Última atualização: 16/08/19
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Prólogo

“Sr.
Temos a honra de convidá-lo para participar do nosso curso para jovens escritores que se iniciará no dia 11 de maio de 2019 e terminará do dia 24 do mesmo mês com sede no Park Grand London Lancaster Gate, onde todos nossos convidados e alunos se hospedarão.
Seria uma honra para nós da Oxford Royale Academy ter um poeta como você fazendo parte deste nosso programa que consistirá em oficinas de escritas, na qual o aluno que se destacar receberá um prêmio, sendo que quem mais obtiver destaques nas oficinas terá a oportunidade de ter um contrato com nossa editora por alguns anos.
Agradecemos desde já sua valiosa colaboração e aguardamos ansiosos por seu posicionamento para ser responsável por um dos grupos formados. Nossas cordiais saudações,

Oxford Royale Academy.”
ficou animado com o convite que recebeu, escrever era uma de suas maiores paixões na vida, por isso não hesitou em pegar o telefone para confirmar a sua participação.


Capítulo 1

O salão de festas do Park Grand London Lancaster Gate estava todo decorado e pronto pra receber os artistas convidados, alunos e organizadores do maior curso de escrita de todo o Reino Unido que acontecia apenas uma vez por ano. Todos sabiam como era difícil conseguir uma vaga, por isso todos os matriculados estavam muito felizes e se sentiam honrados por fazerem parte da edição deste ano.
A tradicional festa de abertura acontecia sempre no sábado a noite anterior ao inicio das aulas, era uma forma de aproximar os participantes, fazendo com que o primeiro contato entre eles fosse algo diferente, tirando o ar de competição que muitas vezes se instalava no ambiente, os organizadores prezavam pelo aprendizado e crescimento profissional de cada um ali presente.
era um dos principais nomes da poesia inglesa contemporânea. Sentia-se honrado de fazer parte de um programa como aquele de incentivo à escrita, além de estar ao lado de grandes nomes como Helen Mort e Sophie Robinson.
estava andando pelo salão quando um dos organizadores o parou e chamou-o para subir ao palco para fazer um pequeno discurso, todos os outros convidados já haviam falado algo e só faltava ele.
- Boa noite a todas e a todos! – disse assim que subiu ao palco – Bom, eu não preparei nenhum discurso, nem sabia que teria que fazê-lo. – deu uma risada de leve – acho que antes de tudo eu queria agradecer pelo convite, é uma honra para mim estar aqui! Como um poeta de apenas 28 anos eu me sinto realizado de ter chegado tão longe em tão pouco tempo, por isso agradeço também pela minha banda Ink. pois sei que ela é uma das maiores responsáveis por minha poesia ter se espalhado pelo mundo. Pra finalizar, gostaria de dizer para todos os alunos participantes que aproveitem este curso ao máximo, suguem tudo que puderem de seus orientadores! Eu tive a oportunidade de fazer parte deste programa há 4 anos e foi uma das melhores coisas que me aconteceu, de verdade! Por isso, aproveitem! Mais uma vez, muito obrigado a todos pela oportunidade. Boa noite.
desceu contente consigo mesmo, não era a melhor pessoa para falar em público, nunca se reconhecia quando estava no palco tocando suas musicas, no entanto, sabia que só se sentia seguro porque sempre tinha dois caras, que ele chamava de amigos, para lhe ajudar no que fosse preciso. Mas era péssimo em discursos, parecia que as palavras, que tanto lhe faziam companhia, sumiam e ele ficava sem saber o que falar.
A festa seguiu tranquila, sem nenhum grande acontecimento, exceto por um pequeno episódio no qual estava andando entre mesas de seus futuros alunos e pensou ter visto um rosto conhecido, mas assim como este pensamento lhe surgiu, ele logo desapareceu.

Era domingo à tarde e todos se encontravam novamente no salão do hotel, mas desta vez seria para uma aula introdutória, na qual os principais organizadores dariam detalhes de como o curso era formulado, o motivo de cada assunto e de como as salas seriam organizadas.
estava sentado ao lado dos outros orientadores, escutava atento todas as informações que eram repassadas para os alunos e já se programava para como passaria para seus orientandos os saberes sobre os diversos temas. Queria que eles vivessem todos os dias daquele programa com paixão e com a mesma intensidade que ele viveria.
Cada tema seria, primeiramente, introduzido pelo orientador durante a manhã, fosse por meio de teoria ou de textos práticos; em seguida haveria uma discussão entre todos sobre o tema; e, por fim, teriam a atividade prática, na qual cada aluno deveria escrever sobre aquilo, devendo, o texto, ser entregue ao longo do dia. Na aula seguinte ocorreria a premiação para o texto destaque.
Ao final de toda explicação, os organizadores se juntaram para fazer a divisão de turmas que seria por mero sorteio, não julgando alguém como melhor ou pior que outro alguém. Cada orientador teria uma turma de 20 alunos e poderia escolher o melhor local disponível pelo hotel para as aulas.
estava ansioso para conhecer todos seus alunos, esperava manter uma boa relação entre eles, por isso anotando o nome de cada um, e tentava observar a reação de alguns conforme eram chamados. Uma mulher em especial lhe chamou a atenção, , que ao ser chamada, indicando que estaria na turma de , fez uma cara de desânimo misturada com irritação.


Capítulo 2

Era segunda de manhã e todos já estavam no local indicado onde teriam a primeira aula, estavam ansiosos e a espera de seu orientador, , que logo apareceu animado para conhecer cada um de seus alunos.
fez com que todos sentassem em uma grande roda, dizendo que antes de começar a dinâmica preparada para aquele dia, ele queria que cada um se apresentasse e dissesse seu escritor favorito.
- Pra dar início as apresentações, acho que posso ser o primeiro. Me chamo , tenho 28 anos, sou escritor, poeta, músico e modelo nas horas vagas, enfim. Vou ser o orientador de vocês nessas duas semanas e estou muito ansioso pra ajudar vocês no que precisarem – enquanto falava, notou que uma das mulheres rolava os olhos, mas achou que poderia ser um engano seu – como disse no sábado, fiz esse mesmo curso há quatro anos e foi uma das melhores coisas que me aconteceram. Por fim, meu escritor favorito é o canadense Leonard Cohen. Então, quem será a próxima ou o próximo? – olhou para o rosto de todos esperando alguém se manifestar, até que uma menina que aparentava ter uns 19 anos levantou a mão toda tímida – Perfeito! Pode se apresentar, senhorita...? – ele esperou que ela falasse seu nome.
- Andrews, Julie Andrews. – Ela completou. – Eu tenho 19 anos, recém completados, e quero cursar literatura. Minha escritora favorita é a J.K. Rowling.
- Muito bem, Julie! – ele disse simpático assim que ela terminou de falar e se encolheu a cadeira.
E assim as apresentações se seguiram, as vezes um demorando mais que o outro, e, de vez em quando, o silêncio se instalava, assombrando aqueles mais tímidos. Por fim, estava faltando apenas uma mulher se apresentar, a mesma que chamou a atenção de no dia anterior e a mesma que rolava os olhos toda vez que ele abria a boca para falar algo, pelo menos era isso que ele jurava ter visto.
- Acho que só falta eu, agora, não é? – a garota perguntou de forma retórica. – Bom, meu nome é , tenho 28 anos, sou jornalista e escrevo para a revista InStyle. Dificil dizer a minha escritora favorita, mas acho que no momento posso falar com toda a certeza que é Mary Oliver.
O homem estava satisfeito com tudo que havia ouvido até aquele momento, e ficou ainda mais ao ouvir o nome que havia apresentado como sua escritora favorita. Com certeza a garota tinha um gosto peculiar, mal podia esperar para ler o que ela produziria.
- Feitas as apresentações, acho que podemos passar para a nossa dinâmica, certo? – disse levantando de sua cadeira – Eu quero que vocês escrevam sobre as expectativas de vocês para com este curso, podem colocar também seus medos e angustias, porque eu sei que eles existem também. E ao final da semana que vem, iremos pegar e reler esses papeis e cada um vai dizer como se sente, como o curso o afetou. – Ao finalizar a fala, ouviu alguém bufando, olhou e deu de cara com uma careta de . – Algum problema, senhorita ?
- Não, nenhum. Só achei a dinâmica bem clichê para um lugar que é para nós trabalharmos nossa criatividade.
- Você tem alguma outra sugestão?
- O orientador aqui é você, não eu! – ela disse de forma grosseira.
- Muito bem, gente. Como eu dizia antes da senhorita me interromper, iremos começar com essa dinâmica e depois passaremos para a nossa segunda atividade na qual vocês vão conversar por 20 minutos com a pessoa do seu lado e escrever suas impressões sobre ela, escrevam tudo. E não se preocupem, isso não será lido em voz alta. – continuou dizendo ignorando o que disse. A verdade é que ele havia ficado levemente irritado com o que ela disse, não esperava uma reação como aquela.

Quando o relógio bateu meio dia, dispensou todos, dizendo para eles descansarem e aproveitarem todos os benefícios que o hotel oferecia, já que os próximos dias seriam puxados e ele precisava de todos focados e atentos. Também disse que ele estava aberto para conversar sobre qualquer coisa que quisessem.
Enquanto via todos juntando seus materiais para saírem da sala, se dirigiu em direção de numa tentativa de entender a atitude que ela teve.
- Com licença, ? – ele disse ao se aproximar.
- Acredito que não temos intimidade suficiente para me chamar assim, senhor – ela disse ainda de costas para ele, enquanto guardava todo seu material.
- Desculpa-me, senhorita , achei que por termos a mesma idade, poderia ser apropriado que eu lhe chamasse de tal forma. – Ele disse com toda a educação que sua mãe lhe deu, parecendo um lorde ao falar. Mas a verdade era que ele gostaria era de lhe responder um sonoro “vá à merda!”. – Agora que sei como devo chamá-la, eu gostaria de lhe questionar se a senhorita tem algum problema comigo ou com a minha escrita.
- De forma alguma, senhor . Por que a pergunta? – ela respondeu de maneira cínica, que não passou despercebido por ele.
- Achei que tivesse visto a senhorita rolando os olhos enquanto eu falava durante a nossa roda de apresentação, mas certamente devo ter me enganado, já que a senhorita disse não ter nenhum problema. – Ele disse iniciou com um tom acusatório e terminou com um de descrença.
- Mais alguma coisa? – ela perguntou ao ver que ele não saia da sua frente.
- Não, era só isso mesmo. Pode ir fazer o que quiser agora.
observou a mulher sair e ficou se questionando qual seria o problema dela com ele. Não era possível que tudo aquilo havia sido impressão sua, ela devia ter algum tipo de implicância com ele. E daria um jeito de descobrir, não sabia como, mas iria, já que essa mulher lhe irritava de uma forma diferente, talvez porque num primeiro instante havia se sentido atraído por sua beleza, e agora a descobria com uma mulher um pouco prepotente e muito cínica.


Capítulo 3

A terça-feira amanheceu nublada, o típico dia preguiçoso, mas não para ! O homem estava animado por finalmente dar algo com conteúdo para seus orientandos, o pouco que havia visto no dia anterior fez com que ele ficasse ansioso para ler o que lhe entregariam. amava dias cinzas, para ele, esses dias eram mais inspiradores para escrever sobre sentimentos melancólicos e cenas românticas, por isso escolheu entre os temas definidos algo que melhor se encaixasse para aquele dia.
Para aquela aula especifica, o professor queria algo mais íntimo, por isso assim que seus alunos chegaram na sala que era reservada para aquela turma, ele logo os direcionou para uma área do spa onde eram dadas as aulas de ioga e meditação, aquele ambiente possuía uma vibração positiva inegável e seria ótimo para que todos se concentrassem no texto que deveriam entregar naquele dia.
Quando todos já estavam acomodados entre as almofadas, pegou seu livro, abriu na página separada e começou a recitar:

“Ela inclinou o corpo para perto dele. – Diga uma coisa, Noah, do que é que você mais se lembra do verão que passamos juntos?
- De tudo.
- Alguma coisa em particular?
- Não – disse ele.
- Você não se lembra?
Ele só respondeu um momento depois, com voz calma e séria.
- Não, não é isso. Não é o que você está pensando. Eu estava falando sério quando disse que me lembro ‘de tudo’. Consigo recordar todos os momentos que passamos juntos, e em cada um deles havia alguma coisa maravilhosa. Na verdade, não consigo escolher um momento que tenha significado mais que outro. O verão inteiro foi perfeito, o tipo de verão que todo mundo deveria ter. Como poderia escolher um momento em vez de outro? Muitas vezes os poetas descrevem o amor como uma emoção que não podemos controlar, uma emoção que esmaga a lógica e o bom-senso. Comigo foi assim. Eu não planejei me apaixonar por você, e duvido que você também tenha planejado se apaixonar por mim. Mas, assim que nos conhecemos, estava claro que nenhum de nós conseguia controlar o que estava acontecendo com a gente. Ficamos apaixonados, apesar das diferenças entre nós; quando isso aconteceu, alguma coisa rara e maravilhosa foi criada. Para mim, um amor como aquele só acontece uma vez, e é por isso que cada minuto que passamos juntos ficou gravado na minha memória. Nunca me esquecerei de um momento sequer.
Allie olhou fixamente para ele. Ninguém jamais tinha dito algo parecido para ela antes. Não sabia o que responder e ficou em silêncio, com o rosto afogueado.
- Sinto muito se deixei você constrangida, Allie. Não era minha intenção. Mas aquele verão ficou comigo e, provavelmente, vai ficar para sempre. Sei que as coisas entre nós não podem voltar a ser o que eram antes, mas isso não muda o que eu senti em relação a você naquela época.
Ela falou com voz suave, sentindo-se enternecida.
- Você não me deixou constrangida, Noah... mas é que não estou acostumada a ouvir este tipo de coisa. O que você disse foi maravilhoso. Só um poeta consegue falar da maneira como você fala e como eu disse, acho que você é o único poeta que conheci na vida.”


Enquanto lia a página de seu livro Diário de uma Paixão do autor estadunidense Nicholas Sparks, reparava na reação de cada um que estava naquela sala. Uns tentavam entender o porquê de ele estar lendo aquilo, outros deixavam se levar pela cena descrita. Assim que terminou abriu seu celular em busca de um de seus próprios poemas, começando a recitar assim que o achou:

“I’d hear the city clowns
Detonate the night
But near
Your breath
It drowns
All sign of life”

Ao terminar de recitar um de seus poemas, respirou fundo e começou a falar com a classe. Estava curioso para saber o que se passava na cabeça de todos, se tinham alguma ideia do primeiro tema a ser passado e se estavam tão ansiosos quanto ele estava. Por isso iniciou questionando o que haviam achado do primeiro texto. Ouviu atentamente o que falavam, até que o surpreendeu com os seus pensamentos sobre o excerto:
- Claramente nos deparamos com uma cena romântica, a gente pode não ter lido Diário de uma Paixão, ou não ter visto o filme, mas nessa parte fica muito bem explicito o amor que eles sentiram um pelo outro durante as férias que passaram juntos. Foi um sentimento que nasceu espontaneamente, não foi forçado de nenhuma maneira. E Noah surpreende Allie falando de como ele se lembra de todos os detalhes e dias que passaram juntos.
- Parabéns senhorita , é exatamente isso. Uma cena romântica não depende necessariamente de elementos românticos ou grandiosos, como um flash mob ou fogos de artificio, como estamos acostumados a ver em diversas comédias românticas. Ao meu ver uma cena romântica depende muito mais de como ela é construída. Por exemplo, se estamos falando de um livro, o desenvolvimento dele poderá fazer com que tenhamos uma cena romântica perfeita sem ser algo grande. É o caso desta cena que li para vocês, nós sentimos todo o amor que circula os personagens, e não precisou de beijos, flores, chocolates, apenas foram necessárias algumas palavras.
Ao falar sobre como a esfera da cena havia sido montada, se recordava de quando era ele sentado naquelas almofadas e quão especial havia sido aquela aula. Escolheu seu poema baseando-se nisso. Fora aquele poema que recebeu seu primeiro reconhecimento dentro da oficina, tendo ganhado o destaque daquele tema.
Pensar em toda a sua trajetória desde aquela oficina o inspirou a usar seus próprios textos nas exposições, achando que seria uma maneira de motivar seus orientandos. Por isso não hesitou em contar para todos que aquele poema era o mesmo que ele tinha escrito quando ele estava fazendo a oficina.
Gostaria que todos dessem o seu máximo especificamente naquele tema, sabia que escrever sobre amor muitas vezes pode ser uma tarefa extremamente fácil, que poderia ser algo clichê, mas ele queria mais de seus orientandos. Queria que eles saíssem do senso comum de tentar falar sobre o amor da forma camoniana e seu amor é fogo que arde sem se ver. Queria que eles fizessem algo simples como a cena de Noah e Allie ou, tirando toda a humildade, que fizessem algo diferente como a mistura de detonar uma cidade comparada a respiração da amada.
- Então é isso gente, escrevam sobre amor, seja experiencia própria ou a ilusão que vocês têm sobre o que é o amor. Lembrem-se que as melhores cenas são simples, são inesperadas, fazem comparações que nunca nem pensamos ser possíveis. – disse enquanto observava o rosto de cada um presente na sala – vocês têm até às onze da noite para me entregarem, se não me acharem no meu quarto, deixem na recepção que eu passo lá pra pegar todos os trabalhos. Estão dispensados.
estava com a cabeça borbulhando de ideias, tinha tanta coisa para pôr no papel, algumas experiências que passou durante sua adolescência, mas tantas ideias tiradas de livros românticos lidos não só em sua juventude, mas também em sua fase adulta. Não se cansava desse tipo de histórias. Além disso, amava ler poemas em que o amor era retratado, mesmo que ele não fosse o principal. Sabia que era clichê dizer que Soneto de Fidelidade, do grandioso poeta brasileiro Vinicius de Moraes, era um de seus poemas favoritos.
Passou o dia inteiro escrevendo, amassando e jogando no lixo vários rascunhos. Não estava satisfeita com o que estava colocando no papel, queria que seu texto ficasse perfeito, não sabia exatamente o porquê, mas sentia que aquela era a oportunidade perfeita para se destacar. Era quase nove horas da noite, quando a garota começou a ficar contente com o que estava escrevendo. De uma maneira espontânea, uma situação surgiu em sua cabeça.
Começou a imaginar uma situação em que o amor era um jogo e que se apaixonar seria perder esse jogo, mas como um paradoxo, perder significava ganhar. Perde-se porque se permite derrubar muros, permite-se a possibilidade de ter um coração partido, permite-se se decepcionar com atitudes de uma pessoa que lhe importa mais do que se gostaria. Mas ganha! Ganha por ter alguém ao seu lado apoiando e comemorando cada conquista, ganha-se porque a demonstração de sentimentos lhe faz sentir bem, ganha-se por saber que tem alguém que te faz feliz, que quer te ver feliz. E no final, você percebe que você mais ganha do que perde, que o risco de perder no jogo do amor vale a pena quando para pra pensar nas vantagens de se apaixonar.
Ao terminar seu texto, ficou animada. Fazia tempo que não escrevia algo que lhe deixasse tão contente quanto este texto. Estava tão feliz que nem se importou de ter de ir ao encontro de para lhe entregar.
Enquanto se dirigia em direção aos aposentos de seu orientador, esbarrou em alguém entrando no elevador.
- Perdão! Senhorita ? Como vai? – disse assim que percebeu que a pessoa que havia esbarrado era .
- Boa noite, senhor ! Estava indo ao seu encontro pra lhe entregar meu texto da aula de hoje.
- Muito bem! Eu estava descendo até a recepção para ver se você já havia encontrado, pois notei a ausência de seu trabalho.
- Não se preocupe professor, eu não gastaria esta oportunidade por nada nesse mundo. Posso tardar, mas não falho. – Disse de maneira grosseira. – Agora que já entreguei para o senhor, vou voltar ao meu quarto. Boa noite! – Saiu sem nem ao menos esperar por uma resposta.
Após este episódio, ficava se questionando o que teria acontecido para que a mulher sempre o tratasse de forma grosseira. Sua meta, até o final daquele curso, seria descobrir qual o problema da mulher com ele.


Capítulo 4

O dia seguinte surgiu para o músico com a certeza de que ele descobriria o que se passava na cabeça da mulher que tanto o intrigava e o tratava mal. Ele não tinha síndrome de vira lata, mas seu orgulho não permitiria que aquela situação se mantivesse de tal forma.
Ao ler o texto de na noite anterior, teve a certeza de que ela sabia o que fazia, aliás, sabia muito bem. Seu trabalho estava num nível muito mais acima do que os outros participantes. Por isso não hesitou em lhe dar o destaque daquela aula.
O ambiente da aula naquele dia seria a própria sala de aula separada para aquela turma. achava que seria proveitoso que o tema do dia fosse debatido lá, podendo utilizar-se dos aparatos que lá se encontravam, como lousa, caixas de som e um projetor de tela.
Aproveitou que chegou mais cedo do que o normal e preparou as cadeiras, formando uma grande roda. Estava separando a música que tocaria naquele dia como demonstração do tema, quando adentrou a sala, sendo a primeira de todos os orientandos a chegar. até tentou cumprimentar a mulher, mas levou uma ignorada por parte dela.
- Bom dia, professor! – ela disse animada tirando os fones de ouvido e os guardando em sua bolsa.
- Vejo que está de bom humor hoje, senhorita . – Ele observou, acreditando que foi ignorado apenas por não ter sido visto.
- Nada que uma boa noite de sono não ajude, não é mesmo? – Ela sorriu. E toda a situação deixou um muito confuso.
- Fico feliz que tenha dormido bem. Gostaria, inclusive, de te dar os parabéns. A senhorita é o destaque da nossa aula passada. Você poderia ler para nós o que escreveu quando seus colegas chegarem?
- Muito obrigada!!! É claro que sim! Nem acredito que eu consegui – a mulher falou desacreditada com toda a situação. Sabia que seu bom humor não estava sendo à toa. Desde que terminou seu texto na noite anterior, algo dentro de si fez com que ela sentisse que seria o destaque. Aliás, estava tão feliz que nem se importou de ser simpática com o homem a sua frente.
Conforme esperava todos chegarem, observava a mulher que naquele dia sorria boba para todos, desejando um bom dia. Ele realmente não a entendia; em um dia o tratava super mal, no outro era toda simpática.
Ao ver que todos os alunos estavam já acomodados, iniciou a aula falando sobre tudo o que leu na noite passada e do quão surpreso ficou com a qualidade daquela sala. Parabenizou a todos e, logo em seguida, anunciou que o destaque daquela aula iria para , pedindo para que a mesma fosse até o centro da roda declamar sua obra.
A garota se posicionou, olhando primeiro para o papel e depois para todos ao seu redor, em seguida começou a recitar:
She, she laughed at me (Ela, ela riu para mim)
And my whole world stopped (e meu mundo inteiro parou)
And that’s when I realized (e foi quando eu percebi)
I’ve lost the game (que eu perdi o jogo)

He looked at me and told me a joke (Ele olhou para mim e me contou uma piada)
I laughed so much (eu ri tanto)
And suddenly I noticed (e de repente eu notei)
I’ve lost the game (eu perdi o jogo)

I’ve broken my promise of (Eu quebrei a promessa de)
Never falling in love with (nunca me apaixonar)
A person you barely know (por alguém que você mal conhece)
Because you never know when you gonna see her/him again (porque voce nunca sabe quando irá vê-la/lo))
I think that’s why people say (Eu acho que é por isso que as pessoas dizem:)
Love is a funny thing (o amor é uma coisa engraçada)
When you’re not expecting (quando voce não está esperando)
It shows up in your life (aparece na sua vida).


Assim que a mulher terminou, todos ficaram a encarando e logo a sala foi preenchida por palmas. sorriu agradecida para cada um e ao encarar recebeu um olhar orgulhoso vindo dele.
parabenizou mais uma vez e logo em seguida começou a introduzir o tema do dia. Primeiro colocou Time do Pink Floyd para tocar, já observando atentamente a reação de todos, enquanto a música tocava, imagens de pessoas de todas as idades passavam no telão, finalizando com o quadro A Persistência da Memória, do pintor mundialmente famoso Salvador Dalí.
- Acho que todos já devem ter reparado que o tema de hoje é o tempo, ele que é representado pelo titã Cronos, na mitologia grega, personificação do tempo eterno e imortal, governando sobre o destino dos deuses imortais.
“Cronos era filho de Urano, governante do universo, com Gaia. Após Urano esconder os gigantes filhos de Gaia no Tártaro, foi atacado por Cronos com um golpe de foice, castrando-o. Após este ataque, Urano passou a chamar seus filhos como Titãs, por ultrapassarem seus limites.
Cronos passou a governar o mundo, sendo esta época a qual a humanidade viveu sua “Idade de Ouro”.
Cronos casou com a sua irmã Reia, que lhe deu seis filhos: Héstia, Deméter, Hera, Hades, Poseidon e Zeus. O titã tinha medo de ser destronado por causa de uma maldição de um oráculo, por isso engolia os filhos ao nascerem. Comeu todos, com exceção de Zeus, o qual Reia conseguiu salvar, enganando o titã ao enrolar uma pedra em um pano.
Reia escondeu Zeus em uma caverna até crescer, quando resolveu vingar-se de seu pai, pedindo ajuda de Métis – a Prudência – filha do titã Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma poção, que o fez vomitar os filhos que tinha devorado. Foi com este feito que aconteceu a chamada Titanomaquia, uma luta entre Zeus, seus irmãos e irmãs, hecatonquiros e ciclopes contra Cronos e os demais titãs.
Zeus, ganhando a luta, tornou-se senhor do céu e divindade suprema, baniu os titãs para o Tártaro e afastou o pai do trono.”

- Após toda essa história de mitologia grega, eu quero que vocês escrevam sobre o Tempo, fiquem à vontade para escreverem do jeito que vocês quiserem, mas eu gostaria que fizessem algo com um conteúdo mais profundo, explorando seus sentimentos e como o tempo pode nos ajudar ou não. Abordem aspectos positivos, negativos, tudo o que for possível para termos um texto profundo. O esquema de entrega será o mesmo de ontem. Mal posso esperar para ler o que vocês escreverem. – disse animado.
só conseguia pensar em quanto havia odiado o tema. Obviamente, agradecia ao tempo porque ele havia sido seu melhor amigo para superar certas coisas que aconteceram em sua infância e pré-adolescência. Mas ter de escrever sobre ele seria uma tortura, ainda mais algo profundo. Sabia que aquele seria um desafio que teria de encarar para ser uma grande autora, como sempre foi seu sonho.
realmente estava animado para ver o que leria, queria explorar tudo o que seus alunos poderiam dar. Sabia que deveria explorar diversos sentimentos, porque era isso que fazia de alguém um bom escritor, um bom autor e, principalmente, um bom poeta.


Capítulo 5

passou o horário do almoço pensando sobre o tema dado na aula, seria um desafio, mas ela estava disposta a dar o seu melhor. Tinha tido uma ideia que achava ser genial, faria uma narrativa, comparando o passado com o agora, iria se inspirar nas dores que teve, nas dificuldades que teve. Assim que terminou sua refeição, a mulher subiu correndo para seu quarto a fim de executar a tarefa que lhe foi passada.
“Jasmine passou a semana com uma dor de cabeça insuportável, nada era capaz de acabar com essa dor, que ela bem sabia o motivo: a festa de reencontro da sua turma da escola. Ter de encontrar todos aqueles que um dia lhe fizeram mal, mexia consigo, fazia com que todas as sensações, que ela custou a esquecer, voltassem com tudo. Foi por isso que decidiu mexer numa caixa que estava fechada desde que havia se mudado para aquela casa há dez anos.
Como se o destino estivesse lhe pregando uma peça, o que estava procurando estava justamente no fundo da caixa, tendo de retirar tudo que lá se encontrava, trazendo um turbilhão de sentimentos. Ao achar seu antigo diário, teve uma vontade imensa de chorar, mas sabia que deveria seguir em frente e não desistir. Metade do caminho já estava andado e ela era forte o suficiente para encarar aquilo.
Ao abrir, foi direto para o mês de outubro. Ela tinha apenas 15 anos, mas isso não foi o suficiente para que aqueles meninos fossem maldosos com ela. Começou a ler, já com as lágrimas escorrendo pelo rosto:
‘Querido diário,
Você tem sido meu único amigo, escrever, talvez, seja a única coisa que me ajude. As minhas amigas, todas sumiram, isso depois de me incentivarem a fazer o que eu fiz.
Sim, diário, eu disse pro Jake que eu gostava dele e entreguei o poema que eu escrevi. Eu sabia que ele podia não gostar de mim também, mas o que ele fez, nunca passou pela minha cabeça.
Todos ficaram sabendo, e por onde eu passo agora, as pessoas me zoam. Os amigos dele vivem me chamando de menina apaixonada e que eu deveria me olhar no espelho, as amigas dele ficam me falando a todo momento que um cara com o Jake nunca teria algo comigo, uma garota estranha.
Minha vida está um inferno agora. Por que estão fazendo isso comigo? Eu só queria minha vida de volta, voltar a ser a garota invisível que passa a maior parte do tempo na biblioteca.
Agora eu sou a garota estranha, que se declara pra um cara muito acima do seu nível, escreve cartinhas de amor e é iludida.
Diário, eu só quero sumir!
Pelo menos isso tudo coincidiu com a mudança do trabalho da mamãe e eu só vou ter que aguentar por mais três dias.
Até mais, querido diário.’
Ao terminar de ler, Jasmine não conseguia parar de chorar, aquele mês havia sido o mais difícil em toda a sua vida, nunca imaginou que tudo aquilo que passou iria lhe influenciar no nível que influenciou.
A mulher, hoje, agradecia de certa maneira por tudo o que passo, já que isso a ajudou a ser quem é hoje, uma professora de literatura que trabalha todas as questões de autoestima com seus alunos.
Hoje ela sabe que deveria ter contado para a mãe e ter ido atrás de uma terapia, mas, teve a sorte de o senhor do tempo ter lhe ajudado a superar esse momento tão traumático.
Iria aparecer naquela festa de cabeça erguida, mostrando a todos a volta por cima que havia dado. Não só no quesito beleza, o que para ela nem era tão importante, como também que tais assuntos não lhe atormentavam mais, ela aprendeu com eles e se tornou quem era hoje.”

terminou de escrever com um sentimento de alívio, enxergava-se muito na Jasmine, o trauma que passou em sua adolescência era o mesmo e hoje ela era a mulher forte, a jornalista que lidava muito bem com qualquer tipo de crítica, que não deixava esse tipo de coisa a afetar. Treze anos se passaram desde o episódio em que foi humilhada na frente de todos, por muito tempo teve pesadelos com isso, até decidir-se em fazer tratamento psicológico para ajudar a superar esse assunto, o que realmente deu certo, pelo menos até o dia em que descobriu que estaria na turma de , depois disso, não havia um dia que não pensava nesse assunto.
estava decidida a evitar , faria o que pudesse para vê-lo apenas durante as aulas, por isso foi em direção a recepção para deixar seu trabalho. Aproveitou que ainda tinha metade de um dia inteiro pela frente e foi para área da piscina para relaxar, levando consigo seus fones de ouvido e um livro de poesias brasileiras que estava lendo.
Estava quase pegando no sono, quando sentiu uma movimentação ali por perto. Ao abrir os olhos e olhar do outro lado da piscina, viu justamente aquele que ela queria evitar. havia sentado na beirada da piscina na companhia de seu violão e um caderno, sem se preocupar se havia alguem ao redor, começou a cantar uma música que tinha composto alguns dias atrás.
Curiosa como era, deixou os fones de ouvido de lado pra prestar atenção no homem. Não conseguia negar que ele tinha uma voz dos anjos, um timbre extremamente perfeito que podia acalmar qualquer coração preocupado. Além disso, a garota reconhecia que era exatamente como vinho, só melhorava com o tempo.
Ao perceber no que estava pensando, se revoltou consigo mesma, por isso saiu irritada do local indo em direção ao seu quarto. só foi reparar que havia alguem lá quando ouviu passos pesados e ao olhar em direção ao barulho se deparou com uma , ou senhorita – como ela mesma havia dito para ser chamada, irritada e resmungando consigo mesma. Ele até pensou em correr em sua direção, mas sabia que o melhor que poderia fazer era ficar na dele.

Os dias seguintes se passaram na mesma rotina, evitava ao máximo . Sempre que tinha que manter algum diálogo com o homem, o respondia de forma grosseira e curta. Ele não entendia o porquê, mas algo dentro dele dizia que o modo como a mulher o tratava tinha a ver com o texto que ela entregou no tema do Tempo, o qual, novamente, ganhou o destaque.
Não podia afirmar se era coincidência ou não, mas lembrava-se de um acontecimento parecido em sua adolescência, porém tinha certeza que não se tratava das mesmas pessoas, já que apesar do mesmo nome, elas possuíam sobrenomes diferentes.


Capítulo 6

andava no corredor vazio da sua antiga escola, seus cabelos estavam loiros novamente e suas roupas parecidas com a que usava na adolescência.
Foi em direção ao seu antigo armário, o destravando facilmente, porem ao abrir, dezenas de panfletos caíram de lá. Neles, seu poema estava escrito, junto de uma foto sua e uma de , dizendo sobre a garota apaixonada e patética. De repente, como num piscar de olhos, diversos alunos estavam ao seu redor rindo de sua cara.
tentou sair correndo, mas uma mão a segurou.”

Não teve tempo de ver quem era, acordou num sobressalto. Esses pesadelos estavam se tornando frequentes desde que encontrou com na festa de inauguração do curso no fim de semana passado. A mulher já não estava aguentando ter de reviver seu passado.

A primeira semana passou tão rápido para aqueles que estavam imersos no seu mundo perfeito da escrita. estava decidido de conversar com na primeira oportunidade que aparecesse; nos últimos dias, a mulher apenas falava o que fosse necessário com ele, todos seus textos foram entregues na recepção, ele sabia que ela estava o evitando, mas não sabia o porquê, e mais do que nunca gostaria de descobrir.
O domingo ensolarado parecia o dia perfeito para a sair de seu quarto e aproveitar tudo o que o hotel oferecia, como o café digno de cinema, as aulas de ioga e o spa maravilhoso com diversos tipos de massagem e máscaras para a face.
viu tomando seu café da manhã e decidiu que aquele era o momento perfeito para que ele se aproximasse e conversasse com ela, já que, aparentemente, não havia mais mesas vazias. Tinha tantas coisas para falar, desabafar, tirar um peso de suas costas; sabia que não resolveria seu passado com a garota que sofreu, mas ele precisava falar sobre.
Ao chegar na mesa, logo a cumprimento desejando bom dia e perguntando se poderia sentar-se ali. olhou ao redor, fazendo uma careta ao constatar que teria de deixa-lo, porém não se importando tanto, já que estava terminando de comer.
se acomodou e fez seu pedido ao garçom que ali passava, levantando-se em seguida e indo em direção à mesa de buffet. Ao retornar, notou que já estava terminando sua refeição, por isso apressou-se para começar a falar com ela.
- , eu só deixei você sentar aqui porque não havia mais lugares disponíveis, mas vamos manter as coisas do jeito que estão: você comendo de boca fechada e eu podendo terminar em paz, porque eu não estou afim de me estressar.
O poeta espantou-se com a resposta da garota, ficou a encarando enquanto ela terminava e se retirava da mesa, indo para longe. A cada dia que se passava, mais ele se frustrava com toda a situação. Ele precisava falar com alguém sobre isso, por isso não hesitou em ligar para um de seus companheiros de banda e melhor amigo.
- Quem é vivo sempre aparece, não é mesmo, ?
- Cala a boca, ! Eu desapareço por uma semana e você já fica desesperado desse jeito? Não sabia que você me amava tanto assim.
- Blá blá blá! Vai a merda, ! Me diz logo por que você está me ligando em um domingo, quando você poderia estar aproveitando todas as maravilhas que o hotel oferece.
- Simples: porque eu preciso desabafar e infelizmente você é meu melhor amigo. Então já se prepara, porque lá vem história.
- Eu vou me arrepender depois, mas pode começar.
e se conheceram quando o poeta estava procurando um baterista para a banda, e assim que conheceu Alexander, eles logo se deram bem, parecendo que se conheciam há anos. Assim que começou a contar toda a experiencia que estava sendo ser orientador daquele curso que tempos atrás havia sido orientando, citou o fato de que uma mulher o deixava intrigado.
logo entendeu o que vinha atormentando a cabeça de seu amigo. Educado como era, não aceitava que outras pessoas fossem grossas e má educadas sem necessidade, e, pelo que havia sido contado, a mulher em questão só era grossa com ele. deduziu que ele devia ter feito algo a ela, então fez ficar refletindo sobre todas as atitudes. O que não adiantou muito, já que o músico fez questão de interromper o discurso do baterista dizendo que quando eles se conheceram já foi rude.
Quando começou a contar a história que ela havia escrito, contou que passou a mesma coisa em sua adolescência, o que fez com que questionasse o amigo a probabilidade de a garota humilhada ter sido . achou que seu amigo estava louco e que devia ter usado alguma droga bem forte, porque seria impossível aquela ser a mesma de sua antiga escola.
Depois que encerrou a ligação com seu amigo, ficou pensando sobre tudo o que havia falado. A possibilidade das s serem as mesmas ficou rondando sua cabeça o dia inteiro.

A semana passou tão rápido como uma tempestade, devastadora da mesma forma, pelo menos era o que acreditava. Não dizia a respeito do curso, este fora a experiencia mais maravilhosa que ela teve em sua vida, porém toda a convivência com estava deixando a mulher confusa, ansiosa, com pesadelos e quanto mais ela tentava se esquivar dele, parecia que mais ele tentava se aproximar.
O último dia de aula foi o ápice para ela. Ao final de toda a exposição e dado o tema, chamou para conversar; achando que era sobre algo que havia escrito ou algo estritamente profissional, ela aguardou que todos saíssem da sala para que ele começasse a falar.
- Eu estou há um tempo tentando falar com a senhorita sobre isso, mas parece que toda vez que eu me aproximo, você arranja uma desculpa ou me responde de maneira grosseira.
- Se for pra falar da maneira que eu te trato ou algo do tipo, eu vou embora. Só estou aqui porque achei que fosse algo profissional – o interrompeu.
- Eu não vou falar de você especificamente – ele respirou fundo, tentando arranjar algum tipo de paciência. – Eu gostaria de falar sobre aquele texto que você escreveu no tema de Tempo, toda aquela história mexeu comigo. Não sei se é coincidência ou não, mas quando eu era adolescente, eu passei por uma situação muito parecida com uma garota. Ela sofreu coisas que ela nunca deveria ter sofrido.
Conforme falava, os muros que custou a construir começaram a cair causando uma grande destruição. Por isso, ela não esperou que ele terminasse de contar para dizer que aquilo era só uma história, que ele não deveria levar a sério e sair correndo em direção ao seu quarto.
Ao entrar no elevador, a jornalista deixou as lágrimas a invadirem. E ao entrar em seu quarto, foi direto para a cama. Fazia tempo que não chorava desse jeito e se sentia fracassada por se deixar ser levada por esse sentimento de angústia, nervoso e ansiedade.
Tentou ligar para sua mãe, mas esta não atendeu. Então rezou para que uma de suas melhores amigas não estivesse muito ocupada para falar com ela.
- Olha só quem se lembrou que tem uma melhor amiga! Morreu dentro desse hotel é?
- Fizzy – disse depois de fungar.
- ? O que aconteceu?
não conseguia responder a amiga, tudo o que sabia fazer era chorar. Felicité ficou preocupada. Conhecia há alguns anos e nunca havia visto a mulher chorar desse jeito, e logo percebeu que ela estava no meio de uma de suas crises de ansiedade. Assim, orientou a amiga a respirar com calma e profundamente, fazendo uma contagem até que se tranquilizasse.
- Tá mais calma?
- To, obrigada Fizzy!
- Não por isso. Mas me diga o que te deixou dessa forma?
- Eu tenho tanta coisa pra te contar.
- Não se preocupe, eu tenho tempo. Pode começar a desembuchar.
começou a contar tudo o que havia acontecido desde que colocou os pés naquele hotel. Felicité já sabia da história de sua amiga e sabia o quanto ela ficava afetada quando aquele assunto vinha à tona. Mas também conhecia , graças ao encontro que teve com ele no ano passado em um dos shows da Ink. Por isso aconselhou a amiga a falar com ele, contar que aquela era a história dela e ver o que ele tinha para falar, já que aparentemente ele gostaria de poder conversar a respeito.
A jornalista não queria dar o braço a torcer e dizer que a cantora poderia estar certa, mas prometeu que pensaria sobre o assunto. Por isso, assim que desligou a chamada, ficou se questionando se falar com quem lhe trouxe tantos problemas tiraria um peso de suas costas.

O sábado chegou junto da festa de encerramento na qual seria anunciado o ganhador ou ganhadora dessa edição do curso. estava exausta, passou a maior parte da noite em claro, refletindo sobre os rumos que sua vida deveria tomar. Por fim, decidiu que seguiria o conselho que sua amiga lhe havia dado.
estava ansioso para ver quem sairia com um contrato fechado com a editora, ele sabia que em sua turma, estava entre os finalistas, dos 8 temas, a mulher havia se destacado em metade deles. Ficaria imensamente feliz se ela levasse o prêmio, quem sabe assim ela lhe daria uma chance para conversar.
O local estava todo decorado, parecendo um salão de festa daqueles que se vê em filmes com a realeza. estava tão animada e ao mesmo tempo muito nervosa, a verdade é que ela não estava preocupada se conseguiria o contrato com a editora, aquele curso serviu para mostrar que ela realmente deveria seguir a carreira de seus sonhos, mesmo que amasse ser jornalista, ela não queria ser uma para o resto de sua vida.
Os finalistas foram anunciados e Evans estava imensamente feliz em subir aquele palco, não tinha noção de que estaria lá nessa noite, por isso já se considerava uma vitoriosa, mesmo que não tivesse levado o prêmio. Ficar em terceiro lugar foi a realização de um sonho para ela, por isso tomou toda a coragem que tinha dentro de si e caminhou em direção a .
- , será que a gente pode conversar? – a mulher foi tão delicada ao perguntar que realmente estranhou.
(sugestão: Coloquem I Went Too Far da Aurora para tocar)
- Claro! – Os dois caminharam para uma área mais reservada do hotel para que pudesse conversar sem interrupções.
O silêncio que se instaurou foi ensurdecedor. olhava para a mulher a sua frente enquanto ela evitava retribuir o olhar a todo custo. Então ele decidiu quebrar o silêncio e tentar fazer a mulher falar.
- Eu não sei por onde começar. Mas peço que você não me interrompa enquanto eu estiver falando porque senão eu desistirei de tudo e irei embora. – Ela esperou ele assentir concordando para continuar a falar – A história da Jasmine é real. Sim, aquela história que eu escrevi para o tema de Tempo. Na verdade, ela aconteceu comigo quando eu tinha entre 14 e 15 anos. A situação foi exatamente a mesma, umas garotas que eu chamava de amigas insistiram para que eu me declarasse para o garoto que eu era apaixonada dizendo que ele com toda a certeza do mundo correspondia aos meus sentimentos. Elas deram um jeito de entregar um dos poemas que eu escrevi para ele. E isso fez com que minha vida virasse um inferno. O garoto em questão fez a mesma coisa que o Jake, ou seja, nada. Foram dias insuportáveis para mim. Em qualquer lugar que eu ia, alguém aparecia me zoando, usando meu poema para isso. E o garoto nada fez, ele só ficava me olhando enquanto todos riam. Teve um dia, e esse foi meu último dia naquela escola, porque depois disso, eu e minha mãe nos mudamos de cidade, que imprimiram dezenas cópias do meu poema junto com uma montagem muito malfeita minha com o garoto me chamando de iludida. E você deve estar se perguntando o porquê de eu estar te contando isso agora, não é? – assentiu, esperando que a jornalista terminasse dizendo o que ele esperava não ouvir. – Você conhece o Jake da história, e é por isso que você se viu na mesma situação que ele, porque o Jake é você, .
estava se controlando ao máximo para não chorar na frente do músico, mas reviver novamente toda aquela situação era complicado demais. não conseguia acreditar que estava certo e que as s realmente eram as mesmas. Isso explicava o porquê dela sempre ser grossa com ele, de porque sempre o ignorar.
- Como assim, ? Eu nem ao menos te conhecia antes deste curso.
- Você não conhecia a Evans, mas conhecia a Wright, uma garota loira, que usava óculos e sempre andava distraída pelo London High School. Depois desse acontecimento, eu combinei com a minha mãe que eu não usaria mais o sobrenome do meu pai e sim somente o dela, que eu passaria usar lentes e evitaria ao máximo ser loira. Tudo para evitar qualquer lembrança dolorosa.
- Mas por que agora? Quer dizer, por que você decidiu vir me contar isso somente hoje?
- Eu conversei com uma amiga e ela me deu o melhor conselho. Para eu poder seguir em frente, eu tenho que estar verdadeiramente em paz com o meu passado.
Dito isso, se levantou e caminhou em direção ao elevador. Iria terminar suas malas e voltar para casa. A partir daquele momento, ela colocaria em prática todos os seus sonhos e não deixaria mais nada a impedir de ser realmente feliz.


Capítulo 7

Fazia uma semana que tinha despejado tudo em cima de , e desde então ele não teve mais notícias dela. No dia seguinte quando tentou falar com ela, descobriu que ela já tinha ido embora do hotel. Não possuía nenhum tipo de contato para que pudesse dizer tudo o que lhe estava atormentando.
Ele sentia a necessidade de se distrair, pois isso chamou Corey para ir até sua casa para que eles pudessem jogar conversa fora e tocarem juntos, coisas que há muito tempo eles não faziam.
- Vamos entrar num assunto delicado agora – Corey disse enquanto estava deitado no sofá e jogando uma bolinha pra cima – e a tal da ?
- Eu não quero falar sobre isso.
- E por que não? Outro dia mesmo você me ligou desesperado.
- Porque é ela, Corey! Ela me contou que ela era a da minha adolescência, que ela me odeia justamente por tudo o que aconteceu no passado. Ela despejou tudo e depois sumiu, nem ao menos deixou eu me defender. Eu estou há dias carregando esse peso e eu não aguento mais.
disse exasperado. Tudo o que ele queria era pedir desculpas, dizer o seu lado da história, contar para a mulher que ele tentou fazer algo na época, mas já era tarde demais.
-Você já tentou ligar na revista que ela trabalha? – Corey perguntou simplista.
- O que?
- Você me disse outra vez que ela trabalhava numa revista, você já tentou ligar e pedir pra falar com ela?
- Eu não tinha pensado nisso. Corey você é um gênio! – foi interrompido pelo barulho vindo do celular de Corey anunciando a chegada de algumas notificações no instagram. – Quem é que não para de te mandar mensagem aí? – perguntou curioso.
- É uma garota brasileira, ela é linda! Mas, cara, Brasil é muito longe. E acho que ela não percebe que não vai dar certo mesmo eu só curtindo as respostas dela ao invés de responder.
- Você é burro mesmo ou só se faz?
- Por quê?
- Eu me recuso a responder essa pergunta. – respondeu
- Você tá falando de mim, mas eu aposto que tem um monte de garotas que ficam te mandando mensagem também e que você não dá bola. Eu queria ver se uma mulher do Brasil te mandasse mensagem se você ia responder e ficar dando mole pra ela.
- É diferente Corey. E eu respondo todo mundo que me manda mensagem. – Disse com um olhar superior.
- Diferente por quê?
- Porque eu não estou buscando ninguém no momento. Diferentemente de você que quer alguma mulher pra te acompanhar nas suas aventuras em cima da motinha.
- Ah é. Eu esqueci que agora você só quer saber da . Porque isso, aquilo. Nossa, Corey, a escreve tão bem, e ela é tão linda – Corey disse ignorando o que havia dito.
- Eu vou fingir que você não falou nada disso – disse e saiu andando pela casa em busca da revista que ele havia comprado no começo da semana numa tentativa falha de obter qualquer informação de .
Achou o que estava procurando enquanto folheava as últimas páginas da revista e logo ligou para o número indicado:
- Boa tarde, revista In Style. Em que posso ajudá-lo?
- Boa tarde, aqui é o e eu queria falar com das colunistas da revista. Ela é uma velha amiga, mas eu perdi o contato dela e achei que vocês poderiam me ajudar.
- Olha senhor, não sabemos como podemos ajudá-lo, mas qual o nome dela? Vou ver o que posso fazer a respeito.
- É a Wright, quer dizer, . .
- A senhorita não trabalha mais na revista, ela se demitiu no começo da semana passada., ao receber a informação, xingou baixo, o que fez com que Corey lançasse um olhar curioso em sua direção.
- Não tem nenhum algum tipo de contato que vocês possam me passar? Telefone, email, endereço?
- Não somos autorizados a passar nenhum tipo de contato, senão o email.
- O email está perfeito – apressou-se em dizer.
- O email da senhorita é s.@gmail.com.
- Muito obrigado!
- Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?
- Não, era só isso mesmo. Muito obrigado, mais uma vez. Tenha uma boa tarde. – Esperou a mulher responder e desligou o telefone.
não estava exatamente satisfeito com a sua alternativa de contato, mas esperava que desse certo, que não fosse ignorado pela mulher. Contou para Corey o que havia conseguido e sua ideia de mandar um email pedindo para que eles se encontrassem para que pude contar sua versão da história, já que não conseguia dormir direito desde que soube todo o mal que fizera para .

Já era noite quando Corey se despediu de e seguiu para sua casa. Aproveitando que estava sozinho e levemente alterado pelo álcool em sua corrente sanguínea, o poeta decidiu que mandaria o tal email para a mulher.

segunda-feira, 03 de junho, 19:27

De: @gmail.com
Para: s.@gmail.com

Boa noite, !

Antes de tudo eu queria me desculpar por estar invadindo o seu espaço pessoal, liguei na revista procurando por você, e me passaram este teu email para contato.
Em segundo lugar, eu estou te enviando este email porque eu precisava falar contigo de alguma forma, já faz mais de uma semana desde o seu desabafo, e, desde então, não tenho conseguido dormir direito, não tem um dia que eu não pense em tudo o que aconteceu.
Por isso eu gostaria de lhe pedir uma chance para que possa me ouvir, há tantas coisas para se falar ainda. Queria lhe fazer um convite de me encontrar qualquer dia desses em um café para que possamos conversar.

Aguardo (ansioso) sua resposta.
(menos idiota que o do colégio) .

Ao apertar enviar, se sentiu aliviado, mas, também, muito ansioso. Ele não via a hora de que respondesse marcando o encontro deles. Quer dizer, encontro não era bem a melhor palavra a ser usada, já que seria mais um acerto de contas.

estava aproveitando seu momento de sossego. Desde que pedira demissão da In Style para que pudesse seguir seu verdadeiro sonho se sentia mais leve, menos ansiosa, com mais vontade de viver. Tinha decidido que passaria uns dias na casa de sua mãe no interior, onde ela morava desde o acontecimento em sua adolescência.
Estavam as duas mulheres deitadas no quarto da mais velha assistindo um dos diversos filmes de comédia romântica do catálogo da Netflix quando o celular de apitou avisando que um novo email havia chegado, ela olhou, mas decidiu ignorar naquele momento.
- Não vai responder, filha?
- Agora não mãe. Prometi a mim mesma que eu iria tentar ao máximo me desconectar desse mundo da internet. Além disso, se fosse algo importante a pessoa me ligaria.
- E o que vem atormentando essa cabecinha? – A mais velha perguntou, pausando o filme e se encostando na cabeceira da cama. – E não me venha falando que não aconteceu nada, porque eu percebi que você não estava prestando atenção no filme.
e sua mãe, Elizabeth, tinham uma verdadeira relação de melhores amigas. A jornalista contava tudo para sua mãe, ela era seu maior apoio e foi a primeira pessoa a ajudá-la durante sua fase mais complicada da adolescência. Logo que chegou na casa da mais velha contou sobre tudo do curso, como tinha aproveitado e decidido sair da revista, porém havia ocultado os fatos com o , não havia nem mencionado o fato de ele ter sido seu orientador.
- Mãe, eu não te contei tudo sobre o que aconteceu nessas duas semanas. Mas não porque eu não confio na senhora, mas porque eu achava que esse assunto já estava todo resolvido.
logo começou a contar sobre quando descobriu que seria aluna de , sobre o fato de ele não fazer ideia de quem era ela e como ela se descontrolou com ele algumas vezes. Contou a crise de ansiedade que ela teve no fim de semana e como Fizzy a ajudou decidindo que ela deveria contar para ele. Finalizou dizendo sobre o final do curso, no qual ela o chamou para conversar e contou tudo, saindo correndo logo em seguida e não deixado que ele falasse qualquer coisa.
- Filha, fico feliz que a Felicité tenha te ajudado. Eu sempre te falei que não é bom guardar essas coisas pra nós mesmas, não faz bem. Mas eu acho que você deveria ter deixado ele falar também, porque agora você tá aí toda inquieta sem saber o que fazer.
não quis mencionar para sua mãe que havia acabado de lhe mandar um email pedindo para que se encontrassem e conversarem a respeito. Ela não se sentia pronta para esse encontro e todo os possíveis efeitos.

Alguns dias haviam se passado desde que havia enviado o email. Ele se sentia mais ansioso que o normal pela falta de resposta e estava prestes a digitar um outro email (sim, ele iria insistir até que conseguisse o que queria) quando, finalmente, recebeu a resposta.

domingo, 9 de junho, 15:03

De: s.@gmail.com
Para: @gmail.com

Me encontre amanhã às 4 no café que fica em frente à sede da In Style.




estava ansioso para ter aquela conversa, por isso chegou 15 minutos antes do combinado e escolheu uma mesa mais reservada. Não gostaria de ser interrompido quando estivesse falando com . Olhava o relógio a cada cinco segundos, quando, em uma dessas olhadas, ouviu o barulho da porta abrindo, levantando a cabeça e dando de cara com uma muito bem vestida e carregando uma caixa com seus pertences que ainda se encontravam na revista.
O músico se levantou rapidamente quando ela andou em sua direção, já puxando a cadeira para que a mulher se sentasse e se acomodasse. O silencio que se instalou logo depois que fez seu pedido a garçonete foi ensurdecedor. Até que decidiu quebrá-lo:
- Então... , eu te chamei para vir aqui, e inclusive peço desculpa pela invasão de privacidade, porque eu precisava muito conversar com você.
“Pode parecer idiota o que eu vou falar, mas quando a gente estudava juntos, eu sempre tive vontade de te conhecer melhor e, quem sabe, tornar-se seu amigo. Eu sempre ficava olhando você respondendo todas as perguntas que os professores faziam ou então estudando na biblioteca. Ok, isso ficou meio creepy, mas não era essa a intenção.
Eu nunca me aproximei porque eu achava que uma garota como você, inteligente, esforçada, sempre prestando atenção nas aulas, nunca daria bola para um garoto como eu, aspirante a músico e modelo, que era um bosta em todas as matérias com exceção de literatura. E eu preciso dizer, seu poema foi um incentivo para que eu começasse a escrever.
Eu sei que eu deveria ter feito algo naquela época, e a realidade é que eu fiz, porém já era tarde demais, você já havia ido embora. Eu sei que eu fui um merda por não ter feito nada enquanto todo mundo ria da situação. Na verdade, pra ser bem sincero, eu não sei nem como as pessoas ficaram sabendo.”
- Eu sei. – o interrompeu em seu monólogo. – Lizzie e Emily foram as responsáveis por isso. Elas deram um jeito de abrir meu armário, pegar meu caderno e antes de te entregarem meu poema, elas tiraram diversas cópias. Mas eu só vim saber disso alguns anos depois, quando esbarrei com Emily sem querer. Mas pode continuar.
- Eu não sei o que falar mais, além de te pedir desculpas. Eu deveria ter agido diferente, mas eu era um adolescente idiota. E se você quer saber, eu ainda tenho seu poema guardado.
ficou surpresa, já estava sem palavras enquanto contava todo o seu lado. Ao dizer que ele ainda tinha o poema guardado mexeu com a mulher de uma maneira intensa, já que nunca poderia imaginar que ele havia guardado um poema bobo.
- Sim, eu guardei. – Ele reafirmou quando viu a mulher sem reação. – Ele é uma lembrança pra eu não ser estupido, para quando eu ver que algo de errado estiver acontecendo, eu intervir.
Assim que o músico terminou de falar, o silêncio se instalou novamente, mas desta vez ele era confortável. estava encarando seu café quando ouviu murmurar um “obrigada”, o que fez com que ele levantasse seu olhar para ela.
- Obrigada por insistir em me chamar, obrigada por esclarecer isso tudo. Eu nunca imaginei que eu pudesse precisar tanto desse pedido de desculpas. – A mulher disse e por fim deu um sorriso tímido.
- Eu que agradeço por deixar que eu falasse contigo. Mas eu tenho mais um pedido.
- Qual? – a ex jornalista perguntou estranhando.
- Eu gostaria de que a gente tentasse uma amizade e deixasse todo esse passado pra trás.


Capítulo 8

Um mês havia se passado desde que havia concordado em tentar ser amiga de . Não estava sendo fácil para ela, todas as vezes que ele lhe mandava uma mensagem, era uma luta para que conseguisse responder sem ser de forma grosseira. Mas achava que estava se saindo bem em superar seu trauma do passado.
Além disso, precisava confessar pra si mesma de que estava começando a gostar da companhia do homem, principalmente quando ele aparecia em sua casa trazendo junto um violão. Era uma sexta-feira, e estava cansada de ficar sozinha em seu apartamento. Sua mãe estava viajando com seu namorado, Fizzy provavelmente estaria se programando pra mais uma turnê, ou estaria acompanhando as viagens de Shawn, e tinha Samantha, sua amiga de escola que provavelmente estaria muito ocupada com sua pesquisa de doutorado.
Estava quase desistindo de sair de casa, quando recebeu uma mensagem de a convidando para ir em um pub ali perto de sua casa, chamado The Shakespeare. Não precisou pensar duas vezes antes de aceitar, respondendo que o encontraria com ele em meia hora no local.

foi a primeira a chegar, já logo escolhendo uma mesa próxima ao bar, não que pretendesse sair do local completamente bêbada, mas poder receber seus pedidos mais rápido facilitaria muito sua vida.
- Passei na pizzaria aqui do lado e peguei uma pra você, já que aqui não servem comida – disse ao chegar, sentando-se em seguida. – Aliás, oi .
- Oi ! Não precisava, mas obrigada.
Logo engataram numa conversa sobre a banda de e os próximos passos que ela daria. Enquanto falava animadamente sobre um possível novo álbum da banda, a mulher percebeu que um homem não tirava os olhos dela, aliás, desde que ela tinha botado os pés ali dentro, o homem a encarava. O músico percebeu o incomodo da mulher a sua frente, interrompendo-se e perguntando o que havia acontecido.
- Tem um cara umas três mesas atrás de você que simplesmente não para de encarar. Isso desde a hora que eu cheguei aqui.
- Seria esse o preço a se pagar por ser bonita demais? – disse despretensiosamente.
se assustou com o comentário, será que a bebida já estava fazendo efeito em ? Decidiu-se por ignorar o comentário e continuar com o assunto sobre a banda.
Infelizmente, o assunto logo foi interrompido pelo mesmo cara que não parava de encarar.
- Boa noite senhorita. – Ele disse diretamente para , ignorando completamente . - Oi. – Ela disse de maneira seca, porém sem parecer rude. - Eu estava me perguntando: você não gostaria de me acompanhar a um passeio agora?
- Que? – perguntou abismado. Como que aquele cara chegava na mesa daquele jeito e ignorava totalmente sua presença?
- Ah, desculpa, não tinha te visto aí. Mas então...? – soltou como se esperasse que completasse com seu nome.
- Olha, desculpa, mas não vai rolar. Até porque não seria certo eu deixar meu namorado aqui sozinho, enquanto eu saio para caminhar com alguém que eu não conheço. – usou a velha desculpa de ter um namorado, já que a maioria dos homens não respeitavam quando a mulher apenas dizia não.
- Namorado? Perdão, mas vocês dois não parecem ser namorados. – Ele disse desconfiado.
- E por que não? – questionou.
- Primeiro porque você nem sentado do lado dela está, segundo quando você chegou, vocês dois nem ao menos se beijaram. Que tipo de namoro é esse que não tem contato físico nenhum?
- Um namoro normal ué. – disse quase se exaltando.
- Cara, só vai embora. Ela já disse que não vai e que tem namorado – tentou amenizar a situação.
- Não vou não. Se vocês são mesmo namorados, vocês deveriam se beijar.
ficou puta com toda a situação. Porque homens não entendiam que uma mulher simplesmente não queria nada com eles? Tinham que ficar insistindo e enchendo o saco. Tudo bem que aquele que estava ao seu lado estava claramente embriagado, mas mesmo assim.
- Ah não! Por que você não vai embora logo? Eu já disse que eu não vou deixar meu namorado aqui pra passear com você. Além disso você acabou de estragar um pedido de casamento. – apelou, sabendo que isso poderia deixar o homem espantado.
- O que? – Tanto quanto o homem perguntaram chocados.
- É isso. , você quer se casar comigo?
- Sim?! – ele afirmou em dúvida.
levantou e foi em direção de , enquanto este observava os gestos da mulher, que se aproximou de seu rosto e o beijou. O beijo não teve nada de mágico para , no entanto ela se sentiu envolvida, por isso deixou que aprofundasse. Para o músico aquele beijo já era esperado por um tempo, ele não negava para ninguém que se sentia atraído pela mulher e que queria beijá-la desde que a viu em sua sala de aula.
Após findarem o beijo, olhou ao redor e viu que o homem não estava por perto. Agradeceu aos céus e voltou para seu lugar, agindo como se nada tivesse acontecido, chamando a garçonete e pedindo duas doses de tequila. , por sua vez, estava impactado e tentando entender o que tinha acontecido.
A noite continuou da mesma forma que havia começado, com os dois bebendo e conversando sobre diversos assuntos que interessava a ambos. contava sobre suas experiências trabalhando na revista, e sobre a vida de músico, e como sua vida mudou de ponta cabeça quando começou a banda.

Já era quase meia noite quando os dois decidiram por irem embora. estava meio bêbada e ria de tudo. Por isso, decidiu que a acompanharia até sua casa e de lá ele chamaria um táxi.
Entrou com a garota na casa e a colocou pra dormir, em seguida foi em busca de uma aspirina e um copo de água para deixar no móvel ao lado da cama, pois sabia que a mulher acordaria com uma ressaca brava no dia seguinte.
acordou sentindo que um caminhão tinha passado por cima de si. Não se lembrava da última vez que havia bebido tanto igual na noite passada. Olhou para o lado e encontrou o copo, agradecendo ao ser iluminado que tinha deixado ali junto de uma aspirina. Em seguida, pegou o celular para mandar uma mensagem para Samantha, dizendo que estava com saudades e que elas deveriam se ver. O que a mulher não esperava era ver algumas mensagens de :


Bom dia ! 09:57 am
Acho que você vai demorar pra acordar 09:57 am
Mas se você pegou o celular antes de olhar para o lado, deixei uma aspirina junto de um copo de água, pois acredito que você deva estar com uma baita dor de cabeça. 09:58 am
? 🤔 01:32 pm
Você não acordou ainda? 01:32 pm
Ou tá só me ignorando por causa de ontem? 01:32 pm
Aliás precisamos conversar sobre isso! 01:33 pm
Ao ler as mensagens, as memórias da noite anterior a invadiram, causando uma pontada forte em sua cabeça. Ela havia beijado . Tudo bem que foi só por causa daquele cara chato, que não a deixava em paz. Ela beijou , o seu amor de adolescência, que causou diversos traumas em sua vida (mesmo que ela já houvesse o perdoado por tudo).
Precisava responder ao homem, mas não sabia como falar para ele que a melhor coisa a se fazer era que esquecesse aquilo tudo.

Oi, . 2:12 pm

Obrigada pela aspirina e água 🖤 02:12 pm

Realmente me salvaram hoje quando acordei. 02:12 pm

Sobre ontem à noite... 02:35 pm

O melhor que a gente pode fazer é esquecer 02:35 pm

Fingir que nada aconteceu! 02:35 pm

, ao ler as mensagens de , ficou chocado com a atitude dela. Ele sabia que não iriam desenvolver um relacionamento ou coisa do tipo, ele não era idiota de pensar isso com apenas um beijo. Mas nunca passou pela sua cabeça que ela fosse pedir para que esquecessem o que aconteceu, que fingissem que nada havia acontecido. No entanto, o músico estava certo de uma coisa: ele não deixaria as coisas desse jeito; fingiria, sim, que nada tinha acontecido, mas apenas por enquanto.


Capítulo 9

Fazia um mês desde o incidente do beijo, nenhum dos dois havia falado algo sobre. estava realmente lutando para esquecer o ocorrido. Porém sempre que o encontrava e o abraçava, ela sentia o cheiro do perfume e voltava para a cena do pub. Infelizmente, isso ocorria mais do que ela desejava, já que os encontros entre eles haviam aumentado a frequência, pois estava ajudando a antiga jornalista com o seu projeto de livro.
Estava rolando o feed de seu instagram esperando que o sono chegasse, quando uma postagem de chamou sua atenção:

That thing in my head
Is just a wrecking ball
And you seem to be the brains
Behind it all


Sabia que todos os poemas do homem eram baseados em seus sentimentos, e precisava confessar que ler aquilo havia despertado uma imensa curiosidade dentro de si para saber o que estava acontecendo. Sua intuição dizia que tinha algo a ver com o acontecimento que ela tanto lutava para esquecer. E com esse pensamento na cabeça, adormeceu.

Acordou no dia seguinte com uma mensagem de voz de a convidando para saírem naquela noite e com a interrupção de Corey dizendo que queria conhecer a mulher que estava roubando a atenção de seu melhor amigo, por isso ele iria junto.
não se conteve ao ouvir o áudio e soltou uma gargalhada. Havia ouvido várias histórias sobre Corey e seu amor pela Harley Davidson, não podia negar que estava ansiosa para conhece-lo, por isso assim que parou de rir, decidiu gravar um áudio:
- Aparentemente as gravações começaram cedo hoje né?! Corey, queria dizer que eu topo sair hoje com você, , eu deixo você vir com a gente.
Apertou o enviar, sabendo que seria zoado pelo amigo por ter falado que ela iria sair com Corey e não com ele.
estava certa, os rapazes estavam gravando o novo álbum da INK, desde o ultimo EP muita coisa havia acontecido, por exemplo: Dougie Poynter havia decidido que não queria mais brincar de baixista com aquela banda, querendo focar totalmente sua atenção a sua mais nova namorada e a campanha para reduzir o consumo de plástico, mas estava tudo bem, já haviam encontrado outro baixista que combinava muito mais com eles: Elliot.

O bar da vez havia sido escolhido por Corey, pediu para que eles escolhessem o que fosse o melhor para eles, já que haviam passado o dia inteiro trancados num estúdio e com certeza deveriam estar cansados.
Quando chegou, os dois já estavam acomodados, com um copo de suco e Corey com uma caneca de cerveja pela metade. foi o primeiro a vê-la, acenando em seguida para que ela fosse até lá. Ao chegar até a mesa, cumprimentou com um abraço – o tão reconfortante abraço – e se apresentou para Corey, que poupou qualquer tipo de apresentação, já sabendo que a mulher sabia quem ele era.
Os três estavam conversando sobre o futuro da banda, os planos para divulgação, os próximos lugares que eles pretendiam fazer alguns shows: insistia em falar que Corey estava louco para ir pro Brasil para poder ver sua garota, o que fez com que começasse a tirar sarro do baterista, pois este negava a todo instante que não tinha nada com a menina, nem mesmo a respondia.
Estavam num momento de descontração, quando Corey, sem querer, disse que devia dar uma chance, pois tudo o que o cantor sabia falar era do beijo que eles haviam dado no pub. Isso foi suficiente para que ficasse pálido e chocado com a atitude do amigo e que fechasse a cara pelo resto da noite, pois agora tinha certeza que o poema visto no dia anterior era direcionado a ela.
A noite já estava dando por encerrada, quando ofereceu uma carona para , que prontamente recusou, dizendo que não queria atrapalhá-lo e que ele deveria ser cansado, por isso deveria ir direto para a própria casa. Aproveitou que o baterista tinha ido no banheiro para falar com a amiga:
- , eu sei que você não gostou do que o Corey falou, tá estampado na sua cara. Mas, por favor, nós precisamos conversar. Eu odeio deixar as coisas mal resolvidas.
- , me entende, por favor. Eu preciso de um tempo pra digerir o que aconteceu agora a noite. No momento certo, eu te procuro para conversarmos. – Disse enquanto se levantava. – Diz para o Corey que eu deixei um beijo para ele, meu uber acabou de chegar.
Dito isso, a mulher saiu em direção a porta, deixando um atônito e com a certeza de que tinha estragado tudo, perdido qualquer chance com ela. Ficou sentado esperando Corey voltar do banheiro e refletindo sobre o acontecido na noite.
- Ué, cadê a ?
- Já foi embora. E nem senta que a gente já está indo também.
Estavam caminhando em direção ao carro de , quando Corey percebeu que seu amigo estava chateado. Sabia que tinha feito errado em mencionar o beijo, ainda mais depois de seu amigo ter falado diversas vezes que aquele era um assunto enterrado entre ele e a jornalista. Mas ao perceber a áurea que envolvia os dois, achava que talvez poderia fazer com que mudasse de ideia e percebesse que eles podiam dar certo.
Ao chegarem na casa de , onde Corey passaria a noite, o baterista decidiu pedir desculpa para o amigo pelo que tinha feito no bar, ficando surpreso quando o cantor disse que a jornalista tinha pedido um espaço para que ela pensasse sobre tudo e que ele não deveria procura-la nesse intervalo de tempo, deixando que ela o fizesse quando estivesse pronta.

Duas semanas haviam se passado desde o dia em que pediu para que não a procurasse por um tempo pois ela precisava pensar. Ele não estava sabendo lidar muito com isso, queria falar com ela, explicar-se, esse tratamento de silêncio não estava lhe fazendo bem. Foi com esse pensamento que se sentou na frente de sua máquina de escrever e começou a digitar:

Silent treatment
The quiet cure
Think of all the problems
We could ignore

Parecendo que haviam lido sua mente, seu celular começou a tocar mostrando o nome de no visor.
- Oi , será que você pode vir até aqui em casa? Eu queria muito conversar com você.
- Claro, . Que horas?
- A hora que você preferir.
- Tudo bem, chego em 40 minutos.
Com isso desligaram e foi se arrumar para logo sair de casa. Estava ansioso para conversar com e se resolver com ela. não estava só se apaixonando por ela, ele gostava de tê-la como amiga, a companhia dela trazia uma paz para ele.
Chegou à casa da jornalista e tocou a campainha, sendo prontamente atendido. pediu para que ele a seguisse até a cozinha e se acomodasse, pois ela estava terminando de preparar um cinnamon roll e faltava colocá-lo para assar. Primeiro um silêncio assustador e incomum se instaurou entre eles, mas fez questão de quebra-lo perguntando como estava o amigo.
- Eu estou bem, meio cansado por causa das coisas da banda, mas pelo menos está tudo dando certo. E você?
- Eu to bem também. Sabe y, eu andei pensando e... eu não sei como lidar com o que aconteceu entre a gente, aquele beijo não tava dentro dos meus planos e eu realmente não queria que isso interferisse na nossa amizade, porque pode até parecer meio estranho devido ao nosso passado, mas ela é muito valiosa para mim e essa semana foi meio estranha. É estranho eu acordar e não ter nenhuma mensagem sua com alguma poesia ou trecho de uma música nova. E mesmo quando a gente não se falava todos dias, era bom saber que se eu precisasse, eu poderia te mandar uma mensagem, que você me responderia, e me ajudaria se fosse necessário. – A mulher disparou a falar, estava meio hesitante no começo, mas assim que começou a falar sobre como se sentia, sua fala fluiu. Assim que terminou, respirou fundo e voltou a falar. – Eu queria te propor para que a gente voltasse com a nossa amizade do jeito que era antes e do jeito que foi depois do nosso beijo. Esse clima estranho não combina com a gente. E eu não sei até que ponto o que Corey disse é verdade.
- , – disse a interrompendo – em nenhum momento eu pensei em acabar com a nossa amizade. Deus me livre! Eu demorei pra conquistar sua confiança, e talvez ainda não tenha a conquistado plenamente, mas eu to disposto a fazer isso dar certo. Eu gosto do que construímos. E se você quer saber, o que o Corey disse é sim verdade, não exatamente do jeito que ele falou, mas sim, eu não consegui esquecer o nosso beijo, e não sei se um dia serei capaz de esquece-lo. Mas se a sua condição para que a gente volte a se falar como antes é não tocar nesse assunto, eu não irei tocar. Eu te entendo e te dou todo o espaço que for preciso.
Assim que terminou de falar, um sorriso surgiu no rosto de e ela foi em sua direção para dar um abraço, que ela tanto sentia falta. Ela gostava de , mas não estava pronta pra entrar em um tipo de relacionamento, o qual ela poderia sair ferida, mesmo ele já tendo provado ter mudado e ser diferente de outros caras com os quais se envolveu no passado.

Os dois estavam sentados na sala da casa da mulher falando sobre o que cada um gostava de fazer no tempo livre quando o assunto acabou e decidiu colocar alguma série na Netflix, perguntando em seguida qual era a favorita de .
- Eu não assisto séries!
- O QUE? COMO ASSIM ? SÉRIES É VIDA – A mulher respondeu assustada, ainda mais o jeito de ter respondido como se fosse algo normal.
- O que? Eu acho que é uma perda de tempo. Fala sério, quanto tempo você passa na frente dessa televisão assistindo qualquer bosta?
- Ah não. A nossa amizade vai ter que terminar. Eu não acredito que você está falando sério!
- To falando seríssimo! Qual é, ? Ao invés de passar a tarde inteira sentada num sofá, você pode passear num parque, escrever, sair com pessoas. Fazer várias coisas úteis.
- Só por isso nós vamos passar o resto da tarde e da noite sentados nesse sofá maratonando série!
- Ah não, ! Tem tanta coisa melhor pra gente fazer – ao terminar a fala, percebeu o duplo sentido da frase, por isso decidiu complementar a frase – por exemplo, você pode me contar como conheceu a Felicité Green. Vi uma foto de vocês duas juntas em seu instagram.
- Eu te odeio! Se você pensa que vai fugir da minha maratona, fique sabendo que não irá, ! Mas tudo bem, irei contar porque eu amo falar dessa história pras pessoas.
“Eu e a Fizzy nos conhecemos pela revista que eu trabalhava, fui convidada para fazer uma entrevista com ela no começo de 2017 e a gente se deu muito bem. Logo depois da entrevista a gente saiu pra comer qualquer coisinha num café que tinha ali perto. Acho que nós temos uns 6 anos de diferença, então ela é a irmã mais nova que eu nunca tive. A Felicité tem um potencial incrível e merece tudo que tem acontecido não só na sua vida profissional, mas pessoal também. Ela não acredita que é muito merecedora das coisas que a vida tem lhe dado, mas eu sei que é sim. Por exemplo, Harry Styles: eu amava esse ser, um garoto muito doce e educado, ele e a Fizzy namoraram por um bom tempo, porém ele virou um babaca e agora eu o evito sempre que posso, para não dar um murro naquela carinha bonita. Mas agora ela tá com Shawn, e ele é o príncipe encantado que ela merece, sempre preocupado em saber como ela está, é carinhoso.
Enfim, a Fizzy é a minha melhor amiga. Confesso que de vez em quando ela consegue ser bem chata e irritante, mas eu continuo a amando. Ela é uma das melhores pessoas para dar conselho e, depois da minha mãe, ela foi a pessoa que mais me apoiou quando eu decidi sair da revista.”
- Acho que a Felicité é pra você, o que o Corey se tornou pra mim. – disse com um meio sorriso
- É, acho que sim, a diferença é que a Fizzy não é burrinha igual ao Corey.
- Isso é verdade! A conheci ano passado em um show da Ink que ela foi.
- Ela me contou, inclusive, como vai a Heidi, hein, ?
Ao ouvir a pergunta, corou. Ele realmente havia se interessado pela amiga e maquiadora de Fizzy, mas não passaram da conversa. Agora ele percebia que a única amiga da cantora que realmente lhe despertava o interesse estava bem ali, sentada em sua frente.


Capítulo 10

e se viam todos os dias e quando um não podia, eles faziam chamada de vídeo a noite. Eles amavam ter a companhia um do outro, mas toda essa proximidade estava deixando maluca. Ela não conseguia definir seus sentimentos pelo poeta, estava confusa e isso a deixava irritada, pois odiava não saber o que estava sentindo.
Tomando uma decisão, talvez, precipitada, mandou uma mensagem para dizendo que precisaria viajar por alguns dias e que não conseguiria vê-lo nem responder suas mensagens. Sabia que a mentira era uma péssima escolha e que estava agindo como uma covarde que não sabe encarar os desafios da vida, mas aquela forma de escape lhe fora tão atrativa, que não conseguiu refletir nem por meio segundo antes de enviar a mensagem.
estranhou a mensagem assim que a recebeu, por isso indagou a jornalista para onde viajaria e quando ela voltaria, porém não obteve nenhuma resposta.

Faziam dois dias que não saia de casa e nem mexia em seu celular, estava tentando ao máximo descobrir o que estava sentindo. Estava sentada em sua sala, usando um de seus pijamas favoritos, com um balde de pipoca pela metade e assistindo Brooklin 99, quando ouviu a campainha.
Primeiro assustou-se e achou que tinha imaginado o som, até ouvir de novo. Enquanto caminhava em direção a porta, murmurava: “que não seja o , que não seja o . Porém ao abrir a porta se deparou com uma Felicité prestes a apertar novamente a campainha e um Shawn segurando umas três sacolas de supermercado.
- FIZZY! – a abraçou apertado, antes mesmo de deixar o casal entrar!
- Oi pra você também, . – Shawn disse brincando enquanto esperava que as duas desfizessem o abraço.
- Ah não! O que o baby boy tá fazendo aqui? – brincou, abraçando Shawn logo em seguida e os deixando entrar em sua casa.
- Cala a boca, , eu sei que você me ama! Aliás, belo modelito! – disse apontando para o pijama.
- Nos seus sonhos, Mendes! – respondeu o cantor e logo em seguida ignorou o comentário sobre sua roupa, não iria se importar com isso, ela estava em sua própria casa e vivendo uma crise existencial.
Os três se acomodaram na sala da mais velha, que desligou a tv e ofereceu o balde de pipoca para os outros dois.
- Eu posso saber porque a senhorita não responde minhas mensagens?
- Ou as minhas – Shawn interrompeu a namorada.
- Fica quieto, Shawn! – Fizzy brigou. – Aliás, dona , veio me perguntar para onde você foi viajar, porque você só mandou isso para ele e simplesmente parou de responder. Eu bem que achei isso estranho. – A cantora disse num tom acusador. – Por isso vim verificar e não preciso dizer nada não é mesmo? Anda, desembucha mulher!
- O que? Não tem nada para desabafar – Fez-se de desentendida.
- Qual é, ? Até eu sei que você tem várias coisas para contar. E se você quer saber, eu e a Fizzy viemos até aqui para resolver seus problemas, ou tentar pelo menos.
ficou encarando o casal por alguns minutos, sabia que precisava colocar tudo o que estava sentindo para fora, porém não sabia como fazê-lo, já que sua mente estava borbulhando de pensamentos que ela nem ao menos conseguia organizar.
- Eu não sei por onde começar. – Disse baixinho
- Que tal da parte em que você beija o ?
- SHAWN! – Fizzy gritou.
- Como você sabe disso Mendes? – perguntou ao mesmo tempo em que a amiga gritou.
- O quê? A Fizzy me contou tudo. – Disse sem dando muita importância.
- Tá, tá! – falou pra encerrar qualquer discussão que pudesse existir. – Eu vou contar tudo.
“Depois daquele beijo, nós ficamos bem, tudo estava dando certo. Mas aí uma noite eu vi um poema que ele postou falando sobre mexer com a cabeça dele, obvio que ele escreveu isso de uma forma muito mais poética. Enfim, no dia seguinte, saímos eu, ele e o Corey, e estava tudo bem, até que o idiota do Corey falou que eu devia dar uma chance pro , porque ele não parava de falar do nosso beijo. Isso estragou tudo!
Eu me senti idiota, porque eu achava que estava tudo bem. O nunca mencionou nada, talvez porque eu tenha pedido isso, mas enfim. Eu pedi pra que ele me desse um tempo pra pensar nisso tudo. Depois de duas semanas eu falei para que ele viesse aqui em casa pra conversarmos.
A gente se resolveu, eu disse que não teria condições de manter qualquer relacionamento se não amizade, porém o problema é que talvez eu esteja começando a gostar dele mais do que como amigo. A gente se vê todos os dias, e quando não, a gente faz FaceTime. Eu quero ficar conversando com ele ou só estar junto... e pra ajudar ele ainda tem o abraço mais confortável que existe.”
Assim que a poetisa terminou seu desabafo, Shawn olhou para a namorada sabendo que ela teria os conselhos perfeitos para dar, já que as amigas já tinham vivido coisas parecidas anteriormente, porém os papeis estavam invertidos dessa vez.
- , você tem que deixar as coisas acontecerem. – disse carinhosa. – parece te fazer feliz e é só isso que importa. Só relaxe! E eu preciso dizer que eu concordo com o Corey, dê uma chance. Ele não é mais o antigo que você conheceu, eu posso te dizer isso com toda a certeza do mundo porque eu o conheci, lembra? – Fizzy parou sua fala para olhar a amiga dando um sorriso de lado. – O meu conselho é: respira fundo, chama ele e vão para o cinema, faça todas as coisas que eu não posso fazer com o Shawn, viva um romance normal. - Ao terminar de falar, Fizzy olhou para o namorado e ambos deram um sorriso triste, às vezes, tudo o que eles queriam era poder sair sem terem medo de que alguém estava observando cada passo que eles davam.
- Eu não sei, eu acho que eu não estou pronta. Nós dois somos tão diferentes um do outro. - Ficou em silêncio por um tempo até explodir: - AH EU ODEIO ESSE SENTIMENTO!
- Calma mulher! – Shawn disse para amiga. – Não se preocupa, os opostos se atraem. – falou brincando.
- Eu tô calma! Mentira não tô não.
- , quando foi a última vez que você se apaixonou?
- Não sei... talvez quando eu tinha 22 anos, que foi quando eu terminei com Max.
- Eu acho que você está com medo, mas não precisa. Você não precisa ter medo de abrir seu coração, muitas coisas boas podem acontecer. Olha só como eu e o Shawn estamos. Você não sente falta das borboletas em seu estomago?
- Eu não sei, talvez. Eu não sei como lidar com isso. As coisas com Max eram tão diferentes.
- Diferentes em que sentido?
- Com é tudo mais intenso, mas de uma boa maneira.
- Eu tenho certeza que você já sabe o que fazer.
- UGH, eu também. Eu vou mandar uma mensagem pra ele depois dizendo que já estou de volta.
Depois da sessão de conselhos e desabafos, os três decidiram que precisavam de um pouco de divertimento, por isso foi até seu quarto pegar um violão para que o casal pudesse cantar as diversas músicas que eles tinham e que a poetisa tanto amava.
Passaram aquela tarde e início da noite se divertindo, comendo várias porcarias e conversando sobre besteiras. se sentia muito agradecida por ter Felicité em sua vida, e Shawn também. Ela amava encher o saco do menino e ele o dela. Naquele momento, ela estava realmente feliz e despreocupada com tudo.

E.
Hey, . 10:58 pm

Tô de volta 10:58 pm

Será que a gente pode se ver amanhã? 11:05 pm


já estava pegando no sono quando seu celular acendeu a luz indicando que novas mensagens haviam chego. A curiosidade era maior do que o sono, por isso pegou o celular para ler o que haviam mandado. Espantou-se ao ver que era quem havia mando as mensagens. Mas não podia negar que estava feliz de ver que ela tinha voltado, por isso não demorou para responder.

Oi, ! 11:08 PM

Que bom que você voltou, já estava sentindo sua falta. 11:08 PM

Podemos sim, eu, Corey e Elliot combinamos de ir numa balada 11:09 PM

Você topa? 11:09 PM


Talvez uma balada não fosse as melhores opções para rever , porém, ele já havia prometido pros amigos diversas vezes que eles iriam, não seria muito legal desmarcar.

E.
Eu também tava com saudades de você, ! 11:12 pm

Topo sim 11:12 pm

Você leu minha mente 11:13 pm

To precisando muito dançar e beber!! 11:13 pm


A resposta de não demorou para chegar e os planos de de dormir cedo naquele dia haviam sidos arruinados, mas ele não se importava com isso. Amava conversar com a mulher e não se importaria de perder o sono se fosse para conversar com ela sobre qualquer coisa.

sabia que não era a melhor opção sair com para uma balada, mas ela precisava desse momento de diversão antes de falar tudo o que precisava. Por isso a mulher estava terminando de se maquiar para então sair de casa e encontrar o cantor junto do baterista e baixista na porta da balada que eles marcaram.
A mulher chegou alguns minutos atrasada, quando a viu só faltou babar, ela estava maravilhosamente linda e ridiculamente gostosa com aquele vestido preto justo com um decote enorme. Ao perceber a reação do amigo, Corey soltou uma gargalhada, estava estampado na cara do rapaz o quão atraído ele se sentia pela mulher.
caminhou em direção aos rapazes, os cumprimentando assim que os alcançou. Ela não podia negar que estava muito gostoso vestido todo de preto, ela amava quando ele se vestia desse jeito.
Ao entrarem na balada, o quarteto rapidamente seguiu em direção ao bar, começaram logo com uma rodada de tequila para aquecerem os motores. A noite prometia, principalmente para o casal. Após cada um pedir sua bebida, foram para a pista de dança, já que tinha insistido muito que ela não ficaria num canto conversando com os quatro, ou eles iriam junto com ela ou ela iria sozinha!
Estavam os quatro dançando bem animados quando começou a tocar Senõrita, logo pegou o celular para gravar um pequeno vídeo para Shawn. Em seguida ela se deixou levar pelo ritmo da música, fechando os olhos e dançando como se o mundo acabasse no dia seguinte. Não viu quando lhe lançou um olhar cheio de desejo, ele queria dançar junto dela, mas não se arriscaria, pois não era o melhor dos dançarinos.
Muitas bebidas depois, Corey e Elliot já haviam deixado os dois sozinhos com a desculpa de que precisavam ir ao banheiro. estava dançando uma música qualquer que tocava, quando se aproximou e a segurou pela cintura. A mulher levantou o olhar, encarando de volta. Nenhum dos dois saberia dizer por quanto tempo ficaram se olhando e balançando conforme a música até o músico decidir tomar atitude e beijar a mulher.
Primeiro só ficaram com os lábios encostados, aproveitando o momento. foi quem entreabriu os lábios primeiro passando a língua pelos lábios do homem. O beijo começou calmo, não era a primeira vez que estavam se beijando, mas parecia que era. As línguas curiosas para experimentarem cada canto da boca. A calmaria não durou muito tempo, logo o beijo se tornou intenso e nenhum dos dois queria parar.
Os apertões na cintura de estavam ficando cada vez mais fortes, assim como os arranhões na nuca de estavam ficando mais frequentes. O casal se soltou apenas para procurarem um canto para que os carinhos pudessem ficar mais intensos. estava ficando maluca com os beijos de em seu pescoço, sua calcinha já estava começando a ficar molhada, por isso sussurrou no ouvido do rapaz para que eles fossem para sua casa, recebendo como resposta apenas um balançar de cabeça.
Enquanto esperavam um carro para seguirem para casa de , mandou uma mensagem para Corey avisando que já havia ido embora com a mulher. Os dois estavam abraçados e seguiram assim até chegarem na casa da jornalista.
Entraram na casa com calma, e, assim que trancou a porta, a prensou na porta e beijou demonstrando todo o desejo que estava sentindo. Seguiram para o quarto aos beijos e tropeços. Toda a calma que eles tiveram no começo, já havia ido embora.
estava focada em desabotoar cada botão da camisa de , enquanto ele beijava seu pescoço e apertava sua bunda. Ao chegarem no quarto, o rapaz se apressou em logo puxar o vestido da mulher para cima, a deixando apenas com uma lingerie preta de renda. Ao observa-la só de lingerie e saltos, seu membro latejou, estava extremamente excitado e não via a hora de se enterrar naquela mulher.
o puxou em sua direção pelo cós da calça e o beijou fervorosamente, porem o beijo não durou muito tempo, já que logo foi jogada na cama enquanto se livrava de suas calças e sapatos, tirando em seguida as sandálias da mulher e se aproximando dela para deixar um longo beijo em sua boca.
estava totalmente entregue no momento, porém , antes de continuar a beijá-la, porque sim, ele queria beijar todo o corpo daquela mulher, cada pedacinho, a olhou em busca de qualquer tipo de arrependimento que ela pudesse esboçar.
- , você não vai parar agora! – Dito isso, inverteu as posições ficando, agora, por cima e sentando bem em cima da ereção do homem, rebolando demoradamente fazendo com que ele soltasse um gemido rouco. O torturou mais um pouco com o roçar das intimidades, mas logo se abaixou, deixando primeiro um beijo na boca do rapaz e depois descendo pelo pescoço, peito, barriga, até chegar no pau já muito duro do cantor.
Primeiro o acariciou da cabecinha até as bolas, o massageando neste local, em seguida, sem que ele esperasse o abocanhou, lambendo toda a extensão e recebendo diversos gemidos sofridos como resposta. até tentou guiar a mulher segurando em seu cabelo, mas ela não deixava, murmurando que agora era ela que estava no controle. A mulher se deliciava com em ver todo o prazer que estava dando para . Ao sentir que estava chegando perto de seu orgasmo, a puxou para cima logo dizendo que queria gozar dentro dela e não em sua boca.
Eles trocaram longos beijos até o cantor decidir descer sua boca em direção aos seios da mulher, lambendo o bico do seio esquerdo enquanto massageava o direito e a apertava na cintura com a outra mão. Depois desceu uma de suas mãos em direção as coxas da mulher a apertando com força, para em seguida aproximar da intimidade da mulher que já se encontrava completamente encharcada. Aproximou um de seus dedos do clitóris, recebendo o gemido longo como resposta. A mulher estava absorta em tantas sensações que estava sentindo, quando desceu sua boca para sua intimidade e começou a chupa-la e a estimula-la, metendo logo dois dedos dentro dela. não precisou de muito para que o formigamento em seu ventre desse vida e logo explodisse em um orgasmo arrebatador. voltou para beijar a boca da mulher, compartilhando com ela seu próprio gosto, indo, em seguida, atrás de sua calça para pegar uma camisinha.
Voltou para cama, ficando sobre a mulher e posicionando seu pau na entrada dela. Primeiro se movimentou devagar, esperando que ela se acostumasse, mas não estava com paciência para a calma de , por isso o agarrou com suas pernas esperando que ele entendesse o recado.
Os movimentos logo ficaram intensos e o quarto passou a ser inundado por gemidos e respirações ofegantes. estava quase chegando lá, mas queria esperar , por isso começou a estimulá-la com seus dedos.
- Goza pra mim, . – sussurrou no ouvido da mulher.
já sentia o orgasmo chegando, mas não imaginava que o sussurro de fosse adiantar o processo... A mulher se entregou ao momento, se derramando de prazer com ainda dentro dela. Ele não demorou para chegar ao seu ápice, após perceber o que havia acabado de fazer. mexia com seus sentidos em formas que ele nunca poderia imaginar. Ele gostou de causar aquelas sensações em , porém em sua cabeça já imaginava que a mulher o ignoraria pela próxima semana. Por isso, deixou um longo beijo em seu pescoço e levantou-se seguindo para o banheiro para se livrar da camisinha, voltando e indo atrás de sua cueca, quando reparou que o encarava com um sorriso no rosto.
- Onde você pensa que está indo? Já quer se livrar de mim? – perguntou com humor quando percebeu que ele estava em busca de suas roupas. – Volta pra cama, . – Ela pediu enquanto se ajeitava com as cobertas.
Seguindo o pedido de , se deitou e a puxou para perto de si. Talvez ele estivesse enganado sobre a mulher e seus sentimentos, talvez ela também sentisse alguma coisa por ele, talvez, mas só talvez, eles pudessem ter algo. Foi com esses pensamentos que ele adormeceu ao lado da mulher pela qual estava apaixonado.

estava deitada no peito de , apesar de estar cansada e com sono, não conseguia dormir. Ficou pensando em toda a conversa que tivera com seus amigos no dia anterior e no que tinha acabado de acontecer. Olhou dormir por incontáveis minutos, até decidir levantar-se, pegar uma manta no armário, já que o verão estava começando a querer ir embora, e sentar em sua varanda, pois não queria acordar o cantor e ela estava muito inquieta.
Estava distraída com seus pensamentos que nem notou que havia aberto a porta e se aproximado dela, somente notando quando ele se sentou do lado dela no balanço e pediu um pedaço da coberta.
- Um beijo pelos seus pensamentos.
- Nossa, meus pensamentos tão valendo tão pouco assim? – Ela respondeu brincando, mas dando um selinho em seguida.
- Não sabia que você fumava. – Ele disse após observar o cinzeiro na mesinha ao lado.
- Peguei esse hábito no fim do ensino médio, fumo sempre que eu to ansiosa.
- Posso saber por que a senhorita está ansiosa?
- Você já reparou que nós não somos nada comparado a imensidão do céu? A gente olha daqui e vê esse tanto de estrelas e essa lua, aí a gente lembra que somos parte de um planeta, que faz parte de um sistema que possui outros planetas e que forma a Via Lactea, mas que existem muito mais sistemas que a gente desconhece. – não estava entendendo a onde ela queria chegar, mas deixou que ela falasse tudo.
“Somos tão pequenos se formos pensar em tudo que nos envolve. Às vezes eu penso que nós somos apenas um grão de poeira nessa imensidão que é o universo, que nós não sabemos de nada. É prepotência do ser humano achar que somos os únicos seres que habitam este universo. Alguma forma de vida deve existir além de nós. Eu só espero que sejam mais inteligentes do que os humanos.
Eu falo dessa imensidão que é o universo, mas eu realmente gosto de ficar olhando para esse céu estrelado, me ajuda a pensar e a refletir.”
Assim que terminou sua fala, ficou se questionando se deveria fazer a temida pergunta para a mulher, ou não. Achou melhor perguntar logo e tirar de si a agonia que estava sentindo.
- , o que nós somos?
- Não sei, . Amigos?
- Amigos não dormem na mesma cama, , amigos não deveriam se beijar do jeito que você me beija. E eu sei que tem um limite para tudo, mas amigos não me tratam como você me trata. Eu poderia pegar o caminho de volta, mas seus olhos me guiam direto para casa. E se você me conhece do jeito que eu te conheço, você deveria me amar, você deveria saber. – desabafou.
Foi nesse momento que caiu em si e percebeu que ela já estava num caminho sem volta. Desde o momento que ela deixou entrar em sua vida novamente, não teria como voltar ao que era antes. era encantador, era o que ela precisava na sua vida no momento. Antes de responder qualquer coisa, ela o beijou, porém, esse beijo havia sido diferente de todos os outros que eles já deram. Esse beijo demonstrava os sentimentos que cada um sentia, mostrava o medo e as inseguranças, mas, também, mostrava que eles seguiriam juntos tentando.
- Você provavelmente não conhece, e eu nem acredito que eu vou citar Shawn Mendes pra me explicar. Mas talvez eu tenha bebido muito, o que era exatamente o que eu precisava, porque quando estamos num mesmo lugar e eu te olho e vejo você me encarando eu me sinto bem, eu sinto falta quando seus braços não estão ao meu redor e se você está pronto, eu estou pronta.
- Isso quer dizer que...?
- Que eu topo qualquer coisa com você, ! Que eu gosto de você e talvez tenha sempre gostado. Que eu tinha medo de me abrir novamente, mas você destruiu qualquer tipo de muro que eu havia construído no meu coração.




Continua...



Nota da autora: Gente do céu!!! E esse capítulo??? confesso que foi bem difícil escrever a cena em que eles transam porque foi algo bem diferente do que eu escrevo, então espram que gostem!!!!
Enfim, queria agradecer por todo o carinho e por lerem, essa história é muito especial pra mim, de verdade.
Não vou me estender muito, mas queria deixar dois avisos e uma pergunta:
1. Agora as atts ficarão um pouco menos frequentes, porque além de ter outra história em andamento, precisarei focar na minha ic da faculdade, porém, pelo menos uma vez a cada 3 semanas estarei aqui!!
2. Sigam o insta da PP, lá ela posta TUDO!!! Inclusive spoiler, o link está no icone do instagram aqui embaixo, mas pra quem achar mais fácil, o user é: @lbp_sophieevans




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