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Última atualização: 09/04/2017

Capítulo 1


Às vezes é bem difícil entender as missões que nos são dadas. Contudo, existem aqueles que recebem, aceitam e dão a vida para concluir estas missões. Estes são chamados de Anjos. Nenhuma missão é fácil e para cada grau de dificuldade há um Anjo pré-determinado para cumpri-la, selecionado a partir da análise dos níveis de força e divindade.

Para aqueles que acham que é uma regra o Anjo responsável pela vida de um adulto ser mais forte que o de uma criança, estão totalmente enganados, pois tudo é considerado e se leva em conta todas as possibilidades para a necessidade de mais ou menos proteção. Mas que fique claro que todos temos um deles para nos guardar dos perigos diários. Se algo de ruim por acaso acontece, a culpa não é do seu Anjo, pois ele está ciente de tudo o que pode e não pode lhe acontecer e a permissão não vem dele, mas do seu Criador e está nas mãos dEle até mesmo o destino de um Anjo.

Como tudo na vida é uma eterna mudança, toda vez que passamos uma etapa de nossas vidas, dependendo da necessidade, os nossos Anjos também são trocados, e isto aconteceu com Shi-woo. Após seu aniversário de 6 anos, seus pais se separaram e com certeza aquela seria a etapa mais difícil de sua vida. O garoto e a mãe moram na cidade de Gwangju, e o pai se mudou para Hanam, cidades da Coreia do Sul. Até então ele era protegido por Asariel que passou o bastão para Rahmiel.

Ele andava lado a lado com Shi-woo e mandava conselhos a sua consciência, mas às vezes, devido a situação, o garoto não lhe dava ouvidos por estar a maior parte do tempo triste com a ausência do pai. Rahmiel é um Anjo zeloso e atencioso, em alguns momentos tinha vontade de poder ser visto por Shi-woo, para que pudesse ajudá-lo mais, pois pensava que só protege-lo e aconselhá-lo não era o suficiente.

O que deixava Rahmiel um pouco mais tranquilo era a presença de Camael, Anjo protetor da senhora Seung Yun-seo, mãe de Shi-woo. É um Anjo de espírito muito alegre e apesar das mudanças de etapas, estava com ela desde a adolescência. Por toda sua existência, Rahmiel só havia protegido crianças, a mais velha delas tinha 10, bem na época da Renascença, já estava habituado e gostava do que fazia.

Como todos, ou a maioria das pessoas sabem, os Anjos não tem sexo, apesar de terem formas humanas. São espíritos munidos de poder e santidade, mas não é possível provar se eles também tem certos sentimentos como o amor, e é aqui que nossa história realmente começa.

Era uma manhã de segunda-feira e Shi-woo estava se preparando para seu primeiro dia de aula na escola, enquanto Yun-seo servia o café para ele. Rahmiel, sentado em um banco na cozinha sorria ao olhar o menino comer biscoitos com leite, parecia algo muito bom e prazeroso, dentre outras coisas que via os humanos fazerem, aquela com certeza devia ser a melhor. Assim que o garoto terminou e escovou os dentes a mãe o levou para a escola, e como ficava a alguns quarteirões dava para ir a pé. Atrás deles, atentos a tudo em volta, os Anjos conversavam.

— Ela é uma boa mãe. — disse Rahmiel — Shi-woo vai superar a separação com os cuidados dela.
— Eu também acredito nisso, só gostaria que ela não fosse tão desatenta. — Camael olhou para a palma de sua mão e viu uma mensagem e Rahmiel recebeu a mesma na dele — Não disse.
— Acho que é por isso que você é o Anjo dela. — ele sorriu e colocou a mão no ombro de Shi-woo fazendo com que o cadarço de seu tênis se desfizesse.

Antes de chegarem a esquina, Camael colocou a mão no ombro de Yun-seo que ao olhar para o filho visualizou o cadarço solto. Então ela parou e se abaixou para amarrar o cadarço do filho, no mesmo momento um carro passou em alta velocidade e ela não viu.

— Viu quem estava no carro? — Camael perguntou, já ciente da resposta.
— Sim, Azrael.
— Aquele cara já era. Demorou, mas o dia dele chegou.
— Espero que esteja preparado para o julgamento.
— Eles nunca estão.

Os dois continuaram acompanhando seus protegidos até que a mãe se despediu de Shi-woo na porta da escola, um Anjo acenou para o outro indo com cada um ao seu destino. Assim que Shi-woo entrou na sala, já quase tomada de alunos, se sentou em uma das carteiras do fundo.

Rahmiel acenou com a cabeça sorrindo para seus irmãos Anjos que acompanhavam as outras crianças, até que algo peculiar aconteceu. Uma moça muito bonita entrou na sala sorrindo e cumprimentando a classe, mas havia algo errado, ela estava sozinha e nenhum dos outros Anjos exceto Rahmiel se mostrou preocupado ou espantado com aquilo.

— Bom dia classe, eu sou a senhorita Jeong , a nova professora do primeiro ano. Eu estou muito feliz por estar aqui com vocês e espero que possamos aproveitar ao máximo nosso tempo juntos.
— Seja bem vinda, professora Jeong! — os alunos a responderam e ela fez a chamada para ir memorizando os rostos e os nomes de cada um.

Por um tempo, Rahmiel começou a achar que talvez o Anjo dela estivesse fazendo algo um pouco distante, mas conforme as horas iam passando e ele não aparecia, ficou incomodado e curioso. Na hora do intervalo, todas as crianças saíram da sala, menos Shi-woo, Rahmiel insistia em sua consciência para que saísse e fizesse amigos, mas o garoto relutante não saia do lugar. ao vê-lo quieto no fundo se aproximou se sentando de frente a ele.

— Você é Seung Shi-woo, acertei? — ela perguntou e ele acenou a cabeça confirmando — Que bom, estou ficando boa nisso. — ela brincou sorrindo — O dia está tão bonito, por que você não quis sair?
— Eu não estou me sentindo bem.
— Quer ir a enfermaria? Eu levo você.
— Não, eu vou ficar bem.
— Sabe o que eu acho, que você só está com um pouquinho de medo. Isso é normal, eu também estou. Humm, Eu tive uma ideia, se eu for com você lá fora, a gente pode brincar no balanço juntos, o que acha? — o menino abaixou a cabeça e não disse nada — Ah vamos por favor, eu quero muito brincar e preciso de alguém forte como você para me empurrar, eu não tenho mais ninguém para quem pedir. — ela fez uma cara de piedade e acabou convencendo ele.
— Tudo bem.
— Então me dê sua mão. — ele deu a mão a ela e saíram de mãos dadas para fora indo até o balanço.

Rahmiel ficou encantado em como ela conseguiu tirar o menino daquela solidão, pela primeira vez Shi-woo parecia estar se divertindo de verdade, tanto que outras crianças se aproximaram para brincar com eles. A partir daquele dia se tornaram raros os dias em que Shi-woo estava abatido e não queria realmente brincar com os colegas.

No entanto, Rahmiel se preocupava, por que o pai do menino não vinha vê-lo, tentava confortá-lo sempre e aos poucos foi conseguindo tranquilizá-lo ao ponto dele não ter mais pesadelos e correr para o quarto da mãe no meio da noite. Ainda intrigado e sem respostas, referente a , Rahmiel decidiu sair à noite enquanto Shi-woo dormia, indo até onde ela morava. Parado em frente ao prédio fixando os olhos para as janelas do apartamento, não conseguia sentir a presença de nenhum Anjo, e então um irmão se aproximou dele.

— Está um pouco longe de seu protegido. — disse o Anjo com uma aura de luz mais intensa que a dele.
— Hamaliel? — disse surpreso com a presença dele, pois não o sentiu chegar, é um Anjo superior.
— O que está fazendo aqui?
— Shi-woo está dormindo e não terá pesadelo hoje, achei que não teria problema se me afastasse por um momento, e Camael também está lá.
— Sim, mas não foi bem isso que perguntei.
— Eu não entendo como é possível uma pessoa não ter um Anjo, então vim aqui confirmar e não sinto ninguém com ela.
— Hum. — Hamaliel olhou para a janela e conclui — É verdade, não há um Anjo com ela.
— Você sabe por que?
— Não, mas acredito que não devemos nos preocupar, de qualquer maneira vou levar o assunto até Quemuel e você, volte para Shi-woo. — Hamaliel se virou para ir embora e parou ao sentir dúvida em Rahmiel — Você pode me fazer um favor?
— Sim. — respondeu prontamente.
— Se encontrar com Barrattiel, conte tudo o que sabe sobre essa moça a ele, entendeu?
— Sim, farei isso. — Hamaliel sumiu de sua visão e ele retornou para a casa da família Seung.



Capítulo 2


Por mais que tenha sido tranquilizado por Hamaliel, Rahmiel continuava com uma sensação estranha a respeito de . Já haviam se passado dois meses, apesar de ainda ter uma certa dificuldade de interação com os colegas, Shi-woo estava indo bem na escola e tinha papel fundamental nisto, pois estava sempre o animando e o aproximando dos outros. Em alguns momentos, Rahmiel a olhava com um pouco de dispersão, pois a gentileza, beleza e nobreza que ela demonstrava em suas ações e palavras causavam sua admiração. Ele ficava um tanto desconcertado quando ela parava ao lado dele ao tirar as dúvidas de Shi-woo, por mais que ela não pudesse vê-lo tinha a sensação que era percebido. Enquanto Shi-woo brincava com os colegas no pátio da escola, Barrattiel apareceu para Rahmiel.

— Como vai irmão?
— Vou bem, e você? Por onde esteve?
— Eu estou bem, estava com uma senhora chamada Carla no Paraguai. Vou sentir falta dela, Azrael foi buscá-la ontem enquanto dormia, ela estava em paz.
— Que bom. Já foi encaminhado para alguém?
— Sim, para uma garotinha chamada Ye-eun, vai nascer em dois dias.
— Isso é maravilhoso, uma benção.
— Shi-woo parece bem.
­— Como soube?
— Encontrei com Asariel ontem e ele me contou que estava aqui, e Hamaliel disse que iria gostar de me ver, por isso eu vim.
— Falou com Hamaliel?
— Um pouco, aconteceu alguma coisa?
— Eu não sei exatamente. Ele me disse pra te contar algumas coisas, na verdade é sobre uma pessoa.
— Entendo, pode falar.
— É sobre a professora de Shi-woo, . Ela não tem um Anjo e ... — não conseguiu encontrar as palavras para expressar o que pensava e sentia.
— Está confuso, é normal.
— Mesmo para um Anjo? Eu não entendo, quando eu a olho parece que estou vendo uma estrela cadente, que o céu não foi suficiente para conter tamanho esplendor.
— A um tempo não ouço palavras assim, de um Anjo.
— O que quer dizer com isso?
— O Criador ainda não revelou o porquê dela não ter um protetor, Quemuel está constantemente com Rafael estudando a história dela, pelo visto teremos que esperar um pouco mais.
— Entendi. — Rahmiel ao olhar para ele avistou de longe e seu olhar se enterneceu. Barrattiel ficou abismado ao ver o brilho nos olhos de Rahmiel, que ao seu percebido em sua distração, retirou seus olhos tímidos dela.
— Eu vou indo, preciso conhecer a mãe da Ye-eun, nós nos veremos em breve.
— Vá em paz. — Assim que disse o Anjo sorriu e sumiu.

Na manhã seguinte, Rahmiel recebeu uma mensagem na palma de sua mão ao chegar na escola com Shi-woo e Chamuel apareceu.

— Você ficará no meu lugar?
— Sim, Rahmiel.
— Eu estive por pouco tempo com ele, mas Shi-woo não está mais tão triste como no começo, eu esperava ficar um pouco mais.
— Fique tranquilo, você fez um bom trabalho e Hamaliel disse que o pai dele começará a ligar e virá vê-lo em breve.
— Isso me deixa contente e satisfeito. Por acaso te disseram por que tomaram está decisão?
— Não, mas logo virão falar com você, não se preocupe. — ele colocou a mão levemente sobre o ombro dele.
— Obrigado Chamuel, eu sei que cuidará bem dele.
— Fique em paz, irmão. — Chamuel acompanhou Shi-woo para dentro da escola.

Rahmiel sentia que aquilo estava ligado a sua admiração por , ficou um tempo sentado no balanço pensando, poderia ir para qualquer lugar agora, e não fazia ideia de como seria estar longe dela. Decidiu se levantar e ir até a sala de aula olhar para ela por mais uma única vez e se despedir. havia dado um exercício para os alunos fazerem em grupos e estava os ajudando a desenvolver suas ideias. Ele chegou e ficou escorado na porta a admirando com carinho e então depois de alguns minutos Barrattiel apareceu ao seu lado.

— Eles parecem gostar muito dela.
— Ela é muito atenciosa com eles, dedicada e gentil, é uma boa professora.
— Gostaria de falar com ela, e você? — perguntou como quem não quer nada.
— Seria muito bom, se fosse possível.
— Não vejo por que não seria, você deveria falar com ela.
— Como? Você sabe que ela não pode nos ver, nem mesmo sabe que existimos.
— Ah, tudo é uma questão de ponto de vista, e além do mais você nunca tentou.
— Tem razão, nunca tentei, mas sei que não conseguiria, é a lei.
— Tudo é possível ao que crê, irmão. — Barrattiel colocou a mão no ombro dele sorrindo e logo sumiu.

Rahmiel voltou a admirá-la e sorriu de forma gentil ao pensar como seria conversar com ela. até então estava distraída com sua atenção nas crianças, mas ao olhar para a porta o viu e sorriu causando espanto nele. Ela pediu para que as crianças continuassem e se levantou indo em direção a ele. Rahmiel olhou para os lados procurando pelo o que ela estava olhando, mas não havia nem uma outra alma no corredor.

— Oi! — ela disse diante dele com o rosto sereno.
— Han? — Rahmiel a olhou assustado e continuou a olhar em volta, não acreditava que ela estivesse o vendo, quanto mais falando com ele — Você está me vendo? — gaguejou.
— Na verdade meus olhos tem me enganado nos últimos dias, mas se fizer questão posso colocar meus óculos. — disse baixinho com um riso tímido.
— Não, não é preciso, você está ótima assim, não que não fique linda de óculos, você fica, quero dizer, me desculpe. — ele se atrapalhou todo ao falar causando ainda mais a intensidade do sorriso dela.
— Você está procurando alguém? Está perdido?
— Você.
— Está me procurando?
— Sim, não, é que na verdade eu queria saber se poderia me ajudar? — não sabia o que pensar.
— Bom, eu estou um pouco ocupada agora com as crianças, mas se puder esperar estarei livre daqui uma hora.
— Sim, eu vou esperar você. ­— disse olhando nos olhos dela, todo encantado até que caiu em si — Quero dizer, é claro, eu vou ficar lá fora. — Seu jeito confuso era engraçado para ela e assim que ela assentiu, Rahmiel foi para fora.

Ficou sentado em um balanço, esperando, meditando e revivendo aquele momento em sua cabeça se perguntando: Como é possível que ela possa me ver? Naquele mesmo instante uma menininha de mochila se aproximou dele com duas flores, lhe entregou uma e depois voltou para a mãe indo embora. Novamente se assustou com aquela ação inesperada e se sentiu estranho, houve um borbulho no estômago, algo nada natural para ele, então foi surpreendido por .

— Desculpe se fiz você esperar muito.
— Não fez, na verdade ainda falta 2 minutos do tempo que me pediu. — disse com exatidão, pois contou cada minuto e tempo para ele era algo insignificante.
— Parece que eu me adiantei então. — ela riu — Você ainda não me disse seu nome.
— Meu nome? — olhou em volta e ao ler um outdoor próximo falou meio em dúvida — !? — tinha um olhar bobo e não conseguia disfarçar ao olhá-la.
— Prazer em conhecê-lo , meu nome é Jeong , mas eu acho que você já sabia. Então, em que eu posso te ajudar. — foi extremamente simpática.
— É que eu não — antes que pudesse dizer sentiu uma dor profunda no estômago que fez um barulho horrível, como um estrondo.
— Você está com fome?
— Eu não sei. — totalmente sem entender o motivo de seu corpo falar sozinho e daquela dor sem propósito. — É grave?
— Ah não. — Ela riu — Isso também acontece comigo e é fácil de resolver. Eu sei que é um pouco tarde para isso, mas estava indo almoçar agora, você quer vir comigo?
— Sim, eu quero, acho que posso ir pra qualquer lugar com você. — Era sincero sem nem ao menos perceber, causando um pouco de timidez e constrangimento nela.
— Então vamos, tem um lugar não muito longe daqui que é muito bom.

Ele a acompanhou até um pequeno restaurante ali perto, serviam comida caseira de boa qualidade. Se sentaram na mesa de perto da janela com vista para o Centro, pediu o que já estava acostumada a comer e vendo que ele não fazia ideia do que fazer, pediu que trouxessem o mesmo para ele também. Assim que foram servidos, ela agradeceu e começou a comer, a imitou e foi colocando a comida na boca, não sabia por que, mas aquela ação era boa e a sensação era maravilhosa.

Aos poucos a dor no estômago foi passando e ele se sentia cada vez mais satisfeito, envolvido naqueles sabores que nunca havia sentido antes, afinal, Anjos não precisam comer. ficou o observando comer e admirava achando graça das feições dele ao sentir o gosto de cada alimento que ia a sua boca, estava muito curiosa para saber sobre aquele rapaz de expressão gentil e inocente.

— Você parece estar gostando. A comida daqui é realmente boa. — ele balançou a cabeça confirmando, estava de boca cheia, então ela continuou — Você é dessa região? — ele negou — De onde você é?
— Do norte. — não podia dizer exatamente de onde tinha vindo.
— Você quer dizer Coreia do Norte, não é?
— Não, é outro norte. — ele se lembrou de outra cidade onde esteve — De Seoul.
— Ah, então é da Capital. Eu sempre tive vontade de ir lá, dizem que é muito bonita, toda iluminada, prédios bem altos e lugares caros.
— E porque nunca foi?
— O salário de professora não é isso tudo, eu não tenho tanto dinheiro, e você, tem algum?
— Não, não tenho.
— Tudo bem, eu te convidei, posso pagar desta vez. — o sorriso e desprendimento dela o fizeram se sentir contente — Você ainda não me disse em que quer que eu o ajude.
— Bem, é que — antes que pudesse concluir, foi interrompido pela ajumma que se aproximou.
— Aqui está a sua conta, querida. — a entregou o recibo — Vejo que trouxe companhia hoje — disse bem simpática.
— É, ele ainda não conhecia. Tome aqui, muito obrigada, estava ótimo como sempre. — lhe dando o dinheiro e acenou em agradecimento também.
— Eu é que agradeço, voltem sempre. — a ajumma os cumprimentou e se afastou.
— É melhor nós irmos agora. — sorriu se levantando e ele a acompanhou.

Os dois caminharam pela praça por um bom tempo. ficou tão empolgado com a comida, além do que já estava com a companhia dela, e não parava de falar sobre os sabores e o lugar. ria do jeito com que ele falava, parecia uma criança contando sobre seu primeiro natal em família. Estava escurecendo e totalmente distraída, com sua nova companhia, traçou o percurso para casa sem saber, meio que no automático. Só reparou quando se aproximou do portão do seu prédio.

— Olha só, eu nem reparei que estávamos vindo para cá. Você também mora por aqui, ?
— Ah não, na verdade estou bem longe de casa.
— Acabamos falando de tudo, menos do que você precisa. Pode me falar agora.
— Essa situação é um tanto estranha pra mim, até hoje de manhã eu pensava que tudo estaria igual, até que você veio falar comigo e — de repente sentiu uns pingos de chuva caírem no seu rosto e a sensação mais uma vez foi maravilhosa.
— Está começando a chover, é melhor nós nos vermos amanhã, tudo bem?
— Sim, já estou ansioso por isso.
— Estranho, a gente mal se conhece e eu já confio em você. — ela sorriu — Eu vou entrar, até amanhã. — ela acenou e deu alguns passos entrando pelo portão e depois pela porta do prédio.

ficou ali parado, admirando a água descer e escorrer pelo seu rosto, o som era como música para seus ouvidos, sentir aquele toque lhe deu uma nova emoção, até então quando era um Anjo não tinha atenção para com aquelas coisas, chegava a se arrepiar pois tudo o que vira os humanos fazerem podia fazer, mas até quando, por quanto tempo e por que?




Capítulo 3


entrou em seu apartamento no segundo andar, em meio a sorrisos. Pensava ser surpreendente como em tão pouco tempo, uma pessoa desconhecida poderia lhe passar uma sensação tão boa que lhe causava ânimo, alegria, um misto de confiança, segurança e esperança. Dependurou a bolsa no cabideiro de chão no quarto e tomou um banho quente e demorado. Apesar do dia ter sido quente, a chuva trouxe ventos frios para a noite e decidiu fazer uma sopa. Enquanto os legumes cozinhavam, ela foi até a janela olhar a intensidade da água que descia, ao olhar para a rua avistou um homem sentado na calçada debaixo daquele temporal.

Reparando melhor pôde constatar que era e ficou estarrecida com a situação, tanto que sem pensar muito desligou o fogo debaixo das panelas, colocou um sobretudo e as botas, pegou o guarda-chuva e saiu. estava todo encharcado, mas não parecia incomodado, pelo contrário, se sentia bem tranquilo e a vontade, assim que viu uma sombra se aproximar deu uma pausa em seus devaneios e a vendo de pé debaixo do guarda-chuva, se levantou instantaneamente ficando de frente a ela.

— O que está fazendo aqui, pegando toda está chuva? Por que não foi pra casa? — disse com preocupação.
— É que eu não tenho uma, exatamente.
— Ah! — se sentiu mal por ele — Você podia ter me dito. Já entendi, estava com vergonha, não é? — ele não soube o que dizer, não entendia nem o porquê daquilo estar acontecendo — Tudo bem, você pode ficar na minha casa.
— Ham? — confuso.
— Por favor, não pense mal de mim. Eu me sentiria péssima se te deixasse aqui, debaixo de chuva, então não consigo pensar em outra solução agora.
— Você é uma pessoa muito boa , obrigado!
— Deixe para agradecer depois, é melhor irmos para dentro antes que você possa ficar doente. — ele assentiu e se achegou para junto dela debaixo do guarda-chuva até entrarem no prédio. Já em seu apartamento. — Eu vou pegar uma toalha e roupas secas, acho que devo ter algo do seu tamanho. — assim ela fez, o deixando na sala.

estava tremendo, mesmo a casa estando aquecida, o fato de estar molhado pela primeira vez o deixava preocupado e maravilhado ao mesmo tempo. voltou com as toalhas, uma camiseta e uma calça de moletom um pouco larga e entregou a ele que já foi passando a toalha nos cabelos e sem perceber tirou o sobretudo branco e a camisa na frente dela.

— Você pode fazer isso no banheiro, fica no fim do corredor. — disse um tanto apreensiva, tímida e com o rosto corado de vergonha.
— Sim, obrigada. — ele assentiu e foi rapidamente para lá, pensando em como aquela situação era estranha e constrangedora.

voltou para a cozinha e religou a panela da sopa, com alguns minutos ele apareceu na porta novamente e ficou a observando totalmente distraído até que ela o percebeu.

— Eu estava fazendo uma sopa, já está pronta, imagino que esteja com fome.
— Eu estou te dando muito trabalho, sinto muito por isso.
— Não, imagina, eu só estou atendendo a alguém que precisa. A roupa ficou boa em você, não é mesmo? — vendo como ele era alto e as roupas se ajustaram perfeitamente no corpo dele.
— Realmente serviu, obrigado. — ele espirrou duas vezes seguidas.
— Nossa você deve estar se resfriando, vem é melhor se sentar e tomar a sopa quente, vai ajudá-lo a melhorar.

Ele obedeceu e se sentou na cadeira da mesa da cozinha, ela serviu aos dois e se sentou de frente para ele. Às vezes, ficava olhando disfarçadamente para ele enquanto comia, o rapaz repetiu três vezes a tigela de sopa. Para aquilo era a melhor coisa do mundo, a melhor sensação de todas e olha-la ali tão próxima dele era como um sonho.

— Acho que não preciso perguntar se estava bom, você quase comeu a panela. — ela riu como uma criança, fazendo o coração dele disparar e começara a suar frio. — O que foi, está se sentindo bem? — perguntou vendo ele se abanar.
— Eu não sei. — sua respiração ficou um pouco pesada.

se inclinou sobre a mesa e colocou a mão sobre a testa dele para sentir sua temperatura. Aquele toque quente e suave o deixou ainda mais tenso e desassossegado que começou a corar.

— Você está um tanto quente, pode estar com febre. Por que não se deita, eu vou te fazer um chá de ervas.
— Sim, eu farei isto. — os dois se levantaram e enquanto ela foi fazer o chá ele foi para sala e se deitou no sofá.

não queria acreditar que estivesse doente, que tinha fome ou que tinha aquelas sensações perto dela. Ficava olhando para o nada e se revirando no sofá até que ela se aproximou com uma xícara em uma das mãos e um cobertor na outra.

— É bom tomar cuidado, está bem quente. — o entregou sorrindo — Pode ficar à vontade, eu trouxe isto também, vai se sentir mais confortável. — colocou ao lado dele — Bem, eu já vou me deitar, se precisar de alguma coisa é só chamar, é a porta ao lado do banheiro.
— Você está sendo muito gentil, com certeza eu ficarei bem!
— Então, tenha um bom descanso. — ela sorriu mais uma vez o deixando encabulado e ao se virar, ele a segurou pela mão a surpreendendo.
— Muito obrigado! — disse a olhando nos olhos. assentiu e soltou delicadamente a mão dele indo para o quarto com o coração em um turbilhão.

Os dois passaram uma parte da noite em claro, ele pensando sobre aquele dia impressionante e todas as coisas que nunca na vida pensava que poderia sentir. Já , não entendia o que estava acontecendo consigo mesma, pois nunca levou para casa um desconhecido e naquele dia havia feito mais que isso, mas apesar de tudo que pudesse sentir, não sentia medo.

No meio da madrugada, com um pouco de receio, foi até a sala para observar seu hóspede, tendo concluído que em sua casa havia um homem de quem não sabia nada além do nome, se é que aquele era o nome dele. Ao chegar da esquina da parede do corredor, viu que ele já estava dormindo, seu semblante era sereno e angelical, passava confiança. se desfez de qualquer dúvida que tivesse e se tranquilizou, voltou para seu quarto e dormiu logo em seguida.

Na manhã seguinte, logo cedo já estava de pé preparando o café como de costume, achou estranho ele ainda não ter acordado e então foi a sala chamá-lo. Era a primeira vez que dormia, e estava sonhando que perseguia coelhos. Parecia engraçado e real, pois ele sorria. se aproximou para chamá-lo e quando chegou perto para sacudi-lo ele a segurou como ao coelho no sonho, fazendo com que se desequilibrasse e ao cair no chão o trouxesse consigo.

acordou com o corpo sobre ela, os dois estavam com os rostos bem perto um do outro e se olhavam nos olhos em uma espécie de transe. vendo o rosto dela enrubescer, sentiu um certo calor e se afastou ficando de joelhos ao lado dela com a cabeça abaixada.

— Me desculpe por favor, eu estava sonhando e, eu sinto muito por isso.
— Não se preocupe, eu só vim dizer que o café está pronto. — se levantou rapidamente muito sem graça e um pouco tonta pela situação — Suas roupas estão secas no banheiro se quiser tomar um banho e se trocar.
— Obrigado.

saiu rapidamente, não conseguiu olhar para ele devido a vergonha que estava sentindo, nunca esteve tão próxima de alguém daquela forma. Enquanto foi para o banheiro, ligou para seu vizinho da frente e amigo, .

— Oi, eu preciso de ajuda. — um pouco aflita.
— Tudo bem, o que aconteceu? É o ferro de novo?
— Não, eu trouxe alguém pra casa ontem, um homem na verdade.
— Uau, já está nesse nível, e eu que achei que iria demorar mais pra você namorar alguém, e pior, nem me apresentou.
— Acontece que não somos namorados, nos conhecemos ontem à tarde e ele passou a noite aqui.
, eu não conhecia esse seu lado safadinha. — brincou, rindo exageradamente.
— Por favor, não diga uma coisa dessa, não é nada disso. Eu só fiquei com pena dele, estava lá fora na chuva, me pareceu totalmente perdido. — dizia tentando se explicar ao amigo.
— Hum, sei. Você e esse seu grande coração, mas me diga, ele se comportou, não tentou nada?
— Não. — levou o acontecido como acidente e preferiu não comentar com — Nós dois não tivemos nada, mesmo.
— Pelo o que vejo, você tem tudo sob controle, então, em que você precisa da minha ajuda?
— É que ele não pode ficar aqui, comigo, e como ele disse que não tem pra onde ir eu pensei que, como você ainda precisa de alguém para dividir o apartamento, poderia abriga-lo.
— Bom, se ele tiver um emprego para ajudar com as despesas, por mim tudo bem.
— Acontece que, eu acho que este seja outro problema dele.
— Ah, não acredito nisso, só pode ser brincadeira.
, por favor, você é o único para quem eu posso pedir isso. Ele veio até mim pedindo ajuda, confiou em mim, não posso simplesmente virar as costas.
— Com tanto homem no mundo, você resolve ajudar um sem casa e sem emprego ao mesmo tempo, problemático.
— Eu sei que você pode ajudar, arrumaria emprego para ele em dois tempos, e além do mais ele é um cara legal, logo vocês se tornam amigos.
— Você e esse seu charme de garota inocente, sempre consegue o que quer. Tudo bem, traz ele aqui quando for sair.
, você é o melhor. Muito obrigada, eu vou te recompensar, prometo.
— Assim espero, até logo.
— Até. — assim que ela desligou o telefone, apareceu da porta ainda bem tímido. — Sente-se, eu fiz tudo isso pra você, deve estar com fome.
— Você é gentil. — ele se sentou, agradeceu e começou a comer um pouco retraído.
— Está se sentindo bem?
— Estou muito melhor, obrigado.
— Que bom. Eu vou para o trabalho daqui a pouco, você deve ir também, não é?
— Com você?
— Não. — ela riu — Para o seu. Você realmente não tem um emprego?
— Eu tinha um, era muito importante, mas por algum motivo que ainda não sei, eu não posso voltar.
— Entendi. Então eu fiz bem.
— Hum?
— Eu vou te levar para conhecer uma pessoa quando terminar o café, agora coma. — ela sorriu e ele concordou com a boca cheia.

Assim que ele terminou, organizou a cozinha, pegou sua bolsa e pasta saindo logo em seguida com ele trancando a porta. Tocou a campainha da porta da frente que logo se abriu.

— Bom dia. — disse o rapaz bonito, de sorriso amistoso que atendeu a porta.
— Bom dia. — respondeu com timidez.
este é , e este é , meu vizinho e amigo.
— Prazer. — lhe estendeu a mão e ele a apertou.
— Para mim também.
— Agora que se conhecem, eu vou deixá-los mais à vontade, preciso ir.
— E o que eu faço? — perguntou.
— Não se preocupe, vai ajudar você com que precisar, estará em boas mãos. Nos vemos depois. ?
— Fique tranquila e faça um bom trabalho, eu cuidarei de tudo. — ela assentiu e foi embora — Eh, , entra ai. — o rapaz entrou meio receoso — Você não tem nenhuma bagagem, nada?
— Não, eu não precisava de nada, pelo menos até agora.
— Ok! Não vai ser fácil, mas eu posso dar um jeito, eu sempre dou. — disse analisando as roupas e o tamanho de . — Primeiro vamos ter que melhorar seu visual, é horrível. Aí, você estando mais apresentável, posso te arrumar um emprego. Vamos nessa. — ele sorriu e assentiu sorrindo também, mesmo sem ter ideia de tudo o que disse.

tinha um vasto closet em seu quarto e escolheu umas peças de roupa que, apesar de parecer novas, não usava mais. Felizmente, ele e eram praticamente do mesmo tamanho, e as roupas fizeram o rapaz parecer mais jovem e bem apessoado. Depois de trocar de roupa novamente, acompanhou ao seu trabalho, em uma agência de moda e propaganda, onde era estilista e figurinista.

Com seu jeito persuasivo, conversou com sua chefe dando o pretexto de que precisava de um ajudante. Sendo bastante convincente nos seus argumentos, ela acabou concordando que trabalhasse lá com ele como auxiliar.




Continua...



Nota da autora:
(04.03.2017)
Olá sou a Prissiton (Pri unnie), estou aqui mais uma vez, espero que gostem e acompanhem esta nova aventura. *-*
Fiquem à vontade para aproveitar dessa fic com seus bias/preferidos de outros grupos e para deixar seus comentários!!!

- Pâms e Prissiton formando o PM², esperamos que gostem!!!
Ask PM² - Fanfic's University - Grupo Pâms Fictions

Minhas fics no FFOBS:
1908
A Um Passo do Céu
Changing From Life
Independent Women Pt.I(Mixtape: Power Girl)
Islands




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