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Última atualização: 05/02/2017

Smeels like fake people



POV


O professor Drake explicava maravilhosamente sobre a importância de Robert Doisneau, e como possivelmente ele foi o pioneiro do estilo ‘’lifestyle’’ de fotografia, enquanto eu tentava anotar tudo no iPad. Meu celular vibrava pela milésima vez e eu sabia quem era: Shawn. Sim, esse Shawn que você está pensando. Eu trabalhava na MagCon fotografando alguns eventos desde praticamente o início. Virei amiga dos outros e dele também, mas o que ninguém esperava – nem eu e nem ele – é que iriamos nos tornar inseparáveis. Pelas outras mensagens e conversas anteriores, ele queria apresentar sua nova namorada para mim e para o Cameron. Para meu azar eu já tinha gasto todo meu estoque de desculpas possíveis. Não que eu não gostasse do Shawn, ou da namorada, mas ele mal tinha tempo para ver os amigos, quanto mais namorar. Cam dizia que as meninas que eles saiam, ficavam intimidadas com a minha idade. Só por que tenho 1 ano a menos que o Dallas e abria a boca só para dizer oi.
, algum problema? — Levantei meu olhar para o meu professor, que me encarava com braços cruzados e um sorriso de canto. Olhei de relance para a sala que prestava a atenção em mim. Merda, fiz de novo, pensei. Lancei um sorriso amarelo seguido de um pedido de desculpa baixinho. Ele revirou os olhos e continuou a falar.
Voltei minha atenção para aula e vi um ser de cabelos moreno e queixo duplo acenando na porta da minha sala e rindo de umas meninas que se agitavam nas cadeiras, dando tchauzinho. Para ele era normal, mas para mim essa era a única parte da minha vida que eu tentava ser normal. Odiava as pessoas me rotularem como ‘’fotógrafa da MagCon’’ e não “ ”.
Joguei minhas coisas dentro da minha bolsa, amaldiçoando Deus e o mundo até guardar tudo. Bati em algumas cadeiras sem querer, chamando a atenção do meu professor que tinha a testa franzida.
— Foi mal. Trabalho chama — dei de ombros andando de costas até a porta e sai, batendo a mesma. — O que deu em você, seu maluco? Você não pode sair assim e aparecer na minha faculdade! Eu já pedi um milhão de vezes, Shawn.
— Por que você não atendeu minhas ligações? Eu estava que nem um louco ligando – Ele perguntou de sobrancelha arqueada, fazendo um drama.
— Ahn, eu não sei se você percebeu, mas onde eu estava se chama sala de aula, já ouviu falar? — Ele ia responder, mas eu fui mais rápida e continuei — Lá, eu raramente mexo no celular e... EU NÃO ATENDO LIGAÇÕES, MENDES — gritei em pleno corredor, chamando a atenção da moça da limpeza. Puxei meu amigo para o elevador mais próximo.
— Ahn..., onde a gente vai? — Shawn me olhou com uma cara de quem não tinha feito nada. Meu deus, às vezes, eu tenho vontade de aperta-lo pelo pescoço.
— Estacionamento, querido. De lá, vamos para uma cafeteria e você me vai achar o que fazer. Por que está sobrando tempo livre demais – rolei os olhos empurrando ele para o estacionamento.
A cafeteria que escolhi era um pouco longe do campus e bem escondida. Não é fácil sair com um amigo famoso sem ter o assédio das fãs. Mesmo que você aprenda a lidar, ainda é chato. O segredo delas me adorarem? Shawn quis me manter na equipe dele, por ‘’questão de afinidade e confiança’’. Claro que a equipe aceitou, já que eu trabalhava há 5 anos com fotografia e tinha uma certa sincronia com Shawn. Mesmo que já trabalhasse com fotografia na MagCon, precisei passar por uns testes até gostarem de mim e me colocarem na equipe dele. Depois, eu acabei sendo colocada em photoshoots de outros clientes lá na gravadora – Nick Jonas, Fall Out Boy, Austin Mahone e alguns outros. De repente não era mais exclusiva do Mendes. Precisei ter mais colegas na equipe do meu amigo. Era divertido, por mais que eu não tivesse a fama dos meus clientes, as fãs amavam ver a pessoa por trás das cameras. A diversão só aumentou quando achamos Josiah, outro fotógrafo de backstages para trabalhar com Shawn. Ele sabia nos ajudar a mostrar aos produtores as loucuras que queríamos fazer, e executar o que eles queriam também. Há alguns meses andava mais na parte da publicidade da gravadora, por ser útil lá, com algumas ideias. Optei por uma mesa nos fundos. Fizemos nossos pedidos e aguardamos.
— Então — ele começou a se remexeu na cadeira e comprimiu os lábios — eu vou cozinhar hoje a noite...
— Essa era sua pressa? Um jantar? — Revirei os olhos e debrucei sobre a mesa.
Ele sorriu de canto. Ah não, vem coisa aí.
— É um jantar para apresentar a Sam pra você e o Dallas. O que me diz? – Shawn arrumava o topete, nervoso.
— Eu digo não — sorri e agradeci ao garçom por trazer nossas bebidas. Dei um grande gole no meu chá. Ele continuava a me encarar — você sabe como sou possessiva com meus amigos. E se ela não gostar de mim?
— Você nem sabe ainda, . Por favor... você é minha melhor amiga e sempre me ajudou com isso. Me ajuda só mais uma vez — Ele segurava minhas mãos e sorriu de lado. Como dizer não para essa criatura?
— Ok, eu posso ir — Revirei os olhos com o grito de “yeah” que ele deu, tamborilando os dedos na mesa, empolgado. Típico.


(...)


Depois de ter concordado em ir nesse jantar, queria desistir. Minha intuição dizia que seria a mesma coisa: ela iria me odiar por ser tão próxima de Shawn e por ser mais velha, fazendo um drama básico por causa da insegurança – quem não teria? Shawn era gostoso, uma graça e também fazia qualquer pessoa cair nos pés dele sem fazer a menor força – e eu me afastaria aos poucos, até ele perceber que a menina era um porre e terminar. Minha melhor amiga me encarava por cima dos seus óculos enquanto analisava as roupas para aquela noite.
, desde quando você gosta de ir em jantares que o Mendes inventa? – ela me perguntou, curiosa.
Parei no meio da sala com um uma saia godê preta com uma camisa jeans clara, um maxi colar preto e uma ankleboot. Olhei para e ela estava com os braços cruzados esperando minha resposta.
— Desde nunca – dei de ombros - detesto, mas antes de jantar, vou sair com o Drake. Anda, . O que acha desse?
— Perfeita — piscou e voltou sua atenção para o computador.

(...)

Faziam, exatamente, vinte minutos que eu esperava o imprestável do Cameron vir me buscar para o tal jantar do Shawn. Bati meus saltos na calçada, impaciente. Liguei mais uma vez e dessa vez atendeu.
— Dallas, onde você está? – Rugi entredentes
Pude ouvir ele pedindo para alguém ficar quieto, seguido de uns risinhos. Sabia! Ele estava ocupado com alguma garota. Ou Aaron devia estar colocando fogo no loft. Qualquer um que fosse, precisava de silencio. MESMO.
— Eu já to chegando. Me espera aí. Estou perto do seu apartamento.
— Ahn, Cam? Eu não estou em casa.

— Um professor, ? — Cameron debochava dentro do carro — você está ficando ousada, hein?.
- Primeiro, boa noite - revirei os olhos colocando o cinto – segundo, não lembro de ter te perguntado nada.



Assim que chegamos ao apartamento de Shawn, minhas pernas não atendiam ao comando de sair do carro. Não queria enfrentar aquela situação constrangedora de novo. Respirei fundo e desci.
— O Shawn vai surtar quando eu disser onde fui buscar você — Cam deu um soco de leve no meu braço e eu mostrei o dedo do meio.
— Você não vai falar nada. Ele não é meu pai – trilhei um caminho com meu dedo, da testa dele até o nariz.
— Não, mas ele não gosta desse seu professor — ele sorriu abertamente. Droga, ele tinha razão. Mendes odiava Drake e eu não sabia o porquê.
— Problema dele. Eu que preciso gostar — Caminhamos juntos enquanto Cam discorria sobre Drake, decidi ignorar e avisei para o Shawn que estávamos subindo.
— Até quando você vai continuar falando disso? Que droga. Eu sou adulta e saio com quem eu quiser — Virei-me para Cam, que ria da minha cara.
Chegamos ao apartamento de nosso amigo e como sempre, ele deixou a porta aberta.
— Eu não tenho culpa se ele não gosta, apesar de que, eu ouvi uns boatos de que esse cara pega todas as alunas — Cameron agora ria alto, adorando me tirar do sério – isso não é atentado contra a faculdade? Não é contra o código? Tá parecendo aquela loira do seriado que você curte.
— O nome dela é Serena e aliás, POR QUE VOCÊ NÃO VAI PRO INFERNO? Não se esquece de cruzar os braços por que a ida é de tobogã — adentrei no recinto gritando aos quatro ventos com um Cam gargalhando. Fomos recebidos por um olhar furioso de Shawn. Passei por ele, sussurrando que ‘’foi o Cameron que começou’’. Ele deu uma risada abafada, me beijando em seguida. Encontrei a nova namorada do Mendes que me encarava. Ela até que era bonita, mas acho que ela devia ter me xingado de todos os palavrões existentes quando viu minhas tatuagens.
— Acho que não fomos apresentadas ainda — estendi minha mão — .
A garota me mediu por inteira e então sorriu, pegando em minha mão.
— Samantha... Namorada do Shawn — Ela sorriu para meu amigo que parecia encantado com ela. Jura que você é namorada dele? Queria ter dito isso, mas apenas ignorei.

O jantar ocorreu civilizado por conta de Cameron estar ocupado saboreando a comida. Único meio de fazer ele calar a boca, aliás. Shawn estava ficando cada vez melhor na cozinha. Algumas vezes, Samantha lançava alguns olhares esquisitos, mas todos estavam ocupados demais contando sobre o trabalho enquanto eu tinha largado os shows para assumir a publicidade junto com o resto do time.
— Mendes, você não sabe onde eu fui buscar a — Cam jogou o guardanapo na mesa e cutucou meu amigo. Chutei sua perna por debaixo da mesa. Shawn logo se interessou na fofoca, virando o rosto para Cameron naquele jeito tipicamente gostoso – sem – nem – mesmo tentar — com o professor Drake.
— Sério, ? Ele parece ser um cara legal. — Shawn sorriu surpreso. O quê? Mas ele não gostava do Drake? Franzi o cenho olhando para o Dallas que rapidamente desmanchou o sorriso e bebeu um grande gole de seu vinho.
— Drake? Drake Smith? — Samantha perguntou toda sorridente e eu assenti — Ele é amigo da minha irmã.
— Amigo da sua irmã? — Perguntei receosa. Ele havia me dito que não tinha feito muitos amigos em LA por ter se mudado há pouco tempo.
— Bom, é o que ela diz. Mas vai saber, aqueles dois ficam trancados no quarto dela quase todo final de semana — Ela deu um risinho bebendo seu vinho. Eu comprimi os lábios e fechei minha mão. Que filha da puta. Vou socar a cara dela.
— Sua irmã deve ser igual você, amiga de todos os caras. Se é que você me entende — Sorri inocentemente e pude ver Samantha perder a linha. Eu também posso jogar seu jogo, ridícula. Dallas riu baixinho, olhando a vista pela sacada.
, me ajuda a tirar os pratos? — Shawn perguntou lançando alguns olhares de canto para Samantha e eu entendi o recado. Começamos a limpar a mesa, enquanto Dallas e a namorada ridícula do meu amigo iam para a sala conversar — vai começar?
— Sua namorada que começou com as provocações — peguei os pratos de sua mão e coloquei na lavadora, dando de ombros — eu sei isso parece errado, não quero receber lição de moral.
— Mas , nem conheço o cara. Acho justo mudar os ares depois do Peter. E depois, eu sou o cara mais tranquilo com tudo. Se tem alguém irritado só pode ser o Dallas, não eu — Shawn me alcançou uns copos para que eu colocasse na lavadora.
Como assim? O que o Dallas estava aprontando? Pra que? Nos separamos do abraço e voltamos para a sala. Respirei fundo, pensando em mil maneiras de matar o Cameron. Precisava inventar uma desculpa para sair de lá.
— Eu sei que vocês amam minha presença, mas eu preciso ir. Tenho uma dissertação sobre os ângulos da fotografia moderna para amanhã — Meu deus, eu me amo. Inventei isso agora. Pude perceber que Cam não acreditou. Mendes fez biquinho, porém, acreditou. Ele veio se despedir de mim e Samantha aproveitou a deixa para ir ao banheiro.
— Eu te levo , parece que eu estou vivendo um dia de motorista mesmo — Cam se voluntariou para a carona, apenas dei de ombros.

Descemos para o estacionamento em silencio. Ele sabia que eu estava um pouco chateada com ele por ter entrado naquele assunto com Shawn. Não era realmente nada demais. Era só conversa fiada sobre fotografia e alguns livros emprestados. Acompanhados de café e umas ficadas. Que mal teria isso se ninguém da faculdade soubesse?
— Pega a estrada da praia, por favor? — Quebrei o silêncio naquele recinto e meu amigo assentiu.

Eu encarava o mar escuro e ouvia o som relaxante das ondas, a brisa estava ótima. Cameron estava em silêncio também, encarando algum ponto escuro daquele vasto mar. Eu preciso dizer que a Samantha era desnecessária? Mesmo aquilo sendo mentira dela, uma ânsia de vomito tomava conta de mim. Shawn era tão amável que odiaria vê-lo de coração quebrado por algum namoro que eu sabia que seria impossível de manter. Ainda mais com uma menina como ela. Abracei meus joelhos e fechei meus olhos.
eu já pedi desculpas — Cameron bufou ao meu lado e chutou um pouco de areia.
— Por que você mentiu? — Joguei a pergunta no ar e ele me encarava confusa — Shawn nem conhecia o Drake para não gostar dele. Algo está errado, não acha?
— Por que você só escuta ele. — Dallas se levantou, cruzando os braços.
— Era só ter dito antes que não gostava dele — Me levantei também.
— Isso não tá certo. E se pegarem vocês dois e entregarem na reitoria? Sabe o escândalo que isso vai dar? – ele me perguntou com uma cara que meu padrasto faria de ‘’e se você se fuder, tem um plano B? ’’
— Cameron, eu sou adulta e sei me cuidar sozinha – gesticulei – eu não vou morrer. Eu já melhorei do Peter, já expliquei isso.
— Eu sei , só que fico preocupado com você. Eu sei que meu papel não é dar moral e sim apoiar,só que... isso foi longe demais. — Dallas me puxou para um abraço apertado, sem hesitar, enlacei meus braços em sua cintura — Me perdoa?
— Sim Cam, eu te perdoo – sorri baixinho ao encostar minha cabeça no peito dele.
— Agora vem cá, foi só eu ou... você também não foi com a cara daquela Samantha? — Começamos a rir alto. Por sorte, a praia estava deserta, senão, as pessoas iriam achar que somos loucos por estarmos rindo que nem hienas.




So you think you know. How this story goes?


Cam POV


Já faziam uns 45 minutos que tinha saído de casa para ir no apartamento do Shawn, perto de Santa Monica. Aaliyah me ligou perguntando dele, e dizendo que ele havia sumido. Alguma coisa realmente grave deveria ter acontecido, e eu não iria deixa – la sozinha.
— Qual foi a da ligação? – Tentei entender enquanto ela me encarava com um olhar apreensivo.
— Graças a Deus você chegou – Aaliyah me abraçou forte, com uma cara de choro – o Shawn saiu cedo da tarde e não voltou até agora.
— Onde ele está? – Perguntei fechando a porta
— Eu não sei – ela deu de ombros, exausta – liguei para ele o dia todo, mas só dá caixa de entrada
— Nenhuma pista? – Franzi a testa, achando aquilo muito esquisito. Desde quando o Mendes some do nada?
— Claro que não, Dallas – Ali bufou – eu não tenho a mínima ideia do que aconteceu. Por isso liguei para você!
— Acho que podemos ir na , pedir ajuda – dei de ombros – melhor que nada
— Duvido que ela vai atender a porta a uma hora dessas – ela andava de um lado para o outro da sala, impaciente
— Que tal a gente ir ligando para ele, enquanto vai lá? – Abracei Aaliyah, numa tentativa de acalmar – pega um casaco, eu vou ligar para a amiga gata dela.
— A morena? – Ela deu uma risada
— É uma desculpa para falar com ela – comentei sério
— Ótima desculpa mesmo – Ali concordou pegando uma jaqueta cheia de ursinhos que estava por ali, me seguindo porta a fora.




— Isso são horas de chegar na casa dos outros, Dallas? – debochou, assim que chegamos – eu fosse você não abriria aquela porta – 1h da manhã?
— Por que? – Revirei os olhos
— Ela nem foi trabalhar hoje, e duvido que tenha saído do quarto – ela sussurrou apontando para o quarto de – definitivamente alguma coisa aconteceu
— Eu vou tentar falar com ela – sorri fraco e bati na porta sem nenhuma resposta. A abri lentamente, e pude ver uma criatura encolhida na cama, com um fone de ouvido. Esbocei um sorriso ao ver que mesmo dando uma de durona, tinha pegado no sono abraçada em um Stitch enorme. Tirei os fones e uma música folk tomou conta do quarto, devido ao volume extremamente alto. Como ela conseguiu dormir com isso, me perguntei chamando umas 10 vezes, até que ela abriu os olhos.
— Oi Cam – encarou com o rosto vermelho, coçando os olhos – o que foi?
— Você sabe alguma coisa do Shawn? – Perguntei e ela meneou a cabeça negativamente
— Ele está bem? – Ela forçava os olhos para me enxergar
— Parece que ele sumiu
— O Mendes? – se espantou, sentando na cama – sério?
— Deixou até a Aaliyah sozinha – expliquei– talvez você soubesse de algo, já que não se desgrudam – ri fraco, afastando a franja que insistia em cair nos olhos dela
— Não tenho a mínima ideia – ela se defendeu – era isso?
— Era – concordei
— Não tenho certeza se ele iria me atender – suspirou – mas tenta ligar do meu telefone
— Está tudo bem? – indaguei e ela fez que não, se tapando e virando para o lado – você sabe que pode contar comigo, . A falou que você nem saiu do quarto. Você comeu? – ela fez que não, e ouvi ela choramingar baixinho. não era de se abater por qualquer coisa. Deitei do lado dela, e a puxei para perto. – eu to aqui, tá?
— Meu pai voltou – ela reclamou baixinho – eu vi ele hoje querendo falar comigo na portaria. O George falou que ele trouxe o convite de casamento, dá para acreditar?
— Que idiota – murmurei.
— Cameron, não me deixa – ela me abraçou, com um choro dolorido.
— Eu nem pensei nisso – a deitei no meu peito, abraçando pela cintura – sei como é passar por isso. Eu não vou te deixar sozinha aqui
— Eu to com sono, fome, cansaço – se aninhou agarrando minha camisa – mas quanto mais eu durmo menos isso passa.
— Você só precisa de mim um pouco – fiz carinho nas costas dela, e percebi a guarda de baixar, enquanto ela colocava uma perna por cima de mim – calma, deita um pouco.

acompanhava a cena em silêncio. A vi esboçar um ‘’obrigada’’, e logo pegou no sono. Eu não conseguiria deixa – la assim. Ambos vínhamos de famílias com pais separados, mas a separação dos pais dela era um assunto que dificilmente alguém a ouviria falar. Percebi minha amiga destroçada, e isso quebrou meu coração. Ela usava do trabalho pra escapar da vida. Desde cedo. Foi assim que nos conhecemos. era uma criatura engraçada e extremamente dócil. Apesar de ter uma aparência de boneca, ganhava de qualquer menino nos esportes da MagCon. Era umas das pessoas que sabia esquecer da vida pessoal para ajudar os amigos. Quando conversávamos sobre família, era com ela que me identificava. Sabíamos nos entender. Me sentia confortável com ela, de um jeito estranhamente familiar. Não podia negar, eu tinha uma queda enorme por ela. E odiava a ver desse jeito. Parecia queimar em febre, e mal conversava. Ela se escondia tanto nela mesma, que tinha medo de perde – la para seus medos. Aaliyah abriu o resto da porta, fazendo um ‘aaaawnnnn’ e me acordando também. Esbocei um sorriso ao ver praticamente deitada em cima de mim, respirando tranquilamente.
— Então era ela o motivo de você vir aqui – ela riu, cruzando os braços – vocês estão aí tempo suficiente Dallas.
— Desculpa – tirei de cima de mim e ela se aninhou novamente – eu acho que ela não vai poder ir.
— A gente está perdendo tempo, e ele ainda não ligou – Ali girava os pés, mordendo os lábios
— Vamos lá, só vou deitar ela aqui, e saímos procurar o idiota do seu irmão – concordei com ela, saindo da cama.
— Dallas – ronronou da cama – espera. Oi Aaliyah
— Oi – ela respondeu séria, me encarando
— Calma – fez sinal para Ali respirar fundo – tenta ligar do meu telefone, eu vou ir com vocês
— Não, – a fiz sentar na cama – você fica ai, nem comeu ainda.
— Eu vou sim – ela levantou só de blusa e calcinha, me abraçando. Merda, se controle, Cameron – obrigada por tudo. Sério Dallas.
— Vocês dois – fez graça, enquanto abraçava pela cintura, enterrando meu rosto no pescoço de .
— Eu só vou colocar uma roupa – ela sorriu sem graça, vendo meu estado.
— Rápido – Aaliyah estalou os dedos, indo para a sala com – e me dá esse maldito telefone. Hoje que eu morro. Agora até minha mãe me ligando.
— Culpa a sua que nem sabe mentir – dei um tapa na testa dela, que resmungou e devolveu um beliscão


Tentávamos ligar para Shawn feito loucos. tinha melhorado da situação, e se empenhava em procurar o carro dele pelo gps sem sucesso algum. Resolvi parar num caixa eletrônico, já que rodávamos a cidade sem ideia nenhuma de onde ele poderia estar. Melhor prevenir que remediar.
— Que demora pra tirar um dinheiro, Dallas – reclamou, rolando os olhos.
— Desculpa – repliquei colocando minha mochila no porta mala — tenho duas noticias: uma boa e uma ruim. Qual vocês querem primeiro?
— A ruim – as duas exclamaram ao mesmo tempo, irritadas.
— Estamos longe do drive thru – entrei no carro e ouvi Aaliyah grunhir – e a boa é que a gente tem dinheiro pra comer ao menos.
— Alô? – Ali parecia aflita.
O que foi? – a voz de Shawn soou pelo auto falante do telefone, nos acalmando
— O que você acha? – gritou, braba — some e não fala nada pra ninguém. Isso não é bagunça não, Mendes.
... – Shawn suspirou
— Mendes – ela respondeu no mesmo tom
Eu tô bem – ele respondeu de um modo irônico, tentando tranquilizar passa esse telefone pro Cameron.
— Fala – tirei do auto falante
Preciso que você venha aqui – Shawn pediu – eu tô no Canyon Lake. Na conveniência da Texaco.
— Isso é longe – me surpreendi da distância – posso levar as meninas junto?
Pode.
— Vou tentar chegar logo – assenti sabendo que algo sério tinha acontecido.
Certo – ele concordou – pede pra trazer vocês, aqui é meio deserto, e se não me engano é perto de onde ela morava.
— Shawn?
Eu...
— Não sai daí cara, a gente logo chega – pedi, me despedindo
Eu não vou sair daqui, cara – ele murmurou, rindo – prometo.

Nunca vi uma mulher dirigir um carro tão rápido, juro. tinha um jeito sexy de dirigir, era impossível não prestar atenção nela. Tentei acalmar Aaliyah, e confirmar pela milésima vez que Shawn estava bem e criar uma história que ela acreditasse.
— Já são 5h da manhã, ainda falta tanto assim? – Ali reclamou, bocejando.
— Eu preciso tomar um café – riu, avistando uma lanchonete no meio da estrada.
— Vai fundo, eu vou fazer xixi – concordei, saindo rápido do carro, quando atendeu o telefone. Vi que ela ficou parada uns instantes.
— Você precisa de um babador, Dallas – a versão feminina do Mendes zombou, me entregando um café.
— Ok, por mais estranho que pareça – chegou com uma feição engraçada – Samantha me ligou e disse que o Shawn ia precisar da gente.
— Samantha... a ex? – Aaliyah arregalou os olhos e fez que sim, comprimindo os lábios.
— Acho bom eu apertar o passo – ela entrou no carro, bebendo o café, enquanto nos encarava, ainda perplexos, apertando a buzina – anda, caralho. A gente tá atrasado!

Os últimos 30 km, batemos em 12 minutos. Sabe Deus como, mas estávamos na frente da lanchonete. foi a primeira a correr pra dentro, e abraçar Shawn. Um sorriso apareceu no rosto dele ao vê – la chegar. Deixei os dois conversarem um pouco, antes de entrar.
— Olha, eu vou falar com vocês, até por que preciso de cobertura – ele cedeu, apontava o dedo para e pra mim – mas antes de tudo: nós somos o The Non—Judging Breakfast Club agora.
— Não entendi ainda, Mendes – murmurou — só que voce deve ter feito uma merda e tanto pra colocar Gossip Girl no meio.
— Cala boca, – ele revirou os olhos, dando um tapa de leve nela – e por favor, nada de ‘’eu te avisei’’. Ouviu Aaliyah?
— Ok – Ali falou, escorando a cabeça no ombro da , com o olhar fixo no irmão
— A Samantha e eu, acabamos o namoro há alguns meses, vocês sabem – Shawn considerou deixar pra lá por uns instantes, nos encarando – enfim... quando terminamos ela estava grávida, e quis abortar. Mas desistiu, alguma coisa fez ela desistir. E a bebê nasceu ontem.
— Wow – a caçula bateu palmas, debochadamente – eu sou a criança, mas você é o irresponsável
— Chega, vocês dois — abraçou Shawn e deu um beijo na bochecha dele – eu não deixo você falar assim com ele.
— Isso aí – Shawn retribuiu o beijo, ainda pensativo – eu não sei o que fazer, fiquei aqui pensando.
— Eu fosse você ia até lá – ela fazia cafuné nele, que parecia confortável com essa situação.
— Eu já fui – ele comentou, virando para – ela é muito linda.
encarou ele com um sorriso no rosto, de um jeito que só mãe fazia. Poucas vezes a vi tão serena. Ela fazia um carinho entre a testa até o nariz com o indicador.
— Acho que você acabou de ser pai, Mendes – ela sorriu e ele meneou a cabeça, sorrindo também – e você o que fazer. Só ta com...
— Medo – ele confirmou, com a voz grave de sono. Aaliyah já tinha pegado no sono, escorada na janela.
— Vai deixar esse medo ficar maior? – Desafiei, dando um gole no café
— Eu não sei, Cam – Shawn falou, dividido – falei com a assistente social, e ela disse para ir lá conversar. Mas não to criando coragem.
— Oh, Mendes – pegou nosso amigo pela mão, puxando – deixa que eu crio ela por você.
— A bebê? – Ele resmungou, irônico.
— A coragem – ela tomou a vez, me puxando também – a gente está aqui. O que você está esperando? Se alguém resolver adotar ela, ela vai embora. Você quer isso?
— NÃO! – Shawn exclamou, acordando dum transe despertando Aaliyah – claro que não.
— Então cresce – ela ficou de frente pra Shawn, e ele prestava atenção – se você não for lá, alguém vai. E eu prometo ficar do teu lado, seja ele qual for.
— Eu também – Abracei os dois.
— E eu prometo te sacanear todo dia por isso – Ali riu, e Shawn abraçou ela com o braço livre – mentira. Você sabe que eu vou te ajudar também. Não vou te deixar na mão.
— Eu sei – ele sorriu, aliviado ao ver nós três – e lembrem, nós somos o The Non—Judging Breakfast Club. O que acontece aqui, acaba aqui.
— Podia até te odiar, Mendes – argumentou – mas Gossip Girl foi sagrado na minha vida. Eu topo, mas sou a Blair.
— Depois a gente vê isso – Mendes pegou uma bolsa, indo em direção ao caixa – agora, se me dão licença eu preciso ir tomar uma decisão. E acho bom vocês irem também.


Shawn POV

O silêncio reinava naquele carro, a caminho para o hospital. Ali dormia tranquilamente no ombro de Cam que olhava para fora, pensativo. , de vez em quando, sorria para mim ou pegava em minha mão, dando—me forças, eu retribuía. A lanchonete ficava um pouco longe do hospital, por conta da minha pressa, chegaria bem rápido.
— Acho que é verdade sobre o que dizem sobre os hospitais, de nunca ficarem vazios — olhou para a entrada de emergência, enquanto eu procurava uma vaga. Uma ambulância chegou como um foguete, retirou uma pessoa enrolada num papel prateado e logo em seguida, outra ambulância já saia em disparada, passando por nós a mil por hora, fazendo minha irmã acordar de seu sono profundo.
O hall de entrada parecia uma feira, abarrotado de pessoas esperando para serem chamadas e outras esperando visitar pacientes internados. Uma enfermeira rechonchuda veio ao meio encontrar perguntando se eu era o senhor Mendes e eu assenti, preocupado. Ela sorriu meigo e pediu para segui—la.
— Desculpe crianças, apenas o senhor Mendes é permitido. Ele logo voltará para vocês. Peço que aguardem sentados — Ela apertou mais um pouco a prancheta em seu corpo e indicou alguns lugares para meus amigos sentarem. me encarou triste e eu apenas dei de ombros e continuei o caminho até a maternidade — Os papéis da adoção estão aqui e deixarei o senhor sozinho para tomar uma decisão, tudo bem? Qualquer coisa, estarei naquela sala — Apontou para uma salinha minúscula ao lado do berçário. Sorri em agradecimento. O que eu faria agora? Assinaria esses papéis dando de graça minha filha para uma família desconhecida? Eu seria um bom pai para ela? Eu saberia educa—la direito?
Fiquei por longos minutos lendo e relendo aquele contrato de adoção e vez ou outra lançava alguns olhares para o entra e sai de enfermeiras daquele berçário, um aperto tomou conta do meu coração quando vi um casal olhando seu bebê. Por que eu também não posso ter isso?
— Olá Mendes, demoramos? — jogou—se ao meu lado na cadeira e sorriu abertamente. Cam se apoiava em seus joelhos, ofegante. Minha cara dizia tudo: eu estava assustado para caramba — Sim Shawn, burlamos a segurança do hall e viemos aqui te ver. Você demora demais. São os papeis da adoção? — Entreguei para ler. Ela analisava tudo em silêncio.
— Ei cara, qual desses bebês é a sua? — Cameron apontou para o vidro do berçário e fui para la, ajudar meu amigo. Indiquei com o dedo uma bebê calminha, que dormia tranquilamente na última fileira num berço com cobertores rosa — Ela é linda.
— Cam, pode me ajudar aqui? — chamou meu amigo. Enquanto Cam ajudava minha amiga com algo, encarei minha filha por alguns minutos. Ela realmente muito linda.
— Dallas, ele não pode fazer isso. Coloca—la para adoção. É muito ruim. Lembra quando meu pai me abandonou? Foi uma dor tão grande, que eu mal saia do quarto. Eu fiquei devastada. Saber que meu grande herói, não passava de um vilão.
Ouvi contar sua história para o meu amigo e fingi não prestar atenção, para eles não perceberem que eu a estava escutando. Ela nunca tocava nesse assunto tão delicado sobre o abandono de seu pai. A última vez que tentei arrancar algo sobre isso, levei um tapa no braço e um “não é da sua conta” e desde então, não toquei mais. Esperava ela se abrir, o que era raro. Olhei para minha filha que se espreguiçava e sorri involuntariamente.
— Pessoal, eu tomei uma decisão — e Cam olharam confusos para mim — Eu não vou coloca—la para adoção. Eu vou cuidar dela
correu ao meu encontro, tomando—me em seu abraço tão reconfortante que só ela sabia como dar. Inalei seu perfume adocicado e envolvi sua cintura, apertando nosso abraço. Cameron logo se juntou e ficamos os três abraçados. Eu sou tão sortudo por tê—los comigo. Meu amigo disse que precisava verificar como estava Ali, já que eles a deixaram com a desculpa de que eram os pais dela e precisavam falar com o médico antes de irem. Só esses dois para fazerem isso mesmo.
— Ahn, Mendes? — olhou—me envergonhada — Eu posso vê—la? — Segurei na minha mão de minha amiga e caminhamos até o vidro. Apontei para onde ela estava, levou a mão na boca, tentando segurar o choro e a abracei de lado. Deitou sua cabeça em meu ombro e sussurrou alguma coisa. Senti meu celular vibrar e pedi para minha amiga aguardar enquanto eu atendia. Era meu empresário. Conversamos por alguns segundos, já que ele sempre fora um cara direto e ele logo anunciou que em poucos minutos estaria aqui. Merda. Eu estava ferrado.
Eu andava de um lado ao outro naquele corredor de hospital com uma trilha sonora de alguns bebês chorando, aguardando meu empresário. seguia—me com seu olhar, sem dizer um A, aquilo deixava—me mais nervoso. Ela bufou pela milésima vez dando—se por vencida, sabendo que eu não iria me sentar como uma pessoa normal.
Mark nos encontrou no estacionamento do hospital, mordia os lábios freneticamente encarando meu empresário. Sua cara fechada e sua testa franzida indicavam explicitamente que ele estava bravo, ou melhor, bem puto. Ele passava as mãos pelo cabelo e suspirava. Tentei falar, mas ele lançou—me um olhar frio, fazendo—me calar na hora.
— Adoção, Mendes. Fim de papo.
— O que? — Foi o que eu consegui pronunciar.
— Fala sério, você só tem 18 anos, sua carreira está no topo, vai mesmo querer desperdiçar tudo isso que conquistamos até agora, por conta de um caso de uma noite só que resultou naquilo? — Mark riu irônico, cruzando os braços.
— Aquilo é uma criança, trate com respeito, seu escroto — o empurrou para longe, bufante com a força que exerceu. Já que ele parecia um armário de dois metros.
— Ela é a mãe? — Eu neguei, suspirando. Eu tinha tomado uma decisão, por que eu mudaria agora? — Vamos lá cara, é só um bebê. Você poderá fazer outro daqui uns anos de novo.
— Meu. Deus. Do. Ceu — dizia pausadamente, esfregando as mãos em seu rosto, não acreditando no que meu empresário dizia. Ele a olhou furioso — Você tem certeza que é um ser humano ou um robô? Onde está o seu coração numa hora dessas, caralho? É SÓ UMA CRIANÇA — Ela gritou em pleno estacionamento, tentei acalma—la, mas a única coisa que recebi foi um olhar penetrante furioso — Ele decidiu que irá cuidar dela, como um pai que assume responsabilidades faria. Você sabe o que é ser abandonado, Mark? Sabe? — Ela o encarou por longos minutos e ele apenas sustentava seu olhar. Quem estivesse ali, veria as faíscas saírem, como lasers cortantes.
— Certo, você pode ficar com a criança. Mas, com uma condição Mendes.
— Qual? — Perguntei curioso com a proposta. Mark alternou seus olhares para mim e , então eu entendi o que ele queria dizer.
(***)

e eu voltávamos para o hall para encontramos meu amigo e minha irmã. Sabíamos que teríamos duas notícias para dar a boa e a ruim e eu não sabia qual eu queria dar primeiro. Aquilo estava começando a me sufocar e acredito que a estivesse na mesma situação que eu. Ela sorria algumas vezes. Cameron logo nos avistou e Ali veio correndo me abraçar, pedindo para eu não demorar tanto, que ela tinha medo que pudesse acontecer algo. desembestou a falar sobre como conseguimos convencer meu “empresário robô” a me deixar ficar com a bebê e eu ria da sua empolgação. Ela ficava linda desse jeito, precisava admitir. Ali bateu palminhas quando informei que iria levar a bebê para casa. teimou em ir comigo e era impossível dizer não para uma pessoa teimosa. No caminho, discutíamos o nome para a bebê.
— Sofia ou Sophie — Ela dizia ponderando os nomes, como se eles estivessem em uma balança.
— Não gostei — Revirei os olhos enquanto assinava uns papeis, me dando o direito a guarda exclusiva. bufou e procurava novamente na internet por nomes femininos. A enfermeira tinha ido buscar minha filha e aguardávamos do lado de fora do berçário. Ela tinha cara de...
Viola! e eu dissemos em uníssono e caímos na gargalhada. É, essa proposta não seria tão difícil assim. Uma outra enfermeira loira veio entregar Viola para mim. Engoli em seco ao receber aquele pacotinho em meus braços. Ela logo se aconchegou e sorriu com seus olhinhos fechados. Puta merda, melhor sensação da minha vida inteira. mexeu em suas mãozinhas que logo agarrou com toda a força do mundo seu indicador e não soltava mais. Eu sorri com aquilo. seria uma boa mãe, eu sei disso. Minha amiga e futura ‘’esposa’’ beijou minha bochecha e caminhamos ao encontro de Cam e Ali. Eu só espero que eles reagem bem a com proposta... especialmente Cameron.
Assim que chegamos ao meu apartamento, foi preparar algo para comermos e decidir o que compraríamos para a Viola. Ela continuava dormindo tranquilamente em meus braços, trazendo—me uma paz sem igual. Pedi para Ali pegar algumas almofadas, improvisando um berço no sofá para colocá—la. Cameron estava sem silêncio desde que saímos do hospital e eu não sabia como contar sobre a proposta. Embora ele seja meu amigo de longa data, sei que tenho uma parcela de culpa nisso tudo, mas é apenas por alguns meses, até todo mundo aceitar essa história de eu ser pai e tudo mais.
— Ei cara, está tudo bem? — Ofereci uma cerveja ao Cam, que sorriu fraco e deu um grande gole. Sentei ao seu lado no sofá.
— A me contou sobre a proposta do Mark — Ele encarou—me por alguns instantes. Minha amiga não conseguia ficar de boa fechada mesmo. Eu havia dito para contarmos juntos e não separados — Eu ainda não consegui digerir isso. Você sabe o que eu sinto por ela — assenti encarando minha televisão — o problema é que ela não sabe.
— Mas Dallas, não será para sempre, é só até todos aceitarem essa ideia de eu ser pai.
— Vocês estão sendo egoístas, porque sequer pensaram em como eu me sentiria ao vê—la com você aqui, todos os dias. Sabe—se deus o que vocês vão fazer os dois aqui — Cameron respondeu nervoso, dando um gole em sua cerveja. O que eu iria dizer? Ele estava certo.
— Meninos da minha vida, preparei alguns lanches para nós — sorria limpando sua mão no avental de guitarra que eu havia comprado na internet. Cameron largou sua cerveja na mesa de centro, pegou sua jaqueta e caminhou em direção a minha amiga, que ficou surpreendida ao receber um beijo dele no canto de sua boca. Cerrei os punhos e respirei fundo. Ele sorriu vitorioso para mim e foi embora. Deixando uma perplexa, Ali boquiaberta e eu fervendo de nervoso.
— Espera, ele não vai ficar? — acordou do transe — segura ai Shawn, já volto
— Vai em frente — murmurei, dando um gole na cerveja
— Cameron! — ouvi a voz de ressoar no corredor — não vai ficar?
— Não — ele gaguejou — eu preciso dormir
— Ok — ficou visivelmente chateada, voltando para o ap — achei que você também tava nessa
... — Cam a chamou de um jeito calmo, pegando nas mãos dela — eu não acho que isso seja uma boa ideia. Eu tenho medo que as fãs do Shawn te ataquem. E que você se machuque com isso. Eu te conheço o suficiente pra saber que você não é do tipo que adora brincar de família feliz
— Olha, eu sei — ela concordou — mas eu não vou deixar o Shawn se afastar da filha. Eu não digo que isso vai ser perfeito mas ele é o pai dela e... cara — ela mordia os lábios e sorria com um brilho nos olhos — ele quer tentar. Você sabe o que é ser abandonado, Dallas. Viola merece uma chance e se depender de mim ela vai ter.
— Eu amo você — Cam sorriu, abraçando a amiga e os dois ficaram assim por um tempo. Conhecia os dois à um bom tempo pra saber que Dallas tinha ouvido o canto da sereia. Eles haviam criado uma conexão própria, na qual eu nunca conseguiria penetrar.
— Cara, desculpa — Dallas abriu a porta, de mãos dadas com . Idiota — eu exagerei. Conta comigo.
— Obrigada, Alexander — ergui a garrafa da cerveja num brinde imaginario — você me surpreende
— Sabe o que me surpreende? — me empurrava ate a cozinha pelos ombros — os waffles que eu fiz
— Eca – reclamei
— E as panquecas, chato – ela riu, me dando um pedala.



(***)


— Cheguei com a comida — Cam bateu a porta, acordando Viola
— Demorou, Dallas — reclamou.
— Foi a fila — ele se desculpou — e você, Mendes, que cara é essa?
— De fome — retruquei — vou chamar a Aaliyah, as mulheres acabaram pegando no sono.
— O Shawn ta melhor? — ouvi meu amigo perguntar, preocupado
— Ele vai ficar — sorriu para Cam de um jeito fofo, pegando a bebe.
— Sei — ele retribuiu roubando Vi da
— Dá minha filha, seu trouxa — ela riu — você nem sabe pegar ela, olha ai, Cameron! PEGA DIREITO ESSA CRIANÇA — ela ria da situação de Cam, me contagiando com o riso
— Deixa eu tentar ao menos — Cam virou para que não tirasse a bebê dele — você é muito chata.

— Vamos comer? – Interrompi a briga, empurrando todos para a ilha da cozinha.
Por incrível que pareça o almoço foi calmo. Não houveram brigas e logo todo mundo tinha ido para a sala assistir o DVD do John Mayer que eu havia colocado para tocar. Aaliyah dormia na cama do quarto de hóspedes e Cameron estava estirado no sofá de dois lugares. resolveu deitar do meu lado, abraçada na minha perna e havia mudado de posição. No mínimo umas 20 vezes. Cam teve a brilhante ideia de encontrar nosso ex empresário da MagCon para ajudar com tudo, e estávamos esperando ele chegar.

— O Rhodes vai chegar logo? — abracei que quase caia do sofá enquanto dormia
— Ele disse que daqui uma meia hora chega — Cam mordia os lábios, olhando de canto de olho para nós dois no sofá
— Já falei que esse ciume é doentio?
— Que? — Ele riu debochado, olhando para o celular novamente — já ouviu falar em preocupação?
— Tanto faz — coloquei deitada em uma almofada — você precisa aceitar que gosta dela, Cam
— Eu não gosto — Cam riu amarelo — é grossa, e me cortava cada vez que dava em cima dela. E você vive sendo todo 'oh ' com ela — ele me imitou erguendo as mãos — fica difícil ela me notar quando passa todo tempo com você
— Eu queria alguém de confiança — comentei dando de ombros — eu não sou quem você deve considerar ameaça já que joga contra você mesmo, não?!
— Tanto faz — Dallas revirou os olhos
— Quer agir assim? Ok — peguei no colo, levando a para o quarto — só que eu não vou deixar de ser amigo dela. E nem ela minha. Você pode jogar no nosso time ou ficar ai
— Deixa que eu levo ela — ele tentou tomar minha amiga dos meus braços
— Me chama quando o Rhodes chegar — ergui que se aconchegou em meu ombro e Dallas bufou. Adorava fazer isso com ele. Cameron era duro na queda e não admitia estar na da . Para mim não era problemas, mas ele jurava que eu dava em cima dela. E isso era um modo de tentar fazê-lo compreender seus sentimentos e aceitá-los. Deitei na minha cama que teimava para dormir. No banho pude a ouvir falar sozinha. O lance com o dela devia ter sido serio pela agitação e a luta contra o sono. Ela ainda se mexia quando fui pegar uma calça no closet.
— Shawn? — Ela me procurou assustada
— Oi — apareci na porta do closet e ela sorriu
— Você está bem? — riu vendo que eu coloquei a camisa do avesso
— Só confuso — desdenhei da situação
— Vem aqui — ela me abraçou e me fez um cafuné. — Tenta relaxar, eu vou dar um jeito de nada disso atrapalhar você, prometo.
— É fácil pra você — debochei
— Pra quem lotou o MSG você é muito medroso — senti depositar um beijo em minha bochecha, e fechei os olhos tentando memorizar a cena
— Rhodes chegou — Cam bateu na porta e entrou, se atirando em cima de nós
— Vou atender a porta — sai rapidamente dali, e pegando Viola no colo — hey Rhodes!
— Shawn! — Ele abriu um sorriso assim que me viu — quanto tempo.
— Bastante, não?! — Abracei — o com cuidado por causa da bebê e ele olhou sério
— Sério mesmo? — Rhodes brincou — você para de trabalhar comigo e ja arruma confusão?
— Nem todo mundo tem a sorte de trabalhar com você — fingi desapontamento e ele riu.
— Me diz que você trouxe boas notícias — Cam e meu ex empresário deram um aperto de mão e Rhodes riu nervoso
— Isso é verdade? — Ele parecia perplexo — e agora???
— Bom ... — ergueu as mãos — diga você. Nós não sabemos nem por onde começar
— Tudo bem — Rhodes respirava fundo tentando se acalmar — acho bom vocês abrirem essas boquinhas para me contar tudo, nao?! Graças a Deus alguém estava do nosso lado, e eu sabia que podia confiar no Rhodes. Depois de alguns minutos explicando tudo para ele, parecia que uma ideia tinha surgido dentro da ideia do Mark, e eu havia ficado toneladas mais leve.
— Para começo de conversa, pequeno Shawn, você não pode assumir a Viola agora — ele começou analisando a situação — você sabe como são as fãs e vocês todos aqui são formadores de opinião. Seria sensato alguém assumir, e eu diria a . De longe ela tem uma história com várias lacunas. Trabalhou com moda, foi pra África, poucas fotos de corpo inteiro... — ele continuou — se a topar, duvido que alguém pergunte algo
— Isso ia ser insano — Cam riu, fitando Rhodes — Rhodes você bebeu?
— Eu estou sacando — se pronunciou — o que ele quis dizer é sobre o merchan do Shawn. Ia ser péssimo. A Viola passou o inverno todo na barriga, e eu trabalhando em estudio, viajando. Não apareço em shows do Shawn a uns 3 meses quase
— E a pergunta é, se vocês acham que dão conta — ele riu — todo mundo vai cair nessa da ser mãe. E você ainda seria pai.
— Eu não vou deixar você mandar essa carreira ralo a baixo — ela deu de ombros
— Ok — concordei — mas você ainda vai ter que falar com o brutamontes
— Ameaça demitir ele, eu ia amar — bateu palmas.
— Está chamando — entreguei o telefone para Rhodes, que me puxou para a cozinha.

— Então?! — Ali me cutucou, tirando do transe
— Deu QUASE tudo certo — respirei fundo, liberando tensão que tomava conta do meu corpo — mas a precisa adotar a Viola
— Não vou arredar nessa — fez pouco caso, dando mamadeira para Viola
— Acho que vocês vão conseguir isso, Canadá — Rhodes sorriu largo — confio em você. Agora, Cam...você é outro caso.
— Oh ok — Cameron abriu a porta do escritório, guiando Rhodes até lá.

(***)

— Vocês sabem que precisam comprar as coisas pra ela, certo? — Minha irmã comia uma yakisoba, e nos olhava com os olhos brilhando
— Droga, verdade — resmunguei — hoje?
— Amanhã — ela respondeu irônica
— Você pode ir? — me virei para
— Se depois nós duas formos embora — ela chantageou
— No caminho a gente conversa — me despedi de Aaliyah, que logo bufou.
— Isso vai dar certo? — perguntou em voz alta
— Precisa dar — abracei — a sem jeito, e senti seu corpo relaxar. — obrigada por tudo,
— VOCÊS merecem isso. E por favor, promete que vai me impedir de comprar toda a loja — brincou, apertando minha cintura de leve. O caminho foi rápido. Escolhemos um shopping no caminho, sem muita gente. encontrou alguns fãs no caminho, enquanto eu ficava atrás. Ter um bebê é legal. Mas se você tem uma menina, isso se torna um problema.
— Shawn, ela não pode ter tudo preto — gargalhou ao ver algumas roupinhas que eu tinha escolhido — pega algo colorido
— Eu não tenho a mínima idéia de onde começar — admiti com um sorriso fraco
— Oh Shawn — ela me entregou Viola, que chupava a mãozinha fechada — vou ver com a minha mãe, espera.
, não — implorei para ela, mas ouvi o alô do outro lado da linha.
— Mãe, me diz — começou a conversa sem rodeios — o que um bebê recém-nascido precisa vestir?
— O que a aprontou dessa vez? — Marion riu gostoso — precisa de bodys, uns tiptops, calças, blusas e também meia. Por que?
— Anotou, idiota? — Minha amiga perguntou, bocejando, e eu fiz que sim — quanto de cada um?
— Uns 10 bodys, 10 conjuntos e o resto você ve — a mãe de respondeu entediada — pede ajuda pra alguma vendedora, filha. Até para mim compro roupa errada, imagina para outra pessoa.
— Valeu, mãe — agradeceu desligando o aparelho. — Acho que nem é tanta coisa. Só precisamos de tudo.
— Engraçadinha — debochei
— Mendes, deixa de ser chato — ela riu — eu to realizando um sonho aqui, ok?!
— Ok — revirei os olhos, concordando — só não gasta muito nesse sonho
— Argh — grunhiu, indo para a parte de recém nascidos. Pegamos algumas coisas, e esperamos Cam e Ali chegarem. Graças a Deus não demorou muito.
— Já compraram alguma coisa? — Cameron olhava as roupinhas e passava para Aaliyah olhar também.
— Só roupinhas e essa manta — despejei cansado
— Certo — ele esfregou as mãos nos jeans— vou comprar o bebê conforto. Que cor?
Roxo e eu respondemos juntos, rindo logo em seguida.
— Acho que ela poderia ficar comigo, se você quiser — ela comentou em uma voz baixa, quase inaudível — não dá para ficar indo e voltando sabe? Você pode ficar lá no apartamento quanto tempo quiser
— Dá para gente só terminar o dia de hoje? — implorei
— Ok — me encarava sorrindo — você é um pai gato, sabia?
— Eu ouvi a flertando com você ou era impressão minha? — Cam gargalhou, chegando perto com um bebê conforto em mãos
— Eu não posso nem brincar? se defendeu
— E eu, não posso? — Ele devolveu com um sorriso no rosto, colocando Viola no bebê conforto — Pronto, agora a princesa tem uma carruagem. Chique, huh?
— Foco, povo, o que falta? — Ali estalava os dedos.
— Farmácia, berço, toalhas e bico – checou uma lista no bloco de notas — eu vou pegar o resto das coisas e um carrinho. Vocês podem pegar o berço?
— Tranquilo — dei um beijo nas duas e peguei o bebê conforto.
— Está querendo morrer, docinho? — ela riu entredentes — devolve minha filha
— Chata — debochei no ouvido de , que me deu um beijo no canto da boca, indo em direção à loja de roupas infantis.
— Só para constar — Ouvi Cam comentar num tom sério — eu estou anotando toda essa palhaçada no caderninho dos vacilos. Ficamos um bom tempo nas lojas de móveis procurando um berço de fácil montagem. Quando achamos um que balançava, desisti de procurar outros. e Aaliyah andavam de um lado para outro do shopping. Demoraram muito mais tempo. tinha até uns ursinhos de pelúcia pendendo num carrinho de bebê, também roxo como o bebê conforto.
— Prontas? — Cam perguntou ajudando a sentar.
— Já — ela bufou, exaurida — eu comprei roupinhas de cama e uns ursinhos, toalhinhas também. É muita coisa. Acharam um berço?
— Graças a Deus, sim — respondi pegando o carrinho e colocando o rayban — vamos nessa?
— Por favor — Ali agradeceu, tirando as sapatilhas.
— Er, então — minha amiga parecia nervosa — não é que eu queira te chutar, Cam, mas a gente tem muito trabalho ainda. Obrigada por vir.
— De nada — Cam sorriu e deu outro beijo no canto da boca de — vocês se viram?
— Total — minha irmã empurrou Cam para seu carro — valeu Dallas, tchau.
— Alguém já disse que você é tão grossa quanto seu irmão?

— Já, e adivinha? Eu não ligo — ela riu mandando o dedo do meio antes de entrar no carro. — Você dirige, Mendes? — perguntou entrando no lado do passageiro
— Eu queria ir cuidando a Vi — pedi
— Ok — ela respondeu calma — agora que nos livramos do Cam, que tal uma pizza lá em casa?
— Eu posso ficar lá, se você quiser — coloquei o cinto, e ela concordou — só vou precisar de umas roupas
— Põe na máquina — ela deu de ombros, ligando o carro. Dirigimos quase em silêncio, a não ser pela rádio que ecoava um country pela BMW. abriu a porta do ap sem entender, mas como sempre, amigável.
, sua mãe ligou umas trinta vezes pra mim — ela riu — acho que tinha a ver com a bebê
— Você respondeu? — abraçou a amiga e deu um beijo
— Falei que não sabia de nada — deu de ombros — todas as vezes. Eu vou avisar ela que você está em casa
— Tá bom — ela riu — Ahn, eu vou pedir as pizzas e você quer instalar o berço?
— Ok — puxei a caixa com o berço desmontado para o quarto dela. e ficaram conversando na sala, enquanto Aaliyah me ajudava na montagem.
— Hey tampinha — chamei a atenção da minha irmã, que babava na sobrinha
— Que? — Ela protestou, virando para mim
— Obrigada pela ajuda — sorri dando um beijo nela, que logo se abraçou em mim — eu amo você.
— Também amo você, grandão — ela sorriu — eu vou dar a mamadeira dela.
— Ok tia — ri dela, que saiu com Vi enrolada na mantinha, toda adulta.

(***)


— Tudo pronto — desabei no sofá, todo suado
— Tira essa camisa, Shawn — me levantou, tirando a camisa igual mãe e secando meu suor — vai acabar ficando doente
— Eu vou tomar um banho daqui a pouco — fiz careta
— Eu ja pedi a pizza, acho bom tomar banho agora — ela bronqueou — vai ser mata mata, querido. Basbaquear, fora!
— Argh, ok — rosnei levantando do sofá. alcançou a toalha e esperou alcançar as roupas pra colocar na secadora. Pude ouvir Viola chorar várias vezes, o que me fazia sair do box e perguntar se ela estava bem. Quando saí do banho as pizzas tinham chegado e trocava a bebê. Depois de comer acabamos assistindo Harry Potter e peguei no sono. Acordei com embalando Viola, e sentei.
— Te acordei? — mordeu os lábios, largando a bebê no carrinho.
— Não, acordei no susto mesmo — bocejei
— Vem cá — Ela me pegou pelas mãos, com uma voz de sono, me guiando até a cama — tenta dormir, tá bom? — me cobriu e deu um beijo, desligando a luz na cabeceira da cama — você já teve emoções demais por hoje.


Maybe you shouldn't come back


OUTSIDER POV

"Noticia super fofa para as fãs da MagCon. A ex-fotógrafa do grupo, é mãe! Segundo algumas fontes próximas a it girl ela está muito feliz com a chegada da bebê e por enquanto, prefere manter a identidade do pai em segredo. Quem será a sortudo? Fique atento a novas notícias"

Peter lia a matéria com um sorriso de lado e bebericou um pouco de seu café. O médico adentrou seu quarto com os resultados do seu exame e sorriu fraco para o senhor de jaleco branco. Ele já sabia que não seriam boas notícias, embora seu otimismo estivesse bem alto. De uns tempos para cá, se sentia muito mal, cansado e nem sempre fazia esforço, começou a suspeitar quando sentia dores fortes de cabeça seguida de tonturas e alguns enjoos, foi então que decidiu procurar um médico. Greg, o senhor de jaleco puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de sua maçã, cruzando os braços.
— Vai ser uma notícia ruim, não é? — Peter perguntava sem emoção em sua voz, encarando a parede branca. O médico apenas suspirou e assentiu, confirmando. Ele meneou a cabeça, chateado.
— Peter, você sabe que todos esses meses em que você esteve aqui, tentamos de tudo. Inclusive aquele tratamento novo que mais tirou sua energia do que renovou. Eu, além de médico, sou seu amigo e o que te digo agora é para ser levado a sério.
Peter encarou o senhor, franzindo o cenho. O que ele queria dizer com aquilo?
— Você não está insinuando que tenho alguns meses, está? — Peter perguntou, receoso com a resposta. O médico apenas comprimiu os lábios — O que eu vou fazer? Quanto tempo tenho?
— Você tem no máximo... — Greg checava algo em sua prancheta — 7 meses. Sabe que essas estimativas não servem para muita coisa...
Peter esfregou as mãos no rosto, ignorando a fisgada que sentira por conta do soro em sua mão esquerda. Sentiu seus olhos queimarem, pediu para o médico deixá-lo sozinho com seus pensamentos. Mordeu o lábio inferior. Jogou o lençol de lado, ajeitou sua camisola hospitalar e caminhou junto ao soro para a janela daquele lugar. Encarou Los Angeles, sentindo um nó em sua garganta.
A quem ele recorreria agora? Ele não mantinha um bom relacionamento com sua mãe e fora criado pela avó. Ela já havia feito muito por ele. Sorriu ao se lembrar da época em que era apenas um garoto com sonhos grandes e sua mãe raramente o apoiava. Dizia que jamais ele alcançaria o sucesso se continuasse vivendo debaixo de sua saia. A maior parte do tempo, ela passava noites fora e dificilmente voltava. A figura materna sempre presente era sua vó, que essa sim o apoiava, ajudava em suas quedas, estava ali para ele, não importava o tempo. Uma vez, ele decidiu que queria ser ator e entrou para o grupo de teatro de sua escola. Sua mãe fez pouco caso, já dona Jenny, sua querida avó, o encorajou da melhor maneira, convencendo o garoto a participar de sua primeira peça. Ele ficou tão empenhado que sua vó iria prestigiá-lo na estreia, que conseguiu o papel principal. Aquilo a encheu de orgulho.
Seu celular apitou uma, duas, quatro vezes, fazendo-o despertar de seus devaneios e verificar quem era a pessoa impaciente e dos dedos nervosos. Assim que desbloqueou a tela sorriu ao ver que eram mensagens de seus alunos da sua aula de literatura. Apesar dos 23 anos, era considerado um dos melhores professores de literatura do colégio onde lecionava, todos o adoravam. Como contar para todos que lhe restavam alguns meses de vida e ver aquelas faces sorridentes, murcharem com a sua notícia? Era doloroso demais para ele. Não teria coragem suficiente para gritar em voz alta que morreria.
Seus pensamentos voavam em sua cabeça. Haviam tantas coisas para se fazer e falar, que precisava agir rápido e com cautela. Porém, tudo isso possuía uma única companhia: ela. Era ela que ocupava a maior parte de seus pensamentos e ocupava um lugar muito especial em seu coração. Sorriu involuntariamente ao lembrar-se de seu sorriso, seu jeito marrento e sua especialidade na cozinha.
— Peter, o que você acha de receb... — Greg entrou novamente em seu aposento, mexendo em alguns papéis, fazendo com que Peter desse um pequeno pulo de susto – O que está fazendo fora da cama? Eu disse repouso, Peter! – O médico disse um pouco nervoso.

Depois de algumas horinhas e finalizar a bolsa de soro, Peter assinou os papeis para a sua liberdade, deu um grande abraço em Greg. O médico enfiou as mãos nos bolsos de seu jaleco branco e caminhou seu ex-paciente, até a porta.
— Meu garoto, se cuide. E qualquer coisa estarei aqui — Greg apertou de leve os ombros do rapaz, que sorriu fraco.
— Obrigada por tudo, de verdade. Obrigada pelo tempo, pela paciência em ouvir meus choros, meus ataques de raiva. Além de médico, você se tornou um pai para mim — Peter sentiu seus olhares começarem a queimar e engoliu em seco.

***


tomava o seu chá gelado e na outra mão, usava seu celular. Caminha confiante pela Rodeo Drive, onde adorava passear antes de voltar para a empresa. Amava ver as vitrines caríssimas e sonhar em comprar alguma roupa, nem que fosse apenas uma blusa. O sol com sua luz radiante, transforma aquele lugar tão fotogênico que ela logo sacou seu celular e fez uma foto linda, em seguida postando. Demorou alguns minutos até que precisou voltar ao trabalho, colocou seus óculos de sol.
Ao chegar em seu trabalho, verificou que já havia mais e mais trabalhos. Trabalhava numa produtora de filmes e era responsável por revisar os roteiros que chegavam de alguns diretores e escolher qual o melhor. Adorava seu trabalho e o fazia com o maior prazer, embora sua mãe fosse contra ela trabalhar numa produtora. Espreguiçou-se na cadeira, se ajeitou e começou a revisá-los, um por um. Tudo ficava mais fácil quando colocava alguma música para tocar em seus ouvidos, ou melhor, da artista favorita: Pink. De vez em quando, dublava alguma música, batia de leve o pé ou chacoalhava a cabeça conforme o ritmo.
Sua música parou e voltou ao receber uma mensagem de um número desconhecido. Franziu o cenho. Olhou de relance para o relógio e já eram: 17:00, todas as vezes que entrava de cabeça em um roteiro, a hora passava voando. Alguns colegas já guardavam suas coisas, prontos para irem embora e se despediam de . Ela ainda demorou alguns minutos arrumando suas coisas, até que seu celular tocou e era aquele número novamente.
— Alô? — Respondeu receosa, afinal, todos que ligavam para ela, tinha o contato salvo.
? — Seu coração parou de bater assim que ouviu a voz. Não pode ser.
— Pete? — Uma risada anasalada soou do outro lado da linha e sorriu.
Em carne e osso.... Ou melhor, em voz. Ah, você entendeu — ela colocou a mão na boca, ainda desacreditada, perguntou onde ele estava — Eu estou indo para o meu apartamento novo, mas antes podemos nos encontrar o que acha?
— Claro, me encontra no Mauro’s? — perguntou animada, arrumando suas coisas para ir ao encontro do seu amigo. Peter logo confirmou e foi se arrumar. Faziam alguns anos que eles não se falavam ou até mesmo se encontravam. Peter sempre esteve ocupado com o trabalho e ela também. Principalmente quando chegavam roteiros de diretores amadores querendo entrar na indústria cinematográfica, o escritório ficava uma loucura.


Ela chegou primeiro ao restaurante e logo pediu uma mesa para dois, por estar calor optou por sentar nas mesas que ficavam na calçada e recebiam um ar fresco. Sorriu para o garçom assim que pediu seu suco. Batucava sem parar os dedos na mesa. O nervosismo era evidente para quem mirasse os olhos de . Oras, ela estava certa. Há um ano eles não se viam ou trocavam alguma palavra. Como ele está? E se mudou? E se ficou chato? Casou e possui filhos? Por deus, esses pensamentos dançavam em sua cabeça sem parar. Ela chacoalhou de leve a cabeça e o garçom que a recebera, entrou seu suco. Tomou um grande gole se refrescando.
— Esse lugar está vago, moça? — tirou seus olhos do celular e verificou o dono da voz. Ela foi abrindo um imenso sorriso e correu para abraça-lo. E ele era real!
— Caramba, que saudades! — Ela inalou seu cheiro adocicado e sorriu mais ainda. Separou-se do abraço, medindo Peter das cabeças aos pés. Estava com os cabelos raspados e um pouco mais magro, porém, continuava lindo.
— Você e esses seus abraços reconfortantes — Ele beijou sua testa e ela continuava sorrindo. Era praticamente impossível de acreditar que estavam ali, no mesmo restaurante onde tiveram a primeira conversa. Fizeram seus pedidos e sorriu com o rapaz a sua frente.
— Me conta, o que está fazendo aqui em Los Angeles? Cansou da cidade que nunca dorme? — perguntou curiosa, apoiando a cabeça em sua mão esquerda.
Peter encarou os olhos castanhos de sua amiga por alguns minutos. sempre fora a garota dos sorrisos fáceis, não importava a sua situação, nem se estivesse com problemas, ela preferia abrir o seu sorriso e dizer que tudo estava bem, só para não ter que preocupar os amigos. Isso já era fato consumado sobre ela. E ele estaria contando algo tão forte, tão pessoal e ao mesmo tempo triste. Você deve estar se perguntando: qual a sensação de ver tudo pela última vez? É angustiante e perturbadora demais. E se o dia de sua amiga tivesse sido tão legal e proveitoso e ele jogar um balde de agua fria dizendo o real motivo de sua volta?
— Eu não sei por onde começar, por que não me conta como foi seu dia? — Peter engoliu em seco. riu do nervosismo do amigo. Pegou em sua mão e a apertou forte, passando um pouco de coragem – Ei, um tabloide falou sobre a ) ser mãe.
— Sim. Pete, você precisa ver, ela é linda. Sorrindo então! — disse suspirando ao se lembrar dos sorrisos banguelas da garotinha, Peter riu de sua cara e ela logo mandou língua — Antes de você perguntar, ) está bem e ela sente saudades sua até hoje.
— Eu também sinto bastante a falta dela. Não deveria ter feito aquilo com ela em nossa viagem à África. , eu preciso te contar uma coisa e por favor, é segredo por enquanto, tudo bem?
franziu o cenho curiosa com a mudança de humor repentino do amigo. E dessa vez parecia bem grave.
— Claro, minha boca é um tumulo.
— Eu estou com câncer. Em estado terminal. — Peter disparou e logo o garçom chegou com seus pedidos.
Silêncio. A única palavra que descrevia o que acontecia entre os dois. Os únicos sons presentes eram os burburinhos dos clientes, talheres aos pratos ou algum garçom fofocando com outro. Câncer? Não tem cura? encarava sua comida, mordendo freneticamente seu lábio. Levou as costas da mão. Ela estava sem reação! E não era para menos.
— Diz alguma coisa — Peter passou as mãos em seu cabelo, com os olhos verdes fixos nela.
— Eu... eu não sei o que dizer. Você descobriu faz tempo?
— Há exatamente dois anos. Em Nova Iorque os médicos não deram muita importância. Começou com uma dor de cabeça, mas eu achei que era sobrecarga do trabalho. Quando fizeram alguns exames, descobriram esse tumor e os médicos disseram que com uma quimioterapia sumiria em menos de meses. Não adiantou, ele continuou intacto e mais forte. Foi então que uma colega recomendou o Dr. Greg e ele trabalha aqui em LA e resolvi...voltar. Larguei tudo. Tudo, . E fiquei sabendo hoje que tenho 7 meses de vida.
engoliu em seco, encarando o céu para suas lágrimas não saírem dançando em seu rosto. Esfregou as mãos no rosto. Não havia uma posição que ficasse que seria confortável o suficiente para ouvir aquela conversa. Finalizou seu suco em um gole. Empurrou seu prato um pouco para frente, sua fome já tinha ido embora há muito tempo.
— Certo. Você voltou para o seu antigo apartamento? — perguntou sorrindo fraco. Peter concordou, bebendo sua agua — O que pretende fazer?
— Bom, esse é o propósito do meu encontro com você. Eu tenho algo para te dizer — Ele sorriu de lado, fitando com seus olhos verdes.
Meu deus, será que é agora... será que ele vai...
— Eu quero realizar alguns sonhos da ) — Ele murchou, como se a ideia fosse idiota até mesmo para qualquer livro digno do Nicholas Sparks.
O que?
— Ah! — exclamou e todos os seus pensamentos foram embora. Peter resmungou que sabia que era uma ideia ruim –—Não, não é. Ela vai adorar saber disso. Até porque, você sabe que a cada hora ela tem mais sonhos — Eles riram — Mas ela anda trabalhando muito, ocupada com a bebê.
— Você podia ajudar... somos amigos, não é? — Peter pegou em sua mão e ficou alguns minutos sorrindo com aquele gesto.
— Eu não sei... tem muita coisa em jogo — Ela hesitou por uns instantes — Para que tudo isso?
— Porque meu sonho é apenas fazer ) sorrir de novo.
— Peter, mas não é justo! Você devia pens...
Ele a cortou.
— Pensar mais em mim? — Ele riu irônico — Achei que você seria diferente dos outros que ouviram sobre isso. Mas não. Afinal , você sabe o que é gostar de uma pessoa que não sabe dos seus sentimentos e você irá tentar de tudo para ver um sorriso em seu rosto? – ia responder, porém, ele foi mais rápido – Acredito que não. Tudo bem, não preciso da sua ajuda. Aqui — Ele depositou dinheiro na mesa e levantou-se. Alguns clientes curiosos lançavam olhares para a mesa deles, a fim de entender o que se passava. encarou seu amigo indo embora, sem saber o que fazer. Queria gritar para ele voltar. Mordeu o lábio olhando agora a cadeira vazia em sua frente.
— Sim, Peter, eu sei como é — Ela disse baixinha para si mesma.



You should've thought twice before you let it all go


POV

— Você vai ficar aí o dia inteiro? — Josiah riu ao me ver parada em frente ao computador.
— Acho que sim — Me virei para ele – sério, eu não sei o que to fazendo aqui. Eu sou um desastre.
— Com certeza — Ele debochou — Qual o problema?
— Essas fotos da turnê, quem tira? — Reclamei — são horríveis!
— Eu tiro – Josiah me olhou com cara de nojo — Agora você me magoou.
— A qualidade manda oi — Sorri amarelo para ele.
— Não são tão ruins — Ele fez pouco caso — Mas eu sei qual a sensação. Quando pegava as suas também me sentia assim. Pena que você não está em todos os shows.
— A vida exige sacrifícios, não é mesmo? — Continuei a selecionar as fotos, com um pirulito na boca.
— Ser mãe exige — Meu colega me corrigiu, puxando a cadeira para o meu lado — É sobre ser menos pessimista. Essas fotos tão horríveis por que não são você que tirou. Aliás, você ficou com a tour aqui nos EUA, devia ficar feliz também. Andrew aposta em você, e aquele tal de Rhodes também.
— Menos o Mark — Fiz careta, e Josiah pegou minha mesa digitalizadora
— Esse contraste está péssimo mesmo. Essas fotos não são minhas — Josiah se defendeu — Deve ser um cara que trabalha para mim.
— Cadê o flash nisso? — Apontei para a foto granulada batendo na tela do computador — isso não é bagunça. Não dá para trabalhar assim.
— Você está ficando igual eles, pega leve loirinha — Ele sorriu despreocupado — Isso não é o fim do mundo
— É — retruquei — Eu trabalho com o pessoal da publicidade, você é o fotográfo. Eu sou o Cérebro, você é o Pinky. Preciso falar que eu te entregava coisa com qualidade, e quero receber assim? Isso é showbizz, se a gente ferrar numa vez, colocam a gente para fora, e que eu lembre, você só está aqui para ter registro bem feito. E NÃO ESTÁ PARECENDO BEM FEITO PARA MIM — Me exasperei.
— Dá para baixar o volume? — Andrew abriu a porta, sério — O que foi dessa vez?
— Preciso de gente boa junto na linha de produção — Meneei a cabeça mostrando as fotos — Alguém especializado em shows, além do Josiah. Ou eu vou para a linha de frente. Não dá mais.
, já falamos sobre a linha de frente — O agente do Shawn falou baixinho, entrando — Você é fotógrafa também. Eu não posso colocar isso na mão de quem ele não confia. Até por isso coloquei o Brian na equipe. Você está sendo ótima, mas não pede tanto. Essa turnê está enlouquecendo todo mundo.
— Josiah, você é ótimo — tamborilei meus dedos na mesa – Mas eu estou acostumada com outro nível. E esse nível é o que eu quero manter aqui.
— Que eu saiba você não trabalha mais de fotografa do Shawn — Josiah debochou
— É — Andrew assistia a briga, de braços cruzados.
— Fica quieto — tapei a boca dele — As outras fotos são ótimas, mas você precisa de um flash. E eu assumo os shows e meet & greet daqui.
— Ok – Andrew riu — O que dá para fazer?
— Eu pensei em Josiah ficar com a documentação e produção — Expliquei e os dois fizeram cara de ‘hun?’ — Ou seja, Josiah está ótimo no trabalho dele, mas precisamos que ele fique nisso. Eu lido com os eventos.
— Com a Viola? — Meu colega parecia assustado — Eu posso cobrir.
— Relaxa — Ergui as mãos — Só quero bem feito. Próximo show, qual é?
— Portland — Ouvi o agente de Shawn checar — Posso te colocar lá?
— Por favor — Apertei os ombros dele — E demitam esse freelancer do Josiah, para ontem.
— Alias, queria falar com você sobre o Shawn — Andrew me mostrou uma salinha.
— Eu volto daqui a pouco — Fechei a porta, acompanhando o Andy.
— Vou ser bem rápido ok? — Ele começou — a parte I da turnê foi ótima, mas você acha que ele consegue a parte II? Shawn anda meio distante.
— Consegue — Confirmei — Ele só precisa descansar. Não é nada demais.
— Posso confiar em você? — Aquilo caiu como um míssil nos meus ouvidos. Eu estava acobertando o fato dele ter uma filha. Não só isso como também me afeiçoando a ela e criando a neném como minha. Não, não podia. Mas agora precisava.
— Pode — Dei dois passos para fora do escritório minúsculo — Eu vou fazer o meu melhor.
— Quem cria um, cria dois — Ele brincou, piscando — Nem diz para o Mendes que eu falei isso. Eu vou nessa antes que o Mark apareça aqui.
— Nem fala — Revirei os olhos, voltando para a sala.
— Hey — Josiah chamou minha atenção, num tom de voz ameno — Você pode conversar?
— Posso.
— Desculpa se eu ando mais para Cérebro do que Pinky — Ele riu pelo nariz, me fazendo rir também — Mas eu não tenho a experiência de corporação que você tem.
— Eu sei — Respondi coçando os olhos — Pensei em definirmos um roteiro. Desculpa.
— Foi culpa minha — Josiah pegou um bloquinho de papel e uma caneta — o que você precisa?
Respirei fundo e comecei a explicar. A fotografia precisava ser cotidiana. Qualidade máxima.
— Começamos assim — Me espreguicei — O que você faz é foto jornalismo. Cartier Bresson, diria que ‘’fotografar, é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração’’, ou seja. Você sente?
— Sinto — Ele concordou, com o olhar parado em mim.
— Então tenta transmitir para quem não viu. Deixa eles sentirem através das fotos —Gesticulei e ele riu — está tirando sarro?
— Não — Josiah gargalhou — Você fica séria falando de fotografia.
— Eu vivo para isso, não me enche — Revirei os olhos, fazendo sinal para que ele fechasse a boca — Tenta estudar Cartier. Eu amo o trabalho dele, e me abriu os olhos para a vida. Deve funcionar com você também.
— Ok.
— Agora —Abri o google e mandei alguns links para ele.

***

Alguns trovões ressoavam ao longe, junto com More than Letters, que tinha colocado para tocar. Depois de passar um bom tempo mostrando e dando umas dicas de fotojornalismo para Josiah, resolvi pegar um café, quando Brenda bateu na porta.
, tem alguém esperando por você — Ela sorriu — Acho que você deve conhecer.
— Quem? — Josiah perguntou, indo até a porta e tentando olhar para fora, sem sucesso.
— Peter – Brenda leu num papel — Eu posso mandar entrar?
— Peter Lambert? — Me assustei.
— É — Ela assentiu, esperando minha aprovação.
— Manda entrar — Concordei, ainda estranhando.
— Quem é? — Os dois insistiram.
— Diz que ele pode entrar sim – falei para Brenda, ignorando a curiosidade — E você, Josiah, acho que está liberado por hoje.
— Não, não estou — Ele riu.
— Eu liberei, pode ir — Murmurei, roendo as unhas — Pode deixar ele entrar, eu vou pegar um café.
Andei em passos longos até a cafeteira no canto da sala quando a porta abriu devagar. Um perfume familiar invadiu o ambiente, fazendo meu coração acelerar.
— Oi? — Peter chamou minha atenção, enquanto eu olhava para fora da janela.
— Pete, meu Deus — Dei um gritinho afetado. Ele logo correu me abraçar, passando os braços em minha cintura com um sorriso enorme.
— Deve ser estranho eu aparecer aqui — Ele me ergueu no colo e eu segurava no pescoço dele, sem querer soltar — Desculpa.
— Não precisa pedir desculpas — Protestei, encostando minha cabeça no ombro dele. Ambos ficamos alguns minutos parados, sentindo o cheiro um do outro e matando a saudade. Peter me segurava cada vez mais forte. — Eu não aguentava de saudade de você.
— Nem eu — Peter sorriu me descendo do colo. — Faz tempo, não?!
— Sete meses — Respondi olhando fixo para ele e percebi que havia um pouco de culpa. Peter era sensível o suficiente para culpar por ter pisado até em uma formiga. —Sim, eu contei os dias.
— Nossa — Ele parecia surpreso — Me perdoa, eu não pude nem ficar com você lá.
— Não se preocupa — Retruquei saindo do abraço, passando a mão no peito dele. Não pude deixar de notar que o colar que dei antes dele ir para África estava lá e esboçar um sorriso por dentro. Era como se meu coração se aquecesse um pouco — É tudo uma questão de prioridade. Ninguém é tão ocupado assim. Eu vou parar de insistir.
— Insistir? – Pete ironizou – esquece. Eu nem sei por que vim ver você. Ainda mais nesse uniforme ridículo.
— Você fica uma gracinha nele, para de reclamar — Gargalhei e ele me olhou bravo, sentado no sofá — Eu não tenho medo de cara feia, Peter Lambert. Cara feia para mim é fome.
— Sério que eu venho de outro continente para você me desarmar em menos de 3 minutos de conversa? — Ele riu gostoso.
— Muito sério – fingi seriedade e ele riu mais ainda — Mas sem brincadeiras, o que você veio fazer aqui?
— Vim terminar o mestrado na UCLA — Peter me arrumou no sofá de modo que minhas pernas ficassem no colo dele — E dar aula numa escola aí.
— Wow — Sorri orgulhosa — Literatura?
— Sim — Peter concordou com um sorriso aberto.
— Sabe, eu tenho um orgulho enorme de você.
Olhei para Peter que respondia algo no telefone distraído.
— O que foi? — Ele me encarou rindo
— Senti saudade de você, só isso — Beijei a bochecha dele, que me abraçou pela cintura
— Eu também, muita — Meu ex namorado sorriu para mim
— Para de fazer isso — Reclamei rolando os olhos
— Isso o que? — Pete perguntou
— Me larga seu frouxo — dei uns tapas nos braços dele que estavam morenos devido à exposição ao sol — eu tenho que ir embora, Pete. Me solta, para.
— Só se eu for junto — Ele chantageou.
— Pode ir — Concordei sem ânimo algum e ele me soltou — Mas não garanto que a gente consiga conversar.

POV

Meu dia estava sendo uma merda. Uma completa merda. Já faziam algumas semanas que eu e não nos falávamos como antes, não saíamos como antes e nem realizávamos mais o dia dos filmes. Eu amava quando fazíamos o dia dos filmes, sempre escolhíamos algum filme bem trash e antigo, assistíamos e ao mesmo tempo tirávamos sarro dos efeitos especiais. Sorri ao se lembrar disso.
— O que tanto você pensa? — Vanessa, minha amiga de trabalho perguntou apoiada na beira da baia que nos dividia.
— Apenas pensando nesse roteiro que tem mais erros que qualquer coisa — Sorri fraco voltando meu olhar para o maçante bolo de papel a minha mesa. É, lá vamos nós novamente ocupar a cabeça.
— O pessoal quer ir num bar depois do expediente, vamos? — Abri a boca para recusar, porém, Van foi mais rápida — Chega de desculpas , você já usou tantas. Poxa, só umas bebidas. O que custa?
— Meu salário? — Brinquei, tirando uma risada anasalada de Van. Guardei meus pertences em minha bolsa — Eu preciso cuidar da bebê, estou com saudades dela.
— Mas ela nem é sua, !
Sorri de lado. Ela tinha razão, não era minha. E quem se importa com isso? Eu adorava aquele pacotinho.
— Boa noite Van, até amanhã — Beijei sua bochecha, caminhando em seguida para o elevador. Os meus pés gritavam por um descanso daqueles saltos irritantes. Sempre odiei usar saltos, embora todos meus antigos empregos exigiam trajes sociais, muitas vezes eu conseguia burlar e usar meu surrado all star branco.

Decidi alegrar minha noite ligando o som, conectando meu celular e cantando algumas músicas. Parei em um semáforo próximo a alguns barzinhos, reparei num grupo de amigos rindo de alguma besteira, provavelmente sobre o mico do amigo bêbado. Pensei na Van, ela não tinha culpa de eu sempre recusar. Realmente não tenho ânimo para sair com aquele pessoal do escritório. Muitos querem subir na vida puxando o tapete dos outros e eu não acho isso nada legal e ético. Estamos na cidade das estrelas, da máquina da fama e sucesso a cada esquina, não é à toa que muitos se matam para crescer profissionalmente aqui. Todos querem sentir o gostinho do holofote.
Estacionei meu carro, desliguei o rádio e logo saltei para fora. Los Angeles tinha um ar gostoso a noite, inspirei fundo e soltei. Senti um incomodo chato nos pés, coloquei a bolsa nos ombros e logo retirei os saltos, sentindo o chão gélido de cimento tocar meus pés.
O apartamento permanecia em silêncio. Ótimo, não está. Joguei a bolsa no sofá e os saltos no chão. Caminhei lentamente amarrando meu cabelo. Enchi um copo d’agua e tomei num gole. Larguei ali na pia mesmo, depois eu me viro.
— Certo, o que faremos agora, ? – Coloquei as mãos na cintura olhando ao redor. A campainha tocou. Por deus, não seja a , não seja a Ka.. – Shawn?
— Surpresa! – Shawn disse animado com a Viola em seu braço, enrolada num cobertor roxo. Sorri.
— Passa ela para cá — Ele a entregou e logo a aninhei em meu colo. Cheirava a bebê — O que veio fazer aqui? A não chegou ainda.
Ele jogou-se em nosso sofá, sentei na poltrona com Vi em meu colo. Brinquei com seus dedinhos que logo agarraram meu indicador.
— Resolvi fazer uma surpresa. Você me disse que estava com saudades dessa garotinha.
O encarei confusa.
— Desde quando você é fofo? Se me lembro bem, o mocinho adorava me zoar por conta dos meus antigos óculos.
Ele soltou uma gargalhada, fazendo Vi acordar e chorar. Lancei um olhar repreendedor, chacoalhando de leve a pequena que foi acalmando aos poucos.
— Você anda tão quieta esses dias. O que está acontecendo? Sempre conversamos sobre tudo e das últimas vezes, nem responder minhas mensagens de desabafo você responde.
— Shawn, sério. Eu estou bem. Só cansada do trabalho repetitivo, mas, preciso dele para viver.
, mesmo? O que está havendo? — Ele sorriu totalmente fofo. Agora eu entendo porque as garotas morrem por esse sorriso.
— Problemas no trabalho, eu juro — jurei cruzando os dedos.
Ele bufou, desistindo e indo levar Vi para o berço. Acho que devia ser ruim para ele ter uma filha e não poder deixa-la em casa todas as vezes por conta da mídia. E é por isso que continuarei recusando os convites da Van.
— Que horas a chega? — Shawn perguntou do outro lado da porta de meu quarto, enquanto eu me trocava.
— Eu não sei, Shawn. Liga para ela — Disse colocando um vestido solto todo florido.
Fui para cozinha preparar alguns lanches para comermos, é quinta-feira e eu não irei sujar o recinto. Fritei alguns hambúrgueres.
— Shawn, me ajuda aqui! — Gritei pegando os ingredientes restantes e depositando tudo na mesa. É só falar em comida que esse homem aparece em segundos. Ele incrementava os lanches, enquanto eu ia colocando os hambúrgueres em cada um. Ouvimos o click da porta e esticamos os nossos pescoços para ver quem era.
— Você é idiota demais. A senhora de idade quase teve um infarto por conta da buzina — ria sem parar de algo que Peter havia feito. O rosto do meu amigo parecia iluminado estando perto dela. Ela fechou a porta.
— Oi — Peter enfiou as mãos no bolso, parecia nervoso. se virou para me ver e acabou encontrando um olhar curioso de Shawn, que analisava por completo Peter.
— Não apresenta os novos amigos, ? — Shawn limpou as mãos em um pano de prato, caminhando em direção aos meus amigos. Logo me juntei a eles — sou o Shawn — ele esticou a mão.
— Shawn? O Shawn? — Peter franziu o cenho, correspondendo o aperto de mão. Meu amigo famoso concordou — Cara, parabéns pelo sucesso. Vire e mexe escuto alguma música sua por Los Angeles — ele sorriu fascinado. Shawn o encarava sério, e algumas vezes lançava alguns olhares para , que permanecia imóvel. Um choro abafado me fez acordar do transe e quando dei por mim, minha amiga já tinha corrido para salvar Viola.
— Eu.... Eu preparei alguns lanches. Estão com fome? — Perguntei nervosa, mordendo os lábios e encarava a porta atrás de Peter.
— Não, obrigada . Eu e jantamos na rua — Ele sentou-se em nosso sofá.
— Já volto — Shawn jogou o pano de prato para mim e saiu em disparada para o quarto da Viola. Engoli em seco percebendo que fiquei sozinha com Peter. Eu não queria ficar ali. Corri de volta para a cozinha e fiquei lá.
— Então, essa bebê que me contou. Que doido, né? — Peter encostou na bancada ao meu lado, cruzando os seus braços morenos — quem diria que ela apareceria na porta de vocês.
— Na nossa porta? Foi isso que ela contou? — Soltei uma risada irônica. Peter olhou-me confuso, meneando a cabeça — ela só... prefere manter segredo, sabe? Não entendo o porquê também. Você conhece a .
— Como assim “prefere manter segredo”? Então essa bebê é dela? — Peter encarava um ponto qualquer da cozinha. Antes que eu pudesse responder, ouvi palavrões sendo jogados ao ar. Caminhamos rapidamente para sala onde um Shawn passava as mãos pelo cabelo, com uma feição nervosa. Era engraçado ver as brigas da e Shawn, elas pareciam o fim do mundo, mas acabavam quase antes de começar.
— Ele é o cara que te fez chorar noite e dia, quase te fez entrar em depressão. E mesmo depois disso tudo, você volta a falar com ele? A sair com ele, ? O que você tem na cabeça? — Shawn gritava a plenos pulmões, deixando sua veia do pescoço saltada — você mesma disse que queria desistir. Eu não estou entendendo nada.
Eu encarava minha amiga sem saber o que fazer. Peter tentou avançar para impedir a briga, porém, segurei seu braço e ele entendeu o recado e continuou ali.
— Shawn, pela milésima vez. Isso é passado! Pas-sa-do — soletrou a palavra, colocando uma mão no peitoral dele, tentando acalma–lo. Passou a mão restante na testa e olhou chateada para Peter e depois para mim, parecendo ter um diálogo interno — brigar não vai adiantar em nada.
— Ei cara, fica tranquilo. Eu e a já conversamos sobre isso e... — Shawn não esperou Peter terminar.
— Cara, na boa. Não fala comigo. Você não sabe o que causou pra . Para MINHA . Minha melhor amiga Ninguém chamou você na conversa — ele fez sinal para que Peter ficasse quieto.
O quê? Eu ouvi isso mesmo? Rapidamente encarei minha amiga que também me encarava boquiaberta.
— Olha, eu sei que não sou bem-vindo. Mas não é bom ficar brigando com a mãe da sua filha — Peter soltou o que eu havia lhe falado na cozinha, minutos antes da briga. Engoli em seco.
— Minha filha? Do que está falando? — cruzou os braços, saindo de trás de Shawn, intrigada com a afirmação do meu amigo.
, não precisa mais guardar segredo. Eu estou aqui para te ajudar – ele acariciou os braços da minha amiga que mantinha um olhar enigmático para mim.
— COMO VOCÊ É BURRO, CARALHO – gritou afetada, saindo de perto — você não me conhece mais? Que tipo de pessoa você acha que eu sou, Peter?! Acha que eu esconderia uma criança?
— Eu...
— Isso foi retórico — ela meneou a cabeça positivamente, com um tom irônico, interrompendo Peter, com os olhos úmidos — eu fiquei aqui, devastada quando você foi embora. Eu não ia viajar pra África, com um bebe dentro de mim. Muito menos engravidar sem um cara que fosse um pai presente. Desculpa, mas se tinha qualquer chance entre nós, acabaram agora.
, desculpa.
— Desculpas pelo quê? Não confiar em mim? Eu não consigo ficar com alguém que não confia em mim. Você sabe o quanto eu odeio quando fazem isso — parecia mais calma, mas muito, muito chateada.
— Foi só um mal-entendido — Meu amigo murchou os ombros — mas mesmo que ela fosse sua, eu não ligava, cara. Era com uma boa intenção.
— A estrada do inferno é CHEIA de boas intenções, leva elas com você. Quem sabe lá o capeta ensina você que devia ter confiado em mim — Ela arqueou a sobrancelha, guiando nosso amigo até a porta — A gente se fala outra hora.
— O quê? E ele vai ficar? Vocês acabaram de brigar, ! — Ele indagou.
— Só vai, por favor. Conversamos depois, ok? – Minha amiga se despediu fechando a porta — Que porra de história foi essa? Quem colocou aquilo na cabeça do Peter?
— Fui eu! — Gritei — Sim, fui eu. Sua amiga. Gostou?
— Por quê, ? — veio como um furacão em minha direção, embora eu tivesse confessado, Shawn continuava imóvel. Ri fraco, olhando para os meus pés.
— Você sabe o que é gostar muito de uma pessoa e fazer tudo por ela e mesmo assim, os olhos dessa pessoa estão voltados para outra que não demonstra um pingo de sentimento? — encarava-me muda — Não sabe, mas eu sei e dói muito — Sentia meus olhos marejados. Corri para o meu quarto, jogando-me em seguida na cama. Me sentia leve por desabafar aquilo, mas com uma culpa horrível.
? — Escutei meu nome sendo chamado e sabia quem era.
— Shawn, agora não. Por favor, me deixa — Cobri minha cabeça com o lençol.
Senti meu amigo sentando na ponta de minha cama. Shawn fez um carinho em minha canela.
— Você e precisam conversar. Vocês são amigas, moram juntas e já passaram por coisas mais difíceis juntas — tirei o meu lençol, o encarei com meus olhos vermelhos. Ele tinha razão, passamos por poucas e boas juntas, desde a morte do meus pais até o problema dela com o pai. Respirei fundo — Vem cá.
Shawn me abraçou tão forte que eu não pude conter minhas lágrimas. Eu precisava disso; precisava de um abraço que me fizesse derramar tudo o que eu sentia aqui dentro. Só ele sabia dos meus sentimentos por Peter. Sabia o que eu havia feito no passado por ele e mesmo ouvindo palavras duras do meu amigo como “você precisa deixar ele para lá ”, “ele não liga para você”, “você já viu como ele te chama? De amiga! ”, isso nunca iria mudar o que eu sinto. Obvio que ainda não é amor, mas eu gosto muito dele. Porém, não tinha culpa disso.
— Onde a está? — Perguntei enquanto Shawn limpava algumas lágrimas do meu rosto.
***

— Posso entrar? — Bati algumas vezes na porta do quarto de e não ouvi nenhuma resposta – , fala alguma coisa...
A porta de seu quarto abriu violentamente, fazendo-me recuar alguns passos devido ao susto.
— Agora você quer conversar? VOCÊ ENFIOU AQUELA HISTÓRIA NA CABEÇA DO PETER! O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ? — Ela vociferou apontando o dedo em minha cara.
— Eu... — Vamos lá , você consegue — Eu gosto dele, . Por isso agi daquele jeito. Quando saímos para almoçar, o único assunto daquela mesa era você. isso e aquilo.
— E por que você não disse o que sentia ao invés de ficar inventando coisas sobre mim? — Ela cruzou os braços.
Ah, acha que é fácil soltar essas coisas.
— Você mal fala comigo — devolvi irônica.
— Isso não é desculpa — meneou a cabeça — fala, .
— Eletadoente — falei num folego, soltando tudo de uma vez.
arregalou os olhos.
— O que?
— Ele está com câncer e não tem mais cura. Por isso ele voltou. É por isso que ele está tão próximo de você. Ele me fez prometer que não iria te contar. Mas eu não quero ficar brigada novamente com você. Eu sinto tanto a sua falta. Se você estivesse em casa, ia saber.
— Desde quando você sabe? — me olhou feito uma criança desconfiada, antes de ficar mais próximo de mim.
— Há algumas semanas — Sorri fraco.
, para de mentir — Ela me encarava, tentando entender se eu não havia mentido.
— Por que eu ia mentir, ? — Perguntei num tom sério.
— Você mentiu para o Peter, por que não ia mentir para mim? — me retrucou num tom irônico. Oh, certo. Lá vamos nós.
— Por que eu ia mentir sobre uma doença terminal? – Devolvi. Shawn num impulso pediu ela parar de um modo mais enérgico. Respirei fundo, eu tinha pedido, não? Minha amiga andava numa situação complicada demais para eu reclamar disso. Encarei–a — Eu sei que não é fácil, mas por que ele se mudou pra NY? Foi pra África de repente? E o cabelo?
, me dá um motivo para eu acreditar em você — ela parecia ter dissipado toda raiva. Um olhar curioso dela, pairou sobre mim.
— Você sabe como o Peter odeia pena e ...ele me ligou esses dias, pedindo ajuda pra fazer algumas coisas com você — Respondi fitando os pés — Ele queria…queria ver você e tentar te reconquistar antes de...
— De que?
— De morrer — Continuei com um nó na garganta. parecia prestes a ter um colapso.
— É BRINCADEIRA DO PETER, VOCÊ SABE COMO ELE É. Me diz que vocês armaram isso, por favor — falou baixo, sentindo a ficha cair.
— Não é, — Toquei nos braços dela, que puxou–os com força — Ele tem só uns 6 meses de vida.
— PARA — chorava com as mãos no ouvido — Isso é mentira. Mentira sua . Quer ele? Pega. Mas não faz isso comigo. Eu não vou aguentar perder mais uma pessoa. Já chega o meu pai...
Vi minha amiga deslizar para o chão de carpete, num chorinho doído e fino. Shawn que estava no quarto da Viola, sentou do lado dela, e abraçou–a. Ele encostou no peito dele, conversando algo baixinho e ela fez que não. Enquanto ela não parava de chorar, Shawn tentava acalma–lá, afagando o cabelo de .
, quer que eu ligue para o Cam? — Ele pediu, e fez que não.
— Deixa, Shawn, o Cameron não fala com ela a tempos — Comentei baixinho, vendo a cena.
— Não sai daqui, por favor — fungou, abraçando Shawn de volta. Shawn deu um beijo no topo da cabeça dela, e enlaçou as mãos dos dois. Ele parecia diferente, como se estivesse preocupado de fato com .
— Eu não vou — ele murmurou puxando mais para perto — Prometo.
Viola resmungou no berço, me fazendo ir até o quarto e fechar a porta. Demorei um pouco e quando saí vi Shawn no sofá com uma de rosto inchado, que ainda não havia parado de chorar. Minha amiga num impulso, abraçou-me. Ficamos ali. Duas amigas abraçadas, duas amigas que sem dizer as palavras necessárias, sabíamos que ficaríamos bem de novo. Como sempre. Nós duas, juntas.
— Por favor, não diz que te contei, não estamos muito bem — Separei nosso abraço, dando um último sorriso.
, desculpa — Ela tinha conseguido parar de chorar e tentava falar com a voz falhada — Eu coloquei tudo antes de você. Viola, trabalho, até mesmo a diversão. Eu não sei por que fiz isso. Você tinha guardado tudo isso só para me ajudar e eu retribuí assim. Te deixando de lado. Me perdoa?
— Perdoo, — Sorri fraco — Eu perdoo.
— Agora por favor, não faz mais isso — Ela riu fraco — Eu prometo não ficar com o Peter se você não criar esse pandemônio.
— Tudo bem — Concordei — Eu vou tomar um banho.

Assim que fazia meu caminho para o quarto, decidi checar Viola.
— Ei pequena estrelinha — Acariciei sua bochecha gordinha e rosadinha. Como pode um ser tão frágil pode nos trazer tanta paz e alegria? Beijei o topo de sua cabeça, desejando um boa noite em sussurro.
Quase não ouvi a voz de Shawn sussurrando meu nome no quarto de .
— O que foi? — Me apoiei no umbral da porta.
— Eu tenho que ir, você avisa a ? — Ele perguntou tentando levantar.
— Como você fez isso? — Ele deu de ombros e observei que minha amiga estava deitada na cama, com a cabeça no colo do Shawn e dormia calmamente — Fica, por favor — Fiz sinal com as mãos para que ele não se mexesse — Ela pode acordar se você se mexer e não pega mais no sono.
— É sério que ela e o Cam pararam de se falar? — Shawn parecia curioso
— Meio que por causa da Viola — Concordei — Às vezes acho que ele gosta dela.
— O Cam vive dando em cima dela — Ele revirou os olhos — Mas a não dá bola.
— Não mesmo — Ri — Você vai ficar bem?
— Vou — Shawn piscou para mim — Pode ir dormir. Quando ela capotar no sono eu deslizo para a cama também.
— Com roupa, por favor — Gargalhei baixo e Mendes me atirou uma almofada.
— Vai se foder — Ele murmurou me dando tchauzinho.

Deitei-me em minha cama, cobri metade do meu corpo com meu lençol e fechei os olhos, pensando em Peter, não sei quando iremos voltar a ser como antes, espero que logo. Sorri antes de apagar por completo.



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POV

Sabe quando você fica sem fazer absolutamente nada e encarar a parede parece ser a coisa mais extraordinária a ser feita? Pois é, eu estava exatamente assim, ouvindo algumas músicas. Já tinha feito as tarefas domesticas; tinha feito minha corrida matinal e feito alguns desenhos. Bufei. tinha saído para ver algo sobre a tour do Shawn. Viola estava com a nova babá. Comprimi os lábios olhando ao redor. Esse apartamento está me sufocando, meu deus do céu, o que eu fiz para merecer isso? Por que o senhor não me manda um namorado? Seria ótimo ter um agora para sair, beijar na boca e até mesmo para tirar meu atraso. A campainha tocou e num pulo avancei na maçaneta, dando de cara com Brenda, nossa vizinha de 10 anos que possui uma cabeça de adulta. Apesar de ser magricela, ela adorava me vender os tais cookies de chocolate com menta, para arrecadar fundos para o seu acampamento. Embora eu tenha emagrecido alguns quilos, eu amava esses doces. São divinos.
— Olá , tudo bem? — Brenda sorriu de forma meiga, como sempre — Hoje chegaram os seus cookies favoritos e pensei em trazer para você, como um presente, já que sempre me ajuda com o dever de inglês.
Ah como eu adorava favores.
— Eu fico muito agradecida com o presente, Brenda — Levei minhas mãos ao meu coração.
— Mas, você sabe que o acampamento da Lontra Corajosa está para ser fechado então, terei que cobrar por esse presente — Ela piscou acariciando a caixa.
O quê? Um presente pago? Isso não existe!
— Brenda, isso não faz sentido.
— Você quer que o acampamento dos meus sonhos acabe, ? Você quer que uma garota não tenha medalhas por conquistar coisas grandes em sua vida? — Brenda sabia ser persistente quando queria. Revirei os olhos e fui até minha carteira. Dei o dinheiro a ela que na hora secou as falsas lágrimas, dando meia volta para o elevador.
Abri a caixa cheia de cookies, esquecendo-me dos problemas e mordisquei um. Meu jesus, mas que doce mais gostoso. Me perdoe academia e minhas corridas matinais, eu precisava disso. Meu celular começou a tocar e era o som de .
— Alô? — Atendi de boca cheia, fazendo minha amiga gargalhar.
Como sempre com a boca cheia e de comida adorava fazer piadas porque eu amava comer.
— O que você quer atrapalhando o meu momento íntimo com os cookies?
Quero você pronta em dez minutos. Vamos ao ensaio da turnê do Shawn. Sem atrasos, porque eu te conheço. Até mais e deixe uns cookies para mim, por favor.
Que amiga mais ousada. Só porque da última vez eu tive uma pequena — eu disse pequena — desilusão amorosa e acabei me esbaldando em cookies, não deixando nenhum para ela. Não tenho culpa se todas as sessões de fotos ela demora horrores para chegar em casa. Olhei para a caixa dos cookies. Será que dá tempo de comer mais alguns antes do banho? Pensei. Suspirei fechando os olhos. Ok , na volta você come. Fechei a caixa com algumas lágrimas nos olhos.
— EU VOU VOLTAR MEUS DOCINHOS! — Gritei indo de costas até o banheiro, dando tchau para a caixa que agora se encontrava fechada em cima do balcão da cozinha.
Depois do meu banho demorado, chegou a hora que todas nós mulheres passamos: o look. Tudo bem que é apenas um ensaio da turnê, mas sempre tinha fotógrafos registrando os momentos para as fãs, até mesmo eu fazia alguns cliques postando em minhas redes sociais. Abri meu guarda roupa dando de cara com a minha saia jeans de cintura alta ainda com etiqueta. Virei a cabeça para a janela e o céu tinha alguns resquícios do sol, o ar estava meio abafado como sempre na Califórnia. Peguei a saia, um cropped de alcinha listrado e meu tênis branco. Vesti rapidamente, pois, faltavam alguns minutos para a minha amiga chegar. Corri para o banheiro para terminar o cabelo, passei rapidamente um batom claro. Não sei passar maquiagem igual a , então só fiz isso. Peguei meu maço de cigarros. Voei para a sala, socando meu celular e carteira na bolsa a tiracolo. Meus olhos pararam para a caixa cor de rosa me encarando.
— Ok, ok — Levantei as mãos me entregando, enquanto caminhava até ela — Só mais um, seus danadinhos.

— Você deixou alguns para mim, ? Eu ainda não tive a oportunidade de experimentar um — disse esperançosa assim que entrei no carro.
— Então, eu estou bem, obrigada por perguntar — Sorri para ela colocando o cinto de segurança e minha amiga revirou os olhos — E sim, deixei um para você.
— Um?! — Ela me encarou assustada, me fazendo rir alto e assentir — Você é muito gulosa,
— CALMA, SUA DOIDA. EU ESTOU BRINCANDO! — Gritei de volta.
— Gorda — Ela soltou sem olhar para mim.
— Gorda é sua consciência, eu hein.
O caminho inteiro fomos conversando sobre como seria a turnê de nosso amigo, já que ele ia lançar um single novo. Fazia algum tempo que Shawn não escrevia uma música nova, estava focado no lançamento de seu primeiro álbum que nem pensava num possível novo single ou até mesmo um segundo álbum. Acredito que a Viola acabou servindo de inspiração. Perguntei sobre a nova babá dela.
— Eu estava conversando com uma colega da agência e ela acabou indicando essa babá, claro que eu fiz uns testes antes, precisava saber se cuidaria direito da minha Vi — disse séria alternando seus olhares em mim e na rua.
— Que linda você chamando ela de sua.
Ela suspirou.
— Eu amo aquela garotinha, mesmo ela não sabendo disso ainda.
— Sabemos quem você ama mesmo — Soltei um risinho dando um soco de leve em seu ombro.
— Não começa com essa história de novo. Eu e Shawn somos só amigos. Só amigos. Vem cá, teve notícias do Pete?
Está aí uma pessoa que eu nunca mais ouvi falar, depois do último acontecimento no apartamento do Shawn, ele decidiu sumir. Isso estava me matando, tinha medo de receber um telefonema e não ser coisa boa. Engoli em seco só de pensar nisso.
? — Minha amiga chamou minha atenção.
— Não, não tive. Não estamos muito bem — Disse olhando o movimento nas avenidas.
— Desculpe, achei que já tivessem feito as pazes. A última vez que falei com ele, foi semana passada e aparentemente, não estava tão bravo comigo, como eu achei que estaria.
— Está tudo bem — Sorri para minha amiga que me olhou com compaixão.

Ao chegarmos no LA Coliseum nosso carro foi rodeado por seguranças que pareciam uns robôs gigantes de Transformers. As fãs gritavam descontroladamente o nome do Shawn e Cameron, achando que os meninos estavam conosco. Eu comecei a ficar preocupada com algumas delas, embora os seguranças consigam tira-las de perto do veículo, muitas delas se jogam na frente e isso pode causar um grande estrago. Algumas garotas gritavam nossos nomes, eu e tentávamos acenar, mas era difícil ver algo. Minha amiga buzinou e sorriu para alguns fãs liberarem o caminho, porém, elas grudaram em nosso carro. Eu comecei a me sentir sufocada, abri o porta luvas retirando um papel, procurei uma caneta na minha bolsa e escrevi “MENINAS POR FAVOR, LIBEREM A PASSAGEM. EU E PROMETEMOS POSTAR FOTOS PARA VOCÊS :)”, assim que segurei o papel com as duas mãos e algumas garotas conseguiram ver, a passagem foi sendo liberada e eu finalmente consegui respirar fundo. sussurrou um obrigado. É, pelo jeito minha amiga também estava quase passando mal.
O estádio estava bem iluminado, com o gramado aparado e o palco montado ao fundo, no qual o pessoal do staff organiza tudo conforme Shawn os instruía. Cameron tirava algumas fotos, ria de algo que seu amigo dizia. Eu caminhava lentamente admirando aquele vasto campo de futebol americano. posicionava sua câmera profissional em seus olhos; agachava no campo; virava a câmera; todas as posições possíveis, ela fazia.
Cameron se virou para tirar uma foto com as costas virada para o fundo do palco e seus olhos nos encontraram, logo um largo sorriso brotou em seus lábios.
— Finalmente vocês chegaram. Por que demoraram? — Ele desceu para vir ao nosso encontro.
— Porque tem um mar de garotas querendo um pedaço daquele carinha ali — Cameron seguiu com o olhar onde eu apontava, vendo Shawn afinar o seu violão — E desse cara — Apontei meu dedo para o seu peito e recebi um sorriso sacana de lado.
— OI MENINAS, JÁ VOU AI — Shawn gritou do palco e pude me sentir uma fã. O semblante de nosso amigo exalava alegria em fazer o que ama, acabei sorrindo ao ver o seu jeito sério afinar os instrumentos. foi para o palco a mando do empresário para discutir alguns assuntos fotográficos, eu sentei na grama observando tudo como uma fã sortuda que ganhou ingresso para a passagem de som. Deitei sobre a grama observando o céu. Nunca havia entrado nesse estádio. Sentei-me assim que ouvi algumas risadas; e Shawn riam de algo um do outro. Esses dois ainda vão me dar um trabalho pesado. O palco possui todos os possíveis instrumentos que meu amigo usaria; piano, violão e guitarra. O piano branco chamava a atenção no palco preto. As inicias em lâmpadas LED estampavam o centro daquele imenso espaço onde Shawn tocaria, pularia, gritaria e tudo mais. O pessoal corria para lá e para cá, afim de deixar tudo perfeito não só para ele, mas para as fãs que estavam esperando essa turnê há alguns meses. Lembrei da promessa feita para algumas garotas, saquei meu celular e tirei uma foto, postando logo em seguidas nas minhas redes sociais.
— Só quietinha aí, hein? — Cameron disse maroto, sentando-se ao meu lado na grama. Eu nunca tive a oportunidade de conhecê-lo melhor. Nos falávamos nos eventos e festas por conta de e Shawn, caso contrário, cada um no seu canto. E reparando bem, ele até que é muito bonito. Não me admira as garotas adorarem tanto ele.
Dei de ombros.
— Apenas sabendo como é a sensação de ser uma fã por uma noite — Cameron soltou uma risada anasalada da minha piada sem graça e eu o acompanhei.
, qual música você quer que eu toque? — Shawn perguntou agachado na ponta do palco, olhando para mim e fiquei sem entender. Eu não conhecia muitas músicas dele, era amiga do Shawn e não do Shawn O cantor. Gritei de volta que podia ser qualquer uma, até que surgiu uma ideia e pedi para ele aguardar. Fiz uma live na minha rede social perguntando qual música os fãs queriam ouvir na passagem de som, com 89% dos votos “Honest” foi escolhida. Gritei novamente em meio aos risos para meu amigo e ele lançou-me um joinha.
— Você é sempre tão legal com os nossos fãs assim? — Cameron perguntou com um sorriso nos lábios, me fazendo sorrir.
— A maior parte do tempo, sim. Eles me fazem bem. Gosto do jeito que admiram vocês.
Cameron sacou o celular e pediu para tirarmos uma foto nossa. Hesitei por alguns segundos.
— O que foi? É só uma foto, — Ele revirou os olhos impaciente.
Juntamos nossos rostos e abrimos um sorriso sincero.
— Pronto... doeu? — Neguei com a cabeça — Eu disse que seria rápido, .
Os primeiros acordes da música tomaram conta daquele vasto lugar, nos transportando para um mundo paralelo, sem brigas, sem guerras, sem problemas, sem ter que acordar cedo para trabalhar. Isso era uma das coisas que eu mais amava em shows, embora tenha ido em poucos, alguns nos faziam esquecer de tudo e ficar ali, admirando seu cantor favorito soltar a voz para as canções que você ama. Algo dentro do meu estômago começou a embrulhar com alguns versos da música, me trazendo em mente alguém que eu queria esquecer. Abracei-me encarando o céu e senti os olhos azuis de Cam em mim.
— Está tudo bem? — Ele tocou em meu braço causando um leve arrepio. Neguei, levantei-me de qualquer jeito e sai correndo para o banheiro, que por sorte era bem afastado de onde vinha a música. Precisava daquele silencio, longe de tudo e de todos. É tão ruim se sentir assim, imponente. Não conseguir ajudar, não conseguir expressar os sentimentos guardados desde a adolescência. Queria gritar. Queria esmurrar alguém. Queria chutar, qualquer coisa que diminuísse esse aperto aqui dentro. Sentei no chão encarando a parede cinza que dava acesso aos banheiros do estádio. É muito ruim você querer falar, tocar, rir com uma pessoa que não está com a mínima vontade de fazer isso ou até mesmo falar. Peter e eu sempre fomos muito próximos e então a chegou e foi como se eu não existisse mais, de dez palavras, onze eram sobre ela. Sim, eu tenho ciúmes, mas não um ciúme de amigos e sim de algo a mais. Saquei do meu bolso meu maço de cigarro, se ou Shawn soubessem disso, certeza que ouviria horrores até ficar surda. Eles sabiam do meu vício e prometeram não deixar eu tocar mais em nenhum maço. Ri fraco lembrando disso. Coitados, mal sabem que hoje estou prestes a quebrar essa regra. Qual o problema de fumar um pouco? Haviam 2 anos que não colocava um na boca, embora eu usasse os adesivos a base de nicotina, nunca serviram para nada. A vontade aumentava em dobro. Acendi e traguei de uma vez, soprando a fumaça fazendo meu corpo e minha mente relaxar.
— Meu deus, finalmente você está aqui — disse feliz demais, sentando-se ao meu lado.
— Estava a minha procura? — Perguntei dando uma última tragada. Ela riu.
— Não, querida amiga. Estava falando com esse canudinho em sua mão — Minha amiga furtou meu cigarro dando uma boa tragada e eu continuei sem entender — Desculpa , eu precisava disso e fala sério, nós duas sabíamos que seria difícil largar esse vício — começamos a rir sem parar, tragando cada hora o cigarro — O que faz escondida aqui?
Suspirei olhando para os meus tênis surrados sem saber o que dizer. Minha amiga pegou em minhas mãos e apertou em forma de carinho, acabei sorrindo com o ato. Fazia algum tempo que não tínhamos um momento amigas, por conta da correria dos shows, Viola, brigas e meu trabalho também raramente me dava alguma folga, exceto hoje que informei estar nos ensaios para achar algum aspirante de ator.
— Apenas pensando, como sempre faço — Minha amiga revirou os olhos quando falei o que fazia ali.
, eu te conheço. É sobre o Peter, não é? — olhou piedosa, assenti e ela suspirou — Olha, eu conversei com ele semana passada e quando tentei entrar no assunto sobre vocês, ele cortou-me e mudou de assunto. Isto está virando uma briga de crianças e precisamos dar um jeito nisso. Vocês são amigos há anos, antes mesmo de eu chegar — disse inconformada por eu e Peter não estarmos nos falando — E sabe, ele está sendo orgulhoso e você também. Claro, você sempre foi a mais orgulhosa — Rimos.
— Sim, é sobre ele. Sinto falta dele, sabe? De rir e contar besteira. Lembra quando eu e ele fomos ao cinema, na estreia naquele filme de terror? Foi tão único, tão legal. E de repente, ele tem apenas alguns meses vida! — Eu falava mexendo as mãos impaciente.
, não é culpa sua que ele esteja agindo dessa forma. Ele quer aproveitar o máximo do tempo restante.
E a encarei.
— Por que ele não pode sentir o mesmo que eu? Argh que ódio desse sentimento — Ri fraco.
— Lembra quando fomos para Malibu? — perguntou animada, pulando em minha frente e eu assenti — Foi o melhor final de semana das nossas vidas! Claro, tirando o Shawn e Cam com insolação — Comecei a gargalhar. Foi muito engraçado aquele final de semana. Nossos dois amigos apostaram comigo e que o sol não estaria tão quente naquele verão, e se eles se queimassem, pagariam nosso jantar no Craig’s. Um restaurante caríssimo e é o ponto de encontro de todas as celebridades de Hollywood.
— Lembro e nós duas pedimos os pratos mais caros do restaurante e no final, a comida era ruim — Minha barriga já doía de tanto rir, relembrando a cara do garçom que nos atendeu e deu cara com um Shawn queimado e um Cameron dolorido parecendo um camarão.
— E aí acabamos comendo comida japonesa — acompanhava-me nas gargalhas, uma lagrima escorreu dos meus olhos — , precisamos de momentos assim de novo. Somos jovens, solteiras e bonitas. Você sempre se fecha quando surge algum problema, não conversa muito e eu percebi que esses dias, está mais próximo do Shawn. Ele é um ótimo ouvinte e conselheiro. Me ajudou bastante quando o assunto era o Peter — Ela sorriu apertando meus joelhos.
— Você ainda sente algo por ele? — Soltei a pergunta e vi seu sorriso desaparecer. Eu já imaginava isso — , não se sinta culpada. Quem deveria se sentir culpada sou eu, por se apaixonar pelo ex-namorado da minha melhor amiga.
, — Ela ajoelhou-se, pegou em minhas mãos e encarou meus olhos — Não é amor que sinto por ele, é um amor diferente, é um carinho diferente. É preocupação também. Não é igual quando namorávamos. É bem diferente. Ele me machucou muito quando decidiu ir embora sem nem ao menos explicar o porquê.
Apertei sua mão devolvendo o carinho e a força que ela sempre me dava quando eu mais precisava. Num impulso, abracei minha amiga. Ficamos ali, nós duas e escutando nosso amigo ao longe finalizando a música e recebendo alguns assovios, palmas e gritos do pessoal da equipe.


— Caramba, eu já ia acionar a polícia pelo desaparecimento de vocês — Cameron fingiu estar falando com a polícia quando nos viu caminhando pelo gramado até o palco.
— Que exagero, cara — Eu disse revirando os olhos — Podemos ir? Estou com fome e cansada.
— Vamos sim, o pessoal me liberou mais cedo — Shawn disse sorridente parando ao lado do amigo — Onde vamos?
— Pensei em irmos para casa mesmo e pedir algo de lá, não estou afim de encarar um restaurante cheio, ainda mais que vão ter paparazzi em vários pontos. Eles já estão cientes da sua turnê e ficam vagando por aí a sua espera — cruzou os braços — Então, topam?
Nós três assentimos, antes de irmos, tiramos uma foto de nós quatro de costas para o palco, sorridentes e fazendo positivo para o primeiro dia de ensaio da nova turnê. postou em suas redes marcando todos nós. Nos encaminhamos para o estacionamento rindo de algumas besteiras que Cameron falava ou até mesmo de lembranças com o Shawn, quando eram da MagCon. Eu ria sem parar. Algumas histórias envolviam a , fazendo minha amiga mostrar o dedo do meio.
— Amiga, deixa eu ir na frente? — Perguntei esperançosa. Ela sabia o porquê de sempre gostar de ir na frente. Adorava ficar trocando de músicas toda hora. Não tenho culpa se enjoo fácil.
— Não, hoje quem irá na frente e irá dirigir será... — Minha amiga franziu o cenho encarando nossos dois amigos — Shawn. Você foi o ganhador.
Shawn gritou um “yeah” e sorrindo vitorioso para mim, mostrei a língua quando fui entrar no banco traseiro com o Cameron.
— Não se preocupe, no meu carro você pode sentar na frente — Cameron sussurrou no meu ouvido com um ar sedutor, arrancando-me uma gargalhada alta. Ele acabou me acompanhando.
O caminho para o nosso apartamento foi recheado de histórias, risadas, assuntos sobre a Viola, Cameron elogiando até o fio de cabelo da babá, Shawn contando como fora seu primeiro show e como tinha dado dor de barriga.
— Ainda não entendi o porquê da não me deixar dirigir — Cameron cruzou os braços, fingindo estar bravo.
virou seu corpo, meio que desajeitada por conta do cinto, para trás.
— É que assim, eu quero chegar viva em casa, foi mal — Ela deu de ombros segurando o riso. Cam mostrou o dedo do meio para ela.
— Ei —sussurrei para Cameron que me encarou — Se importa se eu deitar em seu colo? — Eu sorri de lado, ele sem responder se ajeitou e bateu a mão em sua perna. Encostei a cabeça em sua perna, recebendo um carinho no cabelo. Eu e Cameron nunca fomos tão próximos quanto eu era com o Shawn. Mas depois de hoje, algo dentro de mim dizia que logo isso poderia mudar.

Abri os olhos devagar encarando o preto do banco da frente, olhei para cima e encontrei Cameron sorrindo.
— E aí Adormecida — Soltei uma risada anasalada. Percebi que estava apenas nós dois no carro e sentei-me num instante, batendo a cabeça no segurador do cinto. Automaticamente levei as mãos na cabeça, pude ouvir a risada do Cameron — Eles já subiram, estava esperando você acordar.
— Desculpe, não era minha intenção dormir no seu colo — Disse envergonhada para ele.
Ele deu de ombros, abrindo a porta em seguida e eu fiz o mesmo. Cambaleei um pouco por ter descido rápido demais. Apoiei-me ao carro.
— Vamos, eu não quero perder seja lá o que a pedir para comer — Ele passou seu braço pelos meus ombros e fomos caminhando até o elevador.
— Não podemos ir de escada? Esses dias estavam consertando esse elevador, tenho medo dele quebrar com nós aí dentro — Recuei um pouco assim que Cameron abriu a porta daquela caixa metálica. Ele franziu o cenho para mim e olhava para dentro do elevador.
— Para mim parece em perfeito estado. Vem , você está a salva. Eu tenho sorte.
Entramos e apertamos o 6º andar, a caixa começou a se movimentar. Cameron parecia a calmaria em pessoa, apoiado no ferro abaixo do espelho. Eu estava escorada na outra ponta, perto dos números. Até que sentimos um tranco e as luzes piscaram.
— CAMERON, PUTA QUE PARIU, EU FALEI! — Comecei a entrar em desespero — MEU DEUS DO CÉU, DEUS ME LEVA! ODEIO FICAR PARADA DENTRO DO ELEVADOR! TE ODEIO CAMERON DALLAS.
, calma — Cameron disse tranquilamente assim suas mãos seguraram meus braços — O Shawn mandou mensagem dizendo que acabou a força do prédio. Respira. O oxigênio aqui dentro é pouco. Não podemos gastar.
— FODA-SE O OXIGÊNCIO, DALLAS! EU QUERO SAIR DAQUI — Comecei a apertar desesperadamente o botão de emergência, ouvindo uma voz sonolenta.
Boa noite, em que posso ajudar? — Uma moça disse após um longo bocejo.
— Moça, eu estou presa no elevador! — Eu agachei para ficar próxima do alto falante. Cameron cutucou meu ombro — E meu amigo também. TIRA A GENTE DAQUI! — Gritei.
Olá senhora, o nosso prédio está sem energia. Está previsto para voltar daqui 30 minutos. Enquanto isso, por favor, fique calma. Peça para seu amigo conversar com você.
— VOCÊ DEVE ESTAR BRINCANDO COMIGO! E SE ELE FOR UM ASSASSINO? — Um silêncio se fez naquele alto falante — MOÇA? FILHA DA MÃE!
Mirei para Cameron que olhava em meus olhos, estava sério.
— Um assassino, ? — Ele ralhou.
— Ué, dizem que mesmo os mais próximos podem fazer algo desse tipo. Não me culpe. Você mesmo disse que tinha sorte.
Ele riu.
— Mas eu não disse onde exatamente tenho sorte. Eu tenho sorte no azar.
Sentei no chão frio daquele elevador encarando o nada, olhei para Cameron que continuava em pé mordendo seu lábio pensando no que iria fazer. Rolei a cabeça para a porta, esperando que um milagre acontecesse e aquela porta fosse aberta por um bombeiro maravilhoso que me salvaria dessa agonia, mas o que aconteceu foi outro tranco, um pouco mais suave e meu rosto empalideceu. Dallas sentou-se na parede oposta, de frente para mim e encarei aqueles olhos cheios de mistério.
— Vamos lá , nunca tivemos a chance de nos conhecer. Você sempre morou aqui na Califórnia com a ? — Ele perguntou com os braços apoiados em seus joelhos. Despojado com a nossa situação atual.
— Não.
Foi a única palavra que conseguiu sair da minha boca, olhando em seguida para meu tênis. Assim que encontrei novamente seus olhos, ele arqueou uma sobrancelha pedindo para continuar. Bufei.
— Está bom, cacete. Não, eu morava em nova Iorque com um ex-namorado idiota e aí quando terminei, me convidou para dividir um apartamento na Califórnia.
— Por que terminou? — Ele disse curioso.
Suspirei.
— Ele era um idiota. Só fazia as coisas erradas.
— Já tive uma namorada assim também. Se chama Veronica — Ele pronunciou seu nome com desgosto na voz.
— Acho que todos nós já tivemos um amor idiota — Sorri sarcástica e Dallas me acompanhou.
— Tem razão, meus namoros nunca deram muito certo. Eu sempre viajava bastante por conta da MagCon, os eventos sempre duravam algumas semanas e quando voltava, elas já tinham arrumado outro ou estava comigo pela fama.
— Um dos defeitos de ser famoso. As pessoas adoram subir as estrelinhas da fama sendo namorada ou namorado de alguém influente.
Cameron sorriu de lado e balançou a cabeça.
, a primeira mulher que me disse isso, depois de 22 anos.
22 anos?
— Você tem 22? — Perguntei surpresa com a idade. Ele murmurou um “uhum” — Caramba, achei que fosse mais novo.
— Você tem 21, certo? — Concordei com sua afirmação — Que bebê — Ele gargalhou fazendo sua risada ecoar por aquela caixa metálica estupida. Mostrei o dedo do meio e ele levou a mão ao peito, fingindo estar ofendido.
— Você é um idiota.
— E você tem um sorriso lindo — Sorriu convencido, fazendo minhas bochechas corarem na hora pelo seu elogio.
— Obrigada e não começa com seu charminho para cima de mim que não irá funcionar — Foi a minha vez de sorrir convencida. Meu celular começou a apitar, indicando uma mensagem de — Ah que ótimo, eles disseram que irá demorar mais que 30 minutos para isso voltar. Mas que merda! — Soquei a parede metálica, sentindo uma leve dor no meu punho. Dallas se arrastou ficando mais próximo de mim, cruzou suas pernas e num rápido movimento, puxou minhas pernas, fazendo-as ficarem por cima de suas pernas — O que está fazendo? — Olhei confusa para o que ele tentava realizar.
— Tentando te acalmar, ué. Você mesma disse que odeia ficar em lugares assim. Não percebeu que estou te distraindo para que esqueça que está aqui? — Ele apoiou-se em minhas pernas.
— Obrigada por lembrar-me novamente que estamos presos — Disse irônica, fazendo-o soltar uma risada anasalada — Por que decidiu ser famoso?
— Eu não decidi ser famoso apenas.... Aconteceu — Ele deu de ombros — Eu sempre adorei fazer vídeos para a internet, acho um máximo como eu posso divertir as pessoas e contar um pouco da minha história para elas.
— Você já dormiu com alguma fã? — Arqueei uma sobrancelha e segurei o riso ao notar sua cara de perplexo pela pergunta indecente.
— Você é uma filha da mãe — Ele bateu em minha perna, me fazendo rir.
— Por não responder minha pergunta, acredito que faça isso até hoje.
— Ciúmes, ? — Ele fez um carinho em minha perna, me fazendo engolir em seco. Neguei com a cabeça.
— Por que você é único que não consegue me chamar sempre pelo apelido? — Cruzei os braços encarando seu olhar.
Ele se aproximou mais e minhas pernas passavam agora pela sua cintura. Sussurrou um pouco perto demais.
— Gosto do seu nome quando eu pronuncio, .
Ouvindo meu nome saindo de sua boca fez meus pelos da nuca se arrepiaram e num ato involuntário, comprimi meus lábios e respirei fundo. O que está acontecendo?
— Então... — Decidi mudar de posição, cruzei minhas pernas igual a ele — Já pensou em ser ator? — Eu perguntei e ele olhou-me confuso — Digo, estrear num filme de hollywood mesmo. Premières, tapetes vermelhos, comes e bebes de graça. After parties regadas de muita gente famosa cometendo erros e se arrependendo depois ao verem as fotos.
Ele fez cara de pensativo para minha resposta, enfiou as mãos em seu moletom cinza.
— Acho que já. Até porque fiz um reality recentemente. Seria legal participar.
Eu sorri. Meu chefe ficaria muito contente em ter um famoso para o filme.
— Então está contratado — Estiquei minha mão para selarmos o contrato imaginário e explodi em gargalhas vendo sua cara de “ahn” para mim — Dallas, eu trabalho em um estúdio de hollywood, na parte de revisar os roteiros que chegam. Um deles se tornou muito famoso e estão à procura de um ator como você. Embora você seja bem melhor que o personagem, eu ficaria muito feliz se você comparecesse ao meu trabalho na segunda.
— Não sei, . Eu acho que não serviria para o papel.
Suspirei.
— Segunda começa o casting para o filme. Sendo meu convidado, você fará primeiro que todos — Sorri animada com a proposta. Mesmo não contando a verdade. Se ele conseguisse o papel sendo meu indicado, eu ganharia um belo aumento, mais 30% dos valores que o filme arrecadar e mais um cargo de “Coordenadora de roteiros” tendo minha própria sala!
Quando Cameron abriu a boca para responder, ouvimos um barulho esquisito e então o elevador voltou a operar. Levantei-me correndo, Dallas pôs-se de pé também. Ajeitando sua roupa. Apertei meu andar e a caixa se movimentou e por um impulso abracei Cameron e como ele era mais alto que eu, precisei ficar na ponta dos pés. Seus braços passaram pela cintura, puxando-me mais. Assim que separamos, sorri sem graça. A porta se abriu, revelando meus dois amigos desesperados.
— Vocês estão bem? , você está bem? Precisa do seu remédio? — correu para me abraçar.
— Eu estou bem, .
Shawn sorriu em compaixão para mim e retribui o sorriso.
— Ei cara, você cuidou bem dela? — Shawn deu um soco de brincadeira em Cameron.
— Caso vocês não saibam, eu também fiquei preso naquela merda e ninguém perguntou se estou bem — Ele disse bravo, me fazendo soltar um risinho.
— Sabemos que você está bem, cara — Shawn sussurrou para o amigo lançando-me um olhar que não compreendi e Dallas acompanhou seu olhar até mim. Encarando-me sério. continuou tagarelando o quão bravo Shawn estava com o sindico e a companhia elétrica que demoraram tanto tempo para consertar o apagão, que odiaram terem jantado no escuro. Mendes entrou logo em seguida, fui entrando até sentir uma mão puxar meu braço, fazendo-me virar.
— Eu topo — Ele disse com os olhos trasbordando excitação, felicidade, ansiedade, um misto de sensações.
— Esteja pronto às 10 horas na segunda, Dallas. Sem atraso para o nosso primeiro encontro — Sorri de lado e ele riu.
O resto da noite foi divertida. e Dallas finalmente fizeram as pazes e isso me deixou muito feliz, afinal, eles eram grandes amigos. Ficamos conversando e rindo sobre os acontecimentos daquele dia. Vez ou outra pegava Dallas lançando olhares indecifráveis para mim. Ah, como eu queria contar a verdade sobre ter me mudado para cá. Queria tanto contar. Mas parte de mim ainda estava tentando superar. Espero que um dia ele entenda.
— Dallas, já ficou sabendo da novidade? — Shawn comentou servindo-se mais de suco para ele. Levantei meu olhar do celular, também fiquei curiosa. Cameron terminou de beber sua cerveja esparramado no sofá. Eu ao seu lado; Shawn e no outro sofá — Peter está de volta.
— O quê?! O que esse cara está fazendo aqui? — Dallas perguntou nervoso e pude notar seu punho se fechando.
— Ele está doente, Cameron — se pronunciou.
— Quem disse? Vai ver ele só disse isso para se aproximar de você, . Fica de olho — Dallas deu mais um gole de sua cerveja.
— Ele me contou — Eu disse séria — Acredito que ele não brincaria com algo assim.
— E desde quando você conhece ele, ? Já que uma pessoa mais próxima pode ser um assassino — Cameron lançou-me um olhar desafiador.
— Assassino? — Shawn perguntou perdido na conversa.
— Escuta Dallas, eu conheço Peter desde a adolescência e eu tenho certeza que ele não mentiria sobre uma doença tão grave — Disse brava com a sua maneira de tratar o Peter — Câncer terminal não é algo que sai gritando aos quatro ventos.
— Hum entendi — Cameron pronunciou depois de estudar minhas feições e perceber que eu não estava brincando — Querem saber? Vou dar uma olhada na Vi e ir para casa. O dia foi cheio e estou quebrado — Levantou-se deixando sua garrafa na mesa de centro, antes de sumir no corredor para o quarto da Viola, virou-se para Shawn — Racha um táxi comigo? — Shawn assentiu e Dallas sumiu pelo corredor. Percebi quatro pares de olhos curiosos sobre mim.
— O quê?! — Perguntei um pouco alterada. Mas que rapaz idiota! Duvidando de um cara doente — Acho que vou deitar também. Boa noite, queridos.
— O que deu nesses dois? — Pude ouvir Shawn perguntar para minha amiga que soltou uma risada.



Attaching family strings


Shawn POV

O vôo de New York tinha demorado mais do que o previsto e o aeroporto estava com o saguão lotado. Algumas fãs me viram e pediram para tirar foto, me atrasando mais ainda para pedir o Uber. Busquei minhas bagagens e fui para a casa da . Eram 2h da manhã, mas Viola ia fazer um mês e eu mal havia conseguido vê-la essa última semana. Além do mais, meu apartamento era longe demais para ir a essa hora e eu estava quebrado. Desci do carro e o porteiro autorizou a minha entrada. Uma brisa quente e leve soprava indicando que o verão não estava brincando.
Tentei procurar a chave que havia deixado comigo, mas só achei quando cheguei no andar do apartamento das meninas. O corredor vazio me dava medo e tratei de abrir logo a porta. Dois pares de olhos pararam curiosos sobre mim.
, visita — O menino que parecia mais novo e estava com um pijama cheio de naves espaciais abriu a boca — Oi estranho.
— Oi estranho — Sorri para ele — Tudo bem?
— Aham — Ele respondeu voltando o olhar para a televisão — A já vem, senta aí. Eu sou o Ferris e você?
— Para de amolar o cara — Um outro menino deu um tapinha de leve no irmão — E aí.
— Shawn! — sorriu ao me ver, me abraçando em seguida — Não lembrei que você vinha hoje.
— Eu meio que... resolvi quando aterrissei — Respondi sem jeito.
— Mi casa su casa — Ela piscou — Está com sono? A logo acorda para dar a mamadeira da Viola.
— Não muito — Dei de ombros — Deixa que eu dou a mamadeira para ela.
— Sem problemas — prestava atenção num documentário sobre tubarões que os meninos assistiam — Só acorda a .
— Uhum — Concordei indo para o quarto da Viola, após lavar as mãos. Milhões de lembranças vieram na minha cabeça. Desde a ligação da Sam, até a saída do hospital e a correria para comprarmos tudo. O medo de não ser pai suficiente, a falta de experiência e.…como meus pais iriam receber essa notícia? Peguei aquela criaturinha no colo, e nada daquilo importava. Para ela eu era o cara mais foda do mundo e eu gostava de ser assim.

Alguns passos no corredor logo denunciaram que havia acordado, e rumava para o quarto.
— Vamos torcer para sua mãe não me xingar — Sussurrei para Viola que mantinha os olhos atentos em mim — O que você acha de me defender?
— Canadá — sorriu, me abraçando — Que saudades. Chegou agora?
— Não, faz um tempo — Respondi embalando Viola — Eu...já dei a mamadeira dela.
— Tudo bem — Ela sorriu — Você quer comer? Está com sono? Pode dormir lá no quarto. Estou totalmente aérea esses dias, desculpa.
— E a babá? — Arqueei a sobrancelha.
— Ela não dorme aqui, Mendes. Já ouviu falar que bebê tem cólica? — sorriu para Viola, cheirando o pescoço da bebê e tomando-a logo em seguida — A Vi não anda muito bem. Por isso não fui pra LA. Na verdade eu estou pensando em desistir da Island e ficar aqui.
— O que você bebeu hoje? — Perguntei encarando-a
— Que? — Ela parecia absorta balançando calmamente minha filha — Eu não posso largar a Vi aqui, Shawn.
— Nem eu — Rebati.
— Oh, pelo amor de Deus — revirou os olhos — Essa semana você mal ligou para mim. Eu assumi a Viola para você fazer isso mesmo. Nem sei o que eu estou fazendo. Quanto mais eu tento fazer isso dar certo, menos dá. Ela não para de chorar a noite inteira, Shawn. Ela passou vomitando 2 dias até esse maldito doutor passar remédio para refluxo. Ela tem cólica, refluxo, e ainda ficou com febre. Eu não estou dando conta. Não tem babá que me ajude de noite. A Viola precisa de mim. Agora por favor, se você quer ajudar, senta na poltrona de bico fechado.
— Eu sou o pai dela também — Bati de peito com que riu sarcástica — Também me preocupo. E estou tentando me adaptar tanto quanto você.
— Desculpa — Ela murmurou, sentando na poltrona de amamentação — Eu não aguento mais ver ela assim. Hoje ela dormiu bem.
— Então... agora tudo volta ao normal. Isso logo passa. Vai dar tudo certo — Abracei – a rapidamente.
— Vocês pareciam uma família brigando — O menino mais novo comentou ao passar ali.
— Ferris, fica quieto — rebateu rindo — Você imagina demais, sabia?
— Sei — Ele deu um gole no copo de leite e seguiu para a sala — O papai chega logo?
— Eles iam ver uma peça ou cinema? — Ela perguntou.
— Aí Josh, o pai foi numa peça ou cinema? — Ferris estendeu a pergunta para o mais velho.
— Cinema, eu acho — Logo Josh apareceu na porta — Na verdade eles devem estar no motel.
— Eca — O mais novo protestou e todos rimos — Vocês me enojam.
— Desculpa, irmãozinho. É a lei da vida. Eu não ganhei meu beijo ainda — se aproximou do pequeno que foi receber o beijo e acabou sendo lambido.
que nojo! – Ferris saiu esperneando.
— Adoro irritar ele — riu baixinho — Josh, cuida da Viola até ela dormir?
— Pode deixar — O adolescente sorriu para ela — Hey sobrinha, que tal tirar um ronco com o titio mais gostoso que você tem?
— Céus, eu sou cercado por loucos — O caçula revirou os olhos, ainda observando a cena.
— Desde quando você tem irmãos? — Indaguei e ela riu.
— Meu padrasto tem filhos. Vinha no pacote — respondeu risonha — Você não conhecia eles?
— Não.
— Eu não exponho muito eles — Ela sorriu amarelo abraçando Ferris que logo foi no colo dela.
— Ela não ama a gente — Ferris retrucou.
— Mentira — gargalhou abraçando o irmão — Eu estava morrendo de saudade de você, Fedex.
— Esse apelido de novo? — Ferris fez uma careta.
— Para de reclamar, você foi deixado aqui e ainda teve sorte que te quiseram — Ela deu um beijo em Ferris.
— Cara, eu gostei do seu cd novo, está animal — Ferris bateu a mão na testa.
— Handwritten? — Sorri orgulhoso.
— Esse mesmo! — Ele sorriu de volta se aninhando no meio das pernas de .
— Enfim, Mendes. Como foi a viagem? — perguntando sorrindo.
— Foi legal — Fiz pouco caso — Esse documentário é bom?
— Aham — concordou olhando para a TV — Sabia que os filhotes comem os outros no útero? Só nasce um!
Não contive a risada ao ver minha amiga concentrada em documentário da National Geographic. Ela ficava muito atraente quando se interessava por algo. tinha um ar de confiança que intimidava muitos caras, mas era agradável com , Cam e os irmãos. Era como se ela não se sentisse confortável o suficiente para deixar sua guarda para baixo com algumas pessoas.
— A pirralha dormiu — Josh sentou ao chão depositando algumas cartas na mesa de centro com um sorriso satisfeito — Poker?
— Sem essa — Desmoronei no sofá.
— Não ia passar Carros hoje na Disney? — Ferris olhou com cara de cachorro pidão.
— Eu não assisto Disney, como vou saber? — rebateu.
— Assiste sim — O do meio protestou rindo.
— Eu prefiro Cartoon — Ela sorriu amarelo.
— Nunca te pedi nada, maninha — O caçula implorava de joelhos — Por favorzinho.
— Ok — cedeu — Mas quem dormir por último leva esporro. Vou fazer pipoca, chorão. Procura o filme aí.
— Me espera — Josh seguiu a irmã que ia para a cozinha —Quer vir também, Shawn?
— Uhum — Dei de ombros seguindo os dois.
fez pipoca e conversava atentamente com Josh sobre alguma menina que ele estava afim. Ver isso me lembrou Aaliyah. Como será que ia ser quando a Vi crescesse e visse que os pais têm filhos com outras pessoas? Ferris entrou e o pegou no colo. Meu coração se acalmou com aquela cena.
— E vai passar o 2 também — Ele continuava pilhado no colo da irmã — Vamos ver?
— Se você prometer que vai acordar na hora que o George chamar, a gente vê — provou o sal numa pipoca e entregou para o menor — Toma, vão vocês. Eu vou fazer a doce. Fica aí, Canadá.
— Ok — Murmurei sentando na bancada — E como está se sentindo sendo a mãe do mês?
— Cansada — Ela suspirou juntando algumas coisas — Eu não devia ter voltado para o trabalho. Está cedo demais.
— A gente se acostuma — Murmurei — Isso é para cobertura?
— É — Ela respondeu e virou para mim. Apoiou as mãos em meus joelhos, de um jeito descontraído. Nossos olhares se encontraram por uns segundos e ela sorriu para mim. Pude sentir alguma coisa parecida com vergonha ou borboletas no estômago.
— Caramelo ou chocolate? — Ela perguntou, me tirando a atenção do momento.
— O quê? — Perguntei perdido.
Ela riu balançando a cabeça.
— Caramelo ou chocolate? — Ela perguntou.
— Chocolate — Pedi.
— Beleza — se espreguiçou e começou a mexer a cauda.
— São três da manhã, o que você está cozinhando? — apareceu com Viola no colo, acordada.
— Cobertura para pipoca — Ela deu de ombros
— Por que? — mostrou uma embalagem de calda — Tem cheia ainda.
— Por que eu perdi o controle da minha vida, . Só isso— respondeu mexendo a calda. soltou uma risada — Cuida dela para mim?
— Uhum — saiu com a bebê e me encarou
— Eu vou ficar louca, Shawn. Sério— Ela respirou fundo, mexendo a calda com todo cuidado. Limpei as mãos no jeans e fui até minha amiga que tentava alongar o pescoço. Observei por cima da aquele monte de ingredientes que já tinham se misturado, espalhando um cheiro maravilhoso pela cozinha.
— Já que você está aí, pega essa tigela para mim? — mostrou um pote cinza, que entreguei e sem querer coloquei as mãos nos ombros dela. Por algum motivo apertei-os e gemeu.
— Porra Mendes, aí dói — Ela reclamou.
— Só por que você está tensa.
— Eu nasci tensa — Ela riu, se contorcendo— Pelo amor de Deus não tira essa mão daí. Massageia mais fraco.
— Assim? — Ri, passando os polegares pelas costas dela, em movimentos circulares.
— Uhum — Ela abaixou a cabeça, deixando o pescoço à mostra. Logo ouvi uns bocejos e a respiração mais calma. apareceu na porta quando a calda ficou pronta.
— Qual o sentido de passar um filme infantil essa hora? — Ela meneou a cabeça, me fazendo rir
— Não tenho idéia — fez uma careta engraçada — A calda está pronta — Ela sorriu puxando meu rosto e dando um beijo na minha bochecha— Obrigada, mesmo — Minha amiga ainda passou a mão no meu ombro antes de chegar na pia para despejar a pipoca na bacia. Ficamos conversando até a cobertura esfriar. parecia feliz, diferente dos últimos dias. Me encarou com uma cara suspeita.
— Desculpa, atrapalhei vocês, né? — Ela comentou baixinho, sentando do meu lado
— Não tinha nada o que atrapalhar — Devolvi — Acho que ficar presa com o Cameron no elevador, causou algo no seu cérebro — bateu no meu braço, fazendo-me rir.
— Hey, vaza — sentou no nosso meio, passando meu braço pelos ombros dela e se acomodando. Fiquei encarando a naturalidade com que ela fez aquilo — O que foi, Canadá?
— Nada — Fiz um carinho no braço dela, puxando-a mais para perto — Ferris, já começou?
— Daqui 3 minutos — Ele respondeu absorto no fim de algum desenho —Eu vou contar para o papai que você estava se beijando com ele.
— Isso não é beijar — Ela retrucou puxando meu queixo para perto — Isso é — ia me dar um selinho quando os olhos apavorados de Ferris pairavam sobre nós. Um frio percorreu minha espinha.
— Você é louca — Josh riu freneticamente.
— Eca! — Ferris fez uma careta feia — Que nojo.
Minha amiga se contorceu, rindo.
— Desculpa Canada, não podia perder de fazer isso com ele — disse num jeito brincalhão— Foi mal.
A cara do pequeno foi impagável, mas por que eu tinha vontade que não tivesse parado o beijo?
O filme foi legal e Viola contribuiu, dormindo quase o tempo todo. abandonou a tropa e quando vi, havia dormido abraçada em mim.
— Ela dormiu? — Josh perguntou tentando enxergar a irmã.
Me mexi e se acomodou novamente. Pela primeira vez, não tive a mínima vontade de sair dali. Assenti.
— O Peter vai ficar puto — Ele sorriu maléfico.
— Você não gosta dele? — Me surpreendi.
— Não gostar é forte demais— Josh deu de ombros — Só acho ele meio burro. Quer dizer, ela era uma super namorada, cara. E ele não acreditar nela foi muita mancada.
— Acreditar? — Franzi o cenho.
— Mendes, a me conta tudo— O irmão do meio me fitou — Pode não parecer, mas nós nos damos muito bem.
— Ok. Ele é muito burro então — Concordei rindo. — Ele achar que a ia esconder uma criança?
— Deve ser o câncer dele que mexeu com os miolos — Ele meneou a cabeça, despreocupado — tomara que ela pare de gostar dele. Você parece gostar dela, sabe?
— Quem não gosta, Josh? — Acomodei-a com as pernas no meu colo — Mas ela é meio casca grossa.
— Não com você — Ele mexeu os ombros, num gesto de "estou só dizendo"— Para quem tinha medo e nem queria casar, formar uma família é uma superação.
— Josh, a gente não...
— Eu sei, Shawn — Josh me interrompeu, virando para mim — Vocês não estão juntos. Mas isso é uma família. Querendo vocês ou não. Ela melhorou muito quando ganhou a bebê. Você pode nem notar, mas tipo, ela ama essa menina mais do que qualquer coisa. Nunca a vi tão atenciosa com alguém, além do Fedex.
— Não fala mal da minha irmã! —O caçula murmurou — Olha Shawn, eu gosto de ser tio. Vê se não pisa na bola.
— Vai com calma aí — O do meio atirou uma almofada nele — Mas sabe, isso meio que faz de você meu cunhado.
— Isso não é tão mal — Comentei rindo da atitude do Ferris— Relaxa, Fedex. Eu não sou um monstro.
— Minha irmã que o diga — Ele riu amarelo quando viu a irmã dormindo no meu colo.
— Ah cara, tenta ser meu amigo — Me fiz de ofendido — Eu pago um sundae de café da manhã.
— Hoje? — Ele ponderou.
— Pode ser — Dei de ombros— Beleza? — Estiquei minha mão para ele apertar e ele apertou.
— Beleza — Ferris concordou. Selando nosso acordo.
— Mesmo?
— Sim, mas você não pode me chamar de Fedex — Ele apertou minha mão de novo e saiu — E precisa pedir para ela deixar eu ver o Carros 2.
— Feito.
(***)


Antes do fim do filme, pude ouvir o chorinho da Viola e quando percebi, acabou acordando também, indo em direção ao quarto da minha filha.
— Eu posso assistir Carros2? — Ferris indagou, olhando para mim.
— Aproveita que a sua irmã está no quarto, eu digo que deixei — Cochichei indo ajudar com a bebê.
— Tenta ninar ela? — Ela pediu com um ar cansado, me entregando Vi— Você pode dormir na minha cama. Só vou tomar um banho e arrumo.
— Não precisa, — Dei de ombros – Para isso tem a cama — Pisquei e minha amiga gargalhou baixinho — Ah, o Ferris está vendo Carros 2. Eu deixei.
— Não dá muita corda, Shawn. Criança é fofa, mas se deixar eles te sugam a alma — Ela riu me dando um beijo e indo para o banheiro.
(***)

Ferris capotou no início do segundo filme, mesmo lutando contra suas próprias forças para terminar de assistir. Josh colocou ele na cama, e todo mundo acabou dormindo. Acordei com um chorinho da Viola. Ninei ela e a coloquei no berço. Fui buscar água quando um ouvi um estrondo vindo no quarto da bebê. Larguei o copo, dando de cara um uma com uma espécie de blusa de renda.
— Mendes, que susto! — respirou fundo, colocando a mão no peito.
— Susto? Você toca uma banda marcial aqui no quarto e acha que eu não me assusto também? — Devolvi, rindo.
— Idiota — Ela murmurou recolhendo a lâmpada quebrada, do abajur que havia caído — Desculpa.
— Está tudo bem. Só vamos juntar tudo para eu continuar dormindo — Ri.
— Eu estou bem, Canadá. Muito obrigada — sorriu amarelo — Se você não tivesse me tomado a babá eletrônica eu não ia quebrar essa coisa. Ia ter ouvido antes.
— Desculpa por tentar ajudar você a dormir — Mostrei a língua para ela.
— Idiota — Ela riu, tentando me dar um empurrão, acabou caindo para trás, com as mãos em cima de uns cacos de vidro — Ai pronto, meu segundo tombo hoje.
— Deixa eu ver — Ri levantando e pegando a mão dela. Alguns cacos haviam cortado sim, mas nada extremamente grave. Só doloroso — Acho melhor a gente chamar a polícia — Debochei.
— Eu vou cortar você também, seu ridículo — reclamou, assoprando os machucados — Isso está sangrando. E está doendo. Eu vou fazer um curativo, depois eu junto isso.
— Eu faço — Peguei a mão dela que já tinha começado a sangrar e segurei, puxando até a cozinha.
— Virou médico agora? — Ela riu pelo nariz.
— Eu sou tipo o Ken, gatinha. Várias profissões — Pisquei — Onde tá essa merda de kit?
— Ali em cima — apontou.
— Ok — Peguei o iodo e uma gaze e comecei a limpar. que havia sentado na bancada da cozinha, batia os pés e resmungava baixinho.
— Brilha linda flor, seu poder venceu. Traz de volta o que uma vez já foi meu — Ela cantava rápido me fazendo rir — Mendes, para com essa bosta você está me machucando — Ela tirou a mão de perto de mim, balançando no ar— Que foi? Nunca viu alguém cantar para não falar palavrão?
— Não — Cruzei os braços e ela desceu da bancada. Colocou um spray amortecedor, e amarrou uma atadura na mão com toda a calma.
— Pronto — suspirou — Agora dá para terminar lá. Guarda ali para mim?
— Ok — Guardei, seguindo aquela pessoa seminua pelo apartamento.
— Mendes, eu estou aqui em cima — Ela interrompeu a limpeza bufando, ao ver que eu, volta e meia descia meu olhar para o colo dela.
— Desculpa — Encarei aquela criatura envergonhada, tanto quanto a mim.
— Vocês não podem ver um par de peitos, credo.
— Não mesmo — Concordei rindo — Desculpa.
— Está tudo bem — Ela sorriu, colocando uma mecha do cabelo para trás — Eu devia ter me trocado. Nem posso reclamar.
— Ao menos você tem peitos bonitos — Brinquei e riu também.
Demoramos um pouco até juntar todos os cacos da lâmpada que quebrou. Nenhum de nós dois parávamos em pé, devido ao sono. Levei o lixo na cozinha, e quando voltei estava terminando de cobrir a Viola.
— Então, Canada — bocejou, passando o braço na minha cintura para dar um abraço. Quando fui dar um beijo nela, Vi se remexeu sonhando, fazendo com que virássemos para ela, ao nos olharmos novamente, nossos narizes se tocaram. reclamou alguma coisa e riu, mas continuou me encarando. Não consegui pensar em mais nada, quando a vi me fitando tão de perto e sentindo a respiração dela batendo em meu rosto. Minhas mãos automaticamente circundaram a cintura dela, e logo me vi beijando–a. , que antes parecia em choque, colocou suas mãos em minha nuca. Puxei–a pelo queixo e minha língua pediu passagem. Quando fui puxa– lá mais para perto, ouvi uma risadinha.
— O que foi? — Parei o beijo e vi que ela olhava para mim.
— Shawn — Ela franziu o cenho e me fitou— Se isso é sobre hoje era só brincadeira, não era nada sério.
— Então por que você está com a mão na minha nuca — Repliquei, encarando–a e ela desfez o olhar sério, fitando meus lábios.
— Eu não quero que as coisas fiquem estranhas— Ela titubeou — Essa coisa de pegar e não me apegar, não é comigo. Desculpa. Não quero brincar com os sentimentos de ninguém...
, alguém já falou que você não fecha a boca? — Ri pelo nariz e beijei–a de surpresa, puxando pelo cós do short mais para perto. Ficamos um bom tempo assim, sem pressa nenhuma, avanço ou retrocesso. Pude sentir que ela cedia a alguns pequenos toques meus, mas eu não podia leva– lá para a cama e não me atrevi a atropelar aquele momento. Era como se aquilo fosse algo do qual eu precisasse fazer parte minha vida inteira, mas só soubesse agora. Tipo uma sobremesa que você quer comer de uma vez, mas ainda assim quer guardar para mais tarde.
— Eu preciso dormir, Mendes — murmurou, parando o beijo— Isso...não pode acontecer de novo.
— Eu sei — Tirei as mãos dela e arrumei meu topete.
— Estou parecendo uma criança que foi pega aprontando — Ela reclamou rindo — Não que você beije mal, Canadá. Muito pelo contrário. Mas pela Vi, esquece isso. Ok?
— Ok — Concordei.
— Mas sabe — já havia virando em direção a porta e me puxou pela camiseta de leve, me dando um selinho— Um a mais, um a menos, tanto faz.
— Também acho — Ri dando outro selinho nela — Se amanhã eu morrer de vergonha a culpa é sua.
SUA — Ela corrigiu — Foi você que me beijou.
— E você voltou — Retruquei.
— Nossa, então amanhã faz de conta que eu sou uma freira, por favor Mendes. E pelo resto da minha vida. Eu amo você, mas sabe...
— Sei — Ri— Está tudo bem, aconteceu. Não acontece mais. Prometo.
— Até amanhã, Canadá — acenou, indo embora e fechando a porta do quarto.
‘’Precisamos conversar, dude’’ enviei para Brian. “O QUE FOI? Engravidou outra namorada?” , meu telefone vibrou segundos depois. “Pior, eu beijei a . E pior ainda, ela correspondeu.”
Dormi com um frio na barriga. Malditas borboletas. Por que não morrem?

Eram umas 8h da manhã quando Brian me acordou, ligando para meu telefone incessantemente. Aceitei a chamada de vídeo e logo vi uma cabeça vermelha na tela.
— E aí.
Cabeção — Brian sorriu – Estava filando a loirinha de novo?
— Cara, relaxa — Bocejei — Você às vezes é meio pedante.
Sério? — Ele debochou — Eu só liguei para dar um bom dia. Deixar a chama do bromance acesa, se é que você me entende.
— Estou ligado — Concordei — Alguma novidade?
Nada, a Leah mandou um oi — Brian deu de ombros — Eu consegui licença da faculdade para ir na turnê .
— Graças a Deus — Suspirei aliviado.
Eu que o diga — Ele sorriu — Vai ser bom, cara. Eu vou poder ver minha afilhada e tudo mais. Ela é uma gracinha.
— É mesmo — Sorri caminhando até o berço onde minha filha dormia apontando a câmera frontal para ela, que dormia e dava uns chutes.
Puta que pariu, Mendes — Brian guinchou — Essa menina é linda para caralho. Vai te dar um trabalho da porra.
— Olha a boca, cara — Ri.
Foi mal, Viola — Ele se desculpou— Agora, falando sério... você já viu a mãe dela?
— Está dormindo no quarto do lado — Respondi, coçando os olhos.
A Samantha.
— Ela não é nada, Brian. Deixa isso onde deve ficar, no passado— Bronqueei.
Não está mais aqui quem falou — Brian se defendeu— Você está certo. Ainda bem que existe pessoa louca feito a para ajudar você. E o Manny, o que disse?
— Não contei para ele ainda — Desabafei.
Isso vai dar merda — Ele contestou.
— Daqui há 5 dias eles chegam e eu conto aqui — Murchei— Estou com medo.
De que? — Brian franziu o cenho.
— Deles me xingarem, cara — Bufei — De quererem que eu pare tudo, leve ela para o Canadá e sabe Deus o que.
Eu vou junto — Meu melhor amigo ponderou alguma solução— Ao menos o Sr.Mendes eu seguro.
— Ok — Respondi.
Shawn, o papo está ótimo, mas nem tudo é perfeito — Ele sorriu — Tenho que estagiar hoje ainda. Tchau, cara. Me liga.
— Pode deixar — Murmurei com Brian desligando a conversa.
Dei um banho na Vi e logo escutei no telefone. Fiz dois cafés e levei no quarto.
— Bom dia, Canadá — A loira sorriu ao me ver carregar a bebê — Bom dia para a gatinha mais cheirosa do mundo.
— E eu? Nenhum cheiro, beijo nem nada? — Reclamei— Trouxe até café.
— Desculpa — bateu com a mão no lado da cama para que eu sentasse e pegou meu café— Obrigada, pai do mês.
— De nada, mãe do mês — Devolvi e ela me deu um beijo na bochecha— Quem era no telefone?
— Marion — Ela respondeu dando de ombros — Ela sabe de tudo, fica tranquilo.
— Por que você chama ela pelo nome e não de mãe? — Perguntei curioso
— Eu acostumei por que ela era diretora, depois foi difícil parar — explicou — Enfim, eles chegam logo. Minha mãe está morrendo de saudades sua. Acho que você vai gostar do meu padrasto. Eu prometo que não saio de perto de você.
— Não vou discutir — Suspirei.
— Ótimo — Ela riu — Toma banho que eu vou fazer o café e acordar os meninos. E Canadá, parabéns. Você está me surpreendendo. Obrigada por confiar em mim. Me dá um abraço? — Fiz que sim com a cabeça e largou Viola do lado e sentou de frente para mim no meu colo, me abraçando de um jeito que só ela sabia fazer — Obrigada mesmo.
, eu acho que se tem alguém aqui que precisa agradecer somos nós.
— Estamos quites — sorriu de um modo que os olhos dela sorriram também — Vou nessa. Dá uma mamadeira pra Viola. A deve estar atrasada e louca comigo. Acorda os meninos para mim?
— Beleza, esposa — Ri dando um tapinha na bunda dela, que protestou com um ‘’hey’’.

— HumdiaShawn — murmurou quando saí do banheiro.
— Que?
— Bom dia Shawn — Ela riu bocejando e me dando um tapinha nas costas
— Meninos, a Katharine mandou vocês levantarem — Acendi a luz e Ferris me mandou o dedo do meio
— Vai se ferrar, isso é abuso de autoridade — Ele reclamou ainda deitado e Josh riu ainda de baixo das cobertas.
— Eu vou comer todo o seu café, Fedex — Dei de ombros — Você que sabe.
— Não vai comer meu cereal coisa nenhuma — Ferris se ergueu um pouco da cama — Eu já vou.
— Você sabe fazer panquecas? — Josh me perguntou, ainda de pijama.
— Sei sim — Respondi.
— Pode fazer para a gente? — Ele perguntou sorrindo.
— Eu ajudo — apareceu na cozinha, enquanto berrava por .
— O que foi ? — apareceu com Viola enrolada em um macacão com capuz de urso.
— Eu vou precisar trabalhar hoje — Ela miou — E não vou poder ficar, ok? Dá um beijo no Fedex e na Marion.
— Isso está uma bagunça. Vamos nos organizar. Shawn, troca a Viola para mim? O Josh faz as panquecas e ?
— Eu? — Nossa amiga colocou a cabeça para fora do banheiro com metade do rosto maquiado.
— Para de surtar — riu abraçando a amiga — Vai dar tudo certo.
— Beleza — respirou fundo — Eu vou ficar pronta então.
— Isso — riu, empurrando de volta para o banheiro —E u tomo conta aqui.
— Sutil como um elefante, amo você maninha — Josh sorriu para ela, fazendo as panquecas.
— E AI QUERIDOS, SENTIRAM MINHA FALTA? — Um homem de uns 45 anos pulou na cozinha e Ferris pulou nele.
— Que demora de vocês — O pequeno reclamou no colo do pai.
— Eu também senti sua falta — Riu o cara de olhos azuis com um sotaque britânico — De todo mundo. Mas dessa belezinha mais ainda — Ele pegou Viola e deu um beijo em — Majestade.
— Vossa alteza — Ela riu — George, esse é o Shawn.
— Muito bem — Ele sorriu e me estendeu a mão — Eu sou o chefe desses malucos. Pode me chamar de George
— Shawn — Apertei a mão dele e era impossível não sorrir — Pai da Viola.
— O encrenqueiro — George concluiu aconchegando Viola um pouco mais. Meneei a cabeça positivamente.
— Oi meninos, oi meninas — A mãe de chegou na porta com o salto na mão — Cadê a outra integrante da seita?
— Está se arrumando para trabalhar — deu um beijo na mãe.
— Pobrezinha. Olá, Mendes — Marion sorriu para mim — Quanto tempo. Que bom ver você, querido.
— Bom ver você também — Abracei-a.
— Josh, tem como acelerar as panquecas? — Ela perguntou e ele fez que sim — Ótimo, eu vou tomar banho — Marion deu vários beijinhos em Viola que sorria abertamente, mostrando a boquinha sem dentes ainda.
— Dá um jeito nesse telefone — Ferris rolou os olhos, entregando o aparelho nas mãos da irmã, que rejeitou a chamada. Olhei pra ela sem entender.
— Era o Peter — explicou, continuando as tarefas, pensativa. Logo o telefone tocou novamente — ahn, George?!
— Tudo bem, eu dou um jeito — Ele atendeu — Telefone da ? Sou o secretário dela, senhor. No que posso ajudar? — George esperou alguns segundos — Ela no momento está ocupada, mas eu passo o recado— Ele desligou — Babaca — Ele riu irônico — Você me deve uma — Ele pontou para que ria.
— Ele caiu? — Ela parecia incrédula.
— Igual um patinho — George se gabou de um jeito sério, dando um beijo no topo da cabeça dela e pegando uns pratos.
Terminamos de arrumar a mesa e começamos a tomar café. logo apareceu toda arrumada, diferente do que geralmente usava em casa.
— Então, família — Ela puxou a cadeira, sentando do meu lado — Quem que queria minha presença? Estou aqui.
— Eu — mandou um beijo para George que pegou no ar e levou ao coração. Levantou, arrumando a manga da camisa social, com um sorriso — Bom...ontem nós fomos passear com uns amigos, como vocês sabem. E ontem, quando a falou que o Shawn estava aqui, pensei em incluir você nessa — Ele me olhou e riu — Sem indiretas, filho. O fato é que quero que vocês sejam testemunhas e me digam. O que vocês acham de um casamento ano que vem?
— De quem? — Marion perguntou e George sussurrou um ‘’sério?’’ para ela, que fez todos rirem.
— Não sendo meu — sorriu.
— Estou dentro — Josh e Ferrris falaram juntos.
— Obrigada, Deus — Ele suspirou aliviado — Querida, levanta.
— Certo — Marion levantou-se um pouco receosa.
— Já que esses 3 pivetes disseram que sim, agora só falta você — George tirou um anel de noivado de uma caixinha da Tiffany’s — Marion , aceita casar comigo e me aturar todo o resto da sua vida?
— Sim! — Ela sorriu e deu um beijo nele. Logo ele colocou a aliança nela, e voltou a buscar outra caixinha – Ai meu Deus. Sim.
, vem aqui também — Ele estendeu a mão e puxou — Eu sei que você odeia os anéis da Tiffany por que quase levou sua mãe para falência com os da Pandora — George abriu uma caixinha com um anel lindo em forma de coroa — Sei que você não é o tipo que ia parar o casamento, mas acho justo fazer isso. Eu não quero ser só padrasto. Você sabe que amo ser padrasto de menina e ter que atender telefone de caras chatos. Quer ser minha filha? Por que eu quero muito seu pai.
— Aaaaaaaaah — Ela deu um gritinho e colocou as mãos na boca — Quero, eu aceito. Eu vou passar mal — gargalhava enquanto George colocava o anel na mão dela.
— Amo você, princesa — Ele abraçou , com um sorriso de orelha a orelha.
— Eu também quero — Ferris protestou.
— Você é menina? — A mãe de perguntou.
— Não.
— Então sem chance — Ela deu um tapinha nas costas dele, divertida — Hoje era um dia para ir na marina — Marion comentou.
— Acho legal, bom passeio — deu um beijo em cada um — Eu preciso mesmo ir. Só volto de noite. Amo vocês.
espera. Me dá carona — Chamei minha amiga que não deu a mínima.
— Fica aí com a , faz algo — Ela me deu um tchauzinho e fechou a porta.
Voltei a sentar e Viola se mexia no bebê conforto, chupando as mãozinhas.
— Shawn, quer ir também? — George sorriu para mim, já ligando para o clube — Isso, queria uma mesa para 6. Obrigada.
— Não tente contrariar — colocou a mão no meu ombro, rindo.
— Marcado — Ele sorriu terminando o café — Então, a dispensou você? Você não é o primeiro — Ele riu.
— Eu não queria atrapalhar o momento de vocês — Expliquei.
— Imagina, acho ótimo que você fique — George comentou — Você é pai da Viola, camarada. É parte da família, quero que você vá. Se arrumem e vamos nos dividir nos carros.

Dei a mamadeira para a bebê, que logo começou a responder com uns sons engraçadinhos o que eu falava. logo apareceu e riu da situação.
— Que papo é esse? — Ela perguntou com uma voz diferente e fez um carinho na barriga de Viola— Ela é tão linda.
— É sim — Concordei ao ver os olhos da minha amiga brilhando. Puxei para ela sentar do meu lado e ela sentou, apoiando a cabeça no meu ombro. Senti uma mão começar a fazer cafuné em mim.
— Eu amo muito vocês — Ela sorriu e se aconchegou mais em meu ombro.
— Também amamos você — A resposta saiu de mim, como uma bala. Olhei para ela que mantinha os olhos fixos em Viola, e passou a me encarar. Dizem que para fazer coisas que você queira, basta 4 segundos de coragem. Me aproximei de e engoli em seco. A boca dela estava entreaberta e a respiração passou por ali, tocando meus lábios. Terminei com aquela distância, selando nossos lábios. Dessa vez senti que ela não ficou com medo e o beijo foi evoluindo. Uma onda magnética percorreu meu corpo ao sentir a mão dela na minha nuca. Mordisquei o lábio inferior dela e a senti sorrir. Isso estava definitivamente indo longe demais.
, alcança aquela maquiagem Naked 3 para mim? — A voz de Marion surgiu ao longe, fazendo se separar do beijo.
-Estou indo! — Ela berrou para a mãe e soltou uma risada anasalada.
Terminei de dar a mamadeira e fui escolher alguma roupinha para a Viola e para mim. Optei por um terno cinza escuro, com uma camisa social preta e uma calça de sarja preta também.
— Você demora para vestir ela — surgiu das cinzas na porta do quarto, e tirou a roupa da minha mão. Colocou um tip top rosa com ursinhos marrons e uma faixa verde água.
— Pronta, filha — Ela pegou Viola, que tinha começado a chorar — Esse seu pai ainda pega o jeito. Eu sei.
— Ela está bem? — Perguntei e começou a embalar a bebê. Fez que sim com a cabeça e saiu do quarto.
— Shawn, amarra meu tênis? — Ferris pediu na porta do quarto, vestido com uma blusa de gola pólo, calça skinny e um tênis social.
— Está pronta? — Perguntei amarrando os cadarços do caçula.
— Quase — respondeu colocando um scarpin rosa envelhecido, de vinil.
— Vamos crianças? — Marion apareceu no quarto.
— Estou bonita? — Minha amiga perguntou com um sorriso nervoso.
— Está maravilhosa! — Concordei ao vê-la numa calça boyfriend, de um jeans mesclado e um cropped preto de cetim com alças finas.
— Você não parece nada mal também — franziu o nariz rindo e arrumando as mangas do meu blazer — Está maravilhoso — Ela me deu um beijo na bochecha e saiu para a sala.
— Então, como vamos? — George perguntou fechando o relógio.
— Ahn, nós vamos com o carro da — Me pronunciei — Alguém quer carona?
— Eu vou com o pai — Josh tirou o celular da tomada e colocou no bolso.
— Posso ir com você, maninha? — Ferris grudou na perna da irmã.
— Pode sim — Ela bagunçou o cabelo dele, e pegou uma bolsa.
— Vamos lá, então — A mãe da empurrou todo mundo para fora.
— Pegou os óculos de sol? — Minha amiga perguntou e meneei a cabeça negativamente. tirou um clubmaster marrom dos olhos e me entregou— Só ficar de boca fechadinha enquanto estivermos perto de todos.
— Sim senhora — Ri pegando Vi no colo e entrando no elevador.
— É só seguir o George — Minha amiga comentou ao colocar o cinto de segurança.
— Ok — Dei partida no carro, estranhando o comportamento quieto do meu lado— Está tudo bem? — Perguntei e fez que não. Coloquei minha mão na perna dela e nossas mãos ficaram enlaçadas até o caminho do píer.
— Eu estou cansada, não liga — Ela me abraçou pela cintura e peguei Viola no bebê conforto. A marina era calma, e eu adorei o fato de não ter nenhum adolescente por ali. Depois de olharmos mil vezes o cardápio, desistimos de ajudar a escolher e pediu uma taça de vinho chardonnay. Era bom ver como eles eram uma família e trabalhavam duro para isso. A mãe da era diretora na escola que ela estudou, George advogado e os meninos eram agradáveis. Ferris reclamava do uniforme para a própria diretora e discutia por que queria ficar na turma de uma professora específica. Josh estava indo para uma escola preparatória e discutia sobre os planos para depois da faculdade. resolveu dar uma volta no deque, e me convidou para ir também. Colocamos os pés na água e ficamos observando o mar de Santa Monica.
— Você não acha que a nossa vida mudou demais em um mês? — Ela começou o assunto, com uma cara pesada.
— Às vezes sim — Atirei uma pedrinha na água, fazendo com que várias ondinhas aparecessem ali— Por que?
— É que, se não fosse o Rhodes — Ela explicou — A gente ia estar casado. Ou pior. Sem a Vi.
— O Mark queria me foder — Concordei — Aí o Rhodes veio com um papo que você poderia ter alguns problemas. Ele deve ter ameaçado o Mark, mas quando contei para o Andrew, ele disse que o plano de você passar de mãe solteira ia ser melhor.
— O Andrew sabe? — Ela perguntou surpresa
— Sim — Respondi — Graças a ele e a mim, você pariu a Viola.
— Eu o que? — olhou para mim — Você não adulterou aquelas merdas de documentos, me diz isso.
— Não foi eu — Rolei os olhos— Mas não arriscaria. A gente conseguiu. Demorou mas deu certo.
— Vamos com calma — Ela respirou fundo — Me explica.
— Até os documentos do hospital foram forjados. No papel, você deu à luz a Viola — Gesticulei — Só para garantir. Dinheiro faz milagres e se não ajudasse minha filha não ia adiantar nada.
— Eu não devia ter perguntando — Ela riu e rolou os olhos — Mas está tudo bem para mim. Ninguém olha isso a fundo mesmo.
— Não — Concordei — Eu me senti horrível, mas passou.
— O que não se faz por um filho — Minha amiga piscou, levantando — A comida logo chega e preciso dar comida para a Vi.
Comemos um salmão com molho ao vinho e ficamos jogando conversa fora. Por um milagre tinha terminado todos os compromissos da semana. Ferris perguntou se podia ganhar o sorvete dele. Gargalhei e o levei para a parte de sobremesas.
— Pode escolher qualquer um aí — Mostrei para ele, que correu em passos largos para as sobremesas.
— Ele parece o Shawn Mendes — Uma menina perto dele comentou.
— E você precisa de óculos — O tampinha rebateu numa atuação incrível — Ele é o namorado da minha irmã.
— Certo — ri quando ele chegou perto — Me ajuda a escolher uma sobremesa para sua irmã.
— Ok — Ele voltou para mesa e me trouxe um petit gateau com uma bola de sorvete de creme com calda de cereja.
— De onde você tirou essa história de namorado da sua irmã? — Me abaixei, perguntando no ouvido dele.
— Esses óculos tem o mesmo efeito que a peruca da Hannah Montana — Ele deu uns tapinhas na minhas costas e seguiu para a mesa, lambendo os dedinhos. — , eu escolhi uma sobremesa para você.
— Mas eu não pedi — Ela protestou.
— Eu pedi — Ri e sentei do lado dela e ofereci uma garfada do bolo. Acabamos dividindo a sobremesa e indo para um shopping lá perto. insistiu para ir comprar umas roupas para Viola que não parava de chorar, me deixando aflito.
— Está nervoso, papai? — Ela debochou, com um risinho. Deitei Viola no meu peito e logo ela dormiu de novo. O carrinho parecia um estoque de loja, com mini vestidinhos, tiptops, macacões e algumas faixas. Dei risada ao ver que eu havia escolhido grande parte das coisinhas ali. Pagamos e fomos para meu apartamento. O sol estava se pondo quando chegamos. parecia absorta na paisagem de Hollywood.
— É mais bonito daqui? — Perguntei.
— O que? — me olhou.
— O pôr do sol.
— Um pouco diferente — Ela concordou com um sorriso, abraçando as pernas — Aqui eu posso observar sem ficar correndo — Hoje era dia de tomar um porre, até que horas aquele pub perto da sua casa fica aberto?
— Até de manhã, mas pensei na gente beber e comer umas batatas fritas.
— Ótimo — bateu palmas — eu faço.
— Eu pego umas trufadas lá perto. Quer algo? — Questionei e ela resmungou um café.
— Acho que eu vou largar o trabalho com você — Ela disparou.
— Não! — Protestei — Qual o problema?
— Eu não gosto de sofrer o mainstreaming que o Josiah faz comigo. E não estou mais nos shows. Estou me sentindo uma inútil.
— Mas o que você vai fazer? — Minha amiga deu de ombros sem tirar os olhos da paisagem.
— Alugar um lugar legal, trabalhar com fotografia do jeito que eu quero, ficar mais com a Vi — numerou, respirando — Depois dos primeiros shows eu saio.
— Não adianta eu pedir para você ficar, certo? — Perguntei ao estacionar.
— Não — Ela respondeu rapidamente — Mas eu ajudo em qualquer coisa que você quiser, até por que ainda vou ficar na Island.
— Certo — Peguei o bebê conforto com a usuária tentando conversar comigo — Até a Viola acha que você devia ficar.
— Ela só sabe dormir, chorar, mamar, rolar e vomitar — rolou os olhos.
Subimos e desci novamente, com uma roupa mais confortável. Busquei a batata frita e quando voltei, encontrei dormindo com Viola no peito. O braço fechado de tatuagens pousava sobre a bebê, para que ela não fugisse. Depois de anos, percebi que as tatuagens que cobriam um braço dela, eram rosas, sobrepostas delicadamente umas sobre as outras. Passava Friends na televisão e sentei para assistir. acordou na hora que Rachel pedia que desejassem boa sorte na busca de um trabalho.
— Não sabia que você assiste Friends — Ela sorriu.
— Nunca assisti — Dei de ombros — Mas gostei.
e eu assistimos tudo — Ela gargalhou sentando do meu lado e roubando uma batata frita — Você riu na hora que ele falou que devia ter desconfiado que a Carol era lésbica por que tomava cerveja na latinha? — Ela riu até chorar. Meneei a cabeça negativamente — Você assistiu errado. Vamos ver desde o começo.
Ela pegou uma cerveja e ofereceu para mim. Assistimos o episódio e ri naquela parte. Na verdade me fez rir mais do que o episódio, dizendo todas as falas de cor. Viola dormiu e aproveitamos para descer na piscina e ficamos na água observando Malibu de longe. Viola começou a chorar e subimos para dar um banho nela e colocar para dormir. Demoramos um pouco, por que foi difícil fazê-la dormir. Um choro estridente tomava conta do apartamento, nos deixando loucos. Até que ela levou as mãos na boquinha e começou a chupar.
— Às vezes eu queria que você falasse — Reclamei, secando-a entre o chororô.
— Aqui — chegou com a mamadeira e vestiu Viola rapidamente. Estava terminando de fazê-la dormir quando o interfone tocou. Coloquei ela no cestinho e fui atender.
— Fala, Arthur.
— Os pais do senhor estão aqui, mando subir? — O porteiro perguntou com uma voz de sono. Gelei.
— Pode mandar sim — Autorizei — Ajuda eles com as malas?
— Sim senhor. Boa noite.
— Obrigada, Arthur. Boa noite para você também — Gaguejei.
— O que foi? — perguntou assustada.
— Sabe quando o Gordon não mata o Pinguim e ele volta para Gotham?
— Que?
— Esquece — Cocei a cabeça — Meus pais estão subindo. Eles...estão aqui.
— Puta merda — Ela arregalou os olhos — E agora?
— Pior do que está, não fica — Respirei fundo.



Our fake relationship


Shawn POV

Eu encarava sem saber o que fazer. O porteiro do meu prédio acabara de anunciar que meus pais estavam na portaria e de brinde, se encaminhando para subir, já que quando decidi me mudar para Los Angeles, avisei ao porteiro que qualquer membro da minha família poderia subir livremente ao meu apartamento. Embora isso fosse arriscado por conta das fãs, nunca tive sequer um problema relacionado a visitas. comprimiu os lábios tentando pensar em algo; Viola estava dormindo tranquilamente no Moisés em cima da minha cama. Quando tentei abrir a boca para tentarmos pensar em um plano, a campainha tocou longamente e eu sabia que algo não estava certo. Minha mãe jamais apertaria aquele botão durante um tempo se não estivesse digamos... bem fula da vida.
— Escuta, deixa que eu falo tudo, ok? Há uma fera nos esperando por trás daquela porta — Falei segurando nos ombros pequenos de minha amiga que concordou comigo. Caminhei até a porta e três vultos passaram por mim. Três? — Samantha?
— Shawn Mendes, precisamos ter uma conversa muito séria com você.
Minha mãe gritou jogando a bolsa no sofá e cruzando os braços em seguida.
— Ahn... antes — apontei para Samantha que fazia a sua melhor cara de cachorrinho que caiu da mudança — O que ela está fazendo aqui?
— Como você ousa privar uma mãe, UMA MÃE, Shawn, de ver a filha? — Minha mãe apontava para Samantha e Viola. Eu e nos entreolhamos sem saber exatamente do que ela estava falando.
— Karen, olha... eu acho que há algo errado aqui — sorriu amarelo para minha mãe que a fuzilou com os olhos, murchando seu sorriso.
— Você está junto com ele nisso?! Mas que bela dupla! Manuel, fale algo! — Minha mãe colocou meu pai na roda, que se assustou com o grito.
Meu pai caminhou lentamente até a Samantha que encarava o chão, sem se pronunciar nenhuma vez, ele pousou a mão em seu ombro para confortá-la.
— Sabemos que a Sam não foi uma boa mãe por ter vários problemas com drogas, bebidas e apostas. Mas veja bem, as pessoas mudam quando há uma prioridade maior. Ela percebeu que sua filha é mais importante que tudo.
— Ah é? — Olhei para Sam que continuava a encarar o chão — Me diz então qual o nome da sua “filha”, Samantha.
Cruzei os braços olhando fixamente para aquela atriz de meia tigela que conseguia convencer meus pais que eu e éramos os vilões daquela história.
— Você quer mostrar para os seus pais como eu sou ruim, não é? Pois saiba que eles sabem como sou boa mãe, mostrei todas as mensagens que te mandei desde que você a pegou para criar e nunca me deixou ver! — Samantha se pronunciou com a voz embargada e soltei uma risada sarcástica, batendo palmas em seguida.
— Você sabia que a amiga da está precisando de uma atriz para um roteiro? Você seria perfeita!
Minha mãe avançou em minha direção como um furacão e naquele momento, meu corpo inteiro se retesou.
— Trate bem a mãe da sua filha ou eu não responderei pelos meus atos.
— A Samantha está fingindo! — gritou — Ela sequer ligou para o Shawn todo esse tempo que estivemos com a bebê. Ela largou a Viola no hospital! NUM CESTO! Como uma mãe faz isso com seu próprio bebê? Me diz, Karen. ME DIZ! – Ela gritou novamente apontando para Samantha que fingia um chorinho. Deus me perdoe, mas eu queria bater nela.
— Eu me arrependo até hoje da besteira que fiz. Não era eu naquele momento — Sam disse limpando algumas lágrimas.
— Não era você? Mas vejam só, dias depois você estava viajando pela Europa com seu novo namoradinho e nem se importou se minha filha precisava de algo, por sorte, eu tenho a — Agarrei a mão da minha amiga que tremia de nervoso só de olhar para Samantha e seria melhor continuar segurando, nunca se sabe quando ela pode voar automaticamente para a cara dela.
— Eu errei, Shawn. Eu admito. Eu errei — Sam bateu em seu peito, demonstrando estar arrependida — Eu só quero vê-la e passar algum tempinho, para que saiba que a mãe dela existe.
— A mãe dela é real e se chama e não Samantha — Eu disse firme e forte, sentindo a mão de apertar a minha.
— Filho, apenas uma chance. Uma chance. Só isso. Depois a Sam irá embora, conforme falou para nós, não é mesmo, querida? — Minha mãe lançou um sorriso acalentador para Sam que concordou. Encarei minha ex-namorada por alguns instantes e talvez, bem lá no fundo do seu coração, ela se arrependesse e quisesse ter uma parcela bem pequenina na vida da Viola, o problema era confiar nela para passar um tempo com a minha filha. E se ela tentasse algo?
— Não acho justo — soltou nossas mãos e caminhou até Samantha, meu sangue gelou — O que você pretende fazer na vida da Viola? — Ela perguntou para minha ex que a mediu.
— Não acho que devo satisfações a você.
cerrou os punhos e pude já imaginar a cena da minha amiga socando a cara dela e puxando seus cabelos, mas não foi isso que aconteceu.
— Acho que deve sim, já que eu e o Shawn estamos juntos e sou, legalmente, a mãe da Viola.
Samantha encarou-a boquiaberta, jamais imaginaria que eu e estivéssemos “juntos”.
— Aliás, tenho todos os documentos para provar, não é, Shawn? — se virou para mim com um sorriso vitorioso nos lábios, mas no fundo eu sabia que ela estava com medo da situação.
Meus pais decidiram que não seria necessário mostrar os papéis, o importante era que a neta deles esteja sendo bem cuidada e amada por uma família completa e sem rachaduras. Puxei para meu quarto.
— O que nós vamos fazer? — Minha amiga perguntou de braços cruzados encarando a parede da minha cama cheia de indicações de prêmios, alguns álbuns de platina e fotos.
— Eu não sei, de verdade. Talvez ela esteja falando a verdade.
soltou uma risada irônica.
— Acredita mesmo nela? — Ela me encarou.
— Um pouco, eu acho.
Ela caminhou até mim e abraçou-me pela cintura.
— O que você decidir, vou te apoiar. Estamos juntos nessa, lembra?
— Estamos juntos nessa — Repeti sorrindo e feliz por tê-la me apoiando.

Caminhamos de volta para sala e tudo parecia ter voltado ao normal; meus pais sentados confortando Samantha e despertando sua atenção quando eu e chegamos de mãos dadas para anunciar o que tínhamos decidido. Olhei de relance para minha amiga que continuava encarando minha ex-namorada.
— Decidimos que a Samantha poderá ver a Viola — disse séria. Samantha deixou escapar um sorriso e uma lágrima fujona de seus olhos — Não terminei ainda, deixe para fingir daqui a pouco — Sam suspirou raivosamente — Você só poderá vê-la com a presença da Tina.
— Quem é Tina? — Minha mãe perguntou.
— A babá da Viola — respondi e minha mãe soltou um “ahh”
— Tudo bem, não é como se eu fosse sequestrá-la — Samantha respondeu sarcástica.
— Apenas tente e você se arrependerá muito mais do que ter largado minha filha no hospital — sorriu de forma assustadora que eu mesmo fiquei com medo.
— Quando? — Sam perguntou.
— Segunda-feira, até lá, fique em algum hotel, longe daqui de preferência — respondeu.
— Posso ver minha neta ou a mocinha vai me proibir e marcar um dia para eu vê-la? — Minha mãe ralhou.
— A senhora é livre para ver sua neta — respondeu séria e se retirou, caminhando para a cozinha.
— Mãe, a senhora deveria ser menos dura com a e mais com a Samantha. Está consolando a pessoa errada — Deixei minha mãe com essa afirmação, enquanto fui buscar Viola no meu quarto.
— Ai meu deus Manuel, ela é linda! — Minha mãe sorriu para meu pai com Viola em seu colo. Minha filha lançava olhares curiosos para os meus pais, sem entender o que fazia no colo daquela senhora que cismava em apertar de leve suas bochechas rosadas — Eu fico tão feliz que esteja junto com a , odiaria ver minha neta indo para lá e para cá. Inclusive, onde está sua irmã?
— Na casa da Alisson, uma amiga que acabou fazendo aqui na cidade. A mãe da garota preparou uma festa do pijama. Se eu soubesse que estavam aqui, não teria deixado.
— Tudo bem, filho — Meu pai se pronunciou — Amanhã poderemos vê-la.
— Até quando pretendem ficar por aqui? — Sentei no sofá oposto, ficando de frente para eles.
Meu pai deu de ombros.
— Talvez até terça ou quarta. Caso não seja incomodo para você.
— Pai, pelo amor de deus. Não seria incomodo nenhum, se quiser, podem até ficar por aqui. Tenho quartos sobrando — Sorri. Embora a situação não fosse das melhores, eu estava muito feliz em rever meus pais
— Foi acidente? — Minha mãe perguntou e eu fiquei sem entender — A Viola, querido.
Respirei fundo. Era uma pergunta cretina. Porque vejam só, se eu tivesse me protegido, eu “talvez” estivesse com a Samantha, não seria totalmente feliz, acho. Mas eu não quis me proteger, talvez no fundo, eu quisesse uma criança, não agora, mas talvez ela tenha vindo agora para melhorar algo no presente e quem sabe no futuro.
— Não a considero um acidente. A considero como um presente — Sorri para minha filha que dormia segurando o indicador do meu pai.
— Vou preparar os quartos e depois vamos jantar.
Fui ao encontrar de na cozinha que remexia em seu cereal, sem ânimo algum.
— Ei — Puxei uma cadeira para o seu lado — Meus pais vão ficar por aqui, se importa de dormir comigo? Precisamos manter a história em percussão.
Ela negou empurrando a tigela para longe.
— Shawn, eu estou com medo. Eu estou insegura com a presença dela. Algo me diz que ela não está arrependida porcaria nenhuma — começou a chorar e a encostei no meu peito, acariciando seus cabelos.
— Ela não vai tentar nada. Além do mais, se tentar algo, saberemos pela babá.
— Ela não vai ficar aqui, né? Eu não suportaria acordar de manhã e dar de cara com aquela filha da p... — Não a deixei terminar e soltei uma risada anasalada.
— Não, apenas meus pais. Ela já foi embora. Viu rapidinho a Viola e disse que não estava bem. Me ajuda a preparar o quarto para meus pais? Você sabe que o outro ainda está em reforma.

O jantar ocorreu tranquilamente, meus pais perguntando sobre a carreira e eles sabem o quanto eu amo discorrer sobre esse assunto, vez ou outra sorria quando eu envolvia seu nome em alguma história, o que era quase sempre. Meu pai informou que os negócios da empresa estavam indo muito bem e pretendiam expandir a imobiliária para outros países. Minha mãe estava muito animada com a ideia de os negócios começarem a florescerem em outros lugares do mapa. Após o jantar, meus pais foram para o quarto de hospedes, e eu arrumávamos a cozinha. Caminhamos a passos lentos para o quarto, o dia tinha sido cansativo e tenso. Meus músculos doíam.
— Shawn, eu não tenho roupa para dormir aqui — Ela olhou para sua roupa. Caminhei até meu armário, retirando de lá uma camiseta com o rosto do Justin Bieber e um samba canção — Justin Bieber? Sério? — encarava o astro na camiseta.
— Ele me presenteou quando o encontrei numa premiação, desde então, estava guardada — Dei de ombros.
Minha amiga voltou do banheiro vestindo a camiseta e não pude deixar de rir.
— Olha só, minha amiga é uma fã de Justin — Bati palmas e fui atingido por um travesseiro — Cuidado! A Viola está dormindo no berço — Apontei para o berço onde minha filha dormia — Já pensou se acerta nela?
revirou os olhos e deitou-se na cama.
— Você acha que vão desconfiar que nosso caso é de mentira? — Ela encarava o teto, pensativa demais. Confesso que com ela ao meu lado, vestindo minhas roupas, ela estava sexy demais. Nem repare no Justin.
— Vai dar tudo certo — Sorri para ela mesmo que não visse — Agora, vem cá.
deitou em meu peito, porém, logo encontrou meus olhos e naquele momento, eu queria beijá-la até amanhecer. Minha vontade foi tão grande que acabei puxando-a para cima e selando nossos lábios. Suas mãos enlaçaram metade do meu pescoço fazendo um carinho com as unhas, eu apertava sua cintura. Num rápido movimento, ela estava por cima de mim e nos beijávamos como se dependêssemos disso. Sua mão acariciava meu peito nu e arranhava algumas vezes. Minha mão passeava pelo seu corpo. O quarto, de repente, havia ficado quente. Minhas mãos pousaram na lateral da camiseta e fui impedido por suas mãos.
— Não podemos — Ela parou o beijo e sussurrou próximo a minha boca.
— Por quê?
— A Viola está dormindo aqui e.… e não daria certo, melhor pararmos por aqui — fez menção de rolar para o lado, mas segurei sua cintura.
— Não... fica — Capturei seus lábios e foi cedendo aos poucos e de repente, encerrou nosso beijo bruscamente.
— Melhor não, Shawn. Melhor não — E saiu do meu colo, rolando para o outro lado da cama, se cobrindo em seguida. Mas que inferno. Sentimentos e hormônios masculinos hora de bater em retirada e tentar dormir. Se é que vou conseguir.



Beginning of something new


Shawn POV

Acordei sem conseguir me mexer e percebi o motivo. estava dormindo abraçada em mim. Os cabelos dela estavam soltos, e alguns fios da franja teimavam em ficar nos olhos. Tirei os fios e ela logo resmungou, mexendo as pernas e afundando o rosto no meu pescoço. Passei o braço pela cintura dela e fiquei fazendo carinho nas costas até cair no sono novamente. Dessa vez acordei com ela abraçada no travesseiro e uma perna quase em cima de mim. Levantei da cama e peguei Viola no colo. Minha mãe parecia absorta em algum trabalho no notebook quando adentrei a cozinha.
— A noite foi boa, huh? — Ela riu. Percebi que os arranhões de ainda estavam ali.
— Mãe, menos — Protestei — A se agarra em mim para dormir.
— Uhum, sei — Ela riu.
— Karen... — Bronqueei.
— Shaaawn — Ela devolveu no mesmo tom.
— Papai já acordou?
— Ainda não — Minha mãe respondeu pegando Viola no colo — E como vocês estão depois de ontem?
— Bem, eu acho — Sorri fraco — não gostou muito da ideia da Samantha ficar amanhã com a Viola.
— Bom, nem eu. — Ela devolveu — Mas ela merece uma chance.
— A não acha que ela mudou — Falei e senti umas mãos pousarem em meus ombros.
— Bom dia — bocejou, e apertou um pouco meus ombros. — Dormiu bem?
— Melhor do que a noite passada — Comentei e ela me abraçou.
— Bom dia, mocinha — Karen sorriu e respondeu, conversando alguma coisa com minha mãe.
— Está tudo bem? — Perguntei e ela me encarou com um sorriso amarelo. Dei um beijo no topo da cabeça dela, e ficamos conversando abraçados, olhando um para o outro. Confesso que se fosse outra menina eu não ligaria, mas tinha um toque dela que fazia com que meu corpo entrasse em colapso. Ela andava fodendo minha sanidade sem nem ao menos tentar. Era impossível conversar com ela sem prestar atenção na boca carnuda que ela tinha.
— Você sabe que pode falar comigo quando quiser — Fiz um carinho nela e encarei-a, e recebi um selinho inesperado.
— Por que tão alto? — Ela soltou uma risada anasalada e percebi que estávamos a sós. Fechei a porta da cozinha, beijei-a ergui até a bancada, pela bunda. Coloquei sentada e ela me puxou para perto, me abraçando com as pernas. Minhas mãos iam adentrar a blusa dela quando uma reclamação surgiu mais como um murmúrio. Me concentrei para não ficar animado demais, mas já estava ficando tarde. Passei as mãos para dentro da blusa e comecei a massagear os peitos dela de leve. gemia baixinho, e arranhava minhas costas com toda vontade. Depositava alguns beijos no pescoço dela, quando conseguiu se recuperar.
— Shawn, espera — Ela tentava falar entre meus beijos — Sério.
— O que foi? — Continuei beijando o pescoço dela, e ela beliscou meu abdômen.
— Eu não vou ir para a cama com você — desceu a bancada, arrumando a roupa — Não vou arriscar ser quem tira você da seca. Eu concordei em fingir. Não foi para ficar pegando você. Me desconcertei ao ver que um volume havia se formado em minha samba canção. Respirei fundo. Que merda eu estava pensando? Olhei pra que me encarava sem piscar com uma sobrancelha arqueada. Dei de ombros.
— Desculpa — Murmurei baixinho.

— Ta tudo bem — Ela respondeu irônica, com um sorriso forçado — Eu logo vou embora, ok?

— Por que? — Indaguei.
— Por que eu tenho casa, Mendes — retrucou indo para o quarto — Nós duas temos. Eu vou pegar a Viola e dar o fora daqui.

, espera — Uma voz arrastada saiu de mim. A puxei pelo braço, e ela fez corpo mole até voltar onde estávamos.
— Shawn, não força a barra — Ela suspirou, fechando a porta novamente — Eu sei que a gente pode estar na seca, mas olha o patamar que isso chegou. A gente estava quase transando. Na bancada da cozinha. C O Z I N H A — Ela soletrou passando as mãos no rosto.
— Eu ja pedi desculpas — Argumentei e a vi bufar.
— A gente falou isso ontem de noite — comentou, cruzando os braços com uma cara de quem tinha razão. E ela tinha. Aquela criatura magricela com os olhos verdes escuros me olhava sem piscar — Você está ao menos me ouvindo?
— Estou — Engoli em seco, com o grunhido dela — Não vai mais acontecer. Desculpa.
— Você tem qualquer uma, Shawn — Ela falou num tom diferente de voz, mais sério e grave

— Não faz isso com você mesmo. Não vale a pena. Eu vou me arrumar.
— Tudo bem aqui? — Meu pai apareceu abrindo a porta da cozinha.
— Tudo, por que? — Despistei

— Vocês estavam quietos aqui — ele explicou enchendo um copo de agua — , você não gostaria de almoçar com a gente?
— Eu não sei — Minha amiga pensou. — Eu... Almoço com a minha melhor amiga todo domingo...
— Traz a — sugeri. era uma ótima companhia. E uma figura.
— Fiquem vocês — insistiu — Em família.
— Não acredito que você vai deixar de ver a Aaliyah — Ri.
— Ok isso é golpe baixo — Ela riu afetadamente de um jeito adorável.
— Se você convencer a eu fico, mas só hoje — Ela cedeu rindo — Você sabe como convencer ela. Tem uma chance.
— Me garanto — Sorri para ela.
— Querida, você é da família sim — Minha mãe repreendeu e eu imitei que estava hasteando uma bandeira. segurou uma risada e deu um sorriso para minha mãe — Essa não é a madrinha da Viola? Traga ela, adoraria conhecê-la.
— Ok, então nos arrumamos e buscamos as meninas — Sorri puxando e dando um selinho.
— A Karen não quer ir também? — se desvencilhou da minha espécie de abraço. Minha mãe abriu um sorriso.
— Onde é? — Vi ela olhar para mais tranquilamente do que na noite anterior.
— Downtown — Minha amiga respondeu e eu comecei a puxá — la para o quarto.
— Vamos, — Gargalhei erguendo-a pelos shorts até o quarto — MÃE, 15 minutos a gente sai. Quer trocar a Viola?
— Você ainda pergunta? — Ela pegou a bolsa de bebê que estava na cama.
— Shawn, vira — girou o dedo indicador — Eu vou trocar de roupa.
— Depois das últimas 24h você ainda pede isso? — Ri irônico e ela chegou perto de mim, com um sorriso nos lábios.
— Eu não pedi, Mendes. Quer que eu jogue, é do meu jeito — Ela falou com os lábios quase grudados nos meus, com o cabelo bagunçado e um ar mais descontraído. Segurei-a e soltei uma risada. Essa menina mexia com minha sanidade.
— É assim então? — Perguntei segurando-a e ela me encarou com um sorriso sacana mordendo os lábios.
— Mendes, por que eu estou sentada no teu colo e prestes a beijar você? — Ela indagou com o cenho franzido, parecendo ter uma conversa interior
— Não tenho ideia — Meneei a cabeça e ela pousou as mãos dos dois lados do meu rosto. Fechei os olhos e precisei sorrir com a cena. Recebi um selinho desajeitado, sem jeito que foi evoluindo. Puxei-a mais para perto e ela circundou meu pescoço e uma sensação de prazer passou pelo meu corpo. Nossos narizes se tocaram e mordiscou meu lábio inferior.
— Estou pronta, crianças — Minha mãe bateu na porta e botou uma mecha do cabelo para atrás da orelha. — Já estamos indo, mãe — Separei nossos lábios e olhou para a porta e sussurrou um "por favor não entra". Logo ouvimos um barulho na sala.
— Ok — Sentei na cama e ela sentou do meu lado — Nós precisamos falar sobre isso, .
— Como? — Ela sorriu nervosa — Não sei — Fiz carinho no queixo dela e ela sorriu — Começa você. A ideia foi sua.
— Mendes, deixa — Ela levantou e eu a puxei de volta — Sério?
— Sim — segurei — a e ela fez cara feia — Eu...nunca fiquei tão confuso. Isso não é normal. Logo vira uma bagunça. A gente não pode fazer isso. Vai ser uma bola de neve.
— E se a gente esquecesse isso? — fingiu animação e ia sair quando nossos olhares se encontraram. Sorrimos um para o outro e logo ela estava no meu colo.
— Depois de uns beijos eu não vejo problema.
— Nem eu — Gargalhei baixinho — Você é terrível.
— Muito — Ela colou nossos corpos, subindo no meu colo e circundando minha cintura com as pernas dela. Segurei a cintura dela e percebi que era mais fina do que se podia ver. O jeito que ela sorria e colocava o cabelo para trás me fazia sentir vontade de ficar beijando-a no meu colo até faltar ar.
— Bonitinha — interrompi o beijo e ela abriu os olhos; eu podia ficar beijando você, mas a gente tem menos de um minuto para trocar de roupa e ir, ta bom? meneou a cabeça positivamente e mordiscou a ponta do meu nariz.
— Sem brigas? — Ela perguntou, tímida.
— Sem brigas — Apertei a mão dela — Nós somos um time.
— Com dois atacantes — Ela retrucou rindo. Precisei rir.

— Vocês sabem como chegar na casa da Alisson? – Minha mãe parecia entretida com a neta, ao entrar no carro.
— Você sabe, pirralho? – indagou, colocando o cinto.
— Eu sei. Quer dizer, deve ser fácil — Liguei para Aalyiah que explicou as coordenadas e tracei a rota no GPS.
— Se eu tivesse dirigindo, nós estaríamos na casa da amiga — Ela comentou entediada.
— Quer dirigir, gracinha? — Perguntei irritado e levei um tapa.
— Quero — respondeu afetada e eu estacionei — Nem para isso você presta.
— Ah, cala boca — Dei um tapa na bunda dela e ela beliscou minha mão.
— Vai lá, sabichona — Trocamos de lugar e logo deu partida.
— Aposto com você que eu chego lá em 15 minutos — Ela ligou a seta, fazendo o retorno.
— Com certeza — Debochei. Minha mãe ria no banco de trás e conversava com Viola.
Vi que ela esticou a mão direita, pousando em cima da minha, sorrindo divertida. Dei um beijo na mão dela e recebi um carinho em retorno. Andamos mais um pouco, até entrar algumas ruas perto da casa dela.
— Estamos aí — estacionou, puxando o freio de mão — Querem que eu pegue ela?
— Chama lá — Resmunguei quase dormindo no banco.
— Ok — Ela deu de ombros, soltando o cinto e logo fechando a porta.
— Por que ela é a única que você obedece, huh? — Minha mãe brincou comigo e logo Aalyiah apareceu abrindo a porta de trás.
— E aí, cabeção — Ela me cumprimentou e me deu um beijo. Ter Aalyiah de irmã era uma das coisas das quais não podia reclamar.
— Tudo bem? Como foi a noite? — Perguntei com o cenho franzido, e ela murmurou que tinha sido legal.
— Eu não dormi muito — Aaly se desculpou — Quem é o bebê?
— Poupa o fingimento para o Oscar — brincou — Sua ex cunhada deu um showzinho ontem, sua mãe já descobriu e não vai brigar com você.
— Graças a Deus — Ela soltou o ar pela boca, colocando as mãos no peito e em seguida beijando Viola — Oi gracinha.
— A gente busca a agora? — Perguntei.
— Aham — Minha amiga meneou a cabeça positivamente — Agora em poucos minutos a gente chega. Você não está com fome? Nem tomamos café da manhã.
— Um pouco — Admiti.
— Vou dar uma apressada, ok? — ligou o carro e o som começou a tocar a trilha sonora do filme do Peter Pan.
— Duvido que a tenha colocado isso aí — Olhei para ela, e vi uma ruguinha no meio das sobrancelhas, devido a sua concentração para não perder a entrada da rua paralela.
— Fui eu — Ela concordou — Ora, sou apaixonada por Peter Pan. Me deixa. só deve ter colocado pra Viola dormir.
— Que música é essa?
— What Made the Red Man Red — respondeu, começando a cantar junto e Viola prestava atenção abrindo a boquinha e soltando uns barulhinhos.
Chegamos na portaria do La Brea e o guarda abriu com um aceno.
— A Van Carter está em casa, Dickson? — Perguntei.
— Deve estar, o carro dela não saiu hoje ainda — Ele respondeu dando um tchau.
— Eu to morreeeeeeeeeeendo de fome — Reclamei.
— Shawn, a gente já chega e eu faço algo, ok? — Ela estacionou o carro na entrada.
— Vocês moram aqui? — Minha mãe parecia ter adorado o lugar — É tão central.
— Sim — Minha amiga concordou acenando para uma vizinha, esperando todo mundo no elevador.
Subimos até o 6 andar e abriu a porta, quando uma se atirou nela.
— Graças à Deus você está aqui — abraçou a amiga — Te liguei um monte de vezes.
— Eu esqueci o celular, calma — acariciou as costas dela e entrou — , essa é minha sogra. E o resto dos Mendes você já conhece.
— É, tem razão — Ela fingiu estar analisando — Esse moreno passa por um cara que está aqui quase todo dia — riu me abraçando e estendendo a mão para minha mãe — Eu sou a . Prazer em conhecer a senhora.
— Igualmente, querida — Minha mãe sorriu.
— Então, queridos — disse e prestou atenção nela — O Shawn vai falar com você. Vou pegar uma roupa e tomo banho no Mendes mesmo.
— Já estão assim? — debochou num tom mais alto, para que ouvisse — De qualquer modo, abre o bico, Shawn.
— A gente veio pegar você para almoçar lá em casa – sorri para ela.
— Hmm, tentador — Ela tomou um gole de água — Mas, preciso terminar de revisar o roteiro de amanhã.
— Mentira — protestou do quarto — Você deixa o roteiro em cima da mesa e eu estou vendo ele na sua bolsa daqui do quarto.
— Argh, ok — Ela concordou — Mas eu bem que poderia ter que analisar um roteiro.
— Com certeza — A loira rolou os olhos, chegando na sala— Anda, a gente te espera.
— Aaaaaantes que eu me esqueça – pegou dois ingressos da mesa e mostrou para — Eu consegui isso aqui para hoje a noite. Vamos?
titubeou por uns instantes olhando para Viola e os ingressos.
— É Magic — insistiu — Por favor.
— Se o Shawn ficasse com a Viola eu ia — Minha amiga sorriu nervoso, mordendo os lábios.
— Eu fico — Dei de ombros.
— Sério? — bateu palmas e soltou um gritinho.
— Uhum — Respondi e recebi um selinho. Vi ficar sem entender.
— Ok então — Ela deu de ombros — , vê a roupa que eu vou alimentar a fera. Karen, gosta de fotografia?
— Mãe, você precisa ver as fotos que ela tira — Aaly tinha um brilho nos olhos, e minha mãe pareceu se interessar.
— Mostra lá no escritório então — Minha amiga me puxou para a cozinha e parou com as mãos no quadril — O que você quer comer?
— Qualquer coisa — Reclamei e ela puxou leite da geladeira. Logo eu tinha uma tigela de cereais com morango, amora e banana picada.
— Aqui, príncipe Adam — riu beliscando um cookie.
— Você está impossível hoje — ri.
— Huh?
— Fera, Adam — Expliquei comendo um morango.
— Ahn, não foi por querer — Ela riu — Quer dizer, amo tanto esses desenhos que é involuntário. Tenho até as xicaras do Zip.
— Mentira — Precisei gargalhar e levei um tapa.
— É sério — Ela ficou braba e buscou a xicara — Zip, Shawn. Shawn, Zip.
— Eu fui apresentando a uma xicara? — Arqueei sobrancelha.
— Oh, Shawn, respeito com meu amigo, sim? — pediu, brincalhona e saiu para conversar com . As duas escolhiam roupas quando fui para o escritório da casa.
— Ela é talentosa — Minha mãe comentou quando entrei na sala— Quem é esse menino na foto?
— É um amigo delas, o Peter — Comentei baixinho olhando a foto dele sem camisa num penhasco. Pela paisagem deveria ser na África — Na verdade, eu nunca vim aqui.
— Isso parece uma revista — Aalyiah prosseguiu o tour — Olha essas fotos da Viola.
— Essas devem ter sido a — Apontei para uma que Viola dormia na cama, com uma pelúcia de elefante — A tem um talento diferente, vê? — Mostrei uma foto na qual Viola dormia numa espécie de ninho, cheio de flores. Sorri ao ver que haviam outras dezenas de foto. Será que nem no horário de folga parava?
Reparei que haviam muitas fotos. Viola enrolada em mantas de várias cores e posições. Algumas com guirlandas, outras com asas de fadas, cercada por flores, ou com ela deitada em um tapete pelúcido. Uma foto me chamou a atenção. Viola deitada em cima de um amplificador da Fender. Em outra, ela estava deitada nas costas de toda relaxada, com minha amiga de costas nuas.
— Olha essa daqui — Minha mãe reparou na mesma que eu, e sorriu involuntariamente — Vocês três não tem fotos?
— A gente deve ter em algum lugar — Respondi procurando e achei uma que Viola dormia em meu braço, e outra que ambos estávamos deitados. Aos poucos achei várias que nem lembrava que haviam sido tiradas. Me surpreendi ao ver quanto meu amor por aquela criaturinha havia crescido. abriu a porta e deu um sorriso para mim também.
— As fotos que o Alexis tirou de vocês três estão na gaveta de baixo, Shawn — Ela apontou e pegou o celular que carregava na tomada.
sorriu para mim, me encorajando a pegar as fotos newborn que havia tirado com um amigo delas. As outras que havia tirado, estavam impressas por uma escrivaninha clara. De um mês para trás, muita coisa aconteceu e ao ver Viola nas fotos, passei a sorrir instantaneamente. Minha amiga adentrou o escritório com um sorrisinho de canto de olho.
— Não sabia da metade dessas fotos — Falei para e ela sorriu de um modo quase infantil para mim.
— Eu não ia ficar sem tirar fotos dela — Ela desculpou-se, dando de ombros — Acaba sendo minha terapia — Quem resiste nessa carinha?
— Também não sei — Respondi e vi ela pegar as fotos que tiramos com Alexis das minhas mãos.
— Eu gosto dessa — Ela mostrou uma foto na qual nós dois mantínhamos a testa grudada e sorriamos para Viola — Nós somos um bom time.
— Casal ternurinha — Aaliyah chamou nossa atenção e percebi que meu braço estava na cintura de — Se vocês puderem correr, eu agradeceria.
— Seu irmão acabou de comer — respondeu Aaliyah — Quer saber?! Eu faço algo para você. Deixa eles olhando as fotos — Ela empurrou minha irmã pela cozinha. Ficamos olhando as fotos durante um tempinho. olhava algumas despreocupadamente. Creio que eram de algumas das viagens que fazia. Aquele escritório era a cara delas. Havia quadros pendurados com frases, uma bandeira da Grifinória e quadros da Disney também, além de fotografias espalhadas nas paredes. Uma das fotos era de uma menina loira banguela e outra morena abraçadas numa praia. A morena de cabelo solto e um biquíni rosa, e a loira com duas trancinhas e um maiô azul, com dois babadinhos laterais. Reconheceria aquele nariz arrebitado e o rosto angular em qualquer canto.
— Essa é você? — Perguntei para e ela sorriu.
— É sim — Ela tinha um sorriso ávido e um brilho nos olhos — Foi no litoral da Espanha. A gente ia com meus pais todos os anos. E no inverno os pais da levavam nós duas para esquiar em Mamonth.
— Você conheceu o pai dela?
— Sim — Ela hesitou uns instantes — Ele era uma pessoa legal. e ele eram muito amigos. Do jeito deles, mas eram. Ela tem muito dele. Não sei o que aconteceu depois. Aqui — Ela mostrou uma foto da mesma menina loira, que parecia gritar algo, num uniforme de futebol. Ela estava no colo de um cara com cabelos pretos e olhos que sorriam junto com a boca. O sorriso de ia de orelha a orelha, com uma medalha — Esse ano nós ganhamos um campeonato. O pai dela treinou a gente. Você pode ver, o sorriso é o mesmo — apontou para eles sorrindo e guardando a foto no lugar.
— Qual é o nome dele?
— Jeremy. Jeremy — Ouvi a voz dela soar mais baixo — Você é curioso demais.
— Ela não fala dele — Me defendi.
— Nem vai — deu de ombros — Ela e ele não se falam mais. Até a Marion tentou, mas... se culpa demais por tudo. Olha, Shawn eu só estou falando isso por confiar em você. — A vi revirar os olhos — Qualquer coisa eu não falei nada.
— Certo — Concordei indo para a cozinha. e minha irmã comiam algumas cranberries e conversavam sobre algo num volume baixo.
— E aí, qual a boa? — Entrei puxando a cadeira para perto delas.
— Então — minha irmã parecia prestar atenção em um ponto qualquer — a Samantha apareceu mesmo? É sério que vocês tão juntos?
— Não tem nada entre eu e a , Aaly. É só coisa que inventamos para eu não me dar mal — expliquei — Mais ainda.
— Jurava que a estava fazendo isso para me ganhar — Ela riu e deu um tapa nela.
— Eu te dou os melhores conselhos amorosos e você me trata assim? — Minha amiga retrucou afetada.
— O que houve? — Ri e cutuquei minha irmã.
— A Timera ficou com o Michael — Ela respondeu curtamente.
— Caralho Aalyiah! A Timera é nossa prima por que ela fez isso? Você devia me contar.
— Papo de menina, Shawn — Minha irmã sorriu fraco — Você não precisa de mais drama.
— Não é assim — abracei ela — eu sou o primeiro cara que você deve contar as coisas! Eu sou seu irmão.
— Não é o fim do mundo, está tudo bem — Ela me acalmou — Só preciso me distrair.
— Pensei em descer para a piscina depois do almoço — Comentei.
— Hey Lola! — Aalyiah pulou na sobrinha que estava no colo da . A pequena logo começou a responder com gritinhos tudo o que a tia falava. ria da cena. As meninas terminaram de se arrumar e chegou com duas sacolas enormes.
— Isso não entra na porta mala nem fodendo, — Caçoei tomando as sacolas das mãos dela. Ela sussurrou um obrigado e depositou um beijo na minha bochecha. Voltamos para Hollywood e logo começamos a pensar no almoço. Meu pai conversava com e comigo, enquanto contava para minha mãe sobre o trabalho que ela desenvolvia. Fiquei surpreso ao saber que trabalhava com o Cam e Bart na liderança da MagCon. Minha amiga podia ser ótima em relações públicas, mas não lembrava dela ser tão presente assim na vida do Cam. De fato, durante um tempo eu fiquei sem conversar com o Cam por falta de tempo quando minha carreira decolou. Logo que me mudei para LA voltei a falar com ele e Aaron, o que foi ótimo. Me sentia menos sozinho. E como ela ficava mais na Island, não conversávamos tanto quanto nos víamos. Trabalho era a última coisa que Cameron, e eu queríamos conversar.
— Desde quando você auxilia o Cam? — Arqueei as sobrancelhas.
— Desde que o Bart toma conta da maioria das coisas — Ela respondeu — Meio que quando eu terminei a faculdade eles entrariam em tour e.… o Cam tinha acabado de comprar.
— O Bart é um imbecil — Exclamei.
— Eu também acho — Meu pai concordou e começou a listar algumas das coisas que Bart deixava passar.
— É, ele às vezes esquece que é empregado — Ela se revirava na cadeira — Eu acho que vou comprar a parte do Cannif. Ele é mais útil de boca fechada.
— Uhum — Concordei — E você vai trabalhar nos eventos?
— Vou, assim que sair da Island — afirmou — Eu me preocupo com o Aaron e os pequenos. Conheci eles no meio da turnê daqui, e quando vieram passear no Cam eu...me apeguei. Shawn, o Cam precisa de ajuda. Você sabe.
— Eu também — Protestei
— Você é muito infantil — Ela bufou.
— E você sonhadora — Devolvi para ela — Sabe quanto vale a parte do Taylor?
— Meu sonho — a criatura loira rosnou para mim — Eu não vou discutir. Me diz, conseguiu arrumar as tracks do novo single?
— Ainda não — murmurei beijando a mandíbula dela — Vai dar tudo certo.
— Tomara — Ela sentou no meu colo de lado, colocando a cabeça nos meus ombros.
— Pai, já decidiram o almoço? — Quase gemi quando se mexeu no meu colo.
— Vou fazer frango ao vinho — Meu pai parecia focado em alguma notícia que passava na televisão — Alguma ideia?
— Eu adoro — Minha amiga abriu um sorriso sincero — Mas antes eu vou dar uma arrumada no quarto dessa criatura aqui — apertou a ponta do meu nariz.
— Não precisa, — Rolei os olhos.
— Você não manda em mim — Ela deu de ombros saindo do meu colo e saindo da sala de TV.
— Gênio forte — Meu pai riu da minha cara de tacho.
— Estou acostumado — Sorri amarelo — Ela é meio ácida, mas gosto do jeito dela.
é doce 99% das vezes — Ele fez uma careta — Lembro dela magricela assustada nas primeiras convenções. Ela deve ter umas 20 tatuagens agora.
— Na verdade são 10, pai — Comecei a contar, mas desisti — Por aí.
— Tirando o braço? — Ele brincou.
— Com — Ri — Na verdade ela deve ter bem mais. Nunca contei.
— Você anda meio estranho — Manny me olhou com o cenho franzido.
— Estou normal — Me esparramei, exausto.
— Viu para onde a foi? — Aaliyah apareceu se atirando em cima de mim.
— Hum, ela falou algo sobre meu quarto — Precisei pensar alguns instantes — Mas deve estar tudo arrumado por lá, então ela aparece em segundos.
— Ah, ok — A caçula deitou no meu ombro e um suspiro pesado saiu dela.
— O que foi? — Indaguei apoiando o queixo no topo da cabeça dela.
— Está doendo, Shawn — Minha irmã me abraçou choramingando e um nó se formou na minha garganta — Isso passa?
— Passa, tampinha — Ri anasalado abraçando ela — Eu prometo. Quer tomar um sorvete?
— Nah — Ela murmurou — Vou ficar aqui e fazer uma dissertação de como o amor não é nada além de um mito.
— Aí, rainha do drama — Ri do tom dramático da voz dela — Tenta sorrir. Aproveita que nós estamos em família e eu sou um pai com 18 anos. Quem ta fodido sou eu.
— Isso todo mundo sabe — Ela revirou os olhos.
— Aalyiah, impressão minha ou você assiste Gossip Girl? — Perguntei — Aquilo é forte.
— Desde quando você liga? — Aalyiah brincava com meu anel.
— Ah, cala boca — Devolvi e vi que nos encarava da porta.
— Me deu inveja agora — sorriu fraco — Eu trouxe umas coisas Aaliyah, anda. Levanta.
— O que? — Minha irmã perguntou e eu arqueei a sobrancelha ao ver uma sacola enorme na mão de .
— Isso é para seu irmão na verdade — Ela me entregou um álbum que mais parecia um livro com várias fotos da Viola e uma caixa cheia de fotos também
— Nossa — Me assustei ao ver quanta foto ela tirou da Viola. Devia ter umas 115 fotos, contando com o ensaio newborn.
— Eu imprimi todas do Alexis e as que eu tirei — Ela explicou dando de ombros — Tem uma nossa aí perdida.
— Qual?
— Uma na torre Eiffel — sorriu e mostrou a foto. Ela estava de lado, abraçada em mim e meu braço direito estava sobre os ombros dela.
— Eu gosto dessa foto — Devolvi o sorriso.
— Está distribuído presentes? — chegou com Lola no colo, e logo a loira roubou a bebê do colo dela.
— São as fotos do Mendes — Ela respondeu entregando uma caixa para Aaliyah — Eu recebi isso, mas não consigo usar.
— O que é? — Aalyiah abria a caixa curiosa, e achou um biquíni com cauda de sereia — Ai meu Deus.
— Quando você descer pode usar — bateu palmas — Eu ia trazer uma coroa de conchas também, mas não achei.
— Obrigada, — Minha irmã se atirou no abraço da minha namorada falsa e sorriu apertando Aalyiah no abraço. Ficamos conversando até chegar a hora do almoço e me surpreendi ao saber que conhecia consideravelmente pouco sobre as meninas. e tinham feito intercâmbio quando estavam no colegial. na França e na Espanha. Ambas haviam viajado para fazer serviço voluntário nas férias de verão. mostrava algumas fotos da viagem para África, quando fotos perturbadoras de Alepo surgiram na tela.
— Você foi para lá? — Minha mãe ficou branca ao ver as fotos.
— Fui por 5 dias — Ela respondeu — Não pude ficar mais, o consulado nos tirou de lá por causa de uma ameaça de bombas.
— Como se não tivesse bomba todo dia — comentou.
— Mas eles iam atacar o acampamento — Ela explicou.
— Qual a diferença entre África e lá? — Meu pai se interessou na conversa.
— Não tem, sabe? — parecia pensativa — Cada lugar assim tem sua guerra. Civil, contra a miséria, falta de Diretos Humanos, são todos inimigos. Mas Alepo foi a mais chocante de todas. A África foi só pesada basicamente.
— Quando nós vemos na TV parece tão diferente — Minha mãe digeria as fotos.
— É muito — Minha amiga mostrava uma foto e deu zoom numa menininha de uns 7 anos — Essa menina morreu acho que duas horas depois da foto. Queria tanto fazer alguma coisa, mas não sei o que.
— Na África você pareceu gostar — Franzi o cenho.
— Eu adorei todos, mas o pessoal da África é feliz — Ela comentou — Ao menos onde fui. Você dava um bom dia e eles "quando, não é?".
— Depende — interrompeu — Onde eu fui é bem diferente.
— Claro que é — Ela rolou os olhos — Nós fomos para lugares bem opostos, . Você foi pra Uganda, eu não. Lá é cruel.
, querida — minha mãe chamou atenção da morena que conversava com — Eu ia amar ouvir sobre.
— Iam? Mesmo? — Ela suspirou pesado, contando como era lá.
Aalyiah pareceu esquecer de tudo em volta, e as meninas estavam tranquilas. A tensão entre minha mãe e já era menos densa, o que me fazia respirar aliviado. Aquela menina tinha um jeito estranho de ser. Enquanto ela conversava, colocava a mecha da frente do cabelo para trás e deixava uma mecha perto da orelha solta. Ela fazia isso quando estava nervosa, o que me fez rir um pouco. era tão segura de si que assustava alguns caras. Me senti vingado ao ver ela acuada, mas se saindo bem. O almoço demorou um pouco para ficar pronto e peguei no sono depois de deitar no colo da minha namorada de mentirinha. Lola passava de colo em colo quando acordei para comer e dar comida para minha filha
— Hey — Envolvi a cintura de num abraço, e ela abriu um sorriso quase infantil para mim — Está dando certo?
— Positivo e operante, capitão — Ela piscou para mim e arrumou minha franja — Eu me sinto péssima por mentir para os seus pais.
— Não vai ser para a vida toda, loirinha — Dei de ombros e apertei o queixo dela, que soltou um "outch" e enrugou o nariz — Desculpa. Isso é uma pena, por que eu até tinha gostado da ideia de dar uns amassos em você.
— De santo você só tem a cara — gargalhou baixinho me encarando.
, se eu disser algo você não vai fazer cena?
— Não — Ela respondeu com o olhar ainda fixo em mim. me olhava ávida por respostas e os olhos esverdeados sorriam para mim. Éramos próximos o suficiente para nos contagiarmos com o sorriso um do outro e em segundos eu estava sorrindo em resposta à ela e nos beijávamos novamente com os corpos tão colados que não passaria nada no meio de nós dois. Mantive meus olhos fechados e meu corpo liberava alguns espasmos de vez em quando. Ha poucos dias éramos amigos e agora estávamos com a garganta na língua um do outro. Totalmente normal, claro. As mãos dela brincavam com uns fios de cabelo na minha nuca e até o toque mínimo dela me acendia. Pararmos o beijo quando chegou na sala de jantar.
— Vão arrumar um quarto, caralho — riu entrando na sala de surpresa
— Ora , sem ciúmes sim? — A melhor amiga dela brincou apertando a bunda dela e dando um tapinha na mesma — De noite eu dou conta de você.
— Ah miserável, você não presta — esperneou com o tapa, o que me fez gargalhar.
— Desculpa — fez bico e abraçou — Eu bato com menos força da próxima.
— Ta bom — A morena fez bico também, dando uns tapinhas nas costas de — Agora você me larga que está cheirando a lá Shawn.
— Sua amiga não reclamou do meu perfume quando beijou meu pescoço — Retruquei.
— Shh— colocou a mão na minha boca e eu mordi. Quando ela ia reclamar dei um selinho nela — Para de me beijar Shawn é serio, desinfeta, me larga, some — Ela reclamava com a voz afetada enquanto distribuía beijos na mandíbula e pescoço dela e senti a pele dela arrepiar — OKk, enfim — começou a fazer carinho em meus braços que seguravam ela para que não fugisse da brincadeira. Era um carinho suave assim como o cafuné, o que me fez
Ficar ali. O almoço foi tranquilo e todo mundo ficou com sono no fim. e Aaly foram tomar sorvete e eu estava exausto. já tinha pego no sono e demorei meia década para convencê-la a dormir um pouco.
— Vamos para a cama mocinha? — Puxei ela, que fez corpo mole.
— Eu estou bem, Shawn — Ela ninava Viola e bocejava.
— Pode deixar Viola comigo — Minha mãe sorria estendendo as mãos.
— Mãe, eu sei que você curtiu a ideia de ser avó, mas a mal pegou a Vi hoje — Comentei pegando a bebê no colo e puxando que quase tropeçava nos próprios pés. Coloquei Vi no meio da cama e tirou os calçados lentamente. Vi que as unhas dos pés estavam pintadas de preto, e ela notou que eu a encarava.
— Nunca viu uma unha do pé pintada de preto? — Ela riu tirando os shorts e ficando só com o vestido que usava.
— Você é estranha, , só isso — Deitei na cama e rolei os olhos. Ela deitou em seguida e se tapou. Viola estava pegando no sono comigo quando a ouvi chamar meu nome.
— O que foi? — Murmurei.
— Eu sou estranha mesmo?
— Não, . Vai dormir.
— Mas você acabou de dizer isso — Ela bufou virando para mim.
— Tanto faz — Me aconcheguei no travesseiro e meu lençol saiu num puxão de cima de mim.
— Eu não vou dormir se você não me responder — ronronou com um tom de voz indignado. Abri os olhos e ela estava de braços cruzados olhando para mim — Você é intrigante, , só isso — Suspirei abrindo os braços em sinal de rendimento — Vai dormir.
— Ok.
— Não vem com esse ok , você sabe que eu odeio quando...
— Te respondem assim? — Ela devolveu com um sorriso divertido no rosto — Ahh a vingança, tão doce...
— Aaargh — Coloquei Lola no berço e ataquei de surpresa com cócegas — Você vai ver vingança.
— Shawn, para — Ela se contorcia desesperada e soltava uns gritinhos afetados — Por favor sério. Parei e ela estava com os cabelos desgrenhados e tentava cuspir uns fios que entraram na boca. Uma parte da coxa dela estava descoberta e me segurei para não pensar besteira. A respiração de desacelerava quando ela voltou a bocejar.
?
— Hum? — Ela se virou para mim para ouvir melhor.
— É só que...eu te conheço, mas não sei muito sobre você — Respondi.
— A primeira coisa nova que você precisa saber sobre mim então, é que eu sinto muita cócega — riu pelo nariz — E que minha cor preferida é azul. Meus seriados preferidos têm a ver com familia. Mais algo, sr Detetive?
— A senhora podia calar essa boca para eu dormir? — Brinquei.
— Que rude, Shawn — Ela soltou com o sotaque britânico e me deu um tapa.
— Outra coisa — Acrescentei — Você xinga como se saísse da Inglaterra. “Que rude” “que grosseiro” “oh fulano”... Mas eu nao sei por que. E você mantém a boca entreaberta quando faz isso.
— Assisti Peter Pan demais — Ela deu de ombros — Eu não sei.
— Então tudo bem — Deitei de novo e puxei-a para perto. Ela acomodou a cabeça no meu peito e senti sua perna subir até a altura da minha barriga. Uma meia hora passou até que ouvi Aaliyah correr pela casa e abrir a porta do quarto.
— Graças à Deus eu sei que vocês não tão fazendo nada demais — Ela sorriu sacana — Vamos para piscina?
— Já? — abriu os olhos devagar e voltou a fechar — eu ainda to cansada.
— Eu vou fazer um café, não demora — falou encarando nós dois — Vocês fazem um casal bonitinho sabia? Bem queridinhos da América.
, para de fumar — rolou os olhos e abriu um sorriso divertido.
— É sério — Ela ria — Com direito à capa na Seventeen e tudo mais. Imaginou? — A morena exagerava na atuação e gargalhava ao ver a cara de desgosto de .
— Eu estou cercada por idiotas — murmurou colocando um travesseiro na cara, me fazendo rir — E você combina com o Cameron — Minha amiga sorriu vitoriosa para que revirou os olhos
— Hey, eu não sou idiota — Protestei.
— Você está por um fio, Shawn — Ela levantou e colocou os shorts — Se eu fosse você não pisava na bola.
— Blábláblá — Imitei o tom de voz dela e recebi um olhar do tipo "abre a boca e você será um homem morto" — Irritada.
— Trouxa — Ela devolveu.
— Trouxa ou não, me formei em Hogwarts e você nem carta ganhou — Pus minha camiseta e dei de ombros — Uhh, quem é o perdedor agora, Viola? — Brinquei ao pegar a bebê no colo e riu, pegando Lola do meu colo.
— Eu vou tomar café, vê se acha meu baralho de Poker e leva na cozinha — Ela ficou na ponta dos pés e depositou um beijo.
— Garoto, nós vamos na piscina — Meu pai apareceu mordendo uma maçã — Acho bom você ir também.
— Eu já vou — Fiz sinal com a mão para que ele acalmasse — Eu só vou procurar o baralho de poker. Demorei até achar o baralho, mas com a bagunça que havia deixado o meu quarto, era um milagre ter achado qualquer coisa.
— Aqui, excelência — Larguei o baralho no colo dela e dei um beijo na testa dela — Eu já desço, só vou ligar para o Andrew.
— Trabalhando de domingo? — reclamou — Ninguém merece.
— Não mesmo — Arrumei meu topete e liguei para Andrew. Quando desci, parecia concentrada em tentar ganhar de . Ela possuía um naipe de ouros na mão. sorriu e abriu lugar para que eu sentasse do lado dela. Merda, ela tinha um Royal Flush nas mãos.
— Passa o telefone para mim? — Ela pediu quando sentei. Posicionou as cartas de modo que desse para ver a cara de confiança que fazia e tirou uma foto.
— ROYAL FLUSH MEU OVO — atirou o resto das cartas na mesa rolando os olhos — Aí, Mendes. Tudo bem?
— Tudo certo — Sorri para a morena que me cuidava com o olhar — O Mark foi despedido. bateu palmas e pegou Viola no colo. Sentei atrás dela e ela se escorou em mim.
— Despedido de vez? — me olhou com a testa franzida.
— Pelo menos nessa turnê — Dei de ombros — Para mim isso é lucro. Cadê meus pais?
— Foram passear na praia rapidinho — juntava as cartas quando falou comigo — Pena que você não joga. O Cameron poderia ter vindo.
— É legal — A pessoa que estava no meu colo virou o rosto de lado, e voltou a deitar — A sempre perde mas gosta.
— Um dia a gente ensina você — A morena sorriu olhando para Viola.
— Vocês têm 21 anos, deviam parar com essas coisas — Ri — Existe Tinder, bar, balada. Sabiam? Deviam sair para pegar alguém.
— Quem vê você é o rei da noite — rebateu.
— Ao menos eu não fico na seca — Devolvi.
— Eu tenho impressão que o Shawn tem uma imagem suja de nós duas — riu e concordou.
— Sabe Shawn, adulto não quer sair pegando geral — A loira disse divertidamente — A gente quer panela antiaderente.
— Estabilidade emocional, achar dinheiro no bolso, dormir até mais tarde e o mais importante — acrescentou — Ser uma Kardashian, ou melhor, tentar.
— Amo como você me entende — Ela piscou para — Pode até parecer cafona mas, eu não sou quem eu pareço ser. No fundo você sabe. Debaixo dessa sua penca de músculos bem definidos e tudo mais. Ela tinha razão. Às vezes, quando você passa um tempo sem conviver com uma pessoa, perde um pouco da sensibilidade para lidar com ela. Lembro como se fosse ontem quando a vi pela primeira vez. Ela devia ter uns 18 anos e tinha um jeito sério. Os meninos estavam fazendo alguma brincadeira e Taylor estava do lado dela rindo deles enquanto ela permanecia séria. O jeito que ela olhava para eles era engraçado, e um menino mais ou menos da minha idade chegou nela.
, olha só — Ele mostrava um vídeo qualquer na internet.
— De novo esse vídeo? — Ela rolou os olhos — Não me mostra, eu vou cair na gargalhada. Taylor agarrou ela por trás e Aaron tentava mostrar o vídeo para ela. Logo gargalhadas preencheram o ambiente.
— Para Cannif — A loira ria tentando se soltar — Acho que o canadense chegou.
— Oi meninos — Meu pai sorriu.
— Oi — Ela respondeu apertando a mão dele — Eu sou a . Esses são o Taylor e o Aaron. E você é o menino dos covers?
— Ele mesmo — Andrew me empurrou para a frente. Pude ver que ela vestia uma blusa cigana branca, por baixo do macacão e um converse de cano médio. O macacão era comprido e destroyed, o que dava um ar rebelde para ela.
— Oh, certo — Ela sorriu de volta me pegando pela mão — Eu vou chamar o Bart. Vem, vamos te levar para conhecer o pessoal.
— Será que demora a reunião deles? — Abri a boca pela primeira vez.
— Não tenho ideia — Ela deu de ombros.
— Você tem uns covers supimpa — Aaron comemorou estendendo a mão para mim — Ah, sou o Aaron.
— Shawn — Devolvi o aperto de mão.
— Eu sou o Taylor, prazer cara — Taylor me cumprimentou também.
— Certo, aqui estamos — Ela bateu numa porta e alguém ia abrir, mas parou.
— Só entra com senha — Mma voz gritou esganiçada.
— Meu cu, caralho — bateu de novo na porta — Cameron, abre. A porta se abriu rapidamente e um bando de pares curiosos pairaram sobre mim.

— É o seguinte — Ela tomou fôlego — Não quero bagunça, nem grito e nem que obriguem o coleguinha a fazer nada. E se tiver qualquer brincadeira idiota eu vou falar para o Bart. Cadê o Cameron?
— No banho — Mm menino de olhos azuis deu um beijo na bochecha dela — Eu tomo conta.
— Vou lá chamar ele — Ela pegou Aaron pela mão e foi no banheiro, logo voltando. Eles eram legais, todos eles e quando Cameron apareceu, pareciam os meninos perdidos aprontando algumas. Nash zoava como parecia mãe de todos. Peter e Wendy, ri comigo. Aaron pediu para ajuda-lo num dever de casa. Ela o mandou pegar o caderno e o pessoal começou a ajudar com as respostas. Ela parecia nova, mas não perguntei a idade.
— Mãe de todos, eu estou com fome — Matthew apareceu encostando a cabeça no ombro dela. Eles eram todos tão carinhosos com ela assim?
— Eu vou pegar algo para vocês — riu, meneando a cabeça.
Algumas vezes quando tudo parecia uma loucura, ficávamos cansados, corríamos para o quarto dela. Lembro das vezes que ela ia do 0 a 100 em segundos, brigando com Taylor como uma mãe faria, ou sorrindo orgulhosa quando fazíamos alguma coisa que ela julgava interessante. O jeito seco dela ia embora quando chegávamos perto dela, e era substituído por um sorriso meigo, que derreteria até o coração mais gelado que existisse. Como todas as vezes que ela me via ter uma crise de ansiedade e me fazia sentar, inspirar pelo nariz e expirar pela boca. Como ela erguia os meus braços quando não conseguia respirar de nervoso, ou quando precisava de alguma atenção. Como quando o Cam precisou dela ao sair da MagCon. Quando Aaron perdeu o padrasto e o irmão. Quando eu me mudei para Los Angeles mesmo querendo estar em New York. Ela permanecia a mesma pessoa e no fundo isso fazia com que ela me fizesse eu me sentir em casa, onde quer que estivesse. Olhei para o lado e ela fazia uma trança em Aaliyah.
, você precisa tirar uma foto minha e da Viola com essa roupa — Ela fez bico e notei que ela estava com um maiô preto cavado. Foi a primeira vez que a vi sem tanta roupa e percebi como o corpo dela havia mudado. Não era o tipo de cara que ficava secando amigas em roupas de banho, mas era impossível não notar. Ela tinha um traseiro de dar inveja, e apesar de ter a pele clara, um bronzeado muito caprichado. Sorri para ela, que já tinha nadado até a ponta da piscina para pegar Viola no colo para foto. foi alugada para várias fotos. trocou por um biquíni amarelo normal e voltou para perto de nós.
— Será que se eu postar não vão falar do meu corpo? — Ela tomava um gole de suco quando ponderou postar a foto, rolando a tela do celular.
— Não sei, mas você não precisa ter medo – deu de ombros — Desativa comentários, querida.
— Eu vou deixar ativado, sou afrontosa — fez pouco caso, postando uma foto das que tirou, onde ela estava deitada numa boia na piscina com Viola deitada no colo dela. Logo o telefone dela começou a apitar feito louco e começamos a rir dos comentários. A maioria falava como ela estava magra e tudo mais. Alguns comentavam sobre a bebê e outros perguntavam sobre o pai.
"Quem será o pai?", "garanto que é algum cara da MagCon" leu cada comentário com uma entonação e pareceu se assustar com alguns mais ofensivos.
— Se você continuar lendo com essa sua atuação, eu vou ser obrigada a te enfiar esses maços de guardanapo bem na boca — Ela ameaçou e levou as mãos ao peito, fingindo estar ofendida.
— É da minha afilhada e de você que eles tão falando aqui – Ela mostrou a foto – Sério, para que tanto ódio no coração.
— Nem eu sei. Você nunca postou alguma foto minha e da Lola, certo? – Perguntei com a boca cheia de algumas batatinhas fritas. meneou a cabeça em negação, digitando algo no celular.
— Não gosto de arriscar tanto ódio gratuito em cima dela — olhou na direção da Viola —Mas alguma foto de vocês dois ia ser fofinha mesmo.
— Então tira — Dei de ombros — Uma de nós três e inventamos algo.
— Não! – Ela hesitou – Podem notar quem é.
, para de medo – Peguei Viola no colo e chamei ela para perto. Ela me encarou alguns instantes e sentou do meu lado massageando as têmporas – É só uma foto, quem não deve não teme.
— Fácil para você falar, todos te elogiam — murchou — Mas a vida segue, deixa eu pensar. Como você quer a foto?
— De nós três — Sugeri e ela me encarou.
— Ok — abriu minhas pernas e deitou no meu peito e aninhou Viola no colo dela. – Só essa, e esconde essa tatuagem. Passa o outro braço por cima de mim – Ela colocou o braço e posicionou a câmera frontal. Tirou duas fotos que pegavam mais Viola no peito dela e meu braço. Deu uma analisada e saiu dali — Acho que está bom.
— Você é muito medrosa, – Gargalhei — Não sabia dessa parte sua.
— Eu sou cautelosa, só isso — Ela postou a foto com um emoji de família e mostrou para mim. comentou uns corações e Cameron e Aaron colocaram alguma coisa. Bloqueou o aparelho e largou Viola no bebê conforto.
— Vai ficar aí ou vai nadar com a gente? — se atirou na piscina, espalhando água para todo lado. Aaliyah começou a dar caldinho nela e logo as duas estavam se divertindo.
, vamos — Vi a oportunidade de fazer uma brincadeira com ela e quebrar o clima estranho — Me diz um número de 0 a 10.
— 7? – chutou, aleatoriamente.
— Errado — Fingi desapontamento, tirando as coisas que pudessem molhar dela, sem que ela notasse e sentei do lado dela — Tenta de novo.
— Shawn, eu não sou cigana para ficar adivinhando — Ela rolou os olhos – Sei lá, 3?
— Resposta errada — Meneei a cabeça e agarrei minha amiga pela cintura, correndo para a piscina – Desculpa, mas vai ter que levar caldo — Ri antes de me atirar com ela na água.
— Idiota — me estapeou quando chegou a superfície — Isso está muito frio — Ela bufou, tremendo o queixo indo para borda.
— Qual é — Murmurei puxando-a pela cintura, e atirando um pouquinho de água na cara dela, que deu um gritinho afetado, trincando os dentes.
— Shawn, me deixa sair, eu estou com frio — Ela se retorcia e puxei-a de leve, até que ela chegasse perto e a abracei. Ela logo se aconchegou em mim, e começou a se mexer e a parar de tremer. Dei um selinho nela e ela se soltou um pouco.
— Melhorou o frio? — Perguntei levando ela até a borda, soltando e vi que ela começou a afundar.
— Não me solta pelo amor de Deus — parecia afundar, o que me fez rir. Ela parecia um cachorrinho nadando e cuspindo água. Me afastei de propósito e logo senti um par de coxas envolverem minha cintura. Ela estava mesmo fria.
— Você não sabe nadar?
— Sei — Ela justificou – Mas eu estava congelada — Agora estou me acostumando.
— Normal de cobra — gesticulou com as mãos, e atirou um pouquinho de água em
— Para com isso, cobrinha! — As duas começaram uma guerra de água e começamos a gargalhar alto.
— Hey hey hey — Chamei atenção das duas que se atiravam água e acabavam espirrando em mim — Vocês parem. Eu não sou raia de ninguém.
— Vamos brincar de rinha de galo? — Aalyiah perguntou subindo nos ombros de contra mim. contra o Shawn.
— Eu vou detonar você, tampinha — Ela pulou em mim, e se ajeitou nos meus ombros – Só se liga.
— Desculpa te decepcionar, — Meu pai chegou perto de nós, com Viola no colo – Mas ganhar rinha de galo é tradição dos Mendes.
Minha irmã tentava a todo custo derrubar dos meus ombros, enquanto eu mais dava risadas com a do que lutava, fazíamos ondas para o outro engolir água e num determinado momento, não percebi a morena me dar uma rasteira na água e minha irmã conseguiu derrubar . e Aalyiah começaram a comemorar jogando água para cima, minha irmã se jogou em seu colo.
— Acho que a família Mendes acaba de dividir o prêmio com a Van Carter — distribuía beijos aos ares, agradecendo os fãs invisíveis, me fazendo gargalhar.
— Só ganharam porque deixamos — dizia ajeitando os cabelos — , precisamos nos arrumar para o show — Minhas duas amigas começaram a nadar para perto da escada, mas antes, nadou em minha direção — Promete que vai ficar tudo por aqui? Qualquer coisa pode me ligar!
, ! — Segurei em seus ombros e seus olhos estavam fixos em mim — Apenas divirta-se — Sorrimos juntos e ela saiu da piscina. Observei-as desaparecer para dentro da casa. Aproveitei o embalo e juntei-me ao meu pai.
— Eu já dei comida para ela — Ele ninava Viola que segurava o seu indicador, impedindo-o de larga-la. Agradeci e acariciei sua barriguinha.
— Hoje a casa será só dos Mendes — Sorri para o meu pai. Estávamos reunidos mais uma vez e agora, com uma nova integrante.



Call us family


POV

Eu dormia tranquilamente quando o meu despertador tocou, impedindo que eu continuasse sonhando com o tapete vermelho e flashes, abri um pouco os olhos e apertei o botão soneca. Oras, ainda eram 8:30. O show ontem à noite, tinha acabado com a minha sanidade. Gritamos, dançamos, eu chorei vendo o vocalista segurar minha mão. Estava quebrada! Virei-me para o outro lado e aninhei-me na cama, dormindo rapidamente. Pela primeira vez, consegui retornar ao sonho, eu estava sorrindo para o Ryan Gosling que estendeu a mão para posarmos juntos. Ao caminhar em sua direção, tudo começou a tremer, porém, o meu amor platônico continuava com o seu sorriso perfeito e sua roupa impecável.
! — Alguém começou a me chamar, abri apenas um olho para saber quem era.
— O que você quer, ? — Murmurei cobrindo a cabeça com o lençol. Minha amiga puxou o meu então protetor e o jogou no chão — Era o meu lençol favorito! — Exclamei de olhos fechados, me remexendo na cama.
— São exatamente dez e meia, ! Logo mais o Cam vai chegar no estúdio e você ainda está aqui. Vamos, eu preciso de carona. Meu carro não quer ligar — Ela disparava tudo de uma vez, enquanto pegava alguma roupa no meu armário.
, fala devagar. Você sabe que de manhã eu sou... — Dei uma leve cochilada até que senti uma meia voando no meu rosto — lerda— Completei a frase bocejando em seguida. Respirei fundo, espreguicei-me soltando alguns grunhidos preguiçosos.
Minha amiga desistiu de procurar alguma roupa no meu armário bagunçado.
— Tem panquecas na cozinha. Por favor, levanta dessa cama ou eu volto e te puxo! — Ela apontou para os meus pés e saiu do quarto.
Eu sentei-me na cama arrumando os meus cabelos encarando a porta do meu quarto. E aí deus, por que você não me deixou ser uma Kardashian? E me poupava de acordar cedo numa segunda-feira pensei sozinha caminhando até o banheiro e tomar um belo banho de água fria. Los Angeles ficava cada vez mais quente, apesar do céu estar cinza.
Após o banho, pude ficar mais esperta. Optei por uma roupa que mesclava o profissional e o casual: uma calça clara skinny curta; uma regata larga branca com um lado para dentro da calça e um scarpin preto. Enquanto eu me trocava, meu celular começava a apitar loucamente, indicando novas mensagens. Corri para verificar e era Cameron perguntando onde eu estava. Acabei discando o seu número colocando no viva voz.
Alô? — Cameron respondeu incerto.
— Pronto para se tornar mais famoso do que já é? — Perguntei soltando uma risada anasalada.
Nasci pronto! — Cam deu risada — Precisa de carona? Estou a caminho do estúdio.
Pensei por alguns minutos encarando meu reflexo se emprestaria ou não meu carro para . Embora eu confiasse nela, meu carro era meu xodó, tinha mais ciúmes dele do que meu ex-namorado.
— Não será necessário, vou deixar a no trabalho e sigo direto. Vou tentar um caminho alternativo, de segunda-feira há muito trânsito no caminho de sempre — Afirmei tentando achar uma bolsa que combinasse — Enfim, até daqui a pouco.
Até já, — Cameron desligou e eu joguei meu celular na cama, bufando. Quer saber? Vou mudar minha roupa. Corri até o armário e separei um look mais sofisticado, uma blusa azul de mangas cumpridas, com um detalhe de nó na frente, e no alto das costas duas tiras que formavam um X deixando minha pele um pouco exposta, uma calça jeans azul cigarrete e calcei minhas botas de cano curto bege, coloquei meu relógio preto com dourado, as pulseiras douradas e um brinco pequeno azul, deixei os cabelos soltos, afinal, estava curto, peguei minha mochila preta, meu celular e meus óculos de grau e disparei para o banheiro.
, você está pronta? — Escutei perguntando da sala. Respondi de volta que já estava indo. Terminei de passar o meu batom.
— É isso, . Hoje você irá conseguir aquela promoção. Você será a coordenadora de roteiros — Fiz uma pose confiante diante do espelho — Ah, e não podemos esquecer da minha sala própria — Finalizei com uma dancinha desajeitada e criada na hora.

***

— Então, ansiosa para passar um tempo com o Cameron? — perguntou com um sorriso de lado, me fazendo rolar os olhos.
— Não começa. O episódio do elevador foi apenas um deslize.
Minha amiga gargalhou.
— Fala sério, . Qual foi a última vez que você gostou de alguém?
Parei em um farol vermelho, pensativa. Minha amiga tinha razão, havia algum tempo que eu não sentia algo por alguém, na verdade, eu até sentia algo, mas não era correspondida e eu considerava apenas uma paixonite da adolescência.
— Olha, você sabe o que aconteceu da última vez que tentei me relacionar com alguém — Lancei um olhar obvio para ela, entrando em seguida na rua do seu trabalho. Parando em seguida — Entregue. Agora sai do carro que preciso encontrar aquele rapaz que não para de mandar mensagens! — Bufei analisando as cinco mensagens de Cameron.
meneou a cabeça.
— Apenas considere conhecê-lo melhor. Prometo que não vai se arrepender. Beijinhos.
Comecei a rir descontroladamente observando minha amiga sair do carro. Considerar, até parece. Cameron é só um amigo. Só.
***

Assim que estacionei o carro no estúdio, fui recebida pela minha amiga Van que estava eufórica por ter um rapaz bonito me esperando na sala do nosso chefe. Claro, tinha esquecido que nosso chefe gostaria de ter uma palavrinha com o meu indicado. Rolei os olhos e caminhei junto com ela até lá. Meu querido chefe conversava com Cameron de pernas cruzadas, exibindo o seu terno que devia valer o dobro do meu salário. Parei no batente da porta observando a cena. Meu chefe raramente soltava alguns sorrisos, sempre que podia meneava a cabeça concordando com algo que meu amigo falava, até que meu olhar se encontrou com o dele.
— Ah, olá — Cameron caminhou em minha direção, abraçando-me em seguida — Graças a deus você chegou, o seu chefe está me causando calafrios com aquele olhar — Sussurrou no meio ouvido, abafei uma risada em sua roupa.
, bom dia ou melhor, boa tarde. Já que são quase meio dia. O seu indicado passou no teste, prepare-o para a cena. A atriz principal já chegou. Com licença, peço que se retirem, tenho assuntos importantes a tratar — Meu chefe respondeu pomposo ajeitando o seu terno e nos expulsando da sala.
Cameron olhou para mim e eu apenas dei de ombro, caminhando para o set de filmagens.
— Preparado? Prometo que será fácil — Disse para meu amigo que ficou de queixo caído ao perceber a produção que a empresa estava realizando. O filme contaria a história de um rapaz que consegue viajar no tempo, visitando épocas, pessoas e culturas diferentes até que isso interfere no modo em que a terra gira. O fundo verde chamava a atenção pelo seu tamanho; do chão até o teto, em formato de onda que conseguia pegar um pouco do teto.
— Isso é incrível! — Cameron soltou olhando maravilhado em volta.
— Ei — o cenógrafo, Julian, veio em nossa direção — Está bonita hoje — Julian era o cara que sempre tentava me conquistar com elogios, desde o dia que pisei nessa empresa.
— Obrigada.... Ei, esse é meu amigo, Cameron — Apresentei-os e se cumprimentaram com aperto de mão. Ele encarou-me por mais alguns segundos e de repente gritou com algum funcionário que não posicionava os equipamentos certos.
— Ele tem razão — Cam disse próximo a mim, fazendo-me ficar com um ponto de interrogação — Você realmente está bonita hoje — Ele sorriu.
Sorri sem graça com o elogio feito e senti que minhas bochechas logo mais iriam ficar da cor de um tomate. Abri a boca para responder, mas fui interrompida pelo diretor que arrastou Cameron para o camarim, acenei de longe e movimentei a boca desejando boa sorte.
Fiquei escondida no set vendo a atuação do meu amigo. Ele tinha o dom. Contracenava com a atriz principal tão bem, que nem parecia que tinha lido o roteiro um dia antes, suas falas se moldavam tão perfeitamente com o momento, vez ou outra ele esquecia e de repente, encaixava algo que até mesmo o diretor ficou impressionado. A cena se estendeu por alguns minutos, o diretor decidiu realizar uma tomada da cena em que ele reencontra o amor de sua vida no futuro. Cameron me viu e pedi para ficar quieto, caso contrário, seria expulsa dali. Ele perguntou se estava indo bem, fiz positivo com os dois polegares e recebi uma piscadela em resposta. Eu sorri.
O ensaio demorou mais algumas horas, mas minha barriga roncava como se eu estivesse passando fome, olhei as horas no meu celular e tinha uma mensagem de , desesperada.
EU TINHA ESQUECIDO QUE HOJE A MEGERA DA SAMANTHA
VAI PASSAR O DIA COM A VIOLA!!!! EU NÃO ESTOU SABENDO LIDAR!!
ALMOÇA COMIGO? LEVA O CAMERON! BJS, TEAMO

Respondi para ela me esperar no restaurante de sempre que logo estaríamos lá, ouvi alguns aplausos e levantei a cabeça para observar o motivo. O diretor apertava a mão de Cameron e sorria para os outros, indicando para ele e falava algo, acredito que só coisas boas. Julian o cumprimentou também, mas meu amigo não esboçou uma reação. Caminhei para o meio do set.
, você é um tesouro. Eu te devo tanto por achar esse dom. Parabéns — Denis, o diretor, apertava sem parar minha mão e de agradecer — Vou falar com o seu chefe agora. Considere-se promovida! — Ele ajeitou os seus óculos redondos e saiu batendo palmas.
— Não mereço uns parabéns?
Olhei para Cameron após sua pergunta.
— É como dizem: não fez mais que sua obrigação — Dei de ombros e caímos na gargalhada. Puxei-o para um abraço que acabou se tornando apertado. Respirei fundo — Então... — Separei com muita dificuldade — A quer almoçar com a gente, topa? — Cameron concordou e saímos conversando e rindo até o estacionamento.
O caminho até o restaurante foi recheado de risadas e conversas sobre o ensaio. Cameron contava que no camarim, a ruiva disse que faria um esforço para beijá-lo, porque seria seu primeiro filme e nunca tinha beijado na boca.
— Como assim? Quantos anos ela tem? — Alternava meu olhar para ele e para a rua.
— Acho que uns 19 — Cameron disse pensativo — O tal Denis disse que a filha dele me adora e que eu daria um belo genro.
Eu explodi em gargalhadas no carro.
— Coitado, mal sabe a enrascada que vai estar colocando a filha.
— Ah para, eu sou um rapaz legal — Ele piscou.
Eu neguei rindo.
Estacionamos o carro e entramos no restaurante, dando de cara na mesa com uma impaciente, tamborilando os dedos na mesa.
— Até que enfim o casal chegou — Ela disse bufando em seguida — Me ajudem!
Cameron e eu sentamos e pedimos algo para comer.
, eu sei que deve ser difícil. Mas, ela também é mãe da Vi. Ela foi sozinha? — Nosso amigo perguntou. Eu havia contado o motivo do almoço para ele no caminho.
— Obvio que não, a Tina foi junto com elas — Minha amiga respondeu bebendo sua agua — É só que, eu não sei, nunca fui com a cara dela desde o primeiro dia e nem você, Cam.
Ele concordou.
— O Shawn pediu para que eu deixasse a Viola lá, para que ele mesmo pudesse entrega-la à Sam — Minha amiga continuou — Acredita que ela inventou mentiras para os pais deles? Por pouco eu não cometi um assassinato.
Soltei um riso.
— Vai ficar tudo bem, ok? — Peguei nas mãos frias de — Tina disse algo?
— Disse que se acontecer alguma coisa, avisa um de nós quatro. E sim, eu passei seu número Cameron, afinal, você é melhor amigo do Shawn e padrinho da Vi.
— Fez bem, . Vamos ficar de olho — Cameron sorriu para minha amiga.
— Como foi? Conseguiu o papel? Aposto que sim, sua cara te entrega — Ela apontou para Cameron que levantou as mãos se rendendo.
— Eu finalmente serei coordenadora e terei uma sala! — Gritei levantando as mãos para comemorar, fazendo os meus dois amigos caírem na risada — Farei uma festa dentro daquela sala. “A sala que eu tanto esperei” vai ser este o nome — Disse desenhando uma faixa imaginaria no ar.
— Espero ser convidado — Cameron disse baixinho enquanto minha amiga pedia algo para beber
Sorri.
— Será o primeiro — Respondi encarando os seus olhos.
— Ok casal, lembrem-se que eu estou aqui — apontou para si.
O almoço ocorreu tudo bem, apesar de nos três estarmos preocupados em como a Samantha trataria a Viola, na verdade, o que ela poderia fazer com a filha. Embora fosse a mãe, sabe deus o que se passa naquela cabeça, a conhecia de vista, nunca a convidava para nada, mesmo o Shawn insistindo muito na época em que namoravam.
— Precisamos voltar, . Eu e Cameron vamos conversar com o meu chefe, vulgo, Elsa, de tão frio que ele é — Disse manhosa por não querer voltar. Cameron quase cuspiu seu suco com a comparação que fiz do meu chefe.
***


A reunião com o meu chefe durou minutos, sim, eu contei. Logo Cameron assinou os documentos necessários e as gravações começariam no próximo mês, pois, eles ainda estavam realizando o casting para os outros personagens do filme. A assistente do meu chefe, levou-me até o lugar, agora minha sala, para eu conhecer. Era linda. Ainda não estava mobiliada, em breve estaria com a minha cara. Parei no centro daquela sala.
— Nem acredito que consegui — Toquei o lustre pendurado.
Cameron me abraçou, levantando-me um pouco do chão e rodou comigo.
— Você sabe que essa sala é metade sua, né? — Eu perguntei dando um soco de leve no seu ombro, assim que me colocou de volta ao chão — Onde vamos? Eu não trabalho hoje, meu chefe me deu uma folga. Podíamos ir ver alguns móveis para a minha sala, o que acha?
— Acho ótimo, não tenho nada para fazer. Já liberei os vídeos dessa semana — Cam sorriu e fez reverencia para eu sair da sala, me fazendo rir.

Escolhi móveis simples e sofisticados para a minha nova sala. Minha ansiedade era tanta que eu conversava sorrindo com a moça da loja. Cameron observava atentamente alguns setores da loja, vez ou outra mordia o canto dos lábios, em dúvida de algo. A moça perguntou se a entrega poderia acontecer ainda hoje, na parte da tarde, já que os móveis que eu escolhi estavam em pronta entrega, tirando alguns quadros que demorariam no máximo uns 5 dias. Assenti tão rapidamente que ela abriu um largo sorriso e foi conversar com os montadores.
— Olá — Apertei a cintura do meu amigo que estava perdido em pensamentos olhando um sofá branco.
— Que susto, — Ele se virou sorrindo — Achei bonito sofá branco em formato de L. Apesar de ser um pouco pequeno.
Pendi a cabeça para o lado e observei o sofá. Realmente era muito bonito o acabamento. Ele sorriu para mim.
— Gostou? — Ele perguntou e eu assenti — Então vou incluir, como presente e você poderá colocar na sua sala.
O quê?
— Não, não. Ele é lindo, mas não cabe na sala e outra, não gaste seu dinheiro comigo. Você é o novo ator, eu quem deveria comprar algo para você — Disse um pouco nervosa, formando nós em meus dedos. Odiava ficar insegura perto dele. Percebi que seu sorriso murchou, deu de ombros.
— Senhora Van Carter? — Olhei rapidamente para a vendedora que sorria — Poderia me acompanhar? Precisamos do endereço.
Assenti, caminhei junto a ela, antes de subir para o segundo andar da loja, virei-me para trás e pude ver Cameron sentado no sofá e seus olhos se chocaram com os meus, apenas sorri e sumi de sua vista.

O resto do dia passou voando que eu jurei que alguém tinha apertado o botão para avançar. Eu e Cameron tínhamos voltado para o estúdio, pois, ele precisava conversar mais algumas coisas sobre o filme com o diretor e meu chefe. Resolvi dar uma volta pela avenida, meu dia de folga não ficaria prostrando naquele estúdio. Senti meu celular vibrar a primeira vez, mas deixei passar, estava segurando o riso vendo alguns turistas tirando fotos bizarras com alguns cosplays de Os Vingadores próximo a calçada da fama. Senti novamente meu celular vibrando, suspirei. Ao observar o nome de Tina, meu coração acelerou.
— Tina? O que houve? — Sentei ereta no banco. Arregalei os olhos — Você está falando sério?! MAS QUE MERDA, POR QUE NÃO AVISOU ANTES? ESTAMOS INDO! — Comecei a correr em disparada para o estúdio, enfiando o celular no bolso de qualquer jeito.
— Ei... — Não deixei Julian terminar a frase.
— Onde está o Cameron? — Perguntei aflita, ele me disse que ainda estava na sala de reuniões, nem tive tempo de agradecer e corri para lá. Isso não podia estar acontecendo.
Abri a porta com toda a força do mundo, atraindo olhares curiosos para mim e um olhar fulminante do meu chefe que estava prestes a virar uma folha de contrato.
— Eu sinto muito interromper essa reunião, mas Cameron precisa ir embora agora. É urgente — Olhei aflita para ele que se levantou rapidamente.
— Continuamos essa reunião amanhã, senhor Gary — Ele despediu-se do meu chefe e do restante da equipe e tentou acompanhar meus passos, já que eu estava próxima a saída do estúdio — ! Espera! — Ele corria tentando colocar sua jaqueta preta.
— Precisamos ir logo, Cameron! — Remexi em minha bolsa a procura das chaves. Mas que inferno, onde ela estão?
— Vem, vamos com o meu carro sei lá para onde você tem tanta pressa — Ele franziu o cenho acionando o alarme de seu SUV. Entrei de qualquer jeito no carro, senti uma pontada no calcanhar e sabia que tinha batido em algum lugar — Vai me dizer por que está com tanta pressa?
— A Samantha sumiu com a Viola — Eu senti meus olhos lacrimejaram com um misto de sentimentos — A babá me ligou desesperada que não sabia para onde ela tinha ido. Já faz mais de duas horas!
Cameron arregalou os olhos, tive que me segurar no banco com a derrapada que ele deu ao sair do estúdio com pressa. Meu deus, que esteja tudo bem.
Encontramos com a Tina chorando na escada do meu prédio e assim que me viu descendo do carro, correu para me abraçar. Acariciei seus cabelos e pedi para que ficasse calma. Mas eu dizia isso mais para mim do que para ela.
— Tina — Segurei seu rosto, limpando algumas lágrimas — Preciso que fique calma e respire fundo, tudo bem? Preciso que você me diga onde foi a última vez que a viu.
Cameron olhava em volta do nosso prédio para ver se a via em algum lugar dali. Tenho certeza que seu coração estava apertado igual meu. Eu daria qualquer coisa por um cigarro agora.
— Ela... ela estava no shopping comigo e de repente, me disse — Tina fungou e colocou uma mecha do seu cabelo cor de fogo atrás da orelha — me disse que um amigo dela estava vindo para vê-la e ia apresentar a Viola. Eu pedi para que ela ficasse junto a mim.
— E depois? — Perguntei impaciente — Por favor, Valentina. Eu sei que está assustada e se sentindo culpada, não se sinta. Mas nos ajude.
Tina olhou-me sorrindo fraco.
— Ela disse que a Vi tinha se sujado e ia no banheiro trocá-la e eu estava na fila do restaurante para almoçarmos e então, ela sumiu — Desabou a chorar.
— Você acha que ela está próxima ao shopping? — Perguntei para Cameron, enquanto consolava a babá. Ele comprimiu os lábios e disse que valia a tentativa — Tina, peço que fique aqui e caso ela apareça, nos avise.
Ela concordou e pegou o celular.
— O que está fazendo?
— Irei avisar a e o Shawn... — Peguei seu celular e desliguei antes que pudesse chamar.
— Não faça isso! Não sabemos o que aconteceu, espere nossa ordem — Gritei entregando seu celular e correndo de volta para o carro.

O shopping parecia uma feira de tantas pessoas e nem a Farmer’s Market ficava cheia desse jeito absurdo. Algumas pessoas notaram a presença de Cameron e cochichavam; algumas adolescentes soltavam risinhos nervosos em nossa direção, mas ao encontrarem meu olhar assustado, decidiram não se aproximar. Cameron tinha ido conversar com o segurança se ele tinha visto a Samantha por ali. Eu corria em todos os restaurantes, todos os banheiros femininos com fraldários, conversei até com as moças da limpeza e algumas mulheres no banheiro. Nada. Meu coração se apertava cada vez e eu sentia que a qualquer momento eu pararia de respirar. Perdi meu amigo de vista e ao pegar meu celular para ligar e saber onde está, vi no visor o número de Shawn e desliguei. Sentei num banco de madeira em volta de uma fonte e escondi meu rosto em minhas mãos e não consegui conter as lágrimas.
— Finalmente te achei! — Olhei para Cameron que corria em minha direção e me abraçou tão forte que chorei mais — Ei, não fica assim. Preciso de você forte do meu lado. Nós vamos achá-la.
Eu enxuguei as lágrimas.
— Eu quero matar a Samantha. Quando acharmos ela, por favor, me deixa fazer algo.
Ele riu.
— Deixo, contato que não seja presa. Ninguém aqui tem informações sobre ela — Ele bufou sentando ao meu lado, passando as mãos pelos cabelos loiros — Vamos precisar de ajuda.
Eu engoli em seco.
— A única pessoa que podemos chamar é o pai da . Ele trabalha na polícia e será mais fácil. Eu ligo para ele — Procurei nos contatos o número do pai da minha amiga e liguei. Rezei para que atendesse e no primeiro alô, eu comecei a chorar. Cameron pegou o celular da minha mão e começou a falar com ele. Não consegui ouvir o que eles conversaram, mas algo me dizia que visitaríamos a delegacia.
Ao chegarmos na delegacia, o pai da minha amiga veio correndo ao nosso encontro. Ele parecia mais velho, mais magro e apesar de ser alto, andava um pouco curvado devido a um problema em sua coluna sem reparos. Pediu para que o seguíssemos até sua sala, perguntou o número da Samantha e eu prontamente entreguei. Seus olhos dançavam pela tela do computador, até que seu semblante mudou para sério e franziu o cenho, parecendo não acreditar na informação que via.
— O que aconteceu? — Eu perguntei contornando a mesa, parando atrás dele e encarei a tela. Abri a boca inconformada com o que eu via.
— Onde ela está? — Cameron perguntou.
— Num laboratório médico perto do nosso prédio. Obrigada — Sorri para o pai da minha amiga e saímos em disparada. Samantha, você é uma mulher morta.

Cameron estacionou o seu carro de qualquer jeito na vaga e antes mesmo dele parar por completo, eu já corria em direção a entrada do laboratório, algumas atendentes olharam assustadas para mim quando debrucei no balcão, perguntando sobre a Samantha. Uma moça negra apontou em direção ao corredor de exames de sangue e eu gritei um obrigada. Ao virar o corredor todo branco, dei de cara com a Samantha sorrindo para Viola em seu colo e conversando animadamente com um rapaz moreno e alto, que tinha as mãos nos bolsos do seu jaleco. Caminhei em passos rápidos, como um animal selvagem encontra sua presa e tomei a Viola de seus braços. O médico protestou e o mandei calar a boca. Cameron veio logo em seguida.
— Você é uma mulher morta, Samantha — Vociferei para ela que me encarava como se não entendesse o que estava acontecendo.
, o pai da ligou para ela. Está furiosa. Pedi para que ela fosse com o Shawn ficar com a Tina que estamos chegando.
— Por que estão tão bravos comigo, queridos? Vim apenas visitar um amigo — Ela sorriu apontando para o médico que não entendia nada.
— Você é uma filha da p... — O seu amigo, ou seja lá o que for, levantou a mão para que eu não continuasse — Vamos.
— Eu vou ficar mais um pouco — Ela sorriu.
— Não, você vem com a gente — Cameron a arrastou pelo braço até o estacionamento e ignorou todos os seus pedidos para que a soltasse. Ele abriu a porta traseira, empurrando-a para dentro.
— Posso ao menos segurar minha filha?
— NÃO! — Gritei — A partir de hoje, você nunca mais encosta um dedo nela. E se eu souber que você encostou, eu corto todos os seus dedos. Entendeu bem, Samantha? — Olhei em seus olhos enquanto ela me fitava quieta — ESTÁ ME ENTENDENDO? — Gritei e ela concordou encostando-se de volta ao banco. Cameron encarava-me de boca aberta, mas preferiu não falar nada e dirigiu em silêncio.

Ao abrir a porta do apartamento, Shawn correu em minha direção e pegou a Vi, abraçou-a, beijou-a e acariciava de um jeito único. estava sentada encarando friamente Samantha que se sentou no sofá emburrada e de braços cruzados. O padrasto da minha amiga analisava tudo ao redor em perfeito silêncio. Ninguém abriu a boca. Ficamos em silêncio por alguns minutos. Até a Samantha falar.
— Podem me explicar por que diabos vocês me trataram tão mal? — Ela alternou seu olhar para mim e para Cameron. Num acesso de raiva, caminhei em sua direção e desferi um tapa em seu rosto cínico. Shawn arregalou os olhos. Cameron veio em minha direção, tirando-me de perto dela.
— Como você pode desaparecer desse jeito com ela? COMO? Você sabe o susto que passamos? — Eu cuspia as palavras vendo-a passar a mão onde bati.
— ELA TAMBÉM É MINHA FILHA! — Ela levantou-se
— Não, ela não é! Ela deixou de ser sua filha no momento que você a abandonou no hospital, sua vagabunda — Eu me soltei dos braços do meu amigo e caminhei em sua direção.
Shawn levou Vi e os irmão da para o quarto. Minha amiga se levantou e pediu para que eu ficasse calma. Cameron puxou-me para perto e observei encarar Samantha. Até que ela desferiu um outro tapa, seguido de um empurrão que a fez cair no sofá.
— VOCÊ DEVERIA ESTAR MORTA E QUEM DEVERIA TE MATAR, SOU EU! VOCÊ É UMA SEM CORAÇÃO, QUE LARGOU A FILHA NO HOSPITAL E ACHA QUE PODE APARECER QUANDO BEM QUER E PAGAR DE MÃE PARTICIPATIVA? — desferia tapas em Samantha e ninguém, ninguém reagiu. Apenas ficou observando.
— SAI DE CIMA DE MIM, SUA MALUCA! — Samantha tentava em vão empurrar minha amiga para longe. conseguiu puxar uma mecha do cabelo de Samantha que gritou de dor. Minha amiga estava ofegante quando Shawn veio voando para tirá-la de cima de sua ex.
— HOJE VOCÊ VAI ARRUMAR SUAS COISAS E IR EMBORA, ENTENDEU? EU NÃO QUERO VOCÊ AQUI EM LOS ANGELES, QUERO VOCÊ BEM LONGE! — jogou a bolsa na Samantha que usou os braços como escudo.
— Quero ver minha filha! — Ela gritou
— Você vai embora, Samantha. Agora — Shawn se pronunciou autoritário, puxando Samantha para fora do apartamento — Vamos passar em seu hotel e te deixo no aeroporto. Você não é mais bem-vinda aqui. Eu já volto — Ele estava frio, seus olhos não expressavam nenhum sentimento ao nos dizer tchau. Nem parecia o meu amigo. Minhas mãos tremiam e vi minha amiga correndo em minha direção, puxando-me para um abraço e nós duas desabamos em lágrimas. Cameron observava tudo em um perfeito silêncio, vez ou outra, assentia em silencio para algo que o padrasto da minha amiga falava. Eu precisava de um cigarro e isso era fato. Peguei na bolsa e rumei para a sacada. Acendi e dei uma boa tragada, sentindo todo o meu corpo relaxar com a nicotina. Suspirei. Quando é que íamos ter um pouco de paz? Sempre algo acontecia com a gente, principalmente com a Viola que não entendia absolutamente nada que estava havendo ao seu redor. Traguei mais uma vez e demorei para liberar a fumaça.
— Perdida em pensamentos? — Cameron debruçou-se na sacada, encarando o céu negro de LA recheado de estrelas e voltou seu olhar para mim. Soltei a fumaça — Sabia que fumar faz mal?
Rolei os olhos. Impaciente com essa pergunta ridícula.
— Acho que se vamos morrer, não será pelo cigarro. Pode ser uma doença, um acidente, de velhice — Devolvi seu olhar sorrindo irônica e ele balançou a cabeça — Só não me dê lição de moral, especialmente hoje, com tudo o que aconteceu.
— A única parte boa desse dia, foi eu conseguir o papel — Ele voltou seu olhar para a cidade.
— E Samantha ter ido, finalmente, embora. Não aguentava mais a presença daquela mulher.
Ele riu abertamente.
— Você é uma figura, — Colocou uma mecha do meu cabelo para trás.
— Você promete que se um dia acontecer qualquer coisa com a e o Shawn, vamos cuidar muito bem da Viola? — Eu encarei aqueles olhos claros, ele se aproximou retirando meu cigarro das mãos e o apagando no cinzeiro ao nosso lado, quebrou todo o espaço ao me embalar num abraço reconfortante, me fazendo sorrir.
— Prometo — Ele levantou meu queixo e naquele momento, eu me senti segura pela primeira vez. Me senti bem. Cameron foi se aproximando e lentamente fui fechando meus olhos.
— Shawn voltou! — nos assustou e correu de volta para a sala, embalando Shawn num abraço apertado, no qual foi bem recebido. Eu e Cameron sorrimos e retornamos para o cômodo. conversava com meu amigo, de não estar sabendo lidar com a situação que aconteceu hoje e que tinha medo dela voltar.
— Eu espero que ela não volte — Shawn beijou o topo da cabeça da minha amiga que sorriu.
— Foi difícil leva-la para o aeroporto? — Cameron perguntou sentando-se no sofá ao meu lado. Shawn suspirou passando as mãos no cabelo.
— Foi. Ela não queria embarcar de jeito nenhum! Eu sei que é errado, mas naquele momento quase bati nela. O lado da fama tem coisas boas. Consegui alugar um jatinho apenas para ela e um segurança que designei para ter certeza que chegasse lá e não decidisse retornar.
— Tudo está bem agora. Shawn, fica aqui hoje? — sorriu de lado, segurando o braço do nosso amigo que assentiu. Os dois logo foram se preparar para dormir junto com a Vi, que já devia estar no milionésimo sono. O padrasto da minha amiga decidiu voltar para casa com os seus irmãos e prometeu um almoço. Agradeci por ter ficado esse tempo com a gente, dando uma força.
— Vai ficar por aqui também? — Perguntei para o Cameron, enquanto fechava a porta do nosso apartamento. Ele encarou-me por alguns segundos e perguntou se não tinha problema. Eu sorri fraco — Claro que não! Tem um quarto vago que a pretende transformar em um escritório no futuro. Vem comigo.
Caminhamos em silencio até lá e abri a porta. O quarto era no tamanho médio, tinha apenas uma mesa de computador, um colchão que guardávamos para eventuais necessidades, como essa agora e algumas caixas da nossa mudança, que optamos por guardar.
— Está ótimo e limpo — Ele sorriu colocando o colchão no chão.
— Se precisar de roupas, o padrasto da deixou algumas mudas no outr... — Fui cortada por um dedo do meu amigo na minha boca.
— Muito obrigada, . Não é necessário. Melhor você ir descansar, hoje o dia foi cheio e estamos derrotados — Concordei.
— Parabéns de novo — Dei um soco de leve em seu peito.
— Boa noite, — E fechou a porta do quarto. Me deixando sem palavras.



Continua...



Nota da autora:
Mari: Meninas, primeiramente... ESTAMOS EM 6º LUGAR NO TOP FICTIONS! SIM! EU E A KATRYN SURTAMOS DEMAIS! Eu só tenho a agradecer a vocês pelo carinho, paciência e por ler nossa história. Isso deixa, não só a mim, como a Katryn muito felizes. Eu fiquei sem palavras quando entrei no site e vi nossa fic ali, lindinha. Eu preciso admitir, tive que apertar para ter certeza que era a nossa hahahah. Muito obrigada mesmo, vocês são íncriveis <3! Apesar de estar escrevendo há pouco tempo, posso dizer com toda certeza, eu adoro cada uma de vocês. Adoro quando vocês comentam para continuar, que estão ansiosas para a att e ficam surtando com o quê irá acontecer nos próximos capítulos. E como presente, soltamos não um ou dois e sim, 5 CAPÍTULOS PARA VOCÊS LEREM E COLOCAR FIM NO SUSPENSE! Um aviso: a Katryn começou a trabalhar (vamos todar dar os parabéns para ela <3) e eu também trabalho, o que acontece é que às vezes ficamos muito sobrecarregadas. O que decidimos foi o seguinte: Vamos atualizar uma semana sim e uma semana não, assim, podemos nos organizar e dar tempo para eu scriptar. O que vocês acham? Nos digam aqui nos comentários o que acharam da idéia e dos capítulos! Não se esqueçam, qualquer erro de script ou português, envie um e-mail para mim ;)
Katryn: Se você leu até aqui, significa que gostou da fic. Não tenho palavras para agradecer o carinho e fidelidade de vocês. Desculpem a demora, mesmo. Eu consegui trabalho (aleluia) e antes disso estava em fase de entrevistas e tudo mais, o que dificultou a escrita e postagem dos caps.A partir de agora vocês terão att sempre, mesmo que um cap. Isso é promessa. Se vocês quiserem conversar e receber aviso sobre as atts entem no nosso grupo (PRODUÇÃO COLOCA LINK BJ). AGORA VAMOS FALAR SOBRE O 6° LUGAR. EU AINDA TO URRANDO ALGUÉM ME ABRAÇA. Sério, eu chorava tanto que vocês não tem noção. Obrigada. Se eu contasse pra vocês que a fic não iria sair por que mudamos TODO o começo, vocês não acreditariam né?! Na próxima att conto isso, agora quero agradecer de coração, primeiro a Mariana, que sempre acreditou e se escabelou comigo por termos MUITA vontade de fazer essa fic acontecer mas ao mesmo tempo estarmos com crise de criatividade. Foram dois dias e meio de choro, até que conseguimos sair dessa marola e o resultado ta ai. Ela é minha figura cuspida e escarrada. Amo essa guria. Obrigada a cada uma de vocês por gastar o tempo de vocês lendo essa fic e fazendo nosso sonho ser realidade. Amo vocês, nossa jornada juntas ainda é longa e sou extremamente grata por cada uma de vocês. Amo cada uma e sintam - se abraçadas com o amor mais sincero e puro da vida. Beijo em cada coração e até a próxima att (QUE LOGO VEM, SURTEM CMG). PS: Logo a Mariana lança fic de terror solo, preciso dizer que ela vai surpreender vcs. HAHAHAHHAHA adeus, nos vemos em 15 dias.

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