Última atualização: 31/05/2019

Capítulo Único

Everyone has this at least once, yeah
A night you don’t wanna spend alone
I’m humming the melody to the song you used to like
Without much meaning
But then I wondered how you’re doing these days


Seul, Coréia do Sul, 2016.
viu o nome da namorada brilhar na tela do celular e sorriu sentindo seu coração acelerar, (fato é que, isso lhe ocorria todas as vezes que o nome de vinha a tona) sabendo que estava na hora de surpreendê-la. Respirou fundo antes de atender o celular, se preparando para a mentira que teria que contar.
— Oi. — Atendeu o telefone, sorrindo apenas em saber que falaria com ela. era sua namorada a exatos dois anos, aquele dia marcava o exato dia em que começaram um relacionamento pelo quão ambos ansiavam. Eram o casal mais perfeito que alguém poderia conhecer, e para os amigos, era até mesmo difícil imaginar um sem o outro. Não havia outra forma de descrever isso, além do tradicional clichê que eram almas gêmeas, haviam sido feitos um para o outro e não havia ninguém mais no mundo que se encaixasse tão bem com qualquer um deles.
— Oi, . — seu sorriso aumentou quando seus batimentos aumentaram ainda mais, lhe dando mais certeza ainda do quanto era apaixonado por aquela mulher. — O que vamos fazer hoje? — A moça perguntou animada e ele respirou fundo antes de continuar a conversa. Era a primeira vez que se falavam naquele dia, e ela estava ansiosa pela data comemorativa.
— Podíamos ficar aqui em casa hoje, né? — Respirou fundo, tendo de permanecer bem em seu papel e ser convincente para que tudo ocorresse como o planejado — Eu estou muito cansado, você me entende? — Ele chegava até a se sentir um pouco culpado em causar uma sensação ruim, mesmo que momentânea, na namorada. Sabia que ela se importava muito em comemorar aquela data, assim como ele, porém mais tarde ela seria recompensada.
— Tudo bem. — Pôde sentir um tom decepcionado na voz dela e sentiu o peito apertar, de qualquer forma, todos os seus planos estavam direcionados a dar certo.
— Você pode vir pra cá? — Perguntou, equilibrando o celular na orelha enquanto terminava de colocar alguns talheres sobre a mesa de jantar, já bem posta e organizada — A gente assiste um filme e ficamos juntinhos o resto da noite, ok?
— Ok. — novamente percebera o desânimo na voz da namorada. Mas consolou a si mesmo, sabendo que aquilo era por uma boa causa. — Quer que eu passe em algum lugar para comprar algo para comermos?
— A não precisa, quando você chegar nós pedimos uma pizza. — disse e logo ouviu um resmungo da garota concordando com o que ele havia dito — Até já, amo você. — Finalizou a ligação e admirou, orgulhoso a surpresa que preparara para a mulher, com certeza ela iria amar.
Aguardou ansioso, olhando para o relógio a cada instante que se passava, vestindo uma de suas melhores roupas, mal parecia que iam apenas jantar em casa mesmo, mas era um momento especial para eles, e queria que recordasse a cada um daqueles segundos da melhor forma possível, queria mostrar a ela que se esforçaria ao seu máximo para sempre vê-la sorrir. O buquê já suava em suas mãos, os caules das margaridas estavam sofrendo com seu nervosismo, e quando finalmente ouviu o barulho dos primeiros dígitos da senha de sua porta serem inseridos, pulou do sofá onde estava para correr até a porta. O seu coração provavelmente já não se encontrava na caixa toráxica e sim na garganta, pois podia ter certeza que o sentia frenético naquela região. Passou rapidamente o olhar por toda a sala de jantar antes de se colocar a espera da garota, sua garota, em frente a porta de entrada do apartamento, sorrindo.
Encarou a porta e a viu entrar, ela travou o olhando, encarando cada pedaço dele tentando entender a situação e aproveitou a oportunidade para fazer o mesmo, sua era linda. As curvas imperfeitamente perfeitas, o olhar mais doce que poderia existir e aquele sorriso que ela sempre abria para ele.
O sorriso de era a coisa preferida dele no mundo, era lindo, perfeito, ela sorria como quem não tinha nada para dizer, mas quando combinava aquele sorriso com seus olhos, ele sempre sabia o que ela tinha pra falar, seu sorriso o abraçava, o deixava mudo, somente sorrindo para acompanhar sua boca favorita no mundo, mostrando toda a felicidade que ela tinha pra lhe oferecer. As palavras doces, os dentes bonitos, tão dela que era dele também. Ele se apaixonava por ela de novo a cada novo sorriso que ela dava e não sabia mais lidar com aquilo, não sabia se era possível se apaixonar de tantas formas pela mesma pessoa, amar ainda mais do que já a amava.
E em meio aos seus pensamentos, piscou algumas vezes, como saísse de um momento que havia sido congelado e um pouco nervoso, ergueu na direção da garota o buquê de margaridas que há alguns segundos segurava por detrás de suas costas, observando então seu doce sorriso ser inundado por algumas lágrimas que a alguns segundos ele já observava se formarem no canto interno dos olhos da garota. Logo, com as flores em mãos, as trouxe para perto do peito, respirando fundo o aroma doce que as mesmas carregavam, e sem mais rodeios, se aproximou do namorado, o abraçando forte.
— Eu te amo tanto! — abafado pelo abraço e pelas lágrimas disse perto do peito dele — Muito obrigada!
— Feliz dois anos de namoro, jagiya! — disse depositando um beijo no alto da cabeça de — Eu te amo muito, você merece isso e muito mais. — Não havia nada no mundo mais gratificante para do que deixar sua menina feliz, era esse sem dúvidas seu objetivo de vida e não queria nunca perder sequer uma oportunidade de fazê-la ter certeza de ser muito amada por ele. E bem, estava sendo bem sucedido em seus planos.


Seul, Coréia do Sul, 2018.
sentou-se na poltrona do aeroporto, nervoso com o atraso de seu voo. Era mais uma das inúmeras viagens de negócios que estava sempre fazendo, trabalhar com comércio exterior tinha lá seus defeitos e um deles era passar tanto tempo viajando e longe de casa.
O homem encarou o telefone e tentou ligar para a namorada mais uma vez desde que chegara ao aeroporto, mas por algum motivo seu celular não finalizava a ligação, fazendo-o resmungar nervoso pela milésima vez aquele dia.
Sabia como ficaria brava com ele, se ele desse mais aquela mancada, mesmo sendo a pessoa mais doce que poderia existir, a brasileira também tinha seus pontos fracos, e datas comemorativas era sem dúvidas um deles, e imagine só, era sua família na Coréia, então ele se sentia cada vez mais culpado em deixá-la esperando-o.
E o último muxoxo raivoso saiu quase como um urro quando a bateria do celular apitou, o fazendo desligar, deixando apenas uma tela preta para encarar sem esperanças de conseguir comunicar-se. Abaixou a cabeça, posicionando entre seus joelhos pensando se mais algo poderia dar errado naquele dia, e pelo incrível que pareça, em poucos segundos seus pensamentos foram respondidos com a notícia de que seu voo atrasaria por mais 1 hora.


Quando o piloto anunciou que, finalmente, estavam pousando em Seul, quase pulou da poltrona em que cochilava. Já se passara e muito da meia noite, havia passado sua véspera de Natal cercado de estranhos e sequer queria imaginar o quão brava estaria com ele.
Desembarcou apressado, agradecendo a si mesmo por ter levado sua mala no bagageiro superior do avião e por ter pegado um dos primeiros assentos da aeronave. Finalmente a sorte parecia estar a seu favor, algumas - muitas - horas atrasada, mas estava. Correu pelo saguão do aeroporto, já sabia decorado o ca que deveria ser percorrido para chegar na parte de fora do mesmo, e em logo se encontrara à espera de um táxi que pudesse o levar para o apartamento da namorada.
Em questão de minutos o carro estacionou em frente o prédio, e após pagar a corrida sem nem ao menos esperar pelo troco, entrou no prédio correndo, sem sequer olhar pra trás. Pressionou o botão do elevador, porém ao observar que o mesmo se encontrava no 13º andar, e que o de era o 5º, decidiu que tomaria as escadas, sem nem se deixar pensar duas vezes.
Ofegante chegou à porta do apartamento, e antes de digitar o código respirou fundo apoiando as palmas das mãos em seus joelhos, por fim voltando a posição ereta, com o coração acelerado, sem saber o que encontraria, ou melhor, como reagiria quando o visse ali.
Sentia as mãos suadas e o nervosismo tomar conta de si, mas quando entrou no quarto, se deparou apenas com o escuro, e observou a namorada dormir.
O rosto inchado e o travesseiro marcado denunciavam o tempo que passara chorando e o coração de se apertou, amaldiçoando a si mesmo por ser o culpado daquilo. O rapaz deu um beijo leve na testa da namorada, pegou seu celular descarregado no bolso e o conectando no carregador acima de mesa de cabeceira, e, por fim, tirou a roupa que usava, deitando-se ao lado dela apenas de cueca, esperando que quando amanhecesse tudo ficasse bem.
Abraçou a namorada e ela se encaixou no seu abraço com uma perfeição que só podia ter sido criada para estar ali, suspirou.
— Me desculpa, Jagi. — Sussurrou, mais para si mesmo do que para ela, que não ouviria seu pedido. E em meio a seus pensamentos, caiu no sono com em seus braços.

acordou com a luz entrando através das janelas e com um espaço na cama que não lhe era comum, sentiu falta do corpo de contra seu abraço e resmungou, enquanto a procurava pela cama ainda de olhos fechados, quando não a encontrou abriu os olhos, resmungando para si mesmo e vendo que a moça não se encontrava em canto algum do quarto.
Esticou o braço procurando pelo seu celular, que havia plugado no carregador na noite anterior, observando o horário marcado no visor “9h00”, era relativamente cedo para que a namorada já estivesse de pé, sabia bem como ela amava aproveitar os feriados para dormir o máximo permitido por seu corpo e mais um pouco. Esfregou os olhos, ligando o aparelho, sentindo-o vibrar com a chegada de algumas mensagens, que, obviamente não haviam sido notificadas na noite anterior. Haviam mensagens de alguns de seus amigos que aparentemente também esperaram que ele chegasse para a comemoração, porém não terminou de ler, voltando o aparelho para a superfície do criado, e então se levantou apressado.
Saiu do quarto, encontrando a namorada sentada no sofá, o rosto cansado, e olhos avermelhados o fizeram se amaldiçoar ainda mais.
— Jagi — Murmurou se aproximando dela, abaixou-se no chão a sua frente, segurando as mãos dela entre as suas e sentindo o corpo tremer com a discussão que viria.
— Eu não consigo entender, de verdade, . — Ela murmurou de volta. — Não adianta tentar explicar, mesmo me esforçando, eu não consigo entender. — balançou a cabeça em negação, fazendo a dor do namorado se prolongar, mas ele tinha que tentar, mesmo ela dizendo que não queria ouvir explicações.
— O voo… — interrompeu a explicação antes que ele sequer começara.
— Você sempre tem uma desculpa diferente, . O vôo atrasou, o celular acabou a bateria, o trânsito que estava demais… — a olhou assustado e sem saber o que falaria depois disso, pois, a garota estava certa sobre tudo que dissera, mas não eram desculpas, eram imprevistos que sempre aconteciam, e parecia se multiplicar quando ele queria estar perto dela. — As vezes eu me pego pensando nesses tantos contratempos que você tem, nas várias promessas que vocês faz de que irá chegar a tempo do compromisso X ou Y e o pior... — a garota respirou fundo, e sentiu sua que a voz da mesma tomou um tom embargado — o pior é eu sempre te esperar, e falar pra mim mesma e para todos “ele me prometeu”, “ele virá”, “o celular deve ter acabado a bateria”, “ele já deve estar chegando”... — a moça listou, abaixando a cabeça e soluçou em meio a lágrimas que caíam, sem medo.
— Jagi, eu sinto muito, eu…. — respirou fundo, tentando buscar palavras que pudessem encaixar naquela situação. Ele não iria discutir, não fazia sentido querer se explicar, cada palavra que saía dela era correta. — Eu realmente não tenho o que lhe dizer — Suspirou, passando a mão pelos fios de cabelo — Só peço que me perdoe, não foi uma escolha minha perder a oportunidade de passar o Natal com você… — posicionou seu polegar no queixo da garota erguendo-o devagar para que ela olhasse em seus olhos novamente e visse toda a sinceridade contida ali.
— Mas é sempre um escolha sua aceitar ser “aquele que nunca se opõe a uma viagem de negócios” — disse em tom de sarcasmo sinalizando as aspas com os dedos — , eles sempre te colocam, você nunca recusa, nunca. Você não é o único profissional que a empresa tem para realizar as negociações. — E novamente lá estava , coberta de razão durante a conversa, e se sentia agoniado, e sem saber como reagir. — Eu não falo tudo isso só por mim. Olhe só, o meu Natal? Foi ótimo, eu estava rodeada de pessoas que eu gosto, dos meus amigos, tive um bom jantar, recebi e dei presentes... E o seu? Valeu a pena ter aceitado essa viagem? — disse mudando agora totalmente o tom de sua voz, passando de briga para realmente o questionar e fazer com que o namorado pensasse. — Quantas comemorações, datas e momentos você vai ter que perder pra perceber isso? — o rapaz olhava bem nos olhos dela, sentindo seu coração desacelerar aos poucos, e o corpo tornando-se gelado, aquela mesma sensação de quando não sabemos como reagir e o que nos resta é apenas abaixar a cabeça e concordar, foi o que ele fez.
— Você está certa, me desculpe, eu te amo tanto — Sem levantar o rosto ele se pronunciou baixo, sendo tomado de vez, sem avisos por um imenso nó em sua garganta, que logo se transbordou nos olhos, que desde o dia anterior já quiseram se manifestar.
— Sinceramente? Você deve às vezes olhar no espelho e pedir desculpas pra si mesmo, você está se privando de momentos que não voltam mais. — a mulher disse se aproximando do namorado, e limpando suas lágrimas delicadamente com os polegares, foi sua vez de erguer a cabeça de para que o mesmo voltasse a encarar para que ele pudesse ver a seriedade com que ela lhe diria aquilo. — Eu te amo muito, mas por favor, só se lembre de uma coisa. Você também precisa se amar, dar valor aos momentos que está perdendo e viver de verdade, nem tudo gira ao redor do trabalho e não é assim que você vai ser feliz. Você fez falta aqui ontem, mas quem muito se ausenta um dia pode deixar de fazer falta. — a encarou, sem palavras, sentindo as palavras lhe atingirem, assim como cada uma das que se seguiram:
— Talvez as pessoas desistam de te esperar em eventos especiais, desistam até de te convidar, afinal, “ele nunca vem mesmo”, e elas esqueçam do quão animado você é, e de como ninguém sabe se divertir como você. As pessoas já estão esquecendo disso, , até eu e eu não quero me esquecer de você. — Ela suspirou, tomando forças para continuar os pensamentos que nutria desde a noite anterior.
— Jagi… — Ela o interrompeu novamente, deixando claro que não tinha terminado.
— Eu não quero me esquecer de você, . Não quero me esquecer de dizer o quanto te amo, o quanto você é importante pra mim e o quanto você me faz feliz. Não quero esquecer de te mostrar a falta que eu sinto de você quando você viaja e da raiva que me dá de não te ter cem por cento comigo e até mesmo o incômodo que sinto a ponto de doer meu corpo todo, só por sentir sua ausência e falta do seus carinhos. — As lágrimas rolavam nos olhos dos dois e respirou fundo antes de continuar. — Eu não quero me esquecer que nada me faz bem quanto ouvir sua voz, e nada me faz rir quanto você tirando sarro do meu sotaque, de saber que nada nem ninguém me faz tão feliz e me deixa tão boba quanto você e de te contar que tudo que eu mais queria era estar pertinho de você toda hora. — Ela sorriu em meio as lágrimas que caiam e finalizou. — Eu não quero me esquecer, , não quero, mas talvez eu esqueça. Porque parece que você já esqueceu de tudo isso. — a olhou assustado, buscando palavras para negar que havia esquecido, que ela era a mulher da sua vida e que o fazia feliz todos os dias, mesmo quando estava longe dele. — Não deixa isso acontecer, por favor, não deixa que a gente se esqueça de você e não se esquece de como você costumava ser feliz de verdade. — limpou as lágrimas que caiam no rosto dele, que já havia desistido de falar algo ou contê-las, beijou a testa dele e se levantou, limpando as próprias lágrimas e saindo da sala.
Deixando com um rosto molhado, um coração pesado no peito e mil pensamentos girando na cabeça.


Seul, Coreia do Sul, 2019.
suspirou inconformada, olhando para o relógio pela milésima vez obersando as horas que o namorado estava atrasado, mais uma vez. Ela estava cansada de tudo aquilo, tentara por diversas formas compreender e conversar com ele, mas, mesmo que num primeiro momento parecesse que tudo seria diferente, nunca mudava. Não sabia dizer não para nada que envolvesse o trabalho e trocava sua vida e toda sua felicidade por dias e dias de escritório e viagens de negociações.
E novamente ela tinha ficado para último plano.
dobrou o papel que escrevia e o colocou na mesa, pegando sua bolsa e saindo do apartamento, em seguida. Estava cansada de esperar por .

entrou em casa, a reunião com o cliente se estendera bem mais do que imaginava que se estenderia, desde o momento que saira da empresa tentava ligar para e o número de ligações ignoradas por ela apenas subia, o deixando mais aflito a cada tentativa.
Jogou-se no sofá, respirando fundo e tentando relaxar, enquanto tentava mais uma vez falar com ela e era mais uma vez ignorado, suspirou ruidosamente, e viu de relance algo em cima da mesa de centro ao lado do sofá. sentou-se, pegando o papel nas mãos e logo reconhecendo a caligrafia, cada palavra escrita lhe arrancando um pedaço e lágrimas de dor.

,
É difícil - e ridículo, ter que te falar isso através de um bilhete, mas é ainda mais difícil conseguir te falar pessoalmente, e parece que é única forma de ter essa conversa com você.
É muito triste te dizer que eu cansei. Mas eu cansei. Eu sempre te desculpei, relevei e acreditei que um dia tudo ia melhorar, que você ia começar a perceber que existe muito mais na vida e mesmo que na hora você sempre escute, sempre pareça que tudo vai mudar, tudo continua a mesma coisa.
Eu te amo, , e você é e sempre vai ser o amor da minha vida. Mas eu não quero só casar e ter filhos, eu quero muito mais que isso, quero viver uma daquelas histórias de amor que nem os filmes foram capazes de mostrar. Quero brigar com você na hora do almoço e que a gente se reconcilie com muitos beijos, quero dias de chuva pra você rir de mim enquanto eu tento proteger o meu cabelo, quero suas piadas sem graça nenhuma, sua competitividade extrema sempre presente até quando você não se dá conta. Quero aqueles livros com palavras difíceis pra eu te fazer me explicar tudo, quero jogos que você não conheça para poder te derrotar, e sua blusa do trabalho pra eu dormir com ela, você pra rir dos meus surtos com insetos e tocando violão pra eu dormir.
E mesmo quando a gente brigar quero te mandar dormir no sofá, e no meio da noite ir dormir lá com você, só porque independente de onde estivermos minha casa sempre vai ser você. Eu quero olhar pro lado quando acordar e perceber que ficar com você foi a melhor decisão da minha vida. Quero muito, mas quero que você se sinta assim também.
E eu preciso de você pra que tudo isso aconteça. Mas você não está aqui, . Você nunca está e eu nunca vou ser o suficiente pra te fazer feliz, porque nem mesmo você sabe o que te faz feliz.
Sua vida, sua primeira escolha e sua esposa preferida sempre serão o trabalho, e quem pode competir com isso?
Eu não posso mais.
.”

Ele não sabia como podia reagir, como lidar com aquilo, jamais acreditou que aquele dia chegaria, que sua garota o deixaria. Mas ele chegara. Com o celular em mãos, discou mais algumas vezes o número já decorado por ele, e novamente, sem resposta abaixou a cabeça sentindo sua face umedecer com o choro que chegou e permaneceu ali olhando para a tela do aparelho, talvez agradecendo por não ter o atendido, pois ele nem saberia o que dizer. Ela dissera tudo e ele sequer tinha como negar mais alguma coisa.

1 mês depois…

Cansado, como já era de costume, adentrou seu apartamento se deitando no sofá, que mais lhe servia de cama do que a propriamente dita, já havia perdido a conta de quantas vezes amanhacera de terno naquele cômodo, após um dia árduo no escritório. Nos últimos tempos reduzira seu ritmo de trabalho, de maneira progressiva estava seguindo os conselhos que todos sempre o alertaram, mas mesmo assim ainda era presenteado pela exaustão no final do dia.
Respirou fundo e se dirigiu à cozinha, a fim de preparar algo para se alimentar, que não Lámen pela terceira noite seguida, porém, ao abrir sua geladeira se deu conta do porque sua alimentação havia se restringido a macarrão instantâneo e pizzas… “”. A garota sempre o ajudava com as compras de casa, ela cuidava dele e não deixava que o ex-namorado, se alimentasse mal e que pudesse prejudicar sua saúde, e como ela amava cozinhar, sempre deixava algo pronto para ele se manter bem, era um anjo. Suspirou triste, pois fazia quase um mês que não se falavam, ou que tivesse notícias da garota.
Logo após o dia que deixou o bilhete no apartamento, ouviu dos amigos que ela havia decidido passar um mês no Brasil. Eles tinham um grupo ele, , Ju, , e , porém saira do grupo quando decidiu viajar, faziam três anos que não visitava seu país de origem, e com isso se manteria fora de redes sociais ou qualquer outro artifício que a tirasse do único e exclusivo propósito de aproveitar com sua família aquele tempinho curto em meio ao longo período que estivera distante. E fim, era o que tivera de notícias do amor de sua vida durante um interminável mês que mais parecia um ano.
Riu de seus pensamentos encostando a testa no metal frio do refrigerador, pois tudo aquilo ocorrera por atitudes dele, ou a falta delas? Balançou a cabeça desistindo de se martirizar, pegando o telefone para fazer um pedido de comida, tentaria inovar, talvez mudasse o sabor da pizza naquele dia.
Se jogando no sofá novamente, após comer o último pedaço da pizza de pepperoni e largar a caixa de qualquer jeito em cima da mesa de centro, pegou o celular para checar suas redes sociais, e se assustou com as mensagens presentes no grupo com os amigos.

“44 mensagens novas - Shine Stars

: A me disse que a volta semana que vem pro Chuseok
:
Falo mesmo.
: ¬¬’
: , sabe que eu nunca mais te conto nada, né? Vai dormir no sofá hoje.
: Como se você conseguisse dormir sem mim, no meio da noite vem deitar aqui também.
: Veremos.
: Ela vem mesmo! Você vai, né, ?
: , para de dar corda para as idéias do .
: Ela vem mesmo! Você vai, né, ? ²
: Não vou dizer nada sobre isso, já sabem minha opinião.
: Pela primeira vez o tem razão, rsrsrs.
: ¬¬’
: ?
: ?
: deve ter uma reunião ou uma viagem, de última hora, como sempre. Não é agora que vai se fazer presente.
: rsrsrs
: rsrsrs
: , a vai amar ver todo mundo junto, vai ser bom pra ela, e o tá mudado, ele tem diminuído o ritmo dele.
: Sei.
: Sei.
: Me sinto estranha em estar concordando com o .
: , acho que somos Team
: , você é Team Sofá.
: , você é Team Sofá.
: VOCÊ TÁ ME IMITANDO, MOLEQUE? QUER MORRER?
: Até agora isso?
: Gente, se o for… Bom, todo mundo se reúne como…
: Como nos velhos tempos!!!
: Bem velhos.
: ? CADÊ VOCÊ? TÁ DIFÍCIL TE DEFENDER.
: Acho improvável.
: , você está com cara de quem quer um sofá também, não é mesmo?
: Sofá de casa é duro, não vou dormir lá. Nem adianta ameaçar.
: Então vê se ajuda em alguma coisa.
: Estou ajudando. O a não fazer merda de novo.
: Sofá. Estou levando seu travesseiro pra lá.
: Levo de volta pra cama, sem problemas.
: Se atreva.
: Ok.
: Mas gente?
: Ainda bem que eu sou casada com a pessoa certa.
: Só observando meus soldados voltando pra solteirice.
: Oi, gente.
: !
: !
: Desculpa, eu tava comendo, cheguei cansado e acabei perdendo a noção das horas.
: Novidade...
: ¬¬’ , menos.
: Quando você começar a agir como quem merece menos, serei menos.
: Outch
: Nossa.
: Cê sabe que eu sou seu melhor amigo também né? Você não devia tomar partidos.
: Tomo o partido de quem não tá fazendo merda. E, meu melhor amigo, nesse momento você tá coberto de merda.
: , não é que você está certa?
: Mas, me expliquem.
: Você leu a conversa?
: Li, mas, eu estou convidado?
: , você SEMPRE esteve convidado.
: Tecnicamente, vai ser na minha casa.
: Nossa casa*
: Ok, , você tá convidado pra metade da festa.
: Eu amo um casal.
: Eu admiro a por aguentar isso 24/7
: Eu merecia um Oscar.
: Ok, eu vou.
: :O
: :O
: :O
: :O
: Só acredito vendo.
: Então prepara seus óculos, BFF, porque você tem miopia.
: Vai se foder,
: Okay, essa foi a melhor da noite.
: Cala boca, .
: ¬¬’
: e se odiando, tudo de volta aos trilhos, já posso dormir tranquila.
: Paraíso voltou ao normal. Já tava achando meio, sei lá, Jubileu estava estranho.
: , Ju, preciso de ajuda. Alguém mais?
: Não sou a favor, acho que uma conversa decente seria melhor, mas ok. Te apoio no que você precisar.
: , quase uma fada sensata. Não conte comigo. Mas torço pra felicidade dos dois, DOS DOIS. Juntos ou SEPARADOS. Nas atuais circunstâncias não vejo minha amiga feliz e nem você,
: Tô com a , de novo. Meu Deus, tô me sentindo estranho.
: FALA , sou toda ouvidos, mas olha, se você fizer merda eu não ajudo mais.
: Vou montar um grupo nós três.
: Vai nada, , queremos todos saber, ué.
: , a ração dos cachorros, você esqueceu de comprar?
: Era pra você ter comprado.
: Eu? Ok. Vou lá.
: O casal mais aleatório falando aleatoriedade no meio do assunto como se não existisse privado. Nada fora do comum.
: ¬¬’ Eu mandei pra ela no privado, mas ela não olha.
: Mentira, não tem nada aqui.
: , me ajuda né?
: Ué, mas abri a janela e não tem.
: . kkkkkkkkk Ele tentou melhorar o lado de vocês dois.
: Desisto, vou comprar a comida dos cachorros.
: Também não entendi. Mas, prossiga,
: Como eu senti falta disso tudo :(
: Eu amo vocês.
: Eu tenho uma idéia, vou ligar pra vocês dois, e explicar.
: Ok
: Ok. Só um minuto, que vou levar o travesseiro do pro sofá e me trancar no quarto.
: Minha cria, gente, que orgulho. Por isso que eu te amo kkkkk
: Eu te apoiei, sua cobra. Devolve meu chapéu.
: Cobra sim, falsa nunca. ♥ O chapéu? Vendi aquela coisa horrível.
: Não fala assim do meu neném dos chapéus, são lindos.
: Vou nem me pronunciar.
: , abre a porta do quarto.
: Não.
: Boa noite, gente, obrigada pelo apoio. ♥

fechou o grupo de conversas, sentindo-se mais leve por saber que logo poderia ver sua garota e iniciou uma chamada com e , para explicar a ideia que tivera. Ele tinha que reconquistar ela, perder a mulher da sua vida não era sequer uma opção, e ele tinha exatamente três dias até sábado, precisava preparar tudo.
Na manhã seguinte se levantou animado, se olhou no espelho sorrindo e prometendo para si mesmo, que aquele era o dia inicial da sua mudança drástica, ele mudara nos últimos tempos? Sim. Porém precisava subir um degrau maior se quisesse chegar ao ponto de ser feliz e conseguir trazer a felicidade todos os dias para o rosto de sua menina, sim, era sua até que provassem o contrário, e ninguém o havia feito até então. Estava realmente positivo em relação aos seus planos.
Após tomar um banho rápido, decidiu abrir o laptop para começar a organizar suas idéias e colocá-las em prática, assim como combinara com os amigos no dia anterior, e após alguns minutos de pesquisa encontrara tudo perfeitamente como desejava.
Se espreguiçou no sofá logo após fechar a tela do computador, feliz em perceber que até então tudo estava a seu favor, porém, seus pensamentos foram cortados com o soar de seu telefone celular, que, inacreditavelmente ele não tinha perto de si a espera de qualquer urgência da empresa, o mesmo soava longe. Levantou-se apressado até o quarto, encontrando o aparelho no chão, sinalizando o nome do chefe no visor. Respirou fundo e atendeu.

— Bom dia, sunbae — equilibrou o celular na orelha, caminhando para fora do cômodo em direção à cozinha, onde havia deixado um café expresso sendo preparado pela cafeteira.
— Bom dia ! Como está meu funcionário predileto? — o mesmo se pronunciava exaltado do outro lado da linha, e sabia bem quais os prováveis interesses do mesmo.
— Vou bem. Deixei um recado com a Sooyoung, você recebeu?
— Sim! Ela disse que você queria falar comigo, não é? Pois eu também precisava falar contigo, meu amigo. — fez uma pausa, e aproveitou para tomar um gole de seu café quente recém preparado. — Então, sexta feira temos uma negociação no Canadá, e te indiquei, tudo bem? O voo está marcado para às 02h00, e a volta será… — não podia acreditar no que ouvia, porém não sabia o que sentia de diferente, mas que algo dentro dele havia realmente mudado, isso sim.
— Hwan, tenho um compromisso… — tentava se explicar porém o chefe parecia não o ouvir bem
— A sim, temos uma opção de voo para 12h00 também, você pode almoçar no avião, ouvi que mudaram os cardápios, mês passado estavam horríveis, não é mesmo?
— Sunbae, você não entendeu. — fez uma pausa enquanto posicionava sua caneca de café, agora vazia, em cima da bancada da cozinha. — Eu não irei na viagem, tenho um compromisso no sábado, e dessa vez não posso faltar.
— Compreendo… — o chefe fez uma pausa — Que horas o seu compromisso no sábado?
— Hwan, dessa vez eu não irei mesmo. — sentia vontade até de rir em meio ao nervosismo que aquela ligação estava causando, pois a surpresa na voz do chefe chegava a ser cômica.
— Hmmm — sentiu a respiração pesada do mesmo do outro lado da linha, talvez pudesse ser demitido? Não acreditava nessa possibilidade, mas ao mesmo tempo, naquele momento não se importaria tanto quanto antigamente, poderia sim perder o emprego, mas não — Tudo bem, não tem problema , você sempre está disponível, fica para próxima, não é mesmo? Semana que vem temos outra negociação nos EUA… — já impaciente, e olhando no visor o tempo que aquela chamada interminável já durava, o interrompeu novamente.
— Sunbae, é exatamente sobre isso que preciso conversar com você, estou terminando de tomar o meu café, às 9h00 estarei na empresa e o procurarei em sua sala, tudo bem?
Tudo bem, se assim você prefere meu caro, te aguardo! Até mais tarde!
Até!

Aliviado balançou a cabeça, aquela conversa todo o deixara estranhamente tonto. Agora que mudara seus pensamentos, parecia que havia tirado meia tonelada de suas costas, como aguentara carregar todo esse peso sozinho durante tanto tempo? Nem mesmo ele sabia responder, estava feliz por ter seus olhos abertos para a realidade, e a responsável por tudo isso merecia saber do “novo ”, ou na verdade… merecia saber que o “velho ” pelo qual ela se apaixonara estava cada vez mais perto do retorno.

chegou a casa de e e se dirigiu a porta dos fundos, já podia ouvir a música alta tocando e as risadas no ambiente, a namorada - cujo se recusava a chamar de ex - provavelmente já estava por lá. Pegou o celular e mandou uma mensagem no grupo dos amigos, logo sendo respondido por :
“Estou indo” encarou a mensagem e sorriu, de todos eles e Ju tinham sido os únicos que amaram sua ideia completamente, o apoiaram e até ajudaram a planejar tudo, pensaram nos detalhes e deram diversas ideias; Enquanto isso, e o desaprovaram e repreenderam, dizendo que ele deveria resolver aquilo conversando com a moça da melhor forma possível e não a abordando em meio a muita gente, mas se ele tivesse certeza, eles o apoiariam naquilo; O maior problema tinha sido Larys que virara uma onça, a moça não sabia exatamente como reagir naquela situação, amava como uma irmã e sentia-se responsável pelas vezes que , seu melhor amigo, a fizera sofrer, então tomara o partido de e toda vez que citava o nome da ex ela praticamente rosnava pra ele.
O homem despertou de seus devaneios quando abriu a porta para ele, com um sorriso gigante no rosto, o abraçando.
— Deu mancada, hein, hyung? — ele sorriu de lado com a piadinha do amigo e deu de ombros. — Vai dar tudo certo, vamos, a Ju tá distraindo a pra gente conseguir subir. Se tudo der certo ela consegue distrair a também. — bufou.
— Vai dormir no sofá hoje? — brincou de volta, se referindo ao gênio forte da melhor amiga.
— Você tem que fazer isso dar certo, hyung. — o mais novo o olhou piedosamente — Se não vai ficar eu e você sem mulher. — bufou e rolou os olhos, seguindo escada acima. — Ela tá no quarto de hóspedes no final do corredor, ela e a Ju dormiram aqui ontem pra preparar tudo, vai indo lá que vou pegar as coisas que comprei. — assentiu e se direcionou ao quarto da namorada.
Ele não sabia explicar se era o tempo em que não a via, a saudades que sentia ou se realmente era o destino sendo maldito, mas assim que abriu a porta, foi rodeado pelo perfume dela, ele sequer conseguia respirar naquele ambiente sem que seu peito doesse, se perguntando como pudera deixar aquela mulher escapar.
Logo, estava de volta ao quarto com o buquê mais lindo que já tinha visto nas mãos, as margaridas brancas se misturando aos girassóis, as flores preferidas de em um único lugar, num momento especial pra eles. pegou o buquê sorrindo e se assustou quando fechou a porta do quarto, anunciando que tinha alguém subindo a escada. Ouviu as vozes baixas no corredor e praticamente pulou quando a porta abriu e Ju entrou, com um sorriso enorme no rosto.
— O foi distrair ela. — Anunciou sorrindo. — Tudo pronto? — assentiu, ainda ouvindo as vozes do lado de fora e a olhou interrogativamente, estava nervoso, parecia que tinha perdido a voz, mal conseguia falar e esperava com todas as forças que ela não falhasse na hora certa. — A e o , ela ta bem brava. — Ela se calou quando a porta abriu de novo e a mesma entrou.
— Não pense que estou aqui por que to apoiando essa palhaçada não, — O rapaz quase riu com o mau humor.
. — Sorriu e ela fechou ainda mais a cara ao ver o sorriso dele.
— Você tem certeza do que vai fazer, né? , eu juro por Deus que se você… — o rapaz a interrompeu, olhando-a profundamente antes de perguntar:
— Você guardou? — a amiga se calou, sugando o ar e olhou interrogativamente pros dois, querendo saber do que ele estava falando.
, já faz um ano. — A moça colocou a mão sobre a boca, e ele percebeu o exato momento em que toda a postura mau-humorada dela caiu.
— Eu pedi pra você guardar até eu ter certeza. — Ele sorriu. — Eu tenho certeza, nunca tive tanta certeza de nada na minha vida, . — a melhor amiga assentiu, percebendo a intensidade da sinceridade de e, com os olhos que passaram de raivosos para olhos cheios de lágrimas, ela virou-se e saiu em direção ao seu próprio quarto. o olhou, ainda o interrogando sobre o que tava acontecendo.
— Você pediu pra ela guardar uma bomba e ameaçou explodir se ela não parasse de encher o saco? — Perguntou assustada — Porque essa é a única explicação que me convence como você dobrou a tão rápido, ela tá praticamente querendo matar todo mundo desde que você surgiu com essa idéia.
— É que ela sabe, Ju. Que eu não posso mais viver um segundo sem a sorriu, começando a entender bem a tempo em que ela voltou ao quarto, com o rosto muito mais suave, segurando em uma das mãos e na outra, o tesouro que ele lhe pedira pra guardar.
chamou e ele a olhou — Como você vai fazer? Sabe que não adianta fazer tudo isso e depois voltar ao normal, né?
— Eu não vou voltar ao normal, . É ridículo eu só ter percebido isso agora, mas eu não posso ficar mais um segundo longe da Ela é tudo pra mim, e se ela quiser eu largo tudo, emprego, carreira, qualquer coisa. — As amigas da namorada riram. — Comecei só pedindo férias mesmo, espero que seja o suficiente.
— Espero que seja, ! — o abraçou, animada. — Boa sorte, vai dar tudo certo! — Ele sorriu com gratidão e virou-se para a melhor amiga.
— Cuida bem dela, tá? — Ela pediu, com os olhos se enchendo de lágrimas. — Se você fizer ela sofrer de novo eu te capo e dou pros cachorros da comer. — Ameaçou, porém com a voz tranquila, fazendo gargalhar e tremer ao seu lado.
— Eu amo essa mulher na mesma intensidade que eu tenho medo dela. — Brincou e riu abraçando o casal a sua frente e agradecendo os dois.
Logo, os três amigos desceram as escadas, e só pôde ouvir um sussurro final entre eles, enquanto se afastavam.
— O que a vai dar pros nossos filhos? — perguntava baixo, porém ele pôde ouvir.
— As bolas do , se ele magoar a de novo — dizia em tom baixo, provavelmente estaria por perto e não poderiam estragar nada.
! — se exaltara em meio ao silêncio.
— Cala boca, ! É carne de alta qualidade. — Ouviu o tom de risada na voz da amiga e sentiu-se contente por tudo estar indo conforme o planejado. Sentou-se e rodou caixinha preta nas mãos, agora era só esperar o sinal de .

já estava ansioso e nervoso, quando ouviu pedir pra todos se unirem na sala, pegou o buquê de flores e se dirigiu para a escada.
Olhou para a sala, repleta de pessoas que amava, observou os amigos mais próximos, e abraçados num canto; observava com um carinho imenso nos olhos, sentada o mais perto possível de onde ele estava em pé; conversava com os pais e os pais de , enquanto aguardavam começar; todos os conhecidos, família e amigos que puderam se reunir estavam ali, mas só uma pessoa lhe importava, realmente. estava no meio da sala, entre todos eles, como se ela soubesse que seria a estrela da noite, o leve sorriso nos lábios, conversando com todos que podia, e sendo maravilhosa como sempre fora.
— Hoje é dia de agradecer — começou — eu agradeço a todos vocês por estarem aqui hoje e por serem a família que precisamos e nós apoiamos, quero agradecer a meus amigos, e, se eu fosse começar a agradecer por minha esposa eu ficaria a noite toda aqui, pois sou um homem muito apaixonado — Todos na sala soltaram um "own" em conjunto e ele completou — e juro que ela não me ameaçou pra dizer isso. — Dessa vez todos os presentes riram. — Mas hoje é um feriado especial e eu vou precisar de ajuda. — juntou-se a , abraçando por trás apoiando o queixo no seu ombro e apontando para a escada, dando a deixa para aparecer e para que todos se virassem para olhá-lo também. o olhou boquiaberta, a mão cobrindo os lábios e os olhos se enchendo de lágrimas, apenas por vê-lo ali.
— Oi, gente. — sorriu. — Não sei se vocês se lembram, mas eu sou o — Novamente todo mundo riu. — Acho que nem meus pais lembram mais de mim. Omma? Appa? — Chamou, os procurando.
— Tá lindo, filho! — A mãe brincou, com um sorriso nos lábios
— Quase não reconheci, da última vez que te vi você tinha uns 7 anos. — O Pai respondeu fazendo graça.
— Pois é, minha gente. — deu de ombros. — Se até eles desistiram, vocês nem lembravam de mim, imagine o quão perfeita tem que ser a mulher que eu amo pra aguentar tudo isso? — Ele olhou pra , que respirava fundo, o olhando ainda sem reação. — terminou de descer as escadas e se posicionou em frente a ela, segurando em suas mãos e olhando fundo nos seus olhos, que lacrimejavam a cada nova palavra dele. — Eu passei anos agindo como um idiota, desperdiçando todo tempo que eu poderia ter passado do seu lado e sido a pessoa mais feliz do universo. Ao invés disso, eu deixei de viver e a fiz esquecer como é ser amada do jeito que você merece. — As lágrimas começaram a escorrer no rosto de , assim como no de — Eu quero te fazer feliz como eu nunca quis nada na vida, eu jamais seria capaz de seguir sem você na minha vida, de te esquecer, de fingir que eu ficaria bem e de sorrir do jeito que só você sabe me fazer sorrir. — Ela sorriu em meio às lágrimas. — Volta pra mim? E me perdoa? Me perdoa por te fazer duvidar do meu amor, por falhar com você e por não ser tudo que você esperava que eu fosse, por não ser o mocinho de dorama que você ama e te fazer feliz todos os dias. Me perdoa por não ter estado aqui pra cuidar de você, e por ter tropeçado em todas as pedras no nosso ca limpou as lágrimas que caiam no rosto dela — Não é uma promessa, eu tô afirmando pra você que a partir de agora, de hoje, desse segundo, tudo vai ficar bem, que eu vou ser diferente e que eu vou te fazer feliz. — Quando ela sorriu, ele soube que ela estava dando o seu máximo para acreditar nas palavras dele, pra confiar que ele iria mudar e que tudo ficaria bem daquela vez.
.. — Ela sussurrou, sem fôlego, quando ele lhe entregou o buquê que carregava, e sem que ela pudesse falar mais qualquer coisa, tomou seus lábios para ele. Sentira tanta falta de , de seus lábios, de seu beijo, dos seus sorrisos, dela. Mal escutava todos os ovacionando, quando apoiou a testa na dela e sorriu.
— Tem mais. — Ele falou alto, interrompendo todo mundo e fazendo a namorada o olhar assustada.
— Eu perdi tempo demais da minha vida sem aproveitar a mulher que eu tinha do meu lado. Eu deixei o e até o tonto do se casarem antes de mim, e vocês sabem como eu odeio perder né? — ele acompanhou a todos na risada e se direcionou a novamente. — Faz um tempo que eu tomei essa decisão, mas eu precisava ter certeza, não certeza do que eu queria, porque você sempre foi a única escolha para mim. Mas certeza que eu jamais ia ser o suficiente pra te fazer feliz, que eu também era a melhor opção pra você. Eu nunca tive tanta certeza da minha vida do que eu quero nesse momento, tirou a caixinha do bolso, ao mesmo tempo em que se ajoelhava na frente dela em um joelho só. Viu as lágrimas de numa velocidade que nunca tinha visto, emoldurando o sorriso mais lindo de todos, que fazia seu coração palpitar de todas as formas possíveis. — Casa comigo?

Suspiros em coro puderam ser ouvidos por todos naquele cômodo, exceto por e , que naquele momento tinham apenas um ao outro, fechados numa bolha imaginária na qual o rapaz fora, dessa vez, responsável por criar momentaneamente. Aquele era um momento deles, e em tantos anos, ele sentia que estava fazendo o certo, que estava escrevendo uma página feliz no livro da vida do casal, “finalmente”, chegou por um momento a pensar. Ali, ajoelhado no chão, encarava os lábios da garota, na tentativa de fazer alguma leitura dos mesmos no lugar de qualquer verbalização.

— SIM! — A garota disse num susto, tirando todos ali do transe e da expectativa.
— Sim? — estava boquiaberto, mesmo que acreditasse muito no amor existente entre ambos, sabia também tudo que a garota havia passado nos anos de relacionamento. — SIM! MEU DEUS! — o rapaz levantou rapidamente abraçando a mesma, erguendo-a do chão, sem nenhuma dificuldade e assim selando seus lábios novamente, agora podendo chamá-la oficialmente de sua mais uma vez.
você me deve 300 mil wons — tentou se pronunciar baixo porém sendo ouvido por todos no cômodo, fazendo com que corasse e o cutucasse nas costelas, o ameaçando em alto e bom tom de voltar para o sofá e, dessa vez, sem travesseiros.
riu também, sem tirar seus olhos de que gargalhava nos braços dele, novamente, no lugar de onde jamais deveria ter saído.
Dessa vez pra sempre, e ele era o homem mais feliz do mundo por isso, e com certeza faria dela a mulher mais amada da história.


Baby, I’m home.


Fim ♥



Nota das autoras: SURPRESA! FELIZ ANIVERSÁRIO (super atrasado)! Clarinha, amor das nossas vidas, coisa mais preciosa da nossa existência, obrigada por nos fazer completas e por ser maravilhosa do seu jeitinho especial. Esperamos que goste da fic que fizemos pra você com muito carinho, mesmo que tenhamos ficado com certinho peso na consciencia de reservar o MV antes de tu kkk, mas foi tudo por um bom motivo e porque a gente te amo demais, princesa! Fica aqui um pedacinho do nosso carinho por você e por Minra. Não é segredo nenhum pra ninguém que Minra é o casal do universo, nosso casal, o preferido do mundo todinho e que sempre vamos idolatrar e amar vocês. ♥ Te amamos muito muito muito.





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