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Última atualização: 21/07/2020

Antes

2010 - Manchester, UK.


HARRY


Eu estava sentado em algumas caixas decorativas no backstage do programa. o lugar estava lotado de participantes e tudo que conseguia pensar era no que estava me metendo. Quando afinal de contas a ideia de me apresentar para tanta gente pareceu, mesmo que minimamente, boa?

Dali eu conseguia apenas ouvir, meio que ao longe, uma música desconhecida que era tocada no palco. Era uma voz feminina cantando e parecia tocar o piano também, mas não sabia dizer ao certo. Porém era uma canção bonita e que me trazia alguma calma no meio de toda aquela tensão.

Minha família e amigos se encontravam ali, prontos para darem seu apoio, e não me entenda mal, aquilo era ótimo, mas eu me sentia, de certo modo, sufocado por toda a ansiedade e nervosismo diante da mínima possibilidade de decepcioná-los e por conta daquilo eu decidi que iria dar uma volta do lado de fora, já que ainda tinha algum tempo até minha audição.

Caminhei até o lado de fora e ao chegar lá constatei que mais algumas pessoas haviam tido a mesma ideia. Espalhadas pela área externa do Manchester Central, algumas pessoas conversavam enquanto outra batucavam alguma coisa ou arranjavam qualquer outra coisa para passar o tempo.

Tomei o rumo de um canto vazio e me sentei no chão dando espaço para as minhas dúvidas.

Será que eu passaria? Será que eu era realmente bom? O que eu faria se não passasse? Voltaria para Holmes Chapel e trabalharia na Mandeville? Provavelmente sim, pelo menos até decidir o que faria na faculdade. Eu conseguia me ver pelo campus da universidade de Manchester, assim como Gemma.

Enquanto pensava sobre a vida que poderia ter caso tudo desse errado, uma garota passou por mim após deixar o lado de dentro do local e seguiu a passos firmes na direção onde eu estava. Ela passou direto por mim e se debruçou sob uma grade que havia li. Ela passou as mãos nos cabelos que estavam bagunçados.

Eu não sabia dizer o que era exatamente, mas algo fez com que eu sentisse que deveria me aproximar, depois de algum tempo apenas observando.

Me aproximei lentamente, com um cuidado quase desnecessário e antes que pudesse alcança-la os olhos da menina estavam focados em mim. Um arrepio me subiu a espinha, e pela primeira vez em toda a vida apenas um contato visual me fez prender a respiração.

A garota tinha sardas no nariz, as bochechas rosadas e olhos azuis que eram cheios de confiança que fizeram eu me arrepiar.

— Posso ajudar? - ela questionou de modo firme, apesar de ter um quê de fragilidade em si.

— Só queria saber se está tudo bem com você. - venci os últimos passos em direção a ela que parecia preparada pra me mandar embora a qualquer segundo.

— Está sim, obrigada. - ela respondeu de modo ríspido se virando para frente e se inclinando na grade novamente. Eu fiz o mesmo, com alguma distância entre nós e a vi me encarar.

— Era você que estava tocando lá dentro agora a pouco? - questionei curioso e ela apenas assentiu - Foi muito bom. - a vi rir de modo quase debochado, mas apenas se manteve em silêncio - Sou Harry. - estendi a mão e a garota a encarou, depois olhou para mim pouco antes de segurar minha mão.

. - ela se apresentou e eu sorri.

— É um prazer conhece-la, . - vi um pequeno sorriso brotar no canto do lábio dela enquanto ela me encarava, apenas para em seguida a ver negando com a cabeça antes de soltar a minha mão.

— O que você vai fazer lá dentro? - ela questionou ainda com os olhos em mim.

— Cantar. - ela assentiu e depois arqueou as sobrancelhas indicando que deveria dizer o que - Isn’t she lovely, do Stevie Wonder. - ela sorriu um pouco maior e eu a acompanhei, por alguma razão.

— Gosto dessa música. - ela comentou de forma despretensiosa.

— Eu também. Só espero não estragá-la. - ri fraco e negou com a cabeça.

— Não vai. - garantiu e suspirou em seguida.

— Como sabe? - ela me encarou como quem iria dizer algo sábio.

— É uma música do Wonder. Você não está com essa bola toda para estragar uma música do Wonder. - ela estava brincando e estava claro que estava. Não tentava me menosprezar nem nada. E por conta daquilo eu gargalhei me sentindo aliviado pela primeira vez naquele dia. me acompanhou rindo de verdade pela primeira vez desde que eu coloquei os olhos nela.

— O que você cantou? - questionei realmente curioso por saber qual era a canção.

— É uma música minha. - arqueei as sobrancelhas e fiz um bico assentindo de modo surpreso.

— Corajosa. - riu negando com a cabeça - Falo sério, não me sentiria seguro para cantar algo autoral nem mesmo se tivesse algo muito bom. - me encarou com um sorriso fraco e não disse nada, apenas me encarou.

Ela me olhava com certa curiosidade, a curiosidade de quem se pergunta porque um suposto adversário estaria ali, tentando se aproximar quando ele estava a minutos de sua própria apresentação. Eu também me perguntava. Me perguntava porque sentia uma pequena necessidade de estar ali.

, eu havia notado, tinha um brilho constante nos olhos azuis que não havia sumido em nenhum momento desde que eu me aproximara, apesar de parecer chateada. Os olhos dela me davam a impressão de que se ela me convidasse a fazer algo, de algum modo, aquilo pareceria certo. Parecia o tipo impossível de negar.

— Você vai longe. - ela comentou com um tom amigável e um sorriso quase terno nos lábios.

— Como sabe? - o meu sorriso era preso e sem jeito. Apesar de assumir a postura segura grande parte das vezes, e disfarçar as inseguranças com um jeito bobo, me sentia sempre meio sem jeito quando alguém dizia coisas daquele tipo.

— Apenas sei. - ela deu de ombros se desapoiando da grade e ajeitando a postura, fazendo com que eu repetisse seu movimento. Ela sorriu para mim e novamente eu fiz o mesmo que ela. Era possível não sorrir quando ela sorria?

— Harry! - ouvi a voz conhecida de Gemma o chamar e quando me virou a vi acenando — Você entra em breve. - avisou e eu assenti acenando com a mão que já iria e a vivtomar o caminho de volta para dentro.

— Preciso ir. - avisei sentindo uma pequena parte de mim pedir para ficar.

— O mundo o espera. - a garota fez uma firula com as mãos, como a de quem cumprimenta um monarca e eu ri negando com a cabeça.

— Você vai ficar bem? - questionei agora de modo um pouco mais preocupado e sorriu.

— Eu vou. - ela garantiu assentindo — É só uma curva no caminho, afinal quando a gente anda sempre em frente não pode chegar muito longe. - sorri franzindo brevemente o cenho.

— Da onde tirou isso? - estava curioso. Era uma citação muito inteligente, devia ressaltar.

— O pequeno príncipe. - assenti. Nunca havia lido, mas definitivamente era algo que faria o mais breve possível.

Por um momento apenas nos encaramos. Os olhos de fixos nos meus e eu tinha certeza que não os esqueceria tão cedo. Eram profundos demais para alguém aparentemente tão jovem, mas havia tanta alegria neles que eu me perguntei se algum dia na vida veria olhos como os dela de novo e se os encontraria de modo tão inesperado quanto aquele.

, apesar de uma inicial antipatia, era uma boa garota que tinha aquele tipo de boa aura. Algo que te fazia querer passar mais alguns minutos em meio a aquela conversa despretensiosa e aleatória entre estranhos. Algo que te fazia querer apenas arranjar uma desculpa para continuar ali.

— Vai perder a audição. - ela comentou com um sorriso preso.

— Certo. - ri fraco e assenti em seguida - Tchau . - acenei e ela fez o mesmo.

— Tchau Harry. - a voz era baixa e ela me encarava com ternura. Como alguém que tem algumas perguntas perambulando sua mente.

Me afastei devagar. Primeiro andando de costas, para então tropeçar e a ver gargalhar. Eu a acompanhei acenando um último tchau antes de me virar e seguir para a porta de entrada.

Quando me virei uma última vez, a vi descendo as escadas do Manchester Central em direção a rua para ir embora. Ela não assistiria minha audição, e por alguma razão eu queria que ela escutasse.

Naquela noite, depois de ser aprovado no programa, no caminho para casa eu tinha uma melodia em minha mente e quando cheguei em meu quarto, me sentei na cama com um caderno em mãos, enquanto cantarolava o ritmo na minha mente. As palavras apenas fluíram para o papel de modo natural, e eu adorava as canções que eram daquele modo.


She had that kind of eyes
That you’d never forget
Believe me cuz I tried
But I don’t regret.
I don’t want your sympathy
But you don’t know what you do to me
!
!
Every time I think of you
I wonder what I’d do
!



No fim daquela noite, eu ainda tinha os olhos dela em mente, e tinha uma música sobre ela. E sequer fazia ideia disso.


Um

2016 - London, UK.





Dividir apartamento com uma universitária, na minha visão, era algo ótimo. Não tinha do que reclamar na maior parte do tempo. era uma garota tranquila se comparada às demais da sua idade e fase pela qual passava. Óbvio, ela levava amigas para o apartamento, porém as mesmas eram bem divertidas e respeitavam completamente os limites de privacidade e aquilo era o que importava.

A parte da qual eu sempre reclamava, com murmúrios e resmungos, era que estudava moda e eu, como alguém que só estava ocupada durante a noite enquanto trabalhava no pub, e às vezes durante a tarde quando estava no estúdio, tinha tempo livre, e esse tempo livre era utilizado por ela para que eu fosse sua modelo.

Porém, eu apenas reclamava porque gostava de fazer o papel da resmungona implicante. Adorava usar os modelitos criados por e sempre me empolgava quando ela saia do quarto com um deles quase saltitando de felicidade por sua nova criação.

Mas naquele dia em específico eu reclamava por que tinha que ir para o estúdio e gostava de chegar cedo sempre que ia para lá, e o local ficava um pouco longe do apartamento, então eu tinha que me apressar para pegar o metrô.

— Pronto? - uma careta em meu rosto fez rir assim que a pergunta veio e ela abaixou a câmera.

— Pronto sua chata, já pode ir se trocar. - levantei as mãos em um ato exagerado e me acertou um leve tapa no braço, para em seguida me virar abrindo o zíper do vestido que eu usava — Acho que deveria manter a maquiagem, está bem bonita. - dei de ombros e segui pelo corredor ouvindo os passos de atrás de mim — É a Adele? - a pergunta veio no tom curioso de sempre que me fez rir.

— Não , não é ninguém grande, apenas uma banda que está começando. - eu retirei o vestido assim que entrei no quarto e buscei por uma blusa preta de gola alta e jeans. O frio castigava lá fora, já que era maio e as temperaturas, apesar de não serem as mais baixas do ano, também não eram as mais quentes.

— Eu não acredito nisso. Quero dizer você é a melhor pianista que eu já conheci, impossível que alguém grande não tenha te descoberto. - ri enquanto vestia a calça.

se eu dependesse da fé que você coloca em mim para ficar rica eu seria milionária. - deu de ombros.

— Seria mesmo. - neguei com a cabeça rindo fraco e calçando os sapatos. Peguei a bolsa e assim que me virei vi me encarar com olhos estreitos — É alguém da One Direction, não é? - tombei a cabeça para o lado.

. - chamei a atenção dela que riu.

— Eu não acredito que você conheceu o Harry Styles naquela audição do The X Factor antes do cara fazer fama e nunca mais o viu na vida. - a indignação era presente da voz dela.

— Meu bem, a vida é isso: nascemos para morrer, conhecemos pessoas para as deixar e ganhamos coisas para as perder. Nada é para sempre. - a encarei preparada para o revirar de olhos que logo veio. odiava o fato de que de algum modo a minha mente guardava citações de livros que eu havia lido a décadas e eu estava sempre às usando de um modo que ela julgava ser poético, mas na verdade era apenas para a irritar.

— Você podia ter essa boa memória para receitas de doce, eu ia adorar se toda vez ao invés de uma citação você começasse a dizer: 500 gramas de chocolate meio amargo, uma bandeja de morangos, leite condensado… - ri sendo acompanhada por ela pelo corredor.

— Isso parece muito bom, acho que deveria fazer. - sugeri e ela pareceu cogitar aquela possibilidade.

— Talvez. - após um dar de ombros de , eu segui pelo corredor em direção a sala — Vai estar no pub essa noite ou está de folga? - apenas assenti checando brevemente as horas no relógio e correndo os olhos pela sala em busca de minhas chaves — Eu e as meninas vamos para lá, é aniversário da Taylla e vamos beber. Quem sabe não te encontro? - a encarei rindo fraco.

— Eu trago vocês de volta. - prometi sabendo que era aquilo que queria pedir — Só peça para alguém ir de carro e deixem as chaves comigo assim que chegarem, me recuso a trazer vocês de táxi de novo. - apontei o dedo para a outra que assentiu.

— Pode deixar. - fez um “x” com os indicadores e os beijou em sinal de promessa e eu ri fraco — Você é a melhor . - completou enquanto eu seguia para a porta.

— Tô sabendo. - acenei e antes de fechar a porta atrás de mim encarei minha amiga - Se cuida e faz o doce de morangos. - assentiu e eu fechei a porta atrás de mim seguindo para o elevador.

Eu havia conhecido mais ou menos um ano antes. A garota que era italiana e estava em Londres por conta da universidade, comentou com alguns amigos enquanto estava no pub onde eu trabalhava que precisava sair do campus e arranjar alguém com quem dividir apartamento. Eu vivia de aluguel e precisava de alguém com quem pudesse dividir as contas, e no meio daquela noite acabei soltando a informação de que tinha um quarto sobrando onde morava, para ela. foi com a minha cara no mesmo instante -talvez pela bebida, ou por razões que eu não entendo-, visitou o apartamento dias depois com duas amigas e decidiu que ficaria. A princípio eu achava que sequer teria alguma relação com , mas bastaram apenas dois meses para que eu me visse como um tipo de babá/amiga mais velha da garota. Sempre me preocupando e checando se ela precisava de algo, já que havia a escutado chorar algumas vezes depois de receber ligações da família.

Sobre mim, eu fazia faculdade em Manchester, porém larguei tudo na metade do meu segundo ano para vir para Londres me juntar a uma banda. Foi uma loucura, já que em Manchester eu tinha casa, comida e universidade tudo bancado por minha mãe e quando informei que estava vindo para Londres dona Jocelyn informou que se eu viesse estaria por conta própria. Mas eu sentia que era aquilo que devia fazer e fiz. Se aqui é onde você espera uma história de virada de vida em que a banda funcionou, está enganado. Na verdade a banda não funcionou nem por um ano inteiro. Havia muita disputa de egos entre os dois vocalistas e isso acabou desmantelando a banda, onde eu e a baterista decidimos que seguirmos apenas as duas não era possível também.

Não havia como pagar para entrar na faculdade de novo, então apenas arranjei um emprego no pub e comecei a trabalhar com um produtor em projetos de bandas iniciantes que ainda não tinham um tecladista. Bob, o produtor, era uma das pessoas que mais tentava me ajudar naquele ramo, já que, segundo ele, via o grande talento e paixão que eu tinha e eu era extremamente grata aos momentos de trabalho com a música que ele me proporcionava em meio ao dia a dia. Sem aquilo eu provavelmente estaria maluca a essa altura.

Desde o The X Factor, eu havia se dedicado a melhorar, já que como os jurados haviam me dito eu era boa, mas precisava amadurecer. E eu havia melhorado muito, apesar de o meu pai insistir que eu já era muito boa na época. Mas o programa não me deu tanta visibilidade, já que naquele ano todos os holofotes foram da One Direction. Eu não sentia mágoa daquilo, na verdade me sentia feliz que um grupo de garotos tivessem alcançado um sonho daquele tamanho.

Eu esperava que algum dia pudesse alcançar algo assim.

Perdida em meus pensamentos eu apenas acordei quando notei estar em minha estação e saltei pouco antes das portas se fecharem. Me apressei em sair da estação e segui rua abaixo até chegar a uma porta de metal preta e abri-la subindo as escadas até a primeira porta que havia ali.

Assim que adentrei o local ouvi as risadas já conhecidas na sala ao lado vendo Bob, Andy e James comendo algo enquanto riam. Segui pelo corredor chegando a sala que tinha paredes de vidro o que permitiu a Andy notar minha chegada.

Townes is in the house! - soltou animado e eu ri tirando a bolsa do ombro e deixando sob uma cadeira enquanto Bob e James que estavam de costas me encarando e sorrindo.

! - os dois soltaram juntos e eu me aproximei tocando na mão de todos eles.

— Senta aí, compramos pra você também. - Andy apontou o que eu notei serem tacos sob a mesa.

— O que houve que todos vocês chegaram aqui tão cedo? - questionei seguindo para um pequeno banheiro que havia ali e lavando as mãos, para em seguida voltar e me sentar ao lado de Andy pegando uma embalagem de alumínio onde um taco esperava.

Houve um silêncio enquanto eu abria meu taco e o mordia para em seguida olhar para os caras na sala e reparar que Bob e James encaravam Andy e o meu olhar os acompanhou. Andy limpou a garganta me encarando.

! - Andy soltou animado e eu neguei com a cabeça.

— Nem vem de enrolação Clutterbuck, fala logo o que você quer. - Andy riu fraco negando com a cabeça. Ele sempre se divertia com o quanto eu era direta.

— Certo. A garota que faria a última música do acústico com a gente desistiu e nós pensamos que... você sabe... você tem uma ótima voz, já vai tocar e conhece a letra, então podia gravar com a gente pra versão final. - ele sorriu forçado e eu neguei com a cabeça.

— Não. - apesar de saber cantar, eu só havia feito backing vocals na vida. Bom, exceto por minha audição no The X factor, mas isso tinha pelo menos uns seis anos, e desde então nunca havia cantado sozinha, nem sequer feito um duo como seria naquela música.

— Qual é ? Sua voz é ótima e iria ajudar muito a gente. Sem contar que você receberia por tocar e também a parte da outra garota. - apesar de a proposta ser tentadora já que a parte que receberia por cantar poderia ir direto para as minhas economias, eu ainda não tinha certeza. Não sabia se daria certo cantar com Andy e James naquela música.

— Que tal assim. - James foi quem chamou minha atenção — Nós tentamos uma vez, se você não gostar vamos atrás de outra pessoa, mas se gostar nós gravamos. - ele me encarou com as mãos juntas e eu encarei Bob que assentiu me fazendo suspirar.

— Certo, eu topo. Mas se ficar ruim a gente finge que isso nunca aconteceu. - os três comemoraram me fazendo rir fraco pouco antes de morder o taco de novo.

Comemos enquanto conversávamos sobre a empolgação de um pequeno grupo de fãs para o lançamento daquela música e mais duas ou três que já estavam prontas e que aconteceria dali a algumas semanas. Location Unknown surgiu em uma noite em que eu e Andy estávamos no estúdio e por conta da minha folga no pub eu acabei ficando por lá. Nós conversaram sobre muita coisa naquela noite, isso incluia a namorada de Andy que havia se mudado para os Estados Unidos por conta da sua pós graduação.

Ele disse repetidas vezes sobre como sentia saudade da garota e de como ela valia a distância e a espera. Eu lembrava de estar sentada no teclado e enquanto ele falava, eu tocava uma melodia aleatória. Como em um momento de genialidade parte da música surgiu para ele. Andy pediu que eu tocasse as notas novamente e enquanto eu tocava e acrescentava algumas novas notas ele anotou a letra em seu celular e ao fim daquela noite havia um esboço do que a música seria.

Houveram poucas alterações na letra e melodia, e no dia seguinte quando mostramos a música para James ele brincou sobre como seria substituído por mim no duo. A ideia de algo mais acústico no EP não havia surgido antes, mas quando Location Unknown estava sendo tocada ela parecia certa.

Naquela tarde, quando entramos na cabine de gravação e os dois cantores lançaram olhares animados para mim, eu apenas respirei fundo e passei os dedos nas teclas do teclado mordendo o lábios e assentindo em seguida para os rapazes em sinal afirmativo. Estava pronta.


[...]


O pub estava lotado e como havia prometido, passou assim que chegou pelo balcão e deixou as chaves de um carro comigo, que servi doses de tequila as garotas antes de elas sumirem em busca de uma mesa.

Eu servia uma mojito a uma moça e assim que ela se virou levando seu copo consigo e eu me virei preparada para ir de encontro a outro cliente eu viu Joe, um cara bonito e muito simpático que trabalhava comigo.

Tudo bem, talvez ele não fosse apenas um colega de trabalho. Talvez nós tenhamos transado algumas vezes, mas nunca nos tornamos nada sério por decisão de ambos. Nenhum dos dois estava em busca de relacionamentos complicados, apenas de certa diversão quando estivessemos afim. E era aquilo que tínhamos. Mas apesar de não seremos sérios havia uma certa parceria entre nós que era inegável. E por conta daquela parceria foi que assim que vi os olhos de Joe sobre mim, eu soube que o que vinha a seguir não era nada bom.

— O que houve? Não me diga que se meteu em confusão de novo Joseph. - eu sorri divertida e Joe negou com a cabeça.

— O Tom está te chamando na sala dele. - eu torci os lábios insatisfeita.

Tom era o dono do pub. Um homem com costumes muito babacas e que sempre me chamava por um motivo desnecessário, apenas para dar em cima de mim e eu tinha que me conter para não acertar um soco bem no olho dele, afinal precisava daquela droga de emprego.

— Quer que eu vá com você? - Joe se ofereceu e eu sorri.

— Não precisa, fique aqui e atenda o pessoal. Eu posso me cuidar. - acertei um soco fraco no braço de Joseph e segui para as escadas que davam acesso a um mezanino onde a sala de Tom se encontrava. Peguei meu celular no bolso traseiro e liguei o gravador de voz. Bati na porta e após ouvir que me mandassem entrar, eu o fiz.

Um sorriso surgiu nos lábios do homem e eu apenas senti nojo

— Joe disse que você queria falar comigo. - o tom ríspido e a cara nada amigável não pareceram suficientes para ele que estendeu a mão indicando a cadeira a sua frente. E eu sabia que se não me sentasse, ele se levantaria, então dos males, escolhi o menos pior.

— Linda como sempre, . - Tom soltou assim que me sentei à sua frente. Eu não esbocei nenhuma reação, nem nada do tipo, apenas esperei que ele dissesse o que queria. Ele sorriu ainda mais quando não houve resposta. Se ajeitou na cadeira e colocando as mãos sob a mesa ele me encarou até onde seus olhos podiam ver.

— Me chamou aqui pra ficar olhando para a minha cara por acaso? - foi a primeira coisa que eu disse e o homem sorriu de canto.

Ele não era um homem feio, muito pelo contrário, era um homem que devia ter seus quase quarenta anos e era muito bonito para a idade, mas beleza não era tudo, e no caso de Tom não fazia valer nem cinco minutos de conversa com ele.

— Gosto de você, . - eu revirei os olhos.

— Não posso dizer o mesmo. - eu murmurei. Havia algo sobre ele: nada que eu fizesse parecia o afetar. Se eu o tratava bem ele gostava. Se distratava ele gostava. Eu podia apostar que se batesse nele ele ainda assim gostaria. E aquilo era horrível.

— Ouvi dizer que sexta é seu dia de folga. - o tom sugestivo já me fazia saber onde aquilo terminaria — Um amigo me indicou um restaurante novo no centro. Disse que é muito bom. - de repente senti algo tocar meu tornozelo e não precisei de muito para saber que era o pé de Tom em seus sapatos italianos horríveis - Queria saber se você gostaria de ir comigo. - os convites descarados eram comuns, e eu sabia que devia fazer algo em relação a aquilo, mas a garota que trabalhou ali antes de mim já havia feito e por falta de provas do que aconteceu, acabaram dando ouvidos a ele ao invés dela. Novidade não? Por isso eu grava todas as vezes que ia até lá. Precaução.

— Primeiro de tudo: seu pé por acaso perdeu o rumo de onde ele deve ficar? Por que se perdeu é só me avisar que eu dou um rumo a ele em dois tempos. - sorri sínica e ele riu recolhendo o pé — E segundo: a resposta sempre vai ser a mesma Tom. Não. - me coloquei de pé — Mas obrigada pela recomendação, com certeza vou adorar chamar o cara com quem estou saindo para irmos até lá. - um novo sorriso sínico e eu segui para porta.

— Um dia eu ainda te convenço, . - foi o comentário de Tom assim que a porta se abriu.

— Mas nem morta. - e dizendo aquilo eu fechei a porta atrás de mim descendo as escadas e encontrando Joe atrás do balcão — O mesmo babaca de sempre. - foi o que eu disse o vendo revirar os olhos.

— Podemos pegá-lo no final do expediente, dar uma surra nele até ele ficar desacordado, colocarmos ele na mala do meu carro e depois jogarmos ele no meio do nada no dia mais frio do ano. - eu ri do plano de Joe e ele me acompanhou - É sério. Ele morreria congelado, que culpa teriamos? - encarei Joe ainda rindo.

— Joseph, eu suspeito que você seja algum tipo de serial killer. - ele deu de ombros.

— Talvez. - neguei com a cabeça — Mas é sério , ele não pode continuar com isso. - respirei fundo.

— Eu sei, Joe. Eu sei. - eu sorri fraco e dei de ombros — Mas eu ainda não posso arriscar meu emprego ou fico sem ter onde morar. - ele abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompido — Sem essa. Eu não vou morar com você. é uma colega de quarto muito melhor. - brinquei e um bico surgiu nos lábios dele — Um dia eu não vou mais precisar disso aqui, e quando esse dia chegar eu posso não bater nele, mas vou usar esse taco de baseball que temos aqui em baixo do balcão e vou acabar com aquela coleção de whiskeys que ele tem na sala dele. - prometi e Joe riu levantando a mão para um high five.

— Por favor, me avise quando esse dia chegar. Quero estar presente. - eu assenti rindo para ele.

— Certo. Agora vai lá, aquela moça está te encarando e eu sinto que ela não está muito afim de ser atendida por mim. - apontei com a cabeça uma mulher que assim que Joe virou o pescoço acenou para ele indicando seu copo vazio.

Joe sorriu para mim antes de seguir na direção da mulher e assim que ele estava longe o suficiente eu suspirei, fazendo uma prece silenciosa para que o dia em que estivesse livre daquele lugar não demorasse a chegar.

Dois

2016 - London, UK.


HARRY



Eu batia o pé de maneira quase incontrolável enquanto tentava buscar em minha mente um novo nome, mas nenhum me surgia. Estava no estúdio finalizando minha primeira música solo, era real. A única delas que não seria feita na Jamaica, já que a ideia da canção que eu queria chamar de Kiwi me surgiu de um hora para a outra e eu precisava fazê-la acontecer. Seis meses haviam sido suficientes para que descansasse, mas agora precisava colocar as músicas para fora de mim ou eu sentia que poderia explodir a qualquer momento.

A decisão da Jamaica havia surgido depois da segunda ou terceira vez que me reuni com a banda - ou as pessoas que esperava que fossem minha banda, que até aquele momento incluíam Adam, Sarah e Mitch - e como todos toparam, em duas semanas embarcariamos para Portland. Porém ainda havia um problema: eu precisava de um tecladista. Algumas das canções do álbum, como Sign of the times dependiam de um piano para acontecerem e até aquele momento todos que eu conhecia ou estavam ocupados, ou eu não sentia serem as certas.

Havia decidido fazer um documentário por trás do meu primeiro álbum também e ali naquele momento estava a equipe de filmagem, não exatamente gravando, mas conversando em um canto.

Bufei frustrado passando as mãos pelos cabelos que me acompanhavam a anos e só consegui pensar que precisava cortar aquilo, mas era preocupação para depois. Depois de conseguir meu tecladista.

— Você parece uma pilha de nervos. - a voz de Sarah soou e tirei a mão do rosto encontrando a baterista me estendendo uma xícara que prontamente peguei.

— Obrigado. - agradeci sentindo o cheiro do chá invadir minhas narinas.

— O que houve? - ela questionou se sentando ao meu lado e eu apenas joguei o celular de canto para que pudesse conversar com Sarah.

— Todo mundo que conheço está ocupado em algum projeto. Todos os tecladistas e pianistas. Por acaso tem época de colheita desse pessoal? Como com as frutas? - Sarah gargalhou da comparação feita e eu a acompanhei bebendo de meu chá.

— Não encontrou ninguém? - neguei com a cabeça. Houve um momento de silêncio onde Sarah pareceu pensar, mas nada lhe surgiu — Pensei em te dizer para jogar na internet, mas isso estragaria todos os seu planos de fazer tudo escondido. - assenti tomando meu chá e encarando um ponto fixo na parede a minha frente. Sarah se levantou deixando tapinhas no meu joelho e seguindo para outro canto da sala. Encarei a xícara em minhas mãos enquanto vapor saia de dentro dela e naquele momento minha memória me levou para seis anos antes.

Me lembrava da melodia suave do piano apesar de lembrar muito pouco da voz dela. De alguma forma a melodia que tocava, por mais que pudesse parecer triste, lembrava o verão, do calor e do conforto que essas coisas traziam para mim. Me lembrava dos olhos azuis dela e como eram brilhantes. Me lembrava das sardas em seu nariz e em como seu sorriso surgia de modo tímido.

De algum modo havia se mantido em minha mente por todos aqueles anos, intacta. Ou quase. Já que eu adoraria me lembrar claramente do timbre de sua voz, mas isso era algo nebuloso para mim, já que lembrar de vozes sempre foi um problema.

Pensei em como gostaria de saber seu sobrenome para que pudesse encontrá-la por aí. Ela provavelmente não estaria disponível para trabalhar comigo, já que com todo o talento que tinha com certeza deveria estar trabalhando com grandes artistas, mas apenas encontrá-la seria bom.

— Harry! - ouvi a voz de Sarah novamente e a encarei meio alheio a tudo, ainda imerso em meus pensamentos. A mulher vinha em minha direção com o celular estendido para mim — Escuta isso. - e dizendo aquilo Sarah soltou uma canção começada em um piano.

Era lenta e tranquila. Não demorou muito a uma voz começar, era de uma mulher e a seguinte era de um homem. Eu escutava com atenção ao piano no fundo, mas tinha de admitir que apesar de não ser a voz com mais técnica que já havia escutado, a voz da mulher era muito bonita. Tinha um timbre suave e podia imaginá-la tocando o piano ao mesmo tempo que cantava de olhos fechados. Era uma visão que eu tinha quase como se ocorresse bem na minha frente.

— Quem é essa? - questionei assim que a música parou.

— Uma garota que estava em uma banda comigo a uns dois anos atrás. Me esqueci completamente dela e estava passando pela timeline de um amigo e vi que ele estava indicando essa música que ela lançou com um duo novo. - sorri empolgado.

— Você consegue um telefone ou e-mail dela para eu tentar contato? Ela é realmente muito boa. E a voz dela ficaria incrível no backing com você. - Sarah sorriu animada com a ideia não sei de cantar com ela, ou de reencontrar a antiga colega de banda.

— Consigo. Me dê dez minutos. - e dizendo aquilo ela se levantou e começou a digitar algo em seu celular.

— Sarah! - chamei antes que ela pudesse se afastar para algo que parecia uma ligação que faria e ela se virou me encarando — Qual o nome dela? - notei que sequer havia perguntado o nome dela antes.

— Townes. Townes. - e ao ouvir o nome meu corpo arrepiou por inteiro.

Não era possivel, certo? Quer dizer, quais eram as chances de ser a mesma garota? Não, não haviam chances, era apenas uma coincidência, certo?


[...]


Sarah havia conseguido telefone da tal garota e faziam alguns minutos que eu havia saído do banho e apenas de toalha eu encarava o nome dela ali. . Devia ligar? Mandar um mensagem? Não sabia ao certo e me sentia nervoso.

— Que droga, Harry. Nem deve ser a mesma garota, para de besteira. - e em um momento de coragem disquei o número que chamou algumas vezes até ser atendido. Havia um barulho de fundo, parecia uma festa ou bar, não sabia ao certo.

— Alô? - uma voz masculina foi a que atendeu e me perguntei se havia pego o número errado com Sarah.

? - questionei.

— Não, hm… Se puder esperar um minuto ela já está vindo. - informou e apenas respondi um “tudo bem” — , anda logo deixa que eu faço isso. - a voz do rapaz avisou e logo houve um “obrigada” e então o barulho diminuiu.

— Pois não? - a voz feminina atendeu dessa vez, e apesar de um pouco diferente eu sabia que era a garota que cantava na música que havia ouvido mais cedo.

Townes? Oi, eu sou o Harry. Harry, hm… Styles. - soltei meio sem jeito e não sabia ao certo o que acontecia do outro lado, já que houve um silêncio até que ela dissesse mais alguma coisa.

— De quem é a piada? Se foi eu mato essa garota. - não parecia brava nem nada assim, apenas parecia não acreditar.

— Não é uma brincadeira, é sério. Eu peguei seu número com Sarah Jones, vocês fizeram parte de uma banda juntas. - expliquei e então fez silêncio — ? - chamei.

— Desculpe, eu ainda estou aqui. Você ia dizendo que pegou meu número com Sarah? - ela me incentivou a continuar.

— Sim. Bem… Eu na verdade gostaria de falar sobre isso pessoalmente, mas posso adiantar que é sobre trabalho. - levei o indicador e o polegar ao lábio inferior o apertando.

— Hum… Claro. Tudo bem. Podemos marcar. - ela soltou ainda com um tom de receio — Desde que não seja a noite, por que eu trabalho em um pub a noite, mas durante o dia estou livre. - informou e eu assenti mesmo que ela não pudesse ver.

— Claro. Que dia é um bom dia para você? - questionei ainda com o nervosismo me consumindo. Eu não podia simplesmente perguntar se ela era a garota que havia conhecido no TXF anos antes, por que se não fosse ela, eu pareceria um tipo de maluco.

— Depois de amanhã? - ela sugeriu e eu pensei por um momento.

— Ok. Vou te mandar por mensagem o endereço de um café. É um lugar público, mas ainda assim discreto. - naquele momento eu tinha certeza que havia soado como um mafioso, e apostava que se aparecesse era apenas por ser muito corajosa.

— Certo, eu espero pela mensagem. Agora preciso ir tenho trabalho a fazer. - eu podia jurar que a garota sorria, mas não havia como garantir. Cogitei uma última vez perguntar sobre o ano de 2010, mas cheguei a conclusão de que poderia esperar aqueles dias até que pudesse tirar a dúvida por mim mesmo. Tinha certeza que a reconheceria pelos olhos.

— Tudo bem. Obrigado pelo seu tempo , te vejo em breve.

— Até. - foi tudo que ela disse antes de desligar.

Encarei o celular por mais alguns segundos, até jogá-lo sob a cama e seguir para o closet em busca de uma calça de moletom.

Agora eu tinha de esperar. Dali a um dia e meio descobriria se era a mesma garota ou não. De todo modo, eu apenas esperava que tivesse encontrado minha pianista para a banda, porque caso contrário eu estava ferrado.


[...]


Eu estava sentado em uma mesa afastada, uma xícara de chá repousava fumegante a minha frente. Eu olhava as horas a cada cinco minutos em busca de algum conforto para meu nervosismo, mas não havia. Jeff estava atrasado e eu estava por mim mesmo ali.

Eu não sabia o que estava me deixando mais aflito: a possibilidade de ser a mesma garota, ou a possibilidade de finalmente ter encontrado uma pianista. Seja qual fosse, ambas as opções eram boas causadoras de ansiedade.

Naquele momento, sentado inquieto ali me peguei cantarolando baixo a música que havia feito anos atrás sobre ela.

Senti como se alguém me olhasse e vi uma mulher de cabelos castanhos e olhos azuis seguir para mim e meu coração deu uma batida mais forte no momento da empolgação, apenas para um segundo depois eu notar que não se tratava da garota de anos antes. Não era ela.

A mulher sorria empolgada e eu me coloquei de pé para recebê-la. Mesmo que não fosse quem eu esperava, iria ser educado e reclamaria das minhas frustrações outra hora.

— Harry Styles. Ah meu deus, finalmente estou conhecendo Harry Styles. - assim que ela soltou as palavras e se aproximou para me abraçar eu soube o que estava acontecendo. Não era . Era uma fã. E de algum modo me senti aliviado.

— Como vai? - questionei ainda preso ao abraço ao qual me recusei a soltar primeiro. A garota parecia chorar baixinho e demorou um pouco até que se afastasse e me encarasse nos olhos.

— Bem, muito bem. - ela respondeu ajeitando o cabelo até tomar tempo para parar o choro.

Fiquei ali de pé com ela em meio a uma conversa por alguns minutos. Falamos sobre a banda e ela chorou ao dizer o quanto entendia as razões para a pausa -fato que fez meus olhos marejarem, já que o apoio dos fãs era tudo do que eu e os rapazes precisavamos- e após mais alguns assuntos, ela pediu uma foto que eu concedi de bom grado, pedindo apenas que ela não publicasse naquela tarde e informei que teria uma reunião com amigos e não queria o lugar cheio de fãs e paparazzis e a garota atendeu o pedido.

Enquanto ela deixava o lugar, a acompanhei com o olhar até a saída do local, e foi quando ia virando a cabeça que a vi. Encostada no balcão de atendimento estava uma mulher. Os cabelos presos em um coque baixo não me impediram de notar que ela estava mais loira. Usava jeans justo, uma camiseta branca e jaqueta de couro. As feições, apesar de mais maduras. ainda lembravam aquela garota que conheci em 2010. E os olhos, apesar de longe e de parecerem mais escuros naquela luz, ainda eram expressivos intensos. Era ela. Definitivamente era .


Três

2016 - London, UK.





Eu o encarava. Havia acabado de adentrar o café e de imediato o vi em uma conversa com uma garota que devia ter seus dezesseis anos. Supus ser uma fã por conta da idade e também por como ela o olhava com certo brilho no olhar.

Segui para um balcão próximo a entrada do local sem a mínima intenção de atrapalhar o momento, e me encostei esperando que a conversa dos dois acabasse. Não deixei de notar que nos olhos dele havia uma gentileza conhecida por mim. A mesma gentileza que ele tinha no olhar quando me disse que queria saber se estava tudo bem naquele dia, seis anos antes, no Manchester Central. O olhar de alguém que se importa e que está disposto a garantir que tudo está bem. Eu me lembrava muito bem daquele olhar, porque nunca o esqueci. Não pelas razões que seriam as habituais das pessoas, mas por que Harry havia sido tão atencioso naquele dia, em meio a um ambiente competitivo que eu carreguei aquilo comigo.

De alguma forma Harry Styles havia marcado uma pequena parte da minha e desde então, sempre me lembrava daquele dia quando precisava decidir sobre como tratar alguém. Apesar de pouco carinhosa, sempre ouvi das pessoas que eu era alguém gentil e cuidadosa com as pessoas e sabia que aquilo se devia a um garoto que em 2010 havia me tratado com tanto cuidado e simpatia, em um momento que ele com certeza não sabia, era um dos mais frustrantes pelos quais eu estava passando.

Não apenas pela reprovação no programa, mas por que quando recebi dos jurados o ‘não’ eu soube quais palavras ouviria em casa.

Eu te disse que música não leva a lugar algum.

E foram aquelas exatas palavras que ouvi da minha mãe ao chegar em casa, junto a uma bronca por ter adiado a faculdade apenas por conta daquilo.

Mas naquela noite em meu quarto, pensar na ação de Harry fez com que parte da esperança permanecesse dentro de mim de algum modo. Não por ser Harry Styles o astro mundialmente famoso, até porque não era o que ele era naquela época, mas pela pura e simples gentileza que ele havia demonstrado naquele dia.

Não sei dizer ao certo quanto tempo fiquei imersa em meus pensamentos quando vi a garota que estava com Harry passar em minha frente seguindo para a saída. Me virei para encarar Harry a tempo de vê-lo se preparar para voltar a sua mesa, mas parar me encarando. Um olhar de surpresa tomou conta dele e eu só conseguia me perguntar se ele se lembrava de mim.

Sem pensar muito me aproximei dele e estendi a mão quando estava a alguns passos.

— Oi, você é o Harry, certo? - ele não esboçou reação - Nós tínhamos uma reunião marcada. Eu sou a…

. - foi a primeira coisa que ele disse para então um sorriso surgir em seus lábios. Ele segurou minha mão com os olhos curiosos ainda fixos em mim. Será que eu havia passado rímel em só um olho de novo? Não sei porque ainda tento — Seis anos e se eu te visse na rua com certeza te reconheceria. - ele se lembrava. Realmente se lembrava. ri fraco assentindo.

— Bom, aparentemente eu estava certa: tudo deu certo. - Harry deu de ombros desviando brevemente o olhar.

— Vem, vamos sentar. - ele deixou minha mão indicando a mesa e eu segui para ela tomando meu lugar. Aquela cadeira era mais confortável que o sofá da minha casa disso eu tinha certeza — Meu empresário está para chegar, e dai podemos tratar de negócios. - ele informou e eu assenti.

— Tenho que confessar que estou aliviada que você tenha se lembrado. - comecei tentando tirar minha atenção da tal cadeira — Me poupou de ter que arranjar um bom momento para falar algo do tipo “ei, eu te conheci em 2010, lá no The X Factor, se lembra?” e passar a vergonha de talvez receber um não como resposta. - Harry riu da brincadeira negando devagar com a cabeça.

, ninguém cita o pequeno príncipe para outra pessoa e é esquecida assim tão facilmente. - ri colocando ambas as mãos no rosto e Harry me acompanhou continuando a rir.

— Eu já tinha essa mania naquela época. - comentei fazendo uma breve careta. Definitivamente estava certa em querer me dar uma surra por aquilo. Harry levantou a mão chamando um garçom e em seguida me encarou.

— Eu pensei em pedir um chá para você, mas não sei exatamente se gosta. - justificou.

— Eu prefiro café. Chá é um costume britânico que eu nunca vou entender provavelmente. - Harry franziu o cenho parecendo curioso. Fizemos os pedidos onde Harry pediu uma torta para si, junto a mais uma xícara de chá e eu pedi um café e um muffin.

— Você fala como se não fosse daqui. - foi a primeira coisa que Harry disse quando o garçom se foi. Pensei por um momento e me lembrei que a conversa não havia ido tão longe seis anos antes.

— E não sou. - apoiei meus cotovelos na mesa e no mesmo instante consegui ouvir Jocelyn Townes gritar que aquilo não eram modos de gente — Eu nasci e morei por alguns anos nos Estados Unidos até minha mãe se mudar para Manchester por conta da faculdade dela. - expliquei e Harry assentiu curioso.

— E de onde você é?

— Eu deveria ter nascido na Califórnia, mas por conta de algumas complicações na gravidez da minha mãe ela voltou para a Carolina do Sul que é onde minha avó mora, então eu nasci em Charleston. - Harry assentiu.

— E você mora na Inglaterra a muito tempo? - ele bebericou o chá, porém os olhos verdes estavam concentrados em mim, como se estivesse prestes a lhe contar um segredo.

— Quinze anos, mais ou menos. - ponderei por um momento se havia feito a contacerta. Matemática não era meu forte, mas por fim assenti — Mas e você é de onde? - não queria apenas responder perguntas, aquilo me dava uma sensação de entrevista de emprego absurda. E eu não queria aquilo, por mais que meio que fosse aquilo mesmo.

— Sou de uma cidadezinha chamada Holmes Chapel, fica perto de Manchester. Eu morava lá, até o programa. - assenti e antes que pudesse perguntar algo nossos pedidos chegaram. Ambos sorrimos e agradecemos ao garçom.

— Você mora em Londres agora? - questionei tomando o café.

— Acho que sim. - franzi o cenho e Harry torceu os lábios brevemente — Eu tenho uma casa aqui, mas passei tempo demais viajando então é meio difícil ter a sensação de lar por lá. Mas estou tentando. Pelo menos aqui eu me sinto mais a vontade que na Califórnia ou em Nova York. - ri fraco assentindo.

— Entendo, sinto a mesma coisa. - comecei e ele me encarou — Me sinto muito mais em casa no meu quarto do que na sala ou na cozinha do meu apartamento. - Harry tapou a boca já que havia acabo de colocar um pedaço de sua torta nela enquanto ria e eu ri junto com ele.

— Eu provavelmente fiquei parecendo um babaca que reclama das mansões que tem agora.

— E não melhorou nada contar que são mansões. - brinquei novamente e Harry jogou a cabeça para trás.

— Eu desisto, sou um babaca. - assumiu e eu continuei a rir negando com a cabeça.

— Eu sabia que Harry Styles não podia ser essa perfeição que as pessoa pintam por aí. Eu estava apostando em sei lá, que você arrota na mesa, estou bem decepcionada que na verdade seja esse babaca que reclama em qual das três mansões vai passar o verão. - Harry colocou a mão no rosto rindo.

— Não que eu não faça essas outras coisas. - confessou e eu apontei pra ele.

— Harry, você está caindo rápido demais no ranking da perfeição. - ambos continuamos rindo até que parassemos de vez. E no silêncio que fizemos alguns sorrisos eram soltos quase como se fossemos rir novamente.

— Desculpem o atraso. - uma voz masculina foi ouvida e eu me virei encontrando um homem. Era alto, tinha a barba por fazer e um sorriso simpático no rosto — Oi, eu sou Jeffrey. O agente dele. - ele me estendeu a mão e eu a segurei.

. - me apresentei sorrindo e ele foi até Harry o abraçando de modo acolhedor. Tomou um lugar a mesa e Harry passou a ele a xícara de chá recém pedida e intocada.

— Você está trabalhando com alguém no momento? - Harry questionou me encarando com um sorriso.

— Na verdade não. Trabalhei com o Honne a algumas semanas, mas agora eu estou apenas no pub, onde na verdade eu só trabalho como bartender. - informei comendo meu bolinho enquanto Harry assentia e Jeff me encarava com curiosidade.

— Harry me disse que você é bem talentosa. - eu sorri enquanto o mais velho tomava de seu chá.

— Bom, é ótimo saber que o tempo de aperfeiçoamento anda surtindo efeito. - soltei no tom mais descontraído possível — Obrigada. - sorri para Harry que tinha um sorriso divertido nos lábios.

— A quanto tempo trabalha com música, ? - por algum motivo o tom de Jeffrey era desconfiado, mas eu apenas decidi ignorar por hora.

— Eu toco desde criança, mas a primeira experiência séria foi quando participei do programa em 2010. Depois disso eu comecei a faculdade e não tinha muito tempo, foi só dois anos atrás quando vim para Londres que o trabalho começou. - ele parecia impassível, e dar a ele a informação que não tinha muito tempo profissional no meio apenas o fez mover levemente as sobrancelhas — Eu vim para participar de uma banda, com Sarah que o Harry disse conhecer, porém não deu muito certo, mas eu comecei a trabalhar com um produtor, Bob Trevor. E desde então venho trabalhando com novos artistas. - ele assentiu encarando sua xícara em seguida.

— Eu achei que tivesse mais experiência. - ele soltou em um tom presunçoso que me fez sentir o sangue ferver.

— Basta me arranjar um piano e eu te mostro do que minha pouca experiência é capaz. - Harry que tinha a xícara na boca riu e se engasgou um pouco com o chá, enquanto eu levava minha xícara de café aos lábios, como se tivesse acabado de falar do tempo.

Jeffrey me olhou com curiosidade por um momento, como se o fato de tê-lo respondido a ele daquele modo fosse incomum. E realmente devia ser.

— Desculpe, estou supondo coisas. Eu sinto muito. - foi o que ele disse a seguir e eu apenas assenti. Seu olhar denunciava que ele entendia como estava agindo e para minha surpresa, realmente parecia arrependido.

— Bom, vamos aos negócios. Mesmo que seja bem divertido ver o Jeff aqui apanhar um pouco as vezes. - Harry brincou e Jeffrey o olhou de cara feia. Harry se inclinou na mesa me encarando — Eu tenho um… projeto. - Harry era cauteloso, o que já me entregava que aquilo era algo do qual ninguém deveria ter conhecimento — E preciso de músico para trabalhar comigo. Já temos o guitarrista, o baixista e a baterista, que é a Sarah, como você já sabe. Porém ainda me falta uma pianista. Tenho falado com algumas pessoas ultimamente, conhecidos meus, mas eles estão envolvidos em outros projetos, e então Sarah me mostrou sua música com o Honne e eu achei incrível. Acho que se encaixaria muito com esse projeto. - Harry mordeu o lábio nervoso.

— E como funcionaria? É uma música parecida com a que fazia na época da banda? - questionei curiosa.

— Não, é um pouco diferente na verdade. - ele parecia sem jeito de dizer aquilo e eu só assenti — Nós ainda fariamos um tipo de audição, apenas para ver se tudo se encaixa, com o resto da banda eu digo, mas honestamente pelo que ouvi eu acho que funcionaria muito bem. - Jeffrey se ajeitou no lugar.

— Você teria de assinar um contrato de confidencialidade, e até mesmo essa conversa é meio que sigilosa. - avisou e eu assenti.

— Imaginei que sim. - comentei em tom tranquilo.

— E tem mais um detalhe. - Harry encarou Jeff que me encarou em seguida.

— Esse projeto inclui uma viagem para a Jamaica, por dois meses. - começou e eu franzi o cenho — Óbvio que ninguém vai te trancar em um quarto e te privar de falar com família e amigos, nem restringir seu acesso a redes sociais, porém a presença de Harry precisa se manter em sigilo. - eu tentava assimilar as informações. Dois meses? Para uma música? Era tempo dema… Mas e se não fosse apenas uma música? Meu coração acelerou no peito.

— Espera, estamos falando de um álbum inteiro aqui? - questionei e ambos se entreolharam sem responder nada. Claro que não iria negar nem afirmar nada. Não havia contrato de confidencialidade assinado ainda — Bom, se preciso fazer um teste pode marcar a hora e o lugar, eu vou estar lá. - eu não era do tipo que fazia joguinhos. Se eu queria algo dizia que queria. Pelo menos na vida profissional. E não ia deixar a chance escapar só para me fazer de difícil.

Harry, profissionalmente falando, era um artista grande e muito talentoso até onde se podia ver na banda. Trabalhar com ele em seu primeiro solo era claramente um risco por que até o momento tudo que conhecia dele vinha da One Direction. O solo podia ser um desastre? Sim, mas eu não conseguia acreditar que fosse ser. Algo dentro de mim me dizia que aquele álbum seria incrível, assim como algo me disse que Harry iria longe.

E falando como uma artista que estava no meio, sem grandes experiências para meu currículo, aquilo seria incrível. Mesmo que não me trouxesse um grande reconhecimento, seria incrível poder participar da produção de um álbum em tempo quase que integral.

— Ótimo. Pode ser no sábado a tarde então. - Harry se adiantou — Jeff já vai ter os papéis prontos e tudo se ajeitando, você já assina e fechamos. Nós embarcamos em breve, por isso está tudo meio corrido. - explicou e eu apenas assenti.

— Se isso for brincadeira da eu juro que mato aquela garota. - brinquei e Harry sorriu.

— Pelo amor de deus quem é essa que você tanto duvida dela? - ele questionou e eu ri.

— Minha amiga. - expliquei o vendo negar com a cabeça. Ele me encarou por alguns segundos e sorriu.

— Nós temos que ir. - Jeffrey avisou parecendo um pouco desconfortável e Harry encarou o relógio.

— Ah sim, quase me esqueci. - ele deixou a informação assim, solta. Era a minha deixa também, de todo modo.

Nos levantamos e pagamos pelo consumido, seguindo para fora do local onde o frio de Londres me pegou em cheio, mas nem isso me abalou porque em breve eu estaria na Jamaica, num calor agradável. E sim, eu tinha plena certeza que tudo daria certo.

Os últimos dois anos trabalhando com Bob havia me ensinado sobre muito mais que apenas um ritmo. Havia me ensinado sobre uma infinidade de possibilidade que eu havia feito questão de absorver. Eu era boa, e até podia não ter tanta experiência como Jeff disse, mas o que me faltavam nisso eu compensava com dedicação, trabalho duro e talento.

Então sim, eu estava bem segura quanto a isso.

— Certeza que não quer carona? - Harry questionou e eu neguei com a cabeça.

— Não, eu ainda vou ver para onde vou. Tudo depende de uma certa estudante de moda. - revirei os olhos e ele sorriu.

— Certo. De todo modo te vejo em breve. - Harry se aproximou e me abraçou. O contato inesperado me fez demorar alguns segundos até completamente sem jeito algum eu acertar dois tapinhas nas costas dele.

Eu não sabia bem como reagir a abraços. Definitivamente não aquilo não era algo com o qual eu estava acostumada. Mesmo vivendo com que parecia ter necessidade daquilo para viver, ela já havia entendido que aquele não era meu tipo de coisa. Carinho era como um desconhecido para mim. Mas de todo modo, eu não expelia as pessoas, apenas não sabia direito como agir.

— Nos vemos então. - sorri para Harry que me olhou com um quê de curiosidade. Provavelmente pela estranha reação a proximidade. — Tchau Styles. Tchau Jeffrey. - apenas acenei para os dois e Jeff que checava o telefone apenas levantou os olhos e acenou de volta. Talvez até mais simpático que antes.

— Tchau, Townes. - Harry acenou também e eu ri fraco, me virando e seguindo em direção ao metrô.

Depois de virar a esquina do café peguei meu celular mandando uma mensagem para informando que naquela noite nós iríamos comemorar e em seguida, enquanto saia do aplicativo de mensagens notei a mensagem que minha mãe havia me enviado falando que Marcus, seu marido estava bem, e que a filha dele estava passando alguns dias na casa deles. Ponderei por um momento, e no instante seguinte estava discando o número dela.

? - quando eu estava prestes a desligar foi que ela atendeu chamando meu nome no mesmo tom sério de sempre.

— Oi. hum… está ocupada? - questionei parando as escadas do metrô.

— Estou sim, na verdade. Trabalhando em um caso importante. - pelo tom de voz eu sabia, ela encarava a tela do computador, ou algum documento a sua frente.

— Tudo bem, eu só queria te avisar uma coisa. - ela resmungou indicando que ouvia — Em breve vou viajar para a Jamaica. Vou trabalhar com um cantor em um álbum novo, e vou ficar dois meses fora. - soltei de uma vez mordendo a parte interna da bochecha. Ela suspirou fundo.

— É isso? Essa é a informação que queria me dar? Que vai continuar nessa vida sem futuro, mas dessa vez na Jamaica? - ela soltou de modo sério e eu respirei fundo. Porque você ainda tenta ?

— Eu só queria avisar que caso venham a Londres nos próximos meses eu não vou estar na cidade. Só isso. Sei bem que não aprova isso e…

— Certo, certo. Já deu o recado. Não vamos a Londres. Marcus só vai ai pra te ver, pode deixar que passo o recado. Mais alguma coisa? Estou realmente ocupada. - apertei as têmporas.

— Não, só isso. Tchau. Bom trabalho. - e dizendo aquilo desliguei o telefone e o joguei na bolsa descendo as escadas do metrô.

Não precisei pensar muito para saber aonde iria. Era fim de tarde e Joe provavelmente estaria no pub.

[...]

Quando cheguei ao lugar o movimento era fraco, como sempre era no início da noite, mas conforme as horas iam passando as pessoas iam chegando. Era meu dia de folga, então eu ocupava o outro lado do balcão enquanto Joe e Derek atendiam. Joe, como sempre estava de olho em mim entre uma cerveja e outra.

— Vai me dizer o que aconteceu? - Joe questionou assim que retirou a garrafa vazia da minha frente — E não adianta dizer nada, você está com aquela cara de quem daria um soco em se ela te irritasse e sabemos o quanto ela é fofa. - ri negando com a cabeça.

— Joe acho que deveria contar para ela dessa sua paixão platônica. - ele riu revirando os olhos.

— Eu não tenho uma paixão platônica na sua colega de quarto. Pelo amor de deus, . - ele fez cara de nojo e eu ri.

— Eu não aceito aventuras a três, espero que saiba. Não com a envolvida pelo menos. - pisquei para ele que negou com a cabeça.

, você é impossível. - eu ri me colocando de pé.

— Eu sei. Tenho que ir tem uma italiana me esperando em casa para comemorar. - Joe sorriu.

— Não vai mesmo me contar quem é o cantor? - pediu e eu neguei com a cabeça fingindo passar um zíper na boca.

Ao me virar para pegar minha bolsa, noite algo, ou melhor dizendo alguém que subia as escadas para o mezanino. Tombei brevemente minha cabeça sorrindo de um modo que eu podia apostar que não era nada amigável. Me virei para Joseph e ele franziu o cenho.

— Joe, me passa o taco de beisebol. - pedi e ele franziu o cenho para em seguida subir os olhos ao mezanino.

— Você não… - eu arqueei a sobrancelha - , você acabou de praticamente fechar com esse cantor e se você se meter em confusão agora pode perder a chance. Escute o que estou te dizendo, espere tudo se ajeitar, depois você volta e quebra o que quiser. - fiz bico e bufei em seguida fazendo ele rir.

— Você é a voz da minha consciência e eu te odeio por isso… As vezes.

— Sabemos que sem mim você ia estar perdida. - se gabou e eu lhe mostrei o dedo do meio recolhendo minhas coisas.

— Não me enche o saco. - brinquei — Te vejo amanhã de todo modo. Apesar da minha segurança ainda não assinei contrato nenhum, então ainda preciso trabalhar. - ele assentiu.

— Vou estar aqui amanhã para garantir que você não faça merda. - revirei os olhos.

— Joseph se você não transasse tão bem, nós nem nos falariamos mais. - notei a mulher que se sentava ao meu lado me encarar e em seguida encarar Joe — Vai fundo moça, eu garanto esse ai e ele precisa de uma nova amiga com benefícios porque essa aqui vai estar fora da cidade por dois meses. - Joseph gargalhou por conta da cara da mulher e eu o acompanhei.

— Adoro quando você faz minha propaganda . - ele gritou enquanto eu me afastava.

— E é de graça. - me virei para ele apontando enquanto via a mulher o encarar com interesse e ri deixando o pub indo ao encontro de para um noite de mais bebidas e frango frito.


Continua...



Nota da autora: Ok, preciso dizer que estou empolgada pra Jamaica? Eu estou!
Esses dois já são tudo pra mim e eu mal posso esperar pra eles começarem a trabalhar juntos nesse álbum.
Espero que vocês tenham gostado do capítulo e que estejam empolgadas também.
Vejo vocês em breve com a próxima att.
Caso queiram acompanhar, a pp tem um instagram, que ta linkado aqui em baixo.





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