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Última atualização: 19/09/2020

Prólogo

mal podia acreditar no que seus olhos viram naquele sábado à tarde em sua porta. Liam estava sumido já há algum tempo, coisa de horas, mas nunca havia passado em sua cabeça que ele poderia estar em um voo atravessando o oceano para vê-la. Depois da surpresa inicial e do choque ao ter seu namorado ali, o levou para dentro de sua casa. Perguntas sobre o que ele estava fazendo ali? Ah, essas não era necessárias naquele momento. Eram quatro meses sem se ver.
Junto dele, ambos montaram uma pequena árvore de Natal para celebrar a data do ano que estava se aproximando. Podia estar realizando um sonho, mas estava sozinha, e não sentia no ânimo de celebrar a data até a chegada do namorado. Na noite eles fizeram um jantar íntimo e trocaram presentes.
Menos de uma semana depois, ambos embarcaram para celebrar o ano novo no Rio de Janeiro. A queima de fogos vista da sacada do hotel em que eles estavam hospedados, era provavelmente o espetáculo mais maravilhoso que e Liam já tinham visto. E embaixo daquelas luzes artificiais colorindo a noite carioca, se beijaram e juraram que a distancia continuaria sem atrapalhar o amor dos dois.
sorria passando as fotos das férias em seu computador. Tudo começou na viagem mais louca da vida dela. Percorrer a Europa atrás de sua banda preferida. Conhecê-los estava no roteiro, mas voltar com um namorado? Nunca nos seus sonhos mais malucos.
A menina então olhou para a mala aberta no chão. Uma nova turnê estava para se iniciar e ela passaria novamente pouco mais de duas semanas viajando atrás da sua banda favorita, mas dessa vez, com eles. Ela voltou os olhos para o computador onde via Liam com o braço esticado tirando uma foto de ambos no réveillon.
só não imaginava que um mesmo raio cairia duas vezes no mesmo lugar.


Capítulo 1 - Little Black Dress

A faculdade estava enlouquecendo-a. Amava seu curso de Publicidade e Propaganda, tinha certeza absoluta que queria aquilo para a vida, mas com a Copa do Mundo se aproximando no Brasil, o semestre já estava acabando, e ouvir teorias de comunicação, marketing e outros termos que ela conhecia com os pés nas costas, em português, fazia enlouquecer.
Fazer intercâmbio no Brasil estava sendo uma experiência incrível. Com exceção de algumas fãs de One Direction, ou, o que acreditava, de Liam, os brasileiros a receberam muito bem assim que chegou por lá e havia se tornado amiga de vários. Na faculdade, algumas garotas tinham o costume de apontar para ela e cochichar, mas nada do que ela já não estivesse acostumada em suas passagens esporádicas pelas redes sociais. Esporádicas, pois Liam havia praticamente suplicado para não acessar suas contas. Era muito ódio desnecessário, e, segundo ela, algumas vezes era até superproteção demais dele.
Mas com exceção de pequenos inconvenientes, ela não tinha do que reclamar. Claro, o Brasil tinha vários problemas, mas nada que a Inglaterra e todos os outros países da Europa que ela conheceu, também não tivessem. A diferença é que no país latino americano, tudo era festa, todo dia se via pessoas sorrindo nas ruas, e poderia dizer que quanto mais baixa a renda das pessoas, mais de bem com a vida eles eram.
E os lugares que ela havia conhecido? Além do Rio de Janeiro, com seu namorado, nos fins de semana prolongados e feriados, ela e os outros intercambistas alocados em São Paulo combinavam algumas viagens pelo país. Conheceram Brasília e sua arquitetura incrível, Recife e Natal, ficando abismada com a beleza do litoral brasileiro, o Pantanal e sua grande variedade de fauna e flora, além de Curitiba, que ela havia ouvido falar que era a Londres brasileira. Não, Curitiba era definitivamente, um espetáculo à parte na região Sul do país.
Como todo intercâmbio, sentia constantemente o peso que é a falta de pessoas próximas a ela sempre que necessário. Apesar de ser de Harrow, cidade localizada perto de Londres, a garota sabia que se precisasse, era só ligar para sua mãe e ficar embaixo das cobertas se lamentando por qualquer coisa que tivesse saído errado em Manchester. E caso sua mãe não pudesse atender, e sempre estavam por perto para aguentá-la. Liam? Bem, Liam provavelmente estaria viajando e ela mal poderia esperar o dia que ambos tinham agendado para se falar no Skype. Geralmente era madrugada para ele, que passou os últimos meses dela no Reino Unido, viajando pelos Estados Unidos e Canadá. Para ela, era manhã, e durante esses dias, ela acordava mais cedo que o normal, apenas para curtir o rosto cansado do namorado.
Mas realizar sonho tinha disso. Para ter algo que quer muito, geralmente você abre mão de algo que gosta muito, mas não poderia reclamar. Sempre foi firme em suas decisões e quando decidiu contar ao mundo, ou aos seus amigos, que iria passar um ano fora, todos a apoiaram e deram mais estímulo para entrar no avião e atravessar o oceano. E lá estava ela.
Era sexta-feira à tarde. O fim de semana se aproximava e com isso, sua viagem de pouco mais de duas semanas pela América Latina com o namorado e os amigos. A Where We Are Tour, que ela, lá de Zurique, viu anunciar, estava mais perto que o imaginado, e fazia a contagem regressiva para aquela data. Havia acabado de sair de uma prova e tudo o que mais queria, era passar o dia em casa relaxando, e desde quando chegou ao país, não tinha nada melhor que fazer isso com Andrew ao seu lado, enquanto ambos atacavam uma bacia de pipoca.
- Não quero pensar na prova de hoje, Andy – saiu da cozinha anexa à sala, com uma pipoca de micro-ondas recém-estourada e sentou no sofá ao lado do amigo, cruzando as pernas – Estudar Pesquisa de Marketing em inglês, é uma coisa. Estudar em português... Não sei se quero pensar nisso.
- Mas , pensa comigo – o rapaz encheu a mão de pipoca – Você pega a matéria em inglês, estuda em inglês, chega na prova, traduz para o português e pronto, acabou.
- Até parece que é simples assim – mastigou e voltou a falar – Não esqueça que nós dois estamos no Brasil, nós estudamos os métodos de pesquisa realizados aqui, não na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
Lentamente, Andrew virou o rosto que antes estava focado na televisão, para . Estava pálido, e parecia que tinha visto algum fantasma ou coisa parecida.
- Qual o problema, Andy?
- Métodos de pesquisa? – concordou com a cabeça – Realizados no Brasil? – ela continuou concordando com o que ele falava – Eu me ferrei na prova de hoje, .
- Você o que?
- Eu peguei material americano. Consequentemente, eu estudei tudo o que precisava, mas pendendo para os Estados Unidos. E hoje na prova eu fiz o que? Peguei todos os meus conhecimentos, americanos, e traduzi na prova.
- Come pipoca, Andy! – esticou o braço para ele em consolo. O amigo estava ferrado e iria voltar para casa com o boletim manchado por causa daquele pequeno detalhe não identificado.
- Eu estou ferrado, é isso aí. Mas enfim, que filme nós vamos assistir?
- Temos aqui... Frozen. Comer, Rezar, Amar. Uma Linda Mulher. Impacto Profundo e This is Us – balançou animada a caixa do último filme – Qual você sugere? – ela continuava balançando a caixa na mão quando Andrew tirou dela.
- Sem One Direction que daqui a pouco você me converte para o lado negro – fingiu estar triste – Impacto Profundo, por favor, porque é o único filme que não é de menina.
- Como você é sensível e solidário com as mulheres – deu a língua e levantou, indo colocar o filme no aparelho de DVD – E para o seu conhecimento, eu adoro filmes que são considerados “de homem”. Não sei qual é o problema de vocês gostarem dos “nossos” filmes.
- Os filmes “de homem”, - Andy fez aspas com as mãos – São legais, interessantes, com algum enredo construtivo… Pra mim.
- Tá explicado porque você é solteiro – voltou para o sofá com o controle na mão – Pois saiba que perdeu de me ver no lançamento do filme dos meninos em Londres.
- Você o quê? – Andy pegou de novo a capa do DVD e arregalou os olhos para – Você aparece?
- Não – ela deu a língua para ele – Mas bem que ficou interessado.
- Por que eu ainda sou seu amigo mesmo?
- Porque eu sou a única pessoa que você tem no Brasil. Agora fica quieto, o filme vai começar.
Impacto Profundo é um filme onde um adolescente descobre que um cometa com onze mil quilômetros de extensão vai colidir com a Terra. Passa um ano até descobrirem que ele está para se chocar no planeta e se isso acontecer, os danos à vida animal e vegetal é incalculável e deixará de existir. Dessa forma, é planejado colocar detonadores nucleares no cometa para salvar o planeta.
já tinha assistido a aquele filme dezenas de vezes e podia dizer o que aconteceria em cada cena, mas mesmo assim ficava empolgada a cada uma delas. Estava na cena da onda gigante que cobriria a repórter e seu pai quando a campainha de sua casa tocou. Ela pausou e olhou para Andy, que ficou sem entender nada. O barulho ecoou de novo pelo pequeno apartamento de .
- Você chamou alguém pra vir aqui em casa? – se levantou e foi em direção à porta.
- Na sua casa? – Andy gargalhou – Claro, porque todas as meninas do campus te amam mesmo.
- Olha... – girou a chave da porta – Eu não tenho culpa se elas não gostam de mim simplesmente porque eu sou namorada do... - e então abriu a mesma – Liam?
Mas será que era realmente possível que um raio caísse duas vezes em um mesmo lugar? piscava incansavelmente apoiada na porta aberta enquanto via a pessoa em sua frente. Faltando pouco mais de uma semana para o Natal, ele tinha feito a surpresa de aparecer na porta da casa dela e agora, faltando uma semana para a maior turnê da vida dele, lá estava ele de novo.
Aquilo já aconteceu uma vez e ela não sabia como reagir. Correr e abraçar o namorado? Chorar por vê-lo ali? Gritar de felicidade? Mas eles não tinham se falado na noite anterior? A menina deu dois passos largos e se prendeu ao corpo de Liam em um abraço. Diga a um casal de namorados que eles vão ficar um ano sem se ver e planeje surpresas esporádicas. podia sentir o perfume de Liam enquanto ele afagava os cabelos dela. Liam deu um beijo na testa de que sorriu finalmente acreditando. Era ele, era seu namorado que estava ali na sua porta novamente.
As bocas de ambos se encontraram e aquela dor de ficarem quatro meses separados finalmente foi embora. Era ele, era seu Liam que estava na sua porta novamente fazendo uma surpresa. Não havia melhor sensação no mundo e desejava que todos sentissem aquilo que ela estava vivenciando pela segunda vez. Liam sorriu e encostou sua testa na dela.
- Oi.
- Você está aqui de novo – olhava nos olhos do namorado sem realmente acreditar naquilo – Liam, mas nós nos falamos ontem.
- E eu estava no aeroporto esperando meu voo para cá – ele confessou – Estava em casa, em Londres, e pensei, por que não passar uma semana com a antes de toda a loucura começar de novo? E aí? – ele sorriu e ela congelou. O sorriso dele. Ela via com certa frequência no Skype, mas era tão bom ver ao vivo – Topa?
- Uma semana com você? – ela gargalhou – Liam, isso não é coisa pra se perguntar – ela o puxou pelo braço para dentro do apartamento – Vem que aqui você já conhece.
Liam puxou a mala para dentro do apartamento e encontrou um homem dentro da casa da namorada. Um homem que ele não conhecia muito menos confiava. percebeu os olhares lançados pelo namorado para ela e em seguida para o garoto, e respirou fundo.
- Liam, esse é o Andrew – apontou para o amigo – O Andrew também é intercambista, nós estudamos juntos, mas ele veio dos Estados Unidos. Andy, esse é meu namorado, Liam, do filme que você não quis assistir – ela riu.
Porém nenhum dos dois achou graça. Liam não estava contente em ver que sua namorada tinha um cara sentado em seu sofá, e Andy estava enrijecido no lugar, provavelmente temendo alguma reação vinda do namorado da amiga. piscou os olhos e enquanto os dois mantinham contato visual, ela tirou a mala das mãos de Liam e levou para dentro do seu quarto, encostando a mesma na parede. Quando ela voltou, os dois ainda estavam calados e ela bufou.
- Tá certo, qual o problema dos dois? Vocês falam a mesma língua, podem começar a se falar agora – ambos continuaram quietos – Liam...
- E aí, tudo bom? – Liam então esticou o braço com a mão estendida para cumprimentar o garoto – Desculpa o clima estranho, mas eu não estou acostumado a ver a com outro cara que não seja eu ou meus amigos.
- Relaxa você só está a protegendo – arqueou uma sobrancelha ao ouvir aquilo. Ela precisava ser protegida? – De qualquer forma, ela é só uma amiga para mim – Andy se levantou e cumprimentou Liam, logo em seguida virando para a garota – Eu vou deixar vocês dois à vontade e ir embora. A gente vai se falando, .
- Claro – o seguiu até a porta – Tchau, Andy.
E assim que a menina fechou a porta, quando ela virou, encontrou Liam sentado no sofá com os braços cruzados. Ela piscou para ele e sentou ao lado, aninhando em seu colo.
- Diz pra mim que não é uma miragem e você está aqui mesmo – ela sussurrou.
- Quem é esse cara, ?
- Certo você realmente está aqui. – sentou direito no sofá e cruzou as pernas em cima dele, virada de frente para o namorado – O Andrew é americano, ele veio de Denver para fazer o mesmo curso que eu. Acabou que nós nos aproximamos por causa da comunidade de intercambistas aqui em São Paulo, descobrimos que estamos na mesma universidade, e nos aproximamos. Agora me diz, qual é o problema dele estar na minha casa?
- Você nunca me falou dele.
Era aquilo mesmo que estava vendo? Liam estava com ciúmes? Ele nunca tinha agido daquela forma, mesmo depois de meses dela no Brasil, e simplesmente resolveu que seria legal agir como ciumento.
- Você está com ciúmes, Liam? – sorriu, provocando o namorado que não respondeu – Liam Payne, você está com ciúmes de mim porque eu tenho um amigo?
- Confesso que não era assim que eu imaginei durante as doze horas no avião, encontrar você quando chegasse. Talvez sozinha, o cabelo desarrumado, a roupa mais curta...
- Você é ridículo! – ela gargalhou e deitou no colo dele, que fazia carinho pelo braço dela – Quando eu cheguei ao Brasil, cheguei completamente sozinha e sem ninguém, assim como todos os outros intercambistas. Nós nos conhecemos através do Facebook, cada um de um canto do mundo e nos unimos. É uma pequena família que nós criamos, para um dar apoio ao outro sempre que necessário. A gente chega perdida e sentindo-se como a pessoa mais solitária do mundo, amor.
- E você e esse Andrew...
- Nos aproximamos por estudar no mesmo lugar, apenas – levantou de novo e dessa vez, sentou de forma que ela passava as pernas por cima das de Liam – Você sabe que eu só tenho olhos e consigo pensar em você, Payne – ela piscou para ele – Sem neura.
- Combinado – ele retrucou a piscada – Agora me diz, sofá ou cama?
- Oi? – ela então viu o rosto de Liam mudar para uma feição cheia de segundas intenções. Ah, as saudades. Como estava ansiosa para matá-la – Ouvi dizer que minha cama é extremamente confortável.
- É para lá que nós vamos então – Liam se levantou com ao seu colo e entrou no quarto dela, fechando a porta com os pés.

Tirando encontrar sua namorada com companhia masculina em casa, e ter que engolir o próprio ciúme, tudo estava saindo conforme Liam havia planejado. Passou uma noite incrível com sua namorada, e ainda adormeceu com a cabeça no colo dela. Estava tudo maravilhoso, ele não podia reclamar. Porém nunca imaginou que talvez tivesse outros planos que não era ficar com tempo exclusivo para o namorado.
Liam acordou sozinho na cama aquela manhã de sábado. Ou era tarde, não sabia dizer, eram apenas quatro horas de diferença no horário, mas mesmo depois de anos, ele ainda não tinha se acostumado com viagens que o fazem se perder no tempo. O travesseiro estava vazio, mas tinha o cheiro dela. A casa inteira tinha o cheiro do perfume dela, na verdade. Misturado com a essência de flores, Liam também sentia cheiro de café.
- Olá, dorminhoco – ele ouviu a voz dela e abriu totalmente os olhos. O quarto estava escuro, e a única luz que entrava no quarto, era artificial, vinda do computador dela, ligado na escrivaninha – Finalmente acordou para me fazer companhia.
Liam então sentiu um peso na cama e concluiu que a namorada se aproximou dele. depositou um beijo na testa do namorado, e sentiu seu braço ser fechado pela mão dele.
- Odeio acordar sozinho na cama – ele fez manha para ela, fazendo-a deitar ao seu lado. Assim que se aninhou ao lado dele, sentiu o rosto do namorado perdido pelos seus cabelos – Que falta você fez esses anos – ele murmurou.
- Anos? – ela estranhou – Liam, a gente estava há alguns meses sem nos vermos.
- E eu fiquei anos e anos da minha vida sem você – ele explicou – Como nós morávamos no mesmo país e não tínhamos nos conhecido antes? A gente teve que se conhecer mesmo na França?
- E conversar na Bélgica – riu – E ter nossa primeira briga, sem estarmos juntos, na Noruega, e primeiro beijo na Espanha.
- E praticamente moramos os dois em Londres – Liam fez menção à proximidade de Harrow com a capital inglesa – E precisamos ir para a Europa continental para que tudo isso acontecesse.
deu de ombros sem falar nada, apenas sentindo o carinho que ele fazia pelo seu braço. Ela acreditava que se tudo aquilo aconteceu, é porque era obra e desejo de um ser espiritual maior que ela, que tudo aquilo acontecesse.
- Ainda bem que alguém tirou um pouco de juízo da sua cabeça e te fez viajar atrás de mim – ela riu ao ouvir aquilo – Você era pra ser minha.
- Ou não – virou o rosto, vendo apenas uma sombra dele, que não era refletida pela luz do computador – Já imaginou se eu fosse uma daquelas malucas que gritam só pelo fato de olhar no seu rosto?
- Pesado – Liam confessou – Mas era destino nosso, e a gente teria que controlar esses gritos. Se bem que... Estou lembrado no fim do ano passado...
- Isso não vale amor – escondeu o rosto nele, que a abraçou – Eu estava sem te ver desde a minha despedida em Londres, abri a porta e dei de cara com você, como queria que eu reagisse?
- É talvez eu não me sentisse bem-vindo se a recepção não fosse calorosa.
- Então pronto, para de manha. Quer café?
- Tem café com ?
- Hm, talvez – ela franziu os olhos dando a língua.
- Fico com a , depois eu penso no café – Liam levantou a coberta de modo que a cobrisse, e a abraçou, pegando no sono novamente. Mais tarde culparia a tal da jetlag.

O dia estava quase tornando noite quando os dois resolveram levantar da cama e viver. O computador já tinha entrado em modo de espera, e se levantou para acender a luz direto no interruptor, revelando o que Liam não tinha visto antes.
- Gosto dessa blusa em você.
- Eu também – segurou na barra dela, revelando que usava um short por baixo – Fico na dúvida se gosto mais em você ou em mim.
- Quer todas? Você já está usando a do Miami Heat mesmo.
- Não – deu a língua – Eu gosto de você dentro delas.
No mesmo instante, o barulho de algo vibrando cortou o assunto entre eles e ambos trocaram o olhar. Na mesa, o celular da garota iluminou a tela e saltitante, ela foi até ele e pegou o aparelho, constatando que recebeu uma nova mensagem.
- Já sabemos que o namorado popstar está aí – ela leu em voz alta, em português, e virou para Liam – Já sabem que você está aqui no Brasil – ela deu um sorriso amarelo enquanto ele ficou boquiaberto, e leu o resto da mensagem – Mas e aí, a balada continua de pé?
- Com certeza – falou em português deixando Liam confuso e tratou de logo responder a mensagem.
- O que está acontecendo?
- Nós vamos sair hoje – sentou na cama com as pernas cruzadas e o telefone na mão – O que acha?
Um jantar, um vinho e uma noite incrível com a sua garota? Liam estava mais do que dentro.
- Uma noite especial?
- Uma balada muito da louca – ela se animou e ele continuou boquiaberto, fazendo ela não entender sua reação – Liam, você é o maior baladeiro que eu conheço que cara é essa?
- Não era bem isso que eu planejava – ele confessou, jogando o corpo nos dois braços apoiados na cama – Fala mais sobre essa balada.
- Você não quer ir, não é?
Liam respirou fundo e coçou um de seus olhos. Não, ele não queria ir para a balada, mas o segredo de um bom relacionamento é o diálogo, então eles teriam que conversar sobre aquilo.
- ... – ele procurava as palavras certas – Eu vou ser sincero. Quando eu resolvi que ia atravessar o oceano para ficar uma semana antes com você, foi uma coisa meio... Sumir do mundo, desligar telefone e ficarmos os dois sem comunicação, sabe? A gente nesse quarto e o resto do mundo explodindo – ela deu uma risada sapeca e balançou a cabeça concordando – Mas aí você vem com essa história de balada, não vou negar que fiquei decepcionado, comigo, pra deixar bem claro, só porque eu tinha outros planos.
- Então a gente não vai – ela concluiu – Vou mandar mensagem no grupo falando que não vou, e pronto – ia desbloqueando o celular quando num impulso, Liam tirou da mão dela.
- E deixar você chateada em casa porque não saiu no fim de semana antes de eu sequestrar você por duas semanas? – Liam balançou a cabeça – Sem isso, . Como você disse, eu sou o maior baladeiro que você conhece. A música é boa? – ela concordou animada com a cabeça – A bebida é boa? – continuou balançando a cabeça – E o mais importante, a companhia é boa?
- Bom... – deu uma olhada em seu próprio corpo – Dizem que a companhia é a melhor parte quando se sai.
- Não me provoca...
- Jamais – piscou e levantou da cama, indo em direção ao armário para decidir que roupa iria usar naquela noite – Já falei que você é o melhor namorado do mundo?
- Hoje não – Liam piscou para ela – O que você pretende usar hoje?
- Não sei – ela estava apoiada na porta do armário – O que acha desse aqui? – e com um cabide na mão, tirou um vestido do armário.
O vestido seria a cópia fiel do que ela usou no dia que eles trocaram o primeiro beijo, porém ele tinha as duas mangas compridas, e não tinha brilhos. Era um vestido curto, e a mente de Liam viajou imaginando a namorada usando aquilo em uma balada onde todos os caras olhariam para ela, mas no final quem ficaria com a garota, era ele. De repente ir para a balada era algo que ele mais queria para aquela noite e começou a pensar tudo o que poderia fazer com .
- Little Black Dress. Qual o comprimento dele?
- Hm... – virou de costas para ele e levou o dedo bem alto em suas coxas, indicando que o vestido quase mostra o que não deve – Aqui, mais ou menos!
- Quero! – ele piscou.
- Liam! – era aquilo mesmo? Onde estava os ciúmes?
- Que é? Quando a gente se beijou em Barcelona – quase não escutava mais o que o namorado falava. Barcelona. Como ela tinha saudades daquela cidade – Você usava algo tão curto quanto esse vestido aí. E no final das contas, todo mundo vai te olhar e morrer de inveja de mim porque você é e sempre vai ser minha mulher – ele levantou da cama e se aproximou de praticamente prensando-a na parede – Mi-nha.
Era impressão dela ou simplesmente a aproximação dele fez sua respiração ficar descompassada e seu coração acelerar os batimentos? Qual era o problema dela que quase um ano de namoro, ainda ficar extremamente sem rumo só com a aproximação dele? Será que era isso que chamam de amor eterno? Se apaixonar todos os dias pela mesma pessoa e não saber reagir com a proximidade dela?
É, era aquilo. Liam a fazia sentir novamente com quatorze anos quando decidiu, pois na época não sabia o que era aquilo, que estava apaixonada por um dos meninos de sua escola.
- Acho melhor você dar dois passos para trás se não nós não vamos sair desse quarto hoje – se recompôs e sentiu a respiração de Liam em sua bochecha, vendo que ele não iria recuar – Payne...
- Tudo bem – ele se afastou com as duas mãos levantadas – Como você quiser, senhorita. Mas você não me escapa hoje.
- Como se eu quisesse escapar mesmo.

O lado bom de ir com Liam, e consequentemente Adam, seu segurança pessoal, para a balada, é que filas quilométricas eram evitadas simplesmente ao chegar à recepção e mostrar o passaporte deles. Dessa forma os três e os amigos de entraram no Beco, balada paulistana, aos sons de protestos e vaias de quem estava do lado de fora.
- Já falei que ser sua namorada tem vantagens? – pendurou no ombro de Liam que riu.
- Já ouvi isso – ele piscou para a garota.
O Beco 203 era uma balada em São Paulo que tocava músicas mais alternativas em relação às baladas que Liam e frequentaram na Europa, porém, pelo fato de ser um local mais simples e despojado, era o que a garota mais gostava no lugar.
estava com seu grupo da faculdade. Andrew, seu amigo dos Estados Unidos estava junto, e tentava uma aproximação com o casal, mas Liam não dava abertura para que ele se aproximasse do casal. Além dele, tinha mais um menino, brasileiro, e duas garotas, também do Brasil, mas eram as únicas que não odiavam pelo namorado que ela tinha.
- Amor... – falou mais alto por causa da música e o namorado a olhou – Pole dance – ela apontou para duas barras de ferro localizadas no lado direito do local e Liam arregalou os olhos rindo – Aqui desse lado tem tiro ao alvo, você senta, as pessoas jogam bola no alvo e se acertar, você cai numa piscina de bolinha – Liam estava adorando aquilo – Lá em cima tem vídeo game, tem cabine de foto, e o mais legal disso tudo... Open de pipoca!
- Esse é o lugar mais legal do mundo, – ele gargalhava – Como você nunca me falou daqui?
- E pensar que você não queria vir, hein? – ela provocou o namorado.
- Você não me contou que tinha tudo isso – ele gargalhou – Onde fica o camarote?
parou e olhou para ele, assim como os amigos da garota.
- Por que camarote?
- Pra gente ir pra lá.
arqueou uma sobrancelha e soltou a mão da dele, cruzando os braços.
- A gente não vai para camarote nenhum, oras. Qual o problema de ficar aqui na pista com todo mundo?
- Talvez por causa da bagunça e confusão?
- Por... – foi então que deu um estalo em – Você acha que as pessoas vão te reconhecer aqui e te assediar?
Liam deu de ombros.
- Esquece, se você quiser ir, fica à vontade, mas desde que eu cheguei ao Brasil eu me divirto a noite inteira na pista, não é agora que vai ser diferente.
- ... – estava confrontando de frente com ele, era isso mesmo? Qual parte que ela namora um popstar mundialmente conhecido ela não tinha entendido?
- Eu não vou largar meus amigos e ir para camarote – ela disse pausadamente – Discussão desnecessária e encerrada.


Capítulo 2 – Why Don’t We Go There:

saiu andando pela balada deixando Liam desnorteado no meio da pista. Era impressão dele, ou os dois tinham acabado de brigar? Sem saber o que aconteceu, o garoto correu até a namorada e a segurou pelo braço. encarou Liam que a puxou para um canto mais escuro, próximo aos caixas.
- O que foi?
- Você vai deixar um camarote ficar entre nós dois, é isso? – Liam segurava no braço dela – , é só uma balada.
- Eu? – ela riu ironicamente – Quem vai deixar é você. É só um camarote, Liam, por favor. Quer ser o rei do camarote agora?
- Rei do camarote? – ele estava confuso – Que história é essa?
- Tá bancando a estrelinha, querendo exclusividade, ficar longe das pessoas, cheio de não me toque. Para, esse não é você.
- ... – Liam afrouxou o braço dela e respirou fundo. A música tocava alto por trás deles e o garoto conseguia ver apenas a sombra da menina à sua frente – Eu não posso simplesmente ficar por aí dando sopa. Eu sou conhecido, eu sou famoso – estava de braços cruzados à sua frente – Eu sou do One Direction.
- Você tá de sacanagem com a minha cara, não é mesmo? Que se dane, não é esse cara que eu amo!
- Desculpa te decepcionar, mas esse sou eu, seu namorado, e sou assim desde antes de nós nos conhecermos.
- Não é não, Liam! E eu não vou discutir com você sobre isso, que ridículo – colocou a mão na testa – Vamos fazer o seguinte? Fica no camarote. Eu estou com mais quatro amigos e não posso levar todos eles pra lá. Sendo assim, eu fico com eles aqui embaixo, resolvido, e evita uma discussão idiota.
- Eu vim por sua causa, e não vou te deixar sozinha por aí.
Liam olhou para o segurança pessoal que deu de ombros. não iria ceder àquilo com facilidade e o que ele menos queria era dor de cabeça e brigar com ela. Ele atravessou o oceano por causa dela e com pouco mais de vinte e quatro horas no país, as coisas já saíram do controle duas vezes. Primeiro quando encontrou outro cara no sofá da sua namorada, e o segundo momento, aquele.
- Liam! – estralou os dedos na altura dos olhos dele que virou novamente do segurança para ela – Uma noite e eu juro que ninguém vai perturbar, e ficar pedindo foto, e deixando você sem respirar – riu – E as suas fãs nem tem idade para ficar entrando em balada.
Ela finalmente tinha abaixado a guarda e o garoto relaxou. Mesmo ela tendo tirado sarro das suas fãs, ele respirou mais aliviado. A discussão finalmente tinha sido encerrada.
- Você vai para o inferno, – o garoto se aproximou dela, encurralando na parede – E eu quero fazer questão de te levar até lá.
- Em casa – ela deu um selinho rápido nele e saiu por baixo de seus braços, indo em direção ao bar, deixando o garoto entediado, apoiado na parede.
já estava amiga do barman do local. Frequentava o lugar desde quando havia se mudado para o país e por mais que tivesse experimentado outros locais, nenhum lugar se comparava ao Beco. Do bar ela foi em direção aos amigos, que estavam meio em dúvida se podiam se aproximar dela e de Liam.
- Cerveja, ? – Iasmin, uma das poucas brasileiras, fãs de One Direction, que gostavam da menina no país, chamou sua atenção – E a nossa tequila?
- Jose! – então levou uma mão à boca – Quem vai beber tequila?
Então não só Iasmin levantou o braço, como também Francielli, outra brasileira que gostava de , mas essa não tinha noção quem era Liam, ou qualquer outro dos meninos. Augusto, o brasileiro que andava com elas também levantou a mão, assim como Andrew. Liam se aproximou do pequeno grupo com um copo em sua mão, e arqueou a sobrancelha.
- O que está bebendo?
- Uísque – ele sorriu e bebericou a bebida – Quer?
fez cara de cachorro sem dono para o namorado que esticou o copo para ela. Cerveja podia, tequila podia, e uísque também ora, por que não? Ela fez careta após tomar um gole e devolveu o copo.
- Eu realmente não gosto disso – ela riu – Quer encontrar o segundo amor da minha vida?
A cara que Liam fez ao ouvir aquilo foi impagável, e ela correu para explicar.
- Era o primeiro, até eu te conhecer. Jose Cuervo, tequila.
- Não vai misturar, – ele recomendou – Você sabe que seu fígado é fraco e não pode ficar bebendo muito.
- Hoje eu tenho você pra me levar pra casa – e passou por ele, com Fran, Iasmin, Augusto e Andrew ao seu encalço, indo os cinco em direção ao bar.
Depois de levarem o sal à boca, virar a considerável dose da bebida, e então chuparem o limão, eles voltaram para a pista de dança, com a cerveja na mão.
Era divertido vê-la com os amigos, rindo e dançando. Era maravilhoso ver o quanto ela estava completamente adaptada ao país e cultura. E ali, encostado na parede com suas doses de uísque, Liam sentia orgulho da namorada que tinha. Sabia que ela sentia orgulho dele, mas tinha certeza que dentro dele, o sentimento era maior. Atravessou o oceano, mudou para um país desconhecido, se enturmou e fala quase que fluentemente uma das línguas mais difíceis do mundo.
rebolando na pista de dança o fez gargalhar. Se não fosse o documento provando que ela nasceu no Reino Unido, diria que a garota era brasileira. Ele até atravessava o oceano, mas sempre tinha uma equipe de pessoas por trás dele, falando para onde ir e o que fazer, além de ter alguém para suas traduções simultâneas, e nunca conseguia dizer se as pessoas que se aproximavam dele tinha algum interesse real na pessoa Liam.
A garota então estava com outro copo na mão, com alguns pedaços de limão lá dentro. Já havia perdido as contas de quantas garrafas de cerveja ela havia tomado, e então havia optado por tomar caipirinha. fazia o que Liam chamava de brincar com a sorte. Quando mais nova, a menina teve uma doença que afetou seu fígado deixando ele debilitado, mas a forma com que ela dançava, se divertia com os amigos, e nem se lembrava dele, que era um mero espectador na noite dela, o fazia desencanar.
Ia ficando cada vez mais tarde, o local ia esvaziando, e continuava dançando. Os cabelos já estavam amarrados em um coque e de vez em quando ela abanava a nuca. Os pés já estavam no chão e os sapatos ao seu lado. Ela se virou se encontrando com ele. As pernas já não eram muito suas amigas após tantas bebidas e cambaleando, foi em direção ao namorado, que conversava algo com Adam.
- Acho que você está bêbada – ele tirou o copo da mão dela, que tomou o dele, bebendo novamente um gole de uísque – E eu achava que você não gosta de uísque.
- Não gosto – tentou tomar o seu copo de caipirinha das mãos de Liam – Amor, me devolve.
- Só se você me der um beijo.
Ela tentou arquear apenas uma sobrancelha para ele, mas não controlava mais seus reflexos e levantou as duas.
- Acho que você está carente, Payne.
- Estou – ele confessou a segurando pela cintura – Você me arrastou para a balada e ficou a noite inteira dançando com seus amigos. E quando eles arranjaram alguém, você continuou dançando sozinha.
levantou o dedo na altura dos olhos do namorado e tentou focá-lo.
- Primeiro que você não foi enturmar com os meus amigos que estão achando que você é um popstar estrelinha e arrogante – Liam sentiu aquilo afetar em cheio dentro dele. Talvez tivesse sido rigoroso demais com essa história de ficar afastado em seu canto para não chamar atenção – E segundo – levantou outro dedo – Você não foi comigo porque não quis.
Mesmo bêbada tinha razão em tudo o que estava falando, Liam não podia negar. Ouvir tudo aquilo em voz alta fazia parecer pior do que realmente era.
- Terceiro – essa vez foi ele quem falou – Se a gente for embora agora, posso te levar ao inferno como eu prometi mais cedo.
Era ridículo o quanto a libido da garota subia rapidamente só com a proximidade dele. Passou meses com ela baixa, sem desejo, sem sentir luxúria, mas era só o namorado estar por perto, que ela sentia necessidade dele, e nem sempre conseguia controlar. E mesmo bêbada, ela sabia que não só precisava como queria ser levada ao inferno por ele.
- E o que eu faço com os meus amigos?
- Tirando Andrew – Liam rolou os olhos ao falar o nome do rapaz – Que não tira os olhos de você, todo mundo está com acompanhante e não está nem se lembrando de você. Está na hora de você ter o seu acompanhante, o que me diz?
Liam então tirou os dois cartões de comanda do bolso, o dele e o de , que não tinha onde guardar, e entregou ao seu segurança, que foi à fila do caixa para pagar.
- Vamos, , o que você me diz?
olhou em volta. Andrew estava sozinho em um canto mexendo no celular, Liam estava exagerando que ele não tirava o olho dela. Iasmin estava com um garoto que ela não sabia dizer quem era e Francielli... Fran estava com Augusto? Ela ficou boquiaberta ao ver os amigos juntos e seu cérebro dizia coisas como “safadinhos, nunca me enganaram”, enquanto dava risada.
Aquela noite era uma exceção. Andrew sempre conhecia alguém na noite e a deixava. Em alguns casos, tendo que pegar metrô durante a madrugada sozinha. Talvez inverter os papéis uma vez, não iria matá-lo. E era pelo seu namorado.
- Eu e você, agora!

- Eu quero morrer – choramingou puxando a coberta para cima do rosto – Me deixa aqui para padecer sozinha.
- Para de drama, , é só uma ressaca – Liam sentou ao lado dela com uma xícara de café na mão – Bebe um pouco.
- Não quero – ela murmurou com apenas os olhos para fora da coberta.
- Acho que você precisa lavar o rosto – o garoto comentou – Você tá parecendo um urso panda.
- Ei, eu gosto de pandas! – ela tentou levantar, mas largou o peso do corpo de volta na cama – Desisto, vou ficar e morrer aqui.
- , você precisa comer alguma coisa – Liam passava a mão na cabeça dela – O que você quer? Eu peço pro Adam trazer.
balançou a cabeça em negação. Não queria tomar café, não queria comer alguma coisa. Tudo o que ela mais precisava talvez, era um remédio para dor de cabeça, que Liam parasse de falar em sua orelha, e quem sabe, dormir pelo resto da semana.
- ...
- Liam, você está colaborando com a minha dor de cabeça – ela retrucou. Era a melhor forma de mandar o namorado ficar quieto, sem mandá-lo diretamente calar a boca – Amor, eu preciso só de um remédio para a dor de cabeça.
- Ah, desculpa – ele se levantou, apoiando a xícara de café na escrivaninha dela – Você tem remédio em casa?
- Na cozinha, em uma das gavetas.
Liam saiu do quarto e podia o ouvir abrindo as gavetas da cozinha. A cada uma que ele abria e revirava, ele largava para que deslizasse e fechasse com força, fazendo um barulho alto, colaborando com a dor de . Quando ele achou, começou a murmurar algumas palavras quase que sem sentidos.
- O que está escrito aqui? – ele virava a cartela de comprimidos – Ô ... – e assim voltou em direção ao quarto – Acho que está escrito em português isso aqui, qual você tem que tomar?
- Fala baixo... – ela murmurou e tirou da mão dele as cartelas de remédios – Aqui, esse – ela tirou um da cartela e jogou garganta abaixo – Ele me faz dormir também, então, se eu te deixar sozinho...
Ressaca, dor, remédio pra curar a dor de cabeça e que dá sono. Mistura perfeita, que fez apagar em poucos instantes. Liam olhou a namorada dormindo e os olhos passaram pelo resto do quarto. Próximo da cama, ela tinha a mala aberta. Ainda não tinham conversado sobre aquilo, mas o garoto tinha quase certeza que ela já estava se preparando para viajar com ele. Inclusive, ele precisava comprar sua passagem para a Colômbia.

Já haviam passado algumas poucas horas. O remédio com certeza já tinha feito efeito em e Liam estava entediado. Se saísse na rua, não saberia ler uma placa. E ir parar sozinho do outro lado da cidade não estava nos planos. Ele ligou a televisão. Podia não entender o que as pessoas falavam, mas era um barulho no apartamento, e sua ideia foi perfeita. Em pouco tempo estava na sala, descabelada e enrolada no lençol, mas ela estava acordada e em pé, fazendo companhia para ele.
- , está melhor? – ela concordou com a cabeça.
- Nunca mais me deixa beber tanto – ela sentou no sofá, aninhando nos braços do namorado – Eu bebi como se nunca mais fosse ver liquido na minha frente – ela riu.
- E depois de ontem, se depender de mim, nunca mais vai ver mesmo. Você bebeu até do meu copo.
- Aquilo é horrível – confessou – Mas não vamos falar de bebida – ela balançou a cabeça como se aquilo fosse espantar os pensamentos que ainda a ligava à noite anterior – O que você está assistindo?
- Não sei – Liam mudava os canais pelo controle remoto – Me diz você.
- Aí! – ela gritou quando ele passou por um canal – Volta lá atrás, tá passando futebol.
- Você... – e então ele se lembrou do gosto aguçado dela pelo esporte – Arranjou algum time no Brasil?
- Não – ela deu de ombros – Mas normalmente é divertido assistir os jogos dos times brasileiros. Mas eu tenho medo – Liam a observava atentamente – As torcidas são muito fanáticas, eles brigam entre si nas arquibancadas. Eu até gostaria de ir assistir a um jogo, mas e o medo de sair briga?
- Você está mais segura assistindo pela televisão – Liam a apertou forte – E a Copa do Mundo?
- EU VOU! – ela pulou do sofá – Eu vou assistir a dois jogos aqui em São Paulo. O primeiro, que vai ser a abertura, do Brasil contra a Croácia, e um da nossa seleção, contra o Uruguai.
- E se for Brasil e Inglaterra para final?
- Aí que vença o melhor – ela riu – Amo a Inglaterra, mas o Brasil me recebeu de um jeito tão incrível... Não quero ir embora daqui.
- O voo é longo para ficar vindo te ver – ele deu a língua para ela – Falando em voo, você vai pra Colômbia, não?
- Óbvio! – ela sentou novamente no sofá, cruzando as pernas – Achei uma promoção esquema e comprei pra quinta de tarde. Vai começar tudo de novo! – e então bateu palmas animada – Viagem, tour, amigas, voos, dormir em estação de trem...
- Voar de jato particular, ficar em hotel cinco estrelas, não precisar ser impedida por seguranças para tentar chegar perto de mim. É, vai começar tudo de novo – Liam gargalhou.
- Nossa, que popstar arrogante – ela ironizou e não se conteve nas risadas ao ver a cara de sapeca dele – Por que a pergunta?
- O combinado com o Paul era que eu poderia vir, mas eu tinha que estar na Colômbia na quinta-feira, de qualquer jeito. Nem que eu chegar a Bogotá de cavalo, mas eu tenho que estar lá.
- Espera – foi até o quarto e pegou seu notebook – Compra pro meu voo. Aqui, quer ver? – ela então acessou seu e-mail em busca da reserva da passagem – LAN, voo 3506.
- Primeira classe?
- Liam... Que parte do “achei uma promoção esquema” você não entendeu? E que parte do “dormir em estação de trem”, você perdeu? Eu lá tenho cara de quem compra voo em primeira classe?
- Então... – ele tomou o computador do colo da namorada – Vamos fazer um update na sua passagem, e comprar a minha. Ah, a história de dormir em estação de trem foi séria?
- É, nunca te falei? – ele negou com a cabeça e ela riu – Eu e as meninas estávamos chegando a Metz, na França, e percebemos que a gente não tinha reservado um hostel para aquela noite. Então decidimos que iríamos voltar para Paris e dormir onde nós tínhamos ficado por duas noites. Porém o último trem pra lá saía durante o show e a gente acabou dormindo na estação de Metz, pra só no dia seguinte seguir viagem, para Bélgica.
- Você não tem vergonha de me contar isso, ?
- Claro que não, e estou indignada de não ter te contado ainda. Passei cada perrengue naquela Europa por sua causa, que acho que vou transformar em livro. Meus netos vão ter orgulho de mim.
- “Como eu conheci o seu avô” – Liam já imaginou o título do livro – Direitos autorais pelo nome são meus.
- Não to lembrada de falar que os meus netos também vão ser os seus netos – ela arqueou uma vez, sem álcool no sangue, uma sobrancelha – E eu achei que você iria comprar sua passagem para Bogotá.
- As nossas – ele voltou atenção ao computador – Preciso do número do seu passaporte...

Liam jurava que tinha dormido por apenas duas horas quando o despertador tocou naquela manhã na cidade de São Paulo. Ele reclamou palavras desconexas e apertou mais forte a cintura de , que também reclamava de algo. Era o quarto dia dele no Brasil que se iniciava, e também naquela semana, a nova turnê teria seu pontapé inicial. Algo tão importante acontecendo, e ele acordando...
- Que horas são? – ele murmurou afundando o rosto no pescoço de .
- Seis da manhã – ela bufou ainda deitada e com os olhos fechados – Preciso ir para a faculdade.
- Não. Por que, pra quê? Fica comigo.
- Eu preciso – tentou empurrar a mão dele que estava em volta de seu corpo para longe, mas ele não colaborava – Liam, facilita as coisas pro meu lado. Você fica dormindo aqui, e eu vou pra aula, assisto, chego em casa e faço almoço pra nós dois. Ou a gente vai almoçar na rua.
- A gente pode ficar o resto da semana sem comunicação com o mundo, e só dar sinal de vida quando formos pra Colômbia?
O garoto então foi se virar na cama e acabou afrouxando a cintura da namorada, que num impulso, rolou para o lado da cama e conseguiu se levantar, enquanto ele ficava batendo na cama a procura dela.
- Isso foi jogo baixo, , volta pra cama.
não respondeu, em contrapartida, ela voou para dentro do banheiro para poder tomar um banho e ganhar a disposição necessária para aquela manhã de aula. A parte boa de estudar Comunicação no Brasil era aquilo, suas aulas eram apenas no turno da manhã, diferente de quando ela estava em Manchester que era alternada entre manhã e tarde.
Liam continuava a murmurar algumas palavras que apenas ele entendia, mesmo sabendo que a namorada estava embaixo do chuveiro e não poderia ouvi-lo. Cansado de ser “ignorado”, ele preferiu se calar. O casal assistiu a alguns filmes até tarde na sala da casa dela e foram para a cama de madrugada. Eles foram dormir tarde, eles mereciam acordar tarde no dia seguinte, como ainda queria ir para a faculdade? E o despertador tocou às seis da manhã. Aquilo não era certo na concepção dele. Cansado de tentar entender e com os olhos pesados, Liam apagou novamente na cama.
Enrolada na toalha, saiu do banho e parou para escovar os dentes. Se Liam não a parasse no meio do seu trajeto, ela conseguiria sair de casa e ainda tomaria um café tamanho Venti na Starbucks, para poder despertar de vez e se manter acordada até o meio-dia. Do banheiro, foi direto para o quarto onde com a ajuda da lanterna do celular, abriu o armário em busca de uma roupa. Vestiu uma lingerie qualquer e pegou uma calça jeans e uma camiseta branca. Não era adepta do All Star, mas foi o primeiro sapato que viu naquele breu pouco iluminado. Colocar um sapato melhor implicava em fazer barulho, e tudo o que ela menos queria, era perturbar Liam que tinha voltado a dormir.
Depois de se trocar e passar um pó e corretivo no rosto, apenas para tirar aquelas olheiras causadas pelo pouco tempo dormido, pegou sua bolsa jogada em cima da cadeira da cozinha e seu caderno, que estava em cima da escrivaninha. Ao dar um passo para fora do quarto, ela voltou e mordeu os lábios. Era de partir o coração ter que deixar Liam sozinho naquela cama, mas era necessário. Quem sabe... Um selinho de despedida.
Ela então voltou para a cama, onde ele dormia, e se abaixou ao lado da mesma. Ela sorriu ao vê-lo dormindo pesadamente, e jogou o cabelo dele para o lado, fazendo cafuné. Gostava do cabelo dele baixo, sem nenhum penteado ou com quilos de produtos para parar no lugar. Era natural, era uma pessoa normal e sem os holofotes em cima dele. Ela sabia que ele era doido pelo que fazia, mas também tinha certeza que esse sono profundo era porque estava extremamente relaxado.
- Volta pra cama – ela ouviu a voz de Liam suplicar. Talvez tiver ido despedir-se dele não tenha sido uma boa ideia – Não suporto a ideia de ficar sozinho nesse país.
- A gente dormiu tarde, Liam. Você não vai nem sentir a minha falta, vai apagar de novo no instante que eu sair por aquela porta.
- O que eu preciso falar para você voltar para a cama, ?
- Eu realmente preciso ir – se aproximou da boca dele e lhe deu um selinho – E eu aposto que você vai estar no enésimo sono quando eu chegar.
- Você é má, . Eu vim pra cá só para ficar com você e sou trocado pela faculdade?
A voz de Liam já era um dos sons preferidos de . Ouvir a voz dele rouca e com sono pela manhã, suplicando para ela voltar pra cama porque ele voou mais de nove mil quilômetros apenas para ficar com ela, era de estraçalhar seu coração em dezenas de pedaços.
- Eu te amo, eu te amo – ela distribuía beijos pelo rosto dele – Prometo que se hoje não fosse um dia importante na faculdade, eu ficava. Por favor, me desculpa – ela se levantou – Quando você menos perceber, eu estou de volta.
- Já vi que eu não vou ganhar – ele cedeu – Boa aula e volta logo.
- Obrigada – e sorrindo, mesmo sem ele poder ver, ela foi saindo do quarto, mas parou ao ouvi-lo chamando-a novamente.
- – ela se virou e murmurou algo para que ele continuasse a falar – Eu te amo.
encostou-se ao batente da porta. E de todas as coisas que ela amava ouvir da boca dele, aquela pequena frase era a mais incrível de todas.
- Eu também te amo, Liam.
E antes que ele respondesse algo e eles travassem mais uma conversa, ela saiu do pequeno apartamento. Liam havia feito ela se atrasar para que passasse na cafeteria, mas aquilo era necessário. Quem iria se importar em chegar quinze minutos mais tarde na faculdade quando logo pela manhã ouve seu namorado, que atravessou o oceano só para ficar com você, dizendo que lhe amava?

mal podia acreditar quando sua professora finalmente liberou para ir embora naquela manhã. O copo de café que tinha comprado pela manhã havia ajudado até umas dez horas, e então passou até o meio-dia, um tanto quanto sonolenta. Mas estava liberada, e podia se livrar daquela mesa e jogar suas canetas dentro da bolsa.
- O almoço ainda está de pé, certo? – Fran, que sentava ao seu lado na sala, lhe perguntou.
- Claro! – ela respondeu em prontidão – Não sei quem foi o infeliz que teve a sábia ideia em colocar Economia na nossa grade curricular, mas eu realmente preciso de um grupo de estudos para ir bem à prova de amanhã.
- Por isso nós temos a Iasmin – Fran se pendurou na amiga que ia um passo na frente das duas – O que ela faz em comunicação, ninguém explica, mas a menina é fera com os números.
- Assim espero – aliviou e empurrou porta do banheiro – Eu já não sou lá muito boa com essa história de números, em português ainda? Se minha nota for à média, eu estou feliz.
- Vocês estão colocando expectativas demais em mim – Ias se defendeu – Pode ser que eu tenha um pouco de facilidade, mas não fera, como disse a Fran. , segura minha bolsa, por favor? – e assim, entrou na cabine dos sanitários.
- Qualquer coisa que vocês souberem, já sabem mais que eu – encostou-se à parede abraçada ao seu caderno e tanto sua bolsa como a de Iasmin nos ombros – Fran, e o Augusto?
- Deve estar bem, obrigada pela preocupação – a garota ficou envergonhada – Ele é um cara legal.
- Gato você quis dizer, não é? – Ias saiu arrumando a blusa por cima da calça – O Augusto é um cara gato e você fisgou o cara que mais arranca os corações dessa universidade... Inclusive o meu – e assim, abriu a torneira para lavar as mãos – Não é, ?
- Não sei de nada – levantou os braços em defesa – Eu tenho um namorado que eu deixei dormindo em casa. Não façam perguntas que possam me comprometer, achei que vocês eram minhas amigas.
- E somos! – Fran riu – Mas confesso que eu não sabia que os membros do Backstreet Boys eram estrelinhas.
- One Direction! – gargalhou alto, seguida de Iasmin, que também era fã da banda – Fazendo bullying com meu namorado e meus amigos, achei feio, achei desnecessário, Fran.
- Não conheço os seus amigos, então foi só com o...
- Liam.
- Com o Liam, isso! – Fran reforçou e ficou repetindo o nome dele para não esquecer – Mas você há de convir que ele nem se empenhou em se enturmar com a gente no sábado à noite.
- Ele não queria ir – confessou – Ele só foi porque eu já tinha combinado com vocês, e ele não queria me ver triste e essas coisas, mas vamos decidir onde almoçar que eu vou levar ele junto para essa primeira impressão passar.
- No shopping que a gente sempre vai, perto da sua casa, o que acham? – Iasmin perguntou e as duas concordaram – Ele é mais vazio e perto do metrô, dá para a gente ficar lá até um pouco mais tarde. E a pode levar o Liam sem se preocupar com o assédio.
- Certo, eu vou ligar para ele e falar que eu passo em casa para buscá-lo. Mas o Adam vai ter que ir junto, vocês veem algum problema nisso? – levou o dedão à boca. Mas sabia que essa era a única forma do namorado sair em público. Falando nisso, onde Adam estava hospedado? Ela olhou as amigas em indagação, que retribuíram o mesmo olhar, com dúvida – O segurança do Liam.
- Ah! – Fran deu de ombros – Não, ele pode fazer a nossa segurança também?
- Fran! – Iasmin riu – , eu posso tirar uma foto com o seu namorado?
- Achei que você falou que eu não me preocuparia com o assédio – ela deu de ombros e sorriu amigavelmente – Claro que pode, Ias, vou ligar para ele.

Liam era uma negação na cozinha e não tinha como negar que ficou irritado quando saiu da cama aquela manhã para ir para a faculdade. Mas como era pelos estudos que ela havia ido estudar no Brasil, ele tentou relaxar, porém já havia quebrado um copo, numa falha tentativa de fazer almoço para a namorada.
O celular começou a tocar estridentemente e ele desligou o forno. Queimar as batatas estava fora de cogitação e perder aquela ligação também, então correu até o quarto, e pegou o aparelho que estava em cima da mesa.
- Oi, – ele atendeu animado – Onde você está?
- Na faculdade – a voz da menina era cansada do outro lado – Se troca, eu vou passar em casa para te pegar e a gente vai almoçar na rua.
- Mas... – ele então se lembrou das suas panelas no forno e dos pedaços de vidro que ele teve que limpar no chão – Por que você não pode vir almoçar na sua casa?
- Eu, a Fran, a Ias, o Augusto e o Andrew, nós vamos estudar juntos.
- Andrew?
- Não começa, Liam, é só um amigo e você sabe disso. Vou pegar um metrô e em vinte minutos eu estou em casa.
- , eu fiz almoço aqui na sua casa.
- Então eu vou levar todo mundo para aí – ela se animou. Almoço pronto, sem ter que gastar dinheiro, e todos os seus amigos estudando juntos para a prova do dia seguinte? Era tudo o que ela mais queria.
- Não! – ele respondeu rapidamente. Não queria ter que ver Andrew novamente, não queria nem ter que dividir a atenção de com os amigos dela. Do outro lado da linha, a menina cruzou os braços – Não... Acho que não tem para todo mundo.
- Amor, guarda e a gente janta de noite, pode ser? Chama o Adam e vamos.
Então era aquilo? Liam simplesmente resolve que vai fazer um almoço para esperar sua namorada em casa e eles ficarem o dia inteiro juntos e ela simplesmente o troca para almoçar com seus amigos da faculdade? Aquilo não estava certo. , por outro lado, estava perdendo a paciência. Qual era o problema dele uma vez na vida, se enturmar com os amigos dela que não são os dele?
- O Adam não pode, ele foi resolver alguns problemas – mentiu.
- Que tipo de problemas o Adam pode ter, Liam? – ela bufou e alto, para que ele ouvisse o seu descontentamento – Vamos fazer o seguinte? Quem quer arranja um jeito, e quem não quer, inventa uma desculpa, no fim do dia eu estou em casa.
- ...
- Tchau, Payne – e desligou o telefone na cara do namorado.
Liam esmurrou a parede quando percebeu que tinha desligado o telefone. Não era ela quem tinha dito de manhã que quando chegasse faria um almoço para ele ou ambos iriam almoçar fora juntos? Por que diabos agora ela queria colocar seus amigos de faculdade juntos? Por que ela queria que Andrew fosse junto a eles? O garoto levantou da cama da namorada e foi de novo para a cozinha. Se ela não queria almoçar com ele, ele comeria o tradicional prato inglês que preparou: peixe com batatas.

- Acho que meu namorado resolveu que vai ser antissocial e não vai sair com a gente – guardou o celular no bolso e bufou – Desculpa gente, desculpa Iasmin, eu juro que ele normalmente não é assim. Deve ser o fuso horário.
Os amigos deram de ombros e ao sair do banheiro, encontraram Andrew e Augusto esperando no corredor do prédio da universidade. De lá foram para o tal shopping próximo da casa da garota e pegou cada um, um lanche do McDonald’s para adiantar o processo e logo começar a estudar. Após isso, durante a tarde, ouviram explicações de Economia vindas de Ias. As dúvidas não tinham sido todas sanadas, mas até que conseguiriam tirar uma nota razoável no dia seguinte.

Ele ouviu o barulho da chave do outro lado da porta e focou o olhar na televisão. Quando ela foi aberta, revelou cansada. Liam nem se mexeu no sofá, continuou com os olhos no programa qualquer que passava, sem entender aquela língua estranha, mas ainda sim era melhor que olhar para ela. Ele não estava puto, Liam estava possesso com a namorada.
- Você está aqui – ela sorriu e se jogou no sofá, se aproximando mais dele. Liam por sua vez, nem se abalou com a proximidade da namorada – Como você passou o dia? Mal posso esperar por aquela janta.
- Eu não sei ficar quieto – ele desligou a televisão pelo controle e virou de frente para ela. por sua vez, nunca viu aquilo no olhar do namorado. Ela não sabia se ele estava chateado, com raiva, o que era aquilo que enxergava naqueles olhos. Pela primeira vez, Liam estava indecifrável – O que está acontecendo com nós dois? Você tá mantendo distância de mim, é isso?
- Liam...
- – ele levantou a mão como se fosse para ela deixá-lo falar e ela se calou novamente – Eu não podia aguentar até quinta-feira pra te ver de tão ansioso que eu estava. Eu precisava desse momento só com você, pra matar um pouco da saudade que eu estava sentindo. Eu chego aqui, e encontro um homem dentro do seu apartamento – ela foi retrucar, mas ele a impediu – Eu estou falando agora. No dia seguinte, você me levou para uma balada e simplesmente esqueceu-se da minha existência, ficando somente com os seus amigos. Tudo bem, você já tinha marcado com eles e eu cheguei para atrapalhar...
- Você não me atrapalha – ela sussurrou e ele fingiu não ouvir aquilo.
- Aí hoje, você acorda cedo para ir para a faculdade, diz pra mim que volta para a gente almoçar juntos e simplesmente passa a tarde fora almoçando com seus amigos. , eu fiz peixe com batatas para você, coisa que você não come desde o ano passado. E até quebrei um copo seu! Você não se preocupou comigo.
- Liam, amanhã eu tenho uma das piores provas que eu vou ter durante a minha passagem pelo Brasil, por favor, não complica as coisas para o meu lado – ela respirou profundamente – E me ajuda... Colabora comigo.
- Colaborar com você, ? – Liam riu descrente – Eu estou colaborando. Estou sendo paciente, esperando você ter tempo para mim – ele fez uma breve pausa – Esperando você vir até mim.
- E eu estou aqui!
- Eu virei o seu resto, ! – Liam se levantou do sofá e andou de um lado para o outro na sala, com a namorada o acompanhando apenas com o olhar – Eu não vim para cá para isso.
- Eu não pedi para você vir – a boca de foi mais rápida que seu pensamento e quando se deu conta do que falou, levou as mãos à boca.
Liam parou e se virou para encará-la. já estava com o rosto escondido pelas mãos, incrédula com o que tinha acabado de falar. Qual era o problema dela, que nunca pensava antes de falar? E sempre fazia o contrário, ficando com mais vontade ainda de se jogar em um penhasco. Liam estava tão indignado quanto ela. Não era o fato de ser deixado de lado em uma balada, ou ela passar um dia inteiro fora de casa deixando ele sozinho, era a resposta que ele tinha acabado de ouvir, e o rumo que o namoro deles estava tomando. Não era possível que o casal se entendia melhor distante do que próximos e unidos.
- Mas eu estou ridiculamente feliz de você ter vindo – ela tentou consertar, mas talvez tivesse sido tarde demais.
Ele estava encostado na parede oposta, com a mão no queixo e o olhar fixo no chão. Não foi por essa garota que ele se apaixonou e lutou tanto para eles ficarem juntos. Aquela não era sua namorada.
- Eu estou te atrapalhando aqui, não estou? – Liam então levantou o rosto e cruzou os braços – É só você me falar, , eu arrumo minhas malas e vou embora. Vou para Londres, pra Colômbia, para um hotel. Mas eu saio da sua casa e deixo você em paz. Deixo você ir para a faculdade, sair com os seus amigos, almoçar e passar a tarde com eles, estudar, você não divide mais a sua cama...
- Não, Liam, não, nem se atreva a isso – se aproximou e foi de encontro a ele. A garota posicionou suas duas mãos ao lado do rosto dele, emoldurando-o, e fazendo olhar diretamente nos seus olhos – Eu errei, eu estou errada, e eu falei sem pensar – Liam a encarava, enquanto ela sentia uma lágrima solitária escorrer em sua bochecha – Você me deu a chance de acreditar no amor de novo, de amar um homem de verdade, e saber o que é ser amada por ele – com a proximidade, ela pôde ver todas as pequenas rugas que formava no rosto dele – Eu não estou sabendo aproveitar isso, me perdoa, me perdoa por todas as minhas falhas, talvez eu não te mereça, mas eu errei e espero que você possa deixar isso pra trás.
Liam soltou um suspiro pesado e quente pela boca, e permitiu que sua cabeça caísse para frente, fazendo com que as testas tanto dele quanto de se encostassem. Suas mãos foram na altura do quadril da garota e massageou a região com carinho. Ela então deslizou os dedos afagando as bochechas dele e sorriu.
- Eu amo você sua tonta – não pôde evitar a risada nasalada ao ouvir a palavra dita com carinho – Mas agora quem precisa de um tempo para digerir tudo isso, sou eu.
Ela não pôde evitar dar dois passos para trás e o sorriso novamente sumiu.
- Liam...
- Você não tem uma prova amanhã? Você vai estudar, e eu fico aqui pensando. Depois da prova...
- Eu não tenho nada. Estou livre – ela fechou os olhos – Liam, foda-se a prova. Nosso relacionamento é maior que isso.
- E eu ter uma namorada burra? – ele negou com a cabeça – Já não basta um nesse namoro sem faculdade, por pouco sem ensino médio – piscou – Eu vou estar aqui, do outro lado da porta – e fez referência à sala.
- Liam Payne... – ela suplicou mais uma vez. Não! Queria dormir com Liam, acordar ao seu lado, sentir seu cheiro, abraçá-lo e sentir-se segura.
- Eu quero esse tempo só pra digerir o que aconteceu – dessa vez ele não pediu, apenas informou – Vai estudar, .

A noite não foi nada como ambos tinham imaginado. Liam dormiu desajeitado no sofá do apartamento de , enquanto ela, do outro lado da porta, no quarto, ficou praticamente a noite toda acordada. Não conseguia dormir pensando na discussão que ela e ele tinham tido mais cedo, estava preocupada com a sua prova e ela não se atreveu a olhar, mas acreditava que ele também não estava dormindo. Liam roncava, e muito, e não se ouviu um barulho sequer naquele apartamento durante a madrugada de segunda para terça-feira, a não ser do relógio de pulso de ambos contando os segundos.
Quando Liam acordou, já não estava mais no apartamento. Tinha certeza que ela estava na faculdade para a realização de sua prova e desejava, do fundo de seu coração, que ela fosse bem. Apesar de todos os problemas, sabia que ela era esforçada em seus estudos, e estava agarrando aquela oportunidade única em sua vida com unhas e dentes.
Ela chegaria após a prova, teriam uma conversa definitiva e tudo voltaria ao normal. Os dois viajariam em dois dias, turnê nova, países novos, não tinha porque tudo dar errado. Entrou no quarto dela para pegar uma roupa para tomar banho dentro da mala, e encontrou a escrivaninha dela revirada. Não pôde aguentar sua curiosidade, e sentou-se à mesa para olhar os papéis e materiais que ela usava para estudar.
Estava revirado, pois acreditava que ela ficou a noite inteira estudando, mas não tinha como negar que era organizada e estudiosa. Ele olhava livros, papéis e pequenas notas espalhadas pela mesa sem entender uma palavra do que ali estava escrito, então achou uma folha, com algum rabiscado em inglês, e com um garrancho, no lugar da pequena e cursiva letra da namorada, e alguns números.
“Quando você for aos Estados Unidos, me liga. Andrew.”
Aquilo só podia ser um número de telefone. Liam agarrou o papel com força, transformando-o rapidamente em uma bola. Quando ela for aos Estados Unidos, era para ligar para ele.
Definitivamente, ir passar uma semana no Brasil, foi a pior ideia em anos que Liam podia ter tido. Já não gostava de Andrew desde o primeiro momento que colocou os olhos no rapaz, e depois daquele bilhete, não queria acreditar, mas seu cérebro e seu coração brigavam naquele instante. A razão desconfiava da confiança que ele tinha em , a emoção falava para ele deixar aquilo de lado.
Confuso, Liam abriu novamente o papel, desamassando o máximo possível e deixando em cima dos livros da namorada. Ele apoiou seu cotovelo em seu joelho e girou a cadeira, encontrando sua mala semiaberta. Era uma decisão um pouco precipitada, mas que talvez lá na frente, o evitaria tomar outra decisão que tomasse proporções maiores.
iria perdoá-lo, mas ele iria se atrever a isso.

E saíram os cinco da estação de metrô. , Fran, Iasmin, Andrew e Augusto. Finalmente a prova de Economia havia passado, e eles não queriam falar naquilo, passou, e era o que importava.
- Você não vem mesmo, ? – Fran perguntou ao ver virando na direção oposta a que eles estavam indo. Iriam ao mesmo shopping que estudaram no dia anterior, e aproveitariam para ir ao cinema e relaxar o máximo possível.
- Não – a menina confessou – Digamos que ontem eu criei problemas demais com o Liam e quero resolvê-los o mais rápido possível. Meu relacionamento está prestes a desmoronar, só quero chegar em casa e resolver tudo logo.
- Boa sorte! – Iasmin gritou por causa da distância – E boa viagem! Quando a turnê chegar aqui, eu vou estar na primeira fila.
- Então a gente vai se encontrar lá – sorriu – Fui!
E então ela deu as costas e saiu correndo. Eram duas quadras da estação de metrô ao seu prédio, e ela corria como nunca. Já se despediu dos amigos. Só voltaria para a aula quando Liam voltasse para Londres, mais de duas semanas mais tarde a partir daquela data. E que se dane naquele momento intercâmbio, faculdade, português e gentileza com as pessoas nas ruas, ela só queria chegar à sua casa.
Quando entrou na portaria, o senhor Rui, um simpático idoso que cuidava da entrada de pessoas no prédio, gritou algumas palavras para ela que passou direto para o elevador como um rojão. Apertou o botão que indicava o nono andar e estava ansiosa para chegar em casa.
Assim que chegou, foi direto na porta e com as mãos tremendo, colocou a chave e girou. O apartamento estava silencioso. A televisão desligada, a porta do banheiro aberta. Ela entrou no quarto e achou vazio demais. Foi então que seus olhos sentiram que algo estava faltando naquele cômodo. A mala de Liam não estava mais no pé da cama, ele não estava no apartamento, e em cima da sua mesa, o papel com o telefone da casa dos pais de Andrew em Denver, nos Estados Unidos.
- Não, não e não! – ela gritou.
Liam havia ido embora.


Capítulo 3 – Don’t Forget Where You Belong:

pegou o telefone de Andrew em cima de sua escrivaninha e olhou fixamente para aqueles números. Aquilo só podia ser uma brincadeira de mau gosto, uma miragem, e talvez ela ainda estivesse dormindo e aquilo fosse um pesadelo. Entre chutar a quina da cama e bater a cabeça na parede, preferiu se beliscar, e aquilo doeu. Ela realmente estava acordada.
Não havia nenhum sinal de Liam naquele apartamento. Nenhuma meia estava espalhada pelo quarto, já que ele era acostumado com bagunça, ou o carregador do celular dele perdido pela tomada. A única coisa que tinha sobrado dele naquela residência, era o cheiro de seu perfume que ficava impregnado a cada lugar que ele passava.
Liam fez aquilo que ela praticamente suplicou que ele não fizesse, no dia anterior. Ele juntou suas coisas e saiu da casa dela. Não sabia se ele estava em algum hotel de São Paulo, se ele tinha ido para o aeroporto em um voo de volta para Londres, ou quem sabe já ia se adiantar indo para a Colômbia. A cabeça da garota começou a pesar, decidiu sentar-se na beira da cama e sentiu uma lágrima correr em sua bochecha. Por que ela tinha que ser irritantemente chata com a faculdade? Qual era o problema que ela tinha que deixou seu namorado em casa e passou uma tarde com os amigos?
deixou o peso de seu corpo cair para trás, deitando-se na cama. Liam estava acostumado a ser o centro das atenções aonde ia, o mundo aos pés dele fazendo o que ele quisesse, e tinha as mulheres mais bonitas do mundo a sua disposição à hora que ele quisesse. Ela deu uma risada irônica, para que não chorasse. Liam era o centro do seu universo pessoal, a pessoa que a fazia rir, chorar de felicidade, encher-se de orgulho. Mas só dela, e não de todo o mundo. E também não fazia todas as vontades dele só por ser uma figura pública, era um relacionamento, o casal entrava em acordo juntos. E sobre ter as mulheres mais belas do mundo, ela não era uma modelo da VS, mas tinha autoconfiança.
Ela se sentou novamente em sua cama e buscou por sua bolsa, tirando de lá de dentro seu celular. Liam não podia ter ido muito longe. Não havia voo saindo para Londres durante o período da manhã, e ela não queria acreditar que ele tinha pegado outro voo para Bogotá. digitou uma mensagem e se jogou novamente na cama. Queria respostas, e logo. E talvez de um remédio para conter a ansiedade.

O celular apitou e Liam olhou para Adam. O nome de apareceu na tela e ele mostrou para o segurança, que deu de ombros. Liam largou o celular e bufou, não queria ter que lidar com aquela situação naquele momento.
Ela ir estudar não estava dentro de seus planos, mas era normal, até ficar com seus amigos na balada, já que ela havia combinado antes que ele aparecesse de surpresa. tinha uma vida no Brasil, que Liam tinha que aceitar. Ela nunca reclamou de ele passar meses do outro lado do mundo, quando os horários para eles se comunicarem eram absurdos. Ou até das festas que ele estava acostumado a ir. sempre tinha sido compreensiva em relação à profissão dele, mais do que qualquer outra garota antes dela tinha sido. Talvez ele tivesse exagerado um pouco em sua reação, mas um bilhete daqueles com o número de telefone. só podia estar planejando ir aos Estados Unidos sem avisar ele.
O telefone apitou novamente e Adam dessa vez pegou entregando para Liam. Ele tinha que responder, pois era insistente, e aquilo seria só o começo.

“Onde você está? Eu estou preocupada.”

- Ela está preocupada, Adam. – ele riu ironicamente, largando o celular de novo, que caiu na cama.
- Talvez você pudesse informá-la que está em um hotel – o segurança trocava os canais da televisão – A senhorita não ficaria preocupada.
Liam ergueu uma sobrancelha para o segurança, que arregalou os olhos, em curiosidade quanto à reação.
- Você está do meu lado, ou dela?
- De ambos. A senhorita talvez tenha sido um pouco rude em não lhe dar a devida atenção de um namorado que atravessou o oceano para ficar com ela, mas você também não teve maturidade o suficiente para ficar lá e confrontá-la sobre aquele número de telefone. Você já parou para pensar - o segurança sentou direito na cama e se apoiou em seu joelho – que talvez aquele telefone seja apenas um contato? Que não existe malícia nenhuma naquilo? Que se um dia, uma hipótese remota, ela resolver ir aos Estados Unidos, ela possa encontrar um amigo, uma pessoa do intercâmbio que vivenciou as mesmas experiências que ela? De estar longe da família e dos amigos, de ter que ser forte e sobreviver a distância, de chegar a um país com uma língua completamente diferente e multicultural como esse? Você pode conhecer o mundo, Liam, mas você nunca vai saber o que é essa bagagem cultural que a sua namorada está agregando à vida.
Liam ouvia a tudo aquilo indignado. Não era aquilo que ele queria ouvir. Diabos, seu segurança estava do lado dele ou de ?
- Achei que eu te pagasse para você estar ao meu lado – ele falou para o homem, descrente e entediado com o que acabou de ouvir.
- Achei que quando você me contratou você queria um amigo além de um segurança – Adam retrucou deixando Liam boquiaberto.
Quando o menino ia responder, o telefone ecoou novamente pelo quarto, e Liam observou a notificação. Era ela, de novo.
“Liam, por favor.”, ele leu na tela de seu celular e deu de ombros. tinha a vida dela, mas aceitar o telefone de outro país de outro homem perdido pelas suas coisas era demais! Ele olhou pela janela, e encontrou a vista que São Paulo oferecia. Uma cidade cinza, com prédios altos e pessoas vivendo suas vidas às pressas. Era lá que ele iria estar novamente em alguns dias, mas nada daquilo faria sentido sem a namorada.
Ele se sentou no parapeito da janela observando lá embaixo. Nada daquela vida realmente faria sentido sem , mas ele era orgulhoso demais para responder rapidamente às súplicas que ela lhe envie.

Cansada de esperar respostas, de não saber onde Liam está, ou de talvez até ignorada pelo namorado, criou forças e pegou seu computador em cima da mesa, abrindo o aplicativo de Hangouts, que usava para conversar com a família e amigos que haviam ficado na Inglaterra ou em qualquer outro lugar do mundo.
Ela podia ouvir o barulho de como se estivesse fazendo uma ligação enquanto olhava para sua imagem na tela do computador. Estava com aparência de cansada e abatida, pálida com uma olheira que nunca existiu. Se ela estava naquela situação com Liam por quatro dias em sua casa, a garota não queria imaginar o que aconteceria quando voltasse para Manchester e tanto ela como ele voltassem a morar no mesmo país.
- Oi, ! – ela ouviu a voz vinda do outro lado da tela. A voz atravessava o oceano e ia parar dentro de seu minúsculo apartamento no Brasil.
- Cadê a ? Preciso de vocês com urgência.
- O que houve? – fechou os olhos e respirou fundo. Depois, encostou a cabeça na parede, enquanto se ajeitava com o computador em seu colo – Certo, vou procurar ela.
Rapidamente enviou uma mensagem para , que logo se conectou ao aplicativo que usavam para conversar.
- de Deus, você está branca. Por acaso você morreu e esqueceram de te enterrar? – exaltou do outro lado da tela, em seu conhecido alojamento, em Manchester.
- O Liam sumiu, ele não responde as minhas mensagens, e eu não faço a menor ideia de onde ele possa estar – mandou de uma vez. ficou boquiaberta, enquanto para , aquilo parecia normal.
- Às vezes ele foi dar uma volta e ainda não chegou – tentou confortar a amiga, que balançava a cabeça em negação.
- Só se ele levou a mala dele para passear também – riu descrente – E a bagunça dele também.
- Amor, o seu chuveiro tá gelado – ouviu aquela voz escandalosa.
Na câmera, por trás de , Niall apareceu enrolado na toalha, segurando-a com uma mão. gargalhou. Somente Niall Horan iria fazê-la rir durante aquela situação.
- Bem legal ligar o Hangouts e ver o Niall só de toalha, palmas! – batia palmas enquanto o garoto na tela fingia estar desfilando – E vocês não foram para a Colômbia ainda. , e o Zayn?
- Dois minutos.
E então logo em outra tela, apareceu Zayn.
- Eu preciso de vocês, mas primeiro preciso que o Horan coloque uma roupa porque até a última vez que olhei na identidade, meu nome não era !
O garoto deu sua típica gargalhada, pegou uma roupa e entrou no banheiro. Rapidamente ele voltou usando uma bermuda e uma camiseta, e seu cabelo molhado. Niall pegou uma cadeira e sentou-se ao lado da namorada, dividindo ambos uma tela.
- Olha a cara de cansada – Niall provocou – Certeza que o Payne não está te dando sossego. Ele estava numa seca desgraçada.
- Cala a boca – bateu na perna do namorado – , cadê o Liam? O que aconteceu?
- Aconteceu que eu sou uma idiota, fiz e falei o que eu não devia, e pra ajudar hoje ele achou o número da casa dos pais de um intercambista, que ele não gosta, lá nos Estados Unidos, juntou as coisas dele e foi embora.
- Espera que fiquei confuso – Zayn abriu a boca pela primeira vez – Primeiro, oi ! O que você fez? O que você falou?
- O levei pra balada – escutou murmurar “normal” – Fiquei com os meus amigos, aí a gente discutiu porque eu tinha que estudar e ele fez almoço pra mim e eu não vim pra casa, mas ele também não quis interagir com quem eu conheço daqui, e ontem numa discussão acabei falando que eu não pedi para ele vir pra cá.
- Acho que eu me perdi – riu – Mas ... Vocês estão em crise? Logo agora que estão juntos? E os milhares de meses de vocês por causa da distância?
- Boa pergunta. Acho que eu e ele somos melhores separados do que juntos – confessar aquilo alto doeu – As coisas já começaram frias quando ele chegou aqui, e o Andrew estava assistindo filme comigo.
- Liam ciumento ataca novamente – Niall falou enquanto via Zayn concordar com ele.
- Eu não vou perguntar o que isso significa, mas eu sei que já tenho a resposta que eu queria, que vocês não foram para a Colômbia ainda.
- Amanhã – falou – , vamos ser racional, se o Liam não está na Colômbia, ele com certeza não voltou pra Inglaterra por causa do tempo de voo – se preparou como se fosse dizer a solução dos problemas da amiga – Ele está aí em São Paulo.
- Onde? – se perguntou.
- Não é a gente que vai saber, falou – Você sabe que se você procurar ele, você acha.
- Acha – reforçou e ela entendeu o que aquilo queria dizer.
Elas acharam os meninos sempre que precisaram na Europa durante a viagem do ano anterior.
- Use os seus métodos – riu – Hotel, Liam Payne, SP.
não pôde deixar de rir daquilo. Ela quem ensinou as amigas a procurar pelas redes sociais o hotel da banda que elas quisessem, inclusive dos seus atuais namorados, e agora seus próprios métodos estavam sendo usados contra, e ao mesmo tempo, a favor dela.
- Eu vou tentar – sorriu sem graça – Obrigada.
- De nada. Você vai pra turnê com a gente, não vai?
- Óbvio!
- Droga, eu não vou mais – Niall bufou e cruzou os braços do outro lado do computador, ao lado de .
- Beleza, Horan, eu canto no seu lugar – ela piscou para o menino – Sempre quis mesmo fazer um show em estádio.
- Sério?
- Não! – deu a língua para ele – Vou caçar o Liam, nos vemos quinta-feira.
E então desligou o Hangouts. tinha razão. Se ele não tinha viajado para Bogotá sozinho, ele também não tinha ido para Londres, seria muita burrice ficar 12h em um avião para chegar lá e ter que voltar.
já tinha cansado de se culpar por Liam simplesmente ter sumido, agora ele estava com raiva, porque ele podia ter ficado e confrontado ela sobre aquele número de telefone. Já que ele arregou e fugiu, agora as regras utilizadas naquele jogo seriam as dela.

“Você tem dez minutos para me falar onde está, ou eu vou ser obrigada a descobrir pelos meus próprios meios?”

Ele deu de ombros e continuou a olhar a televisão. Aquele filme parecia estar interessante. O celular apitou novamente.

“Não me teste.”

Ele realmente queria saber até onde iriam os limites dela por aquele namoro.

A raiva de já tinha passado todos os limites. E com raiva, pegou novamente o computador e se jogou em sua cama com ele no colo. Liam havia pedido para que ela ficasse longe das redes sociais para que ela evitasse ódio gratuito. Tinha cumprido o pedido dele até então, mas sua antiga conta de Twitter estava lá com a mesma senha de antes, e seria de grande utilidade naquele momento. E se Liam não iria ajudá-la, bom... Provavelmente ele também não iria gostar dos meios que ela utilizaria.

@Campbell: Ops! Parece que a surpresa não deu certo, Liam chegou ao Brasil e não veio me ver. Baby, cadê você?

calculou quais seriam as consequências ao postar aquilo. Bem, Liam já é grande e sabe se cuidar, e mais do que isso, ele pagava Adam muito bem para que cuidasse das costas de seu namorado. Além disso... Liam só podia estar em um hotel. O que seria uma porta de hotel cheia para ver ele? Nada com que ela já não estivesse acostumada. Com um sorriso irônico, ela enviou o pequeno texto que logo apareceu na sua tela.
Foi questão de milésimos para que chovesse notificações endereçadas a ela. Várias pessoas a questionando se Liam realmente estava no Brasil, também havia algumas pessoas lhe atacando verbalmente, mas nada que ela não pudesse lidar naquele momento. Colocar que ele estava no Brasil facilmente faria as pessoas ligarem que ele provavelmente foi para vê-la, e por isso está em São Paulo. Estando na maior cidade do país, logo iriam fazer de tudo para descobrir onde ele estava hospedado para conhecê-lo. Dessa forma, teria a informação exata que ela queria em breve, na palma de suas mãos. Definitivamente, se nada der certo na carreira de publicitária, deveria entrar para o FBI.
No meio da chuva de menções para ela, uma era de lhe dando um puxão de orelha e falando que não foi daquela forma que ela orientou a amiga para achar o namorado. riu e deu de ombros. Já tinha jogado o problema no ventilador mesmo, e bem, ela havia pedido para Liam não testá-la. Foi ele quem pagou para ver.
O celular dela tocou e ela olhou para a tela. O nome de Liam brilhava e ela gargalhou. Claro que iria ganhar aquela disputa ridícula e infantil que ele criou.

“Eu achei que você me amava.”

- Desculpa?
leu e releu a mensagem novamente. As letras não se embaralhavam e formavam uma nova frase. Deus, desde quando Liam ficou tão... Chato? Ele quis dar sinal de vida, ótimo, pelo menos ela sabia que em algum lugar ele ainda respirava.
Ela olhou para o botão de responder a mensagem e chamando, mas não iria discutir com ele daquela forma. Era covarde. olhou novamente para o computador, onde na busca estava “Liam Payne Brasil” e viu que havia mais de mil novas mensagens sobre aquele assunto. Leu superficialmente alguns, até que um chamou sua atenção.

“@fuckzayner: Ai meu Deus, a falou que o Liam está no Brasil! Sabia que era ele quem eu vi entrar no Hilton! Fui!”

deu um largo sorriso, depois de se assustar com o username daquela pessoa, e sentindo-se vitoriosa, abaixou a tela do computador. Ela pulou da cama, pegou seu celular e sua bolsa e bateu a porta do apartamento, correndo para a estação de metrô. Próxima estação, Berrini.

Quando as portas do metrô se abriram, saiu como um foguete daquele trem cheio de gente. Pessoas indo passear, voltando do almoço, e claro, pessoas que ela reconheceu como fãs de One Direction estavam no mesmo vagão que ela. Ela subiu a escadaria e atravessou a passarela para o outro lado da Avenida. Se não houvesse um segurança na saída da estação, provavelmente teria pulado a catraca para finalmente se ver livre daquela estação.
Seguindo no fluxo contrário dos carros que vinham em sua direção, ela correu o mais rápido que pôde em direção ao hotel. Se a informação que ela havia lido na internet fosse verídica, Liam estava a poucos metros dela, e assim quem sabe, salvaria seu namoro. sabe que errou quando deixou o namorado sozinho na balada, ou quando foi estudar com os amigos deixando-o dentro de seu apartamento sozinho por uma tarde inteira, mas aquele número de telefone foi o ápice. Liam tinha que deixá-la se explicar, porque definitivamente, não era nada do que ele estava imaginando.
Liam havia criado um ciúme desnecessário da namorada. Andrew era, com toda certeza, apenas mais uma pessoa que ela havia conhecido naquela viagem. Era um amigo, e ambos se apoiavam quando havia necessidade, mas nunca havia passado daquilo. amava Liam e tudo o que ele fazia para agradá-la. Mais eterno que o primeiro beijo deles, para , seria as palavras dele dentro da arena lotada em Zurique, na Suíça. Alguém perguntou se eles já haviam olhado para uma fã e tinham a certeza de que ela era a garota certa para eles. “É só ela dizer que sim e pronto.”
Como tinha planejado, a porta do Hilton estava lotada de pessoas. E os gritos, que ela não estava sentindo falta, estavam lá. A menina se recompôs e a passos largos e impondo respeito, contornou a multidão indo em direção à porta giratória de vidro do local. Ela teria conseguido se não fossem os gritos.
- Por favor, senhorita, aonde vai?
virou para o segurança que tinha a mão em seus ombros e fez-se de desentendida. Seria chato se por alguns instantes, ela perdesse todo o conhecimento que tinha na língua daquele país que a abrigou por um ano.
- Ah, sim, desculpe – ela falou naquele inglês extremamente fluente e o sotaque que nunca lhe abandonava. tirou seu passaporte britânico de dentro da bolsa e mostrou para o homem – Meu namorado está aí dentro, eu vou vê-lo.
- O nome dele, por favor? – o tom do segurança havia passado para a defensiva, e a tratando diferente apenas pelo caderno com capa vinho que estava nas mãos dela.
- Liam Payne – sorriu.
Aquilo ia ser fácil. Ia ser ridiculamente fácil. Por que ela não havia pensado naquilo quando estava na Europa? Com certeza tinha conhecido os meninos já em Manchester, e não na Bélgica. Era simplesmente falar que namorava um dos meninos e apresentar o passaporte inglês. Ninguém ia duvidar dela.
O segurança olhou para uma prancheta e desviou a mesma quando viu que tinha o olhar sobre ela. Após confirmar que o hóspede em questão estava lá, se virou para a garota.
- Você sabe me dizer o número do quarto em que ele estava hospedado?
Droga! Nem tudo seria tão fácil quanto ela havia imaginado. Qual era o quarto que Liam estava hospedado? Aquele era um prédio alto, e com certeza os melhores quartos eram nos andares superiores. Liam acaba por ser um cara ridiculamente esnobe e não ficaria em um quarto simples, baixo, e com possíveis chances de ouvir a gritaria ali embaixo.
- 2415 – ela respondeu confiante para o homem.
- Não posso autorizar a sua entrada, senhorita. Por favor, entre em contato com o hóspede e peça para que ele venha aqui autorizar a sua entrada. Enquanto isso gostaria de pedir para que você ficasse atrás da grade – e apontou para onde estava o aglomerado de fãs.
Aquilo só poderia ser um pesadelo. Foi pedido para que ela ficasse atrás da grade que fingia que controlava a segurança do hotel. Se Liam colocasse o pé para fora daquelas portas de vidro, a grade se tornaria pó e todos o atacariam. Fingindo ser compreensiva, mas batendo os pés e bufando no momento em que se virou de costas, caminhou até a grade e se sentou no chão, com sua bolsa no colo. Era 2013 novamente e ninguém havia lhe avisado?

“Estou aqui embaixo e a gente precisa conversar, me deixa entrar.”

enviou para Liam aquela mensagem e cruzou os braços. Ela encarou o segurança, de longe, que não havia liberado sua entrada e lembrou-se de onde ela o conhecia. Daquela porta mesmo, onde mais cedo no mesmo mês, ficou horas plantada para tentar conhecer sua cantora preferida e o mesmo homem não deixou ela nem chegar perto da porta de vidro.
Ela olhou novamente no celular apenas para ter a certeza de que Liam não havia a respondido. E apesar de ter centenas de seguidores nas redes sociais, ela não havia sido reconhecida por ninguém ali. Para todos os efeitos, é só mais uma fã a espera do ídolo dar um sinal de vida.
O tempo foi passando. O sol foi ficando cada vez mais baixo e o sol foi virando noite. tinha até dado algumas voltas pelo hotel. Sabia que o Hilton tinha diversas entradas, então não custava nada andar por elas de vez em quando para o caso de Liam resolvesse sair por outro lugar que não fosse à porta principal.
Depois da enésima mensagem sem resposta para Liam, decidiu sentar de volta atrás da grade. Por ser noite, várias pessoas já haviam ido embora, e ela tirou um casaco da bolsa e o vestiu. De todos os lugares que ela já havia conhecido em São Paulo, aquele era provavelmente o que mais ventava. E enquanto ela tremia de frio, um táxi parou perto de si e saíram duas garotas de dentro dele. Usando saias que mais pareciam cintos. Saltos altos maiores que os que usava para sair à noite. Decotes... Bom, se visse no mínimo o umbigo das garotas, já era lucro.
- Mas o Liam tem uma namorada – a que vestia mais peças de roupas, uma jaqueta por cima dos ombros, falou para a que de onde estava sentada, ela pôde ver a calcinha da menina.
pôs-se de pé para evitar assistir aquela cena desconfortável novamente e continuou prestando atenção no que as amigas conversavam.
- E daí? – a que vestia menos roupas deu uma risada irônica – Alguém já a viu com ele recentemente? Alguém já viu o rosto dela?
- Dizem que ela é uma pessoa bastante simpática.
Ufa, até que enfim alguém falou algo bom sobre ela.
- Do que adianta ser simpática se não está lá para atender as necessidades dele quando se precisa, não é mesmo? Liam é homem. Liam precisa de sexo – a piriguete sussurrou e as fitou sem o menor escrúpulo – E eu estou aqui para dar pra ele.
Aquilo realmente era o pesadelo. Primeiro havia sido colocada para trás da grade de segurança quando ela foi ver seu namorado, depois Liam decidiu que seria uma boa hora para continuá-la ignorando, e então uma pseudo groupie chega falando que Liam precisava de sexo e ela iria dar para ele? Liam havia tido todo o sexo que ele quis em menos de 48h e ela é a prova de que não precisava se despir em público para conquistar um homem.
Autocontrole. O nome que se dá a uma mulher que não move um fio de cabelo ao ouvir que outra quer transar com seu namorado. De onde estava saindo aquilo, ninguém sabia dizer, muito menos ela, mas queria fazer perguntas e uma força superior a impedia.
- Eu não acredito que o Liam traia a namorada.
- É? – a menos vestida gargalhou e tirou o celular do bolso, e assim que encontrou virou para a amiga – Liam Payne na Austrália, ano passado.
Liam Payne na Austrália no ano anterior. Associação fácil e rápida em seu cérebro. A turnê europeia foi em maio, que também foi quando eles começaram a namorar. Entre julho e agosto foi pela América, depois entre setembro e outubro pela Oceania e por fim novembro no Japão. Austrália fica na Oceania, que quer dizer que eles já estavam namorando e ela estava literalmente do outro lado do mundo separada dele. Sendo assim, se o que ela está pensando realmente aconteceu, significa que...
- O Liam trai a ? – entrou na conversa fingindo estar empolgada. Ela tinha que ver aquela foto, ela tinha que saber mais sobre aquilo e se ninguém a tinha reconhecido até então, não eram aquelas pseudo groupies que iriam reconhecer seu rosto.
- Com mulheres, e não meninas – a menos vestida falou fitando de cima a baixo, com a calça, tênis e casaco. deu uma risada por dentro. Coitada, mal sabia.
- Ah, não tem problema, só quero uma foto com ele, não vou ser concorrência – piscou para a garota que devolveu a piscada – Eu posso ver a foto?
- Claro – a menina entregou o celular na mão de .
Foi como se o mundo caísse em suas costas e um buraco tivesse sido aberto no chão. Lá estava Liam beijando uma garota com o corpo perfeito, bronzeamento natural e cabelos ridiculamente ondulados. E era fácil reconhecer seu namorado. A altura e o jeito de se vestir não negavam que era o estilo que ele adotou de um ano para o presente momento.
E Liam sentia no direito de sentir ciúmes de Andrew? Achava que tinha alguma razão naquele relacionamento? Que depois de aquilo ter acontecido na Austrália, ele teve a cara de pau de vir até o Brasil de surpresa passar o Natal e o Ano Novo com ela? E será que era provavelmente por aquilo que ele “recomendou” que ela se mantivesse longe das redes sociais? Não para evitar o ódio gratuito, mas sim para não correr o risco de ver aquela foto? Mas era uma idiota mesmo.
Uma idiota que o amava.
Engolindo o choro, ela devolveu o celular para a menina e pediu que ela lhe enviasse aquela foto por Bluetooth. Assim que recebeu o arquivo, anexou em uma mensagem e enviou.

Lá em cima, o celular de Liam apitou, informando que não havia desistido de falar com ele. O garoto abriu a mensagem e ficou pálido ao ver a foto anexada. Era aquilo que ele mais temia que ela visse. As palavras de também eram em tom ameaçador.

“Já que não foi por bem, vai ter que me autorizar por mal.”.

- Adam... Leva ela para o bar que logo eu desço.
Brincar com era como brincar com fogo, e ele definitivamente, estava se queimando.

Com a cabeça em mil pensamentos, estava sentada no mesmo lugar e analisando aquela imagem na tela do seu celular. As mãos dele estavam pelo meio dos cabelos da garota, exatamente do jeito que ele fazia com ela. A outra mão na cintura a puxando para mais perto, e ver aquilo a fez ter a leve sensação de que seu namorado estava a puxando para mais perto.
Amar doía. E ela havia prometido para si mesma, depois de seu ex, cujo término foi doloroso, que nunca mais ia chorar por homem nenhum. Ela não estava, mas só porque se chorasse ali, sem querer, estragaria todo o seu disfarce. Os gritos voltaram dessa vez em um tom mais baixo por ter menos gente e ela nem se preocupou em olhar em quem era. Se fosse Liam, que ele fosse entregue aos leões, ela queria que ele sentisse a dor que estava em seu peito naquele momento.
- , vem comigo.
Aquela voz não era de Liam, e assim que ela levantou a cabeça, encontrou com Adam, do outro lado da grade a olhando. E aquele olhar fez a dor multiplicar, pois ela pôde sentir dó nos olhos do segurança.
Ela se levantou e pôde ver que estava todo mundo olhando para ela, e cochichando. Ninguém estava acreditando que Adam estava tirando uma garota do povo para entrar no hotel, até que a cada passo, e a luz refletia no seu rosto, era possível associar quem ela era.
No bar, no primeiro andar do hotel, sentou-se e pediu uma dose de uísque. Precisava de bebida para descer rasgando em sua garganta. Precisava de qualquer coisa que anestesiasse aquela dor de ser traída pelo cara que amava. Ela precisava ouvir da boca dele que aquilo era uma montagem muito bem feita, que ela era a única na vida dele e que ter feito aquele intercâmbio não foi em vão.
“Eu estou tão orgulhoso de você por essa conquista que não cabe em mim”, “Vai ser infinito enquanto durar”. Talvez aquele menos de um ano fosse o pequeno infinito deles.
“I’m gonna risk it all like I’ve never lost, gonna give it all I’ve got.”
tomou mais um gole da bebida forte em sua mão. Ela arriscou tudo, e deu tudo o que ela tinha por aquele namoro. E Liam simplesmente jogou na lata do lixo um ano por uma noite.
“I will love you like I’ve never been hurt.”

A porta de um dos cinco elevadores que chegavam ao bar do hotel se abriu. Liam saiu de dentro dele e caminhou até o local onde via a menina de estilo despojado sentada de costas, e seu segurança próximo. Mesmo de costas, pôde ver que ela soluçava e aquilo matou Liam. Havia prometido ao melhor amigo e irmão de consideração dela que nunca a faria chorar.
- Isso é uísque?
- Liam – ela se virou. O rosto inchado e os olhos vermelhos de tanto chorar – Fala para mim que é mentira, que você nunca fez isso.
- Você odeia uísque, ! – ele tentou desconversar.
- Fala pra mim que é mentira, Payne! – ela levantou o tom de voz, praticamente gritando no local – Olha pra mim, fala que você me ama e você nunca me traiu.
Liam ficou quieto, encarando a menina que então tomou mais um gole que tinha no copo para dentro de sua garganta. Liam não conseguia expressar uma palavra. Nunca imaginou que a namorada pudesse chorar daquela forma. Nunca imaginou que um dia ela iria descobrir.
- Olha nos meus olhos e fala que a foto que eu vi é mentira.
Com o silêncio do namorado, ficou de pé e olhou para o copo em sua mão. Liam segurou em seu pulso e então, ela jogou a bebida no rosto do namorado, que a soltou instintivamente. Ela o encarou, vendo-o perplexo.
- Você já me deu a minha resposta. Coloca na conta dele – avisou ao barman. Liam ainda estava em choque pela bebida em seu rosto – Não sei se está claro, mas nosso namoro terminou.


Capítulo 4 – Right Now:

Sem encarar os olhos dele, abaixou o rosto e atravessou o bar, indo em direção à escada, que dava acesso ao piso inferior. Esperar o elevador chegar daria tempo ao ex de vir atrás e lhe dar explicações, que naquele momento seriam desnecessárias. Mais do que desnecessárias, era algo que ela não queria naquele momento. A foto em seu celular já era mais do que suficiente.
O mais rápido que pôde, ela desceu as escadas e atravessou o salão do restaurante, conseguindo ver a porta de vidro. ouvia os passos pesados de Liam vindo atrás dela e virou para ter certeza se realmente era ele.
- , vamos conversar!
- Eu tentei conversar mais cedo com você! – ela gritou, sem parar os passos largos, se aproximando da porta giratória – Não se atreva a vir atrás de mim.
E assim que ela passou pela porta, transformou os passos largos em corrida, tomando distância do hotel. As groupies ainda estavam no mesmo lugar de antes e quando se aproximou delas no instante, pôde ouvir a infestação de gritos que tomou o lugar novamente. Sem olhar para trás, ela teve uma certeza absoluta, Liam tinha colocado os pés para fora do hotel. Vendo as groupies levantarem a saia e ajeitando melhor suas blusas para mostrar cada vez mais o decote, não resistiu a dar a uma delas, uma informação que seria valiosíssima.
- Ele é todo seu.
Deixando-as sem entender, ela voltou a correr em direção ao metrô e dessa vez sem preocupação, permitiu que as lágrimas escorressem em seu rosto, embaçando sua visão.

Liam saiu da porta do hotel vendo a garota que amava e tanto lutou para conquistar, correr com a máxima velocidade que podia querendo distância dele. Não queria falar com ele, não queria vê-lo e para o pavor dele, não queria mais estar em um relacionamento com ele.
Os gritos incessantes ficavam cada vez mais altos e tudo que ele conseguia ouvir eram as palavras que ouviu pouco tempo atrás, “não sei se está claro, mas nosso namoro terminou”. O cheiro de álcool exalava e os seguranças do hotel não conseguiam se aproximar dele para fazer sua segurança. Adam foi o único que se aproximou dele e o puxou pelo braço fazendo voltar para dentro do hotel. A segurança do próprio hotel não iria conseguir conter aquela quantidade de meninas enlouquecida, e que já faziam perguntas do que havia acontecido lá dentro, já que entrou e saiu em dez minutos, e a blusa dele estava molhada.
Antes de dar as costas, a mando do próprio segurança, Liam conseguiu ver sumir de sua vista e dessa forma, uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
“Se algum dia a gente terminar, vai ser de uma atitude tomada por ela e não por mim.” Liam encostou-se ao fundo do elevador e escondeu o rosto com as mãos permitindo que as lágrimas escorressem. Ele fez toda uma cena de ciúmes ridícula para no fim da história, ele ser o errado. “Não faça promessas que você não pode cumprir.” Quem terminou foi ela, mas quem errou foi ele.
Parecia que nunca iria chegar ao seu andar. O cheiro da bebida que ela jogou nele havia infectado o local e aquilo o fazia lembrar o motivo de ter tomado um banho de uísque. Traiu sua namorada e ela descobriu por outra pessoa. Ter tomado aquele banho foi muito gentil da parte de perto do que ela poderia ter feito com aquela notícia. Liam foi ridículo, foi infantil e mesmo que houvesse algo entre ela e seu amigo de faculdade, o que ele fez foi imperdoável.
“Eu não vou ser o cara que vai fazer a chorar.” Ele foi exatamente essa pessoa.

Estar sentindo-se traída era normal naquela situação, ela realmente foi. Mas não foi o fato de Liam se relacionar afetivamente que havia deixado triste daquela forma. Seria hipocrisia falar que não iria ficar triste e extremamente brava ao ver uma foto de seu namorado praticamente se fundindo com outra pessoa, que não era ela, durante o relacionamento deles, mas o que estava a quebrando por dentro, foi o fato dele ter escondido aquilo dela.
O celular começava a pipocar notificações e, escorada a uma barra de ferro do trem, ela fingia que não ouvia. Talvez Liam já houvesse informado ao mundo que era um homem solteiro novamente. Talvez as pessoas que estivessem na porta do hotel havia publicado alguma história sobre o que tinha acontecido no hotel. Nada disso importaria enquanto aquela imagem que tinha no seu celular ficasse em sua mente.
A cada nova estação, as pessoas saíam do vagão e o dobro entrava e ela continuava no mesmo lugar, com suas lágrimas escorrendo pelas bochechas, mas sem emitir nenhum som. Tudo o que ela mais queria era chegar a sua casa e acreditar que aquilo era um pesadelo e logo iria acordar.

Ao abrir a porta do apartamento, sentiu que não tinha forças para chegar ao quarto e ficou ali mesmo na sala, jogada no sofá. Sofá que havia o cheiro do perfume de Liam, que havia acordado naquele local após a discussão que eles tinham tido na noite anterior. Inalar aquilo estava a mutilando, mas se fosse para a sua cama, choraria em cima do local que ambos passaram momentos íntimos juntos. Era uma situação sem saída, e ela estava sem ânimo para se esforçar.
Liam havia dito que seria difícil o casal lidar com aquilo e que seria necessária muita dedicação de ambas as partes, mas independente se ela tivesse ficado no Reino Unido, não teria como acompanhar o namorado em turnê pela Austrália, a faculdade não iria permitir. Não importaria o que ele dissesse ou quais seriam as desculpas do porquê aquilo ter acontecido, foi algo que aconteceu e aquilo era um fato.
Liam não tinha a traído apenas afetivamente. Omitir aquilo foi surreal. Talvez se ele tivesse contado não o perdoaria da mesma forma, mas o sofrimento com certeza seria menor. Pedir para que ela mantivesse longe das redes sociais foi a maior mentira, já que seria fácil da mentira ser descoberta. Porém a irritação de estava na falta de vergonha na cara dele, que depois de fazer aquilo, voou até o Brasil para passar as festas de fim de ano com ela, e um praticamente jurou amor eterno ao outro. Não, aquilo realmente não tinha perdão.

Liam estava sentado no parapeito da janela com a testa encostada no vidro. Parecia que a quantidade de fãs lá embaixo se multiplicava, mas aquele era o menor dos problemas de Liam. Ficava cada vez mais tarde e já havia passado certo tempo desde que foi embora, talvez já tenha dado tempo de ela esfriar a cabeça e eles poderem conversar calmamente. Tudo o que ele queria naquele momento era que ela lhe desse um tempo para conversar e poder explicar aquilo.
Liam procurou o telefone no fundo do bolso e digitou aquele número que mesmo sendo brasileiro, ela sabia de trás para frente. O telefone tocou até cair na caixa de mensagens e ele desligou. Tentou uma segunda vez, às vezes o celular dela estava no silencioso e ela não tinha visto. Liam pensou em desligar de novo quando caiu novamente na caixa de mensagens, mas preferiu deixar uma mensagem.
- , eu te amo. Você provavelmente não quer falar comigo, mas eu só peço uma chance para explicar tudo. Nós chegamos tão longe para acabar assim sem eu nem ao menos conseguir falar para você o que aconteceu. Eu errei, eu sei, e não quero que você me perdoe, só me dê uma chance de conversar. Por favor. Você sabe onde me encontrar, meu quarto é o número 2422. Eu amo você.
Ele desligou o telefone e deixou cair pelo ombro até bater no parapeito. O segurança o olhava com dó. Não tinha como conter aquele tipo de informação, ele não teria como proteger o garoto do que iria acontecer dali para frente. Todas as pessoas que estavam no bar presenciaram a cena. Adam queria defender Liam, e achava sim que tinha sido rude com as atitudes, mas não imaginaria que aquela traição havia acontecido.
O homem olhou novamente para o chefe que tinha de novo o celular em suas mãos. Ele alternava entre digitar mensagens e fazer ligações, e sempre desligava frustrado. Estava escrito na testa de Liam que ele estava arrependido e faria tudo o que estivesse ao seu alcance para, se não conseguisse conquistá-la novamente, pelo menos se explicar.


Com a porta do banheiro aberta, conseguiu ver os raios solares aparecerem pela fresta da janela, iluminando aos poucos sua casa. Ela passou a noite deitada no sofá da sala e nada daquilo parecia ter sido de mentira. Parecia que um trator de colheita havia passado por cima dela. estava em pedaços.
Havia ficado tão absorta em pensamentos que não viu o tempo passar, e já que estava clareando, decidiu levantar. Os pés, ao tocarem o chão, sentiram a bolsa caída e a pegou, tirando o celular de lá de dentro. Havia algumas dezenas de ligações, todas de Liam, e centenas de mensagens, que mesmo sem olhar, ela sabia que eram dele.
- Chega – murmurou para si mesma.
foi à opção de excluir todas as mensagens, até as não lidas e olhou por dois segundos para o botão de confirmação. Era uma pena que ela e Liam não iriam completar um ano de namoro, mas foi ele quem escolheu daquele jeito. Ela já tinha chorado muito e perdido uma noite inteira por causa dele, mas já tinha acabado. Decidida a deixar tudo o que passou para trás e se reerguer a partir daquele momento, confirmou e excluiu todas as mensagens do seu celular.
Ela caminhou até o quarto e encontrou sua mala aberta e só então se tocou na situação em que estava. Viajaria no dia seguinte para a Colômbia. Ela olhou novamente para a mala e nada mais fazia sentido. Não tinha mais Liam em sua vida, não tinha mais um companheiro de quarto de hotel, não havia mais necessidade de viajar a América Latina quase que inteira para assisti-lo fazer shows grandiosos em estádios. A Where We Are Tour tinha acabado para ela antes mesmo de começar.
enviou a mesma mensagem para e e pegou seu computador, rezando para que as amigas lessem e logo entrassem na internet. Era antes da hora do almoço no Reino Unido, e ela precisava contar às amigas que não iria mais viajar.
Não demorou muito para que conectasse e despejasse em sua opinião sobre o que ela fez para localizar Liam no dia anterior.
- Pronto? – encarou a amiga através da tela do computador. bufou e fez um gesto com as mãos como se tivesse jogado para cima e não tivesse prestado atenção no que ela havia falado – Cadê a ?
- Não sei.
- Liga pra ela. Preciso falar com as duas e o assunto é importante.
murmurou algo como “assim você me assusta” e logo discou para . ouviu algumas palavras desconexas como “pálida” e “faculdade” e seu cérebro logo a fez imaginar o que estava dizendo. Tudo seria tão mais fácil se ela tivesse ficado em Manchester. Pouco tempo depois de desligar o telefone, a imagem da apareceu na tela, e ao estabilizar, logo bombardeou com perguntas.
- Por que você tá pálida? Por que você não está na faculdade? Suas malas já estão prontas? Você encontrou o Liam? Impressão minha ou seu rosto está inchado?
cruzou os braços olhando para a tela do computador enquanto ouvia aquelas palavras atravessarem o oceano. dava incentivo moral às palavras de e fingiu tédio, rolando os olhos.
- Eu posso, por favor, falar o motivo dessa reunião de emergência? – ela interrompeu a amiga, e respirou fundo, para falar tudo de uma vez. – Certo, vamos lá... Eu sou corna, o Liam me traiu, meu namoro terminou e eu não vou mais pra turnê, fim... Ah! Eu estou pálida e inchada, por favor, decidam como eu estou, porque eu passei a noite em claro e chorando.
encarou a tela do computador e ficou na dúvida se a imagem tinha congelado por causa da velocidade de conexão ou foi uma enxurrada de informações de uma vez deixando as amigas petrificadas.
- Vocês ainda estão aí?
- É muita informação, , espera massageou as têmporas.
- Como assim o Liam te traiu? gritou.
- Ai... – suspirou – Eu acho que eu chorei tanto, que secou as minhas lágrimas e eu não sinto mais nada. Ontem no hotel, a segurança não me deixava entrar, e eu vi no telefone de uma pseudo groupie ele se fundindo com uma menina na Austrália, ano passado. Eu joguei uísque nele e terminei.
- Mas ele apareceu na porta do hotel? Ou você fez escândalo?
- Felizmente as meninas não me reconheceram, elas me mandaram a foto e eu mandei pro Liam. Aí o Adam saiu na porta e me levou para o bar do hotel.
- Espera, , você não vai tomar uma decisão precipitada. O que o Liam falou para explicar isso? Eles foram para a Austrália antes de nós os conhecermos, a foto poderia ser velha tentava manter a calma e ser racional.
- Eu reconheceria aquela pessoa a quilômetros de distância – explicou – E eu perguntei para ele, pedi pra ele negar, ele ficou mais preocupado com o que eu estava tomando. Quando eu estava indo embora, ele decidiu que queria conversar comigo, mas já era tarde demais.
- A hora que ele chegar à Colômbia, farei questão de matá-lo com as minhas próprias mãos! estava praticamente espumando de raiva.
- Fiquem à vontade, ele é todo de vocês. Só quero distância dele. Acabou, foi um sonho enquanto durou, mas a omissão estragou nosso relacionamento. Eu sempre fui sincera com ele, esperava o mesmo, ainda que fosse doer – ela deu um sorriso torto – Vou aproveitar o resto do dia para ocupar minha mente. Arrumar a minha casa e me afundar nos estudos, que é o que eu vim fazer aqui.
- Vai fazer o quê? gargalhou – Você é quem pensa, . Você vai arrumar a sua mala, porque amanhã nós finalmente vamos nos ver.
- Eu não vou mais à turnê – disse convicta.
- Você vai nem que eu tenha que ir ao Brasil te buscar e levar para Bogotá pestanejou – Viajar vários países por causa dessa banda não rola sem você.
- Claro que rola. Niall e Zayn vão estar com vocês – retrucou – Nem vão sentir a minha falta. E além do mais, eu já viajei para vários países durante um mês por causa deles e acabei com um chifre na testa.
- E amigos, e um projeto de irmão que está contando em um calendário quantos dias faltam para te ver confidenciou. pediu para explicar – Zayn me contou que ele está doido para ver a irmã mais nova e realmente está marcando os dias.
- Quantas vezes eu vou precisar explicar pro Louis que eu sou mais velha que ele? – bufou – Eu quero ver vocês, eu vou, mas quando vocês estiverem no Brasil.
- ...
- O Liam me traiu, gente! Como eu vou viajar por seis países com ele? Não tem mais clima. Eu e ele não somos mais um casal. Eu não tenho nem onde ficar – sentiu a adrenalina abaixar e uma lágrima solitária escorrer pela sua bochecha – Eu não vou ter clima para me divertir como no ano passado.
- O Liam não merece as suas lágrimas, murmurou – Onde você ficar é o de menos, eu tenho dinheiro guardado, em cada hotel eu reservo um quarto só pra você.
- Eu tenho, eu economizei para essa viagem desde o ano passado de novo, obrigada – gaguejou, sentindo o choro chegar à garganta – Como eu vou olhar pra ele? Como eu vou saber que não vai doer quando eu o ver olhando para outra?
- Vai doer olhava diretamente para pela câmera do computador – Mas vai doer mais ainda, se você ficar na sua casa assistindo essa turnê inteira pela tela do notebook. Você é o nosso forte, . A gente precisa de você nessa loucura de novo.
- Se não for por você, faz isso pela gente, que está longe e tudo que quer nesse momento é poder te abraçar. Ou pelo Louis, que larga tudo o que estiver fazendo se te ver nessa situação que nós estamos vendo.
- E mata o Liam. Nós três sabemos o quanto ele é protetor com você.
- E chatíssimo – deu um sorriso de lado – Vocês sabem que se eu embarcar amanhã, o clima vai ser ridículo de pesado essa viagem inteira, e vocês vão ter que me aguentar, certo? E se ele falar besteira, ele vai ouvir um monte de mim.
- E de nós duas piscou – Apesar de que eu honestamente acho que você tinha que dar uma chance ao Liam e ouvir o que ele tem a dizer.
- Ele me traiu, ! Isso é imperdoável – falou como se fosse óbvio – Não é como se qualquer coisa que ele me falasse me fizesse perdoá-lo.
- Mas todo mundo merece poder se explicar.
- Se eu aparecer naquela cidade amanhã, vocês vão ter que me aguentar.
- É tudo o que a gente mais quer, piscou – Então agora nós vamos desligar pra poder ir pra Londres e pegar nosso avião, e a senhorita vai limpar esse rosto, respirar fundo, arrumar suas malas e ficar maravilhosa para conhecer a Colômbia amanhã.
- Eu amo vocês!
- E a gente também te ama, até amanhã! gritou feliz e desligou a conexão.
fez o mesmo e se pegou encarando o próprio rosto no computador. Ela realmente estava inchada e ou ela se deixava ficar abatida ou tomava uma atitude. olhou novamente para a mala jogada no canto do quarto, deu um meio sorriso e abaixou a tela do computador.
Ela pegou a mala do chão e colocou em sua cama e abriu o armário tirando diversas peças de roupa. Se Liam era um otário que a traiu e deixou uma mulher incrível como ela sair de sua vida, não era ele quem iria fazê-la desistir da chance de conhecer a América Latina e ter novamente uma viagem incrível ao lado de suas amigas e de pessoas que queriam seu bem.
- Nos vemos amanhã, Bogotá.

Na quinta-feira, saiu cedo de casa e com a ajuda do metrô e ônibus, chegou ao Aeroporto Internacional de Cumbica, localizado em Guarulhos, cidade da Grande São Paulo. A mala, tão fiel companheira de Europa inteira, estava ao seu lado na fila do check-in da companhia chilena LAN, que a levaria à capital da Colômbia em um voo direto.
- Bogotá – disse para o atendente no balcão que pegou seu passaporte e logo localizou a passagem dela.
- O que vai fazer em Bogotá, ? – o atendente a perguntou em português, mas com um forte sotaque espanhol.
Era impressão sua ou o atendente era gentil demais?
- Encontrar umas amigas – disse simpática ao homem - Não nos vemos tem cerca de oito meses.
- Então vai ser um encontro de mulheres? – ele sorriu e entregou o passaporte a ela – Vai ser um belo encontro, se é que me entende.
- Com certeza vai – respondeu. Porque era uma mulher recém-traída e solteira, um pouco de massagem no ego, iria a fazer bem.
- Sua passagem e o comprovante de bagagem – entregou a ela – Seu embarque começa em cerca de uma hora e meia. Boa viagem.
- Obrigada – ela mordiscou o lábio e se afastou.
Aproveitando que era horário de almoço, foi comer algo antes de entrar na sala de embarque. Viajar iria ajudá-la a relaxar e um pouco de paz para si mesma, era tudo o que mais precisava naquele instante.
Após se alimentar, se dirigiu à sala de embarque e foi em direção ao portão de seu voo, já que o embarque já havia iniciado. Foi ao entrar no avião, que se lembrou de quando Liam decidiu trocar as passagens dela da classe econômica para a primeira.
- A3 – a comissária sorriu ao ver o bilhete dela – Por aqui.
E em vez de virar para a direita, como sempre vira ao entrar em avião, virou para a esquerda, novamente por causa de Liam e entrou na primeira classe. As largas poltronas duplas do Boeing 767 a fizeram tremer, mas talvez Liam tivesse desistido e trocou de voo. Quem sabe ele já estava na Colômbia.
Ela sentou na poltrona, mas sem antes publicar uma foto da janela do avião com a legenda “Próxima parada, Colômbia. Where We Are, estou chegando”. Ela desligou o telefone e guardou na bolsa. Seriam mais de seis longas horas de voo até lá.
- É aqui, Adam! – ouviu a voz que conhecia.
Aquilo só podia ser uma brincadeira de muito mau gosto. Já não bastava a turnê inteira, não era possível que teria que encará-lo naquele avião pelas próximas horas. Demonstrando descontentamento, abaixou o braço que dividia as duas poltronas confortáveis e se virou para o outro lado bufando.
- Oi, ! – ela ouviu Adam a cumprimentá-la, mas só levantou a mão em resposta.
Ela sentiu Liam sentar ao seu lado e respirou fundo. Só podia ser para pagar todos os seus pecados.
- Até onde eu sei, a única pessoa que realmente precisa ir à Colômbia, sou eu – ela sentiu aquele paladar quente na sua orelha e sentiu a espinha arrepiar.
Seriam seis longas horas até Bogotá.




Continua...



Nota da autora: Eu juro que quando eu comecei a escrever Eurotour 2, a ideia inicial era ela não ir para a turnê. Mas a PP é capricórnio, uma mulher traída... Ela não perderia a oportunidade de se vingar e fazer a vida do Liam um inferno, não é mesmo? É, ela não iria perder isso por nada.
Agora, mais do que nunca, é isso. Façam a mala, peguem o passaporte e partiu aeroporto. A Where We Are Tour começa no próximo capítulo!
Até a próxima, beijos!





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