Amor de fã
Por Maria Helena Maran




era uma garota londrina de quatorze anos; morena, alta, de olhos azuis, muito bonita. Tinha muitos amigos, e uma voz que encantava a todos que a ouviam. Era uma grande fã da uma banda britânica, muito conhecida e famosa na Inglaterra: McFLY. Poucos entendiam o que a garota sentia. Era amor, mas um amor diferente. não media esforços por seus ídolos, os quatro garotos eram a obsessão e o único vício da garota. Muitos a julgavam boba e infantil, mas para ela não fazia diferença. Apesar de ser mais uma no meio da multidão em um show, ela sabia, que o amor que sentia era mais forte que qualquer outra barreira.
A menina se sentia mal em saber que nem seus pais a entendiam, seus colegas a debochavam e as únicas pessoas em quem podia confiar e falar sobre os seus sentimentos eram , uma menina loira, baixa, que adorava dançar, e era a melhor amiga de e , garoto alto, moreno de olhos claros e com um talento enorme para tocar violão, que despertava a atenção de de um jeito diferente. Ele sentia uma forte atração pela menina, mas não tinha coragem de confessar, o medo de ser rejeitado pela amiga era mais forte e, por isso, não conseguia demonstrar seus sentimentos.
Em uma sexta-feira, os três amigos conversavam alegremente sobre a banda, riam e se divertiam. Muitos que passavam por perto sentiam inveja de uma amizade tão linda e unida como a deles. Então, Paola, uma garota vingativa e que não gostava nem um pouco de e seus amigos, resolveu acabar com aquela diversão toda. Sem medo, ela perguntou aos garotos qual era o motivo de tanta risada. Percebendo que era confusão, tratou logo de mudar de assunto;
- Não é nada de importante não, Paola, só estávamos rindo de nós mesmos.
- Ah, tá! E essa tal McFLY não é nada para vocês então? - Perguntou com muito sarcasmo e um ar de vitória.
não gostou nada da brincadeira da colega e tratou de respondê-la;
- Paola, se você não gosta deles, pelo menos nos respeite, por favor!
- , deixa de ser boba! Você ainda acha que eles vão ligar para o que você sente? Eles não vão perder tempo com fãs como você. Ah, fala sério. Por acaso eles sabem que você existe, qual seu nome ou onde você mora? Pára com isso, garota. E pra piorar, eles são muito ruins!
- Não fala assim, Paola. Você não sabe nada deles! - Falava se demonstrado irritado.
- Quem você pensa que é para me dar ordens, seu pirralho? - Gritava Paola. – E , põe essa sua cabecinha pra funcionar ao menos uma vez em sua existência: eles são tão ocupados, não ligam pra o que você sente, não vão parar o mundo para você e nem dizer que te amam. Eles nunca vão nem saber que você existe, não estão nem aí para as fãs, só querem dinheiro e ser famosos. Esquece eles de uma vez, garota!
Lágrimas corriam pelo rosto de , ela não podia mais ouvir aquilo. Doía-lhe o coração. , então pediu, com calma;
- Paola, pára, por favor!
- Não, não paro, ela tem que saber a verdade e deixar de ser idiota!
viu o mundo girar, se sentia mal. Tudo escureceu, não sentia mais o chão, tudo desmoronou. A garota se sentiu fraca e não agüentou, foi ao chão. Desesperados, os amigos a levaram às pressas para a enfermaria.
Confusos, a enfermeira e o Diretor pediram para os adolescentes o que havia acontecido. Assustados e preocupados, explicaram o ocorrido. acordou depois de alguns minutos, e foi levada para casa. Ela teria todo o final de semana para se recuperar, mas não se alimentou direito, o coração ainda doía. Algo lhe perturbava.
Segunda-feira, na escola, não estava nada bem. Notava-se apenas pela carinha triste e decepcionada da garota. Estava pálida e com olhar longe, não falava, e novamente não comeu no intervalo. Logo após o término do intervalo, toda a turma foi para a aula da Educação Física no ginásio. começou no banco de reservas, mas logo teve que substituir uma garota que machucou o pé. No início, estava tudo bem. Mas novamente o mundo girou para , estava fraca, e não pôde segurar o peso do seu frágil corpo e foi ao chão mais uma vez. Era assim quase todos os dias, ela não comia, chorava muito, estava magra e fraca, seu corpo já não tinha forças para continuar. e muito preocupados resolveram falar com a amiga.
- , você está se sentindo bem? - Perguntou serenamente. Porém a amiga nada disse. insistiu;
- Amiga, você tá bem? - Ela só afirmou devagar com a cabeça.
Era óbvio que algo estava errado, os amigos não conseguiam acreditar que estava tudo bem com ela. Então, continuou insistindo;
- Você não consegue nos enganar. Tem alguma coisa acontecendo, não é?
- Tem sim. - Falou entre os dentes e com os olhos se enchendo de lágrimas.
- O que é? Fala, nós vamos te ajudar! - Falou serenamente olhando fixo para a garota.
- Gente. - Falou com os olhos cheios de lágrimas. - Eu estava pensando, e acho que estou doente, e também, a Paola tem razão... - Não pôde terminar o que ia falar quando a interropeu;
- Você vai dar ouvidos àquela imbecil?
- Mas eles nem sabem que eu amo eles. - Falou chorando. - Eu quero tirar eles da cabeça, mas não posso, o amor que sinto é maior, mas isso está me fazendo sofrer. Eu já não agüento mais.
não podia ver a garota nesse estado, tentou animá-la;
- , você é tão especial para eles quanto qualquer outra pessoa, não importa se eles te conheçam ou não. Como fã, você dá um grande apoio para eles, o que é muito importante na carreira de qualquer artista. Não desista nunca dos seus sonhos!
- , eu nunca vou deixar de amá-los, mas eu já disse que estou doente. Não sei o que eu tenho. Minha mãe tá preocupada e eu também. Meu cabelo não pára de cair, eu estou sempre desmaiando. Naquele dia em que discutimos com a Paola eu fui fazer exames, e o resultado chega hoje. Tenho medo do que pode acontecer.

Lágrimas corriam no rosto dos amigos. Estavam todos tão preocupados! Não queriam perder a amiga por nada, estariam dispostos a enfrentar qualquer coisa para ajudá-la. Era o último dia de aula do ano e se empenhariam durante toda a temporada de férias para ajudar à amiga.

Reunidos com os pais de em sua casa, veriam o resultado dos exames. Ao abrir, uma facada: tinha um tumor no cérebro. Estava em um lugar muito difícil de operar, quase impossível. Não teria muito tempo de vida. Apenas um milagre poderia salvar a sua vida. já não tinha vontade de ouvir tudo aquilo. Saiu correndo, estava com medo, preocupada e assustada, ninguém conseguiu seguir a garota. Horas depois, foi procurá-la, ele sabia onde encontrá-la...
Era um lugar afastado da cidade, um campo muito bonito, com árvores de vários tipos, vários pássaros e animaizinhos correndo e brincando por perto, em uma das árvores se notava uma coisa diferente.
O garoto subiu as escadas devagar, sem fazer nenhum barulho. Viu encolhida em um canto, abraçando as pernas. Ela chorava muito. tropeçou em uma lata, fazendo muito barulho, o que assustou a garota.
- Como você me achou aqui? - Perguntou a menina, disfarçando a felicidade por ter alguém que se importa com ela.
- Sempre que você está mal, vem pra cá chorar e desabafar com os passarinhos. Eu te conheço muito bem, . - Falou o garoto sentando-se ao lado dela e dando um beijo na testa da amiga.
- É eu sempre venho para cá, você tem razão! Lembra quando a gente construiu essa casinha juntos?
- Sim, você queria que fosse rosa.
- E você azul. - Ela riu.
- E nós brincávamos muito aqui! Quantas lembranças! – Disse ele admirando o lugar com brilho no olhar.
- ? - Chamou ela tão baixo que quase não se ouvia. - O que foi?
- Quando eu morrer, você vai lembrar de mim? - Perguntou ela tristemente.
- Quando você morrer? Vai demorar muito, não fala uma cosia dessas, .
- , você sabe que eu tenho pouco tempo de vida. Promete que nunca vai me esquecer. Promete?
- Prometo. Agora me promete que você vai se cuidar, que vai fazer tudo o que os médicos mandarem e tomar os remédios certos, para eu ter você aqui comigo?
- Prometo. - Falou a garota com esperança no rosto.
estava com o coração disparado, não podia mais se segurar, tinha que fazer uma coisa que seu coração desejava há muito tempo. Mas tinha medo, não queria deixar a amiga mais confusa, mais preocupada, porém, os seus sentimentos eram mais fortes que seus medos. Aproximou-se do rosto de devagar. Ela sentiu o corpo gelar, foi como se todos os problemas desaparecessem de sua vida. Com estava tranqüila, sabia que podia se entregar a ele. já não se controlava mais, perdia os sentidos ao estar com . Aproximou-se mais e mais da menina, sentiu o corpo tremer. Até que, lentamente, suas bocas se encontraram. Foi o primeiro beijo de , mas a garota queria mais, sentiu algo completando parte de seu coração. Fechou forte os olhos, deixou que tomasse conta de seu corpo. O beijo se tornou mais intenso, com mais paixão. As mãos de pegaram à cintura de , que abraçava o menino com fervor. Deixaram-se levar pelo momento. Estavam confusos, e não sabiam se era certo o que estavam fazendo, mas não queriam parar, até que um vento forte soprou forte batendo as janelas. Os dois se assustaram e se olharam vermelhos, mas ainda estavam abraçados. não sabia o que falar ou onde se esconder, tentou se desculpar;
- Desculpa, eu sou um idiota. Agi por impulso. Desculpa mesmo, . - E olhou para o lado tentando esconder o rosto envergonhado - Mas eu gosto de você, e não quero mais ficar só na amizade. A cada dia te desejo mais e mais e não sei viver sem você.
- Você não tem por que se desculpar, . Eu também queria isso, e foi... Foi tão bom. Em você eu posso confiar, com você eu estou segura. - Falou a menina virando a cabeça do amigo deixando seus olhares frente a frente. Seus corações batiam mais rápido, e podiam ouvir a respiração ofegante um do outro. Ainda tímido pelo que havia acontecido, tentou mudar de assunto;
- Acho que é melhor nós irmos para casa. Sua mãe está muito preocupada, e eu fiquei de te levar antes do anoitecer. - Falou o menino.
- É, vamos sim.
- ? – Ele perguntou com um jeito que deixou arrepiada.
- Quê? - Olhou para o amigo com um jeito encantador. Ele não disse nada, apenas deu mais um beijo na garota e seguiram para casa devagar, conversando e rindo muito.

- , canta pra mim?
- Canto. Escolhe uma musica!
- Vejamos... – Pensou um pouco e disse: Bubble Wrap!
- I wish I could Bubble Wrap my heart,
In case I fall and break apart,
I'm not God I can't change the stars,
And I don't know if there's life on Mars,
But I know you're hurt…
- Cantava, com sua voz suave. E assim foi até chegarem em casa.

Era uma quinta-feira, estava toda a família de reunida da sala de jantar, estava com tonturas fortes, e não entendia mais nada do que falavam. Sua cabeça doía muito e pediu licença para ir ao banheiro e lavar o rosto.
De repente, ouviram gritos vindos do banheiro. Os pais da menina correram preocupados para ver o que estava acontecendo. chorava em frente ao espelho, segurava um maço de cabelos em uma das mãos, com a outra, tapava a boca e não sabia o que fazer, estava muito assustada. Teve mais uma recaída, e dessa vez, ficou internada no hospital por tempo indeterminado, já não podia mais ficar sem tratamento. Seu estado de saúde era crítico e os remédios eram cada vez mais importantes.

Dias sem nem ver a luz do sol, trancada no quarto do hospital, já não falava com ninguém e estava em coma. Os esforços da família para animá-la já não eram respondidos. Mas alguém tinha esperanças. não desistiria, ele sabia que a garota era forte, e não podia deixá-la morrer sem tentar ajudá-la. Resolveu, então, falar com os médicos. Ele tinha uma idéia que poderia ajudar a amiga a se recuperar.
- Doutor, eu posso falar com o senhor sobre a ?
- Garoto, a situação dela você já sabe. Não há nada que possamos fazer. Só nos resta esperar! - Falou o médico sem esperanças de salvar .
- Eu não quero saber qual é o estado dela! Eu quero ajudá-la.
- Como você acha que pode ajudar? - Perguntou o médico intrigado e pensando que estava brincando com a situação.
- Eu tenho uma idéia que pode fazer ela se animar: ela precisa ouvir algumas músicas da sua banda favorita, só assim poderia se sentir melhor e ter mais forças para continuar lutando pela sua vida.
- Você bebeu, menino? Ela está praticamente em estado vegetativo, não entenderia nada! De onde tirou essa idéia absurda?
- Por favor, me deixe tentar. Se não der certo, eu não perturbo mais! É pelo bem de que peço, sem ela, eu não sou nada.
- Está bem. Mas é só uma vez, depois não peça mais! – Falou o médico muito contrariado com a idéia.
- Sim. E quando posso tentar? - Perguntou com os olhos brilhando.
- À tarde, depois do almoço.
- Está bem.

Com esperança no olhar, foi para casa buscar seu aparelho MP4. Às duas horas da tarde voltou ao hospital e foi logo falar com o médico;
- Doutor, posso ir para o quarto de ?
- Pode, mas eu e meus colegas vamos junto, queremos ver qual será a reação.
- Está certo, mas vamos logo, por favor.
Ao entrarem no quarto, os batimentos cardíacos de estavam muito lentos; ligou o aparelho e colocou os fones em , com cuidado. À primeira música não houve reação da menina, os médicos queriam que parasse com o que eles julgavam estar sendo uma tolice e um grande desrespeito com a família da garota, mas ele insistiu, e continuou com o que estava fazendo. Duas, três, quatro músicas passaram, e nada de reagir, os médicos, já sem paciência começaram a discutir com , e quando eles estavam prestes a arrancar os fones dos ouvidos da menina, seus batimentos melhoraram surpreendentemente e, de repente, a respiração se estabilizou, ela não precisaria mais de aparelhos respiratórios. O que provou que estava certo. McFLY poderia dar a mais tempo de vida.
- Viram? Eu disse que isso seria um motivo de força para ela, agora entendem do que eu estava falando? – Perguntou com uma expressão surpreendente no rosto. Os médicos conversaram um pouco sem deixar que ouvisse uma só palavra.
Surpresos com o que havia acontecido, um dos médicos disse se dirigindo diretamente a ;
- Faça-nos um favor, traga mais músicas dessa banda para ouvir.
- Tenham certeza de que sim. – Disse ele coberto de esperanças em ter a amiga por mais tempo perto de si.
E assim foi. Todos os dias, ouvia as músicas que levava. Teve uma grande melhora, mas ainda não havia acordado. sabia que o que fez era certo e muito bom para a menina, mas havia mais alguma coisa que a faria melhorar ainda mais, e quem sabe, dessa vez, acordar. Mas não conseguia pensar em nada, sabia que era algo muito óbvio, mas não sabia o quê. Resolveu procurar para lhe ajudar. Foi até a casa da amiga e, ao tocar a campainha, ela atendeu rápido.
- Oi, , tudo bem? Como está a , ela melhorou? As músicas que eu te passei ajudaram? – estava cheia de perguntas para fazer. Queria tanto que a amiga se recupera, sentia falta das tardes de fotos e risadas com ela.
- Oi, . Estou bem sim, e a já melhorou muito, as músicas ajudaram muito. Muito obrigado! – Falou ele com um sorriso discreto no rosto.
- Que bom, eu já não agüentava mais sem notícias dela. – Disse ela aliviada.
- Bom, na verdade, eu não vim aqui pra te agradecer. Quero dizer, vim, mas eu preciso da sua ajuda para mais uma coisa...
- Fala, vai ser ótimo ajudar você.
- Bom, eu estava pensando: se a melhorou tanto com as músicas do McFLY, com a banda, então, vai ser muito melhor.
- Você não está querendo que... – Tentou indagar , mas a vontade de de ajudar era maior, e ele queria falar de uma vez a sua idéia;
- Se você pensou em trazer eles até a , está certa!
- Mas, como você está pensando em fazer isso? – E olhou com uma grande interrogação no rosto.
- Bom, isso eu ainda não sei, mas nós podíamos achar o Myspace oficial da banda, ou de um deles, e contar o que está acontecendo com a , e pedir para eles no ajudarem e, quem sabe, ela não se recupera... – Falou o garoto com muita esperança. – Mas, é claro, se você quiser me ajudar!
- Você tá louco? A sua idéia é perfeita. É claro que eu quero ajudar você. Seria tão bom se a se recuperasse. Quando começamos? – Falou bem rápido e super entusiasmada com a idéia de .
- Por mim, agora mesmo.
- Então entra, vamos ao computador do meu quarto, e começamos já! – Disse a menina fazendo um gesto convidando para entrar em casa.

Muito concentrados, os amigos entraram em vários sites da banda, mandando mensagens pedindo por favor, passar o endereço eletrônico da mesma para o e-mail deles. Falaram com a organização de sites, fãs, com pessoas de sites oficiais e não–oficiais. Estavam com muita esperança de ajudar . Permaneceram muito tempo em frente ao computador. Era quase uma hora da madrugada, estavam cansados e com sono, mas estavam mais decididos de que só iriam dormir depois de uma resposta para tantos e-mails que mandaram. havia passado dias no hospital com e não agüentava mais tanto sofrimento.
- , por que você não deita um pouco? – Perguntou ao amigo.
- Eu quero te ajudar. – Respondeu com os olhos fixos na tela do computador.
- Você está muito cansado. Deita um pouco, eu vou fazer um café, e assim que tiver uma resposta eu prometo que te acordo. – Insistiu.
- Está bem, mas não esqueça de me chamar. – Falou com um olhar sonolento e bocejou. Jogou-se na cama, e logo adormeceu.

O tempo passou e nenhuma resposta. Já eram quatro da manhã, e por mais que insistisse, adormeceu em frente ao computador.
Às nove horas em ponto da manhã seguinte, acordou com o barulho do telefone no andar de baixo. Bocejou, e olhou para a tela do computador; havia, enfim, chegado a tão esperada resposta. Mais do que rápido, levantou e chamou quase aos berros;
- , acorda, acorda, a resposta chegou. Acorda logo. – Falava e cutucava o amigo que se assustou e deu um pulo na cama.
- Hãn? O que foi? Uma resposta chegou? Por que não me chamou antes? – Falou rápido e indo direto à cadeira da escrivaninha.
- Eu peguei no sono ontem. Só vi agora. Anda, o que ela diz? – Explicou e perguntou .
Antes de abrir a mensagem, olhou para uma foto que havia ao lado da tela, nela estavam os três amigos no parque de diversão. Ficou preso por um tempo a imagem, logo se deu conta que estava demorando muito e leu a mensagem em voz alta:
- “Oi, eu infelizmente não tenho o Myspace de nenhum dos meninos, mas tenho o endereço da casa dos pais do Dougie (logo abaixo), espero que possa ajudar vocês em alguma coisa. Um grande abraço, Júlia”. – Depois de alguns minutos em silêncio, disse:
- Vamos, está esperando o que pra anotar esse endereço?
- Eu estou com medo, . E se eles não nos entenderem? Como é que a vai melhorar? – Perguntou ele preocupado.
- , não fala besteira. Você mesmo disse para a que eles se importam muito com as fãs. Eles nunca negariam ajuda para ninguém. Lembra daquela menininha que tinha câncer e o Danny ajudou? – Falou a menina encorajando .
- É, você tem razão, acho que estou muito preocupado. Bom, vamos lá, todo o tempo que temos é precioso para a . - disse pegando papel e caneta. - Eu vou anotar o número, e à tarde vamos lá falar com ele... Pronto, aqui está. – Disse mostrando dois papeis com a mesma frase: ‘Rua 160, numero 47, casa azul com grades grandes e brancas’. Eu anotei duas vezes, assim cada um tem para si. Agora eu vou para casa tomar um banho e descansar um pouco. Até mais, .
- Está bem, eu passo lá às duas horas. Até de tarde. – Falou enquanto levava até a porta.

À uma e meia da tarde os amigos já estavam no ponto de ônibus rumo ao endereço que conseguiram. Como a cidade era grande, levaram uma hora e meia para chegarem ao seu destino. Haviam dormido pouco, e estavam cansados, mas o carinho pela amiga era maior, e sabiam que obterião sucesso com a visita. Ao chegarem à Rua 160, procuraram com cuidado a casa azul de número 47, uma por uma olharam com cuidado, até que disse:
- Ali, olha! É aquela lá! – E apontava para uma casa muito bonita e com aspecto familiar, com um jardim muito cuidado com várias flores, de cores e tamanhos diferentes, que era de dar inveja a qualquer vizinho.
- Como é bonita essa casa. Será que é aqui mesmo? – Perguntou com os olhos fixos no portão branco que tinha uma fechadura enorme e rústica.
- Eu espero que sim, vamos ver. – Falou a garota e logo correu para o portão da casa, que tinha um interfone. Olhou para e ele apertou o botão.
- Pois não? – Ouviram uma voz feminina.
- Nós gostaríamos de falar com Dougie Poynter. Ele está em casa? – Pediu com uma voz doce.
- Malditos repórteres... – Ouviram a mulher cochichar.
- Como disse? – Pediu confuso.
- Aqui não tem nenhum Dougie Poynter não, vão embora e não voltem mais. Parem de nos incomodar. – Falou a mulher muito irritada.
- O que será que deu nela? – Pediu para , confusa.
- Eu acho que ela nos confundiu com repórteres que querem especular sobre o Dougie. – Respondeu o garoto.
- É, deve ser. Mas eu tenho certeza de que ele mora aqui. Agora o que vamos fazer?
- Eu acho que vamos ter que pular o portão. – Falou com um olhar malicioso.
- Se é o nosso único meio de falar com ele... – Disse se dirigindo ao portão.
Ambos pularam, e estavam no belo jardim. Ficaram impressionados com a beleza do local e não sabiam que existiam tantas flores no mundo. Foram até a porta. Ao chegar lá, tocou a campainha vitorioso. Ouviram alguém se aproximar, a chave girar...
- Eu já disse para irem embora, por que insistem em incomodar? – Perguntou uma mulher já de idade, ranzinza, que deveria ser a empregada da casa, ela estava furiosa.
- Nós não somos repórteres, não! Só queremos falar com o Dougie, por favor. É um assunto muito sério! – Pediu choramingando.
- Não! – Gritou a Mulher - Vão embora, não quero mais vê-los aqui. Se voltarem, eu juro que chamo a policia.
- Mas nós precisamos mesmo, é muito importante. Uma vida está em jogo.
Ao ouvir a gritaria, Dougie foi até a porta para saber o que estava acontecendo. Viu dois adolescentes na porta, logo pensou que eram fãs. E se dirigiu à empregada;
- Dona Elza, o que está acontecendo aqui?
- Esses moleques querem falar com você! Mas já estão indo embora... – Disse empurrando os dois.
- Na verdade, - interrompeu - nós não estamos indo embora, não, e também não saímos daqui até que você nos escute! – disse decidido e olhando firme para o rapaz.
- O que está acontecendo? Por que vocês estão aqui? Como conseguiram meu endereço? – Perguntou Dougie, estava confuso.
- Primeiro: nós somos, – disse apontando pra a amiga depois apontou para si. - E eu sou .
- Nós somos grandes fãs seus, e da banda. E temos uma amiga que também é. – complementou . - Ela está com sérios problemas, e temos certeza de que só vocês podem ajudá-la.
- Como assim? Do que estão falando? – Perguntou Dougie assustado.
- Há cerca de um mês, descobrimos que ela está com tumor no cérebro e tem pouco tempo de vida. – Explicou . – Eu tive a idéia de deixá-la ouvir algumas músicas de vocês.
- O que ajudou muito, ela se recuperou bastante e teve um grande avanço. – Disse .
- Sei, acho que já entendi... – disse Dougie passando a mão pelos canelos loiros e apertando bem seus olhos. - Vocês não querem entrar?
- É, se não formos te incomodar... – Disse com uma expressão envergonhada.
- Claro que não, eu estava sozinho em casa. – Disse enquanto os garotos entravam em casa. - Elza, por favor, vai limpar a casa?
- Sim, já estou indo. – Disse a empregada com o nariz torcido.
- Desculpa por ela. - Falou Dougie fazendo sinal negativo com a cabeça. – Nunca gostei dela, mas enfim, por que exatamente vocês vieram aqui?
- Bom... - Tentou explicar . – Como nós já falamos, a , nossa amiga, está passando por uma fase difícil em sua vida, e achamos que depois de ouvir as músicas de vocês, a única forma de fazê-la se animar seria vocês lá, junto com ela.
- É, ela gosta muito de vocês, a maior fã que se pode imaginar. E sempre teve o sonho de conhecê-los, e a única oportunidade é essa. – complementou .
- Certo! Por mim tudo bem. – Disse Dougie contente com a idéia de poder ajudar a salvar uma vida. – Mas não depende só de mim, temos que falar com o resto da banda e o pessoal da produtora.
- Sim, quando podemos fazer isso? – Pediu com brilho no olhar. - Todo o tempo que temos é curto para .
- Olha, agora seria complicado falar com os produtores, mas posso ligar para o Tom, e pedir pra eles virem aqui em casa e conversamos melhor. O que vocês acham? – Propôs.
- É uma ótima idéia. – Festejaram juntos os amigos.
Por mais que pareça mentira, naquela hora o telefone tocou, e era Tom. Dougie explicou tudo, e marcaram uma pequena reunião para sexta-feira à tarde.

O dia da tão esperada reunião chegou. e estavam na casa de Dougie esperando pelos outros meninos. Já não agüentavam a ansiedade, quando a campainha tocou, eles e um dos produtores da banda chegaram juntos e foram devidamente apresentados.
e começaram a explicar o que estava acontecendo com sua amiga. Depois de toda a explicação, o produtor da banda se manifestou:
- A história de vocês é linda e comovente. – Disse colocando a mão no peito e ironizando a situação dos garotos. – Mas eles tem mais o que fazer, e não vão perder tempo com uma garota doente, e também não estão interessados nisso.
Dougie, Tom, Harry e Danny se olharam seriamente.
- Quem foi que disse que não nos interessamos pela história deles? – Perguntou Tom ao produtor com uma expressão muito séria e repreensiva.
- Nós vamos, sim, visitar a , e a ajudaremos com muito prazer. – Disse Danny muito firme e representando os amigos.
- É claro que vocês estão brincando comigo, só pode! – Riu o produtor.
- Não. – Disse Harry com firmeza, – Nós estamos falando muito sério. Desde o primeiro momento, nos interessamos pela amiga deles. E vamos ajudá-la na medida do que nos for possível.
Os meninos da banda se dispersaram. Falavam os quatro ao mesmo tempo, tinham planos para ajudar a menina e estavam entusiasmados. e estavam tão felizes com o que escutaram e se abraçaram forte.
- Hãhãm. – O produtor chamou atenção e todos se calaram. – Se vocês farão isso, não envolvam a produtora no meio!
- Pois é. Nós não vamos pôr a produtora na história. – Disse Dougie, enquanto empurrava-o para a porta. E o homem reclamava:
- Vocês vão me pag... – Não pôde terminar, quando estava para pronunciar a última palavra Dougie bateu a porta em seu nariz.
- É, nós nunca gostamos dele! – Disse Tom. Os outros na sala riram.
- Bom, vamos nos programar para que possamos visitar e ajudá-la. – Disse Harry.
- Sim. – Disse pegando papel e caneta e anotando o endereço do hospital. – Aqui está o endereço do hospital em que ela está. Que dia é mais acessível para vocês?
- Nos fins de semana são os melhores dias para nós.– Disse Dougie.
- Que tal no sábado à tarde? – Perguntou Danny.
- Ótimo. O que vocês acham de nos encontrarmos mais ou menos meia hora antes para ficar mais fácil? – Sugeriu .
- É uma boa idéia. – Disseram Harry e Tom juntos. Os outros concordaram com a cabeça.
- Pode ser na minha casa? – Sugeriu . – Fica a sete quadras do hospital. Se quisermos podemos ir a pé.
- Muito bom. Me passe o endereço, que eu levo todos lá no sábado depois dás 13:30 horas. – Disse Danny.
- Certo. – anotou o endereço e entregou a Danny. – Aqui está. Esperamos vocês!
- Agora temos que ir. Nós vamos ver a no hospital.
- Está bem. – Disse Dougie acompanhando-os até a porta.
- Até mais. – Gritaram os meninos da sala para os dois.
- Até. – Responderam os amigos acenando.
Depois que a porta se fechou, os quatro amigos se olharam seriamente e Harry disse:
- Super legal eles ajudarem uma amiga desse jeito, não é?
- É sim – Disse tom - e sabem o que eu estava pensando?
- O quê? – Perguntaram Danny e Dougie juntos.
- Nós devíamos fazer uma surpresa para a , não sei, algo diferente...
- Ótima idéia, Tom. – disse Danny.
Os quatro começaram a falar juntos e pôr tudo o que pensavam no papel. O tempo passou e e já tinham mais esperanças de ajudar a amiga.

A semana passou, e os amigos estavam todos os dias no hospital vendo . Na sexta-feira feira, não pôde ir visitar a amiga, pois estava com visitas em casa. resolveu então, ver como estava.
Entrou no quarto, notou a música que tocava ‘You’ve got a friend’, se aproximou da cama e sentiu o calor da amiga. Pôs uma cadeira ao lado da cama e colocou sua mão em cima da mão de . Começou a lembrar de tudo o que haviam passado juntas. e estavam sempre em festas ou em suas casas, mas o mais importante: juntas! olhou por alguns minutos para o rosto abatido da amiga, e sentiu o coração se apertar, como se estive em uma caixa de fósforos. Uma lágrima triste e silenciosa correu por seu rosto. Começou então a falar com serenidade;
- Sabe, , nós somos amigas desde os três anos, já são onze anos, mais do que a metade da minha vida, e nunca tivemos uma briga séria. Você sempre me apoiou em tudo o que eu fiz, me deu conselhos e me proporcionou os melhores e mais divertidos momentos da minha vida. Lembra daquela vez que nós queríamos fazer um filme, sozinhas? Nossa, quanta risada naquele dia, e você queria ser a mocinha e a vilã, ao mesmo tempo. – Apertou a mão da amiga com mais força. - Foi tão legal sonhar em ser estrelas de Hollywood, tentar formar uma banda de rock, brincar de boneca, fazer brigadeiro, os penteados malucos, as nossas festas juntas, as fotos, tantas coisas que nós vivemos. Nos últimos dias, eu senti muito a sua falta, não tenho ninguém que me ajudasse no tempo que você ficou aqui. – Parou por um instante, já estava com o coração disparado, seus olhos estavam molhados, e pequenas lágrimas brotavam deles, as mãos tremulas. Respirou fundo e continou. - Mas saiba que mesmo que você esteja deitada nessa cama, sem abrir os olhos, eu sei que está viva e que entende tudo a sua volta. E não importa o que acontecer, você vai ser sempre a minha , a minha melhor amiga. E que eu sempre, sempre, vou estar do seu lado. Nunca vou te abandonar e sempre vou ter você na memória. Por menos que eu possa fazer para te ajudar, estou lutando por você, e é por isso que tenho uma coisa muito boa para te contar. Nos últimos dias, eu e , fomos atrás do seu sonho: McFLY. Nós conseguimos entrar em contato com eles e está quase tudo certo, você vai conhecê-los. Mesmo que não acreditem, nós sabemos que o seu amor por eles supera qualquer barreira, e que vai sentir eles aqui do seu lado. – Já não podia mais agüentar, com os olhos marejando lágrimas, deitou a cabeça sobre a barriga da amiga. Permaneceu assim alguns segundos.
Quando se levantou, olhou para , notou que sua expressão estava diferente. Um sorriso discreto brilhava no rosto pálido da menina. Mas ao olhar mais fundo para a amiga, viu uma lágrima nascer nos olhos de , correr por seu rosto, e morrer em sua boca rosada. Nesse momento, dava pulos de alegria. estava respondendo ao que ela havia dito. As lágrimas que corriam em seu rosto agora eram de felicidade, deu um beijo no rosto da amiga e disse:
- Eu sabia que você podia me entender, eu sempre soube. – E saiu do quarto.

- , ... – Gritava e batia na porta com força.
- O que foi, ? Aconteceu alguma coisa com a ? – Perguntou preocupado.
- Sim, aconteceu. Quer dizer, não. Ou melhor, sim e não! – tentou explicar, mas estava muito contente e cansada por correr sete quadras e não sabia como se explicar direito.
- Explica logo. – Disse confuso e preocupado. – Você está me deixando nervorso.
- Calma, primeiro me deixa entrar e me acalmar, que depois eu explico. – Disse com a respiração ofegante.
- Sim, vamos lá na cozinha, que eu te dou um copo de água e você descansa um pouco e depois me conta tudo.
Depois de alguns minutos e vários copos de água, finalmente conseguiu recuperar o fôlego e explicar o que havia acontecido para o amigo. Depois de contar tudo a , ele disse muito confiante:
- Nós não temos tempo a perder! Você disse que a chorou com o que você disse? Então quer dizer que ela está se recuperando?
- Bom, se ela está se recuperando eu não sei, mas que ela estava me ouvindo eu tenho certeza! E eu não vou desistir até provar para todos, que existe algo nesse mundo que fará muito bem para a ! E esse algo tem nome: McFLY. – estava muito confiante de si, e não tinha dúvidas, que haveria muito pela frente!

Os dias passaram, a situação de pouco mudou. Em alguns dias estava bem e nem precisava de aparelhos para respirar. Porém, cerca de dois dias antes da visita dos garotos da banda à , sua situação piorou, seus batimentos cardíacos estavam cada vez mais lentos e seus amigos e parentes temiam o pior. Tinham muito medo que não agüentasse até o sábado, que seria o dia em que receberia a visita dos seus maiores ídolos.
Na chegada do sábado, que seria um marco na vida de todos que estavam envolvidos com o acontecimento, e estavam ansiosos e muito confiantes de que isso faria bem para a amiga. Eram mais ou menos duas horas da tarde, os dois esperavam eufóricos na casa de , quando ele não agüentou mais a demora dos garotos, se levantou e disse muito preocupado:
- Por que eles ainda não estão aqui? – e andava de um lado para o outro.
- Calma, , eles logo vão chegar.
- Como eu posso ficar calmo, ? Como, se a pessoa que me fez seguir em frente durante anos está morrendo, quando eu estou perdendo a pessoa mais importante da minha vida e não posso fazer nada? – estava à beira de um colapso, não tinha mais controle de suas palavras e sabia que podia botar tudo a perder.
- Eu sei, todos nós sabemos, e nada podemos fazer para salvar a , mas agora nós temos que ser fortes e não podemos deixar que ela sinta que estamos mal.
Quando ia falar, liberar tudo o que estava sentindo e confessar o seu amor por , a campainha tocou, ambos se olharam simultaneamente e ficaram assim por mais alguns segundos... A campainha tocou novamente e então correu até a porta, dizendo ao amigo:
- Devem ser eles... – e ao abrir uma surpresa que a deixou estática por alguns segundos.
Harry e Dougie tinham nas mãos flores, balões. Danny e Tom seguravam um violão cada um. ficou surpresa com o que viu e os convidou para entrar. Assim que os viu com tudo aquilo também ficou surpreso e pediu inocentemente:
- Vocês têm algum ensaio ou coisa assim?
Os meninos riram da pergunta, e Harry logo tratou de explicar a idéia que tiveram:
- Não. Na verdade nós pensamos em fazer uma surpresa para a .
- Nós pensamos em tocar Star Girl para ela. – Disse Danny.
- E compramos esses presentes para alegrar um pouco o quarto dela. – Falou Danny mostrando os balões que tinha nas mãos.
- Fizemos mal? – Tom perguntou assustado.
- Se fizeram mal? – Disse . – Fizeram bem. Nós nunca pensamos que vocês ficariam tão interessados assim.
- Bom, nós achamos que apenas chegar lá e vê-la não ajudaria muito e decidimos fazer isso. – Falou Dougie.
- Nossa, foi fantástico ver tudo isso. – Disse .
- Obrigado mesmo, meninos. – Falou .
- De nada não. – Disse Danny coçando a cabeça. – Mas vamos logo? Não temos tempo a perder, certo?
- É mesmo. Vamos indo... – Disseram os dois amigos ao mesmo tempo, fazendo sinal para segui-la e indo em direção à porta.
Os oito foram a pé e levaram cerca de dez minutos para chegar ao hospital. Durante todo o caminho, eles conversaram e riram muito, mas o assunto das discussões era sempre o mesmo: . Assim, os artistas ficaram sabem um pouco mais sobre a garota, de como era o seu amor por eles, e de como ela reconhecia o talentos dos quatro com a música.
Quando estavam à três quadras do hospital, um silêncio tomou conta de todos, e então Tom quebrou-o:
- A deve ser mesmo do jeito que vocês falaram. Uma grande amiga, e que está sempre disposta a ajudar a todos a sua volta.
- E também dá para notar que ela é muito importante para vocês. – Complementou Harry.
- Muito mesmo. Mais do que se pode imaginar. – Falou .
- Eu nunca tinha visto uma amizade tão forte, tão unida. Em que alguém se arriscasse tanto pelo próximo. – Disse Dougie.
- Durante todo esse tempo que passamos com ela, aprendemos que na vida sempre temos altos e baixos, mas há uma coisa que nunca perdemos; os amigos de verdade! – disse recordando de tudo o que havia passado com a amiga.
- Um amigo, é o maior tesouro que alguém pode ter. – Disse Danny.
- Bom, é aqui. – Disse quando chegaram em frente a um prédio grande, de uma cor aparente a verde, muito claro e assustador. – É aqui que está. Todos sentiram o corpo gelar. Esse seria o momento do ‘vamos ver’, e que mudaria totalmente o futuro de uma vida. O momento que deixaria marcas eternas em quem estava envolvido com tudo.
Ao entrarem, os garotos da banda foram reconhecidos, isso era previsto. Eles foram muito educados, e falaram com todos que os procuraram, mas estavam tensos, tinham medo de fazer algo errado. Mas sabiam que o que estavam fazendo marcaria para sempre em suas memórias. e foram falar com os médicos, para poderem entrar no quarto de , mas algo errado tinha acontecido;
- Doutor, nós trouxemos visitas para a . Podemos entrar no quarto dela?
- Me desculpe, meu jovem. – Disse um dos responsáveis pela menina. – Mas ela não está nada bem e não está autorizada a entrada de nenhuma visita ao quarto dela, com exceção do pessoal do hospital.
- Como ela está mal? – perguntou desesperada. – Nós precisamos entrar, ela vai melhorar com essa visita. Por favor, é para o bem dela.
- Me desculpe, mas não podemos ceder nenhuma exceção. – Falou o médico.
Outros médicos que estavam acompanhando o caso de ouviram a discussão e entraram na sala para saber o que estava acontecendo;
- O que está acontecendo aqui? – Perguntou um dos homens, alterado.
- Isso é um hospital, um lugar em que é preciso silêncio. Por favor, se acalmem! – Disse o outro.
- Desculpe pela confusão, doutor, mas nós somos amigos de , e trouxemos visitas a ela... – Falou .
- Eu já lhes disse que ela não pode receber ninguém. – Insistiu o primeiro médico.
- Como assim, de quem vocês estão falando? – Quis saber um dos homens.
- Os senhores se lembram daquela banda que eu trouxe músicas para ela ouvir? – Falou um pouco mais calmo.
- Sim. – Falaram os três. Então complementou o que o amigo estava falando:
- Nós os trouxemos até aqui para ver a . Eles ficaram super animados com a idéia de ajudá-la. E se as músicas a ajudaram tanto, eles pessoalmente ao lado dela com certeza será melhor.
- Eu não tenho dúvidas de que ajudará, mas ela está praticamente em estado vegetativo, não é possível que entenda o que está passando a sua volta! – Falou um dos médicos perdendo as esperanças.
- Não, doutor. – Disse . – Nós sabemos que ela vai reagir com a presença deles aqui. Por favor, deixe-nos tentar.
- Eu concordo com os garotos, afinal, todo esse tempo eles ajudaram muito com a menina, e foi graças a eles que conseguimos dar mais forçar a ela. – Falou um dos homens.
Os outros concordaram. Mas havia mais um obstáculo, talvez o mais difícil de vencer. Os pais de . Eles nunca foram a favor do sentimento da filha pela banda. e tinham que falar com eles. A condição imposta pelos médicos era esta, eles só poderiam seguir com tudo se os pais da amiga concordassem com a idéia. Os dois foram falar com os integrantes da banda, explicaram-lhes o que estava acontecendo e que já não tinha muito tempo de vida. Eles encontraram os médicos, e foram até a capela do hospital falar com os pais da garota, para saber qual era a opinião deles. Chegando lá, encontraram os pais da amiga ajoelhados em frente a uma imagem de Nossa Senhora, com seu filho, o Menino Jesus no colo. , mãe de , chorava muito. Tinham apenas uma filha, e estavam perdendo-a. Com muito medo de dizer algo errado, se aproximou de , colocou a mão em seu ombro e ela se voltou para a garota;
- , querida. – Olhou para . – Obrigado por estarem conosco nesse momento.
, pai de se levantou, cumprimentou todos e disse:
- Vocês são os ídolos da minha filha. – Voltou-se para os adolescentes. - Como os trouxeram até aqui?
- Bom, é uma longa história que nós devíamos ter lhes contado antes. Mas nós estávamos tão entusiasmados e envolvidos que... Esquecemos. – Justificou o menino, cabisbaixo.
- Tudo bem, os médicos nos contaram o que vocês vem fazendo por nossa filha. – Falou tentando aliviar o sofrimento dos amigos.
- Nós não sabemos como agradecer. – Falou . – Todo esse tempo vocês deram à nossa filha mais vontade de viver. E quanto a vocês, – disse voltando-se pra os cantores. – nós lhes devemos desculpas.
- Por que desculpas? – Perguntou Tom aos pais de e depois voltando-se para os colegas.
- Todo esse tempo que nossa filha foi fã de vocês, nós duvidamos do que ela sentia, ríamos dela e dizíamos que era um amor de adolescente, que logo passaria. – Disse envergonhada.
- Mas agora percebemos que vocês são como estrelas guias pra ela, e foram vocês que ensinaram para ela, o verdadeiro amor – Disse como pedido de desculpas.
- Todo esse tempo, foi apaixonada por vocês, e daria a vida para salvá-los. – Falou .
- Nós vamos ajudá-la. – Falou Dougie. – Vamos fazer o máximo para ela melhorar.
Depois disso, todos ficaram quietos por alguns segundos, olhando um para o outro sem dizer nada. Até que se passou um minuto, e um dos médicos entrou na sala:
- Está tudo pronto pra a visita, mas todos vocês não poderão entrar, três de vocês terão de ficar de fora.
- Nós ficaremos aqui. – Disse .
- , é melhor você entrar lá. – Disse pegando a mão do amigo. – Foi você quem teve a idéia, e foi atrás de tudo. Eu só ajudei um pouco.
- Eu não teria conseguido sem a sua ajuda. – Sussurrou no ouvido da amiga após um longo abraço.
- Então, - disse o médico – você, você, você, você. – apontou para cada um dos músicos. – E você. – apontou pra . – Coloquem essas roupas. – Apontou para a cadeira que tinha túnicas cirúrgicas em cima. – E venham comigo.
Todos fizeram o que o médico disse, e se dirigiram até a porta do quarto de . O médico abriu a porta lentamente, entrou em seguida Harry, Tom, Danny, e, por último, Dougie.
- Bom, aqui estamos. – Disse o médico.
O quarto estava gelado, o único som que se ouvia era o pip do aparelho que estava ligado a . se aproximou do , e colocou a mão sobre a mão da amiga.
Subitamente seus batimentos tiveram uma queda, seu coração quase parou de bater. O médico notou que poderia ser o fim da garota, jogou para longe, e chamou seus colegas. estava com os olhos marejados, queria estar perto de , segurar a sua mão. Tom e Danny o seguravam com muita força, lutava para se soltar. Mais dois médicos entraram no quarto, rapidamente começaram a tentativa de reanimar .
Como num passe de mágica se acalmou. Ele tinha uma idéia, sabia como ajudar. Puxou Tom para um lado e disse:
- Vocês têm que cantar.
- Mas o quê? Nossas coisas estão todas lá fora.
- Qualquer coisa. – Disse , e virou-se pra os outros. – Cantem qualquer coisa.
Os músicos se olhavam, não sabiam o que cantar, não conseguiam abrir a boca com os olhos fixos da imagem da garota quase falecendo na sua frente. Harry, então, tomou a iniciativa, abaixou a cabeça, pensou por alguns segundos e então se aproximou da cama:
- “Hey, I'm looking up for my star girl…”
Os colegas então o acompanharam:
- “… I guess I'm stuck in this mad world
The things that i wanna say
but your a million miles away
and I was afraid when you kissed me
on your intergalactical frisbee
I wonder why, I wonder why you never asked me to stay…”
reagiu imediatamente ao som doce da voz de Harry que estava mais próximo dela, os médicos ficaram surpresos com o que viam, nunca nada parecido havia acontecido em toda a carreira que eles tinham.
Os batimentos de se estabilizaram, ela parecia renovada, seu rosto estava ganhando vida mais uma vez. Tom e Danny continuaram cantando, e olharam para o vidro do quarto, e viram os pais de e sua amiga, , com o olhar fixo na garota, os três choravam, e se davam às mãos, era como se estivessem fazendo uma corrente de oração, mandando energias positivas para todos ali dentro.
Os minutos foram se passando e a música já estava chegando ao fim...
- “… I can't get enough of you
galaxy defenders, stay forever
Never get enough of you.”
Todos estavam emocionados com o que havia acontecido. Parecia irreal, mas não, eles estavam ali, haviam presenciado tudo, sentido na pele e tinham a prova, de que o amor de um ídolo pode trazer a vida, pode trazer a uma pessoa a felicidade, o amor e a razão pra seguir em frente.
Sem palavras para explicar todos deixaram a sala, o único que permaneceu lá foi Danny
- Sabe, , você pode estar dormindo agora, não sei, talvez não. Eu não sou especialista no seu problema. Mas depois do pouco tempo que eu estive aqui dentro, eu tenho mais certeza de que os nossos fãs são capazes de tudo por nós. De que nos amam de verdade, não é da boca para fora, o que todos sentem nos faz ser mais fortes, e agora, , eu não posso fazer mais nada por você, mais nada pra salvá-la. Mas nunca esqueça que nós todos te amamos, e em nome da banda, eu desejo o melhor para você e para sua família. Sei que você não tem muito tempo de vida, e que logo você vai nos deixar, mas aonde você for, cuide de mim, cuide de todos nós. Principalmente de , ele merece o seu amor, é um garoto muito bom, e te ama demais. Nunca, nunca nos esqueça, .
Danny tinha os olhos cheios de lágrimas, lágrimas puras, como as de uma criança. Olhava para a garota abatida na cama, deu-lhe um beijo na testa, e sentiu algo pegar sua mão. Primeiramente levou um susto, mas viu que era , que ela tinha respondido, e não estava dormindo. Nesse momento, sentiu seu coração bater mais rápido. Deu mais um beijo na menina e saiu do quarto.

Quanto botou os pés fora do quarto, Danny foi atacado por uma multidão enfurecida de repórteres. Alguns seguranças estavam por perto pra ajudá-lo, a pegaram-no pelo braço e o levaram para um quarto vazio no mesmo corredor.
- O que esses caras estão fazendo aqui? – Perguntou Danny assustado.
- Não sei como eles souberam de tudo. – Disse Dougie.
- Como é que nós vamos sair sem ser atacados? – Perguntou Tom, confuso.
O produtor na banda que havia discutido com os garotos alguns dias antes não aceitou a ‘derrota’ e resolveu se vingar. Contou à imprensa que eles estariam no hospital naquele dia, mas não disse o porquê. Loucos para publicar a notícia em revistas e anunciar na televisão a manchete, os repórteres foram ao hospital.

Do lado de fora do quarto, estavam os pais de . já havia se juntado a para saber tudo o que havia acontecido com a amiga. Os pais de não haviam sido informados de nada, mas sabiam que os repórteres estavam ali por causa da banda. Então, resolveram tomar alguma providência:
- Os senhores podem se retirar, por favor? – Pediu educadamente .
- Deixe-nos trabalhar em paz, meu senhor – Disse um dos repórteres.
- Esse lugar é um hospital, e não um auditório de televisão. – Disse . – Por favor, respeitem as pessoas que estão aqui.
- Eu já disse para deixarem a gente trabalhar em paz. – Repetiu o homem com sede de notícias.
Alguns dos seguranças da banda se aproximaram e pediram para que todos se retirassem. Com muito esforço, assim foi feito.

No quarto, estavam todos eufóricos. e conversavam incansávelmente. O garoto contava todos os detalhes do tempo que estavam no quarto com a amiga.
Os pais de estavam conversando com Tom, Harry e Dougie. Agradeciam-lhes eternamente por tudo o que os meninos haviam feito por sua filha, e, agora sim, haviam aprendido que amor de fã, é mais que amor de adolescente, é mais que amor passageiro e platônico, haviam aprendido que amor de fã é um amor sem medidas, sem barreiras e que nada apaga o fogo de uma paixão assim.
Apenas Danny estava calado. Quieto, sentado em uma cadeira, isolado em um canto do quarto. Danny pensava o quanto ele e seus companheiros podiam ser importantes para as fãs. Até onde eles poderiam ajudá-las? Será que não estariam apenas as fazendo sofrerem de amor por eles? Eram tantas perguntas. Estava tão confuso. Em um pensamento, concentrado, foi interropindo por :
- Danny, tudo bem com você?
- É... Mais ou menos.
- Você está assim por causa da , não é?
- Não, não! Não mesmo! – Declarou firmemente.
- Mas, o que é então? Quer dizer, se você quiser falar, é claro! – viu que algo estava errado com ele. Queria ajudá-lo. Tinha vontade de morrer ao ver Daniel Jones abatido daquela maneira.
- Sabe, , eu estava pensando; até onde pode chegar o amor de uma fã? Não digo apenas os fãs do McFly, mas também de outras bandas. Será que quando estamos na condição de estrelas do Rock, do pop, ou seja lá o estilo, mas será que a única coisa que fazemos é fazer nossas fãs sofrerem?
, que não pôde deixar de ouvir a conversa, não pôde conter a garganta, e falou com todo o coração:
- Cara, não é bem assim, não! Eu posso não ser um super fã de vocês e tudo mais como a é. Mas eu sei o quanto elas valorizam o talento de vocês, eu sei o quanto vocês representam na vida dela. – Nesse momento, todos na sala já estavam cientes do assunto, uma roda havia se formado diante dos três. Todos ouviam atentamente as palavras de . – Por mais que você, – olhou para Danny. – ou vocês, – olhou para os outros garotos. – pensem que fazem os fãs sofrerem, estão muito enganados! Mesmo estando do outro lado do planeta, fazendo coisas que eles nem imaginam quais são, os fãs de verdade ficam na expectativa para ler uma notícia que diga que vocês vão para o país onde eles moram, guardam o dinheiro da mesada do ano todo só para poderem ir a um show. Apenas a emoção de estar na mesma casa de shows que vocês, já é o suficiente para eles se sentirem as pessoas mais felizes do mundo!
- Mas, e as vezes que os fãs choram por nós? Deveriam estar felizes, e não tristes e chorando! – disse Harry encabulado e dessa vez quem respondeu foi .
- Muitas, se não todas as vezes que os fãs choram por um ídolo, é por que algo ruim aconteceu com eles. Eles são as pessoas que mais os valorizam, e que mais desejam o seu bem; sem vocês, eles não saberiam o que é o amor de verdade! Os fãs podem não estar perto de vocês, mas conseguem sentir quando estão mal, e se sentem mal ao ver uma foto ou vídeo, em que vocês não parecem muito animados.
- Por quê? Por que é assim? Só queríamos que eles se sentissem bem em nos ver cantar. – Disse Tom.
- Mas eles se sentem bem em vê-los cantar. Mas amor de fã é muito mais que isso. Amor de fã é um sentimento inexplicável, inevitável, que começa de um nada, e acaba se resumindo em uma vida toda. – Disse .
- Um fã, não mede esforços por seu ídolo. – disse . – E eu não falo só de vocês. Qualquer fã de qualquer artista, o apoiará em todos os momentos e decisões de sua vida.
- Sabe, durante muito tempo, eu pensei que seria fácil subir em um palco, e cantar para uma multidão. Mas eu aprendi que não é bem assim. – Disse Dougie. – chegar lá, e ver um monte de gente que você não conhece, mas que sabe seu nome, que sabe te valorizar. Puts, isso deixa o cara lá em cima!
- É, Dougie. – Disse . – Isso deixa o cara lá em cima. E para os fãs, gritar e chorar por um ídolo é um esforço que valeu apena. É um sofrimento que rende frutos, que no futuro fazem da vida, muito melhor!
- Vocês têm razão. – Disse Harry. – Se cada vez que cantarmos e tocarmos nossas músicas fizermos nossos fãs felizes, poderemos nos considerar muito bons no que fazemos.
- Vocês são os melhores no que fazem. – Disse .
- Vocês deram rumo em muitas vidas. – Disse . – Inclusive na de .
- Graças a vocês, nossa filha soube valorizar o amor. Ela aprendeu com vocês a respeitar, se tornou uma pessoa melhor. – Disse .
- Pena que não soubemos valorizar esse sentimento dela, agora já é tarde pra voltar atrás e dizer a ela o quanto é lindo o que ela sente por vocês. – Disse cabisbaixo, .
- Não é tarde, não. – Disse Danny.
- Como assim? – e disseram juntos, surpresos com o que haviam escutado.
Danny pegou e pela mão, e os levou até a porta do quarto de , sem dizer uma só palavra. Não se importou com os flashes das câmeras, nem com a multidão que o aguardava do lado de fora do quarto. Não sabia por quê, mas sabia que era certo o que estava fazendo. No outro quarto todos ficaram intrigados com a reação do cantor, e se perguntavam e imaginavam milhares de respostas para o que ele havia feito. Um pouco confuso, mas com a voz firme disse aos pais da garota:
- Se vocês estão mesmo arrependidos de não terem valorizado o amor de , entrem nesse quarto e digam pra ela tudo o que sentem. Se desculpem.
- Você tem certeza disso? – Perguntou .
Os repórteres sem entender nada, atacaram os três querendo explicações. Danny sem a autorização dos médicos abriu a porta do quarto, empurrou o casal para dentro e fechou a porta outra vez.
Os fotógrafos ficaram estáticos, sem reação. Danny os encarava. Tinha um plano em mente. Sabia como tirá-los dali. Correu. Não sabia para onde. Apenas correu muito, para um lugar tão longe que nem ele conhecia direito. Era um bairro afastado de Londres. Sem ar, parou e olhou em volta. Não viu nenhum repórter, naquele lugar ninguém o reconheceu, para as outras pessoas ele era um ser normal, para outros um ladrãozinho fugindo da polícia. Ninguém sabia que ele era Daniel Alan David Jones, um astro do rock.
Respirou fundo, sentou-se na calçada e olhou para o longe. Ficou pensando no que havia feito. Agiu por impulso, não sabia se era certo, seu coração dizia que sim. Sua cabeça que não. De repente, um susto, o celular tocou, seu coração acelerou mais uma vez. Olhou na tela do aparelho: Harry. Atendeu:
- Alô.
- Cara, onde você tá?
- Não sei. É um lugar que eu não conheço. Mas fica perto da delegacia principal.
- Nossa, isso é longe. – Disse Harry. – Todos os repórteres saíram correndo daqui atrás de você. Você é louco, muito louco.
- É, eu sei. – Disse Danny. – E os pais da , fizeram o que eu disse?
- Não sei, eles ainda não voltaram depois que saíram do quarto. – Disse Harry confuso. – Mas afinal, o que aconteceu?
- Hey, você pode vir me buscar? Daí eu explico tudo!
- Tá bom, fica na frente da delegacia. Vou dar um jeito de te achar! – disse Harry
- Aham. Tchau.

Alguns minutos depois, Harry apareceu em um táxi.
- Entra aí, cara.
Danny entrou, e assim que fechou a porta o motorista deu a partida e Harry pediu o que havia acontecido.
- Eu levei e para o quarto de , porque eu sei que se eles conversarem com ela, ela vai entender.
- Cara, você é mesmo louco.
- É, eu posso ser louco, mas isso tem um sentido. – Disse Danny. – Pensa comigo, se ela ficou bem ouvindo as nossas músicas, imagine se os pais dela abrirem o coração, e falarem o quanto a amam...
- Tá, agora eu vou parecer louco, mas faz sentido!
- É, é estranho. Mas eu sei que vai ajudar!
Mais alguns minutos de conversa, o assunto fluiu como água. Enfim chegaram ao hospital, Harry pagou ao motorista e eles entraram no recinto.
Andaram um pouco e viram que estavam todos na sala de espera. O horário de visitas já tinha acabado. Harry notou a falta de e , mas não falou nada, sentou-se ao lado de Dougie e conversaram com Tom. Danny foi falar com e . Eles contaram que haviam conversado com , e a reação da menina foi chocante.
- Ela acordou, nos olhou fixamente... – Disse .
- Acordou? – Danny estava tão feliz, estava bem, era inacreditável.
- Sim, mas não falou nada. Seus olhos estavam marejados em lágrimas. – Disse , não se conteve e desabou a chorar. – Mas logo ela desmaiou de novo, e tivemos que sair do quarto. Os médicos estão lá com ela, não tivemos nenhuma notícia.
- Bom, ao menos ela acordou. Isso pode ser um bom sinal! – Disse Danny muito feliz.

Perto dali, e conversavam. queria contar à amiga o que sentia por . Um sentimento repreendido, que há muito tempo foi negado por ele mesmo, mas que era a hora de contar...
- , eu preciso te contar um coisa.
- Pode falar, !
- Eu gosto da . – Disse ele tão baixo que quase não se ouvia.
- Eu também gosto dela, e vou sentir muita saudade.
- Não, não é nesse sentido que eu to falando. Eu gosto dela, de verdade. Mas não só como amiga. Eu gosto dela como namorada.
- Como assim, ? Eu pensei que você gostasse da Júlia...
- É, eu também pensei. Mas eu vi que não. Na verdade o meu amor é pela . – Disse o menino encabulado. – Lembra aquele dia que ela passou mal, e fugiu pra casinha do bosque?
- Sim, lembro. O que aconteceu aquele dia?
- Bom, eu fui atrás dela. Quando eu cheguei lá, nós conversamos, e eu a beijei. Foi diferente das outras meninas, sabe? – Disse ele.
- Ah, acho que eu entendi.
- Eu sempre gostei dela, mas eu tinha medo de falar. Eu tinha medo da reação dela. Por muito tempo eu pude ter ela perto de mim como eu sempre quis, mas eu fui bobo, eu não contei o que eu sentia, e agora que ela está mal eu sinto como se a minha vida não tivesse mais sentido. – Seus olhos estavam tristes, sem brilho, sem vida. Suas mãos trêmulas, e a voz demonstrava angustia.
- , isso eu não esperava. – Disse abraçando o amigo.
- É, , agora eu não sei mais o que vai ser de mim. Não sei como eu vou continuar vivendo. Por que eu devo continuar vivendo? Não tem mais sentido a minha vida sem a !
- Não fala assim, . A vai estar sempre ao seu lado. Independente de onde ela estiver. Independente do que aconteça, ela vai ser eternamente a nossa , que nos apóia em tudo, e depois sabe quando é a hora de nos consolar!
ficou sem reação, não tinha mais palavras. Seu coração queria estar ao lado de , sempre. Mas as circunstâncias eram outras, estava mal, podia morrer a qualquer hora. temia o pior. Sentiria a maior dor do mundo se não estivesse mais com ele. Tudo o que havia dito, fazia sentido. Ela tinha razão, mas o menino não conseguia entender o porquê de tudo aquilo estar acontecendo. Não queria entender, apenas queria . A sua !
- É, você têm razão. Ela vai sempre estar ao nosso lado! Mas, , eu nunca vou achar outra menina que me faça feliz como a faz. Sempre foi ela que me apoiou nas maiores idiotices da minha vida. E agora, que ela mais precisa de mim, eu não posso fazer nada para ajudá-la.
- Ninguém nunca vai achar alguém como a , !
sentiu que o amigo estava sendo sincero. não conseguia mais esconder o que sentia por . Cada vez mais, seu amor crescia, e a cada dia pensava mais e mais na menina.

Na sala de espera, estavam todos nervosos. Esperando os médicos. Já haviam se passado duas horas desde que havia reagido ao que seus pais lhe disseram. Estavam sem notícias desde então. e se juntaram a eles, e ficaram à espera de mais informações sobre a amiga. O aperto no coração de todos era visível a olho. Todos estavam impacientes. Queriam vê-la, queriam !
- Danny, o que aconteceu com você antes? - Perguntou . – Você está bem?
- É, na verdade nem eu sei direito! – Disse Danny. – Realmente eu só fiz aquilo para tirar os repórteres daqui!
- Você é louco! – Disse .
Todos riram! Foi o ultimo momento de descontração entre eles. Por um momento haviam esquecido o que estava acontecendo a alguns metros deles. Aos poucos, foram se calando. Um mau presságio passou por todos eles. O silêncio tomou conta do grupo, ficaram assim, sem nem ao menos se olhar por exatos dois minutos...
- Doutor Alonso, por favor compareça ao quarto 232 com urgência. Doutor Alonso, compareça ao quarto 232 com urgência... – Falou um voz aos auto–falantes do sistema interno do hospital.
Todos se olharam subitamente. Quarto 232... 232 era o quarto de . A primeira reação de foi correr ao quarto da filha. Escancarou a porta e deu de cara com a sua menininha quase morta, estirada na cama. Estava pálida, sem vida. Já não era a mesma de antes. Já não podia se contar com a presença dela na vida da família. se aproximou da cama. Abraçou a filha mais o forte que pôde. Era a sua menininha, a sua princesinha. Não podia perdê-la assim. Não saberia o que fazer sem ela. Daria a sua vida para salvá-la.
Tom, Dougie e chegaram ao quarto logo em seguida. não conseguiu ver sua filha naquele estado, não podia fazer nada para ajudá-la. Havia carregado aquele ser tão frágil por nove meses em seu ventre, e agora, sua única filha ela estava à beira da morte. Não pôde se segurar, foi ao chão, desmaiou. Harry a tirou do lugar. A levou para onde pudesse tomar um pouco de ar.
Tom e Dougie seguravam . Tinham que tirá-lo da cama para que os médicos pudessem atender . não queria soltá-la, mas acabou cedendo pelo bem de sua filha.
Danny parecia ser o mais calmo de todos. Estava com e na sala de espera. Ambos choravam muito. Sabiam que era o fim. Sabiam que não resistiria a essa recaída. Danny se sentia mal, mas não demonstrou o que seu coração pedia no momento. Manteve-se tranquilo, para não desesperar mais os pais e os amigos de , mas estava perturbado, estava sentindo como se faltasse uma parte de si.
Passaram-se vinte minutos, trinta, quarenta... Uma hora e nada de noticias sobre . Todos estavam novamente reunidos. Às 20:30 horas exatamente, uma hora e meia sem saber absolutamente nada, Doutor Alonso apareceu diante do grupo. As notícias eram as piores...
- Eu tenho algo a lhes informar. – Disse o médico.
Foi o suficiente. Não era preciso mais palavras. Todos sabiam que havia falecido. Já era esperado, mas não sabiam que seria tão logo assim. Não podiam acreditar que o anjo havia lhes deixado sem ao menos poderem se despedir como ela merecia. Era o fim de uma vida. Uma vida frágil que muitos não valorizaram, que muitos zombaram. agora seria a Star Girl. Seria a eterna estrela de todos eles.
A reação de Danny foi surpreendente. Suas lágrimas eram puras. Lágrimas de uma criança inocente. Danny não falou nada, apenas se levantou, e de costas a todos disse:
- Esse não é o fim! não vai nos deixar...
O vácuo entre todos cresceu. Ninguém sabia o que fazer, por onde começar. Tinham poucas horas. Deviam avisar aos parentes, arrumar todas as coisas pra o velório... Mas não tinham ânimo! Queriam apenas... Chorar!

As horas passaram. Estavam todos reunidos na igreja. Esperavam o padre para iniciar a missa de despedida à . O corpo da menina estava à frente do altar. Conforme as pessoas chegavam, se dirigiram até ela. A olhavam. Rezavam... Cumprimentavam os pais de que estavam sentados na primeira fila, inconformados com a perda. Desesperados sem sua filha.
e estavam do lado de fora, junto da banda. Os meninos estavam surpresos com o estado emocional dos dois amigos. Ambos estavam calmos, o susto já havia passado.
- Vocês são tão fortes. – Disse Dougie.
- Por quê?
- Sabe, , vocês acabaram de perder a sua melhor amiga. E estão aqui, firmes e fortes. Eu não sei se conseguiria essa façanha...
- Na verdade, nosso mundo está desabando por dentro. Não saberemos o que vai ser daqui para frente sem ela. – Disse o menino.
- É... - Disse Dougie. - Ela vai sempre estar na nossa memória.
- Sempre... – Disse Tom.
Nesse mesmo instante parou um caro diante deles. Era Paola. , com medo de que a garota decidisse fazer alguma besteira, decidiu intervir...
- O que você está fazendo aqui, Paola?
- Calma, . Eu só vim me despedir da ...
- Por que você faria isso, garota? Você odeia a nossa amiga, o tempo todo você infernizou a vida dela. Hoje não, por favor. Hoje não!
- , por favor, não briga comigo! Eu to arrependida do que eu fiz! – Disse Paola, cabisbaixa. – Eu quero me desculpar com a . Mesmo que seja tarde demais...
- Paola, você tá com febre? – disse espantada.
- Não, , não brinca comigo! Eu to mesmo arrependida. – disse a menina – Depois que eu fiquei sabendo tudo o que vocês fizeram por ela, eu notei que ela é uma grande amiga! Que ela é uma pessoa ótima. Eu errei com ela. Julguei sem conhecer, e agora eu me arrependo de não ter me aproximado dela quando pude.
- , deixa ela entrar. Ela não vai fazer nada de mais! – Disse . – E se fizer, eu me entendo com ela depois...
- Obrigado por me entenderem. – Disse Paola, e entrou na igreja com passos lentos. Lá dentro, cumprimentou e . Aproximou-se do corpo de . Olhou-a por um instante. Seu modo de pedir desculpas foi se curvando. Deu um leve beijo na testa da menina, e disse muito baixo:
- Eu te admiro muito!
Logo depois disso, o padre responsável pela missa de corpo presente chegou. Entrou pela porta central. Ao ver o corpo sem vida da menina frente ao altar, sentiu a espinha gelar. Botou a mão sobre as mãos de , fez uma breve oração em voz baixa, e seguiu com a missa;
- Queridos irmãos e irmãs, hoje estamos aqui reunidos, a fim de fazermos a nossa última homenagem à querida Jane que nos deixou há pouco tempo. Durante quatorze anos, ela conviveu meio a nós, e nos trouxe muitas alegrias... – Assim foi durante trinta minutos.
- Agora meus queridos irmãos, deixo esse espaço aberto para vocês, que mais do que qualquer outra pessoa, conhecem por completo. Deixo esse espaço aberto, para que façam suas homenagens finais a ela...
Durante alguns minutos, ninguém se manifestou. Tinham medo de falar, medo de fazerem os familiares e amigos da menina sofrerem mais ainda. Paola estava determinadamente arrependida. E de forma ou outra mostraria para todos que a morte de havia mexido com ela. Levantou-se, e olhou mais uma vez para o corpo desfalecido da menina. Voltou-se para os presentes, e começou a falar o que estava lhe perturbando desde que tivera a sua primeira recaída;
- Bom, eu não sei se sou a melhor pessoa para falar de , e sei que por muito tempo a fiz sofrer. Eu pensava que era superior a ela. Mas não sou! Na verdade eu só tinha inveja dela. Das suas amizades, da sua família. Ela não tinha muitas pessoas a sua volta, mas era feliz pelo simples fato de ver os seus amigos bem. – Estava suando frio, tinha medo de errar mais uma vez, mas continuou. – Eu espero, que todos vocês aqui me desculpem, por não acreditar nela, por não acreditar em seus sonhos. E espero que ela estando onde estiver agora, me perdoe por não ter me redimido antes...
Falou isso e sentou-se. e se surpreenderam com a atitude de Paola. E seguiram com a sua homenagem;
- sempre nos ensinou e lutarmos por nossos sonhos, por tudo o que queremos. – Disse olhando para os garotos da banda. – E é graças a ela que hoje podemos dizer que somos pessoas que aprendemos a valorizar quem está ao nosso lado.
- Ela foi a nossa guia em tudo. – Disse . – Ela nos ajudou nas piores horas e do fundo do coração, esperamos que tudo o que ela fez por nós dois tenho sido retribuído. Obrigada, .

- Obrigado por tudo! – Disse .
O Vácuo tomou conta mais uma vez de todos. Mas alguém quebrou o silêncio...
- poderia ser uma menina comum, com uma rotina comum. Mas não foi... – Todos olharam espantados. Era Dougie quem estava falando. Na verdade, era uma surpresa para ele também, não sabia de onde tirara a coragem para falar sobre isso. – foi mais do que filha, amiga, mais do que fã. Foi um exemplo de vida. De superação. mostrou que o amor, o amor puro e verdadeiro é capaz de enfrentar qualquer barreira. É capaz de fazer até com que o mundo seja um lugar melhor para se viver.
- nos mostrou que ser uma pessoa digna é ser uma pessoa que sabe quais são os seus limites. Sabe quando é a hora de pensar no futuro, refazermos nossas atitudes e aceitar que somos todos iguais. Somos todos irmãos! – Disse Tom.
- agora será a nossa Star Girl. Uma garota que está no espaço, nos olhando e nos cuidando. Vai ser a luz dos nossos dias. – Disse Harry.
- Ela vai ser eternamente a garota que mostrou a todos nós que estamos aqui, que a força de vontade é o primeiro passo para termos qualquer de nossos desejos realizados. – Disse Danny.

Assim seguiram muitas homenagens. Foram mais de duas horas de culto de corpo presente. Até que o padre encerou a missa e o corpo da menina foi dirigido ao cemitério...
Chegando ao cemitério, o corpo de foi sepultado ao som de ‘Star Girl – McFly’, que foi cantada e tocada pelos meninos da banda. Todos se emocionaram e cantaram junto, ao fim da música com o trecho: “I can't get enough of you, galaxy defenders, stay forever, Never get enough of you”, foi fechada a sepultura da menina. Esse foi o ultimo adeus à Jane ...

As férias acabaram, e as aulas chegaram. Paola era outra pessoa, estava mudada e agora os outros colegas gostavam muito de conviver com ela.
sentia muita falta de sua amiga. Já não era a mesma coisa a vida sem . Faltava-lhe um pedaço do coração. Um pedaço que a menina levou junto de si quando se foi.
às vezes se pegava pensando em . Lembrava do beijo que dera na menina. Nunca na vida encontraria alguém como ela, nunca. Com certeza se apaixonaria novamente, mas seria para sempre o seu primeiro grande amor.
A turma estava eufórica. Contavam as novidades das férias. As fofocas amorosas. Alguns comentavam sobre , mas era muito pouco. O sinal tocou, a professora entrou na sala e começou a botar a turma em silêncio. Então o diretor entrou acompanhado de uma menina morena, morena de olhos azuis, que despertou a atenção de todos por ser muito parecida com . O diretor notou o espanto da turma e tratou de apresentar a garota a seus novos colegas;
- Crianças, essa é Warner. Ela veio dos Estados Unidos, e vai passar uma temporada de intercâmbio conosco. Por favor, a ajudem a se integrar com a turma e a escola...

FIM


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