Última atualização: 31/12/2018

Quartoze – Amor de Pai

Two-hundred thirty faces to my place,
Oh I should not be alone
I'll burn this house down, no need for walls now
When I'm with you, I'm at home

(The Maine - When I'm at Home)


Seis meses depois
Platz vor dem Neuen Tor 6, Berlin, Alemanha – 19:00 PM

- Pegou seu passaporte? – perguntou para a namorada pela quinta vez em menos de vinte minutos. Eles estavam indo para o aeroporto e ele veria novamente a família depois de um ano. Era o fim de semana do aniversário de Dylan e tinha prometido que estaria lá, então organizou todo o seu trabalho, seus estudos, para tirar um dia de folga e ficar três dias em casa. E aproveitou para levar Eileen para conhecer todo mundo. O voo era às 21 horas e eles já estavam chegando ao aeroporto, para despachar as bagagens e ter tempo de sobra, para nem correr risco de perder o avião.
Tinha ficado tão nervoso e ansioso nesses últimos dias, que estava se sentindo uma criança, quando espera por uma viagem ou até mesmo um passeio, por muito tempo. O rapaz só relaxou quando sentou em sua poltrona no avião e mentalizou que em dez horas estaria em casa, fora o fuso horário, veria sua família, seus amigos... veria Dylan. Estava se preparando para o choque, pois a primeira e única vez que o viu, ele tinha acabado de nascer. Agora o menino já iria fazer um ano de idade. Por mais que visse fotos, tivesse acompanhado o crescimento de alguma forma, sabia que ver com seus próprios olhos seria extremamente assustador. Só não sabia do que estava com mais receio: que o bebê não gostasse dele ou que não se importasse com ele. Porque tinha plena consciência que não o reconheceria, mas, sei lá, havia uma pontinha de esperança em seu coração que dizia que o sangue poderia falar mais alto.
Balançou a cabeça, tentando tirar esse tipo de pensamento de sua mente. Não podia pensar nele como filho, tinha prometido a que não faria isso e cumpriria, por mais difícil que fosse. Mesmo que o bebê fosse igual a ele. Mesmo que despertasse o maior e mais incontrolável de todos sentimentos. tinha que ter em mente que seria apenas um tio para aquela criança. Tinha lidado com escolhas e decisões difíceis nos últimos tempos. Tinha decidido ficar mais tempo longe, por mais isso o fizesse sofrer e, consequentemente, aqueles que ele amava. Estava conseguindo lidar com a distância de todos. Conseguiu, de alguma forma, lidar com o fato de que Dylan estava crescendo e ele não estava por perto. Tinha passando por tanta coisa, que pensou que seria capaz de mais essa. Veria Dylan agora, mataria sua saudade e, em um ano e meio, ele estaria de volta, estaria por perto. E dessa vez ele ficaria.
não conseguiu dormir, mesmo o voo sendo de madrugada, ficou imaginando todas as coisas que faria: almoço com os pais, jantar com os amigos, passeio com o Dylan. Eram apenas quatro dias, então precisava se concentrar e dividir o seu tempo de forma organizada, para matar as saudades de todo mundo da forma que necessitava. Imaginou se Eileen estaria com o seu pique para fazer todas essas coisas, mas caso a menina estivesse cansada, poderia ficar no apartamento, não tinha nenhum problema. Bem, não tinha pra ele, será que ela se importaria? não podia se dar ao luxo de se preocupar com isso agora. Estava voltando para casa, a única coisa que passava pela sua cabeça, era o tempo que ainda demoraria a chegar lá.

🤰 👶 👪


Newark Airport, Nova Jersey, Estados Unidos – 01:56 AM*
*Há uma diferença de seis horas entre Nova Jersey e Berlin, a cidade americana está seis horas atrás do horário da cidade alemã.

Quando saíram do aeroporto, já tarde da noite, respirou fundo e sentiu algo estranho dentro de si, mas não era ruim, longe disso, era um estranho bom. Algo que não sentia há um ano e seis meses. Aquela sensação boa de retornar ao lugar onde você se sente bem, a sensação de se sentir acolhido, de olhar em volta e conhecer tudo. A sensação de estar em casa. E eles ainda estavam no aeroporto. Pelo horário que estava chegando, imaginou que ninguém viria buscá-lo, mas quando olhou com mais atenção para frente, reconheceu Anthony parado encostado a um carro. Seus lábios se repuxaram num sorriso largo e ele correu na direção do amigo, lhe dando um abraço forte. Ficaram assim por longos segundos, em silêncio mesmo.

- Anthony, que saudade. – exclamou, segurando os ombros do amigo e olhando para o seu rosto. – Não imaginei que alguém viesse até aqui.
- A pediu pra eu trazer a chave do seu apartamento, estavam todos lá ocupados com as coisas da festa do Dylan amanhã e como eu não sou a pessoa mais habilidosa na cozinha, acabei ficando responsável por vir te buscar. – o rapaz explicou.
- Ah! Eileen, esse é o Anthony. Anthony, essa é minha namorada, Eileen. – falou, como se tivesse lembrado da presença de Eileen só naquele instante.
- É um prazer te conhecer, já ouvi muito sobre você e todos os outros. É tudo o que o fala. – sorriu de lado, estendendo uma das mãos, tentando parecer simpática. Ela sabia como o namorado era ligado aos amigos, então criar bons laços e deixar uma boa impressão em todos era importante.
- Eu sei que esse cara me ama. – brincou, apertando a mão da menina. – É um prazer te conhecer também. – Anthony se ofereceu para carregar a bagagem de mão da menina, que agradeceu e lhe entregou. – Vamos?
- Vamos. – respondeu, caminhando na direção do carro que o amigo estava parado antes. – Isso aqui eu não conheço. – comentou, passando a mão pelo teto do veículo.
- Compramos ano passado, a gente tava precisando de algo para nos locomovermos rápido mesmo e a com o bebê para nascer, então compramos para adiantar a vida de todo mundo. Acho que você não chegou a ver quando veio da outra vez, não é?
- Não. – respondeu, enquanto o amigo abria o porta-malas e eles acomodavam as malas no espaço.
- Não é o carro mais bonito ou novo do mundo, mas... – fechou o porta-malas e abriu a porta traseira para que Eileen entrasse.
- Pode ir na frente com seu amigo, não tem problema. – ela falou para o namorado. sorriu em sua direção, agradecendo, e sentou no banco do carona.
- Acho que seus pais limparam seu apartamento, pelo menos a Tia Kathy disse que estava tudo pronto para vocês. E isso vindo dela deve significar casa limpa, roupas cheirosas e geladeira cheia. Isso é, se não tiver comida pronta esperando por vocês.
- Isso seria algo que minha mãe faria mesmo. – o rapaz sorriu, ainda meio sem acreditar que ele estava de volta a Nova Jersey. – O que faremos nesse final de semana? Precisamos aproveitar esses dias.
- Bem, amanhã não vai dar pra fazer nada, mas no domingo podemos ir almoçar ou jantar, levar a Eileen naquele restaurante italiano que você gosta. Que tal? Fazer um encontro de casais.
- Adorei a ideia, o que você acha? – perguntou, olhando para a namorada no banco de trás.
- Estou aceitando qualquer proposta. – respondeu, sem se aprofundar muito. Ela parecia cansada da viagem, afinal tinham sido dez horas dentro de um avião.
Depois de cerca de trinta minutos, Anthony deixou o casal na frente do prédio de , ajudou a tirar as malas do carro e a levar até o apartamento. Se despediu brevemente e deixou os dois a sós. O rapaz chegou a se assustar com a limpeza e o perfume do lugar, mas logo lembrou de sua mãe. Foi até a cozinha e viu que ela tinha abastecido a geladeira e deixado uma lasanha pronta, para que eles esquentassem. Ligou o forno e colocou a travessa lá, enquanto levou as bagagens para o quarto e ajudou a namorada a se localizar, mostrou onde ficava o banheiro e a deixou à vontade.

Eileen jogou um pouco de água no rosto, tentando se desfazer da aparência cansada. Por mais que em seu relógio biológico fosse “de manhã”, sem corpo estava cansado, então precisava dormir. Mas também precisava comer, porque estava faminta. Voltou ao quarto e tirou os sapatos que usa e que estavam incomodando seus pés, sentando na cama e esticando o corpo. Percebeu que tinham duas fotos na mesa de cabeceira: uma onde estava com outras quatro pessoas, sendo uma delas o mesmo rapaz que os trouxe, o Anthony. Então acreditou que aqueles fossem os amigos, até porque também estava na foto e essa ela reconhecia em qualquer lugar, porque ela estava em todos os lugares de alguma forma, seja na Alemanha e ainda mais aqui. Ela tinha uma foto exclusiva na mesa de cabeceira, tinha reparado em mais duas na sala. Parecia que eles eram um casal, quer dizer, quem olhasse aquelas fotos e não soubesse de nada, diria que eles eram namorados e não apenas amigos.
Ela tentava deixar isso não a incomodar, mas acabava sendo mais difícil do que imaginava. Mesmo que não fosse uma competição, Eileen se via numa disputa constante com alguém cuja presença era permanente, mesmo que não estivesse lá de verdade. Era como se estivesse sempre presente. Uma sombra que acompanha cada um dos seus passos. Um eterno aviso de que ela nunca será boa o suficiente, que sempre terá alguém que é melhor que ela, que conhece melhor, que será a prioridade. Tentava não deixar isso a afetar, mas o ciúme era inevitável, porque ela sabia que nunca seria para o que é. E também sabia que ela não poderia falar nada a respeito disso com o namorado, porque não fazia sentido, era uma insegurança sua, afinal a relação dele com a amiga nunca influenciou o seu namoro. Era um medo incompreensível, mas que ela não conseguia esquecer.
- Eileen, o jantar fica pronto em vinte minutos. – ouviu o namorado falar da cozinha. Respirou fundo, tentando deixar isso de lado. Se continuasse pensando, não conseguiria relaxar durante essa viagem e tudo iria piorar quando ela tivesse que ficar frente a frente com . Seriam apenas quatro dias, não podia deixar esse medo de ser insuficiente afetar a viagem deles. Esse era um momento importante para e ela não queria ser um problema. Puxou sua mala e procurou algo mais confortável para vestir, decidindo tomar um banho e relaxar antes de comer.

🤰 👶 👪


42 Moris Ave, Morristown, Nova Jersey, Estados Unidos – 11:36 AM

Depois que entrou na casa dos pais e viu que estava vazia, e Eileen seguiram para a casa de , onde todos deveriam estar reunidos. Tocou a campainha e só ouviu alguém gritar “tá aberta”. Assim que entraram, encontraram uma pequena confusão formada: Kathy, Lena e Lilly estavam na sala de jantar terminando de arrumar os doces, ele conseguia ouvir as vozes do pai, Anthony e Noah nos fundos, onde deveriam estar arrumando as mesas, e uma risada de bebê vindo da sala. Inicialmente, ele ficou dividido para onde iria, mas assim que ouviu Dylan gargalhando, caminhou rapidamente até a sala. Assim que chegou, viu o bebê sentado no chão, com um boneco em suas mãos e olhando para um desenho qualquer na televisão. Ele balançava os braços e ria abertamente para alguma coisa, mas nem prestou atenção no que era. Quando percebeu, estava abaixado ao lado de Dylan, encarando o bebê com a expressão meio embasbacada. Um sorriso bobo ocupava os seus lábios e ele sabia que não sairia dali tão facilmente. A sensação que teve foi a mesma de quando viu o menino pela primeira vez, quando ele nasceu. Ou a que sentiu quando o segurou no colo e ele apertou seu dedo com toda a força. Era uma coisa muito louca, porque todas as coisas que imaginou estavam erradas. Sempre visualizou Dylan grande, lindo e sorridente. Só que ele era ainda mais, se fosse possível. Como se aquele bebê a coisa mais perfeita que já existiu no mundo. E provavelmente era. Pelo menos para . Seu coração acelerou de uma forma absurda, parecia que iria sair do peito. Queria ter Dylan em seus braços e mantê-lo ali para sempre. Não era como se fosse a segunda vez que via aquele bebê, era como se eles se conhecessem desde sempre, se tivessem uma ligação diferente, forte e eterna. Nada que acontecesse iria mudar a forma que se sentia em relação àquela criança. Era amor. Era amor de pai.

- Oi, Dylan... – falou, chamando a atenção do menino, que olhou em sua direção com os grandes olhos o encarando com curiosidade. – É o tio . Você não se lembra de mim, não é? – disse mais para si mesmo, do que para a criança. – Vem aqui no meu colo, eu estou com tanta saudade. Levantou devagar, trazendo Dylan consigo e o olhou de perto quando ficou de pé.
O bebê olhou para ele de forma confusa, como se não soubesse quem ele era. A expressão foi se transformando de confusão, para medo e de medo para choro. Seus lábios se torceram e ele começou a chorar bem alto, se contorcendo para que o soltasse. O choro ecoou pela casa, deixando assustado, sem saber o que fazer. Não sabia se o colocava de volta no chão, se tentava acalmá-lo. Mas antes que chegasse uma conclusão, alguém se aproximou e tirou Dylan dos seus braços, falando:
- Calma, rapaz, não precisa chorar. Ele só quer te dar um abraço de aniversário. – o homem que nunca tinha visto parecia ter muita intimidade com Dylan, assim como o bebê com ele, já que o menino se acalmou logo depois que ele o pegou no colo. – Não liga não, ele sempre chora assim quando vê alguém que não conhece. – o rapaz falou para , que continuou a encará-lo sem entender, achando toda a situação muito estranha.
- Você é? – perguntou, de forma automática. Deve ter soado até mesmo um pouco rude, mas não conseguiu evitar.
- Ah, desculpe, eu não me apresentei. Sou Benjamin Coogler. – ele passou Dylan para um dos braços e estendeu a mão para , que apertou por educação.
- . – respondeu, sem prolongar muito.
- Ah, , o amigo da . Eu já ouvi falar muito de você. – Benjamin disse, sendo simpático como sempre.
“Pena que o inverso não é verdadeiro”, pensou, mas achou melhor não falar.
- Você é amigo da ? – perguntou.
- Não, ele é meu namorado. – respondeu, surgindo na sala. encarou a amiga e sentiu o coração bater mais forte. – Oi, . – falou brevemente. A saudade que ele sentia não cabia no peito, era algo que ele não conseguia explicar. Queria abraçá-la e mantê-la presa em seus braços pelo tempo suficiente para que ele não sentisse mais falta dela, do seu jeito, do som de sua risada e de tudo mais que a acompanhava.
- Oi. – respondeu, meio sem saber o que falar, depois que a ficha caiu. Aquele cara era namorado dela. Um namorado que ele sequer sabia que existia. Um namorado que convivia com Dylan, que o acalmava quando ele estranhava alguém. Esse alguém, no caso, era ele. Logo ele. Isso não fazia sentido.
deu um passo incerto na direção de . Tudo estava tão estranho, que ele não sabia mais o que podia e o que não podia fazer. Ficou parado na frente da amiga, sem saber se lhe dava um abraço, um beijo, um aperto de mão. E ficou meio congelado, até que ela se aproximou mais um pouco, passando os braços ao redor de seu corpo e o puxando para um abraço. E lá estava de novo, a mesma sensação de antes: a sensação de estar em casa. Aqueles braços eram exatamente como ele lembrava, assim como perfume da menina. Percebeu que poderia ficar ali para sempre, mas ela se afastou cedo demais.
- Você deve ser a Eileen, certo? – falou, fazendo girar o corpo, vendo as duas trocarem um cumprimento rápido.
- Eu ouvi falar muito de você. – a namorada disse, tentando soar cordial.
- Eu também, sempre arrumava uma forma de falar de você durante nossas conversas. – respondeu, com um sorriso nos lábios. O rapaz conhecia aquele sorriso. Era de quando a amiga estava desconfortável com alguma situação, mas não podia deixar transparecer. E o que ele queria saber o motivo.

Depois que distribuiu abraços e matou a saudade de todos um pouco, ele encontrou Anthony e Noah sentados num canto, e foi se juntar a eles. Eileen estava conversando com a sua mãe e brincando com Dylan, enquanto organizava as coisas do almoço. Sentou numa das cadeiras, cruzando os braços e encarando o rapaz, que abraçava por trás e beijava o seu rosto.

- Ela tá namorando? – perguntou, sem nem perceber que interrompeu a conversa dos amigos.
- O que? – Noah indagou, sem entender o que queria.
- A tá namorando?
- Sim, desde o Natal, eu acho. – Anthony falou, bebendo um gole de sua cerveja logo depois. – Por quê?
- Ela não me disse nada. – reclamou, cruzando os braços. – Por que será que ela não me disse nada?
- Será que ela esqueceu que precisa da sua permissão? – Anthony brincou, mas recebeu um olhar nada amistoso de em resposta. – Ou então ela não tenha achado que era totalmente necessário te contar, afinal você está longe, muito longe.
- Mas esse cara passa o tempo todo com o Dylan e... – ele mordeu o lábio inferior, antes que falasse algo que não devia. – Se ele não for um cara legal? Se não se der bem com crianças?
- Bem, se ele não se der bem com crianças, ele tá ferrado, porque ele é pediatra. – Noah disse, fazendo o namorado rir. Vendo que não embarcou na brincadeira, o rapaz deixou seu suco de lado e encarou o amigo. – , qual o real problema com o Ben?
- É que... – buscou uma forma de explicar o que estava sentindo, sem que falasse o que não devia. E isso era mais difícil que parecia. – Eu estive ao lado da durante mais de vinte anos e não estive no momento mais importante. Agora eu tenho que continuar longe, então sinto como se estivesse perdendo coisas demais.
- Coisas como momentos, ou coisas como pessoas? – Noah fez com que olhasse em sua direção, sem saber o que responder. – Você sabe que a sempre será as amiga, certo? Assim como Dylan sempre será seu sobrinho, afilhado, seja lá o que for. Vocês podem não ter uma conexão agora, mas vão construir uma quando você voltar, com certeza. O Benjamin não está roubando nada que é seu.
A última frase de Noah ecoou na mente de e algo não pareceu certo. Ele sentia como se Benjamin estivesse ocupando um lugar que deveria ser seu, sim. O relacionamento que o rapaz tem com Dylan, deveria ser o que ele tinha com o bebê. Afinal, ele era o pai dele. Independente do que dissesse, do que eles tivessem combinado. Ele era o pai daquele bebê e nada mudaria isso. Ele poderia estar em outro continente, do outro lado do planeta ou até em outro mundo. Continuaria sendo pai de Dylan.
- Será que não? – murmurou, sem que ninguém entendesse.

viu que entrou em casa e foi atrás dela. Encontrou a menina sozinha na cozinha e resolveu colocar para fora o que estava lhe incomodando.
- Será que a gente pode conversar? – falou, quase assustando a menina.
- Pode falar. – ela respondeu, ainda de costas, recolhendo os doces que levaria para fora.
- Será que aqui é o melhor lugar? Pessoas podem entrar, podem ouvir e... – virou o corpo, olhando na direção de . Ela pareceu pensar por alguns instantes. Não queria ter nenhum tipo de conversa com ele que não pudesse ser ouvida por ninguém, porque sabia bem qual seria o assunto. Mas também sabia que ele não desistiria enquanto eles não conversassem. Então ponderou entre o que seria melhor: aguentar a insistência de até conseguir fazê-lo desistir, o que era quase impossível; ou ouvir tudo o que ele tinha a falar de uma vez.
- Tudo bem, vamos conversar lá em cima. – a menina falou, suspirando em seguida. Eles passaram por Lilly no corredor, que parece ter percebido o clima estranho entre os amigos e encarou com uma expressão, que mostrava que ela tinha entendido o que estava acontecendo. Ela seguiu para o seu quarto e fechou a porta assim que o rapaz passou.
- Por que você não me disse que estava namorando? – perguntou, sem fazer cerimônia ou esperar que ela se preparasse.
- Oi, . Tudo bem com você? Como está a vida? Tem um ano que a gente não se vê e essa é a primeira coisa que você tem pra me perguntar? – tentou desconversar, fazer o amigo se sentir um pouco culpado, mas viu que o rapaz não cairia tão facilmente em sua conversa.
- , não adianta tentar me enrolar. Por que você escondeu isso de mim?
- Por que faz tanta diferença pra você? Você também tem uma namorada. – ela retrucou, cruzando os braços na altura do peito.
- Não é isso. Até porque eu te contei, falei tudo sobre a Eileen. – respondeu, vendo a menina rolar os olhos.
- Ah, eu sei. Sei muito bem que você me contou tudo sobre ela. Coisas demais até. – a menina respirou fundo. – Me diz o real problema, . Eu te conheço o bastante para saber que não é esse.
- Esse cara vai ser o pai do Dylan? – perguntou sem pensar, vendo a expressão de surpresa de em resposta.
- Não, ele não é e nem será o pai do Dylan. Como eu sempre deixei claro, Dylan não tem pai. Benjamin é meu namorado e com isso passa algum tempo com o meu filho, logo é normal que eles criem vínculos. Assim como ele criou com todos os outros. – ela parou por um instante, pensando se deveria falar ou não, mas resolveu despejar tudo. – Assim como ele criaria com você, se estivesse aqui.
- Outc! Acho que eu mereci essa. – falou, vendo a amiga dar de ombros.
- Sim, você mereceu. Foi você que viajou, você que quis isso. Escolheu ficar longe e depois escolheu ficar mais tempo ainda longe. Não que isso seja ruim, você está crescendo no trabalho e isso é maravilhoso, mas não tente me colocar como culpada de algo que foi apenas causado por você.
- É, eu sei. Só que é muito, muito, muito difícil. – se apoiou na mesa que ficava ao lado da porta, ficando de frente para a menina. – Dylan chorou quando eu o peguei no colo e, de repente, um cara que eu não sei quem é o tira de mim e diz que ele sempre chora assim quando vê alguém que não conhece. E isso acabou comigo. – ele deu um sorriso sem graça, colocando para fora o que estava sentindo. – Eu não deveria ser alguém que o Dylan não conhece. Ele não deveria me estranhar. Eu deveria ser alguém em quem ele confia, alguém que ele ama. Que está sempre por perto, pronto para ajudá-lo em qualquer coisa. Situações assim nos fazem questionar nossas escolhas, pensar o que é mais importante.
- Não se sinta culpado, você fez o que achou que era melhor para você. Quando voltar, Dylan ainda estará aqui e vocês terão todo o tempo do mundo para se conhecerem e virarem amigos.
- É, eu sei. Mas e o tempo que eu perdi e o tempo que eu ainda vou perder? É como se eu tivesse que escolher entre o que eu quero fazer e o que esperam que eu faça.
- Quanto a isso eu não posso te ajudar. – falou, pegando a panela e olhando na direção do amigo antes de sair. – É uma decisão que você tomou sozinho e tem que lidar com as consequências.
- Você sabe que não foi uma escolha fácil, fora que ainda fez questão que eu fosse, por que está jogando isso na minha cara agora? Eu quis ficar, disse que ficaria, mas você me disse para ir.
- Eu não queria que você tivesse que escolher entre a sua vida e a minha. O Dylan é a minha vida, a sua carreira é a sua. Cada um fez a sua escolha e agora temos que viver com elas.
- Eu sempre disse que queria ficar perto do Dylan, sempre deixei claro que estaria presente. Então é como se você tivesse colocado alguém no meu lugar. – o rapaz ficou em silêncio por alguns segundos, mordendo o lábio inferior. – Você não sabe como foi difícil escolher ficar lá, decidir ficar mais tempo longe de todos vocês. Mais tempo longe do Dylan. Então não fale como se isso não importasse pra mim, você não sabe.
- Você não tem nenhuma obrigação com o Dylan, não precisa parar a sua vida por ele. Você não é pai dele, então tenha isso bem claro em sua mente.
- Mas eu sinto como se...
- Não. – ficou séria e o interrompeu antes que ele pudesse concluir sua frase. – Nem termine. Você sabe que esse não é o combinado.
- Eu sei bem qual o combinado, mas a gente não controla as coisas. – tentou explicar, mas não parecia muito disposta a entender.
- Arrume um jeito de controlar. Você e Dylan não são nada além de tio e sobrinho, assim como Anthony e Noah. Aproveite o tempo que você estará longe e aprenda a lidar com isso, para saber bem como agir quando voltar. Bem, se você voltar...
- , não vamos misturar dois problemas. Sei que as coisas entre nós estão estranhas há tempos, mas ainda somos nós dois.
- Eu não tenho tempo para conversar sobre isso agora, você quis falar do Benjamin e do Dylan, certo? E acredito que isso tenha ficado esclarecido, agora eu preciso voltar. – a menina falou, caminhando na direção da porta, passando ao lado de , que segurou gentilmente em seu braço, fazendo-a parar.
- , você não me deu um abraço. – ele falou baixo, olhando na direção dela, que mantinha os olhos fixos para frente. ouviu a respiração da amiga pesar e seu olhar se levantar até encontrar o dele. – Tem um ano que não nos vemos, é assim que você quer deixar as coisas entre nós?
A menina fechou os olhos fortemente, balançando a cabeça, negando lentamente. sempre teve e, provavelmente, sempre terá um poder absurdo de amolecer seu coração. Ela tomou a cabeça no peito do rapaz, escondendo seu rosto. As mãos dele subiram até os cabelos da amiga, fazendo um carinho leve. Ela passou os braços ao redor do corpo do rapaz, enquanto ele repetia o gesto, trazendo-a para bem perto.
- Eu estava com saudades. – ele murmurou, beijando a cabeça de .
- Eu também estava.

Enquanto cantavam “feliz aniversário” para Dylan, observava o sorriso no rosto de sua amiga, via como todo mundo parecia mais feliz depois da chegada do bebê e como ele parecia deslocado. Até mesmo Benjamin parecia mais parte daquela família do que ele e isso o incomodava mais do que ele sabia que deveria, mas incomodava. Era como se ele não pertencesse mais àquele espaço, não fosse mais parte daquele grupo. E isso não era uma opção, nunca foi uma opção. Parecia que quando ele fez uma escolha de focar em si, acabou deixando tudo para trás e não tinha percebido que seria assim. E o mais importante, ele não queria que fosse assim.
não conseguiu perceber em que momento ele se tornou o cara que colocava a carreira e o emprego à frente da família. Ele não era esse tipo de pessoa. Sempre tentou balancear as coisas, não deixar que um influenciasse no outro. Mas a distância fez com que ele perdesse o seu referencial. Fez com que ele perdesse o seu rumo. Era bom estar na Alemanha, era bom aprender mais, crescer profissionalmente. Mas nada no mundo seria melhor do que estar reunido com essas pessoas. Essas conclusões o fizeram pensar e questionar o que realmente era prioridade pra ele. Tinha decisões a tomar e não seriam fáceis.

Quando estavam de volta ao apartamento de , Eileen ficou pensando em como falar as coisas que percebeu para o namorado. Desde o momento que tinha visto as fotos dele com e como era próximo o relacionamento deles, tinha em mente que tudo poderia ser mais do que amizade, seria até normal se fosse. Afinal, eles eram amigos desde sempre, tinham os mesmos gostos, se conheciam melhor do que qualquer pessoa, eram como um par perfeito. Mas se ele insistia que não tinha nada amoroso, ela acreditava. Bem, ela acreditou até colocar os olhos em Dylan. As últimas fotos que tinha visto do menino, ele era um bebê bem pequeno, então não parecia muito com ninguém, tinha aquela aparência comum de nenéns. Só que assim que entrou na casa de e viu o menino chorando nos braços de , ela teve certeza de algo que pensou tempos atrás: ele era pai de Dylan. Isso explicaria por que ele saiu da Alemanha correndo só para acompanhar o nascimento e voltou no dia seguinte, porque ele acompanhou tão de perto para estágio da gravidez, por que ele tinha tanta preocupação com a amiga e com aquela criança. Porque também era filho dele. Só que ela não entendia porque não falou nada, porque as pessoas agem como se não soubessem, já que está tão na cara. Será que é algo combinado? Será que foi uma coisa que aconteceu sem querer e eles fizeram uma promessa de não deixar isso mudar as coisas? Eileen não sabia. Mas o que a incomodava de verdade era o fato do namorado não ter lhe contado que tinha um filho. Eles já estavam juntos há quase um ano, isso é uma coisa importante, é algo que você conta para quem tem um relacionamento. Fora que explicaria muita coisa e diminuiria muito as suas inseguranças. Só que se ele não falou, será que ela deveria perguntar? Será que ela deveria cobrar explicações? Ela tinha esse direito? Era uma situação muito difícil. Só que seria mais ainda para ela conviver com essa dúvida. Então, por mais que soasse como uma invasão, ela teria que perguntar.

- , posso te fazer uma pergunta? – sua voz soou baixa. O rapaz virou o corpo em sua direção, com a expressão de expectativa. – Se você achar que não me deve esse tipo de explicações, não precisa me responder, mas isso já meio que será uma resposta.
- Claro. – o rapaz falou, meio incerto do que viria a seguir.
- Eu não pude deixar de notar uma coisa hoje, isso me gerou uma série de dúvidas e só uma resposta simples será suficiente. – ele ficou em silêncio, na expectativa da pergunta. Sentiu suas mãos suarem um pouco e por mais que esperasse algo diferente, era meio como se já soubesse soube o que se tratava. – O Dylan é seu filho?
- Não. Bem, não da forma que você está imaginando. – respondeu, sem muitas cerimônias. Estava cansado de guardar isso para si mesmo, talvez conversando com alguém o ajudasse a decidir o que tanto estava o incomodando. percebeu a expressão confusa da namorada e viu que precisava explicar melhor. – Eu não dormi com a , nós nunca nos envolvemos dessa forma. Dylan foi feito através de uma inseminação artificial e eu sou o doador.
- Ah... – foi a única coisa que Eileen conseguiu falar. Ela tinha pensado em várias coisas, mas em nenhum momento algo assim surgiu em sua mente. Era até bom, porque o seu medo em relação a não era justificado, mas achou uma loucura da parte dos dois.
- Eu sei que pode parecer confuso, mas é a verdade. A queria ser mãe, mas não queria um pai, então optou por uma inseminação artificial. Após avaliar várias fichas de doadores, ela não estava se sentindo confortável e eu resolvi aceitar o seu convite. Encarei como um voto de extrema confiante, algo que só se faz por um amigo. – ele mordeu o lábio inferior, como se estivesse pensando melhor na sua decisão agora, meses e meses depois de tomá-la. – Talvez não tenha sido a melhor de todas, vendo agora.
- Por quê? – a menina perguntou, curiosa. Se ajeitou no sofá, vendo que era uma boa oportunidade para entender tudo o que se passava com o namorado.
- Porque eu acho que não estou e nem conseguirei cumprir o combinado. – confessou, deixando o corpo cair contra o encosto do sofá e encarando a menina pelo canto dos olhos. – Desde o início me disse que não queria um pai para o seu filho, apenas um doador, e eu imaginei que conseguiria separar as coisas, só que é mais complicado do que parece. Enquanto eu estava longe era mais fácil, mas agora que eu vi o Dylan, que eu o segurei em meu colo de novo, que eu vi como ele se parece comigo, é difícil não imaginá-lo como meu filho. Quase impossível. E a nunca aceitaria mudar nosso acordo, seria uma loucura.
- Bem, a parte mais louca vocês já fizeram, não? O Dylan já existe, ele já está no mundo, uma parte sua e uma parte dela. Você ser pai dele mudaria tanto as coisas? – Eileen perguntou, mal sabendo que essa sua questão poderia não acabar de uma maneira que a agradasse.
- É exatamente o que eu penso. Não vejo como isso pode ser prejudicial para ele, só que será mais uma pessoa para cuidar dele, estar por perto...
- Perto? – a voz da menina pareceu um pouco triste. – Isso significaria que qualquer chance de você continuar na Alemanha é zero, certo?
- Eileen... – o rapaz falou, segurando uma das mãos da namorada. – Você sabe que isso não muda nada entre nós dois, não é? Eu ter o Dylan em minha vida, mas faz com que não tenha espaço para você. Talvez faça com que você tenha que mudar de endereço no futuro, quem sabe. – por um segundo, a menina pensou que eles estavam planejando uma vida para os dois, mas o “quem sabe” acabou sendo como um balde de água fria.
- É, quem sabe... – Ela entendeu que com não dava para sonhar com um belo casamento, uma família grande e feliz, porque não fazia muito o estilo do rapaz. Talvez os dois morando juntos num pequeno apartamento, um filho deles, o Dylan... Provavelmente essa era a melhor possibilidade de futuro que eles tinham juntos.

🤰 👶 👪


e Eileen passaram o dia seguinte com a família e os amigos do rapaz, almoçaram na casa dos pais dele, brincaram com Dylan, ela teve um tempo para conversar um pouquinho com todos. De noite, todos os casais foram jantar no restaurante que Anthony tinha falado, a principio, a menina percebeu um clima estranho entre e , principalmente quando se tratava de Benjamin, o namorado de . Eileen imaginou que fosse ciúmes de e tinha esperança que fosse por causa de Dylan, porque a expressão nada agradável do rapaz piorava sempre que Benjamin comentava algo que o bebê tinha feito e que tinha perdido. No final da noite, Eileen tinha percebido que parecia muito mais feliz quando estava em casa, na companhia da família e dos amigos. Ela nunca tinha o visto daquela forma na Alemanha, era sempre como se ele estivesse pela metade. Nunca tinha entendido o que faltava, mas agora não tinha dúvidas.

Enquanto Eileen arrumava dormia e descansava para a viagem no dia seguinte, estava sentado no sofá, imaginando como ele conseguiria sair daquele apartamento mais uma vez. Como entraria num avião e voaria para longe de todos. Para longe de Dylan. Por mais que gostasse de Berlim, por mais que gostasse do seu apartamento, lá nunca seria a sua casa. Ele nunca se sentiria confortável. Nunca teria a sensação de conhecer cada lugarzinho. Não teria um lugar favorito desde criança. Não teria um esconderijo secreto. Seriam mais um ano e seis meses. Dezoito meses. Quinhentos e quarenta e seis dias. O que mais Dylan teria aprendido enquanto ele estivesse fora? Já estaria andando quando voltasse? Falando? Será que chamaria Benjamin de pai? Isso seria demais pra ele, não iria conseguir lidar com isso. sabia que precisava tomar uma decisão, mas no final das contas, a decisão já estava tomada desde o instante em que ele colocou os pés para fora do avião. Ele só precisava de tempo para amadurecê-la. Tempo para aprender a lidar com ela. Tempo para saber como contá-la, porque não seria fácil. Porque ele não tinha tomado apenas uma decisão. Eram duas. E bem importantes.

Quando Eileen acordou, ela encontrou sentado no sofá da mesma forma que ele estava quando ela foi dormir na noite anterior. Ela se perguntou se ele tinha ficado a noite toda acordado, mas parecia bem claro.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou, chamando a atenção do rapaz, que não tinha percebido sua presença.
- A gente precisa conversar.


A campainha tocou e gritou que já estava indo. Não imaginava quem poderia ser, porque ninguém tinha avisado que iria até lá. Pegou um pano de prato, deixou a louça que estava lavando dentro da pia e seguiu para a porta. Se assustou quando encontrou parado, ele parecia ansioso e um pouco agitado.

- Você não deveria estar no aeroporto essa hora? – perguntou, sendo ignorada pelo rapaz, que entrou antes que ela pudesse convidá-lo. Ele já era mais do que se casa, mas estranhou seu comportamento. – Tá tudo bem? – ela pareceu preocupada.
- Eu não vou voltar pra Alemanha. – despejou de uma vez, vendo uma expressão assustada surgir no rosto da amiga. – A Eileen embarcou de volta, ela vai enviar minhas coisas, eu vou trancar o meu mestrado, voltar a trabalhar aqui e...
- , calma, respira. – pediu, segurando-o pelo braço e o colocando sentado no sofá. – Me explica isso direito. Por que você vai largar tudo o que você sempre quis?
- Por que eu não posso mais ficar longe. Quando eu estava lá, não a saudade não pesava tanto, mas eu passei o dia ontem com vocês e não consegui me imaginar indo embora de novo. Eu não consegui me imaginar deixando todo mundo pra trás de novo. – ele respirou fundo, porque sabia que essa seria a pior parte. – Eu não consegui me imaginar deixando o Dylan para trás.
- O que você está querendo dizer com isso?
- Eu não vou ficar longe dele, . Nunca mais. Por mais que você diga que não, ele é meu filho. Isso tá claro, basta olhar pra ele. E bastou cinco segundos, ou menos que isso. Cinco segundos e ele já me tinha na palma da mãozinha dele. Eu quero, preciso, que ele tenha uma relação forte comigo, que ele sinta por mim algo tão grande e forte quanto o que eu sinto por ele. Quero poder, no futuro, contar a forma não conveniente na qual ele veio ao mundo. Falar que isso não mudou em nada o tamanho do amor que eu sinto por ele. E falar também que isso não muda o fato de que ele é meu filho.
- Você sabe do nosso combinado, as coisas não podem ser assim, independente do quanto ele se pareça com você. – a menina tentou argumentar, mas não cederia por nada.
- Eu não ligo pro nosso combinado, ele é meu filho, . – cada vez que repetia essa frase, se tornava mais real, mais verdadeira. E não havia nada que pudesse fazer para mudar isso.
- , não. – falou pausadamente, com as mãos tremendo. Tudo o que ela não queria estava acontecendo. Todo o plano que parecia infalível estava se transformando em pó.
- Eu vou ficar. – parecia muito seguro do que falava e nada que a amiga dissesse mudaria sua opinião. – E vou assumir o Dylan.


Continua...



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Nota da autora: (31/12/2018)
Oi, migas! Feliz Ano Novo!
Muitas coisas acontecendo nesse capítulo de Dylan e eu correndo contra o tempo para enviar essa atualização DUPLA!
Muita paz nesse novo ano e muita luz para todas nós.
Beijo grande da That.

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