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Última atualização: 08/08/2020

Prólogo

Harry se deitou em sua cama no quarto de hotel após escrever a segunda música naquela noite. O show fora incrível, como sempre, mesmo que ele soubesse que sua distração não havia passado batida perante os fãs. As vezes ele não era tão bom ator quanto deveria ser. Ele estava jogado na cama e uma garrafa de whisky se encontrava na mesinha de cabeceira, juntamente com um copo, agora vazio, que outrora se encontrava em suas mãos. As letras de músicas e rabiscos estavam espalhados por todo canto mas a cama continuava fria e vazia, em um lembrete claro de que ela não estava ali.
Estava cansado.
Não dos fãs, não da carreira ou da correria das turnês.
Estava cansado de se sentir triste. Estava cansado de escrever tantas músicas sobre ela e sobre o que aconteceu, expressando seus sentimentos sobre aquele assunto. Ele queria poder voltar cinco meses atrás e retirar tudo o que disse. Ou melhor, o que não disse. Queria ter o poder de apagar tudo o que havia acontecido.
Os dedos trêmulos de Harry discaram o número o qual ele havia decorado. Ele sabia que ela não o atenderia caso visse o nome dele brilhar na tela, então o único jeito foi colocar o número para privado, mesmo sabendo também que sua identidade não ficaria escondida quando a garota atendesse, o que não demorou mais do que o terceiro toque.
— Coucou!* — saudou com a voz rouca e o coração do rapaz parecia saltar do peito.
Naquele momento ele não queria ser famoso, ele não queria ter milhares de fãs, ele não queria nem mesmo todo aquele dinheiro que tinha em sua conta bancaria. Ele só queria ela ali. Ao seu lado. Rindo de uma forma escandalosa, chorando por causa de uma comédia romântica, fazendo amor ou trocando pequenos carinhos e, até mesmo, implicando com ele.
— Você sempre me perguntou porquê eu nunca escrevi uma música sobre você. — ele começou com a voz tremula. — É impossível compor sobre como os seus olhos sorriem quando você fala sobre algo que você gosta. É impossível descrever a sua risada alta ou como o seu cabelo fica uma completa e linda bagunça quando você acorda; É impossível falar sobre como o seu cheiro faz com que eu me senta em casa, ou como sua mão encaixa na minha.
— Harry. — a francesa reconheceu, sentindo sua garganta fechar e lágrimas subirem aos seus olhos. — Por favor, não faz isso...
— A verdade, , é que eu não posso e não consigo te escrever apenas uma música. — ele continuou, ignorando o pedido da garota. Sabia que precisava falar tudo que estava pensando, e teria que ser rápido antes que começasse a chorar de novo. — Eu acabei de escrever mais uma sobre você e achei que talvez você quisesse ouvir... Você pode desligar a hora que quiser, está tudo bem também.
Todos os dois estavam machucados. , ao contrário de Harry, não conseguiu segurar e estava chorando em alto e bom som, e aquele era o pior som que o rapaz poderia escutar. Ouvir a voz dele depois de vários meses era como queimar, e ele sentia o mesmo. Ele detestava ter machucado ela.

Don't you call him "baby"
(não o chame de amor)
We're not talking lately
(nós não estamos nos falando ultimamente)
Don't you call him what you used to call me
(não o chame pelo que você costumava me chamar)

I, I confess I can tell that you are at your best
(eu, eu confesso que você está no seu melhor)
I'm selfish so I'm hating it
(eu sou egoísta, então eu estou odiando isso)
I noticed that there's a piece of you in how I dress
(eu percebi que tem um pedaço de você em como eu me visto)
Take it as a compliment
(leve isso como um elogio

Don't you call him "baby"
(não o chame de amor)
We're not talking lately
(nós não estamos nos falando ultimamente)
Don't you call him what you used to call me
(não o chame como você costumava me chamar)

I, I just miss
(eu, eu só estou com saudades)
I just miss your accent and your friends
(eu sinto falta de você e dos seus amigos)
Did you know I still talk to them?
(você sabia que eu ainda falo com eles?)

Does he take you walking 'round his parents' gallery?
(ele te leva para passear na galeria dos pais dele?)


— Me desculpe se ficou ruim... ainda falta alguns ajustes e definir a melodia, mas... — ele se apressou a falar, se deitando na cama e parando a si mesmo quando sentiu seus olhos transbordarem e as lagrimas cairem deliberadamente, assim como as da garota do outro lado da linha. — Não se esqueça de mim, ...
sabia o quão nervoso ele ficava ao mostrar suas músicas não ouvidas. Ela sabia também que era uma das únicas pessoas a ouvir antes do lançamento, sendo ela a única a ouvir antes dos ajustes. Mas todas essas observações não fizeram com que ela se sentisse melhor. Muito pelo contrario;
— Eu sinto muito, Harry. — ela se desculpou com a voz fanha, e ambos sabiam que ela falava a respeito do que tinha acontecido com a relação dos dois.
— Eu amo você... — ele sussurrou e ela sentiu vontade de gritar.
Ela queria ouvir aquilo há sete meses atrás, quando ele estava dirigindo por Londres para deixa-la em casa. Queria gritar que estava fingindo estar na melhor fase dela, que estava fingindo seguir em frente. Quis dizer que ela estava se sentindo péssima ao deitar na cama e ter outra pessoa ao lado dela. Outra pessoa que não fosse ele. Dizer que sentia um gosto amargo na boca ao chamar outra pessoa de mon cheri*, mas que ela precisava fazer isso. Ela se sentia como um fantasma ao trocar de roupa porque ele estava presente em tudo que ela fazia. E o mais importante; dizer que ainda o amava e que seria impossível esquece-lo.
Mas ao invés disso, ela desligou a ligação.

Significado da(s) palavra(s)/frase(s) em francês usada(s) no capítulo:
*“Coucou!” = olá
*“Mon cheri”
= querido/amor.


Capítulo 1

A Range Rover preta para na frente da chácara, e se apressa a sair do carro ao visualizar através do vidro fumê. A amiga estava vestida com um vestido de alcinhas e uma jaqueta por cima, e seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto.
— Eu senti tanto sua falta! — se adianta a falar, envolvendo a amiga em um abraço.
— Estava me perguntando por quanto tempo você aguentaria sem mim. — disse e logo se afastaram, deixando livre para mostra-la o dedo do meio.
— Eu estou cansada demais para poder te responder a altura. — resmungou segurando a mala e andando lado a lado com . — Obrigada por ter me indicado para o cargo de fotógrafa, não poderia ter tido oportunidade em um melhor momento.
A chácara era um lugar lindo. O caminho com cascalhos levavam até a área central, que era altamente sofisticada e silenciosa.
— Harry e Jeff ficaram loucos com o seu portfólio. Nós teremos uma confraternização para que a equipe se conheça melhor, então já é melhor começar a se arrumar. — alertou ao entrarem no elevador.
— Esse lugar é enorme.
— Você não viu nada! O estúdio em que o álbum vai ser gravado é o mesmo em que o Drake e a Rihanna gravaram. — contou admirada e saindo do elevador. — O primeiro andar é o térreo, onde fica a piscina, área de lazer, sala de jogos, barzinho e tudo mais. Segundo andar é onde ficam os quartos e o terceiro andar é do Harry.
— Que complexo de narciso desse cara. Ficar em um andar enorme sozinho sendo que tem mais de duzentos quartos aqui em baixo.
— Para de implicar, , ele é um artista em ascensão. — repetiu a frase de Jeff, e a francesa revirou os olhos.
— E daí? Nós, meros mortais, não merecemos o prazer da companhia dele?! — disse crítica. — Eu não gosto dele desde a época da One Direction.
— E então porque veio trabalhar com ele? — perguntou a amiga, virando-se para olha-la.
— Não é como se eu fosse rica o suficiente para negar uma proposta de emprego, e que paga relativamente bem. Eu estava desempregada a meses, você sabe disso. — explicou categórica.
— Ele é uma pessoa muito gentil, se quer saber. A ideia de fazer uma festa apresentando os convidados foi dele.
— Que horas vai ser o happy hour? — perguntou interessada.
— Ás 20h. — informou parando a frente da porta do quarto 234. — Esse é o seu quarto. O meu fica um pouco mais a frente, é o 236.
— Ok, eu me viro para achar o lugar, quero chegar mais tarde para fazer um suspense. — avisou.
— E é o Harry que tem uma crise de narciso? — perguntou retórica e a amiga sorriu, dando de ombros e entrando no quarto. — Não demora muito pra descer senão venho te arrastar pelos cabelos, garota.
— Deixa comigo, vou causar uma boa impressão. — encerrou e fechou a porta após se despedir da amiga.

***

O rapaz puxou os cabelos para trás em forma clara de perturbação e nervosismo. Era típico de Camille deixa-lo assim, levemente irritado.
— Eu não ficar na Jamaica, Harry! Daqui há alguns dias terei uma participação na nova edição da Vogue, não dá para colocar minha carreira de lado para priorizar a sua. — disse a garota loira enquanto tentava tirar os cabelos do rosto, que estavam rebeldes pelo vento da noite.
Os dois estavam caminhando para o lugar em que aconteceria a confraternização da equipe, quando o assunto veio a tona. Aquela conversa já estava perdurando uma semana, e depois do sexo maravilhoso que tiveram, não pôde mais ser adiada.
— E o que você quer que eu faça, Camille? — perguntou tentando parecer paciente. Tendo uma discussão era a ultima coisa que ele queria estar fazendo.
— Que venha embora comigo para Londres. Você pode gravar o álbum aqui e até mesmo em Paris, seria melhor para nós dois. — disse com o sotaque francês carregado, fazendo com que Harry risse irônico.
— Então você não pode ir comigo porque não quer abdicar da sua carreira mas eu tenho que mudar o lugar de gravação do álbum por sua causa? Você está falando sério? — perguntou e viu a mulher se aproximar. — Toda a minha equipe está movendo céus e terras para poder vir para aqui, Camille. Eu, definitivamente, não vou fazer isso com eles.
— H, você paga o salário de todos aqui, eles são seus empregados. Você manda, e eles obedecem, esqueceu? — perguntou arrogante e abraçou o rapaz pelo pescoço, deixando um beijo no maxilar rijo do cantor.
— A resposta é não. — encerrou se desvencilhando dos carinhos da francesa. — Quando eu for para Paris na semana de folga nós podemos ficar juntos, mas eu não vou com você.
— Eu não vou ficar esperando você. — rugiu e Harry apertou a fonte do nariz, respirando fundo.
— Esse é o motivo pelo qual a nossa relação é aberta. — explicou e a garota mostrou o dedo do meio. — Muito maduro, Camille.
— Va te faire foutre*, Harry! — vociferou e saiu do jardim onde estavam, marchando para o bar dentro da chácara onde seria o happy hour.
Os dois haviam chegado na Jamaica há três dias e estavam hospedados na chácara. A equipe estava a todo vapor e deveria ter cinquenta funcionários ali, estando dentre eles o produtor Jeff Azoff, os parceiros de banda, alguns profissionais da Columbia Records, os staffs para a montagem de som e de todo ambiente, operadores de filmagem e som, e por fim o resto da equipe que chegara hoje, com a nova fotógrafa e o produtor musical.
E por mais que o tempo passado com Camille trouxesse benefícios para ambos, tanto na carreira quanto na cama, ele não mudaria o rumo de tudo por conta de um capricho da garota. Ele gostava a companhia dela, não podia negar. Mas os comportamentos que ela tinha perante as outras pessoas eram completamente desgostosos para Harry. Ele havia tentado conversar com ela a respeito disso, mas quando estava perto de pessoas sem tanto dinheiro, a educação dela se tornava muito escassa. O fazia querer ficar longe.
Harry levou uma das mãos até a ponte do nariz, apertando e fechando os olhos com força. Ele ainda podia jurar que estava ouvindo o sotaque francês chamar por seu nome, passava tanto tempo com a garota que o sotaque estava impregnado nos ouvidos e na mente do cantor....
O som de saltos batendo contra o assoalho foram o suficiente para Harry.
— Camille, eu já disse que não vou... — começou e passou uma das mãos pelo cabelo, deixando o braço erguido ao se virar.
Péssima ideia.
Tudo aconteceu muito rápido, estava indo para o lobby para pedir informação de onde seria a festa, mas viu o cantor e resolveu se apresentar antes, além da curiosidade que sentira ao ouvir a discussão do casal. Já Harry estava tão fulo com o comportamento de Camille que mal percebeu que quem quer que seja que viera falar com ele, se aproximou mais do que o suficiente, de forma ao abaixar o braço e virar de forma bruta, o ombro do jovem se conectou diretamente com o rosto da garota, que se curvou ao sentir o impacto doloroso no seu nariz.
— Merde!* — grunhiu em francês e Harry continuou em pé com a mão fechada em punho na frente da boca, tentando entender o que aconteceu. — Putain!* Caralho!
— Eu acho que não consigo lidar com outra francesa agora... — o cantor murmurou com o olhar fixo na garota ao ouvir os palavrões, mas aparentemente não falou baixo o suficiente, fazendo com que ela se calasse ao ouvir as palavras e erguesse o rosto, tirando a mão do nariz ensanguentado. Era notório a raiva que transbordava nos olhos da francesa.
— Que caralho você esta falando? Fils de pute!* — a garota vociferou ofendida, sem se importar com o tom alto ou com a mistura que fazia do inglês com o francês, atraindo a atenção de um dos seguranças que passavam por ali.
Naquele momento ela não estava preocupada com o emprego ou em estar gritando e xingando o homem que era seu mais novo patrão. E também não pareceu se preocupar com o segurança que se aproximava, já que sua próxima ação foi erguer a mão em punho e acerta-la no rosto de Harry.
O segurança não hesitou em agarra-la pela cintura, tirando-a de perto do cantor, que segurava o nariz que agora também sangrava.
— Quel votre problème? Enculé!* Você nem sequer pediu desculpas! — continuou brava, misturando os dois idiomas enquanto tentava se desvencilhar do segurança que pedia para que ela se acalmasse.
— Eu iria pedir antes de você me socar! — Harry respondeu ofendido.
— Va te faire foutre!* — repetiu a frase antes usada pela outra francesa, desistindo de lutar com o segurança que a segurava.
Para Harry todos aqueles xingamentos eram reconhecíveis, já que Camille fazia questão de dizer as mesmas coisas quando os dois brigavam. Filho da puta, idiota e a ultima e mais usada era vai se foder... mesmas palavras mas ditas por francesas diferentes.
Alguns minutos se passaram e os dois estavam sentados lado a lado no meio fio a espera da enfermeira. Ambos com um lenço estancando o sangue incessável que escorria deliberadamente pelos narizes machucados, separados apenas pelo segurança, que insistia em ficar no meio para evitar que mais socos fossem distribuídos. Harry queria perguntar se todas as francesas tinham um gênio forte, mas se conteve, sabendo que aquilo iria deixar a garota mais nervosa ainda.
— Você quer que eu acione a polícia, senhor? — o segurança perguntou ao ver a mulher de branco se aproximar com uma caixa de primeiros socorros e a garota levantou revoltada.
— A polícia é para ele, não é? — perguntou e Harry riu, fechando o sorriso logo depois ao sentir o nariz dolorido.
— Não, obrigada, mas já está tudo sobre controle. — disse calmo, se levantando e o segurança fez o mesmo.
— Tem certeza, senhor? Você pode denuncia-la por agressão. — insistiu e a garota olhou chocada.
— Tenho sim, obrigada. — Harry encerrou com um sorriso de canto pela revolta da garota.
Ao ver o segurança sair, ela bufou, e voltou a se sentar quando a enfermeira mais velha pediu para que ela o fizesse.
— Qual seu nome, querida? — a mulher que aparentava ter sessenta e poucos anos perguntou.
— É, qual seu nome? — Harry perguntou também, parecendo interessado.
— Cala a boca. — a francesa desconhecida disse, franzindo o cenho para ele. — Meu nome é , senhora.
— Podem me chamar de Charlotte. — se apresentou terna. — O que aconteceu com seu nariz?
— Ele me bateu. — disse acusadora e viu o olhar indignado da velha enfermeira. — Mas foi sem querer.
— E você, querido? — perguntou se dirigindo para o cantor.
— Meu nome é Harry, e ela me bateu porquê quis. — se apresentou.
— Ele foi um escroto! — revelou e a senhora riu, assentindo e terminando o curativo.
— Será que eu posso ficar com um curativo menor? Eu tenho fotos amanhã. — disse e olhou para ; o rosto dela era familiar demais para Harry, e ele tinha certeza já ter observado aquele nome em um dos inúmeros currículos e portfólios avaliados. — Espera, você é a minha fotografa?
— Provavelmente amanhã eu seja demitida quando Jeff souber que eu soquei o cantor pop em ascensão. — disse chateada. Era o primeiro emprego que ela conseguia depois da trágica saída da produção da Gucci e provavelmente seria o ultimo. Afinal, quem contrata uma fotografa que distribui socos por ai no primeiro dia de trabalho?
— Não se preocupe com o curativo, amanhã vocês já podem tirar. É só para estancar o sangue. — explicou Charlotte e ambos assentiram.
— É só nós não contarmos o que aconteceu de verdade. — Harry propôs ao ver a enfermeira se despedir depois de terminar o curativo dele. — Para todos os efeitos meu nariz começou a sangrar enquanto eu iria para a festa e acabei parando na enfermaria, por isso o curativo. E você acabou adormecendo antes de ir para a festa, por isso não apareceu por lá.
— Por que você faria isso? — questionou e direcionou um olhar desconfiado para Harry.
— Eu não sou uma pessoa ruim, . Não deixarei você ser demitida por um erro de nós dois. — explicou e se levantou, estendendo a mão para a garota, que aceitou e foi puxada para ficar em pé.
— Obrigada. E o meu nome é . — avisou e largou a mão dele, marchando para o quarto e deixando Styles para trás.



Significados das palavras/frases francesas usadas no capítulo:
*“Va te faire foutre” = vai se foder
*“Merde!” = merda
*“Putain!” = porra
*“Quel votre problème?” = qual o seu problema?
*“Enculé!” = cabrão

Capítulo 2

— VOCÊ FEZ O QUÊ? — a amiga gritou incrédula.
e viraram amigas na faculdade. Enquanto optou por cinema e audiovisual, iniciou em fotografia, e a pequena distinção dos dois cursos as fizeram ficar mais próximas ainda.
Após a conclusão da universidade, demorou alguns anos para que conseguisse o emprego na tão sonhada Columbia Records, mas uma vez empregada, todos adoravam o trabalho que a garota fazia. Já , essa estava desempregada há alguns meses, e não porque seu trabalho era ruim, já que a garota trabalhou como fotografa da Vogue em algumas propagandas até alguém muito influente dentro da marca pedir a demissão da garota.
As duas dividiam um apartamento na cobertura na parte luxuosa de Londres, tendo uma linda vista da cidade. Se distanciaram há apenas algumas semanas, já que teria que fazer a produção do documentário na Jamaica, mas a garota não hesitou em indicar a amiga para o cargo de fotógrafa, dando um jeito de trazê-la para perto de si.
A intimidade entre as duas já havia se tornado algo espontâneo, então quando entrou no quarto de pela manhã e a encontrou dormindo com um curativo no nariz, o interrogatório logo começou.
— Em minha defesa, ele me bateu primeiro. — explicou, se olhando no espelho na tentativa de verificar se o nariz havia ficado torto ou se ainda estava no lugar.
— Você vai ser demitida... E dessa vez por justa causa, custava ter esperado ele pedir desculpas? — a amiga perguntou, se escorando na soleira da porta do banheiro e encarando a mulher pelo espelho. — Jeff vai comer meu fígado por indicar alguém que distribui socos no próprio patrão... Você pode ser processada, sabia disso?
— Relaxa, eu não vou ser presa e ninguém vai perder o emprego. — a mulher pede, retirando o baby doll para entrar no banho. — Harry falou que não contaria para ninguém sobre o que aconteceu.
— Esse homem é gentil demais para ser verdade, não é possível! — a amiga exclama, e dessa vez recebe a concordância de . — Já mudou de opinião sobre ele? Vocês ficaram? Rolou algum clima?
— Ok, , uma pergunta por vez. — pediu entrando na banheira que já estava cheia a espera da mulher. — Não, ainda acho que ele tem uma crise de narciso fodida, mas reconheço que ele parece ser alguém legal.
— Desembucha as respostas das outras duas perguntas.
— É óbvio que a gente não ficou! Eu estava puta da vida e ele estava preocupado demais em fazer o photoshoot de hoje com um curativo. Inclusive, eu achei que teríamos o fim de semana de folga, hoje ainda é sábado. — explicou paciente.
Deus, aquela banheira estava divina! Era tudo que ela precisava no momento; relaxar. Mas parecia mais interessada no ocorrido da noite passada.
— E teremos, as fotos dele são agora pela manhã com a fotógrafa antiga, ela precisou sair de licença maternidade, e essa vai ser a despedida. — disse, se sentando no chão ao lado da banheira em que a amiga estava. — Você teria ficado com ele se não fosse isso? O cara é lindo!
— Sim, ele é lindo, mas é meu chefe e tem uma namorada, sem contar que eu ainda estou me recuperando do termino com o Dylan. Recente demais para ficar com alguém. — listou categórica.
Ao receber a proposta para trabalhar na equipe de produção, há dois meses atrás, decidiu terminar o namoro de três anos com Dylan, seu primeiro namorado. O rapaz garantiu que a esperaria o tempo que fosse preciso, mas não era justo sair para uma aventura nas estradas do mundo, enquanto o rapaz continuaria preso em Londres. Seriam raros os momentos em que teriam a chance de se verem, e com o tempo regrado, já que mais cedo ou mais tarde ela teria que voltar para o trabalho.
O rapaz havia sido seu primeiro namorado e o primeiro e único com quem a mulher havia tido relações, mas era para o bem de ambos. Há algumas semanas, Dylan já havia superado e começado a ir em noitadas. já esperava algo assim, afinal ele tinha que conhecer outras pessoas, mas mesmo assim não deixou de machucar.
Já estava se acostumando com a ausência do ex, e só ajudava, já que fazia questão de introduzir a amiga em qualquer tipo de programa, não deixando a menina ter tempo de ficar sozinha para pensar sobre o assunto.
— Oh, doce e inocente , quando você experimentar o sexo casual, nada mais vai te fazer parar. — a amiga falou de forma dramática, fazendo a menina rir.
— Obrigada pelo aviso, mas por agora eu passo. — disse, voltando a fechar os olhos e encostar a cabeça na borda da banheira.
As vezes queria ser mais como . Livre. Fazer o que queria, transar com quem queria. E talvez um dia ela até conseguisse, mas o ex namorado ainda abrandava o pensamento da menina no recente término.
— Seria bom você ir assistir o photoshoot para saber como ele gosta de tirar fotos. Saber o que fazer na hora. — recomendou e recebeu um muxoxo em resposta.
— A única coisa que me tiraria dessa banheira agora séria uma bela garrafa de vodka... — divagou.
— Ótimo! Hoje a noite nós iremos a um pub que tem aqui perto, você vai amar, é em frente a praia. — informou enquanto batia palminhas animada.
— E sua ressaca? Você estava em uma festa ontem a noite. — perguntou rindo da animação da amiga.
— Voltei cedo e nem aproveitei. — justificou. — Bati na sua porta mas ninguém respondeu, ai achei que você já tinha dormido, sendo que na verdade você estava a solta por ai dando uma de Van Damme.
— Onde você vai? — perguntou ao ver a amiga se levantando do chão.
— Eu não sou tão desocupada como você, preciso checar algumas coisas e deixar tudo certo para começarmos as filmagens. Te encontro no corredor as 19h, e por favor, não distribua socos em mais ninguém. — pediu sarcástica enquanto saia do banheiro.
— Não prometo nada. — brincou, elevando a voz para que ouvisse, e de longe a viu levantar o dedo do meio como resposta.
***

Eu poderia ter ficado na chácara e ter assistido a mais um episodio de Orphan Black naquela sala de cinema maravilhosa. – era o que pensava.
Não que sair com fosse ruim. Não era.
era o tipo certo de amiga que você chama quando esta na lama e precisa se animar. Ela é aquela amiga pra cima que faz qualquer palhaçada para te arrancar um sorriso, e não podia ser mais grata por isso.
Pórem, também tinha necessidades. Necessidades sexuais. E ela não recusava um sexo casual.
Alguns minutos depois de chegarem no bar, a garota comentou que estava de olho em um homem que estava na mesa de sinuca. E não esperou nem um minuto a mais para ir conversar com ele, uma conversa bem intima, que incluía línguas e troca de saliva.
Mesmo sabendo que a amiga só queria beber, apresentou um amigo do rapaz, que não demorou em se sentar ao lado de no balcão, e tentou a todo custo puxar assunto.
Enquanto fingia ouvir sobre o quão inteligente o rapaz era, e em quantas faculdades havia passado antes de escolher medicina, e bebia o tanto de vodka que parecia aguentar, Harry e seus companheiros de banda adentraram o bar, passando despercebido por todos os senhores bêbados que estavam ali enchendo a cara de cerveja.
Ao ver o cantor entrar no bar, não hesitou em se soltar do rapaz com quem estava agarrada, e se direcionar a , que tinha uma cara de tédio e mesmo assim sorria para o rapaz que não havia parado de falar durante um segundo.
— Hey, seu amigo esta chamando você. — mentiu para o rapaz e um olhar aliviado tomou conta do rosto de quando o rapaz se levantou e saiu, mesmo prometendo não demorar para voltar. — Ok, já pode me agradecer.
— Como se não tivesse sido você que mandou ele falar comigo. Nunca mais saio com você, Isa. — avisou nervosa, virando o resto da dose que estava em suas mãos.
— Você pelo menos sabe o nome dele? — perguntou enquanto segurava o riso.
— Alguma coisa com J... Ele deve ter dito junto com as trezentas informações totalmente desnecessárias sobre quantos livros ele leu, ou quantos cursos já fez. Cara, se sexo casual precisar dessa biografia, eu não vou querer nunca! — disse revoltada.
— Você provavelmente vai me matar, mas o Harry chegou há uns cinco minutos e não para de olhar para cá. — informou sorridente enquanto apontava com a cabeça para uma das mesas espalhadas pelo local.
— Você convidou ele? — perguntou enquanto acompanhava o olhar da amiga.
— Ele é Harry Styles, não precisa de convite. — justificou sínica, recebendo um olhar raivoso de . — Ok, convidei, mas em minha defesa, eu não poderia ter uma noite de sexo selvagem com aquele gostoso e deixar você aqui sozinha. Fiz isso para o seu bem.
— Você é uma péssima amiga, ! — acusou inconformada.
— Como se você não desse um jeito de me tirar de casa todos os fins de semana para transar com o Dylan. Eu te fiz um favor, agora aquele chato vai sair do seu pé e você vai poder ter uma noite maravilhosa de sexo casual com o Harry. — ditou feliz enquanto dava pulinhos de animação.
— Eu não vou ter uma noite maravilhosa de sexo casual com ninguém! Você esqueceu tudo que te falei hoje de manhã? — perguntou se forçando a ficar séria. Estava na etapa da bebida em que tudo é engraçado.
— Ele é uma ótima pessoa, você vai adorar conhecê-lo. — a garota informou convicta. — Só seja simpática com ele.
— Impossível! Ele quase arrancou meu nariz ontem. — relembrou.
— Você já teve tempo de ficar brava com isso, agora sorria porque ele está vindo em nossa direção. — avisou. — E não se esqueça de me agradecer depois.
não teve tempo de questionar e não precisou virar novamente para conferir a informação; o cheiro do perfume caro chegou antes, avisando que ele já estava ali.
Após anos convivendo com a melhor amiga, a mulher já entendia todos os trejeitos da amiga e, naquele momento, o olhar de era claro. Se ela pudesse dizer mais alguma coisa, com certeza seria “desfaça essa cara de cu”, mas a presença do cantor a impedia de verbalizar tais palavras.
Não era necessário reafirmar que ele estava lindo, mas mentalizou assim mesmo. A blusa preta e calça skinny caiam como luva no corpo do rapaz, e o ar se tornou escasso quando se deu conta que não havia notado na noite passada o quão bonito ele era.
— Styles! — saudou. — Graças a Deus que você chegou! A está levemente bêbada e eu tenho um gato ali me querendo durante essa noite, você pode cuidar dela, por favor? Obrigada!
E saiu antes mesmo que Harry ou pudessem protestar. De longe pode ler a amiga balbuciando um pequeno “use camisinha!”, mas se limitou a revirar os olhos.
— Ok, de zero a dez, o quão bêbada você está? — perguntou gentil enquanto sentava em um dos bancos do bar ao lado da menina.
sabia que só tinha duas opções; dizer que estava muito bêbada e ir embora para a chácara, ou confessar que estava bem e ficar ali no bar. A primeira opção pareceu totalmente válida quando a francesa viu o rapaz com quem estava conversando antes se direcionar novamente para o bar.
— Sete! Estou totalmente bêbada! — afirmou se colocando de pé. — Me leva para casa?
— Ok, vamos. — chamou calmo, se levantando.
— Calma. — pediu, se esticando pelo balcão e pegando uma garrafa de vodka, deixando uma nota de cem no balcão. — Para a viagem.
Harry gargalhou e a menina deu de ombros, assistindo o cantor fazer o mesmo com uma garrafa de whisky.
— Vamos. — chamou novamente, sorrindo cúmplice.
assentiu sorrindo e caminhou a passos largos até a porta de saída, sendo seguida por Harry.
É... a noite seria longa.


Capítulo 3

— Por quê vocês terminaram já que você gosta tanto dele? — Harry perguntou com o cenho franzido em direção a mulher bêbada ao seu lado.
Estavam andando pela areia da praia enquanto brincavam de eu nunca. O assunto sobre o ex surgiu quando tropeçou em uma garrafa de cerveja e se recordou do quanto Dylan gostava de beber. Era o primeiro porre que tomava após o termino do namoro, e desde então a garota vinha falando para Harry, o qual ela percebeu ser um bom ouvinte, o quanto sentia saudades do antigo namorado.
— Bom... Eu não podia deixar ele me esperando enquanto eu estava nas estradas com um astro do rock. Não é justo! — contou entre soluços e seus olhos já começavam a marejar.
— Pop-rock. — corrigiu enquanto tentava segurar a risada. — E você poderia ter rejeitado o emprego.
— Ele adorava me dar camélias... Mesmo eu preferindo girassóis. — divagou com a voz chorosa, ignorando o cantor, que não conteve a gargalhada.
— Ok, vamos continuar a brincadeira, não quero você chorando. — pediu enquanto se sentava na areia. — Eu nunca fiquei com alguém só por uma noite.
A garrafa de vodka estava quase no fim, assim como a de whisky. Ambos estavam bêbados, mas a consciência de Harry o avisava que ainda tinha que levar a garota para a chácara, por tanto, seu nível de sobriedade ainda estava maior que o da menina. , por outro lado, estava tão bêbada que agora considerava Harry um bom e velho amigo, esquecendo da opinião formada sobre o narcisismo do rapaz.
Sem pensar duas vezes, a francesa jogou o seu corpo na areia, ao lado do cantor, dando um pequeno muxoxo ao receber o impacto.
— Por quê todo mundo já fez sexo casual? É uma regra para quem solteiro? E por quê todo mundo resolveu falar disso hoje? — perguntou cética após ver o rapaz tomar um gole da garrafa.
— Você nunca? — perguntou calmo. Não queria que ela pensasse que ele estava julgando-a.
— Não. Perdi minha virgindade com o Dylan, e logo depois nós começamos a namorar, não tive tempo de sair fazendo sexo com todos os homens de Londres. — contou, se deitando na areia e virando de lado para encarar Harry, que fez o mesmo.
— Não é uma regra de solteiros, você faz se quiser, se sentir vontade. — explicou.
— É bom? — perguntou em um tom baixo. — Quero dizer, fazer sexo com estranhos?
não era ingênua, longe disso, na verdade. Já havia experimentado de várias coisas nesses três anos com Dylan, e adorava sexo, mas passar muito tempo dentro de um relacionamento a fazia desconhecer os atributos da vida de solteira.
— Não precisa ser exatamente com um estranho. — ele falou e ela continuou encarando, esperando para que ele continuasse. — Sexo casual é quando você quer transar com alguém mas não quer que isso se torne um relacionamento, então pode ser com um amigo, com alguém que você acabou de conhecer, com um colega de trabalho... E sim, é bom fazer sexo na hora que quiser.
— É para isso que existem os namorados. — a menina disse em uma comparação, fazendo com que Harry negasse.
— É, mas sexo casual se torna melhor que namoro quando você não precisa rotular.
— Esse não é seu lugar de fala, você namora uma Kardashian, pelo amor de Deus. — disse incrédula, caindo na realidade e voltando a se sentar.
Ela mal conhecia o cara e estava falando de sexo com ele? Ela não falava sobre sexo nem com Bella, e olha que a garota tentava a todo custo saber das experiências sexuais da francesa.
— É Jenner e eu tenho quase certeza que você pesquisou o ano errado. — disse zombeteiro.
— Eu não pesquisei sobre você! Bella me disse que você namora, então eu deduzi que fosse com ela. — disse revoltada, tomando um longo gole da vodka em sua mão direita.
— Não pesquisou mas andou perguntando sobre mim? A mesma coisa, , sua fonte só foi uma pessoa ao invés de uma ferramenta da internet. — disse rindo, sabendo que irritaria a francesa.
Harry não era tão egocêntrico para pensar que ela buscaria sobre ele, e conhecia Bella o suficiente para saber que ela deveria ter trazido o assunto ‘ele’ a tona, mas irritar havia se tornado divertido; ela ficava vermelha por alguns milésimos de segundo, depois bufaria alto e diria algum insulto em francês. Havia irritado a garota o suficiente noite passada para saber as reações que ela tinha, e eram sempre as mesmas, principalmente quando chamada pelo nome errado.
Va te faire foutre*, Harry, eu já falei que meu nome é ! E acalme o seu ego de cantor porquê eu... — xingou mas refreou a fala ao ver Harry segurando o riso. Ele estava gozando com ela. Mas ela estava bêbada demais para se manter séria, então acabou acompanhando o riso do rapaz. — E então, agora quem é a namorada da vez?
— Nenhuma. — disse sincero, e sorriu ao ver a garota levantar a sobrancelha em forma de julgamento. — Olha, nós posamos para a mídia juntos mas não é um namoro de verdade... Ela é uma pessoa maravilhosa na maioria das vezes, mas nós assinamos um contrato para ficarmos juntos durante um tempo, e mesmo trazendo benefícios para ambos, continua sendo só uma jogada de marketing.
— Oh... Deve ser uma merda.
— Até que não... Acho que já esqueci a ultima vez em que eu tive que realmente me esforçar para pedir alguém em namoro, ou leva-la para conhecer minha família. — sorriu triste. — Ainda assim, eu não posso reclamar. É a consequência da fama.
— Eu sinto muito por você. — disse calma enquanto olhava as ondas calmas do mar. — Sério. É incrível se apaixonar, mesmo que ás vezes não acabe bem. No final sempre vale a pena.
— Talvez. Mas mesmo assim eu não teria o direito de ter algo normal, sabe? Levar em um dos meus restaurantes favoritos na Itália, ou ir em um passeio calmo na praia, leva-la para dançar... Sempre teria fãs e paparazzi. — disse quieto, bebericando o whisky.
— Você escolheria não tê-los? Escolheria ficar fora dos palcos e se tornar uma pessoa “normal”? — pergunta encarando o rapaz, que nega na mesma hora.
— Não. Estar no palco e encontrar com eles é totalmente incrível. — disse sincero.
— Então você pode aproveitar as coisas mais simples. Cozinhar em casa, ir a praia em uma época que não seja alta temporada, assistir um filme... — mostrou.
Ela ainda tinha a mesma opinião sobre ele, e talvez a imagem que tinha do cantor demorasse a se dissipar em sua mente, mas ela já havia feito algo que nunca havia imaginado; conversado com ele sobre coisas que não havia falado para ninguém. Amanhã ela certamente colocaria a culpa na bebida, então poderia fazer qualquer coisa que quisesse hoje.
Sentia muito por Harry. Sabia que como famoso, ele não poderia fazer algumas coisas que pessoas fora da mídia faziam. Sabia que a liberdade e privacidade dele era limitada, mas queria mostrar para ele que tudo bem, que tinham outros meios, coisas bobas que ele poderia se divertir fazendo. Então não pensou duas vezes em se levantar e estender a mão para ele, que a direcionou um olhar de interrogação, fazendo-a rir.
— Prometo que não vou te matar e jogar no mar. — disse sorrindo e sentiu o rapaz segurar sua mão e se levantar.
— O que nós vamos fazer? Roubar alguém? — perguntou ao vê-la depositar o celular na areia, em cima dos saltos pretos que havia retirado dos pés assim que chegaram na areia.
— Não, bêbados demais para isso, não conseguiríamos correr e acabaríamos presos. Quero que sua experiência seja simples, mas não tão decadente quanto ir parar em um camburão da polícia. — apontou erguendo a mão para pegar o celular do rapaz, e Harry gargalhou ao imaginar a cena, entregando o aparelho.
— E então? — tornou a perguntar ao ver o seu celular tomar o mesmo destino que o da francesa.
— Nós vamos dançar. — avisou, arrastando o rapaz sorridente e confuso pela mão.
— Sem música?
— Não seja chato, use a sua imaginação, Styles! — pediu enquanto sorria zombeteira, fechando os olhos em seguida. — Só sinta.
O corpo dançante da menina começou em um balanço aleatório, mas Harry logo percebeu que ela tinha jeito para a coisa, e tratou de fazer o mesmo, de uma maneira mais desajeitada e menos original, já que o rapaz seguia no mesmo ritmo da francesa.
Quem visse de longe teria duas opções para deduzir; uma era que eles eram apenas amigos que estavam se divertindo de uma forma original, a outra, e mais realista, era que eram dois bêbados em uma dança sem música.
Para , era algo normal, já que ela sempre partilhava desses momentos com os amigos. A única coisa que fazia diferença, era um cara que ela malmente conhecia e que dançava desengonçadamente ao seu lado, fazendo-a espiar de vez em quando e lutar para segurar a gargalhada.
Para Harry era um dos raros momentos em que ele estava sem medo de ser fotografado, e caso aparecesse uma fã no local, a sua maior reação seria chamar para a diversão. Era uma das primeiras vezes em que ele se sentia tão normal. Tão não-ele. Um momento em que ele não era Harry Styles, ex integrante da banda one direction. Naquela hora, ele só era... Harry.
A dança não durou por muito tempo, e logo Harry se jogou de volta na areia, levando o corpo da francesa junto com o seu e a deixando deitada por cima dele. Os dois demoraram algum tempo se encarando, ofegantes, até quebrar o contato visual e encostar a cabeça no peito do tatuado.
— Obrigada por tentar fazer com que eu me sentisse bem. — agradeceu após alguns minutos em silencio, tentando controlar a respiração descompassada.
— Funcionou? — a menina perguntou, voltando a olha-lo. — Quero dizer, por hora.
— Funcionou. Sabe, eu só tenho esses momentos com os meus amigos, e ainda assim são poucas pessoas que conseguem me deixar a vontade... Você conseguiu, . Quero dizer, a gente mal se conhece e... — falou olhando o céu, mas parou a si próprio quando a menina levantou em um pulo. — O quê? Falei alguma coisa errada? Desculpa.
Pediu se aproximando da francesa, que mantinha as mãos em um pedido mudo para que ele não se aproximasse.
Ignorando aquele detalhe, Harry continuou, segurando a mão dela e a trazendo para perto, tentando olhar o rosto dela, mas os cabelos indomáveis pelo vento forte não o deixavam ver.
, fala alguma coisa! — pediu desesperado, ela estava tendo um ataque? Que diabos era aquilo?
— Eu... — tentou, mas foi interrompida quando o vomito saiu de sua boca, indo parar nas botas chelsea de Harry, sujando os pés cobertos do cantor, que não hesitou em segurar os cabelos da francesa, assistindo-a vomitar violentamente.
Maldita vodka. – era o pensamento que abrandava a mente dos dois jovens.
Em uma hora lá estava ele, abrindo seu coração sobre o quão difícil é ser famoso, e em outra, estava tendo suas botas chelsea da Saint Laurent soterradas por vomito. Mas aquilo não parecia incomodar o rapaz, que se mantinha firme esperando a mulher terminar de colocar tudo para fora.
Após terminar, levantou o rosto, limpando a boca com as mãos.
— Você está bem? — perguntou preocupado vendo o olhar desnorteado da menina.
— Estou, obrigada. — agradeceu sincera, mas logo o tom sarcástico tomou conta do seu olhar. — E o meu nome é .
— Melhor voltarmos para a chácara agora. — disse e recebeu um aceno da garota. — Acho que tive experiências normais demais por hoje.
— Meu Deus! Eu vomitei em você! — disse alarmada após alguns segundos olhando o horizonte. — Puta que pariu, essas botas devem custar um mês do aluguel do meu apartamento!
— Relaxa, amanhã eu compro novas. — disse sorrindo do desespero momentâneo da garota. Caminhou até a lixeira mais próxima e se desfez das botas, que realmente estavam um nojo, e se voltou para a menina, que tinha um semblante aflito. — Eu volto descalço, só precisamos andar mais algumas casas, é logo ali.
— Eu vou comprar botas novas para você, eu prometo. — disse quando os dois começaram a andar na direção apontada. — Meu Deus, que vergonha...
Iriam pela areia para que Harry não corresse o risco de machucar o pé, já que não haveriam mais desculpas para que o cantor aparecesse todo o dia com um machucado novo, feitos por ; a desastrada.
tudo bem, . — tentou tranquiliza-la e a menina conteve o impulso de corrigir o seu nome dito de maneira errada, mas se conteve.
— Pelo menos você esta se sentindo normal agora. — tentou brincar, mesmo que ainda estivesse morrendo de vergonha. — Aposto que ninguém nunca vomitou em você.
— É, hoje foi a minha primeira vez... Só não deixe seu ego te levar muito longe. — confessou e ambos riram, continuando o caminho em silêncio.
Não demoraram muito para chegarem, na chácara, que se encontrava deserta o suficiente para facilitar o caminho dos dois para o quarto de , que abriu a porta e deu passagem para o rapaz.
— Você pode usar o banheiro, se quiser. — ofereceu sem graça e Harry assentiu, indo para o lugar que havia sido apontado.
Deus! Que noite! Longe do esperado, óbvio, já que nem Bella preveria que ao ficar sozinha com um gato daqueles, a coisa mais intima que teriam, seria o vomito da francesa nos pés do rapaz.
se jogou na cama, se aconchegando nos lençóis e esperando por Harry, que não deve ter demorado cinco minutos no banheiro, mas que ao voltar já encontrou a menina adormecida.
Suas mãos pegaram o bloquinho de anotações ao lado da cama, escrevendo uma pequena nota.
“Obrigada pela noite. Foi uma das mais normais que tive, claro, sem contar com o vomito nos meus pés. Te vejo amanhã, .
H. Xx.”

Após depositar o pequeno bilhete junto ao caderninho, no mesmo lugar que havia encontrado, Harry logo tratou de sair do quarto, mas não sem antes dar uma ultima espiada no rosto adormecido da menina, deixando o cômodo com um sorriso incrédulo nos lábios. Que noite. Ele queria uma experiência normal, e tivera o que a garota podia oferecer; uma dança sem música no meio da praia e uma vomitada nos pés.
Estava de bom tamanho para ele.




Significado da(s) palavra(s) em francês usada(s) no capítulo: *"Va te faire foutre" = vai se foder




Continua...



Nota da autora: Oi, bebês, tudo bem? Estou descontrolada com as atts hahaha, espero que vocês estejam gostando. Desde que mandei a última atualização, fiquei me sentindo culpada por não ter tido muito do Harry, então resolvi escrever e enviar logo essa, que 'ta cheia de momentos Harry/Soph, espero que vocês não enjoem hahaha. Agora a próxima atualização só vai sair quando essa estiver no site, e dessa vez é sério hahaha prometo me conter e tentar esperar. Quero usar esse espaço de nota para agradecer por Behind The Album ter estado em #2 nos mais lidos da semana (09/08/2020), e é uma conquista muito grande para mim, que tem o valor redobrado por ser a minha primeira fanfic a alcançar esse "status". Fiquei feliz e surtei horrores porquê essa fic tem um significado enorme para mim, é o meu bebê e vê-la chegar nos mais lidos me deixa muito emocionada (mamae babona passando, haha). Enfim, muito obrigada e até a próxima atualização.
All the love, L.
Xx.



Outras Fanfics:
Waves Of Summer '09 (One Direction - EM ANDAMENTO)
Teenage Dirtbag (ONE SHOT)

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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