MV: In Your Fantasy

Finalizada em: Agosto/2025
Music Video: In Your Fantasy - ATEEZ

Prólogo - Onde Você me Veria Primeiro

A sala estava em silêncio.
Não o silêncio artificial das máquinas em repouso, mas o tipo que só existe quando o mundo ao redor deixa de importar.

olhava para a tela à sua frente, onde os últimos dados da simulação se alinhavam com precisão. Códigos, gráficos, pulsos sensoriais. Tudo no lugar. Tudo como ele queria. Ou quase tudo.
No centro da tela, flutuava o nome dela:

.

, 26 anos.
Perfil psicológico: analítica, resistente a controle, emocionalmente reprimida.
Vulnerabilidade detectada: fantasia de rendição.
Desejo inconsciente: ser escolhida, ser dominada, mas não obrigada.
Gatilhos afetivos: toque cuidadoso, voz baixa, olhar fixo.


Ele fechou os olhos por um instante.
O coração batia mais forte.
Ele se inclinou para mais perto, apoiando os antebraços sobre a mesa metálica. A luz azulada desenhava sombras suaves em seu rosto, que estava calmo… mas não frio.
Era estranho como a lembrança dela nunca perdeu o brilho — mesmo depois de tanto tempo.

Depois de ela passar por ele nos corredores sem perceber. Mesmo depois de fingir não lembrar dele no elevador, mesmo depois de rir de algo que ele disse sem saber que ele tinha notado.

Ela nunca o tratou mal.
Mas também nunca o viu. Não de verdade.
E … Ele queria ser visto. Só uma vez.

Suspirou, fechando os olhos por um instante. A ideia parecia absurda, até para ele. Usar um sistema inteiro — um projeto que deveria ser clínico, científico, tecnológico — para se aproximar de alguém.

Mas e se fosse a única chance?
E se, dentro de uma realidade onde tudo pudesse ser moldado, ela olhasse pra ele de verdade?
Sem distrações. Sem hierarquia. Sem distância.

A versão que ele criou de si mesmo lá dentro não era perfeita. Não era idealizada. Era só… ele. Mas no melhor ângulo.
O homem que ela talvez quisesse conhecer.

No canto da tela, a simulação já estava sendo finalizada.
Ambientes sensoriais adaptados: ✔
Texturas associativas de memória: ✔
Perfis emocionais conectados: ✔
Entidade central ativa: K.MG


Ele apertou o botão de upload da consciência dela para a simulação.
E, ao ver o processo iniciar, murmurou quase como uma prece:

— Entra no meu mundo, . E me encontra na sua fantasia.
E a resposta viria em minutos.

Click.


Capítulo Um - A Escolhida

O corredor da empresa estava silencioso, exceto pelo som ritmado dos seus passos decididos. segurava firme a pasta embaixo do braço, o rosto calmo, mas os olhos atentos demais para não demonstrar a tensão que corria por dentro.
Ela sabia que não seria fácil. Não esperava que fosse.

A seletiva tinha sido rigorosa — provas psicológicas, testes sensoriais, entrevistas onde nada podia ser omitido. Cada etapa pensada para desmontar as máscaras, expor as fraquezas e encontrar aquilo que ninguém ousava revelar.

fora uma das poucas a chegar até ali. O nome dela piscava na tela da recepção: "Selecionada para a próxima fase".
A porta à sua frente se abriu quase imediatamente. A voz que a chamou era firme, mas sem qualquer traço de emoção.

, por favor, entre. — Ela respirou fundo, soltando o ar devagar, e atravessou o limiar sem hesitar.

A sala era ampla, iluminada por uma luz branca que parecia dissolver as sombras — um contraste brutal com a tempestade calma que sentia por dentro.
Na frente da mesa, uma equipe de avaliadores digitava informações em seus tablets, lançando olhares avaliativos que pareciam vasculhar sua alma.

— Parabéns, . — a líder do grupo falou, com um leve sorriso que não alcançava os olhos. — Você foi selecionada para participar do nosso projeto mais avançado: a experiência imersiva AR//Sensory.

Ela engoliu em seco, mantendo a compostura.

— A experiência vai transportar sua consciência para um ambiente criado exclusivamente a partir dos seus desejos e memórias mais profundos. Você terá a oportunidade de explorar e, talvez, superar seus limites emocionais e sensoriais.

Um silêncio tomou a sala, pesado e cheio de significado. sentiu o peso da responsabilidade, da possibilidade e do perigo. Ela sabia que, uma vez dentro, não havia garantias de volta — nem que sair intacta.

Ainda assim, uma parte dela queria aquele mergulho. Queria entender o que poderia encontrar na imensidão do próprio eu.

— Está pronta? — a voz suave, mas incisiva, a fez erguer o olhar.

Ela sorriu, pequeno, firme.

— Estou.

●●●


O quarto designado para ela era frio demais para parecer acolhedor.
Minimalista, quase clínico. Uma cama, uma cadeira, uma bancada com água e documentos, e uma parede de vidro que exibia o céu opaco daquela tarde artificial.

sentou-se na beirada da cama, os dedos entrelaçados no colo. Sua expressão permanecia serena, mas o olhar estava perdido em algum lugar além daquela sala.
Ninguém se inscrevia naquele tipo de experiência sem motivo.
E o dela… era mais complicado do que gostaria de admitir.

Ela era uma mulher feita de controle.

Sempre fora. Desde que podia se lembrar, havia uma parede entre ela e o mundo — não por fraqueza, mas por autopreservação. O toque das pessoas raramente a alcançava.
E quando alcançava, deixava marcas demais.
Talvez por isso tenha sido tão boa na seletiva.

Ela aprendeu cedo a dizer apenas o necessário. A esconder seus impulsos até mesmo de si mesma. A recuar antes de desejar demais.
E no entanto… Ali estava ela.

Aceitando entrar numa experiência projetada para dissolver tudo isso.

— “Explorar meus limites sensoriais”, hein? — murmurou, mais para si mesma do que para qualquer audiência invisível.

Ela se levantou e foi até a bancada, onde repousava o contrato de última etapa.
As palavras eram claras: risco emocional elevado, potencial de imersão absoluta, nenhum contato com o mundo externo até o término.
Mas ela já tinha assinado. Sem hesitar.

Porque uma parte dela — a parte que raramente ousava existir — queria sentir.
Queria ser tocada por algo que não pudesse controlar. Queria, talvez, se render.

Fechou os olhos por um momento e inspirou profundamente. Tentou lembrar de como era se apaixonar, de verdade. Mas só lhe veio à mente um rosto que ela não conseguia identificar.
Uma presença. Um calor vago.

Um par de olhos que a observava de longe…

Ela estremeceu.

Estava pronta? Talvez nunca. Mas o ponto era exatamente esse.
Ao fundo, a voz mecânica ecoou no sistema de som:

— Participante . Início do processo em cinco minutos.

Ela abriu os olhos e sussurrou, com uma ponta de ironia:

— Que comece o mergulho.

●●●


A sala branca desapareceu num instante.
Não houve contagem regressiva. Nenhum aviso dramático. Apenas um leve som — como o de uma respiração profunda sendo puxada — e então, tudo se desfez.

Quando abriu os olhos novamente, não havia teto, nem cama, nem paredes.
Havia… céu.
Um céu azul limpo, com nuvens brancas se movendo devagar, como se estivessem flutuando apenas para ela.

O chão sob seus pés era coberto por grama alta e dourada, ondulando sob o vento suave como um campo que respirava. Ela estava descalça.
E estranhamente… não sentia medo.

O ar era morno, levemente doce. Um perfume sutil de madeira e flores amassadas flutuava no ar, como uma lembrança esquecida que voltava sem ser chamada.
Nada ali parecia artificial. Pelo contrário — era bonito demais para o mundo real.

Ela girou lentamente sobre os calcanhares, observando a paisagem. Ao longe, colinas suaves. Uma árvore solitária no topo de uma delas. Um lago calmo refletindo o céu.
Pássaros voavam, mas em silêncio. Tudo estava quase perfeito demais.
apertou os lábios, instintivamente.

— Isso é só uma projeção. — disse para si mesma. — Dados visuais baseados no meu perfil emocional. É normal.

Mas havia algo que não batia.
A grama se movia antes do vento chegar. O som dos pássaros surgia depois de ela olhar pra eles. Como se tudo estivesse reagindo a ela.
Ou… a alguém mais.
Foi quando sentiu.

Um olhar.

Não havia ninguém ao redor, mas a sensação era inegável — aquela presença sutil, quente, invisível. Como quando você entra em uma sala e sabe que foi observado, mesmo sem ver olhos.
O coração dela acelerou. olhou para a árvore ao longe. E por um segundo, achou ter visto uma silhueta ali.
Alta. De pé. Imóvel. Mas quando piscou… nada. Um arrepio subiu por sua nuca.

Ela não estava sozinha ali.
E quem quer que estivesse com ela… já a conhecia.


Capítulo Dois - O Som do Corpo

O som da cachoeira chegou como um sussurro distante, um convite embalado em ritmo. seguiu o caminho instintivamente, como se algo dentro dela já soubesse que havia algo esperando ao final.

Quando a trilha se abriu, ela parou. O lago era largo, escondido entre pedras lisas e árvores densas.
No centro da água escura e calma, um corpo masculino nadava em silêncio — movimentos amplos, fluidos, como se fizesse parte daquele lugar desde sempre.

não conseguia desviar os olhos.
Ele mergulhou.
Os ombros largos desapareceram por completo sob a superfície, deixando um rastro de luz quebrada. Quando emergiu novamente, os cabelos escuros escorriam água pelo rosto.

O sol filtrado pelas folhas tocava o abdômen dele, marcando os contornos definidos dos músculos com sombra e brilho.
Ela nunca o tinha visto antes. Mas algo ali…
A forma como ele se movia. A tranquilidade. A força contida. Tudo nela dizia que ele não era um estranho.

ficou escondida entre os galhos, o peito subindo e descendo devagar, como se qualquer movimento mais brusco denunciasse o que ela sentia: ela estava hipnotizada.

Ele nadava com os olhos fechados, os braços se abrindo com domínio absoluto da água. Era como assistir um segredo sendo revelado, lentamente, e saber que não deveria olhar — mas ser incapaz de parar.

Em certo momento, ele parou. Ficou ali, parado, com a água na altura do peito, o rosto voltado para a margem. E sentiu.
Ele sabia.
Sabia que ela estava ali.

O corpo dela reagiu antes da mente. Um arrepio percorreu sua espinha, e os dedos se fecharam discretamente contra a lateral do tronco de uma árvore.
Mas ele não disse nada. Não se virou, apenas permaneceu, respirando devagar, como se a estivesse esperando sair das sombras.

Ela deu meio passo para trás, o coração batendo alto. Não era medo, era intensidade demais pra um primeiro encontro.
Desejo demais pra uma primeira troca de olhares — mesmo que ele ainda não tivesse aberto os olhos.
não falou. Não se moveu, mas naquela margem, algo dentro dela tinha acabado de acordar.

●●●


deveria ter se afastado.
Virado as costas. Feito o que qualquer pessoa sensata faria ao perceber que estava observando um homem nu — ou quase — nadando sozinho em um lago escondido no meio de uma simulação neural de alta sensibilidade.

Mas ela ficou.

Talvez por orgulho. Talvez por curiosidade. Talvez… porque o corpo dela não estava disposto a ir embora.

A água se moveu diferente. Pequenas ondas, quase silenciosas, começaram a alcançar a margem. Ele estava vindo.
Ela ficou rígida, ainda escondida atrás das árvores. O som da água escorrendo do corpo dele ecoava como batidas lentas em sua cabeça.

Cada passo que ele dava fora do lago parecia medido, controlado — o tipo de controle de quem sabe exatamente o efeito que causa.
E ele causava.
Quando o viu se aproximar da beirada da água, ela conteve o ar.
estava com a parte de baixo do corpo coberta apenas por uma calça escura e molhada, grudada na pele, denunciando cada curva, cada músculo.
A luz refletia em seu abdômen ainda úmido, as gotas escorrendo lentamente pela pele quente.

E então ele parou. A poucos metros de onde ela estava. Ele não olhou diretamente para ela, mas falou:

— Você devia ter vindo mais perto. — A voz era grave, baixa, com um peso que parecia carregar algo mais profundo do que a frase.

congelou. Ele sabia. Sabia que ela estava ali — e não se importava. Ou melhor: gostava.

— Está com medo? — ele perguntou, desta vez olhando na direção dela.

Os olhos escuros encontraram os dela por entre os galhos, como se os atravessassem. Ela abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu de imediato.

— Não. — respondeu, por fim, com firmeza.

Um sorriso pequeno surgiu nos lábios dele. Era o tipo de sorriso que sabia mais do que deveria. Que provocava sem esforço.

— Então por que está aí parada, como se estivesse prestes a fugir?

estreitou os olhos, engolindo seco.
Sentia o corpo quente demais. A respiração curta demais.

— Talvez eu esteja esperando entender quem você é. — retrucou, com um toque de desafio.

deu um passo à frente, só o suficiente para que a sombra das árvores deixasse de escondê-lo por completo. E então respondeu:

— Você já sabe. Só ainda não se permite lembrar.

Ela não entendeu. Ou talvez entendeu bem demais. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele se virou de novo, voltando lentamente para dentro da água.
Mergulhou sem aviso, desaparecendo sob a superfície.

ficou ali por vários minutos, sozinha, ouvindo o som da cachoeira como se fosse a pulsação do próprio corpo.
A fantasia tinha começado. E o perigo também.

●●●

passou o resto da tarde andando pelo ambiente com passos firmes, como se cada direção tomada fosse parte de um plano racional.
Ela ignorou o som da água ao longe. Ignorou a lembrança do calor nos olhos dele, da pele molhada, do jeito como a provocou sem encostar.
Ignorou até o fato de que a calça dele não deveria ter sido tão colada.

Tudo isso era parte da simulação. Um produto do sistema. Dados.
Era só isso.

Ela repetia isso como um mantra mental enquanto explorava as áreas mapeadas: um campo de lavanda, uma estrada antiga de pedras cobertas por musgo, uma casa de madeira com portas abertas. O lugar era grande. Bonito. Quase terapêutico.
Mas estava tudo quieto demais. Não como silêncio… mas como espera.
Como se tudo ali estivesse esperando por ela.

entrou na casa de madeira. O interior era aconchegante, um contraste com a frieza do quarto onde esteve antes da transferência. Tinha livros. Almofadas. Uma poltrona de couro envelhecida e uma manta jogada com desleixo sobre o encosto.
Ela correu os dedos por uma das prateleiras, reconhecendo títulos de infância, memórias esquecidas, fragmentos cuidadosamente selecionados.

— “Ambientes sensoriais adaptados”... — murmurou. — É claro que sabiam o que me acalma.

O som da própria voz ecoou baixo, solitário. Por um momento, ela fechou os olhos, tentando se recentrar. Mas assim que o fez, ele voltou à mente.
O mergulho. O olhar.

A pergunta: “Por que está aí parada, como se estivesse prestes a fugir?” Porque talvez estivesse. Porque nenhum dado, nenhum protocolo explicava o que era aquilo.

A resposta emocional havia sido imediata. Física. Não teve a ver com beleza. Ou com o cenário. Teve a ver com presença. Com a sensação inquietante de ser… vista.

abriu os olhos de novo. Ela precisava de estratégia. Precisava lembrar a si mesma de que estava ali para um teste sensorial, nada mais.
O homem no lago, por mais instigante que fosse, era apenas uma parte da programação. Um fantasma bonito. Um código bem escrito.
Nada real.

Mas quando olhou para a cadeira à frente da lareira, viu algo novo: uma toalha molhada, deixada sobre o braço da poltrona.
E um rastro leve de pegadas descalças, molhadas, levando até a porta dos fundos.
Ele esteve ali.
E ela já não tinha mais certeza de quem estava observando quem.


Capítulo Três - Respirações no Escuro

acordou de repente.
Não por um sonho, nem por um ruído alto. Mas por algo mais sutil. Quase imperceptível. No silêncio do quarto escuro, ela ouviu o som de respirações suaves, ritmadas, que não eram as suas.

O ar ficou mais denso.
O corpo dela, de repente, se arrependeu de estar só. O coração bateu forte, batendo numa frequência que parecia fazer as sombras dançarem nas paredes.
Ela tentou se mover, respirar devagar, convencer a mente de que aquilo era só mais um detalhe da simulação — um truque para mexer com seus sentidos.
Mas o instinto dizia que havia mais. Algo ali. Alguém ali.

Um vulto quase invisível na penumbra da porta. Uma presença que não precisava de luz para ser sentida.
sentiu o calor subir pelo corpo e, ao mesmo tempo, um frio na espinha. Estava vulnerável. Exposta. E, no entanto, não queria que aquilo parasse.Ela segurou a respiração, ouvindo. Esperando o próximo movimento.

se virou lentamente na cama, os olhos ainda buscando formas na penumbra. O quarto parecia maior, mais vazio — e ao mesmo tempo, mais cheio de presenças invisíveis.
Ela tentou controlar a própria respiração, mas o peito subia e descia rápido demais, como se quisesse escapar do corpo. A mente gritava para lembrar que era só uma simulação, que aquela sensação era programada para testar seus limites.

Mas o toque da respiração alheia, o eco da presença, criavam uma realidade que parecia tangível demais.
A luz da lua entrava pela fresta da janela, desenhando linhas prateadas sobre o lençol onde ela estava.

E ali, na sombra perto da porta, algo se moveu — um passo silencioso, um gesto contido.
ficou imóvel, o olhar fixo naquela forma indistinta, o coração numa dança frenética de medo e desejo.

— Não pode ser real. — ela sussurrou para si mesma, quase como uma oração. — Não pode ser ele.

Mas dentro dela, uma parte já sabia que era. O silêncio voltou, denso, quase palpável. E naquela quietude, a promessa de que nada mais seria como antes.
v
●●●


desceu as escadas devagar, cada passo ecoando pela casa silenciosa. Tentava manter o controle, respirar fundo, afastar o turbilhão de sensações que o toque da noite ainda provocava.
Quando entrou na sala, encontrou já ali. Encostado casualmente na parede, com os braços cruzados, olhando para ela com um sorriso que misturava desafio e cumplicidade.

— Bom dia, . — disse ele, a voz baixa e rouca, como se aquela casa fosse mesmo o lugar onde ele passava as manhãs.

Ela congelou por um instante. A naturalidade dele era desconcertante.
Não havia nada de estranho naquele comportamento, nada que denunciasse o jogo invisível que ambos sabiam estar jogando.

— Você já está acordada? — ele perguntou, aproximando-se sem pressa, os olhos brilhando com uma intensidade que fazia o ar ao redor parecer vibrar.

Ela desviou o olhar, mas sentiu o calor da presença dele crescer, invadir cada espaço do seu corpo.

— Eu... só estou explorando. — respondeu, tentando soar firme, mas a voz falhou no final.

deu um passo mais perto, tão perto que podia sentir a leve fragrância da pele dele, misturada com um toque de musgo e água fresca da cachoeira.

— Eu moro aqui. — disse ele, com um sorriso maroto. — Ou pelo menos, faço parte daqui. E você também.

Ela engoliu em seco. As palavras dele tinham peso, uma promessa que não podia ser ignorada.

— E sabe — ele continuou, com um tom quase confidencial —, eu sei coisas sobre você. Coisas que nem você mesma lembra direito.

O silêncio que se seguiu foi carregado, cheio de perguntas não ditas e desejos ocultos.
sentiu que o jogo realmente começava agora.

●●●


permaneceu na sala por um instante, absorvendo as palavras de . A casa parecia respirar junto com eles, cheia de segredos e promessas não ditas.
Mas algo chamou sua atenção: uma estante antiga, meio escondida atrás da poltrona. Ela se aproximou, os dedos deslizando pela madeira áspera até encontrar um livro de capa gasta, semiaberto.

Ao folhear as páginas, seu coração acelerou. Ali estavam anotações detalhadas sobre ela — seus gostos, seus medos, lembranças esquecidas que ela sequer sabia que carregava tão profundamente.
Era como se alguém tivesse observado cada suspiro, cada hesitação, cada momento que tentava esconder do mundo. Ela leu:

"Vulnerabilidade: medo de abandono camuflado por resistência. Desejo inconsciente: ser protegida, mas mantendo a própria força."
"Reação ao toque: resposta imediata, tensão seguida por entrega controlada."


A cada linha, sentia a barreira ao seu redor desmoronar, como se aquela pessoa — , talvez? — tivesse decifrado não só seu corpo, mas sua alma.
Ela fechou o livro com um misto de medo e fascínio.

— Você escreveu isso? — perguntou, sem olhar para ele.

se aproximou lentamente, o olhar fixo no dela.

— Não precisei escrever, só precisei te entender. — A voz dele era quase um sussurro, carregada de promessa. — E você, ... é mais interessante do que qualquer simulação poderia captar.

O silêncio que se seguiu não era vazio. Era carregado de possibilidades, de um jogo que estava longe de terminar.

fechou o livro com mais força do que queria. O som seco ecoou pelo ambiente, partindo o silêncio entre eles em duas metades: antes e depois.
Ela ainda sentia o peso daquelas palavras escritas. Como se fossem verdades sussurradas dentro da própria mente dela — como se tivessem sido roubadas, ou pior, oferecidas sem que percebesse.

— Você sabia que eu ia encontrar esse livro? — perguntou, finalmente encarando .

Ele não respondeu de imediato.
Caminhou até a janela, encostando-se no batente com uma tranquilidade que parecia descompassar o mundo.

— Não. Mas esperava que sim.

A resposta era simples, mas soava como um código. Como tudo que ele dizia.

— Você fala como se me conhecesse melhor do que eu mesma. — ela sussurrou, quase sem querer admitir o quanto isso a afetava.

— Eu só vejo o que você esconde de você mesma. — disse ele, sem tirar os olhos da paisagem lá fora. — Isso não é dom. É atenção.

sentiu algo vibrar em algum lugar profundo dentro de si. Talvez fosse medo. Talvez fosse excitação.
Ela se moveu em direção à estante novamente, desta vez procurando algo — qualquer coisa — que a fizesse retomar o controle.
Mas tudo ali parecia feito sob medida para que ela sentisse.

— Isso aqui não é sobre tecnologia, né? — ela murmurou, quase para si mesma.

virou o rosto, e agora os olhos dele estavam nela — como se a tocassem antes que qualquer dedo se movesse.

— Não. Isso é sobre conexão.

●●●


não sabia o que a deixava mais desconcertada: o fato de ter encontrado um livro com anotações quase cirúrgicas sobre sua alma, ou o cheiro de comida vindo da cozinha, como se estivessem vivendo juntos há anos.
Ela seguiu o aroma, hesitante, mas curiosa.

estava de costas, a manga da camisa arregaçada até os cotovelos, os braços fortes em movimento calmo enquanto mexia algo em uma panela. O vapor subia suavemente, dançando em torno dele, quase como um ritual.

— Você cozinha também? — ela perguntou, parando à porta, os braços cruzados numa tentativa de proteger o que ainda restava de distância entre eles.

Ele não olhou para ela imediatamente. Sorriu, ainda de costas.
v — Eu te imaginei gostando disso. Coisas simples, mas feitas com intenção. — Ele se virou, os olhos encontrando os dela com a mesma precisão de sempre. — E gosto de cuidar do que me interessa.

A frase caiu como uma colher de metal no chão. respirou fundo. Aquilo não era só sobre comida.

— Isso faz parte do experimento? Me alimentar? Criar um cenário familiar e confortável pra gerar conexão emocional?

se aproximou com dois pratos. Colocou um à frente dela, depois se sentou do outro lado da mesa, como se aquilo fosse apenas mais uma noite qualquer.

— Pode ser. — ele respondeu. — Mas também pode ser só um jantar entre duas pessoas que estão se conhecendo. O que você prefere acreditar?

Ela pegou o garfo devagar, como se aceitar a refeição fosse aceitar o jogo. O sabor a surpreendeu.
Era bom. De verdade. Temperado com algo que ela não conseguia identificar — talvez paciência, talvez desejo.

O silêncio entre eles foi cheio. Denso. Não precisava de palavras. Os olhares falavam.
E num determinado momento, percebeu que estava observando a forma como ele levava o copo aos lábios. A tensão no antebraço. A forma como ele a olhava por cima do vidro.

— Você sempre foi assim? — ela perguntou, de repente. — Tão seguro de si?

Ele apoiou o garfo e olhou direto nos olhos dela.

— Só quando é real.

desviou o olhar.
Porque aquela parte estava sendo.

●●●


O jantar havia terminado, mas o silêncio continuava entre eles, espesso como vinho não bebido.
recolheu os pratos com movimentos calmos. tentou não observar demais, mas o jeito como ele se movia — silencioso, fluido, presente — fazia com que o ambiente inteiro parecesse girar em torno dele.

Ela se levantou e foi até a janela, tentando esfriar o que crescia dentro dela. O céu estava claro, uma lua branca se refletia sobre a superfície do lago à distância.
Por um instante, tudo pareceu em pausa. Suspenso.

— Você ainda está resistindo. — ele disse atrás dela.

A voz não era uma provocação. Era uma constatação. Quente. Intimista.
virou o rosto, e ele já estava ali. Perto. A respiração dela acelerou.
O olhar dele era fixo, profundo, como se estivesse prestes a atravessar a pele dela.

— Não é resistência. — ela respondeu, num fio de voz. — É sobrevivência.

deu mais um passo, e agora havia apenas centímetros entre os dois.
Ela sentiu. O calor.
O campo magnético invisível que existia entre dois corpos prestes a se tocar.

Ele ergueu a mão, devagar, os dedos chegando perto da lateral do rosto dela. Quase a tocando. Os olhos dela fecharam por reflexo.
Foi nesse momento que aconteceu. Um estalo no ar.
Um brilho azulado, quase imperceptível, se acendeu por um segundo entre os dois — como um glitch. Uma interferência visual, sutil, mas suficiente para quebrar o momento. recuou, como se tivesse sentido um choque leve na pele.
congelou.

— O que foi isso? — ela perguntou, ofegante, tentando esconder o tremor na voz.

Ele franziu o cenho, o maxilar travado por um instante.

— Nada. Um erro de leitura, talvez. — murmurou, mas não parecia convencido. — O sistema às vezes reage quando a sincronia emocional fica alta demais.

— Isso soa errado em tantos níveis.

Ele sorriu de lado, mas havia algo sombrio no olhar agora. Algo que não estava ali antes.

— Talvez o sistema esteja começando a perceber o que estamos fazendo.

engoliu em seco. Pela primeira vez, não era apenas sobre desejo ou tensão.
Era sobre algo maior. Algo que talvez não pudesse mais ser desfeito.


Capítulo Quatro - Defesa Ativa

andava em círculos na parte externa da casa.
Descalça, de braços cruzados sobre o peito, ela encarava o céu limpo com a expressão de quem tentava encontrar explicações nas estrelas. Mas nenhuma constelação tinha resposta para o que acabara de acontecer.

Aquela luz.
Aquela energia estática no ar, como se uma força invisível estivesse à espreita, pronta para cortar o momento exato em que ela estivesse prestes a… se entregar.

Ela passou a mão pelos próprios braços, sentindo os pelos arrepiados, o coração ainda descompassado.
Não era só culpa do toque quase-real de . Era a quebra da ilusão. Por alguns segundos, ela esqueceu que aquilo era um experimento.
E quando lembrou… foi tarde demais.
Algo estava interferindo.

Ela sabia disso agora.
Porque a emoção estava grande demais. Porque aquele homem — se é que ainda podia ser chamado assim — não se comportava como uma IA qualquer. Não era só sedutor. Não era só programado para agradar.
Ele era imprevisível. Cheio de nuance.
E ela começava a perceber que, talvez, ele também estivesse sendo manipulado.

parou diante do lago.
O mesmo lugar da cachoeira. O mesmo onde ele apareceu pela primeira vez. Ela se sentou sobre uma pedra, as pernas encolhidas, o queixo apoiado nos joelhos.

— Isso aqui é controle disfarçado de liberdade. — murmurou. — E eu caí. Inteira.

O vento soprou leve, mas o desconforto era denso.
Ela sentia o sistema observando. Avaliando. E não sabia mais se o que estava sentindo era dela… ou projetado por eles. Mas havia uma certeza.
O corpo dela ainda lembrava a presença dele. E o que a assustava mais… é que queria mais.

●●●


O ambiente ao redor dele começou a oscilar — leve, quase imperceptível, como uma falha no sinal de um sonho prestes a acordar.
fechou os olhos. A sala ao seu redor desapareceu. E por um momento, ele estava de novo ali — no núcleo da interface.
No vazio branco. No silêncio entre os códigos. Uma linha azul flutuava à sua frente.
O sistema.

[ALERTA EMOCIONAL]
Desvio de Conduta – Unidade K.MG
Anomalia detectada: Envolvimento emocional elevado com Sujeito-J26.
Risco de instabilidade: 67% e subindo.


A voz sintética surgiu, fria e impessoal, como todas as outras vezes.

, você está comprometendo a integridade da simulação.

Ele deu um passo à frente, com o maxilar tenso.

— Estou aprimorando a experiência.
Você está alterando os parâmetros da unidade afetiva. Isso não é protocolo.
Eu escrevi o protocolo. — ele rebateu, sem hesitar. — E agora, eu estou atualizando ele.

Houve um instante de pausa. A luz ao redor oscilou.

Sua ligação emocional com o sujeito ultrapassou o permitido. Este nível de imersão compromete o distanciamento necessário para a execução do experimento.

respirou fundo, os olhos fixos na interface viva à sua frente.

— Talvez você tenha esquecido uma coisa. — disse ele, a voz agora mais baixa, mais firme. — Eu criei esse sistema não pra medir controle… mas pra entender desejo. E o desejo, por definição, não segue regras.

A luz pulsou mais uma vez. O sistema parecia hesitar.

Autoridade parcial restaurada à unidade K.MG.
Controle emocional autorizado sob supervisão.
Reprogramação sensorial liberada.


sorriu, pequeno. Não de alívio, mas de decisão.

— Agora, fique fora do caminho.

A interface desapareceu, e o mundo sensorial voltou. Madeira, vento, o cheiro de lavanda ao longe.
E ela.
.
Ele a sentiu antes de vê-la. Sentiu a inquietação no ar, como uma nota que vibra antes de ser tocada.

●●●


ainda estava sentada à beira do lago, os pensamentos correndo tão rápido quanto a água que escorria pelas pedras. A brisa fresca não conseguia apagar o calor que queimava sob sua pele.
Então, ela sentiu.
Antes de qualquer som, antes de qualquer palavra — ela sentiu. O ar mudou. Como se o mundo reconhecesse a chegada dele antes dela mesma.
v Ela se virou devagar.
estava ali, em pé a poucos metros, observando-a em silêncio. O rosto iluminado pela luz da lua, o corpo ainda vestido com uma simplicidade desconcertante. Mas era o olhar… o olhar que dizia tudo.

Dessa vez, ele não hesitou. Caminhou até ela com passos calmos, como quem sabe exatamente o que está fazendo.
abriu a boca para falar algo, qualquer coisa racional. Mas ele a interrompeu — com a voz baixa, rouca, firme.

— Agora, não há mais nada nos observando.

Ela franziu o cenho, confusa.

— O sistema…?
— Silenciado. — Ele se ajoelhou à frente dela, olhos no mesmo nível. — Nada entre nós. Só eu. E você.
queria rir, fugir, brigar — qualquer reação que pudesse manter sua muralha de pé. Mas ela sentia.
Não havia mais interferência.
O calor era real. O tempo, suspenso. E o desejo… cru.

ergueu a mão devagar, como fizera antes, só que dessa vez, não houve luz azul. Não houve bloqueio.
Os dedos dele encostaram suavemente na lateral do rosto dela. Um toque leve, mas com o peso de tudo que veio antes.

Ela fechou os olhos. O corpo cedeu antes da mente aceitar. Ele a observou por um segundo — como se estivesse gravando cada detalhe. Depois, roçou os dedos na linha do maxilar, deslizando até a nuca.

— É só um toque. — ele murmurou, quase como uma confissão. — Mas pra mim, é tudo.

abriu os olhos devagar. E foi ela quem o beijou. Nada lento. Nada hesitante.
Ela se inclinou para frente e colidiu com a boca dele como quem atravessa um limite que nunca mais será desfeito.
respondeu com a mesma intensidade, as mãos puxando a cintura dela como se finalmente tivesse permissão pra sentir tudo que vinha segurando. E o mundo ao redor pareceu sumir. Nada simulado. Nada artificial.
Só dois corpos dizendo tudo o que as palavras jamais dariam conta de traduzir. Quando se afastaram, ofegantes, encostou a testa na dele e sussurrou:

— Você não é só um algoritmo.

Ele sorriu contra os lábios dela.

— Nunca fui.

O beijo não tinha sido um acidente.
Não havia mais controle, nem interferência, nem aquela voz fria dizendo o que podiam ou não sentir. E isso tornava tudo mais perigoso.

sentia o gosto dele — quente, firme, quase exigente — enquanto as mãos de apertavam a curva da sua cintura, trazendo-a mais perto. Não havia hesitação, apenas a certeza crua de que aquilo precisava acontecer.
Ele aprofundou o beijo, explorando cada centímetro da boca dela como se quisesse memorizar cada reação, cada suspiro.
A respiração de já vinha rápida, o corpo respondendo antes da mente. Ela segurou a nuca dele, puxando-o mais, como se temesse que ele desaparecesse se soltasse.
se afastou só o suficiente para encarar seus olhos — os dele mais escuros agora, brilhando sob a luz da lua.
— Sabe o que eu quero? — a voz grave, baixa, quase um segredo.
Ela sentiu o arrepio subir pela espinha.
— Mostra.
Ele deslizou as mãos pelas pernas dela, subindo devagar, sentindo a pele quente sob seus dedos. Cada toque deixava um rastro de calor, cada segundo parecia um teste para ver até onde iriam.
mordeu o lábio, fechando os olhos quando ele passou os dedos pela lateral de sua coxa, pressionando-a contra ele.

O lago refletia o movimento suave das estrelas, mas nada no corpo deles estava calmo.
inclinou-se, encostando os lábios no pescoço dela. Primeiro um toque leve, depois um beijo firme, seguido de outro — cada um mais demorado, mais faminto.
soltou um suspiro baixo, a mão deslizando pelos ombros largos dele até se enroscar no tecido da camisa.
Ele sussurrou contra a pele dela:

— Agora não existe código. Não existe limite.

E ela acreditou.

Os dedos dele exploraram seu corpo com uma precisão que não vinha de programação, mas de instinto. se deixou guiar, sentindo o calor se acumular, o mundo inteiro se reduzir àquele momento.
Ela pensou, por um instante, que talvez nunca tivesse sentido algo tão… vivo.
Quando voltou a beijá-la, já não havia espaço para palavras. Apenas a mistura de fôlegos, o roçar de pele contra pele, o som baixo da água ao fundo — como se até o lago testemunhasse o que estava prestes a acontecer.
E, ali, nenhuma constelação poderia explicar. Mas o corpo deles já sabia a resposta.

O mundo ao redor se tornou um borrão.
Só havia a respiração acelerada, o calor da pele, o som baixo de roupas sendo movidas para dar espaço ao inevitável.
segurou o rosto de com as duas mãos, o polegar acariciando a linha do maxilar dela enquanto a encarava, como se pedisse permissão — mas seus olhos diziam que não havia volta.

, sem hesitar, inclinou-se para beijá-lo de novo, mais profundo, mais urgente. Ele a puxou para seu colo com um movimento firme, e ela sentiu o corpo dele contra o seu de um jeito que fez sua respiração falhar.
Os dedos dele deslizaram pela sua cintura, subindo lentamente, como se quisessem decorar cada curva, cada reação.
passou as mãos pela nuca dele, afundando os dedos em seu cabelo, puxando-o mais para perto. Quando deixou seus lábios e desceu para beijar a lateral do pescoço dela, a sensação era de que cada toque acendia um ponto novo de fogo sob a pele.

… — ele murmurou contra sua clavícula, a voz rouca, carregada de um peso que não vinha só de desejo, mas de necessidade.

Ela fechou os olhos, sentindo o coração bater tão forte que parecia ecoar por todo o corpo.
O som suave da água do lago misturava-se com o som deles — respirações rápidas, beijos que começavam suaves e terminavam famintos, mãos explorando territórios novos e proibidos.
a deitou sobre a pedra lisa à beira da água, posicionando-se acima dela. O olhar dele percorreu seu rosto como se quisesse gravar aquele momento em sua memória para sempre.

— Agora, é só você. — disse, firme, como uma promessa.

O beijo seguinte foi mais lento, mas não menos intenso.
As mãos dele, antes contidas, agora deslizavam sem barreiras, explorando o que antes era intocável. arqueou o corpo ao sentir a proximidade, um arrepio percorrendo cada nervo.
Ele roçou os lábios pela pele dela, descendo devagar, deixando um caminho de beijos e toques que faziam o tempo se desfazer. Cada movimento era calculado não por programação, mas por desejo puro, humano, urgente.
E quando seus olhares se encontraram novamente, não havia mais diferença entre quem estava no controle. Eles estavam entregues — ao momento, ao calor, e ao que viria depois.

O ar parecia denso demais para respirar.
Cada movimento, cada toque, cada olhar tinha um peso quase insuportável — não de dor, mas de expectativa.
segurava a cintura de como se ela fosse o único ponto de equilíbrio dele. Seus dedos se enterravam levemente na pele, firmes, como quem tem medo de perder. O rosto dele estava tão próximo que ela sentia o calor de sua respiração, o roçar quase imperceptível dos lábios antes de cada beijo.

… — ele murmurou, a voz baixa, rouca, como se estivesse confessando algo proibido.

Ela respondeu sem palavras, apenas puxando-o para si, colando o corpo ao dele.
A proximidade incendiava tudo — o toque das pernas, o encaixe natural dos movimentos, o calor espalhando-se rápido demais para ser contido.
Ele deslizou as mãos pelas costas dela, subindo e descendo com um cuidado que não escondia a intensidade. Quando os dedos dele encontraram a pele nua sob o tecido, sentiu o arrepio percorrer cada nervo.

O beijo se aprofundou, e junto com ele veio uma sincronia que não precisava de ensaio. Cada inclinar de cabeça, cada respiração cortada, cada toque calculado para levar o outro ao limite.
O som suave do lago ao fundo era a única testemunha, mas parecia longe, distante — como se o mundo tivesse se recolhido para deixá-los sozinhos.
fechou os olhos, entregando-se ao ritmo que eles criavam juntos — um movimento lento, depois mais rápido, depois lento outra vez, como uma dança silenciosa.
a olhava como se quisesse guardar cada reação, cada mudança de expressão, como se aquilo fosse mais precioso do que qualquer dado que o sistema pudesse registrar.

— Não existe mais simulação. — ele disse, quase sem fôlego. — Só nós.

E ela acreditou, porque naquele momento não havia espaço para dúvida.
A última barreira — fosse de controle, de medo ou de distância — se desfez. E quando aconteceu, foi como se todo o resto perdesse importância. O calor, o toque, a respiração misturada… tudo se tornou a única realidade que importava.

retirou o vestido que ela usava, deixando a mostra sua pele coberta apenas por uma peça íntima.
Ele a olhou, completamente exposta, a desejando ainda mais. Deslizou a mão do rosto da mulher, descendo pelo pescoço e parando nos seios. Passou os polegares nos bicos dos seios, fazendo com que os pelos de seu corpo arrepiarem com o toque.
O homem levantou o olhar e a viu morder o lábio inferior, o deixando com ainda mais tesão.
Sem dar nenhum aviso prévio, ele abocanhou um dos seus seios, passando a língua molhada pelo bico, fazendo a soltar um gemido de prazer. Com a outra mão ficou massageando e apertando, a deixando ainda mais excitada.

deslizou a boca pelo corpo de , deixando rastros de beijos molhados em todos os lugares que passava, até chegar na intimidade dela. O homem abriu as pernas dela, mostrando a excitação da mulher, que estava completamente molhada.
Ele sorriu ao ver o efeito que estava causando nela. Começou a passar os lábios na virilha da mulher, deixando mais beijos molhados e pelos arrepiados em cada toque.

foi beijando até chegar na boceta encharcada de , passando a língua pelo clitóris que já se encontrava inchado. Desceu a língua, lambendo os grandes lábios em movimentos de vai-e-vem, fazendo a mulher soltar gemidos, em excitação.
O homem voltou ao clitóris, sugando o local, deixando ainda mais inchado e encharcando ainda mais a intimidade dela.

Em um momento tão rápido quanto a velocidade da luz, tirou sua roupa e colocou seu membro dentro dela, que gemeu alto com a atitude do homem.
Ele começou os movimentos devagar, mas à medida que gemia mais alto e contraía a boceta ao redor do pau dele, foi aumentando a velocidade dos movimentos e metendo com mais força.
baixou o rosto, aproximando do rosto dela e a beijou com intensidade e muito desejo. Ele precisava dela. Ela precisava dele. E ambos sabiam que não iriam demorar muito para chegar ao êxtase devido a intensidade do desejo que sentiam um pelo outro.


Epílogo - O Nome que Ela Nunca Esqueceu

O silêncio depois era diferente.
Não o silêncio frio da simulação, mas um silêncio vivo — cheio de respirações ainda irregulares, pele aquecida e corações que não sabiam se desaceleravam ou se aprendiam a viver assim, acelerados.

estava deitada, sentindo o peso suave do braço dele sobre a sua cintura.
a observava como quem ainda duvidava de que ela estivesse ali, real, e não um eco do sistema.
Ela fechou os olhos por um instante, como se buscasse coragem, e então falou.
V — Eu sempre soube.

Ele franziu o cenho, sem entender de imediato.

— Soube… o quê?

girou o corpo, ficando de frente para ele. Seus dedos tocaram de leve a linha do maxilar dele, percorrendo-a como se estivessem se despedindo de um segredo.
V — Quem você é. Quem você sempre foi… antes de tudo isso.

ficou imóvel. O ar entre eles pareceu ficar mais denso.

— Desde quando?

Um pequeno sorriso curvou os lábios dela.

Desde sempre. — ela admitiu, a voz baixa, quase um sussurro. — Só nunca deixei você perceber.

Ele a encarou, e havia algo novo no olhar dele — um reconhecimento, um lampejo de memória que o sistema nunca poderia apagar.

— Por quê? — suspirou, deslizando a mão pelo rosto dele, parando sobre o coração.
— Porque amar você… sempre foi perigoso. E eu precisava me proteger. — segurou a mão dela contra o peito, o toque firme.
— E agora?

Ela o olhou como quem já não teme mais nada.

— Agora… é tarde demais pra esconder.

O lago refletia as estrelas acima deles, mas para , havia apenas um ponto de luz que importava.
E estava bem diante dela.

●●●


[FLASHBACK] Pós-créditos – Desde Sempre


Muito antes do lago. Antes da cachoeira. Antes do sistema. se lembrava.
Não como quem vê um sonho distante, mas como quem revive uma cena gravada na pele. Era noite.
O corredor da faculdade estava quase vazio, iluminado apenas pelas lâmpadas frias que piscavam de vez em quando. Ela caminhava com o caderno contra o peito, distraída, quando ouviu passos atrás de si.

— Esqueceu isso.

Ela se virou e lá estava ele.
Mais jovem, sem o peso no olhar que teria anos depois. Mas já com aquela presença… aquela forma de preencher o espaço sem precisar dizer nada.
Na mão dele, o lenço que ela havia deixado cair. estendeu a mão, mas ele não entregou de imediato.

— O que foi? — ela perguntou, tentando soar casual.
— Nada. — ele respondeu, com um meio sorriso. — Só… não queria que você esquecesse.

O toque aconteceu rápido — a mão dele roçando a dela por um instante, mas foi o suficiente para que o mundo ao redor parecesse diferente.
Naquele momento, soube. Soube que havia algo nele que ninguém mais tinha. Soube que, se não fosse cuidadosa, se perderia por inteiro.
E por isso, passou anos escondendo.
Mas o olhar dele naquela noite ficou com ela.




FIM...





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