Última atualização: 01/08/2019
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Prólogo

Flashback on
estava se preparando para mais um dia de trabalho no escritório em que era uma das sócias quando recebeu uma ligação de um Jason desesperado gritando que sua filha estava para nascer e que Marie estava em trabalho de parto.
A mulher deixou tudo de lado, correndo para o hospital. Seus melhores amigos estavam finalmente virando pais e ela queria mais do que tudo estar presente nesse momento. Enquanto estava parada em um dos semáforos, gravou um áudio para uma colega dizendo que não iria para o escritório, pois precisava ir para o hospital, já que sua sobrinha estava nascendo.
Chegou no St. Patrick’s e foi logo para a sala em que seu amigo havia indicado, o encontrando surtando acompanhado de , seu outro melhor amigo, que tentava acalmar o homem.
Algumas horas mais tarde daquele mesmo dia, a pequena Elena veio ao mundo, já trazendo grandes emoções a duas pessoas que se encontravam naquele hospital: e haviam sido convidados para serem padrinhos da neném, convite que aceitaram com imensa felicidade.
Flashback off


estava sem reação, chegou no St. Patrick’s, aquele que outrora havia sido responsável por uma de suas maiores felicidades, em estado de choque. Fora acordada no meio da noite com uma ligação de um paramédico avisando que seus melhores amigos haviam sofrido um acidente e que estavam os encaminhando para o hospital, pedindo para que ela se dirigisse até o local.
Agradeceu que, ao chegar, já estava no local, aflito e carregando a pequena Ellie de apenas 1 ano e 6 meses. Os amigos estavam desesperados para receberem qualquer tipo de notícia, aquela situação parecia mais um pesadelo do que a realidade.

Uma hora havia se passado desde que chegou ao local quando um médico se aproximou casal notificando a morte de seus melhores amigos. Parecendo sentir o que havia acabado de acontecer, Elena começou a chorar descontroladamente, o que só dificultava tudo para o casal de amigos que haviam acabado de perderem duas das pessoas mais importantes de suas vidas.


Capítulo 1

Fazia uma semana que Jason e Marie haviam falecido em um terrível acidente de carro, numa noite que deveria ser de comemoração para o casal, faziam três anos que estavam casados, terminou com uma pessoa irresponsável que havia bebido demais e estava dirigindo, colocando um fim na vida do jovem casal que muito ainda tinha para viver.
não estava sabendo lidar com a perda dos seus melhores amigos. Desde sempre ela, , Jason e Marie haviam sido o quarteto inseparável que fazia exatamente tudo juntos, cresceram juntos, foram para faculdades juntos e quando o casal começou a namorar foi a maior felicidade do grupo. Alguns anos depois, já com todos estabelecidos em seus empregos, a pequena Elena veio ao mundo para trazer ainda mais alegria àquelas quatro pessoas.
também estava se sentindo perdido e, de certa forma, culpado. Ele fora quem insistira para o casal sair para comemorar, enquanto ele cuidava da bebê. Ao receber a notícia que tirou seu chão, teve vontade de dormir e nunca mais acordar, o que o fez seguir firme para o hospital e ficar à espera de notícias fora a pequena criança, que tão nova já estava passando por uma grande perda.
Jason e Marie sempre foram preocupados a respeito do futuro de sua filha, mesmo que tão nova, por isso deixaram um testamento, para caso uma situação dessa pudesse vir a acontecer. não estava surpresa, Marie sempre foi extremamente preocupada e precavida, sabia que sua amiga sempre se planejava em relação a tudo. Porém ficou surpresa quando o advogado do casal, ao ler a carta, afirmou que e , sendo padrinhos, seriam os responsáveis a cuidar de Elena, podendo se utilizarem de todos os recursos que eles haviam deixado para darem o melhor futuro àquela criança.
Nem nos seus sonhos mais loucos, achava que aquilo poderia acontecer. Quer dizer, nunca esperou que seus amigos falecessem tão cedo, mas de qualquer forma se questionava porque fora ela e escolhidos para serem responsáveis por Elena, já que os amigos poderiam ter se decidido em deixar para os avós da menina. O advogado disse que no momento certo eles saberiam o motivo da escolha, mas que no momento era tudo o que poderia informar, já que era exatamente o que estava escrito no testamento.

e estavam no bar, aproveitavam que os Srs. Jacksons e os Srs. Lewis estavam na cidade e cuidando de Elena para encherem a cara. Nenhum dos dois estava preparado para enfrentarem a situação. não se achava nem responsável por si mesmo, quem diria por uma criança totalmente dependente, enquanto estava apenas a procura da sua estabilidade profissional, tendo de se impor em diversos momentos em um escritório que muitas vezes tinha uma atitude machista.
- , me diz. Como nós vamos cuidar da Ellie? Nós nem moramos perto um do outro.
- Eu não sei, . Eu não consigo entender porque aqueles dois deixariam para nós essa responsabilidade.
- Exato! Marie sempre foi tão responsável e preocupada com a Ellie, não tem sentindo ela ter nos escolhidos. Tudo bem, nós somos os padrinhos. Eu não to preparada pra cuidar de uma criança, ! – disse desesperada.
- Eu te entendo! Eu também não estou. Mas a gente vai dar um jeito, nós sempre demos. – Ele respirou fundo e abraçou a amiga que estava sentada ao seu lado. – Vem, vamos lá pra casa. Você não está em condições de voltar sozinha pra sua.
O dia seguinte chegou com uma de ressaca, mas que estava pronta pra mudar sua vida para cuidar de sua afilhada acompanhada de seu melhor amigo. Aproveitou que estava na casa dele para conversar a respeito das mudanças e necessidades que eles teriam de passar, começando com o lugar em que morariam.
- , eu tava pensando, nós dois teremos de abrir mão de muitas coisas pra darmos o melhor futuro para Elena e eu acho que devemos começar pelo local em que moramos, os nossos bairros ficam longe um do outro, então talvez, o melhor seja nós nos mudarmos pra casa do Jason e da Marie, ela é grande o suficiente para nós, e seria uma mudança a menos para a neném.
- Eu andei pensando nisso também, e concordo. Eles têm um quarto de hóspede e um escritório que podemos transformar em quarto, assim a gente não precisará utilizar o deles.
A conversa durou a manhã toda, pegando, inclusive, parte do almoço. Os dois acordaram que ficariam na casa que outrora era de seus melhores amigos, tentariam fazer com que Ellie não sentisse tanto as mudanças. Além disso, combinaram de nunca levar estranhos para a casa e que a cada fim de semana um deles teria direito a sair e se divertir, tendo total liberdade para fazerem o que quiserem.
Foi após toda essa conversa, que decidiu ir embora para seu apartamento a fim de começar a organizar as coisas que precisaria levar para a casa dos amigos, já que no dia seguinte os familiares iriam embora e a responsabilidade sobre Ellie ficaria para ela e .
Conforme colocava suas roupas nas malas, diversos momentos da amizade atingiram . Uma lembrança em específico a fez com que se derramasse em lágrimas.

Flashback on
Era o primeiro dia de aula na faculdade, pela primeira vez em anos, não teria seus três amigos por perto para acompanhá-la em sua trajetória. Ela havia ido para Oxford, Marie para Cambridge, para Manchester e Jason continuaria em Londres. Sabia que eles fariam dar certo e que a distância seria apenas um detalhe na amizade deles.
Estava aflita, sempre teve problemas para fazer amizades e se sentia deslocada nos lugares que frequentava e que seus amigos não estavam juntos. Deu o primeiro passo para entrar na sala quando seu celular começou a tocar e o nome de Marie apareceu.
- May, está tudo bem?
- Comigo está tudo ótimo, . Só estou te ligando para te desejar um ótimo primeiro dia. Vai dar tudo certo, confia em mim. Qualquer coisa que você precisar, pode contar comigo que eu irei correndo para Oxford. Te amo!
Marie desligou sem esperar qualquer tipo de resposta de . Como se tivesse sido combinado, assim que a amiga desligou, o celular começou a tocar novamente, desta vez indicando o nome de Jason.
- Oi, Jay.
- Oi princesinha, só queria te desejar um primeiro dia maravilhoso. Eu te amo e tudo dará certo. Se precisar de algo me avisa que eu voarei para Oxford. Arrasa nessa faculdade, garota!
Do mesmo jeito que Marie desligou sem esperar que respondesse, Jason também desligou, deixando uma atônita. Logo em seguida, o leitor de seu celular indicou que estava ligando.
- , vai dar tudo certo! Não quero que você se sinta deslocada, seja você mesma. Tenho certeza que seu primeiro dia será muito bom. Eu te amo e se precisar de mim, me avisa que estarei aí em um segundo.
nem ao menos deixou que o cumprimentasse.
Flashback off


Os quatro sempre foram a fortaleza um do outro, aquelas três ligações foram responsáveis por conseguir encarar seu primeiro dia sem sentir qualquer tipo de desconforto. Se seus melhores amigos, que a conheciam mais do que ninguém, confiavam no potencial dela, como ela mesma poderia duvidar?

organizava suas coisas pensando em tudo o que estava acontecendo. De uma hora para outra, sua vida virou de cabeça para baixo, fazendo com que quase tudo o que ele conhecia fosse embora. Não saberia como viver sem as palhaçadas de Jason e sem a extrema preocupação de Marie.
Além disso, teria de aprender a cuidar de um bebê com menos de dois anos. Teria de adaptar toda a sua vida para o estilo de vida de um pai. Precisava ver como ele e lidariam na prática com as mudanças. dava sua vida naquele escritório, chegando em casa, muitas vezes, depois da meia noite, e ele sendo um arquiteto precisava de horas de silêncio para que seus projetos saíssem do jeito que ele queria.
Mas sabia que ele e dariam um jeito. Fariam aquilo pelos amigos! O quarteto estaria mais junto do que nunca agora com Elena representando seus pais.


Capítulo 2

A vida de e , apesar de estar virada do avesso, estava dentro do programado. Fazia uma semana que eles haviam se mudado para casa dos amigos e que estavam cuidando de Elena. Os dois tinham tirado duas semanas de folga do trabalho para poderem se adequar ao universo infantil de uma bebê de um ano e sete meses.
A advogada estava empenhada em dar a melhor educação possível para Elena, por isso, sempre que tinha algum tempo sobrando ela navegava pela internet procurando a respeito do desenvolvimento e crescimento dos bebês.
- Hey, ! – a mulher chamou atenção do amigo. Todo dia depois de colocarem Ellie para dormir, eles se encontravam na sala e ficavam assistindo um filme qualquer junto de um balde de pipoca e uma taça de vinho. – Eu tava lendo aqui sobre essa fase que a Ellie está, aqui tá dizendo que ela já sente as mudanças, então acho que logo logo ela começará a fazer perguntas sobre a Marie e o Jay.
- Acho que a gente vai ter que se preparar né. Eu não sei nem qual poderá ser minha reação quando ela perguntar. – Assim que terminou de falar, tudo que se ouvia era o barulho do filme que passava na tv, aquele tipo de assunto era muito delicado para os dois. – Mas, então, o que mais você viu nesses sites? – O arquiteto perguntou quebrando o clima pesado.
- Ah sim! Aqui tá falando que ela vai começar a ficar um pouquinho mais chata, no sentido de não querer tomar banho, ou comer, ou dormir. Diz, também, que ela pode começar a formar umas frases mais longas e que é pra gente tentar dar uma autonomia pra ela quando estivermos lendo alguma historinha que ela já conhece bem. E as partes mais legais: ela vai se interessar pelos brinquedos e em nos ajudar em qualquer coisa que estivermos fazendo.
estava empolgada em acompanhar essa fase da sua afilhada. Desde que Marie descobriu que estava grávida, tudo o que elas falavam era sobre como seria incrível ter seu bebê querendo ajudar nas coisas, mesmo que de maneira simbólica. Assim que se voltou para si, percebeu que estava chorando e que seu amigo a olhava com pena.
- Não precisa ficar com esse olhar, macaquinho. Eu tô bem, só tava me lembrando das conversas que eu tive com a Marie quando ela descobriu que tava grávida.
- Eu queria dizer que isso vai passar, que a gente vai superar essa fase. Mas eu sei que não, a morte deles levou metade de nós e isso não tem como superar. Mas eu sei que nós somos fortes, princesinha. E mais, sei que tudo vai dar certo. Eu acredito que isso tudo é um plano de algo maior de quem quer que esteja lá em cima.
consolou e os dois ficaram abraçados pelos minutos seguintes. Decidiram que deveriam dormir logo depois, já que o próximo dia seria longo, pois teriam uma consulta marcada com a pediatra de Ellie.

A noite para não havia sido tranquila, ele ficou imaginando diversas situações em que Elena perguntaria sobre os pais e em nenhuma delas ele teve uma resposta boa o suficiente para dar. Parecia que tinha acabado de cair no sono quando seu celular tocou, indicando que estava na hora de levantar e se arrumar para a consulta.
Ao descer as escadas, encontrou com preparando o café da manhã e uma Elena com a boca toda suja de banana.
Enquanto limpava a neném, começou a falar para :
- Sabe, eu tive uma noite muito difícil, fiquei lembrando de várias coisas que nós fizemos. Mas uma lembrança em específico me deixou feliz de estarmos juntos nessa. – Ao terminar de falar percebeu que o olhava curiosa e Ellie com um sorriso enorme.

Flashback on
Mais um fim de semana havia chegado, , , Jason e Marie tinham planejado de passarem aqueles dois dias na casa da Vovó Juliet, avó de Marie, mas que havia adotado as outras três crianças como netos.
Juliet e seu marido, John, amavam ter a casa sempre cheia de crianças, por isso sempre fazia o convite aos netos para que passassem uns dias lá. As crianças amavam toda a atenção que os avós davam, sempre recebiam algum tipo de surpresa quando iam para lá, fosse com uma brincadeira nova, fosse com alguma comida deliciosa para o lanche da tarde.
Marie não se importava nem um pouco de dividir os avós com seus três melhores amigos, para ela, todos faziam parte de sua família.
- Sabe, estava pensando aqui – John começou a falar enquanto as crianças se sentavam ao seu redor, já que era hora do vovô contar uma de suas histórias fantásticas – eu acho que vocês quatro precisam de apelidos.
- Apelidos, vovô? Mas a gente já tem! – disse e logo complementou – , , May e Jay.
- Eu sei, mas não quis dizer esses apelidos, eu acho que vocês precisam de super apelidos. O que acham?
- Eu topo! Posso ser o Hulk? – Jason falou todo animado e fazendo uma cara de bravo em seguida.
- Por que você não deixa seu avô decidir o apelido, meu amor? – Juliet disse carinhosa para o menino, não deixando de rir com toda a performance dele.
- Se o Jay for ser o Hulk, eu quero ser a Mulher Maravilha! – Marie disse animada e subindo no sofá para fazer a pose característica da heroína.
- Já sei! – John disse interrompendo as crianças que discutiam qual super-herói seriam. – May, o que acha de ser chamada de coração?
- Eu acho que preferia Mulher Maravilha, mas coração é legal. Eu gosto de desenhar. E também tem aquelas balinhas de coração que são muuuuuuuito gostosas. – Os avós riram com a empolgação da criança.
- , o que acha de você ser o Sr. Macaquinho?
- Eu gosto, vovô John! Macacos amam subir em árvores e comem muita banana né? Acho que eu sou um macaco. – disse e ficou refletindo sobre o assunto depois.
- , você quer ser nossa princesinha?
- Ah! É claro que sim, vovô!
- E você, Jay, realmente pode ser o Hulk!
- É sério? – os olhinhos dele brilhavam de felicidade. – Eu AMEI!
Flashback off


Ao terminar de contar, tinha um sorriso no rosto, apostava que estava relembrando a mesa cena em sua cabeça, pois tinha um sorriso saudoso na cara.
- Eu nunca tinha pensado, mas vovô John e vovó Juliet realmente sabiam das coisas, né?
- Acho que não entendi seu ponto, princesinha.
- Simples: eles deram o apelido de coração para May, eles sabiam o tamanho do coração que ela tinha, como ela se preocupava com todos que ela amava e sempre fazia de tudo para que a gente se sentisse bem. Você, não só subia em árvores e comia muita banana, mas sempre foi o palhaço de nós quatro, sempre nos trouxe alegria e felicidade. O Jay, foi chamado de Hulk, e ele realmente era um super-herói salvando várias vidas naquele hospital, além disso, apesar de ele sempre se fingir de durão, era o que mais sentimental de nós quatro. E, por fim, eu: eu realmente agia como uma princesa quando era criança, e ainda hoje de vez em quando, sempre queria que as coisas fossem tudo certinhas, odiava brincadeiras que pudessem fazer sujeira, mas também sempre conquistei tudo o que eu quis. – Ao terminar de falar, tinha algumas lágrimas em seus olhos.
- Não chola, tia! – Ellie disse estourando a bolha de lembrança que os adultos haviam se enfiado.
- Não se preocupe, bebê! Tia tá chorando de felicidade! – Disse emocionada enquanto pegava a criança no colo e a enchia de beijos.
- Você tem razão, ! Os vovôs Lewis sabiam de tudo! – disse, também emocionado com as palavras da amiga. – Agora será que cabe mais um enchendo esse neném mais lindo de beijos.
Para quem visse de fora, a cena poderia muito bem representar uma família feliz que não se importava em demonstrar todo o carinho que sentiam: uma mãe que carregava seu bebê como se fosse a coisa mais preciosa desse mundo, e o enchia de beijos no rostinho; um pai que amava o que estava vendo e beijava todo o corpinho do bebê; e uma bebê risonha recebendo todo o amor e carinho que seus pais tinham para dar. Mas esse não era o sentimento de e , eles sabiam que momentos como aqueles eram apenas de descontração, momentos que eles precisavam para poderem seguir em frente com aquela mais nova tarefa em suas vidas.

Era a primeira consulta pediátrica que e iam, estavam ansiosos para conversarem com a Dra. Elizabeth Watson sobre a pequena Elena. Watson havia sido colega de sala de Jason durante seus anos na faculdade de medicina em Londres e cuidou de Ellie desde que ela nasceu.
Estavam sentados na sala de espera, jogando conversa fora, enquanto Ellie brincava no cercadinho que ali tinha, quando a médica apareceu na porta de seu consultório os chamando para entrarem. A mulher esperou que o casal de amigos se acomodasse, com segurando Ellie no colo, para que começasse a falar:
- Antes de começar a consulta, eu queria dizer que eu sinto muito pela perda de vocês. Jason e Marie eram pessoas iluminadas e farão falta para todos que tinham qualquer tipo de contato com eles.
- Muito obrigado, doutora! – disse, enquanto encontrava-se muito emocionada para dizer algo, era sempre assim quando mencionavam seus amigos, ela não conseguia segurar as lágrimas.
- Vamos examinar essa pequena? – Disse enquanto pegava Elena no colo e a posicionava, em seguida, na maca pra tirar as medidas.
- Doutora, nós queríamos tirar uma dúvida, eu sempre gosto de pesquisar sobre os meses dos bebês pra me sentir um pouco mais preparada pra cuidar da Ellie, e eu li que ela ia começar a fazer mais birras na hora de comer, por exemplo. Aí eu queria umas dicas de como lidar com isso.
- Olha, vocês vão precisar ter paciência, mas isso é bem comum mesmo. O que eu posso passar pra vocês é pra não se deixarem levar pelas coisas que ela quer. Se é hora de dormir, então é hora de dormir. Falem não a quantidade de vezes que for preciso.
- Obrigada!
A consulta foi bem tranquila, a bebê Elena se comportou de maneira excelente, deixando que a médica tirasse as medidas necessárias, bem como a pesasse e fizesse os exames necessários. Ellie estava crescendo muito saudável. Ao final, disse algumas palavras para o casal de amigos numa tentativa de reconforta-los da perda e dar a confiança necessária para que eles acreditassem que poderiam cuidar daquela criança com maestria.
Ao deixarem o consultório da Dra. Watson, seguiram para o supermercado que havia próximo a casa deles. Precisavam comprar frutas para Ellie, além de encherem a dispensa com comidas saudáveis, e não só vinho, pipoca e salgadinhos que eram tudo o que eles vinham ingerindo nos últimos dias.
- Eu pensei em comprarmos uns morangos pra Ellie, será que ela vai gostar? – disse olhando os morangos a sua frente que pareciam muito suculentos.
- Para Ellie ou para você? Não me engana , eu te conheço.
- E faz diferença, ?
Os dois fizeram as compras bem rápido, enquanto Ellie ficava brincando com as coisas que colocavam no carrinho do mercado. Logo depois voltaram para casa, já que o horário de almoço de Ellie estava se aproximando e ela estava começando a fazer manha pra dizer que estava com fome.

Elena estava em seu cercadinho brincando com alguns carrinhos, enquanto olhava atenta para a tela de seu computador, precisava focar em alguns de seus processos, mesmo estando de folga por duas semanas. Ela sabia que em um mundo tão machista, não poderia se dar o luxo de ficar sem fazer nada durante esse tempo, por isso sempre que tinha algum tempo livre olhava o andamento de seus principais processos e mandava mensagens para alguns colegas para tomarem devidas providências.
havia ido para seu quarto logo depois do almoço, precisava dormir um pouco, já que na noite passada mal havia conseguido pregar os olhos. Tinha acabado de acordar quando se lembrou de um fato importante, por isso foi correndo até a sala para falar com sua melhor amiga.
- . – disse desesperado.
- Oi, ! – disse desviando a atenção da tela do computador e o olhou com uma cara preocupada.
- Nós esquecemos de algo importante. A gente volta a trabalhar segunda. Como faremos com a Elena?
- PUTA MERDA! – falou alto, logo em seguida se arrependendo de ter falado um palavrão tão alto na frente da bebê. – Eu não acredito que a gente esqueceu desse detalhe.
- Pois é, eu também não!
Os dois ficaram em silêncio pensando nas possibilidades que teriam para deixarem a criança. Infelizmente nenhum dos dois podia dar um pause na carreira para ficar com Ellie até que ela tivesse idade suficiente para começar a frequentar uma escolinha.
- Acho que a gente pode ver de deixa-la com a minha mãe. Eu sei que não é a melhor das opções, já que desde que meu pai faleceu há dois anos, ela tem estado meio aérea a tudo. Mas talvez Ellie seja o que esteja faltando na vida dela, e quem sabe assim ela para de me infernizar falando que eu devia ter seguido os passos da Marie e do Jay e casado com você.
- Eu não acredito que a tia Beth continua falando isso. – Disse rindo da cara de entediada da amiga.
- Todas as vezes que eu apareço para visita-la! Agora eu só finjo que escuto, sorrio e aceno.
- Mas, , eu tava aqui pensando. Como será que a Elena irá se comportar? Porque desde que ela nasceu, ela não teve muito contato com sua mãe, mesmo nós todos sendo uma grande família, até porque nem os próprios avós ela via com frequência antes de May e Jason falecerem.
- Eu acho que a gente pode passar o dia lá no sábado, eu aviso minha mãe que iremos almoçar e passar a tarde, aí ficamos observando a reação da Ellie, eu aproveito pergunto pra mamãe se ela está disponível.
- Por mim, pode ser.
Após a conversa, voltou a prestar atenção em seu computador e foi até Ellie, se preparando para brincar com a menina e colocando na tv um dos diversos desenhos musicais que a bebê amava.
O resto do dia foi como todos os outros desde que eles entraram naquela rotina maluca de terem de cuidar de um bebê.


Capítulo 3

- Alô, mãe? – falou assim que a mulher atendeu o telefone.
- Oi, filha! Como você está?
- Estou bem e a senhora?
- Estou bem também! Posso saber por que você tá me ligando em plena sexta-feira à noite? Vai me dizer que finalmente arranjou um namorado? – Disse em expectativa.
- Não, mãe! – disse depois de rir. – Na verdade eu queria saber se tudo bem irmos almoçarmos aí amanhã, eu, e Ellie. E também passarmos a tarde. Claro, se não for atrapalhar a senhora.
- Você nunca atrapalha, minha filha! Vocês podem vir sim e ficarem o tempo que precisarem! Fale para que eu farei o prato favorito dele. – E desligou sem esperar qualquer resposta da filha.
Era sempre assim com Elizabeth, mãe de . Ela sempre faria de tudo para agradar a , na esperança de que algum dia ele e sua filha finalmente se declarassem para si e começassem um relacionamento. Na verdade, o maior sonho dos pais dos quatro amigos era que eles formassem concretamente uma família entre eles, pois sabiam que um fazia bem pro outro. Por isso, quando Marie e Jason se casaram, Elizabeth Watson se viu mais esperançosa do que nunca, achando que logo mais sua filha seguiria o mesmo caminho e se casaria com .
Assim que desligou o telefone, seguiu em direção a sala, encontrando sentado no sofá e Ellie com a cabeça apoiada em suas pernas em um sono profundo, na TV um filme de animação qualquer. ficou observando a cena por uns minutos até se pronunciar.
- Se prepare pra comer sua comida preferida amanhã. Minha mãe está ansiosa para te ver.
- Tia Elizabeth não desiste, não é mesmo? – Ele disse depois de rir.
- Nunca. Aliás, esteja ciente que ela vai falar muito sobre formarmos um casal. – Disse enquanto ia em direção ao homem. – Vou colocar Ellie na cama dela, e terminar uma peça que eu fiquei de terminar. Dorme bem, .

O sábado amanheceu com uma Elena manhosa, a neném não parava de chorar, o que fez com que os amigos acordassem cedo. Só se acalmou após ser pega no colo e ninada por seus padrinhos. Foi só quando olhou em seu celular que a ficha caiu. Fazia um mês da morte de seus amigos, Elena com certeza estava sentindo falta deles, sempre que ela soltava um ‘mama’ ou um ‘papa’ ele e davam alguma desculpa e faziam alguma brincadeira para distrair.
Com isso, a manhã na casa fora bem longa até os três estarem prontos para saírem em direção a casa de Elizabeth Watson, que estava os esperando com uma mesa cheia de comida.
- Tia Beth! – disse assim que entraram na casa e encontraram a mulher na cozinha com um avental.
- , querido! Que saudades que eu estava de você! – Ela deu um abraço caloroso, afastando-se em seguida para o olhar melhor. – Você está cada dia mais bonito! , filha, é melhor você se casar logo com ele, se não irá perde-lo.
- Oi pra você também, dona Elizabeth! – disse indo em direção a mais velha e carregando a pequena Ellie no colo. – Já disse que eu e o Lou somos só amigos.
- Olha, tia, eu tentei investir, mas ela só me ignora. – Esta frase foi suficiente para que Elizabeth começasse a falar um monte para a sua filha. – Calma, tia! Eu estou apenas brincando, eu e a somos apenas amigos mesmo. Nós não daríamos certo.
- Vocês ainda vão me deixar louca deste jeito. – Disse bufando. – E se não é a minha netinha mais linda desse mundo? – A mais velha falou indo em direção a Elena, que se encolheu ainda mais no colo da madrinha.
- Desculpa mãe, a Ellie está mais manhosa hoje, já que faz um mês desde todo o acontecimento.
Antes que o clima mudasse, reparou que sua tia realmente havia feito sua comida favorita, já que no forno encontrava-se um delicioso beef wellington. A sua felicidade foi maior ainda quando descobriu que de sobremesa teria um maravilhoso trifle, um pão-de-ló ensopado num creme e com muitas frutas vermelhas. A senhora Watson realmente sabia como agradá-lo.

O almoço fora fantástico. Os três adultos puderam conversar sobre diversos assuntos, desde o trabalho de cada um até como estava sendo a vida nova de ter uma criança. Conversaram também sobre a mais velha começar a cuidar da pequena Elena durante a tarde para que os dois pudessem trabalhar em paz, sem qualquer tipo de preocupação.
A calmaria, infelizmente, não durou muito. As Watsons estavam na cozinha organizando as louças na máquina de lavar, enquanto estava trocando a fralda da bebê.
- Filha, você não acha que já está muito velha pra continuar levando a vida que você leva? Você está com quase 30 anos.
- Mãe, não vamos começar com esse assunto, por favor. – Disse implorando.
- Vamos sim. você tem uma filha agora! Precisa tomar jeito na vida, encontrar alguém para se casar e formar uma filha. E eu nem estou falando do , mas você realmente precisa.
- Mãe, você ouviu o absurdo que você acabou de falar?
- Eu não falei nenhum absurdo, eu estou apenas te falando verdades.
- Claro que falou! A Elena não é minha filha! Ela é minha afilhada! Se eu estou tendo que cria-la é apenas porque o destino, Deus, ou qualquer coisa que seja, achou engraçado nos pregar essa peça.
- Ela pode ser sua afilhada, mas como você acha que ela te verá daqui alguns anos?
- CHEGA! Eu não quero falar mais sobre isso, eu vou embora!

passou o resto do dia quieta, não conversou com seu melhor amigo sobre o que tinha acontecido, apesar de ter certeza que ele ouvira tudo. Ela só falava enquanto estava brincando com Ellie, porém assim que ela adormeceu, ficou ainda mais desanimada. Odiava brigar com sua mãe, mas não aguentava que controlassem sua vida, ainda mais pela situação que se encontrava no momento.
Estava mexendo em seu celular e deitada na cama, ignorando todas as mensagens que recebia e as notificações de seu Instagram, quando entrou no quarto com uma caixa de bombons sem nem ao menos esperar pela permissão da mulher, já logo se acomodando na cama ao lado dela.
- Eu comprei especialmente pra você! Ia te dar só daqui 15 dias, quando sua tpm atacasse, mas acho que você está precisando agora. – Disse oferecendo a caixa.
- Eu já disse que eu te amo hoje? – disse enquanto largava o celular na mesinha ao lado da cama e aceitava a oferta.
- Acho que hoje ainda não. – Disse fazendo graça.
- Eu te amo, Carter!
O silencio que se instaurou foi estranho, não era desconfortável, mas ao mesmo tempo, também não era confortável. sabia que precisava conversar com a mulher sobre o que tinha acontecido mais cedo; ele, mais do que ninguém, a entendia, já que com tanto tempo de amizade, estava acostumado com as loucuras ditas pela senhora Watson.
- O que aconteceu hoje na casa da minha mãe, me lembrou do que aconteceu no casamento da May com o Jay. – disse depois de comer alguns bombons.

Flashback on
Os quatro amigos estavam dançando animados. Era o dia mais feliz de Marie e Jason, e também de e , já que a felicidade de um era a felicidade do outro.
Toda a cerimônia tinha sido linda e saído conforme haviam planejado. A família dos quatro estava soltando fogos de alegria, faltava só e resolverem que também deveriam namorar e, quem sabe, casar-se para que a felicidade fosse completa para os Carter, Watson, Lewis e Jackson.
Desde que Marie e Jason começaram a namorar, Elizabeth Watson começou a insistir que sua filha e devessem seguir os mesmos passos, tendo se juntado várias vezes Isolde Carter, mãe do rapaz, para fazerem vários planos para que os dois percebessem que deveriam ficar juntos.
O casamento era mais uma desculpa para fazer com que os dois começassem a namorar.
Quando os dois entraram na igreja juntos como best-man e bridesmaid dos noivos, as duas mulheres se emocionaram como se fosse o casamento deles e não paravam de falar sobre o fato de eles ficarem lindos juntos, do quão eles combinavam e que a cena só não poderia ser melhor porque não estava de branco.
Na hora de Marie jogar o buquê, fora empurrada por sua mãe e Isolde para que ficasse bem no meio e tentasse pegá-lo. A decepção das duas não poderia ter sido maior quando viram que uma prima de Jason havia pegado as flores.
O casal de amigos não estava mais aguentando as mães quando decidiram se separar e conversar com outras pessoas. As mães só pararam de insistir quando viram beijando Marcus, primo de Marie, e beijando Samantha, prima de Jason.
Flashback off


- Nem me fale neste dia. As nossas mães não conseguiam parar de nos encher.
- Pois é! Mas pelo menos tia Isolde caiu em si e desistiu de tentar nos juntar, diferente da minha mãe.
- Você sabe que ela não faz por mal, não é, princesinha? Ela só quer te ver feliz.
- Eu sei, . Mas isso é chato. Por que eu não posso ser feliz sozinha? Por que eu tenho que me casar e “formar uma família”?
- Você pode! Mas pensa pelo lado da sua mãe, ela passou a vida inteira junto do seu pai e quando ele faleceu, ela entrou em depressão. Então é normal ela pensar que pra ser feliz tem que ter alguém. Mas eu sei que você é feliz do seu jeito.
- Eu sou tão feliz de te ter na minha vida, de ter a Ellie. Mesmo isso tudo sendo muito difícil. O pior disso tudo é que a gente nem teve tempo pra reparar como a Ellie fica na presença da minha mãe.
- Não se preocupa, ! Pelo menos não agora! Tudo vai se ajeitar.
Os dois decidiram passar a noite de sábado se lembrando das vezes que as mães tentaram juntá-los enquanto devoravam a caixa de bombons. Nem perceberam quando caíram no sono em meio as conversas.


Continua...



Nota da autora: Oi gente! Vim com mais uma história pra esse site, dessa vez comm um clichezinho pra aquecer o coração!
Destiny Is Fun é inspirada no filme Juntos pelo Acaso, mas não teremos amor e ódio aqui (isso eu deixo pra Love By Poets haha), os pps são melhores amigos e muito bem resolvidos. Vamos ver o que sairá desses dois juntos da pequena Elena.
Eu sei que já comecei com um baque muito grande, inclusive chorei escrevendo esse começo de capítulo, mas espero que vocês gostem muito!
Um beijo grande!





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