Contador:
Última atualização: 20/11/2020

1. Begins

Essa é a intrigante história da Continuum. 
Uma sociedade criada por cinco grandes amigos no ano de 1927, entre a vida boêmia e artística que a cidade de Paris os fornecia. A jornalista francesa Louise Tenebrae, o militar russo Victor Bellorum, a cientista britânica Dorothy Baker, o médico espanhol Georgie Sollary e o comerciante americano Charlie Dominos. Inicialmente Continuum era a forma em que eles se nomeavam, dizendo que a amizade deles seria contínua e se estenderia para as gerações de suas famílias.

O que começou como um apelido de um grupo de amigos, se tornou uma sociedade em que interesses políticos, econômicos e sociais, foram introduzidos. Onde cada família começou a ter seu ponto de influência, e se destacar financeiramente ao longo dos anos. Porém, nem tudo são flores e em um certo momento, algumas rivalidades começaram a aparecer entre as gerações posteriores.

- x -

Outono de 2017
- Hostel Fletcher / Seattle

Considerada um grande polo tecnológico, Seattle é a maior cidade do estado de Washington. Lugar onde algumas famílias estabeleceram moradia. Esse é o caso dos Fletcher, com sua matriarca Beth que lutou na vida para criar sua filha Lise, após perder o marido em um tiroteio. Seu ganha pão era o Hostel que tinha montado com o seguro de vida do falecido marido, que recebera após ficar viúva. E com muito esforço e algumas ajudas de sua irmã Marie, ergueu seu negócio e seguiu em frente com sua vida. Agora, além de Lise, também dividia suas preocupações com a sobrinha , uma bailarina recém-formada no curso de dança da Universidade de NY. 

A pontualidade de Beth era algo notório entre as pessoas que a conhecia. E todas os dias, ela se dava ao trabalho de preparar uma farta mesa de café da manhã para os hóspedes do Hostel Fletcher. O barulho de sua velha chaleira soava pelo lugar algo que anunciava a que já era hora de se levantar. A garota que dividia o quarto com a prima no último andar do pequeno prédio, se levantou ainda sonolenta após desligar o despertador do celular e trocou a roupa colocando o trivial conjunto de moletom cinza. Ao sair do quarto, seguiu para a cozinha ajudar sua tia, seus passos lentos como uma tartaruga e seu senso de direção descoordenado, quase tropeçando nos móveis.

Foi em um momento de devaneio tentando se lembrar do sonho que tivera noite passado, que a campainha tocou e o grito de sua tia pedindo que abrisse a porta, a despertou. se espreguiçou e caminhou até a porta, ao abrir, ela levantou seus olhos lentamente e os fixou no homem diante dela. Seu coração pulsou um pouco mais forte, fazendo-a estranhar. Puxando mais forte o ar para seus pulmões, sorriu de leve.

— Bom dia senhor, posso ajudar? — disse ela mantendo a suavidade na voz.
— Bom dia. — o rapaz sorriu de canto e olhou para a tela do celular, checando o endereço — Soube que aqui é um Hostel, vocês tem quartos vagos?
—Sim, temos. — assentiu .
, quem está aí? — Beth perguntou ao entrar na sala, seguindo até a porta.

se virou para respondê-la, porém não houve necessidade. 

— Bom dia senhor, posso ajudá-lo? — Beth olhou o homem com firmeza, então virou o rosto para a sobrinha — termine de colocar a mesa do café para mim.

A garota assentiu em silêncio e foi para cozinha. Na porta o rapaz, guardou o celular no bolso e continuo sua indagação com Beth. 

— Bom dia senhora, eu estou procurando um lugar para ficar e descobri que aqui é um hostel. Estou certo?
— Sim, entre para que eu possa fazer seu registro. — ela abriu a porta um pouco mais para que ele entrasse.
— Obrigado senhora! — o rapaz entrou, colocando as mãos no bolso.

Sendo um bom observador, o rapaz viu que na sala tinha várias pinturas e grafites em uma das paredes. Em outra parede prateleiras de livros. Era um espaço de convivência bem decorado e aconchegante. Uma TV Smart, um sofá azul marinho e poltronas espalhadas. Não demorou muito para que ela preenchesse o cadastro no sistema, pelo tablet.

— Seu nome por favor? — perguntou Beth.
Dominos. — respondeu de forma tranquila ainda atento aos detalhes do lugar.
— Dominos? — ela o olhou com surpresa — Você é da família Dominos?
— Conhece a minha família? — ele devolveu a pergunta.
— Conheço sobre a Continuum. — ela respirou fundo — Não quero me preocupar com sua estadia aqui.
— Não se preocupe senhora, já não tenho mais ligações com minha família. — assegurou ele — Só preciso de um lugar para dormir.
— Tudo bem, vou confiar. — Beth voltou o olhar para o tablet em sua mão — Prefere quarto individual ou compartilhado?
— Individual, por favor. — respondeu ele.
— Parece que deu sorte, tenho um quarto vago. — anunciou ela com o olhar fixo no tablet em sua mão — Sua diária sai a 210 dólares, incluindo o café da manhã como cortesia.
— Sem problema. — assentiu já abrindo sua carteira e pegando o dinheiro — Aqui estão os primeiros sete dias.
— A chave, você ficará no quarto 7. — pegando o dinheiro, ela lhe entregou a chave para finalizar o cadastro — Obrigado, se precisar de alguma coisa, só me chamar, sou Beth Fletcher. 
— Eu que agradeço, por me deixar ficar. — pegando a chave ele se afastou dela e ajeitando a mochila no ombro, subiu as escadas para procurar o seu quarto.

Na cozinha completamente distraída em seus pensamentos, só pensava na imagem do rapaz que atendeu. Algo lhe dizia que ela já o tinha visto em algum lugar, e não era somente pela beleza dele que tinha esta sensação. Entre pensamentos e suspiros, um dos hóspedes entrou na cozinha de repente e lhe assustou.

— Ai! Que susto! — reclamou ela colocando a mão direita em seu coração — Você é mesmo muito malvado .
— Malvado? Jamais, só gosto de te assustar. — ele riu dela e se sentou na cadeira.
— Bon apetite. — disse ela o observando atacar a mesa de bolos.
— Você já viu o novo hóspede? — um com sorriso cínico.
— O atendi na porta. Por que? — ela o olhou curiosa.
— Hum, eu vi sua tia atendendo ele. — ele continuou saboreando a fatia do bolo de laranja que pegou — Dominos, acho que foi esse o nome.
— Um Dominos? Aqui?
— Conhece esse sobrenome? — ele a olhou intrigado.
— Assim como conheço o seu, Baker. — a garota cruzou os braços. 
— Sempre achei que os Dominos não saíam do seu castelo em Chicago. — comentou pensativo.
— Você saiu do seu em Manhattan. — retrucou ela.
— Ah, eu não nasci para ser um robô nas mãos da minha mãe. — reclamou ele voltando o olhar para — Posso afirmar que estou muito mais feliz aqui.
— E vai continuar aí tomando café? Não está atrasado para o seu curso?
— Nossa, é mesmo. — ele se levantou rapidamente — Tinha me esquecido disso.
— Você é um péssimo aluno. — riu dele.
— Eu juro que um dia provo a você que consigo ser pontual em alguma coisa. — ele se levantou e pegou a mochila que tinha jogado no chão.

saiu pela porta dos fundos, já retirando do bolso as chaves da sua moto. Chegando à rua, cruzou com a tutora a cansada dra. Sollary, que chegava após um plantão de 36 horas na área de emergência do Seattle Sollary Hospital. Foi uma troca de olhares rápida porém significativa, já que tinha um interesse amoroso nela, porém sempre rejeitado.

era uma médica dedicada que vivia com o pensamento em seus pacientes, fazia qualquer coisa para dobrar seus plantões e não ser afastada pelo diretor chefe da ala cirúrgica. Os cabelos presos em um rabo de cavalo, as roupas nas cores cinza e bege, o jaleco braço e all star preto eram sua marca registrada. Enquanto montou em sua moto e deu partida em direção a seu curso, entrou no Hostel e seguiu em direção a seu quarto. A única coisa que desejava no momento era tirar um cochilo e renovar as energias. 

Na cozinha, Beth observava os outros hóspedes se alimentando. Por um instante, ela reparou que sua filha Lise ainda não tinha saído do quarto para o café, e certamente ainda dormir. Logo, pediu a sobrinha para ir chamar a prima, pois se fosse ela, Lise seria arrastada da cama. assentiu rindo da cara de sua tia e saiu da cozinha, ao chegar no corredor, ela ouviu o telefone tocar da sala.

— Hostel Fletcher, quem fala? — disse ao atender o telefone.
Oi aqui é o Alfred Molina, sua tia está?
— Ah, é o senhor Molina. Minha Tia está sim, um momento.
Obrigado.
— Disponha! — retirou o telefone do ouvido e se virando para a cozinha ela gritou — Tia o Sr. Molina está no telefone, quer falar com a senhora! 

A voz de Beth da cozinha ecoa na sala. Agradecendo e dizendo que já iria atendê-lo.

— Senhor, minha tia pediu para esperar uns dois minutos. — disse a garota.
Tudo bem eu espero. Obrigado mais uma vez. — ele respondeu.
— Sem problema.

Deixando o telefone em cima da escrivaninha, subiu as escadas e seguiu até o quarto. Ao passar pelo estreito corredor do seu andar, esbarrou no hóspede novo. 

— Me desculpe, hoje eu estou um desastre. — dizendo meio vergonhosa.
— Eu é que devo desculpas, estava distraído. — ele estava com a cabeça abaixada, levantando seu olhar, fixou em seus olhos — Você tem um nome?
, e você? Tem um nome? — ela segurou o riso.

Afinal, aquela era uma forma estranha de se apresentar a alguém.

— Prazer . — ele sorriu de canto — Eu sou o .
— Você não é daqui. — comentou ela tentando não demonstrar muita curiosidade — Não se parece com um nativo de Seattle.
— Bem observado, não sou, minha família é de Chicago. Me mudei recentemente.
— Interessante. — disse ela — Eu sou de Cliron, uma pequena cidade que fica em Oregon.
— E se mudou para uma cidade mais movimentada?
— Sim, Beth é minha tia, eu precisava de um pouco de independência. — explicou ela de forma evasiva — E você? Se mudou por algum motivo especial?
— Problemas de família. — respondeu subjetivamente.
— Esses são os piores. — vendo que não parava de olhar para ela, com muita timidez perguntou — O que foi? Tem alguma coisa estranha em mim?
— Nada, só achei seu sorriso bonito. — respondeu ele.
— Obrigada. — ela se encolheu mais um pouco tímida.
— Me desculpe , mais tenho que ir, espero vê-la em breve. — voltou seu olhar para o relógio — Até mais.
— Até. — ela ficou parada observando ele se afastar.

Seu coração um pouco acelerado. se sentia encantada com a conversa tida com o Dominos misterioso. 
Lindo, charmoso, sorriso radiante, que olhar... ah! Minha prima!” 
Foi neste momento que ela se lembrou da prima que ainda estava dormindo. Correu até o quarto, entrou pela porta, abriu as cortinas e enfim começou a chamá-la.

— Lise? Lise? Acorda, já amanheceu.
— Oh não, já está na hora? — Lise se virou para o canto cobrindo mais a cabeça — Não quero trabalhar hoje.
— Se não se levantar, tia Beth vem te arrastar dessa cama.
— Minha mãe é uma estraga prazeres. — ela bufou se encolhendo mais.
— Você não viu o hóspede novo. — comentou .
— Oi?! — Lise descobriu a cabeça de imediato e olhou a prima — Ele era bonito?
— Sim. — abriu um largo sorriso.
— Que pecado. — sua prima mordeu o lábio inferior.
— Levanta e vai trabalhar. — aconselhou rindo da prima.
— Preciso de um banho primeiro. — Lise se levantou espreguiçando e juntou as coisas para levar para o banheiro.
— Boa sorte.

se aproximou de sua cama e pegou o celular que tinha deixado na mesa de cabeceira. Ela estava tão ansiosa para receber a mensagem do estúdio de dança, que não conseguia pensar em voltar à cozinha para tomar o café da manhã. O sonho de de ser dançarina profissional tinha sido interrompido pela falta de apoio de sua mãe adotiva Marie. Ter se formado na faculdade de Artes Cênicas no curso de dança havia sido sua maior conquista, porém não tinha conseguido trabalho na área em New York, mesmo que tenha sido muito elogiada por seu talento. Ela achava que tudo aquilo era obra de sua mãe a boicotando, e por isso se afastou dela e foi morar em Seattle com a tia. 

  queria liberdade e independência.

 

 - Dominos House / Chicago

Final da tarde e se mantinha pensativo em seu escritório. Sua mente fervilhava informações após o breve encontro que tivera com o senhor Han. Ele se preocupava com sua família, desde antes de serem atacados em 2012, e ainda sentia a perda de alguns entes queridos. Por mais que brigasse com o irmão mais novo , ele também se preocupava com sua segurança. Por isso Dominos era cauteloso em suas ações, se mostrava frio e calculista diante de todos. Apesar de ser charme natural e olhar intenso.

— Senhor Dominos. — disse ao entrar no seu escritório — Sua reunião com Annia Baker em Manhattan já está marcada para sexta-feira.
— Muito bem... Estou curioso para saber o que a nova presidente dos Laboratórios Baker quer comigo. — comentou ao se levantar de sua cadeira e olhar para ela.
— Conhecendo o senhor, acho que está curioso para saber quem é ela. — comentou a mulher ponderadamente.

conhecia muito bem o seu chefe, já estava servindo a família Dominos há seis anos, tinha sido treinada especificamente para isso. Apesar de ter muitas responsabilidades, a maior delas era garantir a segurança de Dominos. Era curioso isso, e muitos a subestimavam quando a viam ao lado dele. De assistente a segurança pessoal, ela era seu braço direito e consciência nas horas vagas.

— Allison Baker sempre foi uma mulher sagaz e estrategista, quero saber se a pessoa que ocupa seu lugar agora é tão boa quanto. — assegurou ao se aproximar de sua adega particular e pegar uma garrafa de vinho.
— Está preocupado? Se ela vai se aliar aos Tenebrae? — indagou observando seu chefe e analisando suas expressões.
— A família Baker sempre foi aliada a eles, quero mostrar a ela que Lionel Tenebrae é e sempre foi um homem desleal, que não merece estar no controle da Continuum. — tinha seu plano vivo e queria mais que tudo destronar a família que arruinou a sua — Já temos o apoio dos Bellorum, está encarregado da herdeira Sollary, acho que Annia Baker não será um problema.
— Se o senhor diz. 

Justiça ou vingança. sabia as intenções de Dominos. Sabia de todos os seus segredos, fraquezas e medos. E em contrapartida, ela era o ponto forte de , de onde ele encontrava apoio para se manter firme e proteger sua família. Mesmo não sendo fácil, e mesmo ela sendo ainda muito jovem, encarava de frente a responsabilidade que tinha com ele. 

— Vejo que está usando a katana que lhe dei de presente. — desviou seu olhar para a espada na bainha da calça dela.
— Ela é um pouco mais leve que a outra, preciso me adaptar ao novo peso, assim conseguirei utilizá-la com precisão. — comentou ela.
— Você gostou?
— Sim senhor. — assentiu.

Ele a olhou mais um pouco. tinha muitas inquietações quando o assunto era sua assistente/segurança. Uma mulher reservada e silenciosa, apelidada por sua família de “funcionária do ano”. Mas só ele sabia quantas vezes ela tinha salvo sua vida, mesmo antes de compor sua lista de empregados. Ele jamais esqueceria o dia em que a conheceu, e em gratidão a levou para a casa de Donna Fletcher.

— Continue monitorando os passos de Baker, ele ainda é o herdeiro legítimo. — ordenou .
— Não se preocupe, se hospedou no mesmo lugar que ele em Seattle. — respondeu ela se mantendo atenta aos passos dele.
— Devo presumir que foi influência sua? — ele despejou um pouco do vinho na taça e sentiu o aroma.
— Sim, mandei o endereço de um hostel para ele. — assentiu ela.
— Sua forma de agir me admira a cada dia. — ele tomou um gole e manteve o olhar enigmático para ela.
— É o meu trabalho, pensar como o senhor. — disse ela não se importando ao elogio disfarçado dele — E manter o equilíbrio.

sorriu de canto.
Sim, ele admirava a competência se sua assistente. Sabia que podia contar com ela em qualquer situação.

You can call me monster. 
- Monster / EXO



2. Amizade

- Algum lugar do Texas...

Dentre as muitas atividades de , ser a pessoa que acompanhava os acordos comerciais mais complexos e não deixar que fossem atrapalhados era um deles. Incrível para todos é como ela conseguia dar conta de tudo e ainda garantir a segurança de . Claro que o chefe da família Dominos sabia se defender muito bem em uma boa briga, mas a função de era bem mais do que isso. E se fosse preciso sujar suas mãos para garantir o sucesso dele, ela o faria.

Segundo as nomenclaturas criadas pela Continuum, Miller era denominada como uma Sliter, por ser o braço direito de . Educada e reservada. Essas eram as definições de . Olhar atento, cabelos sempre presos, voz suave e baixa, porém firme, sempre trajava terno feminino de cor azul marinho combinado com uma bota preta.

Numa calorosa manhã de sexta-feira, ela desembarcou no aeroporto privativo da cidade de Austin. Seguiu em um carro alugado até uma fazenda ao sul da cidade, seu objetivo era finalizar o fechamento de contrato de exclusividade com 3 produtores locais.  Entretanto, ao contrário do que se esperava, o clima não estava muito bom, pois um dos produtores se recusava a aceitar a quantia oferecida por .

— Receio que este equívoco de sua parte terá que acabar neste instante. — alertou ao se colocar em frente ao homem, seu olhar se mantinha sereno como sempre.
— Me desculpe moça, mas não vou concordar com isso, minha fazenda vale mais do que o Dominos está oferecendo, todos sabem que minhas terras são as mais férteis do Texas. — o homem que aparentava ter 40 anos se levantou do sofá em que estava sentado, olhando-a com arrogância — Ninguém irá me obrigar.

Ao falar isso cinco homens armados entraram na sala. os observou de relance e voltou a fixar seu olhar no produtor problemático.

— Bem, acho melhor o senhor não fazer isso. — ela voltou seu olhar para os outros 2 produtores — Foi um prazer negociar com os senhores, podem ir, o dinheiro será depositado em 24 horas como combinado.

Ambos os homens agradeceram e saíram mais que depressa da sala, afinal eles sabiam quem era ela, e do que ela era capaz. Nalla continuou.

— Bem, o senhor não me deixa outra escolha. — ela pegou seu celular e ligou para — Senhor Dominos.
, espero boas notícias.
— Dois contratos já foram assinados, porém o terceiro se recusa a aceitar a oferta.
Imagino que esteja rodeada de capangas.
— Sim senhor. — confirmou o óbvio.
Divirta-se e me traga esse contrato assinado.
— Sim senhor.

Após desligar o celular, sorriu maliciosamente. Ela retirou o contrato dele da pasta que levava consigo e o deixou juntamente com uma caneta na mesa de centro.

— Espero que este contrato esteja assinado assim que eu terminar. — a suavidade em sua voz, contradizia a intensidade em seu olhar.

Assim que terminou de pronunciar aquelas palavras, se esquivou do soco de um dos homens que estava atrás dela, pegando seu braço o torceu com força e pegando sua arma atirou no segundo homem, logo atrás. Assim o terceiro homem atirou em sua direção, e virando seu corpo, a bala acertou o pescoço do primeiro homem. jogou o corpo dele no chão e vendo a movimentação do quinto homem em sua direção, pegou uma faca que estava escondida em sua bota. Instantaneamente atirou a faca acertando no coração dele, com a arma ainda em sua mão atirou no terceiro homem. O quarto homem que estava com uma foice lançou contra ela. se abaixou rapidamente girando com sua perna direita reta, consequentemente derrubando ele. Ao se levantar atirou nele com a arma que estava em suas mãos.

respirou fundo e voltando seu olhar para a arme em suas mãos, percebeu que felizmente não havia retirado suas luvas. Jogando o objeto no chão, voltou o olhar sereno para o produtor.

— Então... Temos acordo um agora? — disse ela de forma séria.

O produtor que estava agachado ao chão trêmulo de tanto medo, esticou o braço com o contrato em suas mãos.

— Aqui está. — disse entregando os papéis a ela.
— Agradeço pela atenção. — disse ela ao pegar o contrato — Foi um prazer fazer negócio com o senhor, em 24 horas seu dinheiro será transferido.

Ela guardou o terceiro contrato na pasta juntamente com os outros dois. E olhando de relance para os corpos dos homens no chão, deu um sorriso de canto e se retirou do lugar.

- Hostel Fletcher

Enquanto isso na sala de seu hostel, Beth encerrava a ligação que tinha feito a sua irmã Marie. Mesmo apoiando a fase independente de sua sobrinha, Beth às escondidas continuava notificando sua irmã os passos da filha adotiva. Foi neste momento em que Paul, o namorado de Lise, chegou.

— Bom dia tia Beth! — disse ele em sua forma brincalhona, ao adentrar pela porta da frente e já se sentando no sofá.

Beth sorriu para ele em cumprimento e voltou-se ao telefone, fazendo uma nova ligação.

Beth?! Algum problema? — perguntou a voz ao atender — Não é de me ligar pela manhã.
— Bom dia Alfred. — disse ela — Conseguiu o que pedi?
Sabe que não é tão fácil assim conseguir informações de uma família de alto nível da Continuum. — se explicou ele devido à demora de seu pedido.
— Isso é urgente.
Não se preocupe, tenho certeza que meus contatos vão conseguir a informação que pede.
­ ­— Anotou direito?
Sim.
— Assim espero.
Então...
— Então o que?
Preciso conversar com você.
— Fale. — ela voltou seu olhar para Paul, que fingia não prestar atenção em sua ligação.
Pelo telefone não, vamos nos encontrar no Café au Lait, daqui quinze minutos.
— Infelizmente não posso, vou até Cliron, mas terça à noite acho que estarei disponível.
Um jantar estou gostando da ideia!
— Não comece com esses pensamentos Molina.
A qual deles você está se referindo? — com uma voz ousada ele a perguntou.
— Você sabe do que estou falando. — falou seriamente.
Sei?!
— Nos vemos terça à noite. — finalizou ela com voz áspera.
Até, vou te esperar com maior prazer.
— Até mais, Molina. — ela desligou o telefone e manteve o olhar atento ao jovem no seu sofá — Então Paul o que te traz aqui tão cedo?
— O seu café tia Beth.
— O meu café? Sei. — ela disfarçou o olhar de desconfiança — Está trabalhando?
— Agora estou lutando como analista de sistemas, mas quero mesmo é ser um empreendedor. — admitiu ele empolgado.
— Nossa, e a que se deve a mudança? — ela colocou a mão na cintura admirada.
— Eu acabei percebendo que computação ainda não é pra mim, então serei dono do meu próprio negócio.
— Tem todo o meu apoio.  — ela sorriu para ele — Não vai comer agora?
— Não tia, vou esperar a , gosto de zoar a cara dela no café. — ele soltou uma gargalhada.
— É demais pra minha cabeça, bom café pra você.
— Valeu tia Beth! — Paul agradece ainda em risos.

Beth segue para a cozinha, pega alguns biscoitos da forma e coloca em um saquinho e sai indo em direção à banca de jornal. No quarto, se encontrava pensativa, quando saiu dele e andou pelo corredor com sua mente aérea. Desceu as escadas lentamente até que chegou à sala e se deparou com Paul sentado ao sofá, mexendo no seu smartphone.

— Paul? O que faz aqui? — perguntou ela.
— Bom dia flor do dia, acordou quando? — ele bloqueou a tela e guardou o celular no bolso da calça.
— Não tem muito tempo, e você? — perguntou ela.
— Já tem uns vinte minutos, vim correndo para não perder o café da tia Beth. — respondeu ele ao se levantar do sofá.
— Hum… 
— Não devia estar trabalhando?
— Estou de folga hoje. — ele fez uma cara de quem estava aprontando e riu — E aí, quais as novidades?
— Temos um Dominos como hóspede. — respondeu ela.
— Um Dominos? Dominos? A família Dominos? Da Continuum?
— Essa mesmo. — assentiu ela — Nem sei como tia Beth deixou, ela vive dizendo para ficarmos longe das famílias da Continuum.

Paul começou a rir, até que se lembrou do passado que sua amiga havia lhe contado, sobre seu envolvimento com um membro de uma família da Continuum. Então seu sorriso deu lugar ao olhar preocupado. 

— Entendeu agora?
— Ah, mas não é como se você fosse se apaixonar por ele né? — ele soltou uma risada fraca — Não é, ?
— Claro que não. — ela desconversou.

Mas no fundo, já se contava duas semanas desde a chegada de , e sim, ela em vários momentos do dia se pegava pensando nele e curiosa para conhecê-lo mais. Era loucura dizer, mas de certa forma se sentia atraída a tudo que envolvia a Continuum, principalmente jovens bonitos de famílias classe A da sociedade.

e Paul iniciaram uma interessante conversa sobre teorias malucas que sempre criavam a respeito da Continuum. Neste tempo, Lise com seu moderno e ao mesmo tempo humilhante uniforme de recepcionista com direito a blusa branca com um babado roxo e uma calça social roxa com listras brancas, desceu as escadas e interagiu com ambos.

— Deixa eu adivinhar o assunto. — ela olhou para ambos — Novo hóspede, Dominos e Continuum.
— Somos tão óbvios assim? — perguntou a prima.
— É o assunto do momento em toda a cidade, foi a mesma coisa quando o Baker se mudou para cá. — explicou ela — Daqui a pouco cai no esquecimento até outra família dá na louca de vir residir em Seattle.
— Isso é verdade. — Paul riu — Mas pelo menos o é gente boa, já esse Dominos, não sabemos.
— Ele é educado. — defendeu .
também era. — relembrou Lise o antigo namorado de — E era um Bellorum.
— Ouvi dizer que os Bellorum são os mais frios e arrogantes. — comentou Paul.
— São todos militares, o que queria? — Lise cruzou os braços — , não se esqueça o quão conturbado foi seu relacionamento com o Bellorum, imagine que pode ser pior sendo um Dominos.
 —Ai gente, vocês falam como se eu fosse um ímã que atrai Continuum. — ela se sentiu ofendida.
— Só falo para sua proteção, essas famílias são perigosas. — alertou a prima.
— Eu sei, me lembro bem de como o pai de reagiu quando descobriu nosso namoro. — suspirou fraco ao ser invadida por suas lembranças negativas.

Por isso nosso namoro era escondido. Pensou ela.

Lise se despediu deles e seguiu para seu trabalho. Os amigos aproveitaram a deixa e foram para a cozinha, onde lá serviu o café para ambos, em meio às xícaras, os biscoitos de milho, o bolo de morango com cobertura de coco, o suco de laranja e o leite, eles continuaram conversando.

— Você viu a tia Beth quando chegou? — perguntou ela.
— Ah, sim ela estava ao telefone. Depois disso, foi pra cozinha e saiu.
— E disse pra onde?
— Não. — ele tomou um gole — Sabe de uma coisa, eu acho que o senhor Molina está apaixonado por ela.
— Eu tenho certeza. — soltou uma gargalhada.
— Pois é. — ambos riram do comentário.
— E como vai o namoro com a Lise?
— Vai indo, ela é meio convencida às vezes, mas dá pra aguentar. Eu amo sua prima.
— Até hoje fico chocada com a forma insistente que a conquistou. — ao falar ela leva a xícara à boca.
— E ela sempre dizendo que não queria namorar alguém tão chato como eu. — ele deu um suspiro — Desde quando sou chato?!
— Reservo-me o direito de permanecer em silêncio para não perder o amigo. — disse ela segurando o riso.

Porém, ambos soltaram gargalhadas.

- Seattle Sollary Hospital

Na sala de descanso dos residentes, tirava mais um de seus cochilos. A única forma que encontrava para se manter de pé e superar o mau-humor da residente chefe, senhorita Lins. A madrugada passada não tinha sido muito boa, devido a um acidente causado por um carro desgovernado, a ala de emergência se tornou um caos. Felizmente, era aquele tipo de caos que a Sollary dedicada gostava, sentir a adrenalina a cem por hora enquanto segurava um bisturi. Mais que um legado da sua família, ser médica era realmente seu caminho a seguir.

— Sollary. — disse Moose ao se aproximar da beliche e balançar seu ombro — Sollary?!
— Hum?! — ela abriu um pouco os olhos e se virou para ele — O que você quer?
— A megera Lins está a sua procura.
— O que ela quer? — perguntou a moça erguendo seu corpo e se espreguiçando como podia.
— Seus relatórios do plantão desta madrugada. — explicou o rapaz.
— Hum.

Ela bufou de leve e se levantou da cama. Ao se aproximar a mesa de estudos, pegou os relatórios que passou duas horas preenchendo e revisando a mando da megera e seguiu para a enfermaria. Lins só tinha aquele cargo por ser muito próxima do atual diretor do hospital, nomeado logo após seu pai anunciar a aposentadoria dele. Sendo filha única, a faz herdeira primária Sollary, já que seus primos só poderia herdar algo se ela não existisse. Então, tinha uma pressão grande em suas costa, e a responsabilidade de se tornar a melhor cirurgiã que aquele hospital já teve.

— Me procurando dra. Lins. — disse ela ponderando a voz ao se aproximar de sua superiora.
— Claro. — a mulher deu um sorriso falso — Terminou os relatórios?
— Sim. — assentiu.
— Muito bem, pode ir para casa, já completou suas horas. — ordenou a mulher.
— Como assim? Ainda falta três horas, eu contei.
— Não faltam, seu horário foi reduzido mais uma vez. — explicou ela — E com a emergência do acidente, você ficou muito tempo em cirurgias.
— Mas…
— Ordens do seu tio. — disse ela.

engoliu seco aquela afronta. Claro que tinha dedo do seu tio, aquele velho que sempre almejava sabotar a sobrinha para ficar com seu lugar totalmente. A jovem residente se retirou e foi até o vestiário onde trocou de roupa e pegou sua bolsa no armário. Mesmo contrariada não podia fazer nada a não ser ir para casa. Bem na porta de saída, ela avistou um rosto conhecido. se encontrava encostado em sua moto, de braços cruzados e em uma pose que só vemos em revistas.

— O que faz aqui Baker? — perguntou ela.
— Vim te buscar. — disse ele.
— E como sabia que eu sairia daqui agora? — ela cruzou os braços intrigada.
— Não sabia, estava contando que sairia daqui três horas. — explicou ele com tranquilidade.
 —E ficaria aqui me esperando por três horas? — indagou ela.
— Sim.
— Você não tem mais nada para fazer não?
— Ficar perto de você é mais interessante. — ele deu um sorriso bobo.
— Você é realmente um imaturo mesmo. — ela bufou e se afastou dele.
— Espera. — ele segurou em sua mão — Me deixa te levar.
— Quantas vezes vou ter que dizer que está perdendo seu tempo? Não vou te dar nem meia chance Baker. — ela o olhou com firmeza.
— Você odeia tanto a minha família assim? — perguntou ele.
— As pessoas que conheci dela, não me deram boa impressão. — revelou ela.
— E acha que se uma é assim, todos são? — retrucou ele.
— Você ainda não me provou o contrário, e agindo feito um adolescente sem responsabilidade não ajuda. — ela continuou firme.
— E o que tenho que fazer para você se apaixonar por mim?
— Primeiro pare de achar que vou me apaixonar por você, pois isso nunca vai acontecer, e segundo, se eu ver que é realmente um homem responsável, posso pensar em te dar o benefício de ser meu amigo. — ela se soltou dele.
— O que a megera te fez? — perguntou ele.
— O que? — ela ficou confusa.
— Toda vez que ela te deixa furiosa, você desconta em mim. — explicou ele segurando o riso — Vou ser sincero, esse lance de me fazer seu saco de pancadas só me deixa mais apaixonado ainda.
— Viu, é uma criança. — ela se virou.
— Sou um homem apaixonado. — ele a segurou novamente — Me deixa te divertir um pouco.
— Você não desiste mesmo, não é? Baker.
— Jamais Sollary. — ele sorriu de canto e esticou o segundo capacete para ela — Vamos?

suspirou um pouco e sem pensar muito pegou o capacete e subiu na garupa o colocando. Se ela analisasse muito a ideia, certamente não faria aquilo. Talvez por ter tido um breve romance com um Dominos em seus tempos de faculdade em Harvard, uma aversão a famílias da Continuum tinha se criado dentro dela. E Baker pertencia a uma, motivo de sua resistência. 

Mas lá no fundo, ela até o achava charmoso e atraente.

Eu já abri o meu coração para você há muito tempo
Você é tudo para mim, esse é o meu jeito de confirmar
Eu deveria ser cuidadoso e me amar mais, 
Desse jeito eu nunca irei me machucar. 
- My Answer / EXO



3. Família

- Algum lugar de Seattle

Baker já tinha sacado com pouco tempo os pontos fracos de , porém não os usava para conquistá-la. Entretanto se há uma coisa que ele amava fazer, era irritar a garota com seu jeito despojado de ser. Quanto mais acelerava a moto, mais se agarrava nele, e essa era sua intenção maliciosa desde o início. Era triste ter que se contentar com esses pequenos detalhes dessa desastrosa relação que ambos tinham. Mas aquele Baker era persistente e muito sagaz.

— Reduza a velocidade. — gritou se agarrando mais a jaqueta dele.
— Pare de ser tão certinha e curta a brisa da noite. — disse ele despreocupadamente.
— Eu não estou brincando Baker, quando eu descer dessa moto eu te mato. — gritou novamente.
— Deve ser sexy morrer pelas suas mãos, sendo médica como pretende me matar? — brincou ele rindo um pouco — Meu último desejo é um beijo.
— BAKER! — ela bateu nele com fúria.

Logo fez a moto cambalear, deixando ainda mais raivosa. Assim que ele parou a moto em frente o Au Lait Coffee, ela desceu rapidamente retirando o capacete.

— Você é louco Baker? — ela o olhou surtando.
— Por você sim. — ele desligou a moto e sorriu de canto — Por que se irrita tão fácil?
— Você me irrita. — ela bufou.
— Relaxe Sollary, e me deixe diverti-la. — ele a segurou pela mão com um sorriso bobo no rosto e a puxou para dentro da cafeteria.

estava cansada demais para relutar a insistência dele, e deixou ser guiada. Ao entrar, escolheram logo uma mesa bem ao lado da vidraça, onde poderiam contemplar a beleza da avenida principal da cidade e suas luzes noturna. 

— Boa noite, o que o casal vai pedir hoje? — perguntou Mary ao se aproximar para anotar os pedidos.
— Não somos um casal. — protestou .
— Eu vou querer um expresso duplo, para ela cappuccino e um pedaço da torta de morango com chantilly. — respondeu ele tranquilamente não se importando com as palavras de .
— Como sabe que vou querer isso? — disse ela impressionada.
— Sei tudo sobre você. — ele piscou de leve e voltou olhar para a atendente, que anotava tudo.

fitou os olhos nele tentando entender como continuava agindo daquela forma com ela. Aparentemente as pessoas os viam como um casal que vivia a base do amor e ódio, o que tornava tudo mais divertido para ele. Ambos permaneceram em silêncio até que seus pedidos vieram e a moça se retirou. cortou um pedaço e levou a boca, aquela era mesmo sua torta favorita. Era intrigante que tivesse gravado tão rapidamente seus gostos.

De um mero paciente que ela ajudou no resgate, após ele sofrer um acidente de moto, o homem otimista se tornou seu colega de Hostel e no linguajar da tia Beth, um pretendente de alto nível. Era de se esperar que se apaixonasse por sua médica cirurgiã residente, que cuidou dele com tanta dedicação enquanto se manteve internado no Seattle Sollary Hospital. Porém, entre tantos cuidados dela, foi através de um singelo sorriso espontâneo, direcionado a outra pessoa, que o coração do ousado Baker pulsou mais forte.

— Está me olhando demais Baker. — comentou ela — O que está tramando?
— As vezes me ofende o mal juízo que faz de mim. — ele fez uma olhar manhoso e ao mesmo tempo indignado.
— Como está a cicatriz nas costas? Ainda dói? — perguntou ela.
— A receita que me conseguiu ajudou. — ele reclinou até encostar no encosto da cadeira, mantendo seu olhar nela — Obrigado, mesmo depois da alta, ainda cuida de mim.
— Só estou me prevenindo e mantendo você longe do meu local de trabalho. — ela manteve o olhar na torta — Como uma pessoa pode deixar o legado da família e viver como um nômade? Não consigo entender você.

Ela levantou seu olhar nele.

— Não consegue entender o fato de eu não querer viver as sombras do nome da minha família? — resumiu ele.
— Você vive da sua fortuna. — retrucou ela — Se quer bancar o filho rebelde, deveria viver a independência total.
— Acha que não sou capaz de sobreviver sem o dinheiro da minha família? — ele cruzou os braços, deixando seu olhar transparecer curiosidade.
— Honestamente, sim. — respondeu ela — Eu vejo você como aquele projeto de bad boy mimado que usa o dinheiro dos pais para pagar a gasolina da Mercedes e o silêncio dos policiais corruptos.
— Estou curioso para saber qual Dominos você namorou para ter tanto preconceito assim. — se viu ainda mais curioso pelas palavras amargas dela — Foi o popular da elite ? O caçula ? Ele está hospedado no nosso hostel. Hum… Foi o Nigel? Não… Pelo seu olhar, só pode o Victor.
— Você parece conhecer bem essa família. — retrucou ela, mantendo a resposta para si.
— Não tanto quanto você. — ele sorriu de canto — Pelo menos é o que me parece.
— Você acha mesmo que me conhece, mas não… — ela tomou o último gole do cappuccino e se levantou da mesa — Você não sabe de nada Baker.

segurou em sua mão assim que ela tomou impulso para sair de lá.

— Me conte então. — seu olhar estava firme, ele desejava lhe passar confiança.
— Prove que merece saber. — ela se soltou dele — Obrigada pelo café.

ajeitou a bolsa no ombro e seguiu para a saída. Seu único pensamento era chegar no hostel, se trancar em seu quarto e finalmente descansar. permaneceu estático, se manteve sentado na cadeira pensativo no que havia acontecido. Em minutos, sua atenção se voltou para a porta. Observou a entrada de no lugar, sendo seguido por outro rosto Dominos conhecido. 

O caçula dos Dominos era acompanhado por seu primo Nigel. Ambos se sentaram em uma mesa aos fundos, para iniciar sua conversa reservada.

— Então como está tudo? — perguntou com ar meio preocupado — Há dias não tenho notícias da Jass.
— As coisas estão meio complicadas. — Nigel respirou fundo.
— O que fez desta vez?
— Não sei se seu irmão está agindo com prudência, soube que ele fez novas aquisições de terras no Texas. — chegando próximo ao ouvido de — E sabemos que aquele estado pertence a Continuum, ele quer enfrentar os Tenebrae.
sempre viveu contra as regras, mas não achei que chegaria a tanto. — ele suspirou fraco, conhecia seu irmão muito bem — Não entendo sua obsessão pelos Tenebrae.
— Quem entende. — Nigel voltou seu olhar para a atendente que os serviam.
— Infelizmente, não posso voltar, não sem antes conquistar a confiança da Sollary.
— Entendo. — Nigel voltou seu olhar para o primo — E como vão as coisas?
Sollary é uma mulher forte e independente, trabalha como cirurgiã residente no hospital da família. — contou — Ainda não sei como me aproximar, disse que eu deveria ser sutil, mas nós dois sabemos como ele é sutil com as mulheres.
— Levando-as para cama. — completou Nigel.

Eles riram.

— Mas, me mantenha informado, por favor. — pediu .
— Sem problemas. — Nigel sorriu de leve — Além de primos, somos amigos e nos preocupamos com nossa família.

- Dominos House, Chicago

Chicago era a cidade movimentada em que a família Dominos residia. Sua mansão se localizava um pouco mais afastada do centro comercial. Uma propriedade invejável até mesmo pelos políticos da cidade. Os dois andares que contemplava o imóvel seguia um estilo arquitetônico moderno com toques clássicos. Suítes extremamente confortáveis, salas de estar e TV, sala de jantar, a ampla cozinha de design industrial e o majestoso escritório que sentia o prazer de receber seus amigos. 

Atrás do “palacete”, perto da entrada da cozinha ficava a adega onde se guardava os vinhos mais preciosos, agraciados por sua pequena vinícola na Itália administrada por Victor Dominos. Ao lado era o quarto de , parecido com um loft, a cama ficava perto da janela que dava vista para a mansão, ao lado uma poltrona e a porta do banheiro, perto da porta de saída um jogo de mesa com duas cadeiras de madeira Siciliana, ao lado uma pia de mármore, um cooktop e uma mini geladeira. No porão se encontrava o dormitório, dos seguranças que guardavam a propriedade, todos chefiados por Dosan. Do outro lado dos fundos da mansão, havia um jardim cultivado pela tia Dominos, com orquidário e diversas flores do campo. E ao lado um pequeno espaço em que usava para treinar.

Como mencionado antes, pertencia aos Dominos, como filho legítimo. O terceiro na linha de comando. Seu jeito tranquilo e pacífico não se comparava ao de , que às vezes era taxado como um tirano por sua irmã mais nova. O que de tudo não era ruim, pois afinal ser um chefe de “Família Continuum”, ele precisava ser forte, rígido e perspicaz. E era com muita preocupação que o chefe Dominos garantia a segurança de suas irmãs Genevieve e Jasmim, sua tia Sophie, sua prima Bella, seu primos Victor e Nigel e a recém chegada Liana.

Naquela tarde em sua espaçosa sala de TV, decorada com sofás pretos e luxuosos com detalhes vermelhos, mesa de centro de vidro e obras de arte espalhadas pelas paredes, se mantinha de pé perto da janela observando o jardim de inverno da lateral direita da casa.

— Alguma movimentação da Continuum? — perguntou ao se voltar para seu empregado.
— Ainda não meu senhor. — respondeu o homem.
— O que será que estão tramando. — sussurrou ele refletindo de leve.
— Algo o preocupa?
— Tudo me preocupa, principalmente a segurança da minha família. — suspirou fraco e voltou o olhar para a janela — já retornou?
— Ainda não senhor, mas o avião está a caminho.
— E o quanto a segurança da empresa? Como estão os transportes?
— Sendo monitorados senhor, não deixaremos que nos roubem novamente. — assegurou Dosan.
— Assim espero, tenho a maior transportadora do país, se nossos clientes não sentirem segurança em nosso trabalho, será o responsável por isso. 

O homem engoliu seco. Não era fácil ser um funcionário daquela família.

— Mantenha os seguranças em alerta, quero minha família em segurança.
— Sim senhor.

Neste instante, a caçula Jasmim entrou o recinto de forma alegre e saltitante.

— Boa noite senhores! — disse ela num tom irônico.
— Senhorita. — Dosan cumprimenta levemente com a cabeça.
— Espero não estar atrapalhando?! — pergunta ela desviando o olhar para o irmão.
— De jeito nenhum irmãzinha. — sorriu de canto.
— Que bom, estava mesmo querendo ver minha série na Netflix, é tão ruim aquela tela minúscula do notebook. — ela pega o controle, liga a televisão com tranquilidade e deita no sofá de forma despojada.
— Pode se retirar Dosan. — disse .
— Sim senhor, com sua licença. — assentiu o homem indo em direção a porta.
—Tchauzinho Dosan. — disse Jasmim com ar de deboche. — Eu gosto dele sabia, que pena que nunca será o funcionário do ano, já que existe a .
— Não diga.
— É sério .
— Acredito.
— Isso é cinismo?
— Como pode pensar isso de mim Jass?
— Até agora não estou pensando nada. — ela soltou uma gargalhada.
— Como vai a escola? Não é porque seja uma Dominos que não tenha que mostrar resultados. — disse ele num tom mais sério — O colegial é uma fase importante da vida.
— Virou o papai agora? — ela se indignou um pouco — Ainda tenho 16 anos, que resultado quer que eu mostre?
— Seu boletim com notas altas no final do semestre. — ele colocou as mãos no bolso da calça, mantendo o olhar sereno — E não matando aula todos os dias. Acha que com esse currículo acadêmico vai entrar em uma Ivy League?
— E se eu não quiser ir para faculdade? — retrucou ela olhando para ele.
— E pretende viver de que?
— Nossa família é rica. — brincou ela rindo do olhar do irmão — Eu ainda não sei o que quero, mas não gosto da ideia da faculdade.
— Não me lembro de ter sido assim na sua idade. — ele suspirou fraco — Tenha juízo.
— Aonde você quer chegar ? Com esse diálogo de pai? Você é somente meu irmão mais velho. — ela cruzou os braços — Não precisa ficar me repreendendo.
— Sabe, de uma adolescente como você, eu realmente não queria ser seu irmão, mas sangue é sangue. — respondeu ele — E particularmente, eu quero chegar ao topo, ao contrário de você que se contenta com o mínimo.
— Topo do que? Da cadeia alimentar? — ela perguntou com deboche.
— Você sabe o que eu quis dizer.
— Conta outro sonho, por que esse já é velho e todo mundo conhece.

Ele respirou fundo e manteve a calma. Lá no fundo só queria jogar a mais rebelde da família em um colégio interno, entretanto, havia prometido sua mãe que cuidaria de todos sem exceção e os manteriam por perto.

- Hostel Fletcher

Na varanda da pensão se mantinha sentada na cadeira de balanço, observando as pessoas passando pela rua. Nudy se aproximou dela assim que a viu enquanto passava.

— Sonhando ? — disse a amiga.
— Oi Nudy! Sim estou um pouco.
— Com quem?! — começando a ficar curiosa.
— Não é quem, mas o que. — a garota abriu um largo sorriso.
— Hum… E o que seria?
— Consegui passar a entrevista e passei como professora substituta na Escola de Arte da cidade. — explicou ela.
— Sério? Vai dar aulas na Escola de Artes Moonlight? — o olhar dela ficou animado — Posso ter esperanças de aprender a dançar agora?
— Claro. — riu de leve — Bem, será somente eu serei somente substituta e auxiliar, mas já é o começo. Foi o melhor que consegui sem a intervenção da minha mãe.
— E como estão as coisas com ela?
— Bem mal, ela não aceita meu amor pela dança e sempre que pode tenta me sabotar. — confessou com um suspiro de cansaço — Mas desta vez ela não conseguiu e meu contrato já está assinado.
— Que legal. 
— Claro que vou trabalhar lá só meio período e vou continuar na livraria do senhor Fox, preciso juntar uma grana. — comentou.
— Nem fale em juntar uma grana, é tão complicado viver de aluguel. — a jovem bufou — Cada mês os donos do apartamento querem aumentar o valor.
— Que horror. — fez uma careta. 
— Mas é verdade... Bem, eu preciso ir, até mais. — ambas se despediram e entrou em casa.

Com a saída de tia Beth, o jantar era por sua conta.  Após deixar tudo pronto na cozinha, se recolheu em seu quarto e ficou um tempo dedilhando notas aleatórias no seu violão, quando Lise chegou.

— Oi priminha. — disse animada ao entrar — Hum… A quanto tempo você não toca. A que se deve isso?
— A nada, só me senti entediada, e não tem tanto tempo assim não, eu toquei no último aniversário da tia Beth. — se explicou.
— Ah.
— E como foi no trabalho?
— Cansativo como sempre. Preciso seguir a linha de pensamento do meu namorado e mudar de ramo profissional.  —reclamou ela ao se sentar na cama e tirar os sapatos — Não aguento mais.
— Força prima.

Vendo a porta entreaberta, Paul entrou no quarto.

— E ai , oi amor! — dando um beijo em Lise.
— Não sabe bater não?  —reclamou Lise — Eu poderia estar me trocando.
— Já vi tudo que era pra ver aí. — brincou ele.
— Seu pervertido abusado, e se a estivesse se trocando?
— Ela não deixaria a porta semi aberta como você. — retrucou ele.

soltou uma gargalhada.

— Você dois são uma comédia. Veio jantar Paul? — pergunta.
— Vim, e então o que me contam de novo?
— Quero mudar de profissão também. — disse Lise.
— Isso não é novidade é uma confirmação do que venho te falando a anos. — disse ele.
— Eu vou descer para aquecer o jantar, juízo vocês dois. — se levantou e desceu em direção à cozinha.

Chegando, foi até a geladeira, pois havia deixado duas travessas de lasanha de batata preparadas, pegando as travessas as colocou no forno para aquecer. “Espero que a tia Beth goste.” Pensou ela. Saindo da cozinha, pegou um livro na estante da sala para ler e distraída se senta no sofá. Não demorou muito até que chegou apático em seus devaneios.

?! Tudo bem?? — perguntou ela preocupada com o amigo.
— Boa noite pra você também. — respondeu ele indo se sentar ao seu lado.
— Que cara depressiva. O que houve? — insistiu ela.
— O amor houve, e ele é tão maléfico. — o tom sua voz baixou um pouco.

analisou as expressões faciais do amigo.

— Seu olhar tem um nome. Sollary. — constatou ela.
— Aquela mulher um dia vai me deixar louco, ou me matar. — brincou ele rindo baixo — Mas eu juro que estou apaixonado de verdade.
— Consigo ver nos seus olhos quando fala dela, sempre brilham. — confirmou a amiga.
— Só ela que não vê, mas não me darei por vencido. — ele soltou um sorriso revigorante — Sollary ainda será a senhora Baker, pode apostar.
— Eu aposto em você. — o encorajou.
— Boa noite crianças! — cumprimentou tia Beth ao entrar pela porta da frente, cheia de sacolas nas mãos.
— Oi tia! — disse se levantando do sofá — Deixa que eu te ajudo.
— Tia Beth, não somos mais crianças. — riu.
— Pra mim vocês sempre serão crianças, principalmente o Baker. — brincou ela.
— É por isso que eu te adotei como minha tia. — ele riu — Quer que eu coloque onde?
— Vamos levar para a cozinha. — respondeu tia — Hum, que cheiro é esse?
— Cheiro do jantar que eu fiz. — respondeu .
— Se o sabor estiver tão bom quanto o cheiro, te contrato. — brincou ela, fazendo-os rir.
— Espero que a senhora goste.
— Se você cozinha como a Marie, eu vou adorar.

também ajudou com as compras. Eles ficaram conversando um pouco mais e na cozinha. Após o jantar todos foram para seus quartos. chegou pela madrugada, bem na hora em que acordou no susto com seu pager tocando. A jovem residente se levantou correndo e trocou de roupa o mais rápido possível, era sinal de um plantão de urgência no hospital. Assim que desceu as escadas, acabou por trombar em , deixando seu estetoscópio cair.

— Aqui, deixou isso cair. — disse ele pegando o objeto.
— Obrigada, . — ela respirou fundo pegando da mão dele.
— Ainda se lembra de mim? — o rapaz ansiava por uma abertura de espaço para se aproximar dela.
— Como poderia esquecer um Dominos. — respondeu ela voltando seu olhar para a nova mensagem em seu pager — Droga.
— O que foi? — perguntou ele.
— Chamada cancelada, enviaram pra pessoa errada. — explicou ela — Odeio quando isso acontece.
— Deve ser complicado essa vida de médico.
— É cansativo. — corrigiu ela — O que você quer aqui?
— Por que a pergunta?
— Porque eu conheço sua família, não dá um passo sem antes calcular os ganhos e as perdas. — retrucou ela — Então…
— Acha que estou aqui por uma jogada financeira do meu irmão?
— Ele declarou guerra à Continuum. — afirmou .
— Ele declarou guerra aos Tenebrae, é diferente. — corrigiu .
— E quem está no comando da Continuum? — a residente cruzou os braços — , não deveriam entrar numa batalha da qual não sabem se vão vencer.
— Sua família tem fortes laços com os Tenebrae… Tem medo de algo acontecer? — observou ele.
— Não, só não quero que mais inocentes se machuquem. — disse ela.
— Os Tenebrae não são inocentes.
— Isso é o que o seu irmão diz. — contestou ela.
— Bem, pode me dar o benefício de provar as palavras do . — sorriu de canto — Te aconselho a desligar esse aparelho e ir descansar.
— Não precisa aconselhar, é exatamente isso que farei. — ela se virou de costas para subir as escadas.
— Espero que não esteja com raiva da família toda. — disse — Ainda te considero uma amiga.
— Eu sei Dominos. — a garota sorriu discretamente e continuou a subir os degraus.

se virou para a cozinha e seguiu, sentia sede. Foi quando se deparou com e copo de água em sua mão.

— Boa noite, . — ele sorriu para ela.
— Boa noite. — ela sussurrou — Eu não estava ouvindo…
— Não se preocupe, não vou achar que estava nos espionando. — assegurou ele.
— Você conhece a dra ?
— Sim, desde criança. — respondeu ele a olhando serenamente.
— Hum… 
— Vai tomar essa água?
— Não. — ela esticou o copo para ele.
— Obrigado. — ele pegou o copo e tomou em uma golada — Boa noite.
— Boa noite.

havia sim ouvido toda a conversa e ficado intrigada. Sua curiosidade em saber o quão próximo era e a dra , e quem era o tal de que eles falaram.

Apresentações podem ser boas ou ruins,isso é algo que acontece
As vezes é bom apenas parar pra relaxar e descansar. 
- Mr. Simple / Super Junior



4. Dominos - pt. 1

- Hostel Fletcher

Manhã de terça-feira, acordou pouco depois do café. Se surpreendeu quando viu que a prima já tinha saído para o trabalho. Ela trocou de roupa, colocando um jeans rasgado no joelho, t-shirt azul marinho e um all star branco. Descendo direto para a cozinha, pegou um pedaço do bolo de maracujá que encontrou no forno e comeu acompanhado de uma xícara de leite frio.

?! — tia Beth entrou pela porta dos fundos que dava para o quintal.
— Sim tia. — voltou seu olhar para ela, vendo que segurava algumas sacolas — Está vindo de onde?
— Do supermercado. — respondeu colocando as sacolas em cima da bancada da pia — Estava curiosa para te perguntar, quando começam suas aulas, senhorita auxiliar?
— Sexta à noite. — respondeu ela.
— Vai dar aulas à noite? — tia Beth colocou a mão na cintura com um olhar preocupado — Não é perigoso?
— Seattle não é tão perigosa assim. — retrucou ela — Por enquanto, vou substituir nas aulas de sexta à noite e sábado pela manhã.
— Eles sabem que trabalha na livraria do Fox?
— Claro que sabem tia. — ela riu — Eu me candidatei para dar aulas à noite e nos fins de semana.
— Entendi. — tia cruzou os braços.
— O que foi tia? Aconteceu alguma coisa? — com medo de ter feito algo errado e levar uma bronca.
— Sua mãe me mandou mensagem, soube que conseguiu a vaga na escola de Artes. — revelou.
— Quem contou a ela?
— Eu não sei, mas fique tranquila, conversamos e ela disse que não irá interferir. — garantiu.
— Isso é novidade. — tentou não ser irônica — Minha mãe adora me sabotar.
— Não diga isso.
— Sabe que não minto. — se levantou da cadeira — Preciso pegar alguns documentos e levar na escola, volto mais tarde.
— Vá em paz. — aconselhou tia.

No momento em que passou pela sala, entrou pela porta com alguns folhetos na mão esquerda, digitando algo no celular com a outra. O rapaz estava tão concentrado que acabou esbarrando na amiga.

— Nunca te vi tão concentrado quanto agora. — sorriu de leve o olhando impressionada — O que são esses papéis?
— Possibilidades para o futuro.
— E eu posso entender quais possibilidades são essas?
— Ofertas de emprego.
— O que? Baker vai trabalhar?
— Eu te amo, mas nada de ironia. — sua voz transparecer o cansaço que sentia.

passou por ela para subir as escadas primeiro.

— Me desculpa, mas é muita novidade vindo de você nobre Baker. — ela riu baixo brincando com ele, enquanto subia logo atrás.
— Tem certeza que é minha amiga? — perguntou ele segurando o riso — Pois não parece.
— Perco o amigo, mas não perco a piada.

Eles riram. seguiu para seu quarto e juntando seus documentos na bolsa, saiu em direção ao uber que tinha chamado pelo aplicativo. Em seu quarto, jogou os papéis em sua mão na mesa de cabeceira e jogou seu corpo sobre a cama, sua se encontrava cabeça pesada e dolorida por ter acordado cedo. Porém, seus esforços em conseguir algo longe das influências de sua família, resultou em um estágio no estúdio de fotografia que pertencia a Escola de Artes Moonlight. Além de aluno, agora ele iria exercer o aprendizado e ganhar dinheiro com isso. 

Mal fechou os olhos e seu celular tocou. ergueu a mão e olhou a mensagem de Annia, a filha adotiva que controlava toda sua fortuna agora. Era um convite para um baile de máscaras que promovia em comemoração ao aniversário das Indústrias Baker. Ele ergueu seu corpo de leve rindo daquilo. Já tinha deixado claro que não queria se envolver com os negócios da família. Contudo, começou a ficar pensativo sobre a possibilidade de ir com uma acompanhante. 

— Baile de máscaras? — sussurrou — O que anda aprontando Annia?

---

Enquanto observava sua sobrinha sair, tia Beth aproveitou a deixa para se ausentar do hostel, pois tinha um encontro marcado com Molina. Por ter ido de carro, não demorou muito para chegar restaurante Marquese. Logo na recepção, encontrou Lise com seu uniforme cafona e sorriso forçado de sempre:

— Lise.
— Oi mãe, quer dizer, boa tarde senhora, deseja uma mesa ou algum cliente está à vossa espera?
— Menina metida. — Beth colocou a mão na cintura olhando a filha.
— Esse é meu trabalho mãe. — sussurrou Lise segurando o riso.
— O Molina já chegou?
— Arrasando corações em mãe. — ela brincou e tia Beth olhando-a seriamente — Desculpe-me senhora, ele já está à vossa espera.
— Obrigada. 

Lise ficou observando a mãe se afastar com um sorriso malicioso no rosto. Tanto ela quanto torciam para aquele shipp ser real e dar certo. Beth se dirigiu à mesa na qual o Molina a esperava. 

— Demorei um pouco, mas o que importa é que cheguei. — disse ao sentar na cadeira.
— Que bom que está aqui. Quer pedir nosso almoço agora? — sugeriu ele.
— Se não foi muito incômodo.
— Claro que não, além do mais, sua companhia é sempre agradável. — disse chamando o garçom.
— Não começa Molina.
— Boa noite, o que desejam? — disse o jovem se posicionando frente a eles.
— Pode escolher Beth!
— Talharim ao molho branco com ervas finas e vinho do porto.
— E para o senhor?
— O mesmo que ela.
— Com sua licença senhor.
— Você não acha que prato italiano é muito romântico para um almoço de negócios? — ele sorriu docemente.
— Vou fingir que não ouvi e vamos direto ao ponto, o que houve desta vez? — perguntou ela.

Molina esperou até que o garçom os servisse de vinho e se afastasse.

— Tenho duas notícias, uma boa e uma má. — ele ergueu a taça de vinho. — Que tal um brinde?
— Deixa de rodeios Molina!
— Ok. — ele sorriu de canto — A boa é que descobri coisas interessantes sobre esse hóspede que me falou pelo telefone e a má é que você não vai gostar do que vai ler.
— Que rapidez, pensei que iria demorar muito.
— Meus contatos na Continuum são eficientes, além do mais, Dominos é um sobrenome muito conhecido.
— Pode me dar à pasta. — respirando bem fundo
— Tem certeza?
— Sim. — confirmou ela — Assim como fiz com o Baker, não posso deixar que alguém se hospede em meu hostel sem saber a fundo sobre a família que pertence. Já ouvi muitas coisas sobre os Dominos. 

Após ela falar ele abriu sua maleta, retirou de dentro uma pasta preta e a entregou. Assim Beth começou a ler. Neste mesmo tempo, adentrou no restaurante Marquese acompanhada de seu pai. Ela já imaginava que a visita dele não era por uma simples saudade, tinha outras intenções por trás. E não demorou muito para que descobrisse quais, pois foi ao sentarem à mesa, que Gregori Sollary iniciou o assunto direto ao ponto.

— Todos estão comentando sobre um Dominos em Seattle, isso deixou a Continuum em alerta, ainda mais depois que compraram fazendas no Texas. — disse ele.
— Porque eu ainda fico na esperança de ser outro assunto além da Continuum pai? — seu olhar de indignação para ele era visível.
— Era para os Sollary estarem no controle da Continuum.
— Mas não estamos e isso nem me interessa. — a jovem médica cruzou os braços — Este é o único assunto que tens a tratar comigo?
— Minha filha, não me olhe assim, tudo o que faço é pensando em vosso futuro. — se explicou ele.

Entretanto, não conseguia encontrar sinceridade nos olhos de seu pai.

— Comentários sobre estar se relacionando com um Baker também chegaram aos meus ouvidos. — continuou ele — Espero que desta vez faça um bom casamento, já que não conseguiu ir até o final com o Dominos.

respirou fundo, desviando seu olhar irritado para o lado.

— Não há nada entre eu e o Baker. — afirmou ela com segurança — E seja lá quem for seu informante, é bem melhor perguntar diretamente sua filha, não acha?
— Querida não se irrite. — Gregori voltou seu olhar para o lado.

Observando a mesa em que se assentava Beth e Molina. Logo reconheceu o rosto da Fletcher, tentando se lembrar de onde a tinha visto. 

— O que está olhando? — perguntou intrigada, movendo o olhar para o lado — Beth.
— Você a conhece?! A mulher de vestido amarelo com aquele senhor? — perguntou ele.
— Sim, ela é a dona do hostel onde eu moro. — voltou seu olhar para o pai — Por que?
— Ela possui um rosto conhecido. — ele voltou a olhar para filha — Enfim, querida, espero que continue sem bom desempenho no hospital e que passe na segunda prova com honrarias. Como foi na prova dos internos.
— Não se preocupe pai, não vou desapontá-lo nem desonrar no sobrenome Sollary. — prometeu ela.

Ambos foram servidos pelo garçom e continuaram a conversar sobre o bom desempenho da rede de hospitais espalhadas pelo país, que pertenciam sua família.

- Dominos House, Chicago

No escritório da mansão dos Dominos, se mantinha parado frente à janela que existia entre as duas estantes, na parede da lateral. Aguardando o enfim retorno de sua fiel Sliter. Em sua mente, pensamentos estratégicos se misturavam ao rosto da mulher que o intrigava profundamente.

— Boa noite senhor Dominos. — disse ao entrar no escritório, o despertando.
— Finalmente. — disse ele num tom sereno se virando e a olhando.
— Perdoe-me pelo atraso senhor. — ela deu alguns passos até ele e entregou lhe uma pasta preta — Aqui estão os três contratos do Texas.
— A culpa não foi sua. — pegou a pasta e a abriu em cima da mesa, pegando os papeis começou a folhear — O que importa é que está resolvido.

Fechando a pasta ele caminhou até o quadro que estava na parede atrás de sua mesa de trabalho, e retirando, apareceu um cofre atrás. Digitando a senha, ele abriu, guardou os documentos e o fechou colocando o quadro em cima novamente.

— Fico feliz quando meus planos dão certo.
— Bem senhor, agora a produção do setor alimentício irá multiplicar.
— Sim... Mas ainda me preocupa a parte do transporte. — ele suspirou fraco.
— Se o senhor quiser posso fiscalizar pessoalmente.
— Não. — se sentou em sua confortável cadeira — Você está encarregada de tantas outras coisas, eu já pensei em alguém para fazer isso.
— E quem seria? — perguntou ela indo servi-lo com o vinho Reserva Especial da Família Dominos.
— Dominic Lins. — degustou-se do vinho e continuou — Ele vem demonstrando muita lealdade trabalhando na vinícola com meu primo.
— O senhor confiará nele? — o olhou sem entender essa decisão.
— Só existe uma pessoa em quem confio. — ele se levantou e deu o último gole no vinho — Você sabe muito bem quem é.

Ele se colocou a centímetros de distância diante dela. Mantendo uma pitada de intensidade naquele olhar sereno.

— Precisa de algo mais, senhor? — perguntou ela, se mantendo firme diante dos movimentos dele.
— Você fez uma longa viagem, descanse um pouco . — controlou a frustração, pela reação fria dela, mas não desistiria.

fez uma breve reverência com sua face e saiu do escritório. caminhou até a janela e sorriu de forma espontânea. Não importava o que acontecesse, ou quem ele contratasse, ambos sabiam que a única pessoa em quem confiava até a morte era realmente .

No porão da mansão dos Dominos, além do dormitório dos seguranças, havia também uma pequena sala de treinos, para que mantivessem a boa forma. Lugar este que frequentava todos os dias ao final da noite para praticar alguns movimentos de luta. As horas se passaram e no final da noite, a destemida Sliter se mantinha em frente a um saco de areia, aos fundos do lugar, socando-o continuamente descarregando o máximo de energia possível. Sua adrenalina se mantinha acelerada, coordenada com a concentração impecável.

— Não consigo entender como consegue treinar tanto. — disse ele parando poucos passos atrás dela — Lembro-me de mandá-la descansar.
— Senhor Dominos — ela se virou para ele e fez uma breve reverência com a face. — Desculpe-me, precisava descarregar minhas energias. Deseja algo?
— Você sabe de todos os meus desejos. — ele colocou as mãos nos bolsos da calça — Estava sem sono, andei pela casa e ouvi comentários que estava aqui.
— Ouviu comentários? — ela voltou seu olhar para uma das câmeras instaladas ali — Tem certeza senhor Dominos?

Ele acompanhou seu olhar com um sorriso de canto discreto.

— Em que posso te ajudar senhor? — insistiu ela ao voltar seu olhar para ele.

voltou a seriedade ao seu rosto e foi até o interruptor:

— Vamos ver... — ele tocou no botão.

entendendo as intenções de , pegou sua espada que estava ao chão ao seu lado e se movimentou em direção ao centro da sala já levantando a lâmina. De repente a luz se apagou, deixando o lugar inteiramente no escuro, sendo contemplado somente com a pouca luz da lua que entrava pela janela basculante da parede leste. se concentrou de imediato e sentiu um vulto passar a sua direita, ao se movimentar para sua esquerda sentiu a lâmina de sua espada corta alguma coisa.

— Senhor? — disse ela, ao ouvir risos vindos dos fundos do lugar.

lançou outro golpe no ar, desta vez a lâmina de sua espada se encontrou com outra.

— Se concentre. — disse ele forçando sua espada a encostar-se ao corpo dela.

Apesar de ela ser extremamente hábil, o manejo de uma espada era uma das maiores qualidades dele. era reservado quanto ao seu nível força e habilidades com armas, não gostava de demonstrar em público, a menos que fosse em ocasiões especiais. Entretanto, pelo menos uma vez por mês ele reservava uma noite para testar o nível de habilidade em combate de . Isso fazia com que a dedicação dela em seus treinos solitário fossem ainda maior.

E naquela noite, a destemida estava treinando com seu senhor. Eram breves minutos de muito esforço, cada investida de com seus rápidos golpes e silenciosos movimentos, eram considerados preciosos para ela. Nos instantes finais, se desviou de um dos golpes dele e ao tentar prendê-lo entre a lâmina de sua espada e a parede; segurou fortemente em sua mão direita e girou, encaixando as costas de em seu tórax, com a mão esquerda prendendo a lâmina de sua espada no pescoço dela e com a direita segurando firme no pulso dela. 

— Pense… O que faria para conseguir se soltar?! — disse ele, próximo ao seu ouvido, deixando sua voz aveludada e envolvente — Me vença.

Em um piscar de olhos as luzes se acenderam. Era Clair que se mantinha estática próximo a porta com as mãos na alavanca de energia, olhando ambos.

a soltou e afastando-se, jogou a espada no chão.

— Continue treinando, ainda sou o único que pode te vencer. — ele deu de costas seguiu em direção à porta.
— Sim senhor. — respondeu ela de forma fria como se estivesse decepcionada por terem sido interrompidos.

Após a saída de Dominos, Clair caminhou em direção a e começou a ajudá-la a recolher as espadas que estava pelo chão:

— Você sempre treina sozinha, nunca a vi aqui com o senhor Dominos. — comentou ela com receio de ser repreendida.
— Ele só estava testando meu nível. — soltou um suspiro cansado.

Agora sim estava sentindo o peso e as dores musculares chegarem em seu corpo.

— O senhor Dominos disse que ainda era o único que podia te vencer, por que ele a quer mais forte que ele? — a moça parecia curiosa em saber mais sobre a relação de que a Sliter tinha como chefe da família.
— Não é questão de força, mas sim domínio. O senhor me considera sua consciência. — respondeu com tranquilidade.
— Por que um homem com tanto poder precisaria de outra pessoa para ser sua consciência?
— Porque na maioria das vezes o poder cega as pessoas. — finalizou colocando a última espada na caixa que ficava embaixo da janela e saiu.

Não era mesmo questão de força. Pois Nalla sabia de todos os pontos fracos de . Ela poderia vencê-lo a qualquer momento, mas gostava da sensação que sentia sempre que perdia para ele, não pela derrota, mais por ver a motivação do Dominos em querer perder para ela. 

Ela está me deixando louco,
Por que o meu coração está acelerado? 
- Monster / EXO



5. Dominos - pt. 2

- Algum lugar de Seattle

Noite de sexta-feira, em seu primeiro dia como professora substituta, se mantinha ansiosa e ao mesmo tempo temerosa. Por tanto tempo ela tinha sonhado em trabalhar com a dança, que não conseguia acreditar que estava acontecendo agora. Felizmente estava mais do que esperançosa com essa oportunidade, já que sua tia lhe garantia a não interferência de sua mãe adotiva¹. 

E sua primeira turma de alunos, eram damas e cavalheiros da terceira idade que estavam ali para aprender bolero. Logo um estilo de dança em que não tinha se especializado na universidade, porém seus poucos conhecimentos sobre o assunto ainda poderiam lhe ajudar naquela tarefa.

— Boa noite alunos, vamos começar a aula com um pouco de aquecimento, nos alongando. — se pronunciou ela diante dos oito alunos — E depois gostaria que me dissessem o nível de evolução de vocês com o professor Juan.

Os alunos assentiram e começaram a se alongar. voltou seu olhar para a porta da sala e avistou a diretora da escola lhe observando em seu primeiro dia. 

--

Próximo ali, em Seattle Sollary Hospital, iniciava mais um plantão de sua residência. A conversa com seu pai na terça não lhe saía da cabeça, principalmente a parte em que afirmara que o rosto de tia Beth lhe era familiar. Parada diante do seu armário no vestiário, ela retirou o celular do bolso e abrindo a lista de contatos, olhou para o número de , era loucura os pensamentos que vinham em sua mente. Contudo, já sabia que se futuramente tivesse que escolher um lado, mesmo com ressentimentos do passado, sua escolha não seria outra.

— Dominos. — sussurrou ela ao apertar o botão para iniciar a chamada.

Ela respirou fundo, enquanto o aparelho iniciava a ligação.

— Sollary. — disse a voz de ao atender — Sabia que ligaria.
— Só porque me viu com meu pai? — indagou ela.
— Não. — ele riu — É porque eu te conheço, e seu olhar para mim hoje pela manhã te condenou.
— E você conhece meus olhares Dominos? — ela soltou uma risada rápida.
— Eu senti a curiosidade exalando de você.
— Dominos agindo como tal. — observou ela.
— Mas me diga, o que deseja com essa ligação? Agora sou eu que estou curioso.
— Te convidar para um jantar. — respondeu ela.
— Dra. Sollary? É mesmo você? — ele riu.
— Sei que está me Seattle por minha causa. Aceita ou não?
— E o seu plantão? 
— Nesses casos, ainda sou a filha do dono, futura herdeira. — argumentou ela.
— Cinco minutos. — disse ele.
— Já estarei na frente do hospital. — ela encerrou a ligação.

Guardando o celular no bolso, retirou o estetoscópio do pescoço e abrindo do seu armário, retirou a bolsa e o jogou dentro. Em segundos seu celular vibrou no bolso, era uma mensagem de perguntando como estava seu retorno ao plantão de emergência. Mesmo querendo ignorar aquela mensagem, um sorriso discreto e espontâneo surgiu em seu rosto. não dava o braço a torcer, mas no fundo as investidas dele era como um escape divertido para sua realidade sob pressão. Ela guardou o celular dentro da bolsa e seguiu para a enfermaria onde certamente Lins estava de conversa.

— Não estarei no plantão hoje. — foi direta e precisa.
— Como assim, acabou de chegar e já vai deixar seu posto? O que pensa que está fazendo? — Lins com sua arrogância a questionou, achando que seria como das outras vezes — Só porque seu pai a visitou acha que pode começar a fazer suas próprias regras.
— Eu não acho, eu tenho certeza, sou a dona deste hospital, uma Sollary. — a confrontou — E quando eu digo que não vou trabalhar hoje, basta apenas você atacar como uma boa funcionária. Entendeu?

lançou lhe um olhar ameaçador, fazendo Lins engolir seco e se recolher ao seu lugar. Diante de todos os funcionários e poucos pacientes que estavam no local.

— Que bom que entendeu. — finalizou diante do silêncio da residente chefe.

A jovem doutora virou as costas para sair dali. Hill, sua amiga de residência a seguiu toda empolgada pela cena que tinha presenciado.

— Amiga, o que aconteceu? — perguntou ela — Você acabou de destronar a Lins.
— A visita do meu pai me fez lembrar quem eu sou e a qual família pertenço. — a moça apertou o botão do elevador com segurança e olhou para a amiga — E hoje eu acordei uma Sollary, não somente a residente .
— Estou amando seu lado Sollary. — os olhos de Hill brilharam.
— Trabalhe bem e observe tudo o que acontecer na minha ausência. — pediu ela.
— Pode deixar futura chefa. — brincou.

entrou no elevador assim que a porta se abriu e seguiu para a porta de entrada do hospital. Como combinado, já aguardava em de pé, próximo ao seu carro. 

— Aprecio muito a pontualidade dos Dominos. — comentou ela ao parar diante dele.
— Aprecio muito a beleza das mulheres Sollary. — elogiou ele, dando um sorriso de canto — Vamos?
— Vamos. — ela sorriu de volta, ponderando o comentário sobre o elogio dele.

já tinha se acostumado com essa característica de um nobre cavalheiro que os homens da família Dominos tinha. Sempre charmosos, misteriosos e sedutores. Era de se esperar que seu primeiro amor tinha vindo daquela família, e que mesmo seu coração quebrado por isso, jamais deixaria o lado negativo do passado interferir na amizade que construiu com alguns membros. abriu a porta do carro para ela, e assim que deu partida, seguiram para o Latona Pub. Após se acomodarem em uma mesa discreta aos fundos, foi direta ao assunto que lhe fez ligar para ele.

— Como sabe, meu pai me visitou recentemente, e disse que era para os Sollary estarem a frente da Continuum. — iniciou ela com o seu tom sério habitual — O que você sabe sobre isso? Minha família culpa os Dominos, mas não acredito que seja culpa de vocês… Você disse que os Tenebrae não são confiáveis.
— Eu posso até dizer o que penso, mas… Você acreditaria? — retrucou ele.
— Se estou aqui, é porque quero ouvir de você. — assegurou ela.
— Não tenho provas ainda, mas existe uma breve desconfiança que o ataque que minha família sofre há anos atrás, foi orquestrado pelos Tenebrae. — ele foi direto — E foi nessa época que aconteceu a reunião do conselho que definiria a nova família no poder que substituiria os Baker, seria a sua e teriam nosso consentimento, mas…
— Mas?!
— Sofremos perdas e vocês também, no final quem se beneficiou com tudo foram os Tenebrae. — completou ele — E os Dominos quase foram banidos de algo que ajudamos a criar.
— Me recordo vagamente disso. — concordou ela — Os Bellorum foram a seu favor.
— Eles sempre foram nossos aliados, assim como vocês. — finalizou .
— E como pretendem destronar os Tenebrae?! — uma pergunta direta e precisa.
— Isolar para conquistar. — respondeu ele — Estratégia do , apesar de ter muitas famílias como aliados, a palavra final sempre será dos fundadores. 
— Bellorum, Baker, Sollary, Dominos e Tenebrae. — disse ela o nome das famílias.
— Isso mesmo. — confirmou.

deu um sorriso presunçoso.

— E claro que destronando eles, os Dominos seriam os novos no poder. — constatou ela o óbvio.
— Somos nós que estaremos na linha de frente, não acha justo?
— Eu nunca quis o poder mesmo, mas se sou a herdeira terei que escolher um lado em breve. — observou.
— Deve fazer isso agora, pois não vai dar trégua, ele sempre termina o que começa e comprar fazendas no Texas é somente uma de muitas jogadas dele. — assegurou conhecendo bem o irmão dele — Mas pense bem, porque se nos escolher, terá que redobrar o cuidado, haverá retaliações.
— Já existem membros da minha família que não aceitam minha existência, da minha segurança cuido eu. — o olhar de demonstrava segurança.
— Você e um certo Baker. — brincou ele.
— Não comece você também. — pediu ela.
— Achei que não fosse mais se envolver com um Continuum. — riu — Mas parece que estamos sempre predestinados a gostar de alguém que pertença a essa sociedade.
— E está gostando de alguém? — perguntou ela curiosa.
— Talvez esteja interessado… Mas isso é outro assunto. — o olhar dele ficou mais sereno.
— Não posso descobrir nenhum segredo oculto do Dominos?
— Esse não. — ele suspirou fraco.

O encontro de ambos não fora um jantar de fato, mas aproveitaram o momento de descontração ali para compartilharem alguns acontecimentos interessantes do tempo em que não se viram. relatava sobre sua residência após os anos de estudo em Harvard, já ele contando sobre sua interessante escolha pela gastronomia e seus planos de montar o próprio restaurante em Seattle em breve. 

Ao final da noite, pouco depois de todos se recolherem em seus quartos, chegou sozinha na pensão, pois havia retornado ao hospital. Ele não se preocupou com o silêncio instalado no lugar e seguiu direto para o seu quarto. Algumas horas se passaram e na alta madrugada, se levantou com sede e vendo sua garrafinha de água vazia, se levantou da cama para tomar água. Passando pelo corredor, ouvi um barulho quando passou em frente ao quarto de . A porta permanecia somente encostada, ela ouviu novamente outro barulho e não se conteve em abrir uma fresta para espiar o hóspede Dominos. 

Dentado em sua cama, parecia estar em profundo sono, porém nada tranquilo. Estaria ele tendo um pesadelo? Foi o que ela pensou ao vê-lo rolar pela cama que rangia um pouco. Daí o barulho. Em um piscar de olhos, ele acordou assustado retirando uma arma debaixo do travesseiro e apontando para frente. O homem se mostrava ofegante e atordoado.

paralisou por um segundo com a cena, seus olhos não conseguiam deixar de focar na arma em suas mãos. Tentando se mover para sair de lá tropeçou em um vaso de planta que havia ao lado da porta, consequentemente caindo, ela coloca as duas mãos na boca tentando não gritar pelo susto e dor de ter arranhado o calcanhar com os casos do vaso. ao ouvir de relance o barulho vindo de fora do quarto, se levantou da cama para ver o que era. 

A movimentação dele do lado de dentro, fez com que se levantasse no surto de desespero e corresse para seu quarto. A jovem bailarina passou o restante da madrugada em claro, com a cena dele acordando se repetindo em sua mente como se fosse um filme de suspense com psicopatas sendo reprisado várias vezes. Ao início da manhã, pouco antes de sair de seu quarto, limpou o ferimento no tornozelo, já não sabia que desculpa dar a sua tia caso reparasse que estava mancando. E isso veio logo que chegou a cozinha.

, porque está mancando? — perguntou tia olhando desconfiada para a sobrinha.
— Nada, só tropecei e caí. — respondeu.
— Foi na sua aula?
— Não me lembro tia.
— Não se lembra de onde caiu?
— Sim. — a jovem se manteve o mais silenciosa possível.

Não sabia se seria seguro contar algo a tia. Sabia que não deveria se aproximar de um Dominos por serem perigosos. Mas se eram, porque motivo sua tia permitia a estadia de um em seu hostel? Assim que terminou seu café, retornou para o quarto. Assim que se colocou diante da escada, seu coração acelerou novamente ao ficar frente a frente com que descia o último degrau. Foi uma troca intensa de olhares. tentando imaginar quem de fato era aquele homem e sua família e , que ao observá-la mancando vindo da cozinha, imaginou a causa do barulho madrugada passada. Ela se preparava para dizer algo a ele, porém a presença repentina de Paul ao entrar pela porta da frente, desviou-lhes a atenção um do outro.

! Você não dá aulas pela manhã? O que faz aqui? — perguntou o amigo.
— Paul! — ela respirou mais aliviada — Eu estava indo me arrumar.

aproveitou a deixa para seguir em direção a saída. se despediu do amigo e continuou seu percurso em direção ao seu quarto, onde trocou e roupa e pegou a mochila. Sábado pela manhã era a vez da sua turma de pequenos prodígios de bailarinas clássicas. As alunas mais fofas que poderia ter. 

--

- Dominos House, Chicago

Novamente, na sala de treinamentos, seguia sua rotina pela manhã de sábado, aproveitando o momento após o café, para gastar suas energias com seus golpes em um dos sacos de areia. Ela sabia que abaixar a guarda não significava somente decepcionar , mas também significava quebrar uma promessa feita a ele. E cada vez que estava ali sozinha, seu foco nos treinos dividia espaço com os pensamentos do passado, da época em que treinava na academia da anciã dos Sliter, Donna Fletcher

— Calma, assim vai acabar colocando este lugar abaixo. — implicou Dosan ao entrar na sala de treinos, atrapalhando-a em sua concentração.
— O que você quer? — ela parou de socar o saco de areia e o olhou de forma séria.

A pergunta partiu dela, mas o que queria mesmo fazer era socar sua cara por tê-la interrompido.

— Nada, eu vi uma movimentação e...
— Já pode ir embora. — disse ela num tom seco o interrompendo.
— Você é durona, adoro mulheres duronas. — e num tom malicioso — Dão um ar de quentes.

Não dando atenção ao que ele dissera, voltou ao seu treino. Pegando uma espada começou a lançar golpes no ar. Dosan não desistiu, pegou outra espada e cruzou lâmina com ela:

— Se você ganhar eu vou embora, se eu ganhar você sai comigo. — propôs ele.
— Se eu ganhar eu te mato, se você ganhar eu me mato. Que tal assim? — retrucou ela.
— Está com medo? A destemida Miller tem medo de perder para mim? — provocou ele num tom presunçoso.
— Foi você quem pediu. — partiu com tudo para cima dele. 

Sua posição sempre de ataque nunca de defesa, postura perfeita e muita agilidade a ajudou a desarmar Dosan rapidamente, e jogando sua espada longe, ela decidiu brincar um pouco e lutar mano a mano. Demorou um pouco, pois Dosan era bem forte e astuto, mas quando ela terminou, ele estava estirado no chão com um corte no lábio inferior sangrando, causado pelo anel que ela mantinha em seu dedo para estas ocasiões:

— Agora deveria ser a hora em que eu te mato. — disse ela com sarcasmo — Mas o senhor não está aqui para me autorizar.

Ela respirou fundo retomando o fôlego e colocando as espadas de volta no lugar, saiu em direção ao seu quarto, deixando-o ainda caído no chão. O que eles não sabiam é que estava os observando através das câmeras com áudio, instaladas na sala de treino. O sorriso discreto em seu rosto só demonstrava o quanto ele a admirava e intensamente a desejava para si. 

Logo o celular de tocou, atraindo-lhe a atenção. Ao atender, se surpreendeu ao ouvir uma voz a muito silenciosa em sua vida.

— Dominos. — disse do outro lado da linha.
— Esperava por essa ligação. — sua voz suave mantinha a segurança e firmeza que o caracterizava.
— Podemos conversar, formalmente? — perguntou ela sendo direta.
— Está disposta a vir até Chicago? Ou, eu vou até Seattle? — indagou ele.
— Prefiro um lugar neutro. — respondeu ela.
— Restaurante Mon’Blanc em Los Angeles. — sugeriu ele.
— Quarta, às sete da noite. — assentiu ela definindo o horário.
— Estarei lá a sua espera. — confirmou ele.

Antes que pudesse continuar, encerrou a ligação com precisão, deixando-o ainda mais curioso. Será que seu irmão caçula tinha comprido a missão de conseguir a aliança da dra. Sollary? O sorriso de satisfação não se conteve em aparecer rapidamente em seu rosto. Ele pegou novamente seu celular e mandou uma mensagem a sua sliter. Não demorou muito até que ela saiu de seu banho revigorante e visualiza-se a mensagem. seguiu diretamente para o escritório.

— Perdoe-me a demora. — disse ela ao entrar.
— Já disse que não deve se preocupar com isso. — ele voltou seu olhar para a tela do computador — Eu sabia que estava treinando.
— Deseja algo senhor? — perguntou ela.
— Confirme a reserva no Mon’Blanc para quarta à noite. — ordenou ele.
— A senhorita Sollary fez contato? — a destemida segurança já presumia o motivo.
— Sim. — confirmou.
— Farei isso senhor, algo mais.
— Se apronte, temos uma reunião com a diretoria da Dominos Company. — completou ele — Por mais que eu queria a Continuum, não posso me descuidar do meu próprio patrimônio.
— Sim senhor.

analisou as expressões dela, vendo uma faísca de curiosidade.

— Diga o que pensa. — incentivou ele.
— Com este encontro com a Sollary, retornará para casa? — indagou ela.
— Não sei, os sonhos do meu irmão não são tão compatíveis com o meu, menos ainda se interessa pela empresa da família. — ele bufou um pouco — Seria mais fácil com ao meu lado.
— Compreendo senhor.
— Entretanto, eu tenho você, já é o bastante para mim. — ele sorriu de canto com malícia.

A jovem se manteve séria externamente. Mas confiante por dentro. Logo se retirou para cumprir os pedidos dele.

- Algum lugar de Seattle

Ao final da aula com suas alunas de ballet clássico, se despediu delas e dispensou a turma, então voltando para sua mesa nos fundos da sala, ficou mexendo em sua agenda para verificar a adição de mais duas aulas. Uma na quarta e outra na quinta. Um tempo depois ao conferir se tinha colocado tudo dentro da mochila, ela sentiu a presença de alguém. Olhando para a porta.

. — disse surpresa ao ver o hóspede Dominos.

Encostado no marco da porta de braços cruzados a olhando serenamente, parecia estar ali a um tempo, e de certa forma estava mesmo.

— Bom dia. — disse ele mantendo o tom baixo.
— Boam dia. — cumprimentou ela — Deseja algo?
— Você. — direto e objetivo.
— Como? — ela sentiu um frio na barriga, por suas palavras.
— Digo, quero conversar com você. — foi mais explicativo para que ela não interpretasse errado.
— Claro. Algo em especial?
— Como está seu tornozelo? — mais uma vez direto, ele adentrou o lugar.
— Por que a pergunta?
— Não é óbvio? — retrucou ele, desviando seu olhar para o tornozelo dela — Me pergunto como conseguiu dar aulas.
— Não é da sua conta. — ela se afastou um pouco.
— Está com medo de mim? Pelo que viu? — ele manteve o olhar fixo nela.
— Já ouvi muitas coisas a respeito da sua família, não são boas pessoas. — respondeu ela.
— Então é isso que dizem a nosso respeito? — ele deu mais alguns passos para perto dela — Eu tenho por mim, que para saber sobre uma pessoa, deveria perguntar diretamente a ela, e não construir dados baseados em opiniões de terceiros.
— E o que me garante que dirá apenas a verdade? A palavra de alguém da Continuum não vale para mim. — assegurou ela.
— Bem, então caberá a você escolher se acredita ou não em mim. — ele manteve a suavidade na voz.
— Surpreenda-me com sua versão dos fatos. — a garota cruzou os braços mantendo seu olhar, relativamente firme para ele.

Porém, por dentro temendo que algum ruim pudesse acontecer a ela.

— Por onde quer que eu comece? — perguntou ele.
— Por que mantém uma arma debaixo do travesseiro? — precisa em sua indagação.
— Se sabe sobre minha família, também deve saber que anos atrás sofremos um ataque. — iniciou ele — Mais da metade da minha família morreu, depois disso, aumentamos nosso nível de precaução.
— Minha tia sabe sobre a arma?
— Não, ninguém sabe, só você agora. — respondeu.
— Eu lamento por sua família. — sua voz ficou mais baixa que o normal — Não sabia sobre isso.
— Se quiser pode confirmar com sua tia, tenho certeza que ela sabe sobre isso. — garantiu — Viu, como não é bom saber por terceiros, as pessoas contam o que querem contar.
— Você também pode resolver me contar apenas o que lhe convier. — retrucou ela.
— Sim posso, mas lhe garanto que sempre será a verdade dos fatos. — seu olhar sincero atingiu ela, fazendo-a repensar um pouco.
— Por que foram atacados? 
— Não posso dizer.
— Pelo menos é sincero. — comentou ela, dando um sorriso envergonhado.

Ele sorriu de volta.

— Quer perguntar mais alguma coisa? — ele estava ansioso para saber o que ela pensava agora sobre ele.
— Não sei o que perguntar. — ela riu envergonhada — Minha mente está uma confusão agora.
— Então, podemos recomeçar comigo me apresentando novamente e te convidando para um café. O que acha?
— Interessante. — ela abriu um largo sorriso.
— Prazer, meu nome é Dominos e você aceita tomar um café comigo? — perguntou ele estendendo a mão direita.
— Prazer, sou a Fletcher e aceito se for um cappuccino de chocolate. — brincou ela ao segurar em sua mão.
— Perfeito.

não se conteve em sorrir de forma doce para ela. Ambos deixaram o prédio da escola juntos e seguiram no carro dele até o Au Lait Coffee. tentava não transparecer sua curiosidade espontânea sobre ele, e mantinha a tranquilidade no olhar apenas admirando a simplicidade e doçura da moça. Seria o início de uma possível amizade? 

Talvez ambos desejassem subjetivamente por isso. 

Uma desconhecida Fletcher e um marcado Dominos.

Olá, olá
Eu trouxe a coragem
Olá, olá
Eu quero falar com você por um instante
Olá, olá
Eu posso estar um pouco apressado
Quem sabe? Nós podemos... 
- Hello / SHINee



6. Pesquisa de Campo

- Algum lugar de Seattle

Segunda pela manhã acordou pontualmente e sem demoras seguiu para a livraria. Fox, o dono, era extremamente criterioso com relação a pontualidade de seus funcionários. Ela deixou a bolsa em seu armário no vestiário dos funcionários e guardou o celular no bolso da calça. Assim que iniciou seu expediente, não demorou muito até que alguns turistas da cidade adentraram o lugar. Como Princia já atendia uma cliente perto da sessão de autobiografia, se locomoveu até os turista e se apresentou.

— Boa dia, posso ajudá-los? — disse ela abrindo um sorriso simples porém natural.
— Fomos indicados a esta livraria, nos disseram que tinham uma sessão especial sobre as famílias de uma tal sociedade chamada Continuum. — disse uma garota, que aparentava ter sua idade.
— Sim, temos alguns exemplares de edição limitada, porém somente o dono da livraria pode autorizar a venda. — explicou ela — Mediante a apresentação dos documentos de sua família.
— Uau, foi como a mamãe disse, não é qualquer um que pode saber sobre eles. — respondeu a outra menina que usava óculos.
— Posso perguntar o porquê estão interessados nas famílias da Continuum? — perguntou curiosa.

Aquela situação era a primeira que lhe acontecia em dois anos trabalhando na livraria.

— Bem... — o rapaz de olhos azuis olhou para os lados, olhando se ninguém os observava — Nossa família fez o pedido para ser aliar a eles, estamos curiosos para saber quem são.

não os culpava, pois também possuía uma enorme curiosidade. A jovem lhes entregou o cartão de visitas do senhor Fox e agradeceu pela visita. As horas foram passando, após o almoço, permaneceu sozinha na livraria, pois Princia tinha uma consulta ao dentista naquele dia. Aproveitando que o dia nublado mantinha o fluxo nas ruas parado e sem possíveis clientes. Para passar mais rápido o tempo, ela senta na banqueta atrás do balcão de atendimento e pega seu livro do momento, A Seleção, para continuar a leitura iniciada no domingo à noite.

— Vamos ver quais surpresas você me reserva, Maxon. — sussurrou ela ao abrir o livro.

Sua leitura permaneceu silenciosa e atenta. Foi um piscar de olhos que ela olhou pra frente e lá estava ele, :

— Você? — disse ela sussurrando novamente — Como… Como entrou aqui?
— Pela porta. — ele riu dela, não entendia a pergunta.
— Eu não ouvi o barulho da porta. — explicou ela.
— Ah. — ele finalmente entendeu a indagação dela — Bem, acho que estava bastante concentrada em sua leitura.
— Veio comprar algum livro em especial?
— Talvez. — ele sorriu de canto mantendo seu olhar fixo nela, analisando suas expressões.
— Tem algum em especial, que desejas?
— Quais livros de gastronomia me indicaria?
— Gastronomia? — por essa ela não esperava.
— Por que a surpresa?
— Não… — ela quase gaguejou — Não é nada, venha, vou lhe mostrar alguns que possa te interessar.

Ele a seguiu pelas gôndolas de livros, até que chegaram a sessão desejada. como uma vendedora experiente, mostrou os melhores títulos que pudessem interessar ele. Forçando-se agir da forma mais profissional possível, mesmo com o olhar intenso de para ela. 

— E é isso, agradeço pela preferência senhor, espero que possa aproveitar bem seus livros novos. — disse ela assim que lhe devolveu seu cartão de crédito.
— Eu que agradeço por ter sido atendido por você. — ele sorriu de canto.

voltou seu olhar para a tela do computador, e digitou algumas coisas.

— Para! — ela disse ficando com vergonha, ou olhá-lo novamente.
— O que eu fiz?
— Você fica aí me olhando, estou ficando nervosa. — explicou ela.
— Se quiser eu posso fazer outra coisa além de olhar. — ele sorri de forma maliciosa.
— O que?! — se encolheu sentindo o coração acelerar.

tinha mesmo um ar de sedução que a deixava desnorteada.

— Me referia a ler o livro. — ele segurou o riso.

sabia que sua forma subjetiva e enigmática que tratá-la, poderia deixar envolvida por ele. E se divertia muito com a ideia de criar uma inicial amizade com alguém tão distante do seu mundo cheio de intrigas e vinganças que a Continuum trazia. Estar perto de o fazia se sentir uma pessoa comum, e isso o deixava ainda mais fascinado por ela. O clima estava formado, e tomou impulso para iniciar sua investida, entretanto, a entrada de na livraria foi como um balde de gelo nos planos do Dominos.

. — disse virando seu olhar para , mantendo a face séria.

Ele não gostava da presença de um Dominos em Seattle, menos ainda que ele se aproximasse das pessoas que gostava.

. — sorriu para o amigo — Infelizmente seu livro encomendado ainda não chegou.
— Vocês recebem encomendas de livros? — voltou seu olhar para .
— Sim, recebemos, mas dependendo do título, demora um pouco, os especiais que possuem edições limitadas só mediante pedido direto ao senhor Fox, o dono da livraria. — respondeu prontamente.
— Estou curioso para saber quais títulos especiais que precisam disso tudo. — comentou .
— Títulos publicados pela Continuum. — respondeu ao se aproximar deles, num tom firme — Que pena, estava tão curioso para ler sobre Os segredos da família Dominos. — continuou revelando o título do livro que encomendara.

segurou o riso, mas manteve um sorriso de deboche, sabendo que aquilo era uma provocação. observou ambos, sem entender o motivo da aspereza na voz do amigo.

— Se quer saber sobre minha família, posso lhe contar. — virou o olhar para ele, demonstrando segurança — Não temos nada a esconder.
— Tem certeza? — confrontou ele.
— Agradeço pelos livros . — sorri de leve para a garota e se retirou.

Lá no fundo ele sabia que não podia arrumar confusão com Baker. Não por si mesmo, mas para proteger as ações de seu irmão. No mais, o Dominos sabia que para o Baker agir daquela forma só tinha uma razão: Sollary.

— O que aquele cara veio fazer aqui? — perguntou a amiga.
— O mesmo que você, comprar livros. — respondeu de forma inocente, mas intrigada por dentro.
— Hum… Tem certeza que minha reserva não chegou?
— Tenho Baker apressado. — ela riu da careta que ele fez — E você? Como está indo no estúdio de fotografia?
— Melhor do que imaginava. — ele sorriu e piscou para a amiga — Sinto que encontrei minha vocação.
— Tirando fotos ao vento. — brincou ela.
— Ei, pare de ser estraga prazeres, bons fotógrafos ganham bem sabia?! E não me importo em ser rico, tenho o suficiente para me manter já está bom.
— Fala o herdeiro de uma família Continuum. — cruzou os braços — Sério? Esse discurso não cola comigo, e certamente não vai colar com a .
, só de pensar nela já tenho dores de cabeça. — comentou ele.
— Até ontem você era apaixonado por ela. — retrucou não entendendo as palavras do amigo.
— Ainda sou, mas não vou me arrastar atrás dela, vou viver a minha vida agora. — explicou.
— Mudança de estratégia?
— Qual é a coisa que uma mulher mais odeia nesse mundo? — perguntou ele.
— Não sei, homem irresponsável? — brincou ela rindo dele.
— Ser ignorada. — afirmou ele.
— Hum… Sollary não gosta de ser ignorada?
— Descobri o ponto fraco dela. — ele sorriu de canto — E vou trabalhar isso a meu favor.
— Que maldoso. — riu — Mas espero que dê certo, e se não der… Tenho vários telefones de alunas da Escola de Artes, que me pediram para te entregar.

deu uma piscada de leve para ela e se despediu saindo da livraria. Seguindo mais adiante, ele viu perto de um carro. Baker poderia deixar passar, mas a genética de sua família era afrontosa.

— Dominos. — gritou seguindo até .
— Baker. — deixou sua cara de deboche transparecer — Resolveu aprender sobre minha família direto da fonte?!
— Serei direto com você. — não deu importância a provocação alheia — O que você quer com a ?
— Está com ciúmes? — cruzou os braços e escorou o corpo no carro — Que interessante.
— Não, não estou com ciúmes. Eu a conheço a e sei que ela consegue se defender muito bem, principalmente da sua família, sei que não pode machucá-la. — respondeu confiante no que dizia — Mas , é como uma irmã mais nova para mim, então se você fizer algum mal a ela, se prepare, não me importo que seja um Dominos, eu sou um Baker e não tenho medo de entrar numa briga.
— Bom saber Baker, porque nós Dominos sempre iniciamos uma briga com a certeza da vitória.
— Não é o que a história diz. — retrucou com seriedade.
— Então é por isso que quer aquele livro? — manteve seu olhar desafiador.
— Está avisado. — finalizou e se virou para sair de lá.

Desde o início Baker e Dominos tinham suas rivalidades subjetivas, contudo, mantinham a cordialidade que sustentava a Continuum como uma sociedade próspera a todas as famílias fundadoras. Porém, não ligava para isso, e nem se importava em confrontar , para proteger a amiga de alguém que considerava perigoso.

--

- Dominos House, Chicago

Tarde de terça-feira, aguardava sua prima Bella para uma conversa informal, em seu escritório. Sentado em sua cadeira, com os braços apoiados na mesa de trabalho e ela de pé em sua frente, sob a presença de que observava tudo que acontecia:

— Me chamou imperador? — brincou Bella ao entrar de forma sinuosa e lenta, seu caminhar se igualava a de modelos de manequim.
— Sim. — a olhou sem dar muita importância para a brincadeira e tomou o último gole do vinho que o servira — Tenho uma missão para você.
— Missão? — Bella sentou se sofá o olhando, tentando imaginar o que poderia ser — A quem devo seduzir desta vez? — brincou novamente.
— Ninguém. — ele sorriu de forma enigmática — Acho que se lembra da noite em que fomos atacados.
— E quem se esqueceria daquele terror, pelo menos nos beneficiou de algum modo não é? — disse olhando sua volta — Nossa família nunca foi tão lucrativa em outras gestões.
— Seus comentários são sempre plausíveis.
— Mas o que tem a ver minha missão com o ataque que sofremos?
— Pesquisa de campo, — se levantou da cadeira e andou até a janela — todos temos inimigos e nossos inimigos também devem ter outros além de nós.
— Planeja algo para o futuro? — ela cruzou as pernas o olhando maliciosamente — Uma visita talvez.

a olhou respondendo com um sorriso espontâneo e se levantando, pegou um pacote cor de mostarda e esticou para ela:

— O que é? — perguntou Bella se levantando e pegando o pacote.
— Tudo que precisa para sua pesquisa de campo. — respondeu ele — Seu contato é Benjamin Bellorum, ele vai te ajudar em sua viagem. 
— Benjamin Bellorum. — sussurrou ela.
— Não me decepcionei Bella. — reforçou ele a importância de sua missão — Você parte em dois dias e seja discreta quanto ao meu pedido.
— Não se preocupe imperador. — ela deu uma risada rápida — O que eu não faço por você priminho. 

Bella saiu do escritório, seguindo diretamente para seu quarto. Precisava se preparar para sua viagem e traçar suas rotas iniciais. Apesar de muito curiosa para conhecer o tal Benjamin Bellorum, se sentia ainda mais intrigada em pesquisar mais sobre os Tenebrae. A família que seu primo tanto queria destruir. A mulher colocou o pacote que recebera do primo dentro da Louis Vuitton que tanto usava. Ao sentar na cama, respirou fundo pensando no que faria primeiro. Foi neste momento que Mary, a bondosa esposa de seu irmão Nigel, entrou em seu quarto em busca de um conselho.

— Bella, que malas são essas? — comentou Mary assim que viu duas malas nos pés da cama da amiga — Vai viajar?
— Pesquisa de campo, não tenho um destino certo. E para falar a verdade estou com um pressentimento de que vou me divertir muito. — Bella sorriu e se levantou parando em frente — Você não pode nem sonhar em dizer para alguém, mas foi a pedido de .
— Tinha que ser. — Mary suspirou fraco — Você vai quando?
— Em dois dias, e desta vez terei até um acompanhante. — Bella piscou de leve com certa malícia no rosto.
— Tenha muito cuidado nessa viagem, não posso ficar sem minha melhor amiga. — Mary fez cara de choro.
— Sua boba. — Bella colocou a mão na barriga de Mary — E quando vai fazer o exame?
— Era sobre isso que queria conversar — Mary lançou um olhar cansado e se sentou na cama ao seu lado — Já fizemos tantas tentativas que falharam, estou com medo de ficar frustrada novamente.
— Mary não perca a esperança. — Bella a olhou sério — Faça o teste, depois vou querer saber do resultado.
— Tudo bem. — Mary sorriu de forma delicada.
— E já adianto que serei a madrinha.

Ambas riram e Mary ajudou Bella a separar roupas e ajeitar tudo escolhido nas duas malas. 

continuou em seu escritório, moveu-se até a janela se colocando ao lado de sua sliter leal. Mantendo o olhar do lado de fora, porém atendo a ela:

— Inimigo do meu inimigo é meu amigo. — sussurrou ela de forma coerente sobre a próxima jogada dele.
— Bispo na E4. — comentou ele dando um sorriso presunçoso, como se toda a sua estratégia se referisse a um jogo de xadrez.

Se Bella era o bispo, a torre e o rei, nos sentimentos mais profundos dele, era sua rainha, a peça mais importante daquele jogo.

— Senhor. — se pronunciou.
— Diga. — a olhou como se estivesse despertando de um pensamento profundo — Alguma preocupação.
— Agora que resolveu a missão da senhorita Bella, o que faremos com os carregamentos roubados no México? Nosso cliente enviou um email se dizendo decepcionado com a confiabilidade de nossa subsidiária de transportes.
— Mais essa dor de cabeça. — fechou seus punhos respirando fundo.

A cada dia um novo problema. A cada passo que dava para destronar os Tenebrae, mais um problema de boicote e retaliação surgia contra sua família.

— Posso resolver este assunto senhor. — disse de forma firme demonstrando segurança.
— Você ficará aqui, ao meu lado. — ele voltou seu rosto para ela, que o olhava atentamente — Não posso deixá-la longe de mim, não agora.
— Sei que sou sua consciência, mas Dominos não precisa de mim para se sentir seguro, és o único que pode me vencer lembra?! — ela argumentou.
— Não digo por minha segurança. — seu olhar deixou escapar uma ponta de carinho.

Toda vez que colocava-se bem próximo de sua segurança, seu corpo ficava em estado de alerta. O que mais desejava era conseguir uma rendição por parte dela.

--

- Algum lugar de Seattle

Quarta à noite na Escola de Artes, se despedia de sua turma de debutantes que na qual ensinava-lhes valsa. Assim que todas saíram, a jovem bailarina conferiu as horas no celular. Está cedo para voltar para o hostel! Pensou consigo. Voltando seu olhar para o violão que uma das alunas esqueceu, retirou o objeto da capa e sentando no não, começou a dedilhar um pouco. 

— Você toca bem. — comentou ao aparecer da porta — Onde aprendeu?
. — parou de dedilhar e o olhou — Você por aqui.
— Pois é, fiquei curioso para saber como são suas aulas noturnas. — respondeu ele entrando e se aproximando dela — Não me respondeu.
— O que?
— Onde aprendeu a tocar violão?
— Com um amigo de infância, eu o ensinava a dançar e ele me ensinava a tocar. — respondeu ela.
— Parece mais filme de romance adolescente, não acha? — comentou ele segurando o riso indo se sentar ao seu lado no chão.
— Você me pegou, é a sinopse de um filme — brincou ela, fazendo-o rir — Eu sempre gostei de música, porém a dança me atrai mais. Mas não me impediu de aprender a tocar algo. Por quê?
— Nada, mas foi bonito vê-la tocar.
— Está aqui a quanto tempo me observando?
— Tempo suficiente. — ele voltou a fazer o olhar intenso que deixava desnorteada.
— Você sabe dançar? — perguntou ela desviando o olhar dele e colocando o violão no chão encostado na parede.
—Eu? Dançar? — ele ri baixo.
—Sim, dançar. — ela se levantou e estendeu a mão para ele — Então?
— Não tenho as suas habilidades. — ele segurou em sua mão e se levantou.
— Eu te guio. — disse ela com firmeza.
— Mas sem música? — questionou ele.
— Não seja por isso. — ela pega o celular e conecta o fone de ouvido, colocando um plug na orelha e dando outro para ele.

Após escolher a música e dar o play, colocou uma das mãos dele em sua cintura e segurando na outra começou a dançar suavemente com ele. Após alguns movimentos ele tropeçou em sua própria perna, fazendo ambos cair. E ali estava ela em cima dele e seus olhos encontrados. não se conteve em aproveitar o clima criado propositalmente e erguendo seu corpo, a beijou com suavidade e doçura. retribuiu o beijo de imediato, sentindo as mãos dele envolver sua cintura, a jovem deixou sua mente livre de pensamentos negativos sobre ele ser de uma família da Continuum. Ela apenas desejava se aproximar e conhecer mais .

— Acho melhor levantarmos. — sussurrou ela após o beijo.
— Tem certeza? — perguntou ele com um tom de malícia.
— Sim. — ela deu uma risada e se levantou — Devo imaginar que sua queda foi proposital? Senhor Dominos?
— Isso é ruim? Senhorita Fletcher?

A resposta de veio com um sorriso espontâneo, que foi preenchido por outro beijo ainda mais intenso de .

--

- Bogotá, Colômbia

Naquela mesma noite…
No Centro de Treinamento Sliter intitulado Dragonis’, ao sul da capital Colombiana, em um dos numerosos quartos instalados no subsolo, sentado em sua cama estava Bellorum, o caçula da família de sorriso nebuloso que parece estar sempre escondendo algo. Sua atenção estava no jornal CNews, lendo uma matéria sobre a aquisição das fazendas no Texas pela família Dominos

O homem ficou o olhar na foto de e . Já havia alguns anos que não os via pessoalmente. Sua família por ser aliada, mantinha contato frequente com eles. Seu pai foi um grande amigo do pai de . O que levava ele e seu irmão Vincent a ser próximo dos irmãos Dominos. Sua leitura permanecia silenciosa quando bateram na porta:

— Entre. — consentiu ele.

A pessoa do outro lado girou a maçaneta calmamente e abriu a porta, mantendo somente uma fresta:

— O chefe mandou arrumar as coisas. — disse uma voz feminina — Seus sonhos se tornaram reais, você foi transferido para Seattle.

Um sorriso emblemático apareceu no rosto do rapaz. Só havia uma pessoa em Seattle que o interessava: Fletcher.

A minha mãe me diz todos os dias
Para ter cuidado com os homens
Porque o amor é como brincar com fogo
Minha mãe pode estar certa
Porque quando vejo você, meu coração fica quente
Porque ao invés de medo, minha atração fica maior? 
- Playing With Fire / Blackpink



7. Encontros

- Hostel Fletcher

Ainda na quarta-feira, após o almoço...

Quem pertencia a Continuum, sabia que nada era coincidência e o que as famílias mais gostavam de promover eram encontros casuais. E neste instante se preparava para um. Para ganhar tempo, seguiria para Los Angeles no jatinho particular da família, disponibilizado pelo hospital. Levaria apenas quarenta minutos para chegar ao seu destino. Após alguns dias sem vê-lo, a jovem médica residente se surpreendeu ao esbarrar em , na porta da frente do Hostel. 

— Baker?! — disse ela contendo a surpresa em vê-lo — Ainda vive?!

Ele disfarçou um sorriso de canto, sabia que não seria fácil ela dar o braço a torcer.

— Não entendi a ironia. — disse ele se fazendo o inocente.
— Não é ironia. — segurou o riso — Só surpresa por não te ver à alguns dias.
— Sentiu minha falta?! — perguntou ele com um olhar esperançoso.
— Não, pelo contrário, senti alívio. — respondeu ela com serenidade.
— Ai. — ele colocou a mão na altura do coração — Porque você gosta de me machucar assim?
— O masoquista aqui é você. — ela soltou uma gargalhada maldosa — Bem, já estava de saída.
— E para onde vai? — ele olhou para a mala de mão dela, um tanto curioso — Vai viajar?
— E eu lhe devo explicações? — ela cruzou os braços deixando a alça da mala encaixada em sua mão direita.
— Não que me deva explicações, mas…
— Mas?
— Queria lhe fazer um convite, mas já que está sem tempo. — ele deu de costas para seguir para a escada.
— Eu ainda estou aqui.

O vislumbre de um sorriso apontou no rosto de , contudo se manteve sério e virou-se para ela.

— Fui convidado para um baile de máscaras, aniversário das Indústrias Baker, como herdeiro minha presença é fundamental, mas não pretendo ir sozinho. — explicou ele subjetivamente.
— E está me convidando para ir com você? — concluiu ela facilmente.
— Bem, meus laboratórios e seus hospitais possuem uma parceria sólida de anos, seria muito bom a herdeira Sollary comparecer ao baile. — seu argumento era bastante válido.

O que a levou a considerar a ideia.

— Deixe o convite em meu quarto, talvez seja mesmo uma boa ideia a presença da herdeira Sollary. — disse ela ponderadamente.

Aquela era sua sutil forma de aceitar o convite, não de forma clara e precisa, como ele esperava. Mas para um bom entendedor, meia palavra basta. Poderia ser algo pequeno, mas percebeu o vacilo de ao querer saber sobre o convite. Se seria assim que ele a conquistaria, não teria problemas. E no final, o baile de máscaras que Annia promovia, lhe seria bem útil.

— Quando retornar saberá mais, e com relação ao convite, este ficará comigo. — ele sorriu de canto para ela e se virou novamente seguindo para a escada.

por um breve instante se viu sem reação e totalmente confusa pela forma desinteressada que a tratou. Havia algo errado com ele e ela queria muito saber. Entretanto, seu tempo estava contado e precisava seguir para o aeroporto particular da cidade. A jovem médica seguiu de uber até lá, e como programado em quarenta minutos o jatinho da sua família aterrissou em Los Angeles.

se hospedou temporariamente no Village Hotel, no qual era gerenciado por pelo herdeiro Lance. A mulher o conhecia de vista, nas muitas festas promovidas pela Continuum. Se lembrava da entrada da família Village, uma recomendação feita por parte dos Dominos, pois eram seus aliados e grandes amigos. Logo na recepção do hotel, foi recebida por Lance. O cavalheiro fez questão de acompanhá-la até seu quarto pessoalmente e lhe reservar um carro para levá-la ao restaurante na hora desejada.

Assim que o homem se ausentou e ela se viu sozinha, retirou o celular do bolso e olhou para a mensagem que vosso pai lhe enviara. Gregori Sollary havia sido informado sobre a viagem da filha, e preocupado com as intenções por trás disso, tratou-se de averiguar a situação.

— Pai!? — disse ela assim que ele atendeu a sua ligação.
— Querida, o que faz em Los Angeles? — ele foi direto.
— Não é uma viagem de férias se quer saber. — ela deixou escapar um tom irônico.
— Acaso está pensando em se aliar aos Dominos? — perguntou ele demonstrando já desaprovação — Sabe o que esta família nos fez.
— Eu não sei de nada pai, e é por isso que estou aqui, se o senhor confia cegamente nos Tenebrae, fique à vontade, mas se ainda me quer como sua herdeira, não ouse a impor suas vontades a mim, eu escolho a quem serei aliada e não o senhor.

Ela foi mais do que direta e assertiva em suas palavras. Não dando espaço para mais questionamentos do pai, desligou o celular e o jogou dentro da bolsa. deu alguns passos até a sacada do quarto, voltou seu olhar para o céu que apresentava as nuances do pôr do sol. Seu lado sistemático a levou a chegar horas antes do combinado, o que geraria um tempo de espera. 

Assim que no relógio marcou quinze minutos para sete, pegou sua bolsa e desceu para o hall do hotel. Seu carro já a aguardava e sem mais delongas, seguiu para o restaurante Mon’ Blanc. Ao chegar, a recepcionista a guiou até a mesa reservada por , que a aguardava serenamente. A médica observou discretamente ao seu redor, reconhecendo entre as pessoas sentadas nas banquetas do bar. Claro que a Sliter não deixaria o seu chefe seguir viagem sozinho, ainda mais com rumores de retaliação por parte de seus inimigos.

. — disse ela ao se colocar diante da mesa.
— Boa noite, Sollary. — a voz aveludada dele soou com leveza.

O olhar dele se manteve o mesmo, porém um sorriso de canto malicioso surgiu em seu rosto. Logo, como um cavalheiro, ele se levantou e puxou a cadeira para que ela se sentasse. agradeceu com o olhar e se sentou. Era difícil não se lembrar dos tempos em que convivia com a família Dominos e passava as férias de verão na fazenda que eles possuíam próximo a cidade de Cliron. 

— Estou aqui, e agora? — iniciou ela.
— Vamos jantar, como amigos. — sugeriu ele — O que tenho para lhe contar, não deve ser dito aqui. 
— Então marcou no Mon’ Blanc como um pretexto? — observou ela.
— Tenho contatos no hotel Village, me parece que seu pai sabe sobre sua viagem até Los Angeles. — ele voltou seu olhar para o garçom e fez o sinal para servi-los.
— Sim, avisaram meu pai. — afirmou ela — Já fez o pedido sem mim? Não é de um cavalheiro fazer isso.
— Quando o cavalheiro conhece todos os gostos da bela dama a vossa frente. — o olhar intenso de era o mesmo de que se lembrava bem.

Ela assentiu com o olhar seu argumento. Sabia que em uma discussão contra ele, era complicado de se encontrar argumentos melhores, mas de fato o Dominos estava completamente certo. Cresceram juntos e ainda tinha Genevieve como sua melhor amiga de sempre, o que ajudava ainda mais.

— Vamos ao jantar então. — consentiu ela observando a aproximação do garçom.

Salada de broto de feijão, legumes e batatas gratinadas de entrada, risoto de queijo acompanhado de filé de frango à parmegiana de prato principal e torta holandesa de sobremesa. Exatamente o cardápio em memória dos tempos passados, no qual quem preparava era Sophie, a tia compreensível dele. Após o jantar, a convidou para caminhar pela praia de Malibu, assim poderia ter a conversa sob a companhia da lua. assentiu. Ele pagou a conta e seguiram de carro até o próximo destino. se manteve como motorista e na praia os seguiu a uma certa distância.

— Estamos aqui . — parou após um tempo ambos caminhando em silêncio — Podemos ser diretos e precisos agora?
— Claro, só planejava lhe dar o prazer de reviver os velhos tempos. — explicou ele.
— Não creio que seja uma boa ideia, há momentos do passado que não foram positivos. — destacou ela.
— Ainda tem mágoas de mim? — ele deu um passo para mais perto dela — Como disse antes, lamento não poder lhe dar os sentimentos sinceros que mereça, mas mesmo não estando mais juntos, mantenho meu carinho por você.
— Eu sei , e a melhor coisa que fez foi ser honesto comigo, mesmo que tenha doído. E é óbvio que seu coração já possui uma dona. — voltou seu olhar para que os observava ao longe — A forma com que olha para ela, jamais olharia para mim ou qualquer outra mulher.
— Sollary…
— Não se preocupe, já estou vacinada. — se manteve firme em sua postura — Meu coração segue em paz e blindado contra homens da Continuum.
— Não é o que me contou.
— Aquele linguarudo. 

Ambos riram.

— Vamos tratar de negócios agora. — anunciou ela — Conte-me sua história.
— Bem. — sorriu de canto — Nossa noite será longa, pois essa história é grande.
— Tenho todo o tempo a seu dispor. — disse ela.
Sollary, não diga isso a um homem como eu. — brincou ele abrindo mais seu sorriso malicioso.
— Pare de sorrir assim, não vou me apaixonar por você novamente, Dominos. — ela deu de ombros e voltou a caminhar — Comece do início.

assentiu e voltou a caminhar juntamente com ele. No fundo sabia que ainda poderia guardar rancores dele, contudo ele jamais a enganaria quanto ao que sente. O Dominos era cavalheiro demais para fazer uma bela dama se iludir por ele.

--

- Dominos House, Chicago

Dizem que quando o gato sai, os ratos fazem a festa...
E isso estava acontecendo de alguma forma na mansão Dominos. Com a ausência de , as mulheres da casa de juntaram para divertir-se em uma noite das garotas regada a vinhos, chocolate e fofocas. Algo bom considerando o fato de Bella estar a algumas horas de iniciar sua missão. Um pouco de distração não lhe seria mal. 

Genevieve e Jasmine se adiantaram indo para sala de tv, a fim de escolher o filme da rodada. Claro que ela não veriam nada, mas já se acostumaram a fazer isso.

— Espera Jass, você não pode escolher isso. — protestou Genevieve fazendo careta e tentando pegar o controle da mão da irmã — Você sabe que eu odeio filmes de suspense.
— Ai Geny, eu que não quero ver esses filmes melosos que você vê. — a adolescente fez outra careta de volta para ela.
— Hoje é minha vez de escolher. — disse Bella ao entrar acompanhada de sua cunhada Mary — E vamos de ação, quero maratona de Matrix.
— Esse eu vejo. — concordou Geny — Apesar de não gostar tanto de filmes de ação.
— Nem é pelo filme, é pelo ator — brincou Mary segurando o riso.
— Por isso que esse eu vejo. — confirmou Genevieve, fazendo-as rir.

Bella colocou as garrafas que segurava em cima da mesa de centro, já Mary colocou as bandeja de frios e a caixa de bombons ao lado.

— Então vamos de Matrix. — Jass tratou de deitar no chão sobre algumas almofadas.
— Então, vamos começar por qual fofoca? — perguntou Geny abaixando um pouco o volume.
— Bella estava comentando comigo sobre Lance Vigillare ontem à noite. — respondeu Mary ao se sentar no sofá, já voltando a rir.
— O que tem o Lance? — Jass perguntou ainda mais curiosa pelo assunto.
— Piadas internas a parte, rolam boatos de que ele estaria à procura de uma companheira que seja de uma família Continuum. — respondeu Bella encostando-se à parede com um sorriso presunçoso — Me desculpe Jass, mas você é nossa demais para se candidatar, já Genevieve...
— Se Jasmim sonhar em namorar, mata ela e o pretendente. — comentou Geny — Já eu, não estou interessada em romances agora.
é um chato e não tem nada a ver com minha vida. — Jass pegou uma das almofadas e jogou na irmã. — Ele acha que manda em mim só porque é o mais velho.

A caçula da casa se mostrou chateada ao emburrar a cara. 

— Ai Jass, só lamentamos. — brincou Bella segurando o riso da prima — Apesar de que pro nenhum homem é bom o bastante para as irmãs dele.
— O jeito que cuida de vocês, nem parece ser este tirano que é. — comentou Mary.
— Privilégio de irmãs, talvez. — murmurou Bella se lembrando de como a trata de forma autoritária.
— Mas não seria nada mal se Geny formalizasse algo com ele. — Sophie adentrou a sala mostrando sua opinião ao assunto — Afinal teríamos um acordo mais sólido entre as famílias, pelo que sei eles são nossos aliados.
— Eu estou ouvindo o falando?! — interrompeu Jass ao olhar boquiaberta para a tia.
— Desta vez tenho que concordar com ela, tia. — Genevieve a olhou — De onde tirou isso?
— Vai me dizer que você não tem uma queda por ele desde que o viu? — retrucou Sophie olhando a sobrinha.
— Sim, confesso que ele é atraente, mas jamais transformarei minha vida pessoal em negócios de , menos ainda envolvendo a Continuum. — retrucou Genevieve.
— E nem vai. — Bella se afastou da parede e começou a caminhar até o sofá — Lance não tem interesses em Dominos. — ao completar ela se sentou — Pelo que ouvi dizer, seu foco é em famílias de segunda escala, nós somos a realeza, não é qualquer um que se casará com realeza.
— Você fala como se não tivesse tido um romance com ele não é?! — comentou Mary.
           
Todas a olharam boquiabertas.

— Mary?! Tinha que contar isso?! — Bella se fez a indignada.
— Não a recrimine minha filha. — Sophie riu de leve — Todas nós sabemos o tamanho de sua lista de conquistas.
— Ela só não ganha do . — brincou Jass fazendo todas rirem.

Aquilo era um fato. sem muito esforços conquistava mulheres por onde passava, porém sempre se mantinha honesto e sincero com elas e consigo mesmo quanto aos seus sentimentos e anseios.

- Algum lugar de Seattle

e permaneceram mais algum tempo na sala de dança. Ela havia puxado o rapaz para mais alguns passos pelo espaço. Até que ele a puxou para perto da janela, onde ficaram bem próximos olhando as estrelas.

— Tenho saudades de fazer isso. — comentou aleatoriamente, após interromper o silêncio de ambos.
— Isso o que? — perguntou ela.
— Observar o céu à noite, já tem um tempo que não faço isso.
— Sério? — ela se admirou — Quando eu morava em Cliron, nos meus tempos de ensino médio, sempre escapava com meu amigo em corridas noturnas.
— Mais uma vez esse amigo… — ele se mostrou intrigado — Tem certeza que não ele não foi seu namorado no passado?

Ela soltou uma risada rápida.

— Não. — ela continuou rindo — Cedric é um amigo maravilhoso que sempre me ajudou muito, e no mais, ele tinha namorada na época.
— Não me convenceu. — cruzou os braços.
— E sério. — riu da cara dele — Cedric namorava uma menina chamada Taylor, mas em segredo vivia me contando sobre um amor de infância dele.
— E o tal amor de infância tinha nome?
— Claro, era… Ai, está na ponta da língua… — vasculhou suas lembranças de muitas conversas que teve com o amigo, desviando seu olhar para o cé novamente — Annia, acho que o nome dela era Annia mesmo.
— Annia… — conhecia esse nome.

Contudo, seria muita coincidência esta mesma Annia ser a Annia que ele conhecia, a nova chefe dos Baker.

— Interessante. — observou ele — E esse seu amigo dança atualmente como você?
— Não. — riu — Ele era péssimo, sempre errava a sincronia, Cedric definitivamente não nasceu para dançar. 
— Hum…
— Da última vez que conversamos, após ele sair de casa, sua vida estava meio caótica em New York, devia a pessoas perigosas. — explicou a garota demonstrando preocupação pelo amigo — Já tem um tempo que não nos falamos.

Ela voltou seu olhar para ele, que a observava com um sorriso escondido.

— O que foi?! — perguntou ela.
— Nada, só gosto de te olhar. — disse ele — Seu olhar singelo me encanta.
… Eu juro que não esperava por essa noite, menos ainda que mais uma pessoa da Continuum se interessaria por mim. — iniciou ela.
— Mais uma pessoa? — indagou ele.
— Meu primeiro namorado era da Continuum, foi assim que conheci sua sociedade. — explicou ela.
— E não terminou bem?
— Não muito, o pai dele era temperamental. — respondeu ela escolhendo bem as palavras.
— Era um Tenebrae?
— Não. — ela riu baixo — Era um Bellorum.
— Quem Bellorum?!

conhecia todos os membros daquela família, cresceram com alguns deles e tinha amizade com outros, assim como seu irmão.

— Preciso mesmo dizer? — ela cruzou os braços — Não é como se você fosse meu namorado.

Cortou ela, de forma espontânea.

— Não precisa dizer se não quiser, como disse, não sou seu namorado. — ele tocou em sua cintura e a trouxe para mais perto — Ainda não.
— Que garoto mais ousado. — ela envolveu seus braços no pescoço dele — Quem disse que quero ter um namorado?
— Posso ser seu amante então. — brincou ele.

Ambos riram da sua sugestão.

Bellorum. — disse ela com precisão, se lembrando do dia em que terminara com o ex.
— Não seria surpresa se eu dissesse que o conheço, seria?
— Você é um Continuum. — respondeu ela.
— Por que terminaram? — indagou curioso.
— Naquele tempo, eu ainda era dependente da minha mãe e ele do pai dele, nosso namoro foi anos em segredo e quando descobriram, foi complicado. — explicou ela — Achamos melhor terminar.
— Que bom que terminaram então. — abriu um largo sorriso.

Antes mesmo que ela pudesse reagir ao seu comentário, a envolveu ainda mais lhe beijando com certa intensidade. 

--

A semana se passou...
Sexta pela manhã, ainda com sono se levantou lentamente da cama, porém ao pisar no chão ela escorregou no seu próprio chinelo e caiu de cara, fazendo barulho.

— Ai. — resmungou ela — Não acredito que nisso, belo jeito de acordar .

Após se trocar, saiu do quarto indo diretamente para a cozinha. Parou na porta e passou um tempo observando sua tia concentrada ajeitando mais alguns pedaços de bolo na mesa do café. Aparentemente, mais hóspedes haviam se instalado no hostel.

— Bom dia tia Beth! — sorrindo a jovem caminhou até a geladeira pega a garrafa de água.
— Bom dia minha pequena, dormiu bem? — Beth retribuindo o sorriso, continuou a ajustar os pedaços de bolo no refratário de vidro.
— Sim, não, talvez. — respondeu já despejando um pouco da água em um copo de vidro — Depende do ponto de vista de quem vê, logo que fui levantar da cama caí de cara no chão.
— Uau! — sua tia a olhou assustada — Como conseguiu fazer isso?
— Então — ela soltou um suspiro fraco, se sentando na cadeira — Escorreguei no meu próprio chinelo.

Beth se mostrou boquiaberta tentando imaginar a cena.

! — disse uma voz masculina ao entrar na cozinha.

O homem não demonstrou surpresa ao vê-la.

?! — a garota voltou seu olhar para o dono da voz, logo se admirou por vê-lo ali — O que faz aqui?
— Fui transferido para Seattle. — respondeu ele, abrindo um sorriso simples e discreto para ela, como se estivesse mesmo feliz ao vê-la — Algo me dizia que te encontraria aqui.
— E quando chegou? — perguntou ela se sentindo meio desnorteada.
— Há alguns minutos. — respondeu sua tia.

Beth sabia muito bem do passado da sobrinha com o Bellorum. No fundo ela temia que se envolvesse novamente com alguém da Continuum, e por mais que quisesse impedir, ela já notara as investidas de nos últimos dias e de como pareciam mais próximos. já era adulta e independente, então Beth tinha consciência de que não podia agir como a irmã Marie, proibindo a sobrinha de se aproximar das pessoas. No mais, ela só podia observar e aconselhar sempre que a oportunidade aparecesse.

— Bem-vindo a cidade. — disse ela sentindo a voz abaixar.
— Agradeço. — sentiu uma certa frieza vindo da garota, ele imaginava algo bem mais receptivo de sua parte.
— Eu preciso ir, a livraria me aguarda. — se levantou da cadeira — Até a noite tia, e foi bom te ver de novo .

Ela passou por ele e seguiu de volta para seu quarto, onde deixara a mochila. 

Noite passada havia compartilhado seus pensamentos sobre para . Sobre não ter tido notícias do rapaz desde a época que entrou para a universidade. Sobre sua mãe nunca permitir sua aproximação. 

 

Agora eu não posso voltar atrás,
Isto é claramente um vício perigoso,
Tão ruim, ninguém pode pará-la. 
- Overdose / EXO



8. Inesperado

- Hostel Fletcher

Mesmo intrigado com a frieza da jovem bailarina, se manteve silencioso durante todo o café, nem percebendo que Beth também se ausentara da cozinha. Suas memórias do passado te impediam de concentrar no alimento em sua mão, e sentado na cadeira permaneceu por longos minutos com os olhos fixados no pedaço de bolo. Ele e haviam terminado seu relacionamento escondido na adolescência de forma indefinida, e sabemos que algo mal resolvido sempre causa dores futuras. Era o que indiretamente ele sentia dentro de si.

— Ora, ora… Quem encontro aqui. — disse ao adentrar a cozinha com seu jaleco apoiado no braço direito e a bolsa pendurada no ombro esquerdo.

O comentário dela o despertou de seu devaneio momentâneo. Os olhos de arregalaram ao ver o rosto conhecido em sua frente.

— Sollary? — ele deu um sorriso discreto — O que faz aqui?
— Eu que pergunto, o que um Bellorum faz em Seattle? — ela cruzou os braços fazendo uma pose superior, depois desfez e puxou uma cadeira para sentar perto dele — Desde quando está na cidade?
— Cheguei hoje pela manhã, fui transferido recentemente para a Delegacia Leste. — respondeu ele com tranquilidade.
— Você está trabalhando em Capitol Hill e resolveu se instalar aqui? — ela o olhou curiosa.
— Este hostel foi muito bem recomendado. — explicou.
— Sei muito bem o quão recomendado ele foi. — ela segurou o riso e se virou para as fatias de bolo cortadas em cima da mesa.

sabia entre linhas sobre o namoro do passado de , foi um assunto parcialmente comentado entre as famílias da Continuum. A jovem médica reteve mais comentários sobre o assunto e se levantando, deixou o jaleco e a bolsa no encosto da cadeira, então seguiu para o lavabo para lavar suas mãos. Ao retornar, já finalizara seu café.

— Não me fará companhia? — perguntou ela — Pelos velhos tempos?!
— Tenho certeza que teremos outras oportunidades. — se explicou ele ao se levantar da cadeira — Agora, tenho que me apresentar ao meu novo posto.
— Policial?!
— Detetive. — corrigiu.
— Uau, subimos de cargo. — ela deu um sorriso — Meus parabéns, seu pai deve estar orgulhoso, e o seu avô então... General Bellorum deve estar comemorando sua evolução.
— Há tempos que não falo com eles, então, não me importa o que pensam sobre isso. — ele se manteve sério — Foi bom rever um rosto amigo.
— Digo o mesmo. 

Ele se afastou e se retirou. Enquanto isso, se sentou novamente na cadeira e iniciou seu café da manhã. Sempre que seus plantões encerravam no turno da manhã, a jovem fazia questão de tomar o café do hostel. O gosto que sentia a cada gole, sua saudade de casa era saciada com precisão de uma forma inexplicável. Entretanto, desta vez não dispondo de muito tempo para saborear a primeira refeição do dia, seu celular tocou. A ligação de seu paciente admirador a deslocaria para o outro lado da cidade. Aparentemente, Baker havia caído prejudicando a cicatrização de seu machucado no joelho.

— Posso entender como conseguiu essa proeza? — perguntou ao chegar no estúdio de fotografia, se deparando com ele jogado no chão com a barra de ferro que ele possuía em sua perna levemente exposta — Deveriam tê-lo levado às pressas para o hospital e não ligado para mim.

Sollary não sabia se o olhava preocupada pelo ocorrido ou raivosa por sua atitude imatura de não seguir o protocolo correto.

— Eu sabia que seu plantão havia terminado, e eu queria ser atendido por você. — explicou ele ao dar um sorriso de canto.
— Eu deveria arrancar sua perna só de raiva, você ainda mantém exposto, pode contrair bactérias. — ela se ajoelhou ao seu lado avaliando o estrago, retirou sua toalha da necessaire da bolsa e envolveu a fratura exposta — Como você caiu a ponto de causar isso?
— É uma história longa, mas em minha defesa, eu não fiz de propósito. — disse olhando-a com carinho ao sentir seu cuidado.
— Vou ligar para o hospital e pedir para a dra. Torres esperar nossa chegada, e chamar uma ambulância que era o que deveria ter feito. — ela tentou ponderar sua voz, porém o tom de rispidez era notório a distância.

Não demorou muito até que o resgate chegou e levou ambos para o Sollary Seattle Hospital. Como esperado, a cirurgiã ortopedista dra. Torres aguardava em seu posto e com a sala de cirurgia pronta. Como das outras vezes, acompanhou todo o procedimento como auxiliar em conjunto com sua amiga Hill, mesmo contra a vontade da residente chefe Lins.

— Bom trabalho paciente. — disse a dra. Torres assim que a anestesia passou e executou todos os procedimentos para conferir os sinais vitais de — Foi um pouco mais demorado que o previsto, porém antecipamos aquela cirurgia marcada e aproveitamos a deixa para retirar a barra e colocar os três pinos.
— Me desculpe dra. Torres, prometo não fazer mais travessuras. — disse ele mantendo seu olhar em .
— Vou deixá-los, a dra. Sollary terminará de preencher seu prontuário. — Torres olhou para a residente — Depois, te quero longe desse jaleco por pelo menos 24 horas.

O tom de ordem fez estremecer. Por ser sua madrinha e amiga de infância de sua mãe, Torres era a única em que a determinada Sollary respeitava e obedecia naquele hospital. 

— Sim senhora. — assentiu ela permanecendo com seu olhar no prontuário.

Após a saída de Torres do quarto, o silêncio deu ar de se estabelecer no ambiente. Porém os muitos pensamentos que Baker mantinha em sua mente, se colocaram em alta voz.

— Por que participou da cirurgia? — perguntou ele.
— Você é meu paciente, não é óbvio? — respondeu com outra pergunta, o olhando com seriedade.
— Você não volta depois que sai de um plantão por nenhum outro paciente. — ele deu um sorriso malicioso.
— Tire esse sorriso do rosto, a culpa foi sua de ter ligado para mim, como cheguei primeiro no local, me senti responsável por você. De novo. — ela voltou seu olhar para o prontuário terminando de preenchê-lo.
— Vai ficar aqui comigo? — perguntou ele propositalmente.
— O que acha?
— Eu já estou bem, e você não pode ficar com o jaleco. — respondeu ele.
— Não seja por isso. — ela terminou de escrever e colocou o prontuário na mesa aos pés da maca dele, então retirando o jaleco do corpo o dobrou e colocou embaixo da bolsa que deixara na poltrona para acompanhantes — A partir de agora sou sua acompanhante. 

Ela voltou o olhar sério e autoritário para ele. Aquela era uma das mais fortes características de Sollary, ela não admitia que outras pessoas interferissem em suas decisões, sua personalidade forte a instigada a querer sempre ter o controle de todas as situações. E era essa intensidade que a jovem residente passava que atraía ainda mais , deixando-o mais apaixonada com o passar do tempo.

--

- Portland, Oregon

Dominos não gostava de se ausentar de sua residência, não somente por sua preocupação com a segurança das mulheres de sua casa, como também por ser um homem caseiro. Este dentre tantos outros aspectos de sua característica pessoal era somente reconhecido por amigos muito íntimos. Entretanto, quando os negócios de sua família precisam de sua atenção dobrada, não media esforços para resolver com precisão e rapidez. 

Naquela manhã, sua visita a filial da Dominos Company na cidade de Portland tinha um motivo. Sua conversa se mantinha com o responsável Dominic Lins, sob a companhia de sua sliter. Lins, era um homem interesseiro e presunçoso, e isso todos já sabiam com clareza. Entretanto, o que ansiava descobrir era seus reais interesses por atrás da impecável demonstração de lealdade e o jeito nada humilde.

— Creio que agora todos os pontos estão alinhados e deixo em sua responsabilidade averiguar todos os roubos que a transportadora sofreu e encontrar os culpados, seja quem for. — completou com seu tom forte de ordenança.
— Não se preocupe, senhor. — respondeu — Eu só estava mesmo esperando sua autorização para tratar deste assunto com mais afinco.
— Assim espero. — deu alguns passos ao se levantar de sua cadeira presidencial — Não costumo a dar segunda chance a funcionário incompetente.

se colocou ao lado de sua sliter, voltando seu corpo para a parede de vidro que compunham a fachada do prédio, olhando os carros de locomovendo pela rua.

— Algo mais senhor Dominos? — perguntou Dominic mantendo seu olhar atento em .
, acompanhe-o até sua sala e pegue os relatórios mensais, quero analisá-los antes de partirmos. — ordenou ele, mantendo sua posição.
— Sim, senhor. — assentiu .

O olhar que a sliter lançou para Lins o fez entender o recado e já se deslocar para a porta do escritório da presidência. Se retirando, seguiu Dominic até o andar de baixo, entrando em sua sala, o homem não poupou a oportunidade de iniciar seus comentários.

— Então , com é passar vinte e quatro horas do dia ao lado do senhor Dominos, você não tem vida social? — perguntou Dominic.
— Por que a pergunta? — ela continuou com a seriedade no olhar e na voz, observando os movimentos dele até sua mesa.
— Curiosidade, uma mulher tão bonita e tão… — continuou ele.
— Acho melhor guardar seus comentários para você e com relação à curiosidade, várias pessoas já morreram por causa dela. — manteve o olhar firme esticando a mão para pegar a pasta — Os relatórios.
— Como queira. — assentiu Dominic ao entregar as pastas para ela. 

O ambicioso Lins já tinha ouvido comentários sobre a firme e silenciosa postura de Miller. Era rotineiro casos de interesses por parte de homens da Continuum a segurança pessoal de . Talvez por seu nível extremo de lealdade, ou por sua beleza sutil, ou mesmo pelas habilidades em combate que possuía. O certo é que despertava interesse e oculta atração por onde passava. 

Precisamente ao pegar as pastas, ela se retirou voltando ao escritório da presidência. 

— Senhor . — disse ela ao entrar. 
para você. — ele se virou para ela, e sorriu de canto.
— Os relatórios. — ela ergueu a mão mostrando as pastas.
— Teremos um longo dia, e a noite… — ele deu alguns passos até ela, parando em sua frente mantendo o sorriso nos lábios — Jantar a dois.
— O jantar entre o senhor e Rose Tenebrae?! — disse em tom de pergunta, porém afirmando do compromisso dele.

lançou um olhar decepcionado. Certamente por esquecer de tal evento.

— Imaginei que se esqueceria. — comentou ela segurando o riso.
— Não há como cancelar? — indagou ele, esperançoso talvez.
— Um Dominos jamais cancela uma reunião, principalmente quando há damas envolvidas. — relembrou ela um lema que vosso pai costumava mencionar.
— Odeio essa frase. — comentou.
— É seu dever, precisamos saber o que ela quer. — reforçou a necessidade do encontro.

se aproximou ainda mais e tocou em sua face.

— Odeio quando faz o papel da minha consciência. — ele a acariciou, sua vontade era de tocar seus lábios com os dele.
— Estou aqui para isso senhor. — ela se manteve firme.
, já disse. — corrigiu ele.
, precisa ir a este jantar. — disse novamente com as palavras adequadas — Precisa descobrir os próximos passos dos Tenebrae, e não se preocupe, não sairei do seu lado.

O Dominos sentiu seu coração pulsar ainda mais forte por ela, que mantinha a segurança no olhar. O que transmitia a ele força e coragem.

--

- Algum lugar de Seattle

Logo á tarde, estava na livraria catalogando os livros novos que tinham chegado. Concentrada no seu trabalho, foi seguindo em completo silêncio. Pouco antes do entardecer, seu olhar de forma involuntária se voltou para frente. Deixando-a surpresa ao se deparar com a presença de encostado na porta de entrada a observando.

— Oi. — ele disse abrindo um sorriso fofo e gentil para ela.
— Boa tarde, senhor cliente. — ela não se conteve em sorrir de volta, tentando manter o profissionalismo — O que faz aqui?
— Estou à procura de mais livros gastronômicos. — respondeu entrando mais pela loja até chegar no balcão de atendimento em que ela estava.
— Hum… Chegaram alguns esta manhã e estou catalogando, algo me dizia que eu deveria separar para um certo alguém. — comentou ela.
— E você separou?
— Sim.

Eles deram risadas rápidas, mantendo a suavidade nos olhares um para o outro.

— E eu posso comprar? — ele manteve seu olhar nos movimentos que ela fazia com relação ao computador.
— Sim, vou registrar a venda agora. — respondeu demonstrando a eficiência no trabalho.
— Depois da livraria vai direto para a escola? — perguntou ele.
— Sim, hoje tenho a classe da terceira idade que ensino bolero. — explicou ela — Não acredito que se esqueceu.
— Só queria ter certeza que decorei sua agenda de aulas. — brincou ele — Estou pensando em entrar na sua turma de hip-hop na quinta à noite. 
, não acredito na sua aptidão para o gênero. — admitiu ela com sinceridade.
— Sabe, é só um pretexto para te ver. — ele riu, fazendo-a rir também.
— Eu agradeço e me sinto lisonjeada, além do mais, quanto mais alunos, mais eu recebo. — assegurou ela.
— Que mercenária. — brincou se mostrando indignado.

Eles soltaram algumas gargalhadas.

— Vou finalizar sua compra, nos vemos mais tarde? — indagou ela.
— Combinado, te pego após a aula. — confirmou ele.

Ela sorriu de leve e terminou de registrar a venda. Desta vez realizou a compra de mais três livros, o que deixou ainda mais curiosa pelo interesse do rapaz sobre o assunto. As horas se passaram e encerrou seu expediente, após se despedir de Princia, pegou sua mochila e correu para a escola de dança. Os alunos já a aguardavam realizando o aquecimento inicial com alongamentos, assim que trocou sua roupa no vestiário dos funcionários, entrou na sala e iniciou a aula. 

O tempo foi passando, até o momento em que dispensou a turma e lhes desejou bom final de semana. Não demorou muito para que aparecesse na porta dando dois toques chamando sua atenção, que estava no celular.

— Terminou cedo hoje. — disse ele.
— Sim, um dos alunos não estava passando bem, ficamos preocupados e chamamos sua família. — explicou ela.
— Algo grave? — ele caminhou em sua direção.
— Ele esqueceu de tomar os remédios para pressão. — respondeu ela observando sua aproximação.
— Tenho algo para te contar. — iniciou ele ao tocar na cintura dela e envolvê-la em seus braços.
— Sobre você, ou sobre sua família?! — tentou controlar o olhar curioso, porém sem sucesso.

Já estava virando uma rotina, a cada dia lhe contar algo sobre sua vida ou sobre os Dominos, principalmente como conseguiram se reerguer após o ataque sofrido.

— Sobre mim, é uma novidade. — respondeu ele.
— Que novidade.
— Os livros que ando comprando, não é somente para te ver, mas tem fundamento profissional. — explicou ele.
— E que fundamento seria esse?
— Tenho planos de abrir um restaurante para mim, aqui em Seattle. — disse.
— Um restaurante?! — por essa ela não esperava — Uau, e quem seria o chef?
— Está olhando para ele.
— O que? — se viu boquiaberta pela revelação — Você cozinha?
— Sim. — abriu um sorriso modesto — Sou formado na Le Cordon Bleu, a melhor faculdade de gastronomia do mundo, e este é um dos motivos de brigas entre eu e meu irmão.
— Só porque você gosta de cozinhar?

A pergunta dela o fez rir.

— Não, ele se sente contrariado pelo fato de eu não querer gerenciar os negócios da família ao seu lado. — explicou — Mas, no fundo, meu sonho é outro, e não está ligado a Dominos Company.
— Do jeito que você fala sobre seu irmão, não acha que ele vai querer atrapalhar? — indagou ela não se contendo em ficar preocupada.
— Não, é capaz de tudo, exceto atrapalhar alguém de sua própria família, o máximo que pode acontecer é ele querer usar isso a seu favor. — continuou seguro em suas palavras.
— Como?
— Não sei, mas se tratando dele, tem sempre um jeito. — riu de leve — Mas não quero me preocupar com isso agora.
— Fico feliz que esteja empenhado a realizar seu sonho. — ela sorriu de volta.
— Quero te mostrar uma coisa, podemos ir?
— O que quer me mostrar?
— Surpresa. — ele se afastou dela e a pegando pela mão, manteve o olhar de carinho.

pegou sua mochila e se deixou ser guiada até a moto do rapaz. Seguiram pelas ruas até chegar ao seu destino. Ao descerem da moto, se deparou com um pequeno imóvel aparentemente caindo aos pedaços. Era localizado na entrada norte da cidade, próximo à rodovia principal. A fachada de madeira tinha traços de cupim, a porta de entrada rangia ao abrir, as janelas alguns vidros quebrados e muitas teias de aranha competindo espaço pelo lugar.

— Uau. — disse ela ao olhar em sua volta, sentindo o cheiro de mofo do ambiente — Eu sei que você não é um psicopata e não vai me matar em um lugar assim, então posso entender o que fazemos aqui? 

Ele soltou uma gargalhada antes de responder.

— Antes de vir para Seattle, pesquisei alguns imóveis abandonados, este estava a lista de possibilidades, acabei de comprá-lo hoje pela manhã. — explicou ele.
— E vai construir seu restaurante aqui? — era óbvia sua dedução.
— Sim, fiz uma pesquisa de mercado e descobri que esta parte da cidade carece de empreendimentos assim.
— Legal, após uma boa reforma talvez fique bonito e chamativo. — comentou ela.
— Talvez? Está desdenhando do meu restaurante?! — ele se sentiu ofendido.
— Não, mas é que não adianta ser bonito e a comida não for boa. — argumentou ela.
— Você gostaria de me provar? — perguntou ele de forma sinuosa ao tocar a cintura dela novamente.
— Você realmente gosta de duplo sentido né. — ela riu — Talvez se rolasse um jantar…
— Vou continuar mantendo o duplo sentido. — ele se aproximou mais e a beijou com intensidade.

retribuiu o beijo, sentindo seu coração acelerar.

— Você precisa parar de me beijar assim, toda vez que te der vontade. — disse ela tocando em seu tórax o afastando um pouco.
— Não foi vontade minha, seu olhar que pediu. — retrucou ele.

bem que queria contra argumentar, mas ele estava certo. 

E tomando impulso, desta vez o beijo partiu da delicada bailarina.

Conte-me seu sonho,
Conte-me os pequenos desejos em seu coração.
- Genie / Girls' Generation



9. Bellorum

- Hostel Fletcher

Enfim sábado chegou e com ele também à chuva. Algo não tão surpreendente já que Seattle era conhecida por chover muito naquela época do ano. Como todas as manhãs, acordou e assim que trocou de roupa, seguiu para cozinha. Ao passar pela sala ela viu conversando com uma mulher desconhecida para ela. A jovem bailarina passou direto para cozinha sem se dar a chance de importar com a cena.

— Bom dia bailarina. — disse que já estava sentado na cadeira tomando seu café — Dormiu bem?
— Sim, e você acredita que sonhei com seu restaurante?! — ela soltou uma risada baixa e se sentou na cadeira ao lado.
— Será que é um bom sinal? — supôs ele.
— Tomara, e você ainda me vede um jantar de degustação.
— Depois da reforma farei com o maior prazer. — ele sorriu — Vai dar aulas hoje?
— Não, pela chuva recebi uma mensagem da escola cancelando. Minhas aprendizes de bailarina podem pegar resfriado com esse tempo. — explicou ela.

Nas ruas de Seattle...

Beth já se aproximava do Departamento de Polícia da cidade. Ao entrar no prédio, seguiu para o posto de atendimento, no qual uma policial atendente sorriu e lhe cumprimentou.

— O capitão Holt já chegou? — perguntou ela mantendo a seriedade e frieza no olhar.
— Sim senhora, mas está em reunião... — respondeu a moça já tentando explicá-la a falta de tempo do capitão.

Porém Beth nem a deixou a policial terminar e fora entrando na sala que pertencia ao homem.

— Não me interessa se está ocupado ou não, eu vou direto ao assunto, o que ele está fazendo aqui? — com seriedade e indignação Beth perguntou parando em frente a ele.
— Beth! Como entrou aqui, ele quem? — surpreso e espantado em vê-la fez com a mão um sinal que dava a entender como um convite para se sentar e assim ela o fez, se sentou na cadeira em frente a ele.
Bellorum, hospedado no meu hostel, refrescou a memória. — com o estresse a flor da pele e já sem paciência disse alterando o tom de voz — Nós combinamos que manteríamos qualquer pessoa da Continuum afastada da minha sobrinha, eu já tenho um Dominos e um Baker lá, não queria um Bellorum também.
— Calma Beth... — com suavidade ele tentou tranquilizá-la.
— Calma nada, o que está havendo nesta cidade? Eu até aceito uma Sollary, pois a cidade pertence a eles, mas e o resto?
— Sabe que o fato de estar aqui vai além do meu poder. — respondeu com a voz baixa, porém firme — Os Bellorum mandar até no Pentágono, quem dirá na DP de Seattle, lamento não poder ajudar, mas até mesmo a transferência de foi uma surpresa para mim.
— Se não pode fazer nada. — ela se levantou da cadeira contrariada.
— Beth espera. — chamou-a se levantando da poltrona.
— O que? — parando ela olhou pra trás em direção a ele.
— Eu descobri.
— Sobre? — olhou interessada levantando uma das sobrancelhas.
— A herdeira bastarda que sua mãe ajudou a esconder. — revelou ele — Sei quem é e onde ela está.
— Se assegure que ninguém saiba sobre isso. — alertou Beth — Sabe que minha mãe odeia traidores.
— Não se preocupe, não contarei a ninguém.

Logo ao final da tarde...
A chuva já havia dado uma trégua e preciso ir a livraria para resolver alguns assuntos do carregamento que tinha chegado antes do prazo previsto. Princia estava fora da cidade, e o sr. Fox hospitalizado por intoxicação alimentar. Sendo assim, ela seria a responsável pela livraria naquele dia.

. — a voz de soou da porta do estabelecimento.
. — praticamente sussurrando ela levou o olhar para ele.
— Pra mim não está sendo uma surpresa você aqui, já faz muito tempo desde que... te vi pela última vez. — afirmou olhando-a fixamente.
— Muito tempo. — sem demonstrar felicidade em vê-lo concordou desviando seu olhar para os livros em sua frente.
— Eu estava passando e te vi aqui dentro. — vendo que ela não se interessou em vê-lo puxou assunto.
— Trabalho aqui. — explicou ela.
— Isso me lembra o passado. — ele deu um riso meio irônico entrando mais na livraria — Nossos encontros na biblioteca.
— Você disse bem, passado, algo que não volta nunca mais. — ela se afastou do balcão seguindo para uma fileira de livros infantis — Vai querer algum livro em especial?
— Você me indicaria algum? — ele sorriu levemente esperando a resposta certa.
— Me desculpe, mas não, não conheço os eu gosto. — respondeu ao se virar para ele, se deparando com bem próximo a ela.
— Olhe para o espelho e irá vê-lo. — fixou seu olhar nela. 

tentava imaginar o que estaria se passando em seu pensamento, eles ficaram por um momento se olhando. A intensidade que fluía dele, fazia o corpo de estremecer um pouco. Talvez o sentimento do passado não tenha sido esquecido assim tão facilmente pela garota. Um clima totalmente oportuno para , entretanto, quebrado pela presença repentina de .

? — perguntou , vendo-os se afastarem e direcionando seu olhar para tentando intimidá-lo — Algum problema?
— Não, eu estava olhando os livros. — riu cinicamente ao perceber uma ponta de ciúmes saindo de — Depois volto pra pegar.

Ainda rindo ele andou até a porta e saiu.

— Tudo bem ? — olhou pra ela fixamente, indo até a garota.
— Sim, tudo. — ela sorriu tentando tranquilizá-lo.
— Eu não gosto dele. — disse cruzando os braços, a garota percebeu o olhar emburrado de .

Algo que a fez rir.

— Não acredito que está com ciúmes. — ela seguiu até ele — Nem somos namorados.
— Porque você não me quer. — retrucou ele.
— Esquece e tudo relacionado a isso. — ela lhe deu um selinho.
— Você não vai me comprar com esse selinho. — disse ele.
— Hum…

Ela sorriu de leve e lhe deu um beijo mais doce e intenso, fazendo-o retribuir com facilidade envolvendo seus braços na cintura dela.

— Podemos ir ou o Sr. Fox ainda precisa de você?
— Nem era para estar trabalhando hoje, podemos ir sim. — ela se afastou dele indo até o balcão, desligou o computador, pegou sua bolsa, andou até ele — Vamos senhor!
— Com maior prazer. — olhou-a com um sorriso cativante, segurou em sua mão.

Após saírem da livraria, sugeriu que fossem para o bosque. Já fazia tempos que ela queria respirar ar puro. E assim foram eles, andaram por alguns minutos entre as altas árvores e escorregadias pedras, quando parou.

— O que foi? — perguntou temendo que houvesse algo errado.
— Fomos amigos há muito tempo atrás. — disse ele.
— De quem está falando? — olhou para ele confusa sobre o assunto iniciado.
Bellorum — de forma calma, porém firme respondeu — Nossas famílias são amigas desde sempre, crescemos juntos até o seu pai se mudar para Cliron.
— Eu imaginava que o conhecia pelas famílias serem da Continuum, mas não que tivessem uma amizade. — confessou ela.

se aproximou dela e segurou em sua cintura.

— Mesmo ele sendo meu amigo, e vocês tendo um passo, não vou desistir de você. — ele se manteve séria — Confesso que não gosto da forma que ele te olha.
— Eu agradeço por não desistir de mim. — ela sorriu de forma meiga.
— Estamos aqui no bosque como queria, o que faremos agora? — perguntou ele.
— Dançar! — ela continuou sorrindo — Quero dançar com você.
— Se insisti na minha habilidade de dança, não irei recusar. — brincou ela fazendo-a rir.

--

- Hotel Village, Boston

Mesmo com a repentina notícia que a Tenebrae não poderia lhe encontrar na noite anterior, ainda não havia retornado para casa. Sua viagem de negócios tinha se estendido além do que imaginava. Naquela tarde, permanecia sentado na melhor mesa do restaurante do Hotel esperando sua velha amiga Isla, enquanto isso estava esperando no bar, observando atentamente a movimentação do lugar.

— Te fiz esperar muito? — disse Isla ao se aproximar.
— Mulheres como você valem a espera. — se levantou dando um sorriso leve e puxou a cadeira para que ela se sentasse.
— Agradeço o elogio. — Isla sorriu de volta se sentando e colocando sua bolsa em cima da mesa.
— Estou surpreso por estar aqui na América. — se sentou e pegou a garrafa de Chateou 1980 que estava em cima da mesa, despejando um pouco na taça para ela.
— Vim visitar uma amiga que se casou recentemente. — Isla esperou ser servida por ele e logo pegou sua taça — Mas o que me traz aqui além da nossa amizade Dominos? — ela tomou um gole e o olhou sinuosamente sabendo que pedidos seriam feitos.
— Iniciei meu plano, Isla Fallin, preciso agora do nome que te pedi. — explicou ele.
— Tem certeza? — ela tomou um gole do vinho e pousou o copo sobre a mesa — não tem tanto tempo que você conseguiu reerguer sua família das cinzas e tomar o controle da empresa.
— Isla, você disse que me ajudaria.
— Não foi fácil, todo segredo tem segredos. — ela respirou fundo — Mas não acho que está pronto pra saber.
— O que sabe sobre mim? — manteve seu tom de voz baixo e firme a olhando tranquilamente.
— Sei que somos amigos desde antes de sua família ser atacada, sinceramente não vou deixar que sua sede de vingança atrapalhe sua vida.
— Tenho meus motivos, quero saber.
, isso não vai trazer sua mãe de volta. — insistiu ela — Menos ainda seu pai, olho por olho, dente por dente não vai melhor as coisas.
— Quero saber quem é a herdeira bastarda dos Tenebrae. — se levantou e bateu a mão direita na mesa com tanta força que a mesma desmontou — Eu quero saber agora.

Todos no restaurante voltaram sua atenção para eles, olhou de longe e se levantou permanecendo onde estavam, mas focada nos olhos de fúria de . A sliter sabia que se precisasse, teria que usar de forma para acalmar seu senhor.

— Como queira. — Isla que ainda estava sentada, se levantou — Mas saiba que ela está sendo protegida por Donna Fletcher.

Se aproximando dele, sussurrou em seu ouvido para que somente ele soubesse o nome. Isla pegou sua bolsa e saiu. Assim se aproximou, analisando o olhar dele para ela.

— Senhor Dominos, está tudo bem? — perguntou ela preocupada.
— Agora está. — respirou fundo — Pague a conta, te espero no carro.
. — ela segurou em seu braço o parando — O que ela disse?
— O que eu queria ouvir, antes de irmos para Manhattan ver Annia, quero que investigue a jovem bailarina que meu irmão anda cortejando. — ordenou ele.
— Qual o motivo para isso? — indagou.
— Logo saberá. — ele se soltou dela e seguiu para saída.

Pela primeira vez tinha sentido certo receio pela situação. Estava preocupada com a tal descoberta de . Ela havia feito a leitura dos lábios de Isla, Donna Fletcher seria a resposta para seus questionamentos. Mais um motivo para visitar a velha amiga que a treinou desde infância para servir a família Dominos.

--

 - Sollary Seattle Hospital

e estavam conversando no refeitório, pareciam mesmo um casal visto de longe. Ela ainda estava suspensa de suas atividades como residente. Porém nada a impedia de continuar ali como acompanhante do machucado Baker. Sentados em um canto ao lado da janela que dava para o jardim principal, um jornal especial estava sobre a mesa, o foco da conversa era outro. deu uma garfada na torta de maçã e comeu, percebendo o olhar fixo de para ela.

— Até hoje não me acostumei com essas coisas da Continuum. — ele voltou seu olhar para o jornal da sociedade — Me parece que os Tenebrae estão se movimentando.
deve estar com fúria total. — ela segurou o riso pegando a xícara de café levando a boca.
— Pensei que isso não chegaria até mim, mas Annia quer conversar comigo após o baile de máscaras da empresa. — comentou ele.
— Não está pensando em ir não é? — o olhou boquiaberta.
— Claro, eu preciso ir, mesmo não me importando é a empresa da minha família, se atinge eles, me atinge também. — ele foi cauteloso em suas palavras.
— Eu vou com você, precisa continuar fazendo a fisioterapia, e não pode se forçar muito. — alegou ela sua decisão.
— Eu já contava com sua companhia, já havia lhe convidado.
— Mas eu não confirmei antes. — ela deu de ombros.
— Dra. Sollary. — ele sorriu de canto — Estou grato por cuidar de mim.
— Tire esse sorriso do rosto, você é apenas um paciente. — ela se manteve séria.
— Um paciente com benefícios. — ele se ergueu rapidamente tomando impulso, então lhe roubou um selinho — Eu amo esses benefícios.
— Abusado. — ela deu um tapa em seu ombro — Faça isso de novo e corto sua língua.
— Suas ameaças me deixam mais apaixonado. — ele riu.

Era irresistível suas brincadeiras e já estava se habituando a isso. A forma em que investia nela e deixava exposto seus sentimentos se medo de ser rejeitado. Sua persistência havia despertado admiração da jovem residente. Admiração essa que não seria confessada tão cedo.

- Departamento de Polícia, Seattle

Assim que soube da presença do Bellorum no distrito, o capitão Holt convocou para uma conversa bem séria. Sua preocupação pela visita de Beth Fletcher o havia deixado em alerta principalmente pelos segredos que descobrirá envolvendo famílias da Continuum.

— Me chamou capitão?! — perguntou ao entrar na sala fechando a porta.
— Sim. — ele respirou fundo se preparando para iniciar a conversa — Quando seu pai me enviou a mensagem falando da sua transferência, não achei que um problema.
— Sabe que não pode fazer nada quanto a isso, não é?! — disse o Bellorum confiante.
— Eu sei, mas gostaria de pedir um favor a você. — disse ele.
— Se estiver ao meu alcance. — o rapaz analisava as expressões do capitão.
— Fique longe da jovem Fletcher. — pediu ele — Soube que foram namorados no colegial, mas sabe a posição da família quanto isso.
— Eu serei um comprometido e dedicação detetive, mas não se envolva em minha vida pessoal, se a Fletcher que veio reclamar da minha presença não me quer aqui, mande-a falar pessoalmente comigo. — virou de costas — Espero que esteja ciente das coisas que possa ter dito a ela, se sabe de alguma coisa foi porque meu pai de confiou a informação.

nem mesmo esperou o capitão argumentar e saiu da sala. Ele estava raivoso pela intromissão de mais cedo na livraria, agora. Por mais que ele tivesse um respeito pelo Dominos e sua amizade de anos, estava decidido a reconquistar a mulher da sua vida. Seu arrependimento por ter deixado suas famílias separar ambos o consumia por dentro.

Se esta era sua chance, ele iria agarrar com toda força.

Então, mesmo se eu morrer, quero viver para sempre
Vem cá garota, você pode me chamar de monstro
Eu vou entrar no seu coração.
- Monster / EXO



10. Baker

- Baker House, Manhattan

New York era a cidade da família Baker, comandada agora pela destemida Annia. A órfã resgatada do Orfanato Miral por Allison Baker, lugar este que contava com a administração de Donna Fletcher.

e suas convidada Sollary, desembarcaram no aeroporto particular das Indústrias Baker, logo pela manhã de sexta-feira. Conduzidos pelo carro da empresa até a Mansão, ao chegarem, se depararam com os preparativos na noite glamorosa que seria oferecida ali. Ele respirou fundo antes de passar pela porta de entrada. Em sua mente contava quanto tempo se passou desde que saiu de casa.

— Uau. — disse olhando em seu redor para a exuberante arquitetura do lugar, então voltou-se para ele — Estou admirada por ter deixado todo esse luxo e viver em um quarto pequeno de um hostel.
— Achou mesmo que eu era um playboy mimado? — ele cruzou os braços se fazendo de ofendido.
— Sinceramente? Sim. — ela segurou o riso — Confesso que minha família sempre manteve somente assuntos profissionais com a sua, em todas as festas da Continuum, me lembro vagamente de você.
— Eu não costumava ir, somente a Annia. — revelou ele — E por falar nela… Pedirei a criada para lhe mostrar seu quarto, preciso encontrar minha irmã.
— Vai deixar sua convidada sozinha? Que espécie de anfitrião é você? — ela colocou a mão na cintura — Um que você nunca viu.

sorriu de canto, meio malicioso.

— Não se preocupe, você será instalada em meu quarto. — ele piscou de leve.
— Abusado. — ela o olhou boquiaberta pela ousadia.
— Não demorou, descanse um pouco. — disse ele.
— Eu que deveria dizer isso a você, não ouse a forçar essa perna. — ordenou a residente com firmeza — Estamos entendidos?
— Sim senhora. — ele bateu continência brincando e se afastou.

Em instantes, uma criada se aproximou de e lhe guiou até o quarto de hóspedes reservado para ela, que era ao lado do quarto dele. foi seguindo pelos cômodos da mansão procurando por Annia. A governanta Collins lhe informou que Annia estava na empresa desde o nascer do sol. O Baker sabia que as coisas com a diretoria não seriam fáceis para sua irmã, já que os diretores não a reconheciam legalmente como uma herdeira.

pegou as chaves do sua BMW conversível série 8 preta, fazia tempos que não a dirigia. O herdeiro seguiu em direção a empresa, ao chegar o olhar de surpresa de todos foi notado por ele. Ao pegar o elevador, trombou com Lewis, um dos diretores, não gostava do homem então preferiu manter-se em silêncio. Chegando no hall de entrada para sala de Annia, não deixou que a secretária o anunciasse, aproveitou a porta entreaberta e apareceu na greta dando dois toques na porta.

— Annia. — disse ele abrindo um pouco mais a porta, seu olhar passou de sua irmã para o conselheiro dela — Boa dia Dimitri.
— Senhor Baker. — o homem o olhou com respeito e se afastou da mesa de Annia — Os deixarei a sós.

Dimitri pode ser considerado como um homem ponderado e cordial, educado e cavalheiro. não gostava muito dele, pelo fato de ter servido sua mãe por muito tempo não somente como um funcionário qualquer, mas como seu amante também. Annia manteve sua postura impecável e seu olhar analítico para o irmão, com um sorriso debochado no canto do rosto.

— Espero que tenha se instalado com conforto em nossa casa. — disse ela — E me desculpe por não ter fico para lhe receber.
— Vamos cortar a onda de irmãos unidos, algo me diz que seu baile não é somente pelo aniversário da empresa. — ele deu mais alguns passos até ficar diante da mesa dela — Estou certo?
— Sabe que as Indústrias Baker possuem muitos outros assuntos além de medicamentos para hospitais e seu sistema falido de saúde. — ela se remexeu da cadeira e cruzou as pernas — Não se preocupe irmãozinho, nossa mãe me treinou muito bem, posso dizer que me tornei melhor que ela.
— Devo me preocupar com essa noite? —insistiu ele.
— Não, você e sua convidada estão seguros e terão uma linda noite. — o sarcasmo escorria dela — Ah, fique tranquilo que não guardei nenhum cadáver nos armários da cozinha, Sollary não será pega de surpresa por nenhum segredo de família, a menos que você conte a ela.
— Não contarei nada, ela não precisa saber o quão suja é minha família. — ele deu um passo para sair.
— Assim você me ofende. — disse Annia ao se levantar de sua cadeira presidencial, o olhando com firmeza — Não se esqueça que essa família já te protegeu de muitos erros do passado, pode ser um bom garoto hoje em dia, mas também teve um passado do qual não gosta de se lembrar.
— É uma ameaça? Irmãzinha. — ele a olhou com seriedade.
— Entenda como quiser. — ela abriu um sorriso singelo carregado de ironia — Sua doce médica está preparada para saber sobre seu passado?
— Fique longe da . — ordenou ele.
— Não questione minha gestão. — retrucou ela — Apenas me apoie.

se afastou e saiu da sala. No caminho de volta para mansão ele transbordava de raiva. Mas Annia estava certa, o de hoje tinha medo do da adolescência que lhe causou muitos problemas. Era um fato que o acidente em que a jovem médica lhe salvara, havia sido o divisor de águas em sua vida. O certo, é que na Continuum todas as famílias tinham seus segredos, e claro que os Sollary também possuíam os seus.

— Olha só quem se lembrou que tem uma convidada. — disse ao descer as escadas da mansão, vendo passar pela porta — Que anfitrião.
— O melhor que terá. — ele estendeu a mão para ela — Venha.
— Para onde? — perguntou ao se aproximar dele e segurar em sua mão — O lance do quarto já vi que foi enganação.

Brincou ela em provocação.

— Hum… — ele a olhou com malícia — Não entendeu que ter te colocado na porta ao lado foi proposital?
— Então… — ela mordeu o lábio inferior.
— Vamos. — ele sorriu de canto e dando um selinho rápido nela, a puxou em direção ao seu carro.

já tinha visitado a cidade em alguns congressos de medicina e com seu pai. Porém agora, ela conheceria Manhattan na visão do Baker. Rodando de carro, ele a levou até uma oficina mecânica de um amigo dele, chamado Hector.

— Devo entender que lugar é esse? Alguma gangue filiada aos Baker? — brincou Annia ao tocar em um dos carros que estavam lá para conserto.
— Que mal juízo tem de mim? — ele a olhou sério — Tenho um amigo que é o dono daqui, ele é engenheiro mecânico.
— Hum… Pensei que seu lance era fotografia. — observou ela.
— Fotografia é um hobby, eu gosto mesmo é de carros. — explicou ele — E acredite ou não, quase me formei com esse meu amigo.
— E porque abandonou a universidade? — perguntou ela.
— Eu acredito que em certas profissões, não precisa ter diploma. — respondeu ele — Posso ser autodidata.

Ele riu baixo, desviando o olhar para o amigo que se aproximava.

— Hector. — se aproximou do amigo e fez um cumprimento de costume de ambos — Quero lhe apresentar minha…

olhou para com um ar subjetivo.

— Médica. — disse ela estendendo a mão para o homem — Sollary.
— Sollary?! — Hector sorriu de canto e cumprimentou ela — E médica?!
— Tive uns contratempos. — explicou — Aquele acidente que lhe contei.
— Ahhh… — Hector voltou a olhar a jovem residente — E uma Sollary te salvou.
— Sim. — confirmou — Você conhece minha família?
— Conheço sobre a Continuum. — explicou o mecânico — E o que fazem aqui no Brooklyn? Sabe que seu carro é chamativo demais pra ficar aqui.
— Eles não são loucos de roubar um Baker, em uma cidade em que a Annia manda. — respondeu tranquilo sobre o assunto — Mas o que me traz aqui, queria mostrar a meu projeto profissional.
— Uhhhh, vai mesmo abrir uma oficina em Seattle? — Hector o olhou surpreso.
— Oficina?! — moveu o olhar para ele — Então essa é sua expectativa para o futuro?
— Estava brincando quando disse que seria um fotógrafo, isso eu deixo para as horas vagas. — deu uma piscada para ela.

Hector teve o prazer de explicar algumas coisas sobre carros para , e contar como conhecer o Baker, omitindo claro as partes negativas do passado de ambos.

--

As horas se passaram, e logo à noite a mansão Baker se iluminou totalmente preparada para receber os convidados. se arrumou em seu quarto e logo ao bater na porta ao lado, demorou alguns instantes até sair, o deixando boquiaberta com seu charme. A Sollary colocou um elegante vestido vermelho com recorte na perna esquerda e uma máscara preta.

— Valeu a pena a espera. — abriu um largo sorriso — Você está ainda mais linda.
— Hum… Eu sei. — ela sorriu de volta — Vamos, Baker?

Ele deu o braço para ela e seguiram para as escadas. Chegando no andar de baixo cumprimentou alguns convidados que vagamente se lembrava do rosto, fez cara de herdeira Sollary e logo reconheceu uma pessoa próxima a ela. Aproveitando uma distração de Baker, ela se aproximou dessa pessoa.

Dominos, a última pessoa que esperava neste baile. — disse a jovem residente.
. — o Dominos segurou a mão dela, dando um beijo suave — Posso dizer o mesmo?
— O que faz em Manhattan? — perguntou ela.
— Estou a negócios, aproveitei para socializar. — brincou ele — Annia Baker é uma pessoa muito receptiva.
— Receptiva? — se intrigou pela colocação — Infelizmente ainda não tive chance de conhecê-la mais de perto.
— Está em lua de mel com o Baker?! — perguntou ele.
— Desde quando minha vida sentimental de interessa? — cruzou os braços.
— Eu me preocupo com você, sabe disso. — sorriu de canto — E quero ser o padrinho do casamento.

O comentário dele arrancou algumas risadas de .

— Não se preocupe Dominos, será o primeiro a receber o convite. — disse ao aparecer ao lado de , pousando sua mão na cintura dela, trazendo-a para mais perto — E se quiser, pode ser padrinho até de nossos filhos.
— Desde quando tem autoridade para dizer estas coisas? — olhou para ele abismada.
— Pensei que estivesse de acordo. — ele se fez de inocente.
— Foi um prazer vê-los. — disse — Vou deixá-los à vontade.
— A está aqui? — perguntou .
— Ela sempre está. — apontou discretamente para sua sliter que o aguardava — Até breve.

Assim que Dominos se afastou dele, olhou com seriedade para .

— Que onda é essa que casamento e filhos? Queria insinuar o que para ? — perguntou a médica irritada com ele.
— Então era ele o Dominos do seu passado? — perguntou também sério — Sim, era ele.

constatou no desvio do olhar dela para o lado.

— Ainda gosta dele?! — insistiu.
— Se eu disser que sim, o que fará?! — ela voltou a olhá-lo — O que pode fazer quanto a isso?
— Lutarei para que se apaixone por mim, farei você esquecê-lo de uma vez por todas.

O persistente Baker tomou impulso e na ousadia beijou da forma mais intensa e doce possível. pega de surpresa inicialmente foi se rendendo ao beijo dele, sentiu seu corpo arrepiar quando tocou com mais força em sua cintura. se afastou retomando o fôlego e olhou para ele um tanto assustada com o que estava acontecendo internamente com ela.

— Aproveite o baile, seu anfitrião precisa se ausentar por uns instantes. — disse já se afastando dela e seguindo para a saída do jardim lateral.
— Como ele pôde fazer isso. — sussurrou ela ao vê-lo seguir.

Isso só acontece uma vez na vida
Meus instintos reprimidos estão surgindo
O que fazer? Acabei de ganhar na loteria.
- Lotto / EXO



11. Sliter

- Baker House, Manhattan

Se espreguiçando nos lençóis de seda, estava . O pouco que lembrava do final da noite anterior, ela havia se rendido a alguns beijos e investidas de . Em sua mente, as lembranças dos sussurros de Baker veio com rapidez. No rompante, ela abriu os olhos erguendo seu corpo. O coração parou e voltou na mesma hora, quando se viu no quarto dele. Sentiu um frio tomar conta dela. E logo seu olhar chegou ao homem que olhava para a janela.

— Se está pensando que aconteceu algo entre nós, fique tranquila, não houve nada. — assegurou , num tom frustrado — Não é assim que eu te quero.
— Do que está falando? — perguntou ela puxando os lençóis para se cobrir mais — Acha que vou acreditar em você?
— Admito que foi tentador. — ele voltou seu olhar para ela — Ter Sollary se jogando em minha cama, dizendo que me queria, mas… Se não fossem pelas taças de champanhe que tomou e o tom embriagada…

Ele se afastou da janela e caminhou até ela, subindo na cama se aproximou mais até ficar com o rosto colado ao dela.

— Quando você estiver em meus braços, será 100% sóbria, e sussurrando meu nome pedindo por mais. — disse ele certo de suas palavras — Enquanto isso não acontece, desfrute do café da manhã no orquidário, não terá minha presença pela manhã.

Ele se afastou dela e caminhou até a porta. suspirou forte, um tanto desnorteada pelas ações dele. Desde quando Baker é assim? Se perguntou ela. Enquanto a Sollary permaneceu mais um pouco no quarto assimilando tudo que tinha acontecido. pegou as chaves de sua moto e seguiu até a oficina do amigo.

— Greg, você por aqui. — disse ao desligar a moto e retirar o capacete, reconhecendo o amigo.
— Desde quando está em Manhattan? — perguntou ele indo fazer seu cumprimento de amigos.
— Desde o início da semana. — respondeu se afastando de sua moto — E você? O que faz aqui? Achei que tinha voltado para New Orleans.
— Ah não, aquele lugar não é mais o mesmo de quando criança, prefiro continuar aqui, bem, para ser honesto, estava pensando em te pedir um emprego em Seattle, Hector me disse sobre sua empreitada como mecânico. — respondeu.
— E desde quando você tem aptidão para isso? — riu do amigo.
— Olha, eu aprendo rápido e sou comunicativo, posso te apresentar meu currículo, faço um sucesso com o público feminino. — ele riu, fazendo-o rir junto.
— Olha só, as duas fofoqueiras juntas. — Hector apareceu com uma chave de fenda na mão — Espero que não estejam rindo de mim.
— Claro que estamos, rindo da sua falta de jeito com as mulheres. — brincou Greg.
— Você acredita que ele está me pedindo emprego? — disse Baker ao amigo.
— Acredito, porque antes ele pediu para mim. — Hector riu — Não quero confusão aqui, ele se engraçando com mulher de cliente.
— Você sabe que eu não me envolvo com mulheres casadas. — protestou Greg.
— Vou pensar se você tem competência para ser meu funcionário. — riu da careta que ele fez, então voltou o olhar para Hector — Vamos ao que interessa, preciso que me explique tudo que eu preciso saber e quero a lista de seus fornecedores mais confiantes. 
— Quanto a isso, tá na mão, vem comigo. — o mecânico se dirigiu para seu escritório — Greg vigia a oficina aí.
— Vai pagar quanto? — retrucou o amigo.
— Seu mercenário. — Hector saiu rindo, sendo seguido por Baker.

Enquanto isso…
que já havia se levantado, foi para seu quarto e trocou de roupa. Exatamente como havia dito, seu café estava aguardando-a no orquidário da propriedade. Um lugar especial, criado por Allison Baker com seu amor por orquídeas. A jovem se encantou com o lugar, apesar da planta em destaque não ser sua favorita. Mais uma vez havia se surpreendido com o Baker agora ousado.

— Estou sozinha aqui? — perguntou a jovem residente para a governanta Collins.
— Sim, senhorita Sollary, o herdeiro Baker saiu para resolver alguns assuntos e milady Baker retornou para seu apartamento no Central Park. — respondeu a mulher, mantendo a formalidade.
— Agradeço.

Ela tomou seu café da manhã com tranquilidade. Apreciando tanto a beleza do lugar como também a saborosa torta de maçã servida a ela. Após isso, ela chamou um táxi e seguiu para o campus da Columbia University. A amante da medicina tinha descoberto uma palestra que seria dada por um antigo professor. Pontualmente ela chegou no lugar e se acomodou entre as pessoas em um banco do auditório. Assim que o professor Parker entrou, todos aplaudiram e ficaram atentos. O foco de sua palestra em cirurgias envolvendo transplantes de células tronco. 

Para a surpresa dela, Parker a reconheceu no meio de todas aqueles alunos e convidados. Ao final, o professor palestrante se aproximou de , lhe convidando para tomar um café.

— E como está sendo sua residência no hospital da sua família? — perguntou ele assim que fomos servidos pelo atendente.
— Fácil não posso dizer que é, por eu ser filha do meu pai, a cobrança é em dobro. — admitiu ela meio envergonhada pelos olhares do seu ex professor — Mas, estou conseguindo acompanhar o ritmo.
— Você foi minha melhor aluna, posso garantir. — ele sorriu de canto — Tenho certeza que será a melhor da sua família.
— Estou me empenhando para isso. — assegurou ela.
— Mas, me tire a curiosidade… O que faz em Manhattan? Pelo que me lembro, não tem muito tempo desde sua prova como interna. — analisou ele a situação — Deveria estar exercendo sua residência, obtendo mais experiência.
— Sim, eu tive que me ausentar, mas todos os dias tenho estudado muito, estou focada em um artigo que iniciei exatamente sobre células tronco e sua relação com a leucemia mielomonocítica crônica. — explicou ela empolgada.
— Achei que seu desejo fosse neurocirurgia?! — comentou ele — Vai trocar sua especialização?
— Não, eu ainda quero a neuro, mas esse assunto mexe um pouco comigo, por causa da minha mãe. — confessou , tentando não demonstrar sentimentalismo — Você sabe que ela partiu por causa disso.
— Entendo. — ele respirou fundo — Mas sua resposta foi vaga… Não está aqui por causa da minha palestra não é?
— Não. — respondeu ela — Estou como convidada de um amigo, participei de uma festa ontem.
— Interessante, um amigo? — seu olhar ficou mais analítico ainda para ela.
— Sim, um amigo. — confirmou.
— Então, seu amigo não vai se importar se passar o dia comigo, não é? — perguntou ele num tom sugestivo — Tenho muito material sobre células tronco que gostaria de lhe mostrar.
— Será um prazer ver cada um deles. — disse ela se interessando mais em sua proposta.

--

Pouco antes de anoitecer, retornou para a mansão Baker. A jovem carregava alguns documentos e livros cedidos por seu ex professor. que permanecia sentado na poltrona próximo a lareira, não se moveu para recebê-la, seu olhar se mantinha atento ao jornal da Continuum. Uma matéria especial sobre o baile de máscaras promovido por Annia, relatava vários acontecimentos da noite assim como a seleta lista de convidados. 

— Baker. — disse ao se aproximar dele — Quando voltou?!
— Não tem muito tempo. — ele manteve o olhar no jornal.
— Hum… — resmungou pensando: “Pelo menos não passei o dia sozinha.”

Ela deixou as coisas que carregava em cima da mesa de apoio perto da escada e caminhou em direção a ele.

— Pode pelo menos olhar para mim? — perguntou ao parar em sua frente indignada pela recepção dele.

segurou o riso, fechou o jornal e olhou para ela com serenidade.

— O que mais deseja de mim? — perguntou ele.
— Que belo anfitrião está sendo. — ela manteve o tom de ironia.
— Diga claramente. — ele se manteve sério.
— Está com raiva de mim? — perguntou ela.
— Não, por que estaria? — ele se levantou da poltrona e ao passar por ela, foi parado.
— Não faz isso, não nos faça parecer um casal brigado depois de uma discussão sem propósito. — pediu ela mantendo o olhar firme para ele — Não aja como um mimado que penso que é.
— Não estou agindo assim. — ele virou seu corpo ficando de frente para ela — Mas, precisa se acostumar a não ser mais o foco da minha atenção do tempo todo.

Ele se soltou dela e seguiu para a escada. se viu revoltada com suas palavras e tomou impulso o seguindo. Ela segurou em sua mão, e assim que se virou para lhe dar atenção, ela o agarrou e o beijou com intensidade. Ele nem um pouco surpreso, retribuiu envolvendo seus braços em sua cintura.

— Engano seu. — sussurrou ela após o beijo — Eu sempre vou ser seu foco.

Ela se afastou dele e subiu as escadas primeiro, com um sorriso escondido no rosto.

Sollary sabia como deixá-lo sem palavras.

--

- Departamento de Polícia, Seattle

Segunda-feira, o relógio na parede marcava oito da manhã.
se encontrava na sala de arquivos, olhando alguns documentos. Ele estava em sua pesquisa pessoal, sobre o antigo orfanato da cidade chamado Miral. O lugar tinha sido criminalmente incendiado há sete anos, tendo todos os registros de adoções e chegadas das crianças perdidos entre o fogo. não confiava muito em seu pai, então resolveu fazer sua própria investigação sobre a herdeira Tenebrae. Se recusava acreditar que pudesse ser a pessoa que mais se preocupava no mundo.

— Quer um reforço aí? — perguntou Nancy ao se aproximar dele — Já tem dias que está isolado aqui.
— Gosto do silêncio desse lugar. — respondeu ele — Me deixa mais concentrado.
— Posso? — perguntou ela puxando uma cadeira e se sentando.
— Estou olhando os registros do orfanato Miral. — disse ela esticando a pasta para ela — Já rodei esse lugar todo e as informações não batem.
— Eu não sei muito sobre o caso do incêndio, mas conheço um policial aposentado que poderia nos ajudar. — disse ela interessada não mesmo em ajudá-lo, mas sim se aproximar dele — Ele acompanhou o caso.
— Quem seria? — perguntou curioso.
— Meu pai. — respondeu ela — Você não é o único que pertence a uma família de militares.

Ela riu baixo.

— Posso não ser uma Bellorum, mas as família Sanches tem sua história na polícia. — afirmou ela segura do que dizia.
— Seu pai estaria aberto a contar sobre?
— Tenho certeza que sim. — assegurou ela.
— Agradeço por querer me ajudar. — sorriu de leve para moça.

Algumas horas depois…

Após o horário do almoço, aproveitou o pouco movimento da livraria e a ausência de Princia, para iniciar sua leitura matinal.

! — a voz de despertou sua atenção.
— Você?! — olhou não muito feliz em vê-lo.
— Precisamos conversar. — com sua voz firme, porém branda.
— O que eu teria para falar com você? — ela se manteve séria, demonstrando impaciência com sua presença.
, eu... — ele foi se aproximando dela — Não sei como pedir perdão por ter me afastado, mas eu ainda te amo… E não posso aceitar que tenha me esquecido assim tão facilmente.
— Sério ? — não dando ouvidos ao que ele disse — Depois de todos esses anos você aparece de repente e diz que ainda me ama? Tudo o que tivemos, agora faz parte do meu passado.

Ela saiu de trás do balcão e passou por ele, em direção a porta.

— Você ainda é meu presente. — a pegou pela mão e puxou-a para mais perto, deixando seus corpos a milímetros de distância um do outro — Eu te amo Fletcher, e isso é real.
. — começando a ficar sem ar por causa do perfume envolvente que ele possuía — Por favor, para.

Se ainda tivesse um pingo de sentimento por , lutaria até o fim contra isso. Ela estava feliz conhecendo . Estava segura que desta vez sua mãe não atrapalharia, mesmo que Dominos fosse uma família Continuum.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou ao apareceu e empurrar bruscamente.
! — se colocou entre os dois.
— Fica longe dela. — intimou o Dominos com o olhar.
— Me obriga, meu amigo. — sorriu com maliciosamente.
— Quer apostar. — insistiu tentou avançar contra ele.
para, por favor. — um pouco desesperada colocou suas mãos na face dele direcionando seu olhar para os olhos dela — E você, sai daqui .

O Bellorum assentiu mesmo relutante e saiu da livraria.

— Me desculpa pelo que teve que presenciar. — disse ela num tom baixo.
— Eu ouvi o que ele disse, que te amava. — comentou — Vou ter que lutar com o seu passado?
… — ela soltou um suspiro forte.
— Eu não me importo, se tiver que ser. — ele segurou em sua cintura e a puxou para mais perto — Eu lutarei por você.

Ele a beijou com doçura e um toque de desespero de sua parte. O Dominos já se mostrava mais do que envolvido por ela, se mostrava apaixonado pela Fletcher.

--

Enfim, faltavam alguns dias para o Festival do Outono.
Junior o irmão caçula de , filho biológico de sua mãe adotiva, chegaria a rodoviária de Seattle. Beth fora bem cedo buscá-lo. Lise mesmo triste com o recente rompimento do namoro, tinha uma vida de trabalho pela frente, assim fora para o Café au Lait. e ainda se encontravam em Manhattan. Todos os hóspedes haviam saído. Era domingo e , se encontrava no quarto de . Ele estava na janela olhando o horizonte.

— O que foi? — perguntou ela — Ficou silencioso de repente.
— Nada. — ele respirou fundo — Eu, terei que voltar para minha casa no natal.
— Isso te preocupa? — perguntou ela indo até ele.
— Te deixar me preocupa. — respondeu precisamente.
— Não se preocupe, sua ausência não vai alterar o que estou sentindo por você. — assegurou ela — Dominos, fique tranquilo, quando voltar, meu coração ainda vai te querer.

Ele sorriu pela declaração dela.

— Queria poder te levar, mas acho melhor… — ele se calou.
— Eu entendo que não seja um bom momento para sua família me conhecer. — ela se mostrou compreensiva.
— Obrigado. — ele a abraçou forte.

Não demorou muito para que ela descesse para a sala e se deparasse com seu irmão entrando no hostel.

— Junior?! — sorriu ao ver o irmão e indo ao seu encontro, o abraçou.
! — ele sorriu ao abraçá-la.
— Estava com saudades seu pirralho.
— Eu também, só um pouco. — disse ele, com toda esta harmonia Beth deixou as malas de Junior no chão e fora para a cozinha, para deixá-los mais à vontade — E eu não sou mais sum pirralho, olha meu tamanho, estou quase indo para a faculdade.
— Sei, sempre será um pirralho para mim. Mas me conta as novidades! — pediu com entusiasmo — E como estão todos em Cliron? A mamãe, Yasmin?
— Eles estão bem, Yasmin está trabalhando na clínica veterinária da nossa cidade, e nossa mãe continua raivosa por ter saído de casa. — e rindo descontraidamente — E você? Tia Beth disse que contraiu amizades com um hóspede dela.

Ao falar isso ambos olharam pra escada, era que descia lentamente.

este é Junior, meu irmão. — se aproximando dele pegou em sua mão e sorriu — Junior este é , não é só meu amigo, é meu namorado.
— Uau. — seu irmão ficou boquiaberta com a declaração dela — Quais suas intenções com a minha irmã? 

O pequeno Fletcher fechou a cara, ficando sério.

— Junior?! — repreendeu ela.
— Brincadeirinha. — eles riram disso.
— Acho que posso dizer que não são muito boas. — piscou para ela.
?! — agora repreendendo ele.

Ele riram novamente.

— É um prazer conhecê-lo Junior. — o Dominos esticou a mão em cumprimento.
— Igualmente . — concordou ele, aceitando o cumprimento.

- Academia Sliter Fletcher, São Francisco

Em meio às colinas do estado da Califórnia, estava Miller seguindo em um carro alugado direto para a academia sliter de Donna Fletcher, a matriarca conhecida por ser a melhor treinadora de sliters da Continuum. A jovem Miller havia deixado embarcar sozinha para Chicago e seguido para São Francisco com a missão de encontrar resposta para Annia Baker. Um acordo deveria ser honrado e os Dominos sempre cumprem com seus acordos.

— Quando me ligou, fiquei surpresa. — disse Donna assim que a jovem desceu do carro e a avistou.

A mulher se manteve na varanda da casa de madeira que compunha o cenário da fazenda onde se localizava seu novo centro de treinamento.

— Donna Fletcher, é um prazer revê-la. — disse ao fechar a porta do carro e seguir até ela.
— Como estão as coisas com o Dominos?! — perguntou a senhora observando a aproximação dela.
— Como vem sendo noticiado pela Continuum. — respondeu mantendo a discrição.

olhou para alguns jovens treinando no gramado mais à frente, depois voltou seu olhar para a matriarca Fletcher.

— Discreta como sempre. — elogiou Donna.
— Foi assim que me ensinou. — comentou — Estive com Annia. 
— Ainda se lembra daquela criança? — Donna se pegou surpresa pelo comentário.
— Então você a entregou para a família Baker. — continuou ela — Interessante.
— As três crianças que resgatei no mesmo dia, tiveram seu destino traçado não por mim, mas pela Continuum. — explicou a matriarca — Vamos, ao que interessa, do que precisa?
— Quero tudo sobre Davis Malorie, a família Sollary e sobre os desvios de CN. — ela foi direta ao ponto que queria — Sei que tem muitos contatos e não vou sair daqui sem as informações que quero.
— Boa garota, venha comigo, vamos trabalhar juntas um pouco. — Donna sorriu e canto e seguiu para porta de entrada.
— Tenho outros questionamentos para você. — disse a seguindo.
— Sobre? — Donna continuou seguindo até a cozinha.
— A herdeira Tenebrae. — mais uma vez direta e precisa.

Donna ficou em silêncio, esperando uma trainee passar por elas. Então abriu a porta do porão e desceu as escadas sendo acompanhada por Miller.

— Porque este assunto agora? — perguntou Donna ao chegarem no porão e se aproximar da parede de prateleiras onde ficavam os livros, registros e documentos envolvendo a Continuum.
— Isla Fallin descobriu algo, e contou a . — explicou — Um nome, foi o que ele me revelou, Fallin lhe deu o nome da herdeira Tenebrae.
— E ele não disse qual? — Donna pegou uma pasta preta e olhou para ela.
— Não, mas segundo as ordens que me deu, eu suspeito de quem seja. — respondeu mantendo o olhar firme nela — Ele garante que agora, sabendo quem é, ele vai iniciar a queda dos Tenebrae.
— Duvido muito, mas… Somente eu, sei quem é ela. — Donna deu um sorriso maquiavélico — E dos meus lábios, este segredo não vai sair, até que seja a hora exata.
— Você tem brincado com o fogo, Donna Fletcher… — a alertou.

A jovem sliter sabia do que era capaz, o desejo dele por vingança o cegava na maior parte do tempo. 

— Não se preocupe, eu sei me cuidar e cuidar da minha família. — assegurou Donna — jamais tocará em algum Fletcher, ou então conhecerá a verdadeira matriarca Donna Fletcher.
— Se assim você diz. — moveu seu olhar para a pasta nas mãos dela.
— Apenas continue sendo leal a ele como foi treinada para ser, e o conduza a razão. — aconselhou a matriarca — sempre terá ouvidos para sua voz.

Miller assentiu. 
Ela sabia que as palavras de Donna eram reais. Dominos realmente sempre seguiria seus conselhos e direcionamentos. Isso era o que Donna queria desde o início, ter alguém de confiança que pudesse controlar o chefe dos Dominos. 

Mesmo que de forma oculta e silenciosa.

You can call me monster.
- Monster / EXO



12. Festival de Outono

- Algum lugar de Seattle...

Finalmente o dia havia chegado. 
O festival do outono, não antecede somente o dia de ação de graças e o natal. Era também uma preparação para o inverno. O relógio já marcava oito da noite, no parque o público já se divertia nos brinquedos e se deliciando com as barracas de comida. A barraca de Beth era uma das mais frequentadas, pelos moradores e turistas. Os policiais que trabalhavam naquela noite já se mantinham em prontidão assegurando a segurança nas ruas e no parque onde acontecia o evento. Pontualmente para dar início ao festival, o prefeito Charles Neal, subia ao palco improvisado.

— Senhoras e senhores, jovens e crianças, a cidade de Seattle agradece a presença de todos e lhes deseja uma maravilhosa noite. — e com mais entusiasmo ainda ele completa — Que a festa comece! 

Assim ele passou o microfone para o sr. Molina.

— Boa noite a todos e vamos começar com a apresentação da banda local de rock alternativo, Summer Cold. — todos aplaudiram e os jovens da banda subiram ao palco.

Um dos objetivos do festival era mostrar a cidade os talentos que se escondiam nas garagens das casas. Claro que a Escola de Artes também participaria com apresentações de seus alunos e professores inscritos e preparados para aquele dia. Um camarim improvisado havia sido montado atrás do palco, e se encontrava nele dando as últimas orientações para sua turma de mini bailarinas. Ela decidiu sair um pouco e ver a apresentação da banda, as pessoas pareciam estar se divertindo e admirando o talento deles.

! — uma voz soou em seu ouvido, e logo os braços do dono da voz abraçaram sua cintura.
! — ela abriu um largo sorriso, sentindo ele beijar de leve seu pescoço — Que bom que conseguiu vir. 
— Não perderia sua apresentação por nada. — ele sorriu e a virou para ele — Vou viajar amanhã à noite.
— Já?! — ela se pegou surpresa pela notícia — Não estamos nem próximo do natal ainda.
— Sim, eu sei, mas preciso resolver alguns problemas em New York. — explicou ele.
— Sua família… — começou a imaginar que pudesse ser.
— Não. — riu de leve — É sobre o restaurante, preciso resolver alguns assuntos enquanto ainda está na fase da reforma, contratar pessoas habilidosas e responsáveis não é fácil.
— Entendo, você será um homem de negócios agora. — disse ela fazendo bico.
— Não exatamente. — ele deu um selinho de leve nela — Quando o restaurante abrir, vou me manter mais focado na cozinha, deixarei coisas chatas administrativas nas mãos da minha gerente.
— Sua gerente? — ela o olhou surpresa — Você tem uma gerente?
— Sim, uma amiga da universidade, ela aceitou meu convite de trabalho. — confirmou ela.
— Amiga. — se fez de ciumenta.
— Que linda que você fica assim. — ele riu e a beijou com mais intensidade.

Após o beijo, se afastou um pouco e deixou que retornasse ao camarim. os observavam ao longe, de punhos fechados, raivoso por aparentemente perder o coração de para seu amigo de infância. As apresentações foram acontecendo em meio às festividades e diversão de todos no parque. No relógio marcava dez da noite, após a penúltima apresentação o sr. Molina chamou ao palco o último grupo. Que seriam as professoras da Escola de Artes. liderando a apresentação. Ela tinha muita experiência com isso, dos seus tempos de ensino médio e faculdade.

— Com vocês o grupo Moonlight!

As quatro professoras subiram ao palco, cada uma representando uma fase da lua, já posicionadas. O som foi lentamente surgindo e elas começaram com movimentos audaciosos, mas cheio de sutilezas. Longe do palco estava vendo pela primeira vez uma apresentação oficial de . Porém um olhar o atravessou, era que estava afastado da multidão e entrando no bosque. não era de perder uma boa briga e neste momento nem a amizade de ambos o seguraria.

— Sabia que viria. — pronunciou com um sorriso de deboche.
     
não se intimidando devolveu o sorriso dizendo:

— Você realmente não sabe se colocar em seu lugar. — o Dominos manteve o olhar firme — Somos amigos, deveria respeitar isso.
— Estou na vida de antes de você. — e olhando cinicamente — Acha mesmo que pode ganhar disso? 
— Se o passado fosse importante, não teria deixado ela por causa da sua família. — cuspiu a verdade em sua casa.
— Dominos, sempre achando que tudo na vida é fácil. — deu um passo para frente o confrontando — Se soubesse tudo o que eu sei, teria feito a mesma coisa para protegê-la.
— Eu jamais deixaria , mesmo que isso custasse minha ligação com minha família. — assegurou com firmeza.

      No parque…

Após o término da música, e as outras professoras desceram do palco e foram trocar de roupa no camarim. A delicada bailarina saiu do camarim e rodou entre as pessoas, procurando por . Quando esbarrou em seu amigo Paul.

, você parece meio preocupada. — perguntou ele olhando-a.
— Estou procurando por , não o vejo desde a minha apresentação. — explicou ela.
— Hum… — seu amigo lançou um olhar preocupado.
— Sabe de alguma coisa?
— Eu vi comprando uma briga silenciosa com ele, os dois entraram no bosque. — respondeu.

respirou fundo e olhou para a entrada do bosque. Tomando coragem, seguiu em sua direção. Quando mais se aproximava, mais ela aumentava o passo até começar a correr. Quanto mais ela adentrava o lugar, mais ela sentia seu coração apertar. Até que conseguiu avistá-los, caído no chão após ser socado por . O Bellorum, sorriu e cuspindo um pouco de sangue no chão se levantou e partiu para cima de Dominos.

— Parem. — gritou ela ao se aproximar deles, chamando a atenção para si — Vocês dois… O que acham que estão fazendo aos socos?
. — a olhou envergonhado.
, eu… — tentou se explicar.
— Eu não quero ouvir mais nada, de nenhum dos dois. — ela se sentiu magoada pela atitude de ambos — Eu não sou um troféu para ser disputado, e não pertenço a nenhum dos dois, não me importa se são da Continuum — e voltando seu olhar para — Quando disse que lutaria por mim, não achei que fosse dessa forma.

Ela se virou e saiu de lá, os deixando sem reação por suas palavras. Ao chegar no hostel, ela foi diretamente para o quarto. Por um tempo, achando que conseguiria ficar só, porém seu irmão bateu na porta e entrou.

— Eu te conheço, você não voltaria cedo para cá após uma apresentação tão radiante, o que houve desta vez? — perguntou ele se aproximando de sua cama e sentando na ponta.
— Acho que eu não quero conversar sobre isso agora. — murmurou ela se ajeitando na cama para ficar sentada — Menos ainda com meu irmão caçula.
— Você tem duas escolhas: ou me conta o que realmente aconteceu e me poupa o trabalho de dizer o que eu penso ter acontecido, ou não diz nada e me faz ir à fonte do problema. — disse com a mão no queixo, esperando a resposta — Em qual dos dois devo ir primeiro? Dominos ou Bellorum?
— Eu te odeio. — ela diz como se não houvesse muita opção.

suspirou fraco e voltou seu olhar para a janela.

— Então isso é um sim. — afirmou se alegrando e se espojando em cima dos pés dela — Pode começar.
— Olha, não é tão simples assim, e você ainda é uma criança para entender essas coisas. — tentando se esquivar da conversa
— Me poupe desse argumento, eu já estou quase indo para faculdade, sei muito bem o que é estar em um triângulo amoroso. — disse ele sem limitações dando um sorriso malicioso.
— Desde quando meu irmão caçula entende disso? — ela o olhou intrigada.
— Não estamos aqui para falar de mim. — ele sorriu.
— Eu não sei o que acontece comigo, quando penso que está tudo bem, que as coisas estão se acertando, vem a Continuum e estraga tudo. — ela bufou — Mais uma vez isso… 
— Então o também é da Continuum? — indagou Junior. 
— Sim… E eu não entendo, agora que eu e estamos nos conhecendo e nos apaixonando, eu confesso que fiquei receosa por sua família e sua ligação com a Continuum, e de repente quem me aparece? Bellorum, só pra me deixar ainda mais surtada...
— Rolou briga! — concluiu ele interrompendo-a.

Ela suspirou novamente em meio a interrupção dele.

--

No Bosque de Seattle...

Tanto quanto se mantinham sentados no solo do bosque em silêncio. Ambos refletindo sobre o que havia acontecido e as palavras de . Havia muita coisa envolvido além dos fortes sentimentos que ambos nutriam por ela.

— Quando eu a conheci, achei que jamais teria forças para me afastar dela. — disse quebrando o silêncio — Não entendia o motivo do meu pai me querer longe da filha de Marie Fletcher, até descobrir que a matriarca Donna era sua avó e era adotada.
— Do que está falando? — o olhou intrigado.
— Eu amo , é real, mas tive que afastar dela, para protegê-la. — manteve o olhar para frente, focado em uma árvore — Sendo pequena e pacata, em Cliron, todos se conhecem e sabem da vida um do outro, nosso namoro teve que ser às escondidas e para todos a gente se odiava… Às temporadas que passei em sua casa durante o colegial, foram para desviar as desconfianças do meu pai.
— Por que está me contando isso? — indagou .
— Eu sei o que sinto por , mas você, não posso ter certeza, entretanto se sente algo verdadeiro por ela… — iniciou ele o assunto.
— Seja mais claro Bellorum. — pediu.
— O que sabe sobre a herdeira Tenebrae? — perguntou o militar de forma séria para o amigo.
— Não muito… Sei que sua mãe morreu após o nascimento da criança, que foi perseguida por seu tio Lionel Tenebrae por ser a herdeira do irmão dele, Godric. — contou o que sabia — Mas o que tem a ver?
— Todos sabem que o trono Tenebrae era de Godric por direito, o acidente aéreo levando seu coma induzido, foi somente uma desculpa para Lionel tomar o lugar do irmão, mas depois que apareceu a amante de Godric grávida, a Continuum se tornou uma rede de intrigas e corrupção. — continuou contando mais da história para ele — A mulher não morreu no parto, mas após o parto, e sabemos o motivo, dizem que a criança foi parar no orfanato Miral, sendo resgatada por Donna Fletcher.
— Espera. — o olhou juntando as peças na cabeça — Você acha que a é a herdeira Tenebrae desaparecida? Por ter sido adotada pela casa Fletcher?
— Sim, tenho setenta e cinco por cento de certeza… Que outro lugar ela poderia ter proteção contra Lionel. 

ficou em silêncio por um tempo.

— Durante todo esse tempo, tenho tentado manter esse assunto guardado e descobrir se realmente é ela, mas há boatos que seu irmão realmente descobriu, e se for , ela não estará mais em segurança. — disse — Nós dois sabemos que ele quer eliminar um por um até o último, e mesmo que lhe dê a rendição, Lionel também quer matá-la.

engoliu seco.

— Temos nossas diferenças e interesses em comum, somos amigos e o que importa agora é a segurança de . — disse .
— Tem razão, se meu irmão sabe, vou descobrir amanhã à noite, assim que voltar para casa. — manteve o olhar nele — Mais sei de uma pessoa que pode nos ajudar a protegê-la de
— Quem? — olhou curioso.
. — respondeu com confiança — Ela é a única que consegue enfrentar meu irmão de frente, além de ter sido treinada por Donna Fletcher.

--

- Baker House, Manhattan

e ainda se mantinham em Manhattan, após um café da manhã com a surpreendente companhia de Annia, a jovem residente pode conhecer a misteriosa irmã mais velha. Mesmo que por um tempo limitado. Após o café voltou para seu quarto e começou a ajeitar as malas para retornar a Seattle. Levaria também os arquivos emprestados por Parker. Ela teria muito material para estudar e construir seu artigo. Seu momento de silêncio foi quebrado pelos toques que deu na porta do quarto.

— Não precisamos voltar se não quiser. — disse ele ao encostar no marco da porta cruzando os braços e mantendo o olhar nela.
— Foi bom sair de férias, mais ainda tenho um compromisso com minha família e o hospital. — argumentou ela — Meu pai só não surtou com minha viagem, por motivos de interesse próprio.
— Meu sogro viu nossa foto no jornal? — perguntou ele.
— Que abusado, não pense que pode chamar meu pai assim. — ela o olhou com seriedade — Nossa viagem não foi uma lua de mel, ainda estou aqui como sua médica.
Sollary, até quando vai negar o óbvio? — perguntou ele se afastando da porta e seguindo até ela.
— E o que seria esse óbvio? — ela colocou a mão na cintura o olhando com desdém.
— Que está louca por mim e com medo de admitir. — revelou ele.

não deu a chance de sua médica de contra argumentar e lhe beijou de surpresa. relutou a princípio, mas depois cedeu às investidas dele. Ela não queria mesmo admitir, mas Baker estava correto. Naquela altura, a médica residente já não queria mais resistir aos seus encantos. Seu passado com o Dominos estava totalmente resolvido e poderia seguir em frente sem problemas. Por mais que não quisesse se envolver com um Continuum, não tinha mais para onde fugir. 

Ela estava totalmente atraída por seu paciente problemático.

— Eu te odeio. — sussurrou ela com um sorriso de canto malicioso.
— E eu te amo. — ele se aproximou novamente e a beijou mais uma vez.

estava se deliciando com aquele momento. Ignorar Sollary por algumas vezes e ser mais ousado em suas investidas, surtiu um bom efeito sobre sua residente favorita. 

Antes de seguirem para o aeroporto, acertou os últimos detalhes com seu amigo Hector sobre alguns fornecedores para sua oficina. Baker internamente se sentia ansioso e motivado a começar algo próprio. Por mais que os planos de sua mãe fossem outros, agora ele só pensava em viver a vida como queria. Longe de todos os problemas das Indústrias Baker. Isso, ele deixaria para Annia resolver como achasse melhor.

— Estou ansiosa para pegar em um bisturi novamente. — comentou ao assentar na poltrona do jatinho particular cedido por Annia — Fazer uma sutura, ouvir o som dos equipamentos de monitoração cardíaca… Ver sangue.
— Credo, sua mercenária. — fez cara de nojo — Como pode gostar tanto dessas coisas.
— Sou apaixonada por medicina desde a infância. — afirmou ela com entusiasmo — E agradeça por isso, caso contrário, não teria me conhecido. 
— Meu destino sempre foi te conhecer. — sorriu de canto — Com ou sem a medicina.
— Quanta confiança. — ela riu dele e voltou o olhar para o celular.

Havia recebido uma mensagem de Parker a convidando para outra palestra em Harvard na próxima semana. conhecia bem os charmes do seu antigo professor. Tido como o médico mais novo e charmoso do corpo docente da faculdade de medicina da Harvard, Parker sempre demonstrou interesse em sua melhor aluna. Porém, Sollary como sempre fechada e reservada, nunca lhe deu abertura para algo além da relação professor e aluna.

— Algum problema? — perguntou mantendo o olhar nela.
— Não. — ela subiu o olhar para ele — Nenhum.

guardou o celular de volta no bolso do casaco e reclinou um pouco a poltrona. Então fechou os olhos para descansar a mente. Segundos depois ela sentiu os lábios de tocar os seus, retribuiu o beijo com doçura e intensidade. Baker parecia ter desenvolvido um hábito instigante de beijá-la de surpresa, o que mexia ainda mais com os sentimentos de Sollary.

— Você deveria ficar no seu assento. — disse ela ao abrir os olhos.
— Só queria te lembrar que não vamos retroceder quando chegar em Seattle. — ele manteve seus rostos próximos — Estamos em um novo nível.
— Do que está falando ? — ela o olhou confusa, mas depois riu — Se acha que vou sussurrar seu nome pedindo por mais, não se iluda…

Ele a silenciou com outro beijo.

— Não se iluda você. — ele sorriu de canto e piscou — É questão de tempo, até se render completamente.

O mundo tem medo de mim, sou o homem intocável
Mas, no final, você não pode me rejeitar, 
Você vai se esconder e roubar olhares meus. 
- Monster / EXO



13. Chocolate

- Hostel Fletcher, Seattle

Os sábios dizem, nada como um dia após a outro e uma longa noite de sono. havia se rendido aos cobertores e dormido com tranquilidade. A delicada bailarina se levantou da cama, sentiu um pouco de tontura seguido de leve dor de cabeça. Em passos lentos, foi ao banheiro, lavou o rosto e voltou para o quarto para trocar de roupa. Colocou um conjunto de moletom preto com duas listras verticais vermelhas do lado e seu all star também preto. 

Passando pelo corredor, ela parou em frente o quarto de e batendo na porta ela entra.

?! — com a voz baixa e um semblante não muito preocupado ela deu dois toques na porta — Bom dia.
— Bom dia. — disse ele ao terminar de abotoar sua camisa a olhando com tranquilidade — Tudo bem?
— Sim. — respondeu ela, soltando um suspiro fraco — Quando voltou?
— Pela madrugada. — respondeu ele observando suas expressões faciais — já viajou para Chicago.
— Ele não iria à noite? — deduziu ela achando estranho.
— O namorado é seu, deveria saber. — deixou escapar um tom de sarcasmo e ironia.
— Vou ignorar o que disse. — ela se moveu para sair.
— Espera . — ele segurou em sua mão — Me desculpa, ainda estou chateado comigo mesmo pelo que aconteceu, não queria que ficasse com raiva de mim.
— Não estou com raiva de você. — afirmou ela, não se deixando levar pelas memórias do passado — Apesar de tudo, você é uma boa pessoa e também tenho boas lembranças.
— Você gosta mesmo dele?! — perguntou ainda segurando em sua mão — Da mesma forma que gostou de mim?
— Quer mesmo falar sobre isso? — perguntou — O vivemos ficou no ensino médio, somos crescidos agora e cada um tem sua vida.
— Nossa vida pode se cruzar novamente, se você quiser. — insistiu ele.
— Eu não sei se quero, de certa forma, ainda tenho traumas de me relacionar com um Bellorum. — ela se soltou dele com suavidade e afastou.

seguiu para sair do hostel. A segunda feira chuvosa teria que ser enfrentada, pois o compromisso na livraria a aguardava. Final de ano era a melhor época para se vender livros em Seattle. E todo o estoque de edições especiais da Continuum estavam renovadas e prontas para serem compradas, assim como outros títulos comuns.

— Tudo bem ?! — perguntou Princia ao se aproximar dela — Estou te achando meio tristinha.
— Só estou cansada. — explicou ela mantendo o olhar na tela do computador registrando as últimas vendas.
— Tem certeza, você sempre está sorridente. — insistiu Princia.
— Tenho sim, fique tranquila. — afirmou ela.
— Hum… — Princia se virou para o homem que adentrou a livraria — Bem-vindo senhor, posso ajudar?
— Tenho um encomenda especial para pegar. — disse o homem de roupas formais e elegantes, se aproximando dela — O sr Fox me disse que poderia pegar com Fletcher.
— Ah. — levantou seu olhar para o homem — Sou eu, Fletcher.

Ela se pegou intrigada, pois sr Fox não havia deixado nenhum recado sobre encomendas especiais.

— Posso saber o nome do livro? — perguntou Princia em sua curiosidade, já se deixando encantar pelo charme do homem.
— Chocolate. — respondeu — Escrito por Emily Sollary. 
— Em nome de quem está a encomenda? — perguntou , para abrir o sistema de registros de encomenda.
— Carlise Tenebrae. — respondeu ele com o olhar enigmático fixado na delicada bailarina.

--

- Seattle Sollary Hospital

Na sala dos enfermeiros, tentava descansar um pouco. Sua volta a rotina tinha lhe exigido demais. Passar tanto tempo longe do hospital lhe deixou desacostumada e um pouco relaxada com a atenção aos procedimentos médicos. Agora teria que correr atrás do prejuízo e voltar a ser a residente aplicada que seu pai espera de si. A visita inusitada de , a pegou de surpresa, principalmente por terem deixá-lo ter acesso a uma área somente dos funcionários.

— Deixa eu adivinhar, brigou com alguém? — ela tentou segurar o riso, mas sem sucesso — O que faz aqui? E que corte é esse no rosto?
— Briguei com um amigo por causa de uma garota. — respondeu ele com tranquilidade — Mas não foi para falar disso que vim.
— E foi pelo que? — perguntou ela curiosa.
me pediu para te perguntar sobre os membros da sua família que mantém relações formais com as Indústrias Baker. — pronunciou ele o assunto.
— Bem, eu ainda não estou tão envolvida assim com os assuntos administrativos dos hospitais, meu pai me quer focada em minha especialização. — explicou a residente se interessando pelo assunto abordado — Mas sei quem cuida da nossa ligação com os Baker.
— Quem? — insistiu ele.
— Para que quer saber sobre isso? Que interesse ele tem na minha família? — retrucou ela com outra pergunta.
— Ele não, mas sua cunhada sim. — respondeu subjetivamente.
— Annia Baker? — supôs, era a única irmã que…

Só depois de admitir que ela reparou no que tinha dito.

— Então admite. — a voz de veio da porta, entre gargalhadas — Eu sabia que não ia demorar.
— A culpa é sua. — ela olhou atravessado para e dois se voltou para Baker — Você não ouviu nada e para começar, o que os dois fazem em uma área privada aos funcionários.
— Tenho contatos. — riu.
— Viu, ele tem contatos. — riu junto, ambos brincando com a cara dela.
— Não vejo graça nenhuma nisso, você fique calado. — disse ela ao apontar para e depois — E você , me diga, o que Annia quer com minha família? Ela não me disse nada enquanto estava em Manhattan.
— Os boatos de corrupção nas Indústrias Baker foram confirmados, você não lê os jornais da Continuum? — perguntou estranhando sua pergunta.
— Tenho artigos científicos e grandes livros de medicina na lista de prioridades. — ela se mostrou indignada com a colocação dele — Quem gosta de jornais aqui é o Baker.
— Que garota rancorosa, como consegue aguentar ela?! — segurou o riso em provocação e olhou para .
— Acho que foi porque ela salvou a minha vida, será que é um tipo de síndrome psicológica? — comentou .
— Olha, se ela tivesse te sequestrado, eu poderia dizer que é Síndrome de Estocolmo, mas como não foi assim…

Ambos riram um pouco, da cara fechada dela.

— Eu vou fingir que vocês dois estão me ignorando com essa conversa absurda. — disse controlando sua irritação — E me expliquem de uma vez essa história toda.
— Voltando ao assunto, me parece que tem familiares seus envolvidos com o desvio de alguma fórmula especial que os laboratórios desenvolvem. — relatou ficando um pouco mais sério — Você tem alguém em mente?
— Meu tio é muito ambicioso, mas não seria capaz de entrar em esquemas assim, não por ser correto, mas por ser medroso mesmo. — observou ela avaliando os membros de sua casa — Mas meu primo Derek, ele já se envolveu em casos de suborno e propina no passado, certamente sua ficha é mais suja ainda.
— Derek Sollary. — disse gravando o nome.
— Ele mesmo. — afirmou ela.
— Annia realmente pediu ajuda a para descobrir isso? — perguntou .
— Sim, parece que faz parte do acordo deles de aliança. — confirmou o Dominos, o que a irmã mais velha de Baker havia lhe dito.
— Achei que fosse somente uma desculpa dela. — confessou .
— Você sabia sobre isso? — cruzou os braços demonstrando mais chateação pelo silêncio dele.
— Minha irmã disse que estava tudo sendo resolvido, já disse que não me envolvo com assuntos das Indústrias Baker. — respondeu com serenidade.
— Posso pedir um último favor aos dois. — disse .
— O que seria? — olhou para o amigo.
— Tenho que voltar para Chicago por alguns dias, mas preciso que cuidem de . — seu olhar se mostrou preocupado.
— O que tem com a ? — indagou .
— Não posso dizer, mas preciso da ajuda de vocês. — insistiu — Preciso manter o mais afastado da Continuum e de .
— Tudo bem. — concordou sem contestar — Farei isso como sua amiga, mesmo não dizendo o motivo.
é minha amiga, sempre vou protegê-la. — assegurou .
— Agradeço aos dois… — ele se manteve sério, mas lançou um sorriso debochado — E me chamem para ser o padrinho desse casamento.
. — o empurrou de leve — Não dê palpite errado.
— Eu gostei. — lançou um sorriso sugestivo — Principalmente pensando na parte da noite de núpcias.
— Seu pervertido. — ela se afastou deles e se aproximou da porta — Sumam daqui, eu preciso voltar ao trabalho, meus pacientes me aguardam.
— Eu ainda sou seu paciente. — reclamou .
— Se você ousar se machucar de novo, eu mesma te mato. — ameaçou ela.
— Então já quer ficar viúva? — brincou .

Eles riram de tudo aquilo.
seguiu para o aeroporto, antes de voltar a Chicago, ele tinha uma parada em Manhattan. Seus compromissos com a reforma de seu restaurantes também importavam em sua lista de prioridades. 

— E você, não vai embora? — perguntou ao colocar seu jaleco novamente e pegar o estetoscópio, colocando no bolso do jaleco.
— Vim te trazer isso. — lhe entregou a sacola em suas mãos.
— O que é? — perguntou ao pegar a sacola, já desconfiada.
— Estou sentindo você meio estranha esses dias, sempre ouvi de Annia que chocolate é capaz de apaziguar qualquer mulher com tpm. — brincou ele ao explicar.
— E acha que estou de tpm? — ela colocou a mão direita na cintura.
— E não está? — ele riu — Vou deixá-la trabalhar, e não se force muito, quero você inteira após o plantão de hoje.
— Hum… Abusado. — sussurrou ela ao observá-lo se afastar — Baker atraente e abusado.

--

- Dominos House, Chicago
     
Final da tarde...

Agora em casa e cuidando dos negócios da empresa, era tudo que o chefe Dominos queria. Suas viagens haviam lhe tomado muito tempo, tanto que precisava preparar sua casa e família para as festividades do final do ano. estava na sala de estar, lendo as novidades relatadas no jornal da Continuum. Neste momento, sua irmã Genevieve desceu as escadas, com um vestido chamativo e cabelos soltos, algo que atiçou a curiosidade do irmão mais velho.

— Teremos festa hoje e eu não estou sabendo? — perguntou instigando que lhe desse satisfações.
— Não , não teremos festa, simplesmente fui convidada para um jantar. — respondeu ela pegando suas chaves que estavam ao lado do telefone.
— Hum. — ele manteve o olhar curioso — Por isso um carro parado em frente os portões da mansão… Quem ousou convidar a irmã de Dominos para um jantar?
— Você não me conta nada quando sai, por que eu tenho que contar a você agora? — retrucou ela.
— Por que eu sou o mais velho. — ironicamente ele riu.
— Me poupe estou atrasada.
— Com quem Geny? — insistiu chamando-a pelo apelido.
— Lance Village, satisfeito? — respondeu ela se irritando por sua insistência e seguindo para a porta.
— Agora estou, boa noite e bom jantar! — disse ele com um sorriso singelo.
— Obrigada. — agradeceu não entendendo a gentileza do irmão.

Após a saída de Genevieve. Ele manteve sua atenção novamente ao jornal em suas mãos. Não demorou nada e entrou no ambiente trazendo uma notícia.

— Com sua licença, . — suave e equilibrada como sempre sua voz saiu como brisa.
— Diga. — ele manteve o olhar no jornal.
— Janet Luz a secretária dos Tenebrae, ligou dizendo que eles desejam ter uma reunião com o senhor, logo após as festividades do final do ano. — anunciou ela, fazendo olhá-la — E também confirmou a presença de alguns membros na festa de final de ano que irá oferecer a Continuum.

Um sorriso de canto de satisfação apareceu na face dele.

 — Os Tenebrae querem uma reunião… E ainda aceitaram meu convite… — ele manteve o olhar fixo nela — É um sinal de que as coisas estão indo como planejamos. Ela mencionou o assunto da reunião?
— Não, mas eles fazem questão da presença de mais um responsável pela Família Dominos. — respondeu ela, lhe dando mais uma informação.
— Dois herdeiros Dominos, então terá que ir comigo. — concluiu ele de imediato — Mencionarei a ele sobre isso quando vier para o Natal, quanto a pesquisa que pedi sobre a Fletcher?!
— Está em andamento. — respondeu ela prontamente.
— E a encomenda de Annia?! — continuou.
conseguiu um nome com a herdeira Sollary, o que significa que podemos prosseguir com a coleta de provas. — respondeu ela.
— E que nome seria?
— Derek Sollary.
— Hum… Muito bem. — ele fechou o jornal e colocou em cima da mesa de centro, então seguiu para seu escritório sendo acompanhando por ela.
— Está mesmo certo de oferecer a festa? — perguntou .
— Acha que podem fazer algo para sabotar a noite da família Dominos? — a olhou intrigado por mais uma vez ela demonstrar incerteza quanto à festa.
— Não acho que seja prudente trazer o inimigo em sua casa. — explicou — Por um simples presente de grego, os troianos foram extintos, imaginem a visita de um inimigo.
— O que sugere então? — ele cruzou os braços mantendo o olhar sério.
— Que tal oferecer em uma das fazendas que comprou? — instigou ela.
— Mostrar a eles minha reconquista?! — começou a analisar bem a ideia lançada por ela — Tem fundamento e gostei da proposta.
— Agora basta iniciar os preparativos. — concluiu ela.
— Deixarei a cargo de minha tia, sua aptidão para isso é incontestável. 

deu um passo para perto da janela, olhando o jardineiro cuidar das flores próximo a adega.

— Deseja mais alguma coisa? — perguntou ela.
— Sim. — ele se aproximou — Não me contou em detalhes sua visita a Donna Fletcher.
— Também não me contou o nome que Isla Fallin sussurrou a você. — retrucou ela.
— Então temos segredos um com o outro agora? — ele segurou em sua mão, mantendo o olhar sério porém suave — O que me esconde Miller?
— O mesmo que você me esconde Dominos. — ela se manteve firme ao charme dele — Por que não quer dizer o nome da herdeira para mim?
— Não é o momento. — ele foi se aproximando mais dela — Mas estou curioso para saber o motivo de se preocupar com isso. Devo minhas desconfianças a Donna?
— Agora vai mesmo colocar minha lealdade a prova? — se manteve indiferente às palavras dele, não esboçando nenhuma reação.
— Sabe que jamais faria isso, minha vida está em suas mãos, aconteça o que acontecer. — ele se afastou dela e se retirou do escritório.

deixou um sorriso escondido no canto da face sair.

Ela sabia que a declaração de era tão verdadeira quanto sua lealdade a ele. Ela retirou uma mini barra de chocolate do bolso e deu a primeiro mordida, então seguiu para seu quarto.

Agora você quer brincar comigo
Você tem tudo que eu quero
Você foi feita perfeitamente
Amor frio e artificial.
- Artificial Love / EXO



Continua...



Nota da autora:
E finalmente a família Tenebrae... Em breve mais att!!
Bjinhos...
By: Pâms!!!!
Jesus bless you!!!




Outras Fanfics:
SAGA 4 Estações do Amor
| Manhã de Primavera | Noite de Verão | Madrugada de Outono | Tarde de Inverno |
SAGA BatB
| Beauty and the Beast | Beauty and the Beast II | 12. Brown Eyes | Londres | Cingapura |
SAGA DC
| 14. Goodnight Gotham [Batman] | Gotham [Batman] | Aqua [Aquaman] |
SAGA Continuum
| Bellorum | Cold Night | Continuum | Darko | Dominos | Invisible Touch |
SAGA CITY
| Austin | Berlim | Chicago | Cingapura | Daejeon | Havana | Londres | Manaus | Manhattan | New York | Ouro Preto | Paris | Seoul | Tokyo | Vancouver | Vegas |
SAGA INYG
| I Need You... Girl | 04. My Answer | Mixtape: É isso aí | Seoul |
SAGA MLT
| My Little Thief | Mixtape: Quem de nós dois | New York |
SAGA School
| School 2018 | School 2019 | School 2020 | School 2021 |
PRINCIPAIS
| 04. Swimming Fool | 05. Sweet Creature | Amor é você | Coffee House | Crazy Angel | Cygnus | Destiny's | Finally Th | First Sensibility | Genie | Midnight Blue | Mixtape: I Am The Best | Mixtape: Piano Man | Moonlight | Noona Is So Pretty (Replay) | Photobook | Purple Line | Princess of GOD | Smooth Criminal |
*as outras fics vocês encontram na minha página da autora!!


comments powered by Disqus