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Última atualização: 28/04/2017

TRAILER/TEASER (CLIQUE)
1- Infectada


O inverno havia acabado de chegar. A neve cobria todo o acampamento e o resto da floresta que havia em volta. No pátio, onde tinha várias pessoas comendo o café da manhã tranquilamente, descansava. A última caçada tinha sido árdua; o veado corria demais, e ela insistira em ir sozinha. Sua irmã, estava ao seu lado, comendo sua comida rapidamente. As duas tinham um combinado de visitar e depois do café, e não podiam perguntar o porquê de não terem ido para o pátio naquela hora. termina a comida, passando o prato para a mais velha, sorrindo amarelo. Estava com tantas saudades da mais velha que podia a esmagar em um abraço apertado. Apesar de parecerem distantes, as duas eram grudadas. Sempre que a mais velha tinha tarefas de não poder dormir em casa a mais nova ficava triste, porém não se negava em passar um tempo a mais com Tommy ou , que ela os consideravam como os tios que nunca tivera. Apesar de seis anos, era uma garota esperta, sobrevivente de uma epidemia, um anjo de pessoa. põe os pratos na bancada da cozinha, Maria, mulher de Tommy e cunhada de , estava lavando os pratos. Quando, em um ato inesperado, segura as mãos da outra, olhando bem fundo em seus olhos.
—Algum problema, Maria?— a adolescente pergunta, não controlando o tom quase debochado em sua voz.
—Eu só estou estranhando o fato de você estar distante do acampamento.— ela segura seus braços com mais força, a probabilidade de uma marca surgir ali era enorme.— Você está aprontando alguma coisa, moça?
—Maria, eu saio todos os dias para caçar com o seu marido e o resto dos nossos amigos, você acha que eu tenho tempo para baboseiras? Desculpa, mas não sou uma desocupada como...
—Está tudo bem aqui?— Tommy pergunta, adentrando a cozinha, e estranhando o fato das duas estarem se atracando. , por mais difícil que fosse de lidar, nunca se colocava contra , Tommy ou Maria. Muito pelo contrário; ela sempre se mostrava grata pelo favor que faziam.
—Foi só um mau entendido.— Maria se vira, sorrindo docemente para o marido.
Uma marca diferente estava localizada em sua cintura, o avental junto com a roupa rasgada que usava denunciava o fato. observava tudo em silêncio, nem se ligando na conversa que estava havendo ali. Fingindo estar lavando os próprios pratos, a moça segue para o armazém que havia na cozinha. Procurava insistentemente por alguma prova, e não tardou a achar. Sangue fresco, no assoalho do vasto cômodo. Ela pega um pano qualquer e o passa no chão, pretendendo guardar o líquido para o estudar mais tarde. Ela volta para o cômodo anterior como se nada tivesse acontecido. Conversa com Maria e Tommy gentilmente, dizendo o quão bom o inverno estava sendo para achar novos alvos para servirem de comida. Quando volta para o refeitório, vê apenas agarrada no bendito ursinho embolorado, a esperando para ver e . sorri, estava morrendo de saudades de , isso que tinha menos de dois dias que se viram.
A mais velha bate a porta três vezes. As irmãs, antes de seguirem o planejado, resolveram tomarem um banho juntas. Durante, pediu para que a mais velha contasse alguma história de pescador eletrizante, e ela o fez. O conto sobre uma grande lagarta azul que enfrentara era o preferido de , e foi esse que a mais velha resolveu contar. Quando saíram, a irmã mais nova pedira para que a outra lhe fizesse um rabo-de-cavalo exatamente como fazia em si, e agora as duas pareciam ainda mais gêmeas. era uma adolescente de quinze anos, que teve que ter responsabilidade cedo demais. Quando a tragédia acontecera a moça tinha apenas doze anos, tinha apenas três anos, e, sem entender nada, apenas seguiu a mais velha. Imaginar duas crianças correndo um apocalipse zumbi é medonho, agora ser uma das duas crianças correndo um apocalipse zumbi era assustador.
Um sonolento abre a porta, já prevendo as duas criaturas que o chamava. Sorrindo, do jeito dele, pediu para que as duas entrassem:
—O que as duas moças fazem me acordando as...— checou o relógio, fazendo uma cara de espanto logo em seguida.— Oito e trinta da manhã?
—Nós viemos te ver.— sorri, mostrando os dentes que restava. Ontem havia perdido mais um, ficando sem os dois da frente.— E eu perdi um dente, olha.
—Não é perdeu, é arrancou.— a irmã a corrigi, sorrindo para o mais velho.
—Perdi mesmo, eu fui o lavar para dar para você e ele caiu no ralo.— ela desperta o riso nos mais velhos, logo caindo na risada também.
—O que caiu no ralo?
se vira, e quase perde o controle das próprias pernas. estava ali, com a carinha que sempre tinha antes do meio-dia. Com os olhos denunciando seu sono, ela sorri para a amiga, e corre para abraçá-la. As duas tinham uma conexão muito forte, pareciam irmãs ou até mesmo namoradas. Não que dispensaria a última opção, não era uma menina de se jogar fora, era uma morena linda com os olhos castanhos flamejantes, sem tirar o sorriso lindo que fazia o coração da outra derreter. Era engraçado pensar daquele jeito depois de ter falado que as duas fariam um belo casal, Tommy e Maria concordaram até. Maria. há de descobrir o que realmente tinha acontecido com aquela mulher.
—Meu dente.— sorri novamente, agora para se mostrar para .— Bom dia, borboletita.
—Já falei que odeio esse apelido que as duas inventaram.— revira os olhos, com um sorriso divertido nos lábios.
—O apelido é fofo.— dá de ombros.
era como um pai adotivo de . No começo foi difícil domar a fera desbocada que a menina era, mas no fundo, bem no fundo, ela era uma pessoa amável. Quando voltaram para o acampamento de Tommy, pensou que ficaria brava. Contara uma mentira qualquer sobre a cura da humanidade, falou que desistiram de procurar, apenas para não a ver triste, o que não adiantou. passou algumas -várias- noites em claro, apenas vendo o movimento pela janela do quarto. Ela tinha chegado tão longe, tão perto da cura, e apenas desistiram de procurar. Desistiram da humanidade, e ela nem ao menos sabia porquê e nem se deu trabalho de perguntar a . Achava que o homem era tão desinformado quanto ela. fora um grande recomeço dela. As duas não se deram bem de cara, segundo era tesão reprimido por parte de , e a única coisa que a salvaram foram as tão idiotas piadas. Foi ai que a amizade estourou e nunca viu mais realizada.
, você vai fazer alguma coisa importante agora?— a adolescente pergunta, se sentando no sofá. e estavam na varanda, a criança contava a história da lagarta pela vigésima vez, e a única coisa que conseguia fazer era admirá-la. via em sua filha falecida: Sarah.
—Voltar a dormir é uma coisa muito importante para mim.— responde, se sentando ao lado da outra.
—Vem, eu tenho uma coisa para você!— a outra se levanta abruptamente, puxando a amiga pela mão.
—Hey, espera. Eu não vou assim. Não vou de pijama.— teimou.
—Vou te dar quinze minutos.
Enquanto se arrumava, abriu a mochila que havia trago consigo. De lá, tirou um gravador. Era agora ou nunca. Caminhou até a varanda, vendo brincando no projeto de quintal que tinha ali.
, posso falar com você?— perguntou, se sentando ao lado do homem. Consigo havia trago uma cerveja para o agrado dele.— Preciso te dar uma coisa...— entregou o gravador. De início ele pareceu confuso, sem saber o real sentido daquilo.— Me promete que se algo acontecer vai entregar isso ao Tommy, mas só se algo acontecer.
Tinham andado bastante. O erro de fora colocar os arranjos acima da terceira colina mais alta. Os pés de pareciam que cairiam a qualquer momento. Quando chegaram não pode conter o suspiro de espanto quando viu tudo aquilo.
—Posso levar isso como uma aprovação?— pergunta sorrindo para a amiga.
Em frente a elas, havia uma mesa feita de madeira, com duas cadeiras em volta, e com um almoço enorme em cima. Almoço ou café da manhã, não importava. parecia espantada, com a boca aberta em um perfeito "O". Um prato estava com um macarrão que parecia suculento, o outro estava com um arroz feito na hora com feijão e bife. Onde diabos ela tinha arrumado tudo aquilo? Era muita comida, parecia ser estoque de meses. olhou para a amiga, pedindo silenciosamente se podia sentar-se em uma das cadeiras, e a outra apenas assente sorrindo. Ela escolhe o macarrão, fazia tanto tempo que não comia um macarrão de verdade. Observou a outra sentar-se na outra cadeira, pegando o garfo e espetando o bife. Passaram longos minutos apenas saboreando a comida, não tirava os olhos de , nem mesmo quando a mesma encarou de volta. E aquilo estava acontecendo de novo. Uma conexão tão fiel. Os olhos esverdeados conectados intensamente com os castanhos, parecendo tão fieis. Como se aquilo não fosse suficiente, posiciona o indicador sobre os lábios de , ainda admirando-a. Quando, por instinto, sorri. Aquele sorriso que poderia fazer se jogar na frente de um trem e morreria feliz.
—Você é linda.— sussurra, ainda com o dedo indicador na boca da amiga, vendo-a corar violentamente.— Sabe, se você fosse embora, eu me sentiria tão sozinha no meio desses adultos. Você é a coisa mais importante para mim dentro daquele acampamento de merda.
—Eu sinto muito.— ela muda, se endireitando na cadeira e retirando o dedo da outra de seu lábio. Juntou mais um pouco de comida no garfo e enfiou na boca, com as lágrimas presas na garganta.
"Eu te amo", era o que queria falar para .—Eu gosto pra caralho de você, .— foi o que ela disse.

?— Tommy gritava na medida que ia quase espancando a porta. Estava irritado, e estava demorando quase um século para abrir a porta.
—O que é, porra? Eu estava no banho!— ela se explica estressada. Tommy, com menos paciência, entrou sem nem pedir licença. , que estava logo atrás do irmão, estranhava a situação.
—Aconteceu alguma coisa, Tommy?— pergunta, apressando o passo e entrando na casa.
—Se aconteceu alguma coi...— finge uma risada, irônico.— Eu só estou há duas horas procurando aquela peste da e não a acho em lugar nenhum, daqui cinco minutos é a troca de turno da segurança da fronteira e ela ainda não apareceu.
—E o que eu tenho a ver com isso?— pergunta, arqueando as sobrancelhas.
—Você foi a última pessoa a vê-la, achei que saberia onde ela está.— deu de ombros, andando de um lado para o outro. Seu apavoramento era significativo, uma vez que sua melhor soldado havia sumido.
—Ela me deixou aqui e foi embora, disse que tinha algumas coisas para arrumar.
—Que coisas?
—Já tentou na casa dela?— revira os olhos perguntando o que era quase óbvio.
—O primeiro lugar que procurei.— Tommy dá de ombros novamente.
Por um minuto, se permitiu pensar. . Gravador. Sumida. Como um lapso do tempo, ele sente-se voltar quando ela disse que se algo acontecer errado para ele entregar o gravador à Tommy. Se ela tivesse mesmo fugido já havia algumas horas, o sol já estava até caindo. Ele corre até a gaveta da cozinha, abrindo-a e pegando o objeto metálico.
—O que é isso?— Tommy pergunta apontando para as mãos do irmão, o outro apenas pede para que ele espere e aperta o play do gravador.

"Hey, Tommy. Se você estiver ouvindo isso, tenho uma má notícia. Se o te deu esse gravador quer dizer que você estava louco atrás de mim, e se você estava louco atrás de mim quer dizer que eu fugi. Não se preocupe, eu e ficaremos bem, eu prometo. Se fomos embora, quer dizer que as coisas pioraram —ela dá um suspiro, parecendo cansada, o som de algum zíper se fechando se faz presente— Tommy, isso é um pedido de socorro. Não me entenda mau, só isso que te peço. Sua esposa, Maria, está infectada há muito tempo. Desconfio de ser quando ela saiu para pegar mais água no rio, pode ter sido atacada ou algo do tipo. Ou alguém pode ter entrado ai e colocado dentro dela. São muitas opções e nenhuma convicção. Eu não tenho certeza de nada, além de tudo ter acontecido no rastro de duas semanas. No meu quarto há algumas coisas que eu gostaria que você, e , olhassem. Saímos do acampamento as quatro e quarenta e três, exatas trezentas e trinta e seis horas após Maria infectar-se, e quatro horas e cinco minutos antes da infecção se completar. Tommy, cheque o relógio.—o homem checa o relógio, sete horas em ponto.— Se for mais de sete horas, eu sinto muito, mas você precisa detê-la. Se meus cálculos estiverem certos, é claro. Eu sinto muito mesmo, com todo meu coração, vocês, Maria, , , são minha família também."

—Ela foi embora?— perguntou, ressentida. a observava, a menina parecia arrasada, prestes a estourar qualquer cabeça mais próxima.
—Maria está infectada?— foi a vez de Tommy, que parecia tão chocado quanto .
—Como vai lidar sozinha no mundo com )? Porra. São duas crianças!— desfere um soco na parede, a fazendo soltar resquícios de tinta. Foi quando, com um último suspiro, a voz de se fez presente pela última vez.

"Tommy, me faz um favor? Fala para que eu a amo—fungou—, e eu vou voltar para buscá-la."



2- Sentenciada


—Lissi... Sad. Lissi Ad?— a pequena tentava ler, a pequena garoa não a ajudava.
—Lissad. Cidade de Lissad.— a maior corrige, nem prestando atenção na placa.
 A maior carregava uma mochila que parecia maior que ela, com um arsenal: algumas facas, todas as armas que tinha, e itens para que pudesse se curar, caso se machucasse. Estavam andando na garoa há cinco horas, sem parar um segundo, e dando graças a Deus de não terem encontrado nada de ruim no caminho, apenas o resto dos vaga-lumes. estava cansada, seus pés pediam descanso, porém achava perigoso parar agora. Estavam no meio de uma floresta escura, usando duas lanternas e a luz do luar para guiá-las. Barulhos de corvos foi o suficiente para assustar a adolescente, todavia, nem se comparava ao que viera depois:
—Menino-monstro.—a pequena fala, assustada, olhando para trás.
Sem nem dar tempo para pensar, saca sua Magnum 44 cano curto carregadíssima e mira para onde a outra olhava. Encurrala a irmã perto da árvore, de modo que nada pudesse a machucar. Não demorou muito para que estaladores viessem correndo para cima dela. dispara nos dois primeiros e pega o terceiro para um combate corpo-a-corpo, estava escondida na sombra de alguma árvore, com a lanterna desligada. É quando, em um curto período de tempo, aparecem corredores, e todos vão para cima de , que fica desesperada. Ela se livra do estalador, disparando contra três dos cinco corredores, no exato momento que ela fica sem bala, um corredor a joga no chão. Ela tentava sustentar, porém o inimigo fazia muita força. precisava fazer algo. A pequena olha para o lado, vendo um galho de árvore novo. Sem pensar a segunda vez, o pega, e parte para cima do adversário da irmã, acertando em cheio na sua cabeça.
—Onde você aprendeu isso, menina?— pergunta assustada, se levantando, a pequena apenas dá de ombros.
Um rugido alto, bem atrás das duas. força os olhos, teimando que estava ficando louca. Uma máquina no formato de um T-Rex; os olhos brilhantes e azuis parecendo famintos, algumas ferragens estavam expostas, o pé mecânico fazia um barulho estridente, e o rabo longo demais que era capaz de matar alguém com um tapa.
—Mas que porra é essa?— fala, vendo os olhos do animal focarem nela e na irmã. Vagarosamente ele se aproxima, de primeira apenas analisando, quando ele as enxergam como ameaça começa a passar o pê mecânico no chão, como um touro.— , CORRE.
É a última coisa que ela fala, e logo as duas fazem jus ao termo "sebo nas canelas". Corriam tanto que nem perceberam quando finalmente saíram da floresta, agora corriam pelo um belo campo de flores. tem uma ideia. Ela grita para irmã o plano, e as duas se jogam no rio que passava por baixo de uma ponte. Engrenagens fizeram o favor de colocarem uma capa nas pernas do animal, e ele voltou a correrem atrás delas. Elas fogem para bem longe, perdendo o rumo de onde estavam.
—THUNDERJAW!— uma voz feminina exclama, lançando uma flecha explosiva no tanque da máquina. Com mais algumas flechas, o animal cai sem energia.
demora bons cinco minutos para se dar conta do que tinha acontecido. Assustada, ela se vira, vendo uma mulher estática a olhando, agora com o arco abaixado. A criatura tinha cabelos ruivos em dreds, metade amarrados por um laço azul, abaixo do ombro, usava uma roupa feita de pele de animal, e nos pés uma bota antiga. Nas mãos, um arco feito a mãos, e nas costas as flechas variadas. A menina, que parecia ter entre dezesseis e dezoito anos, observava atentamente . não perde tempo e já pega uma arma qualquer.
—Quem é você?— ela pergunta, engatilhando.
—Eu salvo você e a criança e é assim que me agradece?— a moça fala, guardando o arco, nem ligando para o revólver apontado.
—Quem é você?— fala com mais entonação, parecendo mais forte e destemida.
.— chega perto do animal morto, catando engrenagens que achava importantes.— E vocês?
, .— a pequena se pronuncia pela primeira vez nos últimos vinte minutos.— Cabelo maneiro. Sabe quem ia gostar? A .— comenta, dando a sensação de uma facada profunda no coração de . Como gostaria de ter trago a amiga consigo.
?— pergunta confusa.
—Uma amiga nossa, nada muito importante.— dá de ombros.
—Como é nada importante? Você gostava dela.— denuncia, recebendo um peteleco da irmã.
—Eu tenho água e comida em uma casa no topo dessa montanha.— informa, olhando para o lugar que viera. olhou para a ruiva confusa, mas já estavam na montanha?
—Já estamos na montanha? Quanto tempo dá daquela floresta até aqui?
—Vinte minutos.— a ruiva dá de ombros, seguindo caminho.
A casa era no topo da montanha. Uma casa velha, empoeirada, cheia de equipamentos esquisitos e um computador que parecia para lá de ultrapassado. Nas paredes, quadros velhos, com pinturas desgastadas de com algum homem. O chão rangia a cada passo que davam, as paredes não pareciam ser pintadas há muito tempo. as levaram para uma oficina, lá tinha várias máquinas desmontadas, peças espalhadas, e arcos novos. De janela do quarto que as irmãs ficaria dava para observar um rio límpido, a floresta que passaram, e uma coisa mecânica com um pescoço enorme.
—Pescoção, uma das máquinas mais difícil de domar. Thunderjaw, o que quase matou as duas, é o mais raivoso que tem entre eles.
—Entre eles? Quantos tipos dessas coisas existem?— pergunta confusa, olhando para ao seu lado.
—Provavelmente muitas.— abre o guarda-roupa envelhecido, passando um pano para retirar alguns bichinhos e as poeiras.— O rio lá em baixo serve para tomar banho, enquanto o dia fica tão aquecido como o próprio sol. Com duas mochilas completamente cheias, é impossível que não trouxeram trocas de roupas.
dormiu após algum tempo, dessa vez sem ouvir a história da Lagarta. Estava cansada por ter andado, corrido, e ainda lutado contra alguns corredores. estava no mesmo estado, só que mais intensamente. Enquanto colocava a mais nova para dormir, ficou pensando em . Em como o acampamento estava agora, se estavam todos bem (inclusive Maria), onde estavam... Eram tantas perguntas. Na verdade, ela queria ter trago e consigo, provavelmente oitenta por cento de suas preocupações seriam sanadas.
fecha a porta tentando não fazer barulho, a irmã tinha um sono leve. Caminhou desconfiada até a oficina. Chegando lá, encontra concentrada em alguma máquina. Bate na porta de madeira três vezes, a fim de chamar atenção da moça. sussurra para que entre, e ela o faz, se sentando bem ao lado dela.
—Estou analisando um novo sistema imunológico que implantaram.— fala admirada, olhando para a mais nova amiga sentada perto demais. Com certeza, se fosse no lugar de , elas se beijariam novamente, não que se beijar fosse uma atividade comum entre ela e a ex-amiga.
—Você é tão...— perde a fala, observando os traços do rosto da outra.
—Inteligente?— pergunta sorrindo.
—Incrível.— sorri de volta, olhando para baixo e colocando um pedaço de cabelo para trás das orelhas.

Enquanto isso, vasculhava o quarto da amiga. Tinha tanta coisa interessante; pesquisas sobre o vírus, sobre pessoas importantes, pesquisas de todos os tipos, também fórmulas de contas de todos os tipos enumeradas com números romanos. No guarda roupa tinha poucas roupas, apenas as que eram consideradas mais pesadas. Na gaveta da escrivaninha apenas alguns rascunhos de algo desconhecido, ou nem tanto. observando direito, era o desenho de uma baleia, com algo escrito em baixo.
"DIREITA, 3 PASSOS"
Ela seguiu o papel, poderia não ser o primeiro comando, mas já era algo. E eram coordenadas que davam no guarda-roupa, em uma porta específica. A adolescente revirou o móvel, tentando achar algo, e só encontrou poeira.
—O que você está procurando? No guarda-roupa não tem nada, eu já vi.— se aproxima, vendo a jovem quase inteiramente enfiada no móvel.
—Achei isso.— ela mostra o papel, se espanta gritando por Tommy.
—Onde você achou?— Tommy pergunta.
—Gaveta da escrivaninha. Bom, para mim, parecem coordenadas.
—Devem ter mais.
Os três checaram o guarda-roupa novamente, nada. Quando, sem mais esperanças, , sem querer, bate com o cano da arma no fundo do móvel, e um esconderijo secreto é descoberto. Era uma parede, cheia de coisas criptografas, alternando em Mandarim e Grego. Outra pista fora encontrada perto de alguma fórmula desconhecida, agora era algo mais preciso.
"Escada, baixo"
—É andar único, não tem escadas.— Tommy responde, suspirando pela vigésima vez no dia. Estavam perdendo muito tempo se a carta da menina tivesse certa.— Quer dizer, ela só está falando dessa casa, não é?
—A varanda.— grita estupefata, correndo até tal. Tirou a parte quebrada da escada, pegando mais um papel. Dessa vez, era uma carta, destinada somente a .
—Para quem é?— pergunta, vendo o olhar melancólico da quase filha.
—Para todos, não é só ela que está passando risco de vida.— Tommy responde, quase pegando a carta de , sendo impedido por um cansado.
—Deixa a menina, cara, desde que sumiu a única coisa que faz é gritar com , que eu saiba ela não está contrabandeando a .
Os bilhetes seguidos não foram difíceis de encontrar, agora que parecia mais animada. Desde que Riley morrera, se tornara a única amiga que a de olhos esverdeados tinha. Por mais que achasse a menina metida a inteligente, gostava da companhia dela. Gostava, também, das piadas velhas sobre séries e gibis da década passada. Gostava do estilo de se vestir, e até como falava. Gostava de a deixar envergonhada, dando a entender que algo que ela dissera era malicioso. Ela era uma graça. Inúmeras vezes se pegara pensando nela antes de dormir, e em noventa por cento delas saía escondido para vê-la dormir. Não ia a casa dela tarde da noite para conversar, como amigas normais faziam; ia apenas para observá-la dormir, com a respiração compassada e os cabelos bagunçados, e só voltava para casa quando estivesse com sono o suficiente para se jogar em qualquer canto e dormir.
Rugidos, altos, vindo do centro do acampamento. Os três se entreolharam, todos com o mesmo sentimento: medo. Não de enfrentar Maria, mas, sim, de morrer. Pessoas inocentes os atrapalhavam pelo caminho, correndo desesperadas para o outro lado do acampamento. No centro do lugar, onde ficava a fogueira recém acesa, havia um monstro horrível. Tommy engoliu em seco ao ver o estado daquela que um dia amara.
Com mais de trinta metros de altura, Maria estava com os seios de fora, e a parte de baixa coberta apenas por algum pano embolorado. Seu corpo havia tomado uma tonalidade vermelha, como se estivesse em chamas. Seus cabelos, ou o resto destes, estavam em chamas, arrepiados. Em suas mãos um machado, que provavelmente havia pegado de um lenhador, com farpos em volta. Ela estava com as mãos na cabeça, gritando algo irreconhecível, até que eles se aproximam vagarosamente, prestando mais atenção no monstro:
—Não... Eu não posso fazer isso, Wesker. Faça-a parar. Faça-a parar.— grita, com as mãos tapando os ouvidos.— ME... MATE!

—Lagarta, lagartinha. Por que não lhe conta a própria sentença? Poupe-lhe do sofrimento.
—É inútil, o sofrimento está presente na alma.

A Lagarta — Pizzle



3.Confusa


A água, aquecida pelos raios de sol, batia contra a as pernas das irmãs. brincava com alguns peixinhos na água, enquanto a irmã lavava seus cabelos, que pareciam ter crescido vários centímetros no último dia. De longe, protegia as duas, dando certeza que nada humano ou inumano se aproximasse. Os cabelos de estavam presos em um coque, usava apenas calcinha e sutiã, ensaboava-se com o sabonete que encontrara em um hotel abandonado. já havia se limpado, estava apenas brincando na água, sendo observada pela irmã para que não se afogasse. , finalmente, entra totalmente na água, mergulhando. As águas límpidas rapidamente tiram todo o sabão do corpo dela, e ela aproveita para lavar as roupas sujas. se aproximou vagarosamente, afim de assustar , e tem êxito:
—Eu achei que fosse algum zumbi ou aquelas máquinas malucas. Porra, !— reclama, jogando água na ruiva.
—Vou levar vocês para o Enlace. A viagem é longa.— a ruiva fala após cessar a crise de risos.— E, preparem-se, vamos dopar várias máquinas.

havia pego tudo o que pedira; munições, revólveres, kits médicos (caso se machucarem), entre outras coisas importantes. O homem notara o quão estranha a garota estava, como se algo a incomodasse, e, infelizmente, ele sabia o porquê. ficou sozinha por muitos anos, apenas com Riley, e, quando esta faleceu, ela ficou completamente isolada. O dia em que chegaram ao amplo acampamento do irmão mais novo de , ficou animada com a simples ideia de ter uma nova melhor amiga, quando o mais novo comentou sobre . Com o passar do tempo, ela começou a ver a mesma coisa que vira em Riley; algo especial, como se fosse feita exatamente para ela, e que nada as separariam. O que, claro, virou um pensamento ridículo, dado as situações que aconteceram recentemente. fugira por medo de lutar, deixando qualquer amizade forte para trás, deixando um sentimento de confusão e culpa por parte de . Deveria ter feito melhor no almoço, deveria ter beijado-a mais, deveria ter feito a se sentir mais amada. E, com turbilhões de pensamentos, eis que o flashback do primeiro beijo delas volta em sua mente.

havia saído para cuidar das fronteiras, junto com Tommy e vários outros homens, e deixado a casa à mercê de e .  ficaria na casa de Maria, uma vez que a mulher a tratava como própria filha. Tirar de campo fora a coisa mais fácil de tudo isso, já que Maria nunca desconfiaria de duas meninas tão doce quanto elas.
Ás oito em ponto, bate a porta, com uma garrafa de whisky roubada. atende a porta animada, já sabendo o jogo que as duas fariam, pela primeira vez. Verdade ou consequência, com bebida, é claro. O jogo funcionaria assim: uma perguntava algo íntimo da outra, e, se a outra não quisesse responder, apenas bebia um copo de whisky. Whisky este que fora roubado da casa do velho bêbado, amigo (ou apenas conhecido) de .

—Arrumei a sala. Vamos começar logo.— exclama animada. 

é a primeira a girar uma garrafa pet vazia. A boca da garrafa aponta para , enquanto o fundo aponta para , então a primeira faz a pergunta:
—Você é BV?— não soa normal; soa como uma pergunta maliciosa, por mais que tentasse esconder.
—Dei um selinho em Riley uma vez, antes de sermos atacadas e eu ser mordida.— dá de ombros.— Mas, se você quer saber se eu já beijei de língua... Não.
gira o objeto, desta vez. A tampa vira para , o fundo para . A última engole em seco, já temendo a pior pergunta que receberia:
—E você?— pergunta, com os olhos esverdeados observando cada movimento da outra.
—Perdi meu BV com dez anos, na escola, com um moleque que gostava muito de mim. Confesso: foi decepcionante. De todo jeito, foi um beijo, não foi?— sorri, pergunta se usou a maldita língua.— É como uma minhoca andando na sua boca, é estranho, muito estranho, mas é bom.
Elas continuaram brincando. Vezes fazendo perguntas maliciosas, outras apenas para se conhecerem melhor. Desde que dissera que nunca tinha realmente beijado alguém, estava se sentindo curiosa. Tão curiosa ao ponto de ficar observando explicitamente os lábios carnudos da amiga se mexendo, e, quando ela ficava quieta, eles apenas se juntavam, formando uma das bocas mais beijáveis para . É quando, por pura sorte, a garrafa dá a chance de fazer mais uma pergunta. A garrafa de whisky, por hora, ainda estava intacta:
—Você teria coragem de beijar outra amiga sua?— abaixa a cabeça, quebrando o contato visual com .
, antes de responder, engoliu em seco, pensando bem se diria a verdade ou não. Ela nunca conseguiria enganar alguém que perguntasse se ela já sentiu desejo por . Já tinha até conversado com sobre isso; sobre como se sentia perto dela, como queria, por Deus, ter pelo menos uma chance com ela. , como um péssimo conselheiro que sempre fora, apenas disse-lhe para tentar a sorte, uma vez que contou para o homem que nunca conseguia dar um fora em alguém. se sentia como um pombo correio, ouvindo os dois lados, passando informações, e até mesmo servindo de ouvinte; funcionava como um pai para as duas, mas elas não se sentiam irmãs.
—Essa amiga... seria você?— responde, após vários longos segundos em silêncio.
—Que eu saiba, você não tem outra amiga aqui.— dá de ombros.
, tomando todo o ar que achava necessário, se aproximou vagarosamente da amiga. A outra apenas se endireitou, pronta para receber o que a amiga tinha a dar. Sem muita demora, junta os lábios com os de , em apenas um selinho. , com a pouca experiência que tinha, passou a ponta da língua sobre os lábios carnudos de , fazendo-a abri-los, recebendo estranhamente as línguas. Faziam carinho uma na outra, trazendo um formigamento na barriga das envolvidas. Em pouco tempo, elas se afastam, uma olhando para a cara da outra, sem saber exatamente o que fazer ou falar.
—Foi bom.— sussurra, ainda com os lábios perto dos da companheira.— Acho que bem melhor que o seu primeiro.

Os pés das três doíam, haviam andado por muito tempo. O objetivo de era levá-las para o Enlace, para poderem as mostrar uma coisa curiosa que achara alguns dias atrás. vivia quase sozinha dentro de casa, já que Ross, seu responsável, saia frequentemente sem avisar, e só voltava vários dias depois. Ela estava treinando duro para a provação, que aconteceria daqui há dois anos e meio. Estava treinando desde os seis anos, quando cansara de ser a exilada, de ser sempre alvo das pessoas das tribos. Um dos pontapés iniciais fora quando ela tentou se juntar a uma mãe-nora, catando algumas frutinhas nos pés, e a oferecendo. A mulher negou, não a olhando, puxando um de seus filhos e o ordenando para andar mais rápido. Ela correu para bem longe, para um lugar que nem Ross poderia a encontrar. Por obra do destino, ela acaba caindo nas ruínas do mundo metálico, que antes era uma das bases de recuperação de Umbrella. Umbrella era o fatídico nome que assombrava a Terra por vários anos, a corporação responsável por criar o Cordyceps e o lançar, e também a maior suspeita pelas máquinas. vasculhou a ruína, olhando todos os lugares. Propositalmente, ou não, a única fresta que o sol entrava batia justamente em uma caveira especial. Ela se aproximou, curiosa e cuidadosamente, da caveira, vendo que esta, diferente das outras, tinha um dispositivo perto da orelha. Com o roxo brilhante, com apenas uma barra da mesma cor, semelhante a uma palheta de violão. Pegou o objeto, posicionando exatamente como estava na caveira. De primeira instância, pareceu queimar o cérebro, fazendo a criança jogá-lo longe. As luzes roxas, que parecia abranger o local inteiro, continuou em sua mente. Ela queria colocar de novo, e o fez. Desta vez, ela deixou que o processo se completasse. Com a ajuda do dispositivo, ela conseguiu achar a saída, e, de lá, um Ross preocupado gritava. Foi ai, com a prova de lealdade e coragem, que o homem resolveu que era hora de prepará-la para a provação.
Provação não era nada mais nada menos que a chance dos exilados. Todos que passassem fariam parte de alguma tribo, sendo acolhidos e deixando de serem exilados, aqueles que eram. Mas, aquele que vencia, aquele que tivesse a sorte divina, tinha direito a saber de algo. Por anos, sonhava com o dia que venceria a provação, o dia que poderia descobrir finalmente quem era sua mãe. Ross a incentivava, ensinava truques de sobrevivência, a ajudando o máximo que podia.
Agora, ela se sentia na obrigação de passar conhecimento para as irmãs. Ela se sentia na obrigação de protegê-las, como se elas fossem sensíveis demais para esse mundo. Ela não tinha certeza se Ross as aceitariam quando chegasse, uma vez que ele também sofre muito com o fato de ser exilado, e com o fato de ter a tornado exilada também, e ainda acha que todos querem seu mal.
estava intrigada com a irmã mais velha. Ela era uma adolescente normal, com o corpo nem tão desenvolvido, com assuntos normais. A única coisa que a intrigava, de verdade, além de ser extremamente quieta, era o anel que a moça usava. Nomeado Anel de Instrumes, ele tinha como função avisar que a pessoa que o usava era homossexual, na época Metálica. A língua de estava coçando para perguntar, não queria ser indelicada, só estava curiosa.
Um grito agudo e desesperado tira dos devaneios. Os sons vem de uma criatura pequena ao ver o Pescoção passar por ela. Pescoção era mais uma das várias máquinas que existiam. Se assimilhava a uma girafa, ou até um braquiossauro, um animal-dinossauro-robô pacífico, que quase nunca atacava, e também um dos mais fáceis de dominar. Dessa vez, ele estava caminhando sozinho, e era a oportunidade perfeita de mostrá-las a máquina perfeita.
escala o Pescoção, segurando em lacunas, enquanto as irmãs apenas a observava. Em pouco tempo, ela consegue chegar ao topo, onde pode se ver as grandes colinas a frente, e até de onde viera. Ela o escaneia com o dispositivo, vendo qual a rota ele estava destinado a fazer, e o corrompe, fazendo-o virar uma máquina do bem, agora literalmente. Pega uma corda, jogando-a, para que as irmãs pudessem a acompanhar, era uma péssima ideia, entretanto, já que nunca conseguiria escalar aquela altura toda. encosta a máquina perto de uma pequena montanha, de forma que as duas poderiam subir na montanha, e depois subir no Pescoção, e elas o fazem.
—Isso é muito alto, .— a mais velha fala apreensiva, alertando para que a irmã não olhe para baixo.
—Essa é uma das máquinas mais fácil de corromper. É só mexer nela dois segundos, e ela vira nossa amiga.— responde, admirada.— E nós vamos chegar o Enlace mais rápido se nós formos por ele.
No caminho inteiro, ficara quieta, apenas segurando forte as mãos de . olhava para a moça, que parecia tão perdida. A ruiva se aproxima, sentando-se ao lado dela. Usou o dispositivo para ver se conseguia tirar algo dela, e a única coisa que o objeto metálico mostrava era uma confusão mental.
—Você está realmente bem?— pergunta, pegando na mão vazia da moça.
—Tenho medo de altura.— mente, arqueando as sombrancelhas, tentando parecer verdadeira.
—Não é como se fosse uma varinha mágica, eu consigo ver o que você passa.— sorri divertida.— Isso mostra estado de espírito, também.
—Sinto muito.— ela diz, com as expressões faciais fechadas, mostrando que havia sido uma brincadeira de mau gosto.— Eu estou acostumada a falar disso com duas pessoas, falar com as outras é estranho. Só isso.
—Quando você quiser falar... eu sou uma boa ouvinte.— dá de ombros, voltando a posição inicial.

estava cansado, além de ter que descodificar a única coisa que dava ao caminho das irmãs, também teve que lutar contra vários zumbis. Como de costume, ele andava quieto entre as árvores. , diferente do usual, estava quieta, até demais. Andava atrás do homem, com o olhar perdido entre as folhas e galhos caídos no chão. A língua do homem estava coçando para perguntar o que diabos estava acontecendo, ela nunca falaria se ele não perguntasse, ele não queria ser intrometido, respeitava o espaço dela. Murmúrios, seguidos de leves gemidos inumanos. Com os olhares cansados, eles olham para o proveniente dos barulhos: Estaladores, vários deles. Espalhados, como um maldito rebanho. Circulavam corredores, agora mortos, como se os protegessem. e trocam olhares intrigados. E, para piorar ainda mais as coisas, eles vêm luzes reluzentes vindo em direção à eles. O animal tinha forma de um cachorro, até mesmo o focinho e o rabo, com os olhos brilhando em amarelo, seu corpo todo metálico, e fios soltos, como se fosse as veias.
, como um bom sobrevivente que sempre fora, pega um galho, jogando-o no meio dos Estaladores. O que ninguém esperava era que o cachorro-robô, que, apesar de não saberem, tinha a raça apelidada de Antiuns, farejasse o rastro deles. Uma luz vermelha piscou em meio a floresta, Antiuns se põe de pé, tentando detectar de onde viera o barulho. O scanner aponta para trás de uma árvore, e ele segue até esta. Fareja algo, buscando encontrar cheiro ou digitais. Ouve um barulho, vindo do seu lado esquerdo. Scaneia novamente o lugar, conseguindo achar os responsáveis pelo galho. Ele late, alto o bastante para alertar outras máquinas e os Estaladores, fixando uma luz vermelha em e outra amarela em .
O combate é árduo. não tinha tanta segurança para lidar com máquinas, todavia, fez uma nota mental: três tiros no pé, dois na cabeça, e um em qualquer fio solto. Os Esladores é missão de , que consegue neutralizá-los com um rifle de alta pressão. Em menos de meia-hora, o silêncio reina novamente.
—O que diabos eram aquelas... coisas?— pergunta admirada.
—Eu só espero que as minhas outras duas crianças estejam vivas.

"A Lagarta observava o procedimento quieta, anotando tudo o que achasse realmente necessário. A transação estava tendo êxito. E, felizmente, mais uma arma de guerra nasceu. Desta vez, uma arma tão poderosa quanto a própria corporação. Nos registros, o nome  estava manchado propositalmente, e apenas o sobrenome destacado estampa exposto. Em negrito, especialmente em caixa alta, o sobrenome "WESKER' era gritante."
A Lagarta—Pizzle



4. Condenada


O cheiro de sangue fresco irritava suas narinas, não apenas as suas, como as de um homem desacordado à sua frente. Piscar, sem deixar que as pálpebras ficassem fechadas por muito tempo, havia se tornado uma tarefa árdua. O silêncio era incômodo, só interrompido por barulhos de corrente. Correntes que não conseguia enxergar onde estavam. O cômodo era amplo, porém mau preenchido; com a pouca iluminação, dava para ver apenas um prato a sua frente, e um homem desacordado ao lado do prato. Ela estava presa em uma cadeira, algemas machucavam seus pulsos. A morte cantava uma canção de ninar em seu ouvido.
Saltos batiam contra o assoalho velho do lugar, indicando que alguma criatura feminina se aproximava. Uma loira alta, com os cabelos presos sobre os ombros, roupas brancas, e um gravador nas mãos, adentra a sala, cumprimentando a moça à beira da morte.
—Você está há três dias aqui. Sua irmã está ótima. Não, não pode vê-la. Mais alguma dúvida antes que eu comece?— a mulher profere, puxando uma cadeira de algum extremo da sala, sentando-se à frente de .
—Quem é você?— a voz sai falhada, a menina ofegava.
—É uma pena que não se lembra de mim.— passa a palma da mão pelo rosto sujo de , com um olhar caridoso.— Podemos começar, então?
engoliu em seco, assentindo. Aquela hora, ela aceitou sua própria sentença. Só orava silenciosamente para Deus, ou qualquer outra criatura poderosa, pudesse proteger a pequena menina que era sua responsabilidade.
—Vamos fazer uma suposição aqui, ok?— a loira fala, apoiando as mãos no joelho de .— Você sempre anda em grupo, uma técnica barata de sobrevivência, ou egoísmo, já que todos sabemos que, com um grupo, você seria a última a morrer, as pessoas segurariam as pontas para você fugir. Voltando ao assunto... Seu grupo, agora, está morto. Metade por infectados, a outra pelos militares. Sobrou apenas você e um homem com câncer, que está quase curado. Vocês fogem dos zumbis, vão parar em um restaurante renomado antigamente. Lá, há apenas um prato de comida.— faz uma pausa, mostrando o prato com uma comida suculenta.— Seu amigo logo morrerá, não de fome, mas, sim, de câncer, que está subindo de estágio lentamente. O câncer vai se alastrar logo, e a última coisa que você pode fazer para ele morrer feliz, é dar o maldito prato de comida. Todavia, você também está com fome. Com tanta fome, que poderia matar um homem para comer. Você fica entre a sua vida e a vida do miserável homem. O que você faz?
A loira olhava para dentro dos olhos de , vendo as lágrimas brotarem nos olhos da garota. Ela dá um prazo curto, que não faz questão de ouvir.  Ela passa o resto do dia olhando o homem desacordado, que provavelmente tinha câncer e estava a beira da morte. Ela tinha uma chance, a mesma chance que ele. E passa dias pensando no que fazer.
Quando o prazo acaba, a loira volta. Com um sorriso presunçoso, uma expressão divertida. Pega a mesma cadeira, a põe no mesmo lugar, se posiciona da mesma maneira.
—Já se decidiu, docinho?— pega o prato na mão, colocando a colher que trouxera ao lado da comida. Em um movimento inesperado, ela joga o prato longe. Logo, vários ratos rodeiam os restos.
—Não tem mais acordo?— pergunta, com a voz ainda mais fraca, amolecida de sono.
—Eu trouxe outra coisa. Porém, precisa me dar a resposta primeiro.
—Dá a comida para ele.
A loira se levanta, sorrindo para , cantarolando que aquela fora uma decisão esperta. Segurou na garganta do pobre homem, que acordou imediatamente, assustado. Bateu a mão em um botão na parede, e o cômodo inteiro é iluminado. Vários corpos jogados em um lugar só, aquilo parecia funcionar como um abatedouro humano. A mulher voltou a segurar o homem, agora passando a língua em seu pescoço desnudo. Não era qualquer língua. Era maior, com seis vezes mais grossura, e uma ponta que parecia estar inchada. Os olhos parecendo com os de uma cobra, olhando fixamente para . A língua vai de encontro com a boca do homem, adentrando sem permissão. Em poucos segundos, o homem está vomitando veneno. Ele empedra, olhando diretamente para .
Uma outra mulher arromba a porta. Com uma pistola 9MM na mão, ela atirava contra a loira. Um homem, que nunca soube o nome, quebrou a cadeira que a menina estava sentada, pegando-a no colo em seguida. O homem carrega uma desmaiada para fora da base, onde estava sendo acalmada por Tommy.

—Então, foi ali que eu vi que estava na hora de ter responsabilidade.— dá de ombros. A lua brilhava no céu, sendo a única luz que entrava na pequena cabana que acharam. dormia em seus braços, enquanto fazia algumas flechas sentada a frente das irmãs.
—E como você foi parar lá?— a ruiva pergunta, sem tirar os olhos da tarefa.
—Eu só lembro de estar caminhando no parque, tarde da noite, com . Ela sumiu, e eu fiquei desesperada a procurando. Depois disso, só lembro de acordar naquele cômodo horrível.— dá de ombros novamente.
não estava tendo um sonho bom. A pequena estava trêmula, agarrada fortemente à camisa da irmã mais velha. Murmurava palavras irreconhecíveis, entre elas, o nome de . estava preocupada demais em contar como chegou naquela vida que nem se dava conta do que estava acontecendo com a irmã. Só foi perceber quando a menina começou a ter fortes convulsões, gritando o nome de , mandando-a se afastar de algo. Menino-Monstro, ela repetia. , ainda apavorada, apenas cutucava a irmã, afim de acordá-la, mas nada funcionava. , percebendo que a irmã estava muito nervosa, pegou um copo de água fria e jogou no rosto de , o que não resolveu.
—O que a gente faz agora?— a irmã perguntava desesperada, olhando de um lado para o outro. Onde está para a ajudar?
—Eu não sei. Ela costuma fazer muito isso?— a ruiva pergunta, vendo se a temperatura da menina havia mudado. Ela estava gelada, como se estivesse morta.
—Não. Ela nunca fez isso! O que diabos é Menino-Monstro? Por que ela está falando para se afastar? !
pega a menina no colo, uma das tarefas mais difícil que já fizera. A balançava como se fosse recém-nascida, cantando uma canção de ninar que Ross a ensinara. Sussurrava avisando que estava bem, que o Menino-Monstro não estava se aproximando. não fazia ideia do que estava fazendo, só estava fazendo o que Ross faria. Em poucos minutos, para de se debater, abrindo os olhos lentamente para poder ver o olhar suavizado da ruiva.
—Você está bem, agora?— pergunta, colocando uma mecha de cabelo da pequena atrás da orelha.
—O que aconteceu?— questiona, olhando para o rosto apavorado da irmã.

—Sabe, a gente podia ir ver o Bill de novo, não é?— sugere, seguindo um que andava rápido demais. O sexto sentido de mãe dele estava apitando.
—Não tem porquê ir até lá.
—Tem sim. Precisamos de mais poder de fogo, e eu não conheço mais ninguém que tenha.— deu de ombros, ajeitando a mochila.
 —Quem te disse que ele ainda está vivo?— retruca, com o pessimismo usual.— E não podemos desviar o caminho.
—Aliás, por que estamos indo atrás delas, mesmo? Cara, ela deixou a gente para trás, nos jogou no fundo do poço sem nem estender a mão...
—Olha, . Se tem alguém que sabe que porra está acontecendo aqui, essa pessoa é . E, se ela foi embora, provavelmente ela está indo bancar a heroína. Eu não sei você, mas eu não quero e não vou perder mais ninguém, e se tiver algo ao meu alcance para poder evitar, eu ficarei feliz em contribuir. Ok?— dirigiu-se a , que parecia bem desconfortável com o rumo da conversa.— Você  entendeu o que eu disse?
—Entendi.— revira os olhos, nitidamente brava com .
—Repete!
—Nós vamos atrás de , e, se ela ainda estiver viva e consciente, vamos ser cachorrinhos dela. Ela nos usa, e depois podemos voltar ao Tommy, dizer que salvamos o mundo, então você ficará feliz, pois não deixou com que ela morresse, como fez com Sarah.
—Gratificante saber que pelo menos interpretação você sabe.— sorri irônico.

"Sacrifícios. Você acha que já sacrificou algo? Jogue seu fruto no fogo, force-o a passar por situações horríveis, e, então, poderá falar sobre sacrifícios."
A Lagarta — Pizzle.



5. Enlaçada


A cidade continuava cheia de armadilhas. Bill ainda era uma figura. andava pela cidade com a expressão fechada, sem acreditar que queria deixar para trás. Desde que os dois discutiram, estava quieta, apenas com os olhares mortais para cima de . Ela queria poder parar de se culpar, poder finalmente culpar por ter decidido ir embora, por ter decidido deixá-la para trás. não entendia isso. Não entendia a necessidade de em culpar , nem o porquê de ir embora. Sim, Maria devastou o acampamento, milhares de vítimas, milhares de mortes, isso era motivo dela ter ido embora? Por que simplesmente não lutou? E ele também queria culpá-la, descarregar toda a responsabilidade em cima da adolescente, todavia, ele não podia deixar outra filha sua para trás. Ela poderia estar morta; militares, vaga-lumes, máquinas, infectados, tantas ameaças. não tinha como proteger a ela ou a irmã.
A cidade estava vazia, calma, sem murmúrios de infectados ou sons de tiro. Vinte minutos dentro da antiga zona de quarentena, e não encontraram nada; nem infectados, máquinas, ou Bill. Algumas armadilhas estavam destruídas, outras apenas esperando sua hora para detonarem. Vários corpos e carcaças no chão, de militares até máquinas. estava se perguntando onde estava toda ação daquela cidade, já que nem animais silvestres estavam no caminho. No chão, perto do caminhão de leite, uma carta ensanguentada. Nesta, alguém (qual o nome estava manchado) pedia por socorro, falando que duas jovens estavam atacando o lugar. Duas jovens; uma com o cabelo no ombro, escuros, com uma franja de lado, dois olhos e uma pérola negra no meio da testa, outra com longas tranças castanhas, laços azuis nas pontas, um ursinho de pelúcia azul e sujo.
—Estranho...— comenta quando termina de ler.— Parece a descrição de e .

O Enlace parecia só um pedaço de terra, visto de cima do Pescoção. Porém, ao descerem, viram que era muito mais que aquilo. As pessoas da tribo olhavam para as três forasteiras, que andavam lentamente pelo lugar. sussurrava algumas informações para a irmã mais velha, que apenas assentia, engolindo em seco sempre que notava um olhar estranho em cima delas. não era bem-vinda ali, não ainda. Vários indivíduos olhavam curiosos para , principalmente pelas suas vestes. Ela usava uma calça jeans rasgada, uma regata leve, um tênis gasto, uma mochila lotada de suprimentos, e armas nos codres de sua coxa, perna, e cintura. Os noras usavam roupas como as de ; feitas de pele de animais, cobrindo noventa por cento de seus corpos, e um arco e flecha.
Com apenas mais alguns minutos de caminhada, conseguiu chegar em seu objetivo. Não era exatamente no Enlace que estava a coisa que ela tanto escondia, era alguns metros depois da saída. O laboratório secreto da Umbrella durante o Mundo Metálico.
—Consegui meu dispositivo aqui, com seis anos.— fala, pedindo ajuda para tirar a pedra da entrada.— Tem várias coisas interessantes do Mundo Metálico, inclusive o que quero mostrar a vocês.
—Vai demorar muito? Eu sai um pouco da minha rota, talvez muito.— fala, forçando um sorriso logo em seguida. Era péssimo ter que ficar fugindo, apenas por querer seu tempo sozinha, para chorar tudo o que havia guardado pelos últimos dias.
—Para onde você vai?— questiona, as duas conseguem abrir o caminho, enquanto checam se alguém ou algo estava olhando.
—Algum lugar seguro, que eu possa cuidar de tranquilamente.— dá de ombros, seguindo a ruiva.
—Você pode ficar, se quiser.— fala cuidadosamente.— Eu sei que ser exilada não é fácil, mas tem um método de ser aceita em uma das tribos. Chama-se Provação, e acontecerá daqui alguns anos, e...
, eu não quero ficar aqui. Eu não pertenço à tribos, ou ao Enlace, ou qualquer outro lugar daqui. Eu só quero ir embora, achar meu caminho, meu canto.— a corta, dando alguns passos a frente.
Não demoram muito para chegar no centro da base, onde a tal coisa esperava. Com dois metros de altura, braços mecânicos como o resto do corpo, com uma pequena luz acesa em seu interior, estava a coisa. Parecida mais com um ser humano, em formas metálicas.
—Um amigo meu trouxe isso pra cá. Disse que encontrou largado no meio da floresta. Tem uma etiqueta do nome: Boyce.
—É um experimento?— pergunta, alisando os fios soltos de Boyce.
—Provavelmente, um experimento inacabado. Como você sabe?
—Papai tinha um melhor amigo, ele se chamava Boyce também.— analisou a máquina de longe, fazendo algumas anotações mentalmente.— Se conseguirmos consertá-lo e depois ligá-lo, eu e chegamos em nosso destino mais rápido do que o esperado!

O sol castigava, estava a ponto de andar sem camisa, revirando os olhos a todo momento. não estava muito diferente, com alguns botões da camisa xadrez abertos, com uma capa de livro (que achara no chão) o abanando. Estavam à poucos quilômetros do esconderijo de Bill, e ainda não tinham visto nada vivo ou morto. Após poucos minutos andando, os dois conseguem chegar, finalmente, ao esconderijo. Mas, não é um Bill vivo que os surpreende. O corpo do amigo de estava jogado no chão, sem resquísios de sangue, bala, ou mordida. apostava que era apenas um coma alcólico, já que o amigo curtia beber. Entretanto, quando aproximou a mão do pescoço dele, checando a pulsação, soube imediatamente que tinha algo errado. Não havia pulsação. Bill estava morto, e não deixou nada que pudesse contar a causa da morte. respirou fundo, olhando para , balbuciando o ocorrido. A menina apenas assente, não sentia nenhuma afeto pelo homem, ainda, sim, era uma morte.
—Sem sinais de mordida, luta... Nada que possa caracterizar que ele foi atacado.— lamenta, levantando-se.
—Você acha que...— hesita, sabendo que aquilo geraria outra discussão. Porém, a curiosidade era maior.— Você acha que elas fizeram isso?
—Por que elas matariam Bill? Aliás, por que elas viriam até aqui?
—Por que elas foram embora?— ironiza, mesmo recebendo um olhar mortal.
—Nós vamos achar elas e perguntar o que elas estão fazendo. Melhor para você?
—Bem melhor.— revira os olhos, pegando um pedaço de madeira no chão.— Ei, o que acha de vasculhar o lugar? Podemos achar algo importante, ou coisa assim.
—Você fica com esse lado, eu fico com o outro.
seguiu para a esquerda, onde tinha vários suprimentos. Pegou-os, na intenção de fazer um coquetel molotov, bomba de fumaça, bomba de pregos, ou kit médico. Um gemido de dor a atrapalha, estava vindo do mesmo lugar que o corpo de Bill estava. Chegando lá, com o pedaço de madeira na mão, ela soltou a madeira, surpresa.
Como diabos estava ali? Ainda mais, sangrando?



6. Clonada?


Ela estava ali novamente. Com as mãos estancando o sangramento em seu abdômen, os cabelos emaranhados, a expressão de dor, e as roupas rasgadas. Diferente de quando fora, ela estava sozinha; não estava ali. Ela se aproximava vagarosamente de , que se mantinha com o semblante surpreendido. estava do outro lado da velha casa, vasculhando algum lugar aleatório, alheio a tudo que acontecia. Apenas o barulho de passos correndo foi capaz de o desconcentrar, e o fazer andar em passos apressados até onde estava. Mais um com o semblante surpreendido.
—Gente?— fala, com a voz ofegante.— Sou eu.
Os dois se entreolharam, com olhares cúmplices. Não estavam acreditando naquela mentira barata. Podia ser um novo tipo de vírus, que os faziam enxergar entes queridos. Ou até mesmo uma desmemoriada.
—Eu estou sangrando.— ofegou novamente, apertando a mão ainda mais sobre o abdômen.— Borboletita?
se entregou, indo rapidamente abraçar a amiga, que, mesmo morrendo de dor, a abraçou com o braço livre. queria chorar ali, estava começando a sentir remorso de a culpa de ter ido embora. Afinal, havia chances dela ter sido raptada. Eu também queria acreditar naquilo.
se manteve intacto, voltando a expressão vazia. Algo estava diferente nela; talvez as roupas, ou o modo de andar (que, ao invés de leve, parecia pesado). Quando ) o olhou, abrindo os braços, ele não recusou. Estranho, sabia que ele odiava troca de afetos, principalmente em público. Quando ela o soltou, ele viu algo diferente. Algo brilhante em seus olhos, que logo fez questão de sumir.
—Fiquei preocupada com vocês.— proferiu, dando um leve sorriso.
—Nós também. Você sumiu do nada.— falou, com um pingo de tristeza pairando na voz.— Onde está ?— segundos depois, a menina se amaldiçoou pela pergunta. A expressão de fora de alegre para cabisbaixa.
—Péssimas notícias sobre ela...— não precisou terminar, sabiam bem o que havia ocorrido.— Um estalador... Vocês sabem.
—Sinto muito.— falara junto com .
—Bom, agora podemos voltar para Tommy, certo?— questiona, arrumando a mochila nos ombros.
—Eu estou indo vingar a morte de minha irmã.— e, novamente, uma luz se acendeu entre seus olhos. Algo estava errado ali.
—Vingar o  quê? Vai matar todos os Estaladores que encontrar no caminho?— pergunta em tom de sarcasmo, porém, tinha um pouco de verdade.
—Eu sei quem estorou o surto. E, vai por mim, o filho da puta não vai sair ileso.— falara com tanta raiva, tanto rancor, que quase aceitou aquilo. Espera, estava mesmo caindo naquillo?
—Mas, já foi. Já destruiu famílias, cidades, entre outras coisas. E, outra, tem grandes chances do homem já estar morto, não tem?— tentava a fazer mudar de ideia, tomando cuidado com as palavras. Sentia-se num campo minado quando se tratava de , sendo obrigada a ter cautela em todos os momentos.
—Eu quero tentar, tá bem? Eu quero fazer a diferença, quero matar o filha da puta que fez tudo isso. Que matou Riley, Sarah, , e metade da população.
—Não podemos ir com você.— se pronuncia novamente, se aproximando com a mesma cautela de .— Isso é missão suicida.
—Podemos sim. Lembra: Segurança em números. Coisas assim.— teima.
—Ele tem razão, amor. É missão suicida.
estava carinhosa, explicitamente. A menina não era carinhosa, ela tinha vergonha de ser. No máximo, ela mostrava que se importava. Falava algumas coisas como "durma bem", "tome cuidado", "como foi seu dia?", e esse era o máximo de afeto que ela mostrava. Se caso acontecesse de ela fazer algo a mais, como dar um selinho carinhoso e impulsivo em , ou até mesmo sentar ao lado de e apoiar as pernas nas dele, ela não gostaria de ser descoberta, e, caso fosse, suas bochechas tomavam um tom avermelhado. achava que era impossível a menina se parecer mais com .
—Eu só preciso que me levem até um ponto, eu não vou conseguir chegar lá sozinha.— profere, olhando diretamente para o único homem ali.
—Ok. Podemos consertar um carro, e eu te levo até o lugar.— fala, mandando as adolescentes o ajudar a procurar alguma coisa que pudessem usar para sair de lá mais rápido.
Foram longos minutos procurando ferramentas, bateria, gasolina, entre outras coisas. estava agindo cada vez mais diferente, as vezes até parecendo levar um choque. estava alheia a tudo, mesmo a observando, ela não notava nada de diferente. O mais velho preferiu levar isso como seu próprio cérebro tentando lhe pregar peças.
O carro estava pronto. levaria , junto com , até o limite de três cidades a frente, e, considerando que poderiam encontrar vários empecilhos, demorariam algum tempo. entrou no banco de carona, no de trás, e dirigindo. Após alguns minutos de conversa, foi a única a adormecer. colocou a própria jaqueta em cima da garota, para servir de cobertor. Ou era coisa da cabeça do homem, ou a adolescente estava mesmo tentando sensualizar para seu lado; retirou a jaqueta vagarosamente, mordendo o lábio e olhando para a frente, e, quando esta saiu, puxou a regata mais para baixo, mostrando seus seios ainda em crescimento, mas com um volume notável. Quando foi colocar a roupa acima de , acabou esbarrando em , e o homem realmente achou que era proposital tudo aquilo.
—Desculpa.— murmurou, voltando à posição inicial.— ?— o mesmo respondeu com um "hum" leve.— Posso te perguntar uma coisa?
—Por que não tenta dormir um pouco? Na próxima cidade, você pode pegar o volante e...
—Há quanto tempo você está sem sexo?— o interrompeu, virando-se totalmente.
calou-se, engolindo em seco. Se fosse considerar a pergunta da garota, a resposta seria um horror. Mesmo antes do surto, com o trabalho e Sarah em seu pé, ele não tinha tanto tempo para pensar naquilo. As mulheres, casadas, mães, ou até as mais novas, sempre jogavam charme para cima dele, que negava com uma cara inexpressível. Com o surto, a situação tendeu a piorar. Não que ele e Tess tenham sido apenas amigos contrabandistas, que dormiam no mesmo lugar sempre que tinham alguma entrega. Ele tinha, sim, se aproveitado um pouco da amizade, assim como ela. Não surgiu nenhum sentimento, era só sexo. Agora, fazia mais de um ano que a mulher morrera, e, no acampamento de Tommy, não tinha tantas mulheres solteiras. Tirando e , não tinha nenhuma mulher solteira. E, convenhamos, um homem daquela idade dar em cima de adolescentes de quinze e catorze anos não seria visto bem. Não negaria que estava se tornando uma bela moça, todavia, ele se contentava em ser apenas o pai adotivo dela. E agora a moça estava ali, fazendo perguntas evasivas, e se abrindo para seu lado. Algo, definitivamente, estava errado.
—Por que diabos você quer saber?— respondeu, enfim.
—Porque você é muito... você sabe, para ficar sem sexo por muito tempo.— terminou puxando a regata para cima, o homem fez questão de desviar o olhar, não que aquilo faria algum efeito.— Eu sei que você quer olhar.— puxou o rosto do homem, e este quase bateu a face contra seus seios.
, querida, pelo amor de Deus, se veste.— implorou.
—Eu não quero me vestir, eu quero que você me use.— ameaçou a desafivelar o sutiã, e, mesmo com reclamações,ela conseguiu.
se amaldiçoava. Chorava baixinho, tentando não chamar atenção, tentando não atrapalhar o momento. Havia acordado quando puxou a regata para cima, acordou com o som de sua voz falando asneiras. estava se sentindo tola. Tola por gostar tanto de e não ter coragem de assumir, por ter deixado a menina ter ido embora, e, agora que a mesma voltou, por ter deixado-a cair nos braços de . Um soluço falhou, sendo alto demais, e chamando atenção dos dois para ela. Continuou encolhida, limpando as lágrimas rapidamente.
?— a chama, porém sua voz a inoja.— Você está bem?
Ela não queria acreditar, não podia acreditar. estendeu a mão, tentando tirar alguns fios de cabelo do rosto da outra, e é parada pela mão de .
Quando pequena, ela andava de patins, porém, sempre caia. Em uma segunda-feira de verão, estava andando na calçada de casa, esperando o carteiro chegar. O carteiro chegou de repente, ela se assustou e acabou caindo por cima de um arame farpado no chão. A situação rendeu uma marca enorme nos pulsos e costas da garota, mas essa outra garota não tinha a marca.
—O que você fez com ela?— o homem pergunta, encostando o carro e sacando a arma mais próxima. A pessoa, a tal endiabrada, sorria satisfeita, ignorando estar na linha de frente de uma poderosa arma.
—O que eu fiz com ela? Com aquela coisa humana?— soltou uma risada de escárnio, deixando a pérola que oscilava de cor aparecer em sua testa.— Não é "o que eu fiz com ela"; é "o que ela fez comigo", entendeu? Aquela filha da puta me jogou dentro de uma jaula.
—Do que você está falando?— pergunta, estava tão confusa e com raiva de .
, aquela indemoniada. Ela fez tudo isso. Ela fez a Umbrella me jogar dentro da porra de um tubo de ensaio.— sua voz vacilou, parecendo embargada, porém, logo voltou ao tom ameaçador.— Eu só queria ajudar vocês.
—Você sabe onde ela está?— e sua curiosidade.
—No inferno, amém.— sorriu irônica, revirando os olhos. Era impossível de saber como a outra conseguia gostar daquela coisa frágil e medrosa.
—Tem duas ? É isso?— questiona, ainda mais confuso. Na verdade, estavam todos confusos.
—Não. Tem a original, que sou eu, e a outra.— deu de ombros.
—Conta essa história direito e para de graça, você tem duas magnums apontando pro seu peito.
—Primeira coisa, querido : Eu sinto, ela sente. Se você atirar em mim, atinge ela. É escolha sua.—se aproximou perigosamente. Soltou o ar pela boca, cansada de fazer teatro.— Mamãe me colocou em um tubo de ensaio por culpa dela, especialmente dela. Ela era boa, tinha um QI alto, todas essas baboseiras de ser especial. Porém, quando ela se revoltou, pegou a bastarda, e fugiu, mamãe não tinha outra opção, investiu em mim. Eu sai do tubo, e a minha primeira missão era encontrá-la.
—Tubo de ensaio? Mamãe? O pai de era um grande cientista, trabalhava juntos com os vaga-lumes...
, para de misturar o cu com a cueca.— revirou os olhos.— Enfim, eu sou a substituta dela, e estou aqui para ajudar vocês.
e trocaram outro olhar cúmplice. Não acreditaram nenhum segundo naquela coisa. Com um aceno de cabeça, permitiu que atirasse. Acabou sendo um tiro perdido, uma vez que a criatura sumira.

Respirou fundo, sentindo algo atravessar no corpo. olhou assustada para , vendo-a perder o ar. , que estava distraída no outro lado do laboratório, veio correndo ao encontro da irmã. Havia um buraco de tiro em seu abdômen, e nenhuma das três sabiam como parar lá. A outra observava tudo de longe, sorrindo ironicamente.

"Minha inteligência garante minha sobrevivência. Meu desempenho garante minha visibilidade. Porém, nada daquilo superava o sentimento de poder sair da caixa novamente."
A Lagarta — Pizzle



Continua...



Nota de autora:Até a próxima, crianças.



Eu não tenho como objetivo incentivar NADA do que acontece na fic. É apenas uma ficção, que não deve ser interpretada na vida real. Não fiquem com homens mais velhos se você tem menos de dezoito anos, ok?

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