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Conexão Londres - Manhattan






Capítulo 1 - It's the time of our lives


7h05
O despertador berrava Help dos Beatles incessantemente enquanto a garota abafava as orelhas com o travesseiro.
- , você tem cinco minutos para estar no pé da escada, arrumada, para nós cruzarmos a ponte!
-Já vou mãe, é o último dia, relaxa!
Às oito horas começava o último dia do primeiro semestre do terceiro colegial. Dali, eram apenas seis meses que separavam e seus amigos da vida adulta. A ideia de começar novas aventuras era perigosamente excitante e a garota torcia para que esses dias chegassem o mais rápido possível.
atravessou correndo os portões da escola até chegar no mural que ficava no jardim central do pátio. Lá, os alunos aflitos procuravam seus nomes e notas que confirmavam as férias.
-Você nem precisa olhar, já sabe que tem mais alguns 10 para sua coleção - disse uma voz atrás da garota.
-Que susto, Andrew! Então você já viu minhas notas?! Não consigo atravessar essa multidão!
-Já sim, . Fica tranquila, seu nome tem até uma estrelinha do lado, acho que foi selecionada como melhor aluna.
-Jura? Isso é incrível! Você sabe o quanto isso é importante pra mim, não sabe? - perguntou a garota com um sorriso de orelha a orelha.
-Claro que sei! E sei, principalmente, o quanto você batalhou por isso.

Andrew e encontraram os outros amigos na mesa principal no centro do bosque. Todos estavam felizes por passarem de semestre e pareciam planejar uma comemoração.
-O que você acha de doze garrafas de champanhe?
-Para, Clarice. Não é porque seus pais trabalham em outro país que os nossos vão deixar participarmos de uma noitada dessas! - disse Larry, rindo da sugestão da namorada.
-Mas temos que fazer algo melhor do que uma noite de filmes, certo? Afinal, são só mais seis meses com todos nós juntos! - exclamou Samantha.
- Eu sugiro laser tag! - disse Andrew fazendo uma arminha falsa com as mãos e apontando para os amigos.
- Melhor ideia, cara! Todos de acordo? - perguntou Larry
- SIM! - disseram as meninas em uníssono.

Capítulo 2 - About a thousand miles away from here


Os cinco amigos estudavam juntos desde a época das fraldas. Clarice, Samantha e se tornaram melhores amigas assim que entraram na primeira série. Os garotos só começaram mesmo a participar da turma quando Larry declarou seus sentimentos para Clarice. Isso aconteceu na oitava série, e desde então o trio virou um quinteto inseparável. Naturalmente, a convivência e a afinidade têm o poder de transformar amizades em algo maior. Andrew conhecia bem este sentimento. Bastaram alguns meses ao lado de para que seu coração a pertencesse. Para a tristeza do rapaz, para ela, ele era o incrível melhor amigo. Cada dia que passava, o amor que ele sentia por ela aumentava e a angústia de guardar esse sentimento crescia. Juntou toda a coragem do mundo e planejou, milimetricamente, contá-la na noite do baile de formatura. Ele tinha cinco meses para ensaiar o seu discurso e encontrar maneiras de conquistá-la. Apesar de esconder toda a situação, ele aproveitava os pequenos momentos que tinham sozinhos. Naquele dia, ficou combinado que os cinco se encontrariam no estacionamento da Laser Tag Arena para participarem do mesmo grupo. pediu uma carona e às quatro horas da tarde Andrew estacionava em frente à casa dela, no Brooklyn. demorou alguns minutos para abrir a porta e acenou para o garoto que estava dentro do carro.
- Desculpa a demora! Acabei cochilando enquanto via um episódio repetido de Friends - disse a garota após dar um beijo estalado na bochecha do rapaz.
- Acho que não dá pra ser mais que isso. Mas não tem problema, chegaremos a tempo.
- Você é incrível por vir me buscar, sabia? Obrigada, de verdade!
- O que eu não faço pra te ver sorrindo? Aliás, lembrei de uma coisa. - Andrew se esticou para alcançar um embrulho no banco de trás - Feliz aniversário!
- Aniversário? Mas ainda faltam dois meses!
- Considere-se uma garota de sorte.
abriu o embrulho e encontrou um CD de uma banda que não conhecia, mas o nome não lhe era estranho.
- McFly? - perguntou a garota.
- É uma banda britânica, acho que você vai gostar. Vi na MTV que eles se inspiram em Beatles e em outros caras dessa época. Tem uma batidinha legal e letras divertidas. Não faz muito meu tipo, mas é a sua cara.
- Nossa, que legal. Vou escutar e te digo o que eu achei. - falou.
Quando chegaram no estacionamento, os outros três já estavam esperando encostados num carro vermelho. Laser Tag era uma tradição desde quando os meninos entraram para o grupo. Os cinco faziam maratonas de How I Met Your Mother e, assim como Barney, adoravam o “esporte”. Desde que a Arena abriu, eles são os frequentadores mais fiéis.
- Finalmente vocês chegaram! Não aguentava mais ficar de vela desses dois! – comentou Samantha, correndo para abraçar num falso desespero.
- Para de drama, Sam! Já são três anos de candelabro no seu caderninho – disse , rindo e abraçando a amiga.
- Vamos logo, nosso horário já vai começar.
Larry guiou o grupo até o guichê de cadastro, pegou os equipamentos e todos foram para o campo de batalha. Cinco contra cinco, sempre enfrentavam um grupo de desconhecidos. Conheciam tão bem todos os esconderijos e escudos que era muito difícil perderem uma partida. Desta vez, eles jogaram contra um grupo de outra sala da escola.
Se separaram em duas subequipes: Samantha, e Clarice se esconderam atrás dos tonéis, enquanto Andrew e Larry correram para descobrir o esconderijo do outro grupo. Entre tiros, correrias e muitas risadas, Andrew perdeu pelo menos quatro vidas para evitar que fosse atingida.
- Nossa, essa foi difícil! Perdi minhas vidas muito rápido, foi um saco esperar vocês aqui fora. – disse Andrew quando viu os amigos saindo pela porta.
- Também, todas as vezes que a estava em perigo, você se jogava na frente do laser! Eu nem sabia onde a Clarice estava, porque dá má sorte ficar do lado dela. – Larry brincou e abraçou a namorada de lado.
- Ei! Tá querendo ficar solteiro? Mesmo longe de mim, você morreu primeiro. Nós só ganhamos porque eu e as meninas somos incríveis nesse jogo. – respondeu Clarice.
Após a partida, Andrew deixou na casa dela. A garota estranhou o carro estacionado do lado de fora, ainda não era horário dos pais estarem de volta do trabalho. Abriu a porta da frente, que dava acesso à sala de jantar e se deparou com os pais sentados com caras estranhas.
- Ela chegou! – disse a mãe, levantando da cadeira.
- Oi, gente! O que está acontecendo? Está tudo bem?
- Querida, sente-se. Temos que conversar. – o pai puxou uma cadeira e os dois sentaram de frente para a garota.
- Vocês estão me assustando...
- Bom, vamos direto ao assunto. Você lembra que a empresa estava recebendo muitos cortes de funcionários nos últimos tempos, certo? O anúncio de hoje foi muito mais drástico. A unidade de Nova Iorque encerrará as atividades. – disse a mãe, com cautela.
- Isso quer dizer que vocês estão desempregados?!
- Não, nada disso! Mas as coisas vão mudar bastante nos próximos dias. A diretoria da sede em Londres nos convidou para trabalharmos lá. O cargo é o mesmo, mas o salário é melhor. Temos três dias para decidir e dez dias para estarmos instalados na cidade. – despejou o pai, temendo pela reação da menina.
- O quê? Temos outra opção? Eles não podem esperar seis meses?
- Não, . Já é um milagre eles oferecerem essa posição pra gente. Precisamos aceitar, é o único jeito. E lá, você estará perto de várias faculdades incríveis!
- Mas e meus amigos aqui? E as minhas chances de ir para Harvard? – perguntou com os olhos marejados.
- Seus amigos podem te visitar quando quiserem, e agora você tem chances de ir para qualquer faculdade na Inglaterra. Não torne isso mais difícil do que é, querida.
- Quando nós vamos embora?
- Na próxima quarta-feira. Vamos aproveitar o final de semana para organizarmos a papelada e empacotarmos as coisas.


Capítulo 3 - So much has changed


não sabia o que pensar. Subiu as escadas num misto de tristeza e conformismo e ligou para Andrew. Ainda não sabia se queria contar para o amigo logo de cara, mas precisava conversar com ele.
- Alô? ? Tá tudo bem?
- Drew... Você pode conversar? – fungou.
- Claro que posso! O que aconteceu? Quer que eu passe aí?
- Não, não precisa! É que aconteceu uma coisa e eu não sei o que sentir – A garota começou a chorar mais forte.
- Calma! Escuta... eu só posso te ajudar se você me contar o que houve.
- Eu vou me mudar! Estarei em Londres a partir de quarta-feira.
Andrew perdeu a voz ao escutar as novidades da menina. Não sabia quem deveria ajudar agora: ela, por estar confusa, ou ele mesmo, por estar perdendo a garota que ama. Depois de alguns segundos de silêncio, o rapaz decidiu ganhar tempo e entender melhor a situação.
- Por que você vai se mudar assim, do nada?
- A empresa que meus pais trabalham fechou a unidade de Nova Iorque, mas eles ofereceram uma oportunidade na sede, em Londres. Não temos saída, sabe? Precisamos do dinheiro para manter a casa, a comida, a escola... Não tem o que fazer.
- Mas eles não podem te tirar da escola no meio do último ano! Isso é loucura! Vamos pensar em alternativas...
- Não tem alternativa! Eu não tenho dinheiro, a minha casa é alugada e minha família está toda do outro lado do país. É o fim da linha.
- Não! Você pode trabalhar com o meu pai, pode morar na casa de um de nós, podemos dar um jeito!
- Não, Andrew! As coisas não são fáceis assim. Meus pais nunca deixarão eu morar sozinha ou com vocês, não tem cabimento! E nós somos uma família, entende? Por mais triste e chocante que seja, precisamos passar por isso juntos...
- ... Eu não sei o que falar. Talvez eu esteja mais triste por mim do que por você. O que eu farei sem te ver todo dia?
- Não fala assim! Você tem as meninas e o Larry. Eu estarei sozinha.
- Não é a mesma coisa. Você não sabe o quanto eu sentirei por você não estar aqui. Eu preciso te ver... Posso passar aí mais tarde?

Capítulo 4 - Unsaid things


Andrew andava de um lado para o outro no quarto enquanto planejava o que diria para a garota. Era isso. Não podia permitir que um oceano os separasse sem que ela soubessse todos os sentimentos que ele guarda desde o primeiro colegial. Tomou banho, se perfumou e vestiu uma camisa que ela já havia elogiado. Inspirou coragem sabe-se lá Deus de onde e dirigiu até a casa dela.
- Oi, Sr. , como vai? Posso entrar?
- Claro, Andrew, a está no quarto.
- Obrigado.
O garoto respirou fundo, bateu na porta e abriu. estava sentada na poltrona, olhando pela janela, perdida em pensamentos.
- Ei...
- Drew! – A menina levantou e abraçou demoradamente o amigo. Algumas lágrimas caíram e ela secou na camisa dele.
- Calma, vai ficar tudo bem! Nós vamos te visitar e logo você será uma escritora famosa e fará várias turnês pelo mundo. Essa é só a primeira das suas grandes mudanças. – Andrew forçava um sorriso e conseguiu arrancar uma risada animada.
- Só você para me fazer rir hoje.
- , sobre isso... Quando você falou que vai se mudar, meu coração parou. Eu simplesmente não sabia o dizer ou fazer e ainda não sei. Só tive a certeza de que eu não posso mais ser só o cara que te faz sorrir por ser um bom amigo. Eu não quero isso! Nunca quis... Então eu vou falar algumas coisas e pode ser que eu me arrependa profundamente, mas...
- Andrew, o que você...
- Não! Deixa eu falar primeiro. Desde quando a gente começou a se falar, lá na oitava série, eu sabia que você era diferente. Eu sabia que eu não queria ser só seu amigo. E quer saber? Esses anos têm sido o céu e o inferno pra mim. Toda vez que eu penso que não tem nada melhor do que dividir uma tarde de filmes com você, lembro que se eu pudesse te abraçar, te beijar e te dizer o que eu sinto, seria mil vezes melhor. Eu sei que isso é a última coisa que você quer ouvir antes de ir embora, mas entenda que a última coisa que eu quero ouvir é que você vai embora.
- Drew, eu nem sei o que pensar. Por que você não me falou antes? A gente podia ter conversado, talvez ter tentado algo...
- Tentado? Eu tenho alguma chance com você?
- Er... Eu nunca pensei nisso, sabe? Mas quem me conhece melhor do que qualquer pessoa? Parece que faz sentido, não é?
Andrew sentou na cama, apoiando a cabeça entre as mãos, sem saber muito bem como digerir tudo que falou e tudo que ouviu. Apesar de querer ouvir que a garota sentia as mesmas coisas por ele, não esperava que ela cogitasse trazer a relação hipotética dos dois para o mundo real.
- Mas, olha, isso não importa muito agora, né? Eu vou embora, nós ficaremos quilômetros e quilômetros afastados... Acho que eu queria que essa nossa conversa tivesse acontecido antes.
- Acho que eu tô mais frustrado por saber que perdi minha chance por covardia do que estaria se você me renegasse totalmente. – Andrew olhava para o chão, com um sorriso triste no rosto.
- Não pensa assim. Você tem certeza do que sente, eu só não descartaria a possibilidade. Pode ser que se nós tentássemos, acabaríamos com nossa amizade, nos machucaríamos.
- Você tem razão. Me desculpa por despejar essas coisas em você, é que hoje ficou difícil demais. Mas vamos tentar não deixar isso estragar seus últimos dias aqui, combinado?
- Nunca estragaria. – abraçou o amigo e pela primeira vez sentiu o coração bater mais forte sem razão.

Capítulo 5 - I'm glad I shared this with you


Andrew e planejaram uma festa de despedida na casa dele. Na terça-feira, todos já sabiam da mudança e estavam decididos a aproveitar até o último instante. O garoto organizou um encontro com todas as pessoas da sala deles, com muita música, bebidas e diversão.
- Você promete que vai pegar o telefone de todos os gatinhos londrinos por mim? – perguntou Samantha, descontraindo o clima pesado.
- Claro! Quando você for me visitar terei uma agenda recheada só para você.
- Vamos lá para fora, o pessoal vai começar a tocar!
Todos seguiam pela porta principal da casa quando Andrew segurou a mão de .
- Nat, você se importa de ficarmos um pouco sozinhos? Queria te mostrar uma coisa.
- Não, tudo bem. – ela seguiu Andrew escada a cima, atravessou o quarto do garoto e foi até a sacada.
- Eu gosto de vir aqui, colocar uma música bem baixinha e tentar achar alguma estrela. Antes de te contar tudo, era aqui que eu pensava em nós dois.
- Ainda é difícil de acreditar que você pensa assim sobre mim.
- É difícil de acreditar que você se surpreende com isso. Qual é? Você é incrível. É quase minha obrigação gostar de você.
- Drew, assim você me deixa envergonhada.
- Não precisa ficar com vergonha, sou só eu. – Andrew disse, se aproximando da garota e encaixando o rosto dela em suas mãos.
, envolvida pelo clima de despedida e pelo sentimento que o garoto nutria por ela, permitiu a aproximação. Andrew inclinou a cabeça até seus narizes encostarem e sorriu. acabou com a distância entre seus lábios e o beijou. Por alguns instantes, ficaram apenas com as bocas encostadas, até que Andrew intensificou o beijo. Com uma mão na cintura e outra na nuca da garota, ele desenhava o beijo para que fosse o mais perfeito possível. Separaram os rostos e se olharam. Não havia culpa ou arrependimento. Só um jeito maravilhoso de dizer adeus.

Capítulo 6 - How did this happen to me?


’s POV
Apesar de estar triste com a mudança, tenho que admitir: Londres é uma cidade muito bonita. Quando chegamos no aeroporto, havia um carro da empresa nos esperando para nos levar à nova casa. O caminho até parecia um cenário de filme. Com todas aquelas casas iguais, de telhados bonitinhos, e ruas largas e silenciosas. O carro parou num sobrado charmoso em Maida Vale, um pouco afastado do centro. Entramos na casa e levamos nossas coisas para dentro. Não trouxemos muito. A casa já estaria mobiliada e com utensílios domésticos. Peguei minhas malas e subi para o meu novo quarto. Era grande, com as paredes brancas com detalhes turquesas e com uma janela ampla, que dava vista para o canal que ligava os extremos da cidade.
Nunca pensei em morar aqui. Nunca pensei em me distanciar dessa forma de todos os meus amigos. Nunca pensei em me afastar de Andrew. Nunca pensei que me sentiria assim se uma dia isso acontecesse.
Desfiz as malas, já pendurando as roupas nos cabides. No bolso da jaqueta que usei na minha festa de despedida, encontrei uma foto de todos os meus melhores amigos. Clarice no canto esquerdo, rindo de alguma coisa que Larry, que estava sentado na mesa do pátio com as pernas nas laterais do corpo da garota, havia dito. Ao lado deles, Samantha, que estava com uma feição de nojo que eu reconheceria em qualquer lugar, já que ela fazia essa cara sempre que o casal expressava seu amor. No canto direito da foto, Andrew, em pé, enquanto eu estava em suas costas e os dois estávamos rindo da situação.
Na parte de trás da foto, havia uma mensagem escrita por Andrew. “I've still got so many unsaid things that I wanna say and I just can't wait another day. I wish she knew I still wait up wondering if she will remember me but there's no way for me to know.” – McFly. E em letras menores, no canto da foto: I still wait up wondering if you will remember me.
Abri o notebook e dei play no CD. Enquanto algumas músicas tocavam, eu estava apenas sentada, olhando para a janela, pensando em tudo que deixei para trás. Até que uma letra me chamou a atenção e abriu uma porta que estava encostada desde o dia da viagem.
“Since she left me
She told me
Don't worry
You'll be ok, you don't need me
Believe me you'll be fine
Then I knew what she meant
And it was not what she said
Now I can't believe she is gone.”

End of ’s POV

Capítulo 7 - Captivated by the way you look tonight


Os primeiros seis meses passaram rápido. Em um piscar de olhos, a garota já havia concluído o ensino médio e estava encaminhada para começar o curso de Literatura Inglesa. Ela conseguiu uma bolsa quase integral em uma das melhores faculdades de Londres, a Imperial College, mas como precisaria pagar uma parte, começou a trabalhar em um pub um pouco distante de sua casa, o Roebuck. Esse pub ficava perto do Richmond Park, uma das maravilhas de Londres, por isso a garota ignorou o fato de ter que fazer um trajeto de pouco mais de uma hora até o trabalho.
teve que pegar o turno da noite, já que passou o dia anterior inteiro estudando. Era uma sexta-feira e ela estava exausta da longa semana. O trabalho era legal, mas exigia muito da garota. Não eram nem sete horas da noite e ela já estava apoiada no balcão, semi-acordada.
- Desculpa te acordar, mas você sabe se a gente já pode montar os instrumentos?
- Hã?
- Somos a banda que vai tocar hoje. Você sabe se já podemos arrumar as coisas? Queríamos passar o som antes de começar.
- Banda? Hm... Deixa eu...
- , o que está acontecendo? Deixe os garotos começarem.
- Desculpe, Eric. Eu não sabia que tinha shows aqui.
- Como não? Nunca veio aqui à noite? Eles tocam aqui todas as sextas. E hoje preciso sair mais cedo, por isso te chamei. Aliás, você que vai apresentar a banda para o público e fechar o bar.
- Meu Deus! Então, posso sair do bar e conhecer os meninos primeiro? Não conheço a banda...
- Claro, leve-os até o palco.
Os garotos seguiram até o palanque equipado com microfones e alguns holofotes. Eles agradeceram e começaram a instalar os instrumentos.
- Então... Como chama a banda de vocês?
- Você não nos conhece? Estou ofendido. – disse um garoto loiro, enquanto afinava a guitarra.
- Nós somos o McFly. Eu sou , esses são e e o engraçadinho ali, é o . – o garoto disse apontando para os amigos.
- Ah, eu tenho o CD de vocês! Gosto bastante das letras, parabéns!
- Prepare-se para nos escutar, somos muito melhores ao vivo. – brincou girando uma nos dedos.
- Quero ver, hein! Se precisarem de mais alguma coisa, estarei ali no balcão do bar.
A garota voltou para o bar e mandou uma mensagem para Andrew. “Drew, McFly is going to present here at the pub I work on. I made myself a fool asking the name of their band, but I’m ok. LOL” (“Drew, o McFly vai tocar aqui no pub em que eu trabalho! Paguei o maior mico perguntando qual era o nome da banda deles mas estou bem. Hahaha”). A relação entre os dois permaneceu a mesma de antes, conversavam todos os dias por mensagens ou ligações, contando tudo o que havia acontecido de diferente em suas vidas, mas nunca relembrando o que ocorreu no dia da festa de despedida da garota. Os dois sabiam que nunca esqueceriam e isso era o bastante.
Depois de algum tempo, voltou para onde a banda estava e perguntou se eles estavam prontos para começar.
- Nascemos prontos! – três garotos falaram juntos e riram.
- Se prepare para o melhor show da sua vida! – disse , com um sorriso de lado enquanto a garota andava até o microfone no centro do palco.
- Com vocês, McFly! – a garota falou sorrindo e aplaudindo a banda.
O show foi bastante animado, as pessoas levantaram e dançaram ao som de algumas músicas. Às vezes, quando a garota olhava para o palco, percebia que estava olhando para ela e sorria.
Assim que o show acabou, os meninos foram sentar nas cadeiras do bar, para conversarem com a garota.
- E então, o que achou? – perguntou assim que a garota entregou uma garrafa de água para ele.
- Muito bom, já tinha ouvido a maioria das músicas, mas realmente ficam melhores ao vivo. – a garota disse, olhando para ao dizer essa última parte.
- Eu avisei! – disse o garoto, sorrindo convencido – E aí, nos conte mais sobre você.
- Hm... Ok. Bom, eu sou de Manhattan, me mudei para cá há pouco mais de seis meses e trabalho aqui para pagar minha faculdade.
- Você morava em Manhattan?! Que legal. E veio para cá por quê? – foi a vez de se pronunciar.
- Me mudei por causa do trabalho dos meus pais. Eles foram transferidos para cá e eu meio que não tive escolha. - a garota falou, com um tom triste.
- Veja pelo lado bom, você pôde nos conhecer – brincou.
Eles ficaram conversando até duas horas da manhã, quando a garota anunciou que precisava fechar o pub.
- E como você vai embora? – perguntou.
- Hm... Boa pergunta. Nunca peguei o turno da noite, mas acho que de ônibus mesmo.
- Sério? Essa hora da noite? Não é melhor você esperar aqui até clarear? – disse, com um tom preocupado.
- É, pode ser. – a garota disse, dando de ombros.
- Nós podemos esperar aqui com você, se quiser. – disse, dando dois tapinhas no ombro de .
- Podemos sim – disse, como se tivesse saído de um transe.
A garota riu e balançou a cabeça positivamente. Ficaram apenas conversando até às quatro horas da manhã, quando teve uma grande ideia.
- Vocês querem ir até o Richmond Park? É aqui perto e deve ser ótimo ver o sol nascer.
- Como uma boa estrangeira, acho que devo fazer isso. – a garota disse, levantando e pegando sua bolsa e casaco.
Eles demoraram cerca de 20 minutos até conseguirem subir todo o Richmond Hill para terem a melhor vista possível.
- Aqui é realmente lindo. – disse, abraçando de lado, arrancando risadas do grupo todo.
- Então, até agora você está gostando da cidade? - perguntou enquanto encarava a paisagem.
- Amando. É tudo maravilhoso, mesmo que eu ainda sinta muita falta de tudo em Manhattan.
- Deve ter sido horrível deixar tudo para trás. – o menino pensou alto.
- Foi. Eu nunca imaginei o quanto doeria deixar todos os meus amigos, toda a vida que eu tinha lá. – a garota disse, suspirando.
- Bom, agora você pode criar novas memórias aqui. Se você quiser, nós podemos participar dessas lembranças.- disse, sentando um pouco mais próximo de .
- Seriam ótimas memórias – disse, rindo de algo que tinha feito.
Depois disso, o silêncio se instalou e todos ficaram apenas admirando o sol nascer. Realmente, aquele lugar poderia ser considerado um dos melhores lugares do mundo.
- Isso é maravilhoso! – sussurrou.
- Realmente. – disse, colocando o braço nos ombros da menina, que sorriu com isso.
- Estou com fome! – gritou com voz de sofrimento.
- Nós vamos descer até o bar agora, nos encontramos lá, ? – perguntou, se levantando.
- Ok, daqui a pouco nós descemos – coçou a nuca.
- Idiota! Acabou com o clima entre ela e o ! – sussurrou, dando um tapa no ombro de .
- Então... Já que você está em Londres agora, o que pretende fazer? – o garoto quebrou o silêncio.
- Bom, eu entrei na Imperial College para cursar Literatura Inglesa, pretendo focar nisso durante um tempo. Começo semestre que vem.
- Vai ser uma escritora de sucesso então? – disse, enquanto se virava para ficar de frente para a garota.
- Espero que sim. – ficou na mesma posição de . – Sempre foi meu sonho escrever.
- E sobre o que você pretende escrever?
- Bom, ainda não sei. Quando entrei no colegial, comecei a pensar em algumas histórias, mas nada se concretizou. Eu sempre imaginei uma narrativa sobre algo ou alguém que atinge algumas pessoas.
- Entendi, isso é uma ótima ideia. Você deveria trabalhar nessa história durante a faculdade. Sei que não sou um escritor e nem formado em Literatura, mas acho que poderia ajudar.
- Claro, toda ajuda seria muito bem vinda. Principalmente de um cara que compõe músicas maravilhosas. – a garota disse, sorrindo.
- É muito fácil compor quando nós estamos inspirados. Cada dia, algo nos surpreende e sempre decidimos escrever sobre aquilo. – disse, tocando a mão de .
- A amizade de vocês com certeza vai me inspirar muito. É como se vocês fossem inseparáveis e soubessem exatamente o que dizer e quando dizer para o outro. – comentou, sentindo o carinho que fazia em sua mão.
- Menos o , ele não tem essa conexão. – riu, lembrando do que aconteceu anteriormente. – Mas, pelo menos ficamos sozinhos com a interrupção dele.

Capítulo 8 - We've got no worries in the world


sorriu, abaixando a cabeça e sentiu um pingo cair do céu e parar exatamente na mão que estava segurando.
- Vai começar a chover. – ela comentou, levantando a cabeça e olhando para o céu. – Melhor descermos.
- É melhor.
Os dois levantaram e correram rindo, de mãos dadas, os 20 minutos necessários para entrarem novamente no Roebuck.
- Vocês ainda estão aqui! – disse, arrumando os cabelos e tentando deixá-los menos molhados.
- Eu precisava comer, então fomos a uma lanchonete aqui perto, daí começou a chover e entramos aqui de novo. – disse, depois de engolir um pedaço de seu lanche.
- Trouxemos para vocês também. – disse, entregando os lanches para os dois. – A gente não sabia se vocês estavam com fome...
- Se não estiverem, podem dar que eu como. – cortou o amigo, de boca cheia.
Todos terminaram de comer e pegaram um ônibus para acompanhar até sua casa.
- Vocês sabem que não precisavam vir comigo né? É realmente muito longe e vocês nem têm o que fazer em Maida Vale. – a garota disse, pela décima vez, quando chegaram na rua de sua casa.
- Nós te prendemos no trabalho, acho que foi bastante justo. – disse, rindo.
- É, você deveria ter ido embora há cinco horas, isso é o mínimo que podemos fazer. – falou, abraçando a garota quando ela sinalizou que eles haviam chegado.
- Eu acho que vi um cisne naquele lago. – disse, olhando para e com uma expressão de que deveriam deixar e a sós.
Os três se despediram da garota, que riu quando quase caiu enquanto ia até o lago.
- Acho que a gente se vê na próxima sexta, então? – perguntou, caminhando até a porta da casa.
- Bom, nunca fico no turno da noite, mas acho que realmente vale a pena dormir mais tarde por causa da companhia de vocês. – falou, sorrindo e virando para encarar o garoto.
- Então seria melhor você me passar seu número, caso haja algum imprevisto e a gente tenha que se ver fora do pub. – disse, sorrindo de lado.
- Péssima desculpa para conseguir o telefone de uma garota, . – disse, enquanto digitava seu número no celular do garoto.
- Foi a única que encontrei, achei que seria melhor falar isso do que “Passa aí seu número, .”, pensei que soaria meio rude. – riu, enquanto colocava o celular de volta no bolso. – Acho que nossa noite acaba por aqui então.
- Boa noite, . – a garota sorriu, dando um leve beijo na bochecha do garoto.
- Boa noite, . Assim que acordar, checa o seu celular. – piscou e saiu depois que a garota entrou pela porta, sorrindo.
entrou em casa, percebeu que tudo estava em silêncio e agradeceu mentalmente por isso. Não queria que seus pais vissem que ela chegou às 7 horas da manhã quando saiu de casa às 17 horas do dia anterior. Subiu as escadas, entrou em seu quarto e tomou um banho para se aquecer. Vestiu seu pijama e adormeceu pouco tempo antes de seus pais acordarem.
Dormiu até às 16 horas de sábado e quando acordou, lembrou do que disse: “Assim que acordar, checa o seu celular.”. E foi exatamente o que ela fez.
“’Hey! I really wanna be friends girl, I wanna wake up in your world’ We started to write a song about you, I hope you don’t mind, because even if you do, we’ll use you as an inspiration for a while anyway. .” (Começamos a escrever uma música sobre você, espero que você não ache ruim, porque mesmo se achar, usaremos você como inspiração durante um tempo.)
“I think I’m going to use you guys as an inspiration too, so I don’t mind by now. But don’t take advantage from it. LOL. .” (Acredito que eu também os use como inspiração, então eu deixo por enquanto. Mas não se aproveite disso, mocinho.)
“We are all at home, we’ll order a pizza later and watch some movies. I think you should come. .” (Estamos todos em casa, vamos pedir uma pizza mais tarde e assistiremos a uns filmes. Eu acho que você deveria vir.)
“Can I read all the songs you wrote about me? .” (Vou poder ler todas as letras que vocês fizeram sobre mim?)
“Well, not right now, but when we play it at a concert, you will definitely know they’re about you. .” (Bom, no momento não, mas quando tocarmos em algum show, você com certeza saberá quais são sobre você.)
“Ok, but I don’t know how to get to your house. .” (Ok, mas eu não sei chegar até a casa de vocês.)
“I’ll pick you up with ’s car, be ready. Xx, .” (Vou te buscar com o carro do , esteja pronta!)
“I will. Xx, .” (Estarei.)
A garota levantou da sua cama, escreveu um bilhete para seus pais dizendo que iria para a casa dos seus amigos e que voltaria provavelmente à noite, mas que eles não precisariam se preocupar. Colocou o bilhete em cima de sua cama para começar a se arrumar. Tomou um banho, escovou os dentes e penteou os cabelos. Optou por uma roupa básica. Como ela só ia até a casa dos garotos e não queria parecer tão arrumada, passou apenas um rímel nos cílios e desceu até a sala.
Colocou o bilhete em uma mesinha que ficava perto da porta e decidiu comer alguma coisa só para não ir com o estômago vazio. Assim que terminou de comer, escutou alguém bater à sua porta e deduziu que fosse .
- Pensei que fosse acordar apenas à noite. – o garoto falou, encostado na parede do lado de fora da casa de .
- Bom, quase à noite. Tinha que me recuperar da corrida de ontem. – disse, rindo e fechando a porta atrás de si.
deu um beijo na bochecha da garota e os dois caminharam até o carro. A casa deles ficava há 30 minutos de Maida Vale e ela era realmente linda. A fachada lembrava as casas antigas que aparecem em filmes, mas ela era realmente grande. Assim que chegaram na porta da casa, , e cumprimentaram , respectivamente.
- Estamos vendo De Volta Para O Futuro, espero que você goste. – disse, se jogando no sofá de sua sala.
- Eu nunca assisti, mas dizem que é muito bom. – falou, se sentando ao lado de .
- Foi daí que tiramos o nome da banda. A gente curte bastante esse filme. – disse, antes de bocejar.
- Vocês já compraram a pizza? – perguntou.
- Ainda não, estávamos esperando por vocês.
- Eu podia cozinhar para vocês – disse, com um sorriso no rosto.
- E você sabe cozinhar? – perguntou, com um tom preocupado.
- Claro que sei, chato. – levantou e deu um tapinha no ombro de . – Eu sempre cozinho quando estou nervosa. Não é o caso, mas posso abrir uma exceção.
- E qual será o cardápio de hoje, senhorita? – perguntou, fazendo reverências.
- Não sei... O que vocês têm aqui? – a garota olhou ao seu redor.
- Faz um tempo que não fazemos compras. Teremos que ir ao mercado se não quiser fazer uma comida de salgadinho e cerveja. – falou, rindo da ideia.
- Ótima receita. Mas acho que eu não provaria meus dotes culinários para o aqui com esses ingredientes. – fez uma careta para .
Os cinco foram até o carro de e com no volante, no banco do passageiro e os três que restaram atrás, seguiram viagem até o supermercado mais próximo.
- Nossa, eu amo essa música! Aumenta, por favor, . – pediu, fingindo que sua mão era um microfone e acompanhando a letra da música.
“Beauty queen of only eighteen
She had some trouble with herself
He was always there to help her
She always belonged to someone else

I drove for miles and miles
And wound up at your door
I've had you so many times but somehow
I want more

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
She will be loved

Tap on my window knock on my door
I want to make you feel beautiful
I know I tend to get so insecure
It doesn't matter anymore.”

- Você canta bem! – disse, olhando para a garota.
- Obrigada. – a garota riu e encarou os olhos azuis do garoto.
- Chegamos! – anunciou, batendo a porta do carro ao sair, tirando os dois do transe em que se encontravam.
- Do que vocês gostam? – perguntou assim que entraram no mercado. – Comida italiana, japonesa, chinesa, francesa...
- Qualquer tipo de comida é comida. – disse, num tom brincalhão.
- Acho que eu posso fazer peixe empanado com batata frita e de sobremesa, um Summer Pudding. Sempre quis comer, mas nunca tive a oportunidade.
- Eu aceito, os dois são ótimos. – falou, passando a mão na barriga.
- Eu também topo. – e disseram ao mesmo tempo.
- Do que você precisará, mademoiselle? – fingiu um sotaque francês nessa última palavra.
Os cinco riram e se divertiram bastante enquanto faziam as compras. Depois, quando passaram no caixa, perceberam que precisavam ir mais vezes ao supermercado.
Na volta, trocou de lugar com , que alegou estar com muito sono para dirigir e dormiu no banco de trás, acompanhado pelo ronco de no banco do passageiro. Chegaram em casa em apenas dez minutos.
- Finjam que eu estou dormindo, assim como os outros dois. – disse, deitando no sofá da sala e aumentando o som da TV.
- Ele é louco. Não ligue! – disse, rindo da situação.
- Todos vocês são, pelo menos um pouco. Mas isso só deixa tudo mais engraçado. – riu e colocou as sacolas do mercado em cima do balcão da casa dos garotos.
- Sabia que você iria adorar sair com a gente. – ajudou a garota a separar as compras.
- Eu realmente amei esses dois dias. A experiência londrina tem sido ótima. – virou para e olhou em seus olhos.
- É bom saber que melhoramos sua visão sobre Londres. – fez um carinho na mão de , que estava repousada no balcão.
- Melhoraram bastante, por sinal. – a garota voltou sua atenção para os ingredientes. – Melhor eu começar com isso, senão me mata.
- Ele não faria isso. – riu, tirando sua mão de cima da de . – Pelo menos não enquanto eu estiver aqui. – o garoto pegou as panelas e colocou ao lado dos itens comprados.
- Fique por muito tempo, porque eu não tenho ideia de como fazer a sobremesa e ele parece estar faminto. - disse, preparando tudo para empanar o peixe.
- Não pretendo sair daqui tão cedo. – ajudou a garota, cortando os peixes em filés menores.
Ao ouvir aquilo, corou, abaixou a cabeça e soltou um risinho abafado.
- Você fica tão fofa quando está com vergonha. – ele fez um carinho na bochecha da garota.
- Você só está piorando a situação. – encarou o garoto, sorrindo.
- Pra mim, está cada vez melhor. Mas, já que está incomodada, vou ver o que os outros estão fazendo. Já volto. – deu um beijo no canto da boca da garota, sorriu e saiu da cozinha.
- Londres está me surpreendendo cada vez mais! – a garota sussurrou, rindo com seu pensamento.

Capítulo 9 - I love it when our hands touch


, , e voltaram e ajudaram a terminar os pratos.
- Você, realmente, sabe cozinhar. – tomou um gole de seu refrigerante.
- É, isso está maravilhoso. – colocou o último pedaço de seu pudim de frutas vermelhas no garfo.
- Eu estou muito cheio, mas não consigo parar de comer isso. – se jogou na cadeira e fez uma cara de sofrimento.
- Bom, eu nunca duvidei do seu lado Chef de cozinha, mas isso me impressionou bastante. – roubou uma amora do prato de .
- Obrigada gente, modéstia a parte, eu cozinho muito bem. – levantou seu copo e fez uma cara convencida.
- Foi bom enquanto durou, mas vou deitar porque estou me sentindo realmente pesado. Boa noite. Obrigado pelo jantar. – levantou da mesa, colocou seu prato na cozinha e subiu para o quarto.
- Vou dormir e sonhar com sua comida, . Agradeço a mim mesmo por ter duvidado de você! Boa noite. – levantou, deu um beijo na bochecha da garota, colocou seu prato na pia e subiu.
- Nem preciso falar que engordei uns cinco quilos só por hoje né? Mas todas as mudas de alface compensarão essa comida perfeita! Boa noite, casal. – levou o prato até a cozinha, piscou para e subiu.
- Bem conveniente! – gritou para , que estava no meio da escada.
riu, levantou e foi lavar as louças.
- Pode deixar comigo, eu lavo. – se ofereceu, tirando as louças da mão da garota.
- Não, imagina, eu lavo. Não se preocupa. – se voltou para a pia, tentou ligar a torneira, mas segurou sua mão.
- Deixa comigo! – ele olhou nos olhos da garota e afastou sua mão da pia.
- Ok, mas eu guardo então. – desistiu, tomou impulso e sentou na bancada ao lado da pia. – A casa de vocês é bem legal.
- Valeu, a gente comprou ela com o dinheiro dos shows. Guardamos durante dois anos antes de conseguirmos fazer alguma coisa com ele. – riu.
- Bom, se sinta feliz, eu conheci vocês em Manhattan.
- Sério? Como assim? – parou de lavar as louças para olhar para a garota.
- Bom, o Andrew me deu um CD de vocês, disse que tinha visto na MTV que vocês se baseavam nos Beatles e em caras desta época e achou que eu gostaria das suas músicas.
- Ah! Entendi. Andrew é seu namorado? – soou um pouco enciumado.
- Não, não. Ele é meu melhor amigo. Nos conhecemos desde a oitava série. – decidiu que seria melhor omitir o que aconteceu em sua despedida. – Ele é um dos motivos que me fazem sentir tanta falta de Nova Iorque.
- E quando você vai visitar todo mundo lá?
- Bom, não sei. Como acabei de chegar aqui, não sei o que me espera. Ainda tenho que começar a faculdade e conseguir um dinheiro extra para viajar, mas espero que logo. – disse, observando a piscina do lado de fora da casa deles pela janela da cozinha.
- Terminei! – anunciou.
Os dois guardaram as louças em seus devidos lugares. A garota precisou da ajuda de , já que não sabia onde colocar tudo.
- Quer ficar ali perto da piscina? – o garoto colocou os panos nos lugares.
- Pode ser. – sorriu. Os dois caminharam até um sofá que ficava perto da piscina em silêncio. Era uma noite de inverno bastante atípica. A brisa estava fresca, não gelada. O clima era bastante agradável.
- Como é o inverno em Manhattan? – virou o corpo para a garota.
- Bem diferente do clima de agora. Normalmente está sempre frio. Temos que sair sempre com dois ou três casacos grossos para suportar o vento. – virou de frente para . – Você nunca esteve em Nova Iorque?
- Não, todas as vezes que viajei, fiquei pela Europa. Nunca saí daqui.
- Eu nunca tinha saído dos Estados Unidos antes de vir para cá, mas é uma experiência incrível.
- Realmente tem sido incrível. – tocou carinhosamente a mão de .
Os dois ficaram apenas se encarando por alguns segundos. A luz do lado de fora não estava intensa, apenas a claridade que vinha da cozinha iluminava os dois, fazendo com que apenas metade de seus rostos ficasse completamente visível.
- Eu adoro quando você faz isso. – olhou para suas mãos.
- Se eu disser que você está linda, você vai ficar vermelha? – perguntou, sorrindo de lado.
- Eu provavelmente já estou, mas você não pode ver. – olhou nos olhos de .
- Então vou falar, assim você se prepara para todas as outras vezes em que eu vou dizer isso. – se aproximou um pouco da garota. – Você está completamente perfeita. E não só essa noite. Você é completamente perfeita.
se arrepiou e sorriu sem jeito.
- Obrigada. Você é completamente adorável também! – encarou o garoto, que estava a poucos centímetros de distância de seu rosto.
- Bom saber! – deu seu melhor sorriso e se aproximou lentamente da garota.
- Ah, desculpa! Eu tenho que atender. – se levantou e atendeu o celular que estava vibrando em seu bolso. – Oi, mãe! Não, eu estou na casa dos meus amigos, por que? Ah, entendi. Ok, beijos mãe, te amo, até amanhã. – a garota desligou o telefone e sentou novamente no sofá. – Desculpa, minha mãe disse que ela e o meu pai não voltarão para casa hoje e pediu para eu voltar para casa o mais rápido possível.
- Não, tudo bem. Já vai querer ir para casa então?
- Acho que é melhor. Mas não precisa me levar, eu posso pegar um ônibus daqui ou chamar um táxi.
- Imagina, eu te trouxe, te levarei também! Só vou avisar o que vou sair com o carro dele, já volto. – entrou na casa e subiu as escadas.
- “Acho que é melhor”?! Que tipo que garota sairia correndo quando estava prestes a beijar um cara como ele. Que pessoa estranha. – sussurou enquanto pegava seu casaco e esperava por na sala.
- Vamos? – o garoto surgiu com a chave do carro na mão.
- Vamos.
Durante todo o trajeto, os dois nem se olharam direito. Apenas escutaram as músicas com atenção e olharam a rua.
- Obrigada pela noite, foi maravilhosa. – disse, assim que pararam em frente a sua casa.
- Obrigado pela comida, estava ótima. – sorriu.
- Era o mínimo que eu podia fazer.
Os dois se olharam por cinco segundos, até que a garota interrompeu todos os seus pensamentos, sem muita vontade de fazê-lo.
- Bom, vou entrar! Obrigada, de novo. – sorriu, tirou o cinto de segurança e deu um beijo na bochecha do garoto. – Até sexta-feira! – abriu a porta do carro e caminhou até a porta de casa.
- Espera! – correu para alcançar a garota. – Você não quer assistir ao De Volta Para O Futuro um dia desses? De verdade, agora?
- Hm... Eu adoraria. A gente pode marcar então. – sorriu.
- Ok, eu disse que você ficava linda envergonhada, mas não tinha reparado no seu sorriso. Não sei como você fica mais bonita. – riu.
- Eu acho que você deveria parar de me causar isso! – disse, abaixando a cabeça e rindo. – Eu devo estar muito vermelha agora. – cobriu o rosto com as mãos.
- Você está linda, como sempre. – tirou as mãos de delicadamente, deixando seu rosto a mostra. – Boa noite, .
- Boa noite, . – disse, olhando diretamente em seus olhos.
Ficaram assim até que sorriu e percorreu o caminho até o seu carro, com as mãos no bolso. Assim que abriu a porta, escutou a partida do carro.

Capítulo 10 - We're gonna catch the waves


- Pessoal, a tarefa principal dessa aula só termina daqui quatro anos. No fim do curso de literatura, eu quero que vocês entreguem um livro inspirado em algo que te toque de alguma maneira, feliz ou triste. O importante é lembrar que esse é o primeiro livro de vocês, então escolham com cuidado e boa sorte. – disse o Professor Murray.
A amizade de e só se fortaleceu até o começo do semestre. Mesmo que houvesse um clima entre os dois, o laço era maior do que um romance de verão. Depois de um mês conhecendo os garotos, chegou a hora de voltar à realidade. A primeira semana de aula passou rápido. A rotina de trabalho e faculdade era exaustiva, porém nada fazia com que ficasse fora da sala acústica da casa dos meninos.
- Pronta para aproveitar o dia de folga? – estava encostado no carro, com os braços cruzados e usando óculos escuros que o deixavam atraente.
- Sempre pronta! Já sei quais são os covers de hoje: Over My Head e Hey There Delilah.
- Só se for um dueto! – piscou e abriu a porta para a garota entrar.
A tarde de ensaios passou voando. Os garotos treinaram os covers de Beatles já conhecidos e novas músicas que escreveram nos últimos meses. Perto das sete da noite, todos estavam sentados no chão do estúdio comendo pizza e planejando o final de semana.
- Dudes, tive uma ideia! Meus pais alugam um chalé na praia de Whitstable e está livre esse final de semana. O que acham de irmos? – falou animado.
- Nossa, cara. Por mim está fechado! – concordou.
- Ah, gente, vão mesmo. Vai ser super legal! – falou, incentivando os amigos e fugindo da viagem.
- Como assim “vão mesmo”? Você está incluída nos nossos planos! Podemos passar na sua casa daqui a pouco. Você faz uma mala e nós voltamos no domingo à noite. O que acha? – se animou com a ideia de passar o final de semana diferente ao lado da garota.
- Se não for atrapalhar vocês, eu adoraria conhecer as praias daqui.
- Então, está fechado! Vamos fazer as malas.

Capítulo 11 - It's just a different game to tell you how I feel


’s POV
O caminho até a praia foi animado, com músicas e histórias engraçadas. Em pouco mais de uma hora, chegamos até a costa e entramos no chalé. Era uma casinha típica europeia, simples e charmosa. Como a casa tinha três quartos, os meninos se dividiram em duplas e eu fiquei com um quarto só para mim. Chegamos à noite, arrumamos as malas nos quartos e fomos dormir. Apesar de estar cansada pelo longo dia, estava impossível pregar os olhos. Resolvi acender a luz e escrever um pouco. Passei quase meia hora trabalhando no projeto da faculdade. Escutei uma batida na porta e uma fresta se abriu.
- Ainda acordada? – colocou a cabeça para dentro do quarto, como se pedisse permissão para entrar.
- Estou sem sono. Quer entrar?
- E o que você está fazendo? Escrevendo? – sentou na cama e tentou enxergar o que eu digitava no meu notebook, mas fechei-o antes de ele conseguir.
- Só rascunhando algumas ideias, nada de importante.
- Então vamos fazer um jogo! Se eu fosse um personagem de uma história sua, como você me descreveria?
- Hm... Um garoto carismático, comprometido com seus sonhos, que se importa bastante com os amigos e faz tudo pela música. Ah! E com um belo sorriso. – falei em tom de brincadeira, mas era verdade. tem todas as qualidades para conquistar qualquer pessoa rapidamente. Seja como amigo ou não.
- Assim parece que eu sou ótimo, mas é só porque você não conhece o meu lado ruim.
- Acho que prefiro assim. E você, como me colocaria numa música?
- “She looked incredible, just turned seventeen. I guess my friends were right, she's outta my league. So what am I to do? She's too good to be true.” – ele cantou, enquanto fazia careta de sofrimento.
- Bela música, mas eu não tenho dezessete anos. – dei risada para disfarçar a timidez.
- Você entendeu a ideia, vai. – ele pegou em minha mão e me encarou por um tempo. Seus olhos queriam me dizer alguma coisa, mas eu já não sabia o que fazer.
- Er... Acho que eu já vou dormir. Quero acordar cedo para aproveitar o máximo que puder. Boa noite, . – o acompanhei até a porta e dei um beijo em sua bochecha.
- Boa noite, . Acordei cedo e tentei evitar os pensamentos quanto à noite passada. Esforço totalmente jogado fora, já que só de pensar em tomar café, meu estômago revirava. Tomei coragem e fui até a cozinha. A casa estava silenciosa, todos ainda dormiam. Fiz algumas panquecas e sentei à mesa.
- Bom dia! – entrou na cozinha com roupas de praia e uma prancha.
- Hm... Quer dizer que o mocinho sabe surfar? – eu perguntei, fazendo graça para o garoto.
- Claro que sei! É pré requisito básico para solteiros. – piscou me fazendo rir.
- Vocês já estão indo? – perguntou, com uma cara de sono, mordendo uma maçã.
- Ah! Como vamos ficar por pouco tempo, pensei em aproveitar o máximo possível. – eu levantei, revelando a saída de praia.
- Nossa, que pique! Os caras ainda estão dormindo. Eu pensei em dar uma pedalada antes de ir à praia. Mas se vocês quiserem ir, a gente se encontra aqui à tarde.
- Você se importa de ter só a minha companhia, senhorita?
- Claro que não, . Mas entendo se você quiser ir mais tarde.
- Não, vamos agora.
Caminhamos até a praia em um silêncio confortável. Escolhemos o lado mais deserto da praia e sentamos, apreciando o mar e escutando o barulho das ondas. parecia um pouco inquieto e pensativo. Depois de um tempo, ele quebrou o silêncio.
- Posso te perguntar uma coisa? – olhou para mim.
- Hm... Vamos fazer uma troca: você tem direito a duas perguntas e eu as responderei da melhor maneira possível. E depois, eu farei duas perguntas e você será obrigado a respondê-las.
- Combinado! Você começa.
- Você acredita que o McFly é o seu futuro?
- Eu tenho certeza. Não tem nada que me deixa mais feliz do que música. E o melhor é que sempre que me sinto bem em outra parte da minha vida, eu consigo traduzir isso em arranjos. É realmente muito legal. OK, primeira pergunta: seu coração pertence a alguém do outro lado do oceano?
- Direto ao ponto! Não, meu coração é bastante meu. Nunca me envolvi o suficiente com alguém, então lá deixei apenas amigos. Minha vez: você já sentiu arrepios e borboletas no estômago por alguém?
- Por você.
End of 's POV

Capítulo 12 - She rocks my world


’s POV
De onde eu tirei a coragem para dizer aquilo? Mais que isso, por que eu o fiz? Aqueles foram os segundos mais longos que eu presenciei em toda a minha existência. Durante esse tempo, que podemos considerar uma década, eu fiquei apenas encarando a garota, que tinha um sorriso quase formado em seus lábios e parecia não conseguir desviar seu olhar do meu.
Enviei uma mensagem ao meu cérebro, pedindo para ele voltar ao local de onde tirou a determinação para me fazer dizer o que eu havia dito e me aproximei lentamente da garota. Quando senti nossos narizes tocarem, dei o melhor sorriso que consegui e cortei o espaço restante entre nós assim que percebi que não sabia se seria melhor olhar em meus olhos ou encarar os meus lábios.
Nossas bocas permaneceram encostadas até que eu decidi aprofundar o beijo, colocando uma mão na cintura de e a outra em sua nuca. Sentia sua mão acariciando minha coxa e a outra deslizando do meu pescoço para meu peito. Depois de um tempo, cortou o beijo, mordendo meu lábio inferior e me dando um selinho.
- Ok, eu ainda tenho uma pergunta restante. – falei, depois de nos encararmos sorrindo por uns cinco segundos.
- Certo, pode falar. – riu baixinho.
- Você ainda duvida que saber surfar pode adiantar bastante as coisas? – lembrei da pergunta que ela tinha feito quando desci com minha prancha, fazendo-a gargalhar.
- Hm... bom, não foi só essa sua habilidade, mas acho que podemos classificar essa prancha como seu amuleto de sorte. – ela sorriu e voltou a encarar o mar.
- Ainda está gostando de morar em Londres?
- Cada vez gostando mais. – sorriu e olhou para mim, me fazendo sorrir de lado, me inclinar e dar um selinho nela. – Se aproveitando dos poderes da sua prancha, que absurdo, senhor .
- Tenho que usá-los enquanto estamos aqui. Na cidade vai ser um pouco estranho andar como um surfista. – ri, passando o braço ao redor da cintura de .
- Queria entrar na água, mas acho que não vai ser muito possível no inverno. – falou com um tom triste, encostando a cabeça no meu ombro.
- A gente pode tentar. – levantamos e fomos até o mar.
Péssima ideia. A água estava quase virando uma pista de patinação no gelo e não conseguimos aguentar nem um minuto nela.
- Acho que agora preciso de um banho fervendo para recuperar a temperatura normal de um ser humano. – estava com os lábios roxos e abraçando a si mesma.
- Ok, da próxima vez eu deixo você falando sozinha. – ri e abracei a garota de lado enquanto caminhávamos até o chalé dos pais de .
- Já chegaram? O tinha acabado de avisar que vocês tinham ido até a praia. – parou de mexer no controle da TV para prestar atenção em nossa situação.
- teve a brilhante ideia de entrar no mar nesse inverno. Quase viramos pedras de gelo. – ri, recebendo um soquinho no ombro.
- Ei! Eu só comentei, você que levantou com seu “a gente pode tentar”. Ninguém te obrigou, queridinho. – disse, com um tom indignado.
- Ok, casal, só perguntei, não quero causar discórdia. – riu e voltou sua atenção para a TV novamente.
- , você vai fazer nosso almoço né? – , que estava deitado no outro sofá, fez cara de cachorro sem dono, olhando para .
- Já vi que vou virar a cozinheira particular do McFly. – a garota foi até a escada, rindo. – Mas, posso fazer sim, só vou tomar um banho bem quente e começo.
Segui pelo corredor e a alcancei antes que entrasse no banheiro. Apesar de mal acreditar no que havia acontecido, eu precisava saber como agir na frente dos garotos.
- Ei, , eu quero saber o que acontece agora...
- Como assim?
- Bom, como nós vamos agir na frente das pessoas? Se é que existe um “nós”. – perguntei meio sem jeito, querendo que um raio caísse na minha cabeça de tanta vergonha.
- Ah, ... Acho que é melhor deixarmos entre nós, por enquanto. A gente não sabe o que vai acontecer, você tem a banda, eu, a faculdade e nós somos amigos. Vamos só deixar rolar, o que você acha?
- Claro, deixar rolar, também pensei nisso. Então esse será nosso segredo. – pisquei para ela e me afastei, sentindo uma grande apunhalada no peito.
Deixar rolar? Já tinha rolado, já tinha ultrapassado os limites da amizade. O que será que ela precisa para perceber?
End of ’s POV

Capítulo 13 - Fairytale got twisted and decayed


O resto do final de semana passou rápido. No caminho de volta, e os amigos ficaram presos no trânsito e a viagem demorou o dobro do esperado. Enquanto isso, a garota aproveitou para tirar um cochilo no banco de trás. Entre uma curva e outra da estrada, ela acabou escorando no ombro de , que a acolheu carinhosamente.
- Vocês ficam bonitinhos juntos, sabia? – olhou pelo retrovisor enquanto dirigia.
- Ficam mesmo, estava reparando isso ontem. Acho que você deveria investir, cara. – bateu na perna do amigo.
- Claro que não, parem de encher o saco. Ela não faz meu tipo.
- Acho que você está falando besteira. – apontou com a cabeça para , que se mexia no banco.
- Mas é verdade, ela pode ser bonita e legal, mas é meio mimadinha e muito apegada à galera dos Estados Unidos. Acho que mesmo se eu deixasse alguma coisa rolar, dificilmente me envolveria.
- Tudo bem, você nos convenceu. Vamos fazer dela nossa fã número um então, nada de namorada. – disse , brincando com o amigo e encerrando o assunto.
, apesar de sonolenta, escutou tudo que disse. Ela não imaginava, quando pediu para deixar as coisas rolarem, que o garoto pensasse tudo aquilo dela. Se ela não valia a pena, o que restava para tentar? Os pensamentos consumiram o resto da viagem e em pouco tempo, o carro estava estacionado em frente à casa de .
ajudou a garota a levar a mala até a porta.
- Está entregue! Se você quiser, posso passar no pub amanhã às seis. Vamos ensaiar à noite.
- Obrigada, , mas tenho algumas coisas para resolver amanhã.
- Sério? Alguma coisa em que eu possa te ajudar?
- Não, tudo bem, eu me viro sozinha. – deu um soquinho no ombro do amigo e se virou para a porta.
- Bom, ok então. Até mais.
- Até. – a garota acenou já dentro de casa e fechou a porta.
. subiu as escadas e largou a mala no chão do quarto. A garota acelerou o passo em direção a cama, pretendendo se jogar e acordar só no outro dia, quando viu um pacote.
O embrulho de papel pardo tinha um cartão branco. “For your dreams to be written like the greatest successes of literature. With love, Drew.” (Para que seus sonhos sejam escritos como os grandes sucessos da literatura. Com amor, Drew.). A garota desembrulhou o pacote e encontrou uma belíssima máquina de escrever. Sempre teve uma queda por artigos antigos e o amigo sabia disso. Mesmo com a distância, ela sabia que Andrew sempre conseguiria colocar um sorriso em seu rosto.
desceu as escadas quando sua mãe a chamou para jantar. Sentou à mesa e encarou tediosamente a comida. Os pais estranharam o comportamento da garota.
- O que houve, querida? Voltou tão triste da viagem.
- Nada, mãe. Acho que estou com saudades dos Estados Unidos, é só isso.
- Não se divertiu com seus novos amigos?
- Não é isso, eu me diverti, foi uma viagem legal. Mas sinto falta dos meus amigos antigos. O presente que o Andrew me enviou só aumentou a saudade.
- Não fique triste. Foque na faculdade e coisas boas acontecerão. Quem sabe o Natal não te traga surpresas.
“Quando saímos de manhã para trabalhar ou estudar, temos o dia planejado. E por mais que as probabilidades sejam pequenas, o inesperado pode te encontrar a cada esquina. Foi o que aconteceu comigo, eu só não sabia na época. Todas as mudanças da nossa vida estão amarradas, cada passo leva a outro e nós sempre acreditamos que todos eles juntos nos levarão a algum lugar. Acontece que esses passos são muito melhores quando nos levam a alguém.”

Capítulo 14 - Everybody likes to party on a saturday night


Segunda-feira sempre foi difícil para . Aquela não havia sido diferente. Após acordar atrasada e perder um ônibus, a garota atravessou o campus da faculdade correndo. Chegou na sala de aula e viu todos os colegas de classe separados em duplas. Perfeito! Apenas mais uma coisa para estragar seu dia.
- Senhorita , isso são horas? Não desperdice meu tempo com explicações. – Professor Murray despejou assim que a menina fez menção de se justificar. – Sente-se ao lado da Senhorita . Ela te explicará o trabalho de hoje.
olhou para a classe procurando uma única garota sozinha. Ela ainda não conhecia quase ninguém da sua sala, muito menos por nome. Vendo a expressão perdida da garota, , sua dupla para este trabalho, acenou, chamando-a para sentar a seu lado.
- Senhorita ? – riu, sem jeito. - Pode me chamar de . Muito prazer. Você deve ser a Senhorita .
- , por favor. – a garota sorriu. – Então, o que eu devo fazer?
As duas horas passaram rapidamente enquanto as garotas trabalhavam em suas tarefas que deveriam ser entregues no fim da aula. Quando foram liberadas, e foram até a lanchonete da faculdade.
- Ok, tópico: música. Qual sua banda favorita? – perguntou, se sentando na frente de com seus copos de café na mão.
- Bom, gosto bastante de uma banda chamada McFly. Você não deve conhecer, acho que eles não fazem muito sucesso fora de Londres.
- Você está brincando? Eu conheço eles. Eles tocam todas as sextas no pub em que eu trabalho. – disse, rindo da coincidência.
- Sério? – fez cara de espanto. – Eu venho tentando encontrá-los por aqui, mas acho que o fato de eu morar em Essex dificultou as coisas. Mas, então, você é amiga deles?
- Nós já saímos todos juntos, mas não sei se posso ser considerada amiga. – abaixou a cabeça e sorriu, olhando para o café. – Por que você não vai ao Roebuck esta sexta? Eles provavelmente vão tocar lá.
A semana passou rapidamente e num piscar de olhos já era quinta-feira. e foram se conhecendo cada vez mais e se tornaram amigas bem próximas naquela mesma semana. Sempre iam juntas até a saída da faculdade e só se separavam quando o ônibus para Maida Vale chegava. Nesse dia, não foi diferente. As duas amigas conversaram animadamente na frente da faculdade.
- Ei, . – uma voz masculina anunciou, fazendo com que a garota torcesse para que não fosse . Não poderia lidar com isso. Não agora, pelo menos.
- Ah! Oi, . – sorriu e ouviu um barulho de espanto vindo da garota ao seu lado. – Nossa, quase esqueci. Essa é . , .
- Oi. – essa foi a única palavra que conseguiu pronunciar, depois de muito esforço, fazendo com que quase não conseguisse conter uma risada.
- Então, em que posso ajudar, senhor ? – preferiu ajudar , dando tempo para ela se recompor.
- Vim te convidar para uma festa que eu e os garotos daremos em nossa casa, neste sábado. – sorriu, olhando para a garota ao lado de . – Você devia ir também. Sei que não me conhece, mas será bem legal.
- Claro. Quero dizer, se a for... – olhou para a garota, com uma expressão de súplica.
- Bom, ainda não sei se vou. Talvez eu tenha que trabalhar no final de semana. Mas, obrigada pelo convite. Qualquer novidade, eu te aviso.
- Tudo bem então, a gente se vê amanhã, certo?
- Certo.
As garotas acompanharam com o olhar enquanto ele se dirigia até seu carro.
- Ei, ... Espero te ver sexta no Roebuck. – piscou para a garota, entrou no carro e deu partida.
- Ok... Essa foi a coisa mais inesperada e mais incrível que aconteceu comigo nos últimos anos. – disse, com um sorriso no rosto. – Você precisa ir nessa festa. Não só pelo fato de eu querer muito ir. – a garota fez uma expressão sonhadora, fazendo com que gargalhasse.
- Tudo bem, eu vou pensar no seu caso. – disse, rindo e caminhando até o ônibus que acabara de chegar.
- Pense em como eu sou merecedora disso! – gritou, para que a garota ouvisse e riu.

Capítulo 15 - I gotta get over you


O dia de aula passou voando para as duas garotas na sexta-feira. combinou com o chefe que iria levar uma amiga para ajudá-la no serviço do pub para que pudesse escapar durante uma hora e ajudar a se arrumar para o show.
- Cara, são só quatro meninos tocando num bar! Não precisa ir com vestes de gala - brincou com a amiga enquanto entravam no quarto dela.
- , já falei! Eles são estrelinhas douradas no meu coração, desde os pequenos festivais de colegial! Eu preciso estar linda nesse momento memorável.
- Sério, eles são super normais! Eu nem imaginava que faziam tanto sucesso por aqui. Nunca foram parados na rua comigo por perto...
- Mas você disse que ia bastante na casa deles, né? Eles ficam meio reclusos por conta do assédio. Assim que fecharem um grande contrato de show, já era privacidade! - comentou enquanto escolhia vestidos para provar.
As garotas demoraram cerca de uma hora e meia para decidir as roupas, penteados e maquiagem. Naquela noite, estava de folga parcial, ou seja, se o mundo inteiro decidisse aparecer no pub, ela trabalharia. As duas chegaram cedo e providenciou dois drinks por conta da casa.
- Eles têm as vozes mais doce do mundo! Eu os vi tocando duas vezes no Summer Festival, mas nunca de tão perto quanto na segunda-feira. E hoje! Ai, estou tão ansiosa! - falava sem parar sobre McFly.
- Olha, acho que eles chegaram! - desceu do banco alto próximo ao bar e andou até a porta.
- Nossa, pensei que um caminhão tinha passado por cima de você! Para de sumir, bonitinha! - se aproximou e deu um abraço apertado em . se aproximou e levantou a garota, dando um beijo em sua testa.
- Oi, fofinha! Cadê sua amiga? - abraçou a garota, que riu com o desespero do amigo.
- Está no bar.
se aproximou receoso. Eles não se falavam desde domingo e isso era inédito para eles. Assim que se conheceram, a conexão foi tão forte que não passou um dia sem que eles se falassem, pessoalmente ou por celular. Quase uma semana depois do primeiro (e talvez único) beijo e nenhum dos dois sabia como ultrapassar aquele iceberg que os separava.
- Ei, estou com saudades. - acabou com a distância entre eles com um abraço apertado. - Como você está?
- Bem, obrigada - se soltou do abraço e virou para guiar os outros até o bar, deixando sem entender o que estava acontecendo.
- Gente, essa é a ! Ela faz aula de Escrita Criativa comigo e gosta bastante da banda.
- Que mal gosto você tem. Não queremos ser seus amigos. - disse brincando e cumprimentou a garota. - Eu sou , esses são , e .
- Não precisa me apresentar, nos conhecemos ontem. – sorriu, dando um beijo na bochecha de .
- Oi garotos, é um prazer conhecer vocês. Parabéns pelo trabalho!
Os seis conversaram por alguns minutos até que desse o horário marcado para o show. Às nove da noite, o bar já estava lotado e a banda se posicionou no palco. Os garotos tocaram 5 Colours In Her Hair, That Girl e fizeram uma pausa para conversar com o público.
- E aí galera, gostando do show? Esperamos que vocês curtam muito a noite, pois será especial. Depois de algum tempo sem lançarmos singles, tocaremos uma música inédita para vocês hoje. – a plateia explodiu em aplausos e gritos enquanto os primeiros acordes da nova música reverberavam do violão de .
She was looking kinda sad and lonely,
And I was thinking to myself if only,
She'd give me a smile but,
It’s not gonna happen that way.

olhava diretamente para , que não sabia muito bem o que sentir no momento. As palavras que deveriam agradá-la só aumentavam a confusão que estava em sua cabeça.
So I took it upon myself to ask her,
Would you like company and maybe after,
We could talk a while but,
I just don’t know what to say.

Cada verso parecia uma indireta estúpida para ela. Se ele sentia tudo aquilo por ela, por que não dizia logo de cara? E se não fosse para ela?
Coz you've got all the things that I want,
And I just can’t explain so,
Help me babe, I gotta get over you!

Definitivamente, não poderia ser ela. Afinal, ela era a garota mimada e apegada às pessoas que nunca namoraria. O misto de sentimentos fez com que não aguentasse mais ficar ali.
Antes que a música acabasse, a garota foi em direção ao banheiro e depois de alguns minutos decidiu que a noite havia acabado para ela. Se apressou em direção ao bar, torcendo para que ninguém a visse. Para seu azar, a banda havia feito um intervalo e todos estavam junto a no balcão do bar.
- , não estou me sentindo bem. Já vou indo. Você vem comigo?
- Jura, o que você tem? Vamos, eu te dou uma carona.
- Tchau, meninos. – as duas falaram ao mesmo tempo e se despediram dos garotos.
Enquanto as duas caminhavam até o carro, sentiu alguém pegar em seu braço.
- Ei, tá tudo bem? – perguntou , um pouco ofegante.
- Está tudo bem, . Me deixa em paz. – se soltou e continuou andando.
- Você pode conversar comigo? – levantou um pouco o tom de voz, fazendo virar com uma expressão de raiva. – O que está acontecendo? Por que você não responde minhas mensagens? Por que você não fala comigo?
- Nada está acontecendo, . Está tudo ótimo. Só estou atribulada com a faculdade, o trabalho, minha família e meus próprios problemas.
- Desde sempre tem tudo isso rolando na sua vida e você agiu assim. Você nem escutou a nova música inteira. Ela é especial.
- Acho que ouvi o suficiente. Ela é muito boa, aliás. Entendi o recado.
- Quer saber? Acho que você não entendeu nada do que está acontecendo. Te espero amanhã, quem sabe você não conhece o motivo dessa música. – se virou furiosamente e voltou para o bar, ainda tinha um show para terminar.
Ela correu para o carro de , que a aguardava. sentou no banco do passageiro e ficou encarando o painel do carro. Ela queria chorar, gritar, bater em alguém e gargalhar de quão ridícula foi aquela situação. Por que eles estavam brigando, se nada tinha acontecido?
- Você me deve explicações. – disse enquanto dava partida no carro.
- Bom, vamos do começo...

Capítulo 16 - Crash into the room


e chegaram na casa dos garotos uma hora depois do início da festa. Por mais que elas quisessem acabar logo com aquilo, já que as duas se encontravam quase no mesmo estado de fúria quanto ao , precisavam aparecer um pouco depois do combinado.
- Isso aqui está lotado. – desviou de uma garota que esbarrou nela.
- Não sei nem como eles podem conhecer tantas pessoas assim. – segurou um abajur que estava prestes a cair no chão, quando um garoto tropeçou no tapete.
- Eles são uma banda, deve ter gente de outros continentes aqui apenas para essa festa. – e riram. – Essa casa é enorme! – disse com tom de surpresa.
- Acho que devíamos achar os garotos antes que fiquemos presas aqui. – disse, notando que o volume de pessoas na sala aumentou consideravelmente.
Foram até os fundos da casa, onde encontraram , e conversando perto da piscina.
- Vocês chegaram! – o último levantou para cumprimentar as meninas com abraços. – E estão lindas, por sinal. – sorriu para e , que retribuíram.
- Acho que vou pegar uma cerveja. Já volto.
caminhou até a cozinha, desviando de algumas pessoas que aparentavam mais bêbadas do que o aceitável, pegou a cerveja e encostou no balcão ao lado da geladeira, observando o movimento. Até que uma cena chamou sua atenção.
Um garoto, que ela conseguiria reconhecer até no escuro, e uma garota, sentados num sofá da sala, conversando animadamente enquanto ela repousava sua mão na perna dele. Quando percebeu que ainda estava olhando para o casal, já era tarde demais e sustentava seu olhar, até que resolveu que precisava sair daquele lugar. Voltou para onde deixou e conversando e se sentou no sofá perto da piscina.
- O que aconteceu? – perguntou, com um tom preocupado. – Está tudo bem?
- Claro, só vi algo inevitável. – forçou um sorriso.
- Ok, vamos arranjar um gatinho para você hoje. – puxou pela mão. – Bom, tem um menino bem fofo olhando para você, encostado no balcão da cozinha. Disfarça!
Assim que olhou para trás, fingindo procurar alguma coisa, encontrou um garoto de cabelos castanhos e olhos verdes observando-a com um sorriso de lado. retribuiu o sorriso antes de voltar sua atenção para a amiga.
- Fica com minha garrafa, vou pegar outra na geladeira. – a garota piscou para , que riu e foi para a sala com os meninos.
- Esse é um bom lugar para pensar, não é? – ela se encostou no balcão que ficava do outro lado de onde o garoto estava.
- É um ótimo lugar. Já esteve aqui antes?
- Já, algumas vezes. Conheço os garotos há um tempo. E você?
- Fizemos colegial juntos. Sabe, eles dão poucas festas. Mas quando decidem fazer, o mundo inteiro comparece.
- Percebi. – os dois riram. – Prazer, .
- Nick. O prazer é todo meu. – o garoto piscou, fazendo sorrir. – Você não é daqui, é?
- Não, sou de Manhattan.
- Sabia que esse sotaque não vinha de Londres. Adoro americanas. – Nick disse, se aproximando de .
- O que você está fazendo? – a garota tentou se afastar o máximo possível.
- O que foi, gatinha? Algum problema? – Nick colocou uma mecha do cabelo de atrás de sua orelha.
- Todos eles. – empurrou o garoto, o que só fez com que ele ficasse com raiva.
- Você está numa festa, divirta-se.
- Nick, me solta. – tentou de todas as maneiras, mas não conseguiu sair dali. Ele, definitivamente, havia bebido demais.
- A única coisa que eu quero é um beijo. Você deve estar querendo também, já que você começou a falar comigo. – Nick apertou os braços da garota, que estavam apoiados na bancada.
- Nick, me solta. Por favor.
- Agora você é educadinha? – Nick riu, aproximando suas bocas cada vez mais.
- Cara, solta ela. – uma voz saiu de trás de Nick, fazendo soltar o ar que estava preso em seus pulmões. Nick virou com uma expressão não muito agradável em seu rosto para examinar o garoto atrás dele.
- , ninguém te chamou aqui. Para o seu próprio bem, volta para onde você tava.
- Nick, você não entende o que é um não? Ela não quer nada com você. Deixa de ser um babaca. – já controlava sua fúria para não atacar o garoto.
- Tira a mão, . Ela é sua namorada? Não, então fica na sua. – Nick empurrou e puxou mais para perto. Aquela foi a gota d’água que faltava para esgotar a paciência dele. Em um reflexo, deu um soco certeiro na mandíbula de Nick, fazendo o rapaz cair no chão.
A garota se afastou um pouco, sem saber exatamente o que fazer. Nick levantou rapidamente, com uma expressão maluca no olhar. A essa altura, todos que estavam próximos à cozinha perceberam a movimentação, inclusive , e . O garoto derrubou no chão e disparou uma série de socos em seu rosto. tentava de tudo para separar os dois, mas aquilo só parecia piorar. revidava com socos e chutes no tronco de Nick, mas não conseguia se desvencilhar dele.
estava angustiada com a situação de . O garoto já tinha apanhado tantas vezes que estava tonto. Num impulso, pegou a primeira panela que viu pela frente e acertou Nick nas costas.
- Alguém tem que segurar o Nick. Ele está com dor, mas está acordado. – disse e segurou os braços do rapaz para que não houvesse mais estragos naquela noite.
- , me ajuda a levar o Nick lá para fora. Vocês fiquem aí e ajudem o a se recompor. – apontou para e as duas meninas e saiu pela porta da frente.
- , pega alguma coisa gelada. – falou, enquanto segurava até que pegasse uma cadeira para que ele se sentasse. pegou a primeira coisa que achou no congelador e colocou, com cuidado, em cima dos hematomas no rosto de .
- , vocês têm algum kit de primeiros socorros ou algo assim aqui? – perguntou, entregando uma garrafa de água para .
- Deve ter alguma coisa para fazer um curativo pelo menos. Vamos procurar no andar de cima. - e subiram as escadas, sumindo do campo de visão de e .
- Obrigada por ter me ajudado. – disse, entregando a garrafa para o garoto.
- Você parecia estar precisando de um herói. – riu, o que fez com que ele resmungasse de dor.
- Por mais que tenha sido legal da sua parte, não precisava ter agido como um lutador. – a garota moveu o pacote de congelados no rosto dele.
- Ele estava sendo um completo idiota. Acho que merecia muito mais do que fiz.
- Claro, mas você não merecia ter ficado assim. – olhou nos olhos de .
- Podemos esquecer que eu me machuquei por alguns segundos? Sei lá, falar de qualquer outra coisa. – o garoto sorriu e tomou mais um gole de água.
- Ok, vamos falar então da musa inspiradora do . É a garota que estava aqui? – riu, desconfortável, mas sentia que precisa perguntar.
- Bom, acho que isso você devia resolver com ele. Eles têm uma história um pouco... complicada – colocou a garrafa na bancada mais próxima.
- Certo.
- Não é justo o te segurar enquanto tem coisas pendentes, mas converse com ele. – o garoto foi até , deu um beijo em sua testa e subiu as escadas.

Capítulo 17 - Can't hold me back no more


’s POV
Andei entre as pessoas, procurando . Minha tentativa foi inútil, já que a festa estava cheia demais. Mandei uma mensagem dizendo que estava indo embora.
Passei a viagem e a noite toda pensando em como me enganei com . Saber que, realmente, existe algo entre ele e aquela garota não me deixou dormir. Se ele tinha consciência da complexidade da situação amorosa dele, por que se deixou levar?
Inevitavelmente, pensei em e em como ele havia sido atencioso comigo. Me alertando sobre sem, até onde sei, ter noção do que houve entre nós dois. Isso me fez sentir pequenas borboletas na boca do estômago. É sempre bom saber que alguém se importa, certo?
Ah, por favor, . Não seja infantil. Apenas se decida: correr atrás do , ver quais são as intenções do ou deixar tudo para lá e seguir em frente. Lembrando que, escolhendo qualquer uma dessas três opções, tenho pelo menos 50% de chance de quebrar a cara.
Escutei meu coração e escolhi aquela pessoa que fez com que eu me sentisse diferente desde o primeiro dia de nossa convivência.
Tomei um banho, vesti qualquer roupa que me protegesse do frio cortante do lado de fora, liguei para , sabia que ela adoraria ter mais uma oportunidade de estar na casa do McFly e partimos assim que ela chegou em minha casa. Tive que ir dirigindo, já que ela alegou ainda estar bêbada demais para tal coisa.
End of ’s POV
Flashback on - ’s POV
- E aí, gatinho?
- Ashley... Hm... Entra, os garotos estão na sala. – falei, tentando me lembrar de um possível convite que havia sido feito na noite anterior.
- Ok. – a loira passou ao meu lado, mas não saiu de perto da entrada da casa sem antes depositar um beijo em meus lábios.
Caminhamos até a sala, recebendo olhares de acusação de e surpresa de e . Todos eles sabiam o que tinha acontecido entre nós dois e aquela não era a coisa mais sensata a se fazer.
- Senti saudades de vocês! – Ashley cumprimentou cada um deles.
- Ash, acho que precisamos conversar sobre nós. – eu precisava tomar uma decisão sobre aquilo e deveria fazer isso agora.
- Claro, sweetie, vamos lá para cima. – subimos em um silêncio desconfortável. Parecia até que ela sabia o que eu estava prestes a fazer. – Sabe, eu senti muita falta desse lugar. Lembra de todas as músicas que você tocou para mim nesse violão? – Ashley andava pelo quarto, dedilhando as cordas do instrumento assim que passou por ele. – Não consegui parar de pensar em você durante um segundo. Não consegui esquecer o seu cheiro, seu abraço, seu beijo. Tudo me fez falta durante esse tempo. – ela caminhou até a minha cama e se sentou perto de mim.
- Nossa relação não é a mesma há muito tempo, você sabe disso. Você participou de grande parte das minhas memórias, mas eu não sei se daria certo começarmos de novo. – eu falei, tentando ignorar tudo o que ela tinha dito anteriormente.
- Mas é claro que daria. Nós fomos feitos um para o outro, esqueceu? – ela colocou sua mão sobre a minha, como ela fazia antes de “terminarmos”. – Tudo o que vivemos não pode ser esquecido por causa de dois anos separados. Vamos começar novamente. O que você tem a perder?
Naquele momento, eu não consegui pensar em nada que pudesse responder a pergunta dela. Afinal, nem falava comigo direito desde o dia em que voltamos da praia. Eu já tinha perdido a coisa da qual eu temia me afastar. A pessoa de quem eu não queria sair de perto.
- Certo. Nós podemos tentar de novo. – me forcei a dar um sorriso.
- Obrigada, meu amor. – Ashley me deu um abraço e sorriu.
Flashback offEnd of ’s POV
’s POV
Quando desci do carro, na frente da casa dos garotos, já formulando o que diria à para tentar fazer com que as coisas se acertassem entre nós, me deparei com a cena que eu menos gostaria de ter presenciado.
A mesma garota da noite anterior estava com os braços em volta do pescoço de , enquanto ele a envolvia pela cintura e os dois se beijavam. Assim, para que todos que passassem vissem aquela situação.
Não consegui mover um músculo sequer. Então, eles haviam resolvido as dificuldades existentes na história dos dois e começado de novo?
Fiquei alguns segundos tentando pensar em algo que diminuísse a minha raiva naquele momento, mas não obtive sucesso, só percebendo que demorei muito para processar as informações quando encontrei o olhar de , assustado, sobre o meu e não consegui enxergar mais aquela garota.
Finalmente consegui fazer com que meu corpo reagisse aos meus comandos e dei meia volta, retornando ao carro de .
- , eu posso explicar. – ouvi o garoto dizer, ofegante.
- Não tem o que explicar, . Eu já vi tudo o que eu precisava.
- Não, , você não entendeu.
- É engraçado como eu nunca consigo entender as coisas quando o assunto é você, não é? – me virei para olhá-lo antes de continuar a andar até o carro e entrei.
- Deixa eu pelo menos te explicar isso. Por favor. - parou ao lado da porta e continuou falando, já que eu não disse nada. - Eu e a Ashley namoramos. Quero dizer, namorávamos, antes de eu saber que ela havia ganhado uma bolsa de estudos fora de Londres, a partir daí, continuamos juntos por um tempo, até que ela disse que seria melhor se ficássemos com outras pessoas, pelo menos até ela voltar. Isso foi há dois anos, bem antes de você aparecer.
- Quando ela voltou?
- Essa semana, na quinta.
- Por que você não me disse nada na sexta?
- Eu não achei necessário. A nossa relação havia mudado muito. Não nos falávamos tanto quanto antes. E ainda não tínhamos conversado pessoalmente, eu não sabia o rumo que as coisas tomariam. E ainda não sei. Não é como se estivéssemos namorando.
- Ela sabe do que aconteceu entre a gente? – perguntei, evitando olhar para ele.
- Não. - abaixou a cabeça.
- Foi o que eu imaginei. Mas, sabe, ela nem precisa. Não vou ter papel tão importante na sua vida. Só... – girei a chave - me esquece.
End of ’s POV

Capítulo 18 - Can't go on pretending I'll be fine


olhava preocupada para a amiga, que dirigia furiosamente pelas ruas de Maida Vale. não conseguia assimilar tudo aquilo sem que lágrimas raivosas caíssem em seu rosto. Por que ele não podia ser o cara dos sonhos? Era isso não era? Ir para um novo país, conhecer um garoto gentil e bonito, se apaixonar e viver feliz para sempre? Bem-vinda a sua vida, , lugar maravilhoso onde tudo está pronto para dar errado!
- , se acalma, por favor! Para esse carro e deixa que eu dirijo! – esperou a amiga encostar o carro – Você quer conversar sobre isso?
- Sei que parece loucura e exagero meu, mas é muito difícil eu me deixar envolver por uma pessoa. Eu sempre fui muito fechada, muito pé no chão e eu tive a impressão que, vindo morar aqui, conhecer os garotos, começar numa faculdade, eu poderia me dar a chance de agir diferente, certo?
- , as coisas acontecem em ritmos diferentes para cada um. É possível que ele seja o cara para você e você, a mulher da vida dele, só não agora. Dê tempo ao tempo que as coisas se encaixarão.
- E você espera o quê? Que eu pare minha vida esperando o senhor maravilha parar de brincar de casalzinho perfeito com aquela garota? – levantou o tom de voz, com os olhos vermelhos.
- Ninguém está te pedindo isso! Viva sua vida, namore quem quiser, mas não pense que é o fim do mundo não casar com um cara com quem você ficou uma vez só. Não dá nem pra dizer que vocês deram errado, nunca existiu um “vocês”.
- Eu só quero ir para casa, por favor. – a garota virou o rosto para o vidro e observou a vizinhança tranquila, o completo oposto de sua atual situação.
- Você quer que eu fique aqui com você? – perguntou, quebrando o silêncio que foi estabelecido depois do que ela havia dito assim que chegaram à casa de .
- Não, preciso ficar sozinha. Pensar um pouco sobre tudo. Mas, obrigada pela carona.
sentiu o peso do mundo prestes a escorrer pelo seu rosto enquanto caminhava até a porta de entrada de sua casa. Apesar de não ter acontecido algo sério entre os dois, saber que mentiu para ela esse tempo todo, a machucou. E muito.
“- Não pretendo sair daqui tão cedo.”
abriu a porta de casa e foi direto para o seu quarto, sob os olhares atentos de seus pais. Concluiu que seria melhor ficar sozinha por um tempo, esfriar a cabeça e organizar seus pensamentos do que despejar toda a sua raiva em uma conversa com quem não tinha nada a ver com seus atuais problemas.
“- Então vou falar, assim você se prepara para todas as outras vezes em que eu vou dizer isso. – se aproximou um pouco da garota. – Você está completamente perfeita. E não só essa noite. Você é completamente perfeita.”
Jogou seu casaco sobre a cama e caminhou até o banheiro, se olhando no espelho. O nariz vermelho, os olhos inchados e a falta de brilho em seus olhos entregavam completamente seus sentimentos, por mais que nem ela mesma conseguisse identificá-los.
”- Assim parece que eu sou ótimo, mas é só porque você não conhece o meu lado ruim.
- Acho que prefiro assim.”

As memórias que martelavam em sua cabeça não ajudaram a melhorar seu estado atual.
“-Você já sentiu arrepios e borboletas no estômago por alguém?
-Por você.”

A única coisa em que a garota conseguia pensar era em como tudo aquilo parecia não passar de uma farsa. Tudo aquilo soaria tão cômico se ela não estivesse tão abalada. Ela, uma das garotas mais reservadas que já existiu, finalmente se entrega para alguém e, justo nessa primeira experiência com algo novo, ela se dá mal. Hilário.
“- Tudo bem, você nos convenceu. Vamos fazer dela nossa fã número um então, nada de namorada.”

Capítulo 19 - There's no saving us now


’s POV
- Alô? – apoiei o celular no ombro enquanto terminava de me vestir.
- Oi, . Já estou aqui na porta. – disse do outro lado da linha no momento em que eu escutei um carro parando.
- Ok, já vou descer.
Desliguei o celular e me olhei no espelho uma última vez. Arrumei meu cabelo pela milésima vez, percebendo que não daria certo de qualquer forma e desci.
- Soube que você e o brigaram, você está bem?
- Estamos assim há um mês, acho que acabei me acostumando com tudo isso.
- Esquece isso hoje e se divirta. – piscou para mim e ligou o rádio.
- E você e a ? – cortei o silêncio quando paramos num semáforo.
- E eu e a ...? – “respondeu” com um sorriso de lado.
- Como anda a situação de vocês?
- Na mesma. Ainda não tenho muita certeza do que ela quer, estou esperando alguma pista. – deu de ombros, suspirando.
Ficamos jogando conversa fora durante todo o trajeto até a balada. A fila dobrava o quarteirão e eu já previa as horas que íamos gastar até entrarmos. Saímos do carro e eu estranhei quando me guiou direto até o começo da fila, mas entendi o porquê segundos depois.
- , quanto tempo cara! – o segurança o cumprimentou – Ela está com você?
- Está sim. Os meninos da banda estão vindo também, ok?
- Claro, entra aí. Divirtam-se. – o segurança deu dois tapinhas no ombro de e nós entramos.
- Vamos ficar ali perto do bar? – perguntou, elevando o tom de voz para que eu conseguisse entender mesmo com a música alta.
- Pode ser. – respondi no mesmo volume e caminhamos até lá. – , quem está vindo?
- O , , , a e a Ashley.
Ok, era óbvio que o viria e eu já estava absolutamente conformada com isso. Mas, ter que lidar com a Ashley naquela noite definitivamente não estava nos meus planos.
- Preciso de uma bebida. – ouvi rir e pedir quatro shots para o barman.
Algumas bebidas depois, decidimos ir para a pista e dançamos do jeito mais horrível possível, já que fazíamos jus à quantidade de bebida ingerida e ríamos mais do que o normal.
- Eu vou esperar os caras lá no bar, ok? - eu apenas concordei com a cabeça e continuei dançando.
(Coloque essa música para tocar)
Comecei a me movimentar no ritmo da música e quando olhei em direção ao bar, vi e Ashley chegando de mãos dadas. foi na frente, cumprimentando com um toque de mãos extremamente animado, o que me fez sorrir. Atrás deles, estavam , e . Eu queria poder passar a noite na pista de dança e evitar aquele constrangimento, mas todos já haviam chegado e eu não podia ser tão mal educada assim.
- Essa música é maravilhosa! – falei animada, quando cheguei perto do bar.
- Acho que alguém já começou a festa, não é, senhorita? – riu e me abraçou.
- Claro, vocês demoraram décadas. Não ia esperar para sempre. - ri e dei um beijo na bochecha de , sussurrando um oi e virando para a sua acompanhante com um sorriso no rosto. – Prazer, .
- Prazer, Ashley. – sorri amarelo e reparei que olhava para aquela situação um pouco confuso.
- Oi, little . – praticamente me joguei em cima de , só percebendo depois.
- Você está bem animadinha, hein? – ele riu em meu ouvido.
- Tem que ficar. – desfiz nosso abraço e sorri fraco, olhando para , que conversava com a Ashley, com um quase sorriso formado em seu rosto. Foi a vez de . – Ok, vocês vão ou não dançar comigo?
- Agora não, preciso me animar um pouquinho antes de passar vexame com vocês. – riu quando me abraçou de volta.
Todos concordaram e fomos para a pista de dança.
- Você está legal? – ouvi sussurrar, quando estávamos um pouco longe dos outros, recebendo um jóinha e um leve sorriso como resposta.
Dançamos como doidos ao som de muitos sucessos do pop, o que me fez desviar um pouco a atenção da bagunça que estava acontecendo na minha mente. Vez ou outra, me pegava observando e Ashley, o que, definitivamente, não me fazia muito bem.
- Eu vou ao banheiro, quer ir? – perguntei para , já sabendo a resposta.
- Vamos. – vi dizer alguma coisa no ouvido do , que assentiu sorrindo e fomos até o banheiro. – Ele é muito fofo.
- E quais são seus planos para essa noite, senhorita ? – sorri de lado, olhando , que retocava seu batom.
- Ainda não tenho certeza. – entortou a boca. – Sabe, não quero parecer mais uma garota que é louca por ele. – disparou, um pouco desesperada demais, me fazendo gargalhar.
- Mas é a realidade, não é? – arqueei a sobrancelha, já sabendo a resposta.
- Claro que é, mas ele não precisa saber disso. – ela deu uma pausa e pareceu analisar sua situação. – Pelo menos, não agora. Eu ainda não sei o que ele pensa de mim.
Saímos do banheiro depois de retocarmos nossas maquiagens, encontrando apenas e onde havíamos deixado o grupo todo, dessa vez.
- Ei, by the way... – toquei no braço de assim que chegamos na pista de dança. - Ele está totalmente na sua. – cochichei e fui até o bar, rindo por dentro.
Chegando lá, encontrei e rindo. Droga, tinha me esquecido como era ótimo vê-lo sorrir.
- Está pronta para a diversão, ? – bebeu todo o líquido dentro de seu copo quando me viu chegando.
- Meus pés estão me matando, vou ficar sentada aqui um pouco. Mas te encontro na pista daqui a pouco, garotão. – pisquei para ele, que riu e assentiu com a cabeça, indo até .
Sentei em um banco vazio ao lado de e me virei de frente para o bar, pedindo uma bebida logo em seguida. Fiquei parada olhando para um ponto fixo no balcão até receber meu pedido e girar minha cadeira para que eu pudesse observar a pista de dança.
- Isso não precisa ser tão estranho assim. – foi aí que eu percebi que não estava me encarando à toa há alguns segundos. Apenas assenti, tomando um gole do líquido dentro do meu copo. – Sabe, não quero que você fique triste comigo por tudo isso. Queria que pudéssemos ser pelo menos amigos.
- É claro que podemos ser amigos, . Mas não sei se consigo fazer com que tudo volte ao normal tão rápido.
- Desculpa. Eu não queria te machucar. – olhei para ele, que encarava o chão com um olhar perdido.
- Eu sei. – coloquei o copo, agora vazio, atrás de mim e reparei que Ashley caminhava em nossa direção.
Me levantei e olhei para , que retribuiu com um sorriso triste. Sorri brevemente e caminhei até a pista de dança. A noite não acabou tão cedo. Assim como meus pensamentos sobre ele.
“Not the greatest feeling ever” – The Less I Know The Better, Tame Impala.
End of 's POV

Capítulo 20 - So fast that sometimes you lose it


’s POV
- Guys, dez minutos para a primeira banda, depois deles são vocês.
Mal dava para acreditar que a gente conseguiu essa oportunidade. Foram alguns meses de trabalho duro, mas olha a recompensa?! A primeira apresentação do McFly na KOKO. A adrenalina é tão forte que talvez eu passe mal. Talvez eu esteja passando mal. Talvez eu precise de...
- Cara, para de vomitar! A gente tem que entrar daqui a pouco! – tentou me ajudar, mas só me deixou mais nervoso.
chegou no pior momento possível, com um cheiro maravilhoso no ar. Ainda bem que ela nem deu atenção, chegou com o gelo que tinha ido buscar para o baterista idiota da Edge, a banda que vai tocar antes da gente.
- Dean, eu trouxe o máximo de gelo que eu consegui encontrar e ele está misturado com resto de refrigerante. – torceu a boca e riu, olhando para o copo em sua mão.
- Está ótimo, linda. – Dean sorriu e piscou para ela.
- Vou falar com os meninos, boa sorte no show. – deu um beijo na bochecha de Dean e caminhou até nosso lado da sala.
- Dude, você sabe que a gente vai entrar daqui a pouco, né? – repetiu o mesmo “conselho” que me deu enquanto entrava na sala e tentava tirar o cheiro do ambiente abanando o ar.
Joguei uma almofada em sua direção, mas desviou rapidamente, fazendo com que ela acertasse .
- Não precisa descontar seu nervosismo em mim. – disse enquanto arrumava seu cabelo e jogava a almofada de volta, rindo.
- Opa, desculpa. Eu não tinha visto que você estava atrás.
- E aí, já estão prontos? – ela sentou ao lado de , que analisava a nossa setlist.
- Na medida do possível. Sabe, tocaremos para mais ou menos 1000 pessoas essa noite, não tem como ficarmos completamente seguros. – respondeu enquanto estalava os dedos.
- Eu tenho certeza que vai dar tudo certo. Sei que não vai ser muito fácil seguir meu conselho, mas relaxem. Essa é só a primeira de muitas apresentações que vocês farão. – sorriu. - Quero muitas músicas dedicadas a mim, hein?
- Com toda a certeza. – sorri enquanto ela caminhava até onde eu estava. – Vamos dedicar todas elas à nossa grande musa. – brinquei enquanto fazia uma cara debochada.
- Gosto assim. – riu e me abraçou. – Bom, depois dessa declaração, acho que vou lá fora dar alguns autógrafos. Vocês sabem, a fama. – a garota revirou os olhos e começou a analisar suas unhas.
- Agendamos nosso encontro para semana que vem com seu empresário, nesse caso? – pegou a mão de e depositou um beijo nela, entrando na brincadeira.
- Claro. Peça para ele checar se eu estarei disponível. – abraçou . – Se eu não me engano, tenho algumas gravações de programas de TV na próxima semana.
- Podemos fazer o papel de motorista até suas entrevistas, para lhe poupar o tempo. – fez uma reverência e riu.
- Charles está desempenhando um ótimo trabalho com minha limusine, mas os senhores podem tentar a sorte. – riu, enquanto abraçava .
- Eu sou muito melhor que qualquer Charles, darling. – piscou e sorriu de lado, fazendo todos ali presentes gargalharem.
- Eu não mereço vocês. – a garota disse, enquanto limpava as lágrimas que se acumularam enquanto ela ria, se recompondo. – Ok, sem brincadeiras agora. Boa sorte lá em cima. Não que vocês precisem, sei que vão arrasar como sempre. Façam aquelas garotas morrerem de amores por vocês, deixem a mamãe aqui orgulhosa. - abraçou cada um de nós mais uma vez e saiu do camarim.
Estávamos a cinco minutos de realizar nosso maior sonho e não conseguíamos imaginar um jeito melhor para aquilo acontecer. Nossa estreia seria em uma casa de shows razoavelmente badalada de Londres, para cerca de 1000 pessoas e eu só conseguia pensar em como tudo isso é surreal.
- Boa noite, KOKO. – quando escutei a voz de , já estava no meio do palco, encarando a multidão. – Vocês estão prontos?
Depois de alguns covers de músicas famosas e 5 músicas autorais, tocamos Met This Girl para finalizar o show. Por incrível que pareça, o público nos recebeu extremamente bem. Às vezes, eu conseguia achar a e no meio da multidão, mantendo o contato visual até que alguém entrasse no meu campo de visão e fizesse com que eu desviasse o olhar.
(Se quiser, coloque esta música para tocar)

“Well, I met this girl, just the other day,
I hope I don’t regret the things that I said now,
And when we’re laughing, joking with each other now
I’m glad I met this girl

She didn’t walk away,
I think she was impressed and was having a good time,
And when we’re laughing, joking with each other,
Spending all our time together

When she walks in the room my heart goes boom!
I tried to take her home but she said
‘You’re no good for me’.

She’s got a pretty face, such a lovely name,
I don’t want my friends to see, they might take her away from me,
She’s one I won’t forget, for a long long long time,
Now I really want the world to see
That she is the one for me

When she walks in the room my heart goes boom, yeah
I tried to take her home but she said
‘You’re no good for me’

The first time that I saw her she stole my heart,
And if we were together, nothing could tear us apart.”

Assim que as últimas notas da música foram tocadas, recebemos uma incrível salva de palmas de todos ali presentes. Fomos juntos até o centro do palco, agradecemos a recepção e saímos batendo palmas para o público até chegarmos ao backstage.
- Dudes, isso foi surreal! – pronunciei com um sorriso enorme estampado no rosto. – Eu ainda não consigo acreditar.
- Aquilo foi incrível. Vocês viram a quantidade de garotas que estavam ali cantando com a gente? – começou a fazer uma dancinha completamente esquisita enquanto girava.
- Nosso amigo aqui não deve ter reparado em ninguém além da naquele lugar. – deu um tapinha no ombro de .
- Ela também não parava de olhar para ele. Esse é meu garoto! – apertei a bochecha de , que riu e me empurrou para dentro do camarim.
- Parem de ser tão babacas por um segundo. – se jogou no sofá com um sorriso bobo em seu rosto. – Vocês viram como as pessoas adoraram Met This Girl?
- Eu sou mesmo um ótimo compositor. – se gabou, fazendo reverências.
- A inspiração era ótima também, não é mesmo? – riu. – Por falar nisso, cadê ela?
- Estavam me procurando? – Ashley apareceu no camarim, indo abraçar .
- Hm... Claro. – deu um selinho em Ashley, enquanto todos nós tentávamos disfarçar nossa vontade de rir.
- Ash, você viu a e a ? - perguntei me sentando numa poltrona perto do .
- Acho que elas estão no estacionamento. – Ashley revirou os olhos e eu me perguntei se mais alguém reparou naquilo. – Sweetie, eu vou avisar as minhas amigas que vou embora com você, ok?
- Ok, linda. Te encontro lá fora então. – os dois se despediram com um selinho e Ashley saiu do camarim. – Vamos dudes?
Saímos do camarim e nos despedimos de todo o pessoal da KOKO. arrastou pelos corredores a fim de pegar o número de uma das funcionárias da casa de shows. Eu e ficamos para trás e assim que chegamos no estacionamento, encontramos a .
- Finalmente vocês saíram de lá! – nos abraçou. – Vocês estavam incríveis.
- Pensei que vocês fossem morar naquele camarim. – percebeu nossa presença ali e foi nos cumprimentar também. – Eu já disse que vocês quatro são meus orgulhos? Falando nisso, cadê os outros dois?
- Foram arranjar o número de uma garota da KOKO. – falou despreocupado, recebendo um sorriso triste da como resposta.
- O foi. O fez o papel de bom amigo e o acompanhou. – eu expliquei para , que assentiu com a cabeça e tentou reprimir um sorriso, que não passou despercebido por mim. – Vocês vão dormir lá em casa?
- Eu vou sim. A gente pode se dividir se alguém quiser ir no meu carro. Eu vou arrumar o banco de trás e espero vocês lá. – foi até seu carro, sendo seguida por e , que tinham acabado de chegar no estacionamento.
- Eu acho que... – foi interrompida por aquele baterista ridículo da Edge.document.write(Nat), que sorriu.
- Vamos. A gente se fala amanhã? – disse essa última parte para nós dois, que concordamos, vendo ela virar de costas e seguir seu caminho.
Eu e ficamos parados lado a lado, assistindo ir embora com o Dean. A garota virou para trás e sussurrou algo como um “ai meu Deus!” animado para mim e sorriu, fazendo com que eu retribuísse.
- Está tudo bem, cara? – perguntei, reparando na expressão chocada que tinha em seu rosto.
- Eu não acredito que ela está fazendo isso.
- Cara, você queria o quê? Ela é maravilhosa e você ainda tem a Ashley. Eu sei que vocês não estão namorando, mas você desistiu da por ela. – eu encarava , que seguia o seu caminho ao lado de Dean e reparei que Ashley estava vindo em nossa direção. – Espero que você saiba o que você está fazendo.
End of ’s POV

Capítulo 21 - Well, it’s just my luck


’s POV
- É só isso? – Professor Murray falou com desdém.
- Hm… sim, até agora. Eu tenho mais algumas coisas planejadas, uns rascunhos. Mas de concreto mesmo, sim.
- , eu sei que você gosta muito do seu tema, mas, se você não mergulhar de verdade nesse livro, se não viver essa experiência de corpo e alma, sugiro que você escolha outro assunto para tratar.
-Mas, professor, eu sei que eu vou conseguir. Eu só preciso separar o pessoal do profissional. – minhas bochechas já estavam vermelhas de nervosismo. Eu não podia deixar algo assim me atrapalhar.
- Vamos fazer o seguinte: na primeira semana de aula depois das festas, você tem que me trazer cinco capítulos prontos. Nada meia boca, espero uma história boa de verdade. Se você conseguir, o tema é seu. Se não...
- Prometo não te decepcionar.
Saí da sala apressada, arquitetando mil e um planos para que o livro desse certo. O problema é que eu estava tão envolvida emocionalmente com tudo, que não sabia diferenciar ficção da realidade. Meus pensamentos foram interrompidos pela cena de conversando com um rapaz que nunca havia visto. Apressei o passo para alcançá-los antes de atravessarem o portão.
- Indo embora sem mim, mocinha? – perguntei com as mãos na cintura, fazendo graça.
- Claro que não, ia te esperar lá fora. Estava apresentando o campus para o Luca. Ele é intercambista, começa com a gente de verdade depois do Natal.
- Oi, Luca. Eu sou e espero que você adore a faculdade. A galera aqui é legal. Você veio de onde?
- Eu sou da Itália. Passarei o Natal e o Ano Novo aqui para me ambientar. Aliás, se quiserem me incluir nos planos, estou disponível. – ele piscou simpático e eu retribuí.
- Esse será meu primeiro final de ano aqui também, podemos aproveitar isso e criar uma tradição juntos.
- Então é isso, primeiro dia por aqui e você já fez vários amigos. Eu moro aqui há quase vinte anos e conto nos dedos meus amigos. – comentou, falsamente indignada, e riu logo depois.
Conversamos mais um pouco e logo Luca teve que ir embora. e eu aproveitamos a deixa e fomos caminhando para minha casa. Aproveitei o tempo que teríamos sozinhas para saber como estava a relação dela com o .
- Você nem me contou direito como foi depois do show...
- A senhorita foi embora com o Dean, não é? Aliás, tem falado com ele?
- Não muito, ele me liga, mas eu não sei muito bem se quero levar isso em frente. Mas não desvia do assunto, me conta como foi na casa dos meninos.
- Ai, foi ótimo. Os meninos são incríveis e eu sou muito fã. Participar dessa etapa da vida deles é sensacional.
- Você sabe que não é disso que eu estou falando não é? – perguntei de sobrancelhas arqueadas e automaticamente corou.
- Ah, não aconteceu nada demais.
- Duvido! Vocês ficaram? Ele disse que te ama? Vocês estão noivos? Deixa eu ser a madrinha? – fui perguntando enquanto a cutucava de lado e ela ria.
- Para de ser louca, ! A gente ficou, ele foi muito fofo, mas não tocamos no assunto desde então. Ele é muito difícil de ler, sabe? E eu não quero ser a otária. Então estou aqui esperando.
- Olha, se depender do , você vai morrer esperando! Toma uma atitude, conversa com ele. O máximo que pode acontecer é ele não querer mais nada e você estar livre e desimpedida para beijar o Luca, que é bem bonitinho, por sinal.
- Ai, ele é, não é? Tão belo o sotaque. Mas vamos focar no , você pode investigar um pouco para mim, não pode?
- Posso sim. Pode deixar que até amanhã eu te trago alguma informação.
Conversamos sobre amenidades o resto do caminho, rimos muito, o que me fez perceber a sorte que tive de encontrar amigos tão maravilhosos do outro lado do oceano. Nessa época do ano, quando ainda morava em Manhattan, fazíamos uma maratona de festas e visitas a locais decorados. Eu sentia falta da rotina, das pessoas, da minha fórmula de viver a época mais mágica do ano. Será que realmente estava pronta para novas tradições? Contei à sobre o que fazíamos no final do ano e lembrei de algumas fotos que poderia mostrá-la.
- Eu tenho uma caixa cheia de polaroides aqui no quarto, o que deixa tudo muito mais... Andrew?
End of ’s POV
Continua...



Nota da autora: (02/01/2017)
Olá meninas, no vídeo de hoje a gente vai falar que 2017 trouxe ATT \o/.
E aí, vocês já sabem o que vai acontecer? Amores do passado vêm te assombrar, novos romances batem à porta e seu preferido continua desgraçando a sua cabeça.
Será que o ano novo chega para arrumar as coisas?
Beijinho, beijinho, tchau tchau.




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