Doce Amor
por Ane


Challenge: #007
Nota: 9,0
Colocação:




pegou suas malas no quarto, e soltou um longo suspiro, enquanto se encaminhava para a sala. Suas mãos estavam tremendo um pouco, se sentia nervosa. Os olhos passaram pela casa, se lembrando do que havia acontecido no ano passado. Balançou a cabeça querendo esquecer. Seria muito difícil encontrá-lo de novo, certo? Perguntou-se mentalmente tentando acreditar nisto.

-Não teria tanto azar, teria? – Sussurrou para si mesma.

Andou até a porta da sala para desligar as luzes, fitando o lugar já sentindo falta. Colocou a mala no chão e pegou o chaveiro de seu mustang na placa onde deixava todas as chaves da casa. Desligou a luz, e tomou uma vez mais a mala em suas mãos. Passou pela porta, trancando-a imediatamente. Desejou enquanto guardava a mala no porta-malas que esse feriado fosse melhor do que o do ano passado.

Certificou-se de estar tudo certo, e entrou no carro apenas com sua bolsa. Trancou a porta, colocou o cinto, e distraidamente ligou o rádio. Começou a tocar Airplanes e ela acompanhou batendo com a mão esquerda no volante enquanto cantava. A música era sua maior terapia. Sorriu feliz, cantando, fingindo estar saindo para encontrar suas amigas, mas a música que veio depois pareceu trazê-la de volta a realidade.

A música Decoy de Paramore começou a tocar num tom alto. Seus olhos se apertaram, tentando impedir que uma lágrima solitária e teimosa insistisse em cair. Era como a música dizia. Era fora um passa-tempo. Foi isso que fui. Como alguém como ele, justo ele, poderia se interessar em mim? Perguntou-se em meio as suas lamentações. Sem querer ouvir mais, girou o botão, mudando a estação.

Estava na parte dos anúncios, soltou um breve suspiro, e voltou para a rádio que estava antes. E felizmente, aquela havia acabado. respirou fundo, aliviada. Mas a sorte não estava do seu lado. Então, outra música, mas também nada boa para o momento tocou. Take me Away de Avril Lavigne. Um aperto em seu coração a fez parar, procurou por um acostamento, e parou o carro antes da letra começar.


Não consigo achar uma maneira de descrever isso

Está lá dentro

Tudo que faço é esconder

Eu gostaria que isso simplesmente fosse embora

O que você faria

Você faria se você soubesse

O que você faria?



Apertou suas mãos contra os seus olhos tentando impedir as lágrimas. Respirou fundo e voltou a escutar a música.


Toda a dor

Que eu pensei que conhecia

Todos os pensamentos me voltam para você

De voltar para o que

Nunca foi dito

Indo e vindo

Dentro da minha cabeça

Eu não posso aguentar essa confusão

Eu sou incapaz, venha e me leve embora



A dor em seu peito cresceu, e ela fechou seus olhos. Ainda tentando lutar com seus sentimentos. Precisava de controle, e o medo de ter uma recaída em sua doença a fez estremecer. Na última vez que havia viajado para lá, por conta do mesmo feriado, tivera uma crise. Não poderia se permitir acontecer algo assim de novo. Querendo se preparar melhor, voltou sua atenção novamente para a música.


Eu me sinto como se estivesse sozinha

Apenas comigo mesma, preciso contornar isso

Minhas palavras são frias

Eu não quero que elas o machuquem

Se eu te mostrar

Não acho que você entenderia

Porque ninguém entende



O medo que sentiu quando ficou próxima a ele voltou à flor da pele, como se estivesse vivenciando o sentimento de novo. Agora parecia mais intenso, pois sabia o final. O triste final.


Me leve embora

Me quebre em pedaços

Me leve embora



No final da música, sem ter mais chances de resistir, desistiu. E deixou sua mente lembrar-se de todos os acontecimentos, que a deixaram tão mexida. Em pensar que faz um ano que tudo aconteceu. E ainda assim parece tão recente e forte. Uma lágrima teimosa escorreu pelo rosto, enquanto sua mente recapitulava como tudo havia acontecido. Conforme tudo começava, a dor vinha tirando-lhe o ar.

O feriado de páscoa estava próximo e andava de um lado para o outro da sala. Seus olhos disputavam sua atenção entre o relógio na parede e a mesinha do telefone. Suas mãos tremiam um pouco, estava nervosa. Havia recebido uma noticia ruim um mês atrás. E se sentia mal por não estar por perto. A sua família não era muito normal. Quer dizer, o formato. E com isso as relações eram um pouco complicadas.

E para melhorar havia recebido uma noticia bombástica. Seu pai havia contraído uma doença horrível. Mal de Alzheimer. E com isso, causou uma grande reviravolta. Inclusive em sua vida. E, claro, não é uma situação fácil. Somente pensar nisto dava um embrulho no estomago. Voltou a fitar o telefone se questionando o que fazer. Havia recebido o convite de seu irmão, filho do primeiro casamento de seu pai, a passar a data comemorativa com eles.

Apesar de seu irmão ser caçula do primeiro casamento. E eles terem uma diferença de vinte anos de idade, era sempre ele quem marcava e fazia as festas para juntar a família. Mesmo com todo o carinho dele não se sentia muito a vontade em ir para lá, claro, porém se sentia obrigada a isto. Ainda mais depois de saber da doença de seu pai. Soltando um breve suspiro tomou o telefone em suas mãos e discou o número.

Fez tudo rapidamente para não ter tempo de se arrepender. Ela sabia que não havia reais motivas para seu desconforto. Era muito bem recebida, mas se sentia mal pela mãe. Porém, sempre a incentiva a ir. E vinha com o mesmo discurso de que sempre era bem tratada ao ir lá. Não tinha motivos para se manter afastada. E isto era uma razão a mais para se ver obrigada a estar lá.

A linha tocou algumas vezes, e ela começa a acreditar que era um sinal para desistir disto. Ou pelos menos, era o que se dizia enquanto se decidia por colocar o telefone no gancho. Fitou o tempo de espera e notou ter se passado uns quinze segundos. Com um breve suspiro começou a mover o telefone para baixo, quando uma voz soou na linha extremamente animada.

-Alô? – Perguntou uma voz fina do outro lado.

-Alô, Kelly. Aqui é a tia , tudo bem?

-Oi tia, sim e você?

-Muito bem, querida, obrigada. - Respirou fundo e prosseguiu. – Posso falar com seu pai?

-Claro. – Disse a menina e depois sua voz soou pelo telefone. – Pai! A tia quer falar com você. – Gritou.

-Alô, ?

-Oi Bernardo, tudo bem?

-Tudo sim, maninha, e você?

-Tudo certo. Hmm... Eu queria agradecer ao convite...

A voz dele interrompeu-a antes que tivesse a chance de terminar a sua fala.

-A não, . Você tem que vir.

-Ok, se acalme, eu vou. Só estava agradecendo. – Falou rindo.

-Oh, certo. Então, tenho uma proposta. Porque você não vem antes?

-Hmm... É sério? Quando então? – Indagou nervosa.

-Amanhã.

-Certo, viajo amanhã. Nós nos vemos.

-Ok, eu te pego aí.

O ruído da linha denunciou que a ligação tivera seu fim. Seu corpo se deixou cair no sofá e fechou seus olhos. Talvez fosse uma boa sair um pouco da cidade. Seus olhos ao se abrirem bateram na mesa onde tinha muitas folhas de papeis rabiscadas, e um caderno de capa dura aberto sobre a mesa. Passou as mãos por seus cabelos e andou até lá se sentando. Devia tentar se concentrar.

-Ora de trabalhar. – Murmurou.

Seus olhos se grudaram nas folhas de papeis. Estava tentando terminar aquele romance faz alguns dias. Queria terminá-lo com um desfecho super romântico, mas sua vida pessoal não estava ajudando muito. Fitou o papel por uns instantes e levantou-se ligando o seu cd favorito. Conforme as músicas avançavam, sem nem se dar conta sua caneta deslizava pelo papel suavemente.

E logo seus movimentos pararam e ela soltou um pequeno bufo enraivecido. Se continuasse assim teria muitos problemas. O tempo de entrega de seu livro estava correndo. E o final ainda parecia algo nublado e impossível. Passou a mão por seus cabelos, deixando alguns fios caírem sobre seus olhos. Apoiou a cabeça no encosto da cadeira, e alisou o rosto, tentando se concentrar. Sem resultado falou.

-Caso continue assim serei uma escritora sem editora. – Resmungou sozinha.

Uma ardência queimou seu nariz e soltou um espirro. Seus olhos arderam. fez uma carranca com o rosto e levantou da cadeira. Andou até o banheiro e fitou sua imagem. Ao ver-se levou um grande susto. Seu nariz estava vermelho, assim como seus olhos. Abriu a torneira e jogou um pouco de água no rosto. Estava tentando descobrir como poderia estar doente e uma lembrança invadiu sua mente.

Na noite anterior , e haviam saído para participar de um Lual da faculdade. Ambas estavam muito animadas. Elas foram o caminho todo conversando, enquanto Ane dirigia o carro com calma. Ela estava um pouco triste, e suas amigas a queriam animar. Daí elas tiveram a ideia de participarem do Lual. E como sempre iam, alegaram não poder deixar de ir. E um comentário a fez voltar à atenção para as amigas no carro.

-E, claro, nós não tínhamos como faltar. Nós sempre participamos, seria como quebrar uma regra.

fez uma pequena careta, e sua amiga vendo, soltou uma gargalhada alta. Fazendo a outra se emburrar. Com este pequeno momento, a paz estava de volta. Há muito tempo elas eram amigas. E podiam dizer que eram inseparáveis. Eram completamente diferentes, e ainda assim muito iguais. Tinham sonhos difíceis, mas diziam ser possíveis. E mais ainda se estivessem juntas.

O tempo passou e o carro derrapava pela beirada da praia entrando no estacionamento. As três desceram e cada uma no seu estilo. usava um vestido branco de tricô, que ia até metade de suas coxas. estava com uma blusa vermelha curta e um short jeans. E, por fim, estava com uma calça jeans e uma blusa tomara-que-caia azul. Olharam-se e sorriram caminhando de encontro ao grupo sentado envolta da fogueira.

-Vejam só quem chegou! – Comentou Matt com seus olhos verdes seguindo .

-Olá, boa noite. –Ela falou sorrindo, sentando ao lado de Matt.

-Vamos animar isto. – Gritaram e fazendo todos rirem.

A música começou e todos cantavam juntos. Um sorriso enorme estava estampado no rosto de . Seus dias tinham sido nebulosos. Desde a notícia sobre a doença de seu pai, havia tido um bloqueio em seu trabalho, na faculdade, e em seu pequeno problema emocional. Uma mão quente e suave pousou em seu ombro, fazendo-a girar em direção onde estaria a pessoa.

-Oi, Brad. – Falou ao encontrar o par de olhos castanhos.

-Oi, . Tudo bem?- Perguntou preocupado.

-Sim, e você? – Falou sorrindo calmamente.

-Bem. – Respondeu dando de ombros.

Uma ruga surgiu em sua testa, fazendo seu amigo balançar a cabeça e sorrir, puxando-a pela mão. E ao som da música nova que começava a tocar começaram a dançar. Os dois soltavam risadas, quando um deles fazia um movimento errado. Não eram dançarinos profissionais. E, eram bem enrolados. Num movimento mal calculado caíram na areia rindo muito das trapalhadas.

-Você é péssimo nisto! – Apontou ainda rindo.

-Olha quem fala. Qual é? Não caímos somente por minha causa. – Se defendeu dando ênfase no “somente”.

-Ok, nós somos terríveis. Nossa carreira como um par de dançarinos já era. Qual será o próximo plano, cérebro? – Indagou a garota erguendo uma sobrancelha.

-Hmm... Deixe-me pensar, Pink. – Respondeu o outro alisando o queixo.

Uma trovoada ecoou no céu, e um relâmpago iluminou o pequeno grupo que conversava animado, sem notar os sinais claros de tempestade. e Brad voltaram para junto dos amigos, sem dar importância para o tempo. E logo em seguida todos estavam encharcados debaixo da chuva impiedosa. E como já estavam molhados, eles todos permaneceram por lá.

-Ideia idiota. – Resmungou , fixando seu olhar no espelho.

Correu até a cozinha e tomou uma aspirina. Em seguida foi até seu quarto arrumar sua mala. Com tudo pronto, jogou-se na cama e pegou o telefone pela segunda vez no dia. Discou um número muito conhecido e uma voz sonolenta e rouca atendeu fazendo-a rir. Pelo menos não sou a única pessoa que a travessura rendeu problemas. Pensou nas caras mal humoradas que deviam estar suas amigas.

-Alô.

-Boa tarde, dorminhoca. – Falou baixo.

-Boa noite, . – Uma irritada disse. – Porque me liga de madrugada?

-Madrugada? São três da tarde. - Uma voz conhecida interveio do outro lado.

-Boa tarde, . – Cumprimentou-a.

-Oi , e aí? Algum problema, amiga?

-Não, é só para avisar que vou viajar amanhã e não sei quando volto ok?

-Certo, mas por quê? – Perguntou a curiosa .

-Vou pra casa do Bernardo.

-Daquele gato do seu irmão? – Indagou .

-É amiga, mas é ele é casado, se lembra?

-Claro, mas olhar não tira pedaço. – Quem respondeu agora fora .

-Certo, era isto. Beijos.

Despediu-se por fim. E pôs o telefone no gancho, e imediatamente lembrou-se de dever outra ligação. E assim fez. Avisou a Brad que iria viajar e não sabia quando voltaria. Ele apenas falou para ela se cuidar, e voltar logo. Ao contrário da primeira ligação, terminou a última com um sorriso nos lábios. Ele mais parecia um irmão do que um amigo pensou risonha. Com suas obrigações concluídas pegou seu lap top e foi até a sala, onde havia deixado o livro.

Sem pressa começou a passar a estória para a tela do computador. Seus olhos não facilitavam muito, pois começavam a lacrimejar e seu nariz a corizar. E uma dor de garganta a fazer deixar de lado aquele trabalho chato. A ideia de ficar ali parada a irritava. Decidiu-se por ir até a cozinha e preparar uma xícara de chá e ver se teria algum resultado. Colocou uma chaleira para ferver a apoiou-se na bancada da cozinha.

Seus olhos vagaram pelo cômodo e bateram no relógio. Havia pensado que o tempo estava se arrastando, porém estava completamente enganada. O relógio denunciava que era nove e meia. Desligou a água, e tratou de fazer um misto quente para comer. A gripe não a deixava com fome. Ainda assim, comeu tudo, e encaminhou-se para o quarto. Tomou um banho quente e relaxante, e voltou para a cozinha.

Agora, estava devidamente arrumada para dormir. Usava uma calça larga e um blusão. Não precisava se arrumar a esta hora. Não pelo menos para dormir. Parou novamente na bancada e colocou uma vez mais a chaleira no bocal do fogão e esperou. Enquanto isto fitou a paisagem pela janela imaginando como serão os dias com a sua família. Estava ansiosa, e sua maior preocupação era ter uma crise.

-Não, . Não pense nisto, não agora. Antes que desista.

O seu maior impedimento de visitar seus parentes por parte de pai era sua condição emocional. Ela é um pouco instável. Só que este assunto não era um do qual ela gostava de conversar, ou mencionar. Isto a incomodava, e muito. Por isso se sentia bem perto de suas amigas. Era tudo igual, como sempre foi. Um sorriso triste surgiu em seu rosto, sabendo que sentiria falta daquelas malucas.

A chaleira chiou avisando que estava fervendo. Com cuidado despejou a água na xícara junto com um saquinho de chá. Era o mesmo que sua mãe fazia quando adoecia. Agora com a bebida pronta correu para seu quarto, e deitou-se na cama, colocando a xícara na cabeceira e segurando um livro em suas mãos. Além de escrever, tinha outro vicio. Ler. Nada lhe deva mais alegria do que esses dois hábitos.

Abriu o livro na página marcada e bebericou o chá enquanto lia calmamente sua estória. Sem se dar conta, conforme a quantidade da bebida diminuía o sono aumentava gradualmente. Deixou a xícara no móvel, e pôs o livro ao lado, mas afastado. Ela morria de ciúmes de seus livros. Eles eram seu maior tesouro. Esticou seu braço e desligou a luz do abajur que iluminava o quarto.

Ajeitou-se na cama e dormiu tranquilamente. A noite passou calma, e sem pesadelos. Tudo indicava que acordaria bem tarde naquele dia. E iria, se não tivesse se esquecido de fechar direito as cortinas do quarto. Fracos raios de sol passavam pelas frestas das cortinas batendo no rosto de . Ela girou na cama tampando o rosto no lençol que a envolvia. Ela se preparava uma vez mais para dormir, quando um som chato chegou aos seus ouvidos.

-Oh, mais que droga!

Pulou da cama assustada e vestiu a primeira roupa que viu a sua frente. Pronta, e minimamente apresentável correu até a porta, abrindo-a sem nem mesmo olhar quem era. A sua frente estava a pessoa que menos esperava ver. Seu irmão. Ele a fitava com um sorriso enorme no rosto, mas ao ver as feições dela seu rosto ganhou uma expressão preocupada. De certa forma, ele se sentia responsável por ela. O fato de ele ter trinta anos, e ela vinte, o fazia querer cuidá-la.

-Oi Bê, não esperava você por aqui tão cedo.

-É. Eu sei. O que você tem? – Perguntou pousando sua mão na testa dela, e soltando um suspiro aliviado ao ver que não estava com febre.

-Gripe, é isso que eu tenho. – Falou fazendo uma careta.

-Certo, então vamos. Assim podemos cuidar de você.

-Não precisa Bê.

-Claro que precisa. Sou seu irmão mais velho. Obedeça-me moça. O que é? Só porque já passou dos dezoito não precisa de ajuda? Talvez, deva saber que a idade de vinte anos não é tão longe assim da de dezoito.

-Tudo bem. – Falou se rendendo. – Entre, vou tomar um banho, e podemos ir.

-Obrigado, ok.

-Fique a vontade. - Falou sincera.

-Pode deixar.

Deu as costas para ele, e foi tomar um banho rápido e colocar uma roupa que fosse agradável para a viagem. Colocou uma calça jeans, e uma blusa verde escuro. Completou o visual com uma tiara, e um brinco de argolas, junto com um cordão que tem o formato de uma flor de lótus. Este pingente é muito especial para ela, pois o ganhou de sua mãe no seu aniversário de quinze anos, para lhe dar sorte.

E desde então, em todos os momentos que precisa se sentir segura o usa. Ou melhor, o cordão quase não sai de seu pescoço. Era uma forma de manter sua mãe sempre por perto. Além do mais, era uma jóia de família. Portanto, aquele pingente era muito mais importante e acolhedor que qualquer outro. apertou-o com a mão rapidamente, antes de seguir em frente e encontrar com seu irmão.

-Vamos? – Perguntou aparecendo na sala. – Ou quer algo antes? Uma água ou algo assim?

-Não, estou bem. Por mim, podemos ir agora.

-Então estou pronta.

-Ótimo.

Saíram de casa e Bernardo carregou a mala dela guardando-a no carro, e logo estava na estrada. O tempo passou rápido. Era bom ficar com ele. Somente não tocavam em um assunto. Aquele que dava nervosismo e embrulho no estomago nos dois. Clareando a garganta decidiu perguntar. Queria estar preparada para o que poderia encontrar. Seu pai sempre fora um homem de saúde invejável.

-E como o papai está? – Perguntou receosa.

-Bem, está fazendo o tratamento, mas ainda assim tem crises. O importante é ficarmos de olho.

-Pode contar comigo. – Declarou .

-Nunca tive dúvida disto. – Rebateu o irmão enquanto o carro parava em frente a uma enorme casa.

E somente aí se dera conta de que haviam chegado ao seu destino. O tempo mais rápido do que havia planejado. Um nervosismo tomou conta dela, fazendo-a manter-se parada no lugar. Bernardo deu a volta no carro e abriu a porta, puxando-a gentilmente, e deixando-a de pé. Deu-lhe um beijo suave na testa para logo se afastar e pegar a mala no porta-malas. Enquanto isto a porta se abriu e uma garota de doze anos correu em direção a abraçando pela cintura.

-Tia! – Exclamou feliz a menina.

-Olá, minha linda, como está?

-Estou bem, e você?

-Bem, também. – Falou dando-lhe um beijo na testa.

-! – Chamou-a uma mulher recostada a porta. Julie.

-Oi Julie, como está?

-Bem, querida, e você?

-Bem.

-Mentira. – Disse uma voz por trás delas. – Está gripada.

-Isto não é nada, logo passa. - Protestou.

-Verdade, venha vamos cuidar de você.

-Não quero dar trabalho. – Sussurrou incomodada.

-Não dará. – Falou decidida Julie.

-? – Chamou uma voz muito conhecida por ela.

Ela ergueu o rosto e procurou pela voz. Ao vê-lo de pé, com um enorme sorriso no rosto, correu em direção a ele para abraçá-lo. Sentiu sua blusa subir um pouco, e mostrar a barriga e tratou de abaixá-la. Ao chegar perto o bastante deixou seus braços enlaçarem os ombros de seu pai, sendo retribuída com carinho, mas logo foi afastada. E um olhar seco estava em seu rosto.

-O que é isso? – Gesticulou impaciente em direção a barriga dela.

O olhar dele estava cravado no local onde estava o piercing em seu umbigo. Ela o tinha feito quando completara dezoito anos. Antes sua mãe falara que não poderia fazer. E este fora seu presente de aniversário. Sua mão inconsciente pairou sob o piercing que era simples e delicado. E para notá-lo era difícil, somente se alguém prestasse muita atenção, ou fosse seu pai.

-Nada. – Falou mal humorada tentando acabar com o assunto.

Ela sabia perfeitamente bem que seu pai fora criada em outra época. Um tempo onde estas coisas eram completamente estranhas e absurdas, mas ele tinha que entender um fato. Os tempos mudaram. E ela como uma jovem poderia colocar um se quisesse. Afinal, que mal tinha? Caso não o quisesse mais era fácil. Somente tirá-lo. Totalmente o oposto de uma tatuagem que seria pare sempre. Ele deveria estar feliz, mas não. E suas palavras seguintes comprovaram o pensamento dela.

-, que diabos você fez com você mesma? Não falei que filha minha não usa essas porcarias.

Uma raiva enorme tomou conta dela, e a garota puxou o ar devagar. Não podia acontecer, de novo não. Implorou mentalmente, desejando que seu pai parasse. Não conseguia controlar suas crises. A voz de seu pai continuou e ela acabou por explodir mesmo que não quisesse. E sabendo, que quando voltasse ao normal, veria o quão tola havia agido. Deixou sua voz sair.

-Quer saber, que se dane. Você não manda na minha vida. – Bradou a plenos pulmões e passou pela porta da frente de casa.

Ouviu um suspiro de seu irmão, e pode ouvir o som abafado do corpo de seu pai despencando no sofá. Provavelmente desgostoso com a situação, e sentindo-se culpado, pela crise que dera inicio. Bernardo tomou o remédio da irmã em suas mãos, e correu atrás dela pelas ruas. E quando estava prestes a desistir encontrou-a sentada no balanço da praça, com lágrimas nos olhos.

-?

-Vai embora. – Falou baixo. – Por favor. –Pediu.

-Não, não antes de você tomar o remédio.

-Não quero. – Rebateu.

-Você precisa. Sabe que a sua doença...

-Eu não sou louca. – Respondeu.

-Claro que não, bipolaridade é uma doença, não loucura. É um transtorno, você sabe disto. E eu sei que você o controla muito bem. – Falou docemente. – Tome, por favor. Quero que volte comigo para casa.

Com um suspiro ela pegou o remédio e tomou. Sentia-se mal por isso. Quem precisava de cuidados era seu pai. O seu problema podia ser solucionado. Era só seguir o tratamento. E aí se lembrou que com a confusão do dia anterior havia se esquecido de tomá-lo. Um ar de compreensão surgiu em seu rosto, fazendo seu irmão fitá-la curioso. Querendo perguntar, mas temendo provocar outra crise.

-Por conta da loucura de ontem, não tinha tomado o remédio.

-Oh, faz sentido. Venha. Vamos para casa. – Falou encerrando o assunto.

Juntos, abraçados, voltaram para casa. Antes de entrarem o Bernardo parou na porta com um sorriso sapeca brincando em seus lábios. E ao notá-lo Ane parou imediatamente o olhando desconfiada. O que ele está aprontando? Perguntou-se em pensamento. Com certeza não deve ser algo bom. Pensou, balançando a cabeça se preparando para a grande encrenca que estava por vir.

-Venha. – Pediu risonho acenando para a garagem.

ergueu uma sobrancelha, mostrando não estar entendo nada. Isto fez seu irmão soltar uma gostosa gargalhada, puxando-a para a garagem. Pararam em frente a portão e viu um brilho de antecipação nos olhos dele. Tinha um sorriso sapeca maior ainda, como se tivesse aprontado. E estivesse muito satisfeito consigo mesmo por tê-lo feito. Acenou com a mão para ela entrar.

Ao entrar ali se deparou com um mustang muito bonito, de cor branca. Desde que ela era pequena, aquele era o carro que achava mais bonito. Sentiu sua boca entreabrir-se e escutou uma risada de satisfação ao seu lado. Trocou olhares entre o carro e o irmão fazendo uma pergunta muda de que ainda queria saber o motivo de levá-la até lá. Era só para mostrar o carro mesmo? Perguntou-se.

- O que achou? - Perguntou-a.

-É lindo.

-Sério?

-Sim! – Afirmou.

-Que bom! Porque ele é seu.

-Como? – Perguntou espantada.

-Eu o comprei quando você fez dezoito anos, mas papai pediu para não te dar o carro. Pois não sabia se você tinha tirado a carteira. Então, eu o guardei, e mandei que cuidassem regularmente dele por esses anos. – Entregou-a um chaveiro com duas chaves. – Agora está com a dona.

jogou-se nos braços do irmão, enquanto o mesmo a tirou do chão e rodopiou-a no ar. Eles riram por se lembrarem que sempre faziam isto quando se viam quando ela era mais nova. Um sorriso brincava nos lábios dela e quando seus pés tocaram o chão falou o que queria. Ela amava a sua família e dava graças a Deus por ter uma tão boa. Mesmo que tivessem que enfrentar problemas tão complicados.

-Obrigada, muito obrigada. – Agradeceu emocionada. – Não sei nem como te pagar.

Ela disse ainda sorrindo bobamente olhando para o seu mais novo carro. Podia ver-se tranquilamente chegando à faculdade dirigindo aquele mustang, usando seus óculos escuros. Seria o centro das atenções. Algo que não gostava, mas preferiria isto, pois significaria que teria seu próprio carro. Nada mais de dirigir o carro de , não que a mesma reclamasse, nunca.

-Eu sei como. – Falou Bernardo trazendo-a de volta a conversa.

-E o que seria?

-Vai comigo comprar os ovos de páscoa? – Questionou-a.

-Claro.

-Mais tarde eu passo no seu quarto e te chamo então.

-Ok. Ah, obrigada de novo. Eu amei.

Agradeceu e beijou a bochecha de seu irmão desaparecendo dentro de casa. Seguiu para o seu “quarto” na casa. E encontrou sua mala apoiada na parede. Por não saber se ficaria por muito mais tempo, decidiu não desfazê-la. Apenas colocou-a no armário aberta. Deixando fácil, pegar qualquer roupa ou objeto ali. Tirou o seu caderno, com as folhas soltas, e o seu lap top.

Colocou-o sobre a escravinha e se sentou naquela cadeira confortável. Esticou os dedos, e começou a digitar tudo o que havia escrito nos papéis. Era a continuação de seu romance. Ás vezes fitava a janela e observava a paisagem e logo retomava a escrita. Podia ver as páginas aumentarem consideravelmente. Viu-se muitas vezes acrescentar algo que faltava. A cada folha avulsa, que tinha uma copia no caderno, e passava para o computador, lançava na lixeira do quarto.

Uma batida na porta fez com que ela erguesse os olhos do computador e responder a pessoa para que pudesse entrar. Somente a cabeça de Julie surgiu pela porta, avisando-a que iriam sair agora para comprarem os ovos de páscoa. Levantou-se da cadeira e pegou sua bolsa, indo até a sala para irem até o mercado. Sem terem mais o que esperar, eles saíram de casa, e pela cidade ser pequena, em pouco tempo estavam na loja.

Entraram os dois, e seguiram direto para a parte de chocolates. Escolheram os ovos de todos, menos o de . Numa última tentava seu irmão apontou para um ovo de chocolate meio-amargo que estava próximo a ele. Recebendo uma careta da irmã, que mais parecia uma criança quando o assunto era chocolate. Ela suspirou e decidiu contar, antes que lhe oferecesse outro parecido.

-Não gosto de chocolate meio-amargo. – Anunciou como se fosse obvio.

-É eu percebi que você detesta.

-Detesto mesmo. – Concluiu, e seus olhos bateram no que ela queria. – Ali, eu quero aquele.

Bernardo o pegou e foram para a fila. Por sorte, não estava muito grande, e antes que se dessem conta estavam na casa, tirando as sacolas do carro, tentando passar despercebidos por Kelly. Afinal, na cabeça dela, e de qualquer criança, o coelhinho da páscoa ainda é real. Esconderam os ovos num armário e foram para a sala. Encontraram a família junta, conversando e sorrindo.

Ao vê-los Julie anunciou que estava na hora do almoço. Comeram conversando calmamente, e , depois de ajudar, voltou para seu quarto, mas soltou um berro alto ao ouvir o som de algo em seu quarto. Todos apareceram ali na porta. E uma Kelly chorosa a abraçou pela cintura, mesmo assustada acariciou os cabelos da menina a acalmando enquanto procurava pelo local onde ouvira o barulho.

-O que foi, querida? – Perguntou a sobrinha. -O meu bichinho de estimação sumiu. – Sussurrou. -Vamos encontrá-lo, eu prometo. – Declarou para a menina. Então, com um ruído seco, a cesta de lixo, que ficava no chão virou-se espalhando papel pelo chão. E um rabo tornou-se visível ali. A menininha estreitou os olhos, e soltou-se da tia. De lá correu em direção a lixeira, tirando dali um furão. Uma expressão incrédula estava presa no rosto de . As palavras, Furão e Lixo, surgiam em sua mente. Nunca em sua vida imaginou ver um furão enfiado em seu lixo.

-Sorte dele que só tinha papel. – Falou tentando inutilmente fazer piada. – Furão limpinho, hein? – Brincou. – Não disse que iria encontrá-lo?

Aos poucos todos foram saindo do quarto, dando-a um sorriso. Com cuidado juntou o lixo e foi tomar um banho. Depois disto, sentou-se em frente ao computador, e retomou seu trabalho. Ali, perdeu a noção do tempo e somente parou quando outra batida soou em sua porta avisando-a que era hora de jantar. Juntou-se a sua família, e depois todos foram dormir calmamente.

A noite fora calma, e fresca. Durante seus sonhos um sorriso singelo se formou nos lábios de , mas ao acordar, não se lembrava de nada. Somente sabia que ali estava o final perfeito para seu livro. Suspirou e vestiu uma roupa simples de calor, se dirigindo a cozinha. A casa estava silenciosa. Uma olhada no relógio a fez ver que era dez da manhã. Uma pequena nota estava presa a geladeira.


,

Fomos à igreja, mas ficamos com pena de te acordar.

Em breve, estaremos de volta.

Qualquer coisa nos avise.

Beijos,

Julie.

P.S: Seu pai está em casa dormindo


.
Fitou o papel e o deixou de lado. Comeu seu café da manhã e foi dar uma olhadinha em seu pai. Ao entrar em seu quarto, levou um grande susto ao não encontrá-lo. Um crescente desespero tomou conta dela. E puxou o ar algumas vezes se acalmando. Andou pela casa procurando por ele, e nada. Preocupada sentou-se no sofá, tentando pensar o que deveria fazer, mas seu raciocínio foi interrompido pelo toque do telefone.

-Alô. - Atendeu de pressa.

-Julie? – Disse uma voz rouca.

-Não, é a cunhada dela.

-Oh, certo. Eu... Só estou ligando para dizer o que Senhor Owen está aqui de novo.

-Ai, muito obrigada, senhor. Estava preocupada com ele.

-Ele está bem, eu o encontrei na rua, como muitas outras vezes. Então, pode vir buscá-lo.

-Claro.

-Certo. Até.

Quando ela notou que ele iria desligar falou rapidamente.

-Me desculpe, mas não sei o endereço. – Falou sem jeito.

-É verdade. – Falou risonho.

Ao terminar de anotar o endereço desligou o telefone e pegou sua bolsa. Entrou em seu carro, pronta para dirigi-lo pela primeira vez. Se a situação fosse outra, com certeza estaria dando pulos de alegria. Enquanto seguia para o endereço uma pergunta martelava em sua cabeça. Aquela voz lhe parecia familiar, mas não sabia dizer de onde. Somente tinha certeza de que já a ouvira muitas vezes.

Ao ver-se parada diante uma casa, ou melhor, mansão. Sentiu-se um pouco apreensiva. A casa deles eram próxima. Podiam dizer que eram quase vizinhos. Como não tinha reparado nela antes? Questionou-se confusa. E temeu por um instante estar na casa errada, mas seguiria em frente para encontrar seu pai. Andou até a porta e deu uma batida de leve. A porta abriu-se e boca dela entreabriu-se.

Os dois se fitaram intensamente. Pareciam analisar. Ane mal podia crer o que via na sua frente. Era ele. Seu maior ídolo. estava em frente a ela. Uma vontade de rir tomou conta dela, e com custa a controlou. Como a vida é irônica, não? Por anos havia imaginado como conheceria o seu ídolo, e nenhuma delas seria assim. Conhecê-lo, após seu pai ter fugido. E ele por bondade o salvado dos perigos da rua.

-Oi. – Ela disse sem jeito. – Eu sou a cunhada de Julie, foi... Foi o senhor que ligou certo? – Perguntou nervosa.

Será que havia anotado o endereço errado? Perguntou-se. Ele iria agora chamar a policia e dizer que uma fã maluca invadiu sua casa alegando que havia seqüestrado um pobre velhinho indefeso? As perguntas continuavam, mas a expressão dele em nada ajudaram, pois se tornou um pouco irritada. Ele ergueu a sobrancelha fitando-a, estudando-a, mediando-a antes de dar uma resposta.

-Eu tenho cara de senhor? – Perguntou-a. – Tudo bem que sou mais velho que você, porém você deve ter o quê... Uns vinte anos? – Questionou.

-Sim. – Ela respondeu. – Me desculpe, não quis ser grossa. Poderia... Poderia chamar o meu pai, por favor?

-Ele não quer sair. Talvez você o convença.

Fez um gesto convidando-a para entrar. Quando passou por ele sentiu seu delicioso aroma, ele usava um perfume delicioso. E o mesmo aconteceu com ele. estava curioso e encantado por aquela garota que a pouco o chamou de velho. Balançou a cabeça e a guiou até onde estava sentado, escolhendo um chocolate para comer havia alguns bons minutos.

-, você tem visita. – Falou.

Ele levantou o rosto e reconheceu a filha imediatamente e sorriu. Ficou feliz por ter ajuda para escolher. E chamou-a com as mãos. Ela soltou um breve suspiro, vê-lo assim era péssimo. Vê-lo tendo essas confusões mentais, e perdas de memórias, ou os momentos em que não tinha noção sobre o que acontecia a sua volta a deixa triste, muito triste. Parou ao lado dele e o abraçou apertado.

Esta foi a melhor maneira que encontrou de ter certeza que estava bem. Beijou-lhe o rosto com carinho, e fingindo saber que ele estava ali o tempo todo tentou pensar em algo para conversarem, mas a voz de seu pai a interrompeu muito antes de chegar a uma conclusão de que assunto poderia ser bom o suficiente para prender sua atenção e tirá-lo de lá. Sem causar mais tumulto na vida daquele belo ator. Repreendeu-se mentalmente. Aquilo não era hora para isto.

-, qual eu devo escolher? – Perguntou a filha.

-Ih, pai. Não sei. – Falou coçando o queixo. E viu pelo canto do olho se juntar a eles.

-Que tal este? – perguntou.

-Hmm, . Tem certeza? – Ele indagou.

-Claro. Eu tenho muitos chocolates por aqui. – Falou apontando para eles.

-Presente dos fãs? – Perguntou curiosa.

Ele sorriu sincero para ela.

-Sim, sabem que sou chocólatra. – Falou risonho.

-Pois é, vamos pai. Vamos deixar o em paz – Falou por fim.

Um sorriso maior ainda surgiu no rosto dele. Acompanhou-os até o carro e se certificou que o pai não poderia fugir, e se virou para falar com ele. Com o seu eterno amor platônico. Ali na sua frente estava , um ator famoso, conhecido e amado por todo o mundo. Ela sorriu e estendeu sua mão sendo educada.

-Obrigada pela ajuda, de verdade.

-Não foi nada. Eu gosto do . Muitas vezes ele vem parar aqui.

-Você sabe que ele tem Mal de Alzheimer, não é?

-Sim. – E ele completou. – Mas não sei seu nome.

-, Owen.

Ele cumprimentou-a com um sorriso de lado, que faria qualquer mulher derreter. Ainda mais ela, que nutria uma paixão platônica por ele desta a primeira vez que assistira a um filme seu. E começou a acompanhar sua carreira de sucesso.

-, . – Sorriu mais ainda. – Muito prazer, .

Beijou-lhe a mão, deixando a garota com suas pernas bambas por conta do nervosismo. Sem saber o que fazer. Saiu de lá acenando e entrou no carro dirigindo para casa. Durante o caminho conversou com seu pai que contava que havia saído para dar um passeio, mas havia se perdido. Vendo que estava explicado mudou de assunto e chegaram a casa. Todos já estavam lá, e pareciam aflitos. Ao verem os dois, suspiros aliviados ecoaram pela casa.

-Papai havia fugido antes deu acordar. – Comentou baixinho com o irmão.

-E como o achou?- Indagou curioso.

- telefonou, acredita? – Perguntou incrédula.

-Sim. – Respondeu Bê. – Papai gosta muito dele. Geralmente, quem o encontra é ele e o leva para casa.

apenas assentiu e saiu da sala. Ao chegar a seu quarto, jogou-se na frente do computador e escreveu mais algumas páginas que fluíram perfeitamente bem. O resto do dia passou sem mais problemas. Somente uma vez o telefone tocou, mas logo foi atendido e a paz reinou. O dia seguinte chegou. Era o domingo de páscoa. levantou-se de presa e se arrumou correndo para cozinha com o intuito de ajudar, mas tudo estava pronto.

-Vá se arrumar. – Fora a única instrução que recebeu de sua cunhada.

E sem demorar fez o que lhe foi pedido. Colocou um vestido preto curtinho, simples, porém que modelava perfeitamente suas curvas avantajadas, calçou as sandálias com salto e passou uma maquiagem leve. Olhou-se no espelho e sorriu. A roupa estava de acordo com a situação. Na verdade, estava arrumada o bastante para uma comemoração em família. Deixou o quarto e encontrou Julie apoiada na bancada usando um vestido azul que combinava com a cor de seus olhos.

-, está linda.

-Obrigada, você também. – Sorriu para ela. – Precisa de ajuda?

-Hmm, pode ver se tudo na mesa está certinho? – Pediu-a.

-Claro!

Saiu da cozinha e fitou a mesa. Estava bem arrumada, e diante dos pratos tinham tulipas para fazerem um brinde. Ela balançou a cabeça. Acho que a nossa família é a única que faz algo assim nesta data. Geralmente é só chocolate e acabou.. Pensou sorrindo. E então seu os olhos bateram notaram um pequeno detalhe. Havia posto um lugar a mais na mesa. Sorriu, e foi até a cunhada que fitava as panelas no forno.

-Você colocou um lugar a mais, posso tirar? – Perguntou querendo ajudar.

-Não , está certo. Teremos um convidado hoje.

-Eu conheço? – Indagou curiosa.

-Sim.

Sua testa se franziu tentando imaginar quem seria, mas a campainha tocou fazendo Julie se afastar sorrindo, caminhando em direção a porta. Quando ouvi o som da porta sendo aberta, e uma voz rouca ecoar no cômodo, prendeu sua respiração. Não acredito que é ele, o . Falou em pensamento. A voz conhecida brincalhona, o fez parecer estar super relaxado, deixando-a ainda mais desnorteada que antes.

-Está belíssima Julie. – Elogiou-a. – Com tudo o respeito, Bernardo.

-Obrigada . – Falou Julie. – Fique a vontade.

Quando sua cunhada voltou para a cozinha se deparou com uma cena bastante hilária. estava congelada, com o olhar perdido. Julie tentou chamar sua atenção preocupada com o que havia acontecido, quando sua mente se clareou e uma gostosa gargalhada ecoou na cozinha, fazendo com que a sala ficasse em silêncio. sabia que precisava reagir, ou implicariam com ela a vida toda.

-Não vejo graça. – Rebateu mal humorada.

-Desculpe. – Respondeu simplesmente a outra.

-Claro, claro.

-Vamos, me ajuda com a comida?

-Uhum.

respondeu e pegou a tigela com a macarronada. Enquanto a outra pegou uma garrafa de refrigerante, e uma de vinho. Juntas foram para a sala, e colocaram a comida e as bebidas sobre a mesa. Enquanto entraram no cômodo, sentiu um par de olhos, que sabia perfeitamente, ser azuis, seguirem-na. Puxou o ar disfarçadamente. E depois se virou para se sentar ao lado de seu pai. Quando os olhos dos dois se encontraram o cumprimentou com um aceno.

-Então, antes de comermos proponho um brinde.

-Brinde a? – perguntou curiosa como sempre.

-Um brinde ao amor, minha amada irmã.

Juntos ergueram a taça, inclusive Kelly, que brindaria com um copo de refrigerante. Repetiram a fala de Bernardo e beberam. A refeição fora silenciosa, mas ao mesmo tempo incomoda, pelo menos para . Várias vezes os olhos cor de mel encontraram os , fazendo os primeiros se desviarem, sabendo que o rosto deveria estar corando. Ao terminar de comerem, se prontificou rapidamente e se retirou rapidamente para lavar a louça.

Parou diante a pia e lentamente começou a lavar tudo. E levou um susto ao sentir alguém parar ao seu lado, dando um salto e deixando um copo escorregar por suas mãos ensaboadas. Rapidamente segurou a tulipa, impedindo-a de se espatifar no chão. E colocou-a sobre a pia, em segurança. Sorriu de lado, ao notar que havia deixado a mulher ao seu lado desnorteada.

-Não vai me cumprimentar? – Perguntou erguendo a sobrancelha.

-Eu te cumprimentei, .

-Com um aceno. – Retrucou.

-Ainda assim um cumprimento.

-Certo.

-Ótimo.

Querendo se afastar dele deu um passo para trás e tropeçou no tapete que ficava em frente a pia, escorregando. Fechou os olhos esperando pela queda, porém ela nunca veio. Braços fortes a enlaçaram pela cintura, puxando-a contra o corpo bem feito. Os corpos se chocaram, fazendo ambos sentirem uma corrente elétrica perpassar por eles. engoliu em seco, e tentou fugir novamente. Desta vez tentou sair do tapete, sem notar que seus pés haviam ficado presos ali.

-Cuidado. – sussurrou.

-Eu sei me cuidar.

Retrucou mal humorada, virando-se para ele. E neste ato reflexo não havia pensando que estavam tão próximos, deixando os narizes de ambos se tocarem levemente. Afastou-se um pouco, mas não o suficiente para fugir, pois a mão dele deslizou para seu pescoço trazendo-a para si. E enfim alcançar os lábios dela. Um sorriso brotou nos lábios dele entre os lábios unidos, e o som da campainha os despertou.

-Julie? – Falou uma voz melosa.

-, entre. – Falou calmamente a mulher.

Ao ouvir a voz e o nome, rapidamente se afastou de , e passou as mãos por seus cabelos nervosamente. Fitou-a agoniado e desapareceu de vista. Uma tristeza enorme tomou conta dela. Ali, em seu coração, não havia espaço para raiva, somente a dor. A dor da rejeição. Assim que ela imaginar a atitude dele. Lágrimas escorreram de seus olhos, e com as costas da mão limpou sua face.

Correu até seu quarto, sem passar pela sala, e ajeitou a maquiagem. Andou até a sala para conversar um pouco com seus parentes, e o que viu a fez mudar de ideia imediatamente. Encontrou e se beijando na sala. Um nó se formou em sua garganta, e a voz de seu irmão chamou sua atenção, fazendo afastar-se da mulher e fitá-la com a expressão chateada.

-Desculpe, não ouvi. – Respondeu ao seu irmão, forçando seus olhos a se afastarem do casal.

-Eu perguntei se vai ficar mais, não vai, né? – Indagou tristonho.

-Sinto muito, mas não. – Falou segurando o choro.

-Por quê? – Indagaram Bernardo e juntos.

Ignorando o último respondeu o primeiro.

-Desculpe-me Bê, mas tenho que resolver umas coisas para a faculdade. E quero sair um pouco com meus amigos.

-Sei. – Falou triste Bernardo.

andou até ele e o abraçou apertado. Sentiu-se bem e protegida enquanto os braços carinhos e cuidadosos dele envolveram-na pela cintura. Segurou com uma força uma lágrima, soltando um barulho estranho. O que fez Bê soltá-la e fitá-la intensamente. Não queria deixá-la sair de lá triste ou com nada de ruim. A procuração dele era nítida em seus olhos.

-Está tudo bem?- Sussurrou-lhe.

-Sim, quero dizer, não. – Soltou atrapalhada.

-O que houve?

-Er... Uma amiga minha passou mal, e me pediu para voltar.

-Tudo bem, querida. – Falou beijando-lhe a testa.

Caminhou com ela até o quarto, pegando sua mala. Enquanto a mesma tomou em suas mãos a chave de seu presente. Juntos voltaram para a sala e atravessaram indo direto para o carro, guardaram as malas e viu todos parados a porta. Kelly chorava e soluçava baixinho. Vê-la assim cortava o coração de , mas ficar ali por mais tempo faria seu próprio coração se despedaçar.

Foi até a sobrinha e a abraçou apertado. A menininha colocou toda a força que tinha ali, demonstrando o quanto queria que ficasse. Beijou-lhe a testa e sorriu. A intenção de era deixar a menina menos triste. Alisou os cabelos dela, puxando-a para o seu colo. E depois a colocando de volta ao chão, e se abaixando para ficar na altura da mesma, ou pelo menos ficar o mais próxima que pode, para olhá-la nos olhos.

-Não chore anjinho. Você pode me visitar sempre que quiser. – Secou as lágrimas dela. – Minha casa não é aqui, por mais que minha família seja vocês, e eu os ame demais.

Disse carinhosamente colocando uma mecha dos cabelos dela atrás da orelha.

-Volta na próxima páscoa? – Questionou a garotinha pondo as mãos na cintura.

-Se for convidada. – Falou brincando.

Todos que viam a cena riram da postura de Kelly.

-Vamos, meu amor, sua tia precisa ir. Vai ficar tarde e perigoso para ela ir para casa.

Falou Julie afastando a filha e abraçando a cunhada.

-Esperamos você ano que vem. E, claro, que será convidada.

-Obrigada. – Respondeu forçando um sorriso. –Está vendo. – Brincou com a menina e piscou.

E o próximo fora seu irmão que a abraçou apertado, e sussurrou para que ligasse se precisasse de qualquer coisa. Após repetir e jurar que faria isto se sentisse necessidade, ele a soltou. Deixando-a falar com seu pai. Ele parecia perdido ali, mas tinha um olhar triste. Ao sentir a filha aproximar-se abriu os braços esperando por ela. Uma lágrima escapou pelos olhos de , mas que ninguém notou. Ou melhor, quase ninguém. notou e franziu o cenho preocupado e confuso.

-Oh, papai. – Falou o abraçando carinhosamente. – O senhor tem certeza que não quer ficar comigo?

-Sim, meu anjo, eu estou bem. –Alegou. – Eu vou ficar bem, mas eu quero que me prometa algo. Quero que se cuide, ok?

-Sempre pai. – Respondeu sincera. – Eu te amo.

Confessou o abraçando pela última vez. Virou-se para o carro e abriu a porta, lembrando-se dos outros dois se virou. E forçou seu rosto a ficar com uma expressão amena, ou no máximo vazia. E falou cordialmente.

-Foi um prazer conhecer vocês. – Acenou e entrou no carro sem esperar resposta.

Sentou-se e ajeitou o cinto, ligou o rádio, e olhou o espelho retrovisor para dar a ré, e encontrou o par de olhos que a fizeram tanto mal. Por que ele não me contou que tinha namorada? Por que me beijou? Perguntou-se. Balançou a cabeça e tirou o carro. Querendo apagar a imagem daqueles olhos de sua mente. Um ruído de um telefone a fez voltar à realidade. Seu telefone celular tocava ao seu lado, exigindo sua atenção.

-Alô, ? – Perguntou a voz de Bê.

-Oi irmão. – Cumprimentou-o.

-Você não vem? – Questionou preocupado.

-Estou a caminho. Estou na estrada.

-Mas já deu tempo de chegar.

-Eu estou engarrafada. Não me esperem para comer. – Falou com a voz chateada, dando a primeira desculpa em sua mente.

-Não, de jeito nenhum. Vamos te esperar.

-Ok, assim que puder eu chego aí. – Decretou. – Andou um pouquinho, me deixa aproveitar a chance. Até.

Desligou o celular sem esperar resposta e fechou os olhos encostando a cabeça no encosto do carro. Outra lembrança surgiu em seu mente. Um mês desde a páscoa havia se passado, e ela mantinha o amor platônico que tinha por , mas agora, ela sentia que ele não era tão perfeito. Ainda assim, o amor que nutriu por ele durante anos, permanecia ali, intacto.

Depois de diversos pedidos, aceitou ir com as suas amigas a um lugar especial. não fazia à mínima ideia de onde seria. Somente sabia que era para comemorar o seu aniversário de vinte e um anos. Quem dirigiu fora , e ia com no banco de trás. As duas estavam animadas, achando que não podiam dar um presente melhor a sua amiga. O carro parou e as duas arrancaram a amiga do carro e entraram num parque. Sem dúvida alguma nunca havia visto um local tão bonito.

-Moro aqui faz tanto tempo, como nunca conheci este lugar? – Perguntou as amigas.

-A cidade é grande. – Falou dando de ombros.

-Vem , esse não é seu presente. - Completou .

Juntas caminharam pelo parque e foram até um local separado. Havia uns seguranças parados na porta, e as meninas entregaram a eles três papeizinhos e logo puderam passar sem problemas. Entraram no cômodo e olhos de percorreram o local a procura do que seria seu presente, e quando notou uma mesa no centro da sala, com três pessoas sentadas prendeu a respiração. Ali estavam eles, , e .

-Olá , parabéns. – Falou de pé a abraçando.

Mentalmente pedia para o pesadelo acabar logo, deu um sorriso forçado, e se afastou.

-Obrigada.

-Parabéns, . – Parabenizou a abraçando sem jeito.

-Obrigada, eu é que devo lhe dar os meus parabéns. Você estava incrível no seu último filme.

-Obrigado. – Falou sorrindo de lado.

Uma mão pousou em seu ombro, e já sabendo quem era, puxou o ar com força, e se virou lentamente, ao encontrar aquele par de olhos , prendeu a respiração e ofegou nervosa. Ele segurou sua mão e a puxou para longe dos outros, mesmo assim tendo seus passos seguidos pelo olhar atento deles. Ao chegarem aos fundos da casa sentou-se e apontou um lugar ao seu lado.

-Não, obrigada, eu preciso voltar.

Outra vez ele segurou o braço dela, puxando-a para sentar-se. Os olhos dele pareciam quentes e aconchegantes. Pareciam estar com muitos sentimentos, e nenhum deles se sobressaíam deixando impossível notar o que ele realmente sentia.

-Espere, eu queria lhe dar os parabéns.

-Obrigada, .

-, por favor, me escute.

-O que foi ? – Indagou, e se repreendeu por chamá-lo pelo apelido.

Em contrapartida, um sorriso lindo e esperançoso surgiu nos lábios dele.

-Eu tentei falar com você várias vezes.

-Eu sei, o Bernardo me contou. – Falou baixinho.

-Porque não me procurou?

-Não tínhamos e não temos o que falar. – Decretou sabiamente.

-É claro que temos! – Rebateu.

-Não, não temos.

Levantou-se e começou a se afastar, e antes de sumir pela porta, escutou a voz dele falar.

-Eu não queria que fosse assim... Aquele... Aquele beijo mexeu comigo.

Ignorando a alegria sem sentido em seu peito se afastou. Indo para um lugar longe dele. Um local seguro para seu coração ferido. Abriu os olhos no carro e colocou uma mecha dos seus cabelos para trás, como se assim, junto com o cabelo levasse a lembrança. Suspirou fundo, sabendo perfeitamente bem, que aquela fora a primeira vez de muitas outras que se encontraram.

Todas ás vezes trocavam olhares, ele se aproximava e tentava conversa. A cada toque, sem querer, ela se sentia perder mais e mais. E todo instante em que se encontravam os sentimentos nos olhos dele também pareciam mais claros. O contanto freqüente os faziam conviver, e conhecer o outro. Ainda que sempre mantivessem distância. Ou melhor, que ela mantivesse distância. Os últimos dos meses deste ano foram os piores. havia viajado para fazer a gravação de seu novo filme.

E assim não se viam deste a última vez. Onde, quando foram se cumprimentar, sem querer, ou pelo menos foi o que pensou, eles deram um beijo, um leve tocar de lábios. Ele sem jeito alegou que sem querer virou o rosto. A reação dele fora confusa para ela. Afinal de contas, ele é . Ele é o cara mais cobiçado do mundo, porque ficaria sem graça por algo assim?Perguntava-se isto desde então.

Lembrar-se disto a fez ligar o carro uma vez mais, e voltar para a pista. O transito estava desimpedido. O que faria com que chegasse mais rápido. Agradeceu mentalmente por isto. Desta vez, havia se decido por passar somente um dia. Mas talvez, nem mesmo um dia todo ficasse por lá. Dependeria de como estivesse o clima, como se sentisse. A pista livre, fez com que em pouco tempo pudesse parar o carro enfrente a casa conhecida.

No momento em que desceu do carro, avistou um táxi entrando na rua. Rapidamente o mesmo parou diante a casa, e parou curiosa para ver quem seria. Seu coração saiu pela boca quando saiu do carro e sorriu quando a viu. Eles agora se tratavam como amigos, mas era sempre difícil para ela vê-lo. Tê-lo por perto era como despedaçar seu coração a todo o momento.

-! – Falou sorrindo radiante.

-Hey, . – Respondeu sorrindo de volta.

Apesar da dor que sentiria depois não retribuir seus gestos, seus sorrisos era impossível para ela. Desceu do carro, e deixou algo sobre o banco e andou em direção a ela. Quando estava perto o suficiente, puxou-a para um abraço apertado, repleto de saudades. E sem saber a razão sentiu que aquele abraço fora diferente. Não sabia o porquê, e nem como, mas seu coração gritava para sua mente que algo estava diferente, muito diferente.

-Senti sua falta. – sussurrou baixinho.

-Eu também, você não tem noção de quanto. – Confidenciou ainda mantendo-a entre seus braços.

Afastou-se dela e voltou em direção ao carro. Antes de pegar o que havia deixado ali, apalpou o bolso de sua calça, e pareceu contente ao ver que estava ali o que queria. Pegou o conteúdo no banco do carro, e fez um gesto para o motorista tirar a mala do carro, e colocá-la em frente à porta da casa. Com tudo pronto, pagou o motorista e ele sumiu de vista. A mão livre dele passou por seus cabelos.

E sorriu, sabia que aquilo mostrava que ele estava nervoso. Sua vontade era de brincar com ele. Dizendo algo como: Não precisa se preocupar meu pai não morde. Mas decidiu ignorar e fitou-o tirar lentamente o que escondia em suas costas, e oferecê-lo a ela.

-Espero que goste.

Ela fitou surpreendida e atônita o boque de tulipas. São flores raras, e muito difíceis para se conseguir. E, claro, quando era possível tê-las não era um preço barato. Fitou incrédula, lembrando-se do dia em que contará a ele que suas flores preferidas eram tulipas. abriu um lindo sorriso e aceitou o boque. Os olhos dela marejaram de emoção e ela ergueu o rosto, deixando-o ver seus olhos brilhantes.

-Obrigada , muito obrigada. Eu amei!- Afirmou.

-Você merece. – Falou simplesmente abraçando-a.

O perfume dele é inebriante e deixou um pouco perdida. E ele precisou guiá-la até a porta da frente, segurando-a firmemente pela cintura. Antes de bateram na porta, abaixou-se para deixar sua boca próxima ao ouvido dela, fazendo-a sentir um arrepio por seu corpo, e se derreter quando a voz rouca dele soou em seu ouvido.

-O que você diria se eu te pedisse em namoro? – Perguntou-a descontraído.

-Não brinca com isto, . – Ela retrucou.

Sabendo que ela não ajudaria em nada, bateu na porta e foram recebidos com muita alegria pela família dela. O almoço passou rapidamente e logo estavam todos sentados no sofá. Estavam entregando os presentes do coelhinho. A cada novo chocolate que Kelly recebia um sorriso maior surgia em seu rosto. Ane levantou-se abrindo a bolsa e tirou alguns chocolates entregando para sua família. E agradeceu mentalmente por ter comprado um a mais. -Feliz páscoa, . – Falou lhe entregando um chocolate. -Pode acreditar que ficará melhor. – Ele rebateu e entregou o dela. Depois daquele comentário ficou tentando entender o que ele quis dizer com aquilo, mas nada se encaixava. Cansada num sussurro baixo comentou com o que iria subir, e ele deu um salto do sofá chamando a atenção de todos. Ela fitou-o confusa e ele ergueu uma mão para ela, fazendo-a se levantar. Sua sobrancelha se ergueu confusa e desafiante.

-O que foi? Bebeu demais? – Brincou.

-Não, engraçadinha. – Disse apertando-lhe o nariz carinhosamente. – Somente queria fazer uma coisa na frente deles. – Continuou dando de ombros como se fosse algo banal.

Os olhos dela se arregalaram e ele levou a mão ao bolso, que ela havia notado que tinha apertado levemente ao sair do táxi mais cedo. Mesmo sem querer sua atenção toda pertencia a ele. sem pressa retirou uma pequena caixinha preta do bolso de sua calça, e pressionou-a em suas mãos.

-Bom, eu quero lhe fazer uma pergunta. – Ele disse abrindo a pequena caixinha, mas deixando-a virada em direção a ele para que ela não pudesse ver o conteúdo. Ajoelhou-se diante dela, e ergueu a caixinha a oferecendo, porém os olhos dela estavam focados nos deles. Uma guerra silenciosa acontecia entre o par de olhos e cor de mel. Ambos tentando desvendar os sentimentos através dos olhos dos outros.

- Owen você aceita namorar comigo? – Perguntou-a nervoso.

Os olhos dela agora deixaram escapar algumas lágrimas, e todos pareciam prender a respiração.

-Então ? Aceita? – Perguntou ainda mais nervoso pelo silêncio.

-Sim, sim. Mil vezes sim. – Falou jogando-se nos braços dele.

Com delicadeza a afastou e colocou uma aliança de compromisso no dedo dela. Beijando cada um de seus dedos em seguida, para por último roubar-lhe um beijo nos lábios. Um gesto simples que há muito tempo queria fazer. Ao ter os lábios dele junto aos seus, todos os seus medos sumiram. E numa ação inconsciente enlaçou o pescoço dele com seus braços. Enquanto ele a puxou para mais perto, segurando-a pela cintura. Um pigarro os fez se afastarem, mas nada tiraria o sorriso do rosto deles.

-Acho que já sei a resposta, mas... Vocês vão ficar por aqui? – Indagou Bernardo.

-Bom, eu ia propor a que nós fizéssemos algo depois daqui se não incomodar vocês, claro.

-Sem problemas.

-Aceita?

-Claro.

Deram as mãos e foram para o carro dela, colocaram as malas, e ela entregou a ele a chave do carro. sabia que agora não seria uma boa hora para ela dirigir. Estava muito distraída. Poderia causar algum acidente. Ele pegou a chave de suas mãos e entraram no carro. Ao invés de irem para algum lugar estranho, ele a levou até a sua casa. Apesar de já conhecer. Era algo extremamente novo.

Abriu a porta, e pôs as malas no chão. Em seguida voltou a segurar a mão dela, trazendo-a para dentro, e enlaçando-a pela cintura. Beijou-a com todo o seu amor enquanto andavam pela casa. Por não prestar atenção acabaram por cair sentados no sofá, e soltarem risadinhas baixinhas entre beijos. Aquela seria a primeira vez que ficariam juntos de verdade. Esta seria a primeira noite que os dois corações se entregariam de todas as formas possíveis. Hoje era a entrega total.

-? -Sim? -Você tinha razão. – Ela confessou. – A páscoa podia melhor muito. -Eu amo você, doce amor.

Eles sorriram e falaram juntos e depois se entregaram aos seus sentimentos. Sem medo, somente aproveitando o que poderiam ter... E o que poderiam ser de agora em diante. E com toda a certeza aquele seria o melhor domingo de páscoa da vida deles. Nada mais importava , nem mesmo os chocolates, somente viver e aproveitar esse doce amor.


CONTINUA OU FIM





comments powered by Disqus


TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO SITE FANFIC OBSESSION.