Última atualização: 01/02/2018

Capítulo Único

Quarta-feira, 21 de Junho.

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Vai ser incrível, pensei comigo mesma. estava estão empolgada. Era a única coisa sobre a qual ela, e eu conversávamos nos últimos dias. Seria nossa primeira viagem de amigos, sem pais para controlar ou programas fixos a se fazer. Da minha parte, faríamos desses dez dias os mais incríveis de nossas vidas. Nossos pais nos deram essa viagem como um presente, pelo sucesso que tivemos no ultimo ano do ensino médio; e já que vestir uma beca horrorosa e desfilar esbanjando falsidade não era nosso programa favorito, foi nossa decisão certa. Nos formamos em dezembro, mas como os planos para o verão já estavam prontos, resolvemos deixar essa viagem como um escape do frio inverno paulista. e eu nem precisamos conversar para chegar a um acordo... Quando se é junho, quem não pensa em festa junina? E com aquele frio da nossa cidade cinza, tudo o que queríamos era juntar um calor gostoso com um lugar cheio de festa. E cá estávamos nós, indo para Campina Grande, no estado da Paraíba, famosa como a terra do maior São João do mundo. Tudo o que queríamos, era aproveitar.
- Vocês vão tomar muito cuidado por lá, hein. – Foi o pai de que disse. Estávamos no aeroporto, e o painel indicava a segunda chamada para o nosso destino. – Cuidado com as bebidas, absolutamente vetado o uso de qualquer outra droga. Qualquer coisa, eu pego o primeiro voo e...
- Tá bom pai. – Ela riu da insistência dele de ser tão preocupado. – Pode deixar, vamos nos cuidar. Eu te ligo todos os dias.
- E você mocinha. – Era pra mim que ele estava falando dessa vez. – Também está por minha responsabilidade enquanto seus pais não voltam ao Brasil. Contigo o cuidado é maior...
- Eu sei pai postiço. – O abracei. Dava-me tão bem com a família de que acabamos aproximando nossos pais também, que agora são melhores amigos. Os meus decidiram aproveitar suas próprias férias num destino mais longe dessa vez, e eu só poderia morrer de inveja. Despedimos-nos dele e então fomos ao portão de embarque. Agora a partir dali, era por mim, e eu por ela. Eu nem sabia como era a sensação de fazer o que quisesse, mas estava totalmente empolgada. Meus pais me deixavam livre – pelo menos mais que os da minha amiga – mas não era a mesma coisa estar livre com eles e estar livre sozinha, não é mesmo? Acabamos por pegar poltronas separadas no voo, porém, teve muito mais sorte que eu; que tinha uma senhora e uma criança que não desligava o som do seu PSP nas cadeiras mais próximas a janela. Do lado dela, um cara muito bonito, aparentando ser poucos anos mais velho, com um sorriso que eu nem consegui disfarçar minha descrença, de tão bonito que ele era. O observei por alguns instantes, enquanto ele folheava uma revistas dessas de fofoca. Logo pensei que ele era gay, assim como meu melhor amigo que logo nos encontraria na Paraíba. Mais uma vez, é aquela de pré julgamentos que você faz involuntariamente.
Seus olhos acabaram se encontrando com os meus, e aí eu tinha outra ideia. Bem longe da primeira imagem que me passou pela cabeça, agora eu só queria provar daqueles lábios até que o mundo se acabasse. Ele sorriu pra mim e eu apenas desviei o olhar, daquele jeito de quem faz que não se importa. Ele continuou me olhando por alguns instantes, então logo estava conversando com a minha amiga. Beleza , é seu.
Eu acabei dormindo, visto que o voo saia uma da madrugada para que chegássemos bem cedinho e conseguíssemos descansar antes de amanhecer. Acordei com a risada de , completamente sem graça, e o dono do sorriso mais bonito do voo. Eles pareciam estar se dando bem.
- Hey. – Chamei a atenção da minha amiga. – Você sabe onde estamos?
- O piloto acabou de dizer que estamos prestes a pousar. – Foi o moço bonito quem disse, e eu só consegui sorrir sem graça. Ele estava na poltrona do corredor, enquanto estava no meio.
- Obrigada... – Disse meio incerta quanto a cumprimentá-lo.
- , prazer. – Ele se apresentou. Senti uma daquelas turbulências que indicavam que estávamos a descer e me voltei pra frente, deixando-o sem uma resposta.

parecia morar na cidade, pois saiu direto do avião com sua bagagem de mão, se despedindo com um nos vemos por aí. Teria que perguntar a o que tanto conversaram, ou, pelo que entendi, quando iriam se ver novamente. Nossas malas não demoraram a chegar. parecia um zumbi dentro do taxi, e não ousei acordá-la até que estivéssemos finalmente no hotel. Eu a carregaria no colo até o quarto se não fosse pelas malas e o check-in em seu nome.
- Lins, reservei um quarto para duas pessoas. – Ela disse, chamando a atenção do balconista que agrupava algumas coisas em uma caixa. Era um cara muito bonito, olhos marcantes, uma boquinha tão atraente e... Ok. Parece até que eu sou uma daquelas garotas que não consegue viver sem macho.
O balconista pegou uma chave, mas depois observou a caixa de pertences em que mexia há pouco. Seu sorriso foi um dos melhores quando o vi trocar a chave por um numero bem superior aos dois dígitos que indicavam nosso quarto anteriormente. – Muito obrigada. - Ela sorriu pra ele e então cacei o elevador com os olhos, o encontrando no final do corredor.
- Será que todos os caras que conversamos por aqui vão ser absurdamente lindos? – Disse, não me referindo nem exclusivamente ao balconista nem ao cara do avião.
- O taxista não era. –Ela disse, rindo um pouco dessa vez. – E já sei até onde você quer chegar com esse papo. - Entramos no elevador. – Aquele cara, . Uma gracinha né?
- Se é uma gracinha? – Me abanei fazendo graça. O cara era a piada completa.
- Eu sabia que você gostaria dele, e não ficaria brava ao saber que eu passei seu numero de celular... – Você o que? Pensei. E acabei dizendo também.
- Eu pensei que ele havia te chamado pra sair. Vocês estavam tão... Sei lá... Conversando.
- Eu puxei papo na verdade. – O elevador parou no oitavo andar e saltamos para fora. – Ele fingia ler uma revista, virava pro lado e te olhava, fingia ler, virava e olhava... – rimos. – Eu tive que dizer que você era solteira, o que foi emendando um papo de o que fazem vindo pra cá então, basicamente, ele te conhece suficiente pra você responder as mensagens que vão chegar daqui a pouco. - Foi eu quem abriu a porta do quarto e eu quase caí para trás. Em vez do mini cômodo com banheiro e duas camas de solteiro, encontramos um semi palácio. As camas eram duas de casal separadas por uma cortina grossa, havia uma mesa no centro, um frigobar e uma televisão enorme. Corri até o banheiro esperando uma banheira, porém não foi dessa vez, o que não tornava o banheiro menos incrível. Havia um Box enorme, duas pias, todo o ambiente trabalhado em preto e branco. - Esse não pode ser nosso quarto. – disse. – Aliás, não é. Eu vi muito bem pelas fotos do site duas camas de solt...
- Hey, calma. – Disse, a segurando pelos braços. – É o nosso quarto sim. Nós temos a chave, dada pelo recepcionista, o numero do quarto confere... Nós já pagamos as diárias, então...
- Você sabe que isso não é certo. – Ela disse. – A gente devia descer e ver o que aconteceu...
- Eles que deviam subir e ver o que aconteceu. – Argumentei. Errado ou não, eu queria aproveitar dali ao máximo. Joguei-me na cama mais próxima da janela e nem soube o que decidiu ou não fazer. Só cochilei mais uma vez, naquela cama de lençóis de seda que mais me lembravam de quartos de motel. Levantei as nove e vinte e nosso café da manhã, disposto pelo hotel, ia até as dez. ainda estava dormindo e me aproveitei da situação para ter o banheiro só pra mim. Pois é, sou bem egoísta quando quero. Ela iria acabar comigo por não a acordar, mas eu queria ter privacidade por uns instantes. Tomei uma ducha que não levou mais que dez minutos, então decidi parar de ser careta e acordá-la de uma vez.
- . – Chamei uma vez, e ela mal se moveu. – Amiga, levanta, ou vamos ficar sem café.
- Eu não to com fome, . – Sua voz estava abafada pelo travesseiro. – Vá você. Eu pago seu almoço como desculpas.
- Mas de jeito nenhum. – Puxei sua coberta e ela só me respondeu com um gemido desconfortável. - Você quer me deixar tomar café sozinha?
- É só hoje, . Ou você passa essa barra ou vai ter que aguentar meu mau humor o dia todo. – Isso foi tipo um K.O.
- Saindo. – Disse. irritada logo no começo da viagem iria me fazer querer levar minha mala roxa de volta pra casa muito mais cedo do que pensei. Segui tentando procurar o refeitório, ou seja lá como se chama o lugar onde as pessoas hospedadas comem. Acabei encontrando uma porta fechada, mas eu conseguia ver pessoas tomando seu desjejum lá dentro tranquilamente. Eram nove e quarenta, não deveria estar fechado. Decidi procurar por alguém, e o primeiro que vi, foi o balconista do check-in de hoje mais cedo. Mesmo meio receosa em ele querer nos tomar o quarto, fui até sua direção mesmo, já que ele era o único que parecia funcionário por ali. Ele estava acompanhando de outro cara, tão bonito quanto, e por enquanto, aquela coisa de todos os caras são absurdamente lindos prevalecia. Aguardei afastada por uns instantes, mas vendo que eles não iriam parar o papo, me intrometi.
- Com licença. – Acabei atraindo a atenção dos dois. Eles estavam conversando sobre alguma coisa bem divertida, pois me olharam os dois rindo. Extremamente envergonhada, prossegui. - Eu estou meio perdida. Como faço pra ir tomar café?
- Eles costumam parar de servir o café às nove e meia. – O balconista me disse. Eu me segurei ao máximo pra não virar o relógio em meu pulso e mostrar que horas eram. Só havia passado dez minutos.
- Fui informada de que era até as dez. – Disse meio perdida, o interrompendo. Eu estava ali pelo que paguei (e também pelo que não havia pago, mas isso fica esquecido por um instante).
- Realmente era pra ser. – Ele riu da minha cara confusa. Ele parecia bem legal. – Mas com a bagunça que é esse lugar, as cozinheiras acabaram inventando suas próprias regras, as dez da manhã é o horário limite para o ultimo hospede dar o fora. – Eu já iria protestar sobre meus direitos, mas ele continuou. – É por isso que me demiti.
- OI? – Acho que saí um pouco desesperada. Seu amigo lindo que só observava, deu uma risada. – Desculpa, é que você nos atendeu hoje mais cedo, é estanho.
- Não, tudo bem. – Ele riu. Sua risada era a coisa mais fofa do mundo. – E a outra garota, onde está? Sua namorada?! – Eu quase gargalhei.
- Está dormindo .- Dei uma risada mais fraca. – Aliás, somos amigas.
- Ah sim. – Ele pareceu meio envergonhado. – Gostaram do quarto... Moça? – Quase gaguejei, mas me mantive firme na hora de o responder.
- É bem além do que esperávamos. – Mitei na resposta, nem mentindo, nem dando a entender que eu sabia do erro. Estendi minha mão, esperando um cumprimento para quebrar o gelo. – Aliás, moça não. Sou . Quais seus nomes?
- . – Ele respondeu, agarrando minha mão.
- . – O outro disse ao me cumprimentar. Era o segundo sorriso mais maravilhoso que eu havia visto só naquele dia. Se fosse pra fazer amizades por aqui, que fossem como garotos como eles, que agregariam muita beleza ao nosso álbum de recordações.
- Então e . Já que nenhum dos dois trabalha mais aqui, e eu estou morrendo de fome, poderiam me apresentar um lugar por aqui onde eu possa comer? – Eu adorava ser cara de pau. Nunca tive problemas em me relacionar com as pessoas.
- Eu conheço um lugar. – Foi que me respondeu. – Fica no nosso caminho, podemos te levar lá.
- Isso seria ótimo, mas eu preciso pegar minha carteira. – Me lembrei. – Me esperem, por favor. – Virei e pude sentir seus olhares ainda sobre mim. Eu tinha certeza que eles iriam me esperar.

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- Fica no nosso caminho? - me zombou. – Se nosso caminho for pelo outro lado da cidade, realmente fica...
- Cara, me deixa. – Interrompi. – É dela que você tá afim?
- Da amiga dela. – Ele disse, e fiquei aliviado. Não vou nem negar que queria a garota desde que pus meus olhos sob ela, mas respeitava totalmente a regra machista do eu vi primeiro. – Se bem que, uau.
- Eu sei. – Disse. A imagem de rebolando ainda na minha cabeça. – Porém você passou sua vez.
- O que não me impede de entrar de novo na fila. – Eu ri. Passaram uns dois minutos e ela ainda não tinha voltado. – Acho que nunca peguei uma paulista. – Ele disse do nada.
- E aquela sua prima? – O lembrei. – Se você não chama aquilo de pegar, eu preciso mudar meu dicionário, porque convenhamos...
- Ela é daqui, só mora em São Paulo, não conta. – Ele parecia envergonhado. – E naquela situação, eu estava especialmente bêbado.
- Você só culpa a bebida, isso sim. – Ele não respondeu. Passaram mais alguns minutos até que estivesse de volta, desta vez com uma carteira na mão e óculos escuros. Ela exalava sou turista de uma maneira tão errada que me deixou incomodado. Nem parecia uma garota do sudeste. Sua amiga estava ao seu lado dessa vez, e eu tinha que concordar em como as paulistas eram maravilhosas só pelo exemplo que tínhamos no momento.
- Espero que não se importem. – Ela disse. – Trouxe minha amiga comigo. , esses são e .
- Prazer meninos. – Ela disse meio baixo. E foi daí que eu vi de onde surgiu o interesse de . Por mais que fosse mais decidida e charmosa, ainda era nas mais tímidas que meu amigo tinha interesse. document.write(Fernanda), corou. – Bom, vamos? - Ele sugeriu e seguimos em direção a saída.
Eu não sabia se devia ou não pegar meu carro. Mas sabia que seria muito mais seguro acompanhá-las com um veículo, já que aquelas garotas definitivamente não sabiam em qual cidade estavam se metendo. Campina Grande era uma cidade tranquila, Até que chegavam as épocas de festa junina. E junto com as comemorações, vinham os problemas. O erro dessas meninas – e de grande parte dos turistas – é acharem que não há lugar mais perigoso do que a cidade de onde vieram. E é assim que acabavam com muita dor de cabeça por aqui.
Atravessei a rua a passos mais largos. Abri a porta do passageiro e peguei uma jaqueta esquecida ali, levando-a para o porta malas, a fim de liberar mais espaço para as meninas se acomodarem.
- Esse lugar onde vamos é tão longe assim? – Pude ouvir dizer, olhando nervosa para .
- Fica a duas quadras. – respondeu. – Acontece que pedi uma carona ao , para conseguir levar as coisas que havia deixado pela pousada e...
- Não querendo ser rude, mas nós não vamos entrar num carro com vocês. – que disse dessa vez. – Nos conhecemos a dez minutos, vai saber quem realmente são. Vocês podem nos sequestrar ou acabar...
- Você esta saindo com a carteira numa mão, o celular na outra, e acha que nós somos seu maior problema? – A respondi. Não aturava ser tratado com falta de respeito, e vai saber o que essa garota estaria insinuando.
- Eu sei muito bem me defender, querido. – Me disse de maneira arrogante. – Só não posso fazer isso trancada dentro do carro de um estranho.
- Não parecia nem um pouco estranho quando você foi nos procurar, não é? – Tornei a responder, achando sua petulância muito irritante. Eu só podia ter problema em me interessar por essa garota.
- Vocês podem ficar aí discutindo ou podemos ir logo pra essa padaria ou seja lá o que for, não é? – disse. me olhava com raiva e eu devolvia o olhar na mesma intensidade. Não seria um par de seios que me tiraria essa autoridade.
- É cara, a gente busca o carro depois. – concordou e eu fechei o carro. ainda girou os olhos antes que saíssemos, e aquilo pra mim era como uma deixa pra partir pra outra. Odiava o tipo patricinha mimada e ela exercia seu papel com maestria. Porém, essa característica nela, a tornava sexy, diferente de tantas outras que se tornavam fúteis.
Andamos rápido tentando dissipar o clima ruim. Eu não queria ter causado um má impressão para , mas estava completamente irritado com sua arrogância até agora. e iam mais a frente conversando, enquanto eu tentava acompanhar a patricinha, que fazia questão de ir mais rápido, quase correndo a certo ponto.
Foram uns cinco minutos até que chegamos a padaria. A cara de deslumbre que as duas fizeram ao observar o lugar era uma bela fotografia registrada pelos meus olhos. tinha um sorriso bobo e tímido. era mais uma admiradora da boa arte, seu sorriso esbanjava encanto. E esse seria um pensamento que eu guardaria pra sempre só comigo.
Essa coisa de turistas na cidade era muito legal. Era como se nós cidadãos, passássemos a ver nosso cotidiano de uma maneira diferente, enxergando tudo aquilo com outros olhos. Entramos no lugar e guardei minha comanda no bolso, pensando em não comer nada. Na minha cabeça apenas as deixaríamos ali, mas e estavam tão amigos que eu não pude deixar de seguir meu amigo padaria a dentro.
parecia realmente com fome. Sua bandeja tinha diversas frutas, pães de queijo e um pedaço de bolo, que ela compensou com um suco de laranja sem açúcar. Acabei pedindo o mesmo, quase virando o vidrinho de adoçante com a péssima escolha, o que a fez dar uma breve risada.
pegou uma fruta e um suco, não parecendo estar com metade da fome da amiga. levou sua bandeja até a mesa, e se sentaram um de frente pro outro, restando o lugar na frente da pra mim. E meu outro pensamento a ser guardado é que ela era uma graça até comendo.
- Então, quantos dias vão ficar por aqui? – perguntou tentando manter todo o grupo em um assunto comum. estava mastigando um pão de queijo com muita vontade, então foi mesmo que respondeu.
- Dez dias. Um tempinho pra gente aproveitar o festival, mas também conhecer um pouco além da cidade.
- Que legal. – Acabei por dizer. – E vocês já sabem onde vão visitar?
- Não sei, talvez vocês possam nos ajudar nisso. – Pude ver sorrir. Campina Grande era mesmo o destino favorito nessa época do ano. Além de servir de um excelente local de descanso aos turistas que estavam ali para curtir as festas de São João, a cidade ainda disponha de diversos serviços para entretê-los.
- Espero que se divirtam na estadia. – Disse realmente a fim. Eu poderia ajudar se necessário, não disse como.
- E é pra isso que viemos. – finalmente disse algo. Seu sorriso era bonito quando entusiasmada.
- Achei que fosse pra descolar um bom café da manhã com alguém legal. – Brinquei, e meu sorriso se alargou ao vê-la revirar os olhos.
- Se eu soubesse onde pessoa está... – Seu atrevimento era divertido. e apenas riram da nossa implicância.


- Até logo paulistinha. – me cumprimentou, saindo com em seguida. Eu sabia que – se voltássemos a nos encontrar – o apelido pegaria. Ele explicou que era uma mistura entre paulista e patricinha, mas eu só conseguia pensar naquilo como uma marmita de ovos e banana.
Referência ao prato virado à paulista muito comum no interior do estado, prato com bisteca, lingüiça, bananas e ovos fritos

e estavam se dando tão bem, que eu já estava temendo continuar aquela viagem como única solteira. Poderia tentar me aventurar em tentar algo com o gatinho do , mas ele acabou afastando todas as chances de isso acontecer com sua grosseria. A pior parte é que ainda assim eu tinha a maior vontade de beijá-lo, brincar com minhas mãos por suas costas largas, prende-lo num lugar e fazer tudo o que quisesse... Ele era deliciosamente sexy, eu tinha que admitir. Seu olhar era determinado, sua postura era de um cara que exalava sou superior a esse bando de moleques e sei disso muito bem. Em resumo, tudo aquilo que eu procurava na merda de um cara.
Subi pro quarto e peguei meu celular pela primeira vez naquele dia. foi direto pro chuveiro, visto que não a havia deixado tomar banho logo cedo, e o aparelho era a única distração além do nada que se passava na TV. Acabei entrando na pasta de sms, onde haviam duas mensagens do mesmo numero desconhecido, DDD que também não era 11 como o meu. Antes de abrir eu já sabia quem era.
Tão bonita que até a operadora de celular te deu um dez - estava escrito. Era uma cantada elaborada que satirizava os últimos números do meu telefone, 0010.
A propósito, te disse meu nome, mas você não me disse o seu. - Achei graça de ter passado meu telefone, mas não meu nome. Fitei o celular por mais alguns segundos, e resolvi ser bem curta na resposta.
xx - Digitei, aguardando que ele mandasse outro sms para que prosseguíssemos a conversa. E ele definitivamente estava com o telefone na mão, pois nem meio minuto depois, eu já podia ver seu numero novamente apitando no visor.
Eu ia mandar que o nome era tão bonito quanto a dona... Mas sei que seria ainda mais clichê... Mas antes ser clichê que ser um bobo... Então não vou perder a chance. Sei que são poucos dias na cidade, então, gostaria de sair comigo?
Sua amiga já me avisou de seus planos noturnos, então, um almoço, talvez? - Mal tive tempo de responder a primeira mensagem ele já havia enviado duas, inclusive marcando um encontro.
Eu espero que você saiba escolher bem o restaurante – Respondi. E aquele cara era tão lindo que eu até havia esquecido o nome do outro com que tomei café ainda há pouco.

Abri minha mala pensando no que usar. A Paraíba era quente demais, então me preveni com roupas bem leves, então minhas roupas se dividam entre vestidos, shorts e malhas finas. Acabamos combinando de ele me buscar a uma da tarde. Sabia que era um pouco tarde para o almoço, mas respeitaria meu estomago e sua capacidade de dirigir alimentos.

- Você reclama de entrar no carro de um cara desconhecido, mas topa sair sozinha com um tão conhecido quanto. – me censurou. – Você acha isso certo? – Ela parecia uma mãe falando. – Além do mais, , você acha que eu vou fazer o que aqui sozinha?
- Você pode conversar com , eu vi que vocês trocaram os telefones. – Argumentei e ela ficou envergonhada. – Ou simplesmente pode dormir. Não sei , eu simplesmente vou sair com e pronto.
- Você está muito irritadinha hoje, mocinha. – Me repreendeu, deitando-se em seguida. – O ar dessa cidade é pesado. Vou ficar com a segunda opção. Não consigo parar de dormir... – Sua voz cessou. Eu não sabia como uma pessoa conseguia adormecer tão rápido.
Aguardei por no hall do hotel. Ainda de lá de dentro, pude vê-lo conferir o endereço e saltar de sua moto, onde estava sem o capacete, que vinha pendurado em seu braço. Eu esperava que ele tivesse trago um segundo, porque não iria andar naquilo sem o meu e muito menos deixar que ele andasse sem. Como que lendo meus pensamentos, ele abriu o bagageiro da moto, de onde tirou um outro capacete.
- Eu reparei na sua imprudência. – Disse, me aproximando. – Não sei se confio em um cara de moto chegando aqui sem o equipamento mínimo de segurança.
- Tirei no posto aqui do lado. – Se justificou e eu segui o caminho com os olhos. Justo, o posto estava na próxima esquina. – Assim fica mais fácil de achar o endereço também. – Ele arrumou seus cabelos desgrenhados. Muito sexy. – Acabei não comentando como vinha te buscar. É de um amigo meu, mas prometo que dirijo bem.
- Gosto da adrenalina da velocidade. – Confessei, pegando o capacete de sua mão. me analisou de baixo acima enquanto eu o colocava, talvez pensando que eu não fosse perceber. Acabou mordendo a ponta de seu lábio sem querer e eu me arrepiei pensando no que estava fazendo. Aquele cara deveria ser uns 5 anos mais velho e eu havia completado dezoito a menos de um mês. Mas eu estava adorando viver algum tipo de aventura ao menos. Não perguntei onde iríamos e nem se tinha permissão, simplesmente subi na moto, esperando-o fazer o mesmo. E então ele dirigiu por alguns minutos antes que chegássemos a um restaurante muito bonito. Eu achava graça de como essa cidade era especialmente diferente em suas construções.
Ele me ajudou a tirar o capacete, bem próximo de mim e pude respirar sentindo seu perfume. Minhas mãos se misturaram as suas mexendo no fecho do capacete e eu estava adorando tocá-las. Quando ele finalmente prendeu os dois protetores à moto, eu me vi meio envergonhada. Era a primeira vez na vida em que eu saia com um cara que mal conhecia, e estava sendo muito estranho.
- Acho que a gente deveria se conhecer melhor. – Sua mente transpareceu a minha sem querer. Acenei que sim com a cabeça, e ele segurou minha mão com firmeza me levando até o restaurante.
O lugar era bem descolado. Lembrava aquele tipo de bar que os personagens de How I Met Your Mother costumavam se encontrar. O cardápio variava entre alguns pratos que eu adorava e alguns que sequer havia ouvido falar. Tentando fazer a rica, pedi o mesmo que . E foi um almoço muito divertido.
- Vou repassar o que aprendi nessa tarde. – Ele disse. Segurava minha mão enquanto passeávamos pela praça em frente ao restaurante. – , de São Paulo, dezoito anos, trabalha como vendedora na loja de moda da mãe...
- E estou aqui à passeio, isso mesmo. – Completei. – E você, , também não é da cidade e veio de algum lugar de Minas que eu já não lembro o nome, 23 anos, aqui a trabalho porque é fotografo.
- Você foi bem. – Ele me disse. Paramos e tomei a sua frente, uma vontade súbita de terminar aquele passeio com um beijo. Sua mão passou sob minha cintura e eu ergui as minhas apoiando-as em seu ombro, como gostava de fazer. Ele acariciou minha bochecha enquanto fechei meus olhos, apreciando o carinho. Não sei se a vontade partiu de mim mesma ou dele, mas no segundo seguinte, estávamos nos beijando. Era absurdo como meu cérebro me fazia beijar um cara o qual mal conheço e fazer isso parecer tão certo. Com um braço ele me abraçou mais forte pela cintura, enquanto com o outro, a mão em meu rosto, levando-me para mais perto de si. Me vi apoiada em sua moto e posso jurar que o beijo durou vários minutos até que eu separasse minha boca da sua. Ele continuava me abraçando enquanto respirávamos, roubando alguns selinhos nesse intervalo.
- Nesse ritmo viramos a noite. – Brinquei e ele riu, mas no fundo parecia ter levado a sério. Mas foi só naquele segundo, pois no seguinte já nos beijávamos de novo. Eu poderia fazer aquilo o São João inteiro. Porém, enquanto eu tivesse aproveitando a festa, ele estaria com seu chefe fotografando e redigindo textos para mandar para seu escritório. E claro, eu tinha e , que eram minha companhias principais até o fim da viagem.
me deixou no hotel por volta das quatro da tarde. Eu não me lembrava de ter tanta química com um cara. Suas mãos me arrepiavam, seu toque me fazia tremer. Eu queria cada vez mais sentir a loucura que era aquele homem. Ao chegar no quarto, encontrei apagada, e eu tomaria o mesmo rumo se não tivesse me lembrado de que mais tarde , meu melhor amigo e também o mais gay, chegaria e então mataríamos a saudade do meu carioca favorito.
Eu havia o conhecido em uma viagem que havia feito com meus pais. Filhos adolescentes sozinhos em uma viagem, acabamos fazendo amizade muito rápido, isso a uns quatro anos atrás. Nosso único problema era ele morar no Rio de Janeiro enquanto eu vivia em São Paulo. Costumávamos nos encontrar quando um viajava ao estado do outro, e ano passado ele passou uma semana em casa, justo depois de se assumir gay à família; onde conheceu , e viramos um trio imbatível.
Eu já havia pranchado meu cabelo quando ele me mandou uma mensagem avisando que já tinha saído do aeroporto. Desci correndo até o hall do prédio, e vi uma moça nova na recepção. Era engraçado eu mal conhecer a cidade, mas perceber que aquele lugar combinava muito mais com do que aquela garota loira que agora ocupava seu lugar.
- Menina, como você está maravilhosa. – disse ao me abraçar. Tive que esperar longos dez minutos observando a rua antes que ele chegasse, mas a espera valia mais a pena do que tudo. Eu o adorava exatamente pelo seu jeito todo espontâneo de ser, longe dos padrões gay-comportado. era metade da minha loucura.
- Eu estava com tantas saudades. – Sussurrei em seu ouvido. Era rotina nos vermos em todas as férias, mas era muito mais decidido que eu, e logo engrenou na faculdade de moda assim que saiu do ensino médio - e eu até hoje ainda mal cogitávamos o que cursar. Subimos direto ao meu quarto. havia comentado com ele que acabamos por nos instalar no quarto errado, e ele se auto ofereceu para dormir no sofá cama que ficava entre a mesa e o “quarto”, e com o dinheiro do quarto, diminuiria nossos gastos com os passeios, entre bebidas, taxi e lembrancinhas. Topamos na hora, visto que não era problema nenhum eu dividir a cama com (obviamente não deixaríamos nosso personal stylist dormir desconfortavelmente).
Ele já acordou a coitada com um belo tapa na bunda. Eu não sabia se ria horrores ou sentia pena da coitada, mas de um todo, até ela achou engraçado, levantando em seguida e abraçando-o empolgada. E nós éramos abusadas sim. Já que ele estava ali, escolheria nossa roupa e ainda faria nossa maquiagem. O que ele de forma magistral acabou por fazer. Eu senti que poderia arrasar qualquer coração quando me vi no espelho. Vesti minhas botas e então era oito e quinze da noite quando finalmente me defini como pronta. largou nossa amiga apenas a decidir pelo que fazer no cabelo, mas havia tomado seu banho e se vestido sem que ela terminasse o penteado, o que me irritou ainda mais quando ela optou por deixar os fios soltos.
- Eu não sei como vou cuidar de vocês duas. – Já estávamos no taxi quando ele disse.
- já tem um par, querido. – o respondeu, e eu sorri um pouco. – Tenho certeza que não vai querer nenhum outro cara cuidando dela não.
- Assim como um tal , não? – Rebati. me engoliu com os olhos.
- Vem cá, vocês estão aqui a doze horas e cada uma já tem uma transa marcada? É isso? – quem disse. – A gente só não se fala desde cedo!
- era o balconista que nos deixou com esse quarto mara. – Comentei. – Tenho certeza que foi o decote que usou ontem a noite que o fez confundir as coisas.
- Você não quer que eu coloque nessa história, não é? – Ela provocou.
- Agora eu sou a própria curiosidade. – disse. – Onde você conheceu esse tal , ? Quem é ? Amiga, me passa um pouco só desse mel...– Expliquei toda a história. Contei também como fora o almoço, o piti de em relação ao comentário do carro. E então eram dez horas quando chegamos ao destino final, e estávamos oficialmente curtindo o maior São João do Mundo, em Campina Grande.
Eu era meio que acostumada aquelas festas de cidade, onde havia uma barraca de doces, outra de bebidas quentes, a dos salgados e a dos refrigerantes em copo descartável. Por isso ao descer do taxi, minha boca foi ao chão ao ver um lugar tão decorado e cheio de gente. Um forró gostoso vinha a nossos ouvidos, e casais das mais diversas idades dançavam agarradinhos ao som da sanfona e do triângulo. O cenário era todo inspirado nos maiores artistas da região, com muitas cores, muitas bandeirinhas e muita alegria visual por toda a cidade cenográfica. Haviam infinitas barracas, servindo desde comidas tradicionais, a doces, caldos, e as infinitas barracas de bebidas. Em uma delas, fizemos morada.
Duas da manhã eu me sentia completamente alcoolizada. Tinha que firmar um pouco as pernas para não tropeçar ou esbarrar em alguém. Nós três acabamos por dançar muito durante toda a noite, nos esquivando vez ou outra de algum cara (engraçado mesmo as mulheres dando em cima do nosso amigo gay). resolveu pegar o taxi e ir sem a gente, que estávamos morando numa fila por um caldo e uma canjica para levar de volta ao hotel e comer durante a madrugada. Mas em meio a toda aquela linda noite de comemoração, meus olhos brilharam mesmo quando vi um cara em especial, todo sorridente. Como se fosse meu pedido de natal, nem acreditei quando vi andar em minha direção. Precisei me segurar muito pra não derrubar a câmera de sua mão e o encher dos mais deliciosos beijos. Eu não fiz, mas ele fez.
Jogando a câmera – que estava presa em seu pescoço – para trás, ele liberou um espaço para que ficássemos ainda mais próximos. Seu beijo era carinhoso, mas ele me abraçava com firmeza, eu sabia que poderiam ter várias pessoas olhando, mas não ligava. Eu estava bêbada, eles também. O que acontece em São João, jamais chega a São Paulo era o ditado... Ou algo assim.
- Eu já estava quase desistindo de te procurar. – Ele me confessou. Eu me senti um pouco mal por ter me ocupado demais bebendo e dançando do que o procurando. – Tem umas vinte milhões de pessoas aqui hoje. Nem sei o que esperar desse final de semana.
- Eu espero mais disso... – O beijei outra vez. A música alta fazia qualquer coisa ser dita ao pé do ouvido e era muito legal.
- Você com certeza é a mais linda da cidade. – Ele me disse, depositando um beijo no meu pescoço em seguida. O som alto tocava algo do Bruno e Barreto nesse momento, e eu já o beijava ferozmente outra vez. Pude observar a cara de descrente de por trás do abraço de , e me segurei para não rir.
- Você é o repórter mais lindo do Brasil. – Ele sorriu antes de me dar outro beijo rápido. Em seguida, se afastou o suficiente apenas para me tirar uma foto.
- Me disseram para registrar o melhor do evento. – Comentou. – Não faria sentido se não tivesse uma foto sua.

Quinta-feira, 22 de Junho.

Era por volta de três e meia da manhã quando chegamos ao hotel. foi direto dormir, e eu fiquei enrolando um pouco no saguão, dando uns pegas mais ousados com , que a todo custo insistia que não faria nada comigo enquanto eu estivesse bêbada.
- Eu sei que você não vai estar nem pensando em acordar na hora do almoço. – Ele brincou, interrompendo nosso beijo, fazendo com que eu tivesse que tirar minhas mãos do cós de sua calça.. – Mas queria te ver hoje.
- Eu percebi que você não trabalha taaanto assim. – Justifiquei. Agora eu me sentia bem mais sóbria. – Tenho certeza que pode arranjar um tempinho de novo mais tarde.
- Você é muito difícil. – Eu beijava seu pescoço enquanto ele falava. - Queria que você me caçasse dessa vez.
- Pode ser interessante. – Comentei. – Mas não espere muito. Costumo desistir bem rápido das coisas.
- Talvez eu devesse te dar um motivo pra me procurar então. – Dessa vez seu beijo foi mais sensual. Aquele tipo de beijo que te faz querer subir pra um quarto logo. Sua mãos me alisavam sem pudor e eu estava completamente aliviada de não ter mais ninguém ali para ver nossa despedida. Eu com certeza o procuraria mais tarde.

Entrei no quarto e encontrei tudo o que menos esperava. abraçava uma que não parava de chorar e tinha sua camiseta rasgada. Me bateu um desespero enorme e fui tirando as piores conclusões ao vê-la daquele jeito. Eu havia a deixado ir sozinha para o hotel, quaisquer coisa que tivesse acontecido, era minha responsabilidade.
- . – Eu já chorava também. – O que aconteceu?
- Ela disse que um cara a agarrou quando ela desceu do táxi. – que respondeu. - Que a segurou com força... O que a fez tentar fugir até mesmo de suas roupas...
- Amiga, você não se lembra de uma cor de camiseta... Um rosto... Qualquer coisa.
- Eu me lembro de um rosto... – Ela fungou. - ...

Esperei na cama de enquanto ela adormecesse. logo apagou também, e o acomodei ali na cama com as roupas sujas mesmo. Acontece que eu não conseguiria dormir antes de fazer uma coisa. Por isso peguei o celular de e saí do quarto em silêncio, deixando os dois e suas respirações tranquilas.
- ? – Disse quando ele atendeu a ligação.
- ? – Ele respondeu meio apressado. – Olha, sobre ontem...
- Não, não. – Eu disse. – Aqui é a . Precisamos conversar.

Esperei na mesma padaria em que fomos ontem. Era pouco mais de sete da manhã e eu não o culpei de aparecer na minha frente com a cara de acabado que ele estava. A minha não devia ser muito diferente.
- Eu sei que ontem não... – O interrompi com um abraço. Diferente de como a situação parecia, não havia sido que tinha atacado , mas ele sim a ajudou a se livrar do individuo, um bêbado arrogante. Era ele que ele estava lá enquanto eu a havia deixado, então teria minha eterna gratidão. Ele retribuiu meu abraço meio desajeitado, mas depois pareceu se encaixar, depositando até um beijo no topo da minha cabeça.
- Eu só tenho que te agradecer. Não sei se você pensou que eu fosse dizer outra coisa, mas não. Eu errei com a ontem, você estava lá... , você é um herói.
- Agora diz que eu sou gostoso. – Ele se soltou do abraço e eu ri. – parecia extremamente bêbada ontem, então pensei até que ela tinha julgado errado, sabe. Pensei que ela estava pensando que eu era o cara quando ouvi você no telefone, pensei que você fosse me matar ou...
- Depois dessa você tem minha proteção eterna. – Eu ri. – Mas o que fazia por ali, aquela hora da noite?
- Patrice, a dona do hotel, pediu minha ajuda pra ajudar a treinar o novo garoto que vai ocupar meu lugar. – Respondeu. – Me pagou bem mais do que eu ganharia em uma noite, então aceitei. Eu estava prestes a ir embora quando a vi descer do taxi meio perdida... Ela não viu o cara, eu assisti tudo e...
- Você acha que a gente deve prestar queixa à policia? – Ele assentiu, meio incerto. Acordamos de conversar com para que ela tomasse essa decisão – Puta merda , estou me sentindo uma merda. – Confessei. – Me desculpa por ontem, quando eu disse aquilo de não entrar no carro...
- Eu entendo, , de verdade. Você tem toda razão em temer a situação. Só espero que agora seu julgamento sobre a gente...
- Não, completamente mudou. – O abracei de novo. – Sobre você, pelo menos... - Dessa vez ele riu, e com o braço debaixo da minha cintura, me acompanhou ao hotel onde buscamos . Ela não quis ir até a delegacia, visto que mal se lembrava do cara, e confessou que achava melhor não tocar no assunto nem com seu pai. Era o começo da viagem, iríamos acabar com o velho do outro lado do país. passou toda a manhã nos fazendo companhia. Acho que não é necessário comentar o clima de romance que se instalou após começar a tratar como seu herói também, não é?

.
Você não vai acreditar na loucura que aconteceu assim que saí do hotel ontem :/ - Acordei com essa mensagem.
Posso tentar assim que me contar... - O respondi. Meu melhor amigo realmente não sabia como conversar sem matar uma pessoa de curiosidade.
Deixa só eu voltar pra casa... É bem sério. Vou me encontrar com a agora...
E bastou para que eu pegasse meu carro e saísse direto pra casa dele. Quando cheguei, sua mãe disse que ele havia acabado de sair, então fiz de carro o trajeto de sua casa até o hotel duas vezes, na esperança de encontra-lo no caminho, o que não aconteceu. Decidi esperar na frente de sua casa então. A essa hora, eu só tinha uma teoria: Ele havia saído do hotel, encontrado , que o havia persuadido a dormir com ela. Como não era burro, havia topado na hora e agora ele não sabia como me contar, já que tinha me passado a vez ao se engraçar com a outra menina, . E nessas duas horas em que esperei em seu portão, eles deveriam estar repetindo o feito da noite passada.
Ele parecia estar muito feliz quando chegou a sua rua, como quem havia acabado de transar. Veio em direção ao carro, e sem pedir licença, entrou. Eu queria era tê-lo atropelado.
- O que faz aqui, ? – Eu ia responder que me segurando para não o dar um soco, mas ele prosseguiu antes. – Enfim, você não imagina o que me fez fazer...
- Me poupe de seus detalhes sórdidos. – O interrompi. Nessa hora, só queria o matar. Ele deveria ter entendido que eu estava afim da garota. Não era pela briguinha que tivemos que ele deveria me atravessar e ir a foder. – Temos um código moral, cara, um código de homem. Você não pode empatar a foda de um outro cara.
- E você queria o que, que eu deixasse o cara estuprar a garota? – Minha cara se contorceu em confusão. A história ia além do que eu estava pensando?
- Do que é que você ta falando? – Perguntei. E então ele me explicou que a história não era nada daquilo que imaginei, e como o meu shipp de e estava ainda mais forte. Ele havia marcado de a encontrar no São João da noite e mesmo feliz pelo meu amigo, só consegui pensar no quanto aquelas garotas eram desprevenidas. Onde já se viu, atravessar a cidade sozinha e bêbada. havia dito que sabia se defender, mas pelo desastre que estava sendo sua estadia com a amiga, eu tinha certeza que não.


tratou logo de encontrar assim que chegamos no São João a noite. Eles tentavam não me deixar sobrar, mas tudo ficou mais difícil assim que nos deixou e foi procurar seu rumo naquela festa. Sim, ele estava junto com a gente, mas sequer trocamos três frases. E por mais que eu ainda me atraísse por ele, ficaria só na atração mesmo, visto que estava muito bem ficando com . E por falar nele, me despedi de e decidi o procurar, mantendo a promessa da madrugada. e o garoto com quem ele estava tendo um affair, haviam ficado na praça tempo suficiente apenas para comerem um pouco, e então saíram para “conhecer outros lugares”, mas eu tinha certeza que eles iriam fazer muito além. E no diário da nossa viagem, eu sabia que ele já tinha tomado a frente de todo o trio no quesito pegar um cara.
Ainda meio perdida, segui até perto de alguns camarotes promocionais, onde pensei que pudesse estar. Mas era como ele havia dito, vinte milhões de pessoas pareciam ocupar aquele lugar ao mesmo tempo. Continuei andando, desviando de algumas pessoas que acabavam me puxando para ter mais atenção, até que senti um puxão mais forte e decidido. Meu coração acelerou um pouco quando vi quem era que o tinha feito.

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Deixei que as costas de batessem no meu peito antes de a deixar girar e ver que era eu quem a havia puxado. Ela estava especialmente bonita com seu vestido esvoaçante, que acompanhavam seus cabelos sempre soltos. Seu perfume acabou preenchendo meus pulmões e eu apreciei o cheiro em silêncio, vendo sua cara ir de susto a um quase alivio.
- Achei que soubesse se defender. – Resolvi provocar a garota que ainda estava sem reação. Ela me deu um soco fraco no peito e abaixou a cabeça por alguns segundos antes de tornar a erguê-la e me olhar fixo nos olhos.
- Eu não sei em que planeta você acha esse tipo de brincadeira legal, mas no meu, eu abomino. – Ela já ia sair novamente e então a segurei por uma mão. Não pude deixar de me arrepiar com o toque, e bebi um enorme gole da cerveja que me fazia companhia antes de voltar a falar.
- Olha só quem conseguiu irritar a paulistinha. Ponto pra mim. – Seus olhos giraram novamente e ela acabou tomando a lata da minha mão.
- O que você quer, ? Acha que eu preciso de um super herói também? – Seu humor estava especialmente sexy naquela noite. Eu posso ser o Coringa se você for a Harley, acabei pensando, mesmo que os dois não fossem definitivamente os heróis de uma história.
- Se você me disser que precisa de um... – Deixei que meu corpo não controlasse mais meu desejo. Eu queria beijá-la naquele momento mais do que qualquer coisa. Um de meus braços foi até sua cintura, puxando-a em minha direção. Ela não pareceu se incomodar, e só deixou a latinha cair no chão antes que suas duas mãos segurassem minha camisa. Com minha outra mão, afastei seus cabelos e toquei meus lábios em seu pescoço. O arrepio era instantâneo. Assim como acontecia comigo a cada toque dela. Minha testa apoiou na sua e eu olhei em seus olhos. Sua boca foi certeira a minha em alguns segundos. Suas mãos foram de meu peito ao ombro, e acabei por aprofundar o beijo com seus carinhos em minha nuca. Era como beijar um pedaço do paraíso. Seus lábios ainda meio gelados por conta da cerveja unidos a minha língua quente, formavam uma mistura de sensações maravilhosas. E então era aquilo que eu queria pelo resto da minha noite. Mas ela se afastou.
- Nem que você fosse o Capitão América. – Suas respostas petulantes só me faziam a desejar mais.
- Posso não ser seu querido Capitão América... Mas se precisar de um Batman, o batmovel não ficou magoado. – Provoquei ainda mais.
- Eu sou minha própria mulher maravilha, querido. – Ela disse antes de sair rebolando sensualmente. E enquanto ela seguia seu caminho, eu podia ver mesmo. Uma mulher maravilhosa.

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- Eu acho que esse fotografo já trabalhou demais. – disse. Finalmente havia me encontrado. – Acho que ele devia fazer outra coisa, sabe. – Olhei para Richard, meu pseudo-chefe, e ele também já havia aposentado sua câmera pelo resto da noite.
- Muito sexy essa bela moça me dando ordens. – Ela me beijou. Era como se houvesse mel em sua boca, e eu não conseguia parar. Desde que a havia visto no avião, algo nela havia me chamado a atenção. Não só por sua beleza, sua postura era de uma mulher de verdade. Eu era cinco anos mais velho, mas ela conseguia me fazer nem pensar na diferença de idade. Mesmo com seus dezoito, sua boca afoita e suas mãos curiosas me faziam deseja-la como uma mulher da minha idade. Suas mãos se cruzavam sobre meu pescoço e eu agarrava seu cabelo solto com uma das mãos, enquanto com a outra, a trazia para mais perto pela cintura. Interrompendo o beijo, ela me levou até atrás de uma tenda, onde parecia não ter ninguém, só pra começar tudo de novo. Eu me excitava com sua ousadia, e tudo era ainda mais sexy agora que ela não estava tão embriagada como ontem, mesmo que seus lábios ardessem o gosto da cevada. Ela começou a passar as unhas por debaixo da minha blusa e vi a deixa para ousar mais no beijo. Enquanto uma das minhas mãos ainda dedilhava seus cabelos, a outra começou a brincar com seus seios, por dentro da jaqueta que ela usava. Decidi que precisava a tirar dali antes que nossa indecência acabasse se tornando uma atração.
A levei até o carro que havia alugado para esses dias. Na minha cabeça, a levaria até a casa que estava pousando, mas não pude fazer muita coisa quando ela não entrou pelo banco do carona, mas sim pelo meu próprio, sentando no meu colo em seguida. A única coisa que fiz foi fechar a porta e agradecer pela noite favorecer ainda mais o filme preto que cobria o vidro do carro. Devido ao equipamento que Richard e eu tínhamos que carregar, acabei optando por um carro com um grande espaço no banco de trás, o que a levou pra lá no segundo seguinte. Juro que demorei ainda uns dez segundos para ter noção de que eu devia segui-la.
Tirei minha jaqueta e ela imitou a ação, seu vestido solto em um ombro. Voltei a beijar sua boca, e só parávamos quando ela desgrudava seus lábios para gemer, enquanto minhas mãos a acariciavam de uma forma mais ousada. Ajoelhei-me no chão do carro e a olhei pedindo permissão, e ela só mordeu os olhos jogando a cabeça pra trás quando ergui seu vestido até a cintura. Levei alguns segundos até desfazê-la de sua calcinha e a toca-la com minha língua em sua intimidade. Ela murmurava palavras incompletas e se contorcia no banco, acabando de se livrar do vestido sozinha. Seu cabelo caia sob sua peça vermelha de sutiã, e vê-la seminua e de salto alto daquele jeito, brincou com minhas fantasias.
Não havia muito dialogo, mas pra gente, isso era o que menos importava. Desfiz-me de minha camiseta e ela começou a me alisar as costas enquanto nos beijávamos. Meus dedos começaram adentrar sua intimidade enquanto eu a abraçava e ela gemia no meu pescoço. Decidida a me provocar também, desfez-se da única peça que a cobria e abaixou minhas ultimas duas de uma vez. Sua mão começou massagear o meu intimo, e eu me sentia excitado demais para quem estava sendo apenas masturbado. Não deixei que o carinho durasse muito, então logo tirei da minha carteira, a camisinha que, sem pressa, ela me vestiu. Decidida a controlar a situação, ela não me deixou toca-la enquanto eu não estivesse totalmente deitado no banco. Completamente duro, reprimi um gemido mais alto ao senti-la se sentar sobre mim. subia e descia lentamente, enquanto falava algumas coisas desconexas e eu pensava que não poderia enlouquecer mais com aquela mulher. Mudei de ideia quando sua velocidade começou a aumentar e ela se abaixava para não bater a cabeça no teto, seus seios sendo tomados por meus lábios, sua boca murmurando gemidos insanos. Qualquer pessoa que passasse pelos arredores naquele instante podia ouvir nossos gemidos, assim como o balanço do carro. Algumas palavras saiam enquanto ela rebolava no meu colo, e ela me respondia com outras palavras sujas, seu sorriso o mais safado do mundo, minhas mão tomando posse de seu bumbum. Inverti nossas posições quando ela pareceu demonstrar os primeiros indícios de cansaço. Ainda por cima, tentei manter seu controle, deixando-a controlar nossos movimentos, cuidando apenas que nossa velocidade fosse cada vez maior. Ela arranhava minhas costas, e eu agarrava seus seios com firmeza, decorando cada detalhe de seu corpo. Me vi satisfeito ao vê-la atingir seu clímax e me deixei alcançar o meu na sequencia.
Ficamos alguns minutos em silencio, com ela deitada em meu peito. Saí de dentro dela apenas quando vi que estávamos tempo demais ali e eu precisava me livrar da camisinha. Sendo premiado depois com o melhor oral que já havia recebido. Que se transformou em outra transa. Das tantas que tivemos naquela noite.

Sexta-feira, 23 de Junho.

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Acordei com os braços de ao meu redor. Me acomodei melhor em seu peito e repassei mentalmente a noite memorável que havíamos tido. Eu nunca havia transado com um cara tão mais velho, nunca havia feito sexo dentro de um carro... Mas também nunca tinha chegado ao ponto de alcançar um orgasmo pensando em outro. Pesado, eu sei.
- Cansada? – Foi a primeira coisa que ele me disse. Eu ri fraco concordando com a cabeça. Na verdade eu estava exausta. – Vou preparar alguma coisa pra gente comer. - Ele levantou, vestindo sua cueca e comecei a procurar minhas roupas por seu quarto. Estava me sentido uma completa estranha em encara-lo nesse momento. Ele era tão certo, e eu não entendia porque era sempre desse jeito, eu me atraía muito mais pelos difíceis. Talvez fosse o prazer de ter algo a conquistar que me excitasse. E eu absolutamente devia parar de remeter cada um desses pensamentos ao amigo do namoradinho da .
- Essa casa é sua? – Perguntei, seguindo-o até a cozinha. Era a cara dele morar ali.
- De um amigo. – Respondeu concentrado em fatiar alguns frios. Eu corei e dei graças a Deus por ter vestido todas as minhas roupas. – Acho que ele não dormiu por aqui. Deve ter pego carona com uma garota, já que acabei o largando lá...
- Você é um mala. – só havia se lembrado do amigo quando mandei uma mensagem para avisando que não dormiria no hotel. – Coitado.
- Eu digo coitado de mim. – Ele me abraçou, me desencostando da mesa onde me apoiava. – Você me encheu de marcas, mocinha. Como vou explicar esses roxos quando voltar?
- Só você não ficar arrancando essa camiseta pra qualquer perua que surgir pela frente. – Brinquei. – Aliás, você ainda não me disse quando vai embora.
- Pego o voo da terça de manhã. – Ele abriu a geladeira, pegando um suco alaranjado. – Aliás, muito fofa essa sua mini-crise de ciúmes.
- Não é ciúmes. – Corrigi na hora, sem querer. – Mas digamos que sou meio possessiva sim...
- Eu vou adorar provar dessa sua possessividade a cada vez que visitar São Paulo. – Ele me beijou e nem se importou com tudo o que estava esperando. Mas não deixei que passasse dos beijos. Do nada pra mim, aquilo tudo era muito errado.

Dessa vez dormia pesadamente quando cheguei ao hotel. Tinha certeza que seu super herói não falharia.
Fui direto tomar uma ducha. havia dito que eu tinha o deixado cheio de marcas, mas logo vi que não era só ele. Haviam três bolas rochas do tamanho de uma azeitona, uma em meu pescoço, e duas em meus seios.
já havia chego quando saí. Dei graças a Deus por seu namoradinho não ter a acompanhado, pois não sou adepta a sair do banheiro com algo além da toalha. Tudo bem que eu não tinha nada que o interessasse, mas de qualquer forma era estranho. Seu sorriso era grande e eu logo estava empolgada para dividir como haviam sido as coisas, mas sua parte também era muito interessante.
- Você vai me contar disso agora! – Disse empolgada, fazendo-o se assustar e acordar.
- Você quer saber de mim? Olha esse seu peito todo marcado. – Rimos. - , você é uma ninfomaníaca.
- Um dia você chega lá. – Era engraçado dizer. Era muito bom ter para dividir essas experiências sexuais, já que era muito difícil comentar sobre com sendo virgem. – O que vocês fizeram?
- Pra onde foram? – Foi quem perguntou.
- Não fomos muito além das preliminares. Ele ainda é meio receoso sobre essa coisa de se aceitar gay, sabe, ao menos da parte sexual. – Ela parecia um pimentão vermelho. – Era como se eu estivesse o desvirginando. – Eu ri.
- Não entre em detalhes, pelo amor de Deus. – acabou pedindo inocentemente. – Já que nossas conversas de hoje terão o foco no sexo de ontem a noite, que isso comece logo. – Ordenou. – Agora é sua vez senhorita chupada. – gargalhou alto. – O que fez tanto pra te deixar assim? – Ri um pouco me lembrando. Talvez fosse um pouco demais para suas mentes semi puras.
- Tudo...

Hoje não iríamos para lugar nenhum a noite. , e eu tivemos um belo dia em que passeamos pela cidade e conhecemos seu principal ponto turístico, o parque das pedras. Aproveitando o passeio, fomos ao maior shopping da região, onde aproveitei para comprar algumas roupinhas para que usássemos no dia seguinte, que seria a verdadeira festa de São João.
e haviam ficado pela primeira vez no dia anterior e ele a havia chamado para irmos à sua casa hoje. Ele daria uma mini festa, e eu estava feliz em ser convidada para uma festa que não envolvesse vinho quente e bandeirinhas coloridas, só pra variar.
House party não era muito o tipo de festa de , mas pude ver que a partir de hoje seria assim que entramos na casa do namoradinho da . Era tudo muito grande, e se a festa rolasse apenas na sala, ainda sobraria espaço para as cem pessoas que deviam estar ali.
foi o primeiro que nos viu e parecia estar um pouco bêbado quando veio até nossa direção. Peguei o copo vodka com frutas que estava em sua mão e o tomei em um gole. Não queria que ele derramasse aquilo por aí.
- Se não são minhas paulistas favoritas. – Brincou. Eu não deveria ter achado sexy ele se referir a nós como propriedade, mas meu cérebro parecia não entender isso, assim como meu corpo não devia ter inteiro arrepiado com um de seus braços sob meus ombros. – E os cariocas também. – Cumprimentou mais animadamente. Os dois tinham se dado muito bem no tempo que estiveram juntos na noite anterior.
- Onde está o ? – comentou, como quem não quer nada.
- Estava dando um jeito na cozinha a ultima vez que o vi. – Pareceu tentar se esforçar pra lembrar. – Não quer procurá-lo, ? – Seu sorriso era pretensioso.
- Vocês são muito sem graça. – Ela disse antes de seguir até a cozinha.
- Eu quero uma bebida. – pediu e então nós dois passamos a seguir . No que diz respeito a bebidas, ele parecia um barman. Misturou coisas das garrafas com frutas e entregou um copo, que iria dividir com , já que ela não bebia muito.
- Vou fazer uma coisa mais especial pra você. – Disse pra mim. O casal formado por nossos melhores amigos apareceu, com um dedo indicando que estariam sentados no sofá fazendo companhia à . – Você pareceu gostar do que roubou de mim. - Eu praticamente tremia. Não sabia se na noite anterior estava bêbado quando nos beijamos, mas ele me tratava com uma naturalidade que eu sabia não ter. E acabou me deixando um pouco decepcionada.
- Você estava dando bobeira e eu queria beber. – Respondi. Se pra ele nada tinha acontecido, que as coisas voltassem a ser como eram antes. – Eu te fiz o favor de não deixar a bebida esquentar.
- Eu adoro esse seu jeito marrenta, sabia? – Disse olhando nos meus olhos e eu me arrepiei. E enquanto ele se concentrava misturando frutas e álcool, pude o observar mais atentamente. Ele usava uma camiseta preta com as grandes letras da MTV, e seu cabelo estava todo jogado para direita. Sua barba também estava crescida, e eu gostava dele assim. Seu jeito despojado era um completo diferencial. Me peguei fitando seus lábios por tempo demais até que finalmente decidi que não podia me deixar levar pelo que se passava em minha mente. Eu estava ficando com e isso deveria ser suficiente.
- Não é tão difícil misturar as coisas, . – Minha voz saiu um pouco ríspida. Ele sorriu antes de me entregar o copo e se aproximar um pouco demais. Acabei respirando um pouco fundo demais e me embriagando com seu perfume.
- Gosto de fazer as coisas bem feitas, querida. – Disse e saiu. Fiquei alguns segundos meio atônita, tentando não levar aquela frase para o lado sexual.

Acabou que sumiu por algum tempo. Acabei fazendo alguns outros drinks sozinha, e já estava bem solta quando ouvi uma musica tocar. Procurei com os olhos e ela estava no sofá com , olhando pra mim, sua mente passando a mesma coisa, penso eu. Nos encontramos no outro sofá onde quase dormia e o puxamos.
O meio da sala parecia uma pista de dança, e foi para onde fomos. Estávamos quase no refrão de “Lush Life” da Zara Larsson quando começamos a pular feito loucos na pista. Nós éramos completamente um desastre na dança, mas nada importava enquanto estivéssemos juntos. Aquela era nossa viagem,nossas férias.

I live my day as if it was the last (Eu vivo meu dia como se fosse o último)
Live my day as if there was no past (Vivo meu dia como se não tivesse passado)
Doin’it all night, all Summer (Fazendo toda noite, todo verão)
Doin’it the way I wanna (Fazendo do jeito que eu quero)
Yeah i’m a dance my heart out ‘till the dawn (É, vou dançar com todo coração até amanhecer)
But I won’t be done when morning comes (Mas não acabarei quando a manhã chegar)
Doin’it all night, all Summer (Fazendo toda noite, todo verão)
Gonna spend it like no other (Vou aproveitar como nenhum outro)



Acabamos de dançar e eu resolvi dar uma passeada lá fora, para esfriar um pouco o corpo. Acabei me sentando na calçada mesmo. Tudo ainda rodava um pouco, então tombei minha cabeça pra trás e deixei que a brisa do vento me dispersasse um pouco. Mudo, eu cantava no broken hearts da Bebe Rexha. Estava tão concentrada que nem vi quando alguém se sentou ao meu lado.
- Tem certeza que não quer dançar essa também? – disse baixo. Sorri antes de respondê-lo.
- Fiquei cansada. – Fechei meus olhos de volta. Acho que passaram uns dois minutos, com ele ali, só sendo uma presença. – E você, não tem nada melhor pra fazer?
- Achei que precisasse de companhia. – Ele disse antes de soltar todo o ar bufando. – Esqueci que você já estava acompanhada da sua grosseria.
- Na verdade, minha grosseria ficou lá dentro tomando um copo de vinho. – Tornei a o responder. – Pode ver se não a acha junto da sua cara de pau? – Ele só riu e não me respondeu. Não parecia que iria sair dali, assim como não parecia ofendido.
A porcaria do vento insistia em trazer a droga do seu perfume na minha direção e eu tornei a observa-lo outra vez. Sob a luz da lua, o desgraçado era gostoso que nem a fragrância que eu inalava.
- Vai ficar só olhando? – ele disse e eu nem havia percebido que seu rosto já estava todo em minha direção. Eu encarava seus lábios sem discrição nenhuma e minha vontade de beijá-lo era ainda maior que sua petulância. – Sabe, você me deixa até envergonhado olhando tanto assim.
- Gostei da camiseta. – Foi tudo o que disse, e mais uma vez, ele só deu risada. Dessa vez eu ri junto, e foi sua vez de me encarar. Seus olhos estavam semicerrados, e essa sua cara séria acabara por o tornar ainda mais sexy. Ainda era difícil resistir a e sua boca tão convidativa, ali, tão próximo de mim. A canção que tocava agora era Paris, The Chainsmokers. O DJ seguia uma setlist possivelmente tirada das mais tocadas no meu celular. Eu não tinha vergonha em cantar interpretando aquela música, e ele parecia estar achando graça.
- Você gosta bastante dessa música. – Comentou, rindo um pouco. – Devia chamar seus amigos pra dançarem com você.
- É uma musica mais pra se ouvir que dançar, . E além do mais... Eles precisam de um tempo para dar uns beijinhos.
- E você não? – sua voz saiu num quase sussurro. Olhei para seus lábios e acabei sem querer mordendo os meus. Queria tanto beija-lo que já estava me criando uma agonia. Ele pareceu ler meus pensamentos e foi aproximando seus lábios cada vez mais, até que eu mesma decidi acelerar as coisas e o puxei pelos cabelos da nuca, encostando nossos lábios em seguida.
Sua boca era macia de beijar, assim como sabia muito bem o que estava fazendo. Enquanto suas mão prendiam meu rosto – como se eu pudesse escapar daquele momento – meu corpo ansiava mais pelo seu. Suas pernas, ajoelhadas na soleira da calçada, abriram espaço para as minhas e acabamos ali, nos encaixando de um jeito estranho. Ouvi a música mudar para alguma outra que eu gostava muito mas não de atenção, assim como dispensei com apenas um tchauzinho, fazendo rir com sua boca ainda junto a minha.
Me aproveitando da distração, me levantei o trazendo junto. Eu precisava e ansiava por um contato maior, e ainda o beijando, senti minhas costas se chocarem contra um muro, e seu corpo me abraçar pela cintura, meu torso se chocando ao seu. Meus braços escorregaram de seus braços fortes até sua cintura, o direito seguindo caminho até estar novamente em sua nuca, forçando seu rosto ao meu, como fosse possível. Suas mãos tinham o mesmo destino, e por hora resolvi brincar com a gola de sua camisa, o que fazia meus dedos gelados tocarem seu pescoço e ele se arrepiar. Adorando os arrepios, passei a passar também meus lábios pela sua pele sensível e ele me ergueu, segurando minhas pernas em sua cintura. Não seria algo que eu faria sóbria, muito menos no meio da rua, mas de fato nos ajudou, já que ele era bem mais alto.
Por um segundo me senti fraca e pensei que iria desmaiar. Não sei se era o álcool misturado as sensações que ele me causava, mas meus braços penderam ao seu pescoço e eu tive que me apoiar em seu ombro. Ele segurou minhas pernas e então só que vi foi escuridão.
E do nada a maior claridade do mundo. Olhei em direção aos meus pés e me olhava preocupado. Ainda em silêncio, me sentei na cama confortável e passei a observar. Tinha certeza que estava no quarto de .
- Está melhor? – Ele perguntou e eu assenti. Me sentindo arrepiada, fiz com que ele se levantasse, e após uma olhada pelo guarda-roupas ali, ele separou uma blusa pra mim. Fiquei meio receosa em aceitar, afinal eu beijava um cara, dormia com outro e por fim saía com as roupas de um terceiro? – Você apagou. Eu não sabia se chamava alguém, te trazer aqui foi a única coisa que consegui pensar...
- Tudo bem. – Respondi e ele pareceu relaxar, finalmente. Sorri pra ele, que se aproximou de mim, dessa vez foi eu que o roubei um beijo.
- Eu não estou com frio. – Ele disse, dando a entender que a blusa era sua. – Além do mais, acho que fica melhor em você, .
- Isso eu não tenho duvidas. – Respondi, convencida. Minha energia voltava assim como meu humor. – . Você pode me chamar de . - Ele me ajudou a vestir a jaqueta.
- . – Repetiu, e eu sorri. – Bom, . Eu devia estar fazendo o contrario. – Sorriu pra mim. – Tirando suas roupas, e não a ajudando a vesti-las. – Eu me arrepiei ainda mais, e agradeci por estar com sua jaqueta e priva-lo dessa cena. – Mas quero saber que você está completamente sóbria se isso acontecer. – Falou por fim, exatamente igual a . Acabei rindo com o pensamento, passando os braços por seu pescoço em seguida.
- O que é uma pena. – Acabei deixando meus pensamentos saírem. Minha boca secou quando ele resolveu se aproximar de novo. Tornei a me sentar em suas pernas, como estávamos fazendo na calçada, mas não o beijei. Era como se só a energia que emanasse de seu corpo, fosse capaz de me fazer sentir bem, e o beijo apenas selasse isso. Sua boca procurou a minha e me distanciei um pouco. Os segundos antes do beijo eram quase tão bons quanto o ato em si. Eu queria aproveitar cada sensação que ele me causava antes, aquelas que eu não entendia como aconteciam. Suguei seus lábios com um pouco menos de urgência que os outros beijos. Podia ouvir Love on top da Queen B tocando no andar de baixo, o que fez meu corpo se mover em uns paços leves e desengonçados e sua boca afrouxar a minha apenas para desperdiçar mais uma risada. E eu me senti muito bem nesses segundos em que apenas me deitei sob seu ombro me asfixiando com seu perfume.
O tempo passou de forma que tenhamos ficado ali por mais ou menos meia hora, entre beijos comportados e olhares profundos.
- Você poderia buscar alguma coisa pra gente, não? – Disse quando senti minha boca secar, dessa vez de sede. Acho que ele devia estar da mesma maneira, pois acabou concordando e descendo. O ultimo beijo que acabei recebendo me fez deitar na cama e suspirar feito uma garota apaixonada.
Fiquei esperando que ele voltasse por um bom tempo, mas acabou não acontecendo. Quis acreditar que ele estava a chegar a qualquer momento, e nisso se passaram mais cinco minutos e eu estava incomodada, cansada de esperar. Me levantei um pouco menos bêbada, e desci as escadas o procurando direto junto as bebidas. Ele não estava ali, tampouco nos sofás ou cozinha. Quando o encontrei, desejei não ter feito. Havia uma garota abraçada a ele, e um terceiro tirava algumas fotos enquanto eles trocavam as poses. Eles pareciam um casal de namorados, e aquilo acabou me incomodando. Naquele momento, ele sequer lembrava que eu existia, e eu desejei com todas as forças que o momento anterior nunca tivesse acontecido, para não ter que passar por essa humilhação. Fui até e , dei a desculpa de que estava cansada e iria para o hotel descansar. insistiu para que pudesse me acompanhar, mas eu não quis atrapalhar o casal. Puxei comigo e ele pareceu entender que eu não queria papo no momento...

Sabado, 24 de Junho.
A data em que o evento citado no capítulo acontece, na verdade é 12 de Junho, mas foi adaptada para que a história não tivesse que se estender por mais dias.
-É hora de acordar, flor. – Uma extremamente animada me chamou. – Temos que tomar café, e então finalmente irmos ver o maior casamento do Brasil – Acabei me animando também. Minha amiga era uma velha apaixonada, e uma das tradições da festa, era fazer um casamento gigante. 120 buquês jogados pro céu, 120 beijos, 240 sorrisos, 120 promessas; como disse Paulo Cuenca sobre a festividade. Ela havia trago véu e tudo.
- Amiga, se a gente se casar, nos colocam num quarto tão gostoso como esse? – Eu não queria me levantar dali no momento.
- Bem que podiam. – Ela suspirou. – Acabei nem te contando. nos colocou aqui de propósito. Ele sabia que o hotel não poderia nos tirar do quarto a força, e por já estar certo em sua demissão, resolveu brincar um pouquinho com a cara da dona. Pior que a coitada parece nem ter percebido.
- Olha , se você não der um beijo nele só pra agradecer por isso, pode deixar que eu dou. – Brinquei.
- Eu bem que queria falar desse negocio de beijo mesmo. – E todos sabem onde o assunto ia dar. – me contou que...
- Se vocês tocarem no assunto, eu juro que volto pra casa sozinha hoje mesmo. – Mas após a ducha, acabei contando o incidente.

Tomamos um café maravilhoso hoje. Era a única vez que realmente havíamos acordado cedo o suficiente pra aproveitar desse beneficio do hotel. Acabei contando a o que aconteceu ontem, já que seria impossível fugir do assunto.
- Ele é gostoso, . – Sua forma espontânea de ser era o máximo. – Dois gostosos para as lembranças de Campina Grande. Não deixe uma coisinha estragar todo esse momento.
- Ele é o tipo de cara que vale bem pouco... – Comentei.
- Pois é amiga, e não só ele né. De manhã um mineiro, a noite um campinense. Isso que eu chamo de provar dos sabores do Brasil. – E os dois foram me zoando do hotel ao parque do povo.

Eu já amava aquele lugar assim que desci do taxi. E a cada passo, o amor aumentava. Até que chegamos ao casamento, e eu meio que não queria ver quem estava guardando nossos lugares.
- Hey! – disse animada, indo até e o cumprimentando com um beijo. talvez esperava que eu fizesse o mesmo, então não fiquei surpresa quando ele veio em minha direção. Eu procurava outra cadeira sem nem disfarçar.
- Hey . – Eu apenas sorri, meio irritada. A única coisa que queria nesse dia era chegar ao casamento e ver o povo se casar. - O que aconteceu ontem? – Sua voz meio receosa quase foi um convite as minhas respostas atravessadas.
- Nos beijamos, não foi? – Tentei me fazer de desentendida, e dar a entender que aquilo também não havia me significado nada. Que se ele quisesse me tratar como uma qualquer, tudo bem. Eu o trataria da mesma maneira.
- Eu quero dizer que... Não sei... Você simplesmente foi embora... – Ele se mostrou confuso, e eu fiquei mais ainda.
- Achei que você fosse estar ocupado demais pra minha despedida. – Sorri cinicamente, seguindo até a cadeira ao seu lado mesmo. se deitou em meu ombro, e ficou uma boa parte do casamento dividindo seu olhar entre a celebração e eu, o que me irritava de uma maneira indescritível. Eu não queria ter que o expulsar dali.
- , olha, a gente parecia estar tão bem ontem. – Seus olhos me pediam uma explicação. - Eu sinceramente adoraria que as coisas continuassem do mesmo jeito.
- De que jeito, ? Foi muito bom o que aconteceu, confesso. Depois fui embora, a festa seguiu pra você, eu entendo. Você não precisa me procurar só porque e estão juntos, sabe. Não é sua obrigação... – Respirei fundo, exausta daquela conversa. – E além disso, pra você, por favor.– Dito isso me virei, os olhos focados só nos casais vivendo seu momento de felicidade. Ele não falou nada até o fim.

- Puta merda , você destruiu o menino. – riu. – Eu juro, ele ficou uns cinco minutos olhando o chão.
- Vendo a festa na verdade. – acrescentou.
- Que seja. O porém é que você foi meio desnecessária, amiga. Ele só queria mais uns beijinhos.
- Não é como se eu estivesse errada. Tudo bem, eu estou ficando com o também, mas não fiz isso na mesma festa. Não larguei esperando e muito menos agarrei outro em sua frente. Não o vitimizem.
- Tem razão. – se deu por vencido.
- Mas isso não justifica a grosseria, .
- Que seja. – Bufei. Ainda almoçaríamos todos juntos e eu já estava exausta. De um todo, eu só esperava que salvasse a minha noite.
- Tá enchendo de açúcar pra compensar o sem gosto daquele outro dia? – disse. Estava na hora do almoço, e eu mais uma vez havia optado por um suco de laranja. Controlei a todo custo minha vontade infantil de revirar os olhos, mas já tava ficando chato fazer isso a cada vez que ele tentava conversar. – Sua bipolaridade é divertida.
- Sua insistência mais ainda. – Não pude deixar de sorrir, mesmo ainda me sentindo mal com o acontecimento de ontem. Era o que ele acabava causando em mim, e eu não estava me sentindo nada legal com isso.
- Tenta fazer suas palavras saírem mais doces também. Tipo como seus lábios. – Ele sorriu, seu belo sorriso malicioso. E eu me arrepiei sem querer. Era engraçado.
era mais novo que , ainda sim mais velho que eu. Com eu era mais impulsiva, as coisas corriam mais rápido. Com era de uma maneira mais sensual, provocações, brincadeiras, sensações. Eu não sei se era sua postura, seu olhar ou aquela boca tão chamativa, mas tudo me levava a querer levá-lo dali pro meu quarto. Engraçado era que, quando definitivamente ficamos, não era desejo, mas sim as sensações. Eu gostava da forma como ele me deixa, mesmo que minha vulnerabilidade me irritasse. Era como se fosse certo apenas se fosse com ele.
- Você ainda não me disse porque foi embora ontem. – Tornou a perguntar.
- Avisei de que estava indo. Eu estava cansada...
- Eu não reclamaria de te acompanhar. – Pra mim aquela conversa já estava durando demais.
- Você parecia meio ocupado com a garota te agarrando. Não quis atrapalhar. – Sorri cínica. Ele riu por um segundo. – Sei que você acha que não tenho direito de me incomodar com isso...
- Ela é uma amiga, . – Ele ainda sorria pra mim. – Eu não sou esse tipo de cara que sai pegando mais de uma por aí. Desde o começo, o dia da padaria e tal, era você que eu queria.
- Então porque demorou tanto pra me procurar? – De repente pareceu certo perguntar. Eu já tinha montado todo o meu prato e agora era ele quem escolhia seu suco.
- Acho melhor a gente conversar depois do almoço. – Acabamos por decidir almoçar ali mesmo no parque do povo, em uma tenda com comidas diversas. Era proximo ao hotel, e a comida deliciosa. nos olhava divertidamente quando chegamos a mesa. Eu ainda me sentia muito feliz com o fato de ele não ter ficado com nenhuma outra, mas ainda assim queria saber quem era a garota que o havia monopolizado no fim da minha festa.
Aos poucos, todos foram deixando a mesa. Primeiro que iria tirar um cochilo antes de descer para irmos dar uma volta. foi logo na sequencia, e , cansada de me esperar, acabou me largando ali com mesmo. Ele não falou nada enquanto eu comia.
- Você sabe muito bem como confundir as pessoas. – Ele finalmente respondeu a minha pergunta. Eu ainda bebia meu suco. – Além de que, era divertido te observar sem que você percebesse.
- Você age como um stalker. – Disse.
-E você não cansa de ficar desviando do assunto. – Argumentou. – Eu sinceramente, achei que você mais decidida, ... .
- Eu sou muito decidida. – Rolei os olhos. – E você pode me chamar só de ... Me desculpa por hoje mais cedo, eu não quis...
- Não quis ser grossa, eu já entendi. – Ele completou. – Acontece que é só o que você tem feito. Sendo grosseira. Na situação da padaria, após o beijo no São João, ao me abandonar sem que eu entendesse o porquê... – Parte de mim ficou feliz que ele se lembrasse do primeiro beijo.
- Você me confunde, . – Acabei por confessar. - E me causa algumas coisas... Algumas sensações... Eu não sei explicar.
- Que tipo de sensações? – Ele estava em minha frente sob a mesa, e se aproximou um pouco mais assim que fez a pergunta. Não foi difícil minha pele se arrepiar e minha respiração se confundir. Eu nem precisava responder. – Você também me causa isso, sabe... Sensações. – Ele também estava arrepiado. – Eu gostaria de provar mais disso.
- Eu também. – Ele se levantou com a minha resposta. Quando se aproximou de mim, eu esperava receber um beijo logo e interromper essa coisa. Mas ele levava a sério essa coisa de querer sentir mais, então só segurou minha mão e fomos caminhando até um espaço onde tinham várias redes amarradas a arvores, e as pessoas se punham a descansar. Vacilei quando sua mão – ainda segurando a minha – me girou igual ao susto do São João, e ele me apoiou sob um coqueiro. Minhas pernas logo trataram de serem erguidas e rodeadas à sua cintura, e eu mentalmente agradeci pela arvore ser tão grande a ponto de nos esconder. Sua boca provou primeiro da pele do meus pescoço, para depois encontrar meus lábios, então começamos logo aquele jogo do tato, onde minhas mãos desciam de seu pescoço até a barra da camiseta e ele fazia o mesmo comigo. havia memorizado o beijo da outra noite, onde tocar pra me arrepiar, e agora fazia isso com maestria.
Só interrompemos o beijo quando pude sentir seu celular vibrar, logo abaixo da minha mão nas suas costas. Bufando, mas com um braço ainda me mantendo elevada, ouvi ele murmurar a alguém que já estava indo.
- Mas que droga. – Eu brincava com seus cabelos. – Eu preciso ir. Mas sinto que se eu me afastar, vai acontecer a mesma coisa de ontem...
- Eu prometo que não. – Disse, selando com um outro beijo a promessa. E lá se foi mais um minuto. – Mas tenho que te contar uma coisa. – Interrompi. Ele olhava atentamente meus lábios, talvez estivesse desconcentrado o suficiente para conseguir entender apenas pela minha voz. – Eu convidei um cara pra me acompanhar... No São João hoje a noite, quero dizer
- O fotografo? – Ele perguntou e eu assenti. Sua cara era de profunda diversão. – Bom, ele não me representa perigo.
- O que você quer dizer com isso? – Foi minha vez de me divertir.
- Eu o conheci ontem. Sem querer, juro. Meu carro havia parado de funcionar, e por coincidência ele também estava indo abastecer o seu no mesmo posto que eu estava. Minha bateria tinha morrido... Acabamos conversando um pouco.
- Como você sabia... tipo... Que era ele quem eu havia convidado? – Perguntei ainda mais curiosa.
-Eu apenas acabei de assimilar as coisas. – Sua mão acariciava minha cintura. – Vi você com ele aquele dia no São João. Pela forma que você o agarrou, tive quase certeza que não sobrou tempo pra nenhum outro...
- Sobrou tempo pra você. – Seu sorriso presunçoso se alargou.
- Sou um caso a parte, . – Ele me roubou um selinho. – Não sou ciumento como você... Acho isso até meio que sexy. – Sua mão discretamente adentrou meu vestido, e ele foi alisando cada perna antes de finalmente as colocar ao chão, suas mãos ainda apalpando meu bumbum em outro beijo ousado. Eu não era essa garota depravada que deixa um cara abusar ao ar livre, mas não conseguia me mexer, entorpecida pela sensação do desejo. Eu poderia morrer se visse alguém nos olhando nesse momento, mas era uma vontade maior que eu... As malditas das sensações dopavam minha racionalidade. – Pode ser divertido te provocar com ele lá. Prometo não ser mal, mas sei que ele pega um avião amanhã cedo e talvez nem fique até muito tarde... E seria uma honra terminar isso assim que ele se for. – Ele seguiu andando e eu finalmente pude respirar, embasbacada na forma como ele havia conseguido me deixar tão frustrada e excitada sem ao menos ter me tocado devidamente.

Fiz questão de colocar um vestido novo. Era uma peça verde, que delineava meu corpo e me fazia sentir uma mulher de verdade.
Eu não sabia o que esperar daquela noite de São João, mais tinha certeza de que iria ser muito divertida, e essa foi a razão pela qual naquela noite vesti minha melhor lingerie...
entrou no quarto, e dessa vez eu estava atrasada. Mas isso se justifica fácil ao fato de que eu decidi me arrumar muito mais naquela noite, afinal havia dito que iria me provocar, mas se esquecido que eu poderia fazer exatamente a mesma coisa.
- Dois caras, ? – que disse. Eu havia contado metade do incidente após o almoço e agora ela estava me repreendendo. Eu sabia que havia feito certo ocultando as partes mais sórdidas do plano, ou sua cabecinha inocente me crucificaria ao inferno.

.
Eu havia bebido um pouco demais assim que cheguei ao encontro de . Ele estava maravilhosa em seu vestido cor de menta, seu perfume era meu favorito.
Richard havia me deixado ali porque eu tinha pela noção de que o carro alugado ou sua moto virariam sucata na minha mão se eu tivesse pouco cuidado, e como estava duvidando de que a água era mesmo transparente, concordei em pegar um taxi pra voltar pra sua casa.
Era meio que um forró gostoso que tocava no ambiente, num volume considerado aceitável em relação ao som que tive que ouvir enquanto trabalhava nos camarotes. Foram três dias muito cansativos, mas eu estava pleno e satisfeito de que o resultado valeria a pena.
- Você não está bem, . – afirmou, quando minhas mãos se atrapalharam em virar o liquido da garrafa para o copo. Ela tirou os dois da minha mão e então me arrastou até uma praça decorativa, onde estava um vento considerável.
- Bela jaqueta. – Foi o que eu disse. Ela sorriu e se sentou sobre minhas pernas, de lado no banco. Eu ansiava por seu toque, minha boca lutava pela sua assim como meu corpo esquentava só com a ideia de ter o dela sob o meu por mais alguns instantes. - Eu gostaria de um pouco mais de você, por gentileza. – Ela sorriu antes de me beijar. Por céus, posso jurar que sua boca era mais entorpecente que qualquer dose do que quer que fosse que eu tinha ingerido. Suas mãos eram como gotas de chuva no verão e seu toque me aliviava eu não sei muito bem do que. Com ela ainda desajeitada sob meu colo, tratei de beijar seu pescoço, desejando ser capaz de me curar daquela tontura e poder lhe dar o que ela devidamente merecia.
- Eu não vou fazer nada contigo só porque está bêbado. – Foi a vez de ela se vingar.
- Acho que vou ter que te fazer uma visita na cidade de pedra, então. – A ideia passou pela minha cabeça. Não era difícil eu estar a trabalho em São Paulo. Posso ter certeza de que seria muito mais divertido se pudesse me acompanhar enquanto estivesse na cidade.

.
me olhava a cada dois segundos. Havia me cumprimentado apenas com um sorriso distante quando cheguei. Talvez seu plano de brincadeiras tivesse ido por água abaixo quando ele viu o estado em que estava. Simplesmente, pra ele não teria graça.
Eu não culpava . Iria me certificar de completamente encher minha cara no meu ultimo dia de férias, para passar a ressaca já em casa. O problema era só que ele poderia ter deixado isso para mais tarde, e eu me sentia completamente frustrada em não ter a atenção de .
Sei que isso é péssimo, afinal, eu estaria brincando com , mas também não é como se tivéssemos algo de exclusividade.
Finalmente era o dia de São João e a festa parecia trinta vezes maior. Levantei e fui atrás de uma bebida no camarote em que estávamos. passou ao meu lado e essa aproximação durou um segundo. Ele virou o rosto pra trás assim que alcançou a mesa de bebidas, e então meu corpo por instinto, seguiu o seu.
- Provocar com a minha própria jaqueta já é demais, . – Ele fechou os olhos ao dizer. – É uma declaração de posse. Você é completamente minha enquanto está dentro dela.
- Eu não estou certa disso. – Disse como quem não quer nada. Ele deu um passo em minha direção e todo meu corpo ansiou por sua presença. Sua mão apenas foi delicada o suficiente para colocar meu cabelo atrás da orelha, e eu já sentia minha boca desesperadamente procurar a sua.
- Acho que seu namorado precisa de uma água. – Disse ao pé do meu ouvido. O olhei cheia de raiva, enquanto fiz o favor de pegar um copo e seguir em direção a , que parecia dormir sob o banco.
- Isso que chamo de apreciar uma companhia. – Ele abriu seus olhos, e então os encontrei tão perto dos meus. Voltei a sentar em seu colo, lhe entregando a água.
- Acho que acabei bebendo demais. – Ri de sua confissão desnecessária, me deitando em seu ombro. Ele passou seus braços ao meu redor e meu corpo aumentou sua temperatura em uns 10 graus. De repente não havia mais bebida que me incomodasse, beijei seus lábios e ele os manteve firme contra os seus, me segurando pelos cabelos. Minhas pernas foram ao seu colo e eu podia o sentir esquentar também. Acho que ficamos nesse pega por uma meia hora quando ouvi uma música tocar. Eu necessitava senti-la melhor.
- Vem. – O puxei, e ele foi meio sem saber porquê. As pessoas dançavam todas no mesmo lugar, e acabei me intrometendo no meio. Achava divertido essa coisa de simplesmente ficar pulando uma abraçada a outra sem ter que se preocupar em montar uma coreografia que não te fizesse passar vergonha.
A musica foi trocada de um sertanejo divertido para uma popular de gonzaguinha, e então o povo estava mais animado. parecia estar com a cabeça rodando, e eu estremeci ao sentir um corpo se chocar contra as minhas costas, e lábios repousarem sob meu pescoço. E assim tão rápido quanto fiquei sem reação, ele já havia sumido. Tentei o procurar até onde minha visão alcançava. Eu sabia quem era, mas não o conseguia achar.
- Você pode pegar uma bebida pra você, ... – me abraçou por trás, cochichando no meu ouvido. Meu pescoço arrepiado me lembrava de que eu não precisava beber para ficar embriagada, bastava uma dose de desejo e minha mente ficava entorpecida. Me virei procurando por seus lábios, e no segundo seguinte estávamos de volta aos fundos da tenda. Suas mãos me tocavam com desejo, sua boca me devorava com luxúria. Podia sentir minhas mãos geladas se chocarem contra sua pele quente, deixando um rastro arrepiado. Abri os olhos e no mesmo instante, os meus se encontraram com o de , parado na festa, me olhando com intensidade. Porém durou só um segundo, e ele já havia sumido novamente. Eu não havia bebido nada, mas minha cabeça parecia criar coisas.
– Eu não quero que nossa última lembrança seja ruim... – tornou a tomar minha atenção, dizendo meio envergonhado que era hora dele ir embora. – Eu só tenho que pedir desculpas...
- Você não precisa de nada. – Seus braços acabaram me soltando. Quase caiu por cima de mim quando o puxei para mais um beijo. – Eu só vou te deixar ir porque sei que você precisa acordar bem pro voo de amanhã... E eu sei que logo a gente vai se ver de novo.
- Eu espero que sim, . – Segurei sua mão. Uma parte não queria o deixar ir e vivenciar todo aquele desejo. Mas outra parte queria tanto procurar , que só percebi que ele estava bem na minha frente quando meu corpo se chocou com o seu. parecia alheio demais, e eu quase caí quando senti levar seus lábios ao meu ouvido uma única vez e sussurrar: te vejo no cômodo perto das escadas em dois minutos. Então ele já havia sumido. Eu poderia esperar colocar em um carro antes de obedecê-lo, mas o fotografo parecia bem, de volta a espreguiçadeira, num breve cochilo.
- Vou procurar um... um telefone de taxi. – Disse e ele só respondeu com um aceno de cabeça. Tentei agir de forma racional, mas quando vi, minhas pernas já iam seguindo em direção ao pedido de , ao que parecia ser tipo um mezanino. Eu podia sentir me seguir, mas só parei quando finalmente encontrei a porta e a abri. E no mesmo segundo, ele invadiu o cômodo junto comigo.
- Eu... Eu... – As palavras pareceram sumir completamente sumir quando ele trancou a porta, apenas nós dois ali dentro daquele lugar apertado. - Você tem o numero de um taxi? – Ele não me respondeu. Completamente ao contrario de uma resposta, sua boca foi direto ao meu pescoço, tombando minha cabeça pro lado enquanto uma de suas mãos mantinha firme um rabo de cavalo improvisado. Minhas mãos trataram logo de tatear um apoio, e então eu mesma me ergui sob um tipo de mesa, sentindo-a gelada, o que me fez me arrepender em seguida. Mas o arrepio não foi nada em comparação ao que senti quando finalmente beijou minha boca. Minhas mãos começaram a subir sua camisa depressa, e ele sorriu largo ao ver meu desespero. Suas mãos começaram a acariciar minhas coxas e eu já não sabia mais distinguir qual sensação mais forte ele me causava, se era com seus beijos ou toques. A jaqueta tomou o mesmo rumo de sua camisa e eu comecei brincar com os botões de sua calça, desejando-o com toda vontade que pudesse ter. Fiz a peça escorrer entre suas pernas, e ele me soltou apenas para a chutar longe, desamarrando os sapatos e os tirando também. Quando voltou a me tocar, suas mãos foram direto ao meu bumbum, trazendo meu corpo para si, me fazendo arfar ao sentir nossa intimidade se tocar com apenas uma peça a separando. A musica que tocava era animada, e eu comecei a acompanhá-la com os quadris, friccionando de uma maneira que eu esperava que o tivesse o agradando tanto quanto a mim. Ele ia e vinha contra mim e a cada vez, não era só o contato que estava maior. Ele ergueu meu vestido e então só sobrou a lingerie, que eu mesma fiz questão de tirar. Ele se afastou novamente pegando a camisinha em seu bolso, antes que a racionalidade sumisse por completo e acabássemos por nos esquecer dela. Deixou o preservativo do meu lado e então resolvi inverter nossas posições. Escorando-o na mesa, deixei meu desejo me guiar quando abaixei sua boxer. Eu jamais havia o visto tão de perto, tampouco o colocado na boca, mas seus gemidos o demonstravam satisfeito com meu trabalho. Não demorou muito para que ele me erguesse de volta a mesa e me beijasse, tocando-me lá com dois dedos. Eu arranhava suas costas e o sentia intimamente sob minha barriga, seus dedos cada vez mais rápidos, me deixando um pouco tonta com a intensidade que eu trabalhava tentando conter minha vontade de gritar. Sua boca deixava rastros úmidos entre meu pescoço e seios, e eu gemi alto quando sua língua desceu até o interior das minhas coxas e ele decidiu que era melhor me beijar lá. Mais uma vez ele se afastou e eu só na protestei por vê-lo rasgar a camisinha com raiva, e eu mesma fiz questão de vesti-lo. Ele escorregou fácil pra dentro de mim e eu já não conseguia mais controlar meus gemidos em seu pescoço. Por alguns segundos, ele só ficou parado, me sentindo, para depois sair e escorregar de volta inteiro, aumentando sua velocidade aos poucos. Não sei por quanto tempo ficamos naquela posição, mas movida pela intensidade do prazer, o empurrei fazendo-o bater as costas na parede e me olhar com raiva. Eu ri enquanto me virava de costas e apoiava uma perna nas caixas de cerveja que ali estavam. Ele pareceu se agradar também pela nova posição e mordia meu pescoço enquanto ia e vinha dentro de mim. Quando meu orgasmo chegou, apoiei meus dois braços na mesa e logo ele também atingiu o seu, me virando contra si, forçando-me a o beijar. Eu interrompi o beijo necessitando de ar e ele descansou sua cabeça sob meus ombros. Só então uma coisa se passou pela minha cabeça. .
Eu estava ali a mais de vinte minutos e ele com certeza já deve ter dado conta do meu sumiço. Eu não acreditava que havia invadido o estoque de um camarote. Essa historia eu iria adorar dividir um dia.

.
A cara de me fez querer rir.
Varias pessoas nos olhavam quando saímos do mezanino. Eu não havia conseguido arrumar meu cabelo, da mesma maneira que ela não havia conseguido esconder as marcas em seu pescoço, mas tentávamos agir naturalmente. E eu não podia resistir. Ela havia me hipnotizado mais ainda, se possível.
O desespero pelo qual a fez sair correndo dali, também acabou a cegando da ideia de que a partir daquele momento, eu seria seu próprio cachorrinho. Ela havia me dado a melhor transa com a qual já pude sonhar, escondido, num estoque apertado. Eu necessitava daquilo de novo. Foi a justificativa da minha mente ao menos, até que chegássemos ao seu namoradinho mineiro.
- Hey fotografo. – Ele dormia pesadamente jogado em uma mesa. Só acordou com o tocando e dizendo que havia conseguido uma carona. - Sou eu, o cara do carro quebrado. – O cumprimentei quando ele finalmente abriu os olhos.
- Lembro de você cara. Pode me ajudar a achar um taxi? – havia surtado com a ideia. Porém sua raivinha só a deixava ainda mais deliciosa.
- Que isso cara. Você me livrou do maior apuro ontem, posso ser seu motorista. Além do mais, fez tanto ao insistir. – Provoquei, recebendo a mais deliciosa risada. – Dessa vez, vai topar entrar no meu carro? – Foi diretamente a ela a pergunta.

Estávamos no veiculo, o fotografo, e eu. Por insistência da própria, ele ocupava o banco do passageiro e ela ia atrás, distraindo-se com o celular. Eu podia sentir sua tensão movendo o carro cada segundo mais depressa. Eu havia a provocado a noite toda e ela sequer tinha percebido. Acho que esperava que eu fosse brincar com , enquanto era com ela que eu estava brincando. Essa parte de o levar embora não estava nos meus planos, mas eu não pude resistir a ver sua cara de censura quando dei a ideia. Era simplesmente extasiante vê-la incomodada. Coloquei minha mão direita sob o bolso do mesmo lado da calça, sentindo um breve relevo. Sua calcinha havia me acompanhado do sexo até ali. Porém havia um lugar muito melhor para ela ocupar no momento e então eu a teria de volta mais tarde.
-Pode guardar pra mim? – A olhei pelo retrovisor. O fotografo só acompanhou minha mão, sem entender do que se tratava, e mesmo com o pano vermelho escorrendo entre meus dedos, apenas tombou seu rosto pela janela e pareceu cochilar novamente. As mãos de tremiam quando ela rapidamente tomou a peça da minha mão, e de lado sob o banco, ela vestiu a calcinha rapidamente. Sua expressão era divertida no momento.
Ela acompanhou até dentro da casa e acabou demorando demais. Eu já estava prestes a cruzar o território inimigo quando ela voltou. Seu vestido parecia um pouco molhado,e minha jaqueta estava sob seus braços da mesma maneira.
- Você vai acabar quebrando todo o clima se disser que deu um banho no cara. – Ela não me respondeu, mas seu sorriso transmitiu toda a verdade. Ela abriu o banco da porta de trás, jogando a jaqueta primeiro, e estava prestes a entrar quando a puxei ao meu encontro, apoiando-a no carro e finalmente tomando seus lábios pra mim novamente. Ela não deixou que o beijo durasse muito, abrindo dessa vez a porta do carona e entrando, enquanto eu continuava meio atordoado.
- Acho que temos uma festa pra aproveitar, não?

Domingo, 25 de Junho.

.
Eu vestia apenas a calcinha quando acordei na manhã seguinte. Eu me lembraria daquela quarta feira como minha maior ressaca da vida por vários anos.
Ao voltar da casa de , compensei cada bebida que havia recusado, sendo acompanhada por . Às duas da manhã, me lembro de estar completamente louca, em alguns pegas insanos nos fundos da tenda, depois de já ter passado pela porta (isso mesmo, não foi nem dentro) do carro de .. Tentando agir de uma forma mais convencional depois disso, foi o que nos fez dividir um quarto essa noite.
Previamente, havíamos programado mil e uma coisas para essa viagem, mas todos os planos acabaram mudando com o namorico e . Eu não me sentia nem um pouco culpada em estar dez da manhã na cama com enquanto inicialmente era seria a hora em que estaríamos comprando nossas lembrancinhas. Eu sabia que eles simplesmente também não iriam.
Levantei-me discretamente e fui até o banheiro. Dei graças a Deus por ter mais alguns dias na cidade, ou possivelmente o pai de pensaria que fui espancada devido a tantos roxos que pude contar. Roxos que me traziam recordações que eu jamais esqueceria, mesmo que a cidade ficasse para trás.

- Se você pretende ir embora ainda hoje, acho melhor juntar suas coisas. –Eu disse a . A viagem do meu carioca acabaria sendo mais curta que a nossa. respondeu com um olhar atravessado, ao que eu só dei a língua de volta. Estávamos nós cinco espalhados pela praça próximo ao hotel, embaixo da mesma arvore que havia eternizado na minha memória.
Eu olhava e não podia acreditar que em uma semana, a garota poderia ter se apaixonado. e ela comentavam até sobre relacionamento a distância e não se desgrudavam por um minuto – o que rendia um quarto sempre a disposição para mim e .
Eu não sei se me sentia bem em não ter chego com ele a essa fase. Não significava que a gente se gostasse menos, mas tínhamos plena noção de que um relacionamento a distância seria difícil para pessoas que se moviam pelo desejo, como nós dois. Ele e iriam os visitar no mês que vem, enquanto isso, a gente ia só conversando.
- Você parece pensativa. – Ele me disse. estava se despedindo com namoradinho para que pudesse ajudar nosso carioca fazer suas malas.
- Você que parece muito analítico. – Disse ainda sem desviar os olhos dois. – O que você quer?
- Você, naquele banheiro ali. – Indiciou com a cabeça o hall do hotel. – Um pouco molhada, não disse onde...
- Eu que não vou beijar essa boca suja. – Ri e era exatamente isso que estávamos fazendo no segundo seguinte. – Olha, eu não confio muito naquele banheiro, mas se quiser voltar até o seu carro... – Deixei a frase morrer, seguindo até o veiculo.

, , e se apertavam no banco de trás do carro de . Eu ia a frente, sua mão sob minha perna. Decidimos passar nas praças do parque da festa para comermos antes de ir até o aeroporto levar o amigo que partiria antes. Não me importava estar um pouco gordinha, eu só pensava em aproveitar a noite de festa com muito milho, amendoim e quentão. Larguei meus quatro companheiros por dois minutos correndo atrás de um cheiro maravilhoso de canjica, pois mesmo com o cachorro quente, eu já havia queimado calorias demais. Na fila um cara se aproximou de mim, sua barba bonita roçando no meu ouvido que eu não tinha aliança e que ele adoraria preencher meu anelar com uma. Logo depois, um segundo só recebeu um aceno negativo dos meus dedos. Quando o terceiro cara chegou, eu finalmente entendi porque não precisava de mais ninguém.
- Quando eu disse que o fotógrafo não representava perigo, não foi um convite a outros, querida.
- Quando eu disse que era possessiva, quis dizer que adoraria vê-lo também ser. – O acusei. – Sinceramente, se você não viesse até aqui eu pegaria o terceiro não importando quem fosse.
- Que sorte a minha então. – Ele me beijou. Eu queria que o tempo passasse devagarzinho nesse momento. Nem queria imaginar como seria quando tivesse que voltar à correria paulista. Talvez a promessa fosse invalida e nunca mais nos víssemos, ou talvez um dia pudesse voltar a visitá-lo, ou ele voar até mim, como e haviam prometido. Mas o que eu sabia, era que as memórias nunca deixariam de ser as melhores e ele nunca deixaria de ser meu garoto do São João.






Fim



Nota da autora: (01/08/2020) Clique aqui para seguir à página da autora.
Escrever essa história foi sensacional. Ela foi inspirada em uma viagem real, em sua maior fanficzisse mesmo. Compartilhá-la foi maravilhoso, e esse especial, genial!
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