Última atualização: 14/05/2019

Prólogo

Harry Styles foi fisgado no amor!

O cantor da banda One Direction, Harry Styles (20) foi flagrado na ultima sexta-feira deixando um restaurante com (16), a recém-lançada estrela no mercado musical, causando alvoroço de seus fãs. Fontes afirmaram que ambos aparentavam estar bem felizes. Ontem, quarta-feira, Harry declarou relacionamento sério com a cantora e afirmou que está bastante contente com o relacionamento dos dois.... Só eu que já estou shippando?


Um ano e meio depois...

Fim de relacionamento!

Após um mês de puro silêncio de ambas as partes, , 18, dona do single Thumbs, finalmente se pronunciou sobre o afastamento repentino de Harry Styles, 22.
afirmou que está solteira, e que talvez tenha sido melhor assim, já que Harry estava resolvendo pendencias da banda e andava muito ocupado. Harry foi flagrado deixando uma casa noturna há alguns dias e já levantava rumores de termino, agora nós temos certeza!
Styles e sua banda anunciaram neste domingo uma pausa indeterminada, o que arrasou o coração e as estruturas de muitas fãs ao redor do mundo. Embora One Direction esteja entrando em Hiatus, não significa que não os virão por ai! Harry estará nas telas de cinema em 2017 estrelando no filme Dunkirk. Mais alguém está ansioso para ver? Eu já quero esse filme para ontem!

Mais um ano se passou...

“Estou de volta mundo musical” – Harry Styles lança novo álbum e anuncia turnê mundial.

Após o termino de suas gravações no filme Dunkirk, Harry Styles, 23, está de volta ao mundo musical. Mas calma, não é a volta do One Direction e sim com um novo álbum solo que leva seu próprio nome. O álbum traz uma pegada mais rock’n’roll, que é mais parecido com o gosto musical do jovem musico.
Há algumas especulações de que no álbum há alusões ao relacionamento do senhor Styles com a senhorita . Estaríamos todos nós ficando loucos, ou realmente existem alusões? A suspeita só aumenta cada vez mais e toda vez que o cantor é questionado sobre essas supostas entrelinhas terem ligações com , o rapaz muda de assunto como se não quisesse responder as perguntas.
Agora simplesmente nos resta aguardar e saber onde isto vai acabar...


Capítulo 1 - All These Years

“Porque depois de todos esses anos
Eu continuo sentindo tudo quando você está por perto
E isso foi apenas um rápido olá
E você teve que ir
E provavelmente você nunca vai saber
Que você ainda é o único depois de todos esses anos”


Olá Capital’s Summertime Ball! Sim, eu fui convidada novamente para cantar no Summertime desse ano... Estou ansiosa? Talvez... Ok, eu vou assumir: estou completamente ansiosa! Não porque é um evento grande, e sim porque Harry Styles estará lá. Como assim o que o Harry tem a ver com isso? Onde você esteve nos últimos meses/anos? Deixe-me explicar: Eu e Harry tivemos um relacionamento longo, de pouco mais de um ano. Tivemos um namoro muito bom, aliás, eu o amei de verdade e com toda a minha força, mas ele aparentemente já não me amava mais nos últimos meses de nossa relação. Eu descobri que quando ele foi a Paris fazer um show, ele me traiu com a Kendall Jenner. Depois de muitas discussões e choros de minha parte apenas, decidimos terminar e sumir da mídia por um tempo, até que eu me pronunciasse sobre isso. Foi realmente muito difícil esse momento para mim, já que eu ainda amava Harry demais. Foi ai que eu dei uma de Taylor, e escrevi uma musica sobre ele, a qual nunca tive coragem de gravar por ser muito intima, mas eu decidi cantá-la hoje no Summertime... Não sei o motivo dessa vontade repentina, mas deve ser porque ele estará presente e na minha cabeça eu estarei cantando pra ele. Enfim, depois disso tive um caso curto com Luke Hemmings, mas não passou de pouco mais de um mês e nem foi exposto na mídia. Luke é um amor, escrevemos uma canção juntos, foi ai que começamos a nos conhecer melhor. Com o passar dos dias ele me disse que queria tentar algo mais sério, porém eu não quis. Fui sincera e disse que não gostava dele daquela forma e me desculpei, ele concordou e agradeceu minha sinceridade. Desde então somos grandes amigos, saímos juntos e tudo mais... Nesse meio tempo cheguei a sair com algumas garotas também e isso teve uma repercussão ainda maior do que o meu termino com Styles e chegaram a dizer que nós dois tínhamos um falso relacionamento, pois tínhamos contrato com uma produtora homofóbica, o que não era verdade. Mesmo após terminar com Harry continuei sendo amiga dos outros meninos da banda, menos de Zayn, simplesmente pelo motivo de como ele terminou seu noivado com minha melhor amiga, Perrie, e apoiando suas carreiras solo, inclusive Niall ainda ocupa o lugar de meu melhor amigo desde então... E falando em carreira solo, recentemente Styles lançou seu primeiro álbum solo e há especulações de que há musicas que foram escritas para mim... Será?
Vesti meu collant preto e calcei minhas botas de cano acima do joelho, arrumei meu cabelo que se encontrava solto com ondulações na ponta, dei uma ultima olhada no espelho e sai de meu camarim distraída esbarrando em um ser de 1,83m de altura e olhos verdes.
- Opa, cuidado. – Ele disse se virando por impulso. – ! Hey! – abriu um sorriso ao me ver ali e me abraçou.
- Hey Styles, faz tempo né...? – disse retribuindo o abraço sem graça e ele assentiu.
- Sim, você sumiu! Por onde estava? – realmente parecia interessado e eu só queria sair correndo dali.
- Sabe o que é né, shows, agenda lotada... – ele riu bobo, aparentemente orgulhoso pela minha carreira. – E você? Como vai seu relacionamento com a modelo? – alfinetei-o.
- , por favor, não começa! – ele abaixou a cabeça e em seguida olhou em meus olhos. – Já te pedi mil desculpas... Quantas vezes eu vou ter que te dizer que ela não foi nada além de uma noite para mim e que você que é a mulher da minha vida? – disse, fazendo-me arrepender por ter trazido o assunto a tona.
- Não quero falar sobre isso, desculpa... – olhei para o chão e para minha salvação me chamaram para entrar no palco. – Eu tenho que ir, a gente e esbarra... – dei as costas e fui saindo, foi quando ele segurou minha mão e puxou-a chamando minha atenção.
- Espero do fundo do meu coração que você possa ver minha performance e entender as entrelinhas... – me soltou e saiu cabisbaixo.
Abalada? Um pouco, mas profissional o suficiente para continuar. Segui meu caminho pra debaixo do palco, onde eu iria subir num elevador na ponta da passarela. Estava preparada e ouvi umas batidas indicando o inicio do meu momento. O elevador subiu e eu comecei a cantar Pretty Girls, a música que eu fiz um feat com Cheat Codes e estourou. Enquanto cantava dançava junto com os meus dançarinos, haviam várias coisas de pirotecnia e fumaça nessa apresentação. Vai saber quem foi que escolheu isso... Eu honestamente preferiria só as fumaças. A música acabou e foi minha chance de conversar com o publico.
- Oláá Summertime Ball!!! – gritei mostrando entusiasmo. – Estão se divertindo? – eles gritaram de volta em afirmação. – Foi o que eu imaginei! Grandes artistas estão reunidos aqui hoje! Daqui a pouco teremos Niall Horan, – um monte de meninas gritaram feito loucas ao lado da passarela, cuja eu me encontrava no meio. – Ed Sheeran, Little Mix e muito mais... Sem mais delongas, vamos cantar um pouco mais, essa é Thumbs! – eles vibraram.
Corri da passarela para o palco e meus dançarinos me esconderam, formando uma “parede” em minha frente. Os acordes de Thumbs começaram a tocar e no tempo certo eu comecei a cantar, nessa hora os dançarinos saíram da minha frente e começaram a fazer a rotina deles, eu estava seguindo a minha rotina também. Esse é meu single mais recente, o último lançado. Varias pessoas cantavam junto e aquilo me deixava arrepiada. Dessa vez tinham as fumaças e papeis picados prateados sendo jogados no ar. E aqui está uma breve observação: PAPEL É MELHOR QUE FOGO! Papel não mata a gente queimada! Prosseguindo, fui até a ponta da passarela e terminei a musica lá numa pose épica, que com certeza renderam bons flashes, tanto dos fãs, quanto dos fotógrafos do evento.
- Vocês estão completamente energéticos hoje, eu estou adorando isso! – mais gritos invadiram meus ouvidos. – Agora, eu tenho uma surpresa para vocês... Shh – pedi para que parassem de gritar e eles ficaram o mais quietos que podiam. – Há alguns meses atrás, algo de ruim me aconteceu, mas ao mesmo tempo foi bom, me fez amadurecer e... eu acabei fazendo uma musica sobre esse acontecimento, ela nunca foi gravada, muito menos tocada ao vivo... – eu caminhava até o meio do palco onde tinha uma cadeira e um violão ao lado. – Espero que não se importem de eu diminuir o ritmo, essa é All In My Head totalmente exclusiva para vocês, espero que gostem... – sentei no banco, ajustei a altura do pedestal, peguei o violão e comecei a tocá-lo. Os fãs estavam enlouquecendo com a exclusividade... Por um lado eu adorava aquilo, mas pelo outro, bom, eu estava despejando em Harry Styles tudo o que eu sentia através de uma musica...

I see you with her
(Eu te vejo com ela)
And it crushes me inside
(E isso me destrói por dentro)
Guess I should stop
(Acho que eu deveria parar)
Thinkin' about you all the time
(De pensar em você o tempo todo)
Maybe this is what I needed
(Talvez eu precisasse disso)
Maybe this is a sign, maybe
(Talvez isso seja um sinal, talvez)
I've been blind to reality
(Eu não quis enxergar a realidade)
Baby tell me
(Amor, me diga)
Every little glance my way
(Cada pequeno olhar em minha direção)
Everytime you wanted to hang
(Toda vez em que vocês queria sair)
You seemed so interested
(Você parecia tão interessado)
Could you tell me
(Poderia me dizer)
Was it real, or was it all in my head?
(Foi real, ou era tudo na minha cabeça)
Was it real, or was it all in my head?
(Foi real, ou era tudo na minha cabeça)
She's so pretty
(Ela é tão bonita)
You two look so great
(Vocês dois ficam ótimos juntos)
Time for me to move on now
(Agora é hora de seguir em frente)
It was probably just a silly crush, anyway
(Isso provavelmente foi só uma paixonite boba de qualquer forma)
But I just can't help but think
(Mas eu simplesmente não posso deixar de pensar)
That we, we could've had somethin'
(Que nós, nós podíamos ter tido algo)
Have I really been blind to reality
(Eu realmente não quis enxergar a realidade)
Baby tell me
(Amor, me diga)

E nesse instante eu olhei para o lado e vi Harry com um semblante triste no rosto me olhar com um pedido de desculpas escrito em seus olhos. Isso me fez começar a chorar, por finalmente estar me libertando daquelas palavras que eu nunca havia dito para ele.

Every little glance my way
(Cada pequeno olhar em minha direção)
Everytime you wanted to hang
(Toda vez em que vocês queria sair)
You seemed so interested
(Você parecia tão interessado)
Could you tell me
(Poderia me dizer)
Was it real, or was it all in my head?
(Foi real, ou era tudo na minha cabeça)
Was it real, or was it all in my head?
(Foi real, ou era tudo na minha cabeça)
Was it real or was it fake
(Foi real ou foi falso?)
Was it all a mistake?
(Isso foi tudo um erro?)
Boy I just gotta know
(Garoto eu preciso saber)
Was it all in my head, all in my head
(Foi tudo na minha cabeça, na minha cabeça?)
Did you ever feel the same?
(Você sentiu o mesmo?)
Was my mind just playing games?
(Foi minha mente apenas pregando uma peça?)
Boy I just gotta know
(Garoto, eu preciso saber)
Was it all in my head, all in my head
(Foi tudo na minha cabeça, na minha cabeça?)
Every little glance my way
(Cada pequeno olhar em minha direção)
Everytime you wanted to hang
(Toda vez em que vocês queria sair)
You seemed so interested
(Você parecia tão interessado)
Could you tell me
(Poderia me dizer)
Was it real, or was it all in my head?
(Foi real, ou era tudo na minha cabeça)
Was it real, or was it all in my head?
(Foi real, ou era tudo na minha cabeça)

A música acabou e os fãs começaram a aplaudir. Uma chuva de aplausos e assobios entrou em meus ouvidos, enxuguei as lagrimas, dei um belo sorriso falso, agradeci a todos e sai do palco sem nem olhar para os lados. Perrie me esperava no meu camarim, porque ela era a única que já sabia que eu cantaria essa musica para por tudo pra fora. Perrie tem sido uma amiga ótima pra mim. Não só ela, mas entre todas as meninas da Little Mix, ela tem sido a que mais ganhou destaque. Ela sabe como eu me senti, já que sofreu muito com seu relacionamento com Zayn, e aprendeu muito com tudo isso. Cheguei ao camarim e ela estava lá me esperando de pé e a única coisa que eu consegui fazer foi correr em sua direção, a abraçar e chorar mais. Ficamos por minuto ali naquela posição, até que ela finalmente conseguiu me acalmar e precisou ir porque iria entrar no palco. Ouvi um bater na minha porta e só balbuciei um “Quem é?”. Não queria que ninguém me visse naquele estado deplorável em que eu me encontrava. Quando a pessoa respondeu, senti um arrepio em minha espinha. Era Harry, ele queria falar comigo, mas eu não teria coragem de encará-lo, pelo menos não agora... Ele pediu para que eu fosse vê-lo cantar, que seria muito importante para ele, que da mesma forma que eu tinha colocado tudo pra fora, ele queria ter a chance de desabafar também. Eu apenas respondi um “ok” e ele se foi. Perrie e as meninas terminaram a apresentação e foi trocar de roupa, decidi que já era hora de eu tirar a roupa que eu tinha usado para me apresentar também. Tomei um banho super-rápido, limpei a maquiagem borrada, vesti uma calça preta rasgada, um cropped cinza, calcei minha botinha preta e coloquei uma gargantilha, fiz outra maquiagem básica e segui até próximo ao palco para ver a apresentação de Harry.
Parada na lateral do palco, eu o vi entrar em cena. Segundos depois senti uma mão deslizar por toda a extensão de meu braço e uma outra mão afagar meus cabelos. Encontrei as quatro meninas da Little Mix ali me dando suporte. Ok, dessa forma eu acho que eu conseguirei assistir a essa tortura. Desde que Harry lançou seu álbum, não tive coragem de escutar porque seria muito martírio ouvir sua voz por uma hora. Por conta disso não sei de que suas musicas falam, não sei se realmente tem alguma letra que tenha sido pra mim... Não sei! Ele anunciou uma musica denominada Kiwi. O estilo musical de Harry mudou muito, ele não tinha essa pegada soft rock quando era do One Direction. Ele anunciou a próxima musica, chamada de Sign Of The Times, até ai estava normal... Ele parou então por um momento, respirou fundo e disse que as próximas duas músicas haviam sido escritas para uma pessoa em especial e que uma delas nunca havia sido cantada ao vivo. Disse também que a pessoa para qual ele havia escrito as musicas estava presente ali. A plateia foi à loucura! Dava pra fazer leitura labial de algumas fãs que estavam bem na frente, elas diziam que Kendall estava ali... Já outras, que estavam do lado contrário ao meu, haviam me visto e diziam que ele estaria cantando pra mim. Algumas nem se importaram com isso, só queriam ouvir o ídolo cantar. Ele anunciou a primeira musica escrita para esse suposto “alguém”, vulgo eu mesma. Sweet Creature era o nome. Comecei a prestar atenção na letra, e caramba... era perfeita. Lembrei-me exatamente de quando estávamos juntos ao passar pelos versos que diziam “É difícil quando discutimos, nós dois somos teimosos”, era realmente um inferno quando decidíamos discutir por algo, os dois achavam que estavam certos, mas uma hora ou outra um sempre acabava cedendo e tudo terminava na cama. Outro momento desta musica que me fez respirar fundo e os olhos lacrimejarem foi no momento em que ele cantou “Eu sempre penso em você e em como não nos falamos o suficiente” olhando para os meus olhos, eu também pensava daquela forma, realmente sentia falta de conversar com Harry... Apesar dos pesares, ele é uma boa pessoa e eu ainda o amava. Ele cantou o ultimo refrão da musica e mais uma vez disse a frase que ele costumava dizer a mim “Onde quer que eu vá, você me leva para casa”, ele sempre dizia que sentia como se tivesse em casa comigo, que eu o fazia ter os pés no chão. Sorri de leve e ele viu, formou-se então um lindo sorriso em seus lábios mostrando sua linda covinha. Ele anunciou a próxima musica, “From The Dining Table” era o nome. Ele disse que essa música era realmente muito profunda para ele, e que havia significados reais nela, algumas coisas que realmente haviam acontecido. As pessoas vibraram por um momento, mas em seguida se acalmaram para prestar atenção na letra, assim como eu. Os acordes começaram e eu gelei por 2 segundos, Perrie e Leigh-Anne me apertaram um pouco mais no abraço.

Woke up alone in this hotel room
(Acordei sozinho neste quarto de hotel)
Played with myself, where were you?
(Brinquei comigo mesmo, onde você estava?)
Fell back to sleep, I got drunk by noon
(Voltei a dormir, fiquei bêbado ao meio-dia)
I've never felt less cool
(Nunca me senti menos descolado)

Quando eu terminei com Harry, eles estava em Paris fazendo show da Tour com a banda, então ele realmente estava em um hotel... Mas eu não sabia que ele havia bebido desse jeito... Nenhum dos meninos mencionou isso quando estavam tentando enfiar na minha cabeça que ele não fez por mal, que ele estava bêbado e ela se aproveitou disso. Mas, para mim, ele havia se cansado de mim e não havia nada e nem ninguém no mundo que me fizesse pensar de outra forma.

We haven't spoke since you went away
(Nós não temos nos falado desde que você foi embora)
Comfortable silence is so overrated
(O silêncio confortável é tão superestimado)
Why won't you ever be the first one to break?
(Por que você nunca é a primeira a ceder?)
Even my phone misses your call, by the way
(A próposito, até meu telefone sente falta de suas ligações)

Eu nunca fui de voltar atrás das minhas decisões, ainda mais uma como essa. Eu já dizia a ele “Hazza, eu perdoo qualquer coisa que você faça, menos traição”. Acho que ele não me ouviu, já que fez questão de colocar um par de chifres na minha cabeça...

I saw your friend that you know from work
(Eu vi seu amigo que você conhece do trabalho)
He said you feel just fine
(Ele disse que você esta bem)
I see you gave him my old t-shirt
(Vejo que deu a ele minha camiseta velha)
More of what was once mine
(Mais do que uma vez já foi minha)

Eu me desfiz de qualquer coisa que me lembrasse dele! Todas as roupas que estavam na minha casa eu fiz questão de doar, menos uma... Uma camiseta preta com alguns desenhos que eu adorava. Como eu e Luke estávamos trabalhando pesado na música, um dia (o dia em que nós ficamos pela primeira vez) ele precisou dormir em minha casa e eu emprestei a camiseta de Harry para ele. No dia seguinte ele foi fotografado com aquela camiseta, provavelmente Harry acha que eu dei a ele, mas não! Ela está na minha casa...

I see it's written, it's all over his face
(Eu vi que está escrito, estampado no rosto dele)
Comfortable silence is so overrated
(Silencio confortável é tão superestimado)
Why won't you ever say what you want to say?
(Por que você nunca diz o que quer dizer?)
Even my phone misses your call, by the way
(A propósito, até meu telefone sente falta das suas ligações)

Ele sempre me perguntava isso: “Por que você nunca diz o que quer dizer, ? Por que fica remoendo isso por dentro?”, e eu sempre respondia “Porque eu prefiro evitar confusão, Harry... Eu te amo tanto, não quero brigar mais, eu já cansei de brigar com você!”. Ele achava um absurdo eu guardar as coisas para mim, mas eu preferia desse jeito. Talvez se eu falasse tudo o que sentia quando ele aprontava alguma coisa, nós não tivéssemos passado de seis meses de namoro.

Maybe one day you'll call me
(Talvez um dia você me ligue)
And tell me that you're sorry too
(E diga que você também sente muito)
But you, you never do
(Mas você, você nunca liga)

Eu nunca, nunca ligaria e ele sabia disso. Aliás, eu ignorava suas ligações...

Woke up the girl who looked just like you
(Acordei a garota que parecia exatamente com você)
I almost said your name
(Quase disse seu nome)
We haven't spoke since you went away
(Nós não temos nos falado desde que você foi embora)
Comfortable silence is so overrated
(Silencio confortável é tão superestimado)
Why won't you ever say what you want to say?
(Por que você nunca diz o que quer dizer?)
Even my phone misses your call
(Até meu telefone sente falta da sua ligação)
We haven't spoke since you went away
(Nós não temos nos falado desde que você foi embora)
Comfortable silence is so overrated
(Silencio confortável é tão superestimado)
Why won't you ever say what you want to say?
(Por que você nunca diz o que quer dizer?)
Even my phone misses your call, by the way
(A propósito, até meu telefone sente falta da sua ligação)

A música acabou e eu estava em prantos, abaixei a cabeça e quando olhei pra frente ele me encarava com olhos marejados. Minha vontade nesse momento era de correr ali para o meio do palco e o beijar como se não houvesse amanhã, mas não o fiz. Não posso me entregar tão fácil assim para ele, mas, será que ele estaria tão disposto assim a tentar me conquistar novamente? Ele se despediu da plateia e seguiu para a minha direção. Jade, Jesy, Pezz e Leigh-Anne perceberam essa ação e se retiraram para que eu pudesse conversar com ele. Harry chegou ao meu lado e sem pensar duas vezes me abraçou...
- Pelo amor de Deus, me perdoa, eu não aguento mais essa tortura. – ele sussurrou no meu ouvido um pouco abafado por conta de meus cabelos.
- Eu te perdoo, Styles... – cedi pela primeira vez após um ano. Ele tirou o rosto da curva de meu pescoço, me encarou e colou nossas testas.
- Obrigado, de verdade, obrigado... Eu... Eu acho não consigo viver sem você... – ele se aproximou para me beijar, mas eu virei o rosto fazendo com que ele beijasse minha bochecha.
- Não é porque eu te perdoo Harry, que eu vou voltar para você assim de novo... – desfiz o abraço e ele segurou minha mão – Tenho medo de que algo parecido possa acontecer outra vez, então eu prefiro ir com calma. – ele, que me olhava nos olhos, fechou os seus com tanta brutalidade como se o que eu tivesse dito tivesse sido como 5 facas perfurando seu peito. E realmente, havia sido... Eu havia acabado de dizer a ele que não confiava em seus atos.
- Tudo bem, você tem todo o direito disso... Mas não, , eu não vou parar até te provar que eu não sou daquele jeito. Que aquilo não significou nada para mim e...
- Chega de ladainha, Harry, não quero ouvir isso outra vez. – O interrompi. – Apenas vamos com calma, ok? Começar com a amizade...
- Eu posso te levar para jantar hoje? Digo, um jantar totalmente amigável, . – ele perguntou como saída para aquele assunto.
- Hoje não, estou cansada e já é tarde. – ele encarou o chão. – Mas pode me levar para casa se quiser, e outro dia a gente vai jantar. – ele voltou a me olhar, dessa vez com os olhos brilhando.
- Obrigado! – ele me abraçou forte pela cintura e me rodopiou, fazendo-me rir.
- Por nada. – respondi ficando na ponta do pé e beijando sua bochecha. – Vamos?
- Vamos! – ele entrelaçou nossos dedos e saímos do ambiente do festival.
Fomos colocando o assunto em dia até a frente da minha casa, afinal, foi um ano sem nenhum contato. Harry me contava sobre a experiência de ter sido ator em um filme e que com certeza ele atuaria em outros se fosse convidado, e sobre como ele achou estranho compor para um álbum solo, porque estava acostumado a compor com os amigos para tons diferentes de voz, estilos diferentes e ali ele pode ser ele mesmo. 30 minutos depois paramos em frente ao prédio em que eu estava hospedada, pois minha casa estava passando por algumas reformas. Perguntei se ele queria entrar e ele disse que preferia não. Nem contestei, até porque, por mais que eu quisesse que ele entrasse e passasse a noite comigo, não poderia entregar tudo de bandeja assim... Beijei seu rosto e agradeci a carona. Quando eu ia sair do carro ele segurou meu braço, puxou-me fazendo o olhar nos olhos e me beijou a bochecha. Logo em seguida me olhou no fundo dos olhos e disse que não ia desistir de mim. Eu coloquei o indicador em seus lábios indicando para que ele poupasse suas palavras, e foi a minha vez de beijar seu rosto ao sai do carro, o desejando boa noite. Entrei no elevador do prédio pensando em como eu tinha saudade desses momentos com Harry... O meu Harry Edward Styles...


Capítulo 2 - Two Pieces

“Somos apenas crianças perdidas
Tentando encontrar um amigo
Tentando encontrar o nosso caminho de volta para casa”


Depois de um festival de musica, tudo o que eu mais queria era dormir até pelo menos meio-dia! Mas não, não posso! São 7:00 AM e cá estou eu parada em frente de um espelho me arrumando para uma entrevista que darei na Capital FM, a rádio que organizou o Summertime Ball. Enquanto me arrumava, lembrei-me da noite anterior com Harry. Acho que tinha expectativas, mesmo que mínimas, de acordar hoje com ele me desejando um bom dia, mas não aconteceu. Provavelmente ele deve estar dormindo ainda e, não, meu Deus, eu não posso criar expectativas! Quando finalmente fiquei pronta, mandei uma mensagem para a minha manager e ela disse que em poucos minutos o motorista que me levaria até a rádio estaria em frente ao prédio. Terminei de me arrumar colocando uma blusinha basica cor de rosa, um jeans desbotado com aberturas no joelho e tênis da mesma cor da blusa. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo arrumadinho, fiz um simples delineado no olho e estava pronta.
Esperei alguns poucos minutos e finalmente fui avisada de que o motorista havia chegado. Desci, entrei no carro e segui até o local. Ao chegar, tirei fotos com o pequeno grupo de fãs que estavam ali e entrei no estúdio para ser entrevistada. Ao entrar no estúdio numero 4, sentei-me em frente a Roman Kemp, o rapaz que iria me entrevistar, próximo a um microfone instalado ali para mim e a entrevista então começou.
- Bom dia pessoas, este é o Capital Breakfast! Hoje estamos aqui com uma pessoa que vem crescendo cada vez mais dentro do ramo musical, batendo seus próprios recordes de uma forma incrivelmente rápida... – Roman olhava para mim sorrindo, eu retribuía o sorriso. – Estou com !
- É muito bom estar aqui novamente, Roman! – comecei – Eu estava morrendo de saudades de vir aqui bater um papo com você! – fui sincera e ele assentiu ainda sorrindo.
- Eu também senti falta de você aqui, gracinha! – eu gargalhei pelo novo apelido – Mas vamos direto ao ponto... – disse um curto “vamos” dentro da pausa dramática que ele havia feito. – O que você achou de ontem, no Summertime Ball?
- Foi excepcional! Simplesmente incrível! O evento estava muito bem organizado, a sensação de estar ali naquele palco é inexplicável... Só tenho a agradecer a vocês por me convidarem e aos meus fãs por me darem o devido suporte. – eu batucava na mesa enquanto falava – Aliás, – lembrei-me de outra coisa – foi bom também, porque consegui ver alguns amigos que eu não via há tempos como Dua Lipa, Ed Sheeran... Nem parece que moramos na mesma cidade. – disse inconformada com como eu e meus amigos nos víamos pouco. Eu sei: agenda, carreira, shows, turnês; mas sério que precisa se isolar? – Vamos sair gente, to esperando pelo convite no Whatsapp. – Ambos rimos.
- Você cantou uma musica ontem, aparentemente muito pessoal. Então, nós queríamos saber um pouco mais sobre ela. – ele finalizou a frase e eu senti uma corrente fria percorrer toda a minha espinha. Não posso dizer que a musica foi completamente sobre Harry, afinal, não posso bagunçar a imagem dele.
- Eu escrevi aquela musica há alguns meses atrás e, como você disse, ela é muito pessoal. É baseado em experiências verdadeiras, em histórias da vida, entende? – ele soltou um “uhum” e eu continuei – Acho que é uma das musicas que eu mais gostei de escrever. E como eu não estava lançando nada novo por estar totalmente ocupada com a tour, que ainda está na metade, decidi cantá-la. – fui sincera omitindo nomes e ele percebeu.
- Então experiências suas? – ele rebateu de imediato.
- Sim. – respondi meio desconfortável – São experiências minhas...
- E pretende gravá-la? Colocar no próximo álbum? – será que ele realmente não percebeu por um momento que eu estava desconfortável com isso?
- Para ser honesta, eu não acredito que esteja. – neguei voltando a me sentir um pouco confortável, agradecendo a Deus mentalmente pelo assunto da temática da música ter se dispersado. – Eu estou querendo fazer algo totalmente diferente do meu ultimo álbum. Não comecei a escrever ainda, porque é meio impossível escrever quando se está rodando o mundo, mas já tenho algumas boas ideias.
- Ok, então, agora vamos fazer uma brincadeira, tudo bem? – ele sorria. Roman é uma pessoa muito divertida. Eu concordei com um breve “tudo bem” e vi um senhor entrar com uma maleta. – Vamos te colocar sobre pressão em um detector de mentiras.
- Hm... Deveria ficar com medo? – perguntei em meio a um curto riso enquanto o moço colocava algumas coisas que não pude identificar nos meus dedos.
- Isso depende de seus fãs, eles vão fazer as perguntas pelo Twitter. – Kemp disse e eu arregalei meus olhos com medo do que viria a seguir. – O quão preciso este teste é? – se dirigiu ao senhor ao nosso lado. Descobri que ele se chamava Derek.
- Testes polígrafos tem por volta de 96 a 98% de precisão. – Derek respondeu.
- Nossa, isso é muito preciso. – Concordamos e ele então olhou para mim. – Vocês que estão em casa deviam ver a cara de desespero que se encontra. – Sabe aquele estagio em que você só consegue sorrir de nervoso? Então era assim que eu me encontrava. – Vamos começar! – ele rolou as mentions do twitter da radio e parou em uma pergunta. – Você já se procurou no Google?
- Por favor, obvio que já... Todo mundo já fez isso. – soei obvia e ouvi um sininho apitar pela verdade. - E você gostou do que viu? – Roman rebateu e logo neguei – Por que não?
- As pessoas podem ser muito cruéis com as pessoas que elas acham que conhecem. Elas esquecem que uma celebridade também tem seus conflitos internos e se acham no direito de sair criticando e mandando ódio gratuito. E não digo isso apenas de haters! Existem alguns sites que fazem de tudo para acabar com a autoestima e reputação de alguém. Não vou citar nomes, mas já tiveram vários momentos em que li coisas que me fizeram chorar. – respirei fundo e me lembrei de quando comecei a passar algum tempo com os meninos do One Direction e as pessoas começaram a dizer coisas horríveis sobre mim, me chamando de interesseira. Outras vezes julgavam minha aparência por ser brasileira e não ser magra igual às garotas britânicas, digo, nunca fui a dona da beleza, mas poxa eu tinha apenas 16 anos foi uma carga de insultos muito grande para mim e acabei desenvolvendo vários problemas. – Mas enfim... Vamos continuar a brincadeira.
- Diva Favorita?
- Definitivamente Beyoncé! – nem pensei para responder e soou novamente o sininho.
- Ora ora, senhorita sincera. – rimos. – Deixe-me ver... – ele começou a procurar. – Quem foi a ultima pessoa que você conversou pelo Facetime?
- Minha mãe... – dei ombros e uma buzinha tocou.
- Mentira! – ele riu e eu soltei um gritinho afetado. – Vou perguntar novamente, quem foi a ultima pessoa que você conversou pelo Facetime?
- Eu realmente não posso falar, Roman. – Implorei. – É uma pessoa de futuros negócios, e se eu trazer a tona agora por dar errado. – me expliquei e ele assentiu dando continuidade a entrevista.
- Olha , eu realmente queria fugir desse assunto para não te deixar desconfortável – senti uma corrente fria passar pela minha coluna – Ontem você foi embora com Harry Styles, e todos querem saber uma coisa: O que está acontecendo?
- Eu e Harry, nós... Somos apenas bons amigos... – disse sincera e de repente um sininho tocou mostrando que eu tinha dito a verdade e eu pude soltar todo o ar que prendia.
- Verdade! – ele sorriu maroto. Sabia que havia algo a mais, mas preferiu dar seguimento para a próxima pergunta.
A entrevista finalmente acabou e eu pude voltar para casa em paz. Foi uma entrevista divertida no fim das contas, ainda que tenha tido alguns momentos tensos. Acho que mesmo tendo dito que eu e Harry éramos amigos, seria difícil tirar a atenção da mídia sobre nós dois por conta das demonstrações de afeto repentinas, já que por um ano nem nos falamos. Cheguei ao prédio em que estava morando temporariamente, subi até meu apartamento e tomei um banho longo. Vocês também pensam muito quando estão debaixo do chuveiro? Bom eu sim, pensando em bons temas para novas músicas. Ao sair do banheiro envolta numa toalha branca, deitei na cama e comecei a mexer no celular. Abri o Twitter e publiquei algumas das coisas sem sentido que eu costumava publicar, e vi uma notificação do WhatsApp descer na parte superior da minha tela de um numero sem nome, mas eu sabia quem era, eu havia decorado os dígitos. Era Harry. Logo cliquei em cima e fui direcionada para a conversa com ele.
“Desculpe-me por não ter te mandado nada ao acordar, tive de ir para uma reunião de emergência sobre a tour...H x” – ri de canto ao ler.
Salvei novamente o contato e respondi de imediato, dando inicio a um diálogo.
“Tudo bem, eu também não teria te respondido de volta, estava ocupada.”
“Então, você já almoçou?”
“Ainda não, to deitada na cama de toalha pensando em nada... Por quê?”
“Poupe-me de detalhes! Você sabe o poder que minha mente tem...”
– ri com essa frase. Ele não muda nunca! Diferente do que todo mundo acha, Harry não é mil amores e carinhos sempre. Ele sabe muito bem quando tem de ser... como eu posso dizer... ousado? – “Estava pensando que vamos ficar muito tempo sem nos ver por conta de nossas turnês, e, como eu estou num projeto de reconquista da minha garota, queria saber se você quer almoçar em algum lugar, estou perto do seu prédio, em 5 minutos eu chego ai...”
“Claro que eu quero, estou faminta! Mas acho melhor ficarmos por aqui mesmo.”
“Tudo bem por mim. Então, o que você quer comer?” –
Harry e suas ideias aleatórias que davam sempre muito certo.
“Não sei Hazza, deixo por sua conta a escolha... Vou me arrumar e avisar o porteiro que você está vindo.”
“Tudo bem... Estou chegando, xx”
Essa foi a ultima mensagem dele que eu li. Levantei-me e liguei para a portaria dizendo que Harry estaria chegando e que eles liberassem a subida do rapaz, destranquei minha porta e fui vestir um shorts e blusa qualquer, afinal não iriamos em nenhum lugar.
Ele chegou e avisou sua entrada em casa, respondi ao seu aviso dizendo para que ele viesse até o quarto e que eu estava quase pronta. Quando ele entrou no quarto, eu estava parada em frente do espelho penteando meus cabelos molhados. Ele veio em minha direção, abraçou-me pela cintura. Virei-me de frente passando meus braços por seu pescoço para abraçá-lo de volta e encaixei meu rosto na curva de seu pescoço, sentindo seu perfume suave ali depositado. O mesmo perfume de sempre, Guilty by Gucci, era sua marca registrada. Sussurrei um pequeno “oi” que foi retribuído. Ele separou nosso abraço me dando um beijo na testa. Direcionei-me à penteadeira deixando ali meu pente e ele deitou em minha cama. Chamei o rapaz que estava distraído para irmos comer e seguimos até a sala, onde ele havia deixado às sacolas. Ele comprou tacos para nosso almoço, que foi bastante descontraído. Riamos de algumas historias envolvendo fãs loucos com cartazes em shows. Conversamos também sobre o hiatus da banda, que aparentemente não irá voltar, o que é uma pena pois eu adorava vê-los no palco fazendo todas aquelas bobeiras para entreter os fãs. Decidimos ver um filme e escolhemos um lançamento qualquer da Netflix. Sentados no sofá, eu me encontrava apoiada no peitoral de Harry, enquanto um de seus braços estava passando por minhas costas e segurando minha cintura. Sentia-me diferente, será que todo o amor que um dia fora dele havia retornado ao meu coração, mesmo que eu insistisse que não deveria me sentir assim tão rapidamente outra vez? Eu realmente sentia falta dos momentos como aquele, de estar ali tão segura, mas ao mesmo tempo, tão vulnerável aos seus encantos. Acho que de todas as armaduras contra garotos que eu consegui usar, a de Harry foi a mais fraca. Afinal, bastou ele voltar para a minha vida para fazer com que eu me sentisse uma garotinha de 12 anos descobrindo o que amar significa novamente e foi onde eu decidi que daria a chance de deixa-lo me reconquistar. Acabamos adormecendo abraçados, naquele misto de nostalgia e novidade, já que nós nunca estivemos tão dispostos a tentar fazer nosso relacionamento dar certo... Pela segunda vez.


Capítulo 3 - Temporary Fix

“Se você não estiver presa a nada
Eu posso ser seu vice agora mesmo
Tudo que você precisa saber é
Você pode me ligar quando estiver sozinha
Quando você não conseguir dormir, eu vou ser seu conserto temporário”


- Qual é , depois de tudo que ele fez você passar, você vem me dizer que vai dar uma chance para esse babaca? – minha irmã falava comigo pelo telefone enquanto eu seguia para o aeroporto.
- Eu sei que, de certa forma é errado, mas eu acho que ainda o amo, . Você mais que ninguém sabe que quando a gente ama é difícil de conter. – Fui obrigada a alfinetar com o assunto de seu ex-namorado recém-casado. A ouvi bufar.
- Eu já superei e você também devia. – rolei os olhos – Ainda não sei por que você não dá uma chance a aquele garoto, como ele se chama mesmo… – ela fez uma pausa enquanto pensava – Niall! – exclamou.
- Quantas vezes vou ter que te dizer que Niall é apenas meu melhor amigo? – rolei os olhos.
- Bem... Ele não foi apenas seu amigo logo que você e Harry terminaram…
- Já ouviu falar em conserto temporário? Foi isso! – mexi-me no banco desconfortável – Não significou nada para nenhum de nós, e nós estávamos bêbados. – ouvi-a gargalhar do outro lado.
#FLASHBACK
Niall e eu estávamos na houseparty da minha amiga e mais nova estrela internacional, Anitta, em Wembley. O que? Ela é uma pessoa legal e me fazia se sentir em casa. De volta à festa, estávamos bebendo demais. Motivo? Meu termino de namoro e a descoberta de que a garota que Niall estava saindo (e gostando) havia começado a namorar e dado um pé na bunda dele. Encontrávamos sentados na bancada da cozinha.
- Nialler, por que as pessoas são tão idiotas com a gente? – perguntei levando meu copo de caipirinha até a boca.
- Eu não sei, . – ele parou por um momento – Comigo eu até consigo entender, sou um magrelo e estranho, mas olha só para você... Você é linda. – fiz uma careta e ele riu. – É sério, palhaça.
- Niall, você é lindo, representa muito bem a beleza da Irlanda. – apertei sua bochecha – Ela é quem está perdendo.
- Pois digo o mesmo para você. – ele pensou um pouco – Mas é claro que você representa a beleza do Brasil e não da Irlanda. – rimos e ele desceu da bancada pra pegar outra cerveja.
- Sabe o que eu acho, leprechaun, que no fim de tudo vamos acabar ficando juntos. – brinquei e ele me olhou confuso – Pensa só, dois fodidos na vida amorosa. Normalmente em filmes eles acabam juntos.
- Isso não é filme, , é a vida real. – ele disse soando obvio – Vem, vamos para casa, já é tarde e já estamos bêbados demais – me ajudou a descer da bancada, nos despedimos de Anitta e fomos embora. O caminho para casa fora divertido naquela noite, mas na verdade, eu não cheguei até minha casa...
- Sabe, Niall, estive pensando desde que saímos da festa que, - ele me olhou com uma sobrancelha arqueada – às vezes, não tem nada errado em tentar trazer filmes para a vida real. – mordi o lábio esperando alguma reação dele.
- É, talvez não seja tão ruim... – ele sorriu malicioso e acelerou até sua casa, que era mais próxima.
Assim que estacionou seu carro na garagem, ele me puxou, beijando-me. Tiramos o cinto de segurança e entramos na sua sala em meio a beijos. Ele me pegou no colo direcionando-nos ao seu quarto. Jogou-me em sua cama e logo veio por cima de mim, deslizando sua mão por toda a extensão do meu corpo. Logo alcançou o zíper na lateral de meu vestido e foi o descendo, enquanto eu abria o cinto e o botão de sua calça. Ele estava sem camisa, e para ser honesta não me lembro muito bem quando foi que ele se livrou dela. Niall tirou meu vestido, deixando-me apenas de calcinha em sua cama. Inverti-nos de posição e tirei sua calça e sua boxer de uma só vez, revelando seu pau totalmente rígido. Segurei-o e passei a língua da base até o topo de seu cacete, me divertindo com o que estava vendo. Por fim o abocanhei e senti suas mãos em meu cabelo auxiliando nos movimentos. Forcei seu pau o máximo que pude para dentro de minha boca e o ouvi soltar um gemido alto. De repente, ele se encontrava por cima novamente. Pegou meus dois braços e os segurando em cima de minha cabeça, beijou minha boca e desceu até meu pescoço deixando um rastro de beijos quentes, alcançando meus seios, e indo de encontro com um de meus mamilos fazendo movimentos circulares com a língua, enquanto a outra mão, que prendia meus braços, agora, estava segurando o outro, isso me fez soltar alguns gemidos baixos. Ele decidiu então seguir caminho com seus lábios, parando na barra de minha calcinha e me olhando maroto. Passou o nariz sobre o tecido rendado me causando arrepios, e eu gemi pela tortura. Tirou, então, minha calcinha e depositou alguns beijos sobre minha boceta, antes de começar a passar a língua em meu clitóris fazendo-me arquear a coluna e gemer um pouco alto. Ele pareceu gostar do que viu, e continuou na mesma velocidade e intensidade, mas dessa vez com a ajuda de dois dedos, que me penetravam na velocidade ideal. Ele subiu novamente, me beijando enquanto colocava o preservativo e em seguida me penetrou. Gememos juntos e ele começou acelerar as investidas, adicionando mais força conforme eu arranhava suas costas. Vocês também acham mais gostoso fazer sexo quando estão bêbados? Ele pediu para que eu sentasse, e assim eu fiz. Niall deitou para descansar um pouco e eu passei por cima dele, encaixando seu cacete novamente dentro de mim, e quicando em seu colo. Ele mordia os lábios ao ver meus seios balançando em sua frente, e isso fez com que ele levasse suas mãos até eles enquanto pressionava meus mamilos. Não demorou muito e nós dois chegamos ao orgasmo juntos. Ele levantou para descartar a camisinha, enquanto eu estava deitada olhando para o teto branco recuperando meu folego. Ele voltou e deitou ao meu lado, o abracei deitando minha cabeça em seu tórax. Ficamos um bom tempo quietos, até que acabamos dormindo.
Acordei no outro dia sentindo uma dor de cabeça insuportável. Esfreguei os olhos antes de abri-los e, ao abrir, me assustei ao ver o quarto de Niall. Então aquilo tudo não tinha sido apenas um sonho? Levantei o edredom que me cobria e constei que estava nua. Virei-me para o jovem ao meu lado e o sacudi até que ele acordasse, e assim que abriu os olhos estranhou minha presença. Demorou um pouco para que ele assimilasse o que estava acontecendo, mas quando o fez, arregalou os olhos assustado e teve a mesma reação que eu, olhando debaixo do edredom.
- , o que... – ele começou.
- Eu não sei. – O interrompi – Na verdade eu sei sim, nós fizemos sexo e isso não da para negar. – mostrei a ele algumas marcas que estavam em meu busto. – Mas o motivo eu não faço ideia...
- Eu não acredito que fizemos isso. – ele abaixou a cabeça, levou as mãos aos cabelos e por um momento achei que ele iria os arrancar. – Harry vai me matar.
- Niall, calma! – exclamei me levantando e pegando minhas roupas do chão. – Harry não é mais meu namorado e ninguém precisa saber o que aconteceu. – ele me olhou – Vamos chamar isso de “conserto temporário”, e nós dois sabemos que é algo que não vai repetir outras vezes. – ele concordou – Só estávamos bêbados e perdemos um pouco da noção, mas ta tudo bem, ok?
- Ok, . – mandei um beijinho no ar para ele e fui me vestir no banheiro.
Foi daí, meus caros leitores, que saiu a letra de Temporary Fix. Se não acreditar nisso, basta olhar o nome dos compositores dessa canção. Isso não acontece mais, mas seria erro de sua parte pensar que isso aconteceu realmente só uma vez.

#FIM DO FLASHBACK
- Isso não vem ao caso agora, ! – a van parou no aeroporto de Heathrow.
- Claro que vem! – ela gritou – Não existe um momento melhor para isso.
- Você falar sobre essas coisas é tão hipócrita de sua parte, mas tudo bem. – ela bufou – Eu já estou decidida e fim de papo.
- Ok, você já é bem grandinha, sabe o que faz e se isso for te fazer feliz, eu apoio sua decisão. – ela se deu por vencida.
- Obrigada. – olhei para frente e vi que meu vôo já havia sido chamado – Agora eu preciso ir, estou indo para Düsseldorf dar continuidade a minha turnê. Manda um beijo para a família toda e diz que estou morrendo de saudades de todos.
- Pode deixar que eu digo. Te espero quando estiver de férias! Sinto sua falta. – pude ouvir um profundo suspiro que me partiu o coração. – Agora vou trabalhar, te amo, boa viagem.
- Bom trabalho. Também te amo e sinto sua falta. Tchau. – desliguei o telefone e o avião decolou.
Uma hora e meia depois eu já me encontrava novamente em uma van indo para o hotel descansar um pouco. Chegando ao hotel, dormi por algum tempo e quando acordei já era hora de ir para Mitsubishi Electric Halle. Achava completamente incrível que, mesmo sendo uma cantora há pouco tempo, já era completamente capaz de lotar estádios apenas para me verem fazer o que eu mais gosto da vida: cantar. Cheguei ao local e segui direto para o palco fazer a passagem de som. É muito difícil descrever a sensação que sinto ao entrar numa arena e a vê-la vazia, já sabendo que em breve estará lotada e quase sem espaço para andar. Logo meus dançarinos chegaram e pudemos repassar algumas coreografias também. Após o ensaio, permaneci no camarim, olhando para o nada, até a hora de começar a me arrumar. Eu não queria me gabar, mas eu tenho a melhor crew do mundo, e se não for, pelo menos para mim é. Heidi, minha maquiadora, finalmente me tirou do tedio, ao me chamar para começar a fazer a maquiagem. Pedi que ela fizesse algo diferente do habitual e ela colocou bastante cor, de modo que combinasse com todas as roupas que eu usaria naquele show. Em seguida, foi a vez de Aaron, o mago dos cabelos, trabalhar. Ele decidiu que eu devia usar um aplique dessa vez e la estava eu com os cabelos mais longos que já tive. Jamie, o estilista, me chamou para que eu pudesse me vestir. Ao total eram três roupas diferentes: a que eu entrava em cena, depois tinham duas trocas de roupa em meio à correria; mas eu gostava.
O show ocorreu perfeitamente bem. Foi minha segunda vez na Alemanha e durante a madrugada estaria seguindo para Zurique, onde teria um dayoff e no dia seguinte seria o concerto. De volta ao hotel, tomei um longo banho quente e me deitei na cama. Ouvi o celular apitar e vi que era uma mensagem de Perrie dizendo apenas um “Precisamos conversar, me ligue quando puder x”. Não estava com disposição nenhuma para conversar com ela agora, então iria apenas a ignorar até o dia seguinte. Não satisfeita comigo, ela acabou ligando.
- O que aconteceu com o “me ligue quando puder”? – ironizei ao atender o telefonema.
- Eu sabia que você estava me ignorando, garota… – dei um pequeno sorriso.
- Ta, mas pode me dizer a que devo a honra de sua ligação à meia noite e cinquenta e sete? – olhava o horário em minha tela.
- Eu só queria saber da sua boca o que está acontecendo. – ela começou – Digo, quero saber o que aconteceu no dia do Summertime Ball depois que nós deixamos vocês a sós…- respirei fundo.
- Nada demais, Perrie winkle. Nós apenas nos acertamos.
- Então quer dizer que vocês estão....
- NÃO! – a interrompi – Não dessa forma. Nós concordamos em ser amigos pelo menos. Mas... JÁ VOU! – gritei em resposta a meu segurança. – Ai eu to tão cansada... – lamentei brevemente enquanto pegava minha bolsa e seguia caminho até o ônibus da tour.
- Ossos do ofício, . Mas, você ia dizendo…
- Ah sim. Eu acho que ainda o amo e vou deixa-lo me reconquistar. – um grande silencio se instalou do outro lado da linha – Pezz, você ta bem? – subia as escadas do ônibus até o segundo andar, onde ficava a minha cama.
- Se eu to bem? SE EU TO BEM? – disse mais alto em um tom aparentemente sério – Eu não acredito nisso ainda, ! – berrou em meus ouvidos. – Ele fez o favor de cagar toda a sua vida enfiando um par de chifres na sua cabeça... Digo, um par de chifres que nós sabemos, podem ter mais!
- Perrie, você sabe que não escolhemos esse tipo de coisa. – tentei a persuadir e ouvia ela bufar do outro lado. – O coração quer o que ele quer...
- Você está feliz? – Perguntou por fim e eu afirmei. – Então é isso que importa, vamos comemorar então, seja lá o que isso for… – rolei os olhos. – Vamos beber e esquecer nossos nomes! – soltou animada.
- Eu podia jurar que a alcóolatra era a Jade. – brinquei e ouvi uma gargalhada gostosa do outro lado da linha. – Mas calma, nos vemos em Edimburgo em – parei para contar – oito dias.
- Eu já tinha me esquecido disso, você vai abrir nosso show. – ouvi um bocejo.
- Era para ser um dia de folga, você sabe que não temos muitos, mas para vocês eu abro mão. – minha vez de bocejar – Agora, vamos dormir porque ser linda e talentosa cansa demais. – ela riu.
- Boa noite, Candy, boa viagem.
- Boa noite, Perrie Winkle, obrigada e bom vôo amanhã.
Após isso desliguei, vire-me para o lado e adormeci.


Capítulo 4 - The One That Got Away

“Em uma outra vida, eu seria sua garota
Nós manteríamos todas as nossas promessas, seríamos nós contra o mundo
Em uma outra vida, eu faria você ficar
Assim eu não teria que dizer que você foi aquele que foi embora”


Depois de uma longa viagem de ônibus, finalmente cheguei a Edimburgo e, o que seria o início de um dia de folga, de repente se tornou uma corrida contra o tempo. Nem ao menos paramos no hotel, seguimos direto para a Arena onde seria o concerto da Little Mix, onde me reuniria com a equipe para montar uma setlist menor do que a usual para ser a atração de abertura. Sendo totalmente honesta, me encontrava morta de cansada, mas, além de ser uma ótima forma de promoção de minha carreira para os fãs das meninas que não me acompanham, eu adoro quando fazemos esse tipo de coisa juntas. Depois que Noah, o guitarrista, Lola, a tecladista e backing vocal, Eddie, o baixista, e Margot, a outra guitarrista e também backing vocal, acertamos as músicas que iríamos tocar, foi a hora da passagem de som.
- Quem é vivo sempre aparece! – Perrie gritou da lateral do palco enquanto eu terminava de passar a última música, vindo em direção a mim e atrapalhando completamente meus dançarinos.
- Pois é... Eu tive que vir abrir o show de um projeto de grupo de garotas que acham que cantam, mas na verdade são bem flop. – brinquei a fazendo gargalhar enquanto as outras três meninas vinham saltitando até nós.
- Oi amooor, que saudades! – Jesy me abraçou apertado. Logo em seguida Leigh-Anne e Jade fizeram o mesmo.
- Então, o que vamos comemorar essa noite? – Jade perguntou.
- Você não contou a elas? – Perguntei a Pezz que negou com a cabeça. – Bom, Jadey, não é algo tão magnífico como parece. É só que eu e Harry estamos nos acertando. – Surpresa se instalou na cara das três garotas.
- E isso deveria ser comemorado porque...? – foi a vez de Leigh-Anne se pronunciar. Claramente toda essa história não a deixava satisfeita.
- Deixa de ser rabugenta Lee, se isso está deixando esse raio de sol feliz, é só o que importa. – Pra quem não a conhece, deixe-me explicar. Perrie é toda hippie, então é bastante comum ela dizer coisas desse jeito e ser tão positiva o tempo todo, que não me incomoda, visto que a positividade equilibra a minha negatividade. Mesmo não estando feliz com essa história, ela continuaria tratando o assunto dessa forma.
- Não estou sendo rabugenta, Pezz, mas não foi ele que a deixou na merda por um tempão? – concordamos – E agora, que ela está na melhor fase da vida dela, ele volta? – Leigh se encontrava muito insatisfeita com a situação.
- Nós não estamos saindo ou nada do tipo, Lee! Só conversando e acertando a amizade. – tentei a acalmar.
- Ah ta, , conhecendo vocês e toda a tensão sexual que os cerca, garanto que muito em breve irão trocar saliva de novo. – Foi a vez de Jesy zoar com a minha cara, nos fazendo rir.
- De qualquer forma, nós vamos sair hoje à noite. Seja pra comemorar isso ou só pra encher a cara como sempre fizemos. – Jade deu a cartada final e seguimos para nossos camarins nos arrumar.
Após abrir o concerto, permaneci na lateral do palco para assistir o show e esperar a “surpresa” preparada para a noite. Na hora certa, as meninas me chamaram ao palco e agradeceram por eu ter tido a disponibilidade de estar ali por elas. Anunciaram que iríamos fazer o que sempre quisemos, cantar juntas. Assim que Wings começou, nos posicionamos e cantamos do jeito que havíamos ensaiado. Após isso, continuei na lateral do palco até o show acabar. Finalmente deixamos a Arena, com certa dificuldade, seguindo para o hotel, onde ficaríamos prontas para nossa noite. Optei por um body branco com algumas listras finas pretas na vertical, com um número escrito, e uma saia preta justa toda em verniz, uma bota over knee também preta e uma bolsinha de mão Saint Laurent.
Ao chegar no clube haviam alguns paparazzi na porta esperando por nós, disparando flashes em nossos rostos. Entramos e fomos até o camarote em forma de sacada que nos tinham reservado, sentamos e fizemos nossos pedidos. Jesy e Jade tomaria gim e tônica, Leigh-Anne e eu pedimos um drink chamado Afrodite, já Perrie, um espumante. Conversa vai, conversa vem, vários copos depois já estávamos completamente bêbadas. Dançamos a noite toda e ao voltar para o hotel, joguei-me na cama e apaguei.
Acordei com Hanna, a assistente de minha empresária, me sacudindo e dizendo que eu perderia o vôo se enrolasse mais na cama. Lá vamos nós de novo! Banho tomado, mala pronta e com café na mão, segui em direção ao carro que me levaria até o aeroporto. Dormi durante todo o voo até Heathrow e, em seguida, embarquei em outro avião para Los Angeles.
Mas o que eu iria fazer lá? Bom, minha irmã estava indo para Los Angeles fazer um curso com uma nutricionista super famosa, mas que era brasileira e daria todo o curso em português, e eu fiquei responsável em receber ela no aeroporto e ajudá-la no primeiro momento e contato com o exterior. Só assim para ela vir, já que ela não fala nem um “oi” em inglês direito.
Cheguei por volta de umas 15h em horário local e segui para meu apartamento. Ela chegaria umas 18h, então eu teria um belo tempo para gastar. Meu celular vibrou e era uma mensagem de Harry que dizia: “Vi que você está em LA também, vamos fazer alguma coisa! Passo em seu apartamento em uma hora para te levar em algum lugar que eu não sei ainda. H x”. Com isso descobri que ele estava em Los Angeles dando algumas entrevistas sobre o filme. Ótimo, já sei como vou gastar meu tempo.
Vesti um shorts jeans de cintura alta com uma blusinha rosa bebê curta, calcei um vans azul clarinho e prendi meu cabelo num rabo de cavalo meio solto. Quase nenhuma maquiagem, e já estava pronta quando o porteiro avisou que Harry havia chegado. Entrei em seu Maserati e seguimos até o Urth Caffé, uma das melhores cafeterias de Los Angeles. Sentamo-nos e fizemos nossos pedidos.
- Então, o que te traz à LA no meio de uma tour? – Harry perguntou sentado de frente para mim.
- Minha irmã vem para cá e precisava de ajuda no primeiro contato dela com o exterior, porque ela não fala inglês. – dei ombros.
- Sério? – assenti. – O que ela vem fazer aqui então? – brincou com um sorriso doce nos lábios.
- Ela vem fazer um curso com uma nutricionista super famosa que, acredite, vai dar o curso em português... – disse e ele ficou pasmo. – Sim, eu sei, é estranho... – rimos.
- E que horas ela chega? – parecia interessado.
- Umas 18h, por aí... – nossos pedidos chegaram. O meu era um Frappuccino com um muffin de frutas vermelhas, já o de Harry era um chá preto com leite e uma fatia de pão caseiro.
- Então... Eu vou conhecer a sua irmã hoje! Finalmente! – sorriu aberto.
- Quem disse que você vai conhecer ela? – franzi as sobrancelhas e ele ficou sem graça. – Eu to brincando! Eu deixo você ir comigo até o aeroporto para pegá-la, mas já digo que uma comunicação entre vocês dois vai ser algo meio complicado...
- Não tem problema, sério. Não lembra de quando você conheceu Gemma e ficou desesperada por não entender metade das coisas que ela falava por conta do sotaque?! – rimos lembrando deste momento. – O importante é que finalmente vou conhecer alguém de sua família. – Ele depositou sua mão sobre a minha e fez um carinho ali, me fazendo corar um pouco. – Você tá corada? está corada? – gargalhou.
- Claro que não. Você está vendo coisas, querido. Não há motivos para eu corar, logo contigo... Aiai. – defendi-me sem sucesso. Ele me conhecia bem o suficiente para saber que eu estava mentindo.
O tempo quando estamos juntos passa tão rápido que, quando nos demos conta, já era hora de ir ao aeroporto. Harry pagou a conta e fomos em direção a LAX. A presença dele é sempre agradável a mim, seja uma simples companhia para conversar, ou alguém para ficar admirando a beleza. Ele é uma pessoa tão descontraída que não tem como alguém permanecer mal a sua volta. Durante o caminho, o radio estava ligado quando começou a tocar uma música do 5 Seconds Of Summer e de relance pude notar que não o agradou muito, tudo por conta de meu passado não tão distante com Luke. Que bobeira.
Harry sempre estará fazendo graça para te fazer sorrir e te tratando com doçura, em contrapartida, você nunca saberá quais serão seus próximos passos ou sua reação com o desconhecido, fazendo com que um simples entrelaçar de dedos te deixe muito surpresa, ou até mesmo um convite para sair a noite para ir a lugar nenhum, apenas ficar dirigindo e conversando nas estradas quase nunca usadas ao redor da cidade, só para ter um pouco de privacidade. É isso que o torna apaixonante.
- ...se só um de nós vai entrar e... – olhou-me por um momento – , você ouviu o que eu disse? – questionou me tirando o foco dos pensamentos.
- Uh, hey, desculpa, não ouvi não... Estava com o pensamento longe. O que você dizia? – voltei à realidade.
- Com pensamento longe, ou perto até demais? – arregalei os olhos. – De qualquer forma, eu queria saber como vai ser quando ela chegar. – disse ao estacionar numa vaga próxima ao saguão de desembarque.
- Acho melhor você ficar aqui no carro para não causar tumulto. Eu vou lá buscar ela, pode ser? – ele assentiu e senti meu celular vibrar, indicando que ela havia chegado. – Já volto. – dei um beijo em seu rosto e sai do carro.
Após chegar ao saguão um pequeno bolo de fãs se formou ao meu redor, me deixando um pouquinho atordoada com o tumulto repentino, mas logo me habituei e fui atendendo o máximo que pude. Assim que avistei um furacão loiro vir em minha direção, despedi-me das pessoas que estavam ali para dar atenção a minha irmã. Nos abraçamos rápido e fomos em direção ao carro, escoltadas por dois seguranças do aeroporto. [tudo que, neste capitulo, indicar que está sendo dito em português, estará em itálico]
- Quase um ano sem te ver, estava com tanta saudades! – exclamei a abraçando de lado.
- Ainda não acredito que você conseguiu vir me ajudar, , serio. - pude notar que ela mudou de expressão quando viu Hazza escorado no carro, enquanto nos aproximávamos. - Então... Vocês voltaram mesmo?
- Não, somos amigos. Apenas isso. – respirei fundo ­– Ainda… – Harry olhava confuso com o idioma em que conversávamos. Pegou a mala de e guardou no porta-malas.
- Nice to meet you, Harry, I’m , ’s sister. – arranhou no básico do inglês que sabia ao entrar no carro e fez ele dar um sorriso.
- Nice to meet you too. I’m happy that we finally met. – senti cutucadas no meu ombro.
- Ele ta feliz que o que? – ela perguntou desesperada.
- Ta feliz que vocês finalmente se conheceram. – ela abriu o maior sorriso em agradecimento e eu só sabia pensar no quão difícil seria essa comunicação. Harry deu um suspiro profundo e eu sabia que ele havia pensado o mesmo que eu. Por reflexo levei minha mão a seus cabelos, fazendo carinho.
- Você realmente gosta dele, né? – só balancei a cabeça afirmando. – Então por que vocês não voltam a ficar juntos de uma vez?
- É uma das coisas que eu mais quero, mas... E se tudo acontecer de novo? Tenho medo de ficar daquele jeito de novo, sabe. – fui sincera.
- Para de besteira, menina! Se continuar assim, com medo do passado, vai perder a chance de ser feliz. – Ta liberado jogar verdades assim na minha cara? – E tem mais, eu quero um cunhado para ser tio do meu filho. – segurou o riso.
- O QUE? – gritei sem querer, fazendo com que Harry freasse bruscamente.
- Ta tudo bem? – ele me olhou preocupado.
- Ta sim, foi só a reação que eu tive ao saber que minha irmã está grávida. – Ele a olhou e deu os parabéns, mesmo sabendo que ela não entenderia. Ele ama bebês.
- Ele te desejou parabéns pelo bebê. sussurrou um tímido “thank you” – Tem quanto tempo isso? E o casamento?
- Estou de 5 semanas, - um mês e uma semana – e o casamento está marcado para a segunda semana de outubro.
- Por que não me disse antes? Eu queria ajudar a organizar e financeiramente também. – soltei um muxoxo.
- Não precisa, , já está tudo certo. – era visível o orgulho que ela tinha de ter conseguido organizar tudo.
- E aonde vocês vão passar a Lua de Mel? – chegamos ao meu apartamento e Harry ajudou a levar as malas para dentro.
- Não sabemos ainda, mas acho que vamos para Fernando de Noronha. – Ok, Noronha é lindo, mas sei que não é esse o destino dos sonhos dela. – Eu espero que você consiga ir... Ah, e leva o Harry também se conseguir. ­– ela bocejou – Vou dormir um pouco, estou cansadíssima. – seguiu o corredor, entrando no quarto de hóspedes.
- Acho que já vou indo... – por um segundo me senti completamente mal por não ter dado atenção a ele.
- Fica. – segurei sua mão – Por favor. – ele concordou e sentamos no sofá. Liguei a TV e começamos a assistir Friends. Ele me puxou fazendo com que ficássemos abraçados, depositando um beijo em meus cabelos.
- Sei que não devia, mas juro que estou curioso para saber o que vocês estavam falando. – ri baixo.
- Falávamos sobre o casamento dela. Ela me disse para te chamar também, Haz. – olhei em seus olhos. – Vai ser na segunda semana de outubro.
- Vou ter que olhar na minha agenda de shows, a tour vai ter começado... Mas juro que vou tentar ir. – suspirou e se calou por um tempo, me fazendo assistir o episódio da serie que passava. – Senti sua falta, digo, não só do tempo que você estava em tour e quase não nos falamos, mas sim de nós assim. – olhei novamente em seus olhos.
- Eu também senti falta disso. – me puxou para um abraço mais apertado.
- Eu to tentando, ... Tentando fazer de tudo para te mostrar que eu não vou repetir o mesmo erro. – ele passou o nariz em minha bochecha e colou nossas testas.
- Eu sei que você tá. Eu também tô tentando largar o meu medo. – Fechei forte os olhos e logo os abri de novo, restabelecendo o contato visual.
Era tão intenso que nenhum de nós tinha coragem de desviar o olhar, mesmo que por um milésimo de segundo. Ele umidificou seus lábios e, sem pensar duas vezes, eu o beijei. Nos beijávamos de forma completamente carinhosa, não havia maldade, não havia desejo sexual, éramos apenas duas pessoas apaixonadas trocando um beijo com saudades.
Ficamos ali por um tempo, mas ele se afastou por algum motivo desconhecido, me deixando completamente confusa. Ele não queria me beijar, foi isso o que aconteceu? Eu não devia ter o beijado. Se eu soubesse que as coisas mudariam tão drasticamente após um beijo, eu jamais teria o beijado.
- Eu... Erm.. Já vou indo... – ele avisou e eu só consegui assentir.
Ele beijou minha testa e saiu de meu apartamento, onde eu fiquei pensando no que havia acontecido.


Capítulo 5 - Jar Of Hearts

“Querido, demorou tanto tempo só para me sentir bem
Lembrar como pôr de volta o brilho nos meus olhos
Queria que eu tivesse perdido nosso primeiro beijo
Porque você quebrou todas as suas promessas
E agora você está de volta
Você não vai conseguir me ter de volta”.


Hoje completa uma semana desde o ocorrido em Los Angeles e, não, nenhum sinal de Harry.
Estou de volta à Inglaterra e retomando a tour. O show dessa noite será em Birmingham, onde ficarei por mais um dia para cumprir a agenda para a BBC Radio 1, onde será gravado um cover para o Live Lounge. Andava pela arena tentando me distrair antes de os portões serem abertos, quando eu ouvi um “oioi” e me virei dando de cara com Louis e Eleanor vindo até mim.
- ! – ele gritou ainda de longe. – Vem Eleanor, anda rápido. – sempre fora assim, completamente animado e brincalhão.
- Lou, El, que saudades de vocês! – exclamei alto pela distancia ainda existente. - Depois que ficou super famosa você sumiu... – Eleanor me abraçou apertado. – Senti saudades de você e quando soube que estaríamos na mesma cidade e no mesmo dia, precisava vir te ver. – Foi a vez de eu e Louis nos abraçarmos.
- Ela me obrigou a vir aqui hoje. – Louis lembrou enquanto Els rolava os olhos.
- Eu sei que sou um fardo pra você, Tomlinson, mas não precisa jogar na minha cara. – brinquei e ele riu.
- Ainda bem que você sabe, . – rimos – E ai, como estão as coisas?
- Até então está tudo bem, a tour ta indo bem, minha vida também... – dei ombros e Lou estreitou os olhos.
- Você não sabe mentir mesmo né, ? – suspirou – Anda, o que ta te fazendo tentar mentir para mim?
- Louis, é sério, ta tudo bem. – tentei frisar, o que não o deixou satisfeito.
- Amor, eu to com sede, você pode pegar uma agua para mim, por favor? - Eleanor pediu e logo ele foi. – Pronto mocinha, agora você pode me falar.
- Ai El, deixa pra lá. – pedi.
- Claro que não, , não se pode guardar as coisas assim. – Ela começou. – Você só costumava a ficar assim quando... – ela parou, pensou por um tempo e arregalou os olhos – O que aconteceu com o Harry?
- Eu nem queria falar, mas como sei que você vai me encher o saco até eu dizer, – puxei o máximo de ar que consegui – nós acabamos nos beijando em L.A. e até agora nem um sinal de fumaça. – Ela segurou minha mão e nós sentamos na arquibancada. – Ele só levantou e foi embora.
- Oh meu Deus, o que está passando na cabeça desse menino, hein? – desatou a falar – Uma hora ele está choramingando pelos cantos dizendo o quanto quer você, outra ele ta te deixando assim, sem nenhuma explicação? Foi mais de um ano nessa agonia, e quando você finalmente decide o perdoar, ele faz isso? Fica difícil ajudar ele desse jeito. Eu mesma já desisti há muito tempo, mesmo com Louis falando o quanto ele queria que voc...
- El...
- Nada de El, , é sério... Ele não tem mais 15 anos não, ele é um homem de 23... E, honestamente, se for para ficar assim, prefiro que vocês continuem a não se falar, até porq...
- ELEANOR! – gritei o que a fez parar de falar e respirar recuperando o fôlego – Louis ta vindo.
- Até diria para você contar isso a ele, mas conhecendo meu namorado como eu conheço, ele vai querer se meter no meio e não vai ser nada legal. – ela olhou pro lado pegando a garrafinha de água das mãos do recém-chegado. – Mas vai ficar tudo bem, basta ter calma.
- O que vai ficar tudo bem? – Lou curioso.
- O show dessa noite, meu bem, ela está nervosa com isso. – Eleanor o ludibriou e ele caiu como pato.
- Acontece, oras. Até hoje fico assim. – deu ombros.
A tarde com #Elounor foi muito divertida. Descobri que eles estavam aqui por que Eleanor estava fazendo algumas fotos para uma revista e Louis havia dado uma entrevista para a BBC Radio 1 hoje. Os convidei para ver o concerto quando eles decidiram ir embora e eles aceitaram sem muito esforço. Fui fazer minha maquiagem da noite com Heidi, em seguida Aaron deu um jeito no meu cabelo e, logo depois, Nicola estava fazendo alguns poucos ajustes no figurino padrão da tour. Comecei a andar pelos corredores a caminho do palco fazendo alguns aquecimentos vocais, me posicionei quando, de repente, a plataforma de elevação se subiu e eu estava no palco.
Cantei as músicas da setlist, fazendo várias pausas para interagir com os fãs, responder algumas perguntas e, até mesmo, para brincar com meus amigos que estavam na frente do palco fazendo graça e me distraindo. É lógico que quando as pessoas perceberam quem é que estava ali houve um alvoroço, mas nada que não pôde ser controlado. Ao fim da última música, sai do palco correndo como de costume e dei os parabéns para minha equipe maravilhosa por mais uma noite concluída com sucesso. Me despedi de todos, inclusive de Lou e El, e segui para o hotel, onde tomei um belo e longo banho e caí no sono.
Acordei no outro dia por volta das dez da manhã com Heidi e Katherine, minha empresária, batendo na minha porta. Abri e deitei na cama novamente para que pudesse ser maquiada. Não, não sou uma diva, apenas super cansada, e, se você tivesse a vida que eu tenho quando estou em tour, aposto que estaria na mesma situação que eu.
Algumas horas depois já estava vestida e pronta para ir almoçar. Nicola era quem cuidava dos figurinos dos shows, e quando eram coisas mais “normais”, a escolha de minhas roupas ficavam nas mãos de Zack Tate e Jamie McFarland. Hoje apenas Jamie pôde estar presente, me vestindo com um vestido turquesa justo até abaixo de meu busto, onde começava a ficar rodado e ia até metade de minhas coxas, um casaco preto e um par de stilettos também pretos.
Fui do hotel para o carro e, em pouco tempo, cheguei até o destino. Posicionei-me no local indicado, assim que tudo ficou pronto, e esperei a primeira música começar a tocar. Sentei-me em um banquinho, colocando meu microfone num pedestal e chegou então a hora do bendito cover e ouvi a introdução de Don’t Say You Love Me, da Fifth Harmony, que dizia muito sobre o que eu sentia no momento.

Don't say you miss me when you don't call
(Não diga que sente minha falta se você não me liga)
Don't say you're hurtin' without the scars
(Não diga que está machucado se não tem cicatrizes)
Don't promise me tonight without tomorrow too
(Não me prometa esta noite sem prometer o amanhã também)
Don't say you love me unless you do
(Não diga que me ama a menos que você ame)
We've been close, but inconsistent
(Estivemos próximos, mas inconsistentes)
You hold my heart at a safer distance, yeah
(Você segura meu coração a uma distância segura, sim)
You think words can ease the tension
(Você acha que as palavras podem aliviar a tensão)
But you can't deny that something's missin'
(Mas você não pode negar que está faltando algo)
I need a little bit more, I need a little bit more
(Eu preciso de um pouco mais, preciso de um pouco mais)
You gotta know what it's like, I know you been here before
(Você deve saber como é, sei que já passou por isso antes)
I've been waiting, I've been patient
(Eu tenho esperado, tenho sido paciente)
But I need a little bit more
(Mas eu preciso de um pouco mais)
So don't say you miss me when you don't call
(Então não diga que sente minha falta se você não me liga)
Don't say you're hurtin' without the scars
(Não diga que está machucado se não tem cicatrizes)
Don't promise me tonight without tomorrow too
(Não me prometa esta noite sem prometer o amanhã também)
Don't say you love me unless you do, unless you do
(Não diga que me ama a menos que você ame, a menos que você ame)
How am I supposed to take it
(Como eu deveria lidar com isso)
When weeks go by and I'm still waitin'?
(Quando as semanas passam e eu continuo esperando?)
I say I'm okay, but I can't fake it, yeah
(Eu digo que estou bem, mas não consigo fingir)
Even when I try, yeah, something's missing
(Mesmo quando eu tento, sim, está faltando algo)

- Don’t say you love me, unless you do. - Acabei a musica enxugando algumas poucas lágrimas que desceram durante a performance.
Os produtores perceberam que eu não estava muito bem, então perguntaram a mim se eu queria descartar essa gravação e fazer de novo, sem chorar. A única coisa que eu consegui responder foi um não e dizer que cantores choram ao cantar devidas músicas por estarem sentindo-as no fundo de suas almas, o que acaba deixando mais verdadeiro. Eles não disseram mais nada e se retiraram do estúdio. Assinei alguns termos pelo uso da minha imagem e alguns papéis onde comprovava o pagamento do cachê e voltei para o hotel. Nem ao menos subi para o quarto novamente, apenas me dirigi ao ônibus, de onde partiríamos para a próxima cidade: Nottingham.
Estava quase pegando no sono quando ouvi meu celular tocar, indicando uma ligação de Niall. Na verdade, eu não estava nem um pouco afim de falar com ele agora, porque ele ia estar com Hailee. Sim, eles não se desgrudam um mísero minuto e insistem em dizer que são só amigos. Eu já disse o que penso sobre isso e já alertei Hailee sobre o perigo de magoar o coração do meu menino Irlandês. Peguei o celular deslizando para aceitar a chamada e larguei o aparelho em cima da minha orelha.
- O que você quer, Horan? – fui direta com toda a acidez que tenho quando acabo de acordar.
- Você esqueceu que tem um melhor amigo, ? – fingiu estar afetado.
- Claro que não, mas ta tudo tão corrido... – bocejei – Amo estar em tour, mas não vejo a hora desta acabar.
- Entendo... É bastante puxado mesmo, ainda mais quando se lança um álbum que foi um completo sucesso, como o seu foi, né. – pude ouvi-lo dando um risinho de orgulho do outro lado.
- Então, qual a novidade entre você e Hailee dessa vez? – ouvi-a rir, o que indicou que estava no viva voz.
- Não foi pra isso que eu liguei, garota, pode parar de ciúmes. – rolei os olhos, mesmo sem ele poder ver.
- Então foi para que, garoto? – ouvi batidas na porta do meu quarto do ônibus, logo abrindo, revelando Katherine. – Espera um minuto, Nialler. – E dei atenção a Kath, que queria saber se eu estava com fome. Neguei e ela saiu.
- Eu falei com Louis hoje... – ele pausou esperando alguma fala minha, mas nada veio. – Ele disse que você parecia tristonha ontem, o que houve?
- Vocês e suas manias de achar que eu to triste quando eu to preocupada com os shows. – A verdade é que eu não queria contar a Niall ainda, só para não ouvir ele dizendo coisas do tipo “Para de drama, ele deve estar ocupado”.
- Ah, , você sabe que eu não caio nessa, mas não vou insistir, sei que você não gosta disso. – agradeci mentalmente por esse ser humano me conhecer tão bem. – Alias... – ouvi um “Não Niall” vindo de Hailee. – Você viu as ultimas do Harry? – ignorando totalmente o que a amiga havia dito.
- Não, quais? – franzi o cenho em total confusão.
- Ele esta saindo com Camille Rowe. – não consegui pronunciar nenhuma palavra. – Lembra dela, modelo da Victoria’s Secret? Conhecemos ela num dos desfiles.
- Lembro. – Foi o que eu consegui responder.
- Pois é, eles foram vistos juntos anteontem, em Nova York. – nunca me senti tão burra. Como eu fui capaz de cair na conversa dele mais uma vez? Por que Harry Styles tinha tal efeito sobre mim? – Fala alguma coisa, . – me tirou do transe.
- Estou feliz por ele, Nini, desde que ele esteja bem, é o que importa. – menti sabendo que Niall tinha plena consciência de que eu mentia. – Então, nós chegamos numa parada aqui e Kath está me chamando, Niall, depois nos falamos mais. Beijo, tchau. – desliguei sem dar tempo dele se despedir.
Kath não estava me chamando e não havia nenhuma parada, mas eu precisava ver tudo aquilo nas notícias e, se fizesse por telefone provavelmente choraria. Então o meu primeiro impulso foi abrir o twitter para ver aquela palhaçada na tag #Hamille que estava nos trending topics. Posso, sem sombra de dúvidas, afirmar que um tiro teria doído muito menos. O que aconteceu com todo o “eu vou tentar te mostrar que eu mudei”? Ou então com os “eu quero você de volta”? Nunca uma música da Taylor Swift fez tanto sentido na minha vida. Ele realmente era um problema. Lágrimas desciam pelo meu rosto. E foi assim que eu dormi até que chegamos na próxima cidade da tour.
Era visível que eu me encontrava abalada após chegarmos a Nottingham, mas ninguém sabia exatamente o que havia me deixado daquele jeito. Pedi para Kath pesquisar o que teria na cidade a noite, porque precisava sair, e a chamei para vir comigo, assim como fiz com Heidi e Nicola. Ficou decidido por fim que iríamos à Nottingham Playhouse, pois INK., a nova banda de um de meus e ídolos, estaria tocando e seria a minha chance de finalmente o conhecer. Infelizmente Kath não poderia nos acompanhar.
- , você tá tão estranha desde que falou com Niall, vocês brigaram por algum motivo? – Heidi tomou coragem para perguntar, sendo acompanhada pela curiosidade de Nicola, enquanto entrávamos na Playhouse.
- Não, tem nada a ver com meu duende, amiga. – olhei ao redor procurando alguma coisa para trocar o assunto. – Estou ansiosa pelo show.
- Não enrola, . – Nicola revirou os olhos. – Nós sabemos que é algo por conta de Harry. – arregalei meus olhos a olhando surpresa. – Que foi? Não somos idiotas...
- É amor, nós vimos as notícias. – Heidi concordou com um sorriso triste, me dando a mão antes de sair do carro para entrar na casa de shows.
- Não vamos falar disso aqui, por favor. – pedi e as meninas concordaram.Entramos para o camarote reservado e logo a banda começou a tocar.
Por ser uma banda ainda no início, tem poucas canções, mas eles transformam muitas músicas em hard rock. Inclusive fizeram uma versão de Cheap Thrills, da Sia, que ficou excelente e foi totalmente cantada pelo dono do par de olhos azuis que era o meu membro favorito do McFLY. De alguma forma eles descobriram que eu estava ali e até brincaram fazendo uma versão de uma de minhas músicas no improviso, o que me causou muitas risadas. Ao fim do show, pedimos para o segurança os convidar para o nosso camarote e eles foram.
- Hey, sou Dougie e estes são Todd e Corey! – exclamou ao chegar seguido por outros dois membros. – Como vão?
- Hey, sou e estas são Nicola e Heidi. – apresentei as meninas. – Estamos um pouco alcoolizadas, mas bem, e vocês?
- É um prazer, meninas. – Todd estava bobo e eu não conseguia entender o motivo, mas logo entendi que era por conta de Hei. – Estamos bem também.
- Curtiram o show? – Corey perguntou com seus olhos vidrados em Nic.
- Claro, como não? – ela respondeu com um sorriso cheio de intenções. Sim, eles estavam flertando na maior cara dura e eu não a culpava, Corey era realmente um colírio para os olhos de qualquer mulher. – Sentem-se. – os convidou. Logo todos engajaram em conversas, Hei com Todd e Nic com Corey. Sorri ao ver a cena.
- Então, o que traz uma pop star, como você, a um clube para ver uma banda totalmente desconhecida? – Dougie começou, enquanto bebia um gole de sua black beer.
- Na verdade, senhor Poynter, nós viemos para eu ter a chance de te conhecer. – disse simplesmente e só quando ele riu de canto que eu percebi o quão atirado aquilo tinha soado. – Ai meu Deus, não foi isso que eu quis dizer, é qu...
- Calma, ... – ele me interrompeu rindo. – Há quanto tempo é fã do McFLY?
- Ta tão na cara, assim? – ri e ele assentiu – Ok, desde que eu tinha uns 10 anos.
- E agora você tem...?
- 19. – respondi rapidamente e ele ficou um tempo calculando por volta de quando eu comecei a acompanhar a banda.
- Assim você me faz sentir velho. – brincou me fazendo gargalhar.
- Você não está tão mal para um quase trinta, sabia? – brinquei sorrindo para o chão, logo engajando numa conversa super animada e descontraída.
O resto da noite se passou num sopro. No dia seguinte tudo recomeçou, mais um show, mais uma noite dentro de um ônibus indo para algum lugar. E o pior de tudo, mais um dia com uma mágoa dentro do coração por ter sido feita de idiota pelo único homem que eu já fui capaz de amar com corpo e alma. Parte de mim já sabia que isso iria acontecer, por essa razão havia um pouco de medo, mas outra ainda tinha a esperança de que fosse ser diferente. Só que não foi. E a coisa mais louca sobre tudo isso é que eu não sei se algum dia vou ser capaz de sentir o mesmo por alguém novamente.


Capítulo 6 - Can I Get Your Number?

“Posso pegar o seu número esta noite?
Se não, então eu poderia me arrepender pelo resto da minha vida.”


Mais uma vez eu me encontrava em Los Angeles. Dessa vez para acertar coisas entre uma parceria que estava fazendo com Luis Fonsi. Seria uma música reggaeton, já que isso está em alta desde o lançamento de Despacito. Já tinha concordado em pegar a musica no momento que ouvi, e só restava assinar os papéis para começar a gravar de verdade.
Por volta de umas dez da manhã parti em direção a estúdio, onde teria o primeiro contato com a faixa e receberia a letra. Demorei pouco tempo pra chegar o meu destino e haviam poucos paparazzi na porta do estabelecimento esperando a saída ou chegada de alguém. Eu realmente gostaria de saber como eles descobrem onde vamos estar 24 horas por dia, porque, honestamente, na maior parte do tempo, nem eu sei onde eu vou estar daqui a algumas horas.
Desci do carro, entreguei a chave ao manobrista e fui bombardeada com flashes e perguntas me impedindo de entrar rápido. “, o que aconteceu entre você e Harry?” ou “O que você sentiu ao saber que Harry e Camille estão saindo?” foram as duas perguntas que mais ouvi naquele curto espaço de tempo. Não respondi nada, apenas pedia licença para passar e ia seguindo de cabeça baixa. Senti uma mão passando por cima do meu ombro, olhei pra cima e vi um segurança – enorme – que foi abrindo espaço para minha entrada. Quando finalmente adentrei na Columbia Records, passei por um estúdio onde vi Camila Cabello gravando uma música com pegada latina que era maravilhosa. Bati no vidro para chamar a atenção dela e, assim que me viu, veio correndo em minha direção, pulando em cima de mim.
- ! – exclamou ao me abraçar – Por que sumiu assim? Eu estava com saudades, vadia. – É incrível como meus amigos me adoram dar apelidos carinhosos! Eu e Camila mantemos uma amizade desde quando me apresentei na virada de ano na Times Square em NY há 3 anos atrás.
- Eu não sumi, Cams, eu estou em tour! – a abracei forte. Estava com saudades.
- Você sumiu sim! Nem mensagem me mandou poxa! – ela se explicou. – Você some e, quando volta a aparecer, está rodeada de polêmicas. – soltei um riso anasalado, já sabendo o que viria a seguir. – Que história é essa de Harry?
- Até tu brutos? – brinquei e ela riu – É uma longa história, amiga... – dei ombros.
- Tudo bem, quando sair da sua reunião me conta o que aconteceu... – deu ombros.– Eu só tenho mais essa faixa para gravar hoje e ela já está quase pronta. – Assenti e seguindo até o escritório que a reunião havia sido marcada.
Entrando na sala você se depararia com uma daquelas mesas executivas chiques de reunião, com muitas pessoas usando blazers. Sim, produtores musicais, gerentes de marketing e vários outros. Havia um lugar salvo para mim ao lado de Kath, que apenas sorriu a me ver sentar ao seu lado.
A reunião não foi muito longa e logo eu já havia sido dispensada, já Katherine seguiria para outra reunião sobre as propostas para o próximo álbum. Voltei para o estúdio em que havia marcado com Camila, a encontrando distraída com seu celular na mão. Sentei ao seu lado e começamos a conversar, esclarecendo todos os acontecimentos recentes. Contei desde o Summertime Ball, como eu me senti quando finalmente nos beijamos e ele sumiu, e como eu me senti ao ver fotos dele com Camille Rowe andando por Nova York. Ela, que ouvia atentamente, fez todo aquele papel de amiga que estende o ombro para caso queira chorar e desabar, me chamando para ir até sua casa mais tarde para uma “noite de garotas”. Nos despedimos e eu segui para meu apartamento.
As desvantagens de estar em uma mini pausa no meio da tour só para uma reunião é que não resta nada a ser feito, já que todas as entrevistas são feitas a partir do lançamento de um álbum e início de turnê. Não queria ficar horas apenas olhando para o teto, então peguei meu bloco de notas e comecei a rabiscar algumas ideias, mas nada aparentemente aproveitável. Uma das frases que eu escrevi simplesmente não saia da minha cabeça: “Every little thing is reminding me of you, guess I’ll set fire to my whole room”. Precisava de um violão ou um piano urgente, só para ver o que sairia desse pequeno trecho e testar se ficaria bom ao juntar com as outras frases que havia escrito na sequência.
Vi a hora no celular, decidi começar a me arrumar para ir até a casa de Cams. Tomei um banho, vesti uma camiseta preta com as escritas “teenage dirtbag” em branco, um short jeans com uma blusa xadrez amarrada e calcei um vans preto para completar o look. Penteei meus cabelos e passei quase nada de maquiagem, apenas pó e rímel. Desci até a entrada do prédio aguardando a chegada do carro. Logo me encontrava seguindo a Hillcrest Road até a casa de minha amiga, na Harridge Drive, número 1426.
O tempo do percurso era realmente pequeno, não passava de 20 minutos, mesmo com um transito moderado. Ao chegar, toquei o interfone esperando ser atendida. Cabello abriu a porta com um mega sorriso no rosto.
- Ai que bom que você chegou! – ela estava bastante animada.
- Cams, você tava bebendo? – perguntei curiosa, enquanto entrava no hall de entrada.
- Não, nem tenho idade legal pra fazer isso aqui, . – rolou os olhos. – Vem, tem alguém que eu preciso te apresentar. – pegou em minha mão, puxando para algum cômodo. – Esse é Shawn Mendes. – Vi o rapaz sentado no sofá mexendo em seu celular nos olhar. – Shawn, essa é a . . – ela agora tinha o sorriso de uma criança que estava aprontando alguma. Ele se pôs de pé e veio até nós, mais especificamente até mim.
- Prazer em te conhecer, . – ele me deu um beijo na bochecha.
- Digo o mesmo, Shawn. Pode me chamar de . – olhei para Camila esperando respostas.
- Bom, eu vou ser direta aqui, já que nenhum dos dois está entendendo nada. Você – apontou pra Mendes – precisa sair com alguém, e você – apontou pra mim – precisa esquecer aquele babaca. – Nós dois trocamos um curto olhar, claramente assustados. – Estou apenas juntando o útil ao agradável.
- Camila, você é louca. – ele bufou se dando por vencido.
- Bom, eu vou tomar um banho agora. Vocês se divirtam nesse espaço de tempo e conversem. – ela saiu da sala, nos deixando ali, em pé e claramente tímidos pela situação que nos encontrávamos.
- Então... – comecei para quebrar o gelo – Qual foi a desculpa que ela deu para te fazer vir até aqui? – sentei no lugar antes ocupado por ele.
- Ela disse que precisava de minha ajuda numa música. – arqueei uma sobrancelha. – O que?
- O álbum dela já está sendo gravado, você caiu mesmo nessa? – mordi o lábio pra segurar o riso ao vê-lo assentir. - Mendes, por favor... – neguei com a cabeça.
- E pra você, o que ela disse? – ele sentou ao meu lado e cruzou os braços.
- Ela disse que seria uma noite de garotas. – dei ombros e foi a vez dele me olhar com cara de deboche.
- Ela supostamente te chama para uma noite de garotas, e eu que sou considerado “bobo” por ter caído? – fingi ofensa e ele caiu na gargalhada. – Por que vocês fariam uma noite de garotas, com duas garotas apenas, afinal?
- Bom, - suspirei fundo – aconteceram algumas coisas que me deixaram meio chateada, mas já ta tudo ok, e ela queria me animar. – expliquei com um sorriso fraco no canto da boca.
- Por dedução é o babaca que ela estava falando, certo? – assenti. – Tudo bem, não vou tocar nesse assunto... – ele olhou pro lado, pensativo, logo voltando a me encarar. – To pensando em alguma forma de começar uma conversa, mas ta difícil. – comecei a rir.
- Hm, deixe-me tentar então. – pensei por alguns segundos. – Ouvi dizer que você estará no Rock In Rio esse ano...
- Sim! – exclamou. – Estou tão animado, você nem imagina. – ele era um doce, totalmente educado.
- É difícil imaginar mesmo. Queria ir para lá, mas pra matar a saudade da família. – ele me encarou surpreso. Devolvi o olhar franzindo o cenho. – Por que a surpresa?
- Não sabia que você era brasileira... – explicou tombando um pouco a cabeça para o lado. – Seu sotaque britânico é tão forte, que nem parece ser de outro lugar.
- Veja só se os dois não estão se conhecendo! – ouvimos Camila aparecer de volta ao ambiente e se jogar ao meu lado no sofá. Cochichando um “você vai me agradecer depois” no meu ouvido.
Passamos a noite conversando entre e rindo de coisas idiotas. Por um momento me vi totalmente distraída de tudo o que vinha acontecendo e se alguém me perguntasse “, e o Harry?”, eu só saberia responder “Harry, quem?”.
Pedimos pizza e, enquanto esperávamos chegar, discutimos sobre o que faríamos para nos divertir. Acabamos por assistir vários episódios de Friends na Netflix.
Shawn era bem descontraído, e com ele as coisas simplesmente fluíam de uma forma inexplicavelmente gostosa. Era bom ter a companhia dele, e eu esperava que a minha também o agradasse. Agora eu entendia o motivo de Camila e ele serem tão amigos... Ela é louca, e ele a mantinha na linha. Era o maior exemplo de amizade equilibrada. Foi desconfortável quando ela nos surpreendeu, mas, agora, ninguém lembrava mais desse episódio. Não posso descartar também o fato dele ser bastante atraente. Alto, com um corpo maravilhoso, mãos enormes e sorriso alinhado. Estaria mentindo se dissesse que não pensei naquelas mãos me segurando com firmeza e... Ok, isso não vem ao caso agora. Devem ser os hormônios falando alto, ou a carência mesmo.
Já era tarde e nos encontrávamos largados pelo chão da sala. Nem tão largados, já que eu usava o colo de Mendes como travesseiro, enquanto ele mexia no meu cabelo, e Cabello deitava em um pufe no meio do cômodo. Estava cansada e precisava voltar para casa, pois pegaria um voo no dia seguinte de volta pra correria da turnê. Ao avisar minha saída, o rapaz ali se ofereceu para me dar uma carona, alegando ser muito perigoso “pegar um uber a essa hora”, passava pouco de meia noite, não era tão perigoso assim... Mas, para evitar toda a demora do motorista chegar, aceitei a carona. Nos despedimos de Cams e entramos no Ford Mustang.
Ao dar partida um silêncio se instaurou dentro do carro e, mesmo que fosse uma viagem rápida – ainda mais nesse horário – era incomodo. Pedi permissão para ligar o rádio, mas nada de bom passava, então logo foi desligado. Dei o endereço de meu apartamento e ele seguiu pelo GPS até achar o prédio com arquitetura moderna em que eu ficaria.
- Hm, . – disse ao começar parar em frente ao prédio, me arrancando um resmungo para que continuasse. – Pode me dar seu número? – ele estava corado, extremamente fofo.
- Claro, me empresta seu celular. – ele sorriu ao tirar o aparelho do bolso e me entregar. Digitei os números e tirei uma selfie maluca, como hábito, para que servisse de foto do contato. – Prontinho. – devolvi a ele.
- Ótimo, vou mandar uma mensagem para você saber que sou eu. – começou a digitar uma frase, e assim que enviou senti o meu celular vibrar.
- Já recebi. – comentei fazendo menção de pegá-lo para ler, mas ele segurou minha mão, fazendo com que eu desviasse a atenção disso e olhasse diretamente para seus olhos.
- Só lê depois que eu já tiver ido, por favor. – pediu com a maior cara de cachorrinho que caiu da mudança e eu assenti.
- Tudo bem. – dei um suspiro rápido antes de tornar a falar. – Eu vou subir, preciso dormir. – dito isso bocejei.
- Boa noite, moça. – beijou minha testa assim que me soltei do cinto de segurança.
- Boa noite, moço. – respondi estalando um beijo em sua bochecha e saindo do carro.
Ele só seguiu caminho assim que percebeu que eu estava dentro do prédio e esse ato me fez sorrir como boba. Lembrei-me da mensagem que ele havia mandado assim que as portas do elevador se fecharam. Resolvi visualizá-la, corando um pouco ao ler.

“Adorei te conhecer, espero que possamos nos ver mais vezes... Sim, estou te chamando para sair... Durma bem x”

Nesse momento cheguei a conclusão de que Shawn Mendes era um anjo. Respondi dizendo que mal esperava para vê-lo outra vez, guardando o iPhone, assim que fechei a porta de casa. Talvez não fosse tão ruim tentar seguir em frente e esquecer Styles de uma vez... Vesti um pijama e deitei na cama, demorando um pouco para pegar no sono de fato, o que levou a alguns poucos minutos olhando a timeline do Twitter e respondendo alguns tweets legais de fãs. Adormeci de repente, sem nem perceber.


Capítulo 7 - Delicate

“Nós não podemos fazer
Nenhuma promessa agora, podemos, querido?
Mas você pode me fazer uma bebida.”

Após semanas tentando arrumar uma data para o meu encontro com Shawn, finalmente conseguimos uma que coincidiria... No intervalo que ele teria na Illuminate Tour, entre datas nos Estados Unidos e Canadá, ele estaria voando para Dublin, onde nos encontraríamos no hotel em que eu estava hospedada, Trinity Hotel. Não tinha ideia do que vestir e isso estava me enlouquecendo, enquanto tinha a mala aberta na minha frente. É isso, preciso fazer compras.
Rapidamente disquei o número de Jamie, meu estilista, o convidando para ir até o shopping, porque precisava de roupas novas. Sem hesitar, pediu-me 20 minutos para que pudesse se arrumar e logo partiríamos em direção alguma loja, nem que fosse uma Forever 21.
A ocasião não era especial. Quando duas pessoas são famosas e não querem chamar atenção, seus encontros são feitos dentro de hotéis. Nós dois concordamos que seria melhor assim, já que o que menos queríamos era ter nossos nomes estampados numa revista com o título em letras garrafais “Shawn Mendes e então juntos”. Nem sabíamos se seria algo que daria certo, então, quanto mais pudermos esconder, melhor. De volta ao encontro, nós ficaríamos numa área do bar chamada Brunswick Terrace, que era a parte exterior – mas num dos últimos andares, então sem riscos de chamar atenção na rua –, tinha uma decoração temática que envolvia natureza com grama sintética e várias plantas em vasos, além de assentos com almofadas super coloridas. O gerente do hotel disse que as pessoas frequentavam aquele lugar com mais frequência durante o dia, e que seria perfeito para um encontro secreto.
Voltei à realidade assim que ouvi Jamie bater na minha porta todo espalhafatoso, dizendo para que eu adiantasse o processo, porque ele “tinha mais o que fazer”. Peguei minha bolsa e calcei uma sapatilha, que era o mais rápido para por no pé e fazer com que Jay acalmasse seus nervos. Decidimos, por fim, ir até uma loja da Chanel que não era no shopping, e sim no caminho. Depois de provar sabem-se lá quantas roupas, finalmente consegui o conjunto perfeito. Era um vestido azul marinho, quase preto, com um decote não muito grande, e ele tinha uma aparência de camurça, mesmo não sendo. Para os pés, fora escolhido um salto dourado com algumas pedrarias em suas tiras, e isso foi o suficiente para que não precisasse de muitos acessórios. Satisfeitos, voltamos ao hotel para as longas horas até eu começar a me arrumar.
Era incrível o quanto todos estavam animados com meu encontro. Era só um encontro, não havia motivos para todo esse alvoroço. Heidi chegou um pouco antes do horário que ela havia combinado com a desculpa de que precisava ver o vestido para se inspirar. A maquiagem que ela fez não era algo muito pesado, ou trabalhado, era apenas uma sombra dourada, com um delineador gatinho e, para finalizar, batom nude. Aaron chegou logo em seguida, espalhando seus instrumentos de trabalho em cima da minha cama e logo começando a alisar meus cabelos. O penteado que ele fez era algo parecido com um rabo de cavalo despojado, com mechas meio soltas. Por volta de sete horas da noite coloquei o vestido, calcei os sapatos, coloquei alguns anéis como acessórios e argolas douradas de brincos para finalizar. Heidi e Aaron me deixaram sozinha assim que fiquei completamente arrumada e recebi uma mensagem do rapaz que eu encontraria esta noite, dizendo que já havia chegado ao hotel.
Subi alguns andares até o bar. Sentia o frio na barriga característico de um primeiro encontro. O elevador parou revelando um bar cheio de pessoas que conversavam animadas. Passei por elas olhando para o chão, assim não chamaria muita atenção. Não, não era uma pessoa mega conhecida mundialmente, mas na região da Irlanda e Reino Unido, pelo menos, eu tinha um público bem grande, portanto qualquer deslize poderia custar muita coisa. Avistei as portas de vidro que separavam as áreas, dando um profundo suspiro antes de finalmente atravessá-las. Procurei por Shawn, e ele estava com um drink colorido em sua frente. Ele olhava para o lado, encarando o céu, totalmente descontraído. Comecei a caminhar em sua direção e, no momento em que seu olhar me encontrou, ele levantou para me cumprimentar. Diferente dos encontros no Brasil, no exterior nós sentamos um de frente para o outro e era assim que estávamos.
- Você está bonita, . – ele comentou e eu sorri tímida.
- Obrigada, você também está. – ele vestia uma blusa verde escuro de botões e o clássico calça skinny preta com sapato social. – Como foi o voo?
- Foi tranquilo, mas passar seis horas e meia dentro de um avião não é muito confortável. – abriu um sorriso revelando o quão seus dentes eram alinhados. – Você precisa experimentar isso. – apontou para o copo.
- O que é? – estiquei a mão, pegando o copo e cheirando a bebida antes de cogitar experimentar.
- É um drink de mirtilos com espumante. – levei até a boca me surpreendendo com o sabor adocicado da bebida.
- Então você é um cara que gosta de bebidas doces? – ele assentiu. – Isso é realmente um milagre, normalmente vocês homens preferem cerveja...
- Eu gosto de cerveja, mas não nego que também tenho uma grande afinidade com as bebidas mais doces. – Explicou-me. – No Canadá, por exemplo, a bebida alcoólica mais consumida é o rum.
- Estou surpresa, de verdade. – ele deu uma piscadela e eu pude jurar que senti meu coração parar por segundos. Não vou negar, Shawn era realmente muito atraente e, mesmo um ato tão simples como esse, causava sensações indescritíveis. – De onde eu venho as pessoas amam cerveja... Eu até bebo, mas não é minha preferência.
- Então me diga a sua preferência. – ele estava atento.
- Assim como você, eu também gosto de bebidas doces, mas sigo somente na vodka porque a fermentação do espumante, pra mim, tem um sabor enjoativo. – expliquei. Estava me sentindo a expert em bebidas.
- Ok, então me deixe pedir algo para você, vamos ver se eu consigo acertar. – fez sinal para o garçom que logo se aproximou. – Outro desse de mirtilos e, hm... – pensou por um instante e fez sinal para que o moço se abaixasse, cochichando o nome da bebida como se fosse o maior segredo, que logo se retirou. – Surpresa.
- E se eu não gostar? – supus o desafiando.
- Se você não gostar eu bebo uma cerveja preta irlandesa, e ela não me agrada muito. – sugeriu.
- Fechado! – estendi a mão para fechar negócio e ele fez o mesmo no momento em que o garçom voltou com as bebidas, entregando a de Shawn e a minha. – O que é isso? – perguntei ao homem que segurava a bandeja.
- É um White Russian, bebida feita com licor café, creme de leite e vodka, finalizando com chantilly no topo. – detalhou a composição e logo se retirou, me levando a finalmente experimentar a bebida.
- Ok, Mendes, você me surpreendeu mais uma vez. – ele tinha uma expressão de convencido no rosto. – E olha que eu nem gosto de café...
- Eu conheço coisas boas, . – não sei se isso foi uma indireta ou apenas um comentário. – Então, mudando totalmente o assunto, como foi o seu dia? – disse dando início a uma conversa super animada.
Ficamos um longo tempo conversando sobre diversas coisas, como os altos e baixos de uma carreira, a vida em geral, a saudade de casa, lugares favoritos no mundo. Shawn era de boa com a vida e tudo parecia bastante simples a sua volta. Era uma vibe boa, onde você não sente nenhum medo de se entregar, porque ele te passa aquela segurança de que, não importa o que aconteça, ele sempre vai estar ali por você. Talvez ele realmente fosse a pessoa que eu precisava para tirar de uma só vez Styles de minha cabeça.
Após algumas horas bastante aproveitadas no bar do hotel, decidimos que era hora de descansar, pois eu teria um show no dia seguinte e ele estaria voltando para o Canadá. Pra ser honesta, não queria que ele fosse e sim que ficasse mais... É possível sentir isso por uma pessoa que mal se conhece? A noite irlandesa estava fria como de costume, mesmo no verão temperaturas por volta de 15ºC são consideradas normais. Ele pagou a conta, mesmo eu insistindo para pagar metade. Nos dirigimos até o elevador e começamos a descer em direção a nossos quartos.
- Ok, vamos lá... Cães ou gatos? – perguntei assim que as portas do elevador se abriram no corredor do meu andar.
- Eu amo os dois, mas sou alérgico a cães... – confessou me deixando pasma e seguindo-me até meu quarto.
- Que vida triste, Shawn, os bichinhos são puro amor. – levei as mãos até minhas bochechas apertando de leve.
- Então você tem um mascote? – olhou-me curioso assim que parei na frente da porta do meu quarto.
- Não... – admiti vendo seu rosto tomar uma expressão confusa – Não tenho por causa do tempo viajando, acho que seria estressante o levar comigo, mas também covardia deixá-lo em casa por meses... – expliquei e ele pareceu todo compreensivo. – Eu fico por aqui.
- Tudo bem, foi uma noite ótima, ... – começou – Eu realmente me diverti e gostei de ter sua companhia. – olhou para os pés.
- Eu também gostei. Fazia um tempinho que eu não fazia algo descontraído e a sua presença foi algo totalmente agradável. – seus olhos levantaram até os meus, me fazendo corar um pouquinho.
- Eu vou indo, boa noite e durma bem. – pegou minha mão e puxou para um abraço apertado.
- Durma bem também e tenha um bom voo amanhã. – disse ainda no abraço. Ele soltou me dando um beijo na testa e um sorriso doce.
- Tchau. – se virou indo em direção ao elevador.
- Tchau. – respondi num tom tão baixo que duvido que ele tenha sido capaz de ouvir.
Abri a porta e entrei no quarto ainda pensando em tudo que aconteceu. Se fosse qualquer outra pessoa eu ficaria bastante desapontada de não ter ganhado um beijo de tirar o fôlego, mas por que com ele eu não me sentia assim? Por incrível que pareça aquele beijo na testa valeu muito mais do que se ele tivesse enfiado sua língua na minha garganta ou, até mesmo, me levado para cama. Não vou dizer que não queria. Estaria mentindo, afinal, você já viu aquele homem? Misericórdia... Mas, aquele simples ato foi capaz de tomar todos os meus pensamentos até eu conseguir pegar no sono.
...
Acordei e chequei o celular, respondi algumas mensagens e fui tomar um banho. Dia de show! Calça de moletom e regata era o look do dia. Precisava ficar confortável para passar o som e passar parte das coreografias. Assim que cheguei, cumprimentei a crew seguindo pra sala onde seria o ensaio das coreografias. Penelope Evans me esperava. Penny era uma pessoa amável, mesmo matando todos nós com as rotinas que ela inventava. Eram lindas, mas difíceis. Após passar todas as coreografias necessárias eu me encontrava acabada e segui para um banho antes de finalmente almoçar. Seguindo o cronograma, me direcionei para o palco começando a passagem de som. Amo minha profissão, porém preciso admitir que essa é uma das piores partes da tour porque é chato ficar pedindo pra aumentar microfones, regular volume de absolutamente tudo... Eu nem sei fazer metade do que o pessoal da sonorização faz! Meus parabéns para eles. Dando continuidade ao meu dia super agitado, maquiagem e cabelo.
O show foi realizado com sucesso, mesmo tendo alguns imprevistos como eu caindo enquanto andava para o meio da passarela. Sim, cai e isso gerou boas gargalhadas. O motivo disso ter acontecido é que começou a garoar durante o concerto, deixando não só a passarela, mas parte do palco molhado, dificultando a execução de todas as coreografias.
De volta ao hotel, tomei outro banho e deitei na cama pegando o celular pela primeira vez desde o almoço e checando as notícias. Me vesti e juntei todas as minhas coisas, descendo para entrar no ônibus. Estávamos partindo para Belfast durante a madrugada.


Capítulo 8 - Sweetener

“Quando a vida dá as cartas
E faz tudo ter gosto de sal
Então você vem como o adoçante que você é
Para acabar com o sabor amargo.”

Me encontro, neste exato momento, num avião voando para o Canadá. Por que? Bem, sempre quis conhecer o Canadá, de qualquer forma, e, o meu mais novo, hm, acho que amigo, Shawn, pediu ajuda. Não é qualquer ajuda. Ele estará indo para o Brasil em alguns dias e me solicitou um “manual de sobrevivência” no país do futebol. De início achei que ele estava brincando, mas só percebi a seriedade disso quando ele me perguntou se estaria na época do carnaval. Aposto que, por um momento, ele achou que eu debochava da cara dele, já que eu só sabia rir das perguntas absurdas que ele fazia como “Tem muitos mosquitos?”, por que ele insistia que o Brasil tinha muita floresta. De fato tem, mas não onde ele vai ficar no Rio, em Ipanema.
As seis horas e meia se passaram como um sopro, já que dormi durante todo o voo. Assim que o avião pousou me dirigi até a esteira e, enquanto esperava a bagagem, tirei algumas fotos com fãs que estavam ali. Logo que a mala chegou, tirei uma foto marcando Toronto na localização e arrumando um motorista que pudesse me levar até Pickering, onde Mendes residia. Quarenta minutos depois eu estava a passar pelas ruas da cidade. Pickering é uma cidade do Canadá que é localizada às margens do lago Ontário, e a impressão que eu tive é que ela é bastante aconchegante. Não é grande, tem um clima bem familiar. Outra coisa que me chamou bastante atenção é que todas as casas ou estabelecimentos são brancas ou em tons de marrom. Isso faz com a cidade parecer uma grande maquete. Pedi ao homem que dirigia para passar pelo “litoral” e deu uma bela visão do céu rosa, indicando que o dia chegava ao fim. O carro parou bem no endereço que eu havia passado, paguei e me dirigi a porta, tocando a campainha em seguida.
- Hey! – ele exclamou assim que abriu a porta, me dando um abraço.
- Oi. – respondi ainda sendo apertada por seus braços.
- Vem, entra. – deu espaço. – Me de sua mala, vou deixá-la no quarto que você vai dormir, ou seja, no meu. – brincou me pegando de surpresa e rindo da expressão que tomou conta do meu rosto. – Eu to brincando, . – apertou minha bochecha, saindo do cômodo com minhas coisas.
- Precisa parar de me pegar desprevenida, Mendes. – respondi rindo, vendo-o retornar.
- Estive pensando, o que você acha de nós irmos comer comida japonesa? – sugeriu ao olhar a hora no celular.
- Não vai ter problema com paparazzi? – fiquei receosa por um momento, vendo-o negar com a cabeça.
- Por isso que te trouxe a Pickering. – explicou – Eu cresci aqui, as pessoas não ligam muito... Moro em Toronto, mas como queria evitar fotógrafos no nosso pé, te trouxe para cá. – assenti, me sentindo mais tranquila.
- Por mim tudo bem... – por fim, dei ombros.
- Então vamos. – ele pegou a chave do carro em cima da mesinha.
Paramos num restaurante japonês próximo a sua casa. Bastante temático. Ele cumprimentou algumas pessoas que trabalhavam ali, que perguntaram se era o de sempre e ele fez o de sim, indicando o número dois com a mão, ou seja, para duas pessoas, o que me levou a pensar que ele venha com frequência a esse restaurante e talvez tenha sido uma das razões pela qual ele negou quando perguntei sobre paparazzi. Sentamos numa mesa ao fundo do estabelecimento.
- Ok, o que eu preciso saber? – apoiou os braços na mesa me encarando.
- Primeiro de tudo, você chegará no Brasil no fim do inverno, mas não se engane, não faz frio naquele país e você vai se sentir num forno. – comecei falando do clima e ele assentiu. – Brasileiros não são pontuais e eu sofri com isso quando fui para Londres...
- Mas não são pontuais quanto? – semicerrou os olhos.
- Do tipo meia hora de atraso, ou mais. – ele ergueu as sobrancelhas abismado. – Sim, esse é o meu povo. – dei ombros – Nós gesticulamos muito quando conversamos. Então vai ser comum se alguém conversar encostando em você, ou parecer que ta espantando algum inseto. – ele riu, sem desviar os olhos de mim, resultando em bochechas coradas. – Ah, nossa comida é maravilhosa, mas tem temperos bastante diferentes dos daqui, então talvez você ache estranho... – parei para pensar um pouco mais e ele me olhava atento. – Vamos aos fãs!
- Isso! Os fãs eu acho que são bastante apaixonados... Estão sempre mandando tweets e comentando em minhas fotos, mesmo não entendendo porque estão em português. – pontuou este detalhe e eu gargalhei.
- Meu anjo, eles comentam putaria em português e o intuito é você realmente não entender. – expliquei e ele abriu a boca em surpresa. – Deixa eu te mostrar. – peguei meu celular, desbloqueando, abrindo o perfil dele, clicando na última foto postada, em que ele estava sentado em um sofá, e procurando um comentário em português. – Olha este... Tem um nesta foto que, traduzindo para o inglês, fica algo como “lugar que eu gostaria sentar”.
- Você? – perguntou.
- Eu o que? – rebati rápido, confusa.
- Gostaria de sentar? – um sorriso de lado apareceu em seu rosto me deixando totalmente sem graça.
- Shawn! – o repreendi tendo a certeza de que minhas bochechas estavam vermelhas.
- Tô brincando contigo, . – deu uma piscadela – Mas, de volta aos fãs...
- De volta aos fãs... – respirei fundo ao ver um garçom chegar com uma grande variedade de sushis, sashimis, makis, niguiris e etc. – Eles são bastante loucos. O que muitas pessoas diria como “apaixonados”, na verdade é a loucura. Muitos não sabem respeitar o seu espaço pessoal, então esteja preparado para isso, caso aconteça. – peguei o hashi – Por fim, eles são barulhentos, mas muito mesmo. Não se assuste se ouvir mais eles do que sua própria voz enquanto canta. – levei um nigiri a boca.
- Boa noite. – uma moça mais velha vestida com um kimono rosa apareceu na mesa. – Tudo certo por aqui? – nós assentimos. – Ai que ótimo. – virou-se para mim. – Você deve ser a Hailey, você é bem bonita mesmo, bem que o Shawn disse. – fiz cara de confusão e olhei para ele, vendo uma grande careta.
- Chloe, essa é . – explicou e a moça tomou uma cor avermelhada.
- Mil perdões. Bem acho que já causei danos demais aqui. Bom te ver de novo, Shawn. – se retirou claramente envergonhada com a situação.
- Quem é Hailey? – o encarei esperando por respostas. Não estava com ciúmes, mas quem diabos era essa garota?
- Você pode não ser a única que precisa esquecer alguém aqui, . – disse ao enfiar um maki na boca.
O resto da noite foi descontraído. Nenhum dos dois tocou no ocorrido outra vez e foi melhor assim. Durante o diálogo que tivemos, descobri algumas coisas em comum entre nós dois: nenhum de nós gosta de tomate, que ambos gostamos muito de Harry Potter, mesmo não pertencendo à mesma casa – ele é da Grifinória e eu da Lufa-Lufa –, entre outros. Algumas das semelhanças renderam bons risos na mesa do restaurante.
Assim que chegamos em casa eu segui para o meu quarto, usando o banheiro que tinha ali para tomar banho e vestir meu pijama. Estava deitada na cama pensando em nada, quando ouvi duas batidas na porta. Disse que podia entrar e, no segundo seguinte, o moreno adentrou o quarto fazendo algum passo de dança totalmente estranho. Ele vestia apenas uma calça de moletom, deixando seu abdômen totalmente amostra.
- O que você está tentando fazer? – disse em meio a risos.
- Dançar, ué. Não é óbvio? – se jogou na cama ao meu lado. – Eu preciso te fazer uma pergunta antes de dormir. – indiquei para que ele continuasse. – O que você come no café da manhã? – arqueei uma sobrancelha.
- O que todo mundo come, eu acho... – dei ombros – Cereais, torradas, coisas desse tipo, por que?
- Só por curiosidade. – beijou minha testa e fez um rápido carinho em meus cabelos antes de levantar da cama. – Boa noite, .
- Boa noite, Shawnie. – ele saiu do quarto fechando a porta, mas eu queria mesmo era que ele continuasse ali, afagando meu cabelo.
...
Acordei com o barulho do despertador ecoando pelo quarto. Sem muita enrolação levantei-me já trocando de roupa para voar de volta para Londres. Mendes iria comigo por conta do aniversário de Niall. Vesti uma calça jeans desbotada com alguns rasgos e uma blusinha cinza amarrada na cintura, nos pés calçava alguma botinha, mas deixaria para calçar na hora de sair. Arrumei meus cabelos, escovei os dentes e, ao pegar o celular vi um bilhete dizendo que o café da manhã estava na bancada da cozinha e que Shawn estava malhando. Desci até a cozinha, encontrando diversas caixas de cereais e algumas torradas num prato, além de leite e sucos. Optando por cereais, sentei-me e comecei a comer enquanto via os stories que meus amigos haviam postado até chegar no dele. Ele havia feito um boomerang das torradas pulando da torradeira com a escrita “agradando a visita”, sorri com isso. Aposto que isso geraria bastantes murmurinhos, porém, a essa hora da manhã, eu não estava nem aí. Haviam duas respostas na foto que havia postado ontem assim que cheguei a Toronto. Uma era de Perrie perguntando o que diabos eu estava fazendo no Canadá, apenas respondi que estava me divertindo, e outra de Camila que mandou apenas emojis pensativos. Seguindo o ritual dos aplicativos, abri o whatsapp vendo mensagens do meu melhor amigo pedindo para que não me atrasasse e avisando que Harry estaria lá, sem sua namorada. Fechei os olhos apoiando as mãos na cabeça tentando arrumar um jeito de parecer bem com a situação. Não deu certo. Não vi Shawn chegar da academia, apenas o vi aparecer no cômodo com uma toalha secando o cabelo.
- Tá tudo bem, ? – sentou de costas para a bancada ao meu lado. – Você tá com cara de quem ta passando mal...
- Não é isso, é que... – parei pensando um pouco. – Como você se sentiria ao ver a pessoa que você precisa esquecer no aniversário do seu melhor amigo, mas a pessoa vacilou tanto com você, que você não sabe nem o que sentir mais? – fiz careta – Acho que me embolei. – ele riu.
- Eu entendi. – pegou minha mão, talvez por reflexo. – Não se preocupe, eu vou estar lá com você, não vou sair do seu lado. – disse olhando em meus olhos, passando uma segurança inexplicável como todas as vezes.
- Você é um anjo, sabia? – o puxei para um abraço rápido. – Aliás, se quiser ficar no meu loft, estou com as portas abertas para você. – nos soltamos.
- Essa é uma oferta tentadora, moça, e eu aceito. – apertou a ponta do meu nariz. – Está pronta para irmos? – assenti. – Ótimo, vou pegar nossas coisas. – saiu em direção aos quartos.
Calcei minhas botas e esperei por Shawn na porta da casa que dava para a garagem. Seguimos até o Aeroporto Internacional de Toronto e embarcamos o mais rápido possível para que não chamasse muita atenção. Me sentia bem, e uma coisa que parecia não ser sentida há muito tempo, apareceu em mim. Não consegui identificar o que era, mas eu gostei.


Capítulo 9 - Never Be Alone

“Só me deixe abraçá-la mais um pouco agora
Pegue um pedaço do meu coração
E torne-o todo seu
Assim, quando estivermos separados
Você nunca estará só.”


O avião finalmente pousou em Heathrow.
Enquanto esperávamos nossas malas chegarem, notamos alguns olhares em nossa direção. Já sabíamos o que aquilo significava e nenhum dos dois estava se importando. Não estávamos namorando, não estávamos em nenhum tipo de relacionamento amoroso, então não havia motivos para nos importarmos em estar na capa de alguma revista amanhã com a manchete “Shawn e foram vistos chegando juntos de Toronto”. Enquanto caminhávamos até o estacionamento decidíamos quem seria o motorista.
Pelo óbvio eu dirigiria. Mesmo ele insistindo em dizer que queria ter a experiência de dirigir do outro lado da rua, na mão inglesa. Com o rádio ligado, passamos todo o caminho cantando algumas das canções que tocavam. Ele já havia me dito que ficava todo bobo quando alguma de suas músicas tocavam na rádio e ser capaz presenciar aquilo com meus próprios olhos foi bastante valioso.
Antes de chegar em meu loft, passamos na casa de Jamie para pegar a roupa que eu usaria a noite. O aniversário de Niall seria num clube noturno chamado Funky Buddha. Ele reservou o local para o evento, então provavelmente muitos artistas estariam presentes, claro, não só pessoas famosas, mas como família e amigos de Mullingar também. Meu loft alugado ficava em Aveley e, ao chegar, subimos os andares do prédio até parar no meu.
- Ai como estava com saudades de casa! – exclamei me jogando no sofá ao ver Shawn fechar a porta.
- Nem deve ter ficado tanto tempo longe assim, tudo frescura. – ele brincou. – Onde eu coloco isso? – levantei seguindo até o andar de cima do loft.
- Pode pôr bem ali naquele armario. – indiquei apontando. – Ah, esqueci de mencionar um detalhe importante… - ele me olhou com uma sobrancelha arqueada - Nós vamos dormir juntos essa noite, se você não se importar. – mordi o lábio esperando a resposta.
- Tudo bem por mim – deu ombros –, mas será que você vai conseguir resistir a tudo isso aqui? – ele passou a mão por todo o corpo e eu gargalhei alto.
- Ai, espero que sim, mas não sei consigo me controlar com todos esses músculos tão perto. – entrei na brincadeira, levantando e passando minhas mãos por seus braços, deixando com que minhas unhas arranhasse-os de leve.
- Você é boba hein, garota. – fez cócegas em minha barriga.
- Estou com fome, o que vamos almoçar? – sentei no sofá novamente, vendo-o olhar as horas no celular. – Vamos pedir algo do McDonalds! – sugeri.
- Jamais! – ele negou. – Fast foods não fazem bem para a saúde, senhorita . – sentou-se ao meu lado. – Eu cuido da cozinha hoje. – afirmou com uma expressão de tranquilidade.
- Você vai cozinhar? – ele assentiu sem emitir nenhum som. – Tudo bem, mas preciso saber o que, para comprar os ingredientes, até porque não tem nada aqui. Eu estou em tour. – lembrei que as unicas coisas que haviam nos meus armarios eram alimentos não perecíveis.
- Eu não vou te dizer. – cruzou os braços.
- Então levanta essa bunda daí e vamos ao supermercado. – bati em sua coxa antes de levantar, sendo seguida por ele.
O supermercado não era longe, então chegamos rápido. Cada um pegou uma cestinha. Shawn pediu para que nós nos separássemos, assim ele conseguiria manter a surpresa. Aproveitei para comprar algumas coisas, já que ele cuidaria do prato principal, eu cuidaria da sobremesa: Sorvete e chocolates. Parecíamos duas crianças tentando se evitar pelos corredores. Quando finalmente acabei de pegar o que queria, ele já segurava as sacolas na frente do estabelecimento me chamando de lenta. Voltamos para o loft e ele começou a cozinhar no maior estilo Master Chef, me causando uma crise de risos enorme. Não seria possível que ele fizesse um prato complexo, afinal era notável o quão péssimo na cozinha ele era, e ele realmente não fez. Comemos Mac&Cheese. Não vou mentir, estava maravilhoso. Pegamos o pote de sorvete, e sentamos no sofá para comer enquanto assistíamos a Lúcifer na Netflix.
Aaron e Heidi chegaram pouco tempo depois para começar a me arrumar. Ambos se entrosaram muito bem com o moreno que a todo o momento suspirava dizendo o quão maravilhoso era ser homem e não passar por toda aquela mega produção, que apenas bastava tomar um banho. Depois de ouvir tanto disso, Heidi fez com que ele usasse pó compacto para diminuir o brilho do rosto nas fotos. Ele vestia jeans pretos, uma blusa vinho de mangas comprida, mas enroladas até o cotovelo, nos pés seu sapato social. Já eu vestia uma saia de couro preta por cima de um body branco com listras verticais e escrita de um número com fonte universitária, nos pés estava com uma bota over knee alta e de cadarço. Cabelos soltos levemente ondulados e maquiagem na medida certa – nem tão forte, mas nem tão fraca. -, na mão levava uma pequena bolsa.
O uber chegou para nos levar e em 30 minutos já estávamos entrando no clube, sendo fotografados juntos. Procuramos rostos familiares, mas era difícil achar com todas as luzes multi coloridas que piscavam. Caminhamos um pouco mais para dentro do ambiente acabando por ouvir uma risada escandalosa por debaixo da música alta e achamos Camila sentada numa das poltronas com um drink na mão. Decidimos procurar Niall antes de nos juntarmos a ela. Desejamos as felicitações voltando a encontrar nossa amiga em comum.
- Eu sabia que vocês dariam certo, olha só como ficam lindos juntos! – ela exclamou no momento que Shawn e eu sentamos lado a lado na poltrona à sua frente.
- Cams, nós não estamos juntos. – eu disse e ele balançou a cabeça em confirmação.
- Ai , porque você é idiota... – rolou os olhos. – Aliás, os dois são, por isso que são perfeitos um para o outro. – ela desenhou um coração no ar com as duas mãos.
- Quem é perfeito um para o outro? – Niall apareceu por trás da morena a assustando.
- Shawn e , Niall... – ele me encarou confuso – Olha como ficam bonitinhos juntos. – o sorriso no rosto dela era grande.
- Então foi isso que você foi fazer no Canadá, ? Ver ele? – Niall disparou, me fazendo rolar os olhos. – Agora eu entendi, vocês estão juntos! – afirmou empolgado. – Vocês chegando juntos foi de cair o queixo, mas tudo faz sentido e se liga. Que burrice a minha não perceber antes. – não dava pra negar que aquilo estava parecendo muito com um namoro, mesmo não sendo.
- Não estamos, Horan, relaxa. – ele disse passando o braço por detrás de mim. Automaticamente deitei minha cabeça em seu ombro.
- Mentir é feito, meu caro amigo. – O rapaz de olhos azuis acusou e apenas balançamos a cabeça negativamente rindo.
- Vou pegar bebidas, você quer alguma coisa? – Mendes me perguntou baixinho.
- Quero um cosmopolitan e um shot de tequila. – ele assentiu e saiu para buscar.
Camila me olhava toda desconfiada e risonha. Diversas vezes pedi para que ela parasse de me encarar daquela forma, mas ela me ignorava. Levantou-se para ir ao banheiro, me deixando sozinha na mesa aguardando Shawn. Peguei meu celular fazendo alguns stories da festa, alguns de mim cantando a música que o DJ tocava e estava super distraída quando senti a presença de alguém na poltrona da frente. Nem olhei quem era, afinal, podia ser a louca da minha amiga. Era Harry.
- Precisamos conversar. – ele começou.
- Não temos o que conversar, Styles. – fui ríspida de uma vez, mostrando que não estava afim daquilo.
- , é sério... – ele tentou insistir mas foi interrompido por Mendes.
- Tudo certo por aqui? – Ele perguntou ao colocar as bebidas na mesa. – Aqui seu drink, . – sentou-se novamente ao meu lado repetindo a posição em que estávamos antes dele sair.
- Ta sim, obrigada Shawnie. – beijei seu rosto e pude constar os olhos vidrados de Harry na cena que se passava em frente de seus olhos.
- Disse que não te deixaria sozinha. – falou baixo, próximo ao meu ouvido para que Styles não ouvisse, causando arrepios e meus lábios se curvaram num singelo sorriso. Harry se levantou nos deixando ali sozinhos. – Hora do shot! – ele exclamou e pegou os dois copinhos preparando a dose certa para nós. Brindamos e viramos o líquido de uma só vez sem sal ou limão. Seria uma noite longa.
Camila voltou a mesa me puxando para a pista de dança. Dançávamos animadas a todas as músicas que tocavam, e meus olhos sempre iam parar em Shawn. Ele estava com Niall na mesa e posavam para uma foto que, provavelmente, seria postada desejando parabéns pro meu melhor amigo. O engraçado era que, não só os meus olhos tinham um imã para ele, mas como os dele também pareciam ter, já que diversas vezes o peguei olhando em minha direção. Era notável que Styles nos observava de um canto da casa noturna, ignorando totalmente o que alguns de seus amigos tentavam falar com ele, e eu não estava nem ai pra ele. A cubana foi buscar seu melhor amigo assim que Reggaeton Lento começou a tocar. Pra ser sincera já estávamos todos meio bêbados, mas ainda tínhamos um pouco de consciência do que fazíamos.
- Boy I can see you’re looking at her like you want it… (Garoto eu posso ver você a olhando como se estivesse com vontade) – Cabello cantou para o rapaz que ria, mudando a letra e me indicando com a cabeça. Ela o largou ao meu lado, sumindo no meio da multidão. O que me restava era dançar com ele.
- Eu não faço ideia de como dançar isso. – admitiu.
- É só se mexer com o ritmo da musica, Mendes, não é tão difícil. – olhei em seus olhos. - Ele começou a se mexer todo desajeitado e eu joguei a cabeça pra trás rindo.
- Me mostra como faz. – me pediu parando de tentar dançar.
- Mexe assim, o resto eu faço. – Coloquei minhas mãos no seu quadril mostrando como ele devia fazer.
Segurei em suas mãos movimentando-me de acordo com a batida, completamente sensual. Juntei nossos corpos fazendo-o me acompanhar no rebolado. Afastei-me segurando em uma de suas mãos, voltando ao seu encontro, girando, de modo que meu tronco ficasse de costas para o dele. Peguei suas duas mãos mostrando como ele devia as passar pelo meu corpo enquanto os quadris trabalhavam num mesmo ritmo. Tirei suas mãos de meu corpo ainda de costas subindo com as minhas pelo corpo, mas as parando na nuca do moreno. Me afastei de seu corpo, virando de frente encontrando seus olhos que tinham as pupilas dilatadas, continuando a executar alguns passos.
- Don’t you know you’re playing with fire tonight? Can we get it right here one more time? (Você não sabe que está brincando com fogo essa noite? Podemos fazer isso, bem aqui, outra vez?) – cantei fechando os olhos e sentindo suas mãos encontrarem meus quadris, colando nossos corpos outra vez.
Acho que ele havia entendido bem como dançar esse gênero de música, já que ao fim da canção me empurrou segurando em minha mão, trazendo novamente para perto, talvez perto demais. Ambos estávamos com respirações ofegantes ao parar de dançar. E colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, encarando meus olhos com profundidade, juntou seu rosto a meu, roçando sua boca na minha. No momento em que íamos nos beijar a música foi interrompida e a voz de Niall se tornou audível. Recuamos para encarar o aniversariante que acabava de atrapalhar nosso - talvez - primeiro beijo. Ele agradecia a presença de todos ali e dizia que esperava que todos estivessem se divertindo. Em seguida cantamos “parabéns pra você”. Voltamos para a mesa que estávamos antes, sentando para beber um pouco mais.
- Você dança bem, senhorita. – Shawn disse ao dar um gole na sua bebida.
- E você não é um aluno ruim. – mordi o lábio esperando que a frase trouxesse o beijo que quase havíamos dado há poucos minutos. Mas não aconteceu.
...

Era quase manhã quando decidimos voltar para Aveley. E tudo o que conseguimos fazer ao chegar foi vestir os pijamas e morrer na cama, afinal, o fuso horário acaba com qualquer um. Acordei no dia seguinte abraçada ao moreno, que ainda dormia um sono aparentemente profundo. Soltei-me de seu abraço cuidadosamente, tomei um banho, troquei de roupa e fui à padaria mais próxima comprar algo para o café da manhã. Ao chegar ouvi o barulho do chuveiro, indicando que minha visita já havia acordado. Ele logo iria embora e meu coração começava já começava a sentir sua falta. A presença dele realmente era boa. Ele chegou à cozinha, me abraçando por trás e desejando bom dia. Respondi enquanto punha a mesa com pães, geléias, sucos, cereais e leite.
Logo após o café ele arrumou suas coisas para retornar ao Canadá. Eu estava sentada no sofá de olhos fechados quando ele terminou e desceu para a sala.
- , eu tenho que ir. – abri os olhos, levantando-me.
- Tente não sentir saudades de mim. – abracei-o ficando na ponta dos pés. – E não seja morto pelas fãs brasileiras. – soltamo-nos – Use bastante protetor solar, você é branco demais pra aquele sol.
- Você ta parecendo minha mãe. – ele riu.
- Precisa que eu te leve até o aeroporto? – perguntei o vendo negar.
- Não, já chamei um uber. – ele suspirou. – Sobre ontem...
- Sobre ontem eu só tenho a te agradecer. Foi bastante agradável, de verdade. – o interrompi o vendo franzir o cenho. Ouvimos a notificação de que o uber que ele havia solicitado o aguardava na frente do prédio. Suspirei meio triste.
- Eu preciso ir, mas... – ele parou na porta – antes eu preciso fazer isso. – puxou-me pelo queixo depositando um beijo em meus lábios. Não tínhamos tempo para aprofundá-lo, então logo nos separamos. – Até logo, .
- Tchau, Shawnie. – fechei a porta permanecendo escorada nela.
Sorria feito boba ao subir as escadas e deitar na cama que ainda estava com seu cheiro. Não, não tinha sido um mega beijo, mas era o bastante para que eu não o tirasse da cabeça tão cedo. Peguei meu celular pra checar as notificações e lá estava a notícia que já esperava... Cliquei para ler a matéria.

“Shawn Mendes e estão juntos? Veja aqui todas as evidências de que esse é o mais novo casal do momento.”
Ninguém sabe ao certo quando eles começaram a se relacionar, mas fontes informam que tudo começou em Los Angeles há pouco mais de um mês. Logo depois o jovem foi flagrado em Dublin, onde a moça faria um show de sua turnê. “Eles estavam com uma energia muito boa no bar do hotel, aparentavam estar felizes” afirma um dos garçons do bar.
Semanas depois a cantora postou em seu Instagram um stories com a localização de Toronto e no dia seguinte os dois chegaram a Heathrow juntos. Shawn ficou hospedado no loft da garota. Foram juntos ao aniversário de Niall Horan, de onde não temos informações exclusivas. Mas, o ex-namorado de , Harry Styles, deixou a festa mais cedo do que qualquer um esperava. O que terá acontecido dentro do Funky Buddha esta noite?
Já era esperado que os dois se aproximassem, já que tem diversos amigos em comum. Mas ninguém imaginava que um romance poderia surgir disso. Continue acompanhando esta thread aqui no The Sun para mais notícias exclusivas sobre este suposto novo casal.


Estou neste mundo há três anos e ainda não me acostumei com essa invasão de privacidade. Fechei a notícia e voltei a dormir, afinal estava cansada e precisava repor energias antes de retornar a rotina corrida de tour com um show em Wembley.


Capítulo 10 - Wasabi

“Meu bem, eu sinto você me odiando
Meu bem, estou feliz em ser sua inspiração
Meu bem, quem é o assunto da sua conversa? Sou eu
As coisas horríveis que você diz
Vem falar na minha cara”

, essa é sua agenda do dia: Photoshoot para o calendário pela manhã e entrevista na iHeartRadio a tarde. Kath x”
Essa foi a mensagem que eu li hoje às cinco horas da manhã. Minha tour acabou há uma semana e eu já tenho que começar a trabalhar nas coisas para o próximo ano. As fotos do calendário eram minha menor preocupação no momento, o que realmente me deixava inquieta era que eu devia começar a escrever novas músicas para o próximo álbum e nem um pingo de criatividade me passava pela cabeça.
Logo após esses compromissos eu estaria voando para o Brasil, para o casamento da minha irmã. Estava ansiosa para rever todo mundo e matar a saudade que eu estava. Não poderia ficar por muito tempo, porque após o casamento eu estaria deixando minha cidade, indo para o Rio dar entrevistas. Tinha um máximo de quatro dias no Brasil antes de voar de volta para o Reino Unido e me isolar do mundo com escritores e produtores para compor algumas canções.
Heidi e Aaron terminaram de me arrumar e Jamie de me vestir. O estúdio em que tiraria as fotos tinha três cenários diferentes montados, cada um com sua particularidade e iluminação diferente. Ao todo também seriam três roupas diferentes, uma para cada cenário. “Mas o mês tem doze meses...” Sim, mas também tem fotos que não pegariam o corpo todo, então estava tudo certo. A cada troca de roupa, a maquiagem também mudava, mesmo que um detalhe mínimo e isso estavam me enchendo a paciência, fora as extensões no meu cabelo que estavam pesando demais. Acho que hoje não é meu dia.
Chegamos ao fim do photoshoot e seguimos para um restaurante próximo para almoçar antes de seguir para a rádio.
- Hey, . – uma garotinha chegou a mesa timidamente. – Você poderia tirar uma foto comigo? – Assenti, pegando o celular que ela tinha em mãos e batendo uma selfie. – Obrigada, você é linda. – me abraçou e saiu saltitante até seus pais. Essa cena fez o meu dia.
Partimos para a iHeartRadio. Eu gravaria para o canal deles no youtube, um quadro chamado “Fã vs Artista”, que é um jogo de perguntas para ver quem lembra de mais coisas sobre mim, nesse caso, e, em seguida, teria uma entrevista ao vivo na rádio. Estava animada, adoro essas brincadeiras que nos fazem participar, é bastante descontraído e colocando um fã junto deixa tudo mais gostoso. Sempre gosto de estar me mantendo próxima aos meus fãs, assim eles me mantém com os pés no chão, não deixando que todo o glamour da vida de celebridade suba a cabeça.
Assim que chegamos, me levaram para uma sala onde a trivia seria gravada. Sentei no banquinho e esperei a moça finalmente começar a gravar.
- Oi pessoal, meu nome é Ellie Lee, e eu estou aqui na iHeartRadio com a belíssima e talentosa . – soltei um obrigada bem baixinho. – , bem vinda a iHeartRadio. Como você está hoje?
- Obrigada, eu estou bem e bastante animada! – sorri largo para a moça que tinha traços orientais.
- Você acabou uma tour agora e já está planejando um novo álbum, você não para, mulher? – nós rimos.
- Não dá pra parar no início da carreira, você tem que sempre estar lançando coisas novas para se manter onde está. – comecei a explicar. – É exaustivo, mas faz parte... – ela assentiu.
- Hoje, , nós vamos jogar um jogo chamado “Fã vs Artista”, que basicamente será algo como “Quem conhece melhor?”, você ou sua maior fã. Você está pronta? – colocou a mão em meu ombro.
- Estou super pronta. – afirmei determinada a ganhar.
- Então vamos receber Lola! – uma porta abriu e uma garota ruiva entrou. Sua expressão era de quem havia ganhado o melhor presente do mundo, já que ela não parava de sorrir. Ela me abraçou e sentou no banquinho a minha frente. – Como você está?
- Estou me controlando para não surtar. está na minha frente, ela é tão maravilhosa. – soltei um “aw obrigada”. Não, nunca soube como lidar com elogios sem ficar completamente sem graça.
- e Lola Rizzi, depois disso vocês podem ser amigas, mas agora vamos ver quem conhece essa moça aqui – apontou para mim – melhor. – entregou um mini quadro branco e pincel para cada uma. – Primeira pergunta: Em qual mês e ano o primeiro single chamado Crazy Stupid Love foi lançado? – começamos a escrever e viramos juntas o quadro. – Junho de 2014! – ponto para as duas! – comemoramos rapidamente até ela seguir para a próxima pergunta. – Pergunta número dois: qual a cor da blusa que usou na sua primeira audição no The X-Factor? – parei para pensar um pouco, nem tem tanto tempo e eu já esqueci. Escrevi e mostramos juntas novamente o quadrinho. – Preta! As duas acertaram! – ela bateu num sininho que estava na mesa. – Pergunta número três....
A brincadeira se estendeu um pouco mais e eu acabei perdendo. Não foi por muito ponto, o que me deixou bastante tranquila, mas como eu não consegui lembrar o ano que criei minha conta no twitter ou qual foi a minha primeira foto no instagram? Enfim, tive um pequeno intervalo depois disso, mas logo fui levada até o estúdio onde seria a entrevista ao vivo. Sentei-me e esperei o início. Tudo corria bem até que...
- Percebemos que você tem recebido muito hate ultimamente em suas redes sociais, talvez mais do que o normal, a que se deve isso? – Noah, o entrevistador, me perguntou.
- Bom, tudo começou mês passado...
#FLASHBACK
- Penny, eu to tão cansada... – estava escorada na minha coreógrafa dentro da van, a caminho do hotel.
- Ai , tira essa cara de sono. – começou. – Já já a gente chega no hotel e você vai poder ser feliz. – soltou uma indireta que passou despercebida.
- Vou mesmo, deitar na minha cama e dormir em paz é o que eu mais quero. – poucos minutos depois a van parou no estacionamento do Sheraton Porto Hotel, em Portugal.
Ao chegar, subi para meu quarto rapidamente. Fechei a porta e comecei a tirar a roupa para tomar um banho, estava com tanto sono que nem havia notado alguém ali. Ouvi um “hey” e me virei encontrando Shawn ali, segurando o riso. Senti meu rosto ferver. Eu estava de calcinha e sutiã na frente dele. Recolhi rapidamente as roupas do chão as colocando em frente a meu corpo, com o objetivo de escondê-lo. O moreno veio até mim e me deixou um beijo na testa.
- Por que não avisou que estava aqui? – perguntei de uma vez.
- Eu quis fazer uma surpresa passando aqui antes de voltar para casa. – explicou fazendo carinho em minha bochecha.
- Realmente me surpreendeu. – sorri amarelo. – Eu estava indo tomar um banho, já volto. – corri para o banheiro, me trancando ali. Alguns minutos depois, já estava vestida com um pijama e indo de encontro com o rapaz que me esperava. – Pronto, muito mais confortável assim. – ele me olhou dos pés a cabeça erguendo uma sobrancelha. – Que foi?
- Você está de pijama. – apontou. – Queria dar uma volta pela cidade, aproveitar que durante a madrugada não tem muita gente na rua... – sugeriu.
- Tudo bem, vou me trocar. – fui até minha mala pegando um jeans e uma blusa soltinha. Troquei-me no banheiro. – Vamos? – ele assentiu e nós saímos do quarto rumo às ruas de Porto. – Como foi lá? – puxei conversa ao sentir uma brisa de outono nos atingir.
- Foi divertido. Eles gostam bastante de festa, né? – eu ri e concordei. – Eu ainda estou em êxtase. Foi o maior público que eu toquei na minha vida, ! – exclamou me olhando. – Cem mil pessoas. Isso é insano.
- Que bom que o Brasil conseguiu deixar uma marca em você. – comentei vendo seus olhos brilhando.
- Com toda a certeza ele deixou. – suspirou feliz. – Ali, um McDonalds. – apontou e pegou minha mão, me puxando para o estabelecimento.
- Ué, não era você que não gostava de fast foods? – questionei confusa. Talvez eu tivesse alucinando por causa do cansaço.
- Não vou comer um hambúrguer, quero sorvete. – explicou abrindo a porta do local. – Hey, boa noite, eu vou querer um McFlurry de M&M’s. – fez seu pedido e me olhou esperando que eu dissesse o meu.
- Um igual ao dele. – Não entendi toda essa animação à uma hora dessas, afinal já se passava de uma da manhã. Pegamos nossos pedidos e saímos do estabelecimento. – Da onde está vindo toda essa energia, Shawnie?
- Foram quase onze horas de vôo dormindo e descansando, e... – virou-se para mim. – Eu queria te ver antes de voltar ao desespero da tour. – sujou meu nariz com um pouco do creme do sorvete.
- Ai que gracinha, melecando meu rosto. – passei o dedo e tentei descontar, mas ele se esquivou.
- Desiste, . – sujou minha bochecha. – Você não vai conseguir me sujar. – me deu língua. – e passou mais creme em mim.
- Não quero nem saber, você vai limpar. – cruzei os braços, parando no meio da calçada.
- Tudo bem, vem cá. – caminhei até onde ele estava e ele começou a limpar todo o meu rosto, que agora estava grudando. – Pronto. – sorriu.
- Muito obrigada, Mendes. – fiquei na ponta do pé como se fosse dar um beijo em seu rosto, mas fui rápida sujando todo seu rosto. – Agora estamos quites. – sai correndo, mas ele logo me alcançou, abraçando pela cintura.
- Você acha isso bonito? – ele estava engraçado, então eu comecei a rir, mas rendida também o limpei.
- Pronto, seu chato. – rolei os olhos. Ele se aproximou do meu rosto colando nossos lábios num beijo. O nosso primeiro beijo de verdade.
- Preciso te deixar no hotel agora, meu vôo sai em uma hora e meia. – ergui uma sobrancelha.
- Conexão? – ele negou.
- Eu disse que só vim aqui para te ver, por que não acredita? – passou o braço sobre meu ombro, indo em direção ao Sheraton.
#FLASHBACK
- ...desde que Shawn e eu começamos a nos falar publicamente. – comecei do básico. – Suas fãs enlouqueceram e começaram a me mandar mensagens de ódio. – ele assentiu. – Logo que ele voltou do Brasil, seu vôo, por alguma razão, fez conexão em Porto e eu estava lá, então fomos tomar sorvete enquanto não dava a hora dele ir pra Toronto. – mentia descaradamente em radio nacional e não estava me importando nem um pouco. – Somos amigos. Amigos não podem mais sair juntos?
- Mas tem fotos de vocês abraçados, ... – Noah tentou argumentar.
- E você não abraça os seus amigos? – perguntei e ele ficou sem resposta. – Não consigo entender o porquê das pessoas insistirem que um cara e uma garota não podem gostar da companhia um do outro sem se envolver amorosamente. – rolei os olhos começando a me irritar.
- Não disse isso. – ele se defendeu rapidamente.
- Não disse sobre você. – Rebati – Disse mais em geral... – expliquei. – A mídia em geral não perdoa e um exemplo disso são as revistas e sites de fofoca que caíram em cima de nós dois inventando boatos. – lembrei-me do TMZ, The Sun e outros que estavam ganhando em cima de notícias falsas sobre nós dois. – Eu não dou a mínima pro que vocês escrevem, só queria deixar isso claro, mas chega uma hora que cansa.
- E os comentários de ódio, como você lida com eles? – voltou para o hate que eu vinha recebendo.
- Pra ser sincera, uns eu bloqueio, alguns eu apago e outros dou risada. – dei um curto riso. – É engraçado ver as garotas me odiando por eu estar tendo algum tipo de contato com seu ídolo. – mordi o lábio. – É fácil dizer isso por trás de um celular, computador ou seja lá o que usa, queria ver se tem culhões para dizer cara a cara. E o mais engraçado disso é que essas são as pessoas que, se me virem andando pela rua, vão pedir fotos e autógrafos. – ri brevemente em deboche enquanto desabafava sobre a infantilidade presente nos fandoms.
- Calma, tigresa, relaxa. – me fez rir. – Obrigada pela presença, . Adorei esse nosso bate-papo. – ele se despediu assim que notou que nosso tempo tinha acabado.
- Obrigada a você e toda a equipe da iHeartRadio por me receber. – agradeci. Ele selecionou meu último single para ser tocado.
Tinha certeza que a próxima manchete com meu nome seria “ afronta haters em rádio e é chamada de ‘vadia grossa’ por diversas pessoas”. Depois disso voltei para o hotel, arrumei minhas coisas e partindo para o aeroporto. Próxima parada: Vitória, Espírito Santo, Brasil!


Capítulo 11 - Castle On The Hill

“Encontrei meu coração e o parti aqui
Fiz amigos e os perdi ao longo dos anos
E há muito tempo não vejo aqueles vastos campos, eu sei, eu cresci
Mas mal posso esperar para ir pra casa.”

Pela primeira vez, há muito tempo, eu estava pisando em solo brasileiro, mais especificamente na minha amada cidade, Vitória. Era madrugada e como não queria incomodar ninguém às três horas da manhã, apenas chamei um uber para me deixar em casa. Entrei silenciosamente, me dirigi ao meu quarto e dormi.
Acordei com uma barulheira vindo de algum lugar e minha irmã dizendo “Eu não acredito que ela não veio, mãe!”, seguido de uma fungada. Obviamente ela falava de mim, então levantei da cama indo em direção a todo o barulho. Cocei a garganta chamando atenção de todos ali e com o maior sorriso recebi todos os abraços do mundo. Minha mãe, meu pai e meus irmãos estavam tão felizes por me verem que, por um segundo, esqueceram-se de quem o dia deveria ser de verdade. Logo nós nos separamos para cada um cumprir a agenda do dia. No caso das mulheres era um dia de princesa no salão, já no dos homens era apenas uma churrascada com bastante cerveja.
Chegamos ao salão e seguimos para o quarto onde minha irmã passaria o dia. O “Dia de Noiva” desse salão era o melhor de toda a ilha e contava com uma equipe de primeira. Queria poder ter trazido Heidi e Aaron para arrumá-la, mas eles estavam num pequeno período de férias, seria injusto. Não preciso nem comentar o quão ciumentos eles ficaram em saber que outras pessoas estaria cuidando da minha beleza, mas dei a segurança de que Fabrizzio e sua esposa eram excelentes profissionais e eles se acalmaram um pouquinho.
- Então, como estão as coisas por aqui? – enquanto Fabrizzio enrolava os cabelos de minha irmã.
- Tudo na mesma, teu irmão reprovando em várias matérias na faculdade... – Minha mãe começou.
- Pare de falar assim como se ele fosse burro, engenharia mecânica é difícil, mãe! – minha irmã a repreendeu. – O que ela quis dizer é que estamos todos bem e que o bebê está evoluindo direitinho.
- Ai que lindo, e quando vamos saber o sexo? – apoiei minha cabeça nas duas mãos.
- Acho que até o fim do mês que vem. – ela fez cara de pensativa – Ou algum dia do mês seguinte... Essa coisa de semanas de gravidez ainda me confunde as ideias. – caímos na risada.
- Que mãe maravilhosa você vai ser, . – ironizei e ela me mandou um dedo do meio.
- Seu pai ta me deixando louca, mas é o normal... – minha mãe lançou.
- Meu pai é seu marido, dona Lourdes. – ela revirou os olhos. – O que ele ta aprontando dessa vez?
- Descobriu a compra online e não para mais de comprar besteiras. – desabafou e eu a entendia. Meu pai fica maravilhado por tecnologias e quando começa com algo relacionado a isso não para tão cedo. – Mas eu tô doando todas as coisas que ele compra e não tem utilidade lá em casa.
- É o certo a se fazer... – peguei a taça de Martini, a bebida que nós tomaríamos durante o dia todo como cortesia do salão. – E Gabriel? Ainda namora com aquela menina? – minha irmã assentiu. Gabriel é meu irmão, ele é um ano mais velho que eu. – Há quanto tempo eles estão juntos mesmo?
- Fez cinco anos em junho. – mamãe respondeu. – Por falar em namoro, que bagunça é essa na sua vida, ?
- Que bagunça? – tomei um gole da bebida tentando disfarçar.
- Depois de eu ter contado pra mamãe sobre o Harry, você aparece com outro cara... – minha irmã soltou. – Eu nem sei como falar o nome dele, aliás...
- Harry está com outra garota e eu e Shawn somos amigos. – minha irmã engasgou com a água que tomava. Sim, ela não pode beber álcool, está grávida!
- Como assim ele está com outra garota? – questionou se recuperando.
- Simplesmente sumiu e quando tive notícias ele estava com Camille.
- E esse garoto que você está saindo agora... – minha priminha que acompanhou o início da conversa se aproximou.
- Não estou saindo com ninguém, Alana. – rolei os olhos. Mesmo que já tivesse acontecido algo entre eu e Shawn, era um ambiente “aberto”, não podia expor nossas vidas dessa maneira. Qualquer pessoa que trabalhasse ali poderia muito bem espalhar boatos, vender gravações e etc.
- Que seja... – ela bufou sem acreditar no que eu dizia. – Esse seu novo amigo não é o ex da namorada do Justin Bieber? – HÁ! Eu sabia que conhecia o nome Hailey de algum lugar.
- Sim, é ele mesmo. – disse na maior calma como se soubesse daquele fato. – Senti saudades, baixinha. – Alana é sete anos mais nova que eu.
- Senti saudades também, mas quero saber mesmo quando vai me levar para conhecer o BTS. – me abraçou no interesse.
- Já te disse que não tenho nenhum tipo de contato com alguém que possa fazer isso acontecer. – ela fingiu ficar triste – Mas na próxima vez que eles vierem aqui tento conseguir algo bem legal para você. – apertei a pontinha de seu nariz.
- Você é a melhor prima do mundo! – ela beijou minha bochecha e saiu pulando, enquanto uma das maquiadoras tentava a alcançar.
A melhor parte de voltar para casa é não ser tratada como uma estrela. Eu vim daqui, as pessoas me conhecem pelo que eu era antes de tudo e não veem motivos para me tratar diferente. Adoro isso. Claro, sempre tem algumas exceções. Normalmente são aqueles que querem seus quinze segundos de atenção, ou curtidas no instagram, e não podem saber que eu estou por aqui, que insistem em me chamar para rolês como se fossem meus amigos de infância.
Ao fim do dia, estávamos todas prontas. Minha mãe vestia um longo vestido azul marinho, assim como a mãe de meu cunhado, e, eu e as outras madrinhas estávamos todas em um tom verde pastel. Tiramos a foto todas juntas e eu tirei uma foto com a equipe do salão.
...

O cerimônia do casamento foi linda e me peguei quase chorando várias vezes. Seguíamos para o cerimonial que ficava um pouco longe da igreja. Peguei meu celular depois de um dia todo dedicado apenas a família, vendo várias mensagens de Perrie dizendo que precisávamos conversar. Já sabia o que ela queria conversar, tinha nome, sobrenome e olhos castanhos, mas só pararia para contar isso a ela pessoalmente. Chegamos finalmente ao cerimonial, ocupamos nossos lugares e jantamos.
Para a abertura da pista de dança, pediu para que eu cantasse You’re Still The One, da Shania Twain. Como não teria tempo de ensaiar com os caras da banda que ela havia contratado, pedi para que o violonista que me acompanhava em apresentações acústicas me mandasse um arranjo todo no violão. Entreguei o celular para minha prima mais velha e pedi para que ela começasse uma live no instagram, não para me mostrar cantando, e sim para mostrar o quão lindo seria cantar para minha irmã num momento tão maravilhoso. Palavras não existiam para descrever o quão honrada e emocionada naquele momento. Sentei num banquinho que tinha na frente de um pedestal e os acordes começaram a ser ouvidos e logo pude pronunciar o primeiro verso da música. Por hábito, ao fim da música, sussurrei um “thank you” seguido de uma risada ao perceber como aquilo já era costumeiro em minha vida. Passei o microfone para o casal, que agradeceu a presença de todos e liberando a pista para nós dançarmos até não aguentar.
Cheguei em casa era quase manhã, mas não poderia dormir até às duas da tarde do dia seguinte, já que iria almoçar com alguns amigos e rever pessoas que há tempos não tinha contato.
O barulho do despertador me acordou depois de pouco mais de quatro horas. Tomei um banho, e me arrumei para ver meus amigos. Gabriel bateu na minha porta por volta de onze e meia, dizendo que já estava com fome e não era para me atrasar. Sorri olhando pro espelho e gostando do que via. Estava com um vestidinho solto florido, um vans branco nos pés e com cabelos soltos, meio esvoaçantes, maquiagem que consistia em um rímel e um gloss meio rosinha. Fui para o carro e partimos em direção ao Outback, no shopping.
Chegando lá, avistei meus amigos que se animaram e me mataram de amores enquanto me cumprimentavam. Encheram-me de elogios e insistiam em dizer que eu estava diferente, mesmo estando a mesma. Nem o cabelo que tanto queria pintar tinha mudado. O próximo passo foi sentar e fazer os pedidos. Logo engatamos numa conversa mega animada onde eles me contavam como tudo estava. Algumas amigas eu preservo da infância, outras conheci em festas por aqui e, graças aos deuses, todas se dão bem. Já os meninos conheci por meio de meu irmão, sendo assim todos são da engenharia, mas nós desenvolvemos uma ligação tão forte que é como se nos conhecêssemos de anos e anos.
- , eu tenho que passar na casa da Roberta agora, tem problema se Vitor te deixar em casa? – meu irmão perguntou enquanto caminhávamos até o estacionamento.
- Claro que não, Gabriel. – neguei. – Queria que ela pudesse ter vindo, nós mal temos contato e ela é minha cunhada! – ele sorriu com minha vontade de ter mais contato com sua namorada.
- Você é foda. – beijou meu rosto. – Tchau, bom voo. – acenei e ele se foi.
- Bom, sobramos nós dois agora. – virei-me para Vitor. – Vamos? – ele assentiu e demos braços.
Vitor é um dos amigos que mais tenho contato. Eu fui apaixonada por ele, mas há bastante tempo atrás, e logo que fui embora ele começou a namorar a Hellen, uma das garotas que eu mais odiava no mundo. Isso foi um choque, porque todos – incluindo meu irmão – achavam que nós ficaríamos juntos. Eu tinha dito a ele que gostava dele, mas ele disse que não era recíproco e, mesmo que fosse, não adiantaria, já que eu estava indo passar um ano na Inglaterra. Ele partiu meu coração e ficamos sem nos falar por meses, até que eu superei. Ele foi uma das pessoas que mais ajudou nas votações do TXF, fazia questão de sempre estar ali para me apoiar e isso é uma das coisas que eu mais valorizo na nossa amizade. Depois da honestidade, é claro.
- E aí, como está o namoro com a Hellen. – fechei a porta do carro, colocando o cinto de segurança.
- Nós meio que estamos dando um tempo. – ele respondeu me deixando surpresa. – Ela ficou brava porque troquei nosso almoço de domingo para vir te ver, mesmo eu explicando a ela que nós mal nos vemos uma vez por ano.
- Vitor, se eu soubesse que iria atrapalhar seu namoro nem tinha comentado nada. – suspirei fundo. – Espero que tudo dê certo entre vocês.
- Na verdade, nem sei se quero que as coisas se acertem. – novamente surpresa em minha feição.
- Que história é essa? Olha quantos anos vocês namoram, vai jogar fora assim por causa de uma discussão besta? – tentei argumentar.
- Hm, eu ia falar com você sobre isso... – começou dando uma pausa, mas logo tornou a falar. – Eu decidi trancar a faculdade ano que vem e fazer meu intercâmbio. Não sei pra onde vão me mandar ainda, provavelmente Estados Unidos ou Canadá. – paramos no sinal vermelho. – Não sei se quero ir namorando.
- Entendi. Faça o que achar melhor pra você, mas se for terminar com a garota faça de uma maneira decente. – ele afirmou soltando um “com certeza”. – E seja lá para onde você for, Estados Unidos ou Canadá, você vai gostar. São lugares muito bonitos. – ele sorriu sacana.
- A senhorita tem conhecido bastante do Canadá, né... – corei na mesma hora, o dando um empurrão de leve.
- Você é ridículo, hein garoto! – ele gargalhou. – Fui ao país uma vez só.
- Ai desculpa, os canadenses então. – se corrigiu gargalhando novamente.
- Que desnecessário, Vitor. – cruzei os braços e, no segundo seguinte, o carro parou em frente a minha casa.
- Mas é sério, ! – ele começou – Espero que dê tudo certo com ele. Você merece ser feliz. – suspirei antes de começar a falar. O ambiente do carro já me sufocava, afinal, parecia que todo o mundo estava querendo que eu e Shawn ficássemos juntos. O mal de ter sua vida pública é esse...
- Tudo bem, farei meu melhor - sorri doce ao olhar em seus olhos. – Bom, tchauzinho, até mais ver. – lancei um beijo no ar e ele também se despediu, partindo em seguida.
Arrumei minhas coisas, despedi dos familiares que estavam em minha casa e parti rumo ao aeroporto. Toda vez que digo tchau a eles um pedaço do meu coração se quebra. Queria muito que eles estivessem comigo o tempo todo, mas, infelizmente, não era viável. Eles não deixariam o país para morar num lugar onde mal saberiam como se comunicar e eu não podia deixar o Reino Unido, já que minha carreira estava toda lá. Uma lágrima escorreu assim que ouvi as turbinas do avião serem ligadas. Não fazia ideia quando eu iria os ver novamente.


Capítulo 12 - Just Hold On

“Não acaba até tudo ser dito
Não acaba até seu último suspiro
Então o que você quer que eles digam quando você for embora?
Que você desistiu ou que continuou seguindo em frente?
Se tudo der errado
Querida, apenas aguente firme”.

Situação atual: largada no meio da academia suando em lugares que não fazia ideia que era capaz de suar.
- Ainda não acredito que eu deixei de ir ao Hallowzeem para vir até Beverly Hills e você acabar comigo. – meus braços estavam esticados e tinha meus olhos fechados com uma respiração ofegante.
- Você é muito dramática, . – Shawn parou de pé ao meu lado. – A gente mal começou. – arregalei os olhos instantaneamente.
-O que você quer dizer com “A gente mal começou”, Mendes? – semicerrei os olhos – Isso é um jogo para você? – ele riu.
- Foram só 30 minutos correndo na esteira, garota. – ele rolou os olhos.
- E isso é muito pra alguém que não faz exercícios desde que a tour terminou. – soei óbvia.
- Anda, levanta. – bateu na minha perna. Levantei resmungando. – E o que seria Hallowzeem?
- É uma das festas de halloween mais famosas em Londres. – dei ombros e ele assentiu, parando ao lado da cadeira extensora e colocando pesos absurdos. – Ta me zoando né?
- Não é pra você, linda, é pra mim. – apertou a ponta do meu nariz, sentou no aparelho e começou a levantar sem muito esforço. Fiquei encarando por uns segundos seus músculos da coxa serem marcados e, quando olhei para seu rosto, um sorriso sacana.
- Eu vou procurar alguma coisa que não me deixe destruída para fazer... – dei as costas abanando a mão. Ouvi sua gargalhada em seguida.
Não vou negar, Shawn é completamente atraente e digo isso com toda a tranquilidade do mundo. Querer tirar peça por peça do que ele veste é inevitável, mas, de certa forma, não queria deixar isso transparecer demais, mesmo que tenha sido exatamente o que eu havia acabado de fazer. Coloquei os pesos no leg press 90º e comecei a levantá-los. Algumas vezes ele vinha até mim, dizia que eu estava fazendo os exercícios praticamente sem peso e aumentava.
Uma hora e meia depois ele acabou de fazer tudo que pedia a série dele. Eu não tinha uma série montada ali, já que não fazia musculação e sim luta estilo MMA, mais especificamente Kickboxing, mas sabia como usar alguns dos aparelhos disponíveis, então os usei. Tinha terminado alguns minutos antes e, para gastar o tempo até que ele finalizasse tudo, fiquei na esteira cantarolando baixinho alguma música que tocava.
- Vamos? – ele se apoiou na esteira enquanto eu diminuía a velocidade.
- Me lembre de nunca mais vir treinar com você. – desci da esteira dando as costas para ele. Ele alcançou meu lado, passando o braço pelo meu ombro e assim deixamos a academia.
O caminho até meu apartamento não foi demorado, já que optamos por uma academia que não fosse tão distante. Sim, Shawn ficaria comigo no apartamento e isso era pretexto para a mídia cair em cima de nós um pouco mais. Tomei um banho demorado, vesti um moletom qualquer e fiquei deitada na cama, morrendo de sono. Ouvi umas batidas na porta e murmurei um “pode entrar” de olhos fechados.
- Acorda bela adormecida. – ele parou do lado da cama e fazendo cócegas em minha barriga.
- Da onde você tira toda essa energia? – abri um olho para o encarar. – Depois de treinar o que eu mais quero é morrer de tanto dormir.
- Não sei, só não sinto sono. – deu ombros. – Então, acabei de receber o convite de uma super festa de Halloween...
- Sério, de quem? – sentei na cama e ele sentou do meu lado.
- Kendall. – arqueei uma sobrancelha.
- Jenner? – ele assentiu. – Obrigada, eu passo... – ele me olhou confuso. – Longa história, deixa pra lá... Mas vá, se divirta.
- , você veio para cá pra que nós tivéssemos um tempo juntos, não vou te deixar aqui sozinha. – ele segurou minha mão. – Eu estou te chamando, se você não quiser ir não tem problema, a gente faz alguma coisa. – Isso soou como um namoro para vocês da mesma forma que soou para mim?
- Shawn, lindo, não precisa. – levei minha mão até seu rosto fazendo um carinho ali. – Seus amigos vão estar lá, eu tenho Netflix aqui, vou sobreviver se ficar só.
- Tem certeza disso? – ele me olhava apreensivo.
- Tenho sim. – assenti. – Acho que vou até maratonar a segunda temporada de Stranger Things.
- Prometo que não demoro muito na festa, só pra passar mais um tempo com você. – sorri largo ao ouvir isso.
- Você não existe. – me aproximei de seu rosto depositando meus lábios sobre os seus, dando início a um beijo que durou até ouvirmos meu celular tocar. – É minha mãe, eu preciso atender. – Ele saiu do quarto indo até a sala para pedir algo para o almoço e me dar privacidade.
O telefonema com minha mãe durou alguns longos minutos. Era bastante engraçado quando ela ligava, pois sempre se perdia nos fusos horários. Nunca sabia se era dia ou noite e, por isso sempre achava que estava atrapalhando meu sono. Ela contou que minha irmã havia aproveitado bastante a lua de mel e que haviam grandes chances de meu irmão e a namorada irem passar o natal comigo em Londres, já que eu não teria como ir passar em casa, mas ele logo retornaria para o Brasil, para o Ano Novo, que eu provavelmente passaria em alguma festa cheia de celebridades conhecidas como todo ano. Conversamos também sobre trabalho, onde ela insistia que eu deveria tirar algum tempo para férias. Sentia falta dessa época de fim de ano no Brasil. Por fim disse que estava com saudades e mal podia esperar para me ver novamente.
Desligamos e eu segui até a cozinha para tomar um pouco de água. Shawn estava parado de frente para bancada olhando panfletos de restaurantes tentando decidir o que pedir. Discretamente deslizei o folder de um restaurante italiano, o destacando. Disse que queria um macarrão Alla Matriciana e ele apenas assentiu. Fui até a sala, sentando no sofá e ligando a TV e abrindo o Youtube. Minha diversão era assistir stand-up comedy de brasileiros, que mostravam mais da realidade eu já não conhecia mais, mas morria de rir. Claro que só continuei assistindo até o moreno se juntar a mim.
Alguns minutos depois nosso almoço chegou e pudemos saciar nossa fome. Ainda tinha sono, então decidi que iria deitar no quarto para ver algum filme, e dormir, o chamei e ele aceitou. Ele fechou a porta assim que entrou e apagou a luz, enquanto eu fechava as cortinas. Um completo breu se instalou e eu não via absolutamente nada. Caminhei em direção de onde a cama deveria estar e deitei, encontrando o corpo de Mendes já ali. Um longa-metragem qualquer foi escolhido, mas não demorou muito e nós estávamos, finalmente, dormindo feito anjos.
Pouco tempo depois acordei com o meu celular vibrando no criado, ao lado da cama. Desvencilhei-me com cuidado do corpo do moreno que ainda descansava e alcancei o celular, vendo o nome de Frederick brilhar na tela. Fred é o gerente responsável por mim, lá da Modest. Levantei-me da cama, caminhando até a varanda e fechando a porta de vidro para não atrapalhar o sono de Shawn, já que ele passaria a noite acordado numa festa.
- Hey Fred. – atendi ao sentar num sofá de varanda confortável.
- Como vai, ? – ele tinha um tom indecifrável.
- Estou bem, e você? – retornei a pergunta, mas queria que ele fosse direto ao ponto de uma só vez.
- Também estou bem. Como está o processo de composição? – ah, então era sobre o álbum que ele queria falar.
- Está indo bem, nessas duas últimas semanas conseguimos compor diversas canções. – olhei para o céu, vendo tomar uma coloração alaranjada, marcando o fim do dia. – Acho que por volta de quinze, e faltam fazer uns ajustes em alguns arranjos antes de ir pro estúdio. Pretendo lançar o primeiro single na final do The X Factor, o que você acha? – mordi o lábio esperando a resposta. Teria que trabalhar quase o dobro para que isso fosse possível.
- Ótimo. Isso é muito bom. – concordei com ele. – Tem empresários interessados nesse próximo cd. – ergui as sobrancelhas em surpresa. – Mas, me diga , qual o sua maior vontade com esse próximo álbum?
- Levar a tour dele pro meu país. – soei óbvia.
- Então você devia sair com algum desses empresários... – me via boquiaberta – Tipo um encontro, sabe?! Eles assinariam rapidinho e adiantaria sua ida ao Brasil.
- O QUE? – Gritei por impulso. – Você ta ficando louco, Fred? – ele riu baixinho.
- É sério. – ele realmente não parecia estar brincando. – Se você dormir com eles, eles te assinam na hora. E, pensa bem, você precisa de um empresário americano para fazer sucesso aí e finalmente conseguir levar seus shows para seu país. – senti uma lágrima descer por minha bochecha.
- Fred, você tem noção de que se eu fizer algo desse tipo é como se eu me considerasse um nada? – respirei fundo para não o mandar à merda. – É como se eu tivesse tatuado em minha testa “sou sem talento e preciso dormir com pessoas para assinar contratos”.
- Não é por ai, . – ele rebateu. – Você tem tudo para ter um sucesso extraordinário, as maiores fã-bases vem do Brasil e você sabe, mas antes de você conseguir ir pra lá, tem que fazer sucesso nos Estados Unidos.
- Você ouve o que fala, ou as palavras simplesmente saem da sua boca sem pensar? – sequei outra lágrima que insistiu em descer. – Eu não vou fazer isso... Isso é um absurdo.
- Tudo bem, você é quem sabe, o atraso na carreira será seu caso não consiga que eles assinem. – ele parecia acostumado em sugerir coisas deste tipo. – Mandarei Kath para as reuniões. Bom fim de tarde.
- Tchau. – foi tudo o que eu respondi antes de desligar e voltar a encarar o céu, sentindo agora todas as lágrimas e vontade de chorar que senti sendo liberadas.
Eu não precisava disso. Ou precisava? Não. Definitivamente não. Eu sou uma pessoa talentosa, caso contrário não teria ganhado o X-Factor. A primeira estrangeira a conseguir isso. Cruzei as pernas no sofá, apoiando os cotovelos nela e passando a mão pelo rosto. Peguei o celular para ver se algo distraía minha mente daquela maldita conversa, mas não deu certo.
O sol finalmente se pôs e a escuridão chegou. Eu estava encolhida quando ouvi o barulho da porta se abrindo, revelando o rapaz, aparentemente preocupado. Disfarçadamente limpei qualquer resto de lágrima que pudesse denunciar que eu estivera chorando. O encarei dando um sorriso triste.
- Hey. – disse enquanto ele vinha até mim.
- Achei que tivesse ido embora e me deixado preso aqui. – soltei um riso anasalado. – Ta tudo bem?
- Ta sim. – balancei a cabeça positivamente e ele estreitou os olhos.
- Não é o que parece, . – ele sentou do meu lado. – O que aconteceu?
- Deixa pra lá, – levei minha mão ao seu rosto, começando um carinho com o polegar – nós combinamos que não falaríamos sobre trabalho.
- Tem certeza? – assenti. – Então vem cá. – me puxou para um abraço apertado. – Vai ficar tudo bem. – meu olhos encheram de lágrimas novamente.
Ele começou a cantarolar baixinho o trecho de uma de suas músicas.

I don't know what
(Eu não sei o que)
You're going through
(Você está passando)
But there's so much life
(Mas tem tanta vida)
Ahead of you
(Na sua frente)
And it won't slow down
(E não vai desacelerar)
No matter what you do
(Não importa o que você faça)
So you just gotta hold on
(Então você tem que aguentar)
All we can do is hold on, yeah
(Tudo o que podemos fazer é aguentar)
Yeah, you just gotta hold on
(Você tem que aguentar)
Just hold on for me
(Aguente por mim)

Shawn trouxe seu rosto para próximo do meu, depositando um beijo calmo em meus lábios. Um selinho marcou o fim do beijo.
- Você não devia estar se arrumando pra ir pra festa? – mudei de assunto repentinamente.
- Eu não vou mais... – ele deu ombros me apertando um pouquinho mais no abraço.
- Já disse que não me importo se você for. – mordi o lábio inferior. – Você fica com uma chave reserva e nem precisa me acordar quando chegar.
- Eu não vou. – disse firme e eu decidi aceitar.
- Tudo bem então. – ele sorriu.
- Acho que devíamos ir a algum cinema para distrair a sua cabeça, moça. – apertou a pontinha do meu nariz.
- Mas hoje não passam só filmes antigos e clássicos de terror? – arqueei uma sobrancelha.
- Você tem medo? – rolei os olhos negando. – Então nós podíamos ir mesmo. – É, sair talvez me ajude a distrair um pouco.
- Vou me arrumar para irmos. – dei outro selinho nele e me levantei para escolher uma roupa.
- É disso que eu estou falando. – gargalhei indo até o banheiro.
Tomei um banho não tão demorado, com direito a lavar os cabelos. Saí do banho com um robe e uma toalha nos cabelos, caminhando até o closet e não pude deixar de reparar o olhar de Shawn se desviar, mesmo que discretamente, do celular até mim. Ri sozinha com esse ato. Agora vinha a parte mais difícil, escolher algo para vestir. Optei por um jeans de cintura alta com alguns rasgos e um moletom curto verde musgo. Nos pés calçaria uma Chelsea Boots preta. Ao sair do closet encontrei o moreno vestido todo de preto.
- Ta de luto? – não me segurei.
- É halloween, não é? – assenti. – Então....
- É halloween, Mendes, não um funeral. – ri brevemente fazendo o caminho do banheiro novamente. – Mas eu gostei.
Meu cabelo demorou um pouco mais do que o esperado para secar, e com sorte não nos atrasaríamos para a sessão do filme. Filme qual não fazia ideia ainda de qual veríamos. Só espero que não seja nenhum da sequência “A Hora do Pesadelo”, porque realmente acho Freddy Krueger muito chato, mesmo sendo mega clássico. Não trabalhei muito em maquiagem, fiz apenas um delineado, passei um pó e um gloss cereja para não ressecar os lábios no outono seco que LA tinha.
- Tenho um par igualzinho a esse. – Shawn comentou ao me ver calçar as Chelsea boots.
- Não existe um sapato mais confortável que esse. – ele concordou e saímos para a garagem.
Deixei que ele dirigisse, não estava afim de enfrentar o trânsito na cidade por conta das festas que estavam acontecendo. Pouco tempo depois já estávamos parando num estacionamento o mais próximo do cinema escolhido. Esse não era o programa mais escolhido pelas pessoas nessa época do ano, mas ainda assim haviam várias pessoas ali. Mendes comprou os tickets e eu fiquei responsável pelos snacks. Com pipocas, sucos e chocolates em mão, estávamos prontos para assistir o filme.
O longa escolhido foi “O Chamado”. Perdi as contas de quantas vezes já o assisti. Ao invés de assistir em silêncio como todo mundo na sessão fazia, nós escolhemos os assentos mais isolados e comentávamos sobre o filme, sobre como os personagens são burros. Também fazíamos graça sobre algumas cenas, e, mesmo que elas não tivessem graça nenhuma, nós acabávamos rindo. Ao fim deste, decidimos assistir outro: “O Exorcista”. O ciclo se repetiu e, assim que este também chegou ao fim, nós fomos de braços dados até o carro.
- Obrigada. – disse ao colocar o cinto de segurança.
- Pelo que? – ele pareceu confuso.
- Por me ajudar a esquecer dos problemas e rir um pouco. – meus lábios se curvaram num sorriso sincero, sendo acompanhados pelos dele.
- Sempre que precisar. – beijou minha testa e deu partida, indo em direção ao apartamento de novo.


Capítulo 13 - Heart Attack

“Você me faz brilhar
Mas eu disfarço, não vou demonstrar
Então estou armando minhas defesas
Porque não quero me apaixonar
Se alguma vez fizesse isso
Acho que teria um ataque cardíaco”

“Você escapou de mim por um mês, , hoje não vai... Te vejo no X Factor. P <3”
Acordei com essa mensagem de Perrie fazendo drama. Eu não estava fugindo dela, estive muito ocupada pra conversar sobre a minha vida amorosa... Ok, ok, talvez eu estivesse fugindo desse assunto, mesmo que adorasse passar tempo com Shawn. A questão é que, ela vai querer saber tudo. E quando digo tudo, é absolutamente tudo. Não quero contar a ela, porque do jeito que eu sou, vou acabar repelindo o garoto em pouco tempo, então prefiro que minhas amigas não criem expectativas de que vou arrumar um namorado e finalmente esquecer Harry de uma vez. Seguir em frente.
Também estive muito ocupada nesse último mês. Logo depois do halloween eu voltei a Londres eu fiz a mudança do apartamento para minha casa, de onde eu saia para ir compor e gravar músicas do próximo álbum, que deve ser lançado em janeiro. Por que tão rápido? Bom, Kath conseguiu com que um dos empresários assinasse contrato, me escalando para abrir a turnê da Taylor Swift a partir de agosto, e isso resultou em eu ter que rodar a Europa entre abril e julho. Seriam quatro meses rodando o máximo da Europa em que conseguisse, seguindo para a América do Norte, passando para Oceania, finalizando na Ásia. Sim, seria um ano muito, muito ocupado e este era outro motivo de não querer criar expectativas em cima de Shawn. Não teríamos tempo para nos ver.
Plena e de moletom, segui o caminho para a Wembley Arena. O motorista me deixou dentro da arena e segui pelos corredores até o meu camarim. Tomei café da manhã ali, porque tinha saído correndo de casa para chegar a tempo. Sempre irei priorizar o sono a comida. Assim que terminei o café, bateram em minha porta – e era um dos profissionais que trabalhavam para que o programa desse certo – dizendo que estava na hora de eu ir passar o som. Ao fim da passagem, voltei para o camarim me deparando com Perrie sentada no sofá.
- Te disse que você não escapava hoje. – sorriu assim que abri a porta.
- Eu não tava fugindo de você. – dei ombros entrando e fechando a porta.
- Ah não? – neguei com a cabeça. – Ta bom, então começa a falar...
- Onde estão as meninas? – peguei uma garrafinha de água e sentei do lado dela.
- Ta vendo, você ta se esquivando, . – ela segurou meus ombros. – Sou eu, Perrie, sua melhor amiga, não precisa de segredo.
- Pezz...
- Nada de “Pezz”. – ela tentou imitar minha voz. – Pode começar.
- Ok. – suspirei e comecei a contar o que estava acontecendo. Ela ouvia atenta a cada detalhe e se surpreendia com algumas coisas.
- E o que vocês são? – ela disse ao final da história.
- Somos amigos? – franzi o cenho. – Você perdeu essa parte da história, Perrie?
- Amigos não se beijam... – ela sorriu.
- Eu já beijei o Niall... – lembrei e ela desfez o sorriso.
- Você não cogitou em nenhum segundo sequer abrir esse seu coração para ele? – ela arqueou uma sobrancelha. – Digo, é visível que ele faz bem para você.
- Não sei, acho que não daria certo. – desbloqueei o celular na tentativa de desviar a atenção do assunto.
- Não daria certo? – ela tirou o celular de minha mão, me fazendo a encarar. – Ele te trata bem, aparenta ser um fofo, ele sai do Canadá só para passar um tempo com você, deixa de ir numa festa das Kardashians pra passar a noite contigo, e você ainda tem a ousadia de dizer que “não daria certo”? – Peguei uma almofada e levei ao rosto. – Se isso não der certo é por que você não quer que dê, .
- Perrie, nós já conversamos sobre isso. – disse por baixo da almofada.
- VOCÊ TEM QUE SE DEIXAR LEVAR, ! – Ela gritou arrancando a almofada de mim e a jogando longe. – Você já devia ter superado o Harry, já faz tanto tempo.
- Eu já superei, mas não to pronta pra me apaixonar de novo. – confessei suspirando fundo.
- Quando isso aconteceu com Luke dava pra entender, você tinha terminado há poucos meses, mas agora já faz um ano, , você precisa seguir em frente. – sua mão alcançou meu ombro. – Pensa nisso, eu preciso ir ensaiar. – me abraçou e saiu do camarim, me deixando ali pensativa. É, acho que realmente está na hora de seguir em frente.
Após o almoço tivemos um ensaio geral do programa, onde passamos o som mais uma vez, mas agora com toda a equipe de dançarinos e estruturas necessárias para as apresentações montadas para calcular o tempo que cada coisa levaria. O programa era ao vivo, então qualquer erro, mesmo que de milésimos de segundo, poderia fazer tudo desandar, então todo cuidado era pouco.
Faltando uma hora para a apresentação, já me encontrava totalmente arrumada. Meus cabelos estavam soltos com algumas ondas, maquiagem com bastante brilho e lábios com um tom vinho escuro. Vestia um vestido soltinho salmão, que era amarrado na cintura para marcá-la, e botas over knee pretas. Sim, vestido, pois a coreografia dessa música pedia um, por conta dos movimentos mais soltos.
Dez minutos para entrar no palco. Uma produtora bateu em minha porta avisando e segui o caminho tão conhecido. A sensação de estar ali ainda era assustadora e traziam muitas memórias das primeiras audições. A estrutura do palco não era tão trabalhada quanto para os outros artistas. Era uma estrutura composta por alguns cubos brancos onde alguns dos dançarinos estariam em cima.
A música que seria considerada o lead single seria Stay, uma canção com a participação do Zedd, que infelizmente não pôde estar presente. Os acordes começaram dando início a apresentação.

Waiting for the time to pass you by
(Esperando o tempo passar para você)
Hope the winds of change will change your mind
(Espero que os ventos da mudança te façam mudar de ideia)
I could give a thousand reasons why
(Eu poderia te dar mil motivos)
And I know you, and you've got to
(E eu te conheço, e você tem que)
Make it on your own, but we don't have to grow up
(Fazer isso sozinho, mas não temos que crescer)
We can stay forever young
(Podemos ficar jovens para sempre)
Living on my sofa, drinking rum and cola
(Vivendo no meu sofá, bebendo rum e Coca-Cola)
Underneath the rising sun
(Debaixo do sol nascente)
I could give a thousand reasons why
(Eu poderia te dar mil motivos)
But you're going, and you know that
(Mas você está indo, e você sabe que)

Comecei a cantar entrando na arena por uma passarela e caminho que levariam ao palco principal. Essa era uma tática para aproximar os fãs de seus ídolos.

All you have to do is stay a minute
(Tudo o que você tem que fazer é ficar um minuto)
Just take your time
(Leve o tempo que precisar)
The clock is ticking, so stay
(O relógio está correndo, então fique)
All you have to do is wait a second
(Tudo o que você precisa é esperar um segundo)
Your hands on mine
(Suas mãos nas minhas)
The clock is ticking, so stay
(O relógio está correndo, então fique)
All you have to do is
(Tudo o que você tem que fazer é)
All you have to do is stay
(Tudo o que você tem que fazer é ficar)

Won't admit what I already know
(Não vou admitir o que eu já sei)
I've never been the best at letting go
(Nunca fui a melhor em desapegar)
I don't wanna spend the night alone
(Não quero passar a noite sozinha)
Guess I need you, and I need to
(Acho que preciso de você, e eu preciso)
Make it on my own, but I don't wanna grow up
(Fazer isso sozinha, mas eu não quero crescer)
We can stay forever young
(Podemos ficar jovens para sempre)
Living on my sofa, drinking rum and cola
(Vivendo no meu sofá, bebendo rum e Coca-Cola)
Underneath the rising sun
(Debaixo do sol nascente)
I could give a thousand reasons why
(Eu poderia te dar mil motivos)
But I’m going, and you know that
(Mas eu estou indo, e você sabe que)

Cantei outra vez o refrão e estava realmente me divertindo com a performance. E tudo ficava melhor com a plateia tentando cantar junto, já que tinham alguns versos que se repetiam na música. Segui para o bridge e para o fim da canção. A coreografia era bastante agitada, mas somente nas partes que havia apenas o instrumental e eu não precisava cantar, pois a apresentação precisava ser impecável e sem nenhum lipsync. Ao fim da performance fui aplaudida de pé pelos jurados e todas as pessoas que estava ali. A única coisa que consegui fazer foi dizer obrigada e sorrir, antes de finalmente sair do palco em formato de “x”.
Segui para o camarim, trocando de roupa para a after party do programa. Estava ansiosa para saber quem seria o vencedor desta edição, todos eram muito bons, mas estava torcendo para que o grupo Rak-su ganhasse. Grace não era ruim, era muito boa, mas não despertava aquela alegria quanto os quatro garotos faziam.
No fim de tudo, Rak-su realmente ficou em primeiro lugar e nós seguimos para a festa. Não seria num lugar reservado só pra isso, apenas iriamos para uma balada e colocar tudo o que consumíssemos na conta da Syco. Dentro da van eu estava com as meninas da Little Mix, que elogiaram o novo single e mal podem esperar para ouvir o álbum completo. Pediram por exclusividade e que eu as mande assim que terminasse de gravar. Chegamos na Eletric Brixton sendo bombardeadas por flashes dos paparazzi, mas logo seguimos para dentro do clube, subindo para o camarote.
A noite foi animada. Por um momento pude ter uma vida “normal”, já que ultimamente tudo vinha sendo trabalho, trabalho e mais trabalho. O álbum estava quase pronto. Faltavam umas duas músicas apenas para serem gravadas, e então eu teria um tempo de descanso até a data de lançamento, antes da loucura começar outra vez.
Como era de se esperar, terminamos a after party como cinco bêbadas rindo da própria sombra. Nos despedimos uma de cada vez, já que a mesma van que nos trouxe, nos deixaria em casa. A primeira a ser deixada em casa fui eu, já que era a que morava mais próximo de onde estávamos. Me despedi de todas e ao dar um abraço em Perrie, ela apenas disse em meu ouvido “Dá uma chance para aquele garoto, , ele pode te fazer feliz”. Assenti e segui o caminho até minha porta.
Tomei um banho e deitei na cama esperando o sono chegar, mas estava muito desperta para dormir. Peguei meu celular para checar as mensagens e tinha uma de Shawn perguntando onde eu iria passar o ano novo. Decidi ligar, mesmo não sabendo se ele estava ocupado ou não.
- Hey! – atendeu surpreso. – Você não devia estar dormindo?
- Devia, mas cheguei agora pouco da after party do The X Factor. – expliquei para ele. – Então, provavelmente vou passar em alguma festa aqui em Londres, por que?
- Hm, o que você acha então de eu e você na Times Square? – sugeriu e eu senti o celular vibrar. Afastei e vi que era uma mensagem de meu irmão dizendo que os passaportes não ficariam prontos a tempo das festas de fim de ano. Resmunguei um palavrão em português. – Tudo bem, se não quiser, não tem problema algum, .
- Não é isso... – suspirei. – Meu irmão não vai poder vir para o natal e eu não posso deixar o hemisfério norte, então vou ter que ficar aqui sozinha, ou talvez eu vá para a casa da Perrie. – estava triste – Mas sim, ano novo, Times Square, adorei a ideia! – exclamei e ouvi uma risada anasalada do outro lado.
- Vem passar o natal comigo e com meus pais. – convidou e eu franzi o cenho.
- Não precisa convidar por pena, Mendes. – levantei da cama indo até a cozinha.
- Eu imaginava que ia passar o natal com sua família, por isso não disse antes. – ouvia enquanto caminhava no escuro. – Mas você devia vir, Aaliyah vai adorar te conhecer, ela é sua fã. – sorri ao colocar água no copo. Sabia que ela era sua irmã, ele já havia comentado dela algumas vezes.
- Ok, eu vou. Mas só por conta de Aaliyah. – voltei para o quarto. – Aliás, o que eu compro de presente para ela? E pros seus pais?
- Pra ser honesto nem eu sei o que comprar para eles. – confessou e eu resmunguei.
- E para você? – lancei o pegando desprevenido. – O que você quer de natal?
- Não vou te dizer, . – riu do outro lado.
- Isso é maldade. Você me chama para passar esse feriado maravilhoso contigo e não me diz nem o que eu posso comprar em agradecimento? – me fiz de vítima, ouvindo um “esquece, não vou dizer” do outro lado da linha. – Você é um ser humano horrível. – bocejei. – Estou com sono, acho que vou dormir.
- Vá mesmo, já está tarde. – olhei o relógio que já marcava quatro da manhã. – Boa noite, . Durma bem.
- Boa noite para você também. Sonhe com o presente para seus pais e irmã e depois me conta. – ele riu baixinho do outro lado. – Beijos.
Desliguei e coloquei o celular no criado ao lado da cama, finalmente me entregando ao sono.




Continua...



Nota da autora: Será que agora, depois de um puxão de orelha de Perrie esse casal finalmente sai?! Pois eu espero que sim!!
Nossa linda PP tem um perfil no Instagram, mores! Vou deixar como primeiro icone aqui nas mídias! <3
AAH e não se esqueçam de entrar no grupo do whatsapp clicando no ícone logo abaixo, lá pretendo estar mandando os queridíssimos spoilers que tanto amamos <3



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