Última atualização: 01/04/2019
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Prólogo

Dia 20 de Maio, às vésperas do Billboard Music Awards, edição de 2017.
O grupo havia descido para comer no restaurante do hotel em Las Vegas, mas optou por ficar em seu quarto. Estava ansioso demais, agitado demais, nervoso demais e provavelmente vomitaria qualquer coisa que colocasse na estômago agora. Tentava se distrair com o jogo iniciado em seu notebook, mas conseguiu apenas perder algumas dúzias de vezes em momentos totalmente estúpidos e aleatórios, ganhando o ódio gratuito -ou nem tanto- dos seus companheiros de jogo como resultado.
Desistindo daquilo, de jogar, fechou a tela e deixou que a cabeça pendesse para trás, na cadeira giratória no quarto, e rodou duas vezes, olhando para o teto antes de bufar.
Ficar no quarto, definitivamente, havia sido uma péssima ideia e ele não levou nem um minuto para se levantar. Parou em frente ao espelho e decidiu que não estava tão ruim para descer daquele jeito mesmo. Calça de moletom e camiseta preta. Apenas buscou uma touca da mesma cor e os coturnos antes de pegar o celular para seguir até a porta.
Assim que a abriu, no entanto, pulou para trás com o susto de ver parado ali, com uma das mãos erguidas prestes a bater. O garoto piscou duas vezes, e então sorriu para antes de entrar no quarto sem ser convidado, jogando-se sobre a cama do outro antes mesmo que este tivesse tempo de dizer "oi".
― Ia descer, não ia? ― perguntou, cruzando as pernas em posição de índio sobre a cama. - Eu sabia que não ia aguentar ficar sozinho. Está nervoso, não está? Eu também estou. ― riu mais um vez, jogando-se de braços abertos na cama por um segundo antes de sentar novamente, de súbito. ― Dá pra acreditar que fomos indicados para o Billboard? ― perguntou, demonstrando seu nervosismo com os pulinhos que dava na cama ao invés de ficar simplesmente parado. ― Ah, caramba! Fomos indicados para o Billboard! ― exclamou de forma exagerada, exatamente como Park costumava fazer, mas ainda se manteve parado na porta, ambas as mãos nos bolsos do moletom e , como se só então notasse, piscou mais uma vez. ― O quê? ― perguntou, agora mais sério e o semblante preocupado. ― Está se sentindo bem? ?
O garoto levou um segundo para concordar, e quando o fez, se obrigou a sorrir para o mais velho mesmo que não fosse verdade. As coisas não estavam muito bem quando se tratava de . Não desde que se deu conta da verdade, de que gostava de de uma forma que definitivamente não deveria gostar.
não sabia dizer o que havia sido mais difícil: Admitir para si mesmo que provavelmente gostava de garotos ou que seu melhor amigo havia despertado esse sentimento. Nunca havia tido uma experiência com um rapaz antes para saber se estava certo, mas desde que decidiu aceitar a possibilidade, tudo ficou um pouco mais claro, como se só então fizesse sentido. Era como se tivesse reprimido tudo por achar errado, apenas para que aquilo se voltasse contra ele, de uma só vez, agora.
estava apaixonado por ele. Desconfiava de que sempre tivesse estado e vinha evitando ficar sozinho com desde então, com um medo absurdo de que ele percebesse e isso estragasse a amizade entre os dois. Pior, que isso interferisse no grupo inteiro, ou que virassem as costas para ele ao descobrir que se sentia daquela forma com garotos. Nenhum deles, jamais, fez o estilo preconceituoso, mas e se algo mudasse por ser uma pessoa tão próxima?
Estar em um grupo famoso o ensinou a ignorar opiniões alheias e mesmo assim, as vezes ainda ficava mal com elas. Preferia se manter longe da internet por isso, mas com os meninos era diferente, ele se importava, eram sua família e não suportaria ser tratado de forma diferente independente do motivo. Já havia perdido noites pensando naquilo.
? ― agora se ajoelhava na cama, inclinando-se para frente como se quisesse verificá-lo e apenas chacoalhou a cabeça, sorrindo para exemplificar que tudo estava bem. Com isso se arrastou, de costas, até a cabeceira da cama e bateu com a mão ao seu lado para que se juntasse a ele. até quis recusar, mas ciente de que não tinha chances daquilo passar despercebido pelo amigo, ele apenas respirou fundo e foi, mas parando, de certa forma, até meio afastado. Imediatamente, se virou de frente para ele e precisou controlar o instinto de se afastar. ― , o que foi? ― perguntou, falando seu nome de forma arrastada e um pouco mais alto do que o normal. Não que o normal de não fosse aquele, falar mais alto do que o normal, especialmente quando algo o incomodava. Era por isso que gostava tanto de importuná-lo afinal.
― Não é nada. ― respondeu e o encarou impaciente.
ie! ― exclamou, insatisfeito com a resposta. Era óbvio que ele ia notar aquela frieza de para ele. Eram sempre tão próximos, aquilo não fazia sentido. Em outra ocasião, provavelmente se jogaria sobre e terminariam estapeando um ao outro, mas ele nem conseguia mais cogitar aquela possibilidade. Ficar próximo de daquela forma mesmo que nunca antes tivesse visto mal nisso. ― . ― ele repetiu mais uma vez, agora sem o tom escandaloso ou a brincadeira. Era sério. Ele podia não saber o que havia deixado assim, mas a falta de resposta mesmo depois de tudo deixou claro que era sério e se existia antes uma forma de escapar, agora não tinha mais.
era assim. Na maior parte do tempo barulhento e intenso demais. Brincalhão demais, como se nada o afetasse, mas isso era só até algo exigir sua atenção. Se existia um problema, nada o fazia parar até que este fosse resolvido e não conseguiu evitar que ele notasse o problema ali.
― Fala comigo. ― voltou a dizer, fazendo um pedido, mas tudo o que fez foi desviar o olhar do dele, encarando suas mãos juntas sobre as pernas. ― Eu sei que tem algo errado e sei que é comigo, por isso eu vim. ― explicou, e fechou os olhos por um instante porque era justamente aquilo que ele mais temia. ― Fiz algo errado, ? ― perguntou, e o mais novo negou com a cabeça, ainda sem encará-lo. ― Olha pra mim, por favor. ― pediu, e dessa vez não pôde aguentar a tristeza que ouviu em seu tom de voz, culpando-se por algo que de forma alguma era culpa dele.
o encarou, como havia pedido, e com um meio sorriso o outro segurou sua mão, o incentivando a falar. olhou para suas mãos juntas, e então novamente para que, em algum momento, havia chegado mais perto e sentiu o coração na garganta em um misto de nervosismo e euforia. Quando deu por si, já era tarde demais. De súbito, ele se inclinou na direção de e fechando os olhos com mais força do que o necessário, colou seus lábios aos dele, sem coragem, no entanto, para tomar qualquer outra atitude além daquela, um simples tocar de lábios. O garoto congelou onde estava, dando-se conta do que havia feito um segundo depois e foi quem lentamente se afastou, não muito tempo depois.
Quando abriu os olhos, viu o choque na expressão do companheiro de grupo e condenou-se imediatamente pela atitude impensada. Havia colocado tudo a perder, a amizade, a carreira e todas as coisas que conquistaram com os anos de trabalho duro.
Sentindo que nem todo o ar do mundo era suficiente para a sensação de aperto em seu peito depois daquilo, se levantou, tão repentinamente quando o havia beijado, e praticamente correu em direção a porta.
! ― o chamou. pôde ouvir que ele também se levantava, mas não parou, apavorado com a possibilidade de ouvir qualquer coisa que pudesse querer dizer a ele.
Antes que chegasse até a porta, no entanto, o alcançou, segurando-o pelo braço e fazendo com que voltasse. foi virado de frente para ele e tão rápido quanto isso aconteceu, os lábios de já voltavam para os dele, agora por escolha do próprio que segurou seu rosto com uma das mãos para isso.
precisou de um segundo para se situar quanto ao que havia acontecido. o tinha beijado. Havia tomado seu gesto como iniciativa e o tinha beijado. repetiu aquilo mentalmente duas vezes antes de finalmente relaxar e fechar os olhos, sentindo o peso do mundo sair de suas costas enquanto sentia a boca de na sua, em um toque tão delicado quanto ao anterior, como se temesse aquilo tanto quanto havia temido. Como se aquilo fosse tão novo para quanto era para .
Sem ter muita ideia do que estava fazendo, deu mais um passo em direção a , aproximando mais seus corpos embora não tocassem ainda um no outro e novamente se agarrou a iniciativa, entreabrindo seus lábios e fazendo o mesmo com o do mais novo.
Finalmente, suas línguas se tocaram e jamais poderia dizer o que sentiu sobre isso. Soava certo como se, até então, algo estivesse faltando em sua vida, algo que nunca soube que faltava para dar falta, mas que agora sabia. Era como a sensação de liberdade após se livrar de algo que te assombrava por muito tempo e levou uma de suas mãos para os cabelos de para aprofundar o beijo que trocavam, lento como se aproveitassem cada segundo daquilo para conhecer um ao outro, ou pelo menos, aquele lado.
Dessa vez, foi quem rompeu o beijo. A curiosidade falando mais alto do que a sensação de ter seus lábios juntos. Afastou-se apenas o suficiente para poder falar o que precisava e mesmo que seu coração estivesse prestes a pular para fora, sentia-se verdadeiramente completo pela primeira vez em muito tempo, apenas em ver os olhos de lhe encarando tão de perto sem nenhum indício de que ele pretendia fugir de alguma forma.
― Desde… desde quando? ― sussurrou para o amigo e sorriu para ele com a pergunta.
― Desde sempre. ― respondeu apenas, antes de aproximar seus lábios mais uma vez.


Capítulo 01.

ie! ― exclamou de forma exagerada e o garoto, sentado ao seu lado, apenas riu. era surtado demais, por qualquer coisa. Suas reações eram sempre as melhores, especialmente quando alguém o aborrecia. Na maior parte do tempo, não estava irritado de verdade, ou chateado, mas isso não o impedia de ser dramático e intenso em qualquer reação que pudesse ter.
E era por isso que amava provocá-lo. Sempre.
Com a risada do amigo, acabou rindo também, mas não deixou de empurrá-lo e se deixou cair para trás na cama, sem parar de rir.
― É muito fácil te irritar. ― falou, o cutucando com um dos pés e cruzou os braços em frente ao peito, como se não ligasse para o gesto.
― Não estou irritado. ― respondeu, e sem responder nada, apenas o cutucou novamente. ― Paraaaa. ― pediu, de maneira arrastada, e apenas riu mais uma vez, como se aquilo comprovasse o que ele havia dito. ― Não foi um "para" de irritação, foi um para de para.
― E qual a diferença de um "para" para o outro? ― perguntou, se divertindo ao deixá-lo sem resposta. ― Viu, nem você sabe.
― Sei sim, só não adianta me justificar pra você. ― devolveu, ainda emburrado e sorriu, não podendo achar mais graça na situação. bravo era como um ursinho de pelúcia tentando ser mau. emburrado fazia com que ele quisesse apertar suas bochechas e rindo fazia com que risse junto. E qualquer uma das formas de enchiam o coração de qualquer pessoa de amor, não precisava nem ser a forma romântica do amor, era aquele amor que o mundo precisava ter com as outras pessoas. Aquele amor que aquece seu coração e te deixa bem após um dia ruim.
era um anjo, e admirava todas as formas de , todos os humores, porque independente dele sempre conseguia ser alguém admirável. Provavelmente por isso havia se apaixonado.
― Vem aqui. ― pediu, estendendo a mão para o garoto que apenas virou o rosto para fazer manha. ― Vem… ― insistiu, mas o outro não deu o braço a torcer.
― Não, não quero você. ― respondeu, e riu ao se sentar para puxá-lo.
― Deixa de ser bobo, . ― provocou, fazendo com que ele descruzasse os braços segurar suas mãos.
― Hyung. ― corrigiu e apenas riu mais uma vez.
― Uhm? ― se fez de desentendido e olhou com certa ironia para seu cinismo.
― Sou seu hyung. ― explicou, mesmo estando ciente de que era totalmente desnecessário e que sabia exatamente do que ele falava.
― Não vou te chamar de hyung. ― o garoto respondeu despreocupado, desistindo da mão estendida para e colocando os braços atrás da cabeça.
bufou. Teatralmente, é claro, e segurou outro riso.
― Por que não? Eu sou seu hyung. ― falou, fingindo não estar interessado na resposta, o que percebeu imediatamente.
― Pra mim é só o . ― respondeu, dando de ombros.
― Mal educado. ― retrucou sem encará-lo.
― Não sou não. ― respondeu, mesmo que não levasse a conversa a sério, nem de longe. também não levava apesar de tentar demonstrar que sim e o conhecia bem demais para saber.
sem um drama não era .
― É sim. ― devolveu, como prova, e precisou conter a vontade de puxá-lo pelas bochechas para perto.
― Ninguém me chama de hyung, então também não vou chamar. ― continuou a discussão e olhou para ele como se estivesse muito chocado com a afirmação.
― Porque você não é hyung de ninguém! ― exclamou e concordou.
― Exatamente.
― Você decidiu ser mal educado só por pirraça? ― soltou, e precisou controlar a vontade de rir para se manter indiferente.
― Um único termo não define sua educação.
― Você sabe que é o único que tem que me chamar assim, não sabe? Por que não pode me deixar feliz? ― dramatizou.
-ssi. ― provocou, e como o esperado, olhou para ele desacreditado.
-ssi? -ssi? ― repetiu, fazendo rir mais uma vez. ― Por que -ssi e não hyung?
― Porque você quer que seja hyung. ― riu mais e dessa vez se jogou sobre ele para estapeá-lo, fazendo com que puxasse as cobertas para a cabeça a fim de se esconder dele. ― -ssi! ― gritou, segurando a coberta com mais força quando se sentou sobre ele para tentar afastar o edredom.
― Hyung! ― repetiu, usando uma das mãos para fazer cócegas em a fim de que isso o ajudasse a afastar a coberta.
riu, travesso, e acabou fazendo o mesmo, mas segurou o corpo do garoto com mais firmeza entre suas pernas para impedí-lo de se debater. Quando finalmente conseguiu fazer com que a cabeça de voltasse a aparecer, entre cócegas e risadas, se abaixou em sua direção. até tentou se esquivar, mas não conseguiu fazê-lo ou mesmo afastar quando os dentes dele foram para sua bochecha.
Não medindo força quando o mordeu, fez com que gritasse.
― Ai, ai, ai, ai! ― tentou empurrar sua cabeça, se segurando para não rir, e fez bico quando finalmente se afastou, segurando a região mordida com uma das mãos como se tivesse muito magoado. ― Doeu. ― falou, interrompendo a brincadeira para se afastar de . Ele se arrastou para cima, saindo debaixo do garoto e imediatamente ficou preocupado, achando ter exagerado.
ie. ― chamou manhoso, voltando a se aproximar. Ele segurou a mão de para afastá-la da bochecha e fez bico também ao ver as marcas de seus dentes ali. ― Desculpa. ― pediu, beijando de leve o local como se o gesto surtisse efeitos mágicos, mas o garoto apenas se afastou mais uma vez, emburrado. ― ie… ― jogou os braços ao redor do seu pescoço, beijando sua bochecha mais uma vez, e acabou caindo na risada agora, não se importando nenhum pouco com aquilo. ― Idiota. ― acusou quando percebeu que estava apenas provocando, mas o mais novo não deixou que ele se afastasse, tocando seus lábios com os dele rapidamente. ― Bobo. ― acusou novamente e repetiu o gesto outra vez, fazendo rir.
Não se dando por vencido tão fácil, ainda o cutucou mais algumas vezes, com pequenos beliscões na barriga. riu com isso, os dentes totalmente a mostra enquanto tentava afastar as mãos do mais velho. Mas aquela risada era definitivamente o ponto fraco de que, se dando por vencido, voltou a abaixar o rosto em sua direção, colando seus lábios aos de que imediatamente sentiu aquele frio tão característico na barriga. O mesmo que sentia sempre que se aproximava daquela forma.
Algumas semanas já haviam se passado desde a primeira vez que haviam feito aquilo, mas a sensação, curiosamente, era a mesma. E ele não falava apenas da euforia, aquela típica ao beijar alguém que se gosta. Era uma mistura entre a sensação de liberdade por fazer algo que parecia tão certo e, ao mesmo tempo, aquela pequena confusão. não tinha nenhuma dúvida quanto ao que sentia, muito pelo contrário, cada dia era mais certo, mas ainda era estranho que algo que teve como errado sua vida toda, não fosse.
Ele sabia que era tudo questão de costume, foi criado para ter aquilo como errado e sabia que independente do que sentia, esse velho hábito preconceituoso ainda gritava dentro dele, o inibia e impedia que se entregasse como queria.
segurou nos cabelos de com uma das mãos, levando a outra até sua cintura enquanto o garoto movia sua boca junto com a dele. tinha o melhor beijo que ele já havia provado, e o garoto sabia que o motivo era o que sentia por ele, mas qualquer contato mais íntimo o fazia vacilar, mesmo lutando contra aquilo e se sentia sufocar por isso. Por não conseguir demonstrar a tudo o que sentia quando o outro não parecia ter qualquer dificuldade quanto a isso.
E sentia que sabia desse receio, dessa relutância. Mesmo naquele momento, ele cuidava para não colar seu corpo totalmente ao dele, usando uma das mãos como apoio para não assustá-lo com a proximidade, mesmo enquanto se beijavam. Uma de suas mãos apenas tocava delicadamente a bochecha do garoto, a mesma que havia sido mordida, mas tirando isso o contato de era sempre mínimo, deixando, na maior parte das vezes, que tomasse a iniciativas. Era tudo novo para , de uma forma que não parecia ser para . Ele se perguntava as vezes, o quanto de experiência naquele quesito, especialmente com outros garotos, tinha, mas não sabia ao certo se queria realmente saber. Tinha receio de se intimidar ainda mais ou, mais provavelmente que isso, deixar que mero ciúmes atrapalhasse.
Preferia deixar como estava, que as coisas fossem devagar e o mais naturais possíveis. Ele aproveitava o espaço dado por e tentava sozinho avançá-lo. Enquanto suas línguas tocavam gentilmente uma a outra, massageou a nuca de , interrompendo o beijo com uma risada fraca ao ouvi-lo ronronar feito um gato. costumava fazer aquilo quando brincavam com seu cabelo e sempre ria de ouvir.
tomou aquela deixa para se afastar, mas negou com a cabeça, trazendo seu rosto para perto novamente. O garoto entreabriu os lábios quando buscou por eles e permitiu que outro beijo lento fosse iniciado.
subiu a mão que estava na cintura de para suas costas, mas acabou em contato com sua pele quando o tecido subiu. Não era como se nunca tivessem tocado o corpo um do outro, mas era tudo diferente agora que o garoto sentiu se arrepiar com o gesto, encolhendo-se minimamente quando aquilo trouxe sensações demais, inclusive para que preferiu fingir não ter notado.
― Melhor irmos dormir. ― interrompeu em um fio de voz e, sem abrir os olhos, concordou, notando que estava ofegante apenas quando se afastou, e não era o único. A respiração pesada de contra seu rosto o fez morder o lábio inferior, sentindo coisas demais com algo tão simples e mentalmente se xingou por fugir de tudo aquilo, especialmente quando mesmo gestos tão pequenos eram tão bons.
. ― chamou, abrindo os olhos antes que ele se afastasse e sorriu docilmente para ele, enchendo seu coração de ternura. ― Você sabe que eu te amo, não sabe? ― perguntou, e o sorriso de aumentou ainda mais.
― Claro que eu sei. ― respondeu convencido, mas se inclinou para beijar o nariz do mais novo. ― Mas eu gosto de ouvir.
― Eu te amo.
― Eu também te amo, . ― respondeu, fazendo o mais novo sorrir também. ― Desculpa pela sua bochecha. ― disse ele, tocando novamente a região, e apenas negou com a cabeça, não dando importância.
― Não doeu de verdade. ― mentiu.
― Meus dentes ainda estão marcados. ― respondeu, fazendo o outro rir.
― Talvez tenha doído um pouquinho. ― confessou, e beijou a região por isso. ― Agora não dói mais. ― brincou e ele lhe beliscou novamente por isso.
― Bobo. ― falou, finalmente saindo de cima de que rolou para o lado a fim de desligar o abajur.
tentou abraçá-lo por trás, mas se virou ao invés disso, abraçando de frente e escondendo o rosto em seu pescoço. Ouviu rir baixinho, satisfeito. Ele costumava se satisfazer com aquele tipo de carinho e feliz por ter acertado, finalmente fechou os olhos para dormir ali, no calor dos braços do garoto que, há alguns dias, chamava apenas de amigo.

✘✘✘

teve a impressão de ouvir, ao longe, o som de vozes, mas não se importou muito com isso. Costumavam dizer que ele tinha o sono pesado demais, mas a verdade era que o garoto era muito bom em ignorar o ambiente ao redor para dormir. Mesmo quando acordava, e ele acordava, voltar a dormir não levava nem mesmo um segundo e foi basicamente isso que fez, mesmo quando do outro lado falavam seu nome. Não foi capaz de assimilar isso em seu estado de sonolência.
Ainda sentia o calor de ao seu lado, e aconchegou-se melhor contra ele, suspirando em sua roupa. Sentiu a mão de tocar a sua, resmungando qualquer coisa sem abrir os olhos, mas não se importou de verdade. era preguiçoso demais naquele sentido e acordá-lo era uma tarefa que costumava exigir bastante esforço. Não que ficasse muito longe.
Mas as batidas na porta foram um pouco demais para ignorar.
? ― ouviu Sejin ao longe, mas de alguma forma seu cérebro não conseguiu assimilar o que aquilo queria dizer. Sejin, seu manager, estava na porta chamando por . Ele sabia disso, mas era como se não significasse absolutamente nada e ele não se moveu.
― Será que ele também sumiu? ― falou uma segunda voz, , que soava preocupado, mas soou tão inclinado a se importar quanto ele.
Sejin falou algo em inglês em seguida, e jamais poderia explicar o que se passou em sua cabeça naquele momento. Apesar de ouvir o que acontecia, não era capaz de realmente assimilar as coisas mesmo após a porta do quarto ser aberta e ele entender, de alguma forma, que toda aquela conversa era unicamente porque alguém tentava entrar ali.
foi o primeiro a se sentar, e com os fios loiros desengrenhados, coçou os olhos de forma preguiçosa, olhando para Sejin, JiGaeMae e na porta com uma interrogação no olhar, um tanto quanto curioso pela presença de todos. Ele bocejou, levando uma das mãos até a boca, e negando com a cabeça Sejin acabou rindo enquanto colocava uma das mãos na cintura, como se estivesse muito desacreditado. JiGaeMae apenas virou as costas e foi embora, o que fez com que estreitasse os olhos.
― Uhm? ― perguntou, piscando os olhos por tempo demais enquanto se remexia apenas. Não havia soltado quando este levantou, de modo a ficar deitado em seu colo, com o rosto em sua barriga.
― Procuramos por por toda parte e ele estava aqui? ― Sejin perguntou e só então ergueu a cabeça, o rosto totalmente amassado e os olhos pequenos entreabertos:
― Uhm? ― repetiu a mesma fala de , voltando-se para o homem que riu.
― Qual o problema do seu quarto? ― Sejin quis saber, falando de forma até que divertida apesar do susto tomado pelo garoto desaparecido, e só então entendeu o que acontecia.
Era hora de levantar. Como de costume, Sejin havia se encarregado da função, mas não encontrou no quarto porque ele havia adormecido junto com . Não era nenhuma novidade aquilo, fugirem uns para o quarto dos outros no meio da noite ou dormirem abraçados, especialmente entre , e , mas a lembrança dos beijos trocados na noite anterior vieram imediatamente a sua mente e o garoto corou de imediato, tentando disfarçar o quão sem graça havia ficado com o comentário.
Dormir abraçado com não era novidade, mas se envergonhar por isso sim. Não deveria se envergonhar, não podia se envergonhar.
E foi então que aquele medo inicial que ele tinha voltou, sobre o que seria do grupo se descobrissem uma relação amorosa entre dois integrantes. Só de pensar sobre isso ele tinha vontade de vomitar. A possibilidade de perder os amigos por não poder controlar seus instintos lhe deixava apavorado, mesmo que admitir o que sentia para tivesse sido a melhor coisa que ele poderia ter feito.
― Acho que eles não acordaram ainda. ― falou, rindo, e Sejin negou com a cabeça, mas ao olhar para teve a certeza de que em sua cabeça se passava o mesmo questionamento que havia surgido na dele: "O que diabos estavam fazendo? Especialmente em serem tão descuidados?" Ou: "O que diabos aconteceria se descobrissem o caso dos dois?". E não tinha ideia de qual resposta era mais apavorante.
― Vamos, levantem. ― Sejin falou, puxando a coberta que ainda os cobria até a cintura. ― Em meia hora temos que estar a caminho do aeroporto. ― explicou. ― Espero que tenha arrumado suas coisas ontem antes de vir para cá, . Café em quinze minutos.
Ainda assustado, o garoto concordou a cabeça, mas não se moveu de onde estava, assim como .
― Ele quis dizer que está na hora de acordar, . ― esclareceu, mas pela primeira vez estava realmente desperto. Ele queria apenas a chance de conversar a sós com sobre aquilo, sentindo um certo receio surgir em seu peito de forma avassaladora. ― Eu cuido do e você do ? ― perguntou para Sejin, que fez sinal com o polegar para que ele saísse do quarto e foi assim que se aproximou da cama, puxando pelos dois braços para fazê-lo ficar de pé.
― Uhmmm… ― reclamou. ― Já acordei, acordei, me solta. ― resmungou, mas não o fez até que ele estivesse de pé.
― Os chinelos. ― apontou para o chão, e com os olhos ainda amassados, obedeceu antes de passar um dos braços por seu ombro. ― Tem remela nos seus olhos, limpa. ― falou, e acabou rindo, preguiçoso, mas não fez nada além de olhar para trás, para , enquanto o guiava para fora do quarto.
E ele sabia que algo havia surgido ali entre eles. Bastou um olhar para ver o desconforto em com aquela situação. Não se tratava apenas de dois garotos descobrindo o amor por garotos. Eram melhores amigos e companheiros de grupo, interferindo na carreira de todos os outros cinco integrantes.

✘✘✘

Se antes queria vomitar, bom, agora ele sentia uma leve vontade de chorar. Era como quando você está emotivo, os olhos querem se encher de lágrimas, a garganta parece fechada, como se algo nela a incomodasse, mas na verdade era apenas o peso de algum fardo lhe incomodando ao ponto de causar tudo aquilo. Ele não gostava de dizer ou ao menos cogitar que era seu fardo, mas naquele momento, aquela era a verdade. era o fardo, assim como ele era o de . E era justamente isso que o estava deixando tão mal.
De avião era cerca de uma hora e meia a viagem de Osaka para Tokyo, mas o desconforto que sentia dentro da van enquanto esperavam o momento certo para enfrentar a multidão do aeroporto estava prestes a consumí-lo.
vestia um moletom três vezes maior que ele, o gorro cobria grande parte do seu rosto e o restante era coberto por uma máscara. Seus olhos estavam fechados e os braços cruzados em frente ao peito, mas sabia que ele não estava dormindo, até porque e brigando ao seu lado fazia com que caísse por cima dele vez ou outra e apesar dele não dizer nada, estava só esperando o momento que ele fosse perder a paciência e beliscar para fazê-lo parar.
ouvia música no celular enquanto conversava com Sejin alguma coisa no próximo dia livre que teriam, após o handshake de Tokyo, mas a última coisa que fazia era prestar atenção.
Ele estava quieto, e não conseguia evitar que sua atenção caísse em vez ou outra, de olhos fechados com a cabeça encostada no vidro da van.
vestia calças escuras e botas nos pés. Uma camisa de mangas cumpridas listrada, branca e preta e um sobretudo também preto, assim como o boné em sua cabeça. Ele estava particularmente bonito. admirava a forma como ele se vestia normalmente, especialmente a capacidade dele em conseguir se arrumar logo pela manhã, quando só queria esconder o rosto e passar despercebido.
com coisas demais na cabeça, mal notou o que vestia, mas parecia não ter tido dificuldade com isso. Não que ele achasse que o outro não estava preocupado, porque o muro tão absolutamente evidente entre os dois, o mesmo que o deixava tão apreensivo, estava óbvio demais para que ele cogitasse que estava tudo bem.
Não estava. Mas não estava mesmo e por isso estava tão sufocante ficar naquela van.
― O que deu em vocês? ― perguntou, olhando diretamente para o que chamou a atenção do garoto.
― Uhm? ― perguntou, confuso, e se sentou direito, fazendo com que se virasse para ele. Ao interromper a brincadeira com , o mais velho também foi obrigado a prestar atenção e de canto de olho notou quando ergueu levemente uma das sobrancelhas, demonstrando interesse na conversa apesar de não abrir os olhos.
sentiu medo do escuro e fugiu para o quarto do a noite. ― tirou os fones para provocar o amigo e riu a sua frente.
― Nenhuma novidade. ― respondeu, o que ninguém podia realmente negar visto a quantidade de vezes que , mesmo antes de saber o que sentia, já havia dividido a cama com . Mesmo em casa.
― Eu não tenho medo do escuro. ― resmungou baixinho, contrariado, e pareceu se desligar do assunto ao ver que era apenas mais uma brincadeira dos garotos. ― A cama dele só é melhor que a minha.
― Eu tenho certeza que a do hotel é igual. Essa desculpa só funciona em casa. ― respondeu, mas negou com a cabeça.
― Não é disso que eu estou falando. ― respondeu ele, olhando de um para o outro. ― Não estão se falando. Por que não estão se falando? ― quis saber, e sentiu sua espinha gelar. Deixou o queixo cair em um novo "ahm?", se fazendo de desentendido, mas no fundo sabia que não era exatamente fácil simplesmente esconder qualquer coisa de . Ele era normalmente quieto, mas igualmente observador. sentia as coisas no ar. sentia tudo, intensamente, ao contrário do que costumava demonstrar com seu jeito aparentemente frio. Pelo menos para quem não o conhecia de verdade. Vendo de fora as pessoas raramente conseguiam entendê-lo, mas eles sim e tinha grande admiração pela pessoa que era. Mesmo que não fosse de seu feitio dizer aquilo assim como não era o de dizer que os amava ou demonstrar afeto tão diretamente. ― Vocês brigaram? ― quis saber, e dessa vez decidiu parar de fingir que o assunto não era com ele, o que foi um alívio pois definitivamente não saberia como reagir.
― Está falando de mim e ? ― perguntou o outro e apenas o olhou como se perguntasse: "O que você acha?". ― Por que pensa isso?
― Ah, não sei. Você está fingindo que ele não existe e te olha como um filhotinho assustado.
olhou para como para comprovar o que havia sido dito enquanto fazia um bico contrariado.
― Não olho não. ― respondeu antes que dissesse alguma coisa, mas já estreitava os olhos, como se só então notasse algo que fazia sentido.
E naquele momento odiou o lado observador de .
― Que seja. ― deu de ombros, ninguém costumava se importar muito quando as discussões eram com simplesmente porque não sabia ficar mais de meia hora brigado com ninguém. E tampouco deixava que qualquer um deles ficasse brigado aliás, o que era um ponto. ― Só não entendo em que momento isso aconteceu se passaram a noite juntos.
― Ele só dormiu no meu quarto. ― se defendeu, e precisou de uma força sobre humana para não mandá-lo ficar quieto. Se defender de algo que nunca foi um problema era a principal forma de provar que algo estava errado e, bom, a expressão curiosa de deixou bem óbvio que ele também havia pego aquela afirmação no ar.
― E o que você acha que eu quis dizer? ― perguntou, e tratou de falar antes que se entregasse ainda mais.
― Só dormi lá. Não brigamos ou eu não teria dormido lá. É simples. ― respondeu rápido, tentando não demonstrar impaciência, mas é óbvio que demonstrou. Também entrou na defensiva e foi estúpido, o que só fazia quando estava impaciente, especialmente com porque ninguém respondia para , ainda mais ele e quis se socar por isso.
― Por que está agindo assim? ― perguntou, e até mesmo Sejin e agora prestavam atenção a conversa.
― Assim como? ― ele perguntou, se fazendo de desentendido. ― Eu não estou mesmo entendendo essa conversa.
olhou então para , que apenas deu de ombros como se entendesse ainda menos que .
― Não olha pra mim, nem estou totalmente acordado. ― respondeu, fazendo um trabalho mil vezes melhor que no final das contas antes de simplesmente apoiar a cabeça no vidro novamente.
olhou para , desconfiado, e o garoto repetiu o mesmo gesto feito por .
― Ele disse. ― respondeu, e apenas concordou com a cabeça, de forma nenhuma satisfeito com a resolução da história, independente de qual fosse ela. Só não era comum de discutir.
― Vocês que sabem. ― respondeu, mas antes que pudesse se acomodar novamente na posição de antes, Sejin bateu com dois dedos no relógio em seu pulso para indicar que estava na hora. Desceriam da van direto para o embarque.
Um a um, desceram do veículo e os flashes começaram imediatamente, junto com os gritos de amor de alguns fãs que os esperavam ali. Evitando olhar para novamente, sorriu e acenou, mesmo que também tivesse parte do seu rosto escondido por uma máscara.
Tinha muitas pessoas ali, esperando-os sabe-se lá desde que horas e era muito grato pela atenção de todas elas, pelo carinho, mas nunca antes quis fugir tão rápido da multidão, sentindo-se pior ainda agora que havia mentido para todos os amigos e nem podia falar com ou qualquer outra pessoa para entender o que estava acontecendo. Sequer podia demonstrar que havia qualquer problema porque apesar de se dar por vencido, ele ainda sentia os olhares de sobre ele, atento para qualquer mínimo deslize e, caramba, ele ia deslizar muito rápido de não conversasse com ninguém.
Sentiu o celular vibrar em seu bolso enquanto esperava na fila para ser revistado e imediatamente se deixou olhar para , com o celular em mãos. Sabia, no fundo, que deveria disfarçar, especialmente quando estava na fila exatamente ao seu lado, mas pegou o aparelho em mãos no mesmo segundo, acertando ao ver o nome de na tela.

"O que foi isso, ?!!!!!"

Mil exclamações e emojis eram típicos de , mas naquele momento quis se matar.

"Você nos entregou, eu estava tentando mudar o foco!"


"Mudar o foco? Mudar o foco?! Você respondeu o !"

"Isso foi minha tentativa de mudar o foco!"


"Eles perceberam que tem algo de errado!"

"Tem?"


levou tempo demais para responder dessa vez, e ergueu o olhar para ele, esquecendo até mesmo de ou qualquer outra pessoa que pudesse estar observando.

"! Tem?"


"Precisamos conversar." - escreveu apenas, e ainda mais apavorado do que antes, ergueu o olhar para ele uma outra vez.
, a fila. ― o cutucou e o garoto pulou assustado por estar distraído demais, bloqueando o celular e o colocando na caixinha ao lado ao detector de metais enquanto se perguntava insistentemente o que eles tinham para conversar.


Capítulo 02.

Fazia cerca de três horas que haviam desembarcado em Tokyo para o Handshake e já estavam no local onde o evento aconteceria. Era exaustivo as vezes, eventos marcados tão próximos ao horário de desembarque, mas conhecer as fãs em handshakes costumava ser mais gratificante do que exaustivo, além de divertido também. Só precisavam conversar por alguns poucos minutos com cada um deles, e isso era o suficiente para alegrar o dia de alguém.
Gostavam de conhecer os fãs, se divertiam conversando e brincando com todos. Recebiam todo o amor que tinham a oferecer e para alguns aquilo significava muito, poder dizer palavras de incentivo para seus ídolos, ser ouvido. Poder dar um presente ou apenas estar ali, diante deles. Aquilo fazia os fãs felizes e eles também ficavam em saber disso, que haviam feito alguma diferença, mesmo que mínima.
Esforçavam-se de verdade, sabiam o quanto significa para os fãs, o quão importante eram para eles, e faziam o possível para tornar aquele dia especial, para gravá-lo na memória dos presentes ali forma positiva. Era surreal as vezes pensar que haviam chegado àquele ponto, de ter tanta influência na vida de alguém, mas tinham, e faziam o possível para espalhar amor. Haviam tido a oportunidade de levar sua palavra pelo mundo, então que ela fosse a melhor possível.
E ver o efeito disso nos fãs compensava qualquer cansaço. O amor que recebiam em troca do amor que distribuíam compensava qualquer coisa.
e já estavam arrumados e tentavam acompanhar uma coreografia da Blackpink que passava na televisão, enquanto assistia aos risos. , como sempre fazendo um trabalho excepcional para ignorar o barulho, dormia sentado em um dos cantos. , ao lado de em frente a penteadeira, ria dos dois pelo reflexo do espelho enquanto tinha apenas uma parte do corpo deitada no sofá, olhando na direção de e sem exibir qualquer reação, como se nem ao menos os visse ali.
Aquele silêncio todo preocupava . Normalmente era o mais animado, especialmente para os handshakes. No camarim, ele era sempre o que estava fazendo barulho junto com , mas naquele dia em especial, ele estava quieto e sentia seu estômago revirar por isso, especialmente sabendo qual era o motivo quando ninguém tinha dito nada em voz alta.
Estavam juntos há duas semanas, mas de alguma forma, terem sido pegos por foi como um sinal para tudo que poderia dar errado.
Nunca antes haviam tido segredos uns com os outros, mas agora precisavam ter. Sempre tiveram intimidade um com o outro, mas agora parecia estranho quando não era só aquilo. Um abraço não era mais só um abraço entre amigos. Dormir na mesma cama não era mais tão inocente quanto antes, mesmo que não tivessem feito nada demais ali.
acreditava que nenhum deles teria preconceito se contassem, mas mudaria tanta coisa. Pequenos gestos são seriam mais tão pequenos assim e esse ponto era apenas um dos pontos. Como idols eles tinham que esconder qualquer relacionamento, imagina então um relacionamento homossexual entre dois integrantes? Mesmo que os meninos não tivessem preconceito, ficariam bem com algo que colocaria todo o grupo em risco? Porque era um risco.
Não podiam contar, mas esconder os deixava desconfortáveis quando nunca haviam feito algo assim. Esconder, quando moravam na mesma casa, seria difícil, seria estranho porque fazia com que gestos que nunca antes fossem estranhos, agora fossem.
havia se sentido como um criminoso quando foi pego com pela manhã, imagina ter que lidar com aquilo todos os dias? E se, todas as vezes, terminassem daquela forma, com um muro gigantesco entre os dois como se tivessem feito algo muito errado? E nem podia negar que tivessem feito porque esconder e mentir não era certo.
Enquanto Saeron terminava de arrumar seu cabelo, o garoto suspirou. Aquilo tudo só fazia com que ele questionasse ainda mais se o que estavam fazendo era o melhor a ser feito. Antes de tudo, ele e eram melhores amigos, mas só haviam se passado duas semanas e o fato de terem um relacionamento já os havia afastado, no primeiro desentendimento, isso porque nem ao menos haviam conversado ou realmente se desentendido.
A porta do camarim foi aberta e a atenção de foi direcionada para lá, vendo Sejin adentrar o local. seguiu até ele para fazê-lo dançar também e apenas riu enquanto assistia, vendo Sejin realmente entrar na brincadeira quando segurou uma de suas mãos e o fez rodar uma vez no lugar.
― Que bom que estão animados. ― Sejin falou, soltando-se de . ― Eu sei que as vezes é exaustivo ter compromissos após o vôo, mas vocês terão dois dias livres depois. Foco no dia livre.
― Ou não tão livre assim. ― o respondeu, e , entendendo muito bem onde o outro queria chegar, começou a cantar Nevermind, ou tentar já que ele era realmente muito ruim naquela coisa de fazer rap.
Sejin também riu.
― Bom, vocês não vão passar os dois dias inteiros ensaiando. ― respondeu ele. ― E tenho certeza que dá pra ensaiar até no banho.
― A gente não. ― falou também, cutucando os pés de com o seu próprio e apenas resmungou qualquer coisa, como se estivesse com sono, o que o fez rir. ― não está neste plano, mas quis dizer que concorda.
― Nem tudo pode ser perfeito. ― Sejin devolveu. ― Mas tenho certeza que vocês vão se sair muito bem.
― 3J, baby! ― exclamou, puxando pelo braço para que este se sentasse no sofá e permitisse que também se sentasse. Novamente, apenas resmungou, o que o deixava realmente muito semelhante a uma criança fazendo birra. Ou um filhotinho. as vezes parecia mais maknae que o próprio maknae, um dos motivos para se darem tão bem. Claro, ainda tinha o fato de amar distribuir alguns mimos e de adorar recebê-los. ― O que deu em você hoje? ― voltou a perguntar, mas ao invés de respondê-lo somente se deixou cair outra vez no sofá, na mesma posição de antes, o que agora o colocava com a cabeça no colo de . Dessa vez, riu, e não se importou em tirá-lo dali.
― Vocês têm mais dez minutos antes de subir. Já podem acordar o . Vou ver se está tudo certo por lá.
O homem voltou a sair da sala, e os membros olharam em silêncio para por um instante.
― Notaram que ele deixou a tarefa mais difícil pra gente? ― comentou, fazendo os outros rirem, menos que olhava para tentando decifrar aquele estado de espírito. Não saber o que se passava na cabeça dele o estava enlouquecendo de verdade e ele só queria encontrar uma forma de chamar para fora do camarim para conversarem.
― Eu não posso porque está deitado em cima de mim. ― se justificou, e olhou para .
não pode porque vai lá fora comigo buscar chocolate. ― falou rapidamente, antes mesmo de pensar sobre o que fazia. Já havia sido liberado por Saeron e seguiu na direção de , o puxando para se levantar pelos braços exatamente como havia feito há pouco.
― Chocolate, onde? ― voltou a perguntar.
― Naquelas máquinas em algum corredor. Se deixar a gente ir, trago pra você. ― sugeriu e aceitou de imediato.
― Feito. ― concordou rapidamente, sendo facilmente comprado pelo mais novo. ― Próximo! ― ele olhou para que rapidamente se colocou de pé, indo para o lado de .
― Eu vou junto! ― gritou, e precisou controlar o ímpeto de suspirar decepcionado.
― Não vai não! ― retrucou, apontando para e riu, levantando as duas mãos em frente ao rosto para acenar em um “não”.
― Mas e se eles se perderem? ― tentou. ― Eles nem sabem onde está a máquina!
― E desde quando você é algum exemplo de senso de direção? ― devolveu, apontando novamente para . ― Vai logo, você o acorda sempre! Para de frescura, !
riu, seguindo em direção de , e , dando aquela conversa por encerrada, segurou o braço de para puxá-lo para fora. Por um momento, teve receio que o afastasse, recusando seu toque, mas ele não o fez, apenas deixando que o outro o guiasse.
― Aquela sala está vazia. ― falou, apontando para uma porta mais adiante. Ele segurou a mão de , a mesma com a qual o mais novo o guiava até então, e o levou até o local indicado.
olhou para os lados antes de abrir a porta e entrar na sala, mas foi quem entrou depois, trancando-os ali.
― Precisamos conversar. ― os dois falaram juntos, e suspirou, olhando para baixo ao se encostar em uma bancada no canto da parede. Odiava ter que conversar. Queria que tudo só estivesse bem, mas sabia que não estava, mesmo que doesse um pouco ouvir isso. Preferia que simplesmente dissesse que tudo estava bem, e o motivasse, mas dessa vez sabia que não dava.
― Fala você primeiro. ― pediu, mas negou.
― Você é melhor nisso. E sabemos que o assunto é o mesmo. ― sorriu triste, e viu nos olhos de que aquilo o chateou também. Nada deixava mais chateado do que ver os outros chateados. Sua empatia era um dos vários motivos pelo qual ele era uma pessoa tão incrível. Provavelmente a mais incrível e boa que já havia conhecido, independente do quanto admirava também os outros cinco garotos no grupo além dele.
― Desculpa. ― ele pediu sinceramente, o tom um pouco mais baixo que de costume e o encarou confuso.
― Pelo quê? ― perguntou, e foi para o lado dele, encostando-se na bancada também mesmo que isso o deixasse ainda mais baixo que .
― Por te deixar triste. ― falou, mas negou novamente, desviando o olhar que mantinha em até então.
― Não é você. ― respondeu apenas, pensando um instante antes de continuar, mas o fez por ele.
― A situação. ― completou, e concordou, voltando a encará-lo. ― Vai ser difícil esconder quando voltarmos para a casa. Ou nos bastidores com câmeras por toda parte sempre. E se desconfiarem de algo? Ou se a gente for filmado sem querer? ― justificou, e apesar de não dizer nada, não podia negar que ele estava certo ou que aquilo também não passava pro sua cabeça, afinal, compartilhava daquele medo. ― Sem contar que… estamos mentindo. Para os outros. E escondendo algo importante demais para ser escondido.
― Eu sei. ― concordou mais uma vez, mas isso não fazia com que ele se sentisse melhor. estava certo em tudo, mesmo já havia colocado tudo aquilo na balança, mas ele queria tanto poder ignorar isso. Queria tanto que ignorasse ou desmentisse. Tinha medo de onde aquilo levaria, por mais óbvio que fosse. Não queria ter que parar o que mal haviam começado. Não queria ter que dizer isso, não queria ter que ouvir terminando. Odiava aquela situação, especialmente quando ela, pela primeira vez, o fazia questionar tudo, sua vida, porque não era só a que ele tinha que se esconder. Mesmo que terminassem, teria que mentir sobre quem era, ou quem havia descoberto ser, no caso. Relacionamentos já precisavam ser escondidos do mundo. Mas aquela parte dele agora precisaria ser escondida da equipe também. Precisava continuar escondida, até mesmo do grupo e isso também o magoava. Mesmo que terminassem, ele e , isso não o mudaria e o peso de não poder ser sincero continuaria. O peso de não saber se seria aceito.
― No que está pensando? ― perguntou, inclinando-se para frente como se quisesse alcançar o olhar de , mesmo que este estivesse olhando para baixo.
― Eles aceitariam? Se contássemos? ― questionou de uma vez, voltando a erguer o olhar. ― Não sobre nós dois exatamente, mas sobre… Quem somos.
― Não podemos contar. ― disse imediatamente, e concordou.
― Eu sei que não. ― respondeu. ― É o tipo de coisa não poderia vazar nunca. O tipo de segredo que guardamos do resto da equipe, mas estes nós sempre compartilhamos com os outros. Guardamos entre os sete. ― explicou, e sua fala saiu quase como uma súplica. Aquilo o corroia de uma forma absurda. O deixava nervoso e inquieto. Era um alívio poder desabafar, independente do motivo que os levaram até ali para o desabafo, só para início de conversa.
― Não podemos, . ― o interrompeu, mas apesar de ter dito de forma grave, também segurou a mão do mais novo, como se tentasse lhe transmitir apoio. Só então se deu conta de que muito provavelmente já havia passado por tudo aquilo. Aquelas inseguranças e questionamentos, e o fez sozinho. não podia nem imaginar ter que passar por aquilo sozinho. Os dias que passou sem ninguém entre ter descoberto e assumido para já haviam sido tortura o suficiente. ― Por que você acha que eu nunca contei? Eu não acho que julgariam ou teriam preconceito, eles não são assim. Mas também não dá para dizer o que vai mudar, se vai mudar, ou quanto. O que vai passar pela cabeça deles com um abraço, ou se vão estranhar certas brincadeiras que são normais hoje. Se vão nos olhar com outros olhos ou se vai nos afastar ao invés de unir. Esconder é difícil, mas perder um deles por isso seria pior.
― Eu não sei se consigo olhar para eles sem me perguntar se julgariam ou não, .
― Com o tempo, você esquece. ― o outro respondeu, soltando a mão de para abraçá-lo de lado. ― Com o tempo você aceita, e se aceita. Parece errado não contar de início, é parte de quem você é e soa como se estivesse escondendo algo, mas não é como se as pessoas saíssem por ai dizendo para todo mundo sua opção sexual. Não é errado, então porque temos que deixar claro para as pessoas? Não é da conta de ninguém. Não parece com aceitação, não contar para ninguém, mas quando você aceita, você entende que é normal, para de pensar ou se preocupar com isso, então não se importa de ter que contar. Isso só sai da sua cabeça.
Mais uma vez, suspirou. E teria apoiado a cabeça no ombro de se desse para fazer aquilo naquela posição. Quis perguntar se ia demorar para parar de se importar, mas acabou ficando quieto apenas, mais preocupado com o “onde aquela conversa chegaria”, já que haviam se desviado do assunto.
― E nós? ― perguntou por fim, se desvencilhando dos braços de para olhar melhor para ele. , por sua vez, ficou de frente para , afastando-se da mesa, e fez o mesmo. A tensão imediatamente se instalando outra vez entre eles. ― O que vamos fazer? ― insistiu, mas antes que pudesse responder qualquer coisa, a porta foi aberta e assustados, pularam para trás.
― Cadê o chocolate? ― perguntou, inocente, e e apenas se entreolharam sem saber o que dizer. ― O que estavam fazendo? ― quis saber, e aquela pergunta foi quase como um tapa, provando que não tinha como dar certo aquela relação as escondidas. Mentiram para ficar sozinhos e já haviam sido pegos. Imagina se estivessem fazendo algo além de conversar.
― Ahn… ― começou, evidentemente sem graça e evidentemente sem saber o que responder, mas apenas fez um gesto de mão como quem diz "não me surpreende".
― Se esconderam até dar a hora só para não acordar o . Já acordei, medrosos. ― resmungou, deixando a sala. ― Está na hora, mas estão me devendo chocolate. ― falou, e sem dizer mais nada, os outros dois apenas o seguiram para fora da sala, temendo até mesmo olhar um para o outro e fazer mais alguma coisa errada.

✘✘✘

estava deitado na cama de braços abertos, sem nenhum objetivo aparente. Queria ir ao quarto de terminar a conversa de mais cedo, mas ao mesmo tempo aquilo era a última coisa que ele queria porque sabia exatamente onde terminaria e terminar era justamente o problema.
Não podiam ficar como estavam, mas ele não queria terminar. E tinha também o medo que isso os afastasse. O que significaria terminar quando sempre haviam sido tão próximos? Teriam que se afastar também?
rodou na cama, ficando de barriga para baixo e resmungou ao esconder o rosto no travesseiro. Fechou os olhos, e teria tentado dormir se não fosse pelo celular que começou a tocar no instante seguinte. Resmungando mais uma vez, ele o buscou em meio aos lençóis e sem olhar no visor, o atendeu com um “oi” murmurado preguiçosamente.
, onde é que você está? ― falou do outro lado e só então ele lembrou do compromisso marcado com o mais velho, sentando-se na cama insatisfeito consigo mesmo por ter esquecido.
― Estou no quarto, eu esqueci. ― falou em um suspiro. ― Eu estou indo para ai. ― disse rapidamente, antes que falasse qualquer coisa, mas ao levantar congelou onde estava. O cover que gravaria era com e não estava muito certo de que queria vê-lo. ― Ahn... ― começou, tentando decidir se era ou não uma boa ideia verbalizar a pergunta em sua cabeça. Não tinha nada demais perguntar de , ou tinha? Achar que sim era paranóia da sua cabeça porque sabia que estavam fazendo algo errado? Ter aquele tipo de dúvida o deixava louco e se pudesse gritar para aliviar sua insatisfação, o teria feito.
? ― o chamou ao notar algo errado, e tossiu em uma tentativa falha de tentar disfarçar qualquer coisa.
já gravou a parte dele? ― perguntou de uma vez, sem pensar muito bem devido ao nervosismo de estar agindo estranho com . Tudo estava absurdamente confuso e estranho e quis poder simplesmente correr para longe de tudo.
Céus, ele não conseguiria viver assim, nessa agonia de não saber o que dizer, ou como agir.
― É você que começa a música, por que ele já teria gravado? ― perguntou, fazendo com que se arrependesse da pergunta imediatamente.
― Ahn, porque eu estou atrasado? ― respondeu, sem querer soando mais como se perguntasse.
não respondeu nada de inicio, fazendo com que se sentisse ainda mais nervoso. Era , ele provavelmente havia percebido que algo não estava bem, mas ao invés de dizer qualquer coisa, apenas continuou normalmente, permitindo que respirasse mais tranquilo.
― Não, ele está aqui te esperando para começar. ― respondeu calmamente, mas sentia que algo já não estava certo. ― Você tem que gravar primeiro.
― Certo, eu estou indo então. ― falou, tentando ignorar aquela incerteza.
― Ok. ― respondeu antes de desligar, e respirou fundo ao se deixar cair sentado na cama, antes de calçar os sapatos. Precisava voltar a agir normalmente, especialmente na frente dos outros. Precisava agir normalmente, e tentou se acalmar antes de seguir para o quarto de , repetido aquilo na mente como se fosse um mantra até chegar lá.

✘✘✘

bateu palmas quando a música terminou e sorriu ao acompanhá-lo. A demo de We Don't Talk Anymore estava pronta para o BTS Festa e seria enviada aos produtores para ajustes antes de ser liberada. A música tinha sido ideia de , era uma de suas favoritas, mas se sentiu mais aliviado do que tudo ao terminá-la. Pouco havia aproveitado a gravação. Ele odiava aquela sensação, de que havia algo errado, mas ela não o deixava. Tudo que era normal agora o deixava tenebroso em fazer algo que não devia.
parecia bem quando chegou para gravar, brincava com enquanto olhava em silêncio com os olhos brilhando como se pegar salgadinhos no ar com a boca fosse a coisa mais inteligente do mundo. A falta de interação de com os outros as vezes o fazia parecer frio a quem não o conhecia, mas ele apenas tinha formas mais discretas de demonstrar amor, como aquele olhar que direcionava especialmente aos mais novos.
costumava admirar a calma de e gostava de estar com ele, o traquilizava. sempre parecia certo quanto a absolutamente tudo, sempre sabia o que fazer e o que dizer, sempre cuidava dos outros sem nenhum esforço, sem levantar a voz. Ele era a paz em pessoa, mas saber também o quão observador ele era, especialmente quando estava em silêncio, agora só deixava ainda mais desesperado, com medo de se denunciar de alguma forma. E ele sentiu os olhares de sobre ele o tempo todo enquanto cantava, especialmente quando errada o tom porque raramente errava o tom.
― Acho que podemos sair para comer agora. ― falou, espreguiçando-se. ― , pode chamar os outros? Pedir que se arrumem?
deu de ombros e se levantou. Olhou para como se fosse chamá-lo para ir junto, mas ao olhar novamente para apenas calçou os chinelos e saiu, deixando ainda mais apreensivo. Era obvio que havia notado algo errado e aparentemente não era o único.
Será que também percebera algo?
até pensou em se oferecer para ir junto com para fugir, mas acabou decidindo que apenas seria pior, como assinar sua sentença de culpa. Não podia fugir se queria mostrar que não havia motivo para fugir.
― Se eu ficar, vocês trazem comida pra mim? ― perguntou, jogando-se para trás na cama de , e se voltou para ele, perguntando-se como diabos ele conseguia parecer tão natural.
Mas já havia saído do quarto quando se virou na cadeira giratória em frente ao computador e optou por não respondê-lo ao falar.
― O que há de errado entre os dois? ― perguntou, e sentiu todo seu sangue fugir para os pés enquanto apenas murmurava um “uhm?” bem confuso, nem ao menos se dando ao trabalho de levantar. Então se voltou para , mas por sorte os olhos ligeiramente arregalados não eram nada fora do comum.
― Errado? ― perguntou, sem que a voz vacilasse, o que ajudou a parecer uma reação natural.
― Tem algo errado? ― perguntou, olhando para também agora, que negou com a cabeça da forma mais cínica do planeta, visto que tudo estava uma completa bagunça. ― O que tem de errado? ― perguntou a , que sem mudar a expressão, apenas olhou de um para o outro.
― Não precisam me dizer nada. ― falou , virando-se novamente de frente para o computador como se não se importasse. ― Só que tem algo entre os dois e eu espero que conversem entre si e se resolvam. Eu não sei o que é, mas eu tenho certeza que nada é grande o suficiente para afastar dois amigos, então não deixem que aconteça.
e se entreolharam pelas costas de , ambos sem saber o que dizer. se perguntou se, apesar de parecer tão tranquilo, por dentro também estava a beira de um ataque histérico. , apesar de parecer calmo, sentia-se assim. Era por um lado reconfortante que não desconfiasse da verdade, mas por outro era apavorante que houvesse notado alguma coisa. Sim, estava claro que e realmente precisavam conversar, pelo menos , para que conseguisse disfarçar melhor seus sentimentos. Isso porque nunca antes teve problemas com eles. Não tinha dificuldade em se manter quieto ou imparcial, mas de repente lá estava ele, sem conseguir se controlar por nada.
― Está tudo bem, . ― se levantou, o abraçando por trás e fez uma careta, o que levou a rir. ― Obrigado por se preocupar, mas está tudo bem e se não estivesse, conversaríamos, porque você está certo.
concordou com a cabeça, soltando as mãos de que o envolviam e novamente sorriu, como se não esperasse nada diferente vindo dele.
― Vou pegar minha bolsa para irmos! ― falou, virando-se em seguida para da mesma forma animada de sempre. ― Você vem, ou já tem tudo que precisa?
piscou duas vezes, confuso com a naturalidade de , e então se levantou. Tinha consigo apenas o celular.
― Está mesmo tudo bem? ― ainda perguntou para mais uma vez, e este apenas concordou com a cabeça, ficando satisfeito por conseguir não fazer mais do que isso e soar defensivo demais. ― Então ok. ― falou apenas antes de deixá-los ir, e agradeceu mentalmente por não fazer o tipo insistente. dava espaço, e raramente se envolvia no que não era da sua conta a menos que fosse totalmente necessário.
deixou para soltar o ar quando já estavam do lado de fora, com a porta do quarto fechada, e parou a sua frente com um olhar ligeiramente preocupado.
― Tem certeza que está tudo bem? ― perguntou, e quis xingá-lo de verdade pela pergunta quando a resposta era tão óbvia, mas não teve tempo de fazê-lo pois novamente, foram interrompidos por .
― Vamos sair em dez minutos. ― avisou, entrando em seu quarto, e deu as costas para a fim de fazer o mesmo. Entre todos os lugares, ali era o pior para ter aquela conversa.

✘✘✘

ie… ― um sussurro o despertou por um breve instante, tempo o suficiente para que ele se virasse para o outro lado, cobrindo a cabeça com o edredom, mas não o bastante para fazê-lo abrir os olhos ou tomar consciência de que alguém o chamava. ― ? ― sua cabeça foi descoberta e agora o garoto resmungou qualquer coisa inaudível, encolhendo-se para o outro lado da cama. ― Acorda, . ― ouviu novamente, e só nesse terceiro chamado se deu conta de que alguém tentava acordá-lo. Sonolento, buscou na memória de havia qualquer motivo para acordar cedo, se o grupo tinha algum evento marcado, mas ao lembrar-se da folga de dois dias, apenas puxou novamente a coberta para a cabeça e se deitou de barriga para baixo, recusando-se a levantar independente de quem o chamava. ― Eu vou apelar. ― disse, em tom de aviso, mas o outro já voltara a dormir.
tinha dificuldade para dormir no lugar certo, na hora certa, e por uma noite inteira, mas tirava cochilos em qualquer lugar, qualquer posição, e tinha o sono pesado demais para acordar facilmente. Dormia todo torto, se mexia demais, empurrava qualquer um perto e a boca que mantinha aberta costumava fazer da visão mais engraçada do que fofa. Definitivamente não tinha nada bonito na visão de dormindo, mas não se importava muito e apenas passou um dos braços sobre ele para se deitar também.
ie, levanta… ― pediu manhoso, e beijou levemente seu pescoço ao afastar mais uma vez a coberta. se encolheu, resmungando outra vez, mas a forma como se mexeu fez rir, notando que havia surtido efeito. ― ie… ― chamou novamente, repetindo o gesto, e finalmente despertou, resmungando mais uma vez.
-ssi… ― reclamou, e saiu de cima dele, rindo, ao notar que o garoto finalmente acordara.
― Temos o dia livre, levanta. ― falou, levantando-se da cama e parou em frente ao espelho para arrumar o chapéu em sua cabeça enquanto apenas se remexia outra vez.
― Temos o dia livre, por que não posso dormir? ― resmungou manhoso, e se virou novamente para a cama.
, vamos. ― pediu, segurando a coberta para puxá-la e não o impediu. ― saiu para fazer compras com e arrastou para tirar fotos. se ofereceu para ir junto.
― Que horas vocês fizeram tudo isso? ― perguntou sonolento, com os olhos ainda parcialmente fechados, e acabou rindo.
― Já se passa das onze horas, . ― falou tranquilo. ― Vamos, levanta. ― pediu mais uma vez, e se espreguiçou na cama, rolando duas vezes antes de finalmente se sentar, olhando para a frente quase em crise existencial por ter mesmo que se mover. passou a mão em seus cabelos para colocar no lugar os fios rebeldes em pé, e balançou a cabeça duas vezes como se concordasse com algo que ninguém tinha dito antes de fechar os olhos e se deixar cair de lado mais uma vez, adormecido.
-ah! ― exclamou, mas o menino nem se moveu com o grito. ― ... ― choramingou, e segurou o mais novo pelos braços para fazê-lo levantar outra vez. ― Vamos sair, não quero ficar o dia todo no hotel. ― voltou a se sentar, e somente quando achou ser seguro, o soltou. ― Acordou? ― perguntou, e concordou três vezes com a cabeça, mesmo que seus olhos ainda custassem a ficar abertos. ― Por que está com tanto sono? Não dormiu bem?
― Dormi. ― respondeu apenas, suspirando. esperou, como se contasse que ele fosse dizer mais alguma coisa, mas não o fez, ficando apenas parado ali, sem dizer nada.
? ― chamou outra vez, e ele se moveu para coçar os olhos antes de encará-lo.
― Por que isso? ― perguntou, após algum tempo, e soltou um “uhn?” confuso. ― Achava que não estávamos totalmente bem. ― falou, ainda com a cara amassada, marcas do travesseiro no rosto e apenas um dos olhos abertos. ― Primeiro a mensagem, depois o mau humor e então aquela conversa toda. Pareceu tudo bem, mas nós nem terminamos e... ― coçou a cabeça, sonolento demais para acompanhar o próprio raciocínio. A conversa havia sido melhor do que esperava, mas não tinham terminado então não dava pra saber. Só que foi a primeira noite em duas semanas que não dividiram o quarto e durante o jantar, haviam se evitado. Era estranho que agora só o acordasse com beijos no pescoço como se nada tivesse acontecido. – Por que isso agora?
― Estamos em Tokyo, todos saíram para aproveitar o dia livre. Eu só pensei que poderíamos fazer o mesmo enquanto conversamos. ― explicou quase na defensiva, como se perguntasse se havia algo de errado naquilo. ― Você queria gravar curtas nas cidades que passamos, imaginei que gostaria de sair para isso.
Golden Closet Film, ele havia decidido chamar. Já tinha bastante coisa gravada já que ele não largava a câmera, mas com todos os acontecimentos, a idéia já parecia até meio distante.
? ― o chamou novamente, quando este não respondeu mais nada. ― Dormiu de olhos abertos? ― perguntou, e negou com a cabeça.
― Só... não me pareceu que estávamos bem. ― disse, e suspirou ao se voltar a sentar na cama, na ponta dela, para encarar .
― Antes de tudo nós somos amigos, . Você deixaria que algo atrapalhasse isso? ― perguntou, e só pôde negar. Aquele era seu maior medo, afinal, que algo estragasse a amizade que tinham ou que isso atrapalhasse o grupo. ― Nós precisamos conversar sobre o que estamos fazendo, sim. E como vamos fazer isso, mas eu não acho que precisamos nos afastar ou deixar de sermos... amigos.
Só o fato dele ter começado a conversa daquela forma, já fez com que um peso enorme deixasse os ombros de e o garoto concordou, sentindo-se mais disposto a levantar por isso. Não queria terminar, mas tinha ainda mais medo de que terminar significasse acabar também com a amizade que sempre tiveram. Saber que não considerava aquilo já era grande coisa e se espreguiçou mais uma vez, fazendo um barulho preguiçoso e um tanto quanto desnecessário para isso, buscando coragem do além para se levantar.
riu antes de se colocar de pé novamente, satisfeito por ter, pelo menos, aberto os dois olhos.
― Se arrume, eu vou buscar café enquanto isso. ― falou, conhecendo o outro o suficiente para saber que ele só começaria a funcionar depois disso. concordou, mas não se levantou até que finalmente tivesse deixando o quarto, mesmo que só por alguns minutos antes de voltar.

✘✘✘

No final, a última coisa que fizeram durante o dia foi conversar. Pelo menos sobre o assunto que precisavam. arrastou para fazer compras e a loja era tão grande que , conhecendo , imaginou que passariam toda a tarde ali. Ele não era de reclamar, então não disse nada, mas todos o conheciam bem o suficiente para saber o que se passava em sua cabeça mesmo assim, especialmente , mas o mais velho não se importava de verdade. Ele simplesmente arrastava para todos os lados como se fosse um mascote, contra sua vontade ou não, porque sabia que gostava de atenção de qualquer forma.
Da loja, acabou levando um jeans e duas jaquetas, mesmo que tivesse provado metade das roupas ali. A outra metade, ele fez com que experimentasse mesmo que sob protestos, mas acabou apenas com outro moletom maior que ele. Isso porque pagou, caso contrário, teria ficado lá.
Por fim, foram almoçar apenas as 15h depois de muita insistência de para saírem da loja e, depois de andarem por toda a cidade, terminaram no Tokyo Disney Resort após ter se encantado com a roda gigante iluminada, vista pela janela do taxi.
― A gente não precisa entrar, você nem gosta de parques. ― falou após filmar o local ao redor.
― Eu não gosto de brinquedos altos. O parque não tem nada a ver com isso. ― respondeu, fazendo pose em frente ao letreiro para que o filmasse. O maknae ergueu a câmera, e acabou rindo com o sorriso largo e totalmente forçado que o direcionou, como sempre fechando os olhos para isso. ― É um parque da Disney, tem mil coisas pra ver além disso e vai ficar tudo bem desde que você não queira ir em nada parecido com uma montanha russa. ― continuou após ser filmado, descendo os degraus que havia subido para voltar para o lado de . ― Mas você paga as entradas porque eu já paguei o moletom.
― Por que você quis o moletom mais do que eu. ― ressaltou, e de forma teatral, deixou o queixo cair.
― Vai se desfazer do presente agora? ― fingiu estar ofendido, e empurrou para andar na frente até a bilheteria.
apenas riu mais uma vez, mas não seguiu pelo caminho indicado, esperando que o acompanhasse.
― Eu estou te filmando, você tem que ir na frente. ― empurrou da mesma forma que o outro havia feito com ele há pouco, mas somente parou no lugar, batendo um dos pés no chão.
― Não vai nem se defender?! ― perguntou de forma exagerada, aumentando o tom de voz, e tentou conter o riso quando mostrou todos os dentes em uma risada. fazia muito daquilo, rir ou tentar se conter quando o fazia, como se estivesse satisfeito por conseguir aquilo mesmo que risse de tudo. O carinho em seu olhar quase transbordava em momentos como aquele e sentia vontade de abraçá-lo por isso. ― Está mesmo se desfazendo do presente?
― Eu estou confuso, você que está jogando o presente na minha cara! ― se defendeu, mas riu mais uma vez da reação de , que respondeu rapidamente a acusação:
― Você tem que ser bonitinho e agradecer! “Obrigada, hyung. Eu também te amo.” ― falou com a voz afetada para imitar , que só não riu porque já o fazia.
― Não, “hyung” ainda não vai rolar. ― devolveu, e bufou alto.
― Argh, eu te odeio!
― Não odeia não. ― respondeu, mas deixou sozinho pedir os ingressos antes que prolongassem aquilo ainda mais.

Tiveram que embarcar em uma espécie de trem temático antes de ter acesso ao parque, mas se divertiu tirando fotos de tudo enquanto se divertia o filmando todo alegre com o local ao redor.
Somente quando desembarcaram e passaram pelas catracas, que largou sua câmera para direcionar sua atenção para os panfletos recebidos na bilheteria, com mapas do parque e instruções para as atrações.
― Como será que é a sensação de ler esses panfletos e entender alguma coisa? ― perguntou. Estava com duas versões em mãos, uma em japonês e outra em inglês, mas não entendia nenhuma das duas. ― tem sorte. Nós vamos ter que nos virar. ― falou, mas quando ergueu a cabeça, não estava mais ali. ― ? ― chamou, o procurando em meio aos muitos rostos ali, mesmo que já estivesse ligeiramente escuro pelo horário.
! ― o chamou ao longe, e o encontrou de pé em frente a uma enorme fonte com um globo terrestre no meio. Estava iluminada, e era linda, mas concentrado nos mapas não teria notado se não houvesse corrido até lá, acenando para que o outro o encontrasse. ― Filma! ― gritou, e abriu os braços ali, fazendo desistir do panfleto para obedecê-lo. Assim que a câmera foi direcionada a ele, olhou para trás, como se gesticulasse com a cabeça para o globo. sorriu, não resistindo para espiá-lo por cima da câmera, sendo pego por assim que ele se voltou para frente. sorriu também e após encará-lo daquela forma por um instante, acenou para que fosse até ele. o fez, e passou um dos braços por seu ombro quando o abraçou de lado, virando a câmera para filmar os dois juntos. Quase não dava para ver o globo daquela forma, mas não se importavam de verdade, rindo independente disso.
― Querem que eu tive uma foto dos dois juntos? ― perguntou um homem que passava por eles, por sorte no idioma que conheciam. Ele estava com uma mulher e um casal de crianças, todos aparentemente coreanos.
aceitou, tirando o celular do bolso e colocando na câmera antes de estender para o homem enquanto pousava a própria câmera no peito para se posicionar, ambos com os braços para cima enquanto abraçavam-se de lado. Eles sorriram, e o homem disparou duas vezes, olhando para a tela em seguida.
― Ficou ótima! ― disse ele antes de devolver o aparelho, e os dois o reverenciaram em agradecimento.
― Obrigado, aproveite o passeio! ― falou, e o casal acenou antes de se afastar.
― Me deixa ver. ― pediu, parando novamente ao lado de , que colocou na galeria. Na primeira foto, olhava para antes de se posicionar, e o mais novo tentou não demonstrar a euforia que aquilo causava no seu coração. A foto era linda, mas não disse nada e , apesar de sorrir, apenas passou em silêncio para a próxima, onde os dois olhavam para a frente.
― Ficou ótima. ― falou, e concordou com a cabeça, vendo o garoto clicar em “compartilhar” para mandar para o grupo com os outros garotos.
... ― protestou antes que ele apertasse o “enviar”, e parou no meio do caminho.
― Não tem nada demais na foto. ― falou o encarando, mas desviou o olhar, voltando-se outra vez para a tela. Não, não tinha mesmo nada demais, mas não podia evitar se sentir daquela forma, inseguro, e acabou suspirando.
― Acho que você está certo, pode enviar. ― disse por fim, mas , ao invés de fazê-lo, bloqueou a tela, voltando a guardar o celular.
― Já adiamos a conversa por muito tempo, né? ― perguntou, colocando as mãos nos bolsos e por mais que quisesse negar para fugir daquilo, apenas concordou. ― Vamos andar? ― sugeriu, gesticulando para a frente com a cabeça e suspirou antes de seguí-lo. ― Quando entrou o quarto aquele dia, eu confesso que fiquei doido. ― começou ele, e não disse nada de início. ― Não estávamos fazendo nada demais, mas eu não pude deixar de pensar que poderíamos estar fazendo e seria uma catástrofe. Agora também, não estamos fazendo nada demais. Não fizemos nada que não faríamos normalmente, mas da mesma forma como você se preocupou com a foto eu fico me perguntando se um sorriso ou um olhar, como a primeira foto, não está sendo demais. ― explicou, desviando o olhar para o chão e mordeu seu lábio inferior, olhando para o outro lado desconfortável. ― A gente não vai conseguir fazer isso e esconder de todo mundo. Caramba, o perguntou o que havia de errado entre a gente. E demos sorte que foi o que nos encontrou naquela sala ontem.
― Eu sei... ― respondeu, nervoso por saber onde aquela conversa ia terminar e, principalmente, por saber que era o certo, que estava certo, e que parar antes que perdessem o controle era o melhor a se fazer. ― E sei também onde você quer chegar.
― Desculpa, . ― pediu novamente, com a voz ligeiramente embargada, ou pelo menos o suficiente para que fosse capaz de notar. Ele parou onde estava para que pudessem ficar frente a frente, e encarou antes de falar.
― Você não tem que se desculpar, você está certo. ― disse ele, apenas dois passos de distância do outro e a voz mais firme do que esperava que estivesse, sinceramente.
― Eu tenho que me desculpar por ter surtado, . ― o respondeu. ― Você tem motivos para estar mais confuso do que eu e eu não ajudei quando deveria.
― Eu acho que tem mais coisa envolvida do que isso, . Minha confusão ia ser o de menos se realmente tivesse visto algo que não deveria, ou se tivesse exigido que explicássemos porque estávamos sozinhos trancados em um camarim que não era o nosso.
― Não podemos fazer isso. ― verbalizou o que ambos já sabiam, e odiou ter que concordar.
― Não podemos. ― repetiu suas palavras, mesmo que isso o destruísse um pouco mais. Ele não queria por um fim naquilo, por mais que soubesse que era o certo. Não queria que fosse o certo, ou ter que fazer o certo, mas tinha coisas demais em jogo para que ele pudesse simplesmente tomar outra atitude.
Ia machucar, ficar longe de daquela forma agora, mas não via outra coisa que pudesse ser feita. Era evidente que aquele romance as escondidas tinha tudo para dar errado. Duas semanas e já haviam quase sido descobertos por vezes demais para ignorar.
umedeceu os lábios, e olhou para cima. reconhecia os sinais de prestes a chorar e sentiu seus próprios olhos queimarem por isso. Ele sabia como se sentia, sua garganta também estava apertada, seu peito. Suas mãos soavam e não poder se aproximar mais por estarem tão em público era torturante.
― Você não pode chorar se não quiser que eu faça o mesmo, . ― falou, mas sua voz saiu tão embargada quanto a de há pouco, denunciando uma catástrofe. , prevendo isso, se afastou um passo enquanto concordava, e apertou seus lábios juntos enquanto tentava recobrar o controle.
― Eu sei, sem choro. ― respondeu o outro, mas seu tom de voz não ajudou exatamente, ou a forma como ele passou uma das mãos pelos olhos para esconder as lágrimas que fugiram para contrariá-lo.
... ― suspirou, o repreendendo, e resmungou qualquer coisa inaudível, demonstrando sua insatisfação.
― A culpa foi sua, por falar isso! ― exclamou, e acabou rindo da atitude dramática, mesmo que tenha soado estranho com a voz embargada e as lágrimas presas que ele lutava para segurar.
― Eu achava que você chorava quando a gente te perguntava se estava chorando. ― respondeu, conseguindo encontrar algo engraçado na situação. Era até um alívio, visto a quantidade de gente ao redor para ser testemunha daquele momento.
― E o que você fez?! ― quase gritou, inconformado, e riu novamente.
― Eu disse pra não chorar. Evoluiu? ― caçoou, e voltou a se aproximar apenas para estapeá-lo. Seus olhos estavam vermelhos e algumas lágrimas realmente escorriam, mas pelo menos ele ria agora. ― Nossa, eu te odeio. ― limpou os olhos mais uma vez, mas apenas sorriu.
― Se repetir isso mais uma vez eu não vou te comprar um chapéu do Mickey.
― Eu não quero mesmo um chapéu do Mickey. ― deu de ombros, fingindo não se importar mesmo que não enganasse ninguém com a atitude.
― Vai querer assim que ver um, vai gritar por ele e fazer todo o parque olhar pra gente. ― o estapeou de novo pela piada, e insistiu apenas para que ele continuasse rindo. ― Mickey, Mickey! ― gritou, gesticulando para o nada, e rindo o chutou de leve, quase caindo por cima de um senhor que passava.
colocou a mão em frente a boca, rindo enquanto se curvava para o homem em um pedido de desculpas. Quando ele se voltou novamente para , este apontou em sua direção.
― Se falar que me odeia novamente vai ficar sem o chapéu.
― Argh, só vamos logo. ― falou, o segurando pelo pulso para puxá-lo consigo, mas parou repentinamente dois minutos depois, fazendo com que batesse contra suas costas.
― Ai. ― reclamou, checando se estava tudo bem com a câmera, mas a forma como o encarou fez com que se voltasse para o outro preocupado. ― Ahn?
― Não vamos mudar um com o outro agora, vamos? ― perguntou, claramente preocupado, e soltou a câmera novamente. ― Agora está tudo bem, mas quando estivermos com os outros, não vamos mudar ou nos afastarmos, vamos? Não podemos ser namorados, mas continuaremos amigos?
― Eu não quero ter que me afastar dessa forma também. ― respondeu, sentindo até mesmo um calafrio ao pensar na possibilidade. Não, com aquilo não conseguiria lidar. Não podia perder por completo. ― Por favor, eu... Eu não quero.
― Mas a gente vai conseguir? ― voltou a perguntar, e aquela era exatamente a questão. não sabia se conseguiria não pensar que qualquer contado poderia ser demais, sendo que não ter nenhum seria de menos com a intimidade que sempre tiveram não só um com o outro, mas como com o grupo inteiro. Qual era a dose ideal? O que era o normal depois de terem passado dos limites tantas vezes? O que podia ser feito em público e o que não podia? Seria desesperador se perguntar tudo isso sempre que estivessem juntos, ou não saber como agir. ― Caramba, dá pra ver na sua cara que não. ― soltou, seu tom deixando claro sua preocupação.
― Minha cara não tem como saber disso. ― respondeu imediatamente, na defensiva sem nem pensar, e apenas permaneceu lhe encarando.
― Você entendeu, . ― respondeu, e novamente sentiu vontade de chorar. Não podia deixar que aquilo destruísse os dois. Não podia deixar que nada os destruísse. Não se perdoaria por isso.
― Eu entendi, mas não sei o que dizer. ― confessou, tentando esconder sua preocupação. ― Eu só consigo pensar que eu queria que todos os dias pudessem ser só assim, simples. Que não precisássemos esconder nada, só que ao mesmo tempo eu só consigo pensar que queria te beijar no meio das pessoas e precisamos esconder isso, então... Eu não sei. Eu não sei se dá só pra fingir que nada nunca aconteceu, mas não é como se tivéssemos escolha. Precisamos tentar.
― A gente tem que fazer mais do que só “tentar”. ― respondeu, mas por mais que soubesse, não podia fazer mais do que aquilo.
― Eu sei, mas eu só consigo prometer isso, . Tentar. ― falou, e dando-se por vencido, o outro apenas concordou, seguindo até para abraçá-lo independente do local onde estavam, ou das pessoas ao redor.
― A gente consegue. ― respondeu de forma positiva, e apesar de não saber o quanto acreditava naquilo, concordou, porque não havia nenhuma outra coisa que pudessem fazer no momento. ― A gente consegue. ― repetiu mais uma vez antes de soltá-lo, sorrindo de forma encorajadora para o mais novo. sentiu que, talvez, não devesse apenas se deixar consolar, mas deixou porque não havia muito mais a ser feito. Voltaram a se abraçar de lado, e sem que mais palavras fossem necessárias, entraram em um acordo mutuo de apenas continuar o caminho pelo parque, para que pudessem aproveitar juntos o tempo que ainda restava para serem apenas os dois, antes que não fossem mais.


Capítulo 03.

Sentado em frente ao seu notebook, sobre a mesa do quarto de hotel em que estava hospedado, sorria ao olhar para as filmagens obtidas em Tokyo.
Ele tinha uma pasta inteira no computador destinada as imagens obtidas para os GCF. Estavam separadas por cidade e, dentro delas, por dias. Ele tinha conteúdo do grupo inteiro ali. A intenção sempre foi gravar como uma espécie de vídeo diário, em seu ponto de vista, onde todos apareceriam. E ele até gravou. Mas independente do dia ou do lugar, agora que ele tentava juntar tudo, notava que o conteúdo de era predominante. Ele sempre terminava filmando-o independente de quem começava a filmar antes.
se perguntou se não era por isso que estava evitando conferir suas filmagens. Todos os dias passava o conteúdo para o computador, mas nunca assistia. Já faziam meses que era daquela forma. Será que se visse antes, teria notado, também antes, o que sentia? Mas não ter visto antes com medo disso, só provava que já sabia. Tinha apenas medo de admitir até então.
Voltando ao programa de edição, abriu mais um vídeo para carregá-lo ali. Era uma pequena introdução que ele decidiu usar, gravada antes do embarque para Tokyo. Não era nada demais, apenas sendo no corredor de embarque, mas passou tanto tempo revendo aquele vídeo bobo que decidiu usar.
já não pretendia mais divulgar aquele vídeo completo de qualquer forma, juntara apenas imagens do nele, coisas daquela viagem e ao seu ver, já estava íntimo demais. estava com ciúmes do vídeo, de , e decidiu terminar apenas com um presente, que gravaria para o garoto. Seria o primeiro GCF, mas apenas saberia disso. Parecia justo.
Decidindo que já era o suficiente, finalmente deu play no vídeo, já finalizado, junto com a música. Havia escolhido There For You. A letra era significativa, “eu estarei lá por você” e ele estava até se sentindo meio bobo por isso. Sabia que não entenderia a letra, era em inglês. E duvidava também que passaria por sua cabeça procurar a tradução, mas só por saber qual era, já sentia vergonha de si mesmo. Mas não teria graça se a letra não dissesse nada, e ele sabia que era exatamente o tipo de pessoa que ligava para atitudes bobas como aquela, muito mais do que ele, inclusive.
, assim como fez enquanto via as filmagens individuais, sorriu para o vídeo. Havia gostado do resultado, mesmo que preferisse sem a música, ao som original. Sem ela, podia ouvir a risada de e gostava daquele som, mais do que provavelmente admitiria em voz alta, mas preferiria com a música, ele sabia, e por isso acabou deixando.
Antes que pudesse concluir, no entanto, risadas na porta chamaram sua atenção e logo uma batida. Ele reconheceu rapidamente quem era: e .
levantou para deixá-los entrar. Sem o cartão magnético, simplesmente não tinha como abrir a porta pelo lado de fora. foi o primeiro que viu, e ele sorriu só de vê-lo fazer o mesmo, rindo de algo que havia dito. Sem dizer nada simplesmente porque a intimidade que tinham dispensava aquele tipo de formalidade, entrou no quarto, seguido por que se jogou na cama junto com o outro.
― O que está fazendo? ― perguntou animado, ficando de bruços na cama e se aproximando ao máximo da borda para enxergar a tela do notebook, mesmo que para isso, tenha sido necessário ainda estreitar os olhos para forçar a vista. ― É o primeiro GCF?! ― exclamou, olhando para com a boca entreaberta e os olhos brilhando com aquela informação.
riu de sua animação, até mesmo um pouco orgulhoso daquela reação, do interesse, mas não pôde evitar de ficar ligeiramente nervoso também. Sim, ele tinha terminado, mas ainda não estava disposto a mostrar, não aquele, pelo menos. Já tinha decidido que faria outro.
― Ahn... ― ele começou, pensando em uma forma de se justificar, mas já levantava da cama, sentando-se na cadeira em frente ao computador. ― Não, ainda não está pronto! ― exclamou, segurando a mão de no mouse, e este fez bico.
― Mas já está salvo... ― resmungou em um muchocho.
-ah, também quero ver. ― tomou o lugar onde estava na cama até então, quase pendurado com a cabeça para fora a fim de ficar mais perto do computador. ― Deixa. ― pediu, tão manhoso quando o outro, mas o olhar de para ele foi significativo. Mesmo sem dizer nada, praticamente gritava: “Negue, e você sabe o motivo!”.
entendeu perfeitamente, para a sua sorte.
― Eu cliquei em salvar sem querer. Não está pronto e eu nem sei se gostei ainda. ― mentiu, e suspirou, deitando-se de barriga para cima e braços abertos.
― Deixa, . Vemos quando estiver pronto. ― sugeriu, fingindo não dar importância para aquilo, mas não respondeu, se moveu ou tirou o bico na cara.
desviou o olhar rapidamente para e então , com uma expressão de criança arteira no rosto, simplesmente deu play no vídeo mesmo assim, e a abertura recém colocada de começou.
, não está pronto... ― choramingou, tocando o mouse para pausar o vídeo, mas o impediu, estapeando sua mão.
― E daí? Deixa eu ver! ― insistiu, rindo da dancinha que fazia na tela.
Os outros dois se entreolharam. Agora voltava para a posição inicial, quase pendurado na cama e por trás da , moveu a boca, sem som, com a pergunta “o que tem ai?”, mas já se voltava para o outro, na frente do computador.
... Era pra mostrar só quando estivesse pronto. ― tentou mais uma vez, em uma espécie de chantagem emocional que não deu muito certo.
― Mas está bom, ! ― respondeu animado, não se dando conta do que acontecia ao seu redor. Nesse momento, no vídeo, acenava exageradamente para a câmera, e gesticulou para frente a fim de exemplificar. , que agora já prestava atenção na tela, riu de si mesmo, e foi ai que se deu por vencido, deixando-se cair sentado na ponta da cama.
Não havia qualquer contato entre os dois no vídeo, era só aquilo, . Muito . Dançando, brincando e sendo simplesmente ele. Nada que já não conhecesse, era daquela forma com todos eles. apenas se sentia inseguro pois passara um dia inteiro gravando e depois a noite toda admirando as imagens. E havia sido um dia íntimo, um dia dos dois, com mais significados do que um dia poderiam contar.
O vídeo continuou com o jantar e depois, com ambos na Disney. Poucas cenas de lá na verdade, passara mais tempo se divertindo do que filmando realmente, mas ainda assim, lembrar daquele dia fez com que algo se revirasse dentro dele, de uma forma boa, obviamente.
Eles podiam ter terminado o que tinham ali, mas ainda assim sentia certo alívio em saber que haviam feito isso de forma amigável. Que simplesmente conversaram e chegaram em um acordo que não precisou ficar entre eles ou mudar qualquer coisa na relação que sempre tiveram. Não poderia mais beijá-lo agora e sentiria sim falta disso, muita, mas ficava satisfeito das coisas terem terminado bem, de saber que ainda podiam ser próximos e principalmente, por saber que de qualquer forma sabia o que ele sentia. Saber que não precisava esconder quem era de e que se precisasse, ainda podia contar e conversar com ele. Tudo ficaria bem.
― Oooooh, kiyo¹! ― gritou animado, chamando atenção de ao final do vídeo. , que também prestava atenção, ria e se permitiu sorrir, suspirando de certa forma aliviado pela reação dos dois. ― Está pronto, e ótimo! Por que não nos deixou ver?
― Eu não sei, uhm... Eu acabei fazendo só com o então eu... Pensei em dar pra ele de presente, e fazer outro.
― E daí que é só o ? Você passou o dia com ele ontem, seria com quem o vídeo? ― perguntou, tão direto quanto só ele, e acabou rindo porque, depois de passar tanto tempo paranóico achando que o vídeo era íntimo demais, não havia visto nada de estranho nele. Aparentemente, ele só pensava dessa forma porque sabia de tudo, o motivo para terem saído sozinhos, o beijo que haviam trocado no resort da Disney. ― Posta, você deveria postar.
― Acho melhor... O Sejin ver antes. ― falou. Ter desculpa para que o vídeo precisasse ser autorizado era o melhor porque ele realmente não queria postar. Ainda era diferente saber que viu e saber que o mundo inteiro veria. ainda queria esconder. Havia sido um dia especial deles.
― Por quê? Ele já tinha dito que podia.
― Mas é só o .
― E daí, ? ― perguntou, só depois estreitando os olhos. ― Está tudo bem? ― questionou, e arregalou os olhos da forma como sempre fazia.
― Eu? Sim, por quê?
― Você parece... Na defensiva. E com a gente? Por qual motivo?
― Eu não estou. ― respondeu rapidamente. ― É só que... Eu não sei o que se passa na cabeça dos fãs, o que vão dizer.
― É com isso que está preocupado? ― questionou, mas não sabia dizer se ele havia ainda estava ou não desconfiado.
― É. ― confirmou mesmo assim.
, sempre vai ter alguém pra criticar o que fazemos. E não só como idols, mas na vida. A sociedade é assim, um saco. Se você gostou no vídeo, deveria postar. É só um dia off com o , assim como eu tive um com e o . Não tem nada demais. ― ele deu de ombros, levantando-se dali então.
― Eu gostei disso. Você é muito sábio, . ― respondeu, olhando com um sorriso orgulhoso para enquanto este concordava com a cabeça.
― Eu sei. ― respondeu, dando um tapa na bunda de em seguida.
― Ai! ― resmungou, mesmo que não tivesse doído de fato, e levou as duas mãos até o lugar.
― Por que fez isso?!
― Por que é grande demais para ignorar. ― respondeu, e foi obrigado a rir junto com . ― Vamos comer? ― perguntou ao outro. ― Tinha esquecido, mas viemos aqui para isso. Eu e encontramos um ótimo lugar.
― Um ótimo lugar de comida coreana. ― ressaltou, fazendo pouco do amigo, e fingiu que iria bater nele novamente por isso. Entre risos, se encolheu, e fez o mesmo.
― Já faz tempo que estamos longe de casa. É bom matar a saudade de vez em quando. ― explicou, e concordou com ele.
― Vou me trocar e encontro vocês lá embaixo. ― falou e os outros dois concordaram, então foi até a sua mala enquanto ajudava levantar para saírem.
✘✘✘

ainda não tinha acordado quando chegou até o restaurante do hotel. Mal saberia dizer na verdade, se o perguntassem, como diabos ele tinha parado ali. Tinha apenas uma breve memória de que o havia acordado, jogando-se sobre ele, mas aquilo era tão comum que talvez só estivesse confundindo os fatos. Ele coçou os olhos, ainda entreabertos, quando avistou o grupo incompleto sentado em uma das mesas, apenas e sentados a ela.
ie, ie, ie. — brincou ao vê-lo, modificando a voz como normalmente fazia quando queria brincar com um dos membros. Na verdade, usava aquela voz oitenta por cento do tempo, mas fazia parte dele. Se , para , era como um anjo, era como o sol. Sempre, divertido e espontâneo. Assim como , estava sempre preocupado com os outros, fazendo o que podia pelos outros, mas de forma mais discreta que , que sempre fazia tudo aos berros. E era tão escandaloso na maior parte do tempo, que as pessoas acabavam nem notando seus pequenos gestos, os que faziam dele uma das pessoas mais incríveis que conhecia.
Em resposta ao amigo, apenas meneou três vezes com a cabeça, em uma tentativa de cumprimentá-lo, mas piscou por um tempo longo demais em seguida, apenas ouvindo a risada dos outros dois pela atitude.
ie não acordou ainda. — voltou a brincar, e negou com a cabeça, concordando que não, ele não havia acordado.
— Toma, pegamos café pra você, vai ajudar. — falou, empurrando em sua direção um copo de 250ml de café que nem questionou em pegar. Estavam acostumados ao café. Nem sempre tinham tempo para dormir e não existia nada melhor para acordar do que cafeína. Tomar café, inclusive, era um hábito entre os coreanos, sendo servido até mesmo nas escolas. Sem erguer o copo, abaixou a boca até o canudo, e bebeu ainda de olhos fechados, ouvindo mais uma risada de por isso. — Não dormiu bem? — perguntou novamente, e sem parar de tomar a bebida, apenas concordou que sim, havia dormido bem.
— Passou a noite jogando? — tentou, e dessa vez não seu deu o trabalho de dizer nada, apenas conteve um sorriso de lado por ter sido pego fazendo algo "errado".
-ah! — exclamou agora, e acabou rindo, junto com . — Sabia que acordaríamos cedo!
— Uhm... — resmungou com o grito do outro perto demais. — Podemos dormir até mais tarde amanhã.
— Amanhã tem passagem de som para o show! — exclamou, e finalmente parou de tomar o café para erguer a cabeça, totalmente confuso com a informação.
— Não era um handshake?
— Depois de amanhã. — explicou enquanto assistia a discussão como se olhasse para dois de seus filhos tendo uma conversa super inteligente, digna de prêmio, e não um maknae semi acordado e totalmente confuso e uma cria escandalosa chamando atenção de todas as pessoas ao redor.
— Posso dormir mais cedo hoje, então. — deu de ombros, como se aquilo resolvesse tudo, e riu quando pulou de susto ao tentar voltar sua atenção ao café, sendo interrompido por mais um grito de :
— Ya! — exclamou, e parou no meio do caminho com a boca aberta, em frente ao canudo. — O show é em outra cidade!
— Uhm? — voltou a perguntar, olhando para agora.
, você sabe onde estamos pelo menos? — perguntou entre risos, e franziu o cenho ao tentar se lembrar. Ele sabia, mas seu cérebro ainda não tinha acordado para que ele pudesse responder a pergunta.
— Ya! — gritou de novo, assustando mais uma vez, e ele olhou para como olharia, o que fez rir, abraçando-o no percurso para se desculpar.
também riu com a atitude, aquele riso sem som, mas mostrando todos os seus dentes, como um coelhinho, e fez o mesmo.
— Estamos em Tokyo. O show amanhã é em Hiroshima. Por isso acordamos cedo, Sejin achou um lugar para ensairmos para o BTS Festa até a tarde, quando pegaremos voo para lá. Chegamos de madrugada, mas você pode dormir no voo e mais algumas horas até a passagem de som amanhã. Não vai ser tão cedo, já que o show é no final da tarde. — explicou, e concordou, lembrando-se de ter ouvido algo sobre isso em algum momento.
— Não podia ter explicado assim? — perguntou para que apenas riu de novo, antes de empurrar um prato para .
— Para de falar e come. — respondeu, puxando o café antes que alcançasse a boca até o canudo novamente. olhou para ele como um cachorrinho perdido, e apenas riu outra vez. Era afinal, rir era quase sua maior função no grupo. E fazer os outros rirem com o som dele rindo também. Ninguém jamais se acostumaria àquele som.
— Bom dia, bom dia. — Sejin se aproximou deles, tocando as costas de no percurso, que agora se concentrava no prato que havia colocado a sua frente, mesmo sem saber bem o que era aquilo. não fazia o tipo fresco para comer, muito pelo contrário. Comia até demais e só então havia notado o tamanho de sua fome. — Consegui uma sala pra vocês por três horas. — avisou, entregando o cartão na mão de . Ninguém achava totalmente necessário aquele ensaio todo, visto que treinavam sempre que podiam mesmo dentro dos quartos de hotéis e ainda teriam quatro dias livres até o BTS Festa para isso, mas era bem exigente quando o assunto era dança. Ninguém tinha dúvidas de que ele e eram os melhores dançarinos do grupo, mas enquanto a falta de confiança de podia exigir um ensaio ou outro a mais, era apenas perfeito sempre.
Conhecendo , muito provavelmente estava fazendo aquilo por , e não era que ia reclamar. Quanto mais se dedicassem, melhores se sairiam naquilo e os fãs mereciam todo o esforço.
— Onde é? Onde é? — perguntou, olhando animado para o cartão em suas mãos.
— Terminem o café, levo vocês lá. — respondeu, sentando-se ao lado de . — É só um quarto vazio, basicamente, mas tem espaço o suficiente.
— Uhh... — fez uma dancinha em comemoração, e o acompanhou, rindo em seguida.
— Ah, por falar nisso. — Sejin voltou a passar um dos braços pelos ombros de , mas este, acostumado com a presença do manager, não se incomodou com o gesto, ou parou de comer para ouvir o que o homem tinha a dizer. — Os fãs fotografaram vocês juntos ontem. — falou ele, e literalmente cuspiu o que havia acabado de por na boca. Quando riu, ele colocou a mão em frente a boca, fingindo ter apenas se engasgado, mas lançou um olhar a , que esperava a continuação do que Sejin tinha a dizer. — Está tudo bem? — o homem perguntou ao invés disso, e enquanto limpava a boca com o guardanapo estendido por , ele concordou com a cabeça.
— Sim, pode... continuar. — falou, finalmente se permitindo concluir que não estariam tendo aquela conversa na mesa do café da manhã, de forma tão informal, se tivessem sido flagrados aos beijos no meio de um parque.
— Ah, não é nada na verdade. Tiraram algumas poucas fotos dos dois, por ai, e enlouqueceram. O shipp de vocês é bem forte, sabia? Jikook. Podiam fazer mais isso.
— De sairmos juntos? — perguntou, soando confuso.
— E aparecerem juntos. Brincar em frente as câmeras. O público gosta. É tipo um fanservice.
— Vocês podiam postar alguma foto que tiraram ontem. — sugeriu, roubando um gole do café de e Sejin concordou.
— Ou um vídeo. Você queria começar a postar seus GCF, não? — perguntou, e sentiu seu coração vir a boca ali mesmo. Ele não estava mesmo sugerindo aquilo, estava? Que ele postasse logo o vídeo que se arrependera de fazer quase imediatamente? Não que estivesse ruim, ele havia amado o resultado, mas já tinha visto e agora Sejin sugerira aquilo.
— Ele já fez um! — anunciou ao se juntar a mesa, e arregalou os olhos. — Ficou muito bom, sugerimos que ele postasse.
— Sério?! — Sejin perguntou animado enquanto concordava constrangido.
— Ele tinha receio que as fãs estranhassem um vídeo só dos dois.
— Mas elas iam amar por isso! — Sejin respondeu, animado. — Eu posso ver mais tarde?
— Ahn... — pensou sobre o assunto. Não, ele não queria que ninguém mais visse, na verdade. Não queria que o mundo todo soubesse do dia que haviam tido porque havia sido um momento dos dois, entre os dois, mas o próprio , como se notasse que havia se intrometido demais, foi também quem o salvou do momento constrangedor.
— Sabe, o GCF foi ideia sua, algo que você quis fazer. Acho que só deve postar de verdade se gostar e se sentir satisfeito com o trabalho, é o justo. Mas queria que soubesse que ficou muito bom, e se eu fosse você, postaria. — explicou, piscando em seguida antes de dar as costas para eles.
— Ei, aonde vai? — perguntou, curioso e também preocupado, mas só acenou enquanto passava pela mesa também.
— Vamos fazer compras. — explicou, sem parar por ali. — Estamos atrasados, então bom dia e tchau! — falou rapidamente antes de correr para acompanhar e por sorte, ou na verdade graças a ajuda de , o assunto não se voltou novamente para os vídeos de .

✘✘✘

Nas cadeiras em frente ao palco, os meninos falavam baixo, sobre qualquer assunto aleatório. Alguns staffs e câmeras participavam, Sejin estava com eles, mas o evitava fervorosamente. Teve a desculpa perfeita até então. Após o ensaio com e , mal teve tempo de fazer as malas antes de ter que pegar o vôo para Hiroshima. Comeram apenas no próprio avião e caiu de exaustão assim que chegaram na madrugada, acordando apenas a tarde para a passagem de som. Por um lado, estava descansado e também havia fugido de enviar o vídeo, mas por outro, não teve tempo de fazer nenhuma modificação antes de enviar o conteúdo.
Mais uma vez encontrando a desculpa perfeita para fugir de Sejin, assistia fascinado ao ensaio de .
Ele sempre teve aquela admiração em ver dançar. Seus movimentos eram leves e suaves. Ao tocar no chão, era como se ele nunca tivesse saído dele, ou como se pesasse menos que uma pena. não sabia como ele fazia isso, se tinha relação com os anos que passara estudando dança ou apenas um talento natural, como tinha para o estilo mais livre, puxado para o hip hop. era fascinado por vê-los dançar, os dois. Tão bons e mesmo assim com estilos tão diferentes e opostos. com delicadeza quase angelical e com uma desenvoltura impressionante. dançava bem, mas não achava que tinha o mesmo dom que ambos para aquilo. Ele decorava os passos, e era muito bom nisso. Decorar, copiar a coreografia, mas não tinha o mesmo talento, seus gestos eram mais agressivos, mesmo que sutilmente.
— Oh, Jiminie! Você é incrível! — gritou, atrás de , e este pulou com o susto de não ter notado, até então, que tinha companhia. sorriu ao desviar o olhar brevemente para , que fez o mesmo, mas voltou a se focar em enquanto concordava mentalmente com aquela afirmação. era mesmo incrível, e lindo. Especialmente daquela forma, tão concentrado no que fazia para não errar nenhum passo, ou nota. Sua camisa, fina, voava com os movimentos que fazia no palco, seu corpo se movia com uma naturalidade impecável e enquanto o coração de batia forte demais em seu peito, acabou por se perguntar como diabos deveria simplesmente superar o que estava sentindo.
A teoria, até então, tinha sido fácil. Pelo menos estavam juntos, haviam parado tudo antes de começar e, principalmente, antes que tudo desabasse. Antes que fossem vistos ou descobertos, antes que algo estragasse até mesmo a amizade dos dois. Antes, mas olhando para no palco daquela forma, dando tudo de si para a música, dedicando-se daquela forma para o que fazia de melhor, só conseguia pensar que não, somente a amizade talvez não bastasse mais.
Ele não diria que seu amor por não era mais puro, não se sentia dessa forma. Mas não achava mais que apenas tê-lo como amigo era suficiente. Que um abraço de conforto não era mais o bastante.
Perdido em seus devaneios, só notou que não eram mais apenas ele e quando o abraçou por trás, abaixando-se as suas costas para envolvê-lo pelo pescoço com os braços. segurou as mãos dele em frente ao seu peito por reflexo, mas seus olhos ainda eram do outro no palco. Era como se somente tivesse olhos para , tão perfeito como uma escultura, com passos tão impecáveis quanto um bailarino profissional e a voz tão doce e suave que o envolvia em calma, mesmo que a letra da música transmitisse toda a confusão de uma mente conturbada, perdida em um mundo de mentiras, como já dizia o nome da música. “Lie”.
suspirou. Ele estava apaixonado. Muito, e isso era perturbador. Não podiam fazer aquilo, mas quem gritaria aquilo para seu coração? Ele estava perdido, muito perdido, e não tinha com quem contar, com quem conversar e não podia dizer nada nem mesmo a . Sempre contara com , para tudo, e não podia contar com aquilo, não mais. Não podiam mais estar apaixonados. Aquilo não ia funcionar, e sentiu sua garganta se fechar com todos aqueles pensamentos que invadiram sua mente sem permissão.
Era o primeiro dia e ele já estava desesperado. O simples fato de pensar que não podiam estar juntos quando isso era o que ele mais queria, o deixava agoniado.
é tão bom. ― comentou, e somente então voltou a se dar conta da presença dele ali. De todos, na verdade.
estava sentado de pernas cruzadas em forma de índio na ponta do palco. estava agachado atrás dele, o abraçando. estava embaixo, com os braços apoiados no palco e agora estava do seu lado direito enquanto , do lado esquerdo, segurava os ombros de que em algum momento desconhecido, se sentara ali. Várias outras pessoas estavam ali além deles também, obviamente. A produção andava de um lado para o outro, eufórica com todos os preparativos. A equipe era gigantesca, desde áudio e som, que incluía pessoas para cuidarem de instrumentos, acústico, retorno e qualquer outra coisa que isso envolvesse; iluminação; filmagem; montagem do palco; segurança e isso só na parte mais técnica. Ainda tinham os staffs mais próximos, que cuidavam de figurinos, maquiagem e que cuidavam pessoalmente de sua saúde e alimentação. Tinha gente o suficiente para que eles sequer conhecessem todos, mesmo que se esforçassem para isso, mas no meio da correria que era a preparação, poucos além deles realmente pararam ali para assistir. Algumas pessoas da equipe de filmagem, que os acompanhavam sempre que podiam com câmeras para lançarem conteúdos exclusivos no BangtanTV e pessoas que precisavam acompanhar aquilo todo para se certificar de que tudo funcionava adequadamente em conjunto, acompanhando a cada passo.
Mas haviam certas coisas sobre que nunca mudavam. Não importava por quantos anos fizessem aquilo, ou o quão acostumados estivesse com aquilo. era péssimo para lidar com a pressão. O problema não era exatamente o público em si, ou o medo do palco. O problema era a pressão que ele fazia sobre si mesmo. Quanto maior fosse sua preocupação em ser perfeito, maior era também sua falha quando vinha. Era como se não precisasse pensar para cantar e dançar, ambas as coisas eram parte dele, então se pensava, algo saia errado.
Pessoas demais haviam se juntado a eles para assistir, e não era maior que o público esperado para a noite, com centenas de pessoas, mas era justamente esse o problema. As pessoas estavam perto demais, focadas demais nele, e não havia outro barulho muito além, o som estava cru, sua voz também, ecoando na arena ainda vazia e foi o conjunto disso que o deixou nervoso, fazendo com que por fim errasse a nota.
continuou como se nada tivesse acontecido. As pessoas, ao redor, se notaram fingiram não tê-lo feito, mas o conhecia bem o suficiente para saber o que aquilo resultaria. Todos sabiam, na verdade, todos que o conheciam, mas foi quem se culpou por ter parado ali para assistir tão de perto e tão atentamente.
Lie era uma performance difícil. Exigia muito vocalmente e fisicamente e cada show aquela música se tornava um fardo ainda maior para . Cada vez que errava se preocupava mais e cada vez que se preocupava... Era uma espécie de ciclo sem fim, e assim que notou o erro, aquele mínimo erro que ninguém de fora, que não tivesse participado das gravações, teria notado, soube que aquele show seria mais um peso para .

✘✘✘

“Caught in a lie...” [Pego em uma mentira] cantava sozinho em uma das salas quando , que o procurava, finalmente o encontrou. Ele apreciava a voz de , especialmente daquela forma, cantando livre de qualquer acompanhamento, mas saber o por quê de fazer aquilo apenas trouxe certo aperto para o seu coração. Era tão lindo, mas se esforçava por não achar bom. ― “순결했던 날 찾아줘” [Por favor, encontre o eu que era inocente] continuou, no coreano original, mas cantou esse trecho mais baixo. Ele não era exatamente o causador da complicação e sim a forma como a palavra "lie", na parte em inglês, vinha soando. O problema era que sabia o que fazer, só que era difícil quando se estava no palco, com centenas de pessoas gritando e esperando seu melhor, ou quando se cobrava tanto ao ponto de ficar nervoso. Seu nervosismo que o fazia errar e não sua falta de capacidade.
? — chamou, após três leves batidas na porta para entrar e o garoto, sentado de forma jogada no sofá, olhos fechados, apenas virou minimamente a cabeça para encará-lo, sem erguê-la de onde estava, quase pendurada no encosto do móvel. — Como você está?
— Bem. — mentiu descaradamente. Era só olhar para saber que não. Mesmo quieto exalava tranquilidade, mas aura típica de positividade ao seu redor havia sumido. — Só estou ensaiando a letra.
— Você sabe a letra. — respondeu, sentando-se ao seu lado. — Só precisa ficar calmo, .
— É mais fácil falar, mas eu não tenho toda sua confiança.
— Eu sei, mas se desligar das pessoas ao seu redor ajuda. Se manter focado. Você começou muito bem, tão bem como sempre, mas se distraiu com as pessoas. Foi isso, . Distração. Você é incrível, e eu queria muito que pudesse ver isso.
sorriu minimamente, e suspirando, finalmente desencostou a cabeça do sofá, apenas para descansá-la nos ombros de . O mais novo relaxou contra o acolchoado e passou um dos braços sobre os ombros de , abraçando-o de lado para confortá-lo. Uma voz em sua mente, depois de tudo que havia sentido enquanto o via dançar mais cedo, gritou que era errado, que ele não deveria fazer isso, mas simplesmente a ignorou. Já tinha falado demais e não era como se atitudes como aquela, um simples abraço de conforto, não fosse comum entre todos os sete no grupo. Bom, talvez não , mas ele era melhor com as palavras também, o suficiente para que o abraço nem fosse necessário, mas não era assim.
Queria dizer que era triste que se desmerecesse tanto quando ele tinha tanta admiração por ele. queria que tivesse alguma forma de fazê-lo ver, pois sabia que apenas palavras, especialmente as suas, não bastavam. Elas podiam consolá-lo e até fazer com que se sentisse amado, mas não eram o suficiente para que ele entendesse o quão bom era, ou o quanto era admirado pelas outras pessoas.
Mas não sabia por isso em palavras, tanto quanto não sabia demonstrar com gestos também. Era horrível, ver alguém que você ama triste daquela forma, por se achar insuficiente, quando na verdade era o mundo de tantas pessoas. Não existia no mundo alguém mais doce e gentil que , era injusto que ele não enxergasse.
— Queria que você pudesse se ver nos meus olhos. Ver o que eu vejo quando olho pra você. — falou, porque aquilo era o mais longe que ele chegava com palavras de incentivo. — Minha admiração por sua voz, e por sua dança. A calma que transmite para as pessoas que o assistem, mesmo cantando uma música como Lie. Ninguém é perfeito, todo mundo erra. Eu vou errar, você, e os outros meninos, em algum momento, mas isso não faz de você menos talentoso ou menos incrível. Não faz de você menos do que as outras pessoas e não muda quem você é, ou o que pode fazer. Falhas acontecem, e enquanto deixar que te atormentem, elas vão continuar porque o medo vai te fazer errar. É isso que o medo faz. Não deixe o medo te vencer. Faça isso por nós, que ficamos tristes em te ver triste. Pelos fãs que se inspiram na sua luz e que são tocados por ela e, principalmente, por você, que precisa disso pra manter sua saúde. Não se atormente, .
ergueu o olhar para , e este apenas usou uma das mãos para afastar seu cabelo de seus olhos, impedindo que ele pudesse vê-los. havia optado pela cor natural deles dessa vez, e gostava disso, mesmo que fosse capaz de ficar bonito com qualquer outra cor também. acariciou sua bochecha, mesmo que aquele carinho tão delicado não fosse muito condizente com ele. Sentia tantas coisas perto de , tanto carinho, tanta admiração, tanto amor que se perguntava como foi capaz de demorar tanto tempo para perceber o que sentia. Queria tocar sempre que estavam próximos e gostava quando fazia o mesmo. Queria beijá-lo, mas tudo o que fez naquele momento foi tocar sua testa com os lábios, gentilmente, sentindo a respiração de tocar seu pescoço devido a aproximação.
deixou seus lábios ali por um tempo um pouco maior que o necessário, e recebeu um sorriso satisfeito de quando se afastou. Aquele sorriso inocente e até um pouco tímido de quem gostava do carinho, e ficou feliz também em saber que tinha acertado.
Como se estivesse envergonhado, voltou a esconder o rosto em seu pescoço, e riu se esquivando com as cócegas quando o nariz de roçou sua pele. o envolveu com um dos braços, o impedindo de se afastar, mas foi o riso de , contra sua pele, que o fez ficar, porque amava aquele som e saber que havia contribuído para que ele voltasse o deixava satisfeito.
— Não podem nos ver assim. — lamentou, mesmo que também risse enquanto pousava a mão livre sobre o braço de ao seu redor.
Mas , por sua vez, deu de ombros, aconchegando-se melhor onde estava sem soltá-lo.
— Eu agarro todo mundo, não seria surpresa pra ninguém. — observou, e aquilo nem poderia negar. — Você que é o problema. — falou, e dessa vez riu novamente, recebendo um sorriso de e retorno ao gesto.
— Eu não agarrar todo mundo é um problema? — perguntou, desviando o olhar para que, no entanto, nem se moveu para que pudesse encará-lo. — Quer que eu agarre todo mundo?
— Não. — respondeu, com a voz ligeiramente arrastada e quase manhosa. — Mas finge que eu não disse isso porque nós não somos um casal. — completou, e riu mais uma vez do comentário.
— Besta.
— Ei, você não estava me consolando? Não pode me xingar.
— Você já parece muito bem.
— É ilusão. — devolveu, apenas para não soltá-lo e não reclamou porque aquilo era o que ele menos queria na vida. Estar com daquela forma e não poder beijá-lo, ou ser um casal, ia ser um de seus maiores desafios, especialmente com tudo o que sentia sempre que o outro sorria ou, simplesmente, quando estava perto, mas era o certo e, mesmo contra sua vontade, aceitou a amizade, pois era definitivamente, uma das pessoas mais importantes que tinha por perto.

kiyo¹: Algumas gírias e falas coreanas são difíceis de entender ou encontrar algo a respeito, e me perdoem por fazer essa nota mais no "achismo" do que qualquer coisa.
Quem acompanha o BTS, já os notou gritando algo semelhante a "cute" e o significado é o mesmo, "fofo". O que encontrei sobre é que eles gritam "kiyo", uma variação de "Kiyowo" que significa o mesmo. Se estiver errado, por favor, me avisem porque encontrei pouco conteúdo sobre o assunto.


Continua...



Nota da autora: Eu nem acredito que já tenho comentários! De verdade! Muito obrigada por isso e desculpem por demorar mais do que o prometido. O período de provas foi uma bagunça, mas espero poder me dedicar mais a escrita agora.
Obrigada, de verdade, pelo incentivo e espero que esse capitulo tenha compensado o outro, tão curtinho. <3




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, me contate no e-mail.


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