Última atualização: 31/12/2017

Prologue



Segunda-feira é sempre um saco. Sempre vou bater um papinho com a minha adorada diretora. Isso se deve ao simples fato de eu não conseguir chegar menos de dez minutos após o sinal tocar. Demoro séculos até conseguir juntar os restos de Emily que acabam sendo espalhados durante o final de semana.
Você deve estar se perguntando quem é Emily. Bom, Emily sou eu. Quer dizer, uma parte de mim. Apenas um lado. O lado criado. Emily Peterson, a menina normal, excluída socialmente, com seu rabo de cavalo, óculos fundo de garrafa e suéter. Basicamente, um estereótipo tosco. A menina que esconde a essência que não quer ser mostrada. Eu deveria ser poetisa, eu sei. Mas não é esse o ponto e eu não chegaria a lugar algum se decidisse debater tal assunto.
Meu nome é , mas prefiro ser chamada de . Se você, assim como eu, teve infância, provavelmente já ouviu falar em Hannah Montana. Miley, Hannah; ela usava uma peruca para poder ser famosa sem que isso atrapalhasse sua vida normal. O que significava, basicamente, que ela podia ir à escola com os amigos sem ser reconhecida. “The best of both worlds”. Meu caso é exatamente o oposto.
Não, eu não tenho uma voz espetacular e nem sou loira de olhos claros. A culpa dessa atenção da mídia é do meu pai: Michael , também conhecido como o maior produtor musical do momento. Se eu fizesse uma lista dos cantores e bandas considerados revelações dos dois últimos anos, aproximadamente três quartos deles estariam sendo produzidos pelo meu pai. E, de fato, eles estão.
Tenho certeza de que aparecer na TV e estar em tabloides o tempo todo é o sonho de 99,9% da população. Mas eu faço parte do 0,01% que daria tudo para não ter que viver com isso. Minha vida seria mais fácil se eu fosse apenas a Emily.
A Emily não precisa se preocupar com amigos falsos, com pais ausentes, com rumores falsos destruindo sua imagem e nem com o mundo inteiro colocando pressão para que ela seja perfeita. Ela também poderia ter uma linda vida livre de medo ou culpa. Ah, como eu invejo essa possibilidade!
Eu não queria ter que me passar por alguém que eu não sou. Não queria mesmo. Mas Anne era a única pessoa que me entendia e foi por ela que eu decidi entrar naquele colégio. Ela era a minha única amiga e eu pensei que - mesmo sendo quem sou -, junto a ela naquela escola, eu poderia ser normal.
E talvez eu realmente pudesse. Nunca terei a oportunidade de saber como as coisas seriam. Teria a chance de tentar caso, uma semana antes, nada daquilo tivesse acontecido na maldita reunião de boas-vindas do colégio.
A festa estava bem animada, o ginásio da escola lotado. Música alta e aquele cheiro de bebida e fumaça devido aos fumantes. Uma festa aparentemente normal.
Anne me puxou para o lado de fora da escola - onde poucas pessoas se encontravam -, pois estava começando a se sentir enjoada pelo cheiro de cigarro e álcool que o lugar tomara.
Assim que chegamos lá fora, houve uma queda de energia. Senti Anne segurando minha mão e sussurrando algo como “Que droga”. Ela sempre teve medo de escuro. Por saber disso, considerei tudo aquilo como um simples ataque de pânico.
O barulho do local começou a cessar aos poucos, como se tudo tivesse simplesmente congelado. Um irritante e problemático cessar de sons soando incrivelmente assustador. Parei de sentir a mão de Anne apertando a minha e juro que vi um vulto. Uma massa escura movimentando-se de maneira rápida. E um leve gemido de dor, fino como uma linha traçada com grafite 0,5. Para completar, um baque no chão. Algo havia caído. Ou alguém.
Mais passos estavam se aproximando e eu me mantinha completamente estática. Não fazia ideia do que estava acontecendo. Minha voz não saía e eu não conseguia me mexer, mesmo sentindo a presença de outras pessoas. Nem mesmo as enormes doses de adrenalina conseguiam fazer com que eu me sentisse menos fraca ou idiota. Em alguns instantes, a viatura da polícia chegou e a energia voltou, de repente.
Nunca odiei tanto a claridade. Existem coisas que os olhos não deveriam ver. Eu mal podia acreditar no que os meus eram obrigados a olhar: Anne esticada no asfalto com seu vestido bege decorado por uma poça vermelha quase oval, que envolvia um profundo corte na barriga. Senti um aperto no coração seguido por uma enxurrada de lágrimas que insistiam em cair. Definitivamente eu não conseguia falar nada. Eu tinha perdido a única pessoa que se importava comigo nessa porcaria de mundo. E uma das pouquíssimas com quem eu me importava também.
Como se isso já não fosse o bastante, meu vestido tinha sangue. Uma faca estava repousada ao lado da cabeça de Anne, quase como se tivesse sido casualmente largada. Mais quatro meninos estavam parados ali quando a polícia chegou. Todos em situações semelhantes à minha.
E foi assim que eu, , , e nos tornamos suspeitos do crime mais comentado dos últimos tempos em toda a Inglaterra.




Continua...



Nota da autora: ADEUS ANO VELHO, FELIZ ANO NOVO! QUE TUDO SE REALIZE NO ANO QUE VAI NASCER!
AAAAAAAH, FELIZ ANO NOVO, AMORES! Muito obrigada por todo o carinho e todos os votos no grupo que fizeram meu 2017 como autora tão especial! Conseguimos ouro e bronze em votações de "Melhores do Ficstape", indicações a shortfic do mês e ao FFOscar e o prêmio de Autora desse mês de dezembro. Agradeço do fundo do coração a quem tornou isso possível para mim. Tudo que sou nesse site é por vocês, que são poucos, mas têm todo o meu amor para sempre.
Espero que estejam gostando e gostaria muito que deixassem comentários por aí para que eu soubesse o que estão achando. Entrem no grupo do facebook para saber mais sobre essa e outras histórias minhas, além de ficar por dentro de atualizações e novidades. Link do grupo .




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