MV: Thunder

Finalizada em: Agosto/2025
Music Video: Thunder - SEVENTEEN

Capítulo Único

Quando o Mundo Fica em Silêncio


A música era alta demais, e o ar estava quente demais, mas não conseguia parar de reparar nele.
Entre uma conversa e outra com a amiga, os olhos dela sempre acabavam encontrando , encostado no balcão, alto o bastante para parecer deslocado no meio da multidão.
Ele segurava um copo de refrigerante, mas o jeito como ele observava o ambiente — atento, protetor — fazia parecer que estava no comando de tudo.
E, talvez, no comando dela também.
Ela respirou fundo e atravessou a pista até o balcão, tentando não pensar no quanto seu coração acelerava.

— Tá se divertindo? — ele perguntou, como se já a estivesse esperando.
— Um pouco… mas é muito barulho. — A voz dela quase sumiu em meio à música.

Ele sorriu de lado, aquele sorriso que sempre parecia saber mais do que deveria.

— Você e o seu drama com festas grandes.

Ela revirou os olhos, prestes a responder, quando um trovão estourou tão forte que fez o chão vibrar. As luzes piscaram e, de repente, tudo se apagou. O escuro tomou o salão como uma onda, e um murmúrio inquieto percorreu as pessoas.
No meio desse caos silencioso, a mão dele encontrou a dela. Foi um toque rápido, mas firme, e sentiu o calor subir pelo braço.

— Vem, é perigoso ficar aqui no meio. — disse ele, puxando-a com cuidado.

Eles caminharam devagar por um corredor lateral, guiados apenas pela luz intermitente dos relâmpagos. A cada clarão, o rosto dele aparecia — sério, mas com algo nos olhos que ela não conseguia decifrar.

O som da festa já parecia distante. Só havia o tamborilar da chuva no telhado e o trovão acompanhando o ritmo acelerado do seu coração.

… — ela chamou, sem saber exatamente o que queria dizer.

Ele parou, ainda segurando a mão dela. Um relâmpago iluminou o momento: eles tão perto que ela podia contar os cílios dele, sentir o cheiro leve de menta do seu hálito.

O mundo estava em silêncio. Ou talvez fosse só ela, esperando que ele atravessasse aquela distância mínima.

— Eu… — ele começou, mas um trovão profundo cortou sua fala, como se até o céu quisesse ouvir o resto.

O Silêncio Depois do Trovão


O trovão se afastou, mas dentro de o barulho ainda era ensurdecedor.
Ela sentia cada batida do próprio coração como se fosse um tambor de guerra, e as mãos… as mãos ainda carregavam o calor dele, como se tivesse deixado parte de si ali.

Ele não disse nada depois. Só olhou para ela por mais um instante — intenso o suficiente para que ela quisesse se perder naquele olhar — e então desviou, guiando-a até uma porta lateral que dava para um corredor vazio.

— Melhor esperar a luz voltar aqui. — disse, a voz baixa, mas firme.

Ela apenas assentiu, incapaz de formular qualquer frase. Seu corpo estava ali, encostado na parede fria, mas a mente… a mente estava presa no instante em que os olhos dele encontraram os dela, quando parecia que tudo, absolutamente tudo, iria mudar.

"Se ele tivesse dado mais um passo…"

O pensamento a fez morder o lábio, tentando controlar o calor que subia pelo rosto. Não era como se ela nunca tivesse sentido algo por ele antes — era , afinal, e ele sempre esteve por perto, sempre sendo a mistura perfeita de segurança e provocação. Mas naquela noite havia algo diferente.
Talvez fosse a tempestade. Talvez fosse a forma como, no escuro, tudo parecia mais verdadeiro.
Ou talvez fosse simplesmente ele.

Do lado de fora, a música ainda tentava voltar, um DJ improvisando piadas pelo microfone. Dentro dela, porém, nada voltava ao normal. O toque dele ainda estava gravado na pele, o olhar dele gravado na memória, e a pergunta que ela não sabia responder ecoando na cabeça:
Será que ele sentiu o mesmo?

Entre o Trovão e o Silêncio


A mão dela era pequena na dele, mas o toque parecia maior que qualquer som que a tempestade pudesse fazer.
sentia o pulso acelerado de e, de alguma forma, aquilo mexia com o dele também. A cada relâmpago, ele via o rosto dela com mais clareza: os olhos curiosos, o leve tremor nos lábios, como se ela estivesse prestes a falar algo que mudaria tudo.
Ele queria ouvir. Queria ouvir e queria… mais.

Mas o momento era frágil demais. Estavam cercados de gente, de barulho, de luzes, e ainda assim parecia que só existiam eles dois. Era tentador atravessar aquela distância mínima, descobrir se o que ele sentia desde muito tempo atrás era recíproco.
"Agora não", ele repetiu mentalmente. Não sabia se era por medo de estragar o que tinham ou por covardia.
E covardia não combinava com ele — mas, quando o assunto era , tudo era diferente.

— Melhor esperar a luz voltar aqui. — disse, tentando manter a voz estável, como se não estivesse prestes a fazer uma besteira deliciosa.

Ela assentiu, e o silêncio se instalou entre eles. Mas não era um silêncio desconfortável. Era pesado, denso, quase palpável.
Ele se encostou na parede oposta, os olhos ainda nela, e percebeu que estava gravando cada detalhe — o cabelo caindo sobre o ombro, a respiração calma que ele sabia não ser tão calma assim, e o jeito que ela desviava o olhar sempre que ele o segurava por tempo demais.

Quando um novo trovão estourou, ele se deu conta: estava preso entre dois perigos.
O primeiro, o da tempestade lá fora.
O segundo, e bem mais perigoso, era a certeza de que estava cada vez mais perto de se apaixonar por ela sem volta.

Como Tudo Começou


O corredor ainda estava mergulhado no escuro, iluminado apenas por lampejos distantes da tempestade.
mexia no próprio pulso, sentindo onde a mão dele havia segurado. olhava para o chão, mas ela sabia — sentia — que ele estava pensando.

E, de repente, ela também pensou.

A primeira vez que tinha visto foi dois anos antes, na semana de recepção da universidade. Ela estava perdida, literalmente, tentando encontrar a sala de matrícula, carregando uma pilha de papéis que teimava em cair no chão.
Foi ele quem apareceu do nada, com aquele sorriso grande e um “Quer ajuda?” que soou mais como uma afirmação do que uma pergunta.

— Você parece um furacão tentando se disfarçar de pessoa. — ele disse naquela manhã, depois de pegar a última folha que escapou.

Ela riu, sem saber que aquela frase ficaria na memória, junto com o cheiro do café que ele segurava e o jeito despreocupado de caminhar ao lado dela, guiando-a sem pressa.
Naquele dia, eles passaram horas juntos — ele apresentando lugares do campus, ela contando histórias aleatórias. Quando se deram conta, já tinham trocado números e a sensação de que se conheciam há mais tempo do que o possível.

Desde então, virou parte do cotidiano dela: parceiro de trabalhos, amigo de conversas de madrugada, cúmplice de planos improvisados.
E, em algum momento, começou a notar coisas pequenas demais para serem só amizade — o jeito como ele a procurava na multidão, como sempre se inclinava para ouvir mesmo quando o ambiente era silencioso, ou como lembrava detalhes que ela própria esquecia.

Mas nunca falou nada.

Porque, por mais que o sentimento estivesse ali, sempre pareceu mais seguro deixá-lo oculto, protegido.
Até agora.

Outro relâmpago cortou o céu e, no clarão, ela percebeu: a olhava exatamente como naquela primeira manhã — como se estivesse prestes a dizer algo importante, mas hesitando no último segundo.

O Dia em que Conheci o Furacão


Ele lembrava perfeitamente.
Não era o tipo de memória que o tempo conseguia apagar — porque não era o tipo de pessoa que passava despercebida.

Dois anos atrás, ele atravessava o pátio da universidade segurando um café, pensando apenas em não se atrasar para a aula de cálculo, quando viu uma garota tentando equilibrar uma pilha de papéis maior que ela mesma.
Cada passo era uma batalha perdida: uma folha voava, ela abaixava para pegar, mais duas escapavam.
Ele riu sozinho antes de se aproximar.

— Quer ajuda? — perguntou, mas já estava recolhendo o que caía.

Quando ela levantou o rosto para responder, ele notou duas coisas: primeiro, que ela tinha um olhar brilhante, desses que parecem guardar um mundo inteiro. Segundo, que aquele era o tipo de pessoa que não combinava com o caos que estava vivendo naquele momento. Ou talvez combinasse perfeitamente.

— Você parece um furacão tentando se disfarçar de pessoa. — soltou sem pensar, e ficou satisfeito em ver o riso dela.

Ele deveria ter ido embora depois de entregar os papéis… mas não foi.
Acabou caminhando ao lado dela, ouvindo suas histórias como se já fosse rotina, apontando lugares do campus como se estivesse com ela há meses. No fundo, já sabia que tinha encontrado alguém que faria parte da vida dele de um jeito ou de outro.
E fez.

virou parte dos dias, das conversas noturnas, dos trabalhos corridos. Com ela, tudo era fácil.
Talvez por isso ele nunca tenha dito nada sobre o que sentia. Porque tinha medo de perder o que já era perfeito do jeito que estava.

Mas, parado agora naquele corredor escuro, com a tempestade como trilha sonora, percebeu que estava vivendo o mesmo dilema de dois anos atrás.
A diferença é que agora o silêncio entre eles estava carregado demais para ser ignorado. Ele olhou para ela.
E pela primeira vez em muito tempo, se perguntou se não estava na hora de parar de esperar.

Quando as Luzes Voltam”


O corredor ainda estava silencioso, como se a tempestade tivesse sugado todos os sons.
sentia o peso do olhar de , e ele parecia tão imóvel quanto ela. O tempo estava suspenso, e por um momento ela acreditou que poderia viver para sempre ali, entre trovões e respirações próximas.

E então, num estalo seco, as luzes voltaram.
A claridade repentina fez piscar algumas vezes, e o momento que parecia eterno se desfez como fumaça. desviou os olhos, limpando a garganta como se precisasse lembrar o que era falar.

— Vamos voltar. — disse ele, num tom que parecia mais uma ordem suave do que um convite.

Eles caminharam lado a lado até o salão, mas a festa já não soava como antes.
As luzes de neon piscavam, a música estava de volta, pessoas dançavam e riam… só que, para , tudo parecia abafado, distante.
O que importava estava ao alcance da mão, mas tão intocável quanto sempre esteve.

não a soltou de vista enquanto atravessavam a pista. Não precisava — ela sentia, mesmo sem olhar, que ele estava ali, que qualquer movimento em falso deles poderia acender algo que não haveria como apagar.
Quando chegaram perto do grupo de amigos, ele parou.

… — começou, mas alguém os interrompeu, puxando-o para uma foto.

Ela sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.
Porque, mesmo cercados de gente e barulho, a sensação que ficou foi a mesma do corredor: o que havia entre eles estava prestes a explodir.

Entre o que Dizemos e o que Queremos


A festa já estava quase no fim. O ar cheirava a bebida, suor e chuva, e as luzes piscavam de forma preguiçosa, como se até elas quisessem ir embora.
havia se afastado do grupo para respirar um pouco, sentando-se num sofá no canto mais escuro do salão. Foi quando apareceu, com duas garrafas de água na mão.

— Fuga estratégica? — ele perguntou, entregando uma delas para ela.
— Digamos que sim. — sorriu de canto, aceitando. — E você? Achei que estivesse preso nas fotos e nas conversas intermináveis.
— Me livrei. — ele respondeu, sentando ao lado dela, perto o suficiente para que suas pernas se encostassem. Não parecia acidental. — Além disso, não estava a fim de perder de vista a melhor companhia da noite.

Ela riu, mas não desviou o olhar.

— Melhor companhia? Isso é porque você não viu todo mundo.
— Vi, sim. — Ele inclinou um pouco o corpo, como se quisesse ter certeza de que ela o ouvia mesmo com a música alta. — E continuo certo do que disse.

bebeu um gole de água para disfarçar a forma como o coração acelerava.

— Você fala assim com todas as suas amigas?
— Só com as que me fazem esquecer que são “só” amigas. — O tom era leve, mas o olhar que ele sustentou nela não tinha nada de brincadeira.

Ela sentiu um arrepio percorrer a coluna.

— Cuidado, … falar assim pode fazer alguém entender errado.
— Errado ou… exatamente como eu quero que entenda? — Ele arqueou a sobrancelha, e por um segundo o resto do salão pareceu sumir.

O silêncio que veio depois não era vazio. Estava cheio de coisas que não eram ditas — memórias, vontades, perguntas que ambos já conheciam a resposta, mas fingiam não saber.

— Você sempre foi assim? — ela perguntou, tentando parecer curiosa. — Ou só gosta de me provocar?
— Acho que só com você. — Ele sorriu, lento, como se estivesse escolhendo as palavras. — É que… tem algo em você que me faz querer testar limites.

não sabia se queria fugir ou chegar mais perto.

— E se eu disser que estou começando a entender o que você quer dizer?
— Aí eu vou ter certeza de que valeu a pena esperar até agora. — O tom dele baixou, ficando mais íntimo, quase um sussurro.

Ela segurou o olhar dele por alguns segundos, e era como se estivessem dançando uma música que só eles ouviam.
Não havia pressa. Mas também não havia mais volta.

Quando Nada Pode Impedir


— Então… — disse, com um sorriso discreto. — Valeu a pena esperar até agora?

inclinou um pouco a cabeça, estudando o rosto dela como se quisesse decorar cada detalhe.

— Valeu. Mas ainda não acabou.

O olhar dele estava preso no dela, e era impossível não sentir o calor que se acumulava entre os dois. Ele estava tão perto que ela podia sentir a respiração, e cada palavra parecia dita só para ela, mesmo com o barulho distante da festa.
Foi então que a primeira gota pesada de chuva bateu no vidro próximo, seguida por outra, e mais outra, até que o som virou uma sinfonia apressada.

O ar parecia carregar eletricidade, e se pegou prendendo a respiração.
Um trovão rasgou o céu, tão forte que o chão vibrou. As luzes piscaram duas vezes e, de repente, tudo mergulhou no escuro.

— De novo… — ela murmurou, rindo nervosa.

Ele também riu, mas o tom foi diferente dessa vez — mais baixo, mais intenso.

— Acho que o universo tá tentando me dar uma segunda chance.
— Pra quê? — ela provocou, mesmo sabendo a resposta.
— Pra fazer o que eu deveria ter feito antes. — A voz dele soou firme, quase decidida. Ele se aproximou um pouco mais, até que ela pudesse sentir o calor do corpo dele contrastando com o ar frio que entrava pelas frestas. — Agora nada pode impedir.

Ela queria dizer algo, mas a proximidade a deixou sem palavras. O som da chuva preenchia cada espaço, o trovão ainda ecoava, e o mundo inteiro parecia ter parado para assistir.
levou a mão ao rosto dela, com um toque leve, como se perguntasse silenciosamente se podia.

não recuou.

E, antes que pudesse pensar em qualquer motivo para evitar, ele a puxou para perto e a beijou.
Foi um beijo urgente, mas ao mesmo tempo cuidadoso — como se ele quisesse aproveitar cada segundo, como se o tempo fosse deles e de mais ninguém.

A chuva batia mais forte lá fora, o trovão rugia acima, e, pela primeira vez, sentiu que aquele som não era assustador.
Era só a trilha sonora perfeita para o que eles estavam vivendo.




FIM...





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