Chelsea

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Última atualização: 11/09/2020

Epígrafe

Borrões.
Brilhos e Contrastes no escuro.
Sons e vozes se misturam a sensação de ainda estar vazio.
Dores, suspiros e gritos abafados.
Sangue, suor e lágrimas.
Pedidos, o bater dos dedões acelerados no assoalho.
Mãos tremendo, suor escorrendo.
Tremores. O Vento. O frio.
Imagens distorcidas e abstratas.
Borboletas batendo asas.
Estava tudo frio, cinza e algo congelante passou por ela, a fazendo se espiar toda.
Nem os maiores escritores poderiam descrever a sensação que Chelsea teve, ao encontrar-se com a morte.

01

"Tô aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia." (Na Sua Estante - Pitty)


Bucktown, Virgínia. 07 de Outubro de 2017, 19h45 da noite:


É uma sexta-feira fria de muito barulho e de um certo momento de alívio para a incansável , que já sente o peso da correria da semana em suas costas. A semana tinha sido bastante tumultuada na academia do FBI, com intermináveis matérias, trabalhos em grupos e um imenso artigo sobre a "psicopatia no ambiente de trabalho", que os alunos teriam de entregar em apenas três dias. está cansada daquele rótulo de aluna modelo, ela sempre se esforçou estar em destaque durante as aulas, mas também não era pra tanto alvoroço e nem pra tantos rótulos. está em seu último na academia e em seis meses se formaria, se tornando assim a primeira mulher da sua família a se formar detetive do FBI.

Em meio ao caos que esta sua semana, com todo aquele peso e cobrança sobre si mesma em entregar tudo nos prazos estimulados e ainda ter tempo para planejar o chá de panela de sua irmã, e a melhor amiga Brianna resolvem que naquela sexta-feira depois de tantas cobranças e correria, elas vão sair para encher a cara em um bar qualquer. As duas amigas saem em busca de algo que as tirem do inferno que foi aquela semana na academia, elas querem uma bebida bem forte e algum homem que as façam descontar a energia acumulada na cama, e que possam transformar aquela energia toda em gemidos e orgasmos.

Do outro lado da rua, as luzes em verde neon da boate Phanton atrai na hora os olhares das duas amigas, que piscam uma para outra entrando em seguida naquele lugar novo. nunca tinha ido aquela boate, ela ficava afastada de seu alojamento na academia e da casa de seus avós. Brianna não é muito adepta de boates, pelo menos não as que não são baladas LGBTS ou de stripper. Mas a boate Phanton é nova no pedaço e tudo que é novo sempre vem com um gostinho de curiosidade. O lugar é ideal para o objetivo das duas amigas naquela noite: bebidas e homens. E por falar nos homens, os que frequentam aquela boate são os homens de terno, isso mesmo, aqueles que só se vê em filmes e que você tem certeza de que estão envolvidos em atividades criminosas. não liga para aquilo e muito menos Brianna, naquela noite elas não eram alunas do FBI e sim duas amigas que estão a procura de companhia e uma boa noite de sexo.

O lugar está lotado de mulheres e homens e todos os tipos, bebidas e drogas circulam como doces em festa de criança no meio daquelas pessoas todas. As amigas pedem suas bebidas no bar e seguem para a pista de dança, que naquele momento começa a tocar "Girl on Fire" da Alicia Keys. As duas passam espremidas naquele mar de gente que lota a pista de dança e param só quando estão bem no meio da pista, quando podem então balançar seus corpos e vibrar ao som daquela música que representa muito para as duas melhores amigas. A noite é aliada delas, já que em menos de quinze minutos as duas conseguem o telefone de pelo menos uns cinco caras diferentes e de algumas mulheres também, já que Brianna tendia a jogar no time adversário ao de quando se trata de sexo. Alguns drinks e cantadas nada inocentes depois, as duas amigas se despedem na saída da boate, onde Brianna entra em um táxi com a bartender da boate mais um cara a tira colo. A noite ainda está começando e ainda precisa extravasar sua energia para que possa ter novamente uma boa noite de sono. Jogando a cabeça para trás ela suspira, checa no seu celular que horas são e ri frustrada, pois ainda não é nem meia-noite e ela esta sozinha sem sua melhor amiga. Ela precisa decidir rápido qual será seu próximo destino e depois de analisar algumas opções em sua cabeça, decide a próxima parada: Tork'n bar no centro da cidade. arruma a jaqueta por cima da roupa e estica o dedo para chamar um taxi, quando em uma fração de segundos ela sente um frio na barriga, um tremor no corpo e suas pernas vacilam.

"Não reagi dona, é um assalto, passa a bolsa" é tudo que ela consegue ouvir antes de suas pernas a derrubarem no chão frio do asfalto. Seus olhos ainda estão turvos por causa do susto, mas ela consegue ver o homem de moletom correr pela rua com sua bolsa em mãos. Sua bolsa, seu celular, seus documentos, chave do alojamento, dinheiro, ele tinha levado tudo. chora de dor e sente-se vulnerável, ela nunca tinha sofrido um assalto em sua vida. Nos seus vinte e sete anos de vida ela nunca tinha passado por algo assim. Mesmo sendo aluna da academia e já ter estudado sobre isso inúmeras vezes, essa é a primeira vez que ela sente isso na pele. respira fundo naqueles segundos horríveis e limpa seu rosto com a mão arranhada e suja.

Ela tenta se levantar ainda dolorida depois da queda, mas esta fraca por conta do álcool e do susto. É naquele instante, que ela olha para cima e encontra um par de olhos a encarando com a mão esticada para a ajudar levantar. Nesse instante ela encontra a pessoa que mudaria sua vida para sempre.

— Você tá bem, moça? — escuta o homem lhe chamar e segura sua mão para levantar.
— Acho que sim... Minha bolsa, meu celular... — Ela diz com a voz fraca, apontando para a rua.
— Você foi assaltada? — Ela se atenta a voz rouca do homem conversando com ela.

se apoia nele e concorda com um aceno de cabeça, dizendo que está bem. Ela respira fundo e consegue abrir melhor os olhos, piscando algumas vezes ela consegue enfim analisar melhor o homem que esta lhe ajudando naquele momento. Ela o olha de cima a baixo e então seu corpo todo treme, o cara é simplesmente todo tatuado e com um par de olhos brilhantes, que deixaria qualquer mulher babando. O homem não parece ter mais de trinta anos e tem um sorriso que mexe com ela, bem mais do que ela gostaria. Ele não faz seu estilo de homens, gosta dos caras engravatados e com perfumes caros, não dos caras que tem o cabelo bagunçado e cheiram a maconha com chicletes de menta. Mas, o cara não para de olhar para ela e parece curioso com a sua presença ali naquele lugar, que não parece ser um lugar que mulheres do patamar dela frequentam. O bairro onde a boate Phanton fica é afastado do centro da cidade, numa rua que não tem muito policiamento e quase nenhuma segurança. A boate foi inauguarada há uma semana e desde a inauguração, já haviam ocorrido pelo menos seis assaltos aos frequentadores do lugar.

fora incluída naquela estatística agora, já que foi assaltada por algum pivete que provavelmente roubou a bolsa dela para trocar por drogas na esquina seguinte. Mas parece que em meio aquele bairro perigoso, de pessoas perigosas, existe alguém que realmente esta disposto a ajudá-la. Ele não faz o tipo de cara que ajuda uma mulher no meio da rua e sim o tipo de cara que provocavam situações como aquela. Ele é um estranho, com um sorriso maravilhoso, mas ainda sim um estranho. sabe bem que caras como aquele, arrasam os corações das mulheres que tem em sua vida e depois somem, sem nem dar um adeus. Ela conhece bem aquele tipo de cara, já que o seu pai fora assim no passado, arrasou sua família por conta de jogos e bebidas e depois largou sua mãe para fugir com uma mulher quinze anos mais nova. E mesmo aquele cara à sua frente sendo o tipo de cara que ela quer fugir, o sorriso dele mexe com ela e por um segundo ela sente-se atraída por ele e isso era tudo que ela não queria. Só que seu corpo corresponde de maneira contrária e ela se xinga por aquilo, mas quando percebe, sua voz sai da garganta e se direciona a ele.

— Sim. Eu estou bem, vou chamar um táxi e vou para casa. — força a voz em direção a ele, que sorri.
— Você tá machucada moça. Precisa se acalmar e cuidar desses machucados. — Ela treme assim que ele toca seu cotovelo machucado.
— Eu estou bem, obrigada. — rosna e estica o dedo na tentativa de achar um táxi.
— Olha, não quero ser invasivo, mas está claro que você não está bem.
— Você tem um telefone aí que eu possa usar? — suspira frustrada e olha para ele.
— Eu moro no prédio aqui da frente, podemos ir até lá. A gente cuida desses machucados, você toma uma água e se acalma. Aí pode usar meu telefone para ligar pra quem quiser.
— Eu não sei... Não te conheço, não posso ir simplesmente para seu apartamento. Vai que você é um serial killer que aborda moças indefesas na rua. — ergue a sobrancelha e o encara.
— Você tem razão. Mas, eu juro que não ofereço perigo nenhum e não mordo. A não ser que me peçam. — Ele cruza os dedos e sussurra no ouvido dela, que treme toda.
— Tá certo, vamos lá então. Não pode ser mais perigoso do que ficar aqui na rua à mercê de um novo assalto. — Ela ri e volta a olhar para ele.
— Prometo que não vou fazer nada com você, só estou preocupado com seus machucados e com você estar sem celular, moça.
— Eu me chamo . E você? Se vamos para o seu apartamento, quero saber pelo menos seu nome. — Ela vira a cabeça e estica sua mão.
. Mas pode me chamar de r). — Ele aperta sua mão e aquele toque a faz tremer, pela terceira vez naquela noite.

Os dois sorriem um para o outro e atravessam a rua, entrando no prédio antigo que ele mora.

02

"Oh, minha personal privê, te quero de A a Z , mas sem romance clichê. O filme eu e você , criança não pode ver"(Personal Privê - Nx Zero)


A vista da varanda o apartamento de chama bastante a atenção de . O lugar está iluminado pela enorme lua que atravessa a janela aberta que os leva a varanda. O prédio é antigo e mora na cobertura, um apartamento enorme e aberto que ocupa o andar inteiro, com janelas amplas que iam até o chão. O apartamento é todo clean, muito bem conservado com uma enorme cozinha em conceito aberto que leva a sala de jantar com a sala de tv e no final há uma porta que leva ao quarto dele. deixa que ela entre na sua frente e a observolhar atenta para todos os detalhes, ele sente-se intimidado e atraído por ela ao mesmo tempo. é o tipo de mulher intimidadora que não deixa passar nada e é exatamente o tipo que ele gosta e que quer fugir. Ele conhece bem essas mulheres intimidadores e donas do seu próprio querer, sua ex esposa era exatamente assim e o abandonou logo depois que engravidou da pequena Maddison, que agora era só uma foto em um porta-retratos. Ele sempre fugiu daquele tipo de mulher e isso era para o seu próprio bem, mas naquela noite ele sentiu-se terrivelmente atraído por .

Só uma noite não faz mal a ninguém, ele pensa.

cuida dos machucados de que estão bem ruins, uma vez que ela caiu no asfalto e seu cotovelo e as mãos estão ralados. Ela está um caos, com o cabelo bagunçado, a roupa suja e amassada. Mesmo assim ela está linda pra caralho e a bunda dela gostosa demais naquela saia apertada. já tinha cuidado dos machucados de , quando perceba que ela está na varanda de seu apartamento observando a paisagem lá de cima e ele também aprecia a vista á sua frente. Ele sacode seu corpo quando percebe a bunda dela rebolar um pouco, enquanto finge estar dançando na varanda. Ela já está melhor, menos assustada e começa a se sentir mais à vontade naquele lugar estranho a ela. Uma música distante invade a varanda de e faz o corpo de se mover de um lado a outro. vai até ela e fica observando ela dançar aquela música, o deixando completamente excitado.

Ele se aproxima de e estica uma carteira de cigarros para ela, que nega com um aceno de cabeça. tira um cigarro de lá e acende, jogando a fumava para o alto. Se recosta na ponta da varanda e fica tragando seu cigarro, enquanto observa atento exibir seu corpo maravilhoso para ele que apenas fica encarando. O show é dela, somente dela e aquilo o deixa curioso. Ele é só um espectador do show dela e mesmo curioso ele continua apenas observando, não quer muita intimidade com ela. é o tipo de mulher que ele foge e pretende continuar fugindo, se depender dele não terá intimidades trocadas e muito menos terá uma outra vez. Se depender dele, a será apenas uma noite e que ele bem provavelmente levará a lembrança com ele, mas que será somente isso. Ele não pretende se relacionar de novo e não pretende fazer isso tão cedo, nem mesmo com , mesmo que ela o deixe fodidamente atraído e completamente excitado. não é o tipo de cara que se apaixonava assim tão fácil, pois, quando isso acontece ele se entrega de corpo e alma e sempre acaba sozinho, com o psicológico fodido e um monte de dívidas para pagar.

— Mas então , me fale mais de você. — a escuta falar enquanto caminha em sua direção.
— Por favor , sem esses joguinhos de perguntas aleatórias e monótonas. — Ele indaga e a olha nos olhos.
— Por que não? — Ela o confronta.
— Porque não vamos nos ver nunca mais, . Não precisamos dessas conversas trivias de assuntos como de onde eu vim, o que eu faço para viver? Onde estão meus pais e blá blá blá. — a encara e rola os olhos, tragando mais um cigarro.
— E o que a gente vai fazer então? — ergue a sobrancelha e encosta a mão em seu braço.
— Transar. — disse a ela com sinceridade. o encara em silêncio por alguns segundos e então passa a língua pelos lábios.
— Eu não sei... Você não faz muito meu tipo, não sei se é uma boa ideia, .
— É só uma noite , não vamos nos ver nunca mais. Relxa, aproveita e tira essa blusa que você é gostosa demais para ficar vestida na minha frente.
— Você é bem direto ao ponto , gosto disso.
— As coisas precisam ser diretas , assim, nem eu e nem você saímos magoados daqui. — sorri e apaga o cigarro, olhando para ela.
— Então chega de perder tempo. — sorri se aproxima mais, agarrando a barra da sua camiseta ela gruda os lábios ao dele, iniciando um beijo quente.

suga os lábios de com vontade enquanto ele aperta sua bunda por cima da saia, levando a mão para dentro da mesma. geme com aquele gesto e suga mais o lábio dele, arranhando suas costas. suspira e assim que ela parte o beijo por alguns segundos eles se encararam ofegantes. o segura pela mão e o guia de volta ao apartamento, passando pela enorme janela da sala eles seguem em direção a porta que ela deduz ser o quarto dele. Ela acerta, é o quarto dele e é maravilhoso: o quarto é composto por uma cama bem no centro da parede ao fundo, uma enorme estante com livros e outros objetos, um guarda roupas do lado contrário e um espelho bem ao lado. o empurra para a beirada da cama de modo que ele senta-se e a encara excitado. se apoia nas mãos inclinando-se para trás na cama um pouco e deixou que ela o encarasse de volta enquanto observava a língua dela passar pelos lábios. retirou a blusa que usava, revelando um sutiã de renda vermelha, em seguida retira a saia justa e revela uma calcinha da mesma cor. Mason soluça com aquela cena, ela é perfeita, ele não tem dúvidas quanto a isso e o pior é: ela é perfeita para ele.

leva uma das mãos ao cabelo e coça a nuca, enquanto a observa em um strip gostoso pra caralho. Ela rebola e tira a roupa para ele, que esta em um show de strip particular e aquilo é excitante demais para ele aguentar. Ele quer tocá-la, mas ele sabe que se fizer isso, ele estaria perdido. Então deixa que ela conduza aquela cena, afinal ele precisa que ela esteja no centro daquele show todo e não ele. se ajoelha na frente dele, retira o cinto da calça dele e abaixando a calça o deixa apenas de cueca por alguns segundos. A ereção do pênis dele esta evidente por cima do tecido fino, o que a fez suspirar por um momento. aproveita e tira a camiseta que usa, revelando a ela seu corpo todo tatuado. Ele encara que olha atenta para todas as tatuagens que ele possuí. Ela se inclina e gruda os lábios aos dele, sugando novamente aquela língua maravilhosa que ele tem, por um instante seu corpo esquenta e ela pensando no que ele é capaz de fazer com aquela língua. desce os beijos pelo queixo dele e segue pelo pescoço, abdômen e olha para cima o encarando bem nos olhos. Ela abaixa a boxer dele, revelando aquilo que tanto quer saber como é e não se decepciona nem um pouco. Seus olhos o analisaram e em seguida ela decidiu o que iria fazer: colocou o pênis dele na boca, todo de uma vez.

o escuta gemer e com aquilo ela segura o pênis dele com a mão e o masturba, enquanto o engole por inteiro. não consegue se segurar e guia a mão aos cabelos dela, os segurando em forma de rabo de cavalo, ele guia a cabeça dela para cima e para baixo. Aquilo é mais do que ele poder aguentar e mais do que ele gostaria que estivesse acontecendo, ele chega a ponto de gozar apenas com uma mulher o chupando e como ela chupa bem - pensou, enquanto ela molha o pênis dele e volta ao engolir por inteiro, passando a língua por toda a extensão que consegue. segura a cabeça dela e guia os movimentos, enfiando ainda mais o pênis dentro da sua boca, que por sinal é uma boca maravilhosa. Ele agarra o lençol com a outra mão e solta um gemido alto para ela. Joga a cabeça para trás e volta a suspirar enquanto ela, o chupa por completo e o faz ter espasmos involuntários durante aquilo. Por um breve momento, ele abre os olhos e percebe que ela se toca enquanto o chupa e aquilo é demais para ele. Ele precisa fodê-la e rápido, antes que ele se apaixone. o suga uma última vez e se levanta tirando a calcinha, enquanto com os olhos cheios de tesão ela o encara. Lança a calcinha para longe e então o joga para trás na cama, montando em cima dele com pressa. Ela monta no pênis dele de uma vez só e joga a cabeça para trás, gemendo alto. Ele leva a mão aos quadris dela que começa a rebolar em cima dele, num movimento de vai e vem gostoso pra caralho. As mãos dele apertam a bunda dela, que se comprimem sempre que ele as aperta. geme e cavalgava em cima dele, como nunca havia feito antes na vida. Algo nele despertou o lado obceno que estava adormecido nela. se inclina e suga os seios dela, precisava fazer isso. Ele suga os seus seios, enquanto ela se toca e fode o pênis dele com força e tesão eles suam e os vidros do apartamento também. A lua do lado de fora iluminava o quarto, enquanto eles gemem de prazer.

— Isso, caralho, me fode! — geme enquanto ainda esta montada em cima dele.
— Eu acho que eu... eu te... — diz algo com a voz ofegante e leva o dedo aos lábios dele.
— Não fale isso , não podemos dizer isso.

suspira derrotado e inverte as posições, ficando por cima dela, que gemeu quando sente o peso dele sob ela. o analisa da posição que esta e morde os lábios, ele era lindo para caralho. abre as pernas dela e molha a sua buceta com os dedos dele. geme e arranha os seus braços. Em seguida ele a penetra de uma vez só, fazendo o corpo dela dar um tranco contra o colchão. agarra as pernas dela e a estoca com força, ele precisa disso. leva as mãos a nuca dele e o puxa para um beijo.

— Caralho , eu vou gozar. Isso, continua. — se remexe no colchão.
— Então goza vai, goza pra mim .

goza algumas estocadas depois, sentindo seu corpo todo vibrar e tremer ao mesmo tempo. Sente o líquido que sua vagina derrama e então sabe que gozou e de uma maneira gostosa pra caralho. tira o pênis de dentro dela e limpa o gozo com a boca, em seguida volta a penetrá-la, dessa vez com uma velocidade maior e com mais força. Ele sorri e no momento seguinte ela o sente gozar também. Os dois gemem e então caem exaustos um ao lado do outro na enorme cama do quarto dele. está com o corpo vibrando e um pouco dolorida, afinal ela nunca foi fodida assim por ninguém. passa a mão pelo rosto suado e senta-se na beirada da cama, em silêncio. Os dois sabem muito bem o que vem agora e estão prontos para encarar que foi apenas uma noite de sexo, gostoso pra caralho, mas apenas uma noite. pega a carteira de cigarros e acende outro, tragando com força, ele joga a cabeça para trás. Não consegue dizer nada e muito menos consegue encarar . Ela por si mesma, levanta-se rapidamente e veste suas roupas, enquanto observa fumar seu cigarro. Ela se veste também em silêncio e segue até a porta do quarto.

— Adeus . — Ela diz assim que abre a porta do quarto dele.
— Adeus, .

fecha a porta e o deixa lá em silêncio e sozinho. Caminha até a porta do apartamento de Mason, mas antes de sair, ela fez algo que nunca cogitou fazer na vida. Decidindo obedecer ao que seu coração mandava, pegando papel e caneta na mesinha ao lado do sofá, ela escreve:

"Esse é o telefone do meu alojamento, caso queira me encontrar de novo. Tchau, . ."

Ela anota o telefone do alojamento naquele pedaço de papel e o gruda na frente da geladeira.

sai de lá, levando consigo sensações que ela jamais esqueceria e lembranças que a acompanhariam para sempre. Naquela noite o destino os uniu e os separou para que depois, eles se encontrassem e soubessem que as vezes uma noite só não é suficiente, as vezes é preciso uma vida inteira para se sentir as coisas como são de verdade.

03

"Te vejo errando e isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar."(Na Sua Estante - Pitty)



Quântico, Virgínia, 14 de Abril de 2018:


As luzes e burburinhos dos corredores da unidade de análise comportamental do FBI, a deixam ainda mais excitada e animada com o fato de que assumiria seu primeiro caso. tinha se formado finalmente, a cerimônia contou com toda pompa e elegância que se exige em uma formatura dos futuros agentes da academia do FBI. Depois da formatura, todos os novos detetives foram designados as unidades que optaram logo que o curso foi iniciado e está na unidade que quis desde o início, a unidade de análise comportamental. Quando iniciou o curso quatro anos antes, ela sabia muito bem pra onde queria ir depois que se formasse e agora ela está onde desejou. É o seu segundo dia pelos corredores da UAC. O primeiro dia foi de adaptação, com palestras, demonstração dos casos da unidade, apresentação dos superiores e das instalações. No segundo dia eles, seriam designados aos seus superiores e então teriam seus primeiros casos para investigar. está animada com o fato de assumir seu primeiro caso e ela torce para que seja um assassinato, não que ela não goste dos casos com homens bomba, é só a sua preferência mesmo.

, Travis e Brianna foram designados dentro da unidade para o departamento supervisionado por Vince McCarthy, padastro de . O fato de Vince ser o padastro de não interferiu para que ela fosse escolhida para aquele departamento, a mesma tinha feito por merecer estar ali. Vince separa os parceiros para entregar o primeiro caso, de acordo com as recomendações e orientação dos professores. fica Travis e Brianna com uma menina nova chamada Kelly. Vince McCarthy, é o chefe do departamento de homicídios da UAC e havia sido nomeado ao cargo há cinco anos, logo depois de se casar com Mary Alice , mãe de e desde então ele cumpre suas funções com profissionalismo e discrição. Tanto que todos da unidade só souberam que ele era padrasto de quando a mesma foi nomeada para ser uma das agentes contratadas do departamento.

Os quatro detetives atravessam a unidade em direção a sala de Vince, as 7h45 da manhã e lá está ele todo elegante, atrás de sua mesa com duas pastas amarelas em sua frente. Vince entrega a primeira pasta a Brianna e Kelly, que assentem e saem da sala em seguida. A segunda pasta é entregue a e Travis, na capa da pasta há um nome escrito: Chelsea Ann. Preston, Chicago.

— Esse caso chegou a nós tem duas horas e ainda não tem ninguém na investigação. — Vince os orienta assim que abrem a pasta.
— Como vocês já sabem a identidade da vítima? — indaga enquanto analisa as primeiras páginas.
— A vítima estava em posse de seus documentos, por isso foi possível identificá-la. — Vince explica com as mãos apoiadas na mesa.
— O corpo ainda está no local? — Foi a vez de Travis o questionar.
— Sim, está. Os médicos legistas estão á espera dos agentes designados ao caso para que possam liberar o corpo. — Vince sorri aos dois que se entreolham. — Essa pasta contém tudo que precisam para iniciarem as investigações, agora vocês dois estão liberados, já podem ir até o local.
— Entendido Vince. Nós os manteremos informado do caso. — comenta e assim os dois saem da sala em direção ao local do crime.

A comunidade de Preston é uma comunidade a oeste do centro de Virgínia e fica há uma meia hora da unidade. Os dois agentes seguem o caminho e estão com pressa para chegarem logo, uma vez que os médicos legistas os esperam para que possam liberar o corpo e a cena do crime. No caminho enquanto Travis dirige o carro, aproveita para começar a fazer a avaliação do conteúdo que contém na pasta sobre o caso. Chelsea Ann era uma adolescente de dezesseis anos de idade, líder de torcida do colégio local e que fora assassinada na madrugada anterior com seis facadas. Ao ler aquela informação, o estômago de dá uma leve pontada, aquele crime parece ter sido brutal e então continua analisando as informações que são descritas no relatório, guardando cada detalhe em sua cabeça. O carro deles vira em uma rua e então os dois visualizam a faixa amarela da polícia, demarcando a cena do crime.

— Você tá com um cara ótima pra quem teve que acordar ainda de madrugada. —Travis comenta assim que os dois saem do carro.
— Estou animada com o nosso primeiro caso. Mas também estou feliz, ontem resolvi uma questão pendente em minha vida e dormi feito um anjo. — sorri, enquanto toma seu copo de café ela responde para o amigo que agora é seu parceiro.

segura a pasta sobre seu peito e caminha com Travis até onde o corpo esta, eles passam pelos repórteres, moradores locais que já estão aglomerados nas calçadas e por fim pela enorme faixa amarela que dizia "Do not Cross. Crime Scene Investigation". Lá está o corpo de Chelsea Ann, coberto com um lençol branco, estirado no chão perto de umas lixeiras. Chelsea Ann havia sido assassinada em um beco próximo de uma lanchonete no centro de Preston. Travis se aproxima do corpo e levanta um pouco o lençol, mostrando a as facadas que a menina havia levado. O rosto de Chelsea está machucado, com manchas roxas e arranhões. A garota veste uma calça jeans clara, uma camiseta amarela e uma jaqueta do colégio onde ela parecia ser líder de torcida. Analisando o lugar e comparando com a garota que aliestá, levanta uma questão: o que uma menina do patamar de Chelsea fazia num beco escuro em uma noite de sexta-feira?

Ela e Travis analisam a cena ao redor deles, é tudo muito sujo, mas também é um local calmo, do tipo que alguém ouviria se uma menina estivesse gritando por socorro. A não ser que ela conhecesse o "descon" e por isso não reagiu quando o mesmo a abordou. Travis analisa ao seu redor e não localiza o celular de Chelsea, que provavelmente foi levado por quem a assassinou. Eles cobrem novamente o corpo de Chelsea e caminham em direção a um homem que os encara e que bem possível é o delegado da polícia de Preston. O delegado é um homem alto e com aparência de mais ou menos uns cinquenta anos. O homem veste o uniforme da polícia de Preston e com ele, tem pelo menos mais três policiais e os dois médicos legistas. As luzes das viaturas piscam enquanto os carros estão parados em volta de onde aonteceu o crime. Os policiais conversam entre si e falam em seus rádios pendurados nos ombros, todos estão nervosos e bastante agitados com aquele crime brutal.

— Vocês dois devem ser os detetives designados pelo FBI para cuidarem do caso. Prazer, sou Timothy West, delegado titular da delegacia de Preston. — O homem estica a mão e os cumprimenta.
— Sou a e esse é meu parceiro Travis O'Neill. Somos da Unidade de Análise Comportamental do FBI. — Os dois cumprimentam o delegado, sorrindo.
— O que vocês sabem do caso até agora, West? — Travis indaga ao delegado.
— A menina foi morta de madrugada, recebemos uma ligação anônima denunciando o crime. - Timothy responde aos dois agentes, que olham em volta.

Os detetives reparam na falta de câmeras de segurança no local, o que pode de se esperar já que a comunidade de Preston é conhecida como uma comunidade segura e pacata, do tipo que raramente acontecem assaltos e muito menos assassinato de líderes de torcida. Perto do local existe apenas uma lanchonete que funciona durante o dia, um posto de gasolina, o correio e uma farmácia.

— Você e seus policiais já identificaram alguma testemunha? — questiona o delegado enquanto analisa as pessoas ali presentes.
— Não foi necessário senhorita . Já temos um suspeito sob custódia em nossa delegacia. — West diz a ela e chama outro policial na conversa.
— Isso não está no relatório que foi encaminhado a unidade mais cedo. — Travis indaga assim que o delegado chama o outro policial.
— Achamos melhor não colocar no relatório que temos um suspeito, nós recebemos uma denúncia anônima, como disse o delegado e quando chegamos aqui o cara estava sob o corpo com a arma do crime na mão. — O policial diz a eles enquanto segura um saco transparente.
— Essa é a arma do crime? — Questiona ao analisar o conteúdo que está dentro daquele saco de evidências.
— Sim, uma faca de cozinha comum. — West mostra a eles o conteúdo através do saco plástico.
— Muito bem, e quem seria o suspeito que vocês têm sob custódia? — Travis pergunta ao delegado.
— Um traficante de merda aqui do bairro. Ele já é fichado pelo que descobrimos e está nesse momento esperando na delegacia para ser interrogado. — O outro policial diz enquanto é acompanhado pelo delegado.
— Ótimo. Se já temos um suspeito, vamos interroga-lo então. O corpo já pode ser liberado, temos as fotos e todas as informações que precisamos para seguir com a investigação por enquanto. — sorri para o delegado que chama o médico legista.

O corpo de Chelsea Ann é colocado em um saco preto e depois levado para o necrotério, onde seria analisado minuciosamente para que pudessem saber mais sobre as facadas que foram fatais, os ângulos precisos das perfurações, se houve violência sexual e principalmente a hora da morte dela. Os detetives e o delegado seguem para a delegacia de Preston interrogar o suspeito que está sob custódia da polícia.

O que não poderia prever é que aquele terrível assassinato iria liberar monstros e segredos de sua vida, segredos que ela quer esconder de todos e também a levaria de volta a alguém que mexe bastante com seu coração.



04

"Ah, logo percebi que você era problema. Ah, mas não tem problema, se for valer a pena" (Personal Privê- Nx Zero)


Delegacia de Preston, Virgínia, 9h15 da manhã:


As portas da delegacia de Preston se abrem e os dois agentes seguem com os policiais e o delegado em direção a sala de interrogatório, no final do corredor apertado. A sala fica isolada das outras salas da delegacia e lá dentro pelo vidro fosco, o suspeito está com a cabeça abaixada entre as mãos esticadas na mesa, prendidas pelas algemas. Timothy lhes entrega a ficha do suspeito, onde contém todos os antecedentes criminais do mesmo, certidão de nascimento, os registros das últimas ligações feita pelo celular dele, o endereço dele, nome dos pais, ficha escolar, registros de trabalho e etc.. a ficha completa daquele que parece ter cometido o brutal assassinato de Chelsea Ann.

O celular de toca brevemente e ela orienta que Travis entre na sua frente e comesse a conduzir o interrogatório, que ela estaria logo atrás dele. Ela se afasta um pouco, vendo que se trata de uma chama de Vince ela atende rapidamente, do outro lado da linha, a voz dele é impaciente e está num tom alto demais para aquele horário. Ela o questiona, ele diz que quer saber o porquê de não ter sido informado no relatório inicial que a polícia de Preston já tem um suspeito sob custódia. responde dizendo, que também ficou surpresa com aquela informação e aproveita para dizer que ela e Travis já estão na delegacia e vão começar o interrogatório naquele instante. Vince diz a ela, que assim que terminarem é para ligarem de volta a ele e reportarem detalhe por detalhe, de tudo que fosse apurado até o momento. o conforta, dizendo que está tudo indo bem e que provavelmente o homem sob custódia é mesmo o assassino e eles irão encerrar o caso bem antes do que imaginam.

sacode os ombros e respira fundo antes de entrar na sala de interrogatório. Aquele é o seu primeio caso de verdade e ela quer se sair bem, sem nenhum erro ou deslize, ela quer se destacar lá dentro para mostrar que fez a escolha certa quando escolheu a UAC para ser o seu departamento no FBI. precisa disso, ela precisa provar a sua família que as mulheres também podem ser detetives ou policiais e precisa provar que aquela profissão não é exclusiva dos homens e provar que é capaz de conduzir uma investigação com profissionalismo, deixando de lado os sentimentos e a compaixão. foca no seu objetivo e no relatório que possui do caso, que a conduziria rapidamente para a conclusão daquele crime horrendo. Ajeitando o casaco que usa ela agarra a pasta sobre o caso e entra na sala de interrogatório.

Ao entrar na sala e erguer os olhos da pasta para o suspeito que está sentado à frente de Travis, ela sente seu coração pular dentro do peito e o ar sumir de seus pulmões. encara estática aquela cena à sua frente, enquanto tenta achar um equilíbrio entre seu coração que bate rápido demais e o ar que ela sente desaparecer. Abre a boca, mas não saem sons de sua garganta, ela está em choque com aquela cena à sua frente, sem chão por ver quem ela viu na sua frente. não quer e nem pode acreditar, que aquele é o suspeito do assassinato de Chelsea, não pode ser, não poderia ser ele, nem em outras cem vidas. Ficou calada observando-o se mexer de maneira desconfortável, enquanto os olhos dele a encaram da mesma forma, desacreditados e tristes.

, ele é o suspeito do assassinato de Chelsea Ann. O mesmo com quem ela sentiu o paraíso na cama e que agora a levou direto para o inferno. Mas ela sabe, tem absoluta certeza de que não foi ele e nem pode ter sido ele já que...

não sabe por quantos segundos ficou devagando com seus pensamentos parada na entrada da sala de interrogatório. Só sabe que acordou com a voz de Travis a chamando longe. Ela pisca os olhos, de maneira tensa e respira fundo antes de entrar na sala e fechar a porta atrás de si. Caminhando até a mesa no centro da sala, ela joga a pasta que possui sobre o caso, bem debaixo dos olhos de .

— Vamos começar por onde você estava ontem a noite? Antes de ser encontrado, ao lado do corpo de Chelsea Ann. — abre a pasta, colocandos os papéis em cima da mesa.
— Eu estava em meu apartamento. Jogando uno e bebendo cerveja. — direciona o olhar para que o desvia na mesma hora.
— E alguém pode confirmar essas informações? — Travis indaga.
— Infelizmente não, eu estava sozinho. Mas eu estava em meu apartamento e só depois que fui encontrar a Chelsea, só que quando cheguei lá, ela já estava morta. — se endireita na cadeira, ainda mantendo os olhos em .
— Então você confirma que esteve com a vítima na noite passada e que a conhece? — passa os olhos do relatório para o rosto de .
— Eu estive com ela sim. Eu a conheço porque sou o traficante dela, ela me ligou e eu fui ao encontro dela. Mas eu não a matei! — diz aquilo com toda segurança que possui.
— Você foi pego com a arma do crime nas mãos, o que nos diz sobre isso? — Travis diz a , enquanto se apoia na mesa.
— Eu me desesperei quando á vi daquele jeito. Eu fui até onde ela estava no chão e peguei a faca num impulso. Mas eu não deveria ter feito isso, se eu soubesse que iriam me prender. — solta o ar dos pulmões e desvia o olhar para o lado.
— Um traficante com sentimentos. Ah, conta outra rapaz! — Travis ri daquilo em tom de ironia.
— Eu estou dizendo a verdade! Vocês deveriam estar atrás do verdadeiro assassino, ao invés de estarem aqui perdendo tempo. — volta a olhar para , que fica calada mais uma vez.
— Uma menina foi assassinada sr Baker, nós temos que nos ater aos fatos e você foi encontrado na cena do crime, segurando a arma do crime nas mãos. — endireita a postura e mostra a as fotos que tem do corpo de Chelsea.
— Tira isso da minha frente detetive. Eu não consigo ver o que fizeram com ela. Por favor! — pede a , enquanto seus olhos formam algumas lágrimas.
— Chega de teatro rapaz, confessa logo que é pro seu bem. — Travis indaga irritado.
— Eu tenho direito a um advogado, só falo na presença dele agora. — leva a mão as pernas e se afasta na cadeira.
— Certo rapaz, a gente volta a conversar. — Travis se levanta da cadeira e chama os policiais.

permaneca sentada onde está e observa os policiais entrarem na sala, levando para a cela onde ele ficará até que o seu advogado designado chegar. Antes de sair da sala onde está, os dois trocam olhares. Um olhar que só os dois são capazes de entender. Travis vai com o delegado até a sala dele, enquanto vai até a sala de espera da delegacia pegar mais um café. Ela sabe que não foi , em seu interior ela sabe disso. Não pode ter sido ele, os policiais prenderam a pessoa errada, talvez por pressa, talvez por confusão ou até mesmo por preconceito com a aparência de . Quando ela e Travis pegaram o caso naquela manhã e seguiram para investigação, ela jamais imaginou que aquele seria o desfecho do caso, ela jamais imaginou que seria suspeito daquele crime horrendo e brutal. Quem matou Chelsea tinha muita raiva dela ou do que ela representava, pelas marcas apresentadas no corpo dela e pela quantidade de facadas, quem á matou a queria morta e da maneira mais brutal do mundo. é um cara perigoso, um traficante, mas não é certo o acusar daquele crime por conta de uma confusão e de uma cena mal interpretada. Ele é um cara violento, perigoso e de caráter duvidoso pela vida que resolveu levar, mas nem por isso foi ele quem assassinou Chelsea. precisa achar o verdadeiro culpado e tem que livrar daquelas acusações preciptadas. Toma o seu café e retorna para a sala do delegado, onde Travis já a espera impaciente. Ela não pode culpá-lo, pois, ela estivera tensa a manhã toda. não pode deixar transparecer que ela já conhece , se eles soubessem disso iriam á afastar do caso e ela precisa seguir com aquela investigação para achar o verdadeiro assassino.

— Então, o que vocês acharam? — O delegado os questiona assim que entra na sala.
— Ele parece culpado West, ele parece todo culpado. Ele conhecia a vítima e tinha motivo para o crime, já que era o traficante dela. — Travis indaga ao delegado e o mesmo olha para .
— E você , o que acha?
— Não foi ele. O fato dele ser o traficante dela, não quer dizer que foi ele que cometeu esse crime. Quem matou a Chelsea, queria ela morta e da maneira mais brutal que pode existir. Quem á matou queria aquilo, queria mostrar ao mundo o ódio que sentia dela. não transpareceu ser esse tipo de pessoa, que mata alguém por ódio. — conclui, olhando para Travis e depois para o delegado.
— Bom, independentemente de ter sido ele ou não, temos que esperar o advogado que ele solicitou para que possamos prosseguir com o interrogatório. — West senta-se em sua cadeira e se recosta, encarando os dois detetives.
— Enquanto esperamos o advogado dele, nós vamos continuar com as investigações externas. Se o senhor nos permitir. — diz, olhando para Travis.
— Fiquem á vontade, temos que esperar o advogado mesmo.
— Certo delegado West, nós nos vemos em breve. — Travis indaga e pega os papéis da investigação.

Ele e deixam a sala do delegado e seguem em direção á uma pequena sala de reuniões do outro lado. Eles precisam ficar a sós para decidirem qual será o próximo passo na investigação.

— Então, o que a gente faz agora, ? — Travis indaga ao fechar a porta da sala.
— Você segue para a cena do crime Travis, recolhe a quantidade de provas que conseguir e veja se consegue alguma testemunha.
— E você, ? — Ela escuta Travis a chamar pelo apelido que ele mesmo tinha dado a ela, alegando que o nome dela é formal demais.
— Eu vou para o necrotério, falar com o médico legista e ver o que ele pode nos dizer sobre a hora da morte, e o ângulo das facadas. — se recosta na beira da mesa e sorri ao parceiro.
— Certo, bom, eu vou indo então e qualquer coisa estou no celular. — Travis pisca a ela e sai pela porta da sala.

concorda com ele e observa o amigo e parceiro sair da sala, a deixando sozinha com os monstros de seus pensamentos. Respira e solta o ar todo do pulmão pela primeira vez naquela manhã conturbada e confusa. Não são nem dez horas da manhã e ela já sente seu corpo doer de tensão e ansiedade. joga seu corpo em uma das enormes cadeiras de couro que tem naquela sala da delegacia e deixa o peso de seu corpo contrair no encosto, relaxando os músculos. Joga a cabeça para trás e gira com a cadeira de um lado para o outro, ela precisa achar o verdadeiro culpado daquele crime e precisa livrar o daquela confusão toda. Respira e solta o ar algumas vezes, até que seu cérebro consiga formular uma solução lógica para aquela situação toda. Ela precisa reunir forças para continuar naquela investigação, precisa acima de tudo encontrar um equilíbrio dentro si para tudo que está acontecendo. Sente que se continuar naquela investigação ela pode ter que renegar muitas coisas em sua carreira e na vida pessoal, mas isso é preciso, ela não deixaria um inocente na cadeia pagando por um crime que não cometeu. Ela é sensata, sabe muito bem separar as coisas em sua vida e naquela situação não será diferente. A sensata que habita nela toma conta de seu corpo e fará o que for possível, para que não seja culpado injustamente. sabe muito bem, que a partir do momento que tomar qualquer decisão quanto aquilo não terá mais volta, mas sente-se pronta para isso.

respira mais uma vez, está fazendo muito isso, mas sente que a cada expirada ela perde todo o ar que tem em seus pulmões. Pega o celular e liga para a única pessoa em que confia de olhos fechados e que pode ajudá-la naquela situação, sem fazer muitas perguntas. Ela sabe muito bem que depois daquela ligação, as coisas vão mudar e a investigação tomará um novo rumo. Está arriscando sua carreira que nem havia começado com aquela ligação, mas precisa fazer isso para poder dormir de novo. Ela não se perdoaria se não fizesse isso. quebra todas as regras do departamento quando resolve fazer aquela ligação para tentar intervir em nome de , mas está assumindo essa responsabilidade para si. Um inocente será preso e muito provávelmente condenado por um crime que não cometeu e isso ela não será capaz de suportar. Então telefona para única pessoa que ela confia na vida para ajudá-la em qualquer situação, a única pessoa na sua vida que independente do cargo que ocupa, ela pode confiar além das obrigações legais e de olhos fechados.

— Alô? , tá tudo bem? Alguma novidade na investigação? — A voz dele indaga do outro lado da linha, mais uma vez naquela manhã.

— Vince, eu preciso da sua ajuda.

05

"O ultimo alô é na verdade um adeus. Esqueça aqueles planos eles não são mais seus"(Ligação - Nx Zero)


Comunidade de Preston, Virgínia. Casa da família Ann, 10h23 da manhã:


O dia de investigações segue com e Travis indo falar com os pais de Chelsea Ann, na casa onde a família mora em Preston. Suzy e George Ann são os pais de Chelsea e mais dois irmãos, a família se mudou para a comunidade de Preston quando a menina ainda era criança. Suzy diz aos dois que a menina sempre sonhou em ser líder de torcida, que comprou o primeiro uniforme quando tinha seis anos de idade. O pai George, só sabia chorar e lamentar que a sua garotinha tenha sido brutalmente assassinada daquela forma. George conta a que sua filha sempre fora boa aluna e sempre ficava em primeiro lugar nas competições do time da escola New Preston High School. Suzy conta que a filha era ótima no que fazia, que sempre se destacou entre as outras líderes de torcidas. Travis os questiona sobre o envolvimento de Chelsea com um possível traficante e aquilo os deixa nervosos, os dois alegam que a filha passava por alguns problemas em relação ao próprio desempenho e que sempre se cobrou muito sobre seu corpo, mas que duvidam que a filha estivesse envolvida com um traficante. Suzy diz que nos últimos meses, a filha andou distante, saindo cedo e voltando muito tarde da noite e as vezes passou noites acordada, ensaiando. George diz que chegou a ver Chelsea conversando com um cara suspeito, mas que quando questionou a filha sobre o assunto, ela não quis falar e se trancou no quarto por dois dias. aproveita e questiona os pais sobre os amigos de Chelsea e Suzy diz que a filha era daquelas que fazia amizade fácil, que todos adoravam Chelsea e que a menina estava sempre com as amigas, mas que tinha uma em especial que a filha sempre dizia ser a sua melhor amiga, a sua cara metade. George diz que a menina e a filha eram muito ligadas, que estavam no mesmo time de líderes de torcida e que chegaram a competir pela liderança do grupo, mas a Chelsea ganhou. Questionado também sobre o relacionamento da filha com a melhor amiga, o irmão de Chelsea, Louis, que está com os pais naquele momento diz que a irmã e Naomi Van Ryan eram unha e carne.

Louis diz que Naomi era uma ótima amiga pra irmã, que sempre a incentivou a melhorar e que cobrou muito quando a menina entrou nas crises emocionais, em que se cobrava para ser perfeita. O irmão também conta que as duas estavam na mesma turma do colégio e que namoraram o mesmo garoto. Kirk Finlay, aluno do último ano e astro do time de futebol. O fato desperta a curiosidade de sobre as duas amigas terem o mesmo namorado, e aquilo a fzz questionar mais uma vez o irmão sobre a amizade de Naomi e Chelsea. Louis conta o que sabe e o que a irmã permitiu que ele soubesse, cont também que a irmã estece sim envolvida com um traficante, mas que não tinha sido ele quem a matou. Louis diz que conhece de outras situações e ele não é um cara perigoso, não a ponto de matar Chelsea. Suzy diz que o quarto da menina está do jeito que a filha deixou quando saiu na noite anterior. Louis conta aos detetives que a irmã foi á uma reunião do time na casa da Naomi, e que saiu de casa umas quatro horas da tarde. Travis anota todas as informações que conseguem sobre as amizades de Chelsea, os relacionamentos que ela teve no colégio e sobre a sua família, para que possam ter uma direção naquela investigação.

O quarto de Chelsea é um quarto típico de uma adolescente de dezesseis anos de idade, com pôsteres de bandas de rock e artistas pop pendurados nas paredes. Uma cama de casal com várias almofadas, um computador em uma escrivaninha, vários quadros, medalhas e troféus das competições com os times de líderes de torcida. Chelsea era uma menina organizada, deixava tudo muito bem separado e organizado no armário e nas prateleiras, até nas fotos do mural a organização de Chelsea era perceptível. repara que a menina era bem vaidosa também, já que haviam vários acessórios como, brincos, colares, pulseiras e anéis nas caixinhas em cima da penteadeira. Chelsea era uma adolescente com sonhos, cheia de alegria e muito bonita que teve a sua vida interrompida por um crime brutal e ainda sem explicações.Travis e recolhem tudo que possam catalogar como possível prova na investigação e seguem de volta ao departamento para analisarem o computador de Chelsea atrás de mensagens, e-mails, publicações em redes sociais e no site da escola que possam ter alguma ligação com a menina e aquele caso. Eles precisariam de toda e qualquer prova que conseguissem reunir naquele caso, toda prova é necessária para que eles possam identificar o verdadeiro assassino.


Quântico, Virgínia, 12h36 da tarde:


Ao voltarem para o departamento, é avisada que foi solto e irá responder ao processo em liberdade provisória. A advogada Miranda Kennedy alega, que as provas são circunstanciais e como ele conhecia a vítima, ele apenas se preocupou com o bem-estar da mesma. Miranda Kennedy é a advogada criminalista mais bem requisitada e competente do estado, todo cliente que ela aceita defender ela consegue provar a inocência, não é a toa que tem a fama de "poderosa chefona" no meio criminal. Travis recebe aquela notícia com certa impaciência, ele não está nem um pouco satisfeito com aquele circo que está fazendo. Travis é um cara mais racional e lógico, bem mais que . Os dois são muito próximos, se tornaram amigos durante o curso e se viraram melhores amigos, construindo uma amizade bonita e sólida. Mas nem por isso Travis concorda com tudo que pensa e vice-versa.

recolhe as provas que trouxeram da casa dos Ann e as leva direto para o laboratório, onde serão analisadas e catalogadas. São fotos, os pertences pessoais, roupas, livros, e o notebook de Chelsea, tudo será minuciosamente examinado. Ao entregar as evidências repara que está faltando uma correntinha que Chelsea usa em quase todas as fotos tiradas dela, aquilo lhe traz um incômodo e uma certa pressa em achar aquele perdido. A correntinha parece ser importante pra Chelsea, do tipo que a menina não tiraria assim tão facilmente, o que aponta para o fato de que o assassino tinha levado a corrente como um troféu. A sala de evidência está repleta de informações sobre o caso, sobre Chelsea e a família dela. Fotos da cena do crime são exibidas na tela de projeção e os dois detetives começam a ligar os fatos as provas até então recolhidas.

— O médico legista disse que a Chelsea foi assassinada por volta de 1h e 1h11 da manhã. Ou seja, ela foi assassinada no período de onze minutos. — comenta enquanto lê o relatório do legista.
— E o que mais tem aí? — Travis pergunta.
— Ela foi morta por facadas em ângulos retos. A pessoa que matou Chelsea tem entre 1,65cm e 1,71cm de altura e pelo deferimento das facadas tem entre 48kg e 65kg. O que nos leva a teoria de que não foi .
— É isso é bem importante mesmo. As informações dizem então que o assassino tem praticamente a mesma altura e quase o mesmo peso que a vítima. — Travis diz enquanto olha algumas cenas do local do crime.
— Eu reparei também que sumiu uma correntinha da Chelsea. Nas provas que colhemos na casa dela, ela usava a corrente em quase todas as fotos e ela não está entre os pertences que recolhemos. — comenta e aponta para as fotos do quarto de Chelsea.
— Espero que a gente consiga alguma coisa logo, . Vamos ter que catalogar os amigos da Chelsea e organizar um interrogatório. Todos são suspeitos, inclusive o que mesmo em liberdade provisória, ainda é suspeito.
— Isso é verdade Travis, precisamos ter uma linha de investigação pronta ainda hoje. Temos muito trabalho pela frente, temos que achar o assassino.
— A senhora Ann telefonou, e informou que a cerimônia e o enterro da Chelsea será amanhã as 9h da manhã. — A voz de Vince ecoa assim que sua silhueta alta entra na sala.
— Acho que a gente deve ir, Travis. Geralmente, são nessas cerimônias que o assassino se aproxima da família. — indaga olhando para o parceiro, com um sorriso contente nos lábios.
— Ótima ideia . Acho importante que os dois estejam lá, para apoiar a família Ann e para observar com ainda mais atenção a reação de cada um que estiver lá. — Vince direciona o olhar dela para Travis que assente com a cabeça.

Os dois continuaram arrumando as provas do caso e organizando a lista de testemunhas para o interrogatório. Ter que organizar prova por prova é um desafio enorme para os detetives, eles ainda são novatos e teriam que tomar todo e qualquer cuidado para não deixarem passar nenhuma prova ou detalhe. A carreira deles depende do desempenho de cada um na conclusão daquele caso, e os dois estão dispostos a dar tudo de si para a investigação sair perfeita. Fazem uma lista de nomes que conseguiram com os pais de Chelsea e com o irmão dela, colocando os nomes deles também, pois ainda precisam conversar oficialmente com os pais e o irmão, Louis. organiza as fotos da cena do crime quando sente o celular vibrar no seu bolso e o apito de uma mensagem piscar na tela. Se ajeitando de uma maneira que Travis não repare, ela liga a tela do aparelho. O alerta diz: Mensagem de Vince. Aquela mensagem acalma o pensamento de , por enquanto ela pode enfim focar de novo na investigação sem sentir que seu coração pularia do peito a qualquer instante. Ela pode ficar com a consciência limpa de que fez o certo, ou pelo menos o que ela julga ser o certo.

"Eu fiz o que me pediu em relação ao . Mas, depois vamos conversar bem sério sobre isso. E boa sorte na sua investigação, filha."

06

Atenção: Capítulo narrado em primeira pessoa. Narração do personagem .

"Eu não posso respirar, não posso comer. Então apenas me embebedo até dormir e aceito este preço mórbido.
Mas talvez seja o momento de curar, talvez seja o momento de tentar"

(Maybe it's time – Sixx: A.M)


Tenho algo a confessar.

Nunca fui daqueles que usa os fins para justificar os meios e nem que usa de desculpas para escapar de um conflito, sempre procurei soluções fáceis e que me machucassem menos, o que aconteceu foi que de tanto eu me prender aos meus princípios, acabei por deixar escapar meus sonhos, e deixei de lado todas as minhas expectativas, aquelas que você constrói em cima de um ideal ou de alguém. Quando paro para analisar minha vida, concluo que nada está visivelmente correto, nem mesmo meus sapatos mais combinam com a roupa e ao me olhar no espelho, percebo que até meu reflexo mudou, não me reconheço mais, não reconheço mais nada. Nunca fui forte, e nem nunca fui santo, mas não quer dizer que eu seja uma má pessoa, eu apenas sou prático e isso pode parecer que eu seja frio e egoísta e, é talvez eu seja mesmo. Afinal, depois de tanto a vida te dar tapa na cara, você acaba virando o jogo e se torna aquilo que lhe dava medo, algo bem maior e mais forte do que seus próprios princípios, se torna a vingança particular de um coração amargo. Minha única fraqueza talvez seja um distinto par de olhos castanhos, que andam assombrando meus sonhos e que não me deixam dormir, um tal par de olhos que pertencem a alguém que pode me machucar. Não sou daquelas pessoas que costuma idealizar um sonho, e nem nunca fui a pessoa mais correta do mundo, mas todos meus erros foram calculados e quem sabe, se, eu tivesse uma chance poderia me arrepender de todos eles, ou não. Talvez a minha única certeza é de que hoje, amanhã e depois de amanhã serão dias diferentes, e cada um me reserva uma vida diferente e cabe a mim escolher.

Não reconheço mais o reflexo naquele espelho quebrado do meu banheiro, o meu rosto está pálido e duas olheiras enormes marcam meus olhos. Não é a primeira vez que sou preso, mas dessa vez eu sou inocente e não matei ninguém. Sou um cara perigoso, lido com pessoas perigosas todos os dias da minha vida, mas daí me acusarem de assassinato é outros quinhentos, eu nunca matei ninguém na minha vida inteira. Estar naquela delegacia com policiais me olhando torto o tempo todo, me fez refletir muita coisa que aconteceu em minha vida e me fez repensar todas as escolhas que fiz até o dia de hoje. Minha aparência nunca foi problema em minha vida, mas por causa de todas as minhas tatuagens que eu fui acusado de um crime que não cometi, apenas porque tenho um passado fichado e o corpo todo tatuado. É, o sistema legal é um caralho mesmo.

Minha vida não é um mar de rosas e eu não sou nenhum santo, penso que eu poderia ter seguido caminhos diferentes se não fosse a vida fodida que levo, mas quando se é um garoto órfão de mãe e pai adolescente, tudo que se pode fazer é achar um meio de conseguir dinheiro rápido e fácil. Alisson engravidou quando tínhamos apenas dezesseis anos de idade e quando vi, estava mergulhado em dívidas de hospital, aluguel e ainda tive que lidar com o enterro de minha mãe, que na época foi morta por um ladrão que invadiu nossa casa. Daquele dia em diante, minha vida se transformou em uma montanha-russa de merda e a avalanche de problemas financeiros me atropelou, fazendo com que eu procurasse uma maneira rápida de ganhar dinheiro, então eu conheci o tráfico. Ganhei dinheiro pra caralho, traficando anfetamina e cocaína naqueles primeiros meses, o dinheiro entrava feito água e quando percebi, estava mergulhado de cabeça naquele mundo de grana fácil. As drogas saíam e o dinheiro entrava, mas isso teve uma consequência, pois tudo na vida tem. Quando Maddison nasceu, Alisson simplesmente sumiu e eu tive que criar minha filha sozinho. Foi aí que percebi, que não iria sair daquele mundo do tráfico tão cedo, nem se eu quisesse. Minha filha era recém-nascida, meu pai ficou muito doente e a casa que a gente morava foi colocada a venda, então eu tive que escolher e escolhi continuar traficando.

Anos se passaram, Maddison se tornou uma adolescente maravilhosa e que estuda em uma das melhores escolas primárias da região, tudo isso graças ao dinheiro que ganho e que coloco em uma poupança só dela. Meu pai venceu a doença, casou—se novamente e hoje mora em uma casa própria, que eu comprei pra ele e Maddison morarem. Eu saí de minha cidade natal e vim procurar meu lugar no centro, que é onde tudo acontece e é onde eu posso vender minhas “paradas” de modo que eu garanto uma grana ainda maior. Meu sócio, o “Monkeyman” coloca todo mês na poupança da Maddison o dinheiro que consigo, garantindo assim que ela receba centavo por centavo. Ele também é quem faz a intermediação das drogas até mim, pois assim, eu garanto que não há desvio em minha mercadoria e nem gente me roubando. Nunca conheci outra vida que não essa, mas eu não sou assassino, matar alguém é cruel e desumano demais. Se alguém morreu de overdose por conta das minhas drogas, eu não tô sabendo. Só trafico minhas “paradas” de boas, o que a pessoa faz depois de compra, isso é problema delas, eu apenas trafico o que a demanda pede. Quando mais eu vender, mais dinheiro eu tenho pra mandar pra minha garotinha.

— Pai? — A voz doce de Maddison ecoa do outro lado da ligação.
— Oi meu amor, tudo bem? — Respondo.
— Eu estou bem pai, te liguei pra saber como que você está? — Ela me questiona e eu sinto um arrepio.
— Estou bem filha.
— Tem certeza pai? Estão falando nos jornais que você matou uma menina, isso é verdade? — Escuto sua voz doce se misturando com um choro.
— Claro que não meu amor, o pai não fez nada pra aquela menina. — Garanto a ela, sentindo meu coração apertar.
— Na minha escola, hoje, todo mundo falou que eu sou filha de um bandido. — Ela chora e eu sinto meu corpo doer por inteiro.
— Mads, meu amor, o pai é inocente, eu não fiz nada para ela. — Digo a ela, enquanto soco o granito da pia do banheiro.
— Eu tô triste pai, ninguém na minha escola quer ser meu amigo por causa do que estão falando de você. Eu tentei te defender e um garoto me bateu. — A escuto chorar do outro lado e aquilo bate em mim de uma maneira absurda.
— Não chora meu amor, você tem que ser forte e não pode deixa ninguém te bater por causa dos meus erros. — Saber que alguém encostou um dedo na minha garotinha, faz meu sangue ferver.
— Eu sei que você não fez nada pai, você não é um homem mau, eu confio em você, você é meu herói. — Posso escutar ela dizer com a voz mais calma.
— Isso aí, essa é a minha garotinha. — Consigo abrir um sorriso ao escutar aquilo.
— Quando você vem me ver? — Ela me questiona.
— Assim que der meu amor, por enquanto eu não posso sair daqui. — Encaro meu reflexo borrado no espelho e a respondo.
— Estou com muitas saudades pai. — Ela suspira do outro lado e mais uma vez meu coração se aperta.
— Eu também estou com muitas saudades da minha sunshine. — Continuo encarando meu reflexo naquele espelho velho.
— Mas você vem né pai, promete?
— Prometo, por enquanto tenho que ficar por aqui e conversar com os policiais pra dizer que eu não fiz nada, ok? — Prometo a ela que sussurra um "uhum".
— Ok pai e eu vou tentar não me meter em mais nenhuma briga, eu vou ignorar tudo que falam de você. — Sua voz está mais calma e eu posso sentir que ela está sorrindo.
— Isso aí meu bem, logo o papai vai te ver e vamos matar as saudades. Agora eu preciso ir, você me promete que vai ficar bem?
— Prometo papai, te amo e até mais. Fica bem também.
— Eu também te amo. — Digo e então desligo a chamada, sentindo cada parte do meu corpo se transformando em um único sentimento de culpa.

Desde sempre que eu vivo no limite, esperando apenas que a conta bata a minha porta. E a conta chegou, da maneira mais absurda e brutal que pode existir. Estou sendo acusado de um crime que não cometi, minha cara está estampada em todos os jornais impressos e telejornais, com a manchete mais escandalosa que se pode existir: traficante local mata adolescente para cobrar dívida de drogas. Eu nunca mataria alguém para cobrar minhas dívidas, pois, se teve algo que aprendi esses anos todos como traficante, é que não se paga dívida com sangue, isso atrai olhares curiosos e atrai a polícia. Portanto, tudo que o meu mundo faz, se faz da maneira mais discreta que pode existir, na encolha e sem atrair nada que possa destruir os nossos esquemas.

A imprensa adora categorizar e dar falsas notícias, sempre afim de conseguir as melhores manchetes e achar culpados a todo custo, antes mesmo até da própria polícia ter algum suspeito, a imprensa já tinha estampado a minha cara como um assassino cruel e sem princípios. Da noite para o dia, minha vida se transformou radicalmente e olha que eu não passei nem um dia sob a custódia do FBI. A imprensa conseguiu destruir a minha vida toda em menos de vinte e quatro horas, eu fui levado à delegacia como um traficante e sai de lá sendo comparado aos maiores seriais killers que o FBI já caçou. O que é uma puta de uma injustiça, eu sei dos meus erros e dos meus pecados, mas me acusar de assassinato apenas pelo fato que eu não levo uma vida dentro da lei, é a coisa mais absurda que existe. Ficaram me encarando, fazendo perguntas, questionando minhas relações, como se realmente achassem que eu tinha feito aquilo. Eu sei que esse é o trabalho deles, que eles têm de investigar a todos que possam ser suspeitos, mas ela, ela sabe que sou inocente e mesmo assim, ela me olhou como se eu fosse culpado. Não sei exatamente do que sou culpado, mas com certeza não matei aquela garota, eu nunca matei ninguém na minha vida e não seria agora que começaria. Mas ela estava lá, naquela sala, me interrogando, com a maior competência que sei que ela tem, mas eu pude ler os seus olhos e no subconsciente eu soube que ela confiava na minha inocência. Se tem alguém que pode me inocentar e achar o culpado, esse alguém é , só ela pode acabar com todo esse pesadelo que minha vida se tornou, por causa de acusações falsas e absurdas feitas pela imprensa. Só ela pode me salvar.

Pelo menos, por causa de algum poder cósmico que não sei como explicar, eu consegui a melhor advogada criminalista que existe. Miranda Kennedy, conseguiu que eu respondesse o processo em liberdade e mesmo que tenha sido acusado formalmente, vou poder ficar em liberdade, até que achem o verdadeiro assassino da Chelsea. Eu a conheci, eu era seu traficante, mas nós tínhamos uma ligação, não era só pelos remédios que ela comprava comigo e sim porque, em todo seu jeito ela me lembrava a Maddison. Eu conheci a Chelsea dois meses atrás, quando um garoto do bairro lhe deu o meu telefone e ela me ligou, dizendo que precisava melhorar seu desempenho nos treinos e me questionou se poderia ajuda-lá, eu disse que sim, mas que não iria sair barato. Chelsea disse que dinheiro não era problema e fez sua primeira encomenda, um pacotinho com oito cápsulas de “bromentam”, um poderoso composto que melhora a resistência física e acelera o metabolismo. Ela comprou comigo umas três vezes e depois parou de me ligar, voltando a me ligar três dias antes daquela noite, onde segundo ela, tinha alguém a perseguindo e ela estava assustada e com medo. A Chelsea me perguntou se eu podia ajudar, conseguindo uma arma pra que ela pudesse se defender. Quando ela me perguntou isso, eu prontamente disse que daria um jeito pra conseguir o que tinha me pedido. Chelsea me lembrava muito a Maddison, no jeito, no olhar, ela me lembrava muito a minha filha e talvez tenha sido por isso que eu saí aquela noite para ajudá-la, por que ela precisava se proteger de alguém que a estava perseguindo e na hora eu pensei que poderia ser a Maddison, então por isso eu fui até o encontro dela. Foi por causa do meu instinto paterno que me meti nessa merda toda.

— Agora, a gente precisa montar o seu depoimento. — Miranda olha pra mim e anota tudo que eu digo.
— Será que vai funcionar? — A questiono.
— Vai sim, o importante é a gente construir sua história com a Chelsea e mostrar que você só quis protegê—la. — Miranda ergue os olhos por cima dos óculos em minha direção.
— Eles têm que saber que quando cheguei lá, ela já estava morta e eu só me aproximei para ver se ela estava bem. — Enquanto digo isso a ela, sinto o peso de qualquer culpa que seja, me atingir em cheio.
— Sim, nós vamos repassar tudo e montar seu depoimento. — E você tem que contar tudo, até aquilo que você não ache importante. — Miranda me olha e mostra os registros do meu celular.
— Eu vou contar tudo, pode deixar. — Assinto e ela sorri.
— É meu dever te alertar que a acusação vai vir com tudo pra cima de nós. — Nesse momento, sinto meu corpo todo se contorcer.
— Eu sei disso, estou preparado. — Garanto.
— Eles vão fuçar toda sua vida , vão desenterrar seus piores pecados e vão usar isso contra você. — Miranda indaga aquilo e volta a me olhar.
— Eles podem ir até o inferno, eu não devo nada a ninguém e não tenho nada no meu passado que possa me incriminar.
— É aí que você se engana , eles vão achar algo que possam usar na justificativa de você ter assassinado a Chelsea.
— Eu não matei ninguém, eu sou inocente e vou provar isso a todos. — Me endireito na cadeira e olho para Miranda, que balança a cabeça e sorri.
— Mesmo assim, vou precisar saber de todos os nomes e de cada osso que você tenha enterrado em seu passado.
— Eu não tenho nada a esconder Miranda, o que você quiser saber, eu conto. — Digo isso sorrindo, eu não tenho nada que precise esconder.
— Uma última vez eu vou perguntar, você não tem nada em seu passado que precise ficar enterrado? — Miranda volta a me questionar.
— Não. Eu sou um livro aberto, não tenho que precise ficar enterrado. — Eu até tenho, mas não é algo que vá afetar o meu depoimento.
— Olha, , eu tenho dezoito anos de carreira e já defendi muita gente, de todas as estirpes e culpa. Eu sei que você tem segredos, todos nós temos, mas nesse caso você precisa me contar TUDO, literalmente tudo. Até os seus segredos mais sombrios, só assim vou poder te ajudar. — Miranda ajeita os óculos e segura minha mão.
— Existem coisas Miranda, que aconteceram por ordem do destino e que não coube a mim resolver. — Fecho meus olhos por um instante e suspiro.
— Você está me falando disso? — Miranda me aponta uma folha, onde em amarelo está circulado minhas mensagens de texto.
— Sim. — Respondo ao ver o conteúdo que está marcado.
— O que você me contar , não vai sair daqui, é meu dever como sua advogada manter o que me contar em segredo, vou usar apenas o que julgarmos necessário em sua defesa. — Ela garante e posso sentir meu coração se acelerar.
— Essa mensagem significa muita coisa, mas antes de tudo, saiba que essa pessoa não pode ser envolvida de jeito nenhum.
, a mensagem é bem clara e objetiva.
— Eu sei exatamente o que diz ai, mas ela não pode ser envolvida como testemunha. Eu vou destruir a vida dela se isso acontecer. — Olho para Miranda que me encara com o rosto confuso.
— Esteja ciente que uma hora ou outra, isso vai vir à tona. — Miranda diz a mim, enquanto anota mais coisas em suas folhas.
— Quando for pra isso acontecer, vai acontecer. Mas, por enquanto vamos nos ater a montar meu depoimento. — Peço a ela que sorri concordando.
— Eu tenho certeza de que você é inocente, .
— E como você sabe disso? — A questiono.
— Eu só aceito casos que tenho plena certeza de que o indivíduo é inocente.
— Mas como você pode saber? Em relação a mim, quero dizer. — Eu realmente quero saber como ela chegou até mim.
— A pessoa que me contratou, garantiu que você é inocente e que eu seria a sua melhor escolha.
— E quem foi te contratou? — Volto a questiona-la.
— Isso eu não posso falar, mas a pessoa pagou toda sua defesa e me forneceu todos os recursos necessários pra usarmos em sua defesa. — Ela me responde e volta a olhar os papéis que trouxe.
— Então, vamos começar a montar esse depoimento logo. Quanto antes a gente conseguir provar minha inocência, melhor vai ser.
— O Jhonny, vai digitar tudo o que você me contar e depois você assina. — Miranda chama seu assistente.
— Certo, vamos lá então. — Respondo e então o Jhonny começa a digitar meu depoimento.

Saio do escritório de Miranda Kennedy, com um fio de esperança crescendo em me peito. Não sei quem foi o anjo que pagou a minha defesa, mas sei que foi uma ótima escolha mesmo, ela é de longe a mais competente advogada criminalista que conheci, ela sabe como te orientar e como aconselhar sobre os principais pontos de um processo. É inevitável, eu fui intimado e vou responder aquele processo, pois, segundos eles, eu sou o único suspeito cabível naquele momento. Pura ladainha da polícia, eles têm o suspeito perfeito e vão usar de tudo para acusar desse crime horrível. Mas, se tem uma coisa que eu não vou deixar acontecer, é isso, eu não vou deixar me acusarem de algo que não fiz, não dessa vez. Tenho uns favores para cobrar e se tudo der certo, vou achar quem matou a Chelsea e entregar o verdadeiro culpado a polícia. Assim vou garantir a minha inocência e quando isso acontecer, vou exigir que me peçam perdão em público, com certeza eles vão me pagar por cada minuto em que eu fui acusado injustamente. Se tem uma coisa que essa merda de acusação não vai me tirar, é o resto de respeito e integridade que eu ainda tenho. Eles não vão usar o meu passado contra mim, não vão tirar tudo que eu escondi a vida toda pra usarem em uma acusação que não tem sentindo algum. Eu tenho muitos amigos, aos quais me devem favores e agora que estou precisando, eles todos vão ajudar a provar minha inocência e limpar meu nome em cada jornal dessa maldita cidade.

Eles podem saber que eu já fui fichado por agressão, que fiquei preso por seis meses e depois paguei a pena com serviço comunitário, mas isso não vai servir de nada, uma vez que eu paguei minha sentença e ainda sai de lá com uma menção honrosa. O infeliz que eu arrebentei a cara, era um merdinha que passou a mão na Alisson, ele invadiu o banheiro feminino e tentou encurralar a minha namorada, então eu o esperei na esquina do colégio e lá eu destruí a cara do bonito. Com certeza ele deve ter cicatrizes do meu soco inglês até hoje, marcando aquela carinha pra sempre. Ele apanhou por que mereceu, e eu faria de novo, mil vezes se tivesse a chance. O filho da puta, simplesmente achou que podia mexer com a minha namorada e sair de cara limpa, mas é claro que não, então ele mereceu cada soco que levou. O problema é que o cara, era filho de um policial, então assim que eu terminei de quebrar ele, a viatura encostou e eu fui preso em flagrante. Fui fichado por agressão com atenuante em tentativa de homicídio, uma vez que ele foi para o hospital e ficou internado por meses.

Não me arrependo de nada que fiz, mas ele me deu motivos para agredi-lo e eu faria de novo, mas isso não tem nada a ver com o assassinato da Chelsea. Bater em alguém que assediou minha namorada foi uma coisa, agora matar uma adolescente a facadas, sem motivo nenhum aparente são outros quinhentos. Porém, eu sei que vão usar isso na minha acusação, vão dizer que tenho histórico violento e posso muito bem ter matado ela, uma vez que eu quase matei um garoto em um "surto coletivo" de raiva. Por isso, vou cobrar todos os favores que me devem e usar disso para provar que sou inocente, pelo menos da acusação de assassinato, por que eu sou culpado, de muitas coisas, mas não de matar a Chelsea. Nisso eu sou inocente e vou mover céus e o inferno, para provar que não matei ninguém.

A luxuosa casa de Stefan Rizzo, fica na mesma rua que me lembro, segunda casa a esquerda, grades brancas e uma enorme porta frontal em madeira de pinheiro. Rizzo e eu temos uma história longa, que vem de anos atrás, então ele é o cara perfeito para fazer o serviço que preciso. Nós nos conhecemos quando ele veio da Itália para os Estados Unidos, fugindo da máfia. Aqui, ele construiu sua própria gangue e hoje é o líder dos "Sons of Chaos", uma gangue que lida com os piores tipos de gente que se pode encontrar pelas ruas da Virgínia. Três anos atrás, Rizzo se meteu com um pessoal barra pesada e eu o livrei da cadeia, fazendo com que o carregamento dele de cocaína chegasse inteiro ao outro lado da fronteira. Fora a vez que eu salvei o filho mais velho dele, Joaquim de ser morto por uma gangue rival, ou seja, o Rizzo me deve alguns favores e a hora de cobrar, chegou. Rizzo trabalha com os caras mais competentes e leais que existem, os capôs dele conseguem o que você pede, ou seja, são os caras perfeitos para o que preciso. Quanto antes eu começar a investigar, mais rápido vou provar minha inocência e recuperar minha vida.

A casa dele é uma das mais luxuosas e exuberantes do bairro, ele a conseguiu devido ao dinheiro que ganhou ao longo da vida, com o tráfico de drogas e os cassinos clandestinos. Adentro pelo enorme jardim da casa e caminho até a enorme porta frontal, analisando cada detalhe daquele jardim. Ele adora a exibição de seu poder, enquanto eu gosto da discrição. Mesmo com nossas diferenças, estamos sempre nos ajudando, um pelo outro. Rizzo me adotou como da família, então ele sabe que se eu precisar de eu ajudar eu vou procura-lo e aqui estou agora, tocando sua campainha o esperando me atender. Todo cuidado agora é pouco e eu preciso de cada um daqueles que podem me ajudar.

— Quanto tempo hein, ? — Rizzo atende a porta e me dá espaço pra entrar.
— Eu vim porque preciso de ajuda. — Confesso e olho pra ele, que sorri.
— Vamos conversar lá em cima. — Ele aponta a escada e subimos.
— Rizzo, eu disse que quando precisasse de ajuda, eu viria e aqui estou. — Digo a ele, assim que entramos em uma sala meio escura.
— Estou sabendo, sua cara está estampada em todos os jornais sensacionalistas dessa cidade. — Rizzo diz e nos serve uma dose de uísque.
— Eu sou inocente e é por isso que estou aqui. Preciso de ajuda, preciso que os seus caras investiguem pra mim. — Pego minha dose de uísque e me sento em uma de suas cadeiras luxuosas de veludo azul.
— Claro meu irmão, nós, os Sons of Chaos, iremos ajudar no que você precisar. — Rizzo toma sua bebida e sorri.
— Eu tenho uma advogada, Miranda Kennedy, ela é excelente, mas eu preciso de mais ajuda pra provar minha inocência. Só a ajuda dela não é suficiente. — O encaro por cima do meu copo.
— Miranda é uma das advogadas mais influentes do país, você tem uma arma poderosa nas mãos, . — Rizzo se recosta em sua cadeira e me lança um sorriso torto.
— Tenho mesmo. Mas como disse, só a ajuda dela não me é suficiente.
— Paolo, Luigi e Guilhermo vão lhe ajudar. Por onde podemos começar? — Rizzo me questiona.
— Pela comunidade Preston, a Chelsea era de lá e provavelmente foi morta por alguém que ainda mora na região. — Nós nos encaramos e ele chama que seis capôs entrem na sala.
— E qual a sua relação com ela, ? — Ele volta a me questionar.
— Eu vendi remédios controlados pra ela, mas também prometi uma arma pra ela se proteger de um perseguidor. Eu quis ajudar, somente isso. — Respondo a ele, que cruza as mãos sob a mesa e me encara.
— Meu deus, , quantas vezes eu te disse pra não se envolver com os clientes? — Rizzo me encara e espera alguma explicação.
— Eu não estava envolvido, não do jeito que pensa. Por deus, Rizzo, a menina tinha dezesseis anos, quase a idade da Mads. — Explico a ele que por um instante sorri de lado.
— Bom, se você me diz que não teve nada com a garota, eu acredito. — Ele me estende um cigarro que eu aceito de bom grado.
— Você disse que ela tinha um perseguidor? Explica mais sobre isso. — Rizzo me questiona outra vez.
— A Chelsea me ligou algumas vezes, dizendo que estava com medo e que alguém a perseguia, ela disse que sentia alguém a espionando e ela estava apavorada, aí me pediu que conseguisse uma arma pra ela. — Explico novamente e me recosto na cadeira.
— Isso já é um bom começo, , os meninos irão começar a investigação assim que você permitir. — Rizzo traga seu cigarro e sorri a mim.
— Outra coisa, toda e qualquer prova que for obtida, deve ser entregue a duas pessoas. A primeira é a Miranda, e a outra pessoa é essa aqui. — Pego um pedaço de papel e anoto um nome, endereço e telefone.
— Certo, , os meninos irão tratar disso pra você. — Rizzo se serve de mais uma dose e me oferece também.
— Tudo tem que ser feito com a maior discrição possível, Rizzo, sem alarde e sem ninguém morto. — Eu peço a ele que concorda.
— Iremos cuidar disso pra você, , você sabe que cuidamos dos nossos.
— Tudo precisa ser enviado anonimamente, principalmente pra segunda pessoa que citei. — Me inclino sob a mesa e aponto o nome escrito.
— Certo, iremos fazer do jeito que você nos pediu, . Você estará livre o mais rápido possível. — Rizzo sorri e me estende a mão.
— Me mantenham informado de tudo, por favor. — Aperto a mão de Rizzo e sorrio.
— Deixa com a gente, meu amigo. Os Sons of Chaos irão ajudar em tudo que precisar.
— Por enquanto, vou tratar de proteger meu pai e a Mads. Nesse momento, eles precisam ser protegidos dos possíveis ataques que vamos sofrer. — Soltamos as nossas mãos e continuamos a conversa.
— Se quiser, podemos tratar disso também. — Rizzo oferece e aquilo acalma meu coração, que bate acelerado.
— Se for possível, eu agradeço. — Volto a me sentar.
— As mulheres da família Rizzo, são ótimas protetoras. Vou ligar para Pauline e Lenita, elas irão ajudar. — Rizzo pega o telefone e disca alguns números, segundos depois ele desliga e olha em minha direção. — As duas estão a caminho de sua casa. Como eu disse, meu amigo, nós cuidamos dos nossos por aqui. — Rizzo sorri outra vez.
— Muito obrigado, de verdade. — Apenas agradeço e tomo mais um gole de uísque.
— Sugiro que vá ver sua família agora, assim que os meninos tiverem mais notícias, entraremos em contato. — Rizzo orienta que os capôs sigam para Preston e comecem a investigar pela vizinhança de Chelsea.
— Obrigado, de novo. Nos vemos em alguns dias. — Aperto outra vez a mão de Rizzo, que em seguida me conduz até a porta de sua casa.

Assim que Rizzo orientou Paolo, Luigi e Guilhermo, a irem até Preston e começar a investigação, eu pude respirar aliviado pela primeira vez naquelas últimas vinte e quatro horas. É muito bom saber que pelo menos dessa vez, eu terei a ajuda necessária para provar que não fui eu quem cometi aquele assassinato horrível. Saí de lá com um novo fio de esperança nascendo em meu peito, podendo assim pensar no meu próximo passo. Não posso simplesmente abaixar minha cabeça e deixar que me acusem de algo que não fiz, dessa vez eu não serei o bandido da história, pelo menos não por enquanto. A caminho da casa do meu pai, um jornal em uma banca chama minha atenção, a página diz que o enterro da Chelsea irá acontecer na segunda, às 9h da manhã. Eu sei que é arriscado, mas eu preciso ir até esse enterro, preciso estar por perto daquela família que de uma certa forma eu machuquei e muito. Não fui eu quem matei a Chelsea, mas eu vendi remédios a ela, remédios esses que poderiam acabar com sua vida muito antes daquelas facadas. Portanto, eu estarei lá, eu estarei presente no funeral dela, eu devo isso a ela e principalmente a mim, eu preciso achar um meio de me perdoar de todo mal que causei aquela família.

Eu posso não ter dado aquelas facadas que a mataram, mas também não consegui proteger a Chelsea do perseguidor dela e talvez se eu tivesse chego antes ao seu encontro, ela ainda estivesse viva agora e eu poderia ter ajudado com seu perseguidor macabro, porque provavelmente, foi ele quem a matou. Se naquela noite, eu não estivesse tão ausente dos meus negócios, perdido naquele sonho maravilhoso que eu estava vivendo com o meu celular desligado, perdido totalmente no tempo, uma vez que tanto esperei aquele momento, mas não, naquela noite eu fui totalmente egoísta e pensei somente em viver aquele momento. Talvez se eu tivesse com o celular ligado e atendido as duas ligações perdidas, hoje uma garotinha estaria viva e salva. Mas, não foi isso que aconteceu e agora tudo que posso fazer, é tentar consertar meus erros, pelo menos alguns deles.

À noite, depois de visitar o meu pai e garantir que ele e Maddison estão em segurança, eu voltei para o meu apartamento e fiquei encarando as fotos que tirei aquela noite me meu apartamento, querendo voltar no tempo para consertar tudo. Eu mudaria tudo que aconteceu aquela noite, menos uma e talvez a mais importante de todas. Eu passei as últimas vinte e quatro horas como se fosse um furacão e não parei um minuto, correndo atrás do que pode me inocentar e estava tão apressado em conseguir isso, que nem tive tempo de pensar em tudo que aconteceu naqueles seis meses. Aquela noite em especial, está registrada em fotos para que eu possa me lembrar de tudo que mal tive e já perdi, para que eu me lembre daquilo que eu não posso ter, nunca. Estar sozinho na imensidão do meu apartamento, me causa alguns arrepios, odeio o fato de morar sozinho e ter um apartamento gigantesco desse jeito. Acho que na quarta, vou me mudar pra casa do meu pai e assim fico mais perto dele e da Mads, preciso começar a pensar no que vai acontecer agora que eu fui indiciado por assassinato.

Agora as coisas vão ficar difíceis pra caralho e eu preciso manter a discrição, ficar perto da minha família e focar na minha defesa. Só assim vou conseguir passar por toda essa merda e sair vivo, pois, se tem algo que vai acontecer se eu não tomar providências agora é que vou ficar louco, se eu permanecer aqui sozinho. Horas mais tarde eu acordei com meu corpo tremendo, culpa dos pesadelos que tive a noite toda. Meu corpo todo está suado e eu estou com o coração batendo rápido, no sonho, um homem corre atrás de mim em um beco escuro, em seguida, vejo um flash de luz no meu rosto e então eu acordo, suando e tremendo. Nunca tive pesadelos antes em minha vida, mas nesse momento, os pesadelos são justificáveis, uma vez que estou apavorado com tudo que está acontecendo. Nunca achei que as minhas escolhas de vida, me trariam pesadelos alguns dias. Jamais senti tanto medo assim em minha vida, não como o medo que estou sentindo agora, que me deixa assustado e me faz ter pesadelos a noite.

Os pesadelos me fazem lembrar da Maddison, quando ela era pequena, ela tinha pesadelos recorrentes, com o monstro do armário e não dormia com as portas abertas. Ela vinha ao meu quarto e dormia agarrada comigo, foi assim durante anos, até que o medo dela passou e ela conseguiu voltar a dormir sozinha em seu quarto. Eu sinto tanta falta da minha filha, de estar com ela, de abraça-la e de dormir com ela quando está com medo. Sinto falta do sorriso doce e inocente que ela tem, sinto falta de ouvir a sua risada. Mads, é o meu maior tesouro e talvez a única coisa boa que eu fiz nessa minha vida de merda. Eu me odeio por ter a deixado com meu pai, uma vez que eu precisei me mudar para garantir o futuro dela, mas mesmo assim eu ainda sinto sua falta, todos os dias. Quando ela me ligou e disse que estavam a aterrorizando por causa de quem eu sou, eu senti uma enorme vontade de quebrar alguma coisa, meu sangue ferveu e por um minuto eu fui tomado pelo sentimento de culpa e raiva. Eu amo tanto aquela garotinha que nem sei explicar com palavras, a amo desde o dia que ela nasceu, mesmo que eu ainda fosse um adolescente e sem nenhuma perspectiva de vida. Desde que soube que Alisson estava grávida, eu amei a minha filha, amei com todas as partes do meu corpo e ainda amo, talvez mais do que já amei antes.

Quando Alisson engravidou, nós éramos dois adolescentes que nem o ensino médio ainda tínhamos terminado e eu sei que aquilo nos pegou de surpresa, mas eu nunca deixei de amar a minha filha, nem por um segundo. Eu sei que para a Alisson foi diferente, ela não estava preparada para a maternidade, quando a ficha caiu de que aquilo era real e ela seria mãe, ela nos deixou e foi embora. Eu não a culpo, eu nem poderia culpar, a maternidade na adolescência não é pra qualquer pessoa, ainda mais para Alisson, que sempre fora uma menina que queria conquistar o mundo. Eu, por outro lado, assumi meu papel de pai e dediquei todos os dias da minha vida em amar e cuidar da minha pequena Mads, garantindo a ela que nunca falte amor, carinho, proteção e segurança.

Pela minha garota, eu sou capaz de qualquer coisa, não vou deixar nada a atingir e nem vou deixar que ela pague pelos meus erros. Por isso que é tão importante provar que sou inocente, porque não é só por mim e sim pela minha filha, que não merece ter seu nome manchado por algo que eu não fiz. Minha inocência precisa ser provada, para que garotas como a Maddison e até como a Chelsea não fiquem marcadas por erros que os adultos cometem. Achar aquele perseguidor da Chelsea, acaba de se tornar a minha missão, neste momento tudo que farei agora, é me dedicar a achar quem estava perseguindo aquela pobre menina e que agora pode estar atrás de outra. Tenho que acha-lo, a todo custo, pois só de pensar que poderia ser com a minha filha, faz o meu sangue ferver outra vez. Não posso deixar que isso aconteça com mais ninguém.

Quem matou a Chelsea com certeza ficou por lá e me viu chegar, aí então ligou para polícia e me denunciou, já que eu seria o alvo perfeito para ser acusado daquele crime. Quem fez isso, deve estar se divertindo nesse momento, achando que o acusado foi preso e será condenado. Então amanhã, quando eu estiver no enterro da Chelsea, irei analisar, rosto por rosto, até achar quem fez isso. Se tem algo que é certo, é que o verdadeiro assassino estará lá e bem provavelmente estará apoiando a família dela. Eu sou cachorro criado e sei identificar alguém culpado de longe, se teve algo que aprendi esses anos todos em que estive vivendo no meio do crime é, sempre desconfiar de tudo e todos ao seu redor.

Vou confiar no meu olhar clínico e vou achar quem fez isso.

Tateio a cama e alcanço meu celular. Na tela, disco os números da minha filha. A chamada cai na caixa postal, mas eu deixo um recado.

"Oi, sunshine, é o papai. Estou ligando pra dizer que depois de amanhã, eu estarei com você pra gente matar as saudades. Boa noite e boa aula, papai te ama."

Desligo a chamada e volto a me deitar, tentando dormir de novo, naquela noite aterrorizante.

07

"Me fale que eu sei, eu vivi tão amedrontado e ainda nós choramos sozinhos.
Com palavras partidas não ditas e todos nós morremos jovem"

(We All Die Young – SteelHeart)

Cemitério Saint Mary, Virgínia. 9h20 da manhã:


As folhas balançam de um lado ao outro, mostrando assim que o tempo esta para mudanças naquela tarde. As pessoas que ali estão, não sentem outra coisa que não seja o sentimento de perda e é assim que a família Ann se apresenta diante de todos. O cemitério Saint Mary foi o escolhido para realizar o funeral e o enterro de Chelsea Ann. As pessoas caminhavam ao lado do caixão, que era levado pelo pai da menina, juntamente com os irmãos e primos. As mulheres da família, seguram seus lenços e choram sempre que olham para o céu e encaram o sentimento de que perderam sua garotinha. O Pastor Donald, é o pastor da comunidade e por isso foi o escolhido para dizer as últimas palavras de despedidas a pequena Ann. No céu e nas árvores o tempo anunciam um ciclo que começa a se fechar, para que outro possa se iniciar. A família e amigos estão todos em peso naquele dia, todos choram suas dores, enquanto se despedem da luz de suas vidas.

Como já era esperado, e Travis também estçao por lá em meio as pessoas, trazendo seus pêsames a família, chorando a perda de Chelsea, mas também estçao investigando cada um deles. esta com os pais de Chelsea, enquanto Travis se mistura ao resto dos familiares ali presentes. Estão segurando a mão daqueles que não conseguem parar de chorar, quando uma cena pouco comum chama não só as suas atenções, mas a de todos os presentes. Ao final do caminho até a lápide de Chelsea, um grupo caminha lentamente até eles. Vestindo seus graciosos uniformes vermelhos e pretos e segurando os pompons da mesma cor, as meninas do Red Velvet os agraciam com sua presença estonteante e mórbida. A frente delas, Naomi Van Ryan caminha com toda sua beleza vívida, enquanto veste o uniforme de Chelsea em forma de protesto e despedida ela segue até os familiares e os investigadores que analisam cada passo seu. Naomi para no meio do caminho e então uma música começa, ela canta a música favorita da amiga em forma de coral e aquilo faz com que todos os presentes iniciem um choro inquietante. Aquela foi de longe a mais bonita e mais esquisita homenagem que e Travis já vivenciaram em suas vidas.

Ao lado das Red Velvet, os meninos do time de futebol também vestem preto e carregam buquês de rosas negras em forma de despedida. É tudo muito bonito e mórbido ao mesmo tempo, foi o que e Travis pensaram ao analisarem aquela cena. A Família Ann esta desolada e Suzy Ann não consegue parar de chorar com todas aquelas homenagens para sua menina. Naomi deixa que as meninas façam suas despedidas e caminha até Suzy, segurando sua mão ela fica ao lado da mãe de Chelsea, enquanto também se despede de sua melhor amiga. As Velvet e os meninos do futebol, jogam suas rosas sob o caixão de Chelsea e então formam uma fila, para que o pastor Donald possa ler os versículos da bíblia que foram selecionados para aquela ocasião.

e Travis estão parados em pé atrás de todos, enquanto analisam cada um que se aproximava da família Ann para darem seus pêsames e jogarem suas rosas. Aquele era o momento perfeito para que eles pudessem achar alguém que fosse remotamente suspeito, uma vez que o “descon” sempre se aproxima da família da vítima em alguma ocasião durante a investigação. O enterro de Chelsea era o espetáculo mais sombrio que os dois já puderam presenciar em suas vidas, portanto, eles não podem descartar nenhuma pessoa por enquanto. Travis resolve ir se misturar com o time de futebol, para analisar melhor os garotos do time e em principal o astro em campo, Kirk Finlay. se esguia entre os familiares e vai até os pais de Chelsea, ficando assim próxima a Suzy e a melhor amiga, Naomi. Os outros policiais que estão junto a eles, se espalhão entre as pessoas para poderem investigar melhor. Assim como Vince os alertou, aquela ocasião era perfeita para que não só o suspeito aproveitasse para se aproximar, mas sim o verdadeiro assassino.

sabia que era inocente, mesmo que não pudesse dizer isso oficialmente. Portanto, ela sabe que o verdadeiro culpado esta ali entre eles, de alguma forma ela sabe que algum deles foi quem cometeu aquele crime brutal contra a menina Ann. Os irmãos de Chelsea, Louis e Edward, choram sem parar enquanto ouvem as palavras do pastor Donald sobre sua irmã. Durante a investigação, reuniu todas as informações sobre os irmãos e primos da família Ann e nos arquivos recolhidos, mostravam que os irmãos Ann eram alunos exemplares, tinham um histórico de boas notas e ótimo comportamento escolar. Louis esta na equipe de corrida do colégio e Edward é o presidente estudantil, todos estudam no mesmo colégio de Chelsea, mas parecia que a única incomodada com os irmãos chorando, é uma garota loira das Red Velvet. A garota esta pendurada no pescoço de Kirk Finlay, seus olhos expressam tédio e irritação, enquanto o próprio Finlay parece estar bem desolado com a morte da colega.

Cada reação deles fora gravada e analisada pelos investigadores, toda e qualquer reação adversa ao sentimento de tristeza e perda, seria levada em consideração para que achassem o assassino. Eles foram instruídos a analisarem cada passo e cada reação para que pudessem seguir com a linha inicial de investigação, onde o verdadeiro assassino era alguém próximo da vítima, devido a intensa gravidade em que as facadas foram deferidas contra a vítima. Levando em consideração o laudo do legista, onde foi dito que o possível assassino tinha a mesma altura que a vítima, os jogadores do time de futebol, as Red Velvet e os amigos e primos de Chelsea eram suspeitos, ou seja, todos que estavam em seu funeral.

Enquanto o pastor Donald declamava as palavras que foram escolhidas para a despedida de Chelsea, todos fazem suas últimas homenagens antes do caixão ser finalmente descido em sua lápide. percorre com os olhos mais uma vez em todos os presentes, mas é algo ao fundo e isolado que chama sua atenção. Parado entre algumas árvores afastadas, sob a sombra de um pinheiro, a silhueta masculina se esconde atrás das folhas e olha diretamente para onde ocorre o enterro de Chelsea. Com os óculos Rayban aviador sob a cabeça e as mãos nos bolsos da calça, ele analisa cada passo dos que estão ao redor do caixão. respirafundo e percorre o lugar para ver se mais alguém reparou naquela presença, mas somente ela tinha reparado no homem escondido e afastado.

Por um minuto olha para Travis, que esta ocupado demais conversando com um dos jogadores do time de futebol. Levanta-se do lado de Suzy Ann e se afasta entre as pessoas, tomando cuidado para que não fosse notada, ela caminha lentamente em direção aquele homem. Reconhece aquela silhueta até mesmo no escuro e a quilômetros de distância, só não imaginou que fosse vê-lo assim tão rápido, pelo menos não depois dos últimos dois dias conturbados que ele tivera. Com a cabeça levemente abaixada, ela caminha até ele, enquanto um sorriso discreto cresce em seus lábios e seus pensamentos pregam mais uma peça, ela chega até ele. O homem desvia o olhar do enterro para ela que sente o corpo todo tremer, com apenas um olhar ela sente que vai se desfalecer em pedaços. para ao seu lado, escondida também entre as folhas que caíam pelos galhos da árvore, ela coloca sua mão sobre o ombro dele e então suspira. Achou por um momento que estarva sonhando, mas quando o toca, ela sente a realidade bater em seu corpo.

— Você não devia estar aqui, . — diz e os olhares deles se encontram.
— Mas eu estou aqui, mesmo de longe eu quero dar meus pêsames a família. — indaga enquanto olha atentamente o caixão de Chelsea ser descido.
— A polícia de Preston está em peso aqui, . É perigoso que você fique aqui. — o alerta.
— Eu sei disso, mas estou bem afastado de todos e não pretendo ficar muito. Além do mais, os seus policiais parecem estar bem ocupados por enquanto. — sorri enquanto diz aquilo.
— O que você está fazendo aqui, realmente? — o questiona.
— O mesmo que você detetive, estou investigando. — A voz de ecoa pelo ar até os ouvidos de Chelsea, que volta a prestar atenção em seu rosto.
— Não acha que isso é trabalho para a polícia e o FBI? — Ela o questiona, enquanto repara os olhos dele focando em algum ponto a sua frente.
— Eu acho que vocês deveriam prestar mais atenção no que estão vendo. — indaga a ela, os olhos dele ainda estão fixos no ponto a sua frente.
— Como assim? — o questiona em um tom um pouco mais irritado.
— Por exemplo, vocês deveriam ter reparado que o menino loiro no canto esquerdo, troca olhares com o Finlay de cinco em cinco segundos. A morena no final da fila, mexe no celular sem parar e a loira ao lado do Finlay, não para de mexer as pernas desde que se sentou. O outro garoto, o moreno de barba e a ruiva do meio, não olharam em nenhum momento para os pais da Chelsea. — explicou a , enquanto seus dedos apontavam cada um.
— E o que isso lhe diz, detetive? — Ela brinca com ele e os dois riem.
— Que existem segredos, muitos segredos entre as líderes de torcida e os jogadores do time de futebol. — olha para ela e por um instante seus olhos se cruzam.
— Eu reparei na loira que você disse, ela aparenta estar bem entediada por aqui e para um funeral de uma colega, ela devia estar bem mais triste. — suspira e volta a olhar para frente.
— Contudo, eu acho que você devia voltar sua atenção para outra pessoa, . Lembre-se que nem todos os lobos tem dentes caninos aparentes.
— Do que você está falando? — Ela volta a questiona-lo.
— Preste mais atenção, preste atenção nela, . — aponta com o dedo, uma certa morena entre todas as Red Velvet.
— Ela, quem? — o questiona em função de confirmar.
— Preste mais atenção em Naomi Van Ryan, detetive. — confirma a quem se refere. Seus lábios formam um sorriso torto e ela apenas assente com a cabeça.
— E o que te leva crer que ela é uma suspeita? — o questiona mais uma vez.
— Ela me incomoda, o pouco tempo que estou aqui a observando me causou certo desconforto. — volta a colocar as mãos no bolso e se vira para encarar o rosto de .
— Vou me atentar mais nisso então. Obrigada pela conversa, . — Ela esboça um sorriso torto e os olhos dele vão direto aos seus lábios.
— Você não ouviu por mim, mas extra oficialmente, a Chelsea tinha um perseguidor. — diz e desvia o olhar dos lábios dela para outro ponto.
— E como que você sabe disso? — Ele se sentiu em um interrogatório e riu com aquilo.
— A Chelsea me disse, alguns dias antes de ser assassinada ela me ligou e pediu ajuda. — Ao dizer aquilo, sentiu algo dentro dele se remexer.
— Você precisa contar isso oficialmente, . É uma informação importante. — colocou novamente a mão em seus ombros.
— Eu contei isso pra você, pra você usar isso em sua investigação. — pousa a sua mão sob a dela e suspira.
, você precisa me contar tudo que sabe sobre a Chelsea e sobre esse perseguidor. — Ele escutou aquelas palavras e em segundos avistou uma figura masculina caminhando até eles.
— Eu preciso ir agora, , você sabe o que fazer com as informações que lhe dei. — aponta para Travis que estava quase os alcançando e se afasta de .
— Espera ... — A voz de saiu abafada, mas ele já estava longe demais.
— A gente se vê por aí, .

A voz de também ecoa abafada entre as árvores até chegar aos ouvidos de , que se arrepia toda ao vê-lo entrar em um carro e sumir de seu campo de visão. Ao avistar Travis chegando perto de onde esta, se encolhe toda e olhapara o parceiro e melhor amigo, ela não podia contar sob aquela conversa, mas com certeza ele iria perguntar. No céu, uma leve garoa começa a anunciar que o tempo está virando e em breve o céu de Preston iria conhecer os poderes de uma turvuosa tempestade. ajeita em seu corpo a jaqueta impermeável que esta usando e em segundos a chuva desaba sob sua cabeça, ao mesmo tempo que Travis chega ao seu lado. Os pingos da chuva caem sob a beirada dos capuzes de suas jaquetas, enquanto os lábios de Travis formam um sorriso torto e curioso, que era direcionado a . O detetive se encolhe todo e leva as mãos ao bolso, enquanto encara o rosto molhado de o olhar com certa inquietação. Ela ainda esta em êxtase com a conversa que tivera a pouco, sente seu corpo todo tremer com aquele pequeno momento que tiveram, os dois precisavam de mais, aquilo era como uma droga que uma vez injetada em seu organismo, causava dependência mútua e que não havia como parar.

Travis encara a silhueta de movimentar-se inquieta de um lado a outro de forma estranha e envolvente, durante a tempestade que se foma no céu o sorriso nos lábios da colega lhe chama a atenção. A tempestade no céu anuncia o fim daquele funeral torturante, fazendo todos se dispersarem entre os pingos pesados que caem sob seus corpos. A família Ann segue um caminho que leva de volta a comunidade Preston, enquanto as Red Velvet e o time de futebol seguem o caminho contrário. e Travis continuam ali por mais alguns segundos, observando atentos todos que vão embora. Àquela hora das despedidas dos amigos e familiares poderiam revelar muitas coisas, porém o que mais chamou atenção de Travis, foi o homem que conversava escondido com e o porquê daquilo parecer tão secreto, foi o que lhe fez mudar a atenção dos garotos do time de futebol para a colega detetive. Que segredos ela escondia? — foi isso que ele se questionou ao presenciar aquela cena tão incomum.

Travis observa aquela cena por alguns longos segundos, mas esta longe e, portanto, não pode identificar ao certo o homem com que sua parceira tanto conversa em segredo. O que observou era que o contato entre eles fora mínimo, que os dois não mantiveram contato visual e atentou que ele estava escondido entre os galhos caídos das árvores, ou seja, ele não queria ser descoberto. Pelo menos não por todas as pessoas, talvez ele quisesse ser descoberto somente por uma pessoa e isso deu certo, uma vez que estava ao seu lado, prestando atenção em cada palavra que ele dizia. Por um momento, Travis sente ciúmes daquele clima de segredos que os cercam, mas como ele esta ali para investigar um assassinato, aquela cena pareceu bem suspeita aos seus minuciosos olhos de detetive. Os segredos que sua parceira tentava esconder, poderiam ser poderosos e reveladores naquele caso tão intrigante do assassinato de Chelsea Ann. Enquanto caminha até , ele trava uma sentença dentro de si, irá descobrir os segredos que atormentam sua parceira, por mais que isso fosse acabar com o brilho daqueles olhos lindos, o que ela esconde é nebuloso demais e parecia estar a desfalecendo em pedaços. Talvez ela estivesse gritando que precisava de ajuda, ou talvez ele apenas tenha se enganado e mais uma vez, ele estava indo para caminhos que o levariam direto ao abismo.

— Quem é o cara que você tava conversando, ? — Ela escuta a voz do parceiro sair abafada entre os pingos de chuva.
— Isso é assunto meu, Travis. Ele é meu informante. — expressa certa irritação aquele questionamento de seu amigo.
— Eu não quero me meter, mas vocês pareciam estar se escondendo. Sei lá. — Ele sacode os braços e olha atentamente para ela.
— Então não se meta, Travis. Eu cuido disso, vamos focar na investigação que é o que viemos fazer aqui. — ajeita sua jaqueta e o encara.
— Tudo bem, eu não toco mais nesse assunto já que insiste. — Travis concorda e um sorriso torto se forma em seu rosto.
— Obrigada. — É tudo que diz.
— O laboratório acabou de me ligar e eles terminaram a análise do computador da Chelsea. Vince está nos esperando, ansioso e nervoso. — Travis informa aquilo a ela, que prontamente se ajeita para irem embora.
— Então vamos logo, estamos esperando o que? — Ela o questiona e passa por ele, caminhando até o carro deles.
— Você que manda, detetive. — Travis coloca a mão nos bolsos e caminha ao lado dela.

A tempestade que caí turvuosa pelos céus aquela manhã, anuncia que tempos sombrios estão se iniciando e a investigação do FBI e da polícia local está ameaçada por tudo que poderiam descobrir ao longo do caminho. escondia de todos os seus motivos, enquanto tentava passar pelos seus maiores medos e pesadelos durante aquela investigação. Travis estava preocupado com as atitudes da colega de trabalho, uma vez que ela ficou bem estranha e cheia de segredos, desde que receberam aquele caso na sexta pela manhã. Tudo que eles sabiam até aquele momento, é que Chelsea sempre fora uma aluna exemplar, era a capitã da Red Velvet e namorou Kirk Finlay no verão do ano anterior. Sabiam que estivera envolvido com ela, sendo assim o seu traficante de narcóticos antes de ser assassinada. Ele ainda era suspeito, mas segundo as alegações de Miranda Kennedy, a polícia e nem o FBI tinham provas suficientes para manterem ele sob custódia, então fizeram apenas uma acusação formal e ele responderia ao processo em liberdade. As sombras estavam por toda parte e o crime de Chelsea, ainda era um abismo escuro e sem luzes de emergência. A garota foi morta em um beco escuro e frio, totalmente afastado e sujo, onde ninguém poderia ouvir os gritos de quem quer que fosse que estivesse passando. O assassino provavelmente a seguiu até aquele lugar e esperou até a oportunidade perfeita para golpeá-la por trás, iniciando depois uma briga, onde desferiu as facadas que a mataram. A oportunidade perfeita foi o telefonema dela para , onde ela baixou a guarda e ficou vulnerável, sendo assim surpreendida e depois morta. O que os detetives precisavam descobrir agora, é quem a estava seguindo e porque decidiu a seguir justamente naquela noite. E as respostas começariam a ser dadas a partir daquela manhã, uma vez que o computador de Chelsea já estava nos laboratórios do FBI e começava a ficar pronto para enfim esclarecer tudo em relação aquele caso sombrio e turbulento.

Quântico, Virgínia. Laboratório de Análise Comportamental, 13h43 da tarde:


O computador de Chelsea fora analisado e agora os detetives poderiam enfim começar a ter respostas, uma vez que sabia do perseguidor, as informações que continham naqueles arquivos poderiam os levar direto a quem cometeu aquele crime horrível contra a pequena Ann. O que os detetives já sabiam a essa altura, depois de tanto analisarem e observarem as pessoas naquele funeral mórbido, era que existiam muitos segredos e mentiras entre os jogadores de futebol e as líderes de torcida. Era a hora de começar a ter respostas, eles precisavam de respostas para esse crime horrível e precisavam fazer isso o quanto antes. As Red Velvet e o time de futebol escondiam muita coisa, existia muita sujeira, segredos e mentiras que eram escondidos debaixo de seus uniformes reluzentes. Se estivesse certo, o perseguidor de Chelsea era um deles, podendo ser um jogador ou até uma de suas líderes de torcida, todos seriam investigados e interrogados até os dois detetives terem alguma resposta cabível no meio daquela bagunça toda.

já tinha a informação que a Chelsea tinha um perseguidor e que estava a ameaçando, uma vez que a mesma tinha pedido uma arma alguns dias antes de ser morta. Mas, como ela não foi morta por arma de fogo e sim com uma faca, o crime era pessoal e o “descon” não deu chance para a menina se defender, levando assim a uma morta tensa e dolorosa. Travis estava confuso e querendo saber de coisas que não estavam a sua altura e aquilo deixava inquieta, ela não queria esconder nada dele, mas nesse momento era tudo que podia fazer. As respostas que Travis queria, eram respostas que ela não poderia dar naquele momento. Seja o que tivesse no computador de Chelsea, era o que os levariam a obter suas respostas, pelo menos as que precisava, por enquanto. As que Travis tanto queria saber, seriam esclarecidas somente quando aquela tempestade acabar.

Assim que adentraram no laboratório de análise comportamental do FBI, Smithers, o chefe do laboratório já os esperava, assim como Vince que também os esperava com toda sua pompa e ansiedade. Vince é um cara meticuloso e ordenado, de forma que sempre odiou esperar por alguma coisa para enfim decidir o que iria fazer e isso sempre fora algo que admirou em seu padrasto, sua determinação e obstinação. Eles trocaram olhares de imediato, assim que ela e Travis chegaram à sala do laboratório. Os dois sempre se entenderam muito bem, desde muito antes dele decidir se casar com sua mãe, na verdade fora ela quem incentivou os dois a saíram e se casarem. Portanto, os dois tinham uma ligação que era facilmente compreendia somente com seus olhares.

Vince os orienta a olharem o que está sendo exibido no projetor da sala, a tela inicial do computador da Chelsea é exibida de maneira clara e objetiva como um dia de sol.

— Então, Smithers, o que você encontrou? — A voz de ecoou pelo ambiente.
— Bastante coisa pra ser exato, essa menina guardava muita coisa. — Smithers responde enquanto passa o mouse pela tela.
— Alguma coisa que pareça ser suspeita e que possa nos ajudar? — Foi a vez de Travis questiona—lo.
— Basicamente é tudo muito aleatório. Músicas, fotos de bichinhos, vídeos de comida, poemas sobre as gaivotas, trabalhos do colégio e etc... — rola os olhos e gira os calcanhares.
— Mostra pra eles, o que me mostrou mais cedo, Smithers. — Vince indaga enquanto cruza os braços, encarando os detetives.
— Ah sim, claro chefe. Eu achei isso aqui mais cedo, em uma pasta separada e protegida com senha. Mas, com sorte eu consegui descobrir a senha que ela usou. — Smithers se apertou contra a cadeira e apontou para a tela do computador.
— E qual foi a senha que ela usou? — o questionou.
— Finlay0106. — Vince respondeu a que imediatamente encarou Travis.
— A senha da Chelsea era o sobrenome do Kirk, sério? — indagou curiosa.
— Espera até você ver o que tem nessa pasta. — Vince se mexeu e pediu que Smithers abrisse a pasta em questão.
— Eu achei alguns e-mails bem assustadores, imagens estranhas e um vídeo que é no mínimo interessante. — Smithers abriu a pasta e mostrou alguns e-mails bem assustadores, digno de alguém que poderia ser intitulado como o perseguidor da Chelsea.
— "Você vai me pagar por tudo, não ache que eu me esqueci daquela noite" — leu um dos e—mails em voz alta e aquilo pairou uma nuvem gelada sob eles.
— Isso é mórbido e bem assustador. E o que mais tem aí? — Travis indagou curioso enquanto todos olhavam para a tela.
— Tem inúmeros outros e-mails iguais a esse, salvos nessa pasta. Mas, é esse vídeo aqui que vocês precisavam ver. — Smithers tocou o vídeo que iniciou—se de forma bem clara e objetiva.
— Espera, essa é Chelsea, o Finlay e quem é essa garota? — questionou, apontando com o dedo na tela.
— Só conseguimos identifica-la pelo nome, Evelyn. — Vince respondeu enquanto assistiam aquele vídeo caseiro perturbador.
— Então quer dizer que a menina de família, não era assim tão santa e inocente? — Travis indagou assim que a cena seguinte começou.
— Espera, isso é um vídeo de sexo? — disse boquiaberta assim que viu Chelsea e Kirk começavam a se beijar e tirar a roupa.
— Então ela gostava de gravar seus atos sexuais, é isso mesmo? — Travis indagou enojado a medida o vídeo avançava.
— Isso é assustador pra caralho. Porque ela gravaria isso? E quem é essa outra garota? — aponta para a tela, assim que uma ruiva de cabelo curto entra em cena.
— Como eu disse, só conseguimos escutar um nome, Evelyn. — Smithers diz enquanto aumenta o volume do vídeo para que os detetives pudessem ouvir a cena em que Chelsea chama a tal Evelyn para se juntar a eles.
— Esse vídeo, isso tudo é muito perturbador. Três adolescentes gravando vídeos de sexo, pra que exatamente? — indaga curiosa assim que o vídeo termina.
O vídeo era basicamente, Chelsea, o garoto Finlay e uma segunda garota chamada Evelyn, transando em um quarto enquanto bebiam e fumavam maconha. Tudo foi gravado e registrado pela câmera profissional da Chelsea, ou seja, fora ela mesma quem decidiu gravar aquela cena e guardar para si própria. Mas, pelo jeito alguém conseguiu ter acesso aquele vídeo, uma vez que um outro e-mail estava acompanhando o vídeo em anexo, onde dizia "faça o que eu quero, ou esse vídeo vai ser enviado para sua querida família". Portanto, era bem provável que quem estava perseguindo a Chelsea, teve acesso ao seu computador e arquivos pessoais. Haviam também fotos dela nua, em poses sensuais e que bem provavelmente foram tiradas a pedido de alguém. Aquele era um vídeo bem esclarecedor e que acabara de mudar o rumo das investigações.

— Isso tudo, isso é loucura. Com toda certeza a Chelsea não era a tão inocente filha que os Ann pensavam. Isso muda tudo! — exclama e bate as mãos na mesa do laboratório.
— Com certeza, isso tudo é bem esclarecedor na verdade. A Chelsea fez alguma coisa que irritou alguém e isso foi o motivo dela ser assassinada. — A voz de Travis ecoa animada até os ouvidos de .
— E é bem provável que o perseguidor dela, teve acesso aos arquivos do computador. — vira—se e olha para Travis.
— Bom, agora eu preciso ir que tenho coisas do departamento para resolver. — Vince anuncia sua saída e deixa os detetives na sala com o Smithers.
— E se foi o tal , que descobriu esses vídeos e resolveu chantagear a menina rica em troca de dinheiro, mas ela não cedeu a chantagem e ele decidiu acabar com ela? — Travis questiona e aquilo atrai instantaneamente o olhar reprovador de sua parceira.
— Olha, Travis, eu sei que você não gosta do fato de que o foi liberado das acusações, mas não foi ele. — responde com seu olhar massacrando qualquer opinião que ele poderia ter naquele instante.
— Foi só uma suposição, calma aí, detetive. — Travis ergueu as mãos na altura do ombro e sorriu.
— Deixa isso pra lá e vamos focar no que interessa. — diz e volta sua atenção para a tela do computador.
— E qual o próximo passo, detetive? — Ele a questiona.
— Precisamos de uma lista com os nomes de todas as líderes do Red Velvet. — diz enquanto anda de um lado a outro.
— Precisamos também, interrogar o garoto Finlay, acho que ele tem muito a dizer e esclarecer. — Travis indaga com as mãos na cintura.
— Sim, com toda certeza. Precisamos também identificar a tal Evelyn no vídeo. — conduz a conversa.
— Eu faço isso. Vou ligar para o colégio New Preston e pedir o livro do anuário, assim fica mais fácil interrogar o Finlay e pedir um reconhecimento da parte dele. — Travis diz e aquilo arranca um sorriso de .
— Boa ideia, Travis. Enquanto isso, eu vou falar com alguém que pode nos ajudar. — diz e pega seu casaco do encosto da cadeira.
— Aonde você vai, ? — Travis a questiona preocupado.
— Travis, por favor, não me faz perguntas. Pelo menos não por agora. — diz enquanto coloca a mão sob o ombro do parceiro.
— Você me promete que vai ficar bem? — Travis diz, expressando sua preocupação.
— Eu sou bem grandinha, Travis, eu sei me cuidar, mas obrigada pela preocupação. — diz, saindo da sala e o deixando sozinho.

Ela sabia muito bem que qualquer ação que fosse tomada agora, seria de sua total responsabilidade. Mas, precisava de respostas e não poderia obtê-las sozinha e sem ajuda, uma vez que as respostas que ela procura não podem ser dadas pelos detetives e a equipe de investigação. sai daquela sala com a total certeza de que isso é o certo a fazer, mesmo que Travis ainda fizesse muitas perguntas, ela não poderia lhe dizer nada por enquanto. Tinha de se proteger e proteger ainda mais a pessoa em questão, toda aquela investigação iria ser perigosa e se ela não tivesse alguma ajuda, ficaria andando em círculos sem chegar a lugar nenhum. A ajuda que precisava era bem maior do que poderia conseguir entre os arquivos do computador de Chelsea, mesmo que aqueles e-mails e vídeos que fossem em partes, bem esclarecedores. Naquele momento, as respostas que procura estçao em posse de uma única pessoa e que talvez era a única que poderia ajudar e que parecia conhecer muito bem a pequena Chelsea, bem mais que seus próprios pais e irmãos. A investigação tinha acabado de ganhar um novo rumo com tudo que encontraram naquele computador, portanto, tudo agora seria direcionado a interpretação daqueles vídeos e os seus significados. As pessoas seriam interrogadas de uma nova perspectiva e precisava estar preparada para o que iria enfrentar. Sabia muito bem que a partir do momento que aquela ligação fosse atendida, tudo iria mudar, outra vez. Ninguém poderia desconfiar que aquela ligação aconteceu e ninguém poderia se quer saber que ela roubou arquivos para conseguir um número de telefone, tudo que ela fará dali em diante irá levar o caso de Chelsea para outros caminhos e talvez é aquele caminho que devesse ter sido seguido, desde o começo.

A detetive se esconde atrás de uma pilastra no meio do corredor, de forma que ninguém a note. Leva as mãos inquietas ao pescoço e alguns segundos depois, a chamada é atendida.

— Alô? — A voz rouca do outro lado da linha, soa como música.
— Sou eu, . — Ela responde, agora roendo as unhas de nervoso.
— Como conseguiu esse número? — A voz do outro lado pergunta.
— Eu trabalho no FBI, se esqueceu? Peguei seu arquivo e consegui o telefone. — diz com a voz um pouco baixa.
— Você não deve me ligar, detetive. — O riso do outro lado da linha a faz rir também.
— Eu preciso da sua ajuda. Precisamos conversar. — responde, se virando um pouco contra a parede.
— A gente não deve se falar por telefone e muito menos se encontrar, . — O apelido dela é dito e aquilo soa novamente como música em seu ouvido.
— Eu não ligaria se não fosse importante. Eu sei que isso não deve acontecer, mas eu realmente preciso de respostas. — aperta o telefone em sua orelha e suspira.
— Isso pode foder com muita coisa, eu acho que é melhor a gente não se falar. — escuta aquilo e joga a cabeça para trás.
— Por favor, eu preciso de respostas sobre a Chelsea e só você pode me ajudar. — Ela implora e então uma risada ecoa do telefone.
— Tudo bem, detetive, você me pegou. Eu vou ajudar. — Aquilo acalma seu coração por alguns segundos.
— Muito obrigada, eu realmente não ligaria se não precisasse das suas respostas. — Ela agradece.
— Não podemos nos falar por telefone, é perigoso. — escuta a voz do outro lado expressar preocupação.
— Isso é verdade, o que você sugere? — Suspirando, ela espera uma resposta rápida.
— Tem um motel na beira da antiga estrada que leva a velha fábrica de papel abandonada. Conhece? — A voz pergunta em um tom mais baixo.
— Conheço sim, mas não é perigoso? — questiona um pouco preocupada.
— O dono é meu amigo e não vai fazer perguntas, se é isso que quer saber. — escuta a voz dele sair mais alta agora.
— Podemos nos encontrar que horas? — Ela pergunta, ainda segurando firme o telefone.
— Pode ser em meia hora? — sorri e então responde.
— Pode sim, claro.
— Não use o GPS do carro, detetive, é arriscado. — A pessoa a orienta do outro lado.
— Deixa isso comigo, não irei usar. Então, até daqui a pouco. — Ela responde e sente seu corpo todo se arrepiar.
— Até daqui a pouco, detetive. Pode deixar que não vou esquecer as batatas fritas com aquele molho de pimenta holandês esquisito que você gosta, o béarnaise. Acho que aquele restaurante Holandês no centro vende pra viagem. — escuta uma risada provocativa do outro lado e aquilo a estremece.
— Ah, te espero onde? — Ela volta a questionar.
— Diga seu nome na recepção que o Ty vai te orientar a me encontrar no quarto 6. — Ele responde e novamente ela sorri, mordendo o lábio inferior.
— Tá certo então, . Te espero lá. — ri e desliga a ligação, tomando cuidado para não pega ou ouvida.

Enquanto segue até o motel em que vai se encontrar com , ela manda uma mensagem a Travis e pede que ele a envie o vídeo colhido no computador de Chelsea. Ela precisa daquele vídeo para questionar o que ele sabe sobre toda aquela merda e só espera conseguir enfim juntar as peças daquele quebra cabeça macabro.

08

"Ela está tentando com tanta dificuldade, mas o coração dela não vai virar pedra... Oh, não, ela continua a chorar.
Porque eu não vou abandoná-la, ela nunca estará sozinha"

(Right Here In My Arms – H.I.M)

Motel West Side, Estrada KM75. 14h25 da tarde:


O carro de vira na estrada que leva até o motel e logo estaciona em frente a uma placa quebrada, ela tranca o carro e então caminha até a recepção, escondendo seu rosto com um boné antigo do Motorhead, sente-se como uma espiã disfarçada que caminha direto para seu abismo particular. Assim que se identifica para o cara com o nome "Ty" bordado na velha camiseta polo, o mesmo a orienta para seguir até o quarto 6, no fim do segundo andar. Ela sobe as escadas daquele motel, sentindo o seu coração pular acelerado dentro seu peito, alguns passos depois e lá está ela, encarando a porta do quarto seis. Bate algumas vezes na porta, enquanto encolhe seu corpo dentro do casaco molhado devido à chuva que ainda insistia em cair naquele dia. Algumas batidas e a porta se abre, revelando a ela a imagem mais perfeita que seus olhos já tinham presenciado, em toda sua vida. Lá está ele, com uma calça de moletom tão antiga que já aparecia desbotada, uma camiseta larga preta de alguma marca famosa de skate e também já desbotada, completam a visão de um tão bagunçado quanto ela.

O sorriso dele se abre, assim que seus olhos se encontram ele dá passagem e ela entra no quarto. A porta se fecha, ele se encosta e olha diretamente para , ela larga o casaco molhado sob o encosto da cadeira e depois olha diretamente para os olhos dele. sustenta um sorriso discreto em seu rosto, enquanto os seus olhos sobem e descem, ele analisa por completo a cena. aparentemente está bem desconfortável, talvez motéis baratos de beira de estrada não façam parte de seu habitat natural - ele pensa. encolhe os ombros e então cruza os braços na altura dos seios — perfeitos por sinal — ele pensa; e vê que ela começa a se apertar contra o próprio corpo, outra vez. desfaz o sorriso e seu rosto dá lugar a um semblante preocupado. Ele sai de onde está e se aproxima devagar, percebendo que ela continua se apertando e tremendo. Eles se encaram e segundos depois, os braços pequenos de estão envolvidos no tronco largo de enquanto ele faz um carinho nos cabelos dela, que estão presos em duas tranças de lado.

Aos poucos o corpo de se esquenta e os tremores param, o corpo dela relaxa e então a sua respiração volta ao normal. entende que já pode solta-la e então encara seu rosto, tão lindo e simétrico que até parece uma pintura de Picasso. Um sorriso se forma em ambos os lábios e então, solta uma lágrima distinta de seu olho direito. Logo depois, a mão de segura seu rosto e seus dedos enxugaram aquela lágrima. Ela ficou tão nervosa e ansiosa com tudo que aconteceu, que quando ligou para ele, foi por causa do vídeo da Chelsea, mas também é porque talvez, eles seja o único que consegue acalmar suas crises de ansiedade.

— Calma, tá tudo bem agora. — diz enquanto tenta a acalmar.
— Eu não vou conseguir, . Esses dois dias tem sido uma loucura, esse caso... Isso é demais para mim aguentar. — força a voz e então o encara.
— Você vai conseguir, eu tenho absoluta certeza disso. — Novamente ele volta a abraça-la.
— Eu não teria tanta certeza, estamos andando em círculos e parece que a cada hora aparece algo mais macabro que o anterior, não sei se sou assim tão capaz de solucionar isso tudo. — treme por completo, enquanto os braços de tentam a acalmar.
— Se existe uma única pessoa capaz de solucionar esse crime, esse alguém é você, . Você é forte, você é a mulher mais inteligente e capaz que eu já conheci. — diz apontando com seu dedo indicador para ela e enquanto diz isso, um sorriso discreto se forma em seus lábios.
— Eu quero realmente acreditar nisso, mas tem sido as quarenta e oito horas mais loucas da minha vida. — soluça e treme sem parar.
— Acredita em mim, detetive, você vai conseguir. — a encara com os olhos baixos.
— E ainda tem você. Estão te acusando desse crime horrível, eles vão ferrar com você, . — soluça e novamente as lágrimas invadem seu rosto.
— Olha não se preocupa comigo, eu consigo me virar muito bem. Eles não vão ferrar comigo e se ferrarem, eu dou meu jeito. — esboça um sorriso em seus lábios e a aperta mais contra seu rosto.
— Eu tenho que arrumar tudo isso, eu tenho que achar esse assassino e provar que você é inocente. — A voz de se choca contra o ombro dele e a respiração dela soa pesada.
— Acho que você precisa dormir um pouco, você parece que não tem dormindo bem. — encara o seu rosto e então percebe duas bolas escuras embaixo de seus lindos olhos.
— Eu não posso dormir, . Dormir é perda de tempo e tenho que ter cada segundo dedicado a esse caso. — O corpo de não para de tremer e sua voz soa abafada.
— Olha, você não vai conseguir pensar e decidir nada, se não dormir um pouco, detetive. — esboça um sorriso e faz um carinho, subindo e descendo as mãos pelas costas dela.
— Você tem razão, se eu dormir mais de duas horas, foi muito. Tem sido uma loucura desde que pegamos o caso. — suspira e então a conduz para deitar na cama.
— Deita aqui, descansa um pouco e quando você acordar, a gente conversa melhor, ok? — deita—se entre os travesseiros e volta a encarar seu rosto.
— Fica comigo? Vou me sentir melhor se você me abraçar. — escuta aquilo e seu coração também se acalma. Ele deita—se ao seu lado e então a abraça, de modo que ela fica deitada com a cabeça em seu peito.
— Enquanto eu descanso um pouco, você pode ir dando uma olhada no vídeo? Ele tá no meu celular. A senha é: 1956. — sussurra e ele concorda, segundos depois ele escuta a respiração dela se acalmar e constata que ela pegara no sono.

a cobre com uma das mantas que tem no quarto e a ajeita melhor entre os travesseiros. Ele se solta do abraço dela e pega o seu notebook, que trouxe mais cedo consigo, ele sabia que uma hora iria precisar do computador e agora era aquela hora. Coloca o vídeo para tocar e então abre uma cerveja, sentando-se na poltrona ao lado da cama onde dorme. Conforme o vídeo toca, seu estômago embrulha e de repente a cerveja fica com um gosto ruim. A Chelsea que ele conhecera, não era nem de longe aquela menina sensual e desinibida que se mostrava naquele vídeo, com certeza, alguma coisa está bem fora do normal naquela gravação. toca o vídeo algumas vezes, aquilo nada mais é que um pornô caseiro e bem assustador, se você for levar em consideração que a Chelsea parecia bem desconfortável com tudo. Vê-la assim tão sensual em frente a uma câmera, fez soluçar por um instante, aquela não é nem de longe a menina tímida e desesperada que ele conhecera no dia em que vendeu as drogas para ela. Talvez aquele vídeo revelasse muito mais do que eles podiam imaginar, talvez a Chelsea estivesse desesperada com outra coisa e não só com o seu desempenho entre as líderes de torcida. Outra coisa que chama a atenção de , são as atitudes e gestos do garoto Finlay no vídeo, ele parece estar as dominando de alguma forma e a troca de olhares dele com a menina ruiva, eram no mínimo estranhas. Eles se olham o tempo todo e sente que já tinha visto aquele olhar antes. É quando ele tem o estalo, eles se olharam assim no funeral mais cedo, só que a menina não era ruiva e sim loira.

assiste mais algumas vezes aquele vídeo, passando seus olhos clínicos por toda as cenas, repetidas vezes, até que pudesse compreender tudo aquilo. Ficou ali por algumas horas e só percebeu que o tempo passará depois que se mexeu e acordou. Ela esfrega os olhos e se senta contra a cabeceira da cama, o encarando com o semblante mais descansado. Um sorriso se forma imediatamente nos lábios dela e a analisa, com certeza, aquelas duas horas de sono a fizeram muito bem, ou pelo menos é isso que parece para ele. A sua respiração está mais calma e ela já não treme mais, o que é um bom sinal.

— Você acordou, detetive. — sorri e continua a encarando.
— Por quanto tempo eu dormi? — Ela levanta os braços e o questiona.
— Duas horas, pra ser exato. E eu diria que é uma visão maravilhosa te ver dormindo. — Ele diz e leva a mão ao queixo, sorrindo.
— Parece que eu dormi por horas e horas. — Ela confessa, também sorrindo.
— É isso que acontece quando você relaxa e desliga seu corpo. — Ele diz, ainda sustentando o mesmo sorriso.
— Você ficou assistindo o vídeo? — Ela faz uma careta e aponta para o notebook.
— Fiquei sim. É bem assustador mesmo. — indaga e aponta para a tela.
— Agora que eu já descansei, a gente precisa conversar sobre a Chelsea e sobre esse vídeo, . — endireita a postura na cama e aponta para ele.
— Sim. Mas antes, eu acho que o seu estômago tá pedindo comida. — Ele ri ao escutar o barulho que o estômago dela fez.
— Oh sim, por favor. — Ela pede e ele não contém a risada.
— Aqui, eu trouxe as batatinhas. Elas acabaram esfriando, mas mesmo assim devem estar gostosas. — Ele levanta e caminha até o saco do restaurante holandês em cima da mesa.
— Isso aqui, isso tá uma delícia. — diz assim que come algumas batatinhas.
— Com esse molho esquisito que você gosta, acho difícil. — Ele faz uma careta.
— Não diga isso antes de experimentar. Vem, come uma. — Ela se inclina e ele abre a boca para que ela coloque as batatinhas.
— É você tem razão, esse molho é divino mesmo. — Ele diz com a boca cheia.
— Mais um que veio pro lado certo da força. Essas batatinhas com o molho béarnaise são o paraíso no inferno. — Ela bate palmas e expressa uma careta divertida ao vê-lo comer as batatinhas.
— Agora, a gente precisa conversar bem sério sobre esse vídeo da Chelsea que você me deixou assistir. — Ele muda a expressão do seu rosto para algo mais sombrio e preocupado.
— Sua cara não está das melhores, o que você descobriu? — Ela o questiona com a voz preocupada.
— Muita coisa pra ser bem sincero. Esse vídeo é assustador, é estranho pra caralho. É um vídeo de sexo entre adolescentes, mas também é algo a mais, eu posso sentir. — expressa sua desconfiança e então pega o notebook.
— Eu também senti isso mais cedo, quando analisamos o vídeo no laboratório. Por isso eu te procurei, porque você podia me ajudar. — esboça um sorriso torto e os dois se olham.
— Primeiro, se você analisar bem, a Chelsea está bem desconfortável o vídeo todo. Aqui olha, ela não quer tocar na outra menina, mas o Finlay pega a mão dela e coloca no seio da outra. — aponta com o dedo a cena na tela.
— Tô prestando atenção, o que mais? — Ela encosta no ombro dele e os dois sorriem.
— Tem essa garota aqui também, ela estava no funeral mais cedo. Só que ela era loira e trocou os mesmos olhares com o Finlay, igual nesse vídeo. Eu acho que essa menina tá usando alguma peruca, ou algo do tipo. — Ele indaga a , que analisa junto com ele as cenas novamente.
— Espera, o que é isso? — aponta para um pacote com algo azul em cima da mesinha ao lado da cama.
— Parece com um pacote de... Pera aí, isso é metanfetamina. Caralho. — Ele faz uma careta e o encara.
— Você que vendeu pra ela, ? — Ela o questiona.
— Não, metanfetamina não é o meu "negócio". — responde, mas o semblante de seu rosto é ainda mais preocupante.
— Mas, você vendia pra ela, não vendia? — volta a questiona—lo.
— Olha, . Eu sou traficante, eu vendo muita coisa, mas no meu mundo, existem regras que não podem ser quebradas. E geralmente, o que um traficante vende, outro não pode vender. A não ser que você queira mais dinheiro e queira enfrentar os chefões. Geralmente, na mesma área não existem dois traficantes iguais — Ele explica a ela, enquanto olha diretamente em seus olhos.
— E o que isso quer dizer? — Ela muda o tom do questionamento.
— Que eu vendo cocaína e remédios, ou seja, calmantes, anabolizantes, remédios para emagrecer e afins. Mas metanfetamina, crack, heroína e maconha são outros que vendem. — Ele explica aquilo a ela e mesmo que ela fosse uma federal, ele não se sentiu acuado ou algo assim. O semblante de era pura curiosidade.
— Então, quem vendeu isso a ela? E porque ela estaria tomando metanfetamina, quero dizer, ela já tinha os remédios que você vendeu a ela. — disse, sentido sua garganta arranhar.
— Eu não acho que isso seja dela, isso deve ser do Finlay ou da outra garota. — supõe e pondera por alguns segundos.
— Tá bom, mas e os remédios que vendeu a ela? — volta a questionar.
— Também acho que não era pra ela. , a Chelsea era uma menina "diferente" ela não tinha jeito de quem toma essas porcarias, a Chelsea vem de uma família rígida. Ela não faria isso, não se corresse o risco do pai dela descobrir. — A explicação de fez o coração dela pular outra vez.
— A cada minuto eu fico ainda mais confusa com tudo isso. Ela gravou um vídeo de sexo, com mais duas pessoas, mas ela é de educação cristã e mesmo assim participava do time de líderes de torcida. Ela foi a uma festa antes de ser assassinada e namorou o Finlay, um cara que pelo jeito gosta de fazer vídeos caseiros. Comprou remédios com você que melhoravam o desempenho, mas os pais dela me disseram que ela era boa e não precisava disso. E agora, no vídeo tem metanfetamina. Fora os e-mails a ameaçando por esse vídeo e por outra coisa que eu ainda não descobri. Meu deus, a vida dela era uma bagunça total. Mas, a pergunta que não cala é: porque o Finlay gravaria um vídeo com a Chelsea e uma menina usando peruca? — diz aquilo enquanto anda de um lado a outro naquele pequeno quarto.
— É isso aí, detetive! Você tá começando a montar o quebra cabeça. A Chelsea foi pressionada a fazer esse vídeo e quem sabe para o que mais ela foi pressionada? Você tá no caminho certo, . — fecha a tampa do notebook e a encara, andando feito de um lado a outro.
— E o que mais você sabe sobre ela, ? Preciso que me conte tudo que você sabe. — Ela o questiona e ele sorri de lado.
— Ela me procurou há uns dois meses, disse que estava precisando de umas "paradas" que a ajudassem a melhorar o desempenho, mas ela não me pareceu ser daquelas meninas que usam essas porcarias. A Chelsea me procurou algumas vezes depois disso, sempre comprando em mais quantidade. Ela virou minha cliente, ela pagava e eu vendia. — explica para , que ouve atentamente.
— Mas e sobre o perseguidor? — Ela traz o assunto a tona e ouve um suspiro dele.
— Ah, isso foi umas semanas depois que nos conhecemos, quero dizer, eu vendia os remédios pra ela, mas eu não sei dizer o que aconteceu, que ela viu em mim alguém que podia ajudar. Geralmente ela me telefonava e dizia que estava com medo, de que tinha a sensação que alguém a perseguia e a ameaçava. Era bem bizarro, na verdade.
— Ela chegou a falar de alguém? — o olha de frente.
— Infelizmente não, mas ela estava com medo e sentia que era alguém de perto dela. A minha aposta é alguém daquele time de futebol ou as próprias líderes de torcida. — diz e se encosta na cama, colocando um travesseiro sobre o colo.
— A gente conversou com os pais e o irmão dela, eles não pareciam saber de muita coisa sobre a filha e nem tinham ideia de que ela podia ter um perseguidor ou de que estava envolvida em vídeos de sexo caseiros. — diz, cruzando os braços.
— Os pais geralmente não conhecem os próprios filhos, detetive. Falo por mim, eu mesmo não conheço a Maddison, mesmo fazendo de tudo pra estar sempre por dentro da vida dela, eu nunca vou conhecer a minha filha totalmente. Isso é um fato. — fala enquanto faz gestos com a mão.
— Vamos ter que falar com eles outras vez, com certeza. Precisamos juntar tudo e os confrontar com isso. — descruza os braços e esboça um sorriso.
— Pelo pouco que conversamos, a Chelsea era uma menina bem tímida e quieta, eu até me pergunto o porquê ela ser líder de torcida. Mas, ela comentou que sempre sonhou em ser, desde criança ela sabia, mas ela não tinha nada a ver com esse mundo cruel de adolescentes com os hormônios a flor da pele. — indagou, olhando atentamente para a sua frente.
— E no que mais você reparou? — Ela o questiona mais uma vez.
— A Chelsea parecia estar sempre bem assustada e acuada nas vezes que conversamos ou nos encontramos, era sempre tudo muito rápido, mas eu percebia essa inquietação nela. Ela chegou a me pedir uma arma pra se proteger, eu disse que ia conseguir isso pra ela, mas não deu tempo. A Chelsea me dizia sempre, que estava sentindo o perseguidor perto dela e que ela precisava se defender. Infelizmente eu não consegui ajudar. — desfez o sorriso e encarou um ponto qualquer.
— A culpa não foi sua, de nenhum jeito. A culpa é de quem a perseguiu e a ameaçou, você não tem culpa de nada. — o encara com o olhar meio triste.
— Mesmo assim, eu vendi remédios a ela que poderiam ter a matado bem antes que aquelas facadas. — A voz de ecoa triste.
— A única certeza que nós temos é que você não fez nada, . E eu vou provar isso, vou achar quem fez isso. Eu te prometo.
— Então vamos ter que trabalhar juntos nessa. Você do seu lado e eu do meu, temos muito o que descobrir ainda sobre a Chelsea e o perseguidor. — respira fundo.
— Sim, , é isso que vamos fazer. Tem muita coisa sem resposta ainda, mas isso me ajudou bastante. Mais cedo, no laboratório não conseguimos reparar em nada disso. — Ela virou—se e o olhou.
— Era porque você e seu parceiro estavam em um ambiente de trabalho. As vezes o que você precisa para ver as coisas de verdade é de um lugar onde relaxar. — diz e em seguida um sorriso se forma em seu rosto, outra vez.
— Você tem total razão. Agora, preciso saber se a Chelsea estava mesmo usando alguma substância. — Ela indaga e a encara confuso.
— Espera, vocês ainda não fizeram o toxicológico? — Ele a questiona.
— Caralho, não! Como a gente deixou passar isso? Meu deus. — O corpo de voltar a ficar agitado.
— Ei, calma. Lembra que você precisa manter a calma e focar nisso ok. Só repita que vai dar tudo certo. — segurou sua mão e ela se acalmou imediatamente.

O celular de vibra em cima da mesa e na tela, tinha vários avisos de ligações perdidas e mensagens de texto de Travis. alcança o telefone a ela que destrava a tela e vê as mensagens. Ela precisava voltar para a unidade, eles já estavam com o Finlay sob custódia para interrogatório e pelas mensagens de Travis, algo estava acontecendo e não era coisa boa. As mensagens de Travis diziam para ela voltar o quanto antes, que o Finlay estava falando demais durante o depoimento e que tinham muitas coisas estranhas na história dele. As outras eram mensagens perguntando onde ela estava, uma vez que ficou horas sem dar respostas.

— Você precisa ir, não é? — questiona e segura sua mão.
— Sim. O Travis está com o Finlay sob custódia e ele tá sendo interrogado. — explica enquanto sente o toque quente da mão dele segurando a sua.
— Então vá, detetive. O dever lhe chama, vá salvar o dia. — Ele brinca e os dois riem.
— Muito obrigada pela conversa e pelas batatinhas. — agradece e se ajeita para ir embora.
— Agradece da próxima vez. — Ele sorri para ela, que não se segura e o abraça rapidamente.
— Que droga, deve tá um frio do caralho lá fora e meu casaco tá encharcado. Pelo menos, parou de chover. — Ela torceu os lábios ao olhar pela janela do quarto.
— Aqui, veste isso detetive. É velho, mas é quente e está seco. — alcança a ela uma blusa de moletom azul da Loneytunes desbotado.
— Loneytunes? Sério, ? — O rosto de forma uma careta divertida.
— Foi presente, tá legal? É meu moletom da sorte, não ri não. — imita a careta dela e os dois caem na risada.
— Vai ser lindo eu chegando assim na unidade. Os federais vão me encher de perguntas. — Ela indaga enquanto veste o moletom.
— Tenho certeza que a detetive vai conseguir inventar alguma resposta rápido. — pisca para ela e a encara, vendo o moletom deslizar sob a regata branca que ela usa. — Bem melhor em você. — Ele indaga ao abrir outra garrafa de cerveja.
— Obrigada, por tudo. De novo. — pega as chaves do carro, o celular e ele caminha até ela.
— Vai pela sombra detetive e se cuida. Até a próxima! — Ele se despede e ela sente o seu coração apertar.
— Você também se cuida, por favor. — Ela coloca sua mão sob o peito dele.
— Eu vou. O que precisar, você sabe onde me encontrar. — Ele diz e beija sua testa.

Em seguida, sai pela porta do quarto e segue até o seu carro no estacionamento, escondendo seu rosto com o capuz moletom, uma vez que seu boné havia sido esquecido em cima da mesinha ao lado da cama de . O caminho de volta a unidade foi bem mais rápido do que ela imaginou. Enquanto dirige de volta, analisa cada detalhe daquela tarde ao lado de e de como aquilo poderia acabar bem mal, mas ela assumiu os riscos, como sempre fez a vida toda. Ela precisava de ajuda e só teria essa ajuda dele, mais ninguém poderia ajuda-la com aquelas questões todas. poderia viver do lado errado do rio, mas ainda assim era um inocente pagando por algo que não fez, portanto, a ajuda dele era bem intencionada e de suma importância naquela investigação. Vestindo o moletom dele, ela o sente ainda mais perto de seu corpo, como se fosse assim desde o início. Era provável que ele tivesse ganho aquele moletom de sua pequena Maddison — ela era mesmo uma menina de sorte por tê-lo como seu pai — ela pensa, com toda certeza ela tinha essa puta sorte. A conversa daquela tarde fora bem esclarecedora e ele a ajudou a ver pontos naquele vídeo, que não haviam sido percebidos antes.

No meio do caminho ela envia uma mensagem a e pede sua ajuda para achar o traficante que vendeu a metanfetamina para Chelsea, ele prontamente responde e diz que até o final de semana o nome do cara estaria com ela. O telefone de não parava de tocar e Travis parecia estar bem irritado e insistente em a apressar para chegar na unidade, ela desligou o celular e torceu pra não bater o carro até que chegasse. Alguns sinais depois e o carro dela estaciona de novo na entrada da Unidade de Análise Comportamental. sai apressada de seu carro e sobe correndo as escadas que davam acesso a porta lateral do estacionamento, passando como um vulto pelos outros detetives ela chega a sala de interrogatório no final do corredor. Assim que entra na pequena sala de vidro que espelhava a sala do interrogatório, é recebida pelos olhares confusos de Travis e Vince. Ela apenas da um sorriso de lado e os encara.

— Onde você estava, ? Você sumiu por horas. — Travis encolhe os braços e olha para ela.
— Eu estava resolvendo umas coisas, mas eu estou aqui. Você me ligou tanto, que eu vim correndo. — bufa com aquela pergunta e cruza os braços.
— E teve tempo até de trocar de roupa também? — Ele questiona, apontando para o moletom que ela está vestindo.
— Isso não é da sua conta, mas eu estava em casa, eu precisava dormir e pensar um pouco. — diz e olha em direção onde Finlay está sentado do outro lado do vidro, ignorando qualquer suposição que pudesse ser feita.
— Eu te liguei porque aconteceu uma coisa interessante enquanto você esteve fora, detetive. — Travis se aproxima do vidro e fica ao lado dela.
— E o que foi? — Ela o questiona.
— Finlay, pode repetir o que nos disse ainda pouco? — Travis aperta um botão e sua voz ecoa do outro lado.
— Fui eu, detetives. Eu matei a Chelsea Ann.

O garoto leva as mãos algemadas para cima de mesa e declara sua confissão de culpa. Os dois detetives se encaram em silêncio, uma vez que aquilo não faz nenhum sentido. O álibi do Finlay é consistente e mostra que o garoto esteve com o time de futebol, a caminho de uma partida regional em outra cidade. Agora, a pergunta que paira sobre a mente dos detetives é: Porque assumir aquele crime e o mais importante, é saber quem ele está protegendo?



Continua...



Nota da autora:

PEQUENO DICIONÁRIO:

"descon" : significa sujeitos desconhecidos para o FBI durante as investigações.

Quero agradecer a minha melhor amiga, Aline Fernanda, que me ajuda sempre com os feedbacks e ideias para a história.
Oi minhas gatas, como estão? Finalmente esse atualização saiu e estou muito feliz!!!!! Esses três últimos capítulos da atualização ficaram um pouco maiores que os anteriores, mas eu gostei muito do resultado, acredito que estou conseguindo evoluir bastante na história.
Muito obrigada por todas que estão acompanhando e comentando.
Vou deixar aqui embaixo o link para playlist da fanfic e para o meu Whatsapp, para quem quiser conversar comigo sobre as minhas histórias!




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