Última atualização: 03/06/2018

Un

abriu a porta de seu apartamento no centro de Londres enquanto cantarolava uma música que não saía de sua cabeça desde que a escutara no rádio pela manhã, quando dirigia até Cobham, o centro de treinamento do Chelsea Football Club. Não sabia quem cantava, como se chamava, e certamente estava pronunciando um monte de frases desconexas, mas era uma canção animada o bastante para merecer fazer parte da trilha sonora daquele sábado que parecia mais colorido do que todos os outros dias daquela semana, e não apenas porque o sol havia resolvido dar as caras. Dali a poucas horas estaria indo buscar sua namorada no aeroporto e mal via a hora de vê-la depois de mais de um mês separados.
De vez em quando, tinha dúvidas de que não estava sonhando e realmente namorava com a garota por quem suspirava nos tempos de escola, quando mal tinha coragem de olhar nos olhos dela. era a melhor aluna da turma, bonita e inteligente demais para dar bola para um garoto que se sentava no fundão e só queria saber de jogar futebol. Em sua cabeça, pelo menos, ela parecia inalcançável para alguém como ele.
Os anos se passaram, entretanto, os dois acabaram se reencontrando graças a alguns amigos em comum e se surpreendeu quando, assim que bateu os olhos em em uma pequena reunião na casa de seu melhor amigo, se pegou sentindo a mesma curiosidade que ela despertava nele no passado. A diferença era que ele havia se tornado , um jogador de futebol prestigiado o bastante para achar que, finalmente, poderia ter alguma chance com a melhor aluna da turma. A noite que passou com ela na casa que tinha em , a cidade natal de ambos, acabou se repetindo diversas vezes pelo ano seguinte.
Apesar disso, sentia que algo estava errado. Por mais que conhecesse não apenas na cama, mas também quem ela realmente era como pessoa, parecia que faltava alguma coisa. Diversas vezes sumia do mapa, não respondia suas mensagens e não dava explicações plausíveis quando ressurgia. Aquilo o intrigava, mas ele acabava relevando, já que as oportunidades que tinha de vê-la pessoalmente não eram assim tão constantes graças à sua agenda atribulada como jogador do Chelsea, até o dia em que se deu conta de que um dos sumiços dela parecia que seria permanente.
foi até e não desistiu até encontrá-la. Foi então que descobriu que tinha uma filha de, na época, 5 anos, fruto de um caso que teve com um professor da faculdade de quem era monitora. Os dois foram casados por alguns anos, até a mulher descobrir que ele a traía com outra aluna, mas, depois de um tempo separados, tentaram reatar o casamento por acharem que era o melhor para Jade. Aquilo tudo foi um balde de água fria para o que, naquela altura, estava completamente apaixonado por e ele achou melhor se afastar. Mas é claro que, eventualmente, eles voltariam a se encontrar, afinal, o melhor amigo dele namorava com a melhor amiga dela.
Esse primeiro reencontro aconteceu na França alguns meses depois de descobrir toda a verdade. Estava lá para disputar a Eurocopa com a Seleção e ela para assistir. Seus melhores amigos estavam lá, assim como Jade, a filha de por quem ele logo se viu completamente encantado. havia decidido se divorciar de Lukas, daquela vez para valer, e, os dois de cabeça fria, puderam sentar, conversar e resolver as pendências que tinham. Ambos concordavam que o que tinham não havia acabado, ainda gostavam de estar juntos e sentiam que valia a pena tentar de novo. Antes de sua seleção ser eliminada do campeonato, a convidou para um jantar romântico no terraço de um hotel parisiense, de onde podiam ver a Torre Eiffel toda iluminada, e, no final da noite, a pediu em namoro. Aquele dia estava a pouco mais de um mês de completar um ano.
se via cada dia mais apaixonado por , pela mulher que ela havia se tornado. A via mais madura do que quando eles se envolveram pela primeira vez, assim como se sentia mais maduro também. Quando parava para pensar em como seria seu futuro, sempre estava ao seu lado e em todos seus planos.
Assobiando despreocupadamente, o jogador largou a mochila que levava nas costas sobre a cama e tirou o casaco que fazia parte do uniforme de treino do Chelsea. Quando deu meia volta com o intuito de ir até a sala de estar para jogar videogame até a hora de ir até o aeroporto buscar , constatou que não estava sozinho em casa como pensava quando seus olhos pousaram em outros dois que o observavam atentamente, acompanhados de um sorrisinho de canto.
- Fuck! - berrou, dando um pulo para trás, e levou uma das mãos ao peito, exatamente a região onde seu coração pulava, e uma gargalhada alta preencheu o ambiente silencioso.
- Você tinha que ter visto a sua cara! - exclamou a mulher que estava próxima à porta do banheiro, ainda em meio a risos. - “Fuck”, é? Olha ele, tá todo inglesinho - debochou e o outro mostrou a língua em resposta.
- Quer me matar, mulher? - disse, se recuperando do susto. - Posso saber o que a senhorita tá fazendo aqui? Você não chegava só mais tarde?
- Surpresa - falou, abrindo os braços, e caiu na risada mais uma vez. - Eu menti o horário do meu voo pra te fazer uma surpresa. Ou, talvez, tenha sido pra conferir o que o senhor apronta aqui em Londres sem mim - disse em um tom divertido, semicerrando os olhos para se fingir de desconfiada.
- Ufa, ainda bem que não trouxe nenhuma das minhas inglesas comigo hoje - o jogador retrucou em um tom aliviado e abriu um sorriso travesso em seguida.
- É o que, ? - disse a outra, cruzando os braços, e foi a vez dele de rir escandalosamente.
- É óbvio que é brincadeira. Vem cá - ele falou, se aproximando da namorada, e tentou a segurar pela cintura, mas a mulher se desvencilhou. - Para, amor. Você sabe que eu só tenho olhos pra uma mulher nesse mundo e essa mulher é você mesma.
- Eu não sei de nada - rebateu, deixando que a puxasse para perto, mas ainda estava de braços cruzados e emburrada enquanto prendia o riso.
enterrou a cabeça em seu pescoço para depositar beijinhos pela região que ele sabia ser um dos pontos fracos de e subiu os lábios até encostar levemente nos dela.
- Eu estava morrendo de saudade - disse e mordiscou o lábio inferior da outra.
- Estava mesmo? - ela questionou com um sorriso de canto.
- Você sabe que sim - o outro respondeu, a puxando para ainda mais perto.
envolveu o pescoço dele com os braços e beijou sua boca rapidamente, um beijo estalado.
- E por que ainda não estamos ali na sua cama matando essa saudade toda?
O camisa 10 do Chelsea soltou uma risada alta antes de pegar no colo, a fazendo soltar um gritinho de susto e abraçá-lo com mais força. Ele a carregou até a cama, a jogou sobre o colchão e logo estava tomando os lábios dela com os seus. As pernas da mulher o envolveram pela cintura e os dois se entregaram a um beijo sedento que extravasava toda a saudade que sentiam um do outro.
Contudo, se lembrou de um pequeno, falante e bastante risonho detalhe, e isso o fez quebrar o beijo.
- Espera aí - falou e a outra franziu o cenho sem entender o motivo da interrupção. - Cadê a Jade?
- Ah, acabei desistindo de trazer ela.
- Mas por quê? Eu tinha pensado em um monte de programas infantis pra gente fazer.
- É que o aniversário do Lukas é na semana que vem e ele resolveu que quer comemorar com a filha esse ano - explicou e mostrou um sorriso irônico.
- Inventou essa só porque vocês vinham pra Londres? - questionou, abismado.
- Pois é… - a outra rebateu, rolando os olhos.
- Babaca - ele disse e riu, balançando a cabeça negativamente. - Mas tudo bem, fica pra uma próxima oportunidade. Agora a gente tem coisa melhor pra fazer do que ficar falando do seu ex.
sorriu quando sentiu a boca de tocar seu pescoço e distribuir beijos molhados e mordidinhas que a faziam sentir cócegas ao mesmo tempo que um calor subia por todo seu corpo.
- Pensando bem, até que ele fez um favor pra gente, uh? - disse , adentrando as mãos pela blusa que ela vestia. - Claro que a Jade seria muito bem-vinda aqui, mas passar uns dias sozinho com você vai ser interessante.
- Ah, é? O que você tem em mente? - perguntou, provocativa, passando as unhas suavemente pela nuca dele.
- Só sair dessa cama quando estiver exausto - falou, piscando um olho. - E você sabe que eu tenho energia de sobra.
- E tem a língua grande demais também. Só quero ver se vai ser isso tudo que tá dizendo mesmo.
- Você tá duvidando de mim, ? - questionou e abriu a boca, ofendido, quando ela assentiu com a cabeça. - Eu vou começar te mostrando o tamanho da minha língua.
A mulher riu alto, deixando que ele tirasse sua blusa, e soltou um longo suspiro cheio de expectativa quando apertou seus seios enquanto descia os lábios por sua pele. Ele mostrou um sorriso torto antes de abrir a calça jeans justa que ela vestia.

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O Stamford Bridge estava completamente azul e barulhento depois da última rodada da Premier League da temporada 2016-2017. O Chelsea tinha acabado de vencer o Sunderland por um placar de 5x1 em uma partida que havia sido como uma grande festa desde o apito inicial, pois eles já eram campeões desde a penúltima rodada. Enquanto os jogadores estavam no vestiário se recompondo depois de todo o suor derramado durante os 90 minutos de jogo, um palco era montado no centro do campo para que o capitão John Terry pudesse levantar a taça mais desejada do futebol inglês.
vestia uma camisa do Chelsea com o nome de estampado nas costas que o próprio fizera questão de que ela vestisse antes de os dois saírem de casa mais cedo. Estava na arquibancada ao lado de Adriana, a esposa de César Azpilicueta, e os dois filhos pequenos do casal, uma menina e um garotinho. A espanhola, dentre as esposas dos jogadores que eram amigos mais próximos de , era com quem tinha mais contato desde que passara a ir com frequência para Londres. não era fluente em inglês, apesar de possuir um conhecimento bastante amplo do idioma, e o fato de Adriana saber um pouco de francês e ter sido bastante receptiva desde o momento em que as duas foram apresentadas havia contribuído para tal, além, é claro, de as duas serem mães e terem assunto de sobra.
Quando voltaram ao campo, os blues foram recebidos com muita euforia. Os jogadores foram apresentados um a um ao receberem suas medalhas de campeões ingleses e se encheu de orgulho quando o estádio inteiro saudou com palmas e gritos, mostrando como ele era querido por ali. Depois que o troféu foi entregue ao time, familiares e amigos foram liberados para irem até o gramado para se unirem aos jogadores na tradicional volta de honra pelo campo.
procurava por em meio à confusão de pessoas, mas sua busca se tornou desnecessária assim que foi abraçada por trás.
- Eu tô tão feliz que você tá aqui - disse a voz de próxima ao seu ouvido, a fazendo esboçar um pequeno sorriso.
Ela se soltou dos braços dele e deu meia volta para encará-lo.
- Parabéns, meu amor. Vocês mereciam esse troféu - ela falou, o abraçando com força.
- Eu sei - rebateu o outro, esnobe, e recebeu um tapa estalado no braço como resposta.
- Deixa de ser metido.
- Tô só brincando! - se defendeu, esfregando o local atingido. - Obrigado, eu não estaria aqui sem a sua ajuda.
apenas sorriu, se lembrando das tantas vezes em que passou horas conversando no telefone ou mesmo pessoalmente com o namorado e ouviu uma série de desabafos sobre o time estar indo de mal a pior. Isso no início da temporada, quando haviam acabado de trocar de técnico e o time ainda não estava entrosado o suficiente. Ela não entendia muito de futebol, mas seus anos estudando Psicologia a ajudavam a dar bons conselhos e não permitir que deixasse de acreditar no time ou em si mesmo.
Deixou que ele pressionasse as mãos em suas bochechas para beijá-la com carinho, mas foram interrompidos quando o mascote do time os envolveu com seus braços. soltou uma gargalhada enquanto era espremida entre o corpo de e a fantasia de leão, e o jogador se desvencilhou do abraço e ameaçou partir para cima do mascote, que saiu correndo. correu atrás dele e a mulher ficou apenas os assistindo com um sorriso no rosto quando ele achou uma bola perdida no campo e a jogou de um pé para o outro, driblando o mascote, antes de enfiá-la entre as pernas do rapaz.
- E aí, ? - uma voz disse, a fazendo tirar os olhos do namorado, que ria como uma criança, para encontrar os outros dois jogadores do Chelsea conterrâneos a ela.
- Oi, Thibaut. Michy - falou, sorrindo, e cumprimentou os dois com um beijo rápido na bochecha de cada um. - Parabéns pela conquista, garotos.
- Valeu - o goleiro agradeceu, piscando um olho, e voltou a seguir o fluxo de jogadores, que caminhavam pelo campo em meio às crianças que corriam e jogavam bola.
Mesmo após quase um ano se relacionando com oficialmente, ainda não se sentia completamente à vontade com Thibaut. Sabia que ele não era seu maior fã depois de tudo que ela havia feito passar ao omitir que estava se divorciando e, principalmente, que tinha uma filha. Não tirava a razão dele, se sentia envergonhada pelas péssimas decisões que havia tomado, fazendo as coisas se complicarem desnecessariamente, mas esperava que um dia os dois pudessem ser amigos.
voltou a se aproximar, dessa vez segurando a taça da Premier League, e puxou para os dois posarem para os fotógrafos que acompanhavam o momento. Em seguida, os dois se uniram aos outros na volta pelo campo para saudar e agradecer o apoio da torcida por mais uma temporada.
- É uma pena a Jade não estar aqui - disse , observando a festa que os filhos de seus companheiros de equipe faziam pela grama.
- É mesmo, ela ia adorar. Tá virando torcedora do Chelsea por sua causa - comentou, fazendo uma careta, mas sorriu ao se lembrar de como Jade vinha se apaixonando cada dia mais por futebol e não aceitava perder um jogo do Chelsea ou da Seleção . Era muito bom ver que, apesar de todos seus erros, tratava Jade como se fosse sua filha.
- Eu amo essa garota - ele falou, rindo, e abraçou a namorada de lado. - Te amo também.
- Eu também te amo - a outra rebateu e os dois sorriram um para o outro antes de trocarem um beijo estalado.

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tateou o colchão e resmungou algo incompreensível ao encontrar o vazio no outro lado da cama. Abriu os olhos, se deparando com o quarto escuro, e se espreguiçou antes de se levantar completamente nua. Procurou por sua calcinha dentre o bolo de roupas jogadas no chão e vestiu a peça íntima quando a encontrou, assim como a camisa do Chelsea que usava quando chegou ao apartamento de no final da tarde, depois que os dois voltaram do estádio. Saiu do quarto em seguida e encontrou, na sala de estar, dando uma mordida generosa em um hambúrguer enquanto assistia televisão.
- Pensei que jogadores de futebol não podiam ficar comendo essas porcarias - acusou, se sentando ao lado do namorado no sofá, e não pôde evitar uma risada quando o outro a encarou com um olhar culpado.
- Eu tava morrendo de fome - ele falou de boca cheia, se defendendo.
- E não tem comida saudável nessa casa?
- Fome de hambúrguer - acrescentou o jogador, a fazendo rir. - Eu fiz um pra você também, tá lá na cozinha.
- E minha dieta vai pro espaço, né? - falou, fazendo uma careta, e recebeu um olhar incrédulo.
- Dieta pra quê?
- Pra emagrecer - respondeu com uma mistura de obviedade e incerteza.
- Pra quê? - o outro voltou a perguntar, mas não esperou por uma resposta e continuou: - Você tá gostosa, . Não precisa ficar grilada com nada disso, não.
- O Lukas nunca hesitou em falar que eu engordei depois que a Jade nasceu - a mulher comentou e riu anasaladamente.
- Que bom que eu não sou o Lukas - disse, lançando um olhar torto em sua direção, e riu levemente, um riso irônico. - Você ainda se importa com o que esse babaca pensa?
- Não, não é isso - se apressou em dizer ao ver que o namorado havia interpretado seu comentário errado. - É que você me ajuda a perceber como ele me tratava mal. Eu tinha acabado de botar a filha do cara no mundo e ele não perdia a oportunidade de dizer que eu estava gorda.
ficou em silêncio por algum tempo, terminando de comer seu hambúrguer e perdido em seus próprios pensamentos.
- O que te fez se apaixonar por ele? - questionou algum tempo depois, fazendo uma intrigada virar a cabeça para fitá-lo.
- Sei lá, , que pergunta - respondeu, franzindo o cenho. Encarou as próprias unhas e, ao refletir sobre o assunto, tentou pensar como a de 18 anos. - Acho que foi o fato de ele ser um cara culto, inteligente… Eu me identifiquei bastante com a disciplina de neuropsicologia que tive com ele, acho que isso tudo contribuiu.
meneou a cabeça, assentindo, e quase se viu perguntando o que havia a feito se apaixonar por ele, que não era um cara muito inteligente, muito menos culto, e não tinha ideia do que era neuropsicologia. No entanto, se poupou de fazer tal questionamento, pois não queria demonstrar a insegurança que sentia sempre que se comparava com Lukas, por mais que soubesse que ele era um grande babaca e nunca havia feito por merecer uma mulher como .
- Obrigada pelo apoio moral - a voz feminina disse, chamando sua atenção -, mas, na verdade, não estou seguindo uma dieta mais saudável apenas pra emagrecer. É que eu fiz alguns exames recentemente e estou com algumas coisas alteradas, preciso cuidar mais de mim. Emagrecer é só uma consequência, não o objetivo.
- Eu vou fazer um lanche pra você então - disse, esboçando um sorriso fechado, e se inclinou para beijar os lábios da namorada antes de se levantar e ir até a cozinha.
Alguns minutos depois, voltou com um sanduíche natural feito de pão integral e um copo de vitamina de banana. encarou aquela simples atitude com bastante apreço. Sabia que tinha sido sincero ao dizer que ela não precisava emagrecer, mas, o fato de ele respeitar sua decisão de ter uma alimentação mais saudável e aproveitar a deixa para tentar perder alguns quilos, era o tipo de coisa que a fazia sorrir com muita facilidade.
Quando terminou de comer, o jogador pegou o tablet que havia largado sobre a mesinha de centro mais cedo e deu alguns toques na tela antes de entregar o aparelho para ela, que o pegou com a curiosidade estampada no rosto.
- Eu fui visitar essa casa outro dia. O que você acha?
- Ué, você tá querendo se mudar daqui? - a mulher perguntou, surpresa, já que não havia dado qualquer indício de que estava planejando ir morar em outro lugar.
- Eu preciso de mais espaço pros meus troféus - ele retrucou, tentando soar sério, mas gargalhou quando a outra revirou os olhos.
- Você se acha demais, - falou, rindo. - Onde fica essa casa?
- Em Surrey, a maioria dos caras mora por lá. Morar mais perto de Cobham vai facilitar minha vida.
A outra balançou a cabeça em sinal de compreensão e, em seguida, desceu os olhos para o tablet em suas mãos e passou as fotos dos cômodos espaçosos da casa uma a uma.
- Mas não acha que é grande demais pra você morar lá sozinho? - externalizou o primeiro pensamento que passou por sua cabeça.
- Não é tão grande assim pra eu, você e Jade - pontuou, fitando os olhos de , e sentiu um frio na barriga devido à expectativa que a falta de reação por parte da namorada desencadeou.
- Você tá pensando em comprar essa casa pra que a gente venha morar com você? - perguntou após algum tempo e o outro levantou os ombros.
- Eu vim morar nesse apartamento em outra fase da minha vida. Era sozinho, só precisava de espaço pra mim e queria estar perto do centro porque aqui tem tudo o que um cara solteiro precisa. Agora, eu tenho você e a Jade, acho que preciso de mais espaço pra receber vocês. Inclusive, a Jade pode ter um quarto na casa nova com todas as coisas que ela gosta, onde ela vai se sentir mais à vontade - explicou calmamente, sob o olhar atento da namorada. - Mas, respondendo a sua pergunta, eu gostaria que vocês viessem morar comigo, sim. Em Londres vocês duas vão ter mais oportunidades do que em . Aqui tem ótimas escolas pra Jade e você também pode voltar a estudar, aperfeiçoar seu inglês e terminar sua faculdade de Psicologia… Ou fazer qualquer outra coisa que queira.
mordeu o lábio inferior enquanto o encarava, estava totalmente sem palavras.
- Eu tenho medo de que a gente acabe se precipitando - respondeu, sincera, e soltou um longo suspiro.
- , já estamos há um tempão juntos - rebateu e riu anasaladamente. - Não acho que você vir morar comigo seja precipitado depois de tudo pelo que passamos.
- É que não depende só disso, amor - a outra disse cautelosamente. - Minha vida inteira tá em .
- O que te prende lá? Você mal tem contato com a sua família e tem um emprego que não gosta.
- Mas, ainda assim, é o meu emprego - retrucou, soando um pouco ofendida. - Pra mim, significa a minha independência, algo que eu consegui por conta própria. Não quero viver às suas custas.
- Eu só vou te dar uma força pra voltar a estudar, jamais tiraria a sua independência - o jogador disse na defensiva.
- Também tem o Lukas, . Ele vai surtar se eu, simplesmente, trouxer a Jade pra Londres.
- Ela pode visitá-lo quando quiser - ele disse, mas bufou, desistindo daquela conversa e de mostrar outras casas para a mulher, e tirou o tablet das mãos dela. - Tá bom, eu já entendi que você não quer morar comigo. Esquece isso.
Um pouco assustada, o observou se levantar do sofá e largar o aparelho de volta na mesinha de centro.
- Não quer dizer que eu nunca vá querer morar com você, só acho que ainda não é o momento. Não seja mimado, . Esse não é você.
- Eu vou tomar banho - foi o que ele disse antes de dar meia volta e sumir pelo corredor.
soltou um longo suspiro frustrado. Entendia que queria tê-la por perto e ela também queria o mesmo, mas não era tão simples assim fazer as malas e ir morar em Londres. Ela tinha uma filha com outro homem, alguém que também tinha poder de decisão em tudo que envolvesse Jade, e não achava que Lukas aceitaria aquela mudança de forma amigável. Precisava de tempo para pensar, amadurecer a ideia e fazer tudo muito bem pensado. Havia agido por impulso tantas vezes no passado e feito escolhas que haviam a feito sofrer muito, aquilo tudo a fez amadurecer e aprender a ser mais cautelosa. Precisava que entendesse seu lado também.
Depois de desligar a televisão e deixar a louça suja dentro da pia da cozinha, foi até a suíte do apartamento. Seguiu o som do chuveiro e adentrou o banheiro, onde tomava banho. Se despiu da camisa do Chelsea e da calcinha que vestia e se juntou ao namorado no box.
a encarou com olhos inexpressivos enquanto se ensaboava, mas não demonstrou ter se importado por ter seu banho invadido.
- Eu vim pra gente aproveitar um tempo juntos, não pra gente se desentender - disse, o abraçando pela cintura. - Podemos começar a conversar sobre essa ideia de morarmos juntos, não tenho nenhuma ressalva quanto a isso, só te peço que tenha um pouco de paciência.
- Tudo bem, - o outro disse, sentindo o coração amolecer como sempre acontecia quando estava diante daquela mulher.
- Não fica com essa cara - ela falou, fazendo um biquinho, e apertou a barriga do namorado. - Mostra um sorrisinho pra mim, vai.
não pôde impedir um sorriso de despontar em seu rosto, mas não disse nada. Empurrou até que as costas dela se chocassem à parede e grudou os lábios aos dela para um beijo que logo os tirou da realidade, os fazendo esquecer completamente do conflito de opiniões que haviam acabado de ter enquanto, juntos, tomavam um banho delicioso.

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estava emburrado desde o dia anterior, depois da derrota para o Arsenal na final da FA Cup. Nem o título de campeão inglês conquistado uma semana antes fora capaz de tornar aquele segundo lugar menos intragável. Havia sido, oficialmente, a última partida do Chelsea da temporada e o jogador teria alguns dias livres até ter que se concentrar com a Seleção para alguns amistosos e, só então, estar de férias. Ele e decidiram passar aqueles dias de folga na cidade natal de ambos, , onde poderiam reencontrar os amigos e, principalmente, Jade. Uma semana longe da filha havia sido o suficiente para fazê-la morrer de saudade.
- Eu vou dar um pulinho na casa do Lukas pra buscar a Jade - avisou enquanto ajudava a colocar as malas para dentro da casa que o jogador tinha na cidade e onde ela e a filha estavam morando desde que haviam oficializado o namoro. Não que tivesse aceitado a oferta de primeira, mas, depois de muita insistência por parte de , acabou topando; a casa não ficaria vazia enquanto ele estivesse em Londres e, pelo menos, era um custo a menos tirado de sua renda mensal.
- Quer que eu vá com você? - o outro questionou, prestativo.
- Não precisa, vai descansar um pouquinho - ela respondeu, mostrando um sorriso fechado. Estava estampado no rosto de que ele não estava nem um pouco a fim de ter que sair de casa naquele momento, tendo acabado de chegar de viagem depois da partida difícil que tivera no dia anterior. - Até daqui a pouco.
se aproximou do namorado para beijá-lo rapidamente e, em seguida, saiu da casa, batendo a porta atrás de si.
Ao se ver sozinho, o outro carregou as malas para o andar superior e encontrou o quarto principal um pouco bagunçado, o que denunciava a correria com que havia saído de casa quando foi para Londres na semana anterior e isso o fez rir levemente. Foi até o banheiro em seguida, disposto a tomar um banho antes que chegasse de volta com Jade. Tirou a camiseta que vestia, a jogou no cesto de roupa suja e, quando abria a calça jeans para dar um destino idêntico à mesma, parou no meio da ação assim que seus olhos pousaram em uma embalagem que havia sido largada sobre a pia. Levantou as sobrancelhas, surpreso, quando, mesmo de longe, se deu conta de que se tratava de um teste de gravidez.
Ele não se conteve em dar alguns passos e pegar a caixa sobre a pia para descobrir que a mesma se encontrava vazia. Ficou a encarando por algum tempo, chocado demais para conseguir entender a confusão de pensamentos que o tomou. Estaria grávida? Ou era apenas uma desconfiança e o teste havia sido feito por precaução? Mas por que ela não comentara nada com ele? se sentia perdido e, inclusive, um pouco decepcionado. Era o tipo de coisa que ele esperava que compartilhasse com ele mesmo que fosse apenas um alarme falso.
Acabou, por fim, largando a embalagem no mesmo lugar em que a encontrou e voltou a se despir para entrar no box. Enquanto tomava um banho rápido, não pôde evitar pensar sobre como seria ter um filho ou uma filha com . Ele adorava crianças e, com certeza, receberia a notícia com muita alegria, ser pai um dia era um sonho que ele tinha desde moleque. Foi impossível não imaginar também as mudanças que isso traria para sua vida e a de e se ela, enfim, aceitaria o convite para morarem juntos em Londres, pois ele faria questão de estar por perto durante a gravidez e, principalmente, quando a criança nascesse.
Pôde ouvir vozes no andar inferior quando saiu do banho e, após colocar uma roupa confortável, desceu as escadas para encontrar e Jade vendo algo no celular da mais velha e conversando animadamente.
- Ei, baixinha - ele disse, chamando a atenção das duas, e a garotinha se virou para ele com um sorriso que ia de orelha a orelha.
- Oi, tio - falou ela, se levantando do sofá.
O jogador a cumprimentou com um abraço apertado, a tirando do chão.
- Tá ficando enorme, hein? Daqui a pouco não vou aguentar mais te pegar no colo - brincou ao soltá-la. - Senti sua falta lá em Londres.
- É que teve o aniversário do meu pai - Jade respondeu, dando de ombros. - Mamãe falou que vocês se divertiram muito no estádio.
- Ela até tirou foto com a nossa taça, acredita? - o outro disse, cruzando os braços, e sorriu para a namorada.
- Eu queria tanto ter ido - a menina murmurou, demonstrando a tristeza que sentia por ter perdido aquele momento.
- Quem sabe ano que vem, uh? - disse e a consolou com um carinho no topo da cabeça.
- Mas e se o Chelsea não for campeão? - ela perguntou, preocupada.
- Eu não acredito que ouvi isso - ele rebateu, ofendido, e estreitou os olhos. - Essa menina não tem amor à vida, .
- É sério, tio ! Como que eu vou tirar foto com a taça se o Chelsea não for campeão?
- É claro que vamos ser campeões, sua bobona - o jogador falou, mostrando a língua, e se inclinou para fazer cócegas em Jade, que soltou um gritinho e saiu correndo para perto da mãe mais uma vez.
- , tá com pique pra sair mais tarde? - questionou ao mesmo tempo que digitava algo no celular. - A Florence acabou de chamar a gente pra jantar fora com ela e o Nicolas. Disse que vai ver com a Yana e o Vincent também.
- Pode ser - ele respondeu, dando de ombros. Apesar do cansaço, estava louco para rever os amigos. - Eu posso falar com você rapidinho, ?
- Claro - ela respondeu um pouco desconfiada quando o viu apontar para a escada discretamente. Se virou para a filha e a entregou o celular. - Aqui, Jade, continua vendo as fotos. Daqui a pouco termino de te contar como foi a viagem.
- Tá bom - a garota disse, se entretendo com o aparelho, e sequer notou a troca de olhares entre os outros dois.
seguiu até o quarto e o observou fechar a porta enquanto imaginava mil e um motivos para o namorado querer conversar com ela a sós, sendo que durante toda a viagem de Londres até nada parecia fora do normal.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou, franzindo o cenho, e o outro respirou fundo.
- , você tá grávida?



Deux

- Estou grávida!
Os quatro pares de olhos que encaravam o casal com curiosidade se arregalaram ao absorverem as palavras ditas pela mulher e, por um momento, eles se esqueceram completamente que estavam em um restaurante. Gritinhos e exclamações de comemoração chamaram a atenção de funcionários e outros clientes, mas nenhum deles realmente se importou. Até mesmo Jade, que estava concentrada em um joguinho no celular da mãe, deu um pulinho na cadeira.
- Parabéns! - Yana exclamou, se levantando da cadeira para contornar a mesa e envolver a amiga em um abraço apertado. - Ai, Florence, você vai ser uma mamãe tão maravilhosa!
tinha um sorriso nos lábios enquanto observava Vincent, Yana e parabenizarem Florence e Nicolas, e também deu um abraço em cada um dos dois de forma mais comedida, pois, para ela, aquilo não era uma novidade.
Todos se acomodaram novamente em seus lugares em volta da mesa redonda e, naturalmente, o assunto que dominou todo o jantar foi o bebê que nasceria dali a oito meses. era o único que se mantinha um pouco alheio à conversa. Sua mente ainda estava na cena de mais cedo, quando questionou sobre o teste de gravidez que encontrou sobre a pia do banheiro.
O camisa 10 do Chelsea e da Seleção tinha aquela vontade de ser pai que nem ele mesmo conseguia explicar. Talvez fosse por ter nascido em uma família grande e bastante unida, com três irmãos que eram também seus melhores amigos. Ele queria formar sua própria família um dia, ter filhos e criá-los com o mesmo carinho com que havia sido criado, passar para eles os mesmos valores que havia aprendido com seu pai e sua mãe e, é claro, o amor pelo futebol também. Era uma vontade que tinha guardada dentro de si e não pensava sobre ela frequentemente, pois sabia que as coisas aconteceriam quando fosse a hora certa, mas, ter diante de si a possibilidade de estar grávida de um filho seu, o fez, inconscientemente, desejar com todas as forças que ela realmente estivesse.

- , você tá grávida?
- Claro que não! Por que você tá perguntando isso?
- Porque tem um teste de gravidez no nosso banheiro.
- Ai, meu deus. É da Florence! Ela veio fazer aqui antes de eu viajar, pro Nicolas não desconfiar. Ela queria fazer uma surpresa.

O diálogo se repetia em sua mente insistentemente e não tinha ideia do que havia dito na hora, talvez tivesse apenas murmurado qualquer coisa sem sentido. contou com um brilho nos olhos que a melhor amiga realmente estava grávida e que o jantar daquela noite com os amigos era para que ela e Nicolas pudessem contar oficialmente que seriam pais. Por mais que ele estivesse feliz pelo melhor amigo, pois via quão apaixonado por Florence ele era, estava um pouco decepcionado.
- , não acredito que o Nicolas vai ser o primeiro de nós a ser pai - Vincent comentou, o obrigando a voltar para a realidade.
- É, eu também não acredito - ele disse e soltou um risinho sem graça. Notou, pela visão periférica, que o fitava e virou cabeça para encará-la de volta. - Mas, tecnicamente, eu já sou pai - falou, descendo os olhos para a menina sentada do outro lado da namorada.
- Ah, é? - perguntou com um sorriso nos lábios.
- Lá vem o tirar meu título de pai do ano - Nicolas brincou.
- Ué, a Jade é como se fosse minha filha… - disse o jogador, dando de ombros, antes de se voltar para a mulher ao seu lado mais uma vez. - Ou não é?
- O que você acha, filha? - ela falou, chamando a atenção de Jade. - pode ser seu segundo pai?
- Acho que meu pai vai ficar com ciúme - a menina falou e soltou uma risada divertida que fez os adultos a acompanharem no riso. - Mas não é todo mundo que tem dois pais, né?
- Não mesmo, você é uma menina de sorte - respondeu, tocando a ponta do nariz da filha com o indicador.
piscou um olho para Jade, que sorriu em resposta.
- O que será que é? Menino ou menina? - Yana perguntou, retomando o assunto anterior.
- Estamos pensando em esperar pra saber só no parto - respondeu Florence antes de dar um gole em seu suco despreocupadamente.
- Ah, nem pensar! Vocês vão me deixar morrer de curiosidade? - a outra rebateu com indignação e o casal se entreolhou antes de dar de ombros.
- Vamos - a loira disse em meio a risos.
- É isso aí - Nicolas reforçou.
- Vocês não vão me apoiar? - Yana perguntou, ultrajada, encarando , e, por fim, o namorado.
- Por mim tanto faz. Não é como se o sexo da criança fizesse alguma diferença - Vincent disse com seu jeito relaxado de sempre.
- É claro que faz. Como vocês vão escolher o nome?
- A gente tá considerando opções pra uma coisa e pra outra, oras - Florence explicou e riu quando a amiga revirou os olhos. - Já temos algumas, mas só vamos dizer pra vocês quando decidirmos.
- Eu também tô curiosa, Yana, mas vamos sobreviver - disse em apoio.
- Fazer o que, né? - a ruiva falou, nem um pouco contente, se recostando na cadeira, e Vincent passou um braço por seus ombros, a abraçando de lado.
- Temos mais uma novidade - a voz de Nicolas fez a mesa inteira fitá-lo com curiosidade. Ele segurou a mão de Florence e os dois olharam um para o outro com carinho.
não pôde evitar sorrir com a cena. Apesar de não ser a maior fã de Nicolas quando todos eram adolescentes e estudavam juntos, havia, desde que soube que Florence estava saindo com ele, torcido para que o romance deles desse certo. Acabou por descobrir que o rapaz era uma boa pessoa e, principalmente, fazia sua amiga feliz.
- Vamos nos casar - a loira revelou com um sorriso que iluminava seu rosto.

😜💙⚽

- Boa noite, minha princesinha.
- Boa noite, mamãe.
depositou um beijo na testa da filha e acendeu o abajur laranja que estava sobre o criado-mudo antes de apagar a luz e deixar o quarto. Seguiu para a suíte principal da casa, onde encontrou jogado preguiçosamente sobre a cama, mexendo no celular e usando apenas uma cueca, como ele tinha o costume de dormir.
tirou os olhos do feed do Instagram, o qual ele passava sem realmente prestar atenção em nada do que via por ali, e olhou para a namorada. A assistiu tirar peça por peça de roupa que vestia, admirando seu corpo cada vez mais exposto, e sorriu de canto quando os olhos dela se encontraram aos seus. soltou um risinho antes de vestir uma camisola quase transparente que permitiu admirar suas curvas enquanto ela caminhava até a cama para se acomodar ao seu lado.
Continuaram em silêncio por longos minutos, o jogador fingindo estar distraído com seu celular e deitada de lado, fitando seu perfil.
- Tá tudo bem? - perguntou ela, o fazendo lançar um olhar de canto em sua direção. - Você tá… estranho.
- Impressão sua, tá tudo bem sim.
semicerrou os olhos com o sorriso fechado e, em sua opinião, falso que o namorado esboçou antes de voltar a encarar a tela do celular como se fosse a coisa mais interessante do mundo. No entanto, ela não insistiu no assunto. Concluiu que ele estava apenas cansado depois de uma temporada agitada e repleta de diferentes emoções. Sem contar que ainda teria dois jogos com a Seleção antes de estar oficialmente de férias.
- Eu queria ter te visto grávida - disse algum tempo depois, quebrando o silêncio que havia se instalado no quarto.
- Queria ter me visto grávida? - repetiu, um pouco intrigada com aquele desejo.
- É, essa história de a Florence estar esperando um bebê me fez parar pra pensar nisso - o jogador explicou. - Você deve ter sido uma grávida linda.
- É, quando não estava toda inchada, com dores e reclamando de tudo… - a mulher falou em um tom divertido, porém soltou um longo suspiro cansado logo depois. - Eu já te disse que não tenho muitas fotos da minha gravidez, mas acho que não vai fazer mal mostrar as poucas que tenho.
Ela se levantou da cama e pegou o notebook que havia deixado sobre um móvel. Em seguida, voltou a se acomodar ao lado de um que já havia largado o celular e estava bastante curioso.
Os dois já tinham conversado sobre aquele assunto antes, a gravidez de . sabia que eram meses dos quais ela não gostava de recordar. Por mais que considerasse Jade um presente que a fez ser uma pessoa melhor e entender o que é amar alguém com todo seu coração, se ver grávida de um professor sem mal ter completado o primeiro ano de faculdade não foi algo fácil de lidar. Além dos olhares tortos que recebia durante o tempo que continuou frequentando a universidade, não pôde contar com o apoio da própria família. Ter seus pais e irmão virando as costas para ela era algo que ainda não conseguia superar mesmo depois de mais de sete anos.
sentiu um aperto no peito ao abrir as pastas com fotos do segundo semestre de 2009 e início de 2010, período em que esteve grávida. A verdade é que não gostava nem um pouco de se lembrar dessa época. Jamais havia pensado que se tornaria mãe daquela maneira, como se gerar um filho fosse um fardo, e não se orgulhava de, diversas vezes, ter chegado bem perto de desistir. Ela tinha plena consciência de que, se não fosse o apoio de Lukas e Florence, teria, de fato, desistido de colocar aquela criança no mundo. Culpa era o que sentia toda vez que via aquelas fotos, mas ignorou o sentimento terrível que se instalou em seu peito e mostrou para os poucos registros que tinha de sua barriga de grávida.
A maioria eram fotografias tiradas por Lukas quando estava distraída e algumas haviam sido tiradas por ela mesma para mostrar o crescimento de sua barriga para Florence, que, naquela época, estava estudando em Paris.
- Sente isso - falou ao mesmo tempo que segurava o pulso da mulher, a fazendo tirar os olhos inexpressivos da tela do computador para encará-lo com curiosidade. Levou a mão dela ao próprio peito desnudo, a depositando sobre seu coração, que batia mais aceleradamente. - Pensava que não tinha como te achar mais linda do que eu acho, mas, é… parece que tem como.
sentiu um arrepio correr pelo corpo enquanto o observava soltar uma risadinha e acabou rindo também, um pouco envergonhada.
- Você é doido - disse, fazendo uma careta. - Eu estava um lixo… Me sentia um lixo.
- Não fala assim - o jogador falou em tom de censura. - Dá pra ver que você estava triste, mas, ainda assim, estava linda. E sabe de uma coisa? Te acho ainda mais linda sabendo de tudo pelo que você passou pra ter a Jade.
- Não deveria achar, eu não fui tão forte assim.
- Ser forte também é ter momentos de fraqueza - pontuou. - Tenho muito orgulho de você, . Te achava fora do meu alcance mesmo antes de te conhecer mais a fundo, só te admirando por ser a garota mais certinha e inteligente da turma. Imagina agora, conhecendo a mulher que você se tornou... Às vezes me pergunto o que você viu em mim.
- Não seja bobo, - falou, rindo levemente. - Você tem um bom coração, é uma pessoa simples mesmo sendo um dos melhores jogadores do mundo. Apesar de ser um pouco metido às vezes - zombou e o outro abriu a boca, indignado.
- Eu não sou metido, sou realista.
- Você também é engraçado - a mulher continuou, o ignorando -, uma companhia muito divertida... E, ainda por cima, tem essa carinha linda. Por que eu não me apaixonaria por você?
- Ok, talvez eu não seja de se jogar fora - falou em um tom espirituoso -, mas ainda acho que não te mereço.
revirou os olhos, mas, quando abriu a boca para retrucar, teve seus lábios tomados pelos de em um beijo de tirar o fôlego.
- Eu te amo, - disse o jogador entre um selinho e outro, quebrando o beijo.
- Também te amo, - ela respondeu e abriu um sorriso quando o namorado mordeu seu lábio inferior. - Vamos dormir? O dia foi cheio e amanhã você vai pra Bruxelas, né?
- Sim - respondeu e se jogou contra o travesseiro, soltando um longo suspiro só de pensar em já ter que ir embora da cidade tendo acabado de chegar. - Já decidiu se vai comigo?
- Não vai dar - disse, fazendo uma careta, enquanto ia deixar o notebook em cima do móvel em que o mesmo estava anteriormente. - Eu comentei com o Lukas quando fui buscar a Jade na casa dele hoje à tarde e ele não tá querendo que ela vá. Vou ter que conversar com ele com calma.
- Eu não acredito - o outro rebateu, bufando. - Qual é o problema de ela passar uns dias em Bruxelas com a gente? Vai se divertir pra caramba nos treinos e no jogo da Seleção. Sem contar que vai ter o Family Day.
- Eu sei, amor, não levar a Jade está fora de questão. Sou a mãe dela e minhas decisões contam tanto quanto as dele - disse, voltando a se deitar confortavelmente no colchão. - Só pretendo conversar com mais calma, estou querendo evitar brigas com o Lukas. Isso tudo afeta muito a Jade.
- Se vocês não forem, vou ficar muito chateado.
- Nós vamos. Confia em mim.
puxou para mais perto de si, a fazendo se aconchegar entre seus braços, e foi assim que os dois caíram no sono.

😜💙⚽

A movimentação no quarto fez despertar e, mesmo antes de abrir os olhos, ela deu falta do corpo de junto ao seu. O encontrou vestido para sair, cruzando o quarto para pegar chaves e celular.
- Aonde você tá indo? - ela questionou com a voz arrastada e sonolenta, o fazendo parar no meio do caminho até a porta.
- Ah, só tô indo… - o jogador começou e pensou ter notado certa hesitação. - Tô indo encontrar o Nico. Não deu pra conversar com ele direito ontem e daqui a pouco tenho que ir pra Bruxelas.
- Tá bom - disse a mulher, estranhando um pouco o jeito do namorado, mas ainda não estava pensando muito bem para realmente se importar. - Manda um beijo pro Nicolas e pra Florence se ela estiver por lá.
- Pode deixar.
esboçou um sorriso fraco e foi até a cama para depositar um beijo rápido nos lábios de antes de deixar o quarto. Soltou um palavrão baixinho ao percorrer o corredor e, enquanto saía de casa, digitou uma mensagem para Nicolas.

: Se a perguntar, eu passei na sua casa agora de manhã, ok? Avisa a Florence também se ela estiver aí. Depois explico.


Ele dirigiu pelas ruas de , percorrendo um caminho que fazia vez ou outra. O caminho que levava à antiga casa de , na qual, agora, Lukas morava sozinho.
Não foi das vezes que foi até ali buscar Jade que ele se lembrou ao estacionar o carro, mas sim do dia em que descobriu que tinha uma filha. Quando foi embora com o coração despedaçado e se sentindo um intruso, pois era exatamente assim que se sentia naquele momento. Um intruso. E estava cansado de se sentir como um intruso, precisava se posicionar se queria que seu relacionamento com progredisse.
Tocou a campainha e, quando a porta se abriu, Lukas surgiu em sua frente, intrigado com a visita surpresa.
- Podemos conversar? - o jogador perguntou e o outro o encarou por alguns segundos antes de dar espaço para que ele adentrasse a casa.
o seguiu até a sala de estar, onde parou de braços cruzados, e o loiro se sentou em um sofá antes de se inclinar para digitar algo no notebook aberto sobre a mesinha de centro.
- A me disse que você não tá querendo que a Jade vá com a gente pra Bruxelas hoje… - se pronunciou, um pouco incomodado com o descaso por parte de Lukas.
- Foi ela que te mandou aqui? Não sabe resolver os próprios problemas? - ele rebateu, soltando um riso debochado.
- Eu vim por minha conta - o jogador respondeu, respirando fundo para tentar manter a calma. - Quero entender por que, exatamente, você tá privando a Jade de viajar com a gente.
- Porque ela não é sua filha - o outro disse calmamente e levantou os olhos para encará-lo.
, por alguns segundos, não soube o que responder, e o sorriso que estampava o rosto de Lukas deixava claro quão satisfeito ele estava por vê-lo sem palavras.
- Mas ela é filha da minha namorada - disse, enfim, fazendo o mais velho rir.
- Você é o namoradinho e eu sou o pai da filha dela. Quem tem mais moral aqui?
- Olha, Lukas, eu não vim até aqui pra discutir com você - disse em um tom firme e pouco paciente. - Só quero ter uma conversa madura, sem provocações, e que nos faça chegar a uma conclusão boa pra todo mundo. Entendo que você tem seus direitos como pai, mas a Jade gosta de ir pra Londres, gosta de assistir aos jogos… No final das contas, você tá afetando mais a ela do que a mim.
- Me poupe, , eu sei o que é melhor pra minha filha. Até outro dia ela nem gostava de futebol.
- Pois agora gosta - o jogador falou, levantando os ombros, e Lukas se pôs de pé e se aproximou alguns passos.
- Porque você tá botando essas coisas na cabeça dela - disse, apontando o dedo para . - Mas ela tem um pai, então se ponha no seu lugar.
- É impossível conversar com você, né?
- Ou será que é você que tá se metendo onde não foi chamado?
A tensão começava a crescer entre os dois. Ambos se encaravam com firmeza, mostrando que não desistiriam dos pontos que tinham para se apegar e levar aquela discussão adiante.
- A é minha namorada, eu quero construir uma vida com ela, formar uma família. E, a partir do momento que você tá se metendo no meu caminho, isso passa a ser um problema meu.
- Você tá louco pra levar elas pra Londres, né? - Lukas falou, medindo de cima a baixo. - Eu não tô nem aí se você é um jogador famosinho e cheio da grana. Você não vai tirar a minha filha de mim - disse entredentes, se aproximando mais alguns passos do jogador.
- Se a quiser morar comigo em Londres, você vai ter que aceitar. Você é o pai da Jade, mas ela é a mãe - respondeu com tranquilidade, apesar da vontade que sentia de dizer poucas e boas para aquele homem.
- Se a quiser morar com você em Londres - disse o outro com um ar de superioridade -, ou ela vai sozinha, ou teremos um sério problema. Porque eu vou querer a guarda da Jade.
- Você só pode estar brincando - o jogador falou, soltando uma risada descrente.
- Nunca falei tão sério na minha vida, . Se a resolveu virar maria-chuteira, o problema é dela, eu não tenho mais nada a ver com isso, mas a minha filha não vai participar dessa palhaçada.
- Maria-chuteira? - retrucou em meio a risos. - Você é ridículo. Eu não sei como a ficou tanto tempo casada com você.
- Ah, você sabe… - Lukas disse e abriu um sorriso debochado. - Se eu, um mero professor universitário, não tive muito trabalho pra levá-la pra cama, imagino que com você tenha sido em um estalar de dedos.
Ao absorver tais palavras, a visão de ficou turva e ele se sentiu como se estivesse assistindo à cena do lado de fora e em câmera lenta. Deu um empurrão no loiro, o fazendo se desequilibrar para trás, e, no segundo seguinte, sentiu algo se chocar contra seu rosto.
- Estamos quites - Lukas disse com um sorriso sádico, satisfeito por, finalmente, ter devolvido o soco que havia levado de no ano anterior, enquanto o outro levava a mão ao supercílio para constatar que o mesmo sangrava. - É melhor você ir embora ou nos encontraremos no tribunal. E a não vai gostar nada disso.
- Tenta - o jogador falou, respirando fundo para não permitir que a fúria que se alastrava por seu corpo tomasse seus sentidos. - Quem tem dinheiro pra pagar o melhor advogado? Quem tem condição de dar tudo do bom e do melhor pra Jade? De pagar a melhor escola de Londres e ajudá-la a ter um futuro brilhante?
- Você tá mesmo falando de estudo de qualidade com um professor universitário? Logo você, que mal terminou a escola e ganha dinheiro com algo que não exige intelectualidade alguma?
- Você é um babaca - foi tudo o que disse antes de dar meia volta e deixar a casa de Lukas.
Adentrou o carro e fez o caminho até em casa sem nem perceber. Sua mente estava nublada pela raiva. Tinha vontade de voltar e descontar toda a frustração que sentia com uma surra em Lukas, mas ainda lhe restava um pingo de sanidade que o impediu de fazer isso.
Quando chegou em casa, e Jade tomavam café da manhã na cozinha e a mulher arregalou os olhos quando ele parou no batente.
- Me ajuda com esse machucado?
- Como você fez isso? - ela perguntou, preocupada, se levantando do banco em que estava sentada para se aproximar de .
- Só me ajuda, - ele respondeu em meio a um suspiro e deu meia volta, saindo da cozinha.
- Isso foi um… soco? - a outra perguntou, chocada, o seguindo pela sala de estar, e o jogador se virou em um rompante.
- É, eu levei um soco. E foi do seu ex-marido. Satisfeita? - ele disse, bastante impaciente. - Agora dá pra me ajudar?
- Não, se vira - falou em um tom firme e irritado. - Você não tem o direito de falar assim comigo.
- Ótimo.
deu as costas para ela e subiu para o segundo andar da casa, pisando forte em cada um dos degraus da escada. A mulher ficou ali, parada no meio do cômodo, encarando o caminho por onde ele havia sumido enquanto decidia se deveria engolir o orgulho e ir atrás dele ou realmente deixá-lo se virar com o rosto ensanguentado. Também estava curiosa e confusa. Por que Lukas daria um soco em , especialmente quando ele, supostamente, havia ido visitar Nicolas?
soltou um longo suspiro enquanto passava as mãos pelo rosto. Não tinha ideia do que havia acontecido, mas já não gostava nem um pouco daquela história. Acabou fazendo o mesmo caminho que o namorado, subiu as escadas e foi até o quarto que os dois dividiam. Parou na porta do banheiro e, em silêncio, ficou o assistindo lavar o rosto na pia.
- Posso saber por que o Lukas te deu um soco? - ela questionou e , que se secava com uma toalha de rosto, levou algum tempo para se pronunciar.
- Eu fui falar com ele sobre isso de ele ficar botando empecilhos pra Jade viajar com a gente, mas acabamos discutindo porque ele é um babaca e, no final, levei um soco de brinde.
- Eu não acredito que você fez mesmo isso, - disse e balançou a cabeça em negação, desacreditada. - Você não tinha nada que ter ido falar com o Lukas. Isso é algo que eu tenho que resolver com ele, é nossa filha. Você é meu namorado, não tem nada a ver com isso.
- Esse é o problema - o outro falou, ríspido, jogando a toalha sobre a pia sem delicadeza. - Eu sou seu namorado. Quero me casar com você, formar uma família, mas assim tá complicado.
Ele passou por sem encará-la, saindo do banheiro, e ela ficou ali, sem reação, encarando o próprio reflexo no espelho. Seus olhos estavam marejados e ela sentia um nó forte se formar na garganta.
- Eu te falei - disse em um fio de voz e se virou para encarar , que jogava algumas peças de roupa de qualquer jeito dentro da mala. - Quando você me pediu em namoro no terraço daquele hotel em Paris, eu disse que talvez não fosse capaz de me encaixar nas suas expectativas porque tinha uma filha pra criar. E você disse que isso jamais seria um problema. Eu pensei que você teria paciência de esperar o tempo que eu preciso.
- E o que eu tô fazendo esse tempo todo? - questionou, abrindo os braços, e se virou na direção dela.
- Se você não tá contente, , é só terminar.
deu meia volta e deixou o quarto em meio a lágrimas. Cruzou com Jade pelo corredor, que tinha os olhinhos amedrontados, mas passou direto pela menina. Desceu as escadas e foi até a cozinha, saindo pela porta que dava para o quintal dos fundos. Se sentou na escadinha e se permitiu chorar sem restrições. Ver falando daquele jeito a havia assustado. Entendia que o namoro deles tinha alguns limites e os dois estavam livres para abandonar o barco se quisessem, mas a verdade é que não tinha ideia de como seria ver, de uma hora para outra, sua vida sem aquele homem.
Ficou ali, com o rosto enterrado nas mãos e se debulhando em lágrimas por longos minutos, até escutar alguns passos atrás de si antes de dois braços a envolverem por trás em um abraço.
- Eu espero por você desde que eu tinha, sei lá, 12 anos - falou em sussurros ao pé de seu ouvido. - E esperaria todo o tempo do mundo. Só fico um pouco irritado às vezes porque parece que é o Lukas quem manda no nosso relacionamento.
- Você acha que eu não queria ficar perto de você? - rebateu, secando o rosto com os dedos. - A gente passa semanas sem se ver e pra mim é uma tortura. Se pudesse, já teria feito minhas malas e me mudado pra Londres há muito tempo, mas eu não posso. E não é pelo Lukas, é pela Jade. É o pai dela, ela é louca por ele, o tem como um herói. Eu não posso ignorar isso.
- Eu sei, me desculpa - o outro disse em meio a um suspiro. - Preciso ir. A gente se vê em Bruxelas?
- Prometi que ia, né?
- Mas você não precisa ir se não quiser. Posso te dar um beijo?
levou alguns segundos para se manifestar, mas, por fim, acabou virando a cabeça para que tivesse acesso aos seus lábios. Ele a beijou com calma e carinho.
- Como tá esse machucado? - ela perguntou quando se afastaram, reparando que ele havia feito um curativo de qualquer jeito.
- Tá melhor, parou de sangrar - respondeu o jogador, dando de ombros.
- , o que, de fato, aconteceu? - perguntou, o observando se pôr de pé.
- Depois a gente conversa sobre isso, tá? Não tem importância.
Após um suspiro exausto, a mulher se levantou e seguiu o namorado para dentro da casa.
- Jade! - ela exclamou na direção da escada. - Vem se despedir do , ele tá indo.
A menina apareceu pouco depois e as duas o levaram até o carro que o esperava do lado de fora para levá-lo até a cidade de Bruxelas, o ponto de concentração da Seleção .

😜💙⚽

- Como você se chama? - perguntou, atencioso, enquanto assinava a camisa de um menino.
- Jan - o outro respondeu timidamente.
- Joga futebol, Jan? - questionou, devolvendo a camisa ao dono, e pegou um dos cartões que estavam empilhados sobre a mesa para autografar sua foto oficial da seleção que estampava o mesmo. O garoto balançou a cabeça, assentindo. - Em qual posição?
- Defesa.
- O quê? Mas e os gols? - rebateu com uma indignação exagerada. - Você sabe, jogadores da defesa não marcam muitos gols. Você vai perder a parte mais divertida?
- Eu gosto de jogar na defesa - Jan respondeu sem muita certeza do que estava dizendo diante de tal reação por parte de seu jogador favorito, o que fez o rapaz ao lado de rir enquanto autografava o cartão que tinha seu rosto.
- Então tudo bem, o importante é se divertir - disse, entregando o cartão autografado para o garoto. - Vem cá pra gente tirar uma foto.
abraçou o menino de lado e sorriu para o fotógrafo. Logo que o flash foi disparado, se despediu do pequeno torcedor, que, em seguida, foi posar para uma foto com o jogador ao lado.
- A tá com a Jade na mesa do Vertonghen e do Dembélé - Thorgan comentou após tirar a foto com Jan, e imediatamente girou a cabeça. Seu coração bateu com mais força quando seus olhos focalizaram a namorada rindo de algo que um de seus companheiros de seleção havia dito. - Tá pronto pra se ajoelhar e pedir perdão? Senão, vai se preparando pra levar um chute na bunda.
- Ha ha, você é muito engraçado - respondeu em um tom irônico antes de sorrir para a senhora que se aproximava.
- Quem avisa, amigo é - o outro disse e também cumprimentou a torcedora.
Thorgan era o mais velho dentre os três irmãos mais novos de . A diferença entre eles era de apenas dois anos, o que os fazia grandes amigos, além de colegas de profissão e, mais recentemente, também de seleção. costumava se abrir com ele sobre tudo e, muitas vezes, se sentia como se fosse o irmão mais novo.
Foi impossível escapar de contar sobre o ocorrido no dia anterior ao chegar à concentração em Bruxelas com um olho roxo e, após narrar a tentativa de conversa com o ex-marido de , acabou por levar uma bronca do irmão. Thorgan não concordou com tal atitude e, inclusive, achou que ele poderia estar botando o namoro com a perder. , que nunca dava o braço a torcer tão facilmente, passou o restante do dia emburrado.
- Vocês são bastante parecidos, sabia? - a mulher comentou, simpática, e os dois jogadores sorriram em resposta.
- Mas eu sou mais bonito, né? - falou Thorgan em um tom divertido. - Quem a senhora acha mais bonito?
- - a torcedora respondeu sem pestanejar, arrancando uma gargalhada do irmão mais velho.
- Foi você que perguntou - disse em defesa própria ao ver a carranca do outro.
- Estou brincando, os dois são bonitos - a outra falou antes de se posicionar entre os dois para a foto à qual tinha direito.
Aquele início de Family Day, que nada mais era do que um evento de encontro da Seleção com seus fãs, estava bastante agitado. O dia havia começado com uma sessão de autógrafos com todos os jogadores e, depois do almoço, aconteceria um treino aberto.
adorava aquele contato com os torcedores. Para ele, não era sacrifício nenhum dar autógrafos, tirar fotos e bater papo com as pessoas que faziam todo aquele trabalho árduo valer a pena. Havia, inclusive, conseguido se distrair da angústia que sentia desde o dia anterior. Além de algumas poucas mensagens trocadas, não havia conversado com ainda. Não sabia se ela estava chateada ou se tinha falado com Lukas. A segunda opção o preocupava bastante, pois o homem certamente contaria uma versão da história não muito justa. De qualquer maneira, ele sabia que ainda precisava se explicar melhor.
Seu olhar cruzou com o de e pôde ver um sorriso fraco surgir no rosto dela. Sorriu de volta antes de descer os olhos para a menina que tinha as bochechas pintadas com as cores do país, vestia a camisa da Seleção que ele próprio havia dado de presente e falava animadamente com os irmãos Lukaku, Romelu e Jordan. Precisava admitir que, se tinha alguém que gostava mais do Family Day do que ele, essa pessoa certamente era Jade. Não importava se ela já conhecia a equipe inteira, toda vez que tinha a oportunidade de falar com os jogadores, aquele mesmo brilho tomava seus olhos.
esperou ansiosamente até que as duas se aproximassem da mesa que ele dividia com o irmão e fez questão de se levantar para recebê-las. Ao vê-lo de braços abertos, Jade deu uma corridinha para abraçá-lo e gargalhou quando ele a tirou do chão.
- Eu já estava pensando que minha fã número um não vinha me ver - disse em um tom espirituoso.
- A gente ficou um tempão na fila - comentou a menina, fazendo uma careta.
- Eu imagino, isso aqui tá lotado - o jogador respondeu e pôde ver cumprimentando Thorgan com um abraço rápido. - Deixa eu falar com a sua mãe.
Enquanto o mais novo cumprimentava Jade, que o respondeu timidamente, se aproximou da namorada e pressionou as palmas das mãos nas bochechas de para guiar os lábios dela de encontro aos seus. O beijo foi um selinho demorado o bastante para acalmar os corações de ambos.
- Tá tudo bem? - ele perguntou e os lábios da mulher se curvaram em um sorriso ao mesmo tempo que ela balançava a cabeça, assentindo. - Você falou com o Lukas, né?
- É, discutimos ontem - disse antes de soltar um suspiro e entortou a boca em desagrado.
- O que ele te falou?
- Que você falou coisas que eu sei que não disse - ela respondeu e, ao ver o namorado bufar, continuou antes que ele se pronunciasse: - Mas tá tudo bem, , a época que eu deixava o Lukas comandar a minha vida e as minhas opiniões já passou.
- Tio - Jade chamou, fazendo os dois virarem a cabeça para vê-la balançar os cartões com fotos dos jogadores que tinha em mãos -, eu quero um autógrafo!
voltou a encarar , a vontade que tinha de se sentar com ela e conversar estampada em seu rosto.
- Não vai deixar a sua fã número um esperando, né? - ela perguntou em um tom levemente debochado.
- Eu senti um pontinho de ciúme nessa fala? - brincou, rindo, e a outra fez uma careta.
- Não enche - falou, dando um tapinha no ombro dele.
- Você já tem um montão desses em casa, mocinha - o jogador falou, se voltando para Jade, e se inclinou para pegar um de seus cartões e a caneta sobre a mesa.
- Mas eu quero mais - a menina disse, fazendo um biquinho e abriu os cartões que segurava em um leque. - O tio Thorgan já me deu o dele. Também peguei do Vertonghen, do Dembélé, do Lukaku, do irmão do Lukaku… - foi dizendo, indicando um a um, enquanto autografava o seu próprio. - Do tio Thibaut…
- Do - ele acrescentou em tom divertido, estendendo o cartão para Jade, que abriu um sorriso cheio de dentes.
- Oba! - ela exclamou, fazendo o jogador rir e bagunçar o cabelo dela carinhosamente.
- Vamos tirar uma foto? - perguntou ele para mãe e filha e fez sinal para que se aproximasse.
Thorgan pegou Jade no colo e a menina posou para a foto toda sorridente entre os dois irmãos , com logo ao lado sendo abraçada pela cintura pelo namorado.
- A gente conversa melhor mais tarde, tá? - falou antes que se afastasse e ela meneou a cabeça, concordando.
- Tudo bem - disse e mostrou um sorriso antes de pegar Jade pela mão.
As duas se despediram e voltou a se sentar na cadeira para esperar pelos próximos torcedores enquanto as observava se afastarem.
Pela tarde, as arquibancadas do Stade Roi-Baudouin estavam lotadas de adultos e crianças e, no campo, a Seleção havia sido dividida em dois times que disputavam uma partida sem qualquer compromisso além de entreter o público.
e Jade estavam na área reservada para parentes e amigos dos jogadores, bastante próximas ao campo, e a mais velha se divertia com a filha pulando e gritando animadamente a cada jogada que terminava ou, por muito pouco, não terminava em gol.
- Mãe, você viu o que o tio fez? - a menina falou, se voltando para , com os olhinhos arregalados em admiração após ver o camisa 10 driblar três jogadores e chutar a bola em direção ao gol, o que propiciou uma bela defesa por parte do goleiro Simon Mignolet. - Eu queria jogar futebol que nem ele.
- Por que você não pede pro te ensinar esses dribles? - sugeriu, dando de ombros. - Aposto que ele vai adorar.
- Boa ideia! Depois do jogo eu vou pedir - Jade falou com convicção, fazendo a mãe rir levemente, e voltou sua atenção para a partida que rolava no gramado mais uma vez.
A verdade é que adorava ver a filha cada vez mais interessada por futebol. Não apenas como espectadora, pois a bola da Champions League que havia dado de presente para Jade no Natal vinha sendo sua maior companheira desde então. A garota não possuía grandes habilidades, mas estava sempre jogando futebol à sua maneira, mesmo que sozinha no quintal de casa.
O jogo continuou com muitos gols e jogadas bonitas que faziam a torcida vibrar como se estivessem em meio a uma partida importante. A Seleção , historicamente, não era das mais vitoriosas, mas a geração repleta de craques era o suficiente para fazer os torcedores sonharem. Se, no final das contas, não conseguissem uma Eurocopa ou uma Copa do Mundo, ambas tão desejadas, por mais ousado que isso parecesse, pelo menos estavam se divertindo muito naquela jornada.
se distraiu por poucos minutos com seu celular, por onde mandava fotos do treino aberto no grupo que tinha com e os dois casais de amigos deles, e, quando bloqueou o aparelho e voltou a olhar para o campo, levantou em um pulo do assento ao ver o namorado caído no chão com as mãos sobre o tornozelo e uma expressão de dor no rosto.
- O que aconteceu, Jade?
- Não sei, acho que o tio torceu o pé - a menina respondeu com a apreensão estampada no rosto.
A equipe médica levou alguns minutos atendendo o jogador no local onde ele havia caído sob olhares atentos de todo o público presente. não ficou mais tranquila quando o ajudaram a se levantar e saiu de campo caminhando com bastante dificuldade. A torcida aplaudiu o capitão da Seleção mesmo sem ter ideia se havia sido uma lesão séria ou não e ele apenas acenou antes de sumir pelo túnel.
O treino continuou, mas, para , o mesmo havia acabado por ali, e Jade parecia concordar, já que a seriedade tomou conta de seu rosto e ela se sentou depois de passar todo o tempo em que estiveram no estádio até então de pé.
Quando o treino foi oficialmente encerrado e os jogadores se aproximaram da torcida para agradecer pela presença de todos e jogar algumas camisas e bolas, pegou Jade pela mão e desceu as poucas fileiras que as separavam do campo.
- Thibaut! - ela exclamou ao ver o goleiro a poucos metros de distância. Ele olhou em sua direção e, ao reconhecê-la, se aproximou. - Você sabe o que aconteceu com o ? Ele tá bem?
- Parece que fraturou o tornozelo, - o outro respondeu em tom de lamentação. - Mas vão levá-lo pra fazer uns exames e ver ao certo o que aconteceu.
- Ai, que droga - a mulher disse em meio a um suspiro.
- Posso falar com algum membro do staff, ver se você pode acompanhá-lo - Courtois ofereceu ao ver a preocupação estampada no rosto dela.
- Você faria isso por mim?
- Claro, espera aí - ele disse antes de dar meia volta e sumir por entre seus companheiros.
esperou ansiosamente até o goleiro voltar alguns minutos depois e pedir para que o segurança liberasse a passagem dela e de Jade para dentro do campo. Ele guiou as duas na direção do túnel e pelos corredores, até parar em frente ao departamento médico do estádio.
- Obrigada, Thibaut - agradeceu, mostrando um sorriso bastante sincero mesmo sem ter certeza se Courtois havia feito aquilo por obrigação ou por, finalmente, estar começando a ir com sua cara.
- De nada - ele respondeu, piscando um olho, e passou a mão na cabeça de Jade antes de seguir pelo caminho que levava aos vestiários.
Um homem deu passagem para que as duas adentrassem a sala e indicou a maca na qual estava , que logo notou a presença delas.
- Como você tá? - perguntou, preocupada, olhando para o tornozelo direito enfaixado do namorado.
- Um murro na cara dói menos do que isso. E posso dizer com propriedade - ele respondeu, fazendo uma careta de dor, e a outra não conseguiu evitar uma risada fraca.
- Se tá fazendo piadinha, não deve estar doendo tanto assim.
- Quem me dera.
O chefe da equipe médica da Seleção os interrompeu, surgindo no local com uma cadeira de rodas.
- Vamos pro hospital ver o que você aprontou nesse tornozelo, rapaz?
- Minha namorada e a filha dela vão também - comunicou enquanto se sentava na cadeira com a ajuda do doutor.
- Claro, já separamos dois lugares para elas - o homem falou, mostrando um sorriso simpático para e Jade. - Nos acompanhem, por favor.

😜💙⚽

Os exames realizados confirmaram que o tornozelo de estava fraturado e ele precisou ser submetido a uma cirurgia na manhã do dia seguinte. Apesar de o médico garantir que não era nada muito complicado, , que aguardava na sala de espera pela autorização para ir até o quarto vê-lo, não estava tão tranquila assim. Os pais de também estavam lá, tinham ido para Bruxelas assim que souberam que o filho seria operado.
- E aí? Alguma novidade? - questionou Thierry, o pai de , chegando da lanchonete do hospital acompanhado por Jade.
- A enfermeira disse que já levaram ele pro quarto e que daqui a pouco vão nos liberar pra ir lá - Carine respondeu, pegando o copo de café que o marido havia trazido para ela.
Jade se sentou ao lado da mãe, chupando um pirulito, e levou uma curta bronca por isso, já que o horário de almoço se aproximava. Carine observava as duas discretamente, gostava de ver o instinto materno de se aflorar. Ambas vinham se dando bem desde que havia a apresentado oficialmente como namorada, por mais que não precisasse de apresentações, pois a conhecia de vista desde que era uma menina. Carine havia ficado com um pé atrás no início, depois de saber que tinha omitido o fato de ter uma filha, mas, conforme a conhecia e percebia como e ela estavam felizes juntos, foi impossível não apoiar o romance.
Algum tempo depois, a mesma enfermeira voltou à sala de espera.
- Vocês já podem ir vê-lo.
Os quatro se levantaram e acompanharam a moça até o quarto de . Ele estava esparramado na cama, com o tornozelo imobilizado para o alto e o tédio estampado no rosto.
- Três meses! - ele exclamou assim que viu os pais, e Jade passarem pela porta. - Vou ter que ficar três meses sem jogar futebol. Não dá pra acreditar.
- Que susto você me deu, garoto - Carine falou, mas seu tom era aliviado. - Quando o Thorgan nos ligou, pensei que tivesse sido algo mais grave.
- Vou ficar três meses sem jogar e você acha que não é grave? - o jogador questionou em um volume de voz mais alto e indignado.
- , você tá entrando de férias agora, esses três meses vão passar em um piscar de olhos - Thierry disse com a tranquilidade que seu filho não tinha.
- É porque não são vocês que vão ter que passar seis semanas com o pé pro alto.
- Eu não vou te aguentar chato desse jeito por três meses - falou, fazendo uma careta.
- Você é minha namorada, tem que me aturar - rebateu e mostrou a língua para ela.
- Se quiser, você pode passar essas semanas lá em casa - a mãe dele falou, dando de ombros. - Pra não dar trabalho pra .
- Imagina, Carine. Não tem problema - a mais nova disse, abanando o ar. Com diversão na voz, acrescentou: - Ele dá trabalho de qualquer jeito.
- Com isso eu vou ter que concordar - a outra disse em meio a risos e revirou os olhos.
- Nem com a perna quebrada vocês me respeitam.
- Bom, a gente vai almoçar - o mais velho falou, checando a hora em seu relógio de pulso. - Você também vai agora, ?
- Fica aqui comigo um pouquinho - falou, segurando o pulso da namorada, que riu levemente.
- Tudo bem, a gente pode almoçar mais tarde - disse, olhando para a filha.
- Ah, mãe, tô com fome - Jade falou, manhosa.
- Então é assim, é? Prefere comer a me fazer companhia? - o jogador retrucou em um tom ofendido.
- Ela pode ir com a gente, não tem problema - a mãe de ofereceu.
- Vá almoçar com a Carine e o Thierry, filha. E obedece a eles, tá?
Carine fez sinal para que Jade os acompanhasse e os três deixaram o quarto.
- Vem cá - disse assim que a porta se fechou, puxando pelo braço com um biquinho que a fez rir.
Ela se inclinou e selou os lábios aos dele em um beijo rápido e estalado.
- Eu vou precisar de muito amor e carinho pra melhorar.
- Isso tá garantido, você sabe - rebateu de forma carinhosa, com um sorriso estampado no rosto. - Eu não acredito até agora que você conseguiu fraturar o tornozelo torcendo o pé.
- Nem eu, foi praga do Lukas - disse , fazendo a outra rir anasaladamente. - Falando nisso… Me conta o que ele te disse.
suspirou e puxou uma cadeira para se sentar próxima à cama.
- Que você falou que vai tirar a Jade dele, porque tem dinheiro e condição de dar uma vida muito melhor pra ela em Londres.
desviou os olhos dos da namorada e riu sem graça.
- Talvez eu tenha dito algo assim mesmo.
- - a mulher o repreendeu.
- Mas foi depois de ouvir um monte de merda e levar um soco! - o outro se defendeu. - Ele falou que, se a gente levar a Jade pra Londres, vai pedir a guarda dela. Sem contar que falou que foi fácil te levar pra cama e te chamou de maria-chuteira.
Os olhos de se arregalaram, surpresos, e ficaram levemente marejados.
- Falou que foi fácil me levar pra cama? - perguntou ela, sentindo um nó se formar na garganta.
- Eu não deveria ter dito essa parte, me desculpa - falou e soltou um longo suspiro.
- Tudo bem, é só que… - falou, levantando os ombros. - É difícil ver que o pai da minha filha não tem mais um pingo de respeito por mim. Se é que teve um dia.
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, encarando um ao outro.
- Eu posso dar outro soco nele se você quiser - o jogador falou e não pôde evitar que uma risada escapasse por sua garganta.
- Você não existe, .
- Claro que existo. E tô aqui cheio de amor pra dar mesmo com a perna quebrada - ele falou, fazendo uma careta, e, de repente, uma expressão de espanto tomou seu rosto. - Meu Deus.
- O que foi? - a outra questionou, franzindo o cenho.
- Eu vou ter que ficar seis semanas com a perna pro alto - ele disse, chocado.
- Você já disse isso - rebateu, o lançando um olhar torto.
- Como que a gente vai fazer sexo? - questionou com pavor na voz.
- ! - ela exclamou em meio a uma gargalhada. - Você tá com o tornozelo fraturado e preocupado com sexo?
- É claro que eu tô preocupado, não vou ficar seis semanas sem sexo.
- Tem que se preocupar com a recuperação, não com sexo - disse a mulher, mostrando a língua.
- Me desculpa, , mas você vai ter que ficar por cima e fazer o trabalho praticamente sozinha - o jogador falou, dando de ombros.
- Cala a boca - ela falou, rindo, e deu um tapinha no braço dele.
- Pensando bem… - disse e um sorriso malicioso tomou seus lábios enquanto checava a namorada de cima a baixo. - Vai ser divertido.
balançou a cabeça em negação, mas acabou rindo quando ele piscou um olho, todo sedutor.



Trois

Era incrível como bastava estar por perto para que os olhos de fossem atraídos em sua direção como um ímã, e foi exatamente o que aconteceu quando o trio inseparável formado por ela, Florence e Axel chegou à quadra da escola.
estava jogando futebol como em todos os intervalos e sentiu o coração saltar no peito ao vê-la por ali, uma presença menos comum do que gostaria que fosse. Observou os três se acomodarem na arquibancada enquanto conversavam e riam abertamente, perdido no sorriso que o atormentava dia após dia, mas foi sugado de volta à realidade quando recebeu uma bolada no braço.
- Acorda, ! - um de seus colegas exclamou, gargalhando.
Ele voltou a correr, acompanhando a jogada de seu time, agora com uma motivação extra além da paixão pelo futebol.
- Vince! - gritou para o amigo, indicando que estava livre.
Dominou a bola que recebeu dos pés de Vincent e partiu para o ataque. Driblou um, dois, três jogadores adversários e mandou uma bomba impossível de o garoto de uma turma mais nova do que a sua que estava no gol defender. Um sorriso aberto e convencido estampou seu rosto enquanto era parabenizado por seus amigos com tapinhas e soquinhos típicos de garotos de 14 anos, mas este se desmanchou por completo quando ele virou a cabeça na direção da arquibancada e encontrou aconchegada nos braços de Axel, ambos totalmente alheios à partida de futebol que acontecia diante deles. quis morrer.
Quando o jogo recomeçou, ele só pensou em ir para bem longe daquela cena ridícula e avisou os outros garotos que ia ao banheiro antes de sair a passos duros dali. Adentrou o toalete masculino e foi até a pia jogar um pouco de água no rosto para limpar o suor e aliviar o calor. Secou as mãos e encarou a si mesmo pelo reflexo no espelho sem conseguir parar de visualizar a imagem da garota de quem gostava em um climinha todo romântico com um garoto que não era ele.
Não conseguia entender o que aquele tal de Axel tinha de tão especial, era apenas um nerd que puxava o saco dos professores, mas havia entrado na escola no ano anterior e andava com para cima e para baixo desde então enquanto ele, que era seu colega de turma desde criança, se tinha falado com ela cinco vezes na vida era muito. Às vezes até duvidava que ela soubesse sobre sua existência, pois sequer olhava em sua direção. E podia dizer isso com certeza, já que passava a aula inteira a observando e nunca retribuía seus olhares. Afinal, por que retribuiria? Ele era só um garoto qualquer, sequer era bonito, e seu único jeito de impressioná-la era com seu talento para jogar futebol, algo que ela parecia não dar a mínima.
O garoto estava tão distraído ao deixar o banheiro que não notou que alguém vinha em sua direção e acabou esbarrando na pessoa. Quando levantou os olhos, encontrou os de o encarando de perto e ficou sem reação.
- Presta mais atenção, vai acabar se machucando - ela disse e soltou um risinho antes de continuar seu caminho até o bebedouro.
Ele ainda a observava de longe quando outra pessoa passou ao seu lado e só foi reparar que era Axel quando a garota terminou de beber água e abriu um sorriso que fez as pernas de ficarem moles feito gelatina. Infelizmente, ele sabia que teria que se contentar em tê-la sorrindo para ele daquela maneira apenas em seus sonhos.

- ! - a voz de teletransportou o jogador de volta ao presente.
- Quê? - ele perguntou, levemente atordoado, e levantou os olhos para encontrá-la do outro lado da sala de estar com uma mão na cintura e a outra segurando uma vassoura.
- Tô falando contigo e você tá aí viajando - disse a mulher, rindo. - O que você quer almoçar? Vou dar um pulinho no mercado, mas não sei o que fazer, tô sem criatividade.
a observou voltar a varrer o chão, enquanto esperava pela resposta dele, e se pegou pensando sobre como a de 14 anos tinha se tornado uma mulher incrível, exatamente da maneira como ele imaginava que se tornaria. Era uma loucura se dar conta de que a menina que despertou tantos sentimentos nele pela primeira vez era sua namorada depois de tantos anos e o encantava cada dia mais.
- Você já trabalhou a semana inteira, hoje é dia de descansar. Podemos pedir alguma coisa - ele, enfim, respondeu.
- , você vai ficar semanas sem se exercitar, não pode... - a outra falou em um tom repreensivo, mas a interrompeu.
- Eu sei que se eu não mantiver meu peso o preparador físico vai me matar, mas não aguento mais ficar aqui sentado vendo TV ou jogando PES e não passou nem uma semana desde a cirurgia - ele disse sem esconder a frustração, apontando para o filme que passava na televisão. Os raios de sol que adentravam a casa pelas janelas pareciam muito mais atrativos, mas ele não tinha outra escolha a não ser ficar por ali mesmo até ser liberado para começar a fisioterapia. - Por favor, larga essa vassoura e vem ficar aqui comigo.
sentiu o coração amolecer diante daquela cena, pois sabia que ficar praticamente o dia inteiro sentado e com o tornozelo operado para o alto deveria estar sendo uma tortura para uma pessoa tão ativa quanto . Deixou a vassoura apoiada em um móvel antes de se aproximar do sofá e se sentar ao lado do jogador.
- Desculpa por não estar te dando muita atenção, mas eu precisava trocar as roupas de cama e dar uma ajeitada na casa. Carine até me deu uma ajudinha nessa semana, mas não posso abusar, né? - ela disse, acariciando o couro cabeludo do namorado.
A mãe de era quem vinha fazendo companhia para ele nos dias em que tinha que ir trabalhar. Por sorte, ela já não trabalhava mais na livraria de anteriormente, onde só lhe davam o domingo de folga, e, em seu novo emprego como secretária em uma agência publicitária, tinha também o sábado livre.
- Se você me deixasse pagar alguém pra te ajudar com a casa…
- Vamos mesmo ter essa discussão de novo? - perguntou e soltou um suspiro cansado.
- Sei que você não gosta de depender do meu dinheiro e admiro isso, mas só quero te ajudar. Nesses dias que tô aqui pude ver como você se desdobra pra dar conta de fazer tudo em casa e trabalhar - disse sem deixar de notar as olheiras sob os olhos da namorada. - Como vai ter tempo de voltar a estudar desse jeito?
- Quando a Jade crescer mais um pouquinho e for mais independente - ela respondeu, dando de ombros.
- E aí você vai querer ter outros filhos - ele pontuou, fazendo uma careta surgir no rosto dela.
- Eu não penso em ter outros filhos ainda, .
- Mas pode mudar de ideia - falou, mas se calou quando notou que o rumo da conversa não estava agradando Camille. - Tá, eu nem comecei essa conversa pra falar de filhos. Esse assunto ainda pertence ao futuro, o que tá em discussão aqui é o presente mesmo. É que eu não entendo por que viver nessa correria se você tem alguém que pode e quer te ajudar.
- Eu dependia quase integralmente do Lukas quando era casada com ele e, quando quis me divorciar, fiquei perdida - disse uma bastante honesta. - Só não quero que isso aconteça de novo. Quanto menos eu depender de você, pra mim é melhor.
- Você pretende me dar um pé na bunda? - questionou, arrancando uma gargalhada da namorada. - Se for isso, me fala logo, porque eu sonho em me casar com você desde pirralho e não vou mudar de ideia.
- Às vezes eu acho que você me confunde com outra garota, porque a gente nem se falava, não é possível que você fosse tão apaixonadinho assim por mim.
- Ah, mas é possível sim - ele garantiu. - Estava até me lembrando de um intervalo em que eu fiz o maior golaço pra chamar a tua atenção e, quando olhei pra arquibancada, descobri que você não estava nem olhando pro jogo.
- É sempre engraçado quando você me conta essas coisas, porque eu nunca reparei que você tinha interesse em mim - falou com um sorriso divertido estampado no rosto. Havia custado a acreditar que tinha crush nela quando estudavam juntos.
- Claro que não, você só queria saber daquele seu amiguinho - o outro falou em um tom ácido e ela não pôde evitar rir.
- Axel?
- Eu odiava ele.
- Coitado, ele era legal - a mulher disse, ainda rindo da situação.
- Vocês não eram só amigos, né? - perguntou com curiosidade.
- Foi com ele que eu dei meu primeiro beijo - revelou.
- Pensando bem, ainda odeio ele.
- Para com isso, era só namorinho de criança - ela falou, dando um tapinha em uma das coxas do rapaz. - Já que gostava tanto assim de mim, por que nunca tentou falar comigo?
- Porque eu morria de medo de você me dar um fora, o que eu tenho certeza de que aconteceria.
- Talvez eu desse mesmo - admitiu . - O problema não era você exatamente, eu não gostava dos meninos com quem você andava também. Vocês eram muito bagunceiros e atrapalhavam a aula, isso me deixava muito irritada. Agora tô aqui pagando minha língua.
- Não se culpe, deve ser muito difícil resistir ao meu charme - disse com um sorrisinho convencido.
- Só um pouquinho - a outra falou, piscando um olho, e foi puxada pela cintura.
As bocas do casal se encontraram em um beijo desinibido que mostrou nitidamente como os dois já conheciam o ritmo um do outro de beijar. A mão atrevida de subiu por uma das pernas de , acariciando a coxa grossa dela por cima da calça de lycra, e rumou para a parte traseira do corpo dela. A mulher sorriu em meio ao beijo ao senti-lo apertar sua bunda com vontade.
quebrou o beijo com uma mordida no lábio inferior de e desceu a boca até o pescoço dela, onde deslizou sua boca sem pudor.
- Eu já disse que você fica muito gostosa com essa calça? - perguntou entre uma mordidinha e outra.
- , a Jade… - lembrou, mas não pôde evitar um suspiro de escapar por entre seus lábios ao sentir os dedos de acariciarem o ponto entre suas pernas que começava a se acender.
- Eu sei - o outro falou, tirando a mão dali por segurança antes que a situação ficasse fora de controle. - Só te beijar não tem problema, né?
riu levemente e o puxou para um beijo, mas os dois precisaram interrompê-lo quando a campainha soou pela casa.
- Merda - murmurou .
- Deve ser o Lukas - falou, lembrando que tinha combinado com o ex-marido de ele ir buscar a filha para passar aquele fim de semana em sua casa. Ela foi abrir a porta e mostrou um sorriso fechado para o homem. - Entra aí, vou ver se a Jade já arrumou as coisas dela.
A mulher sumiu pela escada e observou o outro adentrar a casa e encostar a porta atrás de si. Tinha que admitir que Lukas, com seu mais de 1,80 m de altura, preenchia o ambiente apenas com sua presença. Sabia que ele era de origem holandesa, como havia comentado certa vez, e seus fios de cabelo loiros deixavam isso evidente. calculava que ele deveria ter 34 ou 35 anos, mas preferia ficar sem a certeza do que se mostrar curioso a respeito do ex-marido de sua namorada.
- Isso aí foi pra combinar com o olho roxo? - Lukas perguntou, debochado, apontando para a bota ortopédica no pé de , que respirou fundo para conter a raiva que sentiu subir pelo corpo.
- Vai se ferrar - rebateu e pegou o celular para não ter que ficar encarando o outro.
precisou forçar Jade a largar o joguinho do tablet pela metade e não levou mais do que dois minutos para estar de volta com a menina. Queria evitar deixar os dois homens sozinhos por muito tempo.
Jade desceu as escadas na frente da mãe, que levava a mochila que continha tudo o que ela precisaria para passar aqueles dois dias na casa de Lukas, e cumprimentou o pai com um abraço desajeitado, pois segurava sua inseparável bola da Champions League.
- Se despede do - disse para a filha e pegou a bola de suas mãos.
- Tchau, tio - Jade falou, indo até ele, e beijou sua bochecha.
- Até amanhã, baixinha - ele falou, piscando um olho.
A menina se despediu também da mãe com um abraço e um beijo e foi embora com o pai, mas não sem antes pegar sua preciosa bola para poder praticar futebol pela tarde.
fechou a porta e voltou a se sentar ao lado de , que digitava algo no celular.
- Nico falou que eles estão vindo almoçar aqui. Vince e Yana vêm também - ele comunicou. - Vão trazer uma lasanha que a Florence fez.
- Oba, adoro a lasanha que ela faz - disse, já sentindo água na boca, e voltou a se levantar para pegar a vassoura e finalizar a tarefa que tinha deixado inacabada.
- Mais tarde você não me escapa - falou, a fazendo rir alto.
Foi só o tempo de terminar de varrer a sala de estar e, em seguida, separar pratos e talheres, e os outros dois casais chegaram. O grupo se espalhou pelo sofás e devorou a lasanha por ali mesmo em solidariedade a , em meio a conversas sobre assuntos variados e muitas gargalhadas, como não poderia deixar de ser.
Algum tempo depois, quando os rapazes se distraíram com o videogame, chamou as amigas e as três subiram para a suíte principal da casa.
- Acho que eu preciso de um conselho - disse quando se acomodou na enorme cama de casal e as outras duas a encararam atenciosamente. - e eu tivemos uma discussão outro dia. Ele foi até a casa do Lukas pra tirar satisfação, porque ele tem botado mil empecilhos pra Jade viajar com a gente, e o resultado foi aquele olho roxo.
- Mentira - Yana falou, chocada. - Pensei que ele tivesse tomado uma bolada, sei lá.
- Não, levou um soco do Lukas mesmo - a outra respondeu e suspirou. - Eu entendo que não esteja gostando dessa situação e, na realidade, fico muito feliz de ele querer que a Jade participe das coisas que a gente faz, mas eu não gostei nem um pouco de ele ter se metido nisso. É algo que cabe a mim resolver com o Lukas.
- Com certeza, você tem razão. Por mais que eu não vá com a cara do Lukas, ele ainda é o pai da Jade - Florence falou, levantando os ombros.
- Além disso, tinha meio que me chamado pra morar com ele em Londres e… eu não quis.
- Por que não, ? - Yana perguntou, surpresa.
- Acho que ainda é cedo, faz pouco mais de um ano que me divorciei. Eu acho até que a gente começou a namorar cedo demais. Tenho medo de largar toda a vida que tenho aqui em e, no final, eu e Jade não nos adaptarmos à Inglaterra. Ou até mesmo nosso namoro acabar não dando certo, porque eu e nunca moramos juntos. Só sabemos que dá certo assim, cada um morando em um canto.
- Sinceramente, eu acho que você tá traumatizada por seu casamento com o Lukas ter fracassado - opinou Florence.
- Eu tenho certeza - a outra admitiu -, mas acho que minhas preocupações têm fundamento. Não posso decidir isso de uma hora pra outra. Fora isso, o Lukas ainda deixou claro que vai brigar na justiça se eu levar a Jade pra longe.
- E ele realmente acredita que algum juiz vai dar a guarda de uma criança pra um cara que leva uma aluna diferente pra casa a cada semana? - Florence perguntou com sarcasmo, mas se arrependeu ao ver a mágoa nos olhos da melhor amiga. - Desculpa, .
- Isso é verdade. Fazer o quê? - ela falou, dando de ombros. - O problema é que, de um lado, tô tendo que lidar com isso e, do outro, com um impaciente pra dar mais um passo no nosso relacionamento. E pior que eu entendo o lado dele, é um pouco chato namorar à distância. Sem contar o tempão que eu fiquei o enrolando antes de contar sobre a Jade… Às vezes me sinto na obrigação de agradá-lo pra compensar a confusão que fiz.
- De jeito nenhum! - Florence rebateu, indignada. - Isso ficou no passado no dia que vocês conversaram e se entenderam. Agora a história é outra e o precisa esperar o seu tempo se quiser continuar nesse relacionamento.
- Eu concordo plenamente - Yana falou. - Acho que você tem que se impor, deixar bem claro que ir morar com ele não é algo que você vai decidir do dia pra noite, e também que os problemas que você tem com o Lukas não são problemas dele.
- Mesma coisa pro Lukas, né? - acrescentou Florence. - Ele precisa entender que vocês têm uma filha unindo os dois, não uma algema. Você tem o direito de ir morar onde bem entender e levar a Jade junto. Eu até acho que como pai ele não deixa a desejar, tá sempre por perto, mas ele não tem condição de exercer o papel que você tem no dia a dia dela.
- É, tenho que assumir as rédeas da situação pelo bem da minha filha e do meu namoro, não tem outro jeito - disse e soltou um longo suspiro. - Tá, chega de falar de mim. E vocês duas? Quando vão marcar os casamentos de vocês? - perguntou com um sorriso divertido nos lábios.
- Se Deus quiser, nem tão cedo - Yana disse, sincera, e as outras duas não puderam segurar a risada. - Acho que eu tenho o mesmo medo que você em relação ao Vince. Já foi difícil a gente passar de sexo casual pra um relacionamento sério, imagina pra esse negócio virar casamento... Às vezes é melhor não mexer em time que tá ganhando.
- Bom, eu já tô praticamente morando com o Nico, agora vamos ser pais... - Florence falou e sorriu ao pôr as mãos na barriga que ainda não evidenciava que ela estava grávida. - Mas andamos conversando esses tempos e não pretendemos nos casar por agora. Talvez daqui a alguns anos, não nos importamos muito com essas formalidades.
- Yana, tô achando que você e Vincent vão ser o primeiros a pisar no altar - brincou .
- Era só o que me faltava - a outra retrucou e fez o sinal da cruz, arrancando gargalhadas das amigas.

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As carícias de foram o que fizeram despertar naquela manhã de domingo. Os dedos dele passeavam com ousadia de suas pernas até suas costas, a fazendo se arrepiar da cabeça aos pés, mas foi quando eles adentraram a camisola que ela vestia e brincaram com a barra de sua calcinha que seu corpo começou a ficar quente.
- Eu sei o que você tá fazendo - ela falou, a voz baixa e rouca denunciando que tinha acabado de acordar, e mordeu um sorriso.
- Sabe e tá adorando - o jogador rebateu em um sussurro próximo ao seu ouvido, a fazendo soltar um risinho anasalado.
virou o corpo na direção do de e se inclinou sobre ele para beijá-lo na boca. Suas línguas se moviam sem pressa e os dois apenas aproveitavam o momento enquanto se deixavam mergulhar no desejo que se aflorava cada vez mais.
estava impossibilitado de executar as estripulias que adorava fazer na cama por causa do tornozelo que ainda se recuperava após a cirurgia, então puxou para cima de si e ela não ofereceu qualquer tipo de resistência ao se sentar sobre sua ereção, que ela não sabia, mas já estava evidente desde que ele se deparou com o corpo dela junto ao seu ao acordar e sentiu uma vontade enlouquecedora de fazer amor com ela.
quebrou o beijo e espalmou as mãos no peitoral de enquanto movia o quadril contra o dele em um rebolado torturante. Os olhos do jogador estavam cravados na mulher, encantados pela aura sensual que emanava dela. Ele adorava vê-la expor aquele lado mais sexy e despreocupado, mostrando que também sabia ser menos certinha quando era conveniente, e não se conteve e puxou a camisola que ela vestia para cima, a despindo.
- Tira a calcinha e sobe aqui. Quero te chupar - disse com naturalidade, soando como se estivesse no controle da situação quando não estava realmente. Algo bem típico de , era difícil vê-lo perder a compostura.
Um arrepio correu pelo corpo de e um sorrisinho despontou em seu rosto antes de ela se afastar e se livrar da única peça de roupa que ainda cobria seu corpo. se acomodou melhor no travesseiro e a puxou quando ela voltou a ficar por cima dele.
Os dedos de apertaram a cabeceira da cama com força e isso foi o que deu a sustentação necessária para ela se manter firme quando o toque da língua de a tirou do eixo e a saliva dele se misturou com sua excitação. As mãos dele apertavam e estapeavam sua bunda sem qualquer cerimônia, mas ela não se importava nem um pouco com a ardência que sentia na pele em consequência, pois estava ocupada demais apreciando as sensações que se alastravam por seu corpo ao mesmo tempo que suspiros de aprovação escapavam por sua garganta.
Quando o alívio foi se espalhando lentamente até dominá-la por completo, desceu pelo corpo do namorado e decidiu que ele merecia o mesmo tratamento. Não foi difícil arrancar gemidos de , que se entregou por completo às maravilhas que ela fazia com a boca, e os dois terminaram a rodada de sexo matinal daquele dia que acabava de começar com seus corpos conectados e consumando não apenas o desejo carnal que sentiam um pelo outro, mas também a cumplicidade e o amor.
Minutos mais tarde, a campainha tocou e os obrigou a levantar da cama e buscar por roupas. Era Carine e Thierry, a mãe e o pai de , e também Thorgan, Kylian e Ethan, seus irmãos mais novos. abriu a porta para eles e pediu que os dois mais velhos fossem buscar e ajudá-lo a descer a escada, e foi adiantar o café da manhã reforçado que tomaram todos juntos, como a família unida que formavam e que já se sentia parte.
se sentia incrível quando olhava à sua volta e se dava conta de que estava rodeado pelas pessoas mais importantes de sua vida. O apoio deles vinha sendo essencial para que ele fosse capaz de manter as esperanças de que estaria jogando futebol novamente antes que pudesse se dar conta disso.

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Os exames feitos ao longo das semanas que se seguiram apontaram que a recuperação do tornozelo de vinha acontecendo conforme o esperado. Ele ainda não tinha começado a fisioterapia e os exercícios de condicionamento físico, pois faria isso em Londres a partir do mês seguinte, quando todo o time se reapresentaria para o início da nova temporada, mas, mesmo que ainda tivesse que usar a bota ortopédica, já tinha sido liberado a apoiar o pé no chão e isso tinha tornado suas férias consideravelmente melhores. O que foi também uma sorte, tendo em vista que, naquele dia, estava completando 1 ano desde que ele e estavam oficialmente juntos e o jogador tinha muitos planos para comemorar aquela data especial. Dentre eles, levá-la para jantar fora.
ajeitou a gravata em frente ao espelho e deu uma checada em seu visual por completo.
- Ah, moleque! Essa mulher não vai resistir - disse para seu próprio reflexo e riu consigo mesmo.
Apalpou o paletó, se certificando de que o presente de estava ali, e saiu do quarto de hóspedes. Precisou de muita força de vontade para não seguir até o fim do corredor para espionar a namorada, que estava se arrumando no quarto que eles dividiam, e, em vez disso, desceu as escadas.
Não demorou muito para um perfume doce preencher o ambiente e o coração de bateu com mais força quando ele viu se juntar a ele na sala de estar com um vestido preto que moldava as belas curvas que ela possuía.
- Uau, eu sou muito sortudo - ele disse e a mulher riu levemente, um pouco sem graça, conforme se aproximava.
- E você? Não vai se arrumar também? - ela perguntou, o olhando de cima a baixo, e riu quando ele abriu a boca com uma mistura de indignação e ofensa. - Tô brincando. Caprichou, hein?
- A mulher mais linda do mundo merece alguém à altura - falou, piscando um olho, e a beijou ternamente nos lábios. - Vamos? Cadê a Jade?
- Ah, deve estar no quarto jogando aqueles joguinhos dela. Só quer saber disso agora - disse, revirando os olhos. - Espera um minutinho, vou chamá-la.
Ela subiu a escada e foi até o quarto da filha, mas a cena que encontrou foi um pouco diferente da que havia imaginado. O tablet tinha sido deixado de lado e Jade dormia de qualquer jeito na cama ainda arrumada e em uma posição que não parecia muito confortável. se aproximou para acomodá-la melhor sobre o colchão antes de decidir se a acordaria ou tentaria levá-la no colo até o carro, e se assustou ao tocar a pele da menina, que ardia em febre. A garota despertou com a movimentação, abrindo os olhos com dificuldade, e uma expressão de dor tomou seu rosto.
- O que você tá sentindo, meu amor? - a mulher perguntou, tirando os fios de cabelo do rosto de Jade.
- Minha garganta - ela falou baixinho, pondo as mãos no pescoço.
- Abre a boca. Deixa a mamãe dar uma olhada.
respirou fundo ao ver como a garganta da filha estava vermelha, além de as amígdalas estarem bastante inchadas, e imediatamente se pôs de pé para ir até o armário pegar um agasalho.
- Bota esse casaco, filha - falou e ajudou Jade a vesti-lo. - Vem, vou pedir pro chamar um táxi.
- Minha mochila, mãe - a menina disse, apontando para a poltrona no canto do quarto, onde estavam as coisas que tinha separado mais cedo.
- Não precisa, você não vai mais dormir na casa da tia Florence. Vamos só te levar ao médico.
A mulher apagou a luz do quarto e guiou a mais nova até o andar inferior.
- Mudança de planos - falou, chamando a atenção de , que estava sentado no sofá mexendo no celular. - A Jade tá queimando de febre.
- O que ela tem? - perguntou o homem, preocupado, se pondo de pé.
- Acho que tá com a garganta inflamada. Chama um táxi por favor?
imediatamente abriu o aplicativo e solicitou um táxi, já que não sabia dirigir e ele ainda não estava liberado por conta da lesão no tornozelo. O mesmo não tardou a chegar e os três saíram de casa e se acomodaram no automóvel antes saírem em direção ao hospital mais próximo. Por todo o caminho, olhava a cada dois minutos para o banco traseiro, onde Jade estava encolhida nos braços da mãe.
Quando chegaram ao hospital, preencheu uma ficha e logo estava adentrando o consultório com Jade quando chegou a vez dela de ser atendida. ficou aguardando na sala de espera, olhando o fraco movimento do hospital naquela noite de segunda-feira enquanto jogava o celular de uma mão para a outra, inquieto. Ele estava bastante preocupado, afinal, mesmo não sendo sua filha, possuía um enorme apreço por Jade, mas precisava admitir que estava um pouco decepcionado também. Tinha se dedicado a planejar cada detalhe daquele dia para que o primeiro aniversário de namoro dele e de fosse inesquecível e agora tudo tinha ido por água abaixo. Ele sabia que a noite havia acabado antes mesmo de começar, pois não teria coragem de sugerir a que, depois de sair dali, eles fossem deixar Jade na casa de Nicolas e Florence, como tinham combinado, para ir ao restaurante mais caro da cidade, no qual ele tinha feito uma reserva duas semanas antes, quando começou a planejar tudo. Seria muito egoísta de sua parte se fizesse isso.
Jade só foi liberada quase uma hora mais tarde, depois que sua febre diminuiu. estava quase dormindo sentado quando viu surgir com a filha no colo à sua frente e imediatamente se levantou para ir de encontro a elas.
- E aí? - perguntou, ansioso por notícias.
- É amigdalite - respondeu em meio a um suspiro. - O médico passou um antibiótico e pediu pra beber bastante água, descansar e voltar daqui a alguns dias.
- Que droga - ele falou, fazendo um carinho no topo da cabeça da menina. - Ela tá dormindo?
- Quase.
- Quer que eu carregue ela? - perguntou, preocupado, pois já tinha pegado Jade no colo algumas vezes e sabia que não era tão leve assim. Até porque ela já tinha 7 anos, não era mais uma criancinha.
- Não precisa, só chama o táxi - disse, forçando um sorriso. A verdade é que estava tirando forças não sabia nem de onde para aguentar o peso de Jade e, ao mesmo tempo, se equilibrar sobre as sandálias de salto alto que usava.
percebeu isso, mas não insistiu, pois a bota ortopédica em seu pé indicava por si só que ele não estava em condições de ajudar, só se apressou em chamar o táxi para que pudessem ir embora. No entanto, acabou não aguentando e, no meio do caminho até a saída do hospital, pediu para Jade ir andando.
Já em casa, e colocaram Jade para dormir e ficaram esperando até que ela pegasse no sono. Só então a mulher avisou Florence que o jantar precisou ser cancelado e aproveitou para também mandar uma mensagem para Lukas, comunicando sobre o estado da filha. Ele até se prontificou a ir até lá, mas ela garantiu que não era necessário e disse que, se ele quisesse, poderia visitá-la no dia seguinte.
Depois que bloqueou o celular, deixou o mesmo sobre o criado-mudo e livrou os pés das sandálias antes de ir em busca do namorado. O encontrou na cozinha preparando alguns sanduíches sobre o balcão ilha e se sentou em um banco, de frente para ele.
- Você tá chateado? - perguntou, o analisando, e ele levantou os olhos para encará-la.
- Claro que não, . Essas coisas acontecem, o importante é a Jade melhorar logo - falou, sincero. - E a gente pode comemorar outro dia, ainda tem um tempinho até eu ter que voltar pra Londres.
A mulher esboçou um pequeno sorriso, se sentindo aliviada por vê-lo lidar tão bem com a situação, e o observou ir até a geladeira e voltar com uma garrafa de vinho. abriu a mesma e preencheu duas taças que tinha separado. Uma delas estendeu para junto de um prato que continha um dos sanduíches que tinha montado.
- É o mais próximo de um jantar romântico que eu posso te oferecer nas atuais circunstâncias - ele falou em um tom divertido, fazendo a outra rir levemente.
- Obrigada.
Os dois comeram em silêncio, apenas apreciando a presença um do outro, e sempre que olhava para , ele estava a observando atentamente. Ela sentia um frio na barriga e nem sabia exatamente por quê.
- Para - disse, desviando os olhos dos dele.
- O que eu fiz? - o outro perguntou, surpreso.
- Fica me encarando desse jeito - ela falou, rindo levemente, e ele soltou uma gargalhada.
- É que você é tão linda, não consigo evitar - disse com um sorriso divertido e piscou um olho. A mulher apenas riu sem graça e se escondeu atrás da taça ao bebericar o vinho. - Não acredito que você tá com vergonha de mim, - ele falou, fazendo a outra soltar um risinho anasalado.
- Me deixa - ela rebateu e mostrou a língua.
Os dois subiram para o quarto assim que terminaram de comer e pediu que o namorado a ajudasse a abrir o zíper do vestido. Enquanto ela se livrava da peça de roupa, ficando apenas com a lingerie que vestia por baixo, e também da maquiagem que havia feito com tanta dedicação horas antes, também tirou a própria roupa, incluindo a bota ortopédica.
- Isso é jeito de largar o paletó, ? - perguntou, pegando a peça que ele tinha largado de qualquer jeito sobre a cama assim que chegaram em casa.
- Ops - o jogador disse com uma expressão de culpa, caminhando até o banheiro para urinar.
- Pelo visto, eu tenho dois filhos, né? - ela brincou, indo até o closet com o paletó. - Pior que não dá nem pra botar a culpa na Carine, já que a coitada criou muito bem você e seus ir…
Ela interrompeu a si mesma quando sacudiu a peça de roupa para colocá-la em um cabide e algo caiu do bolso interno e produziu um som seco ao se chocar contra o piso. Os olhos de focalizaram a caixinha de veludo e ela sentiu o sangue gelar. Se abaixou para pegar o objeto no chão e o analisou com cuidado. Pôde ouvir o som da descarga seguido pelo da água caindo da torneira e avistou de volta ao quarto em seguida. Colocou, enfim, o paletó no cabide e se aproximou do namorado.
- Isso aqui caiu do seu paletó - falou, mostrando a caixinha, e viu os olhos do outro se arregalarem.
- Merda - ele murmurou antes de tirar a caixinha da mão de em um movimento tão rápido que a assustou e, ao perceber isso, suspirou longamente. - Não era pra ser assim, mas… - disse em um tom de derrota. Para o espanto da mulher, ele se ajoelhou, se apoiando na perna do tornozelo bom, e abriu a caixinha de veludo. - Aceita se casar comigo, ?
Aquilo foi totalmente inesperado e isso estava estampado no rosto de . Seu namorado estava vestindo apenas uma cueca, ajoelhado, a pedindo em casamento. Se fosse qualquer outro cara ali, seria uma cena inacreditável, mas era .
sentiu o estômago se revirar e a única reação que conseguiu ter foi a de levar as mãos ao rosto, mas, definitivamente, não foi para esconder o sorriso que esperava ver. Ela deu um passo para trás e deu meia volta antes de sair correndo em direção ao banheiro, onde se agachou em frente ao vaso sanitário e abriu a tampa em um só movimento antes de despejar o sanduíche e a taça de vinho que tinha acabado de ingerir.
precisou de alguns segundos para entender o que estava acontecendo, mas se levantou e foi também até o banheiro. Ao vê-la vomitando, ele largou a caixinha de veludo em cima da pia e foi apressadamente até para segurar seus fios de cabelo até que, enfim, o estômago dela estivesse vazio. ficou ainda mais confuso quando o choro de preencheu o silêncio do ambiente.
- Eu não posso fazer isso - disse ela aos prantos, com o rosto enterrado nas mãos, e ele soltou o cabelo dela e se afastou. - Me desculpa por favor. Eu te amo, mas ainda não tô pronta pra aceitar um pedido de casamento.
Desacreditado, o jogador não falou nada, apenas deu meia volta e saiu dali. Vestiu o primeiro short que encontrou e deixou o quarto, caminhando a passos largos pelo corredor, mas uma fisgada no tornozelo lesionado o fez estancar no meio do caminho. Ele levou as mãos ao rosto ao sentir uma dor leve e esperou alguns segundos para voltar a caminhar, dessa vez com mais calma. Desceu até a sala de estar e se permitiu desabar em um dos sofás. Não apenas fisicamente, mas também emocionalmente, o que era bastante raro de acontecer.
Depois de tanto tempo, aquele sentimento estava ali em seu peito novamente, o de não ser bom o suficiente para .





Continua...



Nota da autora: Demoramos, mas voltamos! Mas depois desse final de capítulo talvez fosse melhor não voltar, depende do ponto de vista. 😂 Espero não estar sendo muito odiada e nem a Cami também, tadinha. Acho que deu pra perceber um pouquinho como pra ela a experiência de ser casada foi traumatizante, né? Infelizmente, Hazardinho vai ter que sofrer mais um pouquinho por essa mulher. Vamos torcer pra valer a pena!
O flashback no início do capítulo foi uma sugestão da Tuani, pra mostrar como era a época que o Eden gostava da Cami na escola, e adorei a ideia! Provavelmente ainda vamos ter outros conforme for dando pra encaixar ao longo da história. Espero que tenham gostado!
Se quiser bater um papo e saber quando o próximo capítulo estiver pra sair, é só entrar no grupo do Facebook. Até a próxima! 💙





Essa história é continuação de:

Honesty
Tous en France


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