Nights of a Hunter IV

Última atualização: 27/03/2019

Prólogo

“Então, pra quê tudo isso? É difícil dizer.
Bem, eu diria que foi só um teste. Para Sam, Dean, e . E acho que eles foram bem. Lutaram contra o bem e o mal, anjos, demônios, destino, e até Deus.
Eles fizeram suas próprias escolhas. Escolheram a família. E bem, não era esse o principal motivo?
Sem dúvidas, finais são difíceis. Mas afinal, nada nunca acaba realmente, não é?”.


– Carver Edlund.


Time Stand Still.

Um ano depois.

“I turn my back to the wind to catch my breath
Before I start off again
Driven on without a moment to spend
To pass an evening with a drink and a friend”"

Era sexta-feira quando , Jean e decidiram passar o fim de semana na casa de Bobby. Fazia um mês que eles não se viam e eles queriam passar um tempo com aquele que elas – e inclusive Jean, com o passar do tempo –, consideravam como um pai.
Eles estavam a caminho de Sioux Falls de Jeep e ouviam Time Stand Still. Não que e a irmã gostavam. Mas elas sabiam que a próxima música seria delas. Os três criaram uma playlist alternativa e colocaram num pendrive.
E aquilo as admirava em Jean.

Flashback On
Há oito meses.

Owensboro, Kentucky.

limpava a casa quando Jean chegou já entrando com mala e cuia. Os dois estavam juntos há um mês e ele se hospedava lá quando estava na cidade.
– O que você tá fazendo aqui? Pensei que só te veria amanhã. – parou o que estava fazendo, abaixou um pouco o som estridente e o olhou.
– É, eu sei. Mas acabei terminando o serviço antes do esperado. – ele sorriu e largou as malas no chão. – Acho que cheguei em má hora. – ele olhou ao redor.
A casa estava revirada.
– Muito pelo contrário. Pode pegar uma vassoura aí e me ajudar. – ela voltou a tirar o pó dos móveis.
– Eu adoraria, mas tô cansado. – ele fez cara de preguiça.
– Nem vem. Se quiser dormir aqui hoje, vai ter que ajudar. – ela sorriu.
Jean suspirou e riu.
– Sua sorte que eu tô sem grana pra pagar um hotel.
– Hm, então somos dois que dependem da .
– Não arranjou emprego ainda? – ele pegou a vassoura e começou a varrer de qualquer jeito.
– Jean, você ficou fora uma semana. Nada mudou.
– Ah, quem sabe. – ele deu de ombros.
– Mas não tem problema. Eu tava pensando em sair mais tarde pra uma noite de pôquer. Tá afim de ir?
– Você? Pôquer?
parou e o olhou.
– O que que tem? Não acha que eu saiba jogar?
– Me admira você saber.
– Ah, para vai! – ela riu. – Saiba que já ganhei de pessoas que você não acreditaria. – ela respondeu se lembrando da vez que apostou anos de vida com um bruxo para salvar Dean. Foi épico.
– Hum, ou você nunca jogou com um verdadeiro jogador. Conheço um que te deixaria no chinelo.
– E quem seria o iludido? - Ela se aproximou de Jean, que parou de varrer.
– Prazer, Jean. – ele sorriu, estendendo a mão.
riu.
– Tá me dizendo que você se garante? – Jean assentiu. – Então vamos jogar.
– Agora?
– Sim. – ela caminhou até a estante e abriu uma caixinha. De dentro ela tirou dois baralhos.
– Já que você insiste. – Jean deixou a vassoura de lado e caminhou com até a mesa da cozinha.
– Não se preocupe, vamos começar devagar. – ela se sentou.
– Como assim? – ele também se sentou.
– Vamos começar na maciota. Que tal uma partida de Uno?
, isso nem é jogo. Que coisa de criança.
– Há-há-há. Crianças não apostam, querido.
Jean sorriu.
– Quer apostar o quê? Que eu saiba nós dois não temos um centavo.
– Vamos apostar... Já sei! A maratona de limpeza. Começando pela cozinha.
– Hã?
– Se eu ganhar, você limpa a cozinha. Se eu perder, eu limpo. O mesmo vale para a sala, os quartos e os banheiros.
– Jura? Você quer apostar isso?
– Sim. E já vou dizendo que eu não aceito serviço de porco. – ela sorriu.
Jean riu.
– Tudo bem. Mas já vou avisando que você só tá atrasando seu serviço.
– É o que veremos. – ela se levantou. – Arrume as cartas.
saiu e foi até a sala. Lá ela aumentou o volume do rádio, que tocava Demi Lovato e depois voltou para cozinha e se sentou de frente para Jean.
– Essa música?
– O que que tem?
– Nada. É estranho, só isso. – respondeu distribuindo as cartas na mesa.
– Eu sei que não é o tipo de música que você achou que eu ouvia, mas já vou avisando que eu não tô nem aí pra você.
– Eu não ia dizer nada. Na verdade, eu não ligo. Cada um tem seu gosto.
– Sério?
– É. – ele deu de ombros. – Cada um ouve o que quer e quando quer.
o encarou com a boca torcida. TODO MUNDO criticava o gosto musical que elas tinham. Quer dizer, nem todo mundo. Sam e Jean não achavam ruim.
– Uau! Devo admitir que você ganhou alguns pontos comigo. Mas isso não significa que eu vou pegar leve com você.

Flashback Off

– O que vamos fazer quando chegarmos lá? – Jean perguntou animado, batucando no volante.
– Bom, depois de onze horas de viagem, eu gostaria de me deitar e acordar só amanhã. – respondeu.
– Tá brincando, né?
– Eu não.
– E essa ideia é bem tentadora. – emendou, do banco de trás.
Jean a olhou pelo retrovisor e bufou.
– Vocês são patéticas.
Elas deram de ombros.
– E eu não vou nem me dar ao trabalho de dizer o que você é. – respondeu.
– Gente, qual é, ouçam a música que tá tocando agora. Vocês não sentem nem um pouco de animação?
As duas o olharam céticas.
– Quer que eu responda? – perguntou.
– Qual é, vocês precisam viver.
– Aham, ok, então o que quer fazer, bonitão?
Ele meneou a cabeça.
– Antes de mais nada, quero tirar a barriga da miséria.
– Sabia que você ia falar isso. – disse. – Você não cansa de comer?
– Você cansa? – ele perguntou como se fosse a coisa mais estranha do mundo.
– Ok, você me pegou. Mas olha, não sei se o que tem na casa do Bobby é comestível.
– A gente vê o que tem lá, ué.
soltou um riso pelo nariz.
– Apostam quanto que não vai ter nada além de comida enlatada lá?
– Eu tenho certeza que não vai passar disso. – respondeu.
– Bom, a gente resolve quando chegarmos lá. Depois, nós quatro vamos sair pra beber e comemorar.
As duas o olharam com as sobrancelhas erguidas.
– Comemorar o quê? – perguntou.
Jean a olhou de relance, com uma sobrancelha erguida, se perguntando se aquela pergunta era uma pegadinha.
– Tá falando sério?
Ela assentiu, e ele balançou a cabeça.
– O seu aniversário, bobona.
meneou a cabeça e olhou a data no rádio do carro. Faltava quase uma semana para seu aniversário.
– Meu aniversário é só no dia 22.
– E daí?
– É, , você nunca ligou de comemorar antes ou depois. – disse. – Além do mais, a gente aproveita e faz o Bobby presente nesse momento.
Ela meneou a cabeça.
O fato era que ela estava prestes a completar 25 anos e mal se lembrava de ter comemorado o aniversário anterior. Ela pensou por alguns segundos e então se lembrou que realmente não comemorou.
E se sentiu mal só por lembrar.
Poucos dias antes, menos de uma semana, para ser mais exato, Sam havia se jogado no buraco, então era óbvio que não havia motivos para comemorações.
E, no momento, ela também não sentia muita vontade de fazer isso, ela não curtia muito comemorar o próprio aniversário, mas só o fato de Jean e quererem comemorar e ainda colocar o Bobby no meio de tudo, a deixava animada.
– Tudo bem. – suspirou. – Vamos comemorar, então.
Jean sorriu de canto e a olhou de relance.
– É assim que se fala.

Cicero, Indiana.

Dean acordou um pouco atordoado. Ele olhou para cima e notou que estava em um local diferente. Parecia uma casa abandonada.
Ele acabou perdendo a consciência depois de uma luta com Azazel. Pelo menos era o que ele acreditava. Ele poderia jurar que viu seu irmão o salvando.
Seria loucura se isso fosse possível, não seria?
Enfim, quando ele abriu os olhos, viu tudo embaçado. Depois que a vista melhorou, ele olhou para o lado e, mais a frente, ele pode ver o esboço de um homem sentado.
Sam.
Ele só podia estar vendo coisas.
Como era de se esperar, Dean arregalou os olhos e se sentou depressa. Sam sorriu e o cumprimentou:
– Oi, Dean. – Dean o olhou sem entender. Sam riu e se levantou. – Eu esperava... Sei lá, um abraço. Ou água benta na cara... Alguma coisa.
– Então... Eu morri? – Sam riu e negou com a cabeça. – Eu tô no céu? O Olho Amarelo me matou e agora...
– Olho Amarelo? Foi isso que você viu?
– Eu vi?
– Você foi envenenado. Qualquer besteira que você pense que possa ter visto, não era real.
– Mas e você? Você é real? Ou eu ainda...
– Eu sou real. – Dean o olhou desconfiado. – Olha, eu vou poupar você. – ele pegou um canivete e cortou o antebraço, que obviamente começou a sangrar. Depois ele caminhou até uma mesa, misturou sal ao galão de água benta e tomou vários goles. Nada aconteceu. – Viu? Sou eu. Isso é nojento. – ele largou o galão.
Dean se levantou com dificuldade.
– Sammy?
– É... Sou eu.
Dean se aproximou um pouco desconfiado de Sam e o encarou por alguns segundos. Logo depois ele o abraçou.
– Pera aí, pera aí, pera aí. – ele se afastou de Sam. – Você se foi cara, você se foi. Como você...
– Eu não sei.
– Como não sabe?
– Cara, eu não faço ideia. Só voltei.
– E foi Deus ou o Castiel? O Castiel tá sabendo disso?
– Me diz você. Cass não atendeu minhas preces, eu não sei onde ele tá. Eu tava lá embaixo e no minuto seguinte, tava chovendo e tava deitado num campo, sozinho. E difícil tentar achar seja lá o que for que o salvou quando não tem pistas. Mas eu procurei. Acredite, eu procurei... Por semanas.
Dean pensou por alguns segundos e depois olhou para Sam.
– Espera aí. Semanas? Há quanto tempo você voltou? – ele esperou Sam responder, mas ele não o fez. – Há quanto tempo? Me diz, Sammy.
– Há quase um ano.
– Quase um ano?
– Dean.
– Você esteve aqui esse tempo todo? O que foi? Esqueceu como é que se manda a droga de um torpedo? – perguntou irritado.
– Você finalmente conseguiu o que queria, Dean. – respondeu calmo.
– Eu queria meu irmão. Vivo! – respondeu nervoso.
– Você queria uma família. E quis por muito tempo. Todo o tempo. Eu conheço você. Você só abriu mão por causa da vida que levávamos. E você conseguiu. Estava construindo alguma coisa. Se eu aparecesse Dean, você teria ido embora. Me desculpe, mas eu achei que depois de tudo que rolou, você merecia uma vida normal.
Os dois fizeram silencio por um tempo e Sam se sentou.
– O que você tem feito? – Dean perguntou.
– Caçado.
– Você me largou e tá caçando sozinho?
– Sozinho, não.
– Com a ? Você falou com a ?
– Não. Não falei com ela nem a .
– E então?
– Eu me aliei a outras pessoas.
– Você tá trabalhando com estranhos?
– Estão mais pra família. E estão aqui. – Sam se levantou. – Vem, eu vou te apresentar a eles. – ele caminhou até a porta francesa daquela sala e a abriu.
Dean o seguiu e notou mais gente naquela casa abandonada. No centro do cômodo em que eles estavam, havia uma mesa cheia de papéis e mapas. Ao redor da mesa, estavam uma moça e dois rapazes.
– Oi. – a moça cumprimentou Dean, que a olhou surpreso.
– Oi.
A mulher o analisou e sorriu.
– Nossa, você tem feições delicadas pra um caçador.
– Como é?
– Dean... Essa é Gwen Campbell. – Sam a apresentou.
– Bom conhecer você finalmente. – Gwen comentou. – Sam só fala de você.
– Estes são Christian. – Sam apontou para o homem que estava recostado na mesa. – E Mark. – ele apontou para outro que estava sentado no sofá.
– Campbell. – Christian completou entendendo a mão para Dean, que o cumprimentou.
– Oi... É, Campbell – ele olhou para Sam. – Igual...
– Igual sua mãe. – Christian respondeu.
Dean o olhou surpreso.
– Primo em terceiro. – Sam apontou para Christian. – Primo em terceiro. – ele apontou para Gwen. – Alguma coisa em segundo grau. – ele apontou para Mark. – Eles cresceram nessa vida. Igual à mãe. Igual à gente.
– Eu pensei que todos os parentes da mamãe estavam mortos. Desculpem, é que a gente não sabia de nenhum de vocês.
Porque eles não sabiam de vocês. Não até eu reunir todos. – um homem alto e careca disse, entrando na sala.
Dean agora estava ainda mais surpreso.
– Samuel?
– Vem cá. – o homem o abraçou. Depois que se afastaram, os dois se encaram. Samuel olhou para os outros três e falou: – Pessoal, eu preciso de um minuto com meus netos, por favor. – Christian, Mark e Gwen saíram e deixaram Sam, Dean e Samuel sozinhos. – São muitas ressurreições pra você hoje, Dean. Tudo bem, respire um minuto.
– Vai demorar um pouco mais que um minuto. O que foi que houve? Como isso aconteceu?
– Achamos que o que fez Sam subir, me fez descer.
– Então seja lá o que for, – Sam entrou no assunto. – nós dois fazemos parte.
– Mas vocês não sabem o que é.
– Acertou. – Samuel respondeu.
– E não tem pista? Nada? – Dean perguntou e Samuel negou. – Beleza, isso é... – ele balançou a cabeça sem acreditar. – Ninguém vai mais sair morto dessa porta não, vai?
– Até onde sabemos, só Samuel e eu. – Sam respondeu.
Dean assentiu.
– Legal. E eu sou a única pessoa aqui que acha que tem algo errado?
– Acredite, você não é. – Samuel respondeu. – Eu queria vir pegar você, é claro. Mas Sam insistiu em deixar você de fora, então deixamos. Até isso.
– Tá... Então como você foi parar na minha garagem? – Dean perguntou para Sam.
– Fui atingido antes de você. Há poucos dias. Fui envenenado.
– Por quem?
– Um casal de Djinns.
– Djinns? Pensei que eles fossem do tipo eremita, que vive na caverna. Isso é muito exótico.
– Não mais. Pelo menos esses. Eles parecem pessoas comuns. Podem se misturar. E só precisam tocar em você pra te matar. As toxinas entram no organismo e aí você alucina nos piores pesadelos. E logos depois, tem overdose.
– E como é que você respira ainda?
– Samuel tinha a cura.
– Tinha a cura pra veneno de Djinn? – perguntou para o avô.
– Eu sei umas coisinhas. Fique por perto e verá uns truques que seu pai nunca sonhou.
Dean balançou a cabeça, tentando processar o que estava acontecendo.
– E por que essas coisas estão vindo atrás de nós?
– Você matou um deles há um tempo. – Sam respondeu. – Depois que vieram atrás de mim, tivemos certeza de que viriam atrás de você.
– Lisa e Ben. Eles estão em casa nesse momento. Eu tenho que voltar.
– Tudo bem. – Samuel respondeu. – Eu já mandei alguém ficar de olho neles.
– Tem que me levar em casa agora. – ele falou com Sam.
Os dois então voltaram para a casa de Dean e encontraram o espia de Samuel morto. Eles entraram na casa, mas esta estava vazia. Dean então entrou em desespero e foi até a cozinha. Pegou o telefone e ligou para Lisa, que não atendeu.
– Droga! – ele bateu no armário e desligou o telefone.
Ele então ouviu alguém entrando na cozinha e viu Lisa e Ben animados.
– Oi. Você tá aqui. – ela comentou.
Dean se aproximou dos dois aliviado e os abraçou.
– Onde vocês estavam?
– Nós fomos ao cinema. Você sabia... Dean?!
Ele os soltou.
– Qual o problema? – Ben perguntou.
– Vão lá pra cima e arrumem suas coisas.
– Pra onde vamos?
– Vou levar vocês pra casa de um amigo. – Dean respondeu e Sam entrou na cozinha.
– Meu Deus. – Lisa o olhou perplexa.
– Lisa, Ben, vocês se lembram do...
– Sam. – Lisa completou e olhou para Dean.
– Vai arrumar as coisas que eu explico no caminho.
Os dois então subiram as escadas e arrumaram as coisas com pressa.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

Ao chegarem a casa, , e Jean puderam ver Bobby sair ao ouvir o som do motor. Depois de estacionar nos fundos do imóvel, os três desceram e foram até o homem que os esperava na entrada da frente.
– E aí, Bobby. – o cumprimentou com um abraço.
, como vai?
– Vou bem. – ela sorriu.
– Bobby. – sorriu e também o abraçou.
– Oi , tudo bem?
– Tudo.
– Que bom. Oi, rapaz. – ele cumprimentou Jean.
– Oi, Bobby.
– O que fazem aqui? Espero que esteja tudo bem.
– Tá sim, pra falar a verdade. – respondeu. – A gente veio passar o fim de semana aqui, se não tiver problema.
– De forma alguma. Vocês sabem que a casa é de vocês também. Entrem. – ele entrou na casa e os três o seguiram.
– Você anda caçando muito? – Jean perguntou.
– De vez em quando sempre aparece alguma coisa. Desde... Vocês sabem.
– É. – concordou e se sentou no sofá.
– E como vão as coisas? – Bobby se sentou na poltrona.
– Vão bem. – Jean respondeu e se sentou ao lado de . foi até a cozinha. – Mas algumas criaturas vem nos surpreendendo.
– Eu sei, parece que depois do que houve essas coisas ficaram fora de controle.
– É, vamos ter que nos adaptar com as mudanças.
– Pois é.
voltou com garrafas de cerveja e deu uma para Bobby.
– Obrigado. – ele agradeceu.
– E então? – ela disse num suspiro, se sentando em uma poltrona, e entregando duas garrafas para a irmã. – Como vai a vida, Bobby?
Ele meneou a cabeça e tomou um gole de cerveja.
– Bem, eu ainda estou vivo.
– Isso é muito bom. – Jean respondeu.
– Pois é. E vocês, como vão?
Jean meneou a cabeça.
– Estamos vivos, caçando de vez em quando, pra não perder o ritmo, mas tá tudo tranquilo.
– Achei que tivessem dito da última vez que nos falamos que não caçariam mais.
– É, mas é mais forte que a gente. – respondeu. – Mas eu realmente tô surpresa de estarmos conseguindo dizer não ao sobrenatural.
– É uma evolução.
– Com certeza. Mas o que me deixa perplexa é a não ter caçado com a gente nem uma vez.
Bobby olhou para que assentiu e respondeu:
– Ah, não vou dizer que não sinto falta de um pouco de emoção. Mas prefiro essa tranquilidade de uma vida normal. Faz tanto tempo que a gente não dá um tempo, que eu percebi sentir falta só agora.
Bobby meneou a cabeça.
– É, o que eu posso dizer? Estou feliz por vocês.
– E aí, Bobby, você tá com o fim de semana livre? – Jean perguntou.
Ele deu de ombros.
– Por enquanto, sim. O que estão aprontando?
Ele deu de ombros e tomou um gole de cerveja.
– Bom, você sabe que, quando a gente vem, é pra passar o fim de semana aqui, e especialmente esse fim de semana seria inadmissível se você não tivesse presente.
Ele os olhou desconfiado.
– Eu perdi alguma coisa?
– Não, mas amanhã nós vamos comemorar o aniversário dessa coisa aqui, e queremos que você comemore com a gente. – ele disse passando o braço ao redor dos ombros de , que sorriu abertamente para Bobby.
– É seu aniversário amanhã?
– Não, mas vamos comemorar mesmo assim. Relaxa, não vai ter nada de chapeuzinho de festa, ou balões.
– Não? – Jean perguntou. – Como assim?
o olhou e rolou os olhos.
– Se você continuar com esse papo de contratar um mágico e um palhaço só pra me zoar, eu te mato.
Ele riu e tomou um gole de cerveja.
– Enfim, Bobby. O que acha? Vai ser só algumas biritas e uns petiscos.
Ele deu de ombros.
– Por mim, tudo bem, não tenho nada melhor pra fazer mesmo.
– Ai, credo, Bobby. – o repreendeu.
Bobby disfarçou o meio sorriso e balançou a cabeça.
– Seria indelicado da minha parte perguntar quantas primaveras você vai completar?
– Olha, essa vai ser a última vez que vou responder uma pergunta dessas, hein. 25.
– Por que a última vez? – perguntou.
– Porque tô começando a me sentir velha e acabada. Sem falar que tô começando a sentir o “fracassada” entrar na minha lista.
– Velha? – Bobby perguntou. – Me poupe, né.
– Enquanto você tiver menos de trinta, você ainda vai ser um bom partido. – Jean completou.
– Trinta? – ela perguntou ofendida. – Quer dizer então que você só vai ficar comigo por mais cinco anos?
Ele meneou a cabeça.
– Se você chegar até lá, se eu chegar até lá, se eu te aguentar até lá... As possibilidades são infinitas.
só o fuzilou e depois rolou os olhos, balançando a cabeça.
– Ai, que romântico. – disse sarcástica. – Bobby, o que tem pro almoço?
Bobby deu de ombros.
– Eu lá tenho cara de chefe de cozinha?
e Jean riram com a cara que fez.
– Você é um amor. – se levantou. – Acho melhor a gente ir até o mercado. Ou vamos morrer de fome. – ela olhou para . – Você vem?
– Vou. – se levantou.
Jean deu a chave do carro para e as duas saíram para o mercado. Chegando ao estabelecimento, estacionou o carro e as duas entraram no mercado.
– O que vamos comprar? – ela perguntou.
– Sei lá.
– Macarrão?
– Pode ser.
As duas caminharam até o corredor de massas e pegaram um pacote de macarrão.
– Não acha melhor um carrinho? – perguntou. – Não adianta comprar só pra hoje se amanhã e depois não tiver nada pra comer. Eu não vou comer a gororoba que o Bobby come.
riu.
– Tá. Eu vou buscar o carrinho. – se afastou e foi para o lado de fora, onde estavam os carrinhos.
Ela pegou um carrinho e voltou para o mercado. Quando ela ia fazer a curva para o corredor de massas, quase que bateu no carrinho da frente que também ia fazer a curva para entrar no corredor pelo lado contrário.
– Ai, desculpa! – ela olhou para os carrinhos e depois para a pessoa à sua frente. Ao ver quem se tratava, ela sorriu. – Oi!
Derek sorriu.
– Oi.
– Desculpe, eu tava distraída...
– Sem problemas. Tudo bem?
– Claro, e você?
– Estou bem. Não sabia que você vinha.
– Eu sei, desculpe. – ela riu sem graça. – Foi uma coisa de última hora. Mas eu ia te procurar mais tarde.
– Se você diz, eu acredito. – ele sorriu. – Mande meus cumprimentos ao Singer.
– Pode deixar.
– Aleluia. – se aproximou dos dois, colocando o macarrão no carrinho e depois olhando para Derek. – Oi, Derek.
– Oi, . Tudo bem?
– Tudo sim.
– Que bom.
– Tá de folga hoje?
– Ah, não. Tô no turno da noite hoje. Aproveitei pra abastecer a casa. Na verdade, eu tenho uma palestra daqui a pouco. Acho que vou chegar atrasado.
– Então acho melhor você se apressar. – sorriu.
a encarou sem entender. Derek a olhou sem graça.
– Pois é. Preciso pegar umas coisas ainda.
– A gente também. Mas não nesse corredor. – falou e olhou para a irmã. – Vamos?
– Vamos... Prazer em te ver, Derek.
Ele sorriu.
– O prazer é todo meu. – ele virou o corredor e as duas seguiram pelo corredor ao lado.
olhou para a irmã, em repreensão.
– O que foi isso?
– O quê?
– Por que você tratou o Derek desse jeito?
– Tratei normal.
– Não foi normal, não.
suspirou.
– Tá, eu sei. É que eu prefiro levar as coisas com calma.
– Hm. Isso não significa que precisa ser grossa.
– Eu sei. Eu não queria ser grossa, me desculpe se pareceu.
– Desculpas você tem que pedir pra ele, não pra mim.
– Eu sei. Depois eu falo com ele. E outra, também quis cortar assunto porque você é inconveniente demais. Com certeza ia falar alguma coisa que nos deixasse constrangidos.
– Ah, para vai.
riu.
– Prefiro prevenir.
– Ei! Vamos levar isso? – mudou de assunto bruscamente.
– Tem certeza?!
– E o que tem?
– Uma jaca?
– Não, um pedaço de jaca.
– Dá no mesmo, idiota.
– Vamos fazer suco.
– Tudo bem. Desde que você faça.
– Ok. Mas se sair ruim, a culpa é sua.

Flashback On
Há três meses.

Sioux Falls, Dakota do Sul.

, Jean e estavam parados num semáforo quando avistaram um cartaz enorme divulgando um festival de morango que teria na cidade.
– 58° festival do morango? – leu o cartaz. – Tenho certeza que o Bobby vai participar. – e Jean riram. – Tão divertido. – ironizou.
O carro voltou a andar.
– Ah, deve ser legal. – , que estava no banco de trás comentou.
olhou para trás.
– Não vai me dizer que você quer vir?
– Até que é uma boa, nunca fui a um. – ela sorriu. – Quem tá comigo?
– Eu gosto da ideia. – Jean respondeu.
o olhou incrédula.
– O quê? Não acredito que você também tá nessa!
– O que que tem? – ele deu de ombros. – Significa que vai ter comida. Doces, pra ser mais especifico.
– Só vocês mesmo.
– Ah, . Vamos? Quem sabe a gente não convence o Bobby? – disse animada.
– Até parece que o Bobby perderia tempo vindo pra cá. Ele mal quer comemorar o Natal com a gente.
– Se a gente for convincente, quem sabe?
– Você não tá achando que ele vem, não é?
– Veremos. – sorriu.
Quando chegaram à casa de Bobby, , de alguma forma desconhecida, o convenceu a ir ao festival que seria no dia seguinte e duraria a tarde inteira.
No dia seguinte, eles estacionaram o carro numa praça e caminharam a pé até a rua que estava fechada com barracas de diferentes tipos de comida.
– Não acredito que vocês me convenceram. – Bobby comentou sem humor.
– Ah, para de ser chato, Bobby. – respondeu. – Eu também não queria vir, mas até que parece divertido.
– Mas esse não é meu tipo de diversão.
– Porque você é estranho, Bobby. – respondeu. – Tente agir como uma pessoa normal que você vai gostar.
Bobby rolou os olhos e suspirou. Sua vontade era de dar meia volta, mas ele estava sem carro e, na verdade, gostava de ter companhia de vez em quando.
Enquanto os quatro caminhavam pela rua, a Xerife Mills se aproximou com dois copos em mãos.
– Ora, ora, ora. Bobby Singer. – ela sorriu. – Quem diria! Nunca pensei em encontrar você por aqui.
Todos pararam para conversar. Bobby sorriu.
– Xerife. – ele a cumprimentou. – Estou tão surpreso quanto você. Se eu não tivesse sido arrastado, com certeza não estaria aqui.
A Xerife sorriu e olhou para os outros.
– Oi, Xerife. – a cumprimentou. – Como vai?
– Bem. – ela sorriu. – Quanto tempo.
– Pois é. Essa aqui é minha irmã e esse é o nosso amigo Jean.
A Xerife os olhou e sorriu.
– Olá, muito prazer.
– Oi. – os dois a cumprimentaram.
– Você não parece estar em serviço. – Bobby observou.
– Ah, não. Nada de algemas e prisões, apenas morangos. Vim com meu irmão.
– Ah, é? – perguntou, interessada. – E onde ele está?
Ela deu de ombros e começou a olhar ao redor, sorrindo e apontando uma direção.
– Bem ali. – os outros olharam na direção e viram um homem os fotografando. Notaram que se tratava de Derek Theler, irmão da Xerife.
Assim que a foto foi tirada, ele os olhou e sorriu. A xerife o chamou e ele se aproximou, sorrindo.
– Oi gente. Bobby, você por aqui? – disse, o cumprimentando com um aperto de mão.
– Pois é.
– Ele quer ser mais sociável. – A Xerife completou e entregou um copo para Derek. – Derek, esses são Jean, e .
– Eu já conheço. – ele sorriu, cumprimentando cada um.
– Oi, Derek. – e o cumprimentaram.
– Oi. – Jean sorriu.
– De onde vocês se conhecem? – a Xerife perguntou.
– Acaso. Há alguns anos, eu acabei tratando um braço quebrado da e depois uma ferida da irmã.
– Que boa memória. – comentou.
– É, eu andei praticando. E agora que já sei quem vocês são, não tem como eu esquecer. Pelo visto, vocês não se meteram mais em problemas.
– Não, não. – sorriu. – Até porque a gente não trabalha mais com isso. Bem, não tanto quanto antes.
– Não? Que boa notícia, eu acho.
– Ah, é sim. Agora vivemos uma vida normal. Quem diria que agora a gente viria pra Sioux Falls só pra visitar o Bobby. – sorriu.
– Pois é.
– Nunca vi a cidade tão cheia. – Bobby comentou olhando ao redor.
– Também, você nunca sai da sua caverna. – respondeu em tom de brincadeira e depois olhou para Derek. – Você é o fotografo da feira?
Ele olhou para a câmera e deu de ombros.
– É um hobby. Gosto de fotografar.
– Ah, eu também. Principalmente lobisomens uivando pra lua. – respondeu simpática, mas deixando Derek se perguntando se aquilo era pra valer ou não.
– Ela tá brincando. – se apressou em dizer. – não tira foto de lobisomens.
– Mas já tentou. – Jean se envolveu e o olhou.
– Tá falando sério? – ela perguntou e o rapaz assentiu.
olhou para que fingiu que não havia ouvido.
– É, esse ano tá mais movimentado que o ano passado. – a Xerife comentou para mudar de assunto. – Acho que a nossa torta ficou famosa.
– Torta? – Jean perguntou sorrindo.
– Sim. Ano passado tivemos uma competição de tortas, e a torta da Lucy foi a vencedora. A cidade toda ficou sabendo.
Jean olhou para sorrindo. sabia exatamente o que ele estava pensando. Ele era uma formiga em forma humana.
– Eu sei que pode parecer falta de educação, mas vocês podem nos dar licença? – Jean perguntou sorrindo. Todos assentiram e ele saiu, puxando .
– Ainda me pergunto como fui parar aqui. – Bobby voltou a se lamentar.
– Bobby, se anima. – respondeu sorridente. – Não adianta se lamentar porque a gente não vai embora.
Bobby a encarou. Se ele quisesse mesmo ir embora, teria ido mesmo que fosse a pé. Mas as coisas estavam calmas e se ele voltasse para casa, estaria vivendo a mesma coisa que vive todos os dias: ele beberia e procuraria algum trabalho. Então, ele só assentiu.
– Verdade, Bobby. É um evento anual, aproveite. – a Xerife sorriu.
– Já que vocês insistem. – ele deu de ombros.
– Vem, vamos dar uma volta. – a Xerife o puxou pelo braço e os dois se afastaram, deixando Derek e sozinhos.
Depois de perderem os dois de vista, e Derek se olharam e baixaram a cabeça, sem saber o que fazer.
– E então, vocês vêm sempre pra Sioux Falls?
– Ah, de vez em quando a gente passa o fim de semana aqui. O Bobby fica tão sozinho e a gente vem atazanar. – brincou.
Derek sorriu.
– E os outros caçadores?
o encarou por um tempo e se lembrou a quem ele se referia.
– Ah, aconteceu umas coisas aí e acabamos nos afastando. – ela respondeu meio triste.
Derek percebeu e resolveu mudar de assunto.
– Que pena. – ele sorriu sem graça. – Você quer dar uma volta? Eu sou um ótimo guia turístico de Sioux Falls.
sorriu.
– Pode ser.
Os dois passearam por um tempo e depois se juntaram à , Jean, Bobby e a Xerife. No final da tarde, eles trocaram telefone e se separaram, voltando para casa de Bobby, e Derek ficando com a irmã.
À noite, enquanto Bobby assistia TV e Jean fazia o jantar, as irmãs estavam na varanda da casa, sentadas e tomando cerveja em silencio. Claro que não podia deixar passar a oportunidade de falar sobre Derek em particular.
– Aquele Derek é maravilhoso, não acha?
– Se fecha, menina. – riu e tomou um gole de cerveja.
– Que foi? Eu sei reconhecer quando alguém é bonito. E sei reconhecer quando você também acha.
– Ah, vai se ferrar.
– Falar que o cara é bonito não te faz uma pecadora, . A não ser que você tenha pensamentos perversos com ele. – ela sorriu com malicia.
– Credo!
– Nossa. Credo mesmo. Que homem horrível. – ela olhou para . – Pare de frescura.
– Não é frescura. Concordo que ele é bonito. Mas não tenho pensamentos perversos com ele.
– Hum. Depois que eu o vi, pensamentos perversos são o que não me falta.
!
!
– Pare com isso!
– Parar com o quê? Nunca fui santa. E nem você, pare de se fazer. Tenho certeza que você quebraria a perna de propósito só pra ser atendida por ele.
não respondeu. As duas ficaram em silencio por um tempo.
– Sabe, ele me chamou pra sair amanhã.
olhou a irmã surpresa.
– Jura? Que legal.
suspirou e notou a reação da irmã.
– Que foi? Não quer ir?
– Não é isso, É que... Não sei se devo ir.
– Você quer ir?
– Ah, acho que talvez. Não sei.
olhou para o nada e pensou por um tempo.
– Eu sei que o Derek não é o primeiro que te chama pra sair depois do que aconteceu. Mas pra você estar em dúvida, significa que você se interessa por ele.
a olhou assustada.
– Não mesmo.
, aceita o fato de que, sim, você é capaz de gostar de outra pessoa além do Sam. – ela suspirou. – Sei que é difícil, vai por mim, eu entendo. Mas o Sam não tá mais entre nós. E ele te pediu que seguisse em frente.
– Mas eu me sinto mal.
– Eu sei que se sente. Mas já faz nove meses, . Nove meses que você se prende a algo que não existe mais. Eu não tô dizendo pra você esquecer o Sam e amar loucamente o Derek... E aceitar o convite dele não significa que vai entrar num relacionamento com ele.
– Ai, chega desse assunto. – falou mal humorada.
a olhou e, em seguida, não falou mais nada.

Flashback Off



Exile On Main St.

Uma hora depois, as duas voltaram para o ferro velho e puseram a mão na massa. Os quatro almoçaram e, enquanto Bobby e Jean conversavam na sala, lavava a louça e secava e guardava.
Depois, os quatro se juntaram no solário dos fundos, para conversar e beber.
– Faz muito tempo que não como bem assim. – Bobby comentou, tomando um gole de whiskey a seguir.
– Não come porque não quer. – respondeu. – Tenho certeza que você sabe cozinhar.
– Não tenho motivação pra isso. Não costumo receber visitas. – e assim que Bobby terminou de falar, os quatro ouviram um carro se aproximar. – Eu já volto.
– Aproveita e traz o suco de jaca quando voltar. – sorriu. Bobby suspirou e entrou na casa. – Coitado do Bobby. Ele é tão sozinho... Acho que somos a única visita que ele recebe. Sem contar o Rufus.
– Hum... Isso porque o filho de consideração dele tá por aí. – respondeu se referindo a Dean.
Jean suspirou.
– Ele deve ter seus motivos, .
– Se você acha. – ela deu de ombros e tomou o último gole de cerveja, suspirando a seguir. – Alguém quer entrar lá e buscar mais cerveja?
– Eu não. – respondeu. – Um suco de jaca bem geladinho faria bem agora. Espero que o Bobby não demore, eu tô com vontade.
– Não sei como vocês conseguem tomar aquilo. – Jean comentou.
– Você não experimentou, então não me venha com essa cara. – respondeu.
– Concordo. – assentiu.
– Vocês sabem que ele não vai trazer nada, não é? – ele perguntou.
– Sim. – suspirou derrotada. – Eu vou lá buscar. – ela se levantou e entrou na casa.
Passou pela sala, depois pelo escritório e foi até a cozinha. Estava prestes a abrir a geladeira quando ouviu Bobby conversar com alguém que tinha uma voz um tanto quanto conhecida.
Deu as costas no mesmo instante, e estava voltando para os fundos da casa quando percebeu que Dean havia entrado na casa, soltando um “ah, você tem visitas”, um tanto quanto receoso e surpreso.
Aí não tinha como ela correr ou fingir ser invisível. Ela suspirou sutilmente e se virou, mantendo uma expressão impassível. A mesma que aprendeu com Castiel.
– Oi, Dean.
– Oi, .
Apesar de ter mostrado certa surpresa no tom de voz, a expressão de Dean não estava tão diferente da dela, pode perceber.
Também percebeu quando outras duas pessoas apareceram atrás dele, conforme Bobby fechava a porta. E era óbvio que ela sabia de quem se tratava.
– Hã, , essa é a Lisa e esse é o Ben. – Dean os apresentou. – Lisa, Ben, essa é a , uma colega de trabalho.
olhou para Dean com a sobrancelha erguida. Como ele tinha a coragem de dizer que ela era apenas uma colega de trabalho, ela não sabia explicar, mas ficou impressionada. Depois, ela olhou para Lisa e Ben.
– Oi, prazer. – Lisa sorriu um tanto quanto sem vontade e estendeu a mão.
sorriu com a mesma vontade da mulher, talvez mais e a cumprimentou.
– O prazer é todo meu. – ela olhou para Ben. – Como vai, Ben?
– Bem. – O menino disse sem graça.
olhou para Bobby e depois desviou o olhar para e Jean que acabavam de entrar na cozinha. A cara dos dois era impagável.
– Dean? – falou surpresa.
– Oi, . – Dean forçou um sorriso e olhou para Jean. – Oi, Jean.
– Oi. – o cumprimentou enquanto Jean apenas balançou a cabeça.
Os dois se aproximaram.
– Lisa, Ben, essa é a , irmã da e esse é o Jean, um amigo delas. , Jean, esse são Lisa e Ben.
olhou para e Bobby. Depois, ela estendeu a mão para Lisa.
– Oi, Lisa. – ela olhou para Ben. – Oi, Ben.
– Oi. – Lisa sorriu e cumprimentou Jean depois de .
Todos ficaram um tempo em silencio. Um silencio um tanto quanto constrangedor, mas ninguém sabia exatamente por que.
Bobby então pigarreou novamente.
– Talvez vocês queiram ir lá pra cima. – ele olhou para Lisa, que assentiu. – A TV está quebrada, mas tem um monte de revistas. Só não mexam nas armas nas paredes, estão carregadas.
Assim, Lisa e Ben subiram com as malas. Quando os dois se retiraram, novamente o silencio constrangedor se instalou.
– O que foi que houve? – Bobby perguntou para Dean.
– Djinns invadiram a minha casa. Não tive alternativa a não ser trazê-los pra cá.
– Como isso foi acontecer só agora?
– Não sei, mas nem de longe é o mais surpreendente.
– Por que diz isso?
Dean olhou de Bobby para e de para . Ele ergueu as sobrancelhas e caminhou até a porta, a abriu e deu espaço para outra pessoa entrar. E quando , e Jean viram quem era, ficaram perplexos.
– Ai, meu Deus! – sussurrou e olhou para .
– Sam? – a voz de saiu falhada e seus olhos se encheram de lágrimas.
– Oi, , , Jean. – ele olhou para Bobby. – Oi, Bobby.
– Sam. – Bobby balançou a cabeça e o cumprimentou sem surpresa.
Dean não pode deixar de notar a reação de Bobby.
– Como assim? – perguntou sem entender. – Sam, é vo...
– Sim, sou eu. Eu não sei como, mas eu voltei.
– Isso é... Isso é... – tentava falar, mas não conseguia. Na verdade, ela não conseguia nem se mexer.
– Inacreditável. – completou a irmã.
Sam assentiu e se aproximou dos três com um sorriso sem graça no rosto.
– Não é possível. – falava boquiaberta.
– Eu também achei quando notei que estava aqui em cima.
Os três olharam para Sam ainda mais surpresos.
– Ai, meu Deus, Sam! – riu de nervoso e o abraçou.
Depois Jean o cumprimentou com um aperto de mão e um abraço rápido.
Ele e então se afastaram e se aproximaram de Dean e Bobby, e foram até a sala, deixando Sam e a sós.
– Isso é loucura! – comentou assim que eles chegaram à sala.
Ela e Jean se sentaram no sofá e Bobby se sentou na poltrona. Dean o olhou chateado.
– Você sabia. Sabia que ele tava vivo? – ele perguntou inconformado.
– Sabia. – Bobby respondeu.
e Jean o olharam sem entender.
– Há quanto tempo? – Dean voltou a perguntar.
– Ouça...
– Há quanto tempo?
Bobby fez uma pausa dramática.
– Um ano.
Dean olhou para Bobby e depois deu as costas, suspirando e encarando o teto.
– Só pode ser brincadeira.
– Como é? – perguntou sem acreditar. – Bobby, você escondeu isso da gente?
Bobby assentiu devagar.
– Sim. E eu faria tudo de novo.
– POR QUÊ? – Dean perguntou irritado e em alto e bom tom.

Sam não se aproximou muito de porque não sabia como reagir. Nem sabia como reagiria. Até o momento, ela o encarava boquiaberta, com os olhos cheios de lágrimas e algumas delas já escorriam.
, eu sei que é assustador me ver ass...
E antes que Sam pudesse terminar de falar, o abraçou.
– Sam! Eu não... Eu não acredito. – ela o soltou e o encarou. – É você mesmo?
– É. – ele assentiu e riu.
– Eu senti tanto a sua falta. – ela o abraçou novamente e depois o soltou. – Como isso pode ter ac...
POR QUÊ? – e foi interrompida por Dean, que parecia irritado na sala.
– Acho que isso já está sendo discutido lá dentro.

– PORQUE VOCÊS ESCAPARAM, DEAN! – Bobby respondeu alterado.
Ele olhou para , Jean e até , que tinha acabado de entrar na sala com Sam.
– O que foi? – perguntou preocupada.
– O Bobby sabia que o Sam estava vivo. – respondeu com raiva, mas calma. – O pior é que isso já faz um ano.
arregalou os olhos e olhou para Sam, que baixou a cabeça.
– Um ano?! – ela olhou para Dean, que estava com raiva. – Um ano?! – ela olhou para Bobby. – Como você pode, Bobby?
– Vocês caíram fora dessa vida! Eu fiquei tão agradecido, que vocês não fazem ideia.
– Isso não justifica o que vocês fizeram.
– E você faz ideia de como eu fiquei ao sair dessa vida? – Dean perguntou furioso para Bobby.
– Faço. Com a mulher e o filho. Além de não ser estripado aos 30. Foi assim que ficou.
– A mulher e o filho. – ele olhou para Sam. – Eu fiquei com eles porque você pediu.
– Bom. – Bobby respondeu.
– Bom pra quem? – ele olhou para Bobby. – Eu apareci na porta deles fora de mim com tudo isso. Deus sabe por que me deixaram ficar. Eu bebia demais, tinha pesadelos... Procurei por toda parte. – ele olhou para Sam.
– Pesquisei em centenas de livros, vendo se achava um jeito de tirar você de lá.
– Prometeu que não ia tentar. – Sam finalmente se pronunciou.
– É claro que eu tinha que tentar! Dane-se!... – ele olhou para Bobby. – Um ano inteiro? E você não acabou com o meu sofrimento?
– Ouça... Eu entendo que não foi fácil. Mas é a vida!
– É fácil falar que é a vida quando se sabe tudo o que tá acontecendo ao redor, Bobby. – se envolveu. – Você tem ideia do quanto eu sofri durante esse um ano? – ela olhou para Sam. – Você tem, Sam? E não me venha com essa desculpa de que a gente estava querendo uma vida normal porque essa não cola.
, eu...
– NÃO, SAM! NÃO SE JUSTIFIQUE! – ela fez uma pausa para se acalmar. – Você deixou seu irmão esse tempo inteiro sofrendo por achar que você tava lá embaixo. Você me deixou sofrendo durante um ano e nem se quer um telegrama dizendo que estava bem, você me mandou!
Sam não respondeu. Todos olharam para Bobby, que suspirou.
– Olha, eu não digo pela e o Jean, mas digo por você e pela , Dean. O que vocês viveram até hoje, foi o mais perto da felicidade que eu já vi um caçador chegar. Eu não queria mentir pra você, filho. Mas você estava fora, Dean.
– Eu pareço fora pra você? Ninguém nunca tá fora e você sabe disso. – Dean respondeu e saiu da sala.
Bobby olhou para Sam e baixou a cabeça. Então, um dos telefones dele tocou e ele seguiu para a cozinha, deixando os quatro na sala.
e Jean se entreolharam e depois olharam para , que balançava a cabeça de um lado para o outro, com um misto de incredulidade e raiva.
, quando o Bobby disse que você tinha parado com essa vida, a última coisa que eu quis era que você voltasse. Me desculpe se eu te magoo dizendo que não iria atrás de você. – Sam finalmente disse alguma coisa.
– E vocês iam esconder esse pequeno detalhe da gente pelo resto da vida? – ela perguntou.
– Não, não seria possível.
o olhou e ficou assim por alguns segundos, pensando no que responder, ao mesmo tempo que estava surpresa com a resposta.
Jean e se olharam novamente e ela se levantou, pigarreando, assim como ele.
– Vamos estar lá fora. – ela disse e saiu com Jean.
suspirou e balançou a cabeça, seguindo a irmã e Jean, que cruzaram com Dean e Lisa sentados na escada, conversando, e foram para fora.
Os três ficaram em silencio por poucos segundos, até a porta se abrir e Sam aparecer.
, não me entenda mal...
– O que você fez esse tempo todo, Sam? – ela perguntou decidida.
– Estive caçando.
– E por que você e seu irmão vieram pra cá?
– Porque Djinns atacaram Dean ontem à noite. A Lisa e o Ben ficarão mais seguros aqui do que com a gente... Sinceramente, não sabíamos que vocês ainda falavam com Bobby. Nem passou pela nossa cabeça que estariam aqui.
– Se soubessem, vocês ainda viriam?
– Sinceramente? Eu não. – respondeu sincero.
suspirou e balançou a cabeça. Olhou para e balançou a cabeça novamente. Sam estava a tirando do sério. Ele não podia estar falando sério.
– E então, vocês vão precisar de ajuda? – Jean perguntou para amenizar a tensão e, no mesmo instante, o olhou, repreendendo.
– Não. – Dean, que saía da casa, respondeu. Bobby o acompanhava. – Temos algumas pessoas pra nos ajudar.
– Hum. – respondeu olhando para o nada, com uma sobrancelha erguida e recebendo um olhar discreto de Jean.
– Outros caçadores, longa história. – Sam explicou antes que perguntassem.
– Não se preocupem em nos contar. – respondeu. – Já estamos de saída.
– Vocês não iam passar o fim de semana aqui? – Bobby perguntou.
– Não mais. – respondeu.
– E o seu aniversário?
Ela deu de ombros.
– Virão outros pra gente comemorar. – respondeu seca. – Além do mais, a casa já não tem mais espaço pra gente. – ela olhou para Jean, mas pode ver Dean suspirando e balançando a cabeça, provavelmente se contendo para não responder. – Vai preparando o carro, que a gente já vai. – ela e entraram na casa e pegaram seus celulares.
– Eu vou ao banheiro e já volto. – comentou.
assentiu e foi até a geladeira. Ela tirou a jarra de suco de jaca que lhe deu tanto trabalho para preparar e colocou o suco no copo.
Sabia que você não ia esquecer esse suco. – Jean comentou, entrando no cômodo.
– Não depois de tanto trabalho pra fazer. – ela tomou um gole e depois pegou outro copo, colocando suco e dando-o para Jean, que cheirou o suco, fez cara de duvida e depois tomou.
– Hm, isso é horrível. – ele disse deixando o copo em cima da pia.
– Horrível é a sua cara. – riu e tomou o resto do seu suco.
– Escuta, você quer mesmo voltar pra casa depois de 11 horas de viagem?
– Ah, – ela deu de ombros. – se quiser eu dirijo, não tem problema.
– Não, esse não é o problema. Posso dirigir apesar de cansado, mas nós três estamos um caco da viagem. E nem você e sua irmã vão ter paciência de viajar depois do que houve.
suspirou.
– Tudo bem. Vamos pra cidade e passamos a noite num hotel.
Jean assentiu.
– Você tá bem?
– Tô, por quê?
– Porque o Dean resolveu aparecer depois de um ano com a Lisa e o Ben.
– Osh, eu não tô nem aí.
– Não pintou nem um ciuminho?
– Não.
– Tem certeza?
– Por que a pergunta?
Ele deu de ombros.
– Bom, primeiro você só faltou me bater quando percebeu que eu ia oferecer ajuda...
– Porque é ridículo oferecer ajuda pra alguém que claramente nem ligou pra nós esse tempo todo.
– Mas ajuda não é algo que se nega.
– Concordo, mas eles não pediram. – ela respondeu grosa, suspirando depois. – Olha, se eles tivessem pedido, eu até pensaria duas vezes antes de ajudar. Mas não achei certo você oferecer.
– Credo, .
Ela suspirou mais uma vez.
– Eu sei que pode ser egoísta da minha parte, mas se você não fosse tão gente boa e visse as coisas como eu vejo, provavelmente você não teria pensado em oferecer ajuda.
– Você é um monstro.
Ela riu.
– Tô falando sério.
Ele sorriu de canto.
– Ok, mas como eu ia dizendo, além de ter quase me matado, você também jogou uma baita de uma direta, que deselegância.
Ela pensou por alguns segundos e então respondeu:
– Olha, eu nem tinha percebido que tinha falado aquilo, então, obrigada por me fazer sentir culpada.
– Você? Desde quando se sente culpada por alguma coisa?
– É, eu sei que é meio difícil, mas agora eu me senti. Eu imagino a preocupação do Dean e sei que o Bobby era a única opção que tinha, então eu não deveria ter dito aquilo.
– Talvez nem ter dado tanto na cara de que tá indo embora por causa disso.
– Eu não tô indo embora por causa disso, a que deu a ideia.
– Duvido que não esteja querendo ir embora por causa deles.
– Credo, por que diz isso?
– Você sabe por que.
Ela o olhou por alguns segundos e abriu um sorriso.
– Parece que alguém aqui tá inseguro.
– Não. – ele riu. – Não tenho motivos. Eu me garanto.
riu.
– Ainda bem, porque se tivesse inseguro eu te bateria até você tomar vergonha na cara.
Jean riu.
– Ah, tá. – ele respondeu e se aproximou e o abraçou.
– Mas agora é sério. Passado é passado. – e ela o beijou.
Mas os dois foram interrompidos quando ouviram alguém entrar na cozinha. olhou para a porta e viu Ben e Lisa, que estava visivelmente envergonhada.
– Desculpe... Eu não queria...
– Tudo bem. – respondeu sem graça, se afastando de Jean. – Vocês estão bem?
– Estamos. – ela respondeu. – Na verdade, nós viajamos a noite toda, estamos cansados e o Ben não comeu nada desde ontem, então eu queria ver se tinha alguma coisa pra ele.
olhou para o menino e sorriu.
– Tem sim. – ela foi até a geladeira e tirou a travessa de macarrão que ela e prepararam mais cedo. – Geralmente, aqui nunca tem algo decente pra comer, mas a gente foi ao mercado e trouxe algumas coisas. Vamos deixar aqui pra vocês. – ela colocou a travessa e os pratos em cima da mesa.
– Obrigada. – Lisa respondeu e colocou macarrão no prato para o filho.

No banheiro, deixou o celular em cima da pia e se olhou no espelho. Não podia ser real o que estava acontecendo. Possível, talvez – já que ela já vira várias vezes mortos voltarem à vida –, mas, real? Nem pensar.
Na verdade, ela estava tão confusa que não sabia o que pensar. Sam estava a poucos metros dela um ano após ir de mala e cuia para o inferno.
Algumas lágrimas escorreram de seus olhos. Ela fechou a tampa do vaso sanitário e se sentou. Se apoiou nos cotovelos e cobriu os olhos numa tentativa de acalmar os nervos e colocar a mente em ordem. Respirou fundo e se aliviou.
Sentiu felicidade quando percebeu que Sam estava vivo. Mas, ao mesmo tempo ela sentiu raiva ao perceber que ele demorou um ano para se revelar. Quer dizer, para ser descoberto, já que ele mesmo disse que não teria ido atrás dela.
O que deu na cabeça dele? Ela não sabia responder. Nem mesmo sabia o que seria deles dali para frente.
É claro, ela não tocaria no assunto tão cedo. Tudo que ela queria, era um tempo para pensar. Até porque agora Derek estava envolvido na vida dela. E por mais que ele tivesse deixado claro que a dava espaço, ela tinha que conversar com ele.
Então ela suspirou e se levantou. Voltou a pia. Lavou o rosto e saiu do banheiro, indo até a cozinha, onde estava , Jean, Ben e Lisa, que colocava macarrão no prato.
Ela foi até o armário e pegou um copo.
– Sabia que você ia lembrar do suco. – comentou com a irmã que se servia de suco.
– Não tinha como esquecer. – ela sorriu e olhou para Lisa. – Lisa, você pode usar o micro-ondas pra esquentar a comida. Se não funcionar é só dar uns murros na lateral, que ele funciona.
Lisa riu.
– Obrigada. – ela respondeu e foi até o micro-ondas.
olhou para Ben, que estava sentado à mesa, encarando-os.
– Ben, você tem quantos anos?
– 10.
– Hm. – ela sorriu e olhou para , com um olhar cheio de significados. – Você é um garoto grande.
Parece que tem mais.
– Grande e corajoso. – concluiu e olhou para , que parecia estar pronta para soltar alguma inconveniência. – Se fosse eu na sua idade, no seu lugar, estaria chorando pelos cantos.
– Acho que as coisas que ele já presenciou o tornaram um homem antes do tempo. – Lisa voltou à mesa com o prato em mãos, colocando-o na frente de Ben a seguir. – Acho que nada mais o assusta.
e sorriram. Jean pegou a jarra de suco e a colocou em cima da mesa, colocando dois copos depois. Nessa hora, Bobby, Sam e Dean entraram na cozinha.
– Vejo que estão sendo bem recebidos. – Bobby comentou.
– Sim, obrigada. – Lisa respondeu.
– Bem, agora que a visita tem companhia, nós vamos embora. – comentou. – Tchau Lisa, tchau Ben.
– Tchau. – os dois responderam.
– Tchau pra vocês. – ela olhou para os outros três e saiu.
Jean e fizeram o mesmo.
– Deixar comida aqui pros três foi seu jeito de redimir? – Jean perguntou, dando partida no carro.
o olhou sem entender.
– Hã?
Ele deu de ombros.
– Se redimir pela direta que mandou pro Dean.
Ela soltou um muxoxo e se acomodou no banco. Jean sorriu de canto e olhou para pelo retrovisor. A moça estava olhando para o lado de fora, perdida em pensamentos.
O rapaz deu um tapa na perna de e fez sinal com a cabeça, para ela olhar para trás.
olhou para a irmã distraída e depois olhou para Jean. Não conseguiam nem imaginar o que estava passando pela cabeça dela.

Chegando à cidade, os três alugaram um quarto triplo, afinal, eles passariam apenas uma noite ali e não podiam se dar ao luxo de ficar gastando dinheiro.
Sem terem ideia do que fazer, eles ficaram no quarto, conversando.
– Eu ainda tô besta. – comentou.
– Não é pra menos. – Jean respondeu.
– Não sei o que me choca mais. O fato de o Sam ter voltado ou o fato de ele e o Bobby terem escondido isso da gente por tanto tempo. Um ano!
– Eu não sei o que faria no lugar do Dean. Se fosse o meu irmão... Nossa, nem sei o que pensar.
– Hum. Vocês acham que os dois voltam a caçar? – perguntou.
– Duvido que o Dean deixe o irmão dele por aí. – respondeu.
– Hm.
– Acho estranho o Sam ter demorado tanto. Isso não é do feitio dele.
– Ah, , dá um tempo! Ali não era um demônio. Era o Sam mesmo. E ele fez o que fez porque quis. – respondeu nervosa.
– Ok, mas ainda assim é estranho. Ele é muito sentimental pra ir atrás do irmão só depois de um ano. E outra, aquela reação dele quando te viu, foi uma droga. – suspirou e se sentou na cama. – Tô falando sério. Cara, ele era doido por você. E ele ficou um ano sem te ver. Tudo que ele fez foi dizer um “oi, ” e te abraçar. Se é que ele te abraçou. Ele te abraçou? – assentiu. – Ah, então. Só isso. Tá esquisito.
suspirou cansada.
– Não tem nada esquisito. Esqueceu que tinha acabado tudo entre a gente?
– Mas nenhum dos dois queria. Pare de achar que tá tudo normal. Você o conhece melhor que eu, e eu vi que ele tá estranho. Você só não admite porque tá com raiva. E eu te dou toda razão, também tô puta da vida com ele e o Bobby. Sem dizer que eles precisam de ajuda e negaram a ajuda que tiveram esse tempo todo. Bando de mal agradecidos.
– Você não tá com raiva só porque te deixaram de fora, né? – Jean perguntou.
– E seu eu tiver?
– Tá sem motivos. Eles não nasceram grudados com vocês. E vocês não têm vínculo nenhum com eles. Ou eu tô errado?
– Não. – respondeu. – E é por isso que não me importo nem um pouco em não ajudar. Já tenho meus problemas.
– Que problemas?
– Bem, não é um problema. Mas eu não posso deixar de pensar numa coisa.
a analisou.
– Derek? – ela chutou.
assentiu.
– Mas você não deve explicação nenhuma pra ele. – Jean respondeu.
– Eu sei, mas fui um pouco grossa com ele mais cedo e eu também quero deixar claro o que tá acontecendo. Mesmo que não seja nada de mais.
– E você vai falar com ele? – perguntou e assentiu. – Então fale com ele hoje porque vamos embora ao amanhecer.
olhou para e pegou o celular. Ela mandou uma mensagem para Derek, perguntando se eles podiam se encontrar. Minutos depois, Derek respondeu que às duas da manhã seria seu intervalo e que se ela quisesse, ela poderia ir até o hospital.
Algumas horas depois, se aprontou, pegou as chaves do Jeep e dirigiu até o Hospital Geral. Ela estacionou o carro e esperou por Derek recostada na porta, aproveitando o clima fresco e assistindo a movimentação do local que apesar da hora, era grande. Minutos depois, ela viu Derek caminhando na sua direção.
Ele parou na frente de e sorriu sem graça.
– Oi. – ela também sorriu.
– Oi. Tá tudo bem?
Ela deu de ombros.
– Tá. Eu só queria te pedir desculpa por ter falado com você daquele jeito mais cedo.
– Tudo bem. Você teve seus motivos.
– O pior é que não tive não. Fui grossa sem perceber. E o que me deixa pior é que fui grossa com alguém que tem sido tão legal comigo.
Derek sorriu, suspirou e recostou no carro, ao lado de .
– Não tem problema. Todo mundo tem dias bons e ruins.
riu.
– Ou dias surpreendentemente surpreendentes.
Derek riu e fez uma cara engraçada.
– É... Também. – ele fez uma cara séria e pigarreou. – Então, o que foi surpreendentemente surpreendente pra você hoje?
– Se eu te contar, você não vai acreditar.
– Tenta. – ele deu de ombros.
– Tá. – ela suspirou. – Sabe os Winchesters? – ela olhou para Derek, que assentiu. – Então, eles voltaram. – ela deu de ombros. – Simples assim.
Derek pensou por alguns segundos.
– Espera aí, você disse “os”? Dean não era o único?
– Sim. Mas o irmão dele voltou.
– Sam? – assentiu e Derek a olhou sem entender. – Inacreditável.
– Eu disse.
– Mas levando em consideração tudo que você já me contou que existe por aí, não duvido. Eles já morreram tantas vezes, não é?
– Sim. Mas dessa vez é diferente, Derek. Sam tava trancado com o próprio Satã. A chance de voltar era nula.
– Ou quase. Ele voltou.
– É... – assentiu devagar e olhou para o nada.
Os dois ficaram um tempo em silencio.
– Me diz. – Derek quebrou o silencio. – O que vai ser agora?
– Não sei. – ela deu de ombros. – e eu decidimos continuar afastadas dos dois.
– Estou falando de você e do Sam. Afinal, vocês dois estavam juntos antes de... Você sabe.
– Eu sei. – ela suspirou e olhou para Derek. – A resposta continua a mesma. Eu não sei. Não conversamos sobre isso. É muito recente, soubemos hoje. Se as coisas continuarem como estão, nunca mais veremos os dois. – ela voltou a olhar o vazio.
– E se não for como esperam? Se o Sam procurar você ou vocês voltarem a trabalhar juntos?
o olhou.
– Olha, acho pouco provável voltarmos a caçar juntos, mas isso não mudaria nada. Se eu e o Sam conversarmos sobre nós, não acho que vá mudar alguma coisa. – ela respondeu com sinceridade. Não podia negar que Sam pouco se importou quando a viu. E ela... Bem, ela estava confusa.
Derek suspirou.
, somos adultos. Você me deixou bem claro seus sentimentos por Sam quando disse que não conseguia se envolver num relacionamento com ninguém. Assim como eu deixei bem claro que não ia pressionar você e te dar espaço. E eu estou fazendo isso. O mínimo que eu quero de você agora é que você seja honesta.
arregalou os olhos e se alterou:
– Você tá achando o quê? Que se o Sam estalar os dedos eu volto pra ele? Eu não sou um cachorro, Derek. E muito menos uma idiota. – ela fez uma pausa e se acalmou. – Eu tô sendo honesta. Eu não sei. O fato de eu gostar do Sam não quer dizer que eu vou voltar com ele. Um ano se passou, Derek. Um ano que eu não falo, não vejo e tento evitar pensar nele. Nesses últimos meses eu nem sequer me lembrei dele por sua causa, então pare de falar como se eu não me importasse com você.
Derek a encarou e os dois fizeram silencio por alguns segundos.
– Eu sei que o que você passou foi difícil. E agora está sendo mais difícil ainda. – ele suspirou. – Me desculpe. Eu fui um idiota agora. É que acabei de discutir sobre trabalho com um colega e descontei em você.
– Não esquenta com isso não. Todo mundo tem dias bons e ruins. – ela olhou para Derek sorrindo.
Derek a olhou, riu e balançou a cabeça.
– A gente passou um mês sem se ver, como é que está a vida?
– Sem muitas emoções.
– Se você ver uma pessoa que acabou de ressuscitar não é emocionante, não tenho a menor ideia do que seria. Mas enfim... E o trabalho?
– Continua o mesmo. Fico enfornada na clínica marcando consultas. Nada muda. Minha vida perdeu um pouco do entusiasmo depois que me aposentei.
– Hum... Vocês vão voltar no domingo?
– Não. Vamos voltar amanhã. Acabou ocorrendo um imprevisto.
– Que pena. Só porque eu estava planejando alguma coisa pra gente.
sorriu.
– Deixe pra semana que vem. Talvez eu venha pra cá. E quem sabe a gente comemora o aniversário da , já que nossos planos foram frustrados.
– Hum... Quero só ver, hein.
– Não posso prometer, mas vou tentar.
– Tá. – Derek sorriu e se desencostou do carro. – Tenho que ir.
– Tudo bem. – sorriu e se desencostou do carro também. – Bom trabalho, até a próxima.
– Até. Boa viagem de volta.
Eles se abraçaram e depois se afastaram, se encarando.
– Tchau. – Derek sorriu e se afastou.
o assistiu se afastar. Havia um mês que eles não se viam e eles se despediram com certa frieza. Ela se sentia culpada porque o encontro dos dois poderia ter sido melhor se ela não tivesse citado Sam na conversa.
Derek era tão legal com ela e deixava tão nítido que gostava dela e ela às vezes agia como se Derek fosse qualquer um na vida dela. Na verdade, apesar de não terem nada sério, Derek foi crucial para sair do fundo do poço que tinha se enfiado no último ano por causa de Sam. E ela não podia simplesmente deixar a noite terminar daquele jeito.
– DEREK! – ela o chamou.
Derek, que estava a certa distancia dela, parou e olhou para trás. correu até ele e parou na sua frente.
– O que foi? – ele perguntou sorrindo.
– Esqueci de uma coisa.
– O quê?
E o beijou. Derek colocou seus braços ao redor de e a puxou para mais perto, aprofundando o beijo. No final do beijo, mordeu levemente os lábios de Derek e sorriu.
Os dois se afastaram e assim, pode ver o sorriso de Derek.
– Agora sim. Até a próxima.
Derek assentiu e riu.
– Até. – ele deu as costas e continuou a andar.
o assistiu ir embora e voltou para o carro, dirigindo de volta para o hotel. No dia seguinte, os três voltaram para Kentucky.

Flashback On
Há três meses, no festival de morangos de Sioux Falls.

Derek e passeavam pelo festival, conversando e experimentando alguns dos quitutes do local. Era um mais saboroso que o outro.
– Hm, isso aqui tá uma delicia. – comentou ao tomar uma colher de sorvete.
– Preciso concordar com você. – Derek sorriu.
– Hm... E aí, Derek. Você me apresentou Sioux Falls, me contou as fofocas de alguns moradores, mas não me falou sobre você. – ela o olhou.
Derek riu e tomou uma colher de sorvete.
– Ah, a minha vida não é muito interessante. Nasci, cresci, e me tornei médico. Só isso. – ele a olhou. – Acho que você é mais interessante. Me fale de você.
sorriu sem graça.
– Ah, eu nasci, cresci e me tornei caçadora. – Derek riu. – Desculpe, mas você também foi vago.
– Ouvindo assim parece meio ridículo, me desculpe. Enfim... Caçadora, é?
– É... – ela deu de ombros.
– Como você começou?
– Pra resumir, a família do meu pai era de caçadores. Meus avós, pais da minha mãe nos criou desde que minha mãe morreu, anos depois os dois morreram em um acidente de carro e então restaram eu, a e meu pai, que mal parava em casa por causa do trabalho. Meu pai acabou morrendo enquanto caçava e eu e minha irmã continuamos o negocio da família. Mas não fomos sempre caçadoras. Meu pai não nos deixava caçar, queria uma vida normal pra nós duas, então caçamos desde que ele morreu.
Derek fez um breve silencio.
– Ah.
o olhou e riu. Derek fazia uma cara engraçada.
– Você não sabe o que falar.
Derek a olhou e riu.
– É, me desculpe. Não sou antissocial nem nada. Mas é que é estranho conversar sobre algo assim.
– Eu sei. – ela riu. – Mas a gente pode conversar sobre qualquer coisa.
– Qualquer coisa? – ele a olhou desconfiado.
– Aham. – ela sorriu.
– Então tá. Vejamos... Sobre esse trabalho. Existem demônios, anjos, apocalipse e o que mais?
– Tudo que você puder imaginar.
Derek riu.
– Eu não consigo imaginar nada.
– Bruxas, deuses, vampiros, metamorfos... Quando eu digo tudo, é tudo mesmo. Ou quase tudo. Não sei se existem gnomos, ETs ou dragões... Nem o chupacabra. – Derek riu. – Bem, acho que já te contei o suficiente.
– Você acha?
– Ah, – ela deu de ombros. – eu acho que já falei demais sobre mim pra alguém que eu não conheço. – ela olhou para Derek. – Desculpe, Derek. Não costumo conversar com estranhos.
– Eu sou um estranho?
– É. – sorriu. – Se quiser saber mais sobre mim, você vai ter que me falar sobre você. Algo menos óbvio que "nasci, cresci e virei médico." Isso não é muito revelador.
– Ah, tá... Sei. – ele sorriu. – Seria um prazer te contar a historia da minha vida.
– Ótimo. Pode começar.
– Mas não agora. Nem aqui.
o olhou sem entender.
– E por quê?
Derek sorriu.
– Porque só assim você toparia um encontro.
o olhou sem graça. Até mesmo um pouco séria. Ela parou e Derek parou na sua frente.
– Derek...
– Eu sei. Você não quer aceitar. Eu não sei por que, mas apostaria que isso tem a ver com outra pessoa.
o olhou por um tempo.
– Não... Não é isso. Quer dizer, não exatamente. – ela sorriu.
– Relaxa, . É um encontro de amigos. Eu te conto minha historia e a gente toma uma cerveja.
sorriu e assentiu.
– Tudo bem. – ela olhou para Derek e viu logo atrás , Jean, Bobby e a Xerife Mills. – Olha a sua irmã ali.
Derek seguiu o olhar de e viu a irmã e os outros sentados numa mesa, comendo torta.
– Vamos até lá. – ele falou e os dois foram até a mesa.
– O que vocês estão comendo? – perguntou com a boca cheia, assim que os viu.
– Tomando sorvete. – respondeu.
– Hm.
– Pelo visto vocês gostaram da torta da Lucy. – Derek comentou.
– Essa torta é de outro mundo. – Jean respondeu sorrindo e com a boca cheia.
– Tô vendo que sim. – respondeu.
– Esse é a terceira fatia dele. – a xerife comentou.
– Hm. – torceu os lábios, impressionada. Ela então olhou para Bobby. – Até você, Bobby?
Bobby assentiu.
– Devo admitir. Tá uma delícia.
Eles ficaram mais alguns minutos conversando até Bobby e decidirem ir embora. Antes de se despedirem, Derek e combinaram de se encontrar no dia seguinte.

Flashback Off

Cicero, Indiana.

– Qual é o plano? – Dean perguntou.
– Por enquanto estocamos e nos preparamos. – Samuel respondeu. Todos estavam na mesma casa abandonada de antes, preparando-se para o ataque.
– Tá dizendo que não tem um plano?
– Acharemos um. Paciência.
– Aham... Sei. Que tal esse: A gente vai lá e mata os desgraçados que invadiram minha casa.
– Relaxa, Dean. – Christian se envolveu. – Já estamos cuidando disso. Os Djinns são difíceis de achar. Faz tempo que você tá fora, deixa com os profissionais.
– Hm... Sei. Olha só, eu vou dar uma sugestão. – ele olhou para Samuel. – É mais fácil pegar um Djinn quando se tem uma isca. Eles querem o Sam e eu. Eles sabem onde eu moro. Eu sei que faz um tempão que eu não caço, mas eu vou dar um palpite: Lá é um bom lugar pra gente ir. – ele olhou para Christian com um olhar convencido. – Viu só?... Eu até falo como um profissional.
Todos olharam para Samuel, que olhou para Dean. Assim, todos partiram para a casa de Dean e prepararam as coisas, enquanto Dean e Samuel conversavam na cozinha:
– Seu irmão contou o que temos encarado nos últimos meses?
– Não, não muito.
– Eu nunca vi nada assim. Estamos trabalhando muito.
– E o que tá havendo?
– Não sabemos. Mas vai muito além de um Djinn agindo de modo estranho. Seres da noite atacando a luz do dia. Lobisomens aparecem na lua crescente. Criaturas que nunca vimos antes. Não sabemos sequer o que elas são. Estou até o pescoço com corações humanos dilacerados e crianças ensanguentadas. Tudo isso está me deixando... Nervoso.
– Qual a sua teoria?
– Diga você. Tudo que sabemos é que é pra valer. Só contamos conosco agora. É assim com os Campbells. Precisamos de você.
Dean suspirou.
– Ouça, eu entendo, mas...
– Não percebe que faz parte de alguma coisa maior? Sabia que seus ancestrais eram matadores de vampiros no Mayflower? Nós somos do mesmo sangue. E estamos morrendo, tentando enfrentar seja lá o que for. Não é uma boa hora para ficar em dúvida.
Dean o olhou pensativo.

...

Quando anoiteceu, os Campbells foram embora enquanto os Winchesters ficaram na casa para que os Djinns fossem até eles. Os dois estavam na cozinha e Dean parecia distraído, enquanto Sam estava atento a tudo. Inclusive, à distração do irmão.
– Você tá bem?
Dean olhou para Sam e suspirou.
– Maravilha. – disse sarcástico e recostando na pia. – Olha, cara. Isso é... Uma loucura. Você, o vovô, seja lá o que trouxe vocês de volta.
– Não quer ser encontrado. – Sam recostou no balcão.
– É, eu sei. Mas o que é? O que quer? Por quê?
– Boa pergunta.
Os dois ficaram um tempo em silencio.
– Você se lembra? – Dean perguntou finalmente. Sam o olhou desconfiado.
– De quê?
– Da jaula.
– Sim.
– Você quer...
– Não. – Sam soltou um riso pelo nariz.
– Se alguém pode entender...
– Dean, eu não quero falar nisso. Eu tô de volta, posso respirar ar puro, tomar cerveja, caçar com a família, ver você de novo. Então me diga, pra quê eu ia querer lembrar do inferno?
Os dois fizeram silencio.
– E você acha que... – Dean olhou para a janela ao lado e viu os vizinhos serem atacados.
Ele então foi até a sala e pegou duas seringas com a fórmula para curar os vizinhos. Ele caminhou para a porta, mas Sam o segurou pelo braço.
– Dean, eles estão mortos e você sabe.
– Tá acontecendo por minha causa. – ele se soltou de Sam e saiu.
– Dean. – Sam o chamou, mas o irmão o ignorou.
Sam então resolveu ir atrás do irmão. Pegou duas seringas, mas foi atacado de surpresa por um Djinn.
Os dois começaram uma luta.

Dean entrou na casa e encontrou o homem e a mulher mortos. Ele foi surpreendido quando um Djinn o segurou por trás e uma Djinn apareceu na sua frente. As seringas que ele segurava caíram no chão e a mulher pisou em cima, quebrando-as. Ela se aproximou de Dean e o encarou.
– Você escapou da outra vez. Então, que tal uma dose dupla? – ela segurou o rosto de Dean. – A má noticia, é que vai te matar. A boa noticia? Você vai morrer rápido. – e então as toxinas começaram a entrar em Dean. – Isso é pelo nosso pai, desgraçado. – a mulher falou e Dean perdeu a consciência, caindo no chão.

Na casa ao lado, Sam tentava se defender com uma luminária. O Djinn que o atacava segurou o objeto pela outra extremidade. Sam então o empurrou com força, fazendo o homem cair e deslizar sobre a mesa de jantar. Foi tempo o suficiente para Sam correr até o armário e pegar um dos tacos de golfe do irmão. O Djinn o atacou e Sam revidou com o taco, fazendo-o cair no chão. Sam aproveitou a oportunidade e bateu com força e diversas vezes na cabeça do Djinn, que pouco tempo depois começou a sangrar até morrer.
Ele então se virou e encontrou outra Djinn, especificamente a mesma que atacara o irmão pouco tempo atrás. Ele levantou o taco e olhou para trás, a procura de uma porta. Quando ele a encontrou, ele viu outro Djinn entrando no cômodo. Sam estava cercado.

Na outra casa, Dean começou a alucinar. Ele se encontrava no quarto de Ben, deitado na cama. Lisa estava no teto, assim como sua mãe anos atrás. Ele olhou para a porta e via Azazel e Ben, que bebia o sangue do demônio.
– BEN, NÃO! – ele gritou e olhou para Lisa.
– É tudo sua culpa. – a mulher falou chorando. Sangue começou a sair do abdômen dela e ela gemia de dor.
– LISA!
– Isso pode ser assim ou de outro jeito. – Azazel falou. Dean o olhou. – Nós sabemos que são detalhes. Tenho uma coisa pra este aqui. – ele alisou a cabeça de Ben. – E você não pode impedir.
– É tudo sua culpa. – Lisa voltou a falar.
Dean a olhou e a mulher começou a pegar fogo. A luz das chamas era tão forte que Dean teve que fechar os olhos. Ele não podia fazer nada a não ser esperar aquilo acabar.

O Djinn se aproximou aos poucos de Sam. Ele deu um golpe com o taco, mas a criatura se esquiva e o taco acerta a decoração. Com rapidez, o Djinn pegou o taco de Sam, que agora se encontrava desarmado. Sam o olhou desesperado. O Djinn sorriu, esticou a mão e se aproximou de Sam, que deu alguns passos para trás. Quando Sam achou que seria atacado, o Djinn caiu no chão depois de ser atacado pelas costas por Samuel.
Eles olharam para a mulher, que assistia a cena sem saber o que fazer.
– Eu cuido dela. – Samuel falou. – Vá atrás do Dean.
Sam assentiu e saiu correndo. Samuel se aproximou com cautela da Djinn, que dava alguns passos para trás. Ela foi surpreendida quando Christian apareceu colocando um saco negro na cabeça da criatura, que começou a gritar desesperada.
– Relaxa, querida. Não vamos te matar.
– Leva ela pra van, rápido. – Samuel pediu. – Antes que os rapazes voltem.

...

– Onde estão Samuel e os primos? – Dean perguntou para Sam.
O dia estava prestes a amanhecer e eles tinham acabado de voltar para a casa de Dean.
– Eu não sei. Saíram correndo. Eu vou até a casa deles. Você vem comigo?
– Não. Vou voltar pra Lisa e o Ben.
Sam o olhou sem entender.
– Achei que tivesse dito...
– Eu disse. Mas mudei de ideia.
– Olha, eu praticamente te joguei em cima deles.
– Hum, jeito engraçado de falar.
– Eu só tô dizendo que isso era o que eu queria pra você. E quando eu te disse pra ir, eu achei que ia ser melhor pra você, sacou? Mas agora eu não tenho certeza... Precisa considerar que pode estar colocando eles em perigo, se voltar.
– É melhor deixa-los a sós e desprotegidos? Assim eles não correm perigo? Olha, eu deixei eles vulneráveis no momento que bati na porta deles. Não dá pra desfazer isso.
– Se você tivesse ficado com a , isso não seria um problem...
– Mas eu não fiz isso, tá legal?! – ele suspirou. – Olha, só o que eu posso fazer agora é escolher a melhor opção.
Sam assentiu.
– Tudo bem. Acho que só queria que você viesse. Só isso.
– Por quê?
– Não seja estúpido.
– É sério. Você conhece bons caçadores. Eu tô fora de forma. Foi muito estupido o que eu fiz hoje, quase matei nós dois.
– E é por isso que eu quero que venha.
– Não entendi, me explica.
– Você só foi. Sem hesitar. Porque você se importa. É assim que você é... Eu? Eu nem pensaria em tentar.
– Pensaria sim.
– Não, Dean. Eu tô dizendo, é melhor com você. Só isso.
Dean suspirou e se aproximou do irmão.
– Olha, – ele mexeu no bolso da jaqueta e tirou um molho de chaves, estendendo-o para Sam. Eram as chaves do Impala. – ele devia estar caçando. Leva.
Sam pensou por alguns segundos.
– Obrigado, mesmo. Mas já tenho o meu carro do jeito que eu gosto... Eu vou pegar a estrada.
Dean guardou as chaves do carro.
– Eu te levo lá fora.
E os dois saíram. Chegando próximo ao Dodge de Sam, Dean voltou a falar com o irmão:
– Vê se dá notícia.
– É claro. – os dois pararam na frente do carro. – Foi bom ver você de novo, Dean.
Dean assentiu e Sam se afastou, entrando no carro e dando partida. Dean assistiu o irmão ir embora pensando se seria uma boa ideia ele ficar e deixar o irmão seguir em frente sozinho.

Owensboro, Kentucky.

Domingo à noite, , e Jean estavam no bar, reunidos e conversando. De vez em quando, eles apostavam no pôquer ou na sinuca para ganhar uma grana extra e comprar o Challenger de volta. Pelo menos era o que esperava. Enfim, naquele momento os três estavam tomando shots de tequila e sem muito assunto.
– Sabe o que eu tava pensando? – perguntou.
– O quê? – perguntou.
– Em ligar pro Bobby pra saber como foi com os Djinns. Eu sei que não é da minha conta, mas poxa, foram anos na estrada com eles. Perguntar se foi tudo bem é o mínimo que a gente pode fazer.
– Olha, eu não perderia meu tempo fazendo isso. Mas se você quiser. – deu de ombros. Mas na verdade, ela bem que queria saber como Sam estava.
encarou a irmã e depois olhou para Jean, que bebia tranquilo.
– O que você acha, Jean?
Jean sorriu.
– Se isso te faz se sentir melhor, liga.
sorriu de volta e pegou o celular. Ela ligou para Bobby e no terceiro toque, ele atendeu.
Alô?
– Oi, Bobby.
?
– Sim. Tudo bem?
Tudo. Pensei que não quisesse falar comigo nunca mais.
– Hum, não queria mesmo. Mas isso não vai levar a nada.
Tem razão. O que quer?
– Quero saber como foi com os Djnns.
Você deveria falar com Sam ou Dean, não comigo.
suspirou.
– Não tenho o número novo deles.
Quer que eu te passe?
– Ô Bobby, coopera aí, vai.
Tudo bem. Não sei em detalhes. Só sei que eles conseguiram.
– E a Lisa e o Ben?
Dean acabou de sair daqui com eles.
– Hm. Você sabe se ele e o Sam...
Não. Os dois resolveram manter as coisas como estão.
– Ah... Tudo bem, Bobby. Obrigada.
Sem problemas. Qualquer coisa, me ligue. Tchau.
– Tchau. – e os dois desligaram.
deixou o celular na mesa e tomou um shot de tequila.
– O que houve? – perguntou.
– Foi tudo bem. Eles salvaram o dia.
– E?
– E a Lisa e o Ben já estão voltando pra casa.
– E?
– Quer saber do Sam? – ela sorriu. rolou os olhos. – Ele vai seguir em frente sozinho. Dean não vai caçar mais. – ela deu de ombros. – É isso.
torceu a boca e assentiu devagar.
– Talvez tenha sido o melhor. – Jean respondeu.
– É. – deu de ombros. – Talvez.
Ela olhou para a irmã que também a olhava. Alguma coisa lhes dizia que aquele era só o começo do drama.



All Over Again

Owensboro, Kentucky.
Um mês depois.

's P.O.V On

Sim, fazia praticamente um mês desde a nossa descoberta, e o que mudou? Nada.
Exatamente isso.
Depois da casa do Bobby, decidimos voltar para casa, e enquanto e Jean voltaram a caçar, eu decidi seguir a minha vida. Pode ser confuso, considerando o fato de que Sam voltou e Deus sabe o quanto eu desejei que isso acontecesse. Os dias sem ele não foram mais os mesmos, e eu senti tanto a sua falta que me pegava revivendo a nossa ultima conversa.
A tal conversa que me levou a mudar de vida. Mas assim que eu encontrei forças para seguir em frente, a vida me presentou com a volta dele... Bem, pelo menos foi que eu pensei.
Mas como puderam perceber, o nosso reencontro não foi como poderia ter sido, alias, a única palavra que pode descrever é: Frio. Isso porque eu nem estou levando em conta que ele voltara há mais de um ano e nem se preocupou em me procurar, dar noticias, me tirar do inferno que estava vivendo.
O nosso reencontro foi por mero acaso, já que nem ele e nem o irmão – já que pareceu surpreso ao nos ver – imaginaram que nós pudéssemos estar lá naquele momento, e eu acredito que se não fosse por aquela coincidência, nós nem saberíamos das boas novas: Dean com a tal Lisa e um possível filho de sangue, a família que eu sei que, como nós, ele sonhava ter. E por mais que meu coração ainda torcesse por ele e , eu estava feliz por ela ter encontrado Jean, que além de bom amigo, é um ótimo namorado.
E Sam... Bem, de uma maneira surpreendente, ele estava diferente. E eu nem precisei passar muito tempo com ele para perceber isso.
Pode ser coisa da minha cabeça, mas, para mim, o Sam que eu tanto conhecia não ficaria sem dar as caras por tanto tempo, ainda mais depois de tudo o que vivemos. Falei isso com a , e se você acha que ela disse que esse tempo que ele tirou foi para o nosso bem, não foi bem isso que aconteceu. Ela garantiu com toda certeza do mundo que Sam estava esquisito e nunca mais seria o mesmo dado ao que ele passou.
A sinceridade da minha irmã às vezes me assusta.
Eu achei que as coisas poderiam ser diferentes: Dean voltaria a falar com a gente, pelo menos para saber se estava tudo bem, e Sam viria ao menos falar comigo e, assim, nós poderíamos esclarecer tudo. Mas as coisas aconteceram totalmente diferentes. Dean continua distante – e eu até entendo de a insistir para não corrermos atrás, já que um ano é o suficiente para mudar tudo –, e Sam não está muito diferente do irmão. Em nenhum momento ele ligou ou deu noticias.
Simplesmente desapareceram do mapa.
E é por isso que eu decidi seguir em frente. Eu poderia tomar atitude e ir atrás de respostas? Sim. Mas saber que eles nem se preocuparam em fazer isso, me faz pensar que estivesse certa.
Um ano é suficiente para mudar tudo, e isso incluía o nosso relacionamento com eles, fazendo com que tudo o que vivemos tornasse apenas lembranças...
Sua irmã sempre foi assim? – Perguntou Jean.
Eu o olhei e depois olhei para que lia um jornal, enquanto o café da manhã continuava intocado sobre a mesa.Rolei os olhos e sorri.
, larga esse jornal pelo menos por um instante.
– Nunca é de mais saber o que tá acontecendo. – respondeu tomando um gole de café, que pela cara que ela fez, deduzi estar frio.
, a sua irmã tem razão.
– Tá vendo, até o Jean concorda. – Dei um reforço. – Você não precisa continuar com esse costume.
– Eu não diria isso. – Disse colocando o jornal sobre a mesa, em uma pagina especifica.
Eu o peguei e franzi o cenho.
“Oficial encontrado morto em um vestiário”?
– É, esquisito, não?
Dei de ombros.
– Não sei por quê.
– Ele estava bem, não tinha nenhum problema de saúde nem nada. Os médicos também não encontraram o motivo.
– Você acha que pode ser alguma coisa? – Perguntou Jean.
– Não sei, mas pra mim isso aqui não parece morte natural.
– E aí? – Perguntei. – Não vai dizer que você pretende ir lá pra investigar.
deu de ombros.
– Ué? O que que tem?
– E aquela coisa de caçar de vez em quando, hein?
– O nosso ultimo caso foi há semanas. E eu acho que devemos ir e dar uma olhada.
– Ah, se você quiser...
– Não tem o que querer, o trabalho simplesmente chama.
– Ok, vão lá, já que fazem tanta questão.
– Bem, – olhou para Jean. – temos que sair antes do almoço. Levaremos mais de doze horas até lá.
– É, mas posso terminar o café primeiro? – Perguntou, colocando algumas colheradas de açúcar no café.
Eu e apenas olhamos a quantidade de açúcar. Poderíamos até sentir a garganta rasgando.
– Nossa, olha a diabete. – Comentou , fazendo Jean sorrir.
Ela rolou os olhos e olhou para mim.
– E aí, tem falado com o Bobby? – Perguntei, a fim de mudar de assunto.
– Não. A última vez que eu falei com ele, foi naquele dia.
– Eu pensei que ele não se encaixasse na lista dos: “não devemos ligar, já que pouco se importou em dar noticias”.
– E ele não faz. Só não liguei porque presumi que ele estivesse mais ocupado agora com você-sabe-quem.
Jean apenas nos olhou e balançou a cabeça.
– Vocês ainda tão nessa de não citar os... Eles nas conversas?
– E por que deveria ser diferente? – Perguntou . – Eles não fizeram questão de nos ignorar? Então, nada mais justo do que fazer o mesmo.
– Quantos anos vocês têm? – Perguntou Jean humorado. – Já tiveram tempo o suficiente pra superarem isso. Além do mais, o Dean não dava noticias há muito tempo. Por que ele ou o irmão dariam agora?
Pensei por mais um momento, e Jean tinha razão, não completamente, mas, apesar de tudo, as coisas já não eram mais as mesmas desde... Há muito tempo.
Então suspirei e perguntei:
– Será que o Dean conseguiu mesmo deixar a caçada de lado depois de tudo o que aconteceu?
– Deve ter deixado. – Respondeu . – Não podemos esquecer que agora ele é um pai de família.
Rolei os olhos e sorri, e é claro que percebeu, mas me ignorou.
– E o Sam? – Perguntou Jean. – Há tempos não temos noticias dele.
– Ele deve estar ocupado o suficiente pra não ter tempo de dar uma ligação. – Respondi.
– Estranho, né? Mais de um mês e ele nem ligou, não deu nem sinal de vida. – Disse . – Isso confirma ainda mais o que eu penso. Ele tá estranho.
– Corrigindo, nenhum deles deu sinal de vida. – Acrescentou Jean.
– É como você disse. – Falei, me lembrando de uma de nossas conversas. – Eles não nasceram grudados na gente e nenhum de nós tem vínculos mais. Então eles não têm a necessidade de dar satisfações.
– Vejo que tem neguinho que ainda tá com raiva. – Comentou .
– Eu não estou com raiva, só é a verdade.
– Já que você diz... – Disse , se levantando. – Bem, vou me aprontar porque a viagem é longa.
Jean fez o mesmo e a acompanhou.
E pouco tempo depois de arrumarem as coisas, os dois colocaram os pés na estrada, me deixando para trás com a uma vida “normal” para enfrentar.

's P.O.V Off

– Será que a sua irmã vai ficar bem? – Perguntou Jean, fazendo acordar do transe.
Desde que pegaram a estrada, tudo o que sua cabeça fazia era girar em pensamentos que, segundo ela, eram inúteis e um saco. Pois eram aqueles pensamentos que a fazia lembrar-se de momentos que ela preferia esquecer, algo que estava sendo difícil de fazer nas ultimas semanas. Para ser mais exata, no ultimo mês.
Após o “incidente” – era como ela preferia se referir ao tal dia na casa do Bobby. –, a sua mente ficou num turbilhão. Vários pensamentos a assombrava, e a pior parte disso é que ela não entendia por quê. E não era apenas pela volta do Winchester mais novo, o seu problema mesmo era o mais velho, que de uma forma surpreendente, voltara a lhe assombrar.
A fim de afastar os pensamentos, balançou a cabeça e falou:
– Eu não sei por que não ficaria.
Jean deu de ombros.
– Sei lá.
– Relaxa, ela já se acostumou com a nova vida. E outra, nós já caçamos enquanto ela “vivia como uma pessoa normal”.
– É, você tem razão.
olhou para Jean que dirigia, e sorriu. Apesar de os dois não estarem nem um ano juntos, Jean se preocupava com ela e com a irmã como se fosse um irmão mais velho. Ela não reclamava, até achava fofo se ele não fosse tão super protetor às vezes.
– Eu acho que ela já é crescidinha o bastante pra você se preocupar.
Jean sorriu e ao olhou por um instante.
– O quê? – Perguntou humorado, voltando sua atenção para a estrada. – Eu não tô preocupado. Eu só perguntei por perguntar.
soltou uma gargalhada.
– Para de ser mentiroso! Você tá preocupadinho sim.
Jean balançou a cabeça.
– Tá, eu admito que sou um pouco neurótico com isso.
– Um pouco? Você precisa de ajuda.
– Ah, que isso! Eu só não gosto de ver as pessoas que eu gosto em perigo.
– Hm, sei...
– É sério. E esse é o lado ruim de caçar acompanhado.
– Pera aí, você tá dizendo que não gosta de caçar comigo?
Jean sorriu e emendou:
– Não, não é isso.
– Então me explique, Jean-Luc Bilodeau, porque eu não tô entendendo nada.
– Você que tá levando pro lado errado. Eu só acho que caçar sozinho tem as suas vantagens, e uma delas é só se preocupar consigo mesmo.
balançou a cabeça e sorriu.
– Hum, sei... Que pena que o seu plano não deu muito certo, já que agora você tem que andar com duas.
Jean sorriu.
– Não que você seja obrigado. – Completou , voltando sua atenção para o trânsito.
– Ficar com a sua irmã e principalmente com você, não é obrigação. É um prazer.
– Nossa, que bom. Porque não são muitos que pensam assim.
– Azar o deles, e sorte a minha.
o olhou, e Jean sorriu.
– Você não sabe aonde tá se metendo.
Jean parou no farol e a olhou.
– Olha, eu acho que não tenho nada a perder arriscando.
E aquilo foi o suficiente para deixá-la sem palavras. Os dois estavam em um bom relacionamento, mas aquela era a primeira vez que uma conversa tranquila terminava “tensa”.
Tensa porque aquela era uma das raras vezes onde se perguntava se aquilo que os dois estavam tendo era mais sério do que ela pensava. Não que Jean não fosse bom, mas por ela não saber se ela era merecedora de tudo o que ele fazia e sentia por ela.

...

Owensboro, Kentucky

Mais tarde naquele dia, estava em sua hora de almoço. E como costume da sua nova rotina, ela passou os seus últimos vinte minutos em Willow Creek Park – um parque próximo de seu serviço – que segundo ela, lhe trazia paz. O lugar estava cheio e, apesar de ser sexta-feira, havia pessoas fazendo caminhada, e crianças brincando. Ela se sentou em um dos bancos e sorriu porque graças a Sam, as pessoas podiam viver sem saber dos sacríficos que foram feitos.
E aquilo a fez se lembrar da ultima vez que caçou. O dia que ela tanto queria esquecer, apesar do tempo. Aquela recordação ainda lhe fazia sofrer, havia sido difícil para todos, e ainda mais para ela, que viu o cara que tanto amava se jogar num buraco em prol de todos. E apesar do desfecho, ela nunca havia se esquecido de Sam, mas seguiu a vida, como ele mesmo pediu. E Derek, por sua vez, sempre se mostrou um bom amigo, e ela não podia negar que sentia um carinho por ele.
voltou a prestar atenção nas crianças, a fim de evitar pensar sobre aquilo. Mas o destino não ajudou. Seu celular começou a tocar, e ela viu que se tratava de Derek.
Oi...
– Oi, tudo bem?
Tudo e você?
– Estou bem.
Desculpe se não é uma boa hora, mas eu queria falar com você.
– Não, tudo bem. Estou no fim da minha hora de almoço.
Que bom... Liguei pra saber como vão as coisas.
– Ah, vão bem e tudo igual. Tirando o fato de eu ficar com meus dedos rígidos de tanto digitar.
Derek riu.
Isso é esquisito, quero dizer, pra quem trabalha em uma clinica...
– Não quando você tem que redigir todas as fichas.
Ah, entendi...
– Mas e você, trabalhando muito?
Estou, mas feliz que logo terei um tempo pra descansar...
– Ah, é? Por quê?
Bem, eu estou em Louisville pra conhecer o novo hospital, e vou apresentar um seminário. E depois tirarei uns dias de folga.
sorriu, seria uma boa se eles se encontrassem, mas tinha que admitir não estar com cabeça para encontros, por mais que a companhia fosse boa.
– Que legal, acho que você mal pode esperar por isso.
É, devo admitir que mereço.
– Espero que tenha um bom descanso, e aproveite.
É o que eu espero.
Os dois fizeram silencio.
– Bem, eu já vou ter que desligar. O trabalho me chama.
Ok, vai lá e bom trabalho.
– Obrigada, pra você também. – Disse antes de desligar.
Ela encarou o celular pensando se não seria uma boa mudar a rotina.

Easton, Pensilvânia.
No dia seguinte.

Sam estava de frente para a delegacia quando Dean chegou. Ele falava ao telefone e, pelo o que ele dizia, Sam deduziu que ele falava com Ben.
– Nossa! – Sam falou quando percebeu que Dean desligou o telefone e foi até ele.
– O quê? – perguntou sem entender.
– Quem diria, você moldando as mentes do futuro.
– Nem me diga. – Respondeu, pegando uma pasta com os dados do caso da mão de Sam.
– E como foi?
– O quê? – Perguntou, folheando o arquivo.
– Você e a Lisa... Como ela aceitou a sua saída?
Dean olhou para o irmão.
– Chocantemente bem, pra falar a verdade.
– Bem, é melhor pra todo mundo.
– É, se você diz. Quer dizer, você deve saber o que fala.
Sam franziu o cenho.
– O que você quer dizer?
– Eu tô falando sobre você não ter ido atrás da .
– Eu não fui porque, segundo o Bobby, ela estava bem apesar do que tinha acontecido.
– Tá, a parte de você não ter falado com ninguém assim que você voltou eu entendi, mas e depois? Eu achei que assim que ela soubesse, vocês, sei lá... Fossem retomar de onde pararam.
Sam balançou a cabeça.
– Eu pensei sobre o assunto e achei que seria melhor as coisas continuarem do jeito que estavam.
– Tem certeza?
– Tenho. Ela teve um ano pra se recuperar, e eu acho que ela tá melhor sem mim, já que saiu dessa vida e seguiu em frente. – ele deu as costas e caminhou até delegacia.
– Você sabe que ela só fez isso porque você pediu, não sabe?
– Eu sei, mas ela tá bem. – Dean assentiu, e Sam acrescentou. – E aproveitando que você falou sobre o que eu falei naquele dia, eu não posso deixar de perguntar: por que a Lisa?
– Não entendi.
– Ah, você entendeu sim.
Dean encarou o irmão por alguns segundos, Sam sustentava seu olhar de maneira que deixava bem claro que ele gostaria de uma resposta, tanto que chegava até a incomodá-lo.
– Que tal deixarmos esse assunto de lado e focar no caso? – deixou o incômodo vencer.
– Tem certeza? Eu achei que...
– É... Eu tenho. – Respondeu, entrando na delegacia. – Aliás, o que estamos fazendo aqui? Pelo o que eu entendi, não temos o que olhar.
– Sim, mas não é ele quem nós viemos ver.
– Então...
Neste momento, um legista se aproximou. Ele aparentava ter mais de cinquenta anos, e estava visivelmente um pouco acima do peso, mas parecia ser mais simpático, ou o menos mal encarado que eles encontraram ali.
– Posso ajudar? – Dean e Sam apenas mostraram os distintivos do FBI. – O que os trazem aqui?
– Bem, estamos no caso dos oficiais. – Respondeu Sam.
– Hm... Pelo visto, esse caso está sendo muito comentado entre os federais. – Comentou, dando as costas e entrando na porta que levava para o necrotério.
– Por quê? – Perguntou Dean, enquanto ele e o irmão o acompanhavam.
– Porque recebemos visitas dos legistas de vocês também.
– Como assim?
– Bem, dois legistas estão aqui para ver o corpo, também. Essa cidade nunca esteve tão movimentada. – Disse, entrando em uma porta que dava para os corpos.
Dean olhou para Sam com o cenho franzido e cochichou:
– O que faremos?
Sam deu de ombros.
– Não sei, vamos agir com naturalidade e escutar o que eles têm a dizer. – respondeu antes de entrar.
Dean o acompanhou e assim que entraram, eles não sabiam o que dizer e nem como agir.

– Oficial Jared Hatt, 17 anos de serviço. Morreu no vestiário há dois dias. – dizia, parada no meio do necrotério.
– Parece que alguém morreu super-hidratado aqui. – comentou Jean.
– Basicamente sim, o cara se liquefez. A maior parte da carne, ossos, tecidos densos, tudo virou sangue.
– Tá, eu não entendo.
– Ninguém entende.
– Não, isso eu entendo, mas por que viemos, então? O cara se desfez, não temos nada pra olhar.
– Isso porque não é ele o nosso objetivo/alvo. – respondeu se aproximando das gavetas e olhando para as identificações. – Aqui está. – ela abriu uma das gavetas.
Jean se aproximou e tirou o lençol de cima do corpo.
– O que é isso? – perguntou assustado pelo estado. O homem estava desfigurado, com varias bolhas espalhadas pelo corpo.
– Oficial Greg. – apresentou o cadáver. – Acabaram de trazer. Foi encontrado morto em uma viatura perto do radar fora da cidade.
– Estranha reação alérgica, não acha?
– É. – respondeu pensativa. Mas toda sua concentração foi por água abaixo quando olhou para a porta e viu dois seres que ela conhecia, e muito bem. – Que droga!
Notando a expressão da namorada, Jean olhou na mesma direção e sua reação não foi muito diferente.
Bem, acho que é um encontro entre colegas. – Comentou o legista, indo pegar uns papéis em cima de uma mesa no canto da sala.
Assim que os dois se aproximaram sem jeito, perguntou sem cerimônia:
– O que vocês estão fazendo aqui?
– Isso é o que eu pergunto. – Falou Dean, contendo a surpresa. – O que vocês estão fazendo aqui?
– Estamos cuidando de um caso. – respondeu, reparando o que os dois vestiam. – E imagino que vocês também.
– É, estamos. Mas...
– Bem, vejo que vocês já acharam o corpo do oficial Greg. – Disse o legista, interrompendo Sam e se aproximando.
– Reação alérgica? – perguntou Dean, analisando o corpo.
– É, são ulceras espalhadas da cabeça aos pés. – respondeu, se gabando por já ter todas as informações.
– É, e do lado de dentro também. – Disse o legista. – As vias aéreas dele estão tomadas por elas também.
– O senhor não notou mais nada de estranho? – Jean perguntou.
– Bem, a não ser o fato de o cara estar com tantas bolhas espalhadas pelo corpo, não. Eu nunca vi um caso tão grave de alergia.
Os quatro se entreolharam.
– Eu acho que já temos informações suficientes. – Disse . – Obrigada, senhor Jones pela atenção e o esclarecimento de duvidas.
– Tudo bem. – O legista deu um sorriso.
Os quatro se afastaram e saíram da delegacia.
– Vejo que voltaram a caçar juntos. – Comentou , não conseguindo deixar de fazer aquela observação.
– É, não era a minha escolha a principio, mas os velhos hábitos falaram mais alto. – Respondeu Dean.
– É a primeira caçada de vocês? – Perguntou Jean.
– Não, acabamos de sair de um caso com um bebê metamorfo. – Sam respondeu.
– Bebê?
– É. Pra resumir, o bebê era filho de um metamorfo, que fez de tudo para recuperá-lo.
– E conseguiu?
– Conseguiu.
– Mas um bebê? Estranho, né?
Sam assentiu.
– Como vocês ficaram sabendo do caso?
– Vimos no jornal. – Respondeu .
– Legal. Se eu soubesse que vocês estariam aqui, eu não teria me envolvido. – Dean comentou.
– Simples, se você quiser deixar o caso é só falar. – respondeu.
Dean apenas a olhou. E percebendo o clima “esquentando”, Jean interveio.
, eu não sei se isso seria uma boa ideia.
– E por que não?
– Simplesmente porque esse caso tá muito complexo. São dois oficiais mortos de uma forma que nunca vimos, ou ouvimos falar.
parou e olhou para ele, que também parou ao perceber a cara que ela fazia.
– Você não tá querendo dizer que quer trabalhar com eles, né?
– Não é isso. Só acho que precisamos de ajuda, já que não sabemos por onde começar.
– Não venha com essa. Chegamos aqui primeiro e vamos resolver do nosso jeito.
– Se você faz tanta questão, aproveite. – Disse Dean, que se aproximou. ­– Pra falar a verdade, eu não deveria nem estar aqui mesmo.
– O quê? – Sam protestou. – Dean, nós já conversamos sobre isso.
– Sim, eu concordei em vir pra não deixar você sozinho, mas como ela disse, eles chegaram primeiro.
– É, mas como o Jean disse, o caso é complexo. Acho que devemos ficar.
– Então fique você, porque eu tenho outras coisas mais interessantes pra fazer.
Dean se afastou e Sam foi atrás.
– Dean, eu acho que você tá sendo infantil.
– Ah é, por quê? – Perguntou, parando.
– Simplesmente porque não quer ficar. Cara, eles precisam de ajuda.
– Resolvido: você pode ficar e ajudar.
– Mas eu quero e preciso que você fique. Por favor, Dean, você mesmo disse que a Lisa aceitou que você saísse.
Dean pensou por um minuto. Tinha sido difícil deixar Lisa, Ben e tudo o que estava vivendo para trás, mas seria pior se fosse tudo em vão. O seu lado caçador estava querendo voltar à rotina, mas um ano foi suficiente para ele pegar um carinho pelos dois a ponto de deixar tudo para trás e ficar com eles para protegê-los, caso alguma coisa acontecesse.

– O que foi? – perguntou ao perceber que Jean a encerava.
, você não tá fazendo isso por causa do Dean, não é?
– É claro que não.
– Ah, não?
– Jean, não é nada disso. O problema é que os dois passaram um ano sem dar noticias, e aparecem assim, do nada, querendo se envolver. – Bufou. – Mas pelo visto eu sou a única que se importa com isso.
– Eu sei, e não discordo de você. Mas nós precisamos de ajuda e pelo o que vejo, eles são os únicos disponíveis aqui.
ficou quieta. Ela estava com muita raiva, não pelo que aconteceu entre ela e Dean, mas o que ele fez durante esse um ano. Ele nem apareceu para dar a noticia de Sam, e muito menos ligou para saber como ela e a irmã estavam.
E ENTÃO, COMO VAI SER? – perguntou Dean, alto o suficiente para chamar a atenção dos dois.
Ele e Sam estavam parados olhando para eles e, mesmo contra a vontade, se aproximou acompanhada de Jean.
– Tudo bem. – Disse derrotada. – Precisamos de ajuda.
– O quê? Eu não escutei. – Dean disse para provocar.
olhou para o lado e, em seguida, para Dean. Ela sabia que aquele seria um dos momentos em que Dean jogaria na cara. Só esperava não passar tanto tempo com eles para isso acontecer.
– Eu disse que precisamos de ajuda!
– Já que você pediu, nós ajudaremos. – Respondeu com um sorriso no rosto.
estava preparada para dar uma resposta do jeitinho que Dean merecia, mas Sam interrompeu:
– Bem, e o que temos até agora?
– Quase nada. – Jean respondeu. – Fomos ao local onde o outro oficial foi morto, mas não encontramos nada.
– Nada no EMF, enxofre ou presságio?
e Jean negaram com a cabeça.
– Tá parecendo bruxaria pra vocês? – perguntou Dean.
– Foi a nossa primeira impressão, mas não encontramos nada. Nenhum sinal de feitiço e nem de bruxas. – Jean respondeu.
– Tem que ter alguma ligação entre o mingau lá e o das bolinhas aqui.
– Sem duvida. – Sam falou.
– Tá, e tem alguma testemunha?
– Tem o oficial Ed Colfex. – Respondeu . – Ele viu tudo o que aconteceu.
– Outro oficial?
assentiu.
– Parceiro do Hatt.
– E vocês ainda não falaram com ele por quê?
– Era o que íamos a fazer assim que saíssemos daqui.
– Bem, então eu acho que vamos ter que fazer o serviço de vocês.
– É o que você acha? – perguntou sarcástica. – Ou passou tanto tempo fora que não sabe mais como se trabalha?
Dean rolou os olhos.
– Que tal irmos falar com ele logo, né? – Disse, dando um olhar significativo para , que rolou os olhos.
– Eu acho que não será necessário vocês irem, não? – Falou Dean.
– Não? – Perguntou indignada. – Nós chegamos primeiro.
Dean bufou e balançou a cabeça.
– Ah, tá. E não seria nada estranho, quatro agentes chegando juntos na casa de um cara da lei.
– Não disse que todos tinham que ir. – Falou Jean.
– Tudo bem. Vocês vão e eu vou voltar pro hotel pra pesquisar e mais tarde a gente se encontra. – sugeriu.
– Boa ideia. – Disse Sam. – Vamos?
Dean e Jean assentiram.
– Ei, pegue a chave. – Disse Jean dando a chave do carro para .
– Se cuida, ok? – Falou pegando as chaves. – E qualquer coisa liga pra mim.
Ele assentiu e ela o beijou. Dean revirou os olhos e Sam pigarreou, fazendo e Jean se afastarem.
– Boa sorte.
Jean sorriu.
– Até mais tarde. – Disse indo até os Winchesters e partindo no Impala, a seguir.

...

Os três chegaram à casa do policial e bateram na porta. Poucos segundos depois, o oficial atendeu.
– Opa, você não parece muito bem. – Comentou Dean, ao perceber que a cara do policial não parecia das melhores.
– Quem são vocês?
– Federais, Ed. – Respondeu Sam, e os três mostraram os distintivos. – Viemos fazer algumas perguntas sobre a morte do seu parceiro.
– Fiquem fora disso, não é da conta de ninguém.
– Oficial...
– FIQUEM FORA DISSO! – Gritou, fechando a porta na cara deles.
Sam, Dean e Jean se olharam sem entender nada. Sam sem pensar duas vezes, chutou a porta com força, fazendo-a abrir. Os outros dois se olharam e em seguida olharam para Sam. Dean nunca tinha visto o irmão fazer algo daquele tipo. Sam sempre foi do tipo educado, que não insistia se a pessoa não quisesse falar, e aquela atitude que ele tivera, era mais a cara dele do que do irmão.
Sam entrou e os dois o acompanharam. Ao entrar, eles olharam os detalhes e repararam que todas as fotos estavam com os rostos rasurados. Eles continuaram caminhando até encontrar Ed sentado na cozinha, sentado a uma mesa, rasurando mais uma foto.
– Oficial Colfex. – Chamou Sam, percebendo que o policial nem se incomodou com a presença deles.
– Tá tudo bem com você? – Perguntou Jean.
– FIQUEM FORA DISSO! – Respondeu, sem levantar a cabeça.
– Olha só oficial, é... Nós achamos que o seu parceiro não morreu de forma natural, ele... – Disse Dean. O policial finalmente olhou para ele e começou a coçar a cabeça por cima do cap que ele usava. – Por um acaso ele tinha algum inimigo que você conhece?
– Ah, pode se dizer que sim.
– Ah é, e quem seria?
– Os dois sabiam o que vinha, e eu também. – Respondeu, pegando um dos copos que estava sobre a mesa e se servindo de whiskey. – Eu serei o próximo e depois acaba. E Deus ficará satisfeito.
– Por que Deus quer matar vocês? – Jean perguntou.
– Por causa de Christopher Bears. – respondeu, batendo o braço sem querer na garrafa, fazendo-a virar e derrubar o liquido. – Ah, droga. – ele falou tranquilo.
– Quem é Christopher Bears? – perguntou Sam, tentando fazer o policial voltar a prestar atenção neles.
– É um homem sem rosto. – Respondeu, observando o liquido da garrafa cair.
– Ed? – Sam o chamou.
– Tá tudo bem, oficial? – Perguntou Dean.
Ed finalmente ergueu a garrafa e os olhou.
– Quem é Christopher Bears? – Insistiu Sam, esperando pela resposta, mas Ed parecia viajar. – Ed, quem é?
– Christopher é um menino sem rosto e uma arma plantada. – Respondeu. De repente, um liquido vermelho, ou melhor, sangue começou a escorrer em sua testa.
– É... Tem um negocio escorrendo aí no seu rosto. – Disse Dean, um pouco incomodado.
O Oficial levou a mão à cabeça e tocou na testa. Depois, ele olhou para a mão suja de sangue.
– Droga, minha cabeça coça como se tivesse piolhos.
Sam, Dean e Jean se olharam e, de repente, o policial caiu de cara na mesa.
– Ed? – Sam tentou chamar a atenção dele.
Mas o policial não se moveu, então ele se aproximou do policial e checou os batimentos cardíacos do homem.
– Morto! – Falou, e os três ficaram em silencio. E no meio desse silencio, um único barulho baixo ecoava. – Estão ouvindo isso?
Dean e Jean prestaram mais atenção e notaram o barulho, que mais parecia de um enxame de abelhas.
– De onde tá vindo isso? – Perguntou Jean.
Sam ainda prestando atenção ao som, notou que vinha da cabeça do guarda. Então, o mesmo tirou o cap dele e todos se surpreenderam com o que viram.
Havia um buraco na cabeça do policial, e vários gafanhotos saiam de lá.



Are you Kiddin’?

Depois de voltar para o hotel, indignada pela coincidência, se sentou em sua cama e pegou o notebook, se perguntando se aquilo era o destino tirando uma com a cara dela. Como se não bastasse um reencontro tenso, agora ela era obrigada a trabalhar com eles.
Não que não estivesse mais tranquila ao ver que ambos estavam bem – mesmo que não perguntasse e comentasse com ninguém, ela se preocupava, sim. –, ela não pode conter um sentimento de raiva, principalmente por causa de Dean.
Não literalmente, já que ainda se importava, mas pelo que aconteceu depois da ultima caçada juntos. Ele ter seguido a vida com outra pessoa, não era novidade, tanto que ambos seguiram seus caminhos, e parece que foi o mais certo, já que estavam felizes. Mas por ele ter dado as costas literalmente, e dado a entender que estava com raiva. Raiva que até hoje ela não entendia.
A fim de tirar todos aqueles pensamentos de sua cabeça, ela ligou para para contar as boas novas.
Achou alguma coisa? – Perguntou ao telefone.
– Nada, só as semelhanças entre as mortes e as pragas do Egito. – Respondeu olhando umas fotos que ela havia acabado de imprimir.
Será que isso tem alguma ligação?
– Não sei, mas é a única coisa que temos pra agora.
Hm... Sabe, será que foi uma boa ideia deixá-los ir pra lá sozinhos?
– Por que não seria?
Ah, não sei. Só estava pensando se você não deveria ter ido junto.
, eles são grandinhos e sabem se virar. E outra, seria muito estranho um grupo de agentes do FBI andando por aí.
Hm... Já que você diz...
– O que foi? – perguntou estranhando o tom de voz da irmã.
Osh, nada.
– Eu te conheço tempo suficiente pra saber que você quer dizer alguma coisa.
, não é nada. Só que tudo isso é... Estranho. Quem diria que você e o Jean estariam resolvendo um caso novamente com os Winchesters.
– Eu sei, mas não me diga você não tá feliz pela volta do Sam.
Eu estou, mas sinto como se as coisas não se encaixassem, sabe?
– E por que você acha isso?
Porque pra mim, ele não parece mais o mesmo.
– Eu sei. Mas nós temos que pensar que não foi nada fácil pra ele. O cara simplesmente se jogou dentro de um buraco com o Lúcifer preso ao seu corpo.
E é isso que me preocupa mais.
– O que é? Você não tá achando que o Lúcifer ainda tá nele, não é? – Perguntei descontraída.
Pra falar a verdade, eu não sei.
– Qual é? Eu acho que o Dean cuidou disso.
É, pode ser. – Disse não tão convencida. – Mas mesmo assim eu acho que você deveria ficar esperta.
– Hm... Tá se preocupando comigo? – zombou.
Ah, não custa nada alertar.
– Hm... Sei... Mas e aí, como você tá?
, vocês saíram daqui ontem.
– Eu sei, é força do habito. – Sorriu. – Nenhuma novidade?
Não.
– Nossa que vida parada. Nunca pensei que você viveria assim.
Eu sei. – ela riu. – Mas não por muito tempo.
– Osh, por quê?
Porque eu falei com o Derek, e ele me disse que tá em Louisville.
– Hm... Bem que você poderia ir até lá, já que é menos de duas horas de distância.
Não preciso. Ele me mandou uma mensagem mais cedo, dizendo que quando terminasse lá, ele viria aqui.
– Hmm... – Soltou um riso malicioso.
Há-há, pare com isso...
– Eu não disse nada... A não ser que você esteja pensando em algo além de uma visita amigável.
Para, sua palhaça. – Disse sem graça. – Eu e ele não temos nada.
Mas bem que ele queria ter.
É, eu sei, ele tem sido bem legal.
– E eu não entendo por que vocês dois não ficaram juntos ainda.
Depois de alguns segundos em silencio, Rachell respondeu.
Eu acho que é um pouco cedo pra isso.
– Cedo? Há quanto tempo vocês estão nessa mesmo?
riu pelo nariz.
Eu sei, mas as coisas não são tão simples assim.
– E por que não? Vocês dois são livres e desimpedidos.
Você sabe por quê.
– Eu pensei que esse assunto estava bem resolvido pra você.
E tá, mas eu não posso simplesmente esquecer tudo isso.
– Eu entendo...
Depois de um breve suspiro, continuou:
Olha, eu tenho que desligar... Depois a gente se fala. – E antes que pudesse se despedir, desligou o telefone.
encarou o celular com cara de tacho por um tempo, até que pouco depois, a porta se abriu e Jean, Dean e Sam entraram no quarto.
– E aí, encontrou alguma coisa? – perguntou Jean se aproximando de e se sentando ao seu lado.
– Nada certo.
– O que você quer dizer com isso? – Perguntou Sam se sentando em uma cadeira próxima a cama.
Dean permaneceu de pé.
– Bem, eu pesquisei tudo o que foi possível e a única coisa que encontrei foi isso. – Respondeu entregando as folhas para Sam, que olhou e passou para Jean.
– Pragas do Egito? – perguntou Jean sem entender.
– É esquisito, mas é a única coisa que bate com o nosso caso.
– Legal. Sangue, bolhas, gafanhotos... – Falou Dean, suspirando em seguida.
– Bem, são três das mais populares pragas do Egito. – Sam falou pensativo.
– É, mas aquelas coisas comeram a cabeça de um policial. Não me lembro de ter visto isso na bíblia. – Disse Jean.
– Do que vocês estão falando? – perguntou sem entender nada.
– Nos estávamos falando com o Ed quando ele caiu morto na nossa frente.
– O quê? Como?
– Simplesmente caiu de cara na mesa com a cabeça cheia de bichos.
– Bichos?
– Não eram bichos, e sim, gafanhotos. – Dean o corrigiu.
– Fico menos chocada ao saber disso. – comentou sarcástica.
– Não agradeça. – Respondeu sorrindo.
rolou os olhos.
– E vocês não conseguiram falar com ele?
– Falamos. Mas tudo o que ele dizia eram coisas soltas, como: um menino sem rosto, arma plantada... – Respondeu Sam.
– Nossa, isso ajuda muito. – respondeu irônica. – Pelo menos ele disse algum nome ou algo valido?
– Christopher Bears.
assentiu e pegou voltou sua atenção para o notebook.
– Cadê a ? – Perguntou Dean.
– É mesmo. Não a vi desde que nos encontramos. – completou Sam.
– Ela não veio. – respondeu sem dar muita atenção.
– O quê? Por quê? – Perguntou Dean.
– Ela tá aproveitando a vida. – Respondeu Jean.
– Hm ,sorte a dela...
– Achei uma coisa. – interrompeu o assunto. – O garoto morreu depois de levar um tiro na cabeça mês passado, no meio de uma perseguição. – ela olhou para Sam. – E adivinhem, Hatt, Ray e Colfex eram os três oficiais envolvidos.
– Um menino sem rosto, e uma arma plantada... – Falou Dean pensativo até finalmente balançar a cabeça em reprovação. – Imbecis, eles mataram o garoto e plantaram uma arma.
– Vai ver Colfex estava certo, não é? – Comentou Sam. – Talvez o céu tenha ódio de oficiais mentirosos.
– Então vamos ouvir um cara que tinha bichos nos miolos? Essa é a teoria que você quer seguir?
– Dean, os anjos têm que arrumar alguma coisa pra fazer agora que estamos no pós-apocalipse, não é?
– Talvez, mas acho melhor chamarmos Castiel.
– Você tá brincando, não é? Eu tentei. Foi a primeira, segunda e terceira coisa que eu fiz depois que eu voltei, mas o filho da mãe não atende ao telefone.
– Ah, vamos tentar. – Falo abaixando a cabeça e fechando os olhos. – Qual é Castiel, deixa de ser chato. A situação aqui tá meio praguejante e eu gostaria que aparecesse...
Sam e rolaram os olhos, enquanto Jean apenas sorriu. Ao abrir os olhos, Dean olhou para todo o quarto, mas nada.
– Como eu disse, o filho da mãe não atende. – Sam falou para o irmão. No mesmo momento, todos olharam em sua direção com os olhos arregalados. – Ele tá bem atrás de mim, né? – perguntou com cara de vazio.
– Cass... – disse surpresa.
– Olá. – Respondeu sem emoção, como sempre fez.
Sam se virou e olhou para o anjo incrédulo.
– Olá?
– Ah... É.
– Olá... Olá? – Sam se levantou e caminhou na direção de Castiel.
Sem entender, Castiel perguntou:
– A palavra ainda é assim?
– Eu passei esse tempo todo tentando te alcançar, aí o Dean te chama uma vez e você diz ”Olá?”.
– É.
– Por quê?... Você gosta mais dele ou o quê?
O anjo olhou para Dean.
– É que Dean e eu temos um vinculo mais profundo.
Todos olharam para Dean, que o olhava incomodado.
– Desculpa, eu não queria mencionar. – o anjo voltou a falar.
e Jean riram.
– Eu acho que ele tá tentando dizer é que ele se ferrou por nós. – Dean tentou explicar. – E quando voltou sem nenhuma pista, você não gastou nem cinco minutos pra dar umas respostas a ele.
– Se eu tivesse uma pista, eu teria respondido. Mas eu não sei Sam, não temos ideia de quem tirou você da jaula ou por quê.
– O que quer dizer? – Perguntou Sam.
– Que parte do “eu não sei” escapa da sua compreensão?
– Castiel, se o Sam te chama, você bate as asas, vem e diz: “Eu não sei”, se é que a gente tem um vinculo, ou seja lá o que for. – Dean o repreendeu.
– Pensa que eu vim porque você me chamou? Eu vim por causa do que está acontecendo.
– Espera aí, vocês não tem nada a ver com as mortes? – Perguntou .
– Não, mas foram cometidas por uma de nossas armas. Por aquela que vocês costumam chamar de Cajado de Moisés.
– Cajado? O Cajado mesmo? – perguntou Jean.
– Foi usado como demonstração de força no Egito, se bem me lembro.
– Pois é, eu sei que o cajado fez rio virar sangue. Não um homem. – Falou Dean.
– A arma não foi usada em total capacidade. – Falou Castiel, pensativo. – Acho que podemos tirar Moisés como suspeito.
Os quatro se olharam.
– Valeu, mas afinal o que a arma tá fazendo aqui? – Dean perguntou. – Vocês jogaram fora?
– Antes do apocalipse o céu podia ser corrupto, mas era estável. O cajado estava bem guardado, mas está um caos lá em cima depois da guerra, e no meio da confusão, algumas armas foram roubadas.
– Tá dizendo que as bombas estão espalhadas por aí? – perguntou Jean.
– Lamento dizer, mas sim. E vocês esbarraram em uma delas e nós temos que achar a arma.
– E por que faríamos isso? – perguntou Dean.
– Porque eu preciso de ajuda e precisamos encontrar antes que mais gente se machuque.
– Ok. – Disse olhando para o notebook. – Temos três policiais mortos e a única coisa que os liga é isso. “Pai de vitima pede uma investigação completa.”... Eu não sei vocês, mas acho que isso pode ter alguma coisa a ver com o cajado.
– Tá – Disse Dean – se os anjos não puxaram o gatilho, nós teremos que voltar ao motivo.
– O quê? – perguntou Castiel confuso.
– De volta ao caso. – explicou.
– O que faremos? – Perguntou Jean.
– Vamos atrás dele. – Respondeu Dean.
– Tá, e onde o encontramos? – Perguntou Sam.
Castiel apenas se aproximou de Dean e Sam e os teletransportou.
– O quê? Não acredito que ficamos de molho! – Falou se levantando emburrada. – Se não fosse a minha pesquisa, eles nem saberiam por onde começar.
– Calma, se a gente não foi é porque tem algum motivo. – Disse Jean.
o olhou nervosa.
– Você é cheio dessas, né? Para de achar que tudo tem um motivo! – Suspirou. – E o que a gente faz? Fica sentado assistindo a novela da tarde?... Ah, pensando bem, até que não é uma má ideia. – ela olhou o relógio. – Já vai começar. – Disse indo até o frigobar e pegando duas cervejas. Depois, ela voltou e deu uma garrafa para Jean, e se sentou na cama.
– Não acredito, é isso mesmo? – Perguntou sorrindo.
– Tem ideia melhor? – Perguntou ligando a TV, que já passava a abertura da novela. – “Un día llegaré con un disfraz. Distinto el color, La misma faz.Te desarmaré y ni cuenta te darás. Para entregarte el corazón." – ela começou a cantar o tema também.
E Jean não teve escolha a não ser sentar e acompanhá-la.

Owensboro, Kentucky.

estava em casa sem fazer nada. Era fim de semana e ela não trabalhava. E por sorte, ligou para contar o que estava acontecendo em Easton. As duas conversaram sobre o caso e sobre o que estava acontecendo entre eles. Mas quando a conversa mudou de rumo – e com rumo, quero dizer “Derek”–, de certa forma, se incomodou. Principalmente por ter começado o assunto e ter contado que Derek estava em Louisville. ia irritá-la, com certeza.
– É, eu sei, ele tem sido bem legal.
E eu não entendo por que vocês dois não ficaram juntos ainda.
Depois de alguns segundos em silencio, ela respondeu.
– Eu acho que é um pouco cedo pra isso.
Cedo? Há quanto tempo vocês estão nessa mesmo?
Riu pelo nariz.
– Eu sei, mas as coisas não são tão simples assim.
E por que não? Vocês dois são livres e desimpedidos.
– Você sabe por quê.
Eu pensei que esse assunto estava bem resolvido pra você.
– E tá, mas eu não posso simplesmente esquecer tudo isso.
Eu entendo...
Então seu outro celular começou a tocar. Era Derek.
– Olha, eu tenho que desligar... Depois a gente se fala. – e ela desligou e pegou o outro aparelho, que estava na mesa de centro. – Alô?
Oi, . Tudo bem?
– Tudo. E você?
Estou bem e tenho uma novidade.
– Que novidade?
A visitação foi adiada pra segunda, e eu estava pensando em viajar agora até aí.
– Mas agora?
É, se você não tiver outros planos. Estava pensando em passar um tempo com você.
– Ah que legal, estarei te esperando.
Ok, te vejo mais tarde.
– Até...
fitou o outro lado da sala, pensativa e sorriu. Seria mesmo uma boa dar uma mudada na rotina.

Flashback On
Quatro meses atrás, em Sioux Falls.

's P.O.V On

Na noite seguinte a do festival, eu me arrumei e fui até o restaurante que Derek tinha sugerido para o nosso encontro. Tinha que admitir, eu estava ansiosa por finalmente sair com alguém, mas eu não conseguia deixar de me questionar se aquilo era certo.
Fazia nove meses que Sam tinha se jogado no buraco e eu sentia uma falta imensa dele. Às vezes, eu me pegava pensando sem como seria bom se eu estivesse ido ao encontro dele e pulado. Parecia meio doido pensar nisso, mas era o que possivelmente eu teria feito.
Eu o amava demais e apesar de não tê-lo mais, eu achava que saindo com outro alguém, eu estava o traindo.
E aquilo doía demais.
Eu nem entendia por que aceitara o convite de Derek. Talvez fosse porque Sam pedira que eu seguisse em frente. Talvez fosse pela conversa que tive com , ou a que tive com Bobby depois. Ou talvez eu só quisesse ir.
Mas essa era uma pergunta que eu não sabia a resposta. Eu só sabia que faria o possível para não pensar em Sam e aproveitar ao máximo o encontro, independente de ser entre amigos ou não.
Quando entrei no bar, vi Derek sentado numa mesa perto da janela. E eu não pude deixar de sorrir quando ele esboçou um sorriso ao me notar.
– Oi. – o cumprimentei com um beijo no rosto.
Derek me cumprimentou de volta e me olhou de cima a baixo.
– Você está linda.
Senti minhas bochechas queimarem.
– Obrigada. – Respondi me sentando.
Derek também se sentou e pigarreou.
– E então? O que achou do lugar?
Olhei ao redor com a boca torcida. O bar era grande, bonito e a música que tocava ao fundo era boa.
– Gostei. – Olhei para ele. – Você tem muito bom gosto.
Derek sorriu.
– Que bom que você gostou. Vou dizer ao proprietário.
– Você o conhece?
– Sim. E você também.
– Eu? – perguntei confusa. Eu não conhecia ninguém em Sioux Falls, a não ser Bobby, mas era pouco provável ele ter um bar daqueles. – Quem?
Derek sorriu.
– Eu.
Franzi o cenho sem conter o sorriso de surpresa.
– Você é o proprietário?
– Sim.
– Jura? – perguntei impressionada.
Derek riu.
– Não. Tô brincando. Eu não tenho a menor ideia de quem seja dono desse lugar.
Balancei a cabeça sorrindo.
– Você me enganou direitinho agora.
– É um dom. – ele se gabou.
– Hm... Tô vendo que você se orgulha disso.
– É, o que eu posso falar? É um dom.
Balancei a cabeça e sorri.
Nós dois bebemos e conversamos sobre a vida de Derek. Pelo menos sobre a infância dele e sobre a profissão. Depois, conversamos sobre coisas aleatórias até levarmos a conversa para um assunto não muito agradável para mim ultimamente: relacionamentos.
– Bem Derek, pra você ter me chamado pra sair, provavelmente você é solteiro. Não é?
Por se tratar de um assunto que não me agradava muito, eu normalmente evitaria falar sobre. Mas depois de algumas cervejas, eu já estava mais a vontade e “animadinha” pra conversar sobre qualquer coisa.
Derek assentiu sorrindo.
– Você é muito boa. – ele também estava meio animado.
Dei de ombros.
– Não quero me gabar não, mas eu sou sim. Quando se é caçador, você aprende a deduzir e observar coisas que ninguém mais observa.
– Sei... – ele riu. – Respondendo a sua pergunta, sim. Mas por que a pergunta? Você está interessada?
Eu não pude deixar de rir.
– Curiosa, seria o termo correto. Ontem eu notei a marca de aliança no seu dedo e pra ser honesta, achei que você fosse casado e tivesse guardado a aliança pra dar em cima de mim.
Derek me olhou por um instante e riu.
– Você acha que eu faria isso?
– Ontem eu tive quase certeza disso. Como eu disse, você era um estranho. Mas agora eu acho que não.
– Ah, obrigado pelo voto de confiança.
Eu o olhei esperando algo mais, mas Derek não colaborou.
– E então? – Insisti. – Não vai me falar por que essa marca foi parar no seu dedo?
Derek me olhou por um instante e tomou um gole de cerveja.
– Eu fui casado por quatro anos. E agora não sou mais. – Respondeu sério.
– E por quê?
Derek me encarou com o olhar sério.
– Ela não está mais aqui. E a culpa é minha.
Eu o olhei sem acreditar. Ao conversar com Derek, eu foi enganada diversas vezes por ele. E era óbvio que aquilo era mentira. No mínimo ele era divorciado.
– Ela morreu? – perguntei sorrindo. Derek não respondeu, mantendo o olhar sério. – Ah, tá. Não me diga que a culpa é sua porque ela morreu na mesa de cirurgia enquanto você a operava. Derek, você não me engana mais. – eu o olhei rindo.
Derek não respondeu. E completamente sem graça e sem saber onde enfiar a minha cara, eu apenas o olhei preocupada.
– Derek? Foi isso mesmo? Ai meu, Deus. Me desculpe! Eu não... Eu não sei nem o que dizer, me desculpe.
Derek assentiu devagar e levantou a cabeça. Ele me encarou por um tempo e aos poucos abriu um sorriso. Eu franzi o cenho e tive que admitir: cai na conversa dele mais uma vez.
– Isso não teve graça! – Protestei e Derek começou a rir. – Não teve a menor graça mesmo! – falei não contendo o riso. Não pela brincadeira, mas por ver como ele se divertia.
– Desculpa, eu não pude perder a oportunidade. – ele riu e tomou um gole de cerveja.
– Nossa, eu não sabia onde enfiar minha cara. Nunca mais faça isso.
Derek riu.
– Foi mal, acho que peguei pesado.
– Não, que isso. – Respondi com ironia. – Será que você pode responder a pergunta. Falando sério, por favor.
Derek assentiu e deu de ombros.
– Ah, eu fui casado sim. Mas me separei faz um ano, mais ou menos.
– E foi por sua culpa mesmo?
– Não sei, pra dizer a verdade. Às vezes acho que sim e às vezes acho que não. Eu andava muito ocupado com o trabalho e ela dizia que eu não tinha tempo pra ela. A relação foi se desgastando e achamos que nos separar seria a melhor opção. E até agora tem sido... Nós nos damos bem.
– E você se sente mal por isso?
– Pra falar a verdade, não. Eu não ficava a maior parte do tempo fora de casa porque eu queria, eu tinha que trabalhar, e ela sabia muito bem disso.
– E ela mora aqui?
– Não. Em Nova York com a Louise.
– Quem é Louise? – Perguntei tomando um gole da minha cerveja.
– Minha filha.
E é claro que eu não pude deixar de me engasgar. Ele parecia ser muito jovem e “livre” para ter um filho.
– Você tem uma filha?
Derek sorriu.
– Tenho. Ela tem três anos.
– Deve ser muito difícil ter uma filha que mora longe de você.
– E é. Mas sempre que posso eu vou visitá-la.
– É uma pena.
– Ah, no começo foi sim. Mas agora não. Posso parecer meio frio dizendo isso, mas estou sendo sincero. Prefiro me dar bem com as duas vivendo vidas separadas a viver juntos em pé de guerra.
– Sei...
– Mas enfim. E você, ? Vai me contar quem é a outra pessoa na sua vida?
– O quê?
– Você ficou meio resistente em aceitar meu convite para esse encontro. Deve ser por outro alguém.
Sorri sem graça.
– Não exatamente.
– Isso você já me disse ontem.
Eu o olhei. Derek tinha contado coisa que não era da minha conta numa boa, e eu podia fazer o mesmo. Mesmo não entrando em detalhes.
– Sim. Eu confesso que não queria vir por causa de alguém.
– Você está com alguém, é isso?
Balancei a cabeça.
– Não, não mais.
– Então você ainda gosta desse alguém e acha que o está traindo, saindo com outra pessoa?
Assenti.
– Basicamente.
– Isso significa que você gosta dessa pessoa e que essa pessoa gosta de você, já que você se sente mal só por sair com outro alguém. – ele faz uma pausa. – Por que você não está com ele agora?
Eu suspirei e tomei um longo gole de cerveja.
– Ele não tá mais entre nós.
Derek me olhou por um tempo.
– É sério isso ou você só tá me zoando?
– É sério. Eu não sei nem porque vou te falar isso, mas é verdade. Foi há nove meses. E você chegou a conhecê-lo. – Respondi com um riso miserável.
Derek franziu o cenho.
– Ele era um daqueles caçadores? – eu assenti. – Sinto muito.
Eu o olhei e dei um riso sem graça.
– Eu também... Enfim. Eu não quero mais falar disso. Vamos mudar de assunto.
E assim, a noite foi passando e eu e Derek não voltamos a falar de relacionamentos.
Conversamos sobre tudo que nos vinha à mente, comemos e bebemos até não aguentarmos mais. Não estávamos bêbados de cair, mas estávamos muito mais a vontade um com outro.
E eu definitivamente tinha que admitir: havia gostado de Derek.

Flashback Off

Easton, Pensilvânia.

Assim que foram teletransportados, Dean e Sam abriram os olhos e viram que estavam em uma sala de estar.
– Castiel, eu acho que você deveria avisar da próxima vez. – Comentou Dean.
Que isso, como vocês entraram aqui? – um homem sentado em um sofá disse.
– Senhor... Acalme-se, somos agentes federais. – Falou Sam.
– Mas vocês não podem entrar aqui... – Disse, sem entender nada.
– Bela coleção o senhor tem aqui. – Falou, reparando os recortes de jornais em cima da mesa de centro. Todos noticiavam a morte do filho dele, e o fim que os policiais tiveram.
– Estão fazendo o quê aqui?
– Olha, sabemos da verdade, ok? Chris não tinha a arma com ele quando os policiais o mataram. Eles armaram pra ele.
– É e estão todos levando o troco.
– E quem tá dando o troco, Daryl?
O homem abaixou a cabeça.
– Daryl, você matou Tobby Gray? – perguntou Dean.
– Eu? Eu não matei ninguém! Vejam como eles morreram.
– Você os atingiu com o cajado do Moisés? – Perguntou Castiel.
– Que droga de federal é você?
– Não temos tempo pra isso. – Disse se aproximando. – Onde está?
– Deixe meu pai em paz!
Todos olharam para trás e viram um menino com um pedaço de madeira na mão.
– Isso é... – Tentou Dean dizer.
– É. – Respondeu Castiel.
– Ele não deveria ser maior? – Perguntou Sam, reparando no tamanho do pedaço de madeira.
– É, mas ele foi cerrado.
– Deixem meu pai em paz! – o garoto voltou a dizer.
– Eron, saia daqui. – o homem pediu.
Castiel então se virou e encostou os dedos na testa do homem, que caiu inconsciente.
– O que você fez com ele? – o garoto perguntou assustado.
– Ele está bem, só tá dormindo. – Dean respondeu.
Castiel se teletransportou para o lado do garoto e pegou a madeira. Ao perceber o medo estampado na cara do garoto, Dean disse:
– Ô Castiel, pega leve. – Olhou novamente para o garoto. – Nós não vamos te machucar, ok? Mas nós temos que saber, onde conseguiu isso?
– Por favor, não matem meu pai. Fui eu, fui eu que fiz.
– Ninguém vai matar ninguém não. – Disse calmo. – Qual é o seu nome?
– Eron.
– Então, Eron, me conta... Como foi?
– Você não vai acreditar.
– Diz aí.
– Foi um anjo.
– Um anjo?
– Os mentirosos mataram o meu irmão, mas nada aconteceu com eles. E não era justo... Eu rezava toda noite pra Deus puni-los, mas Deus não respondeu, mas ele sim.
– Ele disse o nome dele? – Perguntou Castiel.
– Não. Ele só me disse que eu teria justiça, mas que eu ia ter que fazer tudo sozinho, então ele me deu isso.
– Ele deu pra você? – Perguntou Dean, desconfiado. – Fala sério, ele não entregou assim sem mais sem menos, né, Eron?
– Eu comprei.
– Você comprou? Com o quê? Sua mesada? – Perguntou Sam, sarcástico.
– O que o anjo pediu em troca? O que você deu a ele? – Perguntou Dean, ignorando o irmão.
– Minha alma.
Os três se olharam.
– Você vendeu a sua alma a um anjo? – Perguntou Sam.
O garoto assentiu. Dean olhou para Castiel, e perguntou:
– Isso pode acontecer?
– Isso nunca aconteceu antes. – Respondeu pensativo. – Um anjo comprando almas... Isso explica o porquê ele cortou o cajado em pedaços.
– E por quê?
– Mais pedaços, mais produtos.
– Mais produtos? Quem é esse cara?
– Vamos achá-lo. – Castiel respondeu, encostando os dedos na testa do garoto, que caiu adormecido.
– Por que você fez isso?
– Portabilidade.
E antes que Dean pudesse falar alguma coisa, ouviram alguém, ou melhor, perguntar surpresa:
– Ei, o que é isso? – Reparou o garoto. – E quem é esse?
– O garoto que estava dando uma de Moisés. – Respondeu Dean, se dando conta que havia voltado para o quarto.
Jean se levantou da cama e Castiel colocou o garoto sobre ela.
– E o que aconteceu com ele? Por que trazê-lo pra cá, não era mais simples pegar a arma? – Perguntou, enquanto olhava o garoto desacordado sobre a cama.
– Ele fez um pacto e nós precisamos dele pra saber com quem. – Completou Castiel.
– Um pacto? Só pode ser com Crowley.
– Não, dessa vez é diferente. – Respondeu Sam. – Ele fez um pacto com um anjo.
– Anjo? E desde quando anjos fazem pacto? – Perguntou Jean.
– Não sei. – Respondeu Castiel. – E é por isso precisamos dele.
– Tá, mas vocês percebem que acabaram de sequestrar um menino? – Perguntou .
– Se o anjo que buscamos comprou mesmo a alma do menino, ele deixou uma marca, já que ele comprou uma alma viva.
– Marca? Como nas roupas de acampamento? – Perguntou Sam.
– Não faço ideia do que você está falando, mas eu posso ler a marca e achar o nome do anjo que comprou a alma.
– Como? – perguntou.
– Bem, com muita dor pra ele. A leitura vai ser torturante. – Disse, se aproximando do garoto.
– Ei, pera aí... – Dean interferiu, fazendo Castiel o olhar.
– Dean...
– É um menino, rapaz. – Falou inconformado, olhando para o irmão que parecia pensar no assunto. – Sam...
Sam apenas o olhou por um tempo, até que falou:
– Algum dano permanente?
, Jean e Dean o olharam surpreso. Aquele era algo do tipo que Sam interferiria, pensando no bem estar do menino.
– Como é que é? – Dean perguntou incrédulo.
– Fisicamente mínimo. – Respondeu Castiel, ignorando Dean.
Dean olhou para o anjo.
– Ah, tá! Então você enfia o braço aí dentro, tá bom? – Comentou nervoso e sarcástico.
– Dean, se eu tiver o nome eu posso fazer um ritual pra rastrear o anjo.
– Eu concordo, mas fala sério! Tem que ter outro jeito.
– Não tem outro jeito.
– Castiel, ele é apenas uma criança, não merece passar por isso. – Disse Jean.
– Mas não tem outro jeito.
– Você vai torturar o menino! – protestou.
– EU NÃO POSSO ME IMPORTAR... Não posso me dar ao luxo...
Então, ele transpassou o braço no abdômen do garoto, que começou a se contorcer e gritar de dor.
e Jean se controlaram para não intervirem. Dean tentou impedir, mas Sam o segurou. E aquilo era mais uma prova que algo estava errado.
O “exame” não demorou muito. Alguns segundos depois, Castiel retirou o braço e analisou o menino.
– Ele vai descansar agora.
– Conseguiu o nome? – Perguntou Sam.
– Achei que ele tinha morrido na guerra.
– O que ele era, um amigo ou coisa assim? – Perguntou Dean.
– Um bom amigo.
– Ah, tá. Seu amigo tá dando uma de demônio da encruzilhada?
Castiel olhou para eles.
– Balthazar... Não acredito.
– Então podemos achá-lo agora?
Balthazar... Obrigado, Castiel. Agora faremos um bom uso do nome. Ah, aliás, Rafael diz olá.
Todos olharam para a porta e viram um anjo indo para cima de Castiel, e ambos começaram a brigar. , Jean, Dean e Sam se afastaram para o canto da sala. Eles queriam ajudar, mas não podiam, ele era um anjo e seria fatal se envolverem.
Em um vacilo do anjo, Castiel o empurrou em direção à janela e os dois caíram do quarto andar. Todos se olharam surpresos ao ouvirem um barulho estridente. Então eles correram até a janela. Castiel e o anjo estavam estirados em cima de um carro, que ficou em frangalhos.
– Meu carro... Droga. – Murmurou Sam.
– Ta aí um lado bom. – Disse Dean, com um sorriso no rosto.
Ele se foi... – Disse Castiel, reaparecendo atrás deles.
Todos se viraram e olharam para ele.
– Castiel, quem era o cara? – Perguntou .
– Um soldado de Rafael. Ele deve ter me seguido quando eu respondi o chamado de vocês. – Disse caminhando de um lado para o outro, procurando algo em todos os armários da cozinha.
– Rafael, o arcanjo?
Castiel apenas assentiu.
– Pera aí, me desculpe, mas o que tá rolando aqui? – Perguntou Dean.
– Posso explicar depois. Agora temos que ir.
– Depois não! – Falou, entrando na frente de Castiel. – Agora, valeu? Tem anjo demais e eu não sei quem vem primeiro, quem vem em segundo...
– O que é segundo?
– Ah, não começa com isso...
– Ok... É bem simples. Rafael e seus seguidores querem que ele governe o céu, eu e muitos outros. Mas a ultima coisa que queremos é que ele assuma. Seria catastrófico.
– Tá falando de guerra civil? – Perguntou Jean.
– Tecnicamente, sim. Por isso temos que achar Balthazar e as suas armas antes de Rafael. Quem tiver as armas vence a guerra. – Respondeu voltando a andar pelo quarto novamente, como se estivesse em busca de algo.
– Fique a vontade. – Jean disse ao ver o anjo abrindo as malas de armas e outras coisas deles.
– O que acontece se Rafael vencer? O que ele quer? – Perguntou para o anjo.
– O que ele sempre quis: terminar a história do jeito que foi escrita.
– Tá dizendo o apocalipse que evitamos? – Perguntou Dean.
– É, o mesmo. – Disse Castiel, parando e olhando para eles, que estavam parados com cara de tacho. – Rafael quer que ele volte aos trilhos.
– Por quê?
– Preciso de Mirra.
– Mirra? – Perguntou Sam, franzindo o cenho.
Castiel apenas desapareceu e depois de poucos segundos, reapareceu com algo nas mãos, caminhou até a mesa e começou a desenhar sobre a mesma.
– Por que Rafael quer trazer de volta a zona toda? – Perguntou Dean.
– Ele é tradicionalista.
– Por que não contou isso?
Castiel parou e olhou para eles.
– Eu tive vergonha. – Abaixou a cabeça. – Eu esperava mais dos meus irmãos. – Os olhou. – Me desculpem... Preciso do seu sangue. – Falou puxando Jean, que estava mais próximo e cortando a palma de sua mão. O sangue começou a escorrer dentro de uma vasilha.
– Por que não usa o seu? – Perguntou Jean.
– Não funciona, não é humano.
Castiel o soltou, jogou a mirra dentro da vasilha, colocando-a sobre a mesa a seguir. Então, ele falou algumas palavras em Enochiano, despejando água benta sobre os ingredientes.
A água apenas evaporou.
– Castiel, quanto tempo demora o feitiço? – Perguntou Sam, estranhando nada ter acontecido até o momento.
Castiel não respondeu. Todos fizeram um breve silencio. Poucos segundos depois, o anjo voltou a falar:
– Vamos.
– E o menino? – Perguntou .
– Não acha que a policia vai levá-lo pra casa?
– E você acha que eles vão chegar antes dele acordar? O garoto vai ficar assustado.
– Mas não temos tempo.
– Castiel, você trouxe o garoto, nada mais justo do que levá-lo de volta.
Castiel olhou para os rapazes, que apenas deram os ombros.
– Mulheres. Nunca discuta com elas. – Completou Dean.
Castiel o olhou, foi até o menino e desapareceu.
– Essa foi a coisa mais sabia que eu ouvi você dizer. – comentou com Dean.
– Às vezes eu posso surpreender. – Disse dando um sorriso convencido.

's P.O.V On

Poucos segundo depois, Castiel reapareceu e nos teletransportou para um jardim, ou melhor, o quintal de uma bela casa. O local estava silencioso, e para mim não havia ninguém, mas pela expressão de Castiel, eu pude saber que não estávamos sozinhos.
– Vocês não acham que tá muito quieto aqui? – Perguntou Jean. – Se é que o Balthazar tá aqui.
– Ele está, mas não por muito tempo. – Respondeu o anjo, enfiando a mão por dentro do sobretudo e tirando de lá sua faca de anjo. – Tomem, fiquem com isso.
Dean pegou a arma sem entender.
– E você o que vai fazer? – Perguntou Sam.
– Vocês ficam aqui e lutam contra o que aparecer, eu vou entrar e procurar Balthazar.
– E isso não é arriscado? Você tá entrando sem arma. – Falei, já achando o plano uma loucura.
– Não se preocupe com isso. – Falou e desapareceu.
Olhei para Jean que mantinha a mesma expressão que eu. Um grande ponto de interrogação.
– E agora?
– Não sei vocês, mas eu e o Sammy vamos atrás do Castiel. – Falou Dean.
– O quê? – Olhei para ele. – Você tá louco? Se o Castiel pediu pra que ficássemos aqui é porque a coisa lá dentro vai ficar feia.
Dean me olhou.
– E você acha sensato deixar ele lá dentro sozinho?
Suspirei e rolei os olhos.
– Tá, mas vocês não vão lá dentro sozinhos. Eu e o Jean vamos com vocês.
– O quê? Não precisa!
– E vocês acham que os dois serão suficientes lá? Nós vamos juntos e ponto! – Soltei um riso frustrado quando ele fechou a cara. – Você só pode estar de brincadeira, né? Seria um ato suicida vocês irem lá sozinhos... Nós vamos juntos, ou nada feito.
– Sinto muito, mas vocês não vão.
– Dean, eu já...
, eu acho que ele tá certo. – Jean se manifestou.
O olhei perplexa.
– Sério mesmo? Você vai concordar com isso?
Jean apenas pendeu a cabeça.
– Eu acho que eles sabem o que fazem, não é?
E com aquela pergunta, eu fiquei quieta. Era evidente certo incomodo no olhar de Jean, e eu tinha que confessar: estava me preocupando demais.
Só não entendia por quê.
– Tá. – Olhei para Dean e Sam. – Vão lá, enquanto a gente fica jogando conversa fora e vocês saem com todo o mérito. – Falei sarcástica.
Dean apenas suspirou e esticou o braço que ele segurava a espada de Castiel.
– Toma, fiquem com ela.
Eu a peguei.
– Mas e vocês?
– A gente dá o nosso jeito. – Disse dando as costas com Sam e se afastando até a entrada da casa. Voltei a olhar para Jean, que me olhava.
– O que é? – Perguntei incomodada.
– Nada. Só achei meio exagerado essa sua vontade de ajudar.
– Exagerado?
– E você não acha? , você só faltou convencer o Dean a base de tapas.
– Agora quem tá exagerando é você.
– Tá, se você diz. – Disse desviando o olhar, e eu não pude deixar de me incomodar. Aquela atitude era típica de uma pessoa com ciúmes. Mas a pergunta que ficava no ar era: Por quê?
Era obvio o ressentimento que eu tinha pelo Dean por causa do que ele havia feito. E eu e o Jean já estávamos juntos há tempo o suficiente para ele saber dos meus sentimentos por ele.
– Você tá de brincadeira, não é?
Jean me olhou com o cenho franzido.
– Eu, brincado?
– É isso que eu te pergunto. Eu acho que não aconteceu nada pra você agir dessa maneira.
– Eu não tô fazendo nada.
O fitei por mais um segundo, e ele permaneceu me olhando.
– Tá. Olha, eu sei que fui exagerada, mas eu realmente estou preocupada com o Castiel... Eu me sentiria mais útil fazendo alguma coisa.
Jean desmanchou a sua pose, e mais tranquilo disse:
– Eu sei disso, mas não há muito que se fazer. E outra, quanto mais gente lá dentro, pior.
Eu apenas assenti, e antes que pudesse dizer alguma coisa, ouvimos um estrondo como se fosse de um trovão. No mesmo instante, senti Jean me puxar pelo braço para trás de uma arvore que estava próxima.
– O que foi isso? – Cochichei.
– Eu sei lá.
Franzi o cenho e notei que ele ainda segurava o meu braço.
– Eu acho que estamos seguros, não acha?
Jean me olhou sem entender, até que percebeu sobre o que eu me referia.
– Desculpa, força do habito. – Disse soltando meu braço.
Sorri fraco, e desviei o olhar ao notar uma movimentação mais a frente. Havia três homens, que eu deduzi se tratar de anjos, ou demônios, já que apareceram do nada.
O homem que estava entre os outros dois disse algo que eu não consegui entender e desapareceu, enquanto os outros dois pegaram suas facas de anjos e se separaram. Voltei a olhar para Jean que também observava a cena.
– E agora? – Perguntei o mais baixo que pude.
Jean me olhou.
– E eu que sei?
Balancei a cabeça e me lembrei de que segurava algo nas mãos. Ao fitar a espada de Castiel, uma ideia passou pela minha cabeça. E mesmo sendo uma das mais absurdas e arriscadas que já tive, nós não tínhamos escolha. Então falei o passo a passo com Jean, que no inicio pareceu não concordar, e pusemos nosso plano em pratica.
Assim que nos separamos, segui caminhando até um dos anjos que ainda permanecia em frente à entrada da grande casa.
– EI, AQUI QUE TÁ ROLANDO A FESTA? – Perguntei em alto e bom som.
O anjo se virou e caminhou até mim.
– Muita audácia sua, não? – Perguntou ao se aproximar.
– Me desculpe, eu acho que me enganei. – Disse, acertando um soco na cara do anjo que não reagiu.
Nem um chiadinho de dor.
Eu havia me esquecido que os filhos da mãe eram duros na queda. Com uma dor imensa na minha mão, percebi que ele me olhava com raiva.
– Você vai se arrepender de ter nascido. – Disse caminhando até mim.
Eu corri na direção oposta, passando entre as arvores. Por ser noite, e por se tratar de um quintal enorme, não havia iluminação. Eu corri entre as arvores, enquanto sentia minha pele queimar graças aos galhos que arranhavam meu braço e até meu o rosto.
Torcendo para que as coisas saíssem como o combinado, corri o mais rápido que pude. Mas para o meu azar, o anjo também tinha os seus truques e, de repente, ele apareceu na minha frente do nada, fazendo que eu tropeçasse nos meus próprios pés e caísse ao chão.
Me sentei o mais rápido possível e notei um leve sorriso sarcástico surgindo em seu rosto.
– Aonde pensa que você vai? – Sem responder, eu comecei a recuar. Mas a cada passo, o seu sorriso era mais largo. – O que é? Tá com medo agora?
– Vai pro inferno!
Ele deu um riso sarcástico e voltou a me olhar.
– Desculpe, mas eu acho que esse destino é o seu.
De repente, ouvi alguns passos se aproximando. Aliviada achando que se tratasse de Jean, olhei para trás e meu coração pareceu disparar ainda mais. Os passos vinham de outro anjo que se aproximava.
– Acho que está ocupado. – Disse olhando para o outro anjo, que apenas assentiu. O mesmo voltou a me olhar. – E aí, a que devemos a honra de sua presença?
Permaneci quieta, torcendo para que Jean desse sinal de vida a tempo.
– O que é? O gato comeu a sua língua? – Perguntou o outro anjo.
Eu apenas o fuzilei com os olhos e disse:
– Vá se ferrar!
O mesmo soltou um sorriso e olhou para o outro anjo, andando ao meu redor.
– Sabe, eu gosto desse tipo de pessoa que não tem medo. Que vai lá e mete a cara, sem se preocupar com nada. Que saem por aí, como se fosse invencíveis e temíveis. – Disse parando na minha frente e agachando na minha altura. – São esses tipos de pessoas, que tem o ego lá em cima, e que agem como imortais que eu tenho mais prazer em acabar com a raça.
Arqueei uma sobrancelha em sinal de desdém – quando na verdade, eu estava me tremendo por dentro, feito vara verde, mas agradecendo por aqueles anjos se vangloriarem antes de matar, porque assim eu tinha tempo. O Jean tinha tempo.
– Vá em frente. – disse firme. – Mas saibam que assim que os meus amigos tiverem conhecimento do que vocês fizeram, eles vão atrás de vocês, e caras, eu não queria estar na pele de vocês.
Os dois anjos soltaram uma gargalhada, e o que estava na minha frente voltou a me olhar.
– E eu mal posso esperar por isso.
O seu desejo é uma ordem.
Eu e os anjos olhamos para o lado e vimos Jean, que estava parado com a mão esquerda escorrendo sangue, enquanto a direita estava erguida em direção a uma das arvores.
– Hasta La vista, baby. – Disse encostando a mão na arvore, fazendo com que um clarão se formasse diante dos meus olhos.
Por causa da claridade, eu cobri os meus olhos, agradecendo mentalmente por ele ter aparecido.
– Ei. – Ouvi passos vindo em minha direção. Abri os olhos e vi Jean se aproximando e se agachando na minha frente. – Você tá bem?
– Tô, mas por pouco, né?... Onde você tava?!
– Sinto muito, mas eu tive um probleminha com o sigilo.
– Problema?
Ele deu de ombros.
– É, ainda mais quando é a primeira vez que se desenha isso.
– Pera aí, foi a primeira vez que você fez um sigilo contra anjos?
– É.
– E por que você não falou isso quando a gente tava combinando o plano? – Perguntei indignada.
Ele apenas deu de ombros.
– Desculpe, mas uma das razões de eu ter me oferecido pra ser a isca era essa... Além do mais, o que adiantaria falar?
– Você tem noção de que minha vida estava em suas mãos?
– Eu sei, mas, primeiro: você fez questão de que eu parasse de ser protetor e deixasse você se virar. E, segundo: eu fiz o meu melhor... E olhe, todos foram pro espaço.
Suspirei e balancei a cabeça. Contra fatos não havia argumentos, eu havia pedido para que ele parasse com o seu lado “cauteloso” e me deixasse fazer o meu trabalho, então eu não tinha do que reclamar.
– Hum, sei.
Jean sorriu e se levantou. Em seguida, ele me ajudou a levantar.
– Calma, eu nunca deixaria nada te acontecer.
– Se você diz.
– E agora?
Dei de ombros.
– Eu acho melhor irmos lá ver se eles não precisam de ajuda.
...
– Jean, eu sinto muito, mas a gente tem que ir lá.
Mesmo contra vontade, Jean suspirou e me acompanhou até a casa. Com cautela, nós entramos na casa que estava escura. O silencio ecoava e aquilo me deixava mais preocupada. Passamos pelo corredor de entrada, mas antes de chegar à sala, ouvimos um barulho vindo de um cômodo mais a frente.
Então eu corri em direção ao som, apesar de perceber Jean protestando atrás de mim, eu não me importei, apressei mais o passo. Eu sabia que Castiel e os outros corriam perigo, e por mais que a minha ajuda não fosse grande coisa, eu tinha que fazer alguma coisa.
Não foi uma surpresa quando entramos no grande cômodo e encontramos Sam e Dean vendo o outro anjo – que estava acompanhado de outros dois –, erguendo a espada de anjo para acertar Castiel, que estava caído no chão, depois de levar uma surra. Sem pensar duas vezes, eu tentei interferir, mas Dean me segurou.
– Ei, aonde você pensa que vai?
Eu o olhei e tentei puxar meu braço, mas Dean me segurava com força.
– O Castiel precisa de ajuda!
– E você vai fazer o quê? – Perguntou duro, mas mantendo a calma. – , você não pode fazer nada e você sabe disso.
– E você acha que ficar assistindo a morte dele vai ajudar em alguma coisa?!
– Dá pra você se acalmar!
Com toda a força que eu pude juntar, eu puxei meu braço. E Dean voltou a dizer:
– Você sabe que ir lá é um ato suicida.
– E desde quando você se importa com atos suicidas? – Perguntei, me lembrando de ter usado o mesmo discurso para convencê-lo.
Dean apenas se aproximou mais um pouco e em um tom de voz que só nós pudéssemos ouvir, ele disse:
– Desde que isso envolva você!
E pode parecer insensível, e até arrogante, mas o fato era que naquele momento eu senti que todo o caos a volta desaparecera, e só estávamos eu e ele ali. De repente, todas nossas lembranças – as boas – voltaram a minha mente, e meu sentimento de raiva sumira.
Mas não o suficiente.
. – Ouvi Jean me chamar. E acordando de meus devaneios, eu fui até ele. – Tudo bem? – Perguntou ele com uma serenidade que me fez sentir uma pontinha de arrependimento.
– Tá, tá. – Disse prestando atenção em Castiel quando ouvi outro par de asas batendo e parando bem a nossa frente.
O anjo apenas levantou a mão na qual ele segurava uma pedra. O anjo que estava batendo em Castiel o olhou assustado e, sem mais nem menos, o mesmo virou uma estátua de sal, que se desmanchou.
– Aconteceu isso com a mulher de ló. – Disse ele em meio a risos. – Transforme o cara em sal e a cozinha terá estoque pra vida inteira.
– Balthazar, você voltou. – Disse Castiel, surpreso, se levantando com ajuda de Sam.
– Bem, agora Rafael terá que comprar uma nova casca. Isso vai lhe dar uma boa dianteira sobre ele. Até a próxima.
– Até a próxima.
Mas antes que o anjo pudesse desaparecer, com agilidade, Dean pegou a faca de anjo que estava em minhas mãos e foi até Balthazar, o segurando por trás.
– O que você tá fazendo, seu macaco pelado? Me solte! – Disse o anjo, nervoso.
– Antes, você vai tirar a sua marca da alma do garoto!
– Eu vou?
– Sam...
Sam foi até a mala e pegou um jarro de óleo sagrado. Balthazar o olhou assustado, Sam apenas soltou um sorriso de canto e disse:
– A menos que goste de suas asas semi-crocantes, eu pensaria nisso.
Ainda perplexo, Balthazar olhou para Castiel.
– Castiel, eu fiquei do seu lado no céu...
Com a mesma expressão – de nada – Castiel respondeu:
– Eu acredito que o macaco pelado tem um trunfo.
– Então tá. – Disse inconformado. Ele fechou os olhos por alguns segundos e logo depois voltou a dizer: – A divida está paga. A alma dele é só dele.
Dean o soltou e o anjo arrumou a jaqueta que vestia. Eu me aproximei com Jean e perguntei:
– Por que tá comprando almas humanas?
Balthazar me encarou por bons segundos, me olhando de cima a baixo e mostrando um pequeno sorriso sutil de canto. Eu achei aquilo bem estranho, mas então ele respondeu:
– Nessa economia? É a única coisa que vale a pena comprar... Faz ideia de quanto vale as almas, o poder que elas têm? Agora me soltem!
– Cala essa boca palhaço, ninguém... – Dean começou a dizer, mas parou quando Castiel o ignorou e disse para Balthazar:
– Minha divida com você está paga.
– Muito justo. – disse antes de desaparecer.
E antes que algum de nós pudesse questionar a atitude de Castiel, ele desapareceu.
– Mas que droga! – Falou Dean, nervoso.
– É, eu acho que nós não somos mais uteis. – Completei.

's P.O.V Off



Sorry's Not Good Enough

Owensboro, Kentucky.

's P.O.V On

Faltavam 10 minutos para Derek chegar, segundo a mensagem que ele enviou, e eu ainda estava me arrumando.
O dia não tinha sido um dos melhores. Eu havia saído na parte da tarde para ir às compras e o Camaro me deixou na mão, me deixando completamente atrasada. Com rapidez, eu tomei um banho e agora estava na frente do guarda-roupa, decidindo o que vestir.
Não era o meu primeiro encontro com Derek, mas eu ficava desconfortável em pensar em passar a impressão errada por causa da má escolha de roupas. Então eu optei por um vestido simples e uma sandália. Eu não sabia aonde íamos, mas em minha opinião, aquela roupa cairia bem independente do suspense que Derek havia feito, e eu já tinha em mente onde iriamos. Ele era um cara legal, inteligente, humorado, mas não era muito bom em surpreender, já que ele é meio previsível às vezes. O que eu não acho um defeito – só para deixar claro.
Assim que eu terminei de calçar a sandália, a companhia tocou. Agradecida por ter me arrumado em tempo recorde, fui até a porta e a abri. Derek estava lá, vestindo uma roupa social com um sorriso largo no rosto. E é claro que eu me senti mais aliviada por ter feito a escolha certa de roupa.
– Você está... Incrível. – Disse, me olhando de cima abaixo.
E é claro que eu corei envergonhada.
– Obrigada. – Disse sem graça. – Você também não tá nada mal.
Derek sorriu.
– Bem, então, vamos?
– Claro, deixa eu só pegar a minha bolsa.
Corri novamente até meu quarto, pegando a bolsa sobre a cama. Dei mais uma checada no espelho e em menos de um minuto, o encontrei na sala.
– Vamos?
Derek sorriu e assentiu. Enquanto caminhávamos até o carro, eu perguntei:
– E aí, posso saber pra onde estamos indo?
– Eu sei que não vai ser nada tão surpreendente, mas eu pensei em sairmos pra jantar. Tudo bem pra você?
– Ótimo. – Respondi.
Independente de ser algo previsível, eu adorava sair para jantar com ele. Pelo menos era o que pessoas normais faziam, e agora, eu estava vivendo feito uma pessoa normal.
Enquanto Derek dirigia, nós conversávamos e colocamos o papo em dia. E isso era uma parte boa de nossos encontros. Apesar de ter uma vida monótona agora, eu sentia que Derek trazia certa “emoção” para minha vida.
Ele não era o primeiro nem segundo cara com que eu me envolvia, mas era um dos únicos que valiam a pena. E era por isso que eu decidi continuar fora da caçada. Por mais que o meu cérebro e coração viveram em desacordo constante, já que parte de mim queria voltar a minha velha vida, a minha outra parte estava satisfeita por ter seguido dessa maneira.
Assim que Derek estacionou o carro, notei a fachada de um restaurante italiano e eu não pude deixar de sorrir.
Aquele era o restaurante favorito do meu pai. Sempre que ele voltava de uma caçada, nós íamos jantar lá, e graças as minhas boas lembranças com ele lá, aquele lugar tinha se tornado o meu favorito.
– Espero que não se importe... – Disse Derek, me olhando.
Eu o olhei surpresa e animada. Há tempos eu havia contato a ele sobre aquele lugar.
– Me importar? Não, só tô surpresa por você ter se lembrado... Este lugar é incrível.
– Que bom. Eu sei como você gosta daqui, por isso fiz questão de vir e ver se a comida é tudo aquilo que você fala.
– Tenho certeza que você não vai se arrepender.
Nós dois entramos e fomos para a mesa que Derek havia reservado. Em meio a mais conversas, fizemos o pedido de entrada e prato principal.
Assim que nos alimentamos, Derek pediu o cardápio de sobremesa. Mesmo observando o meu cardápio, eu não pude deixar de notar o grande ponto de interrogação se formando sobre ele.
– E aí, já escolheu?
Derek deu de ombros, e sem tirar os olhos do cardápio, ele respondeu.
– Eu não sei... Estava pensando em pedir um bolo de chocolate.
franziu o cenho e soltou um riso.
– Bolo de chocolate?
Derek olhou para mim e sorriu.
– É... Por quê a surpresa? Todo mundo gosta de bolo de chocolate.
– Eu sei, mas você tá num restaurante italiano. – Derek pendeu a cabeça e eu sorri. – Que tal você deixar que eu te surpreenda, hein?
Derek sorriu de canto.
– Eu acho que tem maneiras mais interessantes de surpreender do que com comida.
Mesmo como duplo sentido eu sorri e chamei o garçom. Pouco tempo depois, o mesmo voltou com os nossos pratos, e nos serviu.
– Você tem certeza? – Perguntou Derek, olhando para o prato com o doce assim que o garçom se afastou.
– Você ainda duvida? – Sorri – Vai, prove e tire suas conclusões.
Derek hesitou, mas acabou provando.
– Até que não é ruim. – Falou depois da primeira colherada.
– Tá vendo, eu disse que você ia gostar.
Derek sorriu.
– Desculpe, mas eu não sou do tipo que gosta de arriscar quando o assunto é comida. Principalmente doce.
– Você tá me dizendo que não se arrisca com comida? O que você faz quando vai a restaurantes como esse?
– Eu só peço pratos que eu conheço. Sou a favor de saber o que estou comendo.
Eu sorri.
– É por isso que você pediu uma simples lasanha?
– Culpado.
Nós dois sorrimos. E depois de algumas colheradas, Derek perguntou:
– Mas e sua irmã? Me lembro que você disse que ela saiu a “trabalho”
– É, ela saiu há dois dias.
– E qual é o serviço da vez?
Dei de ombros.
– Eu não sei bem, estou meio que de fora.
– O Jean foi com ela?
– Foi, ele não perderia isso por nada.
Derek sorriu.
– Desculpe tocar nesse assunto, mas e o Sam e o Dean. Você tem tido noticias?
– Não. Eles meio que decidiram não dar mais noticias depois daquele dia.
– Eu sei que é meio invasivo da minha parte, mas não posso deixar de perguntar, por quê?
– Pra falar a verdade, nem eu sei... Acho que cada um decidiu seguir o seu caminho.
– E isso te incomoda?
Eu hesitei. Não sabia exatamente como eu me sentia em relação a isso. Eu estava incomodada, e isso era um fato, mas não sabia se era pelo afastamento que eles decidiram ter, ou se era apenas pelo Sam.
– Eu não sei...
– E você já pensou em voltar a trabalhar?
– Também não sei. – Sorri. – Eu não pretendo, mas ninguém sai dessa vida por completo... Eu confesso que sinto falta de todas as emoções, mas devo admitir que eu gosto da tranquilidade se uma vida normal.
– E de se envolver com pessoas normais...
– É, isso também. – Sorri.
– Fico feliz por você ter se adaptado a sua vida nova.
– É, eu também.
Derek me olhou por um instante.
– Bem, acho que acabamos. Vamos?
Eu assenti e logo deixamos o restaurante. Ainda era muito “cedo” para voltarmos, então Derek decidiu que queria conhecer a cidade e eu me encarreguei de ser sua guia turística, mesmo sabendo que ele devia ter visto coisas mais interessantes do que a cidade natal do Johnny Depp, ou por dar uma volta pelo Smothers Park – um parque bem familiar que prometia belos passeios à noite.
Assim que o mostrei todos os lugares que eu deduzi como “interessantes”, eu e Derek voltamos pra minha casa.
– Aceita uma cerveja? – Perguntei assim que ele estacionou o carro.
– Se não for incomodo. – Respondeu com um belo sorriso.
Nós descemos e entramos em casa. Pouco tempo depois, eu voltei para a sala com cerveja em mãos. Derek olhava a decoração da sala com certa admiração.
– Belo lugar. – Comentou assim quem me aproximei.
– É bem simples, mas eu gosto daqui. – Disse indo até o sofá e me sentando.
– Você quem decorou? – Perguntou bebendo um gole de sua cerveja e se sentando ao meu lado.
– É... Mais ou menos. Não devo ficar com todo crédito. Tem um dedinho da por todo lado.
– E quando você diz isso, você se refere ao grande pôster do Jack Sparrow? – Perguntou se referido ao quadro que colocara sobre a lareira.
Eu sorri.
– Exatamente. E ao do Homem de ferro no corredor. Nada contra, mas meu senso de designer não permitiria isso.
– Ah, mas deu um charme.
– É, confesso que a beleza dele deu certo charme pro lugar.
Derek sorriu.
– Vocês vivem aqui desde criança?
– Sim. Meus pais comparam essa casa pouco antes da nascer, e estamos aqui desde então... Não ficamos aqui com tanta frequência por causa da caçada, mas agora... É o lar perfeito pra uma pessoa normal. – Derek pendeu a cabeça. – O que foi?
– Não sei, eu só consigo sentir a sua satisfação quando você fala sobre a vida que está levando.
Eu tomei um gole de cerveja e suspirei.
– É... Gosto dessa vida, não vou mentir. Mas a vida de caçadora também tinha os seus lados bons... Eu conhecia lugares diferentes, não tinha uma rotina...
– E você ainda pensa mesmo em não voltar? – Perguntou com um meio riso.
– Como eu disse, eu não sei. Eu também tenho as vantagens de viver como uma pessoa normal.
– E tem mesmo. Viver estressado no transito, ficar preso num escritório o dia todo, ver as mesmas caras sempre.
Sorri.
– Falando assim até parece a pior coisa.
– Mas é a verdade. Acredito que você vivia um ritmo de vida diferente, mais agitado e emocionante.
– E quem disse que eu não vivo isso agora?
– Ah, fala sério, eu sei do que estou falando.
– Me desculpe, doutor Derek – Disse sarcástica. – Mas você tá errado.
– Ah, estou?
– Está. Admito que não vivo as mesmas agitações de antes, mas também não tenho do que reclamar. Eu só me preocupo com meu horário a cumprir, o mercado que tenho que fazer no mês, e em pagar as contas.
– Não vejo vantagem nisso.
– Porque você não vê do mesmo jeito que eu.  – sorri e me aproximei.
– E como você vê?
– Vejo um cara perdendo tempo.
– Perdendo tempo? Eu só estava...
– Derek, cala a boca e me beija.
Derek sorriu e se aproximou de mim.
Nós tínhamos bebido um pouco demais, mas aquilo não serviria de desculpa, já que tinha consciência dos meus atos. E o beijo simples e tímido começou a ficar mais quente. Nós tínhamos um bom relacionamento. Derek era um cara legal e apesar de não termos nada sério, eu não queria parar o que estava acontecendo e que de fato estávamos evitando há tempos.
E depois de meu ultimo mês, aquela era a primeira vez que eu não me arrependia de ter passado o farol vermelho. A verdade era que eu evitava ter um relacionamento com Derek por causa do Sam, mas agora, depois de um mês, ele não se importou. Então a pergunta que ficava era: Por que eu tinha que me importar?
Quando resolvi ignorar meus pensamentos antes que o mesmo tomasse um rumo “catastrófico”, eu percebi que já tinha tirado o blazer de Derek e eu já estava deitada no sofá, com o zíper do meu vestido aberto. O clima de fresco passou para quente, e nós não nos desgrudávamos nem por um segundo. E eu, pela primeira vez, sentia a necessidade daquilo e precisavam ficar mais a vontade.
Então eu desabotoei a camisa de Derek, fazendo com que seu peitoral e sua barriga trincada ficassem expostos. Apesar de ser um medico, ele tinha um corpo escultural e isso era inegável. Derek, por sua vez, sorriu e continuou me beijando como se aquilo fosse tudo o que ele precisava. Ele começou a passar a mão pela minha coxa da fazendo com que o seu vestido subisse. E eu não pude evitar um forte arrepio sobre a minha pele, eu sabia o que ele queria e eu não pude de sentir a adrenalina percorrer por todo o meu corpo. Aquela não era a primeira vez que passava a noite com Derek, mas era a primeira vez que ele me tocava e me desejava daquela forma, depois de Sam.
E mesmo com as lembranças dele voltando em minha mente, eu consegui controlar o desejo que sentia. Ao invés de interromper, e parar antes que pegássemos uma estrada sem volta, eu me apressei e tirei o meu próprio vestido.
Mais uma vez, Derek sorriu, e assim que eu me livrei da peça, ele voltou a me beijar, fazendo com as tais “lembranças” se apagassem de minha mente por um momento.

's P.O.V Off

Easton, Pensilvânia. 

No dia seguinte, estava no Jeep colocando a malas. Os seus pensamentos estavam distantes, já que as coisas estavam muito diferentes.
Ela nunca havia pensado em um dia voltar a caçar com os Winchesters, e agora ela estava ali, arrumando as malas depois de resolver um caso com eles.
Por mais que ela ainda sentisse raiva pelo que eles fizeram, ela não podia deixar de pensar que seria bom se algum dia eles voltassem a caçar juntos, mesmo que isso fosse difícil de acontecer, já que todos seguiram os seus caminhos.
O tal caminho que afastou todo mundo.
Ela tentava imaginar como seria se as coisas não tomassem esse rumo. Como seria a vida de cada um e onde ia dar, principalmente com Dean, se ele não tivesse escolhido deixar todos pra trás, principalmente ela. Ainda mais depois da noite anterior. Independente do que acontecera entre eles, aquele ato de Dean na noite anterior provou que ele ainda se importava com ela. E agora ela não podia deixar de tentar decifrar o que realmente sentia por ele.
Mas, apesar de tudo, ela não podia negar que o afastamento lhe proporcionou coisas boas, como o seu relacionamento com Jean, que era uma ótima pessoa. Tão boa que ela se questionava se o merecia tanto.
Assim que acomodou todas as malas no porta-malas do Jeep de Jean, ela se virou e notou Dean se aproximando.
– E aí? Vejo que já tá arrumando as coisas.
– É... – Respondeu tentando não olhar muito para ele.
Ela não entendia o porquê, mas de certa forma aquilo a incomodava.
– E cadê o seu parceiro?
– Ele saiu pra comprar alguma coisa pra comer na viagem... Sinceramente, nunca pensei que conheceria alguém que adorasse comer tanto quanto você. – Terminou de falar com um riso sem graça.
Dean sorriu.
– Pra onde vocês estão indo?
– Estamos pensando em dar uma passada no Bobby, e de lá vamos pra Owensboro. Apesar de saber que a está bem, eu não consigo deixá-la por muito tempo. – Deu de ombros. – Eu acho que passamos tanto tempo juntas que ela é como uma parte mim. – Falou humorada.
Dean assentiu.
– Eu sei como é... Ela tá bem?
– Pra falar a verdade, nem eu sei. Acho que ela não tá sabendo lidar com a volta do Sam.
Dean suspirou.
– Olha, eu sinto muito. Se eu soubesse de tudo antes, eu tinha ido avisar vocês.
– Hum... – ela sorriu e balança a cabeça sarcástica.
– Não entendi. Que cara é essa?
o olhou. Ela não queria, mas tinha algumas coisas que a incomodava e não sabia se teria outra oportunidade para falar.
– Dean, eu tava tentando evitar falar alguma coisa, e a gente começar uma briga, mas me incomoda você vir aqui com essa de que avisaria... Caramba, você passou um ano sem dar noticias.
– Pera aí, como é que é? Pelo que eu saiba, vocês também não vieram falar comigo.
– Eu não fui porque o Castiel disse que você estava com raiva!
– Castiel? – Perguntou surpreso. – Castiel falou qualquer coisa pra você e você acreditou?
– E por que não acreditaria? – Perguntou, cruzando os braços.
, estamos falando do Castiel! Uma porta tem mais noção do que ele.
pensou, e tinha que concordar. Ás vezes era difícil Castiel entender as coisas.
– Ok, mas de qualquer maneira, ele teve a consciência de dar as caras e avisar o que tinha acontecido.
– Olha, eu sinto muito, mas eu não sabia no que pensar... Tinha acabado de perder o meu irmão!
– Eu sei Dean, mas você não era o único que se importava com ele.
Dean balançou a cabeça e a olhou.
– Eu sinto muito, de verdade...
pode perceber que ele estava sendo sincero, mas aquilo não mudava o que ele tinha feito.
– Tanto faz. – e ela direcionou seu olhar para a rua.
, eu...
olhou para ele e viu que Jean se aproximava.
– Tudo pronto? – ele perguntou, segurando um saco de papel pardo e parando ao lado de Dean.
assentiu.
– Só falta fazer o check-out.
– Ok, eu vou lá. – ele entregou o saco para e entrou no hotel.
E um silencio constrangedor se instalou entre os dois. pigarreou e quebrou o gelo:
– E pra onde vocês vão?
– Não sei, por enquanto estamos sem destino...
– Eu espero que vocês se cuidem.
Dean a olhou e assentiu.
– Vocês também. – ele sorriu e deu as costas.
o assistiu caminhar até o hotel e depois voltou a olhar para a rua. De repente, ela notou Dean se aproximar novamente, e ela voltou a encará-lo.

Dean estava realmente decidido a ir embora e não estender o assunto. Mas poxa, da última vez as coisas terminaram sem um ponto final, sem uma razão. Ele nem sabia que achava que ele estava com raiva e muito menos sabia que Castiel tinha ido até elas e falado algo completamente sem nexo.
E ele não queria deixar pontas soltas dessa vez.
E mesmo que não se importasse, ele tinha que falar.
Desde o reencontro na casa de Bobby, ele queria conversar com ela e a irmã, e naquele momento – que provavelmente seria o último encontro deles –, ele tinha que aproveitar a chance que tinha. Mesmo que não tivesse presente.
Então ele se virou para , que permanecia parada e distraída com a movimentação da rua, e se aproximou.
– Eu quero que saiba que esse ano foi muito difícil, e que nada saiu como eu planejei... Eu realmente não queria me afastar de vocês e...
– E por que se afastou? – ela perguntou de forma direta.
não entendia por que ele estava retomando o assunto, muito menos por que ela quis estender.
– Porque era o que parecia certo.
– Certo? Sumir sem se despedir era o mais certo pra você? Porque pra mim, não parece. – Dean continuou a olhando. E aproveitando a deixa, continuou: – Você não deve ter noção do quanto eu fiquei me perguntando o porquê do seu afastamento. Caramba, Dean, eu passei dias querendo saber noticias de você... Apesar de tudo, eu queria te apoiar naquele momento.
– E por que você não fez?
o encarou por alguns segundos, mas antes que pudesse dizer algo, ela foi interrompida.
– Bem, acho que estamos prontos. – Disse Jean, se aproximando. – Vamos? – ele parou ao lado de Dean.
Dean abaixou a cabeça. O clima tinha ficado tenso, então pigarreou:
– Quando você quiser... – Voltou a olhar para Dean – Bem, foi bom rever você e seu irmão.
Dean apenas assentiu e sorriu. deu a volta e entrou no carro. Jean sorriu, se despediu e entrou no carro, dando partida a seguir.
Dean permaneceu ali, parado no meio do estacionamento, com o pensamento distante. Ele teve seus motivos para ter se afastado, mas não teve tempo para se explicar. E mais uma vez, ele viu partir com raiva. Deixando mais pontas soltas...
Ele estava tão perdido em pensamentos que nem notara que Sam se aproximava.
– Dean... Dean. – ele parou do seu lado e o olhou. – O que foi?
Dean olhou para o lado e afastou os seus pensamentos.
– Tá pronto, Sam?
– Sim, só tava verificando se não esquecemos nada... Tá tudo bem? – perguntou ao perceber que o irmão parecia meio avoado.
– Tá. Não se preocupe. – Disse disfarçando e caminhando até o Impala. – Mas e aí? Você tá beleza?
– Eu? Claro, tô ótimo.
– Hm... É porque às vezes eu fico meio preocupado, sabe?
– Como assim? – Perguntou se aproximando.
– O jeito que você ficou quando o Castiel fez o santo tratamento de choque no menino.
Sam deu de ombros.
– Ué, eu tava lá.
– Serio? Porque eu achei que a , o Jean e eu éramos os únicos a fazer objeção.
Sam colocou os braços sobre o teto do Impala e olhou para o irmão que estava na porta do motorista.
– Ah, tá, eu entendi... Eu sei, eu tava com vocês, mas sei lá, a gente precisava do nome.
– Eu sei, mas torturamos o garoto pra conseguir. E eu tive a sensação que você nem ligou.
– Pois se enganou!
Dean balançou a cabeça e voltou a olhara para o irmão.
– Eu tô tentando descobrir o que é, porque você tá meio diferente e sabe disso.
– É, eu sei.
Dean franziu o cenho.
– É sério?
– Sério... Olha, Dean eu andei caçando sem parar o ano passado inteiro e eu passei um bom tempo no mato, sacou? Então é isso, eu acho que fiquei meio embrutecido.
– É, eu sei disso. Só que eu acho que isso não explica tudo. Você esteve no inferno, e eu sei muito bem o que isso faz com um cara.
– Com você.
– O quê? – Perguntou confuso.
– Você sabe o que isso faz com você! Isso torturava você e tem mais. Eu acho que ainda tortura. Mas Dean, eu tô bem!
– Você tá dizendo que é mais forte do que eu?
– Não. Só que somos diferentes.
Os dois se encararam por um breve momento e então, Sam entrou no Impala, deixando Dean com um grande ponto de interrogação na cabeça.

... 

A caminho de Sioux Falls. 

A viagem já durava algumas horas, e estava com os seus pensamentos longe. Ela ficou um ano se martirizando por achar que Dean estava com raiva das duas. E se aliviou quando ele desmentiu, mesmo não explicando o que aconteceu. 
, tá tudo bem?
saiu do transe e olhou para Jean. Ela balançou a cabeça e sorriu.
– Tá... Tá sim.
Jean a olhou desconfiado e depois voltou sua atenção para a estrada. voltou a olhar pela janela e novamente se perdeu em pensamentos.
Agora, ela refletia na conversa que teve com Dean pouco antes de ir embora.
Se ele realmente não quisesse se afastar delas, o que teria acontecido? Ela teria ficado com Jean? Ela e Dean teriam se resolvido?
Ela só sabia a resposta da última pergunta. Era óbvio que ela e Dean nunca se resolveriam. Agora, na questão de Jean...
Provavelmente, se ela e Dean não tivessem se afastado,  nunca teria se envolvido em algo sério com Jean. Não porque não gostava dele, ela gostava. Mas a tendência dela era cair de amores por gente errada, como Dean. Mas quando eles se reencontraram em Sioux Falls, ela teve certeza de que Dean nunca deixou de ser alguém importante na sua vida.
Para ser sincera, o principal motivo de ela estar com Jean naquele momento, é que há 10 meses, ela queria ter uma nova vida. E ela tinha de começar de alguma forma.
– Desculpe minha insistência, mas não parece. Já faz horas que a gente tá na estrada e você não abriu a boca. – Falou Jean.
voltou a olhar para Jean. Ele estava sorrindo, mas pelo olhar, ela sabia que ele estava preocupado.
– Não se preocupe, Jean. Eu tô bem. – ela olhou pela janela novamente.
– Olha, eu quero que você saiba que eu tô do seu lado e que você pode contar comigo... Pra qualquer coisa.
o olhou. Jean estava com um sorriso largo e sincero. E aquilo a fez sentir um aperto no peito. Os seus sentimentos estavam bagunçados, e ela não sabia mais o que fazer, e muito menos sentir.



Old Friend

Limestone, Oklahoma.

Dois dias depois.

Era dia, e depois de algumas horas de viagem, os irmãos pararam na cidade para tomar café, mas como a vida de um Winchester não é fácil, na lanchonete mesmo os dois se depararam com um possível caso. Para a frustração de Dean – já que ele tinha outros planos em mente (planos que incluía Lisa e Ben) –, Sam insistiu para que eles dessem uma averiguada no caso.
E enquanto Sam foi à delegacia, Dean esperou na porta, enquanto falava ao telefone.
– Oi. Eu não estou muito longe. Uma noite de viagem.
É, e você acha...
– Só tenho que fazer uma coisa aqui antes.
É claro. – Lisa respondeu, desapontada.
– Mas eu tava pensando em acabar por aqui e depois ver se não tem ninguém me seguindo por ruas secundarias e...
Quer calar essa boca e vir pra casa? – Disse humorada. – Estou louca pra ver você. Falar ao telefone já está cansando...
– Ok.
Então ligue quando estiver por perto e tenha cuidado.
– É claro. – Disse, notando Sam saindo da delegacia. – Bem, eu tenho que desligar.
Tudo bem, até mais.
– Até. – e desligou. – Oi – Disse quando Sam se aproximou.
Sam olhou para o irmão e franziu o cenho ao perceber que o mesmo tinha um sorriso bobo na cara.
– Por que tá com essa cara?
– O quê? Nada não. – Disfarçou, guardando o celular. – O que você achou?
– Achei seis garotas em sete dias. – Disse entregando alguns papéis que continha o histórico de cada desaparecido. Dean pegou e folheou. – São mais desaparecimentos que a cidade teve um ano inteiro. Todas da mesma idade e...
– Gatas, hein...
– Como é? – Perguntou humorado.
– Ei, gosto não se discute, não.
– Sei... É claro, com certeza. – Balançou a cabeça. – Mas é o seguinte: meia dúzia de garotas com um futuro brilhante pela frente. Parece um perfil, não acha? Imagine o que mais elas têm em comum.
– Você tem seis opções pra seguir, escolhe uma.
– Sete. Acabou de chegar mais uma hoje. Uma garota chamada Kristen, e que por coincidência, mora aqui perto.
– Ótimo, vamos até lá. – Disse indo até a porta do motorista e entrando no carro acompanhado do irmão.

Owensboro, Kentucky.

Foram mais de vinte e três horas de viagem para e Jean finalmente chegarem em casa. Doze horas de Easton para Sioux Falls, onde passaram a noite, e mais onze de Sioux Falls para Owensboro.
estava visivelmente exausta, estirada no sofá e tudo o que queria era um pouco de sossego para tomar a sua cerveja.
Claro que todo o sossego foi por água abaixo quando entrou na sala.
– Cadê o Jean?
suspirou.
– Foi buscar o jantar.
– Coitado, ele deve estar cansado. Tô com pena.
– E por que você não foi no lugar dele?
– Porque eu tava trabalhando. E por que você não foi?
– Tô tão cansada quanto ele.
sorriu e se sentou no outro sofá.
– Daí você comentou que tava com fome e o coitado se ofereceu pra ir?
– Aham.
riu.
– Ele deve te amar mesmo pra ceder aos seus caprichos.
– Eu não posso fazer nada se ele não resiste aos meus encantos.
assentiu e estalou a língua.
– E aí, como foi a caçada?
– Foi boa. – ela tomou um gole de cerveja. – Acabou que no final não precisamos fazer nada, Castiel deu conta de tudo sozinho.
suspirou. Sua curiosidade às vezes a incomodava. Ela queria saber como Dean estava e principalmente Sam, já que tinha falado para ela que os dois estavam caçando juntos.
– Hm... E como eles estão? – Tentou perguntar como se não se importasse.
– Eles quem? – Perguntou se fazendo de boba.
a fitou.
– Você sabe a quem me refiro.
– Bem, o Bobby tá bem. Ele tá seguindo o rastro de um metamorfo.
– Ok, , que bom, mas você sabe que eu não me referi a ele.
– Ah, você só que saber dos Winchesters? – sorriu apenas para irritar a irmã. – Do Sam, pra ser mais exata.
rolou os olhos.
– Você entendeu o que eu quis dizer.
riu e tomou mais um gole de cerveja.
– Ah, eles estão bem também.
– Só isso?
Ela deu de ombros.
– É, eles foram cruciais na resolução do caso, mas devo admitir que o Dean parecia meio enferrujado.
– E você se comportou quando encontrou ele?
a olhou incrédula, bancando “a ofendida”.
– Mas é claro!
... – Insistiu. Ela conhecia muito bem a irmã que tinha para saber que ela não deve ter tido a melhor reação.
– Ok, eu não queria aceitar caçar com eles no inicio.
– Por quê?
– Simplesmente porque um ignorou a gente durante esse tempo todo e o outro voltou do inferno e nem se preocupou em nos avisar. – ela tomou um gole de cerveja. – Mas o Jean falou comigo e me convenceu a aceitar ajuda.
– E o clima, como foi?
– Normal.
– Normal?
sabia que não foi exatamente “normal”, mas não queria comentar aquilo com a irmã. Não naquela hora.
– Eu sou profissional. Por favor, né.
– Hm... Sei... E o Sam?
– Ele também tava bem.
– Que bom... – Respondeu, se sentindo um pouco desapontada. No fundo ela pensou que pelo menos ele perguntaria dela ou falaria alguma coisa para , mas pelo visto ele não fez nada.
percebeu, mas não podia mentir. Sam não havia nem se preocupado em perguntar por , e só comentou sobre a ausência dela depois que Dean perguntou.
Então ela pigarreou, e disse:
– Mas continuava meio esquisito, sabe?
– Como assim?
– Em alguns momentos ele me pareceu meio frio, distante, sem coração... Até comentei com o Jean, mas ele não sentiu a diferença.
– E por que você tá falando isso?
– Teve um momento que o Castiel teve que... Vamos dizer “torturar” uma criança, pra saber o nome do tal anjo que estava comprando almas.
– E?
– Então, eu esperava que o Sam se opusesse, e não que deixasse que Castiel fizesse aquilo. Mas ele foi o primeiro a aceitar e a assistir sem se importar. Até o Dean se espantou.
balançou a cabeça e deu de ombros.
– Ah, talvez fosse porque essa era a única maneira de saber o nome.
– Foi o que o Jean disse. Pra ele, “o Sam teve os seus motivos.” – tentou imitá-lo, mas sem sucesso. – Mas, sinceramente, eu não sei. Acho que o Sam nunca faria aquilo.
– Esquisito mesmo... Mas convenhamos que ele tem estado estranho há muito tempo.
– É, o inferno realmente mexeu com a cabeça dele. Mas que ele tá diferente, ele tá. E se você tivesse lá ia pensar o mesmo.
– É, mas eu não tava... – Respondeu um pouco irritada, mas sem saber realmente por que.
. – Disse fazendo uma pausa, tentando arrumar as palavras certas. – Quando você vai parar de se enganar e voltar a fazer o que você realmente quer?
– Mas eu tô fazendo o que eu quero.
– Não, não tá, e você sabe disso... Eu sei que você quer voltar a caçar, mas não entendo por que ainda não voltou.
olhou para a irmã pensando em se abrir, mas não sabia como. Nem ela sabia exatamente o porquê, só sabia que não queria voltar. Talvez fosse porque havia se acostumado com a vida que levava, ou fosse simplesmente porque Sam pediu antes de dizer o sim.
a olhou e suspirou.
– Esquece o assunto.
rolou os olhos e então resolveu mudar de assunto:
– E aí, como vai o Derek?
– Tava demorando...
– Você quis que eu mudasse de assunto, agora aguenta.
riu pelo nariz.
– Ah, foi legal.
– Imagino só pelo que você disse.
– É sério, foi legal. Ele é um cara legal... Nós jantamos e conversamos.
– E tomaram chá juntos também? – Perguntou sarcástica. – Ah, , você acha que eu caio nessa de só conversaram e jantaram?
, eu não sou você não, ok?
– E é por isso que eu sei que aconteceu mais do que você tá me contando. Não se esqueça de todos os barulhos e ruídos que eu fui obrigada a ouvir durante muito tempo, não.
– Ok, , nós somos jovens, não somos? Então foi tudo divertido. – Respondeu envergonhada.
– Hmm, seus safadinhos, espero que os vizinhos não reclamem.
– Você não cansa de deixar os outros constrangidos, não?
– Não.
– Percebi...
– E é isso? Você não vai me contar como é o medico por baixo do jaleco?
– Aff, se fecha, menina.
riu, sabia que a irmã ficaria sem graça com aquela pergunta. E ela adorava fazer aquilo.
– Vamos, , quero detalhes.
– Ok... Vamos dizer que ele tem muita coisa escondida.
– Ah, cachorra.
riu.
– Você não queria saber?
– Agora eu não vou conseguir olhar pra cara dele sem me lembrar disso. Quando é que ele volta?
– Essa semana ainda. O Seminário foi adiado pra hoje, e então ele vai tirar uns dias de folga e pode ser que passe aqui. Claro, se ele não for visitar a filha.
– É... – e antes que pudesse continuar, a campainha tocou.
As duas se olharam.
– Será que o Jean esqueceu a chave? – Perguntou .
– A PORTA TÁ ABERTA. – Gritou .
E balançou a cabeça pela irmã. Qualquer dia aquela atitude colocaria as duas em perigo.
Elas ouviram passos se aproximando e depois uma risada masculina.
– Que tipo de pessoa é você que não abre a porta pras visitas?
As duas se olharam e sorriu.
– Benjamin! – Disse indo até ele e o abraçou. – Senti a sua falta.
– Eu sei.
se afastou dele e deu um tapa forte em seu braço.
– Ei, o que foi isso?
– Sabe quanto tempo a gente ficou sem se ver? Onde esteve?
Ele deu de ombros.
– Por aí, me desculpe.
– Benjamin, que bom te ver. – Disse assim que os dois se afastaram.
– O prazer é todo meu. – ele a cumprimentou com um beijo no rosto.
– E aí? – Perguntou . – Que bons ventos o trazem aqui, porque eu duvido muito que bateu saudade.
Ele riu.
– Ah, qual é, claro que eu senti um pouco sua falta, mas você tem razão, não vim à toa. Acho que tenho um servicinho pra vocês.
– Ah, desculpe Benjamin, mas não somos mais uma dupla contra o sobrenatural... ­– Falou .
– Eu sei, sua irmã me manteve informado. – ele voltou a olhar para . – Mas acho que isso poderia interessar a você.
– Um caso?
– Exato. – Disse caminhando até o sofá e se jogando no mesmo.
– E sobre o que seria? – Perguntou , se sentando ao lado dele.
– Desaparecimento de pessoas.
– Ah, isso não é tão surreal assim.
– Eu sei, mas há vampiros envolvidos.
– Como assim?
– Os vampiros estão atraindo pessoas e, pelo o que eu escutei, eles estão fazendo algum tipo de recrutamento pra sabe-se lá o quê. Uma boyband quem sabe?
riu.
– Recrutamento? Mas por qual motivo? – Perguntou .
– Esse é o X da questão, ninguém sabe. E é por isso que estou aqui.
– Por que você não cuidou disso sozinho? – perguntou.
– Porque você sabe que não me dou bem com outros vampiros, querida. E não quero colocar a corda no meu pescoço... E além do mais, eu tenho uma amiga que pode muito bem dar um jeito.
– Porque eu posso arriscar meu pescoço. – respondeu sarcástica.
Benjamin sorriu.
– Você é esperta, vai sobreviver.
– Você também é bem esperto.
– Obrigado... E eu tenho outros problemas pra resolver.
o olhou não acreditando que não tiraria um tempo de folga, já que ela não recusaria um pedido dele.
Nesse momento, Jean chegou e olhou curioso para o visitante.
– Visitas? – Perguntou surpreso.
havia falado sobre Benjamin para Jean, que não se espantou nem a crucificou, o que ela achou bem impressionante. Porém, os dois não se conheciam pessoalmente, então ela os apresentou. E mais uma vez Benjamin explicou o caso.
– E aí, o que você acha? – Perguntou .
– Bem, isso tá parecendo sério. – Jean deu de ombros. – Acho que não podemos ficar aqui sem saber por que os vampiros estão formando um grupo.
– É... E quando vamos?
– O mais rápido possível, não temos tempo a perder.
– Mas vocês acabaram de voltar... – Disse .
– É, mas o trabalho sempre em primeiro lugar... – respondeu , se levantando.

Limestone, Oklahoma.

No dia seguinte.

Ao anoitecer, Dean e Sam foram a um bar onde fãs de vampiros e góticos frequentavam. A cidade era pequena, mas o lugar estava bem movimentado.
– Você tem certeza de que o que estamos procurando tá aqui? – Perguntou Dean, enquanto ele se sentava ao lado do irmão no balcão.
– Tenho. Falei com Samuel e ele tem certeza. Um carro com transporte de sangue foi roubado nas proximidades hoje.
Então uma garçonete se aproximou e eles pediram duas cervejas. Quando ela se afastou, os dois voltaram a conversar:
– São vampiros, cara... O que eles querem num lugar como esse?
– É o perfil, Dean. Eles procuram garotas jovens que estão acessíveis à procura de um amor.
– Mas aqui? – Perguntou olhando ao redor e reparando no tipo de pessoas que estavam ali. – Bem, se você está afim de garotas emo, estamos no lugar certo.
– Hm...
Dean parou por um segundo quando a garçonete voltou e lhes entregou as cervejas. Ele olhou para as duas garrafas no balcão e sorriu pela nostalgia que sentiu.
– Há quanto tempo não tomamos uma cerveja juntos? – perguntou tentando se lembrar, porque desde que Sam voltara, o principal assunto dos dois era os casos que eles se deparavam.
– Olhe ali. – Falou Sam, ignorando o irmão e observando um cara se aproximando de uma garota. – O que você acha? Ele tá dando em cima dela mesmo, na real.
– É difícil dizer. – Dean olhou para outro canto e reparou em outro casal. – Nós temos múltipla escolha.
– Ótimo! Três deles e dois de nós. – Disse, notando outro cara com uma garota no outro lado do bar.
– Dois não, quatro.
– O quê? – Perguntou sem entender, olhando na mesma direção que Dean e se deparando com Jean e . – O que eles estão fazendo aqui?
– Talvez o mesmo que nós. – Disse dando mais um gole na bebida e se levantando. – Vamos descobrir.

Depois de quase nove horas de viagem, e Jean chegaram à Limestone pela manhã, descansaram à tarde e, à noite, eles foram até o bar que Benjamin havia mencionado como o “centro” dos desaparecimentos.
– Que bar mais esquisito. – Comentou Jean, reparando em como as pessoas de lá se vestiam. – Acho que nem vamos chamar atenção. – ele falou sarcástico.
riu. Ela pelo menos estava vestida de preto, enquanto Jean estava com um jeans e uma camisa branca com desenhos de quadrinhos da Marvel espalhados por toda o tecido.
– Relaxa, eles nem vão notar você.
Jean riu.
– Será que tem alguma coisa aqui mesmo?
– Não sei, mas é bom ter, porque minhas costas não sofreram mais de oito horas de viagem à toa.
– Ah, , acho que já fizemos viagens maiores num espaço de tempo menor.
– Eu sei, mas nenhuma foi em vão.
– É, você tem razão.
– Nossa, que lugarzinho é esse? – Disse reparando o local. – Bem cara de “solteironas iludidas querendo arrumar homem.”.
Jean sorriu.
– Coitadas, . Elas devem ter alguma razão... Talvez solidão ou só queiram se dar bem.
– Mas não tinha um lugarzinho melhor, não?
– Bem, de acordo com o que o Benji falou, esse é o lugar. Vampiros poderiam muito bem se misturar com os humanos. E isso é fato. – Jean reparou que ela o olhava e franziu o cenho. – O que foi?
– Você chamou o Benji de Benji. – ela disse num meio sorriso.
Jean deu de ombros.
– Ah, eu gostei dele.
– Eu vi, vocês se deram muito bem, só faltou me deixar vir sozinha pra ficar conversando com ele.
– Nunca faria isso.
– Aham... E, por favor, pare.
– Parar com o quê?
– De chamá-lo de Benji.
– Ué, por quê? Você o chamou assim várias vezes.
– Exatamente. Eu posso chamar, ninguém mais tem esse direito.
– Sério?
– Por acaso você viu a o chamar de Benji? – ele fez que não. – Então tire suas próprias conclusões. Chame ele do que quiser, menos de Benji.
– Ben? Benny?
– Bem, todo mundo chama ele assim.
– Vou pensar nisso. Só não entendo por que ele não ficou.
– Por que, tá com medinho? – Perguntou em tom de brincadeira, olhando para todo o local, atrás de algum suspeito.
– Há-há! Não é nada disso. Mas iremos enfrentar vampiros e nada melhor do que um deles pra ajudar.
– Não se preocupe, acho que temos companhia.
Jean acompanhou o olhar dela, e foi aí que ele viu a que companhia ela se referia, enquanto os Winchesters se aproximavam.
– Vejo que aqui tá muito movimentado hoje. – Comentou , assim que eles chegaram perto.
– Engraçado, pensei o mesmo. – Dean abriu um sorriso convencido.
– O que vocês estão fazendo aqui? – Sam perguntou.
– Trabalhando, e vocês? – Jean respondeu.
– O mesmo.
– Como o mundo tá ficando pequeno, não é? – Dean perguntou irônico.
– Você não tá querendo dizer que nós estamos perseguindo vocês, não é? – perguntou com um sorriso no rosto.
– Não! Que isso. – ele deu de ombros. – Eu só achei estranho.
– Dean, me desculpe cutucar o seu ego, mas nem tudo gira em torno de você.
Dean a olhou com o olhar desafiador.
– Legal você dizer isso, porque...
– Gente, nos encontramos aqui por um acaso, mas imagino que seja pelo mesmo motivo. – Jean o interrompeu. Se dependesse de Dean e , eles passariam a noite inteira naquela conversa.
– Nós estamos investigando um caso de desaparecimentos com provavelmente vampiros envolvidos. – Disse Sam.
– Nós também. – respondeu.
– Bem, então quer dizer que vamos trabalhar juntos de novo. – Comentou Dean.
– É, acho que não temos opção. – Disse voltando a olhar o lugar novamente.
– Pera aí, como vocês souberam do caso? – Sam perguntou curioso.
– O Benji contou pra gente.
– O Benjamin? – Perguntou Dean. – O seu amigo esquisito que toma sangue?
– O próprio.
– Que ironia. – ele sorriu. – E quem garante que ele não esteja envolvido?
– Eu acho que a gente já passou por isso, não é?
Dean bufou e olhou ao redor.
– Tá, mas me diga, por que ele não tá aqui?
– Você sabe que ele não é igual aos outros vampiros... E outra, ele não queria se envolver, seria como colocar o pescoço na forca, se é que me entende.
– Se você prefere pensar assim, quem sou eu pra discordar?
o olhou com raiva.
– Vamos voltar pro caso? – Jean disse um pouco irritado por Dean e principalmente , perder tempo com aquela “rixa” de quem dá a melhor resposta. – Não temos muito tempo, provavelmente a próxima vitima já esteja caindo na cilada. Nós temos que nos separar e ficar de olho, porque se vocês não perceberam, tem um monte de caras, vampiros ou sei lá o quê, e estão esperando a melhor oportunidade.
– É, você tem razão. – Falou Sam. – Bem, e aí como vai ser?
– Eu vou atrás daquele ali. – Disse Dean, notando um casal que estava prestes a sair. – E vocês vão atrás dos outros.
– Ok. – Disseram antes de se separar.
Jean caminhou até o bar e Sam foi para os fundos do estabelecimento, enquanto continuava no mesmo lugar, observando. Ela olhava curiosa para o cara que acariciava a garota e se aproximava mais e mais. Aquilo provavelmente daria em algo e aquele poderia ser o tal vampiro. Porém, outro homem se aproximou do suspeito e o beijou. olhou surpresa. Ela jurava que ele era hétero! Mas enfim, havia se enganado.
Ela suspirou e foi ao balcão, encontrar Jean.
– E aí, sucesso com o seu casal? – ela perguntou se sentando ao seu lado.
– Sinceramente? Não. – Respondeu oferecendo sua cerveja. – E você?
– Nada. – Respondeu pegando a garrafa e tomando um gole da bebida.
Após alguns minutos em silencio, notou que Jean estava pensativo, praticamente viajando.
– Eu daria qualquer coisa pra saber o que tá se passando na sua cabeça – ela comentou sorrindo.
Jean a olhou e pegou a cerveja de sua mão.
– Não é nada de mais, só tava pensando. – Disse, fitando a garrafa em sua mão.
– No quê? – Insistiu curiosa. Jean não era do tipo pensativo.
– Em como tudo começa a fazer sentido. – ele tomou um gole de cerveja.
– Do que você tá falando?
Ele a olhou.
, eu sempre me questionei sobre tudo... Principalmente de como era a minha vida. Mas eu não via nada que pudesse fazer tudo isso o que a gente faz, fazer sentido.
– Eu sei como você se sente.
– Mas ultimamente eu estive encaixando as peças desse quebra cabeças que é a minha vida.
– Ah, é? Que bom. – Respondeu, rindo pela maneira como ele falou.
– É, e eu percebi que ele só ficou completo depois que conheci você.
– Aff, Jean, pare com isso. – Disse rindo sem graça.
, o que eu tô falando é sério. E eu quero que você saiba que eu gosto, e muito de você.
– Você fala com tanta certeza que até me convence.
– Eu falo com certeza porque é o que eu realmente sinto por você.
Ela o olhou nos olhos e soube que ele estava sendo sincero ao dizer aquilo pelo olhar. Os dois estavam há um tempo juntos, haviam passado por muitas coisas, e desde que eles começaram o relacionamento, Jean sempre esteve ao lado dela. Mas ela não sabia como lidar com aquela situação
– Jean, eu sei que já disse isso, mas eu preciso reforçar. Você nem faz ideia de onde tá se metendo...
– Eu tenho plena consciência do que tô dizendo... – Disse ele, aproximando a banqueta dela, e se virou para ele. – E por isso que eu acho que posso dizer que...
o olhou não sabendo o que ele estava tentando dizer. Ela pode perceber que ele ficou meio sem jeito, pois ele baixou a cabeça e começou a encarar o chão com um sorriso no rosto.
– Jean, eu acho que você não precisa ficar sem graça, ainda mais comigo. Né?
– Eu sei, mas nunca pensei que fosse difícil dizer isso.
– Dizer o quê?
. – Disse ele, voltando a olhá-la, mas aquilo o fez se arrepender. Ele era um caçador, a vida dele já era difícil, mas o que ele estava prestes a dizer era mais. Então ele suspirou e tomou coragem. – , eu... Eu amo você.
– O quê? – Perguntou achando que tinha ouvido demais.
– É, , eu te amo.
o olhou, paralisada. Ela pode sentir o coração palpitar e tudo ao redor parar. Nunca ninguém havia dito aquelas palavras. Nem mesmo Dean, com quem ela passou algum tempo. E ela não esperava ouvir aquilo de Jean.
Ele a olhou preocupado.
– Tudo bem?
o olhou e balançou a cabeça.
– Tá. Só... Tô sem palavras... – ela sorriu sem graça.
– Eu imagino. – Disse com um sorriso fraco. – E entendo que você não diga o mesmo.
– Jean, eu...
, apenas me escute. Eu não acho ruim que você não diga o mesmo, não se preocupe.
– Me desculpe. – Disse baixando a cabeça se sentindo culpada por não se sentir da mesma maneira.
– Não. Tá tudo bem. – ele pegou a mão dela. – Olha, eu prefiro que você seja sincera, a dizer o mesmo apenas por pena ou pra não me deixar sem graça. – o olhou. – Olha, tudo bem. Isso não muda o que eu sinto por você.
– Você tem sido tão maravilhoso comigo e me sinto culpada por não sentir o mesmo, entende?
– Eu entendo e não esperava mais de você, por isso que gosto de você... Está sendo sincera, e não me enganando com palavras vazias.
o olhou com pena e alivio. Ela podia mentir, mas sempre valorizou a verdade, e Jean merecia aquilo. Ela gostava muito dele, mas não a ponto de dizer aquelas palavras.
– Obrigada. – Disse o abraçando.
Jean retribuiu. Depois que se separaram, os dois apenas se olharam por um instante antes de voltarem a atenção ao homem que estavam de olho, mas ele tinha sumido.
– Pra onde ele foi?
– Não sei. – Disse olhando para os lados. – Mas a garota ainda tá ali. Isso o faz sair da nossa lista de suspeitos.
– É... Será que os Winchesters encontraram alguma coisa?
– Não sei, é melhor irmos atrás.
– Você tem razão, por onde vamos?
– Temos que nos separar, já que eles seguiram caminhos diferentes.
– Ok. – ela e Jean se levantaram.
– Você vai pros fundos e eu vou dar uma volta por aqui, ver se encontro eles. – Disse se afastando.
foi para os fundos do estabelecimento e entrou em um corredor, que estava muito movimentado. Ela continuou andando e encontrou a saída de emergência, então ela abriu a porta e saiu.
A rua estava vazia. Nem carros nem pessoas passavam por lá. Ela olhou para o lado e viu uma silhueta alta, mas não reconheceu. Então ela forçou a vista e deu conta de que se tratava de Sam, que estava parado na calçada de frente para um beco.
pensou em chamá-lo, mas antes de abrir a boca, ele correu para o beco. Sem pensar duas vezes, ela correu na mesma direção. Chegando ao beco, ela viu Dean caído no chão e Sam correndo atrás de uma pessoa. Ela correu até Dean e se agachou ao seu lado. Ele estava meio mole e com a boca suja de sangue.
– O que foi que aconteceu? – Perguntou, mas Dean não respondeu.
Sam se aproximou e o ajudou se levantar. Ele colocou o braço de Dean ao redor de seu pescoço e os dois começaram a andar lentamente. os acompanhou e perguntou:
– Sam, o que aconteceu?
– O Dean foi atacado por um vampiro.
– O quê?! – Perguntou e olhou para Dean. – O que você tava fazendo aqui fora sozinho?
– Eu não sou uma criança que tem que andar acompanhado.
o olhou com raiva. Ele podia estar fraco, mas nem assim deixava de ser grosso. Quando os três se aproximaram do bar, eles viram a porta dos fundos se abrir e Jean sair. Ele olhou para trás, viu os três e correu em sua direção.
– Sabia que estavam aqui. – ele olhou para Dean, curioso. – O que aconteceu?
– Só o Dean se ferrando como de costume. – respondeu. – O vampiro o pegou.
– Mas como?
– Gente, nós conversamos no hotel, ok? – Falou Sam. – Agora vamos sair daqui antes que ele faça mais alguma vitima.
Jean assentiu e ajudou Sam a carregar Dean até o carro. Depois, Jean foi para o seu carro, e pode contar o que aconteceu para ele.

Assim que eles voltaram para o hotel, os dois pegaram as coisas e mudaram para o hotel onde os irmãos estavam. Enquanto Jean fazia o registro, foi para o quarto de Sam e Dean. Ela entrou e achou que eles tinham saído quando viu tudo escuro. Acendeu a luz e pode ver Sam encostado na parede e Dean abaixado, tapando os olhos.
– Que droga, será que dá pra apagar a luz?! – ele falou irritado.
apagou a luz com pressa, entrou no quarto e fechou a porta.
– Por quê?
– Eu tive que apagar as luzes e fechar todas as cortinas. – Sam explicou. – Ele tá meio sensível.
– Ah... Agora dá pra explicar o que realmente aconteceu?
– Será que dá pra falar baixo?! – Dean perguntou ainda mais irritado.
– Não me diga que seus ouvidos também estão sensíveis!
– Estão. – Sam respondeu.
suspirou.
– Tudo bem. – ela falou mais baixo. – Podem, por favor, me explicar?
– Eu segui um dos caras até o lado de fora do bar, mas eu o peguei e vi que não passava de um garoto se divertindo. Daí quando tava voltando pro bar, o vampiro me atacou. – Respondeu impaciente.
– E você onde tava, Sam?
Sam deu de ombros.
– Eu segui um dos suspeitos. Ele me atacou e eu tive certeza que era um vampiro, então eu o matei.
– Caramba! Dá pra vocês falarem mais baixo? – Dean reclamou nervoso.
Sam suspirou, e disse mais baixo:
– Dean, é melhor você se sentar.
– Senta você!... Droga! Eu nunca pensei em acabar assim.
– Dean, ninguém vai acabar assim... – Disse .
– O Samuel vai me matar quando ele chegar aqui!
– E quem é Samuel?
– Um caçador que estava ajudando a gente. – Respondeu Sam.
– E pra quê você o chamou se você tem certeza que ele vem te matar, idiota?
– Eu pedi pro Sam ligar. E assim que ele chegar eu vou pedir pra ele pra me matar, já que vocês não vão querer.
– Dean, espera um pouco... – Disse tentando acalmá-lo para convencê-lo a não fazer nenhuma besteira.
– Pra quê? Olhe só pra mim!
– Eu não posso acender a luz! Enfim, nós vamos resolver tudo.
– COMO?!
suspirou.
– Sam, dá pra pelo menos abrir a cortina? Tá me irritando conversar no escuro.
Sam não respondeu, mas pode ouvi-lo se mover. Depois, o quarto se iluminou graças às luzes da rua. pode ver os dois o suficiente para notar a cara de preocupação de Dean. Ela o encarou. Dean percebeu e baixou a cabeça.
Um silêncio tomou conta do quarto. Dean começou a ouvir os batimentos cardíacos de cada um. Mas algo o chamou atenção, então ele se aproximou de Sam, que o olhou espantado.
– Não tá apavorado por quê? – Perguntou desconfiado.
Sam o olhou com os olhos arregalados.
– É claro que eu tô!
– Sério? Porque eu tô ouvindo os batimentos dos dois e os seus estão bem regulares.
assistia a cena estranhando. Os dois eram muito unidos e Sam sempre foi do tipo preocupado. Naquela altura ele deveria estar subindo as paredes preocupado pelo irmão estar se transformando num vampiro.
– Isso é porque eu tô tentando ficar calmo... Dean, escuta, o Samuel vai saber o que fazer.
– Ah, fala sério, eu sou um monstro! – ele respondeu nervoso.
– Dean, não é pra tanto... – Disse .
– Claro que é! – ele olhou para . – Não é um problema que possa ser ignorado, nós temos que resolver isso antes que eu machuque alguém.
olhou para Sam, que só observava. Ela queria dizer que havia solução, mas sabia que Dean estava certo. Era questão de tempo para ele sair machucando as pessoas.
– Como se sente? – Perguntou Sam.
Dean o olhou com cara feia.
– Quer falar mesmo sobre os meus sentimentos agora?
– Não, eu digo fisicamente.
– Como acha que eu me sinto? Nada bem! – Respondeu nervoso, caminhando até o banheiro.
– Aonde vai?
– Ao banheiro, valeu?! Novidade, seus curiosos: vampiros também urinam. – ele entrou e bateu a porta.
Sam olhou para e ela retribuiu o olhar, um pouco desconfiada.
– O que foi? – ele perguntou dando de ombros.
– Sam, tá tudo bem com você mesmo?
– Tá. Por que todo mundo insiste em me perguntar isso?
– Não é por nada não, mas você tá estranho.
– Não sei por que. Continuo sendo o mesmo, só caçando melhor.
– É só isso mesmo? – Perguntou desconfiada.
– É, olha, eu sei que eu pareço mais duro, mas isso é porque eu passei esse um ano apenas caçando. Acho que isso me fez ficar assim.
– A ponto de nem perguntar da ? Porque pelo que eu saiba, vocês estavam muito bem juntos antes de você se jogar.
Sam balançou a cabeça e suspirou.
– Eu não sei, acho que não pergunto por que eu imagino que ela não queira nem olhar pra minha cara.
o olhou sem acreditar. Ele estava mesmo se justificando por não falar com com aquela desculpa esfarrapada? Isso fez seu sangue subir.
– A menina sofreu pela sua morte! Já faz tempo que descobrimos que você voltou, mas mesmo assim você nem se importou!
, eu pensei em fazer isso, mas não fiz. A sua irmã ia pedir explicações que eu não posso dar. Não agora.
– E por que não? – ela colocou as mãos na cintura.
– Porque eu não posso!
– Ok, você tem os seus problemas e não quer compartilhar, eu entendo. Mas não significa que você não poderia ligar pelo menos pra saber como andavam as coisas.
– Tá bom, eu não fiz. Mas eu sei que ela não me entenderia. Sua irmã sabe ser difícil quando ela quer ser. Ás vezes ela se parece tanto com você, deve ser de sangue.
o olhou sem saber se era um elogio ou não, mas ignorou:
– Mas ela sempre te apoiou e esteve ao seu lado.
– Eu sei e reconheço isso, mas tem vezes que eu simplesmente não sei como me comportar com sua irmã.
– O quê? – perguntou confusa.
– É, sua irmã não é como você, ela leva as coisas de uma forma totalmente sentimental e calorosa. Você não. – ele fez uma pausa e pensou no que dizer. – Com você as coisas são no preto e no branco, a gente não precisa filtrar o que dizer, medir consequências ou pisar em ovos.
– Eu não tô entendendo uma vírgula do que tá dizendo. Tá dizendo que eu não tenho coração?
Sam suspirou e se aproximou de .
– Sabe, às vezes eu me pego pensando se as coisas não seriam mais fáceis se tudo o que Chuck escreveu tivesse de fato acontecido.
o olhou sem entender.
– Do que você tá falando?
Sam se aproximou mais. o olhou espantada e deu alguns passos para trás.
– Eu falo da troca de casais que o Chuck fez nos livros... Você já deve ter percebido que nós até que combinamos.
Sam estava muito próximo e pela cara que ele fazia, ela sabia que lá vinha merda.
deu mais alguns passos para trás, chocada com o que ele acabara de falar. Ela sempre soube que ele e a irmã morriam de amores um pelo o outro e agora ele estava ali, falando aquelas coisas na cara dela como se fosse a coisa mais normal do mundo a se dizer.
Assim que ela chocou suas costas contra a parede, Sam deu alguns passos curtos na sua direção.
– Sam... – ela engoliu em seco. – O que... O que você tá fazendo?
– Eu só tô sendo realista e assumindo como me sinto sobre isso. – respondeu se aproximando um pouco mais. Uma distancia bem perigosa para um casal sem intimidades.
estava paralisada e não sabia nem como agir. Se fosse um cara normal falando uma coisa daquelas, normalmente ela saberia sair da situação. Daria uns bons tapas no cara e falaria poucas e boas. Mas ali era o Sam. O Sam fofinho que ela conhecia há tanto tempo.
Mas não o suficiente para ver que de fofinho, Sam não tinha nada. Pelo menos aquele Sam que estava na sua frente. Aquele Sam era no mínimo assustador.
engoliu em seco novamente. Nesse mesmo momento, a porta do quarto se abriu e Jean entrou e acendeu a luz, assim como fez há poucos minutos. Sam baixou a cabeça e se afastou rapidamente, disfarçando o clima entre os dois.
– Aconteceu alguma coisa? – Jean perguntou ao ver o semblante assustado de .
Ela olhou para Sam, que estava olhando pela janela e depois olhou para Jean.
– Não. Tá tudo bem. – ela falou rápido.
– Hm. – Jean entrou e fechou a porta. – Cadê o Dean?
– No banheiro. – Sam respondeu e olhou para . – Há tempo demais.
olhou para Sam e foi até o banheiro.
– Dean? – ela bateu na porta, mas não obteve uma resposta. Ela olhou para Sam e Jean, que se aproximaram.
– Dean? – agora Sam batia na porta. Novamente Dean não respondeu. Ele abriu a porta e entrou no banheiro acompanhado de Jean, que entrou em seguida. A torneira estava aberta, mas Dean não estava lá.
– Caramba, cadê ele? – Perguntou Jean.
estava na porta do banheiro.
– Eu não sei. – Sam respondeu e suspirou.
– Os dois estavam aqui e não perceberam quando ele saiu?
– Jean, ele não precisou da porta. – respondeu, apontando para a janela do banheiro que estava aberta. – Vamos atrás dele.
Os três saíram do hotel. e Jean pegaram o Jeep e andaram pela cidade, enquanto Sam procurava pela redondeza mesmo.
Uma hora depois, e Jean voltaram sem nenhum sinal de Dean e não faziam ideia de onde ele poderia estar. Os dois caminharam até o quarto de Sam, bateram na porta, entraram e encontraram Sam acompanhado de um homem mais velho, alto e careca.
– E você não sabe onde ele está agora? – Perguntou o homem, meio nervoso.
– Vejo que não sabem onde ele tá também. – Comentou , se aproximando.
O homem se virou para ela.
– Quem é ela?
– Ela é , uma das irmãs que eu falei pra você. – Sam respondeu olhando para . – E esse é Samuel Campbell.
– Prazer. – o cumprimentou.
– E aquele é o Jean-Luc, um dos nossos amigos. – Sam continuou.
Samuel apenas olhou e balançou a cabeça.
– Nenhuma pista de onde Dean possa estar? – Perguntou , percebendo a indiferença do homem quanto conhecê-los.
– Não. – Respondeu Sam.
– Ele não é o mesmo. Ele é um monstro e está faminto. Temos que nos preparar para o pior. – Samuel disse.
E agora percebeu a indiferença do homem quanto à situação. O olhou pela frieza com que ele falava, convencida de que não tinha ido com a cara dele.
Eu disse que ele ia me matar quando aparecesse. – uma voz surgiu da cozinha.
Era Dean, que estava recostado na parede, já que era o lugar mais escuro.
– Dean, tá tudo bem? – perguntou aliviada.
– Se alimentou? – Perguntou Samuel, a ignorando.
– Eu fui dizer adeus a Lisa. O que, aliás, foi uma péssima ideia.
– Responda a pergunta! – exigiu nervoso.
o olhou estranhando.
– Pode relaxar. Eu não bebi ninguém... Mas cheguei perto. – disse se aproximando. – Vai, manda ver.
– Tá, se insiste. – Samuel se aproximou de Dean, e já se preparava para intervir. – Ou eu posso curar você.
– O quê? – Sam perguntou surpreso.
Samuel olhou para Sam surpreso e em seguida olhou para Dean.
– Eu não vim aqui só pra matar, eu vim aqui pra salvar você.
– E como? – Perguntou Dean.
Samuel caminhou até a mesa onde havia deixado a sua bolsa, e de lá tirou um diário.
– Este é o diário do meu avô. A cura é uma velha receita dos Campbells... É meio parecida com um suco. Ninguém tenta há não sei quanto tempo, e pelo que eu soube, a coisa é barra pesada.
– Fantástico! – respondeu sarcástico.
– Ei, a cura é boa, mas vai depender de você. Se você beber uma gota de sangue humano apenas, já era. Não funciona.
– Saquei.
– Sacou? Porque você vai beber e é uma questão de tempo.
– Do que precisamos pra fazê-la? – perguntou sem cerimônias.
– Algumas coisas eu já tenho, mas outras temos que pegar. O item mais difícil da lista é o sangue do vampiro que transformou ele.
– Vai ser quase impossível. – Comentou Sam. – O cara era imenso.
– Não está escrito na receita que vai ser fácil.
Todos fizeram silencio.
pensava numa maneira de conseguir esse sangue. E a única ideia que teve foi de chamar Benjamin para ajudar. Afinal, Benjamin era um vampiro e tinha capacidade, força e agilidade o suficiente para entrar, sair e salvar Dean.
Mas aí é que estava o problema. Benjamin já disse que não se envolveria, e ele não o faria, nem que fosse para salvar uma vida. Ainda mais se fosse a de Dean.
Então ela suspirou sem saber o que fazer.
– É impossível conseguir esse sangue. – ela comentou.
Todos a olharam.
– Mas eu consigo. – Dean respondeu.
Todos o olharam.
– Como? Vai entrar direto no ninho?
– Eu sou um deles, não sou? Só preciso entrar lá e pegar o cara sozinho.
– E você acha que vai ser simples assim?
Dean não respondeu.
– Ela tá certa... – Reforçou Sam. – É melhor um de nós ir com você.
– Não! Vocês cheiram. Até parecem hambúrgueres. Eu tenho que ir só.
– Mas a gente ainda não conseguiu encontrá-los.
– Sem problema, sinto o cheiro deles há três quilômetros de distância. Vocês pegam as outras coisas e me encontram lá. – Disse dando as costas.
– Dean. – Samuel o chamou. Dean se virou para ele, e o mesmo lhe deu uma seringa. – Sangue de homem morto. O suficiente pra derrubar um gigante.
Dean assentiu e a pegou.
– Boa sorte, Dean. – Disse .
Ele a olhou, assentiu e saiu.
– Bem, eu vou até o carro ajuntar algumas coisas. – Disse Jean, saindo do quarto.
– E eu vou passar uma água no rosto. – Disse , caminhando até o banheiro e fechando a porta.
Enquanto isso, Samuel olhou para Sam.
– Qual é o seu problema, Sam?
– Como assim?
– Você sabia da cura.
– O quê? Eu não sabia.
– Nós falamos sobre isso há meses.
– Não comigo, deve ter sido com outro.
– Estranho, porque se você soubesse, seria quase como deixar que Dean fosse transformado pra ter um homem lá dentro pra nos ajudar a achar o vampiro alfa.
Sam olhou para Samuel incrédulo.
– Tá falando sério? Acha mesmo que eu faria isso, arriscaria a vida do meu irmão? Qual o problema com você? Presta atenção, eu tô aliviado porque podemos curá-lo... Eu nunca seria capaz de fazer algo desse tipo.
, que estava no banheiro, pode ouvir tudo. E aquilo era mais uma prova de que algo estava errado. Samuel falava com convicção e caçadores com experiência não tinham o costume de se esquecer do que comentava e com quem comentava.
E com isso, Sam só dava indícios de que sim, ele estava diferente e aquele papo todo de que passou muito tempo caçando não passava de uma desculpa. E ela pode sentir um frio subir pela espinha. Se Sam estava sendo mesmo capaz de fazer uma coisa daquela com o irmão, imagine com ela. Porém, não adiantaria nada ela ir embora ou ficar ali trancada, porque Dean precisava de ajuda e o relógio corria.
Então, ela se olhou no espelho e resolveu agir como Castiel. Ela saiu do banheiro com cara de paisagem, assim como o anjo.
É, Castiel era uma fonte de inspiração.
– E aí, prontos? – ela perguntou.
Os dois assentiram e os três saíram.

...

A busca pelos ingredientes levou mais tempo que eles pensaram, e ao chegarem ao ninho, eles temeram ser tarde demais.
– É aqui mesmo? – Perguntou reparando no local.
Era tipo de um banco velho abandonado.
– É, foi essa a localização que o Dean me mandou. – Comentou Sam.
– Então, vamos? – Perguntou Samuel.
– Vamos nos separar? – Perguntou . Porque se aquilo fosse acontecer, ela torcia para não ter que ficar sozinha com Sam.
– Não, é melhor permanecemos juntos. Estamos entrando em um ninho. Eles vão se juntar pra defender o lar. – Samuel respondeu caminhando até uma das entradas.
Sam, e Jean fizeram o mesmo.
Eles entraram no banco e ao passarem por um corredor, os quatro viram vários corpos espalhados pelo chão, sem cabeça.
– Vejo que Dean tem mesmo sangue dos Campbells. – Samuel comentou com um sorriso no rosto ao ver os corpos.
– Pera aí, o quê? – perguntou não entendendo nada.
– O quê? – Sam perguntou confuso.
– Que história é essa de sangue dos Campbells?
– É que o Samuel é o nosso avô.
– Como é? O seu avô não tinha morrido?!
– Pra falar a verdade, sim. Mas ele voltou quando eu voltei.
– E quando vocês pretendiam falar isso pra mim? – ela olhou irada para Sam.
– Olha...
– Dá pras mocinhas pararem de conversa e se concentrarem no caso? – Samuel os cortou.
Sam então deixou e foi até o avô. o seguiu com o olhar, fuzilando-o com os olhos. Ela sabia que o momento não era apropriado, mas torcia para encontrar Dean novamente e tirar satisfação.
Todos seguiram em frente, e o lugar estaria deserto se um rastro de corpos não se formasse pelo chão. E todos sabiam que se seguissem a trilha, eles chegariam a Dean.
E eles estavam certos. Dean estava em uma sala sentado, com a cabeça baixa.
– Dean, tá tudo bem? – Perguntou Sam.
– Tá. – Respondeu seco.
– Vejo que você deu um jeito neles. – Comentou Samuel. – Bem, estamos com tudo aqui. Você tá pronto pra ser curado?
Dean assentiu. Então Samuel jogou as coisas que estavam sobre uma mesa e colocou o seu material lá. Jean e Sam observavam, enquanto foi até Dean, que estava mais afastado e quieto.
– Tudo bem?
– Tá.
– Hm... Que bom. Assim você vai poder me explicar. Quem é o Samuel e por que ele tá aqui?
– Ele veio ajudar.
– Eu quero dizer, por que ele voltou dos mortos? – perguntou sem paciência.
– Olha, eu não quero ter essa conversa agora.
– Ah, tá. Legal! Nós trabalhamos em dois casos desde que o seu irmão voltou. A gente se ajudou e mantemos a vida uns dos outros salva, mas isso não é motivo suficiente pra me dar algumas explicações? Muito bom!
– Tá bem! – Dean a olhou e suspirou. – Ele é o nosso avô que voltou com o Sam.
– Disso eu sei.
– E o que você quer que eu diga?
– Por que ele e o seu irmão voltaram. Por um acaso você fez alguma coisa?
– Não! – ele respondeu seco e voltou a baixar a cabeça.
o olhou por algum tempo sem dizer nada.
– Eu não sei se posso acreditar nisso.
– Olha, eu tentei, ok? – Dean voltou a olhá-la. – Tentei de todas as formas achar alguma solução de trazer Sam de volta! Mas não consegui. Fiquei surpreso do mesmo jeito que vocês quando ele apareceu com o Samuel.
o observou. Aquele assunto estava incomodando Dean, e por alguma razão, ele estava esquisito. Ela não sabia se era por causa de Lisa, ou da situação toda. Então decidiu deixar aquele assunto para depois.
– Bem, acho que está pronto. – Samuel falou alto. Dean e olharam para os três e se aproximaram deles. – Se funcionar não vai ser uma viagem fácil e você sabe disso.
– Tá ótimo, manda ver. – Dean respondeu rápido.
– Então, o que você viu lá?
Dean olhou para o irmão com o cenho franzido.
– O quê? 
– Sam... – o repreendeu pela pergunta que ele acabara de fazer. O irmão ainda era um vampiro, estava se controlando para não atacá-los e ele toca num assunto daqueles, que naquele momento, não tinha a mínima importância.
– No ninho. O que você viu no ninho? – Perguntou, ignorando .
suspirou, rolou os olhos e olhou para Dean. E pela forma que Dean olhava para Sam, ela tinha a certeza que ele pensava o mesmo que ela.
– Sam, o seu sangue faz muito barulho, fica longe de mim. Eu só quero a droga da cura! – Respondeu impaciente.
Sam assentiu devagar e Samuel deu o copo com a bebida para Dean. Dean aproximou o copo do nariz e se arrependeu. A bebida fedia e muito.
– Saúde. – Disse ele antes de beber tudo sem parar.
Depois do último gole, ele colocou o copo em cima da mesa e os quatro o olharam. Nada aconteceu.
– E aí, funcionou? – perguntou curiosa.
– Eu não acho que fez... – de repente, Dean parou e se ajoelhou e começou a vomitar um liquido escuro.
o olhou preocupada. Ele estava vomitando muito e todos pareciam paralisados, não entendendo o que estava acontecendo.
– Tá funcionando? – ela perguntou para Samuel.
– É isso, ou ele está morrendo.
olhou assustada para Dean e se desesperou quando o mesmo caiu no chão desmaiado.
– Dean! – Chamou, indo até ele.
– Espera, . – Falou Jean a segurando pelo braço, e observando Dean. – Ele tá respirando, talvez seja o efeito.
Mesmo percebendo que ele estava respirando, não podia se acalmar, já que ele ainda continuava caído e desacordado. Então ela se soltou de Jean e foi até Dean. Se sentou no chão, cruzou as pernas e colocou a cabeça dele sobre elas.
– Dean... Dean. – ela chamava dando uns tapas de leve no rosto dele. Pouco tempo depois, Dean acordou. – Tá tudo bem?
– Tá. – Respondeu num suspiro, se levantando.
– Bom trabalho, filho. – Samuel o parabenizou.
Dean o olhou.
– Obrigado. – respondeu ríspido.
– E aí, Dean. O que você viu? – Sam voltou a perguntar.
Dean o olhou com um olhar sério.
– Depois conversamos sobre isso, ok? – e ele se afastou.
Todos se entreolharam e saíram em seguida.
e Jean caminharam até o Jeep e ficaram observando Sam e Samuel discutindo sobre alguma coisa, e Dean recostado na van de Samuel, com cara de poucos amigos.
– Acho que a coisa tá feia. – comentou. Jean apenas assentiu. Ele estava com a cara fechada e já imaginava por que. O motivo estava ali, a poucos metros de distância deles. – Vai, fala logo. O que tá te incomodando?
– Nada. – Respondeu seco.
– Jean, tá escrito na sua testa que tem algo. – Rebateu incomodada.
– Então deve estar escrito nela o motivo. – rebateu nervoso.
E ficou surpresa. Já viu ele nervoso, mas ele nunca havia falado com ela naquele tom. Ela podia muito bem respondê-lo a altura, mas tinha que admitir que ela tinha dado mancada.
– Ok... Eu imagino o porquê, e eu realmente sinto muito.
– Sente muito? – perguntou cínico.
– É. – ela suspirou. – Eu sei que é esquisito você ver minha preocupação com ele.
– Esquisito não, mas exagerado. – respondeu colocando as mãos na cintura. – , eu não me incomodo por tê-lo por perto, mas o problema é que você às vezes parece se importar demais com ele. E quando não tá se preocupando, fica por aí discutindo com ele sem razão.
– Mas a gente sempre viveu discutindo. – protestou.
– Tá, mas me diga, vocês vivem discutindo como antes porque gostam de se provocar, ou porque você simplesmente ainda tá chateada por ele ter te deixado pra trás?
o olhou sem entender.
– Isso não tem nada a ver! – respondeu nervosa, mas se acalmou ao ver que Jean tinha motivos para ficar chateado. Ela tinha exagerado na preocupação com Dean minutos atrás, e ultimamente eles discutiam com mais frequência. – Olha, ele fez parte da minha vida, mas tudo o que a gente viveu ficou no passado. Não sinto nada por ele. Eu me preocupo sim, porque apesar dos pesares, ele é um amigo com quem passei quase quatro anos. Mas você não deve se preocupar achando que o passado pode voltar à tona. Eu decidi seguir em frente e mudar de vida, e por isso eu tô com você... Eu sei que não te disse aquelas palavras, mas Jean, eu gosto e muito de você, e é por isso que eu quero e preciso que você continue fazendo parte da minha vida.
Jean a olhou com a cara menos fechada.
– Isso é serio?
– Mas é claro, ou acha que eu mentiria pra você? – perguntou ofendida.
, eu sei que é chato da minha parte, mas é que eu sinto que de alguma forma você ainda sente algo por ele.
– Eu não sei por quê. Eu tô com você, seu imbecil, e quero seguir a vida com você ao meu lado, entendeu? – Ela se aproximou com um sorriso, e passou a mão no rosto dele. Ele olhou para ela. – Jean, não se preocupe com isso, ok? Nós estamos juntos e é isso que importa.
Jean sorriu, e o beijou. Mas os dois foram interrompidos quando Dean se aproximou e pigarreou. Os dois se afastaram e o olharam.
– Desculpa estragar o momento romântico aí, mas posso voltar ao hotel com vocês?
– Mas o que aconteceu?
– Nada de mais, só preciso de um tempo. – respondeu com a cara ainda fechada.
– Tempo?
– É. – respondeu deixando claro que não queria esticar o assunto.
– Tá, tudo bem. – Jean deu de ombros.
Os três entraram no carro e partiram em silêncio.


There's Something Going On With Sam.

Quando o dia amanheceu, e Jean decidiram passar no quarto dos Winchesters para saber como Dean estava. A noite passada havia sido exaustiva para Dean, que passou o caminho todo na volta calado e nem abriu a boca para se despedir.
– Oi, tudo bem? – os cumprimentou ao entrar no quarto.
Jean vinha logo atrás.
– Tudo bem. – Sam, que estava mexendo em um das malas respondeu.
Samuel também estava lá. Dean saiu do banheiro e olhou para ele. Ele estava com a expressão um pouco melhor, mas ainda estava com a cara fechada.
– Como passou a noite?
– Bem, na medida do possível.
E com essa resposta, teve mais certeza de que tinha algo errado.
– E aí, agora você pode nos dizer o que viu? – Perguntou Sam, ainda insistindo naquele assunto.
– O quê? – Dean o olhou desnorteado, a sua cabeça estava cheia. E ele ainda não sabia o que fazer em relação a uma visão que teve enquanto estava desmaiado.
– No ninho, o que você viu?
– Ah... Eu ainda tô tentando entender tudo, mas tenho quase certeza de que não criaram nada sozinhos. Recebem ordens de cima, o passo seguinte e tudo.
– “De cima” quer dizer... – Jean entrou no assunto.
– Do alfa. – Samuel, que também estava lá, respondeu.
– Pelo menos é o que eu acho. Eles têm um lance psíquico rolando, sei lá. – Dean voltou a falar, colocando o necessaire na mala.
– Dizendo o quê? – Sam insistiu.
– Ah, é sério?... Ordens de recrutamento. O alfa tá montando um exército.
– Que reconfortante. – Comentou Jean.
– E isso não é o pior.
– E o que é? – Perguntou .
– Eles não têm mais medo de nós.
Todos se entreolharam.
Dali para frente a coisa poderia ficar pior.

...

Mais tarde naquele dia, estava deitada em sua cama, conversando com pelo telefone.
Vocês não vão voltar hoje?
– Não sei, acho que não. Passamos a noite inteira cuidando do caso. Acho que merecemos um descanso.
É, você tá certa. Pelo que eu entendi não foi nada fácil.
– É, eu nem preguei os olhos direito.
Por quê?
pensou. Ela não queria comentar o que ouviu da conversa entre Sam e Samuel, muito menos sobre o que Sam havia falado com ela. Aquilo preocuparia mais a irmã e a deixaria brava a ponto de largar tudo e ir até lá, para tirar satisfações. Como disse Sam, sabia ser difícil quando ela queria.
Com certeza era coisa de sangue.
?
– Oi. – Disse se concentrando na conversa. – Desculpa, eu tava pensando.
– Hm, achei que tivesse me deixado no vácuo pra prestar atenção na sua novela.
– Há-há, palhaça. Nem tá passando a Usurpadora.
riu.
Mas e como andam as coisas aí?
– Estão bem.
E o Sam, ele fez alguma coisa de estranho?
– Não. – mentiu.
Hm... Sei.
pigarreou e decidiu trocar de assunto.
– E aí, confirmou se vai ver o Dr. Sexy ou não?
riu e suspirou.
Eu falei com ele, e sim, vamos nos ver, mas não por enquanto. Ele vai mesmo passar alguns dias com a filha em Nova York, mas vai passar o ultimo dia de folga comigo.
– Hmmm, que bonitinho. Ele deve gostar muito de você, hein? Nunca vi alguém tão ocupado viajar tanto só pra ver um casinho bobo.
Hm, já até sei o que esse tom de voz significa.
riu.
– Que bom que sabe. Você já pensou no que vai fazer em relação a ele?
...
, não tem como você ficar com ele e depois ir atrás do Sam.
E quem disse que eu vou atrás do Sam?
– Você sabe o que eu quero dizer e é por isso que eu digo que é bom você se decidir, e logo. Olha só as coisas que ele tem feito pra te ver... Se quiser continuar se enganando, dizendo que vocês tem apenas uma amizade colorida, tudo bem. Mas acho isso uma perca de tempo.

Owensboro, Kentucky.

não queria falar sobre aquilo. Ela não queria admitir que se sentiu um pouco culpada depois do ultimo encontro que ela teve com Derek.
Ela ainda pensava em Sam, mesmo que ele não estivesse se importando com ela, e não queria usar Derek apenas para esquecer Sam, e tentar seguir em frente.
– Eu sei, mas não quero pensar nisso. Não agora.

Limestone, Oklahoma.

A conversa foi interrompida quando ouviu alguém bater na porta. Ela se levantou e foi até a porta. Era Dean.
? – a irmã a chamou do outro lado da linha.
olhou para Dean sem entender nada e levou o celular a orelha.
, eu vou desligar, falo com você mais tarde. – e ela desligou. – Aconteceu alguma coisa? Achei que vocês já tivessem ido.
Dean balançou a cabeça, como se tivesse pensando no que responder.
– Tá tudo bem, é só... – ele deu de ombros.
percebeu que tinha alguma coisa de errado e deu espaço para Dean entrar no quarto. Dean baixou a cabeça e entrou.
– Então, o que foi? – ela perguntou preocupada.
– Nada.
– Dean, você não bateria na minha porta por nada. Começou, termina.
Dean a olhou e pensou por algum tempo.
– Cadê o Jean? – perguntou olhando para o quarto.
– Saiu.
– Comida?
– Sempre.
– Garoto esperto. – disse com um sorriso no rosto.
– Dean, para de enrolar e me diga o que tá te incomodando. – Dean a olhou. – Desembucha, eu te conheço o suficiente pra saber que tem alguma coisa errada.
Ele suspirou.
– É o Sam... Ele tá diferente e eu sinto que ele não é o meu irmão.
assentiu e se sentou na cama. Dean a acompanhou e se sentou em uma das cadeiras próxima da cama.
– Por quê?
– Não sei, mas ele anda estranho e ontem eu vi...
– O que você viu? – perguntou rápido e assustada. Não conseguia imaginar o clima que ficaria entre eles se Dean tivesse visto e ouvido a conversa dela e de Sam na noite anterior.
Dean a olhou sem entender sua reação, mas relevou:
– Depois que eu tomei aquele remédio que o Samuel fez, eu desmaiei.
respirou aliviada e voltou a focar no assunto:
– É, isso nós vimos.
– Mas não foi um simples desmaio. Eu vi tudo o que tinha acontecido, como se estivesse retrocedendo, entende?
– Dean, eu não faço ideia do que você tá falando.
– Eu sei que é esquisito, mas o que eu tô tentando dizer é que eu vi tudo o que aconteceu comigo antes, durante e depois da transformação.
– Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o Sam?
– Eu o vi parado enquanto eu era atacado.
– Eu também o vi parado no beco.
Dean suspirou e tentou explicar:
, eu tô tentando dizer que ele ficou parado como se tivesse esperando que o vampiro me transformasse.
o olhou surpresa. Dean assentiu, para confirmar seus pensamentos.
– Você tem certeza disso?
– Tenho. E é isso que me incomoda. – ele balançou a cabeça. – Eu sei que seria impossível Sam fazer isso, mas eu sei o que eu vi.
pensou por um momento.
– Dean, eu não acho que seja impossível. – disse tentando decidir se falava ou não.
– O que você quer dizer?
– Eu... – disse relutante.
, fala!
o olhou e suspirou. Ele precisava ter ideia com o que estava lidando.
– Dean, eu ouvi uma conversa entre o Sam e o Samuel depois que você saiu pra ir ao ninho.
– E o que eles falaram?
– Eu não entendi direito porque tava no banheiro e eles falavam baixo. Mas pelo que eu ouvi, parece que o Sam sempre soube da cura. – fez uma pausa dramática. – Acho que ele queria que você fosse atacado.
Dean a encarou sem acreditar e depois fitou o chão. Ele ficou um tempo estático, tentando processar a informação.
– Não acredito! – ele se levantou bruscamente. – Aquele filho da mãe...
se levantou também.
– Dean, se acalma.
– Me acalmar? – ele a olhou nervoso. – O cara me jogou na fogueira.
– Eu sei, mas não sabemos com o que estamos lidando.
, aquele não é meu irmão! – ele falou ainda mais nervoso.
– Dean, eu não sei o que ele é e deixa de ser. Mas acho que nós deveríamos investigar e ver o que tá acontecendo.
Dean a encarou e depois baixou a cabeça.
– E o que vamos fazer?
– Vamos observar, investigar e ver no que dá...
Ele voltou a olhá-la e assentiu devagar. Pelo visto, a operação “Olhos de Águia 2.0” estava em prática.

Dois dias depois.

Dean caminhava de um lado para o outro. Já tinha se passado alguns dias desde que começou a reparar que Sam não era o mesmo. E a visão que ele teve há três dias o estava incomodando. Ele havia pesquisado de várias maneiras, tentando encontrar uma resposta, mas não havia achado nada e a única solução era conversar com Bobby e ver se ele poderia ao menos ajudá-lo.
– Eu sei o que eu vi, Bobby. Ele me atirou pro vampiro! Eu tô dizendo, não é o meu irmão!
Então é alguma coisa que eu nunca vi antes...
– Ou é a droga do Lúcifer!
O quê?
– Eu e a estávamos conversando e chegamos a essa conclusão.
Vocês já chamaram o Castiel?
– Claro, mas ele não me responde. E quer saber? Que se dane. Não posso esperar mais.
Olha, eu saquei. Você tá estressado e tem todo o direito. Mas vamos ser profissionais.
– Profissionais? – perguntou inconformado. – Bobby, ele me viu ser transformado. E tem mais, a ouviu uma conversa entre ele e o Samuel.
E o que eles disseram?
– Alguma coisa sobre o Sam já saber sobre a cura da mordida de vampiro antes de eu ser mordido.
Dean, você tem certeza do que viu? E a tem mesmo certeza do que ouviu?
– Droga, Bobby! Nós sabemos, tá bom?! – Disse perdendo a paciência.
Saber não é o mesmo que provar, porque nós estamos falando...
– De fazer alguma coisa sobre isso e rápido. – o interrompeu. – Não é só o vampiro ou a conversa, ele tá diferente desde o pulo.
Tudo bem... – respondeu. – Estou com vocês.
– Está?
Sim. Eu vou procurar nos livros, mas não atire nele ainda, tudo bem? Vigie. Precisamos de fatos. Se não é o Sam, nós não sabemos o que é. E se vamos acabar com ele, temos que saber como.
– Bobby, preciso de uma solução e rápido. Eu não quero andar no mesmo carro que ele, e muito menos sair pra trabalhar com ele num caso.
Pare de frescura e entre no carro! Ele é o caso. – e então ele desligou.
Dean encarou o celular. Não tinha sido fácil convencer Bobby, mas sabia que ele ia fazer alguma coisa. Só esperava que ele não encontrasse a resposta tarde demais. Sam estava diferente e isso era um fato. E o pior de tudo, era que ele não sabia com o que estava lidando e em que enrascada estava se metendo.
Há pouco tempo estava vivendo uma vida normal, com uma mulher que ele tinha que admitir que gostava e sentia um carinho imenso, e uma criança que se tornou seu filho, mesmo não sendo de sangue.
E ao pensar nos dois ele pode sentir um aperto no coração. Há dias não falava com eles, e não porque não queria, mas porque Lisa não o atendia. E ele até entendia por quê. O ultimo encontro deles não tinha sido dos melhores, e ele sentia a necessidade de ligar para se explicar e saber como eles estavam. 
Então ele ligou mais uma vez, mas como sempre, ela não atendeu. Ele guardou o celular e entrou na lanchonete onde ele tinha saído para atender ao telefone. Lá ele encontrou – a única pessoa além de Bobby que ele poderia contar naquele momento. Ela estava sentada sozinha, encarando o cardápio.
Ele se aproximou e ela o olhou assim que notou sua presença.
– E aí, o que o Bobby falou?
– Que tá com a gente e vai nos ajudar. – disse se sentando de frente para ela.
– Ele tem alguma ideia de onde começar? – Perguntou deixando o cardápio sobre a mesa.
– Não. Mas disse que vai pesquisar pra ver se acha alguma coisa.
– E enquanto isso o que faremos? Porque eu não quero ser jogada aos leões, não.
– Por quê? Tá com medinho? – ele abriu um sorriso convencido. – Nem tá parecendo uma caçadora.
rolou os olhos.
– Não custa se preocupar. Se você, que é o próprio irmão, foi dado de bandeja pros vampiros, imagine o que ele pode fazer comigo.
Dean estalou a língua.
– Relaxa, ele não vai fazer nada.
– Quem garante?
– Ele não vai fazer se nós continuarmos tratando ele como se nada tivesse acontecendo.
olhou para Dean, e por cima de seu ombro viu Sam se aproximando.
– Então é bom você começar agora. – Falou rápido.
Dean a olhou não entendendo, até Sam se aproximar. Quando o irmão se sentou ao seu lado, Dean o olhou com uma cara estranha, fazendo sorrir. De longe se via que ele estava tentando disfarçar, mas não sabia como.
– Desculpa a demora. – Falou Sam – Oi, .
se limitou a sorrir.
– Tudo bem com você? – Dean perguntou tentando disfarçar o nervosismo.
Sam olhou para Dean e fuzilou o mesmo com os olhos. Mais óbvio impossível.
– Tá tudo bem sim e vocês? – Respondeu estranhando a pergunta.
– Eu? Tô ótimo. Eu estava aqui conversando com a e... – Dean olhou para ela como se pedisse ajuda.
– Nós estávamos falando sobre como a tá. – emendou.
Sam assentiu.
– E ela tá bem?
– Tá sim. Melhor que nós até. – Disse com um riso forçado no rosto, querendo parecer confortável com aquela situação. Nesse momento Jean se aproximou. – Onde você estava? – perguntou aliviada por não ter que estender mais o assunto com Sam.
– Fui abastecer o carro e dar um jeito no motor, aquele barulho estava me incomodando. – Respondeu se sentando ao lado da namorada.
– E conseguiu?
– Consegui, se você quiser podemos ir embora hoje mesmo.
– Ah. – ela sorriu sem graça. – Que bom. – olhou para Dean, que a olhava com um olhar de “e eu?”.
Foi aí que a ficha dela caiu. Se ela e Jean fossem embora, Dean ficaria sozinho com Sam. E essa era última coisa que ele queria.
Ela queria poder ficar, afinal, ela se preocupava com ele. Mas ela não sabia como dizer a Jean que mudara de ideia. Muito menos o motivo. Então ela o olhou e balançou a cabeça com discrição.
Dean apenas rolou os olhos.
– E vocês, pra onde vão? – Jean perguntou. Fazendo Dean e voltarem sua atenção à conversa.
Então, Dean pigarreou e disse:
– A gente tava pensando em...
– Não muito longe. – Sam falou, interrompendo o irmão.
– O quê? – Dean perguntou surpreso. Ele olhou para Sam e depois para Jean. – Ah é, nós vamos. – disse não querendo contrariar o irmão e causar a ira nele.
Sam franziu o cenho e o olhou:
– O que foi?
Dean deu de ombros.
– Nada.
– Tem certeza?
– Tenho! Não se preocupe...
Sam balançou a cabeça e deu meio sorriso.
– Cara, você acordou tão estranho hoje...
percebeu a surpresa de Dean em relação à viagem, e resolveu intervir.
– Então, pra onde vocês vão?
– Illinois. – Sam respondeu. – Por isso. – Disse colocando um jornal na mesa. Jean o pegou e deu uma olhada. – Eu acho que tem alguma coisa.
se aproximou mais de Jean e olhou o jornal.
– Caramba, estamos meio distante de lá, não acham?
– É, mas temos que verificar.
– Suicídios trágicos? – Perguntou sem tirar os olhos do jornal.
– É. Pelo que eu entendi, eles simplesmente estão se matando aos montes.
– Quatro pessoas, de repente. Tudo em uma semana. Muitas mortes pra uma cidade pequena – Jean comentou com . – O que acha?
– É, – deu de ombros. – pode ser algo.
– Bem que vocês poderiam vir com a gente. – Comentou Dean, como se não quisesse nada.
o olhou surpresa. O sinal que ela deu foi bem claro. Eles não ficariam.
– O quê? – Jean perguntou.
Dean deu de ombros.
– É. Grupo de caça... Como nos velhos tempos. – respondeu finalizando com um sorriso de canto.
Com o cenho franzido, olhou para Jean, que perguntou para Dean:
– Mas por quê? Vocês nem sabem com o que vão lidar.
– Por isso mesmo... Quem sabe precisamos de ajuda...
Jean continuou olhando para Dean, agora desconfiado. Ele sabia que Dean era um “lobo solitário”.
– Eu acho que seria uma boa. – Falou Sam.
E antes que Jean pudesse dizer algo, tomou a frente e disse:
– Tudo bem, nós vamos.
– O quê? – Jean perguntou surpreso para ela.
Ao perceber, apenas o olhou e deu de ombros. Teria que pensar em alguma desculpa querendo ou não.
– Bem, agora que o grupo tá completo, quando partiremos? – Perguntou Sam, ignorando a nuvem da tensão se formando entre e Jean.

Depois de tomarem café, os quatro seguiram para o hotel. Assim que entraram no quarto, foi direto para o computador, enquanto Jean foi ao banheiro. Jean não abrira a boca depois que ela havia decidido ajudar os Winchesters, e conhecendo-o bem, ela tinha certeza de que logo ele tocaria no assunto, e que ela deveria pensar muito bem no que dizer para evitar uma discussão.
Ela só havia aceitado ajudá-los por causa de Sam. Independente de como as coisas andavam, ela não era uma pessoa tão fria a ponto de deixar Dean com o irmão, depois de todos os fatos que comprovavam que Sam não era o mesmo. Ainda mais depois do mesmo usar o irmão como isca.
Ela poderia estar louca, mas se Sam foi capaz de chegar aquele ponto, nada impediria que ele fizesse coisa pior.
E pior do que deixar Dean sozinho lidando com esse problema, era saber que graças a sua escolha, agora ela e Jean também corriam risco.
Para evitar piores pensamentos, pegou o computador, se sentou na cama e ligou a televisão, como se aquilo fosse capaz de silenciar seus pensamentos. Pouco tempo depois, Jean abriu a porta do banheiro depois de tomar banho, e mesmo prestando atenção na tela, pode perceber que ele estava a ignorando. Então ela suspirou. Estava na hora da treta.
– O que foi? – perguntou como quem não quisesse nada, olhando para a tela do computador.
– Nada.
Ao perceber o seu tom de voz, abaixou a tela do computador e o olhou.
– Fala logo. O que foi?
– Eu já disse. – Disse vestindo uma camisa qualquer.
– Você sabe que isso não cola.
– Não é nada. Só pensei que hoje iriamos embora. Foi o que a gente combinou.
– Mas a gente vai embora daqui a pouco.
, não é isso que eu tô falando.
rolou os olhos, já que a sua tentativa de piada foi falha.
– Eu entendi, e sei que a gente combinou de voltar pra casa. Mas temos que ver o que tá acontecendo lá.
– Mas eu acho que eles poderiam facilmente resolver sozinhos.
E ela sabia que era verdade, mas não queria contar o real motivo para Jean. Ele não acreditaria, e ela temia que ele pudesse pensar que aquilo era uma desculpa dela para ficar caçando com eles.
– Eu sei Jean, me desculpe estragar o nosso plano. – Deu de ombros. – Eu só achei que seria legal resolver mais esse caso antes de voltar.
– E por quê?
– Você me conhece e sabe que eu nunca deixaria um caso de lado.
– Sim, mas só se não tivesse ninguém pra resolver. Ou você só tá indo por...
suspirou mais profundo, gente ciumenta a deixava nos nervos.
– Você não tá achando que eu tô indo só por...
– Eu tô achando, sim. – Disparou. – É muito esquisito essa sua insistência de permanecermos como um grupo.
balançou a cabeça, não acreditando que ele ainda estava achando que ela sentia alguma coisa por Dean.
– Isso não tem nada a ver. – Disse voltando a atenção para a TV.
Não iria discutir por algo que não ia levar em nada. Ela saber que não estava indo só por causa de Dean já era o suficiente.
Jean apenas rolou os olhos, e foi para a cozinha.
– Tem certeza? – ele perguntou com desdém.
– Eu já disse!
– Mas eu não acredito.
– Porque você é um cabeça dura! – respondeu impaciente, se levantando. – Jean, desde que a gente começou, eu fui sincera com você ao dizer que o Dean é passado. Sim, eu me importo com ele, mas apenas como amigo e não como você tá pensando.
– E como você acha que eu deveria pensar? – ele perguntou irritado, fazendo-a engolir em seco. – Desde que ele voltou você faz de tudo pra ficar perto dele. Vocês ficam por aí conversando pelos cantos, ou você acha que eu não percebi isso?
rolou os olhos e suspirou.
– Aff, Jean... – Disse, tentando finalizar aquela conversa. Mas ela se esquecera de que uma conversa, normalmente era conduzida por duas pessoas, e para dar um assunto encerrado, ambos tinham que parar o assunto por ali. Mas para seu azar, Jean não tinha intenção alguma de dar o assunto por encerrado.
– Tá vendo! Você tá incomodada pelo que eu disse.
o olhou incrédula.
– É, eu tô mesmo! Ele é meu amigo... Passamos tempo suficiente caçando juntos pra eu me importar com ele.
– Então você assume que ainda sente algo por ele?
balançou a cabeça, e deu um riso forçado.
– Para de ser ridículo, por favor. Quando eu digo que me importo com ele, eu quero dizer do mesmo jeito que me importo com o Sam e com o Bobby. Do mesmo jeito que com você e com a .
Jean continuou a olhando, como se tentasse arrumar algum resquício de incerteza em .
– Você tem certeza disso?
– Mas é claro. – Disse mais calma. – Jean, eu tô com você, e eu quero que saiba que eu me importo e gosto muito de você, mais do que um dia eu pensei em gostar.
Jean soltou um muxoxo, deu um leve sorriso e voltou a fitar a TV. O bom dele era que o seu nervosismo passava rápido.
Pelo menos quando se tratava dos dois.
– É sério? – ele perguntou sem olhá-la, fazendo sorrir.
Então ela se aproximou mais, e passou o dorso da mão esquerda em seu rosto.
– E você acha que eu mentiria pra você?
Jean a olhou com um leve sorriso se formando em seu rosto.
– Hum. Falando desse jeito não dá pra desconfiar.
– Acho bom não desconfiar mesmo!
Jean abriu mais o sorriso.
– Tá, me desculpe.
– Hum, tudo bem. Vou relevar dessa vez. Mas por favor, pare de ver coisas onde não tem.
Jean suspirou e assentiu. Ele sabia que eram algumas paranoias de sua cabeça. Mas o que ele podia fazer? Quem ama cuida, não é?
– Eu sei que tenho sido um chato com isso, mas...
– Ai, meu Deus, para de mimimi. – Disse o puxando para um beijo.
E é claro que Jean retribuiu. Ele sabia que não era uma típica garota, que gostava de coisas melosas, e demonstrações de amor, mas era aquilo que mais o atraíra. Podiam dizer que eles nem pareciam um casal, mas ele apenas se sentiu completo com ela.
E por outro lado, nunca pode imaginar que alguém sentiria algo tão forte por ela. O que para ela seria perfeito se não fosse estranho. Ela ainda não podia dizer que o amava, mas sabia que aquilo não era necessário, porque o que ambos tinha, era forte e sólido o bastante.
E ao se lembrar do motivo da pequena discussão dos dois, não pode evitar um nó se formar em sua garganta, seguido por um aperto no coração.
Dean.
O cara por quem ela cultivara um sentimento tão forte durante tanto tempo, enquanto tudo o que ele fez foi jogar um balde de água fria nela, e acordá-la para a vida.
E aquilo a fez pensar: Nada podia ser perfeito, a não ser aquele momento nos braços de Jean.
Ao perceber que o beijo já havia se intensificado, Jean já estava sobre ela, que havia se deitado na cama sem perceber. O beijo cheio de carinho e calmo, havia avançado o estagio em tempo recorde. E logo a necessidade de ambos – e principalmente dele – se tornou evidente. Enquanto Jean se dedicava a beijar cada pedaço de pele do pescoço de , ela soltou um riso pelo nariz.
– Não sabia que você era tão sensível assim. – Brincou ele enquanto depositava um beijo sobre o queixo dela. E apenas arfou. Jean continuou a se dedicar a beijá-la por toda parte de seu rosto, pescoço e colo. A cada toque, sua pele arrepiava e a necessidade de mantê-lo ali com ela era gritante.
Jean partiu o beijo e a fitou.
– O que foi? – ela perguntou.
Depois de longos segundos em silencio, ele disse:
– Eu te amo. E nunca me canso de dizer isso.
apenas deu um leve sorriso e alisou o rosto de Jean. Era naqueles momentos em que ela sabia que ele era muito mais do que ela merecia.
– E eu sou a garota mais sortuda por tê-lo.
Jean apenas sorriu e voltou a beijá-la com mais calma e apaixonadamente. deslizou as suas mãos pelo abdômen dele até a barra da camisa, e mais uma vez os dois partiram o beijo, mas com pressa. Assim que se livrou da camisa, Jean se dedicou a ajudar a moça. A conexão não era evidente apenas nos toques, ou caricias, e sim, no olhar.
Um olhar intenso que deixava explicito o desejo, a paixão.
Jean voltou a puxá-la mais para perto, o contato de suas peles era como um isqueiro. Aquilo bastava para o fogo se acender e despertar sentimentos.
Sentimentos ocultos, e desconhecidos por até o momento que Jean entrara em sua vida.



The Bodyguard

Calumet, Illinois.

Era manhã quando chegaram à cidade. Depois de dez horas de viagem, eles se dirigiram até o hotel mais próximo. Sam foi à recepção para fazer o registro, enquanto Jean e tiravam as malas do carro.
– Ei, que tipo de cavalheiro é você? – Perguntou ao notar que Jean pegou a mala e começou a fitar o outro lado do estacionamento.
Jean apenas sinalizou com o queixo.
– O que será que tá acontecendo? – ele perguntou ao notar que Dean andava de um lado para o outro, de cara fechada e falando ao telefone.
olhou na direção, e pela expressão de Dean, ela pôde perceber que se tratava de algo sério. E mesmo que ela estivesse preocupada e curiosa com o que pudesse ser, ela apenas deu de ombros.
– Eu não sei. Ele parece inquieto, né?
Jean assentiu e a olhou.
– Por que você não vai ver?
Sem evitar a surpresa, ela o olhou. Depois da conversa que eles tiveram, ela tinha pensado em não se aproximar tanto de Dean, pelo bem de seu relacionamento.
– Eu?
– É. – deu de ombros. – Ou você acha que se eu chegar e perguntar ele vai me dizer?
– Não custa tentar. – brincou. – Pode deixar, eu falo com ele. Mas antes, vamos terminar de esvaziar o carro. – Disse voltando a atenção para o porta-malas do carro.
, é sério... Vai lá, eu termino aqui e depois faço nosso registro.
voltou a olhá-lo.
– Ok... Pelo visto você não tá se aguentando de curiosidade.
Jean deu de ombros.
– Vai saber se não tem alguma coisa a ver com o caso.
Mesmo sabendo que esse não seria o motivo da tensão de Dean, ela assentiu e foi até o caçador. Assim que Dean percebeu, fez um aceno com a cabeça e voltou sua atenção para o telefone.
Eu passei a noite em claro procurando, mas nada combina. – Falou Bobby.
– Incrível... – Respondeu com uma leve irritação. Aquela falta de informação estava acabando com ele.
Você tem alguma coisa pra prosseguir?
– Tem minha pele que se arrepia quando estou na mesma sala que ele, Bobby. Por que não pesquisa isso?
Eu estou trabalhando nisso.
– Olha, eu não sei quanto tempo mais eu vou aguentar. Você tem que descobrir o que ele é, e rápido.
Estou tentando, mas, Dean, pode ser uma história pior...
– Qual? O satã é meu copiloto? Disso eu sei.
Ora, essa seria a outra pior história.
Dean franziu o cenho.
– O que você quer dizer?
Talvez seja só o Sam.
Dean não queria nem cogitar aquilo. O irmão era totalmente diferente do que havia se tornado. Ele sabia o que o inferno podia fazer com a pessoa, ele teve experiência própria com aquilo, mas não acreditava que seria o suficiente para mudar Sam daquele jeito.
– Eu vou desligar...
Dean...
– Você tem um dia, Bobby. Senão depois eu vou resolver isso. – Disse irritado, desligando o telefone em seguida.
Ao notar que Dean ainda permanecia estressado ao desligar o telefone, se aproximou e pigarreou.
– Novidades?
Dean balançou a cabeça.
– Não. Ele pesquisou, mas não encontrou nada.
– E o que você quer fazer?
– Eu não sei. Dei mais um dia pro Bobby, mas...
– Mas?
Dean a olhou.
– Ele não acha que seja o Lúcifer.
– Como assim? Não tem outra explicação.
– Eu também acho. Mas o Bobby acha que pode ser só o Sam sendo o Sam.
balançou a cabeça.
– Eu não acredito. Acho que isso é impossível... Não é?
– Eu também não acredito, apesar de ser uma opção que temos que cogitar.
– Olha Dean, independente do que seja, nós temos que dar um jeito nisso.
Dean assentiu e suspirou.
– E o que você quer que eu faça? Pergunte a ele?
– Até que não é uma má ideia.
Dean a olhou impaciente.
, eu já cheguei nele e perguntei como ele estava. Mas tudo o que ele me diz é que tá bem... – disse, desviando olhar pro nada. – Eu acho que se ele for mesmo o Lúcifer, ele não vai se revelar assim, do nada pra gente.
– E o que quer fazer? Esperar que ele mate um de nós?
Dean voltou a olhá-la, agora mais sério.
– Isso não tá ajudando.
– Ok, desculpa. Mas eu realmente tô assustada.
– E por que você veio então?
– Porque você quase me implorou com o olhar. – respondeu nervosa. – Só tô aqui pra não te deixar sozinho com Sam.
Apenas para evitar mais discussão, Dean a olhou com um sorriso convencido se formando no rosto.
– Sério?
– Dean, não começa.
– Eu não disse nada.
– Eu sei, mas já vou te avisando. Eu só vim porque eu sei que você tá com tanto medo quanto eu.
– E quem disse que eu tô com medo?
sorriu e balançou a cabeça.
– E você não tá?
– Hm, não.
– Não é isso que seu olhar demonstra.
Dean riu sem jeito.
– Eu só tô preocupado. Só isso.
– Ah, então que bom que você não tá com medo, porque o Sam vem aí.
Dean olhou na mesma direção, mas antes que pudesse fazer algo, Sam já se aproximava.
– Pronto, já fiz nosso registro. – Falou Sam, estendendo uma chave para . – O Jean já fez sua reserva e me pediu pra te entregar isso. Seu quarto fica ao lado do nosso.
pegou a chave com um sorriso forçado. Teria que ficar ao quarto ao lado. Ótimo.
– Que reconfortante! – falou entredentes.
– O quê?
– Nada. – respondeu mantendo o sorriso.
Sem entender, Sam assentiu.
– Então, quando vamos à casa da vitima?
– Sam, desculpa. Mas eu realmente tô cansada. Dirigi a madrugada inteira, eu tô quebrada.
– Mas não podemos perder tempo.
– Sam, eu acho que a tá certa. – Falou Dean.
Sam o olhou, com o cenho franzido.
– Ah, eu pensei que você quisesse terminar logo aqui pra poder ir atrás da Lisa, já que ela não fala com você desde o que aconteceu.
Dean pigarreou, enquanto apenas assistia tudo. E como ela conhecia bem o caçador para saber que ele estava incomodado o suficiente, ela disse:
– Tudo bem. Se vocês quiserem ir, vão. Porque eu vou descansar.
, mas eu preciso que você também vá. – Falou Dean, rápido.
– Por acaso eu tenho cara de Kevin Costner? Você não precisa de um guarda-costas.
– O quê? – Sam perguntou confuso.
Dean apenas balançou a cabeça, e disse:
– Nada, ela...
– Dean, não se preocupe. O Jean vai com vocês. – o interrompeu assim que viu Jean se aproximar.
– O quê? Eu vou aonde? – ele perguntou parando ao lado de Sam.
– Você vai com eles à casa da vitima.
– Pensei que descansaríamos primeiro.
– Eu também. Mas o Dean quer terminar logo, então pra que perder tempo, não é? – Falou olhando para Dean com a cara mais cínica que conseguia naquele momento.
Dean rolou os olhos.
– Tudo bem, vamos? – Jean perguntou.
Dean e Sam assentiram.
– Vamos só trocar de roupa. – Falou Sam.
Os quatro caminharam até os seus quartos.

estava de pé, arrumando algumas armas que sempre acompanhavam eles, enquanto Jean estava no banheiro se arrumando.
E AÍ, POR QUE O DEAN TAVA TODO IRRITADO? – Gritou Jean do banheiro.
– O quê? – Perguntou sem entender.
Jean sempre teve a mania de justamente conversar com ela quando estava em outro cômodo. E aquilo a tirava do sério.
– Por que ele tava daquele jeito quando tava ao telefone? – Perguntou ao abrir a porta.
– Ah, eu não sei bem, mas parece que era por causa da Lisa. – Mentiu.
– Achei que ele já tinha desistido dela.
– Eu também, mas parece que ele quer se explicar pra ela, sei lá.
– Hm... É só isso mesmo?
– É... Pelo menos foi o que ele disse.
– Bem, então acho que já vou indo. – Falou, saindo do banheiro e indo até a mala que estava ao chão para pegar uma gravata.
o olhou, preocupada. Ela não queria que ele fosse. Algo a fazia ficar apreensiva por ele, já que ele estava prestes a sair com Sam.
– Jean, tome cuidado lá, ok?
, nós só vamos interrogar o cara. – Respondeu indo até o banheiro.
– Eu sei, mas não custa se cuidar.
– Tá bom, não se preocupe. – Disse saindo segundos depois do banheiro, com a gravata em seu devido lugar.
o olhou dos pés a cabeça e sorriu. Ele ficava muito bem disfarçado de agente do FBI. E isso ela tinha que admitir.
– Nossa, quem me dera eu tivesse te conhecido antes do meu baile de formatura. Com certeza eu teria ido.
Jean riu.
– Você não foi pro seu baile de formatura? – ele se aproximou.
– Eu fugia de tudo que era relacionado à escola. Eu odiava aquele inferno.
– Hm. Se eu não tivesse ido caçar na noite do meu baile e te conhecesse naquela época, com certeza eu teria te arrastado comigo. – e ele a beijou.
Era um beijo leve, mas isso não o impediu de direcioná-la até a cama. então partiu o beijo e se afastou de Jean. Ela sabia aonde aquilo ia dar...
– Se fosse desse jeito, a gente não teria nem chegado ao carro. – ela riu.
– Não. Mas teria sido mais divertido. – ele puxou para si e começou a beijar seu pescoço.
o empurrou e riu.
– Jean, não temos tempo pra isso.
Decepcionado, Jean bufou.
– Quando a gente vai ter um tempo em paz?
– Não sei, mas até lá devemos nos concentrar em resolver o caso. E se eu não estiver errada, você já deve estar atrasado pra sair.
– É, você tá certa. O trabalho me chama. – Disse pegando o paletó que estava sobre a cama.
– É, vai lá e arrasa.
Jean rolou os olhos e saiu. E como era de esperar, Dean e Sam estavam lá embaixo esperando por ele.
Os três entraram no Impala e segundos depois deixaram o estacionamento.

Depois de finalizar as armas, pegou o notebook. Se ela queria se sentir útil, tinha que fazer alguma coisa, e a única coisa que estava em seu alcance naquele momento era pesquisar. Mas antes que o computador pudesse ligar por completo, o seu celular tocou.
Era .
– Oi.
E aí, tudo bem?
– Na medida do possível.
Por quê?
– Não vamos voltar esse final de semana. – Falou meio desapontada. – Estamos no meio de outro caso.
Hm e por quê?
– A gente tava prestes a ir embora, mas o Sam achou um caso, e eu e o Jean decidimos ajudar.
E você não acha que estão trabalhando de mais juntos, não?
– Acho, mas eles precisavam de ajuda.
E sobre o que é?
– Não sabemos com o que estamos lidando. Eles saíram pra fazer uma pesquisa de campo.
E por que você não foi?
– Eles dão conta... Mas e aí o que você vai fazer nesse final de semana, já que a gente não vai estar aí pra agitar essa bagaça que você começou a chamar de vida.
Há-há, engraçadinha você, não? – Falou humorada.
– Por quê? Só falei a verdade.
Só pra você saber, eu não preciso de vocês pra me divertir.
– Ah, esqueci sua pilantrinha, você vai encontrar o seu boy, ou melhor, seu brinquedinho amanhã.
Nossa! Para de tratar ele como se fosse apenas um objeto sexual, ele tem sentimentos.
– Ok, me desculpe. Você ainda vai encontrar o seu amigo amanhã?
riu pelo nariz.
– O quê, assim não tá melhor?
É, amanhã a gente vai se encontrar. – Respondeu, ignorando a irmã. – Ele chega essa madrugada aqui.
– E pensou no que eu disse?
Sim. Eu tô bem, e acho que ele também.
suspirou.
, nós não falamos sobre isso. – continuou. – E ele disse que iria me dar espaço e bem, eu não tô afim de um compromisso, sabe?
– Não sei por quê.
Você sabe exatamente por quê.
E sabia a que, ou melhor, a quem ela se referia.
– Ah, , eu não sei se você deve deixar de viver sua vida.
E quem disse que eu estou deixando de viver minha vida?
– Você mesma!
Olha, eu só disse que não tô afim de um relacionamento.
– Sim, e como você mesma disse, eu sei por quê.
Eu só não quero dar um passo maior do que a perna, ok? Eu e Derek estamos bem assim, do jeito que estamos.
– Você tem certeza que é só isso?
Mas é claro... Bem, pelo menos nenhum de nós está reclamando.
– Se você diz...
Não se preocupe, eu tenho certeza... Agora eu vou ter que desligar, a minha hora de almoço acabou.
– Ok, qualquer coisa me liga.
Pode deixar. – Desligou, fazendo retornar a atenção para o computador.

Assim que chegaram à casa que a vitima dividia com a irmã, Dean bateu a porta que foi aberta poucos instantes depois. A mulher que os atendera aparentava ter uns trinta anos, e pela sua postura, nem parecia que acabara de perder a irmã.
– Posso ajudar?
Sam assentiu e disse:
– Agentes federais. Queremos fazer algumas perguntas.
Os três mostraram os distintivos, e a garota deu espaço para eles entrarem. Assim que foram conduzidos até a sala, os três pediram permissão para dar uma olhada pela casa, e é claro que a mulher consentiu. Não levou mais de 10 minutos para que os três constatassem que a casa estava limpa de pistas.
Então os três foram de encontro à mulher que os esperava na sala.
– Será que podemos fazer algumas perguntas? – Perguntou Dean.
A mulher assentiu, mas disse:
– Eu não entendo. Por que investigadores estão interessados num suicídio?
– Sabe o que é? Esses são os novos cuidados da administração. – Jean respondeu.
– É, mas eu já falei com a polícia. Jane estava tendo um dia ruim, eu só fiz o que qualquer irmão faria. – a garota colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e olhou para cada um deles. – Eu tentei levantar o astral dela, disse pra aguentar firme.
Sam franziu o cenho, pensativo. Poucos segundos depois, perguntou desconfiado:
– Sabe o que é um tique?
– Como é que é?
– É um termo de pôquer, quando você tá blefando... Como o que você faz com o seu cabelo.
Dean e Jean se olharam.
– O que você quer dizer? – perguntou a mulher, sem jeito.
– Está mentindo!
– Sam... – falou Dean, mas Sam o ignorou.
– Agora diga, o que você fez com a sua irmã?
Ela olhou para Dean e Jean, e do nada começou a chorar.
– Você tem razão, eu menti. – Disse entre soluços. – Eu queria dizer a ela “eu amo você e quero estar do seu lado”, mas o que saiu foi: “você é um peso, por que não se mata logo?” E eu não sei por que eu fiz isso.
– Está tudo bem. – Disse Jean se aproximando e lhe dando um lenço. – Acho que já temos o suficiente, obrigado.
A garota assentiu e os três saíram da casa.
– Notaram alguma coisa de estranho na casa? – Jean perguntou assim que se afastam da casa.
– Nada. Sem enxofre, EMF. – Dean respondeu
– Eu também não encontrei nada, só linhas, agulhas e a revista crochê atual. Diz aí, isso não é meio suicida? – Sam perguntou.
– É, e depois as palavras da irmã fazem Jane surtar. – Dean respondeu.
– É.
– Pra começar, só resta saber o que fez a irmã abrir a boca. – Jean comentou.
– É, essa é a questão. – Sam respondeu.
Os três entraram no carro e voltaram para o hotel.

Jean entrou no quarto exausto. Há dias ele não descansava e ele não sabia quando isso poderia acontecer, já que o caso estava no inicio.
Assim que deu uns passos até a poltrona, saiu do banheiro. Ela havia acabado de tomar banho.
– E aí, descobriu alguma coisa? – Perguntou curiosa.
– Nada. – ele suspirou e se jogou na poltrona. – Só que a garota foi obrigada a dizer algumas verdades à irmã suicida.
– E alguma ideia do que pode ser? – Perguntou se sentando na cama.
– Não sabemos.
– Hm... – o olhou, percebendo que ele não parecia bem. – Tá tudo bem?
– Tá. – Disse massageando as têmporas. – Só tô cansado.
– Imagino. A gente não descansa há dias.
– É, ultimamente não temos tempo pra nada.
– Concordo. Mas você parece péssimo. Deveria descansar um pouco.
– Não dá. O Dean falou pra gente se encontrar com ele lá no quarto.
– Agora?
– É.
– Pra quê?
– Não sei... talvez pesquisar.
– Tá. Eu vou e você fica.
– Mas...
– Não tem essa de “mas”... Você fica e descansa um pouco, eu vou lá ver o que é. Depois eu volto e te aviso.
se levantou, e Jean fez o mesmo.
, eu prometo fazer isso depois, ok?
– Mas, Jean...
– É sério. Agora vamos lá, quanto mais cedo terminarmos isso, melhor.
– Assim espero.
Os dois saíram e foram até o quarto de Dean e Sam.
– A equipe de pesquisa chegou. – Falou , entrando no quarto, acompanhada de Jean.
– Vocês não batem na porta, não? – Dean perguntou.
sorriu com escarnio e se sentou em uma cadeira.
– Aprendi com você. – Dean rolou os olhos e encheu o copo que estava na mão com whiskey. – Cadê o Sam?
– Saiu pra buscar comida. Daqui a pouco ele tá aí. – Respondeu, tomando um gole da bebida.
– E por onde começamos? – Jean perguntou se sentando em um das cadeiras.
– Bem, eu comecei a pesquisar, mas até agora não achei nada. – Respondeu Dean.
– Ah...
Nesse momento, Sam chegou com as mãos vazias, mas com uma visível animação.
– Tem mais um.
– O quê? – Dean perguntou confuso.
– Eu tava a caminho da lanchonete quando ouvi dois caras comentando sobre mais uma vitima. Um dentista furou o paciente até a morte no meio da consulta.
– Você diz do jeito não sexy de furar, né?
– Furou? – perguntou o ignorando. – Assim, do nada?
Sam assentiu.
– Eu aposto que tem a ver com aquela loucura.
– Você acha? – Perguntou Dean.
– Acho, vamos lá falar com ele.
– Hm... Vai na frente... Eu já te alcanço.
– Cara, vamos lá.
– Eu tenho uma pesquisa pra fazer.
– A pode fazer isso.
– Eu sei, mas eu quero... Fiquei com vontade.
– Você com vontade de pesquisar? – Perguntou com o cenho franzido, estranhando a atitude do irmão.
– É. – Respondeu tentando parecer o mais convincente possível.
– Mas eu vou lá sozinho?
– Sam, eu...
– Eu vou com você. – Falou , se intrometendo e fazendo Dean a olhar surpreso.
Por mais que ela temesse, ela sabia que não adiantaria ficar evitando o inevitável. Uma hora ou outra ela ficaria a sós com Sam. E aquele era o momento. Jean não iria porque ela não permitiria ele ficar por aí andando com um possível inimigo sem saber de nada. E ela pode deduzir que a tal pesquisa que Dean iria fazer era sobre o irmão, e quem sabe ele teria mais sorte do que ela, que não havia encontrado nada, depois de pesquisar quase a manhã inteira.
– O quê? – Perguntou Dean.
– Eu vou, e você fica aqui com o Jean.
– Você tem certeza, ? Se você quiser eu vou. – Falou Jean.
– Está tudo bem, eu fiquei o dia inteiro aqui e eu quero ajudar. – Mentiu – Além do mais, você não parece tão apto pra sair por aí mais uma vez.
– Tá. Então vamos. – Falou Sam, dando de ombros e mexendo na mala.
assentiu e notou Dean se aproximar dela. Ela olhou para Jean, que agora estava de cabeça baixa e depois voltou a olhar para Dean.
– Você tem certeza disso? – ele cochichou.
– Não temos opções. Eu vou e aproveito pra ficar de olho nele, enquanto você tenta descobrir o que tem de errado.
Dean assentiu.
, temos que ir. – Sam a chamou já na porta.
– Tá. Eu só preciso passar no meu quarto. Tenho que trocar de roupa.
Os dois e Jean saíram, foi se arrumar e Sam já estava dentro de um carro alugado quando ela saiu do quarto. Poucos minutos depois, os dois partiram.
O caminho não seria tão longo, deduziu . Então ela evitaria qualquer conversa com Sam se o assunto não fosse extremamente profissional, por mais que fosse difícil. Os dois sempre se deram bem, e quando ela olhava para Sam era difícil imaginar que ele podia estar possuído ou alguma coisa assim.
– Tá tudo bem? – Sam perguntou percebendo que ela olhava para ele a cada cinco segundos.
– Ah, sim. – pigarreou. – Falta muito pra chegar?
– Por quê? – Perguntou com um sorriso se formando no rosto.
– Por nada. Só tô afim de trabalhar.
– Ah, eu vejo. – Disse a olhando de cima abaixo, reparando no vestido que ela usava. – Bela roupa.
– Obrigada. – respondeu ríspida.
– É sério, você tá muito bem vestida pra estar disfarçada. Acredito que essa roupa chamaria a atenção de qualquer um.
– Sam, vamos falar sobre o caso?
– Pra quê, se temos coisa melhor pra falar? – Respondeu parando o carro.
o olhou assustada, com uma única pergunta se passando pela sua cabeça, “O que ele vai fazer?”
– Por que parou? – perguntou.
Sam a olhou com o sorriso intacto, fazendo a mesma engolir em seco.
– Por que você tá tão assustada?
– Sam, por que você parou?! – perguntou já meio irritada.
E com essa pergunta, o sorriso de Sam abriu mais, e aquilo a fez sentir certo pavor. Independente de ser Sam ou não, ela o atacaria se fosse necessário.
– Calma. – Respondeu, reparando o nervosismo dela. – Nós apenas chegamos.
o fuzilou com os olhos e saiu. Ele parecia se divertir com o nervoso dela, e mais uma daquela ela não responderia por ela. Sam saiu e a acompanhou até a delegacia.
Eles queriam falar com o dentista, mas para o azar deles, o dentista havia se suicidado na cela pouco antes de eles chegarem.
Então os dois decidiram falar com o delegado. E enquanto Sam fazia as devidas perguntas, reparou que tinha uma moça sentada na recepção chorando desesperada, então ela foi até ela.
– Tudo bem? – perguntou tentando parecer o mais simpática possível.
– Não. Aquela cena não sai da minha cabeça. – respondeu chorando ainda mais.
Sem saber ao certo o que fazer, se sentou ao lado dela.
– Do que você tá falando?
– Do doutor Hornel. Ele estava atendendo o senhor James quando tudo aconteceu.
– Como assim, o que ele fez?
A garota levantou a cabeça e a olhou.
– Quem é você?
– Agente Malik, do FBI.
– Ah...
– Então, poderia me esclarecer algumas coisas?
– Bem, eu lembro que o senhor James entrou na sala e como sempre, sendo gentil. Mas do nada ele começou a falar da filhinha do doutor.
– Falando o quê?
– Falando que tinha desejos e...
– Já entendi. – Falou, já que deduzia o desfecho da história.
– Daí ele matou o senhor James, na cadeira mesmo com um dos aparelhos. – Disse voltando a se desesperar.
– Ok, eu entendi. Muito obrigada pelo esclarecimento. – Falou se levantando e saindo. Sam então a alcançou e os dois saíram da delegacia.
– E aí, conseguiu alguma coisa? – ele perguntou.
– Acho que ele foi mais um.
– Mais um?
– É, o assassinado começou a falar as verdades pro doutorzinho, daí ele o matou.
– Então, parece que os dois foram amaldiçoados. – respondeu pensativo. – Pessoas compelidas a cuspir as verdades sobre eles.
– É, parece maldição mesmo. Ser atingido pela verdade nua e crua até surtar.
– É, sem duvidas... Bem, eu vou ligar pro Dean.
– Pra quê?
– Pra pedir pra ele ir ao consultório, quem sabe ele não acha alguma coisa.
– Eu posso fazer isso.
– Não, você vai comigo ao necrotério. – Respondeu pegando o celular e se afastando.
parou e o olhou. E tudo o que ela fazia era se arrepender de ter ido com ele.

– E aí, alguma novidade? – Perguntou Jean ao ver que Dean desligou o telefone.
Ele ainda estava no quarto do caçador, pesquisando sobre o caso, por mais que ambos mal abrissem a boca.
– Mais ou menos. O Sam pediu pra que a gente vá ao consultório do doutor.
– Então vamos lá. – ele fechou o livro que lia e se levantou.
– Olha, por que você não vai lá enquanto eu continuo a pesquisar? – Perguntou Dean.
Ele não sabia lidar com Jean, e não sabia por que. Ele só não se sentia confortável perto dele. Nunca tinha ido com a cara dele, e não era naquele momento que se simpatizaria.
– Tem certeza?
– Tenho.
– Tá tudo bem? – Perguntou curioso.
Ele não conhecia muito bem Dean, mas sabia que ele estava agindo estranho.
– Tá. Eu só tenho que pesquisar algumas coisas aqui... Depois a gente se encontra.
– Ok. – Respondeu e saiu.
Poucos minutos depois, Jean chegou ao consultório. O lugar estava uma bagunça, bem típico de uma cena de crime. Havia faixas da policia por todos os lados, e ele tomava cuidado para não tirá-las do lugar.
Ao entrar na sala do dentista, Jean encontrou a cadeira toda ensanguentada, e o instrumento que ele usou para matar o homem caído no chão. Mas tirando isso, não havia nada de estranho ou diferente por lá.
Ele continuou observando a sala e pôde perceber que o doutor era um fã de trombetas, já que havia algumas delas espalhadas pelas paredes do lugar. Então ele foi até a mesa do médico onde havia varias fichas espalhadas pela mesa, e um papel lhe chamou a atenção. Era de uma casa de trombetas, e ele pôde jurar que já tinha visto aquele logotipo que estava no papel em algum lugar.
Então ele saiu do consultório e ligou para Dean.
Achou alguma coisa?
– Quase nada, a não ser a fascinação dele por trombetas.
E no que isso pode ajudar?
– Por isso que eu liguei pra você. Lembra quando fomos à casa da irmã da Jane hoje de manhã?
Lembro.
– Então, eu não sei se você reparou, mas na geladeira tinha um imã de uma casa de trombetas. Você se lembra do nome?
Casa de trombetas de... Sei lá o que.
– Bem, então eu acho que temos uma pista. – ele respondeu olhando o papel que tinha pegado.
Por quê?
– Eu encontrei uma nota de compra dessa mesma loja no consultório dele, e eu tô pensando em ir lá.
Beleza, vai lá e veja se tem alguma coisa. Qualquer coisa você me liga. – e ele desligou.
Jean ficou encarando o celular, não acreditando que Dean nem se voluntariou em ir.
– É acho que é mais um serviço pra mim. – ele disse para si mesmo, entrando no carro e indo até a loja.
Chegando à casa, Jean se apresentou como oficial do FBI, contou o caso e mostrou a foto das vítimas para o proprietário. O mesmo pegou as fotos e as analisou.
– Sim, o doutor e a Jane. Eu soube sobre eles. Trágico. – o homem comentou, devolvendo as fotos em seguida para o caçador. – Mas o que eu tenho a ver com isso?
– Você é a única coisa que eles têm em comum. – Respondeu pegando as fotos. – Eles disseram alguma coisa a você antes de eles...
– Desculpe, eu acho que não. – o homem respondeu seco.
– Ah. – assentiu. – Eu só queria saber, valeu pela atenção – e ele foi até a porta de saída, mas antes de seguir o seu rumo, ouviu o homem falar:
– Ah, e por falar nisso, e minha trombeta?
Jean se virou, confuso.
– O quê?
– A trombeta roubada.
– Ah, tá... Estamos cuidando disso. – disfarçou.
– Assim espero, ela é uma em um bilhão.
Curioso, Jean se aproximou do balcão.
– Por que é uma em um bilhão mesmo?
O homem pegou o catálogo e o entregou para Jean.
– É uma peça de museu. Qualquer um pode dizer, tem mais de mil anos.
Jean olhou para a foto do instrumento e assentiu.
– De onde ela veio?
– Ninguém sabe.
– E quando foi roubada? – Perguntou, devolvendo o catalogo.
– Há duas semanas. No dia em que Jane morreu.
Desconfiado, Jean se retirou e assim que se aproximou do carro, ligou para Dean.


You Can't Handle the Truth.

Dean estava em seu quarto pesquisando por qualquer coisa que pudesse ajudá-lo. Ele estava beirando o desespero e, naquele momento, qualquer sugestão sobre o que Sam era, era válida.
Ele precisava de qualquer coisa para ajudar o irmão, mas nem a internet, nem os livros cooperavam.
Cansado, ele suspirou e baixou a tela do notebook, apoiando os cotovelos na mesa e cobrindo o rosto a seguir. Aquilo o estava deixando maluco.
De repente, ele ouviu seu celular tocar. Ele olhou para a tela em cima da mesa e viu um número desconhecido. Quer dizer, nem tão desconhecido. Era Jean, só que ele não tinha salvado o número, e se dependesse dele, não salvaria.
Ele pegou o celular e atendeu.
– Fala.
– Eu acabei de falar com o dono da loja.
– E? – ele apoiou a cabeça no braço e fechou os olhos.
Eu não sei, mas parece que temos uma das armas do seu amigo aqui.
– Por quê?
Ele disse que uma das trombetas dele sumiu no dia em que Jane foi morta.
Ele levantou a cabeça e franziu o cenho.
– E você não tá achando...
Que se trata da trombeta de Gabriel? É, eu tô achando sim.
– Não sei, cara... – ele voltou a levantar a tela do computador.
É a única coisa que temos. Só acho que não custa nada dar uma pesquisada.
– Eu vou ver o que acho, depois falo com você.
Ok. – e ele desligou.
Dean então começou a pesquisar sobre a trombeta, e pelo que viu, Jean poderia estar certo. E ninguém melhor para ajudar do que Castiel. E por mais que o mesmo não estivesse respondendo aos seus chamados, Dean pensou em tentar pelo menos mais uma vez.
Ele suspirou e baixou a cabeça.
– Castiel, alô! Possível bomba aqui embaixo. Arma angelical do seu departamento. – ele falou sem esperança que Castiel aparecesse. Mas antes que pudesse praguejar algo, ele ouviu um par de asas baterem atrás de si.
Olá, Dean.
Dean se virou surpreso e viu Castiel. Então ele se levantou e se aproximou.
– Tá brincando comigo? – perguntou nervoso. – Eu dei alerta vermelho por causa do Sam, e você aparece por causa de uma trombeta idiota?
Castiel o olhou com a mesma expressão de sempre.
– Você me pediu para vir e eu vim e...
– EU TÔ PEDINDO PRA VOCÊ APARECER HÁ UM TEMPÃO!
– Ah... Eu não vim aqui falar do Sam, porque eu não tenho nada a dizer.
– Que ótimo! – respondeu. – Porque pelo que eu sei, ele pode ser papel de embrulho do Lúcifer.
– Não, ele não é Lúcifer.
– E como você sabe disso?
– Se Lúcifer escapasse da jaula, nós sentiríamos.
Dean o olhou se sentindo um pouco mais aliviado, mas logo foi tomado pela preocupação novamente. Aquilo significava que Bobby poderia estar certo.
– Qual é o problema com ele então? – Perguntou mais calmo.
– Eu não sei, Dean. Me desculpe.
Dean permaneceu encarando o anjo até dizer:
– O que foi que aconteceu com você?... Você era mais humano, ou pelo menos parecia.
– Eu estou em guerra. Algumas coisas lamentáveis agora são requisitadas de mim.
Ao notar que Castiel dizia a verdade, Dean foi direto ao assunto.
– A trombeta da verdade do Gabriel. Ela existe?
– Viram ela? – Perguntou surpreso.
– Achamos que tá na cidade. Alguma coisa tá forçando as...
E antes que pudesse terminar de dizer, Castiel desapareceu.
– Beleza, esquece! – ele se virou pra janela.
Dean, não é a trombeta da verdade.
Dean olhou para trás e deu de cara com o anjo novamente.
– Você sumiu há alguns segundos. Onde você procurou? – perguntou curioso.
– Em toda a parte.
– Ah, tá, legal. Foi muito bom ver você, então. – ele deu as costas novamente e se sentou na cadeira.
– Dean...
– O que quer?
– Sobre o seu irmão, eu não sei o que está errado, mas eu quero ajudar. Eu vou perguntar e ver o que descubro.
Dean o olhou por um tempo.
– Obrigado. – ele respondeu e Castiel voltou a desaparecer.
Dean pensou em ligar para Jean, mas assim que se convencia a fazer tal coisa, o mesmo entrou no quarto.
– E ai, achou alguma coisa? – Jean perguntou.
– Não, mas não é a trombeta.
– Como você sabe? – ele tirou o paletó.
– Perguntei ao Castiel.
Jean se sentou na cadeira a frente dele.
– E ele apareceu?
– Por mais incrível que pareça, sim.
– E agora, o que a gente faz?
– Sabe de uma coisa? – Dean se levantou. – Preciso sair desse quarto, já tô me sentindo claustrofóbico.
Jean assentiu.
– Vai lá, qualquer coisa eu te aviso.
Dean assentiu e saiu do quarto.

e Sam estavam no necrotério, e para sua sorte, Sam parecia estar concentrado no caso, já que não começou a passar mais uma de suas cantadas.
– Parece que ele não teve criatividade ao se matar. – Comentou , reparando no homem com uma marca bem forte no pescoço.
– É... – Sam olhou para o legista que estava mexendo em alguns papéis um pouco a frente. – Amigo, eu gostaria de ver os outros corpos dos suicidas que apareceram essa semana. Isso é possível?
O legista se aproximou.
– Não, desculpe, eles já se foram.
– Por que, eles foram transferidos? – Perguntou .
– Não exatamente.
Sam o olhou.
– Você quer nos dizer o que tá acontecendo ou eu preciso ter uma conversa com o seu supervisor?
O homem os olhou, assustado.
– Eles sumiram. – respondeu tentando não parecer um louco.
– Como assim? – Perguntou .
– Eles sumiram, sumiram mesmo? – Perguntou Sam.
O legista apenas assentiu. e Sam se olharam. Aquilo não tinha como ficar mais esquisito.

...

Dean estava sentado em um balcão de bar pensando em como resolveria o caso de Sam. Ele não sabia o que era, mas não podia deixar de tentar resolver, mesmo que isso o obrigasse a fazer o que tanto temia. E aquela ideia o apavorava, seria muito difícil fazer aquilo. E ele sabia que não conseguiria.
Tudo o que ele queria era saber o que estava acontecendo, para assim achar outra solução.
Confuso, bebeu mais um gole de sua bebida, e assim que colocou o celular sobre o balcão, o mesmo tocou.
Era Sam.
– E aí?
Todos os corpos sumiram.
– Como assim sumiram?
Foi o que o legista disse, mas eu e a achamos uma pista de um dos corpos. Ela morreu uma semana antes de todos os outros.
– Suicídio?
Foi registrado como acidente de carro, mas bem que poderia ter sido.
– E isso faria dela nossa paciente zero, não é?
Tô achando que, seja lá o que for que deslanchou todo esse lance, começou com ela. Nós estamos indo pra casa dela agora, fica na esquina da Burham com a 59.
– Hm... Vejo vocês em dez minutos. – ele desligou o celular e olhou para a bartender. – Olha, eu mudei de ideia, vou beber mais uma.
A moça sorriu e se aproximou com uma garrafa.
– Você tá legal? – ela perguntou servindo mais uma dose de whiskey.
– Mais ou menos.
– Essa é por minha conta. Quer mais alguma coisa?
– Eu só queria saber a verdade, mas eu vou aceitar a bebida.
– Ás vezes, acho que eu não engravido porque Deus sabe que meu casamento é uma farsa.
Dean a olhou sem entender nada.
– Por que eu disse isso? – a moça perguntou assustada.
– Não sei. – ele respondeu tão confuso quanto ela.
– Eu cheirei cocaína o dia todo... – ela arregalou os olhos. – Por que eu disse isso?
Dean pensou por um minuto e ligou os pontos. Ele havia pedido pela verdade e agora estava recebendo.
– Eu até acho que sei. – Disse colocando o dinheiro sobre o balcão e saindo em direção ao hotel.
Ele fazia ideia do que estava acontecendo com ele, mas ele queria ter a certeza, então ele ligou para Bobby, que atendeu no terceiro toque.
– Oi, quer dizer alguma coisa pra mim?
Não muito. Desculpe desapontar.
– Tudo bem, só tava tentando uma teoria.
Ah... Eu tô aqui em cima dos livros, enquanto bebo um copo de leite e assisto a TV. Quer saber mais?
– Acho que não...
Eu vou à podóloga de vez em quando, num salão vietnamita legal.
– Ah, tá bom, pode parar...
Tem uma garota, o nome dela quer dizer Fênix de Veludo. Pequena, mas ela manda muito bem. Ela começa pelo meu dedão e eu me sinto como...
– Ei, pera aí!... Fala sério, eu agora fiquei marcado pra sempre. Obrigado.
Eu nunca contei isso a ninguém. Por que eu tô contando isso a você? – Perguntou confuso. – Deve ser porque é o meu favorito, mas Sam é melhor caçador, agora pelo menos... Mas por que eu tô dizendo tudo isso?
– Porque eu fui amaldiçoado.
Amaldiçoado?
– É.
Por que é que toda vez que você faz faxina, você acaba sujo?
– Essa pode ser a melhor coisa que me acontece há tempos. – Respondeu pensativo.
Se ele quisesse saber o que estava realmente acontecendo com Sam, aquela seria uma boa arma.
Como assim?... Dean, qual é a besteira que você tá pensando em fazer?
– Vou desligar.
Ah, tudo bem... Você sabia que a minha primeira namorada acabou se reve...
– Não, não. – Disse desligando o celular e entrando na rua do hotel.

Jean estava no estacionamento pegando uma mala no carro quando ligou. Ela contara todo o caso para ele, que escutava atentamente.
– Então vocês vão pra casa da garota agora? – ele perguntou.
É, quem sabe achamos alguma pista lá.
– Será que foi ela quem desencadeou tudo isso?
Não sei, isso que iremos ver...
– Bem, então vejo você mais tarde. Tenho que voltar as minhas pesquisas. Quem sabe não encontro alguma coisa que possa ajudar.
Ok, te vejo depois.
Jean desligou o telefone e viu Dean caminhando em direção ao Impala, que estava duas vagas depois do Jeep.
E ele não sabia o porquê, mas sentiu uma vontade imensa de ir até lá.

Dean entrou no carro e antes de dar partida, ele pegou o celular novamente e ligou para Sam, mas a ligação caiu na caixa postal.
Enquanto ele gravava uma mensagem de voz pedindo para o irmão retornar a ligação, ele ouviu alguém batendo na sua janela. Ele olhou, viu que era Jean. Mesmo contra vontade, ele guardou o celular e abaixou o vidro.
– O que foi? Quer me dizer alguma coisa? – perguntou sarcástico.
Jean que antes parecia o mesmo bobo alegre – opinião dele. – de sempre, fechou a cara, e disparou:
– Dean, eu sempre te achei arrogante, prepotente e cínico. Você é autoritário, gosta de estar por cima de tudo. E o pior de tudo, é que isso é só uma máscara. Todo mundo percebe o quão solitário e medíocre você é. Nunca me aproximaria de você e do seu irmão louco se não fosse pelo meu interesse pela ... – ele o olhou assustado. – Ué, por que eu disse isso?
Dean sorriu com ironia.
– Não faço a mínima ideia.
– Sabe o que mais? Você acha que o Sam nunca vai te deixar porque você é a única família que ele tem. Mas você esquece que o Sam não é como você. Ele sabe viver sozinho e sabe conviver com os outros sem por nada a perder. Pode ter certeza, que quando o seu irmão se cansar de você, Dean, você vai acabar sozinho. – ele balançou a cabeça, confuso. – Droga, o que tá acontecendo comigo?
Dean rolou os olhos.
– Jean, vai pro quarto, vai ser melhor pra você.
Jean assentiu, mas voltou atrás. A sua vontade de falar era maior, e ele não entendia por que.
– Sabe por que você sempre põe tudo a perder, Dean? Porque você é fraco e egoísta. Você acha mesmo que o Sam não foi atrás de você antes porque você tava vivendo uma vida normal? Não mesmo. O Sam só queria fazer as coisas do jeito que ele queria fazer. Não seguindo as ordens do irmão que se acha suficiente. Você é tão egocêntrico que deixou a , que gostava tanto de você pra trás, pra viver com a Lisa e fazer o que achava melhor pra você. Você a deixou e quer saber? Ela tá bem melhor. Então por que você não faz esse favor pra Lisa e aproveita que ela não fala com você pra deixá-la em paz?
Dean o olhou com desdém, deu partida no carro e saiu cantando pneu.

e Sam chegaram à casa da Josephine, irmã da garota que morreu primeiro.
Assim que conseguiram o endereço da irmã da primeira vitima, e Sam seguiram até a casa dela. Para falar a verdade, não era o que queria, mas Sam parecia centrado no caso. E se ela não fosse, quem iria?
Ao chegarem a casa, Sam bateu na porta, e uma mulher atendeu. Os dois se apresentaram como agentes, e mesmo não tão certa se seria uma boa ideia, a garota permitiu que eles entrassem na casa.
Os três seguiram até a sala de estar.
– E por que os federais estão investigando o acidente de carro? – ela finalmente perguntou fazendo sinal para que eles se sentassem ao sofá, enquanto a mesma se sentava na poltrona.
– Não foi um acidente. Corey cometeu suicídio. – respondeu .
– Sabe, eu estava pensando. – Disse não controlando as lagrimas caírem – Desculpe, eu...
passou uma caixinha de lenço que estava na mesa de centro para ela.
– Já passou pela sua cabeça que Corey tirou a própria vida? – Sam perguntou meio rude, fazendo o repreender com o olhar.
– É, ela estava passando por uma fase bem difícil na escola, e Mittens, a gata dela, fugiu. Mas o pior mesmo foi o namorado dela. Ela achava que ele estava pulando a cerca, mas nunca conseguiu pegá-lo. Ele era muito bom em cobrir os rastros, o que a deixou completamente obcecada em...
– Descobrir a verdade?
– É.
Nesse momento o celular de começou a tocar. Então ela pediu licença, se distanciou e atendeu ao telefone. Era Jean contando o ocorrido. Assim que ela desligou, ela se aproximou de Sam, e disse:
– Agente Phillip, você se importa de terminar aqui sozinho?
Sam franziu o cenho.
– Não, mas o que aconteceu?
– Nada de importante, só os nossos parceiros se estranhando.
– O quê?
– Longa história, depois a gente conversa.
Sam assentiu, então apenas se desculpou com a garota e saiu. Sam pediu para dar uma olhada na casa, e a mulher assentiu. Então ele foi até o quarto da vitima, e vasculhou, mas não encontrou nada. Ele olhou cada canto, até que decidiu olhar embaixo da cama. E foi ali que ele encontrou uma caixinha cheia de ingredientes místicos e uma cabeça de gato.

Dean se dirigiu até o endereço que o irmão falara o mais rápido possível.
Se ele queria saber o que estava acontecendo com Sam, aquela era a hora certa. Por mais que temesse pela verdade, aquele era o momento. Então ele desceu do carro, mas antes de entrar no prédio, o celular tocou e ele o pegou e viu que se tratava de Lisa.
– Oi.
Oi, eu vi que você ligou. – ela respondeu ríspida.
– É, tem sido uma loucura.
O Ben não quer nem falar nisso.
– Olha, Lisa me desculpa, mas agora é a pior hora do mundo pra gente conversar. Posso te ligar depois?
Você empurrou meu filho, Dean. Nós vamos falar disso agora!
– Não foi bem assim, não! – Protestou.
Então como foi?
Ele pensou na melhor forma de contar que tinha se transformado em vampiro, mas percebeu que não tinha como explicar sem parecer um louco.
– Eu não posso explicar.
Você quer saber a verdade?
– Provavelmente não.
Você fica guardando tudo aí e só empurra mais e mais pra dentro. Você acha mesmo que vai passar pela vida e não vai surtar? Você acha mesmo que é só encher a cara toda noite e tudo bem?
– Você sabia onde estava se metendo.
É, mas eu não esperava que Sam voltasse. Eu fiquei feliz porque ele tá bem, mas no instante que ele entrou pela porta eu soube que era o fim. Vocês dois tem o lance mais doentio, embaralhado e doido que eu já vi. E enquanto ele estiver na sua vida, você não vai ser feliz. – ela fez uma pausa. – Acho que eu peguei mais pesado do que devia...
– Não é culpa sua.
Eu não disse pra não ser ligado ao Sam, eu tô ligada a minha irmã. Mas se ela fosse morta, eu não iria ressuscita-la!
– Olha, Lisa, eu não vou mentir pra você. O Sam e eu temos problemas, sem duvida, mas você e o Ben...
Ben e eu não podemos ficar nisso com você, desculpa. – ela desligou o telefone.
Dean encarou o celular por um tempo e se lamentou pelo rumo que a sua vida estava tomando.
Assim que guardou o mesmo no bolso, notou que Sam saía do prédio. Ele percebeu que o irmão se aproximava e guardou o celular.
– Que bom que você chegou, achei uma coisa.
Dean assentiu e olhou ao redor de Sam.
– Cadê a ?
– Ela saiu, achei que fosse encontrar com você.
– Ela deve ter ido falar com o amiguinho dela.
– Por que, o que aconteceu?
– Isso pode ficar pra depois. Temos que conversar.
– Tá. E o que é?
– Você tem que me explicar algumas coisas, e eu quero a verdade.
– Tá, tá bom Dean, claro! Do que você quer falar?... Ah, não tá me dizendo que você...
– Eu pedi a verdade, e quer saber? Eu tô tendo. Como eu disse, eu tenho algumas perguntas pra você. Por que você ficou parado quando o vampiro me atacou?
Sam o olhou sem entender.
– Ah... Eu não fiquei... Eu travei.
– Travou? – perguntou desconfiado. – Você tem sido um exterminador desde que voltou.
– Eu não sei. Choque, talvez? E depois já era tarde. E eu me sinto péssimo por isso, pode acreditar. Eu não posso mentir aqui. – Sam olhou para o irmão que não parecia muito convencido. – Você acha mesmo que eu ia deixar aquilo acontecer de propósito? Você é meu irmão, como você pode...
– Ok, tudo bem, foi mal. Eu achei que tinha visto alguma coisa, mas eu acho que me enganei, foi só um dia muito ruim.
– Ei, tudo bem, eu tô do se lado, tá? Sempre estive.
– Valeu, Sammy...
Sam sorriu e caminhou até o carro. Dean fez o mesmo, e os dois seguiram até o hotel.

voltou para o hotel, preocupada pelo o que podia ter acontecido. Jean não tinha entrado em detalhes no telefone, e ela não imaginava pelo que os dois tinham discutido.
Ao entrar no quarto, ela encontrou Jean sentado em uma das cadeiras, tenso e visivelmente preocupado.
– O que aconteceu?
– Eu só falei algumas coisas que não devia ao Dean. – Respondeu visivelmente arrependido.
se sentou de frente para ele.
– E por quê? O que você disse?
– Eu simplesmente falei o que eu achava.
– Mas por quê?
– Eu não sei. Eu fui até ele pra falar o que você tinha me falado ao telefone, mas quando cheguei lá, eu falei um monte de coisas absurdas, e só me dei conta depois que já tinha falado tudo.
Se a coisa não fosse tão feia como imaginava, ela inevitavelmente ficaria. Dean não se controlava e Jean sabia ser agressivo quando queria.
– E foi tão grave assim o que você falou?
Ele assentiu.
– Eu não quero nem olhar pra ele. Me sinto mal só de lembrar. – Disse baixando a cabeça.
“Droga”, foi a única coisa que se passou na cabeça de .
– E como ele ficou com tudo isso?
– Pra falar a verdade, ele ficou normal, parecia até que já esperava isso.
– Eu vou lá falar com ele. – disse se levantando, mas Jean a segurou firme pelo braço.
, por favor, não vá. Fique aqui.
– Jean, eu...
– Por favor...
E não pode negar, não queria que aquilo se tornasse motivo para mais uma briga.



The Heart Never Lies.

Assim que chegaram ao hotel, os irmãos foram direto para o quarto.
Dean pensou por varias vezes em ir ao quarto de , para falar que ele e Sam haviam conversado, mas desistiu. Ele ainda estava amaldiçoado, e não sabia se queria ouvir mais verdades, ainda mais dela.
Enquanto pensava nas possíveis verdades que a caçadora falaria, ele viu Sam colocando em cima da mesa a caixa que encontrara no quarto da primeira vítima.
– Essa era a gata da gata? – ele perguntou reparando na cabeça de gato que estava dentro da caixa.
Sam se sentou à mesa com o notebook em mãos.
– É, ela era obcecada.
– Quer dizer doida, não é?
– Tá, então. Caveira de gato, grãos de erva do paraíso e espinheiro negro. – ele disse apontando para a caixa em cima da mesa. – Misture tudo e terá um feitiço invocatório.
– Demônio?
Sam balançou a cabeça.
– Deus! A garota estava desesperada atrás da verdade sobre o coração traidor do namorado. Ela investigou tudo e nada apareceu. Daí ela foi procurar um jeito diferente...
– E abriu uma porta que não pode fechar?
– É, e agora se qualquer um na cidade clamar a verdade, invoca Véritas. E ela não apenas mostra a verdade, ela esfrega na sua cara até a pessoa se matar e ela ficar com o tributo.
– E os tributos são os corpos que sumiram do necrotério.
– É, basicamente, Deuses também tem que comer. E nós temos que acabar com ela, ou você vai entrar no cardápio.
– Beleza. E o que nós temos além de ela gostar de gatos?
– Bom... Cachorros são o calcanhar de Aquiles dela, e ela não era uma Deusa de arrasar em sua época. Ela costumava descer a montanha e dizer a verdade aos montes... Ela queria mais do que atenção, queria ser venerada.
– Louca por atenção?
– Se quiser colocar assim. – deu de ombros. – Mas temos que pensar... Quem seria a versão século 21, pra dizer a verdade aos montes?
Dean pensou, e teve ideia de quem sugerir. Mesmo que fosse estranho.
– E que tal a apresentadora Ashley Frank, do Papo Franco?
– O quê?
– Quem gosta de falar as verdades mais do que ela?
– Cara, ela é uma repórter.
– E quem disse que monstro não pode ter uma profissão? Eu acho que podemos chamá-la de palpite.
– Você acha?
– Não custa tentar.
Então, naquela mesma noite, os dois fizeram uma maratona do programa dela, assistindo pelo Youtube. Eles passaram a madrugada inteira e o outro dia assistindo. Dean já tinha perdido as esperanças, mas Sam havia levado a ideia de ela ser a deusa a sério. Ele não tirava o olho da tela, nem mesmo para comer.
Depois de horas e horas de vídeos, Dean já estava ficando no tédio.
– Ela é sinistra, mas não sei, não. Vai ver não tem nada aqui. – ele comentou mordendo um lanche.
– Pode ser… Espera, olha só isso... – ele olhou a tela com mais atenção.
Dean se aproximou e olhou a tela. A repórter estava fazendo uma matéria externa, e um cachorro que estava próximo começou a latir e a ficar agitado.
– Aproxima isso. – Disse Dean reparando algo nos olhos.
Sam aproximou a imagem, e os olhos dela mudaram de cor enquanto o cachorro continuava a latir.
– Na mosca! – Disse Dean.
Na hora, o celular dele tocou e ele viu que se tratava de .
– Toma, atende aí. – Disse jogando o celular para Sam.
– O quê? Por quê?
– Cara, eu já ouvi verdades demais por um dia.
– Você tá me dizendo que tá com medo?
– Não é nada disso. Só quero evitar uma possível discussão.
– Jura? Você?
– É, vai, atende logo.
Entre risos, Sam assentiu e atendeu.
– Oi.
Sam? – Disse surpresa – Cadê o seu irmão?
– Ele tá no banho. – Mentiu – Algum problema?
Não, eu só liguei querendo saber se descobriram alguma coisa.
– Descobrimos que Corey invocou uma deusa que gosta de deixar tudo em panos limpos.
O quê?
– Uma deusa que obriga todos a dizerem a verdade a quem pede por isso.
– Ah, que bom. Acho que certa pessoa ficará feliz em saber disso. – Disse se referindo a Jean, que ainda se sentia culpado pelo que tinha feito.
– O quê?
Nada não. E quem seria o nosso alvo da vez?
– Ashley Frank.
A repórter?
– Essa mesmo.
Legal, e quando vamos pegá-la?
– Essa noite mesmo.
Beleza, encontro vocês mais tarde.
– Ok. – ele desligou o celular e olhou para Dean. – Bem, tá tudo certo. Hoje à noite nós vamos atrás dela.
– Cara, por que você foi falar isso pra ela? – perguntou irritado.
Não seria uma boa se juntar a eles, não naquele dia.
– Dean, não se preocupe. Acabaremos com aquela deusa antes que a jogue as verdades que tanto te preocupam na sua cara.
– E quem disse que eu tô preocupado com isso?
– Que bom que você não tá, então. – ele se levantou e foi ao banheiro. E Dean se sentou na cama, preocupado.
A noite prometia.

Quando começou a anoitecer, os quatro foram em carros separados até a emissora, a fim de seguirem a repórter até sua casa.
Algumas horas depois, eles viram Ashley sair com o carro e, discretamente, eles a seguiram. O Impala na frente e o Jeep atrás.
Ao chegarem a casa, eles estacionaram com certa distancia e esperaram algum tempo, para verem se ela não voltava a sair.
– Parece bem normal, não acha? – Dean comentou reparando a movimentação da casa.
– Aposto que lá dentro só tem porcaria.
– Você tá pronto?
– Tô. – Respondeu pegando um jarro médio, com um liquido vermelho dentro.
– Isso é...
– Sangue canino.
– Preciso saber como conseguiu isso?
Sam o olhou.
– Melhor não. – Respondeu voltando sua atenção ao vidro e mergulhando duas facas no sangue.

– Acho que vou começar a pensar em mudar de profissão. – Comentou reparando na bela casa, a fim de puxar assunto, já que Jean mal abrira a boca. – Olha essa casa! A Rachell ficaria louca aqui.
Jean apenas sorriu, mas logo ficou sério.
– Jean, eu já disse. Não se preocupe. O Dean sabe que não foi sua intenção dizer aquilo.
Então Jean suspirou.
– Eu sei, mas não posso deixar de me sentir culpado.
– Mas você não tem culpa!
, eu não teria dito aquilo se eu não pensasse daquela forma.
– Eu sei, mas todo mundo tem opinião sobre alguma coisa. Acredito que ele não vai se importar. Vai por mim, ele já ouviu coisas piores.
– Você acha?
deu de ombros.
– Ah, não sei. Mas se isso faz você se sentir melhor.
– Obrigado. – ele respondeu sarcástico.
– Relaxa, tenho certeza que o Dean vai te entender.
– Hum. – Jean olhou para frente e viu a porta do Impala se abrir. Sam desceu do carro e caminhou na direção do Jeep. – O que será que aconteceu?
olhou para Sam e abaixou o vidro.
– É melhor passar suas facas aqui. – Disse ele, entregando o pote para .
– O que é isso?
– Sangue de um cachorro.
– E você acha que isso vai funcionar?
– De acordo com o que eu pesquisei, sim.
– Já que você diz.
mergulhou as duas facas que tinha.
– Prontos? – perguntou Sam.
Os dois assentiram e saíram do carro.
Dean foi na frente e, com todo cuidado, abriu a porta e todos entraram. Tudo estava calmo, não se ouvia nada, apenas os passos de um gato que apareceu do nada. Sam e Dean se olharam e decidiram seguir o animal. e Jean, que estavam mais atrás, continuaram caminhando, entrando nos outros cômodos. 

O gato levou Sam e Dean para o andar de baixo, para uma sala que estava com uma porta entreaberta. Os dois a abriram e ao entrarem, se depararam com os corpos que haviam sumido. Alguns espalhados pelo chão e outros pendurados.
Vieram jantar?
Os dois se viraram e se depararam com Ashley, que os jogou longe, contra uma parede. Os dois bateram a cabeça e desmaiaram.

e Jean já haviam verificado o lugar todo e não encontraram Sam e Dean. O único lugar que restava era o andar de baixo.
– Será que eles estão lá? – Cochichou .
Jean deu de ombros e desceu as escadas. estava logo atrás, dando cobertura. Os dois estavam com as facas em mãos.
Ao chegarem ao andar, eles encontraram Sam e Dean amarrados e sentados no chão, desacordados.
– Droga! – Disse , indo até eles.
Mais visitas?
se virou assustada ao ouvir a mulher. Ashley ergueu a mão em sua direção, fazendo-a bater as costas com tudo contra a parede.
Ao ver a cena, Jean partiu para cima da deusa, que não teve nenhum trabalho em fazer o mesmo com ele, fazendo-o bater a cabeça com força na quina de uma mesa ao cair.

...

's P.O.V On

Estava sentada debaixo de uma grande arvore com o frescor do dia batendo contra minha pele. Era inicio de tarde, o sol ainda estava forte, mas agradável.
Me deitei no chão, afim de fitar o céu. A paz que estava sentindo era algo raro, especial e... Satisfatório. O vazio e a calma daquele lugar fazia com que eu escutasse apenas o som do vento e das folhas das árvores.
Que dia maravilhoso. Só podia ficar melhor, se...
– Até que enfim te achei.
Sorri ao ouvir passos se aproximando de mim.
– Achou que eu fugiria?
Jean apenas riu pelo nariz e se sentou ao meu lado. Após alguns segundos em silencio, abri um dos olhos e notei que o mesmo admirava a paisagem.Então me sentei e passei um dos braços por cima de seu ombro.
– Lindo, não acha?
– Não, comparado a sua beleza.
Apenas sorri e dei um tapinha em suas costas.
– Afff, cala a boca.
Jean riu pelo nariz e continuou me fitando.
– Ah, que é? Não falei nada de mais.
– Tá, tá, chega.
Jean balançou a cabeça e riu.
– Você é muito marrenta.
– E você é irritante.
– Só porque falei a verdade?
Apenas o olhei e balancei a cabeça, sorrindo.
– Você não presta.
– E você... – Voltei a olhá-lo quando o mesmo fez uma pausa. – Você é a melhor namorada que eu podia pedir. E eu te amo.
– E eu, e-eu...
!
Franzi o cenho ao som daquela voz familiar, enquanto Jean permanecia me olhando com expectativa.
– Você... – Me incentivou.
– E-eu t...
! - a voz de Dean ficou mais alta.
– Mas que droga! – disse e Jean franziu o cenho. – Você tá ouvindo isso?
Jean, que ainda permanecia com o sorriso no rosto mesmo estranhando a minha pergunta, respondeu:
– Não... Você tá bem?
Mesmo não convencida, assenti.
– Então... Onde nós estávamos?
– No momento que você dizia...
– Ah. – Sorri, passando os braços em seu pescoço. – Então, como eu dizia, eu também...
!
– Mas que por...
Nesse momento, tudo se escureceu.

Com uma forte dor de cabeça, eu forcei os meus olhos se abrirem. E com uma dificuldade de quem dorme horas e horas direto, eu consegui. Com a visão turva, notei que Dean estava sentado a minha frente, me olhando.
– Até que enfim! – Falou nervoso.
Apenas rolei os olhos e vi Sam, sentado no chão ao meu lado, me olhando. Senti algo escorrer em minha testa, e como instinto natural, tentei levar a mão a minha testa, mas não consegui. Estava presa.
– Não se preocupe. – Disse Dean. – Pelo menos daqui não parece feio.
– O quê? – Perguntei confusa.
– A sua testa. Tem um corte, por isso que o sangue tá escorrendo.
Arregalei os olhos, e ao poucos as lembranças foram voltando.
– Cadê o Jean? – Foi a única coisa que consegui perguntar.
Dean apenas deu de ombros.
Que bom que estão acordados, assim poderão ver meu banquete. – Disse Ashley, entrando na sala e caminhando até uma mesa que estava próxima a eles.
Ao espreitar os olhos, notei que Jean estava deitado sobre a mesa.
– O que vai fazer com ele?
A deusa, com toda a tranquilidade do mundo, pegou um objeto parecido com uma pinça cirúrgica sobre uma mesinha ao lado de onde Jean estava.
– SAI DE PERTO DELE AGORA! – Gritei mostrando toda a minha raiva, fazendo com que a deusa voltasse a me olhar.
– Calma aí, queridinha. – Sorriu. – Esse seu estresse não vai adiantar em nada. Pode esperar, vocês serão os próximos. – Disse voltando sua atenção para Jean. Ela colocou a mão sobre sua maxilar e abriu sua boca, enquanto eu fazia de tudo para me soltar. Mas nada. – A língua é a parte mais saborosa. É de lá que saem todas as mentiras. – ela se virou para nós e sorriu. – E eu mal posso esperar pra comer a de todos vocês. Eu já vi mentirosos antes, mas vocês, medalha de ouro.
– É questão de orgulho profissional. – Dean respondeu sarcástico, enquanto Sam só observava.
– Eu não me gabaria se fosse vocês, Dean. Você sabe o que acontece quando baseia a sua vida em mentiras? A verdade sempre aparece. Então enquanto ainda tem língua, que tal brincarmos do jogo da verdade? – ela se afastou de Jean e se aproximou de nós. – Deus sabe que vocês têm muito a dizer, e eu acho que eu deveria começar por você. – ela apontou para mim, vindo em minha direção. – Mas que verdade? O que vamos perguntar? Alguma coisa pessoal? – ela olhou para Dean e Sam. – Que tal sobre o grupo de vocês. É... , eu estou curiosa. O que você acha de tudo isso, a volta do bando?
Eu me segurei para falar, mas como num passe de magica, as palavras apenas se formavam e saíam, e eu não tinha domínio sobre elas.
– Eu fiquei feliz, foi bom reencontrar todos e saber que eles estão bem.
– E sobre Sam? Como se sente?
Eu o olhei, mas novamente não tive nada para fazer a não ser falar.
– Senti raiva no inicio porque nem ele, e nem ninguém nos contou da volta dos mortos. Eu, e principalmente a , sofremos demais. Mas depois fiquei feliz... Por mais que ele não esteja sendo quem costumava ser.
– O que quer dizer com isso?
Voltei a olhá-lo.
– Desculpe Sam, mas você tá estranho. Dar em cima de mim e dizer as coisas que disse, não são coisas que o velho Sam faria.
Na hora pude ver Dean o olhando incrédulo e perguntando:
– Você deu em cima dela?
Sam se limitou a dar de ombros. Satisfeita, Véritas voltou a me olhar.
– Você falou sobre a sua irmã. Como se sente por ela não ter decidido caçar de novo depois da volta de Sam?
– A principio eu quis que ela voltasse e continuasse com a gente, mas agora entendo. Por mais que ela não assuma, eu sei que ela só não voltou por se sentir na obrigação de manter a promessa que fez ao Sam.
– E o Jean? O que realmente sente por ele?
– O quê? – perguntei confusa. Se tinha uma coisa que eu deixava explicita, era os meus sentimentos por ele.
– Responda!
– Eu gosto muito dele, mas sinto que eu não o mereço. – Simplesmente falei.
– Ah é, e por quê? Você não o ama?
– Eu não. – Falei com firmeza, mas as palavras simplesmente se embolaram enquanto meu cérebro entrava em pane. – Eu não sei o que sinto por ele, e por isso acho que eu não o mereço.
Véritas riu e olhou para Dean. Com um sorriso intimidador, admito, ela voltou a me olhar.
– Você falou de todos, menos de um. Me diga, como se sente sobre o seu amigo, ou sei lá o que, Dean?
– Do que você tá falando?
– Eu faço as perguntas e você as responde.
Confusa, nervosa, e com todos as palavras que descrevem o meu desconforto, eu olhava de Dean para ela, mas a verdade era que as minhas lembranças, pensamentos e a minha sanidade praticamente piraram.
– Eu, eu...
– A VERDADE!
Engoli em seco e voltei a olhá-la.
– Eu sinto raiva por ele sempre nos deixar de lado. – disparei. – Por ele não se importar com os sentimentos dos outros, e muito menos os meus. Sinto raiva por ele ser esse irritante, arrogante que... Eu... Eu gosto tanto. – Admito que até eu me surpreendi. – Sinto raiva por não conseguir esquecê-lo completamente, e por colocar ele acima de tudo. – Mesmo receosa, eu o olhei. – E é por isso que eu tô aqui... Não tem nada a ver com o seu irmão. Eu tô aqui por você... Eu me preocupo com você, e não quero correr o risco de perder você de novo. – Dean continuava me olhando surpreso. – Porque ainda que a gente não esteja mais juntos, eu me importo demais com você. – Voltei a olhar para a deusa, que sorria. – Satisfeita?
– Muito. – respondeu sorrindo e caminhando até Dean.

's P.O.V Off

Dean sentiu uma mistura de alívio, surpresa e até uma pontinha de alegria ao saber que ainda gostava dele, apesar de seus erros e mancadas. Se ele não tivesse sido tão arrogante em certos pontos, os dois poderiam ter tido um destino diferente, e aquilo doía.
Tudo tinha dado errado entre os dois simplesmente porque ele fez as escolhas erradas.
– Dean, não posso deixar de perguntar como você se sente sobre a depois de uma declaração como essa. – disse Véritas, sorrindo.
– O que você quer?
– Primeiro quero saber. – perguntou se abaixando ao seu lado. – O que você realmente sente sobre a ?
Dean olhou para e depois para a deusa.
– Eu... – ele relutou a responder. – Eu ainda gosto muito dela... Por mais que a gente tenha passado esse tempo todo separados, eu não pude me esquecer de como era bom tê-la ao meu lado. – voltou o olhar para . – Por mais que eu nunca tenha dito, lá no fundo eu sempre quis que ela... Ela soubesse o quanto significa pra mim.
apenas abaixou a cabeça, e Dean voltou a olhar para a deusa.
– Por mais que ela esteja com outro?
Dean abaixou o olhar.
– É, ela fez o certo em seguir a vida. Eu só pensei em mim quando perdi o Sam, não me importei com ninguém, nem com os que sempre estiveram ao meu lado. Eu pensei que seria mais fácil sair e recomeçar a vida...
– Com outra pessoa que não tinha nada a ver com o seu estilo de vida?
Dean assentiu.
sentiu um aperto ao ouvir aquelas palavras. Aquilo era o mais sincero de tudo o que Dean já havia falado. E ela nunca imaginou que um dia ouviria aquelas palavras. Era uma mistura de alegria, mas de tristeza ao mesmo tempo, porque agora era tarde demais.
– Agora me diga, como realmente se sente sobre o seu irmão? – a deusa voltou a falar.
Dean a olhou.
– Melhor agora. Até ontem eu queria matá-lo enquanto dormia. Achei que ele era um monstro, mas agora eu acho...
– Agora você acha o quê?
– Que ele só tá agindo como eu.
– Como assim?
– É o trabalho. Você fica coberto de sangue até estar com o próprio sangue. Na metade do tempo você tá prestes a morrer como agora. Eu disse a mim mesmo que eu queria sair, que eu queria uma família...
– Mas estava mentindo?
– Não, mas eu sou bom mesmo em cortar gargantas. Eu não sou um pai, sou um matador e não dá pra mudar isso... Agora eu sei.
Ele olhou para , que também o olhou.
– Obrigada. – Disse se levantando e caminhando até Sam, que permanecia quieto. – Então Sam, voltar pra sua vida deve ter sido um alivio. A volta do irmão pródigo. Como se sente com o grupo junto de novo? – Perguntou se abaixando do lado dele.
Sam olhou para ela, depois para e Dean.
– Olha, o que fazemos é difícil, mas nós cuidamos um dos outros e é isso que importa... Só isso. Essa é a verdade.
Véritas franziu o cenho.
– Não, não é não. – Disse espantada.
– Você mesma disse que eu não posso mentir.
– Como é que está fazendo isso? – perguntou incrédula. – Não é possível! Você está mentindo pra mim!
e Dean olharam para Sam, tentando entender o que estava acontecendo.
– Não, eu não estou! – Disse normal.
– O que você é? – ela se levantou nervosa, e olhou para e Dean. – O que ele é?
Os dois apenas deram de ombros.
– Eu não sei do que tá falando. – Insistiu Sam.
– É mesmo? – ela se aproximou. – Eu duvido! Eu duvido de tudo que sai da sua boca agora... Você não é humano!
Dean olhou para o irmão espantado.
– O quê?
A deusa olhou para Dean e depois para .
– Vocês não sabiam? Nisso sim, eu acredito.
Sam então aproveitou a distração da deusa e se soltou. Ele jogou o canivete que usara para Dean, que tentou se soltar. A deusa percebeu que Sam estava livre e se levantou. Sam pegou uma das facas ensanguentadas que estava em cima de uma das mesas, mas a deusa o jogou longe e ele deixou a faca cair no chão. Então ela partiu para cima dele.
Depois que se soltou, Dean foi até e a soltou, em seguida pegou uma barra de ferro. Ele aproveitou que a deusa estava de costas e fincou o objeto nas costas dela, mas aquilo não a matou. Então ela desistiu de Sam e partiu para cima de Dean. A procura de algo para poder ajudá-los, viu a faca ensanguentada de Sam no chão e a pegou. Se aproximou com cautela e na oportunidade que encontrou, fincou a faca na deusa, que na hora gritou e caiu morta sobre Dean.
Quando ela parou de se mexer, Dean a empurrou para o lado e se levantou. Ao ver Sam se levantar atrás de , ele pegou a faca da moça e entrou na frente dela, ficando entre ela e Sam.
Ao perceber que o irmão apontava a faca para ele, Sam levantou os braços.
– Dean, sou eu...
– Você não é meu irmão!
Já não tinha mais nenhuma duvida de que aquele não era Sam.
– Calma, me escuta...
apenas observava. Ela não poderia impedir nada, Sam estava estranho e eles poderiam estar correndo risco se ele fosse Lúcifer.
– O que você é? – Dean perguntou nervoso.
– Eu. Sou eu, Dean... – Sam se aproximou aos poucos. – Calma, por favor, eu posso explicar.
– E por que vou acreditar em qualquer coisa que você diz?
– Tudo bem, você quer a verdade? Lá vai... Deus é honesto. Ela estava certa. Tem alguma coisa errada comigo, muito errada. Eu já sei há algum tempo, e eu menti pra vocês. Eu deixei você ser transformado pelo vampiro porque eu sabia que tinha uma cura, Dean. E nós tínhamos que entrar no ninho, e eu sabia que você aguentava.
Dean o olhou revoltado.
– Aguentar? EU PODIA TER MORRIDO!
– É, eu sei e isso deveria me fazer parar, mas não é o que eu sinto.
– Você o quê? – perguntou incrédulo.
– Desde que eu voltei, eu sou melhor caçador do que jamais fui antes. Nada mais me dá medo porque eu não sinto nada. Eu não sei o que tá errado comigo. Eu acho que preciso de ajuda.
Dean o encarou por um tempo. Ele larga a faca e abaixa a cabeça. olha para Sam, ele parecia ser sincero.
– Dean, eu acho... – e antes que pudesse terminar de falar, Dean atingiu Sam com um soco.
Sam caiu no chão e Dean partiu para cima dele.
pensou em se envolver, mas sabia que Dean estava aliviando toda raiva que sentia. Sam havia jogado ele para os vampiros, quando tudo o que Dean fez foi largar tudo para trás para ficar com o irmão.
Dean continuou dando socos no irmão até o mesmo perder a consciência. Assim que Sam desmaiou, Dean se levantou.
– Tudo bem? – perguntou preocupada.
Por sua vez, Dean permaneceu calado, fitando o irmão.



Big Night.

– Eu acho que vou ver como o Jean tá. – comentou.
Dean não respondeu. Continuou olhando para o irmão inconsciente e sangrando no chão.
Ela foi até a mesa onde o namorado estava desacordado, e o desamarrou. Numa tentativa de acordá-lo, ela o cutucou e deu alguns tapas em seu rosto.
– Jean... – ela cutucou o seu ombro. – Jean... – ela olhou para Dean, que agora levantava Sam. – Jean! – ela deu um tapa relativamente forte em seu rosto.
Pela primeira vez, Jean pareceu reagir. Ele balançou a cabeça devagar e abriu os olhos com dificuldade.
– Aleluia. Achei que teria que te carregar nas costas. – sorriu.
Jean piscou algumas vezes com força e olhou para .
– Tudo bem? Foi uma pancada e tanto. – ela disse e Jean assentiu. – Tem certeza? – ele assentiu novamente. – Qual o seu nome?
Jean a lançou um olhar de morte.
– Eu não perdi a memória, .
riu.
– Que bom. Achei que teria que bancar o Adam Sandler pra cima da Drew Barrymore.
– Palhaça. – ele rolou os olhos e tentou se levantar.
o ajudou e ele se sentou, cambaleando um pouco, abaixando a cabeça e fechando os olhos.
– Tudo bem? Consegue levantar?
Jean assentiu, levantou a cabeça e abriu os olhos. Desceu da maca com cuidado e cambaleou novamente. o ajudou, colocando o braço dele em volta de seu pescoço e caminhando lentamente com ele.
– Tá tudo bem mesmo? Tô te achando meio estranho.
, já disse que tô bem! – ele respondeu irritado. – Minha cabeça parece que vai explodir.
o olhou e riu da cara que ele fazia.
– Ô enfezadinho do oceano. – ela começou a imitar Dory. – Quando a vida te decepciona, qual é a solução?
... – ele disse num suspiro.
– Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar, nada, nadar. – ela começou a cantar. – Pra achar a solu...
– Meu, deixa de ser chata.
riu pelo nariz. Era muito difícil ver Jean nervoso, e quando ele estava, ela não perdia a oportunidade de irritá-lo. Afinal, ele não estava nervoso com ela mesmo.
Chegando ao lado de fora da casa, eles encontraram Dean encostado no Impala, esperando-os. Sam estava estirado no banco de trás.
– Tá tudo bem? – Dean perguntou.
Jean assentiu.
o acompanhou até o banco do carona do Jeep e o ajudou a entrar. Dean entrou no Impala e entrou no Jeep, dando partida e seguindo Dean até o hotel, chegando lá alguns minutos depois.
E enquanto o caçador amarrava Sam a uma cadeira, dava algum analgésico para Jean.
– Já vou te avisando que você vai dormir feito pedra. – ela o alertou.
Jean assentiu e tomou os comprimidos. Ele estava sentado na cama e pode ver Dean com a cara fechada amarrando o irmão, que ainda estava desmaiado e machucado.
– O que houve?
olhou para Dean e Sam.
– Tem alguma coisa errada com Sam.
– Errada como?
o olhou.
– É o que a gente quer saber. Agora deita aí e descansa. – ela o ajudou a se deitar.
– E como que foi com a deusa?
– Ah... – ela deu de ombros. – Como você pode imaginar. A gente deu sorte.
Jean a olhou por um tempo, e sentiu como se ele a analisasse.
– Tudo bem? – ela perguntou e ele fez certo mistério antes de assentir. – Ótimo. – ela olhou para Dean, que fazia uma ligação e depois voltou a olhar para Jean. – Vou ver com o Dean o que a gente faz agora.
– Tá.
Ela sorriu e se afastou.
Ainda era madrugada e ela estava morrendo de cansaço. Mas sua preocupação com Sam era maior. Sem falar que o que houve na noite anterior a atormentava, então ela não conseguiria descansar tão cedo.
Ela se aproximou de Dean e escutou a conversa.
– O negócio com a deusa foi tudo bem. – ele falou desanimado.
então percebeu que ele falava com Bobby.
– É... É o Sam, Bobby. – ele fez uma pausa e olhou para Sam. – Não é o meu irmão que tá aqui. Eu ainda não sei o que é, mas tem alguma coisa com ele. Eu queria te fazer umas perguntas sobre aquele ano em que você viu o Sam e eu não... Você o quê? – ele perguntou incrédulo. – Mais importante que o Sam? – ele riu sem graça. – Bobby? – ele o chamou e depois olhou para o celular.
– O que foi? – perguntou curiosa.
Dean suspirou e balançou a cabeça.
– O Bobby tá com alguém na linha e pediu pra esperar.
– Você acha que ele pode ajudar?
– Eu não sei. Além do Castiel, ele é o único que posso contar.
o olhou, e por um segundo o queria chamar de mal agradecido. Mas resolveu relevar e se concentrar no assunto:
– Que tal falar com o Castiel?
– Ele tá meio ocupado agora. Eu falei com ele ontem e ele disse que me avisaria se soubesse de qualquer coisa.
– Ah... – ela não soube mais o que responder. Castiel não atendia mais as preces como antes.
Os dois ficaram um tempo em silencio. não tinha o que falar e sabia que Dean não queria conversa. Ele nem olhava para a cara dela. O silencio entre eles era tão grande que eles puderam ouvir Bobby chamar Dean do outro lado da linha. Ele então voltou o celular à orelha e disparou, irritado:
– Bobby, o que tá havendo? Você sabe que a única pessoa com quem eu posso falar essas coisas.
Ele se afastou de e abaixou o tom de voz. Mas pode ouvir muito bem quando Dean terminou a frase dizendo: “Sobre o Sam e sobre deixar Lisa e Ben.”.
Na hora, ela sinceramente achou a atitude ridícula – ela sabia muito bem da situação de Dean –, mas ao mesmo tempo ela o compreendera. Ela teria feito a mesma coisa.
Suspirou, se sentou na cama e olhou para Sam. Ele estava muito machucado. Dean dera uma surra e tanto nele.
– Bobby?... Alô? – ela ouviu Dean falar mais alto, e voltou sua atenção a ele. – Tá legal. Quer saber? Esquece. – ele voltou a responder. – Eu aqui desesperado sem saber o que fazer e você tem mais o que fazer? – ele soltou um riso sem humor. – Beleza. Mas olha, é sério. Você tá sendo egoísta. Muito. Você não é o centro do mundo.
arregalou os olhos. Sabia que ele estava nervoso, mas ele não tinha o direito de falar daquele jeito com Bobby.
Sem perceber o olhar de espanto de , Dean olhou para Sam.
– Ele não pode falar, tá desacordado agora. – ele disse e então olhou para . – Ela tá aqui... Não, Bobby. Ela tá acordada... Tudo bem. – ele suspirou, pegou uma cadeira e se aproximou de , que o olhava sem entender nada. – Tá no viva-voz, Bobby.
 Dean, . – Bobby começou. – Eu amo vocês como filhos. Assim como a e o Sam. Até o Jean entrou na lista. Falo sério. Mas eu preciso dizer. – ele fez uma pausa. – Às vezes, vocês são muito resmungões e os mais egocêntricos filhos da mãe que eu conheço. – ele começou a ficar nervoso. – Eu sou egoísta? Eu? Eu faço tudo por vocês. Tudo. Qualquer coisa. Se precisam de lendas, quem pesquisa? Quem é que tira vocês do fogo?... Dean, quem foi que ficou aqui dia e noite pesquisando sobre que diabos tá acontecendo com Sam? Vocês me ligam e eu seguro a barra. Toda santa vez. E o que eu ganho com isso? Nada em cima de nada!
olhou para Dean sem entender por que estava ouvindo tanta reclamação. Não foi ela quem tinha ligado para Bobby e o chamado de egoísta.
Dean, por outro lado, olhou para preocupado. Preocupado com o irmão e agora com Bobby, que obviamente passava por problemas.
– Bobby...
– EU DISSE QUE ACABEI? – ele cortou Dean, gritando do outro lado da linha.
Dean olhou para com o cenho franzido.
Ouçam bem. Eu sei que vocês estão com problemas. Deus sabe que eu sei... Mas vocês têm um ao outro, porém só recorrem a mim. Mas eu tenho uma novidade pra vocês: Vocês não são o centro do Universo!... Vocês podem ter esquecido que Crowley possui a minha alma, e o tempo tá correndo. E não tem a menor chance de eu ficar aqui sentado, só me ferrando... Então que tal vocês calarem a boca e me ajudarem só pra variar?
e Dean se olharam novamente. Havia se passado um ano e agora eles estavam tão preocupados e com medo de Sam, que se esqueceram completamente de que Bobby tinha feito um pacto com Crowley.
– Bobby, desculpe. – respondeu. – A gente tinha esquecido completamente... Mas se você precisava de ajuda, era só pedir.
Dean assentiu.
– Tudo que precisar, nós estamos aqui.
Os dois esperaram Bobby responder. Depois de um tempo, eles o ouviram suspirar.
Tudo bem. Eu preciso de um favor.
– Fala. – Dean respondeu. Ele tinha sobrevivido a Sam tanto tempo, que mais um dia ou dois não seria problema.
Eu fui atrás de algumas pistas sobre Crowley e acabei descobrindo algumas coisas... O nome dele é Fergus MacLeod. Ele nasceu, cresceu e morreu na Escócia, centenas de anos antes de virar um demônio. Uns amigos do Rufus, que moram na Escócia, pesquisaram sobre ele e descobriram que o nome do meio dele é Rodric, e que ele nasceu em Canisbay em 1661. Ele tinha um filho que virou capitão logo após a morte dos pais. O navio naufragou em Massachusetts, em 1723. Encontraram os destroços há 30 anos e, apesar de não acharem os ossos, acharam o anel de sinete dele, que fica exposto no museu marítimo de Andover.
– Conseguiu o anel? – Dean perguntou.
Rufus o pegou pra mim.
– Então o seu plano é trocar? Você quer invocar o fantasma do filho e o trocar com Crowley pela sua alma? – perguntou em duvida.
Sim. Mas tenho um plano B. E é aí que vocês entram.
– Tudo bem. Qual é o plano?
Quero os ossos de Crowley.
olhou para Dean sem entender.
– Como assim? No que isso pode ajudar?
Se a troca não funcionar, quero ameaçar Crowley. Ou ele devolve a minha alma, ou eu o mato.
– Matá-lo com os ossos? – Dean perguntou curioso. – Isso funciona?
Eu testei e deu certo. É preciso queimá-los.
– Tá, mas ele foi enterrado na Escócia. – respondeu.
Eu sei. – ele respondeu impaciente. – Vocês estão em quatro, ou três. Podem se separar por um tempo.
olhou para Dean. 
– Tudo bem. – ela respondeu. – Eu e o Jean vamos. Dean precisa resolver a questão do Sam.
Bobby fez um breve silencio.
Obrigado.
– Sem problemas.
Tudo bem. Me falem, o que tá acontecendo?
– Pra falar a verdade, a coisa não mudou. O Sam continua o mesmo. Nada que eu não possa resolver sozinho. Só te liguei mesmo no calor do momento. – Dean respondeu. – Preciso desligar, Bobby. Se precisar de qualquer coisa é só falar.
Bobby suspirou.
Tudo bem. E... Vocês também. Tô sempre disponível, vocês sabem.
– Ok, tchau. – Dean desligou e se levantou impaciente.
– O que foi? Por que não contou o que aconteceu e pediu ajuda pro Bobby? – perguntou.
– Pra estressar ele ainda mais? Não, esquece. – ele suspirou. – Vou tentar falar com o Castiel.
o encarou.
– Tudo bem. – ela se levantou. – Você o chama, eu vou ao banheiro.
Dean assentiu.
foi ao banheiro, lavou o rosto e pensou numa maneira de se livrar da situação.
Muita informação foi trocada naquela noite e ela não sabia como agir. E pelo jeito de Dean, nem ele sabia como agir. E era inegável que o clima ficaria chato e estranho entre os dois e provavelmente Jean perceberia. Ele não era cego e tão pouco idiota. Além do mais, ela e Dean eram péssimos em fingir que está tudo bem, e Jean a conhecia o suficiente para notar quando ela estava incomodada.
suspirou. Achava que a viagem à Escócia não poderia ter vindo em melhor hora.
Ela odiava pensar aquilo. Ainda mais naquele momento, mas era verdade. Ela e Jean deviam ir embora e deixar Dean e Sam se virarem. Não seria o certo, já que Sam podia ser mais perigoso que imaginava, mas também não seria tão arriscado. Castiel poderia ficar de olho em Dean de vez em quando. Eles não tinham um vínculo? Então... E tinha outra. Ele e Sam viveram sozinhos tanto tempo e sobreviveram a tanta coisa. Dean sobreviveria ao irmão esquisito.
Mas ela não podia esquecer que ele ficou um tempo parado enquanto Sam estava mais engenhoso. Ele precisava de vigilância.
– Droga! – ela sussurrou para si mesma. Não sabia o que fazer.
Quando ela saiu do banheiro, encontrou Jean ainda dormindo, Dean encostado na parede e Castiel analisando Sam, que parecia acordar meio atordoado.
– Tem razão. Ele está péssimo. – Castiel olhou para Dean. – Você fez isso?
Sam levantou a cabeça e olhou para Castiel.
– Castiel? – ele perguntou confuso e tentando limpar a visão. Começou a se mexer e notou que estava preso. – O que... – Castiel levantou a pálpebra de Sam e o examinou. – Me tira daqui.
– Ele teve febre? – o anjo perguntou.
– Você teve? – Dean perguntou para Sam.
– Não. – Sam respondeu confuso. Castiel se afastou. – Por quê?
– Ele está falando dialetos? – Castiel olhou para Sam. – Está falando dialetos?
– Não. – respondeu mais confuso ainda. – O que você... – ele olhou para Dean e depois para o anjo. – Você tá me diagnosticando?
– Melhor achar que ele pode. – Dean respondeu.
Castiel começou a checar seus batimentos.
– Você acha que ele pode? Acha...
– Você acha que tem uma clinica pra pessoas que voltaram ferradas do inferno? – Dean perguntou irritado, se aproximando de Sam. – Ele pergunta e você responde. Depois cala a boca, tá?
Sam o encarou sem acreditar.
– Quantas horas têm dormido? – Castiel perguntou para Sam.
– Nenhuma.
– Nada? – Dean perguntou surpreso.
– Não desde que eu voltei.
Castiel e Dean se entreolharam. se aproximou e recostou na mesa. Os quatro estavam na cozinha.
– E nunca ocorreu a você que tem alguma coisa errada nisso? – Dean perguntou inconformado.
– É claro que ocorreu, Dean. Só que... Eu não contei a você.
Castiel olhou para Dean.
– Que é? – Dean perguntou curioso.
– Sam, – Castiel o olhou. – como está se sentindo agora?
Sam estalou a língua.
– Eu sinto que o meu nariz tá quebrado.
– Não, isso é uma sensação física. Como se sente?
– Ah, eu não...
– Se sente.
– Eu... Não sei.
Castiel voltou a olhar para Dean, que o olhou sem entender nada. Então, ele tirou o cinto e todos o olharam sem saber o que ele ia fazer.
– Ah, o que é? – Sam perguntou cansado.
– Vai ser desagradável. – Castiel respondeu dobrando o cinto ao meio e parando na frente de Sam.
– O quê?
– Morda isso. – Castiel colocou o cinto na boca de Sam, que o mordeu sem entender a razão. – Se existe algum lugar aconchegante, vá pra lá... Em sua mente.
Sam o olhou sem entender. Castiel se abaixou e transpassou o braço no estomago de Sam, assim como ele fizera com um menino um tempo atrás.
Sam começou a se contorcer e gritar de dor. assistia a cena com a testa franzida. Levantou-se e foi até a cama, se sentando a seguir, evitando olhar para o que estava acontecendo.
Castiel então retirou o braço e Sam soltou o cinto, respirando ofegante. Castiel pegou o cinto e foi para o meio do quarto, com o semblante preocupado.
– Achou alguma coisa? – Dean perguntou.
– Não.
– E isso é bom?
– Eu acho que não.
Dean o olhou sem entender.
– Como assim? – se manifestou.
Castiel olhou para Sam, que o olhava curioso.
– Fisicamente ele está muito saudável.
– E então? – Dean perguntou.
– É a alma dele. – Castiel olhou para Dean. – Sumiu.
Todos olharam para Sam preocupados.





Continua...



Nota da autora: PARA AS LEITORAS CURIOSAS: ninguém nunca me perguntou, mas eu senti vontade de deixar aqui minhas inspirações para o Jean, o Derek e o Benjamin! Então, lá vai:

Jean-Luc Bilodeau AKA Jean-Luc Bilodeau (usei o nome verdadeiro porque eu achei legal hahahah):
  • https://66.media.tumblr.com/9310049dddef10f4ae05e9942df696a2/tumblr_inline_p7zy9tPqgu1rfmocr_250.gif
  • https://66.media.tumblr.com/3ebc4b7cd78bb42a38baee0ef14d3e42/tumblr_inline_p7zy9xtgsx1rfmocr_250.gif
  • https://66.media.tumblr.com/f3095647757b1fe5fb46f24ffda72d0f/tumblr_inline_p7zya3zyJs1rfmocr_250.gif


  • *Ele fez uma participação real em SPN, lá naquele episódio de Samhain da quarta temporada.

    Derek Theler AKA Derek Theler (desculpe, o nome dele combina tanto com ele, que não resisti também):
  • https://66.media.tumblr.com/dd2da26d3fa125d24b4aab38865a0da2/tumblr_inline_ogppwiLKc81rqq37j_400.gif
  • https://66.media.tumblr.com/0cbf24ec77509f2122093563a33b9f3a/tumblr_inline_ogppye0qG11rqq37j_400.gif
  • https://66.media.tumblr.com/42d454d1d6579e6d1a7755da47a5f8f1/tumblr_inline_ogpq2scBmo1rqq37j_400.gif


  • *Derek foi irmão de Jean-Luc na série Baby Daddy, e por isso não pude deixá-lo de fora.

    David Giuntoli AKA o vampiro mais lindo desse mundo:
  • https://66.media.tumblr.com/92546b2bbc098e19a9b4f92fc233e0dd/tumblr_myx5qmTnsl1rrs7bmo2_250.gif
  • https://66.media.tumblr.com/562ab8b443080890d7dc938443b22b85/tumblr_om2jqwkxMf1w241d7o1_500.gif
  • https://66.media.tumblr.com/8bee067a942a8fde31cdb8690a84670b/tumblr_mvzh5yaFbN1smnu3no1_250.gif


  • *Eu tenho um crush tão grande nesse homem, que não me aguento.

    Enfim, espero que tenham gostado da att, até a próxima! :)





    Outras Fanfics:

    Nights of a Hunter
    Nights of a Hunter II
    Nights of a Hunter III


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