Artifical Love

Última atualização: 28/06/2018

Prólogo

O ano é 3123, a raça humana conquistou a via láctea e continua a expandir seu território espacial para além dos limites que um dia seus ancestrais sequer imaginaram. Iniciou-se o processo de expansão em Andrômeda e aos poucos (milhares) de anos os seres humanos encheram a galáxia M31*, as várias raças alienígenas junto com a humanidade formaram “O Reino Intergaláctico da Terra”, o que levou as tantas outras raças concordarem com esse nome eu não sei, mas é assim que nós nos chamamos hoje em dia. Porém, essa história não é para contar a incrível(mente entediante) conquista humana banhada a suor e sangue, contudo será contado a trajetória de três seres que apesar de tudo, se sentiam vazios e que em algum ponto encontraram sua luz (ou não).
Robôs; Sim. Robôs.
Esses seres que ao caminhar da humanidade se fizeram sempre presente, criaturas que ao longo do tempo evoluíram junto com a sociedade, o que seria dos humanos sem seus queridos robôs?
Já não se luta mais guerras corpo a corpo, não se examina nada diferente até se ter certeza de que é totalmente seguro para um humano entrar em contato com algo (ou “alguém”) desconhecido sem antes não ter passado por sua invenção, que por sinal, foi a mais importante.
Apenas os planetas mais importantes possuíam os modelos humanoides, planetas como a Terra eram considerados inferiores e não tinham o direito de ter em seus domínios robôs de elevada complexidade como os modelos humanoides, não se tinham recursos para reposição de peças ou mesmo um suporte qualificado para os mesmos. E o principal fato de não se instalarem bases robóticas avançadas no planeta se deve a reluta da população terrestre mundial, robôs humanoides são considerados o mais alto insulto aquele que os criou, são perigosos e terminariam por matar todos os habitantes do planeta, ao menos isso é o que a ”AAHT” (associação anti HUMANOIDES na Terra) alega.
Existem robôs dos mais variados modelos e tipos, os que as finas donas de casa de Saturno utilizam como acompanhantes de compras, as babás de últimas gerações exclusivas de Júpiter (habitantes de Marte dirão que é mentira, mas todos sabemos, os melhores modelos de babás pertencem a Júpiter), os robôs construtores de Urano, robôs com finalidades sexuais, médicos, contadores, administradores enfim... São tantos que se for para listar todos aqui, não conseguirei contar nada do que realmente importa. Os cientistas os aperfeiçoaram tanto que dependendo do seguimento, eles parecem humanos, toque macio, bem-humorados (ou mal-humorados, sarcásticos, apáticos, os sensores de comportamento estão aí para isso), sangue artificial com textura e cor idênticos aos dos humanos para o caso de se machucarem, capacitados para tomarem água e fazerem refeições, órgãos artificias juntamente com a inteligência artificial que está sempre recebendo atualizações ou correções de pequenos bugs, mas nada de se preocupar com coisas mínimas como: “Se a internet cair ou ficar devagar?” Isso é coisa de muitos séculos passados. Mas para que tudo isso? Oras! Todo esse avanço não impediu de a humanidade se afastar cada vez mais uns dos outros e procurar companhia em bens materiais, o mundo continua o mesmo, só que adicionados os robôs e toda uma tecnologia para lá de fantástica.




Capítulo 1

A mulher de cabelos negros abriu os olhos lentamente, analisando o teto do apartamento como se fosse a coisa mais interessante do mundo, olhou para o lado, o relógio marcava 11:35, muito tarde para tomar café, muito cedo para almoçar. Juntou forças para se levantar e arrastando-se caminhou até o banheiro, não sem antes verificar seu comunicador intergaláctico (uma espécie de smartphone que faz ligações e conferencias com qualquer parte da galáxia), nove chamadas perdidas de sua mãe, três de , cinco de Yoora e mais outras que ela não se importou de ler os nomes.
Que tormento, ela pensou. Parecia até que alguém havia morrido para ligarem daquele jeito. Gargalhou com tal pensamento, era tão irônico para ela, piscou rapidamente ao sentir seus olhos arderem, não iria chorar, não hoje, deixaria para o próximo dia como sempre fizera.
Examinando-se no espelho, olheiras profundas, cansaço, deu um sorriso, tão forçado que não chegava aos olhos, mas que sempre enganava os vizinhos, quando os mesmos perguntavam como ela estava, ninguém se importava, ela sabia, mas era seu dever encenar bem o papel de vizinha equilibrada e educada.
Tomou um banho rápido, era perigoso permanecer sob o chuveiro por muito tempo, aquele lugar era ótimo para se ter ideias e quebrar promessas.

Ding dong. Sua campainha tocou, provavelmente algum vizinho, apostava seus moveis que seria Dolores, mas não era. Ao abrir a porta, portando seu mais doce sorriso espantou-se com a visão de suas duas melhores amigas a sua porta.
FELIZ ANIVERSÁRIO! – As duas praticamente gritaram, segurando balões e uma torta de aparência divina, sorrindo e esperando serem convidadas a entrar.
? Yoora? O que? ... O que vocês estão fazendo aqui? – Perguntou espantada. Se realmente tivesse apostados seus moveis, teria perdido feio.
– Nossa! A gente viaja metade da galáxia praticamente e você nos pergunta o que estamos fazendo? Parece meio obvio não? – Dizia uma indignada com as mãos na cintura.
– Não vai nos convidar a entrar? – Era a vez de Yoora questionar.
Como se um carro estivesse vindo em sua direção, foi para o lado e pediu para que entrassem fechando a porta em seguida.
– Achei que ficaria feliz em nos ver .
– Estou feliz , só não esperava ver ninguém aqui.
– Seu apartamento está em ordem, tudo arrumado e em seu devido lugar, continua perfeccionista como sempre. – Sorriu Yoora ao terminar de falar, andando pelo cômodo, foi amarrando os balões que tinha em mãos em pontos estratégicos da sala em que se encontravam.
– Estávamos com saudades, você não responde nossas mensagens, ignora nossas ligações, o que está acontecendo? Nem mesmo parece contente em nos ver. – Disse pegando as mãos da amiga nas suas, olhava para frente, focada na foto que estava em sua prateleira. – ? – Chamou.
– Tenho estado ocupada, vocês sabem. – Sorriu.
– É uma ofensa que você queira mentir para nós, viemos aqui para comemorar e...
– Comemorar o quê Yoora? A droga do meu aniversário? Me desejar felicidades e que meus sonhos se realizem? Eu não ligo, eu não dou a mínima para isso, porque meus sonhos nunca vão se realizar e a última coisa que eu consigo sentir dentro de mim é felicidade! Fui clara o suficiente? Era isso que vocês queriam ouvir sair de minha boca, certo? Conseguiram! – praticamente gritava as palavras, sua respiração estava irregular, e pequenas lagrimas rolavam por seu rosto, amaldiçoando-se por dentro por estar chorando, um pequeno momento de descontrole bastou para fazê-la explodir, oscilava entre a calma e a fúria, levantou do sofá e encarou as amigas. – Estão perdendo o tempo de vocês, não deviam ter percorrido toda essa distância para me verem, não quero vocês aqui, por favor, saiam. Voltem para suas casas.
– Você está se comportando como uma criança, nós estamos preocupadas! Todos nós! – Pronunciou Yoora.
– O que querem de mim? O que realmente todos vocês querem de mim? Eu saí de casa, me mudei para bem longe e ainda assim vocês vieram atrás de mim! – gritou essa a última parte e logo em seguida sentiu seu rosto arder, levou a mão ao lado esquerdo da face, estava ardendo, olhava incrédula para que lhe desferiu um tapa.
– Não seja mimada; nesses dois anos respeitamos seu luto, nunca dissemos uma palavra sobre nada, mas agora você está indo longe demais. E não ouse me interromper , pois agora você vai me escutar – Dizia uma com olhos marejados – O que você está fazendo é loucura! Jogando sua carreira fora, jogando sua vida fora, acha mesmo que iria querer isso para você? Todos nós sentimos falta dele, e todos nós sofremos quando ele se foi, a vida é assim, por mais que doa você tem que continuar, e se enfiando nesse planetinha de quinta categoria não vai resolver nada, fugir da sua vida não vai ajudar em nada.
– Essa é minha vida agora e não importa o que iria querer, ele está morto! – Respondeu .
– Passar o dia todo enfurnada em um apartamento depois de aulas matinais? É essa sua nova vida? Que grande bosta dona cientista do ano!
– Já chega , não foi para isso que nós viemos aqui – Interferiu Yoora. – Cada um de nós enfrentamos o luto de formas diferentes.
– Não consigo mais fingir que isso não me afeta, é nossa melhor amiga – estava indignada.
– Saiam, por favor, ou vou chamar o segurança, que além de tudo já está bem encrencado por deixar vocês subirem sem me avisar.
– Não seja ridícula, estamos aqui para comemorar. – Yoora continuou como se instantes atrás não houvesse escutado o que sua amiga falara antes.
– Não tenho o que comemorar, nem desse planetinha de quinta vocês gostam, saiam da Terra enquanto podem, antes que vocês sejam infectadas por pessoas de quinta como eu. – falava baixo, indiferente.
– Você quer outro tapa para acordar? – Perguntou .
– Parem com essa merda as duas! – Yoora gritou – está certa, você precisa seguir em frente.
– Eu segui em frente.
– Não minta para si mesma. Trouxemos seu presente, ele está lá fora, quer que eu peça para entrar? O que fez. – Disse Yoora.
– O quê? – arregalou os olhos.
– Quero dizer, ele arquitetou o projeto, planejou e forneceu todos os dados, e iniciou tudo antes do acidente. – Continuou Yoora.
– Não é acidente quando a culpada sou eu.
– Minha nossa garota, você quer mesmo apanhar. Quantas vezes ele disse que não foi sua culpa? Nós sabemos que não foi sua culpa, então para, para com isso, por favor! –Disse em uma voz que misturava raiva e agonia.
Yoora pigarreou e continuou.
– Terminei o que seria seu presente de casamento, o que te daria como presente e eu sei disso porque fazia parte da equipe inicial, e ele iria querer que eu finalizasse o projeto, por isso que quando você partiu não viemos atrás de você, deixamos você ter seu tempo, seu espaço, mas estamos todos com saudades e acho que está na hora de você voltar.
– Não quero voltar agora.
– Tudo bem, mas você precisa ficar com o presente. – Yoora abriu sua bolsa e retirou um envelope da bolsa, estendendo-o para . – Assista quando formos embora, deixou para você, e como você pode ver contém a mensagem de que só você pode ver.
estendeu a mão para o envelope, apreciando a caligrafia desleixada do ex-noivo, e deu um pequeno sorriso.
– Tudo bem, onde está esse presente?

Yoora se levantou em um salto e saiu correndo pela porta, observava atentamente a cena a espera da amiga, quando está entrou pela porta observou a outra mão que segurava a da amiga e ficou se perguntando o que seria aquilo, levantou-se e no mesmo instante e quase caiu para trás, passara por sua porta, seu cérebro entrou em confusão e em seu peito o misto de dor e agonia começava a sufoca-la.

– Que brincadeira é essa? – Perguntou , sua voz baixa era letal.
– É o seu presente – Respondeu Yoora – Eu sei, é confuso, eu não queria mais fazer isso, mas senti que devia e eu precisava entregar ele para você. Sabe do que se trata não é mesmo? O modelo CPCV88. Yoora se calou ao ver o rosto da amiga, lagrimas desciam por seu rosto, suas mãos fechadas em punho, a respiração acelerada.
...? – perguntou incerta, abriu os olhos, furiosa.
– Eu não acredito que você fez isso Yoora, eu não acredito que você teve a coragem de profanar a imagem do seu irmão. – CPCV88 olhava para curioso, ele conhecia a mulher que estava em sua frente. Yoora não esperava uma boa reação, mas aquilo tudo era estranho para ele, sua vida começara a pouco tempo, mesmo que informações vitais sobre quem ele era, o que era, ele ainda se sentia um pouco perdido, em seus circuitos era como se ele tivesse acordado de um coma.
– Por favor , assista o vídeo. Eu o assisti, mesmo que fosse destinado a você, gravou no dia do acidente, antes de todos nós sairmos do complexo e eu precisava ver o que ele tinha aprontado, precisava de uma imagem dele feliz, brincalhona, para apagar a imagem dele na capsula funerária da minha mente, eu a assisti tantas vezes que sei suas palavras de cor. Foi isso que me deu as forças necessárias para terminar o 2.0 como ele mesmo chamou. –Yoora deu um leve sorriso – Por favor não me odeie, eu fiz isso por você e pelo . – continuava em pé, olhando para Yoora sem mostrar emoções em seu rosto – Toda a parte neurológica foi trabalho do , memorias, personalidade, tudo foi ele, eu só terminei o acabamento, e por falar em terminar as coisas, eu e já estamos indo.
Yoora parou em frente a amiga e a abraçou com todas as suas forças, um lagrima solitária descendo por seu rosto, elas sabiam que esse não era o momento certo para ficarem, por mais que quisessem. fez o mesmo que Yoora, mas se demorando no abraço, sussurrou no ouvido da amiga: "Não apoio isso, mas deixei a Yoora fazer as coisas do modo dela, amo você". Yoora se encontrava em frente de CPCV88 passando a mão pôr seu rosto.
– Apague toda a conversa que você tenha escutado nessa sala de seu sistema e me forneça uma análise do sistema. – CPCV88 ficou mais ereto e seu olhar perdeu o foco – Situação emocional.
– Arquivos apagados, sistema funcionando perfeitamente, condição emocional estável, curiosidade despertada.
– Certo, está tudo certo, seja bom , cuide bem da e nada de querer se exibir por aí. – sorriu, o sorriso mais encantador que já vira na vida, era mesmo um robô que estava em sua sala? Ele parecia tão real. abraçou Yoora e bagunçou os cabelos dela rindo logo em seguida da cara irritada que a mesma fez.
– Moleque...! – rosnou ameaçadoramente – Vamos ?
Elas se despediram de mais uma vez e a deixaram na companhia de . A garota continuava olhando para ele.
– O que foi ? – Coçou a nuca – Me desculpe, eu sei que você está chateada, Yoora me disse tudo, mas eu farei qualquer coisa para te compensar, você quer ir ao shopping?
– Eu preciso de um tempo. – Foi tudo que ela conseguiu responder antes de se dirigir para seu quarto, deixando um para trás sem saber o que fazer. Seu cérebro ultra veloz não havia calculado aquele movimento, ele só pensou em sua aceitação por parte de .

sentou-se em sua cama, olhando para o pequeno envelope em suas mãos, depois de quase três horas pensando em tudo e nada ao mesmo tempo, resolveu que iria assistir a mensagem, seja lá o que estivesse no vídeo seria importante, ainda mais para Yoora fazer o que fez, ela amava tanto quando . Por mais raiva que sentisse da amiga por usar a imagem de para construir um robô, ela sabia em seu âmago, que aquilo foi importante para Yoora ou do contrário ela não o teria feito, suspirou ao se levantar para buscar sua tela interplanetária e inseriu o pequeno cartão no mesmo, iniciou o vídeo e ficou esperando.
ligou a câmera antes de ajeitar a mesma, sorria, era típico dele fazer algo assim, a imagem balançava e ela já o imaginava fazendo caretas e xingando só para ele o equipamento, a imagem estabilizou e o rosto dele então entrou em foco. Um largo sorriso mostrando todos seus dentes perfeitamente brancos e alinhados, seguido de uma piscadela.

-Você deve estar me odiando nesse momento e se perguntando como eu tive a coragem de enganar você, e eu sei que isso vai ser tão engraçado que já estou rindo adiantadamente. Eu realmente sou um gênio , você gostou do 2.0? Precisava saber se minha mulher reconhece o seu homem. – Ele soltou uma gargalhada – Oh sim, sua cara realmente ficou engraçada e eu já vou dizendo como se tivesse acontecido porque conheço você, e assistindo ao vídeo agora deve estar furiosa comigo, mas eu precisava fazer esse teste, saber se você me reconheceria de um robô, tá certo que é um “robô humano”, mas original sou eu – Ele deu outro sorriso, com um ar sonhador no rosto continuou – Eu me sinto o homem mais feliz do mundo , feliz por ter você ao meu lado, por trabalhar com o que eu gosto, pela minha família, eu me sinto feliz por tudo. E agora nós dois seremos família, vamos adotar um gato e dois cachorros e o 2.0 também, ele deu um trabalho enorme para construir, na verdade enquanto estou gravando eu ainda não terminei, mas está sendo trabalhoso – Mais uma gargalha, era feito de sorrisos e sua alegria era contagiante. – Nunca pensei que você iria aceitar sair comigo, e olhe só onde estamos hoje?! Casados! Eu realmente sou o homem mais feliz do mundo, e irei fazer de você a mulher mais feliz da via láctea. Eu amo você, sim eu amo você, oh garota como eu amo você! Vamos ser felizes para sempre, porque eu quero te fazer feliz e vou me empenhar nisso, é uma promessa. E caso você não tenha entendido o recado, eu amo você .

O vídeo terminara e agora estava aos prantos, soluçava alto. Este era o dia em que todas suas lagrimas acumuladas sairiam de seu corpo? Ouvi-lo dizer aquelas palavras que nunca se realizariam e que saiam de sua boca como se tivessem sido concretizadas, trazia todos os “e se’s” de volta a sua mente.
– Calma, calma. – Dizia para si mesma. – Vou ligar para o , ele vai me escutar e me dar bons conselhos. – Respirava fundo enquanto teclava o contato de na tela.
me ajude, estou ligando porque nosso melhor amigo teve a brilhante ideia de construir um humanoide com sua aparência, gestos, falas, até mesmo implantou memorias e todas as informações que se pode imaginar, chamando-o de 2.0! ”
Isso é ridículo, pensou.
Agora não havia mais volta, aceitara a chamada e sorria para a tela quando sua imagem surgiu, até o instante em que viu e seus olhos inchados, ela andara chorando recentemente, ele percebeu.

Capítulo 2

O bip incessante do comunicador de o tirou do transe em que se encontrava depois que Hyerin, sua assistente de trabalho o chamara, concentrado em seu relatório do dia saltou da cadeira com a mão sobre o coração.

– Obrigado Hyerin – Ele disse ao pegar o aparelho das mãos dela, na tela brilhava uma foto dele junto com sua melhor amiga, . No mesmo instante se lembrara que era aniversário dela e ele não havia ligado, enviado uma mensagem, nada. Passara o dia inteiro revisando as equações de seu novo projeto e praguejou-se no mesmo instante por seu esquecimento, era sempre assim quando estava envolvido em algum projeto, mas sorriu ao constatar que ela o ligara, desde o falecimento de a garota se fechara completamente, mudara de planeta, mudara de emprego e evitava falar sobre assuntos ligado ao rapaz ou mesmo ao antigo emprego. Eles dois haviam se tornado mais próximos ainda, se é que isso era possível, sentia-se feliz por ser o único em que agora confiava, e Yoora eram suas amigas mais próximas, mas ainda assim as evitava, sabia como podia ser teimosa quando queria, mas com ele a garota conversava. Ao conectar a chamada seu sorriso se desfez assim que a imagem de apareceu para si.

! – Disse.
– Olá ! – A garota tentou disfarçar um sorriso – Como você está?
– O que aconteceu? – Perguntou preocupado ignorando a pergunta dela, um aperto tomou conta de seu peito, era sempre assim quando se tratava de . Sempre que algo a incomodava, machucava ou a entristecia ele sentia que era seu dever ajuda-la, mas no momento eles se encontravam tão distantes e para piorar a situação morava em um planeta que não possuía nem uma base de teletransporte sequer.
e Yoora apareceram aqui hoje. – Respondeu olhando para a imagem de . – E não foi uma visita muito amigável no início. – contou tudo o que aconteceu durante a visita das amigas para , na verdade, quase tudo. – ?
– Sim.
– Você está conectado a uma linha segura? – Perguntou apreensiva mordendo o lábio inferior levemente. – Preciso lhe falar algo de importância tipo dois.
– Vou encerrar a conexão e já lhe retorno. – No mesmo instante cortou a conexão e a tela translucida brilhou com novas mensagens de , suspirou decidindo que responderia o mais jovem assim que terminasse sua conversa com , sentia-se culpada ao olhar as inúmeras mensagens que ele enviara desde o início do dia.

– Estarei no meu escritório Hyerin, se alguém vir a minha procura diga que estou em reunião, não quero ser interrompido.
– Sim senhor – Respondeu a assistente e prontamente saiu para a sala de espera que se encontra separada e antes do laboratório enquanto seguia para seu escritório, abrindo o cofre de seu aposento tirou do mesmo sua tela interplanetária que ele mesmo modificara, reescrevendo o código de segurança do governo que se encontrava em todas as telas interplanetárias do reino da Terra, claramente algo proibido, mas ser filho e sucessor do governador de um dos planetas mais importantes do reino tinha suas vantagens, o que fez lhe traria consequências se fosse descoberto, mas para sua própria sorte ele seguiu a carreira de cientista assim como seus dois melhores amigos, e sua habilidade excepcional em ciências tecnológicas lhe permitia isso, eram quase nulas as áreas da tecnologia que não soubesse dominar. Ao reconhecer seu dono a tela brilhou e fez conexão com .
– Então podemos falar qualquer coisa agora, certo? – perguntou dando ênfase em “qualquer”.
– Antes disso... Feliz aniversário .
– Obrigada , mas não está sendo um aniversário feliz e é por isso que eu preciso desabafar com você, além do que já lhe disse. – suspirou, agora mais calma e sendo tomada por uma leve irritação – Além da discussão com e Yoora hoje, o ponto principal e mais importante, o problema de tudo é que o seu amigo , aquele idiota gigante teve a audácia de fazer um humanoide de si mesmo! Ele é perfeito , é como se o próprio estivesse na minha frente! Enquanto meu coração faz flip flop na caixa torácica meu cérebro simplesmente sabe que não é certo e sinto como se meu mundo estivesse prestes desmoronar mais uma vez, ele pensa que é o , ele me tratou como, como se... pelo criador do universo ! – suspirou aflita – Ele pensa que é humano, não faz ideia do que seja e acha que nós só estamos brigados ou algo assim e estou a um passo de ter uma crise e ao mesmo tempo quero abraça-lo, estou em curto, tudo dói e eu... Ele está em algum lugar da casa agora. – se interrompeu involuntariamente, tentando engolir o choro que mais uma vez ameaçava sair, como se fosse uma máquina em curto, seu estado físico e mental duelava entre si, cansaço, dor, saudade, tristeza.
– Hey ! Me escuta, olhe para mim. – estava tremendo e lagrimas escorriam por seu rosto. – Não consigo imaginar o quão difícil está sendo esse momento, mas você precisa me escutar agora, você pode fazer isso – encostou os dedos na tela, uma tentativa inútil de alcança-la.
– Me desculpe , estou sendo tola – disse encostando seus dedos na tela imitando o mais velho – Não sei porque todas essas coisas, esses problemas resolveram aparecer hoje, tudo estava indo bem, tudo! – Suspirou.
– Você está cansada, seu dia foi estressante, seria melhor você dormir um pouco.
– Não sei como e Yoora não foram pegas na vistoria de entrada do planeta, elas podiam ter sido flagradas e condenadas, podiam estar mortas agora! – O tom de pânico subiu por sua garganta. – Mas você está certo, eu preciso descansar e já tomei muito do seu tempo, vejo que ainda está no laboratório e pelo criador , você tem vinte e sete anos, precisa se divertir, precisa conhecer alguém. – Em seus olhos via a sinceridade de e um sorriso terno brotou em seus lábios.
– Falou quem não segue seus próprios conselhos, hum? Estarei aí o mais breve possível, mas antes de embarcar para a Terra preciso resolver alguns assuntos importantes.
– Não , não precisa, você não precisa fazer isso, eu irei resolver esse problema.
– Que tipo de amigo eu seria se não movesse um dedo para lhe ajudar? Isso está fora de discussão e quando eu chegar nem pense em me expulsar da casa ou eu mesmo denuncio você para as autoridades. – disse dando um pequeno sorriso que refletiu no rosto de .
– Viajar metade da galáxia por uma amiga chorona que não consegue juntar sua merda é difícil.
– Eu atravessaria essa galáxia e qualquer outra por você. – sorriu, o primeiro sorriso sincero de seu dia e pensou que fizera certo ao ligar para .
– Eu amo você – Disse passando a mão em torno do rosto de na tela como se ele estivesse em sua frente – Mas não precisa vir até aqui, irei resolver esse problema com o 2.0 – Respondeu .
– Eu sei, eu também me amo e não ligo para o que você está falando porque eu irei sim até você e não preciso que você se preocupe comigo, preciso que você se preocupe consigo mesma , tenho que ir agora.

suspirou quando viu que encerrara a conexão sem lhe dar tempo de retrucar e dizer-lhe o quão absurda era sua ideia, mas ao mesmo tempo seu suspiro foi de alivio, os dois juntos poderiam pensar em algo e agora ela precisava ver o que seu robô estaria fazendo pelo casa. Saiu de seu quarto e respirando fundo chamou por seu nome, “?” era tão estranho estar falando o nome do homem que ocupava seus pensamentos na maior parte do tempo em voz alta, respondeu e fechou os olhos, era mesmo idêntica, a mesma voz de seu amado.

– Que belo desgraçado você é – Resmungou baixinho para si mesma, era como se seu corpo estivesse dormindo durante esses dois anos, uma reprodução fiel da sua voz e já estava pensando em mantê-lo com ela, sua parte racional estava sendo enterrada pela emocional, ela queria correr até ele e abraça-lo e dizer que sentia sua falta e que tudo era um terrível pesadelo, que a vida sem ele era um inferno e que só conseguia continuar quando estava na escola, ensinando a crianças terráqueas as maravilhas da ciência.
? – Um sussurro de a puxou de volta para a realidade. – Pelo protetor do universo, você me assustou, eu fiz o jantar. – Disse pegando em sua mão e levando-a para a cozinha, seu toque era suave, exatamente como se lembrava, tirando o toque inconsicente e protetor de , não deixara ninguém se aproximar dela, se deixando guiar por , ela observava suas mãos e subindo o olhar pelas costa do humanoide admirando o trabalho magnifico que o noivo havia feito.
– Não estou com fome. – parou de andar separando suas mãos.
... Babe – chamou-a suavemente. – Você parece cansada, me deixa cuidar de você. – deu um pequeno sorriso, claro que ele iria implantar pet names na memória do robô. – Você quer pegar um lanche fora? Eu posso guardar a comida para amanhã. – interrompeu seus pensamentos mais uma vez.
– Esqueça, vamos comer. – Disse passando por ele em direção a cozinha, a seguiu no mesmo instante.

[x]

?
– O que eu já lhe disse sobre me chamar pelo nome no local de trabalho Srta. Hyerin? – a repreendeu com o olhar, o tom de voz se mantinha inalterável.
– Me desculpe Sr. , mas já está tarde e o senhor ainda não comeu, devo trazer sua janta? Um lanche?
– Você já pode ir para casa se quiser, creio que os outros funcionários também já foram.
– Eles já foram senhor, mas eu pensei que nós...
– Então você também já pode ir Srta. Hyerin, ficarei um pouco mais, obrigada por seus serviços, até amanhã e bata a porta quando sair. – a cortou sem lhe dirigir o olhar e Hyerin sabia que aquela seria sua última palavra sobre o assunto, virou-se e saiu da sala sem dizer uma palavra, brigando consigo mesma para não voltar ao aposento e dizer o que estava entalado em sua garganta, era assim, e ela o odiava por isso, odiava o jeito como a tratava sempre que sua preciosa o contatava, não importava a situação ele largava tudo e corria para ela, nos últimos dois anos ele corria para aceitar a conexão e Hyerin nunca estivera tão satisfeita em ver a garota distante, não tinha tempo para se locomover para tão longe e Hyerin esperava do fundo de seu coração que ela nunca mais voltasse, com o casamento de e a assistente pessoal de e chefe de departamento químico tecnológico Hwang Hyerin esperava ter todo para si, mas infelizmente morreu em um trágico acidente quando terminava uma de suas pesquisas, Hyerin presenciou parte do ocorrido e no mesmo momento agiu quando percebera que salvara do mesmo destino que o levou, as imagens de desespero da ex colega de trabalho voltaram a sua mente e Hyerin sacudiu a cabeça, não queria lembrar, não queria pensar nisso, não queria sentir qualquer sentimento de compaixão pela outra mulher. Hyerin sabia que se quisesse teria nas mãos, mas a outra não percebia isso, “meu melhor amigo” ela dizia para todos que os confundiam com um casal, Hyerin ria de amargura e pensava em como essa situação parecia uma piada, notara sua presença quando fugira, mas a única coisa que ele queria era seu corpo, ela sabia e não se importava, contato que ela o tivesse ele podia continuar usando-a, ao menos era isso que ela pensava no início da “relação”, o seu problema agora era fazer ama-la, ela já tinha seu corpo, mas queria seu coração, e essa era a pior parte.

[x]

– Você não falou muito durante a refeição , a comida não ficou boa?
– Está uma delícia , eu só estava pensando um pouco e você também não comeu nada. – Respondeu olhando para o próprio prato ao falar o apelido de sentiu seu sangue subir para o rosto e achou melhor olhar para baixo, murmurando enquanto remexia a cabeça de um lado para o outro.
– O que você está fazendo? – perguntou segurando seus cabelos que agora ameaçavam mergulhar no prato com os restos de comida, olhou para o lado e seu rosto ficou no mesmo nível que o de – Do que é que você está com vergonha? – riu e apertou de leve a ponta de seu nariz. – Vamos escovar os dentes. – pegou em sua mão e a levou consigo, não conseguia pensar em como tudo o que ele fazia era o que o verdadeiro faria, sempre cuidado dela, se isso continuasse ela acabaria por cair em tentação. – Me encontre na sala – disse saindo do banheiro e deixando-a escovando os dentes, ao terminar correu até seu quarto procurando seu comunicador intergaláctico, o pegou e caminhou para a sala enquanto procurava o contato de Yoora no visor.

“Qual inteligência artificial vocês instalaram no ?”
Enviou a mensagem e ficou aguardando a resposta ansiosa.
“Ah, já está chamando-o pelo nome? Graças ao criador! É A.I 2, algo que não tem na Terra, alias... aí não tem nem A.I 1, ainda estou no seu planetinha, nós podemos nos encontrar e discutir os detalhes.” – Respondeu Yoora.
“Você é tão irritante, queria que eu o chamasse de quê? Yoora você tá louca? COMO ASSIM VOCÊ USOU A.I 2 NELE? AINDA ESTÁ EM FASE DE TESTE!”
“Eu jamais iria colocar você ou qualquer outra pessoa em risco, se acalme! A.I 2 Já funciona com estabilidade, mas só está disponível para o alto escalão de cidadãos, eu só precisei dar um empurrãozinho no e ele me mostrou uma versão oficial que o governo usa.”
não acreditava no que lia, como teve a ousadia de ajudar uma de suas amigas e se fingir de desentendido quando a mesma tocara no assunto e se mostrara devastada com a atitude de Yoora.
“Ele não sabe disso” – A mensagem chegou e sentiu o alivio em seu coração.
“Por favor, não conte a ele sobre isso, nunca mais ele me deixaria pisar naquele laboratório e antes que você surte nossa conversa está em criptografia de nível E! Aprendi uns truques com um rapaz do setor de tecnologia da minha companhia.”
“Yoora você quer morrer? Eu pensei nisso mais cedo e como foi que você passou na entrada do planeta com o ?”
“A.I 2! Indetectável nesse planetinha e a estrutura esquelética não é liga de metal ou qualquer tipo de material detectável assim, mas não posso te dar os detalhes por conversa em comunicador, não sei o quão inteligente esse pessoal pode ser em criptografia.”
“Yoora você disse que a conversa era segura, agora tenho certeza que você quer matar se matar!”
“Como sempre medrosa, vou apagar tudo!” – Assim que leu toda a resposta a conversa sumiu de seu visor.

– O que você está fazendo? – A voz de soou por trás de fazendo-a pular em seu lugar.
– O que você está fazendo? – Ela perguntou de volta alterada, uma mão no coração e a outra bloqueando o comunicador.
– Limpei a cozinha e como assim Yoora vai matar todo nós?
– Hum? – se fez de desentendida.
– Não me venha com “Hum?” eu li esse pedaço da conversa e do nada tudo foi se apagando.
– Esquece isso , não é nada demais e nem ler minhas conversas você deveria! – disse indignada.
– Eu não li porque quis babe – Disse dando a volta no sofá para sentar ao lado dela – Para alguém que pediu um tempo no relacionamento você tem muitas fotos nossas na sua casa.
Então era isso o 2.0 achava, que eles estiveram separados por dois anos.

– Obrigada por me permitir vir até você e me abrigar na sua casa – Ele continuou e coçou o pescoço, visivelmente desconfortável. – Eu não consigo entender bem o que aconteceu para você pedir um tempo, ou o que eu fiz para lhe deixar brava, mas eu...
– É passado , obrigada por voltar – respondeu direcionando o olhar para sua fotografia favorita do verdadeiro , o que ela estava fazendo? – Você pode dormir no quarto de hospedes hoje e amanhã podemos conversar com calma, preciso dormir, e preciso ir trabalhar também. – Com o rosto virado e observando a fotografia como se sua vida dependesse disso não percebeu que se aproximara, somente notando quando sentiu os braços dele serpentearem sua cintura e seu queixo encostar em seu ombro.

– O que você está fazendo? – perguntou nervosa, nos últimos dois anos ninguém havia se aproximado tanto dela, a não ser , mas ele não a deixava com muita escolha, sempre querendo demonstrar afeto e inconscientemente se aproximava demais, até lhe falar “Muito perto” e ele sempre se afastava imediatamente, corando e pedindo desculpas. se afastou de e levantou do sofá – Preciso dormir, fique à vontade para explorar a casa, boa noite. – Segurando seu comunicador firmemente nas mãos partiu em direção ao quarto.

Capítulo 3

– Tem certeza que você precisa ir?
, por favor saia da frente – batia o pé nervosamente no chão, já estava ficando impaciente com o drama do... O que aquele humanoide era para ela?
– O que eu farei até você voltar? – Perguntou passando a mão nos cabelos que se encontravam bagunçados e com o movimento os deixou como um perfeito ninho de pássaro, riu e se aproximou penteando os cabelo de com as próprias mãos e sorrindo para ele. – Você fica aqui e aproveita o tempo sozinho para relaxar, descanse um pouco, aproveite suas férias.

achara melhor acompanhar a desculpa que Yoora inventara, de que tirara férias e fora atrás dela na Terra para se reconciliarem do que discutir com o mesmo a sua verdadeira natureza, após a madrugada em claro a mulher decidira o que faria com , mas quantos dias levaria para chegar no planeta? A cada segundo seu plano parecia enfraquecer.

– Ele choramingou.
– Eu não vou demorar, quando você perceber eu já estarei em casa. – Respondeu sorrindo, deu um passo à frente e pôs as mãos na cintura de , abaixou-se indo em direção ao seu rosto, era obvio que ele iria beija-la, mas ela virou o rosto completamente envergonhada e sentiu os lábios de em sua bochecha, macios e quentinhos, lembrando a si mesma de que ele não era real soltou-se de suas mãos e despediu-se apressadamente saindo do apartamento quase correndo, seu carro encontrava-se na oficina e só estaria pronto ao final da semana. suspirou e correu mais um pouco para encontrar um taxi que a levasse até a escola em que lecionava, já estava atrasada o suficiente e mesmo que fosse seu amigo o mais novo iria chamar sua atenção, seu trabalho era a sua maior paixão, tinha certeza que se não fosse pelas limitações do planeta poderia crescer desenfreadamente em sua carreira, mas ser professor de física não era uma coisa bem vista pelos terráqueos, física era necessária, mas somente até o ponto relevante para a Terra, quando ela envolvia assuntos do império era condenada por todos. , era dono de uma curiosidade insaciável e inteligência sem igual que infelizmente não era apreciada como deveria.

– Está atrasada!

Foi a primeira coisa que ouviu assim que colocou o pé na sala reservada aos professores, não vira nos corredores e imaginara que o mesmo já teria ido para sua primeira turma do dia, mas ele esperara por ela confortavelmente em sua poltrona.

– Me desculpe, vim buscar o material e já estou indo para sala de aula, estou realmente atrasada, eu sei, mas você pode brigar comigo depois? Minha turma está esperando e a essa altura já estão impacientes por ser aula no laboratório. – Disse curvando-se em sinal de desculpas e virando em direção a seu armário para jogar sua bolsa lá e retirar seu material de aula.
– A única vez que você se atrasou para o trabalho foi no primeiro dia porque não conseguia achar o local, aconteceu alguma coisa? – perguntara e já se encontrava atrás da mais velha assustando-a com tamanha proximidade quando ela se virou para seguir a sala de aula.
se encostou no armário agora fechado e desviou o olhar de .
– Acordei atrasada, isso é tudo.
você...
– O que eu já lhe disse sobre espaço pessoal, ? – o interrompeu. – Desculpe pelo atraso, nós podemos resolver minha situação depois? – se afastou abrindo caminho para a mais velha passar.
– Resolvemos depois.
– Obrigada – Respondeu e saiu praticamente correndo da presença do mais novo, era uma constante na vida de , ele a recebeu de braços abertos na escola quando todos a ignoraram pelo simples fato de ela não ser da Terra, alguns professores a chamaram de aberração e disseram que o lugar dela não era ali, que ela deveria voltar para onde nascera, mas seus alunos não se importavam, eles a amavam, e ela era uma “celebridade” na escola, não do tipo boa, mas do tipo “aquela é a garota extraterreste”, “é um espiã do império”, e muitas outras coisas desagradáveis. Isso continuou até ser eleito o novo vice diretor e dar um fim no problema, transferindo os principais causadores de desconforto e rumores da unidade escolar para outro lugar e deixando avisado os outros profissionais que agora, era uma cidadã terrestre, que ninguém entrava no planeta se o governo não autorizasse, logo ela era inofensiva, não importava de onde ela viera.

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passara a última semana vasculhando a casa e explorando a vizinhança na ausência de , queria saber o que ouvia nesses últimos anos que estiveram separados, se tinha algum hobby novo, se tivera outro namorado nesse meio tempo, mas tudo que ele encontrara eram as mesmas coisas de que se lembrava, era como se o tempo tivesse parado para ela, talvez fosse a Terra, ele pensara enquanto olhava pela janela da sala e viu descer de um carro, tentara ver o motorista, mas em vão.
abrira a porta do apartamento e colocara a bolsa no aparador, respirando fundo seguira em direção a cozinha até ouvir a voz de .
– Oh, .
Por um momento se esquecera de seu “problema” na volta para casa, só conseguia pensar na mensagem que lhe enviara, amanhã ele estará embarcando para a Terra e sentia a empolgação de ver seu melhor amigo pessoalmente depois de dois anos e uma culpa dilaceradora crescer em seu peito. Não queria que fosse embora, não queria dar fim na criação de seu noivo quando ele era sua cópia, estava acostumada com a presença de 2.0 nesse pequeno tempo que passara com ele, com seus toques e seus beijos.
Há oito dias chegara e há quatro dias ele a beijara e não teve forças para recusar, lábios macios e palavras doces, estar em casa com era como estar fora do planeta. A cada dia que passara depois do primeiro beijo mais ousado ele ficava.
– Você não ouviu nenhuma palavra do que eu disse.
– Me desculpe – disse timidamente – Tive alguns problemas na escola e, deixa pra lá.
– Vamos fazer o seguinte – Disse que agora já estava em sua frente, colocando uma mexa de seu cabelo atrás da orelha e com a outra mão acariciava seu rosto com o polegar. – Você toma um banho para relaxar, eu vou servir nosso almoço e depois nós podemos sair para comer a sobremesa. Encontrei uma sorveteria aqui por perto e o sorvete e bolos de lá são uma delícia.
– Nós temos sorvete em casa . – respondeu.
– Não é a mesma coisa, . Vamos lá, por favor. – suplicou fazendo uma carinha chorosa.
olhava para o rosto de , analisando cada detalhe da criação e tudo nele era perfeito, tudo era tão , sentiu seu coração acelerar e expectativa crescer ao perceber olhando-a fixamente com um sorriso maroto no rosto.
– Vou tomar banho e pensar na sua proposta. – disse enquanto empurrava-o levemente e seguia para seu quarto.

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– Você confirmou as passagens? – Perguntou .
– Sim, amanhã a essa hora estaremos embarcando – Respondeu Hyerin. – Eu poderia ir com você até a Terra também, e eu nos damos bem e eu seria de grande ajuda para vocês.
– Não posso colocar sua vida em risco, o que está me esperando lá é algo sério, eu não posso arriscar que você seja ferida.
...
– Me escute, Hyerin. Você precisa ficar na Lua, vai estar segura na base do governo e vai me esperar lá até eu voltar, e precisa estar preparada para qualquer coisa que possa acontecer, você irá se instalar no laboratório principal e ficara usando o aposentado destinado a mim, se fizer tudo como eu disser e ser uma boa menina eu lhe recompensarei no final – A última frase foi dita com um pequeno sorriso nos lábios de , que fez o corpo todo de Hyerin se arrepiar. – Agora venha aqui – Disse batendo levemente em seu colo, em um claro convite para a garota se sentar, Hyerin sorriu e foi em direção a , seu coração estava feliz, todos os momentos com eram preciosos e era a primeira vez que ele demonstrava preocupação com sua integridade, o que quer que fosse o problema que ajudaria a resolver era grave, mas Hyerin não estava se importando, contanto que ele fosse e logo voltasse para ela. Ela sabia que ele ficaria bem, sendo quem era tudo ficaria bem para ele.

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estava tomando banho e pensando em seu comportamento infantil, não era o de verdade, e seu estupido cérebro não conseguia separar as coisas quando se encontrava na presença do humanoide. Tudo o que conseguia pensar era em seu lábios, e como era bom beija-los, isso era sua abstinência, com certeza.
Distraída em seus pensamentos não ouvira as batidas na porta do banheiro e nem o barulho da mesma ao ser aberta.

– O almoço está pronto, você ainda irá demorar? – Perguntou , ele encontrava-se parado na porta do box, o vidro fumê e o vapor não o deixavam enxergar mais do que a silhueta da mulher. deu um pequeno salto e colocou a mão sobre o coração, ele a assustara.
– Por tudo que existe no universo, ! Você me assustou. – Ela esbravejou.
– Não foi minha intenção, eu bati na porta e você não respondeu, tive que entrar.
– Estou saindo agora.
– Vou lhe esperar na cozinha.
Ele se virou para sair do aposento quando a voz de ecoou novamente.
– Espere! – Ela pediu.
Era adrenalina correndo por todo o corpo de ? Desde que chegara estar na presença de exigia seu autocontrole, seus pensamentos eram dela, seu tempo era para ela, tudo girava ao redor dela e se comportava da melhor maneira que podia, ele sabia que seu tempo no planeta era curto, Yoora o informara que seriam apenas férias na Terra, e que ele precisava reconquistar a mulher para poder retornar com ela para casa.
– Esqueci minha toalha em cima da cama, você pode pegar? Não quero molhar o piso.
– Claro. – Foi tudo o que respondeu, abriu uma pequena fresta no box para poder pegar a toalha quando a trouxesse e encostou-se na parede, passando a mão no rosto ligou o chuveiro novamente, não demorou muito para retornar.

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– Você já está pronta?
– Estou terminando e você pode entrar, .
estava parado no batente da porta observando se arrumar.
– Eu posso ajeitar seu cabelo, se você quiser é claro. – Ele disse depois da terceira tentativa de amarrar o cabelo no estilo rabo de cavalo e bufar por não conseguir ajeitar do jeito que queria.
– Eu quero, coloque bem centralizado e no alto, por favor.
se levantou e se posicionou atrás de , pegou o prendedor de cabelo da mão dela e envolveu seus cabelos, no momento em que os dedos de passaram por sua nuca, sentiu arrepios por todo corpo e um suspiro escapou se seus lábios. continuou seu trabalho como se não houvesse ouvido nada e agradeceu ao universo por isso, até ele fazer novamente, deslizou o dedos lentamente pela nuca de e obteve o efeito anterior.
.
Seu nome saiu suave como uma prece, segurando os cabelos de com uma mão moveu a outra para seu queixo e inclinou sua cabeça suavemente, o lado exposto de seu pescoço para sentiu os lábios do mesmo, fechou os olhos e respirou fundo, uma onda de calor subia por seu corpo, os beijos se transformaram em leves mordidas, a mão que há pouco segurava seus cabelos agora estava em sua cintura, virando-a para si e segurando seu rosto com ambas as mãos, estava de olhos fechados quando beijou sua testa e sussurrou, “Você é tão linda”.
moveu suas mãos para a blusa de e o puxou levemente para si, finalmente sentindo os lábios dele nos seus, suas mãos o seguravam como se ele fosse fugir a qualquer instante, beijos lentos e carinhosos nublaram seus sentidos e logo, sentiu suas costas atingirem algo macio, e logo em seguida beijando seu pescoço, o dia estava fresco, mas o calor que sentia aumentava como se seu corpo fosse entrar em combustão a qualquer momento, mordia os lábios para que nenhum som saísse pelos mesmo e apenas barulhinhos estrangulados eram ouvidos por .
– Babe, eu quero ouvir sua voz. – falou em seu ouvido, a voz rouca atingindo por inteira e fazendo-a esfregar suas pernas uma na outra, movimento que não passou despercebido. – Me deixe ouvir sua voz. – Mordendo o lóbulo de sua orelha levemente e arrancando dela um pequeno gemido, com o rosto enterrado no pescoço da mulher, deu um sorriso e continuou descendo seus beijos, uma mão subia por dentro da blusa firmando-se em sua cintura e a outra passeava lentamente entre as coxas de .
. – Sua voz saiu fraca, a respiração encontrava-se irregular.
– Sim? – Perguntou enquanto olhava nos olhos de , sua mão ia subindo, cada vez mais perto do lugar onde mais precisava. – Você quer alguma coisa?
– Sim, quero que você pare.
O choque no rosto de mostrava que ele não sabia como proceder, a reação da mulher não havia sido calculada por ele, em todas as situações ela se entregaria, ele fora muito prepotente e somente agora percebia isso.

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Estar cansado era pouco, desde que iniciara seu novo trabalho, nunca se sentira tão exausto como nessa última semana, suas horas de sono diminuíram drasticamente e seu chefe sempre o ligava nas horas mais inapropriadas, de madrugada, enquanto estava na escola, no banho, e em todos esses momentos, corria para atender a chamada. Ao menos hoje ele conseguira sair mais cedo do trabalho, e como sempre voltava para casa a pé, apreciando o vento em sua pele, sentindo-o por seus cabelos, brincando com ele por entre seus dedos, sempre atento a seus atos, mas não dessa vez, seu susto foi imenso ao ver, de mãos dadas na rua outro homem, um homem que não deveria estar ali.

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– Você não está cansada? – perguntou, ele e , estavam de mãos dadas indo em direção a sorveteria que o mesmo descobrira ao arredores do apartamento. Após o momento constrangedor pelo qual passaram, pediu ajuda para limpar o apartamento antes de saírem.
– Nem um pouco, afinal, você que ficou com todo o trabalho mesmo. – Disse rindo no final da frase.
– Ora sua...
fora interrompido por um pequeno desequilíbrio de , um vento mais forte passara por eles, algumas latas de lixo viraram e as arvores balançaram mais rispidamente.
– Você está bem?
– Estou sim, eu só me desequilibrei um pouco, o que não é novidade, .
– Para alguém que tropeça no chão liso, você está ótima ultimamente.
Os dois gargalharam e seguiram seu caminho sem perceberem que estavam sendo vigiados.

Capítulo 4

chegara na estação lunar em um piscar de olhos, usando as bases de teletransporte do governo ele podia se deslocar para onde quisesse (se seu destino possuísse um receptor igual ao usado para se deslocar), quando quisesse. Enviara Hyerin para a Lua em um foguete, o modo convencional dos cidadãos intergalácticos viajarem. Mas da Lua em diante, precisaria viajar como um cidadão comum, entraria no planeta como qualquer outro embaixador da paz, providenciara documentos falsos, desde o nascimento a profissão, seu rosto por si só já era um perigo, conhecido por apoiar seu pai onde quer que fosse, mas na Terra isso seria o de menos, ninguém se importava com a vida fora do planeta, todos conheciam apenas o imperador, não seus líderes governadores dos outros planetas ou sua prole. se encontrava na fase final de sua viagem, e em poucos minutos pousaria na Terra.

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– Você quer ir a livraria comigo, ? Depois do expediente.
– Depois do expediente eu não posso, . Preciso resolver uns assuntos de família quando sair. – O mais novo fez beicinho.
– Ah, sim. Tudo bem. – respondeu, mas sua expressão mostrava outra coisa, ela se encontrava desapontada, planejara pedir a opinião de no caso de , ela sentia que podia confiar no mais novo e estava disposta a arriscar.
agora se batia mentalmente, não era sempre que estava disposta a sair, e justo hoje seu chefe lhe dera uma missão, receber um embaixador qualquer de um planeta qualquer.
– Se você quiser podemos ir à noite, eu passo na sua casa. – Disse dando um pequeno sorriso.
– Não precisa, . Faça o que você precisa fazer sem se preocupar, ok? – Disse sorrindo enquanto passava a mão pelo rosto de , ao contrário de ele emanava o calor natural de outro ser vivo.

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– Então essa é a arvore da qual falaram. – disse para seu acompanhante.
– Sim senhor.
– Nós vamos levar amostras, precisamos ser rápidos. Dois agentes federais estão vindo para nos acompanhar.
– Certo, irei recolher as amostras agora, o T.I precisou ficar cuidando das câmeras.


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e seguiam caminho para a profana arvore que o governo terrestre guardava, não sabiam como ela havia surgido, ou como ela escolhia os que seriam amaldiçoados com habilidades dos mais variados tipos, alguns diziam ser uma benção e não uma maldição, outros diziam que ela era de outro planeta e fora plantada para infectar e matar o solo terrestre, uma ação de espiões do império, mas que não obteve sucesso pois a arvore se adaptou ao solo terrestre e seus frutos concediam a morte ou habilidades extraordinárias para pessoas extraordinárias. Milhares de rumores se espalharam e nenhum cidadão comum ousava se aproximar do local em que a arvore estava localizada, o atual imperador não acreditava em uma bobagem como essa, eram apenas fofocas de um planeta moribundo que não mereciam sua atenção.
Ao chegarem se depararam com três figuras masculinas os esperando na entrada do terreno.

– Você deve ser o embaixador Kwon. – Disse olha diretamente para .
– Sim, e você o agente que nos foi designado. Esses são meus conselheiros, por favor, mostrem suas identificações aos cavalheiros. – A resposta amável e calorosa de um verdadeiro embaixador da paz.
– Tudo certo, podemos ir agora, vocês tem dez minutos a partir do momento que atravessarem o portão, então aconselho a andarem rápido.

Fiel à sua palavra ao termino dos dez minutos, e seus conselheiros foram escoltados por e para a saída. Lacraram o local e seguiram para a sede federal, enquanto seguia para seu hotel.

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– Que horas você irá chegar, ? – estava em um chamada de vídeo com o mais velho há horas.
– Pela manhã – Respondeu sorrindo – não acho que vou conseguir dormir agora, ansiedade em te ver está me consumindo.
E de fato estava, queria correr para o endereço da amiga desde o momento que pisara no planeta, mas precisava resolver pendencias de grande importância, os frutos que recolhera da arvore iriam mudar toda uma história, e se os rumores se provassem verdadeiros, ele obteria sua própria arvore cultivando-a em laboratório com o mesmo clima da terra. Faria seu planeta ser o maior entre todos os do império.
– Nós podemos conversar a noite toda se você quiser.
– Para você ficar cansada e dormir o dia inteiro ao invés de ficar comigo? Negativo. – disse fazendo rir.

! Posso entrar?

conhecia aquela voz, cerrou os punhos, fora do alcance da câmera de sua tela interplanetária e observou a reação de , ela tomara um susto e respondeu “só um momento”.

– Você quer falar com ele?
– Não. E você não deveria criar laços, .
– Eu não...
– Não minta pra mim – a cortou, seu olhar penetrante fez prender a respiração – Você é uma péssima mentirosa. – Ele continuou com a voz suave.
– Vamos ter o dia todo amanhã, boa noite, . – se despediu e antes que pensasse em responder, terminara a chamada.

Seu coração estava acelerado, sentia que estava traindo a confiança de e de ao mesmo tempo, mas não existia mais, tudo que tinha em sua vida era um estupido robô que pensava ser o seu , sua cabeça doía, como se a nevoa que cobria seus olhos tivesse dissipado de uma vez só a compreensão pairou sobre si. estava morto e ela estava sozinha em outro planeta com um robô do qual precisava se livrar, até chegar sua hora e ela poder se encontrar com sua metade, quantas vezes ela já não pensara em suicídio? Mas nunca a perdoaria, isso fora o que sempre a segurara. Ele amava a vida, e ela continuaria por ele, mas o que ela havia feito nos últimos dois anos? Simplesmente nada, apenas existindo. Por si mesma ela viraria o jogo. Iria embora com , voltaria ao seu planeta e levaria o 2.0 junto, contaria a verdade para ele e o deixaria decidir o que gostaria de fazer a partir do momento em que o “libertasse”.

[x]

– Preciso de um relatório atualizado da situação com nossa extraterrestre.
– Você não deveria estar em outro lugar agora?
– O chefe me liberou da missão, preciso desse maldito relatório, . E preciso ter certeza de que não fui enganado por meus olhos.
– O que aconteceu, ?
– Além de possuir habilidades extraordinárias, estou vendo gente morta.
– Do que você está falando cara?
virou o monitor de computador para .
– Está vendo esse cara? Ele era o noivo de . – disse apontando para a foto.
– E daí? Ele não tá morto?
– É sobre isso que eu tô falando! Eu vi os dois ontem de mãos dadas enquanto ia para casa.
– Você por acaso andou bebendo?
– Estou falando sério, . Eu os vi. Preciso que você volte a vigiar , igual a quando ela chegou ao planeta, mas não deixe ser visto.
– Tá maluco? Eu posso ser preso por isso.
– Você é o único que pode, . Sua habilidade é a única que passaria sem ser vista.
– Sobre o relatório, nas rondas usuais que preciso fazer eu vi ela algumas vezes com um cara, mas ele sempre andou de máscara, boné, sempre se cobrindo. Não imaginaria que seria o noivo, isso não faz sentido.
– Então você sabia que ela estava com alguém? – perguntou incrédulo.
– Isso é recente e eu não iria comentar com você algo que não fosse importante, eu sei do seu interesse romântico por ela. Pra quê ia falar sobre isso? Não é profissional.
– Tá me escondendo mais alguma coisa? Agora é tudo profissional, temos que descobrir qual é o lance com esse cara.
– Você tem algum palpite? – Perguntou .
– Vários para ser sincero e é um mais mirabolante que o outro – Disse passando as mãos pelos cabelos e dando um leve suspiro. – Ela pode ser uma espiã que mentiu sobre tudo, sobre a vinda ao planeta, sobre a morte do noivo e os dois estão armando sabe-se lá o quê para sabotar o planeta, ela pode estar nesse exato momento contatando os superiores dela e organizando um atentado e eu nunca vou saber. Ela pode não ser nada do que eu acho que seja e amo.
– Ei, . – o interrompeu – Você tá falando sério sobre isso?
– Eu juro a você que vi o noivo andando com ela.
– Não idiota, tô falando da sua paixonite estupida.
– Esqueça isso. Preciso de você na cola dela, preciso saber o que ela faz, o que ela fala, o que planeja. Estamos todos correndo perigo.

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– Você não quer que eu te acompanhe? – perguntou colocando uma mecha do cabelo de atrás de sua orelha.
– Não, . É melhor eu ir buscar o sozinha.
– Eu não gosto disso.
– Não lembro de ter lhe perguntando, estou indo, se comporte e não destrua nada.

saíra do apartamento e durante o trajeto até a estação espacial doméstica, pensara na conversa que teria com . Ele iria odiar a ideia de levar o robô para fora do planeta, correndo um risco maior ainda ao sair da Terra. O mais velho já estava a sua espera quando ela chegara a estação, esperando-a sentado em um dos bancos perto dos portões embarque e desembarque.

– Não acredito que estou atrasada!

sentia o coração batendo freneticamente somente pensando em como seria estar na presença dela mais uma vez e ao simples som de sua voz ele pensou que iria ter um ataque cardíaco ali mesmo. Levantou-se em um salto e abraçou-a, fazendo-a rir e o abraçar com força de volta.

– Você está aqui. – disse ainda abraçada ao mais velho.
– Estou aqui. – Respondeu colocando seu rosto na curva do pescoço de . Perderam a noção do tempo que ficaram abraçados.
– As pessoas vão começar a nos olhar estranho, vamos logo sair daqui. – Disse . – Você deveria ficar na minha casa.
– Eu já fiz uma reserva no hotel.
– Ninguém gosta de extraterrestres aqui, por favor, . Fique na minha casa.
– Certo, preciso ver o robô que fez com meus próprios olhos.

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? – o chamou assim que destrancou a porta e dera passagem para . – Finalmente você voltou. – respondeu indo de encontro a mulher e parando assim que encontrou com .
estava internamente assustado com tamanha perfeição e dedicação que fora posto no robô, realmente fora o melhor e maior roboticista de sua época, combinando suas habilidades com as de era engenharia e design de ponta, ainda não surgira ninguém como ele ou que ao menos chegasse perto de sua inteligência e criatividade. lembrara das palavras de enquanto olhava para sua cópia, lhe mostrara o convite do próprio imperador para se juntar ao seu seleto grupo de cientistas, pesquisadores, gênios em suas áreas e ele iria se mudar em breve levando consigo, esse fora um dos motivos de para apressar o casamento dos dois, casados eles ficariam no mesmo departamento, apenas noivos seriam separados e o fato de que ele queria a mulher para sempre consigo. não gostara da ideia de se mudar, ela também havia recebido o mesmo convite que . Quisera recusar a ofertar, mas ninguém recusa um pedido do imperador apesar de a sede do império ficar um pouco longe do planeta em que os três moravam isso não seria um grande problema, nada que as bases de teletransporte do império não dessem jeito. não recebera um convite igual aos dos amigos, pertencia ao seu próprio planeta, herdeiro de seu pai. Ele tomaria o lugar do Sr. quando o mesmo morresse e por mais brilhante que fosse nunca poderia ser convocado como os amigos foram, a dor de perder o consumia havia dias e quando o acidente ocorreu ela fora afastada de seus deveres após exames médicos a colocarem como inapta para exercer suas funções, toda uma investigação fora levantada e fora responsável por ela. a ajudara com tudo, a despacha-la para longe do planeta. Direto para a Terra, porém seus feitos jamais foram esquecidos e agora o imperador cobrava uma nova avaliação, havia muitos planos a serem feitos e ele precisava de profissionais capacitados, não se pode esquecer cientistas de destaque. O Governador mandara trazer de volta, se não conseguisse seria feito do jeito difícil e o único motivo de o governador ter avisado ao filho foi por considerar como sua própria filha, em sua adolescência dividia-se em passar metade do ano com os e o restante com seus pais. O governador ficara responsável pela mulher e garantira ao império que ela voltaria e se juntaria aos planos do mesmo.
As famílias e são uma das doze famílias da elite que controlam o planeta natal de , originalmente e se casariam para manter seus lugares no centro de poder do planeta, suas famílias tinham certeza que os dois se casariam por vontade própria, mas isso fora até a chegada de . percebera no momento que o mais novo entrara em suas vidas que as coisas tomariam um rumo diferente, mesmo tendo compartilhado quase toda a vida um com o outro se apaixonara por e não por ele. pertencia a uma das doze família, mas uma que nunca estaria no centro de poder real.
?
saíra do transe ao ser levemente sacodido pelos ombros e sorriu acompanhando e até o quarto em que ficaria.


Continua...



Nota da autora: Olá!
Eu nem tenho desculpas pela demora na atualização, mas estarei de férias mês que vem e planejo atualizar mais rápido, até o fim do mês de julho pelo menos e no mínimo um capítulo.
Me desculpem e não desistam de mim.
Muito obrigada a todas que comentaram, eu agradeço do fundo do meu coração.
Agora estou curiosa com uma coisa, com quais membros vocês estão lendo a fanfic? E vocês tem ideia de com quais membros ela está sendo escrita?
Quem puder deixar um comentário para me fazer feliz eu agradeço desde já.





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