Capítulo Único
O primeiro envelope
O corredor da escola estava um caos naquela manhã. O som metálico de armários sendo abertos e fechados se misturava a conversas apressadas, risadas soltas e ao barulho abafado de passos apressados contra o chão de linóleo gasto. Um raio de sol atravessava a janela alta no fim do corredor, iluminando partículas de poeira suspensas no ar, como se o dia tivesse decidido brilhar um pouco mais do que o normal.
caminhava distraído, com a mochila caída em um ombro e a mente longe, pensando apenas na prova de matemática que teria mais tarde. Parou em frente ao seu armário, girou a combinação sem pressa e puxou a porta, esperando encontrar o de sempre: livros amontoados, folhas soltas e o casaco que insistia em esquecer ali.
Mas algo diferente o fez congelar por um segundo.
Bem no topo da pilha bagunçada, havia um envelope amarelo. Não era o tipo de envelope comum de provas ou bilhetes de aula — aquele tinha um tom vibrante, quase ensolarado, que destoava completamente do cinza do metal ao redor.
franziu a testa, olhando em volta. O corredor seguia movimentado, ninguém parecia prestar atenção nele. Ainda assim, sentiu como se tivesse sido colocado no centro de um palco invisível. Com cuidado, pegou o envelope entre os dedos, percebendo que o papel era mais grosso, quase artesanal.
Não havia nome escrito. Nenhum desenho, nenhum remetente. Apenas o envelope amarelo.
Seu coração acelerou levemente, tomado pela curiosidade. Que tipo de brincadeira era aquela?
Quebrando o lacre com um movimento rápido, tirou de dentro uma folha dobrada em três. A caligrafia no centro era clara e inclinada, cada letra escrita como se tivesse sido cuidadosamente pensada:
"Hoje o sol me lembrou você."
Só isso.
leu e releu a frase, tentando encontrar algum sentido. O bilhete não dizia quem escreveu, nem por quê. Mas havia algo nele que o desarmou — a simplicidade, a doçura inesperada, a sensação de que alguém realmente tinha pensado nele.
Guardou o papel no bolso da jaqueta, mas durante o resto do dia não conseguiu se concentrar em nada. Nem nas aulas, nem nos amigos que o chamavam pelos corredores. Em cada pausa, a frase ecoava de novo em sua mente, como uma música insistente:
"Hoje o sol me lembrou você."
E, sem perceber, se pegou observando ao redor mais do que de costume — como se a qualquer instante pudesse descobrir quem havia transformado a sua manhã em algo completamente diferente.
Entre linhas e silêncios
As horas seguintes pareceram se arrastar.
Na sala de aula, sentou-se perto da janela, mas não ouviu uma única palavra do professor. Seu caderno permaneceu em branco, a caneta girando nervosa entre os dedos enquanto o bilhete no bolso queimava contra a sua pele como se fosse feito de fogo.
"Hoje o sol me lembrou você."
A frase parecia simples, até banal. Mas havia algo nela que o deixava inquieto. Quem, entre tantas pessoas no campus, pensaria nele assim? E por quê?
Do lado de fora, o sol escorria pelas folhas das árvores, formando manchas douradas no chão do pátio. se pegou observando os reflexos amarelos como se buscasse alguma pista escondida — um olhar direcionado, um sorriso rápido demais, qualquer coisa que entregasse o autor do bilhete.
Nada.
No intervalo, enquanto os amigos discutiam animadamente sobre o treino de basquete, permaneceu em silêncio. Ria em momentos aleatórios para não levantar suspeitas, mas sua mente estava em outro lugar. Ele não queria que ninguém soubesse do envelope — ainda não. Havia algo de íntimo demais naquela frase para ser compartilhado.
No fim da tarde, já cansado da própria ansiedade, abriu novamente o papel em meio às folhas da mochila. Os traços da caligrafia eram firmes, elegantes… mas levemente inclinados, quase como se quem tivesse escrito estivesse com pressa de confessar algo antes que a coragem escapasse.
v Ele passou os dedos sobre as letras, como se pudesse sentir a presença da pessoa do outro lado. Um detalhe lhe chamou atenção: o papel tinha um perfume discreto, quase imperceptível, mas doce, como notas de flores secas guardadas em um livro antigo.
E aquilo deixou seu coração ainda mais descompassado.
Enquanto caminhava para casa, com o pôr do sol tingindo o céu de dourado, percebeu que havia começado a procurar pelo amarelo em tudo ao redor — nos anúncios colados em postes, na capa do caderno de um colega, até nas flores silvestres que brotavam perto da grade da escola.
E, pela primeira vez em muito tempo, teve a sensação estranha e deliciosa de que algo estava prestes a mudar.
A confissão a contragosto
Na manhã seguinte, ainda sentia o peso do envelope no bolso da jaqueta, mesmo que o tivesse deixado cuidadosamente guardado na gaveta do quarto. Era como se a simples lembrança dele não desse trégua.
Enquanto caminhava pelo pátio, escutou a voz bem-humorada de Matthew gritando do outro lado:
— Ei, ! Tá com cara de quem não dormiu a noite inteira. Deixa eu adivinhar… estudando matemática? — bufou e tentou desviar, mas Matthew já estava ao seu lado, largando o braço pesado sobre seu ombro.
— Se fosse por matemática, eu teria apagado antes da meia-noite. — respondeu, evitando contato visual. Matthew arqueou as sobrancelhas, desconfiado.
— Então o que foi? Tá com uma cara estranha. Parece até… apaixonado.
riu nervoso, balançando a cabeça. Mas a insistência do amigo, somada àquela curiosidade incômoda que já o consumia, fez com que acabasse puxando-o para um canto mais afastado, atrás das arquibancadas do ginásio.
Olhou em volta para garantir que ninguém estivesse ouvindo, e então falou baixo:
— Ontem eu… encontrei uma coisa no meu armário. — Matthew arregalou os olhos, empolgado.
— Achou dinheiro? Chocolate?
— Não, idiota. — respirou fundo. — Um envelope. Amarelo. — O sorriso de Matthew se abriu em segundos, malicioso.
— Opa! Já tô vendo onde isso vai dar.
— Não é nada do que você tá pensando.
— Ah, claro que é! — Matthew bateu no ombro do amigo, rindo. — Alguém tá de olho em você, cara. Misteriosa, romântica… deve ter ficado de queixo caído com esse teu jeitão de galã distraído.
— Eu não sou galã. — resmungou , sentindo o rosto esquentar.
— Não mesmo, mas a galera acha que você é. — Matthew deu uma piscadinha. — E esse bilhete aí? Tava escrito o quê? — hesitou. Parte dele queria guardar aquilo só pra si.
Mas, no fim, acabou murmurando:
— “Hoje o sol me lembrou você.” — Matthew jogou a cabeça para trás, gargalhando.
— Pronto, tá ferrado. Alguém tá caidinha.
— Não brinca com isso.
— Eu não tô brincando! — Matthew ergueu as mãos, ainda rindo. — Sério, você vai ver, daqui a pouco essa história de “envelope amarelo” vira lenda por aqui. Aposto que é alguma garota tímida. Elas adoram esse negócio de metáfora com o sol.
suspirou, passando a mão pelos cabelos. Por mais que Matthew estivesse levando na brincadeira, cada palavra só aumentava sua confusão.
E, pela primeira vez, considerou a possibilidade de que aquilo pudesse se tornar um jogo perigoso: uma série de cartas que mexeriam mais com ele do que deveria.
Jenny
Depois de se despedir de Matthew, que seguiu rindo sozinho e inventando teorias absurdas, ficou parado alguns segundos no corredor, observando as pessoas passarem.
E se fosse verdade?
Se alguém realmente estava interessado nele, havia muitas opções. O campus era grande, mas não faltavam olhares que às vezes demoravam segundos a mais do que o normal. E , mesmo sem querer admitir, sabia que chamava atenção.
Seu olhar percorreu o espaço como se tentasse decifrar cada gesto. Uma garota loira ria alto com as amigas, batendo o pé no chão. Um garoto mais quieto arrumava os livros contra o peito e, por um instante, desviou o olhar ao cruzar com . Outra menina ajeitava os óculos nervosamente ao passar perto demais.
Poderia ser qualquer um.
Mas havia uma pessoa que sempre surgia em sua mente: Jenny.
Jenny era conhecida por não esconder sua admiração por ele. Sempre estava por perto, puxando conversa, oferecendo ajuda com os trabalhos — e não raramente deixava escapar comentários que beiravam a confissão. Se alguém era capaz de escrever algo tão direto, não poderia ser ela?
Ele a encontrou pouco depois, perto da biblioteca, folheando distraída um caderno colorido.
— Oi, Jenny. — forçou um sorriso, encostando-se na parede ao lado dela. Os olhos dela brilharam imediatamente.
— ! Não sabia que você passava por aqui agora.
— Pois é. — Ele enfiou as mãos no bolso, tentando soar casual. — E aí, como tá?
— Bem… só estudando um pouco. — Ela ajeitou a franja, claramente nervosa. — Você parece pensativo. — hesitou, então resolveu arriscar.
— Digamos que… encontrei uma coisa curiosa no meu armário ontem.
— O quê? — Jenny franziu a testa, curiosa.
Ele se inclinou um pouco, a voz baixa, quase conspiratória:
— Um envelope amarelo.
— Envelope? — Ela piscou, confusa.
— É. — manteve os olhos nela, esperando qualquer sinal: um rubor repentino, um desvio de olhar, qualquer reação que denunciasse. — Dentro tinha uma frase meio… poética. — Jenny sorriu de forma hesitante, sem entender nada.
— Hm… deve ter sido algum tipo de brincadeira, né? A galera gosta dessas coisas estranhas.
Nada. Nenhum sinal de surpresa, nenhum desconforto, apenas genuína confusão.
desviou o olhar, desapontado. Tinha quase certeza que seria ela, mas a reação foi clara demais: Jenny não fazia ideia do que estava falando.
— É, pode ser — respondeu de forma seca, tentando disfarçar. — Só achei… curioso.
— Bem… se descobrir quem foi, me conta. — Jenny sorriu com timidez. — Aposto que é apenas uma brincadeirinha.
apenas assentiu, mas por dentro a frase o deixou ainda mais intrigado.
”Se não era Jenny… quem mais poderia ser?”
O segundo envelope
v O eco das bolas quicando no chão polido do ginásio e os apitos do treinador ainda estavam na cabeça de quando ele terminou o treino de basquete. O suor escorria pelo rosto, e ele se jogou no banco do vestiário, respirando fundo enquanto abria a mochila para pegar uma toalha.
E então, seu coração parou por um instante.
Ali, em meio ao amontoado de roupas e livros, estava outro envelope amarelo. Idêntico ao primeiro.
Ele olhou em volta instintivamente. O vestiário estava cheio de garotos conversando alto, alguns rindo de piadas, outros discutindo jogadas. Mas ninguém parecia prestar atenção nele.
“Como alguém entrou aqui?”
As regras eram claras: apenas o time tinha acesso ao vestiário durante os treinos. Para deixar aquele envelope ali, a pessoa teria que ser incrivelmente corajosa… ou completamente inconsequente.
Com as mãos ainda trêmulas, pegou o envelope e abriu, ignorando a toalha e o barulho ao redor. O bilhete dentro trazia apenas uma frase, escrita com a mesma caligrafia elegante e inclinada:
"Alguns segredos ficam ainda mais bonitos quando guardados a sete chaves."
Ele engoliu em seco. Era quase como se o autor tivesse previsto exatamente a situação: um bilhete escondido, em um lugar onde ninguém jamais esperaria encontrar algo assim.
— Cara… o que você tá fazendo aí? — a voz de Matthew interrompeu seus pensamentos. O amigo apareceu logo atrás, com a camiseta do uniforme ainda grudada pelo suor e uma expressão de pura curiosidade.
hesitou, mas sabia que não teria sossego se não contasse. Mostrou rapidamente o envelope.
— Mais um. — murmurou.
— Não acredito! A pessoa tá levando isso a sério mesmo. — Matthew arregalou os olhos e soltou uma risada alta.
— Você não entende. — falou, a voz baixa e preocupada. — Isso tava dentro da minha mochila. No vestiário. Durante o treino.
Matthew parou por um segundo, e então assobiou baixinho.
— Uau. Isso é… perigoso.
— Pois é. Quem faria isso?
— Quem quer muito chamar sua atenção. — Matthew cruzou os braços, pensativo, mas logo abriu um sorriso malicioso. — Ou alguém que gosta de viver no limite. Cara, pensa só: entrar aqui, mexer nas coisas sem ninguém perceber… essa pessoa deve estar completamente na sua.
suspirou, passando a mão pelos cabelos úmidos.
— Isso não é engraçado, Matt.
— Não, mas é emocionante. — Matthew deu um empurrão brincalhão no ombro dele. — Se eu fosse você, já estaria apaixonado só pela ousadia.
não respondeu. Guardou o bilhete de volta, mas a frase não parava de ecoar dentro dele.
"Alguns segredos ficam ainda mais bonitos quando guardados a sete chaves."
Se quem escrevia tinha coragem de se infiltrar no vestiário, aquilo não era apenas uma brincadeira. Era um jogo cuidadosamente planejado.
E já não sabia se estava mais assustado… ou fascinado.
Teorias improváveis
Naquela noite, e Matthew estavam jogados nos degraus da arquibancada do ginásio vazio, ainda de uniforme, cada um com uma garrafa de isotônico pela metade. O silêncio do local só era quebrado pelo barulho distante de uma bola quicando em outra quadra.
segurava o envelope amarelo entre os dedos, encarando-o como se fosse um enigma impossível.
— Eu não consigo parar de pensar nisso, Matt. — Sua voz estava baixa, quase um desabafo. — Quem teria coragem de entrar no vestiário no meio do treino?
— Alguém muito apaixonado, obviamente. — Matthew disse, se divertindo com a situação.
— Ou muito louco.
— Ou as duas coisas. — completou Matthew, rindo. — Mas vamos lá, vamos brincar de detetive. Quem você acha que poderia ser? — suspirou, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Eu pensei na Jenny. Ela sempre dá em cima de mim, mas… quando eu tentei jogar uma indireta, ela não fez ideia do que eu tava falando.
— Jenny é óbvia demais. Aposto que não é ela. — Matthew deu um gole no isotônico e fez cara pensativa. — Talvez alguma garota quieta, que nunca fala com você. Essas sempre surpreendem.
— Tipo quem?
— Aquele pessoal do clube de literatura. — Ele gesticulou exagerado. — Pensa só, poesia, frases dramáticas, papel colorido… combina perfeitamente. — riu sem vontade.
— E por que alguém do clube de literatura se infiltraria no vestiário masculino?
— Porque o amor não conhece regras! — Matthew disse em tom teatral, colocando a mão no peito. — balançou a cabeça, mas um pequeno sorriso escapou.
— E se for um garoto? — soltou de repente, mais para provocar do que por acreditar. —- Matthew arregalou os olhos por um instante, depois abriu um sorriso travesso.
— Hm… interessante. Seria um plot twist incrível.
— Para de zoar. Tô falando sério.
— Eu também! — Matthew riu. — Cara, pensa só: você descobre que é um garoto, e aí fica aquele clima de filme indie, cheio de metáforas. Eu já consigo ver até o título: "Cartas Amarelas: Um Romance Proibido."
revirou os olhos, mas não respondeu. No fundo, a possibilidade cruzava sua mente, mesmo que por segundos.
Matthew terminou o isotônico e jogou a garrafa no chão, suspirando.
v — Bom, seja quem for… essa pessoa claramente te conhece bem. Sabe onde você tá, sabe como mexer nas suas coisas. Não é qualquer estranho.
O comentário fez se calar. Ele já tinha pensado nisso, mas ouvir em voz alta tornava tudo mais real.
Quem quer que fosse, estava mais perto do que ele imaginava.
Um par inesperado
O cheiro característico de álcool e produtos químicos preenchia o laboratório de ciências. As bancadas metálicas refletiam a luz branca das lâmpadas fluorescentes, e o som dos vidros sendo manipulados pelos alunos criava uma melodia de tilintares e sussurros.
se acomodou em seu lugar, jogando a mochila ao lado da cadeira. Olhou para o espaço ao lado, esperando ver Matthew, pronto para mais uma sessão de experimentos desastrados que quase sempre acabavam em piada.
Mas o lugar estava vazio.
O professor passou entre as fileiras, batendo palmas para chamar atenção:
— Certo, turma! Hoje vamos trabalhar em duplas. Quem não tiver par, junte-se a outro grupo incompleto.
ergueu as sobrancelhas.
— Ótimo, o Matthew me deixou na mão…
Foi então que percebeu uma garota parada alguns passos à frente, igualmente sem parceiro. Ela tinha os cabelos castanhos presos em um coque improvisado, alguns fios soltos emoldurando o rosto. Segurava um caderno repleto de anotações rabiscadas, e parecia analisar as bancadas como quem calculava mentalmente todos os passos do experimento. Era .
a conhecia de vista, mas nunca tinha falado diretamente com ela. Era amiga de Amanda, do outro grupo, e sempre parecia quieta, ocupada demais em seus próprios pensamentos para se misturar às conversas barulhentas da sala.
— , venha aqui. Você pode fazer dupla com o . — A voz do professor cortou seus devaneios.
Ela se aproximou devagar, ajeitando os óculos no rosto e abrindo um sorriso educado.
— Oi… acho que vamos ser dupla hoje.
— É… parece que sim. — respondeu meio sem jeito, puxando a cadeira para ela.
Por alguns segundos, ficaram em silêncio, até que se inclinou para a bancada e começou a organizar os materiais. Sua postura era tranquila, meticulosa, como se estivesse totalmente no controle do que fazia.
— Então… você entende mesmo dessas coisas? — perguntou, apenas para puxar conversa.
— Um pouco. — Ela deu de ombros, sem arrogância. — Gosto de química. É como cozinhar, só que se você errar a receita… pode explodir alguma coisa.
riu, surpreso.
— Nunca pensei por esse lado.
— Pois é. — o olhou de relance, um sorriso rápido surgindo. — Mas cozinhar também pode dar errado. Você já tentou fazer panquecas sem fermento? É praticamente o mesmo desastre.
A resposta o pegou desprevenido, e ele se viu rindo de verdade, coisa rara em uma aula de laboratório. Aos poucos, o silêncio inicial deu lugar a uma conversa fluida. Ela tinha comentários inteligentes, mas sempre com um toque de humor sutil, que deixava as horas passarem mais rápido.
Quando o professor finalmente anunciou o fim da atividade, percebeu que não tinha apenas aprendido mais sobre reações químicas — tinha descoberto que era uma garota bem mais interessante do que imaginava.
Enquanto arrumava as coisas, pensou consigo mesmo:
"Engraçado… como é que eu nunca tinha reparado nela antes?"
O terceiro envelope
Na manhã seguinte, entrou na sala ainda com o pensamento preso na aula de química do dia anterior. O cheiro de livros e lápis novos misturava-se à luz suave do sol que entrava pelas janelas altas.
Ao abrir o caderno para revisar algumas anotações, seus olhos caíram imediatamente sobre um envelope amarelo, cuidadosamente colocado entre as folhas do meio. Seu coração deu um salto.
— Não pode ser… — murmurou, pegando o envelope com cuidado.
Antes que pudesse abrir, sentiu uma presença atrás de si.
— Bom dia, detetive dos envelopes misteriosos. — Matthew surgiu encostado na mesa ao lado, com aquele sorriso malicioso que sempre o deixava um pouco desconfortável.
— Bom dia… — respondeu, ainda encarando o envelope. — Como você sabe…?
— Ah, por favor. — Matthew deu uma risadinha. — Você não consegue disfarçar nada, . Só de andar pelo corredor já tava com cara de quem tá tentando decifrar alguma coisa.
suspirou, guardando o envelope momentaneamente.
— Ontem, na aula de laboratório… foi diferente. Fizemos dupla com a .
— , hein? — Matthew arqueou as sobrancelhas, curioso. — A garota tímida e misteriosa do fundo da sala?
— Ela não é tímida… — retrucou, sentindo um leve calor subir ao rosto. — Ela só… se concentra. É inteligente. E conversa de um jeito que você percebe que ela pensa mesmo no que diz.
— Hmm… inteligente e um pouco esquisita. Perfeito. — Matthew riu, batendo no ombro dele. — E gatinha, não vou negar. Aposto que você ficou curioso, né?
revirou os olhos, incomodado com o jeito que Matthew falava, mas tentou disfarçar.
— Não é isso… Só achei interessante a forma como ela pensa. É raro conhecer alguém assim.
Matthew deu de ombros, ainda sorrindo.
— Tá, tá… eu entendi. Mas me conta logo: o que é esse envelope aí? Parece que você vai explodir se não me mostrar.
pegou o papel amarelado e, com cuidado, abriu-o. A caligrafia elegante e inclinada saltou aos olhos:
"Segredos bem guardados têm um jeito de aparecer quando menos se espera."
— Ah… não. — murmurou, passando a mão pelo cabelo. — De novo. Dentro do meu caderno. Como alguém entrou na minha mochila, Matthew?
— Sensacional! — Matthew bateu palmas, divertidíssimo. — Cara, isso é obra de alguém com muita coragem. A pessoa não só entra na sua mochila como ainda deixa recados poéticos. É sério, parece coisa de filme.
— Não é engraçado… — disse, franzindo a testa. — Eu nem sei se quero descobrir quem é. É arriscado, mas ao mesmo tempo… eu fico curioso.
— E é isso que torna divertido! — Matthew respondeu, rindo. — Aposto que você já tá fazendo lista de suspeitos na cabeça.
— Pois é… — murmurou, olhando para a mesa. — Ontem pensei na Jenny, mas não pareceu ela. E não quero forçar suspeitas, mas… quem teria tanta coragem pra fazer isso?
Matthew cruzou os braços, pensativo.
— Olha… pode ser alguém tímido demais pra falar com você de frente, alguém criativo ou… alguém que adora observar de longe. Mas sério, esse envelope é… ousado. Aposto que essa pessoa gosta de você mais do que você imagina.
suspirou, guardando o bilhete na capa do caderno, e por um instante ficou parado, pensando nas possibilidades. O sol atravessava a janela e iluminava o envelope, fazendo o amarelo vibrar de um jeito quase mágico.
— Ou… pode ser que seja alguém bem perto da gente, e a gente nem percebeu ainda. — disse baixinho, quase para si mesmo.
Matthew deu um sorriso malicioso.
— Aí é que tá a graça, meu amigo. Você vai descobrir cedo ou tarde… se tiver coragem de prestar atenção nos detalhes.
apenas balançou a cabeça, mas sentiu um frio na barriga. Mais uma vez, aquele envelope tinha mudado completamente seu dia — e ele ainda não fazia ideia de quem era a pessoa por trás das cartas.
Arquibancada e surpresas
O sol da tarde caía suavemente sobre a quadra da escola, deixando tudo com uma luz dourada. e Amanda estavam sentadas na arquibancada, conversando baixinho. Amanda ria, gesticulando com entusiasmo sobre o último episódio de uma série que ambas acompanhavam, enquanto ouvia atentamente, sorrindo de leve, às vezes fazendo comentários inteligentes e engraçados que mostravam seu jeito peculiar de ver as coisas.
— …e aí, sério, você não vai acreditar no que ele fez! — Amanda dizia, quase soluçando de tanto rir.
— Hum… — respondeu, inclinando a cabeça. — Eu até consigo imaginar. Ele sempre exagera.
De repente, um vulto surgiu descendo os degraus da arquibancada. Era Matthew. Com seu sorriso malicioso estampado no rosto, ele se aproximou sem cerimônia.
— Olá, senhoritas! — anunciou, sentando-se no espaço vazio ao lado de Amanda e , sem sequer pedir licença.
Amanda arregalou os olhos, surpresa.
— Matthew! Ué… você não vai treinar?
— Treino cancelado, prioridade agora é a companhia de duas garotas muito interessantes. — Ele piscou, como se aquilo fosse o comentário mais natural do mundo.
ergueu uma sobrancelha, um sorriso contido nos lábios.
— Interessante, hein? — disse, meio divertida, meio desconfiada.
Matthew se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Sim! Inteligentes, engraçadas e — fazendo uma pausa dramática — com ótimo gosto para séries de suspense.
— Você é impossível! — Amanda riu, cobrindo a boca com a mão.
— É só a verdade. — Matthew deu de ombros, sorrindo. — E você, , me parece alguém que pensa muito antes de falar. Aposto que já percebeu que nada que digo é aleatório.
desviou o olhar por um instante, concentrando-se em observar a quadra.
— Hm… às vezes sim, às vezes não. Depende do dia.
Matthew riu baixo, claramente encantado com o mistério.
— Esse é o tipo de pessoa interessante, eu diria. Não fala demais, mas quando fala, faz valer cada palavra.
sorriu de leve, surpresa consigo mesma por estar rindo sem querer. Amanda olhou para ela, dando uma piscadinha, claramente satisfeita com a interação.
Enquanto isso, lá do outro lado da quadra, estava observando discretamente. Seu coração bateu mais rápido ao ver sorrindo assim e não entendia o porquê estava sentindo essa reação.
Matthew, completamente alheio à presença de , continuou a conversar de forma divertida e inteligente, fazendo perguntas inesperadas e comentários leves, arrancando risadas discretas de . apenas se apoiou no corrimão da arquibancada, sentindo aquela curiosidade misturada com uma pontada de fascínio: a garota era realmente interessante, diferente de tudo que ele conhecia até então.
E naquele momento, ele percebeu algo: não estava pensando nos envelopes amarelos e sim em como tinha uma maneira de chamar atenção que era totalmente própria — e ele queria descobrir mais sobre ela.
O quarto envelope
caminhava pelos corredores quase vazios do colégio, ainda pensando na aula de laboratório do dia anterior e na conversa inesperada com . Ele pegou sua mochila, pronto para ir embora, quando percebeu algo estranho: entre o caderno de anotações e o livro de história, estava um envelope amarelo cuidadosamente colocado.
— Não pode ser… de novo. — murmurou, surpreso.
O corredor estava silencioso, apenas alguns passos ecoando à distância. Com cuidado, abriu o envelope e retirou o bilhete:
"Às vezes, o inesperado nos mostra o que realmente queremos observar."
A caligrafia era a mesma dos bilhetes anteriores: delicada, inclinada, cuidadosamente elaborada. respirou fundo, sentindo o coração bater mais rápido. Ele guardou o bilhete na mochila, ainda absorvendo o impacto da mensagem, pensando na aula de química, na arquibancada e, claro, na .
Nesse instante, passos conhecidos se aproximaram pelo corredor. Era Matthew, mochila nas costas, com aquele sorriso malicioso de sempre.
— Então, detetive, alguma novidade no caso da sua admiradora secreta? — perguntou, com um brilho divertido nos olhos.
fechou o zíper da mochila e murmurou:
— Mais um. O quarto envelope.
Matthew fingiu um choque exagerado.
— O quarto? Mano… essa pessoa é realmente dedicada!
— Não é engraçado. — disse , tentando manter a seriedade. — Alguém entrou na minha mochila. É ousado demais.
— Ou apaixonado demais. — Matthew sugeriu, piscando. — Quem quer, dá um jeito.
desviou o olhar, incomodado, mas pensativo.
— Seja quem for, está perto… e isso me deixa intrigado.
Matthew riu, dando um tapinha no ombro dele.
— Relaxa, cara. Entre essa misteriosa admiradora e a nova garota do laboratório, você vai ter que prestar atenção nos detalhes.
permaneceu em silêncio, guardando o bilhete. Mais uma vez, o mistério tinha se infiltrado em sua rotina de forma inesperada — e ele não fazia ideia de quem estava por trás das cartas.
Pensamentos e conexões
O quarto de estava silencioso, iluminado apenas pela luz amarelada do abajur na escrivaninha. Ele sentou-se, suspirando profundamente, e abriu sua mochila com cuidado. Um por um, espalhou os quatro envelopes amarelos sobre a mesa, como se estivesse organizando pistas de um grande mistério.
Pegou o primeiro envelope e releu:
"Hoje o sol me lembrou você."
O segundo:
"Alguns segredos ficam ainda mais bonitos quando guardados a sete chaves."
O terceiro:
"Segredos bem guardados têm um jeito de aparecer quando menos se espera."
E, por fim, o quarto:
"Às vezes, o inesperado nos mostra o que realmente queremos observar."
passou a mão pelo cabelo, sentindo uma mistura de ansiedade e fascínio. Quem seria capaz de escrever essas coisas e ainda se arriscar tanto? A mente dele começou a viajar: poderia ser alguém tímido do time? Ou talvez uma garota que ele nem suspeitava? Até Jenny passou por seus pensamentos, mas ele descartou rapidamente — a reação dela no corredor não combinava com tudo isso.
Ele olhou para o quarto, tentando imaginar os possíveis autores. A cada envelope, a sensação de estar sendo observado aumentava. se perguntou se já tinha recebido alguma pista sem perceber: um olhar estranho, um sorriso repentino… qualquer detalhe que pudesse revelar o mistério.
Respirou fundo e guardou os envelopes juntos, ainda sentindo o peso do segredo. No silêncio do quarto, percebeu que parte de si estava ansiosa e curiosa, e outra parte temerosa — o mistério começava a se infiltrar na sua rotina de forma incontrolável.
A sala estava barulhenta, com grupos se formando de última hora para a atividade. carregava a mochila no ombro, o peso dos envelopes ainda rondando sua mente, quando avistou já sentada no canto da sala, organizando seus materiais com calma. Matthew, claro, chegou junto com ele e logo ocupou o lugar ao lado, largando a mochila no chão de qualquer jeito.
— Então, grupo dos gênios, estamos prontos? — Matthew disse com aquele sorriso largo.
ergueu os olhos, ajeitando os óculos na ponta do nariz, e respondeu tranquila:
— Prontos, sim. Só falta vocês levarem a sério.
— Ih, levou bronca já no primeiro minuto. — provocou, com um sorriso discreto, arrancando uma risadinha dela.
Enquanto folheava o caderno para anotar os primeiros cálculos, Matthew se inclinou na mesa, apoiando o queixo na mão e encarando descaradamente.
— Sabe, nunca tinha reparado direito em você, . Você tem esse ar de nerd misteriosa… mas dá pra ver que tem um charme escondido aí.
piscou, surpresa, mas não perdeu a calma.
— Obrigada, eu acho. Mas se você está tentando me cantar, Matthew, pode economizar a energia.
ergueu os olhos na mesma hora, curioso. Matthew riu, fingindo estar ofendido.
— Poxa, tão direta assim?
— Só estou poupando seu tempo. — fechou o estojo, firme. — Eu gosto de outra pessoa.
O ar pareceu mudar por um instante. desviou o olhar para o caderno, mas a frase ficou ecoando na sua mente. Outra pessoa. Quem?
Matthew, no entanto, apenas soltou uma gargalhada.
— Beleza, beleza. Rejeição educada, eu respeito. Mas fica registrada minha tentativa.
riu levemente e voltou a se concentrar nos cálculos, como se nada tivesse acontecido. Mas não conseguiu disfarçar: enquanto fingia escrever, a curiosidade o consumia.
Outra pessoa.
Não era Matthew. Mas poderia ser alguém dali? Alguém que também o intrigava sem ele nem perceber?
Ele balançou a cabeça, tentando focar, mas já estava com a mente a mil — entre os envelopes misteriosos e aquela nova informação que deixara escapar.
v
v No corredor, depois da aula de química, caminhava ao lado de Matthew, tentando manter a expressão neutra, mas a conversa na arquibancada ainda rodopiava em sua mente.
v — Então… — começou, olhando para frente, — você percebeu como a reagiu hoje? Quando você começou a… sei lá… brincar com ela?
Matthew arqueou as sobrancelhas e soltou uma risada baixa.
— Ah, sim… percebi sim. Mas cara, deixa eu adivinhar: você ficou com a pulga atrás da orelha, né?
— Não é isso… — murmurou, olhando para o chão. — Só achei estranho ela falar que gosta de outra pessoa.
— Estranho? — Matthew zombou, empurrando-o de leve no ombro. — Meu amigo, isso é tipo um sinal de alerta romântico! Cuidado aí, você tá começando a prestar atenção nela mais do que devia.
corou e bufou, cruzando os braços.
— Não é nada disso. Só fiquei curioso.
— Ah, claro, claro… — Matthew disse, piscando maliciosamente. — Curioso, né? Tipo “hmm, quem será esse tal de outro pessoa?” Curioso demais… ou interessado demais?
revirou os olhos, mas não conseguiu negar por dentro.
— Cala a boca, Matthew… você não entende.
— Eu entendo sim! — Matthew riu, dando uma palmada de leve nas costas dele. — Só estou dizendo que você tá dando muita atenção pra essa aí. Fica esperto, hein. Pode ser que você não perceba, mas o coração já tá acelerado.
bufou novamente, tentando focar em outra coisa, mas a frase ficou ecoando. O coração já tá acelerado…
Ele respirou fundo, ainda tentando organizar os pensamentos. Entre os envelopes misteriosos e a presença real de , cada detalhe começava a pesar de um jeito diferente em sua mente.
Matthew apenas continuou rindo, claramente satisfeito por ver o amigo todo desconcertado, enquanto caminhavam juntos pelo corredor.
Mais um envelope
voltou para o vestiário, a cabeça ainda girando com a conversa com Matthew. Cada palavra dele ecoava: “Curioso demais… ou interessado demais?”
Não conseguia parar de pensar em , no jeito como ela falava, no sorriso rápido que surgia sem esforço.
Ao abrir a mochila para pegar o caderno, seus dedos tocaram algo inesperado. Entre livros e materiais de química, mais um envelope amarelo estava lá, cuidadosamente colocado como os anteriores.
— Não… de novo? — murmurou, surpreso e quase sem fôlego.
Ele abriu o envelope com cuidado, retirando o bilhete. A caligrafia era inconfundível: elegante, inclinada, familiar.
"Às vezes, a curiosidade revela aquilo que o coração já percebeu."
parou por um instante. Seus olhos se arregalaram e o bilhete caiu praticamente no colo dele. O conteúdo parecia falar diretamente com ele, e não pôde evitar que sua mente voltasse à .
“A curiosidade revela aquilo que o coração já percebeu…”
Seu coração acelerou. Era quase como se o autor do bilhete soubesse de algo que ele ainda não queria admitir nem para si mesmo. A frase parecia tocar exatamente na dúvida que Matthew havia provocado horas antes: será que ele realmente estava começando a se interessar por ?
Matthew apareceu logo depois, chegando pelo corredor do ginásio, mochila nas costas, ainda com aquele sorriso brincalhão:
— E aí, detetive, descobriu o que mais? — perguntou, inclinando-se para espiar o envelope. segurou o bilhete, com um sorriso nervoso e meio tímido. — Mais um… quarto? Não, quinto… — ele contou rapidamente na cabeça. — Enfim, outro envelope amarelo. — Matthew arregalou os olhos e riu alto. — Meu Deus, cara, você tá cercado! Essa pessoa não só gosta de você… tá tentando te enlouquecer de vez!
— Não é engraçado. — disse, passando a mão pelo cabelo. — A frase… parece que sabe de algo que nem eu mesmo percebi.
Matthew piscou malicioso.
— Ahhh… isso é tipo um “mensagem subliminar do coração”, sabia? — Matthew riu e baixou o tronco, como se fosse contar um segredo. — Aposto que você já tá pensando nela… , não é?
corou instantaneamente e desviou o olhar, incapaz de negar, mas também sem responder. Seu coração batia mais rápido, não só pelo bilhete, mas pelo pensamento da garota que havia cruzado seu caminho alguns dias antes.
O corredor silencioso parecia apertar em volta dele. Entre os envelopes e a presença dela em sua mente, sentiu que algo estava prestes a mudar de forma inesperada, e que os mistérios das cartas e da vida real estavam se aproximando perigosamente de se encontrarem.
Observando o mistério
estava encostado na parede do corredor, mochila pendurada no ombro, respirando devagar para tentar organizar os pensamentos. Os cinco envelopes ainda rodopiavam em sua mente, cada frase, cada detalhe, cada risco que o autor havia tomado para entregar aquelas mensagens.
Mas agora havia algo novo. Um pensamento que o fez corar sozinho no corredor: e se… e se a fosse a autora?
“Não pode ser… seria loucura, não é?”, pensou, franzindo a testa.
Mesmo assim, parte dele desejava que fosse ela. Aquela curiosidade, aquela inteligência, aquele jeito de ser… tudo combinava com a forma de escrever dos bilhetes.
Sem perceber, começou a observar discretamente do outro lado do corredor. Ela conversava com Amanda perto das mesas de laboratório, rindo baixinho de algo que Amanda dizia. sentiu o coração bater mais rápido, tentando separar os sentimentos confusos: a atração real que sentia por ela e a vontade de descobrir o mistério das cartas.
“Se ela for a autora…”, pensou, mordendo o lábio inconscientemente. “Será que faria sentido? Mas se não for… então eu tô só me iludindo.”
Ele continuou observando cada gesto: o jeito que ela ajeitava os óculos, como inclinava a cabeça quando pensava, os pequenos sorrisos que surgiam sem esforço. Cada detalhe fazia com que o mistério se misturasse à atração que ele tentava negar.
Matthew passou correndo por ele, carregando livros e rindo de alguma piada que ninguém mais ouviu. desviou o olhar rapidamente, mas seu foco voltou para . Ele sentiu uma estranha mistura de ansiedade e esperança: se ela fosse mesmo a autora, tudo faria sentido — a coragem, a inteligência, o cuidado com as palavras.
E mesmo que parecesse loucura, ele desejava profundamente que fosse ela.
suspirou, encostando as costas na parede, tentando manter a calma. Mas por dentro, sabia que estava prestes a se perder entre o mistério das cartas e a presença da garota que tinha acabado de descobrir ser muito mais interessante do que imaginava.
Ele permaneceu ali por alguns minutos, observando discretamente, sem se dar conta de que cada olhar deixava o mistério e a realidade perigosamente próximos de se encontrarem.
Uma pista sutil
No dia seguinte, entrou na sala de química ainda preso aos pensamentos sobre os envelopes e . Ele tentou se concentrar, mas cada gesto dela, cada sorriso discreto, fazia sua mente divagar.
Enquanto organizava seu caderno, percebeu algo estranho: um pequeno pedaço de papel dobrado caíra sobre sua carteira. Surpreso, olhou ao redor — ninguém parecia ter notado.
Com cuidado, abriu o papel.
Não havia assinatura, apenas algumas palavras escritas com caligrafia delicada e inclinada, semelhante aos envelopes:
"Alguns olhares dizem mais que palavras. Preste atenção."
sentiu um frio na espinha. O recado parecia falar diretamente com ele. Olhou para , que estava conversando com Amanda do outro lado da sala, rindo baixinho. Nada indicava que ela tivesse colocado o papel ali. Ou talvez… exatamente isso.
Matthew, que chegara atrás dele, percebeu a expressão séria do amigo.
— O que foi agora? — perguntou, curioso.
— Não sei… — murmurou, dobrando o papel com cuidado. — Só… preste atenção. Parece que alguém está tentando me dizer alguma coisa.
Matthew arqueou as sobrancelhas, piscando maliciosamente.
—Tá apaixonadinho e já acha que os bilhetes vêm de quem? ?
desviou o olhar, vermelho de vergonha, mas não pôde negar para si mesmo que, por um instante, desejou que fosse ela. A maneira como ela mexia no cabelo, como sorria de forma sutil, tudo parecia agora carregado de significado.
Ele respirou fundo, tentando organizar os pensamentos. A pista era pequena, sutil, mas intensa o suficiente para deixar seu coração acelerado. E, pela primeira vez, sentiu que o mistério estava muito mais próximo do que jamais imaginara — tão perto que ele podia vê-la sem perceber que cada gesto escondia uma mensagem.
No corredor, caminhava ao lado de Matthew, que não parava de gesticular animado.
— Cara, você tá sabendo da festa de sábado? — Matthew perguntou, os olhos brilhando. — Vai ser épica! Música, comida, competição de dança… até os professores vão ficar de olho!
— Sim, ouvi falar… — respondeu, sorrindo discretamente. — Parece que todo mundo vai.
— Todo mundo mesmo! — Matthew exclamou, empurrando-o de leve no ombro. — E aí, meu amigo, já pensou em quem quer encontrar lá?
corou, desviando o olhar.
— Ah… sei lá… — murmurou, tentando parecer indiferente, mas não conseguiu evitar pensar em .
Matthew percebeu na hora e sorriu malicioso.
— Hahaha! Tá pensando nela, né? , não é? Então já sei: vamos garantir que ela apareça! Posso perguntar pra ela se vai ou pelo menos sondar.
engoliu em seco e bufou, sem saber se ria ou ficava nervoso.
— Não precisa tanto assim… — disse, tentando disfarçar.
— Ah, relaxa! — Matthew continuou, dando de ombros. — Sábado vai ser divertido, e se ela for, ótimo. Se não, a festa ainda promete. Mas eu vou dar um jeito de descobrir se a vai aparecer.
balançou a cabeça, dividido entre ansiedade e curiosidade. Ele não sabia ainda que aquela festa seria o momento em que o mistério e a vida real estariam prestes a se encontrar — e que talvez fosse o ponto de virada para tudo que vinha acontecendo desde os envelopes amarelos.
O refeitório estava cheio de alunos, risadas e talheres batendo nos pratos. e Amanda estavam sentadas juntas, conversando baixinho sobre trabalhos de química e planos de estudo para o fim de semana.
Matthew apareceu de repente, empolgado, e olhou para com aquele sorriso travesso:
v — Tenho uma ideia! — disse ele, puxando pelo braço. — Vamos sentar com as duas ali, rapidinho, e conversar.
bufou, relutante, mas acabou cedendo, sentando-se ao lado de Matthew, enquanto Amanda olhou surpresa e ergueu as sobrancelhas, curiosa.
— Olá! — Matthew começou, sorrindo. — Espero não atrapalhar.
— Não, tá tudo bem. — respondeu , com o tom calmo e educado de sempre.
Depois de alguns minutos de conversa casual, Matthew mudou o rumo da fala, com aquele jeito malicioso dele:
— Então, sábado vai ter a festa da escola, né? Vocês vão? — perguntou, olhando para com um leve sorriso.
suspirou e balançou a cabeça.
— Não, infelizmente não. Preciso estudar.
, sentado ao lado, não conseguiu esconder a cara de frustração. Seu coração afundou só de ouvir a resposta dela, e ele desviou o olhar para o prato, fingindo que nada tinha acontecido.
Matthew percebeu imediatamente e piscou para , divertido.
— Olha a sua cara! Comeu algo e não gostou?
— N-não… — gaguejou, tentando recuperar a compostura, mas o rubor em suas bochechas entregava tudo.
apenas sorriu, sem entender direito o motivo de estar tão desconcertado. Amanda riu baixo, dando uma piscadinha para ele, percebendo que algo estava acontecendo, mas sem comentar nada.
Matthew, satisfeito com a situação, continuou conversando, puxando outros assuntos, enquanto tentava focar na conversa, mas a frustração e a curiosidade sobre só aumentavam.
A música alta já ecoava pelo ginásio decorado com luzes coloridas e balões. entrou junto com Matthew, ambos carregando mochilas e risadas, enquanto olhavam ao redor a multidão de alunos dançando e conversando.
— Cara, isso sim é uma festa! — Matthew exclamou, abrindo os braços. — Olha só a galera!
— Sim… — murmurou, observando o ambiente, tentando se concentrar. Mas, no fundo, sua mente estava longe. Nos envelopes, nas mensagens misteriosas, e claro… na .
Enquanto Matthew puxava conversa com alguns amigos e se jogava no clima, algumas garotas se aproximaram de , rindo e tentando puxar papo.
— Ei, ! — chamou uma delas, sorridente. — Que bom te ver aqui!
respondeu com um sorriso educado, mas não conseguia se concentrar na conversa. Cada gesto, cada risada, cada olhar que via pela sala fazia sua mente voltar automaticamente para .
Será que ela veio? Será que vai aparecer?”, pensava, mordendo levemente o lábio. “E se for ela quem colocou os envelopes?”
Matthew, percebendo que não estava prestando atenção, cutucou-o de leve:
v — Você tá aí todo desligado, hein? Parece que tá pensando em alguém… ou em alguma coisa…
desviou o olhar, tentando disfarçar, mas não conseguiu esconder o rubor nas bochechas.
— É… só estou pensando no… no que aconteceu nos últimos dias. Nada demais.
Enquanto a música continuava, se manteve ali, observando discretamente cada canto do ginásio, tentando identificar qualquer sinal de . Mesmo cercado de risadas, dança e conversas, ele estava totalmente imerso nos envelopes e no mistério, seu coração acelerado a cada novo pensamento sobre ela.
Matthew riu baixinho, satisfeito, percebendo que o amigo estava completamente perdido na própria mente.
— Então é isso… tá na sua, né?
apenas suspirou, sem responder, deixando os olhos vagarem pelo ginásio, na esperança de finalmente encontrar a garota que ocupava seus pensamentos — e talvez, enfim, descobrir a identidade do autor dos bilhetes amarelos.
estava no meio do ginásio, tentando acompanhar Matthew enquanto ele se jogava na pista de dança, mas sua mente permanecia distante, focada em e nos envelopes.
De repente, uma garota desconhecida se aproximou dele, sorrindo timidamente, e estendeu a mão:
— Isso é pra você. — disse, entregando pessoalmente um envelope amarelo.
, surpreso, pegou o envelope com cuidado, sentindo o peso da expectativa. Ele abriu rapidamente e retirou o bilhete:
"É no clarão das estrelas em um céu escuro, no cheiro das flores do jardim e no som das folhas ao vento que segredos são desvendados. 21:12."
Ele ergueu os olhos para o relógio na parede do ginásio: 21:11. Seu coração acelerou imediatamente.
“21:12…”, pensou, mordendo o lábio. A descrição do bilhete fez sua mente disparar. “O jardim do fundo do colégio… é lá! É lá que vou descobrir tudo!”
O ambiente da festa parecia desaparecer por alguns segundos. Luzes, música e risadas transformaram-se em um pano de fundo distante. sentiu o peito bater mais forte, ansioso e empolgado ao mesmo tempo.
— Matthew… — disse ele, tentando controlar a voz, — eu… eu preciso ir lá agora.
Matthew piscou surpreso, mas sorriu:
— Ahh, eu já tava esperando por isso. Vai lá, cara! É o momento que você tanto esperava!
respirou fundo, segurou o envelope com firmeza, e começou a caminhar em direção ao jardim, sentindo a adrenalina subir. Pela primeira vez, ele sabia que estava prestes a descobrir quem estava por trás dos envelopes amarelos e finalmente desvendaria o mistério que o deixava intrigado há semanas.
chegou ao jardim, respirando pesado, o coração martelando no peito. O luar iluminava o caminho, e o cheiro das flores misturava-se à brisa leve que fazia as folhas sussurrarem. O envelope apertado em sua mão parecia pulsar junto com ele.
Ele parou por um instante e então a viu. estava de costas, olhando para o céu estrelado. Um vestido vermelho elegante caía suavemente sobre seus ombros, e os cabelos ondulados desciam livres até a cintura — algo que jamais tinha visto, já que ela sempre os prendia em um coque ou rabo de cavalo.
engoliu em seco, sem acreditar na beleza à sua frente. Cada detalhe parecia perfeito e ao mesmo tempo real demais para ele. Ele respirou fundo e chamou:
— …? — Ela se virou lentamente, e naquele momento o mundo de pareceu parar. Seus olhos se encontraram, e o coração dele disparou de forma descontrolada.
— … — disse , com um sorriso tímido, mas decidido. — Você… veio.
— Eu… eu recebi o bilhete… e… — gaguejou, sem saber exatamente por onde começar. — Eu… eu sabia que tinha que vir.
deu um passo à frente, aproximando-se dele, e seus olhos brilhavam à luz da lua.
— Então… acho que é hora de eu te contar a verdade. — disse ela, respirando fundo. — Fui eu… todos os envelopes, todos os bilhetes amarelos… fui eu. Eu queria te mostrar… que eu gosto de você. — Sua voz tremia um pouco, mas a sinceridade era inegável.
piscou, surpreso, sentindo uma onda de emoções se misturar: choque, alegria, alívio e… amor.
— Você…? — ele conseguiu dizer, segurando sua respiração. — Todos esses bilhetes… você escreveu para mim?
— Sim. — respondeu , aproximando-se ainda mais. — Eu sempre admirei você, sua inteligência, seu jeito de observar o mundo. Cada carta… era a minha forma de tentar chegar até você. Eu não sabia se você sentiria o mesmo…
engoliu em seco, seu coração acelerado batendo forte contra o peito. Ele deu um passo à frente e segurou delicadamente a mão dela.
— … eu… — começou ele, mas as palavras falharam. Então, apenas sorriu, e o coração falou por ele. — gosto de você.
— Eu gosto de você, .
a segurou pela cintura de forma delicada, diferente de como estava seu coração, que batia rapidamente e de forma descompassado, exalando sentimento e emoção.
Passou uma de suas mãos na nuca e a puxou para um beijo terno, mas com muito amor e carinho.
— Você é linda. É maravilhosa. É tudo que eu mais quero, . — disse sorrindo.
Ela sorriu de volta, e naquele instante, a tensão, a curiosidade e os segredos se dissolveram em um silêncio cheio de promessas. Finalmente, o mistério havia sido desvendado, e tudo o que restava era a verdade: eles estavam ali, juntos, sob o céu estrelado, e tudo finalmente fazia sentido.
FIM...
Nota da autora: Sem nota.
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