Última atualização: 22/12/2019

Prologue

Retrouvailles (s.f.), do francês: a felicidade do reencontro após um longo período de tempo.



Un


- , você pode, por favor, tirar a sua perna de cima de mim? Eu preciso me arrumar e voar pra Lille. – pediu, mas foi totalmente ignorada, tendo seu corpo puxado pra mais perto e ganhando um beijo no ombro.
- Fica aqui comigo, vamos passar o dia todo juntinhos na cama. – o pedido foi praticamente ronronado e se não precisasse mesmo ir pra França, teria aceitado apenas pelo tom usado.
- Eu gostaria muito, mas preciso ir embora, mon amour. Tenho uma audiência hoje ainda. E você tem que treinar.
- Nossa vida era tão mais fácil quando éramos adolescentes. – resmungou, escondendo o rosto nos cabelos de e ela deu um sorriso que ele não viu.
- A sua nunca foi.
- Quando a temporada terminar, você tira férias e viaja comigo?
- Não posso prometer, você sabe.
- Agora eu entendo como você odiava o quanto eu era responsável e focado no trabalho. – resmungou, fazendo rir.
- Vai , me deixa levantar. – pediu. – Tenho que tomar banho e voltar pra França.
- Posso ir junto pro banho?
- Nem pensar! Eu estou atrasada e ter você pelado e debaixo do mesmo chuveiro em que eu estarei pelada não vai ajudar em nada.
- , você é uma chata. – voltou a resmungar e soltou de seu abraço, mas ao invés de sair da cama, a mulher virou-se para ele e lhe fez um carinho no rosto.
- Eu volto daqui dezessete dias, mon chéri.
- Isso não ajuda em nada, . Em nada. – respondeu mimado.
- É o melhor que posso fazer. Infelizmente. – suspirou, finalmente sentando-se na cama.
- É egoísta demais te pedir pra vir morar aqui comigo?
- Bastante. – riu. – Eu entendo, porque queria que você voltasse a jogar no Lille, mas você merece um time que te mereça, o que não é o caso.
- Não fale assim do Lille. – falou, fingindo estar ofendido, e sentou ao lado de .
- Eu posso, torço pro time e falo com total conhecimento de causa. – deu de ombros e em seguida encostou a cabeça ali.
- É cada vez mais difícil te deixar ir embora.
- Eu me lembro de ter dito isso há alguns bons anos atrás.
- Você falava isso todos os dias em que eu precisava ir embora da sua casa, fosse pra concentração ou viajar.
- Continua muito difícil. Mesmo depois de anos separados. – confessou.
- Uma hora nós temos que parar de ficar nos separando assim.
- Você ainda tem bastante tempo para jogar futebol, eu ainda tenho muitas audiências a fazer e aulas a ministrar, então essa ainda não é a hora. – falou, tentando cortar o clima triste de despedida que começava a se instalar, mas recebeu um resmungo mimado e dolorido de que fez seu coração se encolher.
- Eu vou dar um jeito de te ver ainda essa semana.
- Duvido que o Sarri deixe você se ausentar sem ser por um motivo muito sério.
- Que inferno. – resmungou pirracento.
- Você é pior que a Elayna quando o quesito é fazer dramas e pirraças.
- Sai da minha casa agora. – respondeu, fingindo-se de bravo, e gargalhou, antes de ficar de pé.
- Finalmente posso fazer isso sem me sentir culpada, já que foi você quem me expulsou daqui, então a culpa é sua por eu estar partindo.
- Não seja advogada comigo, . – falou, estreitando os olhos.

não respondeu, apenas se apressou para o banheiro e trancou a porta assim que entrou no cômodo. Realmente não podia se atrasar mais e ter junto com ela no banho só pioraria a situação de seu atraso que já não lhe era muito favorável.
Os dois estavam naquele relacionamento – e, sim, era um relacionamento assumido para as famílias e amigos próximos, mas não para a imprensa e para o resto do mundo – desde o encontro em Paris, em setembro, três meses antes. Naquele dia, os dois conversaram sobre tudo o que precisavam conversar e resolver.
Falaram sobre o tempo todo que passaram juntos, sobre o tempo que passaram separados e o que viria a seguir, se voltariam a tentar alguma coisa ou não. foi com para Lille, encontrou alguns amigos antigos, os pais de e conheceu a casa dela. Foi o primeiro fim de semana que passaram juntos, dos poucos em que tiveram a oportunidade durante aqueles meses. E exatamente ali resolveram que se tantos anos tinham passado sem que a vida sentimental de ambos desse certo longe um do outro, era um sinal de que só daria certo se ficassem juntos. E desde então eram um casal.
queria descrição, tinha bastante receio de como aquilo influenciaria seu trabalho. Sabia que os olhos de muitos se virariam em sua direção, ela deixaria de ser apenas “, a professora e advogada” e se tornaria “A namorada de ”. Ainda que sempre tenha sido muito discreto em sua vida pessoal, todo o mundo lhe conhecia e todos ao seu redor tornavam-se, automaticamente, alvo dos olhares, das lentes e dos comentários de todos. queria evitar aquilo.
Os dois se encontraram duas vezes em Paris, em locais diferentes e chegaram em momentos distintos, registrados em quartos separados e nunca vistos juntos. Em Londres, sempre alugava um carro e nunca usava táxi, além de ter ido aos jogos no meio da torcida, nunca no camarote, nunca usando a camisa 10 com o nome de , ainda que usá-la não fizesse diferença alguma no estádio, já que quase todos os torcedores ostentavam a camisa 10 e o sobrenome “” em suas costas. Dava trabalho manter as coisas assim, mas eles vinham fazendo dar certo.
Ela já tinha deixado diversas peças de roupa na casa de , quase não levava malas e isso diminuía bastante os problemas, já que ele nunca ia ao aeroporto quando chegava a hora de partir. As despedidas eram feitas longe de tudo e todos. entendia e não se ressentia quando precisavam se ver e ficarem juntos escondidos dos olhos do mundo, principalmente porque podiam aproveitar bem sua privacidade sem ser incomodados.
Mas queria tê-la por perto durante mais tempo, ainda que soubesse que essa vontade era muito, muito egoísta. Mas já tinham passado dez anos totalmente separados, considerava que fora tempo demais e o suficiente para que nunca mais quisesse repetir a experiência.
saiu do banheiro já arrumada, para evitar mais atrasos, e desviou os olhos da tela do celular quando sentiu o perfume dela preencher o quarto. Estava maravilhosa, usando uma calça flare preta de cintura alta, uma blusa cinza de mangas longas e gola rolê e um casaco grosso também cinza. O scarpin preto estava coberto pela barra da calça, mas a deixava bem mais alta. Passou apenas base, rímel e um batom claro. olhava quase hipnotizado e ela caminhava pelo quarto em direção ao celular que tinha sido deixado conectado ao carregador, próximo à bolsa.
- Merda. – reclamou ao checar uma notificação.
- O que aconteceu?
- Adiantaram a pauta, não vou chegar a tempo. – bufou. – Inferno.
- E agora?
- vai no meu lugar, mas não estou com raiva por perder o julgamento e sim porque mudaram o horário e não avisaram com antecedência. Eu teria ido embora ontem a noite se soubesse. – falou frustrada.
- Sinto muito, ma belle. Quer mudar o horário da passagem e ir mais tarde? Pelo menos pra tomarmos café juntos?
- Não posso. – suspirou frustrada. – Ainda dou aula hoje e preciso me preparar para o julgamento de amanhã.
- Certo, certo. – falou dando um suspiro sentido e ficou de pé. – Você vai pegar avião assim?
- Não posso me atrasar mais, mon amour. Então já vou direto e, em todo caso, o voo é rapidinho.
- Eu te vejo antes do Natal?
- Vou passar o Natal com meus pais, venho depois e passo o ano novo com você.
- Ainda bem que terei meu beijo de ano novo. – falou sorrindo e se aproximou de . – Você de salto fica muito grande.
- Essa é a intenção, tampinha. – caçoou e rolou os olhos.
- Tão linda e tão implicante...
- Você acha que eu não sei o que você está fazendo, não é mesmo ?
- O que eu estou fazendo ?
- Você está me enrolado pra que eu perca meu voo e fique aqui.
- E está dando certo? – perguntou quase esperançoso.
- Não, porque eu já estou indo.
- Você tem que tomar café, ! – protestou quando se soltou de seu abraço e tirou o celular do carregador, jogando os dois dentro da bolsa aberta.
- A viagem é rápida, não se preocupe. – respondeu fechando a bolsa e pegou a pasta que estava sobre a poltrona. – E preciso de um favor.
- Pode falar.
- Você poderia, por favorzinho, dar um jeitinho de lavar essas roupas? Separadas das suas, claro.
- Seu pedido é uma ordem, mademoiselle. Quer que deixe prontas pra você levar pra Lille?
- Elas podem ficar também. – deu de ombros. – Só eu que não posso ficar agora, já estou mais do que atrasada.
- Avisa quando chegar, por favor. – pediu e assentiu, voltando a se aproximar e tirou os sapatos antes de passar os braços ao redor do pescoço dele e dar um sorriso.
- Prefiro quando estamos da mesma altura.
- Eu também. – deu um sorriso arteiro antes de juntar os lábios aos dela no tradicional beijo de despedida quando ela precisava ir embora e ele ficava naquela casa enorme sentindo sua falta.
- Nos vemos em alguns dias. – falou separando os lábios dos de , antes que ficasse irresistível demais e ela acabasse cdo ao pedido e ficasse mais um dia ali.
- On est fait l’un pour l’autre. – falou observando se afastar para resgatar a bolsa e a pasta.
- A toi pour toujours. respondeu, mandando um beijo de longe e saindo.

voltou a deitar em sua cama e encarou o teto. Sozinho. De novo. Aquela casa parecia vazia demais sem , ainda que ela não estivesse ali todos os dias e só tivesse passado a frequentar aquela casa há três meses e, mesmo assim, com poucas idas. Ainda que ele morasse ali há seis anos. já tinha roupas por ali, deixava seu perfume nas roupas dele, nos lençóis, nas almofadas do sofá...
Havia perfumes, cremes e maquiagem de em seu banheiro, tudo naquela casa, agora, indicava que uma mulher fazia parte da vida dele. Havia... felicidade. Era possível perceber isso nos móveis que não foram mudados de lugar, nas paredes que permaneciam da mesma cor de sempre, na decoração simples que ele tinha escolhido logo que chegara em Londres há seis anos.
Até mesmo seu cachorro estava sob o efeito de . Ele a adora! Fica tão ou mais ansioso que quando está para chegar, quando ela chega o cachorro só tem olhos e carinhos para ela e quando é hora da francesa partir, fica tão desolado quanto o dono, como se nunca tivesse vivido tanto tempo antes do regresso de .
Ouvindo o estômago roncar alto, se obrigou a sair da cama, teria que se virar para fazer o café da manhã (se é que o tomaria em casa), porque sempre que estava na cidade ele dava folga à empregada para terem mais momentos à sós e agora estava sozinho, sem namorada e sem café da manhã. Após uma passada no banheiro, seguiu até a cozinha e encontrou o cachorro deitado num canto, com o olhar desolado de quem já estava sentindo falta de .

- Eu te entendo, companheiro. Eu te entendo. – brincou. – Preciso comer, não sei fazer nada, então vou te dar a sua ração e ir comer no Chelsea.

🇫🇷 💙 🇧🇪


- Você está com uma cara péssima. – Cesar Azpilicueta falou quando se aproximou.
- foi embora ontem.
- Ela ficou pouco dessa vez.
- Tinha que trabalhar e precisou ir embora. E não volta antes do Natal.
- São só quinze dias, se você ficou dez anos, consegue aguentar quinze dias.
- Quem dera se fosse fácil assim. – suspirou. – Infelizmente é bem mais difícil agora, principalmente porque já ficamos separados por dez anos.
- Você já propôs que ela venha pra cá de vez?
- Já, mas ela gosta de trabalhar e se vier pra cá as coisas não serão assim, então eu não vou insistir, é egoísta demais querer que ela largue a vida dela e venha pra cá ser minha namorada e nada além disso. Estamos fazendo dar certo, só é ruim sentir tanta falta de estar junto dela com mais frequência.
- Você apaixonado é uma das coisas mais engraçadas do mundo. – Azpilicueta caçoou.
- Cala a boca.
- Vocês vão resolver isso, eu sei que vão.
- Tomara que com o tempo as despedidas fiquem mais fáceis.
- Não ficam, mon frère. Não ficam. – Azpilicueta abraçou o amigo pelos ombros.
- Nesse momento eu precisava de uma mentira que me confortasse e me desse um pouco de esperança e não da verdade dolorosa. – deu uma risadinha e abraçou o espanhol pelos ombros também.
- Adri e eu queremos que vocês jantem conosco. Ela adorou a .
- Antes fosse só ela.
- Sei que o papo está ótimo, mas vocês dois poderiam parar de apenas falar e ir treinar enquanto falam? – Gianfranco Zola, auxiliar técnico, apareceu e se enfiou no abraço dos dois, os abraçando pela cintura.
Seu tom era amistoso e ele sorria.
- Sim senhor. – Azpilicueta respondeu sorrindo. – O belga apaixonado precisa de um incentivo a mais, caprichem no trabalho dele hoje.
- Filho da p... – começou a dizer, mas os outros dois saíram andando e rindo e o deixaram para trás.

🇫🇷 💙 🇧🇪


- Tá tudo bem aí, ? – ouviu a fala em francês e ergueu os olhos, encontrando Olivier Giroud parado à sua frente.
- Tudo bem, cara. Só estou esperando minha namorada responder minha mensagem, aí posso ir embora tranquilo, já que não vou mexer no celular até chegar em casa e o trânsito vai me fazer demorar, eu tenho certeza.
- É aquela da carta? – Giroud perguntou e assentiu. – Dez anos e as coisas continuam iguais?
- Melhores, eu diria. – sorriu.
- É o charme francês, somos inesquecíveis. – Giroud brincou, fazendo rir.
- Você eu não sei, mas a realmente é inesquecível.
- Estamos no mesmo time há pouco tempo, mas ela te fez ficar mais... feliz. Vejo você sorrir mais, falar mais... – Giroud falou e deu um sorriso sem graça. Não tinha como discordar, afinal, era verdade. – Retrouvailles. – concluiu dando um sorriso e sorriu mais abertamente, voltando a assentir.
Era a maior de todas as verdades do mundo e ele não poderia contestar nem se quisesse.

-
“On est fait l’un pour l’autre” (Somos feitos um para o outro) e “A toi pour toujours” (Seu para sempre) são expressões usadas por casais e elas se completam, normalmente quando um fala a primeira, o outro fala a segunda e vice-versa.


Deux

- Que cara é essa, ? – perguntou observando a amiga que escrevia freneticamente no computador de sua sala e tinha uma expressão emburrada.
- A cara de uma pessoa cansada, nervosa e que está quase largando tudo e indo pra Londres. – respondeu sem desviar os olhos da tela do computador.
- E o Elfinho está em Londres?
- Brighton. Vai jogar lá amanhã.
- Então não adianta nada você ir pra Londres se ele não está lá. E por que você está brava e nervosa? – perguntou, sentando-se à frente de e a olhou. demorou a desviar os olhos da tela do computador, mas quando o fez, encontrou o olhar de .
- Brava com aquele juiz estúpido, que em pleno ano de dois mil e dezoito foi um babaca machista comigo. Nervosa, porque meu cliente perdeu, já que aquele imbecil togado decide as coisas ao bel prazer e não conforme a lei! Eu quis gritar todos os palavrões possíveis na cara dele, mas tive que me controlar e sair de lá o mais rápido que podia antes que eu acabasse presa por desacato. Agora estou redigindo o recurso, em plena noite de sexta-feira, porque quando publicarem a decisão, o recurso já está pronto e eu vou acabar com aqueles idiotas.
- Eu gosto quando você fica nervosa e canaliza seu ódio em derrotar seus adversários na justiça. – falou dando um sorriso. – Semana que vem você para de ter audiências no dia vinte. Vai pra Londres?
- Eu vou passar o Natal com meus pais, viajo pra lá depois que ele voltar de Watford, depois do jogo no dia vinte e seis.
- Eles vão jogar logo depois do Natal? Esses ingleses não têm coração? – perguntou quase revoltada.
- E jogam no dia trinta e um, dia primeiro e dia dois também. – respondeu dando uma risadinha.
- Ai que horror!
- Mas lá o inverno é bem menos intenso que aqui, não neva tanto e eles estão acostumados a sentir frio sempre e a chuva, então podem jogar tranquilamente.
- Os ingleses não possuem coração. – falou descrente.
- Ainda bem que é belga.
- Inclusive – falou, remexendo na própria bolsa e tirou um pequeno saco plástico de lá. – isso aqui vai te ajudar a relaxar um pouco.
- , você está me oferecendo maconha? – a olhou quase descrente.
- Não faça essa cara, eu sei que você está bem mais agradecida do que chocada.
- Eu nunca disse que não estava agradecida, apenas me espanta que você me ofereça isso em horário de trabalho.
- Teoricamente, o expediente acabou há meia hora, , então nós não estamos em horário de trabalho. – deu de ombros. – E pega isso logo, vai pra sua casa, deita no sofá, aproveita e relaxa. Você está precisando.
- Estou. Essa semana foi estressante.
- Primeiro você liga pro Elfinho, depois você acende isso e vá curtir uma onda em paz, com tranquilidade.
- Você podia ter me oferecido uma garrafa de vinho, sabia? – falou rindo, mas pegou o saquinho plástico e colocou na bolsa.
- Eu sei, mas não teria tanta graça. Agora vamos embora, temos um fim de semana pela frente e se eu ficar sabendo que você trabalhou ao invés de ficar à toa em casa, nunca mais você ganha um presente desses.
- Você é muito boa pra mim. – deu um sorriso debochado, desligou o computador e ficou de pé. – Agora nós vamos embora. Quer carona?
- Não, obrigada. Vou pra casa da Lisa.
- Eu espero que vocês se casem logo, pare de enrolar a coitada.
- É ela quem está me enrolando, você sabe. – deu de ombros. – Eu até te convidaria a ir por pura educação, mas sei que você vai aceitar e eu não quero visitas atrapalhando meus planos para a noite.
- E nem eu quero atrapalhar nada. Vou pra casa, tomar um banho, ligar pro meu namorado e começar meu fim de semana solitário ao lado do meu gato.
- Isso não me comove, . Você passou dez anos fazendo isso, com exceção dos namorados que teve e essas coisas, mas já viveu vários fins de semana assim e está viva, então não me sinto comovida. – implicou.
- Então vamos embora. – respondeu e as duas saíram do escritório.

Despediram-se à porta do prédio e cada uma seguiu em uma direção. dirigiu em total silêncio, sem se importar em colocar uma música para tocar. Só queria chegar em casa e descansar da semana horrível, pesada e desgastante que tivera. Audiências atrás de audiências, brigas com juiz e com os advogados das outras partes, preparar e ministrar aulas... mal tinha conseguido falar com e nem mesmo tinha visto os pais. Ela realmente precisava relaxar.
entrou em casa e olhou para o relógio: sete e quinze da noite. Em Brighton seriam seis e quinze, provavelmente estaria tomando banho ou em algum quarto conversando com alguém do time, provavelmente Cesar. Sirius miou manhoso, querendo atenção e recebeu um afago da dona, que o pegou no colo e seguiu até o quarto. Precisava de um banho para iniciar o fim de semana acompanhada unicamente de seu gato.
Antes que pudesse ir ao banheiro, olhou para o celular que estava na outra mão. Nenhuma mensagem durante o dia inteiro. Aquilo era estranho. sempre mandava mensagens quando viajava e quando chegava aos locais em que jogaria. Ele mandava mensagens durante o dia de qualquer forma.
Seria imprudente voar para Londres e seguir até Brighton? Poderia ver o jogo e voltar na segunda-feira pra casa, afinal. Não tinha audiências na parte da manhã, podia viajar sem problemas. Ao abrir o site do aeroporto, não havia voos diretos de Lille para Londres naquele dia, mas podia ir de trem e de lá seguir para Brighton, também de trem. Seria rápido, valia a pena.
saiu do navegador e procurou por um telefone na agenda do celular, torcendo para não ser ignorada. E quase gritou em agradecimento quando a voz rabugenta de soou do outro lado da linha.

- Espero que você esteja morrendo e esse seja o motivo dessa ligação, .
- Quase isso. – respondeu bem-humorada. – Desculpa interromper, mas preciso que você dê comida pro Sirius esse fim de semana.
- Aconteceu alguma coisa? – o tom de ficou preocupado.
- Não, mas vai. Eu preciso que você cuide do meu gato e, em caso de algum problema, vá no meu lugar na audiência na segunda-feira a tarde, é só instrução. A chave vai ficar no lugar de sempre. Agora eu vou desligar, pegar algumas roupas e ir ver meu namorado.

🇫🇷 💙 🇧🇪


Assim que entrou no vestiário após o jogo, pegou o celular por puro costume, estava sem sinal desde o dia anterior, mas se surpreendeu por ter recebido várias mensagens, mostrando que o sinal da operadora tinha finalmente voltado a funcionar. Tinha passado toda a viagem e a noite anterior apenas com seus fones de ouvido e música, sem falar com a namorada ou com os pais e irmãos.
Algumas das mensagens recebidas eram de , fazendo com que ele logo abrisse o aplicativo. Ela tinha enviado duas selfies usando a camisa do Chelsea que tinha comprado e ostentava o nome e número de N’Golo Kanté nas costas e escreveu que estava na torcida pelo namorado e pelo time. A outra foto era dela em um estádio. No Falmer Stadium.

: Você está MESMO em Brighton?
: Sim, senhor!
Peguei um trem ontem, dormi em Londres e vim cedo pra cá, fiz até alguns amiguinhos na torcida
Eles são bem legais.
: E onde você está?
: Eu não faço a menor ideia, mas ainda estou na área do estádio
Preciso ir pegar o trem daqui vinte minutos
: Então nos vemos em casa?
: Claro! Eu não viajaria mais de 360 quilômetros apenas pra te ver ser o cara do jogo e sem poder te abraçar, te beijar...
: Guarde as comemorações pra daqui a pouco
: Quem chegar primeiro abre o vinho!
: Eu levo o gelo! 🤒
: Idiota 😂

🇫🇷 💙 🇧🇪


- Você sentiu minha falta muito rápido dessa vez. – implicou e ganhou um beliscão na barriga. – Ai!
- Isso é pra você aprender a ficar me provocando, seu gostoso. – respondeu dando uma risadinha e a apertou em seu abraço.
- Ainda bem que você sentiu minha falta muito rápido dessa vez e veio, porque eu estive prestes a parar em Lille essa semana. – confessou.
- Sarri teria mandado me matar da forma mais cruel e dolorosa possível, no maior estilo da Máfia.
- Ele é italiano, mas não significa que seja mafioso, . – falou rindo.
- Ele me lembra o Don Corleone. – respondeu rindo, fazendo gargalhar ao ouvir aquela comparação. – Mas mesmo não sendo mafioso, ele mandaria me matar.
- E me deixaria vivo?
- Claro, você é o jogador, a estrela. Eu tenho zero utilidade pro time, ele poderia me matar e nada mudaria na vida do Chelsea. – deu de ombros, se aconchegando mais aos braços de .
- Eu ficaria de luto, pararia de jogar futebol e morreria de tristeza, então o time teria problemas com a sua morte sim. – falou dando uma risada.
- Você já parou pra pensar em como teria sido se, sei lá, eu tivesse seguido minha vida, casado e tido filhos com outra pessoa? – ergueu o olhar para olhar diretamente nos olhos de .
- Eu pensava nisso todos os dias. E todas as vezes em que eu pensava, doía muito mais do que quando eu terminei com você. A dor aumentava a cada vez que eu cogitava essa possibilidade, era horrível. Se eu só tinha direito a um pedido na vida, eu o gastei quando pedi que você ainda me quisesse do mesmo jeito que antes, que ainda me amasse.
- Se eu só tinha direito a um pedido na vida, eu o gastei quando pedi que você fosse feliz e que tudo na sua vida desse certo. – deu um sorriso sem mostrar os dentes e a abraçou mais apertado. – Ainda que fosse me doer como o inferno ter que te ver feliz com outra.
- Então nossos pedidos coincidiram. – falou sorrindo.
- Quer dizer que nós bebemos vinho e ficamos emotivos? Não me parece uma boa ideia continuar com isso. – brincou, fazendo uma careta e rolou os olhos.
- Sempre uma cortadora de clima.
- E você é apaixonado por mim do mesmo jeito. – falou convencida e negou com um aceno de cabeça. – Ah não?
- Eu já fui apaixonado, mas tem tanto tempo que eu te amo que já nem lembro mais da época em que era apenas paixão. – respondeu num tom banal e sorriu ao ouvir.
- , se você não fosse real eu teria que mandar te inventar.
- Imagina que péssimo um mundo sem mim?! – falou em tom ultrajado e deu um sorriso convencido. – Não sei como vocês conseguiriam sobreviver.
- Ah eu tenho certeza de que sobreviveríamos, mas viver seria bem difícil.
- Quando a gente se casar, e eu estou fazendo esse tipo de planos, porque eu pretendo me casar com você, vamos continuar morando em dois países?
- Primeiro você tem que saber se eu quero me casar com você. – implicou.
- Claro que quer. Olha como eu sou lindo, todo mundo quer casar comigo.
- Minha mãe sempre me disse que eu não sou todo mundo, então...
- Você é péssima. – riu. – Mas, infelizmente para o mundo, eu te amo demais pra casar com outra pessoa que não seja você.
- Você é muito convencido.
- Eu sou realista, é diferente. – sorriu. – Você fica pro Natal?
- Não. Vou ficar com meus pais.
- Meus pais vêm pra cá, o Thorgan, o Kylian e o Ethan também, chama seus pais. É a nossa chance de fazer uma reunião familiar.
- Vou sugerir, mas, de qualquer forma, eu preciso voltar pra França. Tenho uma audiência muito importante na quarta-feira e não posso ser substituída nessa.
- Eu posso sobreviver, mas só se você voltar e ficar aqui até o meu aniversário.
- Você não possui limites. – riu.
- Eu poderia discordar, mas não engano ninguém fingindo que tenho limites. – deu de ombros e se sentou na cama. – Por que você está se levantando?
- Porque preciso fazer xixi. Bebemos vinho e como você sabe, o álcool entra e...
- Na volta você traz mais vinho.
- Liga a televisão, vamos assistir alguma coisa.
- Eu sei muito bem como isso termina, mocinha. – brincou, estreitando os olhos e dando um sorriso cheio de segundas intenções.
- Ainda bem, porque eu vim de muito longe pra isso não acontecer. Você tem dez anos atrasados pra compensar. – respondeu quase desafiadora e mordeu o próprio lábio, piscando em seguida.
- Pode cobrar, eu pago minhas dívidas.
- Assim espero. – sorriu, levantando-se e seguiu até o banheiro.

🇫🇷 💙 🇧🇪


- Azpi nos chamou pra jantar lá. – falou preguiçoso.
estava deitada conferindo mensagens no celular e tinha a cabeça apoiada na bunda dele.
- Hoje?
- Ele não falou uma data, só disse que nós estávamos convidados a jantar com eles. Acho que ele quis dizer que quando você quiser, eu aviso e a gente vai.
- Eu volto pra cá na sexta-feira, dia vinte e um, se você quiser marcar pro sábado...
- Vou falar com ele.
- Adorei Adri e as crianças. Eles são uma família linda.
- São mesmo.
- Se você não fizer filhos bonitinhos que nem os dele, nós teremos muitos problemas, . – falou, se virando para olhar , que sorriu arteiro.
- Só dá pra saber se a gente começar a fazer. – ele piscou. – E isso só vai acontecer se você largar o celular e tirar sua cabeça de cima da minha bunda.
- Eu não tenho culpa se você tem uma bunda enorme e que serve como um bom travesseiro.
- Sério, você vai embora amanhã, então vem pra cá pra eu te beijar muito.
- Se você souber ser convincente, eu posso ficar até terça-feira. – piscou.
- Ah, eu sei ser bem convincente. Você sabe disso.
- E se prometer que quando eu voltar o Kanté terá assinado minha camisa, eu posso pensar em ficar aqui até o seu aniversário. – abandonou o celular e engatinhou até se deitar de frente para .
- Se for pra você ficar, eu peço N’Golo pra assinar todas as paredes dessa casa e peço pra ele vir morar aqui também.
- Por enquanto, se ele assinar a camisa já é suficiente. – respondeu e deu um selinho em .


Trois


“Exibida”, dizia a mensagem que tinha enviado à , respondendo a foto que a amiga tinha lhe mandado: estava ao lado de N’Golo Kanté e com a camisa devidamente autografada.
tinha retornado a Londres logo após a audiência e estava a caminho da casa de depois da derrota do Chelsea para o Leicester no Stamford Bridge.
A primeira derrota em casa naquela temporada.
Ela sabia que estaria frustrado, tinha jogado muito bem, o time até tinha se esforçado, mas sem a efetividade necessária para vencer o jogo e acabou derrotado por um time que não vencia há algum tempo no campeonato e entrou mais motivado em campo. A derrota afastava mais um pouco o Chelsea dos primeiros colocados e sabia como estaria por causa daquilo.
Ele voltaria de carona com a família de Azpilicueta, conforme o combinado, então os dois apenas se encontrariam em casa, o que lhe dava tempo de tentar recordar como lidar com um frustrado após uma derrota.

Lille, 16 de Agosto de 2008

- Você vai ficar aí, emburrado, ao invés de vir deitar no sofá com sua namorada e assistir um filme bem legal? – perguntou e soltou um grunhido frustrado.
- Vou.
- Ah, mon amour, esquece isso. Perder faz parte. – falou, levantando-se do sofá e foi até que estava sentado no chão, longe dela.
- É a segunda rodada e não conseguimos ganhar nenhum jogo! Empatamos com o Nancy e perdemos pro Rennes! E eu nem mesmo entrei em campo, mesmo sabendo que eu podia entrar e ajudar o time!
- , eu como torcedora do Lille fico agradecida que você fique frustrado com os resultados ruins e que queira mostrar seu melhor, mas não há nada que você possa fazer pra mudar o que aconteceu, apenas continue trabalhando forte e você vai conseguir se firmar como titular e se tornará um grande ídolo com um nome amado e respeitado aqui.
- Não é tão fácil assim. – suspirou, aninhando-se ao abraço da namorada, que lhe deu um beijo no rosto. – Eu fico me sentindo um inútil quando isso acontece. Eu tenho potencial e sei disso, mas ficar no banco vendo o time ser atropelado dentro de casa é ridículo!
- É ridículo, realmente, mas passou. Agora é concentrar nos próximos jogos e ter atuações de gala nos treinamentos pra convencer o Rudi de que você merece uma chance no time titular.
- Você tem razão, mas eu estou puto. – falou num tom quase mimado e o apertou em seu abraço.
- Então fique puto ali, no sofá, vendo filme comigo. Faz tempo que não somos apenas nós dois e eu estou sentindo falta disso. – deu um sorriso e sorriu de volta.
Que diabo aquela garota tinha que era capaz de mudar suas emoções tão fácil e sem esforço algum?
- Você sabe como cuidar do seu namorado e fazer com que ele mude de humor.
- Isso porque eu nem mencionei que fiz bolo de chocolate pra você. – piscou.
- Você é o amor da minha vida, .

Flashback OFF

Quando estacionou o carro à porta da casa, ainda não tinha sinais da chegada de , mas sabia que provavelmente ele demoraria, já que poderia ter sido sorteado para o doping e talvez concedesse uma entrevista para algum canal de TV ou até mesmo para a Chelsea TV. Ele podia, até mesmo, ir à casa dos Azpilicueta e ficar lá por um tempo antes de ir pra casa.
Até o cachorro parecia desanimado naquele dia, nem a chegada de o fez se empolgar, tinha continuado deitado e a observava se mover pela cozinha, procurando o necessário para fazer um bolo. Sabia que gostava e, naquele momento, mimá-lo parecia uma boa ideia, ele tinha feito uma excelente partida e merecia.

- Se você ficar me olhando com essa cara triste, vou começar a achar que arrumou uma nova namorada e você gosta mais dela do que de mim, Eliot. – falou para o cachorro, que permanecia deitado enquanto ela passava massa do bolo da travessa para a forma em que colocaria no forno. – Vou colocar uma música legal pra gente cantar e dançar enquanto esse bolo assa, quero sua animação, preciso de companhia pra melhorar o humor de .

Eliot continuou quieto e a observou colocar a forma no forno, ir até a sala, colocar “Sur Ma Route”, do rapper Black M, para tocar alto. O cachorro, um pequeno poodle branco, a olhou curioso, quando ela retornou à cozinha e lhe direcionou um sorriso.

- Sur ma route, oui, il y a eu du move, oui, de l'aventure dans l'movie. Une vie de roots. Sur ma route, oui! Je n'compte plus les soucis de quoi devenir fou, oui! Une vie de roots. cantou junto com a voz do rapper francês e isso fez com que o cachorro se animasse um pouco. – Então você gosta quando eu canto em francês?

estava demorando, ela percebeu, mas podiam estar presos no trânsito ou ter ficado na casa de Cesar por um tempo antes de ir para casa, o que deu a o tempo de cantar algumas músicas e dançar acompanhada de Eliot, que parecia ter se libertado de toda a preguiça e agora pulava e latia animado ao redor de . Ela ainda teve tempo de tirar o bolo do forno e desenformá-lo.
Quando a porta se abriu, anunciando que finalmente estava em casa, estava cantando animadíssima ao som de OMG, de Camila Cabello. Ela não o viu parado a observando cantar animada, dançando pela cozinha enquanto Eliot pulava e latia ao seu redor.

- I got that la la la like, pull up, pull up, pull up straight from Tokyo. You cannot believe it when we come through. Woo, my God, you look good today. Woo, my God, you look good today... – ela cantou, rebolando e deu um sorriso ao ver a cena.

Dez anos passaram, mas continuava a mesma coisa em sua essência. Era a mesma garota que tinha deixado para trás, em Lille, quando terminaram o namoro há dez anos, só estava mais velha, formada, trabalhando com o que ama e um pouco mais alta.
Eliot viu primeiro e latiu animado para o dono, atraindo a atenção de , que parou de dançar e o olhou por alguns segundos, sem sentir vergonha por estar dançando animadíssima na cozinha junto com o cachorro e depois do time do namorado ter perdido em casa pela primeira vez na temporada.

- Podem continuar, eu estava adorando. – deu um sorrisinho de lado e piscou para ele.
- Prefiro que o único som agora seja o da sua voz. – respondeu, indo até a sala para desligar a música, voltando logo em seguida. – Fiz bolo.
- Imaginei que faria, e foi por isso que eu recusei a proposta de ficar na casa do Cesar para comer. – sorriu, abraçando pela cintura.
- Não vou fazer um discurso clichê, pode ficar puto com a derrota, porque eu também fiquei. E muito.
- Gosto da forma como você pensa. – riu, dando um beijo em seu rosto e sorriu.
- Vamos comer bolo e aproveitar as últimas horas sozinhos antes da minha atenção se voltar para Elayna, a coisinha mais linda da família .
- Ei! A coisinha mais linda da família sou eu. – resmungou, fazendo dar um sorriso.
- Seria seu sonho, . – provocou, soltando-se do abraço do namorado para ir até a mesa, onde o belo bolo os esperava.
- Você sabe que a coisinha mais linda da família sou eu.
- Eu prefiro o Ethan.
- Mentirosa.
- Amanhã preciso buscar meus pais no aeroporto bem cedo e minha mãe quer conhecer a cidade. – falou quase derrotada.
- Eu te contei que o Cesc vai embora?
- Sério? – perguntou chateada. – Eu gostei bastante dos filhinhos lindos e a esposa dele, além de linda, é muito legal. E ficou de me apresentar o Messi.
- Quem precisa de Messi quando se tem em carne e osso dormindo na mesma cama, hein? – perguntou presunçoso.
- , cala a boca. – disse rindo. – E pra onde ele vai?
- França.
- A França é um país relativamente grande, sabe? Seja específico.
- Mônaco.
- Ah, pra longe. – murchou. – Que pena. Realmente gostei deles.
- É, ele é um cara fantástico, a família dele também.
- O cara que te deu mais assistências pra gol em toda sua carreira, certo?
- Certíssimo. – confirmou, partindo uma fatia de bolo e enfiando um pedaço grande na boca. – ‘fá ‘felifiofo.
- Eu sei, eu que fiz.
- Você é o amor da minha vida, . – falou, dando um sorriso cheio de bolo nos dentes, fazendo rir.
- Eu sei. – repetiu, sorrindo. – Agora, você come e nós vamos passar nossas últimas horinhas juntos assistindo a um bom filme.
- Espero que você esteja dizendo que vamos transar muito. – falou, dando uma garfada no bolo e fazendo gargalhar.
- É isso mesmo que eu quis dizer.

🇫🇷 💙 🇧🇪


- Você veio pra ficar? – Adriana perguntou para , enquanto Adriana trocava a fralda do novo herdeiro da família.
- Só até dia oito. – respondeu, franzindo o nariz numa careta.
- Ainda não resolveu vir mesmo?
- Ah, eu gosto muito do meu trabalho e não consigo vir pra cá pra trabalhar com o que faço. – respondeu um pouco chateada. – Mas é horrível, porque passo muitos dias longe e poucos dias perto. Eu tive que fazer um malabarismo enorme pra conseguir ficar aqui todos esses dias e, pelo visto, não devo aparecer aqui até fevereiro.
- Tudo isso? – Adriana perguntou surpresa.
- Infelizmente. – suspirou e pegou o bebê no colo. – Queria que fosse mais fácil, mas não tem como fazer isso. Não pra continuar trabalhando com o que gosto.
- E é sem chance que ele vá pra França...
- Provavelmente ele vá pra Madri, mas é bem mais distante que Londres. – falou num lamento. – Queria que ele ficasse aqui, gosto mais do Chelsea.
- Acho que todos querem. – Adriana deu uma risadinha e as duas saíram do quarto, voltando para a sala.
- Já treinando, ? – Cesar perguntou, dando um sorriso brincalhão para a mulher, que vinha pelo corredor com seu filho no colo.
- Ela até me avisou esses dias que se eu não fizer filhos bonitos feito os seus, eu terei problemas. – falou, fingindo-se de ofendido, e sentou-se ao seu lado.
- Não menti. – ela deu de ombros. – São todos muito bonitos e se não for assim, melhor nem fazer.
- E você veio pra ficar em definitivo, ?
- Quem dera. Volto pro trabalho quando o recesso forense acabar. Não sei quando volto, não deve ser antes de fevereiro.
- Vai matar o belga do coração. – Cesar falou, recebendo um praguejar em francês do amigo.
- Não fale assim com seu capitão, . – implicou, fazendo rolar os olhos e estender os braços para pegar o bebê, que o olhou, mas não aceitou o colo, virando-se para o pai e estendendo os bracinhos. – Pronto, você fez a criança me trocar pelo pai.
- Vamos fazer alguns nossos. – ele respondeu, abraçando-a pelos ombros.
- Adri, você poderia ir me visitar... – sugeriu, recebendo um aceno animado da mulher. – Quando eles viajarem, pegue as crianças e vamos aproveitar.
- Lille é tão bonita quanto Marseille?
- É sim, mas não tem aquele clima mediterrâneo gostoso. Porém é uma cidade linda, acho que você e as crianças vão gostar.
- Nós estamos aqui, caso tenham esquecido. – César falou, fazendo Adriana e rirem.
- Pois estão sendo excluídos do nosso encontro. – Adriana respondeu, abanando a mão em descaso.
- Teremos folga delas, mon frère. – deu uma risadinha. – Mas, agora, precisamos ir. Minha casa está cheia de gente e eu larguei todo mundo lá pra vir aqui.
- São seus pais, , tenha dó. – Cesar falou, rolando os olhos.
- E meus irmãos.
- E a coisinha mais linda da família. A Elayna. – falou rapidamente, antes que pudesse fazer piadinha sobre. – E não precisamos voltar agora pra casa, deixa de ser chato.
- Tudo bem, você fica e eu vou. – deu de ombros. – Meu pai queria conversar comigo e como eu posso até não ser a coisinha mais linda da família , ainda sou a coisinha mais importante.
- Coitado, tão iludido... – implicou, recebendo um selinho de . – Vou embora daqui a pouco, preciso buscar meus pais cedo e quero ir apertar a Elayna mais um pouco.
- Estou com ciúmes.
- Problema seu. – deu de ombros, fazendo os amigos rirem.
Recebeu um outro selinho antes de ir embora pelo curto caminho que separava as duas casas.

🇫🇷 💙 🇧🇪


- Nossa, que casa grande! – Jay falou quando estacionou o carro em frente à casa de .
- Mãe, por favor, não fique comentando sobre isso.
- Eu não vou. – Jay respondeu entediada. – Os pais dele já chegaram?
- Chegaram ontem à noite. – assentiu. – Pai, o senhor fala?
- É um belo lugar para morar. – Tom falou, observando a vizinhança.
- É. Aqui é realmente lindo. – concordou. – Londres é uma cidade muito bonita.
- Já está pensando em trocar Lille por Londres? – Jay perguntou quase provocativa.
- Talvez. – respondeu em um tom casual, dando de ombros. – Agora, vamos entrar, porque eu já me cansei de ficar na chuva.
- Aqui sempre chove assim?
- Em alguns sim, em outros não. – voltou a dar de ombros, tirando a chave do bolso e abrindo a porta da casa.

A sala estava ocupada por Eliot, Elayna, Thorgan e Thierry estavam ali. Provavelmente , Ethan e Kylian estivessem jogando videogame no andar de cima, se é que não tinham ido para a casa de Cesar, eram todos muito amigos e quando estavam na cidade, sempre acabavam juntos para conversar e jogar videogame. Carine e Marie, sabia, estavam na cozinha terminando de aprontar as coisas para a ceia.
levou as malas dos pais para um dos quartos de hóspedes e os deixou na sala conversando com a família de , estavam entretidos em colocar a conversa em dia e se atualizarem sobre as novidades uns dos outros depois de tanto tempo.

- Onde estão os três bebês da família? – perguntou quando entrou na cozinha.
- Estão na casa do Azpilicueta, claro. – Carine respondeu em tom óbvio. – Resolveram fazer um campeonato de videogame hoje, porque amanhã de tarde eles vão treinar e de manhã embarcam pra Watford.
- Vocês vão ao jogo? – perguntou, indo até a bancada e recomeçando seu trabalho na ceia que ajudava a preparar.
- Eu volto pra casa amanhã no fim do dia com Thorgan e Elayna. – Marie respondeu.
- Thierry e eu não vamos, mas ficamos aqui até o dia 28 com Ethan. Você vai?
- Não. Vou ficar por aqui, levar meus pais para conhecerem a cidade e essas coisas. E, claro, vocês estão mais do que convidados. – respondeu, cortando uma cenoura em rodelas grossas. – Eles ficam aqui até o dia vinte e oito também. Eu fico até o aniversário do e depois volto pra casa.
- Você não sente vontade de ficar permanentemente? – Marie perguntou, desviando o olhar do pato que começaria a rechear em instantes.
- Sinto. – suspirou. – Mas tenho meu trabalho por lá e realmente gosto do que faço e largar tudo... é difícil.
- Imagino. – Marie respondeu. – Quem ficou responsável pela sobremesa?
- Eu. – respondeu. – Já está pronta, na geladeira. E eu preciso dizer que na França a gente não costuma comemorar nada na véspera de Natal, então pra mim isso é uma novidade muito boa.
- O que vocês estão fazendo? – Jay apareceu na cozinha.
- A ceia de Natal. – sorriu.
- Posso ajudar em alguma coisa? Eles estão falando de esportes e eu odeio esportes. – Jay fez uma careta, recebendo algumas risadas e um convite mudo para que se juntasse ao grupo.
- Então, eu fiz a sobremesa. La bûche de Noël. Espero que vocês gostem, porque eu achei que ficou realmente gostoso.
- Confio em você. – Carine respondeu. – Pois bem, o pato está sendo recheado e será assado em instantes, fizemos alguns petiscos, a sobremesa está pronta e temos vinho e suco...
- Então podemos descansar. – Marie respondeu, enquanto terminava seu trabalho. – Bom, eu posso descansar daqui a pouco.

Antes que pudesse falar alguma coisa, viu a tela do celular acender com a mensagem recebida e leu pela notificação a mensagem de , dizendo que chegariam em casa em alguns instantes e poderiam se arrumar para a ceia de Natal, receberiam a família Azpilicueta para o momento e sorriu.
Um pouco depois a casa estava mais barulhenta com a chegada dos três irmãos , que falavam sem parar e riam de alguma piada interna. Dividiram-se em seus quartos para aprontarem-se para a ceia de Natal, que não poderia acabar tarde, já que e Cesar precisavam treinar de manhã cedo no dia seguinte.
estava feliz por compartilhar, novamente, aquela data com pessoas tão especiais e a quem queria tão bem. Seus pais estavam muito bem enturmados, como sempre, e conversavam com todos sem nenhum problema, ainda que tivessem alguma dificuldade de comunicar-se com Azpilicueta que não dominava tanto assim o francês, mas arriscava uma ou outra palavra e conseguiam conversar.
Passava da uma da manhã quando a casa ficou totalmente silenciosa, cada qual em seu quarto para que pudessem dormir. Os presentes tinham sido trocados, além de muitas risadas que foram dadas, sorrisos e abraços.
Retrouvailles.
E com esse pensamento, adormeceu.

🇫🇷 💙 🇧🇪


- Nem acredito que vou passar o ano novo em Marrakesh! – falou empolgada, fazendo rir.
- Queria te levar pra Casablanca e falar “we’ll always have Paris”, mas o clima não estava tão agradável e pelo que deram na previsão do tempo, o céu ia ficar nublado agora a noite.
- Esse aqui já é um excelente local pra passarmos o nosso primeiro ano novo juntos depois de tanto tempo. – respondeu, terminando de colocar o brinco.
- Você está tão linda com esse vestido. Realça a cor dos seus olhos.
- Vocês jogam em Londres depois de amanhã?
- Sim, contra o Southampton. Você vai?
- Não nos camarotes, gosto de ir na torcida.
- Claro, claro. – deu uma risadinha antes de voltar a juntar os lábios aos de num selinho rápido.
- A vista daqui é linda. – falou, observando a Mesquita Koutoubia, pela janela da ampla suíte, além da visão privilegiada das montanhas do Atlas.
- Eu queria a suíte do último andar, mas algum exibido chegou primeiro. – respondeu em tom emburrado.
- Aqui está perfeito, mon amour. – sorriu. – Vamos descer ou vamos acabar passando a virada de ano dentro do quarto.
- Pra mim parece uma ideia bem interessante. – o sorriso cheio de segundas intenções do jogador fez com que risse.
- Sem chances, meu amor. Quero ver os fogos. Podemos vir pro quarto depois disso tranquilamente.
- Então vamos. – estendeu a mão para a namorada e os dois saíram da enorme suíte em que estavam hospedados desde a noite anterior.
Assistiriam à queima de fogos naquele dia, depois de terem ficado acordados a noite inteira para assistir ao nascer do sol, passearam um pouco pela cidade e voltaram para o hotel para descansar um pouco antes de assistirem aos fogos. Voltariam para Londres pela manhã seguinte, já que treinaria na parte da tarde.
Os dois saíram do hotel e seguiam para a Jemaa El-Fna, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Marrakesh, onde a queima de fogos aconteceria à meia noite, além da quantidade enorme de barracas de comida estariam abertas para aproveitar o grande fluxo de turistas na cidade.
- Vamos evitar as aglomerações, por favor.
- Isso vai ser difícil, ma belle, mas podemos tentar. – respondeu, já observando o intenso movimento de pessoas na rua e que pareciam se encaminhar para o mesmo local que eles.
Os dois comeram algumas coisas e faltando cerca de cinco minutos para a chegada de 2019, resolveram procurar por um lugar para assistirem aos fogos. Não seria uma das melhores vistas para o show, mas conseguiriam assistir a tudo e, numa eventual necessidade de saírem rápido do local, não teriam problema.
entrelaçou os dedos aos de e apertou levemente a mão do namorado quando a contagem regressiva começou a ser feita. Várias pessoas, diversas nacionalidades, reunidas naquele local esperando pela chegada do novo ano, que demorou poucos segundos para ser anunciado pelo show de fogos que começou.
virou-se para e a beijou, da mesma forma apaixonada de sempre, com o mesmo amor e devoção que sempre reservava para a amada e ela lhe beijou da mesma forma. Aquele beijo de meia-noite era, para os dois, a coisa mais preciosa que acontecia em anos, simbolizava a grande expectativa de um ano inteiro juntos, aproveitando cada segundo e construindo, novamente, uma vida de casal.
Mentalmente, enquanto ainda se beijavam, os dois agradeciam por terem crescido e amadurecido, por terem se permitido tentar de novo e por estarem fazendo dar certo, mesmo que em países diferentes e passando alguns bons dias sem se ver. O amor era o que os mantinha juntos, o que os manteve juntos durante todos esses anos, ainda que separados.

- Você fez um pedido de ano novo? – perguntou quando se separaram e deu um risinho antes de lhe dar um selinho.
- Meu pedido de ano novo chegou em setembro. – respondeu, dando um sorriso para a namorada.

não respondeu, apenas voltou a beijá-lo. E aquilo confirmava para o que ele já sabia: ela também tinha recebido o seu melhor pedido quando resolveram tentar de novo.



Quatre




- Precisa de carona, belga aniversariante? – Azpilicueta perguntou e soltou um resmungo, assentindo em seguida.
- me mandou mensagem falando que já foi embora e não vem mais. – resmungou num tom infantil, fazendo o capitão rir.
- tem meu respeito. – César falou rindo, destravando o carro e logo os dois estavam no veículo, afivelando os cintos.
- Dois idiotas. – reclamou.
- Ela não ia ficar até amanhã de manhã?
- Ia, mas ligou e ela precisou ir embora. – deu de ombros.
- Dessa vez ela ficou muito, não reclame.
- É, mas queria que ela ficasse mais tempo. Tipo pra sempre. – respondeu, fazendo César gargalhar e buzinar em despedida ao porteiro.
Pararam por alguns minutos para fotos com alguns torcedores que estavam na saída de Cobham e logo estavam a caminho do condomínio em que vários dos jogadores do Chelsea residem pela proximidade ao centro de treinamento.
- A única forma da ficar pra sempre é se você fizer o Direito mudar aqui na Inglaterra e o Reino Unido não sair da União Europeia.
- Se eu pudesse, faria isso. – resmungou. – Preciso de uma folga pra ir passar uns dias com ela lá em Lille, apesar de ser bem mais fácil pra ela vir pra cá.
- Haja dinheiro de passagem.
- Ela gosta muito de vir, porque consegue adiantar coisas do trabalho durante o voo e aqui podemos ficar juntos sem problemas.
- Alguém nesse namoro tem que ser inteligente. – Azpilicueta implicou, fazendo rir.
- Claro, claro. – resmungou e Azpilicueta logo estacionou o carro à porta da casa do belga. – Quer entrar, cara?
- Você tá tão carente assim que precisa que eu entre e te faça companhia?
- Vá pro inferno. – respondeu, fazendo César gargalhar.
- Tudo bem, só preciso avisar pra Adri que não vou pra casa agora, porque senão ela fica preocupada.
- Ai meu Deus, que fofo o bebê. – caçoou do amigo, enquanto o espanhol digitava uma mensagem no celular.

Os dois soltaram os cintos e seguiram pelo curto caminho até a porta. observava a fachada da casa, triste e totalmente apagada, sem nenhuma alegria de chegar após um dia de treino. Tivera dias ótimos com lhe recepcionando todos os dias com abraços e beijos, perguntando sobre seu dia e indo aos jogos em Londres.

- Quer comer alguma coisa? Acho que ainda tem do bolo que a fez ontem. – ofereceu, fechando a porta de casa após Azpilicueta entrar.
- Pode ser.
- Então vem, lá na cozinha é melhor. – falou, seguindo pelo hall de entrada com o amigo em seu encalço.
- SURPRESA! – ouviu ao acender a luz da cozinha.
Havia balões por todo o cômodo, vários amigos, seus irmãos, pais e . Todos usavam chapéu de festa com uma foto dele, o bolo tinha uma foto dele fazendo a famosa celebração de escorregar pela grama sobre os joelhos e todos usavam uma camisa com seu nome e número, do Chelsea e da Bélgica.
- Você mentiu pra mim, . – estreitou os olhos ao falar com a namorada, que gargalhou e assentiu.
não teve tempo de receber a resposta, pois foi tomado por abraços de todos os presentes, que lhe felicitavam por mais um ano de vida e desejavam o melhor de todas as coisas para ele, que sorria agradecido, mas mantinha seu olhar sobre , que sorria e parecia aguardar pelo momento em que poderia abraçá-lo de novo para lhe parabenizar pelo aniversário.
- Posso te abraçar agora? – se aproximou, quando se aproximou de .
Alguém já tinha colocado música para tocar, bebidas (refrigerante, chá e suco, claro) estavam sendo distribuídas e os convidados já interagiam entre si.
- Claro, menteur. – implicou, sendo abraçado por , que lhe deu um beijo demorado no rosto antes de voltar a falar.
- Não me chame de mentirosa, eu só não falei a verdade pra não estragar a surpresa.
- Tudo bem, tudo bem. – resmungou, aspirando o perfume dos cabelos de e lhe deu um beijo na curva da mandíbula. – Você fica até amanhã?
- Sim, mas viajo cedo de volta pra Lille.
- E quando nós nos veremos de novo?
- Acho que no fim do mês, mas não sei. Tenho que conferir minha agenda, acho que não tenho tantas audiências assim.
- Queria que fizéssemos alguma coisa no dia dos namorados. Acho que já podemos começar a combinar, o que acha? – perguntou, erguendo o olhar para olhar nos olhos de e ela sorriu.
- Com você me olhando desse jeito, eu não posso negar nada.
- Então vem morar comigo.
- Não sou um cachorro que você acha na rua e coloca pra dentro de casa, mon amour.
- Se eu te pedir em casamento, você aceita?
- Você terá que pedir pra saber. – piscou, dando uma risadinha.
- Pois bem, você quer casar comigo? – perguntou e deu um sorriso antes de juntar os lábios aos de em um selinho demorado. – Isso foi um sim?
- Isso foi um “peça direito depois, você só está emocionado”. – implicou. – Vem, vamos comer um pouquinho.
- Como você conseguiu fazer isso sem que eu suspeitasse de nada? – perguntou enquanto seguia com até a mesa em que alguns petiscos tinham sido postos.
- Meu nome é , meu amor. Eu consigo tudo o que quero. – falou sem fingir modéstia.
- Eu concordo, porque conseguiu fazer até o N’Golo vir. – maneou a cabeça na direção do companheiro de clube, que estava acompanhado de Jorginho e Giroud em uma conversa a poucos metros do casal.
- Sou ótima, mon amour. – piscou. – E, em todo caso, você é meio tapado pra essas coisas.
- Eu não sou tapado!
- Amor, seu time quase inteiro está aqui, sua família, amigos e pessoas de quem você gosta. E você nem suspeitou. Ou seja, você é tapado.
- Estou retirando meu pedido de casamento de minutos atrás, . – implicou, fazendo rir e abraçá-lo pelo pescoço.
- Você não retiraria esse pedido nem se eu te matasse, mon amour.
- É, isso é uma verdade. – estalou os lábios, dando um sorriso vencido. – Mas só porque eu te amo muito, caso contrário, estaria retirado.
- Tudo bem, tudo bem. – lhe deu um selinho e um “eca” foi ouvido.
Carlota, uma das filhas de César Azpilicueta e Adriana, estava por perto e fez uma careta para o casal.
- Isso mesmo, filha. Eca. – César apareceu, tomando a garota nos braços e a menina o abraçou pelo pescoço.
- Deixe de ser idiota. – implicou, fazendo o amigo dar um sorriso.
- Quanto mais ela demorar a achar beijos na boca interessantes, melhor pra esse velho pai preocupado.
- Seu amigo quer saber como eu fiz isso sem que ele percebesse...
- Ele é tapado, foi por isso. – César falou, fazendo soltar um palavrão em francês e a pequena Carlota o olhou sem entender.
- Peça desculpas. – falou para , que fez uma careta e franziu o nariz.
- Desculpa, ma princesse. O tio falou algo que não deveria.
- Palavrão? – perguntou, fazendo uma feição assustada quando ele confirmou com um aceno. – Papai, tio tem que ficar de castigo.
- Tem. – César deu uma risada, sendo acompanhado pelos dois adultos.
- Mas, primeiro, vamos cantar parabéns pro tio . O que acha? – perguntou, estendendo os braços para a menina, que aceitou de bom grado e pulou para o colo da mulher.
- SIM! – comemorou animada. – Tia, tem docinho?
- Tem sim. E aquele bem gostoso que a tia Lou fez pra você ontem também.
- EBA! – a menina abraçou de forma apertada e as duas saíram andando animadas, deixando os dois homens sozinhos.
- Fecha a boca, mon frère. Pare de babar pela forma como a mulher que você quer que seja a futura mãe dos seus filhos se comporta com outras crianças. – César implicou, abraçando pelos ombros e o belga sorriu.
- É impossível. – sorriu.
- Uma hora dessas e você babando pela ? – a voz de Ethan, o caçula dos , foi ouvida e o garoto logo apareceu perto do irmão.
- Novidade seria a hora em que ele não estivesse babando por ela. – César implicou, fazendo Ethan rir e rolar os olhos.
- Cuidem das próprias vidas. – resmungou, fazendo o irmão mais novo rir.
- Ei, vamos cantar os parabéns! – a voz de soou mais alta que as conversas paralelas e todas as atenções se voltaram para a mulher que ainda carregava a filha de César Azpilicueta em seu colo.
- É, eu quero bolo! – a menina falou, fazendo boa parte dos presentes rirem.
- Se a filha do capitão mandou, nos resta apenas obedecer. – Emerson Palmieri foi o responsável pelo comentário e logo estavam todos perto da mesa.

O bolo era simples que misturava vários tons de azul num degrade, as velas produziriam faíscas e atrás deles havia apenas uma faixa simples com um “Feliz Aniversário” escrito. A mesa tinha cupcakes, alguns docinhos e ornamentos, mas nada extravagante e que tivesse custado um absurdo. Era uma celebração simples, como quando faziam em La Louvière. Ou em Lille nos dias em que tinha apenas e os colegas de escola e time para lhe fazer companhia.
Rodeado de amigos que o queriam muito bem e que lhe desejavam apenas o melhor da vida, cantou os parabéns em inglês, um pouco em francês e em espanhol, com Carlota batendo palmas animada. Os pedaços de bolo foram servidos, junto com uma ou outra bebida para os convidados que ainda permaneciam na casa e a música animada foi a trilha sonora da tarde.
Passava das dez da noite quando a casa estava finalmente vazia, até mesmo os pais de tinham ido embora, e apenas o casal permanecia ali, acompanhados do cachorro que estava num estado entre acordado e muito sonolento e não dava a devida atenção. e , no sofá, bebericavam um pouco de vinho e comiam um pedaço de bolo.

- Esse bolo está ótimo. – falou, terminando de mastigar o doce.
- Também adorei. É de uma confeitaria no centro, achei bem fofinha da primeira vez que a vi e entrei. As coisas são deliciosas e eu estou oficialmente viciada, sempre levo coisas pra comer em casa quando venho.
- Ah! Então é por isso que você não me deixa ir com você pro aeroporto... – estreitou os olhos, dando um apertão na cintura de . – Quer comer tudo sozinha!
- Claro. Eu não sou uma atleta que precisa medir milimetricamente cada coisa que eu como, você tem que cuidar da ingestão de açúcar e essas coisas. – respondeu rindo e tentando desviar-se de . – E se você não for comigo, eu como sozinha.
- Egoísta. – reclamou, mordendo de leve a bochecha da namorada.
- Vou sentir falta de Londres quando você for embora.
- Eu estou indo embora? – perguntou, dando uma risadinha e o olhou quase entediada.
- Você sabe que sim. – ela respondeu, dando de ombros. – As pessoas aqui são ótimas.
- São. – concordou. – E gostam de você também.
- Queria poder ficar mais um pouquinho. – falou preguiçosamente, aninhando-se ao corpo de e ele a abraçou, fazendo um carinho em seu braço.
- Eu também queria, mas você precisa cuidar da França.
- Não devemos nos encontrar até a segunda semana de fevereiro. – suspirou, erguendo o olhar para . – Dia dos namorados. Acho que nem vai ser no dia, porque eu acho que você tem jogo.
- Tudo bem, ossos do ofício. – respondeu sem reclamar muito. – Mas, obrigado por ter ficado aqui no meu aniversário e ter feito essa surpresa maravilhosa.
- Queria ter feito algo maior, você merece, mas fico feliz que seus amigos tenham vindo e te prestigiado. Além de ter sido ótimo ficar com você todos esses dias, curtindo sua companhia e por poder aproveitar pra passar seu aniversário com você.
- Eu te amo. – falou, fazendo um carinho no rosto de e ela sorriu.
- Eu também te amo, lindinho.
- Agora vamos pra cama, porque você vai acordar cedo pra ir pra casa e eu pretendo ter uma despedida bem empolgante no meu aniversário. – falou, fazendo gargalhar.
- Então anda logo, vamos precisar de muito esforço pra queimar todo esse bolo que você comeu hoje, atleta. – provocou, ficando de pé e estendendo a mão para .
- Inclusive, quero comer mais.
- Sinto muito, mas eu vou levar tudo pra Lille.
- Você me odeia muito.
- Sim. – deu uma risadinha, beijando a ponta do nariz do belga e o abraçou. – Mas só porque te amo muito também.
- Isso nem faz sentido, mas tudo bem. – resmungou. – Vamos logo antes que você desista ou vá comer mais.
- Feliz aniversário, mon amour. – falou antes de beijar .

Antes que pudessem sair da sala e ir para o quarto.
Queria apenas beijá-lo, sentir o gostinho doce do bolo na boca dele e aquele gostinho doce de aniversário cada vez que estavam juntos.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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