Nights of a Hunter III

Última atualização: 13/01/2017

The Road so Far

Sam's P.O.V

Quatro meses se passaram desde que nos separamos.
Eu comecei a trabalhar em um bar aqui no Kansas a fim de fazer alguma coisa de normal depois do caos que se transformou a minha cabeça graças a Ruby. Não me sentia preparado, eu tinha que tirar um tempo, mas as coisas não saíram do jeito que eu queria novamente.
Quando decidi que seria uma boa nos separarmos, eu não contava que isso fosse literalmente acontecer. Na verdade eu achava que as meninas continuariam com Dean até o dia em que eu finalmente estivesse pronto e voltasse, mas eu não contava com a cabeça dura do meu irmão. O que resultou em todo mundo seguindo caminhos diferentes.
Eu não sabia por onde ele andava, até que depois de alguns caçadores virem atrás de mim, e Lucífer me intimar para dizer sim, eu liguei para Dean e desde lá começamos a caçar juntos novamente.
Mas não do jeito que eu queria.
Eu até queria que as meninas voltassem, mas segundo , isso era difícil de acontecer se dependesse de nossos irmãos. E eu não discordo, até soube que Dean evitava papo com as duas depois que ele “tirou férias” em Indiana e só voltou depois que Castiel pediu ajuda para ir atrás do arcanjo Rafael. E pelo que eu entendi, as coisas não foram como esperavam, já que descobriram que Deus está morto. O que faz pesar ainda mais a minha culpa por causa do apocalipse.
Eu não esperava que as coisas fossem melhorar depois que voltei a caçar com Dean, mas apesar de algumas desavenças, nós dois estamos indo bem. Só não melhor porque sinto que alguma coisa está faltando. E eu não falo apenas pelo que costumávamos ser como irmãos, mas por duas pessoas que passaram a ser importantes para nós.
Eu ainda mantenho contato com . Nossa relação não chega aos pés do que costumava ser, mas sei que como eu, ela se esforça para que as coisas voltem ao normal e eu realmente quero que voltem. Sinceramente, se afastar se tornou muito torturante considerando o que ela significa para mim.
Diferente da irmã e igual à Dean, continua seguindo em frente, e pelo que eu soube, ela está decidida a manter as coisas como estão. E eu sei que ela tem motivos para pensar assim. Dean não foi muito justo ao decidir se separar sem antes conversarem.
Enfim, não espero que as coisas voltem a ser exatamente como eram, mas eu espero que possamos algum dia passar a borracha em cima de tudo isso e começar de novo.


Nights of a Hunter

Flashback On
Há quatro meses.

Scott, Illinois.

havia dirigido cerca de cinco horas até Moniteau, Missouri, para deixar no apartamento que Sam alugara. Depois, mal esperou que a irmã descesse do carro, e dirigiu mais duas horas até Scott, Illinois, onde Benjamin morava, mas por pouco tempo, já que ele estava de mudança.
Subiu as escadas do velho sobrado, e bateu três vezes no apartamento 5. Não demorou muito para seu amigo abrir a porta com um sorriso vermelho no rosto.
– Você poderia me poupar de ver todo esse sangue. – ela disse entrando no apartamento.
Benjamin soltou um riso pelo nariz e fechou a porta.
– Que isso, você já é da família, não precisa ser poupada de nada.
Ela soltou um riso e o seguiu até a cozinha. O apartamento não era grande. A cozinha era ligada à sala e, no pequeno corredor, do lado esquerdo havia uma suíte do tamanho de um banheiro, de tão pequena, no lado direito, era o que podia se chamar de lavanderia.
Mas tudo era do tamanho perfeito para um vampiro solitário.
– O que é isso na sua mão? – ele perguntou limpando a boca e jogando fora a bolsa de sangue há pouco esvaziada.
olhou para as mãos e ergueu com um sorriso, as duas garrafas de vodca que havia levado.
Benjamin não pode deixar de sorrir.
– Você realmente precisa de uma ida aos Alcoólicos Anônimos.
Ela riu.
– E você aos Sanguinários Anônimos. Existe isso?
Ele deu de ombros.
– Se existe, eu não sei. – ele recostou na pia.
pegou a garrafa e a abriu, tomando um gole pequeno da bebida e fazendo careta depois, o que fez Benjamin gargalhar.
– Essa careta não engana ninguém. Isso já deve ser praticamente água pra você.
fez um muxoxo e esticou a garrafa para ele.
– E aí? – ele perguntou e tomou um gole da bebida, também fazendo careta depois. – Meu Deus, onde você achou isso, menina?
Ela riu.
– Agora eu quero ver você dizer que isso é água.
Ele balançou a cabeça, se recuperando da queimação que a bebida causara e bebeu outro gole, dessa vez maior, o que o fez a careta durar um pouco mais.
– E então... – ele puxou o ar, tentando se recompor e entregando a garrafa. – Como vão as coisas?
deu de ombros, pegando a garrafa.
– Vamos beber primeiro.
– Vai beber isso agora?
– Ainda são quatro horas, mas tudo bem.
– Você comeu, pelo menos? Isso vai derrubar você.
Ela fez um muxoxo e fez que não.
– Eu vou providenciar isso.
Ela o olhou por alguns segundos, até um sorriso brotar de seu rosto.
– O frango frito do Joey? – perguntou. Ele assentiu. – Com certeza. Vá comprar agora.
Benjamin assentiu e sorriu. o esperou por cerca de dez minutos, e enquanto isso, bebericava a vodca.
Quando Benjamin voltou, os dois sentaram no chão da sala e enquanto comia, os dois conversavam e esvaziavam a garrafa de vodca, a moça principalmente.
– Você deveria parar um pouco com a bebida e comer mais, essa vodca vai acabar com você.
– Mas eu quero beber.
– E nós vamos, mas com calma... – ele se levantou e estendeu a mão. – Que tal uma passada no bar da esquina e jogar uma partida de sinuca?
Ela torceu o nariz e depois de alguns segundos, respondeu pegando sua mão:
– Tudo bem, mas nada de ficar me zoando depois.
– Juro que não vou te zoar. – ele a ajudou a se levantar, segurando o riso.
– Mentiroso. – ela disse rolando os olhos e saindo na frente.

Flashback Off

Wellington, Ohio.

Sam saiu do banheiro e encontrou Dean vidrado na televisão.
– Tá assistindo o quê? – ele perguntou arrumando o terno.
– Ah... Sei lá. É um programa de hospital. Dr. Sexy. É baseado num livro.
Sam riu.
– Quando foi que você entrou na menopausa? – ele passou por Dean e foi até a cozinha.
– Ah, eu tô dando uma zapeada aqui nos canais. – ele se levantou e desligou a TV. – E aí, tá pronto?
– Você tá? – Sam perguntou com um sorriso no rosto.
Dean o lançou um olhar de morte, pegou as chaves do carro e saiu do quarto. Conforme se aproximavam do carro, o celular de Sam começou a tocar.
– Oi, .
Oi, e aí, como vão as coisas?
– Bem. E como vocês estão?
Estamos ótimas. Algum caso?
– É, na verdade estamos indo agora mesmo até a delegacia.
Onde estão?
– Ohio, e vocês? – perguntou entrando no carro.
Nebraska. Estamos indo falar com o legista. Houve uma morte muito estranha ontem de manhã e vamos ver o que pode ser.
– Sei... A gente podia se ver quando terminarmos o caso.
Eu vou ver se consigo, não sei se tenho tempo.
– Sua irmã tá pegando muito pesado? – ele perguntou sorrindo.
Que nada, ela tá bem de boa, tô até estranhando.
Isso acontece quando você se livra das pedras que tem no sapato. – ele ouviu a voz de e riu pelo nariz.
– É, tô vendo que ela tá muito bem.
riu.
Ela quer morrer de tanta raiva, na verdade.
Vai se danar, .
Olha, Sam, acabamos de chegar, preciso desligar, ok?
– Tudo bem, se cuidem.
Vocês também, tchau.
Desligou e balançou a cabeça rindo e guardando o celular.
– Era a .
– Eu percebi quando você disse “oi, ”. Como elas estão?
Sam meneou a cabeça.
– Estão bem.
– Hm.
Os dois ficaram em silencio por alguns segundos, até que Sam olhou de relance para o irmão e notou que o mesmo parecia distraído com seus pensamentos.
– Sabe, já se passaram seis meses desde Sioux Falls e quase um mês que voltamos a caçar. Talvez fosse hora delas voltarem, não acha?
Dean a principio não pareceu que ia responder, mas depois suspirou discretamente e deu de ombros.
– Eu pensei que e você e a tivessem concordado em dar mais um tempo.
– E concordamos, e eu sei que mesmo depois de seis meses, ou o tempo que for, ela vai continuar concordando.
– Que bom.
– É, mas o problema é a irmã dela. Acho muito difícil ela querer voltar agora, que dirá depois.
– Aí o problema não é nosso.
– Claro que não, é seu. Eu tava esperando o momento certo pra falar disso com você, então acho que é agora.
– Não é, não.
– É sim. Dean, por que você não ligou pra ela? E...
– Sam...
– Dean, nem as ligações da você atende.
– Por razões óbvias. Eu disse que precisava ficar sozinho. – ele fez uma pausa e bufou. – Quando chegar a hora, pode deixar que eu me viro.
Sam balançou a cabeça algumas vezes, simplesmente não conseguia entender o porquê daquela atitude do irmão.
– Eu só não entendo por que você não ligou pra ela.
– Você não precisa entender.
– Talvez você devesse...
– Ei, ei, ei, desde quando você precisa me dar conselhos de alguma coisa? Se liga, Sam.
– Ah, é. Esqueci que você é o experiente aqui.
– Exatamente.
Sam assentiu, soltando um ar de sarcasmo e fez alguns segundos de silencio até dizer:
– Espero que essa enrolação sua não tenha nada a ver com o tempo que você passou em Indiana.
Dean olhou de relance para o irmão e viu que o mesmo o olhava com uma sobrancelha erguida.
– O que você tá sugerindo? – perguntou desviando o olhar.
Sam deu de ombros.
– Eu não tô sugerindo nada, só tô dizendo. Por que, aconteceu alguma coisa em Indiana que eu não tô sabendo?
Dean só balançou a cabeça, impaciente.
– Dean...
– Não, Sam.
Sam olhou para o irmão ainda não convencido de sua resposta.

...

– Mais uma vez. O FBI está aqui por que mesmo? – o Xerife perguntou.
– Pode ter alguma coisa a ver com um dos residentes ter tido a cabeça arrancada. – Dean respondeu.
Os dois estavam na delegacia.
– Bill Randolph foi atacado por um urso.
– Tem certeza que foi um urso? – Sam perguntou.
– O que mais poderia ser?
– Bom, seja lá o que for, caçou o Sr. Randolph pelos bosques, arrombou a porta da frente, o perseguiu pelas escadas e o matou dentro do quarto. – Dean respondeu. – Isso é comum? Um urso fazer isso?
O Xerife deu de ombros.
– Depende da fúria dele, eu acho. – Dean rolou os olhos e suspirou. Estava a ponto de fazer barraco. – Olha, os Randolph vivem num lugar afastado. Lá tem uma estação de trutas de fazer um homem chorar e ursos também.
– Tá e como está a Sra. Randolph? – Sam perguntou. – A ficha diz que ela viu tudo.
– É, ela viu. Eu sinto muito pela pobre mulher.
– Ela disse urso? – Dean perguntou.
O Xerife os olhou e parou por um instante.
– Kathy Randolph passou por um grande trauma. Ela está confusa.
Os dois o olharam com as sobrancelhas erguidas.
– O que foi que ela disse? – Sam perguntou.

Alliance, Nebraska.

– Agentes Parker e Highmore, do FBI. – e mostraram os distintivos.
– Senhoritas, o que as trazem aqui? – o legista perguntou.
– Precisamos ver o corpo de Amber Greer.
– Mesmo? Pra quê?
– O laudo da policia mostra que alguma coisa a lacerou até o cérebro. – respondeu.
O médico as olhou com as sobrancelhas erguidas.
– Não leram o laudo da autopsia que eu mandei por e-mail de manhã?
– Tivemos problema no servidor. – mentiu e confirmou.
– Ah, sim. Venham comigo.
O legista foi até o corpo e as duas O seguiram.
Ele puxou a gaveta e tirou o lençol que cobria o corpo da menina. olhou a cena com as sobrancelhas erguidas e olhou com o nariz torcido. Por mais que tivesse acostumada, ela ainda odiava essa parte.
– Quando a trouxeram, achamos que tinha sido atacada por um lobo ou coisa assim.
A mulher estava sem uma parte do cabelo e com arranhões profundos na cabeça.
– Ou coisa assim. – repetiu, olhando para .
– Mas nos enganamos. – o medico continuou.
Ele pegou um saquinho com algo esquisito dentro. Mostrou para as duas, que olharam curiosas.
– Isso... – tentou adivinhar.
– É uma unha postiça. Achamos no lobo temporal. – o médico respondeu.
– Isso é possível?
– Tá dizendo que ela mesma fez isso? – perguntou.
– Aham... Ela mesma coçou até o cérebro... Levaria horas e doeria demais, mas, claro, é possível.
– Como?
– Escolha o acrônimo: TOC, LSD, tudo é maluquice. – pegou o lençol e o ergueu na altura da mão da moça. Uma unha estava faltando. – Minha opinião? Uma espécie de coceira fantasma. Quer dizer... Um caso extremo, mas...
– Coceira fantasma? – perguntou.
– É. – o médico cobriu novamente o corpo e fechou a gaveta. – Só precisa de alguém falando sobre uma coceira ou pensando em uma e, de repente, você não consegue parar de coçar.
sentiu uma leve coceira no nariz e o torceu.
– Obrigada, Doutor.
– De nada. Com licença. – o homem foi embora.
As duas se olharam e começaram a se coçar.
– Droga! Isso pega! – comentou com a irmã conforme as duas saíam do necrotério. Continuaram andando em silencio até o carro e quando adentraram o veículo, perguntou:
– O que a gente faz agora?
– A menina era babá e estava em serviço no momento, não é? Vamos falar com os patrões dela.

Wellington, Ohio.

Na sala de interrogações, Sam e Dean conversavam com a mulher.
– Não, deve ter sido um urso. Quer dizer... O que mais poderia ter sido? – ela soltou um riso nervoso no final da frase.
– Sra. Randolph, o que achou que fosse? – Sam perguntou calmamente.
A mulher o olhou, apreensiva.
– Olha... Eu lembro claramente agora. Com certeza era um urso.
– Nós sabemos que era. – Dean se manifestou. – Mas ajuda se soubermos todos os detalhes... Nos conte o que pensou ter visto.
Novamente, a mulher os olhou apreensiva.
– Bem, é impossível, mas... Eu poderia jurar que vi o Incrível Hulk.
Dean olhou para o irmão, e Sam olhou para a mulher sem acreditar. Quase rindo até.
– O Incrível Hulk? – ele perguntou.
– Eu disse que era loucura.
Os dois ficaram sem saber o que responder na sala.
– O Eric Bana ou Edward Norton? – Dean perguntou com a sobrancelha erguida.
– Ah, não. Os filmes foram terríveis. Era o Hulk da TV.
– Lou Ferrigno?
– É.
– O do cabelo espetado?
– Esse.
Dean sorriu, olhando para Sam que não sabia muito como reagir. A mulher era louca.
– Vocês acham que estou louca. – a mulher abaixou a cabeça.
– Não. – Sam respondeu rápido.
Dean riu sem graça.
– É que... É... É... – Dean olhou para Sam, pedindo ajuda. Mas Sam deu de ombros. – Haveria alguma razão para Lou Ferrigno, o Incrivel Hulk ter uma bronca com o seu marido? – ele perguntou sem jeito.
A mulher olhou para ele e Sam sem acreditar.
– Não.
Dean a olhou com a sobrancelha erguida.
– Não... Tá legal. – ele assentiu sem ter a menor ideia do que estava acontecendo.
Depois de saírem da delegacia, os dois voltaram para o motel, e continuaram as pesquisas.

Alliance, Nebraska.

– Certo, algumas perguntas vão parecer estranhas, mas por favor tentem responder. – pediu ao casal. Todos estavam reunidos no escritório do homem. – Vocês notaram alguns pontos frios na casa?
– Ah, não. – o homem respondeu.
– Certo. E algum cheiro estranho?
Enquanto os interrogava, se afastou e andou pela casa, encontrando um menino que ouvia a conversa.
– O que estão procurando? – ele perguntou.
– Ainda não sei. – ela se aproximou do menino. – Seu nome é Jimmy, não é? – o menino assentiu. – Então Amber era a sua babá?
– Sim, senhora.
sorriu.
– Você notou alguma coisa estranha naquela noite?
– Não, senhora.
se incomodou com o menino chamando-a de senhora, até porque ela tinha a idade de ser a irmã mais velha dele, mas ignorou.
Ela olhou paro menino, que parecia um pouco desconfiado.
– Tem certeza?
O menino olhou para os lados.
– Eu falaria se eu soubesse de alguma coisa. Eu juro. – ele falou rápido. o olhou desconfiada. – Cem por cento, juro por Deus.
– Olha, Jimmy... Sei que você tá mentindo.
O menino a olhou assustado.
– Eu não.
se abaixou um pouco, para ficar da altura do menino.
– Começa a falar a verdade, tá? Senão eu vou te levar pra conhecer a delegacia.
Então o menino a olhou mais assustado ainda, fazendo abrir um sorriso.

Wellington, Ohio.

No motel, sozinho, Dean pesquisava sobre o assassinato de Randolph.
– Oi. – Sam disse quando entrou no quarto.
– Achou alguma coisa?
– Bom, eu vi a casa.
– E aí?
– Acontece que tem um buraco gigante no lugar da porta da frente. – Sam se aproximou. – Enorme, quase do tamanho...
– Do Incrível Hulk?
– Pode ser. – deu de ombros. – O que você achou?
– Bom, parece que Bill Randolph era bem nervoso. – Dean voltou a olhar para a tela do notebook. – Tem duas passagens por agressão doméstica, brigas de bar, e sessões de terapia ordenadas pelo tribunal. – ele voltou a olhar para Sam. – Acho que você não ia gostar de vê-lo zangado.
– Então um esquentado morto pelo maior esquentado da TV... Isso não parece ser sobremesa?... Tudo parece fazer sentido.
– O que começa a fazer sentido?
– É que eu achei outra coisa na cena do crime. – Sam colocou a mão no bolso. – Papéis de bala. – ele jogou os papéis em cima da mesa. – Um monte deles.
Dean pegou um dos papéis e analisou. Sam se afastou e foi para o centro do quarto.
– Só sobremesa, gosta de doces... Tortura pessoas antes de matá-las. – Dean se levantou e foi até o irmão. – Estamos lidando com o Brincalhão?
– É o que parece.
– Ótimo. Tô afim de pegar o cara desde o caso do Local Misterioso.
– Tem certeza?
– Claro que tenho.
– Não, tem certeza de que quer matar o cara?
– O desgraçado não pensou duas vezes antes de me matar mil vezes.
– Não sei. Só tô dizendo.
– O que tá dizendo? Se não quer mata-lo, o que quer?
– Falar com ele.
– O quê?
– Olha, Dean. Ele é uma das criaturas mais poderosas que já enfrentamos. Quem sabe podemos usá-lo?
– Pra quê?
– Olha, os Brincalhões são tipo Hugh Hefner... Gostam de vinho, mulheres, canções. Ele não quer que a festa acabe. Pode ser que ele odeie esta coisa de anjos e demônios tanto quando nós. Talvez ele até nos ajude.
– Tá falando sério?
– Sim.
– Se aliar ao Brincalhão?
– É.
– Ah, tá. Um monstro cruel, violento e você que ficar amigo dele? Legal, Sammy.
– O mundo vai acabar, Dean. Não podemos nos dar ao luxo da moralidade. Eu só acho que vale a pena tentar. Só isso. Se não der certo... Matamos ele.
Dean pensou por um instante e suspirou, a ideia até que podia funcionar.
– Tá, e como é que achamos ele?
– Ele nunca faz uma só vítima, não é?... Ele aparece.

Alliance, Nebraska.

– O garoto disse que colocou isso na escova de cabelo da babá. – mostrou um saquinho de pó de mico para a irmã.
As duas estavam saindo da casa e indo até o carro.
– Mas, , não tem como pó de mico fazer a menina coçar a cabeça até chegar no cérebro... É feito com sementes moídas.
– Se tiver alguma outra teoria, eu quero ouvir.
De repente, o celular de começou a tocar.
– Alô?... – ela olhou para a irmã. – Tá, estamos indo.
As duas entraram no carro e partiram para o hospital. Chegando lá, encontraram com o mesmo legista de mais cedo.
– O que houve? – perguntou.
– Ele foi eletrocutado. – o médico apontou para o corpo que era retirado do quarto. – Talvez um fio solto, ou curto-circuito em algum equipamento.
– Alguma testemunha? – perguntou.
– Sim. O Sr. Stanley. – o médico apontou para dentro do quarto. Um paciente estava sentado e olhando para janela. – Ele disse que viu, mas não fala coisa com coisa. Está senil.
– Obrigada. – agradeceu e as duas entraram no quarto. – Sr. Stanley?
– Foi só uma brincadeira. – o velho respondeu. – Eu não sabia que ia funcionar.
– O que ia funcionar? – perguntou sem entender.
O velho olhou para as duas.
– Eu só apertei a mão dele. – o velho estendeu a mão, mostrando um anel de choque.
e olharam para o aparelho e depois uma para outra.
– Será que a gente pode ficar com ele? – perguntou.
O velho assentiu e entregou.

Wellington, Ohio.

“Central, temos um provável 187 no velho moinho da rodovia 6.”.
“Copiei.”.
Os irmãos ouviam o rádio da policia enquanto Dean preparava a estaca para matar o Brincalhão.
– E aí? – Sam perguntou pegando o rádio.
“O que está acontecendo?”.
“Francamente, Walt, nem sei descrever o que estou vendo... Mande todo mundo.”.
“Tudo bem, se acalma. Não se afaste do carro. Auxílio a caminho.”.
– Que coisa estranha. – Dean comentou ao terminar de ouvir.
– Estranho o bastante pra ser nosso cara?
– É, – ele deu de ombros. – Vamos verificar.
Ele terminou de fazer a estaca e os dois foram até o moinho, o sol estava começando a se por e pelo local, estava tudo quieto.
– Teve um homicídio aqui. Não tem carro de policia. Ninguém. O que você acha disso? – Dean perguntou descendo do carro e indo até o porta-malas.
– Péssimo.
Dean abriu o porta-malas e tirou duas lanternas e duas estacas de madeira, dando um de cada para Sam. Os dois caminharam até a porta e Dean a abriu, com espaço suficiente, Sam entrou correndo, seguido pelo irmão.
E a cena que eles encontram a seguir, era de chocar.

Alliance, Nebraska.

– Isso não é possível. – comentou.
As duas estavam de volta ao motel, após passarem no mercado e comprarem um pedaço de presunto.
– Também acho, mas não tem explicação o cara ter morrido eletrocutado sem ter tocado em nada. – se aproximou da mesa colocando óculos e luvas de proteção. – Quer fazer as honras?
– Eu passo. – colocou apenas os óculos.
suspirou e pegou o anel. O colocou e se aproximou do presunto.
– Pronta?
assentiu. então tocou o presunto, que em questão de segundos, tostou. As duas tiraram os óculos e olharam chocadas.
– Mas como é que pode? – se aproximou da irmã. – Não era pra funcionar.
– Essa coisa não tem nem pilha.
– E então? Os objetos estão amaldiçoados?
– Parece que sim. Talvez tenha alguma bruxa poderosa na cidade. Acha que tem alguma ligação entre o choque e o pó de mico?
– Um foi feito na China e o outro no México. Mas foram comprados na mesma loja.
– Então vamos à loja antes que ela feche.
assentiu e as duas saíram novamente. A noite já havia chegado quando as duas adentraram a lojinha de brinquedos e bugigangas da cidade. Deram uma volta pela loja e depois seguiram para o balcão, que estava vazio até um homem aparecer.
– Bem-vindas ao Conjurarium, santuário de mágica e mistério.
– Você é o dono? – perguntou.
– Sou.
– Vendeu pó de mico ou aperto de mão elétrico esses dias? – perguntou.
– Sim. O total: um de cada. Não são os itens mais vendidos... Vocês vão comprar mais alguma coisa?
As duas se entreolharam. então pegou um daqueles frangos de borracha, e pegou uma nota no bolso, dando-a para o cara.
– Vocês tem muita freguesia? – ela perguntou.
– As crianças vêm, mas não compram muito. Mas já ficam felizes em quebrar as coisas. – olhou para , o homem parecia até ofendido. – Hoje em dia, eles só querem saber de iPhones e aqueles filmes com vampiros se beijando. Isso tudo me deixa...
– Zangado? – perguntou desconfiada.
Ele seria um ótimo bruxo.
– É, é, fico zangado... Essa loja é minha vida há vinte anos, e agora está se desfazendo. – o homem falou com raiva.
– Por isso os odeia?
O homem assentiu.
– É... Acho que sim.
olhou para e depois para o homem, e continuou:
– Você queria poder fazer alguma coisa, né?
– É, eu acho que sim.
– Então você tá se vingando com isso? – pegou o frango da mão de e o colocou no balcão. Depois, ela pegou o aperto de mão elétrico e o encostou na frango, que em poucos segundos começou a derreter.
O homem deu alguns passos para trás, assustado.
– Mas que loucura! O que é isso?
e o olharam sem entender.
, alguma coisa me diz que o cara não é um bruxo poderoso.
– Ai... – sussurrou e sorriu sem graça. – Desculpa, foi mal.
– Desculpe... – também sorriu sem graça.
As duas deram meia volta e voltaram para o hotel.

Wellington, Ohio.

– Mas o que tá acontecendo? – Dean perguntou assustado. De repente os dois se encontravam em um hospital, vestidos de médicos.
Doutor.
Doutor.
Duas enfermeiras os cumprimentaram.
– Doutor? – Sam perguntou sem entender.
Dean olhou para o irmão e abriu a porta que tinham entrado há poucos segundos. A cena seguinte os deixou com a pulga atrás da orelha: Era um armário de limpeza e uma enfermeira e um homem se beijavam lá dentro.
Dean fechou a porta e os dois ficaram sem palavras, tentando entender o que estava acontecendo.
De repente, uma enfermeira se aproximou dos dois.
– Doutor? – ela falou com Sam, e do nada, deu um tapa em seu rosto. Sam a olhou sem entender. – É mesmo?
– O quê?
– Sério? Você é brilhante, sabia? E covarde. Você é um covarde brilhante.
– O que você quer dizer?
E a mulher então deu outro tapa em Sam.
– Do que está falando?! – ele perguntou.
– Como se você não soubesse. – ela deu as costas para os dois e foi embora.
Dean assistia a cena chocado.
– Eu não acredito nisso.
– No quê? – Sam perguntou confuso.
– Era a Dra. Piccolo.
– Quem?
– A Dra. Ellen Piccolo. – Dean respondeu sorrindo, começando a andar. – A médica sexy e carente do... – ele parou de falar quando chegou à recepção do hospital e viu o nome do mesmo. – Hospital da Misericórdia de Seattle.
– Dean. – Sam sussurrou, se aproximando do irmão. – Tá falando do quê? Que história é essa?
Dean olhou para os lados, confuso.
– O lance dos médicos. As internas sexy... O bordão, cara. Faz sentido, né?
– O que faz sentido? Qual é o lance?
– Estamos em Dr. Sexy: a série.
Os dois voltaram a andar pelo hospital.
– Cara, o que é isso? – Dean perguntou ainda boquiaberto.
– Não sei.
– Não, é sério! O que é isso?
– Eu não sei.
– Uma teoria, qualquer uma.
– Tá... Ah... O Brincalhão nos prendeu na Tevelândia?
– Esta é sua teoria? Idiotice.
– Qual é? Foi você quem disse que estamos em Dr. Sexy.
– É, mas a Tevelândia não é Tevelândia. Tem atores, luzes, técnicos... Isso aqui parece real.
– Não pode ser. – Sam parou na frente de Dean. – Dean, como isso pode ser real?
– Eu sei lá... Eu hein...
De repente uma doutora passou por eles e os cumprimentou.
– Ah, mas tem a Dra. Wang. – Dean sorriu. – A cardiologista sexy e arrogante. – Dean a seguiu com o olhar e encontrou um paciente sentado numa maca. – E tem o Johnny Drake... Ele nem tá vivo. É um fantasma da mente... Dela. – Dean terminou de falar quando uma médica apareceu ao lado do homem. – A doutora sexy e neurótica.
– Então... Essa série tem fantasmas? Por quê?
– Eu sei lá. Agora tu vê?
– E você disse que não era fã. – Sam comentou, olhando para o irmão.
– Eu não sou. Não sou. – Dean desconversou, olhando para os lados. Quando ele olhou para trás, pareceu chocado. – Essa não!
– Que foi?
– É ele. – Dean respondeu sorrindo.
– Ele quem? – Sam seguiu o olhar do irmão e viu um homem alto de cabelos compridos se aproximarem deles.
– É ele, – Dean se virou para Sam. – O Dr. Sexy. – ele falou sem acreditar.
– Doutor. – o homem cumprimentou Dean.
– Doutor. – Dean o cumprimenta ansioso. Com certeza ele era um grande fã.
– Doutor. – ele cumprimentou Sam, que só balançou a cabeça.
– Você quer me dizer por que ignorou uma ordem direta de fazer um transplante experimental no rosto da Sra. Beale? – o homem perguntou a Dean, que o olhou sem entender.
Dean olhou para Sam e depois para o homem.
– Ignorei? – o homem assentiu. – É claro. – Dean riu nervoso e olhou para o chão. Nisso, ele notou os pés do doutor e o olhou desconfiado. Num impulso, ele empurrou o homem na parede e o segura. – Você não é o Dr. Sexy.
– Está louco? – o homem perguntou calmo.
– É mesmo?... O que te torna o Dr. Sexy mais sexy é o fato dele usar botas de vaqueiro, e não tênis.
– É... Você não é um fã. – Sam se intrometeu.
– É um prazer culpado. – Dean olhou de escanteio para Sam, respondendo rápido.
– Chame a segurança. – o doutor falou para duas médicas que passavam pelo corredor, olhando sem entender.
– Tá, vai em frente, cara. Nós sabemos quem você é. – Dean comentou e de repente, notou que tudo ao seu redor pareceu congelar, menos ele, Sam e é claro, o Dr. Sexy.
O homem riu e se transformou.
– Rapaz, vocês estão melhorando. – o Brincalhão riu.
– É melhor nos tirar daqui já. – Dean ordenou, nervoso.
– Ah... Oh... Se não? – ele se soltou de Dean. – Eu não vejo suas estacas, cara.
– Era você na rádio da policia, não é? – Sam perguntou. – É uma brincadeira.
– Alô? – o homem respondeu, apontando para o rosto. – Brincalhão... Qual é? Eu soube que vocês estavam na cidade e não resisti.
– E onde nós estamos? – Dean perguntou.
– Gostou? Fui eu que fiz. – ele andou pelo local. – Meus atores... Meu cenário. Minha caixinha de brinquedos.
– Como saímos daqui?
– Essa, meu amigo... É a pergunta milionária.
– Não importa. – Sam entrou no assunto. – Queremos falar com você. Precisamos de ajuda.
Brincalhão os olhou pensativo.
– Já entendi. Vocês dois ferraram com o mundo e agora querem que eu arrume a bagunça?
– Por favor. Só cinco minutos. Escute.
– É claro... É o seguinte: vocês sobrevivem 24 horas e a gente vê.
– Sobreviver? – Dean entrou no assunto.
– Ao jogo, ué.
– Que jogo?
– Ah, estão nele.
– E como se joga?
– Já estão jogando.
– Quais são as regras?
Brincalhão olhou para eles e com as sobrancelhas erguidas, desapareceu.
– Filho da mãe. – Dean falou entre dentes.
As pessoas do hospital voltaram a se mexer e tudo voltou ao “normal”.

Alliance, Nebraska.
No dia seguinte.

's P.O.V

Pela manhã, nós duas recebemos uma ligação, nos informando que havia mais vítimas, mas que dessa vez, as mesmas sobreviveram. Assim que tomamos café, fomos até o hospital e nos separamos, enquanto eu falava com o homem, foi falar com os outros.
E logo depois de eu terminar o interrogatório, saí pelo hospital à procura de e a encontrei próxima a uma das paredes do corredor, conversando com um enfermeiro. E os dois estavam muito sorridentes para o meu gosto.
Me aproximei lentamente e pude ouvir minha irmã dizer:
Bom, eu agradeço, Enfermeiro... Bilodeau. – ela disse a última parte ao ler o crachá do rapaz e sorrindo. – Francês, é? Gostei.
Francês só o nome mesmo. Pode me chamar de Jean-Luc. – o homem disse com um sorriso charmoso no rosto.
– Ah, tudo bem então, Jean-Luc. – sorriu de volta, enquanto olhava para o homem de uma maneira que deixava bem claro suas intenções.
Eu não acredito que ela estava dando em cima do cara.
Rolei os olhos e a chamei, a olhando com um sorriso que deixava bem claro que ela deveria estar fazendo outra coisa ali. se virou para mim, e assim que me viu, voltou-se ao enfermeiro e se despediu. Assim que ele foi embora, ela se aproximou de mim com um sorriso no rosto.
– Você viu que gato? Só o nariz que não ajuda muito, mas dá pra relevar.
, a gente tá trabalhando.
– Tá, tá... O que houve com o banguela? O bichinho da cárie atacou?
– É, quase... Ele fez uma descrição. Media 1,80, tinha uns 150 quilos, asas e um tutu rosa... Ele disse que foi a fada dos dentes.
– Ele deve estar chapado pelos analgésicos.
– Pode ser. O que quer que tenha sido, passou por portas e janelas trancadas, sem sequer disparar o alarme. E deixou 32 moedas embaixo do travesseiro dele. Uma pra cada dente.
me fitou e depois suspirou, voltando a olhar para frente.
– Bem, eu igualo o seu doido e aposto mais... Tem uns garotos lá em cima com úlcera, que disseram que foi de misturar Mentos com Coca-Cola. E tem outro que a cara congelou daquele jeito.
– Que jeito?
– Eu não vou fazer. Mas pode imaginar uma careta bem estranha... Ele ficou tempo demais daquele jeito e travou. Mandaram chamar um cirurgião plástico.
– Então, somando tudo isso... Eu não sei.
– Bem, tudo que tá acontecendo, são mentiras que as crianças acreditam.
– E agora estão se tornando reais. Certo. Seja lá o que esteja fazendo isso, tá alterando a realidade. Tem o poder de um Deus ou de um Brincalhão. Lembra-se do que o Dean e o Sam explicaram pra gente?
assentiu.
– Mas os Brincalhões tem o senso de humor de alguém de nove anos?
– Não sei O coitado morreu umas mil vezes e o Sam teve que ouvir Heat of the Moment incontáveis vezes... Acho que uma criança não faria isso. – dei de ombros. – Mas se não for o de uma criança de nove anos, é o do Dean, com certeza. Lembra-se dos trotes? – perguntei olhando para ela e rindo.
parou na mesma hora e me fuzilou com o olhar. Parei sem entender.
– O que foi?
– Não adianta fazer isso, . – ela respondeu cética e continuou a andar.
Eu a acompanhei.
– Fazer o quê?
– Você me lembrar dos velhos tempos não vai diminuir meu ódio pelo Dean.
– Mas eu não tô fazendo nada... – dei de ombros, tentando convencê-la, mas a verdade era que eu tentava amenizar as coisas mesmo.
– Tá sim! Agora para com isso.
Soltei um muxoxo involuntário.
– Você sabe que eu não faria isso se você não tivesse com essa atitude ridícula de ignorar completamente os dois.
– Eu não tô ignorando ninguém, não viu que ontem eu falei com Sam?
– Falou? Você jogou uma indireta enquanto eu falava com ele, e depois que eu desliguei, você não teve nem a decência de perguntar se estavam bem.
– É porque não me interessa.
– Ah, qual é. Claro que interessa, você só não pergunta por que o orgulho fala mais alto.
soltou um riso de escarnio e eu bufei, irritada.
– Você deveria ligar pra ele.
Agora ela gargalhou sarcástica, ignorando completamente os olhares para nós duas.
– Ah, queridinha, você não me conhece mesmo.
...
Então ela se virou para mim abruptamente, totalmente irritada.
–Eu não vou ligar pra ninguém. Seis meses, . Seis. E em nenhum desses meses aquele miserável mandou se quer uma mensagem. Acha que eu vou me humilhar e ir atrás? Nunca. – então ela mudou sua expressão. Ficou de uma frieza que eu sabia que ela tinha aprendido com o professor insensível, Benjamin Walker. – Eu deveria ter pegado o número do Jean-Luc, dei mole, né? – deu as costas e continuou a andar.
Eu a acompanhei pensando.
Pelo menos Sam teve a decência de dar noticias de vez em quando e foi por ele que soubemos que voltaram a trabalhar juntos. Eu liguei para Dean algumas vezes, a fim de alertá-lo do deslize que ele estava cometendo, mas ele não me atendeu nenhuma vez, o que me fez desistir.
Eu queria poder ajudar os dois, mas às vezes eles faziam umas coisas que eu simplesmente não conseguia ajudar nem compreender. Como eles podem ser tão difíceis assim?
– Vou deixar você no motel e vou dar uma volta por aí. – ela disse após alguns segundos de silencio.
Eu a olhei com uma sobrancelha erguida.
– Por quê? Não me diga que você vai atrás do enfermeiro!
– Quê? Não, agora já é tarde... Eu tenho uma ideia.
– Que ideia?
– Se der certo, você vai saber.
Balancei a cabeça, queria só ver qual seria a ideia dela.

's P.O.V Off

Wellington, Ohio.

– Falar com os monstros? Brincadeira, hein. – Dean resmungou com Sam.
Os dois ainda andavam vestidos de médicos pelo hospital e já estavam de saco cheiro daquilo, fazia horas que estavam ali.
– Dean, o que nós fazemos agora?
– Sabe o que eu vou fazer? Cair fora.
Continuaram andando até que a Dra. Piccolo parou bem na frente deles, tentando acertar Sam com mais um tapa.
– Moça, o que houve? – Sam perguntou, desviando do tapa.
– Você é brilhante, brilhante...
– É, e covarde. Já disse isso... Mas eu tenho uma novidade: eu não sou médico.
A mulher encarava Sam, emotiva.
– Não diga isso. – Sam rolou os olhos sem paciência. – Você é o melhor cirurgião cerebrovascular que já vi. E eu já vi muitos. E daí se a menina morreu na mesa? Não foi culpa sua... Às vezes as pessoas morrem.
– Eu não faço ideia do que tá me dizendo.
– Você tem medo. Medo de operar novamente. E também tem medo de amar. – a mulher falou segurando o choro, indo embora a seguir.
– Vamos dar o fora daqui. – Sam falou para o irmão.
Os dois voltaram a andar e antes que pudessem sair, um homem parou Dean.
– Oi, Doutor.
– Sim? – Dean respondeu nervoso.
– Minha mulher precisa daquele transplante.
– Tá bom. Quer saber, cara? Nada disso aqui é real. A sua mulher não precisa de nada. Tá bem? – Dean deu as costas para o homem e foi embora. Sam o seguiu.
O homem o chamou novamente, mas Dean ignorou. E antes que pudesse virar o corredor, o homem que estava armado, atirou em Dean pelas costas e foi embora.
– Real... É real... – Dean falou com dificuldade e tentando se segurar em Sam.
– Não, não, não. – Sam tentou ajudar o irmão. – EI! PRECISAMOS DE UM MÉDICO. – ele gritou desesperado.

Alliance, Nebraska.

, eu consegui. – entrou no quarto com um mapa nas mãos. , que estava deitada assistindo TV, se levantou e foi até a irmã. – O ataque da fada dos dentes foi aqui. – ela apontou no mapa. – Mentos com Coca-Cola aqui, e aí tem o pó de mico, a cara congelada e o aperto de mão. – ela mostrou as localizações. – Tudo em um raio de três quilômetros.
– Então a gente tem uma zona limitada de esquisitice e dentro dela as fantasias são reais?
– Parece que sim.
– E o que tem no ponto zero?
– Quatro quadras de terra e uma casa.
– Então vamos lá.
assentiu. As duas então foram para a tal casa, disfarçadas de agentes federais. se aproximou da fechadura e antes que pudesse pensar em abrir a porta ou bater na mesma, um garoto a abriu.
– Posso ajudar?
– Oi. – respondeu animada. – Qual é o seu nome?
– Quem quer saber?
– O FBI. – respondeu, mostrando o distintivo. fez o mesmo. – Seus pais estão em casa?
– Eles trabalham.
– Importa-se se a gente fizer algumas perguntas? – perguntou. – Talvez dar uma olhada na casa?
– Não sei.
– Pode confiar na gente, tá bem? Somos autoridades. – respondeu sorrindo.
O menino então as deixou entrar, e elas o seguiram até a cozinha. Pararam no meio da mesma, quando o menino foi para a beira do fogão.
– O que é isso? – perguntou se aproximando.
– Se chama sopa... Você aquece e come.
sorriu com o sarcasmo dele e olhou para que também sorria.
– Tá certo. Eu sei... É que eu também fazia o meu jantar quando era criança.
– Mas eu não sou criança.
– Tudo bem. Eu sei... Você já é bem grande pra isso... Meu nome é e o seu?
– Jesse.
– Prazer em conhecê-lo, Jesse.
então se aproximou dos dois com um desenho que estava na geladeira.
– Você desenhou Jesse?
– É a fada dos dentes.
– É assim que imagina a fada dos dentes? – ela sorriu, olhando para o desenho e achando estranho um cara gordo e barbudo ser uma fada.
– É. Meu pai me contou dele.
– Ah, tá. Belo desenho. E o que você sabe sobre a história da fada dos dentes?
– Não é uma história.
olhou para a irmã.
– O que você sabe sobre pó de mico então?
– Faz você arrancar o cérebro de tanto coçar.
– Mentos com Coca?
– Se misturar, você vai parar no hospital... Todo mundo sabe disso.
– E sobre isso? – mostrou o aperto de choque.
– Não devia mexer com isso. – ele respondeu surpreso.
– Por quê?
– Pode eletrocutar você.
sorriu.
– Mas na verdade não pode... É só um brinquedo. É inofensivo e nem usa pilhas.
– Então ninguém pode morrer eletrocutado?
– Não mesmo.
– Ah... Certo. – ele falou desconfiado.
– É sério. Ele só faz a sua mão tremer. É um brinquedo muito bobo. Olha só. – então encosta o objeto em , que arregalou os olhos pela dor, mas se controlou pelo menino.
– Tudo bem, . Ele entendeu. – ela bateu na mão da irmã. O menino sorriu. – Bem Jesse, nós vamos embora agora. Foi muito bom falar com você.
O menino assentiu e as duas foram embora.
– Caramba ! O que foi aquilo? – perguntou furiosa enquanto as duas caminhavam até o carro.
– Eu só mostrei pro menino que era bobeira.
– Mas eu poderia ter morrido nessa brincadeira. Já pensou se ele não acredita em você?
parou por alguns segundos e olhou para a irmã.
– Ainda bem que eu fui convincente. – ela sorriu. a lançou um olhar mortal. – Agora a gente sabe quem tá transformando tudo isso em um pesadelo do Willy Wonka.
– Jesse.
– É, tudo em que Jesse acredita, acontece. Ele acha que a fada dos dentes é o John Belushi e que o aperto de choque mata.
– E se convencê-lo de que o botão não dá choque, passa a ser um brinquedo bobo.
– Ele nem deve saber o que tá fazendo.
As duas entraram no carro.
– Como ele tá fazendo? – perguntou.
– Eu vou pesquisar sobre o menino.

Wellington, Ohio.

Na sala de cirurgia, era Sam quem operava. E ele não tinha a menor ideia do que fazer.
– Os batimentos estão caindo. – uma enfermeira falou para ele, que apenas assentiu, sem entender.
– Doutor? – outra enfermeira lhe estendeu uma ferramenta.
– O quê? – Sam perguntou, olhou para a ferramenta na mão da mulher e negou com a cabeça. Não tinha a menor ideia do que fazer com aquilo.
– Sam, faz alguma coisa, anda. – Dean disse nervoso.
Sam se abaixou para Dean, que estava de bruços.
– Dean eu não faço ideia de como usar essa porcaria. – ele sussurrou.
– Descubra!... Anda Sam, eu tô esperando.
Sam pensou por alguns segundos e se endireitou.
– Tudo bem, então... Eu preciso de um canivete, fio dental, uma agulha e um pouco de whiskey.
As enfermeiras olharam para Sam sem entender.
– AGORA! – ele gritou e rapidamente as enfermeiras começaram a se mexer.

...

Do jeito que sabia e podia, Sam operou o irmão, e em poucos segundos as enfermeiras saíram, deixando-os sozinhos.
– Deu certo?
– Deu. Você vai ficar bem. – Sam respondeu, olhando para os lados.
E do lado de fora, ele viu a Dra. Piccolo sussurrando um “eu te amo” para ele, que a encarou sem entender.
Depois, os dois entraram em um cenário diferente.
Ambos estavam em um programa japonês de perguntas e respostas. Foi aí que Sam percebeu que ele e o irmão teriam que representar seus papéis, que aquela era a regra do jogo que eles e Brincalhão jogavam.
Participaram do programa japonês e depois de longas horas tentando entender japonês e aprendendo a falar a língua na marra, o cenário mudou e os dois vão parar em um comercial de herpes genital, em sequencia indo para um programa de auditório.
Não tinha jeito, eles teriam que participar.

Flashback On
Há quatro meses.

Scott, Illinois.

– Então, é isso. – ela finalizou derrotada, tomando um gole de cerveja, enquanto Benjamin terminava sua rodada. – Já se passou dois meses e nenhum sinal dele.
– Que horrível.
– Eu sei. Não tem palavras que descrevam a mancada que ele deu.
– Com certeza não.
Ela o olhou e bufou.
– Fala logo, vai.
– O quê? – perguntou dando de ombros. – Faz sua tacada.
Ela bufou mais uma vez e se preparou para fazer a tacada.
– Você tem respondido tudo que eu falo com cinismo. Tá na cara que tá doido pra falar alguma coisa que eu não vou gostar nadinha.
Ele tomou um gole de cerveja e acabou por assentir.
– Eu amo você, você sabe disso, não sabe?
– Sei, mas...
– Mas eu não acho que seu namorado cometeu um pecado horrendo.
Então ela fez a tacada e se endireitou, indo até ele e se apoiando no taco.
– Tá, primeiro, é ex alguma coisa, e segundo, você é meu amigo, deveria me apoiar.
– E eu te defenderia de qualquer coisa, mas não vou mentir só pra te agradar, ele não foi de todo errado. – deu a volta na mesa, até encontrar uma tacada. – Qual é, ele tava carregando um fardo bem grande.
– E eu entendo, e eu apoiaria se ele tivesse se livrado só do irmão, afinal o Sam aprontou com ele, não eu. Mas ele fez questão de chutar todo mundo.
– Mas pense, se você tivesse ficado com ele, você ia conviver com um Dean chato e todo misterioso, você não o deixaria em paz e a discussão desnecessária seria iminente. – ele se inclinou a mesa e se posicionou. – No fim das contas, ele te poupou de toda a chatice e mistério que envolve um homem cheio de fardos e pensamentos indecifráveis.
– Mas dois meses, Benji? A menos que ele tenha virado um monge, eu não entendo por que se manter alheio a tudo por tanto tempo. A não ser que ele esteja se divertindo nesse momento num bar cheio de mulheres oferecidas.
Benjamin fez sua tacada e se endireitou, a olhando estranho.
– Quê?! Não, , pare.
– O quê? Ele não é santo, Benjamin.
– Eu sei que não, mas não acho que ele esteja fazendo isso.
Ela o olhou chocada antes de se posicionar.
– Como ousa defende-lo?
– Eu o conheço bem, . Nós três somos bem parecidos, e quanto nós dois, posso dizer com toda certeza que quando um macho alfa quer espaço, ele só quer espaço mesmo. – respondeu se aproximando da moça.
Ela riu incrédula e balançou a cabeça.
– Macho alfa? Deixa de ser ridículo, Ben.
Ele soltou um riso pelo nariz enquanto ela fazia sua tacada e perdia.
– Tá tudo bem, talvez a bebida esteja destorcendo algumas palavras, mas o que eu quero dizer... Deixa o profissional agora. – disse se posicionando imediatamente e já fazendo a tacada certeira.
– Ah, que ridículo, não precisa esfregar na minha cara que sabe segurar o taco.
– Eita, tô vendo que não sou o único que tá falando besteira aqui. E relaxa, sei que você sabe segurar bem um taco.
Ela começou a gargalhar e a dar a volta na mesa.
– Mas não adianta você vir com esse discurso de macho alfa, eu não vou acreditar.
– Bom, você poderia ligar pra saber, assim eu poderia até te ajudar a xingá-lo, caso ele não atendesse e eu tivesse completamente errado, mas eu sei que você não vai fazer isso.
– Que bom que sabe. – disse antes de fazer a tacada e encaçapando a bola. – Há, toma essa!
Ele soltou um riso.
– Eu disse que você manjava no taco... E conhecendo o Dean como bem conheço, ele não vai ligar. Afinal, você realmente dramatizou a coisa toda.
– Benjamin! – repreendeu.
– É verdade, . O cara só queria ficar sozinho por algum tempo.
Ela bufou incomodada, pegando sua cerveja e se aproximando.
– Então que se dane, que ele aproveite o tempo que ele tem.
– Desculpe, eu nã...
– Deixa isso pra lá, e vamos deixar esse jogo estupido de lado, vamos voltar pra sua casa e detonar aquela garrafa de rum que eu vi na cozinha.
Ele olhou para a mesa e riu.
– Por quê? Porque eu tô ganhando?
– Exato.
– Você precisa aprender a perder.
– E você... Você... Não importa. – disse deixando o taco em cima da mesa e desviando de Benjamin, que começou a rir.
– Tão bêbada que não tem nem argumentos mais.
– Dane-se, Benjamin.
Benjamin a seguiu rindo.

Flashback Off

Depois que guardou alguns itens na geladeira, Dean voltou sua atenção ao lanche gigante que estava em cima da mesa. Ele analisou com o cenho franzido enquanto gritos eram ouvidos da plateia.
– Acho que eu vou precisar de uma boca maior. – ele disse.
E claro, a plateia caiu na risada. Ouviu a porta se abrir e quando Sam adentrou, foi recebido por gritos e aplausos.
– E aí, Sam? O que tá rolando? – Dean perguntou animado.
– Ah, nada de mais. – Sam se aproximou e colocou a mão na cintura. – É só o fim do mundo. – Dean sorriu e Sam olhou para o sanduiche na mesa. – Precisa de uma boca maior. – e a plateia caiu na risada novamente. – Ah, e aí? Já terminou sua pesquisa?
Dean olhou para o irmão com os olhos arregalados e as sobrancelhas erguidas. Ele deu as costas para o irmão e tentou dar uma desculpa:
– Hã... Já sim. – ele se virou para Sam. – Todos os tipos de pesquisa. A noite toda.
– Ah é? – Sam perguntou impressionado.
No mesmo instante a porta do banheiro se abriu e uma mulher de lingerie apareceu, causando furor na plateia.
– Ah, Dean. – ela parou no batente da porta. Sam olhou para o irmão com cara de paisagem e Dean olhou para a mulher. – Nós temos mais pesquisa pra fazer... – ela finalizou com um sorriso no rosto e a plateia voltou a gritar.
– Dean... – Sam cruzou os braços.
Dean olhou para o nada com cara de paisagem e diz o que a plateia toda esperava que ele dissesse:
– Filho da mãe!
A plateia vibrou, e assim que os aplausos e a gritaria diminuíram, Sam rolou os olhos e foi até a mulher que estava parada na porta do banheiro.
– Querida, olha eu sinto muito, muito mesmo, mas temos que trabalhar. – ele dizia enquanto acompanhava a mulher até a porta.
– Mas nós trabalhamos. – ela respondeu e quando passou por Dean, lançou-o um sorriso e um aceno. – Demais.
E quando a mulher saiu, a plateia os ovacionou com aplausos e mais gritaria. Sam se aproximou do irmão e os dois fitavam a plateia com um sorriso congelado no rosto. E foi com esse sorriso que Dean perguntou:
– Tem que fazer isso por quanto tempo, hein?
– Não sei... Talvez pra sempre... Podemos morrer aqui.
E a plateia riu ainda mais.
– Acham graça, é? – Dean perguntou incomodado e a plateia riu novamente. – Hienas.
E as risadas foram substituídas imediatamente por gritos e aplausos. Os dois ficaram sem entender a reação e seguiram o olhar daquela multidão, encontrando Castiel, que acabara de adentrar no quarto, transtornado.
O caso era que não era a primeira vez que Castiel entrava em um dos cenários e tentava os ajudar, mas como era de se esperar, Brincalhão o tirou dali.
– Tudo bem? – Dean perguntou se aproximando.
– Não tenho muito tempo. – ele se aproximou. – Escutem, há algo muito errado. Este ser é muito mais poderoso do que deveria.
– O Brincalhão?
– Se for um Brincalhão.
– Como assim? – Sam perguntou.
E antes que pudesse responder, Castiel foi jogando contra uma parede com a boca tapada por uma fita. Poucos segundos depois, Brincalhão abriu a porta com um sorriso no rosto.
– Tchanan!... – Falou animado, fazendo e a plateia rir, gritar e bater palmas. – Obrigado! – ele entrou e fechou a porta. – Que isso gente, pode parar! – e a plateia se acalmou aos poucos. – E aí, Castiel?
E com um sinal com as mãos, Castiel desapareceu.
– Você o conhece? – Sam perguntou.
– Pra onde você o mandou? – Dean emendou.
– Relaxa. Ele vai viver... Talvez.
Dean suspirou nervoso e se aproximou de Brincalhão.
– Quer saber? Eu cansei dessa brincadeira, entendeu? Cansei!
– Ah, é? Cansou de quê, gostosão?
– Desse joguinho! De representar!
– É só a metade.
– E a outra metade? – Sam perguntou.
– Representar seus papéis lá fora.
– O que você quer dizer? – Dean perguntou.
– Você sabe. Sam no papel de Lúcifer, Dean no papel de Miguel... A batalha final das celebridades. Vivam os seus papéis.
– Quer que a gente diga sim para os filhos da mãe? – Sam perguntou indignado.
– Pois é. Vamos acender a vela.
– Se a gente fizer isso, o mundo acaba.
– É?... E a culpa é de quem? Quem tirou Lúcifer da caixa?... Hm? Vejam, já começou. Não dá pra parar. Então vamos acabar com isso.
– Céu ou inferno. Qual o seu lado? – Dean perguntou.
– Eu não tenho um lado.
– Qual é? Você faz campanha pra Miguel ou Lúcifer? Qual dos dois?
Brincalhão riu e se aproximou mais de Dean.
– Escuta aqui, seu arrogante... Eu não trabalho pra nenhum dos dois, acredite.
– Não. Você é pau mandado de alguém.
Os dois se encararam e num impulso, Brincalhão segurou Dean pela jaqueta e o empurrou até uma parede.
– Não ouse pensar nunca que pode saber quem eu sou. – ele sussurrou com raiva. O fitou por alguns segundos e depois o soltou. – Agora prestem muita atenção. Vai acontecer o seguinte: Vocês vão botar a viola no saco, aceitar as responsabilidades e aceitar os papéis que o destino escolheu pra vocês.
– E se não quisermos? – Sam perguntou.
– Vocês vão ficar na Tevelândia pra sempre. – Brincalhão sorriu. – 300 canais e nada que preste.
Os dois apenas o encararam. Brincalhão então estalou os dedos e o cenário mudou mais uma vez.

Alliance, Nebraska.

's P.O.V

Eu estava voltando para o motel, com algumas informações sobre o garoto Jesse e com cafeína correndo pelas minhas veias, ou seja, eu estava bem acordada e nem um pouco afim de ficar parada.
Estacionei o meu carro lindo e maravilhoso na vaga, completamente feliz por ter mais tempo para dirigi-lo agora que Sam estava com o Camaro (ou sabe-se lá onde o carro está agora, mas não é da minha conta, considerando que o carro é da ). Comecei a caminhar descontraidamente até o quarto, quando meu celular tocou.
– E aí? – atendi e parei.
Me mudei novamente.
– Novidade. Onde?
Canada.
– Tá brincando, Benjamin!
Ele riu.
Eu não. A gente não combinou de manter distancia por um tempo?
– Eu não quis dizer literalmente.
Mas eu gosto daqui, e aproveitei.
Fiz um muxoxo.
– Você é um infeliz.
Já ouvi muito isso. E aí, como vão as coisas?
– Bem, tô no meio de um caso agora.
Uau. – respondeu sarcástico. – E nada de fazer o que eu te disse, né?
Suspirei, e me fiz de inocente:
– O que, exatamente?
Ele soltou um riso.
É, você não fez... Não ligou pra ele ainda. , eu te disse isso milhões de vezes e vou repetir, liga.
– Você já me disse isso milhões de vezes, e eu vou repetir a resposta. Não!
.
– Benjamin. Se você continuar me importunando com isso, não te atendo mais. E você pode ficar aí pro resto da sua vida.
Eu vou continuar te ligando até você desistir de me ignorar.
– Eu bloqueio o seu número.
E eu arrumo outro.
Bufei, irritada.
– Tá, tá, depois a gente conversa. Preciso trabalhar.
Ele riu.
Beleza. – e desligou.
Balancei a cabeça e adentrei o quarto, contando as novas para minha irmã, sem dar tempo da mesma dizer qualquer coisa, eu estava ansiosa:
– Eu juntei tudo que consegui sobre Jesse Turner. Não é muita coisa. Aluno mediano, ganhou o Pinewood Derby ano passado. Mas olha só: Jesse foi adotado. O registro de nascimento é confidencial.
E então parei quando reparei que o quarto estava vazio, mas me virei quando ouvi a porta do banheiro se abrir.
– E como eu sei que você conseguiu ver... – comentou, saindo do banho.
Eu abri um sorriso e respondi:
– Ele não tem pai. Mas a mãe biológica de Jesse se chama Julia Wright. Ela mora em Elk Creek, do outro lado do estado.
– Então vamos nos preparar pra viagem.
Eu assenti e peguei uma de minhas malas no chão. Aí meu celular apitou. Era uma mensagem e quando eu abri, me senti provocada: “Ligue pra ele.”
Benjamin estava pagando pra me ver o ignorar. Deixei o celular em cima da cama e foquei em minhas malas e conforme eu preparava tudo para deixar o motel, meu celular apitava algumas vezes. Verifiquei no carro, já a caminho de Elk Creek. Todas eram de Benjamin e dizia a mesma coisa.
Resumindo: bloqueei seu número.

's P.O.V Off

Flashback On
Há quatro meses

Scott, Illinois.

Os dois voltaram para o apartamento de Benjamin e como havia falado, eles fizeram. Beberam metade da garrafa de rum, e comeu mais um pouco do frango que já estava frio.
Estavam jogando conversa fiada fora e riam de coisas que pessoas bêbadas costumam rir. Em pouco mais de uma hora, a garrafa de rum secou e foi cambaleante até a cozinha, pegar a segunda garrafa de vodca.
– Chega de bebida, vai. – Benjamin disse, tirando a garrafa da mão da moça, que fez birra.
– Benjiiiii... – ela choramingou enquanto tentava pegar de volta a garrafa.
Ele começou a rir.
– Não, é sério, assim você não vai conseguir ir embora amanhã. – ele disse indo até a cozinha.
Pela desistência, fez um muxoxo e se jogou no sofá, mas se levantou quase que na mesma hora e foi até o rádio do vampiro, deixando qualquer música dançante começar a tocar, enquanto dava uma olhada na coleção dele. Passou os olhos até que encontrou um dos artistas favoritos dos dois e colocou um dos discos do mesmo no CD player. Era o album HIStory: Past, Present and Future, Book I, de Michael Jackson.
Assim que ouviu Billie Jean tocar, Benjamin voltou à sala, enquanto pulava algumas faixas até Rock With You começar a tocar e ela dançar cambaleante.
– Você não para quieta. – ele disse rindo.
Ela começou a rir e a se aproximar dele, tentando sensualizar, o que o fez gargalhar. o puxou pela mão até o meio da sala e o incentivava a dançar.
Benjamin balançava a cabeça com aquela cena patética.

“Girl, close your eyes, let the rhythm get into you
Don’t try to fight it, there ain’t nothin’ that you can do
Relax your mind, lay back and groove with mine
You got to feel that heat and we can ride the boogie
Share that beat of love…”

– Não foi assim que eu pensei que você afogaria as mágoas.
Ela riu e balançou a cabeça.
– Que mágoas, meu rapaz?
Ele jogou a cabeça para trás, rindo. Ela estava completamente bêbada.
– Você sabe do que eu tô falando. – ele respondeu após alguns segundos.
Ela deu de ombros e fez um giro todo torto, voltando a pegar as mãos de Benjamin e a balançar para lá e para cá.

“Out on the floor, there ain’t nobody there but us
Girl, when you dance there’s a magic that must be love
Just take it slow ‘cause we got so far to go
When you feel that heat and we’re gonna ride the boogie
Share that beat of love…”

– E você queria que eu fizesse o quê?
Ele deu de ombros e girou a moça.
– Não sei, na verdade é a primeira vez que te vejo na fossa por causa de alguém.
Ela se afastou dele no mesmo instante e o olhou cética, cruzando os braços.
– Eu não tô na fossa por causa de ninguém, querido. – disse indo até a cozinha. Benjamin a seguiu.
– Outra garrafa de vodca?
Ela deu de ombros, sorrindo e abrindo a garrafa com habilidade. Assim que a abriu, tomou um gole e se aproximou de Benjamin, o entregando a garrafa e voltando a se balançar novamente.
– Dois meses, Benji. Não tenho mais motivos pra ficar na fossa. E já passou da hora de eu voltar a ser o que era antes.
– E você tá bem com isso?
Ela sorriu.
– Tô.
E então Benjamin sorriu, tomou um gole da bebida e voltou com e a garrafa até o meio da sala.
– Eu nunca me senti tão bem na minha vida. – ela disse aos gargalhos.

Flashback Off

Wellington, Ohio.

O cenário era parecido com o de CSI.
Um homem estava estirado no chão morto e vários legistas estavam ao redor do corpo. E claro, Dean e Sam estavam lá. De terno e óculos escuros.
– Ah, qual é? – Dean reclamou para o irmão.
Então, o que acha? – um dos legistas perguntou, se aproximando dos dois.
– O que eu acho? – Perguntou nervoso. – Vai se ferrar, é isso que eu acho.
O homem o encarou sem entender.
– Nos dá licença, por favor? – Sam pediu educado. O homem se retirou e Sam voltou sua atenção para o irmão. – Você tem que se acalmar.
– Acalmar? Eu tô usando óculos escuros à noite. – ele respondeu, tirando os óculos com raiva. – Sabe quem faz isso? Só canastrões. Odeio esse jogo. Eu odeio estar em um seriado policial, e quer saber por quê? Porque eu odeio esses seriados policiais. Tem uns 300 na TV. E são todos iguais. – Dean falava rápido e inconformado. Sam agora olhava para os lados. – É só: “Uh, o avião caiu aqui...” Ah, fica quieto!
– Dean... – Sam o chamou, tirando os óculos.
– O que é? – Dean perguntou incomodado, olhando para onde Sam olhava.
– Olha o cara comendo doce ali. – ele apontou para o legista que tinha falado com Dean há pouco tempo.
– Acha que é ele?
– Vem comigo. – Sam o puxou e os dois foram até o homem, colocando os óculos escuros de volta e fazendo pose de durões.
– Tudo bem com você? – o legista perguntou.
– Sim. – Dean respondeu. – O que temos aqui?
O homem colocou o pirulito na boca e depois o tirou.
– Bom... Além das marcas de estrangulamento no pescoço, ele tem o que parece ser um rolo de moedas enfiado na garganta.
Dean pegou a lanterna e se aproximou do corpo, se abaixando. Sam tirou os óculos e olhou para o corpo com os olhos semicerrados.
– Bom, eu acho que ganhamos. – ele diz.
O legista assentiu, com o pirulito na boca.
– Ele também levou uma facada no abdômen.
– É... – Dean se levantou. – Sem tripas, sem glória.
– Dê a este cara... – Sam colocou os óculos novamente. – Um antiácido.
O legista riu ainda com o pirulito na boca.
– Bola de tripa. – Dean comentou se aproximando do homem, que agora tirou o pirulito da boca e deu gargalhadas.
– Boa, rapazes. – o homem virou para Sam. E quando virou para Dean, ele foi atacado com uma estaca de madeira direto no coração.
Dean assistiu o homem agonizar e morrer em poucos segundos. E então, eles ouviram risadas atrás de si.
Pegou o cara errado, idiota.
Dean se virou para Brincalhão e perguntou:
– Foi mesmo?
No momento, Sam apareceu atrás de Brincalhão com uma estaca nas mãos, o atacando. Brincalhão caiu morto no chão, e eles voltaram para o velho moinho que estavam há quase dois dias.

Elk Creek, Nebraska.

As duas chegaram à casa de Julia e tocaram a campainha. Esperaram alguns segundos, até que uma voz disse por trás da porta:
Não estou interessada no que estão vendendo.
– Ah, não somos vendedoras. Agentes Parker e Highmore, FBI. – respondeu.
As duas então mostraram o distintivo para o olho mágico da porta.
Coloquem a carteira na abertura.
As duas se olharam e colocam as carteiras na abertura de cartas da porta. Em poucos segundos e depois de várias trancas serem abertas, a mulher abriu a porta.
– O que querem? – ela devolveu os distintivos.
– Temos algumas perguntas sobre o seu filho. – respondeu.
– Eu não tenho filho.
– Ele nasceu em 29 de março de 1998, em Omaha. Você o deu pra adoção.
A mulher encarou e suspirou.
– O que tem ele?
– Estávamos pensando... Será que... Foi uma gravidez normal?
A mulher olhou desconfiada.
– Aconteceu algo estranho? – perguntou.
Em um movimento brusco, a mulher deu alguns passos para trás e fez menção de fechar a porta.
– FIQUEM LONGE DE MIM.
e a irmã a impediram de fechar a porta e ouviram a mulher correr.
– ESPERA AÍ, SRA. WRIGHT. – gritou, correndo atrás da mulher. – NÓS SÓ QUEREMOS CONVERSAR.
As duas a seguiram até a cozinha e pararam quando viram a mulher abrir a porta do armário desesperada e pegar um pote de sal, jogando o condimento nelas rapidamente.
– Não são demônios? – ela perguntou chocada, assim que viu que nada aconteceu.
– O que sabe sobre demônios? – perguntou.
A mulher ainda pareceu relutante em responder.
– Acredite em mim, nós não queremos lhe fazer mal. – a acalmou. – Podemos conversar?
Ela assentiu após um tempo e caminhou até a sala. As três se sentaram e então a mulher começou a falar:
– Eu fui possuída. Um demônio se apossou do meu corpo e eu machuquei pessoas... Matei pessoas.
– Não era você. – tentou reconfortá-la.
– Mas eu estava lá. Eu ouvi uma mulher pedir por clemência... Eu senti o sangue de uma garotinha em minhas mãos.
– Por isso você sabia do sal? – perguntou.
– É, eu aprendi uns truques. Ficou na minha cabeça por meses.
– Quantos meses?
– Nove.
e a irmã se olharam.
– Então o seu filho...
– É... O tempo todo. A gravidez, o parto... Tudo... Eu estava possuída. Na noite em que o bebê nasceu, eu estava sozinha e a dor foi insuportável... Eu gritei e saiu como uma gargalhada porque o demônio estava feliz. – ela fez uma pausa dramática. – Ele usou o meu corpo pra ter uma criança... Quando acabou, alguma coisa mudou. Talvez o demônio tenha se cansado ou a dor me ajudou a lutar, mas de algum jeito, eu assumi o controle. – ela fechou os olhos, se lembrando do dia. – O demônio se lamentava dentro de mim, se debatia no meu crânio. Eu achei que minha cabeça ia explodir. Mas eu sabia. Sabia o que tinha que fazer... E quando eu fiquei sozinha com o bebê, parte de mim queria mata-lo. Mas Deus me perdoe, eu não ia conseguir. Então eu o entreguei pra adoção e fugi.
– Quem era o pai? – perguntou.
– Eu era virgem... Vocês viram meu filho? Ele é humano?
– Sim. – respondeu. – O nome dele é Jesse. Ele vive em Alliance e é um bom menino.
A mulher assentiu, nervosa.
– Olha, eu, eu não quero me envolver nisso.
As duas assentiram.
– Tudo bem, senhora. – disse se levantando. – A gente só queria saber de onde ele veio. Obrigada pelo seu tempo e nos desculpe incomodar.
A mulher assentiu e as duas saíram da casa.
– E agora? – perguntou.
– Precisamos de ajuda.
a olhou espantada.
– Vai ligar pros Winchesters?
– Eu quero que eles se lasquem.
– Mas o Bobby...
– Não. Não é o Bobby. Eu pensei no Castiel... Vamos voltar pra Alliance.

Wellington, Ohio.

– Tô preocupado, cara. – Dean comentou assim que terminou de escovar os dentes. – Com o que aquele escroto fez com o Castiel. Onde é que ele tá. – ele disse saindo do banheiro. Olhou para os lados e não encontrou o irmão. – Sam?... Cadê você?
Foi para o lado de fora do motel, mas não encontrou o irmão. Pegou o celular e ligou para Sam, mas caiu na caixa postal.
– Sam? Sou eu... Onde você se enfiou? – Dean gravou uma mensagem enquanto entrava no carro e depois desligou o celular, o guardando no bolso.
Dean?
Dean olhou para os lados e depois para o banco de trás. Sam não estava lá.
– Sam? – ele arregalou os olhos. – Cadê você?
Sei lá. – Dean seguiu a voz de Sam e olhou para o rádio. – Essa não... Acho que não matamos o Brincalhão.
– Cara... Você tá no meu carro? O que é isso? Super Máquina?
Acho que sim.
– E o que a gente faz?
Vamos providenciar mais estacas.
Dean bufou e ligou o carro, seguindo para a reserva florestal da cidade.

...

– A estaca não funcionou. E aí, esse é outro truque? – ele perguntou enquanto descia do carro.
Não sei. Vai ver que a estaca não funcionou porque ele não é um Brincalhão.
– Como assim?
Você ouviu o Castiel. Ele disse que era uma criatura poderosa demais para ser um Brincalhão.
– Notou o jeito que ele olhou pro Castiel? Como se conhecesse ele?
Viu como ele ficou furioso quando você falou de Miguel e Lúcifer?
Dean pensou por alguns segundos.
– Desgraçado.
O quê?
– Acho que sei com quem estamos lidando.
Dean?
– O quê? – Dean perguntou enquanto mexia no porta-malas.
É que... Isso é muito desconfortável... – Dean rolou os olhos e fechou o porta-malas com força. – Au!... Será que o que vamos fazer vai funcionar?
– Não sei. – Dean foi pra frente do carro. – Mas eu não tenho mais ideias. AÍ, Ô ENGRAÇADINHO?! VOCÊ AÍ!... VAMOS?!
Eu devo buzinar? – Sam perguntou e Dean olhou para o carro com cara de paisagem.
Nossa.
Dean desviou o olhar e viu Brincalhão, que se aproximava do carro.
– Sam... Você ficou bem de Super Máquina, hein.
Vai se ferrar. – Sam respondeu.
– Há... Tudo bem, rapazes. – ele ficou de frente para Dean. – Você tá pronto?
– Calminha aí... – Dean respondeu. – Ninguém vai a lugar nenhum até o Sam ficar inteiro de novo.
– Qual é a diferença? Satã vai acabar com ele do mesmo jeito. – Dean o encarou com a sobrancelha erguida. Brincalhão rolou os olhos e estalou os dedos. A porta do Impala então se abriu e Sam saiu de dentro.
– Tá feliz?
– Me diz uma coisa... Por que a estaca não funcionou em você? – Dean perguntou.
– Hm... Eu sou o Brincalhão.
– Ou pode não ser. – Brincalhão olhou para Dean e depois para Sam, que acendeu um isqueiro e o jogou no chão, fazendo-o ficar preso em um circulo de fogo. – Você pode ser um anjo.
– O quê? – Brincalhão riu. – Alguém botou alguma coisa na sua bebida, meu filho?
– É o seguinte: Você pula fora do fogo sagrado e admitimos o engano.
Brincalhão riu sem acreditar. Depois, seu semblante mudou para sério, e de repente, o cenário muda e eles voltam para o moinho.
– Bela jogada, meninos. – ele bateu palmas. – Bela jogada... Onde conseguiram o óleo?
– É... Pode-se dizer que tiramos da bunda do Sam.
Sam olhou para o irmão com cara de paisagem.
– Onde foi que eu errei? – Brincalhão perguntou.
– Não errou. – Sam respondeu. – Mas ninguém faz com o Castiel o que você fez.
– E teve aquele seu jeito de falar do Armagedom. – Dean completou.
– Como assim?
– Pode chamar de experiência pessoal. Ninguém fica irritado daquele jeito se não estiver falando da própria família.
– Então qual deles é você? – Sam perguntou. – Huguinho, Zezinho ou Luisinho?
Brincalhão o encarou por um tempo.
– Gabriel, gente... Meu nome é Gabriel.
– Gabriel? O Arcanjo?
– O próprio.
– Então, Gabriel? Como um arcanjo pode virar um Brincalhão?
– É o meu próprio serviço de proteção à testemunha... Eu fugi do céu, fiz um transplante de rosto e inventei o meu próprio pedaço do mundo. Até vocês dois aparecerem.
– O que o seu pai disse quando você disse que ia brincar com os pagãos? – Dean perguntou.
– Papai não diz nada sobre coisa alguma.
– Então o que houve? Por que você fugiu? – Sam perguntou.
– E você põe a culpa nele? – Dean respondeu Sam. – Os irmãos deles são barra pesada.
– Cala essa boca. – Gabriel respondeu. – Você não sabe nada da minha família. Eu amava o meu pai. Amava meus irmãos de verdade. Mas ficar olhando eles brigarem, querendo esganar uns aos outros? Foi demais pra mim. Sacô? Aí eu caí fora. Só que agora tá acontecendo tudo de novo.
– Então nos ajude a parar? – Sam pediu.
– Não tem como parar.
– Você quer ver o fim do mundo? – Dean perguntou nervoso.
– Eu quero que isso acabe logo. Eu tenho que ver sentado os meus irmãos se matando graças ao Sam. Céu, inferno, eu não ligo pra quem vai vencer. Eu só quero que isso acabe.
– Não precisa ser assim. Deve existir algum outro jeito de desligar a tomada. – Sam respondeu.
Gabriel gargalhou.
– Você não conhece a minha família... O que vocês chamam de apocalipse, eu chamaria de almoço de domingo. É por isso que não tem como parar, porque isso se trata de guerra. Se trata de dois irmãos que se amavam e que traíram um ao outro. Vocês acham que podem compreender?
– Do que você tá falando? – Sam perguntou.
Gabriel os olhou sem entender e depois abriu um sorriso.
– Ah, seus grandes hipócritas! Por que que vocês acham que vocês são as cascas?... Pensem nisso... Miguel – ele apontou e olhou para Dean. – O filho mais velho. Leal ao pai ausente. E Lúcifer, – ele olhou para Sam. – o mais novo, que se rebela contra o plano do pai. Vocês nasceram pra isso. Esse é o seu destino e sempre foi. Assim como foi no céu, deve ser na terra. Um irmão tem que matar o outro.
– O que você tá dizendo? – Dean perguntou nervoso.
– Por que acham que nós temos tanto interesse em vocês? Porque no momento em que papai acendeu a luz por aqui, nós soubemos que iria terminar com vocês. Sempre.
Os três ficaram um tempo em silencio. Dean olhou para Sam e depois para Gabriel.
– Não... Isso não vai acontecer.
– Eu sinto muito. Mas vai sim. – Gabriel encarou Dean e suspirou. – Ah, gente. Eu queria que isso fosse um programa de TV, que tivesse respostas fáceis e finais felizes sempre. Mas isso é real. E vai terminar em sangue pra todos nós. Porque é assim que está escrito. – ele fez uma pausa. – Então tá, né? Como é que vai ser? Vocês vão ficar aí me encarando pelo resto da eternidade?
– Primeiro vai trazer o Castiel de volta do lugar de onde mandou ele. – Dean respondeu.
– Eu vou é?
– Vai. Ou vamos mergulhar você no óleo santo e vamos fazer arcanjo frito.
Gabriel olhou para Dean e depois para Sam. Ele estava sem saída. Então, ele voltou a olhar para Dean e estalou os dedos. Castiel reapareceu.
– Castiel, tudo bem? – Dean perguntou.
– Eu estou bem. – ele respondeu controlando a respiração. – Olá, Gabriel.
– Oi, mano. Como é que tá a busca pelo Papai?... Eu vou adivinhar: horrível?!
Castiel não respondeu e os dois se encararam.
– Vamos sair daqui. – Dean se envolveu. – Vem, Sam.
– Pera aí... – Sam e Castiel também dão as costas. – Ô gente, e eu?... Como é que é?... Hã?... Vocês vão me deixar aqui pra sempre?
– Não. – Dean respondeu antes de abrir a porta. – Não vamos não, porque não ferramos as pessoas como você faz. E quer saber mais? Isso não tem nada a ver com a briga entre os seus irmãos. Ou a algum destino imutável. TEM A VER COM O SEU MEDO COVARDE DE NÃO AJUDAR A SUA FAMÍLIA. – ele gritou nervoso. Gabriel apenas o encarou. Dean então tocou o alarme de incêndio e em poucos segundos, os sensores dispararam água. – E não diga que eu nunca fiz nada por você. – Dean abriu a porta e os três saíram.
– Aquelas paradas que ele falou lá, será que ele falou a verdade? – Dean perguntou para Sam enquanto caminhavam para o carro.
– Eu acho que ele acredita.
– E o que a gente faz?
– Não sei.
– Só sei que eu queria voltar lá para aqueles programas de televisão.
– É, eu também. – olhou para os lados a procura de Castiel. – Cadê o Castiel?
Dean também olhou para os lados e deu de ombros. Os dois entraram no carro e foram embora.

Flashback On
Há quatro meses

Scott, Illinois.

's P.O.V

– Eu nunca me senti tão mal na minha vida. – murmurei com os olhos cheios de lágrimas.
Havia se passado um bom tempo desde que dançamos e cantamos praticamente o álbum inteiro do Michael Jackson. O CD player estava desligado e agora a gente ouvia as músicas aleatórias de uma estação de rádio qualquer. Dessa vez, era I’m Not the Only One, do Sam Smith.

“You and me, we made a vow for better or for worse
I can’t’ believe you let me down
But the proof’s in the way it hurts
For months on end I’ve had my doubts denying every tear
I wish this would be over now
But I know that I still need you here.”

Eu estava sentada no chão fitando os meus pés, recostada no sofá e segurando a garrafa vazia de vodca, que eu e Benjamin detonamos sem nem mesmo estarmos recuperados do rum, balançando o objeto de um lado para o outro, sem tirá-lo do chão. O vampiro em questão estava sentado ao meu lado, com a cabeça deitada no assento do sofá e fitando o teto, só ouvindo as lamentações da bêbada aqui.
– Eu sou um fracasso. – continuei. – Nem continuar com a vida eu consigo mais.
– Consegue sim.
Fiz que não várias vezes e funguei.
– Eu me iludi achando que ia superar tudo isso, Benji.
Ele suspirou cansado daquela ladainha, já era provavelmente a milésima vez que eu falava aquilo.
– Você supera.
Soltei um riso miserável.
– Como?
Ele deu de ombros.
– Pode ser clichê falar isso, mas só se supera um amor com outro amor.
E então eu não respondi nada. Continuei o encarando, e Benjamin, curioso como era, após alguns segundos de silencio, tombou a cabeça para o lado, encontrando o meu olhar desnorteado.
Nos encaramos por alguns segundos e não aguentamos, começamos a rir como duas hienas, até que soltei a garrafa e dei um tapa na perna dele.
– Você é patético, Benji. – e voltei a gargalhar.
Benjamin parecia estar tendo uma convulsão do tanto que se tremia rindo.

“I have loved you for many years
Maybe I am just not enough
You’ve made me realize my deepest fear
By lying and tearing us up”

– Não, você é.
Aí eu gargalhei ainda mais, assentindo.
– Tem razão, eu sou, sou mesmo.
Aí eu fui baixando a cabeça aos poucos, em silencio. Percebi que Benjamin se mexia e senti-o me abraçando.
– Ei, pare de chorar. – ele pedia segurando o riso, enquanto eu fazia que não. – Não, sério, chega, você tá fazendo papel de ridícula.
Dei de ombros e levantei a cabeça, fungando e secando as lágrimas. Depois comecei a rir.
– Tem razão, eu sou muito ridícula.
– Você não é ridícula, mas vai ficar se continuar assim. Precisa seguir em frente, .
– Eu sei, só... Perdi o controle da minha vida por um segundo.
– Tá, então pode pegar o controle dela de volta.
Assenti sorrindo e ficando de joelhos, subitamente.
– E você pode me ajudar a voltar aos eixos. – dito isso, passei a perna sobre Benjamin, me sentando em seu colo e depositando minhas mãos em seus ombros.

's P.O.V Off

Flashback Off

Alliance, Nebraska.

Depois de comerem qualquer coisa, e a irmã voltaram para o motel. E quando as duas entraram no quarto, viram Castiel parado, olhando-as.
– Que bom que veio, Cass. – sorriu, se sentando.
– Vim o mais rápido que pude. Que sorte vocês acharem o menino.
– Então você já sabe? – perguntou. – O que a gente faz?
– Matem ele.
e o olharam sem acreditar.
– Quê? – perguntou.
– A criança é metade demônio e metade humano. Mas é bem mais poderoso que os dois. – Castiel se aproximou e se sentou ao lado de . – Ele é o anticristo.
– Eu não tô entendendo... – falou calma. – O menino é o filho do diabo?
– Não. Claro que não. O anticristo não é filho de Lúcifer. É só filho de um demônio. Mas ele é uma das maiores arma do diabo na guerra contra o céu.
– Se ele é uma maquina mortífera do demônio, o que ele faz em Nebraska? – perguntou.
– Os demônios o perderam, não conseguem achar, mas estão procurando.
– E perderam porque...
– Por causa dos poderes do menino. Eles o esconde tanto de anjos quanto de demônios por enquanto.
– Então ele tem um campo de força em volta? Então não tem problema.
– Com Lúcifer a solta, essa criança fica mais forte. Em breve ele vai fazer mais do que dar vida a alguns brinquedos. E alguma coisa vai levar os demônios até ele. Os demônios vão achar essa criança. Lúcifer vai convencê-lo a fazer o que ele quer e com uma palavra, essa criança vai destruir a hierarquia celestial.
– Espera. Tá dizendo que o Jesse vai acabar com todos os anjos? – perguntou.
– Não podemos permitir que aconteça.
– Espera, Castiel. – se levantou. – Não matamos crianças.
– Olha, a gente não vai matar ele, mas também não vamos deixa-lo aqui... Vamos levar ele até o Bobby. Ele vai saber o que fazer. – entrou no assunto.
– Vão sequestra-lo? – ele perguntou.
– Falando assim parece bem pior.
– O que está acontecendo nessa cidade é o que acontece quando essa coisa está feliz... Não podem imaginar o que ele pode fazer se estiver zangado. Além do mais, como vão prendê-lo? Com um pensamento, ele chega do outro lado do mundo.
– Então...
– Vamos falar com ele. – sugeriu. – O Castiel diz que ele tá destinado ao lado negro. Ótimo, mas ainda não está. Se a gente disser pra ele sobre o que ele é e tudo mais, ele pode tomar a decisão certa.
– Como o Sam tomou? – Castiel perguntou. – Eu não posso arriscar. – e de repente ele desapareceu.
– Que droga. – reclamou.
– Isso porque a gente não tinha nada a ver com o apocalipse. – se sentou. – Olha onde a gente foi amarrar nosso jegue. Que vontade de socar o Sam.
olhou para a irmã e suspirou.
– O que você quer fazer?
– Eu não sei. – deu de ombros. – O Castiel deve estar na casa do menino agora. Vamos até lá.

Flashback On
Há quatro meses

Scott, Illinois.

's P.O.V

Benjamin ficou surpreso e me fitou sem entender. Eu também fiz o mesmo.
Nem eu entendia o que estava fazendo, só sei que senti a necessidade de fazer e eu queria fazer.
Nos primeiros meses de amizade, Benjamin tentava a todo custo conseguir alguma coisa comigo, eu sempre levei na brincadeira até que ele pareceu se tocar e parou com todas as cantadas e as conversas maliciosas, de duplo sentido.
Mas eu não sou idiota, reconheço um homem bonito quando vejo um. E Benjamin era muito bonito e tinha seu charme, o que me impulsionou a tomar aquela atitude que eu teria com qualquer um, menos com ele.
Até então.
, eu, eu acho melhor você ir dormir. – ele foi dizendo, enquanto tentava me afastar de si.
Eu recusei, pegando em seus braços e os segurando. Totalmente inútil, eu sei, mas eu também sabia que ele não usaria sua força sobrenatural comigo, qual é? Eu estava bêbada.
– Eu não quero dormir. – disse baixinho, fitando a boca dele. – Qual é Benjamin, pare de se fazer de durão, eu sei que você não é do tipo bom moço.
Então ele fitou minha boca e depois nós dois nos fitamos. Seus olhos azuis eram hipnotizantes, como eu não tinha reparado naquilo antes?
– Eu não sou. – ele disse abrindo um sorrisinho praticamente imperceptível. – Eu só não quero que você se arrependa depois.
E então Supermassive Black Hole, do Muse, começou a tocar. Eu mordi meu lábio, abrindo um meio sorriso.
– Eu não vou.
Ele me fitou por mais algum tempo, e eu sustentei o seu olhar. Como era de se esperar, ele deu um meio sorriso (tentador, diga-se de passagem) e me beijou. E então eu senti que definitivamente, não deveria sair dali nem se uma crise de consciência me invadisse de última hora.
Soltei os seus braços e imediatamente, suas mãos foram parar em minhas coxas, me puxando para mais perto, como se isso fosse possível. Os meus braços, eu entrelacei em seu pescoço, enquanto puxava seu cabelo.

"Oh baby don't you know I suffer
Oh baby can't you hear me moan?
You caught me under false pretenses
How long before you let me go?
Ooh, you set my soul alight
Ooh, you set my soul alight"

O clima foi esquentando ainda mais e eu não sei como, só sei que senti uma pressão sobre mim e de repente, me vi prensada contra uma parede. Benjamin partiu o beijo e me soltou, senti meus pés tocarem o chão e Benjamin erguer os meus braços, os imobilizando contra a parede, e atacando o meu pescoço, no sentido mais sensual e nada vampiresco, para minha sorte.
Abri os olhos por um momento, a fim de saber o que raios havia acontecido. Nós estávamos do outro lado da sala, bem na entrada do corredor. Nem precisei calcular a distancia do sofá até ali, era bem obvio que Benjamin se aproveitou de sua capacidade sobre-humana.
E não posso negar que aquilo era bem excitante. Não sei se era cem por cento a bebedeira, mas eu tenho certeza que ela contribuiu muito para aquele momento acontecer.
Benjamin se afastou de mim e começou a despir a blusa que vestia, e mesmo desnorteada, eu também fiz isso com a minha camiseta, sendo bem mais lerda que ele, que impaciente, terminou de tirar a peça de mim às pressas.
Voltamos a nos beijar com urgência e então senti suas mãos voltarem para minha coxa, mas agora pela parte de trás. Me ergueu e eu entrelacei minhas pernas em sua cintura e voltei a depositar meus braços ao redor de seu pescoço.
Numa fração de segundo, senti um vento gelado bater em minhas costas e então algo eu estava em cima de algo macio, e um peso se depositava sobre mim. Benjamin partiu o beijo novamente e se afastou. Eu me apoiei em meus cotovelos e tentei entender o que aconteceu, já que estávamos no quarto e eu estava deitada na cama.
Balancei a cabeça sem conter o riso impressionado em meus lábios. Olhei para Benjamin, e o mesmo já havia se livrado da camiseta preta, das calças e até das meias, por mais incrível que pareça.
Pisquei, e Benjamin não estava mais ali. Me perguntando onde ele estava, e apressada, comecei a desabotoar a minha calça e então eu ouvi que a musica na sala ficou mais alta. Sorri, me livrando da peça, que foi parar no chão e então olhei para a porta, e Benjamin estava lá, só me analisando.
– O que foi? – perguntei.
Ele foi se aproximando devagar de mim.
– Você tem certeza disso? Sabe que depois não tem volta.
Eu dei de ombros e me sentei, sorrindo.
– Eu sei disso e não dou a mínima.
Aos poucos, o sorriso tentador de Benjamin voltou a aparecer e então ele se inclinou para mim, subindo na cama e me arrastando para o meio da mesma.
– Ótimo. – foi tudo que ele disse.
Ele estava certo, não tinha mais volta. Mas eu também estava certa. Eu não dava à mínima.

“Supermassive black hole
Supermassive black hole
Supermassive black hole”

's P.O.V Off

Flashback Off

Alliance, Nebraska.

Era madrugada quando as duas chegaram à casa de Jesse. atirou no tranco da porta e as duas entraram na casa, encontrando Jesse assustado no canto da sala.
– Tinha um homem de sobretudo aqui? – perguntou.
O menino assentiu assustado e apontou para o chão. As duas se aproximaram e viram um bonequinho exatamente como Castiel no chão. pegou o boneco e olhou para a irmã, que ficou tão assustada quanto o menino.
As duas conversaram com Jesse, o acalmando aos poucos e quando o menino já estava melhor, ele perguntou:
– Era seu amigo?
, que colocava o boneco de Castiel em cima da lareira o olhou assustada.
– Quê? Não, não. Imagina. – não seria nem doida de dizer a verdade.
O menino olhou para o boneco.
– Eu fiz isso. Mas como eu fiz isso?
– Você é um super-herói. – sugeriu, olhando para , que assentiu.
– Eu sou?
– É. – sorriu. – Quem mais ia conseguir transformar alguém em brinquedo? Você é quase o super-homem. Nós trabalhamos pra uma agência secreta. Quase igual à S.H.I.E.L.D. E é nosso dever encontrar crianças com poderes especiais. A gente veio aqui pra levar você pra uma base secreta em Dakota do Sul, onde você vai aprender a combater o mal.
– Como os X-men?
– Igualzinho. Você vai ser um herói. Vai salvar vidas. Não é legal? – perguntou.
O menino a encarou sorrindo e de repente, foi jogada numa parede.
Estão mentindo pra você.
se levantou rapidamente e olhou para trás, encontrando Julia, agora com os olhos negros na entrada da sala.
– Não...
– Fica quieta. – Julia a cortou, se aproximando de Jesse e erguendo a mão para as duas, que de uma parede foram jogadas contra a outra e depois voltaram.
Jesse assistia a cena assustado.
– DEIXE-AS EM PAZ!
Julia parou e olhou o menino.
– Jesse, você é lindo. – ela se abaixou e ficou da altura do menino. – Tem os olhos do pai.
– Quem é você?
– Sua mãe.
– Não, não é.
– Você é metade humano e metade um de nós.
– Ela quer dizer demônio, Jesse. – falou, ainda presa contra a parede.
A mulher se virou para ela, estendeu a mão e a fechou, fazendo e gemerem de dor.
– Essas pessoas que você diz que são seus pais, mentiram. – ela voltou a se abaixar para o menino. – Eles não são seus pais. Não de verdade.
– Mamãe e papai me amam.
– Amam? Por isso te deixam sozinho o dia todo? Esses impostores, eles disseram que a fada dos dentes era real, e que os brinquedos podiam machucar e um monte de coisas que não são verdade. Eles amam tanto você que transformaram a sua vida numa mentira... – o menino a olhava pensativo. – Todo mundo mentiu pra você. Essas duas não são do FBI. E você não é um super-herói.
– Então o que eu sou?
– Você é poderoso. – Julia sorriu. – Você pode ter ou fazer o que quiser.
– NÃO ACREDITE NELA, JESSE. – gritou e a mulher voltou a esticar e a fechar a mão na sua frente. – Eles trataram você como criança. Ninguém confiou em você. Todo mundo mentiu. Você não fica com raiva? – O menino encarou a mulher e fechou os punhos. As luzes do local começaram a piscar e a lareira acendeu sozinha. – Viu? Você fica com raiva. – Julia falou sorrindo. – Mas eu estou dizendo a verdade Jesse. Não é melhor um lugar que não tem mentiras? Vem comigo. Você pode deixar tudo pra trás. Recomeçar. Imagine: um mundo sem mentiras.
– Ela tem razão. – diz. – Mentimos pra você. Mas eu vou dizer a verdade.
Julia então ergueu as mãos para , que se contorceu de dor.
– Eu só... Só quero falar que... – ela tentava continuar a falar, mas estava meio difícil.
– Para. – o menino pediu. Julia abaixou a mão e caiu no chão. – Eu quero ouvir o que ela vai dizer.
– Você é mais forte do que eu pensei. – Julia falou impressionada.
– Jesse, nós mentimos pra você. E nós sentimos muito. Então a verdade é essa: eu sou Barbosa e essa é minha irmã, . Nós caçamos monstros. E essa mulher aí, o nome dela é Julia. Ela é a sua mãe, mas o que está dentro dela, o que está conversando com você, é um demônio.
– Um demônio?
– Ela mentiu pra você desde a hora que se conheceram. – Julia interferiu. – Não dê atenção a ela. Castigue ela...
– Senta e cala a boca. – o menino falou e na mesma hora, uma cadeira foi arrastada sozinha até Julia, que automaticamente se sentou e ficou quieta.
– Existe uma... – falou nervosa por Julia e com medo de Jesse. – Espécie de guerra entre anjos e demônios. E você é parte dela.
– Sou só uma criança.
– Você pode ir com ela, se quiser. Eu não posso evitar que faça sua escolha... Mas se você for, milhões de pessoas vão morrer.
– Ela disse que eu sou metade demônio. É verdade?
– É. Mas é metade humano também. Pode fazer a coisa certa. Você tem escolhas Jesse. Mas se escolher errado, poderá se culpar pelo resto de sua vida. – falava e se lembrava de Sam. E torcia pro menino não ter o mesmo futuro que ele.
– Por que tá me dizendo isso? – o menino perguntou alterado.
– Porque eu tenho que acreditar que alguém tem que fazer a escolha certa.
Jesse encarou por alguns segundos e fechou o punho de novo. Olhou para Julia e mandou:
– Sai dela.
E assim que mandou, uma fumaça negra saiu da boca de Julia, que desmaiou. Na mesma hora, caiu no chão.
– Como fez isso? – ela perguntou.
– Fazendo. – o menino deu de ombros.
– Jesse... Você é incrível.
– Ela vai ficar bem? – Jesse perguntou, olhando para a mãe.
– Vai sim. – respondeu, pegando o bonequinho de Castiel, que tinha caído no chão. – Olha... Na verdade, ele é nosso amigo, sim. Será que você pode trazer ele de volta?
– Ele tentou me matar.
– Hã... Tentou, mas ele é um cara legal... Um pouco esquisito, mas legal. Ele só tava confuso. – ela encarou o menino, que parecia não estar nem um pouco disposto a trazer Castiel de volta. – Tudo bem... Você teve uma longa noite. Depois a gente fala sobre isso. – ela colocou o boneco em cima da lareira de novo.
– E agora?
olhou para .
– Agora a gente vai levar você pra um lugar seguro. Pra ser treinado. Vai ser útil numa luta. – respondeu.
– E se eu não quiser lutar?
– Jesse... – se aproximou. – Você é poderoso. E você é mais poderoso do que qualquer coisa que já vimos antes. Então, você é...
– Esquisito.
– Pra alguns, talvez. Mas pra nós não. Sabe, a gente também é meio esquisita. A gente anda com pessoas mais esquisitas ainda, então...
– Eu não posso ficar?
– Não. Os demônios agora sabem onde você tá. Eles vão vir te buscar. – respondeu.
– Eu não vou sem meus pais.
– Não tem nada mais importante do que a família, a gente sabe. E se você quiser mesmo levar eles, beleza, não tem problema. Mas você tem que entender que é perigoso pra eles também.
– Como assim?
– A gente conhece algumas pessoas que perderam os pais porque os demônios os mataram. Olha Jesse, depois que entra nessa luta, tem que ficar nela até o fim. Ganhando ou perdendo.
– E o que eu faço?
– Não podemos dizer. A escolha é sua. – respondeu. – Não é justo, eu sei.
– Posso ver meus pais?... Eu tenho que me despedir.
– Pode.
O menino então deu as costas e subiu as escadas.
– Caramba. – suspirou. – Que difícil.
– Nem me fala... O pior é que dá tanta dó.
– Eu sei. Mas é preciso.
– Por um momento eu pensei que ele fosse fazer o mesmo que o Sam.
– Pra você ver como um menino pode ter mais consciência que um adulto. – deu de ombros e voltou a pegar o boneco do Castiel. – Olha só, até que é engraçadinho.
riu pelo nariz.
– Que maldade! Será que ele sente?
– Não sei. – riu pelo nariz também. – Olha bem pra cara dele... Ele ainda tá sem expressão, não acha? Eu sou Castiel, um anjo do senhor. tentou imitar o tom de voz do anjo, balançando o boneco.
gargalhou e bateu palmas.
– Tá, chega. – ela soltou um último riso e pegou o boneco da irmã. – Que maldade... Ei, você não acha que o Jesse tá demorando? – ela colocou o boneco em cima da lareira.
– Acho. Será que ele foi fazer as malas?
– Vamos ver.
As duas então subiram as escadas. Foram até o quarto dos pais e não encontraram nada. Depois, foram até o quarto do garoto, mas estava vazio.
Ele foi embora.
As duas se viraram e viram Castiel parado atrás delas.
– Pra onde? – perguntou.
– Eu não sei. Jesse fez todo mundo voltar ao normal... Quem estava vivo e depois sumiu.
olhou para a cama do menino.
– Olhem... – ela entrou no quarto e pegou um bilhete em cima da cama.
– O que tá escrito? – perguntou.
– Que ele teve que ir embora para os pais ficarem seguros. Que ele os ama demais e que sente muito. – resumiu o bilhete.
– Como a gente o acha?
– Com os poderes dele, não acha. – Castiel respondeu. – A não ser que ele queira ser achado.
– Poxa, que droga. – disse, deixando o bilhete em cima da cama e saindo do quarto.
– Nem tanto. – respondeu conforme descia as escadas. – É melhor assim, que ninguém saiba onde ele está.
– Mas e se ele se revoltar?
– Vamos torcer pra que ele não se revolte. – olhou para trás, para falar com Castiel, mas o anjo não estava mais lá. – Ah... Ok, tchau, Castiel.
As duas saíram da casa poucos minutos depois.

...

Enquanto dirigia, o celular de tocou. Ela o pegou e mesmo recebendo chamadas da irmã, ela abriu a mensagem do número desconhecido. “Isso não vai me impedir. LIGUE!”. Ela rolou os olhos e desligou o celular, jogando o aparelho no banco de trás.
– Você acha que o Jesse vai ficar bem? – ela perguntou.
As duas já estavam voltando para o motel.
olhou para irmã com a sobrancelha erguida.
– Ué, não foi você quem disse que era melhor assim?
– Sim, mas ainda assim eu me preocupo. É só uma criança, e é tão bonitinha.
assentiu e fez alguns segundos de silencio até responder:
– Respondendo sua pergunta: Espero que sim.
– Eu acho que a gente acabou com a vida dele contando a verdade.
– Mas a gente não tinha escolha... Era a melhor opção. Agora que ele sabe o que pode se tornar, ele não vai permitir que o encontrem.
– Aham... E então?
– O quê?
– Pra onde a gente vai?
– Ah, não sei.
– Quer voltar pra casa? – ligou o rádio, que começou a tocar End of The Day, do One Direction.
– Eu não. Prefiro trabalhar... Pra amadurecer. – respondeu segurando o riso.
olhou para a irmã e deu um tapa no braço dela.
– Idiota. Não teve a menor graça.
– Ué, você esqueceu que a gente tem que amadurecer?
– A gente já é madura o suficiente. – ela aumentou o volume. – E se isso não é ser madura o suficiente, que o Dean se dane. Canta aí, é a sua parte.
I set you on fire babe, then down came the lightning on me… cantou sorrindo.
então sorriu também e bateu no volante conforme o ritmo da música.
ALL I KNOW AT THE END OF THE DAY, IS YOU WANT WHAT YOU WANT AND YOU SAY WHAT YOU SAY. AND YOU'LL FOLLOW YOUR HEART EVEN THOUGH IT'LL BREAK… SOMETIMES. – as duas cantaram aos gritos. – ALL I KNOW AT THE END OF THE DAY, IS YOU LOVE WHO YOU LOVE, THERE AIN'T NO OTHER WAY. IF THERE'S SOMETHING I'VE LEARNT FROM A MILLION MISTAKES, YOU'RE THE ONE THAT I WANT AT THE END OF THE DAY.
E assim elas voltaram para o motel, depois de mais uma missão cumprida.

Flashback On
Há quatro meses.

Scott, Illinois.

's P.O.V

Abri os olhos abruptamente e senti uma onde forte de dor de cabeça me invadir. Voltei a fechá-los com força, na tentativa de diminuir aquela dor insana, mas acabei cedendo ao fato óbvio que eu não teria a capacidade que alguns comprimidos e café sem açúcar teriam.
Abri novamente os olhos e pisquei algumas vezes, até ver nitidamente a parede branca a minha frente. “Onde eu estava?”, foi a pergunta que eu me fiz, e ao voltar a fechar os olhos, uma onda de flashbacks distorcidos invadiu minha mente.
BENJAMIN!
E então me sentei no mesmo instante. Comecei a olhar ao redor, e então notei que minha calça estava jogada a minha direita.
Não podia ser, meu Deus! Não podia ser!
Olhei para trás, no meu lado direito e no criado-mudo, vi um rádio relógio que marcava cinco e quarenta da manhã. Olhei para baixo e notei que eu estava de calcinha e sutiã, e só um lençol bagunçado na cama cobria metade da minha perna. O puxei imediatamente, me cobrindo até o peito e tentei colocar as coisas em ordens. Aos poucos, as coisas foram voltando na minha mente.
Benjamin, bebidas, frango, música, Michael Jackson, mais bebida, sinuca, danças, choradeira e mais bebida. Não sabia qual era a ordem, só sabia que acabei dormindo na casa de Benjamin, e até aí tudo bem, não era a primeira vez que eu fazia isso. Mas pelo estado que eu me encontrava, eu só podia chegar à conclusão de que eu dormi COM o Benjamin, não precisava ser muito esperto para notar isso.
Puta que pariu.
Levei a mão à boca, totalmente incrédula e então senti o cheiro de café invadir meus pulmões. Ergui meu olhar para a porta, que ficava de frete para a cama, e apesar de não enxergar nada além da parede do corredor, era como se eu pudesse ver Benjamin preparando o café, e ouvindo música baixinho.
Meu Deus, eu não acredito que isso aconteceu. Eu não acredito que ele deixou que acontecesse. Eu não acredito que eu deixei acontecer.
Ouviu ele cantarolar a música e até mesmo alguns passos se aproximar e me levantei subitamente, correndo até a porta e a trancando. E eu não estava nem aí se a casa era minha, ou se eu estava sendo infantil ou não.
Fiquei de costas para a porta, olhando de um lado para o outro do quarto e então quase tive um infarto quando ouvi batidas na porta.
, abre aí.
Eu ignorei, balançando a cabeça e correndo até minha calça, vestindo-a com pressa e toda atrapalhada.
... A gente precisa conversar... ...
– CALA A BOCA, BENJAMIN! – então eu gritei e corri até a porta, dando um tapa forte na mesma.
– A gente...
– NÃO, A GENTE NÃO PRECISA CONVERSAR NUNCA MAIS. EU QUERO IR EMBORA!
– Você vai ter que passar por mim. – ele disse calmamente, o que me irritou. – E naturalmente vai ter que me escutar.
– EU NÃO QUERO ESCUTAR NADA DE VOCÊ. MEU DEUS, BENJAMIN! OLHA O QUE ACONTECEU!... A CULPA É TODA SUA!
– Minha?!
– EXATAMENTE.
– Você bebeu porque quis.
– E VOCÊ DEIXOU.
– Porque eu não sou responsável por você!
Eu abri a boca para responder, mas não tinha resposta a não ser grunhir e abrir a porta violentamente. Benjamin não estava mais no corredor e de repente, as vantagens sobre-humanas dele não me eram tão atraentes mais.
Segui o corredor até a sala e encontrei minha camiseta no chão. Eu estava só de sutiã e calça até o momento, então peguei a peça que faltava e me vesti, enquanto Benjamin me fitava com cara de idiota no meio da sala.
...
– Eu deveria matar você! – disse indo até ele.
– Me matar?! Foi você quem pulou em cima de mim!
– Isso não importa, eu tava bêbada, você deveria ter me impedido.
– Como se você não em conhecesse.
Eu o fitei por alguns segundos, incrédula.
– Você se aproveitou de mim, seu covarde!
– Eu nunca faria isso com ninguém. – se defendeu rapidamente. – Eu te alertei várias vezes, mas você disse que não se importava.
– E não passou pela sua cabeça que talvez eu tivesse louca?
– Passou, mas como eu disse, como se você não me conhecesse.
Ergui minha mão e dei um tapa forte em seu braço, ele nem reagiu.
– Aaah, Benjamin! – disse praticamente puxando os meus cabelos e me sentando no sofá, enterrando meu rosto em minhas mãos.
Fiquei algum tempo assim, em silencio, tentando imaginar a merda que fiz, até que o ouvi suspirar sem um pingo de arrependimento.
– Eu sinto muito pelo que aconteceu, mas aconteceu. Nenhum de nós dos tem culpa de nada.
Ergui minha cabeça colocando na mesma que eu deveria ser a adulta que meu pai queria que fosse, ou seja, totalmente responsável por minhas ações.
– Mas isso não muda o que aconteceu.
– Eu sei que não, mas o que a gente pode fazer a não ser seguir em frente?
Suspirei, sem saída.
– Eu não sei, Benji. – balancei a cabeça mais algumas vezes e desviei o olhar. – Não sei nem se vou conseguir olhar pra você de novo.
Aí ele me olhou preocupado.
– O que você tá querendo dizer?
– Que me sinto mal, culpada e uma piranha.
Ele fez uma pausa e assentiu.
– Tá olha, se não fosse comigo, teria sido com outro, que eu sei. – eu pensei em reclamar, mas ele foi mais rápido. – Se você se sente mal, por incrível que pareça, eu também. Mas o que você quer que eu faça? Corra pra um Sex Shop e pegue um chicotinho pra me punir?
Aí eu comecei a rir, sentindo minha cabeça latejar. Benjamin aproveitou a deixa e se aproximou de mim, sentando-se ao meu lado. Eu não recuei.
– Agora eu não me sinto culpado.
– Bom pra você.
– É sério, e você também não deveria. Muitos casais de amigos passam por isso que estamos passando agora e a maioria mantem a amizade colorida...
– Não vamos fazer isso.
– Eu nem quero isso. – respondeu imediatamente, o olhei e notei que ele falava sério. Pelo menos isso. – Outra parte – como todo filme bobinho –, acabam encontrando um amor ou se afastam porque não souberam administrar a situação... Eu não quero que a gente seja assim.
Eu abaixei a cabeça e assenti.
– Eu também não.
– Você lembra do que aconteceu?
Dei de ombros.
– Não posso dizer que sim.
Ele deu de ombros.
– Eu me lembro de tudo, mas eu tô disposto a colocar uma pedra no que aconteceu. Você tá disposta a isso?
– Benja...
, responda a pergunta.
Eu o encarei e assenti sincera. Ele se mantinha pleno, mas comprimia os lábios para não rir. Mas não aguentou por muito tempo. Acabou explodindo e caindo numa gargalhada ridiculamente alta. Eu não entendi nada.
– O que foi? – perguntei.
Aí Benjamin começou a gargalhar mais ainda, batendo palmas e aos poucos, tentando se recompor.
– Você é hilária desesperada.
Bufei irritada.
– Benjamin!
Ele riu mais um pouco e então fez sinal para eu parar. Droga, eu já estava parada.
– Não aconteceu nada, besta.
Aí eu fiquei em choque. Tentei assimilar, balbuciando algumas coisas desconexas até me sentar no sofá e perguntar definitivamente:
– Não? Você mentiu pra mim? – aí ele riu mais ainda e eu me levantei num pulo, “p” da minha vida. – VOCÊ MENTIU?! DESGRAÇADO! – eu o xinguei e comecei a estapeá-lo, e o infeliz não reclamava, ria mais ainda.
Ele se levantou rapidamente, e eu estapeei o ar por alguns segundos. Benjamin foi se acalmando e eu me sentei fula da vida no sofá.
– Que fique bem claro que eu te alertei várias vezes, mas você disse que não se importava. – se defendeu rapidamente, erguendo as mãos. – Você me conhece, sabe que dificilmente eu negaria uma coisa dessas, ainda mais com você, mas não, não rolou nada.
Eu o olhei sem entender um “a” sequer. Era muita informação, mas aos poucos o alivio foi me tomando conta.
– Tá com raiva? – ele perguntou com um principio de risada.
– É LÓGICO QUE EU TÔ! – respondi grossa, mas depois me deixei baixar a cabeça e tapar os olhos, respirando fundo. – Mas tô aliviada.
– Também, depois do ataque cardíaco que teve.
Eu assenti e o olhei receosa.
– Pode, por favor, me dizer o que realmente aconteceu?

's P.O.V Off

Há algumas horas.

Aos poucos, o sorriso tentador de Benjamin voltou a aparecer e então ele se inclinou para ela, subindo na cama e a arrastando para o meio da mesma.
– Ótimo. – foi tudo que ele disse.
Benjamin puxou o lençol debaixo de e saiu de cima da moça, a cobrindo.
– Ei, o que você tá fazendo? – ela perguntou se sentando e se descobrindo, confusa.
– Você tá muito louca, é melhor dormir.
Ela parou e o olhou atônita por alguns segundos, começando a rir novamente.
– Ah, Benjamin, fala sério.
Ele riu e deu de ombros, se sentando ao lado dela.
– Eu sei, nem eu tô me reconhecendo.
Ela riu e ficou de joelho, se inclinando para o colo do vampiro, que a empurrava gentilmente.
– Mas eu não faria isso se você não tivesse sóbria. Talvez nem isso. – a fitou.
então foi desmanchando a pose dela, parecendo receber um choque de realidade aos poucos.
– T-tem razão. – ela disse por fim e o olhando arrependida. – Eu não posso fazer isso, não posso, eu, eu vou embora. – ela disse se levantando, mas Benjamin a puxou de volta para a cama e se levantou.
– Não, fique aí e tente dormir. – caminhou até a porta, deixando a moça atônita na cama. Colocou a mão na porta e se virou para ela. – Boa noite, . – fechou a porta.

Agora.

's P.O.V

– E foi isso que aconteceu.
E então eu fiquei vermelha como um tomate e cobri o rosto com uma almofada. Eu queria morrer.
Benjamin obviamente percebeu minha reação e soltou um riso pelo nariz.
– Relaxa, todo mundo faz besteira quando tá bêbado. Mas geralmente as pessoas ligam pro ex e se humilham, não saem por aí pra abusar do amigo.
Eu ri de nervoso e depois de algum tempo, senti sua mão em cima do meu ombro. Eu ergui o rosto e o olhei mega sem graça.
– Me perdoe. – foi tudo que eu disse.
– Relaxa. Eu que peço desculpa, não deveria ter permitido chegar tão longe.
Balancei a cabeça algumas vezes, concordando com ele. Realmente, ele poderia ter evitado, mas eu sabia como ele era e acho realmente um milagre ele não ter levado aquilo adiante.
– Tudo bem. – respondi. – Pelo menos não foi tão longe assim.
Ele assentiu e abriu um sorriso aliviado.
– Ótimo, porque a última amiga a sua altura que eu tive, morreu de velhice há uns vinte anos. Não sei em quanto tempo vou conseguir uma substituta. – eu soltei um riso quase ofendido. – Tô brincando, você é insubstituível. Até cogitei uma vez a ideia de te transformar, pra uivarmos juntos pra lua.
Aí eu comecei a rir como uma hiena novamente, mas levei as mãos à têmpora no mesmo instante, ficando com uma expressão de dor bem visível.
– Nossa, achei que ressaca fosse raro em sua vida, já que é tão comum você encher a cara.
– Há-há, palhaço.
Ele riu e me estendeu a mão, se levantando.
– Eu preparei café pra você.
Eu pensei algumas vezes antes de pegá-la, eu confesso, mas cedi, e fui sendo puxada por ele até a cozinha, onde Benjamin me deu dois comprimidos e eu tomei de uma vez, com café sem açúcar.
Ficamos em silencio longos minutos até ele quebra-lo:
– Você me desculpa?
Olhei para ele sem entender. Benjamin não ousava me olhar, e eu senti sinceridade em suas palavras e fiquei completamente agradecida por dentro. Não era sempre que ele pedia desculpas e percebi que ele se sentia mal por mim e se culpava por minha causa.
– Já disse que tudo bem. Você não precisa me pedir desculpa.
Ele me fitou por alguns segundos e suspirou aliviado.
– Ah, que bom. Teve um ponto que cheguei a pensar em ir até um padre me confessar. Senti que tivesse cometido incesto.
Eu ri.
– Eu também... Escuta, você tem aquele lance de controle da mente?
Ele olhou estranho, então expliquei:
– Sabe, controle da mente, entrar na mente da pessoa e persuadi-la, e também distorcer alguns fatos, apagar memoria, sei lá.
Ele me olhou cético, até que rolou os olhos, irritado. Eu segurei o riso.
– Que que é? Tá achando que a gente é como aqueles idiotas de séries adolescentes? Daqui a pouco vai me dizer que eu uso um anel pra não me queimar de sol e antes que você me pergunte, não, eu não escrevo um diário.
Então eu comecei a gargalhar. A dor de cabeça diminuía, mas ainda existia, mas eu não me importei, continuei rindo da reação impagável dele.
– Desculpe – eu disse, tentando recuperar o folego. – Eu só queria te zoar. Sabe, uma vingança pelo que você me fez.
Ele acabou por rir também.
– Qual é, me perguntar uma coisa dessas me ofende duas vezes. Uma, por razões obvias e outra porque me faz pensar que a noite foi tão ruim que seria melhor esquecer.
– Foi um fracasso, você broxou.
Ele me olhou ofendido, o que me fez gargalhar sem dó, até que me acalmei e emendei:
– Falando sério agora... Pelo que eu me lembro, foi uma experiência bem interessante, se posso dizer. Foi... – tentei procurar a palavra certa, mas acabei soltando o ar num assobio. – Interessante. – nós dissemos juntos.
Nos encaramos com um meio sorriso e começamos a rir.
– É, você não é das piores também... Foi, como é que se diz... Interessante.
– Benji!
Ele riu.
– Qual é, tá com vergonha agora?
– Eu não, mas é que é estranho.
– Nós somos estranhos, , supere.
Assenti sorrindo, até que mudei para uma expressão séria.
– Mas não vai acontecer de novo.
– Absolutamente. – ele respondeu sério, mas me lançando um sorriso sapeca. – Você precisa se internar numa clínica de reabilitação, precisa de ajuda. É um conselho de amigo.
Eu fiz um muxoxo.
– Relaxa, eu não vou te assediar novamente. Me poupe de seus conselhos.
Ele assentiu, sorrindo aliviado.
– Ainda bem. – ele fez uma pausa e ficou sério de repente, cruzando os braços e os apoiando na mesa, se inclinando para mim. – Mas agora aqui vai um conselho sério mesmo... Você não é mais a mesma, não tente voltar a ser o que era antes, saindo sempre que possível com caras que nem ligam realmente pra você. O Winchester pode ser ruim, pode até não ser o cara certo pra você, mas é graças a ele que você tá mudada.
Eu sabia que estava mudada, não sabia se era pra melhor ou pior. Mas reconheço que aconteceu depois de conhecer os Winchesters, mesmo que o mérito não fosse todo deles.
, eu vivo há muitos anos. Vi pessoas que eu gostava morrerem. Amigos vieram e foram embora num piscar de olhos. Eu sei mais do que ninguém que o tempo voa e que rancor não leva a lugar nenhum, não acrescenta em nada. Eu sei que você é do tipo que perdoa, mas também é do tipo que fica remoendo. Não perca seu tempo com raiva dos outros, pelo menos com o Dean. É meio óbvio que ele tem certa importância pra você. Se você não quiser continuar o que tinham, ofereça sua amizade. Ele vai precisar. Ligue.
– Não. – respondi categoricamente.
Benjamin suspirou assentido.
Eu o fitei por alguns segundos e então baixei meu olhar, fitando a bebida negra que estava numa caneca branca em minha mão, pelando de quente.
Eu não estava pronta para falar, nem disposta a perdoar o que Dean fez.
Não por enquanto.

's P.O.V Off

Flashback Off



The Curious Case of Dean Winchester

Denver, Colorado.
Um mês depois.

– Bobby, o cara joga pôquer pra ganhar anos de vida, não por dinheiro. Até parece loucura, né? – Falou Dean ao telefone, depois de um dia de investigação.
Então o que acham que tem aí?
– Um bruxo muito do esperto.
Estranho. Não tem registro disso há séculos.
– Parece que ele é o rei das cartas, Bobby. Ele joga com pessoas idosas que querem os anos dourados de volta. Ele já deve ter muitos anos no banco.
Já acharam o bar que ele trabalha?
– Tem muitos bares na cidade, eu e Sam temos que nos separar.
Ah, é? E por que ainda está falando comigo? – Disse Bobby antes de desligar e pegar as chaves do carro.
Dean desligou o celular e olhou para o irmão.
– É, Sammy, parece que hoje afundaremos o pé na jaca...

Albuquerque, Novo México.

e estavam em seu quarto, cansadas depois de uma longa caçada, que só teve fim naquela tarde.
, eu estive pensando... – Falou , enquanto se esticava na cama e se cobria.
– O quê?
já estava deitada mexendo no celular.
– Ah, não sei o que você acha, mas eu acho que poderíamos ficar aqui até o final de semana. Gostei da cidade.
– E você acha que agora é um bom momento pra pensarmos nisso?
– Nossa! Grossa. Eu só estava comentando.
olhou para .
– Desculpa, é que eu tô começando a ficar preocupada. Já faz um tempo que não falo com o Sam, e não tenho noticias de como as coisas vão.
– Eu acho que você tá se preocupando a toa. Se tivesse acontecido alguma coisa, nós já estaríamos sabendo. – Disse um pouco mais grossa. – E outra, se eles quisessem nos manter informadas, eles nos ligariam.
– Ah, , não exagera.
– Eu, exagerando? , eles voltaram a caçar e você ficou sabendo por um acaso.
– Não, o Sam me contou. – Corrigiu.
– Por um acaso. Ou você acha que o Dean aceitaria que o Sam contasse pra você?
– E por que não?
– Simplesmente porque foi ideia dele da gente se separar. Ele passou esses seis meses sem dar noticias. Tá na cara que ele não quer que a gente se envolva.
– Ah, não é assim. Você só tá dizendo isso porque tá magoada com o Dean. – Falou rindo, ela sabia que aquilo irritaria a sua irmã.
– Eu não tô! Eu só tô dizendo o que você recusa a admitir. – Disse revirando os olhos e bufando. – Sabe de uma coisa? Deixa quieto, eu vou dormir.
– Calma, calma, desculpa. Eu sei que você pode estar certa. – Disse colocando o celular na mesinha e olhando para a irmã. – Agora me diga, o que você queria dizer com ficar aqui até o final de semana?
– Nada, eu só acho que deveríamos aproveitar um pouco pra descansar antes das coisas piorarem.
pensou por alguns segundos. As duas haviam trabalhado duro desde que se separaram, e nada mais justo do que aproveitar um pouco a vida antes do fim do mundo.
– É, eu acho que tem razão. Vamos ficar e viver um pouco como pessoas normais.
– Então, isso significa...
– Que se você quiser ficar, por mim tudo bem. – Deu de ombros. – E outra, só temos um carro, e que aliais, é seu. Então, onde você for eu vou.
deu um sorriso cínico.
– Isso que dá querer deixar o carro com os outros.
– Falando assim até parece que eu deixei o carro com qualquer um.
– E não deixou, mas em troca ele nem se importa em dar noticias.
sorriu e balançou a cabeça.
– Cuidado aí, daqui a pouco o seu veneno vai escorrer pelo canto da sua boca.
– O que é, não gosta da verdade? Admita que você morre de raiva.
– Aff, cala a boca.
– Ah, qual é? Vai dizer que você não esperava que a reconciliação de vocês levasse todo esse tempo. Seis meses, né?
– Não adianta, tá? Eu não vou cair no seu joguinho. Eu sabia que assim que nos separássemos não voltaríamos tão cedo.
– Mas você não fica nem um pouco curiosa em saber se nesse tempo ele arrumou alguém?
deu de ombros.
– Duvido. Ele não falou nada.
– É, claro. Até porque ele seria honesto o suficiente pra admitir uma recaída.
– E por que não? Pelo que eu saiba todos nós estamos desimpedidos, então.
riu.
– É, você tem razão. Eu só espero que você permaneça pensando assim se um dia encontra-lo com outra.
apenas riu, mas na verdade não conteve o nervoso. Será que aquilo seria possível, e que ela e Sam haviam definitivamente terminado? Tudo bem que os dois se falavam e se encontravam – com direito a flashbacks – de vez em quando, mas em nenhum momento mencionaram qual era a real situação.
– Eu não sei por que você tá falando de mim. Pelo que eu sabia, Dean é o galinha entre eles.
De repente o sorriso de sumiu de seu rosto.
– Eu não tô nem aí. Desde que ele nos mandou pastar, ele pode se considerar livre e desimpedido pra fazer o que quiser.
– Ah, conta outra. Até parece que se você o visse dando em cima de qualquer uma, você não sentiria uma pontinha de ciúmes.
– Não. Como eu disse, ele tá livre e as escolhas dele já não são mais problemas meus. Alias, nunca foram mesmo. – Deu de ombros.
– Se você diz.
– Eu digo e assino embaixo. – Disse se apoiando no cotovelo e apagando abajur. – Agora durma, que eu pretendo sair cedo pra explorar a cidade.
apenas sorriu e assentiu, ela sabia que no fundo a irmã estava com dor de cotovelo.

Denver, Colorado.

– Me vê uma cerveja. – Pediu Dean a um barman.
Parecia que aquele era o centésimo que havia visitado em um único dia tudo graças á sua investigação. Em dias melhores, ele não estaria nem um pouco incomodado, mas aquele não era o seu dia, literalmente. Só não entendia exatamente por quê. Talvez fossem os fantasmas do passado o assombrando ou sua consciência pesando.
– Claro. – Respondeu o Barman, pegando na geladeira embaixo do balcão e o servindo.
A fim de focar em seu trabalho, Dean afastou todas as lembranças e olhou para o barman que limpava o balcão.
– Você sabe se tem algum jogo de pôquer rolando por aqui? – perguntou como se não quisesse nada, não custava nada tentar mais uma vez.
O homem deu de ombros.
– É um bar, não um casino.
– O meu amigo Ben disse que você sabia.
– Eu não conheço nenhum Ben.
– Com certeza conhece. Meio careca, um cara durão, metido a garanhão...
– Olha cara, eu já disse, não conheço nenhum Ben e não sei de nenhum jogo.
– Mesmo? Porque ele conhece você. – Disse pegando uma nota de cem dólares do paletó e colocando em cima do balcão.
O barman o olhou e Dean deu um leve sorriso de canto. Ele sabia exatamente como fazer alguém falar.
– Lá atrás. Desça pelo elevador e atravesse o estacionamento. – Disse pegando a nota e guardando no bolso da calça. Dean assentiu, e se levantou seguindo o caminho que o Barman lhe falou em seguida.
Novamente, vários flashes passaram por sua cabeça

Flashback On

Um mês após a casa de Bobby esvaziar, Dean decidiu que aquela era a sua hora de seguir em frente, não que Bobby estivesse pedindo, ou que atrapalhasse alguma coisa, mas o problema era ele. Ele e as lembranças que persistiam em incomodar.
Longas horas de viagem depois, parou em uma lanchonete. Seu estomago roncava e se ele quisesse seguir viagem sem estresses, ele tinha que se reabastecer.
Por varias vezes ele havia pensado em deixar todo o seu desapontamento de lado, e voltar a ser o que era. Voltar a falar com o irmão, encontrar e dizer que estava errado... Mas aquilo definitivamente não parecia certo.
Não naquele momento.
O seu desapontamento era grande, e mesmo que as meninas não tivessem nada a ver com o que aconteceu entre ele e o irmão, o afastamento dos quatro era necessário, pelo menos era o que a sua cabeça insistia em fazê-lo pensar, ainda mais quando se tratava de .
Sabia que àquela altura do campeonato, seria difícil faze-la perdoa-lo e ele não tirava a razão. Os dois estavam relativamente bem, e mesmo entre os problemas e discussões, ela sempre esteve ao lado dele, e ele sentia falta daquilo, ainda mais naquele momento.
Mas ele tinha as suas razões, a sua cabeça estava uma bagunça e a incerteza do que o futuro reservava para ele e para o irmão – já que ambos eram cascas, e Lúcifer estava à solta. – o melhor era manter ela e a irmã afastadas.
E ele não tinha por que se arrepender, o que fez já havia sido feito e aquela era a consequência.
– Dean?
Ao ouvir o seu nome e acordar do seu transe, Dean notou que uma mulher se aproximava com um largo sorriso. Depois de uma checagem rápida em suas lembranças, ele se recordou.
– Lisa? – sorriu e se levantou. – Tudo bem?
– Puxa, quanto tempo faz? – Perguntou o abraçando em seguida.
– Uns oito, nove anos? – Chutou ao se afastarem.
– É isso mesmo. – Assentiu feliz. – E o que você faz por aqui?
– Eu vim cuidar de uns assuntos.
– Ah, você ainda continua nos negócios da família? Me lembro de você falar algo do tipo.
– Ah, sim. Meu pai se aposentou, então eu tomei a frente dos negócios.
Lisa assentiu com um sorriso no rosto.
– Nossa, quanto tempo. Nunca imaginei que te encontraria de novo.
– É, eu também.
– Mãe, já podemos ir? – Perguntou um garoto de sete a nove anos, se aproximando.
Lisa desviou o olhar para o garoto.
– Claro, querido. Mas antes, cumprimente o velho amigo da mamãe. – Lisa voltou o olhar para Dean. – Dean, este é Ben, meu filho.
Dean apenas assentiu.
– E aí? – Falou o garoto fazendo Dean rir.
– Tudo bom?
O garoto assentiu e se afastou.
– Eu não sabia que você tinha um filho. – Falou para Lisa.
– Também, você sumiu do mapa.
Dean deu um sorriso.
– É, ofícios do trabalho.
– MÃE... – o garoto voltou a falar, de longe.
– Bem, eu tenho que ir. Hoje ele tá impossível por causa da festa de aniversário dele.
– Ah, entendi.
– E o pior é que ele tá me deixando louca por causa da decoração. Ele tá atento a cada detalhe.
– E não é por menos... – Respondeu simpático.
– É. – Deu de ombros. – Mas o que eu posso fazer? Só se faz oito anos uma vez.
Dean a encarou e deu um sorriso nervoso.
– Pera aí, quantos anos ele tem?
– Oito.
Dean pendeu a cabeça e fez algumas contas rápidas mentalmente.
– E isso não significa que ele é... Você sabe, eu e você...
Lisa sorriu e balançou a cabeça.
– Não tá querendo saber se ele é seu, né?
– Não, não é isso não. – Riu nervoso. – Mas não é meu, não é?
– Não. – Sorriu. – Depois que você terminou comigo porque tinha que sair da cidade, eu conheci outro cara, e você já sabe... Ficamos juntos e nove meses depois nasceu Ben.
– Ah.
– MÃE... – Gritou de novo.
E depois de Lisa fazer um sinal com a mão, ela voltou a olhar para Dean.
– Bem, eu tenho que ir. Foi bom te ver.
– Foi bom te ver também.
Lisa assentiu e o abraçou. Assim que se separaram, ela voltou a olha-lo.
– Sabe, eu sei que você deve estar ocupado, mas você poderia passar mais tarde na festa de Ben, pra gente conversar.
– Ah... Tudo bem.
Lisa assentiu, e no mesmo instante pegou um papel dentro de sua bolsa e anotou o endereço.
– Bem, espero te ver mais tarde. – Disse com um sorriso no rosto e se afastando.
Dean apenas permaneceu pensando: por que não?

Flashback Off

Ao caminhar em direção à porta, Dean notou que a mesma se abria. E não pode deixar de se surpreender assim que viu quem saiu.
– Bobby, o que tá fazendo aqui? – Perguntou surpreso.
– Plantando flores. O que acha?! Vim trabalhar.
– E chegou antes de mim?
– É, vejo que sou o mais esperto por aqui. – Disse saindo em direção ao carro.
Dean o seguiu.
– Então achou o cara?
– Sim.
– E acabou com ele?
Bobby parou de andar e suspirou.
– Não exatamente.
– O que você fez? – Perguntou temendo a resposta.
– Eu joguei tá.
– E aí?
– Perdi.
– VOCÊ TÁ FICANDO BURRO, É?! NÃO SABE QUE JOGOU COM UM BRUXO, CARA?
– Não use esse tom comigo.
– Seu idiota!
– São meus anos de vida, eu faço o que quiser.
– E quantos anos você perdeu?
– Vinte e cinco.
E como num passe de mágica, Dean viu Bobby envelhecendo em sua frente.
– Nós não acabamos ainda. – Disse antes de dar as costas para Bobby e ir até o bruxo. – Aí, cara! – Disse pegando o bruxo que estava conversando com um casal pelo braço. – Eu posso falar com você?
– Ah claro, ótimo. – Respondeu Patrick ao ver que Dean estava armado.
Então os dois saíram para conversar em particular e se sentaram em uma mesa.
– Desculpe interromper o seu papo lá com o casal alvo fácil.
– Não, tudo bem. Não foi perda total. – Disse segurando um relógio de ouro. – Olha, eu não sei o que você acha que eu fiz com sua mulher, ou namorada, mãe ou irmã, mas quero que saiba que minhas intenções foram puras.
– Meu problema não é esse, bruxo. Você deve alguns anos de vida para o meu amigo.
– Ah, então é isso?... Desculpe, ele perdeu. Está feito.
– Então desfaça. – Disse engatilhando a arma que ele segurava embaixo da mesa.
– Vamos, vá em frente. Atire em mim se quiser. Vou adorar sentir um pouco... Sabe? De cócegas... Quer anos de vida? Ok! Jogue por eles.
– Fechado.
– Dean, não! – disse Bobby se aproximando dos dois.
– São meus anos de vida. Eu faço o que quiser com eles. Agora vamos logo com isso.
– Você entendeu os termos? – Dean assentiu. Então Patrick pegou uma caixa com as fichas de pôquer. – Cacife de vinte e cinco anos. – Disse entregando as moedas para Dean.
– Eu quero cinquenta.
Bobby apenas o olhou e o bruxo riu.
– Eu gosto muito do seu estilo.
Dean retribuiu o sorriso e pegou as outras vinte e cinco fichas vermelhas. O bruxo começou a falar algumas palavras em uma língua que nem Bobby, nem Dean sabiam qual era.
– Vinte e cinco anos são para ele. – Dean disse separando as fichas. – Você vai descontar.
– Dean...
– Bobby...
– Tem certeza? – perguntou o bruxo.
– Tenho!
O bruxo falou mais algumas palavras e as fichas começaram a pegar fogo, e quando se apagou, Bobby voltou à idade normal.
– São vinte e cinco anos que você detonou. – Disse Patrick. – Eu acho melhor recuperá-los.
– Embaralhe e dê.
Patrick sorriu.
– Vai ser divertido.

...

Albuquerque, Novo México.

Naquela mesma noite de madrugada, o sono das irmãs foi interrompido por uma ligação.
– Alô? – Disse sonolenta. – Bobby?
, eu preciso que as duas venham me encontrar, por favor, que seja o mais rápido possível.
– Bobby, são quatro da manhã.
É urgente. – e ele desligou.
– O que foi? – Perguntou depois que desligou o telefone.
– Bobby, ele quer que a gente vá até ele.
– Pra quê?
– Não sei, ele apenas disse que é urgente.
O celular então apitou, era uma mensagem do Bobby com a localização dele.
– Pelo menos não estamos tão longe.
– Pelo visto a nossa folga não acontecerá esse final de semana.
– É, nem me fale. – Disse se levantando da cama.

...

O dia já estava amanhecendo, enquanto dirigia pela cidade a procura do hotel onde Bobby disse que estava hospedado.
– O que será de tão importante? – Perguntou .
– Eu não sei, mas pelo tom da voz dele, ele parecia estar nervoso.
– E bem desesperado.
riu pelo nariz.
– Você acha?
– E você não? Nós duas sabemos que seriamos a ultima opção dele ligar pra pedir ajuda.
riu.
– Não é pra tanto. Nós somos boas, e ele só faz isso porque é machista. – riu. – Quer ver que ele se convenceu que nós damos pro gasto. Ou ele não conseguiu ajuda de mais ninguém.
– Você acha que ele ligou pros Winchesters?
– Não duvido. Só não entendo por que eles não vieram.
– Será que aconteceu alguma coisa com...
olhou para a irmã, e ao perceber a preocupação em seu olhar, emendou:
– Não. Eu acho que eles devem estar ocupados.
balançou a cabeça e bufou.
, você acha possível que os dois tenham dito sim, pra você sabe quem, agora que ele está à solta?
– O quê? Não! Eu sei que eles são cabeça dura, mas eu não acredito nisso, pelo menos eu acho...
– Nossa, que reconfortante.
– Olha, não se preocupe a toa, ok? Além do mais, o Sam não te falou nada disso, então...
– Talvez ele não tenha falado por que não era conveniente ter alguém protestando contra a decisão deles.
soltou um riso, que não adiantou muito já que seu nervoso decidiu sair junto.
– Que tal manter a calma? Eu tenho certeza de que nada aconteceu, ok?
assentiu e fitou o nada, e ela sabia o que se passava pela cabeça da irmã, já que nem ela conseguia pensar de forma diferente. Poucos minutos depois, estacionou no estacionamento do hotel e as duas se dirigiram até o quarto que Bobby havia falado. bateu na porta e, poucos segundos, Bobby a abriu.
– Espero que seja realmente importante. – Disse , entrando no quarto acompanhada de que apenas sorria como cumprimento. – Você tem noção de que não dormimos há mais de três noites?
– Desculpe meninas, mas precisamos de ajuda.
– Precisamos? – perguntou.
– Bem...
Na hora, um velho de roupão saiu do banheiro. e se olharam não entendendo nada. O velho olhou para e em seguida olhou para de cima a baixo.
– Bobby, a gente não sabia que você tava acompanhado, não queríamos interrompê-los. – Disse , olhando para o velho, que estava a deixando sem jeito pela maneira que a olhava.
– Calma aí gracinha, não é nada do que você tá pensando. – Disse o velho, se aproximando. – Até que você tá bem, hein. – Terminou com um sorriso safado no rosto.
– Olha que lindo , um senhor querendo ganhar corações. – comentou sarcástica. – Me desculpe senhor, mas prefiro homens que não estejam à beira da morte.
O velho sorriu.
– Olha que eu gosto de um desafio. – ele piscou.
deu um sorriso cínico.
– Se quiser ganhar um nariz quebrado, continue tentando.
O velho sorriu mais ainda.
– Você quebraria o nariz de um velho, é?
– Já fiz mais por menos.
E então a porta se abriu e Sam entrou no quarto com um saco de papel pardo na mão.
– Vejo que já conheceram o velhote. – ele disse sorrindo.
– Pera aí, gente. O que tá acontecendo? – Perguntou , confusa. – E por que você não atendeu as minhas ligações?
– Desculpa, eu só estive um pouco ocupado.
– E cadê o seu irmão? – Perguntou .
Sam e Bobby se olharam, tentaram pensar em um jeito de contar sem causar espanto nas duas, mas não funcionou.
– O quê? Esse é o Dean? Não pode ser. – disse se referindo ao velho, confusa.
– Ok, vamos parar com palhaçada. – Disse . – Vocês acham que nós duas somos duas retardadas?
– Ô minha linda, isso não é palhaçada não. – Disse o velho em tom sério.
o fitou se aproximando mais e procurando algum vestígio de Dean.
– Eu sei que não sou mais o gostosão que você gosta, mas sim, sou eu em carne e osso. – Disse pegando um hambúrguer e o mordendo.
– Pera aí, gente. Isso é loucura!
, é a verdade. – Disse Sam.
– Ok, e o que aconteceu?
– O Bobby é um idiota, é isso que aconteceu. – Falou Dean de boca cheia.
– EI! Ninguém pediu pra você jogar. – Retrucou Bobby.
– É, eu devia deixar você morrer.
– E certamente ninguém mandou você perder.
– Até parecem dois velhos rabugentos. – Comentou Sam para e .
– Cala a boca, Sam. – Disseram os dois.
e sorriram.
– O que é que deu na sua cabeça? – Perguntou Dean para Bobby. – Ele é um bruxo, ele joga pôquer desde a idade média.
– Você não entende!
– Entendo sim, Bobby. Você viu a chance de voltar o relógio e não pensou duas vezes... Bem tentador, não acha? Posso imaginar.
– Não, não pode.
– É, você me pegou, eu nunca estive velho, a não ser agora. Mas eu digo que estive no inferno e tem um arcanjo atrás de mim, estou mais enferrujado que você e não tô reclamando, tô?
– Na verdade, tá sim! – Disse .
– Ah... – Dean parou por um momento parecendo que ia ter um ataque do coração. Então ele se sentou na cadeira, sua cara não era nada boa. Todos se olharam preocupados, menos Bobby. – Tô tendo um enfarto... – ele disse desesperado.
– Não, não está! – Bobby respondeu.
– E então o que é isso?
– Refluxo ácido. Pessoas da sua idade não digerem as coisas tão facilmente. Você vai ter que deixar seus hambúrgueres de lado.
, e Sam se olharam rindo. Sabiam que aquilo significava o mesmo que a morte para Dean.
– E aí, vai continuar emotivo, ou quer falar como resolver esse caso? – perguntou Bobby.
– Gente, antes disso vocês têm que dizer o que aconteceu. Porque se vocês não perceberam, nós pegamos o bonde andando. – Disse .
Os cinco se sentaram e Dean, Bobby e Sam começaram a contar o ocorrido, detalhe por detalhe.
– Só pode ser as fichas. – Concluiu Bobby.
– Eu passei as fichas pra ele, e Patrick fez o número de magica e você ficou lindo rapidamente. – Dean respondeu.
– E o que vocês acham? É um tipo de ficha magica ou sei lá? – Perguntou Sam.
– Com certeza. – Disse Bobby.
– Vocês se lembram do que ele falou? – Perguntou .
– Sim, cada palavra.
– Tá legal. Então vamos ver onde ele esconde as fichas.
– E roubar cinquenta e fazer o Benjamin Button aqui voltar a comer hambúrguer. O que acham? – Dean disse.
– Primeiro, é melhor você vestir uma roupa. – falou, e todos repararam que Dean ainda estava de roupão. – E segundo, foi bom reencontrar todos vocês e, eu não sei a , mas eu vou voltar pro meu velho plano: Ter um final de semana sossegada.
– Mas eu liguei pra vocês ajudarem. – Bobby protestou.
– Eu não sei em que posso ser útil, vocês já sabem o que fazer, a solução é obvia, e se vocês não se lembram, o Dean aqui decidiu que seria bom cada um seguir o seu caminho e eu não quero estragar isso.
Dean apenas a olhou.
– Mas... – Disse Sam.
– Boa sorte pra vocês. – ela disse e saiu do quarto.
– O que deu nela?
– Até parece que vocês esperavam menos daquela peça. – Falou , caminhando até a porta. – Eu vou falar com ela, e antes que eu me esqueça, é bom vê-los de novo. – Disse saindo em seguida.
– Tá vendo, esperto. – Disse Dean a Bobby. – Eu disse que resolveríamos isso sem ter que chamar elas.

caminhou até o Challenger e encontrou a irmã comendo batatas fritas. Ficou alguns segundos ao lado dela e soube que havia algo estranho porque ela comia comida fria, e ela não era de fazer isso.
– O que foi aquilo? – perguntou quando percebeu que não falaria nada.
– O quê?
– Você sabe muito bem do que eu tô falando. Por que você agiu daquela maneira?
deu de ombros.
– Eu não sei qual é a surpresa pra você.
– Qual é a surpresa? Eu achei que nós viemos aqui pra ajudar.
– E ajudamos. Graças a nós, eles tiveram que explicar tudo e chegaram à conclusão de que as fichas são a reposta.
– E é só isso? – Perguntou indignada. – A gente só veio aqui pra isso e pronto?
– Não, eu vim aqui pra ajudar, mas como você mesma viu, o Bobby tá bem acompanhado aqui. Além do mais, eu não sei mais em que eu posso ser útil.
fitou a irmã incrédula, até pensar bem e cogitar a possível razão da irmã estar agindo daquela maneira.
– Você não tá fazendo por causa da sua raiva do Dean, né?
– Claro que não. Águas passadas.
– Tem cert...
– Tenho. – Disse amassando a embalagem e jogando fora. – Agora me responda, você se incomoda de seguirmos viagem?
bufou e irritada, disse:
– Você é inacreditável.
rolou os olhos e sabendo que não conseguiria evitar uma discussão, continuou:
– O que você esperava, hein? Que eu chegasse aqui e depois que resolvêssemos o caso eu saísse distribuindo beijos e abraços em todos?
– Não. Mas que você pensasse nos outros um pouco antes de...
– Da mesma forma que pensaram em mim quando mandaram todo mundo seguir o seu caminho?! – ela perguntou em tom mais alto, demonstrando irritação.
a olhou com a testa franzida.
– Então é isso? Você tá agindo assim por causa do Dean mesmo?
desviou o olhar e balançou a cabeça.
– Que tal deixarmos esse assunto de lado?
voltou a olhar para frente. Ela sabia que aquilo tinha sido doloroso para a irmã, só não imaginava que seria tanto. E por mais que ela quisesse muito ajudar, ela tinha que pensar na irmã.
– Tudo bem.
a olhou sem entender.
– O quê?
– Tudo bem, eu não me incomodo em seguir viagem então... – assentiu, mas continuou. – Mas se você pensa que as coisas vão se resolver dessa maneira, você tá engada. Você sabe que não adianta fugir, quando a solução é enfrentar.
– Eu não sei do que você tá falando.
a olhou.
– Você sabe sim, e não me faça citar nome e sobrenome. – se remexeu no banco como se estivesse inconformada. – Olha, eu sei que você gosta de se fazer de durona, mas as vezes é bom você deixar que seus reais sentimentos transpareçam.
pendeu a cabeça e deu um sorriso cínico.
– Eu te garanto que se eu os deixasse transparecer, a cara do Dean não seria a mesma.
não pode conter o riso.
– Tá, eu não falo nesse sentido. Mas eu concordo em você deixar a sua raiva sair, e eu não digo de você sair por aí quebrando a cara de todo mundo, mas uma conversa pode ser o suficiente.
apenas sorriu, e voltou a olhar o nada. A verdade é que nem ela entendia o seu comportamento. Estava com raiva? Estava, mas graças ao tempo que se passou, grande parte tinha evaporado. E a única coisa que passava pela sua cabeça era: ressentimento.
E estava errada em estar ressentida? Não. Mas a verdade é que aquilo não a levaria para lugar nenhum, apenas a fazia remoer uma coisa que ela queria esquecer, já que lhe causava dor.
– E aí, pra onde vamos?
dissipou os pensamentos, e olhou para a irmã.
– O quê?
– Lá dentro você disse que seguiria com a ideia de ter um fim de semana de sossego, então qual vai ser o nosso destino?
– Ah... – voltou a fitar o nada, encontrando o Impala no outro lado do estacionamento. Como ela não tinha notado ele ali antes? E por que tantas lembranças tinham que tomar sua mente? – O que você acha de pensarmos sobre isso mais tarde?
– Como é que é? Eu achei que você quisesse muito isso.
– É, e eu quero. Mas vamos pensar com calma.
– E o que vamos fazer até lá? Ficar aqui trancada nesse carro até você se decidir?
olhou para a irmã com um sorriso.
– Qual seria o problema? Temos tudo aqui: comida, lugar pra dormir...
– Você não tá falando sério, tá?
riu ao notar a cara da irmã.
– Estaria, mas meu corpo tá pedindo um lugar macio e aconchegante pra descansar, então por que você não vai registrar a gente?
sorriu.
– Tá bom, e deixa que eu busco o café depois. – Disse se afastando.
– Acho bom mesmo. – respondeu.
A verdade é que mesmo contra vontade, ela sabia que independente de tudo, ela era fraca. Fraca por ainda se preocupar bastante o suficiente para dar as costas.

Depois de se hospedar e dormir por algumas horas, saiu até uma lanchonete e, ao voltar, encontrou Sam saindo do quarto.
– Algum problema? – Perguntou ao se aproximar.
Sam a olhou surpreso.
? Eu achei que vocês já tivessem ido.
– E era pra gente estar na metade do caminho mesmo, mas decidimos ficar.
– Isso significa que a sua irmã...
– Ela tá aqui também, e você pode não acreditar, mas a ideia de ficar aqui foi dela.
– Uau, o que deu nela?
deu de ombros.
– Eu não sei exatamente, mas acho que nós já fazemos ideia.
– Vejo que você ainda continua torcendo pelos dois.
– Sempre. – Sorriu.
Sam sorriu e a olhou. Os dois não se viam a mais ou menos um mês, e independente da ocasião, ele estava feliz em vê-la.
– E aí, vocês já decidiram como vão pegar as fichas? – Perguntou depois de alguns segundos em silêncio.
– Já. Nós vamos tentar invadir a casa do bruxo mais tarde.
– Então boa sorte pra vocês. E se a bipolar lá não decidir ir embora até o anoitecer, vocês deem sinal de vida, pelo amor de Deus. Eu não quero ter noticias só porque os três envelheceram num piscar de olhos.
Sam deu um fraco sorriso.
– Sinto muito por não ter te dado noticias antes.
– Não, tudo bem. Só não faça mais isso, a não ser que você queira me matar de preocupação.
– Que bom saber que você ainda se preocupa.
– Hum, sei... Bem, eu já vou indo. Eu não quero encontrar uma nervosa por estar com fome.
– Tudo bem.
– Foi bom te ver, Sam.
Sam assentiu, e se afastou.
A verdade é que ela não queria terminar a conversa daquela maneira, mas não podia deixar de pensar se o tempo que passou era o suficiente para que as coisas não fossem ser mais como antes.

...

Mais tarde, Dean, Bobby e Sam saíram para investigar Patrick. Eles tinham que descobrir onde ele morava para pegar as fichas. Então os três ficaram de tocaia no bar, e viram quando o bruxo saiu e entrou no carro. Eles o seguiram até um prédio de classe alta e poucas horas depois, eles o viram sair. Aquela era a oportunidade perfeita para entrar no apartamento dele.
Bobby ficou no carro. Caso o bruxo voltasse, ele poderia avisar os garotos. Dean e Sam subiram até o apartamento dele. O lugar era grande, de longe se via o padrão de vida do Patrick. Eles começaram a vasculhar tudo, cada lugar até que acharam um cofre. Dean tentou abrir, mas Sam perdeu a paciência e o pegou para abri-lo.
– Eu faria isso fácil. – Dean reclamou.
Sam apenas suspirou e ignorou. Ele pegou as fichas que estavam lá, e assim que caminharam até a porta, os dois foram surpreendidos por uma mulher.
O que vocês estão fazendo aqui?
– Você não é a garota do bar? – Perguntou Dean, se lembrando vagarosamente do rosto dela.
– Eu sou mais do que isso. – Disse estendendo a mão.
Dean e Sam se contorceram de dor.
Tudo bem Lia, eles são inofensivos. – Disse Patrick. A mulher abaixou a mão, então Patrick voltou sua atenção a Dean e Sam. – Vocês querem fichas? Peguem. Mas são só fichas, entendem? Só espetáculo. Isso pode ser um choque pra vocês, mas a magica não está na simples ficha de madeira, ou numa palavra tipo “Abacadabra”. A magica está no bruxo de novecentos anos... Querem anos de vida? Joguem por isso.
– Legal. Vamos lá. – Disse Dean.
O bruxo apenas pegou uma carta que estava no seu bolso de trás e mostrou a eles.
– Que carta eu tenho aqui? – perguntou para Dean, que abaixou a cabeça. – Foi o que eu pensei. Sua vista está ruim e sua memoria... Olha, eu não sou assassino. – ele olhou para Sam. – Já você por outro lado...
– Não, Sam.
– Dean... – Sam disse considerando a ideia.
– O que foi? O Sam é mau jogador?... – Patrick sorriu. – Ok, já aproveitou bastante, não é Dean? Curta os seus últimos momentos, mas você deveria ter cuidado mais do seu coração. – Disse indo em direção à porta e a abrindo. – Vocês podem ir... Ah, Sam, a situação do seu irmão já é punição bastante, mas eu não posso deixar você sair sem um presentinho. –
Patrick bateu palmas três vezes.
– O que tá fazendo?
– Você vai descobrir muito em breve...

Depois que o plano não deu certo, os três voltaram para o hotel, e agora estavam sem nenhuma esperança.
– Eu achei que elas já tivessem ido. – Comentou Dean, depois que desceu do carro e passou pelo Challenger. – O que elas ainda fazem aqui?
– Eu não sei. – Respondeu Sam, andando todo desengonçado por sentir um certo “desconforto” na região de baixo.
– O que você tem?
– Eu não sei, acho que o bruxo me jogou uma doença.
Dean riu.
– Eu sei que a minha situação não é a melhor, mas eu não queria estar na sua pele.
– Há-há.
– Então, cara. O plano A não funcionou, o que vamos fazer? – Perguntou Bobby.
– Eu acho que ainda quero jogar. – Respondeu Sam.
– Não, você não joga bem. O Bobby é bem melhor e, ainda assim, perdeu. – respondeu Dean.
– Exato. – concordou Bobby.
Sam deu de ombros.
– E daí, eu não opto mais nada aqui?
– Sammy, quando você tiver a nossa idade...
– Você tem trinta anos, Dean! Olha, eu já vi você jogar muito pôquer na vida...
– CONHECER O JOGO NÃO É O BASTANTE, SAM! – Falou Bobby. – Não é a mesma coisa que jogar cartas.
Sam bufou e balançou a cabeça.
Ei, ei, ei... – Os três se viraram e viram saindo do quarto depois de ouvir a falação alta. – O que tá acontecendo aqui? Eu achei que fossem mais civilizados.
– Eu acho que depois de ontem esse assunto não te diz mais respeito. – Falou Dean.
– E não fazia até que três idiotas passaram a falar alto na frente da minha porta. – Dean bufou e voltou sua atenção para Sam e Bobby. – Então, dá pra explicar o que tá acontecendo?
– Nós fomos até a casa do bruxo pra pegar as fichas, mas não deu certo. As fichas não funcionam sem um bruxo de verdade. – Respondeu Sam.
– E esse é o motivo de toda aquela falação?
– É, o bruxo falou que a única solução era jogar. Mas eles não querem me deixar jogar.
– Sam, você não sabe jogar. – insistiu Dean.
– É, isso é fato. – Reforçou .
Sam apenas a fuzilou com os olhos e disse:
– É, mas eu sou a única opção aqui!
– Gente, eu conheço o estilo do cara, eu posso contra ele.
– Não, Bobby. Você não tem muita idade no banco. – Falou Dean.
– Eu tenho o suficiente.
– Você morre se perder, Bobby. – Falou Sam.
– E se eu morrer, hã? O que eu estou esperando nessa droga de vida, droga de apocalipse, ver as pessoas morrendo e não poder fazer nada? – Disse Bobby abaixando a cabeça.
, Dean e Sam se entreolharam.
– Bobby...
– Não, não, é a realidade. Eu estou velho e todo quebrado e não posso... Eu não sou mais caçador. Sou inútil e, se não fosse tão covarde, teria dado um tiro na boca há anos.
– Olha Bobby, esquece... Nós vamos descobrir outro jeito de sair dessa.
– Sam, não tem outro jeito...
– E o que você quer fazer então, ? Tem alguma ideia?
– Vamos fazer o óbvio, vamos jogar.
– E quem vai jogar com ele, hein? – perguntou Bobby.
– Eu vou.
– Você? – perguntou Dean, surpreso.
– Sim, por quê? Não é só porque você deixa a gente de canto que eu vou fingir que não posso fazer nada... Além do mais, você sabe que sou boa jogadora.
– Mas se for pra depois ficar jogando na cara, não faça nada. A gente se vira.
– Não se preocupe, não tô fazendo por você. – Disse , dando as costas e voltando para o quarto.
Dean, Sam e Bobby se entreolharam e voltaram para o quarto. Mas, ao abrir a porta, deram de cara com a mulher do bruxo, Lia, sentada em uma das camas.Os três pararam diante da porta, surpresos.
– Pegue. – Falou Lia, se levantando e entregando um papel a eles. – Vai ajudar.
Dean pegou e o abriu.
– O que é isso?
– O mais poderoso feitiço de reversão que você já viu.
– E vai reverter o quê? – Perguntou Sam.
– O Patrick... Tudo.
– Quer dizer que vou ficar normal de novo? – Perguntou Dean.
– Você e todos com quem ele jogou. Os que estiverem vivos, é claro.
– E por que devemos confiar em você? – Perguntou Sam, desconfiado.
– Confiando em mim ou não, tanto faz. O feitiço é real.
– Se age com todo mundo, isso age com seu homem?
– Ele e eu também... Eu pareço ser mais jovem do que sou.
– Moça, eu não tô entendendo nada. Por que você iria querer isso? – Perguntou Bobby.
– Tenho as minhas razões. Apenas façam rápido, vamos deixar a cidade amanhã. – Disse antes de sair.
Os três se olharam não entendendo nada.

– Você vai fazer o quê? – Perguntou nervosa, depois de comentar o que seria feito.
Ela estava de pé, enquanto a irmã estava sentada na cama.
– É isso mesmo que você ouviu. Eu vou jogar e recuperar os anos de vida do Dean.
– Você tá louca?
, você sabe que eu sei jogar.
– Ok, , mas ele não é como os bêbados com quem você costuma apostar. Isso é diferente, ele é um bruxo!
– Ele é um bruxo? Por que ninguém me disse isso antes? – perguntou cínica. – Ah, , pare de ser dramática.
– Dramática, eu? Pelo que eu me lembro, até umas horas atrás, você tava decidida a dar as costas, mas agora você quer dar uma de heroína?
, o Bobby queria fazer isso, e eu não podia deixar isso acontecer. Ele não é tão jovem. O infeliz do Dean não pode fazer nada, ele tá mais acabado que o Bobby. E nós duas sabemos que o Sam não é dos melhores.
– E?
– E? Eu não posso ver os dois se acabarem sabendo que poderia ter feito algo pra impedir.
começou a andar de um lado para o outro, nervosa.
– E quem garante que você vai conseguir?
– Ninguém garante. Mas pelo menos eu vou poder dizer que tentei. Por favor, me entenda.
abaixou a cabeça. Ela sabia que Dean tinha se metido em um problemão, mas não era justo a irmã se sacrificar tanto.
– Ok, . Cansei de tentar fazer você mudar de ideia. Faça o que quiser.
– Eu não tô fazendo porque eu quero, eu tô fazendo porque é a única solução.
apenas a fitou, mas antes que pudesse falar alguma coisa, as duas ouviram alguém bater na porta. Então se levantou e caminhou até a mesma e a abriu.
– Posso falar com você?
– Tá. – Disse dando espaço para Sam passar.
– Interrompo alguma coisa? – Perguntou ao notar que parecia nervosa – Algum problema?
– Você e seu irmão são o problema. – Falou , passando por ele, pegando um casaco em cima da poltrona e saindo do quarto.
– O que foi isso?
– Não esquenta, não é nada com você. Eu só contei pra ela sobre o que vamos fazer.
– E é sobre isso que eu vim falar. Mudança de plano.
prestou atenção em tudo o que Sam dizia, qualquer vacilo dela, todos estavam perdidos.

...

No dia seguinte, eles começaram a por o plano em pratica. foi ao encontro de Patrick enquanto os outros quatro ficaram responsáveis de encontrar os ingredientes e fazer o feitiço.
Ao entrar no bar, encontrou Patrick finalizando o jogo com um senhor de idade.
– Ash vai viver pra ver o Bar Mitzva do neto, não é, Ash? – Comentou Patrick ao vê-la se aproximando.
– Obrigado mesmo, Patrick. – Falou o senhor, se afastando em seguida.
– Shalom Ash, shalom.
– Gentil da sua parte. – Falou, observando o velho.
– Mas eu sou gentil... E o que posso fazer por você?
se sentou de frente para Patrick.
– Cartas. Quero recuperar os anos de vida de um amigo.
– E quem seria?
– Dean.

Depois de deixar no bar, dirigiu até o cemitério onde Dean, Sam e Bobby estavam, o ultimo ingrediente requeria que eles cavassem um tumulo. Ela caminhou até os três que já estavam cavando e se agachou, pegando a lanterna e segurando para eles.
– Valeu, eu já não tava vendo enxergando nada. – Comentou Bobby.
– Você não era o único. – Falou Dean, parando de cavar e esticando as costas. – Ossos de um assassino? Droga! Isso cheira mal e tá me quebrando todo. Como vamos saber se o feitiço funciona?
– Não vamos saber. – Respondeu Bobby.
– E também não temos um plano B. – Completou , ainda irritada. Sam apenas a olhou e ficou quieto.
– Olha, se você não queria ajudar, era só falar. – Falou Dean.
– E o que você queria que eu fizesse? Ficasse assistindo Tv enquanto a caminha em direção à morte?
– Ninguém pediu pra ela fazer, ela que se ofereceu.
– E você acha que ela agiria como? Que saísse daqui e deixasse vocês se lascarem?
– Seria menos surpreendente do que ela decidir ficar.
bufou e de um riso cínico.
– Você mais do que ninguém deveria saber que ela não faria isso. Não é todo mundo que resolve as coisas dando as costas, ou pondo os outros pra correr!
Dean a fitou por um segundo e, ao perceber que o clima esquentaria, Bobby interveio:
– Gente, que tal falar menos e cavar mais? Não temos a noite toda... E você, vê se ilumine isso aqui direito porque eu não quero acertar a perna de ninguém!
assentiu e, poucos minutos depois, os três cavaram até o caixão, e com uma sacola, pegaram o osso.
– Eu acho que já temos tudo. – Comentou Bobby, saindo do buraco e olhando para . – Bem, toma isso aqui. – disse a entregando o osso. – Você e o Sam vão pro bar preparar o feitiço.
o olhou.
– Pera aí, e vocês?
– Eu e o Dean vamos pro apartamento do cara como plano B, caso a sua irmã não consiga o DNA.
– Tá.
Bobby a olhou.
– Então, dá pra você pegar?
– Ah, eu... Droga! – Disse pegando o osso e xingando mentalmente.
– Agora vão logo.
Os dois assentiram e correram até o Impala.

Quarenta e cinco minutos de jogo depois, permanecia quieta, apenas abrindo a boca quando apostava as fichas.
– Eu gosto de você . É inteligente, tem bom coração. Eu conheço a pessoa só de olhar. – Falou o bruxo, como mais uma tentativa de puxar assunto.
– Você é vidente?
– Ah, não, isso seria trapaça. Eu estou falando da boa e velha intuição.
– Tá, vamos jogar.
– Estamos jogando.
– Aposto cinco. – Disse, colocando as fichas sobre a mesa.
– Foi o que eu pensei... Eu dobro. – Disse olhando para , às vezes ela tinha a impressão que ele estava vendo a sua alma. – Aí está você, tentando consertar o erro dele. E ele ainda acha que você é uma simples garotinha, mas você não é, né ?... Ou será que é? Você está mal aqui. Fica fazendo esses lances, sabe? Joga com cuidado, pensa nas porcentagens, mas, mesmo assim, eu vou te mandar para o asilo de velhinhos.
o fitou.
– Essa tática de terror psicológico costuma funcionar com você?
– Me diga você. É você que está perdendo.
E tinha que admitir, o jogo não estava indo nada bem, a cada rodada uma surpresa. E a tensão só aumentou quando Lia chegou.
– Intervalo? – Patrick perguntou, deixando o palito de dente que deixava na boca em cima da mesa.

Depois de chegar ao local marcado e preparar tudo, se encostou no carro. A sua mente estava a mil, e a preocupação com a irmã não a deixava calma. Sabia que era uma boa jogadora, mas agora a situação era diferente, ela estava arriscando a sua vida.
, tá tudo bem? – Perguntou Sam, mesmo sabendo a resposta.
– O que você acha?
– Olha, eu sei que você tá preocupada, mas a sua irmã é uma boa jogadora.
– Você tem noção que ela tá pondo a própria vida em risco?!
– Eu sei, e eu sin...
bufou e desencostou.
– Quer saber? Deixa pra lá.
Sam assentiu, mas antes que pudesse dizer algo, os dois ouviram a porta dos fundos do bar se abrir e aparecer evidentemente nervosa.
– Como está indo aí? – Perguntou Sam ao se aproximar.
– O que você acha? Acharam o que precisávamos?
– Sim, só falta o DNA do bruxo.
– Serve isso? – Disse dando um palito de dente. – Ele tava com ele na boca.
– Vamos saber disso agora. – Disse o pegando.
– Tudo bem, agora depressa Sam, por favor.
– Ok, continue distraindo o cara... Ah, e , o Dean pediu pra não perder, por favor.
rolou os olhos.
– E cadê ele?
– Tá lá no apartamento do cara com o Bobby, caso alguma coisa dê errado.
assentiu e voltou a entrar, sem saber se seria possível ganhar. Sam foi até .
– Ela conseguiu?
– Aqui está. – Disse Sam, mostrando o palito.
– Então, por onde começamos?
Neste mesmo momento, o telefone de Sam tocou e ele viu que era Bobby.
E aí, ela pegou?
– Estou com o DNA dele aqui.
E o que aconteceu para não terem feito o feitiço ainda?
– Já íamos começar, antes de você ligar.
E estão esperando o quê?
– Tá, espere um minuto. – Falou e entregou o celular para .
Sem perder tempo, Sam começou a juntar todos os ingredientes, inclusive o palito, em uma tigela. Ele citou o feitiço, depois acendeu um fosforo e jogou dentro da tigela. Assim que o fosso se alastrou, Sam pegou o celular.
– E aí?... – ele esperou Bobby responder, mas ele não o fez. – Bobby?
Vamos para o plano B.
Sam assentiu e desligou o celular.
– E aí? – Perguntou .
– Não funcionou.
apenas o olhou pensando se aquela era a hora de começar a chorar e pedir ajuda para o além.

– Tudo o que a gente colocou no feitiço era pra valer. – Falou Bobby para Dean, enquanto entravam no prédio novamente.
– E o que deu errado?
– Acho que o DNA que ela conseguiu não foi suficiente. Agora precisamos pegar um pouco. Vamos logo.
– Droga, mais escadas.
Bobby apenas revirou os olhos e continuou correndo.

Sem parecer alterada, voltou para a mesa, onde Patrick e Lia a esperavam.
– Tudo bem, vamos continuar. – Falou, se sentando.
– Tudo bem. – Disse mexendo as cartas. – Mas antes, uma pergunta. Era esse que você queria dar ao seu amigo? – Falou tirando um palito do bolso. apenas o olhou surpresa. – O que você deu a ele nunca passou pela minha boca... Perdeu o seu tempo... E eu detesto trapaça, . – Patrick esticou a mão e se sentiu como se estivesse sufocando.
– PARA COM ISSO PATRICK, PARE. – Gritou Lia.
Ele a olhou.
– Eles tentaram nos matar!
– Fui eu... Eu que dei o feitiço a eles.
Patrick encarou Lia surpreso, e pode recuperar o ar.
– O quê? Por que você fez isso?
– Você sabe o porquê, você sabe.
O Bruxo olhou para novamente, e ela pode sentir a raiva dele.
– Continue jogando, agora! – Ele ordenou.

Depois de revirar o apartamento, Dean foi até o encontro de Bobby que estava na sala, vasculhando.
– Tá tudo limpo aqui... É o primeiro bruxo que eu vejo que não deixa fluído corporal por todo o canto.
– Vamos, Dean! Escova de dente, um pente, qualquer coisa. – Falou, desesperado.

– Olhe só pra você, uma jogadora média apostando tudo. Você é transparente , se eu tivesse a mão boba que você tem agora, eu pegava você. Mas você entrega o jogo, sai assim, apostando alto, de repente. – disse calmo. – Eu passei... Trinca de damas.
o olhou, pegou as fichas e colocou duas cartas sobre a mesa. Patrick sorriu e disparou:
– Bom blefe, se tivesse tempo eu até te ensinaria mais truques.
engoliu em seco, e disse:
– Eu tenho tempo.
– Talvez, mas não posso dizer o mesmo do Dean. Seu amigo vai morrer logo, e quando eu digo logo, eu falo em minutos.
o olhou, eles estavam perdidos. Então ela se levantou, mas o bruxo estendeu a mão e a fez sentar novamente.
– O jogo não acaba até eu dizer. – ele sorriu. – Fichas...

Dean e Bobby continuaram a procurar, mas não tinha nada, o apartamento estava limpo demais. Então quando estavam perdendo a esperança, Dean viu uma taça sobre uma mesinha, mas quando ele deu um passo para frente, ele caiu no chão, sentindo dor e Bobby correu até ele.

já não sabia o que fazer. Tudo o que ela queria era sair dali.
– Então quando se trata do Dean, você fica tão emotiva, que seu cérebro voa pela janela... É bom saber.
– Vai pro inferno! Aposto tudo.
– Não faça isso, !
– Então não posso sair até acabar? Beleza, mas acabou e agora?
– Olha, existe pôquer, e existe suicídio.
– DECIDA ESSE JOGO!
– Tá bom. – Disse o bruxo, distribuindo algumas cartas sobre a mesa. Logo em seguida ele colocou dois AS. – Desculpe garota, Full de ases.
olhou para as cartas e depois para Lia que estava chorando.
– Tá chorando? Pra uma bruxa você é tão gentil que dá até medo, mas tá tudo bem. Foi um grande jogo... – A bruxa a olhou sem entender e colocou as cartas na mesa. – Só que não ganha do meu Four de quatro.
Patrick a olhou surpreso.
– É, jogou bem... Sabe aquela coisa de voar pela janela? Foi um bom método. É, você tem mais recursos do que parece.
– Ponha na conta do Dean, por favor. – Disse colocando as cartas sobre a mesa, e podendo respirar aliviada.
– Com prazer.

Agonia era pouco para descrever como se sentia, a cada segundo seu coração disparava mais e mais, até que o celular de Sam tocou.
– Bobby? – Perguntou ao atender.
Sam, como andam as coisas por aí? – Perguntou alterado.
– Sem noticias por enquanto. Por quê?
O seu irmão. Ele não está bem.
Sam olhou para e ela pode perceber que a cor dele mudara.
– Sam... – Falou preocupada.
– O quê? O que aconteceu?
Eu não sei, nós estávamos aqui no apartamento e ele apagou. Eu acho que ele...
– Bobby, não me diga que... – Sam tentou dizer, e percebeu que alguma coisa havia dado errado ao notar que algumas lágrimas se formavam em seus olhos.
Ele está com os batimentos fracos, Sam.
– Eu tô indo aí! – desligou e foi até o Impala.
– Sam, o que tá acontecendo? – Perguntou .
– Dean, ele não está bem.
– Eu vou com você.
– Não, fique aqui por causa da sua irmã.
– Sam, eu...
– Fique!
assentiu e entregou a chave. Poucos segundos depois, assistiu o Impala se afastar. Logo, toda a preocupação aumentou. Se Dean estava mal, aquilo significava que não tinha conseguido, e se ela não tinha conseguido, consequentemente ela tinha perdido.
Movida pelo nervoso e desespero para ver a irmã, correu até a porta dos fundos, que de repente se abriu. Sem pensar duas vezes ela correu até a irmã a abraçou.
– Graças a Deus, você saiu viva.
Depois de alguns segundos tentando entender a atitude da irmã, retribuiu.
– Calma, eu não estava na guerra, só estava jogando. – Brincou. – E aí, deu tudo certo?
se afastou e a olhou.
, eu acho que...
– O quê? – Perguntou preocupada.
– Eu acho que foi tarde.
– O quê? Você não tá dizendo que...
apenas assentiu.
– Não, não... Não pode ser. – Disse se afastando.
– Aonde você vai?
– O que você acha? – Disse pegando a arma do cós e a engatilhando.
– Você não tá pensando em ir atrás do...
Mas antes que pudesse terminar, entrou de volta ao bar, atrás de Patrick. a acompanhou, temendo pelo que ela podia fazer. As duas percorreram todo o caminho até chegar à sala de jogos.
– É com você mesmo que eu quero falar. – Disse indo em direção ao bruxo, que estava de, pé perto do balcão.
, tá afim de jogar de novo?
apenas se aproximou e o prensou contra parede com uma mão, enquanto a outra segurava a arma contra o seu pescoço.
– O jogo inteiro você falava sobre trapaça, mas como é que você chama isso que você tá fazendo agora? – Disse deixando claro o seu nervoso.
– Do que você tá falando?
– DO DEAN. O QUE VOCÊ FEZ COM ELE?
– O que eu fiz? Você bebeu?
– E o nosso trato? Você tinha que salvar o Dean!
– Você não ta bêbada, você tá louca!
– Salve o Dean!
– Olha, eu já tô perdendo a paciência.
– E a minha tá esgotada. Então, ou você salva o Dean, ou eu acabo com você agora. Quer pagar pra ver?
Neste momento, o celular de começou a tocar e, ao pega-lo, ela percebeu ser Sam. E mesmo sabendo que poderia ser o pior, ela atendeu.
?
– Sam, não me diga que...
Não se preocupe. O Dean tá bem.
– Como é que é?
Ele tava desacordado, mas do nada ele voltou ter trinta anos e acordou.
olhou para a irmã com a testa franzida.
– Ah. – deu um riso sem graça. – Que bom, né?
É – Soltou um riso. – E a sua irmã? Ela tá bem?
– Ela tá bem, e eu espero que continue assim.
Que bom. Sinto muito por ter saído sem ver como ela estava.
– Não, tudo bem. O importante é que tudo deu certo.
É. Enfim, a gente se encontra no hotel.
– Ok. Até mais. – Disse desligando o celular.
– O que foi? – Perguntou .
– Bem, eu acho que o Patrick, né? – O homem assentiu. – Então, eu acho que ele é um bruxo de palavra.
– O que você quer dizer, ? – Perguntou, começando a ficar preocupada.
– Eu quero dizer que o Dean tá bem. – Soltou um riso.
voltou a olhar para o bruxo com um sorriso forçado, e soltou a gola de sua camisa e a arrumando em seguida.
– Que engraçado, não é? – Falou sem graça, guardando a arma.
O bruxo arrumou a blusa e a fuzilou.
– O que você acha que eu devia fazer com vocês duas, hein?
– Nos perdoar pelo pequeno engano? – Sugeriu, dando alguns passos para trás.
– Vocês vieram, fizeram todo o tipo de ameaças, e ainda acham que sairão ilesas?
– Olha, Patrick. – Disse , da forma mais doce possível. – Dê um desconto pra , ela não sabia o que estava fazendo.
fuzilou a irmã. Como se aquilo tudo estivesse acontecendo por causa dela.
– Ah, não sabia?
– Não, coitada, e eu acho que você entenderia se você se colocasse no lugar dela.
– Aonde você quer chegar?
– Eu tô falando de agir pelo impulso. Você nunca fez isso?
– Ah, fiz, sim, e estou prestes a fazer isso agora, novamente.
– Olha, eu sei que o que a fez foi errado, mas tente entender, ela veio aqui e jogou pra salvar o Dean. Imagina como ela se sentiu quando soube que ele não estava bem. Ela tinha pensado que tinha arriscado a própria vida pra salvar o amor da vida dela em vão.
, ao ouvir isso,apenas rolou os olhos.
– Vocês deveriam ter deduzido que, como qualquer coisa, a magia leva um tempo pra desfazer.
– Eu acho que entendemos isso agora, não é ?
– Ah, é sim. Nos perdoe, por favor.
Patrick a fitou e caminhou a passos lentos até ela.
– Há pouco tempo eu disse que você era inteligente, mas logo depois você vem aqui, age como a rainha da Inglaterra, logo comigo, um bruxo que te provou ter poder suficiente pra fazer o que quiser.
– É, eu acho que passei um pouco dos limites. – ela soltou um riso sem graça no final.
– Você passou... – Parou poucos centímetros de distancia dela. – Mas eu também disse que conheço a pessoa só de olhar. E desde o momento que você chegou aqui eu soube quem realmente você era.
soltou um riso aliviada, dando a deixa para o bruxo continuar.
– Eu soube que você era egoísta, ignorante, tola e sabichona. – arqueou a sobrancelha e não pode deixar de soltar um riso. – Mas você tem um bom coração e apenas é do jeito que é porque na verdade, você quer passar a segurança que não tem para os outros.
– Ah, isso foi... Lindo.
O bruxo deu de ombros.
– É a verdade, mas você não percebe. Você acha que qualquer um viria aqui arriscar os anos de vida que tem pra salvar outro? Não, porque só um idiota faria isso. E você e o seu amigo são a prova de que ainda existem muitos idiotas por aí. – Ele olhou para . – E você deveria se sentir privilegiada por ter idiotas por perto. Você não sabe a sorte que tem.
– É, eu sei.
O bruxo assentiu e deu as costas, se afastando.
– Pera aí, é isso? Você vai nos liberar? – Perguntou .
Patrick se virou paras as duas e deu de ombros.
– É, mas não abuse da minha bondade, porque da próxima vez, eu não terei misericórdia.
assentiu e o bruxo se afastou.
– O que foi isso? – perguntou sussurrando.
– Eu não sei, mas vamos sair daqui antes que ele mude de ideia.
As duas caminharam o mais rápido possível pelo caminho que fizeram.
– Você tem noção de que isso foi... – Comentou , ao chegar ao lado de fora.
– Surreal?
– Mais do que surreal. – Falou impressionada. – Pra falar a verdade, eu tinha duvidas se sairíamos de lá com vida ou transformadas em ratos, rãs, lagartixas, cachorros...
– Eu também. – Cortou, sabia que se dependesse da irmã, a lista seria infinita. – Depois dessa não dá pra falar que ainda há coisas nesse mundo que possa nos surpreender.
– É, você tem razão. Mas isso também nos ensinou outra coisa.
– O quê?
– Que você deveria pensar mil vezes antes de agir pelo seu impulso. Qualquer dia desses, você vai acabar se lascando por causa disso.
– É, eu sei. Lição aprendida.
assentiu, mas não pode conter o riso.
– O que foi? – perguntou.
– Nada, eu só tava pensando em uma coisa.
– O quê?
– Que quando eu disse que você e o Dean eram iguais, eu não podia estar mais certa.
– Ah, lá vem você.
– Até serem classificados como idiotas, vocês foram. – Falou entre risos.
sorriu.
– A parte dele é indiscutível, mas a minha...
– Desculpa, mas segundo Patrick, vocês dois são. E pelo que eu percebi, ele sabe o que fala.
– Eu não tô certa disso.
– Mas eu tô, e tenho todos os motivos do mundo pra provar que você é “idiota”... Nós falamos do Dean, mas você é do mesmo jeito. Você não pensa duas vezes em arriscar a sua vida pra salvar outro, ainda mais se tratando dos que ama.
– É, eu sei...
– Ainda bem que você sabe, assim eu não precisarei listar.
– O quê? Comece a falar.
– Pra quê?
– Por que eu nunca me canso de ouvir o quanto eu sou maravilhosa.
balançou a cabeça e sorriu.
– E eu achava que o Dean era o egocêntrico.
– Ah, qual é? Um pouco de ego não faz mal.
– O que não é o caso dos dois... Mas, por outro lado, eu vou ter um prazer imenso de te beneficiar ao contar toda a história pra ele. – Falou dando um sorriso cínico.
– Não, obrigada.
– Vai me dizer que você não quer que eu te elogie pra ele? Quem sabe assim ele não volta atrás e pede pra nós voltarmos de joelhos?
– Por mais que seja tentador vê-lo se rastejando, eu passo. Mas obrigada pela oferta. – Respondeu depois de alguns segundos em silencio. – E se ele não voltou atrás depois que provou a mercadoria, não é depois de seus elogios que ele vai.
suspirou.
– Relaxa. As coisas vão se encaixar no seu devido tempo.
– É, pode ser. Mas a verdade é que pra mim tanto faz, eu tô bem.
– Tem certeza?
– Tenho. Ainda mais agora que ele sabe que só tá vivo graças a mim.
sorriu e as duas entraram no carro.
– Você vai querer falar sobre essa loucura? – a mais velha perguntou.
– Não, eu acho que esse acontecimento deve ficar apenas em nossas lembranças.
– É, você tem razão.
– Ou até o momento em que a gente querer jogar na cara.
As duas riram e voltaram para o hotel.

...

No dia seguinte, estava em seu quarto, arrumando suas malas, quando alguém bateu na sua porta. Ao abrir, viu que se tratava de Sam.
– Posso falar com você? – ele perguntou e ela assentiu. – O Bobby me disse que vocês vão embora hoje. – comentou entrando no quarto.
– É, a decidiu isso pela manhã, e eu só tô esperando ela voltar.
– E como ela tá?
– Se gabando por ter salvado o Dean.
– Ah... , desculpa por meter vocês nisso, mas nós precisávamos de ajuda e...
– Sam, não precisa se desculpar. Eu que fui uma grossa ao dizer tudo aquilo. Mas é tão difícil às vezes, o nosso trabalho é tão cansativo, perigoso, nós não temos vida. O que foi? – perguntou quando o viu sorrir.
– Nada, só que, às vezes, há momentos que valem por tudo o que passamos.
– Você é louco? Não há nada que valha isso!
– Isso é o que você pensa. Eu não acho isso.
– Então me diga, o que é tão bom que faz valer a pena? – Disse cruzando os braços.
– Ah, esse serviço fez com que eu me reaproximasse do meu pai e do Dean, conheci pessoas que hoje considero da família e conheci você... Ouça , eu sei que este não é um bom momento pra dizer isso, mas eu penso em você, em nós a todo o momento.
abaixou a cabeça.
– Sam, para...
, eu sei que já me desculpei milhares de vezes, e que você já deve estar cansada de ouvir isso, mas o que eu tô tentando dizer é que eu me arrependo amargamente do que aconteceu. Se eu pudesse, eu voltaria o tempo e faria tudo diferente.
o olhou e se aproximou.
– Sam, você não precisa esperar que o tempo volte, estar arrependido já é o suficiente.
Sam abaixou a cabeça.
– Mas eu sei, sinto que estou em falta com você.
– Não, não está... Sam, a gente só não pode retomar de onde paramos porque sempre haveria desconfiança da minha parte, e isso eu não quero.
– Eu sei que ainda não tem confiança em mim, mas farei de tudo pra recupera-la.
sorriu.
– Fico feliz em saber que você não vai me dar às costas.
– E como poderia fazer isso? , eu te amo e disse que nunca desistiria de você.
sorriu, se aproximou mais e o beijou. E é claro que ele retribuiu de forma leve e carinhosa.
– Hmm... – murmurou , que apareceu do além com uma malícia aparente. Os dois pararam e a olharam sem graça. – Desculpe, não queria interromper o casalzinho aí... Sam, o que você tá fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa?
– Não, eu só vim falar com a pra me despedir.
olhou para os dois com cara de safada.
– Só isso?
Sam ficou desconfortável.
– Sim... Eu já estava de saída. Bem, espero que façam uma boa viagem e, novamente, obrigado por ajudar a gente.
– Não seja por isso. Mas se quer me agradecer, diga ao seu irmão que ele só tá vivo graças a mim.
Ele sorriu, olhou para e deu um tchau antes de sair.
– Hmmm, sinto cheiro de reconciliação. – zombou da irmã.
– Você não tem uma vida pra cuidar, não? – Respondeu nervosa, indo até o banheiro.

...

Naquela mesma tarde, colocava as malas no porta-malas quando Dean se aproximou.
– Já estão de partida?
o olhou, e deu um leve sorriso.
– É, não temos mais nada pra fazer aqui, então... – deu de ombros.
– E já sabem pra onde vão?
– Pra falar a verdade, ainda não. Eu acho que vamos voltar pra Owensboro. Faz muito tempo que a gente não passa lá.
– Ah, entendi. – Respondeu sem graça, encostando-se ao carro.
apenas assentiu e se encostou também, e fitou a avenida. Há tempos ambos não se falavam, o que tornava tudo mais estranho.
Considerando tudo o que os dois tiveram no passado, agora, aquela conversa e aquele clima deveria ser o oposto. Mas ambos não sabiam como agir, e aquilo deixava mais confusa. Durante todo o tempo separados, ela imaginava aquele reencontro e em todas as verdades que ela jogaria na cara dele. Mas agora, naquele momento, ela não fazia ideia do que dizer, todas as suas ideia e verdades apenas sumiram de sua mente.
E aquilo era pra ser bom, não era? Ou era apenas para frustra-la mais?
Incomodada com o silencio que se formou, pigarreou e perguntou a única coisa que se passou pela sua cabeça.
– E vocês? Vão continuar por aqui?
– Não. Nós vamos pro Texas. Parece que tem algo pra gente lá.
sorriu e assentiu.
– Ah, sim. Então boa sorte.
Dean assentiu, e depois de um breve silencio, ele continuou:
– Obrigado por ter ajudado a gente.
– Tudo bem, o que a gente não faz pelos amigos?
Dean deu um sorriso e a olhou.
– Amigos?
Ela deu de ombros.
– É, por que a surpresa?
Dean desviou o olhar para o chão, e pôde perceber que ele tentava manter o sorriso, agora fraco. Por fim, ele deu de ombros, e disse:
– Eu só achei que talvez você tivesse com raiva ou algo do tipo.
suspirou e desviou o olhar. Por mais que ela tentasse evitar aquele assunto, ele tinha que tocar. Não que não tivesse superado, mas ela não podia conter a sensação desconfortável tomando conta de seu corpo e mente.
– Olha, eu não vou negar. Por varias vezes eu me peguei te matando mentalmente. – Falou por fim, e Dean deu um leve sorriso. – Mas eu não penso mais desse jeito.
– Ah, não?
– É, eu sei que é estranho, mas eu acho que o tempo apagou toda a raiva que eu sentia por você. – Deu de ombros. – E agora, eu não consigo agir com indiferença.
Dean a olhou.
– E isso é uma coisa boa?
sorriu e abaixou a cabeça.
– Bem, pra quem desejava a sua morte, isso é um avanço. – Dean pendeu a cabeça, e fez o que tentava evitar, o olhou nos olhos. – Mas não posso mentir e dizer que ainda não exista nenhum tipo de magoa.
Dean suspirou e voltou a desviar o olhar.
– Eu, eu sinto muito pelo rumo que as coisas tomaram.
– Eu sei que sente. Mas o que foi feito já passou e não dá pra voltar atrás.
Dean a olhou, e pôde sentir todo o seu corpo arrepiar. Haviam se passado vários meses desde a ultima vez que os dois se viram, mas todas as sensações que ele a fez sentir há um tempo pareciam não mudar, mesmo com o passar do tempo.
– É, você tem razão. – Falou depois de um breve contato visual.
assentiu, e pelo constrangimento que sentia pelas lembranças que passavam pela sua cabeça, ela desviou o olhar. Que droga! Tinha planejado tudo, mas era só ele estar por perto, que sua mente a traía seus planos e a fazia agir como uma boba apaixonada.
– Mas, mesmo assim, obrigado. Se não fosse por você, a essa altura, eu seria um velho usando fraldão.
sorriu.
– É, Dean Winchester... Algum dia você imaginou estar vivo graças a mim? – Falou humorada.
Dean sorriu.
– É, eu acho que te devo uma.
– Pague uma rodada de bebida pra mim, e considere a sua divida paga.
– Só falar onde e quando.
assentiu e sorriu.
– Pode deixar.
Depois de longos segundos em silencio, Dean perguntou:
– E então, o que você esteve fazendo durante todo esse tempo?
– O de sempre, caçando. E você?
– Também. Ajudei Castiel a encontrar um arcanjo, e depois me juntei ao Sammy novamente.
– É, o seu irmão falou, já que você nem dava sinal de vida.
Dean a olhou com a testa franzida, e ficou sem graça. Aquele comentário tinha saído sem querer e ela só se deu conta do que tinha falado depois de alguns segundos refletindo.
– Tem certeza que a sua raiva passou?
o olhou e suspirou.
– Desculpa, eu não queria ter falado isso.
Dean pigarreou e desviou o olhar.
– Não, tudo bem.
Ela permaneceu o olhando, esperando por uma justificativa – não que ele tivesse obrigação – ou algo plausível para ele ter sumido do mapa.
– É, só isso? Tudo bem?
Dean a olhou e deu de ombros.
– É.
balançou a cabeça e desviou o olhar.
– Nossa, quanta consideração. – Disse sarcástica.
– Do que você tá falando?
– Eu tô falando de você simplesmente ter dado as costas e nem ter falado com a gente. – Falou um pouco mais irritada.Só o fato dele não ter pelo menos tentado se justificar, foi o suficiente para que um forte desapontamento a atingisse e que as verdades, antes engasgadas e esquecidas – momentaneamente –, voltassem.
– Olha, eu não liguei e nem atendi as ligações, porque eu precisava de um tempo.
– Ah, e essa vai ser a sua desculpa fantástica?
– Não é desculpa, eu falei pra você que precisava de um tempo pra mim.
– Engraçado como esse tempo se resumiu apenas a mim e a . – Falou cruzando os braços e evitando contato visual.
Dean franziu o cenho.
– Eu voltei a caçar com o Sam porque ele precisava de ajuda e, apesar de tudo, ele é o meu irmão, e nós só temos um ao outro! – Esbravejou.
deu um riso irônico e o olhou.
– Entendi tudo. – Disse se desencostando do carro, e se afastando. Mas, antes que ela pudesse dar o seu quarto passo, Dean a segurou pelo braço.
– O que você quer dizer com entendi tudo? – Perguntou confuso.
– Não se preocupe. – Respondeu, puxando o braço. – Não é nada do que já não sabia assim que a gente deixou a casa do Bobby.
– Dá pra você ser mais especifica?
– Ah, você quer que eu facilite? Tudo bem, então. – Deu uns passos, parando a poucos centímetros de distancia dele. – Assim que você deu um pé na bunda da gente, eu soube que tanto eu, quanto o que nós tínhamos, não significou nada pra você.
– Você acha isso mesmo?
– Eu não acho. Eu tenho certeza, e agora eu sei que ainda continua não significando nada.
Dean a olhava confuso, e aquilo era mais frustrante do que ele inventar um monte de desculpas para limpar a própria barra. E não podia deixar de se afundar em seu próprio desapontamento ao comprovar tudo aquilo que ela lutou para não acreditar. Ele realmente não estava nem aí, e tudo o que eles tiveram não passava de momentos. E com aquela deixa e falta de resposta, ela não tinha nada mais a dizer a não ser:
– Adeus, Dean. – Falou se afastando e deixando Dean parado no meio do estacionamento.



Continua...



Nota da autora: Obrigada por ler, até mais.
Xx





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