Última atualização: 21/05/2018

Prólogo

Dia 20 de Maio, às vésperas do Billboard Music Awards, edição de 2017.
O grupo havia descido para comer no restaurante do hotel em Las Vegas, mas optou por ficar em seu quarto. Estava ansioso demais, agitado demais, nervoso demais e provavelmente vomitaria qualquer coisa que colocasse na estômago agora. Tentava se distrair com o jogo iniciado em seu notebook, mas conseguiu apenas perder algumas dúzias de vezes em momentos totalmente estúpidos e aleatórios, ganhando o ódio gratuito -ou nem tanto- dos seus companheiros de jogo como resultado.
Desistindo daquilo, de jogar, fechou a tela e deixou que a cabeça pendesse para trás, na cadeira giratória no quarto, e rodou duas vezes, olhando para o teto antes de bufar.
Ficar no quarto, definitivamente, havia sido uma péssima ideia e ele não levou nem um minuto para se levantar. Parou em frente ao espelho e decidiu que não estava tão ruim para descer daquele jeito mesmo. Calça de moletom e camiseta preta. Apenas buscou uma touca da mesma cor e os coturnos antes de pegar o celular para seguir até a porta.
Assim que a abriu, no entanto, pulou para trás com o susto de ver parado ali, com uma das mãos erguidas prestes a bater. O garoto piscou duas vezes, e então sorriu para antes de entrar no quarto sem ser convidado, jogando-se sobre a cama do outro antes mesmo que este tivesse tempo de dizer "oi".
- Ia descer, não ia? – perguntou, cruzando as pernas em posição de índio sobre a cama. - Eu sabia que não ia aguentar ficar sozinho. Está nervoso, não está? Eu também estou. – riu mais um vez, jogando-se de braços abertos na cama por um segundo antes de sentar novamente, de súbito. – Dá pra acreditar que fomos indicados para o Billboard? – perguntou, demonstrando seu nervosismo com os pulinhos que dava na cama ao invés de ficar simplesmente parado. – Ah, caramba! Fomos indicados para o Billboard! – exclamou de forma exagerada, exatamente como Park costumava fazer, mas ainda se manteve parado na porta, ambas as mãos nos bolsos do moletom e , como se só então notasse, piscou mais uma vez. – O quê? – perguntou, agora mais sério e o semblante preocupado. – Está se sentindo bem? ?
O garoto levou um segundo para concordar, e quando o fez, se obrigou a sorrir para o mais velho mesmo que não fosse verdade. As coisas não estavam muito bem quando se tratava de . Não desde que se deu conta da verdade, de que gostava de de uma forma que definitivamente não deveria gostar.
não sabia dizer o que havia sido mais difícil: Admitir para si mesmo que provavelmente gostava de garotos ou que seu melhor amigo havia despertado esse sentimento. Nunca havia tido uma experiência com um rapaz antes para saber se estava certo, mas desde que decidiu aceitar a possibilidade, tudo ficou um pouco mais claro, como se só então fizesse sentido. Era como se tivesse reprimido tudo por achar errado, apenas para que aquilo se voltasse contra ele, de uma só vez, agora.
estava apaixonado por ele. Desconfiava de que sempre tivesse estado e vinha evitando ficar sozinho com desde então, com um medo absurdo de que ele percebesse e isso estragasse a amizade entre os dois. Pior, que isso interferisse no grupo inteiro, ou que virassem as costas para ele ao descobrir que se sentia daquela forma com garotos. Nenhum deles, jamais, fez o estilo preconceituoso, mas e se algo mudasse por ser uma pessoa tão próxima?
Estar em um grupo famoso o ensinou a ignorar opiniões alheias e mesmo assim, as vezes ainda ficava mal com elas. Preferia se manter longe da internet por isso, mas com os meninos era diferente, ele se importava, eram sua família e não suportaria ser tratado de forma diferente independente do motivo. Já havia perdido noites pensando naquilo.
- ? - agora se ajoelhava na cama, inclinando-se para frente como se quisesse verificá-lo e apenas chacoalhou a cabeça, sorrindo para exemplificar que tudo estava bem. Com isso se arrastou, de costas, até a cabeceira da cama e bateu com a mão ao seu lado para que se juntasse a ele. até quis recusar, mas ciente de que não tinha chances daquilo passar despercebido pelo amigo, ele apenas respirou fundo e foi, mas parando, de certa forma, até meio afastado. Imediatamente, se virou de frente para ele e precisou controlar o instinto de se afastar. - , o que foi? - perguntou, falando seu nome de forma arrastada e um pouco mais alto do que o normal. Não que o normal de não fosse aquele, falar mais alto do que o normal, especialmente quando algo o incomodava. Era por isso que gostava tanto de importuná-lo afinal.
- Não é nada. - respondeu e o encarou impaciente.
- ie! - exclamou, insatisfeito com a resposta. Era óbvio que ele ia notar aquela frieza de para ele. Eram sempre tão próximos, aquilo não fazia sentido. Em outra ocasião, provavelmente se jogaria sobre e terminariam estapeando um ao outro, mas ele nem conseguia mais cogitar aquela possibilidade. Ficar próximo de daquela forma mesmo que nunca antes tivesse visto mal nisso. - . - ele repetiu mais uma vez, agora sem o tom escandaloso ou a brincadeira. Era sério. Ele podia não saber o que havia deixado assim, mas a falta de resposta mesmo depois de tudo deixou claro que era sério e se existia antes uma forma de escapar, agora não tinha mais.
era assim. Na maior parte do tempo barulhento e intenso demais. Brincalhão demais, como se nada o afetasse, mas isso era só até algo exigir sua atenção. Se existia um problema, nada o fazia parar até que este fosse resolvido e não conseguiu evitar que ele notasse o problema ali.
- Fala comigo. - voltou a dizer, fazendo um pedido, mas tudo o que fez foi desviar o olhar do dele, encarando suas mãos juntas sobre as pernas. - Eu sei que tem algo errado e sei que é comigo, por isso eu vim. - explicou, e fechou os olhos por um instante porque era justamente aquilo que ele mais temia. - Fiz algo errado, ? - perguntou, e o mais novo negou com a cabeça, ainda sem encará-lo. - Olha pra mim, por favor. - pediu, e dessa vez não pôde aguentar a tristeza que ouviu em seu tom de voz, culpando-se por algo que de forma alguma era culpa dele.
o encarou, como havia pedido, e com um meio sorriso o outro segurou sua mão, o incentivando a falar. olhou para suas mãos juntas, e então novamente para que, em algum momento, havia chegado mais perto e sentiu o coração na garganta em um misto de nervosismo e euforia. Quando deu por si, já era tarde demais. De súbito, ele se inclinou na direção de e fechando os olhos com mais força do que o necessário, colou seus lábios aos dele, sem coragem, no entanto, para tomar qualquer outra atitude além daquela, um simples tocar de lábios. O garoto congelou onde estava, dando-se conta do que havia feito um segundo depois e foi quem lentamente se afastou, não muito tempo depois.
Quando abriu os olhos, viu o choque na expressão do companheiro de grupo e condenou-se imediatamente pela atitude impensada. Havia colocado tudo a perder, a amizade, a carreira e todas as coisas que conquistaram com os anos de trabalho duro.
Sentindo que nem todo o ar do mundo era suficiente para a sensação de aperto em seu peito depois daquilo, se levantou, tão repentinamente quando o havia beijado, e praticamente correu em direção a porta.
- ! - o chamou. pôde ouvir que ele também se levantava, mas não parou, apavorado com a possibilidade de ouvir qualquer coisa que pudesse querer dizer a ele.
Antes que chegasse até a porta, no entanto, o alcançou, segurando-o pelo braço e fazendo com que voltasse. foi virado de frente para ele e tão rápido quanto isso aconteceu, os lábios de já voltavam para os dele, agora por escolha do próprio que segurou seu rosto com uma das mãos para isso.
precisou de um segundo para se situar quanto ao que havia acontecido. o tinha beijado. Havia tomado seu gesto como iniciativa e o tinha beijado. repetiu aquilo mentalmente duas vezes antes de finalmente relaxar e fechar os olhos, sentindo o peso do mundo sair de suas costas enquanto sentia a boca de na sua, em um toque tão delicado quanto ao anterior, como se temesse aquilo tanto quanto havia temido. Como se aquilo fosse tão novo para quanto era para .
Sem ter muita ideia do que estava fazendo, deu mais um passo em direção a , aproximando mais seus corpos embora não tocassem ainda um no outro e novamente se agarrou a iniciativa, entreabrindo seus lábios e fazendo o mesmo com o do mais novo.
Finalmente, suas línguas se tocaram e jamais poderia dizer o que sentiu sobre isso. Soava certo como se, até então, algo estivesse faltando em sua vida, algo que nunca soube que faltava para dar falta, mas que agora sabia. Era como a sensação de liberdade após se livrar de algo que te assombrava por muito tempo e levou uma de suas mãos para os cabelos de para aprofundar o beijo que trocavam, lento como se aproveitassem cada segundo daquilo para conhecer um ao outro, ou pelo menos, aquele lado.
Dessa vez, foi quem rompeu o beijo. A curiosidade falando mais alto do que a sensação de ter seus lábios juntos. Afastou-se apenas o suficiente para poder falar o que precisava e mesmo que seu coração estivesse prestes a pular para fora, sentia-se verdadeiramente completo pela primeira vez em muito tempo, apenas em ver os olhos de lhe encarando tão de perto sem nenhum indício de que ele pretendia fugir de alguma forma.
- Desde… desde quando? - sussurrou para o amigo e sorriu para ele com a pergunta.
- Desde sempre. - respondeu apenas, antes de aproximar seus lábios mais uma vez.


Continua...



Nota da autora: Como o prólogo ficou grandinho e eu estava ansiosa para pedir a capa, acabei mandando só ele, mas saiba que o capítulo 1 já deve estar no e-mail do site também para entrar.
Logo, logo vem mais, então não se esqueçam de comentar. Hahaha

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, me contate no e-mail.


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