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Autora do Mês - Junho

Ilane C.S

ilanecsfic@gmail.com

Fanfic Obsession: Como você se sentiu quando descobriu ser a Autora do Mês do FFOBS?
AUTORA: Em pânico! Eu estava dentro de um UBER lutando para carregar um bolo confeitado imenso e pesado, de repente o celular começou a apitar de mensagens de parabéns e de gente me avisando que eu era a autora do mês. Aproveitei um sinal fechado para conferir a postagem do Instagram e levei um bom tempo para digerir a notícia. Foi um misto de surpresa, choque e euforia! Eu repetia "meu Deus, eu não acredito!" sem parar. O coitado do motorista ficou apavorado achando que eu tinha derrubado o bolo no carro dele. Aliás, um salve aqui para o seu Robson! O bolo chegou intacto ao destino e eu cheguei dando piruetas de tão feliz.

FFOBS: Quando você começou a escrever? Lembra como foi sua primeira história?
A: Quando eu tinha 13 anos e achava que poderia ser a próxima JK Rowling escrevendo meus derivados de Harry Potter. A lápis. No meu caderninho com uma foto da cara do Daniel Radcliffe recortada de uma revista da Capricho! Tudo o que eu me lembro dessas histórias era de quebrar a cabeça inventando nomes de feitiços.

FFOBS: O que você procura passar para os seus leitores?
A: Um pouquinho de doçura. Eu procuro escrever coisas leves e açucaradas para tirar o foco dos problemas e do ritmo maçante do dia a dia. Acho que carrego um quê de lirismo na minha escrita para me lembrar que, de amargo, já bastam a vida e o meu café. Arabesque nasceu no meio de uma tormenta, quando tudo a minha volta tinha um gosto ruim de remédio, e eu precisava de um lugar onde as coisas fossem mais simples e mais doces. Procurei direcionar a história para que os leitores sentissem o mesmo conforto que eu senti enquanto escrevia. Sabe quando você tá meio pra baixo e só quer um pote de sorvete e um filme bem clichê no aconchego do seu quarto? É bem por aí.

FFOBS: Como você lida com críticas negativas e cobranças?
A: Eu... choro? Quebro facilmente com palavras negativas, mas procuro não levar para o pessoal e acho que consigo analisar uma crítica ruim tomando uma distância maior, tentando tirar algo que eu possa usar para aperfeiçoar projetos futuros. Quanto às cobranças, as mais ferozes partem de mim. Trabalho com revisão e edição de textos há 7 anos, tempo suficiente para aprender que sempre vai passar algum errinho, mas também que sempre poderia melhorar. Quando releio as minhas histórias, é batata eu pensar que "esse período ficaria melhor se eu tivesse escrito assim em vez de assado..."

FFOBS: Se você pudesse trazer a vida um personagem de qualquer de suas histórias, qual seria e por quê?
A: : O Jungkook de Arabesque, só porque ele seria o colega de apartamento dos sonhos e um melhor amigo ideal — claro que eu estaria com as canetinhas hidracor a postos para colorir a amizade. Um homem lindo e gostoso daqueles no quarto ao lado e eu não ia fazer nada? Não tô nem doida.

FFOBS: Quando você inicia uma nova fanfic, já sabe como ela terminará ou é um processo contínuo?
A: Eu tenho uma mania esquisita de ler sempre a última frase de um livro. Tão importante quanto começar bem uma história é terminá-la, então o fim da fic é o que me ocorre primeiro. Eu só inicio uma nova se eu souber exatamente onde ela vai dar. No geral, eu tenho um vislumbre da cena, jogo no documento e monto o restante da história ao redor, encaixando as peças, preenchendo as lacunas e lapidando o que já tem pronto. Costumo iniciar a escrita partindo lá da frente do enredo, o resto eu crio basicamente para convergir para esse determinado momento.

FFOBS: Se você fosse convidada a escrever uma série de TV, um filme e um livro, mas só pudesse escolher um, qual seria? Por quê?
A: Um filme, só porque eu gostaria de garantir que as pessoas que consomem minha escrita vissem exatamente como eu vi. Eu escrevo com os meninos do BTS e descobri recentemente que curto muito fazer vídeos de POV (point of view) usando momentos deles em lives e outros apoios visuais.

FFOBS: Você tem algum autor ou história que considera uma inspiração pra você? Pode citar?
A: Eu elegi meu escritor favorito muito cedo, quando li o livro Comédias Para se Ler na Escola, uma coletânea das melhores produções do Luis Fernando Verissimo. Ele me ganhou nos primeiros parágrafos com a escrita sagaz e o olhar aguçado de cronista bisbilhoteiro, fascinado pelo cotidiano e pelas coisas simples que quase ninguém nota. O velho é muito bom, é como se um amigo estivesse te contando uma fofoca, uma delícia de leitura. Massss... se é pra panfletar gente que tá mais pertinho, eu não posso deixar de colocar no palanque duas histórias que foram muito determinantes para mim: Sweet Accident, da Daphne Macêdo, me fez pensar que um dia queria escrever algo tão bom quanto. A Daph é uma grande amiga, foi ela que me mostrou o que era fanfic — e fanfic boa! — e me empurrou sutilmente para essa vida de autora. Ela tem um ritmo impecável e as histórias dela se desenrolam muito pelos diálogos, que são divertidíssimos e super fofos, sem falar no arquétipo dos pps, que são extremamente cativantes. A outra história que me encantou muito foi Follow The White Rabbit, da MHobi. Além de ter sido um achado maravilhoso que acabou nos aproximando, acendeu uma luzinha no meu cérebro para tentar escrever pelo ponto de vista masculino e eu descobri que esse é meu tipo de narrador favorito. Ela tem a escrita muito marcante, carrega as histórias dela de fluxo de consciência e profundidade, é um nível incrível de imersão, daquelas leituras que você fica remoendo e sentindo o gostinho por dias. O modo como a Daphne descreve as cenas e o mergulho da MHobi nos personagens definitivamente são inspirações.

FFOBS: Se você tivesse oportunidade, hoje mesmo, de transformar uma história sua em livro, qual seria? Por quê?
A: Acho que escolheria Flamme porque eu gostaria de reescrevê-la de um jeito melhor ou, de repente, mudar o foco narrativo. É uma fic que talvez funcionasse como um livro (dando uma boa ampliada e aprofundada no enredo, lógico). Poderia interligar as duas partes que já existem, desenvolver algumas histórias paralelas e finalizar com umas coisas que já tenho em mente para os personagens.

FFOBS: E se não fosse uma fanfic já existente? Se fosse uma história totalmente original, que sinopse ela teria?
A: Minha franquia favorita é a saga de quadrinhos dos X-Men, então se um dia eu me aventurasse a escrever um livro, provavelmente envolveria jovens geneticamente modificados tentando lidar com a pressão da vida adulta e superpoderes recém-descobertos.

FFOBS: Alguma cena ou história é baseada em algum fato da vida real, algo que você ou alguém que conhece vivenciou?
A: A personagem principal de Arabesque é filha de pais divorciados e eu passei por um divórcio bem complicado. Durante um tempo, eu me limitei muito ao rótulo de "mulher separada", até entender que aquela tinha sido uma experiência que me moldava, mas não que me definia. Colocar a Ethel como fruto de um casamento sem sucesso foi a forma que eu encontrei de abordar um assunto importante para mim na minha escrita, mas sem fazer dele o foco principal da história.

FFOBS: De onde você tira inspiração para as características, manias e personalidade de suas personagens?
A: Como os meus personagens masculinos são fixos e baseados nos integrantes do BTS, eu procuro inserir o que nós, fãs, sabemos deles de fato e misturar com a imaginação. Para as s/n da vida, eu coloco um pouco de self insert e características que eu não tenho, mas gostaria de ter: a Ethel de Arabesque é tagarela feito eu, mas é uma bailarina com excelente controle do próprio corpo, coisa que a desastrada que está sempre de perna roxa aqui não tem. Para as secundárias, eu coloco algum elemento de pessoas do meu convívio, com a devida autorização.

FFOBS: Qual foi o lugar mais estranho que você já teve um vislumbre de cena/momento para a sua história?
A: Meus momentos mais criativos acontecem durante a arrumação da casa. Acho que meu cérebro fica condicionado a colocar as coisas no lugar durante a faxina, então não é raro que eu tenha que largar a vassoura ou o aspirador de pó para rascunhar um parágrafo ou um plot que subitamente surgem na minha cabeça. A poeira pode esperar, a minha memória de centavos, não.

FFOBS: Quais são os seus próximos projetos?
A: Atualização temática do 6/9, atualização temática de Halloween e o especial de Natal, todas relacionadas ao mundinho arabesquer.

FFOBS: Por fim, que tal citar um trecho de uma fic que você escreveu e sente orgulho?
A: Apesar de gostar muito das fics restritas, as cenas hot/i> são as que eu tenho mais dificuldade de escrever, então eu fiquei bem orgulhosa de ter conseguido disfarçar uma safadeza explícita de coisinha fofa nesse trecho aqui do capítulo 10 de Arabesque: "Continuei alternando a velocidade e Ethel suplicava — delicioso a cada vez que eu desacelerava. Meu peito inflamava, queimando do ar rarefeito, quase incendiando de desejo, até me sentir tonto de pré-gozo e a Ethel virar um borrão lindo na minha frente. Ela me ardia e me aliviava. Me afligia e me deleitava. Me arrancava tudo e me preenchia. Eu começava e terminava nela."

FFOBS: A entrevista vai terminando por aqui, caso queira deixar algum recado final, fique à vontade!
A: Eu jamais imaginei que algo que nasceu em um período tão nublado e dolorido da minha vida iria voltar pra mim de uma forma tão maravilhosa. Eu recebo muito carinho por conta de Arabesque, então eu vou agradecer por isso em todas as oportunidades que eu tiver. Muito obrigada a todo mundo que dançou comigo!