Última atualização: 01/12/2017

Capítulo 10

JEREMY RENNER E NOVA NAMORADA VISTOS EM PÚBLICO

JEREMY RENNER EM PASSEIO DIVERTIDO COM SUA FILHA E SUPOSTA NOVA NAMORADA

RUMOR! JEREMY RENNER NAMORANDO

QUEM É A NOVA E MISTERIOSA NAMORADA DE JEREMY RENNER?


Fotos, muitas fotos. Mais fotos do que ela se sentia confortável. Fotos dela brincando com Ava, conversando com Jeremy. Fotos em que parecia que eles estavam de mãos dadas quando, na verdade, ela estava apenas passando algo para prender o cabelo de Ava. Fotos em que pareciam que estavam bem próximos, mas era apenas o ângulo em que a foto fora tirada. Fotos dela. Fotos dele.
Fotos deles.
passava por todas aquelas matérias sem acreditar no que via. Era um número absurdo de matérias que chegaram até ela pelo Google alerts. Ela só abrira uma, e já foi o suficiente para ela saber o conteúdo das demais. Para saber que ela era a nova Cinderela de Hollywood. A babá que encantou o chefe, o famoso ator de uma das maiores franquias da atualidade. Não importava que o personagem de Jeremy nem fosse o mais famoso, ele estava ali. E ele chamava atenção.
O ator em questão estava sentado ao seu lado, sem fazer ou falar nada, apenas esperando a brecha que o permitisse falar qualquer coisa. Ele já havia tentado antes, mas parara ao perceber que nem o estava ouvindo. Ted já havia mandado mensagens para comentar algumas fotos. Felizmente seus pais não haviam se pronunciado, e com sorte não o fariam. mal havia conseguido começar a pensar no que dizer para eles.
- Eu não acredito nisso – ela suspirou, passando a mão pelos cabelos.
- , eu sinto muito
- Não é sua culpa.
Não era. Era dela. Por que ela foi inventar de se convidar a passar o dia com o ator e sua filha? Ela que sempre se mantivera distante e preferia ficar em casa quando eles queriam sair. Mas naquele dia Ava estava desanimada por conta de alguns exames, e achou que seria uma boa ideia acompanhar a garota e seu pai no passeio sugerido pelo ator. E ali estava o erro. Porque bastou Jeremy abraça-la de forma mais íntima em um momento em que os fotógrafos não estavam tão atentos que o caos se instalara e eles resolveram fotografar cada mínimo detalhe para compensar o momento que haviam perdido.
- Eu queria poder evitar isso e apagar todas essas fotos, mas...
- O que está na internet é para sempre – completou , largando o celular e deitando para o lado no sofá, sua cabeça apoiada no colo de Jeremy, que começou a acariciar seu cabelo. fechou os olhos, sua mão entrelaçando-se com a do ator que estava apoiada em sua barriga. Aquele toque simples e o carinho suave em seu cabelo servindo para acalmá-la ainda que minimamente. – Apenas... Diga que isso tudo vai sumir amanhã, que eles terão outro assunto para discutir. Mesmo que seja mentira, diga que é isso que irá acontecer.
- Amanhã eles nem lembrarão mais quem você é – disse Jeremy, e ambos sabiam que era mentira. Mas não importava naquele momento. Eles só queriam uma pequena bolha para que conseguissem respirar e pensar em como lidar com a situação que eles sabiam que surgiria, apenas não tão cedo.
Jeremy sabia qual era a solução mais prática, e também sabia que a mulher o mataria com o olhar se ele começasse a sugerir tal possibilidade. havia sido enfática quanto a manter o relacionamento deles em segredo, ela ainda nem conseguira explicar a situação para os pais! Ted concordava com o ator sobre a irmã estar exagerando no pânico, mas ele tinha a inteligência e a experiência de manter sua opinião entre ele e Jeremy, não querendo irritar ainda mais. Pelo menos Jeremy fora inteligente em manter para ele a informação que acabara salvando algumas das fotos que foram publicadas porque as achou bonitas.
Ele tinha que distraí-la, sabia disso, não achava que aquele assunto tinha que acabar ali, mas estava chateada e forçar uma conversa daquela não daria certo. Felizmente, havia um pequeno problema no futuro que ele já estava querendo discutir com a mulher e que, talvez, cumprisse a missão de tirar da cabeça dela aquelas fotos e inúmeras notícias.
- Como está sua agenda para esse mês? – perguntou o ator, mantendo o carinho nos cabelos dela e sorrindo ao perceber que ela estava quase adormecida.
- Por quê?
- Eu perguntei primeiro – brincou ele.
- Por que, Renner? – repetiu ela, o olhar firme em direção ao ator, que sorriu e suspirou.
- Vai ter um evento na cidade sobre os Vingadores e todos irão com suas famílias, incluindo as crianças, claro.
- Sim? – perguntou ela, querendo saber onde ele queria chegar com aquilo.
- E, bem, na época que começamos a combinar, nós ainda não estávamos juntos e eu disse que você iria sem problema algum como uma das babás... – começou ele, tirando a mão da barriga dela para passar nos próprios cabelos. – E, bem, agora está um pouco em cima da hora para conseguirmos alguém de confiança e...
- Você quer saber se eu aceito o trabalho. – completou , sorrindo para o ator.
- Só no primeiro dia, no segundo terão umas atividades para as crianças e gente o suficiente para ficar de olho nelas – garantiu Jeremy, os olhos deixando claro a preocupação dele diante a resposta da mulher.
- Hm...
- Eu prometo te recompensar depois – acrescentou ele, fazendo a mulher arregalar os olhos e tentar controlar um sorriso.
- Acha que pode me pagar com sexo, Renner? – perguntou ela, sorrindo ao nota-lo ficando levemente vermelho, pego de surpresa com a implicação dela.
- Eu não disse isso – disse Jeremy, se recuperando da surpresa inicial. – Mas se falou, é porque quer, então...
- Ia me recompensar como, então?
- Agora é tarde demais – disse Jeremy, sorrindo diante a expressão enfezada dela. – Sexo será.
Jeremy se inclinou para frente, selando os lábios nos dela e impedindo-a de dar a resposta que estava na ponta da língua. não reclamou, retribuindo ao beijo na mesma intensidade, ambos sorrindo diante a posição inusitada e levemente desconfortável em que se encontravam. O efeito na mulher foi instantâneo. Bastou sentir aquele toque, o entrelaçar da língua dele com a sua e toda a preocupação de momentos antes sumiu. Ali estava a bolha que eles tanto queriam. Principalmente levando em conta que estavam sozinhos, já que Ava fora passar o fim de semana na casa da mãe. Eram apenas os dois para reconstruírem aquela mesma bolha que criaram no início do relacionamento, e se dependesse deles, não estourariam tão cedo.
- Então, o que iremos assistir hoje? – perguntou Jeremy quando se afastaram. – Sei que os filmes você terminou.
- E tem mais o que? – perguntou , franzindo o cenho, tentando lembrar a lista que fizera com o que queria assistir dos trabalhos do ator.
- Eu fiz algumas séries também – disse ele. – Não tenho todas, claro, mas uma em que eu fui um dos protagonistas, eu tenho... É a...
- The Unusuals? – perguntou ela, olhando para o ator. – Eu sei, já assisti.
- Quando? – perguntou Jeremy, fazendo-a sorrir com a expressão confusa.
- Um fim de semana que você e a Ava foram viajar – deu de ombros. – Acho que foi ai que eu percebi que estava num caminho sem volta em relação a você. E não ajudou nada ter assistido isso logo depois do episódio da luta na sala. – Ambos sorriram ao se lembrar da manhã em que o flagrou sem camiseta no meio da sala. – E também acho que foi ai que eu finalmente consegui entender o fetiche que as mulheres têm com homens de uniforme, e olha que o máximo que você usou naquela série foi uma jaqueta.
- É mesmo? – Jeremy aproximou o rosto do dela, dando um selinho rápido antes de descer para o maxilar dela, sorrindo quando virou o rosto para o lado e lhe deu mais acesso ao pescoço dela. Sua mão, que voltara para a barriga dela, escorregou para debaixo da camiseta que ela usava, sentindo a pele dela se arrepiando com o toque dele. – Sabe – sussurrou ele no ouvido dela, mordendo o lóbulo de leve. tinha os olhos fechados, o lábio inferior entre os dentes – eu guardei o distintivo e as algemas.
soltou o ar que nem percebeu que havia prendido, deixando sua imaginação correr livre pelos inúmeros cenários envolvendo aquelas algemas e eles dois. A mulher virou o rosto para ele, capturando os lábios do ator e soltando um gemido abafado quando sentiu a mão dele em seu seio direito.
- Quando a Ava chega? – perguntou ela, o lábio percorrendo o maxilar dele, sentindo a barba por fazer de Jeremy arranhando sua pele, intensificando ainda mais o calor que se espalhava por seu corpo.
- Só na segunda – respondeu Jeremy, fechando os olhos ao sentir a língua dela percorrendo uma região de seu pescoço. E rindo quando ele se afastou e ela reclamou. – Fique aqui.
o viu se levantar e ficou assistindo enquanto ele se afastava, tentada a segui-lo, mas decidindo esperar. Felizmente, ele não demorou muito para voltar, em suas mãos um brilho prateado que chamou a atenção da mulher e fez com que ela pressionasse uma perna contra a outra ao imaginar o que Jeremy pretendia com aquilo. Jeremy sorriu de lado ao perceber o brilho nos olhos de , aproximando-se do sofá e puxando-a para ficar em pé, passando um braço por sua cintura e puxando-a para junto de seu corpo. colocou as duas mãos na cintura dele e voltou a selar seus lábios, os dedos aumentando a força na camiseta que o ator usava quando sentiu ele empurrando-a até a parede mais próxima.
- Eu deveria ter falado antes: encoste-se na parede – disse ele, quebrando o beijo e afastando o rosto. – Mãos para cima. – riu, erguendo os braços, sentindo as mãos de Jeremy subindo por seu abdômen e subindo a peça que cobria aquela região. Jeremy tirou a camiseta dela e depois passou a algema por seus pulsos. – Agora, eu diria que você tem o direito de permanecer em silêncio, mas eu sei que você não vai conseguir, então...

~ * ~


Afinal, a agenda de estava um pouco cheia para aquele mês, visto que suas férias estavam chegando ao fim e alguns professores já haviam se adiantado e mandando e-mails contendo a lista de leitura do semestre. Não bastasse isso, ela ainda recebera uma mensagem de seu orientador perguntando sobre o progresso da pesquisa dela durante aqueles meses. havia avançado um pouco, mas não tanto quanto ela tinha programado durante o fim do semestre anterior. Assim, após o evento em que tivera que trabalhar como babá, e onde tivera que aguentar as inúmera insinuações e perguntas sobre o suposto relacionamento dela com Jeremy, se jogou nos estudos, numa rotina semelhante à das semanas de provas.
Foram dias seguidos com noites mal dormidas, alimentação precária e a irritação cada vez que Jeremy tentava arrancá-la dos estudos. Apesar do ator entender que ela havia deixado muita coisa de lado para aproveitar as férias com ele e Ava. Após quase duas semanas, se rendeu ao cansaço excessivo de seu corpo e resolveu descansar. Considerando o roteiro que havia elaborado para as férias, ela já havia conseguido avançar bastante e considerou que era uma boa hora para tirar um tempo para si. Enquanto pai e filha acordavam para tomar o café da manhã, se fechou em seu quarto para tirar um breve cochilo antes de comer algo saudável e voltar aos estudos.
Horas depois, acordou de seu cochilo com o som das risadas altas de Ava. Ela se espreguiçou na cama e buscou o celular embaixo do travesseiro, levemente atordoada pelo despertar repentino e se surpreendendo ao ver que havia dormido mais que o previsto inicialmente. A mulher passou a mão no rosto e suspirou, ouvindo Ava gritar e as risadas da criança misturando-se as do pai logo em seguida, instintivamente ela sorriu, se sentando na cama logo em seguida. Sua boca estava seca e agradeceu por ter colocado uma garrafa de água na mesinha de cabeceira, ingerindo praticamente metade da mesma de uma vez só. Sua cabeça estava um pouco pesada, provavelmente consequência do cansaço excessivo das últimas semanas, que não seria curado por uma simples cochilada de quase três horas. Com um último suspiro, ela se levantou de vez e saiu do quarto.
Jeremy e Ava estavam no jardim atrás da casa, o que explicava os sons chegarem com tanta clareza ao quarto de . A mulher parou na soleira da porta e cruzou os braços, observando enquanto pai e filha brincavam de lutinha. Jeremy, ajoelhado na grama e com a camisa branca levemente suja de terra, tinha as mãos erguidas, enquanto Ava, parada em frente a ele e com folhas secas presas no cabelo, socava cada uma das palmas das mãos do pai alternadamente, a respiração já levemente ofegante, a língua um pouco para fora, presa entre os dentes, a testa franzida, formando uma pequena marquinha entre as sobrancelhas. Jeremy ficava falando palavras de incentivo para a filha, vez ou outra soltando alguma exclamação de dor, que não sabia se era verdade ou fingimento, por experiência própria ela sabia que Ava conseguia bater bem forte quando queria. No último soco, Ava se desequilibrou um pouco e acabou atingindo o queixo do pai, que se jogou para trás com uma mão no queixo e a outra segurando a filha para diminuir o impacto de quando ela se jogou em cima dele. Para a sorte do ator, a atenção de Ava foi desviada quando ela percebeu parada, admirando a cena.
- ! – Exclamou a menina, levantando-se desajeitada, pisando no pai em algumas vezes e sujando a camiseta mais ainda, e depois correndo em direção à babá, abraçando as pernas da mulher.
- Dando trabalho para o seu pai? – Perguntou , passando a mão no cabelo da criança, que apenas riu e concordou com um aceno de cabeça. Jeremy se levantou com calma, ainda massageando a região no queixo onde Ava o havia acertado. – Ela te pegou de jeito?
- O que você tem dado para ela comer? – Perguntou Jeremy, mostrando as palmas das mãos vermelhas. tirou uma mão do cabelo de Ava e passou no queixo dele, vendo Jeremy fazer uma careta.
- Deixe de drama – disse a mulher, sorrindo em seguida. – Ela pode bater forte, mas não o suficiente para você ficar assim.
- Quer dizer que você não vai dar um beijo para melhorar? – Perguntou Jeremy, abrindo um sorriso de lado, apenas revirou os olhos, dando atenção a Ava que começava a se sentir incomodada com as folhas secas no cabelo e pedia ajuda da babá.
- Mais tarde, quem sabe – disse ela depois, dando uma piscadela e depois se abaixando para conversar apropriadamente com Ava.
- Vou cobrar – disse Jeremy, deixando claro para a mulher que aproveitaria essa brecha dela para arrancá-la dos estudos, passando por elas para entrar na casa. se levantou, enquanto Ava corria para o quarto para pegar a escova de cabelo, e se aproximou do ator.
- Pelo que eu me lembre, foi você quem prometeu que essa semana eu receberia os cuidados e agrados. – Observou , enquanto Jeremy passava os braços por sua cintura, puxando-a para mais perto. – Ava pode nos ver. – Sussurrou ela quando Jeremy se aproximou para beijá-la.
- Ela já nos viu diversas vezes, – disse o homem, dando de ombros. – E eu não tive a oportunidade de te dar um beijo quando eu acordei.
- Sinto muito por isso – disse , dando um beijo rápido no ator, sabendo como ele ficava preocupado com aquele ritmo que ela adotava. – Para sua felicidade, eu finalmente cheguei ao meu limite hoje de manhã e só queria dormir.
- Eu entendo. – Tranquilizou-a Jeremy. – Aliás, Ava fez algo incrivelmente fofo enquanto você estava desmaiada... Quero dizer, dormindo. – Comentou ele. – Eu postei no instagram, espero que não se importe.
- Ela fez... Espera, você fez o que? – arregalou os olhos, sentindo o coração acelerar diante o que ele havia falado. – Jeremy, nós...
- Eu sei, posso deletar se quiser.
- Acho que agora é um pouco tarde demais, não? – perguntou , claramente chateada com o que o ator havia feito.
- Desculpe – disse ele, em sua defesa, parecendo sincero. – Ajuda se eu disser que nem dá para ver que é você?
- O que ela fez? – Perguntou , preferindo não discutir agora com ele, já que sua cabeça ainda estava pesada. Do próprio quarto, Ava gritou por ela e avisou que já estava indo.
- Ela acordou e perguntou de você, expliquei que estava dormindo, então ela foi até o seu quarto te ver. – Contou Jeremy, levando até seu próprio quarto enquanto o fazia. – Ai, ela veio até mim e perguntou se podia ficar com você, fazendo companhia.
- E você não deixou.
- Não, eu deixei, mas disse que ela tinha que ficar bem quietinha para não te atrapalhar. – Explicou o ator, soltando a mulher para ir até a própria mesa de cabeceira. – Ela pediu lápis e papel, deixei vocês duas sozinhas, quando voltei ela estava deitada do seu lado, desenhando isso. – Jeremy entregou a folha para , que a olhou com atenção, sentindo os olhos arderem com as lágrimas que surgiram. Era um desenho infantil, claro, mas ela já estava tão acostumada com os traços de Ava que já conseguia discerni-los facilmente. Haviam três pessoas no meio do que parecia ser um jardim, as duas primeiras reconheceu como Ava e Jeremy, a menor no meio segurando a mão das outras duas pessoas, a terceira pessoa, franziu o cenho e depois olhou para o ator a sua frente. – Essa é...
- Você. – Confirmou Jeremy, sorrindo quando viu uma lágrima escorrendo pelo rosto da mulher. voltou a olhar o desenho, só então notando que Ava havia desenhado corações envolvendo as mãos que seguravam as delas. – Acho que essa é a forma dela de dizer que você é oficialmente da família. E que talvez eu deva parar de me referir a você como somente a babá dela, e, consequentemente, a gente deve parar de fugir do inevitável e assumir tudo. – Comentou o ator, chamando a atenção de , que tinha uma clara expressão de dúvida no rosto. – Sabe, parar de despistar a imprensa, nos assumir de uma vez...
- O que você postou no instagram? – Perguntou , voltando a ficar preocupada.
- Só que Ava pediu para ficar desenhando do seu lado, basicamente o que eu te contei. – Explicou Jeremy, claramente com medo de como ela reagiria. Fora impulso, ele sabia, no momento que publicara a foto, ele se arrependera. – Está tudo bem se você não quiser assumir, não é exatamente ruim manter as escondidas. E, como eu disse, não dá para saber que é você.
- Não é isso. – passou a mão no cabelo, era uma péssima hora para ter aquela conversa, e correu para se explicar, temendo que sua reação de antes tivesse alarmado o ator de que talvez ela não quisesse aquela exposição toda. Se fosse ser bem honesta, não queria, mas sabia que havia feito uma escolha quando aceitara o pedido de Jeremy. – Eu não me importo, quero dizer... – Disse ela, fazendo uma careta e inclinando a cabeça, fazendo o ator rir. – Eu me importo e, óbvio, se pudesse e eles já não estivessem desconfiados, eu preferiria manter o segredo. Mas é sua vida e nós estamos indo melhor do que eu esperava, sem ofensas... Então, acho que é o certo a fazer. Não garanto que vou sair para todos os lados com você, ou que vou ficar sorrindo para as câmeras quando elas surgirem... Mas um passo de cada vez.
- Não posso te convidar para ir às premiações comigo, então? – Perguntou Jeremy, puxando-a de volta para seus braços.
- Ainda não. – Ela sorriu, deslizando sua mão pelo corpo do ator até chegar ao bolso da calça dele para buscar o celular, querendo ver a foto que ele havia tirado e o que havia postado.

Os dias se passaram e, para o alívio de , a postagem de Jeremy não havia repercutido tanto quanto a primeira aparição pública deles, semanas atrás. No fundo, ela sabia que tinha que aproveitar aquela calmaria, já que com certeza ela não duraria muito. Alguns dias após a publicação, ela chegou a um estágio satisfatório de sua pesquisa e entregou ao professor, lhe rendendo mais alguns dias de folga até o final efetivo de suas férias no final daquele mês.
Claro que, para Jeremy, as férias dele já haviam acabado bem antes com a divulgação do novo filme que ele estrelava com Elizabeth Olsen, e que estava mais que ansiosa para assistir, já que ouvira tantos comentários positivos sobre ele. Como havia muita coisa a ser resolvida, Jeremy pediu a ajuda de com sua própria agenda e compromissos, algo que a moça já estava habituada a fazer. E o que ela fazia naquele dia, enquanto filtrava a correspondência dele. A moça já estava habituada aos envelopes que chegavam com os ingressos e credenciais para algum evento, e por isso ela estranhou quando abriu um deles e viu não apenas um, mas dois ingressos para a première de Wind River, que estrearia na próxima semana nos Estados Unidos. Havia um pequeno bilhete na letra da agente de Jeremy, comunicando que aquele era o ingresso dele e da acompanhante dele, como pedido, aparentemente, pelo próprio ator. mordiscou o lábio assim que entendeu o que aquilo de fato era, suspirando logo em seguida. Ela olhou para o homem ao seu lado, entretido em suas redes sociais e sorriu de leve, quase se sentindo culpada por tirá-lo daquele momento.
- Jeremy, – chamou , elevando os convites assim que o ator a olhou – o que é isso?
Ela não queria soar chateada, mas só depois que as palavras saíram de sua boca foi que percebeu como ele poderia ter a impressão errada, e não se enganou. A princípio, Jeremy pareceu confuso, logo depois seus olhos se arregalaram e ele imediatamente começou a abrir a boca para pedir desculpas, parando quando a mulher levantou a mão, o indicando para pular as desculpas.
- Desculpe, não é isso que você está pensando... Quero dizer, meio que é, mas não é ao mesmo tempo – Jeremy sorriu, claramente perdido em sua própria resposta. – Eu sempre recebo convites a mais, caso eu queira levar mais alguém...
- Mas esse tem meu nome.
- Eu sei... Foi a Amber, acho que você lembra dela...
- Como esquecer? – sorriu, lembrando-se da pequena confusão que Amber causara ao anunciar uma vaga, quando era outra completamente diferente.
- Ela acha que é uma boa forma de nos assumirmos – explicou Jeremy, retirando os convites da mão dela e os encarando antes de voltar a olhar para a mulher. – Eu disse a ela que ainda estávamos indo devagar e que você não queria fazer assim, mas acho que ela já tinha enviado. Você não precisa ir, podemos assistir aqui em casa depois.
- Eles já estão comentando, Jeremy – disse , lembrando-se de quando tudo começara e dos eventuais comentários que eram feitos na foto que ele postara dela com Ava desenhando ao seu lado.
- Eu sei, e por causa do que nós conversamos e de como você pareceu ficar chateada pela foto que eu disse que não precisava enviar os convites, mas... Eu sinto muito.
- Não é sua culpa – sorriu. Ambos sabiam que era um pouco, mas era melhor não complicar ainda mais a situação delicada. encarou os convites nas mãos do ator e pegou um, fazendo Jeremy a olhar esperançoso. – Eu não estou dizendo que vou – explicou ela, abrindo um sorriso. – Só quero guardar de recordação. – O ator afirmou, não parecendo muito feliz com a resposta dela. – Não estou pronta ainda, Jer, desculpe... Quem sabe no último filme dos Vingadores?
- Último... Mas está tão longe! – Jeremy protestou entre risos, deu de ombros. – Eu gosto da ideia, pelo menos... Quer dizer que você pretende ficar comigo até lá.
- Você não pretendia ficar comigo tanto tempo? – perguntou , sorrindo divertida.
- Não foi isso o que eu disse. – Jeremy sorriu, largando o convite que restara em sua mão e se aproximando dela com a cadeira para lhe roubar um beijo.

Era um daqueles raros momentos em que ela estava sozinha em casa, e aproveitou para ligar para Ted. O convite em sua mesinha de cabeceira parecia brilhar em luz neon, não deixando que ela pensasse em qualquer outra coisa. Antes de realizar a ligação, a mulher havia tirado a foto do convite e enviado ao irmão, informando que ligaria em seguida para discutirem sobre o que ela deveria fazer.
- Ele te convidou? – Foi a primeira coisa que Ted perguntou assim que atendeu a ligação. deitou-se na cama e suspirou.
- Não diretamente – disse ela, logo depois explicando o que havia ocorrido, como ela havia encontrado os convites.
- , eu sei que você não vai gostar da minha resposta – disse Ted quando ela finalizou a narrativa – mas eu concordo com ele. Não tem mais para onde vocês fugirem e a melhor coisa é assumirem logo. Praticamente todo mundo já sabe, só você que quer agir como se não fosse verdade.
- Eu só queria um pouquinho de paz e tranquilidade.
- E você teve.
- Queria mais.
- Pensa assim, quanto mais cedo vocês assumirem, mais eles cansam de ficar caçando qualquer detalhe que confirme o que vocês querem negar, e ai logo vocês deixam de ser novidade.
- Que tipo de lógica é essa? – perguntou ela, franzindo o cenho.
- Você sabe que eu estou certo – disse ele. – Mas se quiser uma opinião mais especializada, você pode pedir ajuda da Anna.
- Anna?
- Sua vizinha.
- Ah... teoricamente ela é vizinha do Jeremy – brincou , logo depois embarcando em outros assuntos com o irmão, sentindo aos poucos o peso sair de seus ombros.
Conversar com Ted sempre a ajudava a pensar no que a perturbava. Enquanto o irmão lhe contava coisas da faculdade e do trabalho que havia conseguido, além de uma possível nova namorada, ela aproveitou para pensar no dilema que tinha a sua frente, pesando os prós e os contras da decisão que queria tomar. Para ela, era uma escolha fácil, ela sabia o que queria... Mas o medo e a insegurança a impediam de fazer aquilo. sabia que era bobeira continuar escondendo, era como Ted havia falado: todos já sabiam, iludidos eram eles, a mulher e Jeremy, achando que podiam segurar a confirmação por muito mais tempo.
Ela se lembrou do primeiro fim de semana dos dois, de como Jeremy narrara como seria o dia de uma première, de como ele se sentia ansioso por compartilhar aquela experiência com ela. Era um evento pequeno se comparado a um dos filmes da Marvel, podia agradecer por aquilo, definitivamente não estava pronta para encarar um filme dos Vingadores, seria necessária uma longa preparação para que ela começasse a aceitar aquela ideia. A mulher fechou os olhos, imaginando como Jeremy reagiria com ela aceitando o convite, e depois uma nova ideia surgindo: como ele reagiria se ela o surpreendesse.
O ator já havia feito tanto por ela naquelas últimas semanas, e ela sabia o quanto aquele filme era importante para ele, o quanto ele havia trabalhado para entregar um bom resultado. Era um dos filmes que mais orgulhava o ator, ela não queria perder a oportunidade de vê-lo e poder reagir instantaneamente, poder compartilhar com todos os demais os comentários positivos e as opiniões. Então, como se só estivesse esperando uma deixa dela, uma pequena luz se acendeu em sua mente e sorriu. Por que demorara tanto para chegar àquela conclusão?
- Ted? – chamou ela, interrompendo o irmão que narrava sobre um trabalho em grupo. – Eu preciso desligar.
- Achou sua resposta? – perguntou ele, sorrindo enquanto esperava a resposta da irmã, já mais do que acostumado ao jeito dela de ponderar suas decisões enquanto ele falava sem parar.
- Preciso fazer uma visita à vizinha – disse ela, depois olhando o relógio e fazendo uma careta, que se intensificou quando ela ouviu a porta da frente se abrindo e a risada animada de Ava. – Amanhã.
- Então posso continuar a contar a história que você estava ignorando? – brincou ele, fazendo a mulher rir enquanto saia do quarto para se juntar a pai e filha que chegavam carregando uma caixa de pizza.

No dia seguinte, a ansiedade de estava em seu ápice e ela bem que tentou diminui-la se ocupando com algumas atividades, mas nada parecia funcionar. Assim, ela resolveu finalmente colocar seu plano em ação.
- ? – Anna não escondeu a confusão ao abrir o portão e encontrar a babá. Ela havia aproveitado que Jeremy e Ava saíram juntos para um passeio, e usando uma desculpa de que estava cansada por uma noite mal dormida, a mulher ficara para trás. – Está tudo bem?
- Está... Quero dizer... Não, está sim, mas eu preciso da sua ajuda – ela daria risada da expressão confusa de Anna, não fosse seu desespero. Ela entregou o envelope que continha o convite para a première que ocorreria em menos de uma semana para a atriz e deixou que a loira interpretasse e entendesse a situação.
- Wind River... Esse não é o filme do Jeremy?
- Sim – confirmou .
- Ele te convidou para ir com ele? – Anna arregalou os olhos. – Achei que vocês estivessem indo devagar... Se bem que, depois daquela foto, bem...
- Então, teoricamente, ele não convidou, eu que achei os convites – explicou , lembrando-se da pequena conversa que tiveram alguns dias antes. – Mas ele disse que eu não precisava me preocupar, e não precisava ir.
- Isso significa que você quer ir?
- Eu passei muito tempo pensando nisso, – confessou – tenho até dó do meu irmão por ter me aguentado tanto. Sei que está em cima da hora, mas eu acho que seria uma boa ideia ir. E eu preciso de um vestido. Por isso estou aqui, você entende mais disso do que eu. Me ajuda? – Ela se atropelava nas próprias palavras tamanho era seu nervosismo, graças a deus Anna era conhecida por falar rápido e conseguia entender a mulher com facilidade.
- Com prazer, querida – disse Anna, finalmente abrindo todo o portão e dando passagem para a mulher. – Sei exatamente para quem ligar.
aceitou a oferta de uma xícara de chá enquanto Anna ligava para alguém que ela conhecia e que poderia ajuda-las em tão pouco tempo. Ela não quis prestar atenção na conversa da mulher, primeiro por achar feio, segundo por considerar que ficaria ainda mais ansiosa se ouvisse o que elas discutiam. Ocupou-se em ficar de olho no chá e conversar com Ted, tranquilizando-o e confirmando que havia tomado a atitude de ir pedir ajuda da Anna.
- Muito bem, espero que você esteja livre hoje – disse Anna, voltando à cozinha carregando uma bolsa e a chave do carro. – Ela disse que está livre para nós e que tem até algumas novidades. Iremos assim que estiver pronta.
- Vai ser maravilhoso explicar para o Jeremy que eu estava com dor de cabeça para sair com ele e com a Ava, mas estou ótima para sair com você – brincou , já pegando o celular para mandar uma mensagem para o ator.
- Querida, quando ele te ver, acredite, ele nem vai se importar.
Quando ele te ver, aquilo fez engolir em seco. Ela lembrou-se de uma conversa que tivera com o ator há pouco mais de um mês, na qual ele falara sobre como a noite de uma première era diferente de qualquer outra noite. Aquilo lhe causou um frio na barriga e um arrepio no corpo inteiro, de repente ela estava ansiosa novamente, mas era outro tipo de ansiedade, aquela que antecedia algum acontecimento muito esperado. Foi o que precisava para terminar de se convencer de que iria mesmo seguir adiante com aquilo, ainda que o nervosismo estivesse enterrado lá no fundo, ela enfrentaria.
Para seu alívio, Jeremy não pareceu muito chateado com a mensagem que ela enviou, avisando que Anna havia pedido por sua companhia para fazer algumas compras. Preocupado, claro, ele perguntou sobre sua dor de cabeça, a qual ela explicou que havia melhorado desde que ele e a filha haviam saído, tudo resultado do remédio e chá que havia tomado. Pareceu funcionar, o que ajudou a aliviar a leve culpa que ela sentia por estar mentindo para ele.
Anna parecia perceber o nervosismo da mulher, e foi conversando durante todo o caminho até o ateliê da amiga que a ajudaria. Ela evitou falar muito sobre a estilista, preferindo discutir amenidades como a agenda pesada de Chris, as gravações dos novos podcasts – lembrando-se de reforçar o convite para participar do programa – e outros assuntos mais banais. dava algum sinal de que estava ouvindo vez ou outra, agradecendo por Anna não ser o tipo de pessoa que precisava de muito incentivo para continuar falando, e por ser compreensiva além do normal.
O ateliê era um lugar simples, provavelmente já havia passado na frente do local diversas vezes e nunca prestado atenção. Uma porta com uma placa de identificação ao lado indicava a dona do local: Erin Costello. Anna apertou o botão da campainha, com a porta abrindo logo em seguida. O nervosismo havia voltado com força e mal conseguiu prestar atenção no local até perceber que estavam em uma sala ampla, com cerca de cinco mesas compridas e diversos manequins de modelagens espalhados pelo local. Alguns sustentavam uns vestidos, outros conjuntos mais variados, e outros estavam sem nada. A iluminação do local era clara e forte, incomodando os olhos de por um momento. Em um canto, havia um conjunto de espelhos posicionados de forma estratégica, com alguns focos de luzes em cima para darem uma visão perfeita da roupa que a pessoa estivesse usando. E, então, do fundo da sala, ela surgiu. Morena, simpática e esguia, o sorriso ia de orelha a orelha e a voz era rouca e suave. O cabelo curto estava preso pela metade, já que o corte não permitia que todos os fios ficassem juntos no coque no alto da cabeça. Ela usava um óculos de armação, possuía um lápis preso na orelha e no pulso uma daquelas almofadas com vários alfinetes.
- Anna! – exclamou, abrindo os braços para cumprimentar a loira. ficou um pouco de lado enquanto as duas se abraçavam calorosamente. – Meu deus, quanto tempo!
- Desculpe! – disse a loira, afastando-se da outra. – O último grande evento foi a calçada da fama, nada mais aconteceu depois.
- Vou fingir que você não acabou de confessar que só me procura quando tem eventos, para seu próprio bem – apontou a mulher, logo depois se voltando para . – E você deve ser a famosa .
- Famosa?
- Ah, querida, qualquer pessoa que tenha sobrevivido à Ava é famosa – observou a morena, sorrindo para a babá. – Sem contar que você também fisgou o Renner, é outra grande conquista.
- Não vamos esquecer da aposta com o Evans!
- Ah, claro! – O sorriso da morena pareceu aumentar ainda mais. – Nem acredito que vivi para ver o Evans perdendo uma aposta, fazia tanto tempo...
- Que bom que pude ajudar – brincou .
- Bem, estou sendo rude, porque claramente você não faz ideia de quem eu seja, e eu sei um pouco demais sobre você – brincou a estilista, estendendo a mão para fazer uma apresentação mais formal. – Erin Costello, estilista.
- Prazer, , babá da Ava.
- E namorada do Jeremy Renner, não esqueça – observou Anna.
- Ainda é muito recente, a ideia não fixou totalmente ainda – respondeu , apertando a mão de Erin, que riu da resposta dela.
- Então... Você vai à première de Wind River – disse Erin, adotando uma expressão mais séria e observando, sem se dar ao trabalho de disfarçar, dos pés à cabeça. – Não é um evento muito grande, mas é importante por ser a primeira aparição pública de vocês, então temos que arrasar, acho que vou chamar mais uma ajuda para isso, você não pode ir com qualquer maquiagem.
preferiu não argumentar contra a mulher ou perguntar para Anna o que diabos ela queria dizer com aquele papo de maquiagem e mais ajuda. Acompanhando-a até uma mesa, sentando-se no banco oferecido e respondendo às perguntas de Erin, que anotava algumas palavras-chave em um pedaço de papel e acenava positivamente quando uma resposta lhe agradava. A estilista fez umas perguntas que chegou a causar dúvida em se era para fins estilísticos ou só curiosidade, mas diante a expressão divertida de Anna, ela preferiu não perguntar, por algum motivo, gostando do estilo de Erin, quando normalmente não se sentiria confortável com alguém tão invasivo.
- Estou realmente triste porque não conseguirei fazer nada exclusivo para você – disse a mulher, batucando o lápis na mesa enquanto olhava . A princípio a babá achou que ela esperava algum comentário, mas Erin permaneceu encarando mesmo depois de dar uma resposta genérica. A boca da estilista mexia, como se ela estivesse mordiscando o interior da bochecha enquanto parecia pensar. – Odeio quando vocês fazem isso – acrescentou ela, olhando para Anna logo em seguida.
- Não me culpe, ela que só tomou a decisão hoje – disse a loira, apontando para . Erin bufou e olhou para um ponto na mesa, logo depois soltando uma exclamação e se levantando, assustando tanto Anna quanto .
- Já volto – disse a estilista, correndo pelo ateliê.
- Ela é sempre assim? – aproveitou para perguntar.
- Pior – confessou Anna. – Ela está se comportando porque acabou de te conhecer e não quer te assustar.
- Como ela conhece tanto todo mundo?
- Ela é estilista da Scarlett, e já trabalhou em quase todos os filmes da Marvel – explicou Anna, sua expressão deixando claro que havia mais, mas que ela não iria explorar. E preferiu não perguntar, até porque naquele exato momento Erin se fez presente, atravessando o local com algo em seus braços.
- Eu acho que você provavelmente não vai se sentir muito confiante, mas você veio até mim, então vai me ouvir e vai usar – disse Erin, enquanto se aproximava. Ela foi até onde o conjunto de espelhos estava e pendurou o cabide em um suporte, chamando e Anna para se aproximarem, abrindo a proteção da roupa enquanto as mulheres iam até ela. – Jeremy não vai nem saber o que o atingiu.
não conseguiu dar uma resposta àquele comentário, sua própria mente ficando em branco ao encarar a peça que lhe era exibida. O sorriso no rosto de Erin a impossibilitava de expressar qualquer negativa, e, no fundo, nem queria negar a oportunidade de usar algo tão lindo. Ela não se lembrava de algum dia ter visto algo tão maravilhoso em sua vida. A mulher engoliu em seco, aproximando-se para tocar o vestido e admirá-lo mais de perto. Ela não sabia até então, mas aquilo era exatamente o que ela queria usar no dia da première.
Por ser uma surpresa para Jeremy, as três mulheres tentaram arquitetar um plano para conseguir tirá-lo de casa a tempo de conseguir se arrumar. Nenhuma das sugestões eram boas o suficiente, então elas tiveram que recorrer à tal ajuda que Erin havia mencionado mais cedo e fizeram uma ligação para uma tal de Mavis, maquiadora pelo que Erin havia falado. E também muito conhecedora de todo o universo cinematográfico da Marvel. De acordo com informações passadas a por Anna, a maquiadora havia trabalhado com Sebastian Stan alguns anos antes dele entrar para o elenco de Capitão América.
- Muito bem, eu devo chegar ai na noite anterior ao evento – Mavis disse no telefone, após discutir algumas coisas em particular com Erin. – Como a Erin está responsável pela roupa do Jeremy, fica fácil tirá-lo de casa para eu entrar e cuidar da sua maquiagem e cabelo, .
- Meu deus – a mulher murmurou, apoiando a cabeça na mesa. – Estou me sentindo em um filme de espionagem ou algo parecido.
- Eu sei! É tão divertido! – exclamou Erin, que já havia puxando um bloco de desenho e começado a fazer uns rabiscos em uma página que continha o nome de no topo. – É tão difícil surpreender o Jeremy, você não tem noção.
- A gente sempre tenta e sempre falha – acrescentou Mavis, da chamada de vídeo. – Acho que isso só prova como você é a mulher certa para ele.
enrubesceu com aquilo. Durante todo o encontro as mulheres haviam reforçado como era bom que Jeremy finalmente havia encontrado alguém e que nunca tinham visto o ator tão feliz. Ela não respondia a nenhum dos comentários, ocupada demais em se sentir envergonhada por ser tão elogiada por um simples relacionamento. Talvez por ter pouco tempo de convívio com o ator, ela achava um exagero da parte das outras o tanto que elas comentavam sobre o “efeito ”, porém, por outro lado, concluiu que elas não insistiriam tanto no assunto se não fosse verdade.
Uma vez decidido o plano, Erin encerrou a ligação com Mavis e convidou Anna e para comerem algo e poderem se conhecer mais. A loira logo concordou e não viu outra saída a não ser aceitar também, não que ela quisesse ir embora, afinal havia se afeiçoado à estilista, porém ela ainda se sentia levemente culpada por mentir para o Jeremy.
A tarde delas passou rapidamente, com Erin contando resumidamente sua história e sua participação em um programa de moda que costumava amar.
- Não acredito que você recusou a vitória, por quê?
- É um mundo de cobras, muita falsidade – disse a mulher, dando uma mordida em um biscoito. – Você gosta de Harry Potter? – confirmou. – Então, muitos Rabichos. E, acredite, estou muito bem assim. – Erin suspirou e deu de ombros. – É clichê, mas é verdadeiro: há males que vêm para o bem. Poderia ter dado um tiro no meu próprio pé, mas deu certo e cá estou.
estava impressionada. Sabia que não havia escutado metade da história da mulher, mas se sentia inspirada. Infelizmente, o encontro chegou ao fim e elas se despediram, com Erin pedindo para voltar mais vezes e fazendo a mulher prometer que viria até a estilista quando resolvesse encarar a première de Vingadores. deu uma forma de escapar da segunda, mas aceitou o convite da primeira proposta. Quando saíram, afinal, a cabeça dela realmente doía, mas agora de excitação. Ela nunca desejou tanto por um fim de semana como agora.
E quando sexta chegou, ela mal conseguira dormir à noite, imaginando mil possibilidades para o plano tão bem elaborado dar errado. Mas, afinal, tudo parecia estar indo bem. Jeremy recebeu uma ligação logo de manhã de Erin dizendo que tivera um problema com seu terno e pedindo para ele ir ao ateliê após o almoço para os ajustes finais. Dez minutos após ele sair, Mavis chegou acompanhada de Anna, abraçando com força, ao contrário de Erin que se controlara mais.
- Você é mais linda pessoalmente – disse a maquiadora, analisando com atenção o rosto da mulher. – Terei pouquíssimo trabalho, o que é ótimo, já que temos pouco tempo.
Mavis era menos falante que Erin, mas tão eficiente quanto. A estilista mantinha as mulheres avisadas da situação, deixando-as tranquilas para fazerem um bom trabalho. Enquanto Mavis preparava a pele e fazia um penteado simples em , Anna ia passando algumas dicas de como enfrentar o evento. Facilitava que, na verdade, não era uma première exatamente, mas sim um evento para poucas pessoas, já que o filme já havia sido lançado nos festivais, então diminuía a expectativa, mas ainda mantinham algumas dicas, como formas de se comportar, o que falar ou não, e, principalmente, quando falar.
- Jeremy já é experiente no assunto, então você pode ficar tranquila – disse Anna enquanto Mavis terminava de ondular uma mecha do cabelo da mulher. – Ele vai te livrar de qualquer situação que te deixar desconfortável.
- Eu ainda acho que vocês nem vão sair de casa – comentou Mavis, olhando de relance o vestido que Erin havia dado a . – No segundo que ele te ver com esse vestido, ele vai esquecer o próprio nome.
- Vocês exageram – comentou , sentindo o rosto esquentar.
- Somos realistas – respondeu a maquiadora, finalizando o cabelo da mulher no exato momento em que Anna recebia uma mensagem de Erin comunicando que Jeremy havia saído do estúdio. – Bem na hora, ele ainda vai voltar para casa, não é?
- Sim, disse que queria se certificar de que eu estava bem – revirou os olhos. Havia usado como desculpa para declinar ao convite do evento a dor de cabeça, fora difícil mentir para o ator, mas valeria a pena.
- Muito bem – Mavis sorriu, analisando seu trabalho antes de balançar positivamente a cabeça. – Esperaremos os detalhes completos amanhã, não deixe nada de fora.
- Pode deixar - disse , olhando para o próprio celular que havia alertado da nova mensagem de Jeremy, comunicando que já estava chegando. – Seja o que Deus quiser.
- Boa sorte, querida – disse Anna, depositando um beijo no rosto da mulher antes de acompanhar Mavis para fora de casa. esperou até as duas saírem pelo portão para voltar a seu quarto e começar a fase final da preparação.

Jeremy terminava de abotoar o terno que usaria naquela noite, olhando seu reflexo no espelho e estranhando o silêncio na casa. Na verdade, estranhando a falta de uma companhia. Ava estava com a mãe naquele fim de semana, mesmo sob os protestos de , o ator insistira em lhe dar um dia de folga já que ela estava se sentindo mal por algumas noites mal dormidas e que resultaram em uma dor de cabeça incômoda. Ela havia garantido que iria acordar a tempo de se despedir dele e desejar uma boa estreia. O ator terminou de conferir se tudo estava em ordem, e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Ele olhou para a porta no fim do corredor e considerou por um momento se deveria ou não ir até lá. Decidindo tentar a sorte.
- ? – chamou ele, batendo de leve na porta, ouvindo uma resposta do outro lado. – Estou indo.
- Já vou – gritou , Jeremy assentiu, mesmo que ela não fosse ver, e seguiu para a sala. Ele olhou de relance o relógio, confirmando que ainda estava no horário e colocava o próprio convite no bolso interno quando ouviu uma movimentação. Sua boca se abriu no mesmo instante em que a viu, e ele nem mesmo tentou disfarçar, ele não sabia o que esperava, mas com certeza não era aquilo.
caminhava até ele, mas não foi aquilo que o surpreendeu. Não, foi o vestido longo e azul marinho que envolvia o corpo dela com a perfeição de algo que havia sido desenhado especialmente para ela. A transparência na região do colo era delicada, e não havia nada vulgar no corte que deixava à mostra a lateral de seu corpo na cintura, e os cristais que adornavam a área do busto pareciam iluminá-la ainda mais, principalmente quando ela se movia e a luz refletia neles. O cabelo dela estava solto, com algumas ondas, e a maquiagem estava leve e discreta, deixando o destaque para todo o vestido. Em sua mão, ela carregava uma bolsa de mão prateada, que combinava com o brinco que ela usava. Enquanto andava, Jeremy percebeu o sapato que parecia ser veludo azul marinho, para combinar com o vestido. O ator engoliu em seco, apenas absorvendo aquela imagem e se perguntando se era realmente importante a presença dele naquele evento.
- Então...? – perguntou , notando a forma que o ator a olhava e se sentindo nervosa diante o silêncio dele. Jeremy pigarreou e piscou algumas vezes, parecendo entrar em foco.
- Você está... meu deus... Eu não... – O ator sorriu, percebendo o nervosismo da mulher, e se aproximou dela. Sua mão tocando as costas dela, notando que não havia nada cobrindo a área. Delicadamente, Jeremy pegou a mão de e fez com que ela virasse para que ele pudesse ver a parte de trás do vestido, engolindo em seco ao ver as costas dela praticamente nuas, não fosse algumas tiras que possuíam os mesmos cristais da parte da frente. Ela estava deslumbrante e ele não conseguia encontrar as palavras para expressar aquilo. Quando ela voltou a ficar de frente para ele, Jeremy se inclinou o suficiente para depositar um beijo nos lábios dela. Sentindo-a relaxar em seus braços com o ato. O ator aproximou seus lábios do ouvido dela, sentindo as mãos dela em seus ombros e sorriu. – Você está perfeita.
sorriu sem graça, sentindo o rosto esquentar e uma onda de calor se espalhar por seu corpo. Ela tremia como se estivesse nua no meio de uma nevasca, tamanho era seu nervosismo. Se perguntassem, ela negaria que ficara encarando aquele vestido por quase uma hora se perguntando se realmente iria usá-lo ou não. A forma que Jeremy a olhara dos pés à cabeça deveriam ter feito o trabalho de acalmá-la, mas não conseguiu afastar a tensão até sentir o beijo calmo e delicado dele em seus lábios, sentindo que aquilo era o suficiente para tranquiliza-la.
- Não está exagerado? – perguntou ela, lembrando-se do comentário de Erin sobre não ser um evento muito grande.
- Está perfeita – repetiu Jeremy, afastando-se para olhá-la. Havia certa dúvida em seu olhar ainda, e ele não a guardou para si. – Tem certeza?
- Não – confessou ela, rindo em seguida, segurando a mão do ator quando a sentiu longe de suas costas. – Mas eu sei como esse filme é importante para você, eu quero estar lá. Eu quero ver hoje, não quero esperar mais.
Jeremy sorriu, sua mão livre se posicionando na cintura dela, a pele dela exposta macia e quente contra seu toque, e a puxou para mais perto dele, seus lábios logo capturando os dela em mais um beijo. Aquela mulher estava matando-o e não tinha ideia. Estava exigindo muito dele não ligar para sua agente e inventar uma desculpa para justificar sua ausência naquele evento.

Capítulo 11

suspirou, ficando de barriga para cima e se espreguiçando na cama extremamente vazia e fria. Ainda de olhos fechados, ela esticou o braço para o lado a fim de confirmar que sua única companhia eram os travesseiros fora de ordem. Suspirando novamente, ela virou o rosto para o lado e esticou o outro braço para tentar alcançar seu celular, só depois de tatear toda a superfície do criado-mudo se lembrou que o aparelho estava dentro de sua bolsa, perdida em algum canto do quarto junto com seu vestido da noite anterior. Finalmente, cedeu e abriu os olhos, sentando na cama para conseguir enxergar o relógio no criado-mudo do lado desocupado. Os números fizeram com que ela franzisse o cenho, não eram nem nove da manhã, e era sábado. Ela geralmente acordava naquele horário, mas os demais moradores da casa só acordavam meia ou uma hora depois. E, a julgar pela frieza nos lençóis do espaço vago ao seu lado, estava deitada ali sem companhia por muito tempo.
Ela espreguiçou-se rapidamente e afastou as cobertas, enfim se levantando e indo direto para o banheiro. Em frente ao espelho, ela analisou o que restou da noite anterior. Seu cabelo não estava tão desgrenhado quanto o esperado, mas ela ainda sentiu alguns nós quando tentou pentear com os dedos, desistindo logo para prender os fios em um rabo de cavalo com um elástico rosa que achou por ali, provavelmente de Ava. Em seguida, ela retirou, com água e sabonete mesmo, os resquícios da pouca maquiagem que usara; mais tarde se preocuparia em fazer uma limpeza mais adequada. E como não havia uma roupa dela por ali além de se vestido, e ela ainda não pretendia ir para seu quarto, pegou a camisa jogada em um canto do quarto e a vestiu, saindo do quarto logo depois.
Àquela hora, só havia um possível lugar para ela ir: o escritório. A porta do cômodo estava aberta, mas a pessoa que o ocupava não a viu chegar e se apoiar no batente da mesma, cruzando os braços e admirando as costas nuas do homem, levemente marcadas pelas unhas dela. sorriu, sentindo uma onda de calor se espalhando por seu corpo ao se lembrar da noite passada.
- Você acordou cedo – disse ela, sorrindo ao vê-lo se assustar levemente com o som inesperado. Ele lia algo no computador, um contrato, suspeitava, e se virou para olhá-la.
A onda de calor pareceu se intensificar pela forma como o olhar de Jeremy se intensificou mais após ele ver o que ela usava. Os clichês nunca pareciam acabar quando envolvia os dois. A mulher mordeu o lábio inferior, corando com a intensidade daquele olhar. Jeremy se recostou na cadeira, dando a uma visão mais ampla do peitoral nu e definido, o cabelo ainda levemente bagunçado.
- Agora estou me arrependendo – disse ele, fazendo-a voltar a focar em seu rosto. Suas bochechas ficaram ainda mais quentes e seu coração pareceu perder uma batida. se perguntou se algum dia aquilo pararia de acontecer, e se era saudável já se sentir daquela forma em tão pouco tempo de relacionamento, e se ele também se sentia daquela mesma forma. – Está tudo bem?
- Sim, claro. – sorriu, desencostando-se do batente e se aproximando do homem, que a puxou para sentar em seu colo, o sorrido dela pareceu ficar mais tímido e ele sorriu também. não podia dizer a ele o que realmente estava pensando, primeiro por não ter certeza do que aquilo tudo significava, segundo porque se fosse mesmo, ainda era cedo demais, e ela não queria correr o risco de assustá-lo. – Só me lembrando da noite passada.
- Algum arrependimento? – perguntou Jeremy, a preocupação explícita em seu rosto.
Ele já havia visto algumas matérias e fotos da noite passada, admirando a beleza ainda mais evidente de sob os holofotes. Ela havia ficado nervosa, mas em nenhum momento havia deixado transparecer, sorrindo para as câmeras com uma naturalidade que ele nunca imaginara ver em alguém principiante como ela. Mas, apesar de bela e confiante, Jeremy sabia o quanto aquela noite poderia pesar no futuro do relacionamento deles.
- Nenhum – garantiu ela, depositando um beijo delicado no pequeno vinco de preocupação que se formara entre as sobrancelhas do ator. – Relaxa – sussurrou, notando como ele ainda estava tenso, como se não acreditasse no que ela dizia. - Eu me diverti. Talvez ainda não esteja pronta para um filme da Marvel, mas algo menor, podemos tentar... E o filme é maravilhoso.
- Você já disse isso ontem... Inúmeras vezes – comentou ele, se lembrando de vê-la chorando ao final do filme, junto com a personagem de Lizzie, e depois ela o abraçara com força e por um longo tempo, elogiando-o inúmeras vezes não só pela atuação, mas pelo filme e o que ele significava.
- Nunca será o suficiente – comentou , seu olhar se desviando do rosto dele para o computador na mesa. – Algo importante?
- Hm? – perguntou Jeremy, que havia começado a espalhar beijos pelo pescoço dela, sorrindo ao ver a pele dela se arrepiando mesmo ela estando concentrada em algo completamente diferente.
- A razão para você me deixar sozinha na cama hoje.
- Foi uma decisão bem difícil de ser tomada, acredite – disse ele, acariciando despreocupadamente a coxa dela. – Mas o meu celular não parava de tocar e eu não queria te acordar.
- Obrigada pela consideração. – sorriu para o ator, estranhando quando ele não sorriu de volta. – O que foi?
- Nada.
- Jeremy... – começou ela, deixando o resto subentendido e arqueando uma sobrancelha. – Quem te ligou tão cedo?
- Meu advogado – Jeremy suspirou, esfregando a testa com a mão que antes acariciava a coxa dela. esperou paciente, sequer sabendo o que supor a partir daquela informação. – Nada demais, só a Sonni querendo dar um pouco de dor de cabeça. Nenhuma novidade.
engoliu em seco, fazia um bom tempo que ela não pensava ou tinha algum contato com a mão de Ava. E podia ser uma paranoia da cabeça dela, mas não podia ser coincidência a mulher aparecer no dia seguinte à première – que também podia ser considerado como o dia da oficialização do relacionamento deles. Apesar de não se sentir bem com aquela informação, preferiu confiar na calma de Jeremy e guardou para si suas desconfianças – uma voz bem baixa dizendo lá no fundo que aquela mulher ainda lhe daria muitas dores de cabeça. Sabendo que Jeremy esperava uma reação dela, forçou um sorriso fraco, suspirando e começando a se levantar do colo do ator.
- Vou deixar você voltar a sua...
- Não – disse Jeremy, impedindo-a de continuar a se levantar, se arrependendo levemente de ter sido tão honesto, e com medo de estragar o clima entre os dois. – Isso não é importante. – Afirmou ele, sorrindo para , que o olhou desconfiada. – Juro que não... Além disso, preciso compensar por ter te deixado sozinha hoje, isso é importante.
O ator não deu tempo para ela apresentar qualquer argumento contra, finalmente unindo seus lábios ao dela para o beijo de bom dia e muitos outros significados, apagando qualquer dúvida e desconfiança que ela poderia ter, trazendo de volta o clima que surgira quando ele a viu parada na porta do escritório.

O mês passou rapidamente e, quando viram, estavam aproveitando o último fim de semana das férias de e Ava – que voltaria a frequentar a escolinha após um ano longe, devido às leves complicações que tivera com a doença. As duas garotas estavam bem infelizes com o fim daquelas férias, principalmente , já que o ritmo dos estudos prometia aumentar devido à maior complexidade das disciplinas que pegaria. Ajudava o fato de Ava voltar à escolinha, pois haveria uma preocupação a menos em uma parte do dia.
Sábado e domingo haviam passado num piscar de olhos, e os três aproveitavam a última noite das férias espalhados pela sala. Ava brincando com algumas bonecas no chão, e e Jeremy dividiam o sofá, com os pés da mulher apoiados no colo do ator, enquanto ela usava o celular do mesmo para conferir algumas coisas, preguiçosa demais para procurar o próprio aparelho. Enquanto tentava conectar em seu próprio e-mail, ela percebeu um detalhe curioso na caixa de entrada do ator, algo que já havia notado antes quando o ajudara em alguns dias, mas naquela época não eram tão próximos a ponto dela se sentir com liberdade o suficiente para finalmente conferir o que era aquilo. E rolar pela caixa de entrada de Jeremy, conferindo o elemento em comum naqueles e-mails todos, só a deixou mais confusa e curiosa.
- Jeremy? – Chamou , fazendo o homem tirar a atenção de Ava brincando no chão para olhar para a mulher. Ela mostrou seu celular, a tela aberta na caixa de entrada de seu e-mail e Jeremy franziu o cenho. – Por que tem um monte de e-mail não lido do Sebastian na sua caixa de entrada?
- Sebastian? – Perguntou Jeremy, por um momento não reconhecendo o nome, então um clique se fez ouvir em sua mente. – Sebastian Stan?
- Sim.
- Já acumulou, foi? Tenho que passar para a pasta certa – disse o ator, olhando a tela do celular e conferindo as mensagens enviadas pelo colega de elenco.
- Como assim? Você não lê os e-mails que ele manda? – parecia incrédula.
- Ninguém lê, , é um pacto que fizemos. – O ator deu de ombros, voltando a olhar para a televisão, procurando o controle remoto para mudar de canal.
- Que tipo de amigos são vocês? – Perguntou ela.
- , são várias correntes! – O ator soltou um gemido ao se lembrar dos primeiros e-mails. – Stan acredita em tudo o que lê, e nós somos as vítimas.
- Quer dizer que ninguém abre? – o olhava sem acreditar no que ouvia. – E se alguma dessas mensagens ele estiver desabafando com você? Contando algum problema?
- O Mackie abre, eu acho. – Jeremy passou a mão no queixo, sentindo alguns pelos da barba começando a despontar.
- Quer dizer que se eu começar a te encher de e-mail você não abrirá nenhum? Se eu te mandar um pedido de socorro por e-mail, vou morrer porque você não vai abrir? – perguntou, o ator olhou para ela e mordeu o interior da bochecha para não rir. Até ela sabia que estava exagerando, mas lhe parecia um grande absurdo ignorar o amigo dessa forma, ainda mais de forma conjunta.
- Claro que não, . Você pode mandar até mensagem em código Morse que eu aprendo e vou te socorrer – disse o ator, estendendo a mão para tocar o joelho da mulher, que era a parte do corpo dela mais próxima. revirou os olhos e voltou a prestar atenção no celular, abrindo algumas das mensagens.
- Golpe aqui, vírus ali... Sorteio de celular, uau, essa é antiga – comentou ela, ignorando os comentários que Jeremy fazia, versões variadas de “eu te avisei”. – Certo, agora eu entendo porque vocês não abrem. – Disse ela, após ter aberto umas dez mensagens no mesmo estilo. Então algo chamou sua atenção. – Essa é diferente... Oi meu nome é Samara, tenho 14 anos (teria se estivesse viva)... – Jeremy olhou para a mulher ao ouvi-la soltar um gemido, arqueando uma das sobrancelhas. Surpreendendo o ator e Ava, que estava concentrada em sua brincadeira, soltou um grito e jogou o celular longe, atingindo a perna de Jeremy. – Ah, não... Devolve, espera, eu tenho que fazer uma coisa.
- , o que aconteceu? – Perguntou Jeremy, preocupado ao notar que as mãos da mulher tremiam enquanto ela pegava o celular de volta e começava a digitar loucamente.
- Papai? Está tudo bem? – Perguntou Ava, deixando as bonecas de lado por um momento.
- Sim, querida, está – tranquilizou-a o ator. – Está, não é, ? – Perguntou ele, mas a mulher o ignorou concentrada no que fazia. – ? – Ele se aproximou, tocando sua perna e fazendo pular de susto. – Calma, sou eu. Está tudo bem?
- Eu não sei – disse ela, suas mãos ainda tremendo. Jeremy retirou o celular da posse dela e viu a mensagem aberta, recém-encaminhada para uma quantidade considerável de pessoas da sua lista. – Agora eu entendi por que você nunca abria.
- Você repassou para isso tudo? – Perguntou ele, olhando a mulher e se segurando para não rir por perceber como a situação era séria.
- Você acha que eu quero sentir a presença dessa menina? – perguntou, arregalando os olhos.
- Isso é só uma brincadeira, – o ator disse, aproximando-se ainda mais para segurar as mãos dela, surpreendendo-se por senti-las tão geladas.
- Jeremy, há um bom motivo para eu nunca assistir filmes de terror – disse a moça, sentindo-se melhor com o carinho que o ator começou a fazer em suas mãos.
Ele agora entendia o que algumas fãs queriam dizer quando comentavam em fotos que ele postava que gostariam de colocar Ava, e ele às vezes, em um potinho para proteger de todo o mundo. Sentia a mesma coisa agora por . Jeremy queria rir, mas percebia como era sério, então apenas abraçou a mulher com força, fazendo-a se recostar nele e mudou o canal da televisão, colocando em uma comédia romântica na esperança de desviar a atenção dela daquele assunto. Enquanto subia e descia a mão pelo braço dela, fazendo movimentos aleatórios na tentativa de acalmá-la, Jeremy não deixou de perceber como a pele da mulher estava gelada. Eles já haviam conversado sobre gêneros de filmes que gostavam e odiavam, e ele se lembrava de falando que odiava o gênero terror, só não imaginava que era tão profundo esse medo.
Sua tática pareceu funcionar, e pela metade do filme ela já estava mais tranquila, sua pele mais aquecida, e seu corpo tremendo contra o dele quando ela soltava alguma risada. Ao final da comédia, ela se levantou para ajudar a preparar Ava para ir dormir, enquanto Jeremy arrumava a pequena bagunça que a filha havia feito. Geralmente, era a menor que organizava tudo, mas ela já estava demonstrando os sinais de cansaço pesado, e como no dia seguinte ela voltaria a escola, Jeremy abriu uma exceção e fez o trabalho da filha por ela. colocou Ava na cama, mas foi Jeremy quem leu a história para a menina dormir, como sempre fazia quando estava em casa. Ao finalizar o livrinho, que Ava sequer ouviu metade, Jeremy encontrou na cozinha, preparando um chá enquanto conferia seu próprio e-mail para confirmar os horários das aulas no dia seguinte.
- Ansiosa?
- Está óbvio assim? – perguntou ela, sorrindo amarelo para o ator. Ele se aproximou, a abraçando por trás e depositando um beijo em seu maxilar.
- Vai ficar tudo bem – sussurrou ele. – O nível de enlouquecimento será igual ao semestre passado. E você irá passar com as melhores notas igual antes.
- Você tem muita fé em mim – brincou ela.
- Você que tem pouca fé em você mesma – retrucou Jeremy, sorrindo enquanto ela negava com a cabeça. – Eu tenho uma proposta.
- Não, Jeremy, já conversamos, eu não vou dormir no seu quarto hoje – disse ela.
- Eu quis dizer sobre amanhã – disse ele, fazendo-a virar para ele. – Mas minha porta estará aberta caso queira se juntar a mim. – tentou ficar séria, mas acabou cedendo e sorrindo para o ator, que depositou um beijo rápido em seus lábios. – Você e a Ava vão sair no mesmo horário, pensei que, ao invés de você leva-la antes de ir para a faculdade, eu posso levar as duas.
- Achei que tivesse a agenda cheia amanhã – ela apoiou os braços nos ombros do ator, sentindo as mãos dele em sua cintura.
- Estou livre no horário que vocês vão sair, ninguém vai me demitir por me atrasar uns dez minutos para uma reunião.
- Tem certeza? – perguntou , sabendo exatamente qual reunião ele tinha no dia seguinte e não gostando da ideia dele se atrasar.
- Absoluta.
- Você ainda vai fazer nosso café da manhã? – perguntou ela, se lembrando do acordo que haviam feito no dia anterior. Jeremy riu, beijando a mulher novamente.
- Vou, com cobertura de chocolate para você – acrescentou, sorrindo quando a mulher arregalou os olhos e abriu um largo sorriso depois.
- Eu preciso aprender a dizer não para você, mas você deixa tão difícil – disse ela, colocando as mãos na nuca do ator quando ele se inclinou para beijá-la novamente, dessa vez aprofundando o beijo e abraçando-a com mais força.
- Boa noite, – sussurrou ele contra os lábios dela, ambos levemente ofegantes, os olhos ainda fechados.
- Hm... Posso faltar no meu primeiro dia? – brincou ela, arrancando risos do ator, que lhe roubou mais um selinho antes de se afastar, recolhendo a xícara dela e colocando na máquina de lavar louça.
- Guarde suas faltas para os momentos de desespero – aconselhou Jeremy, mesmo sabendo que a mulher não faltaria mesmo se fosse dormir faltando meia hora para o início das aulas.

encarava o teto de seu quarto há um bom tempo. Desde que havia se separado de Jeremy, ela já havia começado a sentir um frio estranho, e após ter saído do banho a sensação parecia ter aumentado ainda mais. Não havia ajudado em nada ela ter se lembrado do maldito e-mail enquanto a água escorria por seu corpo. O medo era tanto que ela recorrera ao abajur ao lado de sua cama para tentar espantar aquela sensação, mas a medida havia sido passageira, pois ali estava ela novamente, com a certeza de que havia algo em algum canto escuro de seu quarto só a esperando. Suspirou frustrada e se virou para o lado, arrepiando-se quando o cobertor se moveu e descobriu um pouco de seu pé, ela logo se apressando para voltar a se cobrir. Fechou os olhos, mas aquilo só pareceu piorar e ela quase chorou. Não conseguindo acreditar que com quase trinta anos ela não conseguia dormir por conta de uma corrente estúpida. Tinha que se lembrar de dar um soco na cara de Sebastian quando o encontrasse. Ser ignorado pelos colegas de elenco era pouco depois daquilo. se virou novamente, estendendo a mão para pegar o celular e soltando um gemido de frustração ao ver que ainda não eram nem três da manhã. Parecia que ela estava ali há tanto tempo, já estava na esperança de ver o sol dando os primeiros sinais da manhã.
- Sebastian estúpido – murmurou ela, sentando na cama e mexendo no cabelo, encarando a porta semiaberta e agradecendo pela luz do corredor estar acesa.
No auge de seu medo, ela ligaria para Jeremy se estivesse tudo escuro e pediria que ele fosse até ela. Mas como não era o caso, se levantou e saiu do quarto. Ela atravessou o corredor às pressas, parando apenas para conferir se Ava estava dormindo, e logo chegando à porta do quarto de Jeremy, que estava apenas encostada. Ele raramente a fechava desde que haviam se assumido para a filha, por causa de Ava e seus ocasionais pesadelos, com exceção apenas nas vezes em que dormia com ele. Para sua grata surpresa, Jeremy estava acordado e levantou os olhos do tablet para olhar a mulher parada a sua porta.
- ? O que foi? – perguntou ele. A mulher mexeu os pés e entrou no quarto, atravessando-o e subindo na cama ao lado do ator. – Está tudo bem? – perguntou Jeremy, enquanto se ajeitava bem colada a ele.
- Vou dormir aqui – disse ela, pegando o braço dele e colocando ao redor de seu corpo para se sentir mais segura.
- Não que eu esteja reclamando, mas posso saber o porquê? – perguntou Jeremy, apesar de já desconfiar.
- Estou com medo. – disse, tão baixinho que se não estivessem em completo silêncio, Jeremy não conseguiria ouvir. O ator riu, colocando o aparelho eletrônico na mesinha de cabeceira e escorregando no colchão para ficar no mesmo nível da mulher, depositando um beijo em seu cabelo.
- Está tudo bem, eu te protejo – sussurrou ele, abraçando-a com força, como se quisesse reforçar a promessa.
- Me lembre de matar o Stan quando eu o encontrar – pediu , sorrindo ao sentir o carinho que Jeremy fazia em seu cabelo.
- Se você me lembrar de agradecê-lo depois – comentou Jeremy, rindo ao sentir o empurrão que lhe deu. – Estou brincando, vou segurá-lo para você poder bater nele.
- Obrigada – murmurou , sentindo o sono atingi-la aos poucos enquanto o cafuné de Jeremy se intensificava. Antes de finalmente adormecer, a última coisa que pensou foi em como as mãos do ator eram mágicas.

~ * ~


O mês foi como eles haviam imaginado que seria, a correria de início de semestre misturado ao pequeno estresse na adaptação de uma nova rotina. Ava estava além da excitação por ter voltado à escolinha e se reunido com seus amigos, ela amava Jack, mas precisava ver novas pessoas. E a garota não foi a única a se enturmar com mais pessoas, com Jeremy viajando para algumas gravações para o novo filme do Vingadores e fazendo as entrevistas e demais eventos para promover Wind River, se viu cada vez mais na companhia de Anna, que vez ou outra a arrastava para o ateliê de Erin, que já entrara na vida de antes mesmo da mulher pensar sobre o assunto. Havia aprendido desde o primeiro encontro que a estilista não se importava muito com as etiquetas da amizade, ou sociedade em geral, era do tipo que ia atrás do que queria, dizia o que tinha vontade e, de alguma forma, conseguia ser extremamente direta e permanecer extremamente adorável. A única com quem ela tinha menos contado era Mavis, já que a maquiadora morava em Nova Iorque e raramente viajava para Los Angeles.
Era uma rotina pesada, mas era algo que estava fazendo bem à mulher, e qualquer um poderia perceber isso, principalmente Jeremy, que agradecia por não vê-la mais tão presa em casa. Apesar de, por outro lado, a quantidade de vezes em que eles realmente se viam havia diminuído drasticamente. Mas essas ausências não haviam sido o suficiente para abalar o casal, eles ainda estavam na fase da lua de mel e não tinha qualquer prazo para saírem daquele estágio. A distância realmente fazia o sentimento aumentar, e o dois usavam e abusavam dela e da saudade.
A situação só chegava próxima de se complicar em dias como aqueles, em que aproveitava que o ator estava em casa para ficar na faculdade estudando alguns textos para as próximas aulas e para seu próprio projeto. Eram dias que ambos sabiam que mal teriam tempo para trocar duas palavras, já que a mulher se esgotaria e ficaria acordada só para comer algo e depois se jogaria na cama, dormindo até o próximo dia.
Naquela vez, entretanto, resolveu ceder antes de chegar ao seu limite, não que isso lhe fosse uma diferença tão grande dos demais dias. Ela já estava bem exausta. Sua cabeça parecia que ia explodir de tanta informação que ela havia lido durante aquele dia. Pela primeira vez em meses ela tirou os óculos de descanso de sua caixinha de proteção e os colocou enquanto entrava no carro, ficando um pouco dentro do veículo sem fazer nada, só com a cabeça apoiada no encosto do banco e o silêncio, os olhos fechados para evitar o incômodo da luz da garagem do prédio. Tudo o que ela queria era um banho quente, um remédio para dor de cabeça, talvez uma massagem feita pelo Jeremy, deitar em sua cama e ficar no escuro, sem televisão ligada, sem qualquer grande barulho.
Ela criou coragem, ligou o carro e saiu do estacionamento, franzindo o cenho quando a claridade do fim de tarde atingiu seus olhos, sua cabeça latejando um pouco mais, mas ela respirou fundo e ignorou, não era uma grande distância da faculdade até a casa, conseguia aguentar sem qualquer problema. Principalmente com o trânsito tranquilo como estava, em cerca de vinte minutos ela já abria o portão de entrada e entrava com o carro, parando-o no local de sempre. pegou a pasta, que já estava quase estourando com a quantidade de textos que havia dentro dela, e sua bolsa, saiu do carro e fez o caminho até a porta de entrada.
Ao entrar, estranhou a casa silenciosa, ela foi avançando aos poucos, deixando suas coisas no banco próximo a entrada, assim como seus sapatos, ficando só de meias. Quando chegou no ponto entre a sala e a sala de jantar ela parou, sorrindo com a cena que presenciava. Jeremy estava sentado na poltrona próxima à janela que dava para o jardim da frente e deitada no peito dele, de barriga para baixo, estava Ava, também adormecida, os bracinhos servindo de travesseiro. Era uma cena tão maravilhosa que a mulher só parou e ficou observando, o rosto sereno de Jeremy, que possuía um sorriso nos lábios. Uma perna dele estava um pouco mais elevada, para sustentar o corpo da criança. voltou o mais silenciosa que conseguiu até onde havia deixado sua bolsa, pegando o celular dentro da mesma e abrindo a câmera, certificando-se de que estava sem som e sem flash, ela se aproximou dos dois e tirou a foto. Ela sorriu, depositando com cuidado um beijo em cada um, e depois se afastou, indo até seu quarto para tomar seu tão esperado banho.
Quando saiu do banho, ela já ouvia as risadas características de Ava, provavelmente Jeremy fazia cócegas na criança, pelos gritinhos histéricos que ela dava vez ou outra. sorriu enquanto ouvia o homem brincando com a menina, vestindo uma calça de moletom e uma blusinha qualquer, prendendo os cabelos molhados em uma trança e, enfim, saindo do quarto para se juntar à dupla. Ao vê-la surgindo do corredor, Ava gritou e afastou as mãos do pai, correndo até a mulher que se abaixou para pegá-la.
- ! – gritou Ava enquanto corria até a mulher.
- Eu falei que ela tinha voltado – comentou Jeremy, fazendo a filha lhe dar a língua, logo depois se encolhendo em quando o pai veio correndo até ela, ameaçando lhe fazer mais cócegas pela língua. A mulher riu, segurando a menina com firmeza para impedir que ela caísse. – Oi – disse o ator, dando um beijo no rosto da mulher.
- Olá, dorminhoco – brincou a mulher, dando um beijo em Ava em seguida. – Quer dizer que você cansou seu pai hoje? – Perguntou ela, fazendo a menina rir, antes de escorregar para o chão.
- Ava, vá arrumar seu quarto antes do jantar – pediu Jeremy, vendo a menina obedecer. Ele abraçou e ela retribuiu, suspirando enquanto sentia o homem acariciar suas costas. – Como foi seu dia?
- Cansativo, cheio de coisa para ler – reclamou ela, escorregando suas mãos para debaixo da camiseta do homem, hábito que havia adquirido. – Quando cheguei minha cabeça estava explodindo.
- Não está mais? – Perguntou Jeremy, afastando o rosto para poder olhar o rosto da mulher.
- Ainda dói, mas não vai mais explodir. – Ela sorriu. – A cena que eu vi quando cheguei funcionou como remédio.
- Você me beijou, não foi? – Perguntou o homem, começando a ir para a cozinha, levando ela junto.
- Sim, tirei uma foto e dei um beijo em vocês dois antes de ir tomar banho.
- Foi isso que me acordou, então – concluiu ele, sorrindo quando a moça lhe pediu desculpas. – Estávamos ali há muito tempo já. Achei que você estivesse chegando e sentei ali, Ava veio logo depois pedindo para eu contar alguma história, quando percebi eu estava acordando sem nem saber meu nome.
- Exagerado – riu , afastando do homem para poder ver o que teriam para jantar.
- O que você vai fazer? – Perguntou Jeremy enquanto via a mulher abrindo a geladeira.
- Preparar o jantar.
- Nada disso. – Ele foi até ela, colocando as mãos em sua cintura e a puxando para trás até ela estar sentada em um dos bancos que havia próximo ao balcão. – Hoje você só observa.
- Jeremy...
- Sem discussão – disse ele, selando seus lábios nos dela quando ameaçou protestar novamente. Ela sorriu e suspirou, se dando por vencida.
- Posso pelo menos ir ajudar a Ava?
- Qual parte do você só observar você não entendeu? – Perguntou o ator. – Vou ter que te amarrar nesse banco?
- Você pode me amarrar em outro lugar – sussurrou ela próxima ao ouvido dele, passando os braços pelo pescoço do homem e prendendo as pernas dele com as próprias. Jeremy riu, abraçando a mulher pela cintura, beijando seus lábios em seguida.
- Mais tarde, que tal? – Perguntou ele, quando partiram o beijo, dando vários selinhos nos lábios dela.
- Eu vou te cobrar, Renner – brincou ela, dando um último selinho no homem antes de soltar suas pernas. – Já que não posso fazer nada, você pode, por favor, pegar algum remédio para minha dor de cabeça?
- Sim, senhora – disse ele, indo até o armário de remédios e pegando um para , entregando logo em seguida para ela, junto com um copo de água.
- Obrigada – disse ela, tomando o remédio. – Então, qual será o cardápio?
- Boa pergunta – riu o ator, abrindo a geladeira e observando as opções. – Temos o resto do almoço de hoje, com o que sobrou da janta de ontem. – Ele levantou a cabeça e olhou a mulher, que se segurava para não rir.
- Essa é sua forma de dizer que não vai ceder, não vai me deixar trabalhar mesmo e vai pedir alguma coisa? – Perguntou ela, pressionando os lábios um no outro para segurar a risada.
- Pizza de que você quer? – Perguntou o ator, fechando a porta da geladeira.
- Ah, Renner, como você é adorável. – A mulher riu, abraçando o ator e dando um beijo no rosto dele. – Posso abusar?
- Pode fazer o que quiser – disse ele, já havia aprendido desde o princípio que estava na lista de pessoas para quem ele não conseguia dizer não. – Deixa eu adivinhar, muito queijo, catupiry e tomate? – Ele perguntou, fingindo fazer uma careta. – A gente tenta ser saudável, mas você só finge, não é?
- Eu me esforço para acompanhar vocês, não tire todo meu crédito. – fez um bico. – Acho que faço um bom trabalho.
- Você faz um ótimo trabalho. – Garantiu ele. – Vou buscar Ava e ver o que ela quer.
- Você só quer ver por que ela está tão quieta. – Acusou a mulher, fazendo o ator rir.
Enquanto ele se afastava, ela levantou e foi até a gaveta onde eles guardavam os cardápios, separando o da pizzaria favorita deles. Logo Jeremy e Ava voltaram, com o ator jogando a menina para o alto vez ou outra. sorriu enquanto ouvia as risadas da menina. Eles fizeram o pedido, com Jeremy deixando Ava sair um pouco da linha também, já que a menina vira fazendo o mesmo, e foram para a sala, assistindo um dos filmes favoritos da garota enquanto esperavam a comida chegar. Ava já havia visto tantas vezes aquele filme que já repetia as falas junto, divertindo o pai e a babá. Quando a comida chegou, eles comeram na sala mesmo, cobrindo a mesinha de centro com uma toalha, todos sentando no chão, encostados no sofá, e assistindo ao filme. Vez ou outra Ava interrompia a concentração no filme para contar para algo que ela e o pai haviam feito durante a tarde.
Ava não durou muito mais depois que terminou de comer, pelo que a menor havia relatado e pelo que conhecia da criança e do pai dela, não ficou surpresa quando viu a menina deitada na perna de Jeremy com os olhos fechados e dormindo profundamente. Ao perceber a filha adormecida, o ator suspirou e logo depois entrou em uma pequena discussão com quando viu que a mulher pretendia arrumar toda a bagunça que haviam feito.
- ...
- Ei, não. – A mulher apontou o dedo, tentando parecer brava, mas falhando miseravelmente. – Você vai leva-la para a cama, e eu vou arrumar isso aqui. Não vou lavar louça nem nada, só organizar aqui. Eu estou cansada, Renner, não doente ou aleijada – disse ela, recolhendo o dedo quando o ator fingiu que iria morder, como ele sempre fazia com Ava. – Vamos, antes que ela volte a acordar.
O ator sabia que não fazia sentido tentar discutir, ele levantou e levou sua filha junto com cuidado, levando-a para o quarto. Ainda tinha que colocar o pijama na garota, e era o mais trabalhoso de fazer, Ava sempre acabava acordando em algum momento e pedindo para o pai contar alguma história, o que ele fazia apesar de saber que a filha não passaria da primeira página. Foi lendo uma história para uma Ava completamente adormecida que encontrou o homem, após ter juntado os pratos e copos e deixando-os na pia, e guardado o resto da pizza. Ela se apoiou no batente da porta e cruzou os braços, ouvindo a voz rouca do ator narrando a história escolhida.
- Não conseguiu fugir? – Perguntou a mulher, quando ele se juntou a ela, fechando a porta do quarto atrás deles.
- A parte mais difícil, que são os braços e a cabeça ela nem resmungou, na calça ela acordou – disse o ator, passando a mão no rosto.
- Você está com uma cara péssima – observou , quando ele retirou a mão do rosto.
- Porque você está ótima – respondeu ele, irônico, rindo da cara enfezada que a mulher fez em seguida. – Estou brincando.
- E eu estou indo dormir – disse ela, ficando na ponta dos pés para dar um beijo no rosto dele antes de ir para seu quarto, mas ele segurou sua mão e a puxou de volta.
- Onde pensa que vai? – Perguntou ele, a expressão de cansaço dando lugar a uma risonha e carregada de segundas intenções.
- Eu vou para meu quarto, minha cama e dormir. – Disse .
- Achei que tivesse prometido te amarrar em outro lugar que não fosse o banco da cozinha. – Lembrou Jeremy, puxando a mulher para perto dele.
- Ah é? – Ela sorriu contra os lábios dele. – Não sabia que você gostava dessas coisas, senhor Renner.
- Qualquer coisa para acordar com você do meu lado. – Ele respondeu, finalmente tomando os lábios da mulher em um beijo intenso. travou suas mãos no ombro do homem quando ele a impulsionou para cima, fazendo-a prender suas pernas ao redor da cintura dele. Às cegas, ele caminhou até o próprio quarto, fechando e trancando a porta atrás dele. Jeremy a deitou na cama e ficou por cima dela logo em seguida, vendo a mulher sorrir enquanto retirava a própria camiseta.
- Sabe, quando eu pensei em como minha noite seria, eu não imaginei que terminaria assim. – Observou ela, sentindo-o subir as mãos por seu corpo, levando junto a blusa que ela usava.
- E o que você imaginou? Basta dizer que eu atendo – disse Jeremy, distribuindo beijos por toda a barriga da mulher, fazendo-a rir pelas cócegas.
- Quem liga para a imaginação quando a realidade está mil vezes melhor? – perguntou ela quando ele voltou para beijar seus lábios.
- Isso não acontece tanto quanto deveria, , então abuse sem medo. – O homem disse, fazendo a mulher rir. – Eu me visto de princesa se foi assim que você imaginou. E se você confessar que essa é uma fantasia sexual sua, claro, e explicar o motivo. – A mulher mordeu o lábio inferior para segurar a risada e não correr o risco de acordar Ava.
- Você de princesa não estava nos planos, mas talvez eu guarde isso para uma próxima oportunidade, apesar de eu não entender que tipo de fantasia sexual é essa que você imagina que eu tenha. – Observou a mulher. Jeremy apoiou o antebraço no colchão e olhou a mulher, esperando que ela dissesse como havia imaginado aquela noite. passou uma mão no rosto dele, não admitiria naquele momento, mas estava tocada pelo gesto do homem. Após o dia que ele deveria ter tido, atendendo todas as vontades de Ava, agora lá estava ele disposto a atender as dela, deixando as próprias de lado. – Você é incrível, sabia? – disse ela, fazendo o homem sorrir e lhe dar um beijo.
- Sua noite, pare de me enrolar. – Ele disse, fazendo a mulher rir.
- Eu imaginei nós dois assim, deitados, juntos, sem nenhum barulho, talvez você me fazendo uma massagem. – Ela fez uma cara de pidona na última parte, provocando risos no homem. – A luz bem fraca, porque antes eu estava morrendo de dor de cabeça, não vamos esquecer. Acho que combina com o dia que você deve ter tido também.
- Não vou mentir, é uma ótima ideia. – Ele confessou. – Mas, se me permite, eu tenho uma pequena alteração.
- E o que é? – Perguntou , sorrindo divertida com a seriedade do homem.
- Vem comigo. – Ele se levantou da cama, e ela ia fazer o mesmo, mas ele se adiantou e a pegou no colo, fazendo-a soltar um grito surpreso. – É a sua noite, lembra? – riu, vendo o homem atravessar o closet e entrar no banheiro, logo entendendo a intenção dele. – A cama pode ser mais confortável, mas nada mais relaxante que a banheira, não é?
- O que eu fiz para merecer você? – Ela perguntou, beijando o homem.
Enquanto esperavam a banheira encher, com jogando alguns sais de banho e acendendo algumas velas aromáticas, eles conversaram sobre o dia de cada um, apesar da mulher já ter uma noção de como fora a manhã e a tarde dele, quem acabou falando mais foi , contando um pouco sobre os avanços no projeto dela, e as respostas que tivera das pesquisas e do professor que a orientava. Quando a banheira estava cheia, Jeremy ainda fez questão de despir a mulher – deixando-a pensando se ele fazia aquilo ainda por querer poupá-la de qualquer esforço ou se para ter para si um pouco da noite que ele havia pensado que teria – depois terminou de tirar as próprias roupas, entrando na banheira primeiro e depois acomodando entre suas pernas, fazendo-a se recostar em seu peito.
- Diga que isso não é bem melhor?
- Eu já disse antes. – Respondeu a mulher, fechando os olhos e sentindo o ator subindo e descendo com a mão por sua barriga.
O casal perdeu a noção do tempo que ficaram ali, quase dormindo nos braços do homem, que ainda começou a cantar bem baixinho no ouvido dela. Só saíram da banheira porque a água começou a ficar mais fria, mas não fosse por isso, eles não teriam qualquer objeção em permanecer ali. Voltaram para o quarto cada um vestindo um roupão quente e confortável, Jeremy ajustou as luzes do quarto para ficarem bem fracas, depois arrumou a cama, enquanto esperava encostada no batente da porta que dava para o closet, ainda tocada por todo o cuidado do homem. Quando ele terminou, ela se aproximou dele e o abraçou, beijando-o e deixando ele a levar até a cama calmamente, deitando-a com cuidado, sem quebrar o beijo em nenhum momento. Sabendo que ele não faria nada caso ela não falasse nada, desfez o nó que prendia o roupão dele e afastou a peça, logo depois fazendo o mesmo com o que ela usava. Jeremy chegou a questioná-la, mas tudo o que ela fez foi empurrá-lo para a cama e ficar em cima dele, calando-o com um beijo. Talvez aquilo não tivesse nos planos iniciais, mas ela não negaria que desde a hora da pizza já se sentia melhor e só mantivera o teatro inicial porque o ator fizera questão.
Ela fechou os olhos enquanto sentia-o tocá-la com uma delicadeza que vez ou outra a fazia questionar se ele realmente a tocava. Jeremy não apressou nada, levando seu tempo apreciando o corpo da mulher, acompanhando cada reação dela a cada beijo, cada toque que ele fazia. E tampouco reclamou, aproveitando a atenção e o cuidado que recebia. Embarcando em uma das melhores noites que tivera em sua vida, sorrindo deliciada enquanto sentia o homem dentro de si, reagindo às unhas dela que se cravaram em suas costas, e sussurrando o nome dela em seu ouvido quando chegara ao ápice. suspirou satisfeita quando ele depositou um beijo em seus lábios antes de se deitar ao lado dela, puxando-a para seus braços logo em seguida.
Foi diferente daquela vez para eles, mas não tão surpreendente para quanto foi para Jeremy. Ele não havia sentido algo como aquilo em muito tempo. E não era como se ele nunca tivesse considerado que sentia algo por , não, ele sabia desde o começo que era algo mais, não apenas uma simples atração. Mas a forma como ela o fez sentir por toda a noite, a soma de todas as emoções e sensações... Era algo diferente que ele não havia sentido em um longo tempo por uma mulher, nem mesmo por Sonni. E isso, por alguma razão, o assustava. Muito.
Ele encarou o teto acima dele, sentindo os dedos dela traçando padrões em sua pele, a respiração normalizando contra o peito dele, e Jeremy não conseguia não se perguntar se ela sentia o mesmo, ou algo parecido. Era novo para ele, então a possibilidade, ainda que mínima, de não se sentir da mesma forma, o fez se sentir estranho, incomodado. O que ele faria se, de repente, eles não estivessem mais na mesma página? Ela era jovem, estava construindo sua carreira, com a vida inteira pela frente... Jeremy tinha que considerar a possibilidade de ser um obstáculo no caminho dela. Ou talvez apenas uma distração momentânea.
O casal não dormiu imediatamente, na verdade ficaram acordados até ser quase manhã conversando ocasionalmente. fechou os olhos, ouvindo o coração de Jeremy ir desacelerando aos poucos, sentindo ele fazendo um carinho suave em suas costas, suas respirações pareciam ritmadas. O ator focou em um ponto aleatório do quarto, sentindo quando a respiração da mulher atingia sua pele, causando cócegas levemente. Não mentiria, ele estava surpreso pela forma como a noite se desenrolara, não conseguindo entender exatamente como haviam chegado àquela situação, mas sabendo que nem nem ele estavam insatisfeitos. Se fosse analisar, talvez os dois precisassem fazer aquilo mais vezes. E se fosse ser mais honesto ainda, confessaria que gostaria de ficar ali por um longo tempo, até mesmo deixando de lado Ava por um brevíssimo tempo, apenas tirando férias do mundo e das responsabilidades.
O céu começava a clarear levemente quando, enfim, os dois dormiram, ela primeiro, ele ainda permanecendo mais um pouco, apenas apreciando a serenidade do momento, a forma relaxada como havia repousado sua mão sobre seu peito, os dedos, que antes faziam desenhos aleatórios, agora parados. Sua respiração mais lenta e ritmada. Foi acompanhando o ritmo da respiração da mulher que ele acabou sucumbindo ao sono, tendo uma noite, já praticamente manhã, de sono calma e tranquila que há muito não tinha.



Continua...



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Nota da autora: Ó QUEM TÁ FICANDO MAIS VELHOOOOOOO!!!!! FFOBS faz anos e o azar é só dele, cada ano que passa, ele fica mais velho! Azar dele, sorte a nossa por mais um ano com esse site nas nossas vidas! Que alegria fazer parte dele como autora e como equipe!

Agora vamos pra essa atualização que é TODOS OS NÍVEIS DE FOFURA MEU DEUS ALGUÉM CHAMA O SAMU QUE A DIABETES ATÉ SUBIU AQUI COM TANTO AMOR E TANTO MEL ENTRE ESSES DOIS AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA. Sei que provavelmente tem alguém ai reclamando que esses dois tão muito mel, que se fosse fic restrita só ia ter sexo e tal, e olha, já diria a sábia Demi: BABY I'M NOT SORRY! Eu sei que parece que a história não tá andando, mas acreditem quando eu aconselho apra vocês aproveitarem essa fase muito mel, hahaha... Quem é ligeiro já pegou a grande aparição desse capítulo, então vamos aproveitando enquanto tudo tá paz e amor, muito amor. Próximo capítulo, teremos uma fugidinha para Lake Tahoe, hmmmmmmmmmmmmm, so so happy!

Não esqueçam de, por favor, deixarem um comentário ai embaixo dizendo o que acharam desse capítulo ;)



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