Mixtape: Listen To Your Heart






O sacolejar do ônibus finalmente terminou quando o veículo estacionou na rodoviária interestadual de Providence, capital de Rhode Island. agarrou a bolsa surrada em seu colo e esperou que a maioria dos passageiros descesse para que ela pudesse levantar e então pegar a mochila no compartimento acima. Apoiou as alças sobre seus ombros, já sentindo o peso de sua pequena bagagem, e colocou a bolsa transversal junto, segurando-a à frente de seu corpo. Entregou o bilhete carimbado para o cobrador uniformizado e desceu, observando o vai e vem do lado de fora. O enorme relógio à sua frente indicava cinco e pouco da tarde, o que lhe dizia que ainda havia pouco mais de meia hora para que comprasse a passagem para seu destino final e pudesse comer alguma coisa. Estava realmente morrendo de fome.
Respirou fundo algumas vezes, dizendo para o receio que havia dentro de si que ele deveria se calar. Ela estava fazendo a coisa certa. Saíra de Pawtucket, sua cidade natal, com a certeza de que havia um mundo inteiro para descobrir e que não poderia mais viver em uma inércia doentia que lhe aprisionava à um cenário que ela queria esquecer. Deixaria Pawtucket e todas as memórias ruins para trás. Iria escrever sua própria história dali em diante. E esperava que ela fosse louca e colorida, como nos filmes.
Encarou o espelho manchado do banheiro da rodoviária enquanto lavava as mãos e soltou um muxoxo irritado. Suas feições cansadas a incomodavam e o cabelo comprido demais também. Afastou-se um pouco mais da pia e encarou suas roupas, a blusa listrada e o macacão de um jeans gasto, mas o que de fato a incomodou foi a forma como seus ombros pareciam baixos demais e ela imediatamente arrumou a postura, lembrando-se de mandar um alerta para seu cérebro nunca mais repetir aquela postura subalterna. Nada mais de abaixar a cabeça e se curvar.
Com esse alerta em mente, saiu novamente para o vai e vem de pessoas, seguindo para a fila onde as passagens poderiam ser compradas. Esticou o pescoço e notou cerca de vinte pessoas à sua frente. Para não ver o tempo passar lento demais, retirou o walkman velho de seu meio-irmão da bolsa e deu play na fita. Havia roubado o aparelho da gaveta dele antes de fugir. JJ havia ganhado um aparelho portátil mais moderno e aquele não lhe faria falta. E se fizesse, que ele se danasse. Não ligava a mínima.
Começou a mover um dos pés no ritmo de Jump quando Van Halen preencheu seus ouvidos. Num segundo começou a imaginar sua vida dali em diante. Não conseguia deixar de sentir uma pontinha de pavor lá no fundo, mas a esperança e a coragem pesavam bem mais. Quando começara a planejar sua partida, há uma semana, sequer conseguira pensar em pontos negativos ou no que precisaria enfrentar estando apenas ela responsável por sua vida. Provavelmente encontraria muitos obstáculos, passaria por alguns perrengues, mas a verdade era que desde a morte de sua mãe ela precisou se virar sozinha. Não era como se ela fosse uma iniciante no assunto.
De qualquer forma, era inexplicável a sensação de estar à apenas algumas horas de uma nova vida, na cidade que ela sempre sonhou. Pensava no emprego que sua tia-avó Doreen havia gentilmente lhe cedido depois de uma ligação um tanto desesperada. Pensava em como poderia finalmente ser ela mesma, a que sua mãe queria que ela fosse. Forte, independente, feliz e livre. Sobretudo, livre. Queria mudar. Mudar o cabelo, mudar as roupas, mudar a mente. Queria abrir os olhos para tudo de bom que pudesse aprender que a escola não ensinara. Sentia-se disposta a correr uma maratona, se preciso.
Assim que a música trocou, esticou novamente o pescoço para tentar notar o porquê de a fila ter parado de andar. Notou que um rapaz se inclinava para o atendente no balcão e parecia lhe dizer palavras não muito agradáveis. Rolou os olhos, impaciente, e voltou a se concentrar no som que escapava dos fones, vendo o tal rapaz sair e deixar a fila fluir novamente.
Quando sua vez finalmente chegou, com o dinheiro já contado nas mãos, ela apenas respirou fundo e sorriu para o visivelmente esgotado funcionário.
– Uma passagem para Nova York, no ônibus das seis da tarde, por favor. – ela estendeu o dinheiro, vendo o apático homem juntar as mãos na frente do corpo.
– O ônibus das seis está lotado.
– Lotado? – ela repetiu a informação, aumentando o tom de voz instintivamente – A que horas sai o próximo? Quero passagem para o próximo.
O homem apenas soltou um suspiro e passou uma das mãos pela barba rala.
– O próximo para Nova York só amanhã, às seis da manhã.
não podia acreditar no que estava ouvindo. Como assim o ônibus estava lotado e o próximo só sairia no dia seguinte? O que faria? Não tinha dinheiro o suficiente para pagar uma hospedagem. Precisava gastar o mínimo possível para não chegar ao seu destino sem dinheiro reserva. Estava definitivamente perdida. Ferrada. Aquilo era certamente uma praga de Phil e JJ. Droga.
– E então? Vai querer a passagem ou vai deixar a fila andar? – o cara atrás do balcão a tirou de seus devaneios, parecendo impaciente.
– Quero a passagem para o ônibus de amanhã.
Ele apenas assentiu, destacando um papel do bloco, carimbando-o e entregando-a ela depois de receber o dinheiro e contá-lo. recebeu o papel, guardou-o imediatamente na bolsa e olhou ao redor. O que diabos ela faria? Ainda faltavam doze horas para que seu ônibus saísse e ela não conhecia absolutamente ninguém em Providence. Rodoviárias não eram ambientes muito agradáveis e ela era uma mulher sozinha. Provavelmente passaria a noite por ali, já que não havia para onde ir. Fez sua maior cara de durona e caminhou para o banco mais próximo, sentando-se. Pelo menos o lugar ainda estava movimentado.
Sentou-se e cruzou as pernas sobre o banco, acomodou a mochila no colo e a bolsa ao lado, retirando sua garrafinha de água e matando um pouco da sede. Pegou sua agenda logo depois e começou a folheá-la para passar o tempo. Observou seus rabiscos, suas colagens e os pequenos desabafos que deixava nas páginas quando os dias eram frustrantes demais para apenas chorar. Encontrou uma foto de sua mãe e a admirou com um pequeno sorriso, lembrando de como era linda e amável e como Phil, seu pai, nunca a mereceu. Olhando-a na foto, sorridente em um traje de banho, tentou buscar em sua memória os melhores momentos, mas concluiu tristemente em pensamento que eles sempre foram raros. Pelo menos até onde conseguia se lembrar. Sua mãe sempre dizia que Phil era bom, era um bom pai, era um bom marido, mas ela não tinha nada mais do que flashes desse Phil, porque o que ela conheceu era um insensível e estúpido. Sabia que alguém lhe diria ser pecado dar tais características ao homem metade responsável por ela estar viva. Mas que se danasse. Phil nunca lhe amou como um pai deveria, não lhe deu o apoio necessário quando sua mãe morreu, apenas tratava-a como uma empregada, alguém que deveria lhe obedecer por viver sob o mesmo teto que ele.
percebeu que, apesar de jurar estar deixando tudo para trás, ainda levava consigo a mágoa por ter como pai alguém que não fazia ideia do que aquele papel representava na vida de uma criança. Ela era uma adulta agora, mas não poderia simplesmente passar uma borracha em todos os momentos ruins. Seria uma longa jornada até que ela finalmente deixasse o passado para trás e pudesse ter uma vida emocionalmente saudável, sem as sombras de uma paternidade ruim sobre si.
Com um suspiro, ela fechou a agenda. Enfiou a mão na bolsa e retirou um sanduíche natural, começando a comê-lo em seguida. Viu, com bastante frustração, o ônibus para Nova York partir e recostou-se mais no banco, olhando a movimentação ao redor com pouco interesse. Terminou de comer e puxou da bolsa caça-palavras que ela recortava de jornais, passando a preenchê-los.
– Sabe, o último ônibus está para sair – uma voz a assustou, fazendo-a agarrar a bolsa e a mochila de imediato – Ei, está tudo bem! – ele riu brevemente – Não vou lhe roubar. Desculpe pelo susto, só quis avisar sobre seu ônibus.
olhou para o desconhecido e logo depois ao redor, vendo os passageiros embarcarem lentamente. Por quanto tempo havia ficado preenchendo aquelas lacunas no jornal? Espiou o enorme relógio dali e viu que faltavam poucos minutos para as sete e que o movimento de pessoas havia diminuído consideravelmente. Soltou um suspiro.
– Não vai pegar o ônibus? – o rapaz voltou a falar, tendo sua atenção novamente.
observou como os traços de seu rosto pareciam alinhados ao seu penteado e achou aquilo engraçado. Notou também que ele se vestia bem. Parecia ter grana. Apesar disso, ainda desconfiada, ela respondeu:
– Não é o meu ônibus.
– Vai passar a noite por aqui também?
Ela viu como ele relaxou no assento ao lado dela, esticando as pernas e cruzando-as, e colocando os braços compridos no encosto do banco. Olhou para ele sem responder, arqueando uma sobrancelha em sua direção. Quando notou que ela não responderia, ele virou, encarando-a.
– Isso não é raro de acontecer, sabia? Muitas pessoas passam a noite por aqui, alguns são moradores de rua e ficam por causa da segurança, mas outros simplesmente ficam pra esperar seus ônibus no dia seguinte. – apenas o observou falar sem parar – Esse é o meu caso. É o seu também, não é?
Permaneceu calada. E se ele fosse algum maluco? Um maníaco? Confiar em homens já é um risco, que dobra quando eles são completamente desconhecidos.
– Não vou lhe atacar nem nada, ok? – ele riu novamente, passando uma das mãos pelo cabelo – Você é a única mais ou menos da minha idade por aqui, achei que poderíamos bater um papo enquanto a hora passa. Não podemos dormir e deixar as bagagens sem supervisão.
acabou deixando um riso curto escapar. Para alguém que sequer lhe conhecia, ele falava demais.
– Você sempre fala pelos cotovelos assim? – ela sorriu, abaixando um pouco a guarda.
O sorriso que ele lhe deu de volta a fez perceber o quando ele era bonito. Tinha um charme que ela não costumava ver fora da TV ou das telas do cinema.
– Eu sou bom em me comunicar de um modo geral – ele piscou, deixando-a brevemente desconcertada – Então, vai ficar por aqui, não é?
– Não tenho outra saída – deu de ombros, virando um pouco para o lado para que pudesse conversar e ter contato visual – Não consegui passagem para hoje e vou precisar esperar pelo ônibus de amanhã aqui já que não tenho como pagar um lugar para dormir. E você?
– Mesma situação.
Antes que ele pudesse perguntar qual o destino dela, voltou a falar.
– Desculpe, mas você não tem cara de que não pode pagar uma pousada por apenas uma noite – ele acompanhou o olhar que ela lhe dirigiu, notando suas roupas e seu tênis e riu.
– Em outros tempos, dinheiro para pagar um quarto realmente não seria um problema, mas nesse momento, acredite, devo estar na mesma que qualquer pedinte por aqui.
– Se você diz... – ela deu de ombros – O que vamos fazer nas mais de dez horas que nos restam até o amanhecer?
A pergunta não é o que vamos fazer – ele começou, fazendo pose –, mas o que não vamos fazer.
reconheceu a frase na hora. Sorriu para o desconhecido e já gostou um pouco mais dele.
Curtindo a Vida Adoidado!
– Você pegou a referência! – ele sorriu para ela – Está com fome? O que acha de um hot dog de carrinho? – ele apontou para o vendedor um pouco a frente – Você paga o seu, claro.
Ela gargalhou e assentiu, pegando a mochila e a bolsa e caminhando até ele.
– Sabe – começou, limpando a boca com o guardanapo, quando já estavam sentados novamente no banco –, estamos aqui conversando e ainda somos completos estranhos um para o outro.
Ele assentiu, ainda mastigando pão. Como era uma viciada em filmes, e depois de vê-lo citar um de seus preferidos, ela resolveu descobrir um pouco mais dele e jogar na conversa mais uma referência a John Hughes.
Qual seu último nome? – perguntou, olhando diretamente para ele, que respondeu prontamente.
.
Qual seu primeiro nome?
. – ele respondeu, sorrindo, deixando claro para ela que sabia de onde ela havia tirado aquilo. Gatinhas e Gatões, óbvio.
Qual seu nome do meio?
.
Acabaram rindo juntos depois da última resposta.
– Fã de John Hughes, então? – ele sorriu, acomodando-se melhor, de frente para ela, notando como era linda de um jeito todo peculiar.
– De cinema em geral. Acho que acabo tendo a mania infantil de procurar nos filmes o que falta da minha vida.
– Fugas da escola? Roupas estranhas e penteados mais ainda? – ele zombou e ela levantou os ombros, rindo fracamente.
– Emoção, talvez.
– E é por isso que você está aqui, pronta para pegar a condução para outro estado. – ele concluiu, a feição agora séria.
– Também – respondeu e acomodou a mochila no colo, apoiando a cabeça no braço apoiado no encosto do banco – Eu morava em Pawtucket, mas aquele lugar já não era meu lar há muito tempo – ela suspirou, a cabeça voltando a ficar cheia com os problemas que ela tentava deixar para trás.
– Continue – ele incentivou depois de alguns segundos de silêncio – Nós temos a noite toda – sorriu, tentando passar para ela algum conforto.
Não era difícil de notar que havia um conflito interno nela. Um clamor enorme por mudança, mas mágoas a ancoravam à algo do passado. Não era difícil perceber, principalmente porque ele sentia algo parecido.
– É complicado – ela lhe deu um sorriso triste – Perdi minha mãe há alguns anos para o câncer – ela começou e ele segurou seus dedos, passando o polegar gentilmente por ali, como se dissesse que sentia muito por sua perda; ela sorriu – Meu pai nunca foi o que se espera que um pai seja. Nunca foi o que se espera que um marido seja. E por todos esses anos, especialmente os últimos dois desde que eu terminei o colegial, eu fui apenas uma empregada para ele, um encosto que recebia comida e abrigo em troca de serviços domésticos – um riso sem humor escapou, fazendo se solidarizar com sua dor – Ele arrumou uma nova mulher e com ela um novo filho. Eu já não importava mais.
– Então você o mandou se danar e se libertou. – ele pontuou, sorrindo para ela.
– Quase isso. Eu nem ao menos disse que iria embora. Simplesmente juntei minhas economias, arrumei o essencial e peguei um ônibus para cá. Era isso ou viver uma vida sem realmente vivê-la.
A vida passa muito depressa, se não pararmos para curti-la, ela escapa por nossas mãos.
Ele citou Curtindo a Vida Adoidado novamente, fazendo-a sorrir, assentindo.
– É exatamente isso. Eu estive presa à algo que me fazia mal por tempo demais. Eu quero fazer coisas, aprender coisas, mudar, mudar alguém, sei lá, só quero sentir que estou vivendo de verdade. Você entende?
Ela desabafou, olhando-o nos olhos e se sentindo satisfeita quando viu neles a mesma vibração que via quando se encarava no espelho. Adicionando um charme especial, é claro.
– Entendo completamente. Também estou à procura dessa adrenalina que a liberdade promete.
– Isso me lembra que não sei o motivo de você estar indo para longe também. – ela sorriu, notando novamente o violão no chão, ao lado dele – Você é modelo ou roqueiro? – ela jogou essa, torcendo internamente para que ele pegasse.
Sou um gozador. – ele respondeu, forçando o sotaque para que parecesse com Ringo em A Hard Day’s Night.
– Não acredito! – ela exclamou, encantada – Você gosta de Beatles!
– Oras, tem como não gostar?
– Gosto de você, !
– Também gosto de você – ele riu – Mas ei – exclamou, lembrando-se de algo – Não sei seu nome, estranha.
. – ela simplesmente respondeu, sorrindo – Mas então, , o que te leva pra longe de Rhode Island?
viu seu olhar vagar para longe e percebeu que não era algo muito bom.
– Eu quero ser músico. Acho que sempre quis. – ele deu de ombros, o olhar ainda distante – Meus pais nunca levaram minha vontade a sério e meu destino seria estudar Direito na University of Rhode Island e seguir a profissão de família. Estive por um ano na URI, mas secretamente fazia shows em casas pequenas e bares, tentando fazer contatos e juntar uma grana para gravar algum material. Somente meu melhor amigo e minha namorada sabiam – um sorriso amargo tomou conta de seu rosto – Até que um dia meu pai apareceu em um dos bares que eu tocava e fez um escândalo. Descobri logo depois que meu amigo contara que eu estaria lá e – ele voltou a olhar para ela, rindo sem humor –, acredite, não estou tirando isso de nenhum filme, mas descobri que ele e minha então namorada tinham um caso pelas minhas costas.
recuou um pouco, abismada e triste por ele. Tinha uma vida de merda até ali, mas podia imaginar como deveria ser horrível ser forçado à fazer algo que não quer e ainda ser duplamente traído.
– Nós definitivamente não temos as melhores vidas. – ela tentou sorrir para dissipar o clima tenso e ficou feliz ao vê-lo rir.
– É por isso que estamos aqui, prontos para virar a noite em uma rodoviária. Pelo menos estamos no verão – ele abriu os braços, olhando ao redor.
Os ponteiros do enorme relógio da rodoviária pareciam se mover ainda mais lentos que o normal, mas por sorte, destino, coincidência ou qualquer coisa parecida, eles tinham um ao outro e conversas malucas, um tanto filosóficas, que engatavam umas nas outras.
– Eu me perguntei por muito tempo se meu esforço para mudar tudo realmente valeria à pena, sabe? Se tudo desse errado, eu estaria tão na merda quanto estive antes. Mas então eu percebi que eu nunca saberia se eu não ousasse tentar. Apesar de tudo, me sinto pronta para o quem vem pela frente.
sorriu, olhando para o teto alto. Estava deitada no banco, com a cabeça apoiada na mochila e as pernas para fora. estava na mesma posição e como dividiam o mesmo banco, suas cabeças se encostavam. Ele igualmente encarava o teto, com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça.
– Acho que isso é uma dúvida comum. Eu pensei a mesma coisa. Tentei inutilmente me apegar a momentos bons em família, tentar encontrar algo que me dissesse que minha vida longe deles não seria tão melhor assim, mas no final das contas, não havia nada. – ele riu sem humor e ela o acompanhou.
– Esse exercício eu passei longe. Tudo que havia de bom na minha família se foi com a minha mãe. – soltou um suspiro longo e esticou um braço para apertar o nariz dela em uma forma de não deixá-la desanimar.
– Sinto muito por sua perda, mas pense em como sua mãe ficaria feliz e orgulhosa por vê-la buscar viver seus sonhos.
– Isso é o que eu mais penso. – ela sorriu.
– E você já sabe o que vai buscar? Você tem um plano de mudança de vida, certo? Ou vai simplesmente seguir a corrente?
– Você vai achar que meus planos são todos bobos.
sorriu ao ouvi-lo rir abertamente.
– Você precisa me contar primeiro, .
– Ah, sei lá, – ela ponderou – Existem tantas vontades dentro de mim, tantos sonhos de menina que eu reprimi, tantos ideais que cultivei. Acho que não consigo explicar. Mas eu quero trabalhar, juntar uma grana pra faculdade, mudar o visual...
– Mudar o visual? – ele franziu a testa, não havia nada de mal com o visual atual, pelo menos não para ele – O que há de errado?
Quando eu olho para mim como você conhece – ela começou –, e eu me vejo, eu não gosto do que vejo.
riu pela frase tirada de Clube dos Cinco.
– Se você vai se sentir melhor com isso, eu entendo.
– E você? Quais são seus planos pra se tornar um astro do rock? – ela riu.
– Eu vou encontrar um contato que vai me arrumar alguns primeiros shows em bares e vou fazer basicamente o que eu já estava fazendo. Juntar uma grana pra tentar gravar alguma demo. Eu vou focar nisso. – ele sorriu, esperançoso.
– Nada mais? Nem um novo amor? – ela perguntou como quem não quer nada, mas curiosa pra saber o que ele diria.
Amor, amor, você sabe o que é o amor? O amor é uma ilusão criada por advogados para perpetuar outra ilusão chamada casamento para criar a realidade do divórcio e então a ilusória necessidade de advogados para fazer o divórcio.
O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas! – ela gargalhou.
– Sabia que você ia pegar! Adoro essa fala e ela responde completamente sua pergunta.
– De verdade? – ela continuou – Você passou por uma situação bem ruim romanticamente falando, mas vai superar.
– Eu sei que vou. – ele respondeu, convicto – Só não estou pronto ainda. Mas se acontecer...
– Você parecer ser um cara legal, . Vai encontrar alguém legal também.
– Digo o mesmo pra você. Estamos no caminho certo, não é? Você sabe o que eles dizem: ouça seu coração.
sorriu, sentindo-se feliz por tê-lo em sua companhia.
– Como na música. – ela lembrou.
– Exatamente como na música.
Mal perceberam quando o céu começou a clarear. A movimentação na rodoviária foi que os alertou para o horário. Correram até os banheiros para a higiene matinal e se reencontraram do lado de fora para a despedida.
– Obrigada por me fazer companhia, . Essa noite teria durado muito mais se eu não tivesse alguém para conversar.
sorriu para ele, em dúvida se o abraçava, que era o que ela sentia vontade, ou se lhe estendia a mão, que era o que sua educação lhe dizia. apenas lhe sorriu de volta e abriu os braços para logo envolvê-la. Surpresa e feliz, ela retribuiu.
– Obrigado por deixar um estranho lhe fazer companhia. Boa sorte com tudo na sua nova vida. – ele continuou sorrindo, soltando-a logo em seguida.
– Boa sorte você também. Espero ver sua cara estampada nas lojas de discos em breve!
– Que o cosmos lhe ouça! – ele riu – A propósito, ainda não sei para onde você vai.
apenas indicou o ônibus para Nova York já estacionado por ali e logo viu olhar para ela como se não acreditasse.
– Você está brincando, certo? – ele riu e então esticou o seu próprio bilhete de embarque para Nova York – Parece que é o destino, então. – piscou para ela, que riu sem acreditar.
Sentindo um frio gostoso na barriga e um formigamento nas mãos, acertou a bolsa no ombro e esticou uma mão para ele, sorrindo.
, acho que este é o começo de uma bela amizade. – ela citou Casablanca, fazendo-o sorrir junto.
– Ou bem mais do que isso. – ele pegou sua mão e entrelaçou à sua enquanto caminharam até a fila do embarque para a nova vida.

Fim 🎶



Nota da autora (30/12/15): Primeiramente, que o cosmos beneficie essa equipe linda que teve essa ideia maravilhosa de Mixtape! <3 Eu sou apaixonada por essa música da Roxette e também amo a cultura pop dos anos 80, então trouxe um pouco disso nas citações dos filmes. Tudo bem que alguns não são da época em questão, mas eles acabaram encaixando e eu deixei fluir!
Espero que vocês tenham gostado!
xx
Thainá M.
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OUTRAS FICS:

03. Drunk In Love (Ficstape #020 – Beyoncé) | 09. Long Way Home (Ficstape #30 – 5 Seconds Of Summer) | 12. Don’t Stop Me Now (Ficstape #011– McFly: Memory Lane) | 14. You & I (Ficstape #023 – John Legend: Love In The Future) | Amor em Irlandês (Especial Equinócio de Setembro) | Beside You (5SOS/Finalizada) | Can You Feel It? (Outros/Finalizada) | Don’t Close The Book (Jonas Brothers/Finalizada) | Love Affair (1D/Em Andamento) | Thankful (Especial Extraordinário)



Nota da Beta: Que os cosmos beneficie essa autora linda que só escreve estórias lindas, isso sim! Me identifiquei com ambos os principais e isso só fez que eu amasse dez vezes mais essa fic. Apesar de pequena, ficou uma lindeza! Apoio você escrever para todos os Mixtapes, porque a ideia é realmente maravilhosa e suas fics fazem jus. Parabéns, Thai.
Xx-A




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