FFOBS - Crystal Snow, por C. Mile

Última atualização: 24/06/2018
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Prólogo

Dia 20 de Maio, às vésperas do Billboard Music Awards, edição de 2017.
O grupo havia descido para comer no restaurante do hotel em Las Vegas, mas optou por ficar em seu quarto. Estava ansioso demais, agitado demais, nervoso demais e provavelmente vomitaria qualquer coisa que colocasse na estômago agora. Tentava se distrair com o jogo iniciado em seu notebook, mas conseguiu apenas perder algumas dúzias de vezes em momentos totalmente estúpidos e aleatórios, ganhando o ódio gratuito -ou nem tanto- dos seus companheiros de jogo como resultado.
Desistindo daquilo, de jogar, fechou a tela e deixou que a cabeça pendesse para trás, na cadeira giratória no quarto, e rodou duas vezes, olhando para o teto antes de bufar.
Ficar no quarto, definitivamente, havia sido uma péssima ideia e ele não levou nem um minuto para se levantar. Parou em frente ao espelho e decidiu que não estava tão ruim para descer daquele jeito mesmo. Calça de moletom e camiseta preta. Apenas buscou uma touca da mesma cor e os coturnos antes de pegar o celular para seguir até a porta.
Assim que a abriu, no entanto, pulou para trás com o susto de ver parado ali, com uma das mãos erguidas prestes a bater. O garoto piscou duas vezes, e então sorriu para antes de entrar no quarto sem ser convidado, jogando-se sobre a cama do outro antes mesmo que este tivesse tempo de dizer "oi".
- Ia descer, não ia? – perguntou, cruzando as pernas em posição de índio sobre a cama. - Eu sabia que não ia aguentar ficar sozinho. Está nervoso, não está? Eu também estou. – riu mais um vez, jogando-se de braços abertos na cama por um segundo antes de sentar novamente, de súbito. – Dá pra acreditar que fomos indicados para o Billboard? – perguntou, demonstrando seu nervosismo com os pulinhos que dava na cama ao invés de ficar simplesmente parado. – Ah, caramba! Fomos indicados para o Billboard! – exclamou de forma exagerada, exatamente como Park costumava fazer, mas ainda se manteve parado na porta, ambas as mãos nos bolsos do moletom e , como se só então notasse, piscou mais uma vez. – O quê? – perguntou, agora mais sério e o semblante preocupado. – Está se sentindo bem? ?
O garoto levou um segundo para concordar, e quando o fez, se obrigou a sorrir para o mais velho mesmo que não fosse verdade. As coisas não estavam muito bem quando se tratava de . Não desde que se deu conta da verdade, de que gostava de de uma forma que definitivamente não deveria gostar.
não sabia dizer o que havia sido mais difícil: Admitir para si mesmo que provavelmente gostava de garotos ou que seu melhor amigo havia despertado esse sentimento. Nunca havia tido uma experiência com um rapaz antes para saber se estava certo, mas desde que decidiu aceitar a possibilidade, tudo ficou um pouco mais claro, como se só então fizesse sentido. Era como se tivesse reprimido tudo por achar errado, apenas para que aquilo se voltasse contra ele, de uma só vez, agora.
estava apaixonado por ele. Desconfiava de que sempre tivesse estado e vinha evitando ficar sozinho com desde então, com um medo absurdo de que ele percebesse e isso estragasse a amizade entre os dois. Pior, que isso interferisse no grupo inteiro, ou que virassem as costas para ele ao descobrir que se sentia daquela forma com garotos. Nenhum deles, jamais, fez o estilo preconceituoso, mas e se algo mudasse por ser uma pessoa tão próxima?
Estar em um grupo famoso o ensinou a ignorar opiniões alheias e mesmo assim, as vezes ainda ficava mal com elas. Preferia se manter longe da internet por isso, mas com os meninos era diferente, ele se importava, eram sua família e não suportaria ser tratado de forma diferente independente do motivo. Já havia perdido noites pensando naquilo.
- ? - agora se ajoelhava na cama, inclinando-se para frente como se quisesse verificá-lo e apenas chacoalhou a cabeça, sorrindo para exemplificar que tudo estava bem. Com isso se arrastou, de costas, até a cabeceira da cama e bateu com a mão ao seu lado para que se juntasse a ele. até quis recusar, mas ciente de que não tinha chances daquilo passar despercebido pelo amigo, ele apenas respirou fundo e foi, mas parando, de certa forma, até meio afastado. Imediatamente, se virou de frente para ele e precisou controlar o instinto de se afastar. - , o que foi? - perguntou, falando seu nome de forma arrastada e um pouco mais alto do que o normal. Não que o normal de não fosse aquele, falar mais alto do que o normal, especialmente quando algo o incomodava. Era por isso que gostava tanto de importuná-lo afinal.
- Não é nada. - respondeu e o encarou impaciente.
- ie! - exclamou, insatisfeito com a resposta. Era óbvio que ele ia notar aquela frieza de para ele. Eram sempre tão próximos, aquilo não fazia sentido. Em outra ocasião, provavelmente se jogaria sobre e terminariam estapeando um ao outro, mas ele nem conseguia mais cogitar aquela possibilidade. Ficar próximo de daquela forma mesmo que nunca antes tivesse visto mal nisso. - . - ele repetiu mais uma vez, agora sem o tom escandaloso ou a brincadeira. Era sério. Ele podia não saber o que havia deixado assim, mas a falta de resposta mesmo depois de tudo deixou claro que era sério e se existia antes uma forma de escapar, agora não tinha mais.
era assim. Na maior parte do tempo barulhento e intenso demais. Brincalhão demais, como se nada o afetasse, mas isso era só até algo exigir sua atenção. Se existia um problema, nada o fazia parar até que este fosse resolvido e não conseguiu evitar que ele notasse o problema ali.
- Fala comigo. - voltou a dizer, fazendo um pedido, mas tudo o que fez foi desviar o olhar do dele, encarando suas mãos juntas sobre as pernas. - Eu sei que tem algo errado e sei que é comigo, por isso eu vim. - explicou, e fechou os olhos por um instante porque era justamente aquilo que ele mais temia. - Fiz algo errado, ? - perguntou, e o mais novo negou com a cabeça, ainda sem encará-lo. - Olha pra mim, por favor. - pediu, e dessa vez não pôde aguentar a tristeza que ouviu em seu tom de voz, culpando-se por algo que de forma alguma era culpa dele.
o encarou, como havia pedido, e com um meio sorriso o outro segurou sua mão, o incentivando a falar. olhou para suas mãos juntas, e então novamente para que, em algum momento, havia chegado mais perto e sentiu o coração na garganta em um misto de nervosismo e euforia. Quando deu por si, já era tarde demais. De súbito, ele se inclinou na direção de e fechando os olhos com mais força do que o necessário, colou seus lábios aos dele, sem coragem, no entanto, para tomar qualquer outra atitude além daquela, um simples tocar de lábios. O garoto congelou onde estava, dando-se conta do que havia feito um segundo depois e foi quem lentamente se afastou, não muito tempo depois.
Quando abriu os olhos, viu o choque na expressão do companheiro de grupo e condenou-se imediatamente pela atitude impensada. Havia colocado tudo a perder, a amizade, a carreira e todas as coisas que conquistaram com os anos de trabalho duro.
Sentindo que nem todo o ar do mundo era suficiente para a sensação de aperto em seu peito depois daquilo, se levantou, tão repentinamente quando o havia beijado, e praticamente correu em direção a porta.
- ! - o chamou. pôde ouvir que ele também se levantava, mas não parou, apavorado com a possibilidade de ouvir qualquer coisa que pudesse querer dizer a ele.
Antes que chegasse até a porta, no entanto, o alcançou, segurando-o pelo braço e fazendo com que voltasse. foi virado de frente para ele e tão rápido quanto isso aconteceu, os lábios de já voltavam para os dele, agora por escolha do próprio que segurou seu rosto com uma das mãos para isso.
precisou de um segundo para se situar quanto ao que havia acontecido. o tinha beijado. Havia tomado seu gesto como iniciativa e o tinha beijado. repetiu aquilo mentalmente duas vezes antes de finalmente relaxar e fechar os olhos, sentindo o peso do mundo sair de suas costas enquanto sentia a boca de na sua, em um toque tão delicado quanto ao anterior, como se temesse aquilo tanto quanto havia temido. Como se aquilo fosse tão novo para quanto era para .
Sem ter muita ideia do que estava fazendo, deu mais um passo em direção a , aproximando mais seus corpos embora não tocassem ainda um no outro e novamente se agarrou a iniciativa, entreabrindo seus lábios e fazendo o mesmo com o do mais novo.
Finalmente, suas línguas se tocaram e jamais poderia dizer o que sentiu sobre isso. Soava certo como se, até então, algo estivesse faltando em sua vida, algo que nunca soube que faltava para dar falta, mas que agora sabia. Era como a sensação de liberdade após se livrar de algo que te assombrava por muito tempo e levou uma de suas mãos para os cabelos de para aprofundar o beijo que trocavam, lento como se aproveitassem cada segundo daquilo para conhecer um ao outro, ou pelo menos, aquele lado.
Dessa vez, foi quem rompeu o beijo. A curiosidade falando mais alto do que a sensação de ter seus lábios juntos. Afastou-se apenas o suficiente para poder falar o que precisava e mesmo que seu coração estivesse prestes a pular para fora, sentia-se verdadeiramente completo pela primeira vez em muito tempo, apenas em ver os olhos de lhe encarando tão de perto sem nenhum indício de que ele pretendia fugir de alguma forma.
- Desde… desde quando? - sussurrou para o amigo e sorriu para ele com a pergunta.
- Desde sempre. - respondeu apenas, antes de aproximar seus lábios mais uma vez.


Capítulo 01.

- ie! - exclamou de forma exagerada e o garoto, sentado ao seu lado, apenas riu. era surtado demais, por qualquer coisa. Suas reações eram sempre as melhores, especialmente quando alguém o aborrecia. Na maior parte do tempo, não estava irritado de verdade, ou chateado, mas isso não o impedia de ser dramático e intenso em qualquer reação que pudesse ter.
E era por isso que amava provocá-lo. Sempre.
Com a risada do amigo, acabou rindo também, mas não deixou de empurrá-lo e se deixou cair para trás na cama, sem parar de rir.
- É muito fácil te irritar. - falou, o cutucando com um dos pés e cruzou os braços em frente ao peito, como se não ligasse para o gesto.
- Não estou irritado. - respondeu, e sem responder nada, apenas o cutucou novamente. - Paraaaa. - pediu, de maneira arrastada, e apenas riu mais uma vez, como se aquilo comprovasse o que ele havia dito. - Não foi um "para" de irritação, foi um para de para.
- E qual a diferença de um "para" para o outro? - perguntou, se divertindo ao deixá-lo sem resposta. - Viu, nem você sabe.
- Sei sim, só não adianta me justificar pra você. - devolveu, ainda emburrado e sorriu, não podendo achar mais graça na situação. bravo era como um ursinho de pelúcia tentando ser mau. emburrado fazia com que ele quisesse apertar suas bochechas e rindo fazia com que risse junto. E qualquer uma das formas de enchiam o coração de qualquer pessoa de amor, não precisava nem ser a forma romântica do amor, era aquele amor que o mundo precisava ter com as outras pessoas. Aquele amor que aquece seu coração e te deixa bem após um dia ruim.
era um anjo, e admirava todas as formas de , todos os humores, porque independente dele sempre conseguia ser alguém admirável. Provavelmente por isso havia se apaixonado.
- Vem aqui. - pediu, estendendo a mão para o garoto que apenas virou o rosto para fazer manha. - Vem… - insistiu, mas o outro não deu o braço a torcer.
- Não, não quero você. - respondeu, e riu ao se sentar para puxá-lo.
- Deixa de ser bobo, . - provocou, fazendo com que ele descruzasse os braços segurar suas mãos.
- Hyung. - corrigiu e apenas riu mais uma vez.
- Uhm? - se fez de desentendido e olhou com certa ironia para seu cinismo.
- Sou seu hyung. - explicou, mesmo estando ciente de que era totalmente desnecessário e que sabia exatamente do que ele falava.
- Não vou te chamar de hyung. - o garoto respondeu despreocupado, desistindo da mão estendida para e colocando os braços atrás da cabeça.
bufou. Teatralmente, é claro, e segurou outro riso.
- Por que não? Eu sou seu hyung. - falou, fingindo não estar interessado na resposta, o que percebeu imediatamente.
- Pra mim é só o . - respondeu, dando de ombros.
- Mal educado. - retrucou sem encará-lo.
- Não sou não. - respondeu, mesmo que não levasse a conversa a sério, nem de longe. também não levava apesar de tentar demonstrar que sim e o conhecia bem demais para saber.
sem um drama não era Park .
- É sim. - devolveu, como prova, e precisou conter a vontade de puxá-lo pelas bochechas para perto.
- Ninguém me chama de hyung, então também não vou chamar. - continuou a discussão e olhou para ele como se estivesse muito chocado com a afirmação.
- Porque você não é hyung de ninguém! - exclamou e concordou.
- Exatamente.
- Você decidiu ser mal educado só por pirraça? - soltou, e precisou controlar a vontade de rir para se manter indiferente.
- Um único termo não define sua educação.
- Você sabe que é o único que tem que me chamar assim, não sabe? Por que não pode me deixar feliz? - dramatizou.
- -ssi. - provocou, e como o esperado, olhou para ele desacreditado.
- -ssi? -ssi? - repetiu, fazendo rir mais uma vez. - Por que -ssi e não hyung?
- Porque você quer que seja hyung. - riu mais e dessa vez se jogou sobre ele para estapeá-lo, fazendo com que puxasse as cobertas para a cabeça a fim de se esconder dele. - -ssi! - gritou, segurando a coberta com mais força quando se sentou sobre ele para tentar afastar o edredom.
- Hyung! - repetiu, usando uma das mãos para fazer cócegas em a fim de que isso o ajudasse a afastar a coberta.
riu, travesso, e acabou fazendo o mesmo, mas segurou o corpo do garoto com mais firmeza entre suas pernas para impedí-lo de se debater. Quando finalmente conseguiu fazer com que a cabeça de voltasse a aparecer, entre cócegas e risadas, se abaixou em sua direção. até tentou se esquivar, mas não conseguiu fazê-lo ou mesmo afastar quando os dentes dele foram para sua bochecha.
Não medindo força quando o mordeu, fez com que gritasse.
- Ai, ai, ai, ai! - tentou empurrar sua cabeça, se segurando para não rir, e fez bico quando finalmente se afastou, segurando a região mordida com uma das mãos como se tivesse muito magoado. - Doeu. - falou, interrompendo a brincadeira para se afastar de . Ele se arrastou para cima, saindo debaixo do garoto e imediatamente ficou preocupado, achando ter exagerado.
- ie. - chamou manhoso, voltando a se aproximar. Ele segurou a mão de para afastá-la da bochecha e fez bico também ao ver as marcas de seus dentes ali. - Desculpa. - pediu, beijando de leve o local como se o gesto surtisse efeitos mágicos, mas o garoto apenas se afastou mais uma vez, emburrado. - ie… - jogou os braços ao redor do seu pescoço, beijando sua bochecha mais uma vez, e acabou caindo na risada agora, não se importando nenhum pouco com aquilo. - Idiota. - acusou quando percebeu que estava apenas provocando, mas o mais novo não deixou que ele se afastasse, tocando seus lábios com os dele rapidamente. - Bobo. - acusou novamente e repetiu o gesto outra vez, fazendo rir.
Não se dando por vencido tão fácil, ainda o cutucou mais algumas vezes, com pequenos beliscões na barriga. riu com isso, os dentes totalmente a mostra enquanto tentava afastar as mãos do mais velho. Mas aquela risada era definitivamente o ponto fraco de que, se dando por vencido, voltou a abaixar o rosto em sua direção, colando seus lábios aos de que imediatamente sentiu aquele frio tão característico na barriga. O mesmo que sentia sempre que se aproximava daquela forma.
Algumas semanas já haviam se passado desde a primeira vez que haviam feito aquilo, mas a sensação, curiosamente, era a mesma. E ele não falava apenas da euforia, aquela típica ao beijar alguém que se gosta. Era uma mistura entre a sensação de liberdade por fazer algo que parecia tão certo e, ao mesmo tempo, aquela pequena confusão. não tinha nenhuma dúvida quanto ao que sentia, muito pelo contrário, cada dia era mais certo, mas ainda era estranho que algo que teve como errado sua vida toda, não fosse.
Ele sabia que era tudo questão de costume, foi criado para ter aquilo como errado e sabia que independente do que sentia, esse velho hábito preconceituoso ainda gritava dentro dele, o inibia e impedia que se entregasse como queria.
segurou nos cabelos de com uma das mãos, levando a outra até sua cintura enquanto o garoto movia sua boca junto com a dele. tinha o melhor beijo que ele já havia provado, e o garoto sabia que o motivo era o que sentia por ele, mas qualquer contato mais íntimo o fazia vacilar, mesmo lutando contra aquilo e se sentia sufocar por isso. Por não conseguir demonstrar a tudo o que sentia quando o outro não parecia ter qualquer dificuldade quanto a isso.
E sentia que sabia desse receio, dessa relutância. Mesmo naquele momento, ele cuidava para não colar seu corpo totalmente ao dele, usando uma das mãos como apoio para não assustá-lo com a proximidade, mesmo enquanto se beijavam. Uma de suas mãos apenas tocava delicadamente a bochecha do garoto, a mesma que havia sido mordida, mas tirando isso o contato de era sempre mínimo, deixando, na maior parte das vezes, que tomasse a iniciativas. Era tudo novo para , de uma forma que não parecia ser para . Ele se perguntava as vezes, o quanto de experiência naquele quesito, especialmente com outros garotos, tinha, mas não sabia ao certo se queria realmente saber. Tinha receio de se intimidar ainda mais ou, mais provavelmente que isso, deixar que mero ciúmes atrapalhasse.
Preferia deixar como estava, que as coisas fossem devagar e o mais naturais possíveis. Ele aproveitava o espaço dado por e tentava sozinho avançá-lo. Enquanto suas línguas tocavam gentilmente uma a outra, massageou a nuca de , interrompendo o beijo com uma risada fraca ao ouvi-lo ronronar feito um gato. costumava fazer aquilo quando brincavam com seu cabelo e sempre ria de ouvir.
tomou aquela deixa para se afastar, mas negou com a cabeça, trazendo seu rosto para perto novamente. O garoto entreabriu os lábios quando buscou por eles e permitiu que outro beijo lento fosse iniciado.
subiu a mão que estava na cintura de para suas costas, mas acabou em contato com sua pele quando o tecido subiu. Não era como se nunca tivessem tocado o corpo um do outro, mas era tudo diferente agora que o garoto sentiu se arrepiar com o gesto, encolhendo-se minimamente quando aquilo trouxe sensações demais, inclusive para que preferiu fingir não ter notado.
- Melhor irmos dormir. - interrompeu em um fio de voz e, sem abrir os olhos, concordou, notando que estava ofegante apenas quando se afastou, e não era o único. A respiração pesada de contra seu rosto o fez morder o lábio inferior, sentindo coisas demais com algo tão simples e mentalmente se xingou por fugir de tudo aquilo, especialmente quando mesmo gestos tão pequenos eram tão bons.
- . - chamou, abrindo os olhos antes que ele se afastasse e sorriu docilmente para ele, enchendo seu coração de ternura. - Você sabe que eu te amo, não sabe? - perguntou, e o sorriso de aumentou ainda mais.
- Claro que eu sei. - respondeu convencido, mas se inclinou para beijar o nariz do mais novo. - Mas eu gosto de ouvir.
- Eu te amo.
- Eu também te amo, . - respondeu, fazendo o mais novo sorrir também. - Desculpa pela sua bochecha. - disse ele, tocando novamente a região, e apenas negou com a cabeça, não dando importância.
- Não doeu de verdade. - mentiu.
- Meus dentes ainda estão marcados. - respondeu, fazendo o outro rir.
- Talvez tenha doído um pouquinho. - confessou, e beijou a região por isso. - Agora não dói mais. - brincou e ele lhe beliscou novamente por isso.
- Bobo. - falou, finalmente saindo de cima de que rolou para o lado a fim de desligar o abajur.
tentou abraçá-lo por trás, mas se virou ao invés disso, abraçando de frente e escondendo o rosto em seu pescoço. Ouviu rir baixinho, satisfeito. Ele costumava se satisfazer com aquele tipo de carinho e feliz por ter acertado, finalmente fechou os olhos para dormir ali, no calor dos braços do garoto que, há alguns dias, chamava apenas de amigo.

✘✘✘

teve a impressão de ouvir, ao longe, o som de vozes, mas não se importou muito com isso. Costumavam dizer que ele tinha o sono pesado demais, mas a verdade era que o garoto era muito bom em ignorar o ambiente ao redor para dormir. Mesmo quando acordava, e ele acordava, voltar a dormir não levava nem mesmo um segundo e foi basicamente isso que fez, mesmo quando do outro lado falavam seu nome. Não foi capaz de assimilar isso em seu estado de sonolência.
Ainda sentia o calor de ao seu lado, e aconchegou-se melhor contra ele, suspirando em sua roupa. Sentiu a mão de tocar a sua, resmungando qualquer coisa sem abrir os olhos, mas não se importou de verdade. era preguiçoso demais naquele sentido e acordá-lo era uma tarefa que costumava exigir bastante esforço. Não que ficasse muito longe.
Mas as batidas na porta foram um pouco demais para ignorar.
- ? - ouviu Sejin ao longe, mas de alguma forma seu cérebro não conseguiu assimilar o que aquilo queria dizer. Sejin, seu manager, estava na porta chamando por . Ele sabia disso, mas era como se não significasse absolutamente nada e ele não se moveu.
- Será que ele também sumiu? - falou uma segunda voz, , que soava preocupado, mas soou tão inclinado a se importar quanto ele.
Sejin falou algo em inglês em seguida, e jamais poderia explicar o que se passou em sua cabeça naquele momento. Apesar de ouvir o que acontecia, não era capaz de realmente assimilar as coisas mesmo após a porta do quarto ser aberta e ele entender, de alguma forma, que toda aquela conversa era unicamente porque alguém tentava entrar ali.
foi o primeiro a se sentar, e com os fios loiros desengrenhados, coçou os olhos de forma preguiçosa, olhando para Sejin, JiGaeMae e na porta com uma interrogação no olhar, um tanto quanto curioso pela presença de todos. Ele bocejou, levando uma das mãos até a boca, e negando com a cabeça Sejin acabou rindo enquanto colocava uma das mãos na cintura, como se estivesse muito desacreditado. JiGaeMae apenas virou as costas e foi embora, o que fez com que estreitasse os olhos.
- Uhm? - perguntou, piscando os olhos por tempo demais enquanto se remexia apenas. Não havia soltado quando este levantou, de modo a ficar deitado em seu colo, com o rosto em sua barriga.
- Procuramos por por toda parte e ele estava aqui? - Sejin perguntou e só então ergueu a cabeça, o rosto totalmente amassado e os olhos pequenos entreabertos:
- Uhm? - repetiu a mesma fala de , voltando-se para o homem que riu.
- Qual o problema do seu quarto? - Sejin quis saber, falando de forma até que divertida apesar do susto tomado pelo garoto desaparecido, e só então entendeu o que acontecia.
Era hora de levantar. Como de costume, Sejin havia se encarregado da função, mas não encontrou no quarto porque ele havia adormecido junto com . Não era nenhuma novidade aquilo, fugirem uns para o quarto do outro no meio da noite ou dormirem abraçados, especialmente entre , e , mas a lembrança dos beijos trocados na noite anterior vieram imediatamente a sua mente e o garoto corou de imediato, tentando disfarçar o quão sem graça havia ficado com o comentário.
Dormir abraçado com não era novidade, mas se envergonhar por isso sim. Não deveria se envergonhar, não podia se envergonhar.
E foi então que aquele medo inicial que ele tinha voltou, sobre o que seria do grupo se descobrissem uma relação amorosa entre dois integrantes. Só de pensar sobre isso ele tinha vontade de vomitar. A possibilidade de perder os amigos por não poder controlar seus instintos lhe deixava apavorado, mesmo que admitir o que sentia para tivesse sido a melhor coisa que ele poderia ter feito.
- Acho que eles não acordaram ainda. - falou, rindo, e Sejin negou com a cabeça, mas ao olhar para teve a certeza de que em sua cabeça se passava o mesmo questionamento que havia surgido na dele: "O que diabos estavam fazendo? Especialmente em serem tão descuidados?" Ou: "O que diabos aconteceria se descobrissem o caso dos dois?". E não tinha ideia de qual resposta era mais apavorante.
- Vamos, levantem. - Sejin falou, puxando a coberta que ainda os cobria até a cintura. - Em meia hora temos que estar a caminho do aeroporto. - explicou. - Espero que tenha arrumado suas coisas ontem antes de vir para cá, . Café em quinze minutos.
Ainda assustado, o garoto concordou a cabeça, mas não se moveu de onde estava, assim como .
- Ele quis dizer que está na hora de acordar, . - esclareceu, mas pela primeira vez estava realmente desperto. Ele queria apenas a chance de conversar a sós com sobre aquilo, sentindo um certo receio surgir em seu peito de forma avassaladora. - Eu cuido do e você do ? - perguntou para Sejin, que fez sinal com o polegar para que ele saísse do quarto e foi assim que se aproximou da cama, puxando pelos dois braços para fazê-o ficar de pé.
- Uhmmm… - reclamou. - Já acordei, acordei, me solta. - resmungou, mas não o fez até que ele estivesse de pé.
- Os chinelos. - apontou para o chão, e com os olhos ainda amassados, obedeceu antes de passar um dos braços por seu ombro. - Tem remela nos seus olhos, limpa. - falou, e acabou rindo, preguiçoso, mas não fez nada além de olhar para trás, para , enquanto o guiava para fora do quarto.
E ele sabia que algo havia surgido ali entre eles. Bastou um olhar para ver o desconforto em com aquela situação. Não se tratava apenas de dois garotos descobrindo o amor por garotos. Eram melhores amigos e companheiros de grupo, interferindo na carreira de todos os outros cinco integrantes.

✘✘✘

Se antes queria vomitar, bom, agora ele sentia uma leve vontade de chorar. Era como quando você está emotivo, os olhos querem se encher de lágrimas, a garganta parece fechada, como se algo nela a incomodasse, mas na verdade era apenas o peso de algum fardo lhe incomodando ao ponto de causar tudo aquilo. Ele não gostava de dizer ou ao menos cogitar que era seu fardo, mas naquele momento, aquela era a verdade. era o fardo, assim como ele era o de . E era justamente isso que o estava deixando tão mal.
De avião era cerca de uma hora e meia a viagem de Osaka para Tokyo, mas o desconforto que sentia dentro da van enquanto esperavam o momento certo para enfrentar a multidão do aeroporto estava prestes a consumí-lo.
vestia um moletom três vezes maior que ele, o gorro cobria grande parte do seu rosto e o restante era coberto por uma máscara. Seus olhos estavam fechados e os braços cruzados em frente ao peito, mas sabia que ele não estava dormindo, até porque e brigando ao seu lado fazia com que caísse por cima dele vez ou outra e apesar dele não dizer nada, estava só esperando o momento que ele fosse perder a paciência e beliscar para fazê-lo parar.
ouvia música no celular enquanto conversava com Sejin alguma coisa no próximo dia livre que teriam, após o Handshake de Tokyo, mas a última coisa que fazia era prestar atenção.
Ele estava quieto, e não conseguia evitar que sua atenção caísse em vez ou outra, de olhos fechados com a cabeça encostada no vidro da van.
vestia calças escuras e botas nos pés. Uma camisa de mangas cumpridas listrada, branca e preta e um sobretudo também preto, assim como o boné em sua cabeça. Ele estava particularmente bonito. admirava a forma como ele se vestia normalmente, especialmente a capacidade dele em conseguir se arrumar logo pela manhã, quando só queria esconder o rosto e passar despercebido.
com coisas demais na cabeça, mal notou o que vestia, mas parecia não ter tido dificuldade com isso. Não que ele achasse que o outro não estava preocupado, porque o muro tão absolutamente evidente entre os dois, o mesmo que o deixava tão apreensivo, estava óbvio demais para que ele cogitasse que estava tudo bem.
Não estava. Mas não estava mesmo e por isso estava tão sufocante ficar naquela van.
- O que deu em vocês? - perguntou, olhando diretamente para o que chamou a atenção do garoto.
- Uhm? - perguntou, confuso, e se sentou direito, fazendo com que se virasse para ele. Ao interromper a brincadeira com , o mais velho também foi obrigado a prestar atenção e de canto de olho notou quando ergueu levemente uma das sobrancelhas, demonstrando interesse na conversa apesar de não abrir os olhos.
- sentiu medo do escuro e fugiu para o quarto do a noite. - tirou os fones para provocar o amigo e riu a sua frente.
- Nenhuma novidade. - respondeu, o que ninguém podia realmente negar visto a quantidade de vezes que , mesmo antes de saber o que sentia, já havia dividido a cama com . Mesmo em casa.
- Eu não tenho medo do escuro. - resmungou baixinho, contrariado, e pareceu se desligar do assunto ao ver que era apenas mais uma brincadeira dos garotos. - A cama dele só é melhor que a minha.
- Eu tenho certeza que a do hotel é igual. Esse desculpa só funciona em casa. - respondeu, mas negou com a cabeça.
- Não é disso que eu estou falando. - respondeu ele, olhando de um para o outro. - Não estão se falando. Por que não estão se falando? - quis saber, e sentiu sua espinha gelar. Deixou o queixo cair em um novo "ahm?", se fazendo de desentendido, mas no fundo sabia que não era exatamente fácil simplesmente esconder qualquer coisa de . Ele era normalmente quieto, mas igualmente observador. sentia as coisas no ar. sentia tudo, intensamente, ao contrário do que costumava demonstrar com seu jeito aparentemente frio. Pelo menos para quem não o conhecia de verdade. Vendo de fora as pessoas raramente conseguiam entendê-lo, mas eles sim e tinha grande admiração pela pessoa que era. Mesmo que não fosse de seu feitio dizer aquilo assim como não era o de dizer que os amava ou demonstrar afeto tão diretamente. - Vocês brigaram? - quis saber, e dessa vez decidiu parar de fingir que o assunto não era com ele, o que foi um alívio pois definitivamente não saberia como reagir.
- Está falando de mim e ? - perguntou o outro e apenas o olhou como se perguntasse: "O que você acha?". - Por que pensa isso?
- Ah, não sei. Você está fingindo que ele não existe e te olha como um filhotinho assustado.
olhou para como para comprovar o que havia sido dito enquanto fazia um bico contrariado.
- Não olho não. - respondeu antes que dissesse alguma coisa, mas já estreitava os olhos, como se só então notasse algo que fazia sentido.
E naquele momento odiou o lado observador de .
- Que seja. - deu de ombros, ninguém costumava se importar muito quando as discussões eram com simplesmente porque não sabia ficar mais de meia hora brigado com ninguém. E tampouco deixava que qualquer um deles ficasse brigado aliás, o que era um ponto. - Só não entendo em que momento isso aconteceu se passaram a noite juntos.
- Ele só dormiu no meu quarto. - se defendeu, e precisou de uma força sobre humana para não mandá-lo ficar quieto. Se defender de algo que nunca foi um problema era a principal forma de provar que algo estava errado e, bom, a expressão curiosa de deixou bem óbvio que ele também havia pego aquela afirmação no ar.
- E o que você acha que eu quis dizer? - perguntou, e tratou de falar antes que se entregasse ainda mais.
- Só dormi lá. Não brigamos ou eu não teria dormido lá. É simples. - respondeu rápido, tentando não demonstrar impaciência, mas é óbvio que demonstrou. Também entrou na defensiva e foi estúpido, o que só fazia quando estava impaciente, especialmente com porque ninguém respondia para , ainda mais ele e quis se socar por isso.
- Por que está agindo assim? - perguntou, e até mesmo Sejin e agora prestavam atenção a conversa.
- Assim como? - ele perguntou, se fazendo de desentendido. - Eu não estou mesmo entendendo essa conversa.
olhou então para , que apenas deu de ombros como se entendesse ainda menos que .
- Não olha pra mim, nem estou totalmente acordado. - respondeu, fazendo um trabalho mil vezes melhor que no final das contas antes de simplesmente apoiar a cabeça no vidro novamente.
olhou para , desconfiado, e o garoto repetiu o mesmo gesto feito por .
- Ele disse. - respondeu, e apenas concordou com a cabeça, de forma nenhuma satisfeito com a resolução da história, independente de qual fosse ela. Só não era comum de discutir.
- Vocês que sabem. - respondeu, mas antes que pudesse se acomodar novamente na posição de antes, Sejin bateu com dois dedos no relógio em seu pulso para indicar que estava na hora. Desceriam da van direto para o embarque.
Um a um, desceram do veículo e os flashes começaram imediatamente, junto com os gritos de amor de alguns fãs que os esperavam ali. Evitando olhar para novamente, sorriu e acenou, mesmo que também tivesse parte do seu rosto escondido por uma máscara.
Tinha muitas pessoas ali, esperando-os sabe-se lá desde que horas e era muito grato pela atenção de todas elas, pelo carinho, mas nunca antes quis fugir tão rápido da multidão, sentindo-se pior ainda agora que havia mentido para todos os amigos e nem podia falar com ou qualquer outra pessoa para entender o que estava acontecendo. Sequer podia demonstrar que havia qualquer problema porque apesar de se dar por vencido, ele ainda sentia os olhares de sobre ele, atento para qualquer mínimo deslize e, caramba, ele ia deslizar muito rápido de não conversasse com ninguém.
Sentiu o celular vibrar em seu bolso enquanto esperava na fila para ser revistado e imediatamente se deixou olhar para , com o celular em mãos. Sabia, no fundo, que deveria disfarçar, especialmente quando estava na fila exatamente ao seu lado, mas pegou o aparelho em mãos no mesmo segundo, acertando ao ver o nome de na tela.

"O que foi isso, ?!!!!!"

Mil exclamações e emojis eram típicos de , mas naquele momento quis se matar.

"Você nos entregou, eu estava tentando mudar o foco!"


"Mudar o foco? Mudar o foco?! Você respondeu o !"

"Isso foi minha tentativa de mudar o foco!"


"Eles perceberam que tem algo de errado!"

"Tem?"


levou tempo demais para responder dessa vez, e ergueu o olhar para ele, esquecendo até mesmo de ou qualquer outra pessoa que pudesse estar observando.

"! Tem?"


"Precisamos conversar."
- escreveu apenas, e ainda mais apavorado do que antes, ergueu o olhar para ele uma outra vez.
- , a fila. - o cutucou e o garoto pulou assustado por estar distraído demais, bloqueando o celular e o colocando na caixinha ao lado ao detector de metais enquanto se perguntava insistentemente o que eles tinham para conversar.


Continua...



Nota da autora: Eu nem acredito que já tenho comentários! De verdade! Muito obrigada por isso e desculpem por demorar mais do que o prometido. O período de provas foi uma bagunça, mas espero poder me dedicar mais a escrita agora.
Obrigada, de verdade, pelo incentivo e espero que tenham gostado do capítulo apesar de curtinho. <3


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, me contate no e-mail.


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