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Última atualização: 31/12/2016

Day 1 — Boxes and Painting


abriu apenas um olho quando percebeu a movimentação constante dentro do quarto.
O ambiente ainda estava escuro, mas ele podia ver a sombra de andando de um lado para o outro, do closet para o banheiro.
E apesar de estar parcialmente acordado e parcialmente dormindo, ele não conseguia tirar seus últimos quarenta minutos de sono daquele jeito.
Tinha perdido o talento de ter um sono tão pesado que qualquer barulho soava como uma canção de ninar.
Provavelmente com , que parecia sempre estar ligada no 220v.
— O que você está fazendo? — foi o que ele conseguiu murmurar, com a cabeça enterrada no travesseiro. — Ainda é madrugada.
— Eu vou correr. — colocou o rosto na porta do banheiro, sorrindo. — E são quase nove horas. Bom dia, !
não respondeu nada, fechando os olhos e lentamente voltando a pegar no sono.
— Você pode ir comigo, sabe disso? — a voz de o despertou novamente, e recebendo um grunhido como resposta, subiu na cama, deitando o seu rosto no peito de . — Vamos lá, é um ótimo jeito de começar o dia.
— Meu dia nem começou ainda. — respondeu, com a voz abafada enquanto se esforçava para manter os olhos fechados.
O problema de era que seu corpo não conseguia não reagir ao de .
Inevitavelmente suas mãos abraçavam o corpo dela, enquanto traçava linhas imaginárias na sua cintura. encaixou o topo da sua cabeça em baixo do queixo de , distribuindo beijos pelo seu pescoço.
Ela cheirava a shampoo e segurança.
Não havia, no mundo, um cheiro melhor que aquele para .
— Esse sorriso quer dizer que você está pensando na minha ideia? — perguntou, ao perceber o pequeno sorriso que se formara em , ainda de olhos fechados.
— Na verdade, eu só estava imaginando o quão bem você fica em roupa de malhar. — Ela rolou os olhos, suspirando. — Guarde sua energia para as caixas, schatzi. Você tem alguma noção de quantas são?
Claro que tinha.
Ela não só tinha noção, como havia etiquetado todas em números que iam do 0 ao 23.
Ninguém a disse que mudar seria tão difícil.
Quando ela e acertaram os últimos detalhes da mudança, dois meses atrás, ela tinha uma ilusão que apenas em um estalo de dedos as coisas sumiriam do seu apartamento em Londres e apareceriam organizadas no apartamento de , em Dortmund.
Ou melhor, apartamento dos dois.
não tinha noção que um homem mal encarado ia jogar suas caixas de qualquer jeito na sala do apartamento, dando uma boa avaliada no apartamento do seu namorado e murmurando algo como ‘você podia descolar uns ingressos pra gente, uh?’
Ela não só não iria descolar nenhum ingresso para ele, quanto também iria denunciá-lo para a agência de mudança pelos danos irreparáveis nos seus porta-retratos.
Aparentemente a etiqueta de frágil era só um enfeite bonitinho.
Porque ninguém a respeitava.
— Será que nós podemos pensar nas caixas mais tarde? — Perguntou, fazendo biquinho. — Eu sei que tenho que arrumá-las hoje, é só que… São muitas.
— Se você começar agora vai terminar mais rápido. — murmurou, com um mini sorriso nos lábios. — Ou nós podemos fazer outro exercício que seja tão eficaz quanto a corrida que você vai fazer e eu posso te ajudar com as caixas depois do banho.
, você tem noção de quanta atrocidade você falou em uma só frase? — falou, enquanto ele prendia o riso.
— Por atrocidade você quis dizer… — tinha as mãos pretensiosas no cós da legging que usava, brincando perigosamente com seu toque ali. — Boa ideia?
revirou os olhos duas vezes antes de corresponder a ele.
Sentiu correr a boca por todo o seu pescoço antes de puxar a camiseta que ele usava por cima da sua cabeça até que ela estivesse no chão.
— Mudou de ideia? — provocou, a fazendo sorrir.
— Eu acho que vou precisar de ajuda com as caixas. — Sorriu, mordendo o lábio inferior. — Eu posso correr em Phoenix-See amanhã.
Schatzi, você sabe o que eles falam. — murmurou com um sorriso instigador nos lábios. — Todos nós temos uma academia em casa. Ela se chama quarto.

•••

— Você pode me lembrar de novo, por favor, por que nós não conseguimos um pintor para fazer isso? — falou, olhando para o pincel que segurava e para .
Que tinha um coque bagunçado no cabelo e vestia uma blusa branca que cobria seu short jeans e que parecia extremamente familiar para .
— Porque… — Ela levantou um dedo, sorrindo. — Nós temos pressa, pintores são bagunceiros e nós conseguimos fazer isso.
estava determinada.
E por mais que amasse a namorada determinada, pintar uma parede não estava nos seus planos de dia de folga.
Ele estava pensando mais em dormir até as onze, se arrastar por todo o resto do dia até que fosse noite de novo.
Qual é, ele ainda estava um pouco quebrado do jogo contra o Frankfurt.
E eles já tinham esvaziado vinte quatros caixas naquela manhã, depois que fora acordado de madrugada por .
E teoricamente, tinham se exercitado também.
continuava a repetir que se ele continuasse a reclamar tiraria o título de Motzki de .
Motzki era um jeito bonitinho que os jogadores do Borussia Dortmund escolheram para chamar o capitão, que basicamente significava preguiço e mal humorado.
Ou a tradução ao pé da letra de .
Não que ele precisasse saber disso.

— Okay, é simples. — Falou, colocando um latão de tinta na frente do corpo de . — Eu vou buscar os jornais para forrar o piso, você tenta abrir a tinta. Depois nós só precisamos pintar na vertical e tentar não melar muita coisa e isso envolve nosso cachorro.
Herz, que estava sentado ao pé de , deu um murmúrio insatisfeito quando tirou a lata de tinta de perto do focinho dele.
Precisava entender muito de pintura para ter certeza que aquilo não daria certo?
, schatzi. chamou, segurando-a pela cintura. — Por favor, vamos desistir disso. Eu posso arrumar alguém para vir aqui até amanhã e…
— Não. — Espalmou as mãos no peito de , negando. — Nós podemos fazer isso. Há duas horas nós esvaziamos vinte e três caixas, por que você acha que nós não conseguiremos pintar uma parede?
— Você quer que eu responda em ordem cronológica ou alfabética?
— Tudo bem, . — Ela grunhiu, se desvencilhando dos braços dele na sua cintura. — Eu faço isso sozinha.
parecia uma criança birrenta.
Espalhando os jornais pelo chão enquanto fingia ignorar a presença de , inclusive jogando uma folha sem jeito nos seus pés.
— Herz, você sabia que sua mãe é muito mal humorada? — falou, passando as mãos no cachorro e pegando um rolo que havia no chão. — Mas que no final ela me ganha a qualquer preço?
— Herz, você sabia que o passatempo número um do seu pai é encher meu saco? — rolou os olhos, no momento em que passou os braços pelos seus ombros. — Por que você dificulta tudo?
— Porque você sabe, esse é meu papel por aqui. — Deu de ombros, sorrindo. — Ser o errado do relacionamento. Seria muito bonitinho se tudo fosse certo, uh?
rolou os olhos, molhando o rolo na tinta e passando pela parede.
Ela analisou o trabalho, olhando com uma sobrancelha arqueada para .
— Você está vendo isso? — Sorriu. — Eu sou melhor do que você pensa. É só repetir isso umas 300 vezes e nós estaremos livres.
riu, fazendo a mesma coisa que ela e realmente reconhecendo que não parecia tão difícil.
Eles acabariam em algumas horas.
E finalmente o dia de mudanças estaria feito, com todas as caixas esvaziadas e um novo tom de cinza da parede da sala.
— Você tem que assumir que eu sou melhor nisso que você. — falou, olhando concentrado para a tinta. — Bem melhor.
— Qual a diferença do meu trabalho para o seu? A ideia foi inicialmente minha, então eu sou a melhor nisso. Sem mais.
riu, rolando os olhos.
É, era fácil.
Talvez ele estivesse feliz que não tivessem contratado um pintor para o serviço.
Seriam alguns euros a menos para um trabalho que eles conseguiriam fazer.
— Há, meu lado está bem melhor que o seu. — falou, olhando para . — Dê uma olhada para um trabalho bem feito.
rolou os olhos, passando o rolo com algum resto de tinta no braço de para irritá-la.
— Fale menos e trabalhe mais.
— Você não fez isso. — parecia ofendida, olhando para a tinta em seu braço. — Você definitivamente não fez isso.
Pegou seu próprio rolo e passou no rosto de , deixando o nariz e uma parte da boca dele melado, antes dele segurar seu braço e o rolo cair no chão.
Espirrando um pouco de tinta nos jornais, no chão e em Herz.
— Você realmente quer guerra, ?
— Você sabe que essa já está ganha, . — Ela arqueou uma sobrancelha, colocando uma mão na tinta e sorrindo arteira. — Por que você não dá um abraço na sua querida namorada?
— Não comece, schatzi…
— Você que começou isso, .
segurou o rosto de com a mão melada, sujando toda a barba e o pescoço dele quando o mesmo passou o rolo pesado de tinta no cabelo dela.
E eles não souberam dizer quem foi que deixou a parede em segundo plano primeiro, mas o pote de tinta era a diversão da tarde enquanto eles melavam a mão e passavam em qualquer parte do corpo do outro.
E riam.
Riam como aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo, e esquecendo que eles tinham um objetivo inicial ali.
Que era pintar a parede sem um pingo de tinta fora dos papéis no chão.
Só pararam a brincadeira quando escorregou em um dos jornais, puxando a gola da camisa de para que ele viesse junto com ela.
usou a mão para não cair em cima da namorada, que gargalhava com metade da cara cinza e fios de cabelo colados na tinta.
… — Ela murmurou, segurando o rosto dele com as duas mãos. — Nós estragamos isso.
— Eu sabia que isso ia acabar assim, de alguma maneira. — Riu, piscando vagarosamente. — Mas você não acha que tudo está no lugar certo?
sorriu, juntando seus lábios com o dele por alguns segundos.
Que tinha um gosto estranho de tinta.
— Nós, sim. A tinta, não. — Fico seria por um instante, suspirando. — ?
— Uh?
— Eu só quero que você fique ciente que, se algum dia você fizer a loucura de se transferir do Borussia Dortmund e me levar junto com você… — Ele sorriu. — Você vai ficar com todo o trabalho das caixas sozinho. E da pintura.
— Eu não acho que nós precisaremos pensar em mais caixas tão cedo. Na pintura, talvez. — Respondeu, fazendo um mini sorriso brotar no rosto de . — Por enquanto nós só podemos nos livras dessas roupas sujas.
— Certo. — Ela assentiu, sorridente. — Ah, essa blusa é sua. Acho que a tinta não sai.
gargalhou, apertando os olhos.
— Eu acho que posso lidar com isso…
— E eu acho que nós não podemos lidar com pintura.
— Nós não podemos… — concordou, sorrindo. — Mas sabe com o que eu posso lidar diariamente em Dortmund?
— O que?
Você.
riu, juntando o lábio dos dois antes de sair de baixo do corpo de e correr para o banheiro, perdendo as roupas pelo caminho.
O que fez questão de repetir.
No dia seguinte, quando acordou com o corpo de em cima do seu, os pés juntos e a respiração dele no seu rosto, ela não teve dúvidas.
Dortmund nunca se pareceu tão certo.
nunca pareceu tão certo.

Day 35 – Führerschein


(Apenas uma palavra grande, confusa e complicada que significa “carteira de motorista”).
Algo que, aparentemente, não tinha.


— Você o quê? — aumentou o tom de voz, enquanto desviava o olhar dela.
Quando a ligou naquela tarde e falou que eles dois precisavam tratar de um assunto sério, ela não estava esperando aquilo.
Achou que ele tinha quebrado o vaso da sala que ela era apaixonada.
Ou que havia se esquecido de dar água a Herz.
Ou sei lá, se vendido para um time na Turquia.
Nem em um milhão de anos ela esperava que ele despejasse um segredo que guardara pelos quase três anos que estiveram juntos.
— Você o quê? — Repetiu, passando as mãos pelos cabelos. — Você não me disse nada sobre isso em três anos?
— Não é como se você tivesse perguntado sobre. — Deu de ombros, entrelaçando os dedos. — Nunca achei que fosse necessário.
— Por que é extremamente normal perguntar sobre uma habilitação que você obviamente deveria ter. — Cruzou os braços, incrédula. — Por quantos anos você dirige sem habilitação?
— Eu nunca tive, na verdade. — Confessou, dando de ombros. — Schatzi, não é o fim do mundo.
Não, não era.
Era bem pior que isso.
Estava em todos os jornais.
tinha uma pilha deles nas mãos quando chegou em casa.
Segundo o Bild, o jogador tinha sido parado em uma Blitz e assumido que nunca havia tido carteira de motorista.
(O Bild geralmente não era tão confiável)
(Já tinha anunciado que tinha fechado com três clubes diferentes espalhados pela Europa)
(Mas o olhar culpado que sustentava deixava claro que daquela vez eles estavam certos)
Dirigia há anos, tinha cinco fucking carros e nenhuma carteira de motorista.
nunca desconfiara.
Além disso, tinha cinco multas por alta velocidade desde 2011.
A carta do juiz estava muito clara, inclusive o valor que teve alguma dificuldade em ler.
540 mil euros.
540 mil euros por dirigir sem carteira.
540 fucking mil euros.
Seriam três meses de salário e muita discussão na justiça.
— Não é o fim do mundo. — Ele repetiu, segurando o papel com o valor absurdo nas mãos. — São três meses de salário… Nós sobreviveremos.
— Eu fui seu álibi! — tampou a boca com a mão. — Eu posso ser presa? Meu Deus, , nós precisamos chamar um advogado?
— Nós não iremos para a cadeia, schatzi. Não foi algo tão errado assim… — lançou um olhar moral para , o fazendo engolir em seco. — Na verdade foi sim, uma estupidez, mas… Já foi.
Claro que já tinha ido.
nunca deixaria isso acontecer.
Talvez por isso ele nunca sentiu necessidade em contar.
— Tem mais um… detalhe. — Pigarreou, e apertou a ponta do seu nariz, fechando os olhos.
— Não me diga que nos últimos anos você matou alguém ou… Escondeu um corpo no nosso porão. — prendeu o riso. — Se você me disser que tem um filho e não achou isso um detalhe importante para compartilhar, eu estou fora daqui em….
— Não! Deus, schatzi, não. — Riu, mordendo o lábio inferior. — Eu só estou feliz que nós não trocamos o revestimento da cozinha esse mês porque… Eu também ganhei uma multa do Borussia.
— Você o quê? — Falou pela terceira vez, passando a mão pelo rosto. — Mais que cinco algarismos?
— Seis. — Confessou, apertando os olhos. — Pelo lado positivo, graças a Deus você trabalha.
riu.
Talvez por que não houvesse mais a nada a ser feito a não ser… Rir.
— Pelo lado negativo, eu deveria namorar uma advogada. — brincou, vendo rolar os olhos. — Nós vamos precisar frequentar alguns escritórios nas próximas semanas. Mas pelo lado positivo novamente, nós iremos passar mais tempo juntos já que você agora oficialmente será minha carona para todos os treinos.
, isso é... — Suspirou, apoiando o queixo em uma mão. — O quão terrível é isso? Honestamente.
— É a primeira confusão que me envolvo em algum tempo… Desde Ibiza. — Coçou a barba, pensando. — Eu ainda não falei diretamente com Zorc, e sinceramente não sei o que ouvirei.
— Ibiza não foi a última. — respondeu, quase rindo da lembrança do nome de estampado em diversos jornais por ter socado um homem na Espanha.
nunca se arrependera.
Ele desrespeitou e aquilo era algo que ele não tolerava.
Nunca toleraria.
— Oh, a Guerra Fria. lembrou, dando de ombros. — É… Aqueles dias também...
Guerra Fria era como os amigos de se referiam ao intervalo de três meses que ele e ficaram separados.
Dias que não guardavam boas lembranças, já que ele havia basicamente adquirido um coração de gelo e feito coisas estúpidas que sempre se arrependia no dia seguinte.
Estampado alguns jornais também.
Alguns = Muitos
— Ah, sabia que duas das cinco multas que eu recebi foram durante a guerra fria? — Piscou para . — Então teoricamente, a culpa é sua.
— Minha? Vamos lembrar que eu também estava sofrendo e nem por isso eu me esqueci da existência de limites de velocidade, mas hey, estamos falando do senhor eu-não-tenho-uma-carteira-de-habilitação, quem dirá limites.
— Você tem todo esse autocontrole e essa aura bonitinha que eu não tenho, e você vai mesmo ficar jogando na cara?
Ah, ela ia.
não era a senhorita perfeição a toa.
Não era a toa também que seu apelido no vestiário ainda era calma de .
Então se ele era todo confuso…
Ela era toda certa.
— Por tempo o suficiente para que você perceba o quão estúpido foi isso, e ah, seus pais sabiam?
, eu tenho quase 27 anos…
— Sabiam?
— Não. — Rolou os olhos, fazendo biquinho. — Hey, eu preciso de um pouco de apoio agora.
até tentou não se abater pelo bico e pela carinha de cachorro abandonado que fazia.
Mas ela ainda não conseguia.
Três anos de treinamento intenso e ela ainda não resistia.
Deus, era a mesma feição que Herz tinha toda vez que o elevador se fechava, quando ela ia trabalhar de manhã.
As duas a compravam em um minuto.
Fine. — Murmurou vencida, indo em direção a e retirando a carta das mãos dele. — Deixe isso para amanhã, já está feito, não tem mais o que falar.
deu um sorriso de vitória, segurando a cintura da namorada quando ela sentou em seu colo e passou as mãos pelo seu pescoço.
— Mas dá próxima vez que você for fazer algo estúpido, me pergunte antes. — Falou, séria. — Hey , eu estou querendo fazer algo muito estúpido, mas será que é estúpido o suficiente para ter grandes consequências daqui há alguns anos?
Imitou uma voz fina, fazendo rir.
— Entendido. — Segurou o rosto dela, sorrindo. — Naquela época eu ainda não tinha você.
— Aí que está o problema. — Brincou, rindo. — Você, , me faz perder a cabeça.
— Eu sei. — Assentiu. — Mas nós iremos resolver isso. Poderia ser pior, uh?
— Eu vou checar o porão só para ter certeza que não tem nada lá.
riu, juntando os lábios dos dois.
percebeu que um relacionamento era aquilo.
Era ter vontade de socar o rostinho perfeito de por um momento, e guardá-lo em um potinho no outro.
Era sobre estar ali um para o outro.
Watch each other's back.
estava feliz por poder estar lá para .
Assim como ele sempre estava ali para ela.
quebrou o beijo, deixando alguns selinhos pelo pescoço de , que se arrepiou com seu toque.
— Ah, eu acho que esse é um ótimo momento para dizer que eu quebrei seu vaso. — sussurrou, fazendo abrir os olhos e procurar pelo seu adorado vaso. — Aquele que você ama e que eu nunca achei nada demais.
Claramente, não estava lá.
— Eu não sei dizer por que não estou surpresa. — Riu, entrelaçando os dedos por trás do pescoço de . — Mas nós podemos resolver isso amanhã.
— Você não está brava? — Ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Prioridades. — Sorriu. — Nós temos coisas mais importantes para fazer agora. E eu sempre quis dirigir seu Audi.
— Achei que você preferisse o Aston Martin.
— Também. — riu, colocando as mãos na cintura de , por baixo da sua blusa e a beijando novamente.
Prioridades… — Murmurou, entre o beijo, enquanto ela bagunçava seu cabelo. — Eu gosto disso.


Day 58 — Arschloch


"ARSCHLOCH" — TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS Resultados: 1-20 de 20
Arschloch {n.} [vulg.] (também: Dummkopf, Idiot) idiota {m.}
Arschloch {n.}
.


— Chega, . — falou, rolando os olhos. — Você está obcecado. Obsessivo. Isso não está certo.
O jogador apertou os olhos, pausando o jogo no momento que entrou em sua frente, segurando um cabide que parecia conter o vestido da festa dela e com bobs no cabelo.
Em outra ocasião ele provavelmente faria graça.
— O que eu fiz? — Perguntou, dando de ombros.
— Deve ser a sexta vez seguida que você está vendo esse jogo. — Apontou para a televisão, negando. — Passou. Assisti-lo dez vezes não vai mudar o resultado.
— Não é a sexta vez. — Retrucou. — Deve ser a segunda ou a terceira…
— Ah, por favor, . — Aumentou o tom de voz, suspirando. — Só eu já vi esse jogo duas vezes com você. — Olhou para trás, analisando a partida. — No momento que você der play o vai cometer uma falta em cima do número vinte e oito. Ah, e ele vai ficar putinho.
não precisava colocar play para saber que isso era exatamente o que iria acontecer.
E ele poderia dizer que estava em negação.
Negação por ter perdido um jogo fundamental na reta final de grupos da Europa League e em negação por estar lesionado de novo.
O que seria sua oitava lesão no ano e vigésima terceira durante as três temporadas e meia no Borussia Dortmund.
estava começando a entender por que falavam que ele era de papel.
Ou vidro.
— Você não é assim. — Ela murmurou, juntando as sobrancelhas. — Você precisa deixar isso ir.
— Por que você tem tanta certeza que eu não sou assim, ? — falou, irritado. — Surpresa, esse sou eu.
— Porque não foi por essa pessoa que eu larguei minha vida em Londres. — Ela falou, soltando as mãos ao lado do corpo. — Ou eu prefiro acreditar que não larguei minha vida em Londres por essa pessoa que você está sendo agora, que prefere olhar para trás. Você tem um monte de competições pela frente e hey, o time precisa de você. E não é só o time.
Talvez estivesse sendo um pouco egoísta.
”Um pouco” era eufemismo.
Porque ele estava tratando o segundo lugar na fase de grupos e um problema no músculo adutor como o fim do mundo disfarçado com um gorro de natal e segurando uma placa da Europa League.
Eles iriam ter uma pausa antes da viagem que iriam fazer para Dubai, onde treinariam para a segunda parte da temporada, e talvez fosse tempo suficiente para que ele estivesse disponível para o time.
Talvez fosse birra.
Misturada com um pouco de egoísmo que ele sempre soube que teve.
E com o incrível talento das coisas sempre darem errado para ele.
Mas ele sabia que, ao seu redor, as coisas pareciam precisar de mais atenção que uma estúpida lesão no adutor.
Como .
Sua namorada estava se esforçando na Alemanha, mas o idioma ainda era um problema, principalmente no trabalho.
Segundo ela, inglês não era nada como Alemão e seus estúpidos tremas e letras estranhas que nem existiam no teclado do seu celular.
E o fato dela ainda ter duas aulas semanais de alemão entre seus plantões talvez fosse algo maior que os problemas que ele enfrentava.
tinha todo o direito do mundo de estar chateada.
Dois dias desde o apito final contra o PAOK e continuava sem aceitar.
E ele pode ou não pode ter ignorado algumas vezes que ela parecia à vontade de conversar sobre os seus problemas.
O que ela realmente não fazia por que aparentemente já tinha problemas demais para resolver.
Mesmo que ele viesse chorar para ela com qualquer pedra que aparecesse em seu caminho.
Então sim, egoismo era uma palavra fundamental para colocar no currículo de nos últimos dias.
— Eu vou para o banho agora e eu espero que você esteja pronto para a festa quando eu sair de lá. — Ela falou, mordendo o lábio inferior. — A não ser que você queira pular a festa de fim de ano para, você sabe, ver pela sétima vez empurrar o número vinte oito e bufar irritado.
ouviu a porta do banheiro fechar segundos depois, passando as mãos no rosto enquanto era visitado por aquela sensação que geralmente nunca saia dele depois de uma briga com .
Tinha estragado tudo.
Mas com muito pensamento positivo as coisas que resolveriam quando ele colocasse um terno para ir até a festa de natal e de fim de ano do Borussia Dortmund.
Porque sempre adicionava que não havia uma pessoa que ficava melhor em um terno do que ele.
Segundo ela, era uma mistura de um modelo da HUGO BOSS e da Calvin Klein, tudo isso misturado e embalado com o endereço dela.
Mas com muito otimismo mesmo.
Porque pelo jeito que Herz continuava encarando-o, julgando-o moralmente com aquele olhar de cachorro que não sabia escapar, ele sabia que estava fodido.
Se até seu cachorro estava julgando-o por estar enterrado no sofá há uma semana, repassando o mesmo jogo oito vezes até que pudesse finalmente achar algo que demonstrasse onde ele havia errado e onde céus ele tinha sentido a maldita dor na coxa, não conseguia imaginar em quantas línguas sua namorada havia o xingado.
E não sabia se estava muito tarde para um pedido de natal, mas pediu silenciosamente que eles fizessem as pazes.
Depois ainda tentou acariciar Herz, que parecia perceber toda a aura culpada do dono e dando passos em direção ao quarto que tinha acabado de entrar.
Tecnicamente, se nem o próprio cachorro estava ao lado dele…
Ele estava muito fodido.

•••


Todo mundo notou que algo estava errado entre e sua calma.
, que ainda mantinha o apelido de calma de .
Não por eles estarem de cara feia, discutindo ou qualquer coisa assim.
Na verdade os dois apresentavam sorrisos brancos que não deixava dúvida nenhuma que estavam bem.
O problema era a linguagem corporal.
Que não deixava dúvida alguma que eles não estavam nos melhores termos.
Como mantendo sua mão nas costas nuas pelo vestido dela, ao invés de na cintura, como ele sempre fazia.
E não estar olhando-o nos olhos e mordendo o lábio inferior sem perceber, como ela sempre fazia quando falava algo e tinha todos os olhares para ele.
Era automático. Ela nem notava que fazia isso.
Mas não naquela noite. E só precisava ser um pouco observador para notar isso.
So, o que você fez de errado nessa noite? — murmurou para ele, assim que e Lina começaram a conversar sobre a viagem de fim de ano. — Foi muito feio?
— Eu… Não fiz nada de errado. — se defendeu, arqueando as sobrancelhas. — Por quê?
— Ah cara, não seja tolo. — falou, abraçando os dois amigos pelo pescoço. — Todo mundo está vendo que vocês não estão com aquele olhar de corações como todos os outros dias.
se perguntou que olhar de corações que eles falavam.
Mas deveria ser o que sempre olhava para .
Well, acho que tem algo com nossa primeira briga em Dortmund e… Me envolve sendo um pouco… Egoísta. E babaca. — Pensou, apertando os olhos.
— Tá, qual exatamente é a novidade da vez? — falou, juntando as sobrancelhas. — Você é sempre egoísta, babaca e um pouco frio também.
— Obrigado, . Esse é realmente o elogio de natal que estava precisando. Consegue sentir o espírito natalino? — Ironizou, bufando. — Eu não preciso ouvir isso hoje.
— Na verdade você precisa sim. — falou, encarando . — Arrume logo isso, porque se você está sendo egoísta e babaca isso não tem nada a ver com a . Faça algo certo na sua vida.
— E se você estiver precisando de algum espírito natalino ou coisa assim, procure o Kagawa. — completou, sorrindo. — Cara, eu tenho plena certeza que ele conseguiu o emprego de Papai Noel desse ano. Ele está muito sorridente e mandando aquelas frases inspiradoras que todos querem ouvir no natal.
— Shinji é sempre assim, eu não sei sua surpresa. — falou, rindo. — Mas sério, cara, conserte as coisas. Você sabe o que dizem de passar o natal brigados. Traz má sorte e outras coisas mais, e provavelmente diminui o número de presentes que você vai ganhar amanhã. Ou hoje à noite.
— Isso é mais alguma tradição furada da Lina? — perguntou.
— Na verdade, isso é uma das frases inspiradoras do Kagawa. Ele me disse isso no ano passado e eu só pensei que seria legal guardar para a vida. — piscou, procurando algo com o olhar. — Agora, se me dão licença, o capitão precisa de uma palavra com o treinador.
— Oh, eu vou com você! — falou. — Eu preciso ter uma conversa com o Tuchel sobre aquela vaga na defesa. Vai que ele está meio sensibilizado com o espirito natalino e essas coisas… Não custa tentar.
riu, vendo os dois se distanciarem quando seu olhar caiu em .
Olhando a seu redor para o salão da festa, com um mini sorriso no rosto enquanto parecia adorável com seu vestido vermelho que mostrava parte das suas costas.
Ele tinha algo com vermelho.
E com , na verdade.
Aproximou-se dela, com um sorriso no rosto e seu melhor olhar de cachorro perdido ao chegar à frente dela.
— Nós podemos conversar? — Falou, baixo, fazendo-a arquear as sobrancelhas.
— Aqui?
— Agora. — Continuou, suspirando. — Tem um canto mais silencioso ali perto da entrada. Será que nós podemos sumir por alguns minutos antes dos discursos começarem?
Ela manteve o olhar nele por alguns segundos antes que soltar o ar que prendia e assentir.
entrelaçou seus dedos, andando pelo salão com ela enquanto sorria para alguns conhecidos que passavam a sua frente.
Com muita sorte ninguém pararia os dois.
Com muita, muita sorte ninguém notaria que eles estavam parcialmente fugindo da festa.
Quem diria que teria tanta sorte assim na vida.
O pátio do centro de festas era um pouco escuro, o que provavelmente faria correr dali se não estivesse com .
Porque ele ainda a passava proteção.
puxou o ar algumas vezes antes de começar a falar, sendo julgado pelo olhar penetrado de nos seus olhos.
O que tornava tudo um pouco mais difícil.
— Certo… Eu sou um Arschloch. — Falou, colocando as mãos na cintura de . — E no caso de você estar se perguntando o que é isso…
— Idiota. — falou, com um pequeno sorriso nos lábios. — Imbecil ou tolo.
— Isso quer dizer que você não anda faltando suas aulas de alemão… Por que exatamente eles ensinam esse tipo de coisa?
— Para eu poder descontar a raiva em meu incrível namorado. — Arqueou uma sobrancelha, sorrindo. — Meu namorado. Que não fica irritado por qualquer coisa e que não assiste ao mesmo jogo seis vezes.
— Oito, na verdade. — Confessou, vendo-a rolar os olhos. — Eu sinto muito se eu fui muito… Difícil nessa semana.
— Um Arschloch. completou, fazendo rir. — Mas eu preciso de você de volta. Você, que não se abate por um estúpido problema no músculo adutor. Você, que eu não preciso repetir mil vezes que isso é só uma fase e que vai passar. Você, que eu só preciso usar uma lingerie mais abusada ou um vestido mais decotado para tirar um sorriso.
— Oh, please. — Murmurou, subindo a boca até o ouvido dela. — Não fale isso quando você sabe que nós ainda demoraremos algum tempo até chegar em casa. Eu posso ficar animado demais.
— Você? — Ela sorriu, segurando o queixo dele. — Você está de volta?
— O homem por quem você deixou Londres sempre esteve aqui, . — Sorriu, deixando um beijo carinhoso no canto da boca dela. — Talvez com uma barba por fazer, mas ainda está aqui.
— Eu gosto do seu novo visual. — Falou, rindo. — E eu nunca duvidei disso, . Nem por um minuto.
— Bom saber disso. — Piscou para ela. — Por que a pessoa que eu pediria para largar tudo por mim sempre foi você, e eu ficaria chateado em saber que fui trocado. — Riu. — Nós estamos bem?
— Se você prometer que não vai ver aquele jogo ridículo nem mais uma vez…
a calou com um beijo, que podia significar ”eu prometo”, ”eu amo você” ou apenas ”você está extremamente irresistível nesse vestido e eu não consigo mais não te beijar”.
Significava os três.
— Vamos voltar para a festa ou vão realmente achar que nós fizemos um sexo rápido em algum banheiro da festa. — Quebrou o beijo, murmurando ainda com o rosto bem próximo ao de .
— Isso por acaso é uma opção? — arqueou uma sobrancelha, rindo. — Por que se for…
Den Mund halten . — falou, sentindo o rosto corar. — Se você está se perguntando o que isso quer dizer…
— Você me mandou calar a boca, e eu de novo estou me perguntando por que você aprende isso na sua aula. — apertou os lábios, sorrindo. — Mas eu continuo ansioso para testar o que as pessoas pensam que nós estávamos fazendo por ai…
— Caramba, é natal. Será que você pode limpar sua mente suja por um instante?
— Com você nesse vestido? Difícil. Sem ele? Mais ainda. — abriu a boca para protestar, o que fez juntar seus lábios com o dela. — Okay, eu definitivamente posso manter meus pensamentos para o final da noite, mas só até lá.
— Você sabe o que o médico disse. Sem exercícios pesados até que você estivesse bem.
Schatzi, eu tenho uma lista completa de coisas que não devo fazer com você. — Sorriu, malicioso. — Sexo não está incluso em nenhum ponto dela.
rolou os olhos, entrelaçando seus dedos com os dele para que pudesse voltar a comemoração de final de ano do time.
E uh, eles mantiveram a cabeça ocupada pelo resto da noite com os pensamentos dos dois finalmente sozinhos ao final dela.
Para a surpresa de , que pediu para ir embora para que ela finalmente pudesse se livrar do terno dele.
Não foi nenhum esforço.
tinha que pedir desculpas para o médico do Borussia Dortmund no dia seguinte, por que existem algumas recomendações que infelizmente não podiam ser seguidas ao pé da letra.
De jeito nenhum.


Day 109 — Away


achou que ao se mudar para Dortmund ela não teria que lidar mais com a ausência de .
Ela não sabia que teria que lidar com algo que a faria odiar alguns jogos dele.
Jogos fora de casa.
Mais conhecidos como piores-noites-possíveis para se passar sozinha.
E isso era mais uma coisa com que ela teve que se acostumar.

teve que se esforçar para segurar o celular entre seu ombro e sua orelha, lidar com sua bolsa pesada e uma caixa da PUMA endereçada para que ela tinha pego na portaria.
O que chegou para mim? perguntou, enquanto saia do elevador.
— Eu não sei. — Confessou, colocando a caixa no chão. — É pesada, é da PUMA e é pra você. Chuteiras?
Ou roupa de malhar. Mas eu espero que sejam chuteiras, a última laranja que eu recebi definitivamente não é a minha preferida. — Riu, enquanto pegava uma tesoura na cozinha para se livrar dos adesivos da caixa. — E eu recebi, sei lá, trinta delas.
— Eu definitivamente preferia a rosa. — Mordeu o lábio inferior, suspirando. — A viagem foi tranquila?
Na medida do possível, sim. — Respondeu. — Pierre só estava um pouco empolgado demais com a possibilidade de tirar algumas fotos enquanto dormíamos mas o plano dele foi um fracasso.
Talvez eu tenha mais sorte na volta! ouviu a voz de Pierre na linha e riu, fechando os olhos.
— Avise a ele que eu posso mandar algumas. — Sorriu, apertando a ponte do nariz. — Oh, Deus, será que você pode voltar para casa o mais rápido possível?
Dia difícil? — O silêncio que o fundo da voz de adquiriu entregou que ele havia se afastado do grupo de jogadores que deviam lotar o hall do hotel. — Schatzi, eu estarei ai em algumas horas.
— É só que… Foi uma semana péssima e corrida pra nós dois, eu peguei plantão dobrado, você esteve envolvido em todos os treinos extras da Europa League e eu realmente não lembro qual foi a última vez que nós dois tivemos tempo para nós dois. — Bufou, rolando os olhos. — Eu odeio jogos fora de casa.
odiava mesmo away matches.
Por que isso significava que viajaria e ela ficaria presa em Dortmund por causa do trabalho e isso era uma merda.
Ela se sentia culpada por não estar ao lado dele e definitivamente nunca se acostumaria com um apartamento vazio.
E aquele ano estava sendo especialmente uma merda. Europa League, Pokal e Bundesliga.
Isso significava que fazia até três viagens em uma mesma semana. Três noites sozinha, se a cidade não fosse assim tão longe.
Era péssimo.
Ela já estava bem acostumada ao ver seu namorado chegar do treino ás sete e dezessete, suado e com a roupa suja de grama.
Toda vez que ela perguntava por que ele não tinha tomado banho no clube falava que por que ele iria preferir tomar banho em um vestiário lotado com vinte caras que só sabiam falar merda e tirar onda, se podia muito bem chegar mais cedo em casa e tomar banho com sua amada namorada?
a ganhava no amada.
Eles passava um tempo se embolando no sofá, brincando com Herz ou simplesmente enrolando até que fossem os dois ao banho.
brincava que eles precisavam lavar o sofá pelo menos uma vez na semana, graças ao suor de impregnado nele.
Claramente, só rolava os olhos e contra argumentava que ela gostava.
Ela devia gostar mesmo, já que odiava toda vez que ele viajava.
Odiava dormir sozinha. Odiava rolar pela cama e não ter um corpo ocupando o lado esquerdo dela e até sentia falta da respiração alta demais dele.
Pra não dizer ronco.
E na verdade, ela realmente não dormia.
Era mais uma noite que a insônia batia e ela preferia assistir a todos os filmes a que tinha acesso no Netflix, além de passar horas e horas procurando indicações de livros que nunca chegava ao fim e bufando em tédio.
Séria tudo tão mais fácil se estivesse ali.
Ela provavelmente estaria no décimo quinto sono, sonhando com ovelhas e filhotes fofinhos.
Aparentemente, tinha o mesmo problema quando estava fora de casa, já que ela recebia mensagens dele as cinco da manhã dizendo o quanto estava ansioso para finalmente voltar a Dortmund.
Analisando que nunca acordava às cinco da manhã, isso só queria dizer que ele estava com insônia tanto quanto ela.
Você sabe que eu odeio estar longe assim como você e eu sinto muito por essa semana fodida, de verdade. falou, depois de um tempo em silêncio. — Mas será que nós podemos nos agarrar a realidade que estaremos juntos em menos de dois dias? E ai nós podemos correr no Westfalenpark com o Herz, viajar para Düsseldorf ou só passar o fim de semana presos em casa. O que você acha disso?
— Qualquer uma das três coisas, por favor. — Sorriu sozinha. — Animado para o jogo? Vocês tem uma ótima possibilidade de voltar para o topo da tabela, e isso é demais!
Isso é demais, mas tem a enorme possibilidade de que eu passe o jogo todo no banco e isso é uma merda. Eu odeio passar noventa minutos no banco depois de uma viagem dessa, mas você sabe como os médicos do time são. A estrelinha tem que se manter saudável para os próximos jogos da Bundesliga.
— O fato de que eu concordo com eles te deixaria muito chateado? — Ela murmurou. — Eu odeio te ver machucado e eu odeio mais ainda te ver machucado depois de um jogo que não vale muita coisa, tipo esse. Vocês já estão classificados, o que precisam mais?
Um hattrick meu seria legal. Um placar muito alto também. rolou os olhos, e podia imaginar o sorriso lateral que deveria estar naquele momento. — Scheiße, eu preciso desligar. O Tuchel está chamando e você sabe que não é permitido que a gente se disperse do grupo antes de terminar todo o check-in.
— Tudo bem, quando estiver no quarto você me manda um mensagem e eu espero não pegar no sono até lá. — Olhou para a caixa aberta a sua frente, tirando um dos vários par de chuteiras de lá. — Ah, e a propósito, são chuteiras. Azuis. Acho que fazem seu gosto.
Não vejo a hora de nunca mais colocar essas horríveis nos pés, e eu realmente preciso desligar. — Riu. — Ich Liebe Dich.
— Ich liebe dich auch. — Falou, com um sorriso no canto dos lábios.
Você sabe o quão bem soa falando em alemão?
— Eu sei que estou ficando boa nisso. — Brincou, ouvindo Pierre gritar um ‘phone sex não, , eu não mereço!’ que a fez rir. — Te vejo em um dia.
A linha ficou muda, fazendo bloquear o celular e jogá-lo longe, pensando se poderia pular o banho e dormir ali mesmo, no chão da sala.
Herz se aconchegou no seu colo, a fazendo passar os dedos no pelo do Golden, que balançava o rabo sem parar.
Ela odiava dias que a levavam ao limite do cansaço, e a fazia se perguntar quando iria ter férias decentes sem que tivesse que se preocupar com o horário que seu telefone tocaria, e ela tivesse que ir correndo até o hospital.
Mas aquela era a vida que ela havia escolhido.
Escolheu cuidar de pessoas e também escolheu se mudar para um país completamente diferente, para viver a vida com a pessoa que tinha escolhido para passar o resto dela.
E essa pessoa estaria em casa em algumas horas.
Se ela precisava de algum incentivo para levantar do chão, esvaziar a caixa pesada e entrar no banho, estava feito.
Era só manter no pensamento que o dia seguinte já estava para chegar.

•••


— É sempre assim nas sextas? — perguntou, o celular em uma mão e a outra apoiava seu queixo, enquanto ela tentava se entreter. — Calmo?
— A maioria das vezes. — Uma enfermeira que entrou na sala falou, sorrindo para ela. — Você deve ser .
A ideia de trocar o plantão do fim de semana surgiu quando ela percebeu que ela e precisavam de um tempo para os dois.
E caiu como uma luva quando o apito final do jogo contra o PAOK soou, e o Borussia Dortmund saiu derrotado por um gol.
O capitão da partida, na ausência de , jogou a faixa que estava no seu braço longe, chutando o ar algumas vezes e saindo do campo sem cumprimentar a torcida.
Para quem conhecia , isso significava que ele estaria impossível nas horas seguintes.
A faixa de capitão era quase um troféu, que se transformava em um fardo pesado demais algumas vezes.
tinha certeza que era daquele jeito que se sentia.
— Sim, eu troquei o sábado pela sexta. — Sorriu. — E você é…
— Lisa. — Falou, piscando rapidamente. — Na verdade você deu um pouco de sorte, hoje está um pouco mais calmo que o comum, o que é muito bom nesse ambiente.
concordou.
O problema era que… O tempo não passava.
Ela continuava olhando para o relógio da parede, pedindo com muita força que logo fosse nove horas.
E que ela pudesse sair dali para pegar no aeroporto.
Ninguém realmente entendia a força com que odiava jogos fora de casa.
— Com pressa? — Lisa falou, a fazendo tirar os olhos do relógio que parecia congelado.
— Um pouco. — Suspirou. — Eu preciso buscar meu namorado em vinte minutos e são vinte minutos que não passam. — Lisa riu, segurando a prancheta com as duas mãos.
— Posso te perguntar algo? — Falou, sorrindo.
— Claro. — também sorriu, juntando as sobrancelhas, curiosa.
— Você é a namorada de , não é? — Percebeu que havia ficado sem graça, continuando. — Cidade pequena, as pessoa falam. Eu sou só… Uma velha amiga, Lisa Schröder.
Ela não era uma velha amiga.
O nome soou conhecido demais para . E ele precisou de poucos segundos para associá-lo.
Ela era… a ex.
Ex.
Ela poderia dizer que se imaginou algumas vezes encontrando a famosa ex de , que não teve nenhum cuidado ao usar as palavras contra ele.
A mulher que passou três anos ao seu lado.
A quantidade exata de anos que ela estava iria completar.
Mas no momento, não sabia se deveria sorrir, ser simpática ou tratar aquilo como um assunto sério.
Era sempre assim tão difícil?
— Hey, você está bem? — A loira falou, rindo ao perceber que ela deveria ter a reconhecido. — Não precisa me olhar como se tivesse visto um fantasma… Eu sou só a ex. E você deve ter ouvido histórias que se assemelham com terror sobre mim, mas eu ainda sou só a ex.
— É que… Me desculpe. — Sorriu, mordendo o lábio inferior. — Só é estranho.
— Oh, eu imagino querida, não se preocupe. — Riu, apertando os lábios. — Mas está tudo bem, eu só precisava... Te conhecer.
O silêncio constrangedor fez com que se sentisse um pouco vulnerável demais.
Ela sabia que a loira a sua frente não fazia o tipo de pessoa que puxaria seu cabelo e faria algum escândalo por estar com seu ex.
nunca ficaria tanto tempo com uma pessoa assim.
havia ouvido histórias demais sobre Lisa, e sabia que ela era uma boa pessoa. E que todos que os conheciam achavam que eles iam ser felizes para sempre.
Mas o feliz para sempre deles teve data de validade, e sabia que metade das pessoas que conhecia lamentava isso.
Quantas vezes já havia lido entre os comentários nas suas fotos que ela era só uma Gold digger e que meu Deus como Lisa e faziam um casal bem mais bonito lotado de exclamações e emojis.
Esse tinha sido um dos motivos dela ter trancado todas as redes sociais.
Aquelas palavras vindas de estranhos não importavam tanto quando era com ela que estava.
E se ele estava feliz com ela…
Não havia mais nada a se dizer.
Mas era uma das pessoas que mais se preocupava com privacidade e facilmente eles poderiam contar o número de fotos dos dois que havia na internet.
Com Lisa era igual.
E naquele momento se perguntava se ela ainda recebia mensagens sobre ou se ela ainda se importava com qualquer coisa que surgisse sobre ele.
Também se perguntava quanto tempo ela tinha demorado para superá-lo e se ela havia sofrido assim como ela havia sofrido nos meses que ficaram separados.
Era justo que ela tivesse todas essas perguntas na sua cabeça?
Era normal que ela não fizesse ideia do que falar?
— Sabe… Alguns anos atrás eu desejei do fundo do meu coração que o nunca fosse feliz. Eu realmente achei que ele nunca fosse capaz de amar, e eu desejei que ele nunca fosse mesmo… Para que ele pudesse sentir a dor que eu estava sentindo no momento que fui embora e que meu coração foi quebrado. — estava em silêncio, com os olhos presos nos azuis de Lisa. — Eu achava que minha vida estava acabada depois de ter terminado um relacionamento com um jogador. Mas, sabe de uma coisa, ? Eu estou feliz hoje. Eu irei me casar em oito dias, e eu estou feliz com uma nova pessoa. E ao te ver, eu também fiquei feliz. Eu fico feliz de saber que você tenha sido a garota com quem aprendeu a amar. E eu desejo felicidade a vocês dois.
engoliu em seco para ganhar algum tempo.
Por que não sabia o que deveria falar ou se deveria falar.
Mais uma vez ela estava sem palavras.
Lisa parecia não esperar resposta, com um sorriso sincero no rosto, e soube que ela não falou aquilo só por falar.
Ela realmente sentia aquilo.
E isso foi libertador.
— Obrigada. — Falou, puxando o ar. — Parabéns pelo seu casamento e… Eu também desejo que você seja feliz, de verdade.
— Muito obrigada. — Riu. — Por isso e por o que você fez pelo .
— Eu acho que é assim que funciona o amor… A vida.
— Eu também acho. A gente segue em frente, aprende muita coisa, melhora... — Assentiu, sorrindo. — As coisas irão sempre se acertar. E a vida sempre segue.
— Essa é a lei da vida, não é? — Sorriu, olhando para o relógio na parede.
— Está na hora de você ir. — Lisa falou, rindo. — Só mais… Uma coisa. Você sabe que as pessoas estão sempre falando de mudanças e transformações, mas… Ninguém muda ninguém, você sabe disso? não é o mesmo de anos atrás, não por que você o mudou. Ele é assim por que você o faz querer ser melhor… Okay, eu não falo com ele há anos e eu não te conheço mas… As pessoas falam muito e definitivamente você o faz melhor.
Foram as palavras que ficaram na cabeça de durante todo o caminho até o aeroporto.
Ninguém muda ninguém.
Mas ela o fazia querer ser melhor.
Do jeito dele, no tempo dele.
Mas melhor.
Ela tinha uma sensação de alívio no peito, e sabia exatamente o porquê.
Era a primeira vez que ela escutava algo daquele tipo por alguém que não a conhecia.
Alguém que conheceu e conviveu com o antigo .
Alguém que talvez tivesse todos os motivos do mundo para odiá-la.
Mas não o fazia.
Porque sabia o quanto ela fazia bem a ele.
E por mais que as pessoas soubessem e falassem aquilo....
Ninguém, a não ser os dois, entenderia a proporção com que faziam bem um para o outro.

•••


parecia extremamente cansado quando saiu pela porta de desembarque, e entendia o porquê.
Depois da derrota para o PAOK, em um jogo que não valia muita coisa, mas que ele não conseguiu completar jogadas de jeito nenhum, entendia a irritação que ele estava.
O que ela não entendia era como as pessoas ainda apontavam o celular para o seu rosto, segurando no seu braço para conseguir uma foto com a qualquer custo.
Mesmo que ele não parecesse nem um pouco a vontade com aquilo.
E ela quase passou despercebida pelos olhos dele.
não gostava de ir até o aeroporto para recebê-lo, por conta dos olhares curiosos, das pessoas sem limites e sem educação.
Ela também sabia que preferia que ela o encontrasse em casa, onde eles poderiam se beijar, abraçar e se amar sem nenhuma câmera apontada para os dois.
Mas naquele momento, tudo o que ele precisava era de .
Abriu um sorriso no momento que a viu, no canto do aeroporto, passando direto por diversas celulares e pedidos incessantes de fotos.
Será que ele poderia se desligar disso por um segundo?
— Eu preciso dizer o quanto aliviado estou de você estar aqui? — murmurou, a abraçando pela cintura enquanto afundava sua cabeça no pescoço dele.
— Eu imaginei como você estaria e… — Mordeu o lábio inferior, se afastando dele apenas o suficiente para ver seus olhos. — Uma vez você me disse que eu tinha algum efeito sob você e dias ruins. Eu realmente espero que você ainda esteja considerando isso.
riu, antes de juntar seus lábios com o dela, fazendo com que não houvesse espaço para uma resposta.
Ou melhor, que a resposta fosse vários sim em forma de gesto.
— Hoje eu conheci uma pessoa e ela… Me falou coisas que me fizeram pensar em quanto nós dois somos sortudos por termos isso. — murmurou, apertando os lábios em uma fina linha. — , eu conheci…
— Eu sei. — a cortou, sorrindo. — Eu fiquei surpreso em ver o nome dela na minha caixa de entrada depois de tanto tempo, mas entendi o que ela queria dizer quando li a mensagem. Ela disse que ficou feliz em saber que eu tinha encontrado você… E disse que você é alguém que eu devo manter.
— Ela… Falou com você?
— Uma mensagem, três frases e que não pedia resposta. Mas foi bom, vindo dela. Apesar de que eu não preciso que ninguém me fale isso para eu perceber o quanto eu tenho sorte de te ter.
— Você está romântico hoje, o que basicamente me diz que não veio escutando Drake, The Weeknd, Chris Brown ou Frank Ocean. — Riu, colocando as duas mãos no rosto dele. — Obrigada por isso.
— Vamos dizer que hoje eu estou mais para Adele, Coldplay e SoMo. — Deu de ombros. — Mas se você quiser, nós já poderemos voltar para a programação normal no nosso… quarto… cozinha… sala.... academia…
! — o cortou, sentindo o rosto esquentar. — Eu tenho algo diferente planejado para noite e...
— Estou todo a ouvidos, principalmente se envolver você, eu e menos roupa.
— Por que você é assim, ? — Rolou os olhos, sorrindo. — Você falou em Düsseldorf para o fim de semana, e eu achei que seria uma boa ideia. Então, se você concordar, as malas estão no carro e nós chegaremos lá em 50 minutos. Eu dirijo e você deve estar exausto, então dorme no caminho. O que você acha?
Era inexplicável como sabia exatamente do que precisava.
Era assim que os melhores relacionamentos funcionavam, pensava.
Não eram perfeitos, tinham problemas, mas no fim do dia, estar junto era o que importava.
Ele não pensou duas vezes na viagem pra Düsseldorf, rindo ao encontrar o não-tão-mais-filhote Herz no banco de trás do carro, assim como uma pequena mala para os dois.
estava exausto, mas não pregou o olho durante todo o caminho.
Ele preferiu fazer a coisa que mais gostava de fazer desde que conhecera .
Observá-la, enquanto ela estava com os olhos e atenção presos na estrada, murmurando baixinho a música que tocava no rádio.
Sustentando um sorriso nos lábios que poderia ser traduzido em eu sou fodiamente apaixonado por ela.
E essa sensação aumentava a cada dia que passavam juntos e a cada surpresa que ela fazia para ele.
Como o quarto do melhor hotel em Düsseldorf para os dois, apenas para que passassem um fim de semana longe de tudo.
Sozinhos.
Mesmo que a noite dos dois tivesse começado com os dois apressados pra se verem livres das roupas que usavam, o fim de semana tinha terminado com carinhos ingênuos e promessas que pareciam improváveis.
Como a de , de sempre tentar ver o lado bom das coisas, mesmo que elas dessem um pouco errado.
Foi um pedido de , depois de terem um fim de semana perfeito pós uma derrota que provavelmente deixaria chateado por uma semana.
Mas estava realmente considerando que não tentaria não ficar tão puto em perder mais jogos que não tivessem tanta importância.
Talvez ainda um pouco.
Mas se ele tivesse ao seu lado depois de resultados ruins, estaria feliz.
Acabariam a noite misturando August Alsina com Alex and Sierra.
Porque ele ainda era e ela ainda era .
E eles ainda encontravam o equilíbrio perfeito.

Day 126– Fehlalarm


“A maioria dos testes tem uma linha de controle, que serve apenas para mostrar que o teste está funcionando e que detectou a urina. O modo de mostrar o resultado pode variar, mas em grande parte dos testes é uma segunda linha, que se aparecer indica positivo.”


Ela esperou até o momento que o sono de ficasse pesado para sair dos braços dele.
Prendendo a respiração e se movimentando lentamente, a fuga sendo dificultada pelo braço de em sua cintura, a prendendo junto a ele.
Mordeu o lábio inferior, saindo do abraço dele, levantando-se lentamente da cama que os dois estavam.
se movimentou, o que claramente fez com que parasse bruscamente de se mexer, pedindo repetidas vezes que ele não acordasse.
Que, por favor, o sono dele ainda estivesse pesado.
só voltou a se mexer quando virou o corpo, com os olhos cerrados e a boca levemente aberta, abraçando o travesseiro dela.
Ela tiraria uma foto se estivesse em uma situação diferente, para provar na manhã seguinte que ele roubava o travesseiro dela, por mais que sempre negasse isso.
Mas estava tão tensa que pegar seu celular na cabeceira da cama dos dois era algo fora de questão.
Pegou a sacola que tinha escondido no meio dos seus casacos quando chegou em casa, indo de ponta dos pés até o banheiro.
Herz, como se percebesse que ela estava fazendo algo errado, colocou o focinho antes que fechasse a porta do banheiro.
deu espaço para ele passar, dando uma última olhada no corpo adormecido de antes de fechar a porta.
Fechou a tampa do banheiro e retirou os três testes da sacola de plástico.
Na dúvida, comprou três. De três marcas diferentes.
Ela não quis avisar para no momento que sentiu enjoo pela segunda feira.
E, por mais que ele tivesse achado estranho no momento que ela perguntou na terça feira se ele tinha trocado de perfume, não houveram mais perguntas.
Ele estava um pouco nervoso com o jogo do sábado, e mais um problema na sua cabeça não seria uma boa coisa.
Abriu os três. Leu as instruções dos três.
Sabia como funcionava, graças aos filmes, mas não sabia que esperar as linhas se formarem seria uma situação tão angustiante.
Fez o primeiro.
Esperou.
E ela pensava.
Lembrava das várias vezes durante os últimos meses que o desespero dos dois fazia com que a camisinha fosse esquecida.
De alguns dias que foram tão cheios que a sua cartela de anticoncepcional ficara perdida e esquecida dentro da bolsa.
Das tantas vezes que eles haviam se descuidado...
Herz a encarava como se esperasse o resultado tão ansioso quanto ela.
Como se entendesse que aquele resultado mudaria tudo.
Na vida de , de e na da terceira pessoa que poderia ou não estar ali.
Por que o tempo não passava?
Por que a listras demoravam tanto para se formar?
Prendeu a respiração no momento que o primeiro resultado veio.
Esqueceu-se por um segundo se deveria ficar feliz com uma ou duas listras.
Prendeu novamente nos dois seguintes.
E não sabia se ia conseguir dormir direito durante a noite.

•••

— Eles estão aprontando algo. — Lina falou, entregando um copo de café quente nas mãos congelantes de . — Eu consegui sentir o cheiro de artimanha da entrada do vestiário.
— Obrigada. — murmurou, dando um mini gole no copo. — Deve ser alguma comemoração nova, você sabe, é o Werder Bremen, mais conhecido como maior sofredor de .
Por isso costumava a repetir que ele era o seu oponente favorito.
Ele era famoso por marcar gols demais contra o Werder Bremen.
Não que isso fosse uma coisa ruim, mas estava quase começando a virar lei.
E tinha certeza que ele deveria estar preparando alguma comemoração diferente para aquele jogo.
Os emojis de macaquinhos novamente, a máscara de Robin ou alguma novidade.
Porque ele e Pierre Aubameyang sempre estavam aprontando algo.
Nah, eu diria algo mais sério. — Lina respondeu, sentando-se ao lado de . — Eu fui expulsa do vestiário pelo Mkhitaryan, e ele não é capaz de expulsar ninguém de lugar algum.
riu, colocando os olhos no campo no momento que o time entrava em campo.
Ela estava começando a se acostumar a assistir aos jogos da área VIP
Quer dizer, era bem mais calmo que as tribünes, e preferia que ela assistisse ali a ficar sozinha em qualquer das arquibancadas.
Ultimamente, os flashes estavam muito nos dois, então até que entendia toda a preocupação.
Mas sempre acabava com uma foto sua na imprensa concentrada no jogo, ou lamentando um gol perdido por .
A última a ser tirada tinha feito a graça da cidade, depois que ela foi fotografada com uma careta que expressava o sentimento de ‘como você ousa perder esse gol, ?’ de todo torcedor.
So, como vocês dois andam? — Lina perguntou, cruzando as penas no momento que o apito foi escutado por todo o estádio.
— Bem. — Sorriu, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. — É como uma lua de mel, sabe? É muito diferente morar junto, mas é um diferente bom.
— Já começaram a discutir pela toalha molhada na cama? — Lina falou, rindo. — Ou pela tampa do vaso ou pela desorganização dele?
— Eu falei a ele que da próxima vez que eu encontrar uma toalha molhada na cama ele vai pagar com três meses de abstenção do banho em dois. — Sorriu lateralmente, cruzando as pernas. — Desde que isso aconteceu, ele tem se comportado.
— Oh, por favor, eu preciso de umas dicas dessa. — Lina riu, colocando os olhos no campo. — Como o faz isso? Eu quase sinto pena do Bremen.
olhou para frente, vendo uma jogada maravilhosa entre o Miki, Auba, terminando com chutando diretamente no gol.
Fazendo o estádio vibrar.
E ela também, já que todo gol de ainda era especial para ela.
Mas algo estava diferente.
não colocou as mãos nos olhos, na boca ou nos ouvidos.
não gritou em comemoração, não correu para abraçar os companheiros e não tirou uma máscara do Robin de qualquer lugar.
fez o que qualquer jogar faria em um determinado momento do sua vida.
Ele colocou a bola em baixo da camisa, chupando o dedo e apontando para a área VIP, onde estava.
E ela desejava muito que não tivessem filmado seu rosto no momento.
Por que como todos naquela sala, ela estava em choque.
Bloody Hell. — Murmurou, atônita.
— Parabéns… — Lina falou, surpresa. — Mamãe.

•••

andava de um lado para o outro, mordiscando o canto da unha com o celular que não parava de vibrar na outra mão.
Ela podia jurar que se ouvisse mais um ‘parabéns pela gravidez’ ela iria enlouquecer.
Até já tinha escutado uns ‘eu desconfiava, ela está mais cheinha’ pela sala.
não sabia o que responder para essas pessoas.
Continuava ignorando o celular que vibrava loucamente na sua mão, com o nome de toda a sua família na tela.
O que ela falaria a eles?
O que ela falaria a ?
O que ela falaria pra qualquer pessoa?
Deus, ela estava começando a se preocupar com a sanidade de .
Schatzi… — entrou na sala que ela o esperava, quase vazia após o término do jogo, com um sorriso no rosto. — Calma, eu sei que você está brava…
— Se você acha que eu estou brava, , você realmente não faz ideia o que eu estou sentindo no momento. — Grunhiu, com cuidado para não chamar atenção. — O que foi aquilo, ?
— Calma, calma… — Pediu, colocando as mãos nos ombros dela. — Eu sei que você queria fazer uma surpresa para mim e você sabe que eu não gosto dos holofotes em cima de nós dois, mas… A notícia também me pegou de surpresa!
— Pegou meus pais de surpresa também. — falou, soltando o ar. — Minha família, sua família, metade do país, e oh, não esqueça, a mamãe também está surpresa! Nesse exato momento eu estou agradecendo pelas minhas aulas de ioga, ou eu juro que eu te socaria.
— Do que você está falando, ? — juntou as sobrancelhas, confuso. — Eu sei que você planejava alguma coisa, mas… Eu achei os testes no lixo.
— Do que você… — Em um instante, tudo começou a fazer sentido para . A noite anterior. Os testes no lixo. — Os testes… você se preocupou em olhar os resultados?
— Não, eu… — Ele engoliu em seco. — Eu juntei os seus últimos enjoos com nossa falta de precaução nesses últimos meses e você sabe o que dizem sobre os cachorros sentirem a gravidez e o Herz não saiu do seu pé durante todo esse mês!
— Isso pode ser verdade, mas por que testes existiriam se cachorros sempre estivessem certos? Scheiße , eu não estou grávida!
— Mas, os testes…
— Eu fiz os testes porque eu tinha algumas suspeitas… — Suspirou, apertando os olhos. — Sim, com lógica de todos os sintomas e nossos esquecimentos dos últimos meses, eu realmente achei que estava grávida mas…
— Você não está. — falou, colocando as mãos na cintura de .
— Não, apesar de algumas pessoas comentarem que eu estou mais cheinha, mesmo. — Riu, colocando as duas mãos no rosto de .
não sabia dizer com certeza se enxergou um sinal de tristeza no olhar de , assim que disse a verdade a ele.
Talvez lá no fundo ele parecia um pouco decepcionado, mesmo que sorrisse.
Por que naquela manhã, quando ele ainda sonolento abriu o lixo e encontrou três caixas de testes de gravidez, seu mundo caiu por um segundo.
E o pensamento de ‘Caralho, eu vou ser pai. Eu só tenho 27 anos’ foi a primeira coisa que se passou por sua cabeça.
Logo seguido de um ‘Caralho, eu vou ser pai!!!!!!’ com uma entonação diferente e mil exclamações no final.
Se falasse que por algum momento ele pensou em olhar os resultados, estaria mentindo.
Por talvez um mini- ou uma mini- era o que estive faltando para ele no momento.
Tinha conquistado tanto nos últimos anos com que não sabia se havia algo que o deixaria mais feliz que aumentar a família, dando um berço para Herz ficar de olho.
Sabia que eles era novos, principalmente ela.
Com 23 anos talvez ela estaria um pouco mais apavorada que ele.
Por isso deu uma olhada pela fresta da porta do banheiro, sorrindo quase que com lágrimas nos olhos ao vê-la dormir tranquilamente.
E foi ai que ele resolveu que faria uma surpresa para ela no jogo da manhã seguinte.
— Você não parece feliz. — riu, apertando os lábios.
— É só que… Talvez eu tenha me animado com a ideia de… — Suspirou, sorrindo sem mostrar os dentes. — Ser pai. Aumentar nossa família. Criar uma família. E eu passei a manhã pensando em como ela… Ou ele seria. Se teria o seu nariz, os meus olhos, ou… Eu estou bem, só… Entendi tudo errado.
— Eu fiquei assustada durante toda a semanas, mas ontem… Eu queria as duas listras nos testes e eu não conseguia entender o porquê. — Ela apertou a mão dele, sorrindo fracamente. — Eu acho que nós temos os mesmos sonhos. Mas você entende que agora seria muita confusão?
Ja, eu fiquei tão apavorado no começo, mas depois… — Sussurrou, juntando os lábios dos dois. — Como nós iremos falar para metade do mundo que você não está grávida?
— Nós só precisamos falar para os amigos mais próximos para que eles não sejam como sua mãe, que me disse que já estava olhando alguns catálogos de berços de bebê e isso me assustou com a quantidade de coisas relacionadas que podemos receber nos próximos meses.
— Você não está brava, ? — Perguntou, com os olhos verdes grudados nos dela. — Eu sinto muito…
— Por que eu deveria estar, ? Você me pegou de surpresa, assumo, mas foi muito bonito e… Você pode repetir isso daqui há um tempo.
— Posso? Sem alarmes falsos dessa vez? — sorriu lateralmente.
— Talvez… — Piscou. — Vamos conversar sobre isso depois.
Ai estão vocês dois! — Os dois se viraram para Tuchel, que sorria com os braços abertos. — Parabéns pelo bebê! Já sabem se é menino ou menina?
— Na verdade eu não…
— Eu tenho certeza que vocês serão pais maravilhosos, não importa qual o sexo. — Cortou , sorrindo animado. — , por favor, não se preocupe com o treino amanhã. Curte um pouco sua namorada grávida, por favor.
— Eu…
— Muito obrigado, Tuchel! — a cortou, sorrindo e passando a mão na barriga inexistente de . — Você sabe, tenho sempre que manter um olho nela. Se for uma menina, estarei perdido nas mãos das duas.
— Por pura experiência, eu digo que está mesmo. — Riu. — Preciso ir dar umas últimas palavras com o . Parabéns novamente para os dois!
O treinador saiu rapidamente da sala, fazendo piscar confusa para .
… — Grunhiu, cruzando os braços. — Por quanto tempo você pretende mentir para o seu treinador?
— Ele vai descobrir… Ocasionalmente. — Riu, enquanto ela rolava os olhos. — Por enquanto, por favor, vamos curtir sua não gravidez. — Passou a mão pela barriga de novamente, que deu um tapa no seu braço. — Ou planejar o próximo.
Eles receberam quase metade de um enxoval na semana seguinte.
Tiveram algum trabalho para convencer os irmãos de que ela não estava grávida.
A mãe de ficou um pouco triste em não ter que ver mais catálogos de crianças.
Tuchel ficou meio surpreso e logo depois irritado depois de três meses acreditando que iria realmente ser pai, se sensibilizando a cada pedido que ele havia feito nos últimos 90 dias sempre que ele colocava no meio.
Agora ele tinha que trabalhar dobrado para, segundo Tuchel, aprender que certas coisas devem ser desmentidas imediatamente.
Isso significava treinos dobrados e toda vez que diminuía a velocidade, Tuchel estava lá para gritar no seu ouvido.
Mas tinha valido a pena.
E eles não tiveram muito trabalho em doar tudo o que ganharam, com exceção de uma blusa tamanho mini P do Borussia Dortmund com o nome Papa gravado na parte de trás.
Essa, eles guardaram.
Seria útil um dia.
Talvez mais rápido do que eles pensavam.

Day 184– Sicherheit


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Andreas @andreasorekm “Tuchel tirando o todo jogo só me mostra que o astro do time vai ruim das pernas.”
Hüllya @huellya “Quando a fase é ruim... assim não”
Jason B @boenrjason “Já pensou se é o Özil fazendo uma partida tão ruim quanto o ?”
Mario Bunkchön @bunkchoenmario “Januzaj pedindo passagem pra bancar o .... Tá ruim a fase do cara, mas deve ser bom pra tirar ele do comodismo!”
Timm Gilnner @timmgiln já teve potencial”
Sven Grampfield @grampsven? Banco nele Tuchel! Tá jogando nada!”


Tinha sido uma daquelas semanas.
Na segunda, viajou com o time para um jogo na terça.
Na quarta, teve plantão noturno e quando chegou em casa de manhã do dia seguinte, já tinha ido ao treino.
Na quinta, ela acabou indo dormir tão cedo graças a noite de sono perdida que apenas sentiu o momento que deixou um beijo no seu rosto, quase como um sonho distante.
Naquele sábado especifico, ela tinha cancelado todos os compromissos.
Por causa do resultado e dos comentário do jogo daquela tarde.
Claro que já tinha lido todos os artigos com o nome de que haviam sido publicados pós jogo.
Ela só não sabia como deveria lidar com tudo aquilo.
A maioria continham palavras maldosas e o nivelava como uma farsa. Para todos os críticos, a estrelinha do Borussia Dortmund tinha sido superestimada.
Os comentários sobre não se limitavam a críticas de narradores, mas também estavam por todas as redes sociais.
Bastava procurar no Twitter para ler, em diversas línguas, a insatisfação dos torcedores (ou não) sob o desempenho de .
também sabia que ele não estava satisfeito com os jogos. Na verdade, ela sabia que ele não estava nem um pouco próximo do seu ideal.
As últimas três partidas do Borussia foram dilacerantes e frustrantes para , que buscava o gol que não vinha. Que acabava com jogadas formadas pelo time e perdia gols inaceitáveis.
Ele até mesmo tinha sido substituído nas últimas duas, das três partidas que disputará.
Fase Ruim.
Era o que pensava, xingando mentalmente todas as pessoas que pareciam não entender que também era humano.
Farsa.
Era o que o público o designava.
E era totalmente injusto do modo que a palavra era usada sobre ele.
Era ridículo como achavam que ele tinha que ser bom a todo momento, que ele tinha que fazer um jogo maravilhoso toda semana.
A cobrança o fazia gritar ‘Brutal’ e levantar as mãos pro céu toda vez que perdia um novo gol.
Todos os companheiros de time, quando passavam por ele, davam um aperto no ombro e murmuravam que ele ia melhorar. Os gols iriam vir. Ele não estava fazendo nada de errado.
Mas o grande vilão ainda era sua própria consciência.
sabia que contra esta, não havia nada que pudesse fazer.
Ela podia falar mil vezes que ele era o melhor jogador do mundo, que ele tinha feito um bom jogo, que estava melhorando a cada minuto dentro de campo…
A consciência dele ainda gritava que não.
Essa luta já estava vencida. Nocaute.
O problema era que aquela situação que parecia não ir embora estava começando a se tornar um tornado.
assumia a forma de um, todos os dias.
Bagunçando tudo ao seu redor.
Estava irritadiço, cansado e frustrado.
sabia disso, e era por esse motivo que tinha ficado aquela noite no apartamento.
Depois de uma semana baseada em torpedos e ligações rápidas, ela sabia que precisava de um dia sem pressa. Mais um dia para os dois.
E aquele sábado era o ideal.
estranhou que o apartamento não estava escuro, quando ele chegou.
Acariciou Herz, que tinha ido até a porta recebê-lo, antes de perceber que estava sentada no sofá com um mini sorriso no rosto e uma garrafa de vinho a sua frente.
Mas estava de pijamas, o que queria dizer que não era uma ocasião especial.
Queria agradá-lo, como sempre fazia.
apenas esperou até o momento que foi até ela, passando a barba que começava a crescer pelo seu rosto antes que dar um rápido selinho nela.
— Tudo bem? — Murmurou, vendo-o assentir e se jogar no sofá ao seu lado. — Você chegou tarde.
— Conversei um pouco com o Tuchel depois do jogo. — Respondeu, desviando o olhar para a televisão. — Eu não sabia que você estaria em casa, pulei a festa pós jogo mas fiquei um tempo no vestiário… Você viu o jogo?
Não. — Mentiu, fazendo fitá-la com um olhar de incredibilidade expresso no rosto. — Talvez. Algumas partes.
— Por algumas partes você quer dizer...
Okay, eu assisti. — Confessou, dando de ombros. — A sua conversa com o Tuchel tem alguma coisa haver com o jogo de hoje?
— Boa parte, sim. — Falou, passando a mão carinhosamente pelo braço dela. — Ele está preocupado e ele se importa. Nós estamos pensando em algum modo de resolver essa situação.
sempre havia dito a que não se incomodava com aqueles comentários maldosos.
Suas redes sociais sempre ficavam lotadas deles, mesmo se ele fizesse um hat-trick no jogo.
Mas ela o conhecia demais para dizer que aquilo não o afetava nem um pouquinho.
passou as mãos pelos cabelos de , sorrindo sem mostrar os dentes quando um sorriso mínimo surgiu no rosto dele.
— Você quer falar sobre isso?
— Não sei. — Respondeu, pigarreando. — Não tem muita coisa para falar.
— Sempre tem. — falou, engolindo a seco. — Todos nós temos dias e dias, . E eu estou aqui.
Era verdade.
já tinha perdido a conta dos dias que tinha chegado em casa do trabalho e terminando em lágrimas nos braços de .
Tinha dias que ela se enrolava com a língua, outros que o trabalho era demais, até para ela, mais uns que ela só sentia falta de casa.
Ela trabalhava com vidas. Ela vivia dentro de um hospital, e via desde as coisas mais bonitas da vida como as piores.
lidava todos os dias com a possibilidade de perder a única coisa que era dado a todos como um presente.
A vida.
já tinha perdido a conta de quantas noites ela havia se apertado contra o corpo de , chorando por minutos seguidos antes de começar a falar.
Por que ele estava lá pra ela.
Para ouvir sobre histórias que a terrorizavam, medos que a cercavam e coisas que a incomodavam.
Ele tinha aprendido que aquela era uma relação, com ela.
— Eu estou tentando. — murmurou, apertando os lábios. — Eu não sei dizer o que está acontecendo, mas eu já estou ficando exausto. É tão fodidamente frustrante estar lá e não estar. Todo mundo está falando de banco, . E eu não posso fazer nada.
Ele odiava ficar no banco.
já havia dividido aquele pensamento com , mas ela já havia notado antes.
Pela cara de super interessado que ele demonstrava durante todo o jogo.
Pelo rolar de olhos.
Pelo mau humor que ele adquiria toda vez que ficava sentado em um banco.
Era uma tortura psicológica.
Como se ele não só estivesse sentado no banco, como também sofrendo algum tipo de agressão naquela cadeira.
Odiava.
— É difícil. — Ele deu de ombros. — Essas coisas acontecem e as pessoas esquecem de tudo. Esquecem dos gols, das assistências… Esquecem que eu sou uma pessoa. As vezes eu acho que eles pensam que eu faço por querer, mas… Não, pelo amor de Deus, não!
— Você tem noção de como é fácil julgar de fora? — Perguntou, fazendo levantar o olhar até ela. — É muito, muito fácil. As pessoas pensam que você sempre acorda bem e que é muito fácil fazer o que você faz. Não é.
— Não é. — Ele repetiu, suspirando. — Eu não estou na minha melhor forma, mas todos esses comentários são mesmo necessários?
— Nós nunca vamos ser suficientes para todo mundo. — Mordeu o lábio inferior, séria. — Nós temos que ser suficientes para nós mesmos.
riu, passando um braço pelo pescoço de e a trazendo para mais perto de si.
— Você sempre sabe o que falar. — Murmurou, sorrindo. — Você podia simplesmente falar que eu sou um fracasso e me perguntar como eu não consegui marcar contra o Hamburg, quando eles têm a pior defesa da temporada, mas ai você fala um monte de coisa que me faz ter certeza que eu estou seguro aqui.
Segurança… — Ela repetiu. — Não é isso que um relacionamento representa?
Sorriu, fechando os olhos e passando um bom tempo quieto com seus pensamentos e as mãos de bagunçando seus cabelos.
percebeu, depois de tanto pensar, que o número de gols da temporada não importava tanto assim.
Só ele sabia o quanto estava trabalhando duro, o quanto estava se dedicando nos treinos para sair daquela fase.
A conversa com o tranquilizou mais do que podia explicar.
Percebeu, com a respiração da namorada tranquila no seu pescoço, enquanto ela dormia com metade do corpo por cima do seu, que ele não tinha motivos para estar irritado.
Ele tinha a mulher da sua vida roubando mais da metade do espaço do sofá para si.
E pessoas ao seu lado que garantiam que tudo iria ficar bem.
Na semana seguinte, ele fez um hat-trick.
Quase ninguém entendeu o grito de alívio que saiu pela sua garganta quando o apito soou, noventa minutos depois de ter entrado em campo.
Tuchel perguntou qual era seu segredo. Se ele estava escondido em um lugar seguro.
Depois, sinceramente, perguntou o que tinha acontecido.
Não insistiu, aceitou a risada de como resposta e apertou seu ombro, o elogiando e pedindo para que continuasse assim.
queria manter seu amuleto em segredo.
Ela já estava em um lugar seguro.
Mandou mensagens para ela assim que chegou ao vestiário, não se importando de ficar fora um pouco da bagunça que o time fazia.
Precisava agradecer.
Você viu?
Enviou, e seu celular apitou com a resposta menos de um minuto depois.
Oh, por favor. Meu namorado FEZ UM HAT-TRICK! Diga-me, , qual o seu segredo?
Sorriu.
Você.
Seria uma noite feliz.
Ganhara um troféu como melhor jogador da partida e muitos elogios da mídia.
Era um bom prêmio.
Mas não o maior.
O maior prêmio que poderia ganhar estava todos os dias ao seu lado.
.
Oficialmente, seu amuleto da sorte.
Esse, ele nunca perderia.

Day 218– Best you ever had


"Hey mum, você me perguntou como as coisas estavam aqui hoje a tarde e...
As coisas estão difíceis.
É mais difícil aqui, mãe. Não só o trabalho, mas também o fato de que eu ainda não me sinto bem o suficiente falando alemão e que eu não tenho tempo mais pra nada.
Literalmente, pra nada. Eu não lembro da última vez que eu consegui ir andar com o Herz no Westfalenpark e isso é uma droga.
Com o ... Está tudo bem. Ele faz tudo ficar bem e eu me sinto em casa quando estou com ele, na maioria do tempo. Só é diferente e… ás vezes fica complicado.
Eu espero que as coisas melhorem. Tudo sempre fica bem no final, não é?”

Mensagem excluida.



Amazon.
Soou inteligente na cabeça de .
Mas agora soava ridículo.
desejou que seu sobrinho tivesse esperado cinco minutos para perguntar de onde os bebês vinham.
Por que ai já estaria fora do banho e daria uma resposta dez vezes mais inteligente e com algum sentido para Nico.
Provavelmente ela não soltaria um ‘Eles vêm da Amazon’, como tinha feito.
Tudo isso por que estava com o Ipad aberto nas mãos, enquanto procurava alguns livros na Amazon que tinha pedido para ele procurar para ela.
Então Amazon soou bem.
E agora tentava explicar, sem sucesso, para a criança de 6 anos que, quando duas pessoas se amavam demais, elas recebiam um presente de lá.
— Então você e a vão receber um bebê? — Nico perguntou, fazendo limpar a garganta.
— Não!
— Mas vocês não se amam demais, demais, demais? — A carinha do pequeno demonstrava confusão e a de também.
Será que aquilo significava que ele ainda não estava pronto pra ser pai?
Provavelmente.
— Sim, mas… Não é só isso. — Tentou, olhando para os lados enquanto buscava criatividade para responder Nico. — Nós ainda somos muito novos e, anh, nós não podemos receber esse tipo de presente.
— Mas a Tante Melanie pode? — Perguntou, falando da irmã de , que tinha sido mãe há alguns meses — Por que tem gente que recebe esse presente várias vezes e outras só uma?
A cabeça de já estava começando a dar bug quando apareceu na sala, sorridente e com uma sobrancelha arqueada.
— O que vocês aprontaram enquanto eu estava fora, uh? — Falou, rindo, se sentando no sofá junto aos dois.
Onkel estava me explicando de onde os bebês vêm. — Nico respondeu, juntando as duas mãozinhas e teve que segurar o riso. — Quando vocês vão receber o presente da Amazon, ?
Amazon? — prendeu o riso, olhando para .
— É, schatzi, você sabe… — Apertou os lábios, se sentindo extremamente envergonhado da sua história patética. — Quando duas pessoas se amam muito, muito, muito, elas recebem um presente da Amazon.
— Um bebê! — Nico completou, piscando os incríveis olhos na direção de . — Como papai e mamãe me receberam, Tante Melanie e Onkel Gerard também. E você e Onkel vão receber.
— Nós vamos? — Arqueou as sobrancelhas para , rindo.
— Algum dia, sim. — Ele falou, alternando o olhar entre o sobrinho e a namorada. — Chega de Amazon, quem quer ver Frozen? — Continuou, fingindo animação enquanto levantava os braços.
— Eu não quero ver Frozen, Onkel. Eu quero ver Croods!
Nico fez um bico, fazendo rir.
Croods então! — sorriu, indo até a estante de DVD’s que havia na sala do apartamento dos dois.
e estavam sendo pais postiços pela primeira vez.
É claro que o sobrinho de já havia passado horas e horas com os dois, mas era a primeira vez que passava um dia inteiro e ainda a noite.
Isso porque Yvonne e Phillip, a irmã de e o marido dela, tiveram uma viagem de última hora para Düsseldorf naquele dia. Geralmente eram os pais de que ficavam com Nico quando isso acontecia, mas dessa vez os olhos de brilharam com a ideia de passar um tempo com Nico.
E lá estavam os três, depois de um dia cheio e cansativo no playground do prédio de , e de várias brincadeiras inventadas por .
Porque ela era muito boa nisso.
— Croods é meu filme favorito. — O pequeno de olhos falou, olhando para o tio. — Você já assistiu, Onkel?
— Seu Onkel é um pouco sem infância, Nico. — brincou, entregando o DVD para . — Você pode colocar enquanto eu vou fazendo pipoca e…
Ela parou de falar assim que seu celular começou a vibrar, em cima do sofá.
Tantos seus olhos quanto os de foram até o aparelho, e deu um suspiro de vencido quando leu o nome ‘hospital’ na tela.
Nico estava alheio aos dois, passando as mãozinhas pelo pelo de Herz, enquanto Golden parecia gostar disso.
— Você vai ter que ir? — murmurou baixo, enquanto a namorada pegava o celular.
— Eu não sei… — Falou, apertando o botão verde e sumindo pelo corredor do apartamento dos dois.
Ultimamente, era assim.
Toda vez que o celular de tocava, e era o hospital, ela sumia pelo resto do dia.
não podia dizer que era muito fã disso.
Ele entendia.
Porque do mesmo jeito que ela entendia que ele estava sempre fora em treinos, viagens e entrevistas, ele tinha que entender que a profissão que ela havia escolhido não tinha limites.
O celular dela já havia tocado ás três da manhã. Ás onze da noite e ás cinco da tarde.
Já havia tocado com eles dois assistindo a um jogo de tênis, tomando banho ou em uma festa com os amigos.
Precisavam dela.
E ele tinha que entender isso.
A careta que surgiu na sala era a mesma que ela apresentava toda vez que tinha que sumir pelas próximas horas.
— Você precisa ir. — falou, no momento que ela chegou perto dele. — Já entendi.
, é meu trabalho. Eu também estou cansada disso, mas… Não tem nada que eu possa fazer. — Ela suspirou, olhando para Nico, que parecia confuso. — Liebling, eu vou precisar sair por um momento. Você acha que ficará bem assistindo ao filme com o seu Onkel?
Os olhos a atingiram.
Junto com um bico.
Por que Nico tinha que ter o olhar-de-cachorro-que-caiu-de-mudança de ?
Tante! — Ele murmurou, juntando as mãozinhas. — Você tem mesmo que ir?
A palavra a pegou de surpresa.
era Onkel desde o primeiro dia.
Mas o fato de que ele a havia chamado de Tante a fez perder as palavras.
E imaginar, por um instante, quando uma cópia daquela, com alguns dos seus traços, a chamaria de mama.
— Eu prometo que voltarei o mais rápido possível, liebling. — Sorriu, deixando um beijo na testa do loirinho. — Cuida do seu Onkel, tudo bem?
Nico assentiu, a fazendo sorrir.
— Você viu isso? — sussurrou, percebendo de canto de olho que Herz tinha ganhado a atenção de Nico de novo. — Tante.
— Por favor, foi a coisa mais linda que eu poderia ouvir hoje. — Ela falou, colocando as duas mãos no pescoço dele. — Cuide de tudo aqui enquanto eu estiver fora?
— Você sabe que eu preferia te prender aqui comigo… — respondeu, sorrindo lateralmente. — Mas precisam de você lá mais do que eu aqui, não é?
sorriu, grudando os lábios dois dois algumas vezes antes que correr para o quarto e trocar de roupa com rapidez.
Jogou o jaleco por cima do ombro, olhando uma última vez no espelho antes de voltar a sala e chamar o elevador.
— Posso te esperar acordada, Tante? — Nico perguntou, a fazendo sorrir.
— Não, meu amor. — Murmurou, mordendo o lábio inferior. — Eu chegarei tarde, mas amanhã nós podemos acordar cedo para fazer alguma coisa, se você quiser.
— Oba! — O pequeno murmurou, prendendo sua atenção no filme que passava a sua frente.
— E eu, schatzi? — brincou, no momento em que ela entrou no elevador. — Posso te esperar acordado?
— Eu não vou responder isso. — Arqueou uma sobrancelha, vendo-o lançar um beijo antes das portas se fecharem.
E ela tivesse que lidar novamente com o mundo real.

•••


O barulho de soluços vindo da cozinha até poderia ter assustado .
Mas ele sabia que um ladrão não estaria chorando na sua cozinha ás 2 da manhã.
Ou ao menos conseguiria passar pelo reforçado sistema de segurança do seu apartamento.
E ele não ficou nem um pouco surpreso em encontrar com as costas encostadas na parede, abraçando as pernas enquanto chorava.
Seu nariz vermelho indicava que ela estava fazendo isso há algum tempo.
E podia apostar que a água do seu banho tinha abafado o som do choro dela.
… — Chamou, e passou as mãos debaixo dos olhos, soluçando. — O que aconteceu?
— Onde está o Nico? — Ela fungou, limpando algumas lágrimas do rosto.
— Dormindo. — respondeu, sentando-se ao lado dela no chão. — Foi o resultado da residência, não foi?
— Como você sabe? — Ela perguntou, fungando. — Não só isso, mas...
— Lina. — Falou, como se fosse óbvio. — Ela ligou perguntando sobre isso e eu fingi que sabia alguma coisa.
percebeu o tom magoado que ele estava, por ter sido pego de surpresa.
Mas naquele momento ela só precisava dele.
— Eu não passei. — Fungou, as lágrimas correndo pelo seu rosto. — Eram duas vagas, eu fiquei em terceiro lugar e… Menos de dois pontos, . Não foi só isso… Eu...
poderia estar chateado, mas sabia exatamente o que sentia naquele momento.
Passou o braço pelas suas costas, vendo-a se juntar ao seu corpo, enquanto chorava.
Ele sentia-se de mãos atadas.
Sabia que passar as mãos no seu cabelo e repetir que tudo ia ficar bem não iria ajudar.
Não era assim que funcionavam as coisas.
— Eu perdi um paciente hoje. — Ela olhava para o chão da cozinha enquanto as lágrimas caiam sem parar dos seus olhos. — A gente aprende a lidar com isso, mas… Foi o primeiro.
— Eu sinto muito, . — murmurou, sincero. — Eu… Não sei o que falar. As vezes é melhor assim, você sabe…
— Eu sei… — Ela fungou, fechando os olhos. — O problema é que… Lidar com isso todos os dias me passa a sensação de que tudo pode acontecer. Todos nós podemos estar dando o nosso último suspiro. Hoje tá tudo bem, nós estamos bem, nossa família está bem, e amanhã… Nós não sabemos…
— Tá tudo bem, schatzi. — murmurou, entrelaçando os dedos com os dela. — Não pensa assim. Eu sou a nuvem negra de nós dois, lembra?
Ela riu fracamente, deitando a cabeça no ombro dele.
— Eu vou ficar bem. — Falou, suspirando. — Eu só… Estou com a cabeça cheia. Eu deveria ter te contado da residência, eu sinto muito…
— Está tudo bem, . — Ele repetiu, apertando o lábio em uma fina linha. — Eu não gostei de saber que você escondeu isso de mim, mas isso não importa agora. Eu quero que você me conte as coisas, a partir de agora. Divida o peso do mundo comigo, . Não é pra isso que nós estamos aqui?
não pode deixar de sorrir sozinha quando ele falou aquilo.
— Eu sinto falta da minha família. — Ela confessou, fungando. — Eu gosto de estar aqui. Muito. Mas eu estava acostumada em tê-los perto e correr para casa dos meus pais sempre que as coisas davam errado… Morar aqui é não ter isso.
— Você sabe que pode ir visitá-los sempre que quiser, não sabe? — Ele arqueou uma sobrancelha, passando o polegar pelas bochechas dela. — Um fim de semana qualquer, um feriado… Você ainda os tem perto, schatzi.
— Eu sei disso, só… — Suspirou, levantando os olhos até ele. — Você é minha família agora. É em sua direção que eu corro agora, quando as coisas dão errado. Mas…
— Mas você sempre acha que vai me incomodar. E que eu já tenho problemas demais para lidar…
— Você tem problemas demais para lidar, . — Ela mordeu o lábio inferior, negando. — Não é sua culpa. Tem os jogos, o time, as viagens…
— Entenda uma coisa, . — a cortou, sério. — Eu sempre tive prioridades. No começo, o time e o futebol ficavam em primeiro lugar, mas não é mais só isso tem um tempo. E você sabe que nome está estampado, gravado e imortalizado no primeiro item da lista? — deu um mini sorriso. — O seu.
apertou o nariz dela, a fazendo rir porque ela odiava toda vez que ele fazia aquilo.
E ele sabia.
— Por favor, continue. — pediu, sorrindo. — Como Dortmund está se saindo até agora? Eu estou aqui, e eu quero ouvir.
Depois de alguns minutos, ela se sentiu preparada o suficiente para dividir o peso do seu mundo com ele.
Falou sobre Drew, o paciente que chegou com uma pequena bomba relógio no cerébro, que havia escolhido aquele momento pra estourar.
Um aneurisma.
Não houve muito o que a equipe dela pudesse fazer, na verdade.
Depois ela falou um pouco sobre o hospital.
Como se sentia, como estava lidando, como as pessoas costumavam dar a ela um holofote extra graças ao nome dele e de como ela odiava isso.
Falou da prova de residência, da vontade de ser ortopedista e traçou os ligamentos de com os dedos enquanto os dois estavam sentados no chão da cozinha.
Lentamente, conseguiu transformar as lágrimas em risadas abafadas.
Ele contou um pouco sobre a tarde que tivera com seu sobrinho, e da forma que ele carinhosamente não conseguia parar de perguntar sobre .
Até o momento que ele fora dormir.
Isso aqueceu o coração de de uma forma que ele não entenderia.
— Você está melhor? — perguntou, sorrindo. — feliz é minha favorita.
Falou, do mesmo modo que seu sobrinho tinha falado horas antes, a fazendo rir.
— Eu costumo falar isso. — Respondeu, mordendo o lábio inferior. — Obrigada.
— É só o que você faz comigo… — Riu. — Toda vez.
riu, por que era verdade.
E podia garantir estar orgulhosa.
Se se sentisse do jeito que ela estava se sentindo ao ouvir todas aquelas coisas dele, ela estava no caminho certo.
— É estranho isso… — Ele murmurou, deixando seu olhar perdido pela cozinha. — Depender da felicidade de alguém… Ainda é novo pra mim.
— Três anos e nós ainda somos uma novidade um para o outro. — Ela completou, rindo. — Você sabe que dia é hoje?
— Três anos e contando. — murmurou, rindo. — Você lembrou?
— Você acha que eu não lembraria do dia que você me pediu para nós dois tentarmos? Em uma rua escura, falando sobre namoros passados e pedindo silenciosamente que o nosso não seguisse o mesmo fim. Três anos juntos é alguma coisa, não é?
— É mais que alguma coisa. — Ele continuou. — Nós deveríamos comemorar. Você acha que conseguimos abafar os sons até o quarto ou…
, nem pense. — Ela levantou um dedo, rolando os olhos. — Sem chance.
— Mas
— Não. Nem tente usar sua carinha de Herz comigo, sério. — cruzou os braços, enquanto ele ria. — Sério.
— Por favor! — Ele choramingou, levantando-se e a puxando com ele. — Então vamos dançar.
, não! — Ela controlou a altura do riso, afastando seu corpo do dele. — Seu sobrinho está dormindo no quarto. Isso não vai acontecer!
Uma dança! — Ele pediu, puxando a mão dela. — Não estou pedindo sexo selvagem na cozinha mais, . Só uma dança.

Coloque pra tocar essa música aqui!

Ela rolou os olhos, prendendo o lábio inferior nos dentes enquanto aumentava um pouco o volume da televisão.
Mas não o suficiente para acordar Nico.
estalou os dedos, mexendo o corpo de um lado para o outro enquanto rolava os olhos.
Girl, what you playing for? Come on! — Cantou, colocando as duas mãos nas costas dela enquanto juntava seus corpos. — Come on, let me kiss that… Uh, I know you miss that!
jogou a cabeça para trás, rindo, enquanto distribuía beijos pelo seu pescoço e tentava com muita força não pisar no pé dela.
— Você sempre foi babaca assim? — Ela brincou, mexendo o seu corpo no ritmo da música. — Dança na cozinha?
Baby, tonight's the night we lose control. Baby, tonight you need that… — Ele continuou cantando, a fazendo rir. — Você já sabe disso há três anos, não finja que não.
Passou a boca por todo o pescoço de , a fazendo rir enquanto ela colocava suas mãos no pescoço dele.
— Quando você pode tentar novamente…? — falou, ficando sério. — A prova.
— Dois meses. — Ela murmurou, suspirando. — Eu vou tentar de novo.
— É claro que você vai tentar de novo. — continuou, a girando. — Será que você pode ver esse resultado ruim com uma coisa boa? Nós vamos pra Dubai em uma semana, e se você já estivesse aprovada teria que ficar aqui e eu lá… Sabe as chances de isso dar errado?
— Muitas?
— Muitas, schatzi. — Ele sorriu. — Eu estaria treinando lá, pensando em você aqui. O Tuchel ia ficar muito puto e me colocar no mercado pra um time do outro lado do mundo e eu iria me aposentar com 27 anos e….
Provavelmente ainda viria uma lista de coisas após isso.
Mas colocou seus lábios com os dele, impossibilitando que ele continuasse.
E seu corpo relaxou com o toque da namorada, as mãos dele segurando a cintura dela, enquanto passava as mãos pela barba por fazer dele.
— Você é tão dramático e tão nuvem preta que você só precisava calar sua boca. — riu, deixando selinhos nos lábios de . — E ai eu precisava fazer algo que você ama para isso.
— Então faça de novo. — falou, mordendo o lábio inferior. — Vai dar tudo, tudo, tudo errado e eu...
repetiu o gesto, e dessa vez a abraçou pela cintura, puxando o ar no momento em que os lábios dele se separaram.
— Não é o fim do mundo. — murmurou, vendo a namorada assentir. — Você vai tentar em dois meses e o resultado vai ser diferente. Você é a melhor médica que aquele hospital já viu, e eu não estou brincando.
— Você me disse uma vez que eu sou a melhor pessoa do mundo com as palavras… — Apertou os lábios em uma fina linha, com um sorriso brotando neles. — Mas você é muito bom nisso também.
— Eu sou melhor com gestos, você sabe… — Brincou. — I don't wanna brag, but I'll be... the best you ever had.
— Egocêntrico. — Ela falou, rolando os olhos.
— Por que você não me disse da prova de residência? — perguntou, suspirando. — Eu odeio quando você me deixa no escuro. É como se fosse tudo sempre sobre mim, e não é tudo sobre mim, .
Es tut mir Leid…
— Você não vai me comprar falando alemão. — Sorriu, subindo os braços da cintura dela para seu rosto. — Eu não estou brincando… Quando a Lina me contou da residência, falando de uma forma como se tivesse certeza que eu sabia, eu me senti de mãos atadas. E me perguntei o que mais eu não sei de você que todo mundo sabe…
— Você pode parar de ser bobo? — Ele colocou um dedo na frente da boca dela, a fazendo se calar.
— Eu quero aprender cada detalhe seu. Eu não quero te perder por que eu fui egoísta demais para perceber o que estava ao meu redor…
— Você sabe, . — Ela mordeu o lábio inferior, sorrindo. — Você me disse uma vez que acha engraçado o jeito que eu durmo, com uma perna em cima do seu corpo. Você me falou que eu tinha um arrepio em baixo da orelha esquerda uma vez, e foi só aí que eu percebi. Você brinca com o fato da minha última costela direita ser milimetricamente mais alta que a esquerda e com o fato da minha boca sempre estar rosada… Você sabe. Sobre tudo. Sobre coisas que nem eu sei.
...
— As pessoas sabem o que eu as deixo saber, .. — Sorriu terna. — Você sabe o que ninguém sabe. Você descobre o que eu não vejo.
— Eu amo você, você sabe disso, não é? — Ele murmurou, sério. — Nós vamos passar por isso, e tudo que vier. Juntos.
— Eu sei. Porque você é... — Ela sorriu, entrelaçando seus dedos com os dele. — The best I ever had.

Day 273 – Stuck on my body


— O que você faria se eu tatuasse seu nome? — falou, segurando o riso enquanto o olhava assustada.
— Eu terminaria com você. Cem porcento de certeza que você iria ter que cobri-la. — Respondeu, arqueando uma sobrancelha. —
— Eu estou brincando. — Riu, a abraçando. — Só terei que marcar uma sessão de remoção a laser o mais rápido possível… E nas costas… Isso vai doer.
o olhou, incrédula, se desvencilhando do abraço dele e puxando a blusa que usava.
Só para ter certeza que ela ainda estava completamente sem tatuagens.
— Se isso foi um teste para ver minha reação… Não faça. — Ela grunhiu, enquanto ele gargalhava. — Ou você terá que lidar com o nome da sua ex tatuado na sua pele por muito tempo.


— Eu acho que vou desmaiar.
— Ainda dá tempo de desistir. — falou, rindo, enquanto ela apertava sua mão com força. — De verdade.
— Eu não vou desistir, . — Grunhiu, suspirando. — Só vou desmaiar mesmo.
Quando falou a que queria fazer uma tatuagem, alguns meses atrás, ele riu.
Ele era a pessoa das tatuagens.
Com certeza não conseguia imaginar sua namorada com qualquer coisa gravada no corpo.
Então ele fez como sempre fazia com suas tatuagens, pediu para ela guardar a ideia e esperar um pouco. Se ela ainda persistisse, então ele mesmo a levaria até um estúdio.
Era o modo que tinha de ter certeza que não iria se arrepender de marcar algo no corpo.
Algum tempo passou e a ideia não só tinha permanecido como agora estava clara e tinha ganhado um desenho.
Sicherheit.
Significava segurança, o que fazia muito sentido para .
Era a tatuagem dela, que significava algo que só ela poderia entender.
A segurança que ela tinha alcançado naqueles anos, escrito em alemão por ter sido ali que ela tivesse encontrado o seu refúgio.
O seu escape.
gostava da ideia.
Na verdade, amava a determinada.
Era bonitinho como ela estava realmente determinada a levar aquele plano até o fim.
A caligrafia veio do próprio , que realmente odiava sua letra, mas ela tinha tirado de um cartão que ele tinha mandado a ela no primeiro ano de namoro.
E realmente, parecia bom.
O lugar foi um pouco mais complicado.
não queria algum lugar muito visível. Era algo para ela, que significava algo para ela.
Passou algumas horas se olhando no espelho, procurando algum lugar que a agradasse e sendo observada por , deitado na cama com um sorriso no rosto.
Ele amava o olhar determinado que ela estava, naquele momento.
‘O que você acha do tornozelo?’
Perguntou, e ele apenas sorriu e disse que ficaria legal.
E ficaria mesmo.
Quando o tatuador colou o rascunho um pouco abaixo do seu tornozelo esquerdo, sabia que estava certa.
Seria ali.
— Não dói tanto, . — a tranquilizou, apertando os dedos dela. — Você acha que eu teria feito tantas se doesse? Você sabe o quão bundão eu sou para dor.
riu.
Era verdade.
tinha realmente chorado depois de topar o dedo na mesa da sala dos dois, repetindo várias vezes que provavelmente tinha quebrado um dedo.
Não tinha quebrado nada.
Era só o drama .
— Por algum motivo obscuro você não parece sentir dor fazendo tatuagem. — Ela mordeu o lábio inferior, enquanto o tatuador preparava a máquina. — Ai caralho, eu ainda acho que vou desmaiar.
— Eu disse que não doía tanto. — falou, um sorriso maldoso nos lábios. — Doer, dói um pouquinho, só um incomodo.
— Muito obrigada, agora eu estou realmente muito tranquila. — Ela rolou os olhos, suspirando.
nunca tinha estado em um estúdio de tatuagem antes.
Ela preferia não acompanhar quando ele ia até lá, sempre sendo substituída por Pierre.
Aparentemente, ela não suportava ver com dor.
Era fácil para ela colocar um ombro no lugar, virar um tornozelo ou puxar algum dedo para arrumá-lo mas ver se contorcer de dor não era com ela.
Para , era uma tortura. Se quisessem torturá-la era só abrir o vídeo da lesão pré copa do mundo e colocar play.
Podia contar nos dedos as vezes que tinha visto aquele vídeo até o fim.
E estava começando a sentir a mesma coisa que ela sentia naqueles momentos, quando o tatuador ligou a máquina e ela cravou as unhas na mão dele.
Não dava nem pra reclamar.
— Posso começar? — Joe, o tatuador, perguntou e ela teve que apertar os olhos para não olhar.
— Pode. — murmurou, quase se contorcendo em cima da cadeira.
apertou a mão dela com um pouco mais de força, e sentiu o corpo dela tremer quando a ponta da pistola tocou sua pele.
— Você pode por favor falar algo que possa me fazer esquecer que estou sendo furada nesse exato momento? — Perguntou, de olhos fechados. — Ai.
riu, mordendo o lábio inferior antes de começar.
Ele sabia o que deveria falar.
— O que você acha de uma relacionamento… Bem sério? — perguntou, com o queixo apoiado na cadeira que ela estava deitada.
— Tipo, o nosso? — Ela abriu um dos olhos, com os lábios apertados em uma linha.
— Não, tipo… Anel no dedo, sobrenomes iguais e essas coisas…
Casamento.
Era de casamento que ele estava falando.
pareceu entender, arqueando as sobrancelhas em surpresa.
— De todos os lugares do mundo você acha que esse momento é o melhor momento para se discutir… Casamento? — riu, mordendo o lábio inferior.
Só era algo que estava passando muito tempo pela cabeça de .
O Borussia Dortmund era o Barcelona do casamento.
Enquanto metade das esposas ou namoradas dos jogadores do Barcelona estavam ficando grávidas, os jogadores do Dortmund estavam… se casando.
já até brincara que ficaria sem estoque de lágrimas mais cedo ou mais tarde graças a quantidade de casamentos que haviam estado nas últimas semanas.
já estava casado há algum tempo, depois foi a vez de Pierre Aubameyang. Oliver Kirch e Marcel Schmelzer vieram em sequência.
E eles tinham certeza que Gündoğan também já estava com um pé no altar, era só uma questão de tempo.
— Nós estamos juntos há três anos. — murmurou, fazendo biquinho. — Estamos morando juntos há quase um ano e nós nunca tentamos nos matar. Por que esperar mais?
soou decidido para .
E ele realmente estava.
Passou algumas noites pensando no que mudaria se eles realmente passassem de nível. Se ele colocasse um anel de noivado no dedo dela e se eles tivessem que viajar a Berlim algumas vezes para ver o buffet e os convites.
A quem ele queria enganar? A ideia de casar não habitava seus pensamentos muitas vezes.
Mas casar com ? Essa sim.
— Nós estamos muito bem juntos, e com nossa vida muito bem encaminhada. — Ele continuou, enquanto ela continuava a encará-lo com surpresa. — Você tem um emprego sólido, é praticamente a melhor médica daquele lugar e eu estou muito bem aqui em Dortmund. Tudo parece certo, um ambiente certo para um passo grande como… casamento.
— Você está me pedindo em casamento em um estúdio de tatuagem? — Ela riu, fazendo biquinho.
— Não é um pedido oficial ainda. — falou, piscando rapidamente. — Eu quero saber se… Você acha que eu sou louco de pensar assim.
— Não. — respondeu, pensativa. — Eu não sei o que mudaria a partir do momento que virasse meu sobrenome, mas… Eu amo você e não é isso que importa?
— Você acha que nós passaríamos pela crise dos pós casados? — Riu. — Ou a crise dos 7?
Nah, você é . — Sorriu. — Acho que precisaria de bem mais que sete anos para o frio da barriga sumir.
Ele sorriu, confortável com a ideia.
É, ela era , a pessoa com quem ele continuava a se apaixonar continuamente.
Crise dos sete provavelmente seria só um mito para os dois.
— Feito. — O tatuador, que eles nem lembravam que estava ali, falou.
— O que? — levantou o tronco, olhando para o seu pé. — O que isso quer dizer?
— Que você é oficialmente um gibi. — riu.
se levantou, e também, indo até um espelho enorme que havia no canto da sala.
se olhava, feliz com sua delicada primeira tatuagem e percebia que seus olhos brilhavam.
— Foi só seu jeito de me fazer relaxar? — perguntou, olhando para a tatuagem completa e coberta de gel no seu tornozelo. — Essa conversa?
— Não só isso. — Sorriu. — Uma coisa para se manter em mente.
riu, por que não sabia realmente até que ponto estava falando sério.
Ela não soube explicar por que aquela conversa conseguiu aquecer seu coração.
Era bom saber que ele pensava em futuro.
Era muito bom saber que ele imaginava um futuro com ela.
Por que pensava o mesmo.
— Doeu? — Ele perguntou, sorrindo. — Tipo arrancar uma perna, como você falou?
— Não muito. — respondeu, corando. — Mas eu vou fingir que sim, para você me mimar por um tempo.
— Que tipo de pessoa eu namoro? — Brincou, fazendo-a o rolar os olhos. — Você se acostuma. Nessa última, eu dormi no meio da sessão.
Apontou para a tatuagem da mão do seu sobrinho, segurando medalhões com as iniciais da sua família. Ocupava uma grande parte do seu antebraço esquerdo e não tinha como ele ter dormido fazendo aquilo.
sentiu vontade de chorar só com os finos traços da sua, imagina aquele desenho?
— Ugh, não. — Falou, juntando as sobrancelhas. — Não doeu tanto assim porém eu nunca serei capaz de expandir meu arsenal. Você é oficialmente o pintado de canetinhas do casal.
riu, colocando as duas mãos no rosto dela e a beijando.
— Você está sentindo a responsabilidade? — brincou, com a ponta do nariz encostada no nariz de . — Eu tenho sua caligrafia em mim agora.
Você está sentindo a responsabilidade? — Ele a imitou, sorrindo. — Você tem meu coração para você. E já faz um tempo.

Day 300 — How to party with


Lista de coisas que você NÃO pode esquecer de fazer enquanto eu estiver fora:
— Dar comida e água ao Herz (Eu estou falando sério, )
— Correr com o Herz (Ou ele vai ficar hiperativo e comer metade da casa)
— Se alimentar (direito)
— Pegar a roupa na lavanderia
— Dormir cedo (Ou não virar a noite jogando videogame)
— Não usar o closet como cesto de roupa sujas (POR FAVOR)
— Pegar as caixas que chegam pra você na portaria (terça e sexta)
— Não fazer nosso apartamento de casa de festas
— Tente não quebrar nada. Fique longe da minha prateleira de perfumes.
— Fique sempre perto do seu celular.
— Se comporte.
Ps: Espero que você tenha percebido que eu deixei o bilhete preso na televisão porque tenho certeza que o sofá vai ser o lugar que você vai passar mais tempo nesses quinze dias e a televisão e o FIFA seus maiores companheiros.
Ich liebe dich.


Em um ano, lidaria normalmente com a ausência de .
Normalmente, não bem.
Porém, desde que estavam morando juntos, passar um dia viajando com o time já o fazia estremecer.
Isso geralmente significava que ao invés de dividir a cama com sua amável namorada ele teria que dividir o quarto com algum companheiro que roncaria.
Ou que resolveria que uma noite pré jogo seria um ótimo momento para fazer o famoso phone sex.
E não era obrigado.
Passar um dia sem ?
Era ruim.
Uma semana?
Desolador.
Duas fucking semanas?
Ele poderia até dizer que estava morrendo para tê-la de volta em Dortmund.
Tudo bem, a ideia tinha partido do próprio . Teoricamente, seria tranquilo que ela passasse quinze dias com sua família em Bournemouth, enquanto ele estava preso em treinos e viagens que não eram nem um pouquinho interessantes para .
Na teoria funcionava.
Na prática, nem tanto.
Ele praticamente tinha comprado um calendário igual aqueles que usam para contar os dias até o natal.
Mas ele contava até a volta de .
Faltavam cinco.
O seu celular tocou no momento que ele riscava mais uma folhinha, e o julgava de longe.
Por que é claro que e estavam praticamente vivendo no seu apartamento, na ausência de .
Na verdade, eles viviam no apartamento deles com ou sem .
Você está sobrevivendo sem mim? – A voz de soou pelo celular, fazendo rir enquanto segurava o celular entre o ombro e o ouvido.
— Na medida do possível, é claro que estou. – Riu, enquanto acenava ridiculamente para abaixar o som da televisão.
Você não está se entupindo de besteira, está?
, você está parecendo minha nutricionista psicótica. – Mordeu o lábio, ouvindo uma risada pelo outro lado da linha. – E o número dela é bloqueado no meu celular por um motivo.
Não acredito que você bloqueou sua nutricionista, .
— Para falar a verdade, ela até que é meio gostosa e...
Tudo bem, quem sou eu pra opinar nos seus números bloqueados. o cortou, fazendo-o prender uma risada. – Eu volto em cinco dias. Ei, isso é o som do FIFA? Mande um beijo para o e para o .
mandou um beijo. — falou, e os dois falaram algo que soou como ‘outro’.
Eles estavam muito compenetrados na televisão.
E estava focado nos cinco dias.
— Cinco dias, uh? — Falou, prendendo um suspiro aliviado. — Você já está com um pé em casa. Tem se divertido ai?
Sim, está sendo… Divertido. — Riu, suspirando. — E você?
O que poderia dizer para não largar tudo em Bournemouth e voltar para casa?
O primeiro dia foi até divertido, com o apartamento só para os garotos enquanto comiam pizza em cima do sofá e jogavam FIFA até altas horas.
O que acabou resultando em um péssimo rendimento no treino seguinte e algumas reclamações de Tuchel.
Nada que ele não superasse.
No segundo dia ele não teve companhia, a não ser a de Herz. Basicamente todos seus amigos resolveram que deveriam sair com as namoradas e ele se sentiu a terceira roda da relação.
Então basicamente passou horas na academia e correu um pouco com o Golden que parecia ter bastante energia acumulada.
Mas assim que a noite chegou, ele se sentiu extremamente sozinho e se rendeu a assistir a Netflix, buscando filmes que estavam nos recomendados da conta de .
Ele se sentiu no fundo do poço.
E todos os outros dias foram iguais.
chegava a um apartamento vazio e escuro, e tentava se entreter com qualquer coisa que não o lembrasse mesmo que tudo fizesse.
Ele acabava digitando milhares de mensagens ‘sinto sua falta’ e apagava no mesmo momento por que era capaz dela pegar um voo noturno e amanhecer em Dortmund.
Só por ele.
— Legal. — Murmurou, se perguntando se estava sendo convincente o suficiente. — e estão parcialmente morando aqui, está com uma nova garota porém ele diz que não deve durar.
— Ela é um pouco neurótica. — falou mais alto para que escutasse.
Você só pode estar de brincadeira! Por que as coisas só acontecem quando eu estou fora?
— Eu acho que não dura até você voltar, . — falou, rindo. — É do que estamos falando.
— Se eu tivesse tempo de sobra eu faria um Power Point dos seus últimos cinco anos, . Seu gráfico seria bem bonitinho e bem acima do meu quando se trata de curtição e zoação. Não ache que por que você encontrou a você está fora da linha de ofensa e…. Caralho , como eu não fiz a porra desse gol?
O que o tá falando? perguntou, rindo. — Diga a ele que seu gráfico teve uma queda contínua desde setembro de 2014.
— Eu não vou discutir com o sobre meu gráfico no Power Point e meu Deus por que nós estamos discutindo isso?
riu e se levantou do sofá, indo até o quarto e encostando a porta, ouvindo uns ‘awwwwww’ vindo da sala.
Ich vermisse dich. murmurou, fechando os olhos. — Sinto sua falta.
Eu entendi. — Suspirou. — Ich vermisse dich auch. Meus pais disseram que você tem que vir da próxima vez.
— Eu irei. — Murmurou, fechando os olhos. — Como está sendo Bournemouth?
É um pouco diferente agora. riu. — Parece que todo mundo da cidade quer dar uma olhada pra dentro da nossa casa, esperando que você esteja escondido aqui. É estranho. E ai? Tudo realmente tranquilo?
— Eu imagino. — Suspirou, passando as mãos pelos cabelos. — Sim… Cumprindo todos os itens da sua lista, pelo menos.
Muito obrigada! Eu pensei em lembrar você de colocar água nas minhas plantas, mas eu te conheço e preferi chamar um jardineiro. riu, mordendo o lábio inferior. — Preciso desligar, nós estamos chegando na praia e aqui o sinal é péssimo. Só mais cinco dias!
“Só” cinco dias.
Que provavelmente passariam mais lentamente que sua vida toda, pensou.
— Estarei ansiosamente te esperando! — respondeu, ouvindo um chiado do outro lado da linha. — Ich liebe dich, me liga mais tarde.
Ich liebe dich auch! — Falou. — Assim que eu chegar da praia te ligo. Beijo.
A linha ficou muda e com isso a saudade reacendeu no peito de .
provavelmente nunca mais a deixaria viajar para passar tanto tempo longe dele. Não queria assumir isso, mas a cada dia que passava longe ele pensava que iria explodir.
Voltou para a sala com o celular na mão, e encontrou e o encarando com um sorriso de ‘cara você está tão fodido’ nos lábios.
— Não comecem. — murmurou, se jogando no sofá. — Estou sem paciência hoje.
— É só que… Você está morrendo sem ela. — falou, rindo. — E ver você morrendo por que está sem alguém é muito engraçado.
— Você está tratando isso como o fim do mundo. — mumurou, rindo. — Eu confesso que me pareço do mesmo jeito sem a Lina, mas você é !
— Eu já fui . — apoiou a cabeça no encosto do sofá. — O que não dependia de ninguém, coração de gelo, babaca e fuckboy. Hoje eu sou só… . E eu sei que isso soa ofensivo, mas eu trocaria cem jogos de FIFA por tê-la de volta aqui.
— Isso foi ofensivo pra nós e fofo de um certo modo, mas… — sorriu maliciosamente, continuando. — Vocês sabem quando foi a última vez que isso aconteceu? Nós três sozinhos em Dortmund… Sem mulheres? Muito tempo, porque vocês sempre estão com elas…
— Direto ao ponto, . — falou, arqueando uma sobrancelha.
— Festa. Aqui. — Falou, mordendo o lábio inferior. — A gente chama o time, algumas pessoas de fora e eu cuido da lista das mulheres…
… — o cortou, sério.
— Não pra vocês, babacas. — Apontou pra si mesmo. — Pra mim e pra metade do time que ainda se encontra solteiro ou só pra animar a festa. Meu Deus, qual a imagem que vocês têm de mim?
— Uma bem ruim. — riu, negando. — Sem chance. Uma das regras de foi ‘não transforme nosso apartamento em uma casa de festas’. E ela estava falando sério.
— Querido , ela está em Bournemouth, bem longe daqui. — falou, entrelaçando os dedos. — Ela não saberá que foi aqui nem em um milhão de anos.
— Sem chance. — continuou. — Ela é boa nessas coisas. Alguma foto vai chegar até ela ou… Ela vai sentir o cheiro de longe.
olhou para , que levantou as mãos e negou.
— Mesma coisa que o . — Falou, sorrindo. — Eu toparia a festa, só não na minha casa.
Fine, vai ser na minha. — rolou os olhos. — Mas eu acabei de trocar a mobília, se qualquer coisa acontecer... Culpa de vocês.
— Por que nossa? — riu. — A ideia da festa foi sua.
— Por que nos velhos tempos, nós poderíamos colocar um circo dentro do apartamento dos dois que ninguém se importava. As pessoas já tinham um certo respeito por vocês, e ninguém me respeita. — Grunhiu, tirando o celular do bolso. — Isso antes de vocês dois ficarem todo Leidenschaftlich. Babacas apaixonados.
— Você sabe que no dia que você encontrar a garota isso vai acontecer também, não é? — sorriu lateralmente. — E quanto mais alto você voa, querido , maior a queda. Eu cai de um montinho, o de um penhasco e você…
— É claro que eu ainda vou pagar minha língua. — rolou os olhos. — Karma is a bitch e a culpa será de vocês dois. Mas, enquanto isso chequem seus celulares.
Os dois desbloquearam os aparelhos simultaneamente, confusos ao perceberem um novo evento sendo criado no facebook.
‘Party Hard por
172 pessoas convidadas. E o número de confirmações de presenças só crescia.
deveria ter seguido a carreira de cerimonialista.
— Eu estou indo retirar tudo o que é quebrável do meu apartamento e ligar para o DJ. — falou, levantando-se do sofá. — Posso deixar vocês com as bebidas?
— Só passa a quantidade. — murmurou, dando de ombros. — Eu conheço um lugar que o Robert costumava pegar para nossas festas e… É estranho, mas é o melhor lugar para essas coisas.
— Só eu acho que isso vai dar muito errado? — falou, olhando para os dois. — Se alguém acabar machucado ou…
— Um dia, . — levantou um dedo, colocando a outra mão no ombro de . — Eu não sei se você está planejando um casamento, mas imagine isso como sua despedida de solteiro. Seja o antigo , sem a parte das quinze garotas por noite. Mostre que você ainda consegue se divertir.
demorou alguns segundos para respondê-lo, trocando olhar entre ele e , que esperava uma resposta.
— Quantos litros você acha que nós temos que comprar? — perguntou, se levantando. — Você acha que cabe em um carro ou…
— Muitos. Para garantir, vão em dois. — sorria, apertando levemente o ombro do amigo. — Bem vindo de volta, .

•••


Eles poderiam falar o que quisessem das festas de .
Menos que ela eram ruins.
Por que elas nunca eram ruins.
e pararam de receber os convites para elas depois que alteraram o status do relacionamento, justamente por que não conseguia imaginar Lina e ali.
De jeito nenhum.
Por isso todo o vestiário do Borussia Dortmund dizia que quando arranjasse alguém definitivo e pulasse aquelas farras, eles teriam que fazer um velório.
As festas nunca seriam as mesmas.
O DJ já tocava alto e todos os presentes pareciam estar se divertindo, com seu copo de álcool para cima e um sorriso no rosto.
A quantidade de álcool que ele e haviam comprado a tarde poderia ser considerada ilegal. não sabia qual fora a média que havia feito, mas apostava em dois litros por pessoa.
Dois litros de álcool por pessoa.
Eles deveriam ter considerado deixar uma ambulância de plantão.
Metade do time estava ali, como havia dito. Os solteiros, alguns que namoravam com suas respectivas WAG’s e outras pessoas que ele nunca havia visto.
Tinha que assumir que a festa de tinha um bom público. Muitas mulheres que ele provavelmente se interessaria se fosse solteiro.
Se, e somente se, não conhecesse .
foi o mais sincero possível com .
Claro que ele não ligou para ela falando que teve uma ideia extraordinária de festa para relembrar os velhos tempos, aproveitando que ela estava fora da cidade.
Falou que uma festa havia surgido na casa de , ele estava indo com , mas prometeu que se comportaria.
E ela riu, repetindo diversas vezes que ele se divertisse.
Confiança.
confiava muito em .
Essa foi a parte boa do namoro à distância que os dois viveram durante quase dois anos. Aprenderam a confiar, mutualmente.
simplesmente não conseguia sentir um aperto no peito quando ele saia sozinho, por que ela confiava nele.
Aprendeu do pior jeito que os comentários maldosos e rumores estúpidos sobre e outras pessoas iriam sempre surgir.
Mas ela sabia exatamente do que seu namorado era e não era capaz.
Nunca teve dúvidas.
E era nisso que pensava enquanto balançava um copo pela metade que havia pegado no começo da festa.
Por que ele não estava se divertindo?
Não era esse o intuito da festa?
Por que ele checava o celular a cada segundo, esperando uma mensagem da sua namorada?
Onde está o antigo?
, você está muito lento com isso aí. — falou por trás de , retirando o copo de Vodka já quente das mãos dele, entregando outro. — Você ainda se lembra o motivo disso aqui? Dessa destruição gratuita de propriedade privada? — Franziu o nariz, vendo alguém derramar bebida no chão. — Você, eu e .
não precisava perguntar como estava, já que tinha o visto minutos antes, jogando vodka pra cima e cantando a música eletrônica que tocava no momento.
2/3 já estavam se divertindo.
— Não existe mais um espírito aventureiro aí dentro? — brincou, suspirando. — Ou você está com medo de fazer uma burrada?
— Não é isso, é só que… — Rolou os olhos, engolindo a seco. — Todas as vezes que eu exagero com a bebida eu estou com ela. Todas as vezes que eu fico louco eu não preciso me preocupar por que eu sei que ela tá ali e agora… Ela não tá aqui.
— Você sabe quem está aqui, ? — falou, se sentando no banquinho ao lado dele. — Eu estou aqui. Eu não sou a , nem mesmo me pareço com ela mas… Eu estou aqui. Você não vai fazer nada de errado por que você a ama, e se você tentar… Eu estarei aqui para te socar. Eu amo você e amo a , .
— Ela confia em você. — falou, levantando o copo que estava na mão. — Eu confio em você.
— Eu confio em você também, . — Apertou o ombro do amigo, sorrindo. — Mas se você tentar fazer alguma coisa… Vai ter que ir para o treino com o olho roxo.
— Obrigado . — Riu, virando o copo que estava na mão e fazendo gargalhar.
Era o primeiro.
De muitos.

•••


Bebidas alcoólicas são coisas muito interessantes.
Quanto mais você bebe, menos noção você tem.
Quanto menos noção você tem, mais você bebe.
E isso explicava por que gritava a pleno pulmões a letra de Heart Attack do Trey Songz, abraçado com uma garrafa de Ciroc que ele tinha roubado do bar.
No momento, a preocupação de era que ele não a derrubasse no chão.
Como ele já havia feito com três copos de vidro, o que fez com que substituísse o dele por um de plástico.
Murmurando trinta vezes para o totalmente bêbado que não perdesse aquele.
Era uma lembrança da Copa do Mundo no Brasil, e o maior problema era que era muito grande.
Então continuava enchendo-o como se não houvesse amanhã.
— Você, seu sem noção! — apontou para o amigo, que colocava a garrafa de vodka na boca e derrubava metade no chão. — Pare com isso!
— Por quê? — gritou, por cima do som alto da festa. — Você disse pra eu me divertir e eu estou me divertindo!
, se divertir é uma coisa, dar PT no meu apartamento é outra completamente diferente. — Cruzou os braços, suspirando. — Eu já criei mais rugas hoje que na minha vida toda e tudo por sua causa.
— Minha causa? , por que você está sendo tão dramático?
, você sabe algo sobre saúde de um jogador de futebol, não sabe? — apertou a ponte do nariz, fechando os olhos. — É um dos principais itens que nós temos que respeitar. E, claro, um transplante de fígado pelo excesso de bebida não pode estar envolvido.
— Blá blá blá blá…. — rolou os olhos, rindo. — YOU’RE TALKING LOUD, NOT SAYING MUCH!
precisou admitir que, pela primeira vez na sua vida, ele precisava de ajuda.
Ele não conseguiria lidar com bêbado sozinho.
Pra falar a verdade, ele mal conseguia lidar com sóbrio.
Olhou ao seu redor, buscando qualquer olhar confiável.
Auba, , Shinji, Gonzo… Qualquer um.
Mas todos pareciam tão bêbados quanto o amigo, e honestamente, pior que lidar que um bêbado é lidar com dois.
Assim que voltou o olhar para onde estava segundos antes, se apavorou.
Procurou ao seu redor.
Pediu licença e ficou na ponta dos seus pés, procurando qualquer indício do topete de .
Ele tinha sumido.
estava fodido.
Fuck ! — Grunhiu, levantando as mãos para o céu. — Como você lida com esse cara?


tinha perdido seu copo.
E ele sabia que o estrangularia com uma mão só se soubesse disso.
Por isso formulou uma missão impossível na sua mente confusa.
Achar o copo idiota.
Que provavelmente já estava quebrado e pisoteado naquela bagunça que o apartamento de se encontrava.
Mas, como dizem, a esperança é a única que morre.
A esperança de um cara bêbado, então? É imortal.
Então ele tentava refazer todo o caminho que tinha feito durante a festa, mesmo que a maioria fosse só um borrão na sua mente.
E mesmo que andar sem tropeçar fosse um sacrifício enorme.
Abriu a porta de um quarto aleatório com um puxão, abrindo os braços e rindo ao encontrar Adnan Januzaj e sua namorada, Alice Hübber, conversando lá dentro.
— HEY VOCÊS! — Ele falou, fechando a porta para isolar o som alto que vinha de fora. — O que vocês estão fazendo aqui?
— Uh… Conversando? — Adnan respondendo, arqueando uma sobrancelha. — Bro, você está bem? O que você bebeu?
— Eu estou ótimo! Eu nunca estive tão bem em anos, você sabe? Eu estou tão bem! — Respondeu, fazendo Alice prender o riso. — Eu bebi vodka, tequila, vinho, espumante, vodquila também, e… Ah, eu roubei uma garrafa do bar do de algo chamado cachaça. Eu acho que ele trouxe do Brasil e Scheiße, que negócio louco!
— Ele sabe disso? — Alice perguntou, fazendo piscar confuso.
— Ele não precisa saber, então shiiiiiu Hübber. — Apontou um dedo para a garota, que ria. — Vocês estão tendo uma DR? Eu posso assistir?
— Bro, cadê a ? — Adnan perguntou, vendo abraçar a garrafa de Vodka que segurava. — Você não está muito bem…
— A está em Bournemouth. — Fez biquinho, suspirando. — E eu sinto tanto tanto tanto a falta dela.
— Caralho … — Januzaj murmurou, no momento em que ele virou metade da garrafa na sua roupa. — Lice, eu vou chamar o . Não deixa ele sair daqui.
— EI, você pode trazer um copo daquele negócio verde pra mim? — Apontou para Adnan, que saia do quarto. — OBRIGADO PETIT BEBE! Você é o cara!
— Então, … — Alice começou, buscando na sua cabeça qualquer coisa para se falar antes que sumisse e ela o perdesse de vista. — Como você e a estão?
— Muito bem. — Ele falou, sorrindo. — A melhor coisa que poderia acontecer na vida foi ela ter se mudado para Dortmund. Eu estou começando a ter ideia sobre, você sabe… Casamento.
— Uau, esse é um passo enorme! — Hübber falou, tentando tirar a garrafa de bebida das mãos dele. — Você já falou isso para ela?
— Ainda não. — Ele estapeou uma mão dela, tomando mais um gole da garrafa. — Ela é nova ainda e eu não sei se ela vai me achar muito louco por pedir isso ou…
, não seja estúpido! — Ela riu. — Ela ama você e vocês estão juntos há muito tempo. Se você está pensando em casamento, vai fundo!
olhou para a garota em sua frente, tentando compreender todas as palavras que saiam da sua boca.
Little Hübber, você é genial. — Ele apontou para ela, entregando a garrafa de vodka na sua mão, tirando o celular do seu bolso. — Algumas coisas não podem ser deixadas para o dia seguinte.
Alice arqueou as sobrancelhas, confusa.
— Eu estarei no banheiro, se precisar de mim. — falou para ela, cambaleando até a porta do banheiro daquela suíte e fechando a porta.
Errou sua senha três vezes, até que finalmente conseguisse digitar a data do aniversário de .
Buscou o nome dela na agenda, sorrindo confiante no momento que o celular começou a tocar.
Sentia-se com toda a coragem do mundo.
Por que todos os bêbados pareciam assim?
? — Ouviu a voz dela, rouca e sonolenta. — São quatro e quarenta da manhã, o que aconteceu?
— Você sabe , eu estava pensando aqui com meus amigos Johnnie Walker, José Cuervo, Jack Daniels e Gaspare Campari e… — Ela prendeu o riso, enquanto ele se olhava no espelho do banheiro. — Você quer se casar comigo?

•••


achou que tinha morrido.
Ele teve a certeza, assim que abriu os olhos e a luz o cegou, que estava morto.
Percebeu depois que tinha deixado a cortina da janela aberta no dia anterior.
Piscou algumas vezes até perceber que estava no seu quarto.
Com a roupa que fedia a um bar inteiro.
E com a batida de How Deep is your Love da noite anterior na sua cabeça.
Também pensou que morrer não podia doer tanto assim.
A cabeça estava explodindo, e o simples ato de respirar era incômodo.
Nunca tinha lutado MMA, mas desconfiava que era assim que os lutadores se sentiam depois de um nocaute.
Quanto tempo fazia que ele não tomava um porre daqueles?
Quanto tempo fazia que ele não se lembrava nada do dia anterior?
Seu celular vibrou em algum lugar da sua cama e ele achou que ali poderia ser um bom lugar para começar as pesquisas da noite anterior.
Ficou assustado pelo número de likes e comentários que estavam sendo feitos a cada segundo.
Clicou no aplicativo do instagram, percebendo que havia três fotos a mais no seu perfil.
Respirou fundo e pediu a Deus que não tivesse feito nada estúpido.
A primeira era uma dele beijando uma garrafa parcialmente congelada de Grey Goose.
E a legenda, bem explicativa, ‘Friendzsss’ seguido de vários emojis de copos e carinhas.
A segunda, era dele, de e de . abraçava os dois pelo pescoço e enquanto parecia sorrir tanto quanto quanto ele, parecia muito irritado.
Irritado no nível ‘eu vou te afogar no seu próprio copo ’.
Que era exatamente o comentário que havia deixado.
E a legenda dele, muito criativa inclusive, era “Die drei Musketiere!!!!! Ich liebe dich broooooooos”
Que significava “Os três mosqueteiros” e um lapso de fofura com “Eu amo vocês bros”.
Ele provavelmente editaria depois.
A última, e a que mais demorou para carregar, também era a que tinha mais comentários.
Provavelmente por que era uma foto que ninguém deveria ver.
E que ninguém esperava ver.
Era um de e nas últimas férias, em que eles estavam em St. Tropez, no iate de .
estava sentada lateralmente no colo dele, com os braços em seu pescoço enquanto eles davam um selinho.
até lembrava que a foto tinha sido tirado por , virou papel de parede dele por muito tempo e agora era papel de parede do mundo.
A legenda, era uma misturado de letras estranhas, mas ele conseguia identificar um “I misssz you schatzi come homee” seguido de inúmeros emojis sem ligação aparente.
O fato de que não havia nenhuma ligação de poderia significar alguma coisa boa.
Mas ele não sabia se ainda estaria vivo quando ela visse aquela foto, se já não tivesse visto.
Retirou as notificações do instagram, apagando metade das mensagens que perguntavam se ele estava bem ou se estava vivo e ignorou as últimas trinta ligações de metade do time.
Sua cabeça estava doendo tanto que levar bronca aquela hora da manhã não estava nos planos.
Apoiou a cabeça no travesseiro, fechando os olhos e pedindo que por favor aquela dor insuportável parasse.
Pegou o celular de volta para discar o número de e perguntar que remédio ele poderia tomar.
Odiava tomar remédios, mas achava que era melhor que sentir uma manada pisando em sua cabeça toda vez que piscava.
Ai ele ouviu um barulho vindo de fora do quarto.
não podia acreditar que tinha levado alguém para seu apartamento com .
Só conseguia imaginar a garota arrumando a mala e saindo pelo elevador, o deixando para sempre.
Como conseguiu ser tão idiota?
Levantou da cama, segurando o trinco da porta por algum tempo antes de ter a coragem de puxá-lo.
Apenas para ver a namorada assustada, o encarando do outro lado da porta.
? — Ele falou, arqueando as sobrancelhas. — Você…. Você não deveria estar…
— Eu estava morrendo de saudades! — o abraçou, franzindo um pouco o nariz quando fez isso. — Meu Deus, , você cheira a um bar inteiro.
— Por favor, nem fale. — riu, juntando os lábios dos dois. — Eu quase coloquei fogo na nossa cozinha, fiquei irritado o tempo todo e pensei mil vezes em te pedir para voltar mais cedo… E agora, você está aqui!
— Você me pediu pra voltar mais cedo. — sorriu, negando com a cabeça. — Você não lembra nada da ligação de ontem?
— Eu te liguei ontem?
— Eu já esperava isso. — Ela riu, colocando as duas mãos no rosto dele. — Você me ligou, e antes mesmo de me pedir pra voltar, eu já estava comprando minha passagem.
— O que eu te disse pra você fazer isso? — Ele juntou as sobrancelhas, curioso. — O que eu te disse na ligação?
— Acho que você nunca saberá. — riu, mordendo o lábio inferior. — Vamos esquecer isso por um tempo e passar um bom tempo no chuveiro. — riu, assentindo. — Eu e você. Como costumava ser.
— Nunca mais passe tanto tempo longe. — falou, dando um selinho nela. — Nunca mais me deixe ir em festas na casa do e principalmente… Nunca me deixe. Eu não consigo mais viver sem você.
— Você está tentando me comprar para te dar um analgésico? — Ela brincou, rindo. — Não vou, não irei e isso nunca esteve nos meus planos.
— O que está nos seus planos então, ?
— Agora? Passar horas no chuveiro com você e o resto do dia na cama. — Mordeu o lábio inferior, dando um gritinho assustado no momento que a tirou do chão, a colocando no seu colo.
— Vamos por seus planos em ação, schatzi. Antes que você desista deles.

Day 365 — The Knot


“I'm gonna love you, when the time is right
Be thinkin' of you, every day and every night
To thank you so many in this world and someday I'll make you my wife
So every time we're not together, I hope you know that you'll be alright”


Uma coisa interessante sobre dias históricos, é que eles nunca começam como dias históricos.
Você nunca acorda pensando que aquele vai ser o melhor dia da sua vida.
E quando isso acontece, geralmente, você se frustra.
Naquele sábado, puxou o pé de da cama para que ele acordasse.
reclamou, por que ele sempre reclamava.
Mas ele tinha um jogo importante contra o Bayern, e todo mundo sabia o quanto Tuchel odiava atrasos.
Então tinha que estar no Westfalenstadion pelo menos três horas antes do apito inicial, e se ele não levantasse naquele momento, estaria atrasado.
só estava prezando pelo lugar dele no time principal.
pediu para que ela escolhesse a chuteira que usaria, e os olhos dela foram diretamente em uma rosa que ele não usava há meses.
Ainda era sua favorita, e não era nem por que tinha gravado na lateral.
Ele pediu um beijo de boa sorte antes de sair de casa, ela deu e reclamou do gosto de café na boca dele.
Tudo apontava para um dia normal de jogo.
Ela não desconfiou nem um pouco.
E pra falar a verdade, não sabia que aquele seria o dia até abrir sua gaveta de chuteiras.
A caixinha azul brilhou lá dentro. Ele a colocou dentro da bolsa que levava para os treinos, só para garantir que não a visse.
Provavelmente ele já tinha alguma noção do que aconteceria.
Já que ele nunca teve dúvidas que seria ela.

•••


— Vocês vieram! — sorriu, abrindo os braços no momento em que Zöe e entraram pela porta do camarote VIP.
— Você sabe que eu não perderia esse jogo por nada, nem a oportunidade te der ver. — falou, abraçando a amiga. — Eu amei seu novo corte de cabelo, você até parece ser mais velha e Meu Deus, você está muito feliz, não está?
Ela estava.
Era verdade que se mudar de Londres a tinha feito abdicar muitas coisas.
Como o fato de morar perto dos seus pais.
Ou o fato de morar em uma cidade grande e principalmente o emprego que havia sido oferecido a ela assim que terminou a faculdade em um grande hospital de Londres.
Curiosamente, o mesmo que ela havia conhecido .
Mas sabia que as coisas aconteciam por um motivo.
Havia um motivo para ela estar naquele hospital, naquele dia. Um motivo para ela encontrá-lo no bar na festa de . Outro motivo que os fizeram seguir em frente.
Motivos que a fizeram ser feliz.
Ainda não sabia explicar a sensação boa que era tomada todo dia de manhã quando acordava ao lado de .
Era bom descobrir ele pela manhã.
E muito bom redescobri-lo a noite.
Era engraçado como ela achava que sabia de tudo sobre ele, mas ainda sorria bobamente quando percebia uma coisa nova.
Isso acontecia frequentemente.
Talvez fosse a maior diferença entre manter um relacionamento a distância e morar perto de .
Os detalhes.
Os pequenos detalhes que a faziam sorrir toda vez que alguém a perguntava se ela estava feliz.
Felicidade.
Felicidade poderia significar tantas coisas.
Como ter um resultado positivo em algo que você se dedicou muito.
Como o reconhecimento no hospital, ou a convocação para a seleção.
Ou quando você come algo que esteve desejando por semanas.
Como a comida do Vapiano.
E, por fim, também significa estar com quem ama.
Seja jogado na cama em um domingo ou no meio de um campo de futebol.
tinha se perguntando por muito tempo o que felicidade significava, e por que muitas vezes soava tão passageiro.
Aí ela aprendeu que não.
A palavra felicidade vai além desses gestos. E ela é duradoura.
Sua felicidade era acordar às seis da manhã todos os dias ao lado de .
Tem um bom emprego também, um apartamento legal e um cachorro fofo.
Mas acima de tudo, felicidade para ela era .
Duas palavras resumindo felicidade para ? .
— Acho que eu posso dizer que sim. — Falou, olhando para . — Você sabe que é feio morar em Munique e nunca ter vindo me visitar, não sabe?
— Você sabe que a Champions League ainda existe, mesmo que seu time esteja fora dela, não sabe? — Arqueou uma sobrancelha, fazendo rolar os olhos. — Eu estou em metade dos jogos dos times alemães e isso está me sugando.
— Sem casamento por enquanto? — Perguntou, fazendo a amiga negar.
— Eu estou tendo uma síncope para arrumar minha agenda, você realmente acha que eu tenho tempo pra encontrar a diferença entre azul escuro e azul royalty? Passo a bola pra você ou pra Zöe.
A morena pareceu assustada ao ouvir seu nome, olhando para os lados para garantir que ninguém tinha reparado nela.
— Falem meu nome baixo, pelo amor de Deus! — Zöe grunhiu, passando a mão pela franja. — Hey !
— Hallo Belshof! — regulou a voz, abraçando a amiga. — Tudo bem?
— Levemente aflita por voltar para esse estádio, sabe… — Olhou ao seu redor, passando as mãos pelos cabelos. — Essa cidade não tem boas memórias sobre mim e o .
— Nós guardamos mágoa, okay? — Brincou, a abraçando. — Você vai ficar bem. Ele vai receber algumas vaias e ter que se aquecer no túnel, mas nada que ele nunca tenha passado.
Elas tinham combinado de assistir ao jogo do Camarote A do Westfalenstadion, liberado apenas para os familiares e convidados dos jogadores dos dois times.
Não era o lugar favorito do mundo de para assistir a um jogo, visto que todo mundo parecia mais entretido em tirar selfies e ler de ponta a ponta o cardápio do bar que assistir ao jogo.
E gostava de poder gritar depois de um gol sem que ninguém a julgasse.
O que sempre acontecia ali.
Mas era a zona mista do estádio. Era um lugar que ela não seria vaiada por estar conversando com e Zöe.
E também o lugar onde Zöe não teria que usar seu spray de pimenta em ninguém.
— Onde está a Lina? — perguntou, sentado-se em uma cadeira perto do vidro que a separava do campo.
— Vindo. — respondeu, suspirando. — Ela me mandou uma mensagem falando que está no trânsito há dez minutos, as coisas parecem estar animadas lá fora.
— Nem me fale, querida. — Zöe respondeu, cruzando as pernas. — So, o que você me conta sobre Dortmund, ?
— Visto que obviamente você não quer saber sobre a cidade, o que você quer saber, exatamente? — Respondeu, rindo. — Seja um pouco mais direta!
— Você pode começar nos contando como está sendo morar com o . — Zöe falou, dando de ombros. — E sobre os planos de vocês dois. Casamento, mudar de time ou….
— Nenhum dos dois. — Riu. — Sobreviver a janela de verão, comprar uma casa e… Fazer planos. Como nós sempre estamos fazendo.

•••


O placar final contra o Bayern no jogo em casa tinha ficado em 3-2 e podia traduzir o clima que havia se instalado na zona mista.
Metade das pessoas ali queriam morrer e a outra metade queria gritar.
Na primeira metade, Zöe e .
Que continuavam a repetir que aquele jogo tinha sido oh-tão-comprado.
Na segunda, Lina e .
Que tinham motivos o suficiente para comemorar, graças ao primeiro gol de Mats e o último de .
O segundo ficou por conta de Pierre.
Que passou por com uma facilidade incrível, fazendo urrar de ódio.
Mas as quatro concordaram que não existiria placar depois do apito final. Eles iam se reunir na casa de Mats como nos velhos tempos e deixariam a zoação pro dia seguinte.
Apesar de que poderia apostar um rim que falaria alguma coisa para as meninas.
Porque ele sempre falava.
estranhou que não estava junto com os amigos quando eles entraram no camarote A, e ela segurou o riso quando Mats começou a repetir ‘Bayern não está no nível do Borussia, uh?’ algo que o representante do time havia dito em uma entrevista pré-jogo.
Podia jurar que preferia assistir a um jogo no meio da Südtribüne que aguentar toda a zoação que vinha de Mats e Erik.
E de também, que geralmente era o capitão daquele evento contra-Bayern e que não estava ali.
Hummels disse a ela que estava esperando-a no vestiário e que ele parecia um pouco nervoso.
No momento, um filme se passou pela cabeça dela.
Lesão? Algo de errado com a família dele?
Alguma coisa errada com ele?
Mats deu de ombros e isso fez com que ela ficasse ainda mais nervosa do que já estava.
Por que sempre tinha que fazer isso com ela?
Andou sozinha até que estivesse de frente a porta fechada do vestiário, e por algum motivo ela teve medo de empurrar.
Medo de ouvir o que fosse que ele tivesse a dizer.
Era claro que ela já havia estado naquele vestiário algumas vezes, principalmente quando a convencia de que aquele lugar era um dos únicos do estádio que não havia câmeras.
Então era óbvio que ela amava aquele vestiário.
A porta se abriu com um puxão antes que pudesse fazer alguma coisa e Pierre Aubameyang sorriu animado ao vê-la.
— Aqui está o homem do jogo! — falou, rindo. — O está ai?
— Eu fui o último, . — Pierre falou, sorrindo. — Ele está lá dentro, esperando por você.
— Obrigada P. — Ela falou, abraçando-o. — Um incrível gol hoje, parabéns!
— Você viu? — Ele falou, rindo. — O do seu namorado foi bem importante, mas eu fiz bonito! Obrigado calma de .
Ela sorriu ao ouvir o apelido, despedindo-se dele antes de ficar no corredor sozinha.
Nenhum barulho era ouvido de dentro do vestiário, e podia dizer que sentia uma estranha sensação dentro de si.
Como se seu coração fosse pular de dentro de si.
Como se ela estivesse vendo-o pela primeira vez.
E foi esse o sentimento que persistiu assim que empurrou a porta do vestiário, encontrando com um sorriso lateral, esperando por ela.
— Tudo bem? — Perguntou, juntando seus lábios por uns segundos. — Parabéns pela vitória!
— Eu faria qualquer coisa pra ter visto a cara da quando nós viramos. — Ele riu, a abraçando pela cintura. — Onde estão elas?
— Já foram pra casa do Mats, eu acho. — Apertou o rosto dele, fazendo biquinho. — Lina me mandou uma mensagem falando que está nos esperando lá e…
— Podemos fazer algo diferente hoje? — falou, fazendo arquear as sobrancelhas em confusão. — Ficar aqui um pouco.
— Aqui? — Ela perguntou, pendendo a cabeça para o lado. — Tipo aqui?
— Não aqui, . — Riu, entrelaçando seus dedos com os dela. — Eu quero te mostrar uma coisa… Você vem comigo?
mordeu o lábio inferior, desconfiada, assentindo antes que a puxasse para fora do vestiário.
Tudo estava escuro.
não enxergava um palmo a sua frente, enquanto parecia seguir seu próprio mapa mental.
O silêncio era quebrado pelos passos dos dois, e pelas frequentes perguntas de como ‘a gente pode ser preso?’, ‘, a gente pode estar aqui essa hora da noite?, ou ‘Meu Deus, você não está pensando em besteira, está?’.
Até que eles chegassem até o campo do Westfalenstadion.
Completamente escuro, se não fosse pela luz da lua e pelas estrelas que cobriam o céu naquela noite.
poderia dizer que não se cansava daquele ambiente.
Ela poderia ter ido lá incontáveis vezes desde que começara a namorar , mas ainda se arrepiava toda vez que passava pelas portas.
E lá estava ela novamente, em uma estádio vazio, mas que transbordava tantos sentimentos como se estivesse lotado.
Ela não conseguiria explicar o que sentia naquele momento.
— Eu fico aqui depois dos jogos para clarear minha cabeça, as vezes. — falou, olhando para o céu. — Foi o primeiro lugar que eu vim quando pousei em Dortmund, depois da lesão da copa do mundo.
deu alguns passos para dentro do campo, com os dedos ainda entrelaçados com os de . Parou no meio do campo, sorrindo tristemente enquanto ela tinha os olhos presos nos verdes dele.
— Eu não queria ouvir o que queriam me dizer. — Continuou, suspirando. — Na minha cabeça, todos estavam com pena de mim e eu sabia que era só isso que eu ouviria pelos próximos dias. Então eu vim para um estádio vazio, onde eu sabia que ninguém me julgaria. Eu quebrei meu celular, me perguntei trezentas vezes ‘por quê?’ e eu chorei.
riu, com os olhos grudados no céu a sua frente.
Passava um filme pela sua cabeça.
E se perguntava se ainda o machucava lembrar daquilo.
— Esse campo guarda meus segredos, . — Murmurou, olhando para a namorada. — Você também. O que você acha de irmos para Viena na intertemporada?
— Viena? — arqueou uma sobrancelhas, confusa com a mudança brusca de assunto. — Você quer ir para Viena na pausa de inverno?
— É… — sorriu, dando de ombros. — Leia um pouco sobre Viena. É um destino adorável.
, eu conheço Viena. — Riu, confusa. — Eu só estou surpresa. Viena não é nada como você.
arqueou uma sobrancelha, com a sensação de que havia levado um tapa na cara.
Estava ofendido.
Por que Viena não era como ele?
— Por quê? — Perguntou, apertando os lábios em uma fina linha. — Isso foi ofensivo.
— Não, amor. — Riu, apertando o rosto emburrado dele. — Não quis dizer isso, é só que… Eu já estava me preparando psicologicamente para ir para Ibiza. Ou Miami. Dubai, se você estivesse inspirado. Por que esses são…
— Os destinos que nós sempre temos, eu sei. — Suspirou, sorrindo. — Eu posso querer fazer diferente uma vez na vida?
— Você sempre pode. — Riu, deixando um selinho nos lábios dele. — Me surpreender, tipo isso. Ouvir isso de você, estar aqui...
Ela abriu os braços, rindo.
— Eu nem sabia que nós poderíamos pisar no campo depois de vocês. — Brincou, colocando as mãos no pescoço dele. — E nós podemos.
— Você pode… — Mordeu o lábio inferior. — E Viena… É que você sabe… Viena é romântica. Combina mais com isso que Ibiza.
juntou as sobrancelhas em curiosidade, no momento que tirou uma pequena caixa azul de veludo do bolso.
Ele tremia.
Tinha o lábio inferior preso nos dentes, com uma força que poderia machucar a qualquer segundo.
Abriu a caixa, sorrindo.
Deus, casar não era um dos planos na vida de . Casar aos 27 anos? Nunca.
Ele achou que ainda aproveitaria muitas viagens a Ibiza antes de troca-lá por Viena.
Well, pelo menos até conhecer .
não soube explicar o que o fez entrar em uma loja de joias e sorrir entusiasmado vendo as diversas opções a sua frente.
Quando percebeu, estava colocando a senha do seu cartão.
Tinha um anel.
Precisou de quase um mês para juntar a coragem.
Escondeu a caixinha no fundo da sua gaveta de chuteiras por quase um mês, tomando cuidado toda vez que entrava no closet.
A espinha de gelava com o pensamento dela achar aquilo antes dele estar preparado para pedi-la.
Não era tão simples.
Não era um ‘casa comigo’ com peso de ‘você quer pintar a cozinha de branco gelo ou branco mármore?’
Era um ‘casa comigo’ com peso de ‘você quer ter meu nome, metade da minha vida e começar uma família comigo?’
tinha motivos suficientes para não duvidar que um sim viria.
Mas sempre o chamavam de nuvem negra por um motivo. A possibilidade de um não vir o assustada.
E se ele estivesse se precipitando? Ela era nova, poderia ter outros sonhos antes de firmar um compromisso como casamento.
Por que era tão difícil, e por que ele continuava se perguntando o que ela diria enquanto a cena ao redor dos dois parecia estar em câmera lenta?
olhava para o anel de brilhantes a sua frente sem nenhuma expressão aparente. Ela parecia um misto de surpresa e assustada.
Apavorada.
— Por favor, fale qualquer coisa. — Riu, nervoso. — Você está me matando.
— Eu entendi isso… Certo? — Ela murmurou, subindo o olhar até os olhos verdes dele. — ...
— Oh, schatzi. — Engoliu a seco, percebendo que os olhos dela estavam cheios de lágrimas. — É você. Nós já estamos juntos há tanto tempo e… Nós estamos prontos pra fazer isso, não estamos? Transformar nossos planos em realidade, formar uma família… Dar mais um passo em direção a nossa felicidade. Casar, … Você quer casar comigo?
Todo mundo sabia quem era .
Você sabe, o jogador, o meio campo, desejado por metade dos times da Europa e com incríveis 2,6m seguidores no Instagram.
Esse .
Poucas pessoas conheciam .
Ela conhecia.
conhecia como a palma da sua mão.
Protetor, campeão em torneios do FIFA, espectador de Game of Thrones e amante dos pequenos detalhes.
Detalhista, costumava dizer.
tinha um certo brilho no olhar toda vez que fazia algo novo para ele, por mínimo que fosse.
Os bilhetes que ela deixava antes de sair para o trabalho, a cafeteira ligada que ela deixava para ele usar, uma mensagem carinhosa depois de um dia tumultuado…
Coisas que gritavam ‘ei, eu estou aqui’ depois de uma tempestade.
No final do dia, eles sabiam…
Estavam ali um para o outro.
Sempre estariam.
Naquele dia, muitas coisas se passaram pela cabeça de .
E naquele momento, especificamente, outras milhares passavam na cabeça de .
Talvez ela já tivesse imaginado aquele momento, em algumas noites de insônia.
O dia em que eles finalmente passariam de nível.
Mas, ela nunca imaginou que sentiria o que sentia no momento.
Um misto de felicidade, emoção e mais trezentas coisas que nunca poderiam ser ditas.
Amor.
Deveria ser isso.
… — Ela riu, sentindo a primeira lágrima escorrer pelo rosto. — Eu poderia ter milhares de opções, se eu precisasse escolher alguém para ter no fim do dia… Eu escolheria você. Sempre seria você… É sempre você. Então… Sim!
— Sim? — Ele engoliu a seco, rindo.
— Sim, . — riu, fungando. — Eu aceito me casar com você.
jogou o corpo contra o de em um abraço, enquanto as lágrimas continuavam a rolar pelo seu rosto.
E podia jurar que estava perto de começar a chorar também.
Juntou os lábios dos dois, apertando a cintura de por baixo da blusa que levava seu nome, antes de, com a mão trêmula, pegar a mão de , também tremula, e escorregar o anel de brilhantes pelo dedo dela.
E os dois passaram os próximos 50 segundos olhando a peça, pensando o quanto aquilo parecia estar no lugar certo.
Como se tivesse sido feita para eles.
Como se a vida dos dois sempre estivesse traçada.
— Agora por favor, sorria e levante o anel para o camarote do lado esquerdo. — Ele sussurrou no ouvido dela, a fazendo virar.
E perceber que todos os amigos estavam ali.
Os olhares presos nos dois, fazendo sinais estranhos assim que perceberam que olhava para eles.
Levantou a mão, balançando a mão para cima.
O anel brilhou na visão de todos.
E eles surtaram.
Pulavam e comemoraram como se fosse um gol do Borussia Dortmund em um revierderby.
Alguns se abraçaram, fazendo gargalhar enquanto se voltava para .
— Eles sabiam?
— Contei no final do jogo e eles contaram pras respectivas namoradas enquanto você estava no vestiário. — respondeu, rindo. — Eles ficaram animados por nós dois, e... Me desculpe se isso não foi em outro lugar. Nosso quarto, com Herz pulando no canto da nossa cama, o barulho da chuva como trilha sonora e talvez John Mayer ou Legend tocando no fundo...
riu no momento em que mencionou seus cantores favoritos, suspirando logo em seguida.
— Algo mais... íntimo. — deu de ombros, sorrindo lateralmente. — Eu sei que seria algo que você iria preferir, mas...
Den Mund halten ! — Ela o cortou, sorrindo. — Foi bom o suficiente para eu não desejar que tivesse sido diferente... Nem um detalhe sequer. Ai está você, e aqui estou eu. — mordeu o lábio inferior, piscando para ele. — Nós não somos o suficiente?
— Nós sempre somos o suficiente, .
riu.
Talvez pela menção do sobrenome.
Não que fosse incomum já que adorava chamá-la assim, mas agora soava diferente.
Soava como se ela fosse abandoná-lo em breve.
Soava como ela fosse deixar de ser em alguns meses.
Para se tornar .
Era engraçado que isso não a assustava.
— E agora, ? — Ela sorriu, colocando as mãos no pescoço dele. — O que nós fazemos em seguida?
— O que nós sempre fazemos em seguida, ? — Ele murmurou, olhando para os olhos dela. — A gente se ama e você me lembra com pequenas coisas por que é você. E por que vai ser sempre você.

Day 772 – Little More


sentia o suor nas mãos, o coração palpitando e a respiração descompassada.
Ele se sentia em uma final da Champions League.
Em uma disputa de pênalti da Pokal.
Em uma eliminatória da Europa League.
Mas o cenário não era um estádio de futebol e não era um placar que estava em jogo.
teve um mini ataque cardíaco quando sentiu uma mão apoiar em seu ombro, sentindo os músculos relaxarem ao ver o sorriso no rosto do médico a sua frente.
Duas palavras que fizeram daquela manhã de março a mais feliz da sua vida.
Mesmo que ele tivesse largado o treino pela metade, mesmo que ele tivesse furado dois sinais vermelhos, mesmo que ele tivesse passado pelo maior estresse para chegar até o hospital...
Nove de março.
O dia que sua vida mudou.
E ele só precisou de duas palavras para perceber isso.
— Parabéns, papai.



Eles mudaram muito em quatro anos.
mudou o corte de cabelo. , o cabeleireiro.
Ela mudou de emprego. Duas vezes.
Ele mudava de chuteira. Constantemente.
Os dois mudaram de apartamento, por mais que isso tivesse exigido muito esforço dos dois ao abandonar o lugar que servia como um refúgio para eles.
Acharam outro.
Uma cobertura com um jardim frontal que fazia com que Herz ficasse com plantas presas por todo o pelo sempre que resolvia passar por ali.
Não tiveram dificuldade em torná-lo um lar.
Mas havia uma coisa em que eles concordavam que não haviam mudado.
Ainda eram os mesmos de quando se conheceram.
ainda era boa em várias coisas, ainda era a única que conseguia lidar com e ainda tinha o mesmo efeito sobre ele.
ainda era igualmente ruim em várias coisas, ainda tinha problemas com as palavras e ainda tinha seu coração quebrado toda vez que as coisas com fugiam do seu controle.
E sim, a culpa de todas as (escassas) brigas ainda era dele.
No fim, eles ainda se equilibravam.
Era o que todo mundo que os conhecia repetia.
Ela tinha um TOC com limpeza. Ele achava normal errar os arremessos de roupas sujas no cesto.
Ela odiava lavar louça. Ele podia até chamar de momento de calma do dia.
Ela não tinha problemas em arrumar a cama toda manhã. Ele sempre tinha que analisar se a cama estava mais bagunçada antes ou depois de tentar arrumá-la.
E ela não sabia cozinhar. Enquanto ele se arriscava para a sobrevivência dos dois.
Havia apenas uma coisa em que eles não se equilibravam.
E constantemente estavam se dando conta disso.
Malas.
odiava arrumar malas.
era a pessoa mais atrapalhada do mundo para arrumá-las.
Ela sempre esquecia alguma coisa. Fazia listas com mais de quarenta itens no seu celular e nunca deixou de xingar baixinho ao perceber que havia esquecido algo em direção ao aeroporto.
era o tipo de pessoa que deixava tudo para a última hora. E depois ainda jogava metade do seu guarda roupa na mala sem se preocupar se estaria levando roupas de frio para Cancún.
O problema foi quando deixou de ser só os dois.
Eles se encontraram na noite anterior a viagem com uma mala enorme aberta em sua frente, sentados no chão do quarto escuro.
Com uma preocupação que nunca tiveram na vida.
E se ela sentisse frio? E se fizesse muito calor? Será que ela se adaptaria ao clima? Será que ela iria sentir falta do berço? Era claro que eles tinham que colocar todos os duzentos ursos de pelúcia dela na mala, e se ela sentisse falta de algum?
Eram dilemas que eles nunca haviam pensado que lidariam tão cedo.
Mas estavam lidando com Nina Grace .
Que era o bebê mais fofo do mundo, sete meses, nascida com 3,220 kilos e 48 centímetros, em Dortmund.
pode finalmente colocar a bola em baixo da blusa depois de um gol, e teve que entregar os exames para Tuchel acreditar que dessa vez era verdade.
Ele iria ser pai.
Totalmente sem planejamento.
Sim, eles falavam sobre filhos, sobre família e sobre futuro.
Mas não sabiam que enquanto falavam de futuro e casamento, o futuro dos dois já crescia dentro da barriga de .
A parte mais engraçada/desesperadora foi contar para a família dela.
Desde que ele soube que tinha dois irmãos mais velhos, sabia que não pisaria em Bournemouth tão cedo.
Mas o relacionamento deles evoluiu tão rápido que em meses ele já conhecia toda a sua família, e comentava sobre viagens futuras com o pai dela.
Foi bom perceber que eles o tratavam mais como , namorado da irmã que , jogador do Borussia Dortmund. Jogando mais conversa fora com ele sobre a cidade e o clima que tabelas de campeonatos.
Isso foi um pouco relaxante para .
Mas eles ainda eram irmãos mais velhos e as situações ainda eram constrangedoras.
Como toda vez que o alarme do celular de tocava as 3:15 na primeira visita dos dois a Bournemouth, anunciando o horário que ela deveria tomar seu anticoncepcional e fazendo olhar para todos os lugares menos para a caixinha que remédios que ela segurava.
Ou quando abriu sua mala para entregar os presentes que havia trazido para a futura família e algumas camisinhas se fizeram visíveis, caindo pelo bolso da bagagem.
Eram situações que não precisava passar, nem Tommy ou Lewis precisavam presenciar.
Uma coisa era saber que quando a noite chegava sua irmãzinha não dormia mais abraçada com as bonecas, outra totalmente diferente era imaginá-la com um cara de 1,80m dividindo uma cama do melhor jeito possível.
Pensando em situações assim, contar para a família de que uma mini-- estava se formando seria um tiro no pé.
Bebês não vinham de cegonhas, muito menos estavam disponíveis na Amazon. Por mais que eles imaginassem o que obviamente os dois faziam, confirmar isso seria um trauma eterno.
E sabia disso por ter duas irmãs e dois sobrinhos.
Passou uma semana sem conseguir olhar para o marido de Yvonne quando descobriu que seria tio pela primeira vez.
Foi traumático.
Apesar de tudo, os pais dela levaram do melhor jeito possível, e teve certeza que eles estavam tão felizes quanto os dois.
Os irmãos dela também, apesar de terem dado segundos olhares para o jogador e para a barriga quase inexistente da irmã.
sabia exatamente o quanto eles queriam socá-lo.
Oh, se sabia.
Os dois não adiantaram o casamento, como o mundo todo havia dito a eles quando descobriu a gravidez.
teve que ouvir diversos ‘você vai se casar grávida?’, ‘você vai se arrepender quando olhar as fotos’, ‘qual a diferença de adiantar um mês ou dois?’ até que ela finalmente decidisse que não era aquilo que ela queria.
Queria seguir seus planos com . E estava feliz demais com o pequeno presente do destino para se preocupar com o que qualquer pessoa ousasse dizer a ela.
Casou-se no dia que estava marcado, com um vestido rendado branco e uma barriga enorme.
Nunca se arrependera.
Em meses, ela estava super grávida.
E aquela talvez foi a favorita de .
Como toda aquela fase também fora sua favorita.
Ir em consultas, ouvir o coração do bebê, descobrir que era uma menina, pintar o quarto extra no apartamento dos dois, entrar em diversas lojas de crianças, decorar o quarto...
Quando a notícia chegou no vestiário do Borussia Dortmund, todo mundo foi a loucura. E o time infernizou até a alma de quando ele deu a notícia que era uma menina.
sabia que teria trabalho, mas só teve a certeza plena quando Nina nasceu.
Os dois se revezavam nas madrugadas em claro, mas estava dispensada do trabalho e ele ainda tinha treinos para comparecer na manhã seguinte.
Porém, não conseguia não falar ‘minha vez de ir’ quando percebia o quão cansada estava.
E por mais que os dois tivessem que admitir que criar Nina estava sendo a coisa mais difícil que fizeram na vida, teriam que admitir também que nunca estiveram tão felizes.
Sorrindo a cada vez que ela tentava pronunciar alguma coisa, filmando cada passo em vão que ela tentava dar e se derretendo a cada novo sorriso.
A vida de pais tinha os ensinado a dar valor a pequenos gestos.
Também os ensinou a amar incondicionalmente.
Eles gostavam de brincar que a vida dos dois podia ser dividida em destinos de viagens.
Começaram com Ibiza, Miami e Dubai.
E passaram muitas intertemporadas alternando entre os três, o que fazia acabar com uma lotação de biquínis extras no guarda roupa.
Depois eles passaram para Viena, Paris, Chiang Mai e Amsterdã.
Ou as-viagens-mais-românticas-possíveis lotadas de 'nós deveríamos passar nossa lua de mel aqui'.
Era o que eles sempre repetiam deitados em camas de hotéis no fim do dia, com os dedos entrelaçados e as pernas esparramadas pelos lençóis.
E agora, estavam indo para a Disney.
Disney. Mickey, Pluto e seus amigos.
Eles tinham aprendido a colocar a vontade e os gostos da pequena Nina na frente dos próprios.
Primeiro eles trocaram as boates pelas lojas de bebês, os programas de televisão por desenhos e depois, e o que mais exigiu esforço de , reformularam as músicas.
tinha proibido qualquer música que tivesse 'fuck', 'pussy', 'shit', 'bitch' ou qualquer palavreado que não fosse limpo.
Ela temia a possibilidade que essas palavras se tornassem as primeiras da sua filha, e de modo algum ela poderia defender o seu prêmio de mãe do ano se sua princesinha murmurasse fuck para qualquer pessoa que passasse por elas.
O problema era que as músicas que passavam no carro de tinham muito 'fuck', 'pussy', 'shit', entre outros parecidos.
Inclusive xingamentos estavam totalmente escassos dentro do apartamento dos dois, e quando qualquer um deles ousassem falar um, recebia um olhar de repreensão do outro.
Estavam lidando bem, apesar disso.
Aprenderam a murmurar coisas como ‘borboleta’, ‘urso cor-de-rosa’ ou ‘confetis coloridos’ no lugar de ‘merda’, ‘droga’, ‘fuck’ ou ‘Scheiße’.
A ideia inicial era ridícula, mas fazia muito sentido para os dois.
Só tinham problemas quando os amigos iam até a casa dos dois, e tinham lágrimas nos olhos depois de ouvir murmurar um ‘urso cor-de-rosa’ depois de chutar o sofá da sala.
Era hilário.
Mas qualquer pessoa que os conhecessem sabia o bom trabalho que estavam fazendo.
nunca duvidara que seria o pai que era, por mais que ela duvidasse de si mesma.
Sentia-se um pouco de mãos atadas toda vez que Nina chorava por minutos seguidos, e nada parecia aliviar sua agonia.
Algumas vezes já discara o número de desesperada, pedindo ajuda, simplesmente por que ela não sabia o que fazer. E quando ele chegava em casa e ela o recebia com os olhos cheios de lágrimas, era ele que se sentia de mãos atadas.
Sabia o quanto era difícil para assumir aquele compromisso com 23 anos.
Quem era com 23 anos?
Agora, enquanto ele a observava com a pequena no colo, indo em direção a ele em um estádio lotado, tudo o que seu olhar poderia transmitir era orgulho.
Orgulho de tê-la escolhido para começar sua família.
Era ela.
E sempre seria .
— Eu quase tive um ataque cardíaco. — Foi a primeira coisa que falou, com um sorriso no rosto. — Por que vocês sempre tem que ser assim? Fazer o gol de desempate aos 88 minutos, em um jogo que decide o título da Bundesliga? Tão Borussia Dortmund!
— Seria ao menos divertido, se fosse de outra forma? — respondeu, dando um selinho nela.
— Com certeza meu coração agradeceria se fosse diferente. — Ela riu, suspirando. — Você viu isso, Nina? Seu pai é o campeão da Bundesliga!
Nina olhou para , fazendo o bico e colocando a mão no rosto dele.
… — murmurou, chorosa, assim que Nina começou a chorar em seu colo.
Podia ser por que estavam no meio do campo de um estádio lotado.
Podia ser por causa dos fogos.
E dos gritos da torcida e dos jogadores.
Mas ela sabia que era por que Nina queria seu colo favorito.
Assim como Herz preferia ficar aos pés de mesmo que tecnicamente fosse o presente de , Nina preferia os braços de .
E entendia.
Porque ele também era a sua pessoa favorita.
— Hey, está tudo bem. — sussurrou, colocando Nina em seu colo. — Tá tudo bem, Engel, eu estou aqui…
Ela parou de chorar no mesmo instante, com os enormes olhos verdes presos no pai, enquanto tentava pegar o símbolo do Borussia gravado na blusa dele.
E os dois a observavam como se fosse o maior prêmio daquele estádio.
Talvez ela fosse.
— Parabéns, boo. — falou, colocando uma mão no pescoço de , enquanto a outra estava nas costas da sua filha, no colo de . — É a primeira taça que sua filha vê, e ela realmente espera que venham outras. — Brincou, grudando o lábios dos dois. — E honestamente, que gol.
— Você viu? — Ele murmurou, beijando mais uma vez, dessa vez um pouco mais demorado que o anterior.
E ela nem se incomodou pelo suor do corpo dele.
Nem Nina parecia se importar de estar no meio do dois, com um lacinho amarelo no cabelo enquanto olhava sorridente para os pais.
Ela ainda era muito pequena, mas parecia entender o que era amor ao observar os dois.
Quem não conseguia enxergar o que havia ali?
— Vocês estão na frente de uma criança! — falou, separando os dois. — Vocês não sabem que isso não pode acontecer na frente dela? Meu Deus, vocês não sabem ser pais.
rolou os olhos, enquanto ria e tirava a pequena dos braços do pai.
— Você viu o gol que seu pai fez, Kleine nine? — Falou com uma voz infantil, enquanto Nina o encarava com o sorriso no rosto. — E você viu como seu tio foi na defesa? Melhor, você viu a assistência que seu tio deu pra acabar com o exército de malvados de vermelho?
— Se o vier pegar ela no colo e ela chorar, , considere culpa do seu exército de malvados de vermelho. — falou, com um sorriso no rosto. — Ela deu algum trabalho?
— Nenhum. — respondeu, colocando as duas mãos no pescoço de . — Ela colocava a mãozinha no vidro do jogo a todo momento… Era a coisa mais bonitinha a ser vista do mundo.
— É claro que ela é, … Ela é você em miniatura.
— Com seus olhos, seu cabelo e… — sorriu, mordendo o lábio inferior. — Seu gênio.
— O importante é que ela tem o seu nariz. — Riu, juntando os lábios dos dois. — E que eu tenho vocês duas.
— Vocês são tão fofinhos. — falou, abraçando . — Onde está minha sobrinha favorita?
— Com o . — murmurou, apontando para o amigo.
— Parabéns pelo título, ! — falou, sorrindo. — Você foi muito bem na defesa, inclusive. E o empate do jogo é seu mérito.
— A vitória é mérito de , de novo…. — Fingiu rolar os olhos lembrando-se da Pokal, rindo. — Não que eu esteja reclamando, pode continuar assim.
— Metade do mérito é meu também. — falou, sem desviar o olhar de Nina. — Quem deu a melhor assistência da temporada? Quem foi? Quem ajudou o a passar pelo malvado do exército de malvados de vermelho? Quem foi? Foi o seu tio preferido, Nina!
Kleine Nina! — falou, abrindo os braços e indo em direção a . — Me dê ela um pouquinho.
— Não, . — falou, virando-se. — Você não vai fazê-la falar seu nome, desista.
estava desenvolvendo um trabalho pesado e árduo que já durava vários meses e consistia em tentar fazer Nina aprender a falar tio primeiro que tio .
Por mais que ela apenas o olhasse com seus enormes olhos verdes e murmurasse algo que se aproximava de ‘ik’.
— Eu sou o capitão aqui, . — Grunhiu, sorrindo para Nina. — Você quer o tio , não quer Nina?
— Os dois, parem de tratar minha filha como um troféu. — falou, rolando os olhos. — Ela tem sete meses e é mais racional que vocês, por Deus.
— O que vocês vão fazer depois da entrega das medalhas? — perguntou, entregando Nina para , que sorria em vitória. — Depois da festa do time, claro.
— Nós vamos pra Disney. — respondeu e arqueou as sobrancelhas, confuso.
— Hoje?
— Hoje. — falou, suspirando. — Longa história, nós só queremos fugir da Alemanha por um tempo.
— Sei, planejar o baby 2. — falou, arqueando as sobrancelhas e fazendo as bochechas de corarem. — Conheço vocês.
— Não seria um plano ruim, na verdade. — apertou os lábios em uma fina linha, recebendo um olhar fulminante de . — Quer dizer… Claro que não, .
— Falando sério, agora. — falou, enquanto apertava o nariz de Nina com uma mão e a segurava no braço com a outra. — Vocês estão pensando em aumentar a família? Tipo, agora?
olhou com uma pitada de esperança para , que pigarreou por um instante.
Eles estavam?
já havia pedido a algumas vezes no silêncio da noite, toda vez que percebia que ela ainda não estava 100% apagada.
Era como um chute no escuro. Ele murmurava um ‘vamos ter outro?’ com a intenção de que ela não risse e pedisse para ele voltar a dormir.
Como ela sempre fazia.
— Talvez… Eu não sei. — Riu, olhando para . — O que você acha da ideia?
— A ser discutida. — Sorriu, apertando o ombros de .
— Ah, por favor! — choramingou, fazendo biquinho. — Vocês fazem bebês tão bonitos! Façam um time de futebol!
— Você sabe como ficam os hormônios na gravidez, ? — brincou, fazendo rir. — Foi você que acordou as quatro e três da manhã assustadíssimo por que ela não parava de chorar e falar que precisava de um suco verde? As quatro da manhã, , eu não sabia nem quem eu era.
— O suco verde valeu a pena, . — murmurou, olhando para Nina. — Ela é a criança mais fofa do mundo!
— Vocês vão acabar deixando ela mimada. — falou, vendo a pegar do colo de . — Sete meses e uma taça da Bundesliga. Vocês têm que manter o ritmo. Alguém vai ficar muito mal acostumada em entrar em campo.
— Você realmente vai achar ruim se ela entrar em campo toda vez que o time ganhar uma taça? — arqueou uma sobrancelha, a fazendo negar.
— Nem um pouco. — Assentiu, levantando as mãos em rendição. — Vão em frente, ganhem títulos, mimem. Nunca critiquei!
— Gosto desse espírito. — falou, suspirando. — O Tuchel está me chamando, e eu preciso ir antes que ele ameace minha faixa.
Tanto quanto riram, e logo os dois estavam sozinhos novamente.
Não sozinhos.
Era claro que os olhos de metade do estádio estavam nele e os flashes dos fotógrafos também.
Mas tecnicamente, sozinhos.
— Você sabe o que eu odeio quando você joga? — murmurou, sorrindo. — Que você fica sem isso aqui.
Ela tirou a aliança dourada do bolso, escorregando pelo dedo anelar da mão direita de .
Como era a tradição na Alemanha.
— Eu odeio também. — Ele concordou, olhando para o anel. — Eu sempre tento rodá-la antes de um escanteio, mas ela não está lá. É um sentimento de que falta alguma coisa.
— Se é assim que você se sente, então isso é um bom sinal. — Sorriu, juntando os lábios com os de mais uma vez.
Eles provavelmente estavam dando tudo o que o fotógrafos queriam.
E nem se importavam com isso.
Nina, no colo de , parecia cansada de observar tudo a sua volta, bocejando e fazendo rir.
— Seu pai acabou de ganhar a Bundesliga e é assim que você se sente? — Brincou, colocando a cabeça dela em seu ombro. — Sleepyhead, acho que está na hora de alguém dormir…

•••


estava tão entretido em apertar a bochecha da sua filha, que parecia tão entretida em babar o ursinho que segurava, que ele quase não notou a enorme caixa que havia no meio da sala dos dois.
Eles iriam passar no apartamento só para pegar as malas, e tinha certeza que aquilo não estava ali quando ele saiu de manhã para o jogo.
era desatencioso, mas ele tinha certeza que notaria a caixa amarela de um metro na frente do elevador.
— O que é isso, ? — Ele perguntou, curioso, acendendo a luz do apartamento. — Nós precisamos ir pro aeroporto, você sabe…
Era uma caixa grande e amarela, com vários balões vermelhos em forma de coração dentro dela, cada um com um número.
— Só… Estoura. — Ela riu, apontando o primeiro balão a frente de . — E lê.
puxou o primeiro balão, percebendo que havia um bilhete preso nele que indicava ‘11 motivos para explodir de amor’.
Tirou o alfinete que estava preso nele, segurando o balão que tinha o número um pintado e o estourando.
Nina, nos braços de , apenas olhou curiosa para os confetes caindo no chão, junto com um bilhete branco, que tratou de pegar e olhar confuso para a esposa.
— Só lê, . — Ela rolou os olhos, enquanto Nina parecia sorrir. — Por que você é tão lerdo pra essas coisas?
riu, desdobrando o primeiro papel cuidadosamente.

1— Você sempre me ajuda no que eu preciso (mesmo que sejam coisas ridículas e fadadas ao fracasso como pintar a parede da sala).

Riu, lembrando do dia que isso havia acontecido.
O primeiro dos dois em Dortmund.
— O que exatamente é isso? — Falou, enquanto dava de ombros.
— Continua. — Ela disse, sorridente. — Próximo.
Ela apontou, e repetiu o que havia feito com o primeiro.
Até que pegasse o jeito.

2— Você sempre tentar ver o lado positivo das coisas (mesmo que não exista, tipo ter uma multa milionária por não ter carteira de motorista).

3— Você me lembra, sem querer e diariamente, que valeu a pena ter largado Londres por você (até quando você é babaca e vê 7 vezes o mesmo jogo).

4— Você me tranquiliza sempre que eu acho que as coisas estão ruins demais (e me mostra que nós temos uma bolha em Düsseldorf, sempre que precisarmos).

5— Você me mostra que até as surpresas podem se tornar algo bom pra nós dois (tipo quando você comemorou minha ‘gravidez’ sem que eu estivesse grávida).

6— Você não tem medo de me falar o que te incomoda, não tem medo em dividir seu mundo comigo (mesmo que seu mundo seja feito de pessoas que não entendem que você é humano).

7— Você está sempre onde você precisa estar quando eu preciso de você (mesmo que esse lugar seja jogado no chão da nossa cozinha).

8— Você me inspira a buscar meus limites (e isso significa entrar em um estúdio de tatuagem e fazer uma).

9— Você me passa confiança, mesmo comigo longe (e faz coisas ridiculamente bonitinhas bêbado tipo pedir pra se casar comigo e não se lembrar disso no dia seguinte).

10— Você ainda consegue me surpreender todos os dias (no meio de um campo de futebol, com um anel de brilhantes e todos nossos amigos no camarote).

11— Você é um pai maravilhoso para a Nina. E vai ser também para o mini-. (Parabéns, papa!)


Os olhos dele foram diretamente para assim que ele estourou o último balão e leu o último bilhete.
Depois diretamente depois para a barriga dela.
— Você está brincando. — Ele murmurou, atônito. — Se você estiver brincando…
— Eu não brinco com isso, . — falou, rindo. — Pega o último presente, está no fundo da caixa.
colocou a mão na caixa cheia de confetes e balões estourados, retirando de lá um embrulho amarelo com uma fita branca.
Ele a puxou, abrindo o pacote e se deparando com um par de sapatinhos amarelos e um teste de gravidez.
Duas linhas.
sabia o que duas linhas significavam.
Ele já tinha visto duas linhas outra vez.
— Eu sei o que você tem contra azul. — falou, rindo. — Então é amarelo. Mas eu fui na clínica confirmar e… Você será pai novamente e a Nina terá um irmãozinho.
— Tipo… Um mini-?
— Um mini-. — Ela repetiu, mordendo o lábio inferior. — Eu sei que ainda é cedo, e isso me deixou muito assustada, mas você acha que nós podemos fazer isso? Eu lido com um, você lida com outro, nós lidamos com os dois e temos sua mãe perto se tudo der errado...
Schatzi… — ria, abobalhado. — Essa foi a melhor coisa que eu poderia ouvir hoje. Ganhar a Bundesliga e receber isso de presente? Você sabe que meu maior sonho é esse. Uma família.
— Sempre foi o meu. — Ela murmurou, sorrindo. — Eu acho que nós escolhemos certo, no fim das contas...
se ajoelhou de frente ao sofá que ela estava sentada, colocando as duas mãos no rosto dela e sorrindo.
Sentindo algumas lágrimas encherem seus olhos.
Era normal amar tanto assim?
— Eu amo você e eu fico feliz em saber que nós estamos passando por isso juntos. — Falou, rindo. — Sem falsos alarmes, você sabe…
— Sem falsos alarmes. — repetiu, sorrindo. — Pare de me olhar assim!
— Assim como? — Arqueou uma sobrancelha, confuso.
— Você sabe… Com esse sorriso no rosto. — Deu de ombros, mordendo o lábio inferior. — O sorriso que as pessoas apaixonadas dão.
te disse isso, não disse? — Ele riu, lembrando da vez que havia ouvido isso de , no primeiro aniversário de que passou com ela. — Talvez por que eu seja apaixonado. Por você e por nossa família. estava certo... Ele sempre está.
! — Nina repetiu, fazendo com que tanto quanto colocassem os olhos na criança.
— Nina! — murmurou, surpreso. — Eu não acredito que a primeira palavra da minha filha foi !
— O vai morrer quando souber, você sabe disso, não sabe? — falou, vendo a filha segurar seu dedo com as pequenas mãozinhas. — Fale mama, Nina.
Papa. insistiu, fazendo rolar os olhos enquanto sorria. — Você sabe que ela vai falar papa primeiro, não sabe?
— E sua teoria é baseado em que…?
— Fatos, schatzi. — brincou, sorrindo. — Nós precisamos gravar isso, e mandar para o . Ele ficará muito puto.
— Linguagem… — o repreendeu, rindo. — Mama, Nine.
Eki. — Nina balbuciou, fazendo bico. — Hez…. Ma… Pa… Eki!
— Algo me diz que ela já vai estar falando quando nós voltarmos da Disney. Mas aposto que o Mkhitaryan vai ter que esperar mais um pouco. — falou, sorrindo. — Nós precisamos ir ao aeroporto agora, não precisamos?
— Nós precisamos. — Ela assentiu, olhando para a filha em seu colo. — E você tem que ligar para os meus pais no caminho.
— Eles ainda não sabem? — perguntou, e negou. — Ótimo saber que nós estaremos fora do país.
— Meu chefe ainda não sabe também e eu tenho certeza que minha carta de demissão já está pronta. — brincou, rolando os olhos.
— Nós não temos culpa que… Somos férteis? — deu de ombros. — E que queremos uma família grande. Três, você sabe…
— Mas os hormônios….?
— Eu consigo lidar com seus hormônios, . — Ele a cortou, rindo. — Eu sempre vou conseguir lidar com você.
Ela sorriu.
Talvez por que soubesse o quão sortuda era.
Talvez por ter percebido, naquele momento, que tudo tinha valido a pena.
Tudo o que passaram em Londres, tudo o que passaram depois de Londres, tudo o que ainda passavam…
Talvez por ter compreendido, mais uma vez com , o que amor significava.
E entendeu mais uma vez que, por mais que os dois fossem completamente opostos, eles ainda eram perfeitos um para o outro.
No fim do dia, Nina Grace , o pacote embalado em uma manta rosa, era o primeiro equilíbrio entre e .
As vezes 68% e 32% .
Outras, 72% e 28% .
Como os outros também foram.
nunca mais fora um time perdendo de 1x0.
agora sempre era um time ganhando de 4x0.
E quando tudo começava a dar errado…
Ele sabia que eles só precisavam um do outro.
E da sua família.
Ou só de mais um pouco de amor.
O que nunca faltou, já que sempre repetia que ele estava com aquele sorriso.
Aquele sorriso que pessoas apaixonadas dão.

Frohe Weihnachten



Três pares de olhos observavam atentos a qualquer movimento que o quarto membro da sala fizesse.
Nina se apoiava nas pontas dos pés para tentar captar qualquer sinal de movimento vindo de dentro do berço forrado por cobertas brancas. Lukas, no colo do pai, parecia não entender o que acontecia ao seu redor mas fitava o irmão mais novo com curiosidade da mesma forma. E , apenas tinha um sorriso sustentado nos seus finos lábios ao observar seu caçula dormir tranquilamente a sua frente.
Era tarde do dia vinte e quatro de dezembro e os três representavam a primeira visita que e Leon Gray tinham recebido.
só tinha saído do lado da esposa para buscar os filhos para conhecer o mais novo integrante da família, ainda anestesiado pela noite complicada que tinham enfrentado. Se ele achou que ia desmaiar nos dois primeiros partos, o terceiro tinha sido ainda mais complicado com tantas horas de contrações.
Ele tinha vontade de gritar toda vez que via se contorcer de dor.
E nem era ele que sentia dor.
ficou acordado durante todo o tempo com a esposa, andando com ela por algum tempo pelo hospital para acelerar a dilatação, tentando se mostrar menos nervoso do que estava enquanto ela brincava e tentar passar a impressão de que estava tudo bem.
Mas o jogador percebera o quanto ela tremia e tinha a respiração descompassada, um pouco diferente da tranquilidade que ela passava nas duas outras vezes.
Nina, à beira dos seus três anos, já tinha um pouco mais noção do que estava acontecendo assim que sua avó paterna explicou porque seus pais não estavam em casa pela manhã. Lukas, prestes a completar dois, não entendeu a súbita movimentação no seu sempre tão tranquilo recanto de paz, vendo o pai correr de um lado para o outro com bolsas e bolsas de roupa, despedindo-se rapidamente dele com um beijo no topo da cabeça.
Mais tarde ele voltaria para casa e chamaria os dois para conhecer Leon.
O terceiro .
O último, como os dois tinham acertado.
A luz no fim do túnel que os dois descobriram quando acharam que andavam no completo escuro.
— Ainda dormindo?
A voz de veio da porta do quarto do hospital, seus cabelos molhados presos em um coque que ela tinha improvisado na saída do banho, um pijama de mangas compridas para aquecê-la do frio que tinha chegado a Dortmund.
Ela podia estar vestida na roupa do hospital, como na noite anterior, que ainda a acharia linda. Mesmo desarrumada, após um noite incessante como a que os dois tiveram. ainda seria sua imagem favorita, principalmente quando percebia vários dos seus traços nos filhos dos dois.
Sorte deles, o jogador pensava.
— Ainda — murmurou, vendo-a ir em direção a ele com um semblante exausto. — Você deveria tentar também.
— Eu estou bem — ela desconversou, colando seus lábios antes de voltar a atenção aos filhos. — Como você passou a noite, kleine Nina?
Suspendeu a filha que a olhava com um sorriso no rosto e tinha o cabelo preso em duas xuxinhas mal feitas que tinham a assinatura de .
Mas ela sabia que aquele era um bom trabalho.
— Senti saudades — ela murmurou, fazendo bico. — Você vai dormir com a gente hoje?
— Eu também senti, meine liebe respondeu, acariciando a filha com a mão vaga. — Vou sim. Eu, você, seu pai, Lukas e o Leon. Você sabia que ele se parece muito com você quando nasceu?
— Eu não tinha cabelo?
— Poucos fios finos e loiros — explicou, segurando um riso ao ver a expressão assustada que cobriu o rosto da filha. — Você estava ansiosa para conhecer seu irmãozinho?
Nina apenas assentiu, suas mãos brincando com os fios soltos do cabelo da mãe.
— Ele vai poder passar o natal com a gente, mummy?
— É claro que ele vai.
— E o Papai Noel vai trazer presentes para ele também?
Uhum — concordou. — Amanhã a árvore vai estar cheia de presentes com o nome de vocês três.
Nina comemorou com palminhas, pedindo chão logo em seguida para mostrar sua independência que cada vez ficava mais em evidência. Foi o momento que aproveitou para tirar Lukas do colo de , com uma mão na boca e uma pelúcia na outra.
Mama! — o pequeno murmurou ansioso, passando os braços pelo pescoço dela. — Mama.
— Sim, é a mamãe — ela concordou, deixando um beijo na bochecha rosa dele. — Mama está aqui.
tirou a atenção do berço por um segundo para ver a esposa balançando o segundo filho, uma risada escapando dos lábios dele toda vez que ela apertava sua bochecha.
Não sabia onde ela encontrava tanta energia para brincar depois de uma noite em claro. Ele mesmo preferiu por um táxi para voltar ao hospital, tendo plena certeza que cochilaria assim que encostasse no banco do carro. Mas sabia graças a seu histórico de jogos fora de casa o quão insuportável era passar tanto tempo longe dos filhos, e imaginava que era ainda pior para que já estava de licença há dois meses com a constante presença dos dois.
— O que nós faremos a noite, schatzi? — perguntou, tirando a mão de Lukas da boca e vendo-o colocar novamente. — Tem planos?
pareceu pensar por um segundo, as costas ainda incomodando e as pálpebras sentindo a necessidade de se fechar pelo sono acumulado.
Ela não podia acreditar que já era o natal e não tinha planejado nada.
Tinha montado toda a decoração no mês que passara, com a ajuda de e a companhia de Nina e Lukas. Ela ainda desajeitada para encaixar os enfeites e ele só conseguia manter sua atenção nas bolas espelhadas.
Terminava de embalar os últimos presentes sentada no chão de frente a , rindo de alguma besteira que ele tinha dito tarde da noite, quando sentiu uma dor que não era natural de estar sentindo. Ou melhor, não ainda. Não quando os médicos diziam que o pequeno Leon estava bem acomodado onde estava e só deveria ver o mundo pela primeira vez na primeira semana de janeiro.
Não um dia antes da noite de natal.
Definitivamente não.
Mas já tinha visto aquela situação mais de uma vez, então tentou ao máximo ser a paciência enquanto tropeçava nos próprios pés em busca da chave do carro. Estava preocupada com o fato de estar sentindo tudo antes da data programada, mas apenas pediu para ir o mais rápido que podia sem perder a carteira. Não saberia o que faria com o jogador se eles precisassem gastar mais uma quantidade absurda de euros com multas de trânsito.
Naquela altura, tudo já tinha passado e o maior alívio que ela podia sentir tinha vindo junto com a sensação de pegar Leon nos braços pela primeira vez, e receber a notícia que estava tudo bem. O pequeno nem mesmo ia precisar da incubadora pela sua pressa.
E já era natal, ou a sua época favorita do ano todo, e só conseguia pensar que sua única vontade era passar um tempo considerável com sua família e estar na cama antes da dez.
Isso se Leon deixasse.
Ter um recém nascido em casa poderia ser bem complicado. Ter um recém nascido e mais duas crianças em casa podia ser bem mais.
— Em casa?
Apesar do tom de pergunta, sentiu que ela não era uma. Tinha tom e era um apelo. Se ele sugerisse qualquer coisa mais animada, ela negaria sem pensar duas vezes. A data sempre fora importante para os dois, e agora ainda mais com o nascimento de Leon, mas ela tinha acabado de ter um filho.
não poderia culpá-la pelos seus desejos.
— Um jantar e depois casa — ele sugeriu, arqueando as sobrancelhas. — O que acha?
— Como nós vamos arrumar um restaurante que seja quieto o bastante na véspera de natal? — questionou, apontando para o berço do hospital. — É tudo de novo.
O que ela quis dizer por tudo de novo era o que não estava nos filmes, mas estava em todos os livros de bebê. Era o excessivo cuidado que aquele pequeno pacote precisava, a atenção durante a noite, os choros sem motivo certo que fazia com que ela chorasse junto de desespero... Toda a dependência que durava pelos primeiros meses.
Ainda era estranho pensar que aqueles três pequenos eram completamente dependentes dela. Que via não só na sua figura mas na de também, um porto seguro assim como eles eram os deles.
E sempre complementava que eram quatro completamente dependentes dela. Ele se incluía de um jeito diferente, mas ainda assim tinha uma ligação que não podia ser questionada.
— Isso você deixa comigo — murmurou, segurando-a pela cintura. — Por enquanto só me prometa que você vai descansar o suficiente.
assentiu, fechando os olhos e encostando a cabeça no peito de em seguida. Ele fez os mesmo com os seus, levando a mão até o cabelo molhado e preso de forma bagunçada dela, em forma de carinho.
Já era a terceira vez, mas eles ainda não estavam acostumados com a sensação.
A sensação de ver um par de olhos observá-los sem entender exatamente o que está acontecendo ao redor, as mãozinhas pequenas e inquietas ainda sem conseguir pegar nada, bocejos incontáveis como se tivesse acabado de despertar de um sono profundo.
E todo o amor que nascia com isso.
precisava dizer que as três vezes que ele se sentiu mais seguro e que seu coração ia explodir de amor foram no nascimento dos seus três filhos. Nunca saberia descrever, mas olhar para com qualquer um dos três no braço era algo que tirava lágrimas dos seus olhos.
Era como a realização de um sonho que ele nunca se pegara pensando.
Ou ainda, era melhor que a realização de um sonho.
Sonho para ele era carregar uma taça no meio do campo. Carregar seus filhos era bem maior que isso.
— Eu tenho algo pra você.
Murmurou e abriu os olhos em alerta, rolando os olhos para ele.
— Nós prometemos que só abriremos os presentes amanhã de manhã — falou entredentes, apontando com o queixo para Nina, que tinha os olhos atentos em Leon. — Nós falamos a eles...
— Não é algo do Papai Noel — ele brincou, sorrindo sem mostrar os dentes. — É algo de para a esposa. Não posso?
Ela rolou os olhos mais uma vez antes dele dar as costas e sair do quarto, voltando segundos depois com uma caixa larga, colocando-a em cima da cama do quarto particular do hospital que eles estavam.
Tirou Lukas do colo dela para que pudesse ter as mãos livres, apontando para a embalagem.
desfez o laço vermelho que a envolvia com cuidado, retirando o papel branco que cobria toda a superfície do tecido após se livrar da tampa da caixa. Teve que desdobrá-lo para entender que se tratava de um vestido vermelho de mangas longas, alguns dedos acima do joelho e com um tamanho que se assemelhava ao que ela costumava vestir.
— Pra hoje a noite — explicou, sorrindo. — Eu o vi em uma vitrine e só consegui pensar que ficaria incrível em você. Nós não sabíamos se o Leon viria antes ou depois do natal, então preferi escondê-lo na minha gaveta de chuteiras.
Ela sorriu, deixando o vestido de lado para abraçar a cintura de , juntando os lábios dos dois.
Deveria dar uma olhada na gaveta de chuteiras de , eventualmente. Ele não tinha muita criatividade para esconder os presentes, aquele lugar sendo o esconderijo de muitas das coisas mais importantes que ele já dera para ela. Incluindo o próprio anel de noivado que naquele momento brilhava junto a aliança, no dedo de .
se sentiu confortável o suficiente para aprofundar o beijo ao sentir as pontas gélidas dos dedos de em contato com sua pele, com Lukas muito ocupado em morder a própria mão para entender o que se passava ali.
O que fez com que os dois se separassem foi o choro baixo e contido de Leon, que funcionava quase como um relóginho que despertava de três em três horas para avisar aos dois que era a hora dele mamar.
sorriu antes de finalizar o beijo com um selinho, deixando que fosse em direção ao berço e tirasse Leon de lá, o pequeno logo se acalmando ao reconhecer o conforto do colo da mãe.
O jogador abaixou seu próprio corpo para ficar na mesma altura que os olhos cinzas curiosos de Leon, que parecia alheio a tudo o que acontecia a seu redor, piscando confuso para se acostumar com a iluminação do local.
Hallo klein Leon — murmurou, sorrindo. — Preparado para seu primeiro natal?
Ele não entendia nada que o mais velho falava, mas o macaquinho vermelho especialmente escolhido para a data mostrava que ele estava.
— Eu preciso alimentá-lo — falou, com os olhos fixos no filho mais novo. — Não é, Leon?
— E eu preciso levar as crianças para lanchar — concordou, deixando um beijo no pé coberto por uma meia enfeitada de Leon. — O médico disse que você deve ter alta perto das sete. Você me avisa se for adiantar, certo?
Ela assentiu, levantando o rosto para que ele pudesse deixar mais um beijo nos seus lábios antes de deixá-la e fora exatamente isso que ele fez.
Repetidas vezes.
Mas quando saiu do quarto e observou pelo pequeno vidro que havia na porta a cena da sua esposa sorrindo e conversando com Leon, mesmo que ele não entendesse uma palavra, uma ideia cruzou sua mente.
Abaixou até que ficasse no nível de Nina, com um sorriso no rosto.
— O que você acha de fazermos uma surpresa para a mamãe?

•••



— Você ligou as luzes do jardim.
não deveria estar surpreso.
Ele deveria saber que era casado com uma mulher detalhista o suficiente para notar que os pisca-piscas espalhados pelo jardim de frente a casa deles estavam ligados, com um sorriso no rosto enquanto as luzes refletiam nos seus olhos.
Era o que ele tinha notado nela na primeira vez que saíram juntos, para o London Eye. Ela se impressionava com pouco e ele sabia que algo pequeno como aquele era capaz de mudar seu humor.
E tinha aprendido que isso era mais que uma qualidade.
Ele tinha dito a ela que queria passar em casa antes de seguirem para o restaurante que ele conseguira uma boa reserva.
Nem soube dizer como ela não parecia desconfiar de nada durante o trajeto, os olhos sempre nas cadeirinhas de bebê no banco de trás, Nina e Lukas com uma tranquilidade que não era normal aos dois.
Mas estava tudo indo conforme o planejado.
Até o momento que os dedos dela encontraram o interruptor da sala após destrancar a porta da frente, suas sobrancelhas arqueando assim que percebera que o local estava bem diferente da última vez que ela estivera ali.
É verdade que várias coisas tinham mudado desde que eles resolveram aumentar a família.
A casa não mais se parecia com a que eles visitaram dois anos antes. Toda a decoração de solteiro tinha sumido, assim como os primeiros móveis que compraram quando desejaram se mudar do apartamento para uma casa, com um quintal grande o suficiente para Herz correr incansavelmente atrás de bolinhas arremessadas.
Tinha outro cheiro, também. Não era o perfume forte de , nem o doce de . Era uma mistura de colônia Johnson's Baby e sabonete pom-pom, bastando um primeiro passo no imóvel para perceber que ali morava uma grande família.
Mas na noite de natal a decoração não era a usual.
Toda e cada mínima luz estava acesa, a enorme árvore no canto da sala brilhando em dourado, combinando com as diversas velas espalhadas pela mesa de jantar.
Que estava posta, com um vinho no centro assim como o prato principal na ceia alemã, Weihnachtsgans, algo como um ganso recheado que já tinha provado e aprovado antes.
Ela estava surpresa por cada tipo de salada diferente que estava posta na mesa, cada vela acesa, cada enfeite na mesa que tinha criado um ambiente de lar.
— Você não fez isso — ela murmurou, os olhos cheios de lágrimas enquanto se virava para . — Você pensou em tudo.
Schatzi, é seu feriado favorito — respondeu, colocando as duas mãos no rosto dela, sorrindo. — Você acha que eu deixaria que passasse em branco?
negou, sentindo os lábios de nos seus enquanto descia as mãos para a cintura dela, não aproximando muito seus corpos por ela estar com Leon no colo.
Mas ela queria contato. Como acontecia tantas outras vezes, ela queria abraçar e agradecê-lo por tudo outras quinhentas vezes, dedilhar cada tatuagem sua e observar suas feições de perto que se assemelhavam tanto as que ela passava o dia observando.
Se alguém a perguntasse 'o que acontece com o casal após terem filhos' ela teria muitas coisas para falar.
nunca temeu que um mini - fosse afastá-los, mas tinha um certo receio em como os dois ficariam como casal com uma mudança repentina na rotina. Nunca imaginava, porém, que o que ela sentia por seria triplicado após os três filhos e não tinha nenhuma relação com os hormônios da gravidez.
É claro que os hormônios da gravidez tinham sim feito seu trabalho, seu humor variando de hora em hora e seus sentimentos bem mais aflorados que o normal, mas o que tinha mudado durante todos os meses não tinha sido só aquilo.
Era o fato de que nunca a deixava com o peso todo, perguntando-a várias vezes se ela estava confortável para dormir quando a barriga começou a crescer demais, fazendo todos os seus desejos mais estranhos às duas da manhã, pulando os treinos quando ela se sentia mal demais e lidando com todas as crises que começavam a atingir quando se tratava de futuro.
E as coisas só melhoraram depois do nascimento.
era sempre o responsável pelo banho assim que chegava do treino e por trocar as fraldas sujas do número dois. Era ele que levantava de madrugada em dias ímpares e que fervia a água que ela precisava para trocar o número um. Ele colocava as roupas na máquina enquanto ela ficava responsável por limpar o sofá toda vez que o gofo vinha mais tarde ou mais cedo do que o planejado.
É por isso que eles falavam que era fácil para quem questionava como estava sendo a nova vida dos dois. Era fácil porque eles nunca estavam sozinhos.
Era fácil porque eles formavam seu próprio time e sempre sentiam as energias voltarem ao receber uma gargalhada gostosa de qualquer um dos minis como resposta. Era fácil porque toda vez que chegava do treino, e murmurava 'papa está em casa' para os dois pequenos, os dois corriam em direção à porta para agarrar as pernas do pai, ele já acostumado em pegar os dois no colo em seguida.
Agora ele teria que desenvolver alguma técnica para carregar três no colo. Mas sabia que seria a quarta a esperá-lo, com o menorzinho no colo.
Frohe Weihnachten mummy! — Nina falou, abraçando as pernas de .
Frohe Weihnachten mum — Lukas imitou, o vocabulário um pouco mais enrolado que o da irmã mais velha, abraçando a outra perna da mãe.
Frohe Weihnachten schatzi completou, beijando os lábios dela uma última vez antes de tirar Leon do seu colo para que ela pudesse abraçar os outros dois.
E foi exatamente o que fez, abaixando-se e abraçar os dois de uma só vez, fechando os olhos e agradecendo baixinho pela família que ela tinha formado.
Era isso o que importava e nada mais.
E ela podia dizer que aquele era o melhor natal que já tinha passado na vida, mas tinha certeza que o do ano seguinte ainda iria superá-lo.
Porque tudo se tornava incrível se ela estivesse com seu time.
E eles eram seu invencível time, dono de mais taças da Champions League e da Bundesliga que eles poderiam contar.
— Agora vamos lavar as mãos para jantarmos — murmurou, a voz um pouco chorosa enquanto deixava um beijo na cabeça de cada um dos seus mais velhos, tirando Leon dos braços de em seguida. — Mummy precisa alimentar o Leon.
— Eu dou conta dos dois enquanto isso — falou, pegando Lukas no colo e se abaixando minimamente para colocar uma mão na cabeça de Nina, para guiá-la.
assentiu mas antes que o marido pudesse deixá-la, ela o puxou pela camisa social vermelha que ele usava. Continuou com o tecido preso entre seus dedos quando levantou sua cabeça, buscando pelos finos lábios de .
Eles se beijaram, de forma mais íntima em comparação ao primeiro, os dedos de se afrouxando da camisa dele e seguindo para tatear seu físico impecável embaixo dela.
Schatzi — foi ele que interrompeu o beijo, sorrindo. — Não faça isso.
Se ele teve que lembrar para seu corpo naqueles mínimos segundos que estava na frente dos filhos, não podia imaginar o que teria que fazer se ela continuasse na trilha com suas mãos.
assentiu, deixando-o ir e indo em direção ao quarto que deixara preparado para Leon no andar de cima.
Não conseguia parar de sorrir por um momento sequer, enquanto ouvia a conversa arrastada de Nina e Lukas, questionando sobre quando poderiam brincar com o novo irmãozinho.
Definição de felicidade?
Não havia momento melhor do que aquele para responder à essa pergunta.

•••


fechou a porta com delicadeza para não acordar os dois que já dormiam espalhados pela sua cama após horas de brincadeiras. Acharam que eles nunca iriam se render ao sono já que pareciam bem ativos a meia noite, a única coisa que conseguiu os convencer de deitar foi o fato de que disse que o papai Noel estava só esperando eles dormirem para encher a árvore.
E de certo modo era isso mesmo, já que o papai Noel não podia deixar rastros.
estava ao lado do berço que ficava no quarto do casal, os olhos atentos observando a respiração calma de Leon.
Deixou que seus dedos acariciassem o rosto do pequeno, sem perceber que já estava no quarto. Observou cada pequeno detalhe na feição dele, os olhos ainda inchados do nascimento, o bico nos seus lábios e as bochechas fartas.
Sorriu sozinha quando ele se mexeu minimamente, sua respiração voltando ao normal no instante seguinte, demonstrando um sono tranquilo.
Foi quando ela percebeu que era observada, ainda encostado na porta com um sorriso nos lábios e uma mão segurando a maçaneta. O jogador foi em direção a esposa, abraçando-a pela cintura e encaixando seu queixo no topo da cabeça dela.
— Terminei de colocar os presentes na árvore — sussurrou para não acordar Nina e Lukas, sorrindo em seguida ao voltar os olhos para Leon. — Como ele pode ser tão perfeito? Olhe como é pequeno.
Ela assentiu, colocando a própria mão em cima da de e fechando os olhos por alguns segundos. Cada músculo do seu corpo parecia relaxar pela primeira vez desde a noite anterior, e tudo ainda parecia doer.
Mas finalmente estava em casa. Era noite de natal e ela estava em casa com sua família, sua não tão mais pequena família.
— O que você quer para o próximo ano? — perguntou baixinho, só para ouvir.
— Essa não é uma pergunta para o Ano Novo? — sorriu, observando-a de perfil, ainda com os olhos cerrados. — Natal não é sobre gratidão?
— Natal é sobre gratidão — concordou, sorrindo sem mostrar os dentes. — Eu só quero saber se nossos planos estão em sintonia.
Ele riu, parecendo pensar.
Seria incrível se conseguissem passar o Bayern no resto da temporada.
(E outros times também).
Seria ainda mais maravilhoso se conseguissem ir longe na Champions League.
O troféu da Pokal, então? Uau.
Mas, junto com a alteração das suas prioridades, ganhar outros troféus também era importante.
Será que a escolinha dos seus filhos tinha algum tipo de premiação para pai do ano? Um troféu de papel já estaria bom.
E no dia dos pais, ele ficar feliz em expor, ao lado das suas medalhas, os cartões rabiscados e presentes de aparência duvidosa que receberia das crianças, feitos na escola.
Estaria feliz com alguns daqueles.
— Só... — murmurou, fazendo carinho com seus polegares na cintura dela. — Que seja bom como esse ano foi e que eu possa te manter do meu lado para sempre. Metas boas o suficiente para você?
— Melhor do que o planejado — murmurou, virando-se para ele.
Abriu os olhos apenas para ver os de , passando os polegares carinhosamente pelo rosto dele. colocou suas mãos na base da coluna dela, fazendo movimentos circulares com seus dedos.
Eles passaram algum tempo assim, apenas se encarando. Apenas curtindo o tempo que há muito não tinham juntos, com uma péssima sequência de jogos e responsável pelos dois filhos. Quando ele chegava do treino, já era hora de dar banho nos dois e ela parecia exausta para qualquer tarefa que exigisse um mínimo esforço, com a barriga ainda maior que as duas primeiras vezes acabando com a sua coluna.
Naquele momento, eram só os dois. E se o natal era sobre gratidão, então não havia mais nada a acrescentar.
fechou os olhos, encostando sua cabeça no tórax de , escutando sem interrupções as batidas do seu coração.
Intimidade. Era o que estava em jogo ali, ela contando o número de batimentos por minuto dele, enquanto ele sentia o cheiro do shampoo dela que tanto gostava.
Não sabiam dizer por quanto tempo ficaram naquela posição, mas o que os interromperam foi o choro de Leon, quebrando a paz que eles tinham estabelecido talvez muitos minutos antes.
Mas estava tudo bem, porque logo após amamentá-lo, eles passaram noite a dentro o observando. As mãos de junto as dela ao segurá-lo no colo, sentados na cama em que Nina e Lukas tinham sonos tranquilos e deveriam sonhar com ursos dourados e unicórnios rosas.
Não faltava nada na noite de natal dos -, e se eles tivessem o poder da escolha para o nascimento antecipado de Leon, teria sido exatamente como havia sido.
Porque no fim, eles escolheram ser felizes.
E ao escolherem ser felizes, escolheram um ao outro.

Fim



Nota da autora: (31.12.2016) É quase ano novo, mas assim que eu fui convidada para participar desse especial de final de ano eu só conseguir pensar que eu queria postar algo natalino. O natal é minha época do ano favorito e eu coloco muito de mim nos personagens, e é por isso que a época também é tão importante para essa família -.
Quem me acompanha nas redes sociais já sabe que foram três minis - no final, e como o fim de Broken Wings retrata o descobrindo a segunda gravidez, tive que escrever o nascimento do terceiro (e último) filho desses dois.
Espero que vocês tenham gostado desse presente e saibam que eu desejo um Feliz Ano Novo (Glückliches neues Jahr!!) para todo mundo! Que 2017 seja um ano maravilhoso e com várias conquistas e realizações.
Com muito amor,
Luiza.
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