! – Falei para a senhora que abriu a porta.
- Bom dia, Henrietta! – Acenei com a mão. – Cartas para mim?
- Sim, algumas, Anita! – Falei pegando na bolsa e a entregando.
- Nossa, bastante! – Ela falou olhando e eu ri. – Gostaria de entrar para esperar a chuva passar?
- Acho que vou aceitar, viu?! – Olhei para a rua que enchera de água rapidamente e entrei em sua casa.
- Um chazinho com biscoitos? – Ela perguntou e eu sorri, acompanhando a senhora até a cozinha.

- Amém! – Repeti com o padre e olhei para o altar novamente, onde o padre e um coroinha estavam, me fazendo suspirar. – Antes da benção final, nós temos um batismo aqui hoje. – Abri um sorriso, olhando para os pais com a criança no colo. – A criança vai chamar? – Ele perguntou para os pais, mas não foi possível ouvir a resposta de onde eu estava. – Bella! – Ele falou alto e eu sorri. – Todos estendam suas mãos para abençoar a pequena Bella, nascida aqui em Sullivan’s Island. Que ela seja abençoada e feliz para sempre. – Estendi minha mão em direção à criança. – Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém! – O padre falou.
- Amém! – Repeti, sorrindo para a criança. – Oh, meu Deus, ela dormiu. – Cochichei para e ele riu, me abraçando de lado. – Oh! – Falei, quando a criança começou a chorar no momento que a água era despejada sobre sua testa.
- Isso nunca dá certo. – falou ao meu lado e eu ri.
- Nós, com nossa pequena Bella, desejamos a todos um ótimo domingo.
- Para o senhor também. – Respondemos em coro.
- Ide em paz que o Senhor vos acompanhe. – Ele falou.
- Graças a Deus! – Respondemos e esperamos o padre e seu cortejo passar e em seguida o pessoal dentro da pequena igreja começou a se mexer de seus lugares.
- Onde vamos almoçar? – perguntou, enquanto eu saía do meu lugar.
- Podemos ir na Rita, falaram que ela está fazendo coisas deliciosas. – Respondi e ele segurou minha mão, andando pelo meio da igreja.
- Tenham um bom dia, queridos! – O padre falou, cumprimentando a mim e a e sorrimos para o mesmo.
- Bom dia, padre! – Respondi, descendo um degrau da igreja.
Virei de frente para a igreja novamente e fiz um sinal da cruz, renovando meu pedido por proteção e virei de costas, descendo os degraus, com ao meu lado e acenamos para algumas pessoas, sorrindo.
- Rita, então?! – Ele perguntou.
- Já tá com fome? São onze horas. – Falei, olhando para o relógio.
- Eu não tomei café, nem vem! Podemos chegar, beber alguma coisa. Sair de casa, ao invés de ficar lá o dia inteiro. – Ele falou e eu ri fraco.
- Ok, o que você quiser. – Respondi e ele comemorou animado.
- Vamos que hoje eu como um pedaço daquela torta dela.

- Você realmente não precisava, Ethan! – Eu e falamos quase juntos e ele riu em seguida.
- Sim, preciso, vocês têm meia dúzias de roupas e pior é que deixam ainda nas malas de vocês, tá?! – Ele falou. – Vocês precisam de um armário e se não comprar mais roupa logo, eu vou dar de ano novo para vocês.
- Ai, dramático! – Sua mãe falou, revirando os olhos. – Mas vocês precisam de um armário, precisam arrumar aquela casa melhor também! – Ela falou e eu ri fraco.
- Pode deixar! Muito obrigada! – Agradeci, olhando para o armário montado no canto da sala de jantar de Ethan.
- Bem, acho que todos já trocaram os presentes? – Ethan falou. – Vamos para ceia?
- Calma, Ethan! – o cutucou. – Eu tenho mais um. – Ele falou, se levantando.
- Ei, ei, prometemos um presente cada. – Falei, apontando para ele.
- Como você sabe que é para você? – Ele perguntou.
- Porque você está vindo em minha direção. – Respondi e ele riu fraco.
- Ok, culpado! – Ele riu. – Bem, eu acho que posso contar essa história. – Ele falou, olhando para o pessoal reunido, os pais de Ethan, e seu irmão mais novo. – Porque eu sei que Ethan contou o porquê estamos aqui e quem somos, certo?! – Eu e viramos para Ethan.
- Certo! – Ethan falou, fazendo uma careta, e eu franzi a testa. – Minha mãe é advogada, gente, ela descobriu sozinha. – Ri fraco.
- Bells. – A mãe de Ethan falou ao meu lado, apertando minha mão e eu suspirei, sentindo o choro subir à garganta.
- Faz tempo que não me chamam assim. – Puxei o ar forte pelo nariz e ela deu um beijo em minha testa.
- Para nós você sempre vai ser Bells. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça, secando as lágrimas.
- Bem, mas acho que algo que ele não contou, foi o fato do nosso casamento ser algo real. – falou, rindo fraco.
- Como assim? – Ethan falou surpreso. – Eu pensei que...
- Sim, somos casados, há seis meses, moramos juntos, tudo foi feito na lei para que... Bem, o resto acontecesse. – O pessoal riu. – Enfim, faz seis meses que casamos e eu não tive a chance de lhe dar isso ainda. – Ele mexeu no bolso do casaco e tirou uma caixinha.
- ! – Falei, suspirando.
- Na pressa, meu colar acabou virando nossa aliança. – Ele tirou o colar de dentro da blusa. – Mas, não é o suficiente. – Ele falou, se ajoelhando em minha frente e abriu a caixinha, mostrando duas finas alianças de ouro. - E eu nem tive a chance de fazer o pedido, então, Henrietta Alexander Bells, você aceita ser minha esposa? – Ele perguntou e eu suspirei, abrindo um largo sorriso.
- Sim! – Falei, sorrindo e ele colocou a aliança menor em meu dedo e eu peguei a maior e coloquei em seu dedo, abraçando-o forte.
- Eba! – Ethan falou animado. – Que lindo! – Ele gritou e eu ri fraco, sentindo um beijo de em minha bochecha.
- Eu te amo! – Cochichei e ele sorriu.
- Eu te amo! – Ele repetiu e eu beijei seus lábios rapidamente.
- Feliz natal, galera! – Ethan gritou e eu ri fraco, me levantando.
- Feliz natal, gente! – Falei, vendo o pai de Ethan começar a distribuir champanhe. – Eu gostaria de brindar a novas oportunidades.
- Às novas oportunidades. – Eles repetiram, erguendo a taça e eu olhei para a aliança fina em meu dedo, sorrindo com ela e encostou a boca em minha cabeça.
- Desculpa por fazê-la tão fininha, foi o que eu consegui. – Neguei com a cabeça.
- Ela é linda. – Falei, bebendo um gole de champanhe.
- Feliz natal para nossa família e nossos novos amigos. Que eles tenham força para enfrentar essa nova fase da vida, pois sabemos que ela não é fácil, mas estamos aqui para o que der e vier. – Angélica, mãe de Ethan falou e eu sorri.
- Obrigada, gente. – falou.
- Eu cresci sempre com natais glamorosos, cheio de pessoas que eu não conhecia, muita gente estranha, mas esse natal é o meu segundo longe da minha família. – Falei e me abraçou de lado. – Mas eu creio que posso chamar vocês de minha família, pois família é quem nos quer bem, e vocês nos querem bem. Então obrigada, família. A vocês! – Ergui a taça novamente e eles sorrindo.
- À família. – O pai de Ethan falou e eu sorri, abraçando .



Capítulo 6

- Nossa, vai ser muito legal, eu vou, com certeza! Tenha um bom dia. – Ouvi a voz de Cami ao meu lado e balancei a cabeça, voltando a focar nos envelopes e selos em minha frente. – Você vai, Henrietta?! – Ergui o rosto para a loira na minha frente.
- Oi?! – Falei, erguendo meu rosto.
- Para festa que vai ter na praia amanhã à noite, você vai, não é?! – Franzi a testa.
- Eu nem sabia de festa, na verdade. – Falei honesta e ela abriu a boca surpresa.
- Como não?! Todos os jovens estão sabendo dessa festa, é algo anual. Vai vir gente até do continente para essa festa. – Ela falou, gesticulando com as mãos.
- Ah, não sei, Cami, não sei se estou na vibe para isso.
- Como não? Não é porque você é casada que você é velha. – Ri fraco, empilhando os envelopes em minha mão.
- Eu sei, mas é que eu estou em uma fase diferente da minha vida. – A vi revirar os olhos.
- Você que quis casar cedo demais. – Arregalei as sobrancelhas. – Ok, não é da minha conta, mas, por favor, chame Marcus, vão à festa. – Ela falou animada. – Apesar de que a festa vai ser praticamente no quintal de vocês, não é como se vocês conseguissem fugir. – Soltei uma risada fraca.
- Eu vou falar com ele. – Falei e ela pulou na cadeira, animada.
- Vai ser muito divertido ter vocês lá! – Ela se levantou correndo e me abraçou e eu revirei os olhos.
- Obrigada, Cami! – Falei, rindo e ela sorriu. – Vai! Agora me ajuda a colocar os selos nesses envelopes, precisa ser enviado amanhã cedo. – Falei empurrando-a de leve e ela sorriu.
- Espero que você esteja falando sério sobre a festa, do contrário, eu vou te buscar na sua casa. – Soltei uma risada, entregando-a diversos envelopes e ela abriu um largo sorriso quando eu a encarei.
- Cami! – Briguei com ela.
- Você tem que se soltar mais. Nossa! Você consegue ser pior que minha mãe! – Ela falou e eu soltei uma risada fraca.
- Apesar da diferença de idade, eu e sua mãe temos as mesmas responsabilidades. Precisamos colocar comida na mesa, pagar as contas e tudo mais. – Falei e entreguei um dos carimbos para ela. – Carimba todos, por favor, vou atender o pessoal lá fora.
- Por que você não volta para casa? Ou melhor, por que você saiu? – Soltei uma risada fraca e suspirei, querendo muito contar a verdade.
- Porque eu decidi me casar e, mesmo contra, minha mãe me apoiou só que agora eu preciso me virar sozinha, simples. – Falei e ela suspirou. – Foi uma decisão minha e de Marcus.
- E de onde vocês são, por que vocês caíram nesse fim de mundo? – Pensei rápido, franzindo a testa.
- Acredite, aqui é menos fim de mundo que o Alasca. – Falei e ela arregalou os olhos. – Pois é! – Ela riu fraco. – E a gente gosta de praia, calor, e tudo mais.
- Agora você faz mais sentido, querida amiga! – Sorri e andei até a porta transparente, empurrei-a seguindo para a área de atendimento aos clientes.
- Bom dia! – Falei para o casal em minha frente.
- Bom dia, Henrietta, tudo bem? – Afirmei com a cabeça sorrindo.
- Tudo certo e com os senhores? – Eles estenderam um pacote sobre a mesa.
- Tudo certo! – A senhora sorriu. – Gostaria de enviar esse pacote para Boston, querida.
- Boston? – Perguntei, pegando uma etiqueta. – Já está nomeada? – Olhei o pacote. – Certinho. Vamos ver quanto vai ficar? – Falei, mexendo no computador e coloquei o pacote na balança.

- Cheguei! – Falei, batendo a porta de casa e trancando-a, largando minha bolsa na bancada da cozinha.
- Aqui no quarto! – Ouvi sua voz e caminhei até o lugar óbvio que ele estava, afinal, se não era na sala nem na cozinha, ele só podia estar no quarto.
- Ei! – Falei, entrando no quarto e vendo sua cabeça para fora do banheiro.
- Ei, como foi o trabalho? – Ele perguntou e eu sentei na cama, tirando os tênis dos pés.
- Tudo normal. – Respondi e ele afirmou com a cabeça. – E você?
- Hoje eu passei um sufoco, a maré começou a subir mais cedo e tinha umas dez crianças na água, foi difícil. – Ele suspirou, voltando para o quarto, de bermuda.
- Mas tá tudo certo? – Perguntei.
- Sim, foi no fim da aula, então alguns pais já tinham chegado e correram comigo. – Ele balançou a cabeça e suspirou. – Eu preciso achar outro emprego, é muita responsabilidade. – Ele se sentou ao meu lado, com a toalha nas costas.
- Ei, você que escolheu esse, para começar. – Falei, virando meu corpo na cama.
- Eu sei, eu sei! É que depois de hoje, eu fiquei muito assustado. – Ele suspirou. – E se acontece algo com alguma criança? Alguns pais já ficaram bravos. – Suspirei.
- Eu não vou falar que a gente dá um jeito, porque eu sei que não é fácil, é muita responsabilidade. – Suspirei. – Fica nesse até achar algo que seja melhor. – Ele afirmou com a cabeça.
- Vou pensar. – Ele falou, encostando os lábios nos meus delicadamente e eu sorri.
- Deixa eu te falar um negócio. – Cocei a cabeça, suspirando. – O que acha de irmos ao luau amanhã à noite?
- Ué, a gente já não ia? Vai ser a dois quarteirões daqui. Capaz da festa chegar até aqui. – falou brincando e eu ri fraco.
- Eu nem pensei nisso, na verdade, nem me lembrei de festa. – Falei e ele suspirou. – Acho que estou velha demais para isso. – Brinquei e ele revirou os olhos.
- Podemos estar amadurecendo mais rápido por necessidade, mas vamos, a última festa foi nosso baile de formatura. – Soltei uma risada fraca e encostei meu corpo no seu, passando o braço pelo seu pescoço.
- É, você está certo. – Suspirei e ele riu fraco. – Precisamos de diversão para nossa idade.
- Quero só te imaginar com seus trinta anos, vai parecer uma velha. – Ele passou a mão nas minhas costas e eu ri fraco.
- Rá, rá, rá! – Falei, suspirando e me levantei. – Eu vou para o banho e você prepare algo para janta, estou com muita fome. – Ele franziu a testa.
- Comida congelada? – Ele perguntou, se levantando logo atrás de mim e eu ponderei com a cabeça.
- Tem aquela lasanha ainda? – Perguntei, mordendo o lábio inferior.
- Acho que tem! – Ele arregalou as sobrancelhas e eu soltei uma gargalhada.
- Saio do banho em dez minutos! – Falei, correndo para o banho e tropeçando em meus tênis, vendo gargalhar da porta do quarto.
- Filme para acompanhar?
- Você sabe do que eu gosto, amor. – Falei e ele sorriu, piscando para mim.
- Deveria ter te esperado para tomar banho. – Ele falou e eu mordi meu lábio inferior.
- Quem sabe em outra ocasião?! – Falei e o ouvi rir, quando fechei a porta do banheiro.
Olhei meu rosto no espelho e notei que ele estava vermelho, provavelmente devido ao sol, eu deveria retocar mais o protetor solar. Suspirei e soltei meus cabelos loiros, eles estavam totalmente desbotados, com uma cor mais clara em algumas partes e suspirei, pensando no que Cami havia dito mais cedo. Eu estava ficando muito mais velha, mas eu só tinha dezoito anos e ainda não havia descoberto se isso era algo bom ou não.
Olhei meu reflexo no espelho e engoli em seco, eu realmente não fazia ideia. Em algumas situações da minha vida, eu me via como uma pessoa tão velha, tão forte, mas eu não passava de uma criança, com mais responsabilidades do que deveria. Balancei a cabeça, passando a mão na testa e tirei o resto da minha roupa, jogando-a no cesto e entrei embaixo do chuveiro.

- Olha quem veio! – Soltei uma risada, quando Cami apareceu perto de mim e de com um copo na mão.
- Eu disse que viria! – Falei, sentindo-a me abraçar fortemente e eu ri em seguida, fazendo com que eu franzisse meu rosto de dor.
- Que bom! – Ela abriu um sorriso, bagunçando a mão e derrubando um pouco da bebida. – Oh! – Ela olhou para mão e riu fraco.
- Parece que está curtindo bastante! – Comentei e ela gargalhou.
- Com certeza! – Ela sorriu, aproximando o rosto do meu. – Tem muita gente de fora, então tem muito homem bonito. – Ela sorriu e eu ri com ela. – Falando nisso, agora eu entendo porque você se casou cedo. – Ela sorriu, passando a mão em meu ombro e abraçando . – Esse é o seu marido?
- Sim, esse é meu marido! – Falei, olhando para que sorria por educação, mas que balançava a cabeça negativamente.
- Muito bonito, por acaso. – Ela falou rindo. – Bem, espero que se divirtam. – Ela tirou o braço do meu ombro. – Vou ver se acho alguma presa para mim. – Ela falou e saiu andando pela areia da praia.
- Até mais! – Acenei para ela, franzindo a testa.
- Alguém precisa tomar conta dessa garota! – parou ao meu lado e eu soltei uma gargalhada.
- Espero que nosso chefe não esteja aqui. – Ele soltou uma risada e eu pisquei para ele.
- Quer beber algo? – Ele perguntou.
- Acho que vou dividir uma cerveja contigo hoje. – Falei e ele arregalou os olhos.
- Mesmo?
- Mesmo! – Falei e ele estendeu a mão, a qual eu segurei, entrelaçando nossos dedos, me puxando pela areia da praia.
- Nossa! Tá cheio! – Falei me segurando em e me espremendo as pessoas que dançavam alguma música da moda.
- Parece que eu não conheço ninguém. – Ele gritou próximo ao meu ouvido e eu ri, esbarrando em algumas pessoas e ele me segurou pelo braço.
- Você conhece crianças ou adultos. – Gritei novamente.
- O quê? – Ele falou e eu ri fraco. – Vou para fila! – Ele gritou, e eu assenti com a cabeça.
- Vou ficar aqui! – Falei, e dei alguns passos para trás, me afastando um pouco do pessoal.
Olhei para o pessoal espalhado pela praia e soltei uma risada, aquele povo era todo da minha faixa etária, estava com vestidos soltos e pés descalços, cabelos presos por alguma tiara de flor ou algo relacionado a luau, mas eu ainda me sentia um pouco deslocada. Era estranho.
Olhei a fina aliança em meu dedo e suspirei. Não importa, eu estava feliz com aquilo. A vida havia feito com que eu precisasse colocar o carro na frente dos bois e me casado cedo, na hora parecia meio ridículo, um pouco apressado, eu não sabia nem o que estava fazendo, mas agora, era bom acordar com me abraçando, ele queimando as panquecas de manhã e tudo mais.
- Eu sabia que era você! – Ouvi uma voz a minha frente e ergui a cabeça, arregalando os olhos, não esperando aquela pessoa em minha frente.
- Brandon?! – Soltei um grito e ele me abraçou forte, me girando pela areia. – O que você está fazendo aqui?
- Eu que deveria fazer essa pergunta, ! – Ele falou e eu imediatamente coloquei minhas mãos em sua boca e eu neguei com a cabeça, vendo-o arregalar os olhos e soltei sua mão.
- Não me chame assim, pelo menos não aqui. – Falei baixo e ele franziu os olhos.
- O que está acontecendo aqui? – Ele perguntou e eu suspirei.
- É uma longa história! – Suspirei.
- Me conta! – Ele falou e eu suspirei, o puxando um pouco mais longe da multidão, dando alguns passos para trás e ele mantinha a testa franzida. – Eu passei em Bells e a mãe do – Dei uma cotovelada nele. – Ai! – Ele reclamou. – Disse que vocês tinham se mudado.
- É uma longa história, Brandon, mas encurtando o caso. – Falei bem próximo dele. – Estou fugindo do meu padrasto, eu e casamos. Agora é Marcus e Henrietta e estamos morando aqui, sem que ninguém saiba quem realmente somos, e é isso aí.
Brandon ficou quieto por um tempo, talvez processando tudo que eu havia falado e ele balançou a cabeça um tempo depois. Coçou a cabeça e suspirou.
- Fugindo do seu padrasto, Mag... Henrietta? Espera... – Ele suspirou.
- Eu e Marcus podíamos morrer se não saíssemos de Bells. – Suspirei e ele fez uma careta.
- Ok, então a coisa é pior do que eu imaginava. Eu pensei que você tinha ido para faculdade, ele junto, mas não isso.
- Tem muita coisa mais para contar, faz um ano que estamos aqui.
- Meu Deus, mas vocês estão bem?
- Estamos em uma festa, parece que alguma coisa está errada? – Perguntei e ele suspirou, me dando aquele olhar de pena e eu suspirei, sentindo-o me abraçar forte, fazendo com que eu mantivesse os braços ao lado do corpo.
- Eu espero que você esteja bem, minha amiga, e espero que possa me contar tudo que aconteceu algum dia.
- Eu tenho uma casa aqui, sabia?! – Falei, olhando para o horizonte, soltando uma risada. – Você pode ficar lá.
- Sério?! – Ele me soltou, segurando meus ombros.
- Eu e Marcus nos casamos, Brandon. Que parte disso você não entendeu?! – Estendi minha mão para ele com a aliança e ele abriu um largo sorriso, dando alguns pulos.
- Oh, meu Deus, eu pensei que fosse modo de dizer. – Ele falou.
- Não! – Soltei uma risada fraca.
- Que demais! – Ele falou. – Bem, apesar de tudo, vocês estão juntos.
- Sim, estamos! – Falei.
- Ei, te encontrei! – Ouvi a voz de que vinha com dois copos de cerveja. – Olha quem eu encontrei. – Ethan acenou atrás dele.
- Olha quem eu encontrei! – Falei, apontando para Brandon, vendo os olhos de se arregalarem.
- Oh, meu Deus, cara! – Segurei os copos e ele correu para abraçar Brandon. – O que você está fazendo aqui? – Eles se abraçaram forte.
- E aí, Ethan?! – Perguntei, e ele beijou minha bochecha.
- Como você está? – Ele perguntou e eu afirmei com a cabeça. – Bom! – Ele respondeu e eu ri. – Quem é o forasteiro? – Ele perguntou.
- Um amigo nosso da outra cidade.
- Como ele chegou aqui? – Ele perguntou.
- Verdade, como você chegou aqui, Brandon? – Perguntei e ele riu, abrindo a roda para conversar.
- Com a ida para Los Angeles, eu montei uma banda e a gente está andando pelo país atrás de contrato, pequenos shows, alguma coisa, aí estava no continente e me falaram dessa festa, e bem... A gente não nega festa. – Soltei uma risada fraca e pegou seu copo em minha mão.
- Sei bem! E Riley, John, como estão? – Perguntei.
- Bem, Riley está com saudades de vocês, um pouco preocupada também, e John foi para Connecticut, para Yale, fala que está ficando louco. – Soltei uma risada.
- Se ele está ficando louco, imagina nós, meros mortais! – O pessoal riu.
- Brandon, esse é Ethan, nosso âncora aqui na ilha. – falou.
- E aí, tudo bem? – Ambos se cumprimentaram e eu dei um gole em minha cerveja, olhando para com os olhos sob o copo e ele piscou para mim.

- Por que eu sinto que você está preocupada com alguma coisa? – Ouvi a voz de em meu ouvido e ergui meu rosto para ele, acompanhando seus passos pela areia da praia.
- Quando eu vi Brandon... – Suspirei e ele ergueu a mão pelo meu rosto. – Eu me assustei.
- Está tudo bem, ele sabe agora! – falou, mantendo as mãos em meu rosto.
- Mas ele disse que esteve em Bells, e se ele foi em casa? – Perguntei.
- Ele não me pareceu traumatizado de encontrar seu padrasto. – Ele falou e eu neguei com a cabeça.
- Não tem graça. – Falei.
- Tem sim! – Ele falou, me segurando pela cintura. – Porque agora somos eu e você contra o mundo. – Ele falou, encostando os lábios em meu rosto.
- Eu só... Deixa para lá. – Balancei a cabeça para os lados.
- É normal você ficar assim, mas não precisa, esquece todos ao seu redor e pensa só em mim.
- Nossa, desde quando você é romântico? – Perguntei e ele riu fraco.
- Desde quando eu comecei a notar que estamos parecendo dois companheiros de quarto. – Ele falou, acariciando minha cintura. – A gente agia mais como namorados em Bells. – Ele cochichou em meu ouvido, dando um beijo próximo ao mesmo.
- Acho que agora entendo porque alguns casais se afastam. – Falei, erguendo meus braços para seus cabelos. – Porque a vida acontece, mas estamos novos demais para deixar a vida acontecer. – Falei e ele afirmou com a cabeça.
- Concordo! – Ele falou e encostou os lábios nos meus.
Ele passou a mão pela minha cintura e trouxe meu corpo para perto de si, fazendo com que eu passasse meus braços pelo seu pescoço, soltando um suspiro leve quando ele mordeu meu lábio inferior, me fazendo puxar seus cabelos levemente. Senti suas mãos amassarem um pouco meu vestido e fiquei na ponta dos pés, me aproximando dele, soltando um suspiro forte, puxando o ar.
- Eu te amo, ok?! – Ele falou, encostando o nariz no meu. – Só não esquece isso. – Afirmei com a cabeça.
- Pode deixar. – Falei e ele deu mais um beijo em meus lábios.

Chegarei tarde em casa, fazendo entrevistas de emprego”, suspirei ao ler a mensagem e guardei o celular no bolso, começando a limpar minha mesa de trabalho e empilhando os selos usados, aquilo ficaria para amanhã.
Voltei para a sala do meu supervisor e peguei a caixa com o que restou de um pequeno bolo de chocolate e levei para a outra sala, puxando a porta e vi que o computador havia desligado. Atravessei minha bolsa no corpo e puxei a porta, trancando a mesma e a porta dos correios em si.
Acenei para algumas pessoas que fechavam seus estabelecimentos e tirei o cadeado da minha bicicleta que estava estacionada do lado de fora e subi nela, fazendo forças para pedalar em direção à orla da praia. Estava calor na ilha e, por mais que chovesse sempre no começo do dia, o tempo insistia em ficar abafado.
Coloquei a bicicleta atrás de casa e só por precaução, eu a prendi com o cadeado, pegando a caixa de bolo na cesta da mesma e seguindo para a frente de casa, pegando minha chave na parte externa da bolsa e abrindo a porta.
- Surpresa! – Tomei um susto, sentindo o bolo pular alguns centímetros para fora da minha mão e soltei uma risada fraca, vendo diversas pessoas dentro de casa, incluindo Amara, dona Lilite, Ethan e seus pais, Cami, nosso vizinho Antoine e sua esposa e algumas pessoas que eu conhecia da rua ou do antigo trabalho de .
- Oh, meu Deus! – Falei, ainda rindo um pouco pelo susto e coloquei o bolo na bancada ao lado e tirei minha bolsa, fazendo o mesmo.
- Gostou? – perguntou se aproximando de mim e eu soltei uma risada, passando meus braços pelos seus ombros e sentindo-o me apertar pela cintura. – Feliz aniversário! Tudo de bom para você, meu amor. Que você seja sempre feliz, que Deus te abençoe e que todos os seus sonhos se realizem, que você consiga viver em paz. – Sorri.
- Eu pensei que você tinha esquecido. – Assumi e ele riu, afastando nossos corpos e me fazendo olhar em seu rosto.
- Essa era a ideia. – Ele falou, soltando uma risada fraca e eu dei um tapa em seu braço. – Ai!
- Eu fiquei muito brava, sério! Pensei que passaria esse dia sozinha! – Falei e ele sorriu, dando um rápido beijo em meus lábios.
- Eu te amo, não vou esquecer! – Ele falou e eu sorri, passando a mão em seu rosto, onde a barba começava a pinicar minha mão!
- Aê, garota! Feliz aniversário! – Amara veio em seguida, me apertando forte e eu ri, apertando-a em meus braços. – Tudo de bom, muitas felicidades para você, que você seja muito feliz! – Ela falou e eu sorri, sentindo-a soltar meu corpo depois de um tempo.
- Obrigada Amara!
- Parabéns, moça! – Lilite, a dona da pensão, que eu e havíamos ficado quando chegamos na cidade, me abraçou apertado e eu sorri, tendo um sentimento diferente passando pelo meu corpo, me fazendo suspirar, eu me sentia em casa. – Vai, conta para gente, quantas velhinhas está soprando? – Soltei uma risada.
- 19! – Falei rindo.
- O quê? – Algumas pessoas gritaram e eu ri.
- É sério, gente, só tenho 19 anos.
- Gente, do céu! Achei que era muito mais. – Antoine falou, olhando para nós em volta.
- Como vocês fazem isso? – Amara perguntou.
- O quê? – Perguntei.
- Ser responsáveis e tudo mais. – Soltei uma risada fraca.
- Bem, é simples, quando se precisa, nos tornamos. – falou ao meu lado e me abraçou.
- Meu Deus, não é à toa que vocês têm cara de novinhos, vocês são novinhos! – Lilite falou e Ethan me abraçou contente, me tirando um pouco do chão.
- Eu já fiz 21 anos, mas não se preocupe, a gente se vira bem! – Ele falou e eu ri.
- Feliz aniversário, garota! – Ethan cochichou e piscou para mim, me fazendo rir. – Esse ano vou te desejar segurança e paz, ok? É tudo que você precisa. – Ele sussurrou e eu sorri, sentindo-o estalar um beijo em minha bochecha.
- Obrigada por tudo! – Falei e ele sorriu, saindo do meio da roda.
- Então, acho que podemos começar com a comilança, não?! – falou, seguindo até cozinha e mostrando alguns salgadinhos.
- Oh, meu Deus, é festa? – Perguntei e ele riu, afirmando com a cabeça. – Deixa eu pelo menos tomar um banho, gente, trocar de roupa.
- Vai lá, amor, mas não demora.
- Prometo que só vou tirar o suor do corpo! – Falei, pegando minhas coisas rindo.
- É, não demora, porque as chances de ter acabado quando você voltar são gigantes! – Ethan falou e eu gargalhei.
- É, e tem bolo também! – gritou de novo e eu fui correndo para dentro do quarto, rindo.

Ouvi um barulho de batida e ergui meu rosto, vendo do lado de fora, batendo no vidro que dividia o atendimento aos clientes das salas internas do correio. Franzi a testa e me levantei, andando, seguindo para a parte da frente do correio e fechando a porta atrás de mim.
- Oi, amor! – falou e eu sorri. – Pode conversar um pouco? – Franzi a testa.
- Claro! O que aconteceu? – Perguntei, me apoiando na bancada.
- Eu acho que encontrei o emprego certo. – Ele comentou e eu passei para fora da bancada, dando uma olhada rápida no meu chefe.
- E aí, o que é? – Perguntei animada.
- Mas eu acho que você não vai gostar. – Ele falou sincero e eu franzi a testa, movimentando os ombros.
- Por quê, o que é? – Falei.
- Eu quero me alistar no serviço militar. – Ele falou, olhando fundo em meus olhos. – Exército.
- O quê? – Falei um pouco assustada. – Não, por favor, não.
- Amor, é um trabalho bom, paga bem, e é uma forma de eu ajudar meu país. – Passei a mão no rosto e suspirei, respirando fundo.
- Mas e eu? Vou ficar sozinha aqui? – Perguntei, abrindo os braços, suspirando. – Se for por causa do dinheiro, a gente ainda tem bastante guardado.
- Não é pelo dinheiro, você sabe. – Ele sussurrou. – É um jeito de eu unir o útil ao agradável.
- Que útil? Que agradável? – Perguntei.
- Família de militar consegue diversos privilégios, amor. Imagina você fazer uma faculdade que tanto quer? Quando tivermos filhos, imagina a gente morar em uma vila militar, algo mais seguro. Proteção, amor. – Ele falou e eu suspirei.
- Eu não me preocupo sobre proteção, amor. Estamos bem, já passou mais de um ano, a gente está bem, as coisas estão bem aqui, nós estamos bem aqui. – Suspirei. – Eu não posso discutir isso agora, preciso terminar meu turno, tenho que terminar de separar algumas entregas da tarde. – Falei, balançando a cabeça e ele segurou minhas mãos.
- Pensa com carinho, por favor. Eu sou grande, alto, e não sou muito do tipo machão, posso mudar isso, posso melhorar, posso te ajudar. Não hesite.
- Eu vou pensar, mas eu tenho medo de te perder. – Falei. – Eu já perdi pessoas importantes na minha vida, você é a única pessoa que eu ainda tenho. – Olhei em seus olhos e ele passou os braços pelos meus braços, me trazendo mais perto de seu corpo. Me encaixando em seu corpo.
- Você não vai me perder! – Ele falou, me apertando contra seu corpo.
- Você não sabe disso. – Fui sincera e ele deu um pequeno beijo em minha bochecha.
- Sei sim, porque eu acredito que Deus, ou em uma força maior que me mandou para cuidar de você, porque ele sabia que você precisaria, apesar de ser essa mulher forte. – Abri um sorriso. – Ele não me tiraria de você!
- Espero que esteja certo! – Falei e ele riu. – Eu não vou ser aquela esposa chata, pois eu só tenho 19 anos e estamos casados há pouco mais de um ano. – Ele afirmou com a cabeça. – E também porque a gente é muito novo ainda para trabalhar na mesma coisa pelo resto da vida. – Suspirei, fechando os olhos por alguns segundos. – Eu vou deixar você escolher. Você fará essa escolha sem pensar em ninguém mais, pensará na sua vida. – Falei sincera. – Se você decidir ir, eu só peço para que tome cuidado, pois eu estarei aqui quando voltar. – Ele sorriu e beijou minha bochecha.
- Nos falamos mais tarde. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- Sim, preciso voltar! – Falei, me soltando dele e passando a mão no rosto. – A gente se vê mais tarde. – Falei e ele acenou para mim, saindo pela porta.

Meus olhos estavam cheios de lágrimas, e o coração parecia que estava na mão. Apertei mais um pouco em meu corpo e suspirei, querendo mantê-lo próximo a mim o máximo possível. Ele apertou meu corpo com força e eu encarei seu rosto por um tempo, tentando decorar seus olhos, suas pintinhas no rosto e tudo que me faria falta.
Ele passou as mãos em meu rosto, segurando-o em suas mãos e tocou os lábios nos meus, fazendo com que eu pressionasse com força nossos lábios e apertar meus braços em seu corpo, até que finalmente eu o soltei, afastando nossos rostos.
- Vai ficar tudo bem! – Ele falou e eu afirmei com a cabeça, sorrindo.
- Vai sim! – Sorri e ele tirou a aliança do dedo e me entregou.
- Guarda para mim. – Ele falou, apertando minha mão e eu afirmei com a cabeça.
- Guardo sim. – Sorri, e ele deu mais um beijo em minha bochecha antes de virar de costas para mim em direção ao ônibus que estava parado do outro lado da pequena rodoviária da ilha.
Olhei com aquele uniforme de soldado e suspirei. Ele parecia tão pequeno dentro daquilo. Ele nunca fora pequeno, era alto, muito bonito, mas ele realmente não fazia o tipo durão. Só espero que ele volte para casa. Suspirei e olhei a aliança dele em minha mão e coloquei em meu dedão, único lugar que não cairia e suspirei.
- Primeira vez? – Ouvi a voz de uma mulher e virei o rosto, olhando para ela. Ela tinha a pele escura e os cabelos num tom platinado.
- Sim! – Sorri para ela, e olhei para o ônibus, olhava para mim e eu acenei para ele, sorrindo. Assim que ele entrou no ônibus, as portas se fecharam.
- Namorado? – Ela perguntou.
- Marido, na verdade! – Falei e notei que ela ficou muda, provavelmente assustada. – Sim, nos casamos jovens. – Falei, colaborando com o susto da mulher e ela riu fraco.
- Desculpe. – Ela falou e eu passei a mão no rosto, suspirando.
- Sem problemas. – Ri fraco e vi pela janela do ônibus e acenei quando o ônibus começou a andar e suspirei.
- Melhora com o tempo, sabia? – Ela sorriu. – Eles vão e voltam e a gente nem percebe mais. – Suspirei.
- Desculpe, mas o que eu mais quero é ele aqui. – Suspirei. – Ele é meu escudo. – Suspirei.
- Provavelmente deve ser um pouco chato para você, mas você pode ir ao grupo das esposas. A gente toma café, conversa, é um meio de passar o tempo mais rápido. – Sorri para ela.
- Claro. – Tirei meu celular do bolso. – Aqui, anota seu telefone. – Ela sorriu e focou em anotar seu telefone no celular e logo me entregou.
- Meu nome é Alicia, sou esposa do general da base. – Arregalei os olhos por um tempo e ri.
- Henrietta. – Sorri, estendendo a mão e ela a apertou. – Esposa do soldado Owen.
- Vai dar tudo certo. Só confie! – Ela falou e eu assenti com a cabeça.
- Obrigada! – Sorri.

- Hum, quem trouxe esse bolo delicioso? – Ouvi uma das mulheres falando e eu ri fraco.
- Foi a Henrietta! – Alguém respondeu e eu sorri, soltando um riso.
- Olha, eu tenho que admitir que eu não fiz, eu sou péssima na cozinha! – Falei me levantando do sofá da casa de Alicia, com mais cinco mulheres em volta.
- Sério? – Uma falou e eu ri, afirmando com a cabeça.
- Comprei na padaria da praia esse bolo. Adorei, achei ele fofo, com a cobertura cremosa. – Falei, me sentando à mesa, ao lado das mulheres mais velhas.
- É muito bom mesmo, já comprei lá também! – Uma loira falou e eu ri.
- Agora, nos diga Henrietta, porque se casar tão cedo nos dias de hoje? – Ri fraco, sabendo que não conseguiria fugir dessas perguntas.
- Acho que a resposta certa seria só o amor demais. – Elas fizeram um coro de ‘ah’. – Nossas famílias, principalmente a minha, pressionavam demais, queriam tudo muito certo, desse jeito, não daquele, então a gente decidiu fugir e acabamos caindo aqui.
- Vocês são de onde? – Me perguntaram.
- De uma pequena cidade do Alasca. – Algumas arregalaram os olhos.
- E como caíram aqui?
- Nós temos amigos aqui e a gente sempre gostou de calor, praia. Aí decidimos vir para cá, viver nossa vida de casado independente de nossos pais e estamos muito bem faz quase dois anos. – Falei e elas sorriram.
- Ah, isso é muito bom! Espero que vocês deem certo. – Sorri, afirmando com a cabeça.
- Casar cedo pode deixar a gente louco, mas é só ter algo chamado tolerância, que tudo dá certo. – Uma ruiva falou e eu afirmei com a cabeça.
- Sim, nem tudo é fácil, mas a gente se dá bem, quando chegamos aqui ambos começamos a trabalhar, porque ficar juntos o dia inteiro não é fácil! – Elas riram. – A gente tem o gênio um pouco igual, na verdade acho que Marcus é um pouco mais paciente do que eu.
- Ah, que isso, ele foi para o exército e você ficou, será que ele não queria controlar algo? Provar algo?
- Espero que não. – Ri fraco e balancei a cabeça, controlar algo? Provar algo? Fiquei meio perdida. – Mas pelo que eu o conheço, eu acho que não.
- E eles são um casal tão lindo, não?! Os vi quando eles foram viajar, é algo surreal ver duas pessoas tão jovens, mas com tanto amor assim. E é um amor maduro, viu?! Aguentar um casamento sozinho, sem ninguém para ajudar, é ótimo! – Abri um sorriso, bebendo um gole do meu suco.
- E quais são os planos de vocês? – Olhei para Alicia. – Vão ficar na ilha, pretendem ir embora? Filhos? – Soltei uma risada, quase engasgando com o suco.
- Nós não pensamos sobre isso ainda. A gente adorou aqui e vamos ficar, vamos deixar a vida decidir para gente. E filhos? Oh não, acho que ainda não, nós nem falamos disso ainda. – Algumas pessoas gargalharam a nossa volta e eu sorri.
- Ah, gente, deixa eles aproveitarem como recém-casados! Esse é o melhor momento do casamento, aproveitem, curtam vocês dois, quando ele voltar, leva ele para jantar, faz uma surpresa para ele, mostra que você se importa. – Afirmei com a cabeça e sorri.
- É, aproveita! Porque depois vêm filhos, compromissos pessoais, nem sobra tempo para os dois.
- Ah, gente, vamos desacelerar um pouco! – Pedi, apoiando as duas mãos na mesa. – Eu acho que estou assustada! – Elas soltaram algumas risadas.
- É, vamos mudar de assunto. – Uma delas falou e eu ri. – Podemos falar sobre o baile de caridade da cidade.
- O que é isso? – Perguntei.
- Todo ano a gente faz um baile para angariar fundos para o asilo da cidade. Eles fazem um trabalho incrível, mas os recursos são muito poucos. Aí a gente faz um baile arrecadando fundos.
- Nossa, parece ótimo! – Falei. – Posso ajudar?
Logo elas começaram a falar de arranjos, bandas e comidas, mas eu me perdi entre as palavras. Seria uma ótima distração, na verdade. Eu sentia falta de , muita falta, na verdade. Já havia passado três meses que ele tinha ido e eu não havia recebido nenhuma notícia. Na verdade, aparentemente era proibido escrever para familiares, a gente só esperava um carro parar na frente de casa, ou não. Eu preferia que não, assim eu saberia que era mais um dia em que ele estivesse bem.
O grupo de mulheres era pequeno, pois consistia só em mulheres da ilha. O grupo de era de toda Carolina do Sul, mas aqui na ilha, nós éramos sete. Elas eram diferentes de mim. Bem, depois de mim, a mais nova tinha 36 anos, e era muito diferente. Claro que os maridos já tinham cargos mais altos e nem era necessário que elas trabalhassem, mas eu gostava de sair de casa, viver a vida.
Pode não ser a melhor coisa para mim, mas eu estava precisando fazer amigos, me sentir menos sozinha. Ethan me visitava de vez em quando, eu e Amara saíamos também, era bom para espairecer, mas eu só sentia falta de .

Desliguei a torneira e sacudi as mãos dentro da pia, antes de pegar a toalha ao meu lado, secar minha mão, pendurá-la novamente e sair pela porta da lavanderia, olhando meus uniformes do trabalho pendurados e outras poucas peças de roupa. Peguei o cesto ao lado e comecei a tirar as roupas do varal.
Desliguei as luzes e voltei para dentro de casa, trancando a porta. O dia já estava acabando, mas o sono não estava nem perto de chegar. Suspirei e coloquei o cesto em cima da mesa da cozinha. E, pegando uma por uma, comecei a dobrar as roupas. As roupas do trabalho eram de tactel, então não precisava passar, e as outras eu usava para ficar em casa e não ligava de usar amassada.
Suspirei e levei para o meu quarto, abrindo o armário e guardando cada uma em seu lugar. Puxei meu vestido para cima e joguei em um dos bancos ali perto e peguei meu pijama atrás da porta, vestindo o mesmo, e andei até a sala de volta. Sentando no sofá de dois lugares e liguei a TV, bocejando. Talvez o sono já estivesse perto.
Olhei para o telejornal e suspirei, na verdade, eu não me importava com as notícias da Carolina do Sul. E, as notícias do Texas, que, realmente me importava, eu não tinha acesso, o sinal de televisão da ilha era quase inexistente e nem tínhamos internet. Ouvi um barulho da porta e franzi a testa, me levantando com preguiça e andei meio desengonçada até a porta da frente e olhei pelo olho mágico quem poderia ser. Uma pessoa alta, que se escondia no buraco estava parada na porta.
Abri a mesma e dei de cara com um homem alto, barbudo, os cabelos cheios e com uma pesada mochila nas costas. Assim que ele me olhou, abriu um largo sorriso muito bonito, mas eu franzi a testa. Seus braços eram fortes e largos embaixo daquela roupa, mas aqueles olhos... Eu conheceria em qualquer lugar.
- Oh, meu Deus! – Soltei uma gargalhada, sendo seguida por ele e pulei nos braços de , passando as pernas pela sua cintura.
Sua mochila fez um baque no chão e seus braços se apertaram em torno do meu corpo, permitindo que eu encaixasse meu pescoço no seu e sentisse o cheiro do seu perfume próximo a meu corpo novamente. Suas mãos correram pelas minhas costas e eu suspirei, fechando os olhos. Ele estava bem, ele está aqui.
Coloquei meus pés no chão novamente e olhei para , assustada como ele estava diferente. Seus cabelos estavam cheios, não mais ralos como antes, seu rosto estava coberto por uma pelagem espessa e diferente, e outra mudança eram seus braços. Ele estava forte, incrivelmente forte, dentro daquele uniforme.
- Oh, meu Deus! O que aconteceu com você? – Perguntei e ele me ignorou completamente, passando uma das mãos em minha cintura e outra em meu pescoço e colando seus lábios nos meus.
Uau! O que aconteceu com meu marido nesses últimos cinco meses? Aquilo era gostoso, de um jeito pornográfico, na verdade. Passei uma das minhas mãos em seu pescoço e suspirei, sentindo os lábios de passando pelos meus e sua língua tocando a minha da melhor forma possível. Soltei um suspiro e encostei minha testa na dele, abrindo os olhos devagar e dando de cara com seus olhos azuis próximos aos meus e eu sorri.
- Comece a falar! – Falei e entrei de volta em casa, vendo-o seguir atrás de mim.
- O que eu deveria falar? – Ele perguntou rindo, jogando as coisas no sofá da sala. – Que eu senti sua falta?
- Seria um ótimo jeito para começar. – Falei e ele sorriu, encostando-se no sofá da sala.
- Eu senti sua falta, muito! – Ele me puxou pela mão, me trazendo para perto de si e eu ri. – Mas o que eu deveria falar?
- Eu quero saber dessa sua mudança. – Falei, passando a mão em sua barba. – O que aconteceu? Onde estava? Que anabolizante você tomou? – Perguntei rindo na última frase.
- Na verdade, isso é só exercício físico e muito carboidrato. – Ele respondeu. – Treinamento e mais treinamento. Levantamento de peso, condicionamento físico, treinamento de sobrevivência.
- Pelo visto você foi para selva, mas a selva não saiu de você. – Falei brincando e ele riu.
- Ei, eu gostei! – Ele falou e eu ri, passando as mãos pelo seu corpo.
- Você está diferente do que conheci no colégio, mas eu gostei também. – Acariciei sua nuca. – Não importa, você está de volta! – Suspirei. – Em um pedaço só! – Ele riu fraco.
- Eu não fui a missões ainda, só treinei mesmo. – Afirmei com a cabeça. – Meus superiores estão felizes com meu resultado... – Ele suspirou. – Eu volto em vinte dias. – Arregalei os olhos, olhando para ele.
- Mas tão cedo? – Perguntei, segurando-o pelos ombros.
- É meu trabalho agora, ! Por favor, você prometeu que não ia se meter. – Soltei uma risada e ele acariciou meu rosto.
- E para onde você vai? – Suspirei.
- África, é só o que eu sei. Não sei o país, não sei por que, só sei a direção. – Afirmei com a cabeça.
- Depois você volta direto para o meu coração, ok?! – Falei, beijando a palma de sua mão que passava perto de minha boca.
- Sempre, eu prometo! – Ele falou e eu o abracei, passando meus braços pela sua barriga e encostando a cabeça em seu peito.
- Sabe, eu poderia ficar assim para sempre. – Falei, com a voz levemente abafada.
- Eu também. – Ele suspirou e eu ri fraco.
- Sim, mas vamos, por favor, tomar um banho, tirar esse uniforme sem graça, colocar as roupas para lavar, e aí, podemos passar o fim de semana inteira trancados no quarto? – Falei, erguendo meu rosto e ele deu risada.
- Eu gostei da ideia. – Me afastei dele. – Eu amo quando a gente parece dois adultos, sabia? – Ele falou e eu pisquei para ele.
- Está com fome? – Perguntei, vendo-o começar a desabotoar a camisa camuflada do uniforme.
- Na verdade, não. Distribuíram ração durante o voo. – Franzi a testa e ele deu risada.
- Amanhã eu farei um belo almoço para você. – Comentei e ele riu, tirando a blusa regata por baixo. – Nossa, ! Quanto machucado. – Comentei, vendo diversos roxos em seu peito e braços.
- Eu estou bem, , não surta! – Ele falou e eu ri fraco, passando a mão na testa.
- Você vai dar um pulo na Amara amanhã.
- É só do treinamento...
- Eu não quero saber. – Falei e eu ri. – Agora vai, vai fazer suas coisas.

- Eu não aguento isso. – Falei para mãe de Ethan, entrando na cozinha de sua casa.
- O que eles estão fazendo? – Ela perguntou rindo.
- Estão se pegando lá no sofá! – Falei, me sentando na bancada e ela riu.
- Ah, meu Deus, Ethan tem que parar de ficar com meninas aqui da cidade, ou ele terá que ir embora. – Angélica falou e eu ri.
- Pois é, coitada delas. – Roubei um biscoito de cima da bancada, colocando-o na boca.
- E ele que te convidou aqui, não foi? – Ela perguntou, continuando a secar os pratos.
- Foi! – Suspirei. – “Vem para casa, , a gente vê filme, te ajudo a passar o tempo um pouco, e blá, blá, blá”. – Revirei os olhos, engolindo outro biscoito.
- Bem, entre o sim ou não, você pode ficar comigo. – Ela falou, pendurando a toalha.
- Eu só preciso esquecer um pouco do ! – Falei, franzindo o rosto.
- Bem, sinto lhe dizer, mas você nunca vai se esquecer do , mas eu posso fazer uma pizza, abrir a piscina, hein?! – Ela perguntou, passando o braço pelos meus ombros.
- Ah, sua pizza? – Perguntei, com os olhos quase brilhando.
- Sim, minha pizza! – Dei uns pulinhos animados.
- Sim, sim! – Falei animada e ela riu.
- Vou chamar o Armando, que tal chamar Ethan e a nova menina?
- Leny. – Falei e ela riu, como se esclarecesse muita coisa.
- Ah, Leny! – Ela revirou os olhos e eu ri.
- Ela até que é legal, viu?! – Falei, rindo e ele sorriu.
- Eu vou lá, então, chame-os! – Angélica falou e eu concordei com a cabeça.
- Vem, Dodger! – Falei, chamando o grande rottweiler que estava deitado no canto da cozinha. – Vem, vamos atrapalhar aqueles dois. – Falei e ele se levantou, andando em minha direção e eu comecei a seguir de volta para a sala.
Assim que eu cheguei, olhei para o sofá e só consegui dar risada, Ethan tinha o corpo quase inteiro deitado no sofá, e a Leny, que eu havia conhecido há poucas horas, estava quase deitada em cima dele, beijando diversas partes do seu corpo.
- Vai, Dodger, vai! – Falei, batendo palmas e Dodger começou a correr em direção dos dois.
- Não, não, Dodger, não! – Ethan gritou, empurrando a menina para fora do sofá e pouco antes dele fugir, o cachorro preto começou a lambê-lo, me fazendo rir e eu virei de costas, voltando para a cozinha. - Ei, garota, para que me atacar desse jeito? – Ele gritou para mim e eu ri.
- Sua mãe vai fazer pizza, vamos! – Gritei, andando. – E você prometeu que me faria companhia. – Falei e ele gargalhou atrás de mim.
- Ok, ok, me desculpe! – Ele correu em minha direção, ficando ao meu lado e passando o braço pelo meu ombro. – Amanhã a gente vai tomar sorvete.
- Amanhã vou ajudar a arrumar o baile beneficente.
- Então podemos ir juntos. – Ele sorriu.
- Não sei se eu vou ainda, parece nada a ver eu ir sem o Marcus. – Falei, suspirando. – Talvez eu fique vendo filme em casa.
- Então eu levo sorvete para sua casa à noite e a gente vê juntos. – Ele falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Ah, Ethan, para de ser puxa saco. – O empurrei.
- O que foi? Prometi para seu marido que cuidaria de você e eu vou cuidar de você. – Ele falou. – Vai, quem quer uma batida de morango?

deu um beijo em minha barriga nua e subiu o corpo, ficando em cima de mim, e ajeitando o seu corpo sobre o meu, começando a distribuir beijos pela dobra da minha nuca, me fazendo arrepiar e soltar alguns suspiros pela boca. Passei minha mão em seus cabelos, puxando-os levemente e ele soltou a respiração em meu pescoço, provavelmente cansado igual a mim.
Ele deu um último beijo em meu pescoço e jogou seu corpo ao meu lado da cama, fazendo com que eu me virasse na cama, encostando minha cabeça em seu peito e apoiei uma das mãos em sua barriga nua, acariciando-a levemente. Ele passou uma das mãos pelas minhas costas, fazendo um carinho na lateral do meu corpo, que me dava vontade de rir.
- Me conta como é lá. – Falei, notando que ele ainda estava quieto, desde a hora que havia chegado.
- Eu não posso. – Ele falou, soltando a respiração pesadamente.
- Por favor. – Cochichei em seu ouvido. – Dá para notar que você está com dor, amor. – Suspirei. – Compartilha comigo. Eu posso não entender, mas eu te amo.
Seu olhar estava focado no teto. Ele estava agindo no modo automático, cheio de saudades, mas um pouco apático. O sexo havia sido bom, mas tinha sido só isso, sexo. Ele estava fora de si, ele não havia voltado machucado dessa vez, mas ele estava atordoado. Esses três meses haviam mudado ele, ele estava mais rígido e isso não era bom para um garoto de 22 anos. Garoto. Era isso que ele era para mim.
- Vai! – Falei, acariciando sua barriga, sentindo-o contrair a mesma.
- Eu vi... – Ele soltou um suspiro profundo, apertando seu braço em minhas costas. – Você já viu coisas demais, . Não posso te dar mais motivos para ter pesadelos. – Suspirei, erguendo meu rosto para ele.
- Eu não tenho mais pesadelos, ! - Falei, ajeitando meu corpo, sentando na cama. – Faz mais de um ano. Se fosse uma doença, eu diria que estava curada, amor. – Ele abriu um sorriso, se sentando ao meu lado na cama. – Vai! Não me enrola.
- Nós temos uma ideia de que o mundo é mal, e de que algumas pessoas são más, mas tem algumas pessoas que fazem isso pelo simples prazer, e é o que me assusta. – Ele suspirou. – Eu vi pessoas lutando por espaço, por comida, por água, por remédios, mas eu também vi gente tirando isso só para se transformar no melhor do pedaço. Mas o melhor do quê? – Ele olhava para um ponto fixo no quarto. – Eu não sei lidar com isso. – Ele balançou a cabeça. – Eu achei que seria apontar armas e resolver problemas. – Ele suspirou, erguendo o rosto. – É quase um trabalho humanitário isso, . – Ele fungou e pude notar que ele estava chorando. – As crianças vêm, seguram minha mão, pedem para ver você, o uniforme, a arma. Eles querem um abraço, eles querem importar. – Ergui a mão, passando as mãos embaixo de seus olhos, limpando as lágrimas. – Eles querem que a gente dê cinco minutos de atenção para eles, antes de voltar a fazer a ronda. – Ele puxou o ar forte.
- Você está surpreso, amor. Não fique. – Falei, acariciando seu rosto. – Esse trabalho humanitário de vocês é incrível. Levar comida, água, remédios, isso é ótimo. Mas não fique surpreso. – Suspirei. – Eu realmente não entendo, eu não sei falar algo, mas eu só digo para você fazer o seu melhor. – Ele beijou minha mão. – Dê um sorriso, dê uma mão, faça o que você puder para ajudar. – Dei meu melhor sorriso para ele. – Eles ficarão felizes e você com a consciência limpa. – Ele afirmou com a cabeça, e eu me aproximei dele, passando as mãos em seus ombros, me colocando sentada em seu colo. – E quando você voltar, eu estarei aqui.
- Eu pensei que você ia dizer para eu desistir. – Ele falou, passando as mãos em minhas costas.
- Não! – Falei honesta. – Você escolheu isso, e por mais que o começo possa ser difícil, você vai seguir em frente, ok?! E eu estarei contigo até o fim. – Dei um beijo em seu queixo. – Teremos o casamento mais longo que o mundo já viu. – Ele riu fraco.
- Talvez o mais longo da ilha, já que o mundo não sabe onde estamos! – Afirmei com a cabeça, rindo fraco.
- É, nisso você tem razão. – Ri fraco. – Mas eu não vou fazer você desistir. Eu gosto de você, isso pode até te endurecer, te deixar diferente, mas vai te fazer bem. – Ele sorriu. – E afinal, eu adoro você de uniforme! – Falei, cochichando em seu ouvido, seguindo de uma mordida em sua orelha.
- Ah é?! – Ele ergueu o rosto para mim. – E sem? – Ele perguntou, focando os olhos nos meus e eu ri.

- , abre essa porta! – Ouvi uma voz vinda do lado de fora da casa e algumas pancadas na porta, a voz era alta e meio desesperada.
Eu e nos entreolhamos e eu joguei minhas pernas para fora da cama, feliz por estar vestida e atravessei o pequeno corredor do quarto para a sala e apoiei o rosto na porta, tentando olhar pelo olho mágico, quando outra porrada na porta me assustou, me fazendo abrir a mesma.
- Porra! ! – Vi Ethan parado atrás da porta, com o rosto vermelho, o corpo suando e os braços trêmulos.
- Meu Deus, Ethan, está tudo bem? – Ele entrou em casa, ainda um pouco afobado, com a respiração falha e um papel na mão.
- Deixa eu... – Ele puxou o ar forte, colocando a mão no peito. – Água. – Ele reclamou e correu atrás da bancada e encheu um copo de água gelada, passando-o por cima da bancada, e Ethan pegou, bebendo-o em um único gole. Ele encostou a mão no sofá por um tempo e respirou fundo, tentando normalizar a respiração. – Seu irmão... – Ele respirou. – Seu irmão, te mandou uma carta. – Ele falou, sacudindo o papel em minha frente e eu arregalei os olhos, puxando o papel de sua mão com força.
Minhas mãos começaram a tremer, mas eu abri o envelope já aberto, endereçado a Ethan, com um nome de Gary Wells, e suspirei, pegando a folha de papel amassada. Tirei o papel do envelope, passando os olhos rapidamente pela carta, soltando um suspiro de alívio em saber que não tinha nada ruim acontecendo.
- O que diz aí, ? – me perguntou.
- Ele sente minha falta. – Suspirei, lendo as letras garranchadas de Keith, abrindo um sorriso com cada fala, e uma lágrima correu pela minha bochecha. – Ele está bem. – Suspirou. – Ele está trabalhando em Washington, e ele encontrou com o presidente, contou tudo que está rolando. – Suspirei. – Ele não pode ajudar, mas prometeu segurança e manter a história por baixo dos panos, caso vaze. – Suspirei. – Mas ele está bem. – Sorri. – Ele está bem.
- Eu tive que vir correndo. – Ethan falou, ainda respirando, com a mão apoiada em seu peito.
- Eu tenho que responder. – Falei e Ethan puxou a carta de minha mão.
- Não! Não mesmo. – Ele falou. – Vocês estão muito bem escondidos faz dois anos, vocês não vão estragar tudo isso. – Ele suspirou. – Eu respondo, eu falo que vocês estão bem e conto as novidades, mas não. – Suspirei.
- Você está certo! – Falei e ele afirmou com a cabeça.
- É, eu sei. Ele nem deveria ter mandado essa carta, mas mandou. Então vamos manter os nervos calmos, sem se exaltar.
- Ok! – Falei e ele riu, me abraçando.
- Ele está bem, , e você também, nada mais importa! – Sorri, suspirando relaxada.



Capítulo 7

- A gente deveria ir ali. – Apontei para a montanha russa e soltou uma risada ao meu lado.
- Até parece que eu vou em alguma coisa desses parques itinerantes. – Ele falou, dando outra mordida em seu lanche. – Eu já tenho medo de altura e ainda ir nessas coisas que montam e desmontam mil vezes... Nem a pau. – Ele falou com a boca cheia e eu ri fraco, revirando os olhos.
- Eu até tenho coragem, Henrietta, mas ele tá certo. – Ethan falou um pouco atrás da gente, com Leny ao seu lado.
- Marcus, você faz parte do exército americano. – Mexi as mãos sem entender.
- Exatamente! – Ele disse, amassando o papel do lanche. – E é por fazer um ótimo trabalho lá, que eu não quero morrer antes de voltar para minha próxima missão. – Revirei os olhos.
- Mas, gente, é ano novo, a cidade faz tudo isso para gente se divertir. – Continuei.
- Eu vou contigo, Henrietta! – Leny falou ao meu lado, terminando seu lanche.
- Quero ver vocês vomitarem lá em cima. – Ethan jogou praga e eu revirei os olhos.
- Vou vir vomitar em você! – Falei e joguei o papel do meu lanche na primeira lixeira que eu vi.
- Eca, eu estou comendo ainda. – falou ao meu lado e eu ri. – Te espero aqui! – Ele acenou e eu ri, puxando Leny em direção à pequena fila da montanha russa.
- Aparentemente vocês estão se dando bem. – Falei para Leny, encostando as costas na armação em volta da fila.
- Bem, eu não posso ignorar que Ethan é um pegador, mas estamos indo bem... Por enquanto. – Ela comentou e eu ri.
- Bem, eu o conheço não muito mais do que você, mas ele tem bom coração. – Comentei. – Só não conhece muito a palavra monogamia. – Ela riu fraco. – Quem sabe você não o ensina?
- Você confia muito nas pessoas, sabia? – Ela comentou, dando alguns passos para frente e eu ri.
- Alguém tem que confiar certo? – Comentei e ela ponderou com a cabeça, rindo.
- E você e Marcus? – Ela perguntou. – Parece que vocês dois não brigam nunca. – Soltei uma risada fraca.
- Bem, vamos dizer que a nossa vontade de se casar já deixou todas as brigas para trás, e agora com ele três meses fora, um mês em casa, a gente tenta brigar o menos possível. – Suspirei. – Bem, e nem tem porque brigar. – Dei de ombros. – Eu o amo, ele me ama, acho que é o que importa! – Falei.
- E a melhor parte é que as meninas respeitam homens casados nessa cidade. – Soltei uma gargalhada.
- Olha, eu nunca tive problemas de mulheres dando em cima do meu marido, já com mulheres dando em cima do Ethan...
- Ah! – Ela bufou. – Ele podia parar de ser assim, né?!
- Mantenha a calma, Leny, vocês estão saindo faz uns três meses, e a meu ver, isso é um lucro, vai que dessa vez rola? - Ela abriu um largo sorriso e eu soltei uma risada.
- Você é a pessoa mais espirituosa que eu já conheci, te juro! – Ela falou e eu ri, dando de ombros e andando até um dos carrinhos vazios da montanha russa.

- Ah, chega! – falou, entrando em casa e eu entrei atrás dele, trancando a porta. – Hoje eu cansei. – Ele suspirou, tirando sua jaqueta de couro e jogando no sofá da sala.
- Também não exagera! – Soltei uma risada.
- , a gente andou a praia inteira... Quase que a gente chega ao continente. – Soltei uma risada, apoiando meus cotovelos no sofá.
- Não exagera, . – Revirei os olhos. – Você que está cansado, deve ter dado mau jeito quando montou aquele móvel hoje.
- Será que já estou velho? – Ele fez um drama e eu ri.
- Ah, meu Deus, é a crise dos 22 anos e meio. – Comentei e ele revirou os olhos, esticando as pernas longas no sofá de dois lugares.
- Engraçadinha! – Ele falou. – Vem cá ficar comigo!
- Está carente, é?! – Perguntei e ele deu de ombros.
- Eu vou embora em menos de uma semana, por favor. – Ele falou e eu ri fraco, dando a volta no sofá e eu fui puxada pela mão, apoiando uma delas no encosto no sofá e quase caí em cima de , vendo-o rir.
Ele esticou o corpo no sofá, se colocando sentado no meio do mesmo e me puxando pela cintura, ficando levemente de lado para ele. Ele passou os braços em minhas pernas e virou o corpo para frente, fazendo com que meu corpo inclinasse levemente para ele, me fazendo apoiar a mão em cima do encosto do sofá, mantendo meu rosto próximo ao seu.
- Eu sei o que você quer. – Cochichei para ele que riu.
- Que bom, tive medo de estar sendo muito sutil! – Ele falou e eu balancei a cabeça negativamente, e o senti colocar as mãos na parte de trás da minha coxa, fazendo cócegas no local, instintivamente me fazendo rir.
Encostei meus lábios no , ainda naquela posição horrível que eu estava, mas não queria sair mais. No segundo seguinte ele puxou minhas pernas, me tirando do chão por um tempo e eu coloquei as pernas em volta do seu corpo, sentindo-o subir a mão pela minha cintura, levando minha blusa com ele, fazendo meu corpo arrepiar e eu soltei minha mão do sofá, puxando sua blusa para cima, vendo um sorriso se formar em seus lábios.
Ajeitei meus joelhos em cima do sofá e sentei em seu colo, apoiando minhas mãos em seus ombros, sentindo seus lábios passearem pelo meu pescoço e colo, tornando minha respiração acelerada e que o ar começasse a faltar naquele lugar, me fazendo suspirar.
Ele ergueu seu rosto por um momento e em um movimento rápido, virou meu corpo no sofá, fazendo com que eu caísse desajeitadamente no assento e ele passasse as pernas na lateral do meu corpo, puxando sua mão por cima e encostando seu corpo no meu e colando nossos lábios, fazendo com que minhas mãos caminhassem pelas suas costas e a dele procurasse o botão da minha calça com urgência, fazendo com que eu soltasse uma risada abafada e fosse calada por uma leve mordida no lábio inferior.
Ele se colocou em cima das minhas pernas e colocou as mãos nos botões da minha calça, desabotoando-o e puxando o pouco que conseguia para baixo, me fazendo sentir suas mãos geladas em minhas coxas, me causando arrepios. Arqueei meu corpo para cima e puxei sua nuca com a mão, enroscando meus dedos levemente em seus cabelos e colei meus lábios nos dele, trazendo seu corpo para perto.

- Você vai ficar bem? – Ele perguntou, com as mãos colocadas em minhas costas.
- Eu vou, já estou anestesiada! – Comentei, passando a mão em seu cabelo ralo e ele sorriu, afirmando com a cabeça. – Só tente não voltar como homem das cavernas de novo, ok?! – Ele riu fraco.
- Tudo depende das condições do local que formos mandados. – Afirmei com a cabeça e passei minhas mãos pelos seus ombros, ficando na ponta do pé e colando seu corpo no meu, abraçando-o rapidamente.
- Não importa, só volte, ok?! – Falei e ele apertou seus braços em meu corpo, me fazendo suspirar.
- Eu vou! – Ele falou e eu o soltei colando meus lábios nos dele com ferocidade.
- Eu te amo, não se esquece! – Falei, sentindo as lágrimas começarem a rolar pelas minhas bochechas, me fazendo suspirar.
- Eu te amo, sempre e sempre! – Ele falou assim que eu o soltei e eu afirmei com a cabeça, respirando fundo.
- Soldados, se apresentar! – Ouvi o comandante da tropa de gritar e ele automaticamente ficar em posição de continência, me fazendo sair da frente dele e me colocar ao lado, visivelmente com medo. – Espero que tenham se despedido de suas famílias, pois precisamos ir. – O ouvi e senti alguém tocar meus ombros.
- Alicia! – Falei sorrindo e ela me abraçou.
- Esse é meu marido. – Ela falou, apontando para o comandante e eu ri.
- Duas gerações totalmente diferentes. – Comentei, vendo sair da pose de continência e ficar na de descansar, ouvindo as instruções do comandante.
- Você vai ficar bem? – Afirmei com a cabeça.
- Sempre! – Comentei e ela sorriu, me abraçando forte. – Contando que ele esteja bem, eu estarei bem.
- Eu não deveria te dizer, mas fucei nos papéis do meu marido e essa missão é mais curta. – Ela falou e eu virei o rosto para ela.
- Mesmo? – Ela afirmou com a cabeça.
- Sim, não vai ser o tempo normal. – Ela falou e eu virei o rosto para , acenando para ele.
- Eu te amo! – Ele gritou, ignorando qualquer formalidade e eu sorri, mandando um beijo para ele.
- Eu fico tão bem quando ele não está aqui, mas fico um caco quando ele vai embora. – Passei a mão em meu nariz, respirando fundo.
- Quer carona para casa? – Ela perguntou.
- Sim, por favor. – Falei, olhando uma última vez para fardado que entrava no ônibus que o levariam para a base militar mais perto.
- Vamos, então! – Ela segurou meus ombros, me puxando para o lado contrário do ônibus que saía. – Depois vamos passar no mercado, aposto que vocês estão se alimentando de comida congelada por muito tempo. – Ela falou e eu ri, afirmando com a cabeça.
- Como você sabe? – Perguntei e ela riu.
- Duas pessoas que se casaram cedo, quando ele viaja, ela trabalha o dia inteiro, e quando estão juntos, não querem fazer outra coisa, a não ser ficarem juntos... Deixa eu pensar... – Ela suspirou. - Eu já vi tudo isso, querida! – Ela piscou para mim e eu ri, passando as mãos nos meus olhos, sorrindo.
- Obrigada por ser assim comigo, Alicia. – Suspirei. – Desculpa, mas parece uma mãezona.
- Que bom que se sente assim, se eu tivesse filhos, eles teriam a sua idade, mais ou menos. – Ela sorriu. – E eu não deixaria eles me abandonarem tão cedo. – Sorri. Mal ela sabia.

- Olá, senhora Piviti, tudo bem? – Perguntei para a senhora com os cabelos brancos. – Entrega para você! – Mostrei a caixa e ela abriu um largo sorriso.
- Oh, minha querida, você pode colocar ali na mesa para mim, por favor? – Ela se afastou da porta devagar e eu sorri, afirmando com a cabeça e entrando na casa dela, com a grande caixa nas mãos.
- Aqui está! – Falei sorrindo para ela. – Consegue assinar o comprovante para mim? – Perguntei, estendendo a prancheta para ela que sorriu, pegando a caneta devagar e fazendo um pequeno “P” ao lado do seu nome. – Está ótimo, senhora Piviti. – Ela afirmou com a cabeça. – Precisa de mais alguma coisa?
- Oh, querida, não, muito obrigada. – Ela sorriu e eu andei devagar até fora de sua casa. – Vou me deliciar com as cartas e presentes dos meus netos. – A pequena senhora abriu um sorriso e eu afirmei com a cabeça.
- Divirta-se! – Falei e ela sorriu, fazendo com que eu desse meia-volta e voltasse para o carro das entregas.
Liguei o mesmo e andei três casas a frente, na área das mansões de Sullivan’s Island, e já parei o carro novamente, desligando-o e correndo para a parte de trás do carro, pegando algumas caixas pequenas e empilhando-as em cima da maior e corri para a porta da frente da mansão que eu já conhecia, tocando a campainha com o único dedo livre e logo eu comecei a ouvir os barulhos dentro de casa.
- Eu vou! – Uma voz feminina falou.
- Pode deixar! – Uma voz masculina falou antes de abrir a porta. – ! – Ethan falou com um sorriso no rosto. – Que surpresa!
- Entrega para o seu pai, provavelmente! – Estendi as caixas para ele.
- Vem, entra aqui! Faz tempo que a gente não conversa. – Ele deu espaço na porta, e eu entrei na mansão da família DaRuge. – Como você está? Não pude me despedir de , você está bem?
- Você sempre pergunta isso, Ethan! – Falei, apoiando os pacotes em cima da mesa. – Eu estou bem!
- E você sempre diz isso. – Ele respondeu e eu puxei a prancheta entregando a ele.
- Porque é verdade! – Falei e o vi assinar seu nome.
- Você sabe que eu posso esquentar sua cama se você quiser. – Revirei os olhos e ele riu.
- Acho que Leny não gostaria disso. – Falei e ele riu. – Afinal, você em um relacionamento sério, hein?! – Ele riu, bagunçando seus cabelos.
- Para você ver como as pessoas mudam! – Ele suspirou.
- Bem, eu tenho que ir! – Falei. – Tenho outras entregas e está perto das cinco da tarde já.
- Venha jantar aqui em casa, , Ethan pega você. – Angélica, mãe de Ethan apareceu no pé da escada e eu afirmei com a cabeça rindo.
- Combinado, então. – Falei e ela sorriu.
- Até mais tarde, querida. – Suspirei e dei meia volta, correndo para a porta da mansão e puxei a porta em seguida.

- Eu não acredito nisso. – Suspirei, sentindo acariciar meus cabelos. – Alicia disse que essa missão seria mais curta, mas pensei que você ficaria mais tempo e não que embarcaria em dois dias. – Falei com a voz um pouco alta.
- Eu sei amor, por favor, não fique assim. – Ergui meu corpo do seu colo e me sentei na beirada da cama.
- , você ficou dois meses fora, veio ficar três dias e vai voltar... – Suspirei, passando a mão na testa. – Para ficar quatro ou cinco meses fora. – Ele se levantou na cama, cruzando uma das pernas e encostou a mão na minha perna.
- Depois disso eu tiro minhas férias, ok?! Fico alguns meses contigo. – Suspirei, fechando os olhos.
- Tem como você tirar uma longa folga?
- Eu posso conversar! Ver o que eles me oferecem. – Afirmei com a cabeça e ele segurou meu rosto, dando um beijo em meus lábios. – Vai, minha enfezada, vamos melhorar esse humor. – Ele abriu um largo sorriso e eu ergui a mão, tocando seu rosto lisinho, sem nenhum pelo.
- Vamos sair? – Perguntei. – Faz tempo que não saímos juntos, que você me leva para jantar. – Ele abriu um largo sorriso.
- Podemos! Aonde você quer ir? – Ele se levantou, coçando os olhos e eu ri, me levantando e puxando seu braço.
- O quiosque da praia começou a vender pizzas à noite, podemos dar uma passada lá! Estão falando que é muito bom. – Falei e ele ponderou com a cabeça.
- Podemos ir! – Ele falou, fazendo uma careta. – Mas antes... – Ele me puxou pela mão e eu caí sentada em sua perna, soltando uma risada.
- Não! – Falei, puxando meus braços. – A gente vai sair de casa! – Me levantei, ajeitando minha blusa. – As pessoas não te veem faz bastante tempo, alguns acham que você até morreu, então, por favor, levante essa bunda gostosa daí, vai tomar um banho que hoje o programa vai ser fora de casa.
- Nossa, que esposa mais brava que eu tenho! – Ele falou e se levantou fazendo careta. - Depois a gente pode...
- Não sei. – O cortei. – Tudo depende de quem a gente encontrar na rua e com quantas pessoas você falar.
- Ei! – Ele reclamou. – Eu sou sociável, só prefiro ficar contigo em casa. – O empurrei até a porta do banheiro e ele entrou, puxando sua blusa para cima e me entregando.
- Sei! – Respondi e ele riu, dando um beijo em meu ombro, antes de jogar a calça e a cueca em minha direção.
- Quer entrar? – Neguei com a cabeça.
- Nem a pau. – Falei, saindo do banheiro. – E não demora! – Gritei, puxando a porta e ouvi sua gargalhada de dentro do banheiro.

- Cheguei! – Falei para Ethan, quando ele abriu a porta e vi que ele me encarou de cima abaixo, soltando uma risada em seguida.
- Tá engordando, hein?! – Ele cutucou minha barriga e eu franzi a testa, revirando os olhos e joguei o engradado de cerveja na barriga dele.
- Claro! Essa história de vir aqui toda semana não está sendo muito bom para o meu corpo sexy! – Brinquei e entrei na sala da casa dele, encontrando sua família e sua namorada na sala. – Oi, pessoal! – Acenei feliz e Angélica veio me abraçar.
- Oi, querida, como você está? – Ela falou e eu suspirei.
- Estou bem! – Angélica era quase uma mãe para mim.
- Bom, e espero que com fome também. – Armando falou e eu ri, dando um beijo na cabeça do irmão mais novo de Ethan.
- Tenho que confessar que um pouco. – Comentei e eles riram. – Hoje foi dia de entregar cartas, fiz tudo a pé, poxa! Tenham compaixão comigo! – Eles riram novamente e Ethan me puxou pelos ombros até a mesa de jantar.
- Oi, Henrietta! – Leny me abraçou e eu dei um beijo em sua bochecha, nos sentando lado a lado.
- E ai, o que temos para hoje? – Perguntei, vendo Ethan se sentar na ponta da mesa, Angélica e o pequeno Lewis na minha frente.
- Não sei qual foi a qualidade que isso ficou, mas eu juro que tentei! – Armando falou com uma grande bandeja nas mãos, grande mesmo e colocou no meio da mesa.
- Você fez sushi! – Falei animada. – Nossa! Não como isso faz muito tempo. – Falei rindo.
- Espero que vocês gostem, eu fiquei cortando e enrolando peixe o dia inteiro. – Ele comentou, se sentando na outra ponta da mesa e vi Ethan e Angélica começar a colocar alguns pedaços de sushi e sashimi no prato à sua frente e eu peguei a garrafa de refrigerante e peguei o copo do pequeno Lewis e o servi, vendo-o fazer uma careta para a comida que sua mãe colocava no seu prato.
- Vai! Querida, se serve! – Armando falou, fazendo uma indicação para a mesa e eu sorri, pegando meu prato e colocando alguns dos pedaços de salmão cru, um pouco de pepino e diversos rolos com os mais variados recheios, até coisas que eu não sabia.
- Não sabia que você gostava de sushi. – Ethan comentou e eu ri.
- Eu gosto! – Suspirei. – Mas nossa, faz muito tempo que eu não como mesmo. – Destaquei os hashi e coloquei um pouco de molho de soja no potinho em minha frente.
- Vamos ver se eu fui bem. – Senhor DaRuge falou, colocando um pedaço na boca.
- Isso é estranho, mamãe! – O pequeno Lewis cutucou um pedaço de salmão cru com o garfo e olhava curioso para aquilo.
- Pensa bem, pequeno, é comida colorida. – Falei e ele fez uma careta.
- Sempre que é comida colorida, quer dizer que tem legumes. – Ele falou baixo e eu ri.
- Eu prometo para você que não tem, e é muito mais gostoso que legumes. – Comentei e pisquei para ele que deu um sorriso tímido, voltando a olhar para o peixe em sua frente.
Dei uma de Lewis e juntei os hashis, pegando o pedaço de salmão em meu prato e o coloquei sobre o molho de soja, deixando-o bem encharcado, do jeito que eu gostava e eu, instintivamente, segurei as pontas dos meus cabelos loiros e equilibrei o peixe gosmento nos palitinhos de madeira e coloquei na boca, soltando um suspiro, fazia muito tempo mesmo.
- Que delícia, Armando! – Falei, e ele sorriu.
- Que bom que você gostou! – Ele sorriu e eu, de repente, me senti mal.
Aquele cheiro não estava fazendo bem ao meu nariz e parecia que meu estômago borbulhava agora, me fazendo colocar a mão na barriga involuntariamente e a senti borbulhar novamente, como uma queimação. Me levantei, de repente, assustando a todos que estavam ao meu redor e senti o vômito chegar a minha boca, a qual eu rapidamente coloquei a mão na mesma, olhando em volta, procurando algum lixo, mas nada. Empurrei a cadeira para trás, derrubando-a e corri para uma das janelas abertas da mansão e coloquei a boca para fora, deixando sair tudo que estava acumulado.
Segurei a murada com força, tendo a pior sensação do mundo. Vomitar era horrível e soltei a respiração forte, vendo o pessoal se aproximar de mim e eu deixei meu corpo cair para baixo, me sentando no chão de mármore da casa.
- Aqui. – Ethan me estendeu um guardanapo e eu o passei pela minha boca, soltando a respiração forte.
- Você vomitou nas minhas rosas. – Ouvi a voz de Angélica e fiz uma careta, ouvindo o pequeno Lewis rir.
- Desculpa! – Falei baixo, fazendo uma careta.
- O que foi isso?
- Eu não sei. – Suspirei. – O cheiro, o gosto, foi do nada. – Engoli em seco, sentindo o gosto ruim na minha boca. – Eu preciso de um banheiro. – Comentei e Ethan me estendeu sua mão e eu me levantei.

- Ela está assim faz dias, a gente realmente não sabe o que é. – Ethan comentou ao meu lado e eu suspirei.
- Eu sei o que é isso! – Amara falou e olhou firme para mim. – Pelo menos eu acho que eu sei. – Ela falou e Ethan riu fraco ao meu lado. – Vem cá!
Acompanhei Amara até a salinha de exames e ela indicou a maca para mim, o qual eu me sentei e ela empurrou meu corpo, fazendo com que eu me deitasse. Ethan entrou na sala colocando um pirulito na boca e eu franzi a testa.
- Onde você achou isso? – Perguntei e ele apontou para outra sala.
- Isso é para crianças, Ethan! – Amara falou brava, entrando na sala e puxando um grande aparelho e colocando ao meu lado.
- Eu sou uma grande criança! – Ele comentou e eu ri.
- Se meus anos de faculdade me disseram algo... – Ela ergueu minha blusa e colocou um gel realmente gelado, fazendo com que eu me arrepiasse. – É que enjoo nunca vem do nada. – Ela colocou um aparelho em minha barriga e eu franzi a testa, não podia ser. – Enjoos são passageiros e como você disse que está faz alguns dias... – Ela abriu um largo sorriso. – Parabéns, mamãe! – Ela virou a tela para mim, fazendo com que minha boca fosse parar no chão. Na tela preta e branca, eu podia ver uma pequena criatura deitada. Pequena mesmo, eu só podia identificar a cabeça e os membros dele.
- O quê? – Ethan gritou, cuspindo o pirulito e correndo para se aproximar da tela. – Oh, meu Deus, você vai ser mamãe? – Ele gritou novamente, fazendo com que eu colocasse a mão no ouvido e suspirasse.
- Não sei, mas pelo tamanho do feto, ele já deve estar com uns quatro, cinco meses. – Ela comentou e eu balancei a cabeça, vendo-a colocar uma toalha em minha barriga e eu limpar o gel grudento que tinha nela.
- Eu não posso estar grávida. – Comentei, passando a mão na minha cabeça. – Ethan, eu não posso estar grávida. – Gritei, sugestivamente para ele. – Eu só tenho 20 anos.
- Mas você está. – Amara falou feliz. – E isso é uma notícia incrível. – Ela sorriu.
- Amara, eu não posso estar grávida... – Suspirei, passando a mão no rosto.
- Bem, Henrietta, aconteceu! – Amara falou, afastando a tela de mim. – E você não vai tirar esse bebê. – Arregalei os olhos.
- O quê? Não! Eu nunca faria isso. – Falei, jogando as pernas para o lado. - Eu tenho vinte anos, vive fora... – Senti um aperto no coração. – Minha família está longe... Minha família, Ethan! – Ele afirmou com a cabeça, como se entendesse o que eu estava falando e ele se aproximou de mim.
- Você tem a gente, querida! – Ele segurou minha mão. – Eu, Amara, todo mundo da ilha é a sua família. – Ele falou e eu senti uma lágrima querer escapar de meu rosto. – A gente vai te ajudar. – Ele falou, passando os braços pela minha cabeça, me trazendo para perto.
- Ele está certo, Henrietta. Somos sua família e vamos cuidar de você. – Afirmei com a cabeça e sorri.
- E o que eu faço? – Perguntei, suspirando.
- Primeiro você tira essa cara de velório, porque você é magrinha e pequenininha e vai ficar linda grávida. – Ela falou feliz e eu soltei uma risada. – Eu vou falar com um amigo meu obstetra fora da ilha que ele vai me passar com certeza o que eu posso te dar, mas pode se esquecer de comer besteira e comida congelada, ok?! Você vai precisar de muitos nutrientes para esse bebê. – Soltei uma risada.
- Bem que eu falei que você estava gordinha. – Ethan comentou e eu sorri me levantando da maca e me aproximando de um espelho que tinha na sala de exames e eu ergui minha blusa em frente da mesma e encarei minha barriga, virando o rosto de um lado para o outro.
- Já volto. – Amara falou ao ouvir o telefone tocar e Ethan se aproximou de mim.
- Minha mãe gostaria de saber disso. – Comentei e ele passou os braços pelos meus ombros. – Keith também. – Suspirei. – Eu tenho um peso gigante nas minhas costas, Ethan. Como vou cuidar de um bebê? – Suspirei.
- Nós vamos te proteger. – Ele falou.
- Você e que exército? Sua mãe? Seu pai? Eu nunca pediria isso para eles. – Ele deu de ombros.
- Não acha que é melhor contar para todo mundo quem você realmente é? – Ele perguntou e eu suspirei, negando com a cabeça.
- Não, eu não quero colocar mais ninguém em risco. – Ele afirmou com a cabeça.
- Mas não se esqueça. Eu, meus pais e meu irmão, somos sua família. – Ele falou sorrindo. – Vamos te proteger para sempre. Nós podemos ser um ótimo exército. – Ele brincou e eu virei meu corpo, ficando na ponta dos pés e abraçando-o fortemente.
- Obrigada, Ethan! – Falei e ele sorriu, me apertando com as duas mãos. – Queria tanto que estivesse aqui. – Cochichei.
- Eu também! – Ele sorriu. – Ele vai ter uma grande surpresa! – Soltei uma risada fraca.
- Eu liguei para meu amigo e ele disse que pode passar aqui na ilha no fim de semana, que tal? Aí conversamos melhor. – Soltei Ethan e afirmei com a cabeça.
- Tudo bem! – Sorri. – Obrigada, Amara, por tudo!
- Ah, querida. – Ela me abraçou. – Eu não fiz nada demais. – Abri um largo sorriso. – E afinal, é o que Ethan falou, somos sua família. – Afirmei com a cabeça.

- Está tudo muito bem, com vocês dois. – Amara abriu um sorriso, tirando o aparelho de ultrassom da minha barriga e eu afirmei com a cabeça, me sentando na cama, passando a toalha em minha barriga.
- Que bom! – Abri um sorriso e desci da maca, fechando minha calça jeans com dificuldade e abaixei minha blusa. – E meus exames de sangue, estão tudo certo? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça.
- Sim, parece que você está seguindo a dieta à risca. – Soltei uma risada fraca.
- Eu nunca comi tanto alface na minha vida. – Amara deu uma risada e ela pegou um bloco de anotações e começou a esboçar algumas coisas. – O que é isso?
- Vou preparar um atestado médico para você, em caso você precise ficar de repouso um pouco. – Ela falou.
- Ah não, por favor, não aguento ficar em casa sozinha. – Amara franziu a testa.
- Ok, mas, por favor, não abuse, tá?! Peça para outra pessoa fazer as entregas a pé, e só cuide das de carro, ou melhor, fique só no escritório. – Soltei uma risada fraca.
- Falarei com meu chefe.
- Perfeito e entregue esse atestado para ele. Eu conheço o senhor Thompson, ele vai entender. – Afirmei com a cabeça, pegando o papel de sua mão.
- O que mais?
- Eu consegui ver o sexo do bebê hoje. – Ela falou e eu arregalei os olhos. – Você parecia meio no mundo da lua hoje.
- Só estou cansada. – Suspirei. – Mas e aí, o que é?!
- Você realmente quer saber?
- Fala logo, mulher! – Soltei uma risada animada.
- Vai ser um pequeno Marcus. – Arregalei os olhos e suspirei.
- É um menino? – Perguntei feliz e ela assentiu com a cabeça.
- Sim, e vai ser um meninão. – Ela sorriu e eu a abracei forte. – Ele está crescendo saudável, grande e forte. – Ela abriu um sorriso largo e começou a bater palmas. – Ah, não vejo a hora do Marcus chegar e ver você lindinha assim. – Soltei uma risada e balancei a cabeça
- Eu também, mas não por esse motivo só. Dessa vez ele está longe faz tempo. – Suspirei.
- Falta muito para ele voltar? – Ela perguntou.
- Dois meses. – Suspirei.
- Bem, ele chegará bem à tempo de você estar entrando no sétimo mês e aproveitar um pouco sua gravidez. – Ri fraco. – Bala? – Peguei de sua mão e a coloquei na boca.
- O mais engraçado é que da última vez que ele veio, eu já estava grávida e a gente não sabia. – Suspirei.
- Por isso que vai ser demais esse encontro. – Ela sorriu feliz. – Vem, vamos sair para jantar. – Ela falou e eu ri fraco, acompanhando-a.

Saí correndo do banheiro, ouvindo o telefone de casa tocar e quase deslizei no tapete do corredor, segurei com mais firmeza a toalha enrolada em meu corpo e entrei na cozinha, esbarrando no pequeno fogão e peguei o telefone em minha mão, colocando na orelha.
- Alô? – Atendi, sentindo um frio passar pelas minhas pernas descobertas.
- Senhora Owen? – Ouvi uma voz grossa do outro lado da linha.
- Sim...
- Aqui é o General Becker, comandante do seu marido, Marcus Owen. Como a senhora está? – Franzi a testa, era o marido de Alicia.
- Oi, senhor, tudo bem e contigo? – Perguntei de volta.
- Muito bem, obrigado. Estamos ligando para dizer que a missão acabará duas semanas mais cedo, você poderia ir até a rodoviária esperar pelo seu marido no domingo ao meio dia? – Ele perguntou.
- Sério? – Falei animada e dei alguns pulinhos. – Claro que posso. Obrigada por avisar. – Abri um largo sorriso. – Isso é maravilhoso.
- Nos encontramos lá, então. – Ele falou. – Tenha uma boa noite. – Ele falou e desligou o telefone, e eu fiz o mesmo, dando alguns pulinhos e senti o bebê chutar, me fazendo parar.
- Desculpa, amor. – Passei a mão na minha barriga, por cima da toalha e abri um sorriso. – Papai está voltando para casa! – Falei feliz e suspirei. – Oh, meu Deus. – Suspirei.
Peguei o telefone novamente e disquei um dos poucos números que eu realmente conhecia naquela cidade e o ouvi tocar por um tempo, me fazendo quase desistir da ligação.
- Oi? – Ouvi uma voz fina do outro lado da linha.
- Lewis? É a Henrietta. – Falei fofa com o pequeno do outro lado da linha.
- Oi! – Ele falou animado. – Tudo bem? Como você tá? E o bebê? – Ele perguntou rápido e eu ri.
- Estamos bem, querido, os dois. – Abri um sorriso.
- Que bom! – Ele falou feliz. – Quer falar com o Ethan?
- Posso? – Perguntei e ele riu do outro lado da linha.
- Pode, vai ser um jeito de eu soltar ele da Leny. – Revirei os olhos, mas ri em seguida.
- Coitado de você, hein, Lewis? – Perguntei e ele riu.
- Tô acostumado. – Ele falou. – Ethan, é a Etta para você! – O ouvi gritar abafado. – Até mais, Etta! – Ele falou e eu sorri.
- Até mais, meu amor.
- E aí, mamãe?! – Ouvi a voz de Ethan do outro lado da linha e ri.
- Eu estou bem e você?
- Muito bem, obrigado! – Ele falou todo sério e eu ri. – O que você precisa?
- Eu preciso de uma carona.
- Agora? – Ele perguntou.
- Não, domingo, para a rodoviária.
- Pensando em viajar, é?! – Ele falou e eu me encostei na parede, suspirando.
- Não, não! vai chegar mais cedo!
- Sério?! – Ele deu um grito feliz do outro lado da linha e eu afastei o telefone um pouco, rindo.
- Sério, o general dele acabou de ligar, parece que encurtaram a missão, sei lá. – Dei de ombros.
- Claro, eu te pego sim, que horas?
- Falam que eles chegam ao meio dia.
- Perfeito! Te pego um pouco antes disso. – Afirmei com a boca. – E não fica fazendo muita coisa, hein?! – Soltei uma risada fraca.
- Pode deixar, Ethan, estou de licença maternidade. – Falei rindo. – Está até meio chato, na verdade. – Fiz um muxoxo com a boca e ele riu.
- Pensa que você tem que cuidar de si mesma e de um meninão.
- Acho que essa barrigona de sete meses não vai me deixar esquecer. – Comentei e ele riu.
- Pois é, você tem razão! – Ri fraco e suspirei em seguida.
- Vou lá, Ethan, beijos, até domingo.
- Até, amor, vou falar para minha mãe preparar algo para gente receber o .
- Ah, obrigada, Ethan! – Abri um sorriso.
- De nada! – Soltei uma risada e desliguei o telefone, abrindo um largo sorriso.
Fazia quase três anos que estávamos em Sullivan’s Island e, pelo menos para mim, a saudades da minha mãe e do meu irmão eram gigantescas, mas só de ter os DaRuge perto da gente, era algo simplesmente incrível, eles eram minha família. Angélica tratava a mim e a como se fôssemos os seus outros filhos, e o carinho que eles tinham comigo era algo simplesmente extraordinário.
Acho que dessa cidade, eles eram os únicos que sabiam de toda história minha e de , do porquêe saímos de Bells e toda a história da promessa de morte. Então, às vezes eu achava que eles me tratavam como uma boneca que poderia ser quebrada há qualquer momento. Me traziam coisas, faziam coisas para mim, e ainda com essa gravidez, o cuidado era muito maior, era difícil eu ficar alguns dias sem vê-los.
Além deles, ninguém mais sabia sobre nós. Nós nunca havíamos contado. Para os DaRuge, com exceção do pequeno Lewis, nós éramos e , e Henrietta e Marcus para o resto da cidade, e para quando estivéssemos em grupo. Era algo bom, porque depois de ser chamada por tanto tempo de Henrietta, às vezes eu achava que estava perdendo minha identidade, então quando me chamavam de , era como se eu me revigorasse.

Apertei mais o moletom em meu corpo e me apoiei na murada de casa e olhei para frente, sentindo o vento bater em meu rosto, fazendo com que meus cabelos loiros se mexessem com o vento. A praia estava quase deserta, tinha algumas pessoas perdidas ali fazendo caminhada, mas ninguém se atrevia a entrar na água, que provavelmente estaria congelando.
Olhei para a água azul e a vi bater contra algumas pedras ali perto, fazendo com que eu pudesse ouvir o barulho de tão quieto e diferente que aquele dia estava. O dia estava nublado e ventava bastante. Suspirei, puxando minhas mangas até cobrirem minhas mãos e ouvi uma batida ao meu lado, fazendo com que eu virasse o rosto com pressa.
- Antoine! – Falei feliz ao ver meu vizinho do mesmo jeito que eu, mas em sua varanda.
- Como está esse bebê, Henrietta? – Ele perguntou e eu ri fraco, me desgrudando da mureta e andando até a outra ponta que ficava perto da sua casa.
- Está muito bem! – Abri um sorriso.
- Fiquei sabendo que Marcus vai voltar mais cedo. – Afirmei com a cabeça.
- Vai sim. – Abri um sorriso. – Amanhã.
- Ah, que delícia! – Ele falou com aquele sotaque forte de francês. – Ele vai ter uma grande surpresa! – Soltei uma risada fraca.
- Que surpresa, hein?! – Brinquei, passando a mão na minha barriga e ele sorriu.
- É o que minha esposa falou. Você está muito bonita, Henrietta! – Abri um sorriso.
- Vocês acham? – Ri fraco.
- Mas é claro, é impossível ver uma grávida feia. – Ponderei com a cabeça e ri.
- Quando eu descobri da gravidez, eu confesso que estava receosa.
- Por quê? – Ele perguntou.
- Eu tenho 20 anos, Antoine. – Suspirei. – Faço 21 no meio do ano. – Suspirei. – Eu sou muito nova.
- A idade é só um número, querida. – Ele sorriu, colocando as mãos dentro do bolso. – Você e Marcus estão aqui faz alguns anos, morando sozinhos, trazendo comida para dentro de casa... Vocês amadureceram rápido demais, e isso vai ajudar a cuidar desse meninão. – Afirmei com a cabeça e ele sorriu. – Vocês vão se dar bem.
- Espero que você esteja certo.
- E mesmo se não derem, a cidade inteira gosta de vocês, ajuda é o que não vai faltar. – Soltei uma risada fraca.
- Oi, Henrietta! – A esposa de Antoine, Vanessa, apareceu na porta de casa acenando.
- Oi! – Sorri.
- Venham, os dois, vamos tomar um chocolate quente e comer um bolo! – Soltei uma risada fraca. – Quero paparicar esses dois bebês um pouco. – Ela falou, se referindo a mim e ao bebê e eu sorri.
- Vou só trocar meus sapatos. – Falei, apontando para minhas pantufas e eles riram.
- Vou abrir a porta de trás. – Ela falou, se referindo a porta da rua e eu ri, voltando para dentro de casa.

Coloquei minhas mãos no bolso e arqueei meu corpo para trás, sentindo o vento bater em meu rosto e eu franzi a testa, suspirando. Ethan estava parecendo um iglu ao meu lado, o rosto dentro do capuz, as mãos enfiadas dentro do bolso e ele tremia. Também, só ele para estar de shorts em um frio daqueles. Balancei minha cabeça e virei o rosto para trás, vendo algumas outras esposas esperando e suspirei.
- Ei! – Ouvi uma voz ao meu lado e me assustei com Alicia.
- Oi! – Falei animada.
- Como está? – Ela perguntou e eu tirei as mãos dos bolsos para abraçá-la forte.
- Eu estou bem e você? – Sorri.
- Bem também. – Ela riu. – Está feliz, é?! – Ela perguntou e eu ri.
- É bom, ele está em casa. – Suspirei.
- Sim, apesar de tudo, ele está em casa. – Ela abriu um meio sorriso.
- Pois é, eu não ia aguentá-lo mais um tempo longe... – Suspirei e ela travou o rosto, me encarando.
- Eles não te contaram? – Ela perguntou e eu franzi a testa, virando o rosto para ela.
- Contaram o quê? – Ethan perguntou ao meu lado e eu me distraí com o ônibus que parava do outro lado da rua e eu olhei para Alicia, que somente segurou minha mão, com força.
Olhei para a rua novamente e a porta do ônibus se abriu, os poucos soldados começaram a sair devagar, todos aparentemente cansados, com suas bolsas penduradas nas costas e quando a primeira esposa corria em direção a ele, um pequeno sorriso aparecia em seu rosto, e logo as lágrimas começaram a cair do rosto deles. Eu nunca havia visto uma chegada caída assim.
- Alicia... – Falei meio incerta e suspirei.
- Está tudo bem! – Ela respondeu e vi o marido dela sair do ônibus e virar de costas, ajudando alguém a descer, ajudando meu marido a descer. – Ele está em casa.
- Oh, meu Deus! – Foi o que eu falei.
tinha uma tipoia em seu braço esquerdo, e por dentro do uniforme, era possível ver alguns curativos que subiam pelo seu pescoço. Em sua mão direita, uma muleta o ajudava a descer degrau por degrau do ônibus, com o general ajudando-o na frente e mais algum soldado atrás. O choro chegou à minha garganta quando ele saiu do ônibus e na claridade, pude ver alguns pequenos roxos em seu lábio e olhos.
- Oh, meu Deus. – Ethan falou ao meu lado e sem nem pensar duas vezes, eu corri a pequena distância que tinha entre os dois lados da rua e só consegui ouvir alguém gritar meu nome em vão.
- Amor! – Falei, parando pouco antes dos três e eu não consegui segurar minhas lágrimas, colocando as mãos nos olhos, sentindo a respiração falhar.
- Henri, eu estou bem! – falou, abrindo um sorriso para mim e eu afirmei com a cabeça. – Só parece feio. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça, engolindo em seco. – E você está grávida? – Ele abriu um largo sorriso, soltando um sorriso e eu afirmei com a cabeça.
- Eu pensei que você seria o surpreendido. – Comentei e ele riu, passei meus braços pelo seu corpo, bem próximo à cintura, e o apertei contra meu corpo, sentindo um pouco do seu peso em cima de mim, me fazendo suspirar.
- Eu vou ser pai? – Ele falou, dando um beijo em minha cabeça.
- Vai! – Respondi rindo.
- Depois do furacão, vem o arco-íris, soldado! – Ouvi o general Becker falar do nosso lado e sorri, tentando segurar as lágrimas.
- Mas que merda, hein, amigo?! – Ethan apareceu ao meu lado e eu ri.
- Já estive pior. – comentou e eu olhei para seus olhos, dando um delicado beijo em seus lábios.
- Você está em casa agora, vai ficar tudo bem. – O general falou e eu sorri. – Afinal, você tem uma família para cuidar agora. – Ele falou sorrindo para mim. – Parabéns, garota! – Senti meus olhos se encherem de lágrimas novamente e sorri, agradecendo com a cabeça.
- Vem, vamos deixar ele se sentar. – Alicia falou me afastando um pouco quando um dos soldados apareceu com uma cadeira de rodas ao nosso lado, fazendo com que se sentasse com dificuldades na mesma e o outro soldado segurou sua muleta, enquanto alguém o empurrava para fora da rua.
- Temos que levar ele para um hospital ou...
- Não, ele está bem, só esperar sarar agora. – O general falou para mim.
- É por isso que vocês encurtaram a missão. – Ele afirmou com a cabeça e suspirou em seguida.
- Ele é um homem muito corajoso, sabia?! – Ele falou para mim e eu sorri.
- O que aconteceu? – Perguntei e ele negou com a cabeça. – Vocês entregam meu marido todo ferrado e ainda não querem me contar? – Falei brava e ele arregalou os olhos e balançou a cabeça.
- Combate direto. – Ele falou. – Seu marido estava fazendo uma ronda no meio da noite, foi atacado por algumas pessoas, teve troca de tiros. Marcus foi acertado duas vezes, aí ele foi capturado e torturado. Na manhã seguinte, quando descobrimos, nós o resgatamos, e decidimos cancelar a missão.
- Isso porque era para ser uma missão de paz. – Comentei e ele afirmou com a cabeça.
- Nem todos veem da mesma maneira. – Ele comentou e eu afirmei com a cabeça. – Mas vai ficar tudo bem, ele já passou por cirurgias, o braço já está imobilizado, vai ficar tudo bem, senhora Owen. – Afirmei com a cabeça.
- Obrigada, general. – Ele bateu uma continência para mim e me abraçou em seguida.
- Cuida dessa criança, ok?! – Ele falou para mim e eu afirmei com a cabeça.
- Ok! Obrigada! – Ele me soltou e eu acenei para Alicia de longe, vendo-a sorrir.

- Pronto, meninão, tá em casa já! – Ethan falou, me ajudando a ajeitar na cama e suspirou. – Você é pesado, hein?! – Ele falou e riu, fazendo uma careta em seguida.
- Obrigada, Ethan! – Agradeci, sentada na ponta da cama.
- Que isso! – Ele sorriu. – Estarei na sala se precisarem de alguma coisa.
- Valeu, cara! – agradeceu e eu sorri.
Ethan abriu um largo sorriso e saiu do quarto, puxando a porta em seguida e eu suspirei, passando a mão na cabeça e olhou para mim, mantendo os olhos focados em mim e eu suspirei, olhando em sua direção. O corpo esticado na cama, agora sem blusa eu podia ver o curativo em seu corpo, era largo, passava pelos dois ombros, e chegava na diagonal por entre seu peitoral e acabava no começo da barriga.
- Está tão feio assim? – me perguntou e eu ri fraco.
- Eu pensei que você cuidaria de mim, não o contrário. – Virei meu corpo na cama e me sentei ao seu lado, encostando a cabeça na cabeceira da cama.
- Eu estou bem, . – Ele falou, esticando a mão livre até meu rosto e eu sorri com seu carinho. – O pior já passou.
- Por favor, , me diga que você não vai voltar para lá. – Suspirei.
- , por favor, você está grávida, vamos focar nisso agora! – Ele falou e eu suspirei.
- Ok, podemos focar nisso agora. Mas, se depender de mim, você não volta para lá. – Comentei e ele sorriu, negando com a cabeça.
- Me diga sobre você. – Ele falou. – Como isso aconteceu? – Ele perguntou rindo.
- Quando o papai coloca uma sementinha na mamãe e...
- ! – Ele brigou e eu gargalhei.
- Você sabe como aconteceu, camisinha rasgada, anticoncepcional não funcionou... Ou porque Deus achou que a gente precisava. – Comentei e ele afirmou com a cabeça, levando sua mão até minha barriga.
- Você está enorme. – Ele brincou e eu afirmei com a cabeça. – Quanto tempo?
- Sete meses.
- Então da última vez que eu voltei...
- Sim, eu já estava grávida. – Falei rindo e ele abriu um largo sorriso.
- Meu Deus. – Ele riu. – Você está linda. – Abri um sorriso. – Está quase para nascer já. – Ele falou.
- Só mais dois meses. – Comentei.
- Eu perdi tudo isso... – Neguei com a cabeça.
- Eu descobri estava com quatro meses e meio já.
- O quê? – Ele gritou.
- Pois é, bem que Ethan falou que eu estava um pouco gordinha. – Comentei e ele riu, fazendo uma careta. - Dói muito? – Perguntei e ele negou com a cabeça.
- Só quando eu rio. – Afirmei com a cabeça. - Você descobriu como? – Ele perguntou.
- Os enjoos começaram a aparecer, ficaram frequentes e Ethan me levou na Amara, e ela fez um ultrassom e matou a charada na hora.
- Você nem suspeitou. – Neguei com a cabeça.
- Não mesmo! - Ri fraco.
- E você já sabe o que é?! – Afirmei com a cabeça feliz.
- Sei sim. – Soltei uma risada fraca. – É um menino.
- Mesmo? – falou animado e eu ri, afirmando com a cabeça. - E você já escolheu um nome? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Estava esperando você voltar para gente decidir isso. – Falei e encostei meu corpo no seu, acariciando seu braço.
- Você tem alguma ideia? – Ele perguntou e eu fiz um barulho com a boca.
- Não, nada. – Suspirei.
- Nós precisamos comprar um berço, banheira de bebê, fraldas... – Ele começou a falar. – Meu Deus, eu não sei nem por onde começar. – Soltei uma risada.
- A gente não sabe nem que nome dar para ele. – Brinquei e riu.
- Talvez eu tenha uma ideia. – Ele comentou.
- Qual? – Perguntei.
- Que tal o nome do seu pai? – Ele perguntou e eu franzi a testa, soltando uma risada em seguida.
- Você realmente quer dar o nome de Maxwell para o nosso filho? – Ele fez uma careta e dessa vez não foi de dor.
- Ah, vai ser o Max! – Soltei uma gargalhada.
- Por essa você não esperava.
- Não mesmo. – Ele riu.
- Que tal Kevin? É o segundo nome dele.
- Maxwell Kevin? – perguntou. – Sério?
- Ei, reclame com minha avó. – riu. – Para o mundo externo ele é o dono das Indústrias Bells. – Comentei.
- Kevin Bells Owen, vai ser uma boa. – Afirmei com a cabeça.
- Kevin Owen, só. – Comentei e suspirou.
- ...
- Se vamos ficar aqui pelo resto da vida, é bom que a próxima geração nem saiba do que aconteceu. – Comentei e ele afirmou com a cabeça.
- Odeio dizer, mas você está certa, amor. – Sorri. – Infelizmente.
- Quer comer alguma coisa? – Perguntei.
- Não, quero só dormir um pouco, o avião veio chacoalhando a viagem inteira. – Afirmei com a cabeça.
- Ok. – Me levantei e puxei a coberta, cobrindo-o até seu peito. – Descanse um pouco, eu já volto.
- Ok. – Ele sorriu, fechando os olhos.

- Muito melhor. – Amara falou, olhando atentamente para o rosto de e abrindo um sorriso. – Quase 100 por cento. Seus reflexos estão muito melhores. – Ela comentou, guardando a pequena lanterna no bolso de novo e sorriu. – Os roxos já sumiram. E o braço? – Ela se sentou na cadeira ao lado e eu continuei observando.
- Está meio duro ainda, mas sem dor. – falou e Amara segurou o braço de , que já estava sem a tipoia e o esticou e fechou diversas vezes para ver como estava.
- Perfeito! – Amara falou. – Vai ficar assim por um tempo, mas só de estar sarado, está tudo bem.
- Eu estou achando que ele está muito magro, Amara. – Comentei, me sentando na cadeira ao lado.
- Um pouco, mas os remédios ajudam nisso, viu?! Mas por precaução eu vou entrar em contato com uma nutricionista para ela te dar uma alimentação mais controlada, até você ficar bem.
- Ok! – Ele falou e Amara se levantou, começando a tocar os ombros de , um deles tinha duas cicatrizes feias e aumentadas, resultado das duas balas que ele levou no lugar.
- Aqui dói? – Ela apertou em cima das cicatrizes e não teve reação.
- Não. – Ele mexeu a cabeça. – Parece aquela sensação de quando algo está dormindo.
- Um formigamento? – Ela perguntou e ele afirmou com a cabeça.
- É, algo assim. – Ele confirmou com a cabeça.
- Marcus, você está muito bem. – Amara falou, e ficou atrás dele. – Respire fundo para mim. – fez o que ela pediu e Amara mudava o estetoscópio de lugar, ouvindo o pulmão dele. – Em breve vai poder segurar seu pequeno. – agradeceu com a cabeça.
- E você, Henrietta? Vamos ver esse bebê? Daqui a pouco ele passa do tempo. – Afirmei com a cabeça e ela riu. trocou de lugar comigo e eu me sentei na maca, vendo-o colocar sua blusa.
Amara se aproximou de mim e colocou o estetoscópio em minha barriga, provavelmente ouvindo o coração do bebê e eu suspirei, olhando para o papel de parede de rosas que tinha no teto.
Em seguida, ela se afastou um pouco de mim e pegou o aparelho de ultrassom, o que fez se aproximar para ver, mais uma vez, seu filho e eu suspirei. O bebê estava grande já e eu sorri, vendo meu filho se mexendo na tela. Amara ficou quieta e fez algumas anotações em um papel enquanto eu secava minha barriga e ela suspirava.
- Fala, mulher! – Falei e ela riu fraco.
- Eu vou ligar para o meu amigo obstetra e a ver o que a gente vai fazer, a gente não tem data exata, nem precisão em quantos meses você está, mas pelo tamanho do bebê, já está bem próximo dos nove meses e ele precisa sair daí. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça.
- E se ele precisar sair daí, o que acontece? – perguntou.
- Nós a levamos para o continente para uma cesárea de emergência.
- E isso é ruim? – Perguntei, me sentando.
- Não, mas não podemos esquecer que uma cesárea ainda é uma cirurgia e tem seus riscos. – Afirmei com a cabeça. – Mas vai dar tudo certo. – Ela sorriu e eu afirmei com a cabeça.

- Olá, Henrietta, vamos começar? – O médico com o sobrenome estranho me perguntou e eu respirei fundo, afirmando com a cabeça. – Você está confortável? – Ele perguntou e eu assenti com a cabeça.
- Sim, estou bem. – Sorri.
- Então junte os joelhos, abaixe a cabeça e respire fundo, vai ser rápido. – Afirmei a cabeça e fiz o que ele disse, vendo do outro lado da sala de cirurgia com um sorriso encorajador para mim. – Agora respire! – Fiz o que o médico pediu e eu respirei fundo, sentindo a agulha em minha espinha e senti uma pequena dor, puxando forte a respiração. – Pronto! – Ele falou. – Você vai começar a sentir o efeito quase na hora. – Ele falou e eu suspirei, sentindo minhas pernas começarem a dormir aos poucos. – Vamos lá? – Ele perguntou e eu afirmei com a cabeça, olhando para a pequena cabana que eles fizeram em volta de mim e eu suspirei, não sentindo mais minhas pernas. – Começando agora! – Ele falou e eu afirmei com a cabeça. – Se mantenha calma que tudo vai dar certo.
Eu fiquei entediada rapidamente. Eu via as pessoas com bisturis, pinchas e outros instrumentos que eu não sabia o nome, e aquilo realmente começou a me enojar. Não que eu tivesse medo de sangue, mas de imaginar que eles estavam cortando diversas camadas da minha barriga, era meio estranho. E era mais estranho ainda pensar que eles suturariam todas essas camadas. Franzi a testa com esse pensamento e preferi olhar para cima, pensar no meu bebê que estava para chegar.
- Aqui está! – O médico falou, finalmente tirando meu filho de dentro de mim e eu abri um largo sorriso. – Que meninão grande! – Ele falou sorrindo e ouvi um choro fino vindo do pequeno bebê careca em minha frente e abriu um largo sorriso, se aproximando de nós. – Qual o nome dele?
- Kevin! – falou e eu sorri.
- Kevin! – O médico falou e eu sorri. – Bem vindo ao mundo, pequeno. – Ele falou, me fazendo sentir algumas lágrimas sair do meu rosto. – Vamos cuidar dele.
- Está tudo bem? – perguntou e eu afirmei com a cabeça.
- Est... – Senti meus olhos fecharem aos poucos e suspirei.
- Amor! – Ouvi a voz de distante, mas eu não estava mais naquela dimensão.

Abri os olhos devagar e senti uma incrível dor na cabeça, o que fez com que eu fechasse os olhos novamente e suspirei alto, tentando abrir os olhos novamente. Olhei em volta, o quarto era totalmente branco e estranho. Olhei um pouco a frente e estava com nosso filho no colo, o pequeno tinha uma manta grossa enrolada em seu corpo e estava lindo tentando fazer com que ele dormisse.
- Oh, meu Deus, você está bem! – Ouvi a voz de e olhei em volta, suspirando. – Médico! – Ele gritou e eu senti a cabeça doer novamente.
- O que está acontecendo? – Perguntei e tombei a cabeça para o lado, suspirando.
- Olá, bem vinda de volta! – Reconheci o médico novamente e sorri, me sentando melhor na cama.
- O que aconteceu? – Perguntei e o médico suspirou.
- Hemorragia e uma parada cardíaca. – Ele falou e eu joguei a cabeça para trás de novo. - Você ficou desacordada por dois dias. Precisamos te ressuscitar e fazer uma transfusão de sangue. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça. – É por isso que você vai ter uma marca no peito, ok?! – Ignorei o que ele disse e respirei fundo. - Você está se sentindo bem?
- Eu estou viva. – Comentei e ele riu. - Só com dor de cabeça. – Respondi e ele afirmou com a cabeça.
- Vou providenciar algo para isso. – Ele falou e colocou a lanterna em meus olhos o que eu imediatamente os fechei. – Pupilas responsivas. – Ele falou. – Bem vinda de volta.
- Posso ver meu filho? – Perguntei e ele afirmou com a cabeça e se aproximou de mim, esticando meu filho em meu colo e eu sorri, vendo o rosto gordinho dele e os poucos cabelos loiros em sua cabeça.
- Ele é lindo! – Comentei, dando um beijinho em sua bochecha. – Oi, meu amor. – Falei e vi a boca do pequeno se mexer e sua língua aparecer. – Ó meu lindo! – Comentei e riu ao meu lado.
- Eu sei que você quer ficar com seu filho, mas precisamos fazer alguns testes motores em você, ok?! – Afirmei com a cabeça. – Mas primeiro, vamos te alimentar. – Ele comentou e eu ri. – Enfermeira, por favor. – Uma mocinha baixinha e gordinha apareceu. – Sei que está fora de hora, mas pode providenciar um jantar para ela? – A enfermeira abriu um sorriso.
- Claro, é para já! – Ela falou e eu sorri.

- Acho que eu vou ter que largar o emprego, pelo menos enquanto ele é jovem. – Falei para , enquanto observava Kevin no carrinho. – Você deve querer voltar a trabalhar. – Comentei.
- Sim. – Ele falou. – Mas eu vou pedir baixa, o salário é ótimo, mas eu não quero voltar, você já passou por tanta coisa. Eu não quero te deixar sozinha e eu também quase te perdi. – Ele comentou e eu afirmei com a cabeça.
- Obrigada! – Falei contente e ele sorriu, me abraçando por trás. – E o que você pretende fazer? Instrutor de surfe? – Perguntei e ele deu de ombros.
- Quem sabe, enquanto não tenho outra coisa. – Ele deu de ombros e eu ri, virando meu corpo para ele e senti seus lábios contra o meu rapidamente.
- Eu lembro que você gostava de consertar carros. – Comentei e ele deu de ombros.
- Parece que faz uma eternidade já. – Ele respirou fundo. – Não lembro mais daquele , ele foi corrompido pela vida. – Ri fraco.
- Eu lembro! – Comentei. – Ele está dentro de você. – fez uma careta. – Dá uma procurada que você o encontra.
- Que papo motivacional! – Ele comentou e eu ri.
- Se você vai ter que ficar aqui na ilha, que seja fazendo o que você gosta. – Ele riu fraco.
- Não me importo, eu tenho vocês. – Ele comentou e deu um beijo em minha testa. – Mas você não pode negar, , já fazem mais de três anos. – Ele suspirou. – Honestamente eu sinto falta do e da .
- Eu me pego pensando nisso de vez em quando. – Comentei suspirando. – A vida fez com que a gente mudasse, mas eles ainda existem. – Afirmei com a cabeça e ele sorriu, me apertando forte em meus braços, e eu suspirei, encostando minha cabeça em seu ombro.
- E se você sair do correio e eu ficar com esse emprego? – perguntou e eu ri.
- Você vai odiar. – Comentei e ele soltou uma risada.
- Por quê? – Neguei com a cabeça.
- Ficar separando cartas o dia inteiro? Eu não ligo de conversar com as velinhas, mas tem dias que é realmente chato. – Comentei e ele riu.
- Mas você ganha bolos, sobremesas e mais um monte de coisa. – Neguei com a cabeça rindo.
- É, isso é algo bom! – Brinquei e ele riu, mas nossa distração mudou para Kevin que começara a chorar no carrinho.
- Comida? – perguntou.
- Alimentei ele tem uma hora. – Falei.
- Trocar? – perguntou e eu peguei Kevin do carrinho e puxei sua fralda.
- Talvez! – Comentei e eu e nos olhamos rindo.
- Não sei quem permitiu que a gente cuidasse de um bebê, Deus realmente ama a gente, não é?! – brincou e eu entreguei Kevin em sua mão, enquanto voltava para a sala, onde tinha um trocador improvisado.
- Para, , assim parece que somos péssimos demais.
- Isso o Kevin vai nos dizer daqui alguns anos. – Ele comentou, beijando a barriga do pequeno de três meses que riu.

- Cadê o Ethan? – perguntou ao meu lado e eu dei de ombros, colocando algumas tortas na mesa, enquanto as pessoas conversaram em volta de casa. – Angélica, cadê o Ethan? – perguntou para mãe de Ethan que segurava Kevin e ela deu de ombros.
- Ele e Leny falaram que logo viriam, pensei que seria logo mesmo. – Ela comentou, enquanto dava mamadeira para Kevin.
- Isso tá muito bom, Henrietta! – Lilite, a dona da pensão, comentou e eu sorri.
- Ela aprendeu a fazer alguma coisa, pelo menos. – Alicia brincou e eu lhe mostrei a língua, mal elas sabiam que eu tinha bastante experiência com tortas.
Era aniversário de , ele estava fazendo 23 anos, então decidimos juntar nossos amigos mais próximos da cidade para fazer uma pequena comemoração, nossos vizinhos Antoine e sua esposa Vanessa, os DaRuge, Amara, Lílite, Cami e meu chefe senhor Thompson, Alicia e seu marido. Achamos que pelo menos alguma coisa precisava ser comemorada, apesar do ano tumultuoso que tivemos.
- Bem, não sei cadê o Ethan, mas eu quero mais um pedaço dessa torta, Etta! – O pequeno Lewis falou perto de mim e eu ri.
- Vem, amor! Me dá o guardanapo. – Peguei o guardanapo que ele me estendeu e eu sorri, colocando mais um pedaço de torta para ele.
- Obrigado! – Ele falou e voltou a se sentar ao lado de sua mãe, encarando meu filho com certa curiosidade e eu sorri.
- Ei! – me cutucou e eu virei o rosto para ele. – O que foi?
- Fico imaginando se Kevin vai ser igual o Lewis quando mais velho. – Comentei.
- Igual não, porque ninguém é igual a ninguém. – Ele comentou. – Mas estamos cuidando bem dele, ele vai ser educado da mesma forma, se for isso que você quer dizer. – Afirmei com a cabeça e ele sorriu, me beijando na testa.
- Eu estou apaixonada pelo seu pequeno, Henrietta! Ele é um amor. – Lilite se aproximou de mim e eu sorri.
- Obrigada, Lilite. – Sorri e ela me abraçou.
- Deixa o medo de lado, vocês vão fazer um ótimo trabalho. – Ela segurou o braço de e se apoiou em meu ombro e eu sorri.
- Obrigada!
- Henri, está acabando o refrigerante. – Amara comentou e eu me mexi. – Eu pego, onde está? – Ela falou e eu ri.
- Na geladeira, por favor. – Ela sorriu e eu dei uma olhada em volta, vendo se todos os convidados estavam comendo, bebendo e interagindo e eu fiquei feliz pela resposta ser sim.
- Liguei para Ethan, ele não atende. – Armando veio do corredor de casa e eu suspirei.
- Será que aconteceu alguma coisa? – perguntou e eu fiquei nervosa, balançando a cabeça e suspirando.
- Por favor, não. – Comentei e ouvi um barulho alto de freada que fez todos se assustarem.
- O que foi isso? – perguntou e antes mesmo de ter resposta, a porta de casa foi aberta com violência e Ethan entrou correndo dentro de casa, com a respiração falha e atrás dele...
- Keith?! – Gritei desesperada ao ver meu irmão atrás de Ethan e Leny, No mesmo momento ele abriu um largo sorriso e eu corri em sua direção, abraçando-o fortemente. Ele estava diferente, ao invés do garoto magricelo, ele estava encorpado, e os cabelos loiros um pouco compridos, só os olhos verdes que não mudaram nada. - Oh, meu Deus, o que você está fazendo aqui?! – Perguntei, apertando seu corpo fortemente contra o meu.
- Meu Deus, ! Ele está atrás de nós – Ele segurou meu rosto com as duas mãos e eu senti as lágrimas quererem cair do meu rosto e eu prendi a respiração. – Ele está nos caçando.
- O que você está falando, Keith? O que está acontecendo? – Perguntei sentindo uma tremedeira passar pelo meu corpo e ele prendeu a respiração.
- Daniel. – Ele falou e eu senti um arrepio passar pelo meu corpo. – Parece que acharam o testamento, mas só você pode abrir ele. – Ele respirou fundo. – Ele está te caçando, . Eu não podia ficar longe sem fazer nada. E se ele te achasse? E se ele fizesse algo contigo? Eu não posso te perder. – Ele falou desesperado e eu respirei fundo, sentindo-o me abraçar novamente e eu senti meu mundo cair, de repente.
- O que está acontecendo? – Ouvi alguém perguntar lá atrás, mas eu não me importei, meu irmão estava ali e era tudo que bastava. – Quem é ? – Ouvi uma voz e suspirei.
- Eles estão nos olhando de forma estranha. – Keith cochichou em meu ouvido e eu ri fraco.
- Você acabou de derrubar minha máscara, irmão. – Comentei e ele se soltou de mim, fazendo uma careta. – Você não podia vir em outro dia?
- Opa! – Ele me soltou e eu virei meu rosto para todo mundo da festa que nos encarava.
- Acho que está na hora de você contar a verdade, querida. – Angélica comentou e eu fechei os olhos e pressionei os lábios.
- Eu nem sei como fazer isso. – Suspirei.
- Estamos juntos! – comentou e Keith afirmou com a cabeça.
- Como estivemos desde o começo. – Keith respondeu e eu sorri.

- Então... – Comentei, suspirando. – Eu realmente não sei como começar isso. – Suspirei.
- Conte desde o começo. Começando pelo seu nome. – Armando falou e eu sorri, acenando para ele.
- Bem, meu nome é Henrietta Alexander Bells, eu sou filha de Maxwell Bells, e sou herdeira das Indústrias Bells. – Falei e imediatamente diversas pessoas arregalaram os olhos, mas eu senti segurar minha mão.
- Aquelas indústrias Bells? – Senhor Thompson falou e eu afirmei com a cabeça.
- E esse é Marcus Owen. – Suspirei. – Nós mentimos para vocês, porque precisávamos desaparecer. – Falei e suspirei. – Como talvez vocês devam saber, meu pai faleceu faz mais de quatro anos e meu padrasto tomou conta da empresa, pois não tinha testamento. E como ninguém sabia cuidar da empresa, ele começou a cuidar. – Respirei fundo. – Mas alguns eventos, fizeram com que a gente começasse a desconfiar do meu padrasto e a vida em casa e na empresa começou a ficar...
- Difícil. – Keith encurtou e eu suspirei.
- Exato! – Falei. – Ele começou a tirar coisas que eram nossas por direito, e algumas coisas que a gente fazia por querer. Keith foi obrigado a deixar a faculdade, eu fui proibida de namorar o ... – Suspirei. – Parece bobo, mas a gente não podia mais entrar em casa e até as pessoas que trabalharam conosco desde que nascemos, foram impedidas de nos ajudar. – Suspirei. – Enfim, até que chegou o momento em que eu tive uma briga corporal com meu padrasto, pois ele estava drogando minha mãe para conseguir sexo. – Suspirei. – E, bem, foi aí que tudo estourou. Minha mãe contou que meu padrasto já tinha jurado a gente de morte diversas vezes e com o mistério por trás da morte do meu pai, sabíamos que isso era possível. – Falei. - E após aquele pequeno desentendimento... – Ri fraco e algumas pessoas acompanharem.
- Desentendimento? – brincou. – Não briguem com ela. – Ri fraco, batendo nele.
- Enfim, depois daquele evento, a gente viu que isso realmente podia se concretizar. Por isso a gente decidiu fugir. – Suspirei. – Meu irmão tem alguns contatos em Washington e foi para lá, ele me falou da família DaRuge, que sabia de tudo sobre nós e viemos para cá, e tentamos viver o mais normal e calmo possível. – Suspirei.
- E agora, aparentemente, o testamento foi descoberto e só a pode abrir ele, ou algo assim. – Keith suspirou. – Alguns ‘capangas’ me acharam em Washington e eu tive que correr para cá. – Ele me abraçou de lado.
- Desculpa ter mentido para vocês. – Falei.
- Eu sabia que as Indústrias Bells estavam mal, depois da morte do seu pai, mas eu não sabia que a esse ponto. – Antoine falou e eu afirmei com a cabeça.
- Pois é. – Suspirei.
- Por que vocês não tomam conta da empresa? – Amara perguntou.
- A gente nunca teve essa intenção, na verdade, e agora, com ele tomando conta... Creio que vá ser muito difícil. – Falei.
- Bem, parece que você vai ter que tentar. – Cami comentou. – Se o testamento está ligado ao seu nome, você deve estar relacionada de alguma forma a ele. – Ela falou e Keith confirmou com a cabeça.
- Ela está certa! – Ele falou e eu olhei para Keith.
- Sei que vocês estão escondidos há três anos, lutando para viver normalmente, mas você realmente vai querer que seu legado seja tomado por um incompetente? – General Becker falou. – Durante o comando do seu pai, essa empresa era uma das mais transparentes do país, até esse Daniel entrar e destruir tudo. – Ele falou. – Vocês precisam tomar isso de volta, nem que seja na força.
- Vocês querem que a gente lute? – Perguntei.
- Sim! – Algumas pessoas falaram e eu suspirei.
- Ninguém se lembra da parte da sentença de morte e algo assim? – Perguntei e riu ao meu lado.
- Sim, eu lembro. – O general continuou. – Mas se for preciso, a gente leva o exército para lutar contigo. – Abri um sorriso e senti meus olhos se encherem de lágrimas.
- A gente realmente vai fazer isso? – Perguntei para Keith e .
- Sim. – falou.
- Eu sinto falta de casa. – Keith continuou e eu afirmei com a cabeça.
- Eu também. – O abracei forte e o ouvi gritar.
- Meu Deus, um bebê! – Ele falou e eu franzi a testa, vendo-o olhar para Kevin.
- É seu sobrinho, Keith! – Ethan comentou e Keith abriu um largo sorriso.
- Isso que é se esconder, hein?! – Keith brincou se aproximando de Angélica com um sorriso no rosto.
- Estamos juntos nessa, amor. – falou, dando um beijo na minha testa e eu afirmei com a cabeça, sorrindo. – Sinto falta da minha família também.



Capítulo 8

Fechei o pote em minhas mãos e andei até a geladeira, abrindo a mesma e arranjando algum espaço para mais um pote com sobras de torta da festa e suspirei me lembrando das tortas de Claire. Eu sempre tinha problemas com minha família, sentia falta de Keith e de minha mãe, os empregados de casa, e de todos à minha volta, mas nunca havia me passado pela cabeça que talvez sentisse falta de sua família também. Balancei a cabeça e fechei a geladeira.
Me aproximei da pia e toquei as costas de Angélica, perguntando se ela queria ajuda e ela negou, e eu olhei por cima da bancada, eu nunca vi Keith tão feliz assim. Ele brincava com Kevin, que mesmo com sono, ria para o tio que acabou de conhecer. Soltei um suspiro, feliz com isso, e pensei que minha mãe e Anthony gostariam de conhecer o neto deles. Abri um sorriso e dei a volta na cozinha, me sentando ao lado de no braço do sofá.
- Acho que precisamos conversar direito. – Comentei e Keith parou de fazer caretas para meu filho e afirmou com a cabeça.
- Claro! – Ele falou.
- Eu vou colocar Kevin no berço. – Falei, levantando. – Você cuida dele, Lewis? – Perguntei para o pequeno que segurava as mãozinhas de Kevin.
- Posso? – Ele olhou feliz e eu sorri me lembrando de Matthew.
- Claro que pode. – Falei e peguei Kevin no colo, aninhando-o em meus braços. – Eu já volto.
- Eu levo. – falou. – Vocês dois precisam conversar melhor. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça, vendo-o tirar Kevin de meus braços com cuidado e ir em direção ao quarto. – Vem, Lewis.
- Comece a falar. – Escorreguei meu corpo para o sofá e Keith, Ethan e Armando pareceram interessados. – Você disse que eles acharam o testamento?
- Sim, mas não foi exatamente isso que aconteceu. – Keith falou, suspirando, apoiando os cotovelos nas coxas e inclinando o corpo para frente. – Eles acharam um cofre, onde suspeitam que esteja o testamento.
- Um cofre? – Franzi a testa. – Mas onde?
- No seu quarto, . – Arregalei os olhos, afastando meu corpo um pouco. – Eles estão suspeitando que o testamento esteja lá dentro e que, pelo fato do cofre estar no seu quarto, você pode ter alguma relação com a maior parte das coisas declaradas lá.
- Eu? – Gritei, colocando a mão no peito e suspirando. – Eu não entendo nada da empresa, se por acaso ele deixou a empresa em meu nome, é algo meio inútil, como ele saberia? Eu não tenho curso, eu não sei gerenciar uma empresa. – Quando vi notei que estava gritando. – Desculpe. – Suspirei, fechando os olhos e acalmando os nervos.
- É, irmãzinha, mas você sempre teve algo que o papai sempre se orgulhou. – Keith falou e eu abri os olhos. – Responsabilidade e caráter. – Suspirei.
- Mas você também tem isso, Keith. – Ele começou a rir.
- , eu fazia faculdade porque gostava, mas também ia a muitas festas, repetia por faltas, ia mal nas provas, não estudava, eu não valia nada. – Ele riu fraco. – E lembra quando eu peguei o cartão do papai e comprei uma moto? – Soltei uma risada fraca. – Você nunca fez isso, . Se era para comprar um pão, você ia comprar um pão, se era para obedecer, você sempre obedeceu. – Ele suspirou. – A maior loucura que você fez foi fugir com e ter um filho. – Abri um sorriso. – O que eu fico feliz, na verdade, você esqueceu os problemas e tentou viver o mais normal possível.
- Obrigada pelos exemplos de minha honestidade, Keith, mas eu ainda não sei cuidar de uma empresa. – Comentei e ele sorriu.
- Não sabemos nem se você vai cuidar dessa empresa, mas se isso acontecer, a gente pensa quando chegar lá pode ser? – falou, voltando do quarto e eu ri, afirmando com a cabeça.
- E o que a gente faz? – Perguntei.
- Precisamos voltar, . – Engoli em seco. – Ele sabe que estamos vivos, e tanto ele quanto nós queremos abrir esse cofre, e eu creio que só suas digitais o abrem. – Suspirei. – Precisamos contatar os advogados do papai, a polícia federal e quem mais puder nos ajudar, porque aposto que Daniel não vai querer simplesmente conversar. – Neguei com a cabeça.
- Se ele estava desesperado há quatro anos, imagina como ele estará agora, ainda mais se tiver grandes chances dele perder o ganha pão dele.
- E a mamãe. – Suspirei.
- Ok, a gente volta para Bells. – Falei. – Mas eu tenho muita coisa para resolver aqui na ilha antes. – Suspirei. – Incluindo revelar para cidade inteira quem eu sou. – Ethan riu ao meu lado.
- É um bom jeito de começar. – Ethan falou e eu sorri.
- Eu só tenho uma pergunta. – Armando, pai de Ethan falou. – Como você descobriu tudo isso, Keith? Se estava escondida, você também deveria estar.
- Escondido eu estava, mas eu também comecei a aprender a hackear à distância. – Ele falou. – Digamos que eu aprendi um pouquinho com a CIA. – Franzi a testa, visivelmente surpresa. – Eu tenho falado de forma criptografada com Edmond, nosso contador, ele me passa algumas informações. E agora isso chegou à orelha dele. – Suspirei.
- Eu deveria querer te matar por não se esconder, mas ok, ok. – Ethan falou, jogando o corpo no sofá. – Mas isso é útil.
- Faça o que eu digo, não faça o que eu faço. – Keith falou e eu ri fraco.
- Como ele e Ad, estão?
- Daniel descobriu que ele e Ad nos ajudaram a fugir, afinal, ele deve ter visto o rombo na conta da empresa quando sumimos, mas ele precisa de Edmond, é o único que está com papai desde o começo... – Ele suspirou. – Ele só falou isso.
- Se eles estiverem bem fisicamente e com saúde, acho que é o máximo que a gente pode exigir. – falou, passando a mão na minha cabeça. – Você tem alguma notícia sobre minha família?
- Desculpa, , não. – Keith abaixou a cabeça, coçando os olhos.
- Bem, vamos nos organizar para voltar, vai demorar um pouco até resolvermos tudo, mas em breve estaremos em casa. – Encostei a mão na perna de . – Claire vai adorar saber que tem um sobrinho neto.
- Com certeza! – Ele riu.
- Vamos dormir, então? Se ajeitar? – Me levantei.
- Tem mais, . – Keith falou e eu voltei a me sentar. – Eu hackeei o computador pessoal de Daniel e deu a entender que ele está sim envolvido na morte do papai. – Arregalei os olhos, sentindo apertar forte minha mão.
- Como assim?
- Aparentemente Daniel está...
- Meu pai pode ter sido morto pelo próprio irmão? Mesmo? – Gritei.
- ... – Armando me conteve.
- Ele não está trabalhando sozinho, , tem mais gente envolvida. – Keith falou. – Não sei dizer exatamente o que, você sabe como é o sistema de segurança da empresa. – Ele negou com a cabeça. – Eu só pego pedaços das coisas, e em um dos e-mails ele fala que falta poucos passos para eles finalmente tomarem tudo para si. – negou a cabeça ao meu lado. – Eu não sei o que isso significa, mas creio que matar o papai possa ter algo a ver com isso tudo.
- Meu Deus. – Ouvi a voz de Angélica atrás de mim e ela apertar meus ombros.
- Vamos tentar se acalmar e fazer uma coisa de cada vez. – Armando falou e suspirou. – Mas Keith está certo, não podemos chegar atirando e conversar realmente não vai adiantar. – Ele se levantou. – Vamos respirar fundo e fazer uma coisa de cada vez. - Ele coçou os olhos. – está certa, ela não pode simplesmente ir embora, essa cidade é pequena, em breve todo mundo vai descobrir. Além do mais, vocês trabalham, não podem simplesmente ir, é uma situação diferente de quando vocês vieram. – Afirmei com a cabeça. – Um passo de cada vez.
- Vai voltar para Washington ou vai ficar, Keith? – Perguntei.
- Eu vou ficar. A partir de hoje, nós vamos ficar juntos para sempre. – Ele falou. – Precisamos nos permanecer unidos. – Afirmei com a cabeça.
- Sim, por favor. – Sorri.
- Vai ser igual aquela época na casa do , só que dessa vez não precisarei dividir o quarto com vocês. – Ele falou e eu e gargalhamos.

- Você mudou, irmão! – Falei, olhando para meu irmão.
- Eu cresci, . – Afirmei com a cabeça e ele sorriu, me abraçando.
Keith sempre foi do tipo que tinha cabelos cumpridos, um estilo mais descolado, roupas rasgadas, o rosto sempre limpo de pelos, bastante gel no cabelo penteado para trás e os olhos verdes sempre cobertos com óculos escuros. Mas agora ele estava com os cabelos mais curtos, mas que ainda ficavam arrepiados com um pouco de gel, uma barba por fazer que cobria seu queixo e bochechas, e eu podia ver seus olhos verdes, com uma pequena cicatriz próximo aos olhos, provavelmente resultado da vez que ele apanhou de Daniel.
- Você também, irmãzinha. – Sorri. – Você virou uma mulher. Cabelo está longo, está mais atenciosa, mais bonita. – Ele suspirou. – Minha irmã virou uma verdadeira mãe e esposa.
- Isso é bom? – Perguntei.
- Eu vejo muito da mamãe em você. – Sorri e nos separamos. – Você só precisa cuidar um pouco mais de você.
- Vamos dizer que eu parei de me preocupar com isso desde que eu cheguei aqui. – Ele riu fraco.
- Imagino! Mas a dona da empresa Bells tem que se aparentar melhor, não acha? – Sorri.
- Você diz como se a batalha já tivesse sido vencida, Keith.
- Eu só tenho um pouco de fé, como uma menina falava para mim, lá em Bells.
- Falando de mim na terceira pessoa? – Perguntei e ele sorriu.
- Com certeza!
- A gente vai com tudo, . A gente vai pronto para batalha. – Afirmei com a cabeça.
- Eu só não quero perder mais ninguém, ok? – Falei, soltando um suspiro alto.
- Porque eu acho que você está falando de outra pessoa e não do papai? – Ele falou.
- Eu quase perdi, ; quase me perdeu... – Dei de ombros. – Muita coisa aconteceu nesses quatro anos.
- Me conte, eu quero saber. – Afirmei com a cabeça.
- Tem tempo agora? – Perguntei e ele riu.
- Não é como se eu tivesse horário no cabeleireiro! – Ele brincou e eu me sentei no sofá.
- Bem, tudo começou quando a gente chegou aqui...
- Imagino sua cara de surpresa quando desceu do carro. – Soltei uma risada.
- Não foi tão ruim, é muito parecido com Bells, só que ao contrário de campo, tem praias. – Ele afirmou com a cabeça rindo. – Então conhecemos Amara...

- Eu nem suspeitei! – Meu chefe falava enquanto eu sorria para ele. – Eu contratei Bells e nem me toquei! – Soltei uma risada fraca.
- Para você ver! – Ri fraco.
- Henrietta é seu nome do meio, não? – Afirmei com a cabeça.
- Sim, é!
- Eu realmente nem suspeitava. – Ele colocava as mãos no rosto, como se estivesse realmente surpreso. – E você é um rosto conhecido pelo país. – Afirmei com a cabeça, franzindo os lábios.
- Senhor Thompson...
- Espero que vocês consigam resolver tudo o que precisam, eu sei como é difícil problemas familiares. – Afirmei com a cabeça, mal ele sabia.
- Senhor Thompson, eu realmente preciso falar contigo. – O interrompi um pouco dura e ele parou.
- Ah sim, claro! – Ele falou rindo. – Diga!
- Eu vim pedir demissão, senhor Thompson. – Falei. – Eu vou ter que ficar fora da ilha por um tempo.
- Ah, querida. Claro, claro! – Ele falou meio atrapalhado. – Você já quer parar hoje? – Ele perguntou.
- Sim, por favor, não sei exatamente quando vou embora, mas, com certeza, será logo, posso acabar nem voltando para me despedir. – Ele afirmou com a cabeça, começando a mexer em diversas pastas em sua mesa bagunçada.
- Claro, vamos nos acertar. – Ele achou um envelope em meio aquela bagunça e deixou no canto, mexendo em algo no computador, e de repente, a impressora começou a funcionar. – Aqui está! – Ele falou. – Pode assinar, por favor? Assine como Henrietta, já que foi assim que te contratei. – Ele riu fraco. – Um segundo. – Ele se levantou correndo, com o envelope em mãos e eu virei para Cami.
- Jesus! – Comentei e ela riu.
- Eu nunca o vi assim. – Ela falou e rimos.
Peguei o papel em minha mão e assinei a quebra de contrato, lendo se realmente interrompia minha contratação com os correios, para eu não ter que deixar nada pendente aqui e coloquei em cima da mesa dele, que logo voltava da frente da loja, se sentando em sua poltrona.
- Bom, faz quase um mês, então eu te darei o salário completo. – Ele me entregou o envelope com o dinheiro. – E ficamos quites, senhorita Bells.
- Muito obrigada, senhor Thompson! – Guardei o envelope em minha bolsa e abri um sorriso e ele fez o mesmo. – Foi muito bom trabalhar com o senhor. – Ele sorriu e deu a volta na mesa.
- Foi muito bom te conhecer, . – Ele me abraçou e eu sorri, sentindo que iria chorar. Por essa eu não esperava.
- O senhor também, senhor Thompson. – Nos afastamos e ele sorriu.
- Por favor, se cuide e não suma. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- Sim, pode deixar! – Falei e ele sorriu. – Até logo.
- Até! – Ele respondeu e eu virei de costas para ele, encontrando Cami com um sorriso choroso nos lábios.
- Eu deveria ficar brava contigo. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça. – Minha amiga mentiu para mim durante todo esse tempo. - Ela me abraçou. – Falando que era recém-casada, do Alasca, com problemas familiares para aceitar o relacionamento. – Ela riu fraco contra meu ouvido. – Como eu queria que fosse só isso. – Ela suspirou. – Tira esse alvo das suas costas, amiga, por favor. – Ela me apertou forte e eu tentei fazer com a mesma intensidade. – E volta para gente. – Suspirei fundo, sentindo algumas lágrimas rolarem pela minha bochecha.
- Eu vou. – Afirmei com a cabeça, olhando para seu rosto. – Obrigada, Cami! Você foi muito importante para mim. – Beijei sua testa e a ruiva sorriu.
- Se cuida. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça.
- Vou tentar!
- E cuida daquele bebê. – Senhor Thompson gritou e eu sorri para os dois.
Com força, eu dei de costas para ambos e saí pela porta que dava para a entrada e puxei a mesma, me encontrando na recepção de clientes, que estava vazia, e saí pela porta da frente. Ouvi o sininho tocar e suspirei, sentindo as lágrimas cair com força em minhas bochechas. A gente realmente não tem noção de que as pessoas são importantes para nós, até termos que nos despedir.
Pensei que seria fácil, que eu estava lá só para passar uma fase da minha vida, que tudo iria magicamente melhorar e eu voltaria para casa como se volta do acampamento de férias. Mas isso só aconteceria se eu me isolasse em um esconderijo e não me comunicasse com ninguém. Suspirei. Eu sentiria falta de algumas pessoas.

Encostei meus braços na murada de casa e olhei para frente, vendo os alunos de abraçá-lo um por um, e recebendo abraços apertados dos pequenos e dos mais velhos. Suspirei. deveria estar com o mesmo sentimento que eu de mais cedo e fechei os olhos, negando e virei o corpo, entrando em casa e encontrei Keith roncando no sofá. Soltei uma risada fraca e balancei a cabeça.
Entrei na cozinha e coloquei leite para ferver, o tempo estava esfriando e um chocolate quente seria bom para aquele momento. Esperei o leite começar a borbulhar e acrescentei a maisena e o chocolate em pó, e deixei borbulhar até formar um creme espesso e desliguei, voltando para a varanda, dando de cara com apoiado na murada e o abracei de costas, encostando minha cabeça em suas costas.
- Ei! – Falei e o ouvi suspirar. – Vai ficar tudo bem.
- Não pensei que seria tão...
- Difícil? – Falei com ele e ele suspirou, virando corpo entre minhas mãos e colocou as mãos em meu rosto. – Pois é!
- Essas pessoas realmente se importam com a gente. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça. – Eu me sinto culpado em mentir. – Ele balançou a cabeça.
- Foi algo necessário. – Falei e o apertei contra meu corpo. – Pensa bem, pelo menos ninguém está bravo com a gente. – Ele riu fraco.
- Não tem porque, de certa forma a gente nem mentiu muito. – Ele brincou. – Só omitimos quem éramos. – Ele sorriu e eu afirmei com a cabeça.
- Sim. – Neguei com a cabeça. – Eu estou com medo, sabia?
- Imagino. – Ele falou. – Eu também estou.
- Você foi para guerra, . Como você está com medo de uma pessoa? - Perguntei e ele riu fraco.
- Era diferente. – Ele falou. – Eu não deveria atirar em alguém, a não ser que fosse necessário, nem foi uma guerra propriamente dita, mas quando chegarmos em Bells, eu sei que eu vou precisar atirar. – Ele suspirou. – E isso me lembra de que precisamos nos armar.
- Meu Deus, , calma. Ninguém falou em armas ainda. – Ele riu fraco.
- Eu estou falando em armas. – Ele afirmou com a cabeça e eu virei o rosto para ele. – Eu não esperava que chegasse a isso, mas um dos motivos de eu ir para o exército foi aprender a lutar e a atirar. – Franzi a testa. – Você e Keith tem curso de defesa pessoal, eu não tinha nada.
- ...
- Eu menti para você, eu sei. Mas era algo que eu precisava fazer por mim, . – Afirmei com a cabeça. – Eu precisava começar a fazer meu papel de príncipe encantado e não de Cinderela.
- Ei, a Cinderela é legal! – Falei e ele riu, beijando minha testa.
- Sim, mas eu que deveria proteger você, não o contrário. – Ri fraco.
- Algumas meninas brigariam contigo e diriam que isso é besteira, mas eu gosto da forma que você se importa comigo. – Ele afirmou com a cabeça e eu encostei meus lábios nos dele rapidamente.
- E a gente tem uma criança para cuidar agora, então temos que ser mais cuidadosos. – Suspirei.
- Kevin é nossa prioridade. – Falei e afirmou com a cabeça.
- Ele vai estar seguro, . – Keith apareceu na porta e eu afirmei com a cabeça, escondendo o rosto no peito de .
- Só não fica triste. – suspirou. – Quando tudo acabar, poderemos voltar quando quiser. – Afirmei com a cabeça.

- Oi, Alicia. – Falei sorrindo para a morena que abriu a porta.
- Ah, vocês dois! – Ela sorriu, correndo me abraçar. – Entrem, entrem! – Abri um sorriso quando ela me soltou e eu entrei em sua casa. – Marcus, querido... Quer dizer, . – Ela falou abraçando e ele riu. – Não é fácil se acostumar. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça.
- Walter, venha ver quem está aqui. – Ela gritou fechando a porta. – Sentem-se, por favor. – Ela apontou para o sofá e eu me sentei no menor, com ao meu lado.
- Meu casal problemático favorito. – Walter, mais conhecido como general Becker, apareceu na sala, com shorts e blusa regata, bem descontraído, e ele e sua mulher se sentaram no sofá em nossa frente. – A que devo a honra? – Eu e nos entreolhamos e respiramos fundo quase que sincronizado.
- Viemos aqui para nos despedir. – Eu falei, segurando a mão de em meu colo.
- Então vocês realmente vão voltar? – Afirmei com a cabeça.
- Já deixei muito tempo passar. – Falei e o casal em nossa frente confirmou com a cabeça.
- Quando vocês vão? – Alicia perguntou.
- Em alguns dias, temos algumas coisas pendentes ainda aqui em Sullivan’s Island, assim que acabar, vamos embora.
- Eu desejo muita sorte a vocês, viu?! E felicidades. Vocês dois são uma das melhores pessoas que eu conheci durante minha vida e mesmo com alguns erros pelo meio do caminho, vocês tem todo o direito de ser feliz. – Alicia falou e eu confirmei com a cabeça.
- Obrigada! – Sorri.
- Nós não viemos só para nos despedir, senhor. – falou e eu virei o rosto para ele, afirmando com a cabeça.
- Você não precisa me chamar de senhor, , você não é mais meu subalterno. – Abri um sorriso e riu ao meu lado.
- Desculpa, senhor. – Olhei para e ele riu, notando que havia feito de novo.
- Enfim, o que precisam?
- Armas, senhor. Legalizadas. – falou. – E equipamentos de proteção, para minha esposa, principalmente. – Walter olhou sereno para e confirmou com a cabeça.
- E para você também, que tal? Para não levar outro tiro. – Eu ri e afirmou com a cabeça.
- Eu ia gostar disso. – Comentei e Alicia riu.
- Me dê uns dois dias. – Ele falou. – Tem um vendedor que passa no exército duas vezes por semana, para fazer limpeza dos produtos, vou tentar descobrir algum lugar para compra de armas legalizadas para vocês. – Afirmei com a cabeça. – Mas vocês têm que me prometer que só usarão se realmente for necessário.
- Sim, senhor. – Dessa vez quem falou fui eu e riu ao meu lado.
- Vamos fazer isso do jeito certo, então. – Alicia se levantou. – Nos dê um abraço, mas eu quero te ver de novo, e quero ver o pequeno Kevin crescer, ok?! E, por favor, não façam nenhuma besteira. – Ela falou e me abraçou forte, o qual eu retribuí. – Se fosse em outras circunstâncias eu diria para ficarem e se protegerem, mas você tem que proteger seu legado, querida. – Afirmei com a cabeça e senti um beijo em minha testa. – Se cuidar.
- Obrigada! – Falei, me soltando dela e trocando de lugar com , abraçando o general Becker.

- Ok, general Becker está providenciando algumas armas para nós, agora só precisamos.
- Espera aí, armas? – Angélica falou, descendo as escadas de sua casa.
- Mãe, já conversamos sobre isso. – Ethan falou, revirando os olhos.
- Eu sei, mas eu ainda estou um pouco relutante contra isso.
- Amor, é melhor eles estarem preparados para o pior, acredite em mim. – Armando falou.
- Eu sei, mas vocês falam com a maior naturalidade do mundo, vocês são adultos, dois já tem filhos, mas vocês são três crianças para mim, não quero que ninguém saia morto disso. Um já levou dois tiros e outra já sofreu uma parada cardíaca. – Angélica continuou se aproximando de nós e sentando em volta da mesa da cozinha.
- Angélica, eu estou com medo também, mas eu acho que a gente precisa estar preparado para caso queiram atirar em nós. – falou em minha frente.
- Exatamente! – Armando falou e Angélica fechou os olhos por um tempo, suspirando.
- Ok, continuem, mas fale baixo, Lewis está lá no quintal.
- Enfim, acho que teremos as armas em breve, agora precisamos resolver o problema de dinheiro e a nossa volta segura para casa. – Terminei de falar.
- Ok, sobre a volta segura, eu posso mandar uma mensagem criptografada para Edmond, avisando que vamos voltar. Aí nisso ele une seus familiares, e tenta contatar a mamãe. – Keith falou. – Talvez ele tenha alguma novidade.
- Sobre o dinheiro eu posso ajudar vocês. – Armando falou.
- Não, acho que não vai ser preciso. – Falei. – Eu tenho ainda aquele dinheiro todo guardado. – Falei. – E também o Crown Victoria de Edmond. – Eu e nos entreolhamos e abrimos um sorriso cúmplice. – Resolvidos isso, acho que podemos ir.
- Vocês pretendem vender a casa? – Angélica perguntou.
- Não, nós vamos mantê-la. – falou. – Caso queiramos voltar. – Angélica sorriu.
- É, resgatando nosso dinheiro eu vou quitar a casa, cancelar conta de luz, gás e telefone. – Falei. – Pelo menos até eu voltar.
- E de internet. – Keith falou.
- Eu vivi em uma bolha nos últimos quatro anos, Keith. Nós não temos internet, eu só usava no trabalho, e era tudo bloqueado. – Falei e Keith arregalou os olhos.
- Jesus, vocês obedeceram mesmo o Edmond.
- Alguém o obedeceu, pelo menos. – falou, provocando Keith.
- Ei, cara, mancada, eu não tive uma namorada nesses últimos anos. – Keith falou brincando e eu ri.
- Eu quero que vocês nos deixem ir junto. – Angélica falou.
- Não! – Eu, e Ethan falamos quase sincronizados, assustando Angélica.
- Você precisa cuidar de Lewis. – Falei. – Você também tem uma criança para cuidar, não se esquece.
- Ele me lembra meu primo, Angélica. – falou e eu sorri. – Ele deve estar gigante agora. – riu e eu sorri para ele, piscando.
- Eu vou e você fica. – Armando disse. – Eu vou voltar bem, prometo! – Armando sorriu e acho que essa foi a primeira vez que eu o vi menos sério.
- E vão vocês quatro contra quem é que vocês vão enfrentar. – Ela falou brava.
- Não se preocupe. – Falei. – Temos um exército bem grande lá em Bells. – Falei sorrindo e Keith e fizeram o mesmo.

se assustou quando eu joguei a bolsa em cima da mesa de centro e Keith acordou assustado também e eu me sentei no sofá com um sorriso no rosto, sorte que Kevin estava dormindo no quarto. Aproveitei a atenção de todos e joguei a chave do Crown Victoria na mesa, ouvindo uma risada de Keith.
- Cerca de 200 mil dólares, nossos antigos documentos, e um Crown Victoria bem antigo. – Falei, me sentando no sofá ao lado de Keith.
- Onde estava? – Keith perguntou.
- A gente deixou em um container perto do porto, achamos que seria o melhor lugar para ser escondido. – Falei, dando de ombros.
- Isso é demais! – Keith falou rindo e abriu a bolsa, tirando os diversos bolos de dólares e alguns envelopes antigos. – As notas estão até duras aqui dentro. – Ele comentou e eu ri.
- Espero que usáveis ainda. – comentou e fomos distraídos por uma batida na porta.
- Notas não mudam em pouco tempo assim. – Keith comentou e começou a separar as notas e os documentos dentro da bolsa, fazendo com que ele espalhasse as notas com uma batida na porta.
- , é Walter. – se levantou rapidamente e abriu a porta. – E aí, tudo bem? – Ele perguntou e meu marido abriu espaço para que o senhor de meia idade entrasse em casa. – Parece que estão se preparando. – Ele falou ao ver as notas.
- Nada roubado! – Keith falou e eu revirei os olhos.
- Fica quieto. – Falei. - E aí, conseguiu alguma coisa para gente?
- Sim, consegui. – Ele respondeu.
Se eu achava que tinha feito uma entrada dramática jogando uma mochila com várias notas de dólares na mesa de casa, eu estava enganada. Walter jogou uma bolsa de viagem preta na mesa e o estrondo foi mil vezes maior, fazendo com que eu ouvisse o choro de Kevin vindo do quarto.
- Desculpe! – Ele falou.
- Não se preocupe. – Falei, soltando uma risada e andei em direção ao quarto, vendo Kevin se mexer no berço.
- Ó meu amor. – Falei, segurando meu filho no colo e o colocando em meu ombro. – Foi só um susto, está tudo bem. – Dei um beijo em sua cabeça, esperando o choro acalmar um pouco antes de voltar para sala, com Kevin em meu colo.
- Eu consegui alguns coletes e pistolas para vocês. – Ele falou abrindo a mala. – Nove para ser mais exato. – Arregalei os olhos. – Todas com calibre ponto 45 e 15 disparos. – Ele tirou uma da mala. – E diversos pentes carregados para vocês. Diversos mesmo. – Afirmei com a cabeça. – já as conhece, mas para vocês dois. – Ele tirou uma da bolsa. – Você puxa aqui para liberar e atira, caso desista do tiro, só voltar. – Ele falou, mostrando as alavancas. – Elas podem te empurrar um pouco, então mantenha os pés firmes no chão. – Ele entregou para Keith que começou a mexer com medo. – Estão descarregadas, e para carregar, é só colocar o pente e ouvir o tique. – Ele fez o movimento. – E para trocar, só apertar aqui do lado. – Ele mostrou e eu afirmei com a cabeça.
Parecia meio ridículo eu fazer isso com uma criança em meu colo, mas atualmente eu estava precisando ser tudo. Mãe, esposa, protetora, e talvez até uma fugitiva da lei, que honestamente era como eu me sentia, mas a diferença era que eu não fugia da lei e sim de pessoas ruins. Só que agora eu ia de encontro a elas. E ainda não sabia se era uma boa ideia.
- E não aconselho a usar o cano da arma como mira. – Walter continuava. – O tiro pode ser muito forte e sair pólvora e queimar a sobrancelha. – Keith riu.
- Pensei que isso fosse coisa de filme. – Ele comentou.
- Quem dera! – Walter mostrou uma falha bem no meio de sua sobrancelha e eu ri. – Bem, acho que é isso. – Ele se levantou. – Todas as armas estão regularizadas, estão no nome de , aqui está. – Ele tirou um papel do bolso e jogou na mesa. – Coloca na carteira e mostre no aeroporto, mas aposto que em Bells não vai precisar. Não devem ter policiais à paisana.
- Não tinha. – Falei, virando Kevin em meu colo que agora voltara a dormir.
- Bem, eu vou embora, e vocês se cuidem. – Ele falou. – Eu iria junto, mas tenho outra missão no fim de semana. – Ele cumprimentou e sorriu para mim e eu assenti com a cabeça. – Se cuidem.
- Obrigado, Walter, por tudo. – Falei e ele beijou minha bochecha e a cabeça de Kevin.
- Vai ficar tudo bem. – Ele falou e eu sorri. – Até mais!

- Olá, posso ajudar? – A mesma corretora de imóveis que me alugou a casa quando chegamos aqui estava sentada em seu pequeno escritório, mexendo em algo que eu jurava que era Paciência, já que ela correu desligar a tela quando eu cheguei.
- Claro, eu gostaria de saber se a casa que eu aluguei há quatro anos, na praia principal pode ser comprada. – Me sentei na mesa em sua frente. – Eu gostaria de comprá-la.
- Mesmo? – Ela perguntou visivelmente surpresa e eu afirmei com a cabeça. – Claro, um segundo! – Ela se levantou correndo e foi para um arquivo e eu olhei em volta, no seu escritório só tinha a mesa dela e um arquivo daqueles antigos. Para você ver como a cidade não evoluía muito.
- O que você pode me oferecer? – Perguntei e ela suspirou.
- Qual seu nome? – Ela perguntou.
- Henrietta Owen, casa 18. – Falei, vendo que ela estava um pouco perdida.
- Ok, as casas dessa rua tem um aluguel realmente barato. – Afirmei com a cabeça. – Um quarto só, banheiro, sala e cozinha. – Ela falou, puxando algumas folhas. – Aquela casa está com uma empreiteira e está sendo vendida por 55 mil dólares, mais vinte por cento da hipoteca. – Afirmei com a cabeça. – Você gostaria de dar uma contra proposta? – Ela perguntou.
- Não estou com tempo para isso. – Falei e abri a bolsa que estava no chão. – Como posso fazer esse pagamento?
- Você pode fazer um financiamento no banco e...
- Posso pagar à vista. – Falei.
- Ah sim, melhor ainda. – Ela sorriu. – Então podemos ir ao banco para fazer o depósito.
- Espero que você tenha cofre. – Falei e coloquei uma pilha com seis maços de 10 mil e contei diversas notas de cem até dar seis mil, totalizando 66 mil dólares.
- Oh, meu Deus. – Ela falou e eu abri um sorriso.
- Pode me dar um recibo, por favor? E a escritura da casa? – Ela manteve os olhos arregalados e confirmou com a cabeça.
- Claro! – Ela puxou um bloco de uma das gavetas e começou a escrever.
- Escreva no nome de Bells, por favor. – Falei e ela só afirmou com a cabeça.
- Posso te ajudar em mais alguma coisa? – Ela perguntou.
- Sim, peça para cancelarem luz, telefone e gás de casa, eu ficarei fora por alguns meses. – Falei.
- Ah sim, a partir de agora? – Ela perguntou.
- Sim, você já pode cortar. Vou embora amanhã. – Afirmei com a cabeça.
- Combinado então. Para ligar de novo, só falar com a gente. – Ela esticou a mão e eu fiz o mesmo, chacoalhando.
- Obrigada!
- Eu que agradeço. – Ela falou, pegando as notas em cima da mesa, enquanto eu pegava a mochila e virava as costas.

- Ah, , você poderia ter avisado. – Keith reclamou, quando eu cheguei em casa e ela estava sendo iluminada por velas. – Eu não tomei banho. – Soltei uma risada. – E a gente precisa comprar as passagens, a bateria do computador não vai aguentar. – Ele reclamou e eu abaixei a tela do notebook.
- Então vamos economizar. – Falei. – E é aquecedor solar, vai logo antes que o sol se ponha. – Falei e ele arregalou os olhos, correndo.
- , vou pegar uma blusa sua, ok?!
- Ok! – gritou de volta e o olhei, dando mamadeira para Kevin.
- Como ele está?
- Ele está bem. – Ele respondeu e eu me aproximei dele, acariciando o os cabelos loiros do meu pequeno.
- , abre para gente! – Ouvi a voz de alguém e franzi a testa.
- Quem deve ser? – Cochichei para e virei de costas, abrindo a porta de casa, dando de cara dom Amara e Lilite. – Oi! – Falei e Amara me abraçou. – O que vocês estão fazendo aqui?
- Vim me despedir, ué! – Amara falou, entrando em casa. – Eu não posso deixar o posto de saúde. – Ela falou. – Têm só eu e mais um médico dividindo, é um trabalho de doze horas. – Ela sorriu e eu afirmei com a cabeça.
- E eu tenho minha pensão e estamos perto das férias. – Lilite falou quando Amara me soltou e a senhora me abraçou.
- Não, gente, não tem problema! – Falei, olhando para as duas. – Eu não quero mais ninguém no meio disso, quanto menos gente, melhor. – Falei sorrindo. – Só de vocês já se preocuparem com a gente, já é o suficiente. – Ela falou.
- É, realmente é melhor vocês ficarem. Já vai ter bastante gente envolvida, que não deveria estar. – falou e Amara pegou Kevin, dando um beijo em sua bochecha quando ele puxou seus óculos do rosto da mais velha, me fazendo rir.
- Eu quero que vocês se protejam, ok?! – Lilite falou, segurando minha mão e eu afirmei com a cabeça. – Só se cuidem, está bem? E nos informem de tudo. Quem sabe tiramos uma folga e vamos visitar vocês em Bells quando tudo isso acabar. – Afirmei com a cabeça, beijando as mãos da senhora.
- Informamos sim, vai dar tudo certo. Estamos confiantes. – Falei sorrindo e Amara devolveu Kevin para e recolocou os óculos, me abraçando forte.
- Sei que a gente se encontrou poucas vezes, todas em momentos inoportunos, mas você se tornou uma irmãzinha para mim, . Então, por favor, trate de avisar quando tudo isso acabar, eu realmente não quero ficar sabendo por um noticiário econômico. – Ela suspirou. – Só se a empresa estiver melhor, aí até eu topo. – Rimos juntas. – E mande fotos do nosso loirinho favorito. – Afirmei com a cabeça, sentindo o choro subir pela garganta.
- Obrigada, gente, por tudo! – Falei e elas afirmaram com a cabeça. – Não vai ser esquecido. – Abracei ambas ao mesmo tempo e elas sorriram, suspirando.
- Sullivan’s Island ama vocês, então voltem. – Lilite falou e eu afirmei com a cabeça, sorrindo. – Logo.
- Vamos tentar! – falou e eu o abracei de lado, olhando para Kevin por alguns segundos em seus braços.

- Tá parecendo reunião da máfia. – Ethan comentou olhando para as velas que iluminavam a sala de casa e eu ri fraco.
- O que é máfia, Ethan? – Lewis perguntou ao Ethan e eu ri fraco.
- É o que somos. Um grupo de pessoas fazendo o bem. – Ethan respondeu e eu e franzimos a testa, ficando em silêncio.
- Chega de brincadeiras. – Angélica falou. – Vamos logo com isso, que eu acabei de notar que sou dependente de energia elétrica. – Ela riu e ficou atrás de Lewis, segurando o pequeno pelos ombros.
- Ok, vamos lá. – falou, se levantando, colocando Kevin no colo do tio Keith. – Armando e Ethan, vocês irão conosco amanhã? Mesmo?
- Sim! – Armando falou.
- Claro, cara, estamos juntos! – Ethan respondeu.
- Ok, Keith, compra cinco passagens de avião, então. – falou.
- De onde para onde? – Ele perguntou, colocando Kevin no sofá, fazendo uma barreira com almofadas.
- Vê se tem de Charleston para Dallas. – Falei e Keith abriu o notebook, começando a digitar no computador e eu fiquei de olho em meu filho tentando escalar o sofá.
- Tem! – Ele gritou. – Amanhã tem 7:30, 13:30, 15 horas...
- Pega o das 7:30. – Falei. – A gente sai amanhã bem cedo daqui.
- Ok, pronto. – Ele falou. – Alguém anota o voucher, por favor? E o número do voo. – Keith terminou.
- Aqui, cara! – Ethan mostrou o celular e jogou para Keith que o pegou.
- Comprado. – Keith falou após um tempo.
- Ok, dá menos de meia hora até Charleston, a gente sai daqui as cinco, pode ser? – continuou falando. – Vocês dois podem dormir aqui se quiserem.
- Não, não. Estaremos aqui. – Armando falou. – Preciso estar disposto amanhã, não tenho mais 21 anos para dormir no chão. – Ele brincou e eu sorri, afirmando com a cabeça.
- Combinado, então. – Falei, suspirando. – Creio que é isso. – Falei suspirando e Angélica afirmou com a cabeça.
- Sim, acho que é um adeus, por enquanto. – Ela desviou de Lewis e se aproximou de mim, me abraçando forte. – Todos já disseram isso, mas não custa reforçar: se cuide. – Ela falou, me soltando e segurou o rosto em suas mãos. – Vocês são como meus filhos. – Abri um sorriso, respirando fundo. – Só fique bem.
- Ficaremos! – Afirmei com a cabeça e abri espaço para ela abraçar e eu me aproximei do pequeno Lewis, me ajoelhando em sua frente.
- Eu tenho que dizer tchau para você, por enquanto. – Falei e ele afirmou com a cabeça. – Mas eu volto e você também pode nos visitar, ok?! – Falei e ele me abraçou forte, estalando um beijo em minha bochecha.
- Eu não sei por que você tem que ir, mas volta, tá?! E fica bem também. – Ele falou e eu suspirei, engolindo em seco novamente.
- Quando você crescer, você vai entender. – Falei, retribuindo seu beijo e ele sorriu.
- Todo mundo diz isso. – Ele falou, fazendo um bico nos lábios e eu beijei seu rosto, fazendo-o sorrir.
- Você vai entender, querido. – Falei e ele sorriu, fazendo com que eu me levantasse.
- Traga meu namorado de volta, ok?! E venha junto, se possível. – Leny falou, passando os braços pelo meu pescoço e eu afirmei com a cabeça.
- Vamos parar com isso, espero que nenhum desses dramas sejam necessários. – Falei chacoalhando os braços, tentando afastar as coisas ruins.
- É só precaução. – Ela sorriu e eu afirmei com a cabeça, suspirando.
- Espero que sim! – Falei e suspirei. – Bem, vamos parar de depressão e vamos nos preparar. – Falei e vi o pessoal terminar de se despedir de , Keith e brincar com Kevin.
- Amanhã estaremos aqui antes das cinco. – Ethan falou e eu afirmei com a cabeça.
- Até mais. – Acenei para as pessoas e suspirei, vendo todos saírem de casa aos poucos e suspirei, sentido as lágrimas caírem de meu rosto.
- Vou dar banho em Kevin e depois vamos dormir também, ok? – Falei para e ele afirmou com a cabeça.
- A água está boa, . – Keith respondeu e eu afirmei com a cabeça.

Ouvi o despertador tocar ao meu lado e suspirei, batendo a mão no mesmo e me levantei, vendo a casa ainda escura e olhei ao meu lado, já tinha levantado. Segui direto para o banheiro e deixei a água cair em meu corpo, àquela hora a água estava gelada, mas eu não me importava, precisava relaxar.
Por mais que eu falasse que tudo ia ficar bem, eu estava com medo. Eu realmente não sabia o que esperar de Bells. Passaram quatro anos, tudo podia ter mudado, a empresa deveria estar um caos, mas o que mais me importava era a vida das pessoas que eu gostava, a família de e minha mãe.
Esperava também não ter que chegar atirando, e também não podia imaginar um parente meu fazendo isso contra mim. Minha família nunca foi a mais próxima do mundo, mas eu me lembro de diversos momentos de felicidade quando eu era pequena e Daniel estava incluído nesses momentos.
Balancei a cabeça e tirei a espuma do corpo, suspirando. Eu faria o necessário para tirar Daniel do poder, o que fosse preciso, mesmo sendo certo ou errado. Eu estava disposta a tudo. Tudo que me ajude a parar de ter pesadelos e parar de me sentir culpada por algo que eu nunca fiz.
Apaguei a vela e saí do banheiro e peguei a roupa que eu havia separado na noite passada. Calça jeans, camiseta e tênis, meu uniforme de guerra e prendi meus cabelos loiros em um rabo de cavalo bem alto. Escovei os dentes e olhei meu rosto, eu estava cansada, havia virado a noite toda e ainda Kevin havia chorado duas vezes, parece que até ele sentia que alguma coisa estava errada. Balancei a cabeça e puxei a porta do banheiro, fechando-a pela última vez.
Dei uma olhada rápida no quarto e estendi a cama, para deixar o lugar um pouco mais arrumado e suspirei, pegando minha mochila ao lado da cama. Andei até o armário de Kevin e o lugar já estava arrumado e meu filho não estava mais no berço, agora eu já havia me acostumado com a luz e suspirei, puxando mais uma porta e segui para a sala.
- Bom dia! – Keith me falou e eu sorri, vendo-o apontar para um lanche. – Come! – Ele falou e eu peguei o lanche com as mãos e joguei a mochila em sua direção.
- Bom dia! – Respondi e segui para a porta da lateral, encontrando com Ethan, que segurava Kevin em um bebê conforto e Armando, ajeitando as coisas no carro.
- Ei! – Falei e todos se viraram para mim.
- Oi, amor! – falou e ele desviou rapidamente do que fazia e deu um beijo em minha testa. – Come que já, já saímos. – Afirmei com a cabeça e foquei no lanche quentinho em minhas mãos, com certeza Armando deveria ter trazido, tinha cara de comida da Angélica.
Nesse tempo, os homens começaram a colocar as malas dentro do carro e até acomodaram Kevin no meio do banco de trás, fazendo com que Ethan ficasse de guarda nele no banco ao seu lado. Assim que eu terminei de comer, eu comecei a tirar o lixo de casa, fazendo com que Keith fosse correndo fazer um último xixi e me fizesse rir. Joguei fora também todas as velas e desliguei as coisas da tomada, havíamos cortado a luz, mas ainda podia rolar um curto de algum lugar.
Olhei para tudo em volta, tendo uma rápida lembrança de vários momentos que aconteceram dentro daquela pequena casa e fechei a porta, trancando-a e guardando a chave no bolso, me fazendo suspirar.
- Vamos! – Falei e Ethan entrou no banco de trás do carro, comigo do outro lado, para cuidar de Kevin, caso acontecesse alguma coisa.
entrou no carro do motorista e Armando ao seu lado, como copiloto. Soltei um suspiro quando o carro foi ligado e entrou em movimento. Todos os ‘até logo’, eu estava lidando como ‘adeus’. Afinal, eu realmente não sabia se eu voltaria para cá e isso não fazia com que eu me sentisse mais confortável e sim tivesse mais medo. Medo do que pudesse acontecer.
Olhei para as pequenas construções e me lembrei de todos os momentos, todas as portas que eu bati, todas as pessoas que eu conheci e de todos os momentos que eu passei e senti uma lágrima cair de meus olhos e suspirei, limpando-a logo que passamos a placa de “agora você está deixando Sullivan’s Island, volte sempre”. Suspirei, endireitando meu corpo no banco. Eu pretendo.



Capítulo 9

- Ei, ... – Abri os olhos devagar, fechando-os imediatamente devido ao sol que veio em meu rosto e eu levantei a cabeça, sentindo uma dor em meu pescoço e o mexi, estalando-o. – Ei! – Virei para o lado, dando de cara com Ethan e ele sorriu. – Você está em casa.
Ao ouvir essas palavras, eu virei o rosto com pressa para o lado contrário e reconheci a casa de . A casa pequena de dois andares, pintada em um tom claro de rosa e branco e uma pequena entrada da garagem, onde a caminhonete estava e as plantas de Claire muito bem cuidadas, junto de dois pinheiros, um em cada lado da casa, me fazendo soltar um suspiro aliviado e virei o rosto para frente de novo, vendo no banco do motorista sorrir para mim.
- Buzine! – Falei e ele o fez, abrindo um largo sorriso em seu rosto e em seguida ele abriu a porta do quarto saindo.
- Vá, eu pego Kevin! – Ethan falou ao meu lado e eu afirmei com a cabeça, empurrando a porta do carro e saindo do mesmo, a tempo de ver a senhora baixinha aparecer do lado de fora de casa, com as mãos na boca, imediatamente fazendo com que um arrepio passasse pelo meu corpo, me fazendo arrepiar.
- Oh, meu Deus! – Ouvi sua voz e imediatamente correu em sua direção, abraçando sua tia e eu puxei forte a respiração, tentando não chorar. – Vocês estão aqui! – Ela escondeu o rosto no corpo do mais alto e eu passei a mão no rosto, abrindo um largo sorriso. – O que vocês estão fazendo aqui? – Ela falou virando o rosto para mim em um misto de felicidade e desespero e eu apenas neguei com a cabeça, andando em sua direção e passando meus braços pelo seu pescoço, abraçando-a forte contra meu peito.
- Ó Claire! – Foi o que eu consegui falar, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto sem permissão e pude ouvir a mais velha chorando.
- Vocês estão tão diferentes! – Ela falou, segurando meu rosto em suas mãos e limpou algumas lágrimas da minha bochecha. – Está linda! – Sorri para ela e virei meu corpo em direção aos outros dois que deveriam estar um pouco perdidos.
- Claire, preciso te apresentar algumas pessoas. – Falei virando meu corpo para Ethan, Armando e Kevin. – Esses são Ethan e Armando, duas pessoas que nos ajudaram a nos escondermos nesses quatro anos.
- E por que não continuam escondidos? – Ela falou e eu revirei os olhos.
- E esse é Kevin... Seu sobrinho neto! – Falei e ela arregalou os olhos e colocou as mãos na boca, visivelmente surpreso.
- Oh, meu Deus, vocês dois...? – Afirmei com a cabeça e ela soltou uma risada, colocando as mãos na boca.
- , ! – Ouvi uma voz fina vir de dentro de casa e assustei ao ver o pequeno Matthew não tão pequeno assim. Ele já deveria ter seus doze anos. Estava mais alto e com os cabelos mais compridos.
- Matt! – gritou e segurou o mais novo no colo, quando ele pulou. – Meu Deus, garoto, como você cresceu! – falava com a voz embargada e eu passei a mão no rosto, suspirando.
- Como você está gigante, menino! – Falei, passando a mão nos cabelos dele enquanto ele estava no colo de .
- Vocês estão aqui! – Foi só o que ele conseguiu dizer e eu olhei para , passando a mão em seu rosto vermelho, afirmando com a cabeça. – E vocês tiveram um filho? – Ele gritou, se mexendo no colo de para voltar para o chão e eu virei meu rosto em direção à Claire.
Ela estava com Kevin no colo. O pequeno dormia ainda, havia dado mamadeira para ele quando chegamos a Dallas, e depois ele dormiu durante a viagem de carro. Claire estava olhando para Kevin tão abismada, que não falava nada. Ethan e Armando estavam com um sorriso no rosto, olhando em nossa direção e eu acho que eu entendia o porquê do sorriso... Estávamos em casa e nada estragaria nossa felicidade.
Soltei um suspiro e olhei para a rua onde eles moravam, a única diferença que eu vi era algumas placas de ‘vende-se’ em frente a algumas casas, o que eu estranhei um pouco, mas não achei tão difícil, afinal, com certeza isso teria algo a ver com Daniel. Fechei os olhos por um momento pensando em como faríamos o que planejávamos fazer, mas deixei para lá, não precisava pensar naquilo agora.
- Eu também mereço um abraço, não?! – Ouvi uma voz masculina atrás de nós e eu e viramos a cabeça em um movimento quase sincronizado, tendo a mesma reação em seguida, de susto.
Anthony e Andrew saiam de casa devagar. Andrew empurrava a cadeira de rodas que Anthony estava e eu engoli em seco, imediatamente colocando a mão nos ombros de , que olhou para mim com o mesmo olhar de surpresa, e naquele momento eu soube que nada havia sido fácil durante nossa ausência. O rosto de Andrew também tinha algumas marcas já cicatrizadas.
- Qual é! Não é tão ruim quanto parece. – Ele falou rindo e eu e nos aproximamos, se abaixou para abraçar o pai fortemente, ao mesmo tempo em que eu fiz o mesmo com Andrew.
- O que aconteceu? – Ouvi perguntar para seu pai e olhei para Andrew.
- Está tudo bem? – Perguntei para ele.
- Por favor, falamos disso depois. – Anthony respondeu e Andrew afirmou com a cabeça.
- Está tudo bem. – Andrew respondeu e eu sorri. - Eu senti falta de vocês. – Ele falou e eu sorri.
- Nós também. – Falei e ele riu.
- Eu mereço um abraço também, ! – Ele falou e eu troquei de lugar com , abaixando meu corpo e abraçando Anthony o mais forte que eu consegui e senti algumas lágrimas saindo de meu rosto e suspirei, sentindo Anthony passar as mãos em minhas costas.
- Está tudo bem, está tudo bem! – Ele repetia para mim e eu afirmei com a cabeça.
- Espero que sim! – Respondi, me afastando e olhando para ele com um sorriso no rosto.
- Anthony, olha o que eles trouxeram de brinde! – Claire gritou e eu saí da frente de Anthony, olhando para ela que tinha Kevin no colo.
- O quê? – Anthony gritou, movimentando a cadeira de rodas em direção à Claire e eu abri um sorriso, vendo Ethan conversando com Andrew, parecia que eles se conheciam. – Vocês vão em dois e voltam em três?
- Obrigado! – falou, vindo em minha direção e eu dei de ombros, perguntando por quê. – Eu senti tanta falta deles.
- Eu também! – Passei minha mão sobre sua cintura e ele fez o mesmo. – Desculpa se não demonstrei dessa maneira nesses últimos anos. – Falei e ele negou com a cabeça.
- Não tem problema. – Virei meu rosto para ele e ele sorriu, colando os lábios nos meus levemente.
- Podemos todos conversar lá dentro? Creio que é mais seguro. – Keith falou e todos afirmaram com a cabeça e eu ri, entrando acompanhada de .

Assim que eu entrei na casa dos Owen, pude notar que tinha diversas coisas improvisadas para o maior conforto de Anthony. O sofá da sala agora não ficava mais em frente à TV, ele estava na lateral, fazendo com que o espaço para passar fosse maior. A mesa da sala de jantar, também estava encostada na parede, com três cadeiras em volta e um espaço vazio, ao invés de seis cadeiras. Ao lado da cozinha, eles haviam feito um pequeno quarto para Anthony, e um banheiro também, ambos ainda no reboco, mas que serviam para seu propósito.
Em cima da mesa de jantar, a conhecida torta de Claire estava lá, provavelmente era assim que eles estavam se bancando agora, já que tinha uma pilha de caixas muito maior do que quando Claire vendia na feira da cidade.
- Por favor, gente! Sentem-se! Desculpa pelo lugar, mas a gente improvisa. – Claire falou, preocupada como sempre e eu sorri, feliz por isso não ter mudado.
- Não se preocupe, tia! – falou ao meu lado e Andrew apareceu com algumas cadeiras da sala, e de lá de cima também.
Claire entregou Kevin para Anthony que ficou olhando para seu neto enquanto todos se ajeitavam na sala. Eu me sentei no chão, ao seu lado e estiquei minhas costas na parede, sentindo dor no pescoço ainda e suspirei.
- Eu quero saber só uma coisa, o que estão fazendo aqui? – Andrew foi o primeiro a falar e eu ri.
- Calma, uma coisa de cada vez. – Falei, esticando os braços. – Primeiro, vamos lá. Esses são Ethan e Armando, que foram nossa família em Sullivan’s Island, que é onde nos escondemos nos últimos anos. – Falei e finalmente a ficha caiu para algumas pessoas.
- Ah, obrigada por isso! – Claire falou sorridente para eles. – Obrigada por cuidar deles. – Claire tocou o ombro de Armando e ambos sorriram.
- Não foi nada, eles são ótimos. – Ethan brincou e eu ri.
- Ah, a segunda coisa é que... Bem, eu e tivemos um filho. – Apontei para o bebê no colo de Anthony. – É o Kevin. – Falei e Anthony abriu um largo sorriso.
- Aconteceu, ok?! – explicou e eu soltei uma risada.
- E voltamos, pois, aparentemente, acharam o testamento do papai e só a pode abri-lo. – Keith falou, jogado ao meu lado. – Não sei como isso funciona, mas foi o que eu ouvi.
- De quem? – Anthony perguntou.
- Ed! Ele manteve contato comigo durante esse tempo. – Claire afirmou com a cabeça a explicação.
- A gente estava em Sullivan’s Island na Carolina do Norte e ele estava em Washington. – Expliquei e Matt riu do sofá.
- Ok, e vocês vieram para enfrentar Daniel? – Andrew perguntou.
- É... – falou.
- Como? – Anthony perguntou sério.
- Não sabemos! – respondeu, com um sorriso meio gozado no rosto e eu revirei os olhos.
- Vocês não podem! – Anthony falou. – Olhe o que ele fez comigo. – Coloquei as mãos no rosto, surpresa. – Vocês não deveriam ter vindo. – Ele falou e eu suspirei.
- Eu não posso fugir mais, Anthony! – Falei firme com meu sogro. – Eu não vou fugir.
- Vocês são duas crianças. – Ele falou. – Que agora tem que cuidar de outra criança, vocês não farão isso.
- Vamos! – Respondi. – Não sei como ainda, mas vamos, Anthony. – Respirei fundo. – Eu preciso.
- O que aconteceu com você? – Keith perguntou, olhando para Anthony. – Ou melhor, o que aconteceu depois que a gente foi embora?
Claire olhou para Anthony e ambos pareciam realmente incomodados em trazer algo à tona de novo, então eles respiraram fundo e balançaram a cabeça, como se isso fizesse com que as más recordações fossem embora.
- Daniel aconteceu. – Claire falou, suspirando.
- Exatamente o quê? – Perguntei.
- Bem... – Anthony parou para dar uma risada e eu sabia do que ele estava rindo. – Depois da nossa querida Bells aqui dar uma bela de uma surra nele... – Ethan e Armando gargalharam e eu relembrei o momento em minha cabeça, rindo junto. – Ele ficou no hospital por uns três dias. Pelo que eu vi, o estrago foi feio, viu, ? – Abri um sorriso. – Alguns dentes quebrados, nariz quebrado, diversas cicatrizes no rosto... Enfim, ele nunca foi bonito. – Anthony brincou.
- Obrigada! – Falei e vi rir.
- Depois que isso passou ele veio imediatamente para cá, achando que você estava aqui e ele veio pronto para matar. – Anthony falou. – Ele tinha dois seguranças dele junto, mais Billy e Steve, que pareciam estar meio forçados. – Anthony suspirou. – Eles arrombaram a porta e entraram, eu nunca vi nada disso antes. – Ele balançou a cabeça. – Ele parecia bem mal, como quem deveria ter ficado no hospital, rosto inchado, diversos curativos no rosto... Mas ele tinha pose. Como se tudo fosse ficar bem.
- Foi aí que ele te colocou nessa cadeira de rodas? – perguntou.
- Foi! – Claire respondeu.
- Pelo menos ele poupou sua tia e os dois estavam na escola. – Anthony suspirou.
- Ele não fez nada, mas ele torturou seu pai a falar, . – Claire continuou. – Ele bateu no seu pai para que ele falasse. – Vi fechar a mão em punho, fazendo com que as veias do seu braço ficassem em evidência. – Mas a gente não sabia de nada. – Ela suspirou. – Ele bateu em diversas partes do corpo do seu pai, a cada vez que ele falava ‘eu não sei’. – Claire começou a falar com a voz embargada. – Seu pai já tinha desmaiado quando ele acertou o fim da espinha dele. – Claire negou com a cabeça.
- Ele foi embora depois disso e, quando eu acordei, eu recebi a notícia no hospital. – Anthony falou. – Eu não sinto nada da cintura para baixo. – Ele deu de ombros. – Mas pelo menos adiantou algo.
- Adiantou algo? – gritou. – Pai, você está paraplégico. – Ele passou a mão no rosto.
- Mas você está bem, filho. Você, e meu neto. – Ele falou, respirando fundo. – E é por isso que eu falo que vocês não deveriam ter voltado. – Ele suspirou, e eu vi uma lágrima escorrendo de seu rosto.
- E ninguém fez nada? Vocês não fizeram nenhum boletim de ocorrência? Qualquer coisa? – Armando falou indignado e eu sabia já a resposta.
- Quem vai prender o dono dessa cidade? – Anthony falou e eu neguei com a cabeça, suspirando. – Ele manda nessa cidade, é por isso que tem o sobrenome da cidade, porque a cidade surgiu para que essa empresa viesse para cá. – Anthony balançou a cabeça. – Estamos no meio do nada e a polícia mal existe.
- Eu sei, Anthony, a gente vai fazer com que isso acabe. Porque o único perigo que Bells tem, é o próprio ‘dono’ dela. – Falei, fazendo aspas. – Eu não vim tomar só a empresa... Eu vim melhorar a cidade também. – Falei, estalando meus dedos.
- Ok, isso foi sombrio. – Ethan brincou, o que fez com que todos rissem.
- Idiota! – Falei, jogando uma almofada nele.

- Pronto, pronto! – Falei colocando a mamadeira na boca de Kevin que imediatamente parou de chorar e começou a sugar o líquido morno.
- Não consigo acreditar nisso! – Claire falou ao meu lado e eu sorri. – Vocês tiveram um bebê. – Ela passou a mão no cabelo claro de Kevin. – E trouxeram o bebê para uma guerra. – Ela falou.
- Eu não podia deixar ele do outro lado do país, não é?! – Falei e ela afirmou com a cabeça.
- Nós vamos cuidar dele. – Keith falou, sentado do outro lado do sofá e sorriu. – Ele é o futuro e ele não vai sofrer a mesma coisa que nós. – Ele falou para mim.
- Não mesmo. – Falei para meu irmão, com um sorriso no rosto. – A gente não se odeia, a gente se apoia. – Comentei e Keith deu um beijo em minha bochecha.
Me distraí com o barulho de alguém batendo na porta e virei o rosto imediatamente para porta, franzindo o rosto, vendo , Ethan e Keith se levantarem rapidamente.
- Calma, gente! Daniel não bateria na porta. – Ela falou se aproximando da porta. – Ele não sabe ser educado. – Soltei uma risada fraca, mas por precaução eu me levantei e me coloquei na sala de jantar, vendo Kevin terminar de beber a mamadeira. – Ó, que surpresa boa, entrem! – Ela sorriu para mim. – Surpresa para você, ! – Ela falou e abriu a porta por completo, deixando com que meus dois antigos seguranças entrassem pela porta da frente.
- Oh, meu Deus! – Soltei um grito e Andrew rapidamente tirou seu sobrinho de meus braços e eu corri em direção a Billy e Steve, me desviando das pessoas do meio do caminho, e os abracei fortemente.
- Ó querida! – Um dos dois falou e eu suspirei, erguendo o rosto para os dois.
- Vocês estão bem?! – Falei em meio a uma pergunta e uma afirmação.
- Na medida do possível, sim! - Steve sorriu e eu dei um beijo em sua bochecha, abraçando-o forte e depois fiz o mesmo que Billy.
- Como vocês sabiam que eu estava aqui? – Perguntei.
- A gente passa aqui todo dia, ordens de Daniel, e aí vimos um carro diferente, queríamos saber se eles estavam bem. – Billy falou. – E você está aqui. – Afirmei com a cabeça.
- Estão aqui, prontos para a guerra e com um bebê. – Anthony falou, balançando a cabeça negativamente.
- Bebê? – Eles perguntaram juntos e eu revirei os olhos.
- Por que todo mundo acha isso a coisa mais estranha do universo? – Perguntei desesperada. – Eu precisava continuar minha vida.
- Mas a gente praticamente te viu nascer, . Então, por favor, é difícil para gente acreditar que você virou uma mulher. – Billy falou e eu ri.
- É, acho que isso eu entendo. – Abri um sorriso e eles riram.
- Cadê o bebê? – Steve perguntou e Andrew passou o agitado Kevin para e depois para mim.
- Ele é a sua cara, . – Billy falou, acariciando o rosto do meu pequeno, que olhava com os olhos arregalados para ele. – Qual o nome dele?
- Kevin! – Falei, com um sorriso no rosto. – Por causa do papai.
- É uma ótima escolha, querida. – Steve falou sorrindo e ele suspirou. – Meu Deus, eu vou chorar. – Soltei uma risada.
- Então vocês vieram para guerra? – Billy perguntou.
- Sim. – Suspirei. – E ainda não sabemos como vamos fazer isso. – Sorri. – O que foi bom, pois vocês chegaram em um ótimo momento. – Eles riram. – Eu preciso de informação de dentro.
- Isso você não vai conseguir da gente, querida. – Billy falou. – Digamos que depois de vocês fugiram e pelo fato de estarmos ligados a vocês, só não fomos despedidos por interesse dele. – Ele continuou.
- Trabalhamos na empresa agora, seguranças dele lá, pior que ele mudou toda a equipe, então não temos nenhuma informação lá de dentro, até Annie foi demitida nos últimos meses. – Steve falou.
- O quê? – Franzi a testa, balançando a cabeça. – Como eu vou fazer isso, então?
- Ed! – Steve falou. – Quando o testamento foi descoberto, ele foi o primeiro a ser informado, claro que ele teve que inventar uma desculpa para não cair fora também. – Franzi a testa.
- Se alguém te perguntar, você ameaçou Ed para dar o dinheiro e o carro para vocês, ok?
- O quê? – Gritei, ouvindo Keith gargalhar atrás de mim.
- Isso tá melhor que filme! – Keith falou rindo.
- Vocês devem ver Ed, e aconselho a sumir com o carro, e fazer tudo furtivamente, Daniel em breve vai saber que vocês estão aqui. Ele sabe de tudo. – Steve suspirou.
- Ótimo! – Suspirei. – Ed mora do outro lado da cidade, eu não posso ir de carro, nem de bicicleta e... Ferrou! – Falei suspirando.
- A gente pode te levar, no nosso carro ele não vai suspeitar. – Afirmei com a cabeça.
- Ok, mas precisa fazer com que caiba três, quatro, cinco ou seis no carro. – Keith falou. – Consegue? – Ele piscou para Steve que o puxou para um abraço.
- Andrew, Ethan e Armando podem ir com a caminhonete. Nós três vamos com eles. – Falei. – Claire, Anthony e Matt ficam aqui e cuidam de Kevin, pode ser? – Falei rápido.
- Pode sim, chefe. – Matt brincou e eu sorri para ele.
- Antes, deixa eu perguntar... Como está a mamãe? – Perguntei e imediatamente o rosto dos dois mudou, ficando sério. – O que aconteceu?
- Ela está no hospital, ! – Steve falou direto e engoliu em seco.
- O que ele fez? – Perguntei imediatamente.
- Eu não sei. – Steve continuou. – Mas ela tentou se matar, querida. – Arregalei os olhos e engoli a saliva. – Ela não está bem, parece sempre abatida, não sai mais de casa. – Ele continuou. – Ela teve uma overdose de remédios e está em coma faz três dias. – Coloquei a mão no rosto e suspirei.
- Não, a mamãe não faria isso. – Keith falou, apertando meu ombro com as mãos.
- Ela está desesperada. – falou e eu suspirei.
- Eu tenho que ir atrás dela. – Falei virando meu corpo rápido em direção à porta e imediatamente fui parada por diversas pessoas. – Eu tenho que vê-la.
- Não, , você tem que focar. – Billy falou segurando meu rosto com as mãos. – Foca! – Ele falou. – Você tem que fazer o que veio fazer. – Ele falou. – E assim, você vai salvar sua mãe, a empresa, a cidade, e a todos nós. – Ele falou. – Entendeu? – Engoli em seco e afirmei com a cabeça.
- Vamos, vamos para o Ed! – falou, andando em direção à porta.

- Oi, gente! – Ouvi Billy falar para Ed na porta de casa e abaixei a cabeça, escondida no banco de trás do carro de e Keith.
- Oi, e aí, tudo bem? – Ouvi a voz de Ed e sorri, suspirando.
- Posso colocar o carro na garagem? – Ouvi Billy e Ed ficou quieto por um tempo.
- Claro! – Ed falou um pouco sem entender e Steve logo começou a movimentar o carro, entrando de ré na garagem de Ed e quando o portão se fechou, eu abri a porta.
- Surpresa! – Falei saindo do carro e Billy abriu o porta-malas onde saíram Keith e .
- Meu Deus! – Ed falou ao mesmo tempo assustado e rindo da situação.
- Você colocou o pé na minha cara. – brigou com Keith e eu soltei uma risada.
- O que você está fazendo aqui? – Ele falou e eu corri alguns degraus e o abracei fortemente. – Quanto tempo! – Ele segurou meu rosto. – Deixa eu olhar para você. – Sorri. – Você está à cara do seu pai. – Soltei uma risada fraca e afirmei com a cabeça. – Ad, corre aqui! – Ele gritou e eu sorri, entrando no corredor e vendo e Keith serem os próximos a abraçar Ed.
- O que houve, querido? – Ouvi a voz de Ad ao mesmo tempo que entrei na sala da casa deles. – ?! – Ela falou e eu corri em sua direção, abraçando-a forte.
- Surpresa! – Falei.
- Ah, que surpresa maravilhosa! – Ela falou, sorrindo para mim. – Você está tão linda, querida. – Sorri para ela e beijei sua mão.
- Fico feliz em saber que vocês estão bem. – Nesse momento a campainha tocou.
- Quem deve ser? – Ed perguntou.
- Deve ser meu exército! – Falei e o casal franziu a testa, quando Ed abriu a porta.
- Você é o Ed? – Armando perguntou.
- Sim!
- Pode entrar! – Falei. – Ed, Ad, esses são Ethan, Armando e Andrew, meu exército. – Falei.
- O que está acontecendo aqui, ? Por que vocês voltaram? – Respirei fundo e abri um sorriso.
- A gente veio para lutar, Ed! – Abri um sorriso. – Eu cresci, amadureci. – Respirei fundo. – Pensei que ficaria fora minha vida inteira, então eu até tive um filho...
- O quê? – Ad falou assustada.
- E eu quero criar meu filho no meu lar, na cidade que eu nasci e cresci. – Suspirei e ambos arregalaram os olhos.
- Você tem um filho, ? – Ad perguntou e eu ri, afirmando com a cabeça.
- É uma longa história, mas sim! – Soltei uma risada fraca.
- Jesus, eu estou velha! – Ela brincou e eu ri.
- Precisamos conversar, Ed! – Keith falou. – Precisamos aproveitar que ele ainda não sabe que estamos aqui. – Falei e Ed afirmou com a cabeça.
- Claro, vamos conversar na sala de jantar. – Ele falou. – Ad, feche as cortinas, por favor. – Assim que ele falou todo mundo no local começou a falar juntos.

- Vai, Ed, na mensagem você disse que encontraram o testamento em casa, e que a única capaz de abrir isso seria , por quê? E como? É um pedaço de papel, certo? – Keith falou, batendo as mãos na mesa.
- Sim, certo, mas esse papel está dentro de um cofre com entrada biométrica, é por isso que eles precisam de . – Ele falou, passando a mão na cabeça.
- Mas por que de mim? – Perguntei.
- Bem, a suspeita é que seja você, porque o cofre estava no seu quarto. – Ele falou e eu franzi a testa.
- Espera, tem um cofre no meu quarto esse tempo inteiro e eu nunca soube, como? – Perguntei.
- Eu não sei exatamente, eu e Daniel só conversamos na empresa, eu nunca fui lá. Mas eles acharam e a suspeita é que você abra para eles. – Suspirei.
- Ok, então, precisamos entrar, pegar o testamento, e com o testamento em mãos podemos provar que ele está forjando aquele documento que comprova que ele é sócio do papai. – Falei.
- Vocês nem precisam disso, o testamento passa por cima disso tudo e invalida um falso documento, até um documento verdadeiro ele invalida. Vocês precisam pegar o testamento e falar imediatamente com o advogado do seu pai.
- E onde ele está? – perguntou.
- No seu escritório, como todo dia. – Ele deu de ombros. – Fica no quarteirão de trás da empresa, o difícil vai ser se livrar de Daniel.
- Isso é fácil. – Billy falou. – Assim que ele sair de casa a gente avisa vocês, só precisam se livrar dos seguranças que ficam em casa. – Ele falou.
- Isso é fácil! – Falei.
- Eles andam armados, . – Steve falou.
- A gente também. – falou e Steve arregalou os olhos.
- Ok, eu não vou deixar vocês participarem de uma luta de armas. – Ad falou.
- Eu entrei para o exército para aprender a atirar e eu me garanto. – falou, batendo a mão na mesa.
- O que vocês fizeram nesses últimos anos? – Andrew perguntou.
- Muita coisa! – Falei e suspirei. – Quais as chances da gente fazer isso hoje? – Perguntei.
- São quase seis da tarde, ele estará em casa já, melhor esperar amanhã. – Steve falou. – E pensar direito em como farão isso. Acho que quanto mais discreto melhor.
- Por isso que eu estou com fome. – Comentei. - Ok, amanhã bem cedo, assim que ele sair, gente! – Falei, estralando os dedos. – Eu vou entrar e preciso de dois para me proteger. Billy e Steve vão com Daniel e nos mantenham informados.
- Eu vou. – falou.
- Eu também. – Keith disse.
- Creio que vá ser mais fácil, pois parte dos seguranças estão com sua mãe no hospital. Eu e Billy com ele, então vai sobrar umas três pessoas só, e os empregados. – Steve falou.
- Com os empregados é fácil, eles não sabem o que estão fazendo. – Billy falou.
- Ethan e Armando vocês ficam do lado de fora, protegendo a porta e cuidando dos seguranças que a gente possa ter nocauteado. – Keith falou. – Só eu acho isso estranho?
- Não. – Suspirei.
- E eu? – Andrew perguntou.
- Você não vai se meter nisso, Andrew. – falou.
- Vou sim, você é como um irmão para mim, não vou te deixar sozinho. – Ele suspirou e olhou para mim.
- O que você quer que eu fale? – Perguntei e ele riu fraco.
- Você fica com a gente. – falou e eu afirmei com a cabeça.
- Eu fico do lado de fora da casa, para acompanhar vocês até o advogado o mais rápido possível. – Ed falou e eu afirmei com a cabeça. – E assim que isso acabar, você liga para imprensa, para tornar isso público e fazer o pessoal desacreditar na palavra de Daniel o mais rápido possível. – Afirmei com a cabeça.
- Então, temos um plano? – Armando perguntou.
- Sim! – Falei. – Amanhã todos de pé bem cedo. – Falei e passei a mão no seu cabelo.
- Combinado! – Falei e suspirei. – Bem, melhor a gente ir, então. – Falei, empurrando a cadeira.
- Espera! – Ad falou. – Você disse que está com fome. Vocês chegaram e não pararam o dia inteiro. – Ela falou. – Deixa eu fazer uma comida para vocês.
- Eu topo! – Keith falou antes de todo mundo e eu afirmei com a cabeça.
- Ok! – Sorri.
- Só não demore muito, não podemos ficar tanto. – Steve falou e eu afirmei com a cabeça.

- Ok, qualquer imprevisto você me manda mensagem, Billy, estaremos no telefone de Keith. – Falei, com a cabeça baixada e Billy respondeu sem falar nada e parou o carro em frente à casa de Claire.
- Oh não! – Steve falou e ele puxou o freio de mão com força, fazendo com que e Keith gritassem no porta-malas.
- O que foi? – Ergui meu rosto para cima do vidro, vendo um carro preto parado em frente à casa de Claire.
- É o carro de Daniel. – Steve falou.
- Oh, meu Deus. – Falei.
Me levantei com pressa e abri a porta do carro, vendo Steve liberar a porta do porta malas e nós cinco corremos em direção à porta de casa, no mesmo tempo que a caminhonete parava atrás de nós. Abri a porta de casa com força e abruptamente parei, engolindo em seco.
- Olha só quem apareceu! – Daniel falou, apontando a arma em minha direção e eu engoli em seco, dando uma olhada em volta.
Ele estava sentado no sofá, com Kevin embrulhado em seu colo. Meu filho estava quieto, provavelmente dormindo, o que era algo bom. Outros dois capangas de Daniel estavam apontando armas para Claire e para o pequeno Matthew que tinha o rosto vermelho de lágrimas e Anthony estava com a cadeira de rodas presa à escada que dava para o segundo andar.
- Mas que surpresa, querida sobrinha. – Ele falou com um sorriso no rosto. – Quanto tempo! – Ele falou e eu fui empurrada, vendo e Keith entrarem. – Calminha! – Daniel apontou a arma e eu respirei fundo, pensando no porquê eu não estava armada naquele momento.
- Seu filho da... – falou.
- Cuidado, seu bostinha! – Ele disse e se levantou, segurando Kevin com cuidado e eu suspirei. – Vamos, entrem todos. – Ele me puxou para um canto e esperou que Ethan, Andrew e Armando entrassem também. – Cadê meus seguranças favoritos? – Ele perguntou e puxou Steve com força e colocou a arma na cabeça de Billy. – Que bom encontrar vocês aqui. – Ele pressionou a arma e eu suspirei.
- O que você quer, Daniel? – Perguntei com o nojo bem claro em minha voz.
- Você, é claro! – Ele falou. – Se voltou, deve ser porque já sabe que achamos o testamento do seu pai. – Ele falou feliz.
- E por que vocês precisam de mim?!
- Aparentemente suas digitais são a chave para abrir o cofre. – Ele começou a andar entre as pessoas espremidas na sala e eu só conseguia olhar Kevin que agora estava acordado, sendo segurado por Daniel. – Então, eu preciso de você. – Ele sorriu.
- Você não vai ganhar isso, Daniel! – Falei e ele apontou a arma para minha cabeça. – Você pode me matar, mas duvido que te deixarão usar meu corpo para isso. – Falei e ele suspirou. – Se você me matar você não sai daqui. – Falei.
- Você tem razão. – Ele abaixou a arma e jogou para um dos outros capangas, nenhum que eu conhecesse. – Mas se abusando da sua mãe, você não se deixou abrir. Mas agora você tem outra coisa com que eu possa te ameaçar. – Ele ergueu meu filho com as duas mãos e abriu um sorriso. – Kevin, não?! – Ele perguntou. – Em homenagem ao seu pai, que previsível. – Ele falou e riu em seguida, jogando Kevin no colo de Billy que o segurou com firmeza, fazendo com que o bebê começasse a chorar alto, fazendo com que meu corpo gelasse.
- Você realmente acha que três vão ganhar de dez? – Perguntei, me aproximando dele e senti me segurar. – Você não tem chances. – Em um momento rápido, ele pegou outra arma em sua cintura e apontou para cabeça de Kevin que fez com que eu me segurasse, suando frio.
- Não, a gente não ganha... Mas nem seu filho. – Ele falou e eu prendi a respiração, sentindo a saliva descer com dificuldade. – Caixões de bebês são mais caros, sabia? – Ele ameaçou e por um momento eu comecei a ver tudo bagunçado, me fazendo respirar fundo.
- Deixa-o em paz. – Falei.
- Claro, depois que você me ajudar. – Ele falou. – Me encontre na mansão Bells amanhã às 7 da manhã, ou eu te entrego seu bebê gelado, dentro de uma caixa de sapatos. – Ele falou e eu senti meus olhos se encherem de lágrimas. – Ande. – Ele empurrou Billy e Steve para fora de casa. – Se alguém me seguir, eu jogo ele do carro. – Ele falou e saiu de casa, vendo os capangas dele sair juntos, fazendo com que meu corpo caísse com força no chão e meu choro tomasse a sala.
- Calma, amor! – Senti me abraçar de lado e suspirei, fechando os olhos, sentindo meu corpo fraco, e comecei a respirar com força, achando que o ar não estava entrando.
- Calma? – Perguntei. – Como eu vou manter a calma, ele está com meu filho. – Gritei, sentindo minha voz falhar. – Meu filho. – Falei baixo e respirei fundo, fechando os olhos.

Mexi rapidamente nas malas que trouxemos e peguei uma pistola, assustando todos de casa e peguei alguns pentes, me desvencilhando das mãos de todos que tentavam me segurar e até bati com força o cotovelo em alguém e corri para o quintal da casa, vendo algumas pessoas me seguir.
- Eu preciso ficar sozinha. – Gritei brava e vi que eles voltaram a entrar, me fazendo respirar fundo e aliviar os ombros.
Olhei para arma em minha mão e conferi se ela estava carregada antes de apontar para a árvore no meio do quintal e apertar o gatilho três vezes, ouvindo o barulho estourar repetitivamente e ver a faísca saindo por ela três vezes, atingindo a árvore em minha frente.
Soltei a arma no chão e deixei que meu corpo caísse no chão com força, fazendo com que eu colocasse o rosto entre as pernas, ouvindo meu choro ecoar pelo local e fazer com que eu respirasse fundo diversas vezes e sentisse meu corpo fraquejar sobre a grama molhada e olhei para cima.
- O que eu faço agora, pai? – Falei baixo. – Eu perdi a mãe, eu perdi seu neto... – Suspirei. – E meu exército é composto pelas pessoas que eu mais amo nesse mundo. – Balancei a cabeça. – Eu não posso exigir que eles lutem comigo. – Coloquei a mão no rosto. – Ou por mim. - Suspirei. – Eu preciso de uma luz, pai.
Deitei meu corpo na grama e fechei os olhos por um momento, abaixando a mão e sentindo-a tocar a arma ao meu lado. A segurei, olhando-a em minhas mãos. Puxei o pente e vi que faltavam três balas na mesma e franzi a testa, fechando o pente de novo e olhei para frente. Vendo a árvore em minha frente com um buraco no meio dela e suspirei, me levantando.
Andei em direção a árvore e notei que ela tinha somente dois buracos. Um a bala estava rente, e a outra estava mais funda. Dei a volta na árvore e encontrei uma bala quase saindo do outro lado da árvore e a puxei, sentindo-a quente em minha mão e olhei de onde ela saiu. Eu havia acertado duas vezes no mesmo lugar. Abri um sorriso e olhei para o céu novamente, soltando uma risada fraca.
- Isso é obra sua, não?! – Comentei e voltei, me sentando embaixo da árvore, colocando minha cabeça para funcionar.

- Ei! – Ergui a cabeça e vi Keith em minha frente. – Posso me sentar? – Ele perguntou.
- Claro! – Falei e ele se encostou na árvore, escorregando o corpo no chão.
- Ai, ‘ô velho. – Ele falou e eu sorri, sentindo-o passando o braço pelos meus ombros, me abraçando. – Como você está?
- Como você acha que eu estaria? Meu filho foi sequestrado... – Balancei a cabeça e respirei fundo. – Eu não sei como eu deveria estar.
- Eu entendo, . – Ele falou. – Mas vamos lá, nós estamos pensando em um plano. – Ele falou.
- Plano? Como, se eu vou ter que entrar lá sozinha? – Perguntei.
- Isso seu marido pode te dizer. Ele está rabiscando nos papéis faz um tempo. – Ele falou e eu franzi a testa. – Vamos! Todos estão aqui por você, . Todos estão prontos para levar um tiro por você se for necessário. – Ele falou.
- Não, já basta ter levado tiros. – Falei e Keith arregalou os olhos.
- Como assim? – Balancei a cabeça.
- Quando isso acabar, nós precisamos nos trancar em um quarto e conversar por três dias seguidos. – Falei e ele se levantou, esticando as mãos para mim.
- Eu topo, irmãzinha! – Ele falou e me puxou para cima, me abraçando e me levando em direção à porta da cozinha, me empurrando para entrar em sua frente.
Assim que passei pela porta, todo mundo olhou para mim por um tempo e eu suspirei, vi Claire esticar uma caneca com um líquido marrom fumegante para mim e eu agradeci, me aproximando da mesa de jantar, que agora tinha voltado para o meio da sala, onde Andrew, Ethan, , e Anthony conversavam. Keith se juntou a eles e eu me encostei na parede, bebendo aos poucos o meu chocolate quente.
- Está tudo bem? – virou o rosto para trás e eu afirmei com a cabeça, dando um meio sorriso para ele. Ele esticou a mão e eu segurei, me aproximando dele e apoiando a caneca na mesa.
- Pensaram em algo? – Perguntei à mesa e suspirei.
- Na verdade, sim! – Ethan falou, afirmando com a cabeça. – Por incrível que pareça, seu padrasto psicótico facilitou as coisas para gente.
- Como? – Perguntei.
- Ele pediu para que você fosse sozinha, certo? – Anthony começou a falar e eu afirmei com a cabeça, sentindo acariciar minha mão. – E é exatamente isso que você vai fazer e você vai entrar pela porta da frente. – Ele abriu um sorriso e eu puxei a cadeira, me sentando e apoiando as mãos na mesa. – Vocês farão assim...

Olhei para a mansão em minha frente e respirei fundo. Aquele lugar estava péssimo. A grama estava alta e seca, os portões azuis estavam enferrujados e as paredes brancas da mansão de dois andares possuíam pichações com palavras de ódio a Daniel. Aparentemente alguns empregados haviam se rebelado contra a demissão em massa. Balancei a cabeça, o que será que ele havia feito com minha empresa?
Olhei meu relógio de pulso e esperei o relógio apontar sete horas e empurrei o portão pesado, caminhando devagar em direção à porta de madeira, que foi aberta antes de eu pisar nos degraus que me levavam a ela, por um dos capangas que estavam ontem à noite em casa e eu respirei fundo.
Assim que eu entrei em casa, a porta foi fechada e eu dei uma olhada no local. Os móveis estavam do mesmo jeito que eu lembrava, ninguém mexia naquilo fazia um bom tempo, e as cortinas ainda estavam fechadas.
- Temos que te revistar. – Um deles falou e eu não respondi, sentindo-os passarem as mãos pelo meu corpo, seios, cintura, pernas, até meus pés, conferindo se eu não estava escondendo nada, e eu não estava. – Vamos. – Senti um puxão em meu braço e fui empurrada escada acima.
Eu tentava aos poucos me lembrar daquele local, e tudo que eu consegui lembrar foi de quando éramos uma família feliz e sem problemas. Keith descia correndo escada abaixo pelo corrimão e eu saía correndo atrás dele, provavelmente dando de cara com minha mãe tentando fazer alguma coisa na cozinha com as cozinheiras e meu pai parava de falar no telefone para me dar um beijo de bom dia e fazia questão de me entregar pessoalmente uma gérbera, antes que Billy ou Steve aparecessem para me levar à escola.
Soltei um suspiro, sentindo o choro subir à garganta, mas o segurei, quando vi Steve e Billy parados no meio do corredor, em frente à porta do meu quarto, com outro segurança atrás deles. Olhei para a janela do corredor e vi que a piscina estava cheia de sujeira e que a grama do quintal também estava alta.
- Entre, senhorita, por favor. – Billy indicou a porta do meu quarto, que havia sido arrombada e estava jogada em algum canto do quarto e entrei no mesmo.
Assim que entrei, eu não o reconheci, as coisas estavam espalhadas para todos os lados, meus brinquedos antigos estavam quebrados no chão, os quadros meu e de minha família estavam rasgados, os travesseiros e cobertas também. Mas no meio do quarto, embaixo do carpete rosa, tinha um buraco no chão, embaixo do piso de madeira, um quadrado não maior que um metro e meio. Só passava uma pessoa de cada vez.
- Você veio! – Daniel apareceu da porta do banheiro com um sorriso no rosto e ajeitou seu paletó, preferi não responder. – Vamos terminar com isso logo, que eu preciso comandar uma empresa. – Senti a risada subir pela minha garganta, mas eu só dei um sorriso de lado, confirmando com a cabeça.
- Eu quero ver meu filho primeiro! – Falei, encarando Daniel.
- Isso não é uma negociação. – Daniel respondeu. – Você vai abrir esse cofre para mim e depois eu te dou aquela coisa chorona. – Ele respondeu e eu suspirei feliz, Kevin deve ter chorado e atazanado ele a noite inteira. – Vamos! - Daniel indicou os dois seguranças ao meu lado e um seguiu em frente, descendo pelo buraco e outro me empurrou pelos ombros, fazendo com que eu seguisse o caminho.
A luz lá de dentro era intensa, um branco forte, forte demais para o pequeno espaço. Assim que pisei no chão claro, eu olhei para os lados, era um corredor de uns cinco metros e o cofre estava do outro lado. Fui puxada quando Daniel começou a descer pelo buraco e outro segurança ou capanga veio atrás dele.
Andei pelo pequeno corredor e olhei para o cofre, meio surpresa com tudo isso. O cofre tinha somente um leitor biométrico no meio dele e eu franzi a testa, soltando uma risada, aquilo estava literalmente embaixo dos nossos pés o tempo todo. Ouvi uma arma ser destravada e me assustei, vendo Daniel apontá-la para mim e respirei fundo, fechando os olhos por alguns segundos.
- Vai, coloque o indicador, aí! – Ele falou e eu limpei minhas mãos, que suavam, em minha calça jeans e toquei o aparelho gelado vendo-o ficar vermelho imediatamente e fazer a leitura da minha digital e em poucos segundos ouvi um apito e em seguida, algo sendo destravado, me fazendo arregalar os olhos, surpresa. – Segurem-na! – Daniel falou e um dos dois me segurou pelos ombros e eu revirei os olhos.
Daniel abriu o cofre e colocou o rosto quase inteiro dentro dele e colocou a mão, puxando o que tinha dentro. Assim que ele virou o rosto para cá, eu pude notar que tinha três coisas naquele cofre. Uma pasta, uma foto e um envelope, que fez o sorriso de Daniel se abrir, quase em um sorriso maléfico.
- Vamos, fora daqui! – Ele falou, e eu senti um empurrão, vendo um dos seguranças subirem pela escada, em seguida eu fui empurrada para cima, e logo fui puxada pelo braço por outro que estava ali e ele me segurou enquanto Daniel saía do local, e imediatamente ele jogou a pasta e a foto no chão, que eu pude ver que era uma da minha família, me fazendo abrir um sorriso largo.
- Vamos ver o que tem aqui. – Ele parou no meio do quarto e abriu o envelope, tirando o único pedaço de papel e também jogando-o vazio no chão, o qual pude ver a bonita letra cursiva de meu pai, com a caneta fina e suspirei. – “Eu, Maxwell Kevin Bells, declaro abaixo a quem deixo meus bens após minha morte...” – Daniel leu e eu suspirei. – Blá, blá, blá, a casa eu deixo... Não é isso. – Ele foi passando os olhos pelo local. – Ah, aqui. – Daniel abriu um sorriso. – “A Companhia Industrial de Laticínios Bells eu deixo para minha filha mais nova, Henrietta Alexander Bells, para que ela possa torná-la ainda mais próspera com suas convicções e responsabilidades...” – Respirei fundo. – “tornando-a cada vez mais importante e justa para os empregados que estão nela e também para o país, fazendo-a com que o foco seja sempre o futuro”. – Daniel soltou uma risada. – “Hoje ela ainda é uma criança, mas confio que no futuro ela se tornará uma visionária”. – Ele falou e eu abri um sorriso, respirando fundo. – Quanta baboseira! – Daniel falou, colocando a mão no bolso e tirou um isqueiro, me fazendo arregalar os olhos. – Não precisamos disso, certo? – Ele acendeu o mesmo e colocou na ponta do papel, fazendo com que ele começasse a pegar fogo lentamente.
Um estouro no vidro fez com que eu me afastasse na janela, vendo Daniel imediatamente cair no chão, colocando a mão na lateral do corpo. Boa pontaria, . Pensei e soltei uma risada fraca, vendo Billy entrar correndo no quarto e pisar no testamento para apagar o fogo e eu aproveitei a distração e dei uma cotovelada em cada segurança que segurava meus ombros, acertando a barriga deles e virando o corpo, para um deles, apertando a mão deles com força, fazendo com que ele soltasse a arma e eu fechasse a mão e virasse um soco nele, vendo-o cair para trás, chacoalhando minha mão em seguida.
Olhei para o lado e Steve tinha dado um jeito no outro segurança e eu abri um sorriso, virando meu corpo para trás e vendo Daniel caído no chão, com a mão na lateral do corpo, onde uma mancha vermelha molhava sua camisa branca.
- Quem fez isso? – Steve perguntou e eu abri um sorriso.
- Longa história. – Falei e destravei a arma em minha mão e tirei o pente, entregando na mão de Steve. – Tem mais alguém aqui? – Perguntei.
- Só lá fora. – Steve falou e eu afirmei com a cabeça.
- Deixe assim. – Falei e olhei para Daniel. - Procure meu filho, por favor, Steve. – Ele afirmou com a cabeça e saiu com a arma na mão.
- Quer que eu fique? – Billy perguntou e eu afirmei com a cabeça.
- Que reviravolta, não?! – Brinquei com Daniel, andando ao seu redor. – Quem diria que meu marido havia passado algum tempo no exército e tinha voltado com uma mira perfeita. – Falei, vendo a expressão confusa na cara de Daniel. – Se você tivesse ao menos pesquisado sobre a gente, você saberia um pouco. – Puxei seu cabelo. – Mas nem se prestou para isso. – Abri um sorriso, soltando-o.
- Ele está aqui, . – Steve apareceu com Kevin em seu colo e eu respirei aliviada, correndo em direção ao meu filho, dando um beijo em seu rosto e acariciando seus cabelos.
- Leve ele para fora, por favor. E fique lá. – Falei para Steve que ficou um pouco confuso. – Vá! – Falei e ele sumiu da porta, me fazendo voltar para o meu corpo. – Eca, você sujou meu chão de sangue. – Falei, franzindo a testa.
- Por que você acha? – Ele perguntou sarcástico, se colocando de joelhos e eu abri um sorriso.
- Eu quero que você me conte uma história, Daniel, por favor. – Falei, me sentando na beirada da cama.
- Que história? – Ele perguntou visivelmente com dor.
- Do porquê fazer tudo isso. – Perguntei, girando um revólver em meus dedos. – Afinal, tem que ter um motivo. – Falei. – Você era nossa família.
- Família? – Ele falou para mim. – O tio falido que vocês lembravam uma vez por ano, enquanto viviam nesse luxo, não se davam ao trabalho nem de ir me visitar.
- Você poderia ter vivido nesse luxo também, sabia? Se há 25 anos você topasse entrar nesse barco também. – Respondi vendo Daniel rir.
- Você sabe que sua avó sempre gostou mais do seu pai, não é?! – Ele perguntou. – Ela sempre o apoiou mais, ofereceu tudo de melhor para ele, enquanto o irmão mais velho nunca pode ter nada. – Ele balançou a cabeça e eu revirei os olhos.
- Ok, vamos contar uma história melhor porque essa está ridícula. – Me levantei da cama e me aproximei de Daniel. – Isso é inveja, não é?! Raiva? Por não ter entrado nesse barco e depois simplesmente vê-lo crescendo cada dia mais. – Falei sorrindo para ele. – Isso é arrependimento. – Balancei a cabeça. – Bem, foi até bom você não ter entrado nisso, afinal, a empresa está um lixo. – Falei. – Você colocou uma das maiores e melhores empresas dos Estados Unidos no chão. Como você se sente com isso? – Perguntei.
- Você não sabe de nada, sua vadia. Igual sua mãe. – Ele gritou e eu destravei a arma e a coloquei em sua testa.
- Você realmente não sabe nada sobre a gente, querido tio. – Falei, forçando o bico da arma em sua testa. – Se você soubesse, quem sabe você teria ganhado essa. – Comentei e balancei a cabeça. – Eu sei atirar, sabia? E dessa vez eu não preciso nem olhar para acertar o alvo. – Forcei a arma na testa dele, abrindo um sorriso com isso.
- Por favor... – Ele falou baixo, implorando.
- Você gostaria que eu fizesse isso? – Perguntei, olhando para ele com os olhos fechados.
- Não, por favor. – Ele falou baixo.
- Pena que meu pai não teve essa mesma escolha. – Abri um sorriso, vendo-o franzir a testa e olhar para mim. – Você realmente acha que eu não sei? – Perguntei, com um sorriso no rosto. – Me diga uma coisa, depois de 20 anos, você simplesmente apareceu aqui em casa, pedindo para ficar alguns meses? – Continuei falando. – Qual é... – Soltei uma risada. – E depois meu pai morrer magicamente de ataque cardíaco? – Neguei com a cabeça. – Você quis tentar se enturmar, para que a gente não duvidasse de você, mas eu sempre achei que você estivesse envolvido.
- Eu não matei seu pai. – Ele falou.
- Não diretamente, mas você mandou... – Falei. – Quem foi? Jason? – Perguntei. – Você já deve ter se livrado da pessoa também. – Suspirei e vi Daniel conseguir se levantar, fazendo uma careta de dor. – Foi o quê? Adrenalina? – Perguntei. – Afinaram o sangue dele? – Balancei a cabeça. – Mas com certeza passou despercebido pelos médicos. – Dei mais uma volta no corpo de Daniel.
- Eu não fiz nada. – Ele falou.
- Eu sei. – Falei, abrindo um sorriso. – Mas você sabia que forjar a assinatura do meu pai em um documento que comprovava a sua associação na empresa era algo muito fácil, e facilmente resolvível, então você achou que acabar com a pessoa seria mais fácil. – Ele fechou o sorriso e eu abri um. – Certo? – Abri um sorriso e eu vi seu olhar de desespero por um momento, fazendo com que eu desse um passo para o lado, esperando pelo seu próximo passo. - Eu não sou como você, Daniel! – Falei. – Eu não vou te matar. – Falei, aproximando meu rosto do dele. – Eu não sou responsável por destruir minha família. – Falei. – Você pode ir. – Saí de sua frente. – Eu não vou atrás de você. – Falei e ele olhou para mim e para Billy antes de simplesmente sair correndo e eu abri um sorriso, puxando a blusa de Billy quando ele tentou seguir Daniel.
- Senhorita... – Billy falou e eu soltei a arma no chão, correndo para a janela do meu quarto, vendo uma equipe policial na frente de casa, com diversas pessoas da imprensa nacional e Daniel se assustar com tudo isso quando parou em frente de casa, fazendo com que eu abrisse um largo sorriso, sentindo as lágrimas começarem a cair do meu rosto, de alívio. – Vocês planejaram tudo isso? – Billy falou comigo e eu o abracei forte, sentindo-o me segurar em seu colo. Soltei dos braços de Billy, vendo Daniel tentar correr e a polícia pegá-lo com muita facilidade, me fazendo rir e em seguida vi e Keith correrem para dentro de casa. – Vocês usaram o plano dele contra ele... Isso foi incrível, . – Billy falou e eu abri um sorriso.
- ! – Virei o corpo vendo entrar correndo no quarto e eu abri um sorriso, sentindo-o segurar meu corpo e me abraçar fortemente. – Você está bem?
- Sim, está tudo bem! – Ele me girou em seu colo e eu colei meus lábios nos dele fortemente, sentindo um alívio imenso passar pelo meu corpo e o soltei, sendo colocada no chão, respirando fundo. - Eu não acredito que deu certo. – Falei, passando a mão no rosto. – Como está Kevin?
- Está tudo bem! – Keith apareceu atrás de mim e eu corri abraçá-lo.
- A gente ganhou, irmãzinha! – Ele falou contra meu ouvido e eu respirei fundo, soltando um largo suspiro.
- Eu não acredito! – Respirei fundo, passando a mão no meu cabelo.
- ... – Steve apareceu na porta novamente com Kevin em seu colo e eu corri em direção a ele, ignorando as outras pessoas e peguei meu filho no colo, abraçando-o.
- Oh, meu amor, você está bem? Está tudo bem contigo? – Falei com ele, que me olhava um pouco assustada e eu ri. – Você está bem, amor, está tudo bem agora. – Abri um sorriso.
- Vocês podem viver em paz agora. – Ethan falou e eu afirmei com a cabeça, respirando fundo.
- Todos nós. – Keith falou com um sorriso no rosto.

- Esse é o vovô e essa a vovó. – Mostrei a foto que tinha dentro do cofre para Kevin que brincava com ela, engatinhando em minha cama. – Você vai conhecer a vovó em breve. – Sorri, acariciando os cabelos de meu pequeno.
- Ei. – Vi Ed entrar no quarto, desviando de alguns policiais que andavam de um lado para o outro.
- Oi. E aí?! – Perguntei e ele se sentou ao meu lado, estendendo uma pasta para mim. – O que é isso? – Perguntei.
- O testamento é válido, . – Edmond falou. – Só queimou um pouco embaixo, mas não queimou a assinatura do seu pai, nem do advogado. – Ele sorriu. – Ele é legítimo. – Abri um sorriso. – Você é a nova chefe das indústrias Bells. – Ele abriu um sorriso e suspirei.
- Chefe não, líder. – Falei, respirando fundo. – Como meu pai era. – Suspirei e Edmond sorriu. – E essa pasta? – Perguntei.
- Diversos documentos da empresa quando começou, comprovações que ela existe, alguns extratos de investimento, certidão de casamento dos seus pais... Algumas coisas variadas. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- O que eu faço agora, Ed? – Perguntei. – Eu não sei cuidar de uma empresa.
- O principal é que você conhece a empresa, gosta dela, sabe o que ela produz, o potencial dela e conhece diversos trabalhadores... – Ed suspirou. – Você vai estudar agora. – Ele sorriu. – Você vai estudar todos os erros que Daniel fez, ver o que ele mudou, o que ele não mudou e vai começar do zero.
- Eu só tenho 21 anos, Ed. Eu não sei comandar uma empresa.
- Você também não sabia cuidar de um bebê e se deu muito bem nisso. – Soltei uma risada fraca, sentindo-o me abraçar de lado.
- Você ficará comigo? – Perguntei.
- Eu estou com a sua família desde que a empresa começou, vi diversos momentos bons e ruins, e pretendo estar com ela até o meu fim. – Sorri. – Você não estará sozinha, . – Afirmei com a cabeça. – Você tem uma família que te ama e amigos que se importam contigo. Você só precisa respirar fundo, contar até um milhão se necessário e confiar na escolha de seu pai. – Afirmei com a cabeça.
- Meu pai sabia aos meus 12 anos que quando eu crescesse eu seria uma visionária, a melhor escolha para comandar essa empresa... E eu até hoje não sei quem eu sou. – Balancei com a cabeça.
- Eu sei! – Ele falou. – Você é Henrietta Alexander Bells Owen. Filha, mãe, amiga, esposa, salvadora, empreendedora, corajosa... Você pode ser o que você quiser ser, . – Abri um sorriso. – E nós estaremos aqui com você nos seus erros e acertos.
- Obrigada, Ed! – Sorri e puxei as pernas de Kevin que estava se aproximando da beirada da cama. – Ei, volta aqui, menino. – Brinquei com ele, ouvindo-o dar uma risada.
- Senhorita Bells? – Ouvi uma policial me chamando.
- Sim. – Falei.
- Você estaria disposta a dar seu testemunho agora? – Ela perguntou e eu afirmei com a cabeça.
- Com certeza. – Falei. - Cuida de Kevin, por favor, Ed? – Perguntei.
- Eu cuido! – falou, aparecendo na porta do quarto, e eu abri um sorriso, passando por ele e seguindo a policial.



Capítulo 10

- Eu tenho que fazer isso sozinha. – Falei para e ele afirmou a cabeça.
Fechei a porta do carro e dei alguns passos, entrando no pequeno hospital pela porta da frente, com Steve e Billy atrás de mim, e caminhei em direção à recepção do local e parei em frente ao balcão, me debruçando sobre o mesmo, vendo uma mulher ao telefone e esperei, batendo a ponta dos dedos sobre o balcão, suspirando um pouco impaciente.
- Senhorita Bells? – Ouvi a voz de uma médica atrás de mim e virei meu rosto, olhando para uma senhora ruiva com uma feição cansada. – O que você está fazendo aqui? – Ela correu em minha direção, tentando virar meu corpo em direção a saída e eu segurei firme em seu braço, fazendo com que ela parasse. – Você não pode vir aqui.
- Sim, eu posso. – Falei, com um sorriso no rosto. – Acabou! – Abri um sorriso.
- Como assim? – Ela franziu a testa e eu segurei seus braços, encarando-a.
- Daniel foi preso... – Ela abriu um sorriso. – Acabou o abuso. – Falei e ela suspirou.
- Como? – Soltei uma risada.
- Acho mais fácil você ler no jornal de amanhã. – Falei e ela riu, afirmando com a cabeça. – Cadê minha mãe? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça.
- Siga-me! – Ela falou e eu a acompanhei, fazendo um sinal para que Billy e Steve ficarem ao meu lado e andei por alguns corredores. – Melhor você ir com calma, eles não receberam a informação ainda! – Ela falou e indicou outro corredor e saiu da frente e eu afirmei com a cabeça. Respirei fundo e pisei para dentro do corredor, imediatamente vendo dois seguranças guardando a porta de um quarto e ao me verem, eles apontaram suas armas para mim.
- Parada, ! – Soltei uma risada fraca, vendo Steve e Billy apontarem as armas para eles.
- Vocês não leram o memorando ainda, não? – Perguntei, soltando a respiração forte. – Daniel foi preso. – Falei e imediatamente vi a confusão em seus rostos. – Se vocês quiserem manter seus empregos, é melhor responderem a mim agora. – Falei e eles abaixaram as armas. – E aos meus chefes de segurança. – Apontei para Steve e Billy e indiquei para eles abaixarem as armas.
- Graças a Deus. – Um deles falou, suspirando e eu até franzi a testa. – Eu só estava aqui pelo pagamento. – Soltei uma risada fraca e me aproximei deles.
- Sem mais abusos. – Falei e eles afirmaram com a cabeça, com um sorriso leve no rosto.
- Steve, Billy, vocês podem informá-los do que houve e quando tudo estiver certo, a gente vê sobre o emprego deles, pode ser? – Perguntei para ambos. – Explique a situação e dê folga para eles.
- Obrigada, senhorita Bells. – Um deles falou e eu afirmei com a cabeça.
- Eu preciso ver minha mãe. – Falei, suspirando e parei em frente à porta.
Apertei uma mão na outra e suspirei, olhando para o número da porta e fechei os olhos por um tempo, antes de colocar a mão na maçaneta e abri, encontrando minha mãe comendo alguma coisa com os olhos focados na TV. Assim que ela virou o rosto para mim, eu senti meu corpo relaxar.
- ? – Ela perguntou e eu afirmei com a cabeça.
Minha mãe estava muito magra, os pulsos dela estavam finos demais, e os braços menores ainda. Ela sempre foi uma pessoa pequena, mas ela era forte. Seu rosto estava visivelmente cansado e os cabelos que antes eram loiros e reluzentes, agora estavam meio opacos, com vários cabelos grisalhos visíveis no seu coro cabeludo.
Eliminei o pequeno espaço que tinha entre a gente e abracei-a com toda a força que eu sentia em meu corpo e essa força era saudade. Soltei-a passando a mão em seus cabelos e ela segurou meu rosto, abrindo um largo sorriso, deixando algumas lágrimas molharem sua bochecha. Eu estava do mesmo jeito.
- Como você entrou aqui? – Ela desviou o olhar para a porta e eu neguei com a cabeça, suspirando.
- Acabou, mãe. – Falei, abrindo um largo sorriso.
- Acabou? – Ela perguntou e eu afirmei com a cabeça.
- Estamos salvos agora, mãe. – Respondi, sentindo as lágrimas rolarem pela minha bochecha. – Você está livre. – Falei e ela imediatamente jogou a cabeça para trás, deixando as lágrimas caírem com força de seus olhos.
- Co-como? – Ela perguntou, chorando igual uma criança, e eu suspirei.
- É uma longa história, na verdade. – Falei brincando e puxei uma cadeira e me sentei, me colocando ao seu lado. – Mas come, você precisa se recuperar.
- Me desculpe, minha querida... Eu não deveria ter feito o que eu fiz.
- Mãe, não! A culpa não é sua. – Falei, segurando sua mão firme. – Você não tem que se desculpar por estar se sentindo sufocada.
- Quando você e seu irmão foram embora, eu pensei que tudo melhoraria, mas... – Ela respirou fundo, passando a mão livre pelo rosto. – Tudo ficou pior. Eu não estava bem, filha. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça.
- Você ainda não está, mãe. – Falei e apertei sua mão. – Você vai ter que passar por uma reabilitação por causa das drogas e bebidas que você ingeriu nesses últimos anos, tratamento psicológico... – Abri um sorriso. – As coisas vão se ajeitar e tudo vai ficar bem. – Abri um sorriso.
- Pena que não dá para trazer seu pai de volta. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça. – Ele gostaria de ver a pessoa que você se tornou. – Ri fraco.
- É... – Suspirei. – Ele gostaria de conhecer seu neto também. – Os olhos da minha mãe cresceram com a palavra.
- Neto? – Ela colocou a mão na boca e eu afirmei com a cabeça, soltando uma risada fraca.
- Sim, Kevin Bells Owen. – Falei e suspirei.
- Oh, minha querida. – Ela falou, abrindo um largo sorriso e eu soltei uma risada gostosa. – Que tanto aconteceu nesses anos?
- Muita coisa! – Respondi, balançando a cabeça. – Mas antes, acho que você vai gostar de saber que além do Daniel ser preso, achamos o testamento do papai. – Falei e ela soltou um suspiro de alívio.
- Então ele realmente estava naquele cofre no seu quarto? – Afirmei com a cabeça.
- Como eles acharam aquele cofre, afinal? – Perguntei.
- Eu tentei achar motivos para me distrair, queria mudar aqueles carpetes de casa horríveis, e quando puxamos o do seu quarto, um pedaço de madeira saiu junto. – Ela deu de ombros. – Foi quando eu suspeitei do que era e tentei me...
- Mãe... – A parei. – Está tudo bem, nós, a cidade, a empresa, nossa casa, todos vamos passar por uma reforma. – Suspirei. – Nos redescobrir.
- Com certeza! – Abri um sorriso. – Mas, por favor, quero saber do meu neto. – Ela apertou minha mão. – Do seu irmão, de ...
- Como eu vou resumir quatro anos? – Perguntei e ela riu.
- Não resuma, conte-me tudo. – Soltei uma risada.

- Obrigada, gente! – Respondi para Billy e Steve e bati a porta do carro, ajeitando minha bolsa na lateral do corpo.
O pintor que cuidava do portão abriu-o para mim e eu agradeci com a cabeça, vendo o mesmo sendo pintado de azul novamente. As paredes pichadas de casa agora tomavam uma cor branco vivo, deixando tudo mais claro e eu acenei para o jardineiro que cuidava da grama, empurrando a porta de madeira e até me assustando pela claridade que estava dentro de casa.
Me desviei de algumas latas de tinta e de alguns móveis velhos e deixei minha bolsa em cima da mesa da sala de jantar e corri rapidamente escada acima, vendo um pessoal instalar o elevador novo e dei licença para outro que lixava o chão de madeira e quase tropecei no pequeno Matthew que descia as escadas com uma toalha na mão e de sunga.
Olhei para o fim do corredor e vi os dois engenheiros olhando para o projeto de dois novos quartos e acenei para eles que me cumprimentaram. Entrei no meu quarto e vi que ele continuava a mesma zona de uma semana atrás, só o buraco no chão que havia sido tapado e o chão estava inteiro lixado.
- Oi, . – Annie falou e eu sorri, passando os braços pelos seus ombros.
- Sabe que eu não vou me conformar por você ter virado nossa governanta, certo? – Falei, e ela soltou uma risada.
- Eu ainda posso fazer alguns doces para você, senhorita. – Soltei uma risada. – Ou seria senhora? – Ela perguntou e eu ri fraco.
- Como está meu pequeno? – Perguntei e ela afastou-se do berço, me deixando olhar Kevin que dormia calmamente.
- Ele está bem. – Ela afirmou com a cabeça e eu sorri. – Mas vou levá-lo para dar uma volta, essa poeira não é bom para ele. – Afirmei com a cabeça.
- Com certeza! – Dei um beijo na cabeça de Kevin e me afastei.
- Eles querem saber se você vai mudar algo no seu quarto. – Ela falou, e eu virei o rosto para o quarto. – Tirando as destruições desnecessárias que Daniel fez, é claro. – Soltei uma risada fraca, vendo alguns buracos na parede e abanei a cabeça.
- Só preciso tirar um pouco dessa decoração rosa. Afinal, agora sou uma mulher casada. – Falei e ela riu, afirmando com a cabeça. – Quem sabe branco? – Falei, supondo. – E aumentar um pouco do armário, mas pode deixar isso por último, só quero trazer a família do para cá o mais rápido possível. – Suspirei.
- Vai ser bom, sabia?! – Ela falou. – Vai ser bom vocês viverem como uma família de novo.
- Vai sim. – Abri um sorriso. – Algum recado para mim?
- Nada de novo. saiu, seu irmão está na empresa e sua mãe ainda no hospital. – Ela deu de ombros. – Está tudo certo. – Afirmei com a cabeça. – Bem, deixa eu levar Kevin lá para fora.
- Eu levo! – Falei. – Se ele ficar na mão de todo mundo, menos na minha, ele vai crescer e não vai me chamar de mãe! – Falei e ela riu. – Eu quero que você pense em algo para jantar, pode ser? Fala com o pessoal lá embaixo. Um jantar para todo mundo, bem no estilo Bells. – Falei e ela soltou uma risada, afirmando com a cabeça.
- Pode deixar, senhora! – Neguei com a cabeça.
- Senhora é minha mãe, e sem essa frescura, vai. – Neguei com a cabeça.
- Pode deixar, . – Pisquei para ela, virando meu rosto para Kevin.
- Afinal, Annie. – Virei para ela. – Quando você e Billy vão juntar as escovas de dente? – Perguntei.
- !
- Não me engane, Annie! – Falei e ela soltou uma risada, afirmando com a cabeça. – Eu sempre soube. – Ela ficou vermelha.

- É isso! – Ethan falou, fechando o porta-malas do carro.
- Obrigada! – Falei, abraçando Armando forte. – Fico feliz de devolver vocês inteiro para Angélica e para Leny. – Ethan soltou uma risada.
- É, elas vão gostar disso! – brincou e eu troquei de lugar com ele, abraçando Ethan.
- Obrigada, viu?! – Falei para Ethan. - Por tudo! – Ele abriu um sorriso e me abraçou apertado novamente.
- Por favor, sem mais encrencas, ok?! – Ele falou e eu afirmei com a cabeça. – De preferência sem mais encrencas pelo resto da vida de vocês. – soltou uma gargalhada.
- Pode deixar! – Abri um sorriso. – Eu tenho um foco agora.
- Siga ele com amor, . – Armando falou. – Cuide do seu legado. Vocês dois. Não é porque ele deixou no nome dela, que você vai sumir, hein, Keith? – Keith gargalhou.
- Não, que isso. Espero que os próximos dramas familiares sejam relacionados ao almoço de domingo ou presente de natal. – Keith brincou e eu apoiei meu braço no ombro dele.
- Espero mesmo. – Ethan falou. – Não quero ninguém batendo na porta de casa falando que está com um alvo nas costas.
- Obrigada, Ethan! – Falei rindo. – Não pretendemos. – Ele soltou uma risada e eu suspirei, sentindo-o me abraçar novamente.
- Vamos parar de chorar, vai. – Ele falou. – Sullivan’s Island nem é muito longe daqui. – Ele falou, me apertando em seus braços. – Em uma ponte aérea e algumas horas de carro, a gente está aqui. – Ele falou.
- Sim, por favor. – Falei. – Voltem! – Falei.
- E vocês vão para lá também, por favor. – Armando falou.
- Agora a é uma empresária famosa, mas não se esquece da gente, ok?! – Ethan falou e eu afirmei com a cabeça.
- É impossível me esquecer daqueles que nos ajudaram nos momentos mais difíceis. – Falei, afastando um pouco deles e ficando ao lado de , segurando sua mão.
- Melhor vocês irem. – Keith falou, conferindo o relógio e eles afirmaram com a cabeça. – Obrigado! – Ele falou acenando.
- A gente que agradece! – Ethan sorriu, entrando no carro e acenou do mesmo, me fazendo suspirar.
- Avisa quando chegar no aeroporto e quando chegar na ilha. – gritou e eles afirmaram com a cabeça.
- O que eu faço com aquele Crown Victoria no aeroporto de Charleston? – Armando perguntou e eu dei de ombros.
- Vão com ele até a ilha e depois deixa lá na garagem de casa. – Falei, abrindo um sorriso e eles riram, afirmando com a cabeça e saindo com o carro.

Assim que as portas do elevador se abriram eu saí do mesmo, acenando para as poucas pessoas que encontrei no corredor, vendo-as sorrir para mim e eu cumprimentei as mesmas, sentindo uma felicidade dentro de mim e abri um sorriso, caminhando em direção à sala da diretoria.
Empurrei a pesada porta de correr com os dizerem ‘Daniel Bells’ ainda e entrei na mesma, desviando a atenção de Edmond e Keith lá de dentro, debruçados na longa mesa de reunião que tinha no meio da sala.
- Olha, a dona da empresa chegou! – Keith brincou e eu deixei minha bolsa em uma das cadeiras ali do lado e me sentei na ponta da mesa.
- Qual foi o motivo do chamado? – Perguntei, vendo os diversos papéis espalhados na mesa.
- Você já ajeitou sua casa, sua vida, acho que podemos ajeitar sua empresa agora, certo? – Abri um largo sorriso e apoiei minhas mãos no cotovelo, afirmando com a cabeça.
- Qual é o estrago? – Perguntei.
- Bem, pelas entrevistas que eu fiz nos últimos dias, pude notar que Daniel foi um patrão muito ruim, não só na incompetência em controlar uma empresa, mas também no trato com os empregados. A empresa tinha mais de 200 empregados e agora está com menos de 60. – Edmond falou e eu suspirei.
- Ele demitiu tudo isso? – Falei assustada.
- Parte foi demitida, parte pediu demissão por não aguentar mais. – Suspirei.
- Precisamos reestabelecer o pessoal, conversar com aqueles que sofreram algum tipo de abuso dentro da empresa, oferecer ajuda, e recomeçar.
- Mas tem um probleminha... – Keith falou.
- Não tem dinheiro? – Perguntei e os dois afirmaram com a cabeça.
- Exatamente! Mas eu descobri porque, Keith. – Edmond falou, relembrando alguma conversa dos dois. – Daniel pegava parte do dinheiro e colocava em um fundo pessoal, mas o problema foi que ele tirava do dinheiro destinado ao pagamento dos funcionários e dos materiais, não do lucro final. – Ele mexeu em alguns papéis. - Ele não deveria nem saber o que estava fazendo. – Edmond olhou confuso. – Isso está péssimo. – Ele jogou os papéis, tirando os óculos do rosto.
- E tem como a gente recuperar isso? – Perguntei.
- Tem. – Edmond falou. – As contas pessoais dele foram congeladas, mas todas estavam ligadas à empresa, então no momento que ele foi preso, isso foi usado como evidência, assim que o julgamento acabar, elas voltarão para empresa. – Afirmei com a cabeça. – Só ter paciência.
- E aí, com esse dinheiro a gente consegue recontratar o pessoal? – Ele afirmou com a cabeça.
- Aí fica mais fácil, porque apesar dos diversos problemas da empresa, nós não temos muita queda nas vendas. – Ele mexeu em outros papéis. – Alguns produtos aumentaram o preço, mas assim que as ações aumentarem e tudo que estiver espalhado voltar ao normal, as coisas vão voltar a andar. Pode demorar, porque a imagem está muito mal vista lá fora, mas tudo pode melhorar. – Afirmei com a cabeça.
- Ok, mas uma coisa que eu quero é que volte são os salários de quando meu pai morreu, sei que passou quatro anos, mas para usarmos de meta. E também os benefícios que ele dava aos trabalhadores, acho que é o mais importante. – Falei.
- Anotado! – Edmond falou.
- E com isso, a gente vai vendo como a banda toca. – Falei. – Vamos fazer coletivas de imprensa, reuniões com todos os empregados e em todas as áreas, ver o que precisa mudar, o que precisa ajeitar, ver se vamos sofrer algum tipo de processo por abuso...
- Se sofrer, eu jogo tudo nas costas de Daniel. – Keith falou e eu ri fraco.
- O que mais? – Perguntei.
- Vamos ter que comprar mais gado, . – Fechei os olhos, suspirando.
- Ele estragou até isso? – Perguntei.
- Ele simplesmente não se importou. – Edmond falou. – Normalmente temos o número de cada vaca para cada setor, leite, queijo, iogurte e por aí vai, e a cada óbito, a gente repunha, e Daniel não fez nada disso. – Revirei os olhos.
- Cada coisa que você fala, me dá mais raiva dele. – Respirei fundo.
- Relaxa, irmãzinha, vamos ajeitar tudo isso. – Keith falou.
- Para comprar mais gado, a gente precisa conversar com outras fazendas, ou participar de leilões. Acho que o que daria mais certo agora seria falar com os donos das fazendas que seu pai tinha contato. Podemos fazer um acordo, eles nos emprestam a vaca e, como pagamento, a gente oferece o produto pronto, é algo que deu muito certo quando seu pai começou, talvez dê certo de novo. – Ponderei com a cabeça.
- Ok, então, vamos fazer isso. E as ações? – Ele procurou por alguns papéis e me entregou.
- Subindo! – Ele falou. – Aos poucos, mas pelo menos as pessoas voltaram a comprar ações de nós.
- Graças a Deus. – Edmond riu.
- Vamos dizer que com a prisão dele e a sua declaração para imprensa, a gente entrou no mapa de novo. – Abri um sorriso.
- Pois é, posso ser bem dramática quando que eu quero. – Eles riram.
- Acho que o que eu consegui foi isso. – Edmond falou. – A gente vê as coisas quando elas forem aparecendo. – Afirmei com a cabeça. – E você vai aprendendo o ofício.
- Falando nisso, Ed... – Suspirei. – Eu tenho algumas coisas para cuidar ainda, então gostaria que você cuidasse da administração comigo. – Falei, esticando a mão na mesa. – Você entende disso muito melhor que eu, e enquanto eu não conseguir administrar sozinha, eu te quero ao meu lado. – Edmond abriu um sorriso.
- Vai ser um prazer, senhorita. – Abri um sorriso. – E como vamos fazer isso?
- Juntos. – Falei. – Eu tenho muito que aprender.

- Cuidado! – Ouvi um grito vindo lá de cima e eu saí correndo escada em cima, vendo Anthony todo torto, segurando a porta do elevador e eu soltei uma risada.
- O que está acontecendo? – Perguntei, abrindo a porta do elevador para ele e Anthony colocou sua cadeira eletrônica em movimento e saiu do elevador, com uma careta no rosto.
- Isso não vai dar certo! – Ele falou e eu ri.
- Qual é, sogro, vai dar muito certo, é tudo questão de prática. – Falei e andei em direção ao meu quarto, encontrando Matt brincando com Kevin no chão e eu acenei para os dois e para Andrew que estava de babá, mas mais interessado no celular.
- O tio tá reclamando de novo? – Andrew perguntou e eu afirmei com a cabeça, revirando os olhos.
- Eu acho que eu ficaria melhor lá em casa. – Ouvi Anthony falando e eu saí do quarto novamente.
- Por favor, senhor Owen, eu insisto. – Vi minha mãe sair do seu quarto e abri um sorriso, vendo-a um pouco mais forte, após sua saída do hospital. – Nossos filhos estão juntos, vocês estão com dificuldades em casa, nada mais justo do que vocês morarem aqui e Claire usar a casa de vocês para fazer as encomendas dela.
- Obrigada por tudo, Lana. – Anthony segurou a mão de minha mãe e eles trocaram um sorriso cúmplice, me fazendo sorrir.
- Olha, eu tenho que dizer que estou muito feliz por não ter que dividir um banheiro em cinco, depois em sete! – Claire falou, saindo do quarto que ela agora dividiria com Anthony.
- Ei, você disse que a gente podia ficar na casa de vocês! – Falei, vendo Keith sair do seu quarto que tinha ficado um pouco menor.
- Eu sou prova disso! – Ele falou, apontando o dedo para Claire.
- Viu?! Agora você só divide o banheiro com seu irmão. – Andrew falou saindo do meu quarto, tropeçando em alguns brinquedos, me fazendo gargalhar. – Ai! – Ele gritou.
- Ok, vai dizer que isso não é muito mais divertido do que na outra casa? – Perguntei, encostando-me no batente da porta.
- Ok, ok, eu confesso. – Anthony ergueu as mãos e virou a cadeira de frente para mim. – É muito melhor. – Abri um sorriso e ri fraco.
- O que a família Busca Pé já está aprontando na mansão? – Ouvi a voz de e em seguida o vi subindo as escadas.
- Família Busca Pé? – Perguntei rindo.
- É, isso inclui os cinco Owen que vieram morar aqui. – Balancei minha cabeça negativamente e soltei uma risada.
- Não é nada! – Brinquei, sentindo-o me abraçar pela cintura e ele estalar um beijo em minha bochecha. – Só estamos nos divertindo. – Falei.
- Bem, eu fui em casa e peguei a roupa de todo mundo, então acho justo vocês descerem para ajudar! – Ele falou e eu soltei uma risada.
- Ah, filho! – Anthony foi o primeiro a reclamar.
- Vamos, sogro, vamos! – Estalei os dedos e movimentei os braços rapidamente em sua direção. – Aqui não vai ser moleza, não. – Claire empurrou sua cadeira de rodas e vi minha mãe gargalhar na porta do seu quarto, correndo até o elevador, ajudando Claire.
- Já volto. – falou, beijando minha bochecha novamente e descendo correndo as escadas novamente.
Olhei em direção ao corredor novamente e vi como ficou a nova distribuição de quartos. Antigamente só existiam três quartos na parede da direita. No fundo era dos meus pais, do meio o de Keith e o do canto era meu. O meu continuou no mesmo tamanho, havia mudado um pouco a decoração, adicionado um armário maior e feito um cantinho para Kevin, onde tinha seu armário e seu berço, próximo à janela, para quando ele crescesse, desse para fechar em um quarto só para ele.
Ao lado do meu, virou o quarto da minha mãe. O que era da minha mãe antigamente virou o quarto de Claire e Anthony, como era o maior da casa, e o maior banheiro, nós achamos que seria melhor para movimentar a cadeira de Anthony para onde fosse. Assim, nós construímos mais dois, de frente ao corredor. O qual em um deles, no menor, ficaria Keith e, o maior, Andrew e Lewis.
Todas as portas tiveram que ser aumentadas, para que Anthony se sentisse o mais confortável possível, e também tivemos que reduzir ou trocar alguns móveis, para que nada impedisse a passagem dele. A construção de um elevador foi a melhor opção, ainda estávamos cogitando a ideia de Lewis de construir um escorregador na grande escadaria... Afinal, por que não?!
A decisão de eles virem morar em casa foi primeiramente de minha mãe, o que eu, honestamente, fiquei surpresa. Minha mãe nunca foi a mais sociável, ela sempre era na dela. Mas quando ela me explicou, tudo fez sentido, ela queria trazer mais felicidade para casa, ela queria voltar a se sentir confortável por todos esses anos. Eu sabia só a ponta do iceberg, mas vai saber tudo que ela passou sozinha com Daniel.
A gente havia reduzido também o número de empregados em casa, graças a Daniel. Nós não tínhamos mais casa de empregados e nem tantos empregados fixos em casa. De seguranças havia sobrado Billy, Steve e Jason. Lembra de Jason? Pois é, ele havia sido realocado, coitado, deve ter sofrido nas mãos de Daniel, seu rosto tinha cicatrizes mais fundas do que na minha, Keith, Andrew e Anthony juntos. De cozinheira nós não tínhamos mais ninguém, Claire cozinhava divinamente, minha mãe sabia enganar de vez em quando, e todo mundo estava aprendendo, mesmo que a maioria comesse fora de casa. Annie havia virado governanta da casa, o que também funcionava como babá de vez em quando, comigo resolvendo as coisas, nem sempre eu poderia levar Kevin para todos os lugares e ele só tinha oito meses.
E tínhamos dois empregados, que ficavam em casa também, Joanna e Crank, um casal, eles eram incríveis e limpavam magnificamente. Além de fazer trabalhos como limpar a piscina, manutenção dos jardins e coisas mais rápidas. Para o resto, a gente fazia contrato de reparo.
Daniel mudou muita coisa e algumas coisas a gente preferiu manter. Antigamente era quatro pessoas morando dentro da mesma casa e quase vinte empregados, eu e minha mãe analisamos e vimos que era um pouco de exagero demais e agora com oito morando na mesma casa, todo mundo podia fazer um esforço para ajudar.
- Não vai ajudar? – Andrew perguntou voltando com algumas bolsas nas mãos.
- Oh não, eu já moro aqui, meu amor! Minhas roupas estão todas dentro do armário. – Brinquei com ele que soltou uma risada e eu mostrei a língua para ele.

Assim que Steve parou o carro em frente de casa, eu desci do mesmo, vendo minha mãe, Anthony e Claire esmagando Keith e Andrew em abraços. Pendurei minha bolsa no ombro e me aproximei deles, ouvindo Claire cochichar diversas coisas para Andrew.
- Se comporte, ok?! Se não gostar venha para casa, não arranje encrenca com ninguém, estude...
- Mãe! – Ele falava, tentando se soltar do abraço. – Tá tudo bem. – Ele falava para ela, e eu me aproximei de minha mãe que observava a cena abraçada à Keith.
- Você já fez isso! – Falei para ela que riu, balançando a cabeça.
- Agora eu já sei dizer adeus. – Ela falou, abraçando Keith.
- Adeus não, só um até logo. – Keith falou suspirando e deu um beijo na testa da minha mãe.
- Estão prontos, senhores? – Steve voltou para fora de casa, distraindo todos. – Vocês têm horário.
- Claro! – Keith falou, pegando uma mochila e colocando nas costas e entregou a mala maior para Steve, que a colocou no carro.
- Promete que vai ficar bem? – Claire continuava com Andrew.
- Claire! – Chamei-a e vi que seu rosto estava vermelho. – Ele está indo para faculdade, não para a cadeira elétrica. – Brinquei e ela sorriu, passando as mãos nos olhos, respirando fundo. – Você tem a gente ainda. – Abri um sorriso.
- Ele nunca saiu de casa... – Ela falou.
- E já está na hora. – Anthony falou.
- Tchau, irmãzinha! – Keith virou para mim e eu sorri, abraçando-o fortemente.
- Termine essa faculdade e volte para me ajudar, ok?! – Falei e ele afirmou com a cabeça, estalando um beijo em minha testa. – Amo você.
- Também amo você. – Ele respondeu e eu sorri.
- Tchau, , cuida deles para mim. – Afirmei com a cabeça, abraçando Andrew e dei um beijo em sua bochecha.
- Chama a gente para as festas da faculdade. – Brinquei com Andrew que riu, piscando para gente.
- Até parece que eles aceitam pais nisso. – Keith falou parado na porta do carro, enquanto Andrew entrava do outro lado.
- Fala para o e o Lewis que eu mandei um beijo. – Andrew falou e eu assenti com a cabeça.
- Pode deixar! – Falei, acenando para eles. – Se cuidem!
Keith finalmente terminaria a faculdade de administração em Washington e Andrew acabou estudando as opções e passou na prova para fazer relações públicas, focado em poder ajudar a empresa no futuro, e iria para Washington com Keith, morariam juntos e terminariam os estudos. Keith já era acostumado a isso, mas Andrew nunca tinha ido morar fora, ainda mais do outro lado do país, mas ele se daria bem.
Acenei para os dois quando o carro começou a andar e Keith logo colocou a cabeça para dentro do carro novamente e o carro dobrou a esquina, me fazendo suspirar, se tudo desse certo, agora só no Natal. Virei meu rosto para a casa novamente e olhei Claire com os olhos vermelhos e abri um sorriso, sentindo vontade de chorar novamente, mas respirei fundo.
- Vamos, Claire, vamos tomar um suco. – Chamei-a com a mão que sorriu, vi minha mãe atrás de Claire e ela afirmou com a cabeça e eu abri um largo sorriso, chamando-a com a cabeça também, abraçando as duas pelos ombros.

- Vem, meu amor! – Chamei Kevin que estava apoiado na grade, olhando as vacas realmente admirado e eu abri um largo sorriso. – Kevin! – Chamei-o e o pequeno virou o rosto para mim, ele soltou da grade aos poucos e começou a andar rápido em minha direção, levantando um pouco de terra por onde seus pezinhos eram raspados e assim que ele chegou a mim, eu o peguei em meu colo, dando um beijo em sua bochecha. – Vem!
Ajeitei o boné em sua cabeça que estava caindo e andei com ele em direção aos galpões, entrando especificamente no galpão dos filhotes, vendo diversos bezerros correndo pelo largo espaço coberto e me aproximei dali, ouvindo Kevin rir, me fazendo abrir um largo sorriso.
- A nova geração, hum? – Virei meu rosto, vendo um senhor mais velho reabastecer o local de feno e abri um sorriso.
- Sim! – Fiz um carinho na barriga de Kevin e tirei sua mão da boca. – Neto de Maxwell.
- Começando desde cedo? – Ele perguntou e eu afirmei com a cabeça.
- É preciso! - Falei.
- Igual você e seu irmão. – Ele falou e eu sorri. – E você está certinha em fazer assim. – Ele falou e eu sorri. – Coloque-o mais perto. – Me agachei no chão e coloquei Kevin em pé novamente próximo aos bezerros, vendo-o colocar suas mãozinhas gordinhas na grade e eu senti um arrepio passar pelo meu corpo.
Uma forte lembrança dos meus pais fazendo isso comigo me atingiu como um trem, fazendo com que eu piscasse diversas vezes, sentindo a respiração e o coração acelerar um pouco. As lágrimas começaram a sair do meu rosto quando Kevin começou a mandar beijos para os bezerros, fazendo com que eles se aproximassem cada vez mais de Kevin, deixando que ele as acariciasse bem de leve, com a força que o permitia.
Soltei um suspiro, passando minha mão em meu rosto, provavelmente sujando meu rosto de terra, mas eu não me importei, abrindo um largo sorriso em meu rosto, dando diversos beijos no rosto do meu pequeno, que começou a rir quando eu fiz isso e o abracei, pegando-o no colo novamente.
Quando eu virei novamente, o senhor não estava mais lá, o vi colocar feno em outras partes do galpão, me fazendo suspirar. Eu tinha uma leve impressão que eu conhecia aquele senhor de algum lugar. Quem sabe de quando eu era mais nova. Suspirei, sentindo Kevin colocar o corpo para frente, me fazendo aproximá-lo da grade novamente, já que ele estava interessado em ver as vacas mais de perto.
- Isso é seu, meu amor. – Falei, suspirando. – Um dia você vai poder tomar conta de tudo isso, mas antes, isso aqui vai virar seu playground. – Sussurrei para ele. – Mas espero que, diferente de mim, você tenha diversos amigos para trazer aqui, para que eles conheçam, e eu prometo que você não vai precisar fugir daqui. – Falei. – Aqui vai ser sempre seu lar. – Senti algumas lágrimas caírem de meu rosto.

- Olha quem vem lá! – Ouvi uma voz e abaixei minha cabeça, entrando por uma das garagens da oficina, revirando os olhos para Louis. – Sua esposa tá aqui, ! – Ele gritou e eu assustei quando deslizou debaixo de um carro e eu dei um pulo para o lado.
- Ai, ! – Dei um passo para trás, encostando-me no carro que estava atrás de mim e ele se levantou, passando a mão na sua testa que suava.
- Oi, amor, desculpa! – Ele falou e ele se aproximou de mim.
- Não! – Me afastei dele. – Não posso me sujar.
- Tá arrumada, hein?! – Ele falou, limpando a mão suja no uniforme e eu dei uma volta em torno do corpo, mostrando minha saia colada, a camisa social e o salto alto.
- Estou exagerada? – Perguntei, franzindo a testa.
- Está linda. – Ele sorriu e eu suspirei. – Aonde vai?
- Tenho uma reunião. – Falei, balançando a cabeça. – Reunião do novo conselho. – Suspirei.
- Novo conselho? – Ele perguntou.
- Vamos dizer que eu vou conhecer os novos ricaços que vão investir na companhia e que estarão loucos para mudar as minhas decisões. – Falei e ele gargalhou.
- Coitados, não sabem onde estão se metendo. – Ele brincou e aproximou o rosto do meu, beijando levemente meus lábios. – Acaba com eles, amor.
- Vamos ver! – Dei de ombros e entreguei uma sacola para ele. – Almoço de vocês!
- Oh, obrigado, amor! – Ele falou, olhando para o pote dentro da sacola e abriu um sorriso.
- Mamãe que fez... Está bem gostoso, viu?! – Falei. – Só não me pergunte o que é. – Ele soltou uma risada.
- Está valendo, . – Ouvi a voz de Louis e neguei com a cabeça.
- Muito trabalho hoje, Louis? – Ele deu de ombros e eu ri.
- Sabe como o chefe é, não?! Ele gosta de sujar as mãos de graxa, então... – O mais velho falou e eu neguei com a cabeça.
- Você é o chefe agora? – Perguntei para e ele afirmou com a cabeça. - Tudo que você sempre quis. – Falei e ele abriu um sorriso que iluminou meu dia. – Eu tenho que ir. – Conferi o relógio. – Tenta não voltar tão tarde hoje, o pessoal está querendo ir à feira e a gente pode aproveitar um tempo sozinhos, eu peço para eles levaram Kevin. – Falei e abriu um sorriso, encostando os lábios nos meus novamente.
- Eu estou ouvindo isso. – Louis gritou.
- Eu não ligo! – Respondi de volta e ele e riram, me fazendo piscar para meu marido.
- Até mais.

- Não sei... – Falei, soltando uma risada com Kevin que fazia de tudo para sair de meu colo.
- Oh, meu Deus. – falou, abrindo a porta da sorveteria e eu entrei na sua frente, olhando para três velhos conhecidos.
- Ah! – Riley, John e Brandon gritaram quando nos viram e eu só consegui abrir um largo sorriso, vendo o grupo junto novamente.
- Oh, meu Deus, que coisa mais linda! – Riley foi a primeira a se aproximar e ela me abraçou com um braço só, estalando um beijo em minha bochecha. – Não acreditei quando você disse que tinha um filho. – Ela brincou com Kevin, fazendo careta para ele que soltou uma risada. – ! – Ela abraçou forte.
- Meu Deus, ! – Brandon, me abraçou forte, me espremendo um pouco. – Você não tem noção de como eu fiquei feliz quando vocês ligaram para gente. – Ele suspirou alto. – Você me assustou, mulher. – Ele falou e eu ri fraco.
- Está tudo bem agora, Bran! – Abri um sorriso.
- Vem cá, meninão! – Ele bateu palmas na frente de Kevin e estendeu a mão para meu filho que rapidamente quis mudar de colo, me fazendo rir. – Ah, que lindo! – Ele sorriu.
- Vocês estão ótimos. – John veio por último, me fazendo abraçá-lo direito, sentindo-o apertar contra meu corpo, me fazendo abrir um largo sorriso.
- Vamos, senta, gente! – Riley falou e eu e nos sentamos nos sofás, nos espremendo com os outros três e meu filho no colo de Brandon.
- Olha, primeiro eu acho que tenho que começar essa história brigando com vocês. – Brandon falou.
- Eu concordo com ele. – Riley falou, balançando a cabeça. – Como assim vocês se mudam, vivem a vida a partir de um codinome, estão correndo risco de morte e, para ajudar, não falam nada para gente, hein?! – Ela falou visivelmente brava.
- Podemos não falar sobre isso? – perguntou. – Vamos falar de coisa boa. – Ele falou relaxado. – Passou, gente!
- A gente viu! – John falou animado. – Isso foi capa de jornal do país inteiro. – Ele soltou uma risada. – Foi simplesmente demais o plano de vocês. Agora você atira, ? – Ele brincou.
- Fui até para o exército, cara! – Ele abaixou a gola da blusa, mostrando as duas cicatrizes das balas em seu ombro e John arregalou os olhos, comprimindo os lábios uns nos outros.
- Olha! E a gente estudando, Riley. Acho que esses dois estão com um currículo melhor que o nosso. – Soltei uma risada e Riley revirou os olhos.
- Vocês já devem ter terminado a faculdade. – Falei.
- Sim, terminamos, mas você não tem noção como está complicado conseguir emprego. – Ela revirou os olhos. – Ainda mais agora, que está com esses problemas políticos. – Ela revirou os olhos.
- Nem fala. – Revirei os olhos. – Quem vai ter que conhecer o novo presidente sou eu. – Fiz uma careta e eles riram.
- E a gente achando que a coisa não podia piorar. – Soltei uma gargalhada.
- Ah, mas vai, fala de vocês. – Estendi a mão, segurando a mão de Bran e de John.
- Bem, eu e Riley não estamos mais juntos. – Brandon falou.
- Não! – Ela falou e eu franzi a testa. – Mas está tudo certo, a distância começou a ser um fator decisivo e a gente preferiu dar um tempo e descobrimos que somos melhores quando não transamos. – e John gargalharam do nosso lado e eu coloquei a mão no rosto.
- E aí? – Perguntei.
- Ah, e aí que somos três solteiros na parada. – John falou.
- Brandon conseguiu um contrato com uma pequena gravadora em Burbank, ele vai voltar para Califórnia. – Riley falou. – John até tem propostas de emprego, mas ele quer voltar para cá um pouco. – Ela falou e eu entendi. – E eu não sei, queria ir para Nova York, mas não está fácil.
- Olha, se a empresa não estivesse saindo da merda, eu até tentava achar algo para vocês. – Falei.
- Deve ter vaga para caminhoneiro. – brincou e eu gargalhei.
- Aceito! – Riley falou, erguendo a mão e eu gargalhei, vendo Kevin gargalhar no colo de Brandon.
- Nada está ruim que não possa piorar. – John falou, passando a mão na cabeça.
- É muito bom ver vocês novamente! – falou e ergueu a mão, chamando a garçonete. – Vamos relembrar algumas coisas aqui, vai! – A garçonete apareceu. – Por favor, cinco milk-shakes. – Ele falou. – Dois de morango, dois de chocolate e um de pistache! – Ele falou e ela afirmou com a cabeça, se retirando. – O que vocês se lembram da escola? – Ele perguntou.
- Eu só me lembro do baile de formatura e olhe lá! – Brandon falou, franzindo a testa.
- Isso porque nem batizaram o ponche esse ano. – falou, soltando uma risada.
- Ah, nem vem, colocaram alguma coisa ali, tava todo mundo um pouco alterado aquele dia. – Falei.
- Deve ser por isso que ele te beijou, , tinha alguma coisa na bebida. – John provocou , brincando e eu ri.
- Por favor, o pequeno Kevin não pode ouvir isso ainda. – Riley falou, colocando as mãos nos ouvidos do meu filho.

- “Ações da empresa Bells aumentam 15%”. – Minha mãe leu no jornal e fechou o mesmo, jogando-o em minha direção. – Tem uma fala sua, querida. – Ela falou.
- Eu dei essa entrevista ontem. – Revirei os olhos, soltando uma risada fraca e abri o jornal, encontrando a matéria de capa rapidamente, vendo uma foto minha e de Edmond com o mesmo título da capa, suspirando.
- Bom dia, família! – Anthony apareceu, saindo do seu elevador e eu respondi, tomando um gole de café em seguida.
- O que você quer, Anthony? – Minha mãe perguntou, se levantando.
- Café com leite, por favor. – Ele falou e minha mãe pegou a caneca dele e foi para a cafeteira, enchendo-a, antes de colocar na frente de Anthony novamente. – Obrigado. – Ele agradeceu. - Me passa a sessão de esportes, ? – Ele pediu e eu peguei o caderno sobrando e entreguei para ele, sorrindo.
- Vai para empresa hoje? – Claire perguntou e eu suspirei, afirmando com a cabeça.
- Vou, tenho alguns acordos sobre abuso moral para resolver. – Falei, suspirando.
- Ah! – Claire reclamou. – Esse cara está preso faz seis meses e ainda tem muita merda dele para resolver. – Afirmei com a cabeça, sentindo minha cabeça doer logo antes do dia começar.
- Quando você vai começar a ajudá-lo na administração, filha? – Minha mãe perguntou e eu desisti de ler o jornal, colocando-o sobre a mesa.
- Quando eu entender, mãe. – Suspirei. – Por enquanto eu serei mera figura decorativa. – Falei e ela afirmou com a cabeça.
- Agiliza isso, filha. – Ela falou.
- Por enquanto eu não estou com muito tempo para mim. – Brinquei e ela piscou, rindo em seguida.
- Bom dia! – apareceu, imediatamente estalando um beijo em minha bochecha e pegando sua caneca da mesa e indo para a cafeteira.
- Demorou! – Falei e ele voltou, já bebendo o café.
- Eu fiquei com preguiça de acordar no seu despertador e o meu não tocou. – Ele falou, balançando a cabeça e bebendo o gole com pressa.
- Relaxa, ! A oficina é sua agora! – Falei e ele suspirou.
- Eu tenho que abrir hoje, Louis vai ficar uma semana fora, fazendo alguns exames em Dallas, e o pessoal deixa o carro cedinho. – Ele falou e apoiou a caneca na mesa novamente. – Não sei se volto para almoçar. Vamos, Matt? – Ele perguntou para o garoto que estava compenetrado em algo na TV.
- Vamos. - Ele falou, se levantando e desligando a TV. - Até mais. – Ele falou, puxando sua mochila de rodinhas e correu atrás de . – Me espera!
- Vamos, pirralho! – brincou, segurando a porta para Matt e ele acenou para mim, sorrindo.
- Eu vou também. – Falei me levantando da mesa. – Não sei que horas volto também. – Passei a mão no rosto. – Cuida de Kevin, mãe? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça.
- Sim, filha. Você sabe que eu cuido. – Ela riu, provavelmente por eu falar isso quase todo dia.

- Não acredito que Ethan vai se casar. – Keith falou, e eu fiz um sinal da cruz, quando entrei na igreja.
- Nem eu! – falou, ajeitando a roupa de Kevin que estava em seu colo.
Olhei para o altar e Ethan estava lá, fazendo com que eu soltasse uma risada quase que inconscientemente, e ele negasse com a cabeça. Ele estava com um terno branco e uma gravata preta. Seus cabelos estavam mais compridos, fazendo um topete no topo da sua cabeça e uma barba escura preenchia seu rosto e eu neguei com a cabeça.
- Oh, meu Deus! – Falei e passei a mão no rosto e entrei na igreja de Sullivan’s Island, vendo o rosto de várias pessoas conhecidas surpresas em me ver, mas eu fui em direção ao noivo antes, subindo os poucos degraus e abraçando-o fortemente. – Eu não consigo acreditar. – Brinquei e ele sorriu.
- Vocês vieram! – Ele falou animado e logo e Keith apareceram ao meu lado. – E esse moleque, como está? – Ele perguntou e Kevin escondeu o rosto no pescoço de , me fazendo rir.
- Ele está nessa fase agora, envergonhado para tudo. – Ajeitei a blusa de Kevin para dentro da calça. – E você? – Perguntei. – Finalmente vai se amarrar, hein?! – Perguntei animada e ele afirmou com a cabeça, rindo fraco.
- A Leny aceitou, gente! Eu realmente não acreditei. – Ethan falou animado e eu ri.
- Nem eu! – falou honesto e eu segurei minha risada. – E ainda foi meio rápido, não?! – Ele perguntou.
- A gente vai para Itália. – Ele explicou. – Leny está fazendo o mestrado dela e o foco de pesquisa dela está lá, então a gente vai. – Ele falou.
- Isso é muito bom, cara! – Keith bateu a mão no peito de Ethan. – E seja feliz.
- Pode deixar! – Ethan falou e respirou fundo.
- ... – Ouvi alguém me chamando e olhei para o lado, vendo Amara e abri um largo sorriso.
- Boa sorte, Ethan! – Falei, dando um beijo nele e desci do altar correndo, e me aproximei de Amara.
- Vocês estão aqui! – Ela falou animada e eu abri um sorriso, abraçando-a fortemente. – Que bom que deu tudo certo.
- Sim! – Abri um sorriso, rindo fraco. – Estamos tudo bem. – Ela suspirou como se estivesse aliviada e eu sorri.
- E vocês voltaram para ficar? Como vai ser? – Neguei com a cabeça e suspirei.
- Não, a gente vai ficar uma semana e depois voltamos para Bells. tem uma oficina, eu tenho a empresa, Keith está em Washington... – Balancei a cabeça. – Está tudo meio confuso. – Falei.
- Eu posso vir para cá. – Keith falou e estendeu a mão para Amara. – Não me lembro de você. – Revirei os olhos.
- Amara, nos conhecemos bem rápido. – Amara estendeu a mão e Keith beijou a mão dela, me fazendo franzir a testa e rir.
- Você podia ser mais discreto, Keith. – Falei e ele me fuzilou com o olhar.
- Vamos sentar, acho que Leny chegou. – cochichou para mim e eu o segui, indo para algum banco livre, vendo algumas pessoas conhecidas.
Acenei para Angélica e Lewis na primeira fileira, para Antoine e Vanessa, para Lilite e para diversas pessoas que eu conheci durante meu trabalho nos correios. Só não vi Alicia e o general Becker, provavelmente porque não eram muito do círculo de Ethan, mas eu dei de ombros, poderia encontrá-los outro dia.
- Parece que nada mudou. – falou, se colocando ao meu lado e eu dei de ombros.
- Ethan vai casar. – Falei. – Alguma coisa mudou. – Ele afirmou com a cabeça, rindo em seguida.
O pessoal ficou em silêncio e a marcha nupcial começou a tocar no piano, abri um sorriso, me fazendo pensar que eu não tinha tido nada daquilo, mas que eu não me arrependia. Quando olhei para a porta, Leny entrava, com sua mãe ao seu lado. Igual a mim, seu pai havia falecido também, mas ela não chegou a conhecê-lo.
Seu vestido era colado ao corpo, com um discreto véu preso em seu cabelo e eu suspirei, vendo-a arregalar os olhos ao me ver e eu acenei para ela, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas e eu suspirei, puxando o ar com força.
Sua mãe a entregou para Ethan no altar que abriu um largo sorriso e cumprimentou a mãe de Leny com um grande abraço e eu sorri. Em seguida, ele segurou as mãos de Leny e respeitosamente deu um beijo em sua testa, guiando-a até o altar e eu sorri, suspirando, sentindo uma mão de em minha cintura.
- Você não se arrepende da gente não ter um desse? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça, sorrindo e virei meu rosto para ele.
- O nosso foi mais especial. – Ele afirmou com a cabeça, beijando minha bochecha.
- E muito mais original. – Ele brincou e eu ri fraco, pegando Kevin de seu colo.

- , isso não vai dar certo! – falava, tentando se equilibrar em cima do cavalo e eu ria, ajeitando o chapéu em minha cabeça.
- Como você vai me ajudar a pastorear as vacas, se você não sabe andar de cavalo, ? – Falei e segurei as rédeas do cavalo, firmes.
- Eu não queria pastorear as vacas. – Ele se desequilibrou quando o cavalo andou um pouco e eu gargalhei.
- Vamos, ! Aprende o ofício. – Brinquei e liderei meu cavalo para que ele desse uma volta em volta de . – Vamos! – Falei e coloquei o cavalo em linha reta e movimentei meus pés, fazendo com que meu cavalo começasse a andar. – Devagar, !
- Me espera! – Ele falou e logo em seguida começou a vir atrás de mim, tentando acompanhar a velocidade.
- Segura com as duas mãos, . – Falei e ele firmou as mãos nas rédeas. – Isso porque não é um boi.
- Você já cavalgou em um boi? – Ele perguntou e eu franzi a testa, como se fosse algo óbvio.
- É legal! – Comentei, andando ao lado dele. – Como está indo? – Perguntei.
- É até bom quando ele parece se acostumar com a gente. – Ele comentou se referindo ao cavalo.
- Isso é uma égua, mas está valendo. – Falei e ele soltou uma risada, abrindo um sorriso.
- Vamos mais rápido então. – Não esperei responder e bati meus pés e vi o cavalo obedecer meu comando e começar a cavalgar mais rápido.
Olhei para a estrada de terra em minha frente e, do meu lado esquerdo, um matagal alto e do outro lado a cerca que separava o curral das minhas vacas, me fazendo ver várias correndo próximo de nós, me fazendo soltar uma risada. Quando olhei para trás, vi que estava na mesma velocidade que eu, mas não com a mesma cara de felicidade.
Quando começamos a chegar perto do portão que indicava o final da fazenda, eu puxei as rédeas do cavalo, fazendo-o parar e vi ficar ao meu lado, parando comigo e ele respirava pesadamente, com a mão no coração.
- Nunca mais faça isso comigo. – Ele falou e eu soltei uma risada, abrindo um largo sorriso.
- Ah, qual é, foi divertido! – Falei.
- Parece que meu coração vai sair pela boca. – Ele falou, com a respiração ainda acelerada. – Como você consegue?
- Porque eu cresci assim. – Falei e ele assentiu com a cabeça, balançando a mesma como se fosse óbvio. – E você, agora que está casado comigo, vai ter que recuperar o tempo perdido. – Ele franziu a testa.
- Durante a semana, roupa social, salto alto... – Ele falou. – Mas em compensação nos fins de semana, bota surrada e chapéu na cabeça. – Ele falou e eu dei de ombros.
- Não posso negar quem eu sou. – Comecei a cavalgar em volta de .
- Que bom! – Ele falou e eu pisquei para o mesmo.
- Vamos voltar? – Perguntei e ele arregalou os olhos, respirando fundo.
- Ok, vamos! – Ele começou a virar o corpo, um pouco perdido. – Como eu dou meia volta? – Ele perguntou.
- Puxa a rédea para o lado que você quer ir. – Falei, vendo-o se embaraçar todo e comecei a dar risada, vendo-o fazer cara feia.
- Eu sou dos carros! – Ele falou e eu ri fraco.

Assim que as portas do elevador se abriram eu entrei no andar da presidência e coloquei a bolsa no ombro, acenando para diversas pessoas que passavam por ali, com papéis e documentos na mão. Abri um sorriso, vendo que a empresa finalmente voltara ao que era antes e suspirei.
Acenei para Anthony que estava em uma das mesas próximo a minha sala e ele acenou para mim, o que eu retribuí, e acenei para os dois secretários na frente da porta e eles me cumprimentaram com o olhar, já que ambos estavam no telefone. Empurrei a porta, entrando na sala que agora eu dividia com Ed, encontrando-o lá dentro e ele abriu um sorriso quando me viu.
- Ei, garota! – Ele falou se levantando da mesa. – Como está?
- Estou bem, Ed! – Falei, sentindo-o beijar minha bochecha e eu sorri, retribuindo. – O que é tão urgente que você não podia me falar pelo telefone? – Perguntei, colocando minha bolsa na longa mesa que tinha no meio da sala.
- Melhor você se sentar. – Ele falou e eu franzi a testa, fazendo o que ele pediu.
- Que merda aconteceu agora? – Perguntei, sentindo meu coração palpitar. – Qual a encrenca?
- Nenhuma! – Ele falou e se sentou na cadeira ao meu lado. – É só uma notícia que eu recebi e precisava te informar. – Afirmei com a cabeça.
- Pois diga! – Falei e ele puxou a respiração, soltando-a em seguida, antes de focar os olhos em mim e ele passou a mão no rosto, piscando os olhos diversas vezes. – Vamos, Ed, o que foi?
- Eu recebi uma ligação da prisão, . – Ele falou. – Daniel morreu na noite passada. – Ele falou e eu arregalei os olhos, realmente surpresa.
Por um momento, eu acho que meu corpo travou, ele realmente não sabia como reagir. Durante quatro anos eu fugi desse monstro que eu tive o azar de ter que chamar de padrasto e de tio por 18 anos da minha vida, mas agora com essa notícia, eu senti um aperto no peito. De certa forma, ele ainda era da minha família.
- Como? – Perguntei, suspirando.
- Parece que até na prisão eles tem um código. – Edmond falou e eu senti um arrepio passar pelo meu corpo. – Abuso não é tolerado. – Ed suspirou. – Ele morreu de tanto apanhar, . – Senti minha garganta ficar seca e suspirei. - Irônico, não?!
- Mas por que agora e não antes? – Perguntei. – Faz quase um ano.
- Enquanto ele estava em julgamento, ele estava em uma cela só dele e não tinha direito a banho de sol. – Ele falou e passou a mão na cabeça. – Agora que o julgamento acabou e ele recebeu a sentença, ele começou a conviver com todos. – Notava a dificuldade de Ed em me contar isso. – Parece que os outros prisioneiros não toleram abuso contra mulheres ou crianças. – Fechei meus olhos, passando a mão no meu rosto, sentindo meus olhos embaçados.
- Eu não sei por que eu estou chorando. – Falei, suspirando.
- De uma forma ou outra, ele era da sua família, . – Ed esticou sua mão em cima da minha e eu joguei meu corpo na cadeira, respirando fundo. – Posso fazer alguma coisa por você? – Neguei com a cabeça.
- Não. – Suspirei. – Obrigada por me contar, Ed. – Falei. – Melhor que um oficial da polícia. – Ele afirmou com a cabeça e ele se levantou da mesa, me deixando com meus pensamentos.
Apesar de que eu realmente não tinha o que pensar naquela situação. Minha cabeça estava uma confusão. Ele merecia? Ou não? Depois de tudo que ele fez comigo e com minha família, eu só queria ter minha vida de volta. Agora que eu tive, eu realmente não lembrava mais dele, era como se uma pessoa qualquer tivesse passado pela minha vida e feito uma grande bagunça. Mas ele ainda era meu tio, a gente tinha uma relação de sangue.
Tinha. E eu sei que não deveria ficar me remoendo por isso.

Senti um aperto no coração ao chegar ao cemitério e ver que só tinha uma pessoa no enterro de Daniel, somente uma. Balancei a cabeça e imediatamente reconheci quem era a pessoa baixa com os cabelos brancos.
Senti meus pés afundarem pela grama molhada e ajeitei o guarda-chuva, me certificando que ele me protegia da fina chuva que caía naquele fim de tarde. Acenei para o padre e me coloquei ao lado da minha avó paterna, vendo-a virar o rosto para mim e abrir um sorriso de lado, o máximo que ela conseguia naquela situação.
Olhei para o padre que fazia uma reza e eu a acompanhei, pedindo proteção pela senhora ao meu lado e eu suspirei, passando um dos braços pelos ombros de minha avó, e em minha reza eu pedia para que o Senhor protegesse-a. Ela estava perdendo o segundo filho dela, e eu não poderia nem imaginar a dor que ela estava sentindo. Ainda mais se ela soubesse da forma que ambos morreram. O mais novo tentando destruir o mais velho e depois pagando com a vida pelos crimes que cometeu. Balancei a cabeça e o padre fechou a bíblia, se afastando um pouco.
Minha avó tinha um pequeno buquê de rosas brancas na mão e colocou em cima do caixão fechado de Daniel e fechou os olhos quando o caixão começou a ser descido por dois trabalhadores do cemitério. Passei um braço pelos seus ombros, tentando esconder para que ela não visse aquilo. Quando o caixão desceu, a terra começou a ser jogada por cima e eu virei o rosto da minha avó, acariciando-o levemente.
- Minha querida! – Ela falou, abrindo um sorriso de lado e eu limpei suas lágrimas.
- Me desculpe, vovó. – Falei, respirando fundo. – Eu não pensei em você quando eu fiz o que fiz. – Ela balançou a cabeça negativamente.
- Ele foi punido, minha filha. – Ela falou, suspirando. – Vocês sofreram na mão dele, você ficou longe da sua mãe por ele. Você perdeu seu pai por causa dele. – Ela balançou a cabeça. – Ele sempre foi difícil, diferente, mas eu não acreditei que algum dia ele fosse chegar nesse ponto. – Ela colocou as mãos no rosto. – Ele matou o próprio irmão. – Afirmei com a cabeça. – Quase matou sua mãe por inveja. – Ela puxou o ar fortemente – Ameaçou matar meu único neto. Machucou diversas pessoas. – Ela suspirou. – Você fez o que tinha que fazer. Tirar um homem perigoso de circulação. – Ela falou, segurando minha mãe fortemente – Eu só estou triste, entende?! Meus únicos filhos.
- Você vai ficar bem? – Perguntei, e beijei suas mãos em seguida.
- Claro que sim! – Ela falou. – Nós somos Bells, sempre damos a volta por cima. – Abri um sorriso de lado, afirmando com a cabeça.
- E o vovô? – Perguntei e ela revirou os olhos.
- Ele está desolado. – Ela falou. – Mais pelo o que seu filho fez, do que pela sua morte. – Engoli a saliva.
- A gente sempre estará aqui para receber vocês, sabia?! – Falei e ela sorriu, passando os braços pelo meu corpo e eu a abracei, encostando minha cabeça na sua.
- Eu sei! – Ela falou. – Mas vamos esperar a poeira baixar um pouco. – Ela falou. – Eu não acho que consigo olhar para sua mãe, por enquanto. Eu estou envergonhada. – Afirmei com a cabeça, apertando-a contra seu corpo.
- Mas você ainda é minha avó e de Keith. Você tem um bisneto agora. – Engoli em seco. – Só não sumam, ok? – Falei e a ouvi afirmar com um muxoxo com a boca.
- Eu não ficarei longe. – Ela falou e eu suspirei. – Mas, vamos, querida, me leve para tomar um café. – Ela falou, afastando o rosto do meu. – Me atualize das novidades. – Abri um sorriso e segurei em seu braço, virando de costas para o buraco no chão e andei com minha avó por entre a grama do cemitério, seguindo em direção à saída.

Olhei para o papel em minha mão e vi o número da sala. Desci as escadas de outro prédio, passando para o mais baixo e encontrei a sala que eu procurava. Ajeitei minha bolsa no ombro e o caderno na mão antes de entrar na sala e ver que tinha alguns alunos espalhados por ali. Desci algumas escadas do auditório e me sentei logo no canto, ajeitando meu caderno na mesa em minha frente e coloquei a bolsa na cadeira ao lado.
Dei uma olhada em volta, vendo que a maioria dos alunos estavam sozinhos e se entreolhavam, tentando entender quem ali viraria amigo ou não do outro e suspirei. Apoiei o cotovelo na mesa, vendo meu relógio dar a hora exata.
Ouvi uma batida na porta e virei meu rosto para o corredor ao meu lado, vendo um homem até que jovem descer pelas escadas e se colocar no meio dos alunos. Ele tirou sua bolsa do ombro e colocou na mesa, se virando para nós.
- Boa noite, pessoal! – Ele falou e algumas pessoas responderam baixo. – Eu sou o professor Malcon, não aquele Malcon X, mas meus alunos me chamam de professor X, também não aquele. – Ele brincou e eu soltei uma risada fraca. – Eu sou professor de química inorgânica I e ficaremos juntinhos pelos próximos seis meses! – Ele falou, esfregando uma mão na outra. – Para quebrar um pouco o clima e para conhecer vocês, e antes de mostrar a ementa da disciplina, eu quero saber o nome de cada um de vocês, porque vocês escolheram esse curso e o que exatamente vocês estão fazendo aqui. – Ele falou e algumas pessoas riram e eu senti meu corpo arrepiar, já sabendo minha resposta na ponta da língua.
O professor X começou pelo outro lado da sala, o que me deixou aliviada, fazendo com que eu começasse a ouvir as coisas. A maioria da sala era composta por homens, cerca de 75%, o resto era meninas. A maioria estava lá por obrigação dos pais, outra parte, pela formação dava emprego e dinheiro na certa, e algum povo mais seleto porque realmente gostava dessa área.
- E agora, você, a menina loira de capuz. – Ele falou apontando para mim e eu abri um sorriso.
- Eu sou Bells Owen. – Falei, já tendo a mesma reação de quando eu me apresentava na escola, mas dessa vez eu não senti vergonha, eu senti orgulho. – Recentemente eu recebi de volta a empresa de leite do meu pai e fui escolhida para cuidar dela. Eu estou aqui porque se eu quiser cuidar de algo, eu tenho que aprender antes. – Falei, respirando fundo. – E eu estou aqui porque eu gosto disso. Eu nasci no meio de vacas, bezerros, criação de gado, tiragem de leite e é algo que eu vi muito durante a minha infância e agora eu quero colocar a mão na massa. – Falei e vi o professor dar um sorriso, e afirmar com a cabeça.
- Bom! – Ele falou. – Você passou por poucas e boas, hein, senhorita Bells? – Ele falou e eu dei de ombros.
- Infelizmente, fez parte da minha vida. – Falei. – Mas agora já passou. – Abri um sorriso.
- Perfeito! – Ele falou. – Classe, se vocês precisarem de um emprego ou estágio no futuro chorem para ela! – Ele fez uma brincadeira e eu soltei uma risada fraca. – Vamos falar sobre algo divertido aqui. – Ele se aproximou da lousa. – Ementa da disciplina, vocês sabem o que é? – Eu, como a maioria da sala, negamos. – É algo superchato que eu sou obrigado a passar para vocês, para caso alguém seja reprovado, ninguém poder reclamar dos métodos usados em sala. – Eu e a sala soltamos uma risada. – Então vamos lá! – Ele bateu as mãos uma na outra e correu para sua bolsa, puxando uma pasta.
- Ei! – Ouvi alguém sussurrar e virei meu rosto para trás, encontrando outra menina sozinha. – Sinto muito por tudo que você passou. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça, agradecendo. – Você arrasou! – Soltei uma risada e virei meu rosto para frente novamente, abrindo um sorriso.



Epílogo

Coloquei um buquê de gérberas vermelhas em cima da placa onde dizia Maxwell Kevin Bells e outro onde dizia Daniel Evan Bells e suspirei, fazendo um sinal da cruz e uma reza silenciosa, abrindo um sorriso logo em seguida, me fazendo suspirar. Virei meu rosto para frente, vendo correndo atrás de Kevin que fazia zigue-zague por entre os jazigos e soltei uma risada fraca.
- Espero que você esteja orgulhoso de mim, pai! – Falei baixo, olhando para a placa do mesmo. – Tudo está dando certo por causa de você. Porque você me ensinou direito. – Falei e suspirei. – Espero que vocês dois tenham se acertado aí em cima. – Ponderei com a cabeça. – Não tem mais pelo o que vocês brigarem, certo?! – Ri fraco. – Certo, Daniel? – Ri fraco e balancei a cabeça, olhando para cima. – Acho que vocês não querem conversar muito hoje, não é?! – Senti um vento bater em meu rosto e ri fraco, sentindo meu rosto se encher de lágrimas.
Olhei para o jornal em minha mão e observei o título “Indústrias Bells, a empresa americana mais rentável do ano”. Abri um pequeno sorriso e agachei próximo ao túmulo de meu pai, ajeitando o jornal em cima de sua placa e toquei a mesma, respirando fundo.
- Obrigada por confiar em mim. – Falei, me levantando em seguida. – Nunca vou te esquecer. – Engoli em seco, sentindo o choro subir a garganta e passei a mão em meu rosto, vendo se aproximar com o Kevin de três anos em seu colo, que balançava as pernas para descer.
- Está tudo bem, mamãe? – Ele perguntou, olhando para mim e eu afirmei com a cabeça.
- Está sim, amor! – Falei, tentando engolir o choro. – Diga tchau para o vovô. – Falei, pegando-o em meu colo.
- Tchau, vovô. – Ele falou, acenando para a placa de meu pai e eu respirei fundo, deixando algumas lágrimas correrem pelo meu rosto. – Amo você.
Olhei para e notei que seu rosto também estava vermelho e ele sorriu para mim, colocando a mão em meu ombro e me abraçou de lado, encostando o queixo em minha cabeça e suspirei, virando o rosto para ele.
- Está tudo bem. – Falei.
- Sim. – Ele respondeu, com um sorriso choroso no rosto. – Agora está!

(Se você apenas abrir sua mente, um dia você encontrará a insanidade que nos deixou para trás e se foi pela porta. Eu consigo ver as imagens claras como se fossem ontem, imagens de mim mesmo. Consigo ouvir as vozes te implorando para ficar, mas saiba que você não está sozinho. – Avenged Sevenfold, Save Me).


Fim.



Nota da autora: Oi, gente! Acabamos mais uma vez WF e gostei de ver que a história atraiu alguns novos leitoras com essa repostagem! Me deixou muito feliz mesmo!
Espero que vocês tenham gostado desse final e não se esqueçam de deixar aquele comentário com o seu feedback! Me deixaria muito feliz!
Quero agradecer à minha irmã Lígia por topar entrar nesse barco comigo, depois à Nataly que continuou o trabalho! Obrigada, obrigada!
Além de vocês que chegou até aqui! ;)
Para ficar por dentro das minhas próximas histórias e atualizações, entre no meu grupo do Facebook ou acompanhe minha página de autora!
Beijos e até a próxima!


Nota da beta: Foi um prazer betar a história, que foi muito bem escrita e linda, mais uma vez, parabéns pelo excelente trabalho, com você a gente aprende tudo, a riqueza dos detalhes é maravilhosa. Muito incrível isso! <3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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