Última atualização: 12/06/2020

I

A casa era maior do que ela havia imaginado.
Claro que, a essa altura, ela já deveria ter se acostumado, morando na casa há mais de um mês. Mesmo assim, todos os dias, ainda se impressionava com o tamanho do local.
Não que sua casa no Brasil fosse modesta; era uma casa relativamente grande. Mas a casa da família O'donnell parecia muito maior. Talvez fosse porque tinha quartos demais, ou talvez porque era uma casa em Londres e isso ainda a impressionava.
Ela ainda coçava os olhos enquanto andava lentamente pelo corredor, o estômago retorcendo de fome. Mas, antes de ir até a cozinha, precisava cumprir seu ritual matinal.
Lenta e cuidadosamente, abriu a porta do quarto de Liam, encontrando o garoto ainda dormindo profundamente, abraçado a sua pelúcia de girafa. Ela sorriu doce, reprimindo a vontade de ir até o cama de Liam e beijar sua bochecha rosada. Em pouco mais de um mês morando naquela casa e cuidando do garoto, já tinha se afeiçoado a ele de uma maneira que sequer achava ser possível.
Após fechar a porta tão cuidadosamente quanto havia aberto, desceu as escada murmurando uma música antiga, que ela provavelmente só conhecia por causa do pai. Assim que chegou na cozinha, encontrou um delicioso cheiro de torradas, e Charlie tranquilamente comendo e olhando a tela do próprio celular.
— Bom dia, Charlie — a voz dela soava realmente animada. — Cadê a Rachel e o Lewis?
— Bom dia, — Charlie não desviou o olhar da tela. Estava tudo bem, ele não fazia por mal, já estava se acostumando. — Ela precisou sair correndo por causa de uma matéria de última hora, provavelmente vai passar o dia fora. Mas fica tranquila, eu vou ficar com o Liam.
— Você sabe que eu amo cuidar do Liam, Charlie — riu baixo enquanto se sentava à mesa e começava a preparar o próprio café da manhã com os ingredientes que Charlie havia espalhado ali.
— Eu sei, mas ele dá trabalho e hoje é sua folga. Vai curtir um pouco, menina.
— E o Lewis? Ainda dormindo? — falar de boca cheia era uma prática horrível mas mesmo assim ela estava fazendo aquilo. Péssima.
— Até parece — os olhos do mais velho reviraram antes de ele finalmente parar de olhar para o celular e encarar . — Acordou em um pulo, mal tomou café da manhã e já saiu correndo pra casa dos Holland pra jogar vídeo game com o Paddy.
balançou a cabeça enquanto mastigava. Paddy era o melhor amigo de Lewis, os dois praticamente inseparáveis. Iam e voltavam da escola juntos, faziam os deveres juntos, saíam juntos, jogavam vídeo game juntos. Praticamente viviam juntos. Era realmente bonitinho de ver.
— Você tem curso hoje, não tem? — a pergunta de Charlie a tirou de seu temporário devaneio.
— Sim — ela tentou não parecer animada demais, o que era quase impossível. — O dia inteiro, como sempre.
— Quer que eu te leve e te busque?
— Não precisa, obrigada — todos os sábados Charlie oferecia, mas sempre negava.
Mesmo quando morava no Brasil, gostava de caminhar. Odiava pegar transporte público, claro, mas caminhar era revigorante. E o local do curso não era tão longe, entre vinte e trinta minutos de caminhada. Quer dizer, não era pouca caminhada, mas também não era nada insuportável. E aquela região era bonita, realmente bonita. Cheia de árvores. A caminhada ficava agradável.
O local do curso também era muito bonito, uma casa um pouco antiga e bem cuidada. Excelente locação para um curso de fotografia.
Todos da turma já estavam reunidos quando ela chegou, faltando apenas a professora. Uma garota de traços asiáticos e cabelo azul sorriu para enquanto ela se aproximava. Ava Ayumi Nakayama era a pessoa preferida de naquele grupo porque ela sempre tinha uma piada sarcástica na ponta da língua.
— Pronta para mais um lindo dia de fotos de plantas? — a animação de Ayumi era quase contagiante. Aquele comentário poderia parecer sarcástico, mas a garota realmente amava fotografar a natureza.
— Sempre — a cumprimentou com um rápido beijo no rosto, algo que Ayumi havia estranhado no começo com agora já estava até acostumada.
Não demorou para que a professora chegasse e, para a alegria de , aquele dia de curso enfim iniciasse.
Os sábados eram o dia preferido de . Quando decidiu fazer aquele programa de Au Pair, a escolha da Inglaterra pareceu a mais óbvia, uma vez que sempre teve interesse por conhecer a Europa. Demorou mais ou menos dois meses para que finalmente encontrasse a família O'donnell, e honestamente ela não poderia estar mais feliz. Charlie e Rachel eram um casal maravilhoso, claramente apaixonados e, mesmo que a vida obviamente não fosse perfeita, eles eram o mais próximo que já havia conhecido de casal de comercial de margarina.
Tinha Lewis, um garoto de 15 anos que… Bom, era um garoto de 15 anos. Parte da turbulência geralmente vinha dele, mas no geral até mesmo Lewis era tranquilo. Mesmo que o trabalho de não fosse cuidar do adolescente, vez ou outra ela se pegava ajudando com matérias escolares das quais ela ainda se lembrava, ou que a faculdade tinha ajudado.
E, claro, Liam. O garoto de dois anos era a criança mais doce que já havia visto em toda sua vida. Claro que às vezes fazia bagunça, manha ou até mesmo desobedecia, mas nada que não fosse controlável. Os momentos divertidos sempre ganhavam dos pequenos momentos de pirraça.
Então, no geral, a vida com os O'donnell era realmente maravilhosa. E mesmo assim, os sábados ainda eram perfeitos porque ela ficava o dia inteiro em seu curso de fotografia, e aquilo sempre fazia seu dia melhorar em cem por cento.
havia trancado a faculdade de Química no ano anterior porque… algo não parecia certo. E desde então se sentia um pouco perdida. Mas, já em sua primeira semana, Rachel lhe contou sobre um novo curso que iria começar, e ela decidiu tentar a sorte.
E a sorte tinha sorrido para ela.
Era como se, com a fotografia, ela estivesse se descobrindo novamente. No começo, nas primeiras aulas, ela teve que usar os equipamentos do próprio curso porque não tinha equipamento próprio. Mas depois, Charlie e Rachel a presentearam com uma câmera profissional antiga de Rachel e, mesmo que ela ainda precisasse comprar lentes, ela já se sentia quase que uma profissional.
Durante todo o dia, aprendeu mais sobre luz, angulação, foco, aprofundando cada vez mais seus conhecimentos. Quando a tarde caiu e já estava na hora de ir embora, ela se sentia revigorada, como se tivesse cumprido bem seu trabalho.
, quer ir almoçar no Olive Grove amanhã? — Ayumi perguntou enquanto as duas começavam a caminhar de volta para casa.
— Pode ser — concordou com um sorriso. — Aquela sopa deles é incrível.
— Sopa não é comida, .
— Você ‘tá errada — as duas riram antes de se despedir, virando para lados opostos da rua.
A caminhada de volta era tão agradável quanto da ida, e em pouco menos de meia hora ela já estava novamente em casa - a casa O'donnell, que era também sua por um ano inteiro - e gritando para anunciar sua chegada, como em qualquer filme ou série ruim.
, corre aqui por favor — uma voz também gritada a respondeu, vindo do andar de cima da casa.
colocou a própria chave no porta-chaves e subiu as escadas o mais rápido que conseguiu. Ao chegar no topo, chamou novamente por Charlie, encontrando-o no banheiro da suíte do casal. Pedindo licença e acreditando com todas as suas forças que Charlie nunca a colocaria em uma situação complicada, entrou no banheiro.
Charlie estava agachado de frente para banheira, usando apenas a calça. Dentro da banheira, parecendo completamente feliz, estava Liam, rodeado por inúmeros brinquedos flutuantes, vez ou outra jogando água para todo lado. Rindo, se aproximou mais, vendo Liam sorrir em sua direção.
— Já tá tomando banho, garotão? — ela também se ajoelhou em frente à banheira, vendo o garoto rir e concordar.
— Fala pra porque você tá tomando banho, Liam — a clara reprovação no tom de voz de Charlie com certeza não era um bom indicativo.
— Eu joguei comida — Liam parecia não ter vergonha alguma.
Naquele momento tudo que queria era rir, mas sabia que essa atitude não iria ensinar ao garoto o correto, então fez um enorme esforço para manter a expressão neutra e estreitou os olhos para a criança, tentando parecer reprovadora o bastante.
— É muito feio brincar com comida, Liam.
— Desculpa, — Liam parou de rir, fazendo uma carinha triste. Depois olhou para Charlie: — Desculpa, papai.
Nenhum dos dois resistiu àquele momento, abrindo um sorriso e aceitando as desculpas da criança. Logo Liam já estava voltando a se divertir na banheira, jogando água pra todo lado e brincando com seus patinhos de borracha.
, você pode me fazer um super favor? — Charlie esperou acenar confirmando antes de de continuar: — Daqui a pouco a Rachel vai voltar pra casa e vai trazer comida daquele restaurante que ela ama. Enquanto eu termino de arrumar o Liam, você consegue dar um pulinho nos Holland e pedir pro Lewis vir pra casa jantar?
— Claro — bagunçou os poucos fios de cabelo de Liam antes de se levantar e sair do banheiro, deixando pai e filho aproveitarem mais daquele momento.
Ela gostava dos Holland. Tinha sido apresentada a eles logo em sua primeira semana, principalmente por culpa de Lewis - apesar dos pais Holland e pais O’donnell parecerem realmente ótimos amigos -, e já tinha se dado bem com os gêmeos Harry e Sam logo de cara. Talvez fossem por conta das idades próximas ou pelos gostos semelhantes, mas demorou pouquíssimo tempo para que eles já conversassem como se fossem velhos conhecidos.
Em questão de segundos já estava atravessando a rua e tocando a campainha da casa da frente, deixando a cabeça voar para séries de televisão enquanto esperava até a porta ser aberta por um sorridente Sam.
— Você chegou na hora perfeita — o sorriso do rapaz era contagiante, mesmo que ela não fizesse ideia de qual era o motivo. — Eu 'tô fazendo torta holandesa, vem cá.
Logo ela já estava seguindo Sam para dentro da casa, parando apenas na sala onde Lewis e Paddy estavam sentados no sofá, totalmente concentrados na televisão onde o PlayStation estava conectado.
— Lewis, quando chegar o próximo checkpoint pode salvar o jogo porque vamos embora — ela sabia que tinha soado um pouco autoritária mas assim era a vida.
— Ah, , só mais um pouquinho — Lewis parecia chateado.
— Eu não faço as regras, Lewis — tentou não rir. — Sua mãe tá chegando com o jantar, ela vai ficar puta da vida se você não estiver lá, e nenhum de nós precisa disso. Aproveita pra chegar em um save enquanto eu checo o que o Sam tá aprontando na cozinha.
chegou na cozinha a tempo de ver Sam revirar olhos enquanto mexia uma panela no fogão. Sorrindo, ela chegou mais perto do rapaz, sentindo um delicioso cheiro de chocolate que aos poucos ganhava mais espaço no cômodo.
— Você vai me dar um pedaço da torta? — ela olhou para a panela, achando incrível como cada mexida de Sam parecia totalmente precisa.
— Na verdade eu já estou fazendo duas. Os O'donnell nunca me perdoariam se eu não desse um pouco pra eles.
— Eu 'tô só imaginando a bagunça que o Liam vai fazer comendo isso — balançou a cabeça. A imagem mental era completamente adorável, mesmo que fosse seguida de horas de limpeza.
— Deixa eu te perguntar uma coisa — Sam falou casualmente. — Você tem planos pra mais tarde?
— Não — quer dizer, ficar deitada assistindo Netflix provavelmente não encaixava como um grande plano.
— O Tuwaine vai fazer uma reunião de amigos na casa dele. Vai todo mundo aqui de casa — franziu as sobrancelhas para aquela frase. — Menos meus pais e o Paddy, óbvio.
— Ou seja, vai só você e o Harry.
— E o Tom — ela sempre esquecia que eles tinham um irmão mais velho famoso. — Enfim… Quer ir também?
— Eu não quero atrapalhar — ela balançou os ombros, não se sentindo confortável em discordar daquela frase.
Ela queria sair com Sam, Harry e o resto dos amigos deles. Desde a primeira semana dela, os gêmeos tinham sido completamente simpáticos, ela não tinha do que reclamar. De certa forma, eles tinham ajudado-a a se sentir acolhida naquele novo país. Mas mesmo que eles se dessem realmente bem, ela sentia que eles ainda não tinham tanta intimidade a ponto de se meter na vida deles dessa maneira.
— Não vai atrapalhar, eles vão gostar de ter gente nova no rolê — chegou a abrir a boca para contestar, mas Sam rapidamente a cortou: — Vai sim, vamos sair daqui umas sete.
— Sam… — ela pegou o próprio celular, checando a hora. — Isso é daqui quarenta minutos.
— Então sugiro que você vá se arrumar logo. Daqui a pouco a gente te busca.
Repetindo diversos palavrões mentalmente, nem se despediu de Sam. Apenas voltou para sala e praticamente obrigou Lewis a sair da frente do video game, enfim levando-o para casa, mesmo que o garoto estivesse com a expressão totalmente amarrada.
Ela mal cumprimentou Rachel, que aparentemente havia acabado de chegar. apenas avisou que não participaria do jantar porque sairia com os gêmeos - o que era bom, dava aos O'donnell um tempo a sós em família. Em seguida correu para o próprio quarto, tirando a própria roupa e indo para o pequeno banheiro para tomar um rápido banho.
Enquanto corria para ficar pronta, ela xingava Sam mentalmente por tê-la convidado tão em cima da hora, apesar de estar bastante feliz por simplesmente ter sido convidada. Era bom que essa "reunião" fosse bem divertida.



II

Às sete em ponto a campainha da casa O’donnell tocou. tentou terminar de passar o batom o mais rápido possível sem fazer muita bagunça. Mal checou a própria imagem no espelho antes de pegar a bolsa e descer quase correndo, se despedindo rapidamente da família O'donnell, que agora estava reunida à mesa, jantando.
Sam a cumprimentou com um sorriso, fazendo sinal para que ela o seguisse até o carro, que já estava parado em frente à casa dos Holland. Quando entraram no carro, Harry estava na cadeira do motorista, um sorriso enorme para cumprimentá-la. Após os três se ajeitarem no carro, Harry finalmente falou:
— Quer dizer então que o Sam conseguiu te arrastar — não era uma questão, Harry estava apenas constatando o óbvio.
— Bom, não é como se eu tivesse muitos planos para um sábado a noite, né — ela balançou os ombros, também rindo.
— Vai ser tranquilo, só uma reunião de amigos. O Tom ‘tava nos Estados Unidos há um tempinho pra gravar, como ele voltou essa semana, vamos comemorar — Sam, que estava no banco do carona, se virou, ainda sorrindo, os cabelos um pouco mais longos quase caindo sobre seus olhos.
— E aí você me chama para ser a intrometida no rolê, entendi — ela estreitou os olhos para o gêmeo, que apenas riu e também balançou os ombros.
— O pessoal ama gente nova no grupo. Depois de tantos anos das mesmas caras, é sempre bom inovar as amizades — Harry falou.
A caminho era realmente rápido, mal dando vinte minutos. Eles desceram do carro conversando e rindo, caminhando até a entrada da casa e tocando a campainha. Se prestasse muita atenção, conseguiria ouvir uma música baixa vinda da casa, nada alto para que não parecesse realmente que se tratava de uma festa. O que, pelo visto, eles queriam deixar claro que não era.
A porta foi aberta por um rapaz gigantesco, de pele escura e sorriso divertido. Se já não estivesse rindo por causa dos gêmeos, ela com certeza começaria a rir agora. Ela não sabia quem era aquele rapaz, mas ele com certeza parecia ser super divertido, e sendo a pessoa extrovertida que era, já estava anima por conhecê-lo.
— Finalmente vocês chegaram! — o rapaz puxou primeiro Harry para um abraço de urso, ignorando completamente todas as reclamações do gêmeo. — Eu só perdoo porque trouxeram uma pessoa nova.
— Tuwaine! — Sam tentava de todo jeito desviar do amigo, que tinha soltado Harry e agora tentava agarrá-lo. — Essa é a , ela tá de Au Pair na casa dos O’donnell e às vezes tem que ir em casa arrancar o Lewis de lá.
— Para de fugir, Sam! — Tuwaine finalmente conseguiu agarrar Sam, abraçando o rapaz com força e também ignorando suas reclamações. Apenas após soltar Sam, Tuwaine encarou , mantendo o sorriso. — Eu ainda não vou te agarrar assim, mas saiba que é só uma questão de tempo.
— Não perco por esperar.
— Venham, entrem, fiquem à vontade. O irmão de vocês, o Harrison e a Olivia já estão acabando com todas as comidas e bebidas, acelerem! — Tuwaine entrou na casa, deixando o trabalho de fechar a porta para os recém chegados.
A casa era relativamente menor que a dos O'donnell e dos Holland, mas ainda parecia ser grande o bastante. Em apenas três cômodos eles já estavam na porta dos fundos, saindo em um agradável jardim com iluminação parcial e cheiro de grama recém cortada. Algumas pessoas riam e conversavam, parando apenas quando eles fecharam a porta da casa.
— Então vocês decidiram aparecer, finalmente — um rapaz moreno, extremamente parecido com Dominic, levantou as sobrancelhas para os gêmeos.
Não tinha como negar, aquele era Tom, o irmão mais velho. O gene que parecia correr na família Holland era óbvio demais, não tinha como ser confundido. sabia que Tom era famoso, muito famoso. Mesmo que ela não fosse fã de heróis, ela ainda sabia quem era o Homem-Aranha e a importância que ele tinha na Terra. Ter uma pessoa tão famosa ali, na sua frente, deveria ser intimidador. Mas ele tinha um rosto tão característico dos Holland que ela acabava se sentindo levemente confortável.
Ao lado, em espreguiçadeiras, estavam duas pessoas que não conhecia. Um deles era uma rapaz loiro, de olhos claros e ridiculamente lindo, provavelmente a pessoa mais linda daquele local. Ao lado dele estava uma garota igualmente loira, de cabelos longos e sorriso simpático.
— Uma garota! — a loira falou antes de se levantar e praticamente voar na direção de , a agarrando com uma força descomunal. — Finalmente mais uma garota nesse grupo pra me salvar desse bando de homem chato depois que a Elysia me abandonou!
riu, retribuindo o abraço da garota com a mesma intensidade, vendo Sam revirar os olhos. Aquela sim era uma excelente maneira de ser recepcionada em um grupo onde ela não conhecia praticamente ninguém. Ouviu uma risada parecendo irônica ao fundo, mas não conseguiu ver quem havia rido.
— A Elysia só foi viajar, gente — Sam revirou os olhos, mas foi praticamente ignorado pelo resto do grupo.
— Você vai assustar a menina nova, Olivia — o menino loiro falou enquanto Olivia soltava , ainda ficando de pé ao seu lado.
— Tá tudo bem, calor humano é sempre bom — torceu para ter soado engraçada, o que pareceu dar certo, já que todos ali acabaram rindo. — Eu sou a , sou babá do Liam e de vez em quando do Lewis também.
— Eu sou a Olivia — a garota loira segurou sua mão e a guiou até uma das espreguiçadeiras que tinha ali, deixando mais perto de todos. — O outro loiro ali é o Harrison e o Tom você já deve conhecer.
encarou Tom por um segundo, vendo-o sorrir para ela. Sorriu de volta, torcendo para parecer simpática o bastante.
— Pior que não — respondeu enquanto sentava no local que Olivia havia indicado. — Ele não estava nenhuma das vezes que fui nos Holland.
— Eu não moro lá. E eu sou famoso, então… — Tom balançou os ombros.
franziu as sobrancelhas, sentindo que Tom havia soado levemente babaca. Não sabia se era apenas coisa da sua cabeça, mas parecia que, com aquela frase, Tom queria parecer superior a todos os outros. Como se ser famoso o tornasse alguém melhor que todos eles.
Mas com certeza era coisa de sua cabeça, então apenas sorriu.
— Bom, se um dia você visitar seus pais, o Sam fez uma torta holandesa deliciosa — ela balançou os ombros e Tom ergueu as sobrancelhas enquanto Harry dava uma risadinha.
Ah não. Ela tinha soado provocativa. Merda! Ela odiava quando fazia isso sem querer. As reações pareciam as mais diversas. Harry e Harrison riam, Tuwaine e Sam pareciam chocados e Olivia estava perdida entre olhar para e para Tom.
— Pode deixar, quando eu visitar meus pais, vou fazer questão de comer a torta que meu irmão fez. Aliás, sinta-se convidada para se juntar a nós, já que você conhece minha família tão bem assim.
Se havia uma maneira de se começar mal um relacionamento, era aquela. Era óbvio que Tom já não gostava de , e ela não iria mentir dizendo que tinha sentimentos positivos em relação ao rapaz. Harrison, que tinha levantado em algum momento que sequer tinha percebido, estendeu uma long neck para ela, que agradeceu baixo antes de dar um longo gole.
— Enfim… Conta um pouco mais sobre você pra nós, — Harrison sentou no mesmo lugar que estava antes, claramente fazer um grande esforço para tentar deixar o clima mais leve.
— Não tem muita coisa interessante, para ser sincera — ela balançou os ombros antes de dar um longo gole em sua bebida. — Eu sou do Brasil, vim fazer Au Pair por um ano e cuido do Liam.
— E você pode beber e cuidar de uma criança? — Tom perguntou.
Poderia ter sido inocente. Uma simples curiosidade. Mas sentiu o tom do rapaz. Ele não estava tentando só achar assunto. Ele estava provocando e, pior que isso, claramente duvidando de seu profissionalismo. Naquele momento ela oficialmente já odiava o irmão mais velho dos gêmeos.
— Hoje é minha folga, então eu posso fazer o que eu quiser. Não que seja da sua conta, claro — o sorriso dela era obviamente forçado e qualquer um ali sabia disso. Assim como o dele.
Ainda que estivesse olhando atentamente para Tom, conseguia sentir o restante das pessoas se olhando preocupadas. A tensão agora estava óbvia, nenhuma tentativa de esconder o que estava acontecendo ali. Era idiota, era infantil, mas mesmo assim… Era aquilo. Ela não tinha ido com a cara de Tom, Tom não tinha ido com a cara dela. E assim seria, era mais fácil apenas aceitar.
Talvez as pessoas demorassem um pouco mais para aceitar aquilo e ela não poderia culpá-los por isso. Ela era a novata, a menina de fora. Era ela se metendo em um novo grupo, para o qual ela havia sido convidada apenas para uma reunião - e, pelo andar da carruagem não seria convidada novamente tão cedo.
Bom, existiam coisas piores na vida.
! O Tuwaine te mostrou a casa? — Olivia praticamente pulou da espreguiçadeira, atraindo a atenção das pessoas ali, o que quase fez um suspiro de alívio escapar dos lábios da brasileira.
— Não, ainda não.
— Ótimo — em questão de segundos a mão de Olivia já estava cobrindo a de , começando a guiá-la pela casa. — Vem, deixa que eu mesma mostro tudo!
Tão logo elas estavam na casa, já longe dos rapazes do grupo, Olivia parou e encarou . Os braços da loira foram cruzados, e não sabia dizer ao certo como agir a partir dali. Era óbvio que Olivia iria lhe dar um sermão. Quem pensava que era para falar daquele jeito com Tom e o seu grupinho de amigos? Ela era uma estranha que, honestamente? Nem àquele país pertencia, quem dirá àquele grupo.
— Você e o Tom claramente começaram com o pé esquerdo — e mesmo assim a voz de Olivia parecia… simpática.
— Eu não diria isso — tinha necessidade de mentir? Não tinha. Mas mesmo assim ela estava mentindo como a idiota que era. — Só…
— O Tom pode ser complicado — os ombros de Olivia balançaram enquanto ela voltava a caminhar pela casa, levando até a sala e se jogando em um confortável sofá, fazendo sinal para que a Brasileira fizesse o mesmo. — Especialmente quando ele está com todos os amigos.
— Não foi nada demais, só comentários com o timing errado.
— Sério? Porque parecia que ele estava falando que você não é profissional e um pouco folgada, e que você estava falando que era intrometido e não se importava muito com a família.
E era exatamente isso.
Olivia era mais analítica do que parecia, e o rosto de que começava a esquentar com certeza não esconderia o quanto ela sabia que outra garota estava completamente certa. e Tom definitivamente tinham apenas trocado farpas atrás de farpas.
— Eu não fui com a cara dele — finalmente admitiu, esperando o olhar de ódio que Olivia com certeza lançaria.
Mas tudo que a inglesa fez foi começar a rir.
— Como eu disse, o Tom, no meio dos amigos, pode ser um problema. Mas… Você se acostuma e, quando se dá conta, está gostando dele mais do que deveria — de novo os ombros de Olivia balançaram, e sabia que tinha algo ali, alguma história não contada. Mas ela não tentaria descobrir. Pelo menos não ainda. Era cedo demais.
Não demorou muito e as duas voltaram para o grupinho, e logo foi recebida por uma brincadeira leve vinda dos gêmeos, o que deixou seu coração um pouco mais leve. Ela poderia não gostar do Holland mais velho, mas com certeza gostava dos gêmeos e não queria perder a amizade com os dois por pouca coisa.
Durante a noite eles riram, brincaram, se conheceram melhor, contaram histórias sobre o passado, sobre a vida, sonhos futuros… E Tom e sequer olharam um para o outro. E ela sabia que isso não passava despercebido pelo restante do grupo, todo mundo com certeza estava notando a maneira como eles realmente se esforçavam para não dirigir a palavra um ao outro, ou para sequer trocar um olhar.
A noite já estava virando madrugada quando Sam anunciou que precisava ir embora e, mesmo sob protestos dos irmãos e amigos, o gêmeo não se deixou vencer. aproveitou para também se despedir, mesmo sob os pedidos quase chorosos de Olivia, que repetia “eu não aguento mais os meninos”.
Na volta, sentou no banco do carona, já que Harry iria ficar e ir embora com Tom e Harrison mais tarde - ou talvez apenas no dia seguinte, ela não tinha como saber. Ela afivelou o cinto e observou em silêncio enquanto Sam dava partida no automóvel - e agora entendia porque ele não tinha aceitado nenhuma bebida alcoólica. Alguém precisava dirigir, afinal.
— Então… — quem puxou o assunto foi Sam. — O que achou do pessoal?
— Legal — ela não queria falar que o irmão dele era um saco, ao menos não logo de cara. — O pessoal foi bem divertido. O Tuwaine é absurdamente engraçado, e o Harrison é um fofo e consegue deixar o Harry mais divertido ainda, o que eu achava impossível. E a Olivia, ela é feita de amor ou o quê?
— Algo assim — Sam ria, o que era um alívio. — Mas então… Você odiou o Tom, né?
E ali estava.
— Odiar é uma palavra muito forte.
— Ele também não gostou muito de você — Sam falou calmamente.
Ok, também não tinha gostado de Tom. Aquilo não iria deixá-la brava. Não mesmo. Por que ela ficaria? Tom era chato, de qualquer jeito. Ela podia viver com o fato de que ele não gostava dela. Não fazia diferença.
— Ótimo — ela cruzou os braços e, ok, aquela atitude era o completo oposto do que ela deveria ter feito. Idiota.
— Isso vai ser divertido — Sam riu e tentou não bufar.
Ela tinha completa certeza que Sam estava totalmente errado.



III

Naquela noite, dormiu como um bebê.
Acordou com batidas altas e repetitivas na porta. Coçou os olhos e se levantou devagar, tentando se manter acordada o bastante para não tropeçar nos próprios pés enquanto se arrastava até a porta. Do outro lado, encontrou Lewis com cara de poucos amigos, algo realmente comum aos quinze anos, ela não iria culpá-lo.
— Minha mãe perguntou se você vai querer almoçar — a voz combinava com a expressão de mau humor.
— Almoçar? — aquilo não fazia sentido.
Ou os O’donnell estavam almoçando muito cedo, ou…
correu até a mesa de cabeceira, pegando o celular vendo as duas únicas informações que importavam: já era quase meio-dia e ela tinha seis ligações perdidas de Ayumi. Ela apenas avisou a Lewis que não iria almoçar com eles, praticamente fechando a porta na cara do garoto enquanto corria para tirar a roupa e tentar se arrumar o mais rápido possível.
Porra — ela xingou quando desequilibrou e caiu por cima do celular, puxando debaixo de si mesma com alguma dificuldade e retornando a ligação para a amiga, esperando dois toques até ouvir o “alô” do outro lado da linha. — Não me mata.
— Vaca.
— Eu já ‘tô terminando de me arrumar e ‘tô saindo, prometo — não era nada fácil colocar a calça e falar no telefone ao mesmo tempo, estava fazendo um senhor esforço.
— Eu juro que você inventar de vir andando, ...
— Eu vou de Uber! Sério, vinte minutos e eu já chego! — a resposta de Ayumi foi apenas um sussurro antes de desligar.
se sentiu obrigada a prender os cabelos em um rabo de cavalo alto. Ela não teria tempo de tomar banho, o que por si só era extremamente incômodo já que ela odiava sair de casa sem tomar banho, e se tentasse pentear o cabelo, ficaria ali para sempre. E não adiantaria muita coisa, honestamente.
Mal falou com Charlie e Rachel antes de sair de casa, avisando rapidamente que almoçaria fora mas voltaria a noite para cuidar de Liam e dar um pouco de paz ao casal. Apenas ao chegar nos degraus do lado de fora novamente pegou o celular, abrindo o aplicativo do Uber e odiando o fato que gastaria para uma corrida que iria realmente durar pouco tempo.
? — uma voz conhecida despertou sua atenção.
Do outro lado da rua, Sam sorria para ela, os olhos escondidos por um óculos escuro que protegia do sol que estava realmente bastante fraco. Ela sorriu, clicando para pedir o carro e correndo até o portão, finalmente atravessando e cumprimentando Sam com um rápido abraço.
— Vai passear? — ele perguntou animado.
— Vou almoçar com a Ayumi no Olive Grove.
— Sério? Eu amo esse lugar, a torta de limão deles é a melhor sobremesa que eu já comi em toda minha vida — era incrível como Sam parecia muito mais animado quando estava falando de comida. — Vai a pé?
— Acabei de pedir o Uber, que está a… — ela checou o horário, fazendo careta logo em seguida. — Oito minutos de distância. Perfeito.
— Cancela aí, eu te levo lá.
— Não quero atrapalhar — ela balançou a cabeça negando.
— Eu ‘tô indo pro Tuwaine de novo, te dou carona. Cancela logo antes que cobrem a taxa, menina!
apenas riu e cancelou o pedido de corrida, aceitando a carona de Sam e entrando em seu carro. Pelo segundo dia seguido. Aquilo iria se tornar algum tipo de hábito? Não seria o pior hábito de mundo de se ter, era apenas um pouco… Inesperado. Ainda assim, quanto mais amigos ela fizesse na Inglaterra, melhor. Sendo a pessoa sociável que sempre tinha sido, não era acostumada a ter poucas “opções” de amigos com quem sair em fins de semana, por exemplo.
— Então, não quer ir pro Tuwaine hoje? — Sam falou, tirando de seus pensamentos, Ela franziu as sobrancelhas, um pouco perdida. Pelo que se recordava, não havia sido convidada a visitar Tuwaine em nenhum momento. — Aposto que o Tom está louco pra te ver de novo.
Ah sim, a provocação. É claro que aquilo não seria simplesmente esquecido. Não tinha sido exatamente uma cena linda ou agradável de se presenciar, duas pessoas que mal se conheciam sendo um tanto quanto idiotas uma com a outra, ela tinha que admitir isso. Agora precisava aceitar que aquilo seria sempre lembrado.
— Ha-ha. Vai ficar fazendo gracinha agora, Holland? — ela estreitou os olhos para Sam, que começou a rir.
— É engraçado, você não pode negar.
— O que, seu irmão ser um mala é divertido agora? — ela estava totalmente exagerando e iria negar esse fato por toda a eternidade.
tinha uma lista de defeitos enorme, com o tempo tinha aprendido a enxergar e reconhecer cada um deles. Teimosia era um eles. Ela dificilmente dava o braço a torcer, mesmo quando estava errada; sempre fazia absolutamente tudo a seu alcance para encontrar pelo menos um ponto mínimo em que estava certa, e então se abraçava a esse único ponto com sua vida.
Ela não se sentia orgulhosa de admitir, mas a verdade era que ela gostava de sair por cima em todas as situações.
— Vocês dois foram bem malas — e Sam estava certo, no fundo de seu coração ela sabia.
Mas ela também gostava de justificar em sua própria cabeça que só tinha sido mala porque Tom era babaca, e gente babaca merecia ser tratada com babaquice. E ela realmente não queria continuar aquele assunto com o irmão do chato em questão, então ficou realmente feliz ao ver o restaurante se aproximando, e o carro começar a parar. Realmente, se não tivesse dormido demais e se atrasado, com certeza teria ido andando.
— Tanto faz — foi assim que ela acabou o assunto, desafivelando o cinto enquanto Sam ia parando o carro. — Obrigada pela carona.
— Coma bastante torta de limão por mim! — ela conseguiu ouvi-lo gritar enquanto saía do carro e finalmente entrava no local.
Não foi difícil achar uma garota de cabelo azul no meio do restaurante, que estava relativamente cheio. caminhou até a mesa de Ayumi e sentou, abrindo um gigantesco sorriso. Que foi retribuído pela amiga com uma careta feia.
— Eu ‘tô só dez minutos atrasada, Ayumi. Me respeita — revirou os olhos e abriu o cardápio, começando a ler os pratos especiais daquele dia.
O que ela mais gostava sobre o Olive Grove era que, mesmo que ele tivesse um menu de opções comuns, ele também sempre tinha um menu variado, que mudava diariamente. Era a maior graça do restaurante, algo que ela nunca tinha visto antes e achava a coisa mais genial do mundo inteiro.
— Eu sei, mas eu gosto de incomodar — a garota riu, também folheando o próprio menu.
— Aparentemente você não é a única — já decidida, fechou o menu e bufou. Certo, não era o tipo de humor que ela deveria ter em um almoço com a amiga.
— ‘Tá, vamos pedir e você me explica o que foi isso — Ayumi também fechou o menu e elas chamaram o garçom, fazendo o pedido rapidamente. Assim que o garçom saiu levando os menus, Ayumi voltou a encarar . — Conta.
— Não é nada demais. Ontem eu conheci o irmão mais velho dos gêmeos e a gente não se deu muito bem, só isso — balançou os ombros, tentando fazer pouco caso e de alguma maneira dizer que aquilo não importava realmente.
— O irmão dos gêmeos? Ele é famoso, não é?
— Sim, o que só o torna mais prepotente e insuportável — ok, não sabia de onde tinha saído tanto ódio. Tinha sido um pouquinho exagerado.
— Prepotente e insuportável? — a maneira como Ayumi repetiu suas palavras só provava o quanto tinha sido exagerada. — Não ‘tá meio cedo pra falar isso? Você conheceu o cara literalmente ontem.
— Eu não quero falar do Tom, Ava — acabou chamando a amiga pelo nome inglês, agradecendo por ela não se importar. — Não nos demos bem e é isso. Vamos mudar de assunto, por favor.
— Certo… Eu comecei a assistir a série que você indicou. Community.
— Sério? — os olhos de brilharam instantaneamente. Aquilo sim era um assunto legal de ficar conversando por horas e horas. — E o que achou? Por favor, me fala que você ama o Abed!
— E tem como não? — a maneira como Ayumi também levava aquele assunto a sério chegava a provocar arrepios de emoção em . — O Abed e a Annie são os verdadeiros amores da minha vida. E eu realmente queria que o Pierce só morresse.
— Eles também. Todo mundo. Mas logo você descobre que o Pierce é muito importante na história.
No fim elas passaram o almoço inteiro falando de séries e filmes, porque era o assunto mais comum entre elas. E simplesmente amava demais aqueles momentos. Estar com Ayumi era quase como estar com seus amigos do Brasil. Ela se sentia quase em casa podendo falar sobre absolutamente qualquer assunto com alguém que a entendia tão bem.
Quando foram pagar a conta, acabou tendo uma ideia. Pediu um pedaço de torta de limão para viagem e sorriu, orgulhosa de si mesma, enquanto saía do restaurante com Ayumi. A garota apenas encarou o pacote na mão de e sorriu. Já estava acostumando sobre como a brasileira poderia ser um tanto… emocionada.
Como o restaurante não era realmente longe, decidiu voltar caminhando para casa. Foram vinte ótimos minutos de caminhada, durante os quais ela torceu com todo seu coração para que torta resistisse firme e forte. Talvez aquela não tivesse sido sua ideia mais genial, mas não era exatamente conhecida por sua genialidade, então deixaria passar esse erro pessoal.
Quando chegou ao local já familiar, foi direto para a porta da casa dos Holland, tocando a campainha e aguardando com um sorriso no rosto… que morreu assim que a porta foi aberta pelo mais velho dos filhos.
— Boa tarde, vizinha — o sorriso de Tom era horrível, ela odiava o sorriso dele. E ela tinha motivo sim!
— O Sam está? — ela não iria perder tempo retribuindo o cumprimento. Aquele cara nem morava ali, o que estava fazendo na casa dos pais?
— Ele saiu. Quer deixar recado? — Tom apoiou o braço na batente da porta de um jeito tão ridiculamente clichê que não conseguiu conter a maneira como seus olhos acabaram revirando.
— Entrega isso pra ele. Fala que é presente — ela estendeu o pacote onde a torta de limão estava (intacta, por favor!) embrulhada.
— Claro — ainda com aquele sorriso irritante, Tom pegou o pacote, antes de franzir as sobrancelhas para . — Você ‘tá ciente que o Sam tem namorada, né?
Ah, não — ela carregou o máximo de ironia que conseguia e, dado que ela uma pessoa conhecida por não ser exatamente adorável, era uma quantidade realmente grande. — Não acredito que não vou conquistar o coração do seu irmãozinho com minha incrível torta de limão. Meu mundo caiu.
— Relaxa, você nunca conquistaria o Sam. Ou o Harry. Ou ninguém aqui.
Tom era oficialmente o mais insuportável de todos os Holland e, se não gostasse tanto de Sam (como amigo), ela pegaria aquela torta e enfiaria goela abaixo daquele prepotente idiota.
— Decidiu fingir que se importa e visitar a família, Holland? — ela inclinou a cabeça e piscou de uma maneira inocente. — Foi pra isso que o Sam foi te buscar, né?
— Não que seja da sua conta… Qual é seu nome mesmo? Marta? Miriam? — Tom voltou a sorrir, mas dessa vez era possível sentir o ódio através do gesto.
. .
— ele parou de sorrir. — Mas hoje é noite de nos reunirmos para jogar. E eu sei que você ama minha família, mas não, você não está convidada. Pode deixar, eu falo pro Sam que você mandou um presente pra ele.
E assim, simples assim, ele bateu a porta na cara de , a deixando do lado de fora. Ela respirou fundo, sabendo que gritar ou ameaçar ou abrir a porta a força não faria absolutamente bem algum naquele momento. E ela ainda tinha um pouco de dignidade intacta em seu corpo, então iria fazer a única coisa que poderia: engolir o orgulho e voltar para a casa dos O’donnell. Ela ainda teria que cuidar de Liam pelo resto do dia para que Charlie e Rachel pudesse ter um pouco de paz.
Alguém tinha que ter.
Porque, enquanto voltava, deixava que a garota de onze anos na quinta série levasse a melhor e lhe dissesse que as coisas não iriam ficar desse jeito. Ela não iria deixar Tom Holland pisar em seu orgulho daquela maneira.



Continua...




Nota da autora: (12/06/2020) Sem nota



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