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Última atualização: 08/10/2020

Prólogo.

Harry se deitou em sua cama no quarto de hotel após escrever a segunda música naquela noite. O show fora incrível, como sempre, mesmo que ele soubesse que sua distração não havia passado batida perante os fãs. As vezes ele não era tão bom ator quanto deveria ser. Ele estava jogado na cama e uma garrafa de whisky se encontrava na mesinha de cabeceira, juntamente com um copo, agora vazio, que outrora se encontrava em suas mãos. As letras de músicas e rabiscos estavam espalhados por todo canto mas a cama continuava fria e vazia, em um lembrete claro de que ela não estava ali.
Estava cansado.
Não dos fãs, não da carreira ou da correria das turnês.
Estava cansado de se sentir triste. Estava cansado de escrever tantas músicas sobre ela e sobre o que aconteceu, expressando seus sentimentos sobre aquele assunto. Ele queria poder voltar cinco meses atrás e retirar tudo o que disse. Ou melhor, o que não disse. Queria ter o poder de apagar tudo o que havia acontecido.
Os dedos trêmulos de Harry discaram o número o qual ele havia decorado. Ele sabia que ela não o atenderia caso visse o nome dele brilhar na tela, então o único jeito foi colocar o número para privado, mesmo sabendo também que sua identidade não ficaria escondida quando a garota atendesse, o que não demorou mais do que o terceiro toque.
— Coucou!* — saudou com a voz rouca e o coração do rapaz parecia saltar do peito.
Naquele momento ele não queria ser famoso, ele não queria ter milhares de fãs, ele não queria nem mesmo todo aquele dinheiro que tinha em sua conta bancaria. Ele só queria ela ali. Ao seu lado. Rindo de uma forma escandalosa, chorando por causa de uma comédia romântica, fazendo amor ou trocando pequenos carinhos e, até mesmo, implicando com ele.
— Você sempre me perguntou porquê eu nunca escrevi uma música sobre você. — ele começou com a voz tremula. — É impossível compor sobre como os seus olhos sorriem quando você fala sobre algo que você gosta. É impossível descrever a sua risada alta ou como o seu cabelo fica uma completa e linda bagunça quando você acorda; É impossível falar sobre como o seu cheiro faz com que eu me senta em casa, ou como sua mão encaixa na minha.
— Harry. — a francesa reconheceu, sentindo sua garganta fechar e lágrimas subirem aos seus olhos. — Por favor, não faz isso...
— A verdade, , é que eu não posso e não consigo te escrever apenas uma música. — ele continuou, ignorando o pedido da garota. Sabia que precisava falar tudo que estava pensando, e teria que ser rápido antes que começasse a chorar de novo. — Eu acabei de escrever mais uma sobre você e achei que talvez você quisesse ouvir... Você pode desligar a hora que quiser, está tudo bem também.
Todos os dois estavam machucados. , ao contrário de Harry, não conseguiu segurar e estava chorando em alto e bom som, e aquele era o pior som que o rapaz poderia escutar. Ouvir a voz dele depois de vários meses era como queimar, e ele sentia o mesmo. Ele detestava ter machucado ela.

Don't you call him "baby"
(não o chame de amor)
We're not talking lately
(nós não estamos nos falando ultimamente)
Don't you call him what you used to call me
(não o chame pelo que você costumava me chamar)

I, I confess I can tell that you are at your best
(eu, eu confesso que você está no seu melhor)
I'm selfish so I'm hating it
(eu sou egoísta, então eu estou odiando isso)
I noticed that there's a piece of you in how I dress
(eu percebi que tem um pedaço de você em como eu me visto)
Take it as a compliment
(leve isso como um elogio

Don't you call him "baby"
(não o chame de amor)
We're not talking lately
(nós não estamos nos falando ultimamente)
Don't you call him what you used to call me
(não o chame como você costumava me chamar)

I, I just miss
(eu, eu só estou com saudades)
I just miss your accent and your friends
(eu sinto falta de você e dos seus amigos)
Did you know I still talk to them?
(você sabia que eu ainda falo com eles?)

Does he take you walking 'round his parents' gallery?
(ele te leva para passear na galeria dos pais dele?)


— Me desculpe se ficou ruim... ainda falta alguns ajustes e definir a melodia, mas... — ele se apressou a falar, se deitando na cama e parando a si mesmo quando sentiu seus olhos transbordarem e as lagrimas cairem deliberadamente, assim como as da garota do outro lado da linha. — Não se esqueça de mim, ...
sabia o quão nervoso ele ficava ao mostrar suas músicas não ouvidas. Ela sabia também que era uma das únicas pessoas a ouvir antes do lançamento, sendo ela a única a ouvir antes dos ajustes. Mas todas essas observações não fizeram com que ela se sentisse melhor. Muito pelo contrario;
— Eu sinto muito, Harry. — ela se desculpou com a voz fanha, e ambos sabiam que ela falava a respeito do que tinha acontecido com a relação dos dois.
— Eu amo você... — ele sussurrou e ela sentiu vontade de gritar.
Ela queria ouvir aquilo há sete meses atrás, quando ele estava dirigindo por Londres para deixa-la em casa. Queria gritar que estava fingindo estar na melhor fase dela, que estava fingindo seguir em frente. Quis dizer que ela estava se sentindo péssima ao deitar na cama e ter outra pessoa ao lado dela. Outra pessoa que não fosse ele. Dizer que sentia um gosto amargo na boca ao chamar outra pessoa de mon cheri*, mas que ela precisava fazer isso. Ela se sentia como um fantasma ao trocar de roupa porque ele estava presente em tudo que ela fazia. E o mais importante; dizer que ainda o amava e que seria impossível esquece-lo.
Mas ao invés disso, ela desligou a ligação.

Significado da(s) palavra(s)/frase(s) em francês usada(s) no capítulo:
*“Coucou!” = olá
*“Mon cheri”
= querido/amor.


1. O pop star em ascensão.

A Range Rover preta para na frente da chácara, e se apressa a sair do carro ao visualizar através do vidro fumê. A amiga estava vestida com um vestido de alcinhas e uma jaqueta por cima, e seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto.
— Eu senti tanto sua falta! — se adianta a falar, envolvendo a amiga em um abraço.
— Estava me perguntando por quanto tempo você aguentaria sem mim. — disse e logo se afastaram, deixando livre para mostra-la o dedo do meio.
— Eu estou cansada demais para poder te responder a altura. — resmungou segurando a mala e andando lado a lado com . — Obrigada por ter me indicado para o cargo de fotógrafa, não poderia ter tido oportunidade em um melhor momento.
A chácara era um lugar lindo. O caminho com cascalhos levavam até a área central, que era altamente sofisticada e silenciosa.
— Harry e Jeff ficaram loucos com o seu portfólio. Nós teremos uma confraternização para que a equipe se conheça melhor, então já é melhor começar a se arrumar. — alertou ao entrarem no elevador.
— Esse lugar é enorme.
— Você não viu nada! O estúdio em que o álbum vai ser gravado é o mesmo em que o Drake e a Rihanna gravaram. — contou admirada e saindo do elevador. — O primeiro andar é o térreo, onde fica a piscina, área de lazer, sala de jogos, barzinho e tudo mais. Segundo andar é onde ficam os quartos e o terceiro andar é do Harry.
— Que complexo de narciso desse cara. Ficar em um andar enorme sozinho sendo que tem mais de duzentos quartos aqui em baixo.
— Para de implicar, , ele é um artista em ascensão. — repetiu a frase de Jeff, e a francesa revirou os olhos.
— E daí? Nós, meros mortais, não merecemos o prazer da companhia dele?! — disse crítica. — Eu não gosto dele desde a época da One Direction.
— E então porque veio trabalhar com ele? — perguntou a amiga, virando-se para olha-la.
— Não é como se eu fosse rica o suficiente para negar uma proposta de emprego, e que paga relativamente bem. Eu estava desempregada a meses, você sabe disso. — explicou categórica.
— Ele é uma pessoa muito gentil, se quer saber. A ideia de fazer uma festa apresentando os convidados foi dele.
— Que horas vai ser o happy hour? — perguntou interessada.
— Ás 20h. — informou parando a frente da porta do quarto 234. — Esse é o seu quarto. O meu fica um pouco mais a frente, é o 236.
— Ok, eu me viro para achar o lugar, quero chegar mais tarde para fazer um suspense. — avisou.
— E é o Harry que tem uma crise de narciso? — perguntou retórica e a amiga sorriu, dando de ombros e entrando no quarto. — Não demora muito pra descer senão venho te arrastar pelos cabelos, garota.
— Deixa comigo, vou causar uma boa impressão. — encerrou e fechou a porta após se despedir da amiga.

***

O rapaz puxou os cabelos para trás em forma clara de perturbação e nervosismo. Era típico de Camille deixa-lo assim, levemente irritado.
— Eu não ficar na Jamaica, Harry! Daqui há alguns dias terei uma participação na nova edição da Vogue, não dá para colocar minha carreira de lado para priorizar a sua. — disse a garota loira enquanto tentava tirar os cabelos do rosto, que estavam rebeldes pelo vento da noite.
Os dois estavam caminhando para o lugar em que aconteceria a confraternização da equipe, quando o assunto veio a tona. Aquela conversa já estava perdurando uma semana, e depois do sexo maravilhoso que tiveram, não pôde mais ser adiada.
— E o que você quer que eu faça, Camille? — perguntou tentando parecer paciente. Tendo uma discussão era a ultima coisa que ele queria estar fazendo.
— Que venha embora comigo para Londres. Você pode gravar o álbum aqui e até mesmo em Paris, seria melhor para nós dois. — disse com o sotaque francês carregado, fazendo com que Harry risse irônico.
— Então você não pode ir comigo porque não quer abdicar da sua carreira mas eu tenho que mudar o lugar de gravação do álbum por sua causa? Você está falando sério? — perguntou e viu a mulher se aproximar. — Toda a minha equipe está movendo céus e terras para poder vir para aqui, Camille. Eu, definitivamente, não vou fazer isso com eles.
— H, você paga o salário de todos aqui, eles são seus empregados. Você manda, e eles obedecem, esqueceu? — perguntou arrogante e abraçou o rapaz pelo pescoço, deixando um beijo no maxilar rijo do cantor.
— A resposta é não. — encerrou se desvencilhando dos carinhos da francesa. — Quando eu for para Paris na semana de folga nós podemos ficar juntos, mas eu não vou com você.
— Eu não vou ficar esperando você. — rugiu e Harry apertou a fonte do nariz, respirando fundo.
— Esse é o motivo pelo qual a nossa relação é aberta. — explicou e a garota mostrou o dedo do meio. — Muito maduro, Camille.
— Va te faire foutre*, Harry! — vociferou e saiu do jardim onde estavam, marchando para o bar dentro da chácara onde seria o happy hour.
Os dois haviam chegado na Jamaica há três dias e estavam hospedados na chácara. A equipe estava a todo vapor e deveria ter cinquenta funcionários ali, estando dentre eles o produtor Jeff Azoff, os parceiros de banda, alguns profissionais da Columbia Records, os staffs para a montagem de som e de todo ambiente, operadores de filmagem e som, e por fim o resto da equipe que chegara hoje, com a nova fotógrafa e o produtor musical.
E por mais que o tempo passado com Camille trouxesse benefícios para ambos, tanto na carreira quanto na cama, ele não mudaria o rumo de tudo por conta de um capricho da garota. Ele gostava a companhia dela, não podia negar. Mas os comportamentos que ela tinha perante as outras pessoas eram completamente desgostosos para Harry. Ele havia tentado conversar com ela a respeito disso, mas quando estava perto de pessoas sem tanto dinheiro, a educação dela se tornava muito escassa. O fazia querer ficar longe.
Harry levou uma das mãos até a ponte do nariz, apertando e fechando os olhos com força. Ele ainda podia jurar que estava ouvindo o sotaque francês chamar por seu nome, passava tanto tempo com a garota que o sotaque estava impregnado nos ouvidos e na mente do cantor....
O som de saltos batendo contra o assoalho foram o suficiente para Harry.
— Camille, eu já disse que não vou... — começou e passou uma das mãos pelo cabelo, deixando o braço erguido ao se virar.
Péssima ideia.
Tudo aconteceu muito rápido, estava indo para o lobby para pedir informação de onde seria a festa, mas viu o cantor e resolveu se apresentar antes, além da curiosidade que sentira ao ouvir a discussão do casal. Já Harry estava tão fulo com o comportamento de Camille que mal percebeu que quem quer que seja que viera falar com ele, se aproximou mais do que o suficiente, de forma ao abaixar o braço e virar de forma bruta, o ombro do jovem se conectou diretamente com o rosto da garota, que se curvou ao sentir o impacto doloroso no seu nariz.
— Merde!* — grunhiu em francês e Harry continuou em pé com a mão fechada em punho na frente da boca, tentando entender o que aconteceu. — Putain!* Caralho!
— Eu acho que não consigo lidar com outra francesa agora... — o cantor murmurou com o olhar fixo na garota ao ouvir os palavrões, mas aparentemente não falou baixo o suficiente, fazendo com que ela se calasse ao ouvir as palavras e erguesse o rosto, tirando a mão do nariz ensanguentado. Era notório a raiva que transbordava nos olhos da francesa.
— Que caralho você esta falando? Fils de pute!* — a garota vociferou ofendida, sem se importar com o tom alto ou com a mistura que fazia do inglês com o francês, atraindo a atenção de um dos seguranças que passavam por ali.
Naquele momento ela não estava preocupada com o emprego ou em estar gritando e xingando o homem que era seu mais novo patrão. E também não pareceu se preocupar com o segurança que se aproximava, já que sua próxima ação foi erguer a mão em punho e acerta-la no rosto de Harry.
O segurança não hesitou em agarra-la pela cintura, tirando-a de perto do cantor, que segurava o nariz que agora também sangrava.
— Quel votre problème? Enculé!* Você nem sequer pediu desculpas! — continuou brava, misturando os dois idiomas enquanto tentava se desvencilhar do segurança que pedia para que ela se acalmasse.
— Eu iria pedir antes de você me socar! — Harry respondeu ofendido.
— Va te faire foutre!* — repetiu a frase antes usada pela outra francesa, desistindo de lutar com o segurança que a segurava.
Para Harry todos aqueles xingamentos eram reconhecíveis, já que Camille fazia questão de dizer as mesmas coisas quando os dois brigavam. Filho da puta, idiota e a ultima e mais usada era vai se foder... mesmas palavras mas ditas por francesas diferentes.
Alguns minutos se passaram e os dois estavam sentados lado a lado no meio fio a espera da enfermeira. Ambos com um lenço estancando o sangue incessável que escorria deliberadamente pelos narizes machucados, separados apenas pelo segurança, que insistia em ficar no meio para evitar que mais socos fossem distribuídos. Harry queria perguntar se todas as francesas tinham um gênio forte, mas se conteve, sabendo que aquilo iria deixar a garota mais nervosa ainda.
— Você quer que eu acione a polícia, senhor? — o segurança perguntou ao ver a mulher de branco se aproximar com uma caixa de primeiros socorros e a garota levantou revoltada.
— A polícia é para ele, não é? — perguntou e Harry riu, fechando o sorriso logo depois ao sentir o nariz dolorido.
— Não, obrigada, mas já está tudo sobre controle. — disse calmo, se levantando e o segurança fez o mesmo.
— Tem certeza, senhor? Você pode denuncia-la por agressão. — insistiu e a garota olhou chocada.
— Tenho sim, obrigada. — Harry encerrou com um sorriso de canto pela revolta da garota.
Ao ver o segurança sair, ela bufou, e voltou a se sentar quando a enfermeira mais velha pediu para que ela o fizesse.
— Qual seu nome, querida? — a mulher que aparentava ter sessenta e poucos anos perguntou.
— É, qual seu nome? — Harry perguntou também, parecendo interessado.
— Cala a boca. — a francesa desconhecida disse, franzindo o cenho para ele. — Meu nome é , senhora.
— Podem me chamar de Charlotte. — se apresentou terna. — O que aconteceu com seu nariz?
— Ele me bateu. — disse acusadora e viu o olhar indignado da velha enfermeira. — Mas foi sem querer.
— E você, querido? — perguntou se dirigindo para o cantor.
— Meu nome é Harry, e ela me bateu porquê quis. — se apresentou.
— Ele foi um escroto! — revelou e a senhora riu, assentindo e terminando o curativo.
— Será que eu posso ficar com um curativo menor? Eu tenho fotos amanhã. — disse e olhou para ; o rosto dela era familiar demais para Harry, e ele tinha certeza já ter observado aquele nome em um dos inúmeros currículos e portfólios avaliados. — Espera, você é a minha fotografa?
— Provavelmente amanhã eu seja demitida quando Jeff souber que eu soquei o cantor pop em ascensão. — disse chateada. Era o primeiro emprego que ela conseguia depois da trágica saída da produção da Gucci e provavelmente seria o ultimo. Afinal, quem contrata uma fotografa que distribui socos por ai no primeiro dia de trabalho?
— Não se preocupe com o curativo, amanhã vocês já podem tirar. É só para estancar o sangue. — explicou Charlotte e ambos assentiram.
— É só nós não contarmos o que aconteceu de verdade. — Harry propôs ao ver a enfermeira se despedir depois de terminar o curativo dele. — Para todos os efeitos meu nariz começou a sangrar enquanto eu iria para a festa e acabei parando na enfermaria, por isso o curativo. E você acabou adormecendo antes de ir para a festa, por isso não apareceu por lá.
— Por que você faria isso? — questionou e direcionou um olhar desconfiado para Harry.
— Eu não sou uma pessoa ruim, . Não deixarei você ser demitida por um erro de nós dois. — explicou e se levantou, estendendo a mão para a garota, que aceitou e foi puxada para ficar em pé.
— Obrigada. E o meu nome é . — avisou e largou a mão dele, marchando para o quarto e deixando Styles para trás.



Significados das palavras/frases francesas usadas no capítulo:
*“Va te faire foutre” = vai se foder
*“Merde!” = merda
*“Putain!” = porra
*“Quel votre problème?” = qual o seu problema?
*“Enculé!” = cabrão


2. Sexo casual.

— VOCÊ FEZ O QUÊ? — a amiga gritou incrédula.
e viraram amigas na faculdade. Enquanto optou por cinema e audiovisual, iniciou em fotografia, e a pequena distinção dos dois cursos as fizeram ficar mais próximas ainda.
Após a conclusão da universidade, demorou alguns anos para que conseguisse o emprego na tão sonhada Columbia Records, mas uma vez empregada, todos adoravam o trabalho que a garota fazia. Já , essa estava desempregada há alguns meses, e não porque seu trabalho era ruim, já que a garota trabalhou como fotografa da Vogue em algumas propagandas até alguém muito influente dentro da marca pedir a demissão da garota.
As duas dividiam um apartamento na cobertura na parte luxuosa de Londres, tendo uma linda vista da cidade. Se distanciaram há apenas algumas semanas, já que teria que fazer a produção do documentário na Jamaica, mas a garota não hesitou em indicar a amiga para o cargo de fotógrafa, dando um jeito de trazê-la para perto de si.
A intimidade entre as duas já havia se tornado algo espontâneo, então quando entrou no quarto de pela manhã e a encontrou dormindo com um curativo no nariz, o interrogatório logo começou.
— Em minha defesa, ele me bateu primeiro. — explicou, se olhando no espelho na tentativa de verificar se o nariz havia ficado torto ou se ainda estava no lugar.
— Você vai ser demitida... E dessa vez por justa causa, custava ter esperado ele pedir desculpas? — a amiga perguntou, se escorando na soleira da porta do banheiro e encarando a mulher pelo espelho. — Jeff vai comer meu fígado por indicar alguém que distribui socos no próprio patrão... Você pode ser processada, sabia disso?
— Relaxa, eu não vou ser presa e ninguém vai perder o emprego. — a mulher pede, retirando o baby doll para entrar no banho. — Harry falou que não contaria para ninguém sobre o que aconteceu.
— Esse homem é gentil demais para ser verdade, não é possível! — a amiga exclama, e dessa vez recebe a concordância de . — Já mudou de opinião sobre ele? Vocês ficaram? Rolou algum clima?
— Ok, , uma pergunta por vez. — pediu entrando na banheira que já estava cheia a espera da mulher. — Não, ainda acho que ele tem uma crise de narciso fodida, mas reconheço que ele parece ser alguém legal.
— Desembucha as respostas das outras duas perguntas.
— É óbvio que a gente não ficou! Eu estava puta da vida e ele estava preocupado demais em fazer o photoshoot de hoje com um curativo. Inclusive, eu achei que teríamos o fim de semana de folga, hoje ainda é sábado. — explicou paciente.
Deus, aquela banheira estava divina! Era tudo que ela precisava no momento; relaxar. Mas parecia mais interessada no ocorrido da noite passada.
— E teremos, as fotos dele são agora pela manhã com a fotógrafa antiga, ela precisou sair de licença maternidade, e essa vai ser a despedida. — disse, se sentando no chão ao lado da banheira em que a amiga estava. — Você teria ficado com ele se não fosse isso? O cara é lindo!
— Sim, ele é lindo, mas é meu chefe e tem uma namorada, sem contar que eu ainda estou me recuperando do termino com o Dylan. Recente demais para ficar com alguém. — listou categórica.
Ao receber a proposta para trabalhar na equipe de produção, há dois meses atrás, decidiu terminar o namoro de três anos com Dylan, seu primeiro namorado. O rapaz garantiu que a esperaria o tempo que fosse preciso, mas não era justo sair para uma aventura nas estradas do mundo, enquanto o rapaz continuaria preso em Londres. Seriam raros os momentos em que teriam a chance de se verem, e com o tempo regrado, já que mais cedo ou mais tarde ela teria que voltar para o trabalho.
O rapaz havia sido seu primeiro namorado e o primeiro e único com quem a mulher havia tido relações, mas era para o bem de ambos. Há algumas semanas, Dylan já havia superado e começado a ir em noitadas. já esperava algo assim, afinal ele tinha que conhecer outras pessoas, mas mesmo assim não deixou de machucar.
Já estava se acostumando com a ausência do ex, e só ajudava, já que fazia questão de introduzir a amiga em qualquer tipo de programa, não deixando a menina ter tempo de ficar sozinha para pensar sobre o assunto.
— Oh, doce e inocente , quando você experimentar o sexo casual, nada mais vai te fazer parar. — a amiga falou de forma dramática, fazendo a menina rir.
— Obrigada pelo aviso, mas por agora eu passo. — disse, voltando a fechar os olhos e encostar a cabeça na borda da banheira.
As vezes queria ser mais como . Livre. Fazer o que queria, transar com quem queria. E talvez um dia ela até conseguisse, mas o ex namorado ainda abrandava o pensamento da menina no recente término.
— Seria bom você ir assistir o photoshoot para saber como ele gosta de tirar fotos. Saber o que fazer na hora. — recomendou e recebeu um muxoxo em resposta.
— A única coisa que me tiraria dessa banheira agora séria uma bela garrafa de vodka... — divagou.
— Ótimo! Hoje a noite nós iremos a um pub que tem aqui perto, você vai amar, é em frente a praia. — informou enquanto batia palminhas animada.
— E sua ressaca? Você estava em uma festa ontem a noite. — perguntou rindo da animação da amiga.
— Voltei cedo e nem aproveitei. — justificou. — Bati na sua porta mas ninguém respondeu, ai achei que você já tinha dormido, sendo que na verdade você estava a solta por ai dando uma de Van Damme.
— Onde você vai? — perguntou ao ver a amiga se levantando do chão.
— Eu não sou tão desocupada como você, preciso checar algumas coisas e deixar tudo certo para começarmos as filmagens. Te encontro no corredor as 19h, e por favor, não distribua socos em mais ninguém. — pediu sarcástica enquanto saia do banheiro.
— Não prometo nada. — brincou, elevando a voz para que ouvisse, e de longe a viu levantar o dedo do meio como resposta.
***

Eu poderia ter ficado na chácara e ter assistido a mais um episodio de Orphan Black naquela sala de cinema maravilhosa. – era o que pensava.
Não que sair com fosse ruim. Não era.
era o tipo certo de amiga que você chama quando esta na lama e precisa se animar. Ela é aquela amiga pra cima que faz qualquer palhaçada para te arrancar um sorriso, e não podia ser mais grata por isso.
Pórem, também tinha necessidades. Necessidades sexuais. E ela não recusava um sexo casual.
Alguns minutos depois de chegarem no bar, a garota comentou que estava de olho em um homem que estava na mesa de sinuca. E não esperou nem um minuto a mais para ir conversar com ele, uma conversa bem intima, que incluía línguas e troca de saliva.
Mesmo sabendo que a amiga só queria beber, apresentou um amigo do rapaz, que não demorou em se sentar ao lado de no balcão, e tentou a todo custo puxar assunto.
Enquanto fingia ouvir sobre o quão inteligente o rapaz era, e em quantas faculdades havia passado antes de escolher medicina, e bebia o tanto de vodka que parecia aguentar, Harry e seus companheiros de banda adentraram o bar, passando despercebido por todos os senhores bêbados que estavam ali enchendo a cara de cerveja.
Ao ver o cantor entrar no bar, não hesitou em se soltar do rapaz com quem estava agarrada, e se direcionar a , que tinha uma cara de tédio e mesmo assim sorria para o rapaz que não havia parado de falar durante um segundo.
— Hey, seu amigo esta chamando você. — mentiu para o rapaz e um olhar aliviado tomou conta do rosto de quando o rapaz se levantou e saiu, mesmo prometendo não demorar para voltar. — Ok, já pode me agradecer.
— Como se não tivesse sido você que mandou ele falar comigo. Nunca mais saio com você, Isa. — avisou nervosa, virando o resto da dose que estava em suas mãos.
— Você pelo menos sabe o nome dele? — perguntou enquanto segurava o riso.
— Alguma coisa com J... Ele deve ter dito junto com as trezentas informações totalmente desnecessárias sobre quantos livros ele leu, ou quantos cursos já fez. Cara, se sexo casual precisar dessa biografia, eu não vou querer nunca! — disse revoltada.
— Você provavelmente vai me matar, mas o Harry chegou há uns cinco minutos e não para de olhar para cá. — informou sorridente enquanto apontava com a cabeça para uma das mesas espalhadas pelo local.
— Você convidou ele? — perguntou enquanto acompanhava o olhar da amiga.
— Ele é Harry Styles, não precisa de convite. — justificou sínica, recebendo um olhar raivoso de . — Ok, convidei, mas em minha defesa, eu não poderia ter uma noite de sexo selvagem com aquele gostoso e deixar você aqui sozinha. Fiz isso para o seu bem.
— Você é uma péssima amiga, ! — acusou inconformada.
— Como se você não desse um jeito de me tirar de casa todos os fins de semana para transar com o Dylan. Eu te fiz um favor, agora aquele chato vai sair do seu pé e você vai poder ter uma noite maravilhosa de sexo casual com o Harry. — ditou feliz enquanto dava pulinhos de animação.
— Eu não vou ter uma noite maravilhosa de sexo casual com ninguém! Você esqueceu tudo que te falei hoje de manhã? — perguntou se forçando a ficar séria. Estava na etapa da bebida em que tudo é engraçado.
— Ele é uma ótima pessoa, você vai adorar conhecê-lo. — a garota informou convicta. — Só seja simpática com ele.
— Impossível! Ele quase arrancou meu nariz ontem. — relembrou.
— Você já teve tempo de ficar brava com isso, agora sorria porque ele está vindo em nossa direção. — avisou. — E não se esqueça de me agradecer depois.
não teve tempo de questionar e não precisou virar novamente para conferir a informação; o cheiro do perfume caro chegou antes, avisando que ele já estava ali.
Após anos convivendo com a melhor amiga, a mulher já entendia todos os trejeitos da amiga e, naquele momento, o olhar de era claro. Se ela pudesse dizer mais alguma coisa, com certeza seria “desfaça essa cara de cu”, mas a presença do cantor a impedia de verbalizar tais palavras.
Não era necessário reafirmar que ele estava lindo, mas mentalizou assim mesmo. A blusa preta e calça skinny caiam como luva no corpo do rapaz, e o ar se tornou escasso quando se deu conta que não havia notado na noite passada o quão bonito ele era.
— Styles! — saudou. — Graças a Deus que você chegou! A está levemente bêbada e eu tenho um gato ali me querendo durante essa noite, você pode cuidar dela, por favor? Obrigada!
E saiu antes mesmo que Harry ou pudessem protestar. De longe pode ler a amiga balbuciando um pequeno “use camisinha!”, mas se limitou a revirar os olhos.
— Ok, de zero a dez, o quão bêbada você está? — perguntou gentil enquanto sentava em um dos bancos do bar ao lado da menina.
sabia que só tinha duas opções; dizer que estava muito bêbada e ir embora para a chácara, ou confessar que estava bem e ficar ali no bar. A primeira opção pareceu totalmente válida quando a francesa viu o rapaz com quem estava conversando antes se direcionar novamente para o bar.
— Sete! Estou totalmente bêbada! — afirmou se colocando de pé. — Me leva para casa?
— Ok, vamos. — chamou calmo, se levantando.
— Calma. — pediu, se esticando pelo balcão e pegando uma garrafa de vodka, deixando uma nota de cem no balcão. — Para a viagem.
Harry gargalhou e a menina deu de ombros, assistindo o cantor fazer o mesmo com uma garrafa de whisky.
— Vamos. — chamou novamente, sorrindo cúmplice.
assentiu sorrindo e caminhou a passos largos até a porta de saída, sendo seguida por Harry.
É... a noite seria longa.


3. Chelsea boots.

— Por quê vocês terminaram já que você gosta tanto dele? — Harry perguntou com o cenho franzido em direção a mulher bêbada ao seu lado.
Estavam andando pela areia da praia enquanto brincavam de eu nunca. O assunto sobre o ex surgiu quando tropeçou em uma garrafa de cerveja e se recordou do quanto Dylan gostava de beber. Era o primeiro porre que tomava após o termino do namoro, e desde então a garota vinha falando para Harry, o qual ela percebeu ser um bom ouvinte, o quanto sentia saudades do antigo namorado.
— Bom... Eu não podia deixar ele me esperando enquanto eu estava nas estradas com um astro do rock. Não é justo! — contou entre soluços e seus olhos já começavam a marejar.
— Pop-rock. — corrigiu enquanto tentava segurar a risada. — E você poderia ter rejeitado o emprego.
— Ele adorava me dar camélias... Mesmo eu preferindo girassóis. — divagou com a voz chorosa, ignorando o cantor, que não conteve a gargalhada.
— Ok, vamos continuar a brincadeira, não quero você chorando. — pediu enquanto se sentava na areia. — Eu nunca fiquei com alguém só por uma noite.
A garrafa de vodka estava quase no fim, assim como a de whisky. Ambos estavam bêbados, mas a consciência de Harry o avisava que ainda tinha que levar a garota para a chácara, por tanto, seu nível de sobriedade ainda estava maior que o da menina. , por outro lado, estava tão bêbada que agora considerava Harry um bom e velho amigo, esquecendo da opinião formada sobre o narcisismo do rapaz.
Sem pensar duas vezes, a francesa jogou o seu corpo na areia, ao lado do cantor, dando um pequeno muxoxo ao receber o impacto.
— Por quê todo mundo já fez sexo casual? É uma regra para quem solteiro? E por quê todo mundo resolveu falar disso hoje? — perguntou cética após ver o rapaz tomar um gole da garrafa.
— Você nunca? — perguntou calmo. Não queria que ela pensasse que ele estava julgando-a.
— Não. Perdi minha virgindade com o Dylan, e logo depois nós começamos a namorar, não tive tempo de sair fazendo sexo com todos os homens de Londres. — contou, se deitando na areia e virando de lado para encarar Harry, que fez o mesmo.
— Não é uma regra de solteiros, você faz se quiser, se sentir vontade. — explicou.
— É bom? — perguntou em um tom baixo. — Quero dizer, fazer sexo com estranhos?
não era ingênua, longe disso, na verdade. Já havia experimentado de várias coisas nesses três anos com Dylan, e adorava sexo, mas passar muito tempo dentro de um relacionamento a fazia desconhecer os atributos da vida de solteira.
— Não precisa ser exatamente com um estranho. — ele falou e ela continuou encarando, esperando para que ele continuasse. — Sexo casual é quando você quer transar com alguém mas não quer que isso se torne um relacionamento, então pode ser com um amigo, com alguém que você acabou de conhecer, com um colega de trabalho... E sim, é bom fazer sexo na hora que quiser.
— É para isso que existem os namorados. — a menina disse em uma comparação, fazendo com que Harry negasse.
— É, mas sexo casual se torna melhor que namoro quando você não precisa rotular.
— Esse não é seu lugar de fala, você namora uma Kardashian, pelo amor de Deus. — disse incrédula, caindo na realidade e voltando a se sentar.
Ela mal conhecia o cara e estava falando de sexo com ele? Ela não falava sobre sexo nem com Bella, e olha que a garota tentava a todo custo saber das experiências sexuais da francesa.
— É Jenner e eu tenho quase certeza que você pesquisou o ano errado. — disse zombeteiro.
— Eu não pesquisei sobre você! Bella me disse que você namora, então eu deduzi que fosse com ela. — disse revoltada, tomando um longo gole da vodka em sua mão direita.
— Não pesquisou mas andou perguntando sobre mim? A mesma coisa, , sua fonte só foi uma pessoa ao invés de uma ferramenta da internet. — disse rindo, sabendo que irritaria a francesa.
Harry não era tão egocêntrico para pensar que ela buscaria sobre ele, e conhecia Bella o suficiente para saber que ela deveria ter trazido o assunto ‘ele’ a tona, mas irritar havia se tornado divertido; ela ficava vermelha por alguns milésimos de segundo, depois bufaria alto e diria algum insulto em francês. Havia irritado a garota o suficiente noite passada para saber as reações que ela tinha, e eram sempre as mesmas, principalmente quando chamada pelo nome errado.
Va te faire foutre*, Harry, eu já falei que meu nome é ! E acalme o seu ego de cantor porquê eu... — xingou mas refreou a fala ao ver Harry segurando o riso. Ele estava gozando com ela. Mas ela estava bêbada demais para se manter séria, então acabou acompanhando o riso do rapaz. — E então, agora quem é a namorada da vez?
— Nenhuma. — disse sincero, e sorriu ao ver a garota levantar a sobrancelha em forma de julgamento. — Olha, nós posamos para a mídia juntos mas não é um namoro de verdade... Ela é uma pessoa maravilhosa na maioria das vezes, mas nós assinamos um contrato para ficarmos juntos durante um tempo, e mesmo trazendo benefícios para ambos, continua sendo só uma jogada de marketing.
— Oh... Deve ser uma merda.
— Até que não... Acho que já esqueci a ultima vez em que eu tive que realmente me esforçar para pedir alguém em namoro, ou leva-la para conhecer minha família. — sorriu triste. — Ainda assim, eu não posso reclamar. É a consequência da fama.
— Eu sinto muito por você. — disse calma enquanto olhava as ondas calmas do mar. — Sério. É incrível se apaixonar, mesmo que ás vezes não acabe bem. No final sempre vale a pena.
— Talvez. Mas mesmo assim eu não teria o direito de ter algo normal, sabe? Levar em um dos meus restaurantes favoritos na Itália, ou ir em um passeio calmo na praia, leva-la para dançar... Sempre teria fãs e paparazzi. — disse quieto, bebericando o whisky.
— Você escolheria não tê-los? Escolheria ficar fora dos palcos e se tornar uma pessoa “normal”? — pergunta encarando o rapaz, que nega na mesma hora.
— Não. Estar no palco e encontrar com eles é totalmente incrível. — disse sincero.
— Então você pode aproveitar as coisas mais simples. Cozinhar em casa, ir a praia em uma época que não seja alta temporada, assistir um filme... — mostrou.
Ela ainda tinha a mesma opinião sobre ele, e talvez a imagem que tinha do cantor demorasse a se dissipar em sua mente, mas ela já havia feito algo que nunca havia imaginado; conversado com ele sobre coisas que não havia falado para ninguém. Amanhã ela certamente colocaria a culpa na bebida, então poderia fazer qualquer coisa que quisesse hoje.
Sentia muito por Harry. Sabia que como famoso, ele não poderia fazer algumas coisas que pessoas fora da mídia faziam. Sabia que a liberdade e privacidade dele era limitada, mas queria mostrar para ele que tudo bem, que tinham outros meios, coisas bobas que ele poderia se divertir fazendo. Então não pensou duas vezes em se levantar e estender a mão para ele, que a direcionou um olhar de interrogação, fazendo-a rir.
— Prometo que não vou te matar e jogar no mar. — disse sorrindo e sentiu o rapaz segurar sua mão e se levantar.
— O que nós vamos fazer? Roubar alguém? — perguntou ao vê-la depositar o celular na areia, em cima dos saltos pretos que havia retirado dos pés assim que chegaram na areia.
— Não, bêbados demais para isso, não conseguiríamos correr e acabaríamos presos. Quero que sua experiência seja simples, mas não tão decadente quanto ir parar em um camburão da polícia. — apontou erguendo a mão para pegar o celular do rapaz, e Harry gargalhou ao imaginar a cena, entregando o aparelho.
— E então? — tornou a perguntar ao ver o seu celular tomar o mesmo destino que o da francesa.
— Nós vamos dançar. — avisou, arrastando o rapaz sorridente e confuso pela mão.
— Sem música?
— Não seja chato, use a sua imaginação, Styles! — pediu enquanto sorria zombeteira, fechando os olhos em seguida. — Só sinta.
O corpo dançante da menina começou em um balanço aleatório, mas Harry logo percebeu que ela tinha jeito para a coisa, e tratou de fazer o mesmo, de uma maneira mais desajeitada e menos original, já que o rapaz seguia no mesmo ritmo da francesa.
Quem visse de longe teria duas opções para deduzir; uma era que eles eram apenas amigos que estavam se divertindo de uma forma original, a outra, e mais realista, era que eram dois bêbados em uma dança sem música.
Para , era algo normal, já que ela sempre partilhava desses momentos com os amigos. A única coisa que fazia diferença, era um cara que ela malmente conhecia e que dançava desengonçadamente ao seu lado, fazendo-a espiar de vez em quando e lutar para segurar a gargalhada.
Para Harry era um dos raros momentos em que ele estava sem medo de ser fotografado, e caso aparecesse uma fã no local, a sua maior reação seria chamar para a diversão. Era uma das primeiras vezes em que ele se sentia tão normal. Tão não-ele. Um momento em que ele não era Harry Styles, ex integrante da banda one direction. Naquela hora, ele só era... Harry.
A dança não durou por muito tempo, e logo Harry se jogou de volta na areia, levando o corpo da francesa junto com o seu e a deixando deitada por cima dele. Os dois demoraram algum tempo se encarando, ofegantes, até quebrar o contato visual e encostar a cabeça no peito do tatuado.
— Obrigada por tentar fazer com que eu me sentisse bem. — agradeceu após alguns minutos em silencio, tentando controlar a respiração descompassada.
— Funcionou? — a menina perguntou, voltando a olha-lo. — Quero dizer, por hora.
— Funcionou. Sabe, eu só tenho esses momentos com os meus amigos, e ainda assim são poucas pessoas que conseguem me deixar a vontade... Você conseguiu, . Quero dizer, a gente mal se conhece e... — falou olhando o céu, mas parou a si próprio quando a menina levantou em um pulo. — O quê? Falei alguma coisa errada? Desculpa.
Pediu se aproximando da francesa, que mantinha as mãos em um pedido mudo para que ele não se aproximasse.
Ignorando aquele detalhe, Harry continuou, segurando a mão dela e a trazendo para perto, tentando olhar o rosto dela, mas os cabelos indomáveis pelo vento forte não o deixavam ver.
, fala alguma coisa! — pediu desesperado, ela estava tendo um ataque? Que diabos era aquilo?
— Eu... — tentou, mas foi interrompida quando o vomito saiu de sua boca, indo parar nas botas chelsea de Harry, sujando os pés cobertos do cantor, que não hesitou em segurar os cabelos da francesa, assistindo-a vomitar violentamente.
Maldita vodka. – era o pensamento que abrandava a mente dos dois jovens.
Em uma hora lá estava ele, abrindo seu coração sobre o quão difícil é ser famoso, e em outra, estava tendo suas botas chelsea da Saint Laurent soterradas por vomito. Mas aquilo não parecia incomodar o rapaz, que se mantinha firme esperando a mulher terminar de colocar tudo para fora.
Após terminar, levantou o rosto, limpando a boca com as mãos.
— Você está bem? — perguntou preocupado vendo o olhar desnorteado da menina.
— Estou, obrigada. — agradeceu sincera, mas logo o tom sarcástico tomou conta do seu olhar. — E o meu nome é .
— Melhor voltarmos para a chácara agora. — disse e recebeu um aceno da garota. — Acho que tive experiências normais demais por hoje.
— Meu Deus! Eu vomitei em você! — disse alarmada após alguns segundos olhando o horizonte. — Puta que pariu, essas botas devem custar um mês do aluguel do meu apartamento!
— Relaxa, amanhã eu compro novas. — disse sorrindo do desespero momentâneo da garota. Caminhou até a lixeira mais próxima e se desfez das botas, que realmente estavam um nojo, e se voltou para a menina, que tinha um semblante aflito. — Eu volto descalço, só precisamos andar mais algumas casas, é logo ali.
— Eu vou comprar botas novas para você, eu prometo. — disse quando os dois começaram a andar na direção apontada. — Meu Deus, que vergonha...
Iriam pela areia para que Harry não corresse o risco de machucar o pé, já que não haveriam mais desculpas para que o cantor aparecesse todo o dia com um machucado novo, feitos por ; a desastrada.
tudo bem, . — tentou tranquiliza-la e a menina conteve o impulso de corrigir o seu nome dito de maneira errada, mas se conteve.
— Pelo menos você esta se sentindo normal agora. — tentou brincar, mesmo que ainda estivesse morrendo de vergonha. — Aposto que ninguém nunca vomitou em você.
— É, hoje foi a minha primeira vez... Só não deixe seu ego te levar muito longe. — confessou e ambos riram, continuando o caminho em silêncio.
Não demoraram muito para chegarem, na chácara, que se encontrava deserta o suficiente para facilitar o caminho dos dois para o quarto de , que abriu a porta e deu passagem para o rapaz.
— Você pode usar o banheiro, se quiser. — ofereceu sem graça e Harry assentiu, indo para o lugar que havia sido apontado.
Deus! Que noite! Longe do esperado, óbvio, já que nem Bella preveria que ao ficar sozinha com um gato daqueles, a coisa mais intima que teriam, seria o vomito da francesa nos pés do rapaz.
se jogou na cama, se aconchegando nos lençóis e esperando por Harry, que não deve ter demorado cinco minutos no banheiro, mas que ao voltar já encontrou a menina adormecida.
Suas mãos pegaram o bloquinho de anotações ao lado da cama, escrevendo uma pequena nota.
“Obrigada pela noite. Foi uma das mais normais que tive, claro, sem contar com o vomito nos meus pés. Te vejo amanhã, .
H. Xx.”

Após depositar o pequeno bilhete junto ao caderninho, no mesmo lugar que havia encontrado, Harry logo tratou de sair do quarto, mas não sem antes dar uma ultima espiada no rosto adormecido da menina, deixando o cômodo com um sorriso incrédulo nos lábios. Que noite. Ele queria uma experiência normal, e tivera o que a garota podia oferecer; uma dança sem música no meio da praia e uma vomitada nos pés.
Estava de bom tamanho para ele.




Significado da(s) palavra(s) em francês usada(s) no capítulo: *"Va te faire foutre" = vai se foder


4. Azuis da cor do mar.

As unhas grandes tamborilavam na mesa enquanto ela encarava descaradamente o croissant em sua frente. O bilhete em sua mesa de cabeceira ecoava em seus pensamentos desde o momento que havia lido da primeira vez. Havia flashes em suas lembranças, contando brevemente o que ocorreu noite passada; e, infelizmente, a cena do vomito era a mais vivida.
Com que caralhos pagaria uma bota fodidamente cara?
Era hora do café da manhã e todos da equipe e da banda estavam espalhados pelas mesas da área gourmet, como um enorme restaurante ao ar livre. Harry também estava ali, há algumas mesas de distância da que estava, enquanto encarava descaradamente a nuca da francesa, que queimava em um alerta de que alguém estava observando-a.
Havia acordado disposta aquela manhã, mesmo com a ressaca física e moral, sua cabeça estava a todo vapor para começar logo a fotografar. Acordar ao som de Ed Sheeran era sempre uma boa maneira de começar o dia, mesmo noite passada tendo sido um desastre.
não havia dado as caras desde a última noite e aquilo já estava começando a deixar agoniada; quando a amiga ficava muito tempo sem dar noticias, ela estava aprontando algo.
A intuição da francesa não falhou, e seu corpo murchou na cadeira ao ver o furacão adentrar o ambiente.
! chamou alto, atraindo olhares para a mesa em que a garota estava.
Para não faria muita diferença ter atenção ou não; ela já era amiga de todos ali, já que aquela viagem havia começado algumas semanas antes de chegar; mas se havia algo que a fotógrafa odiava, era ser o centro das atenções, mesmo que isso se aplicasse apenas para quando ela não estivesse em meio aos amigos, que era a questão do momento.
— Que caralho você pensa que está fazendo, )? — sibilou para a amiga ao ver o corpo esguio da morena chegar na mesa.
— Você desapareceu ontem! — continuou, fazendo a amiga se endireitar na cadeira e acenar envergonhadamente para algumas pessoas, que pareciam conter as risadas.
— Você pode sentar e parar de gritar? — perguntou ruborizando ao encontrar os olhos de Harry, que já sorria abertamente com a cena e conteve o ímpeto de mostrar-lhe o dedo do meio. A amiga obedeceu e os olhares foram se dissipando conforme os minutos passavam.
— Rolou alguma coisa? — tentou em um tom mais brando.
— Eu tive um imprevisto, okay?! Imprevisto esse que conteve a participação brilhante do seu cantor. Inclusive esse seu favoritismo está me dando nos nervos, sério, 'tô começando a achar que você quer alguma coisa com ele. — alfinetou enquanto beberricava o suco de laranja.
— O que aconteceu agora? Você deixou alguma cicatriz nova? — perguntou sorrindo cinicamente.
— Não. Na verdade, dessa vez eu vomitei nele. — confessou e escondeu seu rosto com as mãos.
— Como assim você vomitou nele? , pelo amor de Deus...
— Eu sei, ok? Eu sei. — disse derrotada. — Mas se me permite dizer, que porra você pensou em me deixar sair com ele? Eu estava bêbada, o que poderia ter acontecido?
— Sexo bêbado é ótimo. — esclareceu enquanto roubava um pedaço do mamão em sua frente.
— Exatamente, sua ninfomaníaca, eu estava bêbada! Ele poderia ter abusado de mim ou algo assim.
— Era mais fácil você ter abusado dele. — deu de ombros. — Teve algum momento em que ele cruzou a linha?
— Não. — murmurou.
— Então estamos bem. Se ele desse em cima de você, você provavelmente saberia. Ele costuma ser direto nesses assuntos. — explicou e franziu o semblante.
— Ele já deu em cima de você? — perguntou com um sorriso de lado.
— Não, infelizmente. Ouvi dizer que ele prefere francesas. — alfinetou e mostrou o dedo do meio, entendendo a provocação. — Por falar nisso, nós vamos a praia hoje.
— Hoje é segunda-feira, não estamos mais de folga, caso você tenha esquecido. — relembrou, dando uma garfada no croissant.
— É, eu sei. Mas Jeff quer fazer um teste antes que você assine o contrato, então você é encarregada pelas fotos de hoje. — explicou calma.
— E as fotos serão na praia? — perguntou retorica. — Mal posso imaginar de quem foi essa ideia.
— Culpada. — disse rindo, fazendo com que negasse incrédula. — Não faça essa cara, Soph. O Harry adorou a ideia, se quer saber.
— Ok, que horas? — perguntou, olhando o relógio no celular. Eram 09:56am.
— As 10:15am. — disse rindo ao ver os olhos da menina se esbugalharem. — Não é minha culpa, Harry definiu o horário, achei que ele havia avisado.
— Não. Ele não avisou. — falou entredentes, se levantando da cadeira. — Vou colocar um biquíni, onde encontro vocês?
— Na estrada de cascalhos, perto da recepção. Não se atrase. — informou e riu, ao ver a amiga pegar o celular e correr escada a cima.
Seus olhos logo se cruzaram com o de Harry, e deu um leve aceno na direção do cantor.
Ele e fariam um belo casal juntos. Conhecia a amiga bem demais, e aquela fossa pelo termino do namoro já estava indo longe demais. Pelo amor de Deus, Dylan começou a festejar após dois dias de termino, tendo fontes seguras que informavam que ele já havia dormido com metade de Londres, enquanto a francesa se recusava a ficar com outras pessoas, suspirando pelos cantos e sonhando em acabar o trabalho para poder voltar correndo para o ex.
Sabia que não poderia forçar nada entre os dois, mas poderia facilmente se deixar manusear pelo destino, dando uma pequena ajudinha. No mínimo, o que poderia acontecer, seria uma amizade, o que não seria nada mal também.
No andar de cima, fuçava a mala em busca dos biquínis; tinha certeza que havia colocado algumas peças na mala, mas o único que encontrou foi um cortininha, branco. Revelador demais para um dia de trabalho, mas visto que todos os outros pareceram sumir, não havia outra opção.
Degolar estava no topo da lista de prioridades agora. Desconfiava que o plano da amiga era despertar o interesse dela em outros homens, principalmente em Harry, e vê-lo sem camisa ajudaria no processo. Não havia pedido por ajuda, mas já que estava ali, também não iria reclamar. Afinal, que mal teria dar uma espiadinha?
All in a girl’s life is work.
Após colocar o biquíni e um vestido de alça por cima, se focou em arrumar a parte profissional; câmeras e equipamentos.
Sabia que haveriam mais dois fotógrafos por lá — fotógrafos os quais não chegou a conhecer por conta do incidente com Harry no seu primeiro dia, mas, por ser a única em fase de teste, daria o seu melhor. Ficaria encarregada da equipe caso passasse no teste, então estava fora de cogitação falhar. Precisava daquele emprego.
Com esses pensamentos, não hesitou em pegar o seu mais novo amor; Canon 5D Mark IV, própria para natureza e paisagens. As fotos seriam na praia, então aquela belezura supria todas as suas necessidades. Havia ganhado de seus avós após contar a novidade que seria a nova fotografa da HS1. Já havia feito alguns testes bobos, mas aquele seria o primeiro trabalho com a nova câmera, e estava totalmente segura. Quem precisa de uma arma quando se tem uma belezura daquelas em mãos?! Se sentia mais segura do que uma Kardashian quando estava por trás das lentes fotográficas.
Levaria também a sua pequena e fiel companheira GOPRO para caso precisasse entrar na água; jamais arriscaria a fortuna que seus avós gastaram na nova Canon.
O relógio na pequena mesa de cabeceira contava que faltavam cinco minutos para o horário combinado. Pegou a pequena mala, pendurando em seus ombros, e saiu do quarto.
Após alguns minutos rodando pelo térreo a procura do local marcado, ouviu a voz de ao longe, e se apressou a ir em direção a amiga, que rosnou quando viu a francesa se aproximar.
— Está atrasada! — grasnou trazendo a atenção para a garota, que corou.
Tinha apenas nove pessoas ali e ela conhecia todos, por quê diabos estava corando?! — a mente da francesa ralhou, e ela apenas revirou os olhos.
— Eu sei! Quase me perdi, isso daqui é enorme! — reclamou, começando a caminhar e sendo acompanhada pelos outros. — Cadê a sua equipe? Achei que fariam algumas filmagens para o documentário.
Ali só estavam Mitch, Sarah, Clare, Harry, Adam, os dois outros fotógrafos e . A praia não era longe, de forma que bastava apenas atravessar a rua. Jeffrey Azoff, o administrador da carreira de Harry, havia entrado em contato com algumas pessoas e alugado cinco lotes ao redor do lugar onde fariam as filmagens, eliminando o risco da localização do cantor ser divulgada.
— Nós iremos fazer, mas queremos algo mais amador, então você fará. — explicou e todos pareciam beber as palavras que a produtora dizia. — Queremos que pareça um momento de diversão, não algo programado. A ideia inicial era, realmente, apenas o Harry e os amigos no dia de folga dele, mas então pensamos em colocar um pouco disso no documentário. Não queremos só que o Harry apareça compondo e cantando, ele quer um momento relaxado para que os fãs se sintam mais próximos dele...
— Espera, espera, espera! — interrompeu incrédula, mas tinha um quê de brincadeira em seus olhos. Já sentia o cheiro de mar em suas narinas. — Você ‘tá me chamando de amadora?
— Oh, cale a boca! — cortou, rindo e sendo acompanhada por Soph, que a abraçou por cima dos ombros. Os outros já haviam voltado a conversar entre si, mas os fotógrafos ainda prestavam atenção. — Ao trabalho, pessoal!
***

podia sentir seu pulmão protestar a cada vez que mergulhava, mas estava encantada demais para querer emergir para puxar folego e perder aquela vista gloriosa dos corais. A GOPRO estava em sua mão direita, enquanto acompanhava Harry nadar e se apoiar na prancha. Cedeu ao que seu corpo implorava e foi atrás, repetindo o ato e ficando de frente para o cantor, que a encarava com um sorriso.
Todos pareciam totalmente dispersos. Mitch ensinava Sarah a subir na prancha, enquanto Adam e Clare conversavam distraidamente. e os outros dois fotógrafos haviam ficado em terra firme, já que não trouxeram equipamentos para água, e a outra alegava que a agua estava fria demais para o bem dela.
Havia sido apresentada aos outros fotógrafos, uma mulher, que logo descobriu se chamar Helene, mais uma francesa, e a nacionalidade em comum cumpriu o seu papel, fazendo com que as duas se dessem bem logo de cara. O outro, se chamava Robert, natural da Califórnia, e estava apenas começando o seu estágio, conseguindo um emprego daquele porte após ser indicado por Helene. Seria uma ótima equipe.
— O quê? — Soph perguntou sorrindo de volta, abaixando a câmera.
— Seus olhos são lindos, . — elogiou e ela sorriu em agradecimento. — Azuis da cor do mar.
Harry havia conhecido há três dias, mas não dera muita bola. Era bonita, mas não havia parado para reparar nos detalhes, — pelo menos não até agora. A noite passada deve ter tido alguma influência naquilo. A forma com que ela parecia graciosamente a vontade ao lado dele, ou a forma como esquecia os filtros na hora de falar, como se ele realmente fosse um amigo. Harry estava encantado sobre como ela podia ser tão mulher, e ao mesmo tempo ter um espirito de menina travessa, deixando o ambiente mais leve.
Mas era só isso. Uma garota linda, com uma personalidade encantadora, — pelo menos até onde ele conhecia. E parecia ser uma profissional e tanto, não só pelo portfólio, mas por como se portava ao segurar a câmera, como se ela lhe trouxesse algum poder. Era, no mínimo, intrigante.
E para Harry, que estava levemente curioso, aquilo era um combustível para querer conhecer mais a fundo a francesa.
Ele observou a mulher rodear a prancha, nadando até ficar ao seu lado, e ergueu novamente a câmera, rindo baixinho ao ver o cantor voltar o olhar para frente novamente, mascando o chiclete.
Harry deu um impulso, se deitando na prancha de surf com a barriga para cima e fechando os olhos. Podia ouvir as vozes dos amigos conversando, o que o fez sorrir, ouvindo também a movimentação na água, denunciando que ainda estava por perto, provavelmente filmando os momentos. Estava feliz. Pela primeira vez em algum tempo, se sentia leve. Não havia porque ter pressa, e ele sentia que podia fazer as coisas no seu próprio ritmo. Se sentia como novo, e mais empolgado do que nunca para compor.
— Harry! Vamos! — ouviu Mitch gritar.
Abriu os olhos em placa, se sentando. , agora com a câmera desligada, conversava animadamente com Adam e Sarah, enquanto nadavam para fora da água. Mitch e Clare esperavam por ele.
— Harry, anda logo, a gente vai morrer de frio aqui! — dessa vez Sarah gritou, já da areia, enquanto agarrava em uma tentativa de se esquentar, e a outra ralhava, gritando que a menina estava molhada feito um pinto.
Não foi necessário outros gritos, já que os três que faltavam, logo se puseram a nadar para a areia. O sol estava fraco, quase sumindo no céu, e o relógio marcava 18:00pm. Foi um dia produtivo, mas aparentemente não acabaria por ai. Harry sentia como se um caminhão de inspiração estivesse passado por cima dele, de forma que passaria algumas horas compondo antes de dormir, mas preferiu não comentar; queria fazer aquilo sem câmeras em cima, pelo menos por hoje.



5. A verdade nua e crua.

O plano anterior não havia dado muito certo. Harry precisava da ajuda de Mitch na hora da composição, e o guitarrista poderia muito bem assumir o papel de uma vizinha fofoqueira quando queria, de forma que Harry, Mitch e acabaram presos no estúdio, com uma filmadora acompanhando os momentos. Era como havia dito; — não sabiam quais seriam as filmagens inseridas no documentário, mas não podiam arriscar perder o momento.
Após algumas horas ali, a garota acabou cochilando, voltando a acordar somente quando Harry a chamou, avisando que haviam encerrado por hoje. se levantou em um pulo, voltando a ligar a câmera e seguindo o cantor até o terceiro andar.
— Conte-nos o que você fará agora, Harry. — pediu, enquanto filmava o rapaz se dirigir ao seu quarto.
— Vou assistir uma comédia romântica no meu quarto, e depois vou dormir... — contou, entrando no quarto e deixando a porta aberta para que a garota entrasse.
O quarto era bem amplo, assim como o terceiro andar em si. Ao passar pela porta que dava acesso ao cômodo e o separava do resto do andar, havia uma suíte, um closet, e mais a frente, uma cama king size que ocupava uma boa parte do quarto. As paredes brancas estavam decoradas com variadas artes plásticas. Uma escrivaninha se encontrava na outra extremidade do quarto, com diversos papeis em cima da mesa, papeis que mais especificamente, eram partituras e composições, mas, por não estarem prontas, a câmera foi desviada para mais perto, mostrando uma poltrona que se encontrava próximo a escrivaninha.
— Achei que você fosse assistir Netflix... — comentou ao ver o cantor se sentar e puxar uma maquina datilografia, recarregando-a com papel.
— Eu vou, mas antes preciso anotar uma ideia. Você pode ir, se quiser, não vou demorar. — explicou, começando a escrever o que quer que seja. Parecia concentrado, e a garota não queria arruinar o momento, então permaneceu calada, filmando por mais alguns minutos.
Um detalhe sobre Harry é que ele parece se perder em um mundo paralelo quando começava a compor. Era gostoso de apreciar. O mundo ao redor parecia desaparecer, e ele parecia ficar alheio a tudo o que estava acontecendo. Poderia explodir algo, ou o mundo poderia acabar; ele só veria após acabar o que estava compondo. Era como se ele pudesse ligar e se desligar em um pequeno interruptor mental. E foi exatamente o que aconteceu, poucos minutos depois. estava sentada, olhando, com a câmera ainda ligada, e ele parou, retirando o papel enquanto parecia analisar algo, mas depois desviou o olhar para ela e sorriu;
— Terminei. Pode ir dormir, nada de interessante vai acontecer hoje. — brincou e a garota sorriu, desligando a câmera.
— Boa noite, Hazz. — desejou, dando um pequeno beijo nos cabelos do cantor, que agradeceu com um sorriso. — Não durma muito tarde, teremos reunião com Jeffrey amanhã de manhã.
O rapaz concordou com um aceno de cabeça, e observou a garota se direcionar para a porta do quarto, indo embora. Harry estava cansado fisicamente, mas sua mente parecia ligada em uma tomada, e ele sabia que se deitasse, demoraria a pegar no sono.
Sem contar o fato que ele realmente queria assistir um filme.
Colocou as partituras e composições todas juntas, arrumando o pequeno escritório, e agarrou no celular, saindo do quarto.
Quando as pessoas diziam que aquele andar era absurdamente grande para uma só pessoa, elas não estavam exagerando; O lugar, o qual todos chamavam de chácara, era como um resort que havia sido alugado por completo. O primeiro andar era a área de lazer, o segundo era onde ficavam os quartos, e o proprietário, que havia se mudado, morava no terceiro com sua família. Jeffrey, o empresário, fez questão de alugar um lugar enorme, para que a privacidade e o conforto estivessem presentes, tanto para Harry, quanto para os funcionários, que não eram poucos.
Mesmo adorando ter momentos sozinhos e privados, era solitário ter aquilo se tornando constante. Pensou em chamar Mitch ou Sarah... Cogitou até mesmo ir procurar , mas rejeitou as ideias, se conformando com a própria. Seria bom, por um lado, já que teria tempo para pensar enquanto fingia assistir algum filme que ainda não havia decidido qual.
Naquele andar, absurdamente enorme, tinha uma sala de cinema, a qual havia sido descoberta recentemente pelo cantor, e era o lugar para o qual ele estava indo agora. A mão encostou na maçaneta e ele abriu, relevando o espaço em um total escuro, se não fosse pela luz da tela plana e as luzes de led no piso, que iluminavam o local. O ambiente era totalmente aconchegante, com tons de cinza e amarelo. Podia ouvir claramente o som do piano soar, e conhecia aquele filme bem demais para saber que era La La Land sendo reproduzido. Antes que pudesse estender a mão para acender a luz, algo o antecipou, — algo que, agora com a luz acesa, se mostrou ser alguém.
estava encolhidinha nos lençóis, assistindo ao seu filme preferido, quando uma movimentação na porta a fez saltar no lugar e se esticar para apertar o interruptor. Quando chegou da praia, tomou um banho relaxante, lavando os cabelos e subiu, na intenção de assistir algo; já havia assistido a primeira temporada completa de Friends enquanto tomava sorvete, quando resolveu rever La La Land. Era o filme favorito da fotógrafa, e mesmo tendo todas as falas decoradas, parecia que nunca se cansava de assisti-lo. Era o que sempre a salvava quando estava ansiosa ou nervosa, e naquele dia, as emoções dela atingiram o pico, deixando-a nervosa para a reunião que teria amanhã.
Harry e se encararam durante um tempo, o piano de Sebastian tocando musicas de natal ao fundo, até que a francesa tomou o impulso de levantar ao mesmo tempo em que Harry entrava, encostando a porta.
— Você pode ficar, , eu não mordo. — brincou, contendo o ímpeto de soltar uma piadinha a mais, e viu a garota endireitar a postura. Estava linda; seus cabelos estavam levemente encaracolados e ainda estavam molhados, evidenciando o recente banho tomado. Um suéter azul marinho realçava os seus olhos claros, e a calça de moletom evidenciava suas coxas fartas.
— É . — corrigiu e voltou a deitar no sofá, dessa vez sendo acompanhada pelo cantor, que se colocou ao seu lado. Próximo, mas não muito, de forma que havia um espaço entre os dois.
Na enorme tela, Mia adentrava o bar em que Sebastian estava, logo após ele ser despedido, e se dirige até ele, tentando puxar conversa. O protagonista ignorou e esbarrou na garota, deixando-a falando sozinha enquanto saia do bar.
— Rude. — Harry classificou, olhando para a tela. Já havia assistido aquele filme algumas vezes com Gemma, e sabia o que acontecia, mas não conseguiu refrear o comentário.
— Bem, poderia ser pior. — tentou, dando de ombros.
— Ele a ignorou categoricamente, como isso poderia ser pior? — perguntou, voltando o olhar para a menina, que deu um sorriso irônico, devolvendo o olhar.
— Ele poderia ter batido no nariz dela. — alfinetou e Harry riu, revirando os olhos e pegando no celular, encerrando o assunto.
Ao abrir as mensagens, avistou logo o contato de Anne, que perguntava como estavam as coisas. Precisava urgentemente fazer um Facetime com a mãe; havia se passado uma semana desde a última vez em que se falaram, e com tantas coisas sobre o álbum novo para resolver, acabou se atolando em trabalho e esqueceu completamente de ligar para a progenitora. Adicionou um lembrete mental para liga-la amanhã, logo após a reunião. Fechou o aplicativo de mensagens e se direcionou ao Instagram, sorrindo ao imaginar a loucura que seria se os fãs soubessem que ele estava online.
Enquanto isso, prestava atenção no filme, como se fosse a primeira vez que assistia, mas recitava as falas baixinho, em um murmúrio.
Harry não precisou olhar muita coisa para encontrar o que não queria; Camille havia postado uma foto com outro alguém, mas a foto borrada não o deixava ver quem era. Suspirou frustrado, jogando o celular em cima do sofá, enquanto esfregava o rosto em forma de agonia. Um dia longo, definitivamente.
Tantas coisas para resolver, e agora mais essa...
— Acho que alguém roubou a sua garota. — a outra francesa comentou após olhar de relance a tela do celular, que continuava pausada na foto da modelo.
— Ela não é a minha garota. — pelo menos não ainda, adicionou mentalmente.
— Então por que está chateado? — perguntou, voltando o olhar para a tela enorme da televisão, não querendo pressiona-lo a responder.
Harry parou por um instante, pensando na pergunta. Não conhecia direito, não sabia se era alguém que poderia confiar; se era alguém para quem ele podia abrir o coração e contar todas as merdas que se passavam em sua cabeça.
Queria dizer que daqui há alguns meses teria que assumir, abertamente um relacionamento com a modelo, e ela não deveria postar fotos com outras pessoas, porque eles deveriam estar se conhecendo. Queria dizer que precisava ficar um tempo com a modelo para o bem de ambos, e que o contrato já estava assinado. Apesar de não conhecer , Harry sentia que deveria ser honesto e pela primeira vez, era o que ele mais queria.
— Eu sou muito egoísta, . — resumiu, após algum tempo pensando no que ia falar.
A mulher levantou as sobrancelhas, em surpresa e exasperação; não esperava que ele ainda fosse responder, e, por Deus, ele nunca aprenderia que o nome dela era ?!
Nota-se. — murmurou em resposta. Harry riu ao ouvir, se voltando para encarar a garota, que mordia a bochecha enquanto assistia o filme.
— Escute, por que você não gosta de mim? — perguntou com o sorriso ainda brincando nos lábios.
— Você é meu patrão, eu não vou te falar isso. — negou, olhando para o cantor com descrença.
— Eu sei que você não gosta de mim, percebi isso logo depois que você me bateu e depois vomitou em mim. — disse neutro.
Para ele era engraçado o fato que ela nem se esforçava para tentar esconder a antipatia em relação a ele.
— Eu não vomitei em você de propósito. — contou. — E você acha que eu não gosto de você, eu nunca confirmei nada.
— Mas também nunca negou. — pontuou e ela ficou calada. — Olhe, eu lhe dou quinze segundos para você falar o que pensa de mim, sem se preocupar sobre eu ser o seu patrão.
olhou, desconfiada, e após alguns minutos pensando, concordou com um aceno.
— Ok, é meio que uma birra que eu tenho... — começou, tentando escolher as palavras.
— Uma grande revelação. — Harry ironizou, fazendo ela revirar os olhos.
— Eu ainda tenho dez segundos. — lembrou, erguendo a sobrancelha em um aviso mudo para que ele não interrompesse. — Eu te acho arrogante, prepotente e você tem uma crise de narciso que me irrita. Eu não quero nem mencionar que você quase arrancou meu nariz, caçoou da minha nacionalidade com aquele papo de “não sei se consigo lidar outra francesa agora” e fala meu nome errado a cada oportunidade que tem só pra me irritar.
Nenhum dos dois havia reparado, mas ambos estavam se aproximando fisicamente; havia se colocado sentada, mas seu corpo estava inclinado na direção de Harry, que havia se aconchegado mais no sofá, se aproximando mais da garota, também de forma imperceptível. As coxas da francesa, cobertas apenas pelo moletom, estavam roçando levemente na mão esquerda do cantor, que agora podia sentir o cheiro do perfume adocicado da mulher.
Harry tinha o cenho franzido e um sorriso leve nos lábios rosados, enquanto estava enumerando os fatos nos dedos, mas tinha um quê de riso na sua expressão.
— Por quê eu sinto que você está com a opinião formada sobre isso? — perguntou rindo. Não sabia porque estava rindo, ela estava insultando ele e dizendo abertamente que não gostava dele, mas o sorriso parecia não querer sair de seus lábios.
— Porque eu realmente estou. — disse, se deixando vencer e sorrindo também.
— E não vai me dar a oportunidade de mostrar que eu não sou só um filho da puta arrogante? — perguntou calmo.
— Não me leve a mal, Harry, você aparenta ser uma boa pessoa. Mas eu sei o que acontece com pessoas que se deixam envolver por essas covinhas e esses olhos verdes brilhantes. — disse, dando tapinhas leves no ombro dele, como se fossem amigos de longa data.
— E o que acontece?
— Você sabe o que acontece; terminam apaixonadas. Não estou com animo e nem sei se consigo passar por isso de novo. — confessou, se levantando. Sentia o clima pesar e não queria que aquilo acabasse em uma discussão.
— Pare de olhar pelas experiências dos outros, eu desafio você a tentar e tirar suas próprias conclusões. — Harry tentou. — Nós podemos ser só amigos, como eu sou com , com Sarah e com Clare. Garanto que nenhuma delas está apaixonada por mim.
— Não sou de negar desafios, mas esse eu passo. — encerrou. — Você pode até ser um ótimo amigo, Harry, mas não estou pronta para arriscar minha sanidade em troca disso. Então ficamos assim, pelo menos por hora; eu sou só sua fotógrafa e você é só o meu patrão.
— Por hora então. — concordou, por fim.
sorriu, concordando, e saiu da sala de cinema, deixando um cantor confuso e um pouco inconformado para trás.



6. Revelações e tentações.

Após toda aquela tensão, voltou para o segundo andar. Sua cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento, e uma pontada de arrependimento já começava a querer transparecer, mas foi esquecida no momento em que a francesa sentiu os lençóis de algodão em baixo do seu corpo, se entregando a um sono tranquilo.
Pela manhã não foi nada fácil encarar Harry, mas o cantor parecia muito confortável com a situação, diferente da fotógrafa;
E se ele pedisse a demissão dela? Nem havia assinado o contrato ainda e já seria demitida por falar demais. Bom, pensou ela, se fosse para ser demitida, já deveria ter sido no momento em que deu o soco no nariz do rapaz. E se ele parasse de falar com ela? Por um lado seria bom, já que ela quase pediu por isso na noite passada, mas agora, estando sentada de frente para ele...
— Por quê está com essa cara de quem fez merda? — sussurrou enquanto Jeffrey discutia algumas coisas com Harry.
— Talvez eu tenha feito... — murmurou, mas a outra foi impedida de responder quando o empresário se voltou para .
— Então, , pelo que Harry me disse, ele adorou o seu profissionalismo e vocês se deram bem. — Jeffrey começou, fazendo a menina franzir o cenho e olhar para o cantor, que se limitou apenas em dar uma piscadela. — Nós dois já havíamos avaliado o seu portfólio antes, e gostamos muito do que vimos. Já sabíamos que queríamos você para trabalhar conosco, o teste foi mera formalidade.
— Então eu estou contratada? — a francesa perguntou desconfiada.
— Sim, se você aceitar os nossos termos. Estão escritos nesse documento, e você poderá ler com calma, mas para pular a parte da burocracia, você deverá estar disponível pelos próximos dois anos, onde você se tornará nossa fotógrafa exclusiva, tanto na produção e promoção do álbum, quanto em tour. — explicou. — Qualquer trabalho remunerado causará a sua demissão e você ainda terá que pagar uma multa. O mesmo se aplica para caso você queira quebrar o contrato antes do prazo. O valor da multa está no rodapé da página número quatro, em letras garrafais.
Ao olhar o valor, engasgou. Deus, ela tinha certeza que aquilo era mais dinheiro do que o valor de um rim! E tudo aquilo por uma quebra de contrato... Não era atoa que Harry era rico.
— Nem se eu vendesse todos os meus bens... — murmurou, levando um pontapé de e fazendo com que Harry risse levemente. — Tudo bem, é só isso?
— Sim, por enquanto. Você pode me entregar o contrato a noite, depois de ler as cláusulas. — concluiu e assentiu. — Agora precisamos falar sobre o documentário, sim? Harry?
esperou que ele finalmente surtasse e dissesse que não queria ela na equipe; mas, felizmente, o surto não veio. Ele apenas falou o que queria do documentário, e anotava cada vírgula em sua caderneta para repassar para o resto da equipe. Também foi colocado em pauta as possíveis fotos de capa do álbum, mas nenhuma pareceu agradar o cantor, de forma que era um assunto ainda em aberto.
Pelo que foi dito, as canções iam de vento em polpa; algumas escritas por Harry, outras por Mitch e a maioria escrita por ambos. Os dois faziam uma boa dupla, além da amizade que parecia ser de longos anos, e não de apenas alguns meses.
Havia se passado mais alguns minutos e a reunião ainda perdurava. murmurava a letra de uma música francesa enquanto olhava o tampão de mármore da mesa, desenhando coisas aleatórias com a ponta do indicador. Não que a reunião estivesse realmente um tédio, mas não era um assunto direcionado a ela. Estava tomando coragem para pedir licença e se levantar, sabendo que o olhar indiscreto de Harry, — que estava pousado nela durante toda a reunião, — acompanharia seus movimentos.
Deus, não queria correr o risco de tentar agir naturalmente, como se aquele olhar não a afetasse, e tropeçar em algum canto. Imagine se...
Os pensamentos logo foram espantados ao soar do toque do celular. Murmurou um desculpa, e olhou o nome na tela, sorrindo instantaneamente. Não reparou no olhar curioso de Harry ou nos outros olhos voltados para ela. O próximo passo foi pedir licença e sair da sala de reuniões, marchando alguns passos até se sentar em uma espreguiçadeira na beira da piscina, ficando de costas para a sala em que anteriormente estava.
— Coucou! — saudou e seu sorriso aumentou ao ver a irmã do outro lado da tela, não se importando com os funcionários que passavam por ali, já ninguém pararia para espiar uma conversa em francês.
Como assim você está trabalhando com Harry Fucking Styles e a mamãe só me contou agora?
— Olá, para você também, Amélie. — disse sarcástica, erguendo a sobrancelha para a menina. — Você me tirou de uma reunião, então espero que não seja para brigar.
Por quê não me contou? Sabe o quanto ele é importante para mim... — murmurou, agora com uma expressão chateada.
— Eu percebi isso quando te levei a cinco shows da One Direction e você chorou em todos. — relembrou, rindo de leve, fazendo a menina desmanchar o bico.
A Maika vai surtar quando souber disso! — exclamou, esquecendo a chateação anterior e fazendo suspirar, sabendo a onde aquilo daria. — Você precisa me levar para conhecer ele! Ou melhor, você podia trazê-lo aqui e nós podíamos...
— Amélie... — procurou pelas palavras. — Amie, não dá! Foi por isso que não quis te contar, sabia que você ia acabar se empolgando.
Como assim?
— Me escuta, ‘tá? E você não pode ficar chateada, ok? — perguntou, ouvindo um murmúrio em resposta e vendo o sorriso da menina se fechar. — Amie, esse é o meu trabalho... Eu vou assinar um contrato que pede total sigilo dos projetos do Harry, então isso não pode vazar de jeito nenhum, ok? Você precisa me prometer que não vai comentar com a Maika ou tweetar algo sobre isso. Pelo menos não por agora.
Ok... — confirmou pausadamente, e revirou os olhos, sabendo o que teria que fazer.
— Prometo que levo você em um show da tour, caso você não conte. Com acesso aos bastidores. — prometeu, ouvindo um grito soar do outro lado e o celular dar de cara com o tapete felpudo branco que havia no quarto da garota, fazendo-a rir. — Certo, agora vamos conversar. Sei que você está cheia de perguntas, então pode começar.
Ele é feio como você dizia? — atirou e gargalhou.
Deus, se Amélie soubesse que isso era a ultima coisa que pensava ao olhar para Harry...
— Não. Na verdade, ele é... interessante. — resumiu, vendo a menina erguer a sobrancelha e sorrir.
Então você admite que ele é gostoso?
— Talvez... — tentou, ouvindo os protestos e o olhar indignado da garota. — OK! Ele é gostoso.
Deus, preciso gravar isso! Fale de novo, com todas as letras; “eu acho Harry Styles gostoso”. — pediu, recebendo uma resposta negativa logo em seguida. Mas Amélie sabia muito bem como dobrar e faze-la de gato e sapato, então bastou apenas algumas insistências....
— Eu acho Harry Styles gostoso. — murmurou de má vontade, olhando em volta para garantir que ninguém prestava atenção.
Vamos lá, , você faz melhor que isso. Mais alto e com força de vontade, ande! — forçou, e suspirou, sabendo que aquela pirralha não desistiria tão fácil assim.
— Eu acho Harry Styles gostoso! — falou normalmente, se esforçando para deixar a voz límpida e fluida. — Amélie, se você mandar eu repetir essa merda de novo, eu retiro a promessa sobre o show e o backstage.
Não precisa, agora ficou bom. — afirmou rindo, mas logo parou, arregalando os olhos para algo atrás de . — Puta que pariu!
— Se a avó ouvir você falando palavrões, vai acabar sobrando pra mim. — ralhou, mas a menina não se moveu. — O quê?
Acontece que Harry havia chegado há alguns segundos atrás, tempo o suficiente para ouvir dizer aos sete cantos do mundo que o achava gostoso. Aquilo vindo de qualquer outra pessoa, o deixaria totalmente desconfortável, mas se surpreendeu ao perceber que não havia se importado. Não havia soado pejorativo, e poderia arriscar dizer que achou sexy.
virou para trás, já sabendo quem era a única pessoa a conseguir uma reação daquela vindo de Amélie. O sorriso presunçoso denunciava que ele havia ouvido tudo, fazendo com que ela suspirasse derrotada.
Bom, não havia choro para o leite derramado, então o único remédio era fingir que nada havia acontecido.
— Bom, se quer saber, ele continua não sendo o meu preferido. — disse, agora em inglês, mas a menina não parecia ouvir mais, vidrada em Harry, que apenas acenou, fazendo-a começar a pular pelo quarto. — Ok, Amie, agora tenho que ir. Te ligo depois.
Os protestos da garota ainda foram ouvidos, mas foram completamente ignorados.
— Então eu sou... chaud*? — pronunciou, alargando o sorriso e se sentando ao lado de , que revisou os olhos, prendendo um sorriso que queria brotar em seus lábios.
— Ninguém te ensinou que é falta de educação ouvir conversas alheias atrás da porta? E desde quando você fala francês? — pergunta, sentindo suas bochechas esquentarem. Droga, aquela não era a hora mais oportuna para corar.
— Primeiro que você fez questão de falar o meu nome, então eu não estava espiando. Fui chamado. — explica. — E eu nunca disse que não falava em francês. Tenho aulas três vezes na semana, assim como italiano.
— Desde quando? — perguntou, dando corda para tentar fazê-lo esquecer o assunto anterior.
— Desde o fim da One Direction, meados de dois mil e dezesseis, ano passado. Mas estou sem professora agora, já que estamos longe de Londres. — comentou, se distraindo. — Você poderia ser a minha professora.
— Não poderia, não. — disse rindo nasalado, mas parando ao ver que ele falava sério. — Não, eu sou fotógrafa, não sou pedagoga.
— Eu pago. — ofereceu, vendo-a levantar.
— Desculpe, mas a escolinha está fechada. — disse sarcástica, fazendo-o gargalhar.
— Ok! — se rendeu, se levantando também. — Jeffrey quer conversar com você sobre o seu estúdio. Pediu para que eu viesse te chamar.
— Claro, e você, como ótimo menino de recados, não pensou nem duas vezes. — provocou rindo.
— Jamais perderia a oportunidade de ver você me chamando de gostoso. — piscou, fazendo com que o sorriso dela se fechasse. — Prometo não contar a ninguém. Vamos, antes que venha nos puxar pelos cabelos.
revirou os olhos, mas não tornou a falar, passando pela porta de vidro e adentrando novamente a sala de reuniões. No fim, tudo o que Jeffrey queria, empolgadamente, contar, era que o mais novo estúdio da garota, equipado para edições e revelações das fotos, era no terceiro andar, perigosamente perto do quarto do cantor, que a encarava com um sorriso lateral, deixando as irresistíveis covinhas ainda mais evidentes.
Parecia que a tarefa de se manter longe da tentação seria mais difícil do que o esperado.


Significados das palavras/frases francesas usadas no capítulo:
*“Chaud” = traduzido ao pé da letra significa quente, mas é usado como elogio para chamar alguém de gostoso.


7. A desastrosa noite do vinho.


O dia passou mais rápido que o esperado. Após a reunião, Clare e Sarah decidiram que não iriam ficar naquele lugar enorme sem nada para fazer, o que fez todos se animarem para sair, exceto por Harry, que mesmo emburrado por ser o único a ficar, estava tentando manter a descrição da sua localização.
A noite não tardou a chegar e todos estavam arrumados, sentados no sofá da sala, localizada no térreo, enquanto olhavam, através da parede de vidro, a forte chuva cair. As expressões eram um misto de exasperação, indignação e tristeza. parecia que iria chorar, mas tinha um leve sorriso nos lábios vermelhos, e Clare pareciam que tinham levado uma bolacha, já Mitch e Sarah estavam abraçados no canto do sofá, enquanto conversavam distraidamente sobre algo. E Harry... Bom, verdade seja dita, ele estava radiante; não ficaria mais sozinho, e tentava a todo custo esconder o sorriso gigante que queria brotar em seu rosto.
Era possível enxergar a piscina transbordar, tamanha quantidade de chuva, de forma que a saída teria que ser adiada. A primeira a se contentar com isso foi , que retirou os saltos, se deitando no sofá. Um murmúrio de desaprovação foi ouvido, mas todos sabiam que não teria mais jeito, de forma que após alguns minutos, começaram a se colocar a vontade, tirando sapatos, brincos e até mesmo jaquetas.
estava realmente considerando dormir ali mesmo, se sentia cansada, olhos pesados...
Mas o movimento abrupto de ficando em pé, a fez despertar.
— Ok, chega. — falou após subir em cima do sofá, batendo palmas para chamar atenção. — Nós não iremos sair, mas tem uma adega enorme na casa dos fundos, então pelo menos vinho e licor nós podemos beber.
— Claro, agora me diga... Quem, em sã consciência, vai levantar daqui e ir naquela adega? Não sei se você esqueceu, mas tem uma parte descoberta e está chovendo. — Clare protestou.
— É por isso que existe zerinho ou um. As duas pessoas que perderem vão lá e pegam. — concluiu simples.
— Quero só ver o que você vai fazer quando perder. — sorriu, voltando a fechar os olhos.
— Eu não jogo, sou a juíza. — ditou e logo o falatório começou.
sempre era uma ladra em qualquer tipo de jogos. Ela sempre dava um jeito de se safar, e as vezes chegava a ser engraçado a cara de pau e a tranquilidade com que ela falava. só ria, enquanto segurava a barriga, ainda deitada no sofá. A discussão se resumia a Mitch, Clare, Sarah e , já que Harry também ria descontroladamente e Adam estava conversando com os filhos pelo FaceTime, no quarto, e nem se dera o trabalho de descer.
A discussão ainda durou alguns minutos antes que pudesse se recuperar e levantar, pedindo para todos ficarem quietos.
— Eu me ofereço como tributo! Agora parem com essa discussão ridícula. — pediu, tentando esconder o sorriso. — , você sempre foi uma ladrona de merda.
A cara indignada da produtora e amiga a fez sorrir e sair correndo, ao ver a garota jogar uma almofada com toda a força.
O arrependimento atingiu a francesa assim que a porta de vidro se fechou. O vento e a chuva fria colidia contra o corpo esguio da garota, que corria descalça pela grama verde. riu ao pensar na ironia de como aquela cena parecia um filme.
A mocinha correndo na chuva em busca do seu amor, que naquela situação, se tratava de garrafas de vinho e licor.
Riu ao finalmente alcançar a adega, entrando no local. O lugar era escuro ao inicio, e após algumas tentativas falhas, a sua visão se adequou a luz fraca que vinha do lado de fora. Não teria como escolher vinhos com aquela luz mínima, de forma que pegou três garrafas aleatórias, abraçando-as e voltando a tatear as paredes em busca da porta, a qual ela tinha certeza que havia deixado aberta.
Seus dedos finos passaram a dedilhar uma superfície mais delicada e macia, porem também rígida... Havia cortinas ali? Bem, não importava, o destino era a porta de saída.
Um pigarreado foi ouvido, assustando a garota, que gritou e derrubou uma das garrafas que estava em seus braços, sentindo seu pé descalço ficar húmido após a pancada.
— Merde!* — praguejou baixinho. Esperava que aquele vinho não fosse de todo tão caro. — Quem está ai?
— Machucou? — a voz soou, agora com um tom aflito. Sentiu a sombra se afastar e logo as luzes se acenderam.
Os olhos azuis da francesa ainda demoraram alguns segundos para se adequarem a qualidade, mas após isso, seus olhos se focaram em Harry, fazendo-a revirar os olhos ao vê-lo caminhar para perto dela novamente.
— Você me assustou... quebrei uma garrafa. Você paga, a culpa foi sua. — acusou, tentando sair da redoma de vidro e vinho tinto. Não dava para enxergar se havia se cortado, mas sentia uma dor alucinante no peito do pé.
— Ninguém vai precisar pagar nada. — disse calmo, segurando no braço livre dela enquanto se abaixava. Diferente da menina, ele estava calçado, de forma que não correria risco de cortar o pé.
— O que você está fazendo? — perguntou desconfiada ao vê-lo abaixado. Seus cabelos batiam na altura do umbigo dela, em um lembrete de quão alto o cantor era.
Os braços fortes passaram por trás dos joelhos da francesa, tirando-a do chão e fazendo-a guinchar ao ser erguida do chão. Harry não falou nada, apenas a colocou sentada em uma mesa ali perto, tirando a blusa de frio e vestindo na garota, que não protestou. A mão firma do cantor segurou o pé da mulher, que olhava atentamente para os movimentos fluidos dele.
— Você é médico? — implicou, balançando o pé.
, fique quieta. — a menção do nome da garota, pela primeira vez pronunciado da forma certa, fez com que ela se calasse. Cinco minutos olhando o pé da mulher foi o suficiente para que Harry constatasse que não havia cortado, apesar da pancada ter feito inchar um pouco. — Sabe, quando você quiser passar a mão descaradamente pelo meu corpo, você só precisa pedir. — a voz rouca soou, junto com uma risada baixa.
— Va te faire foutre*, Harry. — resmungou, se soltando e descendo da mesa. A dor ao colocar o pé no chão a fez recuar um pouco, mas logo se equilibrou em um pé só. — Olhe, você pode levar as garrafas? Não tenho muito equilíbrio em um perna só, e piora se ainda tiver que carregar essas coisas. Ande, segure. — mandou mas Harry sorriu, saindo do campo de visão da mulher, que ficou com um olhar indignado.
Não demorou para que voltasse, com mais duas garrafas de vinho, totalizando quatro, e um pano húmido na mão. Colocou as garrafas na mesa e voltou a colocar a menina sentada, puxando seu pé novamente para o colo.
— Primeiro eu vou limpar o seu pé e ver se realmente não tem nenhum corte. Avise se arder ou doer no lugar em que eu tocar. — pediu, começando a passar o pano pelas panturrilhas da francesa, que estavam tomadas pelo líquido do vinho. — Então, me conte sobre a menina com quem você estava falando no celular. É sua amiga?
bem que tentou ouvir o que ele havia dito, mas tudo se tornou inaudível quando sentiu a mão firme tocar em sua perna. Sua pele logo se arrepiou, e por estar sem sutiã, apertou mais a blusa contra seu corpo, ocultando o peito eriçado. Estava sensível devido a tanto tempo sem contato direto com um homem, e o seu ciclo menstrual a deixava com a imaginação mais fértil que o normal...
? — chamou e a menina grunhiu com o nome dito errado, mas sustentou o olhar, como se esperasse que ele repetisse a pergunta. — A garota com quem você estava falando, é sua amiga?
— Ah, não. É a minha irmã. — contou e Harry olhou, dando indícios que ela deveria continuar. respirou fundo e se preparou para falar. —Posso confiar em você, Harry?
— Sempre. — afirmou, sem se exaltar com a pergunta, abrindo um sorriso caloroso. — Duvido que você se lembre, mas confiei em você na praia. Mais do que já confiei em outras pessoas.
— Sim, eu lembro. — disse cerrando os olhos e mostrando a língua, enquanto as mãos do cantor passavam para a outra perna. — Bom, minha família nunca foi rica, então o único luxo que eu e minha irmã teríamos, era o de ir para boas faculdades, graça a poupança que nós tínhamos para o futuro. Quando meu pai morreu, a minha mãe havia completado nove meses. Eu tinha sete anos, e logo a Amélie nasceu.
— Sinto muito pelo seu pai. — lamentou e deu de ombros, oferecendo um sorriso.
— Eu também. — disse calma, vendo o moreno se afastar e escorar na parede, encarando-a. — Bom, One Direction surgiu e Amie era completamente alucinada pela banda. Nós dividíamos o quarto e eu nunca fui capaz de dizer não para aqueles olhos azuis brilhantes, então posters, CD’s e bonecos tomaram conta do cômodo. Eu era mais velha, tinha dezessete anos e estava na época de querer levar garotos para o meu quarto, mas não chegava a me incomodar porque eu via o quão bem ela ficava com todas aquelas coisas e notícias sobre vocês.
— Foi ai que surgiu o seu ódio pela banda? — perguntou sorrindo de lado, fazendo gargalhar.
— Não, eu não odeio vocês. É só implicância para te deixar curioso. — disse ainda rindo, fazendo Harry levantar as sobrancelhas, mas se manter calado. — Alguns anos se passaram, e quando completei dezoito, na noite do meu aniversario, nós precisamos levar Amie para o hospital. Ela não sentia fome, estava emagrecendo, se cansava subindo cinco degraus, sentia tontura na maior parte do tempo, sangrava pelo nariz, se machucava facilmente...
suspirou, analisando o olhar verde esmeralda, mas ao contrario de todas as pessoas para quem ela contava aquela historia, não havia pena no olhar dele.
— Leucemia. Não pensamos duas vezes em começar os tratamentos. A médica havia dito que quanto mais cedo, melhor resultado teria. Tudo estava correndo bem e nós estávamos radiantes com os pequenos avanços, mas ela não. Descobrimos que haveria um show da One Direction em Paris e conseguimos leva-la. Cadeira nível três, longe da confusão e mais barato, mas também mais longe do palco. Ela não se importou. Chorou durante todo o show, chorou mais quando chegou em casa e se emocionava sempre que lembrava. Disse que aquilo havia dado forças para que ela continuasse. Depois disso veio a radioterapia e até hoje ela faz o tratamento. Não vencemos ainda. — concluiu sorrindo murcho, desviando o olhar para Harry. — Então não, eu não odeio a One Direction. Nem um pouquinho.
— Queria conhece-la. — falou quando se calou.
— Você vai. Prometi leva-la em algum dos seus shows para que ela não contasse que eu estava trabalhando com você. — contou e Harry riu, se aproximando. — Bom, precisamos voltar agora antes que apareça aqui.
— Segure. — pediu, colocando as outras duas garrafas no braço da menina, que reclamou. — Não solte e não se assuste de novo.
ia protestar pelo peso dos vinhos, mas se calou ao ser pegada no colo. Harry tinha um de seus braços por baixo das pernas da garota, e o outro segurava firmemente o seu tronco. Estava sendo carregada no estilo noiva.
— Tudo bem? — o cantor perguntou, encarando o rosto da francesa, que se encontrava perigosamente perto do seu. se limitou apenas a assentir, se deixando levar para fora da adega.
A chuva havia dado uma trégua, de forma que apenas serenava. Pela primeira vez parou para analisar a situação, e tudo só parecia piorar a medida em que inspirava o perfume de Harry. Ele definitivamente cheirava como alguém rico. Não haveria outra descrição. Poderia jurar que era um dos perfumes do Tom Ford, mas não sabia identificar qual. Sentia vontade de esconder o rosto na curva do pescoço do rapaz, só para poder aspirar o cheiro mais de perto, mas para evitar o ato falho, recuou mais o seu pescoço, fugindo da tentação.
Não demoraram a alcançar a sala, atraindo olhares do grupo.
Harry delicadamente pousou no sofá, pegando as garrafas que estavam em seus braços.
— Tenho medo de perguntar o porquê ela precisou vir no colo. — soltou, beberricando o seu copo de whisky quase vazio.
— Você conseguiu ficar bêbada durante o tempo em que eu fiquei fora? — perguntou, ignorando o comentário da amiga e vendo Harry sentar no sofá em frente a ela.
— Você conseguiu foder durante o tempo que ficou fora? — perguntou em um sussurro.
— Cale a boca, o seu amigo quase me deixa sem o pé e teve remorso. — disse alto, fazendo com que Harry risse. — Onde você achou esse whisky? Poderia ter me poupado o trabalho.
— Vocês demoraram, achei que ficariam por lá, então assaltei o escritório de Jeff. — explicou. — Inclusive, nós estávamos falando sobre você e sobre os seus talentos...
— Do que você está falando? — perguntou, rindo levemente ao ver tentando pegar o gelo com a língua. — Você está bêbada, chega de bebidas por hoje.
— Estou falando da sua dança. — esclareceu, se desviando das mãos da francesa, que agora parecia congelada no lugar, com os olhos esbugalhados.
, que caralhos você contou? — rosnou e todos da sala pareciam segurar a risada, exceto por Harry, que parecia confuso.
— É, aquela dança sensual que você faz... Como é o nome? — tentou, se esquecendo da palavra.
— Strip tease? — Sarah perguntou mas negou.
— Pole dance? — Clare tentou e recebeu outra negativa em resposta.
— Lap dance*? — Harry tentou, agora entendendo o assunto abordado, fazendo com que olhasse desconcertada para ele, que sorria.
— ISSO! É isso. — confirmou rindo, ainda lambendo a pedra de gelo.
parecia que iria ter uma sincope a qualquer momento. Seu rosto estava tomado por um tom vermelho forte, tornando explicito o desconforto em ter aquilo aberto daquela maneira. Iria matar amanhã, já que hoje ela não parecia se importar com isso.
Havia tido algumas aulas de Lap Dance* em uma tentativa de apimentar o namoro com Dylan, mas não chegou a utilizar, visto que terminaram antes que ela pudesse por em prática.
— Eu vou esquartejar o seu corpo e desovar no banheiro de uma boate qualquer. — ameaçou baixo, vendo todos rirem.
— Isso me lembra uma vez em que você e seu ex, que o diabo o tenha, estavam de sacanagem no banheiro do botequim e o dono nos expulsou. — lembrou fazendo com que a gargalhada aumentasse.
— Sacanagem? — Mitch perguntou, vermelho pelo riso.
— É, daquelas bem feias. — acusou, segurando o riso ao ver se levantar do sofá.
— Inútil, — chamou, cutucando Harry de leve, que cessou o riso e olhou.
— Seu servo. — saudou e sorriu irônica.
— Você quebrou o meu pé, agora você me leva até o quarto.
— Hmmm, sacanagem com Harry... — alfinetou, recebendo o dedo do meio em resposta.
— Nem pense que você vai ficar ai, . — disse ao se apoiar nos ombros de Harry. Deus, aquele perfume... — Você vem com a gente.
, desculpe. — pediu séria e esperou. — Não curto muito a três. Já tentei e foi um desastre, sou possessiva demais.
, ande logo! — grasnou enquanto Harry ria. A risada dele quase a fez sorrir, quase.
No fim, após toda aquela confusão, Harry teve que levar uma bêbada e uma com pé machucado para seus respectivos quartos. Mitch não fez nem menção de levantar, e ficou na sala com Sarah. Clare resolveu subir também, mas não se disponibilizou a levar nada além dos sapatos e bolsas. Após deixar e Clare, a última encomenda era o quarto de .
— Está entregue, . — disse, deixando-a na porta.
— Obrigada por me ouvir. — agradeceu sem graça, esticando a mão para bagunçar o cabelo dele, que riu.
— Sabe, eu não sou um cachorro. — Harry avisou se referindo a forma com que ela fez carinho. — Está me agradecendo por qual parte? Quase cortar o seu pé?
— Claro, pelo que mais seria? — brincou mostrando a língua, mas voltou a ficar séria, pigarreando. — Obrigada, Harry.
— Sempre que precisar. — assentiu, depositando um beijo na testa da francesa. — Você sabe onde me encontrar.
sorriu, entrando no quarto e fechando a porta ao vê-lo sair.
Bom, no fim das contas ele não era tão filho da puta quanto ela imaginava. Que mal tinha ser amiga de um pop star? Querendo ou não, ambos já haviam criado laços de confiança, então não havia motivos para a hesitação. A certeza estava ali, só estava demorando de aceitar.
Após um banho rápido, tudo parecia mais claro.
Amanhã ela falaria com Harry Styles.


Significados das palavras/frases francesas usadas no capítulo:
*“Merde” = porra.
*"Va te faire foutre" = vai se foder.


*Lap Dance = Lap dance ou dança no colo é uma dança erótica, comum em clubes de striptease, onde a(o) dançarina(o) move-se sensualmente com ou sem roupa, chegando a sentar no colo do parceiro(a).




Continua...



Nota da autora: Oi, bebês, tudo bem? Demorei mas voltei hehe. Antes de ser apedrejada, demorei porque estava consertando algumas coisas no roteiro, e terminando de escrever outras. Consegui roteirizar até o capítulo dezessete, então já está tudo nos conformes. Espero que vocês gostem do capítulo, porque eu tô amando ver a Soph saindo da zona de conforto dela. Comentem o que estão achando e próxima semana trago outro capítulo, já que esse foi um pouco maior que o normal.
Ps.: Fiz um grupo no facebook para vocês ficarem por dentro das atualizações e posso até soltar uns spoilers por lá, haha, estarei esperando vocês!
All the love, L.
Xx.





Outras Fanfics:
Waves Of Summer '09 (One Direction - EM ANDAMENTO)
Teenage Dirtbag (ONE SHOT)

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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