Última atualização: 28/05/19

Prólogo

“Sr.
Temos a honra de convidá-lo para participar do nosso curso para jovens escritores que se iniciará no dia 11 de maio de 2019 e terminará do dia 24 do mesmo mês com sede no Park Grand London Lancaster Gate, onde todos nossos convidados e alunos se hospedarão.
Seria uma honra para nós da Oxford Royale Academy ter um poeta como você fazendo parte deste nosso programa que consistirá em oficinas de escritas, na qual o aluno que se destacar receberá um prêmio, sendo que quem mais obtiver destaques nas oficinas terá a oportunidade de ter um contrato com nossa editora por alguns anos.
Agradecemos desde já sua valiosa colaboração e aguardamos ansiosos por seu posicionamento para ser responsável por um dos grupos formados. Nossas cordiais saudações,

Oxford Royale Academy.”
ficou animado com o convite que recebeu, escrever era uma de suas maiores paixões na vida, por isso não hesitou em pegar o telefone para confirmar a sua participação.


Capítulo 1

O salão de festas do Park Grand London Lancaster Gate estava todo decorado e pronto pra receber os artistas convidados, alunos e organizadores do maior curso de escrita de todo o Reino Unido que acontecia apenas uma vez por ano. Todos sabiam como era difícil conseguir uma vaga, por isso todos os matriculados estavam muito felizes e se sentiam honrados por fazerem parte da edição deste ano.
A tradicional festa de abertura acontecia sempre no sábado a noite anterior ao inicio das aulas, era uma forma de aproximar os participantes, fazendo com que o primeiro contato entre eles fosse algo diferente, tirando o ar de competição que muitas vezes se instalava no ambiente, os organizadores prezavam pelo aprendizado e crescimento profissional de cada um ali presente.
era um dos principais nomes da poesia inglesa contemporânea. Sentia-se honrado de fazer parte de um programa como aquele de incentivo à escrita, além de estar ao lado de grandes nomes como Helen Mort e Sophie Robinson.
estava andando pelo salão quando um dos organizadores o parou e chamou-o para subir ao palco para fazer um pequeno discurso, todos os outros convidados já haviam falado algo e só faltava ele.
- Boa noite a todas e a todos! – disse assim que subiu ao palco – Bom, eu não preparei nenhum discurso, nem sabia que teria que fazê-lo. – deu uma risada de leve – acho que antes de tudo eu queria agradecer pelo convite, é uma honra para mim estar aqui! Como um poeta de apenas 28 anos eu me sinto realizado de ter chegado tão longe em tão pouco tempo, por isso agradeço também pela minha banda Ink. pois sei que ela é uma das maiores responsáveis por minha poesia ter se espalhado pelo mundo. Pra finalizar, gostaria de dizer para todos os alunos participantes que aproveitem este curso ao máximo, suguem tudo que puderem de seus orientadores! Eu tive a oportunidade de fazer parte deste programa há 4 anos e foi uma das melhores coisas que me aconteceu, de verdade! Por isso, aproveitem! Mais uma vez, muito obrigado a todos pela oportunidade. Boa noite.
desceu contente consigo mesmo, não era a melhor pessoa para falar em público, nunca se reconhecia quando estava no palco tocando suas musicas, no entanto, sabia que só se sentia seguro porque sempre tinha dois caras, que ele chamava de amigos, para lhe ajudar no que fosse preciso. Mas era péssimo em discursos, parecia que as palavras, que tanto lhe faziam companhia, sumiam e ele ficava sem saber o que falar.
A festa seguiu tranquila, sem nenhum grande acontecimento, exceto por um pequeno episódio no qual estava andando entre mesas de seus futuros alunos e pensou ter visto um rosto conhecido, mas assim como este pensamento lhe surgiu, ele logo desapareceu.

Era domingo à tarde e todos se encontravam novamente no salão do hotel, mas desta vez seria para uma aula introdutória, na qual os principais organizadores dariam detalhes de como o curso era formulado, o motivo de cada assunto e de como as salas seriam organizadas.
estava sentado ao lado dos outros orientadores, escutava atento todas as informações que eram repassadas para os alunos e já se programava para como passaria para seus orientandos os saberes sobre os diversos temas. Queria que eles vivessem todos os dias daquele programa com paixão e com a mesma intensidade que ele viveria.
Cada tema seria, primeiramente, introduzido pelo orientador durante a manhã, fosse por meio de teoria ou de textos práticos; em seguida haveria uma discussão entre todos sobre o tema; e, por fim, teriam a atividade prática, na qual cada aluno deveria escrever sobre aquilo, devendo, o texto, ser entregue ao longo do dia. Na aula seguinte ocorreria a premiação para o texto destaque.
Ao final de toda explicação, os organizadores se juntaram para fazer a divisão de turmas que seria por mero sorteio, não julgando alguém como melhor ou pior que outro alguém. Cada orientador teria uma turma de 20 alunos e poderia escolher o melhor local disponível pelo hotel para as aulas.
estava ansioso para conhecer todos seus alunos, esperava manter uma boa relação entre eles, por isso anotando o nome de cada um, e tentava observar a reação de alguns conforme eram chamados. Uma mulher em especial lhe chamou a atenção, , que ao ser chamada, indicando que estaria na turma de , fez uma cara de desânimo misturada com irritação.


Capítulo 2

Era segunda de manhã e todos já estavam no local indicado onde teriam a primeira aula, estavam ansiosos e a espera de seu orientador, , que logo apareceu animado para conhecer cada um de seus alunos.
fez com que todos sentassem em uma grande roda, dizendo que antes de começar a dinâmica preparada para aquele dia, ele queria que cada um se apresentasse e dissesse seu escritor favorito.
- Pra dar início as apresentações, acho que posso ser o primeiro. Me chamo , tenho 28 anos, sou escritor, poeta, músico e modelo nas horas vagas, enfim. Vou ser o orientador de vocês nessas duas semanas e estou muito ansioso pra ajudar vocês no que precisarem – enquanto falava, notou que uma das mulheres rolava os olhos, mas achou que poderia ser um engano seu – como disse no sábado, fiz esse mesmo curso há quatro anos e foi uma das melhores coisas que me aconteceram. Por fim, meu escritor favorito é o canadense Leonard Cohen. Então, quem será a próxima ou o próximo? – olhou para o rosto de todos esperando alguém se manifestar, até que uma menina que aparentava ter uns 19 anos levantou a mão toda tímida – Perfeito! Pode se apresentar, senhorita...? – ele esperou que ela falasse seu nome.
- Andrews, Julie Andrews. – Ela completou. – Eu tenho 19 anos, recém completados, e quero cursar literatura. Minha escritora favorita é a J.K. Rowling.
- Muito bem, Julie! – ele disse simpático assim que ela terminou de falar e se encolheu a cadeira.
E assim as apresentações se seguiram, as vezes um demorando mais que o outro, e, de vez em quando, o silêncio se instalava, assombrando aqueles mais tímidos. Por fim, estava faltando apenas uma mulher se apresentar, a mesma que chamou a atenção de no dia anterior e a mesma que rolava os olhos toda vez que ele abria a boca para falar algo, pelo menos era isso que ele jurava ter visto.
- Acho que só falta eu, agora, não é? – a garota perguntou de forma retórica. – Bom, meu nome é , tenho 28 anos, sou jornalista e escrevo para a revista InStyle. Dificil dizer a minha escritora favorita, mas acho que no momento posso falar com toda a certeza que é Mary Oliver.
O homem estava satisfeito com tudo que havia ouvido até aquele momento, e ficou ainda mais ao ouvir o nome que havia apresentado como sua escritora favorita. Com certeza a garota tinha um gosto peculiar, mal podia esperar para ler o que ela produziria.
- Feitas as apresentações, acho que podemos passar para a nossa dinâmica, certo? – disse levantando de sua cadeira – Eu quero que vocês escrevam sobre as expectativas de vocês para com este curso, podem colocar também seus medos e angustias, porque eu sei que eles existem também. E ao final da semana que vem, iremos pegar e reler esses papeis e cada um vai dizer como se sente, como o curso o afetou. – Ao finalizar a fala, ouviu alguém bufando, olhou e deu de cara com uma careta de . – Algum problema, senhorita ?
- Não, nenhum. Só achei a dinâmica bem clichê para um lugar que é para nós trabalharmos nossa criatividade.
- Você tem alguma outra sugestão?
- O orientador aqui é você, não eu! – ela disse de forma grosseira.
- Muito bem, gente. Como eu dizia antes da senhorita me interromper, iremos começar com essa dinâmica e depois passaremos para a nossa segunda atividade na qual vocês vão conversar por 20 minutos com a pessoa do seu lado e escrever suas impressões sobre ela, escrevam tudo. E não se preocupem, isso não será lido em voz alta. – continuou dizendo ignorando o que disse. A verdade é que ele havia ficado levemente irritado com o que ela disse, não esperava uma reação como aquela.

Quando o relógio bateu meio dia, dispensou todos, dizendo para eles descansarem e aproveitarem todos os benefícios que o hotel oferecia, já que os próximos dias seriam puxados e ele precisava de todos focados e atentos. Também disse que ele estava aberto para conversar sobre qualquer coisa que quisessem.
Enquanto via todos juntando seus materiais para saírem da sala, se dirigiu em direção de numa tentativa de entender a atitude que ela teve.
- Com licença, ? – ele disse ao se aproximar.
- Acredito que não temos intimidade suficiente para me chamar assim, senhor – ela disse ainda de costas para ele, enquanto guardava todo seu material.
- Desculpa-me, senhorita , achei que por termos a mesma idade, poderia ser apropriado que eu lhe chamasse de tal forma. – Ele disse com toda a educação que sua mãe lhe deu, parecendo um lorde ao falar. Mas a verdade era que ele gostaria era de lhe responder um sonoro “vá à merda!”. – Agora que sei como devo chamá-la, eu gostaria de lhe questionar se a senhorita tem algum problema comigo ou com a minha escrita.
- De forma alguma, senhor . Por que a pergunta? – ela respondeu de maneira cínica, que não passou despercebido por ele.
- Achei que tivesse visto a senhorita rolando os olhos enquanto eu falava durante a nossa roda de apresentação, mas certamente devo ter me enganado, já que a senhorita disse não ter nenhum problema. – Ele disse iniciou com um tom acusatório e terminou com um de descrença.
- Mais alguma coisa? – ela perguntou ao ver que ele não saia da sua frente.
- Não, era só isso mesmo. Pode ir fazer o que quiser agora.
observou a mulher sair e ficou se questionando qual seria o problema dela com ele. Não era possível que tudo aquilo havia sido impressão sua, ela devia ter algum tipo de implicância com ele. E daria um jeito de descobrir, não sabia como, mas iria, já que essa mulher lhe irritava de uma forma diferente, talvez porque num primeiro instante havia se sentido atraído por sua beleza, e agora a descobria com uma mulher um pouco prepotente e muito cínica.


Capítulo 3

A terça-feira amanheceu nublada, o típico dia preguiçoso, mas não para ! O homem estava animado por finalmente dar algo com conteúdo para seus orientandos, o pouco que havia visto no dia anterior fez com que ele ficasse ansioso para ler o que lhe entregariam. amava dias cinzas, para ele, esses dias eram mais inspiradores para escrever sobre sentimentos melancólicos e cenas românticas, por isso escolheu entre os temas definidos algo que melhor se encaixasse para aquele dia.
Para aquela aula especifica, o professor queria algo mais íntimo, por isso assim que seus alunos chegaram na sala que era reservada para aquela turma, ele logo os direcionou para uma área do spa onde eram dadas as aulas de ioga e meditação, aquele ambiente possuía uma vibração positiva inegável e seria ótimo para que todos se concentrassem no texto que deveriam entregar naquele dia.
Quando todos já estavam acomodados entre as almofadas, pegou seu livro, abriu na página separada e começou a recitar:

“Ela inclinou o corpo para perto dele. – Diga uma coisa, Noah, do que é que você mais se lembra do verão que passamos juntos?
- De tudo.
- Alguma coisa em particular?
- Não – disse ele.
- Você não se lembra?
Ele só respondeu um momento depois, com voz calma e séria.
- Não, não é isso. Não é o que você está pensando. Eu estava falando sério quando disse que me lembro ‘de tudo’. Consigo recordar todos os momentos que passamos juntos, e em cada um deles havia alguma coisa maravilhosa. Na verdade, não consigo escolher um momento que tenha significado mais que outro. O verão inteiro foi perfeito, o tipo de verão que todo mundo deveria ter. Como poderia escolher um momento em vez de outro? Muitas vezes os poetas descrevem o amor como uma emoção que não podemos controlar, uma emoção que esmaga a lógica e o bom-senso. Comigo foi assim. Eu não planejei me apaixonar por você, e duvido que você também tenha planejado se apaixonar por mim. Mas, assim que nos conhecemos, estava claro que nenhum de nós conseguia controlar o que estava acontecendo com a gente. Ficamos apaixonados, apesar das diferenças entre nós; quando isso aconteceu, alguma coisa rara e maravilhosa foi criada. Para mim, um amor como aquele só acontece uma vez, e é por isso que cada minuto que passamos juntos ficou gravado na minha memória. Nunca me esquecerei de um momento sequer.
Allie olhou fixamente para ele. Ninguém jamais tinha dito algo parecido para ela antes. Não sabia o que responder e ficou em silêncio, com o rosto afogueado.
- Sinto muito se deixei você constrangida, Allie. Não era minha intenção. Mas aquele verão ficou comigo e, provavelmente, vai ficar para sempre. Sei que as coisas entre nós não podem voltar a ser o que eram antes, mas isso não muda o que eu senti em relação a você naquela época.
Ela falou com voz suave, sentindo-se enternecida.
- Você não me deixou constrangida, Noah... mas é que não estou acostumada a ouvir este tipo de coisa. O que você disse foi maravilhoso. Só um poeta consegue falar da maneira como você fala e como eu disse, acho que você é o único poeta que conheci na vida.”


Enquanto lia a página de seu livro Diário de uma Paixão do autor estadunidense Nicholas Sparks, reparava na reação de cada um que estava naquela sala. Uns tentavam entender o porquê de ele estar lendo aquilo, outros deixavam se levar pela cena descrita. Assim que terminou abriu seu celular em busca de um de seus próprios poemas, começando a recitar assim que o achou:

“I’d hear the city clowns
Detonate the night
But near
Your breath
It drowns
All sign of life”

Ao terminar de recitar um de seus poemas, respirou fundo e começou a falar com a classe. Estava curioso para saber o que se passava na cabeça de todos, se tinham alguma ideia do primeiro tema a ser passado e se estavam tão ansiosos quanto ele estava. Por isso iniciou questionando o que haviam achado do primeiro texto. Ouviu atentamente o que falavam, até que o surpreendeu com os seus pensamentos sobre o excerto:
- Claramente nos deparamos com uma cena romântica, a gente pode não ter lido Diário de uma Paixão, ou não ter visto o filme, mas nessa parte fica muito bem explicito o amor que eles sentiram um pelo outro durante as férias que passaram juntos. Foi um sentimento que nasceu espontaneamente, não foi forçado de nenhuma maneira. E Noah surpreende Allie falando de como ele se lembra de todos os detalhes e dias que passaram juntos.
- Parabéns senhorita , é exatamente isso. Uma cena romântica não depende necessariamente de elementos românticos ou grandiosos, como um flash mob ou fogos de artificio, como estamos acostumados a ver em diversas comédias românticas. Ao meu ver uma cena romântica depende muito mais de como ela é construída. Por exemplo, se estamos falando de um livro, o desenvolvimento dele poderá fazer com que tenhamos uma cena romântica perfeita sem ser algo grande. É o caso desta cena que li para vocês, nós sentimos todo o amor que circula os personagens, e não precisou de beijos, flores, chocolates, apenas foram necessárias algumas palavras.
Ao falar sobre como a esfera da cena havia sido montada, se recordava de quando era ele sentado naquelas almofadas e quão especial havia sido aquela aula. Escolheu seu poema baseando-se nisso. Fora aquele poema que recebeu seu primeiro reconhecimento dentro da oficina, tendo ganhado o destaque daquele tema.
Pensar em toda a sua trajetória desde aquela oficina o inspirou a usar seus próprios textos nas exposições, achando que seria uma maneira de motivar seus orientandos. Por isso não hesitou em contar para todos que aquele poema era o mesmo que ele tinha escrito quando ele estava fazendo a oficina.
Gostaria que todos dessem o seu máximo especificamente naquele tema, sabia que escrever sobre amor muitas vezes pode ser uma tarefa extremamente fácil, que poderia ser algo clichê, mas ele queria mais de seus orientandos. Queria que eles saíssem do senso comum de tentar falar sobre o amor da forma camoniana e seu amor é fogo que arde sem se ver. Queria que eles fizessem algo simples como a cena de Noah e Allie ou, tirando toda a humildade, que fizessem algo diferente como a mistura de detonar uma cidade comparada a respiração da amada.
- Então é isso gente, escrevam sobre amor, seja experiencia própria ou a ilusão que vocês têm sobre o que é o amor. Lembrem-se que as melhores cenas são simples, são inesperadas, fazem comparações que nunca nem pensamos ser possíveis. – disse enquanto observava o rosto de cada um presente na sala – vocês têm até às onze da noite para me entregarem, se não me acharem no meu quarto, deixem na recepção que eu passo lá pra pegar todos os trabalhos. Estão dispensados.
estava com a cabeça borbulhando de ideias, tinha tanta coisa para pôr no papel, algumas experiências que passou durante sua adolescência, mas tantas ideias tiradas de livros românticos lidos não só em sua juventude, mas também em sua fase adulta. Não se cansava desse tipo de histórias. Além disso, amava ler poemas em que o amor era retratado, mesmo que ele não fosse o principal. Sabia que era clichê dizer que Soneto de Fidelidade, do grandioso poeta brasileiro Vinicius de Moraes, era um de seus poemas favoritos.
Passou o dia inteiro escrevendo, amassando e jogando no lixo vários rascunhos. Não estava satisfeita com o que estava colocando no papel, queria que seu texto ficasse perfeito, não sabia exatamente o porquê, mas sentia que aquela era a oportunidade perfeita para se destacar. Era quase nove horas da noite, quando a garota começou a ficar contente com o que estava escrevendo. De uma maneira espontânea, uma situação surgiu em sua cabeça.
Começou a imaginar uma situação em que o amor era um jogo e que se apaixonar seria perder esse jogo, mas como um paradoxo, perder significava ganhar. Perde-se porque se permite derrubar muros, permite-se a possibilidade de ter um coração partido, permite-se se decepcionar com atitudes de uma pessoa que lhe importa mais do que se gostaria. Mas ganha! Ganha por ter alguém ao seu lado apoiando e comemorando cada conquista, ganha-se porque a demonstração de sentimentos lhe faz sentir bem, ganha-se por saber que tem alguém que te faz feliz, que quer te ver feliz. E no final, você percebe que você mais ganha do que perde, que o risco de perder no jogo do amor vale a pena quando para pra pensar nas vantagens de se apaixonar.
Ao terminar seu texto, ficou animada. Fazia tempo que não escrevia algo que lhe deixasse tão contente quanto este texto. Estava tão feliz que nem se importou de ter de ir ao encontro de para lhe entregar.
Enquanto se dirigia em direção aos aposentos de seu orientador, esbarrou em alguém entrando no elevador.
- Perdão! Senhorita ? Como vai? – disse assim que percebeu que a pessoa que havia esbarrado era .
- Boa noite, senhor ! Estava indo ao seu encontro pra lhe entregar meu texto da aula de hoje.
- Muito bem! Eu estava descendo até a recepção para ver se você já havia encontrado, pois notei a ausência de seu trabalho.
- Não se preocupe professor, eu não gastaria esta oportunidade por nada nesse mundo. Posso tardar, mas não falho. – Disse de maneira grosseira. – Agora que já entreguei para o senhor, vou voltar ao meu quarto. Boa noite! – Saiu sem nem ao menos esperar por uma resposta.
Após este episódio, ficava se questionando o que teria acontecido para que a mulher sempre o tratasse de forma grosseira. Sua meta, até o final daquele curso, seria descobrir qual o problema da mulher com ele.


Capítulo 4

O dia seguinte surgiu para o músico com a certeza de que ele descobriria o que se passava na cabeça da mulher que tanto o intrigava e o tratava mal. Ele não tinha síndrome de vira lata, mas seu orgulho não permitiria que aquela situação se mantivesse de tal forma.
Ao ler o texto de na noite anterior, teve a certeza de que ela sabia o que fazia, aliás, sabia muito bem. Seu trabalho estava num nível muito mais acima do que os outros participantes. Por isso não hesitou em lhe dar o destaque daquela aula.
O ambiente da aula naquele dia seria a própria sala de aula separada para aquela turma. achava que seria proveitoso que o tema do dia fosse debatido lá, podendo utilizar-se dos aparatos que lá se encontravam, como lousa, caixas de som e um projetor de tela.
Aproveitou que chegou mais cedo do que o normal e preparou as cadeiras, formando uma grande roda. Estava separando a música que tocaria naquele dia como demonstração do tema, quando adentrou a sala, sendo a primeira de todos os orientandos a chegar. até tentou cumprimentar a mulher, mas levou uma ignorada por parte dela.
- Bom dia, professor! – ela disse animada tirando os fones de ouvido e os guardando em sua bolsa.
- Vejo que está de bom humor hoje, senhorita . – Ele observou, acreditando que foi ignorado apenas por não ter sido visto.
- Nada que uma boa noite de sono não ajude, não é mesmo? – Ela sorriu. E toda a situação deixou um muito confuso.
- Fico feliz que tenha dormido bem. Gostaria, inclusive, de te dar os parabéns. A senhorita é o destaque da nossa aula passada. Você poderia ler para nós o que escreveu quando seus colegas chegarem?
- Muito obrigada!!! É claro que sim! Nem acredito que eu consegui – a mulher falou desacreditada com toda a situação. Sabia que seu bom humor não estava sendo à toa. Desde que terminou seu texto na noite anterior, algo dentro de si fez com que ela sentisse que seria o destaque. Aliás, estava tão feliz que nem se importou de ser simpática com o homem a sua frente.
Conforme esperava todos chegarem, observava a mulher que naquele dia sorria boba para todos, desejando um bom dia. Ele realmente não a entendia; em um dia o tratava super mal, no outro era toda simpática.
Ao ver que todos os alunos estavam já acomodados, iniciou a aula falando sobre tudo o que leu na noite passada e do quão surpreso ficou com a qualidade daquela sala. Parabenizou a todos e, logo em seguida, anunciou que o destaque daquela aula iria para , pedindo para que a mesma fosse até o centro da roda declamar sua obra.
A garota se posicionou, olhando primeiro para o papel e depois para todos ao seu redor, em seguida começou a recitar:
She, she laughed at me (Ela, ela riu para mim)
And my whole world stopped (e meu mundo inteiro parou)
And that’s when I realized (e foi quando eu percebi)
I’ve lost the game (que eu perdi o jogo)

He looked at me and told me a joke (Ele olhou para mim e me contou uma piada)
I laughed so much (eu ri tanto)
And suddenly I noticed (e de repente eu notei)
I’ve lost the game (eu perdi o jogo)

I’ve broken my promise of (Eu quebrei a promessa de)
Never falling in love with (nunca me apaixonar)
A person you barely know (por alguém que você mal conhece)
Because you never know when you gonna see her/him again (porque voce nunca sabe quando irá vê-la/lo))
I think that’s why people say (Eu acho que é por isso que as pessoas dizem:)
Love is a funny thing (o amor é uma coisa engraçada)
When you’re not expecting (quando voce não está esperando)
It shows up in your life (aparece na sua vida).


Assim que a mulher terminou, todos ficaram a encarando e logo a sala foi preenchida por palmas. sorriu agradecida para cada um e ao encarar recebeu um olhar orgulhoso vindo dele.
parabenizou mais uma vez e logo em seguida começou a introduzir o tema do dia. Primeiro colocou Time do Pink Floyd para tocar, já observando atentamente a reação de todos, enquanto a música tocava, imagens de pessoas de todas as idades passavam no telão, finalizando com o quadro A Persistência da Memória, do pintor mundialmente famoso Salvador Dalí.
- Acho que todos já devem ter reparado que o tema de hoje é o tempo, ele que é representado pelo titã Cronos, na mitologia grega, personificação do tempo eterno e imortal, governando sobre o destino dos deuses imortais.
“Cronos era filho de Urano, governante do universo, com Gaia. Após Urano esconder os gigantes filhos de Gaia no Tártaro, foi atacado por Cronos com um golpe de foice, castrando-o. Após este ataque, Urano passou a chamar seus filhos como Titãs, por ultrapassarem seus limites.
Cronos passou a governar o mundo, sendo esta época a qual a humanidade viveu sua “Idade de Ouro”.
Cronos casou com a sua irmã Reia, que lhe deu seis filhos: Héstia, Deméter, Hera, Hades, Poseidon e Zeus. O titã tinha medo de ser destronado por causa de uma maldição de um oráculo, por isso engolia os filhos ao nascerem. Comeu todos, com exceção de Zeus, o qual Reia conseguiu salvar, enganando o titã ao enrolar uma pedra em um pano.
Reia escondeu Zeus em uma caverna até crescer, quando resolveu vingar-se de seu pai, pedindo ajuda de Métis – a Prudência – filha do titã Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma poção, que o fez vomitar os filhos que tinha devorado. Foi com este feito que aconteceu a chamada Titanomaquia, uma luta entre Zeus, seus irmãos e irmãs, hecatonquiros e ciclopes contra Cronos e os demais titãs.
Zeus, ganhando a luta, tornou-se senhor do céu e divindade suprema, baniu os titãs para o Tártaro e afastou o pai do trono.”

- Após toda essa história de mitologia grega, eu quero que vocês escrevam sobre o Tempo, fiquem à vontade para escreverem do jeito que vocês quiserem, mas eu gostaria que fizessem algo com um conteúdo mais profundo, explorando seus sentimentos e como o tempo pode nos ajudar ou não. Abordem aspectos positivos, negativos, tudo o que for possível para termos um texto profundo. O esquema de entrega será o mesmo de ontem. Mal posso esperar para ler o que vocês escreverem. – disse animado.
só conseguia pensar em quanto havia odiado o tema. Obviamente, agradecia ao tempo porque ele havia sido seu melhor amigo para superar certas coisas que aconteceram em sua infância e pré-adolescência. Mas ter de escrever sobre ele seria uma tortura, ainda mais algo profundo. Sabia que aquele seria um desafio que teria de encarar para ser uma grande autora, como sempre foi seu sonho.
realmente estava animado para ver o que leria, queria explorar tudo o que seus alunos poderiam dar. Sabia que deveria explorar diversos sentimentos, porque era isso que fazia de alguém um bom escritor, um bom autor e, principalmente, um bom poeta.


Capítulo 5

passou o horário do almoço pensando sobre o tema dado na aula, seria um desafio, mas ela estava disposta a dar o seu melhor. Tinha tido uma ideia que achava ser genial, faria uma narrativa, comparando o passado com o agora, iria se inspirar nas dores que teve, nas dificuldades que teve. Assim que terminou sua refeição, a mulher subiu correndo para seu quarto a fim de executar a tarefa que lhe foi passada.
“Jasmine passou a semana com uma dor de cabeça insuportável, nada era capaz de acabar com essa dor, que ela bem sabia o motivo: a festa de reencontro da sua turma da escola. Ter de encontrar todos aqueles que um dia lhe fizeram mal, mexia consigo, fazia com que todas as sensações, que ela custou a esquecer, voltassem com tudo. Foi por isso que decidiu mexer numa caixa que estava fechada desde que havia se mudado para aquela casa há dez anos.
Como se o destino estivesse lhe pregando uma peça, o que estava procurando estava justamente no fundo da caixa, tendo de retirar tudo que lá se encontrava, trazendo um turbilhão de sentimentos. Ao achar seu antigo diário, teve uma vontade imensa de chorar, mas sabia que deveria seguir em frente e não desistir. Metade do caminho já estava andado e ela era forte o suficiente para encarar aquilo.
Ao abrir, foi direto para o mês de outubro. Ela tinha apenas 15 anos, mas isso não foi o suficiente para que aqueles meninos fossem maldosos com ela. Começou a ler, já com as lágrimas escorrendo pelo rosto:
‘Querido diário,
Você tem sido meu único amigo, escrever, talvez, seja a única coisa que me ajude. As minhas amigas, todas sumiram, isso depois de me incentivarem a fazer o que eu fiz.
Sim, diário, eu disse pro Jake que eu gostava dele e entreguei o poema que eu escrevi. Eu sabia que ele podia não gostar de mim também, mas o que ele fez, nunca passou pela minha cabeça.
Todos ficaram sabendo, e por onde eu passo agora, as pessoas me zoam. Os amigos dele vivem me chamando de menina apaixonada e que eu deveria me olhar no espelho, as amigas dele ficam me falando a todo momento que um cara com o Jake nunca teria algo comigo, uma garota estranha.
Minha vida está um inferno agora. Por que estão fazendo isso comigo? Eu só queria minha vida de volta, voltar a ser a garota invisível que passa a maior parte do tempo na biblioteca.
Agora eu sou a garota estranha, que se declara pra um cara muito acima do seu nível, escreve cartinhas de amor e é iludida.
Diário, eu só quero sumir!
Pelo menos isso tudo coincidiu com a mudança do trabalho da mamãe e eu só vou ter que aguentar por mais três dias.
Até mais, querido diário.’
Ao terminar de ler, Jasmine não conseguia parar de chorar, aquele mês havia sido o mais difícil em toda a sua vida, nunca imaginou que tudo aquilo que passou iria lhe influenciar no nível que influenciou.
A mulher, hoje, agradecia de certa maneira por tudo o que passo, já que isso a ajudou a ser quem é hoje, uma professora de literatura que trabalha todas as questões de autoestima com seus alunos.
Hoje ela sabe que deveria ter contado para a mãe e ter ido atrás de uma terapia, mas, teve a sorte de o senhor do tempo ter lhe ajudado a superar esse momento tão traumático.
Iria aparecer naquela festa de cabeça erguida, mostrando a todos a volta por cima que havia dado. Não só no quesito beleza, o que para ela nem era tão importante, como também que tais assuntos não lhe atormentavam mais, ela aprendeu com eles e se tornou quem era hoje.”

terminou de escrever com um sentimento de alívio, enxergava-se muito na Jasmine, o trauma que passou em sua adolescência era o mesmo e hoje ela era a mulher forte, a jornalista que lidava muito bem com qualquer tipo de crítica, que não deixava esse tipo de coisa a afetar. Treze anos se passaram desde o episódio em que foi humilhada na frente de todos, por muito tempo teve pesadelos com isso, até decidir-se em fazer tratamento psicológico para ajudar a superar esse assunto, o que realmente deu certo, pelo menos até o dia em que descobriu que estaria na turma de , depois disso, não havia um dia que não pensava nesse assunto.
estava decidida a evitar , faria o que pudesse para vê-lo apenas durante as aulas, por isso foi em direção a recepção para deixar seu trabalho. Aproveitou que ainda tinha metade de um dia inteiro pela frente e foi para área da piscina para relaxar, levando consigo seus fones de ouvido e um livro de poesias brasileiras que estava lendo.
Estava quase pegando no sono, quando sentiu uma movimentação ali por perto. Ao abrir os olhos e olhar do outro lado da piscina, viu justamente aquele que ela queria evitar. havia sentado na beirada da piscina na companhia de seu violão e um caderno, sem se preocupar se havia alguem ao redor, começou a cantar uma música que tinha composto alguns dias atrás.
Curiosa como era, deixou os fones de ouvido de lado pra prestar atenção no homem. Não conseguia negar que ele tinha uma voz dos anjos, um timbre extremamente perfeito que podia acalmar qualquer coração preocupado. Além disso, a garota reconhecia que era exatamente como vinho, só melhorava com o tempo.
Ao perceber no que estava pensando, se revoltou consigo mesma, por isso saiu irritada do local indo em direção ao seu quarto. só foi reparar que havia alguem lá quando ouviu passos pesados e ao olhar em direção ao barulho se deparou com uma , ou senhorita – como ela mesma havia dito para ser chamada, irritada e resmungando consigo mesma. Ele até pensou em correr em sua direção, mas sabia que o melhor que poderia fazer era ficar na dele.

Os dias seguintes se passaram na mesma rotina, evitava ao máximo . Sempre que tinha que manter algum diálogo com o homem, o respondia de forma grosseira e curta. Ele não entendia o porquê, mas algo dentro dele dizia que o modo como a mulher o tratava tinha a ver com o texto que ela entregou no tema do Tempo, o qual, novamente, ganhou o destaque.
Não podia afirmar se era coincidência ou não, mas lembrava-se de um acontecimento parecido em sua adolescência, porém tinha certeza que não se tratava das mesmas pessoas, já que apesar do mesmo nome, elas possuíam sobrenomes diferentes.




Continua...



Nota da autora: Oii!!! Espero que vocês tenham gostado dessa att dupla, ela foi escrita com muito carinho! Agora a gente tá podendo ver um pouco mais do que aconteceu com a Sophie e todos os trausmas que ela tem.
Obrigada por lerem!
Nos vemos na proxima atualização!

Obs.: o texto usado no Capítulo 3 é de autoria de Todd Dorigo (perfeito e amor da minha vida) e aqui tá a tradução:
Eu ouviria os palhaços da cidade
Detonarem a noite
Mas perto
Da sua respiração
Afogam-se
Todos os sinais de vida





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