Última atualização:10/06/2018

Prólogo

Aquela era uma tarde normal em Londres. O sol estava escondido por trás das nuvens e um vento fresco tomava conta do ar. O quintal de Tom Fletcher estava tomado por folhas caídas, mas nem por isto a reunião entre amigos fora cancelada. O anúncio da gravidez de já havia sido dado às famílias do casal, mas os amigos mais próximos e o restante do mundo ainda não sabiam sobre as novidades. Tom havia convidado os parceiros de banda – e de vida – para um almoço em sua casa para contar as boas novas. A grelha já estava sendo manuseada por Tom e os hambúrgueres já estavam sendo preparados por Danny e Harry, enquanto suas esposas conversavam nos sofás e as crianças brincavam pelo pátio.
– Dougie disse que horas chega? – Harry indagou, enquanto preparava molhos especiais em vasilhas separadas.
– Disse que chegaria a tempo para o almoço. – Tom respondeu, dando de ombros.
– Faz alguns dias que não falo com ele. – Danny comentou, enquanto Harry revirava os olhos para a forma como ele lavava as alfaces. – Desde que Cooper nasceu e as gravações para o The Voice retornaram, não tenho tido muito tempo para qualquer coisa.
– Lola e Kit também me deixam bastante ocupado. – Harry suspirou. – Tenho medo que ele pense que está sendo deixado de lado por nós.
– Ele jamais pensaria isso. Somos família, não somos? – Tom retrucou, enquanto colocava alguns bifes para grelhar.
– Sim. – Danny resmungou. – Mas, entre todos nós, ele é o único que está sozinho, por assim dizer.
– O que querem dizer com isso? – Tom arqueou as sobrancelhas, confuso.
– Ora, Fletcher. Vai dizer que nunca reparou? Nós três somos casados. Temos filhos, casa, animais de estimação e vidas completamente agitadas por conta disso. Dougie é o único de nós quatro que não tem nada disso. E, desde que ele e a Ellie Goulding terminaram o namoro, ele não parece o mesmo. – Harry disse, com uma expressão pesarosa no rosto.
– Parece solitário. – Danny comentou. – Obviamente ele não nos deixa perceber e acredito que nem mesmo ele tenha se dado conta disso, mas creio que ele sente falta dos tempos antigos. Quando caíamos na estrada por conta dos shows e estávamos sempre juntos.
– Eu nunca tinha parado para pensar nisso. – Tom reclamou, sentindo-se o pior amigo do mundo.
– Não é exatamente tua culpa. As nossas vidas foram mudando naturalmente e nenhum de nós se deu conta que Dougie foi o único a não nos acompanhar. – Harry deu de ombros, sabendo que tanto ele como os dois amigos estavam com sentimentos preocupantes com relação a Dougie.
Por fim, a conversa foi interrompida pelo barulho da campainha. se moveu até a porta com passos rápidos e, assim que viu Dougie, o puxou para um abraço carinhoso. O homem tinha os cabelos desgrenhados por conta do vento, mas o sorriso contido estava presente em seus lábios. o analisou de cima a baixo, com preocupação no olhar.
– Parece que não dorme ou come há dias. – estreitou o olhar para Poynter, enquanto o colocava para dentro e ambos seguiam para os fundos da casa. – Sabe que pode sempre comer e dormir aqui em casa, não sabe?
– Eu sei, . – Dougie riu. – Estou dormindo e me alimentando muito bem, ao contrário do que parece. Só estou com um breve resfriado, nada sério. Nem queria vir, por medo de passar a doença para as crianças. Mas Tom me obrigou, então aqui estou, chapado de remédios. – abriu os braços e sorriu preguiçosamente, um pouco mais lento que o normal. balançou a cabeça para os lados.
– As crianças são vacinadas, ao contrário de você, Poynter. – alfinetou, enquanto os dois riam.
Passaram pela cozinha e Dougie cumprimentou com um abraço, pegando o pequeno Cooper Jones em seus braços e beijando a testa da criança, sorrindo novamente para o bebê, enquanto e o observavam.
– Ele é a coisa mais linda, . – Dougie elogiou. – Não puxou nada ao Danny.
– Ouvi meu nome. – a voz de Danny se fez presente segundos antes de ele entrar na cozinha. Sorriu ao ver Dougie com o filho no colo, estreitando os olhos em seguida para o amigo. – Estou ouvindo você me difamar, nanico.
– Apenas digo as verdades que ninguém mais quer dizer. – Dougie deu de ombros com cuidado, para não acordar Cooper. Entregou o bebê para novamente e abraçou Danny, que logo o arrastou para os fundos.
Dougie abraçou e beijou Kit na testa, enquanto ela reclamava por ele nunca aparecer em casa para um jantar com os Judd e Harry o chamava de panaca, o puxando para um abraço também. Logo Tom recepcionou o amigo e Dougie teve sua atenção roubada pelas crianças. Adorava aqueles pestinhas que tinha como sobrinhos de coração e sempre os deixava fazer o que quisessem. Harry, Tom e Danny observavam Dougie brincar com Buzz, Buddy e Lola de pique esconde, enquanto continuavam a preparar o almoço.
– Ele parece bem. – Tom disse por fim, com um suspiro.
– Ele está bem, mas poderia estar melhor. – Harry retrucou.
– Ele precisa de uma namorada. – Danny resmungou, sem dar muita atenção para o que falara. Harry e Tom trocaram um olhar surpreso, antes de encarar Danny com sorrisos imensos. – O que foi?
– Você é genial, Jones. – Tom afirmou, beijando o amigo no rosto.
– Pena que é lerdo demais para perceber isso. – Harry deu de ombros, enquanto ele e Tom riam da cara de um Danny Jones confuso.
Algumas coisas, afinal, nunca mudavam.



Capítulo 1 - Eu sou Groot.

Dougie acordou naquela manhã de sábado ainda mais cansado do que quando fora dormir na noite anterior. Suas olheiras e o cabelo revirado destacavam seu estado. E, apesar de querer voltar para a cama e dormir o dia inteiro, sabia que não podia. Tom havia lhe infernizado para que fosse jantar em sua casa naquela noite e Dougie não havia conseguido montar uma desculpa convincente que não soasse idiota, mesmo que em seus próprios pensamentos. Dando-se por vencido, levantou da cama e seguiu para o banheiro, onde fez sua higiene matinal e tomou uma ducha rapidamente. Saiu do quarto vestindo apenas uma cueca boxer e seguiu para a cozinha, tomando um susto ao dar de cara com Jazzie quase dormindo em cima das panquecas em seu prato. Havia esquecido totalmente que a irmã estava hospedada em sua casa para ajudar uma amiga que se mudara para a vizinhança alguns dias antes.
– Acorda, cabeçuda. – deu um peteleco na irmã, que pulou na cadeira e derrubou melado na mesa devido ao susto.
– Idiota. – Jazzie revirou os olhos, socando Dougie no braço em seguida.
– Quando você vai embora? – indagou, apenas para encher o saco. – Não aguento mais acordar e olhar essa cara de derrotada.
– Ah, pronto. – Jazzie bufou. – Eu sei que me ama, Douglas. – implicou, recebendo um revirar de olhos como resposta.
– Não estarei em casa esta noite. – Dougie avisou. – Vou jantar na casa do Tom.
– De novo? – a mulher questionou, voltando a mastigar suas panquecas. – Você jantou lá na quarta.
– Eu sei. Mas não consegui recusar o convite. – deu de ombros, enquanto se movia pela cozinha, juntando os ingredientes necessários para um café da manhã decente. Ovos, bacon e torradas eram sua única especialidade para a primeira refeição do dia. – Acredito que eles achem que eu me sinto solitário aqui.
– Por que acha isso? – Jazzie indagou.
– Além do jantar de hoje, amanhã vou almoçar com Harry e Danny me chamou para uma social na segunda de noite.
– Eles certamente acham que está solitário. – a mulher concluiu e eles riram.
– O mais estranho de tudo foi ter convidado uma amiga dela para o jantar de quarta. – Dougie comentou, virando o bacon na frigideira em seguida. – E Tom me indagar várias vezes o que eu havia achado da mulher.
Ao terminar a fala, Jazzie soltou uma gargalhada alta. Dougie se virou para a irmã com uma expressão que claramente dizia “mulher, você está maluca?”, o que só fez ela rir mais alto e com mais vontade.
– Do que, diabos, você está rindo? – Dougie finalmente perguntou, quando Jazzie finalmente parou de rir, muitos minutos depois.
– Maninho, você é muito ingênuo. – ela sacudiu a cabeça, terminando suas panquecas e deixando o prato dentro da pia. Deu um peteleco na testa do homem e saiu da cozinha. Dougie ficou encarando o portal que dividia a sala da cozinha por um tempo, até uma gota de óleo respingar em seu braço e ele lembrar que estava fritando bacon. Bufou irritado e voltou sua atenção para o café da manhã, ignorando totalmente o surto de Jazzie.
Afinal, ela era doida e ele já sabia disso desde sempre.

O restante da manhã se passou sem maiores surpresas. Dougie deu uma organizada em sua bagunça, enquanto Jazzie estava fora para ajudar a amiga com sua mudança. O homem não fazia ideia de onde a tal amiga da irmã morava, mas sabia que era perto de sua casa, uma vez que Jazzie não chamava táxi algum ou pedia seu carro emprestado para se locomover até a casa da mulher.
À tarde, recebeu uma ligação de Harry pelo facetime. Estava jogado no sofá assistindo ao National Geographic e comendo pipoca quando iniciou a chamada com o amigo. Visualizou primeiro as bochechas de Lola e sorriu imediatamente.
– Qual foi, mané. – resmungou, assim que a cara de Harry apareceu na tela de seu celular.
– Lola queria falar com você. – Harry disse. – Mas agora não quer mais.
– Diga para ela que eu estou muito magoado e vou chorar.
– Não vou fazer terror emocional com a minha filha. – Harry resmungou, fazendo Dougie rir. – Soube do jantar na casa do Tom.
– Qual deles? – Dougie indagou. – O de quarta ou o de hoje?
– Ele marcou dois jantares? – Harry indagou e sua feição irritada deixou Poynter curioso.
– Sim.
– Filho da mãe.
– Judd. – Dougie chamou, em alerta, estreitando os olhos para o amigo. – O que está rolando?
– Nada. – a feição de Harry não convenceu Dougie, mas o homem resolveu deixar para lá.
– Ok. – resmungou. – O que vai ter para o almoço amanhã?
está falando de lasanha. Ou seja, eu vou ter que fazer lasanha para agradá-la. – Judd revirou os olhos.
– Malefícios do casamento.
– Os benefícios são maiores, então compensa. – os dois riram.
– Ah, posso levar a Jazzie? – Poynter indagou, lembrando que a irmã estava hospedada em sua casa e não poderia deixá-la sozinha no almoço de domingo. Sua mãe o mataria caso descobrisse e ele bem sabia que sua irmã não sabia manter a boca fechada.
– Não sabia que ela estava aí.
– Uma amiga dela se mudou aqui para perto e ela veio ajudar na mudança. E, obviamente, se acomodou aqui em casa, aquela folgada. – Dougie resmungou e Harry riu.
– Pode trazer ela, sim. Sem problemas. – Harry respondeu. Dougie ouviu chamar pelo amigo e Harry revirar os olhos. – Preciso ir. Minha vez de trocar fraldas.
– Boa sorte. – Poynter fez uma careta de nojo. – Manda um beijo para e avisa Lola que estou tão magoado que nem vou levar um presente para ela amanhã.
– Para de mimar e chantagear a minha filha, nanico.
E, com isso, finalizou a chamada. Dougie riu sozinho antes de voltar a prestar atenção na tv. Acabou cochilando no meio do programa, acordando quase uma hora mais tarde com os gritos de sua irmã o chamando. Coçou os olhos e bocejou, encarando a irmã com uma cara de poucos amigos.
– Por que você tá gritando como uma louca nos meus ouvidos? – o homem indagou, irritado.
– Porque você não acordava e pensei que tinha morrido. – Jazzie deu de ombros, se jogando no sofá ao lado do irmão.
– Eu não te aguento mais. Vou te deportar para a casa do Harry. – Dougie resmungou.
– Harry me ama mais do que você. Certamente me aceitaria. – Jazzie sorriu, convencida.
– Porque ele é idiota. – retrucou, fechando os olhos e ignorando a irmã.
– Doug.
Ele nada respondeu.
– Dougie.
– Jazzie, o que foi? – finalmente abriu os olhos e fitou a irmã.
– Por que você não tem um Groot?
– O quê? – não fazia ideia do que a irmã estava falando e isso transparecia em seu rosto.
– Um Groot, Poynter. Sua vizinha tem um. – Jazzie deu de ombros, focando a atenção na tv.
– Minha vizinha tem o que?
– Um Groot! – exclamou, impaciente. – Você é surdo?
– Que porra é um Groot?
– Ah não, Douglas. Eu te deserdo, de uma vez por todas. – Jazzie se jogou para trás no sofá, sacudindo a cabeça para os lados, em um drama exagerado.
– Eu não sei do que você está falando.
– Saia ali na rua e olhe para o quintal da sua vizinha. – Jazzie disse por fim, indicando a porta dos fundos.
Sabendo que não seria deixado em paz caso não descobrisse o que “um Groot" significava, Poynter levantou do sofá, sonolento, e se arrastou até a porta de trás, procurando alguma anomalia no quintal de sua vizinha mais irritante.
Arregalou os olhos ao se deparar com a decoração mais estranha que já havia visto no quintal de alguém. E, levando em consideração que ele convivia com Danny Jones há muitos anos, o Groot de sua vizinha ser a coisa mais bizarra que Dougie já havia visto era algo realmente impressionante.
– Caralho. – foi tudo o que conseguiu dizer. Jazzie parou ao seu lado, com um sorriso imenso no rosto, e Dougie a fitou incrédulo.
– Legal, né?! Você precisa comprar um Groot. – a mulher afirmou.
– Não vou comprar um balanço em formato de um super herói da Marvel. – Dougie retrucou.
– Você é péssimo. – Jazzie afirmou, com uma careta. – Vou lá fazer amizade com a sua vizinha. – dito isso, saiu porta afora em direção à cerca viva que dividia os terrenos.
Antes que Dougie pudesse impedir, Jazzie já gritava animada para a vizinha. Dougie resmungou em desagrado assim que saiu de sua casa e seguiu em direção a Jazzie.
– Meu irmão está querendo me matar, mas eu preciso te dizer que esse balanço é demais! – Jazzie exclamou. sorriu.
– Obrigada! – lançou um breve olhar desdenhoso para Poynter antes de voltar a falar com Jazzie. – Não dê ouvidos ao seu irmão. Ele é extremamente desnecessário.
– Precisamos ser amigas, é sério! – a loira quase gritou, rindo junto com em seguida.
A verdade era que Dougie e , para os mais íntimos, coisa que o rapaz não era – não se davam bem. Ela era amiga de , já que ambas eram modelos muito famosas no Reino Unido, e eles haviam se conhecido por intermédio da mesma. A casa em que Dougie vivia agora havia sido indicação de . Mas nem a proximidade da mulher com seus melhores amigos – porque, sim, ela conhecia toda a banda e eles eram bastante próximos – fazia com que ela e Dougie se entendessem. Ambos tinham personalidades muito distintas e isso tornava o convívio entre eles bastante complicado. O ego elevado deles sempre gerava piadinhas e discussões. O humor ácido e a impaciência de Poynter conflitava com o otimismo exagerado e simpatia de , levando a brigas sem sentido. Com o passar do tempo, acharam por bem evitar a convivência o máximo que pudessem, mesmo morando um ao lado do outro.
– Ele nem sabia o que era o Groot. – Jazzie comentou, chamando a atenção do irmão novamente. O olhar petulante de se fixou em Dougie e ela riu com deboche.
– Dougster, assim você me decepciona. – balançou a cabeça, fingindo tristeza. Dougie revirou os olhos.
– Eu sei o que é Groot. – resmungou. Jazzie riu.
– Não foi o que pareceu. – e voltou a falar com como se o irmão não estivesse ali. Suspirando alto, Poynter voltou para dentro de casa, afinal, tinha um jantar na casa de Tom aquela noite e precisava se arrumar.
Meia hora passada e ele usava jeans e um casaco pesado. Conhecia o clima de Londres como a palma de sua mão e não queria retornar para o resfriado do qual havia se curado a poucos dias. Colocou uma touca na cabeça e um cachecol enrolado no pescoço, vestindo um par de tênis e saindo do quarto em seguida. Encontrou Jazzie jogada no sofá comendo doces, enrolada em uma coberta.
– Sua vizinha é ótima. – ela comentou, rindo da careta que Dougie fez.
– E irritante. – revirou os olhos. – Tem certeza de que não quer ir comigo hoje?
O brilho divertido no olhar de Jazzie deixou Poynter curioso, mas a irmã nada lhe disse. Apenas balançou a cabeça para os lados, contendo o riso que ela claramente queria deixar escapar.
– Nem pensar. – afirmou. – Bom jantar, maninho. – seu tom de zombaria fez com que Dougie revisasse os olhos. Guardou o celular no bolso e pegou as chaves do carro, se dirigindo para a garagem em seguida.
Chegou à casa de Tom meia hora passada. O trânsito, mesmo em seu estado tranquilo, acabara por aumentar o tempo gasto em viagem até a casa dos Fletchers. Cumprimentou com um abraço e beijou as crianças na testa. Logo foi arrastado por Buzz até a sala, onde vários brinquedos estavam espalhados.
– Tio Dougie, vamos brincar de dinossauros? – o pequeno Buzz indagou, animado, sendo seguido de perto por Buddy. Dougie riu, pois sabia que aquelas crianças o conheciam bem demais e sabiam de sua paixão por dinossauros, usando isso contra ele.
– Prometo que brinco com vocês mais tarde. – Dougie disse. – Preciso dar oi para o seu pai antes.
– Tudo bem! – Buzz disse, puxando o irmão para os brinquedos em seguida.
– A cada dia mais espertos. – Poynter comentou com , que assentiu em concordância.
– Você não faz ideia. – riu. – Estamos cogitando uma babá, conforme eu for ficando cada vez mais grávida. Só Tom e eu não daremos conta de tudo.
– É uma ótima ideia, . Você vai precisar descansar. – o loiro comentou, seguindo até a cozinha e percebendo que Tom não estava sozinho no cômodo.
Uma ruiva estava sentada à mesa, trajando um vestido de mangas longas e botas até a canela. Dougie arqueou a sobrancelha, confuso, antes de se virar para Tom e cumprimentar o amigo. Aquela não era a mesma mulher do jantar de quarta e isso alarmou Poynter consideravelmente.
– Dougie, essa é minha amiga, Melissa. Trabalhamos para a mesma editora. – apresentou, sorrindo. Poynter se aproximou da mulher e estendeu a mão, em forma de cumprimento. Notou seu sorriso largo demais para a situação e sentiu a desconfiança sobre o intuito daquele jantar tomar conta de si. Preferiu não perguntar nada a Fletcher e agiu com casualidade durante toda a noite. Mas não pode deixar de notar os olhares esperançosos de Melissa para si, da mesma forma que a conversa era direcionada à mulher e a Dougie a todo o momento, como se Tom e esperassem que eles se conhecessem melhor.
Ao final da noite, Poynter se ofereceu para dar uma carona a Melissa, já que a mulher morava no caminho de sua casa e ela havia ido para a casa dos Fletchers de táxi. Se despediram da família e seguiram para o carro. Dougie pediu o endereço da ruiva e dirigiu calmamente, sentindo o olhar da mulher pipocar em seu rosto.
Ouviu seu suspiro alto quando estacionou em frente ao prédio em que ela morava.
– Foi ótimo te conhecer, Poynter. – ela disse por fim, após alguns segundos em silêncio.
– Foi um prazer conhecê-la também, Melissa. – Dougie sorriu sem mostrar os dentes.
– Caso queira levar isso adiante, me ligue. – e entregou um cartão de visitas para ele. – Vou adorar ocupar o cargo de namorada de Dougie Poynter. – e, com isso, se inclinou e beijou o rosto do homem, saindo do carro em seguida.
Dougie bufou em irritação, finalmente entendendo o motivo das risadas de Jazzie. E, apesar de estar puto com os amigos, esperaria até a social na casa de Danny, na segunda-feira, para ter certeza de que não havia tirado conclusões errôneas. Apesar da decisão de aguardar os próximos eventos, Dougie sorriu ao dar partida no carro e iniciar o planejamento uma vingança.
Chegou em casa e ignorou as perguntas e risadas da irmã, que se divertia às suas custas, gargalhando sem parar, mesmo quando ele já estava em seu quarto sozinho. Deitou na cama e sorriu de forma diabólica, traçando planos até encontrar a vingança perfeita. Seus amigos iriam se arrepender por terem dado início aquela ideia absurda.



Capítulo 2 - Três idiotas com um plano ainda mais idiota.

Dougie acordou naquela manhã de domingo com um sorriso no rosto. Havia passado parte da noite analisando os vários planos vingativos que sua mente furiosa fora capaz de montar, em diversos cenários, mas não havia chegado a nenhuma decisão. Olhou para o relógio no criado mudo e constatou que ainda não estava tão atrasado para o almoço com Harry, o que era um milagre, visto que Poynter sempre se atrasava para tudo. Era um péssimo inglês e sabia disso. Bocejou e buscou o celular embaixo do travesseiro, abrindo as notificações e passando os olhos rapidamente para as mensagens que Judd havia enviado naquela manhã.

Juddão 9:47 AM: Lola quer o tal presente que você mencionou.
Juddão 10:51 AM: Não se atrase.
Juddão 11:20 AM: Já está atrasado.

Dougie digitou um “estou chegando” e correu para o banheiro. Tomou um banho rápido e vestiu a primeira roupa que achou em seu closet. Jeans, jaqueta e um par de botas. Pegou o óculos escuros e a touca que havia usado na noite anterior. Encontrou Jazzie na sala, assistindo Supernatural, usando praticamente a mesma coisa que ele e revirou os olhos.
- Seremos alvo de piadas. - constatou, chamando a atenção da irmã, apontando para suas roupas.
- Nem a pau. - ela disse e correu para o quarto de hóspedes. Voltou cinco minutos mais tarde, usando um vestido e botas de cano alto, juntamente com um sobretudo preto. Dougie sorriu e ambos seguiram para o carro do homem.
- Já estamos atrasados, segundo Harry. - comentou, enquanto dava a partida no veículo.
- Normal. - Jazzie murmurou.
- Porque diabos você não me disse que eles estão tramando contra mim? - reclamou e ela gargalhou. Dougie esperou pacientemente que a irmã se acalmasse, recebendo um dar de ombros como resposta.
- Primeiro, eu não tinha certeza. - disse o óbvio. - Foi uma impressão e ela só se confirmou quando você chegou puto ontem. E segundo, você acha mesmo que eu diria e perderia a diversão? - ela riu novamente. - Por favor, né Dougie.
- Eu ainda não acredito que eles querem me arrumar uma namorada. - resmungou, inconformado.
- Demorou, até. - Jazzie comentou, dando de ombros.
- Como assim?
- Oras, você é o único solteiro da banda. O único que não namora a muito tempo e nem pensa nisso. Nenhum de nós te viu fazer qualquer esforço para procurar alguém depois da Ellie.
- Porque eu não quero. Estou bem da forma que estou. - Dougie retrucou.
- Eu sei que sim. - Jazzie suspirou. - Mas os rapazes provavelmente acham que está infeliz e precisa de alguém. Eles estão casados há bastante tempo. Não lembram mais que estar solteiro é diferente de estar solitário.
- Podiam ter falado comigo.
- Até parece que não conhece os seus amigos. - a loira revirou os olhos. - Só fazem merda e metem os pés pelas mãos.
Daquilo, Poynter não tinha dúvidas. Não existiam pessoas mais propensas a atitudes idiotas como aqueles três caras que ele tinha como irmãos. Ele mesmo não se salvava. Eram quatro idiotas com ideias quase sempre ridículas.
- Gostou de alguma delas? - Jazzie indagou, com uma inocência forçada que não convenceu o irmão nem por um segundo. Dougie lançou um olhar debochado para ela, que retomou as risadas.
- Não funciona assim. - disse simplesmente, encerrando o assunto.
Chegaram a casa de Harry pouco tempo depois e foram recebidos por Judd de avental amarelo florido. Dougie gargalhou e tirou uma foto, enquanto Jazzie abraçava Harry.
- Que saudades pirralha! - disse o mais velho, fazendo a loira revirar os olhos.
- Vocês adoram apelidar os Poynters. Acho isso um preconceito. - resmungou, entrando na casa em seguida. Dougie abraçou Harry e seguiu a irmã, pegando uma Lola que corria em sua direção e beijando seu rosto várias vezes. A garotinha ria e pedia para ele parar e Poynter negava e continuava a distribuir beijos nela.
- Presente! - Lola resmungou por fim e tanto Harry como Dougie a encararam surpresos.
- Parece você, Judd. Interesseiro. - Dougie comentou. Puxou do bolso da jaqueta um embrulho pequeno e entregou para Lola, que voltou a correr pela casa, em direção a sala e sua pilha de brinquedos.
estava na cozinha, conversando com Jazzie e mais uma mulher, com Kit em seu colo. Dougie precisou conter a vontade de revirar os olhos e Jazzie quase gargalhou da cara do irmão. Beijou o bebê na testa, terminou de abraçar e estendeu a mão em cumprimento a mulher ao lado da amiga.
- Dougie Poynter. Muito prazer. - sorriu.
- Gwen Collins. - o sorriso dela foi infinitamente maior e mais genuíno que o dele.
- Gwen é minha amiga a muito tempo. Estudamos juntas. Ela também é violinista. - explicou.
O restante do almoço se passou como Dougie já esperava. e Harry tentavam vender o peixe de Gwen a todo custo. Jazzie ia ao banheiro a cada dez minutos para rir e Dougie se sentia cada vez mais incomodado com a situação. Sentia como se estivesse em um encontro às cegas e ele realmente não gostava daquele tipo de encontro. Preferia sair com mulheres que lhe despertavam algum interesse ou curiosidade por si só. A ideia de alguém lhe apresentando uma pretendente como algo em um cardápio o deixava extremamente insatisfeito e irritado. Ainda não podia acreditar que os amigos realmente pensavam que podiam lhe arrumar uma namorada daquela forma.
A sobremesa servida por estava maravilhoso e Dougie repetiu três vezes, arrancando risadas de todos a mesa, pois fora ele, a única a comer o doce tantas vezes havia sido Lola.
- Imagina o Poynter com filhos. - comentou, rindo. - Ia brigar mais por comida do que as próprias crianças.
- Ele sempre foi assim. - Jazzie afirmou, recebendo um olhar atravessado do irmão. - Lembro que quando éramos pequenos…
- Coisa que não mudou, não é? - Harry tirou sarro e Dougie o mandou catar coquinho, já que Lola estava a mesa e não poderia falar as palavras que tinha em mente.
- Vou fingir que não ouvi de forma proposital. - Jazzie disse, revirando os olhos para Judd. - Enfim, Dougie e eu sempre saímos no tapa por causa da sobremesa. Uma vez, ele comeu meia vasilha de torta escondido. Quando eu descobri, coloquei coco do nosso gato no travesseiro dele.
- Foi uma tristeza tirar aquilo do meu cabelo. - Dougie choramingou, fazendo drama. Lola estendeu a mão até o homem e acariciou seu braço, o consolando. Harry e trocaram um olhar surpreso e cheio de carinho para a filha.
- Não chora, tio Doug.- Lola pediu.
- Não vou chorar, lindinha. - o loiro disse, beijando a mãozinha de Lola em seguida.
- Que amor! - Gwen comentou e Poynter não sabia se ela falava dele ou de Lola, decidindo que realmente não se importava no final das contas.
- Ela puxou totalmente a . - Dougie falou, olhando para Harry. - Você é bruto demais.
- Assim você me magoa, marido. - Judd comentou e ambos riram.
Após retirar os pratos da mesa, Dougie se ofereceu para ajudar Harry com a louça, enquanto as mulheres seguiam para a sala com as crianças.
- Como está indo no estúdio? - Judd indagou, ensaboando os pratos. Dougie ficara responsável por secar e guardar.
- Tranquilo. - Poynter deu de ombros. - Não sabia que sentia tanta falta dessa vida até voltar para ela.
- Desistiu de modelar então? - Harry indagou, curioso e zombeteiro. Poynter conhecia o amigo bem demais para entender que ele só queria saber se ele estava feliz.
- Não exatamente. Eu gosto e foi uma experiência sensacional. - explicou. - Mas eu amo tocar. Nasci pra isso. Não sei como vou conciliar tudo ao mesmo tempo.
- Eu queria muito voltar. - Harry confessou. - Mas com Lola e Kit as coisas ficam complicadas. Eu não conseguiria ficar muito tempo longe deles por enquanto. Mas sinto muita falta de tocar.
- E com o baby Fletcher número três, duvido que as coisas se alterem.
- Você sabe que eu não te culpo por buscar novos ares, não sabe? - Harry indagou, preocupado. Terminou de lavar a louça e secou as mãos.
- Sei, dude. - Dougie sorriu. - E eu entendo que nenhum de vocês três vai voltar para aquela vida. Mas eu não estou pronto para largar tudo ainda. - guardou a última louça e deixou o pano molhado estendido na secadora.
Harry sorriu e abraçou Dougie.
- Que bom que está feliz.
- Digo o mesmo.
Poynter se despediu dos Judd quase ao final da tarde de domingo. Harry e claramente entenderam que ele não havia se interessado por Gwen e não insistiram no assunto.
- Bom jantar amanhã! - se despediu, já na porta da casa dos Judd, e Dougie arqueou as sobrancelhas, confuso.
- Vocês sabem disso? - indagou.
- Danny mencionou durante uma ligação ontem. - Harry desconversou.
- Hm. - Poynter murmurou.
- Você também vai Jazzie? - perguntou.
- Não. Estou voltando para casa amanhã de manhã. - Jazzie informou. - Dougie me expulsou da casa dele.
- Isso não é exatamente verdade. - Poynter resmungou.
- Ele gosta de viver isolado. - Harry riu.
- Insuportável. - Jazzie deu de ombros e abraçou o casal, seguindo Dougie para o carro minutos depois.
A viagem até em casa fora tranquila. Poynter estava menos irritado com toda a situação do que estava no dia anterior, mas mesmo assim, os amigos tentarem lhe arrumar uma namorada a força lhe incomodava muito.
- Vamos pedir uma pizza para o jantar? - Jazzie indagou, assim que entraram em casa.
- Pode ser. - Dougie respondeu. - Vou tomar um banho e você pede.
- Ok. - a loira resmungou.
Poynter foi para seu quarto e tomou um banho longo. Vestiu uma calça de moletom e se jogou na cama, gastando alguns minutos navegando por suas redes sociais, antes de cair num sono pesado.
Acordou quase duas horas mais tarde, com risadas altas soando por toda a casa. Dougie bocejou alto e levantou, seguindo até a cozinha em passos lentos. Jazzie estava sentada no balcão, de costas para a porta, com uma taça de vinho em mãos. Do lado oposto a Jazzie, mordia um pedaço de pizza e assim que Dougie entrou no cômodo, lhe lançou um sorrisinho implicante.
- Boa noite, Poynter. - murmurou, chamando a atenção de Jazzie, que se virou e sorriu para o irmão. A careta de Dougie não se desfez em nenhum momento.
- Já ia te chamar. A pizza chegou faz uns 5 minutos. - informou a loira.
- Aham. - Poynter resmungou, se aproximando do balcão e pegando uma fatia de pizza para si. Caminhou até a geladeira e pegou uma lata de cerveja, sentando no balcão em seguida.
- estava me contando como vocês se conheceram. - Jazzie comentou, rindo, ainda sem acreditar no quão estúpida era aquela história e a birra que se seguiu entre os dois.
- Tenho certeza que de ela foi completamente neutra em sua versão. - Dougie falou, com sarcasmo. arqueou as sobrancelhas em sua direção.
- Falei apenas a verdade, Dougster. Não tenho culpa das suas ações. - deu de ombros.
- Você nunca vai superar? - Poynter reclamou.
- Não. - sorriu sem mostrar os dentes.
Veja bem, Dougie queria pregar uma peça nos amigos e colocou um balde cheio de água em cima da porta, para que quem a abrisse primeiro, levasse um banho. Esperava que fosse Danny, mas sua surpresa só não foi maior que o ódio de ao descobrir que fora Poynter o responsável pelo banho de água fria que tomara. Havia ido até o backstage do show do McFLY a pedido de , que na época estava ficando com Danny pela primeira vez, pois ambos haviam dito terem um amigo para lhe apresentar em sua fase pós termino com o homem que ela achava ser o amor de sua vida. Acabou saindo de lá encharcada, furiosa e com um encontro marcado de menos, visto que jamais sairia com Poynter após o ocorrido. Desde então, sempre que eram obrigados a frequentar o mesmo ambiente, se tratavam com piadinhas e implicâncias como se estivessem na terceira série. Já estavam acostumados com aquele relacionamento e se algum dia alguém conseguisse lhes arrancar uma opinião sincera sobre aquilo, receberia um sorriso divertido e um dar de ombros como resposta. Mas o único retorno que os aventureiros que tentavam desvendar os motivos de tanta implicância recebiam era um alto e sonoro “a gente não se dá bem” e fim de papo.
- Vocês brigam mesmo o tempo todo? - Jazzie indagou. - Eu achei que era brincadeira.
- que é uma insuportável.
- E você é super legal né, Poynter? - retrucou.
- Eu sou mesmo. - Dougie sorriu sem mostrar os dentes.
- Eu não vou discutir com você.
- Bem, isto é realmente um milagre. - ele zombou.
- Certo, qual o problema de vocês? Brigam como se tivessem 15 anos. - Jazzie exclamou.
- Seu irmão tem essa exata idade mental. - alfinetou e Jazzie teve que conter a gargalhada que adoraria soltar. Ela concordava com em mais de 100%.
- Você não consegue me deixar em paz, não é? - Poynter bufou. - Isso só pode ser amor reprimido.
- Ah sim, obviamente eu sou totalmente apaixonada por você. - ironizou. - “Oh Poynter, me ame por favor”.
- Se você pedir com jeitinho, pode ser que eu pense no seu caso. - Dougie riu.
- Me poupe, por favor. - revirou os olhos.
Dougie gargalhou alto, antes de levantar e seguir até a mulher. Beijou seu rosto e se moveu para fora da cozinha.
- Boa noite, docinho.
- Eu já disse para não me chamar assim. - ela resmungou.
- E eu não ligo. - Dougie sorriu, divertido. Beijou Jazzie na testa e seguiu para seu quarto.
Poynter se jogou em sua cama e perdeu umas boas horas nas redes sociais. Estava exausto, mas sua mente não parava de bolar planos para sua pequena vingança contra os amigos. Ele sabia que Danny também tentaria lhe apresentar uma candidata a namorada e não conseguiria evitar passar pela saia justa que seria aquela “social”. Desconfiava que convidaria , mas não apostaria todas as suas fichas naquele palpite. Por mais insistente que fosse na tentativa de juntar ele e como um casal, ela também acumulava várias experiências fracassadas ao longo dos anos, visto que tanto Poynter como jamais demonstraram interesse em mudar o tipo de relacionamento que tinham. Ele tinha um plano, mas precisaria analisar toda a situação antes de tomar alguma decisão. E pensando nisso, Poynter finalmente pegou no sono.
Na cozinha, Jazzie e ainda conversavam. A loira tentava entender como a personalidade de poderia mudar tanto quando estava perto de seu irmão. A mulher praticamente virava outra pessoa. A de Dougie era implicante, mal humorada, irritada e sarcástica. Completamente ao contrário da mulher que era quando estava apenas com Jazzie.
- Certo, Dougie já foi. Pode me explicar o que diabos acontece entre vocês. - Jazzie exclamou. revirou os olhos, mordendo sua pizza em seguida.
- Não acontece nada. - deu de ombros. - Nós apenas não nos damos bem.
- Não se dar bem é diferente disto. - a loira resmungou. - Vocês basicamente viram outra pessoa quando estão perto um do outro.
ficou quieta por alguns minutos, divagando sobre as palavras de Jazzie. Ela sabia que tratava Poynter de forma diferente, pois o fazia de forma consciente. Eles não haviam se conhecido em uma época legal, para nenhum deles, e desta forma, uma antipatia gratuita havia surgido. Ela realmente não gostava de algumas características de Poynter, mas seriam coisas suportáveis caso ele não tivesse sido um completo babaca quando se conheceram. Se sabia que já haviam se passado anos e Poynter provavelmente havia amadurecido? Sim, ela não era tosca para negar tais pensamentos. Mas havia se acostumado com a forma como tratava Poynter e sabia que ele também sentia a mesma coisa. Caso contrário, já teriam conversado e tentado resolver suas pontas sem nó.
- Bem, ele sempre agiu dessa forma comigo, então eu só revido.
- É estranho. - Jazzie disse. - Dougie não é assim, normalmente. Acho que as únicas vezes que o vi sendo gratuitamente babaca, foi quando ele passou por aqueles dias ruins após a separação de Frankie.
- Nós nos conhecemos pouco antes de eles começarem a namorar. Ele era imaturo e eu não estava passando por uma fase legal. O ódio gratuito foi apenas um resultado de todos os fatores. - disse. - Nos acostumamos com a situação. É estranho estar no mesmo ambiente que Poynter sem implicâncias bobas e piadas ridículas.
Jazzie se deu por vencida. Mudou de assunto drasticamente e quase agradeceu de joelhos. Passaram mais algumas horas conversando, antes de finalmente se despedirem. Jazzie prometeu voltar mais vezes e procurá-la e agradeceu pela companhia, antes de se retirar para sua própria casa.



Capítulo 3 - Um pedido para Cooper.

Dougie passou o dia inteiro trancado no estúdio com os rapazes da Ink. e quando chegou em casa, constatou que já estava atrasado para a social de Jones. Havia levado Jazzie para o aeroporto pela manhã e seguido direto para o estúdio, de onde só saíra para ir ao banheiro e fazer um lanche rápido.
Os rapazes estavam envolvidos com a pós produção do EP e apesar de ser um trabalho cansativo, Poynter amava aquela vida e sentia tanta falta daquilo que nem reclamava da dor absurda que se instalara em seu pescoço.
Tomou seu banho com calma, apesar do atraso no qual já se encontrava. Estava uma noite fria, como o usual, então adicionou uma blusa de lã por cima do moletom costumeiro e colocou uma touca na cabeça. Vestiu uma jaqueta de couro e coturnos, pegando um cachecol e enrolando no pescoço enquanto andava em direção a porta da frente. Abriu a porta no mesmo instante em que a campainha soou, dando de cara com . Arqueou as sobrancelhas em confusão, mas a mulher nem lhe deu tempo de falar alguma coisa e se enfiou dentro de sua casa, fechando a porta atrás de si.
- Mas o q…
- Só preciso que me esconda por dez minutos. No máximo, quinze. - ela disse, rapidamente.
- Você matou alguém e está fugindo da polícia? - Dougie perguntou a primeira coisa que passou em sua mente. - Pois eu não quero ser preso por abrigar uma criminosa.
- É claro que não! - bufou.
- De você eu não duvido nada. - ele deu de ombros. - Mas então porque raios precisa se esconder?
- Estou fugindo do meu ex! - ela exclamou, aborrecida.
- Porque? - Dougie indagou, confuso.
- Porque ele é um cretino traidor que não aceita que eu tenha dado um pé na bunda dele a mais de um mês. - ela explicou. - Agora o infeliz está com o carro estacionado na frente da minha casa, esperando eu sair daqui, para me infernizar e pedir para voltar.
- Hm. - Poynter resmungou, entendendo a situação. Por mais que odiasse admitir, mesmo que apenas para si mesmo, acabou sentindo uma empatia absurda perante a situação de . Não teria coragem de expulsar a mulher de sua casa, mesmo que ainda a achasse irritante.
- E eu sei que a gente não se dá bem e o caralho a quatro, mas estou tão desesperada para me livrar dele que não tive opções mais viáveis. - ela suspirou. - Ele não me viu entrar aqui porque me esgueirei pela cerca.
- Sem problemas. - Poynter deu de ombros. - Sei como é querer se livrar de um ex e não conseguir. - se jogou no sofá, indicando que poderia se sentar ao seu lado, caso quisesse. A mulher suspirou novamente e desabou ao lado do loiro.
- Eu não sinto mais nada. - afirmou. - Mas é um inferno não ter paz de espírito em minha própria casa.
Dougie a fitou com compreensão. Ele sabia muito bem o que era querer seguir em frente e ser impedido por outra pessoa. Obviamente, as situações eram completamente diferentes, já que realmente parecia sincera ao afirmar que não tinha mais sentimentos pelo ex, mas a sensação de estar tendo sua vida transformada em um inferno era a mesma que Dougie conhecia tão bem. Com uma ideia em mente, Poynter tornou a falar.
- Olha, já que eu sou um cara muito legal e você não está sendo uma cretina nesse momento…
- Eu não sou uma cretina! - exclamou, dando um soco no braço de Dougie, que revirou os olhos, como se ela fosse maluca em discordar dele em uma hora como aquela.
- Como eu estava tentando dizer antes de você me interromper e agredir, talvez eu possa te ajudar. Vem comigo. - Poynter falou, levantando do sofá e puxando para a porta.
- Vai me livrar me entregando aos leões? - indagou, incrédula.
- Aposto como ele é apenas um carneirinho e sua comparação não tem fundamento. - Dougie debochou e bufou em irritação, não negando tal afirmação e arrancando uma gargalhada de Poynter.
Saíram porta afora e Dougie abraçou pelos ombros. A mulher retesou o corpo e tentou se afastar, mas o loiro a manteve firme ao seu lado.
- Entre no personagem. - ele resmungou.
Caminharam até o portão de e Dougie finalizou a caminhada, puxando a mulher para seus braços e beijando seu rosto diversas vezes, num gesto que seria carinhoso caso a careta de ambos não denunciasse que eles não queriam aquele contato de forma nenhuma.
- Tem certeza de que não quer ir comigo, linda? Tenho certeza de que os rapazes vão adorar ter você lá hoje. - ele disse, em alto e bom som.
espiou discretamente por seu ombro, encontrando o olhar descrente do ex fixo na cena que protagonizava. Abriu seu melhor sorriso e fixou o olhar em Poynter e seus globos oculares extremamente azuis. Ela gostava dos olhos de Poynter, não podia negar. Eram de um azul tão bonito que era fácil se perder ali e ignorar o restante do homem.
- Não, amor. - respondeu, ignorando a careta que Poynter fizera. - Vai você e aproveita a noite com seus amigos.
- Tudo bem. Caso mude de ideia, me ligue. Eu venho te buscar no mesmo instante. - Poynter disse. Se inclinou para e beijou o canto de sua boca com cuidado, sabendo que o telespectador não teria dúvidas de que aquele ato havia sido nos lábios da mulher, devido ao ângulo da vista. - Boa noite, linda.
Poynter caminhou até seu carro e antes de entrar no veículo, ouviu o grito de .
- Ainda está com a chave que eu te dei? - ela indagou. Confuso, Dougie fingiu um sorriso e afirmou com a cabeça. - Ótimo. Use-a para me surpreender quando voltar da casa dos rapazes. Vou te esperar com a camisola que é a sua favorita. - e com um sorriso safado, ela se virou e marchou até sua casa.
Poynter soltou um riso, antes de fingir falar para si mesmo, de forma debochada, como se o ex de não estivesse o observando atentamente.
- Eu não mereço essa maravilha de mulher. - então entrou no carro e deu a partida no veículo.
O caminho até a casa de Danny e foi rápido. Dougie prestava atenção na estrada e vez ou outra, acabava por cantarolar alguma música da Ink. Chegou com meia hora de atraso - o que já era costume de Poynter, e foi recebido por com um abraço.
- Oi . - Dougie murmurou, entrando na casa em seguida. A mulher fechou a porta atrás de si e sorriu.
- Obrigada. - exclamou.
- Pelo que? - o loiro indagou, confuso.
- Fizemos um bolão sobre o seu atraso. Ganhei de Danny de lavada. - ela deu de ombros, andando em direção a cozinha e sendo seguida pelo amigo.
- É muito fácil ganhar de Danny em apostas. Ele é totalmente sem noção. - comentou e ambos riram com gosto.
Como já esperava, a social de Danny foi justamente um plano para juntar Dougie com alguma amiga de . De todas as quatro que havia conhecido, Heidi era de longe a menos mundana. Também era modelo e desta forma, Poynter e ela tinham mais assuntos em comum. Mas ainda sim, o loiro não tinha nenhum interesse na morena que lhe fora apresentada.
Não importava o quão bem conceituada era sua carreira ou quantas campanhas para a Vogue ela tinha feito. Poynter não se sentia atraído e muito menos interessado na vida da mulher.
Estavam no meio de uma conversa animada - na realidade, Heidi e conversavam e Dougie fingia ouvir, sobre os desfiles de Heidi quando Danny mudou completamente de assunto.
- Mas então Heidi, está saindo com alguém?
- No momento não. - ela respondeu, sorrindo.
- O Dougie também não! Não é uma coincidência enorme? - ele exclamou, sorrindo. Discrição não era exatamente uma qualidade que Jones possuía.
- Sem nenhuma dúvida. - Dougie bufou.
- Como anda o projeto novo, Dougie? - indagou. - Você tem que ouvir, Heidi. É sensacional.
- Eu adoraria!
- Está indo bem. - Poynter resmungou. - Logo vai estar disponível nas plataformas online. Ai você vai poder ouvir. - disse para Heidi, que murchou o sorriso.
Meia hora passada e nenhum interesse de Poynter resultaram na desculpa mais esfarrapada de Heidi para ir embora mais cedo. Poynter se escondeu no banheiro assim que a mulher saiu, enquanto Danny e conversavam desanimados sobre a desastrosa social.
Dougie pegou parte da conversa ao voltar para a cozinha, e se escondeu no vão da porta, para ouvir sobre os planos dos amigos.
- Ele ao menos olhou para os peitos dela? - ouviu a voz de Harry indagar e constatou que eles estavam em alguma vídeo chamada. Tirou o celular do bolso e iniciou uma gravação de áudio. Ter provas seria fundamental.
- Nem uma vez sequer. - Danny respondeu, num tom de voz baixo. Dougie nem se atrevia a respirar, com medo de perder uma parte da conversa.
- Acho que nenhum de nós teve sucesso. - Tom suspirou.
- E você ainda roubou, Fletcher. O combinado era uma candidata por família. - Harry acusou.
- Regras não foram estipuladas. - Tom se defendeu.
- Típico papo de ladrão. - retrucou, rindo.
- Mas e o que vamos fazer agora? - Danny questionou.
- Partir para o plano B. - Harry disse e Dougie quase o viu dar de ombros.
- Eu ainda prefiro o plano C. - exclamou.
- Jamais daria certo. - ouviu a voz de . - Eles são orgulhosos demais para admitir que tem atração um pelo outro.
- Eu concordo por mim e pela . - Tom comentou. - Tentar empurrar para Dougie nunca deu certo, em todos esses anos. Porque daria agora?
- Plano B então? - foi a vez de Danny falar.
- Plano B. - ouviu todos concordarem e o barulho do notebook sendo fechado.
Dougie voltou a passos lentos até o banheiro e abriu e fechou a porta fazendo barulho. Andou normalmente até a cozinha e encarou os amigos escondendo seu sorriso presunçoso. Não podia deixar pistas de que sabia de seus planos.
- Acho que já vou. - explicou. - Estou exausto e amanhã a tarde tenho que ir para a gravadora.
- Tudo bem, dude. - Danny sorriu para o amigo.
- Vou subir e me despedir de Cooper, ok?
- Claro! Vai lá. - disse, se levantando da cadeira e ajudando Danny e colocar a louça na pia.
Poynter subiu até o segundo andar e beijou o pequeno Cooper na testa, antes de rir com sarcasmo e falar para o pequeno bebê: - Seus pais estão tramando contra mim. Seja um afilhado legal e chore a noite toda para me vingar, ok?
Se despediu dos amigos e dirigiu para sua casa. Estacionou o carro e quase soltou uma gargalhada ao notar o carro do ex namorado de estacionado no mesmo lugar de horas atrás. Pescou o celular no bolso e iniciou uma conversa - pela primeira vez desde que se conheciam - com pelo whatsapp.

Dougie 10:15 PM: Seu ex ainda está aqui na frente. O cara é realmente insistente, tenho que admitir.
10:16 PM: EU SEI! E agora? Ele deve estar esperando que você entre aqui em casa.
Dougie 10:16 PM: Posso fingir uma ligação onde falo estar muito cansado e o que for necessário.
10:17 PM: Ele não vai acreditar.
10:17 PM: Seria pedir muito que você viesse aqui? Finge que não achou a chave e toca a campainha.
10:18 PM: Estou em uma maratona de Stranger Things e tenho pizza e doces.
Dougie 10:19 PM: Espero que tenha cerveja também.


Dougie bloqueou o aparelho em suas mãos e fingiu uma busca pelo carro por alguns minutos. Saiu do veículo e bufou irritado. Atravessou seu próprio gramado, resmungando sobre ser um lesado e não ter achado a chave de quando passou em frente ao carro do ex da mulher. Andou até a porta de e tocou a campainha. A mulher abriu a porta com um sorriso gigante e se jogou nos braços de Poynter sem cerimônia, depositando um selinho longo em seus lábios.
- Onde enfiou a chave que eu te dei? - ela resmungou, num tom de voz alto, se afastando dele levemente.
- Acho que deixei aqui e não levei comigo. - ele deu de ombros. - Você certamente sabe me distrair quando usa essa camisola. - Poynter abriu um largo sorriso safado e riu, puxando o homem para dentro e batendo a porta em seguida.
Encenaram um teatrinho em frente a janela da sala por mais alguns minutos, até ouvirem um barulho de pneus cantando e o carro do ex desaparecer na esquina. suspirou em alívio, se jogando no sofá em seguida.
- Me desculpe por isso. - ela disse, num fiapo de voz. - Não queria te envolver em meus problemas.
- A ideia foi minha. - Poynter deu de ombros, sentando ao lado da mulher. - Nada mais justo que eu terminar o plano.
- Obrigada, de verdade. - resmungou. - Você não foi nada odiável hoje e isso é realmente um milagre.
- Eu não sou nada odiável. - Poynter retrucou. - Você que é rancorosa e incapaz de entender uma brincadeira.
- Eu não vou discutir com você agora, Poynter. - a morena bufou alto. - Estou exausta, nervosa, meu ex não é capaz de entender que eu não quero mais nada com ele e preciso usar um homem pra isso e pior ainda, tive que usar você. Assim que ele descobrir que foi tudo uma mentira, vai voltar a infernizar a minha vida.
- Belo ex namorado você arrumou.
- Ele era ainda pior como namorado. - confessou.
- E porque você ficou com ele? - Dougie indagou, incrédulo.
fitou seus olhos com intensidade antes de dar de ombros e responder: - Pelo mesmo motivo que você ficou com Frankie.
Poynter deixou seus argumentos de lado e respirou fundo, entendendo completamente os motivos de . Afinal, ninguém podia simplesmente decidir não se apaixonar cegamente por alguém.
- Certo. - ele levantou. - Acho melhor eu ir para casa.
- Tudo bem. - o acompanhou até a porta, checando se a barra estava realmente limpa. - Obrigada Poynter, de verdade. Se tiver algo que eu possa fazer por você, por favor, me avise. Estou te devendo uma, por mais que não goste de admitir.
Dougie sorriu fraco.
- Boa sorte com seu ex namorado perseguidor.
- Obrigada. - ela sorriu, fechando a porta em seguida.
Poynter entrou em sua própria casa e se jogou na cama sem nem se dar ao trabalho de tirar os sapatos. Parou para repassar todo o dia em sua mente e, ao se tocar da chance que havia perdido, buscou o celular no bolso e mandou uma mensagem para .

Dougie 11:06 PM: Acho que sei como você pode retribuir esse favor que me deve e de quebra, se livrar de uma vez por todas do seu ex perseguidor.
11:06 PM: Eu não vou vender minha alma para o diabo, Poynter, se é isso que está sugerindo, seu esquisito!
Dougie 11:07 PM: Essa é a medida extrema. Ainda não chegamos a ela, docinho.
11:08 PM: E qual medida sugere?
Dougie 11:09 PM: Te espero para irmos tomar café da manhã juntos amanhã às 9h. Eu te conto tudo na Starbucks.


Capítulo 4 - Isso não é uma fanfic do McFLY!

Dougie estava irritado. Não, ele estava muito mais do que irritado. Estava irado, furioso, raivoso… estava puto, era isso. Segurava o aparelho de celular em suas mãos com uma força desnecessária, enquanto corria os olhos por toda a timeline do Twitter e só conseguia ver aquela maldita hashtag, zombando da sua cara. #DougieMeNamora estava em primeiro lugar nos trending topics mundiais desde a noite anterior.
Não importava o quanto ele tentasse, todo tweet que aparecia em seu feed, continha aquela hashtag. Entrou na conta dos amigos apenas para constatar o óbvio: os três haviam tweetado aquela frase maldita e lançado uma campanha para encontrar uma namorada para Poynter. Na porra do Twitter. Até Mark Hoppus do Blink 182 - a banda favorita de Poynter - havia postado uma foto de Dougie, de um dia em que eles haviam tomado café juntos, com a legenda “this man needs a wife”, zoando a campanha que ¾ do McFLY havia lançado. Agora o mundo inteiro achava que Dougie havia virado um solteirão amargurado que precisava urgentemente de uma namorada para lhe tirar da solidão e lhe fazer feliz.
Poynter queria vomitar. E nem havia tocado nos donuts gordurosos que havia comprado.
E por falar na mulher, ela estava sentada de frente para o loiro, usando um moletom pesado, jeans e um All Star surrado e tentava conter o riso. Mas conforme lia o feedback que aquela campanha estava tendo, não conseguia conter os resmungos que soltava no lugar das gargalhadas. Poynter bufou, antes de largar o celular em cima da mesa e encarar a mulher com irritação, se recostando no banco em seguida.
- Pode rir. Não vai piorar a minha situação.
não esperou nem mais um segundo e caiu na risada. Quase toda a Starbucks parou para assistir ao show que a mulher dava, enquanto ria e tentava puxar o ar para seus pulmões aos montes e sem sucesso. Poynter esperou pacientemente, ainda mais irritado do que antes, comprovando que as coisas poderiam ficar piores sim, enquanto parava de rir aos poucos e o encarava com um divertimento estampado no olhar. Era óbvio que ela se divertia com a desgraça do loiro. Apesar do clima amistoso e incomum do dia anterior, eles ainda eram Dougie e . E ainda se implicavam como se suas vidas dependessem disso.
- Eu amo seus amigos. - Ela afirmou, ainda deixando algumas risadas escaparem.
- Eu não acredito que eles fizeram isso. - Dougie suspirou. - Sério. É muita exposição. Eles não podem realmente achar que isso dará certo, não é?
- Eu não sei o que se passa na cabeça daqueles três. - deu de ombros. - Mas para terem realmente lançado isso ao público, eles devem estar desesperados.
- Sabe quem está desesperado? Eu. – Falou, irritado. - Eu ‘tô desesperado. Esses idiotas ferraram com a minha vida.
revirou os olhos, frente ao exagero de Poynter. Bebeu seu café e pegou um donuts para comer.
- Não seja dramático. - Murmurou. - No máximo a MTV vai te chamar para uma versão especial de Are You The One?. Só que com algumas participantes lutando pelo coração do McFLY mais novo. - riu, se divertindo com a ideia. - Acho que vou vender os direitos desse programa. Talvez eu até consiga apresentá-lo!
- Eu acho que vou vomitar. - Poynter avisou. pegou a cesta de donuts e afastou do homem.
- Não nos meus donuts.
- Eu vou matar aqueles três assim que os vir. Juro que vou.
- Certo. - A morena estalou os lábios. - Mas antes de cometer três homicídios e ir para a cadeia, pode por favor, me dizer qual a maldita solução que você encontrou para meu pequeno probleminha perseguidor?
E ali estava, Dougie lembrou, a chance de se vingar dos amigos. Naquele momento, mais do que tudo, Poynter precisava que aceitasse sua proposta maluca. Ele precisava se vingar dos amigos, depois de toda a exposição que eles haviam lhe causado. E que forma melhor para isso do que fingir um relacionamento amoroso com ? A mulher com quem eles sempre esperaram que Dougie namorasse? Aquela com quem havia sido obrigado a conviver diversas vezes enquanto seus amigos bancavam os cupidos e esperavam que as flechas do amor os atingissem? A única mulher com quem ele jamais se envolveria emocionalmente? Não podia arriscar um relacionamento falso com uma desconhecida. Poderia dar tudo errado e acabar envolvido.
Mas com não tinha erros. Eles se detestavam e continuariam dessa forma até o fim de seus dias. Um relacionamento falso em nada mudaria esse fator.
Seria uma vingança cômica, se não fosse trágica a situação na qual Poynter se encontrava.
- Bem… eu já vinha pensando nisso desde que percebi que eles estavam tentando me arrumar uma namorada com aqueles convites para jantar, mas não tinha certeza de como faria.
- Poynter, não estou entendendo o que isso tem a ver com eu me livrar de Trevor de uma vez por todas. - pontuou, com calma.
- É algo que vai beneficiar a nós dois. - O loiro garantiu, a fazendo estreitar o olhar, em desconfiança.
- Desembucha.
Poynter olhou para os lados, a fim de checar se alguém os ouviria. Se inclinou para e diminuiu o tom de voz ao murmurar:
- Estou te propondo um namoro falso.
voltou a rir. E riu com gosto, até perceber que Poynter não estava rindo junto. Então parou. Fixou o olhar no rapaz, esperando que ele indicasse que estava brincando. Coisa que não aconteceu e isso a fez arregalar os olhos.
- Você está falando sério? - Questionou, incrédula.
- Eu pareço ter ânimo para brincadeiras hoje? - O homem bufou, impaciente.
- Não pode estar falando sério. - Murmurou, atônita. - Isso não é a porra de uma fanfic do McFLY, Poynter. É da nossa vida que estamos falando. - exclamou, chocada.
- Olha, isso seria bom para nós dois. - O loiro ponderou. - Eu me vingaria daqueles otários que se dizem meus amigos, namorando falsamente a garota com quem eles sempre sonharam em me juntar, e você se livraria do Trevor. E de quebra, ainda tiraria uma onda com nossos amigos e se vingaria de todas as saias justas nas quais fomos colocados em todos esses anos em que nos conhecemos. E você sabe que não foram poucas.
Ele tinha um bom ponto, tinha que admitir. Mas um namoro? Mesmo que falso, ainda tinha algum peso. Ok, ela queria se livrar de Trevor. E se vingar de todas as vezes que ouviu, “mas você e o Dougie foram feitos um para o outro” ou “você não vai me convencer de que não sente nada por ele” seria realmente algo que valeria a pena. Mas um namoro com Poynter? Justo com Poynter, o cara que havia jogado água nela e era um completo babaca quase o tempo todo?
Não era, nem de longe, uma boa ideia. Mas ela não tinha nenhuma outra alternativa mais viável.
- Eu sei que não nos damos bem. - Poynter murmurou. - E é exatamente por isso que não existiria chances de acabarmos envolvidos de verdade. E eu nem mencionei que você é o plano C deles.
- O que? - indagou, surpresa.
Dougie pegou o celular e fuçou até achar a gravação da noite anterior, passando o aparelho para e indicando que ela deveria ouvir o conteúdo. Um minuto se passou e devolver o celular para Poynter, com uma expressão irritada no rosto. Respirou fundo e encarou os olhos azuis de Dougie com firmeza, antes de pronunciar a frase que mudaria tudo dali em diante.
- Certo. E o que fazemos agora?
Poynter sorriu largamente.
- Agora nós plantamos a sementinha da desconfiança.
Durante o resto do dia, Dougie não tweetou nada que fizesse menção a maldita hashtag. Foi para o estúdio e aguentou as piadinhas dos amigos e colegas. Voltou para casa e assistiu uma série da Netflix até estar com tanto sono que poderia dormir no sofá. Tudo para fingir que aquela campanha não lhe afetava.

Na quarta-feira, Dougie tinha uma gravação de entrevista para um programa de TV as 3h da tarde, na mesma emissora na qual trabalhava. Acordou lá pela 1h, com a ligação de seu agente, que o orientou a chegar mais cedo até o estúdio de gravação. Poynter então apenas tomou banho e vestiu uma roupa confortável, antes de se dirigir até o estúdio. Encontrou Fletch*, seu empresário, o esperando no camarim que fora designado para ele.
- Nós temos um problema. - O homem avisou, antes mesmo que Dougie pudesse desejar uma boa tarde.
- O que foi dessa vez? - Poynter suspirou, já sentindo as dores de cabeça lhe afetarem. Aquela campanha havia ferrado com seu sono e consequentemente, lhe dado uma dor de cabeça absurda.
- A tal da hashtag não sai dos trending topics. - Flecth informou. - E o pessoal da produção avisou que a entrevista vai se dar em cima disso e não mais sobre a sua carreira no geral.
- Mas que caralho mesmo. - Dougie reclamou, se jogando no sofá e recostando a cabeça na parede, suspirando alto.
Era só o que lhe faltava. Acabar ofuscando sua volta para o mundo da música por causa de uma campanha idiota criada por seus amigos idiotas.
- Precisamos de um plano de ação. - Fletch disse, checando seu celular e voltando a encarar Poynter. - Podemos afirmar que foi apenas uma brincadeira. Uma aposta que você perdeu para os garotos. Ou então, você diz que a campanha é real e você realmente está procurando uma namorada. Daria um belo marketing para a banda.
- Mas nem a pau. - Poynter retrucou. - Eu tenho um plano.
- Dougie, não faça bobagem. - O mais velho recomendou, num suspiro.
- Eu nunca faço. - Dougie sorriu, mas os dois sabiam que ele estava mentindo.
Meia hora passada e ele já estava no set de gravação. Tinha trocado de roupa e deixado a produção arrumar seus cabelos e passar alguma maquiagem em seu rosto, tudo para parecer mais apresentável em frente às câmeras. Sentou-se no sofá e cumprimentou a todos. O programa era uma nova aposta da emissora e Owen, o apresentador, parecia ser um cara simpático e engraçado e Poynter logo se sentiu confortável para a gravação. Tirou o celular do bolso ao senti-lo vibrar e visualizou uma nova mensagem de .

2:50 PM: Até que você fica bonitinho quando penteia os cabelos.
Dougie 2:50 PM: Eu sou bonito sempre, você que finge que não sente atração por mim.
Dougie 2:50 PM: E de onde diabos você está me vendo para saber do meu cabelo?
2:51 PM: Eu trabalho nessa emissora, gênio. Tenho passe livre para qualquer estúdio de gravação.


Dougie levantou os olhos do celular e procurou por junto a equipe do programa. A mulher estava sentada perto da câmera principal, usando jeans e um casaco pesado, juntamente de uma bota ugg. Sorriu para ele e acenou brevemente, dando de língua em seguida. Poynter revirou os olhos frente a infantilidade de , tendo sua atenção tomada por Owen, que o chamava animadamente.
- Podemos começar? - Indagou.
- Claro. - Poynter balançou a cabeça, em concordância.
Owen se virou para a câmera e iniciou o programa, apresentando o quadro de entrevistas de que Dougie participaria e fazendo uma breve recapitulação da carreira de Poynter ao apresentá-lo.
- Então Dougie, é verdade que você está em outra banda? - Owen indagou.
- Sim. - Poynter assentiu. - Dei um tempo com os desfiles para me dedicar a música. A Ink. nasceu de uma vontade individual de cada integrante de fazer música, independente do retorno midiático.
- E o McFLY? Acabou?
- Não. McFLY é para sempre. Apenas estamos dando um tempo. Os caras precisam cuidar de suas famílias e eu preciso cuidar da minha samambaia. - Dougie disse, arrancando risadas de Owen.
- Então existe possibilidade do McFLY voltar? Porque veja bem, os fãs de vocês já estão perdendo as esperanças.
- Sim, existe. - Dougie sorriu. - Algumas das nossas prioridades podem ter mudado com o passar dos anos, mas a banda sempre será algo importante para nós. E nós jamais poderíamos abandonar nossos fãs. Eles estiverem conosco desde o começo. Nada mais justo que nós ficarmos com eles para sempre. - Poynter concluiu e Owen assentiu em concordância.
- Agora vamos falar da sua vida pessoal. - Owen disse e Poynter fez uma careta forçada, fazendo o homem rir. - Fiquei sabendo que seus amigos estão procurando uma namorada para você.
- Você e o mundo inteiro, não é? - Poynter fez piada, rindo fraco.
- Como está a repercussão da campanha?
- Sinceramente? Um saco. - Os dois riram. - Eu nem consigo usar minhas redes sociais porque a única coisa que aparece é aquela tag.
- Mas você concordou ou os rapazes simplesmente resolveram fazer isso de surpresa?
- Foi uma total surpresa. Eu não estava esperando. - Dougie contou, se recostando na poltrona. - Eu descobri ontem pela manhã, enquanto tomava café.
- Mas você não negou. - Owen pontuou. - Está mesmo procurando uma namorada?
- Não. - Dougie sorriu, ajeitando os cabelos em seguida. - Não neguei porque sabia que isso só alimentaria a repercussão.
- Mas você está fugindo da pergunta. - Owen sorriu. - Está mesmo procurando uma namorada?
- Não estou, desculpem moças. - Dougie olhou para a câmera, se desculpando. - Meus amigos iniciaram essa brincadeira porque eu não quis contar uma coisa para eles. - Confidenciou, com um sorriso divertido.
- E essa coisa tem a ver com um relacionamento? - Owen questionou, curioso.
Poynter deu de ombros, ainda sorrindo.
- Talvez.
- E quem é ela? Já está sério o suficiente para revelar?
- Só posso dizer que é uma pessoa muito especial para mim. - Dougie disse. - Estamos caminhando para algo legal e não quero estragar isso.
- Certo. - Owen assentiu. - Saberemos quem ela é em breve?
- Creio que sim. - Dougie respondeu. - Ela não vai enrolar muito para aceitar meu pedido. Sou irresistível demais. - E olhou discretamente para ao lado da câmera, dando uma piscadela para a mulher, que revirou os olhos e o mandou se foder apenas movendo os lábios.
- E o que ela achou da campanha dos garotos? – Owen questionou, interessado no assunto. Dougie sorriu, sacudindo os cabelos novamente,
- Ela deu risada. – Poynter respondeu. – Muita risada mesmo.
- Parece ser uma moça divertida, então. – Concluiu.
- As outras pessoas dizem que sim. – O loiro deu de ombros, indiferente.
- Então ela é famosa?
- Mais do que eu, com certeza.
- E como nunca vimos vocês juntos? – Owen indagou, curioso.
- Como eu disse, é algo recente. Não quisemos exposição de início para não termos expectativas em cima de nós. – Dougie explicou. – Mas está sendo ótimo, então não vamos demorar a assumir. Não gosto de viver escondido.
- Ela provavelmente vai assistir a esse programa, não é?
- Sem dúvidas. – Poynter riu, lançando um olhar rápido para , que fazia uma careta.
- Creio que falo por muita gente, quando peço para que vocês revelem esse romance! O mundo quer shippar esse casal, seja você quem for! – Owen exclamou, olhando para a câmera.
- Tenho certeza de que ela vai te ouvir, Owen. – Dougie comentou, sorrindo de leve.
Após mais alguns comentários, a entrevista foi finalizada e Dougie seguiu para seu camarim com Fletch na sua cola, fazendo milhares de perguntas a respeito da suposta namorada que ele tinha arrumado. Dougie apenas deu de ombros e falou que na hora certa todos saberiam quem era a ela, findando o assunto em seguida.

*: Eu dei uma pesquisada e não encontrei menções ao empresário atual do Dougie, então usei nosso querido Fletch, que já conhecemos e amamos desde sempre.


Capítulo 5 - As tais pantufas de tartaruga.

estava jogada no sofá da casa de Poynter. Usava um conjunto de moletom, pantufas em formato de tartaruga – acessório esse do qual Dougie riu bastante; os cabelos presos em um rabo de cavalo e nada de maquiagem no rosto. Mas nem por isso, ela deixava de ser bonita, mesmo que Dougie, sentado ao seu lado, nunca fosse admitir aquilo em voz alta perto da mulher ou de qualquer outra pessoa. Para ser bem sincero, o rapaz reprimia aqueles pensamentos dentro da própria cabeça, como se ao evitar pensar naquilo, ele fingisse que não tinha aquela opinião.
Os dois comiam pizza e bebiam refrigerante, apesar do frio que fazia, chocolate quente e queijo não faria bem ao estômago de nenhum deles. A paz reinava na sala desde que havia chego com uma caixa de pizza, alegando que ela e Poynter precisavam montar um esquema para o namoro falso deles. Dougie reclamou no início, alegando que não era obrigado a aturar a presença da mulher no seu final de domingo, mas logo o mandou calar a boca, já que o plano de se vingar dos amigos era dele e ela só o estava ajudando. Ignorou o fato de que precisava se livrar do ex namorado, mas nem Dougie lembrou daquele incômodo. Por conhecer os amigos que os dois compartilhavam, sabia que não seria fácil convencê-los de que ela e Dougie estavam apaixonados e em um relacionamento. Ela havia negado qualquer chance de envolvimento com Poynter vezes demais para que simplesmente acreditasse que eles estavam juntos, principalmente após ela e Danny terem tentado arrumar uma namorada para o loiro. Então eles precisariam trabalhar jogando algumas pistas, antes de “assumir acidentalmente” qualquer rótulo e era esse plano que ela e Dougie precisavam montar naquela tarde.
- E como devemos fazer isso? Sair de mãos dadas na rua seria o suficiente, não? – Dougie questionou, recebendo um revirar de olhos em resposta. O homem estava sentado no canto esquerdo do sofá, usando um conjunto de moletom e touca, enrolado em uma manta. Faltavam poucas semanas para a primavera chegar, mas ainda fazia um frio absurdo na Inglaterra.
- Deixa de ser lesado, Poynter. – murmurou. – Se simplesmente chegarmos para eles e assumirmos um namoro, eles obviamente vão desconfiar e nos desmascarar em segundos. Nem todos eles são lerdos como o Danny. - Ela explicou. - Provavelmente até o Danny descobriria a nossa farsa.
- Ok. – Dougie concordou, a contragosto. – Qual o seu plano?
- Meu plano? – indagou, as sobrancelhas arqueadas pela surpresa. Limpou as mãos com um guardanapo e tomou um gole de seu refrigerante. – Porque a responsabilidade de ter um plano caiu para mim?
- Porque você criticou minhas ideias! – Dougie acusou, como se fosse óbvio.
- Suas ideias eram podres! – retrucou e Poynter revirou os olhos para ela.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, tentando montar algum plano e chegando à conclusão de que aquela convivência repleta de brigas sem sentido, não daria certo caso eles realmente quisessem convencer os amigos de que estavam namorando. Eles precisam convencê-los de que estavam apaixonados. E aquela seria uma tarefa muito difícil.
- Tudo bem. – suspirou, levantando as mãos para o alto, simbolizando rendição. – Antes de pensarmos em um plano para nosso namoro falso, seria bom esclarecermos alguns pontos para melhorar a nossa convivência. Não vamos convencer ninguém desse jeito. - Apontou para os dois, exemplificando o tipo de relacionamento que tinham.
- Virou psicóloga, agora? – Dougie indagou, num tom debochado, recebendo um olhar feio de . O loiro suspirou, largando a pizza na caixa e assentindo em concordância. – Vou tentar ser menos implicante. - Falou por fim, enquanto limpava as mãos com guardanapos.
- Obrigada por admitir que você começa a implicar comigo e por isso nós brigamos. – sorriu sem mostrar os dentes.
- Em nenhum momento eu disse isso.
- Quieto, Poynter! – A mulher chiou. – Eu estou tentando fazer isso aqui dar certo e você precisa colaborar! – Disse, como se não tivesse acabado de provocá-lo. Dougie, em uma situação normal, retrucaria e eles começariam a brigar. Mas naquele momento, só se permitiu gargalhar pela audácia de . Aquela mulher era maluca e disso ele tinha certeza.
- Eu vou me arrepender amargamente por ter te chamado para isso, não vou? – Ele indagou, ajeitando os cabelos com a mão.
- Com certeza! – riu. – Mas agora é sério. Precisamos resolver essa situação. Então seja sincero e diga porque me enche tanto o saco. - Perguntou, inquisitiva. Apesar do tom descontraído, Dougie pôde notar uma curiosidade genuína nos olhos de e quase se deixou gargalhar, mas acabou por dar de ombros, sem saber como começar a responder aquela pergunta.
o irritava, isso era inegável. Desde o acidente com o balde de água, a mulher não fazia questão em ser amigável ou gentil com ele. E Poynter não era o tipo que aceitava as coisas calado, então ele revidava. Mas ele também admitia que se divertia com a situação. Suas brigas eram infantis e nada ofensivas de verdade, então era apenas uma forma de extravasar.
- Não sei, exatamente. – Suspirou. – Acho que me acostumei a te provocar. É divertido. – Deu de ombros novamente.
- Certo. – estalou os lábios, bebendo mais um gole de seu refrigerante, sem desviar os olhos do homem sentado ao seu lado. – E o que mais?
- Acho que você é rancorosa. – Completou. – A gente só briga porque você não superou a história do balde.
- Eu admito essa culpa. – disse. – Mas acrescento que você sempre foi um idiota comigo. O balde, as provocações, as piadinhas...
- Eu te encho o saco, porque você não esquece a coisa com o balde. – Dougie retrucou. – Eu te pedi desculpas e você continua a tocar no assunto. - Exclamou, impaciente. - Era só aceitar as desculpas e seguir em frente, sem me tratar com grosseria.
riu alto, sacudindo a cabeça para os lados, sem acreditar que realmente havia escutado aquilo.
- Você nunca me pediu desculpas. – Ela pontuou e Dougie arqueou as sobrancelhas, confuso.
- Claro que pedi!
- Não, Poynter, não pediu. – debochou. – Você disse, abre aspas, “não era para você ser a primeira da fila. A água era para cair no Danny”, fecha aspas. E após isso, simplesmente passou a implicar comigo e a fazer piadinhas idiotas. Como acontece até hoje.
- É sério? – Dougie questionou, surpreso. Não acreditava que tinha sido babaca aquele ponto e não havia pedido desculpas a mulher. Agora ele entendia porque ela o tratava mal e não tirava sua razão. – Desculpe, de verdade. Eu era um babaca infantil. Sempre achei que você era a rancorosa, mas nunca parei para pensar se eu havia mesmo te pedido desculpas.
- Está desculpado, mesmo que alguns anos atrasado. – sorriu fraco. – Eu normalmente não guardo rancor atoa. E muito menos trato as pessoas mal sem motivos.
- Vou guardar isso na lembrança, para o caso de precisar de um argumento no futuro. – O loiro disse, rindo. revirou os olhos.
- Estamos esclarecidos, então? – Ela indagou.
- Acredito que sim. – Ele deu de ombros. – Eu te pedi desculpas, você me desculpou. Não vai mais ser uma arrogante comigo e eu vou deixar de fazer piadinhas e te irritar.
- Certo, toda a diversão foi para o lixo. – pontuou.
- Podemos acabar virando amigos. – Dougie sugeriu, incerto. Eles trocaram um olhar rápido e logo ambos sacudiram a cabeça para os lados, jogando a ideia fora. Era divertido demais as provocações para eles simplesmente desistirem daquilo e virarem melhores amigos.
- Talvez amigos que brigam de vez em quando. – decidiu e Dougie assentiu em concordância.
- Muito melhor. – Disse. – E agora, quanto ao nosso namoro? - Fez uma careta e riu. O sentimento era recíproco no que se dizia respeito a serem namorados, mesmo que falsos.
- Como eu te disse, chegar avisando que estamos juntos não vai dar certo. me ouviu vezes demais reclamar por ela tentar nos juntar e não vai simplesmente aceitar, que de uma hora para outra, nós nos apaixonamos e estamos namorando. - explicou e Dougie assentiu em concordância.
- Realmente, eu reclamei muito sobre isso também, com todos eles. – Dougie disse.
- Então temos que trabalhar com o que temos. – explicou. – Você deu uma entrevista lá na emissora mês passado, não deu?
- Sim. – Poynter lançou um olhar desconfiado para a mulher. – Como você sabe?
- Foi a Tina quem te entrevistou. – Ela revirou os olhos. – Ela passou duas semanas enchendo o saco e falando que “Dougie Poynter tinha uma entrevista com ela”.
- Eu sou muito desejado. – Ele sorriu, charmoso. – Você é a única que nega isso.
- Porque eu sou consciente. – Ela sorriu, angelicalmente. Poynter lhe mostrou o dedo do meio. – Enfim, podemos dizer que nos esbarramos por lá e tomamos um café. Esclarecemos a situação do balde e acabamos virando alguma coisa tipo amigos. Aí começamos a sair e acabou nascendo um sentimento. – Ela disse, com uma expressão que demonstrava nojo.
- Essa careta não me convence. – Poynter debochou. – Eu sei que você está louca para assumirmos esse namoro para poder me beijar.
- Não, obrigada. Eu passo. – disse e Dougie gargalhou.
- Tudo bem. – Deu-se por vencido. – A entrevista que dei na quarta-feira vai ao ar hoje. Harry disse que ia assistir, então podemos contar com a plantação da sementinha da desconfiança.
- Ótimo! – exclamou.
- E se eles perguntarem porque não falamos sobre isso, explicamos que eles não acreditariam que estávamos saindo, porque foi uma surpresa para nós também, devido ao nosso histórico. – Dougie sugeriu. – E preferimos manter em segredo até termos certeza de que era o que queríamos.
- A ideia é boa e eu sou obrigada a concordar. – suspirou, fingindo decepção.
- Olha, estamos progredindo bastante por aqui. - Dougie ergueu as mãos para o alto, fingindo agradecer aos céus pelo milagre.
- Sim, por algum milagre divino você está raciocinando como um ser humano normal. - retrucou, mordendo o sorriso. Poynter bufou.
- E voltamos a estaca zero.
- Admita, Dougster. É muito mais divertido com as implicâncias. - A mulher deu de ombros, inocentemente. - Mas teremos que nos policiar quando estivermos com eles. Em qualquer deslize, seremos mortos. Literalmente. - falou, arregalando os olhos para enfatizar sua fala.
- Eles não vão ficar contentes quando descobrirem a verdade. - Dougie comentou, pensativo.
- Eles vão ficar putos. - disse, simplesmente.
O sorriso gigante que Dougie abriu ao ouvir aquela frase fez entender que aquela era a intenção de Dougie desde o início. E a mulher não podia negar que se divertiria às custas daquela vingança.
- Mas então, como iremos começar a lançar as pistas? - Dougie questionou, com interesse. deixou seu olhar vagar pela casa, em uma tentativa de encontrar alguma ideia para aquele problema. Pousou o olhar em suas pantufas e sorriu largamente, devido ao estalo que seus pensamentos deram ao montar uma ideia.
- Pega seu celular. - Ela pediu e logo Poynter tinha o aparelho em mãos. A mulher cruzou as pernas e deixou a ponta da pantufa esquerda no ângulo que enquadraria a poltrona e as plantas de Dougie em frente a janela da casa. - Enquadra apenas a ponta do meu pé, de forma a dar a entender de que é uma pantufa de tartaruga mas não deixa explícita que pantufa é. Posta no stories. Eu postei um stories antes de vir para cá, usando essas pantufas. Isso não prova nada, mas dá alguma pista.
- Certo. - Poynter murmurou, fazendo o que sugeriu. - E agora?
- Agora eu vou para a minha casa dormir, pois amanhã a rotina está de volta e eu preciso trabalhar. - Ela respondeu, se colocando de pé num salto. - E vou deixar a bagunça para você arrumar, já que eu trouxe a pizza. - sorriu inocentemente e Dougie revirou os olhos.
- Você já está abusando. - Ele murmurou, rabugento.
- Esse é meu papel de namorada, namorado. - Ela riu, debochando de Dougie ao chamá-lo por aquela palavra.
se aproximou de Poynter e pegou a touca dele, colocando na própria cabeça. Antes que Dougie pudesse reclamar, ela estendeu a mão para que eu ficasse quieto, pois ela iria explicar.
- Todo mundo conhece essa touca como sua. - falou. - Essa vai ser a minha pista de hoje.
- Eu vou querer ela de volta. - Dougie avisou, levantando do sofá e seguindo com até a porta.
- Eu vou pensar no seu caso. - A mulher sorriu, tremendo ao sentir a brisa gelada da noite londrina. Parou no batente da porta, com Dougie ao seu lado, segurando a porta.
- Qualquer coisa, eu te mando mensagem para contar as novidades. - Dougie avisou, recebendo um assentir de cabeça como resposta.
Antes de se despedir de Poynter, checou a rua para garantir que não encontraria o carro do ex estacionado em frente a sua casa. Suspirou em alívio ao não encontrar a BMW preta, atraindo a atenção de Poynter para o ato.
- Ele ainda fica aí na frente? - O homem questionou, curioso.
- Duas noites durante essa semana. Fora isso, mensagens e ligações. - Ela deu de ombros, parada em frente a porta. - Ninguém pode acusá-lo de não ser insistente.
- Logo que assumirmos, ele desiste. - Dougie falou, com otimismo.
- Espero que sim. Foi para isso que me meti nessa loucura. - suspirou. - Bem, boa noite, Poynter.
E dito isso, deu as costas e cruzou o gramado de Dougie, que só fechou a porta quando viu a mulher entrar dentro da própria casa. Dougie suspirou, voltando para a sala e recolhendo a caixa de pizza junto das latinhas de refrigerante, antes de trancar a casa e subir para seu quarto. Um banho e um livro iriam ser o suficiente para entretê-lo enquanto o programa não ia ao ar.

Estava jogado em sua cama, o celular em mãos e a TV conectada ao canal que passaria sua entrevista com Owen. Quando a vinheta do programa iniciou, seu celular vibrou, anunciando duas mensagens de conversas distintas. Abriu a mais recente, encontrando uma foto dos Judd’s sentados no sofá. segurava Kit - que mais parecia uma bola devido a quantidade de roupas que usava - e Lola estava sentada no colo de Harry. Todos enrolados em cobertores e com sorrisos nos rostos. A legenda da foto era:

Juddão 9:58 PM: Preparados para assistir ao tio Dougie na TV.

Dougie sorriu, começando a digitar uma resposta que acabou sendo apagada quando uma nova mensagem de Harry chegou.

Juddão 9:59 PM: quer saber de quem eram as pantufas no teu stories, porque ela amou e queria comprar para ela.

Resolveu não responder as mensagens do amigo naquele momento. Esperaria o programa terminar, pois sabia que Harry teria muitas outras questões para abordar. Abriu a outra conversa com uma foto de , usando sua touca e em frente a TV onde a vinheta do programa apresentava um histórico da carreira de Dougie com uma foto dele desfilando fazendo fundo. A mulher estava enrolada em uma manta colorida e fazia o clássico hang loose com uma das mãos.

10:00 PM: Assistindo meu namorado na TV usando a touca dele.

Dougie riu alto, digitando uma resposta rápida para a mulher antes de bloquear o celular e prestar atenção da TV.

Dougie 10:00 PM: Não resiste de saudades de mim e precisa assistir minhas entrevistas?

Enquanto a entrevista corria, apenas ouvia o celular vibrar. Ao final da entrevista, o toque de ligação se fez presente e Dougie riu, ao ler o nome de Harry na tela do aparelho. Aquela havia sido rápida e certeira, pensou. Pegou o aparelho em mãos e aceitou a chamada de vídeo do amigo.
- MAS QUE PORRA FOI ESSA, POYNTER? - Harry gritou, com uma expressão que misturava raiva e choque no rosto. Dougie viu a mão de entrar em ação e a mulher depositar um tapa no braço de Judd.
- Olha a boca, Harold. As crianças estão na sala ao lado! - Ela exclamou, tirando o aparelho das mãos de Harry e então focando a atenção em Dougie.
- Que porra foi essa Dougie? - Ela disse, num tom de voz mais baixo. Harry voltou ao vídeo, parando atrás de e Dougie quase riu ao ver a expressão indignada no rosto do amigo.
- Porque você pode falar e eu não? - Ele resmungou, irritado.
- Porque eu não sou exagerada e fico gritando. - revirou os olhos. - Você sabe que Lola repete tudo que ela escuta. Vai ser lindo ouvi-la repetindo palavrões no almoço de domingo.
- Certo. - Harry bufou, se rendendo. Voltou a atenção para Dougie e estreitou o olhar. - Desembucha, Poynter. Que história é essa de você estar namorando?
- Eu nunca disse que estava solteiro. - Poynter retrucou, vendo os amigos ficarem sem argumentos. - Inclusive, obrigado por lançar uma campanha para me arrumar uma namorada sem o meu consentimento. - Disse, de forma ácida.
- A ideia foi do Danny! - Harry se defendeu.
- Não seja mentiroso, Harry. - acusou, lançando um olhar reprovador para o marido. - A ideia foi de todos nós, Dougie. Danny só deu o pontapé inicial, mesmo sem perceber. - A mulher sorriu sem graça.
- De toda a forma, foi uma droga. - Dougie suspirou. - Mas ela se divertiu. - Deu de ombros, ocultando o nome de intencionalmente.
- E quem é ela? Porque você não mencionou isso antes? - questionou, curiosa.
- Teria evitado toda a confusão que acabamos criando. - Harry falou.
- Não estávamos e ainda não estamos confortáveis em assumir. - Dougie explicou. - É complicado.
- Mas é sério ou é casual?
- É sério. - Dougie afirmou, com um aceno de cabeça. Viu Harry e trocarem um olhar rápido e quase riu.
- Bom, esperamos conhecê-la em breve, então. - concluiu, mandando um beijo para Dougie antes de devolver o celular para Harry.
- Vamos, me fale. - Judd pressionou e Dougie riu.
- Ainda não é a hora certa.
- Porra Dougie, se você tivesse me contado, a gente não teria inventado nenhuma campanha para te arrumar uma namorada. - Harry suspirou.
- Eu sei. Mas eu não queria precipitar as coisas. - Dougie disse. - E vocês são uns idiotas se pensaram que essa campanha daria certo.
- Na nossa cabeça fazia sentido. - Judd deu de ombros. - E idiotas nós sempre fomos. - Os dois riram.
- É, eu sei. - Dougie sacudiu a cabeça para os lados. - Logo vocês vão saber quem é, não se preocupe.
- Mas você gosta dela? - Harry indagou e Dougie sorriu fraco.
- Pode-se dizer que sim. - Deu de ombros.
- Tudo bem. - Judd disse. - Vamos marcar um jantar para essa semana, pode ser? - Sugeriu e Dougie assentiu em concordância. Aí colocamos as novidades em dia.
- Quarta eu estou livre. - Dougie mencionou e Harry assentiu.
- Quarta então. Vou chamar os outros dois também.
- Ok.
- Só para matar a curiosidade, as pantufas no teu stories são dela? - Harry questionou, curioso.
- Sim, Judd. Minhas que não seriam. - Poynter revirou os olhos.
- Ah, não duvido de mais nada vindo de você. - Harry falou e Dougie o mandou à merda. Finalizaram a chamada em seguida e Dougie se permitiu abrir a conversa com .

10:00 PM: Quase postei um stories assistindo a entrevista, mas ia ficar muito na cara.
Dougie 10:01 PM: Sem dúvidas.
Dougie 10:01 PM: Harry me ligou. Ficou puto porque eu “não disse que estava namorando”.
10:02 PM: Ah, meta atingida com sucesso! 💁
10:03 PM: Eu postei um stories com a tua touca e uma legenda misteriosa. Logo alguém vai ligar as coisas e começar a divulgar teorias da conspiração.
Dougie 10:03 PM: Vou jantar com os caras na quarta. Vamos precisar tirar uma foto onde você não dê para te identificar muito bem, mas deixe um mistério. Vou deixar meu celular, sem querer, com a tela acesa durante algum momento do jantar.
10:04 PM: Estou me sentindo no CSI.
Dougie 10:04 PM: Sherlock é muito melhor!
10:04 PM: Vocês britânicos adoram desprezar as séries americanas.
Dougie 10:05 PM: Só quando temos séries melhores 😁
10:05 PM: Vá a merda, Poynter. Amanhã passe aqui em casa para tirarmos a foto.
Dougie 10:05 PM: E já vou recuperar a minha touca!
10:05 PM: Não crie muitas esperanças. Boa noite, namorado.
Dougie 10:06 PM: Boa noite, namorada.


Dougie suspirou e bloqueou o celular, colocando o aparelho para carregar em seguida. Desligou a TV e ajeitou os cobertores, fechando os olhos e deixando o sono tomar conta de si. O dia seguinte iniciaria uma semana interessante e um pouco turbulenta e ele precisaria estar descansado para acompanhar tudo o que viria a acontecer.




Continua...



Nota da autora:Oi meus amores! Como vocês estão? Eu estou ótima e quase livre da faculdade de uma vez por todas (faltam só três semanas e eu estou surtando pela possível liberdade). Em primeiro lugar, queria agradecer com todo o coração por todos os comentários que vocês estão deixando aí embaixo, eles me motivam cada dia mais a dar meu melhor nessa história que eu amo de paixão. Em segundo lugar, QUE CAPÍTULO HEIN? Eu nem esperava escrever ele e quando vi, estava finalizado. Acho que a nossa pp e o Dougie mereciam um momento para esclarecer o motivo de tanta implicância né? Daí pra frente o futuro é incerto!
Queria comentar com vocês também que algumas das cenas que vão aparecer no decorrer da fic desse capítulo em diante fazem parte da “realidade do Dougie”, pois eu uso algumas postagens dele como base cronológica de tempo. Posso deixar os links das imagens caso alguém tenha interesse em checar e apreciar a beleza desse homem. Enfim, espero que vocês tenham gostado do capítulo. Não deixem de comentar, vou aguardar ansiosa pelos comentários de vocês enquanto escrevo a próxima att! Um beijo suas lindas, até a próxima att!





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