Nights of a Hunter III

Última atualização: 12/06/2018

Abandon All Hope

Duas semanas se passaram desde o último encontro dos Winchesters com as irmãs. Os quatro mantinham contato pelo telefone, se falavam sempre que possível e enquanto eles estavam empenhados na procura pelo Colt, elas caçavam pelo país.
As coisas entre eles não estavam perfeitas, mas estavam melhores do que há alguns meses, tempo do qual apenas e Sam mantinham contato. estava aliviada por ter resolvido pelo menos superficialmente as coisas com Dean, e apesar de sentir que ela podia ir mais fundo, não queria arriscar e acabar com a trégua que conquistaram. Mas não podia negar que apesar de toda magoa, ela sentia falta.
! – entrou na recepção e chamou a irmã, que estava prestes a terminar o registro no hotel que estavam. – Nem pense em continuar esse registro.
– Por quê? O que foi?
A recepcionista as olhava sem entender.
– O Dean ligou. – ela respondeu e depois olhou para a mulher e a encarou.  A mulher sorriu sem graça a se afastou um pouco. se aproximou da irmã.  – Eles acharam o Colt e amanhã estão partindo pra Cartago, pra enfrentar Lúcifer. – sussurrou. – Temos que ir pra Sioux Falls o quanto antes.
– Eita! Vamos logo. – disse e pegou seus documentos em cima do balcão.
As duas então voltaram para o Challenger e partiram para Sioux Falls.

...

Sioux Falls, Dakota do Sul.

– Tudo bem, rapaz. Vai. – Ellen falou para Castiel assim que tomou uma dose de seu shots de tequila.
Castiel então pegou um dos seus shots e o virou, fazendo o mesmo com a dose seguida e assim sucessivamente até acabar com seus shots por completo.
– Tô começando a me sentir estranho. – comentou com os olhos arregalados.
Jo, que assistia a mãe e o anjo beber, ficou boquiaberta. Era noite e todos estavam reunidos na casa de Bobby, aguardando o dia seguinte.
– Vai ser uma cilada, não vai? – Sam perguntou para o irmão.
Os dois estavam isolados no escritório. Dean encarou Sam e riu.
– Sam Winchester desconfia do demônio. Antes tarde do que nunca.
– E obrigado pelo seu apoio constante. – Sam ergueu a garrafa de cerveja.
– De nada. – os dois brindaram e tomaram um gole da bebida. – Cilada ou não, é uma chance mínima, mas temos que aceitar.
– É... – Sam deu de ombros. – Eu acho que sim.
– Eu não sei se é cilada. – Dean comentou mexendo na mesa e pegando um papel. – Olha só... Cartago parece uma árvore de Natal. Enfeitada com presságios. E... – ele pegou outro papel. – Revelações. – ele deu o papel para Sam. – Seis pessoas dadas como desaparecidas lá, desde domingo... Eu acho que o diabo tá lá.
Sam olhou para os papéis e suspirou.
– Então tá.
Dean também suspirou.
– Pensando bem, você não pode vir.
– Dean.
– Olha, se eu encarar o Satã e perder... Tudo bem. Nós perdemos só uma peça do jogo, beleza. Mas se você estiver lá, nós vamos entregar a casca do demônio pra ele. Não é sensato.
– E desde quando nós fazemos alguma coisa sensata?
– Tô falando sério, Sam.
– Eu também... Será que a gente não aprendeu nada? Se temos que fazer isso, vamos fazer juntos.
Dean encarou o irmão e suspirou.
– Tá... Mas é uma ideia idiota. – ele pegou a garrafa e deu um gole.
Que droga, bebe logo! Pare com isso. – Ellen falava para Castiel.
Eu não sei se devo...
Beba!
Os dois olharam para a cozinha e viram Castiel e Ellen bebendo, e Jo indo para a geladeira.
– Olha lá, – Sam se virou para Dean. – falando em ideia idiota.
– Shhh... – Dean o repreendeu e se levantou, indo para a cozinha.
Sam assistiu o irmão se retirar e entendeu por que Dean se retirou quando viu Jo debruçada na frente da geladeira. Ele rolou os olhos e voltou a beber sua cerveja.
Dean se aproximou de Jo, que se assustou quando fechou a geladeira, se virou e o viu.
– E aí?
– Oi. – ela sorriu.
– Missão... – ele se apoiou no balcão. – Perigosa amanhã...
– Hm.
– Tá na hora de comer, beber e... Brincar.
– Vai me dizer que é a nossa última noite na Terra.
– Como é que é?
– O quê?
– Não. – Dean riu. – Não. – Jo também riu, e Dean ficou sério de repente, perguntando com as sobrancelhas erguidas: – E se eu dissesse, ia funcionar?
– Bom, antes de eu te responder, me responde uma coisa. E o seu lance com a , o que foi que aconteceu?
Ele deu de ombros e meneou a cabeça.
– Não deu certo. Percebemos que não somos bons o suficiente um pro outro. Somos melhores como bons amigos.
– Você tá convencido disso?
– Eu já respondi sua pergunta. Agora é a sua vez.
– Tem razão. – ela sorriu e colocou sua cerveja em cima do balcão. Se aproximou de Dean e acariciou o seu rosto, aproximando seu rosto do dele lentamente. – Não... – ela se afastou um pouco. – Querido, se esta for nossa última noite na Terra, eu quero passá-la com uma coisinha que eu chamo de amor próprio. – ela riu e se afastou de Dean.
– Se você gosta dessas coisas... – respondeu enquanto a assistia se afastar, tomando um gole de cerveja depois.
– TODO MUNDO AQUI! – gritou Bobby da sala. – ESTÁ NA HORA DA FOTO. – Sam então se levantou e Ellen entrou na sala. – Suspeitos habituais ali atrás. – ele apontou para um canto na sala.
– Ah, qual é, Bobby? Ninguém vai querer tirar foto. – Ellen reclamou e Bobby ignorou, arrumando a câmera no tripé.
– Escutem... – Sam entrou no assunto.
– Calado. Essa cerveja é minha. – Bobby respondeu.
Castiel, Jo e Dean entraram na sala. Bobby se afastou e com a cadeira de rodas, foi para perto dos caçadores, que já estavam prontos para tirarem a foto.
Ei, ei, ei! – Todos olharam para o lado e viram entrar na casa. vinha logo atrás. – Vocês estão tirando fotos sem a gente? É isso mesmo? Como ousam? – ela parou na frente da câmera, que disparou.
– Valeu por estragar a foto. – Bobby respondeu.
– Bobby, por que você tá numa cadeira de rodas? – perguntou olhando para Bobby, curiosa.
– Eu acabei quebrando a perna ajudando o Rufus... Não posso tocar o chão por alguns meses.
– Que pena... Mas enfim... – ela bateu uma palma. – Quero estar nessa foto.
– Então vem. – Sam sorriu.
– Deixa eu ir pro lado da minha filha. – Ellen falou saindo do lado de Sam e indo até Jo. abraçou Sam pela cintura e sorriu.
– Eu arrumo a câmera. – comentou se virando pra câmera e arrumando o temporizador dela novamente. – Aliás, por que a foto, hein?
– Eu preciso de alguma coisa pra lembrar da fuça de vocês. – Bobby respondeu.
– Que bom, um amigo otimista. – Ellen comentou irônica enquanto ia até o grupo e se sentava no chão, ao lado de Bobby.
– Senta aqui, Castiel. – disse dando tapinhas no chão.
Castiel a olhou e se aproximou, sentando-se a seguir.
– Bobby tem razão. – ele comentou sério e impassível, olhando para a câmera. – Amanhã caçamos o diabo. – todos sorriram e assentiram. – Essa é a nossa última noite na Terra.
E o semblante de todos mudou de um sorriso forçado para uma cara de preocupação e tristeza. 
E assim a foto foi tirada: abraçada com Sam com os lábios serrados e o cenho franzido. Sam com a testa franzida e Dean ao seu lado com as sobrancelhas erguidas. Jo estava ao lado de Dean com cara de poucos amigos e Ellen estava com o mesmo semblante que a filha. Bobby olhava sério para a câmera e ao seu lado, estava , olhando para Castiel. Com a cara que ela fazia, estava claro que ela pensava: “poxa Castiel, você precisava estragar esse momento?” e enquanto isso, o anjo estava olhando para a câmera sem expressão alguma.
A provável primeira e última foto do grupo estava um fiasco.
Assim que tiraram a foto, todos voltaram a fazer o que antes faziam. Ellen e Castiel voltaram a beber, Bobby continuou a mexer numa de suas bagunças que ninguém tinha coragem de chegar e perguntar o que era, e Sam e Dean voltaram a conversar no escritório.
– Ei, Bobby, quando a gente vai pra Cartago? – perguntou se aproximando do caçador e entregando uma cerveja.
Bobby deixou um livro empoeirado dentro da caixa e pegou a garrafa.
– Assim que a nossa reuniãozinha acabar.
Ela assentiu e tomou um gole da bebida, se sentando numa cadeira que tinha por ali.
– Você não vai poder ir, né?
Depois de tomar um gole da bebida, ele deu de ombros.
– Eu seria mais útil aqui.
Ela deu um meio sorriso.
– E quanto tempo você tem que ficar nessa cadeira?
– O médico disse que a recuperação seria de até seis meses.
– Poxa, que droga, justo agora você vai quebrar as pernas. Quanto mais gente pra nos ajudar, melhor.
– Eu sei, mas o que eu posso fazer, enfrentar o capeta com alguém empurrando minha cadeira?
Ela soltou um riso e bebeu mais um gole.
– E o Rufus? Não pode ajudar?
– Ele tem os problemas dele. A gente tem que se virar com o que tem.
– Tem razão. Acha que a gente ganha essa, ou é o nosso último dia na Terra?
Ele a lançou um olhar cético, mas depois duvidoso, com um fundo de esperança.
– Bom, a gente tem que viver todos os dias como se fosse o último.
Ela assentiu, não sabendo se aquilo era uma resposta positiva ou negativa.

– E aí, bocós, estão preparados pra mais uma aventura? – perguntou segurando três garrafas de cerveja e entrando no escritório.
– Não tanto quanto você. – Dean respondeu. – De onde vem essa animação?
colocou uma garrafa diante cada um e se sentou ao lado de Sam, que estava sentado a escrivaninha com o irmão.
– Da cozinha. É hilário ver o Castiel bebendo tequila. Como a gente não pensou nisso antes?
– Cada um se diverte como pode.
– Onde estavam? – Sam perguntou.
– A umas três horas daqui. Depois das últimas ligações, a gente resolveu se manter por perto, caso algo assim acontecesse. E olha no que deu. Já prepararam tudo?
– O possível. – Sam respondeu.
– Bom, a gente sabe que só o Colt e a faca podem garantir resultado, mas qualquer coisa que pode nos ajudar é bem-vinda. – ela fez uma pausa, bebeu um gole de cerveja e emendou: – Isso não se compara a nada que a gente já tenha enfrentado antes.
– É, pode-se dizer que é um desafio e tanto. Uma loucura até pra gente. – Dean respondeu.  – E um anjo bêbado é a nossa única garantia de sairmos vivos de lá, caso as armas não adiantem... Pensando bem, acho que tem gente demais se arriscando aqui.
– Então ainda bem que são todos maiores de idade e não são sua responsabilidade.
– Ah, é, bem lembrado. – Sam disse. – Dean, vamos cuidar uns dos outros, mas cada um sabe se cuidar, ok?
– É, eu realmente espero que esse tempo separados tenha valido alguma coisa além de mágoas.
Os dois soltaram um riso pelo nariz e balançaram a cabeça, enquanto Dean tomava um gole de sua bebida.
– Sam, eu queria falar em particular com você, pode ser? – perguntou.
Sam olhou para o irmão e assentiu, se levantando. logo se levantou e os dois passaram pela cozinha e foram até a varanda.
– Tá tudo bem? – Sam perguntou assim que fechou a porta atrás de si.
Ela assentiu com um sorriso não muito esperançoso, que no final acabou sendo um sorriso triste.
– Tem certeza? – Sam perguntou.
torceu o nariz e meneou a cabeça.
– Pra falar a verdade, eu fiquei bem animada ao saber que temos uma chance, mas depois do que o Castiel disse, eu...
– Ei, não, chega. – ele pediu educado. – O Castiel não tem muito filtro, ele falou aquilo, mas não foi por mal.
– Eu sei, mas a gente sabe que também é verdade. E por isso, eu queria falar uma coisa pra você.
– O quê?
Ela desviou o olhar, tentando encontrar as palavras certas.
– Que nada de ruim que tenha acontecido com a gente tem valor agora. Assim como as mágoas que foram criadas através do tempo.
, eu...
– Calma. – ela pediu com um sorriso simpático no rosto, fazendo Sam retribuir o sorriso. – E que se restou alguma pendencia entre nós dois, então que tudo seja resolvido agora. Acha que temos alguma pendencia?
Ele pendeu a cabeça por alguns segundos, refletindo.
– Acho que o que a gente tinha pra resolver, foi resolvido. E você?
Ela deu de ombros.
– Eu costumava achar que sim, mas estava errada. Esse tempo separados valeu de alguma coisa pra nós dois porque agora eu tenho certeza do que eu sinto por você.
Ele deu um meio sorriso.
– Por que, antes você não tinha?
Ela riu sem graça.
– Eu sabia, mas agora eu sei mais.
– Antes você sabia menos?
– Ah, que droga, Sam, meu discurso todo bonitinho foi por água abaixo por sua causa. – ela reclamou, fazendo Sam rir e a abraçar pela cintura.
– Não foi nada, continuou bonitinho. Você faz bons discursos.
– Ah, que horror, você não sabe nem mentir.
– Não, é sério, e vai ficar ainda mais bonitinho se você disser o que sente por mim agora com certeza.
Ela soltou um riso envergonhado e rolou os olhos.
– Ah, tenha piedade. – ela disse divertida e colando seus lábios aos dele, beijando-o com carinho.
Ouviram alguém pigarrear e se afastaram, quando olharam para trás, viram uma com um sorriso cínico de quem sabia que havia estragado um momento.
– Atrapalho?
Os dois se afastaram.
– Não, você nunca atrapalha. – respondeu. – O que foi?
– Estamos indo. Podem entrar?
Os dois assentiram e adentraram a casa, onde encontraram todos reunidos na cozinha. , pegou dois shots vazios de tequila em cima da pia e entregou um para cada. A seguir, pegou uma garrafa e de Sam, seguiu em sentido horário, enchendo os shots vazios de cada um, proferindo as seguintes palavras:
– Bom, gente, vamos propor um último brinde. Não sabemos se amanhã será nosso último dia na Terra, mas como Bobby mesmo disse, temos que viver cada dia como se fosse o último. E se esse for o nosso último brinde, então que seja feito em grande estilo. – assim que encheu seu próprio shot, ela ficou ao lado de Sam, fazendo assim com que todos ficassem num círculo. – Quero dizer que a cada dia nós criamos nossa historia. Cada caminho que a gente toma, cada página que a gente escreve, a gente deixa nosso legado. Cada soldado morre em sua glória, toda lenda fala sobre conquista e liberdade. Todo herói sonha com a cavalaria e amanhã caros amigos, amanhã seremos nossos próprios heróis e nossa própria cavalaria. Vamos trazer uma nova esperança ao mundo e vamos harmonizar tudo ao nosso redor porque cada um aqui – ela fez uma pausa dramática. – está destinado à história. – ela finalizou o discurso com a voz firme, olhando para cada um, que a olhava com a sobrancelha erguida, tentando entender o que ela tinha acabado de falar.
– Isso foi lindo. – Castiel disse após alguns segundos de silencio. – Não sabia que tinha tanta sensibilidade à poesia.
– E ela não tem, ela só estilizou o refrão de HIStory, do Michael Jackson. – respondeu. – Mas você mandou bem, tá todo mundo emocionado aqui.
– Com certeza. – Sam concordou.
riu e balançou a cabeça.
– Tudo bem, . Já que você é a dona dos discursos bonitinhos, pode pegar a garrafa da palavra. – disse entregando a garrafa para ela, que a olhou boquiaberta e ficando envergonhada.
– Você ouviu tudo?
– Todo mundo ouviu, vocês estavam bem atrás da porta.
olhou para cada um, que deixava bem claro que ouviram e então balançou a cabeça, deixando a garrafa de tequila atrás de si, na pia e pigarreando.
– Tudo bem... As nossas conquistas até aqui nos tornaram quem somos, não sabemos para onde vamos, e só Deus sabe onde estivemos, somos como velas, vamos onde o vento nos levar... Eu não sei vocês, mas se amanhã for o nosso último dia na Terra, eu quero morrer como uma guerreira, encarando a bala, opondo minha última resistência. – finalizou, lançando um olhar orgulhoso para , que a olhou com desdém e disse:
– Você achou que ninguém ia reconhecer a letra de Bon Jovi? Pelo amor de Deus, né.
riu.
– Tá, olha, será que alguém pode falar alguma coisa aqui que ninguém cante no chuveiro? – perguntou olhando para todos os que não haviam falado ainda, recebendo olhares estranhos em troca. – Qual é, digam alguma coisa. Proponham um brinde, sei lá.
Todos ficaram em silencio por algum tempo, até que Castiel disse:
– Nós vamos lutar e...
– Que seja algo positivo, Castiel. – disse antes que fosse tarde demais.
O anjo assentiu e continuou:
– Nós vamos lutar e se formos morrer amanhã, que seja por isso.
Todos o olharam impressionados, fazendo o anjo logo emendar:
– Me desculpem, eu não queria dizer isso.
– Não, Castiel, isso foi muito bom. – Sam respondeu, arrancando um sorriso discreto de contentamento do anjo, que logo depois voltou a ser o mesmo de sempre. – Bem, eu concordo com o Castiel. Um brinde ao nosso ato heroico, louco e suicida.
Todos se entreolharam e então Ellen pensou um pouco até dizer:
– Um brinde ao Bar da Estrada e aos amigos que deixamos pra trás... E também aos discursos bem elaborados em filmes, que são totalmente o oposto do que eu ouvi aqui. – disse a última parte rindo e dando a deixa para o próximo.
– Um brinde a Bon Jovi, Michael Jackson e a todos aqueles pobres coitados de quem clonamos cartões de crédito. Se não fossem por eles, não teríamos litros e litros de cerveja e nem mesmo um hotel sujo e mofado pra passar a noite. – disse, fazendo todos assentirem sorrindo.
– Um brinde a dupla Depp e Burton, a saga de Velozes e Furiosos e a todos os péssimos jogadores de pôquer que já encontrei nessa longa estrada da vida. – disse.
– Um brinde a nossa vida nada superestimada, por eu ter presenciado um anjo virar meia garrafa de tequila como se fosse água e por eu não ter entendido absolutamente nada do que a disse até agora. – Jo emendou, dando a deixa para Dean, que estava ao seu lado.
Dean suspirou e estufou o peito, tomando ar e fazendo pose. Olhou para cada um e começou seu discurso:
– Eu sou Dean Winchester, e estou vendo um exercito de meus conterrâneos, aqui, desafiando a tirania...
– Ah, não, mais um. – Jo disse baixinho, baixando a cabeça e coçando a testa.
Dean não contendo o meio sorriso, continuou como se não tivesse ouvido, entrando no circulo e andando de um lado para o outro, fazendo Sam segurar o riso, assim como e :
–... Vamos lutar como homens livres, e homens livres vocês são. O que farão sem liberdade? Lutareis? – ele fez uma pausa, mas ninguém respondeu. – Gente, é pra responder.
– Sim. – Castiel respondeu, fazendo Dean o olhar com cara de paisagem.
– Não, Cass, a gente tem que responder “Não! Fugiremos pra sobreviver.”. – explicou.
– E por que eu diria isso? Temos que enfrentar e lutar.
– Não, Cass, o Dean é nosso William Wallace. – ela explicou, tentando ser compreensiva.
– Eu não... entendi a referencia.
– Coração Valente, Castiel. – respondeu rápido e cética.
– Ah, vão embora daqui logo. – Bobby disse já virando a cadeira de rodas.
– Não, espera aí, Bobby. – Ellen disse, puxando sua cadeira de volta. – Deixa o Dean terminar. – ela olhou para Dean e fez um sinal com a cabeça, para ele continuar.
Dean balançou a cabeça inconformado por alguns segundos, até que voltou a pose e continuou, andando de um lado para o outro:
– Sim, lutem e talvez morram. Fujam, e viverão. Pelo menos por enquanto. E morrendo em suas camas, daqui até o fim dos tempos que está muito próximo, alias. ­– mudou o repertório, mas logo continuou: – Mas vocês desejarão trocar todos esses dias daqui em diante, por uma chance, uma única chance de voltar e dizer aos nossos inimigos que eles podem tirar nossas vidas, mas jamais tirarão nossa liberdade. – finalizou.
Todos ficaram em silencio, assentindo e refletindo.
– A gente tem que sair correndo e gritando com nossos cavalos agora? – Bobby perguntou.
– A gente teria que pintar a cara antes. – respondeu bem humorada.
– E temos cavalos de aço lá fora, estão nos esperando. – emendou.
– Ai, lá vem ela com Bon Jovi de novo. – reclamou. – Tem mais alguma coisa pra dizer, Dean?
Ele suspirou com a falta de sensibilidade daquelas pessoas diante um discurso como aquele e voltou ao seu lugar, erguendo o shot.
– De qualquer maneira, um brinde a Samuel Colt, que nos deu essa oportunidade de acabar com o Satã e um brinde ao Mel Gibson e aos filmes do Clint Eastwood.
Todos assentiram e olharam para Bobby, já que ele foi o único que ainda não havia falado nada.
– O que é? Eu não conheço nenhuma música do Bon Jovi ou do Michael Jackson pra fazer um discurso.
– Então proponha um brinde. – disse.
Bobby balançou a cabeça, incomodado e suspirou.
– Um brinde a nós e que a força esteja com vocês. – ele disse fazendo uma pausa e então deu um meio sorriso, com o olhar atônito de todos sobre ele. – O que é? Acham que eu não conheço uma boa frase de efeito?
olhou para a irmã e começou a rir com a mesma, conforme os outros sorriam com a frase do caçador mais velho.
Bobby foi fechando o circulo conforme se aproximava do centro, erguendo o shot e fazendo com que os outros se aproximassem e Castiel seguisse o fluxo. E sem saber direito o que deveria fazer, o anjo brindou com os caçadores, e todos viraram o shot goela abaixo.
Depois de uma pequena discussão entre , e Jo para chegarem a um acordo sobre qual carro ir, Ellen deu o veredito. Todas iam com ela no carro dela e sem reclamar.
Depois, todos se despediram de Bobby e partiram para Cartago.

– Acho que eu deveria ter tentado falar com o Benji. – comentou do nada com a irmã, que estava sentada ao lado de Ellen, que dirigia.
Estavam há algumas horas na estrada e dali a pouco, eles fariam uma parada e assumiria o volante.
– Ele não tá no Canada?
– Tá, mas talvez ele chegasse a tempo.
– Só se ele tivesse uma máquina de teletransporte.
– A gente só ia saber se eu ligasse. Com o Bobby e o Rufus de fora, vai ficar mais difícil, não sabemos o que vamos enfrentar, mas eu duvido que Lúcifer esteja sozinho lá. Somos um número beeem menor, com certeza.
– Mas independente do número, só temos duas armas contra demônios e apenas uma é segura e forte suficiente pra matar o demônio. De qualquer forma estamos em desvantagem. – Ellen respondeu.
– É, você tem razão. A gente não tem um pingo de amor à vida.
– Se a gente não fizesse o trabalho sujo, quem faria? – ela fez uma pergunta retórica, que fez com que todas refletissem por alguns segundos.
– Quem é Benji? – Jo perguntou do nada.
– Benjamin. – respondeu prontamente, educada. Não gostava quando outra pessoa chamava seu amigo de Benji. – Um amigo caçador que a gente tem.
– A gente? – perguntou e olhou para trás de relance, só para provocar, porque ela já havia perdoado o vampiro mais amado do mundo.
só fez um muxoxo, irritado, o que fez sorrir discretamente.
– Parece que é só meu amigo, então.
abriu o sorriso, com as sobrancelhas erguidas. Mesmo vendo a moça apenas de perfil, Jo percebeu.
– Só amigo? – Jo perguntou, a cara que sua irmã fez agora foi meio estranha.
– Ela fez essa cara porque é idiota. – respondeu fuzilando a irmã pelas costas.
– Mas você não respondeu minha pergunta. – Jo disse após alguns segundos de silencio, dando um sorriso de canto.
– Joanna Beth, isso não é da sua conta. – Ellen disse em tom de reprovação.
– O que, mãe? É só uma pergunta.
– É, Ellen, relaxa. – emendou.
– É só um amigo, Jo, com toda certeza. – respondeu calmamente, mas cheia de convicção.
– É bonito?
– Jo!
– Mãe!
– É. – respondeu. – Moreno dos olhos azuis. Mais velho, mas tem uma carinha... Só que não vale nada, já vou falando.
– Por isso ele não é seu amigo? Ele te fez alguma coisa?
– Joanna Beth, chega.
riu.
– Relaxa, Ellen. E não Jo, não é por isso que ele não é meu amigo, eu só tava irritando a esquentadinha aí atrás. Eu só digo que ele não vale nada porque eu o conheço bem, antes mesmo de conhecer os Winchesters. Tem o jeitinho do Dean, se você reparar.
– Ah, entendi. – ela respondeu com um sorriso e depois olhou para . – Ele é exatamente o tipo de cara que você gosta e nunca rolou nada entre vocês?
– Joan... – Ellen parou de falar quando começou a rir e se virou para trás, querendo ver a reação da irmã, que olhava para Jo com as sobrancelhas erguidas. – Vocês são terríveis.
– É mesmo, . É uma boa pergunta, Jo.
– Ah, , dá um tempo, você sabe mais do que ninguém como eu sou com o Ben.
– Eu sei e conhecendo o histórico dos dois, acho que você deveria responder. Seja franca.
a olhou levemente ofendida. Já havia passado meses e ainda remoía o que aconteceu entre ela e Benjamin no passado.
E ao pensar no passado, o remorso subiu a mente da moça.
E por esse remorso, ela não queria contar à irmã o que aconteceu. Porque sabia que a julgaria (e com razão) e ela não queria mais motivos para se odiar. Mas também não queria mentir, então tudo o que disse foi:
– Somos melhores como amigos.
Jo olhou para , com as sobrancelhas erguidas e a boca aberta num sorriso discreto. retribuiu o olhar com o cenho franzido e depois olhou para a irmã, que olhava a janela com tanta fixação que nem piscava.
Balançou a cabeça, tentando imaginar se aquela resposta era vaga de propósito, só para provocá-la ou se realmente havia alguma coisa por trás.
– Isso quer dizer que rolou e não deu certo? – Jo perguntou.
Enquanto voltava a sua posição inicial, trocou olhares com Ellen, que olhou discretamente pelo retrovisor e disse:
– Jo, chega desse assunto.
– Não rolou nada. – respondeu, acabou optando por mentir. Olhou para Jo e abriu um sorriso fingido, mas convincente. – Eu só disse pra provocar a preocupadinha ali. – deu um tapinha no ombro da irmã, que soltou um riso pelo nariz e se virou novamente.
– Confesso que você quase me pegou, pilantra.
riu pelo nariz e se acomodou no banco.
– Você respondeu a mesma coisa que o Dean quando eu perguntei de vocês dois.
– Ah, é? Que coincidência.
– É. E é verdade?
Ellen suspirou, cansada de tanto chamar atenção da filha em vão.
– É sim. – respondeu tranquila. – Eu falei pra sua mãe há alguns meses que a gente tava deixando rolar e foi no dia seguinte, na casa do Bobby que tudo acabou. Acredita, Ellen?
Ellen a olhou discretamente pelo retrovisor e pode perceber que deu a entender que foi pelo que Ellen falou sobre Dean e a filha que a fez acabar com tudo. Coitada, não sabia de nada.
– Mas não foi por nenhum motivo em particular, se é o que vocês estão querendo saber.
– Na verdade foi só porque um não concordou com a ideia do outro. – logo emendou, sem dar muitos detalhes. – É por motivos fúteis assim que duas pessoas orgulhosas jogam um monte de coisa boa no lixo.
, esses argumentos seus não me fizeram voltar atrás há meses, não vai me fazer voltar agora, que tá tudo bem.
– Não é possível que esteja tudo bem. Como pode?
Ela deu de ombros.
– Estando. Agora só porque a gente não tá do jeito que você gostaria, tá tudo errado? Que nada, estamos bem. – ela afirmou novamente, olhando para Jo, que respondeu:
– Legal, isso é bom. Adultos agindo com sabedoria.
Ela riu, assentindo.
– Viu, , só você não aceita.
fez um muxoxo, voltando a se ajeitar no banco, e deixando e Jo conversarem em paz. Pouco mais de três horas depois, eles pararam para abastecer e esticar as pernas, quando voltaram para os carros, Castiel se juntou as moças, que aí então não pararam mais de falar.

...

Cartago, Missouri.

A manhã estava chuvosa e não tinha um ser sequer nas ruas da cidade. Os únicos carros em movimento naquele lugar era o Impala e o carro de Ellen logo atrás. Dean e Sam estavam com o braço para o lado de fora, para checar se lá o celular deles tinha sinal.
– Conseguiu sinal? – Sam perguntou.
– Não, nada. – Dean desligou o celular. – Que estranho. – ele passou o carro para outra pista e fez sinal para , que emparelhou com o Impala.
– O lugar não tá vazio demais? – ela perguntou.
– Nós vamos olhar o distrito. Vocês ficam aqui e vejam se tem alguém.
– Tá. – respondeu e esperou Dean sair com o carro. Logo em seguida, ela encostou o carro e ela, , Jo e Ellen desceram, deixando Castiel lá dentro.
– Nunca ouviu falar de maçaneta não? – Jo perguntou batendo no vidro.
– É claro que já. – Castiel respondeu atrás da menina.
Jo o olhou assustada.
– O que foi, Cass? – perguntou olhando a expressão assustada do anjo.
– A cidade não está vazia.
– Como assim? – perguntou olhando para os lados e não vendo ninguém.
– Ceifeiros.
– Ceifeiros? – Ellen perguntou se aproximando. – Tem mais de um?
– Eles só se reúnem assim em tempos de grande catástrofe... O incêndio de Chicago, o tremor de San Francisco, Pompeia... Tenho que descobrir o que está acontecendo aqui. – ele falou se afastando.
Jo, , e Ellen se entreolharam.

Castiel andou pela rua até encontrar em uma janela, um homem vestido de preto. Ele se teletransportou para o apartamento e caminhou até um corredor, que tinha uma porta entreaberta. Entrou no quarto e não viu ninguém.
Oi, irmão.
Foi tudo o que Castiel ouviu até um clarão invadir o lugar.

– O Distrito tá vazio. – Dean comentou com assim que ela parou o carro ao lado dos irmãos, que já as esperavam.
– Tudo tá vazio. – Jo comentou do banco de trás.
– Viram o Castiel? – perguntou.
– Como? Ele ficou com vocês. – Sam respondeu.
– Não. Ele foi atrás de ceifeiros.
– Ceifeiros? – Dean perguntou. – Onde ele viu ceifeiros?
– Por toda parte. – respondeu. – Eu acho.
Dean e Sam se entreolharam. A coisa não estava boa.

Quando Castiel abriu os olhos, percebeu que estava preso no fogo sagrado no que parecia ser um porão. Ele olhou ao redor e encontrou um homem o espreitando.
– Lúcifer. – Castiel se virou totalmente para o homem.
– Então você veio aqui com os Winchesters? – Lúcifer perguntou o rodeando.
– Eu vim sozinho.
Lúcifer parou na frente de Castiel.
– Lealdade... Hm... Que bela qualidade nos dias de hoje... Castiel, não é? – Cass assentiu e Lúcifer voltou a rodeá-lo. – Castiel, eu soube que você chegou aqui de automóvel. – ele parou novamente.
– É. – Castiel, que o acompanhava, parou.
– E como é?
– Hã... Lento e apertado.
– Que coisa peculiar você é.
Castiel olhou bem para o rosto do homem, que estava descascando.
– O que houve com a sua casca?
– É... Nick tá se esgarçando, infelizmente. Ele não pode me conter pra sempre.
– Você... – Castiel se aproximou de Lúcifer, mas parou quando lembrou que não podia tocar no fogo. – Você não vai levar Sam Winchester. Eu não vou deixar.
– Castiel... – ele voltou a rodeá-lo. – Eu não entendo por que você tá contra mim, entre todos os anjos.
– Ainda precisa perguntar? – Castiel respondeu o acompanhando.
– É muito simples... Eu me rebelei e fui expulso. Você se rebelou e foi expulso... Quase todos no céu querem me ver morto. Se conseguirem, veja só... Você passa a ser o inimigo numero um deles... Nós estamos do mesmo lado, então por que você não pensa nos seus interesses que nesse caso, são iguais aos meus? – Lúcifer parou.
– Eu prefiro morrer. – Castiel também parou e os dois se encaram por algum tempo.
– Eu suponho que sim... – e Lúcifer se retirou, deixando Castiel sozinho.

– Que beleza, estamos na cidade há 20 minutos e já perdemos o nosso anjo da guarda. – Dean comentou.
Os seis andavam armados pelas ruas, a procura de Castiel.
– E aí, acha que o Lúcifer o pegou? – Sam perguntou.
– Eu nem sei mais o que pensar.
Achei vocês...
Os seis ouviram uma voz feminina e olharam para trás, prontos para atacar.
– Meg? – Sam chutou.
– Não deviam ter vindo aqui. – ela respondeu sorrindo.
– Eu podia dizer o mesmo a você. – Dean se aproximou da mulher com o Colt em mãos.
– Eu não vim sozinha... Dino! – ela chamou e um cachorro rosnou.
– Ai não. – sussurrou.
– Não me diga que... – começou a falar, mas parou quando outros cães rosnaram ao redor deles.
– Cães do Inferno. – Dean os alertou.
– É, Dean. Seus favoritos. – Meg sorriu. – Venham comigo, meu pai quer ver vocês.
– Eu dispenso, obrigado. – Sam respondeu indo para perto de .
– Você que sabe... Pode facilitar ou pode dificultar muito mesmo.
Dean olhou para trás e olhou para Sam e Ellen, que assentiu.
– Quem refresca rabo de pato é lagoa, querida. – Dean respondeu voltando sua atenção para Meg, apontando o Colt.
Meg sorriu e então Dean mirou para onde achava que um dos cães estava e atirou. Por sorte, ele acertou.
– CORRAM! – Sam gritou e puxou .
puxou Ellen e as duas saíram correndo. Jo e Dean os seguiam mais atrás. Ao som dos latidos, eles correram mais rápido, porém, como Dean era o desafortunado do momento, um dos cães o alcançou, agarrando-lhe as pernas. Dean caiu no chão e jogou o Colt para longe.
– DEAN! – Jo gritou, se virando e destravando a arma.
– ANDA SAM! – gritou para Sam, que tentava arrombar a porta de uma loja de materiais de construção.
– JO, CORRE! – Dean gritou, mas a menina ignorou.
Ela atirou se aproximando do que achava ser um cão, e por sorte, ela acertou. Porém, foi atacada por outro cão que a jogou no chão.
– NÃO! – Ellen gritou e correu até a filha, que gritava.
Sam e deram cobertura para Ellen e Dean, que se aproximavam da menina da forma que podiam.
correu até a loja de materiais de construção, e tentou de alguma maneira abri-la, porém não conseguiu. A única solução seria atirar na fechadura, e então ela mirou. Mas, poucos segundos antes de atirar, um homem de boné abriu a porta.
– ANDEM LOGO! – ele gritou.
correu até Dean e pegou as armas e as bolsas que estavam no chão enquanto Dean pegava Jo no colo e corria para a loja, enquanto os outros três ainda davam cobertura.
Sam e , que foram os últimos a entrar, tentavam fechar a porta, enquanto Dean carregava Jo para dentro da loja. Ellen e largaram as armas e foram até eles. O homem as acompanhava.
– Tudo bem. – Ellen disse, tentando acalmar a filha, que estava agonizando. – Respira, respira.
– Coloque-a aqui. – o homem apontou para o balcão.
Dean então colocou Jo no chão e a encostou no balcão. Depois, ele voltou sua atenção para o homem.
– Por que você não abriu antes? Isso poderia ter sido evitado! – ele disse nervoso.
– Você queria que eu abrisse a porta pra estranhos no meio de uma cidade enfestada de demônios? Você faria isso? – o homem perguntou calmo e baixo, olhando para Jo. – Eu só fui notar que vocês são humanos quando ela foi atacada.
Dean pensou por alguns segundos e se sentiu na obrigação de deixar o assunto de lado, já que na verdade ele teria feito a mesma coisa.
– Obrigado. – ele respondeu.
O homem apenas balançou a cabeça e se retirou para os fundos da loja.
, PEGA ALI. – Sam apontava e gritava, tentando segurar a porta, encostando-se nela.
assentiu e pegou uma corrente grossa que estava à venda no local. Sam se virou e tentou segurar a porta com as mãos, para impedir que os cães que latiam e forçavam a porta com muita força entrassem, enquanto passava a corrente pelo puxador.
– Segura aí. – ela comentou com Sam enquanto abria um cadeado que pegara junto com a corrente, e o usou para segurar a corrente na porta. – Pronto.
Sam suspirou e se escorou aliviado na porta.
O homem desconhecido então voltou dos fundos da loja com pacotes de sal que tinha estocado ali e entregou um para . Ela o pegou e correu até Sam e , colocando o sal na porta, enquanto ele colocava nas janelas.
– AJUDEM AQUI! – Ellen gritou. Os quatro se aproximaram e olharam para Jo, preocupados. A menina jorrava sangue. e a irmã se olharam. Dificilmente, Jo sairia viva daquela. – Você vai ficar bem. – Ellen tentava acalmar a filha. então foi para os fundos da loja, pegou uma bacia, a encheu com água e a entregou a Ellen. – Obrigada.
Sam e Dean foram para os fundos da loja, na sala da administração.
– As linhas de sal estão firmes. – Sam comentou com o irmão, que estava mexendo em um rádio.
– Seguros, por enquanto.
– Seguros como ratos numa ratoeira.
– Você ouviu a Meg. – Dean parou o que estava fazendo e olhou para Sam. – O pai dela tá aqui. É a nossa última chance, Sammy. É pegar de qualquer jeito. – Dean voltou a mexer no rádio e Sam olhou o vazio, pensativo.

– Meninas, me ajudem aqui. – Ellen pediu. – Eu preciso de mais água.
olhou para , pegou a bacia de água e se afastou. se abaixou e ficou ao lado de Ellen, sem saber o que fazer.
foi até a cozinha nos fundos da loja, jogou a água suja na pia e encheu a bacia com água limpa. Enquanto isso, ela observava o homem que os ajudara a poucos minutos, olhando pela janela, apreensivo.
– Precisa de alguma coisa? – ele perguntou ainda olhando pela janela. De alguma forma, ele percebeu que ela o olhava. E ela morreu de vergonha por isso.
– Ah, não! – ela voltou a olhar para a bacia. – Eu só queria agradecer pelo que você fez. A gente teria mais pessoas feridas se você não tivesse ajudado.
– Não tem problema. – o homem se virou para , que o olhou e o analisou por alguns segundos, jurando que já o viu alguma vez. – O que foi?
– Hã? Nada!... Eu vou levar isso aqui pra Ellen. – ela pegou a bacia e foi até a loja, deixando o homem sozinho.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

“Aqui é KC5 Faca Dado Oscar, chamando... Por favor, responda.”.
Bobby ouviu alguém falar no rádio. Ele então se aproximou do objeto e respondeu:
– KC5 Faca Dado Oscar, prossiga.
Bobby, é o Dean. Temos problemas.
– Tudo bem, cara. – Bobby suspirou, dando graças a Deus por estarem vivos. – Pra isso estou aqui. Estão todos bem?

Cartago, Missouri.

Dean olhou para Sam e suspirou desesperado.
– Não... É... É a Jo. Bobby, ela tá muito mal.
Bobby suspirou e torceu para que não fosse nada grave.
Tudo bem, copiei. Agora vamos ver o que podemos fazer.
– Bobby, eu acho que ela não... – Dean parou de falar, nervoso e sem saber o que fazer.
Eu disse, vamos ver o que fazer, cara.
Dean olhou para Sam e suspirou novamente.
– Tá... Tudo bem.
Agora, diga o que está havendo.
Então Dean contou o que tinha acontecido com eles até o momento. E Bobby, ouviu com atenção.
Antes de sumir, Cass viu quantos ceifeiros?
– Eu não sei. Ele disse que eram muitos. O número faz diferença?
O diabo está nos detalhes, Dean.
Dean parou e pensou por alguns segundos. Ele olhou assustado para o lado, quando cutucou o seu braço e apontou para o rádio. Ele então passou o rádio para ela.
– Bobby, aqui é a ... O Castiel olhava pra todos os lados. Havia muitos mesmo.
Eu não estou gostando disso.
– Ninguém tá gostando, Bobby. – Dean respondeu nervoso, pegando o rádio de . – Mas o que isso parece?
Parece que é a morte, filho... Eu acho que Satã está na cidade pra fazer um ritual. Ele planeja liberar a Morte.
– Como é que a Jo está? – Sam perguntou sussurrando para .
– De mal a pior.
Os dois se encararam.
– Eu acho que vou lá. – Sam deu de ombros, triste.
assentiu e olhou para Dean conversando com Bobby.
É a Morte, o cavaleiro. O cavalgante em pessoa.
– Liberar? Mas a Morte já não galopa por toda parte? Até eu já morri várias vezes.
Não esse cara... Esse é o Anjo da Morte. O ceifeiro do papai. O cara fica acorrentado nas profundezas. Da ultima vez que foi solto, Noé estava fazendo a arca... Por isso o lugar está cheio de ceifeiros. Estão esperando o chefão chegar.
Dean suspirou.
– Tem outra boa notícia?
Pode-se dizer que sim... Eu ando pesquisando Cartago desde que vocês partiram pra tentar descobrir o que o diabo quer aí... Você fez a última peça encaixar no lugar... O Anjo da Morte deve chegar ao mundo à meia-noite em meio à carnificina. Durante a Guerra Civil houve uma batalha em Cartago. Uma batalha tão intensa que foi chamada de o Buraco do Inferno.
– E onde o massacre aconteceu?
Nas terras da fazenda de William Jasper.
e Dean se olharam.
– Como ela tá indo? – o homem se aproximou de , que olhava de longe Sam, Ellen e Jo.
– Eu acho que ela não sai daqui. – suspirou.
– O que foi aquilo lá fora? Cães do inferno? – ele esperou responder, e quando ela assentiu, ele continuou: – Eu achei que seria um problema simples de desaparecimento de pessoas. Não algo desse porte... A cidade tá vazia.
– Por que você veio pra cá?
– Como eu disse, achei que fosse coisa simples. Notei alguns presságios e vim pra cá com alguns amigos.
– E onde estão? – ela o olhou curiosa. O homem se limitou apenas em olhar para ela e balançar a cabeça. – Sinto muito.
– Essa coisa, seja lá o que for, é bem mais perigosa que a gente pensa.
– Você não tem ideia... – respondeu pensativa.
O homem a olhou.
– Você sabe o que tá acontecendo? O que é?
– Eu não posso falar.
– O que foi? Eu não sou confiável? – o homem perguntou, mas não respondeu. – Tudo bem, eu entendo... Mas pode confiar em mim. – o homem levantou a manga da camisa xadrez azul que vestia e mostrou sua tatuagem com o símbolo de anti-possessão no antebraço. – Eu não sou um demônio.
olhou para a tatuagem, para o homem e depois para Sam, que se aproximava.
– Oi, hã... Obrigado por deixar a gente entrar. – Sam viu a tatuagem. – Você é caçador?
– Sou sim. – ele abaixou a manga da blusa e esticou a mão para Sam. – Meu nome é Jean-Luc.
– Sam Winchester. – Sam o cumprimentou.
– Sam Winchester?... Foi você que trouxe o apocalipse? – Sam encarou o homem e depois olhou para . – Olha cara, eu não vou te matar... Cada um com seus problemas. – o homem deu de ombros. – E então? O que estamos caçando?
– Lúcifer. – Sam respondeu após alguns segundos de silencio.
O homem olhou para ele sem acreditar.
– Não é po...
– Possível? É sim... Lúcifer em carne e osso está nessa cidade.
– E como?... Como a gente o mata? Se é que isso é possível.
– Nós temos uma arma e bem, não temos medo de usá-la. – respondeu.

– Os Winchesters estão na minha mão. – Meg comentou sorrindo quando chegou perto de Lúcifer e Castiel. – O que eu faço com eles?
– Deixa eles em paz.
– Desculpe... Tem certeza? Não seria melhor...
– Confia em mim, filha. – Lúcifer se aproximou de Meg. – Tudo acontece por uma razão.
Castiel ouvia a conversa analisando o local, esperando encontrar algo que pudesse o tirar dali. Foi quando ele notou o encanamento de água, que não funcionava mais.
– Castiel. Você ainda tem algum tempo pra mudar de ideia. Castiel encarou Lúcifer. Então ele tinha algum tempo para escapar.

– Agora nós sabemos onde o diabo vai estar. – Dean comentou com os três depois que conversara com Bobby. também estava no grupo. – Sabemos quando e temos o Colt.
– Ah... Só precisamos passar por uns oito cães do inferno. – Sam respondeu sarcástico. – E chegar à fazenda antes da meia-noite.
– E tudo isso depois de tirarmos a Jo e a Ellen da cidade. – comentou.
– E vocês também. – Dean respondeu.
– Por quê? – perguntou.
– Olha pra ela. – Dean apontou para Jo agonizando. – O que você acha que pode acontecer com vocês?
– A gente veio sabendo que isso podia acontecer, Dean. – respondeu. – E nós não vamos ir embora. E não vamos discutir isso agora.
– Não vai ser fácil tirá-la daqui. – Sam voltou ao assunto.
– Maca? – Dean perguntou, ignorando o comentário de e olhando para Jean-Luc.
– Não. Mas podemos improvisar uma. – ele respondeu dando as costas para os três.
Parem. – Jo pediu, conseguiu ouvir a conversa toda. – Gente. Podemos ser mais realistas, por favor? – Os cinco se aproximaram da moça. – Eu não consigo mexer as pernas... Não posso ser transportada. As minhas tripas estão sendo seguras por uma bandagem... Nós temos que pensar nas prioridades aqui. – todos se olharam. – Pra começar, eu não vou a lugar nenhum.
– Joanna Beth, pode parar de falar assim. – Ellen respondeu.
– Mãe! Eu não posso lutar. Não posso andar. Mas eu posso fazer uma coisa... Nós temos aqui propano, arame, sal grosso e pregos. Tudo que precisamos.
– Tudo que precisamos? – perguntou sem entender.
– Pra fazer uma bomba, . – Michelle respondeu.
, Dean e Ellen olham assustadas para Jo. e Sam se olharam preocupados.
– Não. Jo, não. – Dean respondeu.
– Você tem outro plano?... São os cães do inferno lá fora, Dean. Eles já nos farejaram. Eles nunca vão parar de caçar vocês... Deixamos os cães entrarem, vocês vão para o telhado, pulam para o prédio vizinho e enquanto isso eu espero aqui com o dedo no botão... Detono os cães ou pelo menos dou algum tempo de vantagem pra vocês.
– Não. – Ellen respondeu com os olhos cheios de lágrimas. – Eu não vou deixar.
– É pra isso que a gente tá aqui, né?... Se pudermos acertar uma no diabo... Se alguém tiver que morrer, que seja por isso, lembra? Dean, nós temos que tentar.
– Não. – Ellen olhou desesperada para Dean. – Não é...
– Mãe... Essa pode ser literalmente a sua última chance de me tratar como adulta... Acho melhor pegar.
Ellen começou a chorar, e consentiu algum tempo depois com o plano da filha.
– Vocês ouviram... Ao trabalho.
Os cinco se olharam e se espalharam pela loja. pegou baldes, pegou pregos, Sam pegou o propano e Dean pegou o que mais poderia ser útil no local. Enquanto isso, Ellen e Jean-Luc preparavam o arame ao lado de Jo.
Enquanto Dean e Sam preparavam os explosivos, e enchiam os baldes de sal e pregos e depois, demarcaram os lugares que as bombas seriam postas. Todos agiam rápido, pois o tempo era curto e Jo poderia morrer a qualquer momento.
Com tudo posto em seus devidos lugares, e se despediram de Jo, dando espaço logo depois para Sam se despedir. Assim que o fez, ele se juntou à Ellen, Jean-Luc e as meninas, perto da escada que levava para o segundo andar. E depois que Dean terminou de arrumar os explosivos, ele se aproximou e se abaixou ao lado de Jo, colocando na mão dela, o detonador.
– É isso... – Dean comentou sussurrando para Jo. – A gente se vê do outro lado... Antes cedo do que tarde.
– Que seja tarde. – Jo sorriu.
Dean se aproximou da moça e deu um beijo em sua testa. Depois, os dois se olharam por alguns instantes e ele beijou a moça na boca. Um selinho de despedida.
– Não deveria ter feito isso. – ela reprovou, com um sorriso triste no rosto.
Dean se limitou a dar um sorriso sem vontade e se levantar.
– Tudo bem... – ele sussurrou depois que se afastou dela e saiu, indo até o grupo.
Ellen então se aproximou da filha. As duas se olharam por alguns instantes e começaram a chorar.
– Mãe... Não!
– Alguém tem que abrir a porta e você disse que não pode se mexer... Você tem a mim, Jo. – Na hora Sam e Dean se olharam sem saber o que fazer. – E tem razão: isso é importante. Eu não vou deixar você sozinha.
– Dean. – Sam o chamou.
Eles tinham de arranjar um jeito de salvar pelo menos uma das duas.
– Podem ir, todos vocês. – Ellen disse.
– Ellen...
– Eu disse pra irem. – Os cinco se olharam e começaram a subir as escadas, mesmo sem querer. – E Dean, – Ellen o chamou antes de ele sair. – atire pra matar... Não erre.
Dean assentiu e subiu o resto das escadas.
Os cinco foram para o lado de fora, desceram as escadas de emergência com rapidez e correram para longe do prédio, olhando para trás apenas quando ouviram a explosão.

Os cinco correram até a fazenda por alguns minutos, sem parar nem para respirar.
– Tá, agora vocês precisam ficar aqui. – Sam comentou assim que chegaram.
– Como assim? – perguntou se irritando.
– Só temos uma arma e não podemos nos arriscar. Eu e o Dean vamos e vocês ficam aqui... E caso a gente não volte, vão embora.
– Mas, Sam...
– Não, ... Por favor, digam que vocês farão isso? – Sam a olhou nos olhos. – Por favor... Eu não quero perder mais ninguém por hoje.
e se olharam. Não queria discutir aquilo agora, não podiam bater de frente sendo que eles tinham razão, as duas não eram necessárias.
– Se vocês não voltarem em uma hora, a gente vai atrás de vocês. – respondeu.
Sam assentiu aliviado.
– Vai ser rápido. Até mais tarde. – ele se aproximou e beijou com vontade, sem nem se importar se havia pessoas ali, observando.
Jean-Luc deu as costas, envergonhado e se afastou, fingindo ter encontrado algo superinteressante quando todos sabiam que eles mal enxergavam nada, de tão escuro que estava o local.
Dean e se afastaram um pouco também, mas não por vergonha, mas sim porque pelo menos uma vez, eles tinham que respeitar a privacidade dos irmãos.
finalizou o beijo calmo, se sentindo sem ar. Ainda de olhos fechados, e com a cabeça erguida, sentiu que Sam se abaixou levemente, encostando sua teta na dela.
Involuntariamente, seus olhos se umedecerem além do necessário.
Aquilo não era uma despedida para uma viajem separados, era algo que talvez fosse definitivo, ela não sabia.
E só de imaginar que há menos de uma hora e meia, Jo e Ellen estavam com eles e agora elas simplesmente não existiam mais, deixava bem claro o quanto aquilo estava sendo perigoso, e aumentava ainda mais o medo que ela sentia de perdê-lo.
– Você promete que vai voltar? – ela perguntou sem coragem, sentindo sua garganta se fechar.
Sam automaticamente levantou a cabeça e abriu os olhos, assim como a moça.
, eu não posso prometer isso.”, ele pensou em responder, sincero. Mas ele via através dos olhos da moça, a necessidade de se agarrar a qualquer coisa que a trouxesse um fio de esperança, algo que uma mentira do bem fazia perfeitamente.
Ele assentiu devagar, secando as lágrimas da moça com os polegares.
– Eu prometo.
deu indícios de um sorriso doloroso, Sam a acompanhou e selou seus lábios aos dela, sem a menor pressa e urgência.

Dean e ficaram em silencio e levemente sem jeito, já que eles também poderiam estar se despedindo daquela maneira, mas não podiam, ainda mais quando alguém ali beijou outro alguém antes desse último alguém morrer tragicamente.
Claro que ela não falaria nada... Por enquanto.
– Boa sorte lá. – ela disse do nada.
Dean olhou para ela, e sorriu sem vontade, assentindo. também deu o mesmo sorriso, que aos poucos foi se curvando para baixo, dando lugar a ardência nos olhos e preocupação.
Ela não queria se despedir daquela maneira, nem de maneira nenhuma. simplesmente não conseguiria se despedir tão friamente dele sabendo que ele corria risco, porque da última vez que se despediu dele “pra valer”, Dean não voltou mais.
E aquilo apertava seu peito e doía até mais do que da primeira vez.
– Ei, tá tudo bem? – Dean perguntou preocupado, pegando no braço da moça, que já deixava algumas lágrimas cair.
fez que não e o abraçou no mesmo instante. Dean retribuiu o abraço, sabendo exatamente o que passava pela cabeça da moça e sentindo preocupação não só por ele, mas por Sam também, sem deixar de sentir o alivio de poder senti-la em seus braços, mesmo não sendo como ambos gostariam. Era estanho, mas ele mesmo não saberia explicar o que sentia.
Ouviram alguém, ou melhor, dois seres pigarreando ao lado e então se afastaram, permitindo que e Sam se aproximassem.
– Tá pronto? – Dean perguntou ao irmão, que assentiu.
– A gente se vê, . – Dean a cumprimentou rapidamente, enquanto Sam fazia o mesmo com , e então os dois se afastaram.
Jean-Luc, ao perceber que as moças estavam sozinhas, voltou a se aproximar.
– Ah! – Sam se virou de repente para os três, já estava a certa distancia, mas podia ver a silhueta deles. – Você, – ele apontou para Jean-Luc. – de olho nelas até a gente voltar.
Jean-Luc assentiu e os dois foram embora.
...
– Eu sei, ... – ela olhou para a irmã, preocupada. – A chance de eles voltarem é mínima. Mas vamos torcer pro Castiel dar o ar da graça e tirar a gente daqui antes que seja tarde demais.

– Você confia nesse cara? – Dean perguntou enquanto andavam pela fazenda.
– Eu não. Mas é necessário acreditar que as duas sabem se cuidar.
– Se eu soubesse que seria assim, não teria chamado elas... Elas não deviam ter vindo.
– Mas vieram. Agora não tem mais jei... – Sam parou de falar assim que ouviu barulhos. Ele bateu no braço do irmão e apontou para uma direção.
Os dois andaram com cautela até lá e viram um monte de gente olhando paralisadas para Lúcifer, que cavava uma cova.
– Acho que já sabemos o que houve com o povo da cidade. – Dean comentou.
– Tudo bem... – Sam suspirou.
– Tudo bem.
– Últimas palavras?
Dean olhou para o irmão e depois voltou a olhar pra movimentação.
– Eu tô bem assim.
– É... Eu também.
Dean olhou para Sam e destravou o Colt. Uma chuva fina começou a cair.
– Agora não tem mais jeito.
Os dois se separam e partiram para o plano.

– EI! – Sam gritou se aproximando de Lúcifer, que parou o que estava fazendo e olhou para trás. – VOCÊ QUERIA ME VER?
– Sam, não precisa de arma aqui. – ele apontou para a arma que Sam segurava. – Eu jamais o magoaria... Jamais.
– É? – Dean apareceu cautelosamente ao lado de Lúcifer, o apontando o Colt. – Mas eu magoaria. – Lúcifer olhou assustado para Dean. – Volta pro inferno. – e atirou.
Lúcifer então caiu no chão e Dean olhou para Sam aliviado. Sam sorriu nervoso, porém, seu sorriso desapareceu quando ele viu que Lúcifer acordava aos poucos. Dean o olhou sem entender.
– Onde você conseguiu isso? – ele perguntou se levantando e colocando a mão na testa marcada pelo tiro. Dean o olhou apavorado e sem saber o que responder. Lúcifer então o bateu, jogando-o contra uma árvore no meio do mato. – E agora? – ele perguntou para Sam, que estava apavorado. – Como ficamos?... Não fique assim, Sam. Só tem cinco coisas na criação que essa arma não pode matar. E acontece que eu sou um deles... Mas se me der um minuto, eu tô quase pronto. – Lúcifer voltou a cavar o chão.
Sam olhou preocupado para Dean, tentando controlar a respiração descontrolada. Ele foi até o irmão, que estava desacordado e checou os seus pulsos, suspirando aliviado por ele estar vivo.
– Olha... – Lúcifer se apoiou na pá e olhou para Sam. – Eu não acho que você vai dizer um sim logo de cara, né? E acabar com essa discussão boba. É loucura, né?
– Isso nunca vai acontecer. – Sam o encarou e se levantou.
– Ah, eu não sei, Sam. – ele voltou a cavar. – Eu acho que vai, hein... Vai acontecer logo. Daqui uns três meses. E eu acho que vai ser em Detroit.
– Escuta aqui, seu filho da mãe... Eu vou matar você pessoalmente, entende? – Sam falava nervoso. – Eu vou arrancar o seu coração.
– Maravilha, Sam. Pode ir atiçando esse fogo interno e toda essa fúria contida. Eu vou precisar.
Sam olhou para as pessoas, que não se mexiam. Apenas olhavam para Lúcifer.
– O que você fez? O que fez com essa cidade?
– Eu fui muito generoso com a cidade... Um demônio para cada homem inteiro.
– E o resto deles?
Lúcifer riu e parou de cavar.
– Aqui, ó. – ele apontou para a cova. Sam o olhou assustado. – Eu sei que é terrível. Mas os cavaleiros são exigentes. – ele voltou a cavar. – Então, mulheres e crianças primeiro. Eu sei o que pensa de mim, Sam. Mas eu preciso fazer isso... Você mais do que ninguém deveria entender.
– O que você quer dizer com isso?
Lúcifer o encarou e jogou a pá no chão.
– Eu fui filho e eu fui irmão, como você. – ele se aproximou. – Um irmão caçula. E eu tinha um irmão mais velho que eu amava. Eu o idolatrava... Aí um dia eu implorei a ele que ficasse do meu lado... Aí sabe o que aconteceu? O Miguel me deu as costas. Me chamou de monstro. E sabe o que mais? Ele me bateu. Só porque eu era diferente. Porque eu tinha ideias próprias... Me diz uma coisa, Sam... Isso não lhe parece familiar? – ele esperou Sam responder, mas ele não o fez. – Enfim, você precisa me dar licença. Meia-noite tá chegando e eu tenho um ritual pra terminar... Não vá embora, hein. Não que possa, mesmo querendo. – ele deu as costas para Sam, que se abaixou para Dean e observou Lúcifer terminar o ritual, sem saber o que fazer.
Dean então acordou e se sentou atordoado, olhando para o ritual sem entender.
De repente, as pessoas que estavam lá começaram a cair desmaiadas. Sam então olhou assustado e com os olhos arregalados para Lúcifer.
– O que foi? – Lúcifer perguntou dando de ombros. – São só demônios. – ele voltou a olhar para as pessoas caídas.

Castiel olhava atentamente para o cano de água, usando seus poderes atentamente com cautela, para rompê-lo.
– Você parece contente. – ele comentou com Meg, que parecia não notar o seu plano e ria.
– Nós vamos vencer. – ela parou na frente de Castiel. – Não sente isso? Vocês anjos idiotas perderam a droga do universo... Lúcifer vai tomar o céu. – Castiel a encarou tentando se concentrar no cano. – Nós vamos pro céu, Clarence. – ela riu.
– Estranho. Eu ouvi uma teoria diferente de um demônio chamado Crowley.
– Você não conhece Crowley. – Meg falou séria.
– Ele acredita que Lúcifer está usando demônios pra atingir um fim. – Castiel se aproximou de Meg, e quando ouviu um dos parafusos que segurava o cano cair no chão, ele continuou a falar, para abafar o som: – E que, quando o fizer, vai destruir vocês todos.
– Tá errado. – Meg ficou de frente para Castiel. – Lúcifer é o pai de nossa raça. Nosso criador, nosso Deus. O seu Deus pode estar quase morto, mas o meu ainda anda pela terra.
Castiel a encarou e quando terminou de desparafusar o cano, ele bateu em Meg, que entrou no fogo sagrado sem querer. Castiel então agiu rápido e agarrou a mulher para matá-la, mas não conseguiu, já que seus poderes estavam limitados.
Meg então riu.
– Você não pode matar demônios, não é? Tá fora do seu escritório e não tem mais poder. E agora? O que você pode fazer, seu impotente?
– Eu posso fazer isso. – Castiel então a jogou no chão, bem em cima do fogo sagrado. Fatalmente o circulo foi quebrado e Castiel conseguiu passar por cima de Meg e fugir.

– Vocês ouviram isso? – perguntou assim que ouviu o tiro.
– Sim. – e Jean-Luc responderam.
– Será que conseguiram?
– Eu vou lá. – respondeu se afastando.
– Não. – Jean-Luc a segurou pelo braço.
– Você é louca, ? E se não for o que a gente pensa? – perguntou.
– Se não for, – puxou seu braço com certa ignorância e lançou um olhar furioso para o rapaz. – ou o Sam ou o Dean estão com problemas. A gente precisa ir até lá. – e voltou a andar, mas parou quando o chão começou a tremer. – O que é isso?
– Eu não sei. – Jean-Luc respondeu. – Acho melhor a gente sair daqui.
– A gente não pode... – e foi interrompida por Castiel, que apareceu. – Ai que bom, Castiel! Onde você se meteu?
– Eu preciso tirar vocês daqui. – o anjo se aproximou.
– Mas e o Sam e o Dean? – perguntou.
– Eles não estão aqui. – Castiel respondeu e as tocou, tocando em Jean-Luc a seguir.

...

Sioux Falls, Dakota do Sul.

“Acabamos de receber a noticia de que o governador acabou de decretar o estado de emergência no Condado de Paulding. Incluindo as cidades de Marion, Fetterville e Cartago... A tempestade foi responsável pelo grande número de tornados na área...”. – Era o que , e Jean-Luc ouviam na televisão sentados no sofá de Bobby. – “O numero de mortes ainda não foi apurado. Mas as autoridades acreditam que as perdas de vidas e de propriedades são imensas.”.
desligou a televisão e olhou para a irmã e depois para Jean-Luc.
– A coisa não podia ficar pior.
Os dois assentiram. Ficaram alguns segundos em silencio, até o homem suspirar e se levantar.
– Eu acho que vou embora.
– Espera! – se levantou num pulo. – Qual é o seu nome?
– Você não me reconheceu, não é? – ele perguntou sorrindo.
olhou para , que deu de ombros e depois olhou para o homem.
– E deveria?
Jean-Luc riu e tirou o boné que estava usando, arrumando o cabelo bagunçado.
– A gente se conheceu em Alliance há alguns meses.
o olhou por alguns segundos e depois arregalou os olhos.
– O enfermeiro! – ela sorriu sem graça. – Ai meu Deus! Me desculpe.
– Por você ter dado em cima de mim ou por não ter se lembrado de mim?
franziu a testa e mordeu o lábio, se lembrando do momento que o conheceu. Ela e a irmã estavam no hospital investigando o caso do cara que perdeu os dentes para a Fada do Dente.
– Os dois... Nossa, eu sou ótima com fisionomia, mas não te reconheci com essa barba e esse boné. – ela sorriu. – E ainda assim, eu não sei o seu nome.
– Ah, meu nome é Jean-Luc Bilodeau. – ele estendeu a mão.
– Ah, o nome francês! Esse é o nome que você usou no hospital. – ela o cumprimentou.
– Nome de verdade, profissão de mentira.
– Ah, sim... O meu nome é e essa é minha irmã, ... Muito prazer.
– O prazer é todo meu. – ele disse cumprimentando .
– Ah, e me desculpe pelo modo que me comportei no hospital, eu não sabia que você era caçador... – ela deu de ombros.
– Pois é, eu tava trabalhando. Eu também achava que você era do FBI, então...
– Surpresa! – ela respondeu, rindo sem graça.
– É... Eu fui embora assim que os casos daquelas pessoas voltaram ao normal.
– Ah, sim. A gente deu um jeito nisso. Acho que fomos mais rápidas que você.
– Vocês são uma caixinha de surpresa. São caçadoras, rápidas e ainda por cima conhecem um anjo... É muito pra um dia só.
– Eu sei. – ela concordou.
– Mas enfim, eu vou indo... Obrigado pela hospitalidade. – ele caminhou até a porta.
– Não tem problema. – ela o acompanhou. – Obrigada você por nos ter ajudado. – ela abriu a porta e o homem saiu com um sorriso no rosto. – Você precisa de carona pra algum lugar?
– Não. Eu me viro... Até mais.
– Até. – sorriu e assistiu o homem se afastar aos poucos da casa. Ela fechou a porta e olhou para a irmã, que a encarava com um sorriso no rosto.
– Que vergonha.
rolou os olhos.
– Nem me fale... – ela parou ao lado de . – Eu acharia cômico se não fosse trágico.
– O quê?
não respondeu. Apenas apontou para o escritório de Bobby, onde o próprio, Sam e Dean estavam de frente para a lareira com cara de poucos amigos.
As duas foram até lá e viram Bobby segurando a foto de dois dias atrás em sua mão. Ele a fitava pensativo.
Apesar de não conhecerem Jo e Ellen a ponto de chorarem pelo luto, elas estavam muito tristes e comovidas com o ocorrido. Então apenas ficaram lá até Bobby jogar a foto na lareira, triste.



Organ Grinder

*Capítulo inspirado no episódio 10 da 1° temporada de Grimm.

Já fazia quase um mês que as irmãs não trabalhavam em um caso, o que já estava as deixando inquietas. Adorariam tirar um folga e descansar, mas com Lúcifer a solta, elas não podiam simplesmente ficar sentadas, assistindo o último episódio da segunda temporada de Vikings, que era exatamente o que elas estavam fazendo agora.
Assim que o episódio acabou, desligou a TV antes que a terceira temporada desse início.
– Ei! – exclamou. – Por que fez isso?
suspirou e se endireitou no sofá.
– Eu acho que tá na hora de arrumar algum trabalho.
bufou, mas depois suspirou e também se ajeitou no sofá, antes pegando seu laptop em cima da mesa de centro.
– Talvez você tenha razão. – ligou a tela. – O que você tá procurando?
– Nossa, eu posso escolher?
Ela deu de ombros.
– Tenho alguns casos em aberto aqui, mas posso arranjar alguma coisa nova.
– Nova, por favor.
– Ok. – respondeu num suspiro.
– Duvido que ache alguma coisa.
– Não me subestime, garota.
se levantou e foi à cozinha. Pegou da geladeira a sobra do jantar da noite anterior, que se resumia a um macarrão simples e o esquentou no micro-ondas. Enquanto isso, pegou o celular e ligou para Sam.
Oi, .
– Oi. – respondeu sorridente. – Tudo bem?
Tudo sim, e vocês?
– Ah, tudo bem. Estamos entediadas aqui em casa e com abstinência de trabalho. Você poderia dar um pulinho aqui, faz tempo que a gente não se vê.
Ah, eu adoraria, mas agora estamos trabalhando em Massachusetts.
– Ah, é? E sobre o que se trata?
A gente recebeu a ligação de uma antiga babá, dizendo que sua filha foi atacada por um Poltergeist. Estamos na lanchonete agora e há uma lenda sobre a casa na internet, mas só vamos ter certeza depois de checarmos os arquivos na prefeitura.
– Sei, e você não deveria estar contando isso pro seu irmão?
Ele soltou um riso pelo nariz.
Ele tá bem aqui na minha frente, detonando um hambúrguer gigante sem a menor classe.
Ela riu pelo nariz.
– Manda um oi por mim.
Pode deixar. Eu até chamaria vocês pra cá, mas seria viagem perdida, até chegarem aqui, já teremos terminado o caso.
– É, mas não tem problema, a tá pesquisando alguma coisa pra nós... Aí, quando a gente terminar o caso, a gente pode se ver.
Acho uma ótima ideia.
! – ouviu a irmã chamar.
– Parece que já conseguimos um trabalho. Depois a gente se fala, Sam. Boa sorte com o Poltergeist.
Valeu, vocês também.
– Tchau. – ela desligou e foi até a sala, onde encontrou a irmã olhando a tela atenta. – E aí?
– Um adolescente foi encontrado morto na margem de um rio. A identidade não foi revelada, mas um grupo de turistas que visitavam a cachoeira que supostamente o menino caiu, disseram que ele estava cheio de hematomas, sem os olhos e dois furos no pescoço. Especulam-se vampiros.
– Poderia até ser, mas dois furos? Vampiros não têm duas presas.
– E geralmente não deixam a vítima assim, a mostra.
– A não ser que exista uma espécie diferente de vampiros e esses sejam menos inteligentes.
– Aham, até parece que existem vampiros burros.
– Onde é?
– Myrtle Beach, Carolina do Sul.
– Então a gente deveria ir assim que almoçarmos.
– Com certeza. – respondeu deixando o laptop no sofá e se levantando. – Vou arrumar as malas.
assentiu e então as duas puderam ouvir o micro-ondas apitar.
– Tudo bem, as malas podem esperar. – a caçula disse indo até a cozinha com a irmã.

...

Sete horas e meia de viagem depois, as duas chegaram a Myrtle Beach. Se hospedaram num hotel e descansaram até o dia amanhecer.
Assim que tomaram o café da manhã, ambas seguiram até a cachoeira e circularam pelo local.
– Olha, se havia alguma coisa além de um corpo por aqui, a policia levou embora. – comentou com a irmã, que tirava fotos da cachoeira.
– Pontos pra teoria do vampiro. Como sempre, sem deixar rastros. – ela respondeu virando a câmera pra irmã distraída e tirando algumas fotos dela.
Quando percebeu, não pode deixar de arquear uma sobrancelha e fazer careta, o que com certeza saiu na foto que tirou a seguir.
– Eu sou alguma pista?
sorriu e baixou a câmera, dando uma olhada nas fotos recém-tiradas.
– Não. É que depois de assistir Closer – Perto demais, eu acabei criando um vínculo maior com a fotografia.
– Hm, achei que você não gostasse de filmes românticos.
– Corrigindo: Eu não gosto de filme bobinho de romance. Tipo os que você assiste.
– Mas você assiste comigo.
– Porque não tem nada pra assistir.
riu pelo nariz.
– Qual é, , você gosta de filmes bobos tanto quanto eu.
– Vai nessa. – respondeu voltando a ver o mundo através da lente da câmera.
aproveitou a distração da irmã e ligou para Sam, que após alguns toques, atendeu.
E aí, gata?
E no mesmo instante, pendeu a cabeça e arqueou uma sobrancelha. Desde quando Sam falava daquele jeito com ela?
– Oi, Sam, tá tudo bem?
Ah, tá tudo ótimo, por quê?
Deu de ombros.
– Você tá falando estranho.
E então Sam pigarreou e balbuciou algumas coisas que ela não conseguia entender.
É, eu, eu acho que acabei exagerando ontem com a bebida.
– Sei... Percebi. E o Poltergeist?
O pol... Ah, foi tudo bem. Tudo sob controle. Ele foi detonado. Acabamos com ele.
– Tem certeza que tá tudo bem? – perguntou soltando um riso no final.
Tenho! Tenho sim. Como eu disse, acabei exagerando com a bebida ontem.
– Se você tá assim, seu irmão tá pior. – presumiu. – Acertei?
Ah, é, não, não, quer dizer, sim.
– Você ainda tá bêbado?
Eu acho que sim. É, tô sim.
Ela riu pelo nariz. Sam continuou:
Eu tava vendo umas fotos suas aqui no celular, e você é... – ele fez uma pausa e então assobiou, impressionado. – Quando é que a gente vai se ver de novo, hein?
– Meu Deus, você tá muito doido. – ela disse rindo. – Eu não sei. Disse pra você que talvez quando eu terminasse aqui. – ela olhou para a irmã e se afastou um pouco. – Você deveria ir lá pra casa. Eu te prepararia uma surpresa e...
Surpresa? Que surpresa? – perguntou apressado.
riu.
– Ah, surpresa é surpresa... Aí depois a gente poderia faze...
Sexo? Fazer sexo?
arqueou as duas sobrancelhas.
– Eu tava pensando em irmos à Haunts of Owensboro, ver se os fantasmas são verdadeiros, mas essa ideia é boa também. – brincou. – Enfim, eu tô meio ocupada agora, depois a gente se fala, ok?
Beleza, falou.
– Tchau. – desligou e se aproximou da irmã. – O Sam tá esquisito.
– Ou ele sempre foi esquisito e só agora você percebeu.
– Há-há. Tô falando sério. Ele tá falando esquisito e coisas estranhas.
– Talvez ele tenha se divertido com o irmão alcoólatra ontem.
– Ele disse que bebeu ontem mesmo.
– Então.
– Mas o Sam só exagera na bebida quando tá mal, com raiva, mas ele não tem motivo pra isso. Além do mais, ele fica chato quando tá bêbado. E ele tava lesado.
– Olha, cada um fica de um jeito quando bebe. O Sam só ficou bêbado na nossa frente quando tava mal, talvez por isso você estranhe ele estar lesado.
– Pode ser, mas só vou sossegar quando eu ligar mais tarde e ele atender todo mal humorado e de ressaca.
– Boa.
– Enquanto isso, eu só vou ficar imaginando o que aconteceu com ele.
– O Jean-Luc.
– O quê? Não... O quê? – olhou para a irmã sem entender e seguiu o olhar da mesma quando ela baixou a câmera.
Jean-Luc saía da trilha e caminhava entre as pedras até elas.
– Ah, oi, que mundo pequeno, não?
– É, pequeno até demais. – respondeu ligeiramente mal humorada.
– Oi, Jean-Luc, o que faz aqui? – perguntou educada.
– O mesmo que vocês, eu acho.
– Bom, a gente tem tudo sob controle, então se de repente você quiser sei lá, ir embora...
! – a repreendeu.
a olhou e deu de ombros. Jean-Luc sorriu de canto.
– Então já sabem com o que estão lidando?
– Estamos trabalhando nisso.
– Bem, eu tô trabalhando no caso desde ontem, então se vocês quiserem de repente sei lá, ir embora, tudo bem. – ele fez uma pause e então continuou: – Ou vocês podem simplesmente ficar e ajudar.
As duas se entreolharam novamente. sabia como a irmã era em relação a estranhos. Dificilmente ela aceitaria trabalhar com Jean-Luc, e se o fizesse, dificilmente seria uma pessoa legal e educada.
já deixou bem claro para a irmã que odiava trabalhar em grupo, e que era bem difícil ela ser educada com estranhos. Mas Jean-Luc era um estranho conhecido, e ela já estava acostumada a trabalhar em grupo novamente, ainda mais depois de tantos meses com os Winchesters. E bem, se ela superou e sobreviveu trabalhar com Dean, trabalhar com Jean-Luc seria fichinha.
– Tudo bem. – ela disse num suspiro. – Mas já vou avisando que odeio me sentir inútil e que é pra nos contar tudo que sabe. E nem pense em nos tratar como se fossemos as donzelas em perigo porque não somos.
– Isso nem passou pela minha cabeça.
– Acho bom mesmo.
pigarreou e então tomou o controle da situação:
– E aí? O que sabe?
– Eu falei com a legista há pouco, e resumindo, o garoto perdeu ¼ de sangue, uns sete litros. Não era hemofílico, não usou drogas.
– Tanto sangue assim aponta pra um vampiro, mesmo.
– Sim, mas eu nunca vi um vampiro com duas presas. E outra, a legista disse que os furos no pescoço têm o tamanho exato de um cateter.
– Então como é que um garoto é furado com um cateter e acaba em um rio, descendo pela cachoeira? – perguntou.
– Um vampiro estranho, talvez? Que não mata a vítima, mas rouba seu sangue? – Jean-Luc sugeriu.
As irmãs se entreolharam e então praguejou qualquer coisa e se afastou com o celular na mão.
– Tá tudo bem? – Jean-Luc perguntou.
– Tá sim. E então, mais alguma informação?

ligou para Benjamin, mas o mesmo não atendeu, fazendo com que a ligação caísse na caixa postal.
– Benji, sou eu. Sei que você não tá por aqui, eu acho... Escuta, tem alguma chance de você ter feito uma visita a Myrtle Beach e matado um adolescente com um cateter sem querer? Enfim, me desculpe se te ofendi, tá? E quando puder, me liga. – e desligou, se aproximando dos outros dois a seguir, e notando que ria. – E aí?… Qual a graça?
– Hã, nada. – deu de ombros. – Só estávamos conversando. Quer saber?
– É sobre o caso?
olhou para Jean-Luc e os dois fizeram que não.
– Não. – respondeu.
– Então não quero saber. Tem mais alguma coisa? – perguntou ao caçador.
– Bom, o garoto usava um colar de conchas, mas a policia não sabe de onde ele possa ter comprado ou de quem ganhou.
Ela bufou, irritada. Jean-Luc continuou:
– É, eu sei, não tem muita coisa a nosso favor. Eu vim aqui ver se encontrava alguma coisa que a policia deixou passar, mas enfim... Vocês acharam alguma coisa?
– Não.
– Ei, eu vou daqui à delegacia. A policia ficou de colher informações sobre a vitima e eles me ligaram assim que cheguei aqui. Se quiserem ir comigo...
– Sei... Então vamos. – disse desviando de ambos e saindo.
Jean-Luc ergueu as sobrancelhas para e foi caminhando com ela mais atrás, conversando sobre assuntos aleatórios.

– Tá tudo bem? – perguntou a irmã assim que adentraram o Challenger.
– Tudo ótimo, por quê?
Deu de ombros.
– Não sei, você tem sido rude com o Jean-Luc.
– Eu? Impressão sua.
– Impressão nada. Você não precisa ser tão hostil com quem não conhece.
– Olha, , até onde a gente sabe, o Jean-Luc é um caçador que ajudou a gente, só isso. Não tenho por que tratar ele como amigo se eu não o conheço.
– Mas deixou bem claro que queria conhecer aquele dia em Nebraska, ou você esqueceu que deu em cima dele, achando que ele era um enfermeiro?
– Ah, aquilo foi coisa de momento. Se eu soubesse que ele era caçador, que havia chance de nos reencontrarmos, eu não teria dito nada.
– Aham, sei...
– Ah, !
– Relaxa, eu não tô insinuando nada, eu só acho que você poderia baixar um pouco a guarda com ele. Ele não aparenta nenhuma ameaça e é bem simpático.
– Ah, me poupe.
– Não, eu tô falando sério. Você é muito ignorante com estranhos. Desconfia de todo mundo sem motivos.
– Mas é porque eu não confio em estranhos.
– Eu sei que não, e até aí tudo bem. Mas você precisa ser mais educada com quem já salvou sua vida uma vez e tá disposto a nos ajudar agora.
fez um muxoxo, mas acabou por assentir.
– Tudo bem, vou tentar ser mais legal.
– Ou menos chata. Enfim, falou com o Ben?
– Não, mas deixei uma mensagem. Sei que não foi ele, mas não custa perguntar.
– É.
– Mas se esse foi um trabalho mal sucedido de um vampiro, o que a gente faz? Mata ele?
– O que você acha?
– Que independente de a vítima não ter morrido pela falta de sangue, é culpado.
– Então acho melhor amolarmos o facão.
– É.

As duas seguiram até o hotel e como prometera ser mais gentil com Jean-Luc, a mesma se comprometeu de ir com o caçador a delegacia.
– Desculpe falar, mas eu achei desnecessário virmos em carros separados. – Jean-Luc comentou com assim que a moça desceu do carro e se aproximou.
– Pode ser, mas eu amo meu carro e amo dirigir, então... – deu de ombros.
– Você é do tipo que gosta de estar no controle.
– Não é a primeira vez que ouço isso.
– Então é porque é verdade.
Ela meneou a cabeça e sorriu.
– É sempre bom ter as rédeas da própria vida, não acha?
– Com certeza. E se me permite dizer, você não tá nada mal. Ainda mais bonita que da última vez que te vi de agente.
– Obrigada. Você ficou elegante de terno. Bem melhor que de jaleco branco, se me permite dizer.
– É... – disse com um sorriso convencido no rosto e ajeitando a gravata. – Eu tenho que concordar.
riu com a pose do caçador e os dois se dirigiram a delegacia.
– Qual o seu nome, agente? – perguntou.
– Benjamin Wheeler. E você?
– Hoje, eu sou Rebecca George.
– Ok, agente George. Hora de falar difícil, fazer cara de durão e tirar onda com os caras. Pronta? – perguntou com uma sobrancelha erguida e um tom desafiador.
riu e assentiu.
– Nasci pronta.
Os dois adentraram a delegacia e se aproximaram de dois oficiais, que conversavam e riam, encostados em uma mesa.
Jean-Luc pigarreou e disse:
– Com licença. – pegou o distintivo do bolso e fez o mesmo. – Agentes Wheeler e George, presumo que sabem por que estamos aqui. – guardou o distintivo e colocou as mãos nos bolsos, estufando levemente o peito e erguendo um pouco o queixo.
Os oficiais desviaram a atenção para os dois, e um deles respondeu:
– Não, desculpe, ninguém nos avisou que teríamos o FBI aqui. – um deles respondeu bem humorado e com certo desdém.
Jean-Luc soltou um ar de superioridade.
– Ou vocês foram avisados, mas ambos estavam ocupados demais comendo rosquinhas e confabulando assuntos triviais. – fez uma pausa, que resultou num momento de desconforto entre os dois oficiais, que se entreolharam. – De qualquer maneira, estamos aqui agora e queremos as informações que vocês garantiram conseguir para nos ajudar com a investigação.
– Tudo bem, mas estamos fazendo uma pausa agora, se vocês puderem esperar...
– Oficial...
O oficial pigarreou e respondeu:
– Jenkins.
Jean-Luc deu um meio sorriso e continuou:
– Nós não temos o luxo da espera, oficial Jenkins. Então se vocês quiserem colaborar conosco e nos poupar a perda de nosso precioso tempo, eu sugiro que se levantem e nos apresentem os arquivos. Ou se quiserem continuar a pausa sem interrupções, nós podemos falar com o chefe de polícia, sem problemas.
– Não, tudo bem. – um deles disse prontamente, se levantando e deixando a xicara de café e a rosquinha que seguravam na mesa. – Eu vou ver se temos os arquivos.
– Obrigado, oficial Jenkins. – agradeceu cordialmente, o oficial que se afastou. Depois, olhou para o outro oficial, que também estava de pé, sem saber o que fazer. – Acho que o tempo do seu colega de trabalho também é precioso, oficial. Por que não o ajuda a encontrar os arquivos?
O homem assentiu algumas vezes e pediu licença, se retirando a seguir.
Jean-Luc olhou para com uma sobrancelha erguida e a moça baixou a cabeça, segurando o riso.
– Qual é, vai me dizer que não é divertido?
Ela assentiu e o fitou.
– É divertido sim, mas perigoso. Não deveria provocar policiais de verdade.
Ele deu de ombros.
– Eu provoco os que eu sei que não vão fazer nada. A gente reconhece um policial difícil quando vemos um.
Ela riu pelo nariz.
– Tudo bem então, continua.
Alguns segundos depois, os dois policiais chegaram com uma pequena pasta em mãos.
– Aqui estão as informações, é tudo que temos.
Jean-Luc assentiu e pegou a pasta.
– Muito obrigado pela colaboração, oficiais. Façam uma boa pausa. – se afastou assim que os dois assentiram e se sentaram a uma mesa vazia.
Abriu a pasta e deu uma olhada com .
– Steven Bamford, 18 anos. – disse analisando a foto do rapaz.
– Ele já era fichado. Furto, posse de droga e invasão. Último endereço: Caixa postal de Myrtle Beach... Ele deve morar na rua.
– Com certeza. A gente precisa falar com alguém que o conhecia e tentar entender por que ele caiu de uma cachoeira e morreu afogado. Eu vou pedir uma cópia desses documentos e daí a gente vai pro centro da cidade, onde a maioria dos moradores de rua fica.
– A gente poderia almoçar antes. Eu não sei você, mas eu não funciono muito bem com a barriga vazia.
– Ok. – respondeu e se afastou.

Depois de pegar as cópias, os dois foram ao hotel onde as irmãs estavam hospedadas, pegaram e seguiram até uma lanchonete.
– E então, um nome e um endereço não-fixo não vai nos ajudar muito. – comentou assim que a garçonete se afastou com o pedido.
– Não, mas a foto pode nos ajudar. – respondeu entregando as cópias para a irmã.
– É, mas se o menino foi fichado antes por cometer alguns crimes, significa que os amigos deles também são assim. Acha que vão falar com agentes do FBI de boa?
– Bom, os amigos dele não precisam necessariamente ser criminosos. – Jean-Luc respondeu. – De qualquer maneira, é só falar com eles com jeito.
– Hm, falar com jeito. – imitou (tentou imitar) o tom de voz do caçador, mas falhou miseravelmente, o que o fez sorrir. – Por acaso você se responsabiliza de falar com eles com jeito? Porque não sei se você não percebeu, eu não sou muito boa em “falar com jeito”.
– Eu percebi, você é tão sutil e delicada quanto um coice de mula. Mas enfim, eu garanto.
– Você me comparou com uma mula? – perguntou indignada. Mas quando o caçador ia responder, a garçonete chegou com a comida.
– Obrigado. – Jean-Luc agradeceu e continuou, quando a mesma de afastou: – Não, te comparei a um coice de mula. E eu não queria ofender, desculpe. É jeito de falar.
– Ah, entendi, pode ter certeza. Na verdade, pra mim é até um elogio, e é bom que você tenha percebido isso antes de dizer qualquer idiotice pra mim.
Ele deu um meio sorriso e bebeu um gole de refrigerante.
– Eu vou me lembrar disso quando quiser quebrar o gelo com piadas.
– Ah, não, me poupe das suas piadas. – ela disse imediatamente, em tom descontraído.
Ele soltou um riso pelo nariz.
– Tudo bem, mas são piadas realmente boas, não é, ?
terminou de engolir um pedaço de batata frita e assentiu rindo.
– Ele é muito bom com piadas.
– Eu tenho certeza que sim. – disse com um sorriso levemente debochado. – Quem sabe em outra hora eu não tope ouvir, não é mesmo?
– Você vai se arrepender, hein. – Jean-Luc avisou.
– Acho que não.
– Vai sim.
– Aham... Hm, enquanto vocês vão verificar a caixa postal do Steven, e veem se acham os amigos dele, eu vou pesquisar mais sobre a área que o corpo dele foi encontrado. Talvez tenha alguma coisa por ali que nos ajude em alguma coisa.
Os dois assentiram.
Continuaram almoçando e conversando e criando teorias sobre o caso durante alguns minutos, até se separarem. foi de carona com Jean-Luc, enquanto voltou para o hotel e começou a pesquisar mais sobre a cidade e a região da cascata.

Jean-luc pegou a chave da caixa postal e a abriu, tirando de lá, algumas cartas.
– Ele alugou a caixa por uns seis meses. – o funcionário do local disse.
– Com que frequência ele pegava as cartas? – perguntou.
– A cada duas semanas, mas ele não aparece há um mês.
– Ele já veio com alguém aqui? – Jean-Luc perguntou dando uma olhada nas cartas.
– Nunca prestei atenção. Muitos garotos de rua alugam caixa aqui, mas desde que paguem, não faço perguntas.
– Ok, obrigada, senhor. – agradeceu e assim que o homem se afastou, perguntou: – Alguma coisa que pode nos ajudar?
Jean-Luc suspirou derrotado.
– Nada... Bom, pelo menos olhando por cima. Quando eu voltar pro hotel, eu investigo melhor.
Ela assentiu.
– Bom, vamos dar uma volta por aí, quem sabe a gente não acha algum morador de rua. – sugeriu.
Jean-Luc assentiu e os dois começaram a andar pela calçada.
– E então, como vão as coisas depois daquele dia? – ele iniciou um assunto.
fez um breve silencio, se lembrando desde o dia que Ellen e Jo morreram até então. Deu de ombros e respondeu:
– Olha, não posso dizer que as coisas se resolveram e tudo vai melhorar. Sempre vai aparecer um problema.
– Problemas é o que não falta na vida de alguém.
– É verdade, isso não é um luxo só pros caçadores. – soltou um riso sem graça. – Mas a gente vai lidando como pode e resolve como dá.
– Que bom.
– E você? E você também perdeu alguns amigos, como tá lidando com isso?
Ele fez uma pausa, e o olhou. Percebeu que ele não fazia silencio porque estava pensando no que responder, mas sim porque era difícil para ele se lembrar daquele dia.
– Desculpe, não precisa responder se não quiser.
– Não, tudo bem... É só que... Depois do que houve, é meio difícil manter a vida como era antes.
– Eu entendo. Você passava muito tempo com eles?
Ele assentiu.
– Sempre.
– Sei.
Os dois continuaram caminhando em silencio por um tempo até que o celular de tocou. Era .
– Fala. – atendeu.
Eu tô na biblioteca e pesquisei a área da queda da cascata onde o corpo foi encontrado. Falei com algumas pessoas e descobri que o rio acima cobre o território com pouco acesso a terra, não tem como dizer onde o Steven entrou no rio.
– E isso significa... – deu a deixa.
Significa que a única chance que temos, é conhecendo os amigos dele.
suspirou.
– Bom, vai ser meio difícil. Eu e o Jean-Luc estamos andando pela cidade, procurando qualquer morador de rua, mas tá meio difícil achar algum.
– Ei, espera aí. – Jean-Luc disse, parando uma menina que vinha na direção contrária. – Você conhece Steven Bamford? – perguntou mostrando a foto do rapaz e o distintivo do FBI.
– O que tem ele? – perguntou preocupada.
– Calma, ele não fez nada. Se o viu, é importante.
– Eu vi, mas não lembro onde. – respondeu prontamente.
?
então desviou sua atenção da conversa e se afastou um pouco.
– Oi, desculpa.
O que tá havendo?
– Nada, acho que o Jean-Luc achou alguém que pode nos ajudar. Mas e aí, o que disse?
bufou.
Nada, esquece. Vai trabalhar, e me liga se souberem de alguma coisa.
– Tudo bem, tchau.
Tchau.
desligou e esperou Jean-Luc conversar com a menina. Segundos depois, ele se juntou a ela e voltaram a andar, dessa vez, em direção ao carro do caçador.
– E aí?
– Ela já viu o Steven, mas não sabe onde.
– Isso eu ouvi, mas por que continuou conversando com ela?
– Eu reparei o colar dela. É de conchas, igual ao que o Steven usava quando foi encontrado. Perguntei onde ela conseguiu e adivinha?
– Não tenho a menor ideia.
– Uma menina chamada Gracie os vende numa praça aqui perto.
– Acha que ela pode ajudar?
– Talvez sim, a menina ficou meio relutante em responder. Vale a pena checar.
– É.
Jean-Luc deu partida no carro e dirigiu por cerca de cinco minutos até a tal praça. Estacionou o carro e os dois caminharam até uma fonte, onde havia alguns jovens sentados, vendendo coisas.
Passaram os olhos por eles até encontrarem uma menina vendendo, sentada a frente de alguns colares de concha, assim como outros adornos.
Aproximaram-se como quem não queria nada e deram uma boa olhada nos acessórios.
– Gostei dos colares. – disse. – Quanto custam?
– Eu não tô vendendo. São só pra doação. Você pode pagar o que quiser e pegar quantos quiser.
Os dois se entreolharam e então Jean-Luc deu um meio sorriso.
– Entendi, já sacou que somos da policia. Nós não estamos procurando licença ou coisa assim. Só precisamos de ajuda.
– Seu nome é Gracie? – perguntou. A menina assentiu.
Jean-Luc pegou novamente a foto de Steven e mostrou a menina.
– Esse é Steven Bamford. Você o conhece?
Gracie deu uma boa olhada na foto, depois olhou para cada um, séria e preocupada, deixando claro a sua resposta.
Jean-Luc guardou a foto e continuou:
– Eu lamento informar, mas Steven está morto.
– Steven morreu? – ela perguntou e os dois assentiram. Imediatamente, ela levou a mão à boca, e começou a chorar. – Meu Deus, não acredito. Tem certeza?
– Temos sim. – respondeu. – Sentimos muito.
O que estão fazendo? – um jovem perguntou alterado, se aproximando.
– Calma aí. – respondeu e então os dois mostraram os distintivos. – Estamos fazendo umas perguntas.
– Por quê?
– Quem é você?
– Ela não fez nada. – se referiu a Gracie, que se levantou.
– O problema aqui não é esse.
– Ele é meu irmão. – Gracie disse. – Steven morreu. Acabaram de dizer.
– O quê? – o rapaz perguntou atônito.
– Como ele morreu? – Gracie perguntou.
– Afogado. – Jean-Luc respondeu.
– Sabem como ele foi parar no rio acima das três cascatas? – perguntou.
– Não. – o rapaz respondeu.
– Ele tinha arranjado um trabalho. – Gracie emendou.
– Que tipo de trabalho? – perguntou.
– Era um trabalho braçal. – o rapaz respondeu. – Até foram buscar ele.
– Quando foi isso?
– Há umas quatro ou cinco semanas.
– Sabe onde buscaram-no ou quem? – Jean-Luc perguntou.
– Não. – o rapaz respondeu.
– Quando o viram pela última vez?
– Depois que a gente levou ele na clinica. – Gracie respondeu.
– Que clínica?
– A popular da Rua 15.
– Sei... – Jean-luc respondeu e fez uma pausa. – Ele era envolvido com alguma gangue ou coisa assim?
– Não, ele não. – o rapaz respondeu.
– Ficar perto de muitas pessoas o deixava nervoso. – Gracie completou.
Ele assentiu.
– Obrigado. – agradeceu e olhou para os dois, que ainda pareciam surpresos pela noticia. Gracie começou a chorar novamente e o irmão a puxou para um abraço, fazendo com que Jean-Luc olhasse para , com pena. o olhava da mesma forma. Desviou o olhar para os dois novamente e pegou a carteira. – Sabem de uma coisa? – tirou uma nota de vinte dólares e se abaixou, pegando um colar qualquer e deixando o dinheiro num cestinho que continha algumas moedas. – Minha namorada vai adorar isso aqui. – sorriu solidário e recebeu olhares desconfiados em troca, mas não se importou, deu as costas e saiu com .
– Vinte dólares por um colar de conchas? – perguntou sorrindo.
Ele deu sorriu e soltou um riso pelo nariz, pendendo a cabeça.
– Ah, não custa ajudar.
– É bom que sua namorada goste mesmo.
Ele chiou e comprimiu os lábios.
– Aí vai ser meio difícil, ela não existe.
o olhou claramente perguntando por que ele mentiu. Jean-Luc leu a pergunta em sua testa e respondeu:
– O que eles iriam pensar se me vissem pegar um colar de conchas sem mais nem menos?
então começou a rir, fazendo Jean-Luc a acompanhar e entregar o colar.
– Toma, pode pegar.
Ela olhou para o colar e depois para o caçador.
– Não, que isso.
Ele pendeu a cabeça.
– Ué, por quê?
Ela deu de ombros sem graça.
– Eu não posso aceitar, não que eu não tenha gostado, mas é que é meio estranho.
– Estranho? – perguntou com o cenho franzido.
não soube responder, o que fez com que ele sorrisse.
– Acha que eu tô dando em cima de você? – e ao ver a reação da moça – que foi olhá-lo com os olhos arregalados e com a boca aberta –, ele começou a rir. – Eu não tô dando em cima de você.
– Eu não, eu não achei isso. – ela disse sem graça.
– Achou sim.
Ela começou a rir, querendo enfiar a cabeça num buraco.
– Que nada.
Jean-Luc foi se acalmando e então continuou:
– Não que eu não te ache atraente, você é, mas acontece que eu vi você com aquele Winchester grandão e bem, eu me coloco no meu lugar.
então ficou em silencio por alguns segundos até baixar a cabeça e sorrir sem-graça.
– Desculpe, eu não, eu não...
– Relaxa.
Ela riu e então suspirou.
– Foi mal mesmo.
Ele deu de ombros.
– Tudo bem, essa atitude minha foi estranha mesmo. – voltou a estender o colar. – Mas, por favor, aceite.
Ela o olhou relutante, o que o fez sorrir.
– Não vai me fazer de idiota por ter pagado vinte pratas nisso, né?... Pega... É de um amigo.
o olhou por mais alguns segundos e então pegou o colar, soltando um riso e balançando a cabeça.
– Tudo bem, mas olha, a vai ficar com ciúmes. Ela não vai ficar feliz sabendo que eu ganhei um presente e ela não. – brincou, para esquecer a vergonha que acabou de passar.
Ele deu de ombros, fazendo desdém.
– Ela não merece, não foi muito amigável comigo.
riu.
– Ela é assim com todo mundo que não conhece direito. Daqui a pouco ela fica normal.
– Bom, então quando esse momento chegar, eu vejo com o que agradá-la.
– Olha, eu tô vendo que compensou ter você aqui com a gente.
– Qual é, vocês que estão comigo. Cheguei primeiro.
– Ah, sim. – riu. – Me esqueci disso... Se importa se eu fizer uma ligação enquanto a gente vai a clinica?
– Vá em frente.
Os dois entraram no carro e então ligou para Sam, mas o mesmo não atendeu. Repetiu a ligação mais duas vezes, até ligar para os outros números do rapaz, mas ainda assim, nada.
– Que estranho. – disse para si mesma.
– Tá tudo bem? – Jean-Luc perguntou.
– Tá, tá sim. – respondeu, mas achava muito estranho Sam não responder.

Assim que saiu da biblioteca, dirigiu de volta para o hotel. Percebeu que o transito congestionou e então deu a volta no quarteirão, quando percebeu que um acidente de carro havia acontecido.
Estacionou o carro de qualquer maneira e se aproximou do local, que estava cheio de carros de policia, ambulância e resgate. Provavelmente não tinha nada a ver com o assassinato de Steven, mas para ela, não custava nada checar.
Mostrou seu distintivo a um dos policiais que mantinha os curiosos afastados, e adentrou a cena do crime, encontrando o resgate tentando tirar um homem das ferragens do carro. Continuou andando e viu que o porta-malas do carro estava aberto, e que caixas térmicas haviam caído do mesmo, deixando a mostra o que tinham dentro: gelo e órgãos humanos.
– Agente George. – o oficial Jenkins se aproximou, educado.
– Oficial. – o cumprimentou e olhou para a cena do acidente. – O que houve aqui?
– Bom, é um acidente de transito.
– Isso eu sei. Me refiro a isso. – apontou as caixas.
O oficial deu de ombros.
– Parece um coração humano, pra mim... E ali, um fígado.
– E sangue.
– E o veículo não é médico. Achamos se tratar de tráfico de órgãos e sangue.
– Sei...
Pararam de conversar quando viram o homem ser retirado do carro, estava quase desacordado.
– Acha que pode ter a ver com o Bamford? – Jenkins perguntou.
deu de ombros.
– Tudo é válido. – notou um celular na mão da vítima. – Precisamos do telefone dele... Podem cuidar disso pra mim?
– Sim.
– Tudo bem, quando conseguirem alguma coisa relevante, sabem pra quem ligar.
O oficial assentiu e foi embora.

Os dois seguiram para a clínica da Rua 15 e então adentraram o local, que estava cheio de pessoas das quais não tinham condições de pagar uma consulta.
Seguiram para a recepção e mostraram o distintivo a recepcionista.
– Oi, quem aqui fala com a policia? – Jean-Luc perguntou.
– Nosso gerente, Tom Daniels. Deixe-me ver se está disponível. – pegou o telefone e então ligou para o gerente. – Tom? Dois agentes estão querendo falar com você... Aham... Tá bom. – desligou. – Ele está empolgado. Pela porta. Eu abrirei daqui.
Os dois assentiram e então seguiram para a porta lateral. Assim que a recepcionista permitiu passagem, os dois adentraram uma sala e logo, um homem comendo um sanduiche se aproximou dos dois, sorrindo.
– Desculpem, tava acabando de comer. Sou Tom Daniels. – estendeu a mão para Jean-Luc e depois . – O que houve?
– Sou a agente Styles e esse é o agente Wheeler. – os apresentou. – Queremos fazer umas perguntas sobre os pacientes que trataram aqui.
– Podem perguntar.
Jean-Luc pegou a foto do rapaz e a mostrou.
– O nome dele era Steven Bamford.
– Hm, acho que já vi. Se estava nas ruas, certamente foi tratado aqui. Eu vou checar.
– Obrigado.
– Podem me acompanhar, se quiserem.
Os dois assentiram e seguiram o gerente até um escritório. Esperaram o homem checar o computador e depois de alguns segundos, ele disse:
– É, ele foi atendido aqui há cinco semanas, no dia 17. Picada de aranha... O que ele fez?
– Ele foi morto. – respondeu.
– Oh... Isso não é bom... Me desculpem, posso saber o que houve?
– Ainda estamos no meio da investigação. – Jean-Luc respondeu. – Quem atendeu o Steven?
O homem voltou a checar no computador e respondeu:
– Foi a Dra. Levine. É a chefe da clínica.
– Queremos falar com ela.
– Ela está atendendo agora.
– Não vai demorar. Precisamos saber o que ele tinha quando chegou.
– Ah, claro, vou imprimir o arquivo pra ela.
Assim que imprimiu os arquivos, o homem foi até o consultório da médica, sendo seguido pelos caçadores.
– Desculpe incomodá-la. – Tom disse ao entrar na sala, no momento que uma paciente saía. – Esses agentes tem algumas perguntas sobre um paciente que atendeu. – disse entregando os arquivos e se virando para os caçadores. – Com licença, eu vou terminar meu almoço.
Assim que Tom saiu, a doutora olhou para os dois.
– Como eu posso ajudar?
– Steven Bamford foi encontrado morto. – Jean-Luc disse mostrando a foto do rapaz.
– Ai, que pena. Não foi de overdose, não é?
– Não, ele se afogou. Pode dizer alguma coisa sobre ele? Qualquer coisa, um quadro clínico, talvez?
– Na verdade, eu não consigo passar muito tempo com meus pacientes. Ele veio aqui por causa de uma picada de aranha. – respondeu a ultima parte olhando os arquivos. – Ele fez um exame de rotina e parecia bem saudável para alguém que morava nas ruas. Dei a ele um antibiótico e disse pra retornar. Ele nunca voltou. – E por acaso ele falou se conseguiu trabalho? – perguntou.
– Pra mim não. Sinto muito, gostaria poder dizer mais... Eu preciso atender um paciente agora.
Os dois assentiram e finalizou:
– Obrigada pela atenção.
Os dois saíram da clinica e assim que adentraram o carro, começaram a conversar:
– Quem oferece emprego a um garoto de rua, vai busca-lo e o leva embora? – perguntou.
– Parece trabalho temporário... Ou ilegal... Ou um vampiro o atraiu e o manteve em cárcere privado enquanto drenava seu sangue. Isso não é tão incomum.
meneou a cabeça.
– Pode ser, mas ainda assim, a gente precisa saber quem é esse vampiro que promete emprego pra um morador de rua.
– Deve ser mais de um vampiro... Temos que ver se não há mais casos de desaparecimentos por aqui.
Ela suspirou, cansada.
– E essa é minha parte favorita. – disse irônica.
Jean-Luc riu.
– Deixa de ser preguiçosa.
Jean-Luc deixou no hotel, e foi embora.
Assim que a irmã adentrou o quarto, saiu do banheiro.
– E aí?
– Encontramos algumas pessoas que conheciam Steven, mas ninguém sabe muita coisa dele. – respondeu se jogando na cama. – Porém, soubemos que Steven conseguiu um trabalho e que os empregadores o buscaram. Desde então, o garoto desapareceu.
– Foi mantido refém num local de difícil acesso? Vampiros?
Deu de ombros.
– É o que o Jean-Luc acha.
– E o que você acha?
– Pode ser que sim. – se sentou e bocejou preguiçosamente, tirando os tênis que calçava e depois a jaqueta que vestia. – E você?
– Além de descobrir que no perímetro que o corpo foi achado, não existe movimentação? Um acidente de carro aconteceu enquanto eu voltava pra cá.
– E?
– E o cara que dirigia o carro, transportava órgãos. E o carro não era médico, ou seja...
– Transporte ilegal.
– Sim.
– Assim como o “emprego” do Steven. – respondeu pensativa. – Tá esquisito isso.
– Sim. E o que pode comprovar o caso de vampiros: havia muitas bolsas de sangue junto aos órgãos.
– Sei... Mas por que os órgãos?
Deu de ombros.
– Sei lá, talvez vampiros se juntaram a lobisomens e ambos estão trabalhando juntos pra conseguirem comida. Havia um coração e um fígado lá.
– Vampiros e lobisomens juntos? Eles se odeiam, todo mundo sabe disso.
– Isso é o que a gente vê em filmes, vai saber a realidade.
– Mas você acha isso possível?
– Não sei, vou ver com o Benjamin quando ele resolver me ligar ou atender minhas ligações.
– Hum, por falar nisso, eu tô ligando pro Sam há um tempão e ele não atende.
– Ocupado?
– Tava em uma caçada em Massachussets com o irmão.
– Então.
– E é exatamente isso que me deixa preocupada. Será que houve alguma coisa?
– Não sei, talvez ele não possa atender. Espera um pouco e retorna.
Ela assentiu.
– É isso que eu vou fazer.
– Qual o nosso próximo passo?
– Vamos pesquisar casos de desaparecimentos aqui. Vou ligar pro Jean-Luc e dizer o que você viu.
– Hm, nossa, já tem o número dele?
– Tenho. E ele me deu isso mais cedo. – tirou o colar do bolso da jaqueta e jogou para a irmã.
pegou o acessório e deu uma boa olhada.
– Quem corteja alguém com colar de conchas?
– Há-há-há. Não foi um cortejo. Falamos com uma moradora de rua que vendia colares e pulseiras. Ele comprou esse daí pra ajudar. Pagou vinte dólares, acredita?
– Jura? Que idiota.
– Ele só quis ajudar.
– Hm... Mas também foi legal da parte dele.
– É. – respondeu pegando o laptop e o ligando. – Que os jogos comecem.
As duas começaram a pesquisar e cerca de duas horas depois, o celular de tocou. Era da delegacia, pedindo para que ela fosse até lá.
saiu assim que pode e dirigiu até a delegacia, encontrando Jean-Luc no estacionamento.
– O que faz aqui? – ela perguntou.
– Me ligaram. Disseram que descobriram algumas informações do cara que morreu no acidente. Sabe por que eu não entreguei o disfarce e estraguei tudo? Porque sua irmã me ligou dizendo sobre o acidente. – respondeu levemente incomodado, mas mantendo o tom calmo.
– Ah, é?
– É... Olha, eu não tô querendo exigir nada, mas acho que você deveria me manter informado pra evitar confusões, comunicação é importante, sabia?
– Desculpe, eu não tenho o seu número como a .
– Não seja por isso, depois eu te passo.
– Ok.
Adentraram a delegacia e assim que Jenkins os viu, foi até eles.
– Agentes.
– Olá, Jenkins. – Jean-Luc disse. – Quais as novidades?
– Me acompanhem, por favor.
Os dois o seguiram até uma mesa. Jenkins se sentou de frente a um computador e então os outros dois se curvaram, para ver as informações na tela.
– O nome dele era Andrew Probasco, nasceu em 1932... E olha isso, morto em 2005.
Os dois franziram o cenho e penderam a cabeça. Se entreolharam e então voltaram sua atenção a tela, onde mostrava a carteira de motorista do homem.
– Então ele morreu hoje de novo? – perguntou.
– Aparentemente... Mas parece que a carteira é falsa. E por ironia, ele era doador de órgãos.
– Nossa. E quanto à placa do carro, investigaram isso?
– Sim. É roubada. Registrada pra um carro em Tilamook.
Os dois se entreolharam novamente.
– Mais alguma coisa? – Jean-Luc perguntou.
O oficial virou a cadeira para os dois e deu de ombros.
– Achamos bilhetes de loteria vencidos, um vale-pizza do Gianni’s, se ele tivesse comido apenas mais seis. E um cartão de crédito no nome de Hallie Calder.
– Ele não tem cara de Hallie.
– Não mesmo. E quanto as digitais, é compatível com meia dúzia de crimes em todo o estado, mas sem identificações. Era desconhecido, nunca foi apanhado.
– Rápido. – comentou olhando para Jean-Luc.
O caçador assentiu e olhou para o oficial.
– E o celular da vítima?
– Descartável. Mas ainda conseguimos partes dos contados do chip. E a operadora vai exigir um mandado antes de liberar os registros, e isso é com vocês.
– É tudo o que tem? – perguntou.
– Sim. Ainda estamos esperando o resultado do DNA do sangue encontrado no acidente.
– Tudo bem, obrigada.
Os dois se afastaram do policial e se aproximaram do Challenger, para então conversar:
– Um monte de sangues sendo transportados ilegalmente e um garoto morto com quatro litros de sangue a menos. Só pode ser caso de vampiros. – Jean-Luc comentou.
– Sim, mas o cara morto não estava decapitado. Se fosse um vampiro, ele estaria bem vivo e nem precisaria de um carro pra transportar aquelas coisas.
Ele assentiu e suspirou.
– É melhor verificarmos se há alguma conexão entre os dois.
– Acha que ainda vale a pena continuar essa investigação? Pode ser coisa ilegal de gente doida.
– Pode até ser, mas eu só vou ficar tranquilo quando tiver certeza.
– Mas estamos no escuro.
– Eu sei... Olha, se quiser ir embora, tudo bem.
– Não, a gente fica, eu não sou de deixar assuntos inacabados pra trás.
Ele assentiu.
– Tudo bem. Vamos ver no que dá esse exame de DNA e enquanto isso, a gente vai pesquisando.
– Você descobriu se houve mais desaparecimentos?
– Houve alguns nos últimos meses, aos arredores da cidade, e até hoje não encontraram os desaparecidos. E eles têm um padrão, adivinha.
– Moradores de rua?
– Sim, como sabe?
Deu de ombros.
– Assim é mais difícil descobrir o paradeiro... Mas ainda assim temos que continuar a pesquisa. Eu acho que pode se tratar de vampiros e lobisomens trabalhando juntos no tráfico de órgãos.
– O quê? Isso é loucura, todo mundo sabe que eles se odeiam.
– Ah, não. Mais um fã de crepúsculo.
– Quê? Nunca, eu só acho meio estranho e impossível isso acontecer.
– Tá, então você tem alguma outra sugestão? Porque não havia só sangue no acidente e o cara morto claramente não era um vampiro.
Ele pensou por alguns segundos e deu de ombros.
– Não, nunca vi algo assim antes... Vamos ter que pesquisar.
– É. – suspirou cansada.
– O que foi? – perguntou sorrindo. – Não me diga que você também tem preguiça de pesquisar.
– Eu tenho preguiça de muita coisa, menos de pesquisar.
– Ah, que bom, porque vai demorar.

Assim que se juntou a irmã nas pesquisas, as duas continuaram pesquisando até anoitecer.
Já estavam cansadas mentalmente quando deixaram a pesquisa de lado e resolveram assistir um filme.
– Mano, que droga. – ela praguejou desligando o celular depois de ligar várias vezes.
– Nada ainda?
– Não. – deixou o celular no criado-mudo. – Eu tô preocupada.
– Ah, , você sabe que tem certas caçadas que demoram.
– Mas é um Polteirgeist. Não demoraria tanto assim e não o impossibilitaria de atender a droga do telefone.
– Talvez eles estejam na estrada e a bateria descarregou.
– E desde quando eles deixaram todos os celulares descarregados.
– Então liga pro Dean.
ficou um tempo em silencio a então respondeu:
– Boa ideia. – pegou o celular novamente e ligou para Dean. E assim com aconteceu com Sam, aconteceu com ele. desligou o celular e o deixou no criado-mudo bruscamente. – Merda.
– Olha, mantenha a calma.
, isso tá muito estranho. O Sam tava estranho da última vez que liguei pra ele e agora eles não atendem.
– Quer ir pra Massachussets?
– De que adiantaria? Eu não sei em que cidade estão, nem nada da babá que pediu ajuda. Vai ser como achar uma agulha num palheiro.
balançou a cabeça e então soltou um suspiro. Começou a se preocupar também.
– Olha, amanhã, a gente pede pra ligar o GPS do celular de um deles e vai atrás, ok?
a olhou cética.
– Qual é, ? Não temos o que fazer agora. Não podemos sair no meio de um caso complexo como esse e nem adianta irmos atrás deles se não temos ideia de onde eles estejam.
Ela suspirou, derrotada.
– Tudo bem. Mas se não tivermos noticias deles até amanhã, vamos atrás.
– Cert... – e parou de falar quando o celular tocou. – Alô?... Quem é?... Jean-Luc? Como conseguiu meu número?... – e então olhou para a irmã. – Ah, a ... – disse em reprovação, mas logo emendou: – Não, tudo bem. O que houve?
Falei com alguns conhecidos e pesquisando, tenho uma sugestão.
– Ah, tem? E qual seria?
Geier.
– Hein?
Um Geier.
– Nunca ouvi falar.
Eu também não, mas o perfil combina.
– Ok, espera um minutinho. – pegou o laptop que ainda estava ligado e colocou no bloco de notas e no viva-voz para ouvir. – Pode falar, mas devagar.
Tudo bem... Hã... Geiers têm habilidade de subir em árvores, pairando acima de suas vítimas, que andam desavisadas, abaixo deles, distraídas.
Ele fez uma pausa e continuou digitando, até que pediu para que ele prosseguisse.
Geiers são bem cruéis. Retiram órgãos humanos enquanto as vítimas ainda estão vivas, parecendo terem prazer na dor que causam.
– Espera aí... – fez uma pausa e continuou a digitar. – Continua.
A carnificina nas linhas de frente deu a eles um suprimento enorme de vísceras para seus escambos... É isso.
– Como assim “escambo”?
Ah, isso é interessante... Espera aí. – fez uma pausa e então continuou: – Geiers são como herbalistas, sabe? Medicina alternativa. Alguns humanos usam partes de animais exóticos como vesícula de urso, chifres de rinoceronte, e tipo, sabe... Coisas medicinais e também afrodisíacas. Eles dissecam, trituram e vendem uma parte.
– O quê? – perguntou rindo.
É, estranho, eu sei. Mas mais de uma pessoa me garantiu que isso acontece.
– Seus contatos são estranhos, sabia?
Ele riu.
E acabei de adicionar mais duas na lista.
– Há-há-há... Enfim, então eles roubam órgãos pra fazer medicina alternativa. Existe um mercado que vende essas coisas pra criaturas sobrenaturais. Mas onde seria?
Aí você me pegou. Essas coisas são muito secretas, se quer saber. Vai ser impossível encontrar.
– Isso não é muito bom.
Não, mas ainda assim, se pegarmos os que estão fazendo isso aqui, nessa cidade, estaremos ajudando um pouco. Já seria alguma coisa. Suspirou e respondeu:
– Tem razão... Eu vou ver se consigo descobrir alguma coisa sobre esse mercado negro sobrenatural.
Ele soltou um riso.
Como?
– Não é só você quem tem contatos estranhos. Eu preciso desligar agora. Até amanhã.
Até. – desligou.
olhou para a irmã e perguntou:
– E aí? O que acha?
– Tudo muito estranho... Vai ligar pra quem?
– Bem, a única pessoa que eu conheço capaz de saber sobre essas coisas é o Benji.
– O Ben? Anti-social do jeito que ele é? Duvido.
– Ah, mas ele tem idade o suficiente pra saber de muita coisa que rola por aqui. E outra, ele consegue sangue de outros lugares além de hospitais, quem sabe ele conhece algum mercado negro?
Ela deu de ombros.
– Não custa tentar, mas se ele não te retornou até agora, acha que ele vai resolver te atender?
– Eu deixo uma mensagem. – respondeu ligando para o vampiro, e deixando uma mensagem, como previu que faria.

No dia seguinte, pela manhã, acordou com o celular tocando. Não só ela, mas a irmã que começou a se remexer na cama, reclamando coisas indecifráveis para a irmã, que assim que ouviu um: “, atende essa porcaria” em tom visivelmente estressado, se mexeu preguiçosamente e irritadamente na cama, pegando o telefone sem muita paciência.
– Alô?!
Ouviu uma risada debochada.
Sabia que te acordaria.
Fez um muxoxo e olhou a hora no celular, sentindo seus olhos doerem com a claridade.
– Puta merda, Benjamin, cinco e quarenta da manhã, seu cretino imbecil!
Ele gargalhou.
Desculpe, eu esqueci que você não acorda cedo pra caminhar.
– Idiota. – ouviu uma risada e então perguntou: – E sobre o que te falei na mensagem, alguma coisa?
, vai falar lá fora, cacete. – reclamou.
soltou um muxoxo furiosa e se levantou bruscamente, se trancando no banheiro, enquanto Benjamin respondia:
Bom, eu já ouvi falar desses Geiers e sobre esse mercado clandestino.
– E isso existe?
Existe muita coisa que até Deus duvida, criança.
– Pode dar algum detalhe?
Olha, eu falei com alguns amigos e…
– Amigos? Desde quando você tem amigos?
Eu sou bem popular, se quer saber.
– Sei... E aí?
Eu soube de um comercio aí em Myrtle Beach. Um mercado de medicina alternativa para humanos e criaturas sobrenaturais.
– Um homem vende essas coisas pra monstros?
Não exatamente. O dono do mercado também é uma criatura, é um Fuchsbau, se quer saber.
– Eu adoraria saber mais sobre esse negocio aí, mas eu não preciso saber de muita coisa além de como mata-lo.
Não, que isso, não precisa matar um Fuchsbau. Eles são gente boa, não fazem mal a ninguém, assim como eu, então ele não é uma ameaça, não precisa mata-lo. Além do mais, são medrosos pra caramba.
– Tudo bem, ele não é meu alvo... Ainda. Continua.
O mercado dele é no centro de Myrtle Beach, vou te mandar o endereço por mensagem junto com algumas instruções, ele não abre a boca pra qualquer um.
– Beleza, valeu, Benji.
Não por isso. Tá tudo bem?
– Sim. Onde está?
Dando uma volta pelo interior do Texas, depois volto pra casa.
– Morando no Canadá ainda?
Sim, mas acho que vou voltar pra América. Lá não tem a mesma emoção que aqui.
– Imagino... Bem, eu vou desligar, preciso voltar a dormir até amanhecer de verdade.
Ok, até mais.
– Até. – desligou e voltou para a cama.

...

– Tem certeza que esse mercado existe? – perguntou a assim que a mesma contou sua conversa com Benjamin.
As duas estavam numa lanchonete, tomando café da manhã e esperando Jean-Luc.
– O Benjamin garante que sim.
– Bom dia. – Jean-Luc as cumprimentou e se sentou ao lado de . – E aí? A informação é real?
– Sim, meu informante garante. – respondeu. – Qual dos dois quer ir comigo?
Ambos se entreolharam, e então respondeu:
– Jean-Luc pode ir com você. Vou tentar rastrear o celular do Sam.
– Ok.
Os três terminaram de tomar o café e então e Jean-Luc partiram no mesmo carro (o dele) até o mercado. Era quase hora do almoço, então as ruas estavam movimentadas, mas quando adentraram o estabelecimento, só havia o dono do local.
– Oi, como vão? – o homem atrás do balcão perguntou.
o olhou por um instante, o analisando. Jean-Luc respondeu segundo as instruções de no carro:
– Estamos interessados no especial do dia.
O homem assentiu e então se transformou na criatura que presumiram ser o tal Fuchsbau.
– Fuchsbau, não é? – perguntou.
O homem voltou ao normal e os olhou assustados ao perceber que os mesmos não se transformaram também, o que era para eles terem feito.
– Meu Deus. – deu alguns passos para trás. – Não me matem.
– Não vamos matar. Queremos saber de quem você conseguiu os órgãos triturados. – Jean-Luc disse.
– Não sei do que está falando. – respondeu se distanciando.
– Sabe sim. – disse, se aproximando e séria, erguendo um pouco a camiseta e mostrando o revolver, que tinha no cós de sua calça. – E você vai nos dizer do jeito fácil ou não.
O homem os olhou assustado por alguns segundos e então saiu correndo para o estoque da loja.
Os dois correram atrás dele. Desceram a escada e se separaram, cercando o cara, que continuou correndo até a porta dos fundos. Jean-Luc apertou o passo e o agarrou pelo braço, o prendendo contra a parede.
– Não me machuquem, eu não fiz nada.
– Você vende órgãos humanos.
– Sou o dono da loja, não sou eu que os mato.
– E acha que por isso é inocente?! Vai nos dizer agora tudo o que sabe. E como ela disse, vai ser do jeito fácil ou não. Você escolhe.
O homem olhou para , que já sacou o revolver. Ele engoliu em seco e olhou para Jean-Luc.
– Eles vão me matar.
– Então não devia fazer negócio com eles! – respondeu irritado, mas logo depois de acalmou: – Pode tentar a sorte com eles ou com a gente. Mas agora nós estamos aqui e eles não.
– E estamos com uma leve vantagem. – emendou, destravando o revolver.
– Não, não, não, não. – ele disse apressado, e depois olhando para Jean-Luc. – Eu falo, eu falo... Eu, eu não sei o nome deles ou onde estão. Um deles faz a entrega durante a semana.
– Qual o contato deles? – o caçador perguntou.
– Mando mensagem quando preciso.
pegou o celular no bolso e pediu, entregando o celular:
– Me dá o número.
O homem pegou o celular e começou a teclar.
– O mesmo cara entrega toda semana? – Jean-Luc perguntou.
– É o único que eu conheço. – respondeu entregando o celular a .
Jean-Luc pegou um papel do bolso e o abriu. Era a foto do cara que morreu no acidente.
– É esse aqui?
– É.
– Quando ia vê-lo outra vez?
– Eu devia ter recebido o carregamento ontem, mas ele não veio.
– Isso é porque ele tá morto.
– Meu Deus. Vocês o mataram?
– Cadê o resto do estoque? – perguntou.
O homem se afastou com cautela, sendo seguido e segurado por Jean-Luc, e foi até um armário cheio de potes de vidros, cheios de órgão dissecados e triturados. Os caçadores pararam diante o armário, enojados.
– Você não vende mais órgãos humanos. – Jean-Luc disse segurando a parte de cima do armário e o puxando, até o mesmo cair no chão e uma nuvem de pó subir.
Logo depois, os dois saíram da loja ainda chocados.
– Isso é muito nojento. – o caçador comentou.
– Nem me fale. Preciso de um banho urgente, sinto que tem órgãos espalhados pela minha roupa.
– Provavelmente tem.
– Graças a você. Me senti o Tom Cruise em Guerra dos Mundos.
Ele sorriu culpado.
– Esse filme é irado. – ele comentou animado, mas depois de receber um olhar cético de , continuou: – Foi mal, eu não achei que fosse criar aquela nuvem enorme de vesículas, corações e fígados.
fez cara de nojo.
– Eca, esquece isso.
Ele riu.
– Boa ideia. Eu vou te deixar no hotel.
– Obrigada.

havia acabado de ligar para a companhia de celulares, pedindo que ligassem o GPS do celular de Sam. Segundo a atendente, dali duas horas no mínimo, eles ligariam o rastreador.
Ainda não aliviada, ela agradeceu, desligando o celular e tentando ligar mais uma vez para Sam.
Depois de insistir mais algumas vezes, ela desistiu, decidindo ir tomar banho.

Assim que se despediu de Jean-Luc, e entrou no quarto, ouviu o celular de tocar. Não conseguiu alcançar o aparelho a tempo, mas viu que havia algumas ligações perdidas de um número desconhecido.
Logo depois, saiu com uma toalha em mãos, secando os cabelos.
– Quem era?
deu de ombros.
– Número desconhecido. Retorna. – disse entregando o celular a irmã.
retornou a ligação, mas antes que pudesse chamar, viu que havia chegado uma mensagem na caixa postal do mesmo número.
Abriu a mensagem e a ouviu:
, é o Sam... Olha, tá tudo bem, eu não quero que se preocupe, ok?... Será que você pode ligar pro meu irmão e passar esse número pra ele, por favor? Eu não consigo falar com ele, mas eu preciso. É urgente... Mas tá tudo bem... É uma longa história, depois eu te explico, mas fale com o Dean antes, por favor. Tchau.’’
E então ela ficou atônita e olhou para a irmã, que a olhou curiosa.
– O que foi?
não respondeu. Ouviu mais uma vez a mensagem, e tentou rastrear algum vestígio de Sam na mensagem. O jeito de falar era bem parecido, mas a voz não, o que a deixava confusa.
?
olhou para a irmã e então estendeu o celular.
Mesmo sem entender, pegou o aparelho e ouviu a mensagem, franzindo o cenho conforme ouvia.
– Osh... Que estranho. – ela comentou após ouvir a mensagem pela terceira vez, devolvendo o celular. – A voz é meio fina pra ser dele.
– Não é o Sam.
– Quem pode ser?
– Eu não sei. – respondeu irritada e passando as mãos pelos cabelos. – Por que um cara da voz fina ia me ligar dizendo que é o Sam?
– Trote, talvez?
– Mas como ele conhece os dois, como conseguiu meu número?
Ela deu de ombros.
– Não tenho ideia.
– E por que ele ia querer que eu ligasse pro Dean? Será que aconteceu alguma coisa com o Sam?
– Eu não sei, .
Suspirou, se sentindo confusa.
– O que eu faço?
– Liga pro Dean.
– O infeliz não atende.
– Como assim não atende?
– Eu não sei.
– Bom, continua ligando.
bufou incomodada, e enquanto ligava para Dean, olhou para a irmã e percebeu que sua calça jeans preta estava suja de pó nas pernas.
– O que houve?
– Ah, nem te conto. – respondeu indo até a mala e pegando uma muda de roupas limpas. – O cara da loja realmente vendia medicina alternativa humana. Jean-Luc quis fazer um ato heroico e acabou derrubando vidros infinitos de órgãos em pó em cima da gente.
desligou o celular e ligou mais uma vez para Dean, enquanto olhava pra irmã com nojo.
– Isso aí nas suas pernas são órgãos humanos?
– Sim, vários deles e de pessoas diferentes, provavelmente.
– Eca... Isso soou a Guerra dos Mundos pra mim.
– Concordo... Bem, eu vou tomar banho. Continua ligando.
assentiu e continuou ligando, mas nada de Dean ou Sam atender. Acabou por deixar uma mensagem, relatando o que havia acontecido e perguntando se estava tudo bem, finalizando com um pedido para que um deles ligasse para ela.
Minutos depois, saiu com uma roupa limpinha, pegando um saco de lixo para deixar sua roupa com restos mortais separados para lavanderia.
– E aí? – perguntou.
suspirou.
– Aí que nenhum dos dois respondem minhas ligações e tô esperando que um deles abram minha mensagem de voz.
– Ligou pro número que te deixou a mensagem?
– Liguei, mas tá fora de área.
– Você não disse que ia pedir pra ligarem o GPS do Sam?
– Eu pedi, e vão ligar daqui duas horas.
– Bom, então não nos resta nada a não ser esperar.
– É.
– Ligou o GPS do Dean também?
– Pra quê?
Deu de ombros.
– Porque dois é melhor que um, e ver se estão no mesmo lugar.
– Eles não se separariam do nada, .
– Vai saber eles não discutiram de novo? – pegou o celular e decidiu ligar e pedir pra ligarem o GPS de Dean. – Pronto, mais duas horas.
– Ridículo.
– Bom, temos que agradecer por ainda ligarem sabendo que não somos donas dos celulares... Ei! A gente podia rastrear o numero que te deixou a mensagem, né?
– Eu pensei nisso, mas eles pedem o nome e o CPF do dono.
fez um muxoxo.
– Agora é esperar e continuar ligando. – ela pegou o laptop e se sentou a mesa. – Enquanto isso, eu vou pesquisar sobre os Geiers.

...

Já tinha passado pouco mais de duas horas, e pesquisava atenta sobre os Geiers, dando mais atenção nas formas de matar a criatura. estava atenta, assistindo alguma série na Netflix, e tentava não se lembrar na possibilidade de Sam e o irmão estarem com problemas.
Foi então que seu celular começou a tocar.
Interrompeu a Netflix e atendeu o número que havia deixado uma mensagem mais cedo.
– Alô?
...
– Quem tá falando?
O Sam.
Ela soltou um riso e balançou a cabeça, incrédula.
– Tá, chega. Agora é sério, quem é que tá falando?
Ouviu um suspiro.
Sou eu, , o Sam.
– Tá, esquece, eu vou desli...
Não, não, não, não. Sou eu mesmo... Eu sei que minha voz tá estranha, mas sou eu... Em outro corpo.
E então ela pendeu a cabeça, refletindo e por fim, ficando boquiaberta.
– Como é que é?
É, eu não sei explicar o que aconteceu, mas eu fui parar no corpo de um adolescente, talvez tenha sido um feitiço, não sei.
– Eu não acredito... Impossível.
Eu também achei que fosse... Eu tô tentando ligar pro Dean, mas eu não consigo. Ele tá andando com um estranho, achando que sou eu.
– Não, isso é, não dá pra acreditar.
, só... Só liga pro Dean.
– Eu não o que você pensa que vai fazer, mas...
, sou eu! – respondeu incomodado, mas depois suspirou. – Olha, seu aniversário é dia 1° de setembro, você odeia presunto, adora azul e tem medo de altura. Dançamos juntos pela primeira vez no Halloween, ao som de Heat of The Moment e desde então você diz que essa é a nossa música. Você me deu O Grande Gatsby de Natal, e até hoje eu só li as primeiras vinte páginas, e você sabe que eu me sinto culpado por isso. Você tem medo do John Travolta porque teve um pesadelo com ele quando era pequena, assim como aconteceu com o Michael Jackson, e...
– Tá, tá, eu entendi... Sam?
Ele soltou um riso aliviado.
É, sou eu... Olha, será que dá pra vo...
– Seu irmão não atende o celular.
Eu sei, tô tentando ligar direto pra ele, quando eu tenho tempo.
– Como assim?
Ele fez uma pausa e suspirou.
Eu tava na escola, .
E então franziu o cenho e segurou o riso.
– Nossa.
E tenho asma. – Ela soltou um riso pelo nariz, mas se manteve firme para não rir. – E alergia a glúten.
E então ela começou a rir descontroladamente.
Há-há-há. Vai rindo. – ele disse sem graça. – Pode continuar ligando pra ele?
foi se acalmando até responder:
– Tá, tá. Pode deixar. Se cuida.
Hum, tá bom.
– E cuidado com a asma.
Ok, .
– E se afaste do glúten.
Sam fez um muxoxo.
, eu tenho que desligar.
– Ok, acabou o recreio, eu entendi. – ela disse rindo. – Tchau, Sam.
Tchau. – desligou.
olhou para a irmã.
– Era o Sam.
– Eu percebi, mas parece que perdi alguma coisa.
– Aquela voz fina era a dele. Parece que ele trocou de corpo com um adolescente asmático e intolerante a lactose.
– Jura?
assentiu, fazendo rir.
– Ai, como eu queria estar lá agora.
– Isso explica por que ele tava tão estranho ontem de manhã.
– É... Nossa, já pensou se você tivesse falado alguma besteira pra ele, achando que era o Sam?
assentiu rindo, mas quando se deu conta, foi ficando séria, se lembrando da conversa que ela teve com o Sam falso no dia anterior.
percebeu a mudança de humor da irmã e começou a gargalhar feito uma hiena.
– Eu não acredito nisso! – ela dizia entre risos. – , você, você... – não conseguiu terminar a frase.
engoliu em seco e sentiu vontade de sair correndo e enfiar a cabeça num buraco, mas então respondeu:
– Mas eu não falei nada constrangedor demais.
– Tem certeza?
– Tenho.
– Sei...
– Tô falando sério.
meneou a cabeça.
– Tudo bem, então. O que vai fazer agora?
– Bem, o Sam pediu que eu continuasse ligando pro Dean. – se levantou e foi até a cozinha. – E eu vou tentar né, pra avisar que ele não tá com o Sam verdadeiro no lado dele.
– Será que ele não percebeu? Você percebeu.
Deu de ombros e ligou a cafeteira, recostando na pia.
– Deve ter percebido, mas ainda assim, eu preciso falar com ele. Descobriu alguma coisa sobre os Geiers?
E quando ia responder, batidas na porta foram ouvidas. desencostou da pia e foi atender, se deparando com Jean-Luc.
– Oi, Jean-Luc, tudo bem?
– Tudo sim, e você, tá bem?
– Tô. Entra aí.
– Ah, não, obrigado. Eu só vim sequestrar sua irmã, se não se importa.
pendeu a cabeça e se virou para , que olhava para a porta com o cenho franzido.
– Como é que é? – ela perguntou.
Jean-Luc parou no batente da porta e deu um meio sorriso.
– Ah, sua irmã disse que você ficaria com ciúmes por eu ter dado o colar pra ela e bem, eu não quero que fique enciumada.
ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços, olhando para a irmã.
– Ah, ela disse, é?
– Não quero ser fofoqueiro não, mas ela disse. E também é uma forma de me redimir sobre você sabe, aquele banho de pó que você tomou. Nada mais justo que um jantar. – As irmãs se entreolharam novamente e foi abrindo um sorrisinho. – Ei, eu conheço um sorriso malicioso quando eu vejo um. Minhas intenções são muito nobres, se querem saber.
meneou a cabeça e então deu de ombros.
– Bom, tudo bem, mas só porque é comida grátis. Só deixa eu trocar de roupa.
– Pra quê? Você tá ótima. E eu preciso passar num lugar antes, não temos muito tempo.
– Tá, e eu deveria desconfiar de você?
– Que isso, eu sou muito confiável.
olhou para a irmã, que automaticamente voltou a sorrir maliciosa e se virou para o caçador.
– Por mim você pode levar, minha irmã é toda sua.
! – a repreendeu.
– Mas já vou adiantando que ela anda armada e come que nem uma condenada. Principalmente quando não é ela quem paga. – continuou, não dando atenção a repreensão da irmã, que voltou a repreendê-la:
!
Jean-Luc riu pelo nariz e respondeu:
– Eu vou me lembrar disso. Vamos? – assentiu. – Só pega a carteira, caso eu não dê conta de pagar. E eu também preciso que você use o colar de conchas.
– Eu vou ter que usar aquela coisa horrível?
– Vai... Por favor.
rolou os olhos e soltou um riso, se levantando e pegando suas coisas.
– Tchau, .
– Tchau, Jean-Luc. Bom jantar pra vocês.
– Obrigado.
Os dois saíram do quarto e começaram a caminhar até o Jeep de Jean-Luc.
– Olha, só pra deixar claro, eu não sou toda sua.
Jean-Luc soltou um riso sarcástico.
– Eu acho que sempre soube disso.
– Ah, que bom.
– Qual o problema seu e da sua irmã, afinal? Ela achou que eu tava dando em cima dela quando dei o colar, e o seu aviso prévio deixa bem claro que você também acha isso.
– Pera aí. – os dois entraram no carro. – A não me disse isso. – ela riu. – Ela realmente achou que você tava dando em cima dela?
– Sim, e ficou vermelha quando eu neguei.
riu.
– Que embaraçoso.
– Eu sei.
– E respondendo a sua pergunta: eu e minha irmã temos experiências com homens, principalmente caçadores. Sabemos como são e com a vida que a gente leva, é como se houvesse uma seta de neon apontada pra nós duas, então é normal desconfiar. Somos um alvo bem maior que as outras mulheres, e eu nem tô faltando com modéstia.
– Bom, eu não sou uma garota, obviamente não sei como é, mas eu posso imaginar porque conheço bem os homens, principalmente os caçadores... São seres desprezíveis.
riu.
– Mas com dois guarda-costas como os Winchesters, eu duvido que esse assédio continue. Eles são dois armários.
– É, o assédio diminuiu, não posso mentir. Mas sempre que estamos sozinhas, alguém aparece.
– Hmhum, entendi. E falando neles, como estão?
meneou a cabeça.
– Bem. Em um caso em Massachussets agora. Mas tá meio difícil de falar com eles.
– Por isso a preocupação da sua irmã, eu presumo. Percebi ela preocupada enquanto fazia uma ligação.
– É, ela não conseguiu falar com o Sam. Tá subindo pelas paredes.
– E você não? Digo, não é só ela que tem um lance com um deles.
– Ah, eu não tenho lance nenhum com o Dean, se quer saber. – respondeu meio sem-graça, fazendo com que Jean-Luc percebesse o incomodo.
– Ah, desculpe a inconveniência. É que eu acabei testemunhando o clima “Jack e Rose pós-naufrágio” e achei que rolava algo entre os dois.
riu.
– Nossa, Jack e Rose pós-naufrágio? É assim que você intitula um casal se despedindo um do outro?
– Quando é dramático, sim.
Ela riu e balançou a cabeça, voltando a ficar sério depois.
– Enfim, não tem lance nenhum.
– Mas teve.
o fitou por alguns segundos.
– É complicado.
– Ué, descomplica.
o olhou novamente e arqueou uma sobrancelha.
– Você é muito curioso.
– É um dom.
– Bom, sinto muito te decepcionar, mas eu não sou um livro aberto, como minha irmã.
Jean-Luc chiou, fingindo pesar.
– É uma pena.
– Também acho. Escuta, a me contou por que deu o colar a ela. Foi legal da sua parte ajudar o casal de irmãos.
– A gente ajuda como pode.
– É. Vinte dólares pra quem não tem nada é muita coisa.
– Mas não é o suficiente.
– Nisso você tem razão. Espero que eles gastem com sabedoria.
– Eu também.
– É, não com um colar de conchas horrível. – zombou, fazendo Jean-Luc rir.
– Horrível nada, você tá com inveja. Se queria um colar de conchas era só falar.
– Eu não, prefiro comida.
– Ah, que bom, porque eu tava tentando achar a melhor maneira de te agradar e conquistar sua amizade.
– Quer dizer que você conquista amigos comprando eles com colar de conchas e comida?
– Credo, isso me faz parecer um solitário. Eu só não queria que você achasse que eu prefiro a a você.
– Ah, entendi. Você se sentiu na obrigação de me dar alguma coisa também? Não precisava.
– Eu não fiz isso só pra compensar o colar, foi também porque eu queria evitar constrangimentos com a , ainda sinto que ela pensa que tô afim dela.
– Bom, realmente deu a entender isso.
– É, eu sei. E eu não quero um Winchester gigante com raiva de mim depois.
voltou a rir e depois disse:
– Bom, comida é uma ótima maneira de conquistar alguém.
– Foi o que eu pensei.
– Mas se for pra compensar o colar que você deu a minha irmã, você vai ter que gastar vinte dólares com o jantar.
– Eu pensei nisso também.
– Ah, é? Que bom, então você sabe que um jantar decente não custa vinte dólares nem no pior restaurante do mundo, né?
– Sei. Por isso nós vamos a uma lanchonete comer pão com geleia e manteiga de amendoim, acompanhado de uma xícara de café com leite.
então começou a gargalhar. Jean-Luc continuou:
– E se você acha que não tem opções, o leite é opcional e a geleia é você quem escolhe o sabor.
– Uau, isso é muito chique.
– E não é?
– E com certeza delicioso, já pensou no sabor da sua geleia?
– Eu pensei muito. Foi uma decisão difícil, mas tinha que ser feita. Uva.
– É exatamente o sabor que eu estava pensando em escolher. Acho que temos algo em comum.
– Com certeza.
balançou a cabeça e riu. Após alguns segundos em silencio, ela disse:
– E pra onde a gente tá indo?
– Eu tava pensando em levar mais alguém com a gente.
– Quem?
– Os irmãos.
Ela ergueu uma sobrancelha e a encarou por alguns segundos. Jean-Luc a olhou de relance e perguntou:
– O que foi?
soltou um riso, impressionada.
– Isso é muito legar da sua parte, Jean-Luc. Muito legal mesmo.
– Ah, para, assim você me deixa sem-graça.
– Assim você me deixa sem-graça. Nunca fiz isso antes. Agora entendi o lance do colar. Vou até colocar. – respondeu já colocando o acessório.
– Eu também nunca fiz isso antes. Quer dizer, levar moradores de rua pra uma lanchonete pra comer pão com geleia de qualquer sabor, acompanhado de café com leite opcional? Não, isso nunca, é a primeira vez. Me simpatizei com os dois e isso é um meio de conquistar a confiança dos dois e ver se descobrirmos mais sobre onde esses Geiers pegaram Steven e como.
– Sei, a me disse mesmo que eles são desconfiados. Bom, é uma boa tática. Pode funcionar.
– Vai funcionar. O que eu quero saber mesmo é que sabor de geleia eles vão escolher.
voltou a rir e Jean-Luc dirigiu por cerca de vinte minutos, até encontrar os irmãos.
Desceram do carro e foram caminhando até os dois, que ainda estavam sentados próximo a fonte, agora guardando os acessórios espalhados.
– Gracie, Hanson. – Jean-Luc disse ao se aproximar, chamando atenção dos dois. – Essa é .
Os dois a olharam e depois olharam para o colar. No carro, o caçador havia falado que daria o colar para a namorada, então ela teria que agir como tal.
– Oi. – disse simpática. – Foi você quem fez o colar?
Gracie assentiu sorrindo.
– O que você quer? – Hanson perguntou rude.
– Hanson. – Gracie chamou sua atenção.
– Ele não tá aqui por acaso.
– Eu só quero entender o que aconteceu com o Steven. – Jean-Luc respondeu. – e eu vamos comer alguma coisa, se quiserem nos acompanhar.
– A gente sabe se cuidar.
– Fala por você. – Gracie respondeu. – Eu vou.
Hanson olhou indignado pra irmã e depois para os caçadores.
– Quer ajuda? – perguntou se referindo as coisas espalhadas pelo chão.
– Não, deixa. – Hanson respondeu mais calmo, se abaixando e terminando de arrumar as coisas, deixando claro que não deixaria a irmã sozinha.
Assim que arrumaram tudo, os quatro seguiram para o carro e Jean-Luc dirigiu por alguns minutos, até encontrar um restaurante legal. Cerca de uma hora depois, os quatro estavam numa lanchonete, comendo hambúrguer e batata frita. E os dois adolescentes, em particular, comiam com certa pressa, deixando bem claro que estavam com muita fome que provavelmente ainda não haviam gastado os vinte dólares.
– Então, Hanson, de onde vocês são? – perguntou ao rapaz, que era o único dos quatro que mal havia aberto a boca e quando abria, era rude.
– Idaho.
– Eu já estive em Idaho. – Jean-Luc comentou. – De que local?
– Perto de Pocatello. Quer saber por quê?
– Desculpe. – Gracie disse. – Hanson não confia na policia.
– Tudo bem. Ele também teve que me conquistar. – disse se referindo a Jean-Luc.
– É verdade. – respondeu. – Muitas idas a restaurantes caros e depois de tanto falar quanto a maioria dos homens não conseguem ser sentimentais como eu.
abriu um sorriso debochado, fazendo Gracie sorrir também.
– Obrigada pela comida. – a garota disse. – Sei que devem estar se perguntando por que vivemos na rua. É por que nós fomos abandonados.
– Gracie, não precisa contar nada. – Hanson disse.
– É, não precisa. – Jean-Luc respondeu. – Só quero saber se conhecem mais alguém como Steven, que desapareceu.
– Pessoas vêm e vão o tempo todo.
– É, mas ele arranjou emprego e nunca mais voltou?
– O Kevin. – Gracie respondeu. – Ele sumiu com o Steven.
– Ele disse alguma coisa antes de ir? Algo sobre o trabalho, ou pra onde ia?
– Ele só disse que ia receber uns dez dólares por hora. – Hanson respondeu.
– Também receberam a oferta?
– Não.
– Kevin ou Steven mencionaram como souberam do emprego?
– O Kevin disse que um caro numa van branca parou ele na rua. – Gracie respondeu.
– Que rua?
– Eu não sei.
– Já viram essa van branca? – eles fizeram que não. – Qual era o sobrenome do Kevin?
– Standish. – Gracie respondeu sorrindo.
– Você gostava dele, né? – perguntou.
– Gostava. – respondeu emocionada.
– Deve ter saudade... Quando ele foi com o Steven, pediu que fosse com ele?
Ela ficou relutante para responder, mas por fim, disse:
– Pediu.
Hanson olhou indignado pra irmã.
– Você não me contou isso.
– Eu não ia te deixar. Você estava doente.
– O Kevin disse alguma coisa quando foi embora? – perguntou.
– Disse que ia me ligar e deixar um recado no abrigo, mas não deixou.
e Jean-Luc se entreolharam.
– Tudo bem, se virem a van branca, liguem pra mim. – o caçador disse entregando a Hanson um cartão com o seu número.
– Ok. – Hanson respondeu pegando o cartão. – Temos que ir agora. Obrigado pela comida. Os dois se levantaram e pegaram as coisas.
– Tchau. – ele e disseram juntos e logo depois, o caçador pediu a conta.

– Eu fiquei com pena deles. – comentou já dentro do carro.
– Eu também.
– Mas o jantar foi ótimo. Acho que você conquistou os dois e nem precisou de mais jantares caros nem contar o quanto a maioria dos homens não conseguem ser sentimentais como você.
Jean-Luc riu.
– Desculpe, eu acabei parecendo exagerado.
– Tudo bem, acabou dando tudo certo.
Então o celular do caçador começou a tocar.
– Alô? – ele atendeu. – Conseguiram rastrear o número? Ah, que bom. Só um segundo. – fez sinal para pegar um papel e uma caneta, mas a mesma abriu o bloco de notas do celular. – 21343, Rua Murtaugh. Anotei, obrigado. – desligou.
– É o endereço do número que o cara da loja deu?
– É sim. E pode ser onde os Geiers ficam com os desaparecidos.
– Eu vou checar com o local onde o corpo do Steven foi encontrado, podemos ir lá ainda hoje ou amanhã cedo. Ou você quer esperar a delegacia ligar com o endereço do número do motorista morto?
– Não, vamos checar amanhã cedo.
– Ok. Voltando a falar do jantar, eu gostaria mesmo saber por que os dois foram abandonados.
– Eu também, mas acho que eles não são um livro aberto como sua irmã.
– É, nem todo mundo gosta de falar sobre a vida.
– O que é um cúmulo pra uma pessoa curiosa como eu.
– Eu também sou muito curiosa, sabia? Você poderia falar um pouco sobre sua vida. Você é muito misterioso pra mim.
– Ah, sinto muito, eu só conto da minha vida as pessoas que também contam sobre as dela.
– Isso é injusto.
– A vida é injusta.
– Então quer dizer que a sabe mais da sua vida do que eu?
– Não sabe muita coisa.
– Eu pergunto a ela.
– Eu peço pra ela não contar.
– Ah, deixa de ser chato.
– Ah, é a regra, sinto muito.
riu sem-graça.
Os dois voltaram para o hotel onde a moça estava hospedada e depois de se despedir, ela voltou para o quarto.
– Falou com eles? – perguntou.
– Não consegui. Mas fico mais tranquila por ter falado com o Sam, mas não podemos esquecer que o Dean tá andando com um bruxo no corpo do irmão.
– Como sabe que é um bruxo?
– Quem mais conseguiria trocar de corpo com alguém se não um bruxo?
– Tem razão. Não é possível que ele não tenha descoberto o irmão.
– Concordo, mas o que custa ligar?
– Espera sentada por uma ligação dele.
– Mas o mínimo que eu espero dele é que ele ligue e me mande parar de ligar e ficar enchendo o saco.
meneou a cabeça.
– Isso é. Mas a gente já sabe mais ou menos o que tá acontecendo. Provavelmente, o Sam falso se livrou dos celulares pra que o Sam verdadeiro não conseguisse falar com o irmão.
– Faz sentido. Agora eu quero saber por que trocaram de lugar com o Sam.
– Não é difícil de imaginar. O adolescente pra começar, é um adolescente. Deve odiar a vida, e pra piorar, é asmático e tem alergia a gluten. O Sam é bonitão, independente, faz sucesso com as mulheres e saudável. Até o mais idiota trocaria de corpo com ele.
– Acha que ele tá usando o Sam pra pegar mulher?
– Isso é óbvio. Ainda bem que você não tá lá. Seria pedófila sem saber.
fez uma careta, imaginando a cena, e ficou agradecida por não estar com os dois agora.
– Enfim, como foi o encontro?
– Primeiro, não foi um encontro, foi um jantar profissional, já que Gracie e Hanson foram também. Segundo, foi legal. E terceiro, por que você não me contou que achou que o Jean-Luc tava afim de você quando te deu o colar? – perguntou rindo.
suspirou envergonhada e riu.
– Qualquer uma no meu lugar pensaria nisso.
– É, tem razão. Até eu pensei, pra dizer a verdade.
– Olha, não é por nada não, mas eu realmente acho que ele tá afim de você.
– Ah, dá um tempo, você fala isso de todo cara que é legal comigo.
– Porque todo cara que é legal com você sendo um porre com ele, geralmente quer acordar com você na cama.
– Mas o Jean-Luc não. Ele achava que eu e o Dean estávamos juntos.
– Achava, é? Hm, mas agora sabe que não, e vai investir.
– Não vai não. Sinto que ele faz o tipo que prefere fazer amizade com caçadoras, a leva-las pra cama. Foi o que me pareceu.
a olhou levemente impressionada.
– Você não tá desconfiando dele? Isso é um milagre.
assentiu e suspirou.
– Confesso que fui mal educada com ele a toa. Ele tem sido muito profissional e legal com a gente.
– Comida realmente te conquista.
– Ah, qual é, quem não tem as melhores impressões de alguém que gastou quase cem dólares com comida pra três estranhos.
– Cem dólares? Nossa.
– Eu sei. Eu achei que a gente fosse comer espetinho ou coisa assim, mas não.
– Que gentil da parte dele levar os irmãos.
– Também achei. Isso é coisa do Sam-Fofinho.c
riu e assentiu.
– Com certeza. Mas acho que o Dean também faria.
pensou por alguns instantes.
– O jantar pode até ser, mas ele não daria nem cinco dólares por um colar.
riu.
– Cada um com sua sensibilidade.
desencostou da parede e tirou o colar que usava, devolvendo-o a irmã. Depois foi tomar um banho para enfim, pesquisar o endereço dado a Jean-Luc.

No dia seguinte, por volta das oito e meia, os três se encontraram na lanchonete.
– Eu vi onde fica aquele endereço. Não é próximo do rio ou da cascata onde Steven foi encontrado. Eu triangulei a posição em um raio de 300m, a noroeste da cidade. É uma área bastante remota. Quase não tem casa e tem muito mato ao redor. – comentou.
– Bom, esses Geiers se movem sobre as árvores então o meu palpite é que eles fiquem na mata. – disse.
– Sim, mas a investigação não acabou nem de longe. – Jean-Luc disse. – Esse lugar fica meio distante do rio e da cascata. Steven não correria tanto até lá fraco do jeito que estava.
– Mas ele poderia fugir, ainda não haviam tirado nenhum órgão dele.
– Tanto que fugiu mesmo. – disse. – Mas ainda assim, concordo com o Jean-Luc, ele não correria de tão longe.
– Mas também não podemos adentrar uma mata desconhecida numa busca desconhecida por algo desconhecido. Precisamos ir até esse endereço e ver se é lá, ou se lá existe a localização dessa sala de operação clandestina.
– Tem razão. Quando vamos?
– Agora? – Jean-Luc sugeriu.
As duas assentiram e então os três seguiram até o endereço. A rua tinha poucas casas, e eram habitadas. Como era o combinado, os três adentraram a mata e rodaram pelo perímetro feito por , encontrando assim, um trailer no meio da vegetação.
– Esse lugar não me agrada em nada. – comentou.
– Que bom que eu não sou a única com essa opinião. Bom, não tem ninguém aqui fora. Só podem estar lá dentro.
– Um de nós vai lá, e os outros cercam o trailer. – Jean-Luc disse. – Sou bom em tiro a distancia, já vou adiantando.
– Eu vou. – disse. – , vá para o outro lado e você me cobre daqui. – disse ao caçador.
Os dois assentiram e se posicionaram. respirou fundo e seguiu para o trailer. Estava tudo muito calmo, o que a deixava apreensiva. Olhava mais para cima do que para frente, já que aquelas criaturas se moviam sobre as árvores. Continuou se aproximando e olhou para cima mais uma vez, até que ouviu um barulho de vidro se quebrando. Olhou para frente e viu um homem com um revolver apontado para ela, que correu imediatamente para o trailer, recostando no mesmo e se abaixando. O homem a seguiu com o revolver, mas antes que pudesse efetuar o disparo as cegas, Jean-Luc atirou com a shotgun.
Quando se tocou de onde o tiro vinha, ela se levantou e olhou agradecida para o caçador. Imediatamente, apareceu às pressas.
– Tá tudo bem?
assentiu e fez sinal para que a irmã se aproximasse. O caçador ficou onde estava para dar cobertura e então foi para o outro lado da porta do trailer. Fez sinal para a irmã, que se posicionou e abriu a porta. Instintivamente, apontou o revolver para dentro do trailer. A moça fez sinal para a irmã, e então adentrou, seguida pela irmã. O local estava uma bagunça só. Camas desarrumadas, embalagens de comida pelo chão e mais a frente, estava o corpo morto do homem. se aproximou do cadáver, checou se estava mesmo morto, e se levantou. Continuou andando na direção de uma porta no fim do corredor. A abriu e apontou o revolver, mas depois o abaixou quando viu o que tinha ali a sua frente, impressionada. Olhou para a irmã e Jean-Luc, que havia acabado de chegar e disse:
– Parece uma estufa.
Os três atravessaram a lona e adentraram na estufa, que cheirava mal. Havia prateleiras cheias de órgãos, assim como órgão pendurados por ganchos.
– Isso é nojento. – disse. – Olha o monte de corações.
– Rins, vesículas... – continuou, também enojada. – Inacreditável... Eles trituram e embalam aqui também. – disse parando de frente a uma máquina que embalava os órgãos, e então um celular começou a tocar. Os três verificaram seus bolsos e notaram que não era nenhum dos aparelhos deles. – Vem lá de dentro.
voltou par ao trailer, e se abaixou diante do corpo. Pegou o celular do cara, que parou de tocar no mesmo instante. Retornou a ligação.
Clínica Folter, como posso direcionar a sua chamada?
Ela desligou e olhou para os outros dois.
– É da clínica. – se levantou.
– Isso faz todo sentido. – respondeu. – Eles atendem moradores de rua também, seria fácil sequestrarem um.
– Vamos até lá à noite. – Jean-Luc disse.
Os três voltaram aos carros e durante a volta, o celular de tocou. Era um número desconhecido.
– Alô?
Oi, . – era Sam, e ele estava com sua voz normal.
– Sam?! Ainda bem que ligou, eu tava ficando preocupada. Tudo bem?
Sim, desculpe não ter ligado antes. A gente tava meio ocupado resolvendo o meu problema.
– Que bom que deu tudo certo.
Nem me fale.
– E sabem por que o bruxo trocou de lugar com você?
É uma longa historia, mas resumindo, três adolescentes acabaram se envolvendo com demônios, que alegaram dar tudo que eles quisessem se me entregassem e matassem o Dean.
– Sério, e ele tá bem?
Tá sim. Pelo visto, colocarem outra pessoa no meu corpo, foi uma maneira de me fazer dizer sim a Lúcifer. O garoto não tinha nem ideia disso.
– Eles estão bem?
Dois, sim. Um garoto morreu.
– Uma pena.
É, fazer o quê. Ainda bem que o Dean percebeu que não era eu antes que fosse tarde demais.
– Com certeza. Como foi que ele se tocou?
Sam soltou um riso pelo nariz.
Por incrível que pareça, demorou um pouco. Andou com o outro eu pra cima e pra baixo, até caçou o Polteirgeist com ele e só descobriu que não era eu quando eles estavam num bar e o falso eu comemorou que iria transar com uma mulher mais velha.
riu.
– Seu irmão te conhece tão bem. – ironizou.
Ah, nem me fale. – riu. – E aí, não nos falamos faz um tempo. Como tá aí, em Myrtle Beach?
– Ainda não resolvemos o caso. Estamos caçando algo que nem sabíamos que existia e nos esbarramos com o Jean-Luc. Ele tá nos ajudando.
Jean-Luc?... O cara de Cartago?
– Esse mesmo.
Sam fez uma pausa, depois disse:
Não sei se ele é confiável.
– Relaxa, sabemos nos cuidar. E até o momento, ele tem sido legal e profissional.
Hum, sei...
sorriu.
– Ah, tá preocupadinho, com ciúme ou apreensivo?
Há-há-há. Só apreensivo. Por quê? Eu deveria me preocupar ou ficar com ciúmes?
– Preocupado, não, e com ciúmes, talvez.
O quê? Por quê?
riu.
– Tô brincando, não quero nenhum ciumento atrás de mim. Tá tudo bem, mas vai demorar um pouco pra terminarmos aqui.
Sei... Tomem cuidado.
– Certo, vocês também. Pra onde vão agora?
Não sabemos ainda. Quem sabe não damos um tempo e esperamos vocês em Owensboro?
– É uma boa ideia, já falou com o seu irmão?
Ainda não. Vou sugerir quando o bom humor dele voltar. Saber que estamos sendo caçados por demônios a qualquer custo e que a cabeça dele tá a prêmio, não o deixou muito feliz.
– Eu imagino.
É, e antes que eu me esqueça, prestem mais atenção ao redor. Vocês podem acabar servindo de barganha pra eles.
– Ok, vamos ficar atentas. Até mais.
Até. Sinto sua falta.
Sorriu.
– Eu também. – desligou e olhou preocupada para a irmã, que percebeu e perguntou: – O que foi?
suspirou e contou sua conversa com Sam, deixando a caçula preocupada.
– Se eles usaram pessoas que não tem nada a ver pra pegar os dois, acha que virão atrás de nós? – ela perguntou.
pendeu a cabeça.
– Eu não tenho certeza, mas pode ser que sim, né?
assentiu.
– Não podemos confiar em ninguém.
olhou para a irmã por algum tempo. Percebeu o que a mesma quis dizer.
– Tá desconfiada do Jean-Luc?
– E não deveria?
– Ele é caçador e também tem a tatuagem. E demonstrou ser uma boa pessoa.
– Grande coisa. Eu sou sua irmã, tenho a mesma tatuagem e posso não ser das melhores pessoas, mas não sou tão ruim assim, e nada impediu um demônio de me invadir. Temos que verificar. Mais tarde, quando a gente for à clínica, vamos passar numa lanchonete antes. Chegamos lá antes, fazemos nossos pedidos, colocamos água benta na bebida dele e então a gente vê se ele é ou não um demônio.
– Bom, você tem razão.
E assim foi feito. Mais tarde, as duas foram até uma lanchonete, fizeram o pedido dos três e colocaram água-benta no suco do caçador. Pouco tempo depois, ele chegou e os três comeram e conversaram normalmente. As duas ficaram mais tranquilas quando perceberam que nada aconteceu com Jean-Luc, e assim que terminaram de comer, foram à clínica, que àquela hora, já devia estar fechada.
– Ainda tem gente. – comentou.
Estavam todos no carro do caçador, esperando.
– É só a recepcionista. – respondeu. – A gente deveria ir.
– Concordo. – a irmã rebateu.
– Então vamos. – Jean-Luc disse, descendo do carro.
Os três estavam armados, com revolveres e adentraram a clínica. A recepcionista terminava de organizar alguns arquivos para poder ir embora, e ficou assustada quando os viram.
– Estamos fechados.
– Que bom, assim a gente pode conversar. – disse pegando o revolver no cós da calça, só para deixar claro para a mulher, que não estavam de brincadeira.
A mulher olhou assustada e deu alguns passos para trás. apontou a arma.
– Não ouse fugir. – apontou com o revolver, uma sala. – Lá dentro, anda! Vocês dois, deem uma olhada pelo local.
Os dois assentiram e se afastaram conforme e a mulher adentravam a sala. Alguns minutos se passaram e então os dois entraram na sala.
– Não tem como operar alguém aqui. – disse.
– Tem que ser outro lugar. – Jean-Luc disse.
Os três olharam para a mulher, que estava recostada na parede.
– Onde é? – perguntou.
– Onde é o quê?
– Onde vocês operam os desaparecidos.
– Eu não sei do que estão falando.
olhou para a irmã, suspirando e balançando a cabeça, deixando bem claro que não acreditava na historia.
– Escuta, nós sabemos quem vocês são. – Jean-Luc disse.
– Eu não sei do que...
– Vocês são Geiers.
– Meu Deus. – ela então perdeu a linha.
– Onde estão as crianças?
– Eu... Eu...
– Não estamos aqui como federais. – disse. – Não espere que a gente se comporte.
A mulher fitou , pensando como sairia dali.
engatilhou o revolver, chamando atenção da mulher, e apontou para a mesma.
– Não vai falar?
– Tudo bem, tudo bem. Eu vou falar. Mas vocês têm que me prometer me deixar ir embora.
pendeu a cabeça.
– Justo... – baixou a arma. – Pode falar, eu prometo.
– Fica numa área isolada, é próximo ao rio, mas dá pra chegar facilmente. – então ela contou onde era o local.
– Tem certeza que é esse o local? – Jean-Luc perguntou.
– Tenho.
Ele assentiu e então pegou seu revolver, fazendo com que a mulher arregalasse os olhos.
– Mas, mas vocês prometeram.
Jean-Luc destravou a arma e apontou para a cabeça da mulher.
– Ela prometeu, não eu. – e atirou duas vezes.
O corpo caiu no chão, deixando um rastro de sangue na parede. O caçador guardou a arma e olhou para as duas.
– Vamos?
– Ei, por que fez isso? Eu ia acabar com ela. – disse.
Ele deu de ombros.
– Você fez uma promessa.
– Eu nunca cumpro minhas promessas, pergunte a . – brincou.
– Ela tem razão, nunca cumpre. – foi na onda.
– Que desonesta. – ele disse com um meio sorriso, saindo da sala.
As duas o acompanhavam.
– Eu sou desonesta. E numa pessoa desonesta, pode-se sempre confiar na desonestidade. Honestamente, são os honestos que devem ser vigiados. Porque nunca se pode prever quando farão alguma coisa incrivelmente estupida. – disse.
– Olha, se eu não tivesse assistido a Piratas do Caribe ontem, eu diria que o que disse foi bem formulado.
olhou para a irmã, comprimindo os lábios, impressionada.
– Assistiu, foi? Que legal... Vem cá, você gosta da franquia?
– Vou admitir, gosto sim.
– Hm, que legal.
– Por que, você não?
– Você não deveria perguntar isso a uma Depphead.
Ele se virou e a olhou estranho.
– Hein?
, por favor. – ela deu a deixa para a irmã, que estalou a língua e respondeu prontamente:
– Fãs de Johnny Depp são chamados de Depphead.
– Ah, sim. – voltou a andar.
Os três entraram no carro.
– O que você acha do Johnny Depp? – perguntou.
O caçador deu de ombros.
– Nunca fomos apresentados, parece gente boa... Eu não conheço muito.
Ela assentiu, aceitando a resposta.
– Muito bem. Vou te passar uma lista de filmes dele.
chiou no banco de trás, imaginando a lista gigante.
– São muitos filmes? – ele perguntou.
– Sim. Mas são muito bons, pode crer.
– Tudo bem, vou tentar assistir.
– Jura?
– Sim.
– Tá sendo honesto?
Ele deu um meio sorriso.
– Muito honesto.
riu com o sarcasmo aparente do caçador e balançou a cabeça.
Os três seguiram para o endereço dado pela mulher. Levaram cerca de duas horas para acertarem o caminho, chegando lá tarde da noite.
– Tem certeza que querem ir à noite? – o caçador
perguntou.
– Por que, tá com medinho? – perguntou.
– Medo? Eu sou sujeito homem, não tenho medo de nada.
As duas se entreolharam e riram.
– Ah, tá, sei. – disse. – Vamos então.
Os três pegaram munição para suas armas e adentraram uma mata não muito densa, com lanternas, revolveres e também os facões, caso a munição acabasse, afinal, eles não sabiam quantos Geiers haviam lá.
Caminharam por cerca de dez minutos, conversando de vez em quando, mas atento aos arredores. Viram de longe algumas luzes acesas e caminharam na direção. As arvores foram diminuindo, mostrando uma cabana grande, bem cuidada e ao redor, a grama era bem aparada. Parecia até que era habitada por pessoas normais.
– Vamos nos separar. – disse.
– Não, tá doida? – perguntou. – Vamos juntos.
– Eu concordo. – Jean-Luc disse.
acabou bufando e os três caminharam até a casa. Viram que na lateral havia uma van branca e se aproximaram da mesma com cuidado, se abaixando para não serem notados. Estava tudo muito silencioso.
Deram a volta pelo terreno e adentraram a cabana. Fizeram tanto silencio para nada, já que não havia ninguém lá dentro.
– Merda. – disse saindo da cabana. – Onde estão?
Os dois deram de ombros.
Os três se afastaram da cabana e caminharam para frente. Sem motivos, iluminou seu lado esquerdo com a lanterna, deixando uma trilha de pedrinhas brilhantes guia-la até uma espécie de galpão.
– Gente. – ela chamou.
Os outros dois olharam para onde ela apontava e os três se aproximaram dos pontinhos. Jean-Luc se abaixou e pegou uma daquelas pedrinhas, mostrando para as outras duas.
– Uma concha. – disse. – Será que pegaram a Gracie?
– Se pegaram, ela fez uma trilha.
– Garota esperta.
Os três se aproximaram do galpão. Chegaram a uma janela e e Jean-Luc espreitaram de cada lado.
Não... Por favor. – ouviram Gracie dizer e viram a doutora da clínica dar inicio a uma cirurgia numa garota, que presumiam ser Gracie.
Não puderam contar quantos Geiers haviam lá dentro, mas sabiam que não dariam conta se não agissem rápido e com sabedoria, então os três se olharam e fizeram sinal com a cabeça, dando inicio ao resgate.
Todos se afastaram para o meio do mato e bolaram o plano. e Jean-Luc se afastaram de , que esperou cerca de dois minutos para mirar o revolver no céu e atirar.
Foi questão de segundos para dois Geiers saírem do galpão e seguirem em sua direção. A moça espreitou numa árvore e mal respirava, esperando uma aproximação. Ouviu um barulho de galho se quebrar ao seu lado e então foi dando a volta no tronco, conforme o Geier passava ao seu lado. Ficou bem atrás da criatura e ergueu o facão, mas antes de acertá-lo, o mesmo se virou, pulando em cima dela.
O facão da moça caiu no chão e então, ela sentiu alguns socos a acertarem. Virou um pouco o tronco para a esquerda e pegou rapidamente o revolver no cós de sua calça. Não conseguiu mirar direito na cabeça ou coração, mas efetuou alguns disparos no abdômen do homem, que urrou e caiu ao lado da moça.
No mesmo instante, ouviu outro urro, e passos apressados em sua direção. Se virou rapidamente e ficou de joelhos. Apontou o revolver para frente e deu os últimos dois tiros certeiros na cabeça do segundo Geier.
Assim que o corpo caiu no chão, ela se levantou, sentindo algo escorrer por sua barriga. Era o sangue do primeiro Geier, que morreu em cima dela. Fez cara de nojo e pegou outro pente no bolso, munindo o revolver. Depois, procurou por seu facão, enquanto ouvia tiros lá do galpão.

Assim que aqueles dois Geiers saíram atrás de , Jean-Luc e se aproximaram do galpão. O caçador arrombou a porta e atirou no primeiro Geier que corria em sua direção. Os dois entraram e então alguns Geiers começaram a correr em sua direção, conforme alguns fugiam pelos fundos. Atiraram o máximo que podiam, tentando não acertar os desaparecidos, mas os mesmos, vira e mexe se levantavam e voltavam a deitar.
– Não podemos continuar atirando com essas pessoas aqui. – disse.
– Eu sei... Plano B. – ele desembainhou o facão, assim como a moça, e os dois foram em direção aos Geiers.
Um dava cobertura para o outro. Arrancavam cabeças e fincavam a arma no corpo quando a criatura se aproximava demais. Por um descuido de , dois Geiers voaram em cima de Jean-Luc, o derrubando no chão. Os três começaram a trocar socos, já que o rapaz estava desarmado, mas o mesmo estava levando a pior.
Assim que conseguiu decapitar o último Geier que se aproximava dela, ela foi ajudar o caçador. Decapitou uma das criaturas, e a que estava mais perto do mesmo, ela atirou na cabeça. O corpo morto caiu em cima dele.
Jean-Luc empurrou o corpo para o lado e se sentou, olhando agradecido para , que assentiu ofegante. A força que usavam para decapitar alguém era grande, e cansava facilmente.
, atrás de você! – Jean-Luc disse rapidamente, mas não deu tempo. Antes de poder se virar para se defender, uma Geier avançava em cima dela.
Sua sorte foi que chegou bem a tempo, decapitando aquela coisa e sem querer, espirrando sangue em cima de uma adolescente deitada na maca.
Finalmente, os três estavam sozinhos. Jean-Luc se levantou e se aproximou de Gracie, que estava acordada.
– Acabou? – perguntou.
– Não. – a irmã respondeu. – Alguns fugiram.
Depois de trocar algumas palavras com Gracie, Jean-Luc se aproximou das duas.
– A doutora fugiu.
– Ela não deve ter ido longe. – respondeu caminhando até a porta dos fundos.
Os três saíram e seguiram para os fundos da casa, onde encontraram um buraco enorme cavado no chão, pegando fogo. Era ali que eles queimavam os corpos quando os mesmos perdiam sua utilidade.
As duas se afastaram de Jean-Luc, que continuou andando e foram para o outro lado. Pararam diante uma mata, olhando atentamente, para ver se achavam alguma coisa.
Foi quando ouviram vários passos descompassados vindo em sua direção. Não sabiam contar quantos Geiers se aproximavam, mas sabiam que eram mais de dois. As duas pegaram o facão e deram alguns passos para trás.
Olharam para Jean-Luc e viram que ele estava rolando no chão com a doutora, então resolveram deixa-lo em paz e também darem cobertura, já que ele nem tinha percebido que havia mais criaturas ali.
Ouviram gritos e então três Geiers correram em sua direção.
correu até um especificamente, e até o outro. As duas ergueram o facão, mas não conseguiu acertar a tempo. O homem pulou em cima dela e a jogou no chão, se afastando logo depois. Desorientada, a moça tentou se levantar, mas não conseguiu, o outro Geier pulou em cima dela.
conseguiu acertar com sucesso, o peito do Geier que a atacava. Não demorou muito e o corpo morto caiu no chão. A moça tirou a arma de seu corpo e se virou para a irmã e depois para próximo de Jean-Luc. Viu que um Geier ia atrás dele, que estava distraído lutando com a doutora, mas também viu que a irmã mal conseguia se levantar, já que recebia golpes atrás de golpes e estava deitada de bruços no chão.
Acabou optando obviamente pela irmã e se aproximou da mesma com o facão erguido. Calculou a distancia para não acertar a irmã, já que o Geier estava levemente curvado para o rosto da irmã e desceu o braço, cortando a cabeça do homem, que rolou para o lado.
Se endireitou e pegou seu revolver, se aproximando de Jean-Luc e disparando algumas vezes no Geier que se aproximava dele. Acertou as costas, e aos poucos, a criatura ia caindo no chão. Tudo isso aconteceu muito rápido, mas para eles, foi uma eternidade.
Ajudou a irmã a se levantar e então as duas assistiram Jean-Luc chutar a doutora na barriga, a jogando nas chamas.
Ouvia-se de longe os gritos da mulher, agonizando.
O caçador se virou para as duas ofegante e limpando o sangue que escorria de um corte feito no rosto.
– Pelo amor de Deus, me digam, que acabou. – ele disse.
As duas riram sem um pingo de humor, sentindo as dores começar a aparecer e assentiram.
– Acho que sim. – disse. – Aquele chute... Foi incrível.
Ele deu ombros.
– Eu não quero me gabar não, mas foi sim.
Os três voltaram para o galpão, e checaram os adolescentes, a maioria estava viva.
– Gracie? – Jean-Luc a chamou. Os três estavam parados diante da moça, que parecia ter caído no sono. Estava anestesiada. Aos poucos, a moça foi abrindo os olhos. – Gracie, pode me ouvir? – a moça o olhou. – Oi, tá tudo bem, vai ficar tudo bem agora. – disse simpático.
– Hanson está bem. Eu falei com ele agora há pouco. – respondeu.
– Eu vi o Kevin, ele tá aqui.
– O Hanson me contou, eu o conheci.
– Como nos achou?
Jean-Luc pegou algo no bolso da calça e mostrou uma conchinha para Gracie, sorrindo.
– Você foi muito esperta, Gracie. – disse. – Salvou toda essa gente.
A moça assentiu e voltou a pegar no sono.
Os três se afastaram e ligaram para a policia, mas foram embora antes que chegassem.

No dia seguinte, no fim da tarde, após um dia inteiro se recuperando da madrugada.

– Pronta? – perguntou animada, saindo do banheiro, vestida com uma saída de praia preta básica, com aplicações na gola, calçando chinelos.
– Sim. – respondeu. Também estava com uma saída de praia azul claro, transparente e com listras, e com óculos escuros na cabeça.
Ambas usavam biquínis da mesma respectiva cor.
As duas saíram animadas e entraram no carro. logo notou o novo adereço no retrovisor central do carro. Era o colar que Jean-Luc havia dado a .
– Que diabos isso tá fazendo aqui? – perguntou com a sobrancelha erguida e olhou para a irmã, que segurava o riso.
– Eu não vou usar um colar de conchas.
– Mas você não vai deixar no meu carro.
– É só até eu colocar no meu.
– Hm, sei. – deu partida no carro. – Pra onde depois daqui?
– Casa, talvez os Winchesters nos encontre lá.
– Ah, tá, vão sim. – respondeu debochada.
balançou a cabeça. Na verdade, nem ela acreditava muito que eles iam até lá. Acontece que Sam vivia dizendo que iria até lá para vê-la, mas eles nunca iam.
Dirigiu por volta de meia hora até uma das praias da cidade. As duas desceram do carro e tiraram os sapatos. pegou sua câmera e uma caixa térmica. pegou duas toalhas e dois óculos escuros.
As duas se instalaram e assim que se sentou na toalha, se afastou, tirando algumas fotos. Continuou se afastando até que a perdesse de vista, mas a mais velha não se importou. estava com mania de fotógrafa e não tinha uma vez que ela não dava um perdido na praia, nem que fosse pra ficar sozinha por cinco minutos. Ela nunca entendeu muito bem por que, mas era um ritual pra irmã.
Colocou os óculos escuros e respirou fundo. Não era tão fã de praia como a irmã, mas assim como , gostava quando o clima ficava daquele jeito: Ensolarado, mas não tanto e fresco. Sem contar que não havia muita gente na praia. Era dia de semana e a movimentação era bem menor.
Estava mais afastada das pessoas, podia ouvir de longe as vozes, mas o mar e o vento falavam mais alto. Não podia negar, aquilo era bom.

não parava de tirar fotos. E não via a hora do pôr do sol começar para ela tirar ainda mais fotos.
Caminhou por longos minutos até que ficou sozinha. Via-se de longe algumas pessoas caminhando, mas não importava. Ela havia encontrado seu ponto. Se sentou na areia e deixou a câmera de lado.
Cruzou as pernas esticadas e sustentou o tronco com os punhos apoiados na areia macia. Ficou admirando o mar. Aquela imensidão azul a trazia uma paz que ela sabia que era incapaz de sentir se não tivesse ali, o admirando. Era tão lindo, misterioso e majestoso ao mesmo tempo em que era tranquilo e perigoso. Não precisava explicar por que adorava o mar. O mar por si só falava tudo.
Ficou admirando aquele vai e vem das águas por um tempo, pensando na vida e se lembrando de coisas do passado que valia a pena se lembrar. Sua vida não era de todo ruim, realmente. Teve uma noite de cão, mas estava ali agora, local que muita gente que levava a vida normal, era incapaz de ir e admirar como deveria ser feito.
Ela tinha muitos motivos para reclamar de ter escolhido a caçada a vida normal. Se perguntava onde estaria naquele momento, se tivesse continuado com o plano de seu pai.
estaria enfurnada num escritório, ela teria terminado a faculdade de história, mas teria iniciado outra logo após, já que queria ser arqueóloga. Provavelmente estaria num relacionamento serio, já que não teria se afundado em noitadas banais com caras que ela nem lembrava o nome mais, e seria feliz. Mas por outro lado, ela não teria a emoção de decapitar Geiers, salvar vidas, nem conheceria Bobby nem os Winchesters, contando com John, por que não? Todos foram colocados em sua vida de tal forma, que achava que foi trabalho do destino. E todos foram se tornando o motivo de ela achar que sua vida não poderia ser melhor.
Independente de sua decisão, foi uma boa escolha.
Depois de meditar, se lembrou que tinha uma irmã e se levantou, pegando a câmera e fazendo o caminho inverso. Tirou mais algumas fotos, já que o céu começava a mudar de cor, deixando uma aquarela indescritivelmente bonita a mercê dos meros mortais. Ela que seria louca se não eternizasse o momento.
Foi olhando ao redor até que achou ter visto alguém conhecido sentado solitário, admirando o mar com uma garrafa de cerveja na mão. Se aproximou mais e teve certeza que se tratava de Jean-Luc quando viu seu nariz.
O caçador estava sem camisa e com uma bermuda preta, com riscos abstratos roxos e verdes. Usava óculos escuros.
Sorriu e pegou sua câmera, tirando algumas fotos dele, até que se aproximou o suficiente para o mesmo perceber que estava sendo fotografado.
– E aí, ficaram boas? – ele perguntou. deu de ombros e entregou a câmera. Jean-luc começou a passar as fotos. – Nossa, meu nariz é horrível, como ninguém me falou isso antes?
começou a rir, fazendo o mesmo rir depois.
– É seu charme. – brincou.
– Tá me seguindo, é?
– É, eu faço bico de detetive e já vou adiantando, sua mulher não vai ficar muito feliz em saber pra onde você realmente vai quando diz que vai jogar futebol com os amigos.
– Quanto você quer pra apagar essas fotos?
– Um colar de conchas, ou pão com geleia e manteiga de amendoim. Eu escolho o sabor da geleia.
– Feito.
Ela sorriu e depois de alguns segundos, perguntou:
– Tá sozinho?
– Não, eu trouxe meus amigos imaginários Ralph e Spencer, eles disseram oi.
riu e balançou a cabeça.
– Para de brincar com isso, essas coisas existem, sabiam?
– Eu sei, quem disse que eu tô brincando? Eles realmente existem. – disse sério. Na mesma hora, arregalou os olhos, pasma. – Tô zoando. – ele disse rindo, fazendo rir aliviada. – Sua irmã tá aqui?
– Sim, mais a frente. Chegou agora?
– Cheguei. Quando vão embora?
– Amanhã cedo e talvez pra casa.
– Hm, que chique.
– Por quê? Você não tem casa?
Deu de ombros.
– Não sei se posso chamar assim. Talvez não.
– Quando é que você vai falar sobre você, hein?
Deu um meio sorriso.
– Quando você me falar sobre você.
– Ih, esquece.
– Esquecido. Quer cerveja?
– Depois... Quer se juntar a nós?
Ele a olhou com uma sobrancelha erguida.
– Por que, tá com pena de mim?
– Na verdade, eu tô sim. – fez graça. – Vem.
Jean-Luc tomou um gole de cerveja e se levantou, pegando uma toalha dobrada e a camiseta que usou para sentar em cima.
– Segura pra mim. – ele entregou a toalha e a camiseta para , sem tirar atenção da câmera. Ainda via as fotos. – Fotos muito boas. Fez algum curso?
– Eu não. Obrigada pelo elogio. Entende de fotografia?
– Não, mas sei quando uma foto é bonita.
sorriu e olhou para o horizonte. O pôr do sol estava começando.
– Ah, que lindo, vai começar. Vai ver o pôr do sol? – perguntou, mas não recebeu resposta.
Olhou para o lado e ao notar que Jean-Luc não estava mais ali, ela olhou para trás e viu o caçador tirando fotos da paisagem.
– Ah, que gracinha.
Jean-Luc virou a câmera para ela e começou a tirar fotos dela, que começou a rir sem-graça.
– Ah, para com isso. – ela pediu se aproximando. – Para, Jean-Luc. – tapou a lente e pegou a câmera.
– Como você é chata, ficaram ótimas.
– Aham, tá.
Os dois caminharam em silencio por alguns segundos até o rapaz dizer:
– Posso te fazer uma pergunta?
– Além dessa? Pode sim.
– Me desculpe se você se ofender. Por que você foi um pé no saco no começo?
o olhou com as sobrancelhas erguidas e depois sorriu.
– Eu sou chata assim mesmo. Não é nada pessoal, mas é meu jeito de agir com estranhos.
– Ah, eu não sou tão estranho assim. Nesse termo, porque eu confesso que sou meio esquisito.
Ela riu e respondeu:
– Bom, enquanto a gente não te conhecer direito, você é um estranho.
– Tudo bem, mas também não precisa me tratar daquele jeito. Nem rejeitar minhas piadas.
– Ok, eu vou tentar, mas não garanto nada. E me desculpe se fui tão ruim assim.
Ele assentiu sorrindo.
Continuaram andando e conversando até encontrarem , distraída com o celular. começou a fotografar a irmã e Jean-luc deu a volta e ficou de costas para a moça. focou na irmã e segurou o riso, sabendo exatamente o que o caçador faria. Ele se aproximou de lentamente e a assustou, fazendo pular de susto e gritar um "ai meu Deus, desesperada.", sem contar que seu celular caiu na areia.
efetuou disparos contínuos, registrando as caras de susto de e os risos de Jean-Luc. Aproximou-se dos dois aos risos, rindo ainda mais quando viu que o xingava com raiva.
– Você tá por trás disso, pilantra. – disse a irmã.
riu e se sentou.
– Foi mal, parecia uma boa ideia.
– Mas não foi, quase morri aqui.
, você caça monstros e demônios, seria vergonhoso se morresse por causa de um susto do Jean-Luc.
– Concordo. – o caçador disse, se sentando ao lado de . – Me desculpe.
fez um muxoxo.
– Tudo bem... Nossa, esse corte na sua cara vai demorar a sumir, hein.
Deu de ombros.
– Ossos do ofício.
– Vai embora hoje?
– Vou. Não quero estar aqui quando começarem a investigar a chacina na cabana.
– Somos os heróis.
– E quem é que vai ligar?
– É, tem razão. Sabe da Gracie e do Hanson?
– Não, imagino que estão bem.
– É, eu também.
Os três admiraram por algum tempo o pôr do sol, até que disse:
– É incrível, né?
– É. – os dois responderam juntos.
Continuaram admirando por mais alguns segundos, até que começaram a ficar tediados.
– Por quanto tempo a gente deve admirar? – perguntou.
– Não sei, acho que já tá bom. – respondeu.
– Ah, que bom. – Jean-Luc disse, se levantando. – Eu vou dar um mergulho. Quem quer vir?
As duas se entreolharam.
– Deve estar gelada. – disse.
– Tá com medo de morrer de pneumonia? Não ouviu o que sua irmã disse?
As duas se entreolharam novamente. acabou por sorrir e se levantar. Tirou a saída de praia e olhou para a irmã.
– Vem, , não sabemos quando poderemos pisar aqui novamente.
– Ah...
– “Ah” nada, vem logo. – pegou a irmã pelo braço e a puxou.
– Eu já disse que não.
olhou para Jean-Luc, como de pedisse ajuda.
– A irmã é sua. Fui. – e saiu correndo, em direção ao mar.
– Ah, vamos, , por favor.
– Ah, , tá escurecendo e o mar tá meio bravo.
riu.
– A gente não é doida de ir muito fundo. Vamos, só um pouquinho? – fez cara de pidona.
rolou os olhos e bufou. Sendo vencida pela insistência, tirou sua saída de praia.
comemorou animada e puxou a irmã, correndo até o mar.
As duas se juntaram a Jean-Luc e aproveitaram o clima de descontração para se divertir. Nem ligaram se a água estava gelada no começo.
Só queriam curtir o pôr do sol e aproveitar o pouco tempo de paz que estavam tendo.


Back in Time

3 semanas depois.

A poucos minutos de Sioux Falls, ligou para Sam. Como de costume, depois do trabalho, vinha a diversão. E diversão para eles significava se encontrarem. Mas diferente das ultimas vezes, agora eles estavam prestes a se encontrar em Sioux Falls, já que os irmãos haviam contado que Bobby havia sumido, e não atendia as ligações há dias.
– Tudo bem. – Disse toda sorridente ao telefone. – Até daqui a pouco. – Disse desligando o telefone em seguida.
– Eu não entendo essa sua necessidade de falar com ele de cinco em cinco minutos. – Comentou , enquanto dirigia.
– Para de ser exagerada. Eu nem falo tanto assim com ele.
– Ah, não? , a gente tá a poucos minutos de distancia e mesmo assim você arrumou uma desculpa pra ligar pra ele.
– Não liguei sem motivo. Eu só queria checar o hotel que eles estão, já que o Bobby não tá em casa.
– Isso não justifica.
– Ah, qual é? – Perguntou humorada.
– Qual é? Você não desgruda desse telefone. Sem falar que até marcaram um horário pra conversar durante o dia.
deu de ombros.
– Não é bem assim. E nós combinamos um horário pra facilitar. Não é por isso que nós deixamos de fazer o que temos que fazer.
– Ah, não? Engraçado você falar isso, porque eu tive a impressão de que essa coisa de horário é só desculpa.
– Como é que é?
– É isso mesmo.
– Eu? Eu nem ligo para ele no mesmo horário.
– Me poupe , você só deixa passar uns minutinhos pra saber se ele vai ligar pra você ou não. Ou você acha que eu não percebi o quanto você fica convencida quando ele te liga?
riu.
– Isso mostra que ele se preocupa.
– Tá, sei... Mas e aí, eles tiveram noticias?
– De quem?
, o Bobby.
– Ah, não sei. Desculpa, eu não perguntei e ele nem se tocou em falar.
suspirou e balançou a cabeça.
– Afinal o que vocês tanto conversam ao telefone?
– Quer deixar de ser curiosa? – Zombou. – Enfim, a gente já tá chegando, e aí nós ficaremos sabendo.
balançou a cabeça e pisou no acelerador.
Como dito, poucos minutos depois as duas chegaram ao hotel, e antes de irem ao quarto dos Winchesters, as duas se registraram.
– E aí, quer ir falar com eles agora? – Perguntou enquanto as duas caminhavam pelo corredor.
suspirou e balançou a cabeça.
– Não. Vamos pro quarto primeiro e depois falamos com eles.
– Tem certeza?
– Tenho.
– Tem mesmo? Eu achei que quisesse saber noticias do Bobby. Afinal, ele deu um chá de sumiço, né?
parou e olhou para a irmã, que parou de caminhar também.
– Pare de ser dissimulada!
– Do que você tá falando?
– Desse seu entusiasmo pra saber de noticias.
– Mas eu tô preocupada.
– Tá mesmo? Porque há pouco tempo você se esqueceu de perguntar por noticias. – sorriu, e rolou os olhos. – Olha, se você quiser ir lá vai, Ok?
– Tá tudo bem se eu for?
deu de ombros.
– Por mim...
– Valeu. – Disse entregando a mala para a irmã.
– Até.
Assim que a irmã se afastou, caminhou até a porta dos Winchesters e bateu. Parecia infantil a animação, mas fazia quase um mês que não se viam, e essa era a parte ruim de não caçarem mais juntos. Eles praticamente viveram juntos por um tempo, agora eles tinham que dar o seu jeito para se verem.
– Oi. – Falou sorridente assim que Sam abriu a porta.
– Oi. – Disse a abraçando. – Como foi a viagem?
– Longa, mas boa. – Disse ao se afastar.
– Imagino. – Disse dando espaço para ela passar.
Assim que entrou, notou o notebook ligado e alguns livros abertos.
– Trabalhando?
– Não, eu só estava passando o tempo.
sorriu.
– Sorte sua que eu cheguei. – Brincou.
Sam sorriu e abraçou mais uma vez.
– Pra você ver como fico depressivo quando você não tá por perto.
– Eu também senti a sua falta. – Disse lhe dando um selinho rápido e se afastando, deixando Sam com cara de paisagem. – O que foi?
– É só isso?
– Se contente... Além do mais teremos muito tempo. – Disse caminhando até a cama e se sentando.
Sam sorriu e se sentou a sua frente em uma cadeira.
– E aí, cadê o seu irmão?
– Ele saiu pra reabastecer a geladeira, mas já deve estar voltando. E a sua irmã?
– Ela foi se instalar antes de vir falar com vocês.
– Eu pensei que você fizesse questão de fazer isso.
– E eu faço, mas o que eu posso fazer? Estava morrendo de saudades.
Sam sorriu, e continuou:
– E aí, o que esteve fazendo?
– Nós estávamos atrás de alguns demônios, pra ganhar tempo até o Bobby ter novidades.
– Falando nele, por onde ele anda?
– Bem, a gente ainda... – e nesse momento a porta se abriu.
– Ô Sammy, eu acho que elas já... – Olhou para . – Ah, você já tá aqui. Que bom que não peguei vocês num momento constrangedor.
– Há-há. Tudo bem, Dean?
– Melhor impossível. – Falou caminhando até a geladeira e colocando algumas cervejas na mesma. – E vocês?
– Vamos bem também.
Dean assentiu, pegou três cervejas e caminhou até eles, entregando uma para cada.
– E a sua irmã? Te largou aqui e caiu fora?
rolou os olhos e tomou um gole de cerveja.
– Nunca. Ela mal pode esperar pra ver você.
Dean balançou a cabeça e caminhou até a cama.
– E aí, caçando muito?
– O de sempre: Um Polteirgeist no Texas, um ghoul em Nova York, um Geier, na Carolina do Sul.
– E o que é um Geier? – Perguntou Sam.
– São uns seres que estripam as pessoas pra retirar os seus órgãos, e sangue pra fazer medicamento.
– Como é? – Perguntou Dean.
– É nojento, eu sei. Mas no fim, eu, a e o Jean-Luc demos um jeito.
– Jean-Luc?
olhou para Sam, que pigarreou.
– Você não contou pra ele?
– Eu não tive oportunidade. – Disse com a expressão que conhecia bem.
Aquela expressão que dizia que ela havia falado demais.
– Ah. – Voltou a olhar para Dean. – Então, nós achamos que era um vampiro e fomos até lá, e o encontramos por um acaso.
– Ah. – Tomou mais um gole de cerveja. – Vai dizer que vocês ficaram amiguinhos agora.
– Não exagera. Por mais que ele seja um cara legal, nós não saímos por aí com qualquer um.
– Se você tá dizendo.
olhou para Sam, esperando que ele dissesse alguma coisa para acabar com aquele momento constrangedor, mas tudo o que ele fez foi dar de ombros.
Então, como sorte do destino, alguém bateu a porta. Já deduzindo que se tratava de , Sam a abriu.
– Espero que não esteja atrapalhando. – Falou humorada.
– Que nada. Entra aí. – Assim que entrou, ela olhou para a irmã e para Dean que se ajeitou na cama. – E aí, como vocês vão?
– Vamos bem. – Respondeu Dean.
assentiu e se sentou ao lado da irmã.
– E aí, noticias do Bobby?
– Por enquanto nada. – Respondeu Sam, se sentando no mesmo lugar que estava.
– Vocês já foram a casa dele?
– Já, mas estava tudo limpo. – Respondeu Dean. – Parece que ele não vai lá há dias.
– Rastrearam o celular dele?
– Foi o que eu pensei fazer, mas segundo o Dean seria muita invasão a privacidade dele.
olhou para Dean.
– Sério mesmo? Eu acho que isso é o que menos importa.
– O que que tem? Ele pode estar em qualquer lugar no momento.
– Por isso mesmo. Vocês não acham que alguma coisa tenha acontecido?
– Eu acho que não. Ele sabe se cuidar.
Mesmo não concordando, assentiu.
– E os presságios? Chegaram a alguma conclusão?
– Bem, pesquisamos e falamos com as pessoas, mas nada de estranho. – Falou Sam. – A não ser por uma história que ouvimos hoje no fim da tarde.
– E o que seria? – Perguntou .
– Estávamos almoçando quando ouvimos um casal contar a ultima nova. De acordo com eles, aconteceu um assassinato há três dias.
– E o que há de estranho nisso? – Perguntou , e Dean respondeu:
– Eles garantiram que o criminoso foi um homem que morreu há mais de cinco anos.
– Como é?
– Isso mesmo. Cometeram um assassinato em um trailer e o assassino é simplesmente um cara morto.
– Isso só pode ser brincadeira.
– Seria, mas havia testemunha e segundo a policia, a história confere.
– Isso parece...
– Loucura? É, eu sei.
– E qual é o plano de vocês? – Perguntou .
– Nós vamos atrás da testemunha amanhã.
– E enquanto isso...
– Vamos viver um dia de cada vez. – Falou sorrindo.
e se entreolharam e deram de ombros.
E foi isso que fizeram, os quatro passaram a maior parte da noite conversando, bebendo. E fazendo o que mais gostavam: Um monte de nada.

...

Na manhã seguinte, após levantar, foi até uma lanchonete. Em seguida voltou para o seu quarto, e encontrou sua irmã arrumando a cama.
– Se quiser arrumar a minha eu agradeço. – Brincou.
– Você e sua cama são duas coisas que eu já desisti na vida.
– Há-há, engraçadinha.
apenas sorriu e caminhou até a irmã, pegando um dos pacotes na mão da mesma em seguida.
– E aí, o que você pretende fazer hoje? – Perguntou se sentando em uma das cadeiras e tomando um gole de seu café.
– Eu? Nada.
– Sério? Porque eu achei que você tinha algum motivo pra vir pra cá.
– E eu tive.
– E...
apenas sorriu.
– Olha, eu sei aonde você quer chegar.
– Eu não quero chegar a lugar algum. Só tô inconformada que a gente enfrentou cinco horas de viagem, pra passar uma noite conversando e encarando as paredes.
– Não sei por que a surpresa. Você sabe que eu e ele estamos indo com calma.
– Sim, só não levei a palavra “calma” tão ao pé da letra.
– Eu só tô sendo cautelosa.
– Por quê? Você não confia nele?
– Não é que eu não confie. Só tô tendo cuidado pra você sabe...
– Não quebrar a cara?
– É, por aí.
, eu acho que ele se arrependeu demais pra voltar a fazer algo parecido.
– Eu sei, mas eu não falo isso só por causa da Ruby. Eu falo porque na primeira chance ele deu as costas pra gente só pra seguir fazendo o que achava certo.
– Mas convenhamos, o cara foi enganado.
– Mas ele teve a chance de escolher, e acabou fazendo o que não devia.
balançou a cabeça e se encostou mais a cadeira.
– Acho que tem gente aqui que guarda muito rancor.
– Não, eu não sou como você. Não é rancor, até porque a gente decidiu recomeçar... É só uma precaução.
pendeu a cabeça, e depois de alguns segundos pensativa, respondeu:
– É, faz sentido.
– É. Não faria sentido se você não concordasse comigo.
– O que você quer dizer com isso?
– De como você supera as coisas.
– Eu supero as coisas e muito bem.
– Não é o que parece.
– Você me vê tocando no assunto ou saindo por aí reclamando?
– Não.
– Então...
– Olha, eu não quero me meter na sua vida, mas eu achei que depois de um tempo você e ele... – Disse tentando tomar cuidado com as palavras.
– O quê?
– Não, deixa quieto.
– Não. Fala. – Insistiu mesmo sabendo que se arrependeria.
– Você não vai gostar.
– Você começou, agora termina.
suspirou e disparou:
– Você não acha que o passou, passou e vocês deveriam focar no que tá acontecendo e tentarem se acertar?
– Lá vem você com esse assunto.
– Ah. Qual é, ? A noite de ontem foi uma prova de que vocês poderiam superar o passado, até pareciam amigos. Sem falar que ele não gostou nem um pouquinho de saber que andamos, ou melhor, você andou de papo com o Jean-Luc.
– Pera aí, você contou para ele?
– Bem, não exatamente. Ele apenas perguntou o que andamos fazendo, e eu falei. Sem querer, deixei o nome do Jean-Luc escapar.
, você não presta.
– Ei, eu não fiz por querer. Eu só achei que o Sam havia falado pra ele. – balançou a cabeça. – Olha, o que interessa não é como ele soube, e sim como ele ficou. E depois de ontem, tá na cara que ele ainda gosta de você, e que o seu sentimento é reciproco.
– Será que a gente pode terminar o café em silencio? – Tentou desconversar.
– Não, e seria um grande passo de você parasse de evitar o assunto.
se levantou e caminhou até a pia da cozinha.
– Eu não quero falar sobre isso.
– Por quê? – permaneceu em silencio, e insistiu. – Você sabia que agindo assim me faz ter as minhas próprias conclusões?
– Como se o que eu falasse mudasse o que você pensa.
soltou um riso pelo nariz, e deu de ombros.
– É, não adiantaria. Mas pelo menos eu...
se virou e olhou para a irmã.
, dá pra trocar de assunto?
– Mas...
– Não, sério. Se você ainda quer continuar por aqui, então mude de assunto, por favor.
assentiu mesmo contra vontade, e as duas voltaram a tomar o café, dessa vez apenas com o som da TV. Mas antes que pudessem finalizar o café, alguém bateu na porta, e atendeu, se deparando com Sam.
– Oi. – disse simpático.
– Oi. – Respondeu, retribuindo o sorriso e lhe dando um selinho. – Tudo bem?
– Sim... Bem, não sei direito. O Castiel apareceu e... O Dean achou melhor que vocês também soubessem.
franziu o cenho.
– Soubessem do quê?
– Vamos até lá e a gente conversa.
assentiu, e depois de falar com a irmã, os três seguiram para o quarto dos irmãos. Ao entrarem encontraram Dean sentado em uma poltrona, sério, e Castiel fazendo um desenho sobre a mesa no outro canto do quarto.
– E aí, o que é de tão importante? – Perguntou .
Sam e Dean se entreolharam, e ali as duas sabiam que era algo muito sério.
– Castiel, por que você não conta pra elas o que você nos falou? – perguntou Dean, se levantando.
Castiel assentiu.

Flashback On

Anna caminhava por um galpão abandonado. Havia marcado um encontro com Dean quando o visitou em um sonho, mas ela soube que havia algo errado no instante em que as luzes começaram a piscar e as lâmpadas a quebrar.
– Oi, Anna. – disse Castiel.
– É isso? – Disse se virando para Castiel – Se eu não soubesse, até diria que os Winchesters não confiam em mim.
– Eles confiam, eu não... Não deixei que viessem.
– Por que isso?
– Se você saiu da prisão é porque eles deixaram. – respondeu andando e a observando. – E te mandaram aqui para fazer um trabalho sujo.
– E por que você tem tanta certeza?
– Porque eu conheço a persuasão celestial.
– Como quando você me entregou a eles?
– Isso foi um erro. – Castiel a olhou, ele havia realmente se arrependido. – Mas seja o que for...
– Eles não me soltaram! Eu escapei.
– Ninguém escapa.
– Depois de tantos séculos você vai me subestimar agora?
– Se não é um deles, o que você quer?
– Eu quero ajuda-lo.
– Quer ajudar? – Perguntou desconfiado.
– Eu quero.
– Então por que está com uma faca?
Anna olhou para Castiel e pegou a faca que estava em sua cintura.
– Eu não posso me defender?
– Se defender de quem? Essa faca não funciona contra anjos, ela não é como essa aqui. – Disse pegando a própria faca. – Pode ser que não trabalhe para o céu, mas está escondendo alguma coisa.
Anna tentou pensar em alguma coisa, mas Castiel estava certo, ela escondia algo.
– Sam Winchester tem que morrer!... Desculpe, mas não temos mais opção. Ele é a casca de Lúcifer. E você sabe como é se Lúcifer não tiver a casca, o plano dele vai para o brégio.
– Mesmo se você o matasse, Lúcifer o ressuscitaria.
– Não se eu espalhar cada célula dele por este mundo. Ninguém nunca vai acha-lo, não inteiro.
– Acharemos outro jeito.
– Se quer que o diabo pare, vai ter que ser assim!
– A resposta é não. Sam é meu amigo.
Anna o analisou.
– Você mudou.
– Talvez tarde demais, mas mudei... Anna, nós dois passamos por muitas coisas juntos, mas se passar perto de Sam, eu vou te matar.

Flashback Off

– A Anna? – perguntou indignada, olhando para Sam que parecia longe, enquanto Castiel voltava a fazer o desenho sobre a mesa.
– Sabia que ela não prestava. – completou , se sentando em uma das camas.
– Nem imagino o que ela faria se caso eu tivesse ido ao encontro dela. – Comentou Dean.
– Caramba, eu nunca pensei que ela fosse capaz de chegar a esse ponto. E toda aquela cena de anjo-desamparado-pós-queda?
– Pelo visto era só fachada. – rendeu a irmã.
– Hum. Ela é tipo a Glenn Close em Atração Fatal. – Dean comentou.
– Quem é Glenn Close? – perguntou Castiel.
– É uma doida que gosta de escaldar coelhos.
– Ah.
olhou para Sam, que ainda parecia longe.
– Sam? Tá tudo bem?
– Está.
– Tem certeza?
– Tenho, é que... – Sam desviou o olhar para Castiel. – O plano de me matar impediria o satã?
– Que papo é esse, Sam? – Perguntou , indignada. – Você não tá pensando em considerar isso, tá?
Sam a olhou.
– Olha, isso pode ser uma chance.
apenas suspirou e se afastou.
– Sam... – Falou Dean.
Sam voltou a olhar para Castiel, que também o olhava.
– O que acha, Castiel? A Anna tem razão?
– Não!... Ela é uma Glenn Close. – Disse voltando ao desenho sobre a mesa.
Sam apenas assentiu. Depois de longos segundos em silencio, perguntou:
– O que você tanto desenha aí, Castiel?
– É um feitiço.
– Pra...?
– Rastrear a Anna.
– Pera aí. Vocês estão procurando a garota que quer matar o Sam? Pra quê? – Perguntou ainda mais indignada.
– Anna deixou bem claro que não vai desistir de acabar com o Sam. Temos que matá-la. – Respondeu Castiel, pegando uma travessa de ferro.
– Só pode ser brincadeira, né? Vocês estão levando mesmo isso a sério?
– Olha, nós não temos muitas opções. – Respondeu Sam.
– Então o seu ato de suicídio vai ser levado em consideração?
Sam apenas abaixou a cabeça, e Dean se envolveu.
– Olha, ninguém vai se sacrificar aqui não. Vamos manter a calma, e achar outra saída, ok?
Os quatro ficaram em silencio, apenas observando Castiel, que por fim terminou o desenho. Em seguida, ele colocou alguns ingredientes na tigela, e falou algumas palavras em Enochiano. Logo uma chama se acendeu, fazendo-o dar uns passos para trás.
Dean e Sam se olharam não sabendo o que estava acontecendo. Castiel respirava ofegante e estava apoiado em uma cadeira.
– Está tudo bem? – perguntou Sam, se aproximando com o irmão.
e permaneceram olhando.
– Achei – disse Castiel.
– E onde ela está? – Perguntou Dean.
– Onde não, quando... Ela está em 1978.
– O quê? – perguntou Sam, surpreso. – Por quê? Nós não éramos nem nascidos.
– E nem nascerá se ela alcançar os seus pais.
– Como é? – Perguntou .
– Ela não pode chegar até o Sam por minha causa. – Respondeu Castiel. – Então ela vai atrás dos pais deles.
– Então leve a gente até lá. – Falou Dean decidido.
– E fazer vocês dois correrem risco de vida? Eu vou sozinho.
– São nossos pais, nós vamos!
– Não é tão fácil assim.
– E por que não? – perguntou Sam.
– Viajar no tempo é difícil até se eu tivesse os poderes do céu a minha disposição.
– Mas você foi expulso. – concluiu .
– Você é um Delorean com pouco Plutônio... – Concordou Dean, se referindo a De Volta Para o Futuro.
Castiel o olhou.
– Eu não entendo essa referencia... Mas estou dizendo que esta viagem com passageiros vai me enfraquecer.
– Mas são nossos pais. Se pudermos salvá-los e não só da Anna, e se pudermos corrigir as coisas? Nós temos que ir.
Castiel não tinha como negar, era sobre a família deles e mesmo que aquilo pudesse detoná-lo, ele tentaria por eles.
– Ok.
– Pera aí, achei que a gente tivesse um caso aqui. – disse .
– Eu acho que temos um problema maior aqui pra resolver. – Respondeu Dean.
– Ok, só pra constar: Vocês vão nos deixar aqui sozinhas?
– Se isso não for um problema.
– Não, tudo bem. Vão lá e façam o que tem que fazer. Nós cobrimos vocês aqui. – Falou sarcástica.
– É assim que se fala. – Respondeu devolvendo o sarcasmo.
rolou os olhos, e disse:
– Bem, enquanto vocês se arrumam, eu vou até o quarto ver se descubro mais alguma coisa. – Olhou para . – Você vem?
assentiu, e as duas saíram.
– Eu não acredito que o Sam considerou mesmo aquela ideia absurda. – Falou nervosa, entrando no quarto e se sentando na cama.
caminhou até a mesa, pegou o notebook e se sentou na outra cama.
– Ah, você sabe como ele é.
– É, eu sei. E o conheço muito bem pra saber que ele não se importaria de chegar a esse ponto pra salvar todo mundo.
– E por causa disso você tá com raiva?
– E não é motivo suficiente não?
suspirou e olhou para o computador.
– Mas você não faria o mesmo?
, esse não é o caso.
– Ah, não? Então me explica o motivo pra você estar assim, porque eu ainda não entendi.
Após alguns segundos pensativa, respondeu.
– A questão aqui não é só o sacrifício, mas é o fato de ele sempre se colocar nesse tipo de situação.
– De querer salvar o dia?
– Não. De sempre achar que ele é o centro do problema.
– Talvez porque ele seja.
, isso não ajuda em nada.
a olhou.
– Olha, eu não tô falando isso porque ele abriu a porta e estendeu o tapete vermelho pra Lúcifer passar e caminhar pela Terra. Mas se coloque no lugar dele. Eu acho que é um fardo muito pesado pra ele e o irmão ser a casca dos dois e não saber como impedir o caos do século. – apenas suspirou, e continuou. – Não se preocupe , os dois são grandinhos e sabem o que é melhor. Por mais que eles queiram acabar com tudo isso e salvar o mundo, eles vão fazer o que for sensato.
– Mesmo que pra gente seja idiotice?
– Bem, nós não temos o poder de mudar a mente de ninguém.
apenas assentiu, e pelo olhar dela, pode perceber a preocupação que ela sentia. E ela sabia que não havia palavras que pudessem ser reconfortantes, a não ser, ser realista.
, nós não podemos fazer nada a não ser apenas aceitar as escolhas deles.
– É, eu sei. – Disse se levantando e indo ao banheiro em seguida.
E apesar de estar se fazendo de forte por fora, não podia deixar de se preocupar. Não apenas com Sam, mas com Dean.

...

Algumas horas mais tarde, as irmãs foram até o quarto dos Winchesters que já estavam prontos. Decidida a dar privacidade para a irmã e Sam conversarem, caminhou até Dean, que apenas terminava de checar as armas de uma das malas, que estava sobre uma cama.
– Tem certeza que não tem outro jeito? – Perguntou se sentando na cama.
– Não tem outra saída. Só espero que não precise chegar ao ponto de... Você sabe.
– Você não acha que o Sam...?
– Não sei. Mas se ele estiver com essa intenção, eu vou impedir.
pode perceber certa preocupação em sua voz, então ela assentiu e decidiu mudar de assunto.
– E aí, ansioso pra reencontrar os seus pais?
– Eu não sei se ansioso é a palavra certa.
– Acredito que sua mente deve estar a mil.
– É.
– Você já sabe com vai chegar neles? Já que pelo que você contou, eu imagino que sua mãe não deva ter boas lembranças de você.
– Eu não faço ideia de como me aproximar, mas o Castiel vai estar lá e a gente dá um jeito.
– Eu sei, você sempre dá o seu jeito.
– Espero que isso seja um elogio.
– Aí já é com você. Interprete da maneira que quiser.
– Hum. – Disse com um sorriso de canto, pegando a mala e olhando para o irmão em seguida. – Ei, já tá na hora.
Sam apenas assentiu, pediu mais um tempo e voltou a olhar para .
– Olha, você não precisa se preocupar. Eu já disse que aquilo foi apenas uma duvida. E você mesma viu que o Castiel não pensa do mesmo jeito.
– Tá, mas isso não impede de ela tentar alguma coisa.
– Eu sei que não posso garantir nada, mas eu vou tomar cuidado, ok?
– Promete?
– Claro. E eu não estarei sozinho.
– E é isso que me tranquiliza... Sério, Sam, por favor, não vá fazer nenhuma besteira. Nós começamos a nos entender há pouco tempo, e eu não tô nem um pouco afim de te perder de novo.
– Você não vai me perder, e sabe por quê? Porque mal posso esperar pra voltar pra você.
sorriu.
– Isso soou tão Nicholas Sparks. Você anda lendo meus livros?
Sam sorriu.
– Tentei dizer algo impactante, mas não rolou, né?
– O que vale é a intenção.
Sam voltou a sorrir, e a abraçou.
Não temos o dia inteiro! – Falou, ou melhor, berrou Dean.
– Até mais tarde. – Falou Sam se afastando.
– Até. – Disse lhe dando um selinho rápido.
Logo, os dois pegaram as malas, e se aproximaram de Castiel.
– Bem, boa sorte pra vocês. – Disse Dean com um fraco sorriso, para as irmãs.
– Pra vocês também. – respondeu.
– Prontos? – Perguntou Castiel aos irmãos.
– Mais ou menos. – Respondeu Sam.
– Deixa de ser frouxo. – Reprendeu Dean, antes de Castiel encostar o dedo na testa de ambos e desaparecerem.
– Será que funcionou? – Perguntou para .
– Eu acho que sim... Só espero que tudo corra bem.
– E vai, você vai ver... E você tá pronta? Porque temos muito trabalho pela frente.
– Vamos lá. – Disse acompanhando a irmã até o quarto que dividiam.

Lawrence, Kansas.
1978.

Quando Dean e Sam abriram os olhos, eles estavam em um lugar diferente. Era uma cidadezinha no estilo dos anos 70.
– E aí, será que conseguimos? – Perguntou Sam, olhando a sua volta.
Dean também olhava.
– A menos que voltaram a fabricar o Ford Pinto, eu acho que sim.
Os dois saíram do meio da rua e caminharam até a calçada, onde viram Castiel sentado no chão, encostado em um carro, não parecendo nada bem.
– Castiel?... – Disseram os dois juntos, indo em direção ao anjo.
Castiel estava desnorteado e com sangue escorrendo por uma de suas narinas.
– Calma, calma, você vai ficar bem. – Disse Dean, o segurando em seu braço.
– Eu estou bem. – Disse Castiel com dificuldade. – Muito melhor do que eu esperava.
Dean e Sam ajudaram Castiel, que tentava se levantar, mas logo ele se sentou novamente, tossindo sangue antes de desmaiar.
– Castiel? – Disse Sam colocando a mão à frente do nariz dele. – Ele está respirando, pouco, mas está. O que faremos agora?
Assim que chagaram a conclusão de que seria melhor deixar o anjo descansando, Dean o carregou até um hotel, enquanto Sam procurava pelos pais na lista telefônica.
– Ei. – Disse Dean, ao se aproximar do irmão. – Eu paguei cinco noites para o Castiel na suíte de lua de mel, e disse ao gerente pra não perturbá-lo, e sabe o que ele disse pra mim? “Na boa, você quer um baseado?”... Um baseado? A gente deveria ficar aqui e comprar umas ações da Microsoft.
– É, e talvez a gente fique se o Castiel não melhorar. Ele tá bem?
– E eu tenho cara de doutor de anjos? Ele é durão e eu sei que ele ficará bem.
– Então se ele aterrissou avariado, a Anna também. Vamos ganhar algum tempo.
– Vamos procura-los?
– É. Já peguei o endereço. – Disse mostrando um papel. – Winchesters, rua: Robin Tree, 485.
– Então, vamos achar os coroas.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

Depois de algumas horas pesquisando, e encontraram uma pista. As duas haviam localizado uma das testemunhas, e segundo informações de onde encontra-lo, elas foram até a lanchonete no centro da cidade.
– Senhor Wells? – Perguntou , assim que chegaram à lanchonete e o identificaram.
O homem estava sentado em uma mesa.
– Sou eu mesmo. Algum problema? – Perguntou surpreso.
– Nenhum. – Disse pegando o distintivo e o mostrando em seguida. – Somos do FBI e temos algumas perguntas pra fazer.
O homem assentiu e as duas se sentaram.
– Então, senhor Wells. Por que não conta o que aconteceu em suas palavras?
– Me chamem de coveiro.
– Coveiro? – Perguntou, o cara assentiu e riu. – Quem te deu esse nome?
– Eu dei.
– Você mesmo inventou o seu apelido? Não pode fazer isso.
– E quem disse que eu não posso?
– Tá legal, então – interrompeu. – Por que não conta pra gente o que viu?
– Eu vi Clay Thompson entrar no trailer de Benny Sutton pela janela. Uns minutos depois, Clay saiu e Benny sumiu.
– E foi esse cara que viu? – perguntou , mostrando uma foto da carteira de motorista do Clay.
O homem assentiu.
– Ele estava coberto de lama, mas eu sei. É o Clay.
– Você sabe que Clay Thompson morreu há cinco anos? – Perguntou .
– Sei.
– E tem certeza de que era esse?
– Estão me chamando de mentiroso?
– Mas é claro que não. – Disse , sarcástica, e a cutucou antes de falar:
– Olha, você sabe de algum motivo pra Clay Thompson – vivo ou morto – querer matar Benny?
– Claro que sim. Há cinco anos, Benny matou Clay, e isso é só pra começar.
– E isso é fato?
– Pois é. O chamado “acidente de caça”. Em minha opinião, Clay voltou dos mortos pra se vingar.
e se entreolharam.
– Continue...
O Coveiro assentiu, mas antes de continuar o assunto, ele se ajeitou na cadeira e falou:
– Atenção, justiça na área.
– Oi? – Perguntou , desentendida.
– Coveiro? – Disse uma mulher se aproximando.
– Xerife. – Falou em forma de cumprimento.
A xerife assentiu e olhou para as irmãs, que estavam alheias.
– Senhoritas, sou a xerife Mills... Não nos conhecemos.
– Agente Lerman e agente Scott. – Se apresentou , mostrando o distintivo. – Somos do FBI.
– Bem-vindas a Sioux Falls. Posso saber o que querem do Coveiro aqui?
– Ora, é o trabalho delas. – Respondeu ele. – E acreditam em mim, Xerife.
A xerife olhou para as duas.
– O FBI acredita que um morto cometeu um homicídio?
– Bem, se a senhora fala com tanto desdém é porque já tem uma pista de quem possa ser o assassino, não é? – Perguntou .
A xerife a olhou e franziu o cenho.
– Qual é a jurisdição de vocês?
– Nossa jurisdição é onde o governo dos Estados Unidos nos mandar.
– Ah, tá. – Se aproximou. – E que tal se eu e seu supervisor termos uma conversinha?
– Claro. – Disse com um sorriso cínico e entregou um cartão. Sabia que Bobby podia não estar em casa, mas tinha que arriscar.
Assim que pegou o cartão, a xerife fez a ligação.
– Agente Willis, aqui é a xerife Mills e... Bobby?... Não é Bobby Singer?... Ah, tá. – Disse desligando o celular e voltando a atenção para as duas. – FBI, é?
– Ah, você conhece Bobby Singer? – Perguntou , sem graça.
– Isso é muita coincidência. – Disse soltando um riso, que logo sumiu quando a xerife a olhou com cara de poucos amigos.
– Olha, tudo o que eu sei, é que ele é uma ameaça por aqui. Sofre de bebedeiras, faz desordem e fraude postal. Estão entendendo?
– Acho que nós concordamos que você foi perfeitamente clara, não é ?
– É, com certeza. – Reforçou , e a xerife continuou:
– Seja o que for que estiverem planejando, acaba por aqui. Agora! Vocês captaram, agentes?
– Sim. – Disseram as duas, se levantando e se retirando da lanchonete.
– Essa foi por pouco. – Disse caminhando, até o carro.
– Né? Pelo visto o Bobby tem fama aqui.
As duas entraram no carro.
– É, e se ele atendeu o telefone, significa que ele voltou.
– Quer ir lá ver o que aconteceu?
– É, eu acho que nada de interrogatório por enquanto. – Disse, ligando o carro e olhando pelo retrovisor, do qual notou a xerife saindo da lanchonete e observando o veiculo.

Lawrence, Kansas.
1978.

Assim que conseguiram o endereço e roubaram um carro, Dean e Sam seguiram para a casa dos pais.
– Dean, a Anna pode chegar a qualquer momento. – Falou Sam, assim que desceu do carro.
– Nós vamos chegar lá e dizer o que a eles?
Sam deu de ombros.
– A verdade.
– O quê? Que os filhos deles voltaram do futuro pra salvá-los de um anjo exterminador? Fala sério!
– Vamos dizer que os demônios estão atrás deles. Ela acha que você é caçador, não é? – Perguntou se referindo à primeira vez que Dean voltou no tempo e reencontrou os pais.
– É... Um caçador que desapareceu quando o pai dela morreu. Ela vai me adorar... – ele pensou por um tempo. – Apenas faça o que eu fizer.
Os dois caminharam até a casa, e Dean e tocou a campainha. Poucos segundos depois, Mary abriu a porta.
– Oi, Mary.
Depois de alguns segundos o encarando surpresa, respondeu:
– Você não pode vir aqui.
– Desculpe, a hora é ruim.
Mary se certificou que ninguém mais a ouvia, e disse:
– Você não entende. Eu não sou mais caçadora. Agora levo uma vida normal, e você tem que ir. – finalizou fechando a porta, mas Dean a impediu.
– Desculpa, mas é importante.
Neste momento, John se aproximou.
– Oi. – Disse curioso, olhando para Mary. – Quem são?
– Desculpe querido, eles são...
– Nós somos primos da Mary. – Dean se adiantou. – Não podíamos passar pela cidade sem fazer uma visita né. Eu sou, Dean. – disse estendendo a mão.
John o olhou, agora com a expressão de confuso.
– Você parece familiar.
– É? Você também parece, sabia? – Disfarçou. – A gente já deve ter se visto. Cidade pequena é legal por isso, né?
John apenas sorriu e se apresentou a Sam, que ainda não havia falado nada. Ele estava emocionado e em choque ao ver seus pais ali parados na sua frente.
– Esse é o Sam. – Falou Dean, percebendo que Sam não conseguia falar.
– Sam? – John repetiu surpreso. – O pai da Mary também era Sam.
– É nome de família.
John assentiu e olhou pra Sam, que ainda continuava em choque.
– Tudo bem, cara? Você tá meio estranho...
– Ah... Eu estou... É que a viagem que foi meio cansativa.
– É. – Falou Mary. – E por isso eles já estavam de saída.
– O quê? Eles chegaram agora. – Falou John, voltando a atenção para os dois. – É bom conhecer gente da família da Mary, por favor, vamos tomar uma cerveja.
– Já que insiste. – Falou Dean, simpático.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

Assim que deixaram a lanchonete, as duas seguiram para a casa de Bobby, e assim que o caçador abriu a porta, disse:
– Até que fim decidiu dar as caras, hein? – e entrou acompanhada da irmã.
Os três seguiram até o escritório.
– Achei que vocês estivessem em Kentucky. – Falou Bobby.
– Estávamos até recebermos a ligação dos Winchesters sobre um possível caso por aqui.
– E onde eles estão?
– Em outro caso agora... Mas e você? A gente ligou um monte de vezes, você sabia? O que você esteve fazendo?
– Cuidando da minha vida. – Respondeu.
– Ah, que bom, né? Pelo visto você teve bastante tempo pra isso. – Disse o medindo de cima a baixo. – Até parece que você acabou de sair de Spa.
– Do que você tá falando?
– De você: limpo, com a barba feita, cabelo arrumado, perfumado.
– Sem falar da casa limpa. – Disse , passando o dedo sobre a mesa de Bobby. – Ah, qual é, Bobby? Tá querendo impressionar alguém?
– O que vocês querem? – Perguntou desconversando.
olhou para .
– Hum, não sei não. Mas eu acho que alguém aqui arrumou uma namorada.
riu e olhou para Bobby.
– E aí, quando vamos conhecer a nova senhora Singer? – Brincou.
Bobby rolou os olhos.
– Vocês não tem o que fazer não?
– Bobby, fala sério. – Insistiu . – Aonde o senhor andava? Imagino que muito ocupado, pra não atender nenhuma de nossas ligações.
– Eu estava trabalhando. Tentando achar um jeito de acabar com o diabo.
– E achou alguma coisa? – perguntou .
– O que você acha?
– Bobby, é que tem um caso a cinco quilômetros de sua casa.
– O quê? O lance de Benny Sutton? É esse o problema?
e se entreolharam.
– Você já sabia? – Perguntou .
– Pois é. Eu já verifiquei, e não tem nada lá.
– Como nada? Temos uma testemunha que garante ter visto um morto cometer homicídio.
– Que testemunha? O coveiro Wells?
– É.
Bobby balançou a cabeça, e ao perceber que ele não responderia, reforçou.
– E então?
– Ele é um bêbado!
– Mas as tempestades de raios? Os Winchesters estavam certos de que estava rolando alguma coisa aqui, e convenhamos, parecem presságios.
– Fevereiro é mês de tempestade em Dakota do Sul. – Falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo. – Meninas, eu também achei que tinha coisa, mas às vezes a fumaça é só fumaça, entendem?
– Tá, e quem matou o cara? – Perguntou .
Bobby deu de ombros.
– Pode escolher, Benny Sutton era um filho da mãe. Tem uma lista imensa de vivos que gostariam de matá-lo.
– Então é isso?
– Desculpe. Parece que vocês gastaram gasolina a toa desta vez.
– Ótimo. – olhou para . – Quando encontrarmos o Dean e o irmão dele de novo, me lembre de cobrar o dinheiro da gasolina.
– Afinal, onde eles estão?
A caçadora mais jovem se deu ao trabalho de contar o ocorrido, e como as duas não tinham mais nada para fazer, os três colocaram o papo em dia, ou foi o que as irmãs tentaram fazer, já que Bobby disse que o dia havia sido estressante e ele tinha muito trabalho para fazer.
– Você tá expulsando a gente? – Perguntou , fingindo indignação.
– Não é nada disso. Mas se queremos acabar com o apocalipse, alguém tem que trabalhar.
As duas voltaram a sorrir.
– É isso mesmo ou é apenas uma desculpa pra nos botar pra correr?
– E por que eu faria isso?
– Não sei, me diz você. Tá esperando alguém?
– Não é nada disso.
– Tudo bem, Bobby. Pode falar, nós não vamos te julgar. – Falou .
– Vocês duas querem dar o fora da minha casa?
As duas riram e caminharam até a saída do cômodo.
– Tudo bem. Não se preocupe, nós não vamos mais atrapalhar o seu encontro. – Falou , não contendo o riso ao ouvir o caçador resmungar algo.
– E aí, o que vamos fazer? – Perguntou , assim que as duas deixaram a casa.
deu de ombros.
– Quer ficar aqui e descobrir quem é a nova dona do coração do Bobby?
– Você não acha que a gente tá crescida demais pra isso não?
– Não.
balançou a cabeça, contendo o riso.
– É muito tentadora a sua proposta, mas vamos dar privacidade ao mais novo casal, ok? Além do mais, nós temos que voltar pro hotel e esperar pelos Winchesters.
soltou um muxoxo.
– É né, fazer o quê? – Falou entrando no carro. E em poucos segundos, as duas seguiram o seu caminho.

Lawrence, Kansas.
1978.

Assim que se acomodaram na sala, Mary serviu as cervejas e se juntou aos três. Mas, para Sam, as coisas não pareciam tão fáceis. E ele tinha os seus motivos.
Quem diria que um dia ele viveria aquilo?
– Você está bem mesmo, Sam? – Perguntou John, reparando o jeito que Sam olhava para Mary.
– Estou sim, é só que... – Tentou dizer, mas naquele momento ele estava literalmente sem palavras.
– Não vemos Mary há muito tempo. – Dean tentou ajudar. – Ela ficou muito parecida com a nossa mãe, até chega a ser surreal.
– E o que vocês vieram fazer na cidade? – Perguntou John.
– Ah, negócios, sabe como é.
– Ah é, e do que trabalham?
– Bombeiros.
– Oh, meu Deus, são quase sete! – Disse Mary, se levantando. Era visível o incomodo dela. – E odeio ser rude, mas tenho que fazer o jantar.
– Talvez eles possam ficar. – Sugeriu John.
– Eu acho que eles precisam ir.
Dean e Sam se entreolharam, mas antes que pudessem dizer qualquer coisa, o telefone tocou e John saiu até a cozinha para atender.
– Vocês tem que ir agora! – Falou Mary.
– Tudo bem. Escute... – Dean tentou dizer, mas Mary o interrompeu.
– Não, escute você. Da ultima vez que eu vi você, um demônio matou meus pais, agora você aparece como se fosse da família? Seja lá o que você quer, a resposta é não. Me deixe em paz!
– Você e John correm perigo. – Disse Sam, de repente.
– Do que você tá falando?
– Uma coisa vem pegar vocês. – Falou Dean.
– Demônio?
– Não exatamente.
– O que é então?
– É meio difícil de explicar, está bem?
Mas Sam decidiu ser mais sincero e respondeu:
– Um anjo.
– O quê?– Perguntou confusa. – Isso não existe.
– Eu queria acreditar nisso, mas eles são duas vezes mais fortes que o demônio. – Falou Dean.
– Por que um anjo quer nos matar?
– É uma longa historia. Vamos contar tudo a você, mas agora tem que confiar em nós, mas temos que ir agora... – Mary apenas o olhava espantada. – Olha, você pode olhar na minha cara e dizer se eu estou mentindo.
Mary sabia que ele não estava mentindo, o nervosismo e o desespero dele estavam estampados.
– Tudo bem. Pra onde vamos?
– Sair daqui. Mas tem que ser agora. – Disse Sam.
Mary assentiu e se retirou até a cozinha chamando por John, mas ele não respondeu. Então, os três foram até lá e viram um bilhete dele dizendo que voltava em quinze minutos.
E os irmãos não tiveram outra escolha a não ser ir atrás e torcerem para encontra-lo a tempo.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

Enquanto dirigia, tentou ligar para o celular de Sam na esperança de ele e o irmão já terem voltado.
– Você não acha que é meio cedo pra eles voltarem não?
desligou o celular e o guardou.
– Eu sei, mas não consigo deixar de pensar no que tá acontecendo.
– Calma , o desespero não vai te ajudar em nada num momento como esse.
– Eu sei, mas eu não consigo parar de me preocupar. Eles estão com os pais, e sabendo como ambos são, eles irão fazer de tudo pra salvá-los.
– E? Eu achei que essa era a razão de eles terem voltado ao passado.
– Eu sei, mas o Castiel deixou bem claro. A Anna não vai parar até conseguir o que ela quer.
– Eu sei, mas o Castiel também disse que não deixaria que nada acontecesse. Ele tá lá, e eu te garanto que o Dean vai se desdobrar em cinco pra não deixar nada acontecer.
– É, você tem razão.
– Eu sempre tenho. – Disse franzindo o cenho ao passar por uma placa, indicando o cemitério a poucos metros à frente. Então ela parou o carro, pensativa.
– O que foi?
– Não é o cemitério ali? – perguntou olhando para trás. fez o mesmo
– É, e o que que tem?
– Bem, se a gente quer saber o que tá acontecendo nessa cidade, a gente deveria dar uma verificada.
– Mas o Bobby já verificou, e disse com todas as letras que nós perdemos nosso tempo vindo pra cá.
– E daí? O Bobby nunca erra? Vamos olhar e depois a gente pode voltar pro hotel. Que mal tem?
olhou para a irmã. Ela sabia que não desistiria fácil, então decidiu descer do carro e acompanhá-la.
Depois de pegarem algumas pás, as duas seguiram pelo cemitério. Era noite e a escuridão fazia aquele lugar parecer mais assustador.
– Eu não sei por que estamos fazendo isso. – Falou acompanhando a irmã.
– Os sinais de presságios estavam claros e os Winchesters não viriam aqui à toa. E algo me diz que tem alguma coisa acontecendo...
– E por quê? O Bobby já...
– Eu sei e eu insisto que ele tá errado. O cara tá velho, a cabeça já não bate bem. Você viu, ele sumiu do nada e nem se preocupou em dar noticias.
– E? Talvez ele queira manter a vida dele em privacidade.
parou e olhou para a irmã.
– E? , o Bobby desapareceu e, de repente, voltou restaurado. Nem a gente tira um tempo pra dar uma recauchutada.
– Ah, quer ver que ele encontrou alguém e não quis nos contar.
– Pode ser, mas eu não posso confiar no que ele diz. Ele já passou da meia idade, e todos sabemos que os velhos ficam equivocados.
riu.
– Se ele te ouvisse falar isso, ele faria você engolir todas as suas palavras.
– Queria ver ele tentar.
riu, e acompanhou a irmã até chegarem ao tumulo de Clay Thompson.
– Parece recente, né? – Perguntou , reparando na terra mexida.
– É, parece mesmo. E agora?
– Agora você cava.
franziu o cenho.
– Por que eu?
– Porque você duvidou que tivesse algo acontecendo.
– E?
– Eu estava certa e você estava errada.
olhou para e revirou os olhos, sabia que ia sobrar para ela. Começou a cavar e o tempo passou rápido demais para ela e devagar demais para , que só estava sentada, fazendo nada.
– Ai que nojo. – Disse abrindo mais o buraco. – Isso não acaba nunca?
– Eu acho que você deve cavar mais.
– Serio? Nem percebi isso. – Disse parando e olhando para , que estava agachada de boa. – Acho que você poderia ajudar pelo menos.
– Não, eu tô bem.
voltou a cavar e não demorou muito para bater a pá no caixão. pegou a lanterna e iluminou o caixão assim que o abriu com a pá. As duas olharam e perceberam que não havia nenhum corpo ali.
– O que tá acontecendo aqui? – Perguntou .
– Não sei não, mas não cheira bem.

Lawrence, Kansas.
1978.

Assim que chegaram ao galpão onde John trabalhava, os três o encontraram sendo atacado por Anna. Dean aproveitou a distração do anjo, e tentou atingi-la com a faca que mata anjos, mas Anna se virou e o segurou pelo pescoço.
– Não posso dizer que é bom ver você, Anna.
– Digo o mesmo. – Disse antes de joga-lo longe.
Mary pegou a faca que Dean deixou cair e a atacou. Anna se desviou de todos os golpes e jogou Mary para cima de um carro. Mary se levantou e enfiou um pé de cabra em Anna, mas a mesma o tirou como se não fosse nada.
– Não é tão fácil matar um anjo.
Mary apenas a olhou assustada.
– Não. – Falou Sam, que estava do outro lado da sala. Anna o olhou e viu que ele tinha feito um símbolo com sangue na parede. – Mas podemos distrai-lo. – Completou antes de tocar o símbolo e Anna desaparecer.

...

Assim que os quatro conseguiram se livrar de Anna, e de uma breve discussão no carro, Mary os direcionou a casa onde costumava viver com os pais. Ela sabia que aquele seria o lugar perfeito para se esconderem e se defenderem, já que o lugar era munido contra a maioria dos seres sobrenaturais – menos anjos.
Assim, enquanto se instalavam e preparavam a casa, desenhando alguns símbolos anti-anjos, Mary encontrou Dean sozinho e se aproximou.
– Por que um anjo quer me matar?
Dean a olhou.
– Porque é um imbecil.
– Não é o bastante, eu nem sabia que eles existiam e agora eu sou um alvo?
– É complicado
– Legal, me explique. – Disse, cruzando os braços.
– Vai ter que confiar em mim, tá?
– Eu estou confiando o dia inteiro.
– Olha, é difícil de acreditar...
– Tudo bem... Então tá, eu vou embora. – Disse dando as costas e Dean não viu outra saída a não ser ser honesto.
– Sou seu filho.
Mary o olhou, desacreditada.
– O quê?
– Eu sou seu filho... Desculpe, eu não sabia como dizer. Nós viemos do futuro, outro anjo nos trouxe aqui.
– Você não espera que eu acredite nisso, né?
Dean deus uns passos adiante.
– Nossos nomes são Dean e Sam Winchester, em homenagem aos seus pais... Quando eu ficava doente, você fazia sopa de tomate pra mim, igual os seus pais faziam pra você. Toda noite você não cantava canções de ninar, você cantava Hey Jude, sua música favorita.
– Eu não acredito. – Disse já não contendo mais as lagrimas.
– Desculpa, mas é verdade.
– Eu criei meus filhos como caçadores?
– Não, você não criou.
– Como eu pude fazer isso com vocês?
– Você não fez, porque foi morta.
– Como, como aconteceu? – Perguntou chocada.
– O demônio do olho amarelo, ele matou você e John virou um caçador só pra se vingar. Ele nos criou nessa vida.
– Não é possível.
– Me escute... Um demônio entra no quarto do Sam, no dia em que ele faz seis meses, dia 02 de novembro de 1983. Por favor, lembre-se dessa data e seja lá como for, não fique lá, fuja.
Não vai adiantar. – Disse Sam, se aproximando. – Aonde quer que ela vá, os demônios vão acha-la, e a mim, também.
Dean olhou para o irmão.
– Tá e vamos fazer o quê?
– Ela tem que deixar o pai, é isso.
– O quê? – Mary perguntou.
Sam a olhou.
– Quando tudo isso acabar, vá embora, e nunca olhe para trás.
– E nós nunca vamos nascer. – Concluiu Dean. – Eu acho que ele tem razão.
– Eu não posso... Estão dizendo que são meus filhos, e agora vocês querem...
– Você não tem escolha. – Falou Sam.
– Tem uma grande diferença entre morrer e nunca nascer. E, acredite, está tudo bem para nós. – Reforçou Dean.
– Mas não está bem pra mim!
– Mary, nós nunca teremos a vida normal que tanto quer. Você vai morrer e seus filhos serão amaldiçoados. – Falou Sam.
– Tem que haver um jeito.
– Não esse é o único jeito. Deixe o John – Insistiu Dean.
– Eu não posso.
– Isso é maior do que nós. Tem muito mais vidas em perigo.
– Vocês não entendem! Eu não posso, é tarde demais... Eu estou grávida.
Os dois se entreolharam surpresos. Neste momento, John entrou na sala desesperado.
– Nós temos um problema, as coisas sangrentas e os sigilos sumiram.
– Ele tem razão. – Falou Dean, notando que o desenho que ele havia feito na porta se desfazia.
Logo, as luzes começaram a piscar e um som agudo tomou conta do lugar. Os vidros das janelas se quebraram e quando o barulho acabou, a porta se abriu e Uriel apareceu.
– Fala sério. – Falou Dean.
– Vamos. – Disse Sam, na chance de usarem a outra saída, mas Anna apareceu no outro lado da sala.
– Não vai adiantar nada. – Disse Dean antes de tentar dar um soco na cara de Uriel, que o segurou pelo braço.
Anna foi para cima de Sam, e o jogou contra uma parede que se quebrou. Tentando arrumar uma forma de ajudar, John tentou pegar uma faca que estava sobre a mesa, mas Anna chegou primeiro e o jogou para fora da casa. Então ela voltou a atenção para Mary, mas antes de poder fazer alguma coisa, Sam entrou na frente. Então, Anna pegou um pedaço de madeira, e o enfiou na barriga de Sam, que caiu no chão sangrando. Dean o viu e tentou se soltar de Uriel que o segurava, mas não conseguiu.
Sem nada mais para atrapalhar, Anna caminhou até Mary.
– Eu sinto muito, Mary. – Disse levantando a mão, mas foi impedida quando alguém a chamou. Ao olhar, ela viu que era John, possuído.
– Miguel. – Disse surpresa, e antes que ela pudesse se explicar, Miguel colocou a mão nela, e Anna morreu.
Miguel caminhou até Uriel que havia soltado Dean.
– Miguel, eu não sabia...
– Adeus, Uriel. – Disse Miguel antes de estalar os dedos e Uriel sumir.
Então ele olhou para Mary e foi até ela.
– O que fez com John?
– John está bem.
– Cadê ele?
– Não se preocupe. – Miguel pôs a mão na cabeça de Mary e ela desmaiou, mas antes que ela caísse, ele a segurou e a colocou no chão. Logo depois, olhou para Dean que o olhava, espantado.
– Eu acho que já era tempo dessa conversa, não acha?
– Cuida do Sammy.
– Primeiro a conversa, e depois eu cuido do seu querido irmão.
Dean franziu o cenho.
– Como tomou o corpo do meu pai?
– Eu disse que salvaria a mulher dele e ele disse sim.
– Eles exageram quando dizem que eu sou sua única casca.
– Você é a verdadeira, mas não é a única casca.
– O que quer dizer com isso?
– É uma linhagem, está no sangue da família.
– Legal, e o que você quer de mim?
– Você ainda não sabe a resposta?
– Eu só sei que não vou dizer sim, então por que você tá aqui? O que quer de mim?
– Eu só quero que você entenda que nós temos que fazer.
– Ah sei, você quer brigar com o seu irmão.
– Você se engana... Lúcifer desafiou o nosso pai, ele me traiu, mas eu não quero isso assim como você não mataria Sam. Ele é meu irmão, eu praticamente o criei, eu cuidei dele de um jeito que a maioria não entenderia. Eu ainda o amo, mas eu vou matá-lo porque é a coisa certa, eu preciso. E eu não entendo por que você ainda acha que tem escolha.
– Porque eu quero acreditar que eu posso escolher o que eu faço da minha vida sem importância.
– Você está errado e sabe como eu sei?... Pense em milhões de lances puramente do acaso que fizeram Mary e John nascerem, se apaixonarem e terem dois filhos. Pense no milhão de escolhas que vocês fazem por acaso que aproximam você e seu irmão do destino de vocês... Você sabe por quê? Porque não é o acaso, nem aleatório é um plano que está evoluindo perfeitamente. E é por isso Dean, que você vai dizer sim. E não se preocupe porque ao contrário dos meus irmãos, eu não vou deixar você detonado.
– E o meu pai?
– Não se preocupe que eu vou fazer um favor ao seu pai e a sua mãe.
– O quê?
– Eu vou limpar as memorias deles. Não vão se lembrar de mim e nem de vocês.
– Não pode fazer isso.
– Eu vou dar o que sua mãe quer.
– Mas ela ainda vai entrar naquele quarto.
– É obvio. E você sempre soube que isso ia acontecer... Não pode lutar contra nós. – Falou, e logo em seguida caminhou até Sam e encostou o dedo nele.
Sam então desapareceu e Miguel caminhou até Dean.
– Ele está em casa. São e salvo... Agora sua vez. A gente se fala, Dean. – Então ele encostou a mão na testa de Dean.
Ao abrir os olhos, Dean notou que havia voltado para o quarto que estava hospedado.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

e decidiram invadir a casa do então morto, Clay. Então, as duas se separaram. ficou com a cozinha e lavanderia, enquanto ficou com o resto do andar de baixo da casa. E assim que passou pela sala, olhando por todo canto atrás de pista, ela foi atacada. O homem tentou acertá-la com um taco, mas ela desviou a tempo e deu um chute na barriga dele, fazendo-o cair.
Ao ouvir o barulho, foi até ela e encontrou com a arma em mãos, e o homem ajoelhado.
– Não atire, por favor, tem dinheiro no cofre. – Disse desesperado.
– Ninguém quer dinheiro. – Falou .
– O que querem? Qualquer coisa, por favor.
se aproximou da irmã, e perguntou:
– É Clay Thompson, não é?
– Quem são vocês?
– FBI.
– Ai meu Deus, é o caso do Benny?
– E o que tem o Benny? – perguntou .
– Ele me matou, atirou pelas costas. E eu podia deixá-lo escapar dessa?
franziu o cenho.
– Pera aí, tá confessando?
– Por favor, eu vou com vocês, mas não acordem meus filhos.
– Você vai com a gente pra onde? – perguntou .
– Pra cadeia.
– Pera aí, vamos esclarecer... Você é Clay Thompson que morreu há cinco anos? – Insistiu .
– É. – Respondeu tranquilo.
– E três dias atrás você saiu da cova e matou Benny Sutton?
– Foi.
– Então é um cara morto mesmo?
– É, eu acho que sim. Eu não sei quem eu sou.
olhou para a irmã, e depois para Clay, e sugeriu:
– Por que não vem com a gente Sr. Thompson? Vai ser melhor.
Instantaneamente, o homem concordou, e com armas em mãos, as duas o acompanharam até a saída da casa, mas antes de alcançarem carro, ouviram:
Paradas, e larguem as armas.
Ao se virarem, notaram que se tratava da xerife, acompanhada de outro policial e com as armas miradas para elas.
– Pera aí. – disse , colocando a arma no chão. fez o mesmo. – Lembra do cara morto, Clay Thompson? Então, olhe ele aí.
– E?
– E? Nós pegamos o zumbi assassino.
– Seja lá o que ele for, vocês não têm o direito de sair atirando nele no meio da rua. – disse indo até e a algemando.
O outro policial fez o mesmo com .
– Mas elas não atiraram em mim. – Falou Clay.
A xerife assentiu e disse:
– Pode ir, Sr. Thompson.
– Pode ir? – Perguntou , confusa.
– Eu não acredito que vocês iam me matar. – Disse Clay para elas.
– Você é um zumbi! – Disse de forma alta e clara.
– Eu sou um contribuinte. – respondeu o homem, entrando em sua casa enquanto as duas foram direcionadas a delegacia.

Depois de um longo banho, Sam ligou para , mas como era de se esperar, a moça não atendeu.
– E aí, tem noticias? – Perguntou Dean, ao sair do banheiro após tomar um banho.
– Não. E a também não atende. Será que aconteceu alguma coisa?
– Não sei. – Deu de ombros. – Talvez elas estejam ocupadas.
– Pode ser... E então, o que aconteceu? Tudo o que eu me lembro é da Anna me atacando e tudo apagando.
Dean se sentou na cama enquanto secava o cabelo com uma das toalhas.
– Nada de mais.
Sam franziu o cenho.
– Tem certeza?
– É. Só o Miguel que apareceu lá, e...
– Pera aí, o que ele foi fazer lá? Você não disse...
– Ei, ei, calma. Não aconteceu nada do que você tá pensando. Ele apenas apareceu lá, falou algumas baboseiras e depois nos trouxe de volta. – Mentiu.
– E o que ele falou?
– Nada de mais.
– Hum, não entendi o porquê de ele aparecer. Ele nem tentou te forçar a dizer “Sim”.
– Não. E quer saber? Independente do motivo, ele nos salvou.
– É, você tem razão. Mas e o Castiel? Será que ele conseguiu voltar também?
– Eu não sei, mas a qualquer hora ele dá um sinal de vida.
– É. Bem, já que a gente tá aqui de mãos atadas, que tal darmos uma passada na casa do Bobby?
– Pra quê? Ele nem atende as nossas ligações.
– E isso não é motivo suficiente pra irmos lá e darmos uma checada?
Dean rolou os olhos.
– Não posso nem descansar antes?
Sam balançou a cabeça e sorriu.
– Vem, vamos logo lá.
Mesmo contra a vontade, Dean acompanhou o irmão, e em pouco tempo, os dois chegaram à casa de Bobby.
Com poucas batidas na porta, o caçador abriu, e os irmãos não esconderam a surpresa.
– Bobby? Tudo bem? – Perguntou Dean.
Bobby deu de ombros.
–Tá. – Disse dando as costas e se dirigindo a sala.
Os irmãos o acompanharam.
– E por onde você andava? A gente ligou um monte de vezes, cara.
– Jogando Murderball.
Dean e Sam franziram o cenho, e Dean continuou:
– Que cheiro é esse? Sabonete?... Você tomou banho?
– Quem é você, minha mãe? Não enche!
– Bobby, fala sério. – Falou Sam.
– Eu estava trabalhando. Tentando achar um jeito de acabar com o diabo.
– E achou? – perguntou Dean.
– O que você acha?
– Não, Bobby, é que... Tinha um... – Falou Sam.
– Benny Sutton? É esse o problema?
– Como você sabia?
– Pois é, e eu disse pras meninas que não tem nada lá.
– Pera aí, as meninas vieram aqui?
– É, e eu disse que elas fizeram viagem perdida.
– E você ao menos sabe onde elas estão?
Bobby deu de ombros.
– Não sei, talvez tenham voltado pro hotel.
– Não, nós viemos de lá e elas nãos deram as caras. – Falou Sam, preocupado.
– Quer ver elas decidiram andar por aí. Você sabe como elas gostam de sair.
– Eu sei Dean, mas nem por isso a deixa de atender ao telefone.
– Quer ver que o telefone delas descarregou. – Sugeriu Bobby.
– Não, eu liguei pras duas, mas nada.
Logo, o telefone de Bobby começou a tocar, então o caçador o atendeu, e depois de algumas palavras, ele desligou e olhou para os irmãos.
– Bem, se a preocupação de vocês era a falta de noticia, podem ficar despreocupados. Era , e elas não poderiam estar num lugar mais seguro.
– O que você quer dizer?
– Elas foram presas.

...

Horas enjauladas e de muito escândalo depois, conseguiu reivindicar o direito de fazer uma ligação.
Depois de desligar o telefone, a mesma voltou para cela.
– E aí, conseguiu? – Perguntou .
– É, eu acho que daqui a pouco ele dá as caras.
– E os Winchesters? Teve noticias deles?
, eu só tive direito a uma única ligação de dois minutos. Você queria ter noticias deles ou arrumar um jeito de sair daqui?
pendeu a cabeça e rolou os olhos.
– Eu sei, eu só queria noticias.
– Relaxa, logo, logo, vamos sair daqui e saberemos o que aconteceu.
– É, já que não temos muito mais o que fazer. – Disse se sentando.
assentiu, e olhou para o nada.
– Será que a xerife tá levando alguma?
– Zumbis estão subornando ela. É sério isso?
deu de ombros.
– Não sei, vai saber.
apenas rolou os olhos, e ficou fitando as paredes a fim de fazer o tempo passar mais rápido. Por sorte – e graças a sua mente que a fazia se perder em pensamentos –, uma hora depois, uma policial foi à cela delas e as destrancou.
– Se arrependeram? – perguntou , com desdém.
– Vamos, me acompanhem.
As duas a seguiram até uma mesa, e lá deram de cara com Bobby conversando com a xerife, Dean e Sam.
– Graças a Deus, vocês estão bem. – Falou , ignorando a xerife e Bobby que conversavam, e abraçando Sam em seguida. Assim que se afastou, continuou: – Você não imagina o quanto eu fiquei preocupada.
– Eu sei, e sinto muito pela demora, mas nós tivemos alguns problemas.
– Mas deu tudo certo?
Sam apenas assentiu.
– E o que aconteceu pra vocês serem presas? – perguntou Dean.
– Longa história. – respondeu .
Dean olhou na direção de Bobby e viu que ele ainda conversava.
– Eu acho que a gente tem bastante tempo.
E então, enquanto Bobby falava com a xerife, as meninas contaram tudo em detalhes. Quase meia hora depois, as duas ouviram um sermão da xerife e foram liberadas.
Enquanto caminhavam até a saída da delegacia, não pode deixar de perguntar:
– Bobby, a xerife não odiava você?
– Odiava, há cinco dias.
– Tudo bem, mas você poderia esclarecer o que aconteceu há cinco dias? – perguntou Sam.
Bobby parou, fazendo com que todos também parassem. E, sem saída, respondeu:
– Os mortos ressuscitaram na cidade.
– Ah, é? – perguntou , sarcástica. – Disso a gente já sabia. O que eu quero saber é por que você mentiu pra nós.
– Olha, eu disse que não tinha nada aqui e não tem. Não pra vocês.
Os quatro se entreolharam.
– Tem zumbis aqui. – Insistiu Dean.
– Existem zumbis, e zumbis.
– O que você quer dizer? – perguntou Sam.
Bobby pensou, e depois de vários segundos, disse:
– Venham comigo.
E os quatro não tinham outra coisa para fazer a não ser acompanhar o caçador. Assim que chegaram à casa dele, sem entender nada, os quatro o acompanharam até a sala de estar.
Cansado de tanto suspense, Dean perguntou:
– Dá pra você dizer o que... – Alias, tentou dizer, mas ficou impressionado com o que viu.
Uma mulher saiu da cozinha de Bobby, com uma bela torta em mãos.
– Oi. – disse ela, simpática, colocando o prato sobre a mesa, e os quatro assistiram a cena, boquiabertos. – Não sabia que íamos ter companhia.
– Passa da meia noite, amor. Não precisava cozinhar. – Falou Bobby.
– Ah, por favor, vou pegar mais pratos. – disse ela, saindo para a cozinha.
– Quem é essa? – perguntou Dean, com o cenho franzido.
– Por acaso é a sua nova namorada, Bobby? – Perguntou , humorada.
– O quê? Não. Karen é minha mulher.
– Você quis dizer sua nova mulher, não é? – perguntou Dean.
– Não. Minha falecida mulher.
Os quatro se olharam novamente, aquilo não tinha como ficar mais estranho.
Karen voltou e fez os quatro se sentarem a mesa. Dean, é claro, se sentou sem precisar falar duas vezes, já que estava há horas sem comer. Os outros três ainda permaneciam em choque com o que estava acontecendo.
– Hm... Tá uma delicia, senhora Singer. – disse Dean, com a boca cheia.
– Obrigada.
Todos os outros olharam para Dean, mas ele os olhou e deu de ombros.
Karen terminou de servir a todos – inclusive Bobby –, e então ele pediu para que ela desse um minuto a eles, ela assentiu de forma doce e saiu para a cozinha.
– Ficou doido? Qual é o lance? – perguntou Dean.
– Gente, eu posso explicar.
– Explicar o quê? O porquê mentiu pra nós ou pra noiva zumbi que faz bolinhos?
– Pra começar, Karen é minha mulher. Então cuidado como fala dela.
– Bobby, seja lá o que aquela coisa for, ela não é a sua mulher. – Falou Sam.
– E como você tem tanta certeza disso?
– Tá falando sério?
– Olhem, vocês acham que eu sou idiota? Minha mulher morta aparece na minha porta e eu não vou fazer todos os testes que aprendi?
– Ela é o quê? Zumbi, morta-viva? – perguntou .
– Eu não sei dizer, ela não tem cicatrizes, ou feridas. Não reage a sal, prata, água benta...
– Ô Bobby, ela saiu do próprio caixão. – Falou Dean.
– Não, não saiu... Eu a cremei. – Deu de ombros – Eu não sei como, mas ela voltou.
– Isso é impossível. – disse Sam.
– Também acho.
– Você enterrou as cinzas? – perguntou .
– Claro.
– Onde? – perguntou Dean.
– No cemitério. É de lá que todos eles vêm.
– Quantos? – perguntou .
– Quinze, vinte, eu fiz uma lista. – disse Bobby, pegando um papel no bolso da camisa. – Tem a Karen, Clay, a xerife Mills... O filhinho dela voltou. – Disse entregando o papel a Sam.
– E os sinais? – perguntou Dean.
– Ah, houve os raios.
– Sério, Bobby? Isso nós sabemos. – disse .
– E o que mais? – perguntou Dean.
Então Bobby se curvou até uma mesinha próxima de onde eles estavam, pegou um livro e assim que abriu, começou a ler:
“E através do fogo surgiu diante de mim um cavalo claro, e seu cavaleiro trazia uma foice, e eu vi que se ele havia retornado, todos os outros voltariam por ele, e através dele.” – Disse entregando o livro a Sam.
– Então morte está por trás disso? – perguntou .
– Morte? Morte, tipo o ceifeiro da morte? – perguntou Dean.
– É.
– Incrível... Outro cavaleiro. – Comentou , indo até Sam que folheava o livro.
– Bobby, por que Morte levantaria quinze mortos em um vilarejo como Sioux Falls? – perguntou .
– Eu não sei.
– Se Morte está atrás disso, seja lá o que for essa coisa, não é boa, e você sabe o que temos que fazer. – disse Dean.
Bobby abaixou a cabeça.
– Ela não se lembra de nada, sabia?
– Como assim? – perguntou .
– De ser possuída... De ser morta por mim... De voltar.
– Bobby...
– Não, não, não. Não me venha com essa de Bobby, só escutem tá!
Com o silencio, os cinco puderam ouvir Karen cantarolar da cozinha, e Dean olhou para .
– Ela cantarola na cozinha. – continuou Bobby. – Ela sempre cantarolou na cozinha, meio desafinada até, e eu nunca pensei que fosse ouvi-la de novo... Leiam as Revelações. Os mortos se levantam no apocalipse, não tem nada que diga que isso seja ruim, droga. Talvez seja a única coisa boa que apareça no meio disso tudo.
– E o que você faria no nosso lugar? – perguntou Dean.
Bobby olhou para cada um.
– Eu sei o que eu faria, eu sei o que vocês pensam em fazer, mas imploro a vocês, por favor, por favor, deixem-na em paz.

...

Assim que saíram da casa de Bobby, os quatro seguiram para uma lanchonete vinte e quatro horas.
– Como não suspeitei do Bobby? – Perguntou , inconformada.
Os quatro estavam sentados.
– E por que suspeitar? – Perguntou .
– Não sei como vocês não perceberam, o cara tinha tomado banho. – Falou Dean.
– Nós notamos isso, mas achamos que ele tinha encontrado alguém.
– Bem, ele arrumou. – Falou .
E os quatro fizeram silencio até Sam o quebrar, perguntando:
– E aí, o que vocês acham?
e se olharam, elas sabiam muito bem o que não queriam fazer.
– Não tem nada pra achar. – respondeu Dean. – Não vamos deixar o Bobby em casa com a noiva de Frankenstein.
– Sua sensibilidade me toca. – falou .
Dean a olhou.
– O que você quer dizer?
– Eu quero dizer que não devemos fazer alguma coisa sem antes pensar direito. Caramba, é a mulher do Bobby.
– Não, é uma coisa que parece ela.
– E aí? A mulher fez algum mal?
– E você tá esperando que isso aconteça?
– Dean você viu, o Bobby tá feliz, ele tá se sentindo em paz consigo mesmo.
– Ele tá correndo risco de vida. Nós não sabemos o que ela pode fazer.
– Então me diga, qual é a sua ideia? Estourar os miolos dela na frente do Bobby?
– Olha, eu só não quero que ele se machuque.
– Quer saber, esquece. Eu tô fora dessa. – disse, se levantando e saindo da lanchonete.
e Sam apenas a assistiram sair e olharam para Dean em seguida.
– Eu falo com ela. – disse, se levantando em seguida.
Sam olhou para , que encarava o cardápio.
– E você, o que acha disso?
o olhou e deu de ombros.
– Eu não sei. Eu quero só quero que o Bobby fique bem.
– Mas você sabe o que vamos ter que fazer, não é?
Com pesar, assentiu.
– Eu sei.
– Olha, se vocês quiserem, a gente cuida disso.
suspirou.
– Não, a gente vai ficar bem. Nós também gostamos do Bobby e faremos o que for melhor pra ele.
Sam apenas assentiu e os dois voltaram a olhar pela janela da lanchonete, Dean e conversando.

– Olha, eu não quero magoar o Bobby tanto quanto você. – disse Dean, se aproximando de , que estava encostada no carro no outro lado da rua da lanchonete.
– Não é isso que parece.
, você acha que eu gosto de ver o velho sofrendo pelos cantos? – o olhou. – Eu me importo com ele e é por isso que temos que acabar com isso.
abaixou a cabeça, Dean estava certo. Karen poderia ser uma bomba relógio esperando o tempo certo para explodir, ela só não queria magoar Bobby.
– Eu sei Dean, me desculpa. Eu só queria arrumar um jeito pra não ter que fazer isso.
– Se vocês quiserem, eu e Sam cuidamos daqui.
– Não, não. Eu me importo com Bobby também, e quero estar perto pro que ele precisar.
Dean assentiu.
– Eu sei que parece difícil, mas com o tempo ele vai entender.
deu de ombros.
– É, quem sabe.
Na mesma hora, e Sam se aproximaram.
– E então? – perguntou .
– Bem, assim que amanhecer, eu vou até a casa do Bobby, ficar de olho na mulher dele. – Falou Dean. – E depois nós damos um jeito nos zumbis.
– Não seria melhor se nós nos separássemos? – perguntou Sam.
– Ok, então eu vou com uma e você vai com a outra. – disse, olhando para em seguida.
– Tudo bem, eu vou com você. – disse .
– Tem certeza?
assentiu.
– Tudo bem, assim que amanhecer, nós damos um jeito nisso. – Dean continuou.
Os três assentiram, e logo, as duplas foram para os seus respectivos carros. Assim que o dia amanheceu, os quatro se separaram. Enquanto acompanhou Sam, acompanhou Dean até a casa de Bobby.
Fazia algumas horas que os dois estavam de campana em frente à casa do caçador, mas nada aconteceu, e aquilo já estava ficando cansativo, principalmente para , que havia sido obrigada a levantar cedo.
– Eu sou a única que tô cansada aqui? – Perguntou, saindo do Impala e encostando-se ao lado de Dean.
– Eu achei que a dormida que você deu no carro fosse o suficiente.
– Bem que eu queria que tivesse sido. Eu tô acabada.
– Imagino.
– E você?
Dean deu de ombros.
– Tirando a fome, estou bem.
– Ah, que isso, não faz nem... – olhou o relógio. – Nossa, já passa das três?
– Pra você ver o quanto você dormiu.
apenas balançou a cabeça, e depois de um breve silencio, disse:
– Sinto muito por vocês não terem conseguido mudar o que queriam com os seus pais.
– Tudo bem.
– Dean, eu sei que você pode não gostar do que eu vou dizer, mas às vezes, o destino não pode ser mudado.
– Eu não acredito nessa coisa de destino e você sabe.
– Sim, eu sei. Só tô dizendo que tem certas coisas que nos acontecem, que não podem ser mudadas. Às vezes nós temos que aceitar o que ele nos reserva.
– Aceitar o que eles nos reserva? Então é certo tudo o que eu e Sammy passamos? É certo viver neste pesadelo sem fim? – o olhou, assustada. – É certo eu ter que ficar parado na porta da casa do meu amigo, se preparando pra matar a mulher zumbi dele?
– Dean, eu só tô dizendo...
– Ah, por favor, ! Não me venha com esse papo. Isso que vivemos não é certo.
– Mas... – tentou falar, mas parou ao ver que Karen se aproximou.
– Assustei vocês? – perguntou simpática como sempre.
– Não. – Respondeu , retribuindo o sorriso.
– É, não tem nada de assustador em você. – Dean forçou um sorriso.
rolou os olhos, era impressionante como ele conseguia ser discreto às vezes.
– Querem almoçar?
– Não, estamos sem fome. – mentiu.
– Venham. Eu fiz torta.
– Eu acho que o Bobby não quer que a gente entre. – Falou Dean.
– Então vai ser nosso segredo... Vamos. – disse Karen, dando as costas.
Dean olhou para , que apenas deu de ombros.

Depois de muitas horas pesquisando os endereços dos “mortos-vivos”, Sam e seguiram até o da xerife.
– E aí, você está bem? – perguntou , se referindo ao dia anterior, enquanto os dois caminhavam até a casa.
– É, estou... Foi bom vê-los mais uma vez.
– Imagino.
– No inicio foi difícil conter a emoção, sabe? Vê-los ali na minha frente, juntos. – olhou para Sam, que estava radiante, se lembrando do momento. – Minha mãe era tão jovem, linda, e meu pai era diferente de como eu o conheci, ou achei que ele fosse. Os dois eram unidos, estavam apaixonados e felizes.
– Eu não sei como os dois eram, mas tenho certeza que eles se sentiram assim até o ultimo dia deles juntos.
– Sabe, vendo eles daquela maneira, me fez perceber o que eu e Dean perdemos todo esse tempo. – o olhou com pena, ela sabia que Dean e ele cresceram praticamente sem família, sem memórias e momentos felizes. – Tudo poderia ter sido diferente se não tivesse acontecido... Se o demônio não me quisesse.
– Ei, você não tem que pensar assim. Eu sei que seus pais não se arrependeram em nenhum momento de ter tido você.
– Será? , eu errei tanto, e sempre com as pessoas que são próximas a mim, errei primeiramente com meu pai. Não devia ter batido de frente com ele, tenho até a sensação de que ele morreu achando que eu o odiasse por tudo que eu e Dean passamos. Errei com Dean, errei com você...
parou de andar, fazendo com que Sam parasse ao seu lado.
– Sam, todos nós erramos, e eu já te falei isso varias vezes. Alguns cometem erros maiores e outros menores, mas isso não os faz deixar de ser um erro. O importante é o que aprendemos com eles. – Sam abaixou a cabeça. – O seu pai era um homem esperto, quando eu e a falávamos com ele, tudo o que ele falava era de como os filhos eram importantes pra ele. Ele sabia que podia contar com vocês, e eu sei que agora ele deve estar mais orgulhoso do que nunca, porque independentemente do que todos nós passamos, você e o Dean não deram as costas um para o outro, e nem para os amigos.
Sam a olhou e deu um sorriso fraco.
– Eu sei. – Disse mais tranquilo e a abraçando de lado. – Eu não sei o que seria de mim sem você.
retribuiu o abraço.
– Nem imagino.
Os dois caminharam mais alguns metros, quando parou e disse:
– Bem, eu acho que é nesta rua mesmo.
Sam olhou para o papel e em seguida para a placa.
– É, se os dados estiverem certos, ela mora ali. – disse apontando para uma casa que ficava no outro lado da rua.
Os dois atravessaram e foram até lá. A cortina da janela estava entreaberta. Os dois olharam, e viram a xerife com o marido e o filho, sentados no sofá em um momento em família.

Dean se deliciava com a torta, aquele deveria ser sua terceira fatia, e não sabia se ria, ou se ficava constrangida.
– Estou vendo que você é chegada em torta. – disse reparando que havia tortas em cima de cada móvel da cozinha. – Fez todas essas?
– Eu não sei. Desde que voltei eu não paro de fazer tortas. – respondeu Karen, pegando um pouco de massa e a abrindo com um rolo.
– Quando é que você dorme?
– Não durmo, estou muito agitada.
Dean olhou para .
– Hm, porque está morta. – disse Dean, que dava mais uma garfada no pedaço de torta dele.
o fuzilou com os olhos.
– Eu sei que não confiam em mim.
– Por que acha isso? – perguntou .
– Ora , não é por isso que vocês estão aqui? Para ficar de olho em mim? – perguntou deixando a massa sobre a mesa e se virando para os dois. – Eu sei quem vocês são, assim como eu sei que o Bobby não é mais o vendedor de ferro velho com quem eu me casei. Vocês caçam coisas, e eu sou uma delas, eu sei...
– Então também sabe que o Sammy, eu e as meninas nunca vamos deixar que você faça mal ao Bobby, por que ele é como um pai pra nós?
– Eu entendo. E ele tem sorte de cuidarem dele, mas não são os únicos.
– É mesmo? – perguntou .
Karen se virou novamente e voltou a mexer na massa.
– Eu me lembro de tudo, sabiam?... Quando eu morri, o demônio tomando o meu corpo, as coisas que ele me obrigou a fazer. Bobby não tinha escolha a não ser... Vocês sabem o que ele fez. Eu vejo nos olhos dele quando ele me encara, a culpa é um peso pra ele.
– E por que não conta a ele que você se lembra? – perguntou Dean.
Karen voltou a olhar para os dois.
– O meu palpite é que você nunca esteve apaixonado... Ele é meu marido, o meu dever é de lhe trazer paz, não dor.
olhou para Dean e ele abaixou a cabeça.

Sam e foram até a casa de uma senhora que estava na lista de Bobby. Eles bateram na porta, mas nada, chamou pelo nome, mas nenhum sinal da senhora.
– Será que ela tá em casa? – perguntou .
– Não sei. – Respondeu olhando para o local e notando algumas gotas de sangue perto da porta. – Olha, eu não sei se ela tá, mas vamos ter que descobrir.
olhou para onde ele estava olhando e viu o sangue. Sam se levantou e foi até a porta para ver se ela estava aberta, e por sorte estava. Os dois entraram na casa, mas tudo parecia normal.
– Senhora Jones? – chamou Sam, mas nenhum sinal da senhora.
olhou para ele e os dois começaram a andar pela casa. entrou na sala, mas não havia ninguém, então ela foi de encontro a Sam, que caminhava no corredor em direção a um quarto. Ao olhar para a cama, os dois viram uma senhora machucada e visivelmente doente, deitada na cama.
– Ezra Jones? – perguntou Sam.
A mulher apenas tossiu e o chamou fazendo um sinal com a mão. Sam olhou para que apenas deu de ombros. A mulher continuava tossindo e o chamando, então Sam deu mais uns passos para frente, enquanto preferiu ficar encostada no batente da porta.
– O que é? – perguntou ele, tentando se manter afastado. – Será que não tem como escutar daqui?
A mulher continuou o chamando com a mão. Sam olhou para com um pedido de socorro estampado na cara.
– O que eu faço? – perguntou sussurrando.
deu de ombros.
– Eu não sei, vai até ela.
Sam franziu a testa, balançou a cabeça e voltou a atenção para a velha.
– É... Tá na cara que eu vou me ferrar. – Sussurrou antes de suspirar e caminhar em direção à mulher, que começava a tossir e a soltar um líquido esbranquiçado pela boca.
Sam parou ao lado da cama, e se abaixou lentamente até a mulher.
– O que é? – perguntou ele, mas, a mulher começou a tossir novamente.
Então ele se aproximou mais um pouco para tentar ouvir o que ela queria dizer, mas, de repente, a mulher o empurrou com tanta força que o fez cair no chão. Com a queda, Sam viu um corpo todo destruído embaixo da cama.
o olhou assustada, a mulher indefesa e doente de repente teve forças para se levantar e ir para cima de Sam. Ele a segurava pelos braços, mas a mulher era forte o suficiente para impedi-lo de se defender, então pegou a sua arma e atirou na velha, que caiu sobre Sam. Ele a empurrou e se levantou. O seu rosto estava todo molhado, e pode sentir o nojo que ele estava sentindo.
– Não fale nada. – Disse enojado, limpando o rosto com a manga da blusa.
– Eu não ia falar. – ela respondeu segurando o riso.
Assim que saíram da casa da velha, os dois foram para o hotel para Sam poder se limpar, e enquanto esperava ele sair do banho, ela ligou para a irmã.
– E aí, tudo bem?
Tá. Acabamos de sair da casa do Bobby.
– E aí?
E aí que não aconteceu nada. Nós apenas falamos com a Karen.
– E?
Ela é diferente, sabe?
– O que você quer dizer?
Que independente do que seja, ela se preocupa com o Bobby do mesmo jeito que a gente.
– Hum, e qual será o nosso próximo passo então?
O Dean estava pensando em falar com ele. Se vocês não estivessem ocupados, seria de grande ajuda vir aqui e dar um reforço.
– Não estamos ocupados.
Ah, não? , eu achei que vocês tivessem um serviço pra fazer.
– E nós fizemos, mas o Sam sofreu um pequeno acidente e nós voltamos pro hotel.
Ah, e vocês têm alguma novidade?
– Por enquanto nada.
Tudo bem, então. Vê se não demora a vir.
– Pode deixar. Até mais. – e desligou o telefone. Poucos segundos depois, Sam saiu do banheiro apenas com uma toalha enrolada e secando o cabelo com outra. – E aí, tirou todos os germes?
– Há-há. Engraçadinha. – Disse indo até a mala e pegando uma muda de roupa. – Eu queria ver se fosse você.
– Ah, vai me dizer que não foi engraçado?
– Engraçado? , a mulher praticamente babou na minha cara toda.
– Bem, se você tiver com a sua imunidade alta, você não precisa se preocupar.
Sam balançou a cabeça e sorriu.
– Pode deixar, na próxima vez deixarei com você.
– Sério? – Falou humorada. – Achei que você fosse um cavalheiro que não deixa uma pobre, inocente dama passar por um perrengue como esse.
– Corta essa, porque de pobre e inocente você não tem nada.
– Hã, como ousa? – Brincou.
Sam sorriu e se aproximou.
– Não se preocupe e leve isso como elogio.
– Ah, é? – Disse sorrindo, e aproximando o rosto ao dele. – E você gosta?
– Você não sabe como. – Disse a beijando.
Com o desejo a flor da pele, passou os braços pelo pescoço de Sam, que a apertou mais contra o seu corpo. Imediatamente, Sam desceu os beijos pelo pescoço e da moça que não conteve o riso.
– Eu acho que não temos tempo pra isso.
– Vai ser rápido.
sorriu.
– Não, é sério. Não temos tempo. Literalmente.
Sam olhou nos olhos da moça.
– É sério mesmo?
Com pesar, a moça assentiu.
– Sinto muito, a já ligou e pediu pra nos encontrarmos com ela e Dean na casa do Bobby. – Sam soltou um muxoxo e riu. – Calma garoto, prometo que assim que terminarmos, eu tirarei um tempo exclusivo pra cuidar de você.
Sam sorriu.
– Assim espero.
balançou a cabeça sorrindo e se afastou para que Sam se arrumasse.

Assim que se encontraram, os quatro bateram na porta de Bobby. E ao contrario do que esperavam, o caçador os recebeu.
– Por favor, falem baixo, Karen esta lá em cima. – disse Bobby entrando na sala da casa.
– Desculpe, é que a gente tá um pouco tenso. – disse .
– Bobby, quem é a velha senhora Jones? – perguntou .
– A primeira a voltar.
– A primeira a surtar. – corrigiu Sam.
– Ah. – deu de ombros. – Ela sempre foi louca.
– Louca do tipo que come o estomago do marido? Ela era louca assim quando vivia? – perguntou .
– Não.
– Olha, Bobby, eu sinto muito, mas você precisa reconhecer que não tá sendo muito parcial. – disse Dean.
– Bobby, admita você ou não, mas essas coisas estão mudando. Temos que impedi-las, todas elas. – disse Sam.
Bobby foi até uma das mesas e pegou uma arma. Os quatro o olharam assustados.
– Fora daqui.
– O quê? – perguntou Dean.
– Vocês ouviram, caiam fora daqui!
– Ou o quê, vai atirar em cada um de nós? – perguntou Sam.
– Se Karen mudar, eu resolvo do meu jeito.
– Isso é perigoso, Bobby. – disse .
Bobby engatilhou a arma.
– Eu não vou falar duas vezes.
Os quatro se olharam e saíram indignados.
– Ele endoidou. – comentou Dean, ao chegar ao carro.
– É a mulher dele, Dean. – respondeu .
– Aí ele dá um de Nascido Para Matar pra cima da gente? Nós somos a família dele.
– Calma cara, tem coisa maior, tá? – Sam entrou no assunto. – Temos um bando de zumbis prestes a transformar a cidade num inferno.
– É, e o Bobby tá em casa comendo torta com um deles.
– Tudo bem... Então?
– Então? – perguntou Dean, indignado. Sam, e ficaram olhando para ele, esperando uma resposta. – Então eu vou pra casa dele e matar ela. É a única coisa que eu posso fazer.
– Se ele vir você, você será um homem morto. – alertou .
– Bom, então é melhor que ele não me veja.
– Eu vou com você. – disse .
Dean a olhou confuso.
– Você vai o quê?
– Com você.
– Não vai não.
– Vou sim e ponto final. Não é só você que considera o cara como da família.
Dean a fuzilou com os olhos, mas permaneceu decidida.
– Tá bom. – disse Sam – Eu vou pra cidade, resgatar todo mundo. Essa vai ser fácil.
– É o que parece.
– Vou precisar de ajudar.
– A vai com você.
– Mas ainda assim precisamos de ajuda, é uma cidade, Dean.
– E que tal a xerife? – sugeriu .
– Mas da ultima vez que a vimos, a xerife era pró-zumbi. – falou .
– Então acho que vocês vão ter que convencê-la. – Dean respondeu.
– Como? – perguntou Sam.
– Eu não sei, mas vão.

...

Dean e entraram no ferro velho, caminhando com cuidado, para não chamar atenção. Bobby era esperto, e eles sabiam que de alguma forma, ele estava atento.
– Pronta? – perguntou Dean, carregando a arma antes de entrar na casa.
apenas assentiu. Por mais que ela não estivesse totalmente de acordo, sabia que aquela era a única solução.

Assim que estacionaram na frente da casa da xerife, e Sam ouviram um grito e correram até a casa. Ao entrarem, se depararam com o filho dela sobre o pai e com a boca cheia de sangue.
– Venha, temos que sair daqui. – disse , puxando a xerife para fora.
Assim que saíram, a xerife olhou para a porta da casa e em seguida para .
– E o meu marido?
– Eu acho que... Ele morreu.
A xerife não conteve o choro.
– Aquele não é meu filho.
– Tem razão, não é. Escuta xerife, a cidade corre perigo, nós temos que fazer alguma coisa. Será que pode nos ajudar? Fazer isso pela gente? – a xerife parecia estar desnorteada, tudo estava acontecendo rápido demais. – Por favor, pode se concentrar, xerife?
Por um momento, a xerife engoliu o choro, secou as lagrimas que escorriam e a olhou.
– Como podemos mata-los?
– Atirando na cabeça.
– Precisamos de armas.
– Eu sei, e precisamos achar um lugar seguro para as pessoas ficarem.
A mulher assentiu.
– A cadeia é o melhor lugar.
– Tá legal.
Neste momento, as duas escutaram um tiro, e Sam saiu da casa em seguida.

e Dean chegaram à porta da casa de Bobby e tentaram abri-la sutilmente para não serem ouvidos. Mas, assim que entraram, eles escutaram um tiro. Instantaneamente, os dois saíram correndo, chamando pelo caçador. Ao entrarem no quarto, encontraram Bobby ao lado de Karen, que havia sido atingida com um tiro na testa.
Bobby olhou para os dois, e a cena não podia ser diferente, era de partir o coração.

Assim que conseguiram reunir a cidade, todos foram para a delegacia, e enquanto a xerife pegava as armas, as distribuía, e Sam falava com a população.
– É o seguinte: se eu dou uma arma e você vê uma pessoa morta, não importa se é seu amigo ou vizinho, ou a sua mulher. Vocês atiram na cabeça. Só assim que a gente sobrevive.
– E você pode nos dizer quem você é?
– Amigo do Bobby Singer.
– O bêbado da cidade?
Sam franziu o cenho.
– Não, eu achei que o Coveiro era o bêbado da cidade.
– Quem lhe disse isso?
– O Bobby Singer.
– Ah...
Sam balançou a cabeça.
– Não importa, fiquem de olho. Eu e a vigiamos a porta da frente. E vocês ficam aqui de olhos abertos.

's P.O.V On

Assim que saímos da casa, eu, Dean e Bobby começamos a carregar uma das vans do último com todas as armas possíveis. E por mais que eu estivesse focada no meu serviço, eu não conseguia parar de pensar em como Bobby estava se sentindo naquele momento. Ele tentava se manter forte, mas eu sabia que aquilo era só por fora, já que por dentro, ele estava com o coração partido. E não era por menos.
Assim que entreguei a ultima mala com armas para Dean, olhei para Bobby.
– Sabe Bobby, se você quiser deixar passar essa...
– É melhor irmos em frente.
Dean olhou para mim, em seguida para Bobby.
– Ok, então vamos.
Mas antes que pudéssemos entrar na van, ouvimos um barulho ecoar entre os carros no meio do ferro velho.
– Fica de olho nele. – Dean falou para mim antes de se afastar com uma arma em mãos e sumir entre os carros.
Voltei a olhar para Bobby que também estava atento.
– Era só o que faltava. – comentei enquanto se aproximava dele.
– O que foi?
E antes que eu pudesse responder, outro barulho foi ouvido, mas dessa vez, de outra direção. Engatilhamos as armas, e olhamos para a direção do barulho, mas nada. Então voltei a olhar para Bobby.
– Bobby, tá tudo bem pra você se eu...
– Vai lá logo.
Mesmo relutante em deixar Bobby sozinho por motivos óbvios, me afastei um pouco até entre os carros. Para falar a verdade, eu nunca tinha me questionado sobre aquele tanto de carro que havia naquele ferro velho, mas depois dessa situação, o Bobby vai ser obrigado a dar um jeito.
Ao notar que o som havia cessado, eu dei meia volta, mas antes de seguir caminhando até Bobby, ouvi o mesmo gritar. Então corri e ao chegar, o encontrei caído no chão enquanto um dos zumbis o atacava. Sem perder tempo, mirei minha arma e atirei. Certeiro.
Mas antes de alcançar Bobby, eu fui atacada por trás. O zumbi me jogou contra o chão, fazendo com que a arma caísse longe de mim. Mesmo usando toda a força para me desvencilhar dele, era em vão. Como por um milagre, ouvi um tiro e de repente o zumbi caiu sobre mim. O empurrei de cima de mim, e olhei para Bobby que tinha se rastejado até a arma que havia deixado cair.
– Obrigada.
O caçador apenas assentiu, mas o nosso alivio durou pouco. No mesmo instante, notei mais um zumbi vindo em nossa direção. Com movimentos rápidos, engatinhei até Bobby para pegar a minha arma, mas antes que eu pudesse me defender, mais um tiro foi ouvido. Eu e Bobby olhamos para trás e vimos Dean.
E é claro que eu não podia deixar de perguntar:
– Onde você estava? Se não fosse pelo Bobby, eu estaria morta agora! – eu disse me levantando e indo até Bobby.
– Eu achei que você estivesse aqui pra defender ele. – Dean respondeu deixando a arma no chão e me ajudando a colocar o caçador na cadeira de rodas.
– E eu estava. Mas como você não tava aqui, alguém tinha que dar um jeito...
–... Pessoal. – ouvi Bobby dizer, mas ignoramos.
–... Isso porque eu também estava meio ocupado.
– E essa vai ser sua desculpa?! – perguntei cruzando os braços.
–... PESSOAL!
– O QUÊ?! – perguntamos juntos.
– Por que vocês não deixam pra discutir depois, e focam no momento? – Disse apontando para o outro lado.
Assim que olhamos, notamos uns dez – apenas os que eu consegui contar no momento – zumbis vindo até nós.
– Venham. – falou Dean, empurrando a cadeira de rodas em direção à casa de Bobby. E eu fazia a cobertura, atirando, até entrarmos na casa.
– Estou com pouca munição. – comentei checando a arma assim que pusemos uma barreira na porta.
– Eu também. – disse Dean. – Tem mais?
– Temos muita. É só passar pelos zumbis, e ir para o carro aonde as deixamos. – respondeu Bobby.
– Um simples “não” resolveria. – Dean rebateu, caminhando até a janela, e observando o lado de fora. – O que eles estão fazendo aqui?
– Eu acho que sei.
E assim que Bobby terminou de falar, a janela no outro lado do cômodo se quebrou, e um zumbi entrou.
– Droga. – falei, já atirando. Eu sabia que tinha que economizar as balas, mas não tinha muito que fazer.
Logo, outros zumbis passaram pela janela, e de maneira inexplicável – ou nem tanto assim –, surgiram vários zumbis, descendo a escada, e surgindo dos cômodos aos lados. Disparei mais alguns tiros, mas logo fiquei sem balas.
– Sem munição. – Falei com principio de desespero.
– Eu também. – Bobby e Dean responderam juntos.
Sem saída, olhei para os lados e vi a porta da dispensa. Sem tempo de pensarmos em abrir caminho até o quarto do pânico, eu os chamei e nos trancamos lá.
– A coisa tá feia, não tá? – comentou Bobby assim que os zumbis começaram a bater/esmurrar – a ponto de quase derrubar – a porta.
– Relaxa, eles são idiotas. – falou Dean, incrivelmente tranquilo. – Não sabem abrir fechaduras.
Na mesma hora, os zumbis pararam de bater na porta, e a maçaneta começou a mexer.
– Você nunca se cansa de estar errado?
Dean olhou para mim e depois para Bobby
– Ah, eu falo o que me dá na telha.
– É, tô vendo que isso já é parte de você.
Dean franziu o cenho, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, os zumbis forçaram a maçaneta e abriram a porta. Sem escolha e nem arma, Dean começou a dar coronhadas na cabeça deles. Eu tentava ajudar, mas a verdade é que eu não sabia por quanto tempo aguentaria fazer aquilo, eles eram muitos, e eu sabia que estávamos perdidos.
ABAIXEM-SE. – Ouvi o que parecia ser Sam gritar. E foi o que fizemos. Bobby se protegeu da maneira que podia, e eu e Dean no encolhemos no chão.
Assim que nós nos abaixamos, vários disparos foram feitos, e conforme eram atingidos, os zumbis caiam mortos sobre a gente. Nojento? É, eu sei. Mas fazer o quê? Era melhor do que ter os neurônios comidos por eles.
Em questão de segundos, os disparos foram cessados, e assim que notamos que não havia mais nenhum, Dean se desvencilhou de alguns dos corpos, e olhou para o lado de fora do armário.
Tá tudo bem? – Ouvi perguntar.
– Melhor impossível. – respondeu voltando a atenção para Bobby e em seguida para mim. – Vocês estão bem? – perguntou, me ajudando a levantar.
– Tô. – respondi saindo do armário, e notando que e Sam estavam acompanhados da xerife.
– Nossa, você tá acabada. – Comentou com um leve sorriso.
– Você já foi atacada por zumbis? – perguntei me aproximando dela e observando Dean e Sam ajudarem Bobby a sair. – Se não fosse por vocês, eu não imagino o que teria acontecido.
– Eu imagino. Sorte de vocês que assim que ajuntamos o pessoal da cidade, notamos que os zumbis haviam praticamente sumido. Então, nós seguimos os rastros e você já sabe.
– Então todos os zumbis estavam aqui? Pra quê?
deu de ombros.
– Não faço ideia. O importante é que acabou.
– Será?
– É o que eu espero.

's P.O.V Off

Depois de passarem a noite juntando os corpos, e Sam – na verdade, apenas Sam –, levou os corpos para o cemitério e os incendiaram.
– E aí, tudo bem? – perguntou Sam.
– Está. Eu só estou pensando nas famílias.
– É, deve estar sendo difícil pra eles.
suspirou.
– Difícil é pouco. Eles praticamente estão revivendo o luto dos entes queridos. – Sam assentiu, e o olhou. – Olha, eu sei que é muito esquisito eu pedir isso, mas por favor, se cuidem. Agora que a gente tem caçado separado, eu não consigo deixar de pensar no pior.
– É, eu sei como é. – Disse a abraçando de lado e ficando pensativo.
Poucos segundos depois, ouviram passos e, assim que se viraram, viram , Dean e a xerife se aproximarem.
– Se algum zumbi ficou pra trás, nós não achamos. – falou Dean.
Sam assentiu e olhou para a xerife.
– E os moradores?
– Apavorados, estão traumatizados. Alguns ligaram para os jornais, mas até onde eu sei ninguém acreditou neles.
– E você, como está? – perguntou .
A xerife a olhou, e com os olhos marejados, respondeu:
– Vou ficar bem.
Os quatro assentiram, pigarreou e perguntou.
– Estão todos aqui?
– Estão... – respondeu Sam. – Menos um.

...

Assim que estacionaram os carros em frente à casa de Bobby, os quatros notaram uma fumaça vinda de trás da garagem. Então eles caminharam até lá e encontraram o caçador assistindo o corpo da mulher queimar.
– Eu devo um pedido de desculpas, por ter perdido minha cabeça lá. – ele disse assim que os quatro se aproximaram.
– Bobby, você não nos deve nada. – respondeu .
– Olha, você sabe que eu não entendo nada de amor. – Dean entrou no assunto. – Mas pelo menos você passou cinco dias com ela, né?
– Foi, e é o que torna tudo pior... Ela foi o amor da minha vida. Quantas vezes eu terei que matá-la?
Os caçadores se entreolharam, e Dean disse:
– Você vai ficar bem, Bobby?
Bobby apenas balançou a cabeça e os quatro se entreolharam.
– Vocês tem que saber... Karen me disse por que Morte veio até aqui.
– Como assim?
– Eu sei por que ele apareceu no cemitério de Dakota do Sul... Ele veio atrás de mim.
– Como assim de você?
– Morte veio atrás de mim. Ele trouxe Karen de volta pra me dar um recado.
– Você, por quê? – perguntou .
– Porque eu ajudo vocês, seus filhos da mãe. – olhou para Sam. – Eu sou uma das razões de você dizer não a Lúcifer.
– Então foi um atentado contra a sua vida? – perguntou Dean.
– Eu não sei se eles queriam acabar com a minha vida, ou com meu espirito. Só sei que queriam me tirar do caminho.
– Mas você está bem, não é, Bobby?
Bobby apenas olhou para cada um deles, e voltou sua atenção ao corpo que queimava a sua frente. olhou para Dean, que se afastou e voltou para a casa. Em seguida, olhou para a irmã que também assistia a cena com o mesmo pesar que os outros.
Os três ficaram longos minutos ali, em silencio. Bobby não tirou os olhos das chamas nem por um segundo, e aquilo estava preocupando ainda mais os caçadores. Nunca conseguiriam imaginar o sofrimento do mais velho, mas sabiam o quão difícil era para ele.
olhou para a irmã e fez sinal com a cabeça, informando que voltaria para a casa. e Sam ficaram mais alguns segundos ali, mas depois resolveram deixar Bobby sozinho com seu sofrimento, já que aquele parecia ser o único jeito do caçador lidar com aquilo.
Estavam caminhando lentamente até a casa, e pelo olhar distante de Sam, já imaginava o que ele estava pensando.
– Agora eu que pergunto. Tudo bem?
Sam meneou a cabeça.
– Eu não posso dizer que não, mas não vou mentir e dizer que sim... Eu tô confuso.
Ela suspirou.
– Eu imagino. Essa foi uma das coisas mais loucas que a gente já viveu.
– Você nem imagina.
Os dois ficaram mais alguns segundos em silencio, até Sam dizer:
– Olha, , eu sei que já conversamos sobre isso, e também que estamos tentando entender o lado dos nossos irmãos, mas, se antes eu achava melhor nós quatro permanecermos juntos, agora eu tenho certeza. Ainda mais depois da nossa conversa lá no cemitério.
o olhou e suspirou.
– Sam...
Sam parou e ficou de frente para ela.
– Não, . Eu tô falando sério. Os demônios têm me cercado a todo instante. Anjos estão atrás de mim e você e sua irmã são um ótimo meio pra nos fazer dizer sim. Já aconteceu antes e eu não quero que aconteça de novo.
desviou o olhar e balançou a cabeça.
– Tá falando isso por causa do Bobby?
Ele assentiu, suspirando.
– Ele é uma das razões por eu dizer não. Todos vocês são, e eu sei que eles não vão medir esforços pra me obrigar a dizer sim. Eu não posso, eu não vou ficar em paz enquanto vocês estiverem longe de nós.
o olhou por alguns instantes. Ela via a preocupação nos olhos dele, e não podia deixar de se sentir culpada. Mas por mais que quisesse ficar com eles, ela tinha que levar em consideração o que a irmã pensava a respeito, e ela duvidava muito que estivesse disposta a se juntar novamente ao grupo.
– Eu não sei, eu preciso falar com a minha irmã, Sam. A provavelmente não vai querer e eu não vou deixar ela sozinha, caso ela diga não.
Ele assentiu compreensivo.
– Eu sei, ela vai falar que não precisa de babá e que vocês já sabem se cuidar. – ele disse soltando um riso sem graça.
sorriu assentindo.
– É.
– Mas fale com ela, tente convencê-la. Mesmo que ela não goste da ideia, ela precisa levar em consideração que o cerco tá se fechando pra nós.
Ela assentiu mais uma vez.
– Eu vou aproveitar os acontecimentos recentes pra ver se ela muda de ideia.
Ele assentiu.
– Obrigado.
Ela deu um meio sorriso e então os dois adentaram a casa. Passaram pela sala, que estava vazia e seguiram para o escritório. Dean estava com cara de poucos amigos, sentado na cama improvisada de Bobby e bebendo whiskey.
– Cadê a ? – perguntou.
Ele deu de ombros.
– Acho que lá fora.
Ela assentiu e enquanto Sam se juntava ao irmão, ela seguiu para frente da casa, a procura da irmã. estava dentro do Challenger, ouvindo musica, e com a cabeça recostada no encosto do banco, provavelmente estava perdida em pensamentos, já que fitava o teto do carro.
se aproximou e adentrou no lado do carona, fazendo dar um pulo e se endireitar no banco.
– Eita, calma. – disse rindo. bufou e balançou a cabeça, voltando a sua posição anterior. – Tá tudo bem?
– O que você acha?
meneou a cabeça e suspirou. Ficou na mesma posição que a irmã, e ficaram em silencio por alguns segundos.
– Pensando bem, foi uma pergunta idiota, desculpe.
– Hum.
– Eu fiz a mesma pergunta pro Sam e ele foi muito mais educado.
soltou um riso irônico.
– Isso porque ele tem mais paciência do que eu pra responder perguntas idiotas.
soltou um riso sem graça. Ficaram mais alguns segundos em silencio e balançou a cabeça.
– Eu tô muito mal, cara. Com tudo. Esse lance deles voltarem no tempo, esse lance dos mortos voltarem, o Bobby, o Sam, o Satã cercando ele... Não é mole não.
Ela assentiu.
– Nem um pouco.
– Ele tá bem?
– O que você acha?
deu um meio sorriso.
– Finalmente aprendeu.
assentiu e suspirou.
– Ele tá confuso, coitado. Claro que tá bem pior do que ele me disse, mas eu não vou ficar enchendo ele com perguntas.
– Faz bem.
– Mas ele me fez um pedido que eu acho melhor não recusar.
– O quê?
– Ele pediu que a gente voltasse a caçar com eles. – ela finalizou e olhou para a irmã, que não esboçou reação. – Depois de todo aquele lance da nossa possessão, os bruxos trocando ele de corpo e o resto todo, tem deixado eles ainda mais estressados e preocupados. O que acha?
– Eu acho que tem razão, eles estão bem estressados.
– Não tô falando disso. Tô falando da ideia de voltar a caçar com eles.
– Eu não gostei.
soltou um muxoxo.
– Olha, , eu sei que não te agrada voltar a caçar com eles, sei que isso fere seu orgulho e vai ser como voltar atrás com sua palavra. Mas você não acha que tem coisa muito mais importante rolando? Algo que merece mais atenção do que o orgulho que você sente?
fez uma pausa, a irmã não respondeu. Bufou e continuou:
– O Sam disse que nós – todos nós –, somos motivos de ele continuar dizendo que não. De alguma maneira, a gente o mantem forte. Eu não sei quanto tempo ele vai conseguir resistir, mas eu não quero ser o motivo da desistência dele, nem quero que você seja.
– Por que tá dizendo isso?
– Porque já nos usaram antes, pra fazê-lo dizer sim e matar o Dean. Acabaram de tentar tirar o Bobby do caminho. Acha que eles não vão tentar fazer de novo com ele ou com a gente?
suspirou e virou o rosto pra janela. Estava pensativa.
– Eu sei que você tá disposta a ajudá-los, sei também que faria o possível pra poupar mais problemas. Por que não faz esse sacrifício agora?
olhou para a irmã e então as duas se encararam por alguns segundos.
– E aí?
Ela suspirou.
– Eu vou pensar no assunto.
assentiu compreensiva e saiu do carro.

...

Mais tarde na casa, Bobby bebia vários copos de whiskey um atrás do outro, e os motivos eram óbvios. olhou para Dean, que permanecia com a mesma cara desde mais cedo. E e Sam permaneciam sentados no sofá, sem dizerem uma palavra.
Tudo estava quieto até Castiel aparecer. Sam e Dean se levantaram e foram até ele, que estava visivelmente mal.
– Castiel? Seu maluco você conseguiu. – disse Dean, o segurando por um lado enquanto Sam o segurava pelo outro.
– Consegui? Estou muito surpreso. – respondeu antes de desmaiar nos braços deles. Os dois o colocam sobre o sofá e olharam para os outros, que assistiam a cena boquiabertos.
– Ele vai ficar bem? – Perguntou .
Dean deu de ombros.
– Eu acho que ele vai sair dessa. Quer dizer, ele voltar de lá já é um bom sinal, não é?
Os cinco fizeram silencio até Sam dizer:
– Dean, você já parou pra pensar que todos acham que vamos dizer sim?
– Eu sei e já tá ficando chato.
– E se tiverem razão?
– Não tem.
– Quer dizer, eu não sei por que é que algum de nós iria, mas eu já fraquejei antes e o Miguel fez o pai dizer sim.
– Sam, isso foi diferente. A Anna ia matar a nossa mãe.
– E se você pudesse salvar a mãe? O que você diria?
– Eu não sei. – respondeu Dean, abaixando a cabeça.
Todos ficaram alguns segundos em silêncio, até bufar e dizer:
– Sério isso, gente?
– O quê? – perguntou Sam.
– Isso tudo. – disse se levantando impaciente. – Vocês aí dizendo isso. Dean, cadê o cara que me disse que não acredita em destino? Sam, eu me lembro de que por várias vezes, você disse que não iria desistir até acabar com toda a bagunça que você mesmo começou. Me desculpem, mas se for pra darem por vencidos antes mesmo de começarmos, me digam logo pra eu não perder mais tempo.
Ela fez uma pausa e ninguém respondeu. a olhou com a sobrancelha erguida. Era impressão dela ou a irmã tinha acabado de falar que ficaria e ajudaria?
, do que você tá falando? – ela perguntou. – Resolveu concordar comigo e com o Sam?
Ela deu de ombros.
– Talvez.
– Concordar com o quê? Eu perdi alguma coisa? – Dean perguntou.
– Eu e o Sam conversamos e achamos melhor todos nós permanecermos juntos. – respondeu. – Vai ser melhor, um ajuda o outro e poupamos vocês de preocupações.
– Olha, vocês sabem que minha porta vai sempre estar aberta pra vocês, mas eu não quero babás atrás de mim.
– Tudo bem, a gente vem te visitar sempre que possível, Bobby. – respondeu e olhou para Dean. – Tudo bem pra você?
Dean a olhou e então deu de ombros.
– Eu não posso negar que é bem melhor assim.
Ela assentiu.
– Então, ótimo. Eu vou tentar não transformar sua vida num inferno, então faça o mesmo.
– Feito.
– E então é isso? – perguntou Sam, enquanto Dean servia para cada um, um pouco mais de whiskey.
– É isso, o quê? – respondeu .
– Time do livre arbítrio... – Dean comentou, rindo da própria desgraça. – Um viciado em sangue, um vagabundo, um bêbado, Debi e Lóide, e um anjo que tá ali em coma, olha lá... Fantástico!
– É... Discutimos a parte do Debi e Lóide depois, enquanto a gente raspa as sobrancelhas do Castiel, mas enfim... Quem tá dentro? – perguntou , erguendo o copo de whiskey.
– Eu tô. – respondeu , se levantando e aproximando seu copo do da irmã.
Bobby olhou para os lados, mas não tinha outra opção, então fez o mesmo, assim como Sam. Dean olhou para cada um e propôs o brinde:
– A nós.
– A nós. – repetiram, mais aliviados.
Algo que sentiram pela primeira vez depois de muito tempo.


My Bloody Valentine

– Então, foi você que achou os corpos? – perguntou a amiga da vítima. Era noite e ela e estavam na casa onde literalmente, um casal comeu um ao outro.
– Tinha sangue por toda a parte. E outras coisas... Acho que Alice já estava morta.
– E o Russel?
– Eu acho que estava também, mas parecia que ainda estava mastigando, sei lá. – e se olharam enjoadas. – Como duas pessoas podem fazer isso? Se devorarem até a morte?
– É uma boa pergunta... Me diga, nos últimos dias você notou se ela andava diferente? – perguntou.
– Como assim?
– Assim... Ela parecia mais hostil, agressiva?
– Nem pensar. Alice não bebia, nem xingava. Era uma garota legal e eu digo legal mesmo. Ela ainda guardava o anel de castidade, se é que me entendem.
– Ela era virgem? – perguntou.
A garota assentiu.
– E ia ser até casar... Nunca entendi como ela conseguia. Vocês sabem... Ficar virgem... Era a primeira saída dela em meses. Estava tão excitada.
– Parece que os dois estavam. – comentou olhando para a cena do crime.

...

– Os dois ainda estão no necrotério? – perguntou para assim que a irmã desligou o celular.
As duas estavam voltando para o motel.
– Não, já voltaram. Parece que eles têm novidades... Ah, e o Sam pediu pra passarmos numa lanchonete.
– Ok. Eu também tô com fome e com uma vontade imensa de tomar refrigerante.
As duas então partiram para a lanchonete mais próxima e depois foram para um posto de gasolina. Enquanto abastecia o carro, queria mesmo comprar um chocolate.
– E então? – perguntou dirigindo de volta para o motel. – Como vai ser esse Dia dos Namorados? – ela olhou para , que abria uma barra de chocolate.
– Não sei. Acho que não vamos fazer nada. Ainda mais com esse caso.
– Ah, qual é, Ray! Eu e o Dean podemos cuidar disso enquanto você e o Sam se divertem. – ela sorriu. – Se é que você me entende...
– Vou fingir que eu não vi esse sorriso estranho no seu rosto.
As duas riram.
– Mas é sério, olha, esse é o segundo Dia dos Namorados de vocês, o primeiro eu tenho certeza que passou batido, já que foi dias depois do Dean morrer, mas agora nada impede vocês de comemorarem.
– Tem uma coisa que impede sim. Esqueceu que não estamos juntos?
– Uma ova que não estão. Só porque não voltaram oficialmente, não quer dizer que estão separados. Caramba, vocês vivem colados, vivem dando uma escapada, achando que a gente não vê e agora você vai ficar dando uma de migué?
riu.
– Não é isso, mas é que pra mim não faz sentido comemorar o Dia dos Namorados com alguém que não é seu namorado.
– Nossa, nada a ver. Isso é muito ultrapassado, sabia?
– Ah, é? Então quer dizer que você e o Dean vão comemorar também?
E na mesma hora, a olhou de relance.
– Tá doida, é?
– Ué, eu achei que comemorar o dia fosse ultrapassado.
– E é, mas comemorar o Dia dos Namorados com alguém que um dia pode ter sido seu namorado é totalmente inaceitável.
riu.
– É nada.
– Vai nessa... Agora você e o Sam...
– Não quero falar disso. – fez uma pausa e quando a irmã riu, continuou. – Você e o Dean nunca tiveram um Dia dos Namo...
– Não quero falar disso – respondeu categoricamente.
a olhou de relance e soltou um riso pelo nariz, mordendo um pedaço de seu chocolate.
– Bem, sobre você e o Sam comemorarem, vocês que sabem. – disse após alguns segundos, dando de ombros e encerrando o assunto.
Não demorou muito para chegarem ao motel. Desceram do carro com a comida e foram direto para o quarto deles, os encontrando ainda de terno, e mexendo nos laptops.
– E aí? – Dean perguntou assim que fechou a porta.
– Sem ectoplasma, sem enxofre. – tomou um gole de refrigerante e colocou o saco de papel pardo na mesa.
Sam abriu o saco e tirou um hambúrguer de dentro.
– Fantasmas e possessão demoníaca provavelmente também não. – completou, se sentando e abrindo outra barra de chocolate.
– Você tava apostando nisso? – Dean perguntou.
– Não.
Dean suspirou e coçou os olhos.
– Ainda bem, porque não é nada disso.
– Como assim? – perguntou, pegando seu lanche.
– Vou começar pelo começo... Nós fomos ao necrotério e ah, cara!... Os dois começaram a se devorar, e continuaram. Os estômagos estavam cheios. – ele comentou tranquilo, abrindo o saco de lanche e pegando um hambúrguer. olhou para o lanche em sua mão com nojo. – Tipo depois de um jantar de Ação de Graças. – olhou para e Sam. Depois, ela deixou seu hambúrguer de lado e ficou só com o refrigerante. – Falando de co-dependência...
– Tá, tá. – levantou a mão. – Me poupe dos detalhes... Qual a novidade?
– A gente deu uma olhada em algumas partes dos corpos e um órgão em particular chamou minha atenção. – Sam respondeu. – O coração. Ou melhor, os corações.
– O que tem? – perguntou.
– Ambos têm uma marca idêntica. Parecia enochiano.
– Então foi um anjo? – perguntou.
– Não sabemos. – Dean respondeu. – Mandamos uma foto pro Castiel, mas até agora ele não respondeu... Não podemos fazer nada até que ele nos diga o que fazer.
– É, vamos parar por aqui. – Sam tomou um gole de refrigerante. – Não há mais nada a fazer por hoje.
olhou para , sorrindo. Quando notou o sorriso da irmã, ela a repreendeu com o olhar, mas era tarde demais.
– Ótimo. Vocês poderiam dar uma saída por aí, sabem? Esquecerem do trabalho... Agir como um casal normal no Dia dos Namorados. – deu de ombros. – Mesmo que vocês não estejam juntos, e estejam indo com calma... Ai! – ela sussurrou a última parte quando sentiu o soco que a irmã a dera por baixo da mesa.
Sam olhou para pensativo e depois olhou para , que fuzilava a irmã com o olhar.
– Acho uma boa ideia. – Dean comentou com a boca cheia. – Vocês precisam se divertir.
– Vocês também. – respondeu.
– O Dean, eu não sei, mas eu vou me divertir bastante pesquisando, não se esqueça de me mandar a foto dos corações, Sam. – disse. – A gente não precisa esperar pelo Castiel. Mas enfim, aonde vocês vão?
– Bem... – Sam olhou para . – Quem sabe um jantar?
– Mas você acabou de comer. – riu.
– É, mas eu não me importo de comer comida italiana ou quem sabe japonesa agora.
– Que romântico. – respondeu rindo. – Ai! Que droga, Ray, pare de me bater! – ela lançou um olhar de morte para a irmã e depois olhou para Sam. – Acho que ela tá precisando de um pouco de carinho, Sam. – riu e se levantou depressa, antes que pudesse lhe dar outro soco.
Sam riu e olhou para .
– Então... Vamos?
– Ah... – sorriu sem graça. – Ok.
– Então vamos pro quarto. – abriu a porta. – Você precisa se arrumar pro seu encontro.
– É melhor você correr. – falou entredentes e caminhou até a porta.
soltou um gritinho e saiu correndo, foi atrás, batendo a porta.
– Sinceramente, eu ainda não entendo como elas sobreviveram até hoje. – Dean comentou com o irmão assim que fechou a porta.
– Elas são assim, mas não são burras. – Sam se levantou. – Eu vou me arrumar... Aliás, você tá pronto?
– Como é?
– Você sabe... Liberar o Kraken... Amanhã a gente se fala...
Dean o olhou sem entender.
– E onde é que eu vou?
– Dean. É Dia dos Namorados... É o seu feriado favorito, lembra? Como é que você chama mesmo?... O Natal do garanhão selvagem.
– Ah, é... – Dean se levantou. – É... Bom, seja como for, não sei não. – ele olhou para Sam e pegou uma garrafa de cerveja em cima da pia. – Não tô muito afim esse ano.
Sam o analisou por alguns segundos, com a boca entreaberta num sorriso.
– Então você não vai a um bar cheio de mulheres sozinhas?
– Acho que não. – ele deu de ombros e tomou um gole da cerveja. Sam ainda o encarava curioso. – O que é?
– Quando um cachorro recusa comida, a gente sabe que tem alguma coisa errada.
– Preocupação fraternal anotada... Sem problema...
Sam o olhou desconfiado e foi até sua mala.
– Isso não tem nada a ver com a , tem? – ele perguntou pegando uma muda de roupa.
– Não. – Dean respondeu e voltou a se sentar. – Por quê?
– Ah, sei lá... Você tá estranho. – ele deu de ombros e foi até o banheiro. Antes de abrir a porta, ele voltou sua atenção a Dean. – Tem a ver com a Lisa?
Dean rolou os olhos e bateu a garrafa na mesa, assim que tomou um gole.
– Sam, eu acho que você tem um encontro daqui a pouco, não tem? – ele perguntou irritado.
– Tá... Entendi. Desculpa. – Sam entrou no banheiro.

...

– Olha só! – comentou impressionada quando voltou para o quarto e viu a irmã.
Ela tinha saído para comprar refrigerante, e voltou com um engradado.
– Eu sei, eu sei. – terminou de calçar os sapatos. – Tô maravilhosa.
– Ah... Tá. – olhou estranho para a irmã e colocou o engradado na geladeira, pegando uma lata para si. – Gostei do vestido... Vocês vão voltar hoje ainda?
– Não sei, sua sem-vergonha. – riu. – Bem... Eu vou indo. O Sam me mandou uma mensagem há uns quinze minutos dizendo que tá pronto.
– Ah, sim. Ele tá lá fora e posso garantir que ele tá muito gato. – ela piscou para a irmã.
– Me deseje boa noite. – ela sorriu caminhando até a porta.
– Boa noite. – disse abrindo a lata.
saiu do quarto e no estacionamento, ela encontrou Sam encostado no Impala de terno e gravata. Não o mesmo de mais cedo, ainda bem.
– Hm... Que sexy. Parece até um cartaz de perfume masculino. – ela sorriu e se aproximou de Sam, que sorria de volta.
– Você também não tá nada mal. – Sam se afastou do carro e abriu a porta para .
– Nossa, a porta tá tão pesada assim?
Sam riu e fechou a porta. Deu meia volta no carro, entrou e deu partida.
O encontro teve tudo para dar certo, a não ser pelo fato de Sam não ter encontrado nenhum restaurante decente para um jantar romântico.
– Desculpe, senhor, mas não temos mesas disponíveis. O senhor devia ter feito uma reserva. – a recepcionista respondeu para Sam, que sorriu forçado.
“Até o sorriso forçado dele era de um gentleman.”, pensou.
– Obrigado. – ele respondeu e os dois saíram do restaurante.
– Eu não sei, mas eu tô com a sensação de que há várias mesas disponíveis naquele boteco na esquina do motel. – comentou sorrindo, agarrando o braço de Sam.
Sam olhou para e riu.
– Seria constrangedor a gente pedir amendoim e cerveja vestidos dessa forma... Eu devia ter feito uma reserva quando chegamos à cidade. Eu não fiz achando que em cidade pequena ninguém se divertia, mas...
– Você tava errado... Caipiras também amam, Sam. – olhou para Sam e riu. Sam riu logo em seguida. – Espera aí, você tava planejando alguma coisa pra hoje?
– Tava. – ele riu. – Você achou que estamos aqui graças à sua irmã? – não respondeu. – Não me subestime, ... Caçadores também são românticos. – riu. – Mas não sabem montar um itinerário... Desculpe, eu estraguei o Dia dos Namorados. Acho que as caipiras estão tendo uma noite melhor que você.
– Não mesmo... Tudo que elas têm é um cara normal e sem graça... Eu tenho você. – ela olhou para Sam e piscou para ele. – Vamos fazer a noite valer a pena do nosso jeito, ok?
Sam riu.
– Ok.
Os dois entraram no Impala e deram mais uma volta pela cidade. Foi quando teve a brilhante ideia de ir ao cinema, até encontrarem algum restaurante disponível. Os dois assistiram ao filme mais legal disponível para aquele momento, que era um filme de comédia sem graça e antiquado.
– Olha, o filme não foi tão ruim assim. – comentou.
Ambos estavam caminhando pela calçada, a fim de encontrarem um local mais decente que o habitual para comer.
Sam passou um braço ao redor do ombro da moça e suspirou.
– Você é uma péssima mentirosa.
Ela riu.
– Tá, tudo bem, eu preciso treinar um pouco mais. – suspirou. – Olha, geralmente, filmes de comedia não precisam ser necessariamente engraçados.
Ele assentiu.
– Então esse é um ótimo exemplo.
– Você fala assim, mas eu bem que vi você rindo.
– Eu?
– Você mesmo. Qual é Sam, você não me engana.
Ele meneou a cabeça.
– Tá, teve alguns momentos que minha boca se curvou involuntariamente para cima.
Ela gargalhou pela maneira como ele se defendeu.
– Ora, Sam, confesse que seu humor não é dos mais refinados.
Ele assentiu sorrindo.
– Tudo bem, mas que isso não saia daqui.
– Pode deixar... O que será que aconteceu ali? – perguntou ao notar certa movimentação virando a esquina, e vendo a luz de sirenes.
– Deve ter sido algum acidente.
Os dois se entreolharam e caminharam até lá. Era um prédio, e a pericia já colocava o terceiro corpo no carro. A polícia tentava afastar uma aglomeração de curiosos, mas os dois puderam ouvir algumas pessoas comentando sobre tiros e suicídio.
– Acha que pode ter a ver com o que aconteceu ontem? – perguntou baixinho para Sam.
– Vale a pena checar. Eu vou ligar pro Dean.
– A gente pode ir.
Ele fez que não e pegou o celular.
– Não, a gente ainda não terminou a noite e os dois disseram que se encarregariam se houvesse mais alguma coisa... Dean? – perguntou ao telefone.
Depois de Sam falar com o irmão, ele e voltaram para o carro e rodaram a procura de algum lugar decente para comer, no final, acabaram indo para uma lanchonete 24hrs, que continha mais gente solteira a fim de paquerar, do que casais querendo passar algum tempo juntos.

havia saído para comprar refrigerante de laranja, já que estava enjoada de tanta Coca-Cola. O fato era que ela adorava refrigerante, e nos últimos dois dias, seu gosto pela bebida se tornou m vício. Vicio do qual ela não conseguia parar. E no momento não queria.
De qualquer forma, a bebida estava deliciosa.
Estava voltando para seu quarto para continuar sua pesquisa sobre a marca enochiana, que estava lhe dando nos nervos, já que não estava conseguindo chegar a lugar algum, quando avistou Dean batendo na porta do quarto delas.
– Precisa de ajuda? – ela perguntou em tom alto. Dean se virou e caminhou até ela. – Ainda com essa roupa?
– Ah, é. O Sam me ligou faz um tempo, dizendo que aconteceu alguma coisa no centro da cidade. Vou lá dar uma checada.
– E quer que eu vá junto?
– Não, na verdade eu ia pedir seu carro emprestado.
Ela ergueu as sobrancelhas e tomou um gole da bebida.
– Como ousa pedir meu carro e não uma carona?
Ele também ergueu as sobrancelhas.
– E você vai querer ir?
Ela deu de ombros.
– Por que não? Só espera eu me trocar.
– Beleza.
voltou para o quarto e colocou sua roupa de mais cedo, sem esquecer-se de pegar seu distintivo falso e a chave, ela encontrou Dean recostado ao lado do Challenger.
– Vamos?
Ele assentiu e os dois adentraram o carro. Seguiram o caminho em silencio nos primeiros minutos, o que estava incomodando , já que ela sabia que aquilo tornaria o caminho ainda mais longo.
Ela suspirou e ligou o rádio, que tocava o Get Weird do Little Mix, e a música estava possivelmente alta demais, já que quando ouviu Hair, Dean deu uma afastada e uma olhada meio estranha para , que riu e imediatamente abaixou o volume.
– Desculpe, talvez eu tenha deixado um pouco alto demais e me esqueci de abaixar.
– Talvez?
Ela riu de novo.
– É. – ela soltou mais um riso, então começou a cantarolar baixinho: – "Friend you need to get your phone, erase that number, don't call him back 'cause he don't deserve that…" – ela balançou a cabeça e olhou de relance para Dean, que continuava a julgando pelo olhar. – E aí?
Ele deu de ombros.
– Me diz você.
Ela também deu de ombros e resolveu tentar puxar assunto.
– Eu passei horas e horas pesquisando sobre a marca e adivinha.
– Não conseguiu nada. – ele presumiu.
– Exato. É bom o Castiel aparecer logo.
– Concordo.
– Você tava ocupado quando seu irmão te ligou?
– Não, tava só assistindo, passando o tempo.
– E por quê?
Ele a olhou por alguns segundos e então comprimiu os lábios e deu de ombros mais uma vez.
– Eu preciso de um motivo pra assistir TV?
– Não, mas é estranho você passar o tempo assim.
– Como assim, estranho? Não é a primeira vez que faço isso.
– Eu sei que não, mas eu tô falando isso porque hoje é seu dia. – e quando ele a lançou um olhar de interrogação, ela emendou com um sorriso: – O Natal do garanhão selvagem.
– Ah. É, eu sei, mas hoje eu não tô muito afim de sair.
instantaneamente arregalou os olhos.
– Tá falando sério?
– Tô.
– Você tá bem?
– Como nunca estive.
– Tem certeza?
– Tenho, por que é tão difícil de acreditar nisso?
– Bom, porque é estranho, semana passada mesmo você disse que tava se preparando pra atacar.
Ele deu de ombros.
– Mas eu não tô muito animado agora.
Ela assentiu.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não. Por que tanta pergunta?
– Eu não sei, Dean, eu só quero conversar.
Dean a olhou por alguns instantes e franziu o cenho. No mesmo instante, Grown começou a tocar.
– Que foi? Que cara é essa?
– Nada, só que eu não sou o único a fazer algo estranho hoje.
– Por que tá dizendo isso?
– Bom, primeiro porque você me ofereceu carona, e segundo, você tá querendo conversar. Vamos concordar que você tem me evitado o máximo possível, né?
– Eu? – ela perguntou com a boca entreaberta num sorriso. – Impressão sua, eu tô aqui, não tô?
– Impressão minha nada. Voltamos a caçar juntos faz duas semanas e durante todo esse tempo você evita ficar sozinha comigo e quando a gente se divide, você se prontifica a ficar com sua irmã.
Ela soltou um riso.
– Claro, você queria o quê? Que eu ficasse grudada em você?
– Não, de forma alguma, e eu nem tô falando isso pra puxar briga, mas é a verdade, e contra fatos não há argumentos.
Ela suspirou e assentiu.
– Tá, eu confesso. Eu tenho evitado o máximo possível, mas não é por mal. Acontece que eu disse que não tornaria sua vida um inferno e você concordou.
– E ainda concordo.
– Então, tem forma melhor de evitarmos fazer nossa convivência um inferno do que evitar o máximo um contato que pode ser evitado?
Ele meneou a cabeça.
– Não posso dizer que não tá funcionando.
– Então. – ela deu de ombros. – E quem sabe, com o tempo, a gente não volta a se sentir a vontade um com o outro como antes?
– Eu não me sinto desconfortável, você se sente?
Ela meneou a cabeça.
– Nos primeiros dias talvez, mas as coisas foram ficando melhores com o passar dos dias.
– Então você não precisa mais me evitar.
– É, e essa conversa é um bom começo, não acha?
– Claro.
Os dois ficaram alguns segundos em silencio, até Dean dizer:
– E o que vai fazer agora?
Ela o olhou sem entender.
– Falo sobre a pesquisa.
– Ah, sim. – suspirou. – Eu desisti. E dependendo do que vamos encontrar lá no necrotério, talvez eu tente continuar pesquisando ou talvez eu vá assistir algum filme, ou quem sabe, eu não saia por aí e faça do seu feriado, o meu?
– Boa sorte com isso.
– Nossa, fazendo desdém, Dean? Por que o Natal do garanhão selvagem não se aplica a mim?
– Não, ele pode se aplicar sim, mas você seria mais um alvo.
– Pensando por esse ângulo, não é nem um pouco legal. Acho que eu vou ficar com a segunda opção e assistir Chicago Fire online. Vem cá, você aproveitou seu feriado ano passado?
Dean pendeu a cabeça. Estava duvidoso quanto a curiosidade dela sobre o que aconteceu após se separarem.
– Tem certeza que quer falar disso?
Ela deu de ombros.
– Por que não falaria?
– Você sabe por que.
Ela bufou e abaixou um pouco mais o volume do rádio.
– Olha, não precisa falar como se eu tivesse que repensar sobre o que perguntar. – respondeu mais séria. – Eu sei o que houve ano passado, um mês antes do feriado. Como eu também sei que superamos e que estamos dispostos a não ficar presos ao passado, mas isso não significa que não podemos conversar sobre. Qual o problema de você me falar que sim, você curtiu a data e até mesmo depois com outras mulheres? Não seria uma novidade pra mim.
– Bom, se já sabe, pra que pergunta?
– Ah, então eu tava certa?
– Eu não afirmei nem neguei nada. Você tá tirando conclusões precipitadas.
– Bom, eu não tô errada, tô?
– Você não é a única que tem direito de seguir em frente.
ficou alguns segundos em silencio, quando I Love You começou a tocar.
– Do que você tá falando?
– Como se você não soubesse.
Ela mordeu o lábio. Sabia exatamente do que ele estava falando. De quando ela fora possuída e o demônio acabou dando a entender que ela se envolveu com outros caras, inclusive Benjamin.
– Você disse que queria deixar o assunto quieto.
– E continuo achando, então talvez seja melhor você continuar praticando aquele lance de me evitar.
Ela balançou a cabeça.
– Não, Dean. Eu disse que queria falar com você sobre aquilo, você não quis. Mas agora você tá jogando na minha cara, tirando conclusões precipitadas.
– Agora me responde, eu tô errado?
– Não tá cem por cento certo.
Ele soltou um ar de deboche. respirou fundo e disse:
– Eu não vou ser hipócrita e dizer que não saí com ninguém. Eu ter sido pega por um demônio deixa bem claro isso... Mas não foi do dia pra noite, Dean. Levou meses. Meses de raiva e tristeza, eu não consigo nem descrever o quanto me senti mal, a não faz nem ideia disso, porque eu disfarçava muito bem. – ela fez uma pausa e respirou fundo mais uma vez, tentando manter o tom de voz tranquilo. – O Benjamin foi o único que me viu desse jeito. – e mais uma vez, Dean fez cara de desdém, fazendo emendar: – Pode achar ruim o quanto quiser, eu não ligo. O Benji é uma das pessoas mais importantes da minha vida, e ele me ajudou a sair da fossa que estava enfiada...
– Olha, não precisa explicar mais nada, de verdade.
– Não, eu faço questão, e não é porque eu quero que você saiba, mas porque eu não quero que pense coisas de mim ou do Benjamin. Eu não contei isso pra , então espero que você não comente nada com ela, você sabe que ela surtaria.
– Vamos dividir um segredo agora?
bufou e rolou os olhos, resolveu ignorar e continuar falando:
– A gente conversou, bebeu... A gente se divertiu, mas eu acabei agindo por um impulso... O demônio não mentiu, mas exagerou... Eu fiquei com ele, a gente esteve a ponto de fazer algo que eu me arrependeria pro resto da minha vida... Mas não aconteceu, e se quer saber, não foi porque eu não quis. Foi porque ele sabia que ali não era eu. Eu estava fora de mim por sua causa, e não tô te culpando, que fique claro. E também não saí com tantos caras assim, eu não consegui. Eu não sentia vontade e você sabe por que. E a culpa é toda sua.

““I just wanna scream out 'til my voice breaks
Even if the tears fall and my heart hates me
I just wanna know how I can save me
Even if these three words choke and take me
Baby, I love you”

Dean a olhou e sustentou o olhar, quando parou no semáforo. Não sabia por quanto tempo ficou o encarando, mas quando ele desviou o olhar, disse:
– Eu fui sincera com você agora, e tudo que eu peço, é que você seja sincero comigo agora. O que você fez durante esse tempo sozinho? – ela teve cuidado ao escolher as palavras.
Ela sabia pela boca da irmã, que Dean passou um bom tempo em Indiana, o que a deixou intrigada, porque Dean não fazia o tipo que ficava em um único lugar por tanto tempo sem fazer nada. não soube dizer por que ele esteve morando ali, sendo que ele podia simplesmente ter ficado com Bobby, e Sam não dava muitos detalhes, talvez porque também não soubesse. A curiosidade de não deixaria que Dean falasse por livre e espontânea vontade, até porque ele não faria isso.
Não se tivesse algo a esconder.
E ele realmente tinha, mas não porque queria.
Acontece que logo depois de sair da casa de Bobby, ele viajou por algumas cidades. Fazia duas semanas que não estava abaixo do teto de Singer e naquele momento, em Indiana, ele acabou reencontrando um caso do passado. As coisas foram rolando e com o passar do tempo, o que antes era algo passageiro, acabou se tornando permanente. Por quatro meses.
As coisas acabaram um mês antes de ele e o irmão se juntarem e por parte dele, não porque ele não passou a gostar de Lisa, mas porque o irmão precisava mais dele no momento.
E ele nem pode deixar de sentir um alivio por tudo ter acabado antes de ele reencontrar . Não queria nem pensar em como seria se as coisas tivessem acontecendo de outro jeito. E nem sabia como a moça reagiria se soubesse.
Ele a olhou e percebeu que esperava uma resposta.
– Eu continuei caçando. Com menos frequência, mas eu não tinha muito que fazer. Até ajudei o Castiel com algumas coisas, mas...
Oi, Dean. – Castiel o cumprimentou.
quase que teve um infarto e Dean olhou imediatamente para trás, encontrando o anjo sentado no meio.
– Pensei que não viria mais... Você viu as fotos? – ele perguntou.
– Vi, e o Sam tem razão. A marca é angelical.
– E o que são elas? O que elas significam? – perguntou.
– É a marca da união. As vítimas deviam se acasalar.
– Tá, mas quem fez as marcas? – Dean perguntou.
– Bom... Seu povo o chama de cupido.
– Como é? – perguntou.
– O que o mito humano chama de cupido, é na verdade uma ordem inferior de anjo. Um querubim. Terceira classe.
– Um querubim? – Dean perguntou só para confirmar se ouviu direito.
– É. Andam por todo o mundo. Tem dezenas por aí.
– Você tá falando do menino gorducho de fralda?
– Eles não usam fralda.
– Tudo bem. – interferiu. – Então o que você tá querendo dizer é que...
– Estou dizendo que um cupido enlouqueceu e nós temos que acha-lo antes que ele mate novamente. – Castiel respondeu irritado.
olhou para Dean e sorriu com a irritação e a obviedade de Castiel.
– Naturalmente. – ela concordou.
– É claro que temos. – Dean concordou, olhando para Castiel com a boca torcida e os olhos semicerrados, assentindo.
Claro que Castiel não detectou o sarcasmo.
– Pra onde estamos indo?
– Ah, pro necrotério, vamos investigar.
– Acham que pode ter a ver com o cupido?
– Não sabemos, pra isso vamos investigar. – Dean respondeu.
Os três seguiram em silencio por alguns minutos até estacionar de frente para o necrotério. A moça resolveu esperar no carro com o anjo, enquanto Dean averiguava os corpos.
– E aí, Cass? Tudo bem? – ela perguntou, o olhando pelo retrovisor.
Ele assentiu.
– Estou, e como vão vocês?
Ela deu de ombros.
– Vivos, esperançosos e de saco cheio do que tá acontecendo.
– O que isso significa?
– Ah, que a gente não aguenta mais ficar pensando e se preocupando com esse lance de apocalipse.
– Como o Sam está lidando com isso?
– Do mesmo jeito. Diz que tá tudo bem, finge que nada o afeta tanto, mas todo mundo sabe que não é essa a realidade. Mas confesso que melhorou muito depois que eu e a nos juntamos com eles novamente.
– Foi uma boa decisão.
– Quem sabe.
Os dois passaram o restante do tempo em silencio. Não demorou muito para Dean voltar para o carro com noticias.
– Os corações de dois estão marcados, um casal. O cara que foi morto não foi atingido, só estava no local errado, na hora errada. – ele se virou para Castiel. – Onde é que a gente acha o cupido?

Os três então partiram para o local onde Castiel havia sugerido.
– Como é que você sabe que ele gosta desse tipo de lugar? – Dean perguntou, pegando o Ketchup e colocando em seu hambúrguer, que a garçonete tinha acabado de levar.
Os três estavam em um restaurante, esperando pelo cupido.
– Este lugar é um centro de reprodução humana. E certamente o tipo de... – Castiel olhou para o lanche de Dean. – Jardim que o cupido gosta de pulverizar.
Dean assentiu e pegou o lanche. Prestes a morder, ele olhou para a comida, suspirou e a colocou de volta no prato.
assistiu a cena com certa curiosidade. Se tinha alguém que nunca recusava comida, esse alguém era Dean.
– Espera aí. – ela tomou um gole de refrigerante. – Você não tá com fome?
Dean olhou para a comida e depois para .
– Não. – o olhou sem entender. – Que é? Tô sem fome.
– Então não vai comer isso? – Castiel perguntou, olhando interessado para o hambúrguer.
Dean negou com a cabeça, e então Castiel pegou o lanche. e Dean o olharam sem entender. Era um evento quando Castiel comia.
– Ele está aqui. – Castiel comentou, olhando pelo restaurante segundos antes de morder o lanche.
tomou um gole de refrigerante e olhou pelo local. Dean fez o mesmo.
– Onde? – perguntou. – Eu não tô vendo nada.
Castiel olhou o lugar com mais atenção e parou o olhar em um casal que se beijava intensamente.
– Lá.
e Dean seguiram seu olhar.
– Aquele casal ali? – Dean perguntou.
– Encontrem-me nos fundos. – Castiel respondeu.
Os dois olharam para onde o anjo estava, mas Castiel não estava mais lá.
– Acha que um cupido é demais pra dois caçadores e um anjo? – perguntou conforme se levantava.
– Que isso, nós somos durões. Por que, tá com medo?
– Não, eu pensei em mandar uma mensagem pra .
– Que isso, deixa eles curtirem. – Dean abriu a porta dos fundos e deu espaço para ela passar.
– É, tem razão... Ainda mais porque ela me pediu que enrolasse um pouco mais pra voltarmos pro motel.
Então os dois se olharam por alguns segundos. E então começaram a falar a mesma língua.
– Manda uma mensagem pra eles. – Dean disse.
mordeu o lábio, contendo o sorriso e pegou o celular.
Não precisamos deles. – Castiel disse.
– A gente sabe, Cass. Mas eu tenho certeza que eles querem ajudar.
– Caso de vida ou morte? – perguntou enquanto teclava.
– Não, acho que é um pouco demais. Fala só que temos um problema.
Ela assentiu soltando um riso e continuando a teclar.

Depois de comerem um prato diferente, (ironicamente falando, já que comeram hambúrgueres e batata frita), pediu um sundae e o dividiu com Sam. Ou tentou, já que comeu a maior parte sozinha.
– Até que não foi ruim. – comentou Sam com .
Os dois estavam entrando no quarto da moça.
– Acha que os dois vão demorar? – ela perguntou tirando os saltos.
Sam deu de ombros.
– Pode ser, eu não sei.
soltou um muxoxo.
– Que pena, eu tinha planos pras próximas duas horas. – ela disse com um sorriso malicioso no rosto.
Sam soltou um riso.
– Acho que vão demorar sim, se quer saber.
Ela riu.
– Você é um danado, Sam. – ela se aproximou e colocou os braços ao redor do pescoço dele, o dando um selinho. – Eu mandei uma mensagem pra , dizendo pra ela enrolar mais um pouco. – deu mais um selinho, fazendo Sam sorrir. – Acho que a gente tem um tempinho ainda.
– O que eu faria sem você?
Ela soltou um riso.
– Eu não tenho ideia. – então ela o beijou.
Sam retribuiu, segurando a moça pela cintura e a aproximando ainda mais. tirou o paletó do rapaz, deixando-o cair no chão e voltou suas mãos para a gravata. Estava afrouxando a mesma quando o celular da moça tocou. Ignorou, e então começou a puxar a camisa branca que Sam vestia, deixando-a para fora da calça.
Aí seu celular tocou novamente.
Ela soltou um gemido incomodado e se afastou de Sam, praguejando alguma coisa. Pegou o aparelho e viu a primeira mensagem da irmã.
– Problemas? – Sam perguntou, olhando de relance para o celular.
– Sim. Parece que temos um cupido entre nós.
– Um cupido?
Ela assentiu e abriu a outra mensagem.
– Ela me mandou o endereço de onde estão, precisam da gente. – soltou um muxoxo e o olhou. – Tem como ser mais inconveniente?
Sam soltou um riso.
– Tem, é da sua irmã que estamos falando. E ela tá com o Dean, então é óbvio que eles fariam questão de serem inconvenientes.
rolou os olhos e bufou, voltando a calçar os sapatos.
– Acho bom eles estarem correndo risco de vida.
Sam riu, colocando a camisa para dentro da calça.
– Eu vou alugar um quarto pra gente quando voltarmos.
Ela sorriu e o fitou, abrindo a porta.
– O que eu faria sem você?
Sam pegou seu paletó e se aproximou dela.
– Eu não tenho ideia. – ele a deu um selinho rápido e saiu.
o acompanhou.
Sam então dirigiu até o endereço, que não era longe de onde estavam, e viram o Challenger estacionado a poucos metros antes do restaurante indicado no endereço.
Os dois desceram e foram até o local, mas não encontraram nenhum sinal de Dean ou de . Então voltaram para o carro e no meio do trajeto, ligou para a irmã.
– Cadê vocês?
Nos fundos do restaurante... Quer dizer, eu já tô dando o fora.
– Como assim? – ela olhou para Sam, que estava abrindo o porta-malas para pegar armas.
O Castiel não quer que eu fique. Tô indo pro carro.
– Ok. A gente te espera aqui. – desligou o telefone. – Ela tá vindo. Disse que o Castiel não quer que ela fique.
– Por quê?
– Sei lá. – ela deu de ombros.
– E AÍ? COMO FOI O ENCONTRO? – perguntou alto, atravessando a rua e se aproximando deles.
– O que tá havendo? – ignorou a pergunta.
– Eles estão falando com o cupido.
– E ele é tão perigoso assim pra você ter que ficar aqui?
Os três atravessaram novamente.
– Não, mas o Cass disse que seria embaraçoso se eu ficasse. – ela deu de ombros.
– Tá bom... , você fica aqui com a sua irmã que eu vou lá. – Sam comentou, entrando no estabelecimento.
– E aí, como foi? – perguntou animada.
– Horrível. – riu. – Não tinha restaurante disponível, então fomos ao cinema e assistimos a um filme mais horrível ainda.
– Nossa. – riu.
– E então depois fomos a uma lanchonete e comemos o mesmo de sempre.
– Que romântico. – ela respondeu irônica.
– O mais romântico da noite foi o sundae que dividimos... Ou quase dividimos, já que eu comi a maior parte sozinha... Por falar nisso, eu queria mesmo balas de gelatina.
– Nossa, segura a lombriga aí.
riu.
– Pois é. Acordei com um desejo enorme de doce. Daria tudo por um brigadeiro agora... Mas enfim. A melhor parte de longe foi quando voltamos pro motel, eu pedi pra minha irmã enrolar um pouco, pra que eu passasse um tempo com o Sam.
– E tenho certeza que ela respeitou seu pedido.
– Sim, mas aí ela me mandou uma mensagem pedindo ajuda.
– Pode ser importante.
– Ou nem tanto, já que ela não estava sozinha e gosta de ser inconveniente.
riu.
– Isso nunca passou pela minha cabeça.
– Aham, sei. Tenho certeza que o Dean também não teve nada a ver com isso.
– Claro que não.
– Sei... Bem, parece que não fui só eu e o Sam que tivemos um encontro romântico... – ela sorriu e cutucou o braço da irmã, que riu.
– Sim... Mais romântico que um filme idiota e um jantar no McDonalds, só uma passada ao necrotério e depois um jantar com o Dean recusando comida, e com o Castiel do nosso lado, olhando pro nada com cara de paisagem... Sem contar a caçada a um cupido.
riu.
– Como assim ele recusou comida?
– Nem me pergunte... O mais chocante é que o Castiel devorou o hambúrguer com o olhar. Logo ele que é “um anjo e não precisa de comida humana”.
riu e depois olhou assustada para a porta do restaurante, que foi aberta bruscamente. também olhou e viu Dean saindo nervoso e ignorando as duas.
– O que houve? – perguntou, vendo-o se afastar.
– Nada. – ele respondeu nervoso e rápido, indo para o nada.
Uma olhou para a outra e voltaram a olhar para a porta, que novamente foi aberta. Sam e Castiel saíram.
– O que aconteceu? – perguntou.
– O Dean bateu no cupido e espantou ele. – Castiel respondeu.
– E por quê?
– Porque ele tá estressado desde que chegamos aqui, e eu não sei por quê. – Sam respondeu.
– Deve ser crise da quase-meia-idade. – deu de ombros e sorriu. – O cupido é um frango por ter ido embora por causa de um soco.
– Não. Ele é um querubim no corpo de um homem. – Castiel respondeu.
rolou os olhos.
– Ela quer dizer que ele é medroso, Cass. – explicou.
– Ah, sim... Ele é um frango. – Castiel respondeu.
– Então, por que a gente não pôde entrar?
– Porque o cara anda pelado. – Sam respondeu. e se olharam. – Sim, literalmente nu.
– Nossa. – sussurrou. – E como foi?
– Ele disse que o que acontece depois de ele atingir as pessoas, não tem nada a ver com ele. Resumindo, ele seguia ordens.
– De quem? – perguntou.
– Do céu. E foi aí que o Dean pirou.
– Por quê?
– Porque segundo o cupido, os cupidos só trabalham em casos especiais, coisa de linhagem e destino. Aí ele comentou sobre os nossos pais e vocês podem imaginar o que aconteceu depois.
As duas menearam a cabeça.
– Tá, e agora? – perguntou.
– Não sei. Só sabemos que não foi o cupido. Vamos embora e amanhã pensamos no assunto. – Sam sugeriu.
– Ok. Mas podem ir na frente. Eu preciso mesmo fazer xixi. – comentou entrando no restaurante.

Na manhã seguinte.

– Você disse que queria saber de outros casos estranhos. – o legista comentou com Sam, assim entraram no necrotério.
Houve outras mortes por coisas não muito convencionais.
– Isso aí.
Os dois se aproximaram de um corpo e o legista o descobriu.
– Lester Fench. Veja a ficha dele. – o homem entregou uma pasta parda para Sam. – Parece que ele pesava 200 quilos, até operar o estomago, o que baixou muito o peso dele... Por algum motivo, na noite de ontem, ele decidiu se encher de bolo.
Sam olhou para o corpo que estava com a barriga inchada.
– Quer dizer que ele morreu de tanto comer bolo?
– Foi... Depois de romper o anel do estomago, resolveu encher de novo, até estourar... Quando não podia mais engolir, ele começou a enfiar o bolo pela garganta... Com uma escova de banheiro. Como se municiasse um canhão.
– E o que o senhor acha?
– É um jeito muito peculiar de morrer.
Depois de falar com o legista, Sam ligou para o irmão e saiu do necrotério. Foi ao encontro de , que estava do outro lado da rua, encostada no Challenger e com um copo de refrigerante na mão.
– E aí? – ela perguntou quando Sam se aproximou.
– Espera aí... – Sam, que estava com o celular no ouvido, levantou o dedo para . – Dean, este cara não foi flechado por um cupido, mas a morte dele foi muito suspeita.
É... Eu e a fomos a policia e, contando com ele, são 8 suicídios desde quarta-feira, e 19 mortes. Muito acima da média da temporada.
– É... Tem um padrão aqui e não é amor. A coisa é pior do que pensamos.
Tudo bem, a gente encontra vocês em 10 minutos.
– Tá. – e ele desligou e esfregou a têmpora com os dedos.
– O que foi? – perguntou. – Que cara é essa?
– Ah... Eu... – Sam olhou para o outro lado da rua e viu o mesmo homem que ele tinha visto no dia anterior, saindo do necrotério.
No mesmo instante, o semblante de preocupado dele mudou para um semblante de ódio. olhou para onde Sam olhava e viu apenas um homem normal, vestido de um terno preto e com uma maleta preta na mão.
– Sam... O que... – e antes que ela pudesse terminar de falar, Sam caminhou rapidamente para a direção oposta que o homem andava. – O que tá acontecendo? – ela perguntou seguindo Sam.
– Demônio.
– Como você sabe?
– Só sei. Me segue e faça silencio.
Os dois então caminharam até a saída de um beco e recostaram na parede.
Sam tirou discretamente a faca de Ruby do cós da calça e atacou o homem, prendendo-o contra a parede, quando ele se aproximou.
– Sei quem você é, maldito. – ele colocou a faca no pescoço do homem.
se aproximou assustada.
– Sam... – ela podia jurar que Sam cometia um erro.
Sam então passou a faca no rosto do homem, causando um ferimento que queimou sua pele. arregalou os olhos. Como Sam sabia?
– Senti o seu cheiro. – Sam falou entredentes.
– Winchester. – o homem respondeu.
Sam o encarou e abaixou o olhar. Percebendo o vacilo, o demônio empurrou Sam e o bateu com a maleta.
jogou o seu copo no chão e pegou sua faca de prata. Aquilo não ajudaria em nada, mas era a única arma que ela tinha no momento. E antes que pudesse usar, Sam atingiu o braço do homem com a faca de Ruby. O homem então gritou, soltou a maleta, pôs a mão no ferimento e saiu correndo.
Sam assistiu o homem ir embora, respirando ofegante. encarou Sam assustada.
Sam fitou a lâmina ensanguentada, e chegou a pensar que ele a lamberia. Mas, antes que pudesse concluir seus pensamentos, Sam limpou a lamina com pressa.
– O que foi aquilo? – ela perguntou voltando para o carro. – Como você sentiu o cheiro dele?
– Só senti, tá legal? – Sam respondeu entrando no carro. fez o mesmo. – Não sei o que houve... , por favor, não fala nada pra nem pro meu irmão.
olhou para Sam.
– Sam, você...
– Eu sei que o que aconteceu é estranho, mas, por favor, não fala nada até eu descobrir o que tá havendo. Eu não saberia explicar agora e não quero estressar ainda mais o Dean. Nem preocupar a sua irmã.
suspirou.
– Ok, Sam. Tudo bem. Mas se isso acontecer de novo, eu vou falar. – deu partida no carro e Sam assentiu, olhando preocupado para a maleta em seu colo.

...

's P.O.V On

Depois que voltamos para o motel, Sam contou para o irmão o que aconteceu, claro que ocultando algumas partes que no ponto de vista dele, preocupariam o irmão. E com razão, já que até eu estava preocupada com ele.
– O que um demônio tem a ver com isso, afinal? – Dean perguntou para Sam.
– Eu não faço ideia. – ele suspirou.
Os dois ficaram alguns segundos em silencio. Sam olhava atentamente a maleta, e Dean o olhava preocupado.
– Você tá bem?
– Tô... – Sam olhou para Dean e depois para a maleta em cima da mesa. – Tô. Eu vou ficar bem.
– Tá. – Dean olhou para a maleta. – Vamos abrir... É o pior que pode acontecer, né?
Os dois se abaixaram e abriram a maleta. Uma luz branca e muito forte saiu de dentro, e eu tapei meus olhos, tendo certeza que os outros fizeram o mesmo. Quando senti que a luz se apagou, eu olhei para a maleta.
– O que foi isso? – Dean perguntou.
Uma alma humana. – ouvi a voz de Castiel, e olhei para o lado, encontrando o anjo que estava parado, impassível como sempre. A única diferença era que ele segurava um saco de hambúrguer na mão. – Começa a fazer sentido. – ele mordeu o hambúrguer.
– O que é que faz sentido? – perguntou pegando um saquinho aberto de balas de gelatina.
– Tá cheio de fome, hein? – Dean disse, olhando para Castiel espantado.
– Exatamente. – ele falou com a boca cheia e os olhos arregalados. – Minha fome, na verdade é uma pista. Assim como a de e de .
– Pista de quê? – todos nós perguntamos.
– Esta cidade não está sofrendo desventuras de amor. – Castiel se aproximou. – Está sofrendo de fome. Inanição, pra ser exato... Está passando fome.
– Fome? – Sam perguntou sem entender. – Como um dos cavaleiros?
Castiel assentiu.
– Que ótimo. – Dean ironizou. – Era só o que me faltava.
Castiel assentiu novamente e mordeu mais um pedaço do hambúrguer.
– Eu pensei que fome fosse relativo à comida. – Sam comentou.
– É. Com certeza. – Castiel respondeu. – Mas não, não só comida... Todo mundo parece estar com algum tipo de fome. De sexo, atenção, drogas, amor... Doces – ele olhou para . – e refrigerante. – e olhou para mim.
– Isso explica os pombinhos que o cupido flechou. Assim como a verminose da e a tara por refrigerante da . – Dean concluiu.
– É, o querubim os deixou com vontades de amor, então Fome veio e os deixou ávidos por ele. – finalizou mordendo mais um pedaço.
– Tudo bem, mas e você? Pelo que eu saiba, você não é muito de comer. Desde quando anjos são ávidos por carne?
– É a minha casca. – Castiel respondeu suspirando. – Jimmy. O apetite dele por carne vermelha foi tocado pelo efeito Fome. – Castiel deu mais uma mordida no lanche.
– Então Fome chega à cidade e todo mundo enlouquece?
– E depois vem Fome, montando um cavalo negro. Ele cavalgará pela terra da abundância. E grande será a fome do cavaleiro porque ele é Fome... Vai exalar sua fome e empestear o ar... Fome está faminto. Ele tem que devorar a alma de suas vítimas.
– E naquela pasta tinha a alma do homem do bolo? – perguntou comendo as balas a seguir.
Castiel assentiu.
– Lúcifer mandou seus demônios cuidarem de Fome. Dar-lhe alimento até ele estar pronto.
– Pronto pra quê? – Sam perguntou.
– Pra marchar pela Terra.
E um mórbido silencio dominou o quarto. Não sei por quantos minutos ficamos daquele jeito, mas dava para ver estampado na cara de cada um que nenhum sabia muito bem o que fazer. Mal tinham ingerido a noticia.
– Fome? – Dean perguntou incrédulo, andando pelo quarto.
Eu e minha irmã estávamos sentadas, enquanto Sam estava no banheiro e Castiel comia outro lanche, sentado na mesma cama que nós duas.
– É. – Castiel respondeu com a boca cheia.
Então a cidade toda vai comer, beber e transar até a morte? – Sam perguntou do banheiro.
– Temos que impedir. – Castiel respondeu.
Eu olhei para o banheiro, que estava com a porta aberta e me levantei.
– Ah, mas que maravilha de ideia! – Dean respondeu irritado. – Como?
Eu me aproximei do banheiro e vi Sam apoiado na pia com a torneira aberta.
Como impedimos o outro cavaleiro mesmo? – Castiel perguntou.
Recostei no batente da porta e o observei. Sam parecia nervoso, ansioso até, eu não sabia por que, mas sentia que não era nada bom. Desviei o olhar quando vi alguém se aproximar e vi Dean passar por mim e pegar do bolso de sua jaqueta, o anel de Guerra.
– Guerra tirava o poder do anel. Depois que tiramos o anel, ele enfiou o rabo entre as pernas e correu. – ele disse, voltando até Castiel e se sentando onde eu estava antes.
Eu aproveitei e voltei a dar atenção a Sam.
– Sam, tudo bem? – perguntei baixinho.
Sam suspirou. A toalha que ele havia molhado antes, ele passou na testa e no pescoço novamente.
– Tá... Eu só... Não sei. – ele se virou para mim, e me encarou por alguns segundos. Depois voltou a olhar para o espelho.
– Todo mundo foi afetado. Foi como se eles acordassem de um sonho. – ouvi Dean falar. Resolvi deixar Sam em paz e voltar minha atenção à discussão.
– Fome tem um anel desses também? – perguntou.
– Acho que sim. – Castiel respondeu.
– Tudo bem... Então vamos rastreá-lo e partir pra cima. – Dean comentou.
– Tá. – Castiel se levantou frustrado, depois que seu outro lanche acabou.
– Sam... – voltei minha atenção para Sam. – Acho melhor você ficar. – Sam se virou para mim. – Você pode piorar. De alguma forma, esse cara tá afetando você.
Ele assentiu algumas vezes.
– É... E eu já sei como.
– Gente, vamos nessa. – Dean chamou nossa atenção, já se preparando para sair, enquanto também se levantava.
Eu me virei para eles e depois para Sam, que fitava a pia, de costas para todos nós.
– Dean. – ele fez uma pausa. Respirava ofegante, parecia pensar se falava ou não. Então me olhou e eu assenti, o incentivando a falar. – Eu não... Não posso. – ele saiu do banheiro e ficou ao meu lado. – Não posso ir.
– Como assim?
– Acho que ele conseguiu me pegar, Dean... Eu tô faminto por ele. – respondeu envergonhado.

's P.O.V Off

– Faminto pelo quê? – Dean perguntou já presumindo a resposta.
– Você sabe.
– Sangue do demônio? – Sam não respondeu, mas sua expressão era óbvia quanto à resposta. – Só pode ser brincadeira. – ele olhou para Castiel. – Temos que tirá-lo daqui. Manda ele pra Montana, sei lá. Pra um lugar longe.
– Não vai adiantar. Ele já foi infectado. A fome vai viajar com ele.
– E o que a gente faz? – perguntou preocupada.
– Vocês cortam o dedo do desgraçado. – Sam respondeu.
Dean olhou para Sam e depois para Castiel.
– Você ouviu. – ele deu de ombros.
– Mas Dean. – Sam o chamou. – Antes de irem, eu acho melhor... – ele suspirou. – Você me deixar trancado.
– Não precisa isso! – protestou. – Eu fico aqui com você.
– E como você sozinha vai me impedir de fugir surtado daqui? Eu tô mal, . Não posso me responsabilizar pelos meus atos.
encarou Sam e sentiu no fundo da espinha, um arrepio de medo.
Sam sabia ser assustador quando queria. Dean olhou para o irmão e assentiu. Então, ele pegou uma algema e prendeu Sam na pia do banheiro.
– Olha, fica aqui que a gente volta assim que puder. – Dean falou com , que assistia a cena triste. – Tenham cuidado.
– Vocês também. – Sam se envolveu. – E sejam rápidos.
Dean assentiu e se levantou. Ele e saíram do banheiro e olharam para Sam uma última vez antes de Dean fechar a porta.
– Espero que isso o segure.
– Eu não sei não, Dean. – comentou. – Hoje mais cedo quando ele avistou o demônio, ele estava muito alterado e teria provavelmente surtado se tivesse sozinho.
e Dean a olharam sem acreditar.
– Você sabia que ele tava assim e não falou nada? – perguntou.
– Ele me pediu e eu não sabia que ele tava querendo sangue... Só notei que tinha algo de errado.
– E manteve só pra você? – Dean perguntou furioso. – Se ele pedisse pra você pular de uma ponte, você pularia?
– Ah, pelo amor de Deus! – protestou. – Como você queria que eu falasse uma coisa que eu não sabia que tava acontecendo?... E outra, se você tentasse ser um pouquinho mais compreensivo com o seu irmão, ele teria te contado! – respondeu grossa e depois suspirou, se acalmando. – Olha, o Sam não te contou porque ele achou que você fosse se estressar mais do que já tá nesse momento. Eu concordei, mas, disse que se acontecesse de novo, eu contaria pra vocês.
– Mas poderia ser tarde demais! Você não entende isso?
– Dean...
– Gente, chega! – entrou na conversa. – Vocês não percebem que quanto mais tempo vocês perdem discutindo, mais o Sam fica pior? Andem logo, eu cuido dele.
Dean olhou para e depois para . Ele virou a cara e olhou para Castiel. Ele balançou a cabeça e no mesmo momento, com um movimento da mão, Castiel arrastou o guarda-roupas para a porta do banheiro.
– É só por precaução. – disse para e os três sumiram, aparecendo ao lado do Impala.
Dean então dirigiu até o necrotério, a pedido de Castiel e os dois entraram, deixando sozinha no carro. Mas minutos depois, os dois voltaram. Quer dizer, só Dean voltou, quando descobriram que havia ainda uma alma para ser recolhida no necrotério. E eles estavam lá, esperando pelo próximo passo.
– Cadê o Cass? – perguntou quando ele entrou no carro.
– Foi dar uma volta. – Dean respondeu meio seco e fechando a porta do carro.
rolou os olhos com o drama e ficou quieta. De repente, seu celular tocou. Ela pegou o aparelho e olhou a tela.
– Alô?
, oi, tudo bem?
– Oi, Jean-Luc, tudo sim, e você?
Eu tô bem.
– Que bom. E em que posso te ajudar?
Bem, eu queria saber como vocês estão.
– Ah, sim... Bom, agora você já sabe. – soltou um riso.
Jean-Luc também.
Fico feliz... Bem, eu sei que você deve estar ocupada e não quero incomodá-la mais.
– Não, não se preocupe. Tá tudo bem. Trabalhando em algum caso?
Sempre. Tô em Jacksonville agora, parece que tem um Wendigo por aqui.
– Sei. Tome cuidado, essas coisas são muito espertas e não deve ser fácil caçar sozinho.
Eu sei, eu tenho experiência com essas coisas, mas é a primeira vez que caço um sozinho, espero não ter perdido a pratica.
– Eu também. Gostaria de poder oferecer ajuda, mas também tô num caso.
Difícil?
Ela meneou a cabeça.
– Não quero me gabar, mas sim.
Uuuh, me senti um frangote perdedor agora, com tanta segurança.
Ela riu.
– Se isso faz você se sentir melhor, minha sorte é que não tô sozinha.
Bom, então isso me torna bem mais corajoso, bom saber. Vou desligar agora, boa sorte com o seu caso, e tome cuidado.
– Pode deixar e obrigada. A gente se fala.
Com certeza.
– Tchau.
Tchau. – ele riu e desligou.
desligou e sorriu.
– Era o Jean-Luc. Acredita que ele vai caçar um Wendigo sozinho?
– Uau... – Dean respondeu sarcástico. – Um herói.
o olhou pelo retrovisor. Dean não tinha motivo para estar daquele jeito, mas desde o dia anterior ele tem agido de forma estranha, então ela tinha que relevar, por mais que quisesse saber o que estava acontecendo.
– Bom, não podemos negar que tem certas criaturas que não vale a pena caçar sozinho. Eu acho que um Wendigo se aplica nisso.
– Sei... – disse desinteressado.
– Dean, você tá com raiva de mim por eu não ter contado sobre o...
Dean suspirou e a cortou:
– Será que a gente pode deixar esse assunto pra depois?
rolou os olhos.
– Tá... Como quiser... Vamos falar sobre o que estávamos falando ontem, quando o Castiel nos interrompeu. O que andou fazendo mesmo?
Ele suspirou impaciente.
– Eu já disse.
– Mas não disse tudo, não é?
– Não tenho mais o que dizer.
– E tinha tantos monstros assim pra você caçar em Indiana?
Ele a olhou pelo retrovisor. ergueu uma sobrancelha.
– Do que você tá falando?
– Eu sei que você morou em Indiana, Dean.
– Quem foi que te falou isso?
– E isso importa?
Ele desviou o olhar e ficou fitando a rua, em silencio. Os dois ficaram assim por longos minutos. queria insistir, mas estava bem na cara que ele não queria falar. Ela tinha certeza que era algo que ela não poderia entender ou saber.
Mas acontece que ela queria.
Ou talvez não. Talvez fosse melhor não saber de nada pra evitar mais o climão que ainda estava lá, por menor que fosse.
– Eu vou comprar um refrigerante ali no mercadinho. Já volto. – disse após um suspiro.
Ela saiu e poucos minutos depois, Dean ouviu um barulho de papel sendo desembrulhado e sentiu o cheiro de comida. Ele olhou para o lado e viu Castiel.
– Que fome é essa, hein?
Castiel terminou de abrir o lanche e o mordeu, com um sorriso no rosto.
– Isso me deixa muito feliz!
– Quantos você comeu até agora?
– Perdi a conta. Uns cento e poucos. – Dean assoviou impressionado. – Cadê a ?
– Foi comprar um refrigerante e já volta.
– Eu não entendo... Todos estão sendo afetados, menos você. Cadê sua fome, Dean?
– Bom, quando eu quero beber, eu bebo. Quando eu quero sexo, eu vou atrás. O mesmo vale pra um sanduíche ou uma briga.
– Está querendo dizer que é bem ajustado?
Na hora, a porta de trás do carro abriu e entrou.
– Ah não, só bem alimentado. – Dean respondeu sorrindo.
– Nossa Castiel! De novo? – perguntou quando viu o anjo comendo. Castiel assentiu e mordeu um pedaço do lanche. – Eu já tô irritada de tanta vontade que tenho de tomar refrigerante... Mas isso aqui é tão bom... – ela tomou vários goles da bebida.
– Olha lá. – Castiel apontou com a cabeça e os dois olharam. Do outro lado da rua, um homem todo de preto saía do necrotério com uma maleta em mãos.
Depois, ele entrou num carro preto e foi embora.
– Cheguei bem a tempo. – comentou enquanto Dean dava partida e seguia o carro preto.

...

?! – Sam a chamou, tentando se soltar. – ?! – ele parou de se mexer quando ouviu uma porta se fechando. – ? – e um silencio invadiu o local. Porém, o mesmo foi interrompido quando Sam ouviu um barulho de algo caindo no chão e gritando abafado. – Droga! – ele sussurrou para si mesmo e tentou se soltar novamente. – ! O QUE ACONTECEU? – ele ouviu o barulho de um móvel sendo arrastado. – , TÁ TUDO BE... – e a porta do banheiro se abriu.
Sam olhou e viu um homem e uma mulher sorrindo. Demônios. Ao fundo, ele pode ver amordaçada e amarrada em uma cadeira. Sua testa e sua boca sangravam e ela olhava para Sam desesperada.
– Olha pra isso... – o homem olhou para Sam de cima a baixo. – Alguém nos deu você de bandeja... O chefe diz que não é pra matar você, Sam. – ele olhou para . – Mas acho que posso tirar uns pedaços de você, enquanto você assiste sua namorada morrer. – ele sorriu e olhou para a mulher, que caminhou até .
Sam olhou para a moça, que fitava o demônio desesperada. O outro demônio olhou para Sam e se aproximou dele. Ele se abaixou e Sam suspirou, pensando no que fazer. O homem então quebrou as algemas de Sam e num impulso, Sam o empurrou com força. O demônio caiu na banheira e Sam avançou na mulher que alisava o rosto de .
A mulher se levantou assustada e Sam pulou em cima dela, jogando-a no chão, entre as camas. Sam então pegou a faca que Dean deixava embaixo do travesseiro e cortou o pescoço da mulher. Ele olhou para , que agora o olhava assustada e depois voltou sua atenção para o demônio, se agarrando no pescoço do mesmo e bebendo seu sangue a seguir.
O demônio que estava no banheiro se levantou e parou na porta do banheiro.
– TIRA ELE DAQUI! – a mulher que estava sendo sugada gritou.
O demônio correu, mas caiu no chão quando colocou o pé na sua frente, fazendo-o tropeçar.
Ele se levantou e deu um soco muito forte em , que desmaiou.
– Agora não, sua vadia. – ele comentou voltando sua atenção para Sam.
Ele o puxou, mas Sam nem se mexeu. Então, ele tentou uma segunda vez, pegando um pedaço de madeira, que arrancou da decoração do quarto. Porém, ele foi jogado longe quando Sam se virou e esticou a mão.
– Espera a sua vez. – Falou Sam.
Pelo visto, seus poderes tinham voltado.
Depois de tomar sangue o suficiente e de matar os dois demônios, Sam soltou , que ainda estava desacordada, a pegou no colo e foi até o Challenger. De lá, ele dirigiu até o local que um dos demônios disse ser a localização de Fome, antes de morrer.

– Caramba! – comentou olhando pela janela do carro. – Tem um monte de demônio aqui.
Ela e Dean olhavam a movimentação do lado de fora do restaurante.
– E aí, vamos rever o plano? – Dean perguntou para Castiel, que desembrulhava outro hambúrguer, totalmente alheio a tudo. – Ei! McLanche Feliz... – Castiel o olhou. – O plano.
Castiel suspirou.
– Eu pego a faca. Vou lá, corto o dedo do anel de Fome e encontro vocês aqui no estacionamento.
– É, parece o plano perfeito. – Dean olhou para a lanchonete de novo e depois para o banco do passageiro. Castiel não estava mais lá.
– Droga! – sussurrou depois de tomar o último gole do seu refrigerante.
– Que foi? – Dean perguntou olhando pelo retrovisor.
– Acabou o refrigerante... Olha, eu vou ao banheiro, tá?
– Mas a gente precisa ir atrás do Castiel!
– Ele saiu não faz nem 10 segundos.
– Mas ele tá demorando!
– Você prefere ir buscar o Castiel ou que eu faça xixi no seu carro? – Dean não respondeu. – Foi o que eu pensei.
– Tudo bem, eu vou atrás dele.
– Me espera! Você viu o monte de demônio que tem lá dentro... Vai ser rapidinho. Já volto.
então saiu pela porta oposta a dela com cuidado e correu para o estabelecimento aberto e sem demônios mais próximo dali.
Dean suspirou. Já havia passado um minuto e Castiel não havia voltado. Era uma tarefa muito simples para ele demorar tanto. Suspirou novamente e olhou pelo o retrovisor. Nenhum sinal de .
– Quer saber? Não vou esperar ninguém não. – ele falou para si mesmo, pegou a shotgun e saiu do carro.

acordou um pouco atordoada no banco de trás do carro. Ela se sentou no banco do meio e passou a mão na testa e na boca. Depois olhou para sua mão e a viu suja de sangue. Na hora, ela arregalou os olhos.
– Calma, . – Sam tentou acalmá-la. – Tudo bem?
olhou para Sam, se inclinou e depois olhou para sua camisa suja de sangue. Ela então se lembrou do ocorrido.
– Tá... Sam...
– Eu sei, . Eu sei... Não pude me controlar, foi mais forte que eu.
observou Sam e notou o arrependimento em seu olhar.
– Não foi culpa sua... Mas não vamos falar disso agora... Aonde vamos?
– Ao encontro de Fome. Eu liguei pro Dean, mas ele não atende. Tô ficando preocupado.
– Eu vou ligar pra .
E antes que ela pudesse ligar, seu celular começou a tocar. Era .
?! – ela atendeu.
!... Preciso de ajuda...
– Espera aí... – rapidamente colocou no viva-voz. – Continua. – então ela passou para o banco da frente.
O Castiel foi arrancar o dedo do cara, mas não voltou até agora. Eu fui ao banheiro e pedi para o Dean me esperar pra gente poder ir atrás do Cass juntos, mas quando eu voltei, ele tinha sumido. Não sei se ele entrou no restaurante ou foi pego pelos demônios. O local tá infestado. falava rápido e baixo.
, onde você tá? – Sam perguntou.
Sam? – ela perguntou estranhando.
, foca! – chamou sua atenção.
Ah... Eu tô no Impala, há alguns metros antes do restaurante que o Fome tá... Agora eu não sei se entro lá ou se eu fico aqui esperando pelo Castiel e pelo Dean, que podem nunca mais voltar... Caramba! Como seu irmão é teimoso!
– Olha, a gente tá na rua do restaurante. Eu já posso ver o carro. Fica aí e espera a gente.
Ok. – e desligou.
Sam parou o carro e correu até o Challenger com cuidado. e Sam desceram do carro e caminharam até a moça.
– Droga! – sussurrou quando viu Sam com a roupa suja.
– Fiquem aqui as duas. Eu vou lá.
e se olharam.
– Tudo bem. – respondeu. Ela sabia que do jeito que Sam estava, ele conseguiria voltar vivo.
Sam assentiu e foi ao restaurante. As duas esperaram recostadas no carro. então contou o que aconteceu para a irmã.
– Eu sabia que isso ia acontecer. – comentou. – Mas, momento mais oportuno que esse, não há. Lá dentro tá cheio de demônios.
– Minha preocupação não é com os demônios. É com o Sam.
olhou para a irmã e entendeu o tipo de preocupação dela. Era algo do tipo “pós-operatório”.
– Eu acho que vai acontecer o mesmo que da última vez, né?... Acho melhor ligar pro Bobby e pedir pra ele preparar o quarto.
assentiu e pegou o celular. Ela ligou para Bobby e minutos depois, ela desligou. Mais alguns minutos depois, Dean, Sam e Castiel saíram do restaurante. Os três foram até as irmãs com o semblante sério.
– Conseguiram? – perguntou.
Castiel assentiu.
– Cass... – Dean o chamou e olhou para Sam.
Castiel assentiu novamente e tocou na testa de Sam. Os dois desapareceram.
Os três voltaram para o motel e na mesma noite, voltaram para Dakota do Sul.

...

Já estavam na estrada há algumas horas, e as irmãs mal abriam a boca. olhava atenta para a estrada e ouvindo música, tentando acompanhar Dean, que nem parecia se importar com o limite de velocidade. E pela irmã não ter reclamado de tanta velocidade, sabia que estava perdida em pensamentos.
Olhou de relance para a irmã, que estava fitando a escuridão, e abaixou um pouco mais o volume do rádio, que tocava Lionheart, da Demi Lovato e pigarreou.
– Ei, tá tudo bem?
demorou um pouco para esboçar alguma reação, mas acabou por suspirar e se endireitar no banco.
– Não, eu tô pensando no Sam.
assentiu e meneou a cabeça.
– Olha, eu sei que é preocupante, e sei que vai ser tão torturante quanto da última vez, mas vai ser mais rápido. Ele não bebeu tanto sangue e tenho certeza que vai cooperar.
– Tomara.
– Ele vai, não se esqueça que ele se arrependeu de tudo que aconteceu.
soltou um muxoxo.
– Vamos mudar de assunto.
– Sobre o que quer falar?
Ela deu de ombros.
– Vou ignorar que vocês dois estão achando que estão numa pista de corrida e permitir que você crie um assunto. E que, por favor, não seja nada relacionado a nossos problemas.
soltou um riso.
– Mas a gente só tem problema.
– Você pode falar sobre problemas de pessoas normais, inventa alguma coisa, mas eu quero me distrair.
meneou a cabeça. Pensou por alguns segundos e já que a ocasião pedia muito, ela fez um esforço pra contar logo o que aconteceu.
– Eu falei com o Dean sobre Indiana.
Ela a olhou imediatamente.
, eu disse pra você não falar nada!
– Eu sei, me desculpe, mas acabei não me aguentando.
soltou um muxoxo.
– E aí?
Ela deu de ombros.
– Não me disse nada. Primeiro eu só perguntei o que ele andou fazendo quando nos separamos. Ele respondeu que esteve caçando com menos frequência que antes, e que até ajudou o Cass.
– O Sam comentou isso mesmo, então confere.
– Sim, mas eu não me contentei com a resposta. O Dean nunca ia ficar por aí e depois voltar pra Indiana sem um motivo.
– E você perguntou. – presumiu.
– Sim, e ele ficou surpreso. Sabe, parecia que não esperava que eu soubesse e também não me respondeu.
– Você não insistiu?
– Eu queria, mas confesso que no fundo não quis saber, já que pode ser o que eu imagino.
– Que ele tenha conhecido alguém?
– Isso não passou pela sua cabeça?
Ela meneou a cabeça.
– Bom, o Dean ter saído com outras não é lá uma surpresa.
– Mas ele ficar com alguém por quatro meses, sim.
– Ele ficou com você por quase oito.
– Tá, mas não é disso que eu tô falando. O fato é que ele não quis falar, qual o problema?
– Talvez ele ache que não seja necessário.
– E não é, mas eu sinto que ele não quer que eu saiba.
– Bom, é desconfortável, né, ? Nem todo mundo gosta de exibir suas conquistas pro ex. Ainda mais depois de ter terminado o relacionamento da forma que vocês terminaram.
– Sim, eu sei, e isso é pra você ver como eu sou idiota.
– Por que diz isso?
– Porque eu levei muito tempo pra sair com outros caras, e ele pareceu nem se importar.
– Bom, eu não sei.
balançou a cabeça irritada.
– Eu fui uma idiota.
– Não precisa falar assim também. E não se esqueça que foi você quem terminou tudo.
– Eu sei, mas acha que eu fiz errado? Se eu não tivesse terminado nada, a gente passaria meses sem se ver, , e você acha que ele teria ficado na dele?
– Eu não acho que ele pularia a cerca.
soltou um ar de desdém.
– Eu não teria tanta certeza, você não sabe como ele é.
– Bom, eu acho que sei sim.
– Vai sonhando.
– Tá, olha, eu não tô entendendo nada que você tá falando. Talvez se você falasse logo o que tá acontecendo, talvez eu pudesse te ajudar a chegar a alguma conclusão. Por que você não divide tudo logo?
– Porque eu não sou assim, . Eu não gosto de falar coisas da minha vida particular.
– Então fica aí, mas também não me venha achar ruim quando eu não te apoiar.
fez alguns segundos de silencio e acabou bufando.
– Tá, tudo que você precisa saber no momento, é que ele quis que a gente voltasse.
– Eu sabia.
– Como é?
Ela deu de ombros e sorriu.
– Desculpe, eu e o Sam vimos vocês se beijarem há alguns meses... Daquela vez em Perry. Aí a gente imaginou o que poderia ter acontecido.
olhou para a irmã incrédula.
– Vocês são dois fofoqueiros curiosos, sabiam? Vão cuidar da vida de vocês.
gargalhou.
– Como se vocês nunca tivessem feito isso antes.
soltou um muxoxo e balançou a cabeça.
– Inacreditável.
– Mas e então? Continua.
– E você ainda pergunta? , se ele gostasse mesmo de mim, você acha que ele faria isso?
– Você saiu com outros caras.
– Eu saí, não morei com um deles por quatro meses.
– Tá, tudo bem. Onde você tá querendo chegar?
Ela suspirou.
– Eu passei muitos meses tomando cuidado com o que fazia pensando nele...
– Sério?
– Olha, eu já não quero falar sobre isso, se você continuar me cortando, você nunca mais vai me ouvir falar isso.
– Certo, desculpe, prossiga.
balançou a cabeça e continuou:
– Enquanto isso ele tava seguindo em frente e pelo jeito acabou fazendo isso muito bem, enquanto eu só me ferrei. – fez uma pausa dramática e continuou: – Eu também vou seguir com a minha vida. Não tô dizendo que vou ficar pulando de cama em cama, não é isso. Só vou deixar pra lá o que aconteceu.
– Sério?
– Sim.
– Acha que vai conseguir?
Ela meneou a cabeça.
– Eu ao menos vou tentar e vou começar não citando Indiana mais. Não quero saber o que rolou e não tô nem aí pro que tiver rolando. E por favor, se você preza por minha felicidade e minha paz de espirito, pare de falar de mim e dele.
– Mas eu shi...
– Não shippe mais. Você consegue, eu sei.
soltou um muxoxo.
– Só porque você se abriu pra mim. Mas saiba que mentalmente eu sou um shipper e nunca deixarei de ser.
– Ok, mas guarde só pra você.
assentiu.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

Chegando lá, Dean foi direto para o porão e e explicaram com mais detalhes o ocorrido para Bobby. Os três estavam na cozinha.
– O pior é que agora eu me sinto mal por não ter contado antes que o Sam tava mal. – comentou e deu um gole no seu whiskey quando ouviu os gritos de Sam.
– Não ia adiantar... Lembra o que o Castiel disse? Aonde quer que o Sam fosse, a fome o acompanharia. – a confortou e falou um pouco mais alto, para não ouvir Sam.
– E o garoto foi de grande utilidade, convenhamos. Há essa hora, Fome poderia ter exterminado a cidade com os quatro lá dentro. – Bobby comentou.
No mesmo momento, os três ouviram passos subindo as escadas do porão e mais gritos de Sam. Eles olharam para porta e viram Dean transtornado e com uma garrafa de whiskey na mão.
Ele passou pelos três e caminhou até a porta.
– Dean. – o chamou.
– Não. – ele respondeu rápido, a cortando. – Agora não. – ele saiu e fechou a porta.
Os três se olharam e perguntaram para si mesmos qual seria o próximo passo.


99 Problems

Nicollet, Minnesota.
3 semanas depois.

Era noite e o Impala e o Challenger corriam velozmente pela estrada. Poderia até ser uma corrida entre Dean e , mas a situação era muito mais grave. Eles fugiam de uma legião de demônios que os cercavam.
– Mais rápido, Dean. – Sam falava estacando o sangue da ferida no seu braço.
– Não posso. – Dean segurava firme no volante e olhava atento para a estrada. – Você tá bem?
– Tô... Ótimo. – ele respondeu chiando e sarcástico. – Nunca estive melhor.
– Você já viu tantos assim?
– Não. Nunca. Não no mesmo lugar.
– O que é isso? – ele olhou pelo retrovisor e avistou o Challenger mais atrás. Depois, ele voltou sua atenção para a estrada e virou uma curva bruscamente, cantando pneus.

– Anda logo, ! – reclamava para a irmã.
– Que droga! Você quer dirigir?
– Não, não quero me apossar do seu carro. E, aliás, eu mal tô sentindo minha perna. Incrível como o Sam não sabe dar cobertura.
– Mas ficou combinado de o Dean cobrir suas costas.
– Mas se o Sam tivesse deixado vocês dois cuidarem de si, ele teria notado um demônio atrás de mim.
– Mas ainda assim, o Dean era o responsável em te cobrir.
– Ele não sabe cuidar nem de si mesmo. Olha lá. – ela apontou para o Impala, que virava bruscamente numa curva. – Se eu sair viva dessa, eu vou enfiar minha faca na perna dele.
– Pare de falar assim. A gente vai sair vivo desse ninho de demônios.
– Não falo dos demônios. Falo de você fazendo essa curva. – falou rápido e fechou os olhos, se segurando firme no carro.
sabia dirigir. Devagar e com a mão frouxa, mas sabia. E na hora da curva, até que ela foi bem. Não foi tão empolgante quanto à curva de Dean, mas pelo menos saíram vivas.
– Droga! – freou bruscamente quando viu que o Impala havia parado poucos metros a sua frente.
Um caminhão pegando fogo bloqueava a estrada e a única alternativa era dar a volta. E era isso que Dean ia fazer.
– Anda logo, . – falou vendo o Impala virar bruscamente em sua direção.
– Merda! – começou a virar o carro com pressa.
– ESPERA AÍ! – gritou e freou.
Ela olhou para o lado, onde a irmã olhava e viu demônios atacando o Impala. Em segundos, o mesmo aconteceu com elas.
Enquanto Dean e Sam eram agarrados pelo pescoço. era puxada pelo cabelo e recebia socos.
Os quatro ficaram sem entender, quando os demônios começaram a gritar e a soltá-los. Eles respiraram com dificuldade e quando olharam, viram um rapaz em cima de um caminhão de bombeiros, jogando o que parecia ser água benta nos demônios.
Sam, que era a maior vítima a se encharcar com a água, subiu a janela do carro e esperou a cena terminar. Logo depois, um homem com um megafone começou a falar em enochiano. Os demônios foram exorcizados e as pessoas possuídas caíram no chão.
– Tá aí uma coisa que não se vê todo dia. – Dean comentou com o irmão.
Os quatro desceram dos carros e se aproximaram do caminhão. Dean e Sam chegaram antes, já que estavam mais próximos. vinha logo a seguir e atrás, caminhava devagar, mancando e segurando a perna.
– Vocês estão bem? – o homem do megafone perguntou se aproximando de Dean e Sam.
– Estamos bem. – Dean respondeu impressionado.
– Tenham cuidado. É perigoso por aqui. – o homem se virou e viu e . – Vocês estão bem?
– Vamos ficar. – sorriu. O homem olhou assustado para . A calça branca que ela vestia, deixava claro que ela quase perdera a perna. – Ela também vai ficar.
O homem assentiu e caminhou para o caminhão.
– Espera aí. – Dean correu até o homem.
– NÃO PRECISA AGRADECER. – o homem gritou de volta, mas não parou e nem olhou para trás.
– Não, não. Espera aí, quem são vocês?
O homem parou e se virou.
– Somos a Milícia do Sacramento Luterano.
– Perdão. Como é que é?
– Eu odeio dizer, mas eles eram demônios. E este é o apocalipse.
– Ah, isso a gente... Mas...
ELES JÁ SABEM, ROB. – um homem que estava em cima do caminhão gritou. Ele desceu do automóvel e se aproximou de Rob. – São caçadores.
Dean, Sam e olharam para o homem. , que acabara de chegar ao grupo, o olhou e depois de um tempo, sorriu.
– Jean-Luc!
– Oi, .
– O que você tá fazendo aqui?
– Eu sou daqui.
– Ah... – olhou para , que sorria.
– Então vocês caçam essas coisas? – Rob voltou ao assunto.
– Sim. – Dean respondeu e caminhou até o porta-malas do Impala. Ele o abriu e mostrou o arsenal.
– Parece que nós estamos no mesmo negócio. – Sam comentou.
– Só entre colegas. – Dean complementou. Rob olhou para outros dois rapazes que estavam com ele. – Essa é uma verdadeira arma da polícia. O caminhão é... Inspirador, De onde vocês tiraram tudo isso?
– Sabe como é. – um dos rapazes respondeu. – A gente pega as coisas pelo caminho.
Dean e Sam se olharam. Eles nunca seriam receptivos.
– Ô pessoal! – Dean falou. – O estado inteiro tá louco com os presságios do demônio. Nós só queremos ajudar.
Rob olhou para Jean-Luc, que olhou para os Winchesters e sorriu.
– Eles são confiáveis.
– Nós estamos no mesmo time. – Sam concordou. – Falem com a gente.
Os homens se olharam.
– Venham com a gente. – Rob falou e deu as costas.
Os Winchesters entraram no carro.
– Tá tudo bem? – Jean-Luc perguntou para .
– Tá... Só vai levar mais uma hora pra eu chegar ao carro, mas fora isso... – ela sorriu.
– Tudo bem, a gente espera. – Jean-Luc sorriu e subiu no caminhão.
assentiu e se virou, começando a andar. logo a alcançou.
– Cara, ele tá tão na sua! – cochichou sorrindo para a irmã.
– Palhaça. – riu.
Alguns segundos depois, elas entraram no carro e seguiram o Impala, que seguia o caminhão.

Blue Earth, Minnesota.

Quase duas horas de viagem depois, eles chegaram a Blue Earth. O dia tinha acabado de amanhecer e eles puderam ver que aquele bairro era guardado por homens e muros improvisados.
– Isso é tão The Walking Dead! – comentou. – Não vou mentir, adoro! Será que vamos encontrar o Rick por aqui?
– Acho que não, mas se serve de consolo, você tem o Dean e o Jean-Luc. – riu.
rolou os olhos e suspirou.
– Eu pensei ter te falado pra parar de falar do Dean.
deu de ombros e pendeu a cabeça.
– Eu sei, me desculpe, é mais forte que eu.
– Minha mão na sua cara também é.
riu e balançou a cabeça.
As duas desceram do carro quando o Impala parou na frente de uma igreja e Sam e Dean desceram do carro. Os dois entraram na igreja, seguindo os homens e as duas recostaram no Challenger.
– O que será que tá acontecendo lá dentro? – perguntou cinco minutos depois.
– Eu não sei. – deu de ombros.
Um casamento. – Jean-Luc disse se aproximando. – A gente anda tendo muitos casamentos nas últimas semanas.
– Eu pensei que você estivesse lá dentro. – comentou.
– Não. – ele sorriu.
– Você não disse que morava aqui.
– E não moro. – ele recostou no carro. – Eu nasci aqui, mas abandonei esse fim de mundo na primeira oportunidade. Eu só tô aqui porque alguma coisa tá acontecendo nessa cidade e eu não posso simplesmente deixar que essas pessoas se virem.
– Mas eles poderiam... – comentou. – Eles criaram uma fortaleza aqui.
– Tô tão impressionado quanto você. Mas aí vem a melhor parte: – ele sorriu de canto e ergueu um dedo. – Eles não tinham o menor conhecimento do sobrenatural até uma moça começar a dar ordens, que segundo ela, vêm do céu.
– Como assim?
– É isso que eu quero saber. Pelo visto, anjos falam com ela. – e se olharam. E Jean-Luc olhou para a igreja. – Olha, parece que o casamento acabou.
Elas assistiram os noivos e os convidados saírem da igreja. Logo atrás, vinham Dean, Sam e o pregador, que pararam na frente da porta. Eles conversaram alguma coisa e o pregador os chamou de volta para a igreja. Dean o seguiu para dentro da igreja e Sam olhou para e a chamou. assentiu e foi até Sam. assistiu a irmã e Sam entrarem na igreja com cara de paisagem, não custava nada a irmã ter ajudado ela a ir também.
Mas gostava de provocar quando queria, e sabia muito bem o que ela estava provocando.
– Você quer ir lá também? Eu te acompanho. – Jean-Luc disse simpático, abrindo um sorriso. Ele sorria mais do uma pessoa normal.
– Se não for incomodar. – deu de ombros.
– De jeito nenhum. – Jean-Luc se aproximou de e pegou seu braço, colocando-o ao redor de seu pescoço.
– Obrigada.
Os dois caminharam devagar até a igreja.

Quando e Sam desceram as escadas para o piso subterrâneo da igreja, eles encontraram pessoas preparando armas e mecanismos de defesas contra os demônios.
Quando entrou, Dean automaticamente se lembrou do dia em que ele e foram até River Pass. O cenário era o mesmo, porém ali era muito mais organizado.
– Uma criança de 12 anos fazendo bala de sal? – ele perguntou para o pregador.
– Todos contribuem.
e Sam se aproximaram.
– Então a igreja toda...
– A cidade toda. – o pregador cortou Sam.
– Uma cidade de caçadores. Eu não sei se saio gritando ou se compro uma bike. – Dean comentou.
Os três pararam quando o pregador parou de andar. Os quatro ficaram de frente para a sala e assistiram aquelas pessoas trabalharem.
– Os demônios estavam nos matando. Tínhamos que fazer alguma coisa. – ele respondeu.
– Por que não chamam a Guarda Nacional? – Sam perguntou.
– Disseram para não chamar.
– Quem disse?
O pregador olhou para Sam e depois para e Dean.
– Qual é pregador? Vocês estão armados de um jeito que eu nunca vi e aquele exorcismo foi enochiano. Alguém está instruindo vocês. – Dean comentou.
– Eu lamento, mas não posso discutir isso.
Pai, tudo bem. – uma moça se aproximou.
– Leah. – o pregador a olhou.
Os três olharam para a moça.
– São Sam e Dean Winchester. Confio neles. – ela olhou para os dois. – Eu sei tudo sobre eles.
– Sabe? – Dean perguntou.
– É claro. Pelos anjos.
arregalou os olhos. Aquela era a moça que Jean-Luc tinha falado.
– Anjos, incrível. – Dean comentou sarcástico e olhou para Sam.
– Não se preocupem. Não podem ver vocês. As marcas em suas costelas, sabe? – ela respondeu.
Dean voltou a olhar confuso para Sam, que tinha a mesma expressão que ele. Ele voltou a olhar para a moça e notou atrás dela, entrando na sala acompanhada de Jean-Luc. E ele notara mais ainda a forma que ela estava apoiada nele.
– Então sabe tudo sobre nós porque os anjos contaram? – Sam perguntou.
– É, entre outras coisas. – ela respondeu.
– Como aquele pequeno ritual de exorcismo? – Dean voltou a se concentrar no assunto.
– E eles me dizem onde os demônios estão antes de eles chegarem. E como enfrentá-los.
– Nunca errou. Nem uma vez. – o pregador se envolveu e foi até a filha, abraçando-a pela cintura.
– Olha só, antes de você ver alguma coisa, tem uma enxaqueca séria? – Dean perguntou. – Vê luzes piscando?
– Como sabe?
– Porque não é o primeiro profeta que conhecemos... Mas é o mais bonito. – a menina sorriu sem graça. O pastor o olhou com cara de poucos amigos e Dean pigarreou. – Eu digo isso com o maior respeito, é claro.
– Tudo bem. Acho melhor vocês se instalarem. Fiquem a vontade e qualquer coisa, é só falar.
– Tudo bem, obrigado. – Sam agradeceu.
O pregador foi embora e levou a filha com ele. Os três então caminharam até e Jean-Luc, que conversavam e olhavam para a menina que preparava as balas de sal.
– Não sei por que você veio aqui. – comentou. – Nós já vamos pra um hotel.
– Ah, não creio! – protestou. – Você tem ideia do sacrifício que foi vir aqui?
– Desculpa. – deu de ombros.
suspirou irritada.
– Tudo bem, vão na frente que eu ajudo ela a subir. – Jean-Luc se envolveu.
– Ok. – sorriu. Ela adorava deixar a irmã desconfortável, e pela cara que fazia, ela estava bem desconfortável.
Sam, e Dean foram na frente enquanto e Jean-Luc iam logo atrás. Quando eles finalmente subiram, viram esperando-os recostada no carro.
– Aleluia!
– Há-há-há... Quando for a sua perna, quero ver você fazer mais rápido. – respondeu alto, enquanto se aproximava do carro.
– Por falar nisso, a gente tem que dar um jeito nessa perna antes que a ferida infeccione. – Jean-Luc se envolveu. – Tá meio feio o negócio aí.
– Eu sei. Como eu queria um hospital aqui. Por favor, me diga que tem um hospital aqui. – disse enquanto caminhavam para o lado do carona do carro.
– Na verdade, temos sim. – ele a ajudou a entrar no carro, e suspirou aliviada. – Mas fica fora desse bairro. Temos que dar um tempo até sair novamente, pra não atrair demônios.
Ela o olhou cética e então bufou.
– Ah, que ótimo.
Ele soltou um riso pelo nariz e fechou a porta do carro, se abaixando para falar com ela.
– Eu vou buscar algumas coisas pra dar um jeito na sua perna... A gente se fala depois.
– Tá, vou aproveitar pra descansar um pouco.
Jean-Luc acenou para e foi embora. sorriu e entrou no carro.
– Gosto dele.
– Hm. – respondeu emburrada.
– Que cara é essa? – ela deu partida no carro.
– Minha perna vai ser costurada sem anestesia a qualquer momento. Como você queria que eu ficasse?
– Mas você não achou massa quando aquele médico velhinho – esqueci o nome dele –, do The Walking Dead teve que ter a perna amputada sem anestesia? – ela começou a dirigir.
– Mas ali era ficção! Aqui a vida é real e a dor também.
– Pelo menos você não vai ser amputada... Eu acho. – olhou para ela, fuzilando-a com o olhar. – Relaxa, eu tô zoando. – riu. – Mas enfim, ainda bem que não sou eu quem vai costurar. Você não sabe o quanto eu torci para que o Dean ou o Sam se voluntariasse.
– Por falar neles, cadê eles?
– Foram pro hotel.
– Hm.
As duas chegaram ao hotel, e assim como os irmãos, foram descansar da noite incrivelmente exaustiva que tiveram. Não podiam negar diante dos recentes acontecimentos, que estavam um caco.
Horas mais tarde, Jean-Luc apareceu para fazer o curativo de . abriu a porta e deixou o homem entrar.
– Oi, Jean-Luc. – ela sorriu. Depois, ela fechou a porta e olhou para a irmã.
– Oi, . – o homem também sorriu.
– Hã... , eu e os Winchesters marcamos de beber por aí. Mais tarde a gente se vê. Vocês podem ficar aqui... Sozinhos... Conversando... Acho que vocês podem ter mais em comum do que imaginam...
! – chamou sua atenção e a fuzilou com o olhar. Sinceramente não dava pra entender muito bem como a irmã funcionava. nunca foi de jogar a irmã pra cima de alguém, a não ser para Dean, mas agora ela fazia aquilo com Jean-Luc, o que deixava muito, muito envergonhada e com vontade de matar a irmã.
por outro lado, balançou a cabeça e riu.
– Tudo bem... Acho que vou indo... Até mais.
– Some daqui! – respondeu rápido, tentando se controlar.
– Tchau. – Jean-Luc respondeu rindo. – E se quiser uma sugestão, o bar do Paul é o melhor lugar pra ir agora... – deu de ombros. – É o único, na verdade... Fica na rua de trás.
– Ótimo. – sorriu. – É pra lá que a gente vai... Tchau. – ela abriu a porta e foi embora.
suspirou e sentiu vontade de sair correndo e nunca mais ter que ver o caçador, mas não era possível no momento.
– Desculpa... A é tão discreta quanto um elefante fosforescente no meio da mata durante a noite. – ela sorriu sem graça.
– Tudo bem. – Jean-Luc se aproximou. – Aliás, gostei da comparação. – ele sorriu. – Você tá preparada?
Ela bufou e fez que não algumas vezes.
– Não mesmo. Espero que você não se importe se eu começar a gritar e a chorar.
– Ah, nada que eu já não tenha feito antes. – ele brincou e deu de ombros, fazendo rir. – Vamos começar então. – ele se sentou na cama e colocou uma garrafa de whiskey em cima do criado-mudo. Os algodões, o esparadrapo e as ataduras, ele deixou ao seu lado. Ele pegou a agulha, tirou-a da embalagem e passou a linha. viu a cena e chiou. – Que foi? – ele perguntou sorrindo.
– Nada. – ela olhou para a garrafa de whiskey e riu. – Eu achei que seria mais ortodoxo.
– Desculpa, – ele deu de ombros. – manias de caçador... Mas olha só, – ele levantou a agulha e a linha. – são agulhas e linhas médicas. Nós pegamos um monte delas no hospital semana passada. E são descartáveis, se isso serve de consolo.
– Ah, é um baita consolo sim. – disse sarcástica.
– Pronto. – ele terminou de preparar a agulha. – Pode tirar isso aí. – ele apontou para a bandagem improvisada que fez para o banho. A ferida foi um pouco acima do joelho, então ela pôde fazer um curativo e uma proteção básica sozinha.
desamarrou o saco plástico e o tecido, tirando-os da perna a seguir. A ferida ainda sangrava um pouco. Jean-Luc pode ver o corte o suficiente para chiar pelo o tamanho e a profundidade da ferida. Seria muito doloroso, mas ela teve sorte de não ter sido tão grave, até porque, se tivesse sido, talvez ela estaria morta agora.
– O que foi?
– Eu não queria estar na sua pele.
– Obrigada pela parte que me toca.
– Vou buscar água, vamos precisar. – ele se levantou e foi para o banheiro.
suspirou e olhou o ferimento, desejando trocar de lugar com qualquer pessoa.

– Oi, gente. – sorriu, entrando no quarto dos Winchesters.
– Oi. – Sam respondeu. Ele tinha acabado de desfazer sua mala e estava a separar suas roupas limpas das roupas sujas.
– Vai à lavanderia? – se sentou.
– Pretendo ir algum dia. – ele sorriu.
– Pelo visto você já tomou banho. – ela reparou no cabelo de Sam, que estava um pouco úmido. – Que bom, porque vamos sair.
– Pra onde?
– Conhecer a cidade e conversar sobre o que tá acontecendo... – notou que estavam apenas os dois no quarto. – Cadê o seu irmão?
– No banho.
– Ótimo. Quando ele sair, a gente vai ao bar do Paul.
– Paul?
– Sim. – ela sorriu. – Já tô fazendo meus contatos.
– Você? Fazendo contato com gente estranha? – ele perguntou sem acreditar.
o encarou e suspirou. Sam a conhecia bem demais.
– Tudo bem, você me pegou... O Jean-Luc disse que era o único lugar pra sair, então... – ela deu de ombros.
– Ok. E esse Jean-Luc, hein? Ele é meio estranho.
– Sam, nós também somos. Mas isso não vem ao caso... Eu gosto dele. Agora mesmo ele tá lá no quarto costurando a perna da .
– Hm... E eu achei que um de nós teria que fazer isso.
– Eu também.
– Eu acho que ele tá interessado na sua irmã.
– Você acha? Eu tenho certeza.
– E ela? Tá interessada nele?
– Você tá se saindo uma ótima velha fofoqueira, Sam. – ela riu. – Mas enfim... Não... ainda. Mas eu tenho certeza que daqui a pouco, alguma coisa rola. Mal posso esperar.
Sam parou de mexer nas roupas e a olhou por alguns instantes.
– O que foi? – Ela perguntou.
Ele meneou a cabeça e riu pelo nariz, voltando sua atenção às roupas.
– Achei que seu coração shipper não aceitaria outro casal além da sua irmã e o Dean.
Ela deu de ombros.
– Eu ainda shippo, nunca duvide disso. Mas vamos combinar, né Sam. Não há relacionamento que sobreviva ao que os dois passaram.
– Bom, mas tentaram.
– É. E a também tá mais disposta do que nunca a passar uma borracha no passado e nunca mais cogitar a possibilidade dos dois voltarem.
– Hm, é uma pena, confesso que fui um pouco shipper dos dois.
– E não é mais?
Ele meneou a cabeça.
– Olha, eu ainda posso até ser, mas eu torço mais pelo bem individual deles, não dá pra negar que eles se entendem muito mais assim, separados. E olha que o relacionamento de amizade dos dois nem é tão amigável assim.
teve de concordar. Apesar de ela ver que Dean e se davam relativamente bem a maior parte do tempo, os dois não deixavam passar batida a oportunidade de arranjar confusão.
– Mas as coisas poderiam ter seguido um rumo diferente se seu irmão abrisse logo o jogo sobre Indiana. – ela disse por fim, e olhou para Sam, esperando alguma reação.
O fato era que ela não havia falado para Sam que tinha contado a irmã sobre Indiana, até porque quando ia contar, houve todo aquele episódio de sangue do demônio e o rapaz teve que passar alguns dias trancado no quarto do pânico. O tempo foi passando e o assunto acabou ficando esquecido.
Até o momento.
– Eu falei pra de Indiana.
Ele a olhou de relance e não pode distinguir o que aquele olhar significava.
– Desculpe.
Ele suspirou e se sentou na cama.
– Eu sabia que você acabaria falando.
– Tá me chamando de fofoqueira?
– Não. Não, não é isso. – ele sorriu. – Mas é compreensível que você tenha falado. E aí?
– Pelo visto seu irmão não te falou nada.
– E nem vai falar. Ainda mais depois de saber que eu te contei.
– Desculpe.
– Tá tudo bem. Conta aí.
Ela meneou a cabeça com um sorriso.
– Você é mesmo um fofoqueiro curioso, Sam. – assim que Sam sorriu, ela continuou com um suspiro. – Ela perguntou sobre Indiana, mas seu irmão não respondeu nada. E como ela percebeu que ele não queria falar, ela resolveu que não vai mais tocar no assunto.
– Que coisa.
– Pois é, mas o pior é que ela acabou criando toda uma teoria sozinha, e isso pode ser um pouco prejudicial para nós, shippers.
– Por quê?
– Ela acha que seu irmão esteve com alguém, ou está. – ela esperou mais algum tempo, alguma reação de Sam, que não passou de um balanço com a cabeça. – Você sabe o que seu irmão andou fazendo?
Sam deu de ombros e se levantou, voltando a mexer na mala.
– Eu já te disse, .
– Eu sei que ele andou caçando, ajudou o Castiel e tudo, mas isso que a acha, tem a chance de ser verdade?
Ele meneou a cabeça.
– O Dean não entra em muitos detalhes, você sabe como ele é. – Sam tentou contornar a situação. Na verdade, ele sabia bem o que aconteceu com o irmão. Sabia o suficiente para afirmar a que as suspeitas da irmã estavam certas, mas ele não queria causar confusão e também não era certo dedurar o irmão, sem contar que também não queria se envolver nos relacionamentos dele com ninguém. Ele não condenava o irmão pelas escolhas que ele fizera, e independente de tudo, ele tinha que apoiá-lo. Mesmo que as coisas não saíssem da forma como ele e queriam.
Mas contar tudo a seria uma tolice, até porque era óbvio que ela contaria para a irmã e aí toda sua torcida para o irmão e , seria em vão.
– Mas o que você acha? – ela perguntou.
Ele deu de ombros.
– Bom, não é lá muito surpreendente saber que ele deve ter saído com outras mulheres.
– Não, mas pra ele ter ficado tanto tempo no mesmo lugar é meio suspeito, não acha?
– Eu não sei, pode ser que sim, pode ser que não. O fato era que ele queria ficar sozinho, então ele pode ter encontrado o que queria em Indiana.
Ela meneou a cabeça.
– É, isso faz sentido e explica por que ele não ficou com Bobby em Sioux Falls.
– É.
E na hora, a porta do banheiro abriu e Dean saiu apenas de calça. o fitou e sorriu. Sam viu a expressão de e pigarreou. Dean, que parecia alheio à situação, pegava uma camisa na mala. E quando ele notou o sorriso de e o incômodo de Sam, ele sorriu e vestiu uma camisa qualquer.
, eu sei que causo essa reação em você, mas seja mais discreta. O Sammy aqui tá se sentindo mal.
olhou para Sam e riu. Sam olhava para o nada com cara de paisagem.
– Tudo bem... – ela se levantou. – Vamos lá fora trabalhar sua confiança, Sam. – ela puxou Sam, que rolou os olhos. – E Dean, se arruma que a gente vai sair. Nada de carro, hein.
– Tá. – Dean respondeu.
e Sam deixaram o quarto.
– Vamos trabalhar minha confiança agora?
riu.
– É só pra te irritar. – ela riu e passou o braço pela cintura de Sam. – Gostei da sua ceninha de ciúme.
– Ciúme? Eu? – Sam recostou no Impala.
– É... – ficou de frente para Sam e o abraçou. – Mas tudo bem, um pouco de ciúme faz bem.
Sam riu e balançou a cabeça. também riu e se afastou de Sam quando ouviu Dean se aproximar.
– Olha, eu não quero ser o motivo da separação de ninguém. – ele brincou, trancando o carro e verificando a porta.
– Dean, me desculpa, mas a culpa do Sam me perder será sua sim... Ou do seu físico, se preferir. – riu e começou a andar.
Sam rolou os olhos e acompanhou a moça. Dean foi logo atrás, depois de verificar novamente a porta do carro.
, você é uma sem-vergonha, sabia? – Dean perguntou, fazendo rir pelo nariz e Sam também. – Cadê a sua irmã? Ela não vem?
– Não. Esqueceu que ela tá quase sem a perna? Ela tá fazendo um curativo e não pode vir com a gente.
– E ela não precisa de ajuda?
– Não. Ela tá bem. – olhou para Sam e sorriu.
Os três caminharam até o bar.

Depois de longos e dolorosos minutos, pode finalmente respirar aliviada e Jean-Luc pode finalmente limpar a ferida sem receber reclamações.
– Até que você não foi tão difícil.
– Eu vou fingir que acredito. – deu um gole na garrafa de whiskey que Jean-Luc levara mais cedo. – Mas enfim... Obrigada.
– Não precisa agradecer.
– Você fez um bom curativo.
Ele deu de ombros.
– É um dos meus dons, além de ser muito bom com tiros a distancia, sabia?
– Bom, você atirou muito bem naquele cara do trailer em Myrtle Beach. – ele abriu um sorriso convencido, e continuou: – Sabe, as vezes que a gente conversou pelo celular, você nunca me contou como virou caçador. Disse que era uma longa historia e que contaria quando a gente se encontrasse pessoalmente. Acho que agora é uma boa hora pra você me contar, não é?
Jean-Luc olhou para e sorriu.
– Tudo bem... – ele suspirou. – Eu comecei aos 12 anos... Perdi meus pais, fui acolhido por um casal, mas não aguentei todo mundo me tratando como o garoto órfão. Então o Paul, o filho do casal, me ajudou a fugir da cidade. Aliás, foi ele quem me ligou quando essa bagunça toda começou. – ele fez uma pausa e pegou a atadura. – Enfim... O alívio de sair daqui foi tão grande... O Paul me deu uma grana e me deixou na rodoviária e eu fui pra Pine. Foi lá que eu conheci o lado sobrenatural do mundo... – ele começou a enfaixar a perna da moça. – Uma bruxa precisava de uma alma pura pra fazer um ritual.
– E alma mais pura que de uma criança...
– Exato... Acabei sendo atraído e pego pela mulher... No último segundo, fui resgatado por dois homens. Um senhor chamado William e o filho dele, Edward, que era alguns anos mais velho que eu. Depois daí, você pode imaginar o que aconteceu.
– Sim... Mas por que agora você tá sozinho?
– Bem... – ele parou e olhou para o vazio. – O tio Will morreu alguns anos depois. Aí eu fiquei com Ed e seus dois irmãos, Marley e Victor. Mas os três acabaram morrendo aquele dia em Cartago. – ele sorriu sem graça, pegou o esparadrapo e colou um pedaço na bandagem. – Agora eu sou um lobo solitário.
– Sinto muito.
– Eu também... Mas enfim. Na verdade é bom trabalhar sozinho. Você não precisa se responsabilizar por ninguém.
suspirou.
– Nem me fale. Se eu tivesse sozinha, provavelmente não teria levado essa facada. Poderia estar morta, mas pelo menos não estaria agonizando.
– Por quem você era responsável? – ele riu. – Sua irmã?
– Não. – ela riu. – Eu não era bem responsável, mas como você sabe, em um grupo, um guarda as costas do outro. Pra resumir, eu guardava as costas da , que guardava as costas do Sam, que guardava as costas do Dean, que guardava as minhas costas... Acabei levando uma facada pela falta de atenção dele.
– Nossa, que dureza... Mas pelo que eu vi dele e do Sam em Cartago, eles não são de faltar com atenção.
– Não. Eu tô exagerando mesmo. O lugar que a gente estava, estava infestado por demônios. E como Dean é o mais velho, ele se sente na obrigação de ajudar todo mundo de uma vez. Ele se preocupa demais à toa... – se lembrou na hora de quando Dean pediu um tempo sozinho para colocar as ideias no lugar e parar de se preocupar com os outros. Claro que não deu certo. – Aí ele acabou indo ajudar a e acabou sendo atacado de surpresa. Aí você pode imaginar o resto... Eu fiquei de cobrir Sam, que foi tentar o ajudar. Ninguém me cobriu e aconteceu o que aconteceu... Eu não o culpo, pra falar a verdade. Mas com certeza o esfaquearia se ele tivesse aqui enquanto minha perna era costurada.
Jean-Luc riu.
– Bom, acho que seu curativo tá pronto. – ele se levantou. – Será que você pode ir pra cama da sua irmã enquanto eu troco os lençóis?
– Não precisa disso, não. Eu me viro.
– Que isso. Pode deixar que eu troco. – ele se aproximou de . – Deixa eu te ajudar.
Jean-Luc então ajudou a se levantar e a mudar de cama. Depois, ele tirou os lençóis sujos de sangue e os trocou. Enquanto isso, bebia o resto do whiskey e olhava para a bandagem.
– Você realmente fez um bom trabalho. Não tenho um curativo bem feito assim há meses.
– Ah, eu só acho que existem formas mais relevantes pra se morrer do que por infecção.
– Você deveria falar isso pros Winchesters. Principalmente pro Dean, que amarra qualquer trapo em ferimentos. O Sam pelo menos tem noção de que pode perder um mem... – parou quando se tocou que estava falando de Dean novamente.– Ah, me desculpe. Tô falando dele de novo. – ela riu sem graça.
– Sem problemas... Você fala com tanto rancor do Dean. Por que, hein?
– Ah, não é rancor não. Eu só falei isso porque era ele quem cuidava dos meus ferimentos. Ou pelo menos os que eu não conseguia cuidar sozinha.
– Ah... Entendi. Eu sei que sou curioso e você já me chamou atenção por isso, mas a gente já se conhece o suficiente pra nos considerarmos amigos. Pode falar comigo, se quiser.
– Falar o quê?
– Vocês dois. Você disse que era complicado, mas...
– Você é mesmo muito curioso.
Ele riu sem graça.
– Eu sei.
Ela suspirou e assentiu.
– Bom, já que você vai morrer se eu não te contar, sim, aconteceu um lance, mas não foi nada tão sério. Não chegamos aos pés da e do Sam, por assim dizer.
– Eles formam um belo casal. Mas não é só porque você e o Dean não chegavam aos pés dos dois, que vocês também não formassem. – disse enquanto colocava o travesseiro em seu lugar.
– Ah, não formamos, vai por mim. Mas enfim, eu não quero falar di... – foi interrompida pelo som de um sino, que vinha do lado de fora e era bem alto. – O que é isso?
– Parece que Leah tem um recado dos anjos. É nessa hora que todos vão à igreja.
– Ah... Então vai lá.
– Tudo bem seu eu for? Não que eu me importe muito com o que ela vai dizer, mas...
– Eu vou ficar bem. – ela sorriu.
– Tudo bem. Eu vou deixar esses analgésicos aqui. – ele tirou uma cartela de comprimidos do bolso. – Mas tome um apenas quando você estiver livre do whiskey.
– Ok... Tchau.
– Até amanhã. – Jean-Luc sorriu, pegou os lençóis sujos e os deixou no canto do quarto. Depois, ele pegou suas coisas e caminhou até a porta. – Nada de colocar o pé no chão. Pelo menos até amanhã.
– Certo.
Jean-Luc sorriu e saiu do quarto.

No bar, e Sam estavam no balcão, esperando pela terceira rodada de cerveja, enquanto Sam tentava ligar para Castiel. Porém, a ligação caía na caixa postal.
Esta é a caixa postal de: “Eu não entendo. Por que você quer que eu diga o meu nome?” – Sam ouviu a gravação e olhou estranho para . Sua expressão piorou quando ele ouviu teclas do celular serem pressionadas antes do “bip”.
– Cass, oi... Hã... Sou eu. Nós estamos em Blue Earth, Minnesota e nós precisamos de ajuda... Espero que você ouça isso. – ele desligou e voltou a olhar para . – Você já ouviu a mensagem de voz do Castiel?
riu.
– Não, mas eu posso imaginar pela sua cara.
Sam sorriu e balançou a cabeça. Ele notou quando Paul apareceu com as cervejas e se virou para ele.
– Noite cheia. – Sam comentou.
– Tenho que dizer, depois que o fim começou tem sido assim. – ele colocou as três garrafas no balcão. – A terceira rodada é por minha conta.
– Valeu. – Sam agradeceu e pegou duas garrafas.
– Sem problemas. – o homem se afastou.
pegou a outra garrafa e os dois foram até Dean.
– Cara legal. – ela comentou.
– Concordo. – ele respondeu.
Os dois se sentaram à mesa e Sam passou uma de suas garrafas para Dean.
– E aí, falou com o Cass? – Dean perguntou tomando um gole da bebida.
– É. Deixei um recado pra ele. Eu acho...
– Então Dean, qual a sua teoria? Por que tantos demônios? – perguntou.
Dean olhou para os lados e suspirou.
– Sei não... Será que eles querem a garota profeta? – ele olhou para e depois para Sam, que parecia inconformado. – Que é?
– É que os anjos ficam mandando essas pessoas fazerem o trabalho sujo.
– Hm... E daí? – Dean perguntou erguendo a garrafa e bebendo um gole de cerveja.
– E daí que elas podem se dar mal.
Dean pensou por alguns segundos e suspirou.
– Todos vamos morrer, Sam. Em um mês, talvez. Ou dois.
– Nossa. – falou surpresa pela sinceridade de Dean.
– É sério, . Isso é o fim do mundo, mas essas pessoas não estão em pânico. Elas estão correndo pra saída de uma forma organizada. Eu não sei se isso é tão ruim assim.
Sam analisou Dean e depois falou:
– Quem disse que todos vão morrer? E o lance de serem salvos pela gente?
só assentiu, concordando com Sam. Dean deveria ser o primeiro a querer ajudar aquela gente.
Quando Dean ia responder, eles ouviram sinos. Um olhou para o outro sem entender. As pessoas do bar começaram a sair.
– Eu disse alguma coisa? – Dean perguntou.
Quando Paul se aproximou, Sam o chamou:
– Paul. Qual o problema?
– Leah teve outra visão. – e ele se afastou.
– Querem ir à igreja? – perguntou.
– Você me conhece. – Dean sorriu. – Eu sou um beato. – ele tomou um gole de cerveja e se levantou.
Os três foram até a igreja e encontraram a maior parte da cidade reunida
– Quilometro 5 da Estrada Talmadge. – o pregador dizia. Leah se aproximou do pai e falou qualquer coisa no seu ouvido e se afastou. – Quilometro 8, na verdade. Tem demônios reunidos. Eu não sei quantos, não muitos... Quem vai comigo? No momento, Rob, Jane, Paul e Dylan levantaram a mão. Jean-Luc fez o mesmo. Sam, Dean e se olharam. Quando a última assentiu, Dean também levantou a mão.
– Nós vamos, pregador.
– Obrigado. Agora vamos rezar.
Todos abaixaram a cabeça e começaram a rezar. Sam, que estava atento a tudo, viu Paul e Rob conversarem entre sinais. Ele cutucou Dean, que olhou para os dois e viu Paul bebendo escondido em um cantil e sorrindo.

...

Era quase fim de tarde quando todos foram até o Quilometro 8. O caminhão na frente, e o Impala atrás. Eles pararam metros antes do local que os demônios estavam, e seguiram a pé no meio do mato até uma casa abandonada.
Todos se separaram e cercaram a casa. Dean foi com Dylan. Jean-Luc foi com , o pregador e Rob pelos fundos, enquanto Sam, Jane e Paul abriam a porta da frente com cuidado.
Dylan e Dean estavam na lateral da casa, quando um demônio atacou o segundo. E quando Dylan deu um tiro no demônio, o sinal de ataque fora dado. Os outros demônios começaram a atacar os caçadores, puxando-os para dentro da casa.
Sam entrou na casa com a faca e atingiu o primeiro demônio que apareceu na sua vista, enquanto Jane e Paul atiravam para tudo quanto era lado. Jean-Luc arrombou a porta dos fundos e apontou sua arma, atirando nos demônios enquanto o pregador e entravam e faziam o mesmo. O pregador dizia qualquer coisa em enochiano e na mesma hora, os demônios eram exorcizados.
Da cozinha, Sam, Jane e Paul passaram para a sala e se encontraram com Dean e Dylan, enquanto o último também falava em enochiano. De repente, um demônio apareceu sem ninguém perceber e jogou Sam no sofá. Dean, que ia de encontro ao irmão, notou um demônio descendo as escadas e tentou atirar, mas a arma não disparou, ele estava sem munição. Dean então bateu no demônio com a arma e não percebeu quando Jane, Paul e Dylan deixaram um demônio escapar e ir até ele.
Poucos segundos antes de o demônio atacar o irmão, Sam fincou a faca no pescoço daquele demônio que o atacava, e mirou no que estava prestes a atacar Dean. Ele jogou a faca e acertou nas costas do demônio. Quando este caiu ao lado de Dean, o mesmo pegou a faca e fincou no peito do demônio na escada. O demônio caiu morto.
Enquanto isso, na sala de jantar da casa, Jean-Luc e atiravam em demônios enquanto Rob e o pregador davam cobertura. Por um descuido de Rob, três demônios avançaram em cima dele, e dois deles se esquivaram, um avançou em Jean-Luc que naquela hora, estava sem munição.
notou a situação que o caçador estava e se aproximou dele. Mas o outro demônio avançou nela e a jogou no chão, agarrando em seu pescoço. , então com dificuldade, pegou o seu revolver no cós de sua calça e atirou na costela do demônio, que caiu agonizando.
– Pregador! – Jean-Luc chamou com dificuldade, já que um demônio o enforcava.
O pregador o olhou e falou em enochiano. Os demônios que atacavam os três foram exorcizados.
No fim da caçada, todos se reuniram e andaram até os carros.
– Dean, Sam. – Dylan correu até eles.
– Fala. – Dean respondeu guardando as coisas no porta-malas.
– Oi, tudo bem se eu pegar uma carona com vocês?
Dean acenou para Rob, que estava esperando por Dylan no caminhão. O homem assentiu e foi embora.
– Já salvou a minha vida duas vezes. Mais uma e eu deixo você dirigir... – ele se aproximou de Sam. – Dá uma cerveja aí, Sam.
Sam, que estava recostado no carro ao lado de , pegou uma lata de cerveja da caixa térmica do banco de trás do carro e a deu para Dean.
Dean esperou o caminhão se afastar e pegou outra lata de cerveja.
– Segura aí. – ele jogou a lata por cima do carro para Dylan. – Só não conta pra sua mãe.
– Pode deixar, eu não vou. – ele abriu a lata e recostou no carro, tomando um gole a seguir.
Sam, Dean e também abriram suas latas e brindaram. Os três levaram um susto quando ouviram Dylan gritar. Eles olharam para onde o rapaz estava, mas não encontraram nenhum sinal dele.
Eles deixaram as latas em cima do carro, e Sam se abaixou e puxou o demônio que estava embaixo do veiculo, enquanto Dean e deram a volta no carro e puxaram Dylan, que também estava embaixo do veiculo.
– Dylan! – Dean o apoiou em seu colo.
se abaixou e cutucou o rapaz. Ela olhou para o ferimento em seu pescoço e olhou para Dean. Logo, Sam se aproximou dos dois depois de matar o demônio e se espantou ao ver Dylan morto.
– Droga! – Dean sussurrou.

...

Mais tarde, no velório de Dylan, Dean, Sam e se encontraram com Rob e Jane, os pais do rapaz.
– Nossos sentimentos. – Dean falou sem jeito e aparentemente sentido.
A mulher olhou para os três e depois para Dean novamente.
– Você sabe que foi culpa sua.
– Jane. – Rob chamou sua atenção e se afastou com a mulher.
Dean e Sam se olharam.
– A culpa não foi de ninguém. – disse.
Eu queria saber o que dizer. – o pregador começou o sermão. – Mas eu não sei o que dizer... Eu sinto tanto, Jane... Rob, eu não tenho palavras... Dylan... Eu não sei como aconteceu. Eu não sei por que tudo está acontecendo. Eu não tenho respostas. Só sei que...
E, no momento, Leah caiu desmaiada. O pregador se assustou e foi até a filha, para ajudá-la. Quando ela acordou, deu o recado dos anjos:
– Jane, Rob... Vai ficar tudo bem. Vocês verão o Dylan de novo. Quando chegar o último dia, o Dia do Julgamento, ele será ressuscitado e vocês ficarão todos juntos. Nós todos ficaremos juntos de novo de nossos amados. Somos eleitos. Os anjos nos escolheram, e nós teremos o paraíso na terra. Nós só precisamos seguir os mandamentos dos anjos. – e a moça começou a citar os mandamentos.

Na hora de ir embora, Sam e Dean estavam sem palavras. parecia não entender por que.
– O que foi?
– Nada de álcool, de jogo e de sexo antes do casamento?... – Sam olhou para e depois para Dean. – Dean, eles baniram 90% da sua personalidade.
– Ah, tanto faz... Quando em Roma...
– E então?... – perguntou. Os três pararam na frente da igreja. – Você concorda?
– Não. Não concordo. Eu não sou um profeta. Nós não somos daqui. Eu não posso fazer nada. – e Sam olharam para Dean sem entender. – A gente se vê depois. – ele entrou novamente na igreja.
– O que a gente faz? – perguntou para Sam.
– Não sei. Mas algo me parece anormal. – ele deu de ombros.

Dean foi ao encontro de Leah e pediu para a moça dizer tudo que os anjos falaram para ela. Apesar de relutante, Leah contou.
– Vai haver uma luta e vai ser feia. Mas se vencermos – e nós vamos –, o planeta será dado aos eleitos. E finalmente haverá paz. Sem monstros, sem doenças, sem morte. Só os bons... – ela sorriu. – Com os seus entes queridos.
– É claro. Se você passar pela corda de veludo. Tem que ser legal pra ser eleito.
– Olha, Dean, você é eleito.
Dean riu sem humor.
– Eu tô mais pra maldito. – ele se levantou e foi até a porta.
– Deve ser duro. – Leah disse e Dean se virou para ela. – Ser a casca do céu e não ter esperança.
Dean encarou a moça, se despediu sem jeito e foi embora. No meio do caminho, ele resolveu ir até o quarto de , ver como a moça estava. Não havia falado com ela desde que fugiram do ninho de demônios e estava preocupado com o ferimento, que não foi tão simples como de costume.
Bateu na porta e esperou que ela abrisse, mas quando a ouviu dizer um “entre, está aberta”, ele abriu a porta.
– Você tá bem? – ele perguntou entrando no quarto.
– Tô sim. – respondeu. Ela estava encostada na cabeceira da cama e com as pernas esticadas. – Na verdade, a dor diminuiu mais depois do analgésico. Dormi o dia todo e agora me sinto um zumbi.
Dean sorriu.
– Desculpe pela perna. É que eu tava meio enroscado e...
– Eu sei. Ninguém saiu inteiro dali. – ela o cortou educadamente.
Dean se aproximou e se sentou no pé da cama. Ele olhou para e depois para o curativo que estava com uma mancha vermelha.
– Você fez um bom trabalho com isso.
sorriu e olhou para a bandagem.
– Que nada. Foi o Jean-Luc quem fez. Ele teve que costurar minha perna. Ainda bem que você não tava aqui, com certeza eu teria me vingado. – Dean suspirou, sorriu sem graça e olhou para o nada. – O que foi?
– Você mal conhece o cara e já deixa ele te costurar.
– Você também cuidou de um ferimento meu em Cumberland e a gente mal se conhecia. – ele soltou um muxoxo, e ela continuou: – Alguém teria que fazer isso cedo ou tarde, e ele se voluntariou.
– Você lembra quando eu costumava cuidar dos seus ferimentos? – ele não sabia por que fez aquela pergunta, mas antes que pudesse controlar a boca, era tarde demais.
suspirou. Estava demorando para Dean começar a chorar.
– Dean... A gente já conversou sobre isso...
– Eu sei. E eu não quero brigar...
– Tem certeza que não?
Ele mal esperou ela finalizar a pergunta e já disse, meio alterado e se levantando:
– Sabe o que eu não entendo? Eu disse que gostava de você e você me disse o mesmo, mas na primeira oportunidade que apareceu, você se derreteu toda pro primeiro idiota que apareceu.
– Ei! Não vem com essa não! Você me conhece, Dean, e sabe que eu não sou assim. Eu não tô me derretendo por ninguém. Jean-Luc só tá sendo gentil.
– Ai, nossa, quanta gentileza... Me poupe, !
– Me poupe você!... Não sei por que esse ataque de ciúme sendo que a gente não tá mais junto. Se é que já estivemos alguma vez...
– Do que você tá falando? – ele perguntou sem entender.
não queria, havia falado que não tocaria mais em assuntos passados, ainda mais quando se tratava de Dean, mas ela já estava com a língua coçando para falar, e naquele momento ela viu uma oportunidade de finalizar tudo de uma vez.
– Todo esse tempo tudo o que você disse foi que era louco por mim! Lembra o que a Karen disse? Que o palpite dela era de que você nunca tinha se apaixonado. E eu não queria, mas pensei sobre isso. E sabe como eu me senti? Como uma idiota, Dean. Porque eu sim disse que te amava e eu só me ferrei por sua causa!
– Não vem colocar o jeito de eu me expressar como um problema no meio disso tudo não! – Dean se aproximou e apontou para , irritado. – Porque você me conhece também e entendeu muito bem o que eu quis dizer quando eu disse que era louco por você!
– Ah, é? Mas me diz uma coisa! – também se alterou. Toda a irritação que sentia por sua perna a ajudou com seu tom de voz. – Como você pode me amar e beijar a Anna e a Jo na minha frente? Se você teve coragem de fazer aquilo na minha frente, imagina o que deve ter feito pelas minhas costas em... – ela ia voltar ao assunto “Indiana” mesmo contra sua vontade, mas ele a cortou:
– Quê? Eu não beijei a Anna. Foi ela que me beijou. E você viu, e pelo que eu me lembro, conversamos sobre aquilo... E no caso da Jo eu não vou nem discutir com você. Ela tá morta agora, e não estávamos juntos. E isso não vem ao caso, a gente não tá falando da Anna nem da Jo.
– E nem do Jean-luc, eu imagino.
– Exatamente. Estamos falando da gente...
– Não tem essa de "a gente", Dean.
– Porque você não quer!
– Nem você! – respondeu imediatamente e suspirou. – Você concordou comigo quando eu disse que seria melhor assim. Você sabe que não dá pra reverter o que aconteceu, Dean.
– Mas dá pra esquecer, deixar tudo que passou pra trás e fazer diferente.
Ela soltou um riso de deboche.
– Claro, porque a gente agiria completamente ao contrário, estaríamos cem por cento dispostos a mudar nossa personalidade pelo “bem maior”, né? Esse discurso não vai rolar, Dean. Esse papo não vai dar certo. – o encarou por alguns segundos. Dean não respondeu, mas sua expressão deixava bem claro que ele não aceitara aquela resposta. Então ela suspirou, cansada. – Qual é Dean? O que você espera da gente?... O que você espera de mim? Que eu te dê toda a felicidade que você não teve sua vida inteira? – soltou um riso miserável. – Eu não posso. Não com uma vida como essa, Dean. Não é comigo que você vai ter essa felicidade e paz que tanto quer... Não se iluda.
Os dois fizeram silencio por alguns segundos, que mais pareceram horas.
– Eu me iludir? – ele soltou um riso tão miserável quanto o dela. – Tá. –suspirou e passou as mãos no cabelo. – Tudo bem... Esquece. – ele caminhou até a porta.
– Aonde você vai?
– Preciso de um tempo sozinho. Preciso pensar. – ele saiu e bateu a porta.
olhou para o teto e se xingou por algum tempo, se amaldiçoando por ter conhecido Dean algum dia.

Enquanto voltavam para o hotel, Sam e encontraram Jean-Luc no caminho.
– E aí? – sorriu. – Como vai?
– Ah... – ele sorriu. – Tô bem... Não conhecia Dylan direito, então... – ele deu de ombros.
– Ah... Posso te fazer uma pergunta... O que você acha de tudo isso?
– De todas essas regras? Uma besteira. Olha, eu nunca fui religioso, mas eu não sei se o que esses anjos falam vai levar essas pessoas pra algum lugar.
– Nem a gente. – Sam respondeu. – Sinceramente, eu não creio que os anjos estejam querendo o bem dessa cidade.
– Eu não entendo muito de anjos, mas eles deveriam ser legais, não é? Tipo o seu amigo que tirou a gente de Cartago.
– Não... Vamos dizer que o Castiel é um anjo meio diferente do habitual. – respondeu. – Ele meio que foi expulso do céu por ajudar a gente.
– Nossa... E você acha que ele pode nos ajudar?
– Isso é o que a gente espera. – Sam respondeu. – Eu liguei pra ele, mas até agora nada. O que nos resta fazer é esperar.
– Hm. Eu tava indo pro bar, querem ir? – ele perguntou sorrindo.
– Você quer desobedecer às regras? – perguntou sorrindo.
– Na verdade, eu tô hospedado na casa do Paul, mas eu nunca fui muito de obedecer, então...
olhou para Sam.
– Ah, vamos. – ele deu de ombros.
Minutos depois, os três chegaram ao bar, que diferente de mais cedo, estava vazio.
– E aí, Paul! – Jean-Luc o cumprimentou animado.
– E aí, cara. – Paul limpava a bancada do bar.
– E o que aconteceu com “o apocalipse é bom para os negócios”? – Sam perguntou. Os três se aproximaram do homem.
– É, estava tudo bem até a turma da Leah banir as coisas boas.
– É... É uma pena. – Jean-Luc se sentou. – A gente veio te ajudar a dar um jeito no estoque. – ele sorriu.
Paul sorriu também.
– Você não mudou nada, cara.
Sam e se sentaram ao lad
o de Jean-Luc e Paul pegou uma garrafa de tequila.
– Não me entendam mal. Eu cresci aqui, eu amo este lugar.
– Só você. – Jean-Luc sorriu.
Paul riu e se aproximou com a garrafa e depois pegou os copos.
– Enfim, eu amo este lugar, menos esses beatos.
– É... – Sam riu. – Eu notei que você não é do tipo que reza.
– E aqui entre nós, nem a metade deles.
– É... – Jean-Luc riu. – Eles só estão querendo uma passagem pro Paraíso.
– É... – Paul continuou. – Há dois meses, todos vinham aqui encher a cara e transar todas. – ele serviu a bebida. – Agora, viraram guerreiros de Deus.
– Saúde. – Jean-Luc ergueu o copo.
Os três também ergueram e brindaram.
– Olha, é claro que há demônios no inferno... – Paul se apoiou no balcão depois de beber. – E talvez haja um Deus. Eu não sei mesmo. Mas eu não sou um hipócrita. Nunca rezei antes e não vou começar agora. Se vou pro inferno, vou honesto.
– Isso aí. – Jean-Luc os serviu de tequila novamente e ergueu o copo. – A gente se vê lá.
Paul riu e ergueu o copo também. Os quatro brindaram e tomaram mais um shot.
– E vocês? – Paul perguntou para Sam e .
– O quê? – perguntou confusa.
– Não são muito crentes, não é?
olhou para Sam, que balançou a cabeça e torceu o lábio.
– Eu creio sim... Eu creio. – ele respondeu. – Eu tenho certeza de que Deus não tá nem aí há muito tempo.
Sam e Paul se olharam e sorriram.
– O pior é que a bebida não é o único problema. – Paul comentou.
– Como assim? – perguntou.
– Há, vocês não sabem da melhor. – ele sorriu e os serviu novamente.
Os quatro passaram horas bebendo e conversando.
À noite, quando Sam e voltaram para o hotel, eles foram para o quarto delas, ver como estava, porém, a moça estava tomando banho. Então, eles foram para o quarto deles e encontraram Dean deitado na cama, com cara de poucos amigos.
– Onde é que você tava? – Dean perguntou.
– A gente tava bebendo. – Sam respondeu.
– Rebeldes.
– É, e a gente teria bebido mais, mas tinha toque de recolher. – Sam respondeu debochado.
– Sei...
– Sabia que cortaram os celulares? – perguntou inconformada.
Dean coçou os olhos.
– Não... Essa é nova pra mim.
– É... E sem TV a cabo, internet. Totalmente fora da “corrupção do mundo exterior.” – Sam respondeu fazendo aspas e visivelmente incomodado.
– Hm.
Sam o encarou.
– Você não sacou?... Estão transformando isso aqui num tipo de conjunto fundamentalista.
– Eu saquei.
Sam olhou para .
– E você só faz “hm”? – ela perguntou.
– Qual o seu problema? – Sam reforçou a pergunta de .
Dean suspirou e se sentou na cama.
– Eu saquei. Só não ligo.
– Como é?
– Que diferença isso faz?
– Faz muita diferença. – ele encarou Dean, que não respondeu nada. Então Sam suspirou e se sentou de frente para o irmão. recostou na parede. – Fala aí... Que ponto isso tá parecendo exagero pra você? Pedradas? Veneno na comida? Que isso cara, os anjos estão brincando com essa gente.
– Em terra de anjo, anjo manda.
– E desde quando você gosta disso? – Sam perguntou inconformado.
– Desde que os anjos pegaram os últimos salva-vidas do Titanic. – Dean respondeu irritado e se levantou. – Quem é que você acha que vem salvar essas pessoas? Era pra sermos nós. E não temos como.
Sam olhou para inc
onformado e depois olhou para o irmão, que se servia de whiskey.
– E aí? O que você quer? Você quer parar de lutar, se entregar?
– Não sei não. Talvez.
– Não fala assim.
– Por que não?
– Porque você não pode fazer isso. – se envolveu.
– Na verdade, eu posso.
– Não, não pode. – Sam se levantou. – Você não pode fazer isso comigo. – ele fez uma pausa dramática. – Só tem uma coisa que me faz seguir em frente. Você acha que é o único que tá ralando duro aqui, Dean? Eu não posso contar com mais ninguém além de você, das meninas e do Bobby... A gente não pode fazer isso sozinho.
Dean encarou o irmão e abaixou a cabeça. Ele suspirou e deixou o copo de lado, caminhando até a porta.
– Dean...
– Preciso arejar as ideias. – Dean respondeu pegando um casaco e saindo do quarto.
– Tá no toque de recolher! – Sam respondeu sarcástico. Depois, ele olhou para e balançou a cabeça.
– O que a gente faz? – ela perguntou se sentando na cama.
– Não podemos esperar pelo Castiel. É capaz de ele nem ter visto a mensagem. – ele respondeu pegando a bolsa que guardava alguns livros. – Vamos estudar.
– Esse monte de livros, sozinhos?
– Chama a sua irmã.
– Tá. – saiu do quarto e foi até o quarto dela, encontrando tentando se sentar na cama. – Nem pense em se sentar.
– O que foi agora? – ela perguntou de mau humor.
– Osh... Que foi?
– Nada. Minha perna tá doendo, só isso.
– Hm... Vamos até o outro quarto. Precisamos dar uma olhada nos livros pra ver se a gente encontra alguma coisa.
– Ah, eu sei por que. O Jean-Luc tá me mantendo informada, já que todo mundo resolveu me esquecer aqui.
– Ah, para de drama e vem logo. Toda ajuda é bem-vinda, já que o Dean lavou as mãos.
– O quê? – começou a caminhar lentamente até a irmã.
– Sei lá. Você sabe como ele é. – se aproximou e colocou o braço de ao redor de seu pescoço. – Desse jeito a gente chega lá só amanhã.
As duas então foram para o quarto deles, e ajudaram Sam a encontrar alguma pista do por que os demônios estavam invadindo a cidade e por que os anjos estavam agindo daquela forma.
Minutos de silencio e estudos depois, os três levaram um susto quando ouviram uma voz:
Eu recebi seu recado. – os três olharam na direção da voz e viram Castiel abrir a geladeira. – Era longo... O seu recado... O som da sua voz é muito irritante. – ele fechou a geladeira.
Sam e se olharam. olhou para Castiel sem entender.
– Qual o problema? – ela perguntou.
Castiel encarou a geladeira e cambaleou.
– Você... Bebeu? – Sam perguntou.
Castiel se virou com dificuldade e piscou lentamente.
– Não. – ele se aproximou e tropeçou nos próprios pés. Sam o olhou com a sobrancelha erguida e ele rolou os olhos. – Sim.
– O que aconteceu com você? – perguntou.
– Achei uma loja de bebidas.
– E?
– E eu bebi! – ele respondeu grosso. – Por que me ligou? – ele perguntou para Sam e caminhou até ele, cambaleando.
– Wow, pera aí... – Sam riu e segurou Castiel. – Calma. Você tá bem?
Castiel o encarou e fez um sinal para Sam se aproximar. E foi isso que Sam fez.
– Não faça perguntas idiotas. – ele cochichou para Sam. e se olharam e seguraram o riso. – Diga o que precisa. – ele recostou na parede.
– São os ataques de demônios em massa. Bem no limite da cidade. Eles estão...
– Algum sinal de anjos?
– Mais ou menos. Estão falando com um profeta.
– Quem?
– Uma garota, Leah Gideon.
– Ela não é profeta.
Sam, e se entreolharam.
– Eu acho que ela é. – Sam respondeu com convicção. – Tem visões, dores de cabeça. O pacote completo.
Castiel suspirou e olhou para cima.
– Os nomes de todos os profetas estão selados no meu cérebro. – ele respondeu com desdém e olhou para Sam. – Leah Gideon não é um deles.
– Então o que ela é? – perguntou.

Enquanto andava pela cidade, Dean ouvia gritos e coisas sendo quebradas no bar de Paul. Por curiosidade, ele se aproximou e entrou no estabelecimento e encontrou Jean-Luc e Paul discutindo com Rob, Jane e o pregador. Outros dois homens estavam assistindo a briga.
– Podem parar vocês dois. – o pregador tentava afastar Rob de Paul.
– Estão na minha propriedade, fazendo confusão. – respondeu Paul.
– Desculpe Paul, não tem outro jeito. – Rob rebateu.
– Por quê? Que país é esse?
– Quer ajuda, pregador? – Dean se envolveu.
– Quero que todos se acalmem um momento. – o pregador afastou Rob.
– Acalmar? – Paul, que estava do lado de trás do balcão, perguntou. – Meus amigos querem me expulsar da cidade. – ele falou para Dean.
– Desculpe, Paul. Não é escolha nossa. – Rob respondeu.
– Fala sério! – Jean-Luc se envolveu. – Que idiotice...
– Ele tem que ir para o bem de todos. E você também... Os dois estavam bebendo. – Rob respondeu.
– Qual é cara?! – Paul disse. – Nós crescemos juntos. Eu fui ao seu casamento.
– É, você foi. Mas já faz tempo. – Jane respondeu. – Agora você se afastou do rebanho.
– Não é verdade. Eu luto com vocês.
– Essa é uma cidade de crentes, Paul. Nem você e nem o regressado aqui são crentes. – ela apontou para Jean-Luc.
– Não tornem isso mais difícil para nós. – Rob se envolveu novamente.
– Difícil pra vocês? – Paul perguntou. – Não. – ele se afastou. – Esse é o meu lar. Querem me expulsar? – ele deu a volta no balcão e se aproximou de Rob. Dean também se aproximou para apartar a briga que inevitavelmente aconteceria. – Então me arrastem.
Rob encarou o amigo e se aproximou furioso. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Dean o puxou pelo braço.
– Vamos parar com esse negócio aí.
– Cai fora. – Rob se esquivou e tentou dar um soco em Dean, porém, o mesmo foi mais rápido e o acertou antes.
Aí a briga estava feita. Jean-Luc, que estava naquele momento atrás do balcão, pulou o mesmo e avançou em outro homem, que agarrava Paul.
– PAREM COM ISSO! – o pregador gritou, tentando impedir outro homem que segurava um bastão de baseball.
Rob avançou em Dean, e Dean o derrubou no chão, imobilizando-o. O mesmo Jean-Luc fez com o homem que tentava bater em Paul.
– NÃO, PARA COM ISSO! – Paul gritou antes de receber um tiro.
Todos no bar olharam surpresos para Jane, quando ela deu o disparo. Paul caiu no chão agonizando. Jean-Luc soltou o cara que imobilizava e correu até Paul, se abaixando ao seu lado.
– Ninguém vai me impedir de ver meu filho de novo. – Jane comentou com dificuldade e com a voz tremula.
Dean soltou Rob e foi até Paul, abaixando-se também.
– Paul! – Jean-Luc tentava acordá-lo. – Que droga, cara! Acorda. – ele deu alguns tapinhas no rosto do homem, mas ele não respondeu, então Dean checou os batimentos do homem. Nada. Ele olhou para Jean-Luc e os dois depois olharam para Jane, sem acreditar.
– Agora você! – ela olhou e apontou a arma para Jean-Luc. – Vai embora daqui.
Jean-Luc se levantou e ergueu os braços, se rendendo.
– Espera aí. – Dean também se levantou e esticou a mão para a mulher, que apontou a arma para ele. Ele então também ergueu os braços.
– Jane, não! – o pregador se aproximou da mulher e abaixou a arma dela. – Você não vai fazer isso.
– Mas ele...
– Ele vai embora. – o pregador olhou para Jean-Luc. – Não é, filho?
Jean-Luc o encarou e pensou um pouco antes de assentir. Ele olhou para o corpo do amigo e se retirou do estabelecimento. Pouco tempo depois, Dean foi atrás do caçador.
– EI! – ele gritou.
Jean-Luc olhou para trás, o ignorou e continuou a andar.
– Se você veio aqui pra se certificar de que eu vou embora...
– Eu não vim fazer isso. – Dean o cortou e apertou o passo, se aproximando de Jean-Luc.
– Que bom. – Jean-Luc parou e se virou para Dean. – Porque eu não vou embora. – ele respondeu nervoso.
Dean o encarou e assentiu.
– Me espera aqui. Cuidado pra não te verem. – ele voltou para o bar.

...

Era quase de manhã quando Dean entrou no quarto. Sam se levantou na hora, aliviado.
– Eu já ia proc... – ele olhou para Dean, que parecia atordoado. Ele olhou para a mão do irmão, que estava suja de sangue. – Você tá bem?
– Tô. – ele respondeu e saiu da frente da porta, dando espaço para Jean-Luc entrar. – Não é meu sangue.
, que estava na cama de Sam, arregalou os olhos.
– O que houve? – ela perguntou.
– O Paul tá morto. – Dean respondeu.
– O quê? – Sam perguntou.
– A Jane o matou. – Jean-Luc respondeu. – E eu seria o próximo, se não tivesse ido embora.
– E por quê? – perguntou.
– Porque não obedecemos aos mandamentos dos anjos. – respondeu debochado.
– Está começando. – Castiel, que estava sentado no sofá, comentou.
– Começando o quê? – Dean perguntou. – Onde você tava? – ele reparou na cara de bêbado que Castiel estava.
– Estava bebendo. – ele respondeu grosso.
Dean o encarou sem entender e depois olhou para Sam.
– Ele diss... – ele olhou para Castiel. – Você disse “bebendo”?
– É. E ele ainda tá de ressaca. – respondeu.
– Isso não importa. – Castiel respondeu sem paciência. – Temos que falar sobre o que está acontecendo.
– Sou todo ouvidos. – Dean foi até a pia e lavou as mãos.
Jean-Luc recostou na parede e cruzou os braços.
– Pra começar... – Sam respondeu e se sentou no sofá, ao lado de Castiel. – Leah não é um profeta.
– E o que ela é exatamente? – Dean perguntou secando as mãos.
– Prostituta. – Castiel respondeu.
– Leah? – Dean perguntou sem entender. – Tem certeza do que tá dizendo?
– Ela aparece quando Lúcifer corre a Terra. – ele apontou para o livro em cima da mesa de centro. – “Ela virá trazendo falsas profecias.” – leu. Dean se aproximou dos dois. – Esta criatura tem o poder de tomar a forma humana e ler mentes. O livro do Apocalipse a chama de prostituta da Babilônia.
– Que atraente, hein.
– A verdadeira Leah deve estar morta há meses. – concluiu.
– Nossa. – Jean-Luc comentou. – A gente estudou na mesma classe, e agora ela é receptáculo de uma prostituta... Inacreditável... E os demônios atacando a cidade?
– São contratados por ela. – Castiel respondeu.
– E o exorcismo enochiano? – Dean perguntou.
– Falso. Na verdade quer dizer “você que foi gerado na boca de um bode.” – ele respondeu divertido. Os outros o encaram sem entender a graça que o anjo sentia. – Tem mais graça em enochiano. – ele respondeu sem graça.
– Então detonar os demônios é só armação? – Dean perguntou. – Por quê? Qual a meta do jogo?
– O que você viu. Derramar sangue inocente em nome de Deus.
– Você ouviu aquele papo celestial. Ela manipula as pessoas. – Sam completou.
– Pra abater e matar, enquanto canta os hinos. – Dean comentou indo até a pia novamente. – Brincadeira, hein.
– A meta dela é mandar o maior número possível de almas pro inferno. E isso é só o começo. Ela está a caminho de mandar a cidade inteira pra cova. – Castiel respondeu.
– E como nós vamos ser os cafetões da Babilônia pra cima da vadia?
Castiel e Sam se olharam.
– Eu já volto. – Castiel respondeu e desapareceu.
Jean-Luc olhou para onde o anjo estava com as sobrancelhas erguidas.
– Relaxa. Você se acostuma. – riu da expressão do caçador.
– Cada coisa que a gente encontra. – ele suspirou. – Como vai a perna, ?
– Ah... Vai bem. Ainda doí, mas não comparado com antes. Acho até que tô andando mais rápido.
– Se você acha que tá... – deu de ombros.
– Eu tô, tá legal?... Enfim. Sinto muito pela perda do seu amigo, Jean-Luc. Pelo que a me contou, ele parecia ser gente boa.
– E era. Apesar de ele ser mais velho, a gente se entendia e se dava bem. – Jean-Luc olhava para o vazio. – Ele era a única pessoa daqui que eu mantinha contato.
Na hora, Castiel reapareceu no quarto com algo nas mãos. Era uma estaca e ele a deixou em cima da mesa de centro.
– A vadia pode ser morta com isso. É uma estaca feita de cipreste da Babilônia.
Dean pegou o objeto.
– Ótimo. Vamos acabar com ela.
– Não é assim tão fácil. A prostituta só pode ser morta por um leal servo do céu.
– Servo tipo...
– Nem você, nem eu. O Sam, claro, é uma aberração. A tá inválida e é tão inapta quanto . – ele olhou para Jean-Luc. – Pela sua cara, você não vale o pão que come. – todos olharam para Jean-Luc, esperando que ele fosse se ofender, mas não. Ele apenas sorriu e assentiu. – Nós temos que achar outra pessoa.
Eles ficaram em silencio por um tempo.
– Já sei. – Jean-Luc falou. – O pregador.
– E você acha que ele vai acreditar na gente e matar a filha? – Dean perguntou.
– Não, mas é a nossa única chance. E você viu a cara que ele fez quando Jane matou o Paul.
– Ele tem razão. – Castiel respondeu. – Já volto. – e ele desapareceu novamente.
– Ah, me desculpe pela inconveniência do Cass. Ele não diz coisas assim quando tá sóbrio. – comentou com Jean-Luc.
– Nem esquenta. – ele riu e deu de ombros. – Mas ele costuma ficar bêbado assim?
– Ah, não. – ela riu. – Ele só tá meio desiludido porque não encontrou Deus e soube que Ele não moveria um dedo pra impedir o apocalipse.
Jean-Luc a olhou surpresa.
– E quando eu achei que já tinha visto de tudo... – ele suspirou.
– Pois é. – Dean respondeu, fuzilando por falar demais. – Agora é cada um por si... Você pode imaginar como ele se sentiu quando descobriu que o próprio Pai pouco se importa com o que tá havendo.
– E você acha que tem jeito de acabar com o apocalipse?
Dean o encarou. Sam, e encararam Dean.
– Sempre tem um jeito.
– Espero que você não esteja pensando em... – Sam tentou falar, mas foi interrompido por Castiel, que apareceu com o pregador.
– O que foi isso? – o pregador perguntou confuso.
– Ele não mentiu sobre o lance de ser anjo. – Dean respondeu. – Senta aí, pregador, temos que conversar. – ele se sentou e o pregador também.
Dean e Sam tentaram explicar a situação da maneira mais clara possível para David, porém, o mesmo parecia não acreditar.
– Não. Ela é minha filha.
– Desculpe, mas não é. Ela é a coisa que matou a sua filha. – Dean respondeu.
– Isso é impossível.
– Mas é verdade, e no fundo você sabe. – Sam falou. O pregador suspirou e passou a mão nos cabelos. – Olha, a gente sabe que isso é demais, mas se não fazer isso, ela vai acabar matando muita gente e arrastar todos pro inferno.
– Só que... – o pregador começou a falar, mas parou quando Dean ergueu a estaca para ele. – Por que é que tem que ser eu?
– Você é um servo do céu. – Castiel respondeu.
– E você é um anjo.
– Péssimo exemplo de um.
O pregador olhou indeciso para a estaca e decidiu por fim, aceitar o desafio.
– Tudo bem, mas ela está a ponto de matar um monte de gente inocente.
– Onde eles estão? – Sam perguntou.
– No subterrâneo. Trancados no armário.
– Tudo bem, vamos pensar num plano. – Dean respondeu.
Depois de bolarem o plano, todos foram à igreja. Castiel, Dean e Sam se encarregaram de cuidar de Leah, enquanto , Jean-Luc e – que estava lá de teimosia –, ficaram encarregados de explicar para os moradores da cidade o que estava acontecendo e libertar os reféns pecadores.
E foi nessa hora que eles foram interrompidos por Leah, que entrou gritando e correndo.
– SOCORRO! É UM DEMÔNIO. – ela apontou para a porta.
Na hora, o pregador surgiu com a estaca na mão e dois homens avançaram nele e o bateram.
– NÃO! – Jean-Luc se aproximou. – SOLTEM ELE. – ele tentou separar um deles.
– Ateie fogo ao querosene. – Leah falou para Jane.
ouviu e então correu até a mulher, para impedi-la. As duas começaram a se estapear, mas Rob interveio e pegou o isqueiro. Sam, que foi atrás do pregador com o irmão, viu a cena e avançou em Rob e os dois começaram a trocar socos.
Outros quatro homens apareceram e Jean-Luc e Dean avançaram neles, enquanto assistia a cena sem saber o que fazer. Foi quando por impulso e numa tentativa falha, ela atirou em Leah. Como era de se esperar, a moça se virou para ela e estendeu as mãos. voou longe, batendo as costas com força contra uma parede e caindo no chão.
Leah sorriu e se aproximou dela, que sentava e respirava ofegante, recostando na parede.
– Você realmente é muito burra. Achou mesmo que ia me impedir com uma simples bala de sal? – ela perguntou se abaixando.
– Vai pro inferno. – disse entredentes.
Leah riu e viu a perna enfaixada da moça, que vestia um short.
– Minha vez agora. – Leah apertou o ferimento de , com força, enfiando aos poucos, o polegar dentro do ferimento, que começou a jorrar sangue, conforme os pontos se rompiam.
Quando começou a gritar, os caçadores perceberam o que estava acontecendo.
– Droga. – Dean sussurrou para si mesmo e foi até a moça, se esquivando do homem que avançava nele.
Leah percebeu a movimentação e se levantou, esticando o braço para Dean, que foi jogado brutamente para trás. Leah então subiu em cima dele e o enforcou.
, que estava um pouco confusa por causa de Jane, pegou uma barra de ferro que estava em cima de uma mesa próxima dela e bateu com força nas pernas da mulher, que caiu se contorcendo de dor. Ela então correu até Jean-Luc e fez o mesmo com os dois homens que o atacavam.
Aquela era a única maneira de impedi-los sem ter que mata-los.
– Valeu. – Jean-Luc agradeceu e partiu para cima do homem que antes atacava Dean.
! – Sam a chamou. correu até ele. – Tira essa gente daqui. – ele falou com dificuldade, já que imobilizava Rob. se abaixou para Jane e pegou o molho de chaves. Ela se virou para a fechadura do armário e começou a testar as chaves.
– Até parece que você é um servo do céu. – Leah comentou com Dean, quando viu que ele tentava alcançar a estaca. – Por isso que o meu time vai vencer. Você é a grande casca? Você é patético, infeliz e sem fé. Isso é o fim do mundo, e você vai se sentar e deixar acontecer.
Quando Dean finalmente alcançou a estaca, ele a fincou em Leah, que se deitou contorcendo.
– Não é bem assim, vadia. – ele respondeu se sentando.
Quando Jean-Luc e o homem com quem brigava pararam para ver Leah morrendo, o caçador correu até .
– Você tá bem? – ele perguntou se aproximando e se abaixando.
– O que você acha? – ela perguntou nervosa, segurando com força o ferimento na perna.
Jean-Luc olhou para o ferimento, que escorria sangue.
– Droga! – ele sussurrou e tirou o cinto que usava, colocando-o em volta da perna da moça. – Aguente firme. Vai doer um...
– Vai logo! – ela falou rápido e fechou os olhos.
Jean-Luc então apertou o cinto com rapidez e bruscamente. gritou de dor.

Sam, , Rob, Jane e os reféns, que agora estavam livres, pararam extasiados ao verem Leah se transfigurar e a estaca fincada pegar fogo. Quando Leah finalmente morreu, Jane, que estava sentada no chão e encostada na parede, falou:
– Mas eu... Eu não entendo. Como vamos chegar ao Paraíso agora?
– Desculpe. – que estava abaixada, tentando acordar o pregador desmaiado, respondeu. – Mas eu acho que você pegou o caminho erra... – ela parou de falar quando ouviu gritar.
Eles olharam na direção do grito e viram com a cabeça erguida e com a mão na perna, enquanto Jean-Luc tentava estacar o sangue com um cinto.
Dean então se aproximou dos dois.
, tudo bem? – ele perguntou se abaixando, preocupado.
não respondeu, apenas negou com a cabeça. Ela regularizou a respiração e abriu um sorriso doloroso.
– Eu acho que agora eu perco a perna de vez.
– Será que você consegue levantar? – Jean-Luc se levantou e puxou o braço da moça.
Quando Dean estava a ponto de ajudar a moça a se levantar, ele olhou para o lado e viu Castiel, que apesar de ter sido torturado por Leah, teve forças para aparecer ali.
– Cass. – ele foi até o anjo, que parecia estar a ponto de desmaiar. – Você tá bem?
Castiel assentiu.
– Eu vou ficar.
Dean assentiu e se virou. Ele pretendia ir ajudar , mas quando viu que Jean-Luc a pegara no colo, ele desistiu e só assistiu a cena. Ele estava a ponto de reclamar, mas não o fez, afinal, aquela não era hora para aquilo.
– A gente precisa sair daqui. – Castiel comentou com dificuldade. – Está ferido? – ele perguntou quando viu que o pescoço de Dean estava ensanguentado, pelo sangue de .
Dean fez que não, ajudando-o a se levantar.
Todos saíram da igreja. Dean carregava Castiel, enquanto Sam ajudava o pregador a andar. era seguida por Jean-Luc, que carregava .
– Dean, como você fez aquilo? – Sam perguntou.
Todos caminhavam até os carros.
– O quê?
– Como a matou?
– Foi um golpe de sorte, eu acho.
– Até onde eu sei, ela só poderia ser morta por um servo do céu.
– O que você quer que eu diga? Eu ouvi um tiro e mandei bala. – eles chegaram ao Impala. Dean abriu a porta traseira e ajudou Castiel a entrar.
– Olhe a cabeça. – Sam comentou com o pregador, ajudando-o a entrar no carro.
– Eu vou com eles. – apontou para Jean-Luc, que andava na direção do seu carro.
Sam assentiu e Dean assistiu a cena de Jean-Luc colocando no banco de trás do Jeep.
– Você vai fazer alguma coisa estúpida? – Sam perguntou para o irmão.
Dean olhou para Sam sem entender.
– Como o quê?
– Como dizer sim ao Miguel.
– Ah, qual é Sam. Dá um tempo. – ele entrou no carro.
Quando chegaram ao hotel, eles se separaram.
Mais uma vez, Jean-Luc terminava de costurar a perna de , enquanto o ajudava.
, caramba! Você podia colaborar! – ela pedia colocando o peso do corpo sobre , para impedi-la que mexesse a perna.
– Ai, que droga! Tá doendo mais do que da primeira.
– A gente falou pra você ficar. – Jean-Luc respondeu. – Mas você é teimosa.
– Ah, não me venha com essa agora. – ela falou nervosa.
– Qual é? A gente falou mesmo.
DEAN!
Os três fizeram silencio e ouviram o Impala se afastar.
– O que foi isso? – perguntou.
– Foi o Sam. – se levantou. – Eu vou lá ver. – ela saiu do quarto e viu Sam assistir o Impala se afastar.
– O QUE HOUVE? – ela correu até Sam.
– Eu não, eu não sei. Ele... Acho que ele vai falar sim pro Miguel.
notou a preocupação de Sam e se preocupou também.
De volta ao quarto, , que agora estava acompanhada de Sam, contou para a irmã o que havia acontecido.
– Como assim ele foi falar sim pro Miguel? – ela perguntou. – Desde quando ele pretendia fazer isso?
– Ele ficou meio estranho depois de matar a prostituta. – Sam respondeu com o celular na mão. – Eu não tenho certeza de que ele vai fazer isso, mas eu não ponho minha mão no fogo por isso.
– Desculpa, mas do que vocês estão falando? – Jean-Luc, que terminava o curativo de perguntou.
– Ah, longa história. Depois a gente conta. – respondeu.
– Eu já tentei ligar várias vezes, ele não atende. – Sam comentou.
– Deixa uma mensagem. – sugeriu.
– Dean, onde você tá? Liga pra mim. – Sam deixou a mensagem e desligou o celular. – Ele não vai ouvir.
– E o que a gente faz? – perguntou.
– Eu vou ver com o Castiel se ele sabe de alguma coisa.
– Mas ele não vai conseguir rastreá-lo, Sam.
– Eu sei, . Mas é tudo que a gente pode fazer agora. – Sam saiu do quarto, nervoso.
suspirou.
– Eu vou com ele. – e ela saiu.
– Ai, que droga. – falou. – Ele não pode fazer isso.
– Liga pra ele.
– Do que vai adiantar? Você viu que ele não quer atender.
Jean-Luc se levantou e pegou as coisas que usou para o curativo.
– Olha, você só vai saber se tentar. – ele deu de ombros e caminhou até a porta. – Eu vou levar isso pro carro. – e saiu.
pensou por um instante e ligou para Dean. E como era de se esperar, ele não atendeu. Então, ela deixou uma mensagem:
– Dean, eu não tenho certeza se você vai ouvir isso, mas enfim... – ela suspirou. – Eu sei o que você tá prestes a fazer e, por favor, não faça. Talvez haja outro jeito de a gente resolver as coisas, mas, por favor, não entregue os pontos. Você não sabe se vai sair vivo dessa e eu... Eu não... – e então o celular desligou. ouvira musica o dia todo e se esqueceu de colocar o aparelho para carregar. – Droga! – largou o celular e fitou o teto.
Se lembrando da última conversa que teve com Dean, seus olhos se encheram de lágrimas. Aquela poderia ser a última conversa dos dois e ela se arrependera de dizer todas aquelas coisas.
Tá tudo bem? – Jean-Luc perguntou entrando novamente no quarto.
balançou a cabeça para afastar os pensamentos e sorriu sem graça.
– Tá. Ele não atendeu, mas eu deixei uma mensagem.
– Se ele for um cara esperto, vai ouvir.
– Assim espero.
Na hora, e Sam entraram no quarto.
– E aí? – ela perguntou.
– O Castiel não tem a menor ideia de onde ele possa estar. – respondeu.
– Eu sabia.
– Mas eu sei todos os passos dele. – Sam comentou. – Vamos voltar pra Sioux Falls. Vocês ficam lá e eu vou atrás dele.
– E aonde você acha que ele tá? – perguntou.
– Eu não tenho certeza, mas ele é previsível. – Sam deu de ombros.
– Tudo bem... , arruma as coisas. A gente já tá de saída.
assentiu e começou a arrumar as malas.
– Eu vou com vocês. – Jean-Luc se voluntariou.
– Obrigado, mas não precisa. – Sam respondeu.
– Vocês não precisam salvar o mundo sozinhos, eu não sei em que posso ser útil, mas eu quero ajudar. Ou morrer tentando.
Sam olhou para e . Ele desconfiava um pouco de Jean-Luc. Na verdade, ele desconfiava de todo mundo, até dele mesmo. Mas, até o momento, Jean-Luc se demonstrou confiável.
E bem, se ele já confiou em um demônio e um vampiro, não custava nada ele se arriscar em confiar no caçador.
– Tudo bem. Partimos em dez minutos. – ele saiu do quarto.
Jean-Luc assentiu e saiu do quarto também. Mais um ajudante foi adicionado à lista.
– Acho que ele pode ser o Stark, no lugar do Benjamin. – deu de ombros.
rolou os olhos. Como a irmã podia falar uma coisa daquelas no meio de tanto caos?

...

Dean dirigia pensando no que fazer.
Ele ouviu o celular tocando. Viu na tela que era Sam e não atendeu. O celular tocou mais algumas vezes e ele ignorou. Depois de alguns segundos, o aparelho apitou, avisando que acabara de chegar uma mensagem na caixa postal. Por curiosidade ele olhou para ver de quem era. Como era de se esperar, era de Sam. Ele abriu.
Dean, onde você tá? Liga pra mim.
Dean deixou o celular em cima do banco e poucos segundos depois, ele voltou a tocar. Dessa vez, era . Pensou por alguns segundos, mas decidiu não atender. E mais uma vez, ele ouviu o celular apitar. Outra mensagem de voz. Ele ignorou e ficou pensando no que ia fazer.
Ele estava decidido a dizer sim, mas ele pensava se ia até Lisa, mulher com quem passara os últimos meses quando esteve sozinho, ou se simplesmente ia direto ao encontro de Zacharias.
Ele não sabia o porquê, mas sentia a necessidade de ver Lisa e Ben pela última vez. Durante esses meses, ele pegou carinho pelos dois e adotou o garoto como filho, mesmo sabendo que a chance de ele ser seu filho era mínima, já que meses antes de Lisa dar a luz ao menino – exatamente nove –, ela e Dean se envolveram.
Ele pegou o celular, disposto a ligar para Lisa, mas parou quando viu a mensagem de voz de. Novamente, movido pela curiosidade, ele a abriu. Era de .
“Dean, eu não tenho certeza se você vai ouvir isso, mas enfim... Eu sei o que você tá prestes a fazer e, por favor, não faça. Talvez haja outro jeito de a gente resolver as coisas, mas, por favor, não entregue os pontos. Você não sabe se vai sair vivo dessa e eu... Eu não...” – e a mensagem acabou.
Dean desligou o celular e novamente ficou em dúvida do que fazer.
Ele voltaria para o hotel, fingiria que nada aconteceu e ficaria lá, sem saber que fim ia levar o mundo e vendo Jean-Luc se aproximar descaradamente de e ela dar bola, ou ele iria até Lisa, diria seja lá o que tivesse para dizer, se despediria e iria falar com Zacharias e salvar o mundo?
Então, ele tomou a decisão mais egoísta e mais altruísta que poderia tomar: resolveu dizer sim e de quebra, decidiu falar com Lisa.

...

Já havia amanhecido quando ele parou na frente da casa da mulher. Ele desceu do carro e caminhou até a porta e bateu. Quando a porta se abriu, uma moça o encarou surpresa.
– Dean?
– Oi, Lisa. – Dean sorriu sem graça e os dois se encararam. – Como vai o Ben?
– Ótimo. Ele tá no baseball.
– É... Legal, você se mudou, né?... É uma bela casa.
Lisa o encarou desconfiada.
– Dean, você não veio até aqui só pra falar de imóveis... Você tá bem?
Dean riu sem graça e abaixou a cabeça.
– Na verdade não.
Lisa o olhou preocupada.
– O que é?
– Olha, eu não tenho ilusões, sabe? Eu sei bem a vida que eu levo e eu sei qual vai ser o meu fim... Tudo bem, tudo bem. Tanto faz pra mim. Mas eu quero que saiba... – ele pensou por alguns segundos. – Que a minha ideia de felicidade é com você, e o menino, é claro.
– Uau. – foi tudo que Lisa conseguiu dizer depois de um tempo em silencio.
– Não precisa dizer na...
– Não. É, eu sei. Eu sei... Mas eu quero... Entra, eu vou pegar uma cerveja. – ela deu espaço para Dean entrar.
– Bem que eu queria. – Dean a impediu de entrar e os dois se encararam. – Se cuida, Lisa. – Dean deu as costas.
– Não, não, espera. – ela o segurou. – Você não pode aparecer assim, meses depois, jogar uma bomba assim e sair.
– Eu sei. Desculpe... Eu não sei o que eu tô fazendo, eu não tenho escolha.
– Sim, você tem. Você entra, eu pego uma cerveja e nós conversamos. – ela voltou para dentro de casa.
– Lisa, só um minuto. – Dean voltou a segurá-la. – As coisas vão piorar muito.
– Como assim? Pior do que você pinta?
– Muito pior... Nos próximos dias, você vai ver coisas na TV que vão ser muito doidas. De assustar. Mas eu não quero que se preocupe porque estou tomando providências pra você e Ben.
– Providências?
– Aconteça o que acontecer, ficarão bem.
– Não entendi, do que você tá falando?
– As pessoas que eu vou ver agora, não vão conseguir nada de mim, sem aceitarem algumas condições.
Lisa o olhou confusa.
– Entre um pouco, por favor. Seja o que for que esteja pensando em fazer, não faça.
– Eu preciso.
– Fica mais uma hora... Pra se despedir do Ben.
Dean pensou por alguns segundos.
– Não. É melhor não.
Lisa assentiu com os olhos cheios de lágrimas. Dean se aproximou e beijou sua bochecha. Ela chorou.
– Adeus, Lisa. – ele se despediu e foi embora.
Lisa o assistiu partir.


Point of no Return

Após três horas de viagem, os quatro chegaram à casa de Bobby. Após o caçador dar um belo “resumo” sobre o que ele pensava das pessoas chegarem a sua casa no meio da noite, Sam se prontificou a contar os últimos acontecimentos. Os cinco estavam no escritório, sentada na cama improvisada de Bobby, enquanto Jean-Luc dava um jeito no curativo, e Sam sentados próximos à mesa, conversando com o mais velho.
– E você? – perguntou para Sam. – Tem ideia de onde ele pode estar?
Sam deu de ombros, num misto de cansaço e preocupação.
– Eu não sei, ele pode estar em qualquer lugar.
– O que não ajuda em nada.
Sam assentiu e disse:
– O seu irmão só pode ter enlouquecido. Se eu fosse ele, num momento como esse, tudo o que eu iria querer é ficar perto das pessoas com quem me importo.
– O que no caso de Dean não conta. – falou Bobby. – Se ele pensasse assim, ele estaria aqui e não vagando por aí sem destino.
– Se ao menos nós tivéssemos alguma pista de onde ele pudesse ter ido.
– O Dean é imprevisível.
– Talvez nem tanto. – Sam respondeu pensativo.
– Do que você tá falando? – perguntou .
– Eu acho que tenho uma ideia de onde ele poderia ter ido.
– Como assim?
Sam se levantou, o que fez todos os presentes o observarem.
– Olha, eu posso estar errado, mas é o único lugar que eu posso pensar no momento... Eu preciso ir. – e saiu do escritório em direção à cozinha. foi atrás, o que fez Jean-Luc e ficarem com um grande ponto de interrogação na cara.
– O que deu neles? – ela perguntou à Bobby, que deu de ombros, e foi até a porta.
– Parece que o Sam tem uma pista de Dean.
– Que bom, não é?
– É. – respondeu antes de sair.
assentiu e voltou a olhar para Jean-Luc, que agora passava uma bandagem em volta de sua perna.
– Já pensou em ser enfermeiro?
Jean-Luc soltou um riso pelo nariz, e prendeu a ponta com um pedaço de esparadrapo.
– Pra quê? Eu já tenho o trabalho dos sonhos de qualquer um.
sorriu, se ajeitando na cama assim que o caçador deu o serviço por acabado.
– Bem, se você não fosse tão bem-sucedido no que faz, você deveria considerar a ideia de ser um.
– Vou pensar no assunto. – respondeu humorado, guardando o resto dos materiais dentro da caixa de primeiros socorros. – Mas já me contento em você ter melhorado o seu humor.
– Graças a você. Sério, se não fosse o seu analgésico, eu teria arrancado a minha perna sem o menor problema.
– Que bom, mas ele não vai ajudar por muito tempo. Você precisa ir a um hospital.
– Não. De jeito nenhum. É só um pequeno machucado, logo, logo eu vou estar novinha em folha, você vai ver.
Jean-Luc soltou um riso.
– Olha, eu te garanto que você não vai pensar assim quando a dor voltar. E outra, pelo que eu vi, o ferimento não tá tão superficial quanto antes. A Leah pegou pesado com você.
– Você acha? – perguntou fitando o machucado, preocupada.
– Eu acho, e não tô querendo te assustar não, mas se você não se cuidar agora, o ferimento vai se agravar, e a sua situação pode ficar séria.
– É? – olhou para ele.
– Com toda a certeza. Você pode até perder a perna. – finalizou com um sorriso assim que arregalou os olhos. – Olha, não se preocupe. Mas é melhor você pensar em ir.
balançou a cabeça. Em seguida voltou para o escritório.
– E aí, tudo bem? – perguntou.
– Está, só estamos de saída. O Sam acha que sabe onde o Dean pode estar. Nós só vamos arrumar um carro qualquer, falar com Castiel.
– Pra quê?
– Não sei. Ele só me disse que ele tem um plano.
– Hum, tudo bem... Eu acho que o hospital pode esperar por mais uns dias.
– O quê? – perguntou Jean-Luc.
– É isso aí. Temos trabalho a fazer. – Jean-Luc soltou um riso. – O que foi?
– Você só pode estar brincando, né? Olha o estado da sua perna.
– Eu tô bem.
– Por enquanto. Assim que a reação do medicamento passar, você não vai nem aguentar colocar o pé no chão.
– Aí eu tomo mais um daqueles seus comprimidinhos.
Jean-Luc voltou a sorrir.
, vai por mim, você tem outras coisas com o que se preocupar no momento.
– Mas...
, o Jean-Luc tem razão. – disse . – Além do mais, a gente nem sabe se ele vai estar lá mesmo. E pode ser que você enfrente muitas horas de viagem em vão.
– Mas, pelo planejamento de vocês, parece que o Sam tem quase certeza de que vai encontrá-lo.
– Eu sei, mas eu não tenho a mesma sensação. Não vale a pena você se sacrificar por algo que pode não ser nada.
Mesmo contra vontade, pensou no assunto. Ela queria ir, sim. Não só por Dean – tá, talvez fosse só por causa dele –, mas ela queria garantir e se tranquilizar ao impedi-lo de fazer algum absurdo. Porém, ela não seria muito útil com a perna daquele jeito.
– Droga!
suspirou aliviada e olhou para o Jean-Luc.
– Olha, eu sei que é abusar, mas você poderia acompanhar ela, por favor? Todos nós estamos cansados, e eu não quero deixar o Sam fazer uma viagem tão longa sozinho.
– Mas é claro. Pode ir sossegada.
assentiu grata e voltou a olhar para a irmã.
– Agora a senhora, comporte-se, e faça tudo o que o for recomendado. – assentiu, e sorriu. – Até mais.
Jean-Luc e assentiram, mas antes que a irmã saísse, ela disse:
– Ei, vê se você se cuida, e não deixe que o Dean faça alguma loucura, ok?
Rachel assentiu e sorriu.
– Pode deixar.

...

11 horas depois.

's P.O.V On

Horas de viagem depois, e com varias paradas que segundo Sam eram necessárias – como se parar no centro da cidade, e roubar uma pagina da lista telefônica fossem ajudar em alguma coisa –, paramos em frente uma casa, num bairro familiar.
– O que viemos fazer aqui? – perguntei assim que ele desligou o carro.
– Eu só vim checar algo.
– O quê?
Sam me olhou, e ali eu pude perceber que além da preocupação, o cansaço estava mais evidente do que antes.
– Apenas confie em mim, ok? – assenti. – E, por favor, fique aqui no carro.
Franzi o cenho.
– Por quê?
– Porque é coisa rápida, você vai ver.
Eu apenas assenti novamente, confusa pela atitude e o vi descer do carro e caminhar até a porta da casa. Segundos depois que ele apertou a campainha, a porta se abriu. Virei a cabeça, me contorci no banco para poder ver com quem ele falava, mas nada. Também, era de se esperar com ele – e aquele tamanho todo. – tapando minha visão.
Poucos minutos depois, ele voltou para o carro, e a sua expressão não parecia a das melhores.
– E aí, algum sinal dele? – perguntei assim que ele entrou.
– Não.
Suspirei por ele ter dado o assunto por acabado ali, mas assim que ele ligou o carro, eu perguntei:
– Afinal, o que viemos fazer aqui?
Sem tirar a atenção do transito, Sam me respondeu:
– Nada, eu só achei que ele estaria aqui.
– E por quê?
Sam deu de ombros.
– Foi só uma sensação.
– Hum, tudo bem. – falei não satisfeita com a resposta, já que ele estava com a cabeça cheia o suficiente para eu me incomodar. – E agora, qual é o nosso destino?
– Bem, eu soube que tem um hotel pouco movimentado na saída da cidade. E conhecendo bem o Dean, se ele passou por aqui, é bem provável que ele esteja lá.
– Ok. – tentei ficar quieta, mas era praticamente impossível. Eu queria saber quem era a pessoa com quem ele estava falando, então eu faço o que qualquer um faria. – Só não entendi o que ele faria aqui. Por que você pensou isso?
– Eu falei, só foi uma sensação.
– E essa “sensação” surgiu do nada?
Sam deu um leve sorriso, do qual fez meus pensamentos confusos desaparecerem, e dar uma leve relaxada – pouca, só para constar.
– Não exatamente.
– E você quer falar o porquê, exatamente?
Sam balançou a cabeça, e assim que parou no farol me olhou.
– Olha, não foi nada. Só passou pela minha cabeça que ele poderia estar lá, mas você mesma viu que eu me equivoquei.
– Hum, sei... Só acho que para você ter cogitado isso e ter vindo até aqui é porque esse lugar significa alguma coisa pra ele.
Ele voltou a dirigir.
– Eu apenas deduzi, já que na ultima vez que estivemos aqui, ele pareceu gostar do lugar.
– Ah, é? – falei nada convencida. – E por causa disso ele viria pra cá?
Sam deu de ombros.
– É. Eu disse que me equivoquei.
– Tá, e por que aquela casa?
Sam se ajeitou no banco, e poderia ser paranoia da minha cabeça, mas tive a impressão de que ele pareceu incomodado.
– Então... – o incentivei.
– Ah, é que... – e, de repente, ele parou de pisar no acelerador. – Aquele não é o carro dele?
Eu olhei na mesma direção e vi o Impala estacionado no estacionamento de uma lanchonete 24 hrs.
– Eu acho que é ele mesmo. Será que ele tá lá dentro?
– É o que vamos ver. – disse estacionando o carro.
– Dessa vez você quer que eu vá?
Sam soltou um riso por causa do meu cinismo, e disse.
– Se você quiser.
Balancei a cabeça, mas antes que eu pudesse me mover, meu celular começou a tocar. Era .
– Olha, vai indo lá, ok? – Sam assentiu, saiu do carro e eu atendi. – Oi.
Oi. – falou mal humorada. – Que bom que está viva, né? Espero que você esteja muito ocupada a ponto de não me dar noticias.
– Sinto muito, mas faz poucos minutos que chegamos à cidade... E você como está?
Estou bem, só um pouco internada.
– Pera aí, como é?
É, minha perna estava infeccionando e o medico decidiu que era melhor eu ficar aqui enquanto examinam melhor. Ele disse que eu vim atrás de ajuda há tempo, porque se eu demorasse mais um pouco, era capaz de ela cair.
Ri pelo drama dela.
– Ah, não exagera. Que médico falaria uma coisa dessas?
Você ri? Eu tô falando sério! Eu só não o expulsei do meu quarto a chutes, porque ele é bem... como posso dizer... Quente.
– Nossa. São os efeitos dos remédios?
Talvez sim, talvez não. A questão é que ele é lindão.
– Tá, imagino. – olhei pelo retrovisor e vi Sam se aproximar. – Sinto muito por não estar aí te fazendo companhia.
Tudo bem, o Jean-Luc tá aqui.
– Ah, é? – perguntei com malicia.
Há-há, idiota.
Ri pelo nariz.
– Espero que você não o espante falando baboseiras.
Eu já tentei, mas não funcionou.
Ri olhando para Sam, que entrava no carro.
– Olha, espera um minuto, ok? – afastei o celular. – E aí, ele estava lá?
– Não, mas eu perguntei onde fica o hotel mais próximo, e adivinha... Tem um a menos de dois quarteirões daqui.
– E você acha que ele tá lá?
Sam deu de ombros.
– É uma opção.
Eu assenti e voltei atenção ao telefone.
, ainda tá aí?
Você fala como se eu tivesse opção.
– Olha, temos uma pista do Dean, qualquer coisa eu ligo, ok?
Tá, né. Vai lá.
– Beleza, até mais. – e desliguei o telefone.
Em menos de dois minutos chegamos ao hotel. Fomos até a recepção, e graças a um pequeno suborno – Ideia minha –, o recepcionista nos informou o quarto de Dean. Caminhamos até o numero indicado, e espreitamos na janela que estava com uma brechinha aberta.
– Bingo. – falei ao ver Dean caminhar de uma mesa para o que parecia ser sua cama.
Aproveitando a distração do irmão, Sam caminhou até a porta e a abriu. E eu claro que acompanhei.
– E aí, ia mandar um telegrama? – perguntou Sam.
Dean nos olhou e voltou a mexer em uma mala que estava sobre a cama.
– Como vocês me acharam?
– Não foi difícil imaginar as paradas do circuito do adeus. E como é que vai Lisa, aliás?
Dean o olhou surpreso, e se eu pudesse ver a minha expressão, acredito que seria a mesma ou até mais surpresa. "Quem é Lisa?" Era uma das varias perguntas que se passavam pela minha cabeça.
Olha, eu não vou me matar. – falou Dean, me acordando dos meus devaneios.
– Não? Então o Miguel não vai fazer de você um fantoche? Qual é cara, é assim que termina, você caindo fora?
– É, eu acho.
– Como você pode fazer isso?
– Como eu posso? Você passou a vida inteira fugindo. – disse voltando a atenção para a mala.
– Eu sei, e eu estava errado. Em todas as vezes que eu fugi. Só... Por favor, não faz isso agora, Bobby tá pesquisando uma coisa.
– É mesmo, e qual é? – perguntou parando e olhando para Sam. Ele sabia que não tínhamos ideia do que fazer. – Ele não tem nada e você sabe.
– Sabe, eu tenho que parar você.
– É, você pode tentar. – ele voltou a mexer na mala, fechando-a. – Só que você não tá chapado com sangue dessa vez.
– É, eu sei e por isso eu trouxe ajuda.
– Quem, a ? Desculpe cara, mas eu acho que isso não vai rolar.
– Dean, você não é o único esperto aqui.
Dean nos olhou desconfiado, e assim que o barulho de asas batendo ecoaram pelo quarto, ele se virou.
– Olá, Dean. – cumprimentou Castiel antes de colocar os dedos na testa de Dean, que desapareceu.
– Olha, , eu preciso que você faça uma. – disse Sam.
– Ah, agora você quer que eu faça alguma coisa? – perguntei seca, fazendo-o franzir o cenho.
– Aconteceu alguma coisa?
– Me diga você, Sam. Mas antes disso, por que você não começa me contando quem é Lisa?
Sam pendeu a cabeça e suspirou.
, eu sinto muito por não ter contado, mas...
Gente, nós não temos muito tempo pra isso agora. – disse Castiel. Sam assentiu e voltou a me olhar.
– Nós conversamos depois, ok?
Sem escolha, assenti. Afinal, estávamos correndo contra o tempo.
– Tudo bem, e o que você quer que eu faça agora?
– Preciso que você volte com o Impala.
– É, foi o que eu imaginei.
Sam assentiu.
– Eu sinto muito. – disse indo até Castiel.
– Tudo bem. – falei antes que os dois desaparecessem.

's P.O.V Off

Sioux Falls, Dakota do Sul.

Já era noite quando e Jean-Luc jogavam vinte e um. Apesar de o caçador estar fazendo um belo trabalho tentado distraí-la, a moça não podia deixar de se preocupar e pensar em tudo o que estava acontecendo.
– É, eu acho que hoje não é seu dia de sorte. – disse colocando três cartas em cima da cama. – Vinte e um.
– Tenho que admitir que você é boa. – respondeu impressionado.
– Isso porque você disse que era invencível nos jogos.
– E eu sou. – humorado, juntou as cartas. – Cinco de doze jogadas não é tão ruim.
– Bom discurso pra um perdedor... Se eu estivesse nos meus melhores dias, você não teria nem chance.
Jean-Luc soltou um riso pelo nariz.
– Tá, vou fingir que acredito. Quer jogar mais uma partida?
– Pra quê? Pra te humilhar? Não, obrigada.
Jean-Luc sorriu, recolheu todas as cartas e olhou para a moça que agora fitava a parede.
– Algum problema?
– Não.
– Sei... Isso, por um acaso, tem a ver com o seu amigo?
o olhou.
– Não é exatamente ele. É tudo: o apocalipse, os arcanjos, este hospital.
Jean sorriu.
– Olha, o hospital não é uma boa, mas em comparação com tudo isso não é nada.
deu um leve sorriso.
– É, eu sei... Mas eu queria estar podendo fazer alguma coisa. Ajudar o Bobby ou sei lá, procurar o Dean.
– Fique tranquila. A sua irmã e o Sam vão encontrá-lo.
– Não sei se eu acredito muito nisso.
– E por que não?
– Simplesmente porque ele pode estar em qualquer lugar.
– Mas o Sam pareceu bem convencido de onde ele estava quando saiu da casa do Bobby.
– Em Indiana? Duvido.
– E por quê?
– Simplesmente porque ele não tem o que fazer lá.
– Você tem certeza? – deu de ombros. – Talvez um amigo.
– Não, o Dean mal tem tempo de respirar, muito menos de fazer amizade. Além do mais, ele é muito antissocial pra isso.
– Bem, você o conhece melhor do que eu. Se ele foi realmente pra lá, é porque ele tem uma razão.
assentiu, pensando sobre o assunto.
Era cogitável a possibilidade de uma amizade se não envolvesse o Dean. Mas sendo dele, isso era praticamente impossível. E outra, se fosse alguma coisa com a cidade, ou sei lá, com alguma coisa envolvendo aquela cidade, ela saberia.
A não ser que a sua desconfiança não passasse apenas de uma desconfiança.
Desde que a ideia dele ter arrumado outra pessoa passou pela sua cabeça, ela não podia deixar de pensar sobre a possibilidade, e arrumar fatos que comprovassem as suas duvidas.
– Jean-Luc, já que você é homem – pelo menos é o que parece. – disse arrancando um sorriso do caçador. – Me responda uma coisa.
– Pode falar.
– Você acha possível um cara encontrar outra pessoa em menos de seis meses depois do mesmo sair de um relacionamento meio que conturbado?
Jean-Luc a olhou surpreso.
– Bem, eu não sei... Depende do cara. Você deveria ser mais especifica.
– Em relação ao cara ou o quê?
– Em tudo.
suspirou, e depois de alguns segundos tentando achar as melhores palavras, ela disse:
– Bem, eu falo de um cara durão, até insensível às vezes, que viveu um caso de alguns meses com uma pessoa não tão diferente dele.
– Por um acaso você tá falando de você e do Dean?
– O quê? Não! – protestou, fazendo Jean-Luc sorrir. – De onde você tirou isso? Eu não sou durona nem insensível.
– Olha, podemos considerar o durona.
rolou os olhos e sorriu.
– Dá pra me responder?
– Tá, pelo que eu entendi, você quer saber se é possível um cara encontrar uma pessoa depois de um relacionamento?
– É, por aí.
– Bem, como eu disse, isso depende. Esse cara gostava da pessoa muito da pessoa que ele estava?
– Gostava.
– E eles viveram um relacionamento intenso?
– Ô, e bota intenso nisso.
–Tem certeza de que não é sobre você?
– Jean-Luc!
Jean-Luc riu.
– Desculpa... Bem, o fim do relacionamento deles foi fácil, ou tenso do tipo: cheio de brigas, discussões por qualquer coisa?...
pensou.
– Bem, vamos dizer que foi... Surpresa. Eles – ou pelo menos era o que ela pensava – estavam bem. Melhor do que muitas fases que tiveram.
– Hum. – pensou. – Tá. Bem... Eu vou responder por mim, ok? – assentiu. – Eu acho que isso seria meio difícil de acontecer. Afinal, eu gostava da garota e nós dois tivemos um relacionamento bastante intenso... Que cara não gostaria disso? – perguntou, fazendo sorrir. – Mas admito que não seria impossível. – o olhou surpresa. – Quer dizer, às vezes, caras como eu ou esse de quem você falou – do qual eu não faço ideia de quem se trata. –, temos os nossos momentos.
– E o que isso significa?
– Que igual a vocês, mulheres, nós também temos nossas crises.
– Dá pra você ser mais especifico?
, nós caras também somos imprevisíveis. Tão imprevisíveis, que até nós nos surpreendemos com os nossos atos.
– Então, você quer dizer que...
– Que num momento de... Vamos colocar como desespero, ele pode ter tomado qualquer atitude.
– E isso inclui arrumar outra pessoa? – Jean-Luc deu de ombros, e não pode deixar de sentir certo desapontamento.
Apesar de suas suspeitas, ela achava que Dean não chegaria a tanto. Os dois tiveram um relacionamento “estranho”? Tiveram, e isso era um fato. Mas mesmo assim não deixou de haver sentimentos. Sentimentos dos quais ela sabia que os dois tiveram e que eram verdadeiros.
Jean-Luc olhou para a moça que estava pensativa e disse:
– Olha, . Considerando o jeito desse cara, já que você me descreveu, só pra deixar claro – brincou. –, eu tenho a sensação de que ele poderia ter tido os seus “momentos”, mas nem por isso, ele deixaria de gostar da garota com quem ele compartilhou a vida, mesmo que por pouco tempo.
– Aí já não seria safadeza da parte dele?
Jean-Luc sorriu.
– Não. Como eu disse, somos imprevisíveis. E todos nós temos nossos motivos pra tomar certas decisões.
– Você tá defendendo o seu gênero com essa desculpa?
– Não. Eu só tô dizendo que, como qualquer pessoa, ele errou. Mas isso não significa que os sentimentos dele deveriam ser questionados... É difícil pra um cara se amarrar em uma garota, mas quando isso acontece é porque essa garota tem algo de muito especial pra ele. E pode parecer estranho, mas o fato é que se ele a acha especial, significa que ela é importante pra ele. Entendeu?
assentiu.
– Por um acaso você é gay?
Jean-Luc sorriu.
– Não, eu não sou gay. Só tô sendo sincero.
– E desde quando homens são sinceros?
– Vamos dizer que eu tive o meu “momento”. – riu. – Mas que isso fique apenas entre a gente.
sorriu.
– Pode deixar... Obrigada.
Jean-Luc assentiu e sorriu, se levantando.
– Por nada... Agora se você me der licença, eu vou descolar alguma coisa pra comer. Você quer?
– Não, obrigada. – Jean-Luc assentiu e saiu, deixando uma muito confusa e cheia de perguntas para trás.

11 horas depois.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

's P.O.V On

Assim que cheguei a Sioux Falls, liguei para Sam para saber das boas novas, mesmo quando o que eu realmente queria saber era algo que não poderia ser falado ao telefone.
– E ele ficou trancado no quarto do pânico esse tempo todo?
Foi o melhor a se fazer.
– Hum, imagino o quão difícil foi convencê-lo.
Confesso que não foi nada fácil, mas um dia eu sei que ele entenderá. Pelo menos é o que eu espero.
Soltei um riso pelo nariz apenas para aliviar um pouco a tensão que sentia. Por fora, Sam se mantinha forte, mas por dentro, eu sabia que ele estava mal.
– E você, tá bem?
Apesar da situação não estar muito boa, eu tô bem.
– Não sei por que, mas eu não acredito.
Eu sei que parece estranho, mas saber que ele tá em segurança me deixa mais tranquilo.
– E o plano vai ser mantê-lo trancado lá?
Sam suspirou.
– É o melhor que podemos fazer agora.
Assenti.
Olha , sobre ontem...
– Sam, nós conversamos sobre isso depois, ok? O importante é que todo mundo se encontra bem.
Tudo bem.
– Olha, eu já cheguei, mas antes de ir aí na casa do Bobby, eu vou dar uma passada no hospital, tudo bem?
Tudo bem... Imagino que a sua irmã esteja subindo pelas paredes.
Soltei um riso.
– Nem me fale... Até mais tarde.
Até. – e desligou.
Apesar de ter várias perguntas, eu preferi focar no que estava acontecendo. E quando eu disse que o importante era que todos estavam bem, era verdade. Só esperava segurar a minha língua e não contar nada para sem saber da história toda.
Assim que cheguei ao hospital, fui direto ao quarto da minha irmã. Ao entrar, me deparei com Jean-Luc sentado em uma poltrona, enquanto ele e assistiam alguma coisa na TV.
– Olá. – Jean-Luc assentiu e eu fui até a cama. estava sentada com apenas um travesseiro embaixo da perna. – Como você tá?
– O que você acha? – respondeu mal humorada.
– Acho que o seu mau humor não diminuiu. – olhei para Jean-Luc. – E eu não sei como você a aguenta... Aliás, obrigada por ficar aqui. Foi uma mão na roda.
– Sem problemas. – ele respondeu com um sorriso no rosto.
– Não, eu tenho que agradecer, você ficou cuidando dela sem ter obrigação. Sinceramente, eu não saberia o que fazer se não fosse por você.
– Ah, não exagera. – falou .
A repreendi com o olhar e voltei a atenção para Jean-Luc.
– Tá tudo bem , não se preocupe.
Olhei para com um sorriso cínico. Se eu já desconfiava de que ele estava interessado nela, agora eu tinha certeza.
– Por favor, você já faz parte do bando, me chama de . – falei apenas para provocar , que revirou os olhos.
– Só se vocês começarem a me chamar apenas de Jean.
– Jean?
– É tipo o meu apelido. – disse de forma humorada. – Já que ninguém sabe falar o resto do meu nome.
– Realmente, é um nome muito difícil. – respondeu.
Jean-Luc riu.
– Então, Jean, se você quiser sair pra comer ou fazer alguma coisa, sinta-se a vontade. – disse, ignorando o comentário dela.
– Não, tô bem. Já comi.
– Diferente de uns e outros, alguém se preocupa comigo, não é ?
, eu tava ocupada.
– Sei.
– É sério... mas como vai a sua estadia? – perguntei, me sentando na ponta da cama.
– Pior impossível.
– Ah, não exagera.
– Você já comeu comida de hospital? Porque eu te garanto que, depois de experimentar, você ia desejar comer em um dos piores lugares que nós já frequentamos na vida.
– E você não comeu nada?
– Comi, o Jean foi até a esquina me comprar qualquer coisa.
Olhei para Jean com o cenho franzido.
– Mas isso não é proibido?
– É, mas vai tentar convencer ela.
Sorri e olhei para .
– Bem, vejo que vocês estão se dando muito bem.
– Há-há palhaça... Mas e aí, como vai o povo?
Determinada a não falar mais do que devia, eu decidiu ser direta.
– Encontramos o Dean.
– E por isso você demorou horrores pra contar as boas novas? – perguntou um pouco irritada.
– Não, e eu sinto muito por não ter entrado em contato. Acontece que o Sam estava certo quando disse que ele estava em Indiana. Então como era previsível que o Dean não ia querer voltar, o Castiel apareceu e o teletransportou pra casa do Bobby.
– E?
– E que sobrou pra alguém trazer o Impala de volta.
– Hum... E ele tá bem?
– Tá.
– É só isso?
– É.
permaneceu me olhando, desconfiada e cruzou os braços.
...
– O quê?
– Como assim é só isso? Não aconteceu mais nada?
– Não... Bem, na verdade eu não sei. Assim que eu cheguei à cidade eu vim pra cá.

's P.O.V Off

– Hum, sei. – Disse desconfiada.
Nesse momento, alguém bateu na porta e entrou, era o médico de . E tinha que admitir, ele fazia jus ao que havia contado. E ela tinha impressão de tê-lo visto antes.
– E aí, como você tá hoje? – perguntou simpático, caminhando até . Ela apenas o olhou, como se a resposta fosse obvia. – Bem... Vejo que você tá com visitas.
– Ah, sim, essa é a minha irmã .
– Prazer. – disse, estendendo a mão e abrindo um sorriso. – Sou Derek, o ortopedista da sua irmã.
– Sou ... Desculpe, doutor, mas o senhor é o único ortopedista daqui?
Ele meneou a cabeça e franziu o cenho com a pergunta.
– Não, mas no momento, sim. – respondeu simpático.
– E é o único chamado Derek?
– Sim. – respondeu estranhando. – Por acaso nos conhecemos?
– Ah, sim. Faz um tempo. Eu e minha irmã sofremos um acidente de carro e o senhor cuidou do meu braço quebrado.
Ele assentiu.
– Bom, eu não posso dizer que me lembro, atendo muita gente, mas que bom ver que você ainda tem os dois braços, parece que fiz um bom trabalho.
Ela riu.
– Sim, obrigada. Só espero que a volte pra casa com as duas pernas.
– Ah, eu também. Mas vamos ver.
– Ei. – disse. – Como assim “vamos ver?”.
O doutor a olhou e sorriu simpático. O celular de então começou a tocar.
– Com licença, eu tenho que atender. – ela falou rápido e preocupada, indo para fora do quarto.
apenas olhava a irmã sair. Ela sabia que tinha algo acontecendo, e arrancaria da irmã na marra assim que a mesma voltasse.
– Bem, doutor quais são as novas? – perguntou Jean.
– Ah, é... – disse ele voltando a olhar a prancheta. – Bem, eu vi os seus exames novamente, e fico feliz em dizer que sua perna está bem, você teve muita, muita sorte mesmo de não ter sido atingida em alguma artéria. A inflamação é mais superficial, e nada que alguns dias de repouso e uns anti-inflamatórios não deem um jeito.
– Então quer dizer que eu não preciso operar nem nada? Posso ir embora hoje?
– Não, você terá que ficar em observação por pelo menos mais vinte e quatro horas, e dependendo de como for, você poderá ir amanhã mesmo.
– Doutor, eu sei que você pode fazer melhor do que isso.
– Desculpe , mas eu não posso fazer mais nada.
revirou os olhos.
– Pensa no lado bom, é só mais um dia. – disse Jean, sorrindo.
– É, já que não tem outro jeito. – deu de ombros.
– Sinto muito. – o doutor sorriu amigável. – Agora eu vou checar a medicação rapidinho e já deixo vocês em paz. – ele comentou, se aproximando de , e checando a bolsa de remédios que ela tomava, e checando na prancheta.
Os três então ouviram a porta se abrir e entrar.
– O que foi? – perguntou , para a irmã.
– É o Bobby, enchendo o saco, querendo que eu volte. Eles precisam de ajuda.
– Mas o que aconteceu?
– Nada de mais. Ele quer que eu volte pra ajudar a procurar um jeito de acabar com a bagunça. – disse disfarçando, já que o doutor ainda estava na sala. E para mudar de assunto ela abriu um sorriso. – Ele disse que você não precisa de babá e que seu caso não é de morte pra receber tanta atenção.
– Hum, isso porque não é ele.
sorriu e olhou para o doutor, que disse:
– Não quero ser intrometido, mas não pude deixar de ouvir que você falou com um Bobby... Seria Bobby Singer?
, e Jean se olharam.
– Por quê? – perguntou .
– Bem, – disse sem jeito. – a cidade é pequena e o Bobby é bem conhecido pela minha irmã, a xerife.
– Pera aí, o senhor é irmão da xerife Mills? – perguntou.
– Sim. Por quê?
– Conheci ela há algumas semanas.
– Ah... – ele sorriu. – Eu sei que parece meio estranho alguém perguntar isso, mas por um acaso vocês trabalham com o Bobby?
– Não, nós não trabalhamos com ferro velho. – respondeu .
– Não... Eu quero dizer... Vocês caçam as mesmas coisas que o Bobby?
, e Jean se olharam surpresos. As duas sabiam que a xerife sabia sobre Bobby, mas não faziam ideia que mais alguém soubesse da vida que eles levavam.
– Depende... O que você quer dizer com “caçar coisas”? – sorriu.
– Eu quero dizer monstros, fantasmas... Essa cidade teve varias demonstrações desse tipo de coisa, se vocês me entendem... Meu sobrinho mesmo ressuscitou e matou o próprio pai... Isso é... assustador.
Os três assentiram, e disse:
– Por falar nisso, sentimos muito pelo que aconteceu.
– Tudo bem. – deu um sorriso cordial. – Eu só soube do ocorrido quando a minha irmã me contou, e eu só acreditei por causa do histórico do Bobby.
– Ok. – disse , convencida. – Trabalhamos com ele, sim.
– E vocês estão aqui por causa de alguma coisa?
– Estamos... Bem, não exatamente. Apena nos reunimos aqui pra resolver outro problema.
– Pera aí, existem mais de vocês?
– Não muitos, mas sim.
– Pelo visto as coisas não estão nada boas.
– Doutor, as coisas estão prestes a ficarem feias, e não sabemos como irá acabar.
O doutor olhou para cada um e percebeu a preocupação no olhar de cada, então ele suspirou e disse:
– Bem, eu vou deixá-los a sós... Tenho outros pacientes para visitar. Foi bom ver que você tá se recuperando , e foi um prazer rever você, . Me desculpe mais uma vez por não me recordar com clareza. – disse caminhando até a porta. – Espero que vocês tenham sucesso... Boa sorte para os três. – disse com um sorriso fraco no rosto e saiu.
, eu já vou. – disse , caminhando até a porta apenas alguns momentos depois do doutor.
– Pera aí, aonde você vai? Eu queria falar com você.
– Sinto muito, mas eu tenho que ir pra casa do Bobby. Você sabe como ele fica quando não seguimos o que ele fala... Você vem, Jean?
– Ah, eu...
– Pode ir Jean, você já tá dispensado. – falou .
– Mas você vai ficar bem?
– Sim, e não se preocupe. Não vou poder ir a lugar nenhum mesmo.
Jean sorriu.
– Ok, então.
– Venha, vamos. – disse , puxando o rapaz pelo braço. – Tchau, .
E, antes que pudesse responder, os dois saíram do quarto. andou apressada pelo corredor.
– Algum problema? – perguntou Jean, confuso.
– Eu sei que é estranho, mas eu tenho que falar com o médico.
– Osh, por quê?
Na hora, viu o doutor na recepção assinando alguns papéis. Então ignorando a pergunta do caçador, ela foi até o médico.
– Doutor Derek?
O médico se virou para ela.
– Oi. – ele sorriu.
– Doutor, eu sei que é meio esquisito eu pedir isso, mas preciso de um favor.
– Em que eu posso ajudar?
– Talvez eu vá pedir a coisa mais estranha, mas eu preciso que o senhor segure a aqui por mais uns dias.
– O quê? – perguntou, olhando da moça para Jean não entendendo nada.
– Eu preciso que o senhor adie a alta da .
– Por quê?
– Como o senhor sabe, não levamos a melhor vida, e a nossa situação no momento não é favorável. A perna da piorou porque ela teimou em ajudar quando todos tentaram segurá-la e olha onde ela tá agora... Eu a conheço o bastante pra saber que ela não vai querer ficar sentada esperando que os outros resolvam as coisas.
– Mas eu não sei o que eu posso fazer.
– Por favor, apenas deixe ela aqui por mais um tempo.
– Desculpe, eu... Eu não posso.
assentiu desapontada.
– Tudo bem, obrigada do mesmo jeito. – disse, se afastando.
– E agora? – perguntou Jean assim que a alcançou.
– Vamos torcer pra que as coisas se ajeitem antes que a saia.

Uma hora depois, e Jean chegaram à casa de Bobby. Ao entrarem na sala, encontraram o mesmo e Sam sentados próximos à mesa com um livro em mãos, Castiel de pé encostado na parede e Dean andando de um lado para o outro.
– Pensei que não chegariam mais hoje. – disse Bobby a e Jean.
apenas olhou e sorriu.
– Como a está? – perguntou Sam.
– Tá melhor, amanhã ela terá alta.
– Mas já?
– Sim, a inflamação era superficial e não vai precisar operar nem nada. – se levantou e foi até a mesa onde havia vários livros. – E aí, acharam alguma coisa?
– O que você acha? – respondeu Bobby.
– Pela sua resposta, vejo que nada.
Do nada, Dean deu risada e todos olharam para ele.
– Essa é boa, dois meses de páginas viradas e falação, mas essa noite é quando a mágica acontece.
– Desse jeito você não tá ajudando. – falou Bobby.
– É mesmo? E por que você não me deixa sair daqui então?
O mais velho franziu o cenho.
– O que está acontecendo com você?
– Só a realidade... A bomba é a única opção que nós temos. Só Miguel pode acabar com isso e salvar pessoas.
– Mas não pode salvar todos.
– Dean, nós vamos pensar em outra saída. – disse .
– É fácil vocês falarem. Mas se nada der certo, a culpa vai ser de quem? Minha.
– Você não pode desistir. – disse Bobby.
– Você não é meu pai, e não está no meu lugar!
Todos olharam para Dean. Ele sempre considerou Bobby como um pai, e eles não esperavam aquele tipo de atitude dele. Bobby abriu uma das gavetas de sua mesa, pegou uma arma e a pôs sobre a mesa, então ele pegou uma bala que estava no bolso de sua camisa.
– O que é isso? – perguntou Dean, sem entender.
– É a bala que eu ia enfiar no meu cérebro. – respondeu colocando a bala ao lado da arma. – Toda manhã eu olho para ela e penso: “Talvez seja hoje que eu chute o balde”, mas eu não faço, e vocês sabem por quê?... Porque eu fiz uma promessa. Prometi a vocês que eu nunca iria desistir.
– Bobby, eu... – Dean pretendia falar, mas foi interrompido quando Castiel agonizou de dor na cabeça.
– Castiel, tudo bem? – perguntou .
– Não.
– O que houve? – perguntou Jean.
– Está acontecendo algo. – respondeu o anjo desnorteado.
– Onde? – perguntou Sam.
Mas antes de responder, Castiel sumiu.
– O que foi isso? – perguntou Jean.
– Não faço ideia. – respondeu Bobby saindo em direção à cozinha.
olhou para Dean, que parecia mais calmo e arrependido pelo que falara. Jean estava perdido, e Sam também não sabia o que dizer.
– Bem, eu acho que não há muito a se fazer agora. Não é? – perguntou Jean.
Sam deu de ombros.
– Eu acho que o jeito é continuar pesquisando.
E foi o que fizeram. Assim que Bobby voltou com uma garrafa de vodca no colo, os quatro – com exceção de Dean, que decidiu só beber. – enfiaram as caras nos livros.
Mas verdade seja dita, cada um tinha a sua preocupação. E não era apenas relacionado à Dean, mas a tudo que aconteceu e estava acontecendo. Então aproveitando que Sam largou um dos livros que ele lia – ou melhor, tentava ler –, foi até ele.
– Posso falar com você? Vai levar um minuto.
Sam assentiu, se levantou e a seguiu até a cozinha.
– O que foi? Tudo bem?
– Sim, mas tem algo que tá me incomodando.
– E eu até faço ideia do que seja.
suspirou.
– Desculpe Sam, mas eu não consigo adiar o assunto por mais tempo.
– Eu entendo.
– Que bom, porque eu preciso que você me conte o real motivo pro Dean estar em Indiana.
– Olha , eu não sei se cabe a mim o papel de falar.
– Do que você tá falando?
– Você tá me perguntando sobre algo que deveria ser contado pelo Dean, não por mim.
– Nossa, é tão grave assim?
– Não. – Sam suspirou. – Eu só não quero falar porque isso não envolve só ele, mas sim outras pessoas, inclusive a sua irmã.
– E falando isso você acha que eu fico menos curiosa? Sam, se envolve a e você não quer me contar é porque se trata de uma coisa muito...
, calma. Eu só não acho que você deva saber por mim... E se a sua irmã deveria saber.
– Você tá querendo dizer que...
– Que o Dean deveria contar, no momento que ele achar que é certo pra vocês saberem.
– Isso significa que você não vai me contar?
– Sinto muito, .
– Sam...
– Eu não posso.
– Você não confia em mim?
– Eu confio pra contar o que tá se passando comigo.
franziu o cenho.
– Você não me conta porque você acha que eu vou contar pra , não é?
– E não é o que você faria?
suspirou, derrotada.
– É, eu falaria.
– Então... E eu não quero que isso faça cada um seguir o seu caminho novamente.
assentiu.
– É tão grave assim?
Sam deu de ombros.
– Não é que seja grave, mas nós sabemos que os dois brigam por pouco e que isso...
– Separaria a gente novamente. – concluiu.
– É, pode ser que sim.
– Tudo bem, Sam. Você me convenceu... Mas você poderia me responder uma pergunta? – ele assentiu. – Quem é Lisa?
...
– Por favor.
Depois de um longo suspiro, Sam disse:
– Só uma amiga.
– Amiga? – perguntou desconfiada.
– É.
– Caçadora?
– Não, mas ela sabe o que fazemos.
– E?
– E eu acho que a sua cota de perguntas acabou.
– Sam...
– Sinto muito , mas foi você que disse.
– Droga!
Sam sorriu, e disse:
, você não tem que se preocupar, não é nada de mais, ok?
rolou os olhos.
– Tudo bem, se você tá dizendo, eu acredito.
Sam deu um fraco sorriso.
Pessoal. – chamou Bobby.
Os dois voltaram pra sala, e assim que chegaram, encontraram Castiel carregando um corpo e o colocando sobre a cama improvisada de Bobby.
– Quem é? – perguntou Dean, se aproximando.
– É... O nosso irmão – respondeu Sam, reparando no rosto do rapaz.
– Calma, pera aí... O seu irmão Adam, o que estava morto? – perguntou Bobby.
Dean assentiu e olhou para Castiel.
– O que houve?
– Anjos.
– Anjos? Por quê?
– O que tá acontecendo? – cochichou Jean para .
– Longa história, depois eu te conto.
Jean assentiu e os dois voltaram a prestar atenção em Castiel.
– Eu não sei – respondeu se aproximando de Adam. – Mas se os anjos o tiraram do tumulo é porque precisam dele, e precisamos escondê-lo – disse encostando a mão em Adam e colocando o mesmo sigilo nas costelas que fizera nos outros.
Por causa da dor, Adam abriu os olhos e olhou pra cada um, obviamente assustado.
– O que houve, onde estou?
– Tudo bem, relaxa você tá seguro. – respondeu Sam.
– Quem são vocês?
– Você vai achar estranho, mas nós somos os seus irmãos.
– Todos vocês? – perguntou olhando assustado para o tanto de pessoas que se encontravam na sala.
– Não... Eu e ele somos os seus irmãos. – respondeu Dean, apontando para si mesmo e para Sam. Depois ele apontou para . – Aquela ali é uma das malas que carregamos. Aquele ali – apontou para Jean. – é o amigo esquisito delas. E este aqui é o Bobby e aquele é o nosso anjo da guarda Castiel, nossos outros amigos.
– Adam, eu sei que parece estranho, mas nós também somos filhos do John. O meu nome é Sam e...
– É, e aquele é o Dean. Eu sei quem vocês são.
Dean franziu o cenho.
– Como?
– Eles me falaram de vocês.
– Eles quem?
– Os anjos, mas me digam, onde está Zacharias?
– Olha, por que você não conta tudo pra gente primeiro?
– Eu estava morto no céu, só que parecia o baile da escola... Eu estava dançando com uma garota.
– É parece o céu mesmo – disse Dean – Deu uns amassos nela?
Sam pigarreou, e olhou para Adam.
– Pode continuar.
O garoto assentiu.
– Aí, uns anjos apareceram do nada e disseram que eu fui escolhido.
– Pra quê? – perguntou Dean.
– Pra salvar o mundo.
– Como você vai fazer isso?
– Ah, eu e um arcanjo vamos matar o diabo – respondeu tranquilo.
– Que arcanjo?
– Miguel. Eu sou a espada, casca, sei lá o que dele... Sei não.
– Isso é loucura.
– Mas pode não ser. – falou Castiel.
– Como assim? – perguntou .
– Vai ver eles desistiram do Dean.
– É, mas isso não faz sentido – disse Dean.
– Ele é filho do John, irmão do Sam. Não é perfeito, mas é possível.
– Só pode ser brincadeira.
– Por que eles fariam isso? – perguntou Bobby.
– Pode ser que eles estejam desesperados. Vai ver eles acharam que o Dean teria coragem o bastante pra enfrentá-los.
– Ah, qual é? Fala sério, Castiel. – Falou Dean – Depois de tudo o que aconteceu, o lance de destino... Agora os anjos aparecem com um plano “B”? Isso lá convence alguém?
– Olha, tá sendo uma boa reunião em família, mas eu tenho umas coisinhas pra fazer. – disse Adam, se levantando.
– Não, não, não, senta aí e escuta tá? – disse Sam. – Por favor.
– É, incrível. – disse, se sentando novamente.
– Sabe Adam, os anjos mentiram pra você.
– Eu acho que não.
– Ah, é? E por que não?
– Porque são anjos.
– Eles disseram que vão acabar com metade do planeta?
– Disseram que a briga poderia ficar feia, mas é com o diabo, né? – deu de ombros. – A gente tem que dar um jeito nele.
– É, mas existe outro jeito.
– Beleza. E qual é?
– Estamos pesquisando o poder do amor. – respondeu Dean, sarcástico.
– E como é que tá indo?
– Nada bem.
– Olha Adam, – Sam voltou a falar – eu sei que você não dá a mínima pro que eu digo, mas eu imploro, por favor, confie em mim. Dê mais um tempo.
– Me dá uma boa razão.
– Somos do mesmo sangue.
– Você não tem o direito de dizer isso.
– Você ainda é filho do John. – disse Bobby.
– John Winchester era só um cara que me levava pro jogo de beisebol uma vez por ano. Eu não tenho pai. Podemos ter o mesmo sangue, mas não somos uma família. Minha mãe é minha única família e assim que eu fizer o trabalho, eu vou vê-la de novo... Não me levem a mal, mas ela é a única que me importa, não vocês.
– Muito justo, mas se tiver uma única boa lembrança do pai, então vai dar uma chance, por favor.
Depois de conversarem e convencerem Adam, todos obrigaram Dean a voltar para o quarto do pânico, e voltaram a busca – praticamente inútil – por outra solução.

...

Cansada, ao final de tarde, subiu para o quarto e assim que fechou a porta do cômodo, seu celular tocou. Ela suspirou e atendeu a ligação da irmã.
– O que foi?
Você não vai acreditar no que o médico me falou.
– O que ele disse?
Ele disse que eu terei que ficar aqui por mais uns dias. – respondeu irritada.
suspirou, se sentindo mais aliviada.
– É sério?
E você acha que eu brincaria com algo desse tipo? Se ele não fosse incrivelmente lindo eu o xingaria na hora.
– Ah, .
O pior é que ele nem me disse por que. Apenas chegou aqui e falou que seria bom eu ficar mais uns dias. Eu perguntei pra ele o porquê e ele simplesmente me disse que seria seguro, já que ele sabia que eu era teimosa o suficiente pra não obedecer às recomendações. Eu quase falei que o mundo está prestes a acabar, e seria perca de tempo eu ficar aqui.
, isso pode ser um sinal pra você não se envolver.
deu uma breve pausa.
Você não parece tão surpresa.
– É claro que eu tô. – disse tentando disfarçar. – Eu estava aí quando ele disse que você ia ser liberada amanhã, estávamos contando com você.
Hm... Já que você diz... E aí, como vão as coisas?
– O Dean tá no quarto do pânico por segurança... Mas fora isso...
Não conseguiram achar nada?
– Não.
E o resto?
– Se você quer saber do Jean é só dizer logo. – Falou humorada.
Ah, pare com isso . Ele é só um amigo que ainda temos que ficar de olho. Apesar de ser o único que parece se preocupar comigo.
– Isso é pra você ver que ele não te vê como amiga.
Dá pra parar?
, aceite os fatos. Ele tá super afim de você e só você não enxerga isso. Eu não sei por que você não aproveita, já que você diz não estar presa a ninguém.
Olha, não temos tempo pra nada disso e você sabe. Agora me diga o que tá acontecendo aí.
– Bem, o Sam saiu pra comprar comida, o Jean e o Bobby estão lá embaixo dando uma de babá pra cima do Adam.
Adam? Que Adam?
– O irmão dos Winchesters.
O quê? Ele não morreu?
– Sim, mas parece que os anjos o trouxeram de volta pra ser a casca do Miguel.
E isso não é bom? Bem, pelo menos o Dean não vai ter que aceitar.
– Eu também pensei nisso, mas você sabe como eles são quando o assunto é família.
Tá vendo? Tanta coisa acontecendo e eu aqui.
, logo você vai estar de volta.
Espero que a tempo...
– Vai sim, você vai ver. – Falou, torcendo o contrario.
As duas conversaram por mais um tempo, até encerrar o assunto e ir até a cozinha. Ao chegar lá encontrou Sam preparando um lanche.
– Eu achei que você fizesse o tipo mais saudável. – comentou, encostando-se a pia e o assistindo colocar algumas fatias de bacon sobre o hambúrguer que já estava sobre o pão. – Esse lanche já não tem gordura o suficiente não?
Sam soltou um riso pelo nariz.
– Tem, mas eu esqueci de pedir um extra de bacon.
– E por isso você tá fritando e colocando mais?
– Basicamente, é isso.
– É um ótimo jeito de agradar o seu irmão.
– É, se o bacon faz ele feliz, então que mal tem?
– Concordo plenamente... Você já viu como ele tá?
– Não, não queria chegar lá de mãos vazias. – sorriu. – Bem, eu acho que tá pronto. – disse, fechando o lanche e o embalando novamente.
– Eu acho que ele nem vai perceber.
– Você acha?
– Vamos pensar que sim.
Sam soltou um fraco sorriso.
– Quer ir lá?
Sem nada o que fazer, o acompanhou. Ao entrarem no quarto do pânico, encontraram Dean andando de um lado para o outro.
– Espero que esteja com fome. – Falou Sam.
Dean apenas o olhou.
– Isso é mesmo necessário? – ele perguntou impaciente.
– Claro, nós estamos ocupados Dean, e a casa tá cheia de riscos. – Respondeu colocando o lanche sobre uma mesinha.
– Como você tá, Dean? – Perguntou .
– Como você acha? – e Sam apenas se olharam. – Vocês sabem quem eu não vou deixar o Adam fazer nada, não é?
– Eu também não. – Sam respondeu.
– Não, você não me entendeu...
– Não. Eu entendo você perfeitamente, mas não vou deixar você fazer nada.
– O cara não vai morrer por minha causa!
Sam suspirou.
– Dean...
– É serio. Olha quantas pessoas já morreram, e quantas nós estamos colocando em risco nessa aventura sem fim.
– Não fomos nós que apertamos o gatilho.
– Mas foi quase a mesma coisa... Eu tô cansado cara, cansado de lutar contra tudo isso. – disse encostando-se a mesa.
– Tá, então por que você não pensa por um segundo e para de se sacrificar pra variar?... Talvez seja melhor nós ficarmos juntos.
Dean balançou a cabeça.
– Eu acho que não.
– Por quê?
– Porque eu não consigo acreditar.
– Acreditar em quê?
– Em você...
– Dean... – falou , já que Sam parecia sem palavras.
– Não, é verdade, . Eu não sei se vai ser sangue de demônio, ou outra garota demônio, eu sei lá. Mas sei que eles vão dar um jeito de tomar você, Sam.
– Está dizendo que eu não vou resistir?
– Você tem raiva, tem sede de justiça... Lúcifer vai dar um baile em você, e isso é só uma questão de tempo.
– Você não pode falar assim, você não. De todas as pessoas...
– Eu não quero isso, mas é verdade. E quando o satã se apossar de você, alguém vai ter que lutar, e não será o garoto, vou ser eu, Sam.
Sam apenas balançou a cabeça e saiu. olhou para Dean, que fitava a parede.
– Você sabe que passou dos limites, não é?
Dean balançou a cabeça e a olhou.
– Ele precisava ouvir a verdade, e eu disse.
– É, eu percebi. – disse, saindo do quarto. Assim que o trancou, apertou o passo e alcançou Sam assim que o mesmo chegou à sala.
– Como ele tá? – perguntou Bobby. Sam apenas abaixou a cabeça. – E como você tá? – Sam continuou calado e saiu. Bobby olhou confuso para . – O que foi que aconteceu lá embaixo?
– Dean sendo Dean... Ele parece estar realmente decidido com o que ele vai fazer, além de ter dito algumas coisas pro Sam.
– O quê? – perguntou Castiel.
– Que simplesmente não confia nele, e que ele tem certeza que o Sam vai ceder. – assim que terminou de falar, Castiel saiu em direção ao quarto do pânico. – Bem, eu vou falar com o Sam. – saiu da casa e encontrou Sam encostado no Impala.
Sem saber ao certo como agir, se aproximou, se encostou ao seu lado, e esperou até que o mesmo falasse alguma coisa. O que aconteceu depois de alguns minutos em silencio:
– Sabe, o Dean consegue me tirar do sério. Parece que ele não vê o que tá acontecendo e o que estão fazendo com a gente. Tudo o que importa pra ele é sair se sacrificando por todos.
– Sam, o seu irmão só parece ser durão, mas por dentro ele é completamente o contrario... Deve ser muito difícil pra ele se ver como a única chance da humanidade.
– Mas e eu? Eu também tenho um papel que segundo ele, eu não vou aguentar e vou ceder.
– Convenhamos que você fraquejou uma vez.
– Isso não tá ajudando, .
– Olha, eu sei. Desculpe... Mas você tem que entender o lado do seu irmão. Ele só tá preocupado com você. E em certo ponto é admirável ver como ele tá lidando com tudo isso. Apesar de tudo, ele se manteve forte por muito tempo, e a mesma pressão que você sente ele também sente. Sem falar que a pressão só aumentou ao ver que estão usando a sua família... Tudo o que ele tá fazendo é protegendo a todos.
– Eu sei, mas eu também não quero perder ele. Nós somos os únicos que restaram da nossa família, e eu não sei o que será de mim se eu o perder de novo.
– Sam, o seu irmão é descabeçado, mas eu sei que no fim ele vai acabar fazendo o que é certo.
– Assim espero... – ele suspirou. – Bem, agora vamos entrar e ajudar o Bobby. Não adianta ficarmos aqui e não fazermos nada. – ele se desencostou do carro e começou a caminhar em direção a casa. – Ei, você não vem? –perguntou ao perceber que não o acompanhou.
– Tive uma ideia melhor.
– Do que você tá falando?
– Sam, eu sei que é estranho, mas venha comigo. – disse ela indo até a garagem, e ele a seguiu.
, o que você tá fazendo? Aonde nós vamos?
– Você não confia em mim? – ela perguntou e Sam assentiu. – Então não faça mais perguntas e venha.
Ao chegar à garagem, foi até o Camaro e entrou. Ao entrar pela porta do passageiro, Sam franziu o cenho ao ouvi-la dizer:
– Ai, que saudades... – olhou para Sam. – O que foi? Há tempos eu não o via, ok?
– Tudo bem. – sorriu. – Agora quer me dizer o estamos fazendo aqui?
– Apenas aproveite o passeio, ok? – disse, pegando a chave no quebra sol e ligando o carro em seguida.
E Sam não teve outra opção a não ser ver aonde aquilo ia dar. dirigiu até a saída da casa, e seguiu a estrada em direção à área mais rural de Sioux Falls.
– Eu não tô entendendo nada. – disse Sam, depois de alguns minutos em silencio.
– Calma, você vai entender. – respondeu entrando com o carro em uma estrada com mata fechada.
Mais alguns minutos depois, a estrada parecia levar para um lugar mais aberto.
– Sério, onde estamos indo? – Insistiu Sam.
– É desse jeito que você diz que confia em mim? – disse, se divertindo.
Sam apenas balançou a cabeça. Um pouco mais de estrada, estacionou o carro e desceu.
– Agora você vai me contar o que estamos fazendo aqui?
sorriu.
– Que tal a gente esquecer os problemas e aproveitar as pequenas recompensas que a vida nos dá?
Sam franziu o cenho, e só foi entender o que a moça havia falado quando a viu caminhar para frente do carro e se sentar no capô. Eles estavam numa área mais rural, longe da cidade a frente de um grande lago que refletiam apenas a claridade do sol se pondo. Sam caminhou até ela e se encostou ao seu lado.
– E aí, o passeio valeu a pena?
– Devo admitir que estou surpreso... Como você descobriu esse lugar?
deu de ombros.
– Sei lá. Um dia eu e a pesquisamos por pontos turísticos na internet e vimos comentários recomendando essa fazenda aqui.
– Pera aí, você tá dizendo que isso tudo é uma propriedade?... Isso aqui tem um dono?
sorriu tranquila.
– Relaxa, essa não é a primeira e nem ultima vez que infringimos as regras. – Sam apenas assentiu e voltou a fitar o céu. – Sam, eu sei que devíamos estar lá ajudando o Bobby, mas há tempos não temos um momento sossegado... Tem muita coisa acontecendo, e eu queria que nós tivéssemos um tempo só nosso.
Sam a olhou.
– Sinto muito, eu sei que nós não estamos dando a devida atenção pro nosso relacionamento.
– Eu não te culpo... Só não somos sortudos por ter uma vida tranquila. E é por isso que eu quis vir aqui agora com você. Você anda muito tenso e preocupado. E eu achei que seria uma boa pra nossa sanidade se esquecêssemos de tudo por cinco minutos, e apenas desfrutarmos da companhia um do outro.
– Bem, devo admitir que gostei da ideia. – respondeu, ficando de frente para e passando a mão por sua cintura, a puxando para mais perto.
– Gostou, é? – perguntou , sorrindo. – Porque se quiser nós podemos voltar agora mesmo.
– Não, não. Mais dez minutos não vão fazer diferença.
– Tem certeza?
– Absoluta. – respondeu Sam, antes beijar .
Os dois poderiam passar horas e horas nos braços um do outro, mas a realidade falou mais alto e poucos minutos depois de ficarem apenas olhando para o restante do por do sol, eles voltaram para casa.
Ao chegarem, os dois caminharam até a casa e entraram. Enquanto Sam foi até o quarto do pânico para ver o irmão, foi para o escritório e se juntou a Bobby e a Jean.
– E aí, alguma novidade? – perguntou, se sentando em uma das cadeiras.
– Além dos dois darem uma sumida no meio do serviço? – Perguntou Bobby. – Não, nenhuma.
– Desculpe, mas nós precisávamos espairecer... E a , já ligou pra fazer drama?
– Ligou. – Respondeu Jean. – E ela falou que é muita insensibilidade da sua parte não ligar pra ela e a ajudá-la passar o tempo. Sem falar que você prometeu levar um lanche pra ela na hora da janta e não apareceu.
– Ela só pode estar de brincadeira... E eu só prometi o lanche pra ela parar com a choradeira. Me admira que ela tenha falado só isso pra você.
– Que nada. Ela usou os outros quarenta e cinco minutos da ligação pra reclamar do médico que decidiu deixá-la “de molho” – palavras delas. Pelo visto o seu papo com o médico deu certo.
– Nem me fale. Não me deixe esquecer de agradecê-lo.
– Pera aí, você teve alguma coisa a ver com o prolongamento das férias dela? – Perguntou Bobby.
– Eu sei que foi errado, mas eu tive. Ela ficou do jeito que ficou por ser cabeça dura. E eu sei que se ela voltasse, ela não ia repousar.
– É, você tem razão. Só acho que ela não vai gostar de saber disso.
– Ela não precisa saber...
De repente, Sam entrou agitado.
– O que foi?
– O Dean sumiu.
se levantou.
– E cadê o Castiel?
– Foi voando pra Oz. – Respondeu, procurando a chave do Impala em uma jaqueta de Dean que estava jogada em uma das cadeiras. – Eu vou atrás do Dean, ele não deve estar longe. Vocês, vigiem o Adam.
– E o que faremos se ele quiser fugir quando acordar? – perguntou Bobby.
Sam deu de ombros.
– Algemem ele na cadeira, sei lá. – e saiu.

Uma hora depois.

Ainda na casa de Bobby, o mesmo, Jean e se perguntavam como Adam havia sumido. O que tinha acontecido? Ninguém sabia ao certo.
O fato era que logo depois de algemarem Adam, os três permaneceram no escritório lendo alguns livros a procura de algo que os ajudassem, mas assim que o caçador mais velho foi dar uma checada no caçador mais novo, ele havia sumido. Os três saíram à procura, mas não deu em nada. Então perplexos pelo ocorrido, eles voltaram para a casa de Bobby.
E como os problemas eram poucos para eles, agora eles tinham que pensar em como justificar o desaparecimento.
– Simples, quando o Sam chegar nós contamos a verdade. – Falou .
– E ele vai acreditar? – Perguntou Jean.
deu de ombros e Bobby respondeu.
– Não tem no que acreditar. Foi o que aconteceu...
E antes que pudessem rebater o comentário do caçador, a porta da frente se abriu.
– O que você tá fazendo aqui? – perguntou , assustada.
– O que você acha? – perguntou de volta, entrando de muletas.
– Como você veio pra cá? – perguntou Jean.
Na hora, Derek entrou na sala.
– Derek? – perguntou Bobby.
– Bobby... – O cumprimentou com um aceno com a cabeça.
– Eu não tô entendendo nada! – Falou .
– Não tá entendendo nada, sua falsa? – Perguntou caminhando – ou ao menos tentando –, até uma cadeira. Ao perceber, Jean a ajudou caminhar e se sentar. – Ou você achou que eu não perceberia que você estava por trás de tudo isso?!
– E-eu não sei do que você tá falando.
– Não mesmo? , seu plano até daria certo se você e o doutor aqui soubessem mentir melhor.
olhou para Derek.
– Desculpe, eu tentei, mas essa menina aqui me deixou sem repostas.
– Não tem problema... – sorriu e olhou para . – Então já que você tá aqui, não ouse querer mover um músculo.
– Por quê? Cadê todo mundo? – perguntou notando que faltava gente.
? – Perguntou Sam, chegando surpreso. – Achei que você teria que ficar mais uns dias no hospital.
– Eu também, mas o doutor aí viu que havia se equivocado.
Derek apenas olhou para Sam e deu um sorriso. Sam o cumprimentou com um aceno com a cabeça.
– E aí, cadê o Dean? – perguntou Bobby.
– Eu não o encontrei.
– Por que, ele saiu? – perguntou .
– A palavra certa é fugiu, no inicio da noite. – respondeu .
– E quando vocês iam me contar?
– O que adiantaria, você iria correr atrás dele? – perguntou Bobby.
– Sim, nós dois poderíamos apostar uma corrida, o que acha, Bobby? Suas rodinhas estão lubrificadas?
e Jean seguraram o riso
– Gente, cadê o Adam? – Perguntou Sam, ignorando os dois.
Jean, Bobby e se entreolharam. E percebendo que ninguém ousava responder, Jean falou:
– Bem... Ele sumiu.
– O QUÊ?!
– É, ele simplesmente sumiu. – completou Bobby.
– E COMO ASSIM ELE SUMIU?!
– Vou ter que dizer em espanhol?
– COMO FOI QUE ACONTECEU? TINHA TRÊS PESSOAS, TRÊS PESSOAS DE OLHO NELE. O QUE ACONTECEU?
– Veja como fala, cara. Ele estava aqui e no segundo seguinte, ele sumiu.
Levaram ele. – Falou Castiel aparecendo do nada, carregando Dean apoiado nos ombros.
– De onde ele veio? – perguntou Derek para Jean.
Jean apenas o olhou e deu de ombros.
– O que houve com o Dean? – perguntou , reparando o rosto dele todo machucado.
– Eu. – Respondeu caminhando até a cama improvisada e colocando Dean na mesma.
– Como assim o levaram? Você não marcou as costelas dele? – perguntou Bobby sem fazer cerimonia por causa de Derek.
Sam olhou o repreendendo, mas Bobby não se importou.
– Marquei. Adam deve ter dado a dica. – Respondeu Castiel.
– Como? – perguntou .
– Eu não sei. Talvez num sonho.
– Tá e pra onde o levaram?
– Eu não sei, terei que fazer uma busca. – respondeu Castiel, antes de desaparecer.
– Wow, o que foi isso? – perguntou Derek, assustado.
– Não se preocupe, ele é um anjo. – respondeu .
– Um an... Anjo, anjo mesmo?
– É. – Respondeu , sorrindo. – A primeira vez espanta qualquer um.
– Pera aí, quem é ele? – perguntou Sam.
– Eu sou Derek, ortopedista do Hospital Geral.
– Sam, ele é irmão da xerife. – se envolveu.
– Bem, eu sou meio irmão, os pais dela me adotaram. – Corrigiu Derek.
Sam o olhou um pouco desconfiado, mas ele estava com a cabeça cheia demais para se preocupar com um médico.
– Ah, bem, espero que não fique tão surpreso com tudo isso aqui.
– Não se preocupe, já tive experiências próprias com isso.
– Ah, sim o seu sobrinho.
– É. – ele respondeu. Sam assentiu e voltou sua atenção para Dean, que estava todo machucado e ainda desmaiado. – Bem eu estou com alguns materiais no carro. Se vocês quiserem eu posso fazer os curativos dele.
– Ah, não tem problema.
– Tudo bem, o meu lado medico insiste.
Sam assentiu. Derek foi até o carro e em seguida fez os curativos em Dean. Depois, Sam e Jean carregaram Dean até o quarto do pânico.
Derek os seguiu com o olhar e quando eles sumiram de vista, ele voltou sua atenção para a sala.
– Bem, eu já vou indo.
– Valeu mesmo, Derek. – disse Bobby.
– Não seja por isso. – respondeu com um sorriso simpático no rosto. – Se cuide hein, , e lembre-se: repouso absoluto.
– Pode deixar. E, antes que eu me esqueça, eu quero que saiba que eu já te perdoei, então não se preocupe.
– Ok, isso me deixa mais aliviado. – respondeu sorrindo.
– Eu te acompanho até a saída. – Falou , caminhando até a porta da frente. – Bem, me desculpe pelo transtorno que eu fiz você passar. – Falou assim que o medico passou pela porta.
– Tá tudo bem. Eu sinto muito por não ter conseguido mantê-la por mais tempo no hospital, a sua irmã é meio difícil de enrolar. – respondeu entre risos.
– É eu sei. Conheço a peça.
– Bem, então boa noite.
– Boa noite e obrigada por tudo. – ela sorriu.
Derek sorriu antes de sair e caminhar até o carro. Ao voltar ao escritório, encontrou apenas sentada folheando um livro qualquer.
– Cadê todo mundo?
– O Bobby e o Jean foram pra sala e o Sam ainda tá lá com o irmão.
– Hum. – Disse se sentando em uma cadeira. – E você, tá bem?
deu de ombros.
– Só não tô melhor porque um “certo” alguém tramou contra mim.
– Você não superou isso ainda?
– O que você acha? – Perguntou olhando para a irmã.
, eu não fiz por mal. Eu só achei que seria o melhor você ficar lá por mais um tempo.
– Pra quê?
– Pra se recuperar.
– Mas isso eu poderia fazer aqui.
– Não, e você sabe disso. Você não deixaria de caçar nem se a gente te amarrasse.
– E você acha que este é momento pra eu me dar o luxo de tirar férias? , a gente tá no meio do apocalipse!
– Eu sei, mas nem por isso você precisa se sacrificar dessa maneira.
suspirou.
– E o que adianta me poupar da dor se o mundo ficará com os dias contados?
balançou a cabeça e rolou os olhos.
– Olha, eu sei que a gente não tá numa situação boa, mas vamos cuidar de um problema de cada vez, ok?
balançou a cabeça, e contra vontade assentiu. Poucos segundos, Sam voltou ao escritório, acompanhado de Castiel.
– Castiel? – Perguntou . – Tudo bem?
– Está.
assentiu e olhou para Sam.
– E aí, tudo bem com o Dean?
– Está. Mas ele ainda continua desacordado.
– Hum, pelo menos assim ele não foge. – Falou .
! – Repreendeu .
– O quê? É verdade.
– Ela tem razão, . Pelo menos assim a gente pode conversar.
– Conversar?
Sam olhou para Castiel e respondeu.
– É, o Castiel tem noticias do Adam.
– Que bom, e onde ele tá?
– Vou chamar o Bobby e assim ele fala de uma vez.
E foi o que ele fez, assim que Bobby e Jean se juntaram aos outros caçadores no escritório, Castiel contou que estava acontecendo com Adam. E como se o acontecimento não fosse suficiente para preocupar os caçadores, Sam deu uma ideia, da qual poucos apoiaram.

...

Uma hora depois de ser colocado no quarto do pânico, Dean acordou algemado à cama.
– Como é que você tá? – perguntou Sam.
Com um pouco de dor, Dean respondeu:
– Só um conselho: não aborreça os anjos nerds... Como vão as coisas?
– Bem, a fugiu do hospital e o Adam sumiu.
– O quê? Como?
– A parte do hospital é uma longa história. Já a do Adam, Castiel disse que os anjos estão com ele.
– Onde?
– Na sala onde levaram você.
– Tem certeza?
– Castiel fez uma busca.
– E aí?
Sam deu de ombros.
– E aí que o lugar tá cheio de asas.
– O de sempre... O que vão fazer?
– Pra começar, vamos levar você. – respondeu se levantando e pegando a chave da algema.
– Como é que é?
– Eles são muitos, não vamos dar conta sozinhos. E você é o único na cidade.
– Não é uma péssima ideia?
– É. O Castiel, Bobby, e o Jean acham que sim. A tá em cima do muro. E eu ainda não sei não. – Respondeu abrindo a algema. – Talvez esteja em cima do muro também.
Dean se sentou e fitou o irmão.
– Eles estão certos. Isso deve ser uma cilada pra me obrigar a dizer sim do mesmo jeito. E eu vou, hein... Já vou logo avisando que eu vou.
– Não, não vai. Na hora “h” você vai fazer a coisa certa.
– Se eu pudesse virar a mesa, deixaria você apodrecer aqui. E olha que eu já deixei.
– É, tá. Mas eu não sou tão esperto assim.
Dean balançou a cabeça.
– Eu não tô entendendo. Por que tá fazendo isso?
– Porque você é meu irmão mais velho. – Falou abrindo a porta, e olhando para trás. – E aí, você não vem não?
Dean se levantou e os dois foram até o escritório, onde todos se encontravam.
– Agora o time tá completo. – Falou Bobby. – Vejo que você já se decidiu.
– Bobby, não temos escolha. – Respondeu Sam.
– Já que você diz... Mas depois não diga que eu não avisei.
– Gente, nós temos que repassar o plano. – entrou no assunto.
– Não temos muito que discutir. Nós vamos até eles e tentamos resgatar o Adam. – respondeu Castiel. – Ou pelo menos morreremos tentando.
– E essa é a única opção? – Jean perguntou.
– É.
– Então quando iremos? – perguntou.
– Não sei se será uma boa ideia todos irem.
– Por que não, Castiel?
– Porque será mais gente pra eles usarem contra nós. O local está cheio de anjos e eu não sei o que pode acontecer.
– É, ele pode estar certo. – Falou Bobby.
– O quê? Você mesmo disse que o local tá cheio, e ainda sim querem ir sem ajuda?
, eu não sei no que poderia ajudar com uma cadeira de rodas me prendendo. Sua irmã mal se aguenta em pé.
– Verdade. – disse. – Eu adoraria ir, mas tenho que confessar que não estou nos melhores dias.
bufou e balançou a cabeça.
– Mas eu tô bem, e acho que um dos motivos pra nos juntarmos novamente seria pra ajudar no que fosse preciso!
, eu sei que seria bom mais ajuda, mas eu prefiro que você e os outros fiquem. – disse Sam. – Não podemos correr o risco de que eles peguem mais alguém, essa é a nossa única chance.
suspirou.
– Ok, já que vocês querem desse jeito. Mas nós ficaremos mais tranquilos se vocês tivessem ajuda.
– Também concordo. – disse. – De preferencia alguém poderoso, com poderes sobrenaturais.
– Ah, eu não sei em que posso ajudar, mas sei que eles não me usariam contra vocês, então eu posso ir. – Jean se ofereceu.
– Você por acaso tem poderes sobrenaturais? – perguntou.
Jean deu um sorriso debochado.
– Há-há-há, não, eu não tenho, mas eu seria um covarde se ficasse aqui.
– Seria mesmo.
! – a repreendeu.
deu de ombros.
– E não seria? Você mesma tava se oferecendo pra ir junto.
– Mas nós temos mais obrigação do que ele. – ela se virou para Jean. – Você tem certeza? Pode ser uma viagem sem volta.
Ele deu de ombros.
– Bom, eu não tenho o que perder. – ele olhou para os Winchesters. – Mas claro, só vou se não tiver problema pra vocês.
– Eu não vejo nenhum problema. – Falou Bobby.
– Nem eu. – Sam respondeu.
– Que bom, vejo que o grupo de resgate já tá completo. – Falou Dean. – Só não entendo o porquê de tudo isso. É pra vocês verem eu me entregando?
– Dean, já conversamos sobre isso. – respondeu Sam.
– Não podemos continuar com a reunião em família. – entrou no assunto. – Vocês têm que se preparar. Não temos tempo a perder.
– É, ela tá certa. – Bobby concordou.

...

Assim que o dia amanheceu, Sam, Dean, Bobby, Jean e Castiel se juntaram no escritório para repassar os passos do resgate. Enquanto isso, foi até a cozinha onde fazia o café.
– Não tô totalmente convencida desse resgate. – comentou caminhando – graças às muletas – até a cadeira mais próxima.
– Você não deveria estar de repouso?
– Dá pra focar no que tá acontecendo um pouco, por favor?
suspirou.
– Tá. Por quê?
, tá na cara que esta é uma cilada pro Dean.
– Do que você tá falando?
– Isso tudo de levarem o Adam pra fazer o serviço que era pro Dean fazer... Não é por nada, mas eu acho que os anjos não perderiam tempo tentando convencer o Dean, sendo que eles poderiam ter usado Adam como segunda opção esse tempo todo.
– É, isso faz sentido.
– Ainda mais sabendo como os Winchesters são. Eles fariam de tudo pela família.
– Então você não acha que é uma boa ideia eles irem até lá?
– Não acho, mas também não vejo uma segunda opção.
– É, mas o Castiel vai estar lá. E eles vão ter a ajuda do Jean.
– Jean? Ah, então agora tá tudo certo. Não preciso me preocupar mais. – Respondeu sarcástica.
– Há-há-há... Na verdade, eu acho que vai ser uma preocupação a mais pra você.
fechou a cara.
– Não entendi por que.
– Quer que eu te explique? – ela sorriu.
Neste momento, Dean entrou na cozinha e as duas o fitaram. Percebendo a cara que elas faziam, ele suspirou.
– Não quero interromper nada não. – ele foi até a geladeira e pegou uma garrafa de cerveja. – Só vim molhar a garganta. – disse com um sorriso no rosto.
– Bebendo logo cedo? – perguntou .
– E lá tem hora pra beber?... Só espero que Miguel não se incomode com álcool.
– Dean...
– Posso falar com você? – perguntou , ignorando .
Ela estava incomodada pela ultima conversa que eles tiveram, e sabia que aquele poderia ser o ultimo momento para aquilo, por mais que preferisse pensar o contrario.
Dean olhou para ela e assentiu.
– Bem, eu acho que eu vou lá falar com o Sam. – disse saindo da cozinha e deixando os dois a sós.
– Vai se despedir ou tentar me fazer mudar de ideia? – Dean perguntou.
– Primeiramente, eu não tenho que me preocupar em relação ao que vocês vão fazer agora. Sei que você tomará a decisão certa.
– Não estaria tão certo se fosse você.
– É? E por que não?
Dean deu de ombros.
– Não sei, só acho que você apostou errado.
– Como eu disse, eu não vou me preocupar. Você fará o que é certo.
– Então sabe que eu vou aceitar?
– Não, você não vai.
– E como você tem tanta certeza assim?
– Eu só sei.
– Tanto faz. – respondeu tomando um gole de cerveja.
– É, mas não é somente sobre isso o que eu quero falar com você.
– Pode falar.
– Dean, eu... Quero pedir desculpas a você.
– Não sei do que você tá falando.
– Não se faça de sonso! Você sabe sim... Eu falei coisas que não devia ter falado.
– Não precisa se preocupar. – ele tomou mais um gole de cerveja. – Eu não me importo.
olhou para ele. Como ele poderia falar aquele tipo de coisa momentos antes de provavelmente fazer a maior burrada de sua vida?
– Agora eu tenho que ir, antes que eu perca a carona.
– Dean, eu peço desculpas e tudo o que você diz é que não se importa?
– E o que você queria que eu dissesse?
– Ah... Esquece.
Dean suspirou.
, você não tem que pedir desculpas. Você só disse como se sentia e como via as coisas, e eu não posso ser idiota o bastante pra sentir raiva.
– Dean...
– Não se preocupe. Eu entendi o recado e não tenho rancor.
– Então é isso? Você vai sair daqui com o risco de não voltar, e ainda por cima me fazer sentir culpada?
– Olhando por esse lado é ruim, mas não. Essa não é a minha intenção. Eu só quero que saiba que você conseguiu me colocar em meu lugar e encarar os fatos.
– Do que você tá falando?
– Nada, só que eu vi que talvez estivesse errado sobre tudo. Até sobre nós.
– Dean...
Está na hora. – Disse Castiel entrando no cômodo.
Dean olhou para o anjo, e depois olhou para .
– Adeus, . – disse antes de sair.
pegou as muletas, e Castiel foi cavalheiro o suficiente ao esperá-la se levantar e caminhar até a sala. Quando ela chegou ao cômodo, viu todo mundo reunido. Então parou ao lado de Jean, que estava encostado no batente da porta.
– Bem, estão todos aqui. – disse Bobby.
– Boa sorte pra vocês todos. – comentou .
– Não se preocupe, logo estaremos de volta. – respondeu Sam, lhe dando um selinho rápido e um abraço.
– Jean, se cuide. – disse seca, graças à conversa anterior. – E, por favor, que todos vocês voltem inteiros. – ela olhou para Dean, que a olhou e abaixou a cabeça.
– Vamos. – Castiel disse.
Dean, Sam e Jean foram para o centro da sala. Castiel se aproximou, encostou o dedo em Dean e em Sam que desapareceram, e logo em seguida encostou em Jean e os dois desapareceram.
– E aí, o que a gente faz? – Perguntou .
– Eu sei o que eu vou fazer. – Disse Bobby saindo da sala.
olhou para que se sentava no sofá. E pela cara dela, ela pôde imaginar o motivo.
– A conversa com o Dean foi tão difícil assim?
– Não, que isso... Nós trocamos palavras de conforto e amizade, aí depois nos abraçamos. – respondeu irônica.
– Você quer falar sobre isso?
– Quer saber o que eu quero? Um pouco de paz... Por favor.
– Tá, se você faz questão. – Disse saindo e deixando com seus próprios pensamentos a incomodando.

– Onde estamos? – perguntou Jean.
Eles caminhavam ao lado de um galpão abandonado.
– Van-Nuys, Califórnia. – Castiel respondeu.
– Cadê a sala bonita? – perguntou Dean.
– Lá dentro.
– A sala bonita fica dentro de uma fabrica abandonada?
– Onde você achou que ficaria?
– Sei lá, em Júpiter, numa folha de grama... Menos em Van-nuys. – respondeu parando na frente de uma porta.
– Só pra saber: por que você não pega o Adam, diz Shazam, ou sei lá? – perguntou Sam.
– Porque há pelo menos uns cinco anjos lá dentro.
– E daí? Você é rápido. – Dean comentou.
– Eles são mais. – Castiel tirou a gravata. – Eu acabo com eles e vocês entram e pegam Adam. É a nossa única chance.
– E você vai encarar os cinco anjos? – perguntou Jean.
– Vou.
– E não é suicídio?
– Talvez seja, mas pelo menos eu não vejo Dean falhar. – ele olhou para Dean. – Me desculpe Dean, mas eu não tenho fé em você como o seu irmão ou a . – ele tirou um estilete do bolso.
– O que vai fazer com isso? – Dean perguntou assustado.
– Não se preocupe, não é nada com você. – e ele desapareceu.
Dean, Sam e Jean entraram na velha fabrica depois de ouvirem uma breve “briga” – Deduzindo que seria Castiel –, e depois um forte clarão surgir. Olharam para os lados procurando por Castiel, mas não o encontraram. Caminharam pelo galpão até encontrarem uma porta. Como combinado, Dean abriu e entrou. A porta levava para o lugar que ele tanto conhecia. No canto estava Adam, caído ao chão com o rosto machucado.
– Adam... – chamou se aproximando.
– Veio me buscar? – perguntou com dificuldade.
– É, você é da família. – Falou o ajudando a se levantar.
– Dean, é uma cilada.
– Eu imaginei.
– Dean. – uma voz familiar o chamou. Dean olhou para o lado e encontrou Zacharias. – Você achou que seria fácil?
– E você achou o mesmo. – respondeu Dean, assim que Sam se aproximou para atacar o arcanjo.
Mas antes que o atingisse, com seus poderes, Zacharias o jogou contra a parede. Jean que acabara de entrar também não teve sorte, e foi jogado contra uma mesa no outro lado da sala.
– Sam... – Falou Dean preocupado.
– Sabe o que eu aprendi com essa experiência? – Zacharias voltou a falar. – Paciência.
Na hora, Adam começou a sangrar ainda mais pela boca, e caiu no chão, se contorcendo.
– SOLTA ELES! – Falou Dean nervoso.
– Eu achei que tinha sido detonado pra sempre, mas eu devia ter confiado no chefe. – Continuou o ignorando. – Tudo o que ele disse, você... Eu... Seus irmãos sangrando. – Disse olhando para Sam, que começou a sangrar pela boca do nada. – Ele só não contava que nós teríamos um bônus. – ele olhou para Jean, que ainda estava no chão, que começou a se contorcer de dor. ­– Afinal, você está pronto, né?
– Sabe que eu não tenho escolha. – respondeu Dean olhando para Sam. – Pare, pare com isso agora, por favor.
– Em troca de quê?
– Droga Zacharias, pare! Por favor... Eu aceito...
– Desculpe, o que disse?
– Eu aceito... A resposta é sim.
– Dean... – Sam tentou.
– Me ouviu? – Dean o ignorou. – Chama o Miguel aqui!
– Como vou saber que não está mentindo? – Falou Zacharias.
– Tenho cara de quem tá mentindo?
Zacharias o olhou por um momento e se convenceu das palavras de Dean. Então ele deu as costas e começou a dizer algumas palavras em enochiano.
Dean olhou para Adam, Jean e em seguida para Sam, que o olhava. Ele teve a impressão de que o tempo parou para que ele pudesse pensar no que estava realmente acontecendo. Muitos desconfiaram dele, mas havia duas pessoas que confiaram e achavam que ele acabaria fazendo o melhor.
As luzes começaram a piscar e o lugar começou a tremer.
– Ele está vindo. – disse Zacharias.
– É claro que tem algumas condições. – Dean respondeu.
Ele olhou para Sam mais uma vez, sorriu e deu uma piscadela.
Zacharias se virou para ele.
– Quais?
– Umas pessoas cujo eu quero garantir a segurança.
– Claro, faça a lista. – ele sorriu.
– E antes de tudo... Miguel só vai poder me tomar se fizer você virar cinzas.
– Acha que o Miguel vai cair nessa?
– Quem você acha que é importante pra ele agora. Você ou eu?
Zacharias se aproximou de Dean e o pegou pela gola da jaqueta.
– Escuta aqui, você não passa de uma larva no rabo de um verme... Sabe o que eu vou ser?
– Dispensável.
– Miguel não vai me matar.
– Talvez não... Mas eu vou. – então, com rapidez, Dean pegou espada de Castiel, que estava no cós de sua calça e o ficou no pescoço de Zacharias. Em poucos segundos, o anjo caiu no chão morto.
Logo um zumbido tomou conta da sala. Dean correu até Adam e o ajudou a se levantar, depois ele fez o mesmo com Jean, e em seguida ele foi até Sam, que permanecia caído. O ajudou a se levantar e os dois foram até a porta.
Jean abriu a porta e saiu, logo Dean saiu atrás carregando Sam, mas antes que Adam pudesse sair, a porta se fechou e ele ficou trancado do lado de dentro.
SOCORRO... DEAN. – ele gritava.
Dean deixou Sam com Jean e foi até a porta. Ele tocou na maçaneta, mas não conseguiu virá-la por estar quente. Logo um silêncio tomou conta do lugar.
Ele voltou a tocar na maçaneta e notou que a mesma havia esfriado na mesma velocidade que havia se esquentado. Então ele abriu a porta e viu que a “sala bonita” havia desaparecido.

Depois de saírem do galpão, os três roubaram um carro e seguiram viagem até Sioux Falls. Embora estivessem no carro por horas, ninguém ousava conversar. E não porque quisessem, era porque não sabiam o que dizer. Muita coisa havia acontecido, e as ultimas vinte e quatro horas haviam sido maçantes. E o silencio dominaria, se não fosse pelo radio.
Incomodado pelo silencio absoluto, Jean pigarreou e ousou puxar assunto, perguntando:
– Será que o Adam tá bem?
– Duvido, e Castiel também tá mal. – Dean respondeu. – Vamos ter que encontrar uma maneira de pegá-los.
– E aí, o que aconteceu lá? – perguntou Sam.
– O quê?
– Eu vi nos seus olhos, você estava quase dizendo sim, mas por que você mudou de ideia?
– Honestamente? Só uma coisinha. O mundo vai acabar e tudo vai desabar em cima da gente, mas daí eu olho pra você e lembro que você e a confiaram em mim. E eu só consigo pensar: “os idiotas confiaram em mim”, e eu não podia deixá-los na mão.
– E não deixou, por pouco.
Depois de alguns momentos de silencio, Dean voltou a falar:
– Eu peço desculpas.
– Que isso cara, não se preocupe.
– Não, eu tenho que dizer isso. Eu não sei se é por causa do lance de eu ser o irmão mais velho, mas pra mim você sempre foi o meu irmão caçula que eu tenho que manter na linha, e eu acho que nós dois sabemos que não é mais assim. Se você cresceu o bastante pra confiar em mim, o mínimo que eu posso fazer é retribuir. Que se dane o destino, eu não quero saber. – Lembrou-se de uma de suas conversas com . – Se vamos lutar contra ele, que seja do nosso jeito.
– Parece bom.
Dean assentiu, e olhou para Jean pelo retrovisor.
– E você. Eu tenho que pedir desculpas... Reconheço que eu não fui com a sua cara e até fui rude com você, mas você tem demonstrado que tá jogando no mesmo time que a gente, e eu acho que posso confiar em você.
Jean sorriu.
– Cara, fico feliz em ouvir isso, é sério... Percebi que você tinha algo contra mim – e talvez você tenha suas razões pra isso –, mas me sinto melhor sabendo que pelo menos agora podemos nos entender.
– É, quem sabe. – Respondeu fazendo Jean sorrir.
E novamente o silencio tomou conta do carro.
– Que clima esquisito... – Sam sorriu.
– É. Só não se acostumem, e que isso não saia do carro... – Dean respondeu, fazendo com que os caçadores sorrissem.
Os três permaneceram ouvindo radio, até que noticiaram uma forte tempestade em Las Vegas – estado que ficava há poucos quilômetros deles, e que eles teriam que passar para seguir viagem.
– Só pode ser brincadeira. – Falou Dean.
– Qual é? Tá com medo de se molhar? – Perguntou Sam, humorado.
– Não é isso. Só não tô no clima de dirigir, muito menos no meio do temporal.
– Dean, eu acho que já pegamos tempo pior.
– Mas agora é diferente, cara. Eu tô cansado.
– Não seja por isso. A gente pode parar em um hotel. – Sugeriu Jean.
Dean assentiu.
– O que você acha, Sammy?
– Eu acho que a gente deveri
a continuar. Nós ainda temos muito que fazer.
– O quê? Rastrear o demônio.
– E pelo que mais seria?
– Ah, Sam. Eu acho que não faria diferença umas horas a mais sem ajudar. E outra, a e a estão lá, elas devem dar conta disso. – Sam balançou a cabeça. – Isso é um sim?
Sam rolou os olhos e suspirou.
– Tá, tudo bem... Eu só vou ligar pra e avisar.
– Tudo bem. – Respondeu Dean pisando fundo no acelerador a procura de um hotel qualquer.

...

Sioux Falls, Dakota do Sul.

Havia se passado quase dois dias em que os Winchesters saíram em busca de Adam. E Apesar de Sam ter dado noticias do que havia acontecido, não via a hora de eles chegarem, já que aquela conversa com Dean ainda martelava em sua cabeça.
– Gente, vocês não acham que eles estão demorando?
, são mais de vinte e quatros horas de viagem. – Bobby respondeu.
– Mas nós sabemos como Dean dirige, ele levaria muito menos tempo que isso.
– Nós sabemos, – disse . – Mas eles tiveram que fazer uma parada.
– Eu sei, mas eles tinham que ter chegado no máximo nessa tarde. Já passam das onze, e até agora nenhum sinal deles. Conseguiu falar com Sam de novo?
– Não.
– Então, isso não é estranho?
– Olha, o que você acha de não pensarmos no pior, hein?
– Tá. – Disse voltando a atenção para a TV.
– Bem, eu acho que vou me deitar, garotas. – disse Bobby indo para o escritório, já que dormia lá desde que machucou a perna.
– Boa noite.
– Boa noite.
Já nem prestando a devida atenção na TV graças à irmã, pegou o controle e começou a passar os canais.
– Aff, não tem nada passando.
apenas balançou a cabeça e para descontrair, disse:
– Imagino o seu tédio, já que o Sam não tá aqui pra você se divertir.
– Aff, se fecha .
riu.
– Só porque falei a verdade?
– A sua perversidade me assusta.
, você é pior do que eu, não se faça de santa.
– Santa só Maria... Mas também não sou safada desse jeito.
– Há-há-há, sei... – Se ajeitou no sofá. Ela já havia perdido as contas de quantas vezes fez o mesmo movimento, já que passou o dia inteiro sentada. – Mas trocando de assunto, eu tava pensando em tudo o que anda acontecendo, e tem uma coisa que não se encaixa.
– O quê?
– O porquê de Dean demorar tanto pra se entregar... Sabe, ele saiu decidido a fazer, mas vocês o pegaram antes de ele aceitar, dois dias depois da fuga.
pigarreou.
– E?
– Ah, , isso é estranho. Nós conhecemos o Dean, e sabemos que ele não é o tipo que para pra refletir.
olhou para e suspirou.
– É, eu sei e concordo que também estranhei. Até comentei isso com o Sam.
– E ele não falou nada?
pensou por uns segundos no que deveria falar para a irmã. Ela tinha certeza de que Sam escondia o que havia acontecido com Dean, o que tornava tudo pior considerando que envolvia a irmã. E tudo ficava piro ao saber da desconfiança da irmã.
– Pior que não.
– Hum... Tá, isso só aumenta minhas suspeitas sobre Indiana. O que acha?
– Eu não faço a mínima ideia.
olhou para a irmã, desconfiada.
– Tá , conta outra. Eu duvido que vocês tenham chegado lá e encontrado ele no primeiro hotel que viram.
– Te garanto que se isso tivesse acontecido, pouparíamos um bom tempo.
– Então... – a olhou. – O que vocês fizeram exatamente antes de encontrá-lo?
rolou os olhos, e suspirou. Lá estava a pergunta que ela tanto temia em responder, já que não tinha fatos. E pior do que não ter fatos, era falar o que Sam havia contado.
Então ela decidiu fazer o que ela não sabia fazer direito: Mentir, ou melhor, mascarar e contar meia verdade.
– Nós passamos na casa de uma pessoa antes de saímos a procura dele pela cidade. Por sorte nós encontramos o Impala, aí não foi difícil de encontrá-lo.
– Na casa de quem?
– Essa eu vou ficar te devendo. Eu não vi, mas o Sam me disse que se tratava de um amigo.
– Amigo? E desde quando o Dean tem amigos?
– Aí você vai ter que perguntar a ele.
– Eu já perguntei, . Você sabe que ele não quis tocar no assunto. Mas enfim, não importa.
voltou sua atenção para TV, e ali foi a primeira vez que respirou direito desde que o assunto começou.
– Não?
a olhou com o cenho franzido, estava estranha.
– Não. Eu disse que não tocaria mais nesse assunto, e não vou. Daqui a pouco a curiosidade acaba. – Disse voltando a atenção para a Tv e dando o assunto por encerrado. Infelizmente, não pretendia fazer o mesmo.
– Que bom. – suspirou. – Talvez tenha sido o melhor a se fazer.
a olhou novamente.
– Como é?
– O quê?
– Você acha que eu parar de falar de Indiana e do Dean é o melhor a se fazer?
Ela meneou a cabeça.
– Bom, no começo não. Mas o tempo foi passando, você foi dando mais indícios de que vocês dois não voltariam e agora com o Jean na jogada...
– Cale a boca. – ela respondeu reparando o sorriso da irmã.
– Por quê? – perguntou com o sorriso maior.
– Porque você tá me irritando com esse papo do Jean.
– Mas é verdade.
– Verdade nada. Não tem nada acontecendo entre a gente, e se tivesse, você não acha que ele também estaria afim de você? Lembre-se que ele te deu um colar de conchas.
– Porque ele é amigável.
– Exatamente. Nos damos bem porque ele é amigável.
– Mas com você...
– Aliás, o Sam sabe sobre o colar?
– Não.
– Acha que ele deveria saber.
– Você tá louca?
Ela sorriu.
– Não, eu acho que ele deveria saber.
a analisou.
– Por que isso soou como uma ameaça?
– Porque eu vou contar pra ele se você não calar sua boca agora. – ela respondeu séria.
– Você não faria isso.
a lançou um olhar desafiador.
– Quer pagar pra ver?
a encarou por alguns segundos.
– Ok, ok. Por enquanto eu não falo nada.
– Nem eu. Por enquanto. Agora volte a assistir e me deixa em paz.
riu.
Vocês duas não calam a boca, hein. – Bobby comentou entrando na sala. – Impossível dormir desse jeito.
– Ah, desculpe. – deu de ombros.
Espero que o jantar esteja pronto. – eles ouviram alguém abrir a porta.
– Dean? – Bobby se aproximou da porta. – Vejo que fez a escolha certa.
– Bem...
– Olá, Bobby. – Sam o cumprimentou entrando acompanhado de Jean.
– Garotos, o que aconteceu?
– Longa história. – Dean respondeu.
– E como é que foi? – perguntou indo até Sam e dando um abraço.
– Foi tudo bem. – ele respondeu.
– Achei que a estrela aqui fosse eu. – Dean comentou.
– Seja bem vindo, Dean. Fico feliz por tudo ter acabo bem. – respondeu o olhando e sorrindo. – E então, foi tudo bem?
– Nem tudo, já que não resgatamos o Adam.
– Sinto muito.
– E aí, o que aconteceu por demorarem tanto? – perguntou.
– Oi, pra você também.
– E então, vão contar ou a gente tem que adivinhar? – perguntou Bobby.
Dean e Jean se sentaram no sofá onde já estava. se sentou em uma cadeira, Sam encostou-se a uma mesa cheia de livros, ao lado de Bobby.
– Bem. – Sam respondeu. – Depois que falei com vocês, nós seguimos mais uns quilômetros a frente e nos hospedamos em um hotel.
– Sem deixar de mencionar que era um hotel muito bom pelo lugar que se encontrava. – completou Jean.
– É. Daí, nós nos hospedamos, mas logo coisas estranhas começaram a acontecer. Nós decidimos investigar e descobrimos que se tratava de uma reunião de deuses de todos os tipos... Eles estavam discutindo sobre como acabar com Lúcifer.
– Até Gabriel aparecer. – Dean se envolveu.
– Gabriel? – Perguntou .
– É, aquele Brincalhão que a gente comentou.
– Ah.
– Pera aí, Gabriel? – perguntou Bobby. – Ele não disse que não se importava?
– Disse, mas ele apareceu lá.
– E por quê? – perguntou .
– Ele disse que iria nos salvar. – respondeu Sam.
– Mas os dois aqui disseram que só iriam embora se Gabriel nos ajudasse a libertar os reféns, ou melhor, as futuras refeições deles. – Jean voltou ao assunto.
– Bem, continuando. – Disse Sam. – Ele acabou sendo descoberto por uma deusa. Daí, ela o matou pra pegar a espada de anjo.
– Ela não matou, apenas pensou que matou. – interrompeu Dean.
– Você quer contar? – perguntou Sam.
– Não, fique a vontade. – disse com um sorriso cínico no rosto.
– Continuando... Depois que ela o “matou”, Dean quis dar uma de herói e disse que nós iriamos ajudar eles a pegar o Lúcifer.
– Mas nós não precisamos fazer nada. – Dean voltou a interromper. Sam revirou os olhos e Dean sorriu, por conseguir irritar o irmão. – Porque ele apareceu lá e acabou com todos os deuses, a não ser Kali, porque na hora o Gabriel apareceu e mandou a gente sair de lá, e é claro que nós fizemos. – Deu de ombros. – Daí nós voltamos pra cá.
– Nossa. – Falou . – E vocês fizeram uma viagem tão longa sem dormir?
Sam deu de ombros.
– Fazer o quê?
– Caramba. – Falou impressionada. – E tudo isso pra quê?
– Além de pegar Lúcifer? Nada. – Respondeu Jean. – Mas antes de nós sairmos, ele nos deu um DVD.
– E o que tinha nesse DVD? – perguntou .
– Não sabemos, ainda não vimos. – respondeu Sam.
– E cadê ele?
– Aqui. – Dean respondeu segurando o DVD, com um largo sorriso no rosto.
– Eu não sei vocês, mas não acho que isso tenha algo de importante. – disse , lendo “Casa Erótica” na capa.
– Não sei, mas ele nos disse pra guardar o DVD como se fosse a nossa vida. – respondeu Sam.
– E então? – perguntou Bobby.
Dean deu de ombros
– Vamos assistir e ver no que dá. – Se levantou e colocou o disco no aparelho de DVD.
Logo, o filme começou a rodar e eles olhavam para a TV com a sobrancelha erguida. O filme era mias pornográfico do que revelador.
– O Gabriel mandou vocês guardarem isso como se fosse a própria vida? – perguntou Bobby. – Você tem certeza que não é um dos seus filmes, Dean?
– Há-há. – Dean respondeu. – Vai ver ele é fã.
Todos arregalaram os olhos quando Gabriel apareceu dando uns amassos calientes numa loira.
– Eu acho melhor... – começou a falar, mas parou quando viu Gabriel olhar para a câmera.
“Sam, Dean, vocês devem estar se perguntando o que está acontecendo. – ele falava divertido. – Bom... Se estiverem vendo isso, eu estou morto... Ah, por favor, parem de chorar, é muito constrangedor... Bom, sem mim vocês voltam pra estaca zero no plano de matar o Lúcifer, e eu sinto muito. Mas vocês podem pegá-lo. A jaula de onde ele saiu ainda está lá embaixo e talvez – quem sabe – vocês podem trancá-lo de volta... Não vai ser fácil não. Vocês vão ter que abrir a jaula, atrair o meu irmão de volta e, ah, tem o Miguel, mas isso é só detalhe... E eis o grande segredo, nem Lúcifer sabe. Mas a chave da jaula está por ai, aliás, chaves, são quatro. Ou melhor, quatro anéis, dos cavaleiros... Se pegarem todos, vocês abrem a jaula... Eu não posso dizer que aposto em vocês, mas eu já perdi antes... E Dean, você estava certo, eu tinha medo de enfrentar o meu irmão. Só que não tenho mais... – ele sorriu. – E esse sou eu me levantando, – ele se levantou. – e esse sou eu me deitando” – disse se deitando na cama com a mulher. Os dois começaram a fazer “coisas” que Sam achou melhor não ver por inteiro.
– Ah, que isso... – ele comentou desligando a TV.
Todos pararam pensativos.
– Cavaleiros, é? – perguntou Bobby.
– É. – Dean respondeu.
– Bem, nós já pegamos Guerra... – comentou.
– Pegamos fome... – concluiu.
– E falta só dois pra coleção de quatro. – Jean completou.
– Agora nós só precisamos de Peste e de Morte. – disse Dean.
– Ah, é só isso? – perguntou Bobby sarcástico.
Dean deu de ombros.
– Hm, é um plano. Pelo menos agora sabemos o que procurar.
– E o que faremos? – perguntou .
– Iremos atrás de cada um deles e acabaremos com essa bagunça.




Continua...



Nota da autora: Me perdoem por ter demorado tanto pra atualizar, vou tentar não enrolar tanto. Mais uma vez, obrigada por ler e até mais.
Xx





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