Última atualização: 16/12/2016

Capítulo 1

Após ouvir uma história inacreditável de uma amiga, fui obrigada a torna-la pública, por suas peculiaridades e seu encanto. O nome da aventureira é , não tinha família, foi criada em um lar para órfãos e assim que fez maior idade, tomou as rédeas de sua vida. Batalhou muito para conquistar o seu lugar no mundo dos negócios, que até então era seu único objetivo. Trabalhava a dois anos e meio em uma empresa de alimentos congelados, muito conceituada e respeitada por sua qualidade e o sabor incomparável de seus produtos. A princípio começou como operária na área de higiene de produtos e ao longo deste tempo foi se destacando e se tornou representante e assistente de diretoria, aprendendo rápido sobre o negócio e também outros idiomas.

Geralmente viajava com um de seus superiores para realizar contratos de serviços e produtos, visando o crescimento da empresa através de importação e exportação. Em uma reunião de diretoria foi implantada a ideia de começarem a produzir pratos prontos congelados, mas queriam sair do convencional (frango e carne moída). Dias antes, havia feito pesquisas diversas e uma destas era sobre caranguejos vermelhos. Entre uma ideia e outra que propunham, o vice diretor não se convencia até que ao lembrar da pesquisa, decidiu apostar em um palpite sutil atraindo a atenção daquele senhor com a seguinte frase: “Se queremos sair do convencional, podemos começar com frutos do mar, como por exemplo risoto de camarão ou espaguete com molho de carne de caranguejo vermelho, podendo ser refinado e simples ao mesmo tempo.” O vice diretor pensou sobre aquela ideia e a achou muito interessante e como ninguém mais se pronunciou ela foi mais audaciosa: “Pensando nos custos, poderíamos pesquisar em que localidades essa matéria prima seria mais viável, até mesmo para que quando chegar ao consumidor, o valor não exceda a sua expectativa.”

Definitivamente, não só conseguiu a atenção dele, como sua admiração e aprovação da ideia. Foi encarregada de fazer a pesquisa e os outros iriam auxilia-la. Não demorou muito, ela achou o exportador mais acessível (com valor mais em conta), mas não estava nada próximo pois ficava em uma ilha da Austrália e seria necessário uma viagem para pesquisa de campo e socialização com a empresa correspondente. Com uma questão de dias foram providenciadas as passagens para ela e seu supervisor, estava tudo em ordem, mas após um acidente doméstico (caiu da escada), o supervisor foi impedido de ir.

Como estava em cima da hora não conseguiriam substitui-lo e pensaram em adiar até que ele melhorasse, mas não queria perder aquela chance e se destacar ainda mais possibilitando uma promoção. Tomou a responsabilidade para si e os convenceu de que poderia ir sozinha. Com a autorização do vice diretor em comum acordo com a presidência, lhe dando todo o suporte necessário, ela seguiu viagem para a Austrália. Passou a noite em um hotel e de lá na manhã seguinte partiria em uma pequena embarcação exclusiva para sua viagem (alugado pela empresa) para Christmas Island. O trajeto demoraria uns três a quatro dias sem parada e ela já era aguardada pelo representante da empresa.

O céu estava limpo e não havia nem sinal de nuvens, o comandante tinha mais dois ajudantes e como de costume deram todas as recomendações a ela, a deixando tranquila em relação a estabilidade do clima (não havia previsão de tempestades para aqueles dias e chegariam no prazo combinado). Como não se controla a mão do destino, no segundo dia o céu foi ficando nublado e ventava muito, logo começou a chover. tentava manter a calma, os homens iam de um lado a outro tentando não assusta-la, mas as ondas empurravam a embarcação para o lado contrário tirando-os da rota. Um dos ajudantes lhe colocou um colete salva vidas e ela segurou suas coisas com toda força.

No meio da tormenta em um rompante do mar, foi arremessada bruscamente para fora da embarcação sem que os homens pudessem perceber sua ausência. Foi levada pelas fortes ondas com suas coisas desacordada pela pancada, por estar com o colete não afundou e só parou quando a corrente do mar amansou na praia de uma ilha no meio da noite.

Um rapaz caminhava ali pela areia, com uma calça rasgada, uma camisa bem velha e um vara na mão, pisou em uma pequena bolsa e ao pegar achou estranho o objeto, afinal para ele não era comum essas coisas naquele lugar, olhou em volta e avistou um corpo e outras coisas próximo a ele. O rapaz receou que houvesse mais alguém e demorou para se aproximar até que chegou até ela, a virou e vendo que ela deu uma leve piscada constatou que ainda estivesse viva, então a pegou nos braços e caminhou com ela alguns quilômetros o mais rápido que pode até uma velha construção inacabada (sua casa) escondida entre as arvores mais afastada da praia ao sul.

A colocou em uma cama improvisada e a cobriu com um cobertor velho, acendeu uma pilha de lenha em um buraco perto da parede com uma janela sem vidro, com água e um pedaço de pano limpou seu rosto e percebeu que saia sangue de sua boca. Como ela estava desmaiada não tinha como saber se ela estava sentindo dor e onde, então abriu sua boca e observou que faltava alguns dentes arrancados a força do lado esquerdo. Deduzindo que ela não conseguiria mastigar coisa alguma por um bom tempo, foi até uma mesa próxima e colocou umas ervas e folhas na boca e as mastigou, voltou para ela e como a mãe pássaro alimenta seus filhotes, passou o macerado de sua boca para a dela e mexeu seu maxilar para que ela engolisse. Sempre limpando o sangue que escorria e tentando deixa-la aquecida pois tinha febre, repetiu aquele procedimento por três dias até que ela acordou.

Abrindo os olhos devagar, primeiro viu apenas a sombra de um homem, se esforçando mais um pouco conseguiu ver com mais exatidão o rapaz de expressão séria e desconfiada vestindo trapos, ela sem entender que lugar era aquele começou a indagar.

— Quem é você? — sua boca estava inchada e mal conseguia pronunciar — Onde eu estou?
* Ele fazia sinais juntando a ponta dos dedos e apontando para si — (minha casa)
— Eu não estou te ouvindo, ai. — finalmente sentiu a dor do lado esquerdo do rosto e ao colocar a mão sentiu o inchaço — O que está acontecendo comigo, que lugar é esse? — ele repetiu o sinal, mas ela não fazia ideia do que fosse, realmente acreditava que não podia ouvi-lo e que poderia ser a água que entrou nos ouvidos.

Ele desistiu de explicar e vendo-a sentir a dor sabia que era hora do remédio e começou a mastigar as folhas indo na direção dela.

— O que está fazendo, não se aproxime, fique longe de mim.

As lágrimas escorriam em seu rosto, estava achando que ele a faria mal e conforme ele se sentou ao seu lado e chegou perto para lhe dar o macerado ela tentava o empurrar em vão pois a dor a deixava ainda mais fraca, sem opção ele a segurou firme e apertou sua boca sobre a dela lhe passando aquela mistura amarga. Assim que a soltou ao ver que ela iria cuspir colocou a mão sobre a boca dela a impedindo.
*Fez um sinal: colocou o dedo na garganta o arrastou para baixo e apontou para ela em sentido de ordem — (engole, agora).

Como não tinha escolha e estava com medo, assentiu e engoliu com muita dificuldade e então ele a soltou pegou um copo de barro com um liquido branco que parecia leite e a entregou gesticulando com a cabeça para que bebesse.

— Não, eu não quero mais nada — ele insistiu fazendo um ruído de braveza com a boca e então ela tomou o liquido sem gosto que limpou um pouco aquele gosto horrível do macerado, era ceiva de uma arvore. Sem mais, pegou o copo de volta e o colocou sobre a mesa, cobriu o resto das folhas com um pedaço de pano.
*Virou para ela e colocou a palma da mão do lado do rosto e apontou para a cama — (vá dormir) — e saiu para o outro cômodo.

estava aterrorizada com aquilo e como estava meio zonza por causa do macerado que já fazia efeito, recostou a cabeça na cama e antes de dormir ouvia o barulho das folhas sopradas pelo vento e as ondas do mar batendo nas pedras do lado de fora e então apagou.

O rapaz entendia muito pouco do que ela falava, como se estivessem em frequências diferentes, seria difícil a comunicação então resolveu ver os objetos que encontrou junto a ela na praia e que também levou para sua casa. Haviam roupas, um sapato e um estojo além da pequena bolsa, ao abri-lo encontrou um espelho e achou que ela iria gostar de ver aquelas coisas, juntou tudo e foi para o quarto assim que a viu dormindo colocou as coisas ao seu lado na cama, a observou uns minutos tentando entender como e o porquê dela estar ali e então saiu para pegar cocos.

Enquanto isso, em Christmas Island, a embarcação chegava e o representante da empresa foi busca-la. O capitão totalmente atordoado deu a notícia sobre o acidente, só perceberam que ela não estava lá (no convés como imaginavam), quando foram chama-la na manhã seguinte ao temporal. Imediatamente, a empresa em que trabalhava foi informada e começaram as buscas pelo seu corpo, pois já não acreditavam que estaria viva após dias no mar.

“A estrada é muito e a água era profunda
Meus pés estão congelados e houve luz além do oceano.”
– Islands / Super Junior





Capítulo 2

Assim que acordou e viu suas coisas ficou mais aliviada, mas o alívio logo passou quando se viu no espelho, simplesmente se achou deformada, inchada e roxa, os três dentes que faltavam lhe deram vontade ainda maior de chorar e para completar a dor estava voltando. Era tardinha e o rapaz acabava de voltar com bananas e cocos, quando ele entrou no quarto ela se encolheu toda agarrada a suas coisas, olhando para sua cara de dor, o rapaz foi para o ritual. Ao vê-lo colocar as ervas na boca, ela concluiu que ele novamente a daria aquela coisa e tentou persuadi-lo.

— Eu não preciso mais disso, eu já estou bem, eu preciso ir estão me esperando, é importante. — ele nem dava bola, foi mastigando para perto dela e já segurando em seu pescoço com cuidado — Não, por favor não. — passou o macerado para ela e ficou olhando até que engolisse, tossiu um pouco pois realmente era amargo e não sabia como ele conseguia colocar aquilo na boca e não expressar nenhuma reação, provavelmente já estava acostumado com aquele gosto. Ele pegou o copo com a seiva e deu para ela tomar, saiu voltando rapidamente furando um coco e também a deu.
*Apontou para o espelho, depois para a bochecha dela, apontou dois dedos para os olhos em movimento de visão e por fim com a mão esquerda uma forma de interrogação — (você se viu?)
— O espelho? — ela não entendia os gestos, mas pegou o espelho e mostrou a ele que assentiu — É são minhas coisas, onde você achou?
*Apontou para ela, depois para fora, passou cada dedo no dedão e abriu a mão — (com você, na praia).
— Você não fala, não sabe falar, eu não entendo estes movimentos. — ele não fez nenhum sinal e ia saindo — Não espera, eu só…

Ele saiu e ela sem opção, tomou a água de coco, deitou abraçada a suas coisas e dormiu de novo. Na manhã seguinte, ela o chamou e como não o viu pegou suas coisas e saiu sem rumo da casa. O rapaz voltou para a casa um tempo depois com dois peixes, deixando-os no primeiro cômodo sentiu falta de uma lança que deixava escorada na porta e foi para o quarto já pensando no que poderia ter acontecido, não a vendo lá sua expressão foi de raiva, pois teria que ir procura-la e a ilha não era nada pequena. Como já estava acostumado com a paisagem sabia que com certeza acharia alguma coisa diferente que a denunciaria e foi exatamente o que aconteceu.

Ela já estava sentindo dores e com o calor de seu corpo e o esforço sua boca voltou a sangrar, ele encontrou as pegadas e algumas gotas de sangue e soube exatamente a direção onde ela estava indo. estava cansada e a dor ia se intensificando, perdida naquele lugar onde todas as direções eram iguais, se abaixou um pouco para respirar e assim que se levantou tomou um susto ao vê-lo escorado em uma árvore e de cara fechada.

— Não se aproxime ou eu acerto você. — ela apontava a lança para ele em posição de ataque — Eu vou sair daqui e você não vai me impedir.
*Ele apontou para ela e cruzou as mãos apontando os indicadores em diferentes direções encolhendo os ombros mostrando desentendimento — (e para onde você vai?)
— Por favor me deixa em paz. — mesmo diante da ameaça dela, ele caminhou até ela pegou a ponta da lança e a colocou rente a seu peito a desafiando — Você é louco quer que eu te acerte? — ele continuou a atiçando com os olhos, assustada ela soltou a lança — Eu faço o que você quiser, só não me machuca. — ela ainda não tinha entendido que ele estava tentando ajuda-la, então ele jogou a lança no chão a olhando sério.
*Ele apontou para si, abraçou o próprio corpo e apontou para ela — (eu protejo/ajudo você) — pôs o dedo no lábio inferior e apontou para ela novamente — (te dou remédio).
— Olha eu não quero mais tomar aquilo, não aguento mais (era tão ruim que o fato dele lhe dar direto de sua boca era relevante).
*Apontou para ela e bateu uma das mãos com o punho fechado na palma da outra — (você precisa) — apontou em direção a casa enfatizando com o olhar — (para casa, agora).

mesmo com dificuldade entendeu o que queria dizer aquele sinal de ordem e como não estava se aguentando em pé, não conhecia o lugar, não tinha mais para onde ir e nem sequer sabia se havia outras pessoas por ali, decidiu por bem obedecer, na verdade era a única opção.

Tinha feito uma trouxa com uma blusa, a pegou e foi andando devagar, ele sabia que a dor estava insuportável e naquele ritmo não chegariam nunca, então assim que ela chegou perto dele, ele a pegou no colo, mesmo contra sua vontade e a levou de volta para casa. Colocou ela na cama e já foi mastigando as folhas e lhe dando, desta vez não reclamou, já que tinha que passar por tal situação, beijos involuntários e de péssimo sabor, e estava longe de sair dela, queria saber mais sobre aquele tipo.

— Você tem mesmo que fazer isso, quero dizer não pode amassar em outro lugar e me dar? — disse com nojo e ele balançou a cabeça negativamente dando a ela o copo com a seiva branca. — E por que não?
*Passou uma mão na outra duas vezes — (está sujo).
— Eu não sei o que significa isso. — o olhando sem jeito — Você não pode mesmo falar?
*Com a pergunta dela, ele se sentiu triste, passou as costas da mão na garganta de baixo para cima e balançou o dedo indicador — (não sai o som)
— Então, você não consegue, é isso?
*Ele afirmou com a cabeça.

Vendo a necessidade de explicar a ela as coisas, começou a gesticular mais devagar e tentando mostrar o que queria dizer. Fez novamente o gesto de sujeira e como só andava descalço mostrou a ela a sola do pé.

— O que tem o seu pé — ele repetiu o sinal e apontou para o que tinha na sola até que ela entendeu o que era. — Está sujo, é isso?
*Ele afirmou, mais empolgado e decidiu tentar outra coisa então lhe mostrou as folhas e ervas que mastigava, colocou o indicador no lábio inferior e apontou para ela.
— É eu sei você fica me dando essa coisa horrível.
*Ele balançou a cabeça, apontou para ela e começou a encenar dor, apontou para as folhas fazendo o sinal, apontou novamente para ela, e encenou alívio, depois deu dois toques com o dedo na cabeça — (entendeu?).
— Espera, acho que eu entendi, eu estou com dor, você me dá isso e eu melhoro, então isso — colocou o dedo no lábio inferior — quer dizer remédio? — ele confirmou novamente — Está bem, e esse último sinal que você fez?
*Ele apontou para ela, deu dois toques na cabeça, apontou para as folhas fazendo o sinal do remédio.
— É eu já entendi que as folhas são o remédio. — novamente ele deus os toques na cabeça — eu já disse que eu entendi — ele confirmou e finalmente associou a palavra ao gesto e o repetiu dizendo — Eu entendi. — ele confirmou e sorriu satisfeito, ela também lhe deu um sorriso o deixando encabulado.
*Vendo que ela já estava sonolenta, colocou a palma da mão sobre o rosto e apontou para a cama.
— Acho que essa eu já sei, devo dormir, acertei? — ele confirmou e antes que saísse — Você tem nome, ou algo parecido?
*Ele confirmou novamente, desta vez mexeu os lábios para tentar lhe dizer, mas como não saia nenhum som ficava frustrado.
— Você não tem um sinal para mostrar?

Ele balançou a cabeça que não, então como se estivesse se lembrando de algo, fez sinal com a mão para que ela esperasse e foi até o outro cômodo, tirou uma pedra da parede e do buraco uma foto bem antiga de uma mulher e uma criança e levou para ela.

— Quem são?
*Ele girou o dedo para que ela olhasse atrás, e então ela leu uma mensagem.
— “Para a mamãe com muito amor e carinho.
            De seu marido Ji-hun e seu filho .
*Ele apontou para si ao ouvir seu nome e fez sinal baixando a mão indicando o menor — (a criança na foto).
— Esse é seu nome ?
*Ele confirmou e apontou para ela fazendo interrogação querendo saber o dela.
— O meu nome? — ele confirmou — É . — disse devagar para que ele entendesse, como era órfã, não gostava do sobrenome que a deram então, não o pronunciava por não fazer parte de nenhuma família correspondente.
*Ele mexeu os lábios imitando a pronúncia, bateu palmas três vezes apontando para ela e depois para o ouvido, como não conseguiria chama-la da forma convencional ela o ouviria assim.
— Acho que não tem problema se me chamar assim, . — ela disse mais confiante, devolveu a foto para ele e deitou a cabeça na cama fechando os olhos rapidamente.

Ele sorriu a olhando e então saiu e ficou sentado do lado de fora olhando e beijando a foto de sua mãe. Como fazia os mesmos movimentos com os lábios que sua mãe, com o tempo e prestando muita atenção já conseguia entende-la.

“O tempo flui, mesmo em dias que não são calmas,
Você estava comigo durante todo o meu tempo.”
– Islands / Super Junior





Capítulo 3

Há cerca de vinte três anos atrás, um homem saia de férias com sua esposa e seu único filho de apenas dois anos. Querendo dar um presente diferente a sua esposa, decidiu fazer uma viagem pelo mar em um veleiro moderno que seu amigo lhe emprestou. Iriam ficar mais ou menos um mês no mar indo do Pacífico Sul ao Índico e iriam conhecer algumas ilhas, recifes e locais diversos a partir da Austrália. Era um pouco arriscado pelo fato de terem uma criança tão nova a bordo, mas acompanhados de mais dois tripulantes não viam tanto perigo. No meio da viagem, encontraram águas turbulentas e tormentas arrasadoras, em uma destas o caos foi inevitável.

O barco estava a ponto de virar, uma das velas bateu na mulher a mandando no piso do veleiro, o choro da criança agarrada a ela deixaram o homem desesperado, e em uma tentativa derradeira de salvar sua mulher e seu filho os colocou em um bote inflável com alguns suprimentos, mas quando os soltou no mar uma onda gigantesca engoliu o veleiro com ele e os outros tripulantes. Como a viagem demoraria ainda dias pela frente e por causa do mau tempo às vezes se ficava sem comunicação, demoraram a perceber que algo estava errado, então começaram as buscas sem sucesso pelo veleiro e a família com os tripulantes. Só mais tarde receberam a notícia do aparecimento do corpo do marido e os outros homens a bordo, por meio de um Cruzeiro.

A mulher e seu filho ancoraram em uma ilha distante e desconhecida, ela acordou com o choro dele e ao tentar acalmá-lo sentiu uma dor terrível na garganta onde tinha sido atingida pela vela, por causa da lesão nas cordas vocais não conseguia mais falar. Totalmente sozinha, com a falta de seu marido, perdida e agora sem poder se comunicar com seu filho teve que se adaptar. Como era bióloga, tinha conhecimento de plantas, animais, o tipo de clima e o que a natureza daquele novo lugar poderia oferecer. A mulher reuniu suas forças, pegou seu filho e começou a sobreviver a aquela tragédia, como não sabia a língua dos sinais, libras, inventou seus próprios sinais e gestos para falar com o menino, mesmo sem som pronunciava com os lábios para que ele soubesse os movimentos de cada palavra.

Os primeiros dias foram os mais tensos, as vezes quando ele chorava, ela chorava junto pois não sabia como dizer a ele que tudo ficaria bem. Andando pelo lugar, achou uma cachoeira com uma nascente de água doce e alguns pontos onde poderia encontrar frutas, pernoitavam um tempo em cada um até que ela encontrou uma construção inacabada um pouco distante da praia entre as árvores, aquela seria sua casa pelos próximos dias, assim ela pensou. Já havia se passado dois meses e nada, nenhuma embarcação passava próximo aquele lugar, até que um dia enquanto brincava com o filho próximo a uma grande árvore de raízes grossas e que continha uma toca em uma descida, ouviu um barulho que parecia o motor de um barco. Ela com extinto de proteção, fez sinal para que ele ficasse ali quieto e o menino mais entendido obedeceu, enquanto ela foi ver se era o resgate.

Ao se aproximar da praia, viu dois barcos e dois grupos de homens armados, pensou consigo: “Por que viriam armados, para uma missão de resgate.” Preferiu ficar ali e observá-los mais um pouco, sábia decisão. Dois deles começaram a discutir, pareciam ser os líderes de cada grupo, gritavam algo sobre uma carga que faltava, como não estava próxima não conseguia entender direito até que ouviu um tiro. Assustada, correu de volta para seu filho, fez sinal para que não fizesse barulho, os homens se aproximavam, ela abraçou o menino e se refugiou debaixo da toca de raízes da grande árvore. Um dos homens parou bem em cima, como as raízes eram grossas e estavam entrelaçadas ele não os viu, pensou, e ela só conseguiu ver sua sombra projetada pelo sol no chão em frente a toca. Ela permaneceu ali com a criança adormecida em seus braços até ouvir o barulho do motor novamente, mais ou menos umas duas horas depois, via conforme a altitude do sol, então saiu devagar, olhando para se certificar de que tinham ido embora, foi para a casa e ficou quieta, preferiu não acender nem a fogueira para não chamar a atenção deles, caso ainda estivessem por lá.

Saiu no outro dia para ver se algo mais tinha acontecido, ao ir até a praia só viu a mancha de sangue na areia, nenhum movimento ou barulho diferente do vento, dos pássaros e das ondas do mar. Ela contou as luas, dois meses depois os mesmos homens voltaram desta vez em minoria e deixaram caixas entre as árvores ao norte da ilha, agora ela pode confirmar: eram contrabandistas e assassinos. Além deles, nenhum outro barco passava perto, era como se somente eles soubessem da existência daquele lugar. De qualquer maneira, ela sabia de quanto em quanto tempo eles apareceriam pontualmente para deixar ou resgatar a carga, assim pode se prevenir colhendo as frutas e pegando água nos dias anteriores, para não sair no dia em questão.

Ela se cansou de ver e ouvir os tiros que davam, e nos dias seguintes só via o rastro de sangue na areia que ela cobria para que seu menino não visse. Além daquilo ela sempre encontrava em lugares diferentes, mas específicos depois que eles partiam, coisas perdidas como panelas, bacias, até mesmo mudas de roupa e certa vez uma faca. Pareciam coisas que deixavam ao acaso, que ela levava para casa junto as que chegavam a praia trazidas pelo mar. Assim, ela o criou até seus dezesseis anos, como ela perdeu a voz, ele não aprendeu a falar e só se comunicavam pelos sinais, quando precisavam chamar um ao outro batiam palmas e ela o ensinou tudo o que podia e conseguia sobre as plantas, principalmente sobre um macerado de ervas que ela mastigava e passava para sua boca desde pequeno para aliviar dores e curar infecções quando se machucava, na troca de dentes ou quando comia mangas de mais.

Como nem tudo são rosas, a mulher adoeceu e não existia ali alguma planta que pudesse curá-la, o garoto cuidou da mãe como ela dele até o último momento e então ficou sozinho e não poderia confiar em ninguém. Se passaram dez anos como se fossem dias, o garoto virou um homem forte, independente e cauteloso, e aquele lugar era sua casa, a que ele conhecia de canto a canto e cuidava com carinho sempre se lembrando de sua mãe e seus ensinamentos. Certa noite, estava inquieto, não conseguia dormir então saiu para dar uma volta, a lua parecia mais próxima da terra e iluminava seus passos até que pisou em um objeto, era uma pequena bolsa. Desconfiado olhou ao seu redor e mais à frente encontrou uma garota ferida e desacordada, pensou várias vezes em deixa-la ali e seguir seu caminho, mas algo falava mais alto em seu coração e então decidiu ajuda-la.

“No caminho para o amanhã
No meio do oceano grande
Eu grito bem alto, perguntando como suportar isso por mim.”
- Islands / Super Junior





Capítulo 4

Em Christmas Island ainda não tinham nenhuma notícia sobre o paradeiro de . As buscas seguiram mesmo sem muitas esperanças, pois estava próximo a completar um mês de seu desaparecimento. Um dos supervisores dela foi até lá para cobrar mais empenho dos colaboradores, como ela não tinha família e estava lá à trabalho pela empresa, se sentiam um tanto responsáveis e a consideravam uma pessoa de muito valor.

Na ilha desconhecida, já se sentia melhor, estava conseguindo até chupar as mangas levadas para ela por , que gentilmente as apertava um pouco para que ficassem mais macias e ela não se esforçasse tanto para mastigar, pois ainda estava com o rosto inchado.

— Olha para mim, estou toda suja. Tem algum lugar onde eu possa ir me limpar, tomar banho? Você sabe o que é isso, não é?
*Ele confirmou, indignado com a pergunta e fez um gesto para que ela o seguisse. Ela pegou suas coisas e foi com ele até uma cachoeira de águas cristalinas que se podia ver o fundo de tão transparente.
— É, vai servir. — quando ia começar a tirar a blusa percebeu que ele ainda estava ao seu lado parado olhando para o nada — Hey! Você vai ficar aqui?
*(Sim).
— Você não pode, eu preciso ficar sozinha.
*Fez o número um balançando a cabeça — (sozinha, não).
— Olha, tem um bom tempo que eu não sei o que é um banho e eu estou fedendo — ela abanou o nariz e ele achou engraçado — preciso de privacidade.
*(não).
— Ah! — já estava sem paciência, mas respirou fundo e tentou dialogar — Tudo bem, você pode pelo menos se afastar um pouco — fez o gesto abanando a mão para longe — e ficar de costas? Eu vou fazer barulho na água e você vai saber onde eu estou, por favor? — um pouco relutante, ele acabou concordando — Obrigada — ela fez sinal colocando a mão fechada no rosto.
Ele se afastou um pouco e se sentou de costas atrás de um arbusto em uma subida no caminho em que passaram, dali ainda teria vista para a cachoeira.

Mais tranquila, tirou a roupa suja e entrou na água se sentindo viva de novo. não conseguia aguentar a curiosidade e então por um pequeno instante, inclinou seu corpo para o lado olhando em direção a cachoeira, seus olhos imediatamente a encontraram. Ela não estava de frente, mas com a parte cima fora da água e lavava os cabelos colocando-os de lado deixando suas costas totalmente aparentes. Ele engoliu seco, seu coração deu um leve disparo e ele se aprumou, não entendendo que sensação era aquela evitou olhar novamente respirando fundo. Meia hora depois, ela havia se vestido e subiu o encontrando sentado lá, se levantou mais que depressa e ela suspeitou.

— Eu achei que estivesse mais longe, você ficou me olhando?
*(não) — fez sinal de loucura.
— Acho bom que esteja falando a verdade. — disse em tom de ameaça e ele murchou os ombros não dando relevância — Está ouvindo isso? — ao longe havia um som que ia aumentando conforme se aproximava, era um motor de barco. — É um barco, só pode ser o resgate, estão me procurando. — ela se animou.

Assim que ouviu se desesperou. Com a chegada de , estava tão distraído que não se lembrou que a data estava próxima, começou a fazer um monte de sinais de uma vez e como ela não conseguia entender nada pegou no braço dela e saiu puxando.

— O que está fazendo? Eu preciso ir vieram por minha causa. — tentava fazer com que a soltasse — Eles vão nos ajudar, qual é o seu problema? está me machucando! — ela gritou e ele parou de puxá-la e a soltou, o pulso dela estava vermelho tamanha força desmedida que fez, tentou tocá-la, mas se afastou assustada — Porque está agindo assim?
*Ele respirou fundo e fez sinal a chamando — (vem comigo).
— Nós temos que ir até eles, devem estar procurando você também.
*(não) — continuou fazendo os sinais mais lentamente agora apontando para longe se referindo aos homens — (eles não ajudam) — passou o dedo no pescoço e apontou para ela — (eles matam você)
— Matar? Não, eles não matam ninguém, você deve estar assustado é só isso.
*(não) — apontou para si, fez sinal de visão, passou o dedo no pescoço e depois girou para o alto — (eu vi matarem outros) — ela se assustou e ele continuou, passou as mãos como se houvesse algo debaixo delas, apontou o dedo para o pulso e a chamou novamente juntando as mãos em sentido de clamor — (sem tempo, vem comigo, por favor).
— Tudo bem. — ele apontou para um lugar mais alto do outro lado dos morros e os dois seguiram para lá, mas na metade do caminho ouviu os homens se aproximarem, como poderiam ser vistos preferiu dar a volta e chegaram até uma grande árvore que ele conhecia bem por ter uma espécie de toca debaixo das grossas raízes entrelaçadas.

Foi por um segundo, assim que se esconderam, um ao lado do outro bem próximos naquela pequena cavidade, outro grupo de homens se aproximava dali, falavam alto e xingavam muito. fazia sinal de silêncio enquanto um dos homens se aproximava de beira, fez cara de nojo quando ele começou a urinar na parte baixa. Ao ouvir um outro o apressando ele se recompôs e ao se virar ouviu um barulho, a perna dela escorregou sem querer, voltou sua atenção para baixo informando aos outros e um deles respondeu que deveria ser um esquilo. O homem pareceu satisfeito com a resposta os chamando de “ratos da floresta” com um tom de intolerância e então foi para junto dos outros e continuaram indo para seu destino, lado norte. já não conseguia mais ouvi-los e decidiu que já poderiam sair, mas ao olhar para o ombro dela viu uma aranha do tipo venenosa, mas não letal e fez uma cara preocupada, fez sinal para ela ficar calma.

— O que foi? — ela sussurrou.
*Ele estendeu a mão e colocou a outra sobre ela fazendo movimentos com os dedos andando, depois levou a mão para o ombro e em seguida apontou para o ombro dela — (aranha no seu ombro).
— O que tem meu ombro? — ela virou a cabeça e vendo aquela pequena e perigosa criatura, puxou todo ar que pode virando para ele e disse a mesma coisa rápido e várias vezes seguidas — Tira ela de mim, tira ela de mim, tira ela de mim!

pegou um pedaço de pau que estava próximo e com ele conseguiu mandar a aranha para longe, no impulso do alívio o abraçou agradecendo o deixando vermelho de vergonha, mas não deixou que ela notasse e assim que o soltou, ele saiu na frente a chamando e foram rapidamente para casa sem serem percebidos.

Como previsto, os homens fizeram o que tinha de fazer e foram embora. Já na casa, parecia não se sentir bem, a cabeça doía, estava suando sem fazer força e tendo tonturas quase desmaiando em cima de . Ela o levou para a cama, estava preocupada, não sabia o que acontecia e o que poderia fazer já que, não sabia tanto quanto ele sobre aquele lugar.

*Ainda lúcido repetiu o sinal da aranha, ela o havia picado e ele nem sentiu, fez sinal de visão para ela, bateu dois dedos na palma da mão e cruzou as duas em direções diferentes como da outra vez — (aranha, veja onde picou).
— Você foi picado, está de brincadeira? — ela começou a procurar, o virou de costas e achou uma marca de picada roxa pouco abaixo da costela próximo ao quadril.
*(está sujo) — sinalizou e foi desmaiando.
— Não, agora não, acorda você precisa me dizer o que fazer — ela o balançou sem sucesso, vendo que estava sozinha, tentou pensar e agir o mais rápido que pode, passou água sobre o ferimento e vendo mais de perto viu que tinha uma espécie de espinho agarrado a ele.

Pegou sua bolsa e tirou uma pinça de sobrancelha de dentro, com ela removeu o espinho e com ele saiu um líquido viscoso e transparente e logo após o sangue. continuou limpando até o líquido parar de sair, então olhou para a vasilha das folhas e ervas e mesmo que a ideia não agradasse se dispôs a fazer o que ele fazia, as colocou na boca e começou a mastigar, o primeiro impulso era de vomitar, mas aguentou firme e depois de apertá-las bem deu para ele da mesma forma, pegou o copo de seiva que ele mantinha e foi dando aos poucos. Por um tempo, ela não se preocupou com nada além dele, como tinha febres contínuas o dava o bendito remédio. Estava até criando tolerância ao gosto, fazia compressas, tentava alimentá-lo e deixá-lo hidratado, tudo o que ele fez por ela enquanto enferma, ela o fez por ele naquela ocasião.

Se passaram mais oito dias sem que ela percebesse, e só saia de perto dele para tomar banho, principalmente estando “naqueles dias”. estava melhorando aos poucos, quase já não tinha febre, mas dormia muito por causa das folhas do remédio, o mesmo acontecia com ela por isso também dormia muito quando tomava frequentemente, após a pancada que lhe arrancou os dentes. Enquanto isso em Christmas Island, já não havia mais o que fazer, usaram todos os recursos e como não a encontraram, resolveram suspender as buscas, na empresa em que trabalhava foi homenageada e tiraram um dia de luto em respeito à boa pessoa e exímia profissional dedicada que era.

 

“Em cima dos meus ombros nervosamente agitando
Você coloca suas mãos sem dizer uma palavra em cima da água.”
- Islands / Super Junior





Capítulo 5

Em Christmas Island ainda não tinham nenhuma notícia sobre o paradeiro de . As buscas seguiram mesmo sem muitas esperanças, pois estava próximo a completar um mês de seu desaparecimento. Um dos supervisores dela foi até lá para cobrar mais empenho dos colaboradores, como ela não tinha família e estava lá à trabalho pela empresa, se sentiam um tanto responsáveis e a consideravam uma pessoa de muito valor.

Na ilha desconhecida, já se sentia melhor, estava conseguindo até chupar as mangas levadas para ela por , que gentilmente as apertava um pouco para que ficassem mais macias e ela não se esforçasse tanto para mastigar, pois ainda estava com o rosto inchado.

— Olha para mim, estou toda suja. Tem algum lugar onde eu possa ir me limpar, tomar banho? Você sabe o que é isso, não é?
*Ele confirmou, indignado com a pergunta e fez um gesto para que ela o seguisse. Ela pegou suas coisas e foi com ele até uma cachoeira de águas cristalinas que se podia ver o fundo de tão transparente.
— É, vai servir. — quando ia começar a tirar a blusa percebeu que ele ainda estava ao seu lado parado olhando para o nada — Hey! Você vai ficar aqui?
*(Sim).
— Você não pode, eu preciso ficar sozinha.
*Fez o número um balançando a cabeça — (sozinha, não).
— Olha, tem um bom tempo que eu não sei o que é um banho e eu estou fedendo — ela abanou o nariz e ele achou engraçado — preciso de privacidade.
*(não).
— Ah! — já estava sem paciência, mas respirou fundo e tentou dialogar — Tudo bem, você pode pelo menos se afastar um pouco — fez o gesto abanando a mão para longe — e ficar de costas? Eu vou fazer barulho na água e você vai saber onde eu estou, por favor? — um pouco relutante, ele acabou concordando — Obrigada — ela fez sinal colocando a mão fechada no rosto.
Ele se afastou um pouco e se sentou de costas atrás de um arbusto em uma subida no caminho em que passaram, dali ainda teria vista para a cachoeira.

Mais tranquila, tirou a roupa suja e entrou na água se sentindo viva de novo. não conseguia aguentar a curiosidade e então por um pequeno instante, inclinou seu corpo para o lado olhando em direção a cachoeira, seus olhos imediatamente a encontraram. Ela não estava de frente, mas com a parte cima fora da água e lavava os cabelos colocando-os de lado deixando suas costas totalmente aparentes. Ele engoliu seco, seu coração deu um leve disparo e ele se aprumou, não entendendo que sensação era aquela evitou olhar novamente respirando fundo. Meia hora depois, ela havia se vestido e subiu o encontrando sentado lá, se levantou mais que depressa e ela suspeitou.

— Eu achei que estivesse mais longe, você ficou me olhando?
*(não) — fez sinal de loucura.
— Acho bom que esteja falando a verdade. — disse em tom de ameaça e ele murchou os ombros não dando relevância — Está ouvindo isso? — ao longe havia um som que ia aumentando conforme se aproximava, era um motor de barco. — É um barco, só pode ser o resgate, estão me procurando. — ela se animou.

Assim que ouviu se desesperou. Com a chegada de , estava tão distraído que não se lembrou que a data estava próxima, começou a fazer um monte de sinais de uma vez e como ela não conseguia entender nada pegou no braço dela e saiu puxando.

— O que está fazendo? Eu preciso ir vieram por minha causa. — tentava fazer com que a soltasse — Eles vão nos ajudar, qual é o seu problema? está me machucando! — ela gritou e ele parou de puxá-la e a soltou, o pulso dela estava vermelho tamanha força desmedida que fez, tentou tocá-la, mas se afastou assustada — Porque está agindo assim?
*Ele respirou fundo e fez sinal a chamando — (vem comigo).
— Nós temos que ir até eles, devem estar procurando você também.
*(não) — continuou fazendo os sinais mais lentamente agora apontando para longe se referindo aos homens — (eles não ajudam) — passou o dedo no pescoço e apontou para ela — (eles matam você)
— Matar? Não, eles não matam ninguém, você deve estar assustado é só isso.
*(não) — apontou para si, fez sinal de visão, passou o dedo no pescoço e depois girou para o alto — (eu vi matarem outros) — ela se assustou e ele continuou, passou as mãos como se houvesse algo debaixo delas, apontou o dedo para o pulso e a chamou novamente juntando as mãos em sentido de clamor — (sem tempo, vem comigo, por favor).
— Tudo bem. — ele apontou para um lugar mais alto do outro lado dos morros e os dois seguiram para lá, mas na metade do caminho ouviu os homens se aproximarem, como poderiam ser vistos preferiu dar a volta e chegaram até uma grande árvore que ele conhecia bem por ter uma espécie de toca debaixo das grossas raízes entrelaçadas.

Foi por um segundo, assim que se esconderam, um ao lado do outro bem próximos naquela pequena cavidade, outro grupo de homens se aproximava dali, falavam alto e xingavam muito. fazia sinal de silêncio enquanto um dos homens se aproximava de beira, fez cara de nojo quando ele começou a urinar na parte baixa. Ao ouvir um outro o apressando ele se recompôs e ao se virar ouviu um barulho, a perna dela escorregou sem querer, voltou sua atenção para baixo informando aos outros e um deles respondeu que deveria ser um esquilo. O homem pareceu satisfeito com a resposta os chamando de “ratos da floresta” com um tom de intolerância e então foi para junto dos outros e continuaram indo para seu destino, lado norte. já não conseguia mais ouvi-los e decidiu que já poderiam sair, mas ao olhar para o ombro dela viu uma aranha do tipo venenosa, mas não letal e fez uma cara preocupada, fez sinal para ela ficar calma.

— O que foi? — ela sussurrou.
*Ele estendeu a mão e colocou a outra sobre ela fazendo movimentos com os dedos andando, depois levou a mão para o ombro e em seguida apontou para o ombro dela — (aranha no seu ombro).
— O que tem meu ombro? — ela virou a cabeça e vendo aquela pequena e perigosa criatura, puxou todo ar que pode virando para ele e disse a mesma coisa rápido e várias vezes seguidas — Tira ela de mim, tira ela de mim, tira ela de mim!

pegou um pedaço de pau que estava próximo e com ele conseguiu mandar a aranha para longe, no impulso do alívio o abraçou agradecendo o deixando vermelho de vergonha, mas não deixou que ela notasse e assim que o soltou, ele saiu na frente a chamando e foram rapidamente para casa sem serem percebidos.

Como previsto, os homens fizeram o que tinha de fazer e foram embora. Já na casa, parecia não se sentir bem, a cabeça doía, estava suando sem fazer força e tendo tonturas quase desmaiando em cima de . Ela o levou para a cama, estava preocupada, não sabia o que acontecia e o que poderia fazer já que, não sabia tanto quanto ele sobre aquele lugar.

*Ainda lúcido repetiu o sinal da aranha, ela o havia picado e ele nem sentiu, fez sinal de visão para ela, bateu dois dedos na palma da mão e cruzou as duas em direções diferentes como da outra vez — (aranha, veja onde picou).
— Você foi picado, está de brincadeira? — ela começou a procurar, o virou de costas e achou uma marca de picada roxa pouco abaixo da costela próximo ao quadril.
*(está sujo) — sinalizou e foi desmaiando.
— Não, agora não, acorda você precisa me dizer o que fazer — ela o balançou sem sucesso, vendo que estava sozinha, tentou pensar e agir o mais rápido que pode, passou água sobre o ferimento e vendo mais de perto viu que tinha uma espécie de espinho agarrado a ele.

Pegou sua bolsa e tirou uma pinça de sobrancelha de dentro, com ela removeu o espinho e com ele saiu um líquido viscoso e transparente e logo após o sangue. continuou limpando até o líquido parar de sair, então olhou para a vasilha das folhas e ervas e mesmo que a ideia não agradasse se dispôs a fazer o que ele fazia, as colocou na boca e começou a mastigar, o primeiro impulso era de vomitar, mas aguentou firme e depois de apertá-las bem deu para ele da mesma forma, pegou o copo de seiva que ele mantinha e foi dando aos poucos. Por um tempo, ela não se preocupou com nada além dele, como tinha febres contínuas o dava o bendito remédio. Estava até criando tolerância ao gosto, fazia compressas, tentava alimentá-lo e deixá-lo hidratado, tudo o que ele fez por ela enquanto enferma, ela o fez por ele naquela ocasião.

Se passaram mais oito dias sem que ela percebesse, e só saia de perto dele para tomar banho, principalmente estando “naqueles dias”. estava melhorando aos poucos, quase já não tinha febre, mas dormia muito por causa das folhas do remédio, o mesmo acontecia com ela por isso também dormia muito quando tomava frequentemente, após a pancada que lhe arrancou os dentes. Enquanto isso em Christmas Island, já não havia mais o que fazer, usaram todos os recursos e como não a encontraram, resolveram suspender as buscas, na empresa em que trabalhava foi homenageada e tiraram um dia de luto em respeito à boa pessoa e exímia profissional dedicada que era.

 

“Em cima dos meus ombros nervosamente agitando
Você coloca suas mãos sem dizer uma palavra em cima da água.”
- Islands / Super Junior





Capítulo 6

Depois daquele dia se tornaram inseparáveis, ela não tinha mais vergonha dele e não gastava tempo com pensamentos vazios sobre o futuro, pois ele demonstrava o tempo todo o quanto a amava e a queria. Passou se mais um mês, tudo estava tranquilo ele acabava de chegar em casa com bananas e dois peixes que ele mesmo limpava para ela cozinhar (porque sim, dividiam tudo até as tarefas). Até ali tudo bem, sentaram para comer e então começou a se sentir mal e teve que correr para fora para vomitar, ele foi atrás preocupado.

*(você está bem?) — sinalizou e pegou no rosto dela o limpando.
— Estou bem, o peixe não deve ter me feito bem só isso.
*(fique aqui, vou buscar água de coco) — sinalizou e sorriu.
assentiu e ele se afastou, começou a massagear a barriga e de repente pensou: “Estranho, eu adoro peixe.” Então percebeu que estava atrasada, entrou em pânico e foi caminhando sem rumo para a praia.
— Não pode ser, isso não está acontecendo, eu não posso estar gravida. Na verdade eu posso, mas não posso. — queria chorar e aí veio a questão — E como vou dizer isso para ele? Eu não acredito que isto está acontecendo.

voltou com o coco, como não a viu bateu palmas e não tendo resposta receou que pudesse ser algo sério, foi procurando até a achar minutos depois sentada de frente para o mar. Se sentou ao lado dela a entregando o coco, sem saber o que dizer e como dizer ela sorriu em agradecimento. Como estavam juntos a um tempo, ele conseguiu perceber que ela estava diferente e já a conhecendo preferiu não perguntar, fez uma expressão de frio passando as mãos nos braços e então a abraçou sorrindo e pensando: “Não importa o que seja, mesmo que ela não me diga estarei com ela e farei o que for por ela.”
    
levou dois dias para criar coragem e então a noite quando foram se deitar ela o sentou à sua frente e começou a tentar explicar.

— Eu tenho que te dizer uma coisa, mas eu não sei bem como então, você precisa prestar bastante atenção, tudo bem? — ela fazia uma cara de desespero e achava graça a deixando mais nervosa. — Por favor é sério — o repreendeu e ele assentiu segurando o riso — Já vi que não tem outro jeito então lá vai — respirou fundo — Eu estou grávida. — o olhou esperando alguma reação, mas ele nem ao menos entendeu o que significava, sua mãe não o ensinou sobre aquilo (pelo menos não teve tempo para isso) simplesmente ele murchou os ombros. — Como assim não se importa? — ela o entendeu mal.
*(espera) — sinalizou e continuando — (desculpa, não entendo o que disse).
— Ah é, eu devia ter imaginado, vou tentar de outro jeito. — ela ficou fazendo uma bola com as mãos em volta da barriga.
*(está cheia de coco) — sinalizou tentando adivinhar.
— Não, não é isso, olha para mim, presta atenção. — ela repetiu o gesto e nada dele entender — Isso não vai dar certo. — queria desistir.
*Ele sinalizava para ela imitá-lo, levantando e abaixando as mãos mostrando tranquilidade — (respira fundo).
— Está bem. — fez o que ele recomendou e prestando atenção no que ele fazia pensou: “Se eu quero que ele me entenda tenho que pensar como ele e fazer da mesma forma.” Então veio a ideia — Eu acho que já sei como te dizer isso. — ela apontou para ele e fez o número um com o dedo, apontou para ele novamente e depois para si fazendo o número dois com dois dedos e deu dois toques na cabeça para saber se ele havia entendido.
*(entendi, eu sou um, eu e você somos dois) — repetiu seus sinais.
— Isso (é agora) — ela apontou para ele, depois para si e então para sua barriga e mostrou três dedos.
*(três? eu não vejo) — sinalizou confuso.
— Calma, você vai entender. — ela continuou, abaixou a mão com a palma para baixo, apontou para ele e novamente para sua barriga, depois apontou para si e levantou a mão com a palma para baixo acima de sua cabeça — (filho seu, aqui dentro, eu sou mãe)
*(meu filho) — ele passava a mão na cabeça e ficava repetindo os sinais até finalmente entender. Ficou surpreso e eufórico, não sabia o que fazer, sorria, se levantava dava a volta e sentava de novo, parecia uma criança ganhando um presente muito inesperado, deu vários beijos em seu rosto e levantava a blusa dela para ver a barriga.
— Ainda não dá para ver, tem que esperar um pouco. — ela foi contagiada e também sorria com a empolgação dele, então ele fez uma pergunta interessante.
*Apontou para ela e colocou a mão acima dele com a palma para baixo, em seguida fez a interrogação apontando para si — (você é mãe, o que eu sou?)
— Você é pai. — vendo que para aquela palavra não havia sinal, ela colocou a mão direita fechada do lado esquerdo do peito e a repetiu apontando para ele — Pai.
*Ele fez o sinal e apontou para a barriga dela — (sou pai dele) — e recebendo a confirmação dela sorria ainda mais a abraçando e passando a mão de leve sobre a barriga dela.

Ela não imaginava que ele teria aquela reação de felicidade, e pela primeira vez ela pensou na palavra família de forma diferente, como algo renovador.  

 

“Conectando-nos de coração para coração
Desdobramento estrada para mim.”
- Islands / Super Junior





Capítulo 7

Os dias foram passando, mas o que não passava era a alegria e a constância no cuidado que tinha com ela, as vezes era até chato, pois não a deixava carregar nada que lhe parecesse pesado, como cocos por exemplo. Isso a irritava, mas logo passava pois ela via o quanto ele se esforçava para cuidar dela e do bebê. Completavam mais um mês e estava entediada de ficar ali parada sem poder fazer praticamente nada, aproveitando que ele havia ido à praia pescar algo para o jantar, decidiu dar uma volta. Meio sem rumo, estava um tanto distante da casa, e então quando decidiu voltar antes que ele sentisse sua falta, avistou um pé de amoras silvestres, ficou enfeitiçada e não conseguiu ir sem antes comer algumas, totalmente distraída foi pega de surpresa por dois homens, antes que pudesse correr ou gritar, o mais alto a agarrou e tampou sua boca.

— O que vamos fazer com ela? — disse o que a segurava.
— Não sei, mas ideia é o que não vai faltar. Está sozinha? — o outro perguntou a ela que confirmou para proteger (mas naquela situação, não conseguiria proteger nem a si mesma. — Hum, com certeza está mentindo, de qualquer jeito vamos levá-la, prazer nunca é demais e se aparecer mais alguém, matamos. Agora vamos.

Ao ouvi-los, o coração dela quebrou, no mesmo instante bem mais longe dali sentiu uma sensação estranha, um pressentimento e decidiu voltar para casa. Enquanto isso os homens a levaram para os penhascos do lado norte, onde guardavam as cargas de contrabando. quando chegou em casa e não a encontrou se preocupou, sabia em seu íntimo que algo estava errado e começou a procurá-la. O sol estava se pondo e logo iria escurecer ficando mais difícil achá-la, ele decidiu olhar na praia mais ao norte e assim que viu o barco a motor ancorado na areia se desesperou.

Os homens tiveram um problema no motor e precisaram remar, por isso não ouviram o barulho de alerta. Ele entrou correndo na floresta passando pelo caminho que os contrabandistas usavam, ao passar pelo pé de amora encontrou muitas pisadas no chão, seu coração palpitava, e ao ver um dos brincos dela no chão teve certeza que estiveram ali e não quis imaginar o que poderiam fazer a ela. Respirou fundo, como sabia exatamente onde guardavam o contrabando, precisava agir com cautela para não arriscar a vida dela.

A noite chegou escura e densa, os homens a amarraram a uma árvore amordaçada e acenderam uma fogueira, a mercadoria estava um pouco mais abaixo atrás dela, era a clareira de um penhasco de uma altura considerável e na parte de baixo só haviam pedras. ficou quieta ouvindo a conversa deles e pensando no que poderia lhe acontecer.

— O está bem estressado John, se imaginar que estivemos aqui sem permissão, estaremos mortos antes de sair dessa ilha infernal. — Dizia o mais alto abanando os mosquitos.
— Não se preocupe Zachary, só pegaremos algumas coisas, o máximo que ele vai pensar é que os tailandeses o passaram para trás. — mexendo na fogueira.
— Ainda sim, isso me preocupa e para completar achamos esta mulher, vai saber quem mais pode estar rondando a ilha.
— Coragem homem se tiver mais alguém, faremos o de sempre, degolamos, jogamos ao mar, o que for mais divertido.
— Sua naturalidade me impressiona. — ouviu um barulho no meio do mato — Ouviu isto?
— O que foi agora? — John bebia uma garrafa de uísque escocês que tirou da caixa, já estava perdendo a paciência com a neura de Zachary.
— Ouvi um barulho vindo lá de baixo, você não?
— Não, não ouvi nada, mas se quiser vai dar uma olhada para ter certeza, pode ser um esquilo assassino.
— Você é um idiota, vou tirar água do joelho.
— Vai logo e me deixe paz. — Zachary se afastou e John continuou ali bebendo e olhando para o nada.

O barulho na verdade era nada mais nada menos que tentando distraí-los, se aproximou de com o dedo na boca pedindo silêncio e a desamarrou, ao ajudá-la a se levantar pisou em um fino e seco graveto chamando a atenção de John. Ele se levantou soltando a garrafa indo em direção a arma que estava a alguns passos dele, mas se jogou contra ele o impedindo, eles lutaram e ficaram agarrados à beira do penhasco. John empurrava o rosto dele que vendo a beira, se esforçou mais e conseguiu se desprender o acertando um soco na costela, sentindo o golpe John o soltou e aproveitando a oportunidade lhe chutou fazendo-o se desequilibrar e cair de costas nas pedras abaixo morrendo instantaneamente. Ao se virar viu Zachary que havia retornado segurando pelos cabelos a ameaçando com uma faca.

— É melhor ficar mansinho ou eu corto a sua garota. — ele foi deslizando as costas da faca do pescoço até sua barriga dela deixando nervoso então começou a fazer sinais para que ela dissesse a Zachary — O que é isso, o que está fazendo?
— Ele não pode falar, é assim que se comunica. — ela disse
— Eu não te perguntei nada. — ele puxou ainda mais os cabelos da garota.

Ao ouvi-la gritar de dor ardendo de raiva deu dois passos na direção dele, mas teve que se segurar pois Zachary segurava a faca com firmeza na garganta dela. Com lágrimas escorrendo no rosto, ele continuou a fazer sinais pedindo calma.

— Se eu fosse você não daria um de esperto! Já que você é tão prestativa, me fala o que ele está dizendo.
— Ele disse que você não precisa ficar nervoso, ele não vai tentar nada.
— Estamos começando a nos entender. — Viu que ele continuava a fazer os gestos — E agora o que ele disse?
— Ele está pedindo para você me soltar e que vai fazer o que você quiser.
— Interessante sua proposta, até porque como matou o meu parceiro eu vou mesmo precisar de ajuda para levar estas coisas. Tradutora? — a chamou assim vendo que ele fez outros sinais.
— Ele disse que ajuda. — ela já não estava mais aguentando, a impressão que tinha é que a qualquer momento ficaria sem a cabeça, pelo modo em que ele segurava seus cabelos. — Por favor ele vai te ajudar.
— É uma boa proposta, mas eu acho que vou ter que recusar. É uma questão de princípios, então depois que eu matar você vou me divertir um pouco com a gracinha aqui.

Zachary continuou falando, mas ela não prestou mais atenção, ao ouvi-lo falar aquilo se revoltou, olhou nos olhos de e aguardou. Em uma leve distração dele ao apontar a faca para frente, ela foi com toda força que tinha (perdendo uns fios de cabelo) e mordeu o braço dele fazendo-o soltar a faca. Irado, Zachary voltou a mão contra ela lhe dando um tapa e a lançou com toda força contra um tronco que estava próximo. No mesmo instante, com um ódio descomunal, partiu para cima dele e não o deu tempo de revidar dando socos um atrás do outro. Zachary tentava se afastar de costas, mas em vão acabou indo em direção à beirada já tonto pelos golpes do rapaz enfurecido, nem mesmo ao cair de joelhos parou de apanhar.

o pegou pelo colarinho e continuou dando socos de direita, por fim até suas mãos estavam machucadas, mas aquela adrenalina não o deixou sentir nada mais, além da vontade de exterminar o homem que machucou a pessoa que ele amava e provavelmente já havia machucado tantas outras. Sendo assim ele não pensou duas vezes e o jogou nas pedras junto do outro, parecia outra pessoa e só voltou a si quando chamou seu nome em meio a gemidos. O rapaz correu a seu encontro apavorado sem saber o que fazer para ajudá-la, ela chorava de soluçar, dizia que doía muito com as mãos na barriga e estava sangrando. Tentou acalmá-la, a pegou nos braços e a levou no colo para casa, sentia tanta dor que ao se agarrar no pescoço dele deixou vários arranhões.

Mesmo cansado da luta, com as mãos machucadas e os arranhões involuntários ele não parou até chegar em casa, a colocou na cama e fez o macerado das folhas a dando imediatamente, a limpou e esperou que ela adormecesse para poder cuidar de suas próprias feridas. 

 

“No caminho para o amanhã
No meio do oceano grande
Eu grito bem alto, perguntando como suportar isso por mim.”
- Islands / Super Junior





Capítulo 8

Passou uns dias deitada de repouso, como não tinha certeza se o bebê ainda estava lá, preferiu não dizer nada a ele por enquanto. Durante aqueles dias ouviram o barulho que os causava medo, o motor do barco, ela não queria que ele saísse, mas saiu escondido dela para ver o que os homens fariam ao verem os corpos que ele deixou, então se escondeu e ficou ouvindo os homens.

— Acho que estavam roubando da carga senhor. — disse um dos homens.
— Esses infelizes — cuspiu e então pegou a garrafa seca de uísque — Provavelmente beberam além da conta e acabaram brigando para ver quem ficaria com a maior parte.
— O que vamos fazer agora ? — perguntou um outro.
— Vamos levar o que eles deixaram.
— E os corpos?
— Deixe para os abutres, tiveram o fim que mereciam. Vamos ficar um tempo fora de circulação nesta área.
— E para onde vamos senhor?
— Angola, já estão nos esperando por lá Carlos, terminem logo de carregar os barcos, esse lugar fede, vamos sair o mais rápido possível daqui. — limpava as mãos com um lenço.
— Sim senhor. — os cinco responderam e carregaram tudo.
ficou espiando até que fossem embora e sumissem de vista no mar, depois voltou para ficar com que respirou mais aliviada ao vê-lo bem.

Os dias passavam rápido, e em uma manhã enquanto ele foi pegar mais ervas no mato, acordou com um mal-estar que já conhecia, estava molhada e ao olhar viu que era sangue, então vieram as lágrimas com a certeza de que realmente tinha perdido o bebê. Se levantou e foi caminhando devagar até o cachoeira e ficou dentro da água de roupa e tudo chorando. passava por ali casualmente e ao vê-la estranhou e resolveu descer até lá para saber se estava bem. Como estava de costas não o viu, ele então bateu as palmas sorrindo, ela se virou e assim que viu seu rosto abatido em lágrimas entrou de imediato dentro da água e a pegou no colo gentilmente levando-a de volta para casa. Colocou a na cama e pegou um pano para secá-la, assim que começou a passar nas pernas dela, ela segurou suas mãos fazendo com que ele focasse os olhos nela.

— Eu, preciso te dizer uma coisa — ela levantou a mão com os três dedos para cima e com a outra mão devagar foi abaixando o terceiro dedo e balançando a cabeça intensificando mais o choro. — Ele foi embora.
* ficou olhando para ela até não conseguir mais segurar as lágrimas, limpava seu rosto rápido com o antebraço e tentou confortá-la sinalizando — (está tudo bem, eu estou aqui, eu não vou embora). — assentiu e ele a abraçou forte por um longo tempo.

Se passaram três semanas depois daquele dia, tudo estava voltando ao normal, mas ainda estava triste. Ficava quieta a maior parte do tempo, revivendo aquele momento em sua cabeça e com medo de acontecer de novo não deixava que ele a tocasse. era paciente e fazia de tudo para agradar e animar ela, mas sem sucesso as vezes sentava à beira mar e pensava: “Mãe, o que eu faço?” E em um certo dia teve resposta. Enquanto caminhava pela floresta passou por uns pequenos arbustos de flores silvestres alaranjadas e se lembrou que ela gostava daquelas flores, pegou uns ramos e ao se levantar de frente a uma árvore, pensou ter visto algo nela, se aproximou mais e limpando um tipo de lodo conseguiu identificar um desenho que fez com sua mãe a muito tempo antes dela morrer.

Eram dois riscos, um maior que o outro que representavam ele e ela e a forma de um coração que representava o amor. Realmente fazia tanto tempo que não passava por aquele lugar que ficou ali um tempo se lembrando de quando ela ainda era viva e fizeram aquele desenho para que soubesse que estariam sempre juntos.

*(obrigada mãe) — ele sinalizou e voltou para casa.

estava de pé em frente à mesa lavando as folhas com a água de um balde e não percebeu quando ele entrou, levou um susto quando ele se aproximou a tocando no ombro.

— Você me assustou, eu achei que... — se lembrou daqueles homens horríveis e preferiu não continuar — deixa para lá.
*(me desculpa, por favor) — sinalizou.
— Está tudo bem, eu devia estar muito distraída mesmo.
*(espera, tem uma coisa para você) — sinalizou e foi para fora voltando rapidamente com as mãos para trás causando um olhar curioso nela, quando chegou perto dela cobriu seus olhos com uma das mãos e levantou a outra com as flores. Assim que ele tirou a mão, vendo as flores deu um leve sorriso para ele as recebendo e sentindo seu aroma.
— Obrigada, elas são lindas.
*(você também) — sinalizou sorrindo e colocou uma das flores no cabelo dela, então respirou fundo e fez um sinal que até então não imaginava que faria para outra pessoa além de sua mãe, apontou para si, fez um coração com as mãos e apontou para ela a deixando totalmente sem ação — (eu amo você).
— Eu não sei o que dizer. — sabia, mas não conseguia.
*(não me entendeu?) — perguntou.
— Entendi, eu tenho que terminar isso já vai escurecer — quando sentiu as lágrimas descerem seu rosto se virou de costas tentando esconder dele limpando o rosto.
pensou em ir embora, mas não podia desistir dela, não queria desistir, então ele passou as mãos sobre seus ombros a envolvendo delicadamente em um abraço.
... — ela disse, mas ele não soltou e começou a beijar seu pescoço suavemente.

Ela sentia aquele toque e não tinha forças para se afastar, também o amava e não podia mais negar que aquele sentimento era mais forte do que qualquer sofrimento que pudesse ter passado em toda sua vida. a virou devagar e a beijou com todo intensidade do seu amor, a partir disso não houve mais resistência, ela se entregou de corpo, alma e coração escolhendo viver aquele amor sem se importar com o que pudesse acontecer.  

 

“Cores em meu coração todos os dias
Com a mesma luz
Nós somos feitos como um só, para sempre
Quando olhamos um para o outro.”
- Islands / Super Junior





Capítulo 9

Agora sim eles estavam realmente bem, como um casal que se ama e está curtindo a felicidade a dois. estava sempre junto dele, não o perdia de vista e com não era diferente, todo carinhoso e muito protetor. Mais dois meses juntos e aqueles homens realmente não apareceram, puderam ir a outros lugares da ilha que ainda não conhecia. Em um dia quente, eles iam sair para pegar carambolas no lado oeste, mas ela não amanheceu se sentindo bem, então disse para ele ir sozinho e que ficaria bem. Quando ele voltou caminhando pela praia a viu sentada em um tronco olhando o mar e foi até ela. Assim que o viu, se levantou e parecia ansiosa.

*(você está melhor?) — sinalizou deixando as frutas ao lado.
— Estou... e nosso filho também. — ele a olhou confuso e então ela levantou a mão mostrando dois dedos, devagar levantou o terceiro e a seguir abraçou a barriga — Ele está aqui.
*Ele sorriu, não estava acreditando e sinalizava — (três) — e quando a ficha foi caindo, apontou para ela e para si mesmo em zigzag abaixando a mão com a palma para baixo — (nosso filho) — ele começou a chorar emocionado e continuou sinalizando — (eu cuido de você e dele, eu amo você e ele também).
— Nós dois também amamos você. — chorando e rindo ao mesmo tempo, eles se abraçaram, ele a beijou e a sua barriga, foi encantador o jeito que ele ficou e então ela pensou com certeza: “Eu não poderia ter escolhido melhor, ele é o bastante para mim.”

Os meses foram passando e a barriga crescendo mais e mais, ficava por perto dando instruções enquanto ele trabalhava em um berço improvisado, mas também era uma distração, pois ele parava toda hora para acariciar sua barriga, fofo ao extremo. Ele cortou duas árvores que impediam o sol de entrar pela janela e aquecer a casa durante o dia com a supervisão de e com os troncos melhorou a cama e o telhado que vazava um pouco a água da chuva. tinha que sair mais vezes para pegar comida e no ponto de vista dele nunca era o suficiente, pois o tempo todo a via comendo alguma coisa, achava incrível e assustador ao mesmo tempo.

O mundo exterior era nada, irrelevante perto da maravilha que estava acontecendo com eles, e mesmo tendo crescido na cidade não sentia falta de nada, estava feliz e finalmente teria uma família. Estava tudo pronto e faltava pouco tempo para o bebê nascer, ela já não saia e sentia um desconforto enorme, pois a barriga já estava pesando e se cansava rapidamente, dormia muito e a qualquer hora. O futuro papai ficava impressionado e ria quando tocava sua barriga e sentia o bebê se mexer, para era fantástico e incômodo ao mesmo tempo, porque eram chutes bem fortes geralmente. teve que estocar comida mais rápido, pelo menos o que não estragaria com facilidade e acumular lenha para o frio, então passaram a acender o fogo só para cozinhar já que a casa iria ficar mais quente durante o dia, ele precisava estar com ela quando chegasse a hora e realmente não demorou.

No fim de uma tarde quente e chuvosa, começou a ter contrações fortes (já havia passado os dois últimos dias incomodada) e de repente ao sentir que vazava um líquido entre as pernas, gritou.

! — ele apareceu assustado na porta a olhando preocupado — é agora, ele quer sair, ai. — contração, respirava fundo.
*(agora, o que eu faço?) — ele estava sem saber como ajuda-la.
— Pega água e aqueles panos ali — apontou para uns panos rasgados sobre a mesa e ele foi imediatamente pegar — Agora você vai ter que esterilizar a faca, passa ela no fogo e traz para mim está bem — ele obedeceu e voltou com ela ainda quente. pegou nas mão dele e olhando disse — Eu preciso de você, vai ter que ajudar ele a sair entendeu? — ele assentiu respirando fundo junto com ela a cada contração.

Como sempre pesquisava sobre tudo, já havia lido sobre partos e a partir dali ela foi dando as instruções para ele com calma quando não estava gritando de dor. Seguindo suas orientações, fez um pequeno corte nela e enquanto ela fazia força ele empurrava a barriga para baixo e já conseguia ver a cabeça. sabia que tinha que fazer uma força maior para que ele saísse então, reuniu suas forças e o empurrou fazendo com que saísse de uma vez aos berros já na metade da noite. o segurou meio sem jeito, sorrindo, o passou para ela e logo o menino se acalmou, ela mandou que lavasse e passasse a faca no fogo novamente, então ela mesma cortou o cordão umbilical e limpou o bebê com panos limpos e úmidos, deixando-o envolvido em uma de suas camisas.

Depois de uns minutos com as contrações expulsou a placenta e as membranas, aguentou firme e mesmo com nojo limpou tudo bem rápido e ficou próximo admirando a cria. mesmo fazendo tudo certo, estava se sentindo estranha, alguma coisa não estava certa até que sentiu algo se mexer em sua barriga e fez uma expressão de susto, parecia que ainda não tinha acabado.

*(o que foi, está tudo bem) — passou a mão no rosto dela.
, acho que não somos só três, somos quatro. — apontou para sua barriga e lhe mostrou quatro dedos, ele ficou meio tonto na hora — Você vai precisar fazer tudo de novo, você consegue?
*(sim, quatro) — estava surpreso e encabulado olhava para seus quatro dedos e sorria mal acreditando que aquilo era real.

Ouvindo ela gemer de dor com as contrações, ele voltou a si e foi novamente lavar e passar a faca no fogo. Desta vez demorou um pouco mais, ela estava muito cansada e já sem forças o dia começava a clarear e em uma última tentativa em que respirou fundo o segundo bebê começou a sair e vendo a exaustão de , não pensou muito e o puxou, só que ele não chorava. Ela pediu para que a entregasse e enchendo os pulmões lhe deu uns tapinhas o fazendo abrir a boca com vontade, o que trouxe alívio aos dois.

Ela repetiu todo o procedimento de limpeza e expulsão dos restos fetais, colocou o primeiro do lado do segundo junto a ela na cama e ficou olhando enquanto ela analisava os bebês e procurava qualquer coisa de diferente como imperfeições, já que sua gravidez não tinha sido acompanhada por um médico, nada convencional, e ainda estavam no meio do mato rodeada de todo tipo de bactérias. Por fim deu graças a Deus, pois não tinham nenhum problema físico, só encontrou uma mancha de nascença no primogênito acima do ombro e era isso o que os diferenciava já que eram gêmeos, mesmo de placentas diferentes.

— Acho que eles precisam de nomes, não é?
*(você escolhe) — ele estava incandescente de alegria e como não conseguiria falar preferiu que ela dissesse.
— O que acha de Miguel para o primeiro — depois de gesticular os lábios ele sorriu assentindo — Então seu nome é Miguel. Bem eu não pensei em outros nomes, até então eu achava que era só um.
*(espera) — ele sinalizou, foi ao outro cômodo e então a trouxe a foto dele com sua mãe e ela o releu.
— Eu acho perfeito que ele se chame Ji-hun, é uma bela homenagem ao seu pai. — ele sorria incansavelmente concordado — Acho que eles também gostaram dos nomes.

nunca havia sequer imaginado tamanha felicidade e ria de que apesar de ter ajudado a trazê-los ao mundo estava com medo de tocá-los, como se fossem a mais fina porcelana. Mas o que realmente importava agora é que eram uma família grande, linda e cheia de amor.

 

“Torna-se o sol que se põe no meu coração
Você está sempre lá, encontrar caminho para mim.”
 - Islands / Super Junior





Capítulo 10

Completava se dois meses do nascimento dos gêmeos, estava recuperada e mais forte que nunca, afinal tinha que dividir a atenção dela com os pequenos Miguel e Ji-hun, sem falar de que as vezes também parecia uma criança, mas sempre a ajudando em tudo principalmente com os meninos. Como tinham que manter tudo limpo para os meninos não pegarem nenhuma infecção, lavavam constantemente os panos e tudo o que tinha lá que pudessem utilizar, eles revezavam e essa era a vez de . Ela beijou os bebês e ao se levantar para sair recebeu uma reclamação, pois havia se esquecido de .

— Eu não me esqueci não seu bobo. — deu um beijo nele que a puxou de volta dando outro e só depois a deixou sair.

Como a água que buscaram anteriormente havia acabado, ela precisou ir até a cachoeira, lavou as peças e aproveitou para tomar um banho, demorando um pouco mais que de costume. Como estava próximo a cascata e dava mergulhos não conseguia ouvir nenhum outro barulho, já ouviu um barulho diferente que aumentava e parecia passar sobre sua casa, quis sair, mas não podia deixar os meninos sozinhos e se preocupou, pois ainda não tinha voltado. Era um monomotor que estava pousando na praia ao norte, pois era mais aberta e de fácil pouso. só conseguiu ouvir quando saiu da água, se vestiu, pegou os panos ainda úmidos e foi ver o que era.

Se aproximando da praia, se escondeu atrás de uma árvore, viu dois homens perto do pequeno avião tirando umas caixas plásticas transparentes com uns equipamentos, mas nada de armas e nem de longe pareciam com aqueles contrabandistas. Concentrada nos rapazes do avião não percebeu que havia um terceiro atrás dela andando distraído e quando a viu achou estranho e se aproximou.

— Procurando alguma coisa. — disse fazendo-a se virar assustada.
— Quem são vocês e o que querem aqui? — apesar dele ser bonito e ter o semblante calmo e simpático, respirava a medo, mas não fraquejaria.
— Nós somos geólogos e descobrimos essa ilha por acaso. — disse de forma gentil e educada, olhando para ela toda — E eu posso saber quem é você?
— Eu moro aqui.
— Mora aqui, que estranho, nós sobrevoamos e não vemos nenhuma casa, são quantos habitantes?
— Só eu, e meu marido, quero dizer não é bem meu marido, é complicado.
— Então são só vocês dois?
— Sim. — pensou bem e preferiu não falar dos meninos por enquanto.
— Como vieram parar aqui?
— Eu... — antes que pudesse dizer os outros dois se aproximavam chamando ele.
, Eu não acho esse lugar no mapa, não faço ideia de onde a gente está e para completar estamos sem sinal de rádio e Paul disse que o GPS quebrou. — disse o loiro de olhos azuis.
— Esqueceu de dizer Allam que a culpa é sua que colocou o equipamento todo em cima dele, — disse o moreno e ao vê-la atrás da árvore — Cara, queria ter sua sorte, mal chegou e já achou uma namorada. — Paul deixou ele constrangido.
— Parem com isso ela é casada, ou quase isso, não é? — olhou para ela que confirmou.
— Ainda assim, eu só achei conchas. — Paul contestou e ela achou graça.
— Agradeça, pelo menos não picam. — Allam contrariado coçando o pescoço e os braços.
— Vocês são uns ogros. Por favor senhorita perdoe a falta de educação, eu sou e esses são meus amigos Paul — ele lhe estendeu a mão dando uma piscada — e Allamberg da Inglaterra.
— Pode me chamar só de Allam, é um prazer. — também a cumprimentou e ela sorriu.
— E você como se chama. — não demonstrou, mas ficou interessado.
.
— É um prazer conhecê-la. — pegou de leve na mão dela a olhando nos olhos — Por acaso pode dizer onde estamos?
— Bem, na verdade não.
— Como assim, você não mora aqui? — Allam ficou confuso.
— Sim, mas é que eu também não sei onde é aqui.
— Ela disse que só mora ela e um cara aqui, mais ninguém. Você ia me dizer como veio parar aqui antes deles chegarem, então como foi?
— Eu estava em uma viagem de trabalho indo de barco para Christmas Island, houve um forte temporal, eu fui arremessada no mar e acordei aqui, sem alguns dentes.
— Nossa que história, exatamente quanto tempo tem isso. — Paul pensando coisas.
— Acredito que já tenha um ano ou mais, já desisti de contar.
— Waw! É muito tempo, e o cara que está com você? — quis saber a quanto tempo estavam juntos.
— O nome dele é e já estava aqui quando cheguei. Ai nossa! — se lembrou que havia deixado ele a um bom tempo e com certeza devia estar super preocupado — Eu preciso ir, desculpe nos falamos depois. — saiu correndo.
— Ei espera. — a chamou sem êxito.
— Nossa, que garota hein. ? — Paul balançava a mão dando tchau.
— O que é? — olhou para ele.
— Dá uma limpadinha — apontando para o queixo dele — está escorrendo a baba.
— Me deixa em paz.
, ele tem razão, está pingando. — Allam completou e caiu na risada com Paul.
— Rá rá rá, muito engraçado. Vamos, temos que montar o equipamento e as barracas, vai escurecer em algumas horas. — disse e os deixou rindo indo em direção ao avião — São uns babacas mesmo.

Minutos depois, chegava a casa fatigada, respirou fundo e então entrou mais tranquila. Ao vê-la, correu até ela a abraçando forte e a beijando aliviado.

— Eu estou bem, está tudo bem.
*(onde você estava? eu muito preocupado com você) — estava ofegante pois já havia andado de um lado para outro sem saber o que fazer.
— Eu estava na cachoeira, então eu ouvi o barulho e fui ver o que era.
*(não pode, é perigoso) — sinalizou bravo.
— Eu sei, mas eu já estou aqui não estou? Eles não parecem maus, não tinham armas, acho que podemos — antes que ela pudesse terminar ele a interrompeu.
*(não fique perto deles, não fala com eles, entendeu?)
— Mas não tem nada de mais.
*(por favor, promete para mim) — ele já havia visto e passado por muita coisa e não seria fácil confiar em ninguém.
— Tudo bem, eu prometo — preferiu não contrariá-lo — e como estão Miguel e Ji-hun?
*(choraram muito, estão dormindo agora).
— Eles devem estar com fome, eu vou cuidar deles agora, vá descansar. — ele assentiu lhe dando um beijo e saiu, e ela foi alimentá-los.

Por mais que tinha prometido, não podia deixar de saber mais sobre eles e sobre a possibilidade de sair daquela ilha. Por mais que estivesse feliz pela família que formou, a presença deles a lembrou de que aquele não era seu lugar e nem onde queria ver seus filhos crescerem, sem saber e aprender nada sobre o resto do mundo, totalmente isolados e convenhamos que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, ou seja, duas moças naufragarem e se apaixonarem por seus filhos. Então no outro dia saiu escondida dele para falar com os rapazes. Assim que se aproximou, foi cumprimenta-la.

— Bom dia. — ele disse sorrindo, de longe os amigos riam e debochavam dele e resolveram ir até eles.
— Bom dia, vocês estão se dando bem por aqui? — ela também sorriu cordialmente.
— Sim, já estamos acostumados com essa vida de acampar.
— Eu não posso demorar, só vim trazer isso, vocês podem precisar. — estava com uma penca de bananas e uma trouxinha com mangas e laranjas estendendo para ele.
— Comida de verdade? — Paul chegou já pegando das mãos dela deixando indignado — Finalmente! Muito obrigado. — sorriu para ela.
você é uma santa, obrigada por nos salvar de feijão enlatado e barras de cereais. — Allam disse a reverenciando e ela riu.
— Não tem de que, eu posso trazer mais depois.
— Isso seria ótimo. — Paul disse com a boca já cheia comendo a banana e recebeu um olhar de repreensão de .
— Não liga para eles, você não precisa se incomodar, nós estamos bem.
— Não estamos não. — Allam o contrariou descascando uma laranja.
— Não se preocupe, não é incomodo nenhum faço questão de ajudar.
— Obrigado. — ficou ainda mais encantado.
— Vocês vão ficar quanto tempo?
— Eu ainda não sei, possivelmente uma ou duas semanas, queremos explorar a ilha, tirar algumas fotos para registro, fazer coletas de vegetação para analise, estas coisas as vezes levam um bom tempo.
— Entendo, agora é melhor eu ir.
— Espera, você saiu correndo ontem, parecia preocupada, está tudo bem?
— Ah, sim está, não foi nada demais.
— Era por causa do... — havia esquecido o nome.
! É, ele não sabia onde eu estava e ficou preocupado, a um tempo atrás esse era o caminho de contrabandistas, eram pessoas muito perigosas e por isso ele é um tanto super protetor.
— Eu posso entendê-lo.
— Eu volto outra hora, até logo rapazes. — eles acenaram para ela, estavam comendo.
— Até logo.

“Uma ilha sem nome e solitário
Ligue-me com você de novo.”
- Islands / Super Junior





Capítulo 11

Completava se dois meses do nascimento dos gêmeos, estava recuperada e mais forte que nunca, afinal tinha que dividir a atenção dela com os pequenos Miguel e Ji-hun, sem falar de que as vezes também parecia uma criança, mas sempre a ajudando em tudo principalmente com os meninos. Como tinham que manter tudo limpo para os meninos não pegarem nenhuma infecção, lavavam constantemente os panos e tudo o que tinha lá que pudessem utilizar, eles revezavam e essa era a vez de . Ela beijou os bebês e ao se levantar para sair recebeu uma reclamação, pois havia se esquecido de .

— Eu não me esqueci não seu bobo. — deu um beijo nele que a puxou de volta dando outro e só depois a deixou sair.

Como a água que buscaram anteriormente havia acabado, ela precisou ir até a cachoeira, lavou as peças e aproveitou para tomar um banho, demorando um pouco mais que de costume. Como estava próximo a cascata e dava mergulhos não conseguia ouvir nenhum outro barulho, já ouviu um barulho diferente que aumentava e parecia passar sobre sua casa, quis sair, mas não podia deixar os meninos sozinhos e se preocupou, pois ainda não tinha voltado. Era um monomotor que estava pousando na praia ao norte, pois era mais aberta e de fácil pouso. só conseguiu ouvir quando saiu da água, se vestiu, pegou os panos ainda úmidos e foi ver o que era.

Se aproximando da praia, se escondeu atrás de uma árvore, viu dois homens perto do pequeno avião tirando umas caixas plásticas transparentes com uns equipamentos, mas nada de armas e nem de longe pareciam com aqueles contrabandistas. Concentrada nos rapazes do avião não percebeu que havia um terceiro atrás dela andando distraído e quando a viu achou estranho e se aproximou.

— Procurando alguma coisa. — disse fazendo-a se virar assustada.
— Quem são vocês e o que querem aqui? — apesar dele ser bonito e ter o semblante calmo e simpático, respirava a medo, mas não fraquejaria.
— Nós somos geólogos e descobrimos essa ilha por acaso. — disse de forma gentil e educada, olhando para ela toda — E eu posso saber quem é você?
— Eu moro aqui.
— Mora aqui, que estranho, nós sobrevoamos e não vemos nenhuma casa, são quantos habitantes?
— Só eu, e meu marido, quero dizer não é bem meu marido, é complicado.
— Então são só vocês dois?
— Sim. — pensou bem e preferiu não falar dos meninos por enquanto.
— Como vieram parar aqui?
— Eu... — antes que pudesse dizer os outros dois se aproximavam chamando ele.
, Eu não acho esse lugar no mapa, não faço ideia de onde a gente está e para completar estamos sem sinal de rádio e Paul disse que o GPS quebrou. — disse o loiro de olhos azuis.
— Esqueceu de dizer Allam que a culpa é sua que colocou o equipamento todo em cima dele, — disse o moreno e ao vê-la atrás da árvore — Cara, queria ter sua sorte, mal chegou e já achou uma namorada. — Paul deixou ele constrangido.
— Parem com isso ela é casada, ou quase isso, não é? — olhou para ela que confirmou.
— Ainda assim, eu só achei conchas. — Paul contestou e ela achou graça.
— Agradeça, pelo menos não picam. — Allam contrariado coçando o pescoço e os braços.
— Vocês são uns ogros. Por favor senhorita perdoe a falta de educação, eu sou e esses são meus amigos Paul — ele lhe estendeu a mão dando uma piscada — e Allamberg da Inglaterra.
— Pode me chamar só de Allam, é um prazer. — também a cumprimentou e ela sorriu.
— E você como se chama. — não demonstrou, mas ficou interessado.
.
— É um prazer conhecê-la. — pegou de leve na mão dela a olhando nos olhos — Por acaso pode dizer onde estamos?
— Bem, na verdade não.
— Como assim, você não mora aqui? — Allam ficou confuso.
— Sim, mas é que eu também não sei onde é aqui.
— Ela disse que só mora ela e um cara aqui, mais ninguém. Você ia me dizer como veio parar aqui antes deles chegarem, então como foi?
— Eu estava em uma viagem de trabalho indo de barco para Christmas Island, houve um forte temporal, eu fui arremessada no mar e acordei aqui, sem alguns dentes.
— Nossa que história, exatamente quanto tempo tem isso. — Paul pensando coisas.
— Acredito que já tenha um ano ou mais, já desisti de contar.
— Waw! É muito tempo, e o cara que está com você? — quis saber a quanto tempo estavam juntos.
— O nome dele é e já estava aqui quando cheguei. Ai nossa! — se lembrou que havia deixado ele a um bom tempo e com certeza devia estar super preocupado — Eu preciso ir, desculpe nos falamos depois. — saiu correndo.
— Ei espera. — a chamou sem êxito.
— Nossa, que garota hein. ? — Paul balançava a mão dando tchau.
— O que é? — olhou para ele.
— Dá uma limpadinha — apontando para o queixo dele — está escorrendo a baba.
— Me deixa em paz.
, ele tem razão, está pingando. — Allam completou e caiu na risada com Paul.
— Rá rá rá, muito engraçado. Vamos, temos que montar o equipamento e as barracas, vai escurecer em algumas horas. — disse e os deixou rindo indo em direção ao avião — São uns babacas mesmo.

Minutos depois, chegava a casa fatigada, respirou fundo e então entrou mais tranquila. Ao vê-la, correu até ela a abraçando forte e a beijando aliviado.

— Eu estou bem, está tudo bem.
*(onde você estava? eu muito preocupado com você) — estava ofegante pois já havia andado de um lado para outro sem saber o que fazer.
— Eu estava na cachoeira, então eu ouvi o barulho e fui ver o que era.
*(não pode, é perigoso) — sinalizou bravo.
— Eu sei, mas eu já estou aqui não estou? Eles não parecem maus, não tinham armas, acho que podemos — antes que ela pudesse terminar ele a interrompeu.
*(não fique perto deles, não fala com eles, entendeu?)
— Mas não tem nada de mais.
*(por favor, promete para mim) — ele já havia visto e passado por muita coisa e não seria fácil confiar em ninguém.
— Tudo bem, eu prometo — preferiu não contrariá-lo — e como estão Miguel e Ji-hun?
*(choraram muito, estão dormindo agora).
— Eles devem estar com fome, eu vou cuidar deles agora, vá descansar. — ele assentiu lhe dando um beijo e saiu, e ela foi alimentá-los.

Por mais que tinha prometido, não podia deixar de saber mais sobre eles e sobre a possibilidade de sair daquela ilha. Por mais que estivesse feliz pela família que formou, a presença deles a lembrou de que aquele não era seu lugar e nem onde queria ver seus filhos crescerem, sem saber e aprender nada sobre o resto do mundo, totalmente isolados e convenhamos que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, ou seja, duas moças naufragarem e se apaixonarem por seus filhos. Então no outro dia saiu escondida dele para falar com os rapazes. Assim que se aproximou, foi cumprimenta-la.

— Bom dia. — ele disse sorrindo, de longe os amigos riam e debochavam dele e resolveram ir até eles.
— Bom dia, vocês estão se dando bem por aqui? — ela também sorriu cordialmente.
— Sim, já estamos acostumados com essa vida de acampar.
— Eu não posso demorar, só vim trazer isso, vocês podem precisar. — estava com uma penca de bananas e uma trouxinha com mangas e laranjas estendendo para ele.
— Comida de verdade? — Paul chegou já pegando das mãos dela deixando indignado — Finalmente! Muito obrigado. — sorriu para ela.
você é uma santa, obrigada por nos salvar de feijão enlatado e barras de cereais. — Allam disse a reverenciando e ela riu.
— Não tem de que, eu posso trazer mais depois.
— Isso seria ótimo. — Paul disse com a boca já cheia comendo a banana e recebeu um olhar de repreensão de .
— Não liga para eles, você não precisa se incomodar, nós estamos bem.
— Não estamos não. — Allam o contrariou descascando uma laranja.
— Não se preocupe, não é incomodo nenhum faço questão de ajudar.
— Obrigado. — ficou ainda mais encantado.
— Vocês vão ficar quanto tempo?
— Eu ainda não sei, possivelmente uma ou duas semanas, queremos explorar a ilha, tirar algumas fotos para registro, fazer coletas de vegetação para analise, estas coisas as vezes levam um bom tempo.
— Entendo, agora é melhor eu ir.
— Espera, você saiu correndo ontem, parecia preocupada, está tudo bem?
— Ah, sim está, não foi nada demais.
— Era por causa do... — havia esquecido o nome.
! É, ele não sabia onde eu estava e ficou preocupado, a um tempo atrás esse era o caminho de contrabandistas, eram pessoas muito perigosas e por isso ele é um tanto super protetor.
— Eu posso entendê-lo.
— Eu volto outra hora, até logo rapazes. — eles acenaram para ela, estavam comendo.
— Até logo.

“Uma ilha sem nome e solitário
Ligue-me com você de novo.”
- Islands / Super Junior





Capítulo 12

Próximo a cachoeira, estava abaixado e pegava umas amostras de umas flores bem pequenas e tirava fotos, como estavam sob uma coluna de pedras não batia a iluminação necessária e precisou usar o flash da câmera. Vindo na mesma direção, não o viu e então quando se levantou no susto ao encontrar com ele disparou o flash na cara dele. Achando que estava sendo atacado, foi para cima dele lhe dando uma chave de braço no pescoço.

— Me solta, socorro! — gritou. já estava perto quando o ouviu e correu até eles, sabendo da força de ficou desesperada para impedir uma tragédia.
! — ela gritou e ele com seu instinto protetor sinalizou com a outra mão para que ela ficasse longe — Solta ele, agora, por favor solta! — ele a olhou sem entender — Está tudo bem, eu conheço ele, pode soltar. — e finalmente ele o soltou o empurrando.
— Nossa! — pegava fôlego massageando a garganta — Obrigado, chegou bem na hora. — respirou fundo — Não me disse que ele era tão forte .

* ouvindo ele dizer o nome dela como se fossem íntimos, no seu ponto de vista, confirmou o que já havia imaginado, olhou para ela mostrando seu rosto decepcionado, balançou a cabeça negativamente e saiu marchando de raiva.

? — ela o chamou inutilmente — Eu tenho que falar com ele, você está bem ?
— Vou ficar, pode ir. — disse um pouco angustiado e ao vê-la acenar e ir atrás de , sentiu uma ponta de inveja, preferia que ela tivesse ficado e dado atenção a ele, a vítima da história.

Alguns minutos depois eles chegaram um atrás do outro a casa e a “discussão” começou.

— O que acha que estava fazendo, você quase o matou.
*(estava protegendo você) — sinalizando indignado.
— Eu não preciso de proteção.
*(eu vi) — com expressão de desdém.
— E você foi irresponsável, saiu para me vigiar e deixou os meninos sozinhos.
*(eu não, você sim) — expressou braveza — (você prometeu que não falaria com eles, mentirosa).
— Quer saber eu estou cheia. — explodiu de uma vez — Eu não posso mais ficar aqui, não aguento mais tudo isso, quero ir para casa. — ele a olhou totalmente triste, desolado e ela tentou remediar suas próprias palavras — Não é que eu não queira ficar com você, não é isso.
*(mas eu não estou lá, estou aqui, você não quer ficar aqui, então não quer ficar comigo) — disse e foi para fora em lágrimas.

estava confusa, não sabia o que fazer, chorando foi atrás dele que estava sentado num tronco em frente à casa e se sentou ao seu lado.

— Desculpa, não queria deixar você triste. Me chamaram para ir com eles, eu ainda não respondi.
*(você quer ir?) — a olhou com os olhos vermelhos.
— Eu não vou mentir para você de novo, eu quero ir.
*(você respondeu agora, somos quatro, um vai embora, três ficam) — gesticulou sério.
— Eu não posso deixar os meus filhos aqui.
*Apontou para os dois fazendo zig-zag e abaixou a mão com a palma para baixo — (nossos filhos) — e então continuou sendo mais duro — (eu protejo eles, penso neles, você pensa em você mesma, no que você quer, não sabe o que eles precisam) — ele se levantou e foi para dentro pois ouviu o choro de um deles.

não conseguiu responder, achou injusto o que ele disse e egoísta pois praticamente queria força-la a ficar usando Miguel e Ji-hun para pressioná-la, algo que só passaria na cabeça de uma pessoa da cidade é claro, pois não pensava assim e só queria que ela entendesse.

Começou a chover muito aquele dia, como os rapazes previram, e só parou no outro dia à tarde deixando o céu limpo como se não tivesse caído nem uma gota d’água, sendo assim iriam embora no outro dia de manhã cedo para aproveitar a maior parte do dia. e não estavam se falando, mas era fácil saber pelos seus rostos que tanto ele estava triste, quanto ela magoada pela situação. Já era noite, ela havia estado com e os amigos e acabava de chegar em casa, ficou da porta sem que ele a percebesse o admirando enquanto brincava com os bebês que riam com os gestos dele. Mesmo que não pudesse falar, sentia que eles o entendiam, e ela viu que estavam conectados, tentou não fazer barulho para não atrapalhar o momento, mas esbarrou em uma tigela no chão atraindo a atenção dele.

— Desculpa, eu não queria te assustar — e aproveitou para dar a notícia que ele queria — Eles vão embora, amanhã de manhã, achei que gostaria de saber. — ele assentiu como se não fosse nada demais e voltou a brincar com os filhos e ela ficou observando.

estava sofrendo, sentia que a qualquer momento ela poderia não estar mais ali, tentava ser forte pelos bebês apesar de não entender muita coisa (mas amor não é para se entender, não é?). Pela cabeça de se passava tudo: “Se eu fosse primeiro, poderia voltar para buscá-los depois, mas pensando bem posso demorar para voltar já que não sabemos onde estamos, pode acontecer alguma coisa, Miguel e Ji-hun são muito novos para ficar longe de mim, os contrabandistas podem voltar e os pegarem, ou um tsunami engolir a ilha, simplesmente não acharmos a localização daqui, quem sabe, mas se eu ficar como posso ter certeza que vão acreditar no que os rapazes vão contar e virão para nos resgatar se as vezes nem eu consigo acreditar em tudo isso?” Eram milhares de dúvidas que a afligiam e apertavam seu coração, não conseguindo tomar decisão alguma se deitou junto dos bebês ao lado dele. Não disse nada e só ficou lá acariciando os meninos. Eles por fim pegaram no sono, mas nem sequer fechou os olhos e passou a noite em claro velando o sono de seus três amores.

O dia clareou e acordou com o sol batendo em seu rosto, ao se virar para o lado viu os meninos mas ela não estava lá, sentiu uma pontada no coração e seus olhos se encheram de lágrimas, pensou: “O meu amor se foi.” Abraçou os filhos lhes dando um beijo e foi até o outro cômodo pegar algo para comer e viu que ela tinha pegado a foto dele e de sua mãe, deu uma olhada do lado de fora e tendo certeza que ela não estava mais, voltou para junto dos meninos inconformado, se sentindo abandonado, ainda pior do que quando sua mãe morreu. Não demorou a ouvir o barulho do avião se afastando, a dor parecia consumi-lo de forma devastadora, se achegou ainda mais envolta dos filhos como se quisesse protegê-los de sentir a mesma dor.

Algum tempo depois ouviu um barulho vindo do lado de fora, pensou que deveria ser os esquilos da região roubando as frutas deles e se levantou para ir afugentá-los, assim que chegou na porta seu coração disparou e começou a chorar como uma criança. estava colocando uns coco no chão e olhou para ele que se aproximava devagar quase não acreditando no que estava vendo.

— Eu vi que os coco tinham acabado, então fui buscar mais. — disse tentando agir naturalmente, com os olhos lacrimejando ao vê-lo em lágrimas, já ele preferiu ser mais direto.
*(eu amo você) — sinalizou chegando perto dela.
— Eu também amo você. — ela não conseguiu mais segurar as lágrimas e ele a beijou e abraçou forte e quando finalmente a soltou.
*(eu pensei que você tinha ido com eles) — sinalizou e segurou em seu rosto.
— Eu fui me despedir. Mesmo que eu quisesse, não conseguiria ficar sem você e nossos filhos — ela disse o olhando nos olhos, transmitindo verdade. Ele a beijou ainda mais e não a soltaria tão cedo.

“Quantos rios devem ser cruzados?
Quantos oceanos de largura deve ser passado?
Para atender a meus sonhos?”
- Islands / Super Junior





Capítulo 13

tinha se levantado bem cedo e saiu sem que acordasse, indo até os três rapazes que ficaram eufóricos ao vê-la levando algumas frutas para viagem.

— Então você se decidiu, vai com a gente? — Paul perguntou todo animado, mas não mais que ansiando confirmação.
— Na verdade, eu vim me despedir. — ela disse deixando-os frustrados.
— Ah, não acredito. — Allam desapontado.
— Você tem certeza que não quer ir, se você quiser podemos esperar mais um dia para você poder dizer ao . — ainda com esperanças.
— Eu agradeço o empenho de vocês, mas eu não posso deixar ele aqui.
— Mas a gente já disse que pode voltar depois para buscar ele. — Allam relembrando a opção.
— Eu amo o — disse deixando seus sentimentos bem claros olhando para — e tem uma coisa que eu não contei, nós temos dois filhos, gêmeos de três meses e eu não conseguiria deixá-los. — ao ouvi-la, pode entender que não teria chance alguma.
— Nossa, filhos? — Paul surpreso, nunca esperava aquele tipo de revelação.
— Mesmo que tivessem espaço para eles, seria uma viagem muito perigosa já que são tão novos, se assustariam com o barulho do motor, poderiam passar mal com a altitude, o cheiro de maresia e quando começassem a chorar deixariam vocês loucos. E não queremos mais nenhum tipo de acidente não é mesmo? — ela brincou descontraindo.
— Você tem razão, filhos são coisa séria e não se pode arriscar. — concordou um pouco angustiado.
— Eu não irei com vocês agora, mas eu quero pedir um favor.
— Você nos alimentou, eu faço o que você quiser. — Paul sendo Paul.
— Eu também. — Allam em comum acordo.
— Pode dizer, seja o que for nós faremos de tudo para atender. — também se colocou à disposição.
— Vocês são maravilhosos sabiam. — se emocionou — Bem, como eu disse antes não tenho família, mas — puxou a foto de com sua mãe do bolso entregando a — eu tenho quase certeza que tem e podem ter o procurado por muito tempo também, então eu queria que achassem a família dele. — eles passaram a foto um para o outro e se olharam de uma forma estranha — A mãe eu sei que morreu, mas não sei do pai, e deve ter algum outro parente que possam o reconhecer. Vocês estão bem, que caras são essas?
— É que eu acho que nós já vimos essa foto antes, só não consigo me lembrar onde. — Allam fez uma cara de esforço.
— Eu também tenho essa impressão, mas não me vem nada à mente. — disse tentando se lembrar.
— Tem uma inscrição atrás, talvez ajude. — ela disse e leu.
— Esse nome, Kwon Ji-hun, eu tenho certeza que já o ouvi antes. podemos levar a foto conosco?
— Eu não sei é a única recordação que tem da mãe.
— Eu prometo que ela ficará intacta, não se preocupe. Eu tenho certeza que através dessa foto podemos descobrir sobre a família dele, é muito importante tê-la em mãos. — insistiu com empenho.
— Tudo bem, podem levá-la.
— Pode deixar com a gente, se ele tem parentes nós vamos encontrar. — Allam foi convicto.
— E nós vamos voltar para buscar você, seus filhos e o marido não-marido também. — Paul brincou espontaneamente, mas também falava sério, queria ajudar.
— Nós vamos ajudar, fique tranquila — passava confiança.
— Obrigada, eu não sei como seria se não tivessem aparecido. Muito obrigada mesmo. — também já os considerava amigos e poder contar com eles naquele momento seria crucial.
— Bom é melhor nós irmos logo, se quisermos achar essa informação bem rápido. Não quero deixar uma certa garota ansiosa por notícias. — se referiu a ela sorrindo, então abraçou os amigos e na vez dele, ele ficou um pouco sem jeito, mas gostou. Sem mais entraram no monomotor e partiram, e ela finalmente teve a certeza que tudo daria certo.

“Quantos mais de nós deve ser cumprida?
Quantos mais pontes devem ser cruzados?
Para chegar ao lugar deslumbrante?”
– Islands / Super Junior





Capítulo 14

A viagem durou no total um dia e meio, como não sabiam onde se localizava a ilha, deram algumas voltas até achar as ilhas Coco no radar (sempre anotando o percurso), pousaram lá e abasteceram, dali foi mais fácil continuar em direção de casa. Chegando a Christmas, os três rapazes foram recebidos pelo senhor Hyudong, pai de ficando todos na casa dele. Impacientes, no mesmo dia após uma boa refeição, explicaram minuciosamente toda a história para Hyudong que a princípio achou absurda, até que mostraram a foto de e a feição dele mudou na hora. Ele já foi pegando o telefone e fazendo algumas ligações mobilizando várias pessoas.

Os três não entendiam o porquê de tanto alvoroço ao telefone, e incomodaram o homem para que falasse com eles o que estava acontecendo. Hyudong disse a eles que o garoto da foto e a família haviam desaparecido no mar a mais de vinte anos, os deixando perplexos. Logo algumas pessoas chegaram a casa deles e Hyudong os fez contar tudo novamente a elas. Havia um Sargento de Polícia que ao ouvi-los entrou imediatamente em contato com a marinha e disse que iriam providenciar uma ação de resgate, mas que poderia demorar um pouco, pois como não sabiam onde exatamente estava a ilha não podiam se arriscar, caso estivesse em águas internacionais iriam precisar de uma autorização. Tudo estava sendo feito conforme as leis, mas apesar de verem o empenho deles, , Allam e Paul tinham uma outra preocupação muito maior: cumprir a promessa feita a , de achar a família ou parentes de .

Foram ao trabalho de Hyudong no dia seguinte saber como iam os preparativos para as buscas, e foram encaminhados à sala do presidente onde ele estava conversando com o senhor Kwon Chang Hyun. Paul muito observador, viu uma foto com um casal e uma criança no colo em um porta-retratos sobre a mesa e cutucou que ao ver logo relacionou as imagens. Hyudong não havia percebido a semelhança, mas assim que seu filho mencionou a foto, o presidente mostrou interesse e então começaram a contar ao homem sobre toda a história pois ainda não estava a par do que realmente acontecia (até então ouvindo por alto, achava que se tratava apenas da moça desaparecida).

Kwon Chang Hyun os ouviu atentamente e ao receber aquela velha foto de e ler o verso, começou a passar mal sendo aparado por eles. Assim que se sentiu melhor confessou a eles o porquê do mal estar, era nada mais nada menos que seu sobrinho, filho de seu irmão mais velho e que acreditava ter morrido com o pai e a mãe naquele trágico naufrágio no mar. Bingo, eles acharam o parente, agora era voltar a ilha e resgatá-los, só que havia uma pequena condição, localizar a ilha.

Ao passarem pelas ilhas Coco para abastecer, ouviram alguns pilotos locais falarem sobre um conto antigo de uma ilha que sempre aparecia e sumia de repente. A chamavam de Ilha do Náufrago, pois quando havia um naufrágio ela aparecia e assim que resgatavam a pessoa ela desaparecia novamente. Algo inexplicável e peculiar a seu respeito é que não dá sinal em nenhum radar, ou qualquer coisa eletrônica, só se vê a olho nu. Entenderam a partir dali que precisavam de uma rota concreta e junto a marinha, os geólogos estudaram um meio de chegar até lá com as informações que tinham do lugar, coletadas graças à ajuda de e com as anotações que fizeram no caminho de volta para casa, mas não seria nada fácil.

Os dias estavam passando, ia à praia todos os dias e esperava alguns minutos por um sinal dos amigos, mas nada, nem um barulho sequer. Mesmo assim, evitava ser negativa apesar de estar em uma ilha que não aparecia no mapa, chegava a ir até a noite depois que e as crianças dormiam tamanha era sua aflição e expectativa. Em uma dessas noites, ela adormeceu em um redemoinho folhas escorada a uma árvore e acordou com alguém a balançando. Ao abrir os olhos não reconheceu o rosto de imediato, mas quando ele falou, veio a sua memória a primeira vez que havia topado com eles ocasionando a picada da aranha em .

— Bom dia bonitinha — ele disse sarcástico.
— Quem é você? — perguntou por perguntar, pois já havia visto a arma em sua cintura.
— Acho que a pergunta certa é, quem é você? — ele disse sorrindo e ela constatou que era um dos contrabandistas, eles voltaram. O homem pegou em seu braço a levantando e a levou até o líder e os outros três que o aguardavam na extensão da praia — olha o que eu encontrei , escondida dormindo no meio do mato.
— Ora, ora, está aí algo que eu não esperava ver nesse lugar, boa pescaria Carlos. — o subordinado se curvou em agradecimento a segurando — De onde você saiu garota? — olhando a de baixo a cima tirando os óculos escuros.
— Eu sofri um acidente e vim parar aqui. — tentou manter a calma.
— A quanto tempo?
— Uns meses apenas.
eu vi uma velha construção no lado sul, que a gente nunca tinha percebido por causa das árvores — ao ouvi-lo, não conseguiu disfarçar sua apreensão e pensou: “Por que eu mandei ele cortar aquelas árvores?” Mas acabou sendo notada pelo homem.
— O que foi, tem algo naquele lugar, é onde você mora? — ela não respondeu o deixando tirar suas próprias conclusões, então ele jogou verde — Que tal todos nós irmos até lá descansar?
— Não! — ela gritou em tom de medo e desespero, acabou se entregando.
— Mulheres e seu dom de serem previsíveis. Obrigado por me dizer o que eu queria saber.  — enfatizou a deixando desolada e então virou para os outros — Peguem suas coisas, vamos fazer uma visita para o chá. Damas na frente. — disse estendendo a mão.

E assim o fizeram, ela foi a frente segurada por Carlos e os outros atrás com ele. não sabia o que fazer, não tinha como avisar , se tentasse correr poderia acabar morta e se perguntava onde estava a ajuda que tanto esperava? Por fim chegaram a casa, mandou um tal Herbert ficar de sobreaviso vigiando a área e os outros dois, Steven e Magnos olharem lá dentro. O coração de quase parou, eles entraram e então Magnos apareceu da porta.

, o senhor vai querer ver isso. — o chamando para dentro.
— Vamos. — deu sinal, Carlos entrou com ela e ele foi atrás e ao chegarem no quarto ficou ainda mais surpreso ao ver os bebês — Quem diria.
— Por favor, não faça mal a eles. — ela suplicou.
— São seus filhos? — observando-os dormir.
— São sim. — apavorada.
— Você não me parece uma boa mãe. — jogando verde de novo.
— Eu sou uma boa mãe, eu amo meus filhos. — não entendeu o porquê da afirmação dele e se exaltou.
— Estranho, já que você se diz uma boa mãe e a encontramos dormindo despreocupada na praia, quem estava aqui cuidando deles? — tentando pega-la, mas dessa vez estava atenta, pensou rápido.
— Eu tenho um problema de distúrbio do sono. — ele a olhou desconfiado e ela se aprofundou. — já ouviu falar de sonambulismo, eu já passei várias noites acordada para eles não ficarem sozinhos, mas sempre pego no sono e acordo na praia.
— Tudo bem, mas você quer que eu acredite mesmo que você, aqui já a alguns meses, chegou grávida de gêmeos, depois de um terrível acidente que poderia ter matado os três, os teve sozinha e que ainda por cima é sonâmbula? — disse com naturalidade desdenhando, apesar de não fazer sentido algum toda aquela história.
— Não me importo se não acredita — foi ousada, causando seu espanto — só eu sei o que passei, é da minha vida que estamos falando. — disse olhando nos olhos dele sem oscilar, mesmo nada daquilo sendo a real verdade de sua vida.
— Ei mais respeito com o . — Carlos a sacudiu apertando seu braço.
— Pode parar. — o repreendeu, e a admirou pela ousadia, viu que tinha fibra — Carlos fique lá fora com os outros eu quero ter um particular com nossa amiga.
— Mas ...
— Eu mandei sair. — o olhou com uma expressão ameaçadora e ele assentiu a soltando e saiu. Imediatamente ela quis ir para perto de seus filhos, mas ele a parou — Ah! O que pensa estar fazendo?
— Eu só vou ver se eles estão bem. — disse sem medo e ele assentiu a observando e colocando seu revólver sobre a mesa para tentar intimidá-la, mas não teve sucesso, se manteve firme.
— Você me lembra muito a minha mãe.
— Porque? — decidiu dar corda para ganhar tempo, mas nem fazia ideia para que.
— Quando eu era moleque, dois homens invadiram minha casa, eu não sabia o que estavam procurando, ela me colocou debaixo da cama disse para eu não sair e então ouvi ela dizer a eles: “Vocês não vão levar nada além disso.” E atirou neles em cheio.
— Sua mãe estava protegendo você, ela foi guerreira. — ela opinou.
— Ela era mulher de um dos maiores traficante da Colômbia, então creio que sim, foi uma guerreira. — ao ouvi-lo repensou sua opinião, mas preferiu ficar quieta sobre o assunto e então ele disse calmamente. — Eu sei que está mentindo, sua história não faz o menor sentido, mas — ela o olhou com receio — vou lhe dar outra chance, pense como um crédito pela sua criatividade e ousadia. Mas cuidado, eu quero que me diga a verdade desta vez, estamos combinados? — lhe dando um olhar meio sombrio.
— Você vai nos matar? — foi direta.
— Não se preocupe com isso, sou do tipo que respeita boas mães, quando vejo uma, pode ficar tranquila é só dizer quem está aqui com você e que provavelmente deve ser o pai deles? E não se esqueça, somente a verdade, depende de você. — tornou a lhe avisar.
— Tudo bem. — ela respirou fundo — Eu estou com meu marido, mas não sei onde ele está.
— Está mentindo. — a pressionou.
— Não, não estou, fiquei surpresa quando entramos e eu não o vi com eles, eu juro.
— Vocês vieram juntos para cá? — ela ficou em silêncio meio indecisa do que dizer e ele se alterou — Responde.
— Não. Ele já estava aqui quando cheguei.
— Eu sabia, então o garoto se apaixonou e teve até filhos. — disse surpreso.
— O que? Como sabe...
— Sobre o rapaz da ilha. A muitos anos atrás, quando eu era mais jovem, comecei a trabalhar para um homem sem escrúpulos, ele me ensinou tudo sobre contrabando, pirataria e por ventura procurando um lugar para esconder a carga esbarramos nessa ilha. Me lembro como se fosse hoje, uma mulher e uma criança escondidas sob as raízes de uma árvore, se eu tivesse os denunciado com certeza aquele homem os mataria, eu fiquei quieto e tentei ajudar, sempre que estávamos na ilha, eu deixava algo de propósito para ela e seu filho, nunca souberam que eu os tinha descoberto. O tempo passou, o antigo líder morreu e eu fiquei no lugar dele, depois disso quando voltamos a ilha eu não os achei, as últimas coisas que deixei para ela estavam no mesmo lugar intactas. Pensei que estavam mortos até encontrar dois dos meu homens, posso dizer os piores, em decomposição aos pés do penhasco, aí eu soube que tinha mais alguém aqui. Então me diga se eu estiver enganado, eu imagino que ele lutou com eles e estava defendendo você, acertei? — estava admirada com o que ouvia e confirmou — Pelo visto a mãe dele também o ensinou muito bem.

Enquanto isso, a algum tempo antes, havia saído a procura de , como não há viu quando acordou teve medo que tivesse acontecido algo, andou pela floresta cauteloso indo até a cachoeira e nada, decidindo ir à praia, assim que saiu dos arbustos e pisou na areia viu o barco, mas este era diferente, seu motor era potente e não fazia o mesmo barulho que se conseguia ouvir de longe por isso não estavam de sobreaviso. Pensou em correr para casa pois quem sabe ela também teria os visto e já teria voltado, mas antes de sair do lugar viu um grande barco, o navio da Marinha Australiana ao longe e barcos menores com luzes piscando vindo em direção a ilha.

havia dito a ele que em breve viriam buscá-los, mas não a levava a sério, e ao começar a caminhar indo para sua casa teve que se esconder, pois um dos capangas de também estava lá observando e ao ver aqueles barcos saiu correndo na direção da casa o deixando preocupado e aflito com o que poderia estar acontecendo. Resolveu ir até lá mesmo assim, mas sem deixar que o vissem. Neste mesmo tempo os barco de resgate, três no total, se aproximavam rapidamente da praia com policiais, socorro e salvamento de emergência e os amigos geólogos que fizeram questão de estarem presentes depois de todo esforço que tiveram para descobrir a rota de chegada até a Ilha do Náufrago.

“No caminho para o amanhã
No meio do oceano grande.”
– Islands / Super Junior





Capítulo 15

O capanga de nome Herbert, entrou correndo no quarto para avisar sobre a chegada dos barcos com a polícia e que estavam a alguns minutos de atracar na praia. mal podia acreditar que o que tanto esperou estava acontecendo, estavam finalmente indo resgatá-los.

— Vamos sair — avisou a eles e virando se para ela — espero que não se importe em ser minha refém, levanta. — ele disse se levantando e colocando a arma de volta a cintura.
— Mas e meus filhos? — disse com o coração na boca, morrendo de medo.
— Não farei nada com eles, só preciso de você, por favor não leve para o lado pessoal. — pegou firme no braço dela mas sem machucar a trazendo para perto dele — Não se preocupe, se fizer tudo certo, voltará antes que eles sintam fome. — ele a levou para fora dando as ordens — Escutem bem, logo estaremos cercados, como não trouxemos nenhuma carga não podem nos acusar de contrabando, não seremos pegos em flagrante e só terão contra nós acusação de sequestro e tentativa de fuga com refém, não temos arsenal para um combate e a ideia aqui é sairmos vivos e sem possíveis vítimas. Então quando eu mandar nós vamos nos render e cair nas graças da justiça amparados pelo melhor advogado que nossas contas podem pagar. Eu fui claro? — Falou grosso e altivo, se ainda tinham alguma dúvida, estava na cara o por que ele era o líder. achou o plano inteligente, e mesmo que fosse mal, naquele momento não lhe pareceu tão mal.
— Sim, senhor. — todos responderam.
— Mas e os bebês? Não seria melhor que os levássemos por garantia? — perguntou Steve.
— Já temos uma refém, não faremos nada com eles, agora vamos, a essa altura já devem estar atracando na praia, se preparem para atuar. — disse e saiu a frente com ela sendo seguido por eles. os viu de longe e como não estavam com as crianças e estava calma presumiu que estivessem bem então foi atrás deles sorrateiramente.

Como havia dito, o pessoal do resgate já havia chegado e desembarcado na praia. Ele e seus capangas pegaram as armas e foram em direção à polícia que assim que os viram, se armaram rapidamente e começaram a negociar, sem nem imaginar que era pura encenação.

— Nós só queremos sair daqui em paz. — disse com a arma apontada para a fazendo de escudo, ela estava nervosa, pois não sabia se aquela armação daria certo.
— Eu sou o comandante responsável e peço que abaixem suas armas, se entreguem e todos saíram em segurança.
— Liberem o nosso barco e assim que estivermos seguros liberamos a refém. — virou para seus capangas e disse em voz baixa — Se preparem ao meu sinal, onde está o Carlos? — disse ao não vê-lo com os outros e nenhum destes soube responder.
— O que está acontecendo. — ela perguntou baixo sem se virar.
— Carlos sumiu, aquela galinha em forma de homem deve ter se borrado e preferiu se esconder, pelo visto vamos nos adiantar um pouco. — e então quando ia se preparar para se entregarem ouviu um barulho vindo do mato — Carlos, é você, saia já daí. — assim que disse a pessoa saiu de trás das árvores com as mãos para cima.
! — disse ao vê-lo e então o reconheceu.
— Finalmente nos encontramos frente a frente. — o olhou admirado e aproveitando a distração deles com , chamou seus amigos para darem a volta pelas árvores dentro da floresta e encurrala-los por trás — quem diria que isso só seria possível quando fosse um homem feito. Não se preocupe, ela ficará bem, todos nós vamos, agora preciso que se afaste. — olhou para que assentiu confirmando, então ele se afastou bem devagar
— O senhor precisa colaborar conosco nos entregando a refém, e como sinal de boa-fé nós garantimos extradição segura para o seu pais. — disse o comandante.
— Tudo bem, eu vou solta-la e vamos nos entregar, por favor não atirem.
— Não iremos atirar, agora soltem as armas devagar e deixem a moça vir até nós.
— Agora. — assentiu para os comparsas e todos soltaram as armas e disse no ouvido dela — Você está livre como eu prometi, foi um prazer! — a soltou e ela caminhou devagar até que a segurou forte a abraçando e os policiais foram de encontro a eles dando voz de prisão e os algemando.

Quando iam levá-los para os barcos, Carlos saiu dentre as árvores com a arma em punho e um dos bebês no colo.

— Você achou mesmo que eu ia me entregar e voltar para aquele inferno, pois se enganou.
— Ah, não — disse ao vê-lo com Miguel nos braços — Meu filho, por favor não machuca ele. — desta vez é que teve que segurá-la
— Cala essa boca, agora eu é que estou no controle aqui.
— Carlos, é melhor largar a arma e devolver a criança, não vai querer que as coisas piorem. — o aconselhou já sabendo que seu plano ia fracassar
— Já disse para calarem a boca ou vão passar os próximos dias catando miolos de bebê na areia. — gritou bastante nervosos e ficou ainda mais desesperada. — Eu vou pegar o barco e sair daqui e se alguém me seguir eu jogo ele no mar e eu não estou brincando.
— Calma rapaz — disse o comandante — vamos conversar, está bem?
— Eu não quero conversar, eu passei a maior parte da minha vida obedecendo ordens, agora eu é que mando e se não me obedecerem eu mato um por um.

Enquanto ele falava distraído, os três rapazes vinham por trás, já haviam combinado tudo entre as árvores enquanto assistiam os acontecimentos, decidiram que Paul era a distração, Allam pegaria o bebê e tiraria a arma dele e voltariam para casa a tempo de assistir ao Champions League, foi o que pensaram. O plano era simples, mas se fosse bem executado teriam êxito. Como Carlos estava de costas, não os veria, mas o problema eram todos os outros que estavam de frente e podiam vê-los. Se dessem qualquer sinal o plano falharia e perderiam a oportunidade de acabar logo com aquele sofrimento. A sorte deles foi que ninguém deu indícios de que estavam lá então era hora de colocar o plano em prática. O primeiro a atuar era Paul que apareceu do nada no lado de Carlos enquanto os outros dois estavam escondidos esperando a hora certa de agir.

— Qual é cara vai devagar com isso aí. — disse ao vê-lo apontando a arma para ele — Nós estamos do mesmo lado.
— Quem é você, de onde saiu?
— Quem sou eu? Ora essa nunca ouviu falar de mim?  — ele riu, primeiro sinal — Eu acho que somos dois então.
— Cara você quer levar um tiro é? — se exaltou.
— Não, até porque eu não sou ninguém, mas você — enfatizou com um tom de malandro — é, eu conheço você, cara bonitão, boa pinta, deve pegar muita mulher — ele conseguiu prender a atenção de Carlos pelo ego e então os outros dois começaram a se mover — sei como é, você não tem outro nome, porque você é o líder, o cara, se é que você me entende. — eles estavam quase perto e então.
— Só tem uma coisa em que ele é bom de verdade, ser um covarde — disse atraindo a atenção dele e de certa forma ajudou com que os rapazes se aproximassem o suficiente sem serem notados por Carlos.
— Então eu sou um covarde para você, não é? Pois bem eu vou te mostrar quem é o covarde. Você até que é legal, então não leva para o lado pessoal. — ele disse olhando para Paul e estendeu a arma para ele e quando a engatilhou segurou seu braço o levantando para cima, Allam o pegou por trás e Paul foi rapidamente segurar o Miguel que escorregava das mãos de Carlos e o levou para .

Allam se agarrou a Carlos pelo pescoço tentando enfraquecê-lo e tentava tirar a arma dele quando caíram os três e eles ouviram um disparo. Por fim Allam conseguiu desmaiar Carlos e jogou a arma para longe, mas o disparo acertou que sangrava. A polícia e os socorristas foram até eles, algemaram Carlos o acordando e colocaram em uma maca lhe prestando os primeiros socorros. Felizmente, a bala só acertou seu ombro atravessando e saindo do outro lado sem atingir nenhuma artéria ou articulação e passou bem longe do coração, como não foi muito sério ele permaneceu acordado. vendo o quanto se arriscaram para salvar Miguel, ficou emocionada e muito grata, entregou o bebê para , precisava falar com que estava ferido.

, Ji-hun está sozinho em casa quero que vá buscá-lo. — ele a olhou sem entender já que estava com Miguel nos braços. — O Paul pode ir com você, não é Paul? — perguntou para ele que estava próximo.
— Claro, você manda. — sorriu para ela e se inibiu ao olhar para a cara nada amigável de que olhou para nada concordante.
— Ele é amigo, salvou o Miguel você viu. — ao ouvi-la, ponderou e assentiu — Obrigada, é só segui-lo ele vai mostrar o caminho. — Disse a Paul e eles foram.
Antes de ir até , foi falar com que estava sendo escoltado por dois policiais.
— Eu posso ter um minuto com ele — perguntou e eles assentiram se afastando um pouco, mas continuaram próximos e em alerta. — O seu plano funcionou. — falava baixo.
— Não 100% graças ao Carlos.
— Foi a escolha dele, mas no fim deu tudo certo. Eu só queria dizer que eu não vou contar o que me disse para a polícia, não que não mereça ser punido, mas pelo que fez por meus filhos, pelo e a mãe dele.
— Fico imensuravelmente agradecido.
— Agora quando sair da cadeia, me faz um favor e muda de vida, você é inteligente demais para se contentar em ser bandido.
— Eu acho que posso tentar, de qualquer maneira como eu disse antes, foi realmente um prazer. — ele sorriu e os guardas o levaram, ela ficaria bem feliz se ele resolvesse seguir seu conselho. ao se virar viu que logo atrás traziam Carlos algemado com as mãos para trás e não podia perder a oportunidade, foi falar com ele também.
— Posso ter uma palavrinha com esse sujeito?
— Só não demora moça, esse vai direto para o presídio. — os homens disseram e deram um passo atrás ficando de guarda.
— Obrigada! — ela se aproximou ficando bem perto de Carlos e não mediu as palavras — Eu não vou ferrar com os outros caras, mas com você eu faço questão. — ele a olhou com desdém e um sorriso forçado e então ela fingiu que ia se virar e voltou para ele — E ah, já ia me esquecendo. — se aproximou dele novamente e lhe deu uma joelhada com toda força em suas partes baixas o fazendo sentir uma dor descomunal e os guardas só o seguraram sem dizer nada a ela — Isso foi pelos meus filhos. — então eles o levaram praticamente arrastado para o mesmo barco dos outros, assistindo a tudo a reverenciou com a cabeça e ela sorriu, estava vingada. Finalmente pode ir falar com , nesse momento já estava retornando com Paul e os bebê e ficou de longe observando os dois.
eu sinto muito por isso.
— Eu estou bem não se preocupe, apesar de sermos geólogos nós calculamos os risco, o importante era salvar a vida do seu filho.
— Mesmo assim, vocês foram loucos, não deveriam ter se arriscado daquela forma.
— Eu não me importo, faria tudo de novo, só o fato de você se preocupar se estou bem e vir até aqui falar comigo já fez tudo valer a pena.
— É o mínimo que eu podia fazer.
— Pois para mim, foi o suficiente. — pegou com carinho na mão dela a deixando sem jeito.
— Você está ferido, não se esqueça que eu tenho um marido forte e muito ciumento. — ela o viu de longe os observando — E ele está olhando para cá agora. — assim que ela disse, soltou a mão dela com receio. começou a rir dele que acabou rindo também — Amigos? — ela perguntou.
— Amigos. — disse não muito animado, mas era melhor que nada. Paul se aproximou para ficar com ele a entregando Ji-hun, ela agradeceu e foi para perto de que a abraçou e a beijou, obviamente para mostrar a que ela era dele.

Enquanto Paul acompanhava os socorristas colocando no barco salva vidas, chegava outro barco para levar o restante do pessoal pois não caberia todos no terceiro já que levavam junto cinco bandidos e uma família de quatro. Os barcos de e com seu bando foram na frente, agora reuniria coragem para falar com sobre a volta deles para sua casa de verdade.

— Você está bem? — ela perguntou.
*(agora sim, com você e eles aqui) — apontou para ela e os meninos.
— Está chegando outro barco, você viu? — ele confirmou sem entender o que ela queria — Então você sabe por que eles vieram não é?
*(pegar eles) — apontou em direção ao barco que levava a quadrilha.
— Sim, mas eles vieram realmente por nossa causa, eles vão nos levar embora daqui, todos, nós quatro. — sinalizou para ele com os quatro dedos e então viu Allam se aproximar. Como ainda não haviam tido tempo para conversarem, ao ver os dois juntos Allam foi até eles para contar o que ele e os rapazes tinham descoberto.
— Atrapalho? — chegou tímido.
— Não Allam, eu estava explicando a que é hora de irmos.
— Bem, eu queria realmente falar sobre isso com vocês. Assim que voltamos a Christmas e contamos as histórias de vocês ao pai do , ele nos ajudou a reunir todas essas pessoas aqui e foi através dele que também achamos o irmão mais novo do pai dele.
— Você quer dizer que ele tem um tio? — surpresa e maravilhada com a notícia, já não entendia do que ele estava falando.
— Isso mesmo. Infelizmente o pai dele morreu no naufrágio, o corpo foi encontrado boiando por um navio de cruzeiro perto de onde eles passavam. Ainda é um mistério para eles dizer como e a mãe conseguiram chegar até essa ilha devido à distância, e eu duvido que vão conseguir explicar como você veio parar aqui também.
— Eu acho que a resposta certa é milagre.
— Deve ser, de qualquer jeito só queria avisar sobre o tio dele, ele está esperando o retorno de você em Christmas.
— Obrigada Allam.
— Eu já vou indo para os barcos, encontro vocês lá. — se afastou.
— Você ouviu, tem alguém importante esperando você, então nós vamos? — deixou para ele decidir desta vez, não queria cometer o mesmo erro de novo, e independente da resposta ela ficaria com ele.
*(estou com medo, eu só conheço aqui) — sinalizou olhando o rosto dela, no fundo sabia o que era melhor e importante para ela.
— Eu também estou, mas já passamos por muitas coisas e vamos passar por mais esta juntos. — pegou a mão dele com confiança e ele assentiu — Isso é um sim? — ele confirmou e ela o beijou com animação e então foram para seu novo ou antigo destino, Christmas Island.

“Quando eu estou andando sobre a ponte deslumbrante
Que está ligado por nossos corações.”
– Islands / Super Junior





Capítulo 16

A viagem foi super tranquila, apesar da novidade continuava desconfiado e receoso com tudo e todos. Aos poucos com ajuda de , foi entendendo e ficando mais tranquilo, ele tinha dúvidas sobre o tio e Allam explicou tentando fazê-lo entender, mas não era nada fácil. Com uma questão de horas, chegaram a Christmas, o porto estava cheio de repórteres, ficou super assustado e não largou a mão dela, foram levados para um carro que os aguardava e de lá seguiram para a casa de Chang Hyun, acompanhados do Sargento de polícia. Enquanto isso foi para o hospital junto de seus amigos e seu pai que estava preocupado e orgulhoso ao mesmo tempo, mas sua atenção estava mesmo em uma paramédica muito bonita que os acompanhou.

Já chegando a casa do tio Chang Hyun, ficou encantada pois era uma mansão belíssima, foram recebidos pela empregada que os avisou que seu patrão os aguardava na sala. O homem já havia roído todas as unhas, e estava em overdose de ansiedade, ao ver os dois entrando a porta da sala com os bebês no colo ficou anestesiado de alegria e emoção, foi para perto deles admirando pois se parecia muito com seu irmão quando era mais jovem. Sorrindo começou a acariciar o rosto dele que achou graça e ficou mais relaxado, desinibido. Chang Hyun cumprimentou e a deu boas vindas a família fazendo o coração dela palpitar de emoção.

Como não falou nada, o homem achou estranho, ainda não tinham dito a ele a respeito disso, então explicou a ele o que sabia e como foi aquele tempo na ilha e tudo o que passaram até ali e conforme ele ia ouvindo ficava mais impressionado com a coragem dos dois, sua força e atitude admiráveis. Chang Hyun os acolheu em sua mansão, mas a verdadeira casa que havia sido dos pais dele e agora era dele ficava na Coreia, ele era simplesmente herdeiro de uma fortuna que seu pai acumulou durante anos de trabalho e que o tio até então administrava como sendo único parente vivo.

Agora que o filho de seu irmão havia retornado, nada mais justo do que tomar posse do que era dele, mas tudo ao seu tempo. Eles ficaram ali até resolverem tudo referente aos trâmites legais, foi preciso um exame de D.N.A para comprovar o parentesco de e torna-lo oficialmente herdeiro de papel passado. entrou em contato com seus conhecidos e com a empresa em que trabalhava para deixá-los tranquilos e formalizar sua situação, precisava de seus documentos que eles haviam guardado quando o supervisor veio a sua procura e como ela não voltaria mais, não teria o menor sentido manter as coisas que tinha lá, assim que tudo se resolvesse ela e se casariam. Ainda tinha a questão dos contrabandistas, como eles eram as vítimas do sequestro, precisariam estar dispostos a depor e além do mais com o tempo a polícia achou na ilha alguns corpos e precisavam fazer as acareações necessárias. Com tudo se passaram três meses até poderem ir para a Coreia sossegadamente e Chang Hyun foi com eles para ajuda-los com a casa e tudo o que fosse precisar saber e fazer referente a sua família.

A casa onde morariam era deslumbrante e enorme, Chang Hyun fez questão de conservar tudo o que tinha na casa e que pertenceu a seus pais intacto, tinha muito espaço para as crianças pois aquela casa havia sido comprada por causa dele que na época era só um bebê e sua mãe, Kwon Eun-ju havia escolhido cada móvel e a decoração pensando nele. não tinha idade para poder se lembrar de exatamente tudo o que houve, mas ao entrar no escritório de seu pai viu sobre a mesa a mesma foto que guardava com carinho de sua mãe e em uma prateleira haviam várias outras com eles, uma em especial lhe chamou a atenção. Era de sua mãe ainda grávida dele com uma barriga enorme e sorrindo. Ele deixou rolar algumas lágrimas mostrando a foto a , pois se lembrou de quando ela estava esperando os gêmeos, e naquele momento sentiu que estava em casa. Em uma área ampla nos fundos da casa havia uma grande estufa toda em vidro temperado na forma arredondada como um globo, absolutamente cheio de plantas e flores onde sua mãe passava a maior parte do tempo estudando e trabalhando. Quando entraram, tiveram a sensação de ainda estar naquela ilha, ficou super animado principalmente porque no teto havia um tipo de janela com abertura central automática, onde entrava o sol de meio dia batendo diretamente em uma fonte e que fazia a água jorrar pela boca de um peixe de pedra, bem no meio da estufa.

Arrumaram tudo na casa e passaram a morar ali, como não entendia nada dos negócios do pai, começou a administrar com o auxílio e supervisão do tio Chang Hyun e ela era realmente boa no que fazia, mas não deixava de ficar com ele e as crianças que ainda dependiam muito dela. Ela arrumou os dentes e agora quem precisava ser avaliado por um especialista era . Fizeram vários testes e não encontraram nada fisicamente que estivesse bloqueando sua fala, então ela o levou a um instituto para que ele pudesse começar a aprender a falar.

explicou ao especialista responsável sobre o problema dele e relatou até que em um dos momentos em que esteve doente e febril na ilha, chegou a balbuciar a palavra mãe e por isso tinha esperanças de que ele conseguiria falar com algum tipo de tratamento. O médico lhe deu esperanças e então ela o levava todos os dias até lá e ficava observando do lado de fora do vidro o esforço dele. Só que as semanas foram passando, depois um mês, dois e ainda nada e um dia ele ficou super irritado saindo de dentro da sala correndo e ela foi atrás.

, o que houve? Por que saiu correndo? — ela o parou pelo braço na varanda do lado de fora do lugar.
*(eu não consigo, não aguento mais, eles não entendem) — gesticulou nervoso.
— Você precisa ter paciência e se esforçar mais.
*(eu não quero mais, estou cansado)
— Não, você não pode desistir agora só porque está cansado. Olha pense em quando você estiver falando, as pessoas vão poder te conhecer melhor e vão gostar mais de você.
*(você vai gostar mais de mim se eu falar?) — sinalizou chateado, pensando que ela não gostava mais dele por que não falava como todo mundo.
— É claro que não, eu já amo você muito, mesmo que não fale. Mas eu queria que Miguel e Ji-hun pudessem ouvir a voz do pai deles. Eu não tive meus pais e daria qualquer coisa para ter alguma lembrança deles, mesmo que fosse ter ouvido eles dizendo que não me queriam. Não faça por mim e nem por eles se não quiser, mas faça por você mesmo, porque eu sei que no fundo, bem aqui dentro — colocou a mão sobre o peito dele — você quer muito e deve ter imaginado milhares de vezes um dia simplesmente abrir a boca e as palavras saírem. Eu acredito e sonho em ver isso, mas só depende de você, eu não vou te obrigar e se quiser mesmo parar tudo bem, mas a escolha é sua. Você me entendeu?
*(eu vou pensar) — sinalizou sem poder encará-la.
— Tudo bem, vamos para casa.

Ela não insistiu, por mais que quisesse ouvi-lo, mesmo por um momento, a decisão era dele de fazer aquilo virar realidade. Não discutiram mais sobre o assunto e passados alguns dias vendo-a chateada, decidiu continuar com o tratamento e se empenhou o máximo que pode.

“Quantos mais de nós deve ser cumprida?
Quantos mais pontes devem ser cruzados?
Para chegar ao lugar deslumbrante?”
– Islands / Super Junior





Capítulo 17

Com alguns meses ali se casaram e registraram seus filhos como nos costumes dos pais dele. O tempo foi passando rápido Os meninos agora completavam um ano e cinco meses, já engatinhavam pela casa e até se arriscavam um pouco ao tentar falar mamãe deixando ela e todo orgulhosos. aproveitava esses momentos para incentivá-lo a não desistir, pois até então o tratamento ainda não tinha surtido efeito e quando ela ia ao instituto conversar com os médicos ouvia a mesma coisa.

— Nós realmente não entendemos o porquê dele não estar evoluindo, até refizemos os exames, as cordas vocais estão perfeitamente saudáveis, ele gesticula os lábios e o maxilar com facilidade e as vias da garganta estão abertas e fortes. Acreditamos que possa se tratar de algum trauma psicológico ou um tipo de bloqueio mental talvez que possa estar causando esta recessividade.

já havia memorizado aquelas palavras, mas não se importava com quanto tempo demoraria, dois, dez anos, a vida toda, ela continuaria apoiando seu amor e não deixaria aquilo entristecê-lo e nem atrapalhar sua felicidade.

Havia chegado o aniversário de , como não tinha costume de festas preferiu passar só com ele, as crianças e o tio Chang Hyun que tinha vindo de Christmas visitá-los nas férias. Fizeram um jantar simples mas elegante e depois ficaram tomando vinho na sala aquecidos pela lareira. recebeu uma ligação carinhosa de , Allam e Paul que não puderam comparecer pois estavam estudando um vulcão em Madagascar, mesmo assim não poderiam deixar de cumprimenta-la o que a deixou super feliz. Recebeu também a ligação de uma amiga de infância do orfanato (eu), para quem prometeu contar toda sua história já que ela era professora do jardim de infância e escritora nas horas vagas. estava feliz e realizada, pois tinha pessoas que a consideravam amiga, ganhou um tio super dedicado, tinha filhos lindos e um marido que a amava e a completava de maneira sublime, pensou: “O que mais eu posso querer?” Ao fim da noite colocaram Miguel e Ji-hun para dormir, tio Chang Hyun decidiu se recolher e eles ficaram sozinhos

— Eu estou tão feliz, de um jeito que eu nunca fui capaz de imaginar — ela dizia e sorria e a ouvia, mas estava distante. Ficava a admirando com o mesmo carinho e paixão de quando se apaixonou por ela na ilha, para ele não havia se passado um minuto sequer do momento em que ela decidiu se entregar ao amor dele — , o que foi, ficou quieto de repente, no que estava pensando?
*(em nada) — sinalizou e fez uma expressão animada — (tive uma ideia, vem comigo) — ele se levantou e pegou as mãos dela.
— Para onde vai me levar? — enrolou um pouco, mas se levantou.

O céu estava estrelado e a lua cheia gigantesca que parecia namorar a terra. a conduziu até a estufa e abriu a janela do teto deixando a luz da lua entrar incandescente iluminando a fonte que espalhava a claridade ao seu redor, então ele a posicionou de frente para a fonte e ficou atrás dela a abraçando com o rosto próximo ao dela. estava maravilhada e não queria que aquela sensação passasse nunca e então quando menos esperou.

— Eu te amo! — ele disse próximo ao seu ouvido, ficou sem ar, engolia seco e seu coração disparou, ela tentou se virar mas ele não deixou e as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto — Por favor não se vire só me escute. — ele respirou fundo — Eu imaginei isso várias e várias vezes na minha cabeça, eu achei que na hora seria mais fácil, mas pelo visto eu me enganei. Eu queria dizer algo que fosse importante e que você se lembraria para sempre, então eu vou te contar uma lembrança que eu tenho da minha mãe e que você vai entender por que eu a escolhi para esse momento. Minha mãe estava muito doente e não tinha mais nada que eu pudesse fazer para que ela ficasse boa. Nós sempre ficávamos juntos, assistindo ao pôr do sol e contando as estrelas que iam aparecendo com a noite. — as lágrimas começaram a escorrer do rosto dele, mas se conteve para conseguir dizer tudo a ela — Mas naquele dia ela não queria contar e parecia já saber que me deixaria a qualquer momento, então ela me disse o seguinte através dos sinais: “Eu vou para o céu, ficar com as estrelas, mas não se preocupe, eu vou pedir para elas mandarem alguém para cuidar de você, eu prometo.” E então durante a noite ela se foi, me deixando sozinho. Eu esperei e esperei, achei que ela tinha me esquecido, mas não, ela cumpriu sua promessa dez anos depois, me mandando você. — chorava em silêncio para não atrapalhá-lo a falar, começou a virá-la para ele — Naquela noite, quando eu te achei, eu soube que era você que ela havia mandado para mim. — ela não podia acreditar que estava o ouvindo e simplesmente ela não conseguia falar nada — Você está me assustando, diz alguma coisa, qualquer coisa. — Ela o olhava e tentando segurar o choro respirou fundo e então fez os seguintes sinais: apontou para si, juntou as mãos em forma de coração e apontou para ele — (eu amo você) — ele sorriu em meio as lágrimas e a beijou intensamente como se fosse a primeira vez, experimentando aquele gosto doce e novo.

me disse com toda certeza que foi naquela noite que geraram seu terceiro filho e hoje grávida de 7 meses me mandou uma foto com a carta me parabenizando pelo lançamento do meu livro, que conta sua incrível história de aventura, ação e romance. Ela me disse que todos estão bem, ficou noivo e Allam e Paul começaram a namorar duas irmãs na Índia. Mês passado foi o julgamento definitivo de e sua gangue, pegaram cinco anos de reclusão com direito a condicional, menos Carlos que pegou dez anos em regime fechado.
Ela disse que passou a considerar um irmão mais velho após saber a verdade, e que assim que ele sair em liberdade vai trabalhar com eles para ter em quem se apoiar e não voltar para o crime. Miguel e Ji-hun já estão falando papai e mamãe e outras palavras correndo pela casa. E ela e estão a cada dia mais felizes e apaixonados.

Fim... ou um novo começo!

“Nós somos feitos como um só, para sempre
Quando olhamos um para o outro
Nossas pontes para sempre.”
– Islands / Super Junior





The End!




Nota da autora:
Olá sou a Pri unnie, estou aqui mais uma vez, espero que tenham gostado deste novo romance. Fiquem à vontade para aproveitar dessa fic com seus bias/preferidos de outros grupos e para deixar seus comentários!!!
"Obrigada Deus pela criatividade que o Senhor me dá e pela paciência que o Senhor tem para me ensinar a usá-la da forma que te agrada.
Louvado seja Deus! Amém."

*-* By: Pri



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*links se encontram na página da autora




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