Última atualização: 15/12/2017

Prólogo

Deixei que meus pensamentos vagassem enquanto o padre começava mais uma oração ao mesmo tempo em que o caixão descia e fazia sumir de vista para sempre um corpo que representava metade do meu coração. Eu sabia que meu pai não estava mais ali. Eu sabia que aquele era só seu corpo físico, inerte, pálido e sem vida. Eu sabia que meu pai amoroso, atencioso e sempre tão caloroso não estava mais ali dentro, não naquele corpo gélido que não podia mais emanar o calor do seu abraço tão reconfortante. Meu pai já tinha ido embora. No entanto, eu não podia deixar de sentir um desespero irracional ao observar o caixão descer e me tirar de vista a silhueta do único homem que amei na vida.
Eu nunca mais veria meu pai sorrir.
Independente de todos os meus esforços para evitar que esse momento chegasse, cá estava eu, enterrando meu pai. Nesse momento, uma frase irritante perambulava por minha mente “quando é para acontecer, acontece”, não sei quem foi o idiota que inventou, mas já o odeio. Em pé no gramado do cemitério eu me pergunto de que adiantou fazer todos os sacrifícios que fiz, se no fim das contas ele se foi do mesmo jeito. Não importou a bolada de dinheiro para financiar o tratamento do câncer, não importou os melhores hospitais e os melhores médicos, ele se foi do mesmo jeito. Não adiantou largar minha carreira para me casar - sob pressão - com um homem possessivo que me impedia de trabalhar, mas que me prometia todo o dinheiro do mundo para ajudar meu pai… Não adiantou nada…
A morte é a única certeza que temos na vida. E quando chega sua hora, não adianta barganhar: nem todo dinheiro do mundo pode pagar mais alguns minutos de vida na terra. Acho que esse foi o maior aprendizado que tive com todo o processo de luto pelo meu pai.
Desviei meu olhar quando o coveiro começou a colocar a terra por cima do caixão e percebi que estava chorando ao internalizar a grande verdade por trás de todo aquele acontecimento: Eu estava sozinha no mundo.
Minha mãe morreu no meu nascimento, não tive irmãos e nunca conheci nenhum parente distante. Éramos só meu pai e eu contra o mundo. Agora era apenas eu. E eu nunca me senti tão indefesa e sozinha em toda vida.
E não deveria me sentir assim. Não com a mão de Orson entrelaçada na minha. Não com tantos amigos que me apoiavam e me amavam tanto.
Respirei fundo tentando conter as lágrimas e repeti para mim mesma que precisava ser forte. Não bastava apenas lidar com a morte do meu pai, eu também estava precisando lidar com o fato de que estava deixando o Texas para morar em Porto Rico, longe de todos meus amigos e de tudo que eu conhecia e amava, unicamente porque meu marido rico recebeu uma proposta irrecusável de emprego e eu, como esposa devota, precisava estar ao lado dele.
Deixei que minhas lágrimas molhassem meu rosto com a esperança de que lavassem a tristeza que eu sentia por dentro, desejando que Deus me desse um novo sentido para viver.
Porque eu me sentia morta por dentro.


Uno

Bienvenidos a San Juan
Música del capítulo: La Bicicleta – Shakira


Observei a paisagem passar pela janela do carro admirada com a quantidade de cores vívidas que eram refletidas pelo sol nas ruas de San Juan. Como uma boa garota do Texas, eu estava acostumada com o sol e com o calor, mas todo aquele ar seco era completamente diferente do clima caribenho. Apesar de não estar nem um pouco animada com a perspectiva de ter deixado para trás toda minha vida, não pude conter o impulso de abaixar o vidro para dar uma boa tragada daquela brisa salgada e tão úmida.
Deixei o vento soprar contra meu rosto e passei a prestar mais atenção nas cenas que conseguia captar conforme o taxista acelerava pelos bairros da cidade que era agora minha casa. Consegui reconhecer a voz da Shakira na música que entoava na rádio e coloquei meus óculos escuros ao mesmo tempo que ouvia fragmentos da conversa entre Orson e o taxista.
Precisava praticar meu espanhol o quanto antes. Até tive alguns meses de curso intensivo, mas com todos aqueles acontecimentos com meu pai, minha concentração tinha ido por água abaixo. Consegui entender uma coisa e outra sobre os bairros que passávamos e um pouco do comércio local. Dei um risinho baixo me lembrando de Hilary tentando me confortar dizendo que Porto Rico era uma ilha caribenha ligada aos Estados Unidos e, portanto, se me reconfortasse poderia pensar nela como uma “extensão de casa”, quase não veria diferença…
Bastei inspirar o ar de San Juan pela primeiríssima vez para saber que eu estava muito longe de casa. E que era tudo absolutamente diferente do que eu estava acostumada. Minha melhor amiga estava enganada.
A cidade era bonita, tinha que confessar. Fiquei intrigada por alguns momentos vendo casinhas de azulejos e fachadas coloridas. Era tudo tão… alegre. Dei uma olhada para roupa que estava usando e percebi como contrastava com o sol local. De repente o preto não parecia cair tão bem.
- Bienvenidos a Condado! - O taxista anunciou e eu prestei um pouco mais de atenção na conversa - Um dos bairros mais nobres de San Juan.
Revirei os olhos tediosamente. Não esperava menos vindo de Orson. Ele era daquele tipo de homem podre de rico que não se importava em ostentar além da conta. Quando recebi a notícia da transferência para a indústria Baccardi em Porto Rico, meu marido me prometeu tudo do bom e do melhor para que eu não sentisse a menor saudade de casa. Não que isso fosse possível, eu me contentava com pouco, não precisava de metade das coisas que tinha, fui criada com o básico pelo meu pai, não tínhamos muito dinheiro, mas sobrava amor…
Refreei esse pensamento. Lembrar do meu pai doía e eu não estava segura dentro de casa para chorar. Talvez mais tarde.
- … As praias têm um tom de azul muito bonito! - O taxista ia dizendo orgulhoso e eu voltei minha atenção para a janela contemplando a paisagem luxuosa.
Passamos pela portaria do Condomínio Del Mar e eu entendi que havíamos chegado ao nosso destino. Contemplei a rua da minha nova moradia um tanto quanto embasbacada. Todas as casas tinham construção bem sofisticada e pareciam fazer parte daqueles catálogos que eu folheava quando era criança e imaginava uma vida que nunca teria. Engraçado como as coisas mudam.
- Baby, está pronta? - Ouvi Orson me chamar e voltei minha atenção para meu marido que me olhava de esguelha do banco dianteiro do táxi. Dei um sorriso mínimo em resposta.
Orson tinha me prometido surpresa total quanto a casa. Escolheu tudo sozinho dizendo que queria me surpreender e que compreendia o fato de que eu não tinha cabeça para decoração de nada com tudo que estava precisando lidar com a doença do meu pai. Por um lado, fiquei muito grata visto que nem me mudar eu queria, quem dirá decorar casa. Por outro, achei um tanto egoísta, visto que era do meu novo lar que estávamos falando. Por fim, decidi que não me importava tanto.
- Chegamos. - O taxista anunciou estacionando o carro e eu me preparei para descer.
Orson já estava do lado de fora apontando alegremente para a estrutura da mansão glamorosa na minha frente. Deixei meu queixo cair inevitavelmente e percebi um risinho nervoso sair da minha boca.
- Tudo isso para nós dois, é sério?! - Perguntei incrédula e Orson tomou meu completo choque por empolgação e arreganhou ainda mais o sorriso. Eu estava histérica.
- Isso porque você ainda não viu por dentro, baby! - Ele disse empolgado e eu senti minhas entranhas se revirando. Aquela casa era enorme, facilmente poderia me perder dentro dela. Daria um trabalho tão grande para limpar…
- Não se preocupe, nós já temos funcionários. - Orson verbalizou meus pensamentos e eu o encarei surpresa com sua eficácia em pensar em todos os detalhes. Às vezes, apesar de exagerado, Orson sabia ser bem planejado.
Acompanhei meu marido até a porta da mansão observando-o fazer as honrarias da casa e abrir a porta para mim. Sorri fraco para ele, ainda embasbacada com tamanho exagero tomando coragem para encarar o que me esperava por dentro sabendo que era duas vezes pior.
Suspirei fundo e abri os olhos.
Eu não tinha palavras.
Nosso apartamento no Texas era muito espaçoso, moderno e confortável. Eu lembro exatamente de como fiquei espantada quando entrei lá pela primeira vez. Eram três quartos, um home, uma cozinha com dependência, área de serviço, dispensa, duas varandas e uma linda área gourmet.
Eu não me surpreenderia se nosso apartamento inteiro coubesse na sala daquela casa.
A decoração mesclava entre moderna e tradicional. Os móveis de mogno contrastavam bem com o piso de porcelanato tão limpo que até brilhava. As paredes forradas por um papel de parede em tons de bege e dourado que contribuíam para ar sofisticado do imóvel. Deixei meus olhos passearem por todos os pequenos detalhes, sem palavras para descrever o exagero e glamour da minha nova casa. Era linda, isso eu tinha que confessar. Mas apesar de linda, estava longe de me dar a sensação de lar.
- E então, o que achou? – Ouvi Orson perguntar e concordei com um aceno de cabeça ainda pasma para verbalizar corretamente o que eu achava daquilo tudo.
- É linda. – Resumi.
Orson fez menção de falar mais alguma coisa quando a porta da sala abriu-se novamente e o taxista passou por ela com duas malas gigantescas na mão. Logo atrás dele uma mulher carregava outras duas malas parecendo fazer um esforço enorme com tal gesto. Me apressei em ajuda-la enquanto Orson pagava o taxista.
- Deixe-me cuidar disso! Me entreti tanto conhecendo a casa nova que esqueci das malas – Disse para a mulher, pegando uma das malas de suas mãos e colocando no chão. Ela sorriu meigamente para mim.
- Não precisa, senhora Carter. - Ela respondeu ofegante e eu franzi o cenho estranhando. Como ela sabia meu nome?
Estava prestes a verbalizar a pergunta quando Orson surgiu ao meu lado e apertou a mão da moça.
- Você é a Srtª , não é?
Ela assentiu com a cabeça e voltou-se para mim.
- Guadalupe , prazer – Ela estendeu a mão para mim e continuou sorrindo meigamente. Aceitei o aperto e sorri em resposta apreciando a beleza natural da menina. Ela tinha uma pele bronzeada e traços marcantes.
- Srtª é nossa nova empregada. – Orson me explicou e redirecionei meu olhar para ele.
- Como conseguiu funcionários tão rapidamente a distância? – Perguntei realmente curiosa sobre esse fato. Ele sorriu presunçoso e deu de ombros.
- Eu te disse que estaria tudo pronto para você, baby – Ele respondeu roubando-me um selinho – Além do mais, o Chad fez boa parte dessa ponte, indicou o para ser meu motorista e ele me sugeriu a sobrinha como empregada e o sobrinho como jardineiro...Basicamente viemos para Porto Rico para garantir emprego para uma família…
- Jardineiro? – Eu perguntei interrompendo embasbacada. Nunca pensei que me tornaria uma daquelas dondocas que tem diversos funcionários em casa sem a menor necessidade.
- Você pode chamar de serviços gerais também. Cuidar da piscina, do jardim, eventuais reparos... uma espécie de caseiro. – Orson respondeu suavemente e eu franzi o cenho desconfiada. Não gostava da ideia de ter tanta gente nos servindo, mas, para falar a verdade, tomar conta de uma casa daquele tamanho era impossível para uma pessoa só.
Olhei para o relógio de pulso e me dei conta de que fazia muitas horas desde que eu tinha feito a última refeição. Meu estômago embrulhou de fome e eu lancei um olhar para o meu marido que digitava freneticamente no celular. Guadalupe já estava fora de vista.
- Estou com fome, vamos pedir algo em casa e desarrumar as malas ou quer almoçar em algum restaurante pela cidade? – Perguntei esperando que fosse a segunda opção. Não estava no clima de desarrumar mala e chorar ainda.
- Hmm... Sabe o que é, baby – Ele começou ainda sem me olhar diretamente, digitando no celular – Tenho que resolver algumas coisas com o Chad, então marquei um almoço de negócios.
- Marcou um almoço de negócios para o seu primeiro dia aqui? Achei que fossemos ficar um pouco sozinhos... – Comecei um pouco desapontada e Orson bloqueou o celular e se aproximou para beijar minha testa.
- Vamos ficar sozinhos, a noite. Eu trago comida para você, ou você pode pedir algo para trazer em casa e ficar descansando. Vai ser um almoço chato e só vamos falar de negócios. Pensei em você ficar aqui e nos vermos mais tarde, o que acha?
Se fosse possível, meu queixo teria ido parar no chão.
Eu tinha me despencado da minha cidade natal para acompanhar meu marido em seu negócio milionário, deixando para trás meus amigos, minha profissão, minha casa, as memórias do meu pai... tudo, para que ele que marcasse um almoço estúpido de negócios no meu primeiro dia em uma cidade nova. Me deixando em casa sozinha na maior naturalidade do mundo. Por que Orson insistia em me desapontar?
- Orson... Não tem como você marcar isso para depois? Poxa, é meu primeiro dia aqui... – Comecei a dizer e ele logo me lançou uma cara feia.
- , não seja tão incompreensiva. Olha tudo o que eu fiz por você – Ele falou abrindo os braços mostrando a estrutura do casarão – Seja um pouco mais agradecida. Se eu estou indo, é porque preciso, é para te dar do bom e do melhor.
- Eu só queria um pouco de atenção, é pedir muito?! – Eu falei já sabendo que era uma batalha perdida, ele começaria com as manipulações emocionais e me faria sentir culpada por pedir o básico, alegando que eu era incompreensiva, mimada e carente.
- Não seja mimada, Viu só o que eu disse?! Eu o conhecia muito bem, infelizmente. Não sei porque ainda me surpreendia com suas atitudes mesquinhas. Apostava que quando ele voltasse desse almoço iria me trazer algum presente caro acreditando que logo tudo ficaria bem – Eu volto logo logo e vamos jantar juntos, ok?! Aproveite esse tempo para descansar e ficar linda para mais tarde.
Certo. Era só para isso que eu servia. Descansar, opinar pouco, falar o mínimo possível, me embelezar e servir para posar com ele quando era conveniente. Além, é claro, de bancar a esposa compreensiva que faz sexo sempre que o marido está a fim.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Orson saiu porta afora e eu me senti mais vazia do que nunca. De repente minha fome tinha passado quase que completamente. Lancei um olhar tristonho para minha casa sentindo-me num ambiente completamente desconhecido e infeliz. Como eu podia nutrir esperanças de que meu relacionamento fosse diferente só porque estávamos num lugar novo?
Eu estava iniciando a carreira de modelo quando Orson Carter e eu nos conhecemos, num dos eventos da agência que gerenciava meus trabalhos. Era meu primeiro grande desfile e eu estava empolgada com a perspectiva de ser notada por um dos olheiros de Nova Iorque que estaria presente. A empresa que Orson trabalhava estava financiando o evento e ele não conseguiu tirar os olhos de mim desde o primeiro momento que me viu. Lembro de ter ficado feliz e encantada quando recebi uma caixa com chocolates finos no camarim de um admirador secreto - não tão secreto assim. Começamos a sair e em duas semanas estávamos namorando.
Antes de conhecê-lo, eu era uma menina simples que tinha sido criada sem muitos luxos. Estava começando minha carreira de modelo e estava deslumbrada pela vida de glamour e holofotes - era natural, eu tinha apenas 19 anos e não entendia nada sobre a vida. Deixei-me encantar por ele porque Orson era a personificação de tudo que eu achava que queria em um homem: atencioso, carinhoso, protetor e disposto a me mimar o quanto eu quisesse.
Meu pai nunca gostou muito de Orson, lembro dele ralhar horas me dizendo que eu não deveria me envolver tão seriamente com um homem 15 anos mais velho do que eu, que estávamos em fases diferentes da vida e que pouco a pouco eu iria perder minha identidade. Assim como muitas meninas da minha idade, não dei ouvidos ao meu pai e me envolvi de cabeça no relacionamento com o homem que me tratava como uma princesa e me proporcionava situações que eu nunca pensei que viveria. Foram tantos jantares caros, tantos eventos de luxo, tantas viagens…
Eu estava apaixonada e pronta para entregar meu coração quando as coisas começaram a desandar.
Eu costumava associar os ciúmes de Orson como proteção e zelo além da conta. Não demorou muito para que ele tentasse sabotar alguns dos desfiles mais importantes para mim. Lembro com exatidão do dia que me impediu de viajar para Los Angeles porque não queria que eu desfilasse de lingerie, chegou ao absurdo de me oferecer o mesmo valor do cachê para que eu não saísse do Texas. Pouco a pouco as agências foram me deixando de lado e eu me via cada vez mais refém da possessividade exagerada dele.
Nossas brigas se tornaram constantes, comecei a me rebelar e ameacei terminar várias vezes. Numa dessas brigas calorosas ele levantou a mão para mim pela primeira vez. - Me encolhi no sofá com a lembrança deixando que as lágrimas rolassem livremente pelo meu rosto - Mas assim como toda tempestade, quando ela passava ele tornava a ser o homem amável e carinhoso que eu tinha conhecido. Não demorou muito para que ele começasse a me culpar pelas crises violentas… “Eu estava provocando o ciúmes dele”.
Eu fui me tornando cada vez mais infeliz dentro daquele relacionamento. Perdi as contas de quantas vezes pensei em terminar e logo depois mudava de ideia. Para além de ser o homem que me entupia de presentes e me levava para viajar o mundo, Orson era carinhoso e nos dias bons me tratava como uma rainha, eu achava que poderia muda-lo, que se talvez eu fosse menos incompreensiva conseguiria perceber como estava dando a sorte de estar com um homem como ele. Isso até ver uma camisa manchada de batom certa vez ao vê-lo chegar bêbado em casa.
Eu chorei do jeito mais humilhante que uma mulher pode chorar por um homem. Foi nossa pior briga em todos os tempos. Eu estava decidida a terminar, estava com a escolha feita e com todas as palavras ensaiadas na cabeça…. Quando recebi um telefonema do meu pai que tinha algo importante para me contar. O resultado dos exames tinha saído e o diagnóstico estava confirmado: era câncer.
Meu relacionamento ficou para segundo plano quando eu me vi tendo que cuidar do meu pai. As contas de hospitais não batiam e nem todo dinheiro que eu havia juntado na poupança era o suficiente. Orson se aproveitou desse momento de fraqueza para me fazer a proposta mais indecente de todas: casamento. Se eu me casasse com ele, meu pai teria direito a todo tratamento de ponta sem nenhum custo. Em troca disso, eu precisaria abrir mão da minha carreira de modelo para sempre.
O resto vocês já sabem.
Eu estava tão perdida com a morte do meu pai que nem me posicionei contra a mudança para San Juan. Naquele período eu acabei me tornando ainda mais dependente de Orson, que era quem me sustentava e não me deixava cair. Com o casamento ele me prometeu que as coisas mudariam, e até tinham mudado mesmo. Ele havia voltado a ser compreensivo, carinhoso e prometeu total devoção a mim. Eu já não tinha mais nada na vida e por isso continuei com ele, não sabia mais ser sozinha. Eu era muito nova para me sentir tão vazia assim.
Algumas pessoas poderiam até dizer que eu estava sendo ingrata. Apesar de estar orfã aos 21 anos de idade, eu estava casada com um homem rico e tinha mais coisas do que precisava. Eu deveria tentar olhar pelo lado positivo, mas...
De que adiantava me entupir de coisas caras, decorar uma casa inteira se nós nunca iríamos construir um lar? Eu já tivera um lar e sabia exatamente como era. Instantaneamente senti o cheirinho da minha casa no Texas e meu coração apertou de saudades do meu pai. Desanimada, me arrastei até o sofá e me aninhei em posição fetal, abraçando minhas pernas e apoiando meu queixo nos joelhos.
Eu tinha completa certeza de que nunca iria me recuperar 100% da dor de perder meu pai e meu melhor amigo. Ele era a pessoa mais parceira que eu já tinha conhecido na vida e era capaz de me entender como ninguém. Orson viva dizendo que me amava e que nenhum outro homem me amaria igual. Eu sabia que isso era mentira, ele jamais poderia me amar metade do que meu pai amou.
Antes que eu pudesse evitar, duas lágrimas grossas escaparam por meu rosto e embaçaram minha visão. Droga… Eu não queria estar chorando agora, não tão cedo. Precisava me guardar para a noite, que era sempre o pior momento quando eu me encontrava ao lado de um homem adormecido feito pedra incapaz de me abraçar para consolar meu luto.
Estava fungando e limpando meu rosto quando Guadalupe saiu de uma porta que eu imaginava que dava acesso a cozinha. Me assustei um pouco com sua presença silenciosa e me apressei a enxugar as lágrimas e passar a mão no nariz. Ela pareceu desconcertada por ter invadido meu momento particular porque me lançou um sorriso compreensivo.
- Deve ser difícil para a senhora deixar sua casa, imagino - Disse gentilmente e eu sorri em resposta.
- Antes fosse só isso… - Respondi baixinho.
- Ouvi a senhora dizer que estava com fome, posso preparar alguma antes de sair, se quiser. - Ela ofereceu.
- Pode me chamar de você ou de , senhora não… Por favor - Eu pedi e ela sorriu em concordância. Eu nem era tão mais velha do que ela assim, no máximo uns dois anos.
- Tudo bem, se a senho...se você quiser, posso cozinhar ou sinalizar uns bons restaurantes para pedir comida - Ela continuou.
- Onde você vai? - Perguntei só por perguntar.
- Fazer compras para vocês, ainda não tem comida em casa e Sr. Carter me deixou uma lista de coisas de mantimentos. Vou aproveitar uma feirinha que montam aqui por perto. - Guadalupe respondeu e eu ponderei por um momento.
- Posso ir com você? - Perguntei esperançosa e ela arregalou os olhos parecendo ter sido pega de surpresa.
- Gostaria de ir comigo numa feira? - Ela perguntou confusa e eu assenti com a cabeça. Não queria ficar naquela casa sozinha e sucumbir a tristeza e solidão. Se o inútil do meu marido podia sair, então eu também não tinha que ficar em casa sozinha.
- Sim, quero conhecer um pouco da cidade e não quero ficar sozinha por aqui…
- Bom, pode, eu acho… - Guadalupe começou meio incerta - Quer dizer, claro que pode, é que não consigo imaginar como isso poderia ser divertido para você…
- Eu não sou essa dondoca toda que você tá pensando, Guadalupe - Respondi já me levantando do sofá vendo a menina sorrir para mim - Além do mais, eu sempre gostei de feirinhas, ia muito com meu pai.
- Sendo assim, então vamos - Ela disse animadamente e eu já me sentia instantaneamente mais leve. Existia algo na áurea de Guadalupe que era incapaz de me deixar triste na presença dela. Talvez fosse seu sorriso meigo ou seu tom de voz animado, fosse o que fosse, eu já me sentia 100% segura da decisão de acompanha-la nas compras para minha própria casa.
Enquanto caminhávamos pelo bairro, Guadalupe - que agora eu já chamava de Lupita - ia me explicando calmamente sobre os lugares que passávamos. Ela tinha todo cuidado do mundo de falar devagar para que eu entendesse seu espanhol da melhor maneira possível. Fazia muito tempo que eu não tinha uma facilidade tão grande para conversar com alguém como tive com ela. Em poucos minutos tagarelávamos como se fôssemos grandes amigas e confidentes de anos.
Lupita me contou que assim como eu, também já tinha perdido um ente querido. Mas do contrário de mim, ela não era totalmente orfã, visto que sua mãe ainda estava viva e muito presente em sua vida. Era muito bonito ouvi-la falar da relação com a mãe e o irmão - que era meu jardineiro - e do quanto se uniram ainda mais depois da morte do pai quando ela tinha apenas 6 anos de idade.
- Queria ter conhecido minha mãe - Respondi depois de um tempo ouvindo sobre as receitas das alcapurrias* da mãe que ela havia me prometido fazer qualquer dia desses - Sempre foi meu pai e eu contra o mundo.
- Eu sei que nada do que eu diga vai reconfortar, mas o tempo ameniza essa saudade e a lembrança dele vai ser algo feliz em seu coração - Ela disse suavemente e eu concordei com a cabeça percebendo como não me sentia triste falando dele com ela. Precisava me lembrar de agradecer a Orson por ter contratado Lupita como funcionária, pelo menos eu teria alguém com quem conversar em casa e não me sentiria inteiramente sozinha.
Lupita nem precisava ter anunciado que já havíamos chegado para que eu soubesse que estávamos na tal da feirinha. A rua estava tomada por várias barraquinhas com tantas variedades que tive dificuldade em manter a concentração. Diversos comerciantes exibiam suas mercadorias que iam desde frutas, legumes, vegetais até peças de artesanato e outras coisas manufaturadas.
Ela me guiava pelas barracas parando ocasionalmente quando encontrava alguma coisa do seu interesse. Parecia ser bastante íntima dos comerciantes porque sempre cumprimentava alguém alegremente e logo me apresentava também. Aproveitei para provar algumas frutas pelo caminho e fotografar aquela variedade de cores e opções. Mandaria todas as fotos por whatsapp para meus amigos à noite.
Lupita movia-se assertivamente entre as barracas, sabendo exatamente o que e onde procurar. Eu estava tão deslumbrada analisando tudo a minha volta que vez ou outra ela precisava tocar meu braço para guiar por entre o mar de pessoas que estavam aglomeradas no meio da rua. Eu observava cada expressão no rosto de cada pessoa, extasiada em cada pequeno detalhe do que era desconhecido.
Enquanto Lupita escolhia algumas frutas, minha atenção foi desviada para uma barraca logo a frente em que, ao invés de alimentos, estavam sendo expostos diversos itens de decoração feitos a mão. Instintivamente me aproximei para observar melhor, ficando encantada com pinturas em aquarelas que estavam sobre a mesa. Eram tão bonitas! Estava tão absorta nos desenhos que demorei de perceber que estavam falando comigo.
- Sólo por esa sonrisa hermosa, puedo hacer un precio especial si quieres quedarte con alguna de las acuarelas - Fui surpreendida pela voz de um rapaz que me observava atentamente por trás da barraca. Desviei meu olhar das pinturas e encarei o rapaz que sorria para mim de um jeito tão bonito que me desconcentrou por alguns segundos.
Ele tinha um sorriso tão grande e tão bonito que os olhos castanhos ficavam quase fechados. Os dentes brancos e brilhantes exibiam um sorriso de covinhas tão encantador que eu me peguei controlando um suspiro surpreso. A pele bronzeada era tão lisinha que lembrava até a de um bebê. Ele não podia ser muito mais velho do que eu, a julgar pelos braços largos e pela altura, mas havia algo jovial na sua expressão despreocupada que me lembrava a leveza de uma criança.
- Que? Devagar, por favor - Eu disse acordando do meu transe e ele riu baixinho, me fazendo rir junto em consequência.
- Eu disse que só por conta desse lindo sorriso é que você pode ter um desconto especial, caso queira levar alguma das aquarelas - Ele disse pausadamente mantendo o sorriso no rosto e eu senti minhas bochechas corarem de leve. Eu fiquei tão absorta observando as aquarelas que não percebi que estava sorrindo involuntariamente.
- São realmente muito bonitas - Eu disse voltando meu olhar constrangido para as pinturas. Havia algo no olhar dele que me impedia de encarar, ele era tão bonito que me deixava desconcertada. - Você que fez?
- Sim! Tudo que está aqui, na verdade - Ele disse apontando para todos os outros itens na barraca e eu deixei meu olhar vagar pelos objetos, tão encantada quanto estava com as aquarelas. Examinei atentamente uma luminária feita de papel pensando em quanto talento precisava para conseguir confeccionar coisas tão bonitas.
- Parabéns, você tem mãos hábeis - Eu disse procurando em espanhol as palavras certas para pronunciar e notei ele rir baixinho. Ergui minha cabeça e me atrevi a olhar para o rosto dele novamente, só para vê-lo de cenho franzido me encarando com a cabeça pendando para um lado, como se me analisasse. - É uma pena que eu esqueci minha carteira em casa, estou sem dinheiro.

[N/a: Coloquem a música [https://www.youtube.com/watch?v=-UV0QGLmYys] para tocar!]


- Você não é daqui, não é? - Ele disse de um jeito engraçado e eu senti minhas bochechas formigarem.
- Hm… não, na verdade sou do Texas. - Confessei e ri baixinho ao vê-lo arregalar os olhos surpreso.
- E está aqui a passeio? - Ele perguntou tentando parecer desinteressado e eu sorri sentindo meu ego dar um saltinho e uma cambalhota.
- Na verdade, acabei de me mudar. - Respondi e percebi o sorriso dele se alargar tanto que conseguia enxergar quase todos os dentes e quase nada dos seus olhos.
Ele ia dizer mais alguma coisa quando os acordes iniciais de uma melodia tiraram minha atenção dos seus olhos castanhos. Virei de lado para observar uma pequena rodinha que se formava em volta de uma caixa de som e notei um menino começar a dançar no ritmo da música. Ele tinha no máximo 10 anos de idade e se movimentava com tanta desenvoltura que eu sentia inveja das suas articulações por permitirem tanta flexibilidade. Sem que eu pudesse perceber estava me aproximando da rodinha para enxergar melhor, hipnotizada com a sincronia dos passos.
Fiquei deslumbrada observando as pessoas aplaudindo e dançando no meio da rua e involuntariamente movimentei meus pés no mesmo lugar, encantada com a alegria que as pessoas emanavam num gesto tão simples.
- La muchacha hermosa gustaría concederme esa danza?* - Ouvi alguém dizer próximo ao meu ouvido e me virei assustada despertando do meu transe. Estava tão concentrada na música e tão envolvida com o momento que não percebi que estava me balançando. Ruborizei instantaneamente e observei o artista rir gostosamente ao meu lado.
Ele me olhava de um jeito tão animado que parecia portar o sol de San Juan dentro de si. Meu coração deu uma fisgada gostosa e eu sorri involuntariamente.
- O que disse? - Perguntei devagar acordando do meu transe e ele riu ainda mais parecendo achar graça do meu sotaque forçado.
- Te vi balançando sozinha e perguntei se gostaria de me conceder o prazer dessa dança - O rapaz repetiu devagar e eu sorri envergonhada.
- É tudo muito novo para mim, nunca vi algo assim - Confessei dando de ombros e ele sorriu ainda mais, se é que isso era possível. Será que todas as pessoas de San Juan eram tão animadas e calorosas assim?
- No Texas não chegou reggaeton ainda? - Ele zombou de um jeito engraçado e eu rolei os olhos achando graça da provocação. Era impressionante como eu estava conseguindo agir com leveza perto dele. Nem parecia que estava tão triste minutos atrás.
- Nunca vi pessoas dançando no meio da rua assim…
- Vejo que a cowgirl conheceu o poder do reggaeton - Ele disse acenando com a cabeça para a rodinha de dança que acontecia na nossa frente. Voltei a encarar as pessoas que dançavam animadamente na minha frente e percebi que dessa vez o menino não estava sozinho, era contagiante.
- É muito… envolvente - Eu disse por fim, hipnotizada demais para tirar os olhos das pessoas que dançavam na minha frente.
- Bom, se quiser ver mais disso é só aparecer no La Factoría, se quiser posso até te ensinar a dançar assim. Quem sabe você não me ensina alguns passos de country também - O rapaz falou despertando minha atenção novamente. Arqueei as sobrancelhas surpresa com aquela cantada tão explícita, incapaz de formular uma resposta decente. Eu me sentia lisonjeada com o flerte, era sempre interessante saber que ainda podia ser desejada por outros homens, além de que ele era lindo e tinha uma energia tão positiva que me passava uma segurança enorme mesmo sem nunca tê-lo visto na vida. Por outro lado…
- Hm, acho que meu marido não iria gostar muito dessa ideia - Eu respondi erguendo a mão esquerda para que minha aliança ficasse à vista. Para minha surpresa, o rapaz olhou da minha mão para o meu rosto e riu gostosamente fazendo meu estômago embrulhar mais uma vez. - Ahh, não acredito que mal te encontrei e já te perdi, Texa’s girl - O rapaz disse fingindo um tom de voz sofrido e eu tive que rir junto da encenação que ele fez ao tocar no coração como se tivesse sido apunhalado. Que rapaz divertido!
- Em outra vida, quem sabe - Brinquei e ele me deu uma piscadela, arrancando-me outro sorriso. Num gesto mudo ele ergueu a mão como se me pedisse para ficar parada, girou nos calcanhares, debruçou-se sobre a barraca armada e virou-se para mim trazendo consigo um origami em forma de uma rosa.
- Considere como um presente de boas-vindas a San Juan, forasteira - Ele estendeu para mim e eu aceitei com um sorriso imenso no rosto, sentindo-me quente por dentro - E caso queira dar um pé na bunda do seu marido, pode me procurar no La Factoria que eu te ensino a dançar reggaeton, mami - Ele completou com aquele sotaque maravilhoso e nós dois rimos juntos. - Obrigada - Agradeci estendendo o origami e ele fez um gesto com a mão como se dissesse que não foi nada demais.
- Agora preciso ir, é meu primeiro dia em um novo trabalho. Todos os sábados estarei aqui na feira exibindo minha arte… Caso queira trazer a carteira da próxima vez - Ele brincou me dando uma piscadela e eu ri em concordância.
Eu tinha certeza absoluta que apareceria novamente no próximo sábado.
Dei um sorriso tímido e acenei com a mão ao me afastar, sentindo minhas bochechas em brasas como uma adolescente de 15 anos quando vê o jogador bonitão do time de basquete. Me virei de costas para encontrar com Lupita quando me lembrei que nem se quer tinha perguntado o nome dele. Voltei para fazer isso quando percebi que o rapaz já tinha sumido de vista e não estava mais na própria barraquinha. Com uma leve sensação de desapontamento, continuei meu caminho segurando a minha rosa com um sorriso engraçado no rosto.
- Ei! Até que enfim te encontrei, achei que tinha te perdido - Lupita disse assim que me viu, o semblante parecendo totalmente aliviado - Achei que tinha me usado para fugir de casa. - Ela concluiu e eu a encarei de olhos arregalados.
- Por que eu faria isso?
- Não sei, você me parecia bem chateada hoje mais cedo - Ela respondeu simplesmente - Vamos? Vou fazer uma receita como boas-vindas para você, deve estar cansada e querendo repousar.
De repente me senti faminta e exausta, queria muito comer e descansar antes de ter que encarar aquele horror de mala que eu tinha para desfazer. Andamos por mais algumas barraquinhas e vez ou outra eu olhava por cima do ombro para ver se achava o rapaz novamente, mas nem sinal dele. Por fim, Lupita negociou com um transporte para levar todas as compras e logo estávamos a caminho de casa.
Conversamos todo o trajeto de volta e eu gostava mais de Lupita a cada segundo que se passava. Aproveitei para perguntar algumas coisas sobre a cidade para sanar minha curiosidade recém instalada.
- O que é La Factoría? - Perguntei me recordando do moreno de sorriso largo, sentindo minhas entranhas fervilharem.
- É uma danceteria em La Perla, as pessoas se reúnem para beber, namorar e dançar reggaeton - Lupita respondeu e franziu o cenho para mim - Não é muito lugar para senhor… para você. Arqueei as sobrancelhas surpresa com essa constatação. Embora eu já soubesse a resposta para a pergunta que fiz.
- Por que não seria lugar para mim?
- Bom… Primeiro porque La Perla é um bairro simples, muito diferente de Condado. As pessoas são mais humildes, não costumamos receber gente de tanto...porte - Ela foi me explicando calmamente, parecendo escolher bem as palavras que usava. Agora eu também sabia que era residente desse tal bairro. - E bom, o La Factoría não é muito um lugar para uma mulher casada....
Assenti um pouco desapontada, embora já soubesse que ela provavelmente tinha razão. Não precisava nem fantasiar com uma realidade em que Orson iria me acompanhar numa danceteria num bairro periférico para ouvir reggaeton, nem muito menos que me deixaria ir sozinha.
Quando chegamos em casa o carro de Orson já estava de volta na garagem. Me surpreendi ao vê-lo de volta, visto que os almoços de negócios costumavam demorar vidas. Assim que entrei pelo gramado da casa ele veio me receber aflito na porta.
- ! Onde você estava? Por que não me avisou que iria sair? Para que você tem celular se não atende? - Ele ralhou me puxando pelo braço com certa força fazendo com que Lupita se remexesse desconfortável do meu lado.
- Eu fui na feira com a Guadalupe, fomos comprar mantimentos para a casa. Não quis ficar sozinha e pedi para ela me levar junto - Respondi calmamente e olhei para o braço que ele ainda segurava com força que já começava a ficar vermelho - Será que você poderia me soltar? Está chamando atenção.
Orson pareceu desconfortável por um momento, cerrou os olhos para mim e logo voltou sua atenção para Guadalupe que engoliu em seco.
- Você não está sendo paga para levar minha esposa para fazer suas obrigações, ouviu bem? - Ele disparou desaforado, Guadalupe abriu a boca para gaguejar uma resposta quando eu intervi.
- Eu que pedi para ir, Orson, você foi almoçar e me deixou sozinha, eu quis conhecer um pouco da cidade e ser útil. Já estou de volta, não precisa falar assim com ela - Eu disse colocando a mão no ombro dele e ele virou para mim.
- Fiquei preocupado, só isso - Disse um pouco mais calmo, tentando ser afetuoso. Eu estava prestes a lhe responder quando uma voz ecoou por trás de Orson, chamando-lhe atenção.
- Sr. Carter, onde estão as chaves da casa da piscina?
Orson virou-se para trás e deu espaço para que eu visse o rapaz que encontrava-se atrás dele. No momento em que nossos olhares se cruzaram eu senti meu coração disparar e as pernas amolecerem.
A confusão no meu semblante estava refletida nos olhos dele que se arregalaram um pouco quando me notou logo atrás do meu marido. O sorriso largo que eu tinha visto no seu rosto há algumas horas atrás estava sendo substituído por uma expressão intrigada e muito surpresa.
Nos encaramos por alguns segundos que mais pareceram horas, tentando disfarçar a enorme coincidência diante de nós. Percebi a expressão surpresa dele ir se transformando num sorrisinho de canto e senti borboletas farfalharem as asas no meu estômago. Ele era tão bonito!
- Ah, aproveitando que está aqui… , este é o , nosso jardineiro. , esta é a , minha esposa - Orson nos apresentou não percebendo que nos encarávamos de maneira cúmplice.
pigarreou desconcertado e estendeu a mão para mim.
- Prazer, sra Carter.
Um pouco trêmula, estendi a mão e apertei a dele, percebendo meu corpo inteiro eletrizar quando nossas mãos se tocaram e eu senti o calor e a maciez da pele dele contra a minha. Com a outra mão, eu segurava o origami de rosa que ele tinha me dado algumas horas antes quando me convidou para dançar reggaeton no La Factoria.
Antes de saber que sua irmã era minha empregada e que seu patrão era meu marido.

Alcapurrias* - É um bolinho feito de massa de yautía e plátano, recheado com carne e frito.
La muchacha hermosa gustaría concederme esa danza?* - A moça bonita gostaria de me conceder essa dança?




Continua...



Nota da autora: Hola, muchachas!
Mais uma história minha no site, sei que prometi essa há alguns meses no grupo do FFOBS, mas finalmente está aí. Espero que gostem e comentem! <3
A próxima atualização já já está a caminho.

Besitos molhadinhos da Pri.






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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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